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Revista gratuita trimestral, março 2020 Diretor: José Alberto Magalhães

Pires Veloso

O inesquecível “Vice-Rei do Norte”

Arabesk Troupe O amor à dança oriental

Ana Bravo “COMER É UM ATO DE AMOR”

Encomendas de

Páscoa SAIBA MAIS NO INTERIOR


E D I T O R I A L

Tribunal de (más) Contas! O Tribunal de Contas (TdC) ainda não se pronunciou sobre o recurso apresentado, em fevereiro de 2019, pela Câmara do Porto, ao chumbo do projeto do Matadouro Industrial de Campanhã. O visto ao contrato de empreitada para a reconversão e exploração do Matadouro, durante 30 anos e por 40 milhões de euros, que a empresa municipal Go Porto queria celebrar com a Mota-Engil, foi recusado em fevereiro de 2019 pelo TdC. Já em outubro este tribunal disse não haver prazo definido para a tomada de decisão sobre o recurso interposto pelo município. Esta é, sem dúvida uma lamentável atuação do TdC em que há uma total ausência de comunicação no processo, uma vez que a Câmara do Porto teve dez dias úteis para recorrer do chumbo, mas pode ficar, por tempo indeterminado sem resposta deste órgão de fiscalização da legalidade das despesas públicas. Entretanto, foi recentemente chumbado no Parlamento (votos do PSD, BE, PCP, PEV, PAN, Iniciativa Liberal e Joacine Katar Moreira), o decreto-lei do Governo que criava uma exceção para as autarquias na lei das PPP, permitindo que contornassem os sucessivos vetos do Tribunal de Contas. Com este chumbo, o processo legislativo voltará agora à estaca zero, ficando em vigor a legislação anterior, que dá às Finanças a última palavra sobre as PPP (uma competência que, assim, não passa para o Conselho de Ministros como o PS pretendia) e deixa em aberto para os tribunais, sobretudo o Tribunal de Contas, a interpretação sobre se estes projetos devem ou não ser aprovados pelo Governo. Até que haja uma alteração aprovada, há um hiato em que Fernando Medina e Rui Moreira podem não ter condições para avançar com os seus planos de

habitação, na rua de São Lázaro e Gomes Freire, em Lisboa, e de reconversão do antigo Matadouro Industrial, em Campanhã — obras chumbadas pelo Tribunal de Contas. Mas a verdade é que o veto do TdC, que já dura há mais de 365 dias, continua. E não tem prazo... pois o Tribunal de Contas sustenta que “o assunto está a ser tratado e que está no seu tempo”... Estava previsto que o Matadouro, juntamente com o Terminal Intermodal de Campanhã, fosse um projeto âncora para a zona oriental da cidade. A "Reconversão e Exploração do Antigo Matadouro Industrial do Porto" visa transformar aquele edifício, desativado há cerca de 20 anos, num equipamento âncora na reabilitação da zona oriental da cidade, baseado nos eixos da coesão social, da economia e da cultura. O programa de intervenção prevê a reconversão integral do complexo, mantendo a sua memória histórica e natureza arquitetónica, em espaços empresariais diversificados e polivalentes; espaços comerciais e de lazer de apoio local; espaços destinados à ação social e à ligação com a comunidade local; e espaços de cariz cultural e artístico, destinados à exposição, à produção e ao depósito. O autarca do Porto salienta que o que foi obtido em pouco tempo – o projeto do Matadouro sujeito a um concurso internacional transparente e sem oposição – “continua de molho no Tribunal de Contas". Para quando uma resposta do Tribunal de Contas? Ninguém sabe...

José Alberto Magalhães Diretor de Informação


S U M Á R I O

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A T R AV É S DOS TEMPOS BRINCADEIRAS

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PERFIL ANA BRAVO

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FIGURA G A S TÃ O TEIXEIRA

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COMES & BEBES

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U.PORTO MUSEU

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MOMENTOS

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DESCOBRIR LOJAS HISTÓRICAS

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CU R I OS I DA D ES FALAR À PORTO


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ÍNDICE 03

E dito r ial

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LICEU Alexandre Herculano

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P ir e s V e los o

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M ar q u e s S oa r es

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Ar abe s k Tr oup e

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REQUALIFICAÇÃO Matosinhos

FICHA TÉCNICA Propriedade de: ADVICE - Comunicação e Imagem Unipessoal, Lda. Sede da Redação/Editor: Rua do Almada, 152 - 2.º - 4050-031 Porto NIPC: 504245732 Tel: 22 339 47 50 - Fax: 22 339 47 54 advice@viva-porto.pt adviceredacao@viva-porto.pt www.viva-porto.pt Gerência e detentor Eduardo Pinto (100%) Diretor de Informação José Alberto Magalhães Redação Maria Inês Valente

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Jos s Sto n e

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W e r a Sto r e

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P o rto Can a l

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F C P o rto

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Liv r ar ias

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D icas

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P o rto fó lio

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ME TR O P o LIS: Sa n to T i rs o

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M E TR O P o LIS: Pa r a n h os

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Hum o r

Fotografia Make it view Sérgio Magalhães Marketing e Publicidade Eduardo João Pinto advicecomercial@viva-porto.pt Célia Teixeira Produção Gráfica Diogo Oliveira Impressão, Acabamentos e Embalagem Multiponto, S.A. R.D. João IV, 691-700 4000-299 Porto Distribuição Mediapost Tiragem Global 120.000 exemplares Registado no ERC com o nº 124969 Depósito Legal nº 250158/06 Direitos reservados Estatuto editorial disponível em www.viva-porto.pt Lei 78/2015


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“Comer é um ato de amor” Nutricionista de profissão e também com um grande espírito empreendedor, Ana Bravo é, há já muito tempo, uma cara bem conhecida e querida dos portugueses. No seu blogue “Nutrição com Coração” partilha, diariamente, dicas e receitas exclusivas que se revelam verdadeiras inspirações, tanto para miúdos como graúdos. De sorriso fácil e com uma serenidade assinalável, abriu-nos o seu coração, em pleno Parque da Cidade do Porto, e falou-nos daquilo que mais a apaixona: a nutrição. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Make it view

Comer é um ato de amor”. É com esta filosofia que Ana Bravo, natural de Trás-os-Montes, mas a residir no Porto há já alguns anos, encara a sua vida e a transmite a todos os seus pacientes e seguidores. Com um percurso profissional assente na área clínica, entre o Norte e a capital, onde se debruça, sobretudo, por casos de excesso de peso e obesidade, revelou à VIVA! que a nutrição não foi, na altura, a sua primeira opção, mas que a fez apaixonar-se de imediato. No entanto, pensando bem, há muito que as borboletas de amor pela área pairavam no ar, afinal, como conta, as suas melhores brincadeiras foram sempre “no meio dos tachos”. “Só sou feliz onde há comida boa. Não adianta estar num lugar paradisíaco se não tiver comi-

da #saudávelefeliz - como lhe chamo -, porque não consigo usufruir da beleza do lugar. A comida alegra os meus dias e também é esse o motivo pelo qual gosto tanto de ensinar as pessoas a comer e sobretudo a fazerem desses momentos atos de amor”, explica. Pioneira no mundo da blogosfera em Portugal, foi a primeira nutricionista a criar um blogue onde expunha a sua alimentação e partilhava algumas receitas. O “Nutrição Com Coração”, slogan que surgiu “diretamente do coração”, é hoje uma marca de referência, que extravasou de um simples endereço eletrónico para o Facebook, Instagram, Youtube, uma aplicação móvel e uma rubrica semanal num jornal diário. Ao lado da Kiki, sua amiga de infância e braço direito da Cozinha com Coração, cria e testa todas as suas receitas, desde pequenos-almoços e lanches, sopas, snacks, sugestões de almoços e jantares assim como sobremesas. Apreciadora de uma alimentação focada e equilibrada, Ana Bravo afirma que não é, de todo, fundamentalista e por isso admite exceções. “Comer não deve ser mais uma preocupação excessiva e constante; deve fazer parte do nosso dia a dia da forma mais natural e agradável possível”, destaca. É, também, nos seus livros que transmite muito do que é enquanto profissional e pessoa, em particular neste último, o sétimo, lançado no passado mês de fevereiro e intitulado “Nutrição com Coração: Equilíbrio interior para uma


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mia em: comer poucas vezes, muito de cada vez, e alimentos pobres nutricionalmente, sobretudo os que em simultâneo têm muitas calorias.

alimentação saudável”, onde revela a sua história e desnuda a alma para mostrar o que é “mais importante para seguir uma alimentação saudável a longo prazo, sem demasiadas regras e expectativas”. Importante ainda referir que, em 2018, Ana Bravo foi distinguida como uma das 12 personalidades portuguesas que promove a saúde pública. Em conversa com a VIVA!, a nutricionista de figuras públicas bem conhecidas, como a atriz, modelo e apresentadora de televisão Rita Pereira, desvendou vários segredos da nutrição e partilhou alguns que lhe poderão ser muito úteis para viver o presente e, sobretudo, preparar o futuro.

Quais são os melhores e os piores alimentos para a saúde? É difícil fazer essa distinção, pois em muitas situações depende da tolerância individual. De uma forma geral alimentos ricos em sal, açúcares e gorduras de origem animal serão os mais prejudiciais, enquanto os alimentos de origem vegetal como a fruta, hortícolas, cereais integrais, leguminosas e oleaginosos estão do lado dos alimentos mais favoráveis.

Há alimentos proibidos? Não sou apologista da existência de alimentos proibidos. Há apenas alimentos desaconselhados para pessoas que comprovadamente têm má tolerância a alguns deles. E depois há aqueles que todos sabemos que não têm interesse nutricional e muitas vezes têm uma densidade calórica muito elevada, mas, mesmo assim, não são proibidos. Devemos evitar o mais possível, sim, mas podemos abrir uma exceção de vez em quando e dela guardar apenas a boa memória, o prazer que nos deu. Comer é um ato de amor, não um conjunto de regras que nos aumentam a pressão diária em que vivemos. Só deve transmitir boas sensações. Devemos fazer as melhores escolhas, sim, mas garantindo sempre que nos sabem bem.

Saltar o pequeno-almoço é prejudicial à saúde. Verdade ou mito? O pequeno-almoço é a primeira refeição do dia e pode ser ingerido até duas horas depois de se acordar e pelo menos duas horas antes do almoço. Dá-nos margem de manobra para Quais os erros que não de- incluir como pequeno-almoço vemos cometer na nossa ali- alguns snacks que já fazemos mentação? tardiamente na manhã. E se Podia criar uma lista bastante acordamos às 10h00 e almoçalonga, tendo em conta aquilo mos às 12h00, não faz sentido que vou identificando na minha tomar pequeno-almoço, por prática profissional. Mas resu- exemplo. Passar muitas horas


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UM ESTILO DE VIDA SAUDÁVEL É A MELHOR FORMA QUE TEMOS DE TENTAR GARANTIR UM FUTURO COM SAÚDE, OU PELO MENOS COM QUALIDADE DE VIDA. PENSAMOS NO PRESENTE E PREPARAMOS O FUTURO”.

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-se totalmente a carne da alimentação? Se for apenas a carne não. Se se excluir o pescado, os ovos e os laticínios é preciso mais atenção no que respeita à ingestão dos restantes alimentos, de forma a garantir o aporte de todos os nutrientes. Mas mesmo para um vegetariano puro - dieta e modo de vida que cada vez respeito mais - é possível encontrar no mundo vegetal equilíbrio nutricional, no entanto tal transição deve ser feita com um nutricionista. Pode haver necessidade de reforçar a ingestão de certos alimentos e é importante saber conjugá-los. Muitas vezes também o médico deve intervir, para perceber se é necessária suplementação além da de vitamina B12 (que não existe no mundo vegetal).

sem comer é sempre desaconselhável, seja a que hora do dia for.

cereal e à fruta, embora esse seja o mais comum.

Qual a sua opinião em relação ao consumo de carnes vermelhas? Devem ser reduzidas a uma ou duas vezes por semana e a uma porção pequena.

E um bom pequeno-almoço deve ser composto por que alimentos? Alimentos de vários grupos alimentares e não apenas a monotonia do laticínio associado ao

O número de pessoas que, atualmente, adere ao vegetarianismo ou ao veganismo é cada vez mais significativo. Pode haver alguma repercussão na saúde ao excluir-

Os especialistas dizem que uma boa educação alimentar deve começar em casa e desde tenra idade. Considera que, atualmente, atendendo ao ritmo frenético da sociedaREVISTAVIVA MARÇO 2020


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“NÃO SOU FUNDAMENTALISTA, NÃO HÁ «ALIMENTOS PROIBIDOS» NOS MEUS PLANOS ALIMENTARES. O VELHO DITADO «NEM SEMPRE NEM NUNCA» ADAPTASE NA PERFEIÇÃO À ALIMENTAÇÃO” de, isto pode estar um pouco esquecido? Se sim, como podemos alterar essa rotina? Sim, está cada vez mais esquecido. Aliás, a existência de hábitos familiares, sejam eles de que ordem for, estão esquecidos. A unidade familiar, da forma que a conhecíamos, tende a desaparecer. No meio da azáfama diária devem-se reservar momentos de família e esta deve criar hábitos e rotinas, bons de preferência. Como podemos incentivar os mais novos a consumirem mais legumes? Qual é o segredo para que os consumam por gosto e não por obrigação? Os hábitos criam-se desde cedo e as crianças educam-se muito mais pelo exemplo do que pelo que ouvem. Eu uso muito purés com o hortícola que a criança não aprecia ou peço para preparar pratos bonitos, com desenhos. Há algum tempo fizemos um teste em escolas de Vila Real, com hortícolas que frequentemente as crianças rejeitam, como espinafres e beterraba. A Kiki preparou muffins verdes e outros cor de rosa. Muitos adoraram e ficaram espantados quando souberam o que tinham comido. Isto abriu a

porta para eles testarem novamente estes alimentos porque tiveram uma boa experiência.

VERDADE OU MITO?

Qual é a dieta que, na sua opinião, os portugueses deviam seguir? Há várias formas de um ser humano se alimentar saudavelmente, sendo necessário, para tal, que todas as necessidades nutricionais sejam atendidas. Assim, cada pessoa será livre de escolher a forma como pretende alimentar-se e o padrão alimentar que quer seguir, desde que o faça de forma consciente, após avaliar os prós e contras do padrão por que optou. Além de cobrir as necessidades nutricionais, será igualmente importante que esse padrão não inclua alimentos supérfluos em abundância, o que desencadearia excesso de peso e, sobretudo, que a qualidade dos alimentos seja tida em consideração. Para tal, os princí-

Beber água morna com limão em jejum ajuda a emagrecer Mito O pão engorda Mito Carne faz mal à saúde Mito Comer fruta depois da refeição engorda Mito O mel engorda menos do que o açúcar Verdade Não se deve comer hidratos depois das 18h00 Mito Beber água às refeições engorda Mito Chã verde emagrece Mito Comer rápido engorda Mito Fazer exercício físico em jejum é bom para perder peso Mito


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CONSELHOS Ana Bravo deixa algumas dicas práticas para se cozinhar nas alturas festivas de forma mais saudável, mantendo o sabor de que tanto gostamos: NOS DOCES - Substituir uma parte ou a totalidade da farinha por integrais ou misturas; - Não usar açúcar branco, preferir mascavado ou idealmente usar stevia (ou uma mistura de ambos); - Para adoçar bolos também pode usar puré de fruta ou fruta ralada. CHOCOLATES - Selecionar os que têm mais de 70% de cacau, idealmente adoçados com stevia.

pios fundamentais serão evitar o sal, os açúcares de adição e na generalidade os produtos muito processados, sobretudo os mais ricos em gorduras trans e aditivos artificiais. Naturalmente as exceções existem. Não faz sentido que uma dieta – cuja palavra significa “modo de viver” – se torne um modo de viver infeliz. Não devemos ser reféns de demasiadas regras alimentares impostas, a menos que tenhamos uma doença que implique uma terapia nutricional específica. É certo que a alimentação é um dos primeiros e principais determinantes de saúde/doença, mas o equilíbrio é a solução. Creio que uma parte do papel do nutricionista passa justamente pela capacidade de perceber o que as pessoas são – “nós somos o que comemos” – mostrando depois caminhos

que as ajudem, sem os tornar penosos. Não me parece ideal apresentar uma lista infindável de “alimentos proibidos”. Devemos adaptar a alimentação à nossa vida e não a vida à alimentação. Aproximamo-nos de uma data que também costuma ser de alguns excessos, a Páscoa, qual o segredo para resistir às várias tentações que ela acarreta? Ou corrigir, depois, os males que se cometem nesse período? Consciência alimentar. Comer de forma mais racional. É errado pensar que o que se come nas épocas festivas está errado, ou que é um "pecado". As pessoas têm de aprender a comer sem sentimento de culpa, a comer com amor. Não devem é comer diariamente como se fosse Natal ou Páscoa o ano inteiro.

EM RELAÇÃO AO SAL - Usar o mínimo possível (ou não usar). Utilizar bastantes ervas aromáticas, ajuda. DEVE-SE AINDA - Variar os alimentos; - Não exagerar nas quantidades; - Preparar as suas próprias receitas, sempre que possível, pois desse modo sabese exatamente que ingredientes foram utilizados. O importante é sempre, logo de seguida, retomar a rotina alimentar, planear a alimentação diária sem esquecer a importância do pequeno-almoço e das merendas. O meu conselho é “seguir em frente guardando apenas o prazer que as exceções proporcionaram”.


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Alexandre Herculano, finalmente, em obras! Era uma reabilitação há muito reivindicada pelos portuenses e almejada pela própria Câmara Municipal do Porto que tudo fez para que a obra fosse finalmente avante. Algumas divergências no que respeita ao primeiro orçamento apresentado e um pequeno formalismo solicitado pelo Tribunal de Contas obrigaram a algum tempo de atraso, no entanto a reabilitação do liceu Alexandre Herculano está, finalmente, em marcha e segundo apurou a VIVA!, junto de fonte da autarquia, os trabalhos decorrem a bom ritmo. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Miguel Nogueira/CM Porto


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boa nova surgiu em outubro de 2019 e em dose dupla quando o Tribunal de Contas (TdC) emitiu os vistos que permitiram o avanço da requalificação de dois dos mais emblemáticos espaços da cidade do Porto, o antigo Liceu Alexandre Herculano e o Cinema Batalha. Segundo explicou à VIVA! fonte da Câmara Municipal do Porto, desde então que as máquinas estão no terreno, estando os trabalhos, cuja conclusão está prevista para 2021, a decorrer a bom ritmo. Orçada em 9,8 milhões de euros, a intervenção

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co m p re e n d e , d e u m a f o r m a ge r a l , “ a reabilitação e modernização do edifício da escola secundária, nomeadamente através da demolição de anexos sem valor arquitetónico, restituindo o desenho original; da reabilitação de superfícies (pavimentos, paredes e tetos); de novas caixilharias e pinturas; da reformulação de espaços interiores e da requalificação dos auditórios; da renovação das coberturas e da recuperação de elementos estruturais; da construção de novas infraestruturas; da melhoria das acessibilidades, com a colocação de ascensores, assim como da beneficiação dos REVISTAVIVA MARÇO 2020


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muros exteriores”. Recorde-se que a empreitada foi adjudicada em junho passado à Atlântinível - Construção Civil, Lda., depois de o primeiro concurso, lançado em outubro de 2018, ter ficado deserto. Nessa altura, o concurso teve 14 interessados, que consideraram, no entanto, que o preço proposto [7 milhões de euros] era demasiado baixo para aquilo que era necessário fazer. O concurso com a revisão do preço base estabelecido em 9,8 milhões de euros só avançou, em março de 2019, depois de o Governo ter assumido o compromisso de comparticipar 3,7 milhões de euros e a Câmara do Porto assegurar a construção do pavilhão gimnodesportivo, que ficará ao serviço da população, e que Rui Moreira considera “uma mais-valia”. Para o autarca, “o valor simbólico e patrimonial [do liceu Alexandre Herculano] só por si justifica a intervenção” em causa. UMA HISTÓRIA COM MAIS DE 100 ANOS O histórico liceu Alexandre Herculano, que

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recebeu, entre muitos outros, alunos como Belmiro de Azevedo, Manuel Sobrinho Simões, Rui Vilar e Manuel Alegre, foi um dos grandes liceus da cidade do Porto durante a primeira metade do século XX. Inicialmente destinado ao género masculino, uma vez que havia a separação entre rapazes e raparigas, “era a casa privilegiada de uma certa elite”, como escreveu o jornal Público numa das suas edições, uma vez que “prosseguir os estudos secundários não era para todos”. Criado em 1906, na Rua das Taipas, sob o nome


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de Liceu Central da 1.ª zona, só mais tarde, em 1908, foi batizado pelo nome que, atualmente, é conhecido, em homenagem a um dos portugueses mais ilustres do campo das letras, Alexandre Herculano. Nessa altura, segundo conta o Departamento de Educação do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, num artigo sobre “A Evolução dos Liceus em Portugal”, houve necessidade de novas instalações, que foram arrendadas na Rua de Santo Ildefonso. Em 1911, após muitas críticas no Parlamento relacionadas com o tipo de edifício que acolhia este liceu e “através da influência do deputado pelo Porto na legislatura das Constituintes desse mesmo ano e médico Ângelo Vaz”, foi aprovada a autorização da construção de instalações próprias para o liceu, na Avenida de Camilo, onde ainda domina. Desenhado pelo consagrado arquiteto portuense José Marques da Silva (1869-1947), o edifício começou a ser construído em 1916 e abriu portas

António Amen

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no ano letivo de 1921/1922. No entanto, o espaço apenas ficou completamente concluído e com todos os espaços a funcionar 18 anos depois do lançamento da primeira pedra, ou seja, em 1934. Compreendia 28 salas, laboratórios, salas para Física, Química, Ciências, Geografia, Desenho e Música, uma biblioteca, um anfiteatro, cinco pátios de recreio, um pátio de desporto, três ginásios, piscina, cozinha e refeitórios, gabinetes médicos, sala de professores, gabinete do médico escolar e três espaços para o reitor.


RR EE CC OO RR DD AA RR

O INESQUECÍVEL INESQUECÍVEL O

“VICE-REI DO NORTE”

Foium umdos dosprotagonistas protagonistasdo do25 25de deNovembro Novembrode de1975. 1975.Na Naaltura altura Foi ficou conhecido como o “vice-rei do Norte” e é um dos nomes ficou conhecido como o “vice-rei do Norte” e é um dos nomes quePortugal Portugaljamais jamaisesquecerá, esquecerá,afinal afinalestá estágravado gravadona nahistória história que dademocracia democraciaportuguesa. portuguesa.Referimo-nos Referimo-nosao aogeneral generalAntónio António da Pires Veloso, um nome que poderá ainda ser pouco familiar às Pires Veloso, um nome que poderá ainda ser pouco familiar às gerações mais novas, mas cuja história, rapidamente, despertará gerações mais novas, mas cuja história, rapidamente, despertará seuinteresse. interesse.AAviagem viagempela pelasua suavida vidacomeça começaagora agoraeeéé ooseu acompanhadapelo pelotestemunho testemunhoda dafilha, filha,Helena HelenaVeloso. Veloso. acompanhada


PIRES VELOSO

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general Pires Veloso foi um dos protagonistas do 25 de Novembro, que pôs fim ao verão quente de 1975. Na altura, enquanto governador militar do Norte mobilizou as tropas para apoiar os moderados e disponibilizou-se para acolher um governo provisório no Porto. O nome de “Vice-Rei do Norte” está também associado ao papel que desenvolveu na região. Em 1980 candidatou-se à Presidência da República como independente, mas acabou por perder para Ramalho Eanes. Em 2009 lançou o livro “Vice-Rei do Norte - Memórias e Revelações”, onde registou episódios protagonizados por personalidades políticas e militares dos primeiros anos do regime democrático em Portugal. O general faleceu aos 88 anos no Hospital Militar do Porto, na sequência de um AVC. Quem o conheceu descreve-o como “um Homem de coragem e coração”, que quebrou silêncios e lutou pela democracia numa altura em que o país estava a um passo de enfrentar uma guerra civil. “A vida dele foi sempre em prol do ser humano”, recorda Helena Veloso, filha, que teve sempre uma ligação muito forte com o pai. “Sei que uma

tornada pública, Pires Veloso gozava de uma disciplina, uma força e uma franqueza inigualáveis, tanto que quem com ele privou conta que “não era preciso o General dizer nada, bastava um gesto e automaticamente todos sabiam o que ele queria”. A título de exemplo recorda o momento em que Pires Veloso chegou ao comando da Região Militar do Norte: “Estava tudo caótico, era uma anarquia total. Na altura, estavam todos com o cabelo exageradamente comprido e o meu pai, muito sereno, perguntou quem era o barbeiro e pediu para que fosse ter com ele para lhe aparar o cabelo. Assim aconteceu e, no final, sem que o meu pai tivesse que dizer o que quer que seja, o barbeiro disse-lhe «Meu General, ainda hoje vou cortar este cabelo assim como o de todos os militares»”. Um outro episódio transporta-nos para a Base Aérea de Sintra, numa fresca manhã de outono, em que o General Pires Veloso pediu aos seus militares que se apresentassem às 7 horas em ponto ao serviço. “No primeiro dia apareceram 50%, os outros 50% ficaram a dormir, e o meu pai não disse nada. No dia seguinte, apresentaram-se à hora e o meu pai pô-los o dia inteiro a correr, e

vez alguém lhe perguntou o que era preciso para se comandar bem e ele respondeu apenas «ser-se humano»”, contou à VIVA!, destacando que, efetivamente, essa era a sua grande característica pois “estava sempre preocupado com o seu povo”. Aliada a essa componente humana, tantas vezes

corria com eles também” revela, adiantando que “no terceiro dia apareceram todos à hora certa”. Segundo conta Helena, a disciplina que conseguia impor, através da metodologia do exemplo, algo que considerava, também, essencial, fazia com que todos o admirassem. “Lembro-me do meu pai REVISTAVIVA MARÇO 2020


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contar que alguns rapazes mais novos gostavam de andar à pancada e que, na altura, achou que castigá-los não seria a solução, então passou a organizar «lutas de fim de semana», como forma de entretenimento. Desta forma conseguiu que eles guardassem toda a energia para lutar ao fim de semana e transformou aqueles confrontos num desporto saudável”. Nesse local, e à semelhança de todos os outros por onde passou, deixou sempre a sua marca. São Tomé e Príncipe, onde exerceu a função de governador entre dezembro de 1974 e julho de 1975, não foi exceção, tendo sido, inclusive, um dos marcos mais importantes e incontornáveis da história da sua vida. “O meu pai ficou com um amor imenso a São Tomé e às suas gentes, e eles também lhe souberam agradecer por tudo o que fez”, afirma a propósito da independência do país. “Contaram-me que uma vez foi ao hospital e viu que não tinha um único ar condicionado, então pediu para tirarem cerca de 60% dos que estavam no Palácio e colocá-los lá”, destaca, recuando a 1961, altura em que estava na guerra, em Angola, e ia ensinando, nos tempos livres, alguns jovens a ler e a escrever. Admiradora devota do seu pai, Helena guarda, em

casa, um espólio riquíssimo daquilo que foi a vida e a obra do eterno “Vice-Rei do Norte”, sempre pautadas por uma preocupação com a pátria, com a nação e com o seu povo. O desejo é que um dia todas estas recordações – entre telegramas, fardas, fotografias e a Espada de Honra - possam estar expostas e ser apreciadas por todos os que o admiravam, possivelmente num lugar tão querido para Pires Veloso no Porto, como o Museu Militar. OS MARCOS MAIS IMPORTANTES António Elísio Capelo Pires Veloso nasceu a 10 de agosto de 1926, na aldeia beirã de Folgosinho, no concelho de Gouveia, e rumou até ao Norte em 1935, altura em que a sua família fixou residência em Vila Nova de Gaia. Dois anos mais tarde, ingressou no liceu Alexandre Herculano e em 1944 matriculou-se no Curso de Preparatórios Militares da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, de onde transitou, aos 20 anos, para a Escola do Exército, para cursar Infantaria, e fez, de seguida, o tirocínio na Escola Prática de Infantaria. Em 1949, partiu para Macau, graduado no posto de Alferes, onde permaneceu até 1951 e começou a consolidar a sua carreira militar. Com o eclodir da Guerra do Ultramar, prestou serviço em Angola


PIRES VELOSO

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(1961-1964) e em Moçambique (1965-1974). Após a Revolução de 25 de Abril de 1974 foi nomeado Governador de S. Tomé e Príncipe, tendo, entre 18 de dezembro desse ano e a independência daquele território [12 de julho de 1975], assumido o cargo de Alto-Comissário. Regressado a Portugal foi nomeado comandante da Região Militar do Norte, onde manteve funções entre setembro de 1975 e novembro de 1977, passando a ser uma referência militar, a partir do Quartel-General do Porto, no chamado "verão quente”. A 19 de novembro desse ano, foi homenageado publicamente por dezenas de milhares de pessoas que se concentraram na Praça General Humberto Delgado, na Praça da Liberdade e na Avenida dos Aliados para lhe entregar a "Espada de Honra". Pires Veloso, que cinco dias antes havia abandonado o cargo de Governador Militar da Região Norte, foi impedido de comparecer a esta homenagem, fazendo-se representar pelo filho. Em 1980, foi candidato às eleições presidenciais, nas quais foi reeleito o General Ramalho Eanes. Com a frequência do Curso Superior de Comando e Direcção do Instituto de Altos Estudos Militares, Pires Veloso ascendeu à patente de Oficial-General em 1988. Nas comemorações do 25 de Abril de 2006, Pires Veloso foi agraciado com a Medalha Municipal de Mérito pela Câmara Municipal do Porto, pelo seu “desempenho militar” e “papel fundamental na consolidação da democracia nacional durante o período em que comandou a Região Militar do Norte”. REVISTAVIVA MARÇO 2020


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A VERDADEIRA JOIA COMERCIAL PORTUGUESA

Os Armazéns Marques Soares são a verdadeira joia comercial de Portugal, um espaço de referência, à altura dos mais populares armazéns similares espalhados pelo mundo, onde os portugueses – e os portuenses em particular – podem encontrar uma panóplia de propostas, com máxima qualidade, para todas as áreas da vida quotidiana…


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briu portas em 1960, no número 92 da Rua das Carmelitas, onde ainda hoje mantém a loja mãe, recentemente remodelada, com uma intervenção notável, de cerca de um milhão de euros, que a coloca à altura das grandes galerias de Paris, Milão ou Londres. Pela mão de António José Marques Pinho e Manuel José Soares Antunes, os Armazéns Marques Soares começaram a dar os seus primeiros passos na venda de tecidos para vestuário, malhas e camisaria num espaço simbólico de apenas 150 metros quadrados (m2) e com a colaboração de 10 funcionários. Os dois empresários, que haviam começado a trabalhar juntos como funcionários dos Armazéns da Capela ‘Pompadour’ e depois como sócios dos Armazéns do Norte, onde ficaram 14 anos, importavam tecidos da Suíça, Itália, França e Alemanha e trabalhavam com os melhores fornecedores nacionais, oferecendo

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A R M A Z É N S

sempre as últimas novidades e a melhor qualidade. Vendendo desde a sua fundação para todo o país, ilhas dos Açores e Madeira por meio de cartazes de tecidos, enviaram, no início da década de 70, o primeiro figurino ilustrado [amostra dos artigos que possuem no seu stock] a todos os seus clientes, tradição que ainda hoje mantêm viva. A visão comercial, aliada a uma vasta experiência laboral, fez com que os Armazéns Marques Soares rapidamente crescessem e se tornassem

numa chave de sucesso da cidade do Porto, alargada mais tarde a todo o país. Hoje a Marques Soares é um espaço de referência incontornável do comércio português, conta com 300 funcionários, vende mais de 300 marcas nacionais e internacionais e tem lojas d i s t r i b u í d a s p e l o Por to, Braga, Aveiro, Vila Real, Beja, Santarém e Évora. Prestes a celebrar 60 anos de vida [5 de novembro], podemos dizer que tudo – e ao mesmo tempo nada – mudou na Marques Soares. O


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negócio atravessou gerações, a diversidade de produtos e o n ú m e ro d e e s p a ço s cresceram exponencialmente e souberam, sempre, adequarse às necessidades dos tempos que correm. Contudo, há duas variantes que se mantiveram intactas e que são cruciais para o prestigiado nome que a empresa conseguiu alcançar: a excelência dos produtos vendidos e o atendimento personalizado, tão apreciado pelos mais de 70 mil clientes. Portugal está na moda, tem

moda e saiba que ela tem uma morada: os Armazéns Marques Soares, ali nas Carmelitas, na baixa da cidade do Porto. As ofertas variam entre vestuário, secções de têxteis-lar, loiças e decoração, perfumaria, lingerie, sapataria, ótica, eletrodomésticos, artigos desportivos, relojoaria e restaurante. REVISTAVIVA MARÇO 2020


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Arabesk Troupe o amor à dança oriental São uma das mais antigas companhias de Danças do Médio Oriente em Portugal e têm a sua sede na cidade do Porto. Composto por um corpo de bailarinos em formação de Dança e Percussão Oriental, o Arabesk Troupe desenvolve em grupo um trabalho de estudo e pesquisa dos vários estilos das danças árabes. Através dos ritmos, das danças, dos trajes e do próprio canto consegue transportar toda a alquimia da Dança Oriental e envolver o público num ambiente absolutamente mágico. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Sérgio Magalhães


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Cátia Dias

A RA B E SK T R O U P E

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e g i n a N u r e n a h a r, b a i l a r i n a profissional, professora e coreógrafa, é a fundadora do Arabesk Troupe, a primeira escola exclusivamente dedicada ao estudo e ensino da arte da dança oriental reconhecida em Portugal. Natural do Rio de Janeiro, mudou-se para a Invicta há muitos anos, tantos que já considera a cidade, que apelida como “belíssima”, a sua casa e não pensa sequer em regressar ao Brasil. Veio em busca de uma vida melhor, foi aqui que se estabeleceu, constituiu família e realizou aquele que, embora na altura ainda não soubesse, viria a ser um dos seus maiores sonhos. “Foi um choque para mim. Nunca tinha saído de casa. Foi a primeira vez e tinha apenas 22 anos. Por isso, senti imensa diferença. Em 1989, o Rio de Janeiro já tinha uma abertura muito grande e aqui senti que o ambiente ainda estava um pouco fechado”, recorda, acrescentando que o clima foi, naturalmente, também um dos fatores em que mais sentiu este contraste. Entre um curso de Contabilidade, outro de Design de Moda e umas quantas áreas a que se dedicou, como o yoga, o bichinho pela dança oriental começou a aparecer. “Há coisas que gostamos e não sabemos porquê, que nos fazem bem, mexem connosco, simplesmente”, afirma, visivelmente emocionada. Decidida a dedicar-se ao estudo da dança oriental, onde conta que, na altura,

em Portugal, havia muito pouca informação, encomendou, no Brasil, um curso da professora Lulu Sabongi, que fez “de fio a pavio”. O tempo foi passando, algumas dúvidas começaram a surgir e a vontade de saber mais a aumentar expressivamente. Seguiu-se uma formação com a alemã Prisca Diedrich e com outros tantos profissionais de renome que possibilitaram a Regina Nurenahar tornar-se, também ela, um nome incontornável da dança oriental. O ano de 2002 representa um marco na sua vida e, consequentemente, na sua mudança para Portugal, uma vez que foi nessa altura que começou a dar aulas. Depois, até formar a companhia passaram-se cerca de dois anos. “Foi um processo relativamente rápido, principalmente porque houve uma conjugação de fatores que me ajudaram muito, tanto a encontrar bons REVISTAVIVA MARÇO 2020


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alunos como professores fantásticos, o que me levou para uma linhagem que gosto e em que aposto muito”, adianta. O Arabesk Troupe foi crescendo e desenvolvendo-se cada vez mais, sendo atualmente composto por sete elementos, oriundos dos mais diversos lugares, que se juntam todos os sábados, no Centro Comercial de Cedofeita, para fazer aquilo que mais os apaixona: dançar. “A dança oriental não é apenas uma, engloba vários ramos. Nós trabalhamos um em particular, que praticamente fomos nós que iniciamos em Portugal e pouca gente trabalha ainda, que é o

American Tribal Style (ATS)”, conta Luísa Soares, bailarina da companhia e braço direito de Regina. “E o que é o ATS? É uma dança com bases no flamenco, na dança indiana e na dança oriental, criada pela Carolena Nericcio, que se baseia no improviso. Ela criou passos específicos de dança, em que cada passo tem um sinal, então basta que as bailarinas o aprendam e depois só têm que dançar, improvisadamente”, explica. “A nossa base é a dança do ventre e depois nós vamos fazendo a fusão com outros estilos”, completa Regina. Mas as particularidades, no que respeita ao

Cátia Dias

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Arabesk Troupe, não ficam por aqui. Cada uma das apresentações do grupo, geralmente composta por sete coreografias, é enriquecida através de um cuidado especial com os trajes utilizados, procurando sempre respeitar o rigor histórico da época medieval. Este é um processo no qual os membros também se envolvem bastante, uma vez que, conta Regina, no caso de o traje exigir algum elemento bordado são os próprios a fazê-lo, personalizando-o com “pedraria, fitas, rendas, entre outros elementos”. A companhia caracteriza-se também pela capacidade de produzir música ao vivo, uma

Diogo Alves

vez que muitas bailarinas cantam e tocam também instrumentos de percussão árabe, como darbukas, riqs, bendirs e saggats. A acompanhar o grupo, na percussão, está o filho de Regina, a quem esta tece inúmeros elogios. “Ele tem um ouvido muito especial, é capaz de detetar um atraso em milésimos de segundo”, revela. Na bagagem contam já com um significativo número de países e cidades onde levaram os seus espetáculos, como Inglaterra, Roma, Suíça e Barcelona, entre muitos outros.

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E Q UA L I F I CAÇÃO

Com um conjunto de intervenções, que envolvem números bastante impactantes, a Câmara Municipal de Matosinhos está a dar passos que a destacam na linha da frente de toda a Área Metropolitana do Porto. Requalificar parte significativa do concelho, preservando ao mesmo tempo toda a sua história, e proporcionar aos matosinhenses mais e melhor qualidade de vida são duas linhas de atuação prioritárias no executivo liderado por Luísa Salgueiro, que não esquece a importância de ter também um município atrativo para os milhares de turistas que, anualmente, chegam a Matosinhos e que, cada vez mais, aqui decidem investir. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Make it view

Matosinhos investe no futuro do concelho


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anutenção da via pública, segurança rodoviária, mobilidade, conjuntos habitacionais e requalificação de parques escolares são algumas das intervenções que Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, tem como prioritárias até ao final do seu mandato e nas quais vai investir uma “boa fatia” do orçamento municipal. Segundo explicou à VIVA!, os investimentos em causa “prendem-se muito mais com a requalificação do espaço urbano e de novas soluções de mobilidade” do que propriamente com a construção de “grandes equipamentos”. Uma decisão tomada também muito por influência dos resultados recolhidos do programa “Ouvir Matosinhos”, levado a cabo pela autarquia, e que conseguiu aproximar significativamente o executivo das populações. Ao longo destas sessões, explica a autarca, foi possível perceber aquilo que, efetivamente, os matosinhenses aspiram, o que não se revelou ser tanto a construção de novos edifícios, mas sobretudo a requalificação dos espaços já existentes. Assim, a autarquia está a levar a cabo a reabilitação de vários equipamentos de mobiliário urbano, como a reparação ou mesmo substituição de pavimentos, que apresentavam algum estado de degradação, e a requalificar o parque escolar das Escolas Secundárias da Boa Nova e Abel Salazar, em São Mamede de Infesta, e da Agudela, em Lavra, cujos concursos para a realização das empreitadas serão lançados brevemente. Intervenções só agora possíveis devido ao processo de descentralização das competências, que ficou condicionado à assinatura do Acordo com o Ministério da Educação que apenas ocorreu em julho passado. Na empreitada da Escola da Boa Nova, por exemplo, prevê-se, entre outros aspetos, a construção de um novo edifício, a demolição do existente, a remodelação do polidesportivo e a instalação de espaços provisórios que assegurem o normal funcionamento da escola durante o período de execução da obra, estimado em dois anos. Em curso estão ainda procedimentos que orçam os 15

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“Habitação, via pública e parque escolar são três áreas em que vamos investir uma boa fatia do nosso orçamento para a requalificação”, revela Luísa Salgueiro. milhões de euros para reabilitação da habitação social. “Temos 4320 fogos aproximadamente e estamos a requalificá-los, a torná-los mais eficientes energeticamente e a fazer intervenções em habitações que há muitos anos não as tinham”, revela Luísa Salgueiro, sublinhando que, essa, é sem dúvida “uma das prioridades” do executivo. A par disso, acrescenta, estão a ser lançadas “grandes empreitadas”, como o novo viaduto superior na A28 que ligará as duas partes da freguesia da Senhora da Hora e a ligação da Refinaria da Petrogal à A28, direcionado, principalmente, para trânsito pesado, de forma a evitar o condicionamento dos acessos. “Para questões de trânsito e tempo de espera são duas obras muito importantes para a população de Matosinhos”, reforça. Outro dos grandes investimentos da autarquia, e do qual, considera a presidente, é obrigatória a

referência é a obra do Corredor Verde do Leça, cuja primeira fase da empreitada, orçada em 7,2 milhões de euros e referente ao troço compreendido entre a Ponte da Pedra e a Ponte de Moreira, arrancou no mês de março. Esta prevê a requalificação ao longo de 7 kms, com a construção de sete quilómetros de ciclovia e de percursos pedonais, o que vai permitir melhorar a visibilidade do rio Leça e dos seus focos de poluição, promovendo um maior contacto com a natureza e novas oportunidade de mobilidade ao longo do rio. “Será, sem dúvida, uma marca, que atravessa todo o concelho e que permitirá que os matosinhenses se reencontrem com o rio com que viveram durante muitos anos e de que se tinham afastado”, destaca, em relação ao projeto que prevê mais duas fases, num total de 18kms intervencionados, entre o Parque das Varas, em Leça do Balio, até à foz do rio Leça, no Porto de Leixões.


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Segundo o Instituto Nacional de Estatística, Matosinhos foi um dos municípios da Área Metropolitana do Porto que mais exportou em 2019, estando entre os municípios que mais cresceram em termos homólogos. Os dados apontam para um crescimento “na ordem dos 9%, um valor bastante superior ao registado na Área Metropolitana do Porto (2%), na região Norte e até no país (4%)”. De acordo com a presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, esta foi uma “boa notícia”, mas que acarreta também alguns desafios ao município como “ter capacidade de resposta ao nível da habitação e dos fluxos de trânsito”. “São novas condições que queremos proporcionar a quem quer investir, viver ou trabalhar em Matosinhos”, realça Luísa Salgueiro.

Conservação da via pública e mobilidade A Câmara Municipal de Matosinhos tem em curso empreitadas de 6 milhões de euros para pavimentação e coligação das vias. Entre os vários exemplos, realçam-se os três arruamentos em Guifões, já reabertos, na chamada zona das “Passagens”: Rua Nova dos Loureiros (parte),

Rua das Passagens e Travessa das Passagens; a reparação de pavimento na Rua Silva Brinco, em S. Mamede de Infesta; a reparação de pavimento na Rua de Recarei, Leça do Balio; a substituição de pavimento na Rua General Vicente de Freitas, em Custóias; a intervenção na Rua Óscar da Silva, em Leça da Palmeira, para resolver um problema estrutural de drenagem de águas pluviais; e a requalificação da Rua dos Caçadores, em Lavra, que deverá arrancar em breve. No que respeita a obras de mobilidade, destaque para o alargamento da Rua Godinho Faria, no troço entre a Rua da Fábrica da Ponte da Pedra e a A4; para a nova rotunda de ligação do Tribunal ao Estádio do Mar, localizada na Alameda da Água Viva, que permitiu criar um acesso mais fluído do centro de Matosinhos à A4, no sentido nascente, e que permitirá criar uma nova ligação REVISTAVIVA MARÇO 2020


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Conjuntos Habitacionais

à rua do Bombeiro Voluntário (Cruz de Pau/ Estádio do Mar). Depois da rotunda, seguirse-á a reformulação da ligação da Rua de Monserrate à A4; e a abertura de concurso público para a ligação da Barranha à Cruz de Pau, através de um novo arruamento e de uma passagem superior sobre a A28. O novo arruamento inicia-se junto à EB Estádio do Mar e serve a entrada do topo Norte daquele recinto desportivo e o Pavilhão dos Desportos com a consequente reformulação da zona de parqueamento, e termina numa

nova rotunda na ligação com a Rua da Barranha. Com estas intervenções, Luísa Salgueiro acredita que estão “a dar qualidade de vida às pessoas e, sobretudo, a encurtar os tempos de circulação”. “Continuamos a assistir ao aumento do número de viaturas que diariamente entram na cidade e isto vai permitir fluxos mais rápidos, mais curtos, e por isso, aproximar os pontos centr ais do concelho de Matosinhos”, sustenta.

Com um investimento de 15 milhões de euros em habitação social, a autarquia tem, atualmente, em reabilitação os conjuntos habitacionais de Moalde, Cruz de Pau e Biquinha. Pendentes estão, à data do fecho da VIVA! (12 março) a reabilitação do conjunto habitacional de Custóias, que aguarda o visto do Tribunal de Contas, e que a autarquia estima que possa arrancar durante o mês de abril, e os conjuntos habitacionais de Carcavelos, Seixo e Biquinha (3.ª fase), que aguardam a decisão final do Tribunal Administrativo e Fiscal em relação ao recurso relativo ao pedido de impugnação manifestado por um dos concorrentes. Uma aposta prioritária do município, que, segundo recorda a autarca, foi o primeiro grande concelho do país a aprovar a estratégia local de habitação, apoiando para o município as novas políticas da habitação e a habitação como primeiro direito. “Já disponibilizamos terrenos para que seja promovida a construção e nós próprios, agora que aprovamos também o nosso PDM, que entrou em vigor em agosto de 2019, temos condições para afetar terrenos municipais para a construção de habitação, que será habitação colocada no mercado de renda acessível”.


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É tão bom ser criança! Longe vai o tempo em que os rapazes jogavam ao pião, as raparigas ao lencinho e, juntos, mantinham viva uma tradição tão portuguesa. Os jogos tradicionais, típicos de rua e de um convívio extremo, foram substituídos pelos digitais. Hoje, os mais novos vivem uma vida dependente de ecrãs, brincam muito menos na rua e poucos são aqueles que conhecem as brincadeiras dos tempos dos avós. Nesta edição, recuamos ao tempo em que “do nada se fazia tudo”, como os próprios dizem, e se era “bem mais feliz”… Texto: Maria Inês Valente

“Com o que se brincava antigamente? Com o que se tinha à mão. Tudo dava. Até de latas de sardinhas com um pau e algumas rolhas se fazia uma brincadeira”. “Eu não brincava muito na rua, porque a minha mãe não me deixava. Mas andava pelo quintal, corria e fazia as típicas casinhas da altura. Depois, na escola, jogava ao elástico, à corda, à macaca, ao mata e ao lencinho…”. “Fazíamos corridas de sameiras pela beira do passeio. Tínhamos que empurrá-las com os dedos, durante muitos metros, e quem

conseguisse chegar primeiro à meta ganhava. Corríamos com os arcos e tínhamos o nosso clube de futebol de rua”. “Lembro-me que brincava muito à cantarinha, que era um jogo em que tínhamos que passar o cântaro umas para as outras sem o deixar cair, se não perdíamos. De tudo fazíamos uma brincadeira, e acima de tudo, brincadeiras saudáveis”. São trechos de histórias de mulheres e homens, entre os 60 e os 90 anos de idade, que tiveram a sorte - ou o azar, conforme a avaliação de cada leitor - de

sentir na pele a “verdadeira infância”, aquela em que, segundo contam, não havia perigos nas ruas, em que os vizinhos eram todos família e, juntos, inventavam tudo quanto podiam para fazer jus ao verdadeiro significado da palavra “brincar”. Histórias que hoje já não se veem, raramente se ouvem e correm até o risco de desaparecer. António, nome fictício, tem 68 anos. Cresceu numa pequena


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aldeia, em Cinfães, e mudouse para o Porto em meados dos anos 70. Habituado a grandes passeios entre os vários jardins da cidade, diz que, hoje, “não se vê uma criança a correr num parque” ou um “grupo delas a brincar na rua”. “Saem acompanhadas pelos pais, em horários específicos, e pouco fazem além de andar nos baloiços, correr atrás de uma bola ou jogar no telemóvel”. O sexagenário vai mais longe e

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afirma, inclusive, nitidamente entristecido, que “já não se brinca”. Pelo menos não como antigamente, destaca Margarida Magalhães, de 62 anos, para quem os jogos tradicionais, como a macaca, o lencinho, as cordas e o elástico “deixam muitas saudades”. “O jogo das cordas e do elástico era muito engraçado porque dava para fazermos muitas habilidades. Podíamos aumentar ou diminuir o grau REVISTAVIVA MARÇO 2020


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de dificuldade e quem aguentasse mais tempo no jogo ganhava. Lembro-me que passávamos horas a fio nisso”, conta, adiantando que eram jogos que, na sua opinião, estimulavam muito a paciência e o respeito pelo próximo, e que só trariam benefícios à sociedade se “renascessem”. Do lado oposto, os rapazes divertiam-se com outro tipo de jogos, como o do pião, o das sameiras, mais conhecidas como caricas, ou os típicos jogos de futebol, com uma “bola de pano” e “balizas improvisadas”. “Havia uma distinção muito grande entre as brincadeiras dos meninos e das meninas. Até uma determinada altura, não nos misturávamos. Quando isso foi possível, começou a ver-se brincar outro tipo de jogos, que, atualmente, também me parecem estar muito esquecidos, como a cabra-cega, a malha, o jogo do galo, dos sacos, dos berlindes, entre outros”, realça António. Sabe-se que hoje os mais novos priorizam o digital e se entretêm com jogos que vão desde o telemóvel, ao tablet, ao computador à televisão. As novas tecnologias dominam a sociedade e as próximas gerações, naturalmente, não serão uma exceção. O grande problema, aliado à importância cientificamente provada - de brincar ao ar livre, pode estar no facto de se deixar esquecer uma “cultura tão portuguesa”, resumem. Contudo, embora o digital tenha tido um

grande impacto na transformação da sociedade, inicialmente impulsionado, sobretudo, com a introdução do jogo do “Super Mário” – ponto de viragem entre as brincadeiras de várias gerações -, há outras valências que se impõem, como “a falta de segurança nas ruas, ou a perceção dela por parte dos pais, a urbanização dos lugares, a carga horária escolar e as atividades extracurriculares”, que não permite que as crianças disponham de muito tempo para brincar na rua, sublinha Fernando Nina, de 87 anos, que faz questão de, regularmente, partilhar com os seus netos aquilo que foram “as brincadeiras e as histórias do seu tempo”. Para Maria Magalhães, de 71 anos, este é um panorama


B R I N CA D E I RA S

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A MINHA RUA Com que saudades me lembro, irmão Da nossa rua dos oito anos, O começo da escola. Os improvisados brinquedos, A vaidade de levar às costas a sacola Com que saudades me lembro, irmão Da nossa rua dos dez anos, A bola de trapos, os léros, a pincha, O arco, o pião, as vitórias, Os nossos jogos, tudo eram brincadeiras, E de rastos nos sujos passeios, Jogávamos com as sameiras. E que saudades da rua dos doze anos, Sempre unidos, a fomentar nossas guerras, Quantas histórias, sorrisos, gargalhadas, Uma amizade do tamanho do mundo, Com algumas zangas e bofetadas. Lembras-te, irmão, dessa esquina Da nossa rua dos catorze anos, Começávamos a sonhar, O nosso mundo, todo uma ilusão. Já nos achávamos homens, Pensávamos na casa das meninas, A idade da masturbação. Como passou depressa o tempo, Foi há tão pouco e está tão longe Da rua das nossas idades, Quanto nós éramos felizes, Com as nossas leviandades.

visível essencialmente nas grandes cidades, porque nas aldeias, de longe a longe, ainda é possível “ver-se e ouvir-se a felicidade de quem brinca na rua”. Na rua de Fernando Nina, a Travessa Antero de Quental, onde tantas vezes brincou, nada é como era antes, o que o levou, em 1993, a escrever um poema onde retrata as brincadeiras do seu tempo. Intitulado “A Minha Rua”, o poema [que pode ser consultado na caixa ao lado] foi escrito a olhar para a própria, a chorar, enquanto recordava os “bons velhos tempos”. Cientes de que “nunca nada vai voltar a ser igual”, acreditam que as escolas poderiam ter um papel fundamental no incentivo aos jogos

Como é grato lembrarmo-nos de tudo De alguns amigos já pouco sabemos, Outros, infelizmente, já cá não estão, Mas ao lembrar-me de todos e desse tempo Sinto um forte nó na garganta É o chorar de saudade Do meu coração. Fernando Pereira Nina, 1993

tradicionais portugueses. Afinal, esta “é uma cultura que não se deve deixar morrer” e só desta forma as gerações mais novas teriam oportunidade de “vivenciar aquilo que eram as brincadeiras dos seus avós” e quem sabe, até, “ganhar-lhe algum gosto”, conclui Maria Magalhães. REVISTAVIVA MARÇO 2020


AO V I V O


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JOSS STONE NO SUPER BOCK ARENA – PAVILHÃO ROSA MOTA

Joss Stone regressa a Portugal já no próximo mês para um concerto no emblemático Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota, que, desde a sua inauguração, em outubro de 2019, numa noite memorável com os Ornatos Violeta, tem sido palco dos mais variados espetáculos. 5 de abril é o dia em que a cantora norte-americana vai subir ao palco para um espetáculo que promete ser absolutamente surpreendente. Fotos: Ruela Music

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J OSS STON E

O espetáculo fará parte da sua "Total World Tour", digressão que teve início em 2014 e que tem como objetivo passar por todos os estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU). O seu objetivo é aproximar as pessoas através da linguagem universal da música e mostrar que nenhum país ou pessoa é mais importante do que outro. Até ao momento, e para a alegria de milhares de pessoas, Stone já atuou em 170 países. Durante esta Tour, Joss tem colaborado com um artista, músico ou banda local em cada país que visita, com o objetivo de “aprender as tradições musicais desse país e criar conteúdo videográfico que pode ser usado para partilhar e promover o incrível talento, criatividade e a cultura musical que existe em todo o mundo”, lê-se na informação partilhada pela agência da artista. Joss Stone também tem por hábito

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visitar e participar num projeto positivo em cada país para “mostrar às pessoas a imensa quantidade de bom trabalho e criatividade que acontece em todo o mundo” e “incentivar outros a assumir a responsabilidade de ajudar a resolver as diversas questões sociais e ambientais do mundo”. Importante destacar que os espetáculos de Joss incluem uma variedade de músicas que fazem parte dos seus 12 anos de carreira, nomeadamente covers de clássicos e, ainda, músicas gravadas recentemente. Os seus concertos caracterizam-se por ser sempre muito “diferentes”, uma vez que a cantora e compositora permite que se transformem numa nova experiência musical, atendendo às necessidades, vontades e desejos do público. Portanto, não queira ficar de fora deste grandioso espetáculo. No dia 5 de abril, todos os caminhos vão dar ao Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota…

[Até ao fecho da edição da VIVA!, não havia indicação do adiamento ou cancelamento do concerto de Joss Stone no Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota, devido à pandemia de covid-19.]

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A MELHOR

PÁSCOA

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DEGEMA

Rua do Almada 249, Porto Telefone 223 227 432 É uma casa que, a bem dizer, dispensa apresentações. Com nove espaços espalhados pelo Norte, cinco deles situados no Grande Porto, é um dos mais importantes ex-líbris da restauração portuguesa. O rei da DeGema é, naturalmente, o hambúguer, seja ele qual for. Quem o garante é Milton Araújo, fundador da Hamburgueria, que abriu o primeiro espaço em 2013. A escolha do nome, conta, não foi ao acaso. “Quisemos um nome com graça, divertido e com uma referência local, procurando dar-se à DeGema uma identidade muito própria e genuinamente nortenha. Quando falamos em ser de gema, falamos de algo que é genuíno, que é puro. Tal e qual como as nossas hamburguerias”, destaca. A oferta variada, com hambúrgueres de carne

de novilho, de frango, de salmão e vegetariano, como de grão de bico ou de cogumelo Portobello. Os nomes, esses, são igualmente caricatos porque adotam expressões típicas de cada cidade onde estão localizados, como por exemplo “Bai-me à benda” (Braga), “Andor Bioleta” (Porto) ou “’Tás a cotiar?” (Vila do Conde). Destaque também para o “De Cú Tremido”, um hambúrguer de carne de novilho com ovo, queijo cheddar, pá fumada, molho barbecue, pimento, farinheira e cebola crocante, o “Calhau com Dois Olhos”, com cogumelos portobello, espinafres, maçã caramelizada e molho guacamole, e o “Arreganha a Taxa”, feito com carne de novilho, alheira, bacon, cheddar e molho chili. Os molhos, a carne picada, o pão e os gelados artesanais são fabricados e preparados na unidade bracarense, que abre portas às quatro da manhã e às seis distribui todos os ingredientes pelos restaurantes. Horário: De segunda a quinta das 12h00 às 23h00 e de sexta a domingo das 12h00 à 00h00. REVISTAVIVA MARÇO 2020


PELO 5ยบ ANO CONSECUTIVO

recheio.pt


2020

MAIS UM ANO DE SUCESSO FEITO POR SI O Recheio tem tudo preparado para que o seu negócio tenha mais um ano de sucesso. Pode contar com os melhores frescos com elevados padrões de segurança e controlo de qualidade, as nossas marcas próprias Gourmês, Amanhecer e MasterChef que são elaboradas a pensar na sua rentabilidade sem nunca perder o sabor, e uma garrafeira selecionada a pensar no dia-a-dia do seu negócio. Este será mais um ano feito por si e pelo sucesso do seu negócio.

Feito por si.


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TERRA NOVA Cais da Ribeira 34, Porto Telefone 926 770 837

O bacalhau e as ostras são as estrelas deste espaço portuense que tem como porta de entrada uma agradável vista sobre o Douro. Aberto há pouco mais de dois anos, tem como principal objetivo oferecer uma experiência gastronómica diferenciadora e de elevada qualidade a todos os que visitam o Terra Nova, realça Vasco Amaro, um dos proprietários do restaurante, que nasceu de uma iniciativa de quatro amigos praticantes de andebol. “Sentimos que havia uma gafe na Ribeira no que toca a um bom restaurante de bacalhau”, acrescenta, justificando, assim, a razão pela qual se especializaram neste produto, utilizado sempre com nove meses de cura e oriundo da Islândia,

porque como explica, é mais consistente do que o bacalhau da Noruega. No menu, recentemente alterado, há desde ostras naturais às mais requintadas, com espuma de amêndoa, manga e malagueta e caril e manga. A massada de bacalhau, o bacalhau cozido com todos e o bacalhau confitado e feijoada de samos destacam-se nos pratos principais, que englobam também deliciosas propostas de carne. No que respeita às sobremesas, o mil folhas de pêra e vinho do Porto e o brownie de chocolate salgado e noz com frutos vermelhos deixam os clientes de água na boca. A acompanhar as várias propostas apresentadas está uma carta de vinhos bastante completa que, como afirma Vasco, é uma espécie de volta a Portugal, composta por vinhos de todas as regiões. Horário: Das 12h00 às 22h30, sendo que entre as 15h00 e as 19h00 funciona mais à base de petiscos.


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S. MARTINO Rua 31 de Janeiro 239, Porto Telefone 222 083 135

Diz o ditado que “o bom filho a casa torna” e o grupo S.Martino é a verdadeira prova disso. Foi em plena baixa do Porto que abriu o seu primeiro restaurante e é precisamente aqui que regressa, três anos depois. Agora localizada na Rua 31 de Janeiro, junto à Igreja de Santo Ildefonso, a nova pizzeria apresenta uma decoração bem requintada, como aliás já vem sendo hábito, e um ambiente particularmente intimista. As pizzas são naturalmente o ex-líbris da casa e, segundo conta o Chef Alex Vieira, todas elas têm muita saída. Pessoalmente, aprecia bastante a “II Cigno”, que leva rúcula, presunto e parmigiano, o

que lhe dão um “contraste de sabores perfeito,” e a “4 Stagioni”, com fiambre, pimentos, cogumelos, azeitonas e alcachofras, mas muitas mais há para provar e aprovar como são exemplos a “Regina Margherita”, a “Al Capone”, a “Caterina Maria” e a “Donna Sandra”. Além das afamadas pizzas, confecionadas em forno a lenha, os visitantes poderão também saborear diferentes tipos de pastas, insalatas, risottos, bistecchas, lasanhas, bacalhaus e, claro, a típica francesinha all'Italiana com o molho nortenho. “Tudo confecionado com ingredientes frescos e de máxima qualidade”, destaca. Quanto às sobremesas, o tiramisù, a panna cotta e a mousse de chocolate fazem as delícias dos mais gulosos. Horário: Todos os dias das 12h00 às 23h00 REVISTAVIVA MARÇO 2020


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A CAMINHO DE CASA

Rua Mouzinho de Albuquerque 525, Matosinhos Telefone 220 968 565 É um restaurante de comida tradicional portuguesa, aberto há três anos, e que começou praticamente com duas mesas. Atualmente conta com duas salas, com capacidade para cerca de 40 pessoas, que podem provar e aprovar as várias receitas do “A Caminho de Casa”. A comida é 100% caseira e tipicamente portuguesa com pratos tão emblemáticos como os rojões em vinha d’alho, as pataniscas com arroz de tomate, as costelinhas e um bacalhau da casa gratinado no forno. Mas, as tapas, por onde, na verdade, o espaço

se concretizou, fazem também as delícias dos clientes. Da carta destacam-se, entre muitos outros, os pimentos padron, cogumelos salteados com caramelo, camarão ao alho e o rabo de boi. Na sobremesa, quem reina é a famosa rabanada da D.Ilda, mãe do proprietário, Daniel Pinto, servida o ano inteiro por exigência dos clientes. Mas, esta não é a única opção! Há ainda leite creme, mousse de chocolate e cheesecake. “Tudo receitas centenárias”, revela Mário, funcionário da casa. Da decoração fazem parte peças tão raras como um capacete da 2ª guerra mundial, a buzina de um carro de 1910 e ainda balanças e máquinas registadoras com um bom par de anos. O espaço, que à noite ganha uma envolvência especialmente intimista, funciona à porta fechada, pelo que é aconselhável efetuar reserva. Horário: De terça-feira a sábado das 12h30 às 15h00 e das 19h30 às 22h30.


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MUNDO

Rua da Picaria 58, Porto Telefone 912 090 029 Situado numa das artérias mais emblemáticas e históricas da cidade do Porto, este restaurante oferece uma viagem única de sabores que passa pelos cinco continentes, o que lhe permite dar a volta ao mundo sentado à mesa. “Essa viagem é feita com técnicas e com confeções do mundo, mas adaptada aos nossos produtos. Por isso, conseguimos criar uma fusão mais diversificada, mas, ao mesmo tempo, que nos permite encontrar pequenos pontos que nos são confortáveis”, explica Carlos Leitão, um dos funcionários da casa. A diversidade da viagem, adianta, acaba por estar mais nas entradas, uma vez que um dos conceitos da cozinha é o convite à partilha. Depois, “há pratos para todos os gostos”, desde o vegetariano, composto por batata doce em caril de hortelã, lentilhas crocantes, arroz

aromatizado e papadum, a um pato com polenta, costelinhas de porco a cair do osso com BBQ de tamarindo, fruta verde e amendoim e mandioca frita a rodovalho ao vapor com amêijoas, mexilhão e caldo thai. “A nossa picanha é se calhar o prato mais tradicional e que vai mais ao encontro do que é servido no Brasil, com o puré de feijão preto, farofa, vinagrete, abacaxi e mandioca frita”, salienta. No que respeita ao mundo doce, destaque para o bun (de chocolate ou doce de leite) ao vapor, panna cotta de chocolate branco com calda de framboesa, cheesecake NY style (bourbon, crocante de gengibre, batata doce e gelado) e crocante de coco com gelado de baunilha. Importante realçar a vasta carta de cocktails do Mundo assim como a sua sala privada, uma das mais recentes apostas do espaço. Horário: De segunda a quinta-feira das 19h00 à 00h00, sexta-feira das 19h00 às 02h00, sábado das 12h00 às 15h30 e das 19h00 às 02h00 e domingo das 13h00 à 00h00. REVISTAVIVA MARÇO 2020


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POSTO 94

Rua Carlos Carvalho 94, Matosinhos Telefone 910 015 889 De portas abertas há cerca de um ano e meio, a Pizzeria Posto94 é já um espaço de referência da cidade de Matosinhos. As pizzas romanas, com uma “massa bem fina e estaladiça”, são a especialidade da casa, conta Helker Gomes, o proprietário e responsável pela confeção de todos os pratos. A carta é composta pelas pizzas clássicas como a margherita, funghi, prosciutto e funchi, siciliana, diavola e muito mais. A única que leva fruta existe apenas no verão e faz um “casamento perfeito” entre a pera e o presunto. “É uma combinação que

raramente encontramos em Portugal, mas que se utiliza muito na cozinha italiana”, realça. Também as massas e risottos têm destaque neste espaço com capacidade para 20 pessoas e dotado de um ambiente extremamente acolhedor. A simpatia do serviço, aliada à qualidade dos produtos apresentados, parecem estar na base do sucesso do Posto94. Para fechar com chave de ouro há as três sobremesas de referência capazes de deixar qualquer um a salivar: o tiramisù, a panna cotta e a mousse de chocolate com suspiros. Horário: De terça-feira das 19h00 às 23h00 e de quarta-feira a domingo das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 23h00.


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ENOTECA 17•56

Rua de Serpa Pinto 44B, Vila Nova de Gaia Telefone 222 448 500 Com uma vasta garrafeira de vinhos nacionais e internacionais, a Enoteca 17•56 pretende conjugar o melhor da gastronomia contemporânea, mediterrânea e de fusão com o universo vinícola. O espaço é composto por três cozinhas de referência, a de sushi bar, do Shiko, a de carne, do Reitoria, e a peixaria, explorada pelos próprios, que se juntam numa deslumbrante sala open space, assinada pelo arquiteto Paulo Lobo, com capacidade para 140 pessoas. “Quando o cliente se senta tem acesso a uma carta única que lhe permite escolher entre as diferentes propostas dos três restaurantes, que serão sempre servidas ao mesmo tempo”, salienta Sérgio Macedo,

responsável pela comunicação. A juntar a estas ofertas, têm ainda uma queijaria, com mais de 70 referências de queijos, entre portugueses e estrangeiros, um cigar club, o bar, onde servem desde os cocktails clássicos aos de autor e criam, todas as semanas, um cocktail de Vinho do Porto, e ainda duas salas privadas, equipadas com os mais luxuosos elementos. Às quintas-feiras, sextas e sábados à noite os clientes têm oportunidade de acompanhar a refeição ou um copo ao som de um DJ residente. É aconselhável efetuar reserva, sobretudo ao fim de semana. Horário: De terça a quinta-feira das 12h30 às 15h00 e das 19h30 às 22h30. Sexta-feira e sábado encerra às 23h00. Entre as 15h00 e as 19h00 funciona apenas o bar e a queijaria.


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O "LOBO DO MAR" Texto: Maria InĂŞs Valente Fotos: Make it view


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Completa 68 anos no próximo mês e há mais de 20 que, a título voluntário, resgata quem cai ou se atira ao rio Douro a bordo do seu “Lobo do Mar”, o companheiro de todas as horas. A paixão por estas águas herdou-a do pai, embora tivesse sido também muito influenciada pelo antigo Duque da Ribeira, um homem com uma coragem que considera não haver igual. No entanto, Gastão Teixeira, o protagonista desta história, recusa eventuais comparações. “O Duque era o Duque, eu sou o Lobo do Mar”.

Sai de casa, muitas vezes, ainda o sol não nasceu e regressa, sempre, já depois de este se ter posto. Há 24 anos que os dias de Gastão Teixeira são passados na Ribeira, junto ao cais, à exceção de domingo, dia que considera “sagrado para a família”. Os olhos, postos nas águas do Douro e em toda a margem envolvente, estão sempre em alerta máximo, tal é o “receio de que algo possa acontecer”. E foi precisamente desta forma que o encontramos, junto ao local habitual, e com a preocupação e o cuidado que lhe são inerentes. Por cá, não há pessoa que não conheça o famoso “Lobo do Mar” que, orgulhoso, enverga o colete da Proteção Civil, carinhosamente oferecido como forma de tributo ao trabalho que presta.

“Muitas vezes a capitania avisa-me sobre o que se está a passar e eu é que ando pelos estabelecimentos e pelos moradores a avisálos para estarem alerta, como aconteceu, por exemplo, com as cheias de dezembro”, revela. Quanto ao futuro, ninguém sabe o que poderá acontecer, mas Gastão tem uma única certeza: “continuará nas águas do Douro, à espera de ajudar o próximo, até não puder mais”. Como surgiu a paixão pelas águas do Douro? O meu pai tinha um barco e eu fui o único de 16 filhos que fiquei com os hábitos dele. Quando era pequenito, lembro-me de lho “roubar” para levar os meus amigos a passear pelo rio ou ir à pesca. Era uma alegria! Entretanto fui

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para a tropa, mas o vício pelas águas era tanto que, quando regressei, quis logo comprar o meu próprio barco. Na altura não tinha possibilidades, então fui trabalhar e só há cerca de 26 anos comprei o meu primeiro barco, mas como era muito pesado troquei-o pelo “Lobo do Mar” [nome do segundo barco que adquiriu e que o acompanha até então]. Supostamente era para ser utilizado na pesca, mas depois vi uma pessoa a atirar-se da ponte, fui buscá-la e a partir daí nunca mais parei. Mas esse gosto também lhe foi, de certa forma, incutido pelo falecido Duque da Ribeira [ficou conhecido por salvar um homem de morrer afogado no rio Douro com apenas 11 anos, tendo sido a partir dessa altura protagonista de diversos salvamentos]. Certo? Sim, eu aprendi muito com ele. Recordo-me de um episódio, na pedreira da Madalena, em que um colega meu faleceu numa presa. Na altura os bombeiros não estavam a conseguir encontrar o corpo e eu, como sabia que o Duque era especialista nisso, fui a casa dele chamá-lo. Ele foi comigo e num instante engatou o corpo e trouxe-o para terra. Foi um grande exemplo para mim e agradeço-lhe muito por hoje estar nesta posição.

Ainda se recorda do primeiro salvamento que fez? Sim, foi na altura que ia para a tropa. Tinha 18/19 anos. Eu vinha do lado de Gaia, a uma quinta-feira, 21 de outubro, e ouvi um guarda-fiscal a apitar muito, no meio da ponte D. Luiz I. Corri para junto dele e vi um corpo muito forte na água, então voltei para o lado de Gaia e fui procurar um barco. Peguei nele e à rasca meti-o na água, mas, ao pegar nele, parti uma tábua e fiz dela o remo. Meti o barco na água, comecei a remar até chegar junto do corpo e quando cheguei lá, olhei para o barco, e vi que estava cheio de água. Naquele momento e no sítio que estava, fiquei muito assustado, mas algo me deu forças para pôr a mão no corpo. Vi que estava vivo, então pus a cabeça só um pouco dentro do barco, porque não podia pôr o corpo todo se não


“Houve um ano, em 2004 ou 2005, em que, sozinho, apanhei 19 pessoas. Foi um ano muito trágico.” ele virava. Amarrei-o com um cadeado e comecei a dar ao remo. Entretanto, um colega meu atirouse à água, veio ajudar-me e levamos o barco para terra. Quando chegamos, toda a população ajudou a retirar o homem, que foi, depois, levado para o hospital. Além desse, há mais algum que ainda traga na memória? Sim, o de um miúdo que esteve cerca de 20 minutos debaixo de água. Não fui eu que o salvei, mas fiz todo o trabalho para que isso acontecesse. Ele atirou-se à água e quando me apercebi, larguei logo o que estava a fazer, liguei a pedir ajuda e fui com o meu barco para o local. E também tenho outro episódio que não esqueço, que aconteceu há cerca de cinco anos, com um miúdo que se lançou da Ponte do Infante. Quando a notícia chegou a mim eu fui logo com o barco e ainda o consegui apanhar vivo. Ele só gritava que lhe doía o pescoço… No dia a seguir ao tê-lo salvo fazia 17 anos. Acho que esse é aquele salvamento que vou trazer sempre no meu coração, que eu nunca mais vou esquecer. Tem ideia de quantas vidas já salvou? Não, mas já foram bastantes. E houve um ano, em 2004 ou 2005, já não me recordo bem, em que, sozinho, apanhei 19 pessoas. Foi um ano mesmo muito trágico. Deve haver casos em que sabe de antemão que já não é possível salvar aquela pessoa, mas, ainda assim, vai sempre em seu auxílio. Não é verdade?

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Sim, qualquer pessoa que se atire à água e eu esteja aqui vou sempre em seu auxílio para tentar salvá-la. Há casos em que já não consigo, infelizmente. Quando isso acontece fico triste. Já tive casos em que me chamaram para ir buscar um corpo e quando cheguei ao suposto local ele já não estava lá, mas mesmo quando isso acontece não desisto. Ando com o meu barco entre dois a três dias, ou mais, a bater aquela zona para ver se o corpo encosta à terra ou se aparece. Faço tudo o que posso para encontrar o corpo e devolvê-lo à família. Em 2016 foi distinguido com a Medalha de Mérito de grau ouro pela Câmara Municipal do Porto. O que sentiu nesse momento? Senti muita alegria quando vieram ter comigo e disseram que eu estava eleito para a medalha da cidade e, principalmente, quando o presidente da Câmara ma entregou. Afinal, recebi algo que eu nunca imaginei que poderia vir a receber. Além disso, também já recebi o 2.º Prémio Heróis do Correio da Manhã, devido a um inglês que se atirou à água e eu fui buscar, ainda com vida. Mas o maior reconhecimento que posso ter é mesmo o “obrigada” de quem consegui salvar. Essas são as minhas melhores medalhas. [emociona-se] O Douro é uma das suas paixões, mas também tem uma outra que está especialmente ligada à cidade, o FC Porto… Sim, mas na verdade não tenho só duas, tenho três: a família, o Douro e o FC Porto. Essas são as minhas grandes paixões. REVISTAVIVA MARÇO 2020


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Futuro Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto apresenta-se com duas exposições inéditas “Um Século e Tanto: 130 anos da National Geographic” e “Culturas e Geografias” são as exposições que marcam a abertura ao público dos espaços renovados do futuro Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto. Dois acervos riquíssimos, expostos em plena baixa da cidade do Porto, e que podem ser visitados até ao mês de julho. Fotos: U.Porto

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ão fotografias, objetos, ilustrações, mapas e excertos de documentários que atravessam gerações. Alguns facilmente identificáveis, outros que necessitam de explicação, mas que, rapidamente, envolvem o público numa verdadeira bolha de conhecimento. Exploração é a palavra de ordem da exposição “Um Século e Tanto: 130 anos da National Geographic”, inédita em Portugal, e que desafia os visitantes a percorrer toda a história da National Geographic Society. Ao longo das nove secções da exposição, é possível recordar momentos célebres como a chegada de Robert Peary ao Polo Norte, em 1909, a descoberta de Machu Picchu, o toque de Jane Goodall a um chimpanzé recém-nascido ou as viagens do oceanógrafo Jacques-Yves Cousteau


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a bordo do seu Calypso, aos quais se junta uma seleção de mais de 400 capas da revista “National Geographic”, incluindo a primeira fotografia de natureza publicada naquela publicação. No entanto, esta não é só mais uma exposição da National Geographic trazida para Portugal, uma vez que o seu conceito foi largamente enriquecido. Parte significativa deste acervo é também composto por contribuições portuguesas, nomeadamente fotografias, ilustrações, mapas e objetos das coleções do Museu de História Natural

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e da Ciência da U.Porto (MHNC-UP) e de entidades parceiras, como a Sociedade de Geografia de Lisboa, o Museu de Marinha e o Museu Nacional de História Natural e da Ciência – Universidade de Lisboa. Uma forma de devolver aos portugueses e a todos os que visitam Portugal um pouco da força e ambição dos nossos descobridores e de toda a história intrínseca ao país. Essa história reflete-se, por exemplo, no “Padrão de Santo Agostinho”, colocado por Diogo Cão em 1483 REVISTAVIVA MARÇO 2020


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P O R T O “Um Século e Tanto: 130 anos da National Geographic” convida a uma viagem por toda a história da National Geographic Society através de mais de 300 fotografias, mapas e objetos icónicos.

no Cabo de Santo Agostinho, atualmente designado Cabo de Santa Maria,a sul de Benguela, em Angola, e que “abre”, de certa forma, as portas da mostra. Vá r i a s c o n t r i b u i ç õ e s d e investigadores portugueses, inclusivamente associados à história da U.Porto, estão também representadas nesta mostra. “Culturas e Geografias” reúne espólio arqueológico da centenária Faculdade de Letras Do espólio da U.Porto, chega ao Museu de História Natural e da Ciência uma coleção de 250 peças arqueológicas e etnográficas representativas de civilizações antigas de todo o mundo. Integrada nas comemorações do centenário

da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, “Culturas e Geografias” dá a conhecer as coleções que integraram o acervo museológico e artístico original daquela escola. As peças expostas, que vão desde produtos de usos diário e decorativo, como estatuetas, vasos e ferramentas, permitem fazer uma viagem pela história das civilizações e explorar vivências e rituais das primeiras

comunidades humanas em cada um dos cinco continentes representados. Destaque em particular para os núcleos da Melanésia  – único a nível ibérico e que permite observar a utilização de madeiras e fibras vegetais pelas comunidades do Pacifico –, da Mesoamérica, com u m c u r i o s o co n ju n to d e escultura Azteca, e do Antigo Egipto, que constitui a segunda maior coleção de antiguidades


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As duas exposições estarão patentes no Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto até ao dia 19 de julho. Podem ser visitadas de terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h00. Da parte da VIVA!, fica a garantia de que estará a embarcar em duas viagens extremamente enriquecedoras.

“Culturas e Geografias” explora as vivências e os rituais das primeiras civilizações humanas.

faraónicas conservadas em Portugal. A coleção, proveniente do Museu de Berlim, chegou a Portugal em 1926, depois dos governos português e alemão acordarem a troca do espólio a rq u e o l óg i co ap re e n d i d o durante a I Guerra Mundial no

navio germânico Cheruskia, proveniente de Bassorá, atual Iraque, transportando as peças resultantes de uma expedição alemã à antiga Mesopotâmia. As valiosas peças assírias apreendidas haveriam de ser colocadas à guarda do então Museu de Arqueologia Histórica

da Faculdade de Letras da U.Porto, para serem devolvidas à Alemanha, oito anos após o Armistício, em troca desta coleção de peças do Museu de Berlim, originárias de distintas culturas e geografias, tendo um papel didático junto da comunidade. Contudo, viriam a dispersar-se por outros museus universitários depois do encerramento forçado daquela faculdade pela Ditadura Militar em 1931. Esta é uma oportunidade única para admirar este acervo reunido pela primeira vez nas últimas oito décadas. REVISTAVIVA MARÇO 2020


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O M E N T O S

A música, o cinema e a moda estiveram em destaque na cidade Invicta. O Coliseu do Porto recebeu um concerto apaixonante dos GNR, em noite de S.Valentim, o Ateneu Comercial do Porto foi palco de mais um espetáculo de música clássica à luz


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das velas - Candlelight -, e o Aeroporto Francisco Sá Carneiro e o Teatro Rivoli receberam, respetivamente, as edições 2020 do Modtíssimo e do Fantasporto. Várias caras conhecidas passaram por estes eventos. Veja-as, ou reveja-as, neste especial momentos…


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Júlio Magalhães O passado e o futuro do Porto Canal Está há oito anos na direção do Porto Canal e, desde então, foram muitos os desafios que enfrentou e superou, com grande distinção. Júlio Magalhães, rosto bem conhecido da televisão portuguesa e um dos jornalistas mais acarinhados pelo público, falou com a VIVA! sobre este percurso, numa conversa intimista onde revelou a sua opinião quanto à importância dos media nas várias regiões do país e desvendou algumas novidades do canal… Texto: Maria Inês Valente Fotos: Make it view

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uero fazer do Porto Canal um canal de referência, não local ou regional, mas sim um canal feito no Porto para o país inteiro”, disse quando foi nomeado diretor do Porto Canal. Volvidos oito anos, os resultados estão à vista. Júlio Magalhães não só cumpriu o objetivo traçado como alargou o desafio a um canal para o mundo. O Porto Canal é hoje um canal de referência nas mais diversas áreas, desde a informação, passando pelo entretenimento, programas desportivos e de teor político, entre muitos outros. “O balanço é magnífico e há uma coisa que é evidente: o Porto Canal, hoje, é uma marca e esse crescimento tem sido extraordinário”, afirma agora, orgulhoso do percurso percorrido. Contudo, não esquece as dificuldades, impulsionadas, sobretudo, pelo grande problema do centralismo, ou não fosse este o “único canal feito fora de Lisboa” e, por isso, alvo de muitas desigualdades. “Oito anos serviram para criarmos uma marca, mas o caminho é muito longo e é muito mais longo estando fora de Lisboa. Se este canal estivesse lá provavelmente já tinha outra dimensão porque é lá que se passa tudo, que se concentra tudo e onde estão as oportunidades todas”, sublinha, não


P O RTO CA N A L

escondendo a felicidade de estar no Porto e de liderar o Porto Canal. “Hoje é um canal que o país inteiro conhece e vê. É um canal generalista, com programas diferenciados e para todos os gostos. Oferecemos conteúdos que mais ninguém oferece, como programas de história, cinema, música clássica, programas culturais e pedagógicos, em prime time”. Há muito visionário no que respeita à construção dos media, revela à VIVA! que tem, precisamente, no Porto Canal a esperança de que este seja um ponto de partida para muitas outras estações de televisão, de rádios e de jornais no resto do país. “É minha convicção, desde há muitos anos, que a regionalização não existirá enquanto não houver comunicação social nas regiões”, destaca, salientando a importância de estas conseguirem agregar todos os meios de comunicação. Afinal,

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como nota, as televisões centrais “só se preocupam em ir ao resto do país quando há um incêndio, um acidente ou uma tragédia, mas depois tudo o que interessa ao resto do país não lhes interessa para nada”. “Mas interessa às populações que lá vivem e que, muitas vezes, não têm voz nem têm quem mostre aquilo que eles fazem, de bom ou de mau. E isso acontece no resto da Europa”, continua. Para este novo ano, Júlio Magalhães revela que o Porto Canal está a fazer um “forte investimento na informação” e a tentar diferenciar, ainda mais, os seus conteúdos. “Vamos começar com programas novos, uns dedicados à culinária e outros ao late night. Já temos no ar o da Carina Caldeira, que teve um grande impacto nas redes sociais, e que agora vai ser preenchido todos os dias”, conta. À segunda-feira o programa, exibido às 23h30, vai ter como anfitrião Joel Cleto, à terça vai continuar com Carina Caldeira, à quarta será conduzido por Ana Guedes, à quinta-feira por Júlio Magalhães e à sexta por Luís de Matos, novo reforço da casa e “uma das grandes novidades a partir de março”. A par disso, acrescenta, o futuro passa também pela “troca de conteúdos com canais estrangeiros, colaboração e cooperação com os mesmos”, possível através de uma rede, composta por 90 canais de televisão de todo o mundo, que o Porto Canal integra, e que vão permitir “alargar muito o seu espectro”. REVISTAVIVA MARÇO 2020


FC PORTO

Museu FC Porto liga cidade ao clube em passeios culturais É, desde 2014, um dos “cartões de visita” programáticos do Museu FC Porto. Sob a orientação do historiador Joel Cleto, a “Rota do Dragão” já proporciona uma imensidão de conexões entre FC Porto e a cidade assim como de várias (re)descobertas entre estes dois ícones às milhares de pessoas que já experienciaram estes passeios culturais… Texto: Maria Inês Valente Fotos: Museu FC Porto

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o longo destes seis anos, o programa “transformou-se num evento âncora e de grande prestígio para o Museu e para o clube”, afirma Jorge Maurício Pinto, diretor de programação do Museu FC Porto, que considera que, atualmente, já “não é possível falar na sua programação sem falar na Rota do Dragão”. De acordo com o responsável, o Museu sempre idealizou um conjunto de atividades que viessem a complementar a ação programática do mesmo “dentro e fora de portas”. “Estava no nosso «caderno de encargos»

de ideias e de propostas continuadas de animação gerar toda uma programação paralela que, fundida com a tradicional, viesse a originar uma verdadeira e assumida agenda cultural, passível de integrar a oferta global da cidade”, revela, acrescentando que assim nasceram os passeios culturais conduzidos pelo historiador Joel Cleto. Estes englobam visitas orientadas à exposição permanente do Museu FC Porto e à cidade, através dos seus edifícios mais emblemáticos, com incidência sobre factos, curiosidades e protagonistas,


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“A «Rota do Dragão» é uma experiência diferenciadora, num misto de conhecimento e emoção.”

“As visitas programadas pelo Museu FC Porto com Joel Cleto apresentam singularidade em conteúdos que combinam história do clube e da cidade.”

“num enquadramento que cruza o passado do clube com as memórias da Invicta”. Nas visitas ao Museu, como explica Jorge Maurício Pinto, a temática mantém-se, mas a narrativa é construída a partir de objetos e documentação presentes no circuito expositivo permanente. E a verdade, segundo revela, é que há “uma imensidão, quase infinita, de conexões entre o clube e a cidade e de (re)descobertas”, que, possivelmente, “as pessoas nunca pensariam que existisse”. As visitas da “Rota do Dragão” são dirigidas a grupos compostos por um limite máximo de 30 participantes, sem restrição de idades, e têm duração de duas horas. O calendário anual do programa decorre, habitualmente, entre maio e novembro, embora este ano se tivesse iniciado mais cedo, com o primeiro percurso a acontecer em fevereiro. Os próximos realizam-se nos dias 17 de maio e 24 outubro; na variante de “visita na cidade”, estão agendadas as datas de 9 de maio, 27 de junho e 26 de setembro – esta última enquadrada no âmbito do programa de celebrações do 7º aniversário do Museu FC Porto e dos 127 anos do FC Porto. Importante referir ainda que, em 2019, a iniciativa foi distinguida com o Prémio Informação Turística pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM), uma distinção que, nas palavras do responsável, veio “sublinhar a importância e o impacto de um projeto desenvolvido pelo museu portista para o Clube e para a cidade”. REVISTAVIVA MARÇO 2020


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E S C O B R I R

As visitas da VIVA! às várias pérolas que compõem o património portuense, e que estão abrangidas pelo programa “Porto de Tradição”, continuam nas edições de 2020. Na primeira do ano, recordamos dois icónicos espaços da cidade que respiram história, memórias e um “saber fazer” como não há igual. A viagem começa na Costa Braga & Filhos Lda e termina na Escovaria de Belomonte, ambas de portas abertas há décadas e que continuam a conquistar várias gerações. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Make it view

COSTA BRAGA & FILHOS LDA

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om uma história com mais de 150 anos, a Costa Braga & Filhos Lda, empresa que fabrica e vende bonés e acessórios de fardamento, remete a sua fundação para os anos em que as fábricas ainda funcionavam a vapor. Inaugurada em 1866, na Rua Firmeza, na altura sob o nome de “Real e Imperial Chapelaria a Vapor de Costa Braga e Filhos”, fez, mais tarde, a transição para a Rua 31 de Janeiro, como loja e produção, onde permanece até então. Joaquim Oliveira é quem está, atualmente, à frente do negócio e não esconde o “orgulho imenso” e “a paixão” que sente pelo mesmo. “Vim para cá trabalhar com 15 anos como aprendiz de armazém, mas antes já frequentava a casa. Vinha com o meu tio e passava o dia entretido a vê-lo trabalhar”,


LOJA S H I STÓ R I CA S D O P ORTO

conta, sublinhando que, na altura, trabalhavam muito com os bonés de farda, considerados um dos grandes ex-libris da casa. Durante o século XX, o grosso das suas encomendas er am chapéus e capacetes destinados ao exército português, aos bombeiros, aviação ou para as diferentes corporações de segurança pública, como a GNR e a PSP. No entanto, hoje, adianta, já não funciona tanto assim. “Há 20 anos qualquer pessoa usava farda e ao usá-la tinha obrigatoriamente que ter o boné. Ninguém andava de cabeça destapada. Nós entravamos dentro de um transporte público e sabíamos logo quem era o motorista. Porquê? Porque ele usava boné na cabeça. Às vezes até brincávamos «vem aí o fiscal, vem aí o fiscal», porque o conseguíamos reconhecer de imediato”, explica. No entanto, apesar dessa condicionante, fruto da rápida evolução que a sociedade tem testemunhado, “empobrecer um pouco o negócio”, não se tem revelado um bloqueio para a empresa, que tem sabido evoluir e dar

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resposta às necessidades atuais da população. Conhecedora do mercado, a gerência que, pela primeira vez, não é Costa Braga de sangue, mas que se considera “parte da família”, afinal há 40 anos que está ligada à empresa, continua a apostar no mercado africano, exportando para alguns dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). A nível de oferta civil, que Joaquim decidiu manter por fazer parte da “fundação da casa” e por ter “bastante procura”, é, também, muito vasta, com bonés e chapéus que, pela qualidade e beleza, conquistam várias gerações de clientes. Até as mais novas que, “por gosto ou para se resguardar do frio” vão procurando estas opções. “Há dias esteve aqui um senhor, que pelo aspeto não devia andar muito longe dos 90 anos, que veio cá comprar um chapéu, acompanhado pelo neto, e contou-me que em 1930 já frequentava esta casa”, revela o gerente, destacando que são histórias como essas que fazem “os seus dias”. REVISTAVIVA MARÇO 2020


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E S C O B R I R

ESCOVARIA DE BELOMONTE

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e portas abertas há mais de 90 anos, na Rua do Belomonte, referência que deu nome à casa, neste emblemático espaço da cidade do Porto há uma gama de escovas destinadas a vários usos: desde as industriais até às escovas para utilização doméstico ou pessoal, que são como refere Sérgio Rodrigues, bisneto do fundador, para durar bem mais do que uma vida. “São para gerações”, realça. Prova disso é o armário das escovas antigas exibidas logo à entrada da loja, situada no número 34. “Algumas delas têm mais de 50 anos”, recorda Rui Rodrigues, o pai, que não quis deixar perder o negócio da família. “Esta, para apanhar as migalhas da mesa, era da mãe da avó do Rui, que morreu há mais de 30 anos com 99 anos”, explica, enquanto a VIVA! comprova o excelente estado em que ainda se apresenta. Da mostra faz também parte uma escova de sapatos que, possivelmente, foi “a que mais tempo trabalhou”. “Foi feita na loja, no tempo do meu bisavô e oferecida por um cliente, que era engraxador de sapatos. Entregou-a no dia em que se reformou”, conta Sérgio Rodrigues. A qualidade deixada pelos seus


LOJA S H I STÓ R I CA S D O P ORTO

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antepassados é algo que os dois responsáveis continuam a manter no presente. “Pegamos no saber que eles nos deixaram e fomos inovando, quer através dos materiais que utilizamos como na roupagem que fomos dando às peças”, explica Rui. “Antigamente trabalhava-se muito com o pinho e nós agora trabalhamos com madeiras mais nobres, como mognos, moutain, cerejeiras, faias e pau cetim”, sublinha, adiantando que têm desde escovas feitas com crina ou rabo de cavalo, passando pela cerda de porco e pêlo de cabra, extremamente macio e utilizado, por exemplo, em escovas para limpar o sapato no final do dia e para tirar os restos de cabelo, nas barbearias”. Mas, tudo isto,

“Temos muitos clientes que compram uma escova e não a usam. Dizem que é só para decoração. Mas podiam usá-la todos os dias que lhes dava para toda a vida” realça Sérgio Rodrigues alerta, não obriga ao sacrifício do animal. Todas as escovas estão envoltas em pormenores, afinal todo o seu fabrico é manual, sendo atualmente o único espaço em Portugal, e talvez da Península Ibérica, que produz desta forma. “Mediante o tamanho que se der ao material, a quantidade de furação e a sua espessura as escovas podem ser utilizadas

para diferentes efeitos”, revela, acrescentando que todo o serviço “é muito personalizado”. “Na altura do meu bisavó e avô não havia coleções. Fazia-se uma escova de calçado, por exemplo, e iam saindo todas assim. Nós já temos algumas coleções feitas, limitadas a número de peças, e que têm sempre muita procura”, completa Sérgio. O tempo de produção, esclarecem,

varia muito do tipo de escova. Mas, a de calçado, da coleção 1927, por exemplo, designada assim “porque tem a forma em que em 1927 se faziam as escovas”, pode demorar “entre 36 a 42 horas a fazer”. “É um trabalho mesmo muito minucioso porque tudo tem que sair com extrema qualidade”, acrescenta Rui Rodrigues, revelando que essa escova é, precisamente, uma das mais procuradas, a par da de fato da mesma coleção. REVISTAVIVA MARÇO 2020


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E P O R T A G E M

Que livrarias preferem os portugueses? Nesta edição, a VIVA! foi para a rua tentar perceber quais são os hábitos de leitura dos portugueses e onde é que estes preferem comprar os seus livros. “Grandes ou pequenas/médias livrarias?” e “Livrarias de rua ou localizadas nos centros comerciais?” foram as principais perguntas que se impuseram e as respostas falam por si. A maior parte do universo de pessoas entrevistadas, cuja idade varia entre os 16 e os 70 anos, tem os hábitos de leitura em dia, ainda compra livros e opta por fazê-lo em grandes cadeias de livrarias. Alegam mais variedade, melhor conhecimento da marca e vantagens geográficas. Contudo, embora em número muito reduzido, ainda encontramos apreciadores do espólio das pequenas livrarias, que dizem que só quem lá entra tem noção da enorme riqueza que oferecem. Já no que respeita à preferência entre comprar em livrarias de rua ou nas localizadas nos centros comercais, as respostas foram mais unânimes, com uma divisão entre ambas. Afinal, como destacam, ambas têm as suas vantagens! Texto: Maria Inês Valente Fotos: Make it view


LI V RA R I A S

Maria Silva

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Costuma ler livros? Sim. E comprar? Sim, com alguma frequência. Onde prefere comprar os seus livros? Nas grandes cadeias de livrarias ou nas pequenas e médias? Porquê? Normalmente compro nas grandes livrarias. Mas já visitei pequenas/médias livrarias e gostei muito do atendimento e da oferta que encontrei. Prefere as livrarias de rua ou as localizadas nos centros comerciais? As livrarias de rua, por uma questão estratégica. Quanto tempo costuma dedicar à leitura diariamente? Mais ou menos uma hora, mas depende muito do livro que esteja a ler. Se for um livro que eu goste mesmo consigo estar a ler o dia todo, se puder.

José Oliveira

Costuma ler livros? Sim. E comprar? Não, costumo ler mais online. Se precisar de comprar, prefere fazêlo nas grandes cadeias de livrarias ou nas pequenas e médias? Porquê? Em pequenas livrarias. Sei que as grandes têm uma diversidade maior de produtos, mas acho que as pequenas, às vezes, também têm relíquias que as grandes não têm. Prefere as livrarias de rua ou as localizadas nos centros comerciais? De rua, sem dúvida. Tudo se torna melhor ao “ar livre”. Quanto tempo costuma dedicar à leitura diariamente? Cerca de uma hora, nos tempos livres.

Bruna Rocha

Costuma ler livros? Sim, sou leitora mediana. E comprar? Raramente. Compro mais para ler no computador ou utilizo as bibliotecas, por uma questão económica. Onde prefere comprar os seus livros? Nas grandes cadeias de livrarias ou nas pequenas e médias? Porquê? Nas grandes livrarias. Primeiro porque estou perto de uma em concreto e já a conheço bem e segundo porque quando compro livros são direcionados para uma área específica e, por isso, é onde consigo ter mais opções de escolha. Prefere as livrarias de rua ou as localizadas nos centros comerciais? Centro comercial porque é onde costumo ir mais e acabo por conseguir fazer outras coisas. Quanto tempo costuma dedicar à leitura diariamente? Meia hora, mais ou menos. REVISTAVIVA MARÇO 2020


Olga Pinto

Costuma ler livros? Sim. E comprar? Também. Onde prefere comprar os seus livros? Nas grandes cadeias de livrarias ou nas pequenas e médias? Porquê? Nas grandes livrarias por causa da localização. Prefere as livrarias de rua ou as localizadas nos centros comerciais? Normalmente as de centros comerciais por uma questão de comodidade. Quanto tempo costuma dedicar à leitura diariamente? 10/15 minutos, depende.

Francisco Lemos

Costuma ler livros? Sim, muito. Sou uma espécie de “leitor compulsivo”. E comprar? Sim. Onde prefere comprar os seus livros? Nas grandes cadeias de livrarias ou nas pequenas e médias? Porquê? É um bocado de tudo. Quando recorro a alfarrabistas são livros em segunda mão, que normalmente saem mais baratos. Faço-o mais em livros que já não consigo encontrar em grandes livrarias, porque a produção acabou. Prefere as livrarias de rua ou as localizadas nos centros comerciais? Normalmente de rua, mas também há alguns alfarrabistas que já têm páginas próprias em determinadas redes sociais, o que me facilita muito o processo de compra. Quanto tempo costuma dedicar à leitura diariamente? Entre uma hora a uma hora e meia, mas depende sempre muito dos compromissos universitários que tenha no dia.

Tiago

Costuma ler livros? Sim, mas só banda desenhada. E comprar? Não. Se precisar de comprar, prefere fazê-lo em grandes cadeias de livrarias ou nas pequenas e médias? Porquê? Grandes livrarias, porque têm muito mais variedade e consigo ver online os produtos que têm disponíveis. Prefere as livrarias de rua ou as localizadas nos centros comerciais? É indiferente. Quanto tempo costuma dedicar à leitura diariamente? Depende. Se estiver de férias leio muito mais, cerca de uma a duas horas. Sinto essa necessidade até para parar um bocado com os jogos.


LI V RA R I A S

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João Bragança

Costuma ler livros? Sim, porque acho que os livros aumentam muito o nosso vocabulário e conhecimento. São uma mais valia. Mas confesso que não o faço com muita frequência. E comprar? Alguns. Onde prefere comprá-los? Nas grandes cadeias de livrarias ou nas pequenas e médias? Porquê? Nas pequenas, porque costumam ser mais baratos. Normalmente nunca vou a uma grande livraria para comprar livros. Prefere as livrarias de rua ou as localizadas nos centros comerciais? Nos centros comerciais, por uma questão de facilidade porque aproveito, depois, para fazer outras coisas. Quanto tempo costuma dedicar à leitura diariamente? Pouco, cerca de 10 minutos.

Carlos Lemos

Costuma ler livros? Sim, bastante. E comprar? Sim. Onde prefere comprar os seus livros? Nas grandes cadeias de livrarias ou nas pequenas e médias? Porquê? É de tudo um pouco. Procuro mais nas pequenas, mas se for preciso também vou às grandes livrarias. Prefere as livrarias de rua ou as localizadas nos centros comerciais? De rua, porque tornam o comércio mais atraente. As que estão situadas na Rua Santa Catarina são o ideal. Quanto tempo costuma dedicar à leitura diariamente? Depende muito da disponibilidade, às vezes começo a ler às 16h00 e acabo por volta das 19h00.

Zita Martins

Costuma ler livros? Sim. E comprar? Sim. Onde prefere comprar os seus livros? Nas grandes cadeias de livrarias ou nas pequenas e médias? Porquê? Nas grandes livrarias, quando estão em promoção. Prefere as livrarias de rua ou as localizadas nos centros comerciais? Gosto mais do comércio de rua, mas compro mais nos centros comerciais. Quanto tempo costuma dedicar à leitura diariamente? Primeiro lia muitas horas, agora só cerca de uma hora por dia. REVISTAVIVA MARÇO 2020


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U R I O S I D A D E S

s a d r a j a u g n i l O gentes do Porto Que o Porto está na moda já não é novidade para ninguém! São cada vez mais os turistas – e não só – que se deixam deslumbrar pela cidade e ficam rendidos à típica pronúncia do Norte. Trocar os “v” pelos “b” já é uma tradição, mas as peculiaridades nortenhas não se ficam por aqui. “Berdade”? Sabemos bem o que é um “morcão”, um “cagão” e um “choninhas” e não temos “bergonha” nenhuma de o dizer bem alto. Afinal, somos a “berdadeira Naçom” e tudo o que queremos é andar sempre “finos como um alho”.

har ber, gan e c e R – Abichar alguém lar-se a o C – r e ir, bater Adesiva – agred s o h in r utros r os cola a dos o t s u c à Amassa – Viver jado gosma m arran Andar à e B – o d Apilara

es – Palpit Bitaites Polícia , Bófia – sificado Desclas – s a t o m Borra-B -ningué teso, zé dores informa Bufos –


FA LA R À P ORTO

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o Medros Cagão – – Miúdo Catraio l velho tomóve u A – o Chaç Bufo Chibo – orta, osca-m M – s a Choninh cão ua, mor bebe-ág

Engasolin

ado – emb riagado Famelga – Família Foleirote – Pior do q ue foleiro Fronha – C ara, focinh o, trombil

Gasolina – Vinho ivo de gorjeta Gorja – diminut ou rapariga Gunas – Rapaz mático de bairro proble tinguista Lagarto – Spor ear Laurear – Pass r gorda Lontra – Mulhe

REVISTAVIVA DEZEMBRO 2019


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U R I O S I D A D E S

Mamão – Comedor Mandar vir – Discut ir, argumentar Manfio – Sabidola Micar – Ver Mijeira/Mijico/Mijo – Muita sorte ao jog o

Nabiça – L orpa Nabo – Lo rpa Naçom – A cidade do Porto

Pastelão – Pessoa mu ito lenta Patroa – E sposa Pingarelh o – Armar em espert o Poupa – E levação de c a b e lo feita com brilhantina no alto da testa Presunto – Coxa


FA LA R À P ORTO

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Sameira – Carica Tirar as m edidas – O bservar o corpo d e alguém Traça – Fo me

Vergar a mola – Tra balhar Vira-ventos – Vira-c asacas, troca-tintas Zequinha – Pessoa meio apalermada

REVISTAVIVA DEZEMBRO 2019


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I C A S

De férias com a família sem esvaziar a carteira Planear férias com restrições de orçamento não tem necessariamente de se tornar um filme de terror, longe disso! Ficam algumas dicas para passar uns dias memoráveis sem grandes danos nas poupanças. Fazer férias quando o orçamento familiar se encontra “apertado” não são impossíveis, se é isso que está a pensar; exigem sim um planeamento mais cuidado, o que não impede dias bem passados “para mais tarde recordar”. Comece por fazer contas e definir o orçamento que pode despender para férias. Isto é o ponto de partida para definir quanto tempo poderá passar fora e onde. Convém depois explicar a toda a família que o dinheiro alocado para as férias é limitado e que por isso é necessário um esforço coletivo de todos de contenção com os extras.


FÉRIAS

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Destinos muito populares… … são de evitar, uma vez que os preços tendem a ser inflacionados, especialmente nas épocas mais altas. Se os compromissos escolares dos seus filhos o permitirem opte por alturas menos concorridas, caso contrário os dias logo a seguir ao fim das aulas ou antes do início das mesmas podem trazer algumas oportunidades. Experimente!

Quase sem sair de casa A oferta de atividades culturais, recreativas e desportivas – gratuitas muitas delas – é vasta atualmente em todo o país. Só tem de procurar. Se o seu orçamento não lhe permite ir “longe”, há ainda assim muito que fazer. Consulte as agendas online dos municípios nas redondezas, explore as festas e feiras locais, os espetáculos, exposições. Consultar os guias turísticos locais e (re)descobrir a zona onde reside ou arredores é outro exercício que pode e deve fazer. Transforme-se em turista e visite as atrações locais. Garantimos-lhe que vai descobrir muita coisa que ainda não conhecia. Aproveite as ciclovias, alugue – ou levem as vossas – bicicletas, trotinetas, etc. e parta à aventura.

REVISTAVIVA MARÇO 2020


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I C A S

Ao “relento” Acampar é uma alternativa económica a considerar quando o objetivo é não gastar muito dinheiro. As condições oferecidas pelos parques de campismo são cada vez melhores e fazem desta uma solução bastante atrativa para toda a família, mais novos incluídos, que além de Wi-Fi, encontram espaços de lazer e convívio bastante completos. O material necessário é atualmente também muito acessível, havendo sempre a possibilidade de o pedir emprestado ou adquirir em segunda mão. Hoje em dia, encontra na maioria dos parques de campismo alternativas de alojamento, como bungalows, por exemplo, que apesar de mais caras do que a opção da tenda, proporcionam mesmo assim férias mais em conta.

Parques naturais De norte a sul de Portugal, é longa a lista de parques naturais que merecem a sua visita, assegurandolhe horas, senão mesmo dias de intensa comunhão com a Natureza, com vistas fantásticas, locais belíssimos para se banhar e/ou fugir do calor e atividades desportivas para todos. E já que falamos de Natureza, não podemos deixar de aconselhar os vários passadiços abertos ao público por este país fora. Dos Passadiços do Paiva e do Sistelo aos do Osso da Baleia, dos do Alamal aos da Foz do Arelho, entre outros, há muito por explorar. Sem precisar de se deslocar muito mais, Espanha tem também uma vasta oferta de parques que farão as delícias de todos.


FÉRIAS

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Uma aventura sobre rodas Os passes a preço único – ou quase – vieram revolucionar as deslocações neste cantinho à beiramar plantado e são uma oportunidade única de conhecer o que o rodeia com um investimento que se for bem aproveitado é mínimo. Parecendo que não, são muitos os destinos incluídos (no futuro preveem-se mais) – veja-se o caso da área de Lisboa – e muitos os meios de transporte.

Reduzir gastos com alimentação Habitue-se a viajar com garrafas de água reutilizáveis, que possa encher na torneira, fontes de água potável ou bebedouros. A água engarrafada para toda a família, mesmo adquirida num supermercado, sobretudo em épocas de maior calor, representa uma despesa significativa perfeitamente evitável. Prefira alojamentos com frigorífico e onde possa preparar refeições, inclusive para levar (fruta, iogurtes, sanduíches, ovos cozidos, etc.) – as refeições feitas em restaurantes, snackbares ou mesmo fast-food, todas somadas pesam na carteira, como pode facilmente confirmar. (Cetelem)

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O R T O F Ó L I O


Quando eu morrer voltarei para buscar Os instantes que nĂŁo vivi junto do mar Sophia de Mello Breyner Andressen


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E T R O PO LI S

Santo Tirso, a cidade do museu ao ar livre É um dos pontos de paragem obrigatória para todos os que visitam o Norte de Portugal. O Museu Internacional de Escultura Contemporânea, localizado em Santo Tirso, alia o gosto pela escultura à possibilidade de conhecer a cidade de forma autónoma e livre. Fundado nos anos 90, foi somando esculturas

Com uma localização privilegiada a Norte de Portugal, Santo Tirso situa-se a 15 minutos do Porto e de Braga, a poucos quilómetros da Galiza e de Guimarães. Um município acolhedor, recheado de histórias ligadas à industrialização, paisagens de perder de vista, cultura ao virar da esquina e uma vasta gastronomia por descobrir.

ao ar livre até que, em 2016, ganhou uma sede com a assinatura dos vencedores dos prémios pritzker, os arquitetos Eduardo Souto de Moura e Álvaro Siza Vieira. Visitado, até agora, por mais de 50 mil pessoas, o museu é uma referência no panorama artístico nacional e internacional. Atualmente

com 57 esculturas, o museu organiza-se em núcleos dispersos pela cidade que convergem na sede, local onde está disponível informação sobre todas as obras, e onde, ao mesmo tempo, vão ocorrendo exposições temporárias de artistas consagrados.


Do monástico ao moderno

SA N TO T I RSO

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A nível arquitetónico, é talvez o espaço mais conhecido, devido ao mediatismo dos autores do projeto, mas a sede do Museu Internacional de Escultura Contemporânea é apenas uma das vertentes arquitetónicas do município de Santo Tirso. O projeto de Siza Vieira e Souto Moura alia harmoniosamente o tradicional ao contemporâneo, numa tentativa de recuperação da essência do, contíguo, Mosteiro de S. Bento e do contexto envolvente. A presença beneditina tem influências fortes na arquitetura do concelho, composta por inúmeros mosteiros de vários séculos de existência que podem ser visitados e onde, ainda hoje, são produzidas algumas das delícias gastronómicas da região, como o licor de Singeverga e as bolachas de Santa Escolástica.

Natureza de perder de vista Caminhadas na cidade, aventuras por entre os percursos pedestres desenhados nos locais mais recônditos e belos do município, trajetos de bicicleta em contacto com a natureza. As opções são imensuráveis e Santo Tirso é rico em percursos destinados a atividades ao ar livre que permitem usufruir da diversidade turística, cultural e ambiental. Conhecer o espaço rural, as suas gentes, costumes e tradições é, assim, um desafio em perfeita harmonia com o ambiente no seu estado mais puro. Do passeio das margens do Ave à Praia Urbana, junto ao rio que atravessa a cidade, o rio Ave, passando pelo Parque do Ribeiro do Matadouro, que já mereceu o destaque da World Landscape Architecture, o convite para visitar Santo Tirso está feito.

SANTO TIRSO TEM ARTE REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2019


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E T R O PO LI S

Paranhos entrega carrinhas ao Salgueiros e ao Cruz

Atenta às várias necessidades das instituições e sempre empenhada em fazer mais e melhor pelos paranhenses, a Junta de Freguesia de Paranhos, liderada por Alberto Machado, acaba de fazer a diferença na mobilidade de mais duas instituições da freguesia – o Sport Comércio e Salgueiros e o Sporting Clube da Cruz – com a entrega de duas carrinhas de nove lugares.

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endo em atenção o trabalho desenvolvido pelo Sport Comércio e Salgueiros e pelo Sporting Clube da Cruz, duas instituições de Paranhos que conseguem envolver o maior número de crianças e jovens na prática de desporto, a Junta de Freguesia procedeu à entrega de duas carrinhas de nove lugares. Com esta ação, a autarquia consegue contribuir para uma “maior flexibilização na logística que suporta as atividades desportivas diárias das equipas de formação” e “reforçar a mobilidade” aos diferentes escalões dos clubes, nas suas deslocações para jogos e treinos. Fundado em 8 de dezembro de 1911, o Sport Comércio e Salgueiros é um clube multidesportivo, com sede em Paranhos, reconhecido por ter “uma das melhores escolas de formação do país”. Por lá já passaram milhares de jovens que, atualmente, se destacam pelas suas brilhantes carreiras como são exemplos Sá Pinto, Leão, André Silva e José Moreira. O clube disputa os campeonatos


PA RA NHOS

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Esta medida permite reforçar a mobilidade e o apoio aos diferentes escalões de formação do Sport Comércio e Salgueiros e do Sporting Clube da Cruz nacionais dos vários escalões de formação, contando, atualmente, com mais de 500 atletas inscritos, nas seguintes modalidades: atletismo, bilhar, boxe, eSports, futebol de praia, futsal, paintball, futebol de formação e sénior. Oito anos mais novo, mas também com uma história que atravessa gerações, está o Sporting Clube da Cruz, um clube que festeja a 19 de maio o seu 101.º aniversário e que desenvolve, desde então, diversas atividades na área do desporto, cultura e ação social, junto de crianças e jovens da freguesia. Considerada há mais de 30 anos uma instituição de utilidade pública, tem em competição equipas de formação de todos os escalões, desde os benjamins, infantis, iniciados, juvenis, juniores e seniores, com mais de 120 atletas inscritos nas competições organizadas pela Associação de Futebol do Porto. REVISTAVIVA MARÇO 2020


H U M O R

Três pedreiros entram de férias e vão à praia pela primeira vez. O primeiro diz: tanta água! O segundo diz: tanta areia! Aí o terceiro diz: vamos embora antes que alguém traga o cimento!

- Pai vou divorciar-me… Faz 6 meses que a minha mulher não fala comigo. O pai fica em silêncio, dá um gole na cerveja e diz: – Pensa bem meu filho. Mulher assim é difícil de arranjar!

Joãozinho vai ter com o pai e diz-lhe: - Papá, tenho uma notícia boa e outra má.  - Primeiro conta a boa!  - Passei a todas as disciplinas!  - E a má?  - É mentira!

Estavam dois amigos a conversar e um diz: - Sabias que li no jornal que de meia em meia hora é atropelado um homem nesta cidade? - O quê? - Diz o outro De meia em meia hora? Coitado do homem!

Um grupo de amigos está a contar anedotas. Um deles anuncia: - Pessoal, tenho umas anedotas fresquinhas sobre alentejanos! Responde uma das pessoas do grupo: - Antes de continuares, aviso-te, eu sou alentejano! E o outro responde: - Ok, está bem, eu conto-as devagar...

Entre dois amigos: - Sabes, quando eu era pequenino o meu pai tinha a mania de me mandar ao ar para adormecer. Diz o outro: - Ai era! E tu adormecias? - Claro! O teto era baixíssimo!...

Um homem decide desabafar com um amigo: - Eu tinha tudo! Dinheiro, uma casa bonita, um carro desportivo, o amor de uma linda mulher, e então… tudo acabou. - O que aconteceu? – perguntou intrigado o amigo. - A minha mulher descobriu…

O Batman veste o seu Bat-fato, calça os seus Bat-sapatos e coloca a sua Bat-gravata. Onde é que ele foi? A um Bat-zado.

- Olha lá! Onde é que vais a correr com tanta pressa? - Deixa-me, tenho que tentar impedir que dois gajos andem à porrada! - Oh pá! Quem são? - O Zé, que já ali vem... E eu!


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Revista VIVA! - março 2020  

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