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Revista gratuita trimestral, março 2019 Diretor: José Alberto Magalhães

MUSEU DO VINHO DO PORTO Requalificação

NÓS OU AS MÁQUINAS? O futuro do trabalho

NUNO

CARDOSO “A cultura no Porto é de excelência”


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E D I T O R I A L

O ano de Sophia Foi (é) uma das maiores escritoras e poetisas portuguesas. Poetisas ou poetas que nisto do génio da arte o género não conta... Sophia de Mello Breyner Andresen cumpriria, em 06 de novembro próximo, um século de existência. E que vida, meu Deus! Nada lhe faltou para ser um mito, desde a doçura do seu trato, à elevação do seu carácter, ao estilo sublime, à luz da sua poesia e à linearidade da sua prosa! Aristocrata, humanista e hedonista, amante da dança, Sophia arrumava sempre as palavras certas num português despido de inúteis arabescos, muito escorreito mas sempre belo, embora, por vezes, quase esfíngico... Sedutora, poeta maior da contemporaneidade portuguesa, esculpiu, seraficamente, alguns dos mais belos livros de poesia, além de contos, ensaios e peças de teatro. Traduziu para português várias obras de Eurípides, Shakespeare e Dante e deu à língua francesa o perfume da obra de grandes autores portugueses, como Luís de Camões, Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, entre muitos outros. Colóquios, exposições, publicações, espetáculos de dança, música e cinema, que decorrem no Porto, Lisboa e Lagos, mas também no Brasil e em Itália, celebram o centenário da escritora e poetisa portuense autora de, entre outros, “A menina do mar”, “Livro Sexto”, “A Fada Oriana”, “Mar Novo” e o “Cavaleiro da Dinamarca”. No Porto, cidade que a viu nascer há quase 100 anos, vai realizar-se, durante os meses de novembro e dezembro, um ciclo sobre Sophia e as Artes na Fundação de Serralves e na Biblioteca Almeida Garrett. Ao longo da sua vida, a permanente doçura e firmeza de carácter não evitaram anos de algum sofrimento e de algumas restrições financeiras, fruto da permanente luta de seu marido, Francisco Sousa Tavares, e dela própria, pelas causas da liberdade. Em 1964 recebeu o Grande Prémio de Poesia pela Sociedade Portuguesa de Escritores e foi reconhecida em 1999 com o Prémio Camões - a primeira mulher a receber o mais importante galardão da língua portuguesa. Em 2003, o Prémio Rainha Sofia foi o último reconhecimento em vida da escritora que faleceu, em Lisboa, em 2004. Os seus restos mortais repousam, merecidamente, no Panteão Nacional. José Alberto Magalhães Diretor de Informação


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PERFIL NUNO CARDOSO

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MEMÓRIAS ANTÓNIO VA R I A Ç Õ E S

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FIGURA ANA PIRES

O QUE É FEITO DE? OLGA CARDOSO

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A T R AV É S DOS TEMPOS MOSTEIRO DE S.BENTO DA VITÓRIA

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I N O VA Ç Ã O PORTGÁS

D E S TA Q U E MATADOURO

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DESCOBRIR LOJAS HISTÓRICAS DO PORTO


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ÍNDICE 0 03 E D ITO R I A L 03 4 M OSTRA DA U. PORTO 03 8 S EGU RA N ÇA FI C H E T 0 4 0 M U S EU D O V I N H O D O PORTO 04 8 CO M ES & B E B ES 0 58 BO B DYL A N

Revista gratuita trimestral, março 2019

FICHA TÉCNICA Propriedade de: ADVICE - Comunicação e Imagem Unipessoal, Lda. Sede: Rua do Almada, 152 - 2.º - 4050-031 Porto NIPC: 504245732 Tel: 22 339 47 50 - Fax: 22 339 47 54 advice@viva-porto.pt adviceredacao@viva-porto.pt www.viva-porto.pt Diretor Eduardo Pinto Diretor de Informação José Alberto Magalhães

070 P O RTO CA N A L

Redação Maria Inês Valente

072 F C P O RTO

Fotografia Inez Cortez Sérgio Magalhães

074 N ÓS O U A S M ÁQUI N A S? 0 80 N U V E M V I TÓR I A 0 84 D ICAS SAÚDE 0 88 P O RTO F ÓL I O 0 9 0 M E TROPOL I S – M ATOS I N H OS 094 M E TROPOL I S – SA N TO T I RSO 096

M E TROPOL I S – PA RA N H OS

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HUMOR

Marketing e Publicidade Eduardo João Pinto advicecomercial@viva-porto.pt Célia Teixeira Produção Gráfica Diogo Oliveira Impressão, Acabamentos e Embalagem Multiponto, S.A. R.D. João IV, 691-700 4000-299 Porto Distribuição Mediapost Tiragem Global 120.000 exemplares Registado no ERC com o nº 124969 Depósito Legal nº 250158/06 Direitos reservados Estatuto editorial disponível em www.viva-porto.pt Lei 78/2015

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“A CULTURA NO PORTO É DE EXCELÊNCIA” Texto: Maria Inês Valente Fotos: Inez Cortez

Ator e encenador e, agora, com a responsabilidade de ter que gerir uma estrutura como o Teatro Nacional São João, Nuno Cardoso garante que o trabalho será de continuidade ao dos seus antecessores. Em conversa com a VIVA! falou sobre o seu percurso como profissional, do papel desta estrutura na cidade e no amor que sente por uma terra que, não o tendo visto nascer, já entende como sua.


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oi numa viagem a caminho do Porto, com a companhia Ao Cabo Teatro, depois de uma digressão em Lisboa, com três projetos, que Nuno Cardoso recebeu a notícia da sua nomeação para diretor artístico do Teatro Nacional São João (TNSJ). Em funções desde o início de 2019, admite que o convite “foi uma surpresa”. E se, por um lado, ficou “extremamente contente”, não pela dimensão da tarefa em si, mas sim, por ser o Teatro Nacional São João, ao qual tem “uma ligação uterina”, por outro, admite ter ficado, também, “muito preocupado”, pela responsabilidade que viria a ter, porque ser diretor artístico do TNSJ é, como explica, ter várias facetas. Por um lado, é ser o criador e o programador residente, mas, também, a pessoa que dirige a equipa técnico-artística do teatro. E, tudo isso, o coloca sempre numa posição, “que é a de provocador de diálogos com a cidade, com os artistas, com o país e de mediador e de servidor público

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em todos os seus aspetos”. A temporada de 2019 foi, ainda, elaborada pelo seu antecessor, Nuno Carinhas, o que o atual diretor artístico do TNSJ confessa em muito o ter ajudado, uma vez “que não se pensa ou repensa uma criação destas” assim tão facilmente. O ano corrente manter-se-á com uma programação ligada às companhias e a coproduções, “com alguma internacionalização no final de 2019”, sendo, portanto, “um ano de continuidade”. Por sua vez, 2020 já ganhará outro carácter, dentro daquilo que até aqui tem sido feito, uma vez que é, também, o ano do centenário do Teatro Nacional São João. Nessa altura, Nuno garante que “haverá um reforço da ideia do que é um teatro com três casas”, ou seja, “estabelecer pontes, ou potenciar as que já estão estabelecidas, em termos de digressão, em termos de coproduções e em termos de programação e projeção internacionais”. Mas, claro, sem nunca esquecer que um teatro nacional “é o primeiro responsável

©João Tuna


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©Susana Neves

da reserva da língua portuguesa, seja na sua expressão seja na sua criação dramatúrgica”. Questionado pela VIVA! Nuno Cardoso desvendou algumas das novidades. Haverá uma aproximação maior da cultura à cidade? O TNSJ caminha lado a lado com o Porto desde sempre. Todos os conselhos de administração, todos os diretores artísticos que me antecederam já o fizeram e fizeram-no bem. Portanto, aqui a questão já nem é tanto a responsabilidade de criar algo de novo, mas sim de estar à altura das pessoas que me antecederam, e nomes tão fortes como Ricardo Pais, Nuno Carinhas, José Wallenstein e Francisca Carneiro, na gestão deste teatro.

O TNSJ vai apoiar as companhias de teatro nacionais com a divulgação dos seus espetáculos? A ideia é continuar a apoiar, o que não significa aumentar a quantidade. Significa depurar a qualidade. O teatro nacional é um parceiro artístico que entra em diálogo com essas estruturas e procura desenvolver um projeto de programação nacional em que elas são parte integrante e valorizada. Estão previstos intercâmbios entre companhias de teatro nacionais e estrangeiras? Sim, isso é uma prática constante do São João e que continuará. Aliás, nós temos sempre esse objetivo, o de ser um parceiro privilegiado da criação portuguesa, que no Porto é de excelência, mas também de se mostrar a si e aos outros no mundo e de trazer o mundo até ele.

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elativamente à complementaridade do TNSJ com iniciativas da Câmara Municipal do Porto, Nuno Cardoso não tem dúvidas de que esta deve ser total, uma vez que, de alguma forma, a sua função é semelhante: servir a cidade. Embora no caso de um teatro nacional seja a de servir, também, o país, não se pode esquecer-se que este está situado no Porto e, por isso, “essa complementaridade, a proximidade, a ideia de projeto para com os públicos tem que ser partilhada”. As apostas na formação de novos públicos, como sublinha, são constantes e é um trabalho que o São João faz desde sempre, motivos pelos quais continuarão, uma vez que o objetivo da atual direção é continuar a potenciar a herança artística do Teatro.


N U N O CA R D OSO

É difícil ser ator? Ser ator é difícil, ponto final. É difícil enquanto profissão, porque é pouco recompensada e isso é tão difícil no norte como no sul. Uma pessoa é capaz de reconhecer um bom gestor de um banco, mas é incapaz de perceber que um ator, que ganha infimamente menos, trabalha e estuda tanto para ser tão bom a fazer o que faz. O esforço que um ator tem para ler um alexandrino do século XVI, vertê-lo em emoção e devolvê-lo ao

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deliciou a VIVA! ao ouvi-lo falar. Como ator, cada vez que começa o aquecimento para um espetáculo tem “medo de não sentir medo”, sendo essa a sensação que espera continuar a ter sempre, “medo de não ser e de não ter autocritica suficiente, de não estar suficientemente presente como ator e encenador que, para dar ao público aquilo que é necessário”. Já como encenador, também, é, Nuno Cardoso conhece, melhor do que nin- costuma dizer que um projeto no qual trabalha “está pronto guém, a sensação de “estar do quando adormece num ensaio”, outro lado” da cortina. Fala do teatro com um amor e uma ter- ou seja, quando permite que o cansaço o vença. E o que sente nura imensuráveis, tanto que quando chega o momento da estreia é puro encantamento! “O que acontece num espetáculo é sempre muito mais do que o previsto nos ensaios, do que o previsto na ideia que me levou a escolher um texto ou que me levou a escolher um grupo de trabalho”, razão que o enche de “prazer e humildade”, porque “um espetáculo, por mais que seja assinado por si, nunca é seu. E quanto mais deixa de o ser, mais fantástico é”, diz com um sorriso no rosto. público para que ele, no século XXI, o perceba é tido como um divertimento. Portanto, ser ator é difícil, é difícil porque os atores são sempre vistos como cigarras e desvalorizados como tal, mas os atores são, acima de tudo, grandes formigas.

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O atual diretor artístico do TNSJ não esconde o amor que tem por esta cidade, que, embora não o tivesse visto crescer, já é, também, a sua terra. “Não sei falar à Porto, imito de uma maneira muito ridícula, mas gosto da atitude do Porto e gosto do céu do Porto”, confessa. Já gostava nos anos 90, quando o Porto era uma cidade vazia e escondida. “É a minha terra”, reforça. “Eu andava perdido em Coimbra, encontrei o teatro, profissionalizei-me porque encontrei um conjunto de pessoas que, comigo, “são perniciosas”. Só pensa em apostou num caminho inaudito “deixar a camisola em campo”, naquela altura, depois quando algo que acontece em todos os saí deparei-me com o Auditório projetos em que se envolve. E o Carlos Alberto, que se transfor- TNSJ, naturalmente, não será mou em TECA, e que me preen- exceção. cheu a vida, depois encontrei o Ao Cabo Teatro e, agora, surge Como tudo começou… este convite. Portanto, não posso “Relativamente tarde” e “por deixar de me sentir afortunado!” acaso”, em Coimbra, através de Sobre o amanhã, e a marca que um evento criado e dirigido por poderá deixar tanto no TNSJ Ricardo Pais, em que viu várias como na cidade, Nuno garante peças de teatro e ficou “espanta“não pensar nessas coisas porque do” com aquilo que os seus olhos

©Inês D´Orey

contemplaram. Estava a estudar Direito e sentia-se “um bocadinho perdido”, o que o levou a inscrever-se num curso de iniciação ao teatro do CITAC - Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra. “Passadas duas horas do primeiro workshop, fiquei tão entusiasmado que tinha a sensação de que era aquilo que eu queria fazer sempre, que tinha encontrado um caminho”. Já no final do curso, recorda-se de estar a ensaiar com o Paulo


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©João Tuna

Lisboa, a pessoa que, admite, de se momento que, efetivamente, facto, lhe abriu este horizonte, se começou a imaginar como quando um encenador alemão ator “e fazedor de teatro de forfoi ver a peça e lhe “achou pia- ma profissional”. “Fomos uns da” e propôs fazer uma audição inconscientes numa altura em para a Cornucópia. Logo a se- que a inconsciência ainda era guir, começou a trabalhar com permitida”, salienta, com um o Teatrão, “uma jovem estrutura brilho no olhar. naquela altura”, e depois rumou ao Brasil, juntamente com o CI- O TNSJ pelos olhos de Nuno TAC, onde encenou a peça “I Cardoso Love You Maria” a partir de “A Situado no coração da cidade Mulher Só”, de Dário Fo. Fruto do Porto, o Teatro Nacional São do convívio e da vontade que João é considerado monumento muita gente tinha de “descobrir nacional e um dos edifícios mais o teatro naquele curso”, Nuno e emblemáticos da cidade. Como alguns amigos formaram uma destaca o seu atual diretor artíscompanhia profissional, a Vi- tico, “é um teatro com três casas” sões Úteis, e aventuraram-se pelo – “uma mais de reportório, que Porto, onde acabaram por estrear é o São João; outra de experia peça “Criadas”, no Teatro Sá mentação, que é o Teatro Carlos da Bandeira. E foi a partir des- Alberto (TECA), e uma casa mais

Uma companhia residente, três produções próprias, uma exposição e uma coleção de livros são algumas novidades do Teatro Nacional São João para 2020, ano em que celebra o seu centenário. de criação, que é o Mosteiro de São Bento da Vitória, onde está o centro de documentação e as salas de ensaios, etc”. Estrutura integrante da União de Teatros da Europa, uma organização que congrega alguns dos mais importantes teatros públicos do espaço europeu, tem já um papel estabelecido na sua missão. “É um teatro que se pretende como um teatro de criação que, de alguma forma, gere a possibilidade de residência de criadores, no sentido de que essa criação tenha continuidade e possa fugir ao fenómeno da mera apresentação”, sendo que, nesse sentido, “deve estabelecer pontes com a cidade, mas também com a região envolvente e com todo o país”.


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“UAU! É a amiga Olga” Acordou-nos com a sua voz inconfundível durante anos no programa “Despertar”. Em 1993 entrou pela casa dos portugueses com a carismática “A Amiga Olga”. É aí que deixa de ser Olga Cardoso para passar a ser a Amiga Olga. E o que é feito agora, da Amiga que ninguém esquece? A VIVA! esteve à conversa com a ex-locutora e conta-lhe tudo. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Inez Cortez / Cedidas por Olga Cardoso


OLGA CA R D OSO

Aos 84 anos mantém a simpatia e o sorriso de sempre. Acompanhada pelo gato Johnny, encontrava-se a ler quando entramos na sua sala. Um livro grande, naturalmente, p o rq u e n ã o go s t a d e l iv ro s pequenos. “Acabam rápido e fico desconsolada”, começou logo por esclarecer. A par disso, o que Olga também gosta, e muito, é de viajar. “Desde que saí da minha vida radiofónica, aos 71 anos, aproveitei para fazer várias viagens, com uma amiga e com a minha neta mais velha”. Enquanto pôde passeou sempre. A idade traz algumas condicionantes e com Olga não foi exceção. A partir dos 80 começaram a aparecer algumas dores, mas, como faz questão de referir, sente-se bem disposta e isso é o mais importante. “Cá dentro tenho 20 anos”. E a VIVA! confirma isso mesmo. Dona de uma longuíssima carreira, desde pequenina que queria ser a “menina da rádio” e o sonho acabou por se tornar realidade. Mas não ficou por aqui! Foi apresentadora de um dos programas da manhã d e m a i o r s u ce s s o d a r á d i o portuguesa – o “Despertar” –, da Rádio Renascença, com o qual criou uma legião de admiradores e ouvintes fiéis. “Eu acho que nós fizemos uma espécie de família com os ouvintes”. A dupla António Sala em Lisboa e Olga Cardoso no Porto conseguiu manter o programa no ar durante 18 anos e o sucesso, acredita, terá estado na autenticidade dos dois interlocutores. “Era o sermos nós bem dispostos e a combinar tão bem, porque nós nunca falávamos antes ao telefone a dizer «olha vamos fazer isto ou vamos fazer aquilo». Era espontâneo!”

“Desde que saí da minha vida radiofónica, aos 71 anos, aproveitei para fazer várias viagens, com uma amiga e com a minha neta mais velha”

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O “Despertar ” teve algumas emissões ao vivo – a única altura em que António Sala e Olga Cardoso estavam, efetivamente, juntos – e conseguia arrastar multidões. Recorda com especial saudade a primeira de todas, feita a partir da sua terra natal, a cidade do Porto, onde o palco estava junto à Câmara e o público ia até ao fundo dos Aliados. “Era uma verdadeira loucura”, comenta com o brilho no olhar, acrescentando que, nesse dia, chegou a dar “autógrafos em santinhos, santinhos da igreja”. “Foi realmente um fenómeno extraordinário, foi único. Ficou escrito no livro de honra da rádio”. Todos os dias as pessoas lhe ouviam a voz, mas a verdade é que, à exceção daquelas que assistiam às emissões ao vivo, eram muito poucas as que lhe conheciam o REVISTAVIVA MARÇO 2019


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rosto. Esse protagonismo, a nível visual, dá-se quando foi convidada pela TVI para apresentar o concurso “A Amiga Olga” – apelido que, desde então, nunca mais perdeu. “Quando me viram foi uma surpresa «Ah, afinal ela é velha!»”, conta entre risos. Mas, ainda assim, o fenómeno “A Amiga Olga” instalou-se em Portugal e, a partir daí, não mais saiu à rua sem ouvir o famoso “uau”, a expressão que marcou o programa televisivo pelo qual deu a cara. “Uma altura ofereceram-me uma viagem para ir à Madeira e eu comentei assim com o meu

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marido «Graças a Deus que vamos para um sítio onde não me conhecem. Durante oito dias não vou ouvir «uau», «a chave», «o dinheiro». Assim que chegamos fomos a um restaurante e de repente só oiço assim: «Olha a Amiga Olga na Madeira!». E então foi engraçado porque, pensando eu que ia descansar, na verdade não fui, porque passei o tempo a tirar fotografias e a dar autógrafos”. O meio televisivo era, também, uma aspiração desde muito nova, impedido, na altura, por força dos pais, dado ser filha única. E a verdade é que mesmo

com 51 anos de rádio e apenas dois de televisão, a paixão pela “caixinha mágica” falou mais alto. Porquê? “Porque é espetáculo e eu gosto muito de ver espetáculo, de ver muita gente, e uma coisa que eu nunca tive foi receio de enfrentar o público. Eu gosto é disso!”, confessa. “Quando eu saí da rádio saí zangada e, por isso, nunca mais ouvi rádio. Até agora. Há 20 anos que não oiço rádio”. Sem se querer alongar muito sobre este assunto, Olga Cardoso admite que esta possa ter sido, também, uma das razões para, hoje em dia, sentir mais saudades da televisão.


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“Foi realmente um fenómeno extraordinário, foi único. Ficou escrito no livro de honra da rádio”

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A ex-radialista da Rádio Renascença e antiga apresentadora da TVI leva, agora, uma vida bastante mais serena, mas não se sente, de todo, triste com a situação. Gosta muito de estar em casa e ver “como são capazes de fazer coisas fantásticas” na televisão. Mas, continua também a sair à rua, sempre que há um dia bonito de sol, e a encontrar-se com antigos colegas da rádio, algo de que diz gostar muito, por ser “bom recordar”. E quando sai, claro, o «uau» ainda lá está, mesmo passados 25 anos. AS HISTÓRIAS INESQUECÍVEIS As histórias vividas ao longo de tantos anos de “Despertar” são muitas. Algumas reveladas publicamente por António Sala, outras contadas pela própria Olga. A viver no prédio da Rádio Renascença já desde a altura que fazia o programa, explica que o despertador tocava

todos os dias às 6 horas da manhã, mas “na altura do frio estava tão bem, tão quentinha” que acabava por adormecer. Quando assim era, recebia sempre uma chamada a avisar “Ó Olga, vai começar” e a única solução era “robe por cima e lá ia para cima”, deixando-se ficar assim na primeira hora de emissão. “Não foi muitas vezes que aconteceu, mas foram algumas”, confessa. “Outra coisa que eu fazia era renda. Uma vez o António veio cá e viu que eu tinha na cabine uma cestinha com renda e disse «Não me digas que tu fazes renda quando estás a fazer o programa» e eu «Ai muitas vezes faço». Então ele foi para Lisboa e uma altura disse assim «Ó Olga olha que te caiu aí uma agulha»”. Outras recordações estão, inclusive, perpetuadas entre as quatro paredes da sua casa. “Tenho uma coleção de elefantes, mais de 300, que foram dados pelos ouvintes” e “ainda tenho guardadas algumas cartas que me enviavam”, recorda.


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História e cultura no Mosteiro de São Bento da Vitória Situado no coração do velho Porto, freguesia da Vitória, nem sempre salta à vista de quem por ali passa. Quem não o conhece não sabe os segredos que guardam as pedras de um dos edifícios mais importantes e emblemáticos da cidade Invicta, que, em 1977, foi classificado Monumento Nacional. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Cedidas por Central de Informação

Data de 1596 e foi construído com o objetivo de ser criado um mosteiro de monges beneditinos na cidade - uma forma de marcar a presença monástica e acolher os religiosos que se deslocavam do Norte para o Sul do país e vice-versa. A decisão da sua fundação foi tomada na casa-mãe da Ordem de São Bento, o Mosteiro de Tibães, mas a verdade é que só oito anos depois, corria já o ano de 1604, os trabalhos de edificação do Mosteiro de São Bento da Vitória tiveram início. E assim foram continuando, aos poucos e poucos, ao longo de dois séculos. Durante a Guerra Peninsular uma parte do Mosteiro

foi ocupada pelas tropas invasoras francesas e posteriormente pelas portuguesas, que se serviram dele como hospital militar. Nas décadas que se seguiram acabou por funcionar, também, como tribunal militar, após expulsão das ordens religiosas. Entre 1985 e 1990, o Instituto Português do Património Arquitetónico submeteu o Mosteiro a obras de restauro, respeitando sempre a sua traça original e os diversos elementos arquitetónicos e permitiu a instalação dos monges beneditinos, do Arquivo Distrital e da Orquestra Nacional do Porto. Com a abertura da Casa da Música, em 2001, e con-


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mas tem monges que ainda cá vivem no Mosteiro, numa ala do edifício”, revela a administradora do Teatro Nacional São João, Susana Marques. Dotado de uma arquitetura inconfundível e que se reflete numa tipologia maneirista e barroca, o Mosteiro de São Bento da Vitória é hoje um dos mais importantes e ricos patrimónios da cidade do Porto. E aquilo que outrora foi diverge, em muito, daquilo que é atualmente.

sequente saída deste agrupamento musical para o mesmo, o espaço ficou disponível e o Estado atribui parte significativa do edifício – ala nascente, parte da ala sul e claustro nobre – ao Teatro Nacional São João no ano 2007, sendo, atualmente, este o grande responsável pela gestão do mesmo. Neste momento este “é um mosteiro que é um pouco um condomínio partilhado entre o Teatro Nacional de São João EP, o Arquivo Distrital do Porto e também a Ordem Beneditina (…). E, portanto, há aqui uma vivência tripla: tem serviços, no nosso caso, culturais, no Arquivo Distrital também serviços culturais,

MOSTEIRO ABERTO AO PÚBLICO

Aquilo que antes era um lugar privativo de oração e fechado ao público, é hoje um espaço que está ao alcance de qualquer um. “Temos uma parceria com a Direção Regional da Cultura do Norte e com a Ordem Beneditina de usufruto do património um bocadinho mais abrangente. E, portanto, temos como oferta um conjunto de visitas guiadas ao Mosteiro e à Igreja com muitos conteúdos e de uma enorme qualidade que permite aos locais e aos turistas, e a todos os interessados, conhecer uma grande parte do monumento”. O Teatro Nacional São João (TNSJ) organiza visiREVISTAVIVA, MARÇO 2019


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tas guiadas duas vezes ao dia – 10h30 e 12h30 – de segunda-feira a sábado. Nesse roteiro está incluída uma visita à Igreja São Bento da Vitória, à zona do Claustro e à exposição “Noites Brancas” que representa uma viagem pelas peças mais emblemáticas que o São João produziu ao longo das últimas décadas. O Claustro do Mosteiro de São Bento da Vitória é, muitas vezes, palco de diversas atuações levadas a cabo pelo Teatro Nacional São João, desde peças de teatro, concertos musicais e exposições. A par disso, o aluguer do espaço para a realização de eventos começa a ser, também, uma realidade cada vez mais enraizada. “Nós cedemos este espaço para a realização de eventos muito diferentes, muito díspares, desde culturais, sociais a comerciais, durante o ano inteiro”. Palco de diversos espetáculos musicais e teatrais, exposições e cerimónias festivas, o Mosteiro acolhe, hoje, uma quantidade significativa de eventos. No entanto, de acordo com Susana Marques, a maior fonte de receitas continua a prover do Estado. “O Ministério da Cultura financia 90% da atividade do TNSJ e do funcionamento e 10% é feito em receitas próprias. O aluguer do espaço, por exemplo, tem um relativo significado naquilo que são as receitas do Teatro Nacional São João, mas o grande bolo vem do Estado”, afirma.

OBRAS DE REQUALIFICAÇÃO DA PORTO 2001

“Qualquer intervenção em património é sempre importante”,

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admite Susana Marques, quando questionada se a intervenção a nível da Porto 2001 foi positiva para o Mosteiro. Na altura, esta foi uma intervenção bastante polémica porque, como explica, “modificou-se aquilo que seria a convenção normal de um mosteiro, uma vez que não se conhecem

muitos claustros cobertos”. Contudo, admite que este monumento emblemático do Porto não podia ter sido, de todo, mais beneficiado, tendo em conta que “trouxe à cidade e ao centro histórico uma sala de espetáculos com excelentes condições, algo que não existia”. Por esse motivo, o ponto


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alto da intervenção contemporânea terá sido, precisamente, a cobertura dos claustros através de uma estrutura em aço branco, obra projetada pelo arquiteto Carlos Guimarães e que terá sido assim pensada por uma questão de acústica e resistência da própria estrutura. Mas, de acordo com Susana Marques, a obra da Porto 2001 “é uma obra inacabada”, havendo ainda um longo caminho a percorrer.

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Nos meses de fevereiro e março do ano corrente, o Mosteiro de São Bento da Vitória entrou em obras para que se procedesse a obras de conclusão de restauro nas paredes no claustro. “Os edifícios vão sempre precisando de intervenções e a refuncionalização é isso mesmo: dar novas vidas às salas, aos lugares e torná-los mais interessantes e com mais oferta para os públicos”, explica, afirmando que é tudo um “work in progress”.

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UMA ENERGIA COM FUTURO

E DE FUTURO A Portgás é a primeira empresa portuguesa de distribuição de gás certificada em Investigação, Desenvolvimento e Inovação (IDI), passando, assim, a integrar a lista de pouco mais de uma centena de empresas nacionais com esta certificação. Numa altur a em que se fala tanto de “transição energética”, de “baixas emissões” e de “neutralidade de carbono”, a Portgás entendeu, e bem, na opinião de Bruno Henrique Santos, subdiretor da área da engenharia e sustentabilidade da empresa, que a condição para a sustentabilidade no futuro seria através da inovação. Para o efeito, começou a desenvolver esforços nesse sentido e definiu, na sua estratégia, a certificação em Investigação, Desenvolvimento e Inovação (IDI). A grande revelação chegou no final do ano passado, depois de uma auditoria

de concessão, em que a empresa apresentou o propósito da Inovação à entidade certificadora, garantindo a certificação “nas primeiras duas horas de apresentação”, revela entre risos. Contudo, a aposta neste setor não se prendeu, frisa, apenas pelo ganho de “mais uma bandeira”. Antes do papel importante da inovação, a empresa acredita que a sua infraestrutura transporta “uma energia que é económica, segura e flexível”. Bruno Henrique Santos assinala que, atualmente, “o custo final do gás natural é um terço do preço da eletricidade”, sublinhando que, em Portugal, o consumo da energia elétrica “reside na produção com origem em mais de 20 por cento de carvão”. E acrescenta: “A distribuição de gás natural é mais resiliente! Quando há grandes intempéries, em que se verifica que muita população fica sem eletricidade, as nossas infraestruturas, como estão enterradas, não sofrem com esses fenómenos climáticos extremos”. Seguros de que “o gás natural vai continuar a ter o seu papel no futuro”, a Portgás está


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empenhada em “preparar os seus ativos, a sua infraestrutura, para a rede inteligente que se pretende implementar, em preparar-se para aquilo que serão os desafios futuros e os novos clientes, com uma cultura mais digital . Para isso, tem definida uma estratégia de IDI em torno de três grandes pilares, que acredita serem diferenciadores e relevantes para o negócio, nomeadamente: Smart Gas Grid, Product Awareness e Business Development. O projeto Porto Smart Gas Grid, que consistiu, numa primeira fase, na instalação de dois smart regulation systems e de 90 contadores inteligentes num edifício da cidade, é um dos grandes projetos da empresa, no que diz respeito a redes inteligentes. Através de iniciativas como esta, a Portgás tem vindo a testar algumas tecnologias que permitam à sua infraestrutura robustecer-se e distinguir-se das demais. “Com um contador inteligente conseguimos avaliar melhor perfis de consumo, operar o contador remotamente, evitando o envio de técnicos. Além disso, estamos, também, a controlar melhor a nossa rede, porque, como ela é mecânica, quando há uma anomalia, a operação ainda depende muito da intervenção humana, sendo que a perspetiva é a automatização de forma a possibilitar a alteração do regime de pressão da rede a partir do nosso Centro de Supervisão e Telecontrolo, por exemplo”, explica Bruno Henrique

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N O V A Ç Ã O

“A inovação é o fator chave de sucesso no futuro do setor da energia”, afirma Bruno Henrique Santos.

Santos, acrescentando que esse “é um dos grandes projetos” que têm em curso atualmente. A inovação na Portgás pretende, desta forma, garantir a sustentabilidade do negócio na “cada vez mais complexa matriz do setor da energia”, garantindo geração de valor, numa lógica em que cada vez mais se releva “uma economia de baixo carbono rumo à neutralidade das emissões”, com a convicção de que as suas infraestruturas podem desempenhar um papel relevante nesta transição, com distribuição de gás oriunda de fontes renováveis de energia, como é o caso do biometano. Por isso, a estratégia da Portgás reside “na procura sistemática de fontes alternativas de valor, quer pela eficiência e modernização dos seus ativos e operações, quer pela via de veiculação de fontes

renováveis de energia” – biometano, hidrogénio ou gás sintético (SYN-Gas) - de forma a garantir a sustentabilidade do sistema nacional, nomeadamente dos ativos, desenvolvendo e implementando iniciativas de inovação no âmbito da Smart Gas Grid, Biometano e Powerto-Gas. A VISÃO DA EMPRESA A Portgás tem como visão ser a utility de referência em criação de valor, inovação e sustentabilidade, disponibilizando serviços de energia com impacto positivo na vida das pessoas, dos stakeholders e das comunidades em que se insere, sempre alinhada com os principais referenciais da inovação. Tendo em vista a concretização da sua missão e


P ORTGÁ S

A Portgás, empresa do grupo REN, é o operador de redes que mais investe no sistema nacional de gás natural: representa cerca de 50% de todo o investimento ao nível dos operadores de rede de distribuição, o que corresponde a cerca de 130 milhões de euros no período 2019-2023.

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visão, a empresa tem vindo a desenvolver esforços no sentido de implementar o seu roadmap de IDI, pretendendo-se que, paulatinamente, seja construída uma rede inteligente que incorpore as tecnologias identificadas “como críticas e inovadoras à medida que estas atinjam um grau de maturidade tecnológica” que permita a sua instalação com um grau de risco controlado. É co nv i cç ã o i n te r n a q u e a e m p re s a “desempenhará um papel relevante na matriz energética do país, capacitando os ativos de distribuição de gás natural nas comunidades, com distribuição de fontes renováveis de energia para os clientes finais”, capacitando, desta forma, a sociedade de “ativos relevantes para a transição energética” e contribuindo “para a neutralidade carbónica”. REVISTAVIVA, MARÇO 2019


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E M Ó R I A S

Como o mito vive Vem aí um filme sobre António Variações! A produção cinematográfica, intitulada “Variações”, tem estreia marcada para 22 de agosto, neste ano em que se comemoram os 75 anos do nascimento do icónico cantor português. Depois do trailer, apresentado em dezembro do ano passado, ficamos a conhecer a data de estreia de “Variações” - um filme biográfico de um dos músicos mais importantes do panorama musical português. A ação do filme, realizada por João Maia, e produzida pela David & Golias de Fernando Vendrell, relembra todo o percurso biográfico do autor, tendo especial enfoque no período entre 1977 e 1981, altura em que António Variações deu os primeiros concertos em Lisboa, depois de ter regressado de Amesterdão, onde vivera durante alguns anos e aprendeu o ofício de barbeiro. As rodagens começaram já no verão passado, tendo sido gravadas em dois dos

locais com maior relevância do percurso do músico: a célebre discoteca gay de Lisboa, Trumps, palco dos primeiros espetáculos, e o concelho de Amares, em Braga, de onde era natural. Sérgio Praia é quem dá vida ao inesquecível Variações, num filme que conta, ainda, com outros nomes sonantes da cena nacional, como o de Victoria Guerra, Filipe Duarte, Filipe Albuquerque, Nuno Casanovas, Teresa Madruga, Madalena Brandão, entre muitos outros. “Este é um lugar icónico na vida de António. Foi aqui que ele se tornou Variações”, sublinhou Fernando Vendrell aquando da apresentação do filme à comunicação social, num dos lugares incontor-

náveis da vida do artista, o clube noturno Trumps. Presente na sessão de apresentação daquela que é a mais esperada das produções portuguesas para 2019 estavam, também, alguns dos atores que integram o elenco. Entre eles Filipe Albuquerque, que veste a pele de Rudolfo, uma “figura reconhecida das noites de Lisboa dos anos 80”, assegurou João Maia, e Victoria Guerra, que será a enigmática Rosa Maria, elemento que fazia parte do círculo de amigos de António e que, em conjunto com o companheiro, abriu a casa


ANTÓNIO VARIAÇÕES

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Trumps. A inserção desta personagem, assim como a de muitas outras, levarão o espectador a conhecer o lado nunca antes visto de António Variações. “Quando li o guião pela primeira vez devo confessar que não conhecia a luta que teve para chegar onde chegou”, destaca Victoria Guerra, acrescentando que “este é um filme sobre o António e para o António. É quase como uma homenagem”. O mesmo entende o ator Filipe Albuquerque, que sublinhou estar “na altura de olhar para a nossa História que está recheada de grandes personalidades”. O trabalho de António Variações como barbeiro

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E M Ó R I A S

em Lisboa e a forma como, nos tempos livres, compunha canções – só com um gravador e, por vezes, acompanhado por uma caixa de ritmos – e tentou arranjar músicos para as tocar será, indiscutivelmente, um dos retratos marcantes desta produção, que mostra parte da vida pessoal e artística de “uma lenda”, de acordo com Victoria Guerra, que viria a influenciar toda a uma geração do seu tempo e as que a ele se seguiram. Recorde-se que um filme sobre a vida e obra de Variações já se encontrava em preparação há anos pela produtora Utopia Filmes. No entanto, como o argumento de João Maia foi alterado sem o conhecimento do

próprio, isso levou a uma batalha entre direitos que, como consequência, deixou o projeto suspenso durante algum tempo. “Por intermé-

dio de um amigo comum, o realizador, radicado em Nova Iorque, Jaime Mateus Quicas, mantive contacto com o João. Tentei apoiá-lo antes de toda


ANTÓNIO VARIAÇÕES

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esta situação e foi então que começamos um projeto. Tivemos os nossos primeiros apoios e iniciamos, por fim, as rodagens” mencionou Vendrell, salientando que o anterior projeto se transformou. No encontro esteve também presente o protagonista do filme, Sérgio Praia, que reforçou a persistência do realizador e elogiou a sua postura: “agradeço a este grande homem [João Maia] por não desistir deste projeto, porque nos dias de hoje, desistir é fácil”.

Sobre o músico António Joaquim Rodrigues Ribeiro nasce em Fiscal, pequena aldeia do concelho de Amares, a 3 de dezembro de 1944. Aos 12 anos abandona a terra natal rumo à capital, onde acaba por trabalhar num escritório. Faz tropa em Angola e, assim que regressa, volta a partir, desta vez para Londres. Viaja, depois, para Amesterdão, e quando volta a Lisboa, dedica-se, durante o dia, ao ofício que aprendeu na capital da Holanda – barbeiro –, e de noite, à paixão pela música, descoberta desde tenra idade. Inicia no mundo do espetáculo acompanhado por um grupo de músicos, intitulado “Variações”, e começa, desde logo, a destacar-se pelo visual excêntrico e personalizado. Em 1978 assina contrato com a editora Valentim de Carvalho, depois de lhe ter apresentado uma maqueta com algumas das suas músicas, no entanto, só após quatro

anos lhe concedem autorização para gravar. No início dos anos 80 surge pela primeira vez em televisão, no programa “Passeio dos Alegres”, de Júlio Isidro. Em julho de 1982, já sob o nome de António Variações, gravou o seu primeiro single – “Povo Que Lavas No Rio” –, imortalizado por Amália Rodrigues. Pouco tempo depois lança “Anjo da Guarda”, o primeiro álbum, e que o transforma numa estrela popular à escala nacional. O último disco, “Dar e Receber”, é gravado em fevereiro de 1984, sendo nesse ano que aparece pela última vez em público, precisamente pela mão de quem o havia mostrado ao mundo, Júlio Isidro. No programa televisivo “A Festa Continua” interpreta, pela única vez, algumas das faixas que compõem o novo álbum. Quando este é editado, já António Variações se encontra internado, acabando por falecer a 13 de junho de 1984 em consequência de uma broncopneumonia bilateral grave. Tinha 39 anos!

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N I C I A T I V A S

Mostra da Universidade do Porto sai à rua pela primeira vez De 4 a 7 de abril todos os caminhos vão dar à Cordoaria, mais concretamente à Praça Amor de Perdição, em frente ao Centro Português de Fotografia. A 17.º Mostra da Universidade do Porto está de regresso para quatro dias de informação, experimentação e muita descoberta, num evento que, pela primeira vez, se realiza na rua, em plena Baixa do Porto. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Universidade do Porto


U P O RTO

Arquitetura, Belas Artes, Ciências, Ciências da Nutrição e da Alimentação, Desporto, Direito, Economia, Engenharia, Farmácia, Letras, Medicina, Medicina Dentária, Psicologia e Ciências da Educação e Ciências Biomédicas. Todas as faculdades e áreas de conhecimento vão estar presentes na exposição anual da oferta formativa da maior universidade do país, a do Porto, possibilitando, assim, uma oportunidade única para os jovens que terminam o secundário obterem informações sobre os cursos universitários da instituição ou, até mesmo, descobrirem as suas vocações, ao conversarem diretamente com os estudantes e professores da casa. Mas, a Mostra da Universidade do Porto não é apenas um local para os futuros estudantes universitários, é, acima de tudo, um espaço aberto à cidade e a toda a família, independentemente das idades. A iniciativa está pensada para desafiar os visitantes a participar em experiências científicas, a conhecerem as mais recentes inovações produzidas no Porto e a permitir, ainda, o seu envolvimento em atividades que, habitualmente, são exclusivas a estudantes universitários. A grande novidade da edição deste ano é, sem dúvida, a alteração do local, que,

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pela primeira vez, se muda dos habituais pavilhões para a rua, em plena Baixa do Porto, quase ao lado da Torre dos Clérigos, permitindo, assim, um acesso mais fácil e próximo aos visitantes. Ao abrigo de uma tenda com dois mil metros quadrados, o conceito, de enorme sucesso ao longo das 16 edições já realizadas, mantém-se, por sinal, inalterado: cerca de 300 docentes, técnicos e estudantes da universidade estarão disponíveis para dar a conhecer o lado mais divertido do conhecimento científico e apresentar os requisitos de acesso e saídas profissionais dos 52 cursos de licenciatura e mestrado integrado da Universidade do Porto. Neste evento, além de o público préuniversitário conseguir tirar diretamente todas as suas dúvidas com aqueles que já frequentam a instituição, poderá, ainda, através dos serviços académicos e de ação social, também presentes na Mostra, receber informações sobre apoios sociais, empregabilidade e programas de mobilidade internacional existentes na universidade. Aberta ao público em geral, a Mostra da Universidade do Porto terá também à disposição informações para os interessados em prosseguir os estudos

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N I C I A T I V A S

A Mostra da Universidade do Porto é o evento certo para, num único local, encontrar informação e experiências sobre todos os cursos e todas as áreas de conhecimento. As portas abrem ao público de 4 a 7 de abril e a entrada é gratuita para todos. De quinta a sexta-feira, o evento decorre das 10 às 19 horas, enquanto no fim de semana se inicia mais tarde, apenas às 11 horas, encerrando às 20 horas no sábado e às 19 horas no domingo.


U P O RTO

com formação pós-graduada, nomeadamente mestrados e doutoramentos. Em média, o evento recebe mais de 15 mil visitantes e a organização espera que, na edição deste ano, esse número possa ser igual ou, até mesmo, superior.

O que pode encontrar

Quem passar pela Mostra da Universidade do Porto, poderá assistir a um vasto conjunto de atividades diversificadas. Desde descobrir como produzir o biodiesel, aulas práticas de pintura e desenho, experiências de produção de medicamentos e cosméticos, demonstração de manobras de Suporte Básico de Vida (SBV) com auxílios de simuladores de bebés e tamanho real, testes aos aromas que constituem os

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perfumes e demonstrações de culinária saudável a conhecer, de perto, algumas das mais recentes inovações dos centros de investigação como, por exemplo, os carros elétricos de competição e aviões e submarinos não tripulados, passando, também, por robôs capazes de trabalhar ao lado de humanos e simuladores médicos que vestem a pele de doentes reais. Estes são apenas alguns exemplos das mais de 100 atividades que as faculdades e centros de investigação vão colocar gratuitamente à disposição de todos os visitantes da Mostra, dos mais miúdos aos mais graúdos, num evento que se quer aberto a toda a família. A iniciativa contará, também, e como já é habitual, com as atuações das várias tunas académicas.

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ISTEMAS DE SEGURANÇA

Fundada em 1982, a Jorge d’ Almeida – Sistemas de Segurança aderiu em fevereiro de 1984 à rede europeia de Point Fort Fichet, passando a ser um dos agentes oficiais da prestigiada marca francesa e um dos seus agentes de referência em Portugal. A Jorge d’ Almeida presta serviços a particulares, empresas privadas e públicas. Efetua todos os planeamentos e instalações de segurança, portas blindadas, fechaduras; cofres e caixas fortes; controlo de acessos e mestragens. Garante ainda serviço 24 horas de assistência aos seus clientes.

A experiência de mais de três décadas de atividade e a competência dos seus colaboradores, bem como uma sólida relação com fornecedores, asseguram um serviço de qualidade aos mais de 15.000 clientes. Quando um cliente escolhe um produto Fichet, sabe que está a optar por um produto diferenciado, pois são materiais certificados e testados e reúnem uma grande qualidade, credibilidade e confiança, daí serem usados por exemplo no setor da banca. Sendo a segurança uma área que implica uma grande prudência e onde nada pode

ser deixado ao acaso, outra fase à qual a empresa dedica grande parte da sua atenção é o processo de instalação. Para tal, dispõe há muitos anos de equipas próprias, conhecedoras das exigências do grupo, quer no que respeita à qualidade quer em termos de suporte prestado ao cliente. Verificando-se nos últimos anos, principalmente através da Internet, vários anúncios de empresas e particulares que usam abusivamente a Marca Fichet, a Jorge d’ Almeida – Sistemas de Segurança alerta o público em geral para recorrer apenas aos agentes autorizados.


FICHET

RUA COSTA CABRAL, 825                                               4200-224 PORTO TELF.: 225 074 380 | TELM.: 914 649 626 www.seguranca-ja.com EMAIL: geral@seguranca-ja.com

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E Q U A L I F I C A Ç Ã O

Instalado, desde 2004, no Armazém do Cais Novo, na zona de Massarelos, o Museu do Vinho do Porto mudou-se, no início de março, para o nº 35 da Rua da Reboleira, onde funcionou, em tempos, o Centro Regional de Artes Tradicionais (CRAT), mesmo em frente ao rio e no “coração” da Ribeira e do Centro Histórico. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Inez Cortez

A “ligação profunda com o rio foi o ponto de partida para mudar as instalações do Museu do Vinho do Porto”, salientou Inês Ferreira, chefe de Divisão Municipal dos Museus, aquando da apresentação do novo espaço à comunicação social. Mas engane-se se pensa que esta é a única novidade! Aqui, há, também, uma nova narrativa a ser apresentada, muito distinta da que contava o anterior Museu do Vinho do Porto. E a diferença na disposição do espaço, que se muda de um rés do chão amplo para uns estreitos seis pisos, parece ter sido a oportunidade

perfeita para que se alterasse essa abordagem. A história que, agora, aqui se narra, não é só a do Vinho do Porto, mas também a do governo da cidade. “Mantendo o objetivo último da divulgação e promoção do Vinho do Porto e da sua história”, como destaca a Câmara Municipal no seu portal de notícias, este Museu pretende, sobretudo, sublinhar a importância do Poder Local na regulação do comércio do vinho. Para o efeito, quatro dos seis pisos do edifício são dedicados à parte museológica, que reúne peças de coleções municipais


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© Miguel Nogueira (CM Porto)

M U SEU D O V I N H O D O P ORTO

que estavam espalhadas por vários locais da cidade como, por exemplo, no Arquivo Histórico, na Casa do Infante, na Biblioteca Pública e no Museu Soares dos Reis. Sendo todas municipais e estando alojadas em sítios distintos, fazia “todo o sentido juntar” sob o mesmo

COMO ESTA NARRATIVA VAI SER CONTADA ATRAVÉS DAS PEÇAS Cada piso tem uma abordagem distinta. O primeiro está muito centrado na cidade, pelo que o segundo está mais virado para o rio, sendo este, também, uma das personagens principais do novo Museu do Vinho do Porto, uma vez que todo o edifício se debruça sobre o Douro. Por sua vez, os dois pisos de cima estão focados em três oficiais municipais, “que estão diretamente relacionados com o Vinho do Porto e com diferentes funções municipais no negócio deste vinho”, salienta a chefe de Divisão Municipal dos Museus. teto “toda esta diversidade de peças”, nota Inês Ferreira. E como “os museus já não podem ser uma realidade estática”, tendo, segundo o presidente d a au t a rq u i a p o r t u e n s e , Rui Moreira, que “oferecer experiências sensoriais”, os dois últimos pisos do edifício, com assinatura do arquiteto Camilo Rebelo, são dedicados à experiência vínica, através de um Wine Bar e de uma sala de provas muito peculiar, que

disponibiliza para degustação mais de 700 rótulos de várias origens. De acordo com o que já vem sendo habitual nas marcas deixadas pelo arquiteto portuense, este museu guarda, também, diversos segredos e especificidades da sua obra, como é o caso da numerologia, presente em praticamente todos os projetos que assina. O ano de 1756, data em que o Marquês do Pombal declarou REVISTAVIVA MARÇO 2019


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E Q U A L I F I C A Ç Ã O

Inês Ferreira destaca que o que se procura neste museu é uma perspetiva que seja complementar a todas as outras que já existem na cidade sobre o Vinho do Porto e em que foque, exatamente, o papel do município no governo da cidade e como é que esse governo se relaciona com o comércio do Vinho do Porto. “É uma história que é muito nossa, da autarquia, e que, de alguma forma, completa toda a abordagem que já é feita na cidade”.

demarcada e controlada a região do Douro, surge “gravado de forma codificada” na garrafeira, revela Camilo Rebelo e explica que “se decompusermos o número: 1 e 7 dá 8; 5 e 6 dá 11. Por isso, todas as medidas usadas são múltiplos de 8 e de 11. A memória da data guarda, assim, um segredo. Como o vinho do Porto”. A própria garrafeira, uma ampla e simbólica parede de

© Miguel Nogueira (CM Porto)

betão construída “no espaço mais nobre do edifício, junto à muralha”, consegue remeter o visitante para um imaginário icónico: o Coliseu Moderno de Roma. Nesta eminente estrutura, as garrafas são colocadas em alvéolos que, de acordo com Camilo Rebelo “parecem santuários”. É uma forma “de preservar a memória e, ao mesmo tempo, de santificar o vinho”.


M U SEU D O V I N H O D O P ORTO

CAMILO REBELO - PERFIL Camilo Rebelo nasceu no Porto em 1972. Licenciou-se em Arquitetura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), em 1996. Foi colaborador de Eduardo Souto de Moura entre 1994 e 1998, também de Herzog & de Meuron, entre 1998 e 1999. Iniciou atividade liberal em 2000. Autor galardoado, obteve o primeiro prémio no Concurso Internacional para a Conceção do Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa, em

CURIOSIDADE Raro nos museus, este compreende duas entradas: pelo nº 35 da Rua da Reboleira, a permitir uma experiência museológica, e pelo n.º 138 do Muro dos Bacalhoeiros, a possibilitar a desejada experiência vínica. Para contemplar… e provar!

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coautoria com Tiago Pimentel (2004– 2009). Foi distinguido, em 2013, com o Prémio Bauwelt e Prémio Baku UIA International e, em 2014, com o Prémio Douro. Recebeu, em 2007, uma menção honrosa no Concurso Internacional para o Museu de Arte Moderna de Varsóvia, em coautoria com Susana Martins. Em 2008 foi nomeado para o Star Tracking – Global Portuguese Talent. Em 2009 foi selecionado para o Europe 40 under 40 e em 2010 recebeu uma menção honrosa no Concurso para o Museu do Carro Elétrico do Porto.

Do outro lado da Rua da Reboleira, a poucos metros do edifício principal, há, ainda, um terceiro espaço, o serviço educativo, afeto a valências complementares, do qual se pode esperar a dinamização de oficinas, exposições e formações, funcionando, assim, como uma espécie de apoio a este novo museu, onde é possível beber uma história que extravasa os 250 anos. O novo equipamento da cidade está aberto de terça-feira a domingo, entre as 10 horas e as 17h30, tal como os restantes museus municipais. REVISTAVIVA MARÇO 2019


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I G U R A

A primeira cientista-astronauta portuguesa Ana Pires, natural de Santa Maria da Feira, e investigadora do INESC TEC e do ISEP, foi a primeira mulher portuguesa a receber o diploma de cientista-astronauta da NASA. Durante uma semana nos Estados Unidos da América, sobrevoou a mesosfera, vestiu o fato espacial e provou a dureza da força G. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Cortesia de Ana Pires


ANA PIRES

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não tinha noção do que se estava a passar aqui. E quando cheguei, a família, os amigos, os colegas e todo este efeito mais mediático que houve foi uma sensação única. Eu sabia que tinha sido a primeira portuguesa, mas não tinha noção que tivesse assim tanto impacto. E a sensação foi, acima de tudo, orgulho, de ter, do meu lado esquerdo, a bandeira do meu país, e de estar lá a representá-lo. Isto estava nos seus planos? Não. Quando vi o e-mail até pensei que era spam. Não estava, de todo, nos meus planos.

A curiosidade pelo espaço e a vontade de conseguir abrir “uma pequena janela à industria espacial” levaram-na a candidatar-se ao Polar Suborbital Science in the Upper Mesosphere (PoSSUM), um programa de investigação apoiado pela NASA, que se debruça sobre o estudo das nuvens noctilucentes e prepara cientistas-astronautas para voos suborbitais. A confirmação de uma experiência que viria a tornar-se numa das mais entusiásticas da sua vida, e, naturalmente, jamais esquecida, surgiu pouco tempo depois. Ana foi uma das 12 escolhidas entre centenas de candidatos de todo

o mundo, oriundos das mais diversas áreas, razão que a encheu de alegria. “Tenho orgulho em dizer que fiz parte da classe 1802, que foi a última de 2018”, revelou. E, sorridente, falou-nos sobre o curso da Universidade Aeronáutica Embry-Riddle, na Flórida, que teve um mês e meio de aulas teóricas à distância e uma semana de aulas práticas. Como é ser a primeira mulher portuguesa a obter o diploma de cientista-astronauta da NASA? Para mim foi uma surpresa. Eu estava a viver o curso tão intensamente nos Estados Unidos que

Como foi a experiência do curso? Foi espetacular. Foi uma semana muito intensa, onde tivemos oportunidade de aprender também a parte mais teórica sobre a mesosfera, sobre as nuvens noctilucentes, que são as nuvens que estão na mesosfera e que nos podem dar muitas dicas e muitas informações sobre as mudanças climáticas. Aprendemos, também, sobre a fisiologia humana, sistemas de suporte de vida e sobre as naves espaciais e depois realizou-se a parte prática, onde tivemos a oportunidade de vestir um fato espacial. E qual foi a sensação de vestir o fato espacial? As pessoas não têm noção, mas estamos a falar de mais de uma hora só para o vestir. Não tinha noção do tempo que levava para colocar o fato, o capacete, as luvas, as botas e ir controlando a pressão. Depois tivemos a simulação do voo suborbital, que é REVISTAVIVA, MARÇO 2019


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mais ou menos aquilo que vimos fazer a Virgin Galactic no final do ano 2018, ou seja, um voo até à mesosfera, que é o que nos separa da superfície terrestre. Quando lá estamos podemos dizer que fomos ao espaço, e depois descemos em queda livre de volta à Terra. Tivemos oportunidade de fazer essa simulação, com o piloto ao lado, íamos dando indicações e recolhendo dados, ou melhor, fingíamos que recolhíamos, e, assim, íamos vivendo essa missão como se fosse real. Mas a experiência não ficou só por vestir o fato… Não. Tivemos a oportunidade de

estar numa câmara hiperbárica, também a simular um voo, mas a sentir sintomas de falta de oxigénio, que é a hipoxia. Foi giro perceber que cada pessoa reage de maneira diferente e tem sintomas diferentes. Fizemos voos acrobáticos, verdadeiros voos, para sentir as forças G, que é uma sensação espetacular. E tivemos, ainda, a oportunidade de fazer realidade virtual, isto é, de usar uns óculos de realidade virtual e estar na piscina como se estivéssemos na International Space Station, em gravidade zero. E houve algum receio durante o curso?

Eu acho que não sabia no que me estava a meter, de facto. Só depois é que pensei “bem, meti-me nisto, agora tem que ser”. Mas não, não houve receio. Existia a preocupação de não conseguir, de reprovar, de não chegar até ao fim, de não ser capaz fisicamente ou intelectualmente. Vivi as coisas muito intensamente, com muita paixão, queria aprender, trazer os conhecimentos para cá e era só nisso que eu pensava. Não era bem um receio, ou melhor, talvez fosse o receio de falhar. Esse receio de não conseguir chegar até ao fim, mas, de facto, a vontade de querer aprender era tanta que correu


ANA PIRES

tudo bem e acabei por me tornar a primeira cientista-astronauta mulher. Agora, com o diploma na mão, quais são os planos para o futuro? Este foi o curso base de muitas especializações que posso tirar. Entretanto, surgiram algumas novidades! Estou, neste momento, a trabalhar em conjunto com o primeiro cientista-astronauta, que é o homem mais bem preparado para ir à Lua, o professor Rui Moura, e estamos a tentar estreitar, ainda mais, as relações que temos com os colegas dos Estados Unidos. Fomos convidados

para ingressar num novo curso, que vai decorrer agora em maio, ligado à geologia lunar e geologia de Marte. Já estamos a ter as aulas, remotas, e estamos muito entusiasmados e a procurar perceber qual será o nosso papel e trabalhar em futuros projetos. Este, para já, é o próximo passo… E há esse sonho de poder vir a trabalhar, efetivamente, com a NASA? Há, até porque o que as pessoas não percebem é que este curso, o PoSSUM, além de ser um programa muito interessante sob o ponto de vista tecnológico e científico, é apoiado pela NASA.

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Temos instrutores e colegas ou que colaboraram ou que ainda colaboram, que estão no Jet Propulsion Lab, o conhecido JPL da NASA, e que estão ali diretamente a trabalhar e a contribuir para este programa. Portanto, estamos tão perto, que agora é só mesmo trabalhar mais um bocadinho, provar o nosso valor e perceber qual poderá ser o nosso caminho sem entrar nas áreas dos outros colegas. Não se trata propriamente de ir à Lua. Naturalmente as pessoas pensam que sou uma astronauta. Não é isso. Eu quero trabalhar sob o ponto de vista de investigação e levar o nosso laboratório de robótica mais além. REVISTAVIVA, MARÇO 2019


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Comes & Bebes

Um percurso gastronómico pela cidade do Porto Textos: Maria Inês Valente Fotos: Inez Cortez

NOGUEIRA’S Carnes e cocktail’s únicos Rua de Ceuta 23 Telemóvel 915181515 A steakhouse dos irmãos Ivo e Henrique Nogueira chegou ao Porto há pouco mais de um ano. Conhecida, especialmente, pela vasta oferta de carnes que compõem a carta, a verdade é que este restaurante faz “as delícias da casa” logo à entrada. É que, assim que atravessamos as portas douradas do Nogueira’s, deparamo-nos, de imediato, com um convidativo lounge/bar. “As pessoas podem ir até ao bar, beberem um cocktail e descerem, depois, para outra experiência [restaurante], como podem só ir ao bar para beber um cocktail”, salienta João Vigário Silva, responsável pelo Departamento de Comunicação. Neste restaurante, há carnes premium, desde os famosos tomahawk e chuletón, por exemplo, mas também alguns pratos de peixe, como bacalhau, polvo à lagareiro e camarões tigres grelhados e alguma variedade de saladas. Mas, as sobremesas são, também, um dos “fortes” deste espaço, deixando qualquer um de água na boca só de ouvir o nome. É o caso do Grand Gâteau Toblerone, composto por toblerone, haagen-dazs de caramelo salgado, morangos, suspiros, bolachas e muito mais… Em termos de bebida, além dos cocktails, há uma garrafeira de luxo e sangrias que “são um verdadeiro sucesso”. A sala do restaurante, com capacidade para 140 pessoas, tem assinatura do arquiteto Paulo Lobo e está representada através de quatro áreas distintas: a floresta, a lareira, a garrafeira e sala privada, que proporciona “um jantar fora dentro de portas”. Horário: De segunda a quinta-feira das 12h30 às 15h00 e das 20h00 às 23h00. À sexta encerra às 00h00. Aos sábados das 13h00 às 15h00 e das 20h00 à 00h00. Ao domingo das 13h00 às 15h30.

Que no Porto se come bem já não é novidade para ninguém! Entre novos espaços e aqueles que contam, já, com uma história enraizada na cidade, apresentamos-lhe oito restaurantes que, com toda a certeza, o vão deixar a salivar, todos eles marcados pela qualidade dos produtos Recheio. As ementas estão servidas, aproveite…


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PORTO NOVO Um porto de negócios

Sheraton Porto Hotel & Spa, Rua Tenente Valadim 146 Telefone 22 040 4000 Focado, essencialmente, na área dos negócios e na organização de eventos, mas sem nunca descurar da preocupação com o lazer. Assim é o restaurante Porto Novo! Um restaurante cujo conceito foi, desde sempre, tão inovador e marcador da diferença que tinha mesmo que se chamar “Porto Novo” porque “foi, de facto, um Porto Novo que nós trouxemos” à cidade, revela Joana Almeida, diretora da unidade hoteleira de cinco estrelas. Inspirado no conceito de showcooking, o restaurante apresenta o melhor da cozinha mediterrânica, mas sempre com a raiz da cozinha tradicional portuguesa. Razão pela qual, apresenta, na carta, arroz de cabidela e massada, por exemplo. Este espaço dispõe de uma garrafeira em vidro, a Wine Cellar, onde o cliente poderá usufruir de uma atmosfera vínica única e experimentar um conceito de almoço/jantar onde os vinhos são os atores principais, salienta Joana Almeida. Detentora de um ambiente intimista, transporta-nos, quase, para uma das divisões da nossa casa, com a benesse de que temos alguém disponível para nos servir a todo o momento. Neste espaço, “em vez de ser o vinho que vai acompanhar o menu que vamos ter, é o chefe que vai construir um menu para as características do vinho”. O buffet de família de domingo, que conta com entretenimento para as crianças enquanto os adultos desfrutam da refeição, é, também, um dos pontos diferenciadores do Porto Novo. Disponível desde que o restaurante abriu, já lá vão 15 anos, “vai mesmo à raiz da cozinha portuguesa”, tendo uma “procura que é fantástico ver crescer, evoluir”, salienta a responsável, sem nunca esquecer o ex libris da casa – o pequeno almoço, que representa um ponto de trabalho e, às vezes, “o começo de um negócio”. Horário: Pequeno-almoço das 06h30 às 10h30 de segunda a sexta-feira e das 07h00 às 11h00 aos sábados, domingos e feriados. Almoço do 12h30 às 15h00 de segunda a sexta-feira e das 13h00 às 15h00 aos sábados, domingos e feriados. Jantar das 20h00 às 23h00.


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TOSCANO

A cozinha italiana de excelência Rua do Dr. Carlos Cal Brandão 22 Telefone 22 609 2430 O Toscano é dono de uma vasta história. Pensado e criado por José Santos há quase 27 anos, nasceu depois de uma experiência na Suíça onde trabalhou com um mestre de cozinha italiana. E terá sido, precisamente, daí que veio o gosto pela cozinha italiana e a vontade em trazê-la até ao Porto! Os destaques gastronómicos da casa são, naturalmente, as pastas, sendo difícil para o proprietário escolher apenas uma como ex libris. Desde raviolis, tartellonis, spaghetti à moda mia – “um esparguete que é servido numa prata tipo rebuçado acompanhado por camarão” –, às carnes, peixes e, claro, às pizzas, que são um complemento “muito importante” do restaurante. Mas engane-se se pensa que é só de pratos italianos que se faz este restaurante. Ao almoço, há também sugestões portuguesas na carta. O espaço, pequeno mas extremamente acolhedor, tem presente na sala alguns instrumentos musicais. Antes de tudo por gosto do proprietário, mas também porque, todos os dias, à noite têm um pianista a fazer as delícias dos clientes. E porque, no Toscano, tudo é pensado ao pormenor, também a carta é apresentada de uma forma muito peculiar: em disco de vinil, algo que é “totalmente diferenciador do restaurante e original” porque “ninguém tem igual”, garante o proprietário. Horários: De segunda a sábado das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 23h00.


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CERVEJARIA BRASÃO

Onde a francesinha é rainha Aliados – Rua Ramalho Ortigão nº 28 / 934158672 Coliseu – Rua de Passos Manuel nº 205 / 931989364 É uma marca que, apesar de recente, já está bastante enraizada na Invicta. Tanto que basta que o cliente oiça o nome Brasão para, de imediato, ficar com água na boca. Quem o diz é Orlando Brasão, diretor da marca, patente nos Aliados e no Coliseu. Como típica cervejaria portuense que é, o principal destaque gastronómico não podia, naturalmente, deixar de ser a francesinha, célebre pelos inúmeros elogios que recebe. E o segredo para esse sucesso não está só no molho, porque esse, como sabemos, é sempre muito relativo. “O que faz da francesinha desta casa uma francesinha tão especial e procurada” é, sim, “o ambiente, o espaço e o serviço hospitaleiro”. A par disso há uma vasta oferta gastronómica, principalmente no que toca a carnes. Desde o bife à portuguesa, com presunto, alho e louro, bife pimenta verde, bife de cebolada e bife com cogumelos ao naco da vazia de 800 gramas “que vem laminado já numa placa quente para manter a temperatura até que o cliente acabe a refeição”. Tudo pratos que acompanham bem com “uma boa cerveja”! Em relação aos petiscos, um dos best sellers da casa é a cebola frita com maionese de alho negro, mas os rissóis de trufa e de picante, recentemente lançados, e as repolgas salteadas com espargos com pingue de presunto e azeite de trufa são, também, muito procurados. “Casas pequenas, calorosas, acolhedoras e intimistas” são o foco da Cervejaria Brasão, que espera, ainda este ano, abrir um novo espaço, desta vez na zona da Foz. Horário: De segunda a sexta das 12h00 às 15h00 e das 19h às 23h30 de domingo a quinta-feira. Sextas e sábados das 19h00 às 01h30. Sábados e domingos das 12h às 15h30.


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DA TERRA BAIXA Buffet Vegetariano

Rua de Mouzinho da Silveira 249 Telefone 22 319 9257 Todos os dias são diferentes no daTerra. Começam com um pequeno-almoço buffet que conta com uma grande variedade de produtos que vai desde panquecas, simples ou recheadas, pão de deus, fruta laminada, tacinhas com iogurte e frutas, tacinhas com açaí e granola a brownies, muffins e quadradinhos de arroz tufado. “É só chegar lá e servir-se daquilo que quiser as vezes que quiser”, sublinha Isabel Santos, uma das proprietárias, acrescentando que “é com muito orgulho” que, neste momento, pode dizer que “nenhum dos produtos tem componente de origem animal”. E porque variedade é a palavra de ordem do buffet vegetariano mais conhecido do Porto, o mesmo se aplica nos almoços e jantares, compostos por sopa, entradas e saladas, três pratos quentes e acompanhamentos. “Durante todo o mês não repetimos pratos, eles são sempre diferentes”, reforça. Há pratos de tofu, com migas de tomate e castanhas ou com migas de grelo e frutos secos, pratos de folhado, lasanhas e diversos pratos de seitan, como seitan com molho de espargos, seitan com três pimentas, seitan com molho de queijo blue, por exemplo. Uma vez por mês, ao almoço, há também francesinha, 100% vegetariana, claro! Sob o lema “alimentação saudável, que seja boa para as pessoas, para o planeta e para os animais”, o daTerra conta já com sete espaços abertos no Norte, a saber: o daTerra Baixa, daTerra Matosinhos, daTerra Mercado Bom Sucesso, daTerra Campus São João, daTerra Mercado Beira-Rio, daTerra Foz do Douro e daTerra Arrábida Shopping. Horário daTerra Baixa: De segunda-feira a domingo das 08h30 às 23h30.

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POR ACASO Petiscos e Vinhos

Rua Guilhermina Suggia 291 Telefone 22 316 5025 Nasceu, por acaso, numa conversa entre Vitor e a esposa, Joana Seara. Oriundos de uma família ligada à produção vinícola, o pensamento foi “abrir um espaço para vender o vinho acompanhado de bons petiscos”. Pequeno, mas de um conforto exuberante, seduz qualquer amante de um “bom petisco”. E a carta, essa é, desde logo, esclarecedora: “servimos coisas de todo o mundo, desde que sejam boas” e, claro, “acompanhem bem com os vinhos do Douro”, revela-nos o proprietário. As sugestões passam pelos tradicionais rojões estufados, pelos ovos rotos, croquetas de presunto, moelas, carpaccio de bresaola, punheta de bacalhau, pimentos padrón e, claro, pela típica bifana portuense. O “Por Acaso” assume-se como um bom ponto de encontro para jantares duradouros entre familiares e amigos, mas não só. A pensar em todos aqueles que apreciem uma refeição mais rápida, e ligeira, o restaurante conta, também, com um menu que inclui uma sopa, uma sandwich (que pode ser de rojão, bifana ou presunto, por exemplo) e uma porção de batata frita a um preço “bastante económico”. Sócios na vida e, de há dois anos para cá, neste projeto, Vitor garante que o balanço não podia ser mais positivo. O objetivo, agora, é manter a qualidade dos produtos e continuar a aumentar, cada vez mais, a clientela. Só quero “que as pessoas saiam daqui com uma experiência que as satisfez e que tenham vontade de voltar novamente”, reforça, acrescentando que é para isso que trabalham todos os dias! Horário: De terça a quinta-feira das 12h00 às 24h00. Sexta-feira e sábado das 12h00 às 02h00. Domingo das 12h00 às 24h00. À segunda-feira está encerrado.


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LA FONTANA Os sabores italianos

Rua de Cedofeita 378 Telefone 22 491 8832 Andrea Pulcini deixou a medicina para se dedicar à restauração e, numa sociedade com um amigo e com os pais, abriu o La Fontana. Reza a lenda que no sítio onde está localizado o espaço, havia uma fonte, e daí surgiu o nome. Os pratos que se comem neste restaurante são os que se encontram em Roma, motivo pelo qual, podemos dizer, assim que entramos a porta do La Fontana, que “estamos realmente em Itália”. Neste restaurante, o cartão de visita é, naturalmente, as massas, “feitas à mão e recheadas”. E, embora também sirvam pizzas, o objetivo é que as pessoas vão ao La Fontana “porque se come a melhor massa do Porto”. De acordo com o proprietário, o melhor prato da casa é a carbonara porque fazem uma carbonara diferente, a que chamam Carbonara à La Fontana, com “fettuccine e com trufa misturada”. A ideia de que o prato tem que ter muita coisa para estar bom está errada para Andrea, que considera que “quanto menos tiver, melhor é o sabor”. O objetivo é, realmente, incutir os sabores italianos na mesa portuguesa. E, por isso, não têm sumo de laranja natural nem limonada “porque são coisas que não se bebem com a massa”, sublinha Andrea. Normalmente, o que acompanha com este prato é somente o vinho e, nesse sentido, até já abriram a “exceção de servir sangria”. Horário: Segunda-feira e de quinta-feira a domingo das 12h00 às 15h00 e das 19 às 23h30. Terças e quartas está encerrado.


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CAETANO Comida de tacho

Avenida de Fernão de Magalhães 1194 Telefone 22 536 9350 É um negócio familiar que advém de uma outra casa que nasceu em Alvarenga, Arouca, e, por isso mesmo, não trabalham com outra carne, senão a arouquesa, revela Manuel Oliveira, proprietário do restaurante, que se iniciou nesta aventura pela restauração há já mais de 30 anos, na companhia de um irmão e de um amigo da família. No Caetano, além de uma “excelente carne”, há sempre “um bom filete de pescada” a sair e uma variedade imensa de peixes para grelhar. Não sabe, ao certo, se são os pratos de carne ou os de peixe os que têm mais saída, mas de uma coisa tem a certeza absoluta: é que têm um bacalhau divinal, que tanto pode ser à lagareiro, na brasa, assado no forno ou à chef com molho de marisco. “Pratos tradicionais portugueses e o mais caseiros possível” são o foco deste restaurante, que, com três salas e capacidade para 200 pessoas, tem a sorte de poder dizer que “enche diariamente”. O segredo, de acordo com o proprietário, está no serviço de excelência da cozinha, sempre direcionada para a comida de tacho, e na variedade que oferecem. Por esta altura, o destaque vai para a lampreia e o sável, que são, também, uma especialidade da casa. A estes juntam-se as tripas à moda do Porto, que, claro, também não podiam faltar numa boa mesa nortenha. Esporadicamente, o restaurante organiza, até, a Confraria das Tripas e recebe os frades vestidos a rigor, o que se revela “numa festa muito interessante”. Horário: Das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 22h30 todos os dias da semana.


AO V I V O

BOB DYLAN NO COLISEU DO PORTO A 1 DE MAIO Fotos: Getty Image

“The Times They Are a-Changin’” Bob Dylan regressa a Portugal, desta vez para um concerto único. A 1 de maio toca ao vivo no Coliseu do Porto. O músico, compositor, escritor e prémio Nobel da Literatura esteve em Lisboa em março do ano passado, onde deu um concerto perante uma Altice Arena esgotada. Desta vez, a agenda de Dylan no nosso país passa apenas pelo Porto. O início do concerto está marcado para as 20h00. O concerto deverá seguir a regra habitual de Dylan: o homem vai cantar e tocar o que bem lhe apetecer, da forma que entender. O concerto no Coliseu do Porto faz parte de um regresso à

Europa, integrado na digressão a que chama, desde 1988, de “Never Ending Tour”. A primeira etapa começa na Alemanha a 31 de março e termina em Valência, Espanha, a 7 de maio, poucos dias depois da passagem pelo Porto. Pelo meio, toca na República Checa, França, Áustria e Suíça. A segunda etapa arranca a 21 de junho, em Bergen, na Noruega. Segue-se a Finlândia, Suécia, de novo a Alemanha e, mais tarde, a 12 e 14 de julho, duas das datas que prometem ficar na história dos concertos ao vivo em 2019: dois concertos com Neil Young, o primeiro em Londres e o segundo em Kilkenny, na Irlanda.


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AO V I V O

Em 2018, passaram 55 anos desde a gravação “The Times They Are a-Changin”, uma das canções mais emblemáticas da obra de Bob Dylan. A 24 de outubro de 1963, antes de se tornar o “enfant terrible” da música norte-americana, Bob Dylan já dava sinais de desassossego. Num estúdio em Nova Iorque, gravou “The Times They Are a-Changin’”. Cinco meses antes de entrar no estúdio da Columbia, Bob Dylan chamara a atenção quando decidiu não atuar no programa de televisão The Ed Sullivan Show, depois de ver censurada uma canção em que comparava as posições do grupo norte-americano ultra-conservador John Birch Society às de Hitler. “Quem

era Bob Dylan” era a pergunta que todos começaram a fazer. Não foi preciso chegar a outubro. Três meses volvidos, em agosto, os norteamericanos perceberam-no melhor, quando o viram marchar e cantar numa grande manifestação pelos direitos civis em Washington D. C. A mesma manifestação em que, colocando-se à frente do Lincoln Memorial, Martin Luther King Jr. contou ao mundo que tinha um sonho. “If your time to you is worth savin’  Then you better start swimmin’  or you’ll sink like a stone  for the times they are a-changin’” Os ventos estavam a mudar... como hoje.


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REABILITAÇÃO DO

MATADOURO DE CAMPANHÃ

Fundamental para a requalificação da zona oriental do Porto, o projeto que prevê a reconversão do Antigo Matadouro de Campanhã foi, no início de fevereiro, chumbado pelo Tribunal de Contas. Inconformada com a decisão, a Câmara Municipal interpôs recurso e garante que, independentemente da resposta daquela entidade, o projeto é para avançar. Fotos: Miguel Nogueira/CMPorto Em abril de 2016, a Câmara Municipal do Porto apresentou, em Milão, um projeto que apelidou de “revolucionário” para a reconversão e exploração do Antigo Matadouro Industrial da cidade, situado em Campanhã, na zona oriental do Porto. Este projeto visa a transformação daquele edifício, cuja construção teve início em 1910, num polo de desenvolvimento empresarial, social e cultural. Está sujeito a um contrato de exploração, a 30 anos, entregue à Mota Engil por 40 milhões de euros, depois de um concurso internacional, com a garantia de que o espaço será, também, utilizado


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pelo município. Na altura, o projeto foi aceite por todas as forças políticas da cidade e, inclusivamente, visitado e bastante elogiado pelo Presidente da República, que falou “numa oportunidade raríssima” e “a não perder”, um “caso excecional” e que exige “naturalmente uma solução excecional”. No entanto, os juízes do Tribunal de Contas (TdC) não tiveram a mesma opinião que Marcelo Rebelo de Sousa e decidiram negar o visto prévio, chumbando, assim, o projeto de Rui Moreira. Nas palavras do Presidente da Câmara, esta é “uma intromissão inadmissível que põe em causa a soberania dos municípios”, pelo que apresentou, de imediato, o recurso relativamente ao projeto que considera ser um game changer [alavanca de mudança] para a cidade. Independentemente da resposta do TdC que, até ao fecho da edição da VIVA!, ainda não era conhecida, a autarquia portuense dá garantias de que a requalificação do Antigo Matadouro de Campanhã vai, efetivamente, avançar. “Se nós não conseguirmos por esta via, vamos encontrar outra, de certeza absoluta”, destacou Rui Moreira. REVISTAVIVA MARÇO 2019


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E S T A Q U E

O QUE VAI SER FEITO O projeto de requalificação do Matadouro Municipal prevê a instalação de empresas, espaços comerciais e de restauração – a parte que corresponde à exploração da Mota Engil – e zonas de arte, cultura, lazer e coesão social, dinamizadas pela autarquia. Dos 20 mil metros quadrados disponíveis para construção, 7.885 metros quadrados ficarão sob a gestão municipal, ou seja, 39% do espaço. Além disso está, ainda, contemplada uma passagem p r iv i l e g i a d a e l iga ç ã o à estação do Metro no Estádio do Dragão “para servir visitantes, trabalhadores e a população residente na zona da Corujeira”, assim como uma passagem pedonal sobre a Via de Cintura Interna (VCI), desde o recinto do FC Porto até ao futuro complexo. O arrojado projeto é assinado por Kengo Kuma, o arquiteto japonês que projetou o Estádio


M ATA D OU R O

Municipal de Tóquio, que será palco da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2020. AS ALEGADAS FALHAS ENCONTRADAS PELO TDC O Tribunal de Contas invoca ilegalidades para recusar o visto ao contrato de empreitada para a reconversão e exploração do Antigo Matadouro Industrial do Porto, uma obra que estava prevista iniciar-se em abril deste ano e terminar no prazo de dois anos. Em causa está, segundo o TdC, a adjudicação à Mota Engil, vencedora do

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concurso público lançado pela Câmara do Porto, e a reconversão e exploração do antigo matadouro, instalando empresas, museus (o Museu da Indústria ficará lá sediado), reservas de arte, auditórios, espaços expositivos e equipamentos sociais. Outra das objeções encontradas pelo TdC prende-se com o facto de a obra em causa ser uma Parceria PúblicoPrivada (PPP), criticando, desde logo, o facto de a Câmara não ter avaliado soluções alternativas. Esta falha tem repúdio total da autarquia que considera que o processo foi bem conduzido.

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X E C S C E O L ÊB NR C I RI A

O Porto tem estado sob o foco dos turistas que aproveitam cada ocasião para visitar e conhecer o que de melhor há na cidade. Para manter vivas as tradições, dada a grande afluência de turistas à Invicta, a Câmara Municipal do Porto tem apoiado as inúmeras lojas históricas, através do programa Porto de Tradição que, até à data, já protege mais de 79 estabelecimentos. Ao longo das próximas edições, e a exemplo de 2018, a VIVA! vai continuar a visitar e dar a conhecer algumas pérolas do património portuense.

Casa Botónia

Redondos, quadrados, em pele, seda, com pedras e de várias cores. São milhares os botões que guardam as quatro paredes deste património portuense, que conta já com mais de um século de história na cidade. Mas não pense que é só de botões que vive a Casa Botónia! Há aplicações

a metro, bijutaria, rendas, pedras e cristais Swarovski, e muitos outros artigos. Na verdade não há praticamente nada que esta loja não tenha, conta-nos Maria Guilhermina. E se, porventura houver, a garantia é a de que se “arranja sempre”, que foi aquilo que o “paizinho” lhe ensinou, ainda que isso implique “não ganhar dinheiro” porque “o que importa mesmo é satisfazer o cliente”. A gerir o reino encantado dos botões há quase 50 anos, revela que a “primeira grande decisão” que tomou enquanto proprietária foi a de ter apenas mulheres no atendimento do seu estabelecimento. Algo que se mantém desde essa altura! De resto, tudo permaneceu inalterável, com a exceção, claro, de alguns


LOJA S H I STÓ R I CA S D O P ORTO

fornecedores com quem trabalha. Neste espaço, imagine só, ainda estão guardados “botões de vidro do tempo” do avô de Guilhermina, que foi o fundador da casa, assim como o relógio de parede, exposto num lugar privilegiado e que, ainda, hoje funciona. Têm tudo o que há de exclusivo, razão pela qual os clientes chegam de todas as partes do país e, até mesmo, do mundo. Com a maioria das peças provenientes da Alemanha, França e Itália, a moda na Botónia está sempre em alta, sendo um dos locais preferenciais de conceituados estilistas na procura de matéria-prima para

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embelezar as suas colecções, como é o caso de Nuno Baltazar, Nuno Gama e Carlos Gil. “Às vezes tenho botões com pó que eles não deixam sequer limpar porque dizem que é assim mesmo que os vão usar”, revela. “A seriedade para com o cliente” e o falar-lhe sempre “com verdade e ternura” continuam a ser uma das mais valias desta casa portuense, que, aliada à variedade e qualidade dos produtos que vende, fazem, naturalmente, a diferença. “Os melhores elogios que recebo dos meus clientes são relativos ao atendimento do meu balcão”, destaca

Maria Guilhermina, acrescentando que se sente “felicíssima” por ser “a gerente da loja mais antiga da cidade do Porto”, mas principalmente, por não ter deixado morrer um negócio que era da sua família. E “se Deus permitir” como tantas vezes sublinhou durante os poucos minutos em que esteve à conversa com a VIVA!, será a filha a dar continuidade ao mesmo, sendo que o desejo das duas é que a Casa Botónia possa estar aberta por, pelo menos, “mais 100 anos”.

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E S C O B R I R

Relojoaria Marcolino Nesta conceituada loja do Porto, todos os clientes são conhecidos pelo próprio nome, não fosse a relação já “de longa data” e que, naturalmente, se vai “desenvolvendo com o tempo”, como sublinha Bruno Rodrigues, responsável de marca. Presente na cidade desde 1926, a Relojoaria Marcolino é uma das principais referências no norte para quem exige qualidade e excelência em relojoaria e joalharia. O primeiro estabelecimento nasceu pelas mãos de António Marcolino na Rua de Santo Ildefonso, advindo daí o nome desta tão conhecida marca portuense. Em 1937, a relojoaria passa para o número 130 da Rua de Passos Manuel, lugar onde ainda hoje se mantém, dotando, assim, de um brilho ainda mais especial uma artéria comercial tão emblemática da cidade. Já teve três famílias na sua gerência, todas elas independentes do seu fundador, sendo a atual da responsabilidade da família Neves. As marcas “de alto prestígio” com que trabalham, como é o

As escolhas para a proteção das lojas históricas resultam de um trabalho técnico muito completo, no âmbito de um grupo de terreno, que as avalia a partir de critérios estabelecidos, nomeadamente o do interesse histórico e cultural. Estas lojas passam a estar abrangidas por uma nova lei que prevê benefícios a nível das rendas, evitando, assim, que os proprietários as possam despejar com maior facilidade.


LOJA S H I STÓ R I CA S D O P ORTO

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caso da Rolex, por exemplo, “que já há dois anos seguidos ganhou o prémio de marca com melhor reputação do mundo”, são um dos motivos pelos quais a Marcolino é uma “relojoaria tão especial”. Mas não só! Também a assistência técnica é algo pelo qual é muito conhecida na cidade, uma vez que assegura apoio a todas as marcas e não apenas às que comercializa. “Nós não dizemos que não a nada, só se for uma situação extrema em que seja realmente impossível resolver, mas garanto que são raros os casos, porque nós damos assistência a praticamente tudo”, indica o responsável, acrescentando que o fazem, inclusive, com o relógio da torre da Câmara do Porto, estando, por isso, “muito à vontade com qualquer tipo de máquina e de tamanho”. Quem conhece a Relojoaria Marcolino sabe que é hábito da marca primar pela diferença, razão pela qual as suas vitrinas são sempre muito apreciadas. “Às vezes temos pessoas que batem à porta só para nos darem os parabéns pela montra”, conta Bruno Rodrigues, enquanto recorda uma em particular, em que tinham um pavão “todo feito à mão”, em papel, que tinha a particularidade de ter o som do mesmo a ecoar na rua. Ficarem protegidos pelo selo do programa camarário Porto de Tradição foi, nas palavras de Bruno Rodrigues, “muito interessante e bom” para a casa, pois, tendo em conta que têm muitos clientes internacionais, acaba por ser uma forma de se ligarem à própria cidade e de a ligarem até eles. “Nós valorizamos muito a cidade, defendemos muito a marca Porto” e, por isso, diz, com orgulho, que sempre que um cliente os questiona “sobre um bom restaurante para almoçar ou um hotel para ficar”, recomendam “sempre algo na cidade”.

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Mourinho

recorda dias felizes no

FC Porto

O antigo treinador do Futebol Clube do Porto e atual comentador da RT Sport, José Mourinho, que conduziu os dragões à conquista de dois Campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Supertaça, uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões, concedeu uma entrevista exclusiva ao Porto Canal em que, durante cerca de três horas, só falou, praticamente, do Futebol Clube do Porto. As épocas de 2002 a 2004, altura em que orientou a equipa portista, foram inesquecíveis, não só pelos vários títulos conquistados e pelas vitórias internacionais, mas também pelas memórias, algumas caricatas, que guarda desse período. A VIVA! destaca alguns momentos dessa entrevista.

Em conversa com o jornalista Rui Cerqueira, Mourinho recordou um dos episódios que o marcou particularmente. “Houve um jogo em que cheirava tão bem na minha zona do autocarro que cheguei à conclusão imediata de que havia comida da boa. Quando subo só vejo jogadores de gatas, a esconderem coisas debaixo das mesas, debaixo de tudo. E vou lá e digo assim: ‘só têm duas soluções. Continua escondido e é proibido ou então vão lá abaixo levar para mim e para o meu staff. A partir de agora, se vocês o fizerem, podem continuar a fazer”, contou, antes de revelar a reação imediata do plantel: “Começaram aos saltos, começou a aparecer debaixo das almofadas, dos bancos, tudo o que de bom se pode


P ORTO CA N A L

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o Paris Saint-Germain. “Faltava alguém para marcar a quinta grande penalidade. O Maniche disse que marcava, mas eu lembrei-lhe que já tinha sido substituído. E ele disse-me que o árbitro não dava conta disso. Tirou o fato de treino e marcou o golo da vitória”, contou entre risos. Na entrevista, o Special One revelou, ainda, poder exigir direitos de autor da célebre música Os Filhos do Dragão. “Os Sitiados [n.d.r: Quinta do Bill] são os donos da música, mas nós somos os donos da letra, porque fomos nós que a fizemos. Começamos a cantá-la no autocarro num jogo com o Bordéus, onde estava o Pauleta. Começo a dizer um bocadinho da letra, o doutor Puga acrescentou, depois o Antero também, e depois acrescentávamos mais um bocadinho e colocávamos a música a tocar”. Sobre o presidente do clube, Mourinho não tem dúvidas: “Pinto da Costa é o expoente máximo dos presidentes” com quem trabalhou que tem a paixão pelo futebol. “Se queria falar com ele, não tinha de imaginar. Conclusão: durante algumas semanas eles andaram a comer bem e nós andámos a comer mal. A partir daquele momento começámos todos a comer bem”. Um outro episódio é recordado por José Mourinho: “Ao intervalo do jogo com o Belenenses, estávamos a perder por 1-0 e o Jorge Costa sabia que eu estava cego. O túnel de acesso aos balneários é longo e eu estava a bufar e a espumar, mas o Jorge pediu-me três minutos antes de eu entrar no balneário. Fiquei fora e quando entrei em vez de entrar para rebentar, entrei para educar e melhorar. O trabalho ao nível mental e que tinha a ver com atitude, motivação e ambição já

tinha sido feito pelo Jorge. Ele fez esse trabalho por mim”, declarou. Outra das recordações do técnico prende-se com um penálti de Maniche, na final de um torneio de pré-época, em França, contra

ir a lado nenhum, ele estava presente, seja antes do treino, no treino, depois do treino ou em estágio. Ele estava sempre lá! Isso cria identificação de processos e empatia. Pinto da Costa estava adiantado no tempo”, destacou. REVISTAVIVA, MARÇO 2019


FC PORTO

“Azul-branco” de Roberto Brasil brilha nos EUA Roberto Brasil, conceituado atleta hípico de dressage, assinou pelo FC Porto em 2018 e competiu 22 vezes em representação do clube, nomeadamente em dez Grandes Prémios (GP) e 12 FEI5YO. Com nove lugares no pódio dos GP, acabou a época em segundo lugar do ranking americano, a Federação entregou-lhe a Medalha de Mérito de Ouro e uma das suas éguas foi nomeada “Cavalo do Ano”. Texto: Maria Inês Valente Foto: FC Porto

Desde novo que é aficionado por cavalos, mas a paixão pelo dressage, confessa, começou somente em 2006 quando assistiu à prestação do cavaleiro Andreas Helgerstrand nos World Equestrian Games (WEG). “Esse foi o momento que percebi que era o que queria fazer para o resto da minha vida. Ainda hoje vejo essa prova do Andreas e já a revi, pelo menos, 1000 vezes”, afirma, garantindo que vai sempre lembrar-se “do seu freestyle com a música do Moulin Rouge e de todo o estádio, de pé, a bater palmas quando ele ainda nem tinha acabado a prova”. Fez a primeira competição aos 15 anos, acompanhado de um cavalo próprio, de seu nome Rabino. “Foi talvez dos cavalos mais feios que tive, mas era um lutador e ensinou-me muito”. Natural de Angra do Heroísmo, Roberto Brasil mudou-se para os Estados Unidos da América aos 26 anos, sendo lá que reside atualmente.

A ligação ao FC Porto surgiu após uma conversa com o afilhado quando passavam o Natal de 2017, em Nova Iorque, e lhe contava sobre o seu gosto em estar ligado às raízes portuguesas e, principalmente, ao clube do seu coração. A partir daí seguiram-se alguns contactos que resultaram, depois, num encontro com o presidente Pinto da Costa e “no fim da reunião eu já fazia parte da família FC Porto”, relembra, sorridente. A competição no Grande Prémio de Bedminster, em Nova Jérsia, foi a primeira em representação do clube azul e branco – momento que nunca esquecerá – e recorda-se que, nesse dia, “correu tudo às mil maravilhas”. “A Whoopie [égua com que competiu] esteve sempre comigo, desde o aquecimento até ao momento da competição.


DRESSAGE

Embora não tenha vencido terminei em segundo, a menos de um ponto do primeiro lugar. Não foi o resultado que queria, mas estava orgulhoso e contente”. Meses mais tarde, tornou-se no primeiro cavaleiro português a participar no US Dressage Festival of Champions, o prestigiado torneio norte-americano que está reservado ao top 15 dos EUA e no qual apenas se entra com convite, resultando esse momento num “culminar de emoções” e no “final da melhor temporada” da sua carreira. “Eu estava em número dois do ranking, com nove primeiros lugares e três segundos e com oito notas acima de 80%. Já tinha esperança que fossemos convidados, mas quando realmente chegou o convite, nem conseguia acreditar”. Nessa prova, Roberto e

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Furstin, a égua que, garante, vai estar sempre no seu coração, conseguiram o melhor resultado da época (82,9%). Muitos outros prémios há para conquistar e será, nesse sentido, que se vai direcionar todo o trabalho desta época. “O que mais gosto de fazer neste desporto é de desenvolver cavalos e de ensiná-los desde o início”, afirma, revelando que, neste momento, está numa fase de transição em que se está a “adaptar a uma série de cavalos novos”. Como qualquer atleta o sonho passa, naturalmente, pela participação nos jogos olímpicos! Roberto Brasil tem consciência da importância que tem estar associado a um clube como o FC Porto e garante que “competir com este símbolo ao peito é uma enorme honra. Apesar de sentir a responsabilidade, dá-me uma motivação maior de lutar pelos prémios”. REVISTAVIVA MARÇO 2019


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T U A L I D A D E

Nós ou as Máquinas? E se lhe dissessem que, daqui talvez não por muito tempo, a máquina ia substituir o Homem, acreditava? Parece absurdo, mas há quem defenda que a tese se pode tornar real. A automação e a inteligência artificial estão a ganhar, cada vez mais, lugar no quotidiano da sociedade e a eliminar postos de trabalho a um ritmo nunca antes visto. Será que iremos ser substituídos pelas máquinas já num futuro próximo? Texto: Maria Inês Valente Fotos: Cedidas por Luís Paulo Reis

De acordo com um estudo da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), apresentado no início deste ano numa conferência alusiva ao futuro do trabalho, “Portugal tem um alto potencial de automação, devido ao peso da indústria transformadora e às tarefas repetitivas registadas em diversos setores”, facto que poderá levar, até 2030, à eliminação de 1,1 milhões de empregos.

Um número que deixa em alerta qualquer cidadão português, mas, de acordo com Luís Paulo Reis, diretor do Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência de Computadores da Universidade do Porto (LIACC) e professor associado da Faculdade de Engenharia (FEUP), sem razão aparente. “Os robôs, a inteligência artificial, as tecnologias da informação e da comunicação simplificam


O FU T U R O D O T RA BA LH O

as tarefas, e ao simplificarem-nas fazem com que não sejam necessárias tantas pessoas para realizá-las”, sublinha, adiantando que algumas profissões vão sofrer com a expansão da automação e deixar de existir, sim, mas por outro lado, isso vai “levar ao ganho de ainda mais do que um milhão de empregos”. Dois dos setores que mais facilmente poderão ser vulneráveis à automação são a condução autónoma e a medicina, no caso concreto de operações cirúrgicas, que “vão poder ser substituídas por robôs com grande benefício”. Por sua vez, empregos como, por exemplo, os de cuidadores informais estão salvaguardados, pois, tendo em conta o elevado grau humanístico que exigem, dificilmente conseguirão ser substituídos. E o que, no futuro, nos distinguirá das máquinas – uma pergunta de resposta muito complicada para o professor - poderá ser precisamente e somente a componente humana, ou seja, as nossas competências sociais e emocionais. A possibilidade de as máquinas nos vencerem é um dos grandes medos da humanidade e era também um assunto fulcral na vida de Stephen

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Hawking, perpetuado, entretanto, no seu livro “Respostas às Grandes Perguntas”. De acordo com o cosmólogo britânico, “não há uma diferença significativa entre a maneira como o cérebro de uma minhoca funciona e como um computador computa”, o que nos poderia levar a enfrentar uma explosão de inteligência em que, em última análise, resultaria em máquinas cuja inteligência superasse a nossa. Uma suspeita que acabou, inclusive por acontecer, quando, recentemente, a AlphaGo [inteligência artificial desenvolvida pela Google] derrotou o campeão mundial do jogo Go e, logo a seguir, uma máquina da mesma empresa conseguiu, aprendendo a jogar sozinha, derrotar todos os jogadores humanos e a máquina anterior. Então, “se uma máquina consegue aprender a jogar o jogo que os humanos consideram só estar ao alcance dos génios, não conseguirá também aprender todo o tipo de tarefas que os humanos consideram estar só ao alcance dos seres inteligentes? Obviamente que conseguirá”, alerta Luís Paulo Reis. Verificamos, então, que as máquinas, ainda que de uma forma muito limitada, estão a começar a

A ideia não é as máquinas competirem com os humanos, “mas sim colaborar”

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pensar. Mas, nem por isso, devemos temer esta evolução. Primeiro porque, de acordo com o diretor do LIACC, esta é uma reconversão natural da sociedade, à qual as pessoas têm que se adaptar, como já o fizeram com a “passagem da agricultura para a indústria”, por exemplo, e segundo porque é, também, uma oportunidade, logo pelo facto de ficarem mais libertas para outras tarefas. “A ideia de se estarem a criar máquinas que vão substituir os humanos é uma ideia errada. O que nós queremos é criar máquinas, diferentes dos humanos, que permitam auxiliar no seu dia a dia e tornar as suas tarefas mais fáceis”, revela. E a verdade é que, cada vez mais, temos máquinas, que podem não ser robôs, mas que se manifestam na nossa vida de acordo com sistemas de inteligência artificial. Cada clique que fazemos no nosso computador, cada tecla em que carregamos, têm por detrás sistemas de inteligência artificial a tentarem auxiliar-nos. Escrevemos um e-mail e, automaticamente, temos um sistema a dar-nos apoio e a “adivinhar” o que vamos escrever. Temos sistemas a ajudar-nos com a nossa agenda, dando-nos reminders de coisas que não fizemos e que devíamos ter feito. Tudo isto é a inteligência

“As tarefas criativas, sobretudo, são o futuro”


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artificial a manifestar-se no quotidiano da sociedade. O nosso telemóvel, por exemplo, está carregado de inteligência artificial! “Sempre que carregamos no Google Maps ou tentamos fazer um percurso no GPS de um ponto para o outro são as técnicas de inteligência artificial que recolhem os dados e ajudam a processá-los, a prepará-los, a melhorar os mapas e a calcular as rotas, etc., que nos permitem, depois, ficarmos a conhecer qual é o melhor percurso e/ou qual o mais rápido”.

É, por isso, no entender dos especialistas em robótica, inútil que os seres humanos tentem competir com as máquinas. “A inteligência artificial e a robótica vieram para ficar” e só podemos ganhar ao colaborar com elas. No entanto, e citando, uma vez mais, Steven Hawking, ao passo que a automação está a evoluir, é fundamental que os investigadores trabalhem “para criar uma inteligência artificial que possa ser controlada”. E esse parece-nos ser, realmente, o grande desafio do futuro!


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O L O F O T E

Nuvem Vitória “adormece” crianças hospitalizadas É uma associação de voluntariado que, de segunda a sexta-feira, se dirige a cinco unidades hospitalares do país para contar histórias às crianças internadas. Ao todo são já 400 as Nuvens envolvidas nesta iniciativa, que pretende encher de magia as noites de quem não pode estar no aconchego do seu lar. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Sérgio Magalhães e Nuvem Vitória


N U V E M V I TÓR I A

“Todos os dias devem começar com uma boa noite de sono”. O ditado já é antigo, mas aplica-se mais do que nunca. E para isso existe a Nuvem Vitória, uma associação de voluntariado noturno que conta histórias à cabeceira da cama para potenciar às crianças internadas em contexto hospitalar uma noite de sono serena e livre de preocupações. A ideia nasceu pelas mãos da ex-jornalista Fernanda Freitas e do advogado Pedro Dias Marques que tinham como aspiração criar um projeto diferente e inovador, mas onde os próprios também pudessem participar. “E por isso pensaram «quando é que nós podemos contar histórias?» À noite, porque é o único momento

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do dia que têm livre. E então surgiu-lhes a ideia de contar histórias à noite porque efetivamente é algo que não existe. Existimos nós agora!”, conta Margarida Soares, coordenadora do núcleo da Nuvem no Porto. O projeto piloto teve início em 2016 no Hospital Santa Maria, em Lisboa, estendendo-se, posteriormente, ao Centro Hospitalar São João, no Porto, ao Hospital de Vila Franca de Xira e ao Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão. Foram vários os entraves que se colocaram aquando da sua génese, “foi preciso convencer os médicos, enfermeiros e todo o corpo clínico que aquilo seria uma mais valia para as crianças e que trazia benefícios”. Passados praticamente três REVISTAVIVA MARÇO 2019


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anos, Margarida Soares garante que os resultados não podiam ser mais satisfatórios, e que há, inclusive, previsão de “até 2020 estarem em mais 14 hospitais”. A presença da Nuvem Vitória no Hospital de Braga começou por ser uma das grandes novidades anunciadas no ano corrente. Évora, Almada e Coimbra serão os próximos a poder ouvir os contos das Nuvens. Ao todo já foram seis mil horas e mais de 12 mil as histórias que animaram as noites de inúmeras crianças hospitalizadas do Norte ao Sul do país. “Existe uma biblioteca de apoio à associação e cada voluntário tem as suas histórias, que leva dentro do seu próprio saco”. Regra geral são as crianças que escolhem aquilo que pretendem ouvir, dentro do leque de possibilidades que cada Nuvem lhes oferece naquele dia. Mas existem, também, muitas ações em que há “os livros pedidos”. “E quando assim é, as Nuvens tentam sempre trazer aquela história aquela criança!”, revela a coordenadora do Porto. “Nós estamos lá para dar uma lufada de ar fresco aquela criança, para a serenar, para a acalmar. No fundo é para que aquela criança que esteve internada se lembre da parte boa do internamento – ter a Nuvem Vitória a contar-lhe uma história – e não pela parte menos positiva da situação”. A recetividade dos pais à iniciativa tem sido enorme, havendo, inclusive, alguns que já começaram a “vestir a camisola da Nuvem Vitória”, algo que Margarida entende como uma mais valia. “Temos tido feedback de várias crianças e pais de crianças internadas que nos têm dado muito alento e muita força para, cada vez mais, acreditarmos que isto é uma Nuvem Vitória ganha”, revela.

AS HISTÓRIAS MAIS EMOCIONANTES

O sorriso de Margarida fala por si quando lhe perguntamos quais os momentos mais especiais que vivenciou desde o início desta caminhada. Quem convive diariamente com crianças sabe que a cada novo dia há uma nova história para contar, e com as Nuvens não é exceção! Embora cada uma delas só chegue a realizar a ação duas a três vezes por mês, dado o número elevado de voluntários, a verdade é que, além das histórias que levam no seu saco, são muitas as que também trazem para contar.


N U V E M V I TÓR I A

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Percurso até ser Nuvem O grande requisito é ter 21 anos ou mais e o registo criminal limpo. E acima de tudo ter um sentimento de responsabilidade e entrega muito grande, porque “ser voluntário é ser responsável”. Se assim for, basta que os candidatos entrem na página oficial da Nuvem Vitória e preencham uma ficha de pré-inscrição. Depois de selecionados serão chamados a integrar uma formação intensiva de dois dias e a partir daí é só começarem a contar as suas histórias.

“Já apanhamos meninos estrangeiros que não entendem português, mas que ouvem as histórias na mesma, mesmo sem as perceber. Na semana passada, por exemplo, tínhamos um francês e um chinês e como uma das voluntárias sabia francês contou a história em francês. Mas também já apanhei uma menina alemã e como eu não sabia falar alemão e ela não sabia falar inglês, tivemos que comunicar por gestos. Mas só o facto de estarmos ali um bocadinho a «conversar» com ela foi muito giro”. A presença da Nuvem Vitória tem sido tão bem recebida a nível hospitalar, tanto por parte das crianças como de todo o corpo clínico, que assim que os voluntários chegam a euforia é total. “Vêm aí as Nuvens, vêm aí as Nuvens”, gritam os mais novos enquanto correm para as camas porque já sabem que as histórias só são contadas lá. “Às vezes eles gostam tanto [das histórias] que acabam por ir para as camas uns dos outros para ouvir ou então pedem para nos contar a nós uma história”. “Aquilo que damos é tão pouco e aquilo que trazemos é tanto que eu só digo «bendita a hora em que a Fernanda e o Pedro tiveram esta ideia» porque o projeto é magnífico e o retorno é enorme”, conclui.

O futuro da Nuvem Vitória Numa altura em que a associação se encontra em franca expansão hospitalar, existem outros projetos que começam a ser pensados, todos eles associados ao objetivo principal da Nuvem, que é a proteção do sono e o serenar as crianças antes de adormecerem. A criação da plataforma “Quero dormir”, em parceria com a Associação Portuguesa do Sono e a Ordem dos Psicólogos Portugueses, e o lançamento do primeiro livro de histórias em braile são exemplo disso mesmo. E as novidades prometem aparecer em breve!

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Cuidados na Gravidez A gravidez é um momento grandioso e especial, pois há uma nova vida que se gera dentro da mulher. O bem-estar deste novo ser deve-se, em parte, ao bem-estar da mãe, pelo que existem alguns cuidados que deve ter em conta nesta fase. A gravidez é um momento único e irrepetível, pois todas as gravidezes são diferentes. No entanto, de uma maneira geral, os cuidados importantes a ter durante a gravidez são transversais e baseiam-se no pressuposto “a mulher deve saber cuidar de si, para que a sua gravidez e o seu bebé se desenvolvam de uma forma saudável”.

Atividade diária Descanse e durma

É frequente as grávidas no primeiro trimestre apresentarem bastante sonolência, e sempre que possível deverá obedecer às ordens do seu corpo e descansar nem que sejam 10-20 minutos, de preferência com as pernas elevadas para prevenir os inchaços (edemas). Já no último trimestre, as insónias podem ser uma realidade. Tente não fazer sestas durante o dia e tenha atividades calmas antes de se deitar, como ler um livro ou tomar um duche de água quente para relaxar.


D I CA S

Cuide da sua higiene

Evite banhos de imersão, devido ao risco aumentado de descidas bruscas da tensão arterial e de infeções; no entanto, um duche diário, não muito quente, ajuda a promover a circulação sanguínea e a prevenir as estrias. Lave os dentes pelo menos 2 vezes ao dia, pois com o aumento das hormonas há um risco de aparecimento de cáries e problemas nas gengivas.

Faça exercício

Existem planos de exercícios específicos para grávidas, no entanto, o mais fácil e económico é caminhar, durante 20 ou 30 minutos, todos os dias, ao ar livre. Ainda assim, existem algumas situações em que o seu obstetra poderá desaconselhar exercício, como por exemplo, se já teve partos prematuros anteriores, se tem anemia ou perdas sanguíneas.

Hidrate a sua pele

Uma pele hidratada tem maior elasticidade, e com uma barriga que vai crescendo a olhos vistos é importante manter uma boa hidratação corporal, mas principalmente da região das mamas e barriga. Esta é uma boa forma de evitar as estrias durante a gravidez.

Não fume

O tabaco envelhece a placenta e pode originar problemas durante a gestação e o parto. Diminua o consumo de tabaco, caso não consiga deixar de fumar, e sempre que estiver perto do bebé não fume, pois o tabaco pode também levar a problemas no bebé, como por exemplo, infeções respiratórias.

Tenha uma alimentação saudável

Prefira uma alimentação de qualidade e saudável. Faça várias refeições ao dia em pequenas quantidades e beba bastantes líquidos.

Não consuma bebidas alcoólicas

As bebidas alcoólicas são nocivas ao organismo e estão associadas a um maior risco de aborto. Prefira as bebidas não alcoólicas.

Não tome medicamentos nem drogas

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Sinta-se confortável

Use lingerie confortável que lhe dê um bom suporte às mamas e abdómen. A roupa não deve ser apertada. Utilize meias de descanso, assim evita a sensação de pernas cansadas no final do dia e diminui o risco de varizes.

Aposte na segurança

Sempre que viajar de carro coloque as fitas do cinto de segurança, uma por cima do ombro e a outra na parte inferior do abdómen.

Os medicamentos e drogas ilegais são, na sua maioria, agentes que podem causar malformações fetais. Caso seja necessário tomar medicação, fale com um profissional de saúde para avaliar a sua situação e prescrever medicação não nociva para a mãe nem para o bebé.

(Susana Carvalho de Oliveira, Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica)

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A Ú D E

Descubra todos os benefícios do exercício físico na gravidez Gravidez não é doença: ao contrário, é um momento de saúde plena da mulher. Quem engravida e é sedentária tem um bom motivo para começar a praticar uma atividade física: o exercício na gestação previne a diabetes, o ganho excessivo de peso e aumenta a disposição, já que aumenta a serotonina, hormona associada ao prazer. E quem já pratica uma atividade nem pode pensar em pará-la! Gravidez não é doença: ao contrário, é um momento de saúde plena da mulher. E, para que esse momento perdure, é imprescindível que esta pratique atividade física regularmente, durante toda a gestação. “A gestante deve consultar o seu obstetra e, estando com a saúde em dia, pode praticar

atividades a partir da primeira ecografia morfológica, com 12 semanas de gestação”, aconselha a Mariana Rosário, ginecologista, obstetra e mastologista. Para a especialista, é fundamental que todas as gestantes – salvo exceções, como aquelas que têm placenta prévia, problemas osteoarticulares ou risco de parto prematuro – tenham práticas físicas constantes, para se evitar a diabetes gestacional, o ganho de peso excessivo e se aumentar a disposição geral. A prática de atividade física também pode prevenir contra a eclampsia, uma complicação relacionada à hipertensão arterial que pode levar à morte da gestante. Musculação, caminhada, ioga, pilates, bicicleta, corrida, zumba e dança, entre outras atividades, estão entre as mais indicadas para as gestantes – todas elas orientadas por profissionais especializados em grávidas. “É importante


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que a mulher seja acompanhada no período gestacional pelo obstetra e por um profissional de Educação Física especializado no tema. Não é aconselhável que ela exagere, é claro, mas é imprescindível que as sedentárias aproveitem esse período para começarem uma atividade, devagar, e as que já a praticam não a abandonem”, aconselha. No consultório, Mariana diz que incentiva as suas pacientes a procurar o prazer de cuidar do corpo na gravidez. Isto porque presencia muitas mulheres sem estímulo de criar novos hábitos. “Vejo que há desculpas para não realizarem

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exercício físico na gestação, mas este é um período em que se gasta muita energia e é necessário ter disposição para chegar à 40ª semana bem. A atividade física aumenta a serotonina e dá prazer, então, a sensação física é muito boa, só faz bem”, garante. O ideal, segundo a médica, é que a prática seja realizada pelo menos três vezes por semana, com duração de uma hora por dia. “Mais não fará mal, mas nunca se pode esquecer do acompanhamento profissional. Com a atividade física, será muito mais fácil retomar a condição corpórea anterior à gestação após o parto”, finaliza. (Liliana Lopes Monteiro, in Lifestyle)

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O R T O F O L I O

Quem vem e atravessa o rio Junto à serra do Pilar Vê um velho casario Que se estende até ao mar. (…) “Porto Sentido”, poema de Carlos Té; música de Rui Veloso.


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Guilherme Pinto e indústria conserveira homenageados em nova praça de Matosinhos Texto: Maria Inês Valente Fotos: Francisco Teixeira (CM Matosinhos)

Foi um sonho de Guilherme Pinto que o autarca, infelizmente, não viu concretizado. Mas a iniciativa era imparável e o atual executivo socialista, liderado por Luísa Salgueiro, deu a necessária continuidade à obra, que foi inaugurada em finais de janeiro.

São quase oito mil metros quadrados, uma área ampla e livre no coração de Matosinhos-Sul que, agora, estão destinados à fruição pública, naquela que é considerada como uma das zonas mais nobres da cidade. A Praça Guilherme Pinto, assim designada por deliberação do executivo municipal de 12 de janeiro de 2017, nasce num espaço delimitado pelas ruas Sousa Aroso, D. João e Brito e Cunha, sendo rematada a sul pela Broadway. De acordo com Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal, que perpetuou, de forma assertiva, a memória de Guilherme Pinto, esta obra não nasceu apenas para homenagear o ex-autarca, uma vez que foi ele quem a “ousou imaginar”. “Trata-se de fazer justiça a um homem que procurou mudar a imagem de Matosinhos, modernizando-a e preparando-a para um novo tempo, no qual Matosinhos não é apenas a terra dos pescadores,


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assumindo-se também como terra de inovação, criatividade, cultura e investimento”, explica. “Esta é a grande praça que Matosinhos nunca teve e que, doravante, poderá ser um local privilegiado para o exercício da cidadania”, afirmou Guilherme Pinto em vida a propósito do projeto - expressão que está, agora, eternizada num elemento decorativo da obra. Idealizada pelo próprio como parte de um plano que previa a construção de uma praça em cada uma das dez freguesias de Matosinhos, dotando-as de espaços conviviais e facilitadores do exercício da cidadania, a presidente do município garante tratar-se de uma “aposta ganha”. “Basta ver a quantidade de pessoas que já utilizaram a praça e o elevado ritmo de requalificação dos edifícios que a rodeiam”.

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Na praça que evoca o nome de Guilherme Pinto encontra-se, também, o “Memorial às operárias e operários da indústria conserveira”, um conjunto escultórico de grandes dimensões da autoria do escultor Ruy Anahory, constituído por um cardume de grandes peixes metálicos e pela homenagem às operárias e aos operários conserveiros, incluindo, no extremo sul, um elemento evocativo de uma chaminé, que representa a fábrica onde o peixe era transformado, mas, também, as latas das conservas. Já o piso da praça serve, igualmente, de complemento a este memorial, evocando, assim, as 54 empresas conserveiras que existiram em Matosinhos e que, durante décadas, dominaram a paisagem de Matosinhos-Sul, “contribuindo decisivamente para a economia local e nacional”, REVISTAVIVA,MARÇO 2019


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em estreita relação com o Porto de Leixões, que “chegou a ser o maior porto sardinheiro do mundo”. A importância que o passado empresarial teve na cidade foi, por isso, notável, continuando, ainda hoje, como sublinha Luísa Salgueiro, “a ser um importante ativo de Matosinhos”, que o executivo municipal quer “ajudar a modernizar e preservar”.

“Guilherme Pinto dedicou a sua vida a Matosinhos, até ao último dos seus dias. Quis mudar a cidade e torná-la mais cosmopolita, deixando, deste modo, uma marca indelével. Queria uma «cidade em dia» e sonhava com a sua transformação a partir da fórmula, inspirada em Einstein, M2C – Mar, Movimento e Cultura”, destaca Luísa Salgueiro.


M ATOSI N H OS

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“A Praça Guilherme Pinto tem o condão de juntar dois elementos distintivos de Matosinhos, a arquitetura e a arte, mais concretamente a escultura” Recorde-se que o projeto da praça nasceu através de um concurso lançado em janeiro de 2015 pelo, na altura presidente da câmara, Guilherme Pinto que, sob o mote Renovar Matosinhos, desafiou todos os cidadãos do município “a participar numa operação urbana de intervenção em dez locais nas várias freguesias”. O objetivo da campanha, explica Luísa Salgueiro, foi o de “requalificar o território e humanizá-lo”, criando, para o efeito, espaços de cidadania. O arquiteto municipal Luís Berrance foi o vencedor do concurso, tendo, por isso, desenhado o primeiro traço da praça e a conceção global da arquitetura do espaço. Mas, “por conveniência do serviço interno”, o projeto foi, depois, entregue à, também, arquiteta

municipal, Luísa Valente, que ficou responsável pelo desenvolvimento do projeto e execução e que, entre outros aspetos, incorporou a homenagem da cidade às operárias e aos operários da indústria conserveira. De acordo com informação avançada pela presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, uma parte substancial das dez praças previstas já está pronta e ao serviço dos munícipes, destacando, a título de exemplo, as praças no Freixieiro, na Senhora da Hora e no Padrão da Légua. A obra em Leça da Palmeira deverá, também, avançar muito em breve, garante Luísa Salgueiro, reforçando que o trabalho para a conclusão de todas as praças “está em marcha”. REVISTAVIVA,MARÇO 2019


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E T R O P O L I S

Durante quatro dias, Santo Tirso volta a celebrar a Páscoa com o Mercado Nazareno, através da recriação histórica dos últimos instantes da vida de Cristo. Com um forte carácter religioso e cultural, o programa contempla costumes e tradições da aldeia, artesanato, acampamentos -romano e de gladiadores - e animação permanente. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Câmara Municipal de Santo Tirso

De 12 a 15 de abril todos os caminhos vão dar ao Parque D. Maria II, que, durante quatro dias, se transforma numa verdadeira aldeia histórica para receber o Mercado Nazareno, um ponto alto da programação do Município de Santo Tirso que atrai visitantes oriundos de todos os pontos do país e que sente, cada vez mais, a presença de habitantes da Galiza. O certame abre portas às 18 horas de sexta-feira, exatamente REVISTAVIVA, MARÇO 2019

dois dias antes de entrarmos naquela que é considerada como Semana Santa pela Igreja Católica. Nesse dia haverá uma prova de “Pão Ázimo” e será recriado o primeiro momento desta viagem pelos últimos dias de Cristo, designada como “O Batismo de Jesus”. “A Multiplicação dos Pães e dos Peixes”, “A Última Ceia”, “A Chegada a Jerusalém” e a “Via Sacra” são algumas das representações que os visitan-

tes poderão contemplar antes de chegarem ao episódio mais dramático da vida de Jesus, a Crucificação. Recorde-se que o Mercado Nazareno prima, também, pela representação de alguns locais simbólicos como é o caso do Calvário, cenário que vai acolher esta recriação. Além das reconstituições bíblicas, que, no total resultam em 16 cenas, os visitantes poderão, ainda, acompanhar a elaboração de vários ofícios antigos como é


SA N TO T I RSO

o caso da moagem de trigo, da talha ou da curtimenta da pele, bem como assistir a algumas vivências da época, que serão recriadas pontualmente. Mas, engane-se se pensa que o Mercado Nazareno viverá apenas destas atuações! A pensar no comércio tradicional, a autarquia integrou, no evento, uma zona dedicada à gastronomia, onde

vai ser possível experimentar diversas iguarias da região, bancas de venda de artesanato e produtos tradicionais e, ainda, uma mostra de animais da quinta. Da programação diária fazem parte os espetáculos de aves de rapina, as passeatas em camelo, com horários estabelecidos entre as 11 horas e o meio-dia, as 15 e as 16 horas e as 17h30 e

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as 18h30, bem como os torneios de gladiadores, que decorrem num acampamento próprio para o efeito. O caráter lúdico, em harmonia com o rigor dos acontecimentos histórico-religiosos, confere a este Mercado uma dimensão singular e já típica em Santo Tirso. A entrada ao público é totalmente gratuita.

O MAIOR MUSEU AO AR LIVRE SANTO TIRSO


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E T R O P O L I S

A Junta de Freguesia está ligada a um vasto conjunto de iniciativas de cariz solidário. Zero Desperdício e Pedalar Sem Idade são duas das muitas apostas do autarca Alberto Machado que procuram, sobretudo, ajudar o próximo. Texto: Maria Inês Valente Fotos: J. F. de Paranhos

Num trabalho articulado com cantinas hospitalares e universitárias, hipermercados e máquinas de vending, a Junta de Freguesia de Paranhos assegura, de segunda a sexta-feira, o apoio alimentar aos cidadãos mais carenciados da freguesia, através do movimento Zero Desperdício. Criado pela Associação DariAcordar, já em 2012, ao qual a autarquia se juntou três anos mais tarde, o projeto tem como intuito a

recuperação de excedentes alimentares que estejam em boas e adequadas condições para consumo humano. O processo de recolha é realizado de acordo com as condições de higiene e segurança alimentar, ficando, os produtos, novamente, salvaguardados, assim que chegam à loja social, toda ela adaptada para o Zero Desperdício. As refeições ficam armazenadas em frigoríficos [que estão reservados a cada insti-

tuição doadora] e, no dia seguinte, são distribuídas às famílias referenciadas


PA RA N H OS

pelo Gabinete de Ação Social. Desde o início do projeto até janeiro de 2019 já foram distribuídos 48.991 kg de alimentos, dos quais resultou uma poupança de resíduos orgânicos equivalente a mais de 70 toneladas, com uma redução da produção de CO2 de 170 toneladas. PEDALAR SEM IDADE ”O direito ao vento nos cabelos” é o lema desta iniciativa que nasceu, no Porto, em parceria com a Rotary Club Porto Portucale Novas Gerações, inspirada no Cycling Without Age, um projeto nascido em Copenhaga, que está hoje presente em 41 países, e permite à terceira idade uma experiência única de mobilidade com passeios

pela cidade em bicicletas adaptadas. Através deste projeto, que conta com a participação de voluntários que se disponibilizam a conduzir os idosos numa bicicleta elétrica e adaptada às condições atmosféricas do inverno, é possível cativá-los a realizar atividades ao ar livre. O grupo de seniores do centro de convívio do Pólo Intergeracional de Paranhos e do Cantinho dos Avôs já usufruíram desta experiência e, de acordo com a autarquia, o impacto junto da comunidade não podia ser mais satisfatório. A ventoleta – nome dado à bicicleta de origem dinamarquesa – tem capacidade para

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duas pessoas e é conduzida por um voluntário sentado atrás dos passageiros, de forma a facilitar a comunicação entre as três pessoas. Em média cerca de 20 idosos por mês seguem para uma viagem, com duração estimada de 45 minutos “sem pressas”, que parte do Edifício Transparente para um passeio à beira mar ou junto à natureza do Parque da Cidade, onde os idosos têm a possibilidade de observar o cenário natural e até a presença de alguns animais no parque. O projeto Pedalar Sem Idade já proporcionou sorrisos a 180 idosos e o objetivo dos promotores é que este número cresça ainda mais e que possam alargar esta experiência a outras pessoas. REVISTAVIVA, MARÇO 2019


H U M O R

No consultório médico No avião Hospedeira: Vai desejar alguma coisa para beber? Passageiro: Quais são as opções? Hospedeira: Sim e não.

Numa loja de roupa

Cliente: Vendem camisas de noite? Empregado: Não, de noite estamos fechados!

No parque infantil Menino: Pai, eu fui adotado? Pai: Foste, mas devolveram-te a nós!

ião ? ro av Nout ou chá, senhor fé a C : a ir e Hosped ssageiro: Café! ! Pa u, é chá eira: Erro d e p s o H

Num comício

Político: Eu sim! Sou um es político honesto! Por est bolsos, nunca passou dinheiro desonesto! Da assistência: Ena, comprou um fato novo!

leia semb s A a d a Junto Repúblic pode ã da n , ino o ça: Men ta que os n a r u g e le S í a bicic ar. deixar a s estão a cheg , o a d m a t le u b p o de á pr h o ã N : Menino ei o cadeado. coloqu

Senhora: O que tenho que fazer para emagrecer? Médico: Basta a senhora abanar a cabeça da esquerda para a direita e da direita para a esquerda. Senhora: Quantas vezes, Sr. Doutor? Médico: Sempre que lhe oferecerem comida.

No hospital Médico: O senhor é dador de sangue? Doente: Não, eu sou o da dor de cabeça.

Na livraria Cliente: Boa tarde! Estou à procura do livro “A honestidade na política”. Funcionária: Lendas e contos de fada é no segundo corredor à direita.


AF_CIN_Imprensa_Cinoxano_Mineral_150x230.pdf 1 06/03/2019 09:34:40

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VIVA! Porto - edição março 2019  

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