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N.º

7 abril › junho 2020

ENTREVISTA 28 A UM FOTÓGRAFO DE VIDA SELVAGEM

PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL | GRATUITA

Envelhecimento Saudável 24

Os riscos da automedicação 9 A automedicação é um comportamento errado, enraizado na sociedade, ignorando-se que o que resulta para um determinado organismo não resulta noutro

O papel do idoso na sociedade actual 16 Não é fácil re-equacionar papéis numa época industrializada, capitalista, focada no produto e na evolução, onde o conhecimento nascido da experiência, parece não ter importância.

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Grande Entrevista

Dra. Ivone Mirpuri


A SUA SAÚDE EM BOAS MÃOS, 24 HORAS POR DIA O serviço de apoio domiciliário por nós prestado é uma resposta social que consiste na prestação de cuidados alargados a quem deles necessite, no seu próprio domicílio. Mais informações 961357034 | ama@grupoh.pt | grupoh.pt

Empresa licenciada pela Segurança Social com o Alvará nº03/2014


ÍNDICE N.º

7 abril › junho 2020 PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL | GRATUITA

Índice e Ficha Técnica....................................................................................................................................................................................................................3 Editorial | Dr. António José Henriques ................................................................................................................................................................................. 4 Cultura | O Corpo na Arte e na Medicina, através do tempo | PhD António Delgado ..........................................................................6 Saúde | Farmácia Alves | Os riscos da automedicação | Dra. Sofia Lourenço Silva ..................................................................................9 Gestão | O que aprendemos com a pandemia? | Henrique Alves Henriques............................................................................................ 10 Grande Entrevista | Dra. Ivone Mirpuri ......................................................................................................................................................................... 12 Saúde | Psicologia | O papel do idoso na sociedade actual | Dra. Carla Ferreira ..................................................................................... 16 Saúde | Medicina Geral e Familiar | Máscaras. Já que temos que as usar, usemo-las bem | Dra. Fátima Lorvão ..................... 18 Saúde | SSTSA | Cuidados para manter a qualidade de proteção da sua máscara | Eng. Eduardo Santos ...................... 20 Saúde | Estomatologia | Ortopedia Funcional dos Maxilares | Dra. Rita Carreira .................................................................................. 22 Saúde | Patologia Clínica | Envelhecimento Saudável A Medicina do Futuro | Dra. Ivone Mirpuri ............................................24 Pessoas & Animais | Entrevista a Miguel Almeida Bruno | Fotógrafo de vida selvagem ..............................................................28 Especialidades Médicas, Terapias e contactos.......................................................................................................................................................33 Todas as imagens são propriedade da Towerelephant | A publicação não respeita as regras do AO90 no entanto cada autor é livre de o respeitar ou não.

FICHA TÉCNICA Director: António José Rodrigues Henriques Nº de Registo: 127210 Propriedade: Grupo H Saúde - Policlínica Central da Benedita S.A. NIF- 501348786; Entrecolunas, Unip. NIF-507269543 - 86,11%; Presidente do Conselho de Administração: Dr. António José Rodrigues Henriques; Vogal: Dr. Nuno Miguel Alves Henriques; Registado na ERS - Entidade Reguladora da Saúde com nº E111471 Sede do Editor: Avenida Estados Unidos da América, nº72, 8ºDto, 1700-158- Lisboa Tiragem: 5000 exemplares Distribuição: Gratuita Impressão: Relgráfica, Artes Gráficas Lda, Benedita, Alcobaça, 2475-011 Algarão

Gabinete de Comunicação e Relações Públicas: Henrique Alves Henriques Colaboradores na edição: Dr. António José Henriques | PhD António Delgado Henrique Alves Henriques | Dra. Sofia Lourenço Silva Dra. Fátima Lorvão | Dra. Carla Ferreira | Dra. Ivone Mirpuri Dra. Rita Carreira| Eng. Eduardo Santos | Miguel Almeida Bruno Sede da Redacção: Towerelephant, Lda - Rua Palmira Bastos, 7, 7.ºA, 2810-268 Almada e.mail: redaccao.revistasaudehoje@gmail.com Gabinete de Imagem: Dots of Light, Lda Publicidade e Marketing: Media Style/ mediastyle.ca@gmail.com Periodicidade:Trimestral

ESTATUTO EDITORIAL A publicação periódica Grupo H Saúde adopta claramente um estatuto editorial que abordará temas sobre saúde destinados aos utentes e público geral, com o objectivo de informar sobre a temática da saúde/sua prevenção/novas técnicas clínicas e inclui o compromisso de assegurar o respeito pelos princípios deontológicos e pela ética profissional dos jornalistas/médicos/opinion makers, assim como pela boa fé dos leitores.

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l a i r o t i Ed

Re-inventar e adaptar São as novas palavras de ordem no meio de uma grande apreensão e é por isso a altura certa para falarmos em unir esforços e superar a distância a que a Covid-19 nos forçou. Já houve pandemias em outras épocas como a peste bubónica em 1343, a cólera em 1817, a tuberculose em 1850, a varíola em 1896, a primeira versão da influenza em 1917, o tifo em 1918 e o próprio HIV em 1980. Todas elas ceifaram milhões de vidas nos primeiros anos até surgirem as vacinas ou os medicamentos para prevenir e mesmo curar. Potenciado pela facilidade com que somos informados, temos a precepção de que esta pandemia foi a que provocou em menos tempo mais alterações no quotidiano de biliões de pessoas. Já se sabe que a Covid-19 surgiu da mutação do corona vírus e do comércio de animais selvagens sem qualquer cuidado sanitário. Pode afirmar-se que foi o resultado da lógica económica centrada no lucro a qualquer preço, que não se importa com a vida, o meio ambiente ou o futuro das próximas gerações. A pandemia representa por isso mais um importante sinal de alerta. Pela primeira vez a humanidade teve consciência de que pode ter um inimigo comum e assistiu

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incrédula a uma contaminação geral. Nenhum país foi poupado e tal provocou a reflexão sobre o que estamos a fazer com todas as formas de vida no Planeta. Países, governos e até uma parcela de sectores económicos aderiram a iniciativas de isolamento social apesar dos inevitáveis impactos nas economias. Países fecharam fábricas, comércio, escolas e serviços públicos. Tudo em nome da preservação da vida. Nasceu uma consciência coletiva de que estamos todos ligados e por isso, ou estamos todos seguros, ou ninguém estará. A pandemia Covid-19 é um acontecimento gravíssimo para toda humanidade, mas também representa uma oportunidade. Está na linha do horizonte a possibilidade concreta de que os movimentos gerados pelo Covid-19 de defesa da vida se mantenham como elemento orientador das futuras decisões. Com a Covid-19 uma grande parte da sociedade humana parou. Esta paragem melhorou a qualidade do ar, deixou mais transparentes as águas dos oceanos, reduziu os acidentes de trânsito, reduziu

a emissão dos gases de efeito estufa, pôs em cheque as teorias neoliberais e as suas políticas. À escala global é a demonstração de que é possível mudar. A humanidade pode e deve reinventar-se. E temos agora uma oportunidade para isso. Precisamos de acreditar juntos que as mudanças são possíveis. Se não nos unirmos agora e não passarmos a respeitar a natureza, com empresas sustentáveis cuja pegada ecológica tem de ser diminuída podemos perder a janela de oportunidade que se abriu neste momento crucial para a humanidade. n

Dr. António José Henriques Director Editorial redaccao.revistasaudehoje@gmail.com


Cultura

PhD António Delgado Docente Universitário Investigador no CIEBA- U.Lisboa

O Corpo na Arte e na Medicina, através do tempo Entre a beleza ideal e a ideia de corpo perfeito, sempre houve divergências significativas que a História a Arte nos ajuda a compreender. Na figura humana, tanto a sua Estética como a Ética evoluíram ao longo da História. O Cânon corporal fixado nas proporções da Vénus de Milo e criado pela cultura grega, foi posteriormente representado no Renascimento, posteriormente, em roliças e enfatizadas formas nas pinturas clássicas e na atualidade é contraposto ao das modelos anoréxicas das passerelles de Moda. A mítica ideia de “Gordura é Formosura”, tornou-se numa séria manifestação pública de falta de saúde e os médicos encaram-na como um dos mais sérios viveiros de patologias múltiplas, danosas para a saúde pública e individual. A percepção desta realidade motivou importantes alertas por parte dos mais representativos organismos internacionais de saúde ( OMS – Organização Mundial de Saúde ) e pelos os governos de cada país, alertando para o problema do excesso

de peso e dos hábitos alimentares não saudáveis. O sector primário, um dos grandes suportes das economias, determinou que os produtos alimentares fossem acompanhados da sua composição, calorias, gorduras, etc, e origem. Deste então a produção agrícola enveredou por caminhos mais biológicos e menos tóxicos e na distribuição surgem as cadeias de lojas dietéticas e de produtos naturais…O setor primário, no seu interesse de melhorar a saúde alimentar , alertou igualmente sobre o consumo de açúcar em excesso, o que por vezes encontra sérias dificuldades face aos lobbies e monopólios instalados. Recentemente ouvi num programa de televisão que por cada três colheres de açúcar consumido no mundo, duas pertencem à indústria de um só multimilionário. Em simultâneo ao alerta da alimentação, a necessidade de atividade física transformou-se numa fonte económica

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que nutre um sem número de empresas que se dedicam ao cuidado do corpo: ginásios, massagens, personal trainers, comercialização de roupa desportiva adequada às diferentes práticas, piscinas, campos de férias, atividades de lazer ao ar livre …Campos estes que em rede ou formando-as, já suscitam polémicas sobre a saúde corporal e alimentar, bem como os seus reflexos na saúde pública e as enormes divergências que o excesso promove e assinalam diferenças significativas entre os países ricos e pobres….(p.e. o colesterol é uma doença de países ricos). Deste modo, os debates sobre morbidez e fome, a infelicidade psicológica e o sofrimento somático, a boa presença social e a má imagem pessoal são de extrema atualidade, na medida em que se tornaram num dos efeitos colaterais deste enorme problema que é a alimentação e a imagem corporal. Em alguns tópicos iremos espreitar como as Belas Artes (Desenho, Escultura e Pintura) manifestaram estas factualidades, ao longo do tempo, das quais ninguém é alheio e que surgem desde tempos arcaicos. Apesar de tudo, esta guerra sobre medidas de roupa e dietas alimentares tem a precisão das relações cambiantes entre a silhueta do corpo humana e o pensamento vigente em cada período cultural bem como as tendências que elabora sobre o corpo, pois este é, também e para todos os efeitos, o símbolo da opulência e da ostentação social de riqueza. Razão pela qual, no período medieval o prestígio da gordura nasce da sua exceção à regra da fome endémica, da mesma forma que a riqueza plena pode ter a ideia de um mítico “el dorado”, ou a ideia de bem estar eterno se sustentar num idílico «Paraíso».


A gordura seria, um capital com cotização muito alta num “mercado” habitado por famélicos pobres. O prestígio da obesidade no período medieval, reside na figura de reis e cavaleiros. Houve mesmo dois reis na Península Ibérica com o cognome de «O Gordo»: D. Afonso II (neto de D. Afonso Henriques e D. Sancho I, rei de Leão. A figura do “Gordo” parece indicar que a força do glutão é consubstancial ao vigor do guerreiro. Ideia que não é alheia a uma sociedade dominada por senhores feudais, cuja função seria defender o reino e a fé mediante as suas armas, por isso é fácil concluir que força física era de grande importância e estimava-se como o resultado da saciedade alimentar para sustentar o mito de quem mais comesse dominaria os outros. Só os moralistas do período medieval, elevavam a voz e criticavam a obesidade, porque a gula era um dos sete pecados capitais condenados pela Fé Cristã (FIG.1) como é recordada no figura do “ Inferno” em trípticos e desde os púlpitos. Tal como a pobreza era definida como uma virtude embaraçosa, embora fosse uma qualidade elevada no exemplo a imitar de Deus. Pelo contrário, as pessoas nada edificantes eram refletidas nos corpos dos poderosos, onde se incluíam os bispos, pontífices e abades, sobre os quais a memória popular ainda preserva muitos ditotes.

Na Idade Média, predicava-se na igreja e na rua o exemplo caridoso da esmola, “dada ao necessitado” , de duas maneiras: através de dinheiro, ou pela chamada “sopa dos pobres e/ou do convento” um socorro alimentar, dado aos mais necessitados, normalmente à porta dos conventos. Um donativo que antecede a assistência pública dos modernos Estados e que, a meu ver, não era tanto por justiça social, mas para acautelar problemas de ordem pública, despistando eventuais respostas violentas, a que a pobreza extrema conduz e que, mesmo assim motivou a revolução francesa, acabando por decapitar o poder. No período Renascentista iniciou-se um cânon pictórico de proporções ideais aberto por Durer (FIG 2) Leonardo da Vinci e Miguel Ângelo, … que passará a um realismo barroco para transbordar força física e extravagâncias naturais, muito bem patentes nas “Três Graças” de Rubens (FIG.3) Esta obra, além mostrar mulheres de corpos amanteigados, corpulentos e estatuados, apresenta formas voluptuosas, palpáveis e de traseiros hiperbólicos. Estas representações de corpos, já não correspondem às representações do século anterior, mas ao gosto pessoal de Rubens por volumes exagerados. As

imagens, como as ideias dos homens, são filhas do seu tempo, mas também ao gosto do seu criador. A revolução científica no Renascimento impactará no discurso médico e até pelo estudo da Anatomia, trará novas realidades, Como, p. e. entender a pele e as suas propriedades para expulsar as substâncias nocivas e que no interior dos corpos devia circular o ar. A nova relação orgânica entre o homem e a sociedade, considera prática saudável o “lavar-se” para que a sujidade não bloqueie os poros. Resultando daí, mudanças nos hábitos higiénicos mas a limpeza e a assepsia, assim como as vestes das pessoas, aligeiram-se em tecidos e peso, e no final do Período Iluminismo, as calças dos “san-culottes” durante a Revolução Francesa, são cortadas, como forma de se oporem às calças usadas por aristocratas. Estas peças iriam redesenhar as da burguesia liberal, e as roupas decotadas ao modo das personagens no quadro de Delacroix “A Liberdade Guiando o Povo”, verificada na imagem da mulher principal que marcha de peito descoberto, sobre barricadas e cadáveres…entretanto os volumes físicos irão individualizar-se no período das “luzes” e começa-se a prestar atenção à medida e ao peso do corpo, e as críticas à gordura corporal são reorientadas, iniciando-se a condenação pública da obesidade. Os homens e as mulheres adiposas são satirizados nos séculos XVII e XIX, pela literatura como mostra a “ Comédia Humana” de Balzac, igualmente as caricaturas de J.J.Grandeville, disso dão “voz”. Mostrando o género humano por tipos, mas associando-os em simbiose com tipo de animais, em caricaturas antropomorfas (FIG.4).

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O ventre bem característico do burguês é criticado por lembrar o Antigo Regime e é interpretado como sintoma de doença e de patologia social. Considerando-se esta um mau exemplo na moral pública, para uma existência saudável. O advento da Modernidade vem apadrinhar a alegria e o viver hedonista da «Belle Epoque» que irá render culto

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ao corpo fora da submissão logo desobrigado. O cânon grecolatino de Beleza é recuperado (FIG.5) seja pela Arte, Erotismo ou Higiene. O resgate destas proporções têm muito que ver e de novo, com o discurso médico. No qual o paradigma de Saúde, defende ser a “Cabeça” tão importante como o “Tronco” pelo que a psicanálise indaga na intimidade individual e na consciência coletiva. Em consequência os ginastas tornam-se os heróis clássicos, as cortesãs “vendem” a sua silhueta nos salões mundanos, os dandis exibem a sua figura nos escaparates públicos e os burgueses são feitos figurinos, passeiam o seu narcisismo por jardins e paisagens em espelhos que lhes devolvem o reflexo da felicidade (FIG.6). O contacto com a natureza e a prática de desportos por lazer iniciou-se. Mais recentemente, surgem os escravos das silhuetas, submetidos à constante exposição pública do corpo cujo expoente máximo é atingido pelas estrelas de cinema e pelos famosos sempre presentes numa imprensa que se denomina cor-de-rosa, acabando assim por sentenciar a gordura como doença e a delgadez como o padrão ideal de saúde e estética. O efeito é tão gráfico e forte que o discurso político absorve de imediato a ideia e “ gorduras do Estado”, torna-se corrente no discurso político para exemplificar práticas económicas pesadas

e onerosas, nada saudáveis para o normal desenvolvimento da economia do país… No Estado o “excesso de peso” da administração e a sua função pôs-se a descoberto. Ao longo da história a magreza e a gordura como cânones de beleza, nunca foram imutáveis, apenas se adaptaram segundo cada época e as culturas. Mesmo, que não sejamos capazes de erradicar a fome no planeta a Medicina está preocupada, com a obesidade e com a anorexia que não distinguem géneros ou idade. Neste paradoxo em volta da silhueta vivemos: as mulheres não se libertaram de depilações que cada vez mais, são radicais e definitivas mas agora os homens também o fazem, passando também a consumir cremes, perfumes, e lingerie… tratando de seguir o modelo metrossexual -definido pelo homem urbano que se preocupa em cuidar da aparência e cujo modelo é copiado dos futebolistas e atores de cinema. Não será tempo de, tendo em conta a nossa condição de mamíferos habituados à liberdade, começarmos a questionar esta “necessidade humana” de vivermos em espartilhamentos cíclicos? n

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Dra. Sofia Lourenço Silva Farmacêutica

Os riscos da automedicação A automedicação consiste na utilização de medicação, por parte do indivíduo (sem prescrição médica) após autodiagnóstico, para tratamento de queixas de saúde passageiras e sem gravidade. Normalmente envolve apenas a utilização de medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM), contudo, por vezes também inclui o uso de medicamentos já prescritos em situações anteriores para uma doença crónica ou recorrente do próprio ou de alguém conhecido. A automedicação é um comportamento errado, enraizado na sociedade, sendo frequente que se dêem conselhos nesta área, ignorando-se que o que resulta para um determinado organismo não resulta noutro e que muitas vezes existe um risco associado à toma conjunta com outros medicamentos prescritos pelos médicos. A automedicação é frequente e transversal a toda a população: adultos, idosos e crianças. A prevalência de automedicação na população adulta portuguesa situa-se entre 21,5% e 31,6%. Compete ao farmacêutico o bom aconselhamento para as indisposições ligeiras.

Maiores riscos

• Interação com outros medicamentos; • Provocar efeitos adversos; • Mascarar doenças mais graves, dificultando ou atrasando as respetivas soluções terapêuticas; • Interpretação incorreta dos sintomas da doença e, consequentemente, diagnósticos errados; • Dependência; • Doses subterapêuticas ou tóxicas; • Escolha de um tratamento farmacológico inadequado, incluíndo a dosagem, a posologia e a duração da toma do mesmo.

Grupos de maior risco • • • • •

Grávidas; Bebés e crianças; Idosos; Doenças crónicas; Doentes polimedicados

Situações possíveis de automedicação

• Sistema digestivo: diarreia, obstipação, vómitos; • Sistema respiratório: estados gripais e constipações, rinorreia, congestão nasal, tosse e rouquidão; • Sistema muscular/ósseo: dores musculares ligeiras, dores pós-traumáticas, dores reumatismais ligeiras a moderadas;

• Cutâneas: Verrugas, queimaduras de 1 .º grau, micoses, picadas de insectos, seborreia, herpes labial; • Cefaleias e enxaquecas; • Ansiedade ligeira; • Dificuldade temporária em adormecer; • Febre, com duração inferior a 3 dias.

Automedicação responsável:

• Não ultrapassar os 7 dias de duração. Se os sintomas persistirem por mais tempo, a automedicação está contra-indicada. Deverá então recorrer a consulta médica. • Conhecer os efeitos terapêuticos, as reacções adversas, doses dos medicamentos; • Aquisição de medicação por vias legais, em casos de compras online usar apenas sites registados no INFARMED (de forma a evitar falsificações); • Não utilizar medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM);

Resumidamente:

A utilização de MSRM sem prescrição médica pode constituir um risco para a saúde do doente, directa ou indirectamente, mesmo quando usados para o fim a que se destinam, caso sejam utilizados sem vigilância médica. Exemplo é a hidroxicloroquina, que após um estudo que indicava a sua utilização para

o tratamento do novo coronavírus, vários utentes tentaram obter esta medicação sem receita, ignorando o facto desta medicação causar alterações no ritmo cardíaco, em alguns casos fatal, entre outros efeitos adversos. E por isso, a toma desta medicação necessita sempre de acompanhamento médico. De forma a ser segura e obter todas as vantagens, a automedicação deve ocorrer sobre indicação ou aconselhamento farmacêutico. Este consiste numa boa recolha de dados sobre o utente (outras doenças, medicação, história familiar) e análise das queixas do doente (sinais e sintomas). Esta recolha de informação pode permitir reduzir os riscos associados à automedicação. O farmacêutico também fornece toda a informação necessária sobre o medicamento, como por exemplo o modo de administração, a posologia, a dose para que haja eficácia e segurança do tratamento. O doente deve confiar no farmacêutico pois este profissional tem conhecimentos técnico-científicos, capacidade para reconhecer os sintomas e saber tratá-los e é capaz de detectar se a situação necessita de intervenção médica n Referências: Joaquim, Magali, 2011, Automedicação versus Indicação Farmacêutica; Amaral Odete et al; 2014 Automedicação em jovens e adultos da região centro de Portugal.

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Henrique Alves Henriques Director Executivo do Grupo H Saúde

O que aprendemos com a pandemia? Esta análise pressupõe uma conversa interior feita em silêncio primeiro. Depois podem e devem fazê-la em conjunto.

sistema de saúde, de técnicos na linha da frente é um bem precioso que pode salvar vidas e impedir uma catástrofe?

Apreendemos a ser mais tolerantes?

Aprendemos o valor da responsabilidade?

Aprendemos que vivemos no mesmo planeta e que a desgraça alheia, mesmo a que ocorre longe, nos pode bater à porta num piscar de olhos?

Aprendemos o valor dos professores, que ensinam as crianças e jovens?

Aprendemos que este vírus não sobrevive à solidariedade e que ao protegermos a nossa saúde estamos a também a proteger a de todos com quem interagimos? Aprendemos que tudo o que entendemos como adquirido e como tal tudo o que não valorizamos pode desaparecer num segundo? Aprendemos por isso a dar outra importância aos bons momentos e à felicidade? Aprendemos que o valor da saúde e de um

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Aprendemos a reagir, a procurar outras viabilidades para os nossos negócios ou trabalho? Aprendemos a tratar melhor os que estão ao nosso lado? Aprendemos que os animais por algum motivo foram poupados a isto e que se calhar foi outra maneira de percebermos onde nos conduz a ganância e a falta de respeito pelas espécies e pela natureza?

Agora que se aproxima uma nova fase de “contingência” e também o mês de Outubro em que os cientistas prevêem novo pico, a somar às gripes já fatais para os idosos, convinha mergulharmos nas emoções que sentimos desde Março, na ansiedade, na preocupação, no medo e porque não, também na nossa capacidade de nos superarmos e sairmos dos caminhos mais percorridos. Aprendermos a gerir melhor as nossas fragilidades mas também a não esquecermos que temos forças para as enfrentar e que há quem tenha formação para nos ajudar se necessitarmos.

Aprendemos a reinventar a vida?

Aprendemos que isolados somos mais fracos e que a adaptação a uma nova realidade é fundamental para prosseguirmos mais fortes e ultrapassarmos esta provação.

Aprendemos a renascer?

Nós estaremos Aqui, Por si! n


Grande Entrevista A Dra. Ivone Mirpuri é Patologista Clínica e ao longo desta conversa, destrona com coragem alguns tabus e aponta alguns caminhos que em muito poderão beneficiar a vida e o mundo em que vivemos. Do problema da obesidade, passando pelo envelhecimento que a todos preocupa e reflectindo sobre a Covid19, prevalece a opinião de grande verticalidade de pensamento e conhecimento.

Onde nasceu e cresceu? Nasci a 19 de Outubro de 1959 em Luanda, onde estávamos por força dos negócios do meu pai. Regressámos pouco depois por causa dos problemas de 1961, em Angola. Cresci em Carcavelos até aos 7 anos, onde frequentei o St Juliens School, altura em que regressámos para Luanda, de onde só voltei aos 15 anos, na altura do 25 de Abril. Foi uma infância muito feliz e despreocupada, com tempo e toda a família junta, os meus pais e os meus seis irmãos. Na verdade a minha irmã mais nova, com menos 17 anos do que eu, já nasceu em Lisboa. Porquê e quando decidiu seguir medicina? Com cerca de 13 anos tive a certeza de querer ser médica. Lia livros sobre médicos, via séries

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de médicos, em Lisboa, pois em Luanda não tínhamos televisão o que favoreceu o fortalecimento dos laços de família que mantemos ainda hoje entre irmãos, pois infelizmente os meus pais já partiram. Acho que pensei ser médica pelo amor que sentia pela minha família. Para que se um dia precisassem eu pudesse ajudar. Quais são os problemas que a sua especialidade trata? Sou patologista clínica, pois não gostava de me relacionar directamente com os doentes, não querendo “sofrer” com eles. Sou muito sensível ao sofrimento e não me faz bem, por isso não vejo televisão nem notícias, geralmente, para não me agredir. Eu sei que o mundo é mau e está estragado mas

gosto de pensar que é bom e ajudar quem posso à minha volta. Tive um laboratório de análises clínicas durante 18 anos e como cada vez o laboratório tinha mais trabalho e eu ganhava menos dinheiro, pois as tabelas de comparticipação eram cada vez mais miseráveis, decidi vendê-lo. Há uns anos já me dedicava à medicina para o envelhecimento saudável, pois acredito que temos de actuar na prevenção para que o descalabro que verificamos no envelhecimento não avance. O começar a “medicina anti-envelhecimento” foi devido à preocupação pela minha menopausa que um dia chegaria e eu não queria fazer o que se fazia cá em Portugal, pois tendo um laboratório de análises clínicas muito vocacionado para “a mulher” sabia que apenas 6% das mulheres continuavam a terapêutica


de compensação hormonal na menopausa, ao fim de um ano. Isto fazia-me pensar que se tal acontecia era porque elas não se sentiam bem com a terapêutica que lhes era instituída. E eu tinha e tenho muito medo de envelhecer sem saúde e tornar-me um peso à sociedade e à minha família. O que mais trato são distúrbios menstruais, obesidades, hipotiroidismos, andropausa e menopausa. Mas muitas vezes tudo o que o doente não resolveu nas outras especialidades e porque há que ver o doente como um todo em vez de partido em cada àrea e subespecialização. E seria um grande passo, se os médicos abríssem os olhos a esta forma de olhar o doente. Abordemos agora um problema que aflige tantos: há uma forma de perder peso própria para cada um de nós? Sim, claramente e dado que a obesidade e o excesso de peso dependem de múltiplos factores, temos de “ajustar” o programa a cada indivíduo. O que influencia a perda de peso? A idade, o sexo e o metabolismo são importantes? Estão na génese da obesidade/excesso de peso, factores genéticos, metabólicos, ambientais e comportamentais. Devido à génese multifactorial, a idade, o sexo e o metabolismo têm muita importância.Sem termos em conta os cinco pilares fundamentais para a manutenção da nossa saúde não teremos um corpo são numa mente sã. Estes pilares são: a nutrição, fundamental, (e eu atrever-me-ia a dizer que o mais importante de todos, pois nenhum dos outros poderá funcionar bem sem este pressuposto), o exercício físico (adaptado à condição física da pessoa e à idade, e objectivos pretendidos), a suplementação alimentar (dado que os alimentos não conferem tudo o que deveriam dar-nos), a modulação hormonal ( que faz A diferença, sobretudo em idades a partir dos 40 anos) e a mudança dos estilos de vida, onde o sono desempenha um papel fundamental. O stress é um factor primordial pois elevará a insulina e o cortisol, o que provoca uma diminuição da secreção de todas as outras hormonas, inclusivamente da melatonina e da Hormona de crescimento, que estão na relação inversa com esta hormona. Por isso o sono é importante. Durante o sono o corpo está a desenvolver inúmeros processos metabólicos, e não está “em descanso”. Estarmos acordados, fará com que tenhamos

mais fome e elevará o consumo de alimentos. E alimentos de má qualidade, dado o estímulo da insulina, que consequentemente levará à “compulsão” por hidratos de carbono “maus”. O que é importante para perder peso e o manter? Como referi, os 5 pilares que enumerei. Todos estão interligados. Não pode ter boas hormonas sem bons nutrientes. Mesmo que eu lhe dê as hormonas em falta, se não tiver vitaminas, minerais e substratos necessários ao seu funcionamento, não só não estou a fazer nada de bom, como eventualmente a fazer-lhe “mal”. Daí que o equilíbrio hormonal, ou melhor dizendo a “modulação hormonal” que consiste em optimizar as minhas hormonas dependa destes cinco pilares. É mais difícil para uma mulher perder peso? Há diferenças entre os sexos neste domínio? Como já referi, o equilíbrio e a modulação hormonais são fundamentais num programa de perda de peso. Algo está mal, decerto, entre a alimentação e as hormonas, passando pelos estilos de vida. Há que verificar todos os pilares, e corrigir o que estiver mal. Suplementar adequadamente com o que for necessário, e estimular muitas vezes indirectamente o corpo, sem necessidade de recorrer a hormonas o que só fazemos nos mais velhos, quando o corpo já não pode ser estimulado, pois não as produz. Nas mulheres eu diria que sim, é mais difícil, dada a complexidade hormonal e a “cascata” de regulação que isto implica, pois mexer numa hormona, implica ter o conhecimento da interrelação entre todas e de como este equilíbrio é fundamental. As hormonas desempenham um papel fundamental na nossa saúde, e sem o seu equilíbrio gera-se a doença. Não são elas que fazem “mal”, mas o desequilíbrio entre elas. E dou-lhe já um exemplo: a mulher mais velha, está sempre em dominância estrogénica, pois perde toda a sua progesterona, que é diurética, e apenas vai baixando os seus níveis de estradiol. Sobretudo no excesso de peso o estradiol está sempre elevado, pela conversão no tecido adiposo da androstenediona em estradiol. Por isso ao começarem a perder as hormonas as mulheres “alargam”, engordam e ficam “Balzaquianas” com as mamas maiores. Esta dominância estrogénica não é de todo saudável, pois este desequilíbrio entre o estradiol e a progesterona gera patologia mamária e uterina. No homem, o equilíbrio é mais rapidamente alcançado do que numa mulher, mas o

objectivo em ambos os casos é alcançável, desde que o utente esteja motivado. Por isso também, há que ter tempo para explicar todos estes factores e como é importante ter em conta os cinco pilares para o alcance do objectivo pretendido. Como costumo dizer, não podemos dizer ao utente que “não pode fazer isto ou aquilo”. Só vivemos uma vida e não deve ser de sacrifício. Penso eu. Mas se eu lhe explicar PORQUE não gostava que ele fizesse, isso, a pessoa motiva-se e fará tudo bem sem qualquer sacrifício e em 2-3 meses o objectivo está cumprido e a motivação levará a manter o programa de vida saudável, que o fará manter o peso. Qual é o papel das hormonas na perda de peso? As hormonas são fundamentais para a manutenção da nossa saúde. Eu não trato crianças, por isso falarei apenas da idade adulta, depois da puberdade pelo menos.Todo o equilíbrio hormonal é fundamental como vimos. São hormonas importantes no controlo do peso…todas. Mais especificamente, o cortisol e a insulina (daqui a importância do controlo do stress e do sono), os estrogénios e a progesterona (daqui a importância da preparação da menopausa e tratamento hormonal na menopausa, se possível), da tiróide, em qualquer idade, mas perceber que não se prescreve a toma de hormona tiroideia para perder peso, aliás não se dá nenhuma hormona para perder peso, mas para manter a saúde e consequentemente o peso. A hipofunção tiroideia associada à idade (por falta de secreção da TSH, menos número de receptores, mais fraca conversão da T4 em T3) só é responsável por 4-5 kg, do excesso de peso corporal. Não pelos 2030 que muitas vezes a pessoa tem a mais, e por isso temos de ter em conta muitos factores e os genéticos.Outras hormonas fundamentais na manutenção do nosso peso, são a testosterona e a hormona de crescimento. Não esquecer a importância da água que devemos beber e a sua qualidade, e a elevadíssima importância da disrupção endócrina na génese da obesidade e da doença na nossa sociedade.Todos os programas de controlo de excesso de peso, começam por elucidar MUITO BEM o utente sobre a disrupção endócrina, que é um tema sobre o qual já falámos na edição anterior desta publicação.

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Como encara a adaptação a esta nova realidade (covid) e qual a sua prespectiva para os próximos anos? Todos os erros que fizemos até agora na “administração” da COVID-19, foram devidos ao desconhecimento da doença. São perdoáveis por isso. Quando a DGS dizia para não usar máscaras, e punha os médicos a trabalhar se fossem assintomáticos, quando ventilámos pessoas que não necessitavam de ser ventiladas e se calhar precipitámos um mau desfecho, quando agora se continuam com as medidas restritivas em vez de “educarmos” a população e apelarmos a uma medicina preventiva para maior reforço do nosso sistema imunitário… são medidas com as quais eu pessoalmente discordo. Não é o local de debate sobre o que todos nós já sabemos como consequente ao lockdown e restrições que se continuam a colocar: desemprego, criminalidade, mais corrupção, economias paralelas, aumento de patologias do foro físico e mental e bancarrota dos subsistemas de saúde, pois nenhum sistema se aguenta sem implementar medidas preventivas…o que não fizemos e mais grave, parece que vamos continuar neste registo. Assim o que eu penso é que em vez de se ter perdido o tempo de quarentena a amedrontar as pessoas e a parar a economia e destruir as

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famílias, devíamos ter educado a população numa medicina preventiva, e no reforço do sistema imunitário, o que alguns ainda acham ser uma fantasia que nada vale. Mas tanto vale que não tenho conhecimento de NENHUM utente meu ter ficado doente. Durante a quarentena eu liguei a televisão nos primeiros tempos e de facto surpreendeu-me que 24/24 horas o tema fosse a COVID-19 mas nada de medidas de prevenção e conselhos úteis, mas tão só o amedrontar a população para que se mantivesse em casa, fechada. Compreendo que o desconhecimento da doença nos fez tomar estas medidas, talvez escusadamente. Os números…os números NUNCA são os reais, pois os testes apresentam falsos positivos e falsos negativos, dependem da população estudada e de múltiplas outras variáveis como a facilidade com que se certificou a COVID-19 como a causa de óbito em muitos casos, como é de todos sabido. Sendo eu patologista clínica deixe-me só explicar aqui uma coisa: O “período de incubação” é o tempo entre a exposição ao vírus e o aparecimento dos sintomas.Para o SARS-CoV-2, o período de incubação varia de 1 a 14 dias. Mas a maioria das pessoas desenvolve sintomas 4 a 6 dias após a exposição. O “período infecioso”, fase em que o vírus pode ser transmitido a outras pessoas, pode começar de 1 a 3 dias antes dos sintomas

e durar sete dias após o início dos sintomas. Embora algumas pessoas possam transmitir a infeção por mais tempo, até 2 semanas.A transmissão por pessoas assintomáticas (sem sintomas) ainda está a ser investigada. Daqui que fazer os teste de PCR caríssimos por rastreio não faz sentido. Advogo nestes casos testes à pesquisa da imunidade recente (IgM) ou passada(IgG) para estudos populacionais. Logo estar alerta para os sintomas básicos que todos sabemos e nesta altura efectuarmos um teste e isolarmo-nos era uma boa medida. Relembro aqui os sintomas mais frequentes e outros alertas: febre, tosse, dificuldade respiratória, dores musculares, falta de olfacto e/ou paladar , dor de garganta, ter estado em contacto com pessoal infectado conhecido, dor de cabeça, diarreia. Os testes de PCR, que são os realizados em secreções nasais ou da garganta , são os testes atualmente recomendados para o diagnóstico da COVID-19 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Devemos no entanto ter em consideração que os testes de RTPCR também apresentam óbices sobretudo derivados de: má colheita com falsos negativos, detecção de antigénio (partículas virais), já num momento não infecioso, com obtenção de falsos positivos neste caso, período de incubação até um teste positivo, pode ir até uma semana. Daí que talvez seja mais interessante como rastreio, e até porque muito mais económico e de fácil colheita, e rapidez de leitura em 10-15 mn, utilizarmos testes de detecção de Anticorpos IgM e IgG (respectivamente para imunidade mais recente ou passada), isolando os casos IgM positivos sem IgG, o que significaria infecção recente. Estes testes de deteção da exposição são, geralmente, aqueles que detetam anticorpos no sangue que são produzidos pelo organismo do doente em resposta à infeção pelo vírus. Temos sempre de ter em conta a sensibilidade e a especificidade do teste que escolhemos. A sensibilidade dá-nos a ideia do “falso negativo”. Dizer que a sensibilidade é de 100% relativamente à IgM, indica-nos que não nos dará falsos negativos para a IgM se presente. Já a especificidade indica-nos os “falsos positivos”. Dizer que a especificidade é de 98% , diz-nos que os positivos serão muito certamente positivos com baixa taxa de falsos positivos. A especificidade do teste é muito importante, pois um teste com menor especificidade, se a prevalência da doença for baixa, dará cerca de metade de falsos positivos. Isto é matemática. Em situação de pandemia onde esperamos que a prevalência já não é de facto tão baixa, é muito importante usar testes de elevada especificidade para não termos falsos positivos


o que atrapalha toda a veracidade dos números que se lançam para a comunicação social. E circulam testes no mercado de muito pouca especificidade e são utilizados apenas por serem mais económicos o que não devia ser permitido, pelas consequências que daí advêm. Espero que o INFARMED só tenha certificado testes com mais de 98% de especificidade. Sabemos ou devíamos saber da imunosenescência. Sabemos que as pessoas mais velhas e com comorbilidades sofrem mais de um desfecho menos bom. Vamos então educar as crianças e os adultos e os médicos, ensinando o que é a medicina preventiva, para que a doença não se desenvolva e alastre mais. O que sugiro desde já e basicamente é EDUCAR e não AMEDRONTAR. Amedrontar torna irracional e erradas todas as medidas que se possam tomar. Amedrontar para instigar à vacinação? À doença? À destruição da sociedade? Não compreendo o poder económico num mundo não apelativo ao uso da riqueza adquirida com a sua destruição. Eu nunca me vacinarei para este efeito. Nem obrigada a manter-me em clausura, que parece que é o que nos querem fazer. Ensinar os sinais e sintomas que devem levar à execução do teste e ao isolamento. Cada um de nós deve ser responsável e respeitar o outro considerando-se infectado nesta situação. Ensinar nas escolas e faculdades sobre a importância da nutrição, para que os corpos e mentes cresçam saudáveis. Abolir produtos processados e açucarados, que viciam e destroem a saúde da população. São uma droga horrível e causadora da maior parte das mortes de causa médica pois levam à obesidade e doença. Suplementar toda a população com vitamina D3 era outra grande medida, pois há estudos em relação à Covid que verificaram que ninguém morreu com níveis de D3 acima de 34 ng/mL. A todos os meus utentes adultos dou sempre Selénio, magnésio e Vitamina D3 e no inverno acrescento B12 e C. A sua perspectiva advém da sua especialidade? Como trabalho em modulação hormonal sei a importância do equilíbrio hormonal na nossa saúde e de como a disrupção endócrina a que estamos sujeitos diariamente o afecta. Mas em Portugal “modulação hormonal”…não é uma coisa conhecida pela maioria das pessoas … e alguns médicos, sendo que a própria Ordem dos Médicos se manifesta contra a utilização das hormonas na prevenção da doença e envelhecimento saudável. Também não vou discutir este assunto aqui, mas as coisas estão a mudar e muitos médicos já perceberam esta

“A frontalidade é uma qualidade de que gosto muito. Dizer o que se pensa sem medos das críticas dos outros… As palavras são para se dizer. As boas e as más quando necessário.” necessidade. O futuro, se não percebermos de medicina preventiva e se não educarmos a população, vai ser pior para todos. Já pensou na quantidade exponencial dos tumores dentro de alguns anos devido ao uso abusivo de “desinfectantes”? Vai a um centro comercial, entra em 10 lojas e é obrigada a colocar nas mãos e a absorver 10 vezes uma substância disruptora endócrina, se entrar em 10 lojas, numa tarde. Isto é um absurdo! Já pensou nos efeitos de respirar “ar reciclado” com elevada concentração de CO2 e níveis altíssimos de microfibras e microplásticos, pelo uso abusivo das máscaras? Já pensou nos EPI, puro “plástico” e as toneladas que pusemos na natureza, acrescida à que já tínhamos? Estamos de facto na “era do plástico”(já tivemos a da pedra e a do bronze e a do ferro) e em 200-300 anos a éspecie humana poderá ser extinta. É o que preconizam os cientistas, o que a mim não me surpreende. Muito haveria sobre este tema a desenvolver. Quais os pilares mais decisivos da sua vida e personalidade? O mais importante na minha vida é a minha família e efectuar bem o meu trabalho, sendo muito aplicada no que faço. A minha personalidade é fruto de uma educação rígida, éramos muitos, tinha de haver uma certa “disciplina militar”. No entanto, fomos sempre ouvidos, respeitados e incentivados a produzir sempre mais e melhor, o que fazíamos para retribuir todo o amor e tudo o que os nossos pais faziam por nós. A vida deles a nós foi dedicada. Sempre. Assim aprendemos o valor da honestidade, da verdade, da isenção, da importância de dormirmos sempre de “consciência tranquila”, não havendo dinheiro nenhum que comprasse isso. Além disto considerome uma pessoa extremamente justa e que gosta de ajudar em tudo o que pode. Sei que não posso mudar o mundo, que não “tenho uma voz” para isso e tenho ao mesmo

tempo medo de a ter pois gosto muito da minha privacidade. Acedi a esta entrevista porque é uma forma de eu divulgar o que faço e incentivar os outros a fazê-lo, dado que me reformarei em breve e me dedico ao ensino também desta “medicina preventiva” (www.gemae.pt) Escrevi um livro, “ A Mulher e as Hormonas” (que reverte para Associação Bianca, Associação de Protecção a Animais Abandonados) e não querendo exposição pública, não assinei com nenhuma editora, nem o divulguei como deveria ter feito. Penso hoje que devia ter procedido de forma diferente pois considero muito importante tudo o que escrevi, dou no entanto valor a estar incógnita e continuar a ajudar o que posso à minha volta, até porque não tenho “mãos a medir”. Como ocupa o seu (pouco) tempo livre? Quando não trabalho ou estou a estudar, que é a maior parte do tempo, porque me dá muito prazer, adoro dançar e fazer exercício físico. E claro, desfrutar dos momentos incríveis que tenho em família pois como já referi somos muitos irmãos e sobrinhos e sem modéstia, todos do melhor e tenho uns poucos amigos muito bons com quem também estou quando posso. O que mais admira nas pessoas e o que menos gosta? A frontalidade é uma qualidade de que gosto muito. Dizer o que se pensa sem medos das críticas dos outros. A história do “rei vai nu” comigo…não se aplica nunca. As palavras são para se dizer. As boas…e as más quando necessário. São sempre com sentido de crítica construtiva e às vezes lamento magoar alguém, mas nunca é essa a minha intenção. Aliás, só perco tempo a dizê-las se valer a pena corrigir algo, pois se é para “cortar” nem gasto esse tempo. O que não suporto, a mentira. Costumo dizer que posso compreender tudo menos a mentira. Numa palavra como se definiria? Isso são os outros que podem dizer sobre mim. Penso que nenhum de nós tem uma personalidade definida pois somos diferentes para diferentes pessoas e em diferentes fases da nossa vida. Mas toda a gente me acha muito bondosa. Acho que sou mesmo. Costumo dizer é que não sei o que quero, mas muito seguramente sei sempre o que não quero. O que mais desejava era que todos efectuassem uma medicina preventiva para que as cabeças funcionassem sempre bem, as pessoas fossem mais saudáveis, e o Mundo se endireitasse para deixarmos um bom legado às gerações futuras. Muito obrigada pela oportunidade n

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Carla Ferreira Diretora de Recursos Humanos

O papel do idoso na sociedade actual Longe estão os tempos em que a idade representava um posto na hierarquia social. Os relatos históricos transportam-nos para uma era onde os mais velhos eram detentores de poder e onde o cuidado dedicado aos mesmos era efectuado como regra familiar, sendo indiscutível a sua prestação por parte dos mais novos. 16


De há uns anos a esta parte, com a modernidade e os avanços da economia, o sistema de valores alterou-se e o foco passou a ser a produção no lugar da sabedoria. Esta mudança de paradigma colocou as pessoas de idade num lugar de peso e estorvo, o que se nota em todas as dimensões da nossa existência. Os lares surgem em massa para dar resposta às necessidades indiscutíveis da ocupação permanente dos familiares idosos e tornam-se num lugar onde a despersonalização pode tomar conta da vida dos nossos ascendentes, sem que na verdade nos possamos dar conta da dimensão do fenómeno. Só quem está lá dentro conhece o tamanho da palavra desenraizar e da solidão adjacente. Na verdade, estas estruturas munem-se de técnicos formados e vocacionados para criar um cenário habitável, por vezes mais idílico, outras vezes menos aprazível, onde as actividades de estimulação ocupam o vazio de tudo o resto, para que o pensamento não divague e percorra territórios que magoam. O balanço chega a ser positivo por parte do esforço levado a cabo por tantos profissionais que se comprometem a fazer o que podem, para que os seus utentes não sejam apenas um número que vence o nome, para em tantos casos substituirem a própria familia , mas na prática, o que sucede na história de vida é um acumular de hábitos em cadeia, onde muitas vezes os sentimentos ficam para trás, perdidos algures entre o que já viveram e o resto do fim dos seus dias. Se podemos fazer alguma coisa para contrariar esta tendência, será a pergunta que se impõe. Não é fácil re-equacionar papéis numa época industrializada, capitalista, focada no produto e na evolução, onde o conhecimento nascido da experiência, parece não ter importância. Os valores crescidos nesta junção de necessidades e interesses, não privilegia de forma alguma o papel individual de cada idoso na sociedade. Num ápice, os valores mudam de forma e não é inédito encontrar famílias que tratam os seus ascendentes

“O lar não suporta mais do que setenta e três pessoas, e, para que uma entre, outra tem de sair. A saída é dolorosa mas rápida, rodam-se alguns velhos pelos quartos fora. Eventualmente um que esteja acamado vai para a ala esquerda, já muito vizinho dos mortos e outro entrará num quarto vago com vista para o jardim.” Valter Hugo Mãe, a Máquina de fazer Espanhóis.

de forma demasiado prática e pouco pessoal, esquecendo que são pessoas por quem foram tratados e cuidados quando crianças e que necessitam do mesmo carinho e respeito de sempre. É fácil, quando a cadeia de humanidade não está bem alicerçada, deixar de lado os interesses e vontades de quem já não tem poder e se encontra dependente e vulnerável, cuja vontade perdeu a força da exigência, numa personalidade que normalmente não é fácil, em que o mais prático pode ser o caminho rápido de descartar para longe da vista e das preocupações na escolha da solução estereotipada de um “Lar”. Em pior condições podem estar os idosos que de alguma forma nem tenham acesso fácil a estruturas de apoio. Há carências económicas, solidão, excesso de burocracias e dificuldades imensas, que passam despercebidas aos olhos desatentos do mundo activo. Uma simples consulta pode ser muito difícil de conseguir. Uma aquisição de géneros ou medicamentos pode ser complexa de efectivar, por falta de meios ou por carência económica. Um dia vazio pode ser muito difícil de preencher, porque os ouvidos chegam cansados ao fim do dia, se é que chegam... e a repetição exaustiva de quem repete em todas as horas os mesmos hábitos, não apetece a quem chega exausto de mais um dia de trabalho. E assim se somam e percorrem o fim dos dias. Dotar os jovens e as crianças da responsabilidade para com os mais velhos pode ser o início de um caminho árduo, mas o único possível se quisermos ter uma sociedade mais solidária e melhores adultos. Olhar para a vida como vida até ao fim e não como vida enquanto ser activo, será outro dos trajectos desagradáveis. Encarar o idoso como uma pessoa válida e humana, deverá ser o principal objectivo das próximas gerações, por forma a não nos tornarmos numa pequena máquina produtora de bens, mas vazia de afectos. Os afectos fazem parte da condição humana e se conseguirmos prosseguir nesse registo, talvez um dia consigamos recuperar o respeito pela vida, em detrimento do valor da economia n

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Dra. Fátima Lorvão Médica de Medicina Geral e Familiar na Policlínica da Benedita

Máscaras

Já que temos que as usar, usemo-las bem Dada a situação da atual Pandemia por Covid, com o aumento de casos de infeção em todo o mundo, as medidas de proteção vão ter que manter-se por muito tempo mais. O distanciamento social e o uso de máscara generalizado são universalmente aceites como sendo as formas mais eficazes de proteção para nós próprios e para os outros. Temos por isso de nos mentalizar que usar a máscara passará a estar presente nas nossas vidas num período que se estima entre um a dois anos. Em Portugal apenas usamos máscara nos espaços interiores mas crê-se que em breve teremos de usá-la também no exterior.

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No entanto a utilização da máscara por longos períodos pode fazer surgir vários problemas de saúde e por esse motivo temos de nos adaptar e assimilar algumas condutas para que o desconforto se minimize, para evitar problemas de maior gravidade e para que não haja o risco de comprometer e agravar outras situações já existentes. No presente momento e dado o afastamento das unidades hospitalares por receio de contágio acentua-se o alerta para que não deixe fora de controlo a sua situação clínica

evitando que as doenças crónicas se possam complicar ou mesmo tornar fatais. Referimo-nos a doenças como a diabetes, a hipertensão arterial, as doenças cardíacas, sendo estas as mais frequentes, há a necessidade de se fazer a vigilância regular e não adiar a ida ao médico, muito menos suspender a medicação e/ou os tratamentos. Há toda uma disciplina e rotina que é imprescindível manter. Os auto-cuidados devem ser intensificados e como tal as teleconsultas com médico


Tipo de máscara

A quem se destina

Protecção

Guardar

Desinfecção e/ou lavagem

Cirúrgica

Pessoas sãs e de uso obrigatório para as pessoas doentes

Tipo I >95% Tipo II >98%

São de uso único. Se tiver que guardar deve ser em bolsa ou em papel

Não devem lavar-se ou desinfectar-se

PFF

PFF2 >92% Pessoas que estão em PFF3 >98% contacto com o vírus Durante 8 h + ou -

São de uso único. Se tiver que guardar deve ser em bolsa ou em papel

Não devem lavar-se ou desinfectar-se pode prolongar o uso deixando de usar durante 3 a 7 dias até usar novamente

São de uso único. Se tiver que guardar deve ser em bolsa ou em papel

Não devem lavar-se ou desinfectar-se pode prolongar o uso deixando de usar durante 3 a 7 dias até usar novamente

Em bolsa ou em papel

Podem lavar-se segundo as instruções do fabricante

KN95

Pessoas sãs

>95% Durante 8 h + ou -

Higiénicas Reutilizáveis

Pessoas sãs

> 90% Durante 4 h + ou -

ou com enfermeiro, poderão ser uma alternativa, evitando-se deslocações e reduzindo assim os riscos e contactos . Da experiência clínica que tivemos ao longo destes últimos meses e com base nas situações mais frequentes que nos chegaram, damos neste artigo um conjunto de recomendações práticas que serão decerto de muita utilidade para todos, nos próximos tempos. Em relação à máscara, use o modelo que lhe seja menos desconfortável . A impressão e desconforto pela sensação de oclusão são as queixas mais frequentes, por causarem calor, pelo suor e sensação de que se respira mal e porque dificulta a comunicação pois oculta a expressão do nosso rosto e o sorriso. Aspectos que tornaremos a abordar neste artigo. Uma das queixas mais frequentes do uso continuado da máscara é a dor de garganta. Esta dor tem sido muito frequentemente confundida com os sinais de infeção pela Covid-19 e faz com que se consulte a linha SNS24 e que ou se marque uma consulta médica. Esta dor de garganta deriva da secura das mucosas do nariz, boca e faringe e é muitas vezes agravada pelos sintomas do refluxo do ácido do estômago aumentado também nas actuais circunstâncias pelo stress que esta pandemia trouxe às nossas vidas. São também frequentes a secura dos lábios e as infeções fúngicas da boca e da língua. Observamos muitas destas situações e que são muitas das vezes facilmente controladas com o ensino de medidas de higiene simples

que devem ser adoptadas no quotidiano tornando-as rotina, tal como lavarmos os dentes, bochecharmos várias vezes ao dia a boca com água morna com sal e se tal não for possível pelo menos com água e ao levantar e deitar repetir fazer gargarejos e lavar também as narinas. Beber ao longo do dia cerca de 7 copos de água e incluir nas refeições diárias alimentos que hidratem, incluindo chás, sumos, batidos, frutas e legumes, sopas e saladas cruas devidamente lavadas. É natural que com o uso de máscara se sinta mais cansado. É natural que o ciclo da respiração demore mais - ao longo do dia concentre-se nos movimentos respiratórios. Demore mais tempo na inspiração e expire devagar. Faça várias vezes ao dia inspirações profundas. Em relação à oclusão que a máscara provoca , a voz é muitas vezes atingida e desgastada, não só pelos aspectos da desidratação que atrás referimos, mas pelo esforço vocal necessário para que nos entendamos. A máscara vem afetar a forma de comunicarmos através do rosto - quando falamos expressamo-nos e todo o rosto comunica e agora sem a ajuda das expressões faciais é mais difícil fazermo-nos entender. Por outro lado é difícil pronunciar bem com o uso de máscara e a voz torna-se menos nítida. Profissionais que tenham que usar a voz durante o dia de trabalho tendem a falar mais alto o que aumenta o cansaço. É necessário passar a falar pausadamente e vocalizar bem. Surgiram muitas situações de infeções urinárias agudas. Um dos principais fatores foi a desidração, por se ingerir menos água com o uso da máscara .

Recomenda-se que de hora a hora se faça um intervalo para retirar a máscara e beber um copo de água. Outros aspectos nefastos do uso da máscara e que são muito frequentes, principalmente nos profissionais de saúde são não só devido à compressão dos elásticos, como a alteração da mímica do rosto, que provocam ao fim de algumas horas dores, tendinites , espasmos do rosto, cervicalgias e agravam a disfunção da articulação tempo-mandibular. Recomenda-se uma pausa de 4 em 4 horas e exercícios de relaxamento diários. Muitas pessoas têm tido alterações da pele ou agravamento de situações devido ao uso da máscara (acne, dermatites, rosácea e foliculites). Damos alguns conselhos para o dia a dia:

Pela manhã

limpar a pele com um sabão hipoalérgico suave e aplicar um creme hidratante não comedogénico. Não devem ser usados produtos irritantes como o ácido glicocólico ou o retinol. A oclusão juntamente com o suor aumentam a capacidade de irritação. Não deve ser usada maquilhagem, sobretudo na área coberta pela máscara. Usar protector solar se estiver no exterior.

À noite

limpar bem a pele. Evitar fazer exfoliantes. Hidratar bem a pele. Eleger as máscaras de algodão (100%) para evitar as lesões. Substutir com muita frequência a máscara. Retirar a máscara quando se está só e durante 15 minutos de 3 em 3 ou de 4 em 4 horas.. Hidratar os lábios pelo menos de manhã e à noite n

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Eduardo Santos Engenheiro Técnico Superior de Segurança no Trabalho

O adequado uso de máscara Cuidados para manter a qualidade de proteção da sua máscara No atual contexto de pandemia as máscaras são, juntamente com o distanciamento social, a primeira barreira de proteção no combate à COVID-19 (Acrónimo do inglês coronavirusdesease- doença provocada por corona virús seguida do ano em que foi identificada, 2019), sendo um elemento essencial para evitar infeções e impedir a transmissão do vírus. A sua utilização é obrigatória nos transportes e espaços públicos (fechados) e no exterior,

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desde que a distância de segurança – 2 metros - não possa ser mantida. As máscaras cumprem a sua função desde que sejam adequadamente mantidas, pelo que é importante que se levem em consideração alguns aspetos na sua limpeza e desinfeção.   Podem degradar-se devido a fatores como a exposição ao ambiente em que são usadas, as condições e o tempo de uso e os

procedimentos de cuidado e manutenção a que estão sujeitas. Todos estes fatores devem ser levados em consideração pelo fabricante antes de serem colocadas no mercado, de forma a garantir que o produto seja seguro nas condições de uso pretendidas. Para que o fabricante possa recomendar um procedimento para limpar ou desinfetar a máscara ele tem de verificar que, durante a vida útil do EPI (Equipamento de proteção individual) e sob as condições de


uso pretendidas, este procedimento não tem efeitos adversos sobre a qualidade de proteção da máscara, durante a utilização e na segurança do utilizador, ou seja, que o procedimento não causa nenhum efeito adverso à saúde. Assim o aspeto mais importante a ter em conta são as recomendações do fabricante para a limpeza e desinfeção do seu produto. Portanto, se um método de limpeza ou desinfeção não for explicitamente autorizado para um modelo específico pelo fabricante, o utilizador não deverá executá-lo.   A duração máxima de uso da máscara deve ser respeitada.   As máscaras têm uma duração específica. Excedendo a sua vida útil, a capacidade de a máscara oferecer proteção ao utilizador pode ser seriamente diminuída. A duração de uma máscara é difícil de estabelecer à priori, pois dependerá de fatores como o tipo de máscara, a concentração de agentes no exterior e a frequência respiratória do utilizador (associado às condições metabólicas da tarefa) etc. Assim, elas são projetadas para serem utilizadas durante um turno de trabalho, no máximo. Quando este tempo de utilização é excedido, ou qualquer outra indicação fornecida pelo fabricante, a máscara deve ser descartada em recipientes próprios e não no chão ou mar, como infelizmente se tem visto.     Não devemos esquecer que, mesmo que um fabricante tenha estabelecido um método válido para a desinfeção da máscara, uma vez que a vida útil do filtro é excedida, a capacidade de proteger o utilizador diminui, independentemente de a máscara se encontrar perfeitamente livre de agentes nocivos.   As máscaras não duram, nem são eficazes para toda a vida.   Siga sempre as instruções do fabricante tanto para a limpeza e desinfeção, como para os ciclos e lavagem e de utilização. Ultrapassando o tempo de vida útil, seja em ciclos de lavagem ou tempo de utilização, descarte a máscara e utilize uma nova.

Nunca esquecer de colocar a máscara corretamente, a qual deve cobrir a boca e o nariz, além de estar bem apertada para minimizar espaços entre o rosto e a máscara; evitar tocar na máscara durante a sua utilização; removê-la com a técnica apropriada, o que implica não tocar na parte de frente (deve ser retirada por trás); após a sua remoção e de cada vez que é tocada inadvertidamente, proceder à lavagem das mãos; substituir a máscara assim que fique húmida por outra seca e limpa, não reutilizar máscaras de uma única utilização; descartar as máscaras nos contentores de lixo comum, de preferência em saco devidamente fechado e colocado dentro do contentor, nunca ao lado deste.

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Dra. Rita Carreira Médico Dentista na Policlínica da Benedita

“A principal vantagem de optar por uma intervenção precoce é a possibilidade de evitar a evolução de diversos problemas associados ao crescimento da face e dos maxilares.”

Ortopedia Funcional dos Maxilares Vivemos tempos em que a saúde oral é cada vez mais valorizada e a procura de cuidados de medicina dentária acontece cada vez mais cedo. Assim, é possível não só atuar de forma preventiva, como também obter uma detecção precoce das doenças orais. Hoje em dia é cada vez mais comum a utilização de aparelhos dentários, quer por motivos estéticos de alinhamento dentário, quer por motivos funcionais e estruturais.

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Segundo a OMS, a terceira doença oral mais comum na população a nível mundial são as más-oclusões, ou seja, o encaixe dos maxilares e dentes faz-se de forma incorreta.

Muitas pessoas ainda acreditam que devemos esperar pela troca de todos os dentes para podermos iniciar os tratamentos de correção dentária. Mas será que é bom esperar por essa alteração mais definitiva? Quais são as vantagens de optar por uma intervenção precoce? É importante adotar estratégias para atuar de forma preventiva nas más-oclusões. Agora,


através da Ortopedia Funcional dos Maxilares, já é possível intervir desde cedo, até mesmo na dentição de leite ou durante a troca dos dentes.

O que é a Ortopedia Funcional dos Maxilares?

A Ortopedia Funcional dos Maxilares (OFM) é uma área da medicina dentária dedicada ao estudo, prevenção e tratamento das alterações do crescimento e desenvolvimento craniofacial. Através da Ortopedia Funcional dos Maxilares é possível corrigir discrepâncias existentes entre os maxilares e, consequentemente, ajudar na correção da posição dos dentes. Esta especialidade está diretamente relacionada com o crescimento da face. A principal vantagem de optar por uma intervenção precoce é a possibilidade de evitar a evolução de diversos problemas associados ao crescimento da face e dos maxilares.

Sinais de alerta

(para saber se deve procurar um tratamento ortopédico funcional dos maxilares para o seu filho) • Tem o hábito de estar com a boca aberta • Respira mais pela boca do que pelo nariz • Faz ruídos a respirar durante o sono • Tem dificuldade em comer alimentos duros • Faz “bolas” com os alimentos durante a mastigação • Tem dificuldade em mastigar com a boca fechada • Tem o palato (céu da boca) muito profundo • Tem espaços entre os maxilares • Os lábios não selam completamente • Não fala corretamente • Tem os maxilares a encaixar de forma incorreta

Quais as possíveis causas dos dentes tortos nas crianças?

As principais causas associadas às más-oclusões são os hábitos prejudiciais como o uso de chupeta, biberão ou sucção dos dedos, as alterações a nível da respiração, nomeadamente a respiração oral e a mastigação inadequada. As alterações no crescimento e desenvolvimento dos maxilares interferem com a harmonia da face e estão relacionadas com as funções orais da respiração, deglutição, fala e mastigação. O correto crescimento e desenvolvimento dos maxilares, assim como as funções orais adequadas, são fundamentais para a qualidade de vida da criança. As alterações estéticas e na fala condicionam a autoestima da criança e têm um impacto na saúde oral e geral da criança. Na consulta de Ortopedia Funcional dos Maxilares, promovemos a deteção e intervenção atempada e personalizada para cada caso clínico. Cada paciente é avaliado e tratado de forma a recuperar não só a estética, mas principalmente a função e a melhoria do seu estado de saúde. Fique atento aos sinais de alerta e lembre-se que prevenir é sempre melhor do que tratar n

Prognatismo Maxilar

Mordida cruzada

Prognatismo Mandibular

Mordida profunda

Mordida aberta

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Dra. Ivone Mirpuri Médica Patologista Clínica especialista em Modulação Hormonal | Certificação em Medicina Anti-Envelhecimento pelo CENEGENICS, Las Vegas | Especialista em Medicina Anti-Envelhecimento e Modulação Hormonal pela WOSAAM e International Hormone Society

Envelhecimento Saudável A Medicina do Futuro

O nome “Medicina Anti-Envelhecimento” (MAE) não é de facto um nome bem conseguido, dado que “antienvelhecimento” pode parecer “não chegar a velho”, o que então quer dizer morrer novo. Daí que muitos lhe chamam medicina integrativa, regenerativa, funcional, “slow Aging”, “smart aging”, “lifestyle medicine” ou qualquer outro nome diferente de “medicina anti-envelhecimento” (MAE) ou “anti-aging”, associada sempre a estética, quando na verdade a MAE nada tem que ver com a estética. Eu gosto do nome de Medicina para o envelhecimento saudável. Na verdade o nome pouco importa, pois a MAE não é uma especialidade, nem nunca poderá ser, sob o meu ponto de vista, pois é

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um complemento da nossa actividade médica devendo estar integrada no espirito dos médicos de todas as especialidades. O objectivo é um envelhecimento saudável com mais energia e vitalidade, mais saúde e menos doença. A necessidade da prevenção é absolutamente indispensável. Faz mais sentido prevenir desde cedo a doença para que os anos vindouros sejam activos e vigorosos, do que tratar a doença e idealizar asilos e lares, para acolhimento de idosos, super-medicados, que já não vivem, apenas aguardam a morte. É infelizmente, esta a realidade. Temos de meditar sobre isto e actuar na prevenção urgentemente. A medicina mudou e a forma de olharmos para ela tem também de mudar. Não

podemos “fechar os olhos” à realidade e fazer ou não fazer porque o “livro de texto diz”. Passarão décadas até que muito do conhecimento actual se expresse nos livros de Medicina. Não podemos “enterrar a cabeça na areia” quando a cada dia, temos a evolução do conhecimento a um nível difícil de acompanhar para quem estuda muito e diariamente. Quanto mais para aqueles que por força das circunstâncias não o fazem. Fazer uma medicina personalizada requer conhecimento…e tempo. É impossível fazê-lo em consultas de 15-30 minutos. Harvard, uma faculdade conceituada nos EUA tem um departamento de


Algumas diferenças que eu apontaria entre a medicina tal como a praticamos na generalidade actualmente e a medicina do futuro MEDICINA ACTUAL Medicina Anti-Envelhecimento, dedicado à investigação. Em 2009, Elizabeth H. Blackburn, Jack W. Szostak e Carol W. Greider foram galardoados com o Prémio Nobel de Fisiologia e Medicina na sequência dos seus trabalhos a nível dos telómeros, telomerase e antienvelhecimento. Nós envelhecemos por diversos mecanismos, entre os quais o stress oxidativo, o encurtamento dos telómeros e a queda hormonal que se verifica com a idade. Estes 3 cientistas descobriram o mecanismo utilizado pelas células para impedir o encurtamento dos cromossomas através da enzima telomerase. A medicina anti envelhecimento e para o envelhecimento saudável, é uma medicina preventiva que tem como objetivo proporcionar-nos uma melhor qualidade de vida, atrasando sinais e sintomas relacionados com o envelhecimento. Não é o elixir da juventude, nem tem por objetivo acrescentar mais anos de vida. Saúde não é apenas ausência de doença. A própria OMS redefiniu o conceito de saúde como “Estado de completo bem estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e deformidades” Para a MAE, a saúde é muito mais do que não estarmos doentes. É estar em sintonia com a vida, sentindo entusiasmo, alegria, energia e paixão. É estarmos felizes o que só conseguimos mantendo uma mente sã num corpo são. Não morremos por termos idade. Morremos por causa das doenças degenerativas associadas à idade: Cancro, Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC), Doenças cardiovasculares, Diabetes, Hipertensão,

MEDICINA NO FUTURO

Trata factores de risco individuais

Trata também estilos de vida

O utente é um receptor passivo do tratamento

O utente desempenha um papel activo no seu tratamento

Não se pede ao utente grandes mudanças

O utente é elucidado sobre as grandes mudanças a efectuar

A responsabilidade do tratamento é mais do médico

A responsabilidade do tratamento é do médico e do utente

A medicação é o “fim” do tratamento

A medicação é um adjuvante da mudança dos estilos de vida saudáveis

Ênfase no diagnóstico e prescrição

Ênfase na motivação e “compliance”

Objectivo é tratar a doença

Objectivo é prevenção primária/ secundária/terciária

Pouca consideração pelo “ambiente”

Mais consideração pelo “ambiente”

Os efeitos secundários são desprezados em função dos benefícios adquiridos

Há a preocupação pelos efeitos secundários e a sua expressão consequente no futuro

Doença Pulmonar Crónica Obstrutiva, Osteoporose. Estas 7 causas representam 70% das causas médicas de morte em quase todo o Mundo. E se formos a pensar bem, em todas estas patologias, a obesidade por exemplo participa na génese de todas elas. Tal como o tabaco, o álcool, os níveis altos de glucose as dietas ricas em gordura trans ou baixas em ácidos gordos

polinsaturados, omega3 frutas e vegetais, tal como a inactividade física. Todos estes factores podiam ser trabalhados educando a população e adquirindo “hábitos e estilos de vida saudáveis”. A Medicina anti envelhecimento (MAE) é exactamente uma nova forma de olharmos para a medicina e o objectivo dela é prevenir ou adiar o aparecimento “doença degenerativa” associada à idade.

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O médico do futuro tem de integrar este conceito na sua vida diária. Tem de aprender a tratar da saúde e não apenas da doença no seu estado já declarado. Mas de facto nós aprendemos apenas a tratar da doença. Nas faculdades ninguém nos ensinou a tratar da saúde.   Temos de ter a consciência de que modestas diferenças no nosso estilo de vida podem ter grande impacto na redução do nosso risco de mortalidade. Vivemos num país em que há alguns anos era o 3.º a consumir mais ansiolíticos e antidepressivos na Europa. Actualmente Portugal está em primeiro na lista da utilização deste tipo de medicação. Temos TODOS de meditar sobre o que está a acontecer. A realidade é muito “feia”. Os hospitais não tratam muitas vezes os utentes devido à idade. Há prioridades. E embora chocante, preocupante e injusto é esta a realidade. Os mais velhos também deixam de ter assistência pela maioria das seguradoras a partir de uma certa idade, quando mais precisam. Sabemos que mais de 90% dos gastos com a saúde são utilizados após os 65 anos. Algumas seguradoras não pagam consultas de medicina preventiva e estimulam ao

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consumo de recursos económicos para a manutenção da doença o que não se percebe de facto. Efectuar uma medicina abrangente tendo em conta os cinco pilares da MAE representa uma poupança futura. Estes cinco pilares são: nutrição, exercício físico, suplementação alimentar, modulação hormonal e estilos de vida saudáveis. Os doentes são tratados na mesma mas além da eventual “medicação” que trata o sintoma, são tratadas as causas também. É pois tratado de uma forma mais abrangente. Na MAE vemos o utente como um todo, damos atenção a todas as suas queixas, temos de ter tempo para o ouvir. É impossível isto fazer-se quando se tem pouco mais de 10 minutos para ver cada utente. Sem tempo, não teremos a subtileza de diagnosticar o que podia ser diagnosticado e limitamo-nos a olhar para os chamados “exames complementares”, que grande maioria não sabe interpretar, não fazendo os diagnósticos corretos, pois nós temos de ver o utente e não apenas os exames. E estes têm de ser correctamente interpretados e olhados pois muitas vezes nos permitem detectar com muitas décadas de antecedência alguma alteração cujo desfecho poderia ser fatal se não trabalhado de imediato.

Exemplos médicos correntes observados diariamente na prática clínica

1. “Regularizar” períodos ou “tensões prémenstruais-TPM”- A maioria dos médicos dá uma pílula para este efeito. O médico do futuro pensaria: “Não. A pílula contém estrogénios. Estou a baixar a função tiroideia, o sistema imunitário, a aumentar o cortisol com todas as suas consequências negativas a longo prazo, estou a provocar uma menopausa precoce nesta miúda ainda jovem, privando-a de uma sexualidade saudável, pois a pílula inibe os androgénios e a libido, estou a estimular outras hormonas do stress, a elevar o LDL do colesterol, o açúcar no sangue, a tensão arterial e os batimentos cardíacos, a suprir o sangue aos seus intestinos, a não deixar a regeneração corporal dar-se na sua plenitude, a baixar a serotonina e a causar problemas digestivos. No futuro a aumentar-lhe o risco de cancro da mama, eventualmente. E este médico do futuro, percebendo toda esta fisiopatologia e inter-relação entre as hormonas e todos os outros pilares da MAE, corrigiria a alimentação desta adolescente, verificaria os níveis de  “stress” destas meninas e talvez medicasse com uma hormona natural como a progesterona após verificar o bom funcionamento da tiróide, a maior responsável por estes distúrbios e muitas vezes na sequência  de um cortisol


elevado, o que leva necessariamente a uma progesterona também baixa, pois a “matéria prima” é a mesma para a síntese do cortisol e da progesterona, as proteínas de transporte as mesmas e os receptores de acção os mesmos. Ou seja, o médico do futuro, interrelaciona os estilos de vida, a nutrição, o exercício físico, a suplementação alimentar e a modulação hormonal, actuando em conformidade naquele caso específico. Sabe como tratar a TPM de forma a prevenir que esta miúda se torne numa mulher cheia de nódulos e quistos nas mamas e útero, sendo que muitas vezes vemos raparigas ainda novas já histerectomizadas com um passado de TPM, que não foi corretamente diagnosticado e tratado. 2. Outra situação frequente é o colesterol aumentado. Sim, o colesterol que tanta “guerra” tem dado entre os médicos e entre estes e a indústria farmacêutica. O médico, ao verificar um colesterol aumentado, terá de imediato a tendência para baixar este valor. Muitas vezes nem avaliando a proporção entre as diferentes fracções do colesterol. O colesterol é de suma importância para o nosso corpo. Ele constitui uma substância “reparadora” do nosso organismo. É precursor da Vitamina D e das hormonas esteroides. Os ácidos biliares necessários à absorção da gordura são feitos de colesterol, é um potente anti-oxidante, protegendo-nos do cancro e envelhecimento. É vital às funções neurológicas. Desempenha um papel importante na memória e hormonas cerebrais, incluindo serotonina. Os receptores da serotonina não funcionam com níveis de colesterol muito baixos. Se baixarmos muito o nível de colesterol vamos ter problemas de açucar no sangue, edemas, deficiências minerais, inflamação cronica, dificuldade na cicatrização, alergias, asmas, diminuição da libido, infertilidade e outros problemas na reprodução. Devemos ter a noção que mais drogas = mais demência, e que esta custa mais de 4 vezes ao estado que o cancro. O médico do futuro pensará que o corpo é maravilhoso e sabe que ele tenta auto compensar-se. Ele pode, enquanto não doente na fase de exaustão (1936, Hans Selye), equilibrar-se desde que o ajudemos. Ao observarmos um colesterol alto não devemos ter a tendência de o baixar logo sem avaliar as suas proporções “boas e más”, ou que essa elevação pode estar a representar um mecanismo de compensação do corpo para secretar hormonas esteroides. É o que acontece com a idade e a baixa das nossas

“Temos de ter a consciência de que modestas diferenças no nosso estilo de vida podem ter grande impacto na redução do nosso risco de mortalidade” hormonas. O colesterol começa a subir. É um mecanismo de compensação. Ou que a tiróide não está a funcionar bem. Pois na baixa da hormona tiroideia activa T3 verificamos frequentemente um aumento do colesterol pois sem T3 a “cascata” de colesterol não se desenvolve e todas as hormonas esteroides ficarão em deficiência o que não será bom para a nossa saúde também. O problema e a discussão nem devem ser as Estatinas e todos os seus riscos e perigos, pois terão em alguns casos, eventualmente, benefícios. Tudo depende de cada caso, mas certo é que antes de decidirmos por este caminho deveríamos pensar nestas outras hipóteses. 3. Ou o caso da má qualidade do sono e depressão e irritabilidade verificado nas mulheres da menopausa por baixa hormonal medicadas de imediato com um ansiolítico e anti-depressivo. Em vez de se tratarem das hormonas estamos a fazer medicações que trarão problemas no futuro como falta de memória, pior qualidade de vida, flacidez do nosso corpo e aumento de outras doenças como os tumores da mama que triplicam nas mulheres que consomem alguns tipos destas substâncias. Não querem fazer hormonas com medo do cancro (falsa relação, se tiverem em conta o equilíbrio alcançado com o conhecimento dos “5 pilares” da MAE) mas fazem medicações algumas com risco superior ao das hormonas não bioidênticas. 4. Outro exemplo clássico é a depressão, onde há que se verificar a tiróide. E não é pelas análises que vemos o bom funcionamento da tiróide. É clinicamente, e ecograficamente, pois que podemos ter as análises “bem” (as que vulgarmente se pedem), e o utente ter um hipotiroidismo periférico celular. O hipotiroidismo subclínico não diagnosticado, é uma condição frequente. Queixas frequentes como mãos frias, pés frios, dor e rigidez matinal das articulações,

a fadiga, o acordar cansado, a facilidade em engordar com todos os cuidados, a prisão de ventre, a tendência depressiva, estão entre os sintomas e sinais major do hipotiroidismo. É frequente o utente não ser diagnosticado porque “as análises estão normais”. 5. Ou ainda o acne, em que aparecem a fazer ciclos de isotretinoina, em vez de se corrigir a alimentação e verificarem os níveis hormonais e efectuar o seu equilíbrio após correcção essencial da alimentação, sem a qual nada vamos conseguir. Mas a forma mais simples é dar uma pílula mais uma vez. 6. E por fim, a disbiose intestinal, uma das causas do síndroma do intestino permeável tão importante de ser tratado, pois está relacionado com imensas patologias hormonais e do foro autoimunitário, havendo que estar alerta para esta situação. O Médico do Futuro tem em consideração que é o trabalho dos 5 pilares da MAE que farão a diferença na qualidade de vida e no tratamento do utente. O médico do futuro trata, mas explica a importância da nutrição e do exercício físico. Indica a suplementação adequada a cada situação e sabe manejar bem os suplementos alimentares, que sendo de venda livre são muitas vezes utilizados indiscriminadamente e em doses tóxicas. Devemos pensar que além do princípio activo, todos os suplementos são veiculados no organismo por um composto e contêm um excipiente de veículo do princípio activo, substâncias exógenas do nosso corpo que podem ser tóxicas ou alérgicas ao nosso organismo. Não é porque é suplemento que “não faz mal”! O médico do futuro não pode ter 15 minutos de consulta, daí que algo tem de mudar para que se melhore a saúde dos utentes e a qualidade da medicina que praticamos. Sem tempo, não há raciocínio. Sem raciocínio somos manipulados por protocolos para os quais nem nos damos ao trabalho de fazer um juízo crítico…pois também não há tempo. O que a medicina faz atualmente muitas vezes, é prolongar a vida do utente à custa de prolongar a doença. Há que pensar-se “antes”, prevenindo e retardando o aparecimento das chamadas doenças degenerativas e isto hoje consegue-se sim, através de um equilíbrio do nosso corpo trabalhando os cinco pilares em que assenta a medicina para o envelhecimento saudável: nutricão, exercício físico, suplementação alimentar, modulação hormonal, fundamental e de facto aquela sobre a qual eu me dedico mais, e a mudança dos errados hábitos de vida. É da sinergia destes elementos que resulta o aumento da nossa vitalidade, o retardar do nosso envelhecimento e o estender eventualmente a nossa longevidade n

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Pessoas & Animais

Miguel Almeida Bruno estudou arquitectura e design gráfico mas o chamamento de África, onde passou os sete primeiros anos de vida, foi mais forte do que quaquer destino mais previsível. Organiza Safaris e é fotógrafo de vida selvagem porque teve coragem de seguir os seus sonhos. Acredita que a vida não é para dramas e que face a todas as dificuldades as pessoas devem re-inventar-se em vez de juntarem queixas e coleccionarem amarguras. Tem 58 anos, 3 filhas e 180.000 imagens que nos surpreendem sempre, pois transparecem a dedicação e o respeito que sente por cada protagonista humano ou não. facebook.com/MiguelAlmeidaBruno; Instagram: #miguelAlmeidaBruno; e-mail: miguel.bruno@bushfind.com

O que o fascina em África? Tudo o que esteja ligado à Natureza! As paisagens, o cheiro do mato, o nascer e o pôr do sol, a vida selvagem, os povos e as suas surpreendentes culturas.

É um amor eterno ou imagina-se a fazer outra coisa? É sem duvida um amor eterno mas há muito mundo para explorar e quem sabe posso ter mais que “um amor”?

E o que menos aprecia? As cidades! Prefiro os “homens do mato”, esses são os genuínos!

Considera-se corajoso? Sim, o suficiente para poder ser um bom Guia de Vida Selvagem e para me fazer respeitar

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por pessoas de outras culturas e hábitos e que têm normalmente má opinião dos que consideram intrusos… Estar num territórrio adverso impõe a necessidade de uma série de regras e disciplina que devem ser cumpridas e bem entendidas, porque é delas que depende o sucesso das expedições. Saber controlar o medo é importante, nunca permitir que me controle ou desonre.


A imprevisibilidade dos seres vivos, humanos e não humanos, já o apanhou desprevenido, em alguma situação que considerou perigosa? Por vezes as aproximações aos “não humanos” que consideramos seguras nem sempre o são. Há surpresas mas felizmente nunca tive um acidente. Com humanos já tive algumas surpresas e corri perigos necessários para (por exemplo) manter a disciplina e o respeito imprescindíveis. Sem essa disciplina, não seria possível gerir bem um acampamento. A maioria das pessoas que vê, sentada no sofá programas de vida selvagem poderá perguntar-se o que faria na presença de um leão ou de outro qualquer animal. Já apanhou algum susto? Vários, o importante é manter a calma e o sangue frio. Encarar o animal e afastar-nos sem nunca lhes virarmos as costas e muito menos correr. Não nos podemos comportar como uma presa ou é numa presa que nos tornamos. Os animais não nos querem fazer mal e com toda a legitimidade por vezes também não nos querem no seu território. Temos de os respeitar e respeitar os seus instintos.

Por outro lado já foi surpreendido por uma reacção de afecto? Eu diria curiosidade em vez de afecto. Várias situações especialmente em “camp sites” onde estamos mais inseridos no seu território. Uma vez num em Moremi (Delta do Okavango) depois do jantar e ainda com a fogueira acesa, uma hiena aproximouse para me cheirar (não me mexi claro) e mais do que uma vez elefantes entraram no nosso acampamento para comer folhas da àrvore que nos abrigava do sol (reagimos com serenidade e eles comeram o que queriam sem qualquer reacção constrangedora). Algum animal preferido? Porquê ? Entre o leopardo (por respeito) e o elefante (por admiração) não sei qual escolher. O leopardo por ser solitário e porque sei que numa vida dura como é a do mato, cheia de riscos é necessária muita astúcia e saber avaliar correctamente as situações para não correr riscos. O elefante pela sua inteligência e relacionamento social, respeito hierárquico e espírito de entre ajuda e protecção para com os outros membros da família. Alguma semelhança com o seu carácter? Acho que tenho um bocadinho dos dois! ;0) Gosto de estar no mato sozinho (absorvo mais e tenho o meu tempo só pra mim) mas também gosto de vir à cidade para estar com amigos e família de quem tenho saudades. A vida selvagem é tambem brutal e sem margem para clemências. Já teve vontade de salvar uma cria de um desfecho infeliz , o de ser morta por um perdador? Sim, claro mas não devemos interferir com a natureza por muito que nos custe. O desfecho infeliz de um ser é o desfecho feliz de outro. Não devemos alterar esse equilibrio. Uma vez em Ndutu (no Sul do Serengeti) uma cria de gnu acabava de nascer e devido a uma aproximação excessiva dum carro de turistas, a mãe assustada logo que deu à luz levantou-se e correu assustada para perto da manada, deixando a cria abandonada. Eu com o meu carro tentei empurrar a cria para a manada. A muito custo consegui! Não sei se mãe e cria se voltaram a encontrar, espero que sim. Tentei resolver o que ocorreu devido à proximidade humana.

Porque razão começou a fotografar? Sei que é possivel adquirir uma das suas incriveis fotografias. Como poderão fazer os interessados? Comecei a fotografar porque organizando safaris FOTOGRÁFICOS e sendo guia de vida selvagem , não o poderia ser se não soubesse o que procuravam os fotógrafos, os melhores ângulos, a melhor luz. Tive sempre a intenção de me tornar um fotógrafo profissional e isso não depende dos cursos que se possam fazer mas mais da sensilidade. E neste caso preciso da fotografia da Vida Selvagem é importante poder antecipar o que vai acontecer e para isso há outro factor crucial . o de conhecer o body language dos protagonistas. Não há tempo para repetições ou acertos de luz. Tornamo-nos profissionais a partir do momento que comercializamos as nossas imagens. É fàcil adquiri-las: uso as redes sociais (Facebook e Instagram) para promover os destinos e as fotografias. Basta entrar em contacto comigo! Sao 30 anos em África, 30 anos de aprendizagem e de testemunhos. Para quando um livro com todas essas relíquias? Acho sempre que ainda me falta este ou aquele destino, esta ou aquela etnia para fotografar, esta ou aquela fotografia... mas está para breve, bem como mais exposições e até trabalhos de fusão com outros artistas.

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Pessoas & Animais mas quando tal ocorre entre eles passa a ser grave! Podem ser mesmo espancados pela polícia ou condenamos num julgamento popular de forma sumária. Ser branco em África faz com que tenhamos obrigações, como por exemplo levar os filhos dos empregados à mesma clínica onde levamos os nossos filhos. O que faço sem qualquer reserva porque a saúde na maioria dos países é má sem esperar qualquer gratidão.

E sobre as tribos que encontra, que tem a dizer sobre a sua afabilidade? Há sempre umas mais afáveis que outras como seria expectável. Na sua maioria afáveis e aceitam ser fotografadas a troco de umas vendas de artesanato ou de alguns bens que lhes levo (arroz, farinha, sal, etc.). Não posso dizer o mesmo de Marrocos! Gente muito complicada… Qual a sua opinião sobre o movimento importado dos EUA, “ Black Lives Matter”? Para quem como o Miguel vive numa porporção inversa em paises onde a quantidade de negros é a maioria, algum dia lhe apeteceu gritar White Lives Matter? O que pensa do racismo? Gostaria de começar por dizer que tenho amigos africanos e pretos e que gosto muito deles. Em quase todos os países africanos senti descriminação e até racismo, por ter a pele branca. Podia contar aqui uma série de histórias desde não ser levado a sério quando me assaltaram a casa em Moçambique e depois de ter sido eu a apanhar o gatuno (porque a polícia nem se “mexeu”), até à juíza achar e dizer-me em pleno julgamento, que eu por ser “branco” (porque é assim que nos tratam) poderia perfeitamente voltar a comprar tudo o que me tinha sido roubado. Nem a polícia se dignou a investigar. Há descriminação sim! Há países africanos em que enganar um branco é motivo de orgulho

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Podemos ter a esperança de evoluir como seres humanos sem ligarmos à cor da pele? Pouca gente se considera racista até porque hoje em dia é reprovado pela sociedade, mas há quem se assuma, conheço vários, sobretudo negros! Podem ser traumas, histórias do passado que não ultrapassam, complexos e/ou frustrações, mas sobretudo falta de discernimento na forma de pensar sobre as relações entre raças. Uma coisa é sabermos que a mistura de raças é algo difícil por vezes até impossível pela disparidade cultural, outra é marginalizar. Há incompatibilidades entre raças sim, mas se soubermos encontrar um equilíbrio conseguimos conviver , como sempre tem que haver cedências e compreensão e condescência. As generalizações são sempre pobres. Todos sabemos que há escravatura em Africa, Médio Oriente e Àsia e eu pergunto, porque não se aplicam essas organizações e esses partidos políticos, que estão por trás de todas stas manifestações em acabar com ela, já que estão tão preocupados com o que aconteceu há décadas e séculos atrás? Atenção,, devo refeirir com mais clareza que NÃO são os brancos a escravizar pretos, ou os Árabes a vender escravos aos brancos...é entre pretos que isto acontece! Há miúdos menores a trabalhar em minas na República Democrática do Congo, bem como escravidão sexual. Pergunto sempre, se esta é uma preocupação real? E para terminar, deixo-vos um exemplo: que aconteceria se eu criassse uma plataforma de viagens só para Brancos? Isso não seria racismo ou descriminação? Claro que sim! Pois, mas há uma só para negros sabiam? Chama-se Black Voyageurs https://blackvoyageurs.com/ e com isto termino o tema. Os paises africanos ainda se debatem com o problema da caça furtiva. Poderão as gerações futuras ainda ter o previlegio de conhecer um leao no seu habitat? Espero bem que sim! Infelizmente essa é a realidade de hoje em dia e toda a gente sabe porquê. Há dois tipos de caça furtiva. A de “bushmeat” ou seja, uma caça desordenada

e sem regras de conduta para alimento. Obviamente sem o mínimo de ética em que os caçadores furtivos colocam armadilhas estrategicamente por esse mato fora e por isso nada selectiva. Esse tipo de caça dizima por completo as populações de animais selvagens e desequilibra os ecossistemas, além de que causa um enorme sofrimento e agonia ao animal. Há outra fomentada pelos mercados asiáticos (China e Vietname) ao elefante em busca do seu marfim, ao rinoceronte pelo seu corno, ao pangolin pelas suas “escamas”, aos leões pelos seus ossos, etc. Ou seja, o mercado asiático inventa sempre algo para destruir em Africa e para seu consumo mas o pior é que na maioria das vezes é com a conivência do poder local pois eles pagam bem a quem o deixa “destruir livremente”. Que safari aconselharia aos leitores? Quantos tipos diferentes de safaris organiza? Para quem quer ver animais (com fartura) sem dúvida que a Tanzânia por causa da “The Great Migration”. São 2.5 milhões de Gnus e Zebras em constante migração em busca de nutrientes e com ela “arrastando” um ecossistema e muita acção durante os 365 dias do ano, com a vantagem dos aspectos


culturais onde a tribo Masai é que “manda”. Se o objectivo são paisagens vislumbrastes, a Namíbia é de cortar a respiração com os seus desertos a perder de vista, dunas e montanhas que só ali há e cultura com os himbas no Norte do País. A época (para ver animais no Etosha) vai somente de Maio a princípio de Novembro. Se o objectivo for mais aventura e ambientes variados, o Botswana é fantástico, com floresta no Delta do Okavango, deserto em Central Kalahary ou em Makgadikgadi e rio no Chobe no Norte. Mas aqui a temporada também é curta (de Junho a Novembro) devido ao excesso de água no terreno e isso faz com que os animais se dispersem ou que os carros não possam circular (especialmente em Sua Pan Makgadikgadi ou no Delta). Mas há muitos outros como Uganda para ver os Gorilas de montanha, ou Etiópia para ver cultura. Há de tudo, mas como qualquer viagem em busca de novas EXPERIÊNCIAS há que contratar especialistas para não só ir na época errada para o que quer, como também ser bem servido. Um safari não é barato por essa razão se deve escolher bem.

Com que antecedência se deve marcar um? E os preços podem ser sonhados pela maioria dos mortais? Normalmente os mercados que mais frequentam destinos de safaris marcam com bastante antecedência (normalmente de um ano para o outro) deixando para os outros mercados (ex: latinos) “as vagas”! Ou seja se marcar com 6 meses de antecedência já é bom... “ainda pode escolher” mas se marcar com dois ou três meses limita-se ao que ainda há disponível o que nem sempre é só uma questão de preço mas de localização. Eu explico com um exemplo: para ir ao Norte do Serengeti ver a migração a cruzar o Rio Mara quanto mais perto do rio ficar melhor. Mais hipótese tem que chegar ao nascer do sol e essa é a melhor hora. Por outo lado pode perder muito tempo em deslocações e assim perder tempo precioso pois tem horas limite para circular dentro de TODOS os parques nacionais. Além de que os voos internacionais são tão baratos quanto maior for a antecedência da compra. Revoltado com o confinamento a que foi forçado desde Fevereiro? Como ocupou o seu tempo longe das savanas? Revoltado não! Preocupado sim! Preocupado com a economia mundial (excepto com a China pois parece-me que essa ganhou em vez de perder). Não sou o género de “chorar” quando algo de menos bom acontece. Tento aprender, aproveitar e criar. Portanto estou com um projecto novo para a Tanzânia (ainda no “segredo dos Deuses” pois é inédito naquele país) e antecipei a venda de fotografias que tem corrido bem mas vai correr melhor depois das exposições que estou a planear entre outras acções, tais como trabalhos conjuntos com artistas plásticos, etc. Acho que a pandemia nos obrigou a unir esforços e a descobrirmos em nós a capacidade de reinvenção e essa é a parte boa desta história toda. Quais os seus valores? Pela educação que recebi não só em casa como nas escolas e instituições onde andei e recebi formação, preservo valores morais que também eu tento passar ás minhas filhas tais como honestidade, amizade, generosidade,

integridade, transparência, responsabilidade, humildade, entre outras que agora parecem estar “démodé”. Tento ser e transmitir aos meus descendentes que ser livre tráz-nos obrigações e deveres, sobretudo os cívicos porque ser livre é também saber respeitar o próximo e a liberdade deste. Acredita na felicidade? E no amor? Acredita que os animais o podem sentir? Claro que sim! Nos dois! E essas são as nossas duas maiores conquitas da vida e falo por experiencia própria fazendo o que mais gosto. Sou muito feliz no mato e ao pé dos “meus” bichos de camara fotográfica em punho. Sobre os animais NÃO sei, mas acho que é mais instinto e sentido de protecção também ele instintivo o que é bom tendo em conta que há uma cadeia alimentar a respeitar e que essa é inevitável. Se assim não fosse teríamos uma quantidade de impalas em depressão, a correr pra psicólogos ou a cometer suicídio. Há uns com um pouco mais de inteligência que me parece sofrerem mais com as perdas como por exemplo o elefante. A infelicidade nos animais encontro-a muitas vezes em Jardins Zoológicos, Aquários, Circos e claro animais enjaulados a monte em mercados na China à espera de uma morte horrenda. Chego sempre a esta conclusão! O pior animal à face da terra é mesmo o homem! n

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Restaura a função intestinal em doentes com SII, com hipersensibilidade intestinal ou após a ingestão de medicamentos1

Ação mecânica2

Destina-se ao alívio e prevenção de diarreia crónica ou recidivante1 Normaliza a permeabilidade intestinal2 Melhora os sintomas de tensão abdominal, dor, 1 inchaço e flatulência NOVA APRESENTAÇÃO

NOVA

APRESENTAÇÃO

15 cápsulas

60 cápsulas CN: 185221.2

15 cápsulas CN: 192592.3 Indicação. GELSECTAN® destina-se a restaurar a função intestinal naqueles doentes que sofrem alterações, devido ao Síndrome do Intestino Irritável (SII), hipersensibilidade intestinal ou após ingestão de alguns medicamentos para alívio e prevenção de sintomas como diarreia crónica ou recidivante, tensão abdominal, dor, inchaço e flatulência. Apresentação. Blister com quinze ou sessenta cápsulas para uso em adultos. Composição. Xiloglucano, Proteína de Ervilha e Extrato de Grainha de Uva, Xilooligossacarídeos, Estearato de Magnésio (origem vegetal) e Sílica Precipitada Amorfa. Instruções de utilização. Ingerir a cápsula com líquidos. Dose. 1 ou 2 cápsulas, dependendo da gravidade dos sintomas, duas vezes ao dia (de manhã antes do pequeno-almoço e à noite antes do jantar) durante 2 a 4 semanas. O tratamento pode ser mantido se necessário. Advertências. • A consulta com um profissional de saúde antes de utilizar o produto não é necessária. No entanto, essa consulta é aconselhável em caso de sintomas graves ou persistentes ou quando há dúvidas sobre o diagnóstico, principalmente em idosos. • Este dispositivo médico não é um tratamento farmacológico. Se tal tratamento for recomendado por um profissional de saúde, este dispositivo médico pode ser administrado simultaneamente. • Embora não se conheçam efeitos secundários, recomenda-se que o produto não seja utilizado durante a gravidez ou nos primeiros meses de amamentação, salvo indicação em contrário de um profissional de saúde. • Não utilize o produto após ultrapassado o prazo de validade impresso na embalagem. • Não utilize o produto se o blister estiver aberto ou danificado. • Não conservar acima de 25°C. Não congele. • Mantenha o produto fora do alcance das crianças. Contraindicações. O GELSECTAN® não deve ser utilizado em doentes com hipersensibilidade conhecida a xiloglucano ou a qualquer outro ingrediente do produto listado na sua composição. Não deite este dispositivo médico na canalização ou no lixo doméstico. Pergunte ao seu farmacêutico como deitar fora o que já não utiliza. Estas medidas ajudarão a proteger o ambiente.

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Gelsectan Cápsulas

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Rev.04: 02.05.2017

1. Instruções de utilização do Gelsectan®. 2. Balboa A, Ciriza C, Delgado-Aros S, et al. Documento de actualización de la Guía de Práctica Clínica sobre el síndrome del intestino irritable. Asociación Española de Gastroenterología. IMC International Marketing & Communications 2017:3-4. GELSECTAN® cumpre a legislação em vigor em matéria de produtos de saúde. PT/GEL/1217/0012a. Data de Revisão do material 04/02/2019 GELSECTAN é uma marca comercial da Noventure S.L., utilizada sob licença pelo grupo de empresas Norgine. NORGINE e o respetivo logótipo são marcas registadas do grupo de empresas Norgine. Material destinado a utilização exclusiva por profissionais de saúde.


Especialidades Médicas e Terapias Acupunctura

Dr. Francisco Fernandes CO Dra. Sylvia Silva CMP

Alergologia

Dr. Camilo Leite CO Dra. Manuela Fernandes PCB

Cardiologia

Dr. Davide Severino PCB Dr. Lourenço Coelho PCB Dr. Sidarth Pernencar CO Dr. João Cristóvão CMP

Cirurgia Geral

Dr. Franz Walter Boensch CMP CO PCB Dr. Amândio Matos PCB

Cirugia Vascular Dra. Viviana Mateus PCB

Dermatologia

Dr. César Martins PCB Dr. Lima Bastos CO Dra. Martinha Henrique CMP

Electromiografia Dr. Pedro Velho PCB

Endocrinologia

Dra. Ana Cristina Ribeiro CMP Dr. Nuno Vicente Rodrigues PCB CO Dra. Diana Martins CO

Estética Facial Dr. David Angelo CO

Estudo do Sono

Dr. José Carlos Boavida PCB

Gastroenterologia Dra. Cátia Quintela PCB Dr. Pedro Russo PCB CO Dr. Samuel Fernandes PCB Dr. Rui Mesquita PCB CO

Ginecologia

Dr. Gonçalo Moura Ramos CMP CO Dra. M. Isabel Riscado PCB Dr. Rui Lagarto PCB Dra. Andreia Antunes CO Dra. Paula Retroz PCB

Hematologia

Dr. José Pedro Carda PCB Dra. Tabita Maia CO PCB

Massagens

Neurologia

Dr. Joaquim Cândido PCB CO Dra. Marlene Carvalho CO Dr. Peter Grebe PCB Dra. Pureza Dias CMP

Dra. Ana Pereira CO Dra. Carla Paulino PCB

NeuroPsicologia

Medicina Dentária

Nutrição

Dr. André Gil CO Dra. Ana União PCB Dra. Elisabete Sousa CMP Dra. Joana Filipa Cunha PCB Dr. João Cardigos PCB Dr. João Castro PCB Dra. Liana Fernandes CO Dra. Margarida Mendes CO Dra. Mariana Bárbara CO Dra. Marta Oliveira CO Dra. Patrícia Carvalho CO Dra. Raquel Balbino CO Dra. Sónia Rita PCB Dra. Rita Carreira PCB

Medicina Geral e Familiar Dr. Adérito Vaz PCB Dr. Dmytro Sychov PCB Dr. Emanuel Simões CO Dra. Joana Cebola CO Dr. Joaquim Antunes Santos PCB Dr. José Cordeiro Gomes PCB Dr. José Gabriel Tomás Silva PCB Dr. M. João Lameiras Figueiredo CMP Dr. Osvaldo Parreira CMP Dra. Fátima Lorvão Figueiredo PCB Dra. M. Ivone Cruz CO CMP

Medicina no Trabalho Dra. Gabriela Texeira PCB Dr. Silvestre Agostinho PCB Dr. Manuel Rafael PCB Dr. José Luis Brandão PCB Dr. Emanuel Simões PCB Dra Vania Coelho PCB Dra. M. Ivone Cruz PCB

Nefrologia

Dra. Helena Pedrosa CO

Dra. Alexandra Xavier CMP Dra. Ana Bogalho CO

Obstetrícia

Dr. Gonçalo Moura Ramos CMP CO Dr. Rui Lagarto PCB Dra. Andreia Antunes CO Dra. Paula Retroz PCB

Oftalmologia

Dr. Carlos Aguilar CMP PCB Dr. Luís Miguel Violante PCB Dra. Ana Fernandes CO Dra. Paula Castela PCB

Ortopedia

Dr. Carlos Cruz PCB Dr. Ciro Costa PCB Dr. José Mouzinho CMP Dr. Sérgio Martins PCB

Otorrinolaringologia

Dr. António Marques Pereira PCB Dr. Carlos Araújo Nabuco PCB Dr. José Oliveira CO Dr. Mário Santos CMP Dra. Raquel Bento CMP

Pediatria

Dra. Luísa Bernardino PCB Dra. Margarida Santos PCB Dr. Vitor Gomes Povoa CO

PedoPsiquiatria

Dr. Pedro Henriques Santos CO

Pneumologia

Dra. Cristina Cândido CO PCB

Dr. Camilo Leite CO Dra. Manuela Fernandes PCB

Neurocirurgia

Podologia

Dr. Eduardo Bernardo CMP CO PCB

Dr. Cristovão Polónio CMP CO PCB

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Provas Funcionais Respiratórias

Reumatologia

Dr. Pedro Custódio PCB

Dr. Jorge Silva PCB Dra. Sara Serra CO

Psicologia

Terapia da Fala

Dra. Carla Ferreira PCB Dra. Cláudia Vitorino CO Dra. Filipa Vaz CO Dra. Helena Pedrosa CO Dra. Luísa Morgado CMP Dra. Paula Cardoso CMP Dra. Susana Henriques CO PCB

Psiquiatria

Dr. Cláudio Laureano CMP PCB Dr. Mário Simões CO Dr. Sérgio Martinho PCB

Ama Care - Apoio Domiciliário Av. Estados Unidos da América 8ºB nº72 1700-178 Lisboa t. 262 925 610 tm. 961 357 034 e. ama@grupoh.pt

Dra. Margarida Cunha PCB Dra. Sandra Coelho CMP

Urologia

Dr. António Oliveira CMP PCB Dr. Ricardo Borges CMP CO CMP - Centro Médico de Pataias CO - Clínica das Olhalvas - Leiria PCB - Policlínica Central da Benedita

Centro Médico de Pataias

Av. da Lagoa, nº 21, 2445-202 Pataias t. 244 585 040 · tm. 967 388 689 · f. 244 585 041 e. geral@centromedicopataias.com 2ª a 6ª - 08h00 às 20h00 Sábado - 08h30 às 13h00

Exames e Outros Seviços Centro de Enfermagem Centro de Fisioterapia Analises Clinicas

Exames

Exames Auditivos ECG - Electrocardiograma EEG - Electroencefalograma EMG - Electromiografia Exames de Gastrenterologia (Endoscopia Alta e Colonoscopia, biopsias) HOLTER MAPA Polissonografia (Estudo do Sono) Provas Funcionais Respiratórias Testes Cutâneos de Alergias

Policlínica Central da Benedita

Rua da Policlínica s/n, 2475-151 Benedita t. 262 925 610 · tm. 969 655 534 · f. 262 925 619 e. geral@policlinicabenedita.com Horário: 2ª a 6ª - 08h00 às 21h00 Sábado - 08h00 às 13h00 Domingos e Feriados - 09h00 às 12h00

Farmácia Alves Centro Médico Diálise da Benedita Rua da Policlínica s/n 2475-151 Benedita t. 262 925 615 e. geral@grupoh.pt

Clínica das Olhalvas

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