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Revista gratuita trimestral, dezembro 2020 Diretor: José Alberto Magalhães

António Bessa

O mestre que pintou o Presidente Marcelo

Ponte Maria Pia

Uma obra de arte com mais de 140 anos

Mariana Machado A influenciadora portuense que ilumina o digital

ENCOMENDE A SUA CEIA DE NATAL E ANO NOVO SAIBA MAIS NO INTERIOR.


Natal

Mais próximos de quem mais gostamos

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E D I T O R I A L

Que Natal podemos ter? Nas lojas e supermercados, os pinheiros e adereços coloridos já chegaram. Não duvido, não vai demorar e veremos as luzinhas a brilhar, nas casas e ruas, em todo o lado. Então, mal elas comecem a piscar, vai surgir a pergunta. Que Natal vamos ter? Afinal, como vai ser o Natal da pandemia? Sobre o Natal, precisamos entender que 2020 é um ano atípico. Mas está muito difícil aceitar tantas limitações e regras tão apertadas de convivência familiar. Até mesmo pessoas que sempre agiram de maneira mais consciente já se sentem desgastadas por muitos meses de Covid. Compreensível. A hashtag pedindo para toda gente ficar em casa não deveria ter sido apagada dos posts, não pode ser esquecida. Mas o mundo real é diferente, ele tem as suas fragilidades. Nele, as pessoas sentem falta de gente, precisam de ganhar o seu dinheiro, necessitam de uma porção de coisas. Esgotadas, não suportam mais algumas atitudes que tomavam sem dificuldade há alguns meses atrás. Mas elas vão ser necessárias... Mas, por mais contraditório que pareça, pequenos encontros familiares e alguma dose de celebração podem ser importantes para recuperar a energia e o equilíbrio mental. Até mesmo para, em alguns casos, se o bom senso apontar nessa direção, abrir mão de festividades maiores, como o Natal com muita família e amigos. É muito razoável pensar que vai haver uma vacina no primeiro semestre do ano que vem. Por isso, vale a pena puxar lá do fundo uma última dose de energia para insistir um pouco mais no distanciamento social, no uso quase permanente da máscara, e não desperdiçar todo o esforço que foi feito até agora.

E como comemorar o Natal? O primeiro conselho é reduzir a lista de convidados. Reduza o seu núcleo familiar ao mínimo. De preferência apenas o casal e filhos, se os houver. Se a família é muito numerosa, vale a pena dividi-la em festas diferentes, por exemplo. Não há um número limite, ou seja, a matemática é a do bom senso. Acho que não custa reforçar: quem apresenta qualquer sintoma suspeito de covid-19 não deve comparecer ao encontro, seja ele natalício ou outro, nem qualquer um que tenha convivido com essa pessoa, mesmo que morando na mesma casa. Daí que vale a pena combinar ponderação e criatividade. Talvez não se deva juntar de uma só vez meia dúzia de adultos e outra meia dúzia de netos ao redor dos avós — para agravar a saúde e correr imensos riscos, com horas e mais horas para colocar a conversa em dia pessoalmente. Em vez disso, pode ser mais interessante que metade da família se reúna para um lanche com os mais velhos e a outra metade faça a visita num almoço ou jantar no dia seguinte. Enfim, substituir a ceia tradicional por vários encontros mais breves ao longo da semana do Natal pode ser uma boa decisão. Ninguém tem uma receita certa. Também não dá para dispensar a máscara, só realmente na hora de comer e beber. A tendência errada é tirá-la quando mal entrou na casa de alguém. Deve permanecer de máscara e falar com ela colocada, lembrando-se de levar consigo mais do que uma, conforme o tempo que pretende ficar no lugar. Até porque as máscaras ficam húmidas enquanto se conversa. E, daí, já não servem para nos proteger. Limpas e secas, porém, podem filtrar boa parte dos vírus... Dentro do possível desejo-lhe um bom Natal!

José Alberto Magalhães Diretor de Informação

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S U M Á R I O

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D E S TA Q U E TERMINAL INTERMODAL D E C A M PA N H Ã

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PERFIL MARIANA MACHADO

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M ÁQ U I N A DO TEMPO PROFISSÕES

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COMÉRCIO M ATO S I N H O S

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DESCOBRIR LOJAS HISTÓRICAS

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AV E N T U R A F I L I P E M O R ATO GOMES

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MOMENTOS PORTUGAL FA S H I O N

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R ECO R DA R A HISTÓRIA DO BACALHAU


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ÍNDICE 03 E dito r ial 20 M ar q u e s S oa r es 34 C lín ica M é d i ca da F oz 36 Pitadas d e Ter n ur a 42 P o n te M ar ia P i a 46 Co m e s & Be b es 56 W e r a Sto r e 58 An tó n io Be s sa 70 P o rto Can al 72 FC P o rto 74 N ata l 82 C lu be P o rtu g uês d e Au to m óv e i s A n t i g os 86 D icas 92 P o rto fó lio

FICHA TÉCNICA Propriedade de: ADVICE - Comunicação e Imagem Unipessoal, Lda. Sede da Redação/Editor: Rua do Almada, 152 - 2.º - 4050-031 Porto NIPC: 504245732 Tel: 22 339 47 50 - Fax: 22 339 47 54 advice@viva-porto.pt adviceredacao@viva-porto.pt www.viva-porto.pt Gerência e detentor Eduardo Pinto (100%) Diretor de Informação José Alberto Magalhães Redação Maria Inês Valente Fotografia Make it view Sérgio Magalhães Marketing e Publicidade Eduardo João Pinto advicecomercial@viva-porto.pt Célia Teixeira Produção Gráfica Diogo Oliveira Impressão, Acabamentos e Embalagem Multiponto, S.A. Rua da Fábrica, 260 Baltar 4585-013 Paredes. Distribuição Mediapost Tiragem Global 120.000 exemplares Registado no ERC com o nº 124969

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Mariana Machado a influenciadora portuense que ilumina o digital Texto: Maria Inês Valente Fotos: Pedro Alves

Com mais de 150 mil seguidores no Instagram, Mariana Machado tornou-se numa das maiores influenciadoras digitais portuguesas. Diariamente ilumina o universo da moda e das redes sociais com looks de cortar a respiração. A irreverência vigora em todas as propostas apresentadas, aliada à simplicidade e requinte que lhe são tão característicos. Nesta edição natalícia, a VIVA! falou com a “it girl”portuense e dálhe a conhecer o seu lado mais intimista…

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s primeiros passos no digital co meçaram em 2015, de forma muito esporádica, enquanto conciliava o trabalho como enfermeira, profissão na qual sempre investiu bastante, onde era muito bem sucedida e que exerceu durante cerca de oito anos. “Trocar o certo pelo incerto é sempre uma decisão difícil”, mas Mariana Machado não se permitiu temer e, em 2018, arriscou tudo e passou a dedicar-se exclusivamente à área pela qual se apaixonou e onde se sente verdadeiramente feliz e realizada, o digital. “A determinada altura, os horários eram incompatíveis e acabava sempre por esgotar os meus dias de férias para trabalhar para o digital. Depois as férias também deixaram de ser suficientes e tive que tomar uma decisão”, partilhou.

Uma decisão bastante ponderada, onde “tudo foi acontecendo... Quase como se este caminho fizesse parte da minha vida, sem eu o saber”. Tudo se iniciou através do blog Double Trouble, criado com a amiga Eduarda, onde partilha conteúdos relacionados com lifestyle, moda e beleza, e em nome individual, nas redes sociais, onde foi ganhando uma legião cada vez maior de fãs, que, diariamente, se inspiram nas suas partilhas, constantemente enriquecidas a nível cultural, e nas diversas projeções que foi tendo no meio televisivo. O gosto pela moda surgiu desde tenra idade por “influência da mãe e das tias”, revelou a


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KAOA

“Estou certa de que cada vez mais as influenciadora que descobriu também a sua veia empreencoleções vão deixar de ser sazonais e dedora ainda em criança. “A passar a ser mais intemporais. Os materiais minha avó contou-me que, em são também uma preocupação muito grande pequena, montava bancadas na na IUKIYO, usamos apenas algodão 100% casa dela para vender sumos de orgânico. Por isso, penso que a tendência é laranja e ramos de flores. Só aí uma maior consciencialização das nossas é que percebi que, desde cedo, havia uma alma empreendedora necessidades e do mundo que nos rodeia”. em mim”, contou, sorridente. linha de training confortável, que Depois do lançamento da ta, na altura, à NiT, e de várias “Bohemian Rhapsody”, uma “parcerias com marcas para a mostra que os fatos de treino pocoleção de praia que apresen- criação de coleções cápsula”, dem ser utilizados de diversas tou este verão, com a NYOS Mariana Machado criou, este formas, e não apenas em casa ou Swimwear, dedicada a “mu- ano, a sua própria marca de para momentos desportivos. “O lheres de sucesso, reais, que roupa, intitulada iUKIYO. Uma termo «athleisure» apareceu há são uma inspiração e estão em marca 100% nacional e 100% uns anos e a moda desportiva veio constante ascensão” e “na qual algodão orgânico, que surgiu para ficar”, lê-se no site da marca, cada corpo encontra o seu bi- durante o confinamento, e que que ganhou vida em parceria com quíni ou fato de banho ideal”, viu recentemente a sua primeira a amiga, e também influenciadora como descreveu, em entrevis- coleção lançada, UKIYO, uma nortenha, Mariana Castro Moreira. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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Gonçalo Peixoto

A dica da it girl portuense Os acessórios são a “peça chave” que nunca podem faltar num bom look. Fazem sempre a diferença, completam-no e enriquecem-no.

Two Boutique

O nome da coleção, UKIYO, é uma palavra japonesa que significa “viver o momento, desligando dos problemas da vida”. “O que precisamos para diminuir a nossa ansiedade. O «i» significa que «eu» (e cada uma de vocês) deve, de facto, seguir à risca o que a palavra me manda. Viver o momento,

viver o presente, estar aqui e agora! Sem nos focarmos nos problemas, mas sim nas soluções, agarrarmo-nos às melhores coisas que cada dia nos dá”. Além disso, Mariana Machado, que é ainda sócia na gestão de uma loja on-line, Two Boutique, concretizou, também

este ano, o sonho de lançar a sua coleção cápsula de calçado, com a Gold & Rouge, estando já a preparar a linha de verão, revelou. Ser ativa e empreendedora em todas as áreas foi uma preocupação que a influenciadora teve desde que enveredou pelo mundo digital, uma vez que é apologista de que não se devem colocar “todos os ovos na mesma cesta”. Trabalhar nesta área, envolta num profundo glamour, pode ter tanto de aliciante como de desafiante. “A maioria das


“A maioria das pessoas não conhece o modo de trabalho e pensa que é só glamour, que não há trabalho nem esforços envolvidos para se ter sucesso”.

pessoas não conhece o modo de trabalho e pensa que não há esforços envolvidos para se ter sucesso. Não imagina ou sabe o investimento que é necessário, entre máquinas fotográficas, lentes, programas de edição, computadores, drones, viagens, hotéis, restaurantes, roupas, acessórios…Enfim, o que precisamos para garantir a qualidade do nosso trabalho”, lamentou a it girl portuense. Aliadas aos investimentos financeiros envolvidos estão ainda as horas de trabalho a fio que são dedicadas a programar e desenvolver conteúdos. “Sou eu que faço a gestão de

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“Estar sempre a inovar, garantir que todos os meses há salário para as equipas que trabalham comigo e não conseguir desligar do telemóvel um único dia são os principais desafios do digital”

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tudo, com a ajuda do meu marido. Cada dia é diferente e entre fotografar, filmar, editar… há ainda telefonemas, videochamadas, reuniões, mensagens no WhatsApp, atualizações no Instagram, Facebook, Shopify, tudo!”. P a r a m u i to s e s t a é u m a profissão que ainda pode ser vista com “maus olhos”, embora este seja um estereótipo que, cada vez mais, tem vindo a ser colmatado em Portugal por influenciadores como a Mariana, que se esforçam, afincadamente, para levar até ao seu público o melhor conteúdo possível. “Muitas REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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Cerca de dois anos depois de ter abandonado a carreira de enfermagem para se dedicar a 100% à profissão de blogger e influenciadora, Mariana Machado decidiu voltar a exercer, apenas em abril deste ano, a profissão na qual se licenciou, na Universidade Católica do Porto. O objetivo principal foi ajudar o Serviço Nacional de Saúde numa altura em que mais precisava.

vezes digo que trabalho no ramo da publicidade e m a r k e t i n g ” , r e ve l o u , admitindo que a necessidade de estar constantemente a inovar, de garantir o salário de todas as equipas que t r a b a l h a m c o n s i go e a dificuldade de não conseguir desligar do telemóvel um único dia são os principais desafios do digital. Acostumada a participar em inúmeras Semanas da Moda, de prestigiadas cidades europeias, - e não

As áreas que mais explora nas suas redes são moda, lifestyle e viagens. Com uma estética apurada, Mariana conquistou o seu público de Norte a Sul de Portugal e o apoio de inúmeras marcas nacionais e internacionais, tornando-se, rapidamente, uma das melhores referências do digital no país.

só! -, a influenciadora já teve, inclusive, a oportunidade de assistir ao desfile do Tommy Hilfiger, em Nova Iorque. “Foi a primeira vez que fui a Nova Iorque e amei. Pude conhecer algumas figuras tanto do mundo digital como de filmes e televisão que sempre me inspiraram. Nesse dia senti-me no mundo encantado da blogosfera”, destacou, não escondendo a paixão que tem por viajar e onde admite sentir-se “mais criativa”.


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IUKIYO

Apesar dos vários constrangimentos de 2020, este tem sido um ano, profissionalmente, marcante para Mariana, que cresce a um ritmo galopante. Uma projeção que atribui ao “muito trabalho e empenho”. “Para mim esse é sempre o caminho do sucesso”. Para o futuro, adivinha-se “mais uma coleção de roupa, desta vez de pijamas confortáveis e práticos”, que considera ser “uma falha no mercado”, a coleção de verão com a Gold & Rouge e com a

Two. “Vamos começar a ter produção própria”, revelou. Já no campo pessoal fica, por sua vez, o desejo de conseguir passar o Natal em família, junto dos seus avós, e o sonho de ser mãe, dos únicos que ainda falta concretizar. Sempre com o Porto como cenário principal, numa história de vida “tranquila e feliz”! “O medo existe como proteção, por isso, se tivermos receio é p o rq u e e s t a m o s a ag i r de forma consciente. E se é consciente é uma boa decisão.

Com trabalho, esforço, sacrifício, compromisso e responsabilidade tudo se faz! Crescemos a corrigir os nossos erros e devemos enaltecer as vitórias”, aconselhou Mariana Machado, que largou tudo em busca de um sonho.

A sessão fotográfica com a influenciadora decorreu no emblemático espaço portuense Negra Café Baixa. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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Obra do Terminal Intermodal de Campanhã decorre a bom ritmo. Empreitada concluída em junho de 2021.

A construção do Terminal Intermodal de Campanhã (TIC), um projeto do executivo de Rui Moreira, prometido aos portuenses desde 2003, está a meses de se tornar uma realidade. Com um investimento de cerca de 13 milhões de euros, a obra terá a maior cobertura verde de toda a cidade do Porto e será um polo emblemático de absorção de carbono. Em junho próximo, irá revolucionar a mobilidade e o serviço público ao nível metropolitano…

Texto: Maria Inês Valente Fotos: CM Porto


TERMINAL INT E R M ODA L D E CA M PA N H Ã

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omboios suburbanos e de longo curso, rede da Metro e da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP), central de camionagem, com autocarros de serviço intermunicipal e regional, parque de estacionamento, estação de serviço, paragens “kiss & ride”, parque de bicicletas e táxis e diversas áreas administrativas, técnicas e de apoio ao público. Daqui a pouco mais de seis meses todas estas infraestruturas estarão agrupadas numa só, no novo Terminal Intermodal de Campanhã, cuja conclusão da obra está prevista para junho de 2021. A garantia foi dada, em fevereiro do corrente

ano, pelo empreiteiro, a ABB – Alexandre Barbosa Borges, S.A. ao presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, aquando da primeira visita ao terreno. “Acho que as coisas estão a correr muito bem. A ABB [empreiteiro] confirmou que se mantém o prazo previsto para a conclusão da obra que é junho de 2021”, assinalou, nesse dia, o autarca à comunicação social, recordando que, curiosamente, “fará nessa altura 18 anos que foi anunciado como prioridade para a cidade do Porto a construção de um Terminal Intermodal”. Projetado pelo arquiteto Nuno Brandão Costa, esta obra dotará a zona de Campanhã de uma interface capaz de abranger a oferta de um vasto número de serviços, “aproveitando a localização privilegiada que possui através das acessibilidades rodoviárias, como a Via

de Cintura Interna (VCI) e as autoestradas circundantes (A1, A3, A4 e A43)”. O novo equipamento, que ocupará cerca de 24 mil metros quadrados, tornar-se-á a solução ideal para os milhares de cidadãos que, diariamente, utilizam os transportes públicos da Área Metropolitana do Porto, ajudando, assim, a colmatar diversas dificuldades, como a distância entre as paragens dos diferentes operadores e o trânsito intenso que, diariamente, se verifica na cidade. Além disso, o projeto contempla também a “construção” daquele que será o maior parque natural da cidade, com o nascimento de uma área ajardinada com um total 46 mil metros quadrados de superfície verde, tornando-se “no maior polo de absorção de carbono na cidade”. “Este terminal resolve ou REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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ajuda a resolver problemas metropolitanos de transporte, tem um impacto muito grande na cidade em tudo o que está relacionado com mobilidade e depois, para Campanhã, por ser um parque que vai valorizar muito uma zona que nós consideramos que é absolutamente crucial para o desenvolvimento da cidade", resumiu o autarca da Câmara do Porto. A plataforma intermodal constituirá, assim, um dos principais nós da rede de transporte público, enquanto interface estratégica de um anel de contorno da cidade do Porto, funcionando em

articulação com a interface da Casa da Música e a futura interface do Hospital de S. João”. Na sua circundante, o TIC vai ainda promover “a ligação entre duas partes da cidade, que anteriormente estavam cortadas pela linha férrea”, destacou, referindo-se à proximidade da infraestrutura às estações de comboios e de metro de Campanhã. “Numa zona muito degradada da cidade, o Terminal vai dar uma visão muito mais contemporânea e natural da cidade”, acrescentou ainda. Recentemente, o município anunciou o lançamento do

O TIC é um projeto revolucionário para os transportes e a mobilidade no Porto. Além de um grande empreendimento de arquitetura e engenharia com os seus 24 mil metros quadrados de área bruta total de construção, torna-se também revolucionário no campo da sustentabilidade ambiental, uma vez que se vai transformar no maior polo de absorção de carbono na cidade: entre a sua cobertura totalmente verde e a área circundante igualmente ajardinada, serão 4,6 hectares de superfície verde.



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concurso público para a empreitada da passagem pedonal que ligará o futuro equipamento à estação de metro da zona, uma obra fundamental para facilitar a mobilidade entre o futuro equipamento, o comboio e o metro. A intervenção prevê a instalação de seis tapetes rolantes, com um comprimento total de aproximadamente 255 metros, que possibilitará a ligação de passageiros e utentes com os respetivos meios de transporte envolvidos. Recorde-se que a obra do Terminal Intermodal de Campanhã, cujos trabalhos arrancaram no final do ano passado, representa um investimento municipal na

Fundamental para o desenvolvimento da zona oriental da cidade, o Terminal Intermodal de Campanhã será uma obra de engenharia notável e um espaço verde de referência na cidade. ordem dos 12,6 milhões de euros, sendo que o projeto tem candidatura aprovada para fundos comunitários do programa Norte 2020. A infraestrutura está a ser construída com o “respeito integral” pela

norma internacional LEED - Leadership in Energy and Environmental Design -, em português Liderança em Energia e Design Ambiental. Segundo a Câmara Municipal do Porto, trata-se de uma certificação para construções sustentáveis, concebida e concedida pela organização não governamental United States Green Building Council (USGBC), com o intuito de promover e estimular práticas de construção sustentáveis, satisfazendo critérios para uma construção verde.



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A VERDADEIRA JOIA COMERCIAL PORTUGUESA

60 anos de sucesso


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A mais emblemática joia comercial portuguesa, os Armazéns Marques Soares, acaba de atingir o marco dos 60 anos de vida, um número histórico, comemorado, de forma simbólica, com muito brilho, cor, alegria e, sempre, de olhos postos no futuro. Esta é, aliás, uma marca identitária do grupo que, desde cedo, mostrou uma enorme capacidade de adaptação ao mercado, de inovação e interesse pelas necessidades dos seus clientes. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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Acostumados a receber os seus clientes com toda a pompa e circunstância, característica enfatizada, nesta época natalícia, por uma decoração a preceito, que os convida a mergulhar num verdadeiro mundo de tentação, composto por mais de 300 marcas nacionais e internacionais, o grupo assegura a qualidade de excelência de todos os produtos apresentados nas suas estonteantes montras.

As oportunidades variam entre vestuário e calçado de senhora, homem ou criança, perfumaria, ótica, sapataria, artigos para casa, eletrodomésticos, cosmética e joalharia, com vantagens únicas de pagamento da Marques Soares.


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Fique a conhecer todos os artigos desta joia comercial portuguesa na sua casa-mãe, localizada numa das zonas mais trendy e movimentadas da cidade do Porto, a Rua das Carmelitas, ou num dos espaços espalhados pelas cidades de Braga, Aveiro, Santarém, Beja, Vila Real e Évora… e delicie-se com propostas para todas as áreas da vida quotidiana!

Se não for possível dirigir-se, presencialmente, aos espaços da Marques Soares, saiba que pode também encontrar todos os artigos na sua plataforma online, renovada recentemente, e que se apresenta agora com uma imagem clean e navegação bastante intuitiva.

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As profissões desaparecidas Aguadeiro, trapeiro, ardina, moço de fretes e lavadeira… São apenas cinco das muitas profissões que já desapareceram. Perdidas no tempo, mas jamais apagadas da memória dos cidadãos, seja dos que lhe deram vida, de quem com elas se cruzou ou as conhece apenas como protagonistas de outras histórias, como estas, que lhe contamos, agora, na nossa “Máquina do Tempo”.

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urante vários anos, estes ofícios invadiram ruas de Norte a Sul de Portugal. Com trajes apetrechados, para a época, utensílios decorados a preceito e um linguajar característico, mulheres e homens faziam furor por onde passavam. Havia quem fosse pago para andar pela calçada somente a vender trapos, outros para vender ou levar água ao domicílio, para vender jornais e, até, para fazer propaganda. Por outro lado, existia também quem tivesse um posto fixo e, dia após dia, se apresentasse no mesmo local ou a tirar fotografias, a vender galinhas ou a lavar a roupa, fosse a sua ou a de terceiros. Hoje, estes retratos já não se vislumbram, já não estão presentes na Classificação Nacional das Profissões, mas permanecerão, eternamente, como um marco para a história da humanidade… num tempo em que as tecnologias da informação e comunicação estavam muito longe de alcançar o estatuto que detêm hoje na vida de todos os cidadãos.

Aguadeiro “Há água fresquinha! Quem quer quem quer?” No século XIX e início do século XX, antes da vulgarização da água

canalizada, o fornecimento doméstico da mesma era feito, quase exclusivamente, por galegos, que davam continuidade a uma tradição muito antiga relacionada com as gentes do seu país. Reza a história que os aguadeiros, figuras típicas da época, iam buscar água aos vários chafarizes da


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cidade, distribuíamna por barris e, depois, levavam-nos às casas de quem quisesse, enquanto apregoavam. Chegados ao destinado, despejavam-nos diretamente nos potes de barro colocados nas

cozinhas. Para evitarem perder demasiado tempo à janela, enquanto esperavam a chegada dos aguadeiros, ou gritar por eles, as donas de casa que precisavam de água, colocavam um pano

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branco à janela. Desta forma, quando os galegos passavam iam olhando e, se vissem o pano, subiam e deixavam a água. Com a vulgarização da água canalizada, a profissão desapareceu.

Trapeiro “Quem tem trapos ou farrapos que queira vender” Este era o pregão cantado pelos trapeiros, uma profissão praticada por mulheres, homens e até crianças, que vendiam e compravam trapos e roupas velhas porta-a-porta, carregados por grandes sacos de sarapilheira. Lá dentro estavam todo o tipo de trapos, ou desperdícios, como também lhes chamavam, que poderiam servir para diversas áreas, como para as funcionárias da limpeza, engraxadores e/ou canalizadores. Tinham aplicações muito variadas!

Ardina “As notícias…” Entre as figuras mais populares de antigamente estava o ardina, um vendedor de jornais, que apregoava pelas ruas a venda das publicações, anunciando as primeiras notícias do dia. A profissão, segundo escreve Germano Silva, no seu livro “Porto, Profissões (quase) desaparecidas”, “foi posta em prática pela primeira vez, no Porto, por Gaspar Ferreira Baltar, fundador d’ O Primeiro de Janeiro, por volta

de 1870”, com o objetivo de atrair mais público. A partir dessa data, tornouse habitual ver os ardinas com a sacola de jornais ao ombro, a percorrer as diferentes artérias portuenses, enquanto vendiam as notícias “de boca em boca”. No entanto, alguns anos mais tarde, com o aparecimento da publicidade e a criação de suplementos nos jornais, estes tornaramse mais pesados, pelo que começaram a surgir as bancas, destinadas à venda de jornais. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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Fotógrafoà-láminute “Olha o passarinho...!” O fotógrafo-àla-minute era um fotógrafo ambulante que exercia a sua atividade em diversos espaços públicos, como jardins, praças e

Varina “Olha o carapau fresquinho!” De canastra na cabeça ou na anca, voz poderosa e uma coragem como não havia igual, as varinas, ou vareiras, como também eram conhecidas, constituem em ícone na memória dos portugueses. Estas senhoras recolhiam o

feiras. Fizesse sol ou chuva, estava sempre presente, pronto a tirar a melhor fotografia, a preto e branco, na época, com a sua centenária máquina fotográfica. “Olha o passarinho, não se mexam, quietinhos, sorriam... já está” era a frase típica deste profissional, que teve um papel importante na popularização da fotografia.

peixe na lota, pescado muitas vezes pelos próprios maridos, e depois vendiam-no porta a porta pela sua cidade. Apropriavamse das ruas de uma forma tão afirmativa, com gestos, vozes e formas de comunicar tão marcantes, que ficaram conhecidas pelas “rainhas da rua”, amplamente retratadas e descritas, sobretudo nos séculos XIX e XX.

Lavadeira “…três corpetes, um avental…que a freguesa deu ao rol” A lavadeira era uma mulher que lavava a roupa caseira, sua ou alheia, em tanques, poços, rios ou lavadouros. Levavam-na numa trouxa à cabeça, de madrugada, devidamente distinguida quando se tratava de roupa alheia, fosse através das iniciais ou pequenas

estrelas, flores ou ilhós. A roupa era levada para o lavadouro, por exemplo, onde as lavadeiras a ensaboavam e esfregavam com os punhos fechados. Depois eram estendidas no chão, durante cerca de dois dias, com o sabão e ainda molhada, voltava a ser demolhada no lavadouro, para retirar o sabão e enxaguar, sendo depois seca em cordas. Após este processo, dobrava-se e espalmava-se com as mãos ou então passava-se a ferro e estava pronta a vestir…


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Moço de fretes Os moços de fretes pairavam nas esquinas das ruas da cidade, prontos para aceitar fretes/serviços a troco de dinheiro. Reconhecidos pela sua discrição, faziam de tudo um pouco, desde entregar correspondência confidencial, entregas ao domicílio, carregamentos de mobílias, mercearias e afins e até efetuavam pagamentos. Tendo em conta a responsabilidade da profissão, parece que os seus serviços eram muito bem pagos.

Vendedeira de galinhas “Ó freguesa….essa até tem ovinhos” As vendedeiras de galinhas carregavam os animais em canastras armadas em gaiolas com rede esticada em forma de barraca e, no seu curto, mas muito eficaz, discurso, garantiam a todos os clientes que todas as galinhas eram boas poedeiras. Na época, era habitual criarem ou comprarem criação para ter em casa, como reserva alimentar.

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Matosinhos apoia o

comércio local Texto: Maria Inês Valente Fotos: Make it view

Num ano completamente atípico como 2020, que tem merecido uma atenção redobrada e uma resposta cada vez mais rápida e eficaz da Câmara Municipal de Matosinhos às necessidades dos milhares de empresários do concelho, o executivo liderado por Luísa Salgueiro anunciou uma nova estratégia para ajudar o comércio e serviços de proximidade locais “fortemente penalizados” pela covid-19. As medidas visam apoiar o desenvolvimento da atividade comercial do município, atraindo cada vez mais clientes e, simultaneamente, promovendo a “sustentabilidade desta revelante e carismática área” da economia local, através da sua inclusão efetiva nas opções de compra dos consumidores.


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Câmara Municipal de Matosinhos, em parceria com a Associação Empresarial do Concelho (AECM), vai comparticipar ações de promoção e dinamização do comércio e serviços de proximidade “fortemente penalizados” pela pandemia de covid-19. A assinatura do protocolo, orçado em 120 mil euros, decorreu em novembro e estará em vigor durante um ano, tendo como objetivo principal apoiar os empresários do concelho e, simultaneamente, potenciar e desenvolver a atividade económica do mesmo, numa altura em que o país enfrenta aquela que é já considerada a pior vaga da pandemia, que está a ter consequências nefastas na economia do país. O protocolo aprovado inclui também a criação de um sistema de fidelização com cartão de pontos - físico e digital -, que poderá ser utilizado em todos os espaços comerciais e serviços aderentes assim como o desenvolvimento de um livro de vouchers com descontos e ofertas atribuídas pelos lojistas para distribuição pela comunidade matosinhense. Além disso, os comerciantes e clientes do concelho passarão ainda a ter ao seu dispor um marketplace digital multivendedor, “ajustável a dispositivos móveis, que permita a gestão da plataforma por um administrador e que possibilite a criação de lojas online diferenciadas por cada espaço comercial e de serviços”. De acordo com a proposta, a plataforma em causa permitirá “pagamentos únicos dos consumidores diretamente a cada lojista sem necessidade de intermediários”, através de referência

O “regresso ao comércio tradicional” é entendido pelo executivo não só como essencial para a retoma económica, mas também como uma oportunidade para os comerciantes locais e uma responsabilidade para todos os “bons vizinhos” de Matosinhos.

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De acordo com a autarquia liderada por Luísa Salgueiro, as iniciativas são desenvolvidas com o objetivo de atrair mais público para o comércio local a curto prazo, mas, sobretudo, com o objetivo de, a médio e longo prazo, promoverem a sustentabilidade desta relevante e carismática área da economia local, através da sua inclusão efetiva nas opções de compra dos consumidores.

multibanco, mbway, paypal e cartão de crédito, sendo que assegurará ainda “a possibilidade de rastreio e notificação em tempo real do estado da encomenda e entrega” junto da transportadora. O plano de formação em literacia digital e o apoio na criação e gestão dos meios digitais e das páginas das redes sociais de Facebook e Instagram, onde se inclui “a criação de imagem gráfica e plano de publicações” dos espaços aderentes, são apenas mais duas das inúmeras vantagens que os lojistas terão ao candidatarem-se ao protocolo. No âmbito deste, inclui-se também a produção de meios físicos de comunicação e promoção do projeto, através de rollups, pendões, faixas, folhetos, cartões, convites, cartazes, mupis e vouchers. As a çõ e s e m c au s a s e r ã o asseguradas pela Associação

Empresarial, que está ainda encarregue de, no decorrer das atividades, promover a “redução do consumo de produtos descartáveis de plástico, implementar práticas de marketing ambientalmente sustentáveis, diminuindo a distribuição de ofertas e brindes de plástico e cumprir a proibição do lançamento de balões”, respeitando, assim, a recomendação da Assembleia Municipal de Matosinhos de dezembro de 2018.

Natal em Matosinhos 2020: O incentivo à retoma do comércio

À semelhança dos anos anteriores, as propostas da Câmara Municipal para este Natal enquadram-se na “estratégia de dinamização, revitalização e diferenciação dos negócios locais e do comércio tradicional e local” em curso nos últimos anos. Com estas


M ATOSI N H OS

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iniciativas, que incluem a realização de concursos de montras e de sorteio de vales de compras, a ilustração de montras de estabelecimentos comerciais e dos mercados municipais e a decoração e animação musical da Rua Brito Capelo, a autarquia pretende potenciar o regresso dos clientes “ao comércio tradicional”, completamente estruturado para receber a população com toda a segurança necessária no atual contexto de pandemia. Além destas ações, o município mantém, ainda, as iluminações de Natal, ornamentando as ruas do concelho a preceito para “dar alguma beleza e cor às diversas artérias” neste momento particularmente difícil que o país e a região Norte, em particular, atravessam. Por sua vez, decidiu avançar com o cancelamento do programa de Natal e Ano Novo que, nesta época, costumava animar as várias ruas do município, com espetáculos, concertos, fogo de artifício e a “tradicional instalação de luz e som” em frente aos Paços do Concelho, de forma a limitar o mais possível a aglomeração de pessoas e, consequentemente, evitar a incidência de novos contágios na população. A verba poupada nestas ações, num total de 150 mil euros, será transferida para o Fundo de Emergência REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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O M É R C I O

Autarquia também criou serviço de entrega de refeições ao domicílio para apoiar a restauração nos fins de semana de confinamento. No âmbito do encerramento forçado dos estabelecimentos de restauração durante os fins de semana, em virtude do agravamento das medidas decretadas no novo Estado de Emergência, a Câmara Municipal, em conjunto com o setor da restauração local e a MATOCOOPER – Cooperativa de Táxis do concelho, criou um serviço de “entregas ao domicílio” de refeições, completamente gratuito para restaurantes e clientes, que abrangeu todo o concelho de Matosinhos e os concelhos limítrofes num

raio de cinco quilómetros, num total de 54 uniões de freguesias de Vila do Conde, Maia, Valongo, Gondomar, Porto e Vila Nova de Gaia. Intitulado “matosinhos. come”, o serviço, que surgiu como uma medida de apoio criada com a finalidade de manter, tanto quanto possível, a habitual atividade dos restaurantes do concelho, permitiu a milhares de famílias continuarem a “ser servidas com o sabor e o sabor da gastronomia ímpar” de Matosinhos. “Ajude a nossa restauração”, apelou, na altura, o município, alertando que o setor tem cerca de 1.200 restaurantes que empregam mais de cinco mil pessoas no concelho, tratando-se, por isso, de um setor com “uma importância social e económica de enorme relevância”.

Municipal – Empresas e servirá para apoiar os pequenos estabelecimentos comerciais do concelho. A decorrer até 6 de janeiro, as iniciativas em causa pretendem “valorizar o comércio tradicional, incentivar a atividade económica nas artérias comerciais do município e recuperar a memória coletiva das principais zonas de concentração deste comércio de proximidade”, contando com a parceria da Associação Empresarial do Concelho de Matosinhos e o apoio da Associação para a Revitalização da Rua Brito Capelo, Uniões de Freguesias de Custóias, Leça do Balio e Guifões, Matosinhos e Leça, Perafita, Lavra e Santa Cruz do Bispo S.M. Infesta e Senhora da Hora. Com esta estratégia, intitulada “Programa de ativação de Natal do comércio tradicional”, na qual se inclui também a emissão e distribuição de vales de compras e de vales de oferta no comércio tradicional de Matosinhos, a autarquia prevê “um efeito multiplicador”, através das compras privadas que possa estimular, que se poderá traduzir “num volume de compras cerca de 100 mil euros”.


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E D I C I N A

Médicos em Casa Com clientes oriundos de todas as regiões de Portugal Continental, ilhas incluídas, e uma história com mais de 30 anos, focada, sobretudo, nas consultas ao domicílio, a Clínica Médica da Foz, unidade de referência da cidade do Porto, assume hoje uma importância preponderante nos cuidados de saúde. Os “Médicos em Casa” estão disponíveis 24 horas por dia, 365 dias por ano, levando até aos milhares de pacientes o melhor atendimento.

P

aulo Amado, diretor clínico da Clínica Médica da Foz, não tem dúvidas. “A consulta ao domicílio é especial”, principalmente numa altura em que o país enfrenta aquela que já é considerada a maior vaga da pandemia de covid-19. “As dificuldades tornaram-se visíveis nos últimos tempos, mas o nosso esforço tem-se concentrado em manter a atividade de apoio ao domicílio, que sentimos que é extremamente importante, até mesmo porque as alternativas são quase inexistentes”, apontou. Depois de meses de alguma incerteza e adaptação, os profissionais de saúde estão hoje muitos mais conhecedores da realidade

Fotos: Make it view

vivida e, por isso, também já aptos a ir ao domicílio de pacientes com suspeita ativa ou confirmada de covid-19. “Temos todo o equipamento para o fazer em segurança”, assinalou, alertando que o médico só o fará se considerar

quem está a contactar, como pelo médico, que pode ser também ele transmissor da doença, e, principalmente, pelos restantes pacientes, com quem o clínico estará, acrescentou o responsável. O apoio, em casos de suspeita

“O apoio ao domicílio é uma realidade muito importante da nossa atividade clinica. Oferecemos um atendimento permanente 24 horas por dia durante todos os dias do ano, inclusive sábados e domingos”, Paulo Amado, diretor clínico que “é importante a sua ida ao domicílio”. “Não é uma questão de recusa ou de medo, é uma questão de segurança e higiene”, tanto pelo paciente com

clínica ou confirmada de infeção por covid-19, pode ser complementado pela videoconsulta, que, embora Paulo Amado admita que não substitua a relação médico-


C LÍ N I CA M É D I CA DA FOZ

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Agregados familiares até 8 pessoas doente, “ajuda a ultrapassar as dificuldades iniciais” e tem sido “bastante útil”. “Há uma triagem inicial, que é feita pelo médico de serviço, onde o principal objetivo é apoiar o doente. Portanto, o próprio paciente quando nos procura tem que ser o mais rigoroso quanto possível – porque é que pede o médico ao domicílio, qual é a intenção, qual é, eventualmente, a patologia que está na base dos sintomas, etc.”, explicou. “Muitos dos doentes que nos contactam já temos o seu historial clinico, já sabemos o que têm e podemos, muitas vezes, ultrapassar determinamos procedimentos e ser úteis mesmo sem a presença física do médico. Mas, reforço, o objetivo número um da Clínica Médica da Foz é levar sempre o médico ao domicílio”, concluiu o diretor clínico. Além dos domicílios, a Clínica Médica da Foz está de portas abertas para receber os pacientes nas suas instalações, onde tem disponível um vasto conjunto de especialidades, realizadas “sempre com o máximo de segurança”. Um facto percetível assim que se atravessa a porta de entrada desta unidade de saúde, onde, ainda antes de entrarem na receção, os utentes são convidados a fazer a higienização das mãos e pés, através de um tapete próprio para o efeito.

• Assistência Médica ao Domicílio (24 horas/dia) • Consulta de Clínica Geral (Urgência na Clínica) • Assistência de Enfermagem ao

Domicílio • Especialidades Médicas na Clínica • Acompanhamento e Apoio Domiciliário

Especialidades A Clínica Médica da Foz disponibiliza uma variedade de serviços, proporcionando aos seus doentes uma “vivência plena de saúde e bem-estar”: • Análises Clínicas • Cardiologia • Cirurgia Geral • Cirurgia Vascular • Cirurgia Pediátrica • Dermatologia • Doenças Infeciosas • Ecografia • Endocrinologia • Fisiatria • Gastrentorologia

• Geriatria • Ginecologia • Imunoalergologia • Medicina Dentária • Medicina Desportiva • Medicina Geral e Familiar • Consulta do Viajante • Neurocirurgia • Neurologia

• Oftalmologia • Ortopedia • Otorrinolaringologia • Pediatria • Pedopsiquiatria • Pneumologia • Psiquiatria • Reumatologia • Medicina da Dor • Nutrição • Urologia

“O nosso objetivo é sempre ir a casa do doente. A videoconsulta e a teleconsulta são só um apoio que achamos útil em muitos casos”.

Rua de Sobreiras 636, Porto | Telefone 226 178 917

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E D I C I N A Nasceu com o objetivo de prestar cuidados de excelência no domicílio, com soluções que permitem o conforto, potenciam a autonomia, recuperação e qualidade de vida dos utentes, e é precisamente essa a missão que tem vindo a desenvolver ao longo destes quase cinco anos de existência. Na “Pitadas de Ternura”, empresa de apoio domiciliário, com sede na cidade do Porto e serviço disponível em todo o país, a competência é exímia e os resultados e satisfação dos utentes e familiares estão à vista de todos… Fotos: Make it view

Cuidar com

“Pitadas de Ternura”

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través de um único contacto, regra geral com uma resposta bastante rápida e eficiente, os utentes da “Pitadas de Ternura” conseguem ter acesso, além de um apoio domiciliário de excelência, a um vasto universo de serviços, contratados de acordo com as eventuais necessidades de cada um. “Podemos entrar na casa do utente para fazer o apoio domiciliário na área da geriatria e complementar com serviços de enfermagem, médico, fisioterapia, terapia da fala, e outras valências que possam ser solicitadas”, aponta Alexandra Sinde,

diretora do espaço, que conta com profissionais disponíveis durante 24 horas por dia. Particularmente dirigidos à população sénior, os trabalhos variam entre

num acompanhamento de prevenção de queda ou no apoio pós queda ou pós cirúrgico, este último também disponível para as camadas mais jovens.

“Personalizamos os nossos serviços à medida de cada utente, pelo estado de saúde físico e mental, pela necessidade imediata, adaptando sempre a resposta para alcançar todos os utentes com opção de vários cenários ” Alexandra Sinde, diretora da “Pitadas de Ternura”

acompanhamentos, que podem ser de uma a 24 horas, com serviço de higiene parcial ou completa, para utentes com mobilidade reduzida, elevado grau de dependência ou acamado, ou simplesmente,

De acordo com a responsável, é essencialmente no período da noite que se verificam mais quedas por parte da população sénior, razão pela qual considera necessário que se intervenha na prevenção, com


P I TA DA S D E T E R N U RA

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• Rua Faria Guimarães 595, Porto • Telefones (24 horas): • 223 196 154 • 913 879 956

vigilância. As equipas, polivalentes e alvo de um “recrutamento muito rigoroso”, são “adaptadas em função do grau de exigência dos trabalhos”. “Nos domicílios, prestamos o serviço de assistência, desde a higiene pessoal, vestuário, acompanhamento na deslocação, promovendo a locomoção com o apoio físico, ou, de ajudas técnicas (andarilho). Temos o compromisso de higienizar todos os compartimentos utilizados no apoio em domicílio, preparamos quando solicitado as refeições na habitação do utente, e, muito importante, organizamos e administramos a toma da medicação diária. Quando o utente é um dependente de grau mais elevado, a nossa prestação incide nas 24 horas de apoio à resposta das necessidades de vida diária. Quando solicitado, podemos satisfazer e resolver algumas necessidades de bem estar e beleza, como cabeleireiro e barbeiro, manicure e pédicure, podologista e outros, e ainda,

compras no exterior”, revela. Numa altura particularmente atípica como a que vivemos este ano, com a pandemia de covid-19, este tipo de cuidados, completamente personalizados e executados no conforto do lar dos utentes, revelou-se uma mais valia acrescida. Aliado a isso, está ainda o facto de a empresa disponibilizar também, na sua loja física, de produtos consumíveis e ajudas técnicas – como camas articuladas, cadeirões e cadeiras para banho - que podem ser entregues nos domicílios. “Neste momento, os nossos utentes encomendam em loja, mais produtos e fazemos

a entrega em casa. Assim é um serviço acrescido, que salvaguarda a saída à rua de familiares ou das cuidadoras, e preserva contactos físicos de rua e maior satisfação e conforto”. No total, a “Pitadas de Ternura” conta com uma média de 40 prestadores de serviços como auxiliares de geriatria, excluindo enfermeiros e médicos. A capacidade de resposta, das 24 horas com a enfermagem e o médico em casa, é total. “Perspetiva-se um futuro de grande crescimento. É necessário efetivamente, entrarmos na casa dos utentes e darmos este apoio”, conclui Alexandra Sinde.

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E S C O B R I R

Nesta edição, convidamo-lo a passear connosco pela Rua de Mouzinho da Silveira e conhecer duas das mais icónicas lojas históricas da cidade do Porto. Abrangidas pelo programa municipal “Porto de Tradição”, uma está ligada ao comércio de artigos religiosos e outra à venda de peças, antigas e não só, através da realização de leilões… Ainda que visivelmente distintas, ambas se completam no que respeita ao seu vasto património histórico e ambição e resiliência em vingar no mercado atual. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Make it view

GALERIAS VANDOMA Um ano depois da revolução em Portugal, erguia-se no número 181 da Rua de Mouzinho da Silveira as Galerias Vandoma, uma casa especialista em leilões e avaliações de peças antigas, que deve o nome à padroeira da cidade, e onde é possível encontrar uma variedade muito grande de artigos, como peças de decoração, mobiliário, porcelanas, pratas, esculturas, pintura, entre outros. De acordo com Ana Luz, filha e neta dos fundadores da casa, apaixonados assumidos por antiguidades, este foi um espaço que sempre teve

uma grande intervenção artística na cidade. “Era um sítio quase de paragem obrigatória dos vários artistas que por aqui passavam”, garante. Atualmente, esta é uma tradição que se mantém, embora adaptada aos ditos “tempos modernos” e àquelas que são as necessidades dos clientes. “Passou de um negócio onde se vendem apenas antiguidades e obras de arte para um negócio onde se vende recheios de casas

e onde podemos encontrar de tudo. E os preços, claro, também mudaram”. A razão? É simples! “Aquilo que, antigamente, tinha muito valor hoje pode não ter. Os gostos mudaram, o ritmo de vida das pessoas também, alteraram-se os hábitos…. Há uma série de fatores que fez com que este negócio e aquilo que era inicialmente se fosse adaptando”, aponta a responsável. Esta é, sem sombra de dúvida,


LOJA S H I STÓR I CA S D O P O RTO

uma das grandes diferenças que encontramos nas Galerias da Vandoma ao longo destes 45 anos de história. A terceira geração envolvida na gestão da casa tem protagonizado um casamento perfeito entre passado e presente e desbravando caminho àquilo que poderá ser o futuro da casa. Com a pandemia da covid-19 e, consequentemente, a recomendação da ausência de plateia nos leilões presenciais, Ana fez uma

aposta significativa nos meios de comunicação digital e avançou com leilões online, que acontecem de 15 em 15 dias, no site das Galerias. “Há uns anos parece que existia um pouco aversão a comprar peças em segunda mão ou antiguidades online, mas hoje isso já não se verifica e as coisas têm corrido bastante bem”, sublinha, adiantando que os próprios vendedores também começam, cada vez mais, “a estar mais informados

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sobre o negócio” e a perceber que pode ser mais vantajoso vender as suas peças em leilão do que noutras plataformas. Presente nas Galerias da Vandoma, desde a mítica abertura, em 1976, está um sofá de borne, “guardado com muito carinho”, que chegou da Casa de Serralves, e uma máquina registadora, protagonista de várias histórias de infância de Ana, em parte passada nesta casa e de onde surgiu, aliás, o interesse pelo negócio. Questionada sobre a importância do programa “Porto de Tradição”, iniciativa da Câmara Municipal do Porto, que pretende ajudar a manter vivas algumas das lojas históricas da cidade, não tem dúvidas do seu imenso potencial. “Foi importante para salvaguardar muitas empresas que já estavam quase com a chave na porta. Tal como nós. Se não fosse este programa, possivelmente, a esta hora, não estaríamos aqui. E mesmo que eu até pudesse abrir a loja noutro sítio, nunca iria ser igual, porque não podemos levar as memórias dentro de uma caixinha. Para nós foi importantíssimo podermos guardar todas estas memorias no mesmo sítio e continuar o nosso dia a dia aqui”, conclui. Todas as informações sobre a compra e venda em leilão, nas Galerias Vandoma, estão disponíveis na página oficial da casa (galeriasdavandoma.com). REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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E S C O B R I R

CASA CORAÇÃO DE JESUS Na família há quatro gerações, a Casa Coração de Jesus, inaugurada em 1885, também se tem vindo a reinventar ao longo do tempo. Com mais de 135 anos de vida, nesta casa, agora localizada na emblemática artéria portuense de Mouzinho da Silveira, onde, outrora, existiu um banco, os clientes encontram todo o tipo de artigos ligados ao culto religioso. A garantia é de João Melo, atual proprietário do espaço, que abandonou a área na qual se licenciou, informática, para seguir as pisadas do avô e tios neste negócio. “O Joaquim da Silva Melo abriu esta loja, na Rua do Copo da Guarda, precisamente no dia em que fez 25 anos. Tinha casado, a sua esposa era uma belíssima bordadora, sendo que a casa foi fundada com essa característica, uma casa bordadora, que fazia trabalhos para todas


LOJA S H I STÓR I CA S D O P O RTO

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as necessidades da igreja”, revela. Uma parte interessante, considera o responsável, mas que veio a desaparecer depois do Concílio do Vaticano em 1960/70, que acabou por terminar com esta tradição. A partir de então, as imagens e outros artigos religiosos passaram a ter especial destaque na casa, fator que ainda hoje se mantém. No número 304, os clientes podem encontrar diversos artigos, como terços, bíblias, quadros, imagens de Nossa Senhora de Fátima, S. Benedito, S. Tiago e inúmeros presépios, curiosamente as peças mais vendidas nesta altura do ano. “50% das nossas vendas são feitas na época do Natal, 30% na Páscoa e 20% no resto do ano”, revela, adiantando que, de janeiro a dezembro, as figuras de Nossa Senhora de

Fátima e Santo António são, efetivamente, as mais procuradas. João Melo, que se aventurou no negócio por influência do avô, figura com a qual mantinha uma ligação muito forte, implementou uma nova vertente na Casa Coração de Jesus, relacionada com o restauro de artigos. “Eu sempre tive uma certa habilidade para isso e tive a sorte de conhecer um senhor que me ensinou muito. Além da parte técnica, análise e afins, surgiu a oportunidade de fazermos restauros de imagens e altares,

por exemplo”, conta. Os trabalhos, feitos num atelier criado propositadamente para o efeito, em Vila Nova de Gaia, envolvem um cuidado extremo no que toca ao manuseamento de todas as peças. O carinho e envolvimento para com todos os artigos expostos é visível assim que se entra na grandiosa porta da Casa Coração de Jesus e, imediatamente, alargada pelos rostos que recebem os clientes, no qual se inclui, naturalmente, a D. Adelaide, funcionária do espaço há quase 30 anos e considerada

a “alma da casa”. “Os clientes gostam muito do que veem quando entram aqui. Criamos sempre uma ligação muito forte com todos eles. Até porque, como gosto de dizer, um cliente é sempre um amigo”, sublinha. Vocacionado maioritariamente para o público português, o espaço é pouco potenciado pelos turistas, mercado não muito significativo no desenvolvimento do negócio, embora, como aponta João Melo, revelem sempre uma “enorme curiosidade em conhecer a história da casa e o significado de cada uma das peças expostas”. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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Ponte Maria Pia Uma obra de arte com mais de 140 anos

Imponente pela estrutura, pela história e pelo nome que tem associado. Assim é a Ponte Maria Pia, uma obra de arte desativada há praticamente 30 anos, projetada há mais de 140, com o intuito de ligar, através do comboio, as margens do Porto e de Vila Nova de Gaia, e assim desbravar caminho para o desenvolvimento e a evolução dos transportes no final do século XIX. Nesta edição, a VIVA! mostra-lhe imagens inéditas da sua construção… Texto: Maria Inês Valente


PONTE MARIA PIA

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A Ponte Maria Pia foi inaugurada a 4 de novembro de 1877 por Dom Luís I de Portugal e a sua esposa Dona Maria Pia, depois de quase dois anos a ser construída, tendo sido a primeira, em todo o mundo, em que os apoios intermédios foram substituídos por um arco, considerado, na altura, o maior arco em ferro. “As dimensões exigidas pela largura do rio e das escarpas envolventes, foi considerado o maior vão construído até essa data, aplicando métodos revolucionários para a época”, lê-se no site “Centro Histórico do Porto – Património Mundial”.

Construída pela empresa Eiffel Constructions Métalliques, onde trabalhava o conceituado engenheiro Gustáve Eiffel, a infraestrutura é uma obra do engenheiro francês Théophile Seyrig, que, mais tarde, viria a projetar também a Ponte Dom Luís I.

A ponte foi projetada para ligar as margens do Douro no âmbito da construção da linha ferroviária do Norte, marcando assim a sua chegada à cidade Invicta. No total, contou com a intervenção de cerca de 150 operários e 1.600.000 quilos de ferro. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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Contam os historiadores que a cerimónia de inauguração oficial da Ponte Maria Pia teve início com um “comboio especial”, com 24 carruagens, que transportou mais de 1200 convidados de Vila Nova de Gaia até à ponte. Posteriormente, regressou a Gaia para deixar passar o comboio real.

No entanto, segundo escreveu Germano Silva, no seu livro “Porto Desconhecido e Insólito”, houve alguém que teve a audácia de inaugurar a ponte ainda antes de ela estar totalmente concluída. Tratou-se de D. Adelaide Lopes, esposa do engenheirochefe da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, Pedro Inácio Lopes, que a percorreu a pé, desde Gaia até ao Porto, antes da família real o fazer de comboio. “(…) nada a demoveu de prosseguir os seus intentos. Nem mesmo o vento forte que naquela altura se fazia sentir e que fazia baloiçar perigosamente o comprido vestido que envergava, a motivaram a desistir. (…) Ora, sensivelmente a partir do meio do tabuleiro, deixava de haver as passadeiras laterais sobre as quais se podia andar comodamente e em segurança. Haviam apenas umas compridas barras de ferro por onde só se aventuravam os mais exímios e corajosos operários. D. Adelaide Lopes nem aí teve o mais leve indício de temor que a levasse a voltar atrás”, assinalou o escritor, jornalista e historiador.


PONTE MARIA PIA

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Em 1991, a Ponte Maria Pia foi desativada devido à construção da Ponte São João e, desde então, já lá vão quase 30 anos, nenhum comboio voltou a passar na sua linha férrea.

Monumento reconhecido nacional e internacionalmente, a Ponte Maria Pia faz parte do património e da história da cidade do Porto.

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COMES & BEBES Um percurso gastronómico pelo Grande Porto

Fechamos 2020 com oito dos melhores restaurantes do Grande Porto. Entre propostas tradicionais portuguesas, vegetarianas e veganas, nesta edição convidamo-lo ainda a deliciar-se com algumas sugestões do Médio Oriente. Todos os restaurantes estão, naturalmente, atestados com o prestigiado selo de qualidade da marca Recheio e munidos de todas as condições de higiene e segurança necessárias para o receber nesta altura… Textos: Maria Inês Valente Fotos: Make it view

LEITÕES PALACE Rua Formosa 111, Porto Contactos 223 256 767/ 914 996 790 Há, precisamente, quatro anos que este restaurante, especializado em leitão assado à moda da Bairrada, faz a diferença na vida gastronómica de inúmeros portugueses, oriundos de Norte a Sul do país, e dos diversos turistas que se deslocam, propositadamente, à cidade Invicta para provar, e aprovar, os seus pratos. O nome, Leitões Palace, faz

jus não só à qualidade do serviço apresentado, mas também ao local onde está instalado, ocupando uma área considerável do Palácio Visconde Pereira Machado. “Daí o seu nome”, explicou João Miranda, responsável pela casa, que tinha o sonho de abrir este estabelecimento há praticamente quatro décadas, depois de ter feito uma visita guiada a uma conceituada casa de leitões na Mealhada. Aqui, a estrela da casa é, naturalmente, o leitão, sempre suculento e assado nos fornos, próprios, a lenha. No entanto, os clientes podem também deliciar-

se com “uma boa posta de carnes selecionadas superiormente grelhada, bacalhau à lagareiro ou uma boa espetada de lulas com gambas”. E, claro, não se podem ir embora sem provarem as sobremesas, todas caseiras, consideradas um verdadeiro “hino à gastronomia”. De acordo com o responsável, as salas palacianas, onde são servidas todas as refeições, são um dos grandes ex-líbris do restaurante, assim como a esplanada recolhida, com capacidade atual para 60 pessoas. Horário de funcionamento: De terça-feira a domingo das 12h00 às 15h30 e das 19h00 às 22h00.


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IRMÂNIA EGOFRIENDLY FOOD

Rua Sarmento Pimentel 63, Leça da Palmeira Contactos 22 995 7132 / 9303478 636 É um espaço de restauração de comida saudável que nasceu em plena pandemia, fruto do sonho das irmãs Patrícia e Sofia Ferreira, que, desde cedo, possuem um amor incondicional ao mundo da culinária, em particular à alimentação saudável, e desejavam levar para Leça da Palmeira propostas alternativas à cozinha tradicional portuguesa.

E é, precisamente, com vista privilegiada para o mar que se faz esta cozinha, onde não entram aditivos nem açúcar refinados, conta-nos uma das responsáveis. O objetivo é “fazer a diferença na vida dos clientes, proporcionando-lhes uma comida natural e orgânica, respeitando o produto, o produtor e homenageando a sazonalidade dos alimentos”, completa. Na carta, maioritariamente vegetariana e com alternativas vegan, as propostas variam entre tostas, saladas, hambúrgueres, bowls, panquecas, consideradas por muitos como “as melhores já provadas”, e um vasto leque de sobremesas sem açúcares. O grande ex-líbris, revela Sofia,

pelo nível elevado de procura, são os “Ovos Irmânia", um prato que combina “os sabores do salmão marinado no próprio restaurante com os cogumelos marron salteados e os ovos escalfados cobertos por um delicioso molho”. O espaço apresenta um menu de brunch all day, onde os clientes poderão encontrar ovos mexidos, servidos com salada e uma tosta com azeite e orégãos, uma bowl de iogurte natural, granola caseira e frutas e umas “deliciosas” panquecas de banana e manteiga de amendoim. Ao fim de semana, está ainda disponível o Egofriendly brunch. Horário de funcionamento: Segunda e terça-feira das 11h00 às 15h00, quinta e sexta-feira das 11h00 às 18h00 e sábado e domingo das 10h00 às 19h00. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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CALLEJERO

Rua das Oliveiras 118, Porto Contacto 938 124 561 No Callejero, serve-se à mesa a comida mexicana caseira e as diversas bebidas que com ela tão bem combinam. “Oferecemos uma grande variedade de aperitivos tradicionais, desde o guacamole feito na hora, uma amostra de molhos feitos em casa, um ceviche de tubarão da região do jalisco de norte, as nossas quesadillas, queijo derretido numa grande tortilha de farinha com cogumelos, carne ou saladinha pico de gallo”, contou à VIVA! Andrés, proprietário da casa, aberta em

conjunto com Laura. Artistas e proprietários de um ateliê estavam habituados a receber muita gente e a cozinhar para eles. “As nossas melhores ideias sempre surgiam na conversa e no partir do pão, então isso deu-nos uma ideia do que queríamos para a Callejero: um lugar para compartilhar e se divertir”, sublinham. Segundo os responsáveis, os tacos são o maior destaque do restaurante. “Servimos três de cada vez, estilo Tinga, frango ao molho de pimenta jalapeño defumado, cochinita clássico, porco extra macio estilo pibil, adobada, porco estilo pastor, bistec, tacos de bife

cobertos com pico de gallo e cebolas grelhadas e para vegans vegetais assados com óleo de comino ou catos grelhados”. Para acompanhar, Andrés e Laura sugerem uma “seleção de margaritas, feitas com sumo de laranja espremido na hora, grapefruit, limão ou abacaxi e uma bela seleção de tequila”. E, para finalizar, os “deliciosos bolos caseiros e rolinhos de canela…” Horário de funcionamento: De terça-feira a quinta-feira das 12h00 às 16h00 e das 18h00 à 00h00, sexta-feira e sábado das 12h00 às 00h00 e ao domingo das 12h00 às 23h00.


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BERRY

Rua do Bonjardim 614, Porto/ Rua Júlio Dinis 829, Porto / Rua da Lionesa loja C8A, Leça do Balio Contactos 221 101 812 / 910 996 635 / 221 164 857 Já com três espaços espalhados pelo Norte do país, o mais recente aberto, em outubro, em Leça do Balio, o Berry apresenta “sabores e técnicas” oriundas de um vasto conjunto de países. Uma essência que surgiu devido aos inúmeros locais já visitados e por onde viveu Frederico Horta, o que o ajudou a inspirar-se em

“técnicas e sabores tanto asiáticos, como escandinavos e até mediterrânicos”. O projeto surgiu de um convite do ervanário portuense, um dos mais antigos do país que tem produtos biológicos já há várias décadas, e ao qual o responsável apelidou de Berry, em homenagem ao “primeiro negócio” que teve, uma exploração de morangos Bio. A cozinha é igualmente biológica e todos os pratos são “vegetarianos e /ou veganos”, confecionados “sem a utilização de elementos processados”. O menu muda todos os

dias, entre sopas, tostas e focaccias de massa mãe, wraps, saladas e uma “oferta deliciosa de pastelaria vegan”, completada com “sumos naturais da época e smoothies”. A escolha é, por isso, sempre muito difícil, mas uma bela sugestão pode ser “uma salada de couve coração grelhada, com aioli de miso e ovo shoyu ou então um wrap de daal com pasta de caju, limão e coentros”. “Nunca falham!”, garante Frederico. Horário de funcionamento: De segunda a sexta-feira das 09h30 às 18h30. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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B E B E S

KANPAI JAPANESE CUISINE

Rua da Praia 624 Douro Marina, Vila Nova de Gaia Contactos 912 308 494 / 933 029 814 O grupo onde está inserido, Kanpai, nasceu de um projeto de restaurantes inaugurado há, sensivelmente, oito anos, onde está, também, inserido o restaurante Kanpai Fusion Sushi, localizado na zona da Boavista e o Kanpai Downtown na baixa do Porto. Localizado na Douro Marina, em Vila Nova de Gaia, o Kanpai Japanese Cuisine é um espaço com uma cozinha de

fusão japonesa onde o sushi é o ex-libris do restaurante. As palavras são de Pedro Pereira, gerente, que nos apresenta uma viagem gastronómica, como diz o ditado português, de “comer e chorar por mais”. “Começamos por uma degustação de tempuras ou as tradicionais gyosas japonesas. Como pratos principais temos freestyle de sushi com combinados entre as 16 a 50 unidades. Para os não apreciadores de sushi temos pratos alternativos como as tradicionais yakisobas. Entre outros, destacamos os nossos risottos e pratos de gastronomia tradicional”, descreve, terminando a viagem com um “Cheesecake Chá Verde, Fondant de

Chocolate ou Crumble de noz pecan”. Neste conceituado espaço de restauração, todos os dias são de festa e celebração, sendo, aliás, daí que advém o nome do grupo, Kanpai, “da tradução e tradição japonesa celebrar, festejar ou brindar a vida”, explica. Com lotação para 80 pessoas, tem como ex-líbris da casa o “festival (rodízio) de sushi kanpai”, onde os clientes podem usufruir de quatro entradas, um temaki e um variado de peças, sem limite. “Um festival de sabores e variedade de produtos”, resume. Horário de funcionamento: Todos os dias das 12h30 às 15h00 e das 20h00 às 23h00


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MEMORIAL

Rua Helena Vieira da Silva 330, Leça da Palmeira Contacto 222 430 527 Com o oceano como pano de fundo e assinatura do conceituado designer de interiores portuense, Paulo Lobo, o Memorial, assim intitulado, por “todo o ambiente transportar para as memórias da casa dos avós”, é o típico espaço português que apresenta a verdadeira “comida de conforto”. Lucília Coelho é a responsável da casa, que abriu, em 2014, em conjunto com o marido, um “sonho antigo de ter um espaço de restaura-

ção com qualidade e onde os clientes se sentissem aconchegados”, explica. Entre camembert gratinado com maçã, mel e nozes, alheira de caça grelhada com grelos salteados, cataplana de peixe fresco e marisco, arroz de tamboril com gambas e peito de frango com cebolada de laranja, todos os pratos são repletos de sabor, amor e, sem dúvida alguma, memórias. As sobremesas, todas caseiras, completam-se entre tarte rústica de maçã com canela, taça banoffe e, claro, o clássico tiramisù. “Damos principal relevo à qualidade elevada dos

produtos e valorizamo-los através da forma de os confecionar”, sublinha a responsável. Se, por acaso, ainda não conhece este espaço, aconselhamo-lo a fazê-lo o mais breve possível e deliciar-se com o “prato âncora da carta”, a Paelha à Memorial, que traz ao restaurante “clientes de diversos lugares do país, e até de Espanha.” Horário de funcionamento: De segunda a sexta-feira das 12h00 às 15h00 e das 19h30 às 23h00, sábado das 12h00 às 23h00 e domingo até às 17h00. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


C O M E S

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B E B E S

SIDRARIA CELTA ENDOVÉLICO

Rua do Bonjardim 680, Porto Contactos 96 200 28 20 / 96 830 68 30 Aberto desde 2015, o restaurante Sidraria Celta Endovélico surgiu após inúmeras viagens de Maria José Valente e Jaime Filipe Barros, os proprietários, “pelas ainda hoje consideradas nações Celtas”. Assim, e depois de vários meses de “maturação da ideia”, surgiu o espaço, desde sempre sonhado, onde os clientes, além de “uma oferta gastronómica vasta e sempre de inspiração celta” e uma oferta de cervejas e sidras artesanais, são

convidados ainda a “apreciar inúmeras peças do imaginário celta”. A oferta gastronómica é “vasta e diversificada”, dividindo-se, de acordo com os responsáveis, em quatro categoriais principais: tapas, com cerca de 30 propostas, das quais se destacam “os chouriços e os patês de veado e javali, os queijos e enchidos artesanais, os cogumelos recheados com tomate seco e queijo de cabra, as trouxas druídicas e o javali fumado com queijo tetilha; as galettes, “inspiradas num prato típico bretão”, que consistem numa base de trigo sarraceno puro, queijo e diferentes ingredientes de acordo com o gosto particular de cada cliente”, as

saladas e as sobremesas, que “já se tornaram míticas”. Para acompanhar, há cerca de 50 referências de sidras artesanais de vários países europeus, algumas delas exclusivas do Endovélico e premiadas internacionalmente. O Beer Garden, constituído por três patamares de esplanada interior com capacidade para cerca de cem pessoas, um dos quais com uma tenda e aquecedores que permitem a utilização da esplanada mesmo durante o inverno, representa também um dos grandes ex-líbris do espaço. Horário de funcionamento: Quinta-feira das 19h00 às 23h00, sexta-feira e sábado das 19h00 às 24h00, domingo das 19h00 às 22h00.


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SABORES DO SEBOUH

Rua Miguel Bombarda 34, Porto Contactos 938 447 511 / 933 446 790 É entre a azáfama e diversidade da Rua Miguel Bombarda que se encontra o Sabores do Sebouh, um espaço de excelência da cidade do Porto que dá a conhecer o melhor da gastronomia síria e do Médio Oriente. “O negócio nasceu em 2011, depois de percebermos a paixão pela restauração do meu marido”, explica Célia Soghmahian,

adiantando que, desde logo, optaram por manter “o cariz familiar”, porque gostam de “lidar de perto com o cliente”. O nome deve-se à seleção de pratos efetuada pelo seu marido, Sebouh, numa carta onde a oferta é tendencialmente vegetariana, com opções vegan, mas também de carne, de forma a estar preparado para receber todo o tipo de clientes. “Servimos desde falafel – feitos por nós -, beringela com carne, kebab prato à moda de Alepo, lentilhas, tabouleh e muitos mais pratos delicio-

sos, sem nunca esquecer o baklava e o bolo de sêmola”, aponta. No entanto, continua, os dois pratos mais pedidos são os falafel, nas suas diversas formas, e as batatas Janett, uma receita da mãe de Sebouh. Desde a sua abertura que o restaurante atrai um diverso número de clientes, contando com uma clientela fidedigna e que se constitui já parte integrante desta família. Horário de funcionamento: De segunda-feira a sábado das 13h30 às 15h30 e das 19h30 às 22h30. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


A Wera Store espera por si! O espaço mais in da cidade do Porto já está decorado a preceito para receber os seus clientes nesta quadra festiva. Com sugestões que variam entre propostas natalícias, com uma grande variedade de árvores de Natal, figuras de Pai Natal e iluminações, de réveillon, com vistosos vestidos, fatos e acessórios, na Wera Store encontra ainda um vasto conjunto de artigos diários. E o melhor de tudo é que pode encontrar todos estes produtos, confecionados com o máximo rigor e qualidade, sempre ao melhor preço! Nesta fase particularmente atípica, a Wera Store está também apetrechada a preceito para o receber com toda a segurança. Visite os seus espaços e deixe-se deslumbrar com um mundo de oportunidades!


Rua António da Silva Marinho n.º 120 – Porto Aberto todos os dias Das 09h00 às 21h00 Rua António Nicolau D’Almeida n.º 95 – Porto (Entrada também pela)

Rua Engenheiro Ferreira Dias n.º 1173/1177 Aberto todos os dias Das 09h30 às 20h00 Parques de estacionamento grátis Telefone: 22 015 8719


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I G U R A

AntĂłnio Bessa O mestre que pintou o Presidente Marcelo Texto: Maria InĂŞs Valente Fotos: Make it view


A N TÓN I O B E SSA

É numa das artérias mais movimentadas da cidade do Porto, entre telas, tintas e pincéis, música consideravelmente alta e uma vista privilegiada sobre os portugueses e turistas, que vão desfilando pela Invicta, que o mestre Bessa, como ficou conhecido, vai dando vida às suas obras. Dos vários retratos que já pintou, destaca-se o de Marcelo Rebelo de Sousa, escolhido pelo próprio para figurar na Galeria de Retratos Oficiais dos Presidentes da República, e que, rapidamente, tirou o pintor portuense do anonimato… De sorriso no rosto, abriu-nos as portas da sua “caixa de tinta” e partilhou connosco um pouco da sua história - como tudo começou, a magia desta arte que o apaixona desde criança, a importância de pintar o Porto e as suas gentes e, claro, o episódio com o Presidente Marcelo.

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ata cinzenta salpicada pelas cores da tinta, um bolso a guardarlhe algum material, apenas o necessário para ir construindo as suas obras, e boina preta na cabeça. São marcas identitárias de António Bessa, 67 anos, tripeiro de gema, como se orgulha de dizer, pintor desde que tem memória, e que exerce o ofício tão bem que praticamente o poderia fazer de olhos fechados. “Primeiro produzo o desenho da figura na tela. Depois passo uma tinta acrílica por todo, para tirar o branco na totalidade, mas deixo algumas partes, propositadamente, às quais chamo os buracos da minha alma. A

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partir daí vou brincando com todas as cores que tenho na paleta, sempre em harmonia com a cor que defini inicialmente”, contou à VIVA!, na sua “caixa de tinta”, o espaço no número 314 da Rua do Almada, onde está há praticamente oito anos. Intitula-o assim por considerar que é o local onde se produz magia, em todos os sentidos. “É importante o artista estar com o povo. Ele pinta, organiza as suas exposições e apresenta-as ao público. É uma das graças que o artista tem e é uma ansiedade tremenda. Mas eu não. Tenho desde início esse povo, desde que faço a obra até ao fim, então acho que isto é um sítio realmente mágico”, destacou. Entretanto, fez uma pausa no retrato de Isaltino Morais, o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, que pintava quando o visitamos, e voltou a pintar, desta vez verbalmente, a sua história, mas sempre de pincel na mão. Em que altura da sua vida é que reconheceu esta paixão? Quando era criança. Nas várias brincadeiras com os meus amigos. Costumávamos percorrer algumas grutas abandonadas e, certo dia, encontrei um bocadinho de carvão e lembro-me que, na altura, fiquei impressionado com aquilo que ele produzia em superfícies. Fui-me apaixonando, cada vez mais. Na verdade, essa paixão já estava dentro de mim, mas ficou ainda mais reforçada, porque foi com o carvão que se foi desenvolvendo. A partir REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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“Tenho muito Porto espalhado pelo mundo!” daí, comecei a utilizar o carvão em todos os meus trabalhos. É uma marca que está sempre presente, ainda que “escondida”. Às vezes perguntam-me se eu não tinha tinta suficiente para cobrir determinado espaço da tela e a verdade é que é o traço do carvão que está lá desenhado, que não cubro. Deixo espaços em aberto e digo que é a minha alma que está ali posta, dentro daquele “buraco”. Se a fecho fico lá prisioneiro. E foi este processo, que veio da tal gruta, que me trouxe essa paixão de manter o carvão durante todo o meu trabalho. O seu ateliê não esteve sempre situado no número 314 da Rua do Almada. Quando e porquê é que surgiu esta mudança? Eu estive quase toda a minha vida de pintura na Rua do Almada, mas sempre escondido. Ora estava no primeiro andar, ora no segundo ou no rés-do-chão, não tinha um lugar propriamente visível. Então, nesses espaços, pintava um olho na caixa do correio para despertar a curiosidade das pessoas e levá-las a ver quem estava do outro lado a pintar. Portanto, quando encontrei este espaço, aberto, com uma montra para a rua, soube logo que era isto que queria, porque gosto que as pessoas me vejam produzir. Que se envolvam com o meu trabalho. Gosta de ser “observado” enquanto pinta? Não posso dizer que seja propriamente um gosto,

mas sim uma alegria. Gosto que as pessoas parem para me ver pintar, gosto que se manifestem sobre o que veem. Há gente que passa aqui e me diz simplesmente “obrigado”, “obrigado por estar aqui e por me dar o privilégio de vê-lo pintar”. E isso para mim vale tudo. Às vezes oiço-os manifestarem-se e tiro até partido disso. Por exemplo, quando estava a pintar o Sérgio Conceição, ainda antes de sermos campeões, alguém passou, viu, e perguntou-me como é que eu o ia pintar. E eu respondi “Vou sentá-lo numas escadas, talvez, ainda não sei”. E a pessoa recordou-me que quando ele está a ver o jogo está sentado na geladeira, onde vai buscar a água para beber”. E eu pensei “perfeito, é mesmo assim que o vou pintar”. E assim foi! Isto só mostra que as pessoas entreajudam o artista e isso dá-me muito gozo. Esta é uma artéria da cidade particularmente apreciada pelos turistas. Como é o convívio com eles? Um encanto! A maior parte dos meus clientes são turistas. Foram eles que fizeram com que eu espalhasse a minha obra a todos os cantos do mundo. O que lhe pedem para pintar? Retratos, sobretudo, e paisagens do Porto. Querem sempre levar para os países deles pedaços do sítio onde estiveram, dos locais que visitaram… E tenho a sorte de muitos desses pedaços irem assinados por mim. Tenho muito Porto espalhado pelo mundo!


A N TÓ N I O B E SSA

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No dia 9 de junho, de 2017, o Presidente da República bateu-lhe à porta e ficou admirado com o retrato que fizera dele. Como descreve esse momento? Absolutamente maravilhoso. Olhei para o céu e agradeci a Deus por ter despejado as flores no meu caminho aquando da visita do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa ao meu espaço. Vi mesmo que foi Deus a despejar flores no meu caminho, a dizer “agora tens este espaço e vais caminhar”. E ele, o que lhe disse quando viu a obra? Disse que esta obra o impressionava de tal forma que era a primeira vez que via um retrato que o olhava, que o impressionava verdadeiramente, e perguntou “quanto é que custa esta obra?” E eu respondi-lhe “Oh Presidente, isto tem apenas o custo de um abraço”. Ele ficou sem palavras, olhou para trás e perguntou a alguém se o retrato tinha as medidas. Recebeu resposta positiva e aí revelou que queria que este retrato figurasse na Galeria de Retratos Oficiais dos Presidentes da República. O que sentiu nessa altura? Um orgulho enorme, porque a verdade é que qualquer artista sonha com este processo, ter, um dia, uma obra exposta numa presidência, ainda por cima escolhida pelo próprio Presidente… É extraordinário! Uma pessoa sente-se quase como património nacional. O que quis destacar na obra do Presidente? Quando eu penso retratar o Presidente na minha obra, não o retrato apenas a ele, eu retrato Portugal. O primeiro encontro com o Chefe de Estado deuse em finais de 2016, quando o Presidente da República visitou o Porto. Nessa visita, passou pelo meu atelier, eu pedi-lhe um abraço e, quando me abraçou, senti esse abraço como se fosse de Portugal. Então aí disse “vou pintar este homem como se fosse o meu país”. E assim foi. Porque é isso que ele representa para mim, Portugal. Além de Marcelo Rebelo de Sousa, já pintou inúmeras personalidades importantes, muitas delas ligadas ao Norte do país... Sim, um deles, e para mim também muito importante foi o atual presidente da Câmara

Municipal do Porto, Rui Moreira, cujo retrato está patente no Palácio da Bolsa. Já retratei também o presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, o presidente da Câmara da Maia, de Arouca, o reitor da Universidade de Coimbra, entre muitos outros. Tem sido muito gratificante requisitarem as minhas obras para presenciar nas galerias. São os retratos o que mais gosta de pintar? Os retratos dão-me um gozo especial, porque entro em diálogo com as personagens. Para mim, essas obras são divididas por duas almas: a alma do retratado e a minha, que se completam. No entanto, também tenho um enorme gosto quando faço as paisagens do Porto. Nas paisagens, muitas vezes, pinto personagens a andar pelo quadro, seja pelos telhados ou pelas chaminés, e também utilizo muito a imagem dos gatos. E sinto que as pessoas gostam disso, do facto de eu não deixar os quadros morrerem. Que significado tem pintar o Porto e as suas gentes? O Porto tem muitos telhados e, por isso, grandes superfícies que podem ser povoadas. Eu vivi durante muito tempo perto da Ribeira e lá as varandas são muito juntas, então eu gosto de os pôr a visitar os vizinhos pelos telhados. São coisas que nascem por acaso, na minha cabeça. Mas, a magia das coisas é mesmo essa, acontecer… António Bessa retrata as obras no seu atelier, sito no n.º314 da Rua do Almada, local que funciona também como galeria e onde expõe grande parte dos seus trabalhos. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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V E N T U R A

Viajar à volta do mundo com Filipe Morato Gomes Autor de um dos mais prestigiados blogs de viagens em Portugal, “Alma de Viajante”, e dono de uma sede imensa de conhecimento e aventura, Filipe Morato Gomes já visitou mais de uma centena de países e fez duas grandes viagens à volta do mundo. A primeira sozinho, durante 14 meses, e a segunda em família, com duração de um ano, ambas “experiências fantásticas” e igualmente “enriquecedoras”. Através do seu blog, leva milhares de portugueses a viajar pelos cinco continentes e inspira outros tantos a arriscar e conhecer o mundo… Texto: Maria Inês Valente Fotos: Cortesia de Filipe Morato Gomes

Comecei a viajar em criança, com os meus pais. Os destinos eram sempre muito próximos e o orçamento reduzido, mas íamos. Lembro-me de fazer campismo selvagem na Serra do Soajo durante muitos anos, das viagens de VW Carocha para Vila Real de Santo António durante o verão, das férias na

Zambujeira do Mar, já adolescente, e de uma incursão por Espanha e sul de França de carro e tenda de campismo”, contou, em entrevista à revista VIVA! Filipe Morato Gomes, revelando que talvez tenha sido esse percurso, aliado às histórias de viagem contadas pelo seu avô que lhe despertaram a “curiosidade para a diversidade do mundo”. Em 2001, criou o “Alma de Viajante”,


63 o mais antigo site de viagens em português, e, desde então, que se tornou numa verdadeira fonte de inspiração, relatando e mostrando, regularmente, as mais variadas histórias e fotografias, que refletem as inúmeras viagens já realizadas, num total de cerca de 103 países. O objetivo principal “é ajudar os leitores a viajarem mais e de forma mais enriquecedora, devagar e em contacto com as pessoas”, por isso assume que tanto escreve textos com dicas práticas como “onde ficar no Porto”, um básico roteiro em Portugal (para os leitores brasileiros) como posts inspiradores sobre “viajar sozinho”. “Mas a essência é sempre a mesma: Viajar. Partilhar. Inspirar”, assinalou. Assumindo que ainda tem “outros tantos países para conhecer”, o viajante acredita que, atualmente, a não ser o atual contexto de pandemia que o mundo enfrenta, “não há grandes desafios em viajar”, além da gestão do orçamento. “Viajar é muito fácil em boa parte do mundo, e os viajantes nunca estarão verdadeiramente sozinhos (a não ser que o queiram)”, apontou. E deixa ainda um conselho aos leitores: o Sudeste Asiático, por exemplo, é uma região excelente para quem quer começar a fazer viagens independentes. “O mais difícil é tomar a decisão de ir. Basta desligar o botão «complicador» que todos temos dentro de nós. Quanto ao resto, dos aspetos logísticos aos vistos, transportes e alojamentos, tudo se resolve com naturalidade”, sublinhou o também presidente da Associação de Bloggers de Viagem Portugueses (ABVP). É também de forma tranquila, e muito natural, que Filipe Morato Gomes tem REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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V E N T U R A

vivido este ano pandémico, ainda que admita que não poder viajar “sendo uma imposição” e não uma opção própria, “custou bastante”. No entanto, salientou que esta tem sido também uma “oportunidade para redescobrir Portugal”, uma experiência que caracteriza como “muito interessante”. “Tenho-me focado no Norte e Centro de Portugal, revisitando alguns locais e descobrindo outros. Andei a visitar a Lousã em família, a explorar o património do Centro de Portugal (Tomar, Batalha, Alcobaça), a visitar o Douro Internacional e a regressar ao Soajo e a Castro Laboreiro (locais ligados à minha adolescência), no Parque Nacional da Peneda-Gerês”, descreveu, acrescentando que quanto mais viaja mais certeza tem de que “Portugal é um país incrível”. O calendário de viagens está, por agora, em branco. Mas, muito brevemente, deverá começar

a ser preenchido. Paquistão e Patagónia poderão ser os próximos destinos… Acompanhe tudo em almadeviajante.com. De todas as viagens, qual foi a favorita? Porquê? A primeira volta ao mundo. Por todo o simbolismo, por ter sido a mais transformadora das viagens, por ter contribuído decisivamente por tudo o que sou hoje, e por, de facto, me ter proporcionado das melhores experiências enquanto viajante. Foi a viagem mais marcante que fiz até hoje. Quais os destinos que mais o marcaram? Porquê? São todos diferentes e cada um tem os seus pontos fortes. Na minha lista de preferências estão países como a Colômbia, a Mongólia, a Islândia ou a Nova Zelândia, destinos onde vivi experiências intensas e fascinantes. Mas, a verdade é

que a minha primeira escolha só pode recair no Irão, que considero ter o povo mais hospitaleiro do planeta. Mais do que a incrível arquitetura persa – as mesquitas, os palácios, o s j a rd i n s- , classificados pela Unesco, toda a história da antiga Pérsia, é o seu povo que torna o Irão tão especial. Quais as peripécias que guarda das várias viagens que já fez? As peripécias e os imprevistos fazem parte das viagens, mas houve uma situação que, pela sua magnitude, me marcou bastante. Estava no Laos, em dezembro de 2004, por altura do tsunami que devastou a Indonésia, a Tailândia e tantos outros países em torno do Oceano Índico. Dada a proximidade geográfica com os locais mais afetados pela catástrofe, fui enviado pelo jornal Público para cobrir fotograficamente


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os acontecimentos. Foi das experiências mais dur as, intensas e emocionalmente arrasadoras que vivi em toda a minha vida. Jamais esquecerei o que vi naqueles dias… E qual o episódio mais caricato? Já t ive algum receio em algumas situações, incluindo no dia em que uma viajante de um grupo que eu liderava no Irão decidiu tirar fotografias a umas instalações nucleares. Ficamos retidos pela polícia e só fomos salvos fruto de uma rede de contactos que acabou por garantir às autoridades que não éramos espiões ou uma ameaça semelhante. Correu bem, felizmente! Como organiza as suas viagens? Desde a escolha do destino, aos locais a visitar, ao orçamento, etc. Não tenho nenhum segredo

especial, a não ser estar atento às promoções das companhias aéreas para conseguir comprar voos bar atos. E, quando se justifica, planeio com antecedência, mesmo sabendo que os planos de viagem são feitos para não serem cumpridos. Quanto a destinos, tento encontrar um equilíbrio entre destinos que podem ser interessantes para os leitores com destinos mais “fora da caixa” que eu quero conhecer. Que conselhos deixa aos nossos leitores com “Alma de Viajante”? Viajar devagar. A ideia de que “aproveitar ao máximo” significa saltitar de cidade em cidade a cada dois dias é, na minha opinião, um dos principais erros cometidos por quem começa a viajar. Muitas das melhores experiências de viagem acontecem na sequência de encontros com os habitantes

locais, de uma tarde passada numa esplanada ou praça pública “sem fazer nada”, dos imprevistos, das mudanças de planos, de viver o destino em vez de simplesmente o ver. E para isso é preciso tempo! Mostrou que ser pai não é impeditivo para fazer uma viagem à volta do mundo, fazendo-o, durante quase um ano, com uma criança de cinco anos. O que diria aos pais que o deixam de fazer por medo de arriscar? Ir sem pensar demasiado. Os filhos precisam de pouco para estar felizes. Viajar com crianças é muito mais fácil do que parece. Aprender a lidar com a frustração de não poder ver tudo o que se pretenderia ver num dado lugar, por exemplo, é um dos melhores conselhos que posso dar aos pais-viajantes. Ultrapassada essa dificuldade natural, a viagem flui muito melhor. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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O M E N T O S

Carolina Sobral

Portugal Fashion O Porto voltou a brilhar em mais uma edição do Portugal Fashion, a 47.a, que se apresentou num formato completamente diferente, onde a moda não ficou confinada à passerelle. Aliando o físico e o digital, o evento foi, como sempre, marcado pela elegância, irreverência e criatividade dos criadores portugueses. Deslumbre-se com algumas das melhores propostas apresentadas para a primavera/verão 2021…

Fotos: Paulo Gama

CONCRETO


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DAVID CATALAN

ESTELITA MENDONÇA

INES TORCATO

JOÃO SOUSA

JÚLIO TORCATO

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O M E N T O S

KATTY XIOMARA

LUIS ONOFRE

MARIA GAMBINA

MARQUES ALMEIDA


P O RT U GA L FA SH I ON

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MIGUEL VIEIRA

PÉ DE CHUMBO

RITA SÁ

SOPHIA KHA REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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Porto Canal inova Sempre atento às necessidades do público, o Porto Canal continua a apostar em conteúdos inovadores capazes de fazer a diferença na vida dos portugueses, levando-os a refletir sobre os mais variados assuntos. Recentemente, o canal estreou a nova temporada do “N’Agenda” e disponibilizou o programa “Transparências” em formato podcast, colmatando assim uma falha existente, em Portugal, no que respeitava à área da sexualidade. Texto: Maria Inês Valente

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com uma dose generosa de amor, simpatia e muita alegria que Rute Braga leva, semanalmente, a casa dos telespectadores o “N’Agenda”, um programa com uma oferta diversificada de sugestões culturais, válidas para toda a família e para todas as idades. A nova temporada arrancou em meados do mês de setembro com uma convidada que a apresentadora já ansiava entrevistar há bastante tempo, Mayra Andrade. Os próximos programas, como revelou, em entrevista à VIVA!, serão repletos de novidades, uma vez que tentam, em todas as temporadas, “inovar e oferecer algo diferente” a quem os segue semanalmente e que, até agora, já


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foi surpreendido, entre outros, com o acompanhamento dos “bastidores de uma peça de teatro” e com “o processo de trabalho de um artista plástico”. No fim de cada episódio, Rute Braga tem ainda o cuidado de deixar “mais uma pequena sugestão para aquele fim de semana”, quase como se fosse “a dica da Rute”. O ano de 2021 trará uma surpresa associada: “uma rubrica minha dentro do «N’Agenda», onde irei revelar novos talentos na área das artes, que dificilmente chegam ao conhecimento do público em geral, apesar do seu enorme talento”. O objetivo é “dar a conhecer novos artistas”, assinalou. Como o programa “vive muito da atualidade” e “do que se está a passar no momento”, não é possível adiantar, atempadamente,

os convidados que protagonizarão as próximas entrevistas. No entanto, a apresentadora adiantou que gostaria muito de ter no seu programa “o escritor Valter Hugo Mãe, o Herman José, o ator Nuno Lopes e a cineasta Ana Rocha Sousa”. Por isso, o melhor mesmo é ficar atento aos próximos episódios… Programa “Transparências” disponível em podcast. Formato televisivo mantém-se. O programa semanal sobre sexualidade do Porto Canal, “Transparências”, apresentado pela jornalista Ana Guedes Rodrigues ganhou uma nova dimensão, passando a estar disponível em formato podcast. “A forma como consumimos conteúdos tem mudado muito nos últimos anos. Tal como

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eu, há muita gente que gosta de aproveitar o tempo que passa no trânsito, no ginásio ou nas tarefas domésticas, a ouvir programas que distraiam e ao mesmo tempo sejam enriquecedores”, sublinhou a apresentadora, satisfeita com esta aposta que acredita acarretar inúmeras vantagens, nomeadamente pelo facto do “conteúdo poder ser descarregado para depois ser ouvido, sem ligação à internet”. É na companhia do psicólogo Pedro Fernandes, que o programa se vai desenvolvendo, seja a partir de um tema proposto pelos próprios ou de cartas ou e-mails enviados pelo público, que, de acordo com a jornalista, tem tido “uma participação muito ativa desde o primeiro episódio”. “Acho que o Transparências é serviço público porque é um programa pedagógico que convida à reflexão sobre a sexualidade em todas as etapas da vida, um tema que ainda é tabu em Portugal”, explicou. Para Ana Guedes Rodrigues, a educação sexual transmitida pelos pais e pela escola “é a base de uma vivência saudável e responsável da sexualidade”, prevenindo “comportamentos de risco”. No entanto, acredita que, na ausência dessa educação, os adolescentes e jovens “bebem muitas vezes informação de fontes pouco seguras”, o que potencia “uma visão muito enviesada da sexualidade”. Nesse sentido, o programa “Transparências” desempenha um papel preponderante, possibilitando à população adolescente “ajuda técnica e informação credível, fidedigna e personalizada” prestada por um psicólogo com formação especializada nesta área. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


FC PORTO

ESCOLAS DRAGON FORCE

continuam a crescer

Há mais de uma década que a Dragon Force constitui uma referência – nacional e internacional - na formação de crianças e de profissionais nas várias ciências do futebol. Com 24 escolas presentes em oito distritos de Portugal Continental, na Região Autónoma da Madeira e na Colômbia, as escolas de futebol dos dragões têm-se revelado uma aposta ganha…. E o objetivo é continuarem a crescer ainda mais! Texto: Maria Inês Valente Fotos: FC Porto

Ao todo são mais de quatro mil os alunos inscritos na escola de futebol do FC Porto, a Dragon Force, e que aspiram, um dia, chegar à formação azul e branca. Um feito notável e alcançado já por um número considerável de jogadores, aponta Ricardo Frey-Ramos, gestor da escola, adiantando que “mais de 30%

dos atletas na formação do FC Porto” são provenientes das 24 escolas do clube. O principal objetivo é “contribuir para o desenvolvimento desportivo, social e pessoal dos alunos”, proporcionandolhes a oportunidade de desenvolverem novas habilidades no futebol, de

cooperarem em equipa e de adquirirem hábitos de disciplina e persistência. “A formação que recebem na Dragon Force vai muito além da parte técnico-tática do jogar, aqui aprendem a socializar, a gerir o tempo, a respeitarem regras, a saber o quê e quando comer, e a serem lideres no presente e a preparem-se para o futuro”, explica. De acordo com o responsável, as escolas conquistam também um lugar primordial no “lançamento de treinadores de futebol”. “Há treinadores que iniciaram as suas carreiras na Dragon Force, que já treinaram os vários escalões, tornaram-se coordenadores técnicos das nossas escolas e estão hoje em patamares de excelência


DRAGON FORCE

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“Muitos alunos transitam das escolas Dragon Force para as equipas de formação do FC Porto”. Ricardo Frey-Ramos, gestor da Dragon Force.

“Sentimos que os nossos alunos estão a evoluir tecnicamente e serão jogadores mais completos no futuro”.

nas equipas do futebol de formação do FC Porto e em várias equipas de futebol profissional”. O crescimento, desde cedo muito significativo, devese à enorme “capacidade de adaptação, renovação e ambição” em querer ser melhor todos os dias. Resiliência e superação são, efetivamente, as palavras de ordem da Dragon Force que, diariamente, transforma as adversidades em oportunidades, sempre em prol do melhor para os seus atletas. Exemplo disso, entre outros tantos, foi a forma exímia com que se reinventou, em plena pandemia, conseguindo levar às casas dos seus alunos uma panóplia diversificada de atividades pedagógicas e didáticas que os fizeram continuar a evoluir na formação. “Com imaginação, alguma criatividade e a atitude

certa tentamos contribuir para que os nossos alunos ultrapassassem esta fase negativa da melhor forma possível”, assinalou Ricardo Frey-Ramos, enumerando algumas das atividades realizadas como a DF Home Cup, uma competição disputada entre as escolas de futebol Dragon Force, em que o objetivo era que “cada uma se unisse em torno de um objetivo comum”, o DF Foot-Camp online, cujo programa incluiu Treino de Técnica Individual, Treino de Motricidade, Treino de Preparação Física e Treino de Entendimento de Jogo e o programa DF Talent Development Live, que consistiu em “sessões de treino para estimular as várias dimensões do desenvolvimento individual dos participantes”. A época 2020/2021 arrancou em setembro “com todas

as normas da Direção Geral de Saúde para a prática desportiva” e, gradualmente, a agenda vai voltando a encher-se de eventos. Para dezembro, a Dragon Force tem já programado o “Super Treino de Natal”, desenhado de acordo com as especificidades dos diferentes escalões, onde durante três horas “os participantes trabalharão as suas capacidades através dos diferentes desafios”. O evento acontece nos dias 21, 22 e 23. Num futuro, não muito distante, a direção pretende que as escolas estejam “em mais distritos”, adiantando que está já “em conversações com novos parceiros para a abertura de novos espaços”. Uma das novidades prendese com um novo projeto no Brasil, que terá em conta a “abertura de novas escolas de futebol, a consultoria de serviços no âmbito de processos e procedimentos de gestão desportiva e a formação de treinadores” e a expansão de escolas de futebol na Colômbia e em outros países. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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E P O R T A G E M

Um Natal diferente, marcado pela COVID-19 Depois do Presidente da República ter alertado os portugueses para a necessidade de se ter que “repensar o Natal em família”, diversos agregados começaram a considerar essa hipótese e organizam-se, agora, para viverem um Natal diferente, num ano marcado pela pandemia provocada pelo SARSCoV-2. A grande maioria dos portugueses assegura que vai passar o Natal com o seu núcleo familiar mais restrito, primeiro porque, acredita, não é altura para grandes ajuntamentos e porque anseia, sobretudo, proteger os seus, principalmente quando se trata de grupos de risco, onde os idosos têm o destaque principal. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Make it view

Ainda assim, há ainda quem equacione juntar-se, mas com todos os cuidados necessários. Afinal, como será, então, o Natal dos portugueses este ano? E de que forma é que a pandemia vai alterar os seus hábitos natalícios? A VIVA! foi para a rua, procurou todas as respostas e conta-lhe, agora, todas as histórias… Independentemente da forma como cada família viverá esta época, o desejo para este ano é comum a todas: que se encontre a vacina o mais rápido possível, que a pandemia termine e que todos possamos voltar à nossa normalidade, aquela que parecia tão aborrecida, mas que, na verdade, era “um autêntico mar de rosas”.


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Patrícia Felício

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Habitualmente juntamo-nos sempre com os meus tios e primos. É casa cheia. Este ano ainda não sabemos. Temos que ver até que ponto é que o Governo permitirá ajuntamentos e quais serão as regras para as deslocações entre concelhos no período de Natal. Mas, mesmo que as permita há uma probabilidade muito grande, já por uma questão de consciência, de dividirmos a família, de fazermos dois grupos pequeninos, até porque também temos um avô que é de idade e de algum risco e, por isso, temos que ter esse cuidado. Ele próprio diz que quer vir, porque quer ver os netos, estar com eles, o que já não acontece há alguns meses. Em princípio será este o plano, mantendo, na medida do possível, o espírito natalício.

Beatriz Lopes Oliveira Será um Natal bastante reduzido no que respeita ao convívio familiar. Os meus avós não vão estar presentes, os meus padrinhos, que estão em França, também não, porque têm receio de depois não poder regressar, e o meu pai, que também está fora, em princípio não virá, porque depois é obrigado a fazer 14 dias de quarentena. Portanto, será um Natal a três: eu, o meu irmão e a minha mãe. Muito diferente dos outros anos… talvez nos juntemos online!

Rafael Tiago Ainda não definimos, em concreto, como será o Natal este ano. Sempre fomos muito poucos lá em casa, cerca de oito pessoas. No entanto, quatro delas pertencem ao grupo de risco e como tanto eu, como a minha irmã e os meus pais temos contactos frequentes com outras pessoas temos receio de os expor. A sala é relativamente grande e, por isso, pensamos colocar três mesas, uma por cada núcleo familiar, e, inclusive, já

equacionamos a hipótese de abdicar dos presentes de Natal e utilizar esse dinheiro para fazermos testes à covid-19. Assim era uma forma de estarmos mais descansados e podermos viver essa noite com o espírito que ela merece. Tudo o que queríamos era mesmo poder passar o Natal com os meus avós. Eles têm 80 anos e, infelizmente, nunca sabemos quando poderá ser o último… Vamos fazer o possível para estarmos todos juntos, mas sempre com todos os cuidados assegurados. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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E P O R T A G E M

Ana Maria Vou passar o Natal com dois filhos. Será muito diferente do habitual, uma vez que costumamos sentar à mesa cerca de 15 pessoas. Este ano ficará cada um na sua, porque temos medo. Eu própria pertenço ao grupo de risco, portanto não podemos mesmo arriscar. Para o ano será melhor, se Deus quiser!

Marinha Lopes de Sousa Devo passar o Natal sozinha ou, possivelmente, com a minha irmã, que tem 70 anos. O meu filho diz que este ano não vai jantar a minha casa, como costume, porque tem medo. Diz que não é por ele, mas sim por mim, para me proteger. Por isso, o Natal este ano fica sem efeito.


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Paula Rocha Vou juntar-me com as pessoas que habitualmente me junto. Somos cerca de 12 pessoas, que continuam a estar juntas diariamente. Por isso, não faria sentido separar-nos nesta altura. Será um Natal exatamente igual ao dos outros anos.

Hugo Pacheco A minha família é extensa e costumamos reunir-nos todos no Natal. Este ano isso não acontecerá. Serei apenas eu, a minha esposa e a minha filha. Conviveremos com os restantes familiares através de videochamada, como temos feito nos últimos tempos. Tomamos essa decisão por iniciativa própria, é tempo de nos resguardarmos e de seguirmos o mais possível as diretrizes da Direção-Geral de Saúde.

Rui Rua Costumamos viver o Natal em família, com cerca de 10 pessoas à mesa. Este ano tudo vai ser diferente, desde logo porque costumamos começar a viver esta época muito antes do dia 24 de dezembro. Na noite de Natal, possivelmente, seremos apenas três, o núcleo mais restrito de casa. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020 2019


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O “FIEL AMIGO” dos portugueses

Todos o adoram e não há, certamente, uma data especial em que, cozinhado da forma mais tradicional ou moderna, não esteja presente na mesa dos portugueses. No mês de dezembro, em particular, de Norte a Sul do país, o bacalhau é rei da mesa de várias famílias e, por isso, nesta edição natalícia, recordamos as suas origens, o seu cheiro, tão característico, e a sua densa versatilidade…


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acalhau assado, com natas, com broa, à brás, espiritual, à lagareiro, à minhota ou à gomes de sá. Há toda uma multiplicidade de pratos que podem ser confecionados com esta iguaria, particularmente saborosa, símbolo incondicional da gastronomia portuguesa. Todos lhe sabem o nome, identificam o sabor, mas, nem todos são conhecedores da sua riqueza histórica. Consumido há mais de mil anos, o bacalhau terá sido descoberto pelos vikings, dado ser um peixe bastante abundante nos mares por eles navegados. Após a sua captura, estes limitavam-se a secá-lo ao ar frio até que endurecesse, uma das mais antigas técnicas de conservação de alimentos, de forma a conseguirem acumular grandes quantidades de alimento para as viagens marítimas. Não faziam qualquer recurso ao sal, devido à sua escassez. Terá sido a comunidade basca, cujas frotas, de acordo com os historiadores, foram das primeiras a pescar este peixe, que começaram a introduzir a técnica da salga, antes da secagem, o que assegurava uma maior durabilidade do bacalhau, além de permitir uma melhor conservação, manter os seus nutrientes e ainda apurar o seu sabor. Os portugueses terão travado

O bacalhau é um peixe magro, com baixo teor de gordura e um dos mais presentes nas mesas dos portugueses. conhecimento com este “fiel amigo”, assim conhecido por não se deteriorar e alimentar os pescadores nas longas jornadas do mar, ainda durante a Idade Média. “Já havia algum consumo de bacalhau em Portugal, no reino, mas o consumo generalizado começa na época moderna, depois de homens e navios portugueses começarem a ir à Terra Nova regularmente, no século XVI”, afirmou, numa entrevista ao Diário de Notícias, em dezembro passado, o historiador Álvaro Garrido, para quem a “história da relação dos portugueses com o

bacalhau não tem segredos”. De acordo com o responsável, durante a Idade Média havia algum consumo de bacalhau importado do Norte da Europa, salgado seco ou apenas seco, que era permutado com o sal e com outras exportações portuguesas para a Noruega e para a Islândia, e que era negociado por mercadores ingleses. “Começa a chegar bacalhau em quantidades significativas a portos portugueses. Na verdade, os portugueses começam a pescar na Terra Nova, no Canadá, por volta de 1501, após as célebres viagens dos CorteREVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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Ganhou a designação de “fiel amigo” por não se deteriorar e assegurar alimento para os pescadores nas longas jornadas do mar. No entanto, longe dos mares, o bacalhau é também o eterno companheiro na mesa dos portugueses. -Real. Ainda em finais de século XV, houve viagens ao Atlântico Noroeste de navegadores de Viana e também de açorianos. Portanto houve uma corrida ao bacalhau por parte de vários povos e portos marítimos da Europa, na qual os portugueses participaram, competindo com bascos, galegos, franceses

da Bretanha e também ingleses”, explicou. Desde a época dos Descobrimentos que o bacalhau começou então a fazer parte dos hábitos alimentares dos portugueses e a assumir um lugar de destaque na sua cultura. Em 1884, o escritor Eça de Queiroz, escreveu, numa carta endereçada ao seu

A ORIGEM DO NOME O nome de bacalhau deriva do latim baccalaureu, que significa bacharel. Ao bacalhau também era dada a designação de badejo, palavra que vem do diminutivo espanhol de abad, abade. Curadilo, outra designação dada ao bacalhau em espanhol, provirá, segundo Carolina Michaelis, de cura – conservar por meio de fumo, sal ou exposição solar. Outros autores defendem que bacalhau terá derivado do neerlandês kabeelauw, bakeljauw, o que se julga improvável, pelo facto de, como esclarece G. Viana, portugueses e espanhóis terem tido primeiro contacto com este peixe. O vocábulo, na Península Ibérica, foi referenciado pela primeira vez no século XVI. A designação de gadus na classificação taxonómica do bacalhau do Atlântico Norte – Gadus morhua – provém da forma latinizada do grego gados, que significa pescada. Morhua será a forma latinizada de morue (bacalhau em francês), cuja origem, por sua vez, vem do celta mor (mar) e do francês antigo – Ius do latim lucius, peixe de água doce. (Guia “Iguarias do Centro”)


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amigo Oliveira Martins: “Os meus romances no fundo são franceses, como eu sou em quase tudo um francês – exceto num certo fundo sincero de tristeza lírica, que é uma característica portuguesa, num gosto depravado pelo fadinho, e no justo amor do bacalhau de cebolada”. Um amor que não era somente de Eça, que foi passando de geração em geração e que, volvidos mais de 130 anos, se mantém vivo no coração de todos os portugueses, que se assumem como um dos maiores consumidores de bacalhau de todo o mundo. As trocas comerciais entre Portugal e Inglaterra Além dos portugueses terem tido um primeiro contacto com o bacalhau durante as suas embarcações por mares “nunca antes navegados”, essa relação veio também a ser reforçada através do comércio, nomeadamente com Inglaterra, com quem, em pleno século XIV, assinou um tratado comercial, designado de Tratado de Windsor. Nas suas 13 cláusulas constavam obrigações de socorro mútuo, em caso de ataque inimigo, auxílio militar e apoio diplomático e, também, uma declaração de livre circulação de pessoas e bens entre os territórios das duas coroas.

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Segundo os registos históricos, corria o século XV quando os portugueses decidiram encontrar o caminho marítimo para Índia por Oeste, acabando por ancorar num local apelidado de Terra Nova – que hoje pertence à província Terra Nova e Labrador, no Canadá. Foi neste ponto do globo que a pesca do bacalhau, nas águas frias e profundas do Atlântico Norte, foi iniciada. Segundo conta o historiador Joel Cleto, no programa do Porto Canal “Caminhos da História”, dedicado ao “Bacalhau: o fiel amigo”, esse acordo terá sido planeado por um mercador da cidade do Porto, Afonso Martins Alho, numa altura em que a cidade estava no seu auge. Mais tarde, altura em que grande parte do bacalhau que os portugueses consumiam era maioritariamente importado de Inglaterra, e começando o vinho do Porto a ganhar bastante destaque no país, desde cedo apreciado pelos in-

gleses, houve interesse, de ambas as partes, em chegar a um consenso comercial, cuja moeda de troca seriam os barris de vinho, em troca do bacalhau em salga. Ao que tudo indica, terá sido a partir dessa relação comercial com Inglaterra, estabelecida, em parte, através do Porto, que o bacalhau foi sendo introduzido na vida dos portugueses. Nesse sentido, a zona ribeirinha, onde viriam a atracar os bacalhoeiros, que deu nome ao muro, ganhou um protagonismo importante. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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Clube Português de Automóveis Antigos tem nova morada Texto: Maria Inês Valente Fotos: Make it view


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Pensadas pela direção há, sensivelmente, dois anos, as obras da sede principal do Clube Português de Automóveis Antigos, no Porto, onde estão as verdadeiras “máquinas que movem sonhos”, estão finalmente concluídas. A nova morada fica na Rua Serpa Pinto, 520/528, e os motores já se fazem ouvir…

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inauguração estava prevista para o início do mês de abril, data de aniversário do Clube Português de Automóveis Antigos (CPAA). No entanto, a pandemia de covid-19 adiou um plano há muito sonhado pela direção e que protagonizou um verdadeiro “marco na longa história de 55 anos”. Neste novo edifício, situado numa zona central da cidade do Porto, a Rua Serpa Pinto, 520/528, onde, de acordo com os responsáveis, estão assegurados “excelentes acessos às principais artérias rodoviárias a Norte e a Sul”, como a A1, A3, A4 e A28, estão “criadas todas as condições para os sócios conviverem”. Entre os principais privilégios, está a possibilidade de realização de eventos multifacetados, a promoção de workshops e vistoriais técnicas. “Em suma, promovermos a divulgação do veículo histórico com os nossos atuais REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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e futuros sócios”, resumem. Essa foi, desde logo, a principal motivação para a transição para o novo espaço, largamente maior do que o anterior: “dotar a sede do CPAA com as melhores condições para os sócios, reavendo a sua vocação de clube social e de utilidade pública”. Com cerca de 700 metros quadrados, as novas instalações do CPAA contam com uma área destinada ao atendimento ao público, partilhada com a sala da direção, uma ampla zona de exposição de viaturas, espaço de vistorias técnicas,

zona social, repleta de todas as comodidades para um “bom serão entre os sócios” e ainda uma sala de reuniões. Recorde-se que o Clube Português de Automóveis Antigos é uma entidade de referência a nível nacional, que promove a preservação e conservação dos automóveis. Desde 1994 que o Governo atribui a esta entidade competência para classificar os automóveis fabricados antes de 1960 como antigos, de modo a dispensá-los das inspeções periódicas obrigatórias, que desde 1 de janeiro de 2018 foi abrangida pela Lei 144/2017 a todos


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“Continuamos a respeitar e a manter a herança deixada pelos fundadores de promover, preservar e divulgar o veículo histórico”, sublinha o CPAA. os veículos com mais de 30 anos, desde que devidamente certificados por uma das entidades competentes. Anualmente, o clube organiza diversos ralis, encontros com associados e passeios temáticos e este ano, em particular, tinhase proposto a organizar, de 23 a 27 de setembro, o Rali Mundial Federação Internacional de Veiculo Antigo (FIVA), entidade da qual é membro efetivo desde 1969. No entanto, pelas razões conhecidas mundialmente, o calendário teve necessidade de ser suspenso. “Contamos realizá-

lo em 2021 e continuar a cumprir o ambicioso calendário de eventos mensais, bem como desenvolver e divulgar este movimento apaixonante pelos veículos históricos, que presta contribuições significativas para a vida cultural, social e económica do país”, adianta a direção. Nos vários planos que o CPAA tem para o futuro, está também a renovação total da sua delegação de Oeiras, numa obra que será feita em “estreita colaboração” com o município.

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A nova sede do CPAA conta com um total de 11 automóveis expostos (Charron de 1922, Rolls Royce Sports Sallon de 1947, Buick 8 Super 50 de 1947, Peugeot 202 Berline de 1947, Austin Seven 850 de 1964, Fiat 600 D de 1966, VW Porsche 914 de 1972, Citroen Reboque de 1931, Kaiser Jeep de 1958, De Dion Bouton Landoulet de 1906 e Secqueville & Hoyau Coupé de Ville de 1919) e duas motas, uma Sunbeam S7 1954 e uma Hercules K125 BW de 1971. A grande maioria destas viaturas foram “gentilmente doadas” ao clube pelos sócios, estando em “perfeitas condições de circulação na via pública”, destacam os responsáveis. Por sua vez, o Secqueville & Hoyau e o De Dion Bouton foram cedidos por familiares dos fundadores para exposição.

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Os benefícios do chá

Há quem o tome às cinco, quem o prefira fresco ou quem não o dispense nas noites frias de inverno para aquecer o corpo e a alma. O chá não é uma bebida recente, pelo contrário, estando repleto de história. Por isso, tem sido objeto de estudo ao longo de vários anos, dando cartas junto da ciência. No dia 15 de dezembro comemora-se o Dia Internacional do Chá. Por isso, prepare um, sente-se, relaxe e desfrute-o enquanto fica a conhecer os benefícios do chá na sua saúde. Uma bebida milenar 2737 a.c.: Já nesta altura os benefícios do chá eram reconhecidos pelo imperador chinês Shen Nung, que o bebia pelas suas propriedades medicinais. Mas foi com o tratado de Lu Yu, o primeiro

tratado sobre chá com caráter técnico, escrito no século VIII (aquando a dinastia Tang), que o papel da China como responsável pela introdução do chá no mundo ficou imortalizado. No século seguinte um monge budista

levaria consigo esta bebida até ao Japão. A Europa só viria a conhecer o sabor do chá séculos depois — estima-se que por volta de 1559, apesar de só no século XVII o seu consumo se ter tornado mais comum. Graças aos navegadores, Portugal foi o primeiro país europeu a consumi-lo, mas foram os holandeses os responsáveis por importar o primeiro carregamento vindo da China. No entanto, nem por isso os portugueses deixaram de fazer história com esta bebida: foi pela mão de Catarina de Bragança (filha do rei D. João IV e da rainha D. Luísa de Gusmão) que o típico “chá das cinco” entrou nos


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hábitos ingleses, depois da princesa portuguesa se ter casado com o rei Carlos II, levando consigo a sua bebida preferida. Hoje, o chá é uma das bebidas mais consumidas nas Ilhas Britânicas. Chá ou infusão? Chá verde, chá de limão, chá de erva-príncipe, chá de cidreira… Poderíamos enumerar vários tipos de chás, mas será que estaríamos a utilizar o termo correto? De acordo com os mais puristas, existem apenas quatro tipos de chá: verde, preto, branco e oolong. Todos derivam da Camellia sinensis, uma planta em forma de arbusto, nativa da

China e da Índia. Ela contém flavonoides, antioxidantes que podem ajudar a combater os radicais livres, contribuindo para a prevenção do aparecimento de cancro, doenças cardiovasculares ou entupimento de artérias. Além destes, o chá contém também teína (a cafeína do chá), o que não existe nos restantes “chás”, que, na verdade, são apenas infusões. Os benefícios Apesar de advirem todos da mesma planta, os chás diferenciam-se uns dos outros, dependendo do processo de secagem e oxidação: quanto mais processadas as folhas de chá, menos polifenóis contêm (estes incluem os flavonoides).

Vários estudos têm demonstrado os benefícios do chá para a saúde. Chá verde Com alta concentração de flavonoides, entre os vários benefícios do chá verde está o facto de ajudar a baixar o colesterol total e o LDL (o mau colesterol), segundo revela uma compilação de estudos. Chá preto De acordo com um conjunto de estudos de 2009, consumir três chávenas de chá preto (ou de chá verde) por dia pode ajudar a prevenir a ocorrência de um AVC isquémico (o mais frequente). Chá branco Segundo investigadores da Oregon State University, o chá branco parece ser o chá com maior potencial para ajudar a combater o cancro. REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


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Chá oolong Bastante consumido na China e em Taiwan, um dos benefícios deste chá prendese com o colesterol. Num estudo, os participantes que consumiam este tipo de chá apresentaram um risco mais reduzido de ter níveis de colesterol total, triglicerídeos e LDL (mau colesterol) elevados. Chá em pleno Desengane-se quem pensa que os cuidados com o chá se relacionam exclusivamente a ferver água ao mesmo tempo que se coloca na chaleira as ervas preferidas. Para obter apenas os benefícios do chá, são necessários pequenos detalhes que fazem uma grande diferença. Só assim se

certificará que não se destroem as propriedades desta bebida: 1. Não ferva a água com que vai fazer o chá. Aqueça-a, apenas, até começarem a aparecer as primeiras bolhas de ar, desligando de imediato. 2. Adicione a erva do chá que pretende e abafe com uma tampa por 5 minutos. Deixe a infusão descansar neste período. 3. Passados 5 minutos, coe o chá. 4. Não deve reaquecer o chá. 5. Conserve o chá em local seco e fresco, para que preserve as substâncias benéficas, como os polifenóis e os antioxidantes. 6. Não lhe adicione leite ou açúcar, pois pode comprometer os benefícios do chá. (Médis)


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a r a p s a S eis dic nline poupar o Fazer compras com uns simples cliques é não só cómodo como bastante prático… e também pode ser mais barato se seguir os conselhos que temos para si. Um dos primeiros passos para “rentabilizar” o seu dinheiro na hora de adquirir alguma coisa online é comparar preços. Tendo em conta que bastam poucos segundos para abrir uma nova página, o tempo de que estamos a falar não deverá ultrapassar alguns minutos. Para lhe facilitar ainda mais esta tarefa, encontra também facilmente vários sites de comparação de preços, como o da Deco, o Komparaki, o Kuantokusta, o Shopmania, o Kimovil (telemóveis) ou o Zwame (tecnologias). Pense em “grande” Encontrar os melhores preços passa, entre outros, pela loja online selecionada e aqui as maiores são geralmente as que têm melhores ofertas não só na variedade de produtos, mas também no preço, com promoções

diárias, datas festivas, etc. É o caso da Amazon (vale a pena visitar a espanhola, do Reino Unido, alemã…), da AliExpress, Alibaba, Ebay, Dott, entre outros. Se é comprador online regular, informe-se sobre as vantagens de se tornar cliente premium. Códigos porque vos quero! E quem diz códigos diz cupões, já que ambos podem dar acesso a descontos bastante simpáticos na hora de concluir o pagamento. Subscrever a newsletter das suas lojas/ marcas favoritas é uma das formas de acesso aos mesmos. Outra das formas é recorrer a um motor de pesquisa e procurar por “código de desconto”, por exemplo – nem sempre é garantia de sucesso, mas poderá ter sorte. Ajuda precisa-se! Recorrer ao assistente de apoio ao cliente da marca/loja no site através de chat pode revelar-se útil, já que em muitos casos podem disponibilizar-lhe informação ou códigos sobre promoções.

Em “banho-maria” Deixar artigos no carrinho de compras e sair do site sem os adquirir pode valer-lhe o envio de um desconto por parte do site, que tem todo o interesse em vender-lhe algo ou fidelizá-lo como cliente. Tenha no entanto em mente que isto não acontece sempre. Se quiser mesmo o artigo, não deixe passar muito tempo se houver a possibilidade de se esgotar. Dica: se o artigo já estiver em promoção, não espere milagres! Limpe o histórico do browser Limpar o histórico do seu browser ou navegar em modo privado/incógnito quando estiver a fazer compras online é um hábito que deve adquirir – particularmente se o objetivo forem viagens. É por isso que quando anda à procura de voo para adquirir e regressa a um site onde esteve recentemente, vê os preços a subir. Isto deve-se aos cookies que permitem que o site rastreie os seus movimentos e detete o seu interesse. Por isso, antes de fazer uma compra, limpe o histórico do browser e, de preferência, saia também das redes sociais.



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“O Porto é só uma certa maneira de me refugiar na tarde, forrar-me de silêncio e procurar trazer à tona algumas palavras, sem outro fito que não seja o de opor ao corpo espesso destes muros a insurreição do olhar.“ Eugénio de Andrade


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SANTO TIRSO CIDADE DA ESCULTURA

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er um livro, no Parque D. Maria II, sentado num banco criado por Fernanda Fragateiro. Ver crianças, no Parque Urbano Sara Moreira, “suspensas” na escultura de Ângela Ferreira. Observar de longe, discretamente, os casais de jovens que, na Praça 25 de Abril trocam juras de amor encostados à obra a que Manolo Paz chamou “família”. Em Santo Tirso, o dia a dia funde-se com a arte que o Museu Internacional de Escultura Contemporânea (MIEC) veio trazer às ruas da cidade, desde os anos 90. A coleção que Santo Tirso foi distribuindo pelo espaço público nasceu de uma sugestão, formulada em 1990, pelo escultor Alberto Carneiro à Câmara Municipal, para a realização de um simpósio de escultura ao qual estivessem subjacentes temáticas ligadas à arte contemporânea e à escultura enquanto arte pública. Santo Tirso é um caso único em Portugal e até na Europa. Até porque as obras, dispersas por

seis polos da cidade, foram idealizadas tendo em conta o espaço escolhido para a implementação. O processo implica que os escultores se desloquem a Santo Tirso para estudar o local e fazer o projeto adaptado ao território. Foi o caso de Pedro Cabrita Reis, Júlio Le Parc, Dani Karavan ou Carlos Cruz Diez, a par de todos os outros. Hoje, podem ser vistas 57 esculturas nas ruas de Santo Tirso, até do artista belga Paul Van Hoeydonck que tem uma obra na lua. “Tirsa” homenagem do alemão Robert Schad ao nome da cidade, e instalada junto à Fábrica de Santo Thyrso no início deste ano, é a obra mais recente do acervo do MIEC. Ex-libris da arquitetura A 21 de maio de 2016, o Museu Internacional de Escultura

Contemporânea ganhou um edifício sede. Um projeto que juntou dois arquitetos portugueses galardoados com o prémio Pritzker: Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto Moura. A obra envolveu, também, a requalificação do Museu Municipal Abade Pedrosa, sedeado numa das alas do Mosteiro de São Bento. A sede do MIEC dispõe de um centro interpretativo dotado de


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bibliografia e recursos tecnológicos, permitindo, por exemplo, que o visitante percorra as esculturas utilizando audioguias. O Museu, que durante anos se tornou atração turística pelas esculturas ao ar livre para apreciadores de arte de todo o mundo é, cada vez mais, uma referência no panorama artístico internacional e recebeu já mais de 40 mil visitantes, oriundos das mais diversas latitudes como a Coreia do Sul, o Japão, os Estados Unidos ou a Rússia. As paredes que o sustentam já receberam exposições de Jorge Molder, Ernesto Knorr, Robert Schad e Júlio Resende. Viu, inclusivamente, alguns escultores cujas obras estão espalhadas pela cidade. Miquel Navarro, Fernanda Fragateiro, Pedro Cabrita Reis ou a norte americana Amy Yoes. Atualmente o MIEC conta com a exposição “Round and About” do multifacetado artista alemão Reinhard Klessinger. Até 24 de janeiro, podem ser vistas mais de 30 obras do artista entre desenhos, esculturas, pinturas e vídeo-instalações.

Descobrir tradições ao ar livre A pé ou de bicicleta pode, ainda, explorar o passadiço junto à margem do rio Ave. Uma distância de pouco mais de 1,5 quilómetros separa a sede do Museu Internacional de Escultura Contemporânea do Parque Urbano Sara Moreira, com a possibilidade de fazer uma pausa na Praia Urbana, inaugurada em 2017 e projeto vencedor do Orçamento Participativo Jovem promovido pela Câmara Municipal. Para os aficionados da natureza, os oito percursos pedestres proporcionam autênticas viagens pelas

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paisagens e tradições locais. A visita pelas esculturas ao ar livre é, também, uma oportunidade para descobrir os jardins, os parques e as paisagens do Município de Santo Tirso. Em 2014, a revista World Landscape Architeture, publicação de referência da arquitetura paisagista mundial, destacou o Parque Ribeiro do Matadouro como “uma das mais interessantes obras de arquitetura paisagista de todo o mundo”. As suas esculturas de fibra de vidro são um elemento visual marcante, dispersas pelos 20 mil metros quadrados de natureza, muito perto do centro da cidade.

ÂNGELO DE SOUSA Ferro, 1996

SANTO TIRSO TEM ARTE


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Paranhos aposta na requalificação de ringues

A Depois de receber a delegação da competência de gestão e conservação de dois ringues, por parte da Câmara Municipal do Porto, a Junta de Freguesia de Paranhos uniu esforços e, rapidamente, iniciou as obras de reabilitação dos espaços, há muito reivindicadas pela população. No ringue desportivo do Bairro de S. Tomé as obras decorrem a bom ritmo e no do Agra do Amial a requalificação já está concluída… Texto: Maria Inês Valente Fotos: JF Paranhos

s obras de beneficiação do ringue do Agra do Amial, cuja competência de gestão e conservação foi atribuída à Junta de Freguesia de Paranhos, estão oficialmente concluídas, estando, agora, o equipamento “à disposição de todos”, indicou à VIVA! o presidente da autarquia, Alberto Machado. A intervenção efetuada, num investimento total que ascendeu aos 45 mil euros, partilhado entre a Câmara Municipal do Porto e a Junta de Freguesia, teve como pontos principais a colocação de um novo piso, a cobertura com uma rede, de forma a evitar que as bolas continuassem a ir para a rua ou a partir os vidros dos blocos adjacentes, a reposição de redes laterais, substituição de balizas, reparação de muros de suporte e pintura de muros e piso com marcações. A autarquia revelou que irá agora articular com a Associação de Moradores do Bairro do Agra do Amial a gestão da abertura e


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encerramento deste equipamento, que passará a funcionar com horário definido. “Ajudem-nos a cuidar deste espaço que irá beneficiar os jovens da comunidade", apelou o autarca. Ringue desportivo do Bairro de S. Tomé Na sequência de diversos apelos dirigidos ao município do Porto, relativamente ao mau estado de conservação do ringue desportivo do Bairro de S. Tomé, a Junta de Freguesia recebeu também a competência formal de gestão do espaço desportivo, pelo que tem levado a cabo, nos últimos meses, obras de reabilitação do mesmo. O objetivo principal é beneficiar este ringue de todas as valências necessárias para a utilização da comunidade local, promovendo a sua regular utilização, sob supervisão da autarquia, na ótica da promoção da atividade física e desportiva. Importante referir que o ringue de S. Tomé está ainda dotado de algumas instalações anexas, nomeadamente balneários e sala de treino/ginásio.

REVISTAVIVA DEZEMBRO 2020


H U M O R


#DÁ MAIS VALOR À EMOÇÃO O BPI dá mais valor ao Futebol Feminino.

O BPI como patrocinador oficial das seleções A masculinas e femininas, da seleção sub21 e patrocinador principal da 1ª Liga de futebol feminino, quer continuar a fazer parte das emoções que este desporto proporciona a todos os portugueses. A nossa ligação com a Federação Portuguesa de Futebol tem valores comuns nas áreas de responsabilidade social, desenvolvimento social, desportivo e económico. O que nos une é a ambição de querermos ir cada vez mais longe e de nos superarmos. Queremos que o nosso apoio à Federação e às nossas seleções possam no futuro valer ainda mais.

Saiba mais em bancobpi.pt Banco Oficial das Seleções



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