Page 1

Boas Festas

N.º

8 Edição Natal 2020 PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL | GRATUITA

OFERTA DE UM CALENDÁRIO NESTA EDIÇÃO

O amor nos tempos de um vírus 14

COVID - O que não ouvimos dizer 22 A alimentação, o exercício físico, a suplementação alimentar eventual e o equilíbrio hormonal são importantes na defesa do nosso organismo.

Ginecologia O fim do tabu 26 Não é por termos tido uma experiência menos boa (ou mesmo horrível, sejamos francos) que devemos deixar de ir saber como está a nossa saúde. Até porque a prevenção é a melhor abordagem na resolução dos problemas.

REVISTA H SAUDE N8_8.indd 1

AMOSTRA GRÁTIS NO INTERIOR 10ML

10/12/2020 13:30


A SUA SAÚDE EM BOAS MÃOS, 24 HORAS POR DIA O serviço de apoio domiciliário por nós prestado é uma resposta social que consiste na prestação de cuidados alargados a quem deles necessite, no seu próprio domicílio. Mais informações 961357034 | ama@grupoh.pt | grupoh.pt

Empresa licenciada pela Segurança Social com o Alvará nº03/2014 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 2

10/12/2020 13:30


ÍNDICE N.º

8 Edição Natal 2020 PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL | GRATUITA

Índice e Ficha Técnica....................................................................................................................................................................................................................3 Editorial | Dr. António José Henriques ................................................................................................................................................................................. 4 Cultura | A água e a saúde | PhD António Delgado .....................................................................................................................................................6 Gestão | Sorrir com os olhos | Henrique Alves Henriques..................................................................................................................................... 10 Saúde | Farmácia Alves | Ser Farmacêutico, o que é? | Dra. Sofia Lourenço Silva ....................................................................................11 Saúde | Enfermagem | As outras doenças continuam a existir | Enf.ª Andreia Pedro .......................................................................13 Saúde | Psicologia | O amor nos tempos de um vírus | Dra. Carla Ferreira .................................................................................................14 Academia H Saúde | Apostar num investimento com retorno | Francisco Gonçalves ..................................................................... 16 Saúde | Medicina Geral e Familiar | Preserve a sua saúde e não esqueça as suas doenças | Dra. Fátima Lorvão ..................... 18 Saúde | Dermatologia | A revolução no tratamento da pele | Dr. César Martins ..................................................................................20 Saúde | Patologia Clínica | COVID - O que não ouvimos dizer | Dra. Ivone Mirpuri .............................................................................. 22 Saúde | Ginecologia | O fim do tabu | Dra. Paula Ambrósio ................................................................................................................................26 Pessoas & Animais | André Toscano ...............................................................................................................................................................................28 Breves ...............................................................................................................................................................................................................................................30 Especialidades Médicas, Terapias e contactos.......................................................................................................................................................33 Todas as imagens são propriedade da Towerelephant | A publicação não respeita as regras do AO90 no entanto cada autor é livre de o respeitar ou não.

FICHA TÉCNICA Director: António José Rodrigues Henriques Nº de Registo: 127210 Propriedade: Grupo H Saúde - Policlínica Central da Benedita S.A. NIF- 501348786; Entrecolunas, Unip. NIF-507269543 - 86,11%; Presidente do Conselho de Administração: Dr. António José Rodrigues Henriques; Vogal: Dr. Nuno Miguel Alves Henriques; Registado na ERS - Entidade Reguladora da Saúde com nº E111471 Sede do Editor: Avenida Estados Unidos da América, nº72, 8ºDto, 1700-158- Lisboa Tiragem: 10.000 exemplares Distribuição: Gratuita Impressão: Relgráfica, Artes Gráficas Lda, Benedita, Alcobaça, 2475-011 Algarão

Gabinete de Comunicação e Relações Públicas: Henrique Alves Henriques Colaboradores na edição: Dr. António José Henriques | PhD António Delgado Henrique Alves Henriques | Dra. Sofia Lourenço Silva Dra. Fátima Lorvão | Dra. Carla Ferreira | Dra. Ivone Mirpuri Enf.ª Andreia Pedro | Francisco Gonçalves | Dr. César Martins Dra. Paula Ambrósio | André Toscano Sede da Redacção: Towerelephant, Lda - Rua Palmira Bastos, 7, 7.ºA, 2810-268 Almada e.mail: redaccao.revistasaudehoje@gmail.com Gabinete de Imagem: Dots of Light, Lda Publicidade e Marketing: Media Style/ mediastyle.ca@gmail.com Periodicidade:Trimestral

ESTATUTO EDITORIAL A publicação periódica Grupo H Saúde adopta claramente um estatuto editorial que abordará temas sobre saúde destinados aos utentes e público geral, com o objectivo de informar sobre a temática da saúde/sua prevenção/novas técnicas clínicas e inclui o compromisso de assegurar o respeito pelos princípios deontológicos e pela ética profissional dos jornalistas/médicos/opinion makers, assim como pela boa fé dos leitores.

14

3 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 3

10/12/2020 13:30


l a i r ito

Ed

2021 Feliz

Ano Novo

O que podemos esperar de 2021 Olhando para este ano ainda em curso, penso ser opinião geral de que a humanidade foi abalada no seu mais precioso bem. Refiro-me em primeiro lugar à saúde, aos relacionamentos que mantemos como seres gregários que somos e à nossa segurança económica. Aprendemos, a nível mundial, a dura lição de que os planos que fazemos podem nunca se concretizar e que o que tomamos como adquirido e que é tanta coisa, pode afinal não o ser. Mesmo que a má sorte não nos tenha tocado à porta, assistimos incrédulos a enterros sem os entes queridos, a despedidas desta vida na mais horrível e impensada das solidões. Tudo isto provocado por um inimigo que nem conseguimos ver. Nunca estaremos preparados para não podermos abraçar os que amamos porque os pomos em risco. É como esperar que um pai aceite enterrar um filho sem ver a razão fugir. Escrevo este editorial, felizmente, à luz de novas soluções, com as vacinas ainda em estudo mas já com calendário previsto para a sua administração.

precisamos de manter acesa e onde tantas forças vamos buscar para continuar a viver este percalço com o empreendedorismo, criatividade e resiliência possíveis, sobretudo esta última. A par das nossas rotinas temos de igualmente ser capazes de aprender a sair delas. Temos de conseguir, todos nós, continuar a acreditar que o Mundo um dia será um lugar melhor porque é habitado por seres verdadeiramente humanos que aprenderão ultrapassada esta fase a respeitar as diferenças, a natureza, a defender os mais fracos que nem voz encontram para se manifestar ou pedir ajuda. Não sei se o vamos conseguir, deixar para trás este negro período, mais fortes e mais conhecedores das nossas próprias fragilidades. Exige de cada um que torne a fazer a lista das suas prioridades e lhes troque a hierarquia. Qual a importância de um abraço afinal? É tempo de voltar a abrir a gaveta da felicidade e de desejarmos uns ao outros a paciência necessária para aguentar quiçá um Natal mais solitário mas certamente

mais perto da solução para ultrapassarmos, sempre no plural, esta tão negra fase da nossa existência. Lembrem-se de que podem por exemplo, pegar no telefone e telefonar àquele amigo ou familiar que pode precisar das vossas palavras para chegar ao dia seguinte. Aqui ficam os meus Votos de um Natal Feliz , mesmo que seja mais solitário. Que seja um Natal em segurança Que 2021 nos encontre melhores e mais justos. Sobretudo mais gratos por termos sobrevivido juntos. Que o bom senso e a tolerância imperem sempre nos nossos gestos n

Dr. António José Henriques Director Editorial redaccao.revistasaudehoje@gmail.com

Renovámos assim a esperança que

4 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 4

10/12/2020 13:30


N OVOO S E RVI Ç

Academia H Saúde

O seu parceiro de crescimento A Academia H Saúde é um projeto idealizado e promovido pelo Grupo H e tem como objetivo desenvolver formação profissional de excelência, com base na promoção do desenvolvimento e da qualificação dos recursos humanos das empresas. Entidade formadora certificada nas seguintes áreas: • Comércio

(341); • Terapia e Reabilitação (726); • Trabalho Social e Orientação (762); • Serviços de Transporte (840); • Segurança e Higiene no Trabalho (862).

Diagnosticamos, Estruturamos, Implementamos e Avaliamos o seu Plano de Formação. Empresa certificada pela DGERT com o nº de certificado 1706/2015. Contactos | Lisboa, Leiria e Alcobaça | Tel.: 914 185 756 | E-mail: formacao@policlinicabenedita.com REVISTA H SAUDE N8_8.indd 5

10/12/2020 13:30


Cultura

PhD António Delgado Docente Universitário Investigador no CIEBA- U.Lisboa

A Água e a Saúde A Casa de Banho

A Água e a Saúde formam um binómio essencial na vida humana cuja origem perde-se na noite dos tempos da mesma forma que a sua contaminação ou a referência à água não potável (como lemos na maioria das fontes de cidade e lugares do território), preocupou o espírito humano na sua moral e conduta com respeito a regras de boa conduta no viver coletivo. Oitocentos anos antes da nossa era, já Hesíodo recomendava em “ Trabalhos e Dias” (talvez uma espécie de “ Borda d´Agua” , de então) para que: “nunca urines na foz dos rios que correm em direção ao mar, nem na sua nascente: cuide bem dela (...) também não satisfaça outras necessidades “. A falta de moralidade era também entendida como um ultraje à natureza mãe. A preocupação ecológica na contaminação das águas, foi constante ao longo da história pelas mais diversas razões em especial em tempos de guerra e assédios bélicos, havia até a malvadez de contaminar os sistemas de abastecimento das águas das cidades e povoações. O que levou a inventar outros meios alternativos e secretos no interior das cidades. Nos dias de hoje um elevado número de fontes, poços e chafarizes ostentam letreiros de “ água imprópria para consumo” e os alertas sobre a contaminação das águas e oceanos é permanente, revelando incúria humana para um bem tão essencial na vida na terra.

mundo à parte do corpo, com vida própria, como se fossem uns animais hábeis que temos pendurado no extremo dos braços. Em acção ou repouso estão nelas, verdadeiras manifestações do ser como se fosse uma assinatura independente ou manifestações da alma como Aristóteles as comparou: elas, são «instrumentos de instrumentos» ou seja são uma espécie de ferramentas ordenadoras e instrumento multiusos que manipulam as nossas necessidade para a sustentação da nossa sobrevivência. Mas esta coreografia suporta um manancial de verbos com as respetivas ideias associadas como: agarrar, apertar, sacudir, deter, apanhar, comer, mostrar, cumprimentar rezar… (FIG 1) por tudo isto as mãos são a parte do corpo que mais necessidade tem em manter a higiene. Desde os tempos bíblicos que essa ideia é registada e ainda hoje se expressa simbolicamente, no lavar das mãos, do sacerdote, antes da consagração das hóstias, em qualquer missa.

mãos limpas, levar roupa decente e não coçar a cabeça de uma forma ostensiva”. O corpo na interioridade da roupa ou as sensações da pele não são referenciadas, não há referências a sensações íntimas.

Em termos da antropologia e da “História das Ideias”, a limpeza mais antiga é aquela que mais perdura e é reflexo da que se manifesta exclusivamente numa das partes visíveis do corpo, as mãos. Estar limpo é manter cuidada uma zona limitada da Pele: apenas aquela que emerge da roupa e que se oferece à vista. As mais antigas regras de urbanidade, não expressavam outra coisa, senão “ter as

Apesar os banhos na Idade Média serem conhecidos, as práticas destes misturavamse com a frequência das tabernas, os bordéis e casas de jogos e não eram alheios a uma certa agitação ou mesmo turbulência. Eram lugares cheios de vapor, quartos e camas onde a humidade tépida das tinas de água se misturava. Sugerindo provavelmente, lugares de prazer confusos.

1

No presente a crise sanitária (Covid) demonstra o sentido profilático da água na higiene individual, em aspetos tão simples como a recomendação enfatizada de todos os agentes de saúde em “ lavar muito bem as mãos”. Após o rosto, as mãos são de todas as partes do corpo, a mais autónoma e individualizada, o facto de termos as nossas próprias mãos à vista, assim como o facto de ser única parte do corpo visível a quem nos rodeia, confere-lhes uma familiaridade que no entanto engana. Porque de facto, as mãos parecem viver num

Albrecht Dürer , estudo de mão, gravura.

Na Idade Média, existia uma limpeza corporal, mas esta era dirigida aos outros como testemunhas. Incumbe à imediatez e ao visível, ordená-la nos propósitos da sociabilidade e mostrava acima de tudo como as superfícies corporais são perceptíveis ao olhar do outro que é quem fixa os seus códigos. Também através deste procedimento pode-se compreender o privilégio antigo e duradouro do visível. Neste ponto, o ver, constitui o indício mais fácil e intuitivo que convence de forma natural, todos os que são submetidos às normas de formular pela vista. Com elas, os atributos da limpeza anunciamse naturalmente e com recurso a poucas palavras. Os preceitos são nítidos, basta olhar.

Na maioria dessas instalações as mulheres trabalhadoras, como sugere george Vigarello, estavam “disponíveis” para cortar cabelos e barbear, mas também para fazerem serviços “extras” para compensar alguns banhistas. As emoções físicas sentidas pela água, atraiam mais os banhistas que o acto da limpeza em si. Na vida quotidiana ainda era a ideia da limpeza associada ao rosto e às mãos que perdurava. A água continuava a não chegar ao interior do corpo, por detrás da roupa. No entanto, de forma progressiva desenvolvese, para a “História da Saúde e da Higiene Corporal”, a ideia de uma maior intimidade com o Corpo e no final da Idade Média a higiene estende-se para além do visível com

6 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 6

10/12/2020 13:30


3

o uso gradual da roupa interior. O tratamento de tecidos em contacto com o corpo, vai criar, na transição da idade Média para idade Moderna, um espaço de limpeza até então desconhecido que se estrutura na acentuada diferença entre tecidos finos e grossos, no mudar de roupa com mais frequência e pela forma rápida, como ela se põe em contacto com a pele (FIG. 2). Pode dizer-se que com a manipulação da roupa interior, as sensações tegumentares tornam-se mais explícitas e a evocação da transpiração mais evidente. Certas dobras em zonas ocultas da pele originam outros tipos de cuidado. Não deixa de ser curioso, como uma série de práticas secas, se tornaram responsáveis para o evoluir da forma de entender e sentir a limpeza corporal. Ao sobressair sob o gibão masculino ou saia da mulher a roupa interior, remetem para a superfície do corpo o olhar do outro, devido às marcas das zonas corporais mais secretas. É deste modo que o íntimo fica inseparavelmente inscrito no visível (Fig. 3) 2

Livro das Horas do Duque de Berry (mês de fevereiro) Guache sobre pergaminho. 13,6 cm (largura). Nas pessoas nota-se a roupa interior branca junto ai corpo.

Perguntava-se e afirmava-se se a água não seria semelhante a venenos elusivos que invadem o corpo dos infestados ou não fosse ela mesmo promotora de males?

Jakob Seisenegger “Carlos V”, Pintura a Oleo sobre tela. 1532 Museu Kunsthistorisches , Viena, Áustria. Nota-se que a zona da virilha era muito destacada.

Este tipo de higiene corporal de “limpeza a seco” triunfará em França e deste país divulga-se no Ocidente. Na Corte Francesa foi usada com todos os recursos como se de um verdadeiro espetáculo se tratasse. As práticas da Corte multiplicaram os signos do vestir, explorando a gradação e o escalonamento dos tecidos, recorrendo a uma maior subtileza entre eles, como a textura da roupa interior, variedade de tons, finura das tramas do linho, da sarja, do cânhamo, mas em tudo havia igualmente o objetivo de catalogar subtis distinções sociais. Esta “ higiene corporal” associada à brancura da roupa e a sua renovação ocuparam o lugar da lavagem da pele e pode até manifestar uma relativa recusa da água ou hidrofobia. No entanto para as “elites francesas” este comportamento era assente na ideia de que o banho do corpo pressupunha uma invasão da água nele e a fartura, a sua inflamação: bossas porosas, carnes impregnadas… os poros consideravamse como aberturas e estes órgãos como receptáculos, sobretudo num tempo em que abundavam os exemplos de obscuras penetrações na pele devido a contágios. Estes por si só, ofereciam exemplos ilustrativos.

O banho não carece de riscos, mas deixava a pele totalmente aberta e seca. Nesta mecânica simplificada da infiltração e com uma racionalização concebida para explicar, as pestes e epidemias favoreceram aquele tipo de representações. Mas não deixa de ser paradoxal esta visão do século XVII, porque por um lado é direcionada para as zonas ocultas do corpo e pelo outro fomenta o papel da vista como vimos. Sabemos que esta época favorece o espetáculo, como nunca e o visível adquire uma soberania inigualável filho de uma sociedade assente na corte, onde tudo se teatraliza até mesmo os gestos, as atitudes, o vestuário e a exploração da aparência como nunca se tinha feito. Há autores para quem a moderna higiene do corpo deriva de uma reação contra a valorização do visível, no entanto a forma como nasce não é no sentido de fazer desaparecer o papel desempenhado pela roupa interior, mas o contrário. Desde o final do séc. XVIII e todo o séc. XIX que se assiste à burguesia e suas indústrias multiplicarem os tecidos ligeiros e os jogos com o branco com que se promove outros valores que irão melhorar a limpeza do corpo interior. Uma transformação que insere o fundamento da «Saúde» para substituir o da «Aparência». Constroem-se teorias sobre a limpeza da pele, sustentando a libertação dos poros para dar um maior dinamismo ao corpo, pelo uso da água fria que dá maior firmeza à massa corporal. Nesta ideia a limpeza “liberta e reforça”, mas é necessário o emprego de água que afiance e endureça o corpo, porque neste contexto já não bastam as marcas externas, nem mudar a roupa. A limpeza legitima-se mediante a Ciência e estar limpo é proteger e fortalecer o corpo e a saúde. Esgrimem-se razões de ordem fisiológico assentes nas teorias dos Higienistas contra as “sujeiras das cidades”,

7 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 7

10/12/2020 13:30


4

4

Peças dos primórdios das casas de banho e da higiene intima seculo XVIII. Mictório e bacia em latão para Lavagem de pés. Convento de Mafra (fotos do autor)

as “matérias putrescíveis” e os “maus ares”. Tudo isto forma parte dos horizontes teóricos que irão sustentar as abluções do banho e o temor aos micróbios. Constituindo estas ideias um último ponto: Lavar-se é a melhor maneira de defender-se. É este discurso culto que dominará o século XIX, com base nos descobrimentos reais importantes, que põem em relevo o modo como a higiene corporal está cada vez mais relacionada com o íntimo, no entanto a ideia teve de procurar razões para si antes de converter-se como se converteu, num simples hábito, mesmo quando Eça de Queiroz, descreve o quarto de amigo Jacinto, no início do III capítulo de “ A Cidade e as Serras”, onde expõe toda a teoria em voga. É nesta limpeza que foge aos olhares que se vai criando de forma natural lugares privados polivalentes nas casas, dedicados à higiene que tanto servem o barbear, massagear, escovar, com vestir-se, fazer lunares postiços, mudar de camisa, secar-se de vários modos ou tantos outros preceitos implícitos à intimidade e visíveis na exposição dos quartos dos reis no Palácio de Mafra (FIG 4).

Será a partir de finais do século XVIII, que nestas particularidades aristocratas, mas igualmente burguesas, criadas nas grandes mansões, se vêem nascer espaços especializados para os cuidados do corpo , concretamente as casas de banho onde se consagra a limpeza mais secreta. Em finais do século XIX a casa de banho institui-se como regra nas casas pelas cidades na europa. Cerrando : rigorosamente o acesso

aos asseios ou quartos de banho tornando-o um espaço independente. Confirmando o banho corporal, o prazer da ablução ainda que não totalmente explícito (FIG.5) Por isso não será difícil vislumbrar que, a introdução progressiva da higiene corporal e da casa de banho, implicará profundas reestruturações na forma de conceber as casas, o solo subterrâneo e o de superfície como a configuração das próprias cidades e respetiva saúde pública. E um dos aspetos mais importantes na reordenação urbana surgido a partir do século XIX, deveu-se ao uso da água…por isso não é demais lembrar que é importante preservá-la bem como cuidar de lavar bem as mãos n Nota.O tema do banho foi muito representado depois da segunda metade do século XIX pelos mais insignes pintores até às primeiras décadas do século XX (FIG. 5,6,7,8, 9), Em Portugal o tema foi completamente alheio à sensibilidade dos e demais campos das Belas Artes, o que é muito esclarecedor. Livros que sugiro ler: Trabalhos e Dias, Hesíodo;A Água e os Sonhos, Gaston Bachelar; A História do Corpo, George Vigarello; A Cidade e as Serras, Eça de Queirós.

5

Pierre Bonnard, “Nu à contra luz” (1908) Óleo sobre tela (124,5 x 109) Museus Reais de Belas Artes Bruxellas

7

Pablo Picasso. “O Quarto Azul” (1901). Pintura a Óleo sobre tela . CM PHILLIPS COLLECTION . WASHINGTON

6

Degas, Edgar “ Alguidar” (1885-1886), pastel sobre papel, 70 x 70 cm, Hill Stead Museum, Farmington

8

Alfred Stevens “O Banho” ( 1867) pintura a oleo. Museu D´Orsay.

9

Pierre Bonnard, “ O toucador”. ( 1908). Óleo sobre tela. Musée d’Orsay, Paris

8 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 8

10/12/2020 13:30


REVISTA H SAUDE N8_8.indd 9

10/12/2020 13:30


Henrique Alves Henriques Director Executivo do Grupo H Saúde

Sorrir com os olhos Os nossos gestos e expressões foram desde sempre usados para comunicar e acompanhar o que dizemos. Muitas vezes a palavra passa até a ser secundária porque uma expressão é capaz de exprimir com mais precisão o que sentimos. A Pandemia e o uso obrigatório das máscaras, para nos protegermos bem, tapou parcialmente os nossos rostos e estes perderam grande parte da expressão. Quando sorrimos, a nossa boca, bem como grande parte da nossa face estão ocultas e se calhar pensamos: Para quê sorrir se ninguém vê? Podemos até ter todos os motivos para não sorrir. Os media relatam várias vezes ao dia que muitas vidas se encontram suspensas por causas várias : o desemprego, a doença, falecimento de familiares, a solidão, entre outros. Mas, como não podemos nem devemos desistir e estamos juntos nesta batalha cai sobre todos a responsabilidade de a ultrapassar da melhor maneira possível, erguendo o nosso melhor e todas as nossas forças. O caminho passa sempre por nos questionarmos sobre as lições que retiramos destes tempos. E a maior será que antes talvez nos deixássemos

arrastar sem noção do que realmente importa na vida: o sermos precisamente seres humanos. No outro dia ouvi umas frases proferidas pelo Papa Francisco que me fizeram pensar. Dizia ele: não considerem importante ajudar o próximo, é preferível tratarem o outro com proximidade e já estarão a ajudá-lo melhor. De nada adianta, elaborarmos listas com as coisas que nos fazem falta, a melhor atitude é repararmos que essas mesmas coisas talvez não fossem devidamente valorizadas no passado. E só quando percebermos os erros é que nos tornamos melhores e consequentemente mais fortes. Adiávamos as visitas aos nossos familiares, adiávamos encontros com amigos. e agora que estamos , muitos de nós, disso impedidos, conseguimos repor as verdadeiras prioridades da vida? Conseguimos ser gentis e tratar o outro com proximidade ? Com o uso de máscaras é verdade que a nossa comunicação facial levou um grande abalo. Antes um sorriso era suficiente para agradecermos ou sermos simpáticos e agora que poderemos fazer?

Como um cego que passa a ouvir melhor para suprir a falta da visão , para suprir a falta do sorriso temos de aprender a olhar melhor. Não fossem os olhos espelhos da alma, como lhes chamam os poetas. Há portanto que aprender a sorrir com os olhos, vital nestes difíceis tempos e para quem quer aprender a sorrir da maneira mais, verdadeira e honesta possível. Quando os olhos fazem parte do que queremos exprimir e não apenas a boca, a felicidade passa através do olhar e mais , torna-se impossível fingir. Quando sorri com os olhos está realmente feliz e o seu interlocutor percebe, pode ter a certeza. Experimente; ponha a máscara e sorria ao espelho, mas sorria a pensar numa coisa verdadeiramente boa para si. Pense em quem ama, em quem lhe faz bem, do que gosta de fazer. Seja Feliz, sempre... e agora com mascara! O momento difícil que o mundo atravessa, deve ser um tempo, de aprendizagem, para nos guiarmos a sermos cada vez melhores, praticando o bem e criando uma cadeia de união global. Adapte-se... Sorria com os olhos! n

10 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 10

10/12/2020 13:31


Dra. Sofia Lourenço Silva Farmacêutica

Ser Farmacêutico, o que é? A Profissão surgiu em Portugal no século XIII, sendo os farmacêuticos designados inicialmente por boticários. Muitas vezes o farmacêutico é descrito como o especialista do medicamento, uma vez que se encontra envolvido em todas as etapas relacionadas com os medicamentos, nas quais se destacam as áreas clássicas, designadamente na Farmácia Comunitária, na Farmácia Hospitalar, nas Análises Clínicas, na Indústria Farmacêutica, na Distribuição Grossista e outras. Geralmente é na farmácia comunitária que mais facilmente reconhecemos o farmacêutico, devido à grande proximidade com a população.

O Farmacêutico comunitário

As Farmácias são o primeiro local onde as pessoas se deslocam quando têm um problema de saúde, sendo habitualmente os Farmacêuticos Comunitários o primeiro ponto de contacto entre o cidadão e o serviço nacional de saúde. Os Farmacêuticos Comunitários prestam diversos serviços, sempre centrados no bem estar dos utentes e nas suas necessidades: • Ajudam a promover a literacia em saúde, informando a população como prevenir determinadas doenças e dando informações sobre estas, de forma a

que os utentes possam tomar decisões informadas e mais acertadas sobre a sua saúde; • Dispensam medicamentos. A palavra “dispensar” significa que não é uma simples venda. A cada venda é cedida medicação e ao mesmo tempo é facultada informação sobre a mesma. Desde a forma de tomar (posologia) aos efeitos secundários possíveis; • A cada dispensa de uma receita é feita a validação da prescrição, isto significa que o farmacêutico avalia, por exemplo, se existem interacções entre os medicamentos ou se as dosagens estão correctas. Também avalia se houve alterações na toma ou dosagem em relação à medicação habitual;

11 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 11

10/12/2020 13:31


O farmacêutico hospitalar

Os farmacêuticos hospitalares exercem a sua atividade nos Serviços Farmacêuticos dos hospitais. Asseguram, por exemplo a Interpretação e validação da prescrição; colaboram na tomada de decisão terapêutica; fazem o controlo da qualidade. • Os farmacêuticos conhecem os medicamentos e podem esclarecer qualquer dúvida apresentada pelos utentes; • Os farmacêuticos também podem ajudar a avaliar patologias autolimitadas, ou seja doenças passageiras que podem não precisar de tratamento. Ou quando necessário, aconselhar o utente a consultar o médico de família ou a mais apropriada especialidade médica.

Promover serviços farmacêuticos

Muitas farmácias oferecem vários serviços,entre eles a preparação individualizada da medicação. Isto é, a medicação é preparada pelo farmacêutico de forma a minimizar os erros, bem como a promover a toma da mesma a horas correctas evitando esquecimentos (adesão à terapêutica). Algumas farmácias também têm Consultas Farmacêuticas, onde é promovida a adesão à terapêutica ou ainda acompanhamento na cessação tabágica. Nos serviços farmacêuticos podemos também incluir a administração de medicamentos injectáveis e vacinas que não fazem parte do plano nacional de vacinação. É também possível fazer testes rápidos como glicémia (açúcar), colesterol, triglicéridos e ainda medir a pressão arterial. A medição destes parâmetros ajuda a controlar as doenças crónicas. Quantas vezes, quando os utentes têm os valores aumentados e isso alerta de imediato o farmacêutico que coloca a pergunta :“Tem tomado a medicação?”. Por vezes, pode ser detectado algum efeito secundário que impede a toma

da medicação ou simplesmente o problema ocorreu porque o utente não compreendeu com que regularidade deveria tomar a medicação. Ao farmacêutico também compete notificar as reacções adversas a medicamentos, a isso chamamos farmacovigilância. Sempre que surge alguma reacção adversa esta deve ser notificada de forma a avaliar a segurança da medicação e a tomar medidas que minimizem os riscos da utilização da medicação. Este processo é especialmente importante para as reacções adversas a medicamentos que sejam ainda desconhecidas. Na farmácia comunitária, o farmacêutico vai ensinar a utilizar dispositivos médicos, como equipamentos para avaliação da glicémia, da pressão arterial, ou dispositivos de inalação. Ensinando a melhor técnica e avaliando se os procedimentos estão correctos.. A correcta conservação da medicação (controlo de temperatura e humidade) e controlo da validade da medicação é também responsabilidade do farmacêutico. É por este motivo que a medicação não pode ser devolvida, pois assim que sai da farmácia não existe registo da temperatura e humidade de conservação e os medicamentos não podem voltar a entrar no circuito do medicamento e serem novamente postos à venda. Ser farmacêutico também é saber dizer não. Muitas vezes o bem estar do utente depende de dizer não a alguns medicamentos ou comportamentos. Explicar que para o caso em particular vai ser prejudicial. Dizer NÃO é cuidar e preservar a saúde do utente.

O farmacêutico analista clínico Ligados ao diagnóstico laboratorial, intervêm nas análises clínicas e investigação biológica ou farmacêutica. Desempenham diversas funções associadas ao diagnóstico laboratorial.

O farmacêutico na Indústria Farmacêutica

Na Indústria Farmacêutica, assumem as mais diversas responsabilidades, desde os processos de investigação e desenvolvimento de medicamentos até à sua produção e comercialização, em áreas como a saúde humana e saúde animal, a biotecnologia, os meios de diagnóstico in vitro, entre outros.

O farmacêutico na distribuição grossista

Garantem a disponibilização dos medicamentos e produtos de saúde nas Farmácias, Hospitais e Unidades de Saúde, após a sua produção, permitindo o acesso ao medicamento e garantindo o seu correcto armazenamento e conservação. Implementam sistemas de combate à contrafação e falsificação de medicamentos.

Outras áreas

Com a evolução da profissão, a intervenção farmacêutica tem sido alargada a diferentes áreas no Sistema de Saúde, como por exemplo, na intervenção nas áreas da Investigação Científica dos Dispositivos Médicos, das Análises Toxicológicas e Bromatológicas, da Administração Pública e do Ensino Farmacêutico n Referências bibliográficas valordofarmaceutico .pt

12 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 12

10/12/2020 13:31


Enf.ª Andreia Pedro Enfermeira colaboradora do Grupo H Saúde

As outras doenças continuam a existir O Mundo inteiro está mergulhado em assuntos relacionados com a Covid-19. Mas… E as outras doenças? Desapareceram quando o vírus Covid-19 surgiu? E a sua saúde pode esperar? Atualmente, não pudemos deixar de lado a prevenção e o tratamento de outras enfermidades. É preciso reforçar a relevância da prevenção e manutenção de tratamentos, mesmo vivendo em paralelo com esta pandemia. De facto, é urgente realçar que os outros problemas de saúde não esperarão que esta fase pandémica cesse para se manifestarem e os doentes crónicos não se curaram.

Sem dúvida, que as diretrizes e recomendações para o combate à Covid-19, amplamente divulgadas, devem ser cumpridas sendo seguro e obrigatório comparecer nas unidades de saúde com todas as medidas de prevenção.

infelizmente, para os doentes. Caso contrário, teremos o previsível agravamento do estado de saúde, ficando esta fase pandémica também marcada por um aumento de mortalidade das doenças crónicas.

A população não deverá deixar de procurar assistência médica, caso tenham sintomas que possam indicar outras patologias, nem deixar de realizar exames complementares de diagnóstico; pois AVCs, enfartes, neoplasias, traumatismos, diabetes, hipertensão, entre tantas alterações possíveis não desapareceram,

Não deixe de marcar as suas consultas e não descure a medicação prescrita. Não piore o seu estado clínico. Temos de sobreviver à Pandemia e a obrigação de tudo fazer para minorar todos os contratempos que surgiram nas nossas vidas. É hora de cuidar-se… Ainda mais! n

13 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 13

10/12/2020 13:31


Carla Ferreira Diretora de Recursos Humanos

O amor nos tempos de um vírus O mundo como ele era, deixou de ser um lugar comum. Num ápice e sem precedentes, as inversões galoparam atingindo indústria, sociedade, economia, saúde, famílias e afetos.

A dificuldade de passar incólume a este fenómeno deixou de existir, pela franca impossibilidade, resta-nos o movimento da adaptação à adversidade, encarando-a como um desconhecido que teremos de aprender e aceitar, por tempo indeterminado. A exigência será de vários tamanhos, associada ao repto de cada um de nós. Se há quem de forma franca e aberta, se consegue adaptar com dores menores, há também quem acuse cansaço extremo, desânimo, impaciência e medo, muito medo.

O medo é um dos motores do mundo, há quem assim o defina e não se engana. Rege a morte, rege a vida, rege os nossos objectivos e a capacidade de evoluir em diversas direcções. Associa-se a escolhas, percursos, manipulações, amores e desamores, construções internas e religiosas, dogmas e convicções. O medo em massa domina, sendo, o mais perigoso de todos os medos, o que aniquila a nossa capacidade de impulsão, esperança, perspectiva de continuidade, vingando sobre os alicerces que a sociedade detinha como paredes mestras da sua obra.

14 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 14

10/12/2020 13:31


A família, espreita-se à distância do olhar, escuta-se ao telefone, acena-se ao de longe. Os amigos são o espelho que se quer claro, mas cuja nitidez se esfumaça pela dificuldade da partilha e do abraço, valha-nos a saudade e a vontade de recuperar tudo outra vez. Os jovens, fiéis depositários da força, escondem-se onde podem, encostados como nunca, a redes que nem sempre são tão sociais quanto a sua designação e como gostaríamos que fossem, mas que no momento presente parecem salvar a adolescência de um naufrágio colectivo. As crianças, vidas em projecto, esculpemse ao sabor da adultez assustada e impaciente, prontas a travar a mais dura batalha das suas vidas: aprender a falar, a socializar e a crescer sobre a pressão de um bicho papão, muito pior do que o que morava nas histórias do antigamente. Cansei-me de olhar para dentro e de procurar uma resposta que me descanse o suficiente, para o que vivemos. Dei voltas ao dicionário da vida e das minhas aprendizagens, às leituras dos sábios e dos comuns dos mortais, analisei políticas de acção e esbarrei sempre nas minhas maiores dúvidas, nas grandes questões: não tenho reticências sobre a capacidade de adaptação do ser humano, que vencerá esta batalha como na história venceu todas as outras. Não sou derrotista no sentido de encontrar a desgoverno a cada canto, estimo a nossa resiliência, creio na nossa inteligência, confio no amor e no afecto. Mas como processar tudo, sem que o dano se afigure por demais danoso, e comprometa a nossa sanidade mental (aquela que parece esquecida num momento em que o que importa é respirar, muito mais do que sentir)? Talvez a melhor resposta seja mesmo o amor, a realidade antagónica ao egoísmo que impera as ditaduras da ordem, o único lugar do mundo onde o outro importa mais do que o próprio. Não me parece um sonho, parece-me a mais pura das realidades, a mais forte das armas, a mais óbvia das salvações e a necessidade do momento.

“Talvez a melhor resposta seja mesmo o amor, a realidade antagónica ao egoísmo que impera as ditaduras da ordem, o único lugar do mundo onde o outro importa mais do que o próprio.”

desesperadamente questões impossíveis, orientam-se no que pode ameaçar e não no que pode esclarecer. De amor, nunca mais ninguém falou. Desapareceram ou camuflaram-se as palavras de esperança, esconderam os técnicos de saúde mental, os pensadores, os escritores. Procuremos o melhor caminho nos nossos recursos, nas redes de afeto, de família, de amigos, redes de verdadeiro apreço. Procuremos nos livros, no conhecimento, na natureza, para contemplar e agradecer. Na pureza dos animais, nos filhos para os vermos crescer, no mar para escutar, num próximo que pode precisar da nossa ajuda. Foquemo-nos no outro, o bem afigurase nos dias de hoje mais necessário do que nunca, pela paz que nos poderá proporcionar. O mundo continua a ser muito belo, na simplicidade de um aconchego, na libertação de uma lágrima, num entardecer. A realidade não mente, necessitamos de a olhar de frente. A conjuntura empurranos para a perda, para a doença, exige que consigamos gerir as nossas emoções com a confiança de um credo que nos devolva a vitória, da nossa liberdade.

Escuto-o muito pouco nos tempos de antena. O que comanda a vida deixou de ser o sonho, para passar a ser um resumo factual e desastroso, traduzido em números assustadores que colaboram com o medo. Os telejornais vestem-se de fato e gravata para anunciar em peso a fragilidade do mundo, para darem tempo de antena aos líderes insanos que debitam palavras de escárnio em chorrilhos desorientados, para especularem ainda mais ao redor das mentes inquietas e sedentas de segurança. Mas ao invés de serenarem, ao invés de usarem o poder da palavra para atenuar a dor, espicaçam cada vez mais a dúvida, procuram

Um dia um padre disse-me que impelisse a minha própria canoa, sem me esquecer das pessoas. Disse-mo, no átrio de uma igreja, à frente de todos os santos. Dissemo sem a pretensão do dogma, ofereceume esta verdade absoluta com a bênção da Santíssima Trindade, padroeira da terra que me viu nascer e crescer. Olhei-o desconfiada e pouco capaz na altura de o perceber: o que estaria ele a dizer? ... minha força e a minha liberdade, sem me esquecer dos outros? Agora percebo, falava-me de amor. A única salvação, sempre, mas mais do que nunca quando o mundo atravessa uma guerra que nos empurra insistentemente para a distância, que só venceremos com a libertação do afecto, das emoções, da amizade e da proximidade n

15 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 15

10/12/2020 13:31


Francisco Gonçalves Gestor de Formação da Academia H Saúde

Academia H Saúde

Apostar num Investimento com Retorno A formação profissional em Portugal é cada vez mais uma prioridade, pois potencia a adaptação dos trabalhadores às exigências das funções a desempenhar num mercado cada vez mais rigoroso e seletivo. Na União Europeia, Portugal é ainda um dos países com uma menor taxa de qualificação. Esta lacuna tem impacto a nível socioecónomico, sobretudo, nos níveis de produtividade e rentabilidade das empresas nacionais. A mão-de-obra pouco qualificada põe em causa o investimento que as empresas fazem no capital humano. Assim, a formação profissional constitui-se como a resposta que permite colmatar baixos

níveis de produção, fruto de conhecimentos e competências do capital humano insuficientes ou desajustadas, tornando-se de extrema importância, tanto para quem emprega como para os colaboradores que integram uma determinada organização. Investir em formação profissional começa, e bem, a ser percecionado como veículo de excelência na valorização do capital humano, não se limitando a um mero cumprimento da legislação do Código de Trabalho (Lei n.º 93/2019 de 4 de setembro, artigo 131º, “O trabalhador tem direito, em cada ano, a um número mínimo de quarenta horas de formação contínua”).

A aposta na formação profissional deixa de ser encarada como atividade extraprofissional, como uma perda de tempo e como um aumento de custos e é, cada vez mais, vista como um investimento com retorno. Empresas que apoiam e investem na formação do seu capital humano ganham uma vantagem competitiva no que diz respeito à captação e retenção de talento de profissionais, já que demonstram um compromisso genuíno para com os seus colaboradores. Atualmente vivemos numa era em que a informação é partilhada e gerada a uma

16 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 16

10/12/2020 13:31


velocidade vertiginosa. As descobertas científicas feitas hoje vão, certamente, influenciar as práticas de amanhã, e, em muitos casos, as tendências discutidas ontem, já estão desatualizadas hoje. No âmbito profissional, verifica-se que as técnicas de trabalho tomadas como certas e eficazes, tornam-se, rapidamente, obsoletas e substituíveis. Assim, a formação profissional é essencial para que as empresas e os colaboradores tenham acesso a informação mais atualizada e adaptada às necessidades. Mas a aposta no aumento de competências dos colaboradores não deve passar apenas pelas competências técnicas (hard skills), cada vez mais as competências pessoais (soft skills) vão ganhando mais preponderância. Estas competências pessoais caracterizam a forma como um indivíduo interage no relacionamento com os colegas dentro e fora do ambiente de trabalho. Por exemplo, a competência técnica não lhe servirá de nada se não for capaz de confiar nos seus colegas e trabalhar em equipa.

A pensar em tudo isto e atenta ao contexto europeu e nacional, para além da oferta formativa que dispomos e que pode ser consultada no site do Grupo, a Academia H Saúde posiciona-se numa lógica de oferta formativa à medida, que consiste no desenvolvimento de raiz de um plano de formação 100% ajustado aos requisitos do Cliente, onde ajustamos a formação profissional às necessidades de cada cliente, adaptando os programas à realidade e às necessidades de cada um, através de metodologias dinâmicas, adaptadas à prática profissional e ao crescimento das pessoas e empresas. Somos atualmente uma entidade certificada pela DGERT em 5 áreas de formação: • 341 – Comércio; • 726 – Terapia e Reabilitação; • 762 – Trabalho Social em Orientação; • 840 – Serviços de Transporte • 862 – Segurança e Higiene no Trabalho Estamos em processo de certificação em mais 6 áreas para poder responder a todas as suas necessidades (090 – Desenvolvimento Pessoal; 222 – Línguas e Literaturas

revista_papillon_men_amostra_creme_corpo.pdf

1

30/11/2020

17:30

Estrangeiras 346 – Secretariado e Trabalho Administrativo; 723 – Enfermagem; 724 – Ciências Dentárias; 729 – Saúde). Afirmamo-nos dispostos a contribuir para o crescimento da sua empresa e alavancar o sucesso profissional dos seus colaboradores, caminhando ao seu lado, aperfeiçoando as competências da sua equipa, tornando-os um dos principais trunfos para a Inovação, Produtividade e Confiança. Tendo em conta a situação de pandemia que atualmente vivemos, nas nossas formações asseguramos o cumprimento das orientações da Direção Geral da Saúde, nomeadamente em matéria de higienização e distanciamento físico, para garantir a segurança e saúde de todos os intervenientes. A prioridade máxima é a proteção da saúde dos formandos e formadores. Seja um empregador que se preocupa. Organizações de sucesso têm trabalhadores qualificados, conte connosco para percorrer esse caminho n

17 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 17

10/12/2020 13:31


Dra. Fátima Lorvão Médica de Medicina Geral e Familiar na Policlínica da Benedita

Neste artigo irei salientar a importância de cada um controlar e evitar os comportamentos de risco e quais as medidas que deve adoptar de seguimento e vigilância clínica.

Preserve a sua saúde e não esqueça as suas doenças Ter cuidado com a sua saúde não é só recorrer ao médico quando se sente mal. É fundamental que se trate e cuide, que não esqueça a sua medicação e de que maneira deve preservar o que tem de mais importante – ser e estar saudável .

Por um lado há uma diminuta resposta dos serviços de saúde assoberbados com as situações graves de Covid, por outro o confinamento e o medo de contrair a doença conduzem a uma fuga dos hospitais e clínicas que acentua a gravidade das doenças.

Tem-se vindo a constatar que com a Pandemia e com a grande preocupação com o risco de infecção muitas das situações crónicas e não só, têm sido descuradas e como consequência têm aumentado as complicações das doenças crónicas por falta de seguimento clínico e a mortalidade decorrente desse abandono e adiar sucessivo provocando desfechos menos felizes em doenças que eram controláveis.

Nos hospitais a situação agrava-se de dia para dia, há consultas que não são feitas, outras que são adiadas e a resposta nos Centros de proximidade não tem sido dada de acordo com as necessidades. Chamo a atenção para duas situações clínicas que em muito podem beneficiar com os adequados cuidados e prevenção. A vigilância representa a melhor abordagem para tratar as doenças crónicas e misturada com o estilo

de vida apropriado garante melhor saúde e maior longevidade .

O sedentarismo

O sedentarismo tem sido uma das situações mais relevante nestes últimos tempos, decorrente da situação de confinamento: • porque se passa mais tempo em casa; • porque se passa mais tempo sentado em frente à televisão; • porque se está em teletrabalho; • porque se interromperam as atividades que se faziam com regularidade nos espaços próprios, ginásios e outros; Em suma uma bola de neve, sai-se menos à rua, anda-se menos, mais tempo sentados

18 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 18

10/12/2020 13:31


Tome atenção aos seguintes parâmetros e faça uma vigilância regular de saúde Passos/dia Mais de 8900

“O exercício físico não muda só o seu corpo. Muda a sua mente, a sua atitude e o seu humor”

IMC Até 24.9% Relação altura/ diâmetro da cintura Menor do que 0,49 Glicémia Menor do que 90 Hba1c (Hemoglobina glicada) Menor do que 5 Horas de sono 7 - 8,5 horas

à frente da TV ou do PC e dia-a-dia o sedentarismo instala-se, sem que tenhamos grande noção disso. Faço aqui uma ressalva para as crianças que começam a apresentar em consulta aumento de peso, disturbios do sono e até hipertensão. Esteja atento ao número de horas que os seus filhos ocupam com jogos de computador, tablets ou smartphones. Uma boa medida é usarem esses mesmo suportes onde há uma imensidão de aulas que poderão seguir e fazer em conjunto para se exercitarem e promoverem o diálogo familiar. Não é novidade que a inactividade é também um dos grandes factores que contribui para a obesidade e um dos principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares e para a diabetes.

O corpo humano funciona melhor quando recebe estímulos , dessa forma quando se mantém a actividade como rotina, tudo funciona melhor no nosso corpo e com menor desgaste. Ao invés, uma pessoa sedentária sobrecarrega o organismo prejudicando o seu funcionamento, com consequências fisicas e mentais. Como consequência ocorre o sobrepeso, a obesidade , a diabetes, a hipertensão, a perda de massa muscular, o desgaste ósseo e aumenta o risco de demência e Alzheimer entre outras. É assustador que uma em cada dez pessoas não pratique exercício físico regularmente. “A motivação faz com que comece, o hábito com que continue”

Hipertensão Arterial

Recomenda-se a prática de exercício físico pelo menos durante 150 minutos por semana e cerca de 8900 passos por dia.

Considera-se tensão alta os valores acima de 130/80 mmHg. A tensão elevada não dá muitas vezes quaisquer sinais ou sintomas. Por isso é tão silenciosamente perigosa.

Lembre-se que se investir na sua vida , tornando-a mais saudável rapidamente será compensado por uma existência com melhor qualidade.

Não tratar a tensão elevada é um risco de doença coronária, de enfarte agudo do miocárdio, de acidente vascular cerebral (AVC) .

A primeira linha de tratamento é a dieta e o movimento. A obesidade, como já referido, é um dos maiores riscos de hipertensão arterial. Entenda-se por obeso o individuo com uma relação peso altura, designado por Indice de Massa Corporal (IMC) superior a 30%.

Exercício Físico

Muitos são os estudos que evidenciam que andar a pé entre 20 a 30 minutos por dia ajuda a reduzir o stress. Sabe-se que o Stress contribui consideravelmente para o aumento da tensão arterial. O exercício físico reduz a tensão arterial, o colesterol e a diabetes que são o maior risco de doença cardíaca e de AVC .

COMPROMISSO: Deve caminhar meia hora por dia com bom ritmo. • Inicialmente comece lentamente e vá aumentando o tempo, mais 5 minutos por dia • Não se esqueça de fazer alongamentos no fim da caminhada. Assim evitará contraturas e dores musculares. • Se quiser perder peso estima-se que deverá caminhar 45 a 60 minutos 5 dias por semana. • Não se esqueça de que andar melhora a circulação e a qualidade do sono n

19 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 19

10/12/2020 13:31


César Martins Dermatologista na Policlínica Central da Benedita

A Revolução no tratamento da Pele laser

com a inovadora tecnologia aplicada ao método de “resurfacing”, remover lesões dermatológicas e assistir a uma rápida regeneração dos tecidos é garantido. Rugas, envelhecimento da pele devido ao sol, cicatrizes de acne e varicela, alterações da pigmentação ou certos sinais estão entre os exemplos de lesões dermatológicas que atualmente podem ser reparadas segura e rapidamente num consultório, em regime ambulatório. O laser fracionado distingue-se do convencional, uma vez que um “scanner” forma pequenos quadradinhos, deixando minúsculas ilhas entre a pele não danificada e a lesionada. Assim, a regeneração dos tecidos é mais rápida uma vez que o laser vaporiza os tecidos, aspirando as partículas a remover. Se o objetivo é rejuvenescer o aspeto da face, como nos tratamentos anti-rugas e de envelhecimento pelo sol, o laser é aplicado em toda a face. No caso de lesões localizadas, como por exemplo sinais, manchas ou cicatrizes de acne, o laser é aplicado diretamente e sem o “scanner”, apenas durante alguns segundos sobre a área a tratar e com um diâmetro de actuação e potência adequados à profundidade da lesão. A grande mais-valia é a rapidez da regeneração dos tecidos, pelo que o tratamento não interfere com o dia-a-dia

normal do paciente. O aspeto da pele é perfeitamente aceitável para sair à rua, ir trabalhar e retomar a rotina. Há apenas que ter em conta alguns cuidados. Manter inicialmente a zona tratada fria, com gelo, aplicar um gel calmante e usar protetor solar na rua ao longo da semana seguinte. Se é natural surgir vermelhidão após a aplicação do laser, no dia seguinte começam-se a formar micro-crostas, mas tão diminutas que a pele fica simplesmente com um aspeto bronzeado.

lifting biológico e mecânico – fios tensores

à medida que envelhecemos os tecidos perdem consistência, diminui a gordura facial e a estrutura de suporte subjacente torna-se flácida. As principais áreas que sofrem esta flacidez são as bochechas, o contorno ocular e o decote. O lifting biológico e mecânico, autoinduzido por fios é uma técnica não cirúrgica que melhora a flacidez gravitacional. Não são necessários cortes nem suturas na medida em que os fios são introduzidos de forma indolor nas zonas a tratar. Para pessoas com sinais de flacidez manifestos trata-se de um tratamento reparador, enquanto que nas mais jovens com os primeiros sinais de ptose é um procedimento preventivo. O mecanismo de ação dos fios é duplo: biológico e mecânico. A técnica consiste em introduzir e ancorar uns fios debaixo da derme para produzir uma tração da pele que corrija a flacidez e as rugas profundas provocadas pela queda dos tecidos. Ao inserir os fios estes condicionam um efeito imediato por tensão e posteriormente uma melhoria biológica. Não há necessidade de ficar em casa pois as marcas nos locais de incisão são praticamente impercetíveis. A técnica é segura, não existindo risco de rejeição na medida em que os fios são de polidioxanona, uma substância desde há longa data usada em medicina.

20 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 20

10/12/2020 13:31


Manchas da pele, o que fazer?

Quando os primeiros sinais de envelhecimento aparecem um pequeno retoque pode ser suficiente para lhe devolver um rosto jovem.

Cada vez aparecem mais casos de manchas cutâneas da face devido ao sol e também ao uso de alguns medicamentos que aumentam a sensibilidade da pele que se torna mais suscetível á pigmentação.

Plasma rico em plaquetas

O plasma rico em plaquetas é um produto obtido do próprio individuo; basta tirar sangue e prepara-lo de acordo com um protocolo bem definido. Desta forma tornase um método seguro sendo certificado pela FDA – autoridade americana que controla este tipo de produtos. No plasma rico em plaquetas a concentração de plaquetas proporciona um aumento dos fatores de crescimento celular que por sua vez estimulam a proliferação e diferenciação das células epidérmicas, suportam a síntese de colagénio e promovem a síntese de matriz extracelular. As plaquetas interagem com células locais enviando sinais para a sua divisão, migração e proliferação. Desta forma conjugam-se vários fatores que permitem a formação de uma rede de fibrina tridimensional, com produção de fatores de crescimento, atração de macrófagos e as tão conhecidas “stem cells” que por diferenciação dão origem a todas as outras constituintes de uma pele nova e saudável. Neste momento conseguimos fazer de forma simples e segura a transferência autóloga de plasma rico em plaquetas para as seguintes situações: • Rejuvenescimento da face, pescoço e mãos com diminuição das rugas e flacidez cutânea; • Tratamento de cicatrizes profundas nomeadamente do acne; • Tratamento da alopécia – queda de cabelo – especialmente em situações para as quais o tratamento convencional não surte efeito.

de preocupação com a aparência e com a higiene pessoal que a depilação masculina ganha espaço. A opinião feminina está muito dividida, mas, cada vez mais preferem os “despelados” como David Beckham. Alguns homens procuram a depilação com o intuito de agradar às mulheres, mas após perceberem os benefícios, a depilação passa a ser um hábito. Os benefícios passam pela higiene, pelo conforto e pelo efeito estético. Com o avanço das tecnologias voltadas para a estética já é possível a depilação para todos os tipos de pele incluindo as mais pigmentadas. A luz é a palavra-chave. A energia é libertada em forma de luz, captada pela melanina (pigmento existente no pelo, que é responsável pela sua coloração) e tem o poder de destruir a capacidade do folículo de produzir novos pelos. Quanto mais escuro e grosso é o pelo, mais facilmente ele é removido.

Epilação e luz pulsada intensa

Se a intensidade do aparelho for muito alta e mal calculada para o tipo de pele algumas queimaduras podem acontecer, por isso deve-se escolher uma clínica onde é feita a avaliação antes do início do tratamento por um Dermatologista que define os parâmetros individualizados para cada pessoa.

Os homens cuidam-se cada vez mais e já faz parte do seu ritual diário a utilização de produtos e serviços que agora são vistos como essenciais. É nesta nova forma de estar

O tratamento tem em média 6 a 8 sessões, variando de caso para caso, já que em algumas zonas os pelos são removidos mais facilmente. O outono é a altura ideal para iniciar uma vez que não estamos expostos ao sol e até ao verão sentirá a verdadeira sensação de pele limpa e mais suave ao toque.

Pelos no peito, abdómen, costas, pernas, orelhas, nariz e até na virilha é coisa do passado.

É importante ressalvar e insistir que quem procura resposta a esta situação, procure ajuda especializada, porque também passou a ser bastante comum o aparecimento de manchas cutâneas derivadas ao mau uso de aparelhos de laser provocando queimaduras com consequências por vezes irreversíveis. Após a análise das suas manchas cutâneas o Dermatologista deverá explicar qual o tratamento ideal para a resolução do seu problema. O especialista tem os conhecimentos adequados para informar qual os cremes indicados e/ou tratamento Laser de acordo com a especificidade de cada caso. Hoje em dia os Lasers têm uma vasta utilização na Dermatologia com resultados excelentes. Os vários tipos de equipamentos existentes, como a luz pulsada intensa que é uma das mais conhecidas, conseguem tratar várias situações de aumento da pigmentação cutânea e inclusive as tatuagens. Estes procedimentos, após indicação médica, deverão ser realizados em grupos de 4 sessões com o espaçamento de 3 semanas. A avaliação médica é sempre contínua através da informação a cada tratamento dada pela pessoa que o realiza, para que seja ajustado a potência com vista a um melhor resultado final n

21 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 21

10/12/2020 13:31


Dra. Ivone Mirpuri Médica Patologista Clínica especialista em Modulação Hormonal | Certificação em Medicina Anti-Envelhecimento pelo CENEGENICS, Las Vegas | Especialista em Medicina Anti-Envelhecimento e Modulação Hormonal pela WOSAAM e International Hormone Society

Continuamos a não saber muito, mas o conhecimento está a evoluir a “passos largos”. Assim, tudo o que eu expressar aqui neste artigo, nada tem a haver com artigos de opinião ou opiniões pessoais, mas com o que diariamente estudo e penso, baseado em bibliografia e bases de dados de publicações médicas, com algum critério de publicação, apesar de cada vez mais eu achar que a ciência está completamente distorcida pela ambição humana.

COVID O que não ouvimos dizer O conhecimento de facto é ainda muito pouco objectivo, dadas as hipóteses que se expressam nos métodos científicos serem sujeitas a imensas variáveis. A única constante do ser humano é exactamente a sua variabilidade. De tudo o que se falou sobre a COVID-19, há no entanto uma coisa sobre a qual nunca ouvi falar, que foi de Medicina Preventiva e de como um estilo de vida saudável é importante para vivermos com energia e vitalidade, mais saúde e menos doença. A alimentação, o exercício físico, a suplementação alimentar eventual e o equilíbrio hormonal são importantes na defesa do nosso organismo.

É hoje reconhecida a existência da imunosenescência. Mas hoje estamos aqui para falar um pouco sobre a COVID-19, da sua infecciosidade, de como prevenir eventualmente um mau desfecho, pois é isto que de facto importa e não obrigar toda a gente a andar de máscara, aumentando os níveis de CO2 com todos os perigos e respirando partículas de plástico e outras microfibras, com utilização inadequada de desinfectantes a toda a hora sem perceber o nível de tumores e doenças que crescerão em exponencial nos próximos anos. Além de que a máscara, dependendo da qualidade e boa colocação, pode não proteger de nada. As análises da IGM e IgG são de elevada

importância, dado que hoje sabemos que a RT-PCR negativa geralmente antes de 6 semanas. Há no entanto casos descritos de permanência de positividade até cerca de 3 meses. Um Indivíduo já com IgG e assintomático, não teria qualquer problema revelando infecção passada. Evitaríamos a quarentena e isolamento social e toda uma cascata de procedimentos desnecessários e economicamente dispensáveis, o que parece muitíssimo importante. Só um à parte para que tenham conhecimento, nas fezes atingimos mais tardiamente o pico de carga viral do que no nasofaríngeo ou secreções brônquicas.

22 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 22

10/12/2020 13:31


Mesmo quando o nasofaríngeo já é negativo, as fezes ainda podem conter partículas virais, mas não está bem determinada a transmissão fecal-oral. Na verdade alguns estudos revelam que embora a RT-PCR possa ser positiva em amostra fecal, as culturas virais são negativas mais precocemente. Há pois que perceber muito bem a presença de falsos positivos e evitar o desencadear de uma série de procedimentos com uma cascata de custos económicos e pessoais incomensuráveis. Clínicamente é importante perceber que a primeira causa de falsos positivos é exactamente a má interpretação de que positivo = doença= infecciosidade e portanto mais contágio e evolução da doença. Isto é falso. Ao detectarmos a presença de material do SARS-CoV-2 não estamos a detectar o vírus em si. Os estudos entre a relação da carga viral e as culturas virais não são equiparados. O que sabemos é que após o 10.ºdia do início dos sintomas se o “CT value” for > 34, o doente não apresenta infecciosidade. (O “CT value”, digamos que é a medida de ciclos necessária para passar para o limiar da positividade da reacção, o que quer dizer que se mais vírus presentes, menos ciclos necessários e vice versa). Sabemos que a infecciosidade é maior até ao 8.º-10.ºdia do início da doença, podendo acontecer como já vimos 3-5 dias antes e ir até aos 14 dias, embora hajam casos de permanência do vírus, ou antes de partículas virais e de PCR detectadas até quase 90 dias. Mas a pessoa já não está infecciosa. Logo, adoptar a estratégia de identificar precocemente a sintomatologia é uma boa medida, pois a carga viral não se correlaciona com a gravidade da doença, havendo altas cargas virais com pessoas assintomáticas, pré-sintomáticas ou sintomáticas, como já vimos.

“A alimentação, o exercício físico, a suplementação alimentar eventual e o equilíbrio hormonal são importantes na defesa do nosso organismo”

Mas a mim isto faz-me pensar que apesar de tudo nada é linear e um assintomático, pode não ser verdadeiramente assintomático, pois nem valoriza aquele cansaço ligeiro que sente, e por isso a importância de todos termos consciência de um bom sistema imunitário para que tudo funcione bem e se tivermos o azar (ou a sorte) de contactarmos o SARS COV2, que a doença seja assintomática ou leve. A bibliografia diz que cerca de 40-60% da população permanece assintomática depois de contrair o vírus. Independentemente da carga viral os sintomáticos apresentam um risco duplo de contagiar que os assintomáticos. É importante saber bem quais os sinais e sintomas que mesmo atípicos, nos podem indicar que estamos infectados para nos protegermos e aos nossos contactos, sendo que o contágio vai depender como em todas as infecções da quantidade do inóculo no “outro” e das defesas deste “outro” que potencialmente vai ser infectado. E como isto está tudo ligado, voltamos então à pergunta: que fazer para reforçar o sistema imunitário? Relembro que QUEM CONTAGIA são as crianças que apresentam mais carga viral, mas não desenvolvem doença pois têm menos receptores ACE2, por onde o vírus entra na

célula, os pré-sintomáticos, que pensam estar assintomáticos e mais tarde desenvolvem sintomas, e os sintomáticos ligeiros, que andam por aí a pensar que não têm nada. Se tivermos um teste PCR positivo (vamos acreditar que é de facto positivo) vamos então fazer Ac anti IgG e IgM para descartar já, que não apresenta senão partículas virais e já não está infecioso (IgG positivas), ou se sem IgG positivas e com IgM positiva, ter cuidado e ficar então de quarentena durante 10 dias, para não contaminar eventualmente ninguém. Atenção à qualidade do teste utilizado. Testes com sensibilidades e especificidades inferiores a 98% não deveriam ser utilizados. Há pessoas com sistema imunológico mais enfraquecido e que devem ter mais cuidado e nós com elas. São os idosos, homens (60%), diabéticos (mais stress oxidativo como na obesidade), hipertensos, pois nestas populações há mais receptores de ACE2, o tal receptor onde se liga a proteína “spike” do vírus (a que dá o aspecto de coroa, espiculada) para entrar e começar a sua replicação celular, disseminando a doença. Também devem ter mais cuidado na presença de doença crónica com tratamento imunossupressor como nos transplantes, doenças auto-imunitárias ou pessoas com cancro e a efectuar quimioterapia.

Que indicam os números? Primeiro há que perceber que quanto mais testes foram feitos mais positivos teremos. Sem esqueceros falsos positivos, que parece que ninguém pensa que existem, dado que teoricamente o teste RT-PCR tem uma especificidade de 100%. Na mundo real, existe o erro humano, nunca desprezível: contaminações de amostras com outras amostras positivas, controlos positivos, reagentes contaminados e toda uma outra série de coisas que podem acontecer em laboratório.

Temos pois de saber como interpretar um positivo e não ficar alarmados que PCR positivo = Doença= Quarentena= fecha Clínica, fecha escola, fecha companhia e destrói a economia, a sociedade e o ambiente com tanto zelo e protecção física e química. E isto terá consequências graves num futuro próximo. Aliás, já todos as estamos a sentir.

23 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 23

10/12/2020 13:31


O conhecimento do mundo material deve ser baseado na evidência científica, no conhecimento que permita a correcta interpretação da ciência que queremos ter e em que queremos acreditar, não em regras impostas pela autoridade. Quero com isto dizer que sim temos de ter regras, mas não, não podemos generalizar e dizer que “só se permitem ajuntamentos de 10 pessoas se não da mesma família”, por exemplo. Se todos forem assintomáticos, e exaustivamente pesquisarmos sinais e sintomas, os frequentes e os atípicos, e os tivermos testado para IgM, por um simples teste rápido de picada no dedo, que tenha 100% de sensibilidade, que existe no mercado, se este teste for negativo, mesmo na baixa prevalência da doença, podemos excluir a doença. A sensibilidade de um teste indica que se for muito sensível o teste, que se der negativo é verdadeiramente negativo. Sabemos que as IgM podem demorar alguns dias e até mais de uma semana a desenvolverem-se. Mas sabemos que somos contagiosos 3-5 dias antes, até 14 dias depois dos sintomas. Se não tivermos mudado muito os nossos hábitos sociais, menor é ainda a chance de vir a desenvolver a doença, pois as condições seriam as mesmas dos últimos

“Sejam 1 ou 10 pessoas, manter a distância social de desconhecidos ou máscara é importante sim. Usar sempre máscara quando saem de casa e vão cruzar com desconhecidos.”

15 dias tempo suficiente para desenvolver os Ac Anti IgM. Assim, assintomático e com IgM negativo, uma pessoa responsável com contactos estáveis, pode ser considerada apta a participar num evento/congresso, por exemplo. Feitas as contas ficamos com um período de janela de uma semana em que poderia o doente vir a desenvolver sintomas e ainda não lhe detecto a IgM, e pode potencialmente estar a contagiar alguém. Se eu fizer PCR a esta pessoa, não vou lucrar mais do que um ou dois dias, e sabemos também que a contagiosidade é maior na presença dos sintomas, pelo que não justifica todo o custo económico de efectuar PCR a um grupo de uma reunião, assintomáticos, por exemplo, que seria efectuada com segurança e não cancelada com os prejuízos todos que podem daí advir como já vimos. Mas tudo isto custa dinheiro e dá trabalho mas estatisticamente menos hipoteses de disseminação, se tivermos os cuidados apropriados.

Quais são os cuidados que devemos ter?

Penso que todos estão elucidados hoje em dia para a necessidade de uma boa higiene, para evitar a contaminação pelo

24 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 24

10/12/2020 13:31


SARS-CoV-2 que penetra pelos receptores ACE2, presentes em maior quantidade no epitélio nasal, boca, pulmões, coração, vasos sanguíneos, rins, fígado e trato gastrointestinal. O uso da máscara deve ser criterioso. Respirar CO2 em quantidades comprovadamente nefastas, respirar microfibras e plástico 18 horas ao dia, não é benéfico para ninguém. “Desinfectar” as mãos 10 vezes ao dia, porque fomos a um Centro Comercial e nos “obrigam” a colocar um “gel desinfectante”, é mais um disruptor endócrino, a acrescentar aos milhares a que diariamente estamos sujeitos e nos diminuem a saúde. Assim, a racionalidade entre a real necessidade e o uso abusivo de algo, deve estar sempre no nosso espírito. No dia a dia, para a população em geral, preconizo estes hábitos comuns e que devem estar subjacentes à nossa conduta diária. Agora é a COVID-19, depois há-de ser o 2020 ou outro pior, há que enfrentar e não tentar fugir, pois vamos “dar de caras” com ele mais cedo ou mais tarde.

“Não falo de tratamento pois não trato ninguém. Nenhum dos meus doentes adoeceu de forma grave, e isto dá-me também mais segurança de que a medicina preventiva é o caminho a seguir, para que possamos viver os anos vindouros com mais energia e vitalidade, mais saúde e menos doença”

SIM a lavar as mãos sempre que chegamos a casa, ou se justifique, como sempre o deveríamos ter feito e estar habituados. Não a desinfectar a toda a hora, dados os perigos anexos a este acto. SIM à distância social. Perdigotamos a 60 cm, é bom que não levemos com perdigotos de ninguém, e não pelo Covid mas por todas as outras doenças que podem ser transmitidas desta forma. NÃO aos ajuntamentos indiscriminados, com pessoas desconhecidas que não são dos nossos contactos diários. Podem não ser família e serem amigos com que privemos habitualmente e estes devem ser considerados família obviamente. Posso estar com 10 desconhecidos todos infectados, mas como são 10 pessoas, estou mais protegida? Se eu privo com alguns amigos devem ser considerados como pertencentes ao meu agregado familiar. É isto que devemos entender do plano de contingência.

SIM ao uso de máscara sempre que em contacto próximo com desconhecidos, mesmo em número menor que 10. Chamos a atenção para que dependendo da qualidade, a máscara pode pouco ou nada proteger. Sejam 1 ou 10 pessoas, manter a distância social de desconhecidos ou máscara é importante sim. Usar sempre máscara quando saem de casa e vão cruzar com desconhecidos. Imaginem se algum deles resolve espirrar ou tossir? Cuidado a ter não só pela COVID mas com todas as outras infecções. Quanto maior for a especificidade de um teste maior é a certeza de que se trata de um verdadeiro positivo. Mas tal como vos disse a especificidade depende da prevalência.

Não se deveriam admitir testes com especificidades abaixo de 98% e no mercado há de tudo. Como sou patologista clínica e trabalho em prevenção e medicina preventiva para um envelhecimento saudável vou resumir o que podemos fazer para que o nosso corpo se encontre bem protegido a agressores externos, não só da COVID-19 mas todas as constipações e gripes que são mais propícias de acontecer nesta altura do ano.

Como reforçar o sistema imunitário?

A resposta é: mantendo um estilo de vida saudável. Os pilares de um estilo de vida saudável são: a nutrição, o exercício físico, a suplementação alimentar sempre que necessária e adequada a cada pessoa, o equilíbrio hormonal e a mudança de hábitos de vida, associada a um bom sono e a uma certa espiritualidade, com pensamentos bons. Não falarei detalhadamente de cada um deles pois já o fiz no meu livro “A mulher e as hormonas” que podem adquirir no site que convido a visitar em www.draivonemirpuri. pt As vendas revertem na totalidade para uma Associação de protecção a animais abandonados, a Associação Bianca. A minha escolha, que utilizo há mais de 12 anos e sei que eficaz na grande maioria da prevenção das constipações e gripes, e esperemos que também para a COVID-19: Selénio (Selénio-zinco), magnésio, D3, B12 e C. Sono de 7-8 horas importante bem como os outros pilares de que falei para o envelhecimento saudável. Não falo de tratamento pois não trato ninguém. Nenhum dos meus doentes adoeceu de forma grave, e isto dá-me também mais segurança de que a medicina preventiva é o caminho a seguir, para que possamos viver os anos vindouros com mais energia e vitalidade, mais saúde e menos doença. Que o meu artigo possa promover a reflexão, que cada um tome as medidas de protecção adequadas protegendo-se a si e aos outros, para que possamos desfrutar de um Mundo melhor para todos n

25 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 25

10/12/2020 13:31


Paula Ambrósio Médica Ginecologista e Obstetra na Clínica CUF Belém

Ginecologia

O fim do tabu A quase/sempre odiada consulta de Ginecologia

Pode parecer um bocadinho exagerado começar já a falar de forma hostil da minha actividade profissional mas a verdade é que a consulta de Ginecologia, ao contrário de outras que não aquecem nem arrefecem, gera sempre uma certa ansiedade na maioria das mulheres. Em primeiro lugar é um facto assumido que ninguém, que eu conheça, gosta de ir à consulta de Ginecologia, eu incluída. Sempre

que vou, tenho uma cólica intestinal. Mas vou, sempre, religiosamente, todos os anos. Tenho sempre medo que a minha ginecologista encontre alguma coisa. Detesto aquela marquesa horrível em que tenho de me expor e quase no limite da minha agilidade física para conseguir fazer o exame bem feito. E sim, tenho sempre dúvidas sobre a qualidade da minha depilação e se algum do papel higiénico que usei antes da consulta ficou agarrado às minhas nádegas... Tudo o que envolve a consulta de Ginecologia

nos assusta. O medo de não poder ter filhos; O medo de ter filhos e não querer; O medo de ter de retirar uma mama; O medo de ter um cancro do útero ou dos ovários... Muitos medos juntos. Tudo isto é verdade mas há medos que não me cruzam o espírito quando vou à minha consulta anual. Não tenho medo de ouvir comparações idiotas sobre a colocação do espéculo e a forma ou frequência com que tenho relações

26 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 26

10/12/2020 13:31


sexuais. Não tenho medo de ser chamada de mariquinhas, exagerada ou histérica. Não tenho de medo de ser humilhada na minha total exposição e de não querer voltar. Não tenho medo porque a minha ginecologista é uma profissional. O facto de ser uma excelente pessoa pode ter alguma influência mas isso não interessa nada. O que é determinante na forma como me sinto na consulta é sentir que estou a ser atendida por um bom/boa profissional que sabe exactamente o que tem de ser feito e como. Seja o toque ginecológico, exame do Papanicolau ou a ecografia pélvica com sonda vaginal, caso seja necessário. Um profissional que não é só um bom técnico mas um ser humano capaz de perceber que se eu estiver contraída ou ansiosa me vai custar mais. Que olha e vê na minha cara e no meu corpo o que estou a sentir e porque sabe que não é a fazer comentários desagradáveis sobre a forma como não estou a colaborar com o exame ou comparações ainda mais desagradáveis (para não lhes chamar outra coisa) com a posição desconfortável em que me encontro, que as coisas vão melhorar. Seguramente não é por ser antipático/a ou usar a força que vai melhorar. E é por isto que não falho uma consulta anual, mesmo com as cólicas... Também sei que esta não é uma realidade comum a todas as mulheres. Há pessoas que passam anos sem fazer a sua rotina ginecológica porque ficaram tão afetadas com certas coisas que ouviram que só a ideia de irem à/ ao ginecologista lhes dá volta ao estômago, ao sono e à vida e que por essa razão adiam-na indefinidamente. As consultas médicas são sempre uma situação de desigualdade e de fragilidade em que temos de nos colocar nas mãos de alguém que nos pode dar a pior notícia da nossa vida. Em que temos de confiar em alguém que não conhecemos de lado nenhum, que não é da nossa família nem nosso amigo para nos ajudar. Isto nunca é fácil. Os médicos não aprendem só a tratar os doentes. Aprendem a conhecê-los, a entendê-los, a pressentir os seus medos mais profundos. Aprendem, em suma, a perceber

“Temos mesmo de tratar de nós e de fazer os exames que nos podem salvar a vida sem ter, seguramente, de aceitar nada menos do que aquilo que sabemos que é correcto, justo e bom para nós”

o que lhes vai na alma. Como é óbvio e acontece em todas as profissões, há os que nunca aprendem ou porque não querem ou não conseguem. Mas para os que prezam o que fazem e são bons profissionais este é um aspecto tão ou mais importante do que os detalhes técnicos e farmacológicos que utilizam nos tratamentos. Os médicos não têm de ser simpáticos. O ideal é que o sejam, obviamente, como em todas as facetas da vida e profissões.. Quem é que gosta de ser atendido todos os dias por um empregado de balcão que está sempre mal disposto? Ele até pode trazer o pedido muito certinho para a mesa mas a verdade é que sentimos sempre um certo desconforto e mal estar que um sorriso ou gentileza apagariam. Sim, os médicos não têm de ser simpáticos mas não devem ser antipáticos ou tratar de forma desadequada os doentes. Se o empregado de mesa for antipático ou me fizer um comentário desagradável sobre a cor ou o corte de cabelo que levo nesse dia é muito provável que nunca mais volte ao café onde isto aconteceu.

Não deixo de ir tomar café, mas escolho outro local onde possa comer o meu pastelinho de nata num ambiente mais agradável com uma pessoa que mo entrega de modo gentil, a trautear a música da berra ou com uma frase agradável sobre o sol que brilha lá fora. Com os ginecologistas é a mesma coisa. Não é por termos tido uma experiência menos boa (ou mesmo horrível, sejamos francos) que devemos deixar de ir saber como está a nossa saúde. Até porque a prevenção é a melhor abordagem na resolução dos problemas e infelizmente os nossos medos podem não ser infundados, podemos mesmo ter um cancro da mama ou um tumor que nos vai fazer tirar o útero e nunca mais podermos ter filhos ou mesmo perder a vida. Por isto é fundamental diagnosticar e tratar de forma eficaz qualquer problema para vivermos muitos anos felizes ao lado de quem mais gostamos. E os médicos, como os empregados de mesa, não são todos iguais. E a forma como lidamos com eles também não é igual. Nem todos valorizamos as mesmas coisas mas uma coisa é certa, ninguém gosta, seja em que situação for, de ser mal tratado ou humilhado e qualquer pessoa foge desse tipo de situação. Quando este tipo de situação é a consulta de ginecologia podemos estar perante uma catástrofe. Quando uma mulher passa 10 anos sem ir à consulta por ter tido uma má experiência e finalmente ganha coragem para descobrir que afinal tem uma situação que já podia ter sido identificada e tratada e atingiu proporções complicadas, não me parece aceitável. A horrível consulta de Ginecologia, não tem de ser horrível. A bem da verdade, as consultas já podiam ter sido substituídas por uma cápsula espacial em que bastava entrar e ficávamos logo a saber tudo sobre o estado de saúde das doentes mas a técnica ainda não evoluiu o suficiente. Temos mesmo de tratar de nós e de fazer os exames que nos podem salvar a vida sem ter, seguramente, de aceitar nada menos do que aquilo que sabemos que é correcto, justo e bom para nós n

27 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 27

10/12/2020 13:31


Pessoas & Animais

André Toscano. Engº de Som

“Eu estou-me nas tintas para as vacas!”

Foi com esta frase que o monge budista iniciou a sua palestra no London Buddhist Centre (LBC), para espanto de todos os que lá estavam. Talvez seja a altura certa para informar que não sou budista. Costumo dizer que sou 99% ateu e 1% agnóstico, o que significa que, a cada cem dias, pelo menos num deles não sei bem no que hei-de acreditar. Encontrava-me naquele espaço pois, verdade seja dita, estava a queimar um pouco de tempo para me encontrar com um amigo, e o LBC era um espaço acolhedor onde qualquer estranho era convidado a entrar. E foi com os presentes a olharem admirados uns para os outros que o dito monge continuou a sua palestra. “Eu sei que as pessoas julgam que os budistas são amigos dos animais. Também eu julgava isso. Até que comecei a pensar.” E os presentes cada vez mais espantados. “Há uma dissonância muito grande entre o que o ser humano diz e o que faz. Eu posso afirmar que sou amigo de todos os animais. Mas se faço coisas que, na realidade, os ferem e prejudicam - como beber leite e comer queijo - então será que sou assim tão amigo deles? Não será um exercício de hipocrisia eu dizer que gosto de vacas, mas depois comê-las e usufruir de tudo o que elas produzem e que lhes causa sofrimento?” Não me lembro bem do resto da palestra. Mas não me esqueço dessa lição: a real diferença entre aquilo que se diz e aquilo que se faz. As palavras podem irritar, satisfazer, excitar, indignar, tranquilizar… mas são as acções, aquilo que realmente fazemos, que mudam a face do planeta.

Perceber esta diferença é o primeiro passo que nos ajuda a despir as vestes da nossa própria hipocrisia e, quem sabe, ajudar a construir um mundo melhor através de acções conscientes. Uma lição especialmente importante numa altura em que parece difícil discernir uma opinião informada dum comentário emotivo. Naturalmente que conseguiremos sempre imaginar um “mundo melhor”. Mas é um exercício que costuma descambar numa redução sobre-simplificada da nossa vivência em sociedade, estrategicamente projectada na vontade que temos de evitar tudo o que não gostamos e maximizar o que achamos que queremos. Portanto, por inerência, imaginar um mundo melhor é, invariavelmente, um acto egoísta. Perceber que as palavras têm alcance, mas que não têm validade sem acção correspondente, foi a lição que aprendi nesse dia. E executei-a logo de seguida pois, mais tarde, em conversa com o meu amigo, decidi pagarlhe a refeição. De que servia sentir “pena” do meu amigo por ele não ter uma vida tão folgada quanto a minha, se isso não se reflectisse em acções que o pudessem ajudar de vez em quando. “Mas não é preciso, eu consigo pagar a minha parte.”, respondeu ele. “Eu sei que consegues. Mas esta gostava eu de pagar. Podes agradecer ao Buda!” Quando regressei a Portugal, decidi ajudar alguns canis e associações animais, na medida das minhas possibilidades. Numas alturas, dando algum do meu tempo e passeando animais aos Domingos; e noutras, contribuindo financeiramente. Adoptei inclusivamente a minha cadela Bica. De que me interessa professar o meu amor pelos animais se, na prática, nada fizer para os ajudar?

“Agora têm de vir cá todos os Domingos!”

Ninguém sabia bem qual a ocupação original do Dr. Matias (nome fictício, personagem real) naquela casa de repouso nos arredores de Lisboa. Sabiam apenas que se não o tratassem dessa forma nem um aceno podiam esperar, muito menos uma resposta. As aparições do Dr. Matias nas zonas comunitárias da casa de repouso eram

mínimas. Insistia em tomar as refeições no seu quarto, do qual não saía há quase três anos. Até as limpezas eram efectuadas com o Dr. Matias no quarto. Passava os seus dias em silêncio, sentado num cadeirão estrategicamente colocado em frente à janela, com vista para meia-dúzia de laranjeiras e um pequeno chafariz. Como seria de esperar, as histórias sobre o Dr. Matias começaram a circular pelo lar, cada qual mais inverosímil que a anterior. Seria um médico esgotado pela sua profissão? Seria doutor a sério ou era algo que gostava que lhe chamassem? Deixou de falar porque bateu com a cabeça ou teve um AVC? Ninguém sabia. E o silêncio do Dr. Matias não ajudava. O seu grande porte, estatura firme e erecta, sempre impecavelmente vestido para se sentar no seu cadeirão logo a seguir ao pequeno-almoço, não facilitavam intimidades com terceiros. E eis que, numa manhã de Primavera, tudo mudou. Foi nessa altura - o(a) leitor(a) talvez se recorde disso - que algumas associações de protecção animal, inspiradas por histórias passadas noutros lados, decidiram iniciar um programa em que levavam animais de estimação a lares para ajudar a combater a solidão e trazer um pouco de variedade aos dias. A cena - contada por aqueles que a ela assistiram - foi algo de que ainda hoje se fala dentro daquelas paredes. Os voluntários da associação entraram com os animais na sala de estar comunitária, uma sala ampla e bem iluminada, com grandes janelas envidraçadas que podiam ser abertas nos dias de calor para facilitar a passagem para o jardim. Das cerca de nove pessoas que se encontravam naquele momento na sala, distribuindo sorrisos proporcionais às lambidelas e abanadelas de cauda, apenas uma não prestava atenção aos cães e parecia estar fixada noutro ponto da casa. Alguém reparou nisso. E fez aquilo que todos fazemos: virou o olhar na mesma direcção na tentativa de perceber o que se passava.

28 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 28

10/12/2020 13:31


Fez-se silêncio. O que viram? A figura imponente do Dr. Matias, parado, à porta do seu quarto, fitando os cães que lá se encontravam. “Venha aqui para ao pé de nós, Dr. Matias. Venha dar uma festa aos cães!”, sugeriu alguém, na realidade não esperando grande desfecho. Mas, pé ante pé, o Dr. Matias lá se aproximou. A sala continuava em silêncio. As próprias voluntárias da associação, que não faziam ideia quem fosse o Dr. Matias, perceberam que estavam a presenciar um evento fora do comum. Com algum custo, o Dr. Matias baixou-se e fez algumas festas ao Simba, um simpático rafeiro castanho. Aquilo que parecia um sorriso começou a desenhar-se nos seus lábios e, enquanto os dentes apareciam e as lágrimas lhe escorriam pela face, o Simba atirou-se ao Dr. Matias para o lamber! “Eu tive um cãozinho igual a este na minha quinta!”, vociferou o Dr. Matias, entre soluços e lágrimas. E como a sala continuava silenciosa, a sua voz grave e profunda ecoou, trazendo também à porta as cuidadoras e a própria directora da casa, que assistiram boquiabertas ao que se passava. “Sabem o que isto significa, não sabem?”, disse a directora a uma das voluntárias, “Agora têm de vir cá todos os Domingos!”. Riram-se. Ao longo das semanas seguintes, o Dr. Matias revelou-se. Continuou a não manifestar grande interesse na programação televisiva que deleitava os restantes hóspedes na sala comunitária. Mas já falava com as pessoas,

sorria, comia em conjunto, e passeava no jardim. O Dr. Matias era, de facto, um intelecto de peso. Professor reformado de engenharia no Instituto Superior Técnico e que nos últimos anos prestou serviços de consultoria para diversas empresas da nossa indústria. Morava numa quinta em Palmela com a mulher, filhos e animais de estimação. Os filhos emigraram há quase duas décadas para o Luxemburgo e só aparecem uma vez por ano. A mulher morreu há dois anos, vítima dum cancro galopante. E quando o seu último animal de estimação desapareceu, o Dr. Matias deixou de falar e de cuidar da quinta. Agora, tinha o prazer de ter novamente um dia preferido na semana. Certamente o Domingo, dia em que era o primeiro a arranjar-se e a esperar à porta pelas voluntárias da associação que lhe trariam o seu amigo Simba. Durante uns tempos, o medo confesso da directora da casa era que acontecesse alguma coisa ao Simba ou que a associação terminasse aquelas visitas por algum motivo. Mas esse medo nunca se verificou pois num certo Domingo, na Primavera de 2019, três anos depois da primeira visita dos animais ao lar, o Dr. Matias já não se levantou. Foi encontrado deitado na sua cama, com um ar tranquilo, a sua mão ainda segurava o pequeno saco de biscoitos que havia comprado para dar ao Simba.

Ironia do destino: nesse mesmo dia, a casa de repouso receberia a visita das voluntárias, mas para informar que o Simba havia falecido nessa noite…

“Falta algo na vida de quem não tem um cão.”

Lembro-me de ver, na antiga casa dos meus pais, um livro intitulado “As Melhores Histórias de Cães”. Não me lembro de nenhuma delas. Desconfio até que as tenha lido. Mas lembro-me da primeira frase do prefácio. Dizia apenas “Falta algo na vida de quem não tem um cão.” É difícil convir a alguém que nunca teve animais de estimação as relações de intimidade que se criam. É por isso que não afirmo aqui que uma relação saudável com animais possa ser benéfica para a nossa saúde. Não afirmo, porque aqueles que partilham este prazer já sabem que isso é verdade. Seja porque os animais nos forçam a cuidar deles, fazendo com que nos esqueçamos um pouco de nós; seja porque nos possibilitam alguma socialização com outras pessoas com animais; seja porque nos tiram de casa; ou por motivos mais superficiais de natureza bio-antropológica, como o prazer primordial de passar a mão no pêlo dum animal. Talvez até a primeira história nem seja sobre animais. Mas foi porque um dia uma voluntária decidiu passar das palavras aos actos, aproximando uns animais aos outros, que alguém como o Dr. Matias desabrochou e ganhou uma segunda vida n

29 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 29

10/12/2020 13:31


Pessoas Breves & Animais

APOIAMOS O DESPORTO SERVIÇO MÉDICO OFICIAL

Fomos os Serviços Médicos Oficiais do Campeonato Europeu de Futebol Praia. Estivemos presentes na praia da Nazaré, onde decorreu o evento. A final jogou-se no dia 6 de setembro tendo Portugal sagrado-se campeão pela 7.ª vez n

OS GRANDES ATLETAS CONFIAM NOS NOSSOS SERVIÇOS!

Recebemos a visita de dois surfistas do "Canhão da Nazaré". Maya Gabeira, recordista da maior onda surfada por uma mulher e Sebastian Steudner, vencedor do prémio WSL Big Wave, em 2010 e 2015. Vieram fazer um "Check up Médico" antes do campeonato mundial de surf, que decorreu no início de outubro na Nazaré n

Bernardo e Leonardo Santos, jogadores da Selecção Nacional de Futebol de Praia

FORÇA “BRUTOS DOS QUEIXOS!” FORÇA CAMPEÕES! Agradecemos à equipa sénior do Hóquei Clube de Turquel, pela visita que nos fizeram. O Grupo H Saúde, serviços médicos oficiais do HCT deseja a esta equipa e a todo o clube, muito sucesso e vitórias para esta época n

A 23 de outubro, os profissionais de saúde do Grupo H vestiram-se de rosa para apoiar e desejar boa sorte no Giro de Itália 2020 a João Almeida e Rúben Guerreiro. A prova que acabou 2 dias depois, correu

muito bem para os ciclistas portugueses que conquistaram o 4.º lugar da geral e a camisola azul respectivamente tendo sido a melhor prestação de sempre de Portugal nesta grande volta n

O GRUPO H SAÚDE COMEMORA O 1.ºANIVERSÁRIO DA UNIDADE HEMODIÁLISE DA BENEDITA Para assinalar o 1.º aniversário do Centro Médico de Diálise, o Grupo H Saúde irá disponibilizar rastreios/consultas de Nefrologia e Neurologia gratuitos*, até 31 de Dezembro de 2020 (Marcação Obrigatória). É o objetivo do Grupo H Saúde minorar

os danos causados pela Pandemia, sensibilizando a população e em particular os doentes renais para certos efeitos colaterais que se podem manifestar em perturbações do sono, ansiedade, depressão e outras alterações neurológicas.

Se faz tratamento de hemodiálise ou é familiar de um doente renal em programa de diálise. Marque a sua consulta gratuita, em segurança.

*Estas consultas de rastreio gratuitas aplicam-se aos doentes renais em programa de diálise da região e seus familiares.

30 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 30

10/12/2020 13:31


EQUIPAS DE RECEPÇÃO

A primeira impressão é sempre a mais marcante e a que fica gravada na memória fazendo com que voltemos aos lugares monde nos sentimos tratados com atenção

e simpatia. O Grupo H não descura o primeiro encontro os os restantes, formando a sua equipa para MELHOR RECEBER e ATENDER os seus utentes n

POLICLÍNICA CENTRAL DA BENEDITA RENOVA O TÍTULO DE PME LÍDER

Equipa da receção da Policlínica da Benedita. (Da Esquerda para a Direita) Catarina Honório / Cláudia Fragoso / Tânia Diogo /Sara Vicente / Vânia Norte / Vanessa Passarinho /Vânia Silva/ Nicole Luís

Equipa da receção da Clínica das Olhalvas. (Da Esquerda para a Direita) Ana Silva / Angela Barradas / Rute Sousa / Teresa Sousa

É com grande satisfação que anunciamos que a Policlínica Central da Benedita foi, novamente, distinguida com o estatuto de PME Líder no ano de 2020. Esta distinção, que é atribuída pelo IAPMEI, tem o objetivo de reconhecer o desempenho das empresas no que toca à sua qualidade, solidez financeira, e excelência de gestão e ao seu contributo para a economia nacional. O nosso compromisso diário com um serviço profissional e de excelência, procurando sempre ter um impacto positivo junto da comunidade é mais uma vez reconhecido. Agradecemos e partilhamos este reconhecimento com todos os nossos utentes, colaboradores e parceiros, sem os quais esta distinção não seria possível n

GRUPO H SAÚDE OFERECE COMPUTADORES AOS ALUNOS DA ESCOLA DA VESTIARIA “COM A QUALIDADE DE SEMPRE, MAIS SEGUROS DO QUE NUNCA!” As unidades do Grupo H Saúde tem uma organização que as diferencia de todas as outras clínicas. A pensar nas necessidades dos utentes, implementamos os mais altos padrões de higienização. Veja o vídeo demosntrativo aqui: bit.ly/39wqnsX • Instalámos em todas as unidades um pórtico de desinfeção; • Medição de temperatura automática com reconhecimento de máscara; • Criámos novos circuitos de entrada e saída; • Dispensadores automáticos de álcool gel; • Torneiras de água quente com sensor e amigas do ambiente; • As encomendas são rececionadas no exterior e devidamente desinfectadas; • Televisores no exterior da unidade para visualização do número da senha; • Implementámos um sistema de senhas com aviso por SMS; • Sanitas automáticas, com lavagem

• • • • • • •

• •

automática, desinfecção e secagem a cada utilização; Foram colocados acrílicos para protecção no atendimento dos utentes; Assinalámos a distância de segurança nos espaços comuns; Salas de espera mais amplas e com seguro distanciamento entre cadeiras Pagamento em numerário em equipamento automático e sem contacto; Pagamento com MBway e ContactLess; Reforçámos a higienização e desinfeção dos espaços; Aumentámos o intervalo entre as consultas para evitar tempos de espera, caso a consulta demore mais tempo do que o previsto; Consultas em Tele-medicina; Reforçamos o Equipamento de Protecção Individual (EPI) dos profissionais de saúde para quem vai todo o nosso respeito e gratidão por estarem na linha da frente n

No dia 17 de novembro, o Grupo H Saúde surpreendeu os alunos do 1.º ciclo da escola da Vestiaria com computadores portáteis novos. Esta ação de responsabilidade social, teve como objectivo incentivar os alunos a frequentar a escola, a estudar e a ter gosto pela aprendizagem. O Grupo H Saúde preocupa-se com a qualidade da educação na região e, pretende contribuir, sempre que possível, com estes atos. Os alunos mostraram-se muito felizes e entusiasmados com este gesto. O Grupo H Saúde deseja-lhes um futuro brilhante n

31 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 31

10/12/2020 13:31


Restaura a função intestinal em doentes com SII, com hipersensibilidade intestinal ou após a ingestão de medicamentos1

Ação mecânica2

Destina-se ao alívio e prevenção de diarreia crónica ou recidivante1 Normaliza a permeabilidade intestinal2 Melhora os sintomas de tensão abdominal, dor, 1 inchaço e flatulência NOVA APRESENTAÇÃO

NOVA

APRESENTAÇÃO

15 cápsulas

60 cápsulas CN: 185221.2

15 cápsulas CN: 192592.3 Indicação. GELSECTAN® destina-se a restaurar a função intestinal naqueles doentes que sofrem alterações, devido ao Síndrome do Intestino Irritável (SII), hipersensibilidade intestinal ou após ingestão de alguns medicamentos para alívio e prevenção de sintomas como diarreia crónica ou recidivante, tensão abdominal, dor, inchaço e flatulência. Apresentação. Blister com quinze ou sessenta cápsulas para uso em adultos. Composição. Xiloglucano, Proteína de Ervilha e Extrato de Grainha de Uva, Xilooligossacarídeos, Estearato de Magnésio (origem vegetal) e Sílica Precipitada Amorfa. Instruções de utilização. Ingerir a cápsula com líquidos. Dose. 1 ou 2 cápsulas, dependendo da gravidade dos sintomas, duas vezes ao dia (de manhã antes do pequeno-almoço e à noite antes do jantar) durante 2 a 4 semanas. O tratamento pode ser mantido se necessário. Advertências. • A consulta com um profissional de saúde antes de utilizar o produto não é necessária. No entanto, essa consulta é aconselhável em caso de sintomas graves ou persistentes ou quando há dúvidas sobre o diagnóstico, principalmente em idosos. • Este dispositivo médico não é um tratamento farmacológico. Se tal tratamento for recomendado por um profissional de saúde, este dispositivo médico pode ser administrado simultaneamente. • Embora não se conheçam efeitos secundários, recomenda-se que o produto não seja utilizado durante a gravidez ou nos primeiros meses de amamentação, salvo indicação em contrário de um profissional de saúde. • Não utilize o produto após ultrapassado o prazo de validade impresso na embalagem. • Não utilize o produto se o blister estiver aberto ou danificado. • Não conservar acima de 25°C. Não congele. • Mantenha o produto fora do alcance das crianças. Contraindicações. O GELSECTAN® não deve ser utilizado em doentes com hipersensibilidade conhecida a xiloglucano ou a qualquer outro ingrediente do produto listado na sua composição. Não deite este dispositivo médico na canalização ou no lixo doméstico. Pergunte ao seu farmacêutico como deitar fora o que já não utiliza. Estas medidas ajudarão a proteger o ambiente.

NOVENTURE, S.L. Calle Consejo de Ciento, 333 08007 Barcelona - Spain REF

Gelsectan Cápsulas

DISTRIBUTOR Norgine Portugal Farmacêutica, Unipessoal Lda. Edifício Smart; R. do Pólo Norte e Alameda dos Oceanos; Lote 1.06.1.1 – Escritório 1C Parque das Nações; 1990-235 Lisboa

Rev.04: 02.05.2017

0476

1. Instruções de utilização do Gelsectan®. 2. Balboa A, Ciriza C, Delgado-Aros S, et al. Documento de actualización de la Guía de Práctica Clínica sobre el síndrome del intestino irritable. Asociación Española de Gastroenterología. IMC International Marketing & Communications 2017:3-4. GELSECTAN® cumpre a legislação em vigor em matéria de produtos de saúde. PT/GEL/1217/0012a. Data de Revisão do material 04/02/2019 GELSECTAN é uma marca comercial da Noventure S.L., utilizada sob licença pelo grupo de empresas Norgine. NORGINE e o respetivo logótipo são marcas registadas do grupo de empresas Norgine. Material destinado a utilização exclusiva por profissionais de saúde.

REVISTA H SAUDE N8_8.indd 32

10/12/2020 13:31


ívio ae mas, duto ico. te a iver ano oa

Especialidades Médicas e Terapias Acupunctura

Dr. Francisco Fernandes CO

Cardiologia

Dr. Davide Severino CMP CO PCB Dr. Lourenço Coelho PCB Dr. Sidarth Pernencar CO Dr. João Cristóvão CMP

Cirurgia Geral

Dr. Franz Walter Boensch CO Dr. Amândio Matos PCB

Cirugia Vascular Dra. Viviana Manuel PCB

Consulta da Dor Dr. Nuno Alegre CO

Dermatologia

Dr. César Martins PCB Dr. Lima Bastos CO Dra. Martinha Henrique CMP

Electromiografia Dr. Filipe Carvalho PCB

Endocrinologia

Dra. Ana Cristina Ribeiro CMP Dr. Nuno Vicente Rodrigues PCB Dra. Diana Martins CO

Estudo do Sono

Dr. José Carlos Boavida PCB

Gastroenterologia

Dra. Cátia Quintela CO PCB Dr. Pedro Russo CO PCB Dr. Samuel Fernandes CO PCB Dr. Rui Mesquita CO PCB

Ginecologia

Dr. Gonçalo Moura Ramos CMP CO Dra. M. Isabel Riscado PCB Dr. Rui Lagarto PCB Dra. Andreia Antunes CO Dra. Paula Retroz PCB

Hematologia

Dr. José Pedro Carda PCB Dra. Tabita Maia PCB

Massagens

Dra. Ana Pereira CO Dra. Carla Paulino PCB

Medicina Desportiva

Dra. Fátima Lorvão Figueiredo CO

Medicina Dentária

Dra. Elisabete Sousa CMP Dra. Joana Filipa Cunha CO PCB Dr. João Cardigos PCB Dr. João Castro PCB Dra. Liana Fernandes CO Dra. Margarida Mendes CO Dra. Mariana Bárbara CO Dra. Mariana Guerreiro PCB Dra. Marta Ascenso CO Dra. Marta Gomes CO Dra. Marta Oliveira CO Dra. Raquel Balbino CO Dra. Sónia Rita PCB Dra. Rita Carreira PCB

Medicina Geral e Familiar

Oftalmologia

Dr. Carlos Aguilar CMP PCB Dra. Ana Fernandes CO Dra. Paula Castela PCB

Ortopedia

Dr. Carlos Cruz PCB Dr. Ciro Costa PCB Dr. José Mouzinho CMP Dr. Sérgio Martins CO PCB

Otorrinolaringologia

Dr. António Marques Pereira PCB Dr. José Oliveira CO Dr. Mário Santos CMP Dra. Raquel Bento CMP

Pediatria

Dra. Margarida Santos PCB Dr. Vitor Gomes Povoa CO

Pedopsiquiatria Dr. Carlos Gonçalves CO

Dr. Dmytro Sychov PCB Dr. Joaquim Antunes Santos PCB Dr. José Cordeiro Gomes PCB Dr. José Gabriel Tomás Silva PCB Dr. M. João Lameiras Figueiredo CMP Dr. Osvaldo Parreira CMP Dra. Fátima Lorvão Figueiredo PCB Dra. M. Ivone Cruz CO CMP

Pneumologia

Nefrologia

Dr. Pedro Custódio PCB

Dra. Cristina Cândido PCB

Neurocirurgia

Dr. Eduardo Bernardo PCB

Neurologia

Dr. Joaquim Cândido PCB Dra. Marlene Carvalho CO Dr. Peter Grebe PCB

Neuropsicologia Dra. Filipa Vaz CO

Nutrição

Dra. Alexandra Xavier CMP Dra. Ana Bogalho CO

Dr. Camilo Leite CO Dra. Manuela Fernandes PCB

Podologia

Dr. Cristovão Polónio CMP CO PCB

Provas Funcionais Respiratórias Psicologia

Dra. Carla Ferreira CO PCB Dra. Cláudia Vitorino CO Dra. Helena Pedrosa CO Dra. Luísa Morgado CMP Dra. Paula Cardoso CMP Dra. Susana Henriques CO PCB

Psicomotricidade Dra. Sofia Ferreira CO PCB

Psiquiatria

Dra. Ana Rosário Fonseca CO PCB Dr. Cláudio Laureano CMP PCB Dr. Mário Simões CO Dr. Sérgio Martinho PCB

CMP - Centro Médico de Pataias | CO - Clínica das Olhalvas - Leiria | PCB - Policlínica Central da Benedita

33 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 33

10/12/2020 13:31


Reumatologia Dr. Jorge Silva PCB

Terapia da Fala

Dra. Daniela Sousa PCB Dra. Margarida Cunha PCB Dra. Marta Violante CO Dra. Sandra Coelho CMP

Ama Care - Apoio Domiciliário Av. Estados Unidos da América 8.º B n.º 72 1700-178 Lisboa t. 262 925 610 tm. 961 357 034 e. ama@grupoh.pt

Centro Médico Diálise da Benedita Rua da Policlínica s/n 2475-151 Benedita t. 262 925 615 e. geral@grupoh.pt

Terapia Ocupacional Sara Marques PCB

Urologia

Dr. António Oliveira CMP CO PCB Dr. Ricardo Borges CMP CO CMP - Centro Médico de Pataias CO - Clínica das Olhalvas - Leiria PCB - Policlínica Central da Benedita

Exames e Outros Seviços Centro de Enfermagem Centro de Fisioterapia Analises Clinicas Serviço de Médico Permanente

Centro Médico de Pataias

Av. da Lagoa, n.º 21, 2445-202 Pataias t. 244 585 040 · tm. 967 388 689 · f. 244 585 041 e. geral@centromedicopataias.com 2.ª a 6.ª - 08h00 às 20h00 Sábado - 08h30 às 13h00

Policlínica Central da Benedita

Rua da Policlínica s/n, 2475-151 Benedita t. 262 925 610 · tm. 969 655 534 · f. 262 925 619 e. geral@policlinicabenedita.com Horário: 2.ª a 6.ª - 08h00 às 21h00 Sábado - 08h00 às 13h00 Domingos e Feriados - 09h00 às 12h00

Exames

Exames Auditivos ECG - Electrocardiograma EEG - Electroencefalograma EMG - Electromiografia Exames de Gastrenterologia Polissonografia (Estudo do Sono) Provas Funcionais Respiratórias Testes Cutâneos de Alergias Teste Rápido COVID-19 IgG/IgM

Clínica das Olhalvas

Rua das Olhalvas, Olhalvas Park, 1.º 2410-198 Leiria t. 244 843 720 · tm. 967 386 480 · f. 244 843 729 e. geral@clinicadasolhalvas.com 2.ª a 6.ª - 08h00 às 20h00 Sábado - 08h00 às 18h00

Farmácia Alves

Rua Rei da Memória, Bloco A, 134 Lj. E, R/C Dto. 2475-147 Benedita t. 262 925 510 · tm Whatsapp. 967 449 750 · Linha Azul 808 201 352 e. geral@farmacia-alves.com Todos os dias – 8h30 às 23h00 (inclusive domingos e feriados)

Acordos e Convenções CONVENÇÃO ADVANCECARE

LIGA DOS COMBATENTES

SAMS QUADROS

ADSE

MEDICARE

SAUDE PRIME

AGILIDADE

MEDIS

SNS

CARTÃO GRUPO H

METLIFE

WDA

DENTINET

MULTICARE

FUTURE HEALTHCARE

RNA

CONVENÇÃO ACIDENTES TRABALHO ALLIANZ

GENERALI

TRANQUILIDADE - SEG. UNIDAS

CA SEGUROS

LIBERTY

TRUE CLINIC

FIDELIDADE

MAPFRE

TRUST

34 REVISTA H SAUDE N8_8.indd 34

10/12/2020 13:31


REVISTA H SAUDE N8_8.indd 36 AF_CA_Dedicado_IMPRENSA_210x285mm_curvas.indd 1

10/12/2020 04/11/20 13:31 11:07

Profile for Grupo H Saúde

Revista Grupo H Saúde Nº8 - Especial Natal  

Revista Grupo H Saúde Nº8 - Especial Natal  

Advertisement

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded