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Revista gratuita trimestral, outubro 2020 Diretor: José Alberto Magalhães

Emília Silvestre

Uma atriz portuense

Pandemias As grandes doenças antes da covid-19

Rui Paula O sabor do chef

Sabe como reduzir o desperdício alimentar na sua cozinha? Saiba mais no interior.


OUTONO INVERNO 20.21

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E D I T O R I A L

Futebol não pode ser o ‘patinho feio” Poucos dias depois do arranque da Liga Portuguesa de Futebol, continua sem haver previsão para o regresso do público aos estádios nacionais, com a Direção-Geral de Saúde (DGS) intransigente em abrir uma janela de oportunidade para os clubes. O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional já exigiu o regresso do público aos estádios e disse que o futebol não vai aceitar um “processo discriminatório” em relação a outros setores de atividade. Pedro Proença apontou o regresso do público aos estádios como um dos vetores que podem ajudar a mitigar a perda de receitas dos clubes profissionais devido à pandemia de covid-19, mais de 350 milhões de euros, e lembrou que o futebol “serviu de montra para as boas práticas no combate à pandemia”. O presidente da Liga garantiu, ainda, que o futebol “jamais colocará os seus interesses à frente dos da saúde pública”, mas sublinhou que, à imagem de outros espetáculos, também os “artistas” do futebol “não vivem sem o calor do seu público, sem o som dos seus aplausos ou o pulsar das suas paixões”. “Não negligenciaremos os receios de quem alerta para os perigos de contágio através do comportamento emocional de massas, mas pedimos reflexão e reconhecimento para uma atividade que já deu provas da forma precavida, planeada e responsável com que encara os desafios que esta pandemia nos tem suscitado”, assumiu. Nesse sentido, o líder do organismo que tutela o futebol profissional reiterou que a Liga já apresentou ao governo e à Direção-Geral de Saúde uma proposta para que os adeptos possam regressar aos estádios “de forma gradual”. No entanto não há, para já, uma previsão para o regresso do público aos estádios de futebol. Graça Freitas, diretora geral da saúde, salientou que há outras prioridades, e que o país está agora concentrado no início do ano letivo. Questionada sobre público nos estádios referiu que se espera

nos próximos tempos um aumento de contactos por via das movimentações para as escolas, pelo que outras atividades terão de esperar. «Este vírus ainda não completou um ano entre nós, não sabemos como vai ser o comportamento ao longo dos ciclos sociais. Agora estamos num ciclo especial temos de fazer uma vida dentro da normalidade. Esta mobilidade, com o início do ano público escolar, gera mais contactos, mais casos e um aumento de casos, como na Europa. Faz parte do ciclo da nossa vida social. Por precaução o governo já tinha tomado a decisão de colocar o país em contingência”, lembrou.  «Manda a prudência que agora não ensaiemos outras medidas. Temos de ponderar público nos estádios e abertura das discotecas neste quadro mais vasto, e não será certamente nos próximos tempos. Não há previsão, temos de ver o movimento de pessoas, que não é um fenómeno único, repete-se todos os dias”, completou Graça Freitas. O futebol vai continuar a ser um lugar estranho em que os cânticos, gritos, desalentos e festejos dos adeptos são substituídos pelos sons corriqueiros de um dia de treino de qualquer equipa, até então quase desconhecidos do grande público, do eco de uma baliza, bolas no poste, do falatório dentro de campo, agora ampliado por um estádio vazio. A situação de segregação do futebol é óbvia. Temos vindo a assistir à reabertura progressiva do país, que não podia mais adiar a retoma económica. Aos restaurantes e hotéis seguiram-se alguns espetáculos culturais, as touradas, vários concertos, algumas feiras, a Festa do Avante, Fátima (mais de 50 mil pessoas no último 13 de setembro) e, agora, até eventos desportivos de automobilismo e motociclismo com elevada afluência de público. Porque não, de forma equilibrada e na dimensão adequada, o futebol?

José Alberto Magalhães Diretor de Informação


S U M Á R I O

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D E S TA Q U E PORTO COM SENTIDO

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PERFIL RUI PAULA

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M ÁQ U I N A DO TEMPO H O S P I TA L D E SANTO ANTÓNIO

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GRANDES ARMAZÉNS MARQUES SOARES

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AV E N T U R A W I N D F A M I LY

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E D U CAÇÃO M ATO S I N H O S

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AO V I VO FERNANDO DANIEL

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CU R I OS I DA D ES LOCOMOTIVA ANDORINHA


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ÍNDICE 03

E d ito r ial

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CLÍNICA MÉDICA DA FOZ

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LOJAS HISTÓR I CA S

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PAN D E M IAS

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CO M E S & BE B ES

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EMÍLIA SILVESTRE

FICHA TÉCNICA Propriedade de: ADVICE - Comunicação e Imagem Unipessoal, Lda. Sede da Redação/Editor: Rua do Almada, 152 - 2.º - 4050-031 Porto NIPC: 504245732 Tel: 22 339 47 50 - Fax: 22 339 47 54 advice@viva-porto.pt adviceredacao@viva-porto.pt www.viva-porto.pt Gerência e detentor Eduardo Pinto (100%) Diretor de Informação José Alberto Magalhães Redação Maria Inês Valente

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P O RTO CAN A L

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FC P O RTO

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MO BILIDADE S UAVE

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1 ª E D IÇÃO V IVA!

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D ICAS

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TR AD IÇÕ E S

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PAR AN HOS

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Hum o r

Fotografia Make it view Sérgio Magalhães Marketing e Publicidade Eduardo João Pinto advicecomercial@viva-porto.pt Célia Teixeira Produção Gráfica Diogo Oliveira Impressão, Acabamentos e Embalagem Multiponto, S.A. Rua da Fábrica, 260 - Baltar 4585-013 Paredes Distribuição Mediapost Tiragem Global 120.000 exemplares Registado no ERC com o nº 124969 Depósito Legal nº 250158/06 Direitos reservados Estatuto editorial disponível em www.viva-porto.pt Lei 78/2015


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O sabor do chef Rui Paula É o “Chef do ano 2020”, dono de três restaurantes dos mais conceituados do país – o DOC, o DOP e a Casa de Chá da Boa Nova -, esta última distinguida, recentemente, com a segunda estrela Michelin. O sucesso não é de agora, “fez-se caminhando”, num percurso altamente consistente, com mais de 25 anos, que alia o espírito de sacrifício ao amor pela profissão e à capacidade de ser um bom team líder. Nas palavras de Rui Paula, será, certamente, este o segredo para o êxito alcançado, fruto de um amor que começou muito cedo, baseado nas raízes familiares… ainda muito longe de imaginar onde poderia chegar! Texto: Maria Inês Valente Fotos: Make it view

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oi na imponente Casa de Chá da Boa Nova, uma obra de Siza Vieira, classificada como Monumento Nacional, em Leça da Palmeira, que nos recebeu. Ainda não tinham batido as 15h00 e o chef Rui Paula já se dizia pronto para a conversa com a VIVA!, prometida desde março. Abriu-nos as portas do restaurante como quem abre as portas da sua casa, com um sorriso estampado no rosto, olhar sereno e ao mesmo tempo empolgado, características inconfundíveis do chef português, natural do Porto. Com raízes transmontanas, foi em Alijó, município

pertencente ao distrito de Vila Real, que abriu o seu primeiro restaurante. Corria o ano de 1994, quando o cozinheiro e empresário se aventurou num negócio em nome próprio. “Cêpa Torta”, assim se designava o espaço, onde apresentou as suas primeiras propostas culinárias, baseadas em pratos tradicionais portugueses, como o arroz de feijão com pataniscas de bacalhau, com petinga ou com costeletas de cordeiro, o cabrito assado e a posta à mirandesa. Na altura, os clientes eram mais locais, mas hoje são de todo o mundo os cidadãos que procuram a cozinha do chef Rui Paula. REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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“A determinada altura percebi que tinha que aprender mais, porque aquilo estava a ter sucesso. Às vezes perguntavam-me certas receitas e certas coisas e eu não sabia”, confidenciou, revelando que foi, nesse momento, que percebeu, efetivamente, que queria crescer na cozinha e tornar-se um grande chef. “Diria que é o sentimento de inferioridade que às vezes faz bem para nos fazer crescer”, completou. A partir de então, fez diversos estágios nacionais e internacionais e passou pelas cozinhas de vários chefs de renome. “Fui crescendo. Em várias cozinhas. Em vários conceitos”. Até que, em 2007, abriu o restaurante DOC (Degustar, Ousar e Comunicar), nas margens do Rio Douro, e três anos depois, em 2010, o DOP, no Palácio das Artes do Porto, marcando assim o seu regresso às origens. Os três restaurantes, posicionados em ambientes distintos, proporcionam diferentes experiências gastronómicas. “O DOC foi uma porta para o mundo. Foi o DOC que me deu a visibilidade total. Fez-me crescer imenso. Começamos a atender muita gente, sempre com um cuidado muito específico. Deu-me força logo para abrir o DOP, um palácio no centro do Porto, sempre com uma comida muito bem assente, já com pormenores cada vez mais elevados, tanto de serviço, como de comida como de garrafeira. Entretanto as equipas também se foram formando, até que apareceu a Casa de Chá, naturalmente, em 2014”, sublinhou, visivelmente enternecido, na esplanada com vista sublime para o mar, enquanto éramos presenteados por esse, inconfundível, barulho de fundo.

“Pode ser o prato mais lindo do mundo, se não tiver sabor não vale nada. É zero”


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“A melhor maneira de termos a terceira estrela Michelin é garantir muito bem a segunda, ou seja, trabalhar muito bem na segunda estrela para um dia termos a terceira”

No seu site, Rui Paula escreve que “a comida deve apelar aos sentidos. Cada prato deve ser colorido, repleto de aroma e sabor e a sua apresentação surpreendente e original”. “Mesmo que seja um prato simples podemos sempre torná-lo original. Tornamo-lo original pela cor, pela apresentação, pelas texturas, pela louça onde se apresenta. Mas, há uma coisa que ele tem que ter sempre: sabor. Se não tiver sabor não vale nada!”, afirma, referindo que pode faltar tudo num prato, menos o ingrediente principal. “É preferível o prato não atingir o máximo de apresentação, mas que o sabor esteja lá. Pode ser o prato mais lindo do mundo, se não tiver sabor não vale nada. É zero.” Quem conhece o cozinheiro e empresário português honra-se pela sua amizade e quem prova os seus pratos fica embevecido com todo o sabor e cuidado na apresentação. E, na cozinha de Rui Paula, há três premissas que todos os clientes têm que encontrar: bom serviço, boa garrafeira e boa comida. “São as três coisas que têm que encontrar obrigatoriamente”, revela. A principal fonte de inspiração para a elaboração de todos os pratos, que, note-se, já alcançam vários algarismos, é a memória. “Mas não é só a memória do que a gente come ou do que provamos quando eramos pequenos. É a memória de outras cozinhas REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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O gosto pela cozinha foi-lhe incutido pelas inúmeras horas que passava a admirar a mãe e a avó que, diariamente, cozinhavam para 60 pessoas, entre trabalhadores e família, na sua propriedade, em Alijó. “Cozinhávamos com proteínas muito boas, com vegetais muito bons, com caça. Era sempre uma festa. E foi isso que me fez criar o gosto pela comida”. O primeiro restaurante que abriu foi o Cêpa Torta, em Alijó, seguindo-se o DOC, no coração do Douro Vinhateiro, em Folgosa, concelho de Armamar, o DOP, no centro histórico do Porto, e o seu projeto mais ambicioso, em Leça da Palmeira, a Casa de Chá da Boa Nova, pela qual ganhou, no final do ano passado, a sua segunda estrela Michelin. Sem previsão de abertura, para já, de um novo restaurante, o chef Rui Paula assinou, recentemente, uma nova carta gastronómica, que pode ser apreciada no Kug - Kitchen & Urban Garden, junto ao Palácio de Cristal.

por onde já passamos, é a memória de paisagens, memória de leituras… É um conjunto de memórias que me inspira para criar pratos e para tentar surpreender os clientes”, garante, acrescentando que o que mais o apaixona na cozinha portuguesa é a versatilidade com que o peixe permite ser confecionado. “Hoje em dia é o que eu mais gosto de fazer. É o que eu mais gosto de trabalhar. O peixe e o marisco permitem ligações, tanto de vegetais como de farináceos, únicas. A carne é mais redutora”, aponta. E o sabor? Qual é o sabor da infância deste conceituado chef? “O sabor da infância está no sal certo. É quando se meter um tomate à boca saber a tomate, é quando metemos um cabrito à boca saber a cabrito, porque é cabrito, e não dá bedum. É um sabor muito equilibrado, muito retilíneo, sem interferir ou sentir outros aromas que não devem ser aqueles. É um sabor que só eu sei, é uma coisa que é difícil transmitir”, responde. Nos espaços de Rui Paula, nenhum cliente termina a experiência gastronómica sem que, no final, sempre que possível, tenha oportunidade de conversar com o chef, um gesto simbólico, mas bastante apreciado por todos. Os clientes garantem aprender muito com ele, mas o empresário também se orgulha do mesmo. “Outra das qualidades para se ter sucesso também é a humildade. É saber ouvir os outros e saber respeitá-los. E nós temos clientes que, de facto, nos vão ensinar muito. Temos é que ter a capacidade de estar abertos e de os ouvir. Quem não tem essa


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capacidade não vai aprender”, explica, realçando que, muitas vezes, um cliente com uma mera dica, ou simplesmente a relatar uma experiência que já teve noutro local, já está a aportar ensinamentos. “Já tive sugestões de vários pratos e já me inspirei em algumas delas”, confessa ainda. Questionado sobre como viveu o período mais crítico da pandemia, que, em março, obrigou os espaços de restauração a encerrar portas, não hesitou um único segundo. “Foi um desastre”, afirmou, lamentando os dois meses e meio em que teve os restaurantes fechados e, consequentemente, 90 funcionários em casa. “Conseguimos não despedir ninguém, mas foi uma situação muito triste… ainda para mais era o meu ano. O ano em que tive a segunda estrela, fui «Chef do ano», ganhei os prémios todos que havia de ganhar, tinha palestras, tinha jantares fora, foi tudo anulado”. Portanto, acrescenta, isto só prova que nunca se pode dar

o dado por adquirido e que, de facto, nunca se sabe o que pode acontecer. Em junho, o DOC, o DOP e a Casa de Chá da Boa Nova reabriram as suas portas, um momento extremamente ansiado, mas igualmente estranho, pelo nervosismo típico da abertura de um novo restaurante, mas sem a alegria que lhe é característica, explica o chef. A sessão de boas-vindas mudou significativamente, uma vez que há todo um conjunto de regras que, agora, é necessário seguir, como a utilização de máscara, a necessidade de desinfeção, mas a experiência gastronómica mantém-se inalterável. A garantia é de Rui Paula que assegura que, assim que os clientes se sentam a mesa, têm que esquecer que estão num restaurante. “Compete a quem trabalha estar de máscara e ter todo o protocolo de higienização bem feita. Nós já tínhamos essas regras implementadas, foi só reforçá-las”, conclui.

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O cartão gastronómico do Chef Rui Paula Prato preferido: Arroz de polvo com filetes de polvo Primeiro prato que cozinhou: Torradas. Seguiram-se uns ovos mexidos e depois um arroz de cenoura e bife. Prato que não suporta mesmo: Nenhum. Até a canja, que não gostava, já gosto. Ingrediente que não gosta: Faço muitos pratos com aipo, mas não gosto muito de aipo. Alho gosto, quanto baste. O alho é um purificador do sangue, dá um sabor especial aos alimentos, mas basta estar em excesso ou mal tratado, que é horrível. Ingrediente que fica bem em qualquer prato: Azeite. Gosta mais de comer os seus pratos ou os dos outros? Os dos outros. Sabem sempre melhor. REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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Porto com Sentido (cada vez mais)


P ORTO COM SE N T I D O

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O mercado de arrendamento acessível na cidade do Porto vai contar, em breve, com mais 250 habitações, até então utilizadas para alojamento local. Em causa está o programa “Porto com Sentido”, um investimento de mais de quatro milhões de euros, anunciado em março pela Câmara Municipal do Porto, que pretende “atrair para o centro da cidade milhares de novos residentes”. Texto: Maria Inês Valente

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anúncio surgiu em pleno Estado de Emergência. Num ano particularmente penoso para o país, fruto de uma pandemia que entrou nas nossas vidas sem aviso prévio, que, num curto espaço de tempo, colocou tudo e todos à prova, que obrigou a uma reinvenção de cidadãos, hospitais, autarquias, empresas e espaços culturais, a Câmara Municipal do Porto não se deixou render e deu continuidade à sua política de investimento municipal. Com vista a dar “resposta à necessidade de reforço da oferta de habitação acessível”, revelou, assim, uma das suas grandes apostas de 2020: o programa municipal “Porto com Sentido”, que pretende introduzir no mercado de arrendamento de habitação imóveis de dois tipos – “habitações atualmente no mercado de alojamento local ou habitações disponíveis no mercado de compra e venda de imóveis e de arrendamento, com respeito pelos mecanismos concorrenciais e plena salvaguarda do interesse público”. Desta forma, o município portuense acredita que conseguirá “atrair para o centro da cidade milhares de novos residentes”, tendo sido, aliás, como, explicou na altura da revelação do programa, esta

uma das “principais preocupações que estiveram na sua génese”. “Permite, por um lado, ultrapassar algumas fragilidades da legislação mais recente em vigor no mercado de arrendamento, que teve repercussões no decréscimo da oferta disponível, com agravamento de preços; contornar fatores como a morosidade da construção pública incompatível com as necessidades prementes de habitação - e, simultaneamente, ser uma opção válida para fazer face à atual situação de crise sistémica e que poderá fragilizar, ainda mais, o equilíbrio entre oferta e procura”, escreveu, na altura, a autarquia. Segundo o presidente, Rui Moreira, citado na nota divulgada, a implementação do “Porto com Sentido” parte de “um stock disponível de casas na cidade do Porto” para dar resposta a um problema de carência de habitação a custos acessíveis, conseguindo, assim, transformar um problema “numa oportunidade”, que constitui também inúmeras vantagens para os proprietários, nomeadamente a possibilidade de pagamento antecipado de dois anos de renda. Os proprietários que adiram a este programa têm direito a benefícios fiscais, como isenção de IRS/IRC e de IMI, vendo ainda “o seu risco REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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Foto: Miguel Nogueira/CM Porto

reduzido substancialmente”, uma vez que é o município do Porto o seu interlocutor direto, assumindo, por isso, “o pagamento atempado das rendas, a manutenção regular dos imóveis e também a entrega atempada das frações, no final do contrato e nas condições iniciais”. A Câmara Municipal garante o “escrupuloso e atempado cumprimento da obrigação de pagamento das rendas”, dado que, pela via contratual, " assegura que todos os riscos e custos decorrentes de um eventual incumprimento do subarrendatário são eliminados". “Do lado da população que se candidate ao programa as vantagens são inequívocas” – “além do palco de operações do «Porto com Sentido» ser inevitavelmente o centro da cidade, onde existe uma maior incidência de AL, as rendas que terão de pagar à Câmara serão calculadas de acordo com os parâmetros do arrendamento acessível, ou seja, o preço base das rendas será fixado de acordo com um preço «travão» sobre o seu real valor de mercado”, explicou a autarquia, assegurando que este “fica significativamente abaixo dos valores

Programa pretende incluir no mercado de arrendamento imóveis que estão atualmente destinados ao alojamento local, captando fogos privados até agora indisponíveis, através da intervenção municipal, num investimento superior a quatro milhões de euros. conhecidos de oferta no mercado de arrendamento para o conjunto das freguesias de Porto, do próprio valor efetivamente contratado para esse mesmo universo, mas também da mediana dos indicadores do INE”. De modo a assegurar que os imóveis selecionados se encontram em adequadas condições de segurança, salubridade e conforto, estes são vistoriados antes da assinatura do contrato de arrendamento. Os valores das rendas variam de


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acordo com a tipologia e a freguesia em que está localizado o imóvel, sendo que a renda mais baixa é de 351 euros para um T0 ou T1 em Campanhã e o valor mais alto é de 690 euros para um T3 na União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde. No entanto, se os imóveis estiverem mobilados, o valor da renda poderá aumentar até um máximo de 10%. Com duração até 2022, o programa criado pela autarquia de Rui Moreira contempla a captação da oferta global de mil habitações nos próximos três anos. As candidaturas arrancaram no passado mês de julho. Os interessados em candidatar-se devem fazê-lo através do site do programa (www. portovivosru.pt). INVESTIMENTO MUNICIPAL SUPERIOR A QUATRO MILHÕES DE EUROS O investimento municipal estimado para o programa é superior a 4,3 milhões de euros até 2022, para um total de mil contratos de arrendamento com duração inicial de três a cinco anos. “Este valor resulta da consideração de

Entre as principais vantagens do "Porto com Sentido", para os proprietários, é a possibilidade de pagamento antecipado de dois anos de renda e a isenção de IRS/IRC e IMI. uma renda média mensal estimada de 549 euros, deduzida da renda mensal estimada recebida pelo município (ambas com valores de referência de 2020)”, aponta a autarquia. O financiamento deste programa de apoio às classes médias e aos jovens será feito “através dos acréscimos de receita fiscal sobre as transações imobiliárias que se têm registado nos últimos anos, bem como as decorrentes do recente agravamento fiscal do IMT nas transações de imóveis de elevador valor”. A gestão operacional dos contratos de arrendamento e subarrendamento celebrados ao abrigo do “Porto com Sentido” será feita através da empresa municipal Porto Vivo, SRU.


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anos de história Num ano em que o Hospital de Santo António esteve nas “bocas do mundo”, pelo trabalho exímio no combate à pandemia de covid-19, em que comemorou 250 anos de vida e foi congratulado com a notícia da limpeza da sua fachada para o próximo ano, a VIVA! recorda toda a história daquele que é um dos mais emblemáticos equipamentos nacionais, classificado como Monumento Nacional desde 1910. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Make it view

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orria o ano de 1770 quando a cidade do Porto viu ser lançada a primeira pedra do Hospital de Santo António, um projeto bastante ambicioso para a altura, encomendado, três anos antes, pela Santa Casa da Misericórdia do Porto ao arquiteto inglês John Carr. A sua construção, como assinala o historiador Joel Cleto, num dos programas “Caminhos da História”, emitido no Porto Canal, integra-se num conjunto de grandes obras de que a Invicta foi palco e que representam uma mudança no paradigma da arquitetura e da arte. “É com edifícios como o Hospital de Santo António, a Alfândega Nova, o edifício da atual Reitoria da Universidade do Porto, o Quartel de Santo Ovídio e a Feitoria Inglesa que nós vimos surgir a arquitetura palladiana, o neoclássico, algo que é feito pela forte comunidade inglesa ligada à cidade”, explica.


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No entanto, a verdade é que só cerca de 30 anos mais tarde, já na década de 1800, o projeto ficou, em parte, concluído, fruto do período turbulento das invasões francesas, sobretudo a segunda, dirigida pelo general Soult, do elevado custo do projeto e, diz Cleto, pelo facto do arquiteto inglês nunca ter visto presencialmente a obra. Facto que resultou numa outra fatalidade: uma grande parte da obra foi construída em granito, ao invés de tijolos, como acontecia com os palácios e outras obras neoclássicas em Inglaterra.

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A estrutura hospitalar, construída em terrenos desocupados do Largo do Professor Abel Salazar, recebeu os primeiros doentes em 1799 – 150 mulheres provenientes do Hospital de Dom Lopo -, mas só em 1824 foi oficialmente inaugurada, tendo sido, a partir de então, que o Hospital de Santo António se foi assumindo como “hospital da cidade”. Um ano depois, entrou em funcionamento neste equipamento a Escola de Cirurgia, que estará na origem da Escola Médico-cirúrgica do Porto, a atual Faculdade de Medicina da U.Porto, uma REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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A construção do Hospital de Santo António constitui um empreendimento de grande envergadura associado à Santa Casa da Misericórdia do Porto, enquanto entidade encomendadora. “estrutura marcante na história do ensino do Porto e de todo o país”. Segundo Joel Cleto, o nome de Santo António resultou de uma eleição promovida pela Santa Casa da Misericórdia, onde terão estado também em cima da mesa os nomes de São José, São Sebastião e São João de Deus. “Na votação a escolha, de imediato, recaiu sobre Santo António”, revela, resumindo, assim, os “250 anos de memória e identidade portuense” que merece ser conhecido por portugueses e estrangeiros e que, com toda a certeza, continuará a ser desbravado. "Foram os desafios que a História nos impôs e para os quais sempre foi encontrada a resposta que garantisse o cumprimento da missão primordial deste Hospital", declarou, nas comemorações dos 250 anos do Hospital de Santo António, Paulo Barbosa, presidente da Administração.

O edifício, com 250 anos de história, soma já guerras, revoluções e pandemias na propriedade da Santa Casa, que é curadora do seu espólio artístico e cultural, mesmo depois de no 25 de Abril o Estado Português ter assumido a sua gestão. O i nve n t á r i o d o h o s p i t a l contempla um total de 1.020 peças, que vão desde a pintura, à escultura, artes decorativas e ainda mobiliário e cerâmica, que se encontram depositados em exposição no edifício.

HOSPITAL VAI TER FACHADA LIMPA EM 2021

No dia em que se assinalaram os 250 anos do lançamento da primeira pedra do Hospital de Santo António, 15 de julho, a Santa Casa da Misericórdia do Porto (SCMP) anunciou que vai investir meio milhão de euros na limpeza da emblemática fachada do hospital, classificado como Monumento Nacional desde 1910. Com esta intervenção, que conta com o apoio da Câmara Municipal do Porto entre os


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O emblemático hospital da cidade,  que começou a ser construído nos anos de 1770,  foi inaugurado em 1824

mecenas, o provedor da SCMP, António Tavares, acredita que será possível “limpar a fachada e devolver o esplendor daquele edifício”. “Dizer que ele está ali, que é uma instituição da cidade, que foi feito por gente da cidade e que é um hospital da cidade”, sublinhou, durante a cerimónia

de comemoração, que foi assinalada nos jardins do Hospital de Santo António, com um concerto da Banda Sinfónica Portuguesa, em homenagem aos profissionais de saúde que se encontram na linha da frente ao combate da covid-19. A previsão é que o processo de limpeza, levado a cabo pela centenária Cooperativa dos Pedreiros do Porto, esteja concluído em 2021. Depois, a

fachada do hospital passará a estar iluminada à noite, para que seja possível apreciar melhor a magnitude do edifício” desenhado pelo arquiteto inglês John Carr. Esta será a primeira vez que a fachada do Hospital de Santo António será alvo de intervenção, depois de ter começado a ser construída. Entre as obras executadas pela Cooperativa dos Pedreiros destacam-se o edifício da Câmara do Porto, o Palácio dos Correios e o Monumentos dos Heróis da Guerra Peninsular, na Rotunda da Boavista. REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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D U CAÇÃO

Matosinhos investe cerca de um milhão de euros em medidas adicionais para este ano letivo Milhares de alunos e professores regressaram, no passado mês de setembro, às escolas, num ano letivo completamente atípico, diferente daquele a que todos estavam acostumados. Há todo um conjunto de alterações que foram implementadas e de regras que têm agora que ser cumpridas e, em Matosinhos, estas foram executadas com o rigor e a exigência pedidas pelo Ministério da Educação e da Direção-Geral de Saúde. Regimes de funcionamento alargados, desfasamento dos horários de transporte, vistorias e reforço dos agentes da Polícia Municipal nas áreas circundantes dos estabelecimentos de ensino foram algumas das iniciativas, promovidas pela Câmara Municipal, que foram implementadas e que poderão fazer toda a diferença no sucesso deste ano. Texto: Maria Inês Valente Fotos: CM Matosinhos


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Ministério da Educação estabeleceu a realização de três planos para o desenvolvimento das atividades educativas e formativas, que tivessem em conta as várias circunstâncias que poderiam acontecer ao longo do ano letivo, estando os estabelecimentos preparados para que, a qualquer momento, as atividades pudessem ter que funcionar num regime misto ou de ensino à distância, à semelhança do que aconteceu em março. A Câmara Municipal de Matosinhos, em estreita articulação com as entidades locais, fê-lo cuidadosamente, mas foi mais além nas medidas concretizadas… De forma a assegurar que o regresso às aulas de cerca de 18 mil alunos às escolas de Matosinhos fosse feito em total segurança, a autarquia começou por efetuar vistorias aos estabelecimentos de ensino, através de equipas multidisciplinares compostas por técnicos da autarquia e da Saúde Pública, que ficaram encarregues de verificar se os planos de contingência que cada um tinha elaborado careciam de algum tipo de ajuste. Adicionalmente, procurou ainda constituir equipas permanentes – que receberam formação específica - para procederem à higienização regular dos equipamentos, de forma a “reduzir ao mínimo as possibilidades de infeção que se possam vir a verificar nos estabelecimentos de ensino”, explicou, em entrevista à VIVA!, o vereador da educação, António Correia Pinto. Já com o intuito de evitar a concentração de alunos à entrada e saída das escolas, e nos próprios intervalos, o município procurou, em parceria com a direção dos agrupamentos, implementar mudanças nos horários habituais de funcionamento das escolas. “As escolas normalmente começavam as suas aulas às 08h30 e terminavam por volta das 17h30/18h00 e agora há escolas a começaram às 08h00 e a terminarem as aulas às 19h00, justamente para criar condições de diversificação dos horários de entrada e dos horários de saída”. Além disso, articulou ainda com a rede de transportes públicos de Matosinhos, REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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a Maré, o ajustamento também dos horários dos transportes aos novos horários de entrada e saída dos alunos. Num ano em que, pela primeira vez, a Câmara Municipal de Matosinhos, ficou responsável pela prestação de serviço de refeições desde o pré-escolar até ao ensino secundário, António Correia Pinto explicou que "foram criadas condições

para que pudessem ser disponibilizadas refeições em vários formatos: no espaço que está estabelecido como refeitório ou noutros espaços, designadamente nas próprias salas de aula ou espaços de convívio que as escolas destinem para essa função também; ou então na modalidade de take-away, podendo os alunos requisitar a sua refeição”,

referiu, sublinhando que cada escola escolheu o seu modelo. Confiança e sentido de responsabilidade são as palavr as de ordem neste regresso às aulas, razão pela qual a autarquia apostou num reforço da presença dos agentes da Polícia Municipal nas áreas circundantes dos estabelecimentos de ensino para que, de forma pedagógica, se


M ATOSI N H OS

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“Tenho expectativa de que tudo corra bem. Só tem razões para que isso aconteça, porque fizemos tudo nesse sentido” António Correia Pinto, vereador da Educação da Câmara Municipal de Matosinhos incuta aos jovens a necessidade do cumprimento das regras sanitárias e de distanciamento. “Sabemos que os nossos jovens estudantes têm, por vezes, uma atitude mais displicente no que diz respeito ao cumprimento das regras de distanciamento social. Por vezes, à porta da escola, acabam por se juntar grupos de jovens a conversar sem as proteções que são necessárias e, portanto, pedimos à Polícia de Segurança Pública (PSP), Guarda Nacional Republicana (GNR) e à Polícia Municipal que tivessem uma presença mais

ativa nos seios das escolas para fazer a recomendação que é necessária e que alerta para a necessidade de cumprir regras de distanciamento social e de etiqueta respiratória para que, de facto, os riscos s e m i n i m i z e m” , re f o rço u o vereador, acrescentando que este reforço se destina, fundamentalmente, às escolas do 2.º e 3.º ciclos e do ensino secundário. Matosinhos atribuiu ainda uma sala fixa a cada turma e reorganizou as salas para que “os alunos não estivessem de

frente uns para os outros e para que estivesse garantida a distância mínima recomendada de um metro entre alunos”. UM INVESTIMENTO DE UM MILHÃO DE EUROS Paralelamente às medidas já referidas, a Câmara Municipal de Matosinhos forneceu também equipamentos de proteção individuais para os professores das atividades de enriquecimento curricular (AECs), kits de higienização do material pedagógico-didático a utilizar pelos alunos e tem REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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A mensagem do vereador da Educação Confiança e sentido de responsabilidade. A forma como as coisas possam vir a correr depende em grande parte de todos nós, de cada um dos estudantes, profissionais docentes e não docentes, dirigentes, pais e encarregados de educação, pela forma como nos protegermos a nós e estivermos disponíveis também para proteger os outros. Se nós tivermos cuidado, se procurarmos usar sempre a máscara, garantir o distanciamento adequado para com os nossos colegas de trabalho e cumprirmos todas as orientações que nos são transmitidas pela Direção-Geral de Saúde e pelos profissionais das escolas, estou convicto de que isto vai correr bem. Depende muito de todos nós e o desejo que tenho é que cada um saiba estar à altura das suas responsabilidades. Não há governo nenhum, não há autarquia nenhuma, que, sozinha, consiga pôr termo a esta pandemia com que nos confrontamos. Depende muito da nossa atitude! ainda em curso um processo de aquisição de computadores, que se junta aos 1330 adquiridos no final do ano letivo passado, para apoiar os alunos mais carenciados, na eventualidade de ser necessário recorrer, novamente, ao ensino à distância em algum estabelecimento de ensino. Um investimento global que, de acordo com o vereador da educação, facilmente poderá ascender a cerca de um milhão de euros. “O número de trabalhadores (180) que nós tivemos que contratar para constituir as equipas de higienização permanente das escolas vai traduzir-se numa despesa de cerca de 400 a 500 mil euros no ano”, apontou, referindo que os trabalhadores contratados foram alvo de uma formação específica, que contou com o apoio da Unidade de Saúde Pública, para cumprirem adequadamente o trabalho de higienização. “É uma equipa dedicada a essa tarefa para permitir

que se conquiste a confiança dos alunos, dos profissionais docentes e não docentes e das famílias. E isso para nós é extremamente importante”. O facto de o serviço de refeições estar organizado num molde diferente do tradicional, em que são necessárias “medidas de proteção para os trabalhadores da empresa que não estavam considerados no preço de refeição” inicialmente contratado também implicará um gasto adicional para o município, ao qual se junta o investimento com os equipamentos de proteção individual para os professores AECs e da aquisição de novos equipamentos informáticos. “Com tudo isto junto, facilmente se atinge um milhão de euros para garantir que o ano letivo decorra bem e de acordo com o esperado”, concluiu Correia Pinto, reforçando que essa é, de facto, a principal preocupação do município.


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Clínica Médica da Foz médicos em casa com toda a segurança Depois de optar por uma redução significativa nos “Domicílios Médicos”, em prol da proteção de todos, sobretudo utentes e colaboradores, a Clínica Médica da Foz, unidade de referência da área da saúde na cidade do Porto, prepara-se agora para (re)arrancar em força, e com toda a segurança exigida no atual contexto de pandemia, com este projeto, enraizado na comunidade há mais de 30 anos. Fotos: Pedro Alves


C LÍ N I CA M É D I CA DA FOZ

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“Proteger toda a gente. Essa é a palavra de ordem. Vamos proteger médicos, colaboradores e, acima de tudo, os nossos utentes”. Edmundo Ribeiro, presidente do conselho de administração da Clínica Médica da Foz

“F

omos todos apanhados de surpresa com a covid-19. Rapidamente tivemos que nos ajustar e adaptarmo-nos à realidade da pandemia, dando resposta aos nossos utentes da forma que era possível, sem nunca os colocar em risco”, começou por explicar Edmundo Ribeiro, presidente do conselho de administração

da Clínica Médica da Foz, também conhecida como Médicos em Casa. Não efetuar o atendimento ao domicílio e transformar a consulta presencial em teleconsulta ou videoconsulta, sempre que era detetado um possível risco nas deslocações a casa dos utentes, pareceu, assim, ser a decisão mais acertada, para a altura, uma vez que “o próprio médico ou enfermeiro poderia ter sido um transmissor da doença involuntariamente”, sublinhou, por sua vez, Paulo Amado, diretor clínico da unidade. O objetivo principal foi conseguir dar uma resposta rápida e adequada a todos os utentes, não os deixando desamparados e sem o auxílio médico de que tanto continuavam a necessitar. A Clínica Médica da Foz optou por enveredar por esse caminho, de forma a, por um lado, “proteger quem os chamava” e, por outro, “proteger os seus profissionais de saúde”, sublinhou o responsável, alertando que “não ir ao domicilio” foi, neste caso, a forma que encontraram de proteger os

seus doentes. “Temos muitos utentes, alguns já com alguma idade, e essa foi a nossa preocupação número um: dar resposta a toda a gente, não colocando ninguém em perigo”, ressalvou. Atualmente, muito mais conhecedora da nova realidade que o país enfrenta, equipada com todo o material de proteção e higienização necessários e seguindo todas as diretrizes das autoridades de saúde no cuidado no contacto com o público, Edmundo Ribeiro acredita que a clínica está “completamente preparada” para retomar a 100% os “Domicílios Médicos”. Uma decisão bastante ponderada e fruto “da coragem e valentia” dos profissionais de saúde que se orgulha de ter ao seu lado. “Isto depende do espírito de grupo que temos na Clínica Médica da Foz. Dos médicos que têm feito das tripas coração para dar resposta a tudo aquilo para que temos sido chamados”. Com um preço simbólico de 12 euros por mês, que abrange oito membros do agregado familiar, e um valor adicional REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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“Atualmente temos equipamentos e conhecimentos para proceder perante a pandemia e pretendemos continuar com o tão desejado e procurado serviço médico e de enfermagem ao domicílio”. Paulo Amado, diretor clínico da Clínica Médica da Foz

de 30 euros por consulta, disponível 24 horas por dia, o projeto “Domicílios Médicos” alia também a vertente de enfermagem, fisioterapia, colheitas sanguíneas, apoio e hospitalização domiciliária. E, se antes, esta já era uma mais valia para os utentes, na situação atual que nos encontramos, ainda mais, podendo estes encontrar, no conforto dos seus domicílios, acesso a um vasto conjunto de cuidados, protagonizados com o rigor e a ajuda que a saúde exige, lembrou Edmundo Ribeiro. “Já somos capazes de identificar mais rápido um doente com covid-19 e, até, coabitar com ele. Podemos, devidamente protegidos, dar seguimento ao procedimento”.

Além disso, acrescentou, o protocolo estabelecido, no ano passado, com os Lusíadas, um dos maiores grupos de saúde do mundo, permite o acesso a inúmeras garantias, nomeadamente no contexto de internamento ou necessidade de um exame complementar. “Conseguimos transportar as pessoas para lá, num regime de alta segurança”. “Somos uma estrutura média na área da saúde, que ainda trata o doente pelo nome, temos uma relação quase de família, e depois temos uma referência como o Grupo Lusíadas, que nos tem dado todo o apoio e está na nossa retaguarda. Por isso, estamos perfeitamente à vontade para no domicílio, não só nos cuidados médicos,


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de fisioterapia, de enfermagem ou outro apoio, estarmos completamente preparados para dar resposta ao que aí vem”, concluiu.

O FUTURO

Há dois anos, a Clínica Médica da Foz deu “um passo muito grande”, com a mudança de instalações, fruto de uma necessidade

Rua de Sobreiras 636, Porto Telefone 226 178 917

que, acredita, era sentida pelos seus utentes. De acordo com o presidente do conselho de administração, Edmundo Ribeiro, tem sido, precisamente, dessa forma, que a unidade clínica tem perspetivado o seu futuro e é assim que irá continuar. “Todos os anos vamos ao encontro dos nossos utentes, implementamos

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especialidades que não tínhamos e que passamos a ter, instalações que não eram as mais adequadas e que agora já o são. Temos crescido nesse sentido, porque somos geridos de fora para dentro. Ouvimos com muita atenção aquilo que os nossos utentes precisam e vamos ao encontro dessas soluções”, garantiu.

Agregados familiares até 8 pessoas • Assistência Médica ao Domicílio (24 horas/dia) • Consulta de Clínica Geral (Urgência na Clínica) • Assistência de Enfermagem ao

Domicílio • Especialidades Médicas na Clínica • Acompanhamento e Apoio Domiciliário

Especialidades A Clínica Médica da Foz disponibiliza uma variedade de serviços, proporcionando aos seus doentes uma “vivência plena de saúde e bem-estar”: • Análises Clínicas • Cardiologia • Cirurgia Geral • Cirurgia Vascular • Cirurgia Pediátrica • Dermatologia • Doenças Infeciosas • Ecografia • Endocrinologia • Fisiatria • Gastrentorologia • Geriatria

• Ginecologia • Imunoalergologia • Medicina Dentária • Medicina Desportiva • Medicina Geral e Familiar • Consulta do Viajante • Neurocirurgia • Neurologia • Oftalmologia

• Ortopedia • Otorrinolaringologia • Pediatria • Pedopsiquiatria • Pneumologia • Psiquiatria • Reumatologia • Medicina da Dor • Nutrição • Urologia

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O outono está aí e nada melhor do que aproveitar os seus dias com um passeio pelas ruas da cidade do Porto. Pelo caminho, encontrará casas que estão, há já muito tempo, enraizadas na história do comércio da cidade. Aliás, que são, agora, parte integrante da riqueza do património portuense. É o caso da mercearia A Favorita do Bolhão e da Livraria Moreira da Costa, que o convidamos a conhecer nesta edição… Texto: Maria Inês Valente Fotos: Make it view

A FAVORITA DO BOLHÃO

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desde 1933 uma mercearia de referência na cidade do Porto. As palavras são de Nuno Jesus, encarregado do espaço, fundado por Alexandre Santos, Manuel Lobato e José da Cunha Araújo. Localizada na Rua de Fernandes Tomás, n.º 783, a Favorita do Bolhão deve, muito possivelmente, como conta o responsável, o seu nome ao local onde está inserido, o Bolhão, embora “efetivamente não haja registos desse facto”. Possível de registar, assim que se entra n’A Favorita do Bolhão é, sem dúvida, os traços de arquitetura antiga, que enaltecem, ainda mais, a beleza do espaço, onde é possível encontrar uma “grande variedade de produtos”. Há desde uma “vasta garrafeira de vinhos do porto - dos mais correntes a autênticas relíquias -, um leque considerável de vinhos de mesa e bebidas espirituosas, uma grande variedade de frutos secos e farinhas, conservas de peixe e especiarias, uma

seleção de azeites de grande qualidade”, não esquecendo as leguminosas, que “fazem parte dos produtos de eleição” dos clientes. Mas, os atributos desta afamada casa portuense, com quase 90 anos de vida, não ficam só pelo recheio apresentado. O atendimento personalizado, “próximo e pessoal” dos colaboradores da casa assim como a “qualidade dos produtos” são também as razões do regresso de tantos clientes espalhados pelo país e da visita de inúmeros turistas, que ficam “encantados com a simplicidade e genuinidade da loja”. “Pedem constantemente para tirar fotografias e para nunca descaracterizarmos o espaço”, conta Nuno Jesus. Entre tantas outras histórias que guardam as paredes d’A Favorita do Bolhão e que “marcou a atual gerência e funcionários” está a da visita de um cliente, já com alguma idade, que não entrava no espaço


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há vários anos. “Quando entrou na loja o senhor começou a chorar. Preocupada, a funcionária perguntou-lhe se estava a sentir-se bem, ao que o cliente respondeu com a voz meio trôpega, que estava a chorar porque entrar ali o fez relembrar os tempos que lá costumava ir com os seus pais”, recorda. Quanto às grandes diferenças entre o antes e agora, Nuno revela que se sentem,

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especialmente, na “cada vez maior procura de produtos de nicho muito específicos”. Uma procura que a atual gerência tenta sempre acompanhar, oferecendo “novos produtos”, mas nunca esquecendo “o foco nas suas origens”. “Tentamos sempre satisfazer a procura dos nossos clientes, sem nunca descaracterizar o nosso conceito original”, diz o responsável, adiantando que essa particularidade, aliada à “variedade e qualidade dos produtos, ao atendimento personalizado e aos traços físicos da loja” são o que distinguem A Favorita do Bolhão das demais mercearias. Sobre a importância de estar abrangida pelo programa “Porto de Tradição”, Nuno Jesus deixa claro que é “um orgulho pertencer a esse restrito leque de estabelecimentos”. “É um atestado da nossa longevidade, persistência, trabalho e qualidade. Faz-nos sentir uma parte integrante da história da cidade”, resume. REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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LIVRARIA MOREIRA DA COSTA

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onsiderada um verdadeiro tesouro para os amantes de livros antigos, a livraria e alfarrabista Moreira da Costa, um negócio de família com mais de 118 anos de história, é outro emblemático espaço portuense contemplado pelo programa “Porto de Tradição”. Um sonho antigo de Miguel Carneiro, a quinta geração na gestão do espaço, que sempre desejou ver a casa fundada pelo seu trisavô ser considerada “uma loja histórica” e ficar, sobretudo, “na história da cidade”. O interesse pelo negócio, revela, veio quase “desde o berço”. “Comecei a ir para a livraria com seis meses. Ficava na alcofa, enquanto a minha avó atendia os clientes. Mais tarde, ainda sem saber ler, comecei a agrupar os livros pelo símbolo do editor”. Era incentivado pela avó, mas sobretudo pelos clientes, revela,


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visivelmente entusiasmado. É que, como explica, a livraria Moreira da Costa não se fica apenas por aquilo que é possível ver de fora. Por detrás de uma primeira sala, com cerca de 50 metros quadrados, aberta ao público, estão as “as famosas caves” que Miguel, “na brincadeira”, costuma dizer que são “das poucas caves de livros que há no Porto”, onde estão “à volta de 25 mil livros”. “Olhando para qualquer sítio da cave só se

vê livros”, sublinha, revelando que só “em situações extraordinárias” é que leva um cliente lá. E, quando o faz, a reação de quem visita o espaço é “indescritível”. “O normal é arrepiarem-se!”, confessa. Com uma oferta bastante variada e apelativa, na ordem dos 30 mil livros, Miguel garante que na livraria “os clientes podem encontrar de tudo um pouco”. Desde publicações em português, francês, inglês e latim de obras que vão desde o romance à poesia. “Um dos livros mais antigos que tenho de momento deve ser do século XVII”, afirma, revelando que têm dois tipos de clientes: o cliente do livro antigo e o cliente do livro corrente, sendo o primeiro o que, atualmente, mais procura a livraria. E, ao longo dos mais de 20 anos à frente do espaço, não tem dúvidas: “mudou muito e não

mudou nada” na livraria Moreira da Costa. As diferenças prendem-se essencialmente com os novos métodos de venda que foram surgindo e que a gerência rapidamente implementou. “Em 1998 começamos a vender através da internet. Depois tivemos uma fase em que essas vendas superaram as do balcão. Mas, atualmente, assistimos a uma inversão. As vendas ao balcão estão na ordem dos 70% e as online nos 30%”. O apelido de família dá nome à casa situada, desde 1948, no n.º 36 da Rua de Avis. Antes, já passou por outros lugares, mas conseguiu levar sempre consigo o leque de clientes conquistado. Afinal, orgulham-se de ter “clientes de várias gerações” e uma “relação muito próxima” com os de longa data. “Isto de ser loja histórica é um reviver de memórias, de pessoas e da própria cidade”, completa. REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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As grandes doenças antes da

COVID-19 O ano de 2020 trouxe uma pandemia que o mundo jamais esquecerá: a covid-19. Muito se tem falado sobre ela, ainda muitas dúvidas estão em aberto, mas de uma coisa já todos estão cientes: esta não foi a primeira grande pandemia que a humanidade enfrentou e, com toda certeza, também não será a última. A garantia é da Organização Mundial de Saúde (OMS), que acredita que a mitigação do seu impacto esteja no conhecimento aprofundado das pandemias anteriores… Texto: Maria Inês Valente

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este negra, varíola, cólera, gripe espanhola, SARS e gripe A são algumas das doenças que a humanidade já enfrentou e que ficarão para sempre na história mundial. Muitas gerações tiveram conhecimento delas na escola, outras através de histórias contadas por amigos ou familiares e outros porque sentiram na pele a força da doença. A covid-19 apanhou toda a humanidade de surpresa e fez reavivar aquele que é um dos medos mais

fortes da memória coletiva: as pandemias. No entanto, ainda que, habitualmente, se caracterizem por uma elevada taxa de mortalidade, os especialistas acreditam que esta esteja a diminuir, fruto de um avanço colossal da medicina, aliado ao conhecimento das pandemias de outrora. Aquando da peste negra, considerada uma das mais famosas pragas de todos os tempos, que se espalhou entre 1347 e 1351, cerca de um terço da Europa foi dizimada. Conta a história que a peste chegou

a este continente depois do desembarque de 12 barcos na Sicília, Itália, que continham grande parte da tripulação morta e sobreviventes cobertos de bolhas negras de onde saía sangue e pus. Além destas erupções cutâneas, os afetados poderiam também sofrer de sintomas como febre, arrepios, vómitos, diarreia e dores intensas. De acordo com dados divulgados pelas autoridades de saúde competentes, nesse período, não existiam “recursos científicos ou tecnológicos que permitissem


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determinar a origem desta peste, provocada pela bactéria yersina pestis, que era transmitida pelo ar ou através das mordidas de ratos”. Anos mais tarde, o mundo enfrentou a chegada da varíola, uma doença infetocontagiosa causada por uma de duas estirpes do vírus da varíola, e que tinha também como sintomas a presença de febre e vómitos. Paralelamente, alguns cidadãos sofriam também úlceras e erupções cutâneas por todo o corpo, que evoluíam mais tarde para bolhas com líquido.

Cerca de 30 por cento dos infetados morreram e mesmo quem recuperou ficou com mazelas irreversíveis, como a cegueira. Em novembro de 1979, um comité internacional independente declarou o mundo livre de varíola, uma das doenças mais devastadoras da humanidade, erradicada até hoje através da vacinação. Seguiu-se a cólera, entre 1817 e 1823, uma infeção do intestino delgado causada pela bactéria vibrio cholerae, e a gripe espanhola (1918), que teve origem num surto

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do vírus H1N1 e infetou 500 milhões de pessoas, o equivalente a um terço da população mundial no início do século XX. Também conhecida como “pneumónica”, a pandemia surgiu perto do fim da Primeira Guerra Mundial e terá sido particularmente feroz na segunda vaga, devido a uma mutação do vírus, que o tornou muito mais letal e devastador. No entanto, conta a história, a falta de higiene de alguns espaços hospitalares, sobrelotados, e a má nutrição de muitos REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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pacientes infetados terão sido também possíveis consequências para a elevada taxa de mortalidade. Segundo escreve o jornal Observador, numa das suas reportagens especiais sobre as pandemias da história, partilhadas ao longe deste ano, o mundo terá assistido, nessa altura, a um fluxo de tropas pelos oceanos, sendo desta forma que o vírus foi transportado dos Estados Unidos da América para a Europa. Em setembro de 1968, os Estados Unidos da América (EUA) começaram a reportar diversos casos de uma gripe agressiva e duradoura. Meses depois, situações semelhantes foram registadas na Europa. Na Alemanha, a situação foi tão grave que algumas estações de metro

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funcionaram como morgue, sendo que, em França, em menos de dois anos, morreram 30 mil pessoas — o mesmo número de óbitos no Reino Unido, onde 20% dos profissionais de saúde ficaram infetados. Já nos EUA, as mortes ultrapassaram as 100 mil. No total, no espaço de um ano, cerca de um milhão de pessoas morreram em todo o mundo, com a quase desconhecida Gripe de Hong Kong, assim designada por ter sido nessa região que foi detetado o primeiro caso. Na altura, e à semelhança do que aconteceu também com a pandemia de covid-19, os cidadãos foram aconselhados a manter o distanciamento social, a higienizar frequentemente as mãos e a evitar a utilização de transportes públicos.

No entanto, essas medidas não foram suficientes e, tal como aconteceu com a Gripe Espanhola de 1918, a segunda vaga da Gripe de Hong Kong também se revelou mais agressiva e mortífera, atingindo, principalmente, maiores de 65 anos ou com outras patologias associadas. Já no início do século XXI, com o campo da medicina bem mais avançado, a humanidade deparou-se com um novo surto: a Síndrome Respiratória Aguda Severa, também conhecida como SARS, um de sete coronavírus que podem infetar humanos. Com origem na província de Guangdong, na China, chegou a mais de 25 países, no entanto infetou um baixo número de pessoas – cerca de oito mil – e provocou apenas 774 mortes, um valor


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A história das pandemias

bastante inferior ao registado nos últimos surtos. Segundo dizem os especialistas, uma “intensa resposta de saúde pública”, que passou pela quarentena das áreas afetadas e o isolamento de indivíduos infetados, terá sido fulcral para alcançar estes resultados. Durante este período, a utilização de máscaras protetoras passou a ser também uma realidade, em particular em Hong Kong, onde a sensibilização para a prevenção de transmissões de vírus aumentou exponencialmente. Chegaria ainda ao mundo a Gripe A, em 2009, a ébola, em 2014, e, cinco anos depois, o SARSCoV-2… Mas, afinal, como era a vida de uma pandemia há 100 anos? Quais as semelhanças e diferenças que

se verificaram? Antes de tudo, é preciso termos consciência que o sistema nacional de saúde não estava tão robusto e fortalecido. A higienização das superfícies não era feita como agora, as condições dos serviços hospitalares não eram tão privilegiadas e a nutrição dos cidadãos também não era tão completa como em pleno século XXI. Lutaram com as armas que puderam, para a época, onde a máscara cirúrgica, acessório que hoje tão bem conhecemos, foi fundamental para a mitigação da doença. Transformaram-se armazéns em hospitais de campanha. Alguns países fecharam-se em casa, privilegiaram-se eventos ao ar livre e reinventou-se uma (nova) forma de viver… como sempre soubemos fazer!

PESTE ANTONINA (ENTRE 165 E 180) 5 milhões de mortos PRAGA DE JUSTINIANO (ENTRE 541 A 750) 30 a 50 milhões VARÍOLA JAPONESA (735 A 737) 1 milhão PESTE BUBÓNICA (1343 A 1353) 200 milhões VARÍOLA (1520) 56 milhões PESTE ITALIANA (1629 A 1631) 1 milhão GRANDE PESTE DE LONDRES (1665) 100 mil FEBRE AMARELA (1800) 100 a 150 mil CÓLERA (1817 A 1823) 1 milhão 3.PANDEMIA DE PESTE (1855) 12 milhões GRIPE RUSSA (1889 A 1890) 1 milhão GRIPE ESPANHOLA (1918 A 1919) 40 a 50 milhões GRIPE ASIÁTICA (1957 A 1958) 1,1 milhões GRIPE DE HONG KONG (1968 A 1970) 1 milhão VIH (1981 ATÉ HOJE) 25 a 35 milhões SARS (2002 a 2003) 774 mil GRIPE A (2009 A 2010) 200 mil ÉBOLA (2014 A 2016) 11.300 mil MERS (2015 até hoje) 850 mil COVID-19 (2019 ATÉ 24.09) 978 mil (Expresso) REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


COMES & BEBES

Um percurso gastronómico pelo Grande Porto Neste roteiro, apresentamos-lhe alguns dos melhores restaurantes do Grande Porto, todos eles com propostas diversificadas, mas detalhadamente bem confecionadas e, claro, irresistíveis. A explosão de sabores é imediata nas primeiras garfadas… ou não fossem todos os pratos selados pelo carimbo de qualidade da marca Recheio. O convite está feito, só tem de aparecer e deliciar-se com todas estas iguarias! Textos: Maria Inês Valente Fotos: Make it view

LESSA RESTAURANTE

Rua Santos Lessa 129, Leça da Palmeira Telefone 22 114 1045 “Curta, compacta e com sabor”. Assim é a carta do Lessa, o “novo” restaurante de Leça da Palmeira, que se apresenta como uma “minimarisqueira e uma minicervejaria”, e alia a elegância à simplicidade. O conceito é de partilha, numa cozinha portuguesa, reinventada, mas com um ou outro prato internacional, um tributo às várias viagens que André Baptista, o proprietário, já realizou. Croquetes da Bairrada, tártaro do chef, ceviche e pica-pau são algumas das

propostas, completadas com vários arrozes caldosos, no qual se destaca o Carolina do Mar. À mesa, os chefs “explicam o prato e contam a sua história”, um gesto simples, mas diferente, muito apreciado e valorizado pelos clientes. O espaço é pequeno, assim pensado propositadamente, para proporcionar o “ambiente familiar e intimista” que atualmente os clientes procuram. “Os que vêm pela primeira vez, voltam sempre. E 80% dos que chegam é por recomendação”, revela o responsável, orgulhoso desta onda de publicidade que se criou em apenas um ano. A grande aposta é na qualidade de todos os produtos que se servem e o objetivo é que a cozinha continue com a sustentabilidade que lhe é característica e que o negócio, situado na rua Santos Lessa, que dá nome a casa, perdure no tempo! Horário de funcionamento: De quarta-feira a domingo das 12h30 às 15h00 e das 19h00 às 22h00.


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TAPABENTO Rua da Madeira 222, Porto Telefone 912 881 272

Situado numa das ruas mais conhecidas do Porto, a Rua da Madeira, paralela à emblemática Estação de São Bento, o restaurante Tapabento, aberto desde 2014, está intimamente ligado à cidade, às pessoas e a todos os turistas que, anualmente, visitam o espaço. A relação com o Norte verifica-se desde logo no nome, que faz um trocadilho com São Bento e a associação das Tapas. Isabel Canhola, desde cedo ligada à área da restauração, foi a grande responsável por este sonho, que envolve agora também a filha e o genro no negócio. “O Tapabento surge depois de voltar do estrangeiro e da necessidade de desenvolver um projeto pessoal e de paixão que garantisse a minha independência financeira”, revelou à VIVA!,

orgulhosa do caminho traçado. Para entradas ou simplesmente para partilhar, as opções são várias: há desde sopa de peixe, considerada um dos grandes ex-líbris da casa, tortilha, tosta de foie gras e marisco. Já no que respeita ao prato principal, as propostas são o caril de peixe e marisco, o risotto de camarão e o magret de pato. E, atenção, não se pode ir embora sem provar a famosa espuma de amendoim, uma tentação para os amantes de sobremesas… Todos os produtos com a melhor qualidade, levados à mesa com a simpatia e dedicação de uma vasta equipa de profissionais. Pode também deliciar-se com estas iguarias através do serviço de take away e delivery. Horário de funcionamento: Terça-feira das 19h00 às 23h00 e de quarta-feira a domingo das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 23h00. REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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SWALLOW DECADENT

BRUNCH

Campo dos Mártires da Pátria 144, Porto Telefone 22 208 1689 O nome diz tudo sobre aquilo que é possível esperar do mais recente espaço de restauração da Invicta, aberto desde julho no Campo dos Mártires da Pátria, bem perto da Torre dos Clérigos. “Depois de visitarmos vários restaurantes de brunch na cidade, que se focam mais em panquecas, smoothie bowls e receitas clássicas, sentimos que havia lugar para um espaço mais focado em receitas inspiradas nos sabores norte americanos”, explicam os responsáveis, Phil Da Silva e Asma Benghazala, um casal canadiano, que se encontra a viver no Porto. O prato de assinatura é o "Like A Boss", especial em tamanho e sabores, que junta frango frito à americana, triângulos de waffle, creme de citrinos, macarrão com queijo e batata rosti, servidos com fruta da época. Outra das propostas, também muito afamadas, é o desert eggs, o parliament benny, o

gold digger e a envy toast. A acompanhar estas propostas, há uma grande variedade de bebidas, desde cafés, chãs frios, cervejas artesanais e sumos naturais… “O objetivo é oferecer pratos caseiros e frescos utilizando ingredientes locais”, sublinham os responsáveis, que adotaram o nome do restaurante como uma espécie de homenagem ao Porto. “Swallow é a palavra inglesa para andorinha, um símbolo muito associado ao Porto, e para nós era muito importante prestar uma homenagem à cidade que amamos e que agora chamamos casa. E uma vez que a comida e a bebida se engolem (swallow), gostamos do duplo significado da palavra”, apontam. Ainda que aberto há pouco tempo, Phil Da Silva e Asma Benghazala têm já alguns planos para o futuro, nomeadamente um espaço planeado para um terraço dentro da estrutura principal, que deverá abrir ao público na primavera de 2021, a oferta de um menu de almoço executivo sazonal e a expansão para outras cidades portuguesas. Horário de funcionamento: De terça-feira a domingo das 10h00 às 18h00.


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PAJÚ

Rua Faria Guimarães, Porto Telefone 22 502 1555 É o tipo de restaurante que convida a uma boa refeição “fora de horas”. Habitualmente aberto em horário noturno, entretanto suspenso devido às regras impostas pelo Governo no atual contexto de pandemia, lisonjeava-se por fechar portas só quando o sol nasce. Ao longo dos quase 40 anos de existência, o Pajú “tem sido pouso de jornalistas, artistas, políticos e outros esfomeados, conquistando muitas amizades”, revela à VIVA! Ricardo Pinto, filho do mentor do projeto, Paulo Pinto, que, em conjunto com a esposa, fez do local um ponto de paragem obrigatória na Invicta. Aqui, serve-se à mesa a cozinha tradicional portuguesa. Desde os ovos verdes ou as bolinhas de

carne para entrada, moelas, cogumelos frescos estufados, tripa enfarinhada, tripas à moda do Porto, rojões, vitela estufada e alguns pratos de bacalhau há toda uma panóplia de propostas que fazem as delícias dos clientes, sem esquecer, claro, a mítica francesinha! Para sobremesa, pode optar por um bolo de chocolate, uma tarte de amêndoa, doce de leite condensado ou pudim abade de priscos, servidos sempre com toda a qualidade… Com capacidade para 16 lugares, o espaço convida a intermináveis horas de conversa entre amigos e familiares, depois de, quem sabe, algumas horas a dançar. Se preferir, pode também, levar estas iguarias para casa, pois também dispõem de serviço de take away. Horário de funcionamento: De segunda-feira a sábado das 19h00 à 00h00. REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


Outubro 2020

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BOA-BAO

Rua da Picaria 65, Porto Telefone 910 043 030 É um dos restaurantes prodígio do Grande Porto, assente na gastronomia pan-asiática, com uma tela de cor a iluminar todo o espaço e que convida a aromas e sabores bastante distantes. O projeto, com raízes em Lisboa, rumou ao Porto em 2018, cerca de um ano depois da grande abertura, pensada pelo americano Gregg Huppert, pela mulher Nathalie Hellemons, holandesa, e pelo chef belga Chris Gielen. A carta, com mais de 50 pratos de quase toda a Ásia, está repleta de sugestões "sem fusões ou reinterpretações", garante Isabel Esteves, marketing manager do espaço, que proporciona uma "autêntica viagem pelo melhor da gastronomia panasiática". Nas entradas, os clientes podem deliciar-se com uns crepes primavera vegetarianos, um satay de galinha ou ainda umas vieiras braseadas com molho

nam jim de marisco. Já como prato principal, o destaque vai para o bao do dragão de camarão agridoce com pepino, abacaxi e alga, o bao de frango crocante com batata doce e molho de tamarindo ou o caril thai massaman de coco. No entanto, a refeição só fica verdadeiramente completa com as sobremesas, almejadas por tantos desde que chegam ao Boa-Bao. Crème brûlée de coco com manjericão e erva príncipe, carpaccio de ananás com loempia de chocolate e gelado de baunilha e dim sum de laranja e chocolate com gelado de gengibre são algumas das sugestões que, certamente, o vão deixar a salivar.... Com capacidade para 80 lugares atualmente, na sala do Porto, o restaurante conta ainda com serviço de take away e delivery. Horário de funcionamento: Segunda e quinta-feira das 19h00 às 22h00, sexta-feira das 19h00 às 23h00, sábado das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 23h00 e domingo das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 22h00


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ZENITH BRUNCH & COCKTAILS

Praça de Carlos Alberto 86, Porto Telefone 220 171 557 É o típico espaço portuense que dispensa apresentações. Todos lhe sabem o nome, já o visitaram e quem ainda não teve oportunidade de o fazer, tem-no, certamente na sua lista de “próximos restaurantes a visitar”. Afinal, trata-se de um dos espaços mais cobiçados do Porto, quer pela sua deliciosa carta gastronómica, pela peculiar playlist como pela decoração inspiradora. A versão original do Zenith Brunch & Cocktails nasceu em 2011, um rooftop bar localizado no 15.º piso do hotel HF Ipanema Park, que, mais tarde, deu nome à casa. “Zenith é o ponto celeste diretamente alinhado connosco quando olhamos

o céu. Como o bar estava localizado no «Céu do Porto» achamos o nome perfeito e decidimos mantê-lo”, contou à VIVA! Fernando Sá, diretor do espaço, criado com o sócio Thiago Silva. O sucesso do bar durante os cinco anos em que funcionou no hotel ditou o conceito que agora conhecemos, criado, em 2017, na Praça de Carlos Alberto, oriundo das muitas viagens que os dois sócios fizeram. Da carta, fazem parte inúmeras propostas e, felizmente, diz o responsável, são vários os clientes que regressam para provar alguns pratos que despertaram a sua curiosidade noutras visitas. Como proposta, Fernando Sá sugere para entrada uma “Shakshuka” para partilhar, uns “Ovos Zenith” ou “Tosta Zenith” como prato principal e uma panqueca de doce de leite ou um Açaí Bowl para sobremesa. A acompanhar, “a sangria Zenith, claro”. Horário de funcionamento: De segunda a quinta-feira das 10h00 às 18h00, sexta-feira das 10h00 às 22h00 e ao sábado e domingo, respetivamente, das 9h00 às 22h00 e das 9h00 às 19h00. REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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ASTÓRIA

Praça da Liberdade 25, Porto Telefone 22 003 56 39 Instalado no Palácio das Cardosas, mesmo no centro da cidade do Porto, o restaurante Astória distingue-se, desde logo, pela sua localização privilegiada, mas também pela “cozinha criativa e moderna” e pela “qualidade dos seus produtos”. “Este espaço quebra os preconceitos sobre os típicos restaurantes de hotel, nomeadamente no que diz respeito ao ambiente e aos sabores portugueses”, destaca Carlos Teixeira, Director of Food & Beverage, enquanto vai apresentando o menu. A viagem arranca com uma salada de polvo, agrião e requeijão de cabra, que pode também ser complementada por um atum grelhado com burrata, tártaro de carne e berbigão com milhos fritos. Logo a seguir, diretamente do forno a carvão,

as propostas variam entre o lombo de bacalhau, lavagante, tentáculo de polvo e um vasto leque de carnes, que podem ser acompanhados por arroz de ervilhas e coentros, favas à portuguesa, espargos, batata frita, migas de espinafres, feijão-frade e broa de milho ou saladas. Chegados às sobremesas, os clientes são surpreendidos com uma deliciosa banana grelhada com avelãs tostadas, mousse de chocolate, ananás grelhado com sorvete de manjericão e coco e o soufflé de mirtilo. O brunch do Astória, disponível, de segunda-feira a domingo, das 10h30 às 18h30 é, atualmente, o grande ex-líbris do espaço. Com uma carta “repleta de confort food, inclui sumo de laranja natural, iogurte com fruta e granola ou panquecas, ovos, café americano ou chá”, explica o responsável. Horário de funcionamento: Todos os dias das 10h30 às 18h30 (para brunch) e das 19h30 às 22h30 (para o jantar).


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MOOD

Rua da Picaria 93, Porto Telefone 968 380 822 Neste restaurante, servem-se à mesa “pratos para todos os gostos e estados de espírito”. Tipicamente conhecido pelas suas incríveis peças de sushi, o Mood destaca-se também pelo ramen de rabo de boi, bao de barriga de porco, mini cheeseburgers e sashimi de toro com gelatina de alho negro, tudo carimbado pelo selo de qualidade da marca Recheio. E se já está com água na boca, prepara-se porque tem muito mais com que se deliciar… Como entradas, os responsáveis, Mafalda Gramaxo e Miguel Sá, sugerem uns croquetes de mexilhão com maionese de miso, gyosas de

frango e legumes e arroz crocante com sashimi de atum. Para prato principal, a opção pode ser um omakase (sushi e sashimi variado à escolha do chefe), polvo com cebola assada e espuma de batata ou uma vazia com salada de bróculos e batata. Para fechar a refeição com chave de ouro, peça um brulée de banana e gelado de sésamo, uma rabanada, compota de papaia e lima ou um gelado de manga. Com capacidade para 35 pessoas sentadas na sala, o restaurante possui ainda uma esplanada com um “mural magnífico” assinado por Daniel Eime. Horário de funcionamento: De domingo a quinta-feira das 19h30 às 22h30 e sexta-feira e sábado das 19h30 às 23h00.


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“SER ATOR É 80% DE TRABALHO, 10% DE TALENTO E 10% DE SORTE” Texto: Maria Inês Valente Fotos: Hugo Rodrigues e João Tuna

Natural do Porto, Emília Silvestre é uma das atrizes mais conhecidas e acarinhadas do público português. Com uma carreira artística que transcende gerações, transporta na bagagem a força e a sabedoria de quem já deu a cara, a voz e a vida a inúmeras personagens. Muitas delas que permanecem, ainda, na memória de todos os que a seguem. Mas, Emília Silvestre não é só a atriz que se apresenta diante do público. Por detrás, está todo um trabalho de atores, encenadores, realizadores e tantos outros técnicos, muitas vezes pouco valorizado, mas essencial para que seja possível “encarnar” verdadeiramente a personagem. Um trabalho que a atriz tão bem conhece, uma vez que também ela é encenadora e co-diretora artística do Ensemble – Sociedade de Actores, companhia portuense criada em 1996, da qual é um dos elementos fundadores.


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asseiro das Virtudes, Livraria Lello, Jardim da Cordoaria, Serralves, Parque da Cidade ou Teatro Nacional São João (TNSJ). Seria, certamente, num destes sítios, os eleitos por Emília Silvestre no Porto, que nos teríamos encontrado, não fosse a situação de pandemia de covid-19, que obrigou, também a equipa da VIVA!, a entrar em modo “teletrabalho”. Falamos com a atriz à distância de um monitor, mas, nem por isso, foi impossível perceber o ser luminoso e genuíno que é, e, principalmente, o amor que sente pelo palco, com destaque para o de teatro, onde tudo começou, e que a apaixonada verdadeiramente. Afinal, como salienta, é o teatro que permite “as experiências, a improvisação, os erros e o amadurecimento na construção do espetáculo”. Tudo começou no Teatro Experimental do Porto, ainda “muito novinha”, quando foi convidada para entrar no primeiro espetáculo pós 25 de abril da companhia. “A Excepção e a Regra”, de Bertold Brecht, assim se intitulava a peça, que a faz recordar “um tempo de novidades, de rebuliço, de alegria, de felicidade constante”. Durante os anos que se seguiram fez outros espetáculos na companhia, sem nunca se descuidar da importância dos estudos, mas a verdade é que a paixão pela representação surgiu apenas mais tarde, por volta dos 18 anos, quando percebeu “intimamente” que era aquilo que queria fazer para o resto da sua vida. “Fui crescendo em cima das “tábuas” - como costumamos chamar ao palco – e só depois tomei consciência de que nunca mais queria ser outra coisa que não atriz”, revela. Um testemunho, contado na primeira pessoa, sobre quem é a atriz e encenadora Emília Silvestre… O QUE SENTIU NA PRIMEIRA VEZ QUE SE ESTREOU COMO ATRIZ? A minha primeira experiência num teatro “a sério” aconteceu numa idade improvável… Tinha 13 anos e a Seiva Trupe precisava de uma miúda para entrar na primeira produção da companhia, a peça infantil “Musicalim na Praça do Brinquedos”. Por acaso, falaram ao meu pai – que era ator na companhia do TEP – e ele levou-me ao primeiro ensaio, a ver se eu “servia”. E lá fiquei! Lembro-me de me divertir

muito a fazer os espetáculos com a plateia cheia de crianças. No fundo, não era muito diferente de brincar no sótão dos meus avós, algo que eu fazia com muita frequência. NO SEU PERCURSO PROFISSIONAL, JÁ CONTA COM INÚMERAS PEÇAS DE TEATRO, VÁRIAS PRODUÇÕES TELEVISIVAS E, INCLUSIVE, DE CINEMA. DESTES TRÊS “PALCOS”, QUAL É O QUE MAIS A APAIXONA? Eu gosto muito de fazer televisão e de fazer cinema, dos desafios, especificidades e tempos próprios de cada um destes “palcos”. Gosto do que os distingue: a urgência mais própria da televisão e o tempo que se esquece e dilata no cinema, em busca do momento certo, da luz ideal, dos pequenos pormenores. Mas, o teatro continua a ser a minha maior paixão! É um lugar físico e espiritual! De pessoas! De comunhão! Adoro quando começamos uma nova produção e nos juntamos todos, elenco, encenador, criativos e técnicos, numa sala de ensaios: o entusiasmo, a paixão, a brincadeira, o prazer de estarmos todos juntos com o mesmo “material” na mão, a desbravar, a descobrir, a questionar, a surpreendermo-nos, a apaixonar-nos por aquelas palavras e aquelas personagens que o autor criou. Adoro o tempo que o teatro nos dá para as experiências, a improvisação, os erros, o amadurecimento na construção do espetáculo. REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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Adoro quando passamos para o palco, onde sinto mais medo e mais conforto. E adoro o público, porque estamos ali, frente a frente, em carne e osso, sem rede, num momento inesquecível porque irrepetível! QUAL FOI A PEÇA E A PERSONAGEM QUE MAIS A MARCOU NO SEU PERCURSO DE ATRIZ? Cada uma é diferente, não só pelas circunstâncias em que é feita, a equipa que se junta para trabalhar, o momento em que eu estou. É também diferente se se trata de um monólogo ou não. Mas se me pergunta em relação às mais difíceis foram, sem dúvida, as de Samuel Beckett, o “Não Eu” e o “Ah, os Dias Felizes”. Mas depois penso no Shakespeare, no “Hamlet” ou no “Macbeth” que fiz recentemente… Ou nos Molières que fiz no Ensemble e na “Primavera Selvagem” que adorei fazer e que era uma personagem fascinante, mas tão complicada e difícil! Eu tenho a sorte de ter podido representar grandes personagens femininas da dramaturgia clássica e contemporânea. O mais incrível é que nunca fui eu que fiz as escolhas… De alguma maneira elas vêm ter comigo e, por isso, sinto que tenho muita sorte. O QUE SIGNIFICA PARA SI SER ATRIZ? Ser atriz é ser portadora de palavras, ter consciência do lugar que o seu papel tem na encenação e no espetáculo e ser capaz de transmitir ao público uma enriquecedora experiência de sentidos. Nos dias de hoje, em que lidamos com bizarrias tipo “pós-verdade” e falsidades que se disseminam a uma velocidade vertiginosa, o papel do teatro é servir-nos de âncora. Ao expor preocupações e inquietações universais sobre o mundo em que vivemos, o teatro ajuda-nos a questionar, a refletir, a focar o nosso pensamento no que verdadeiramente importa. AS CHAMADAS “BORBOLETAS NA BARRIGA” CONTINUAM A EXISTIR QUANDO ESTÁ EM CENA? Sempre e cada vez mais! É uma coisa que não melhora com a idade e experiência, antes pelo contrário. Sofro horrores antes de entrar em

cena, por isso, tenho uma espécie de ritual de concentração: o texto anda sempre na minha cabeça durante o dia e, à noite, quando chego ao camarim, volto a folhear todas as páginas da peça, a relê-las, a focar-me na “viagem” que vai começar… PISAR OS PALCOS PORTUENSES E ESTAR DIANTE DO PÚBLICO DO PORTO É, DE ALGUMA FORMA, MAIS ESPECIAL? Nós dizemos sempre o mesmo: o público do Porto é reservado, mas especial. Mesmo que não se dê conta de todo o trabalho que está a montante do espetáculo que está a ver, ele sente e valoriza quando os atores os convencem com a verdade nos gestos, na voz e na expressão de pensamentos e sentimentos. É gente sincera e genuína, mas acima de tudo, é generosa e tem o coração na boca e nos aplausos quando gosta do que vê. QUE SIGNIFICADO TEM O TNSJ PARA SI? O QUE SENTE QUANDO PISA ESTE PALCO? É, verdadeiramente, a minha casa e a minha segunda família! Acolheu-me de braços abertos há 24 anos e, desde então, sinto-me bem-vinda, acarinhada e protegida por todas as pessoas que lá trabalham ou trabalharam. É o paradigma do que deve ser um teatro nacional de nível europeu: o cuidado e rigor obstinado na criação e na produção são uma verdadeira escola aberta a todos, público incluído. E é o melhor palco do mundo! Quando tive a sorte de entrar naquele palco vazio, pela primeira vez,


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e olhei a plateia iluminada fiquei tomada por uma emoção indescritível… sente-se uma espécie de abraço na relação do palco com a plateia. ALGUMA VEZ SENTIU NECESSIDADE DE “ESCONDER” O SOTAQUE DO “PUORTO”. COMO FOI, OU AINDA É, ESSE DESAFIO? Como comecei muito novinha a minha formação passou logo também por aí, ter cuidado com o sotaque. Eu adoro sotaques e, então, o do Porto é extraordinário. Tem uma prosódia maravilhosa, uma riqueza de vocabulário e um humor desarmante como não há outro. Sempre que posso adoro falar à moda do Porto! E, muitas vezes, para “espantar” o medo e o nervosismo antes das estreias, digo o meu texto com sotaque e rio desalmadamente com o efeito que produz. É uma forma de libertação! E fico “cuma fezada de que bai correr bem, carago”. COMO VÊ ATUALMENTE O TEATRO, A FICÇÃO NACIONAL E O CINEMA? A construir um país melhor. A lutar contra a ideia de que tudo é mercadoria. A desesperar por ainda não ser reconhecida a coragem, a entrega, o valor e a abnegação. A dar abraços e beijos e risos e lágrimas de empatia e solidariedade em tempos estranhos de distanciamento social. A resistir, a reinventar-se, a seguir caminho. QUE MENSAGEM GOSTARIA DE DEIXAR AOS ATORES, EM PARTICULAR À NOVA GERAÇÃO QUE SE FORMA? Que não desistam, que trabalhem muito, estudem muito e sejam sempre inquietos e insatisfeitos. E mantenham isso pela vida fora. Ser ator é 80% de trabalho, 10% de talento e 10% de sorte, portanto, não cedam às desilusões, aos falhanços, às humilhações e aos que anunciam a desgraça. Concentrem-se no que é verdadeiramente importante: o teatro precisa de sangue novo, do convívio e partilha de saberes entre gerações! É só respirar fundo, erguer a cabeça, sorrir e seguir em frente… EM QUE PALCOS OU ECRÃS PODEREMOS VER A EMÍLIA SILVESTRE

ATÉ AO FINAL DESTE ANO? E NO PRÓXIMO? Devido à inesperada situação de confinamento a que todos fomos obrigados, a minha companhia teve de reagendar toda a programação. Por isso, os próximos meses vão ser bastante preenchidos! Em outubro, no dia 10, estarei em digressão no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, com o “Vivo Morta”. No dia 5 de novembro, vou estrear no Teatro Nacional de São João a peça “O Balcão”, de Jean Genet, e no dia 4 de dezembro estarei no Teatro Municipal de Vila Real com o “Vivo Morta”. Ainda em dezembro, irei a Viseu apresentar “A Grande Vaga de Frio”. Em janeiro de 2021 estarei no Porto, no Teatro Carlos Alberto, para estrear “As Três Irmãs”, de Anton Tchèckov, uma coprodução Ensemble/TNSJ. No final desse mês, de 28 a 31, estarei em Lisboa, no CCB, com a digressão de “O Balcão”. Em fevereiro, terei o prazer de participar numa das “Quintas de Leitura” no Teatro do Campo Alegre e, em abril, volto ao Teatro Carlos Alberto com a peça “Jacques ou la Soumission” de Ionesco, um espetáculo do Ensemble. Por volta de junho ou julho, voltarei a Viseu para estrear uma nova encenação do Ricardo Pais, numa coprodução Ensemble e Câmara Municipal. No cinema, estreou em julho o filme “Surdina”, do Rodrigo Areias, que anda por aí… e, em 2021, vai estrear o filme “Dulcineia”, de Artur Serra Araújo. REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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A família que largou tudo para dar a volta ao mundo Viajar à volta do mundo, por tempo indeterminado, num veleiro altamente sustentável? Sim, é possível e a Wind Family é a prova disso. Em setembro, partiram numa viagem sem data de regresso marcada, que deverá passar por locais como Cabo Verde, Gâmbia, Caraíbas, Panamá e Madagáscar. A bordo do veleiro está o capitão João Pisco e a sua esposa Inês Saldanha acompanhados pelos quatro filhos: Alice, de 10 anos, Manel, de sete, Francisco, de quatro, e Teresinha, de apenas dois. Numa conversa bastante intimista com a VIVA!, a dias de partir, revelaram que há naturalmente muitos receios, mas que a vontade de ir e conhecer o mundo “é mais forte do que tudo”. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Cortesia da Wind Family

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s o n h o n ã o é d e ago r a e demorou algum tempo para que, efetivamente, se tornasse realidade. “Há cerca de cinco anos, o João começou a ler muito sobre este assunto e quanto mais lia mais entusiasmado ficava e me deixava a mim. A primeira vez que falamos nisto achamos que era completamente impossível, a sensação que tivemos foi que era preciso ganharmos o euromilhões”, recorda Inês Saldanha, revelando que o grande passo para esta viagem foi dado a partir do momento em que disseram: “Nós


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queremos fazer isto. O que é que preciso para o conseguirmos? Para deixar esta utopia e fazer disto a nossa vida?”. Assim, juntaram forças e começaram a fazer, em terra, a viagem de preparação para aquilo que poderiam viver em alto mar. Os últimos anos foram passados entre muito estudo, nomeadamente na pesquisa de ensino doméstico, possíveis problemas a bordo, famílias que já haviam feito viagens semelhantes e, claro, a juntar dinheiro para comprar o veleiro e equipá-lo à semelhança de uma verdadeira casa. E o resultado final, segundo Inês, ficou “espetacular”. “Tem uma boa cozinha, um quarto só para mim e para o João, um quarto para as meninas e outro para os rapazes, uma casa de banho, uma sala espaçosa e ainda um quarto de visitas”, revela, comparando o veleiro, com 15

“Estamos aqui para nos adaptar e relativizar as adversidades que a viagem nos trouxer, desta forma minimizamos desilusões!”

metros, a uma “autocaravana gigante”. Partiram no passado mês de setembro, de Cascais, com uma “rota definida”, mas suscetível de ser alterada. A pandemia obrigou a uma adaptação da viagem, pelo que nunca vão sair de um porto sem ordem do próximo para entrar. À data de embarque, tinham autorização para os três primeiros locais – Porto Santo, Canárias e Cabo Verde –, prevendo avançar de acordo com as condições que forem permitidas. Se tudo correr bem, irão depois para Gâmbia, regressarão a Cabo Verde e daí contam atravessar o Atlântico

em direção ao sul das Caraíbas. Seguir-se-á o Panamá, com a passagem pelo canal para o Oceano Pacífico e depois o Oceano Índico, numa viagem que “ninguém sabe quanto tempo durará”. “Se chegarmos a um local e nos apetecer ficar lá seis meses, por exemplo, ficamos. Temos liberdade para fazer o que quisermos porque o ponto número um desta viagem é viajar pelo mundo e conhecer novas culturas”, sublinha. Nos locais onde tencionam ficar mais tempo, Inês e João vão inscrever os filhos em escolas gratuitas de ensino de inglês e francês, incitando a aprendizagem de “várias línguas”. Além disso, “as crianças vão fazer ensino doméstico”, em parte acompanhado pelos professores da escola onde estavam matriculadas, um fator que tranquiliza bastante os pais nesta aventura, com uma forte componente solidária e sustentável associadas. “A água do mar vai ser transformada em água potável, o vento leva-nos, só haverá REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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“Somos os únicos loucos com quatro filhos que vamos fazer isto em Portugal” combustível, no máximo, quando estivermos a atracar o barco. Nem um gerador temos. Será tudo feito com o vento para sermos o mais sustentáveis possível”, revela. No que respeita à alimentação, será também “uma questão de sustentabilidade quase

obrigatória”. “ Temos que pescar porque precisamos de proteína e a única forma de a termos é pescando, por isso é o que faremos”, indica, adiantando que nos mercados locais comprarão apenas aquilo que for usual consumirse. Nos destinos onde atracarem, vão também colocar em prática o projeto “Letters of Love”, que consiste em "criar uma caixa de correio e fazer com que se troque correspondência entre miúdos das escolas locais e outros que estejam hospitalizados nas proximidades e a precisar de uma mensagem positiva”. Na bagagem levam “apenas aquilo que é


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A PARTIDA Estão a dias de embarcar numa viagem à volta do mundo… Qual é a sensação? Às vezes parece que estou num sonho e penso “isto está mesmo a acontecer?! Está mesmo a chegar o grande dia?!” É um misto de sentimentos constantes onde me sinto tão viva, tão audaz e tão pequenina ao mesmo tempo. É incrível. Como está a ser a partida? Preparar tudo para embarcar neste grande sonho? Estes últimos dias são duros. Além das coisas burocráticas que temos para tratar, há a questão psicológica… o peso de sair, largar e deixar cá quem amamos! Põe à prova toda e qualquer audácia até então. O momento em que o sonho se torna uma realidade é uma transição fria e menos romântica do que nos livros. O que tem sido mais difícil até agora? Continuar a gerir uma família com quatro filhos, preparativos e mudança de casa para o barco, gerir as emoções da família. Essa é a gestão mais difícil, além das lutas interiores e batalhas diárias comigo mesma onde respiro fundo e me tento consciencializar de que isto está de facto prestes a acontecer.

essencial”. O objetivo é que esta viagem seja “o mais sustentável e minimalista possível” e que, juntos, aprendam a deixar de lado tudo aquilo que é supérfluo. Afinal, esta não é só mais uma viagem entre as tantas que já fizeram. “As outras foram todas férias. Isto vai ser um modo de estar: viver a viajar”, diz Inês, visivelmente empolgada. Por cá deixaram a família, os amigos, as recordações de histórias felizes, os empregos que prontamente largaram e duas casas arrendadas que vão permitir a esta família obter alguma fonte de rendimento durante a viagem. Pode acompanhar esta aventura através das páginas de Facebook, Instagram e do blog da Wind Family.

Como têm reagido os vossos filhos ao aproximar da data de partida? Estão numa euforia desmedida. Não existe um dia que não falem no assunto com entusiasmo. Pesquisam no Google Earht países e mais países para visitar. O que mais temem vocês, pais? A falta da família. Não sei como os miúdos vão reagir a não ver os avós, tios, primos e amigos a que estão tão habituados. Também me assusta a adaptação à vida a bordo. Tenho como certo que todas as mudanças têm que passar por um processo de novas aprendizagens e essa adaptação mete-me algum respeito. Sei que vai ter momentos difíceis também… Partem com que sentimento? Orgulho. A certeza de que conseguimos tornar um sonho realidade, de que mostramos aos nossos filhos a importância de lutar pelos nossos objetivos. Saímos daqui unidos, fortes e invencíveis, porque lutamos juntos e conseguimos! Foi um longo caminho, e já ganhamos tanto ainda sem partir. REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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F E R N A N D O DA N I E L

FERNANDO DANIEL AO VIVO NO COLISEU DO PORTO

Fernando Daniel é um dos artistas prodígio da música portuguesa e lançou este ano o seu segundo álbum de originais, “Presente”, que sucede ao estrondoso disco de estreia “Salto”. Descrito como “um trabalho mais íntimo e completo”, o novo álbum deu origem à “Tour Presente”, que culmina com a sua estreia em nome próprio numa das salas mais emblemáticas de Portugal: o Coliseu do Porto… Texto: Maria Inês Valente Fotos: Universal Music Portugal

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AO V I V O


F E R N A N D O DA N I E L

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contece a 24 de outubro o tão aguardado espetáculo de Fernando Daniel. Num ano completamente atípico para o país - e para o mundo -, onde a cultura está a ser um dos setores mais afetados, este promete ser um espetáculo ainda mais especial, capaz de fazer renascer a esperança num “amanhã” melhor. Será uma noite memorável e de comemoração, em que não faltarão os seus êxitos mais recentes, como “Recomeçar”, “Cair”, “Se Eu (dueto com o trio brasileiro Melim), “Melodia da Saudade” e “Tal Como Sou”, todos eles enormes sucessos, totalizando mais de 17 milhões de visualizações no YouTube. Os temas fazem parte do seu novo álbum, “Presente”, composto por 12 músicas. A antepenúltima faixa, “Melodia Da Saudade”, destinase a alguém que faleceu e que tinha grande importância para o cantor, o seu avô adotivo, e é uma das músicas mais acarinhadas pelos portugueses. Apesar de já não estar presente fisicamente nas suas conquistas, Fernando Daniel acredita que este o acompanha em tudo! Além destes trabalhos, o cantor e compositor apresentará também algumas das suas primeiras canções. Deste leque farão parte hits como “Espera”, “Nada Mais” ou “Voltas”. Mas, segundo garantem os promotores, estão agendadas muitas mais surpresas… Natural de Estarreja, Fernando Daniel saiu do anonimato como vencedor do

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concurso televisivo “The Voice 2016” e é hoje um dos artistas portugueses de maior êxito, tendo já percorrido o país de norte a sul, em digressões completamente lotadas. Ao longo do período mais crítico da pandemia de covid-19, que levou ao cancelamento de milhares de espetáculos por todo o país, o artista, mesmo não podendo pisar o palco, nem por isso abrandou o ritmo. Lançou o hit  “Cair”, com uma mensagem inspiradora e de superação, e revelou ainda o “Recomeçar”, durante o livestream especial #RecomeçarEmOvar, um presente do artista “para a cidade que o acolhe e que lutou com imensa coragem e inteligência contra o avanço desta grave pandemia”, como avançou a Rádio Antena Livre. Além disso, manteve-se ainda em contacto com os seus fãs através dos meios digitais. Na iniciativa “Quarentemas Informais”, foi publicando diversas versões de músicas escolhidas pelos seguidores, realizou sessões “Zoom In”, encontros exclusivos no Zoom com momentos musicais e de proximidade, e participou ainda no Festival #EuFicoEmCasa, numa atuação que contou com 100 mil espectadores. Em palco, neste novo capítulo da sua carreira, Fernando Daniel estará acompanhado por Fernando Mendonza nas teclas, Ivo Magalhães na guitarra, Tiago Silva no baixo e Mike Pestana na bateria. Não perca, dia 24 de outubro, às 21h30, Fernando Daniel no Coliseu do Porto! REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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Porto Canal renova informação O Porto Canal anunciou a maior aposta alguma vez feita na informação do canal: novos conteúdos, maior número de horas de informação diária e um estúdio completamente renovado, com mais ferramentas e melhor iluminação. Tudo com um único objetivo: posicioná-lo “como uma televisão com um jornalismo irreverente, jovem e fresco” e “estar mais perto da região, sobretudo das pessoas do Norte”. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Make it view

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mudança aconteceu no passado dia 28 de setembro, devido a uma “necessidade óbvia que radica na falta de notícias que há sobre uma grande parte do país, em particular a região Norte”, revelou à VIVA! Tiago Girão, diretor de informação do canal. De acordo com o responsável, esta é a região “mais exportadora e mais dinâmica do ponto de vista empresarial, a que mais tem crescido em termos turísticos e a que tem a equipa de futebol mais titulada a nível internacional”, mas, ainda assim, “aquela que continua a ser das regiões mais pobres da Europa”. Nesse sentido,


P O RTO CA N A L

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“Queremos estar mais próximos das pessoas, dar mais notícias do Norte e do país, arriscar mais e mostrar que temos um conjunto de profissionais de enorme qualidade”. Tiago Girão, diretor de informação do Porto Canal

o Porto Canal acredita que poderá ter um papel preponderante na mudança, alertando e continuando a “combater o centralismo que aos poucos está a aniquilar o desenvolvimento do país”. Uma das grandes apostas do canal passa pela emissão de um programa matutino, intitulado “Manhã Informativa”, em direto de segunda a sexta-feira, entre as 10h00 e as 13h00, que, além de noticiar “o que se está a passar no momento”, tem uma equipa em direto, diariamente, de qualquer ponto do Norte. “A ideia é falarmos das tradições religiosas, gastronómicas, culturais de cada região, olhando ainda também para as características próprias dessas mesmas localidades. Queremos mostrar as diferenças que o Norte tem, diferenças essas que nos unem”, indicou. À noite, continuam a

ser privilegiados “os acontecimentos no Norte” e explicadas todas as notícias que marcaram o dia na região e no país, no “Jornal Diário”, o principal espaço informativo do canal, que mantém o horário habitual (20h55). À quarta-feira, às 23h00, o Porto Canal conta com um novo programa, “Cara ou Coroa”, um “espaço de confronto de ideias sem meio termo, num formato frente a frente”, e à sexta-feira com o “República das Ideias” (22h30), onde “o pensamento livre é a ideia chave” e que debate o tema que marcou a semana, com a participação de vários especialistas. Destaque ainda para o programa “Bate Bola”, emitido à segunda-feira, às 22h00, com a análise à jornada do fim de semana da Primeira Liga. “Os casos de arbitragem, todos os golos de todos os jogos do campeonato são o prato forte deste

espaço”, reforçou. Enquanto diretor de informação, Tiago Girão pretende continuar a consolidar o caminho que tem sido feito pelo canal, e cuja estratégia ajudou a definir desde que chegou ao cargo, no início do ano passado. “Recentemente, a equipa de informação do Porto Canal fez um trabalho único e notável no retrato da pandemia na região, dando voz a quem normalmente não a tem nas televisões de Lisboa”, recordou, assumindo acreditar que há um espaço na televisão que só o canal pode ocupar. “O Porto Canal faz um jornalismo de cara destapada, de cabeça erguida, porque assumimos com total transparência que pertencemos ao FC Porto, mas acima de tudo, que somos do Norte, de segunda-feira a domingo, 365 dias por ano e não apenas quando dá jeito”, vincou. REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


FC PORTO

UM ANO HISTÓRICO Museu FC Porto atinge um milhão de visitas

O ano ainda não chegou ao fim, mas já se tornou histórico para o Museu FC Porto, que, dias antes de completar sete anos de atividade, atingiu o primeiro milhão de visitas. Simultaneamente arrecadou também um vasto número de distinções e prepara-se para proporcionar em breve novas experiências, com a abertura da sala Exit Games. Um balanço, naturalmente, positivo de um ano que ficará marcado na história azul e branca. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Museu FC Porto

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niciava-se uma tarde de sexta-feira, aparentemente normal, quando o Museu FC Porto atingiu o número histórico de um milhão de visitas na sua Tour FC Porto – visita ao Museu e Estádio do Dragão - um número que já era esperado no início do ano, mas que tardou, devido às “profundas adversidades” resultantes da pandemia de covid-19. O visitante a atingir esta marca foi Luís Almeida, adepto do clube da sua cidade. Realizava a sua segunda Tour para conhecer todas as novidades quando foi, naturalmente, surpreendido. “Oferecemos-lhe uma camisola do equipamento principal com a alusão ao visitante um milhão, que acaba por ser no fundo um certificado da nossa parte para com este visitante”, adiantou à VIVA! Luís Valente, responsável pela área de Gestão de Parcerias e Informação do Museu FC Porto. “Este ano atingimos números muito interessantes: mais de 800 visitas diárias ao Museu e ao Estádio no mês de agosto, que nos aproximou de 25 mil


MUSEU

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“Tivemos um percurso que teve um efeito sempre crescente. Fizemos uma viagem que começou, no final do primeiro ano, com 120 mil visitas e chegamos, ainda antes de celebrar os sete anos (28 de setembro), ao primeiro milhão” no total do mês. Em alguns dias, ultrapassamos as mil por dia, o que nos mostra que as pessoas se sentiram confortáveis a fazer a nossa visita. Foi-nos dado um feedback muito positivo”, continuou, lembrando as garantias “Clean & Safe”, atribuída pelo Turismo de Portugal, e “Safe Travels”, pelo World Travel & Tourism Council. No TripAdvisor, plataforma reconhecida internacionalmente pelas avaliações turísticas, o Museu FC Porto e o Estádio do Dragão continuam também a somar prémios. No passado mês de agosto, os dois equipamentos renovaram o prémio Travellers Choice. “Posicionou-nos entre 10% das entidades presentes na plataforma como as mais bem-sucedidas no setor do turismo, um

reconhecimento baseado nas avaliações positivas dos visitantes, o que é bastante gratificante”, apontou o responsável. Além disso, o Museu FC Porto lidera ainda o ranking TripAdvisor de museus da cidade do Porto e da região Norte, entre mais de cem instituições de cariz museológico. As duas estruturas acumulam Certificados de Excelência da mesma plataforma, na qual ocupam um lugar no top 10 das atrações da cidade do Porto. “Desde muito cedo percebemos que estávamos a alcançar neste barómetro posições cimeiras no top de experiências da cidade do Porto e da região Norte”, concluiu, orgulhoso do trabalho desenvolvido.

"Exit Games" estão a chegar

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Museu FC Porto vai ab r i r b re ve m e n te u m novo polo de atr ação turística: o Exit Games Dragão. Resultante de uma parceria com a Porto Exit Games, o espaço, contíguo à exposição permanente, vai contar com três jogos “escape room”, desafios que podem ser realizados em grupo e que promovem o espírito de equipa na resolução de mistérios. “É um conceito que tem surgido um pouco por todo o mundo, que tem sido cada vez mais procurado não só pelos visitantes de cada destino, mas também pelos locais e pela comunidade empresarial e que vai atrair mais

pessoas ao Estádio do Dragão e ao Museu FC Porto e contribuir para o desenvolvimento da cidade enquanto destino turístico, com uma oferta mais alargada”, assinala Luís Valente. REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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PORTO SOBRE RODAS Numa altura em que a mobilidade suave está em crescente ascensão em Portugal, ganhando cada vez mais adeptos na cidade do Porto, a VIVA! foi para a rua perceber quem são os utilizadores deste tipo de mobilidade e quais foram as suas principais preocupações em adotá-la. Menos poluentes, mais económicos e com um sentido altamente libertador foram as principais razões apontadas pelos entrevistados, cujas idades variam entre os 20 e os 35 anos. Seja por lazer ou por necessidade laboral, com equipamento próprio ou alugado, a verdade é que há quem circule, cada vez mais, pelas ruas da Invicta a bordo de uma trotineta ou bicicleta elétrica… Texto: Maria Inês Valente Fotos: Make it view


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Fred Barman És utilizador de trotineta. Em que circunstâncias o fazes? Para me deslocar de casa para o trabalho e do trabalho para casa, às vezes até para ir ter com os meus amigos. Desde quando? Há cerca de 11 meses. O equipamento é teu ou é alugado? É meu. Adquiri-o por causa da rapidez, facilidade de deslocação, menos poluição, que é muito importante para o planeta, e agora também por causa da pandemia que enfrentamos. Deslocas-te só na cidade do Porto? Sim

Mariana Coelho Técnica Superior de Farmácia És utilizadora de modos de transportes suave? Pontualmente uso bicicleta. Desde quando? E porquê? Praticamente desde criança. Faço-o porque gosto de praticar desporto ao ar livre. Só não vou de bicicleta para o trabalho (Rio Tinto) porque não tenho ciclovias nem estacionamentos próprios pertos do mesmo. Quais achas que são as principais vantagens? São excelentes alternativas aos modelos de transporte convencionais, porque tornam-se mais ecológicas, económicas, práticas e estimulam até a prática de atividade física. O equipamento é teu ou alugas quando precisas? É meu.

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E P O R T A G E M

Leonardo Moço Estudante

És utilizador de modos de transportes suave? No Porto não, mas na minha vila natal (Vagos, Aveiro) sim, comecei a adotar recentemente a utilização de bicicleta. Desde quando?  O bichinho surgiu, no ano passado, quando fiz Erasmus na Eslovénia. Lá os únicos modos de transporte são os modos de transporte suave. Em seis meses, quase não apanhei um autocarro uma única vez. Quais achas que são as principais vantagens? A questão da sustentabilidade é a principal. Menos emissões, menos poluição e o custo também, além de que conseguimos escapar ao trânsito. Mesmo em termos de saúde mental, acredito que tenha muitos mais benefícios. Quando costumas utilizar a bicicleta? Nos meus afazeres diários. Acaba por ser um privilégio, no fundo, porque dá também para desfrutar das paisagens e conhecer locais cujo o acesso de carro não é tão fácil. O equipamento é teu ou alugas quando precisas? É meu.

Francisco Pinheiro Engenheiro do Ambiente

És utilizador de modos de transportes suave? Sim, de trotineta elétrica e também de bicicleta, esta última muito raramente. Desde quando o fazes? Comecei a andar de trotineta em abril do ano passado. Desde aí que a utilizo praticamente todos os dias úteis da semana, principalmente nos meses de primavera, verão e outono. Como surgiu o teu interesse pela mobilidade suave? Quando comecei a reparar que havia cada vez mais trotinetas elétricas na minha cidade. Então quis saber mais sobre as mesmas, a autonomia, a velocidade, como funcionavam, etc. Sempre me suscitaram curiosidade por serem um meio de transporte diferente do normal e mais amigo do ambiente. Quais achas que são as principais vantagens? São menos poluentes para o ambiente, não só ao nível das emissões, mas também no que diz respeito à poluição

sonora: são silenciosas. São também mais económicas, além de que permitem evitar o trânsito em hora de ponta. Outra vantagem é a portabilidade e arrumação. Ocupam pouco espaço, por isso cabem facilmente em qualquer lugar. O equipamento é teu ou é alugado? A trotineta é minha. Tendo em conta a frequência com que ando, compensou o investimento. Em que circunstâncias o utilizas? Diariamente na ida para o trabalho e no regresso a casa, por vezes para ir almoçar e também para momentos de lazer. Quantos quilómetros fazes, diariamente? Normalmente, cerca de 8 km por dia nos percursos casa-trabalho e trabalho-casa. No entanto, quando não almoço no local de trabalho, chego a fazer cerca de 11 km diários. Deslocas-te só na cidade do Porto? Sim, desloco-me exclusivamente dentro da cidade.


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Tiago Estafeta És utilizador de modos de transportes suave? Sim, de bicicleta. Sempre andei e agora, com este trabalho, foi só dar continuidade a um gosto que já tinha. Quais achas que são as principais vantagens? É uma liberdade muito maior. Não estamos dependentes dos outros modos de transporte que, para mim, são muito mais complexos. Não vejo qualquer vantagem ou interesse. O equipamento é teu ou é alugado? É meu. Quantos quilómetros fazes, diariamente? Depende. Talvez uma média de 50 km, em trabalho. Para deslocação pessoal, cerca de 10 km. Deslocas-te só na cidade do Porto? Não. Sou de Lisboa e quando vou para lá, por exemplo, levo sempre a minha bicicleta. Poupo imenso em transportes.

Ricardo Baptista Fotógrafo

És utilizador de modos de transportes suave? Sim. Utilizo a trotineta elétrica para me deslocar para o trabalho. Desde quando? Há cerca de um mês, sensivelmente. Comecei por curiosidade. Na altura estava atrasado para um serviço, não me apetecia chamar um Uber e como tinha uma trotineta ao lado experimentei. O início não esteve então ligado ao interesse pela mobilidade suave? Não. Na altura foi por necessidade, mas desde aí que tenho utilizado regularmente. Quais achas que são as principais vantagens? O facto de não ser poluente, que é logo uma vantagem enorme, e também pelo custo. Entre pagar para andar de Uber ou trotineta, prefiro a segunda opção. Além de que a adrenalina é outra. Deslocas-te só na cidade do Porto? Sim.

Recorde-se que a Câmara Municipal do Porto tem feito uma aposta significativa para promover modos de mobilidade suave dentro da cidade. Nesse sentido, destaque para o sistema de partilha de bicicletas e de trotinetas, que arrancou este verão, e para o alargamento de ciclovias que a autarquia pretende atingir até ao final do ano, ligando, em rede, cerca de 50 km, de forma a cumprir o plano de resgate do espaço público anunciado por Rui Moreira em maio.

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VIVA!

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RECORDAR A PRIMEIRA EDIÇÃO DA VIVA! Foi precisamente há 21 anos. Corria o ano de 1999 quando a VIVA!, a primeira revista gratuita em Portugal, saiu à rua pela primeira vez. O feito aconteceu num mês particularmente simbólico para os portugueses, abril, vincando, ainda mais, o seu compromisso de verdade para com todos os leitores. “Quer ser, certamente vai ser, um meio de dinamização do comércio local, um instrumento de comunicação entre os seus habitantes e utilizadores, um forte contributo para o aprofundar de uma relação positiva entre os seus autarcas e munícipes, um espaço de divulgação actual e permanente dos vários projectos em curso”. Assim escrevia, no editorial, José Alberto Magalhães, que ainda hoje continua a liderar a informação da VIVA!. Mas, o melhor mesmo é começarmos a folhear esta edição e recordarmos as reportagens desse tempo…

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omeçamos, naturalmente, pelas capas. E, sim, não é engano da nossa parte. A primeira edição da VIVA!, no Porto, saiu com duas publicações: uma dirigida aos leitores das freguesias de “Cedofeita – Massarelos – Lordelo do Ouro” e outra aos das freguesias de “Aldoar – Ramalde”. Na primeira, o grande destaque vai para uma fotografia do atual Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota, outrora designado por Palácio de Cristal, acompanhada de um título que ainda hoje mantém a atualidade: “Uma pérola do Porto”. Por sua vez, a segunda mostra uma

imagem aérea do Porto. “Cidade do futuro”, lê-se na publicação, que apresenta “Um olhar” aprofundado sobre Ramalde. Naquilo que hoje designamos como “Perfil”, vimos dois rostos bem conhecidos das gentes do Porto, o empresário Manuel Serrão e o escritor Mário Cláudio, em duas entrevistas com especial enfoque à cidade portuense. “É conhecida como a capital do trabalho e por algum motivo o é. No Porto o maior orgulho que há é o trabalho que se faz (…) Acaba por ser igualmente a capital da iniciativa porque existe aquilo que se chama espírito empreendedor, que é mesmo caracteREVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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rístico das gentes do Norte”, afirmava Manuel Serrão, que nasceu na Vitória, mas dizia que a sua “freguesia de naturalidade é Paranhos”, uma vez que foi lá que viveu toda a sua “adolescência e infância”. Por sua vez Mário Cláudio, pseudónimo literário de Rui Manuel Pinto Barbot Costa, também nascido no Porto, cidade que o “inspira” e serve de cenário a muitas das suas obras, apelava aos portuenses para que fossem “o mais felizes possível numa cidade que define como umas vezes fascinante outras vezes insuportável”, segundo a jornalista Marta Almeida Carvalho. As duas revistas, ambas com 98 páginas, apresentam algumas reportagens em comum. “Pelos meandros da sedução”, “Prostituição dá que pensar”, “Hábitos de Consumo”, “Metro/Porto 2001”, “Desporto” e “Agenda Cultural” são alguns exemplos. Nesta última, a VIVA! faz um roteiro exaustivo por alguns dos locais mais emblemáticos da

cidade, como o Coliseu do Porto, o Museu Nacional de Soares dos Reis, a Biblioteca Pública Municipal do Porto e a Fundação de Serralves, considerada “um polo cultural europeu por excelência”. “Verdadeiramente notável é o Parque Natural que envolve a Casa de Serralves. Os seus magníficos jardins, dotados de uma tranquilidade e beleza sem igual, são património vocacionado para a animação e educação ambientais”, descrevia a publicação. O “Através dos Tempos”, rubrica que ainda hoje se mantém, recordava, numa das revistas

“o passado e o presente” de Cedofeita e a “freguesia ribeirinha” de Massarelos e na outra os “séculos de história” de Ramalde. No campo desportivo, o destaque foi para uma entrevista com Jaime Pacheco, na época treinador do Boavista FC, que atravessava, nesse período, “um dos seus melhores momentos” e ainda para a história do Ramaldense, fundado em


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abril de 1922, que teve “como principal mentor, entre outros, Alberto Araújo, personalidade que deu o nome ao campo do clube”. Numa outra secção, intitulada “Ambientes”, lia-se sobre o “Design Moderno à Conquista da Invicta”, noutra sobre “a árvore que deu o nome à rua” de Pinheiro Manso, em Ramalde, e conheciam-se ain-

da as opiniões sobre aquele que viria a ser um dos maiores projetos urbanísticos no norte de Portugal, o Metro do Porto. Manuela Tojal, Artur Agostinho, Júlio Couto, Paulo Vallada e Hélder Pacheco foram alguns dos rostos que também fizeram parte da primeira edição da VIVA!, que começou a sua história na capital, em Lisboa,

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e depois expandiu-se para o Porto. Por aqui consolidou as suas raízes e leitores assíduos a quem tenta sempre levar as melhores histórias… Histórias amplamente complementadas com fotografias, que sempre foram uma das “imagens de marca” da revista e que, acredita a direção, fazem toda a diferença na mensagem recebida pelos leitores. Afinal, e o ditado já é antigo, “uma imagem vale mais do que mil palavras”.

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“Andorinha”

a mais antiga locomotiva portuguesa está a ser restaurada Fotos: Museu Nacional Ferroviário

Construída em 1856, em Inglaterra, por William Fairbaim & Sons, e adquirida em 1857 num lote de quatro locomotivas destinadas ao caminho-de-ferro do Leste (Lisboa-Elvas), a “Andorinha” é, ao que tudo indica, a mais antiga locomotiva portuguesa a vapor. Entre outras funções, assegurou os primeiros serviços rápidos de Lisboa – Santa Apolónia a Vila Nova de Gaia e apoiou na construção das linhas do Minho e do Douro, tratando-se assim de um “símbolo nacional, regional e local”, como descreveu à VIVA! fonte do Museu Nacional Ferroviário, onde está agora a ser alvo de uma “intervenção profunda de restauro”. Com o objetivo de preservar este singular exemplar do património ferroviário nacional, a Fundação do Museu Nacional Ferroviário, a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e a Junta de Freguesia de Nine acordaram “uma posição conjunta”, que permitiu, agora, a “realização de uma intervenção de restauro há muito aguardada”.


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A locomotiva encontrava-se parqueada no Depósito de Nine desde 2002, altura em que foi retirada da antiga secção museológica de Braga, onde esteve guardada desde 1977. Viajou no ano passado para as instalações do Museu Nacional Ferroviário e é lá que, desde então, está a beneficiar de um processo de recuperação e restauro efetuado por técnicos competentes, num processo coordenado pela Fundação do Museu. “Até ao momento foram levados a cabo trabalhos de estabilização da peça que aguarda na Rotunda de Locomotivas a fase da intervenção em oficina”, adiantou a mesma fonte. Após o restauro, de acordo com o que ficou acordado entre as partes, a “Andorinha” regressará a Vila Nova de Famalicão, ficando guardada e exposta para visita no Museu Ferroviário de Lousado, num novo espaço a ser criado e com temática também alusiva à freguesia de Nine, nomeadamente no contexto da ferrovia. Até lá, pode ser vista no Museu Nacional Ferroviário por todos os que visitem o espaço.

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É FUNDAMENTAL CUIDAR DA SAÚDE MENTAL Em Portugal, uma em cada 4 pessoas sofrerá de depressão num determinado momento da sua vida. Mas o que é a depressão? A depressão é uma doença psíquica que afeta todas as idades. Caracteriza-se por perturbações do humor que prejudicam - e muito - a vida de todos os dias. A depressão não deve ser confundida com cansaço ou uma tristeza passageira, porque estas não são doenças.

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orque surge a depressão? Vários fatores intervêm no aparecimento da depressão, sendo as suas causas ainda mal conhecidas. Fatores psicológicos: Dificuldades durante a infância (relação com os pais, traumas), episódios recentes (morte, desemprego), crenças negativas. Vulnerabilidade individual: Algumas pessoas expostas a acontecimentos difíceis não têm depressão e outras têm, mesmo sem motivo aparente. Fatores relacionados com a saúde física: Doenças graves, deficiência, dependência de álcool, tabaco e outras substâncias, para acalmar as angústias. Fatores ambientais: Acontecimento perturbador ou de stress excessivo (ex. conflito familiar ou profissional) Fatores biológicos: Nas perturbações depressivas,

o funcionamento do cérebro fica perturbado. Existem anomalias na produção e controle de determinados neurotransmissores. OS SINTOMAS E O DIAGNÓSTICO DA DEPRESSÃO É difícil avaliar pessoalmente o seu estado psicológico: é indispensável a avaliação de um médico. A depressão manifesta-se, muitas vezes, por episódios depressivos. Existem nove sintomas característicos da depressão. Para que o diagnóstico de depressão possa ser confirmado, o doente depressivo deve apresentar pelo menos cinco destes sintomas quase todos os dias, durante duas semanas, e pelo menos um dos dois primeiros da lista: • Tristeza quase permanente, por vezes com


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lágrimas (humor depressivo). • Perda de interesse e de prazer em relação a atividades do dia a dia, mesmo aquelas que costumam ser agradáveis (anedonia). • Sentimentos de desvalorização e de culpa excessivos ou inapropriados. • Ideias de morte ou de suicídio, sentimento de que a vida não vale a pena ser vivida. • Abrandamento psicomotor (abrandamento de atividade, ou pelo contrário, uma maior agitação). • Cansaço (astenia), sobretudo de manhã. • Mudanças no apetite que podem provocar perda ou aumento de peso. • Problemas de sono com insónias matinais. • Dificuldade de atenção, de concentração e de memorização. Para os doentes que apresentam entre cinco e sete sintomas, a depressão é considerada ligeira

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ou moderada. Para além de oito sintomas, é considerada severa. Um primeiro episódio depressivo pode ter uma remissão espontânea num período de seis a 12 meses. Mas os episódios isolados são bastante raros: uma primeira depressão anuncia, muitas vezes, uma recaída. Normalmente, as recaídas numerosas significam depressão severa. Quando a depressão persiste por mais de dois anos, trata-se de uma depressão crónica.

DEPRESSÃO PÓS-PARTO OU BABY BLUES? O nascimento de uma criança provoca muitas vezes, na mãe, emoções excessivas, com vontade de chorar de forma incontrolada nos dias após o parto: é o baby blues. A causa são as alterações hormonais e os fatores emocionais. A remissão REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


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hipnóticos). As ideias suicidas fazem parte dos sintomas da depressão dos adolescentes.

é mais ou menos rápida. Em algumas mulheres, este humor persiste e pode tornar-se numa depressão. Vários fatores aumentam o risco de depressão pós-parto, como sentir-se só, ter dificuldades financeiras ou ter antecedentes de depressão. Este estado pode pesar na relação precoce entre a mãe e o filho, ou mesmo por em risco a saúde do bebé (no caso de dificuldade em interessar-se pela criança e em cuidar dela). Neste caso, impõe-se um controlo rápido da situação. A DEPRESSÃO NAS CRIANÇAS E NOS ADOLESCENTES A depressão não afeta só os adultos. Também afeta as crianças e os adolescentes. Nas crianças e adolescentes, o diagnóstico é mais difícil de perceber que nos adultos. As manifestações da depressão variam em função do nível de desenvolvimento da criança. Contudo, certos sinais de depressão podem ser específicos nessas idades. Nas crianças, a depressão manifesta-se com comportamentos de isolamento, de irritabilidade, de dores no corpo. Nos adolescentes, a depressão também se manifesta com irritabilidade, agitação, agressividade, violência verbal ou de indiferença aparente, desinvestimento escolar ou através de comportamentos nocivos para a saúde: abuso de álcool, droga, medicamentos (ansiolíticos,

AS COMPLICAÇÕES DA DEPRESSÃO Riscos de recaídas: As recaídas podem surgir em cadeia e os períodos de melhoria podem ser cada vez mais curtos. Neste caso a depressão é severa. Contudo, quando o adolescente beneficia de um tratamento e de um acompanhamento adequados, o risco de reaparecimento dos sintomas e o sofrimento diminuem. É por isso primordial o despiste precoce e eficaz, de distúrbios depressivos. O risco de suicídio: As ideias de suicídio são frequentes na depressão. É importante falar com o médico de família ou familiares. A maioria das pessoas que têm ideias suicídas não fazem tentativas de suicídio. Mas o risco não deve ser subestimado. O risco de tentativa de suicídio é maior no caso de episódio depressivo. Muitas vezes, é quando a depressão não é tratada que ela conduz ao suicídio. Nas pessoas tratadas e acompanhadas, o risco de suicídio é menor. É, por isso, primordial o despiste dos distúrbios depressivos, o seu tratamento e o acompanhamento das pessoas depressivas. COMO TRATAR A DEPRESSÃO? Existem vários tratamentos eficazes para combater as formas moderadas ou severas da depressão. Os tratamentos antidepressivos e/ou a psicoterapia ajudam, na maior parte das vezes, a curar a depressão. O envolvimento do doente e a colaboração entre médicos e/ou profissionais da saúde são indispensáveis para o sucesso do tratamento. A psicoterapia é preconizada para todo tipo de depressão. Com o tratamento, os sintomas depressivos diminuem, bem como a frequência das recaídas, podendo mesmo levar à remissão completa. A psicoterapia pode ser o único


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acompanhamento do doente ou estar associada a um medicamento antidepressivo. Os antidepressivos são medicamentos prescritos por um médico de modo a reduzir os sintomas da depressão e as suas consequências. Existem vários tipos de antidepressivos que agem, através de diversos mecanismos, na produção de certos neurotransmissores. Os antidepressivos não agem imediatamente e é necessário duas a quatro semanas para que haja uma melhoria dos sintomas. Uma paragem precoce do tratamento pode ser a origem de recaídas da depressão. A paragem, quando justificada, deve, imperativamente, ser discutida com o médico e deve ser feita progressivamente, durante várias semanas. É possível, com uma boa higiene de vida reforçar a eficácia do tratamento, tornar a cura mais rápida

e evitar o aparecimento dos sintomas. A prática de uma atividade física provoca modificações bioquímicas no organismo: ao fim de 30 minutos de uma atividade física moderada ou intensa, o corpo segrega uma substância chamada endorfina que tem um efeito ansiolítico que diminui os sintomas da depressão. É aconselhado praticar uma atividade física regular de intensidade moderada: 30 minutos cinco vezes por semana de ioga, andar a pé, bicicleta, natação, ginástica em ginásio… A atividade física permite também regular o sono e diminuir os problemas de sono relacionados com a depressão. Uma alimentação saudável e equilibrada: É importante adotar um ritmo regular para as refeições e uma dieta alimentar equilibrada, na qual se privilegia a fruta e os legumes frescos, o peixe e os óleos vegetais, de modo a limitar os problemas de apetite relacionados com a depressão. Evitar o consumo de álcool ou outras substâncias aditivas: os efeitos destes produtos, no funcionamento do cérebro, podem agravar os sintomas da depressão e interferirem com os medicamentos, ao diminuírem os seus efeitos terapêuticos. (MGEN Saúde)


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R A D I Ç Õ E S

Recorde algumas expressões do

“tempo dos nossos avós” Possivelmente já “deu com o nariz na porta” algumas vezes, até já terá chegado “a roupa ao pêlo” a alguém e de certeza absoluta que já “bateu o dente” diversas vezes com o típico frio do Norte. Mas será que conhece, realmente, as melhores expressões do “tempo dos nossos avós”? É que algumas já são, como eles dizem, “do tempo da outra senhora”… ora confirme!


EX P RES SÕ ES DO T E M P O D OS N OSSOS AVÓS

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e, porventura, alguém o abordar com essa expressão, saiba que se refere a “coisas que são muito antigas, tão antigas que já não se pode precisar exatamente quando foram feitas ou sucederam”, como escreve a VortexMag. Por sua vez, a expressão “a banha da cobra”, produto vendido em tempos em feiras e mercados, que prometia tratar uma panóplia de problemas de saúde, reporta a um engano. Ficou assim conhecida pelo produto não ter nenhuma comprovação laboratorial. Certamente “coisas do arco da velha”, uma vez que se refere a uma situação sem sentido e que demonstra “alguma falta de noção por parte de quem a praticou”. Mas, basta “ter boca para ir a Roma” e saber se, efetivamente, esta história é verídica. E nisso, confessemos, os portugueses, e os portuenses em particular, são especialistas. Basta pensarmos nas inúmeras vezes que, diretamente, já confrontamos um colega com alegada falta de moralidade. “Diz o roto ao nu”, dizemos, com a mesma frontalidade que brincamos com a expressão “nasceste com o rabo virado para a lua”. Ligada, possivelmente, a antigas crenças com as fases da lua, que “acreditavam que a sorte e o destino de uma pessoa eram determinados pela altura do ciclo em que nasciam”.

“Supostamente as pessoas que nasceram com o rabo virado para a lua são pessoas sortudas, que mesmo sendo desorganizadas, pouco trabalhadoras ou afins, têm sempre sorte na vida. É quase utilizada para descrever uma situação injusta de favorecimento divino!”, lê-se na publicação. “Chover a potes”, “bater as botas” e “bater o dente” são outras expressões tradicionalmente utilizados e que se referem, respetivamente, a muita chuva, à morte de alguém e, por último, ao frio ou medo, sendo que, neste caso, o significado depende sempre do contexto em que a expressão é utilizada. Já se lhe disserem que foram a sua casa e “deram com o nariz na porta”, significa que não encontraram lá ninguém que lhes pudesse abrir a porta. Nessa altura, não se espante se lhes “chegar a pimenta ao nariz”… expressão utilizada para “descrever o momento em que alguém se começa a enervar ou irritar por algum motivo ou com alguém”. E sorte a sua se não tiver vontade de lhe “chegar a roupa ao pêlo”! Talvez o melhor mesmo seja reunir os amigos à mesa, preparar-lhes uma boa refeição e rir-se com estas expressões do “tempo dos nossos avós”. No final, talvez o brindem também com a expressão “Está daqui!”, utilizada para fazer referência à boa comida, puxando levemente, claro, o lóbulo de uma orelha!

REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


P

O R T O F Ó L I O


“O Porto não é em rigor uma cidade: é uma família. Quando algum mal o acomete, todos o sentem com a mesma intensidade; quando desejam alguma coisa, todos a desejam ao mesmo tempo. Os portuenses são tão ciosos da integridade da sua cidade, como os portugueses em geral da integridade da nação.” João Chagas

FOTO: L.FILIPE C.SOUSA, UNSPLASH

Uma família


M

E T R O PO LI S

Paranhos mais próximo Atenta às necessidades da população com uma situação económica desfavorável, a Junta de Freguesia de Paranhos, liderada por Alberto Machado, dá continuidade às suas iniciativas de carácter social, numa altura em que, considera, estas têm particular importância na vida dos cidadãos. “+Saúde Oral” e “Chave de Afetos” são dois dos programas que pretendem ajudar crianças, adultos e idosos a sorrir com mais entuasismo. Texto: Maria Inês Valente

PROGRAMA TELEASSISTÊNCIA

Intitula-se "Chave dos Afetos", é um projeto da Santa Casa da Misericórdia do Porto em articulação com o Município e a Junta de Freguesia de Paranhos, e monitoriza, de forma contínua, pessoas isoladas com idade igual ou superior a 65 anos, contribuindo, assim, para uma diminuição do isolamento sénior. “Sinalização de casos de idosos em risco e o desenvolvimento de diagnóstico social”, assegurado através de um trabalho de proximidade e em rede de parceiros sinalizadores, “serviço de teleassistência” e “acompanhamento de voluntários” são os três principais eixos


PA RA NHOS

de intervenção do programa. Segundo a Junta de Freguesia de Paranhos, o serviço de teleassistência consiste num “dispositivo conveniente e de fácil utilização”, através do qual a população idosa consegue ter “acesso automático a um operador disponível 24 horas por dia e 365 dias por ano”. Já o acompanhamento de voluntários, com visitas semanais ou quinzenais, baseia-se no interesse e perfil da pessoa idosa, com o objetivo de “estimular a convivência e a participação em atividades dentro e fora do domicílio, promovendo a socialização”. No entanto, atendendo à situação pandémica que o país atravessa, a autarquia suspendeu, por

PROGRAMA SAÚDE ORAL

Em apenas três anos, o programa “+Saúde Oral” já mudou a vida a mais de 1200 pessoas, dando-lhes acesso gratuito a cuidados primários de saúde oral, onde se incluem tratamentos como extrações, restaurações, desvitalizações e destartarizações. Destinado a crianças e adultos, residentes na freguesia de Paranhos, o programa, promovido pela autarquia em parceria com a Clínica

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tempo indeterminado, as visitas presenciais, realizando-se agora os contactos apenas por via telefónica. Através de uma componente tecnológica e humana, a “Chave dos Afetos” promove a inclusão social e as relações afetivas, potenciando um sentimento de segurança subjetiva, “essencial para a permanência da população idosa no seu domicílio, evitando a institucionalização involuntária e custos associados”. O programa tem como público-alvo pessoas isoladas, residentes em Paranhos, com idade igual ou superior a 65 anos, inexistente ou insuficiente retaguarda familiar e rendimento médio mensal inferior a 650 euros.

Pedagógica de Medicina Dentária – Universidade Fernando Pessoa, ajuda todos os cidadãos que apresentem uma situação económica desfavorável. Para poder beneficiar do “+Saúde Oral”, os interessados devem dirigir-se ao Gabinete de Serviço Social da Junta de Freguesia, onde será feita uma “avaliação da sua situação económica”, baseada em documentos referentes a todos os elementos do agregado familiar, entre os quais documentos identificativos, comprovativos dos rendimentos e comprovativos das despesas mensais. O gabinete está disponível para atendimento presencial à segunda e quarta-feira, das 14h00 às 16h30, e à terça e quinta-feira das 09h00 às 12h30. Mais informações sobre o programa podem ser solicitadas através do contactos telefónico 22 502 00 46 e do e-mail servico. social@jfparanhos.pt. REVISTAVIVA OUTUBRO 2020


H U M O R

Cartão roubado

Adormecer

Veio um ladrão

Dois amigos conversam: - Roubaram o cartão de crédito à minha mulher. - E já avisaste o banco? - Não. O ladrão está a gastar muito menos que ela.

Num café, estão dois amigos a conversar: - Sabes, quando eu era pequeno, o meu pai tinha a mania de me mandar para o ar para adormecer. Responde o amigo: - Ai era?! E tu adormecias? - Claro! O teto era baixo!

Um homem rindo às gargalhadas conta para o amigo: - Hoje às 3 da manhã entrou um ladrão em casa! O amigo diz: - A sério?! Mas um ladrão entrou na tua casa e estás a rir? E o que é que ele levou? E o homem responde: - Levou porrada da minha mulher! Achou que era eu a chegar bêbado!

Contributo para o lar

O que diriam?

Espelho meu Num manicómio, dois loucos discutem: - Esse espelho é meu! Dá cá isso! Responde o outro: - Estás parvo ou quê?! Não vês que tem a minha cara?

Numa certa tarde, batem à porta e o dono da casa vai abrir: - Boa tarde, desejava contribuir para o lar de 3º idade? - Claro que sim! Esperem só um bocado que eu vou buscar a minha sogra!

Mensagens

Mais um pedaço

O meu marido e eu estávamos sentados no sofá. Eu a ver televisão, e ele a mexer no seu telemóvel. De repente o meu telemóvel, que estava na cozinha, tocou. Levantei-me e fui ver quem era. Era uma mensagem do meu marido: "Já que estás na cozinha, podes fazer-me umas sandes?"

A mãe de um rapaz guloso comprou um bolo. O rapaz come quase o bolo todo e ainda pede mais um pedaço, mas a mãe alerta: - Filho, se tu comeres mais um pedaço, vais explodir! E o menino rapidamente responde: - Então dá-me o pedaço e sai a correr!

Uma loira vai ao zoo com o novo namorado, e pergunta-lhe: - Que diriam estes tigres, se pudessem falar? Responde o namorado: - Olha, certamente, diriam assim: “Oh tonta, não vês que somos zebras!”

Precisamos de mais um médico Toca o telefone e o médico reconhece a voz de um colega do outro lado da linha: - Precisamos de mais um jogador para jogar às cartas. - Estou a caminho. Enquanto ele veste uma blusa, a sua mulher pergunta: - O caso é grave? - É sim - responde ele, muito sério - é tão grave, que já há outros três médicos no local.


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