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Revista gratuita trimestral, junho 2019 Diretor: José Alberto Magalhães

O QUE É FEITO DE?

O primeiro automóvel a chegar a Portugal

RUA DAS FLORES

INÊS

Requalificação

TORCATO Um talento em ascensão

Saiba mais em: pingodoce.pt/bairrofeliz AF_ORELHA_BAIRRO_FELIZ_ø35mm.indd 1

21/05/2019 18:43


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Fake News Não é de hoje que mentiras são divulgadas como verdades, mas foi com o advento das redes sociais que esse tipo de publicação se popularizou. Em alguns casos, os autores criam manchetes absurdas com o claro intuito de atrair acessos aos sites e, assim, faturar com a publicidade digital. No entanto, além da finalidade puramente comercial, as “fake news” podem ser usadas apenas para criar boatos e reforçar um pensamento, por meio de mentiras. Dessa maneira, prejudicam-se pessoas comuns, celebridades, políticos e empresas. Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista. Lançar para o espaço público notícias falsas é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam às “fake news” um grau de divulgação jamais visto no passado – milhões de pessoas podem ser enganadas por essas falsidades numa questão de segundos. Já no passado o boato era uma arma insidiosa em comunidades pequenas. Ainda agora é utilizado, designadamente como arma política. Há dois séculos não existia internet, nem rádio, nem televisão, nem telefones. O meio de comunicação usado na política dessa época eram os jornais. Por isso quem queria afirmar-se na política procurava prioritariamente publicar um jornal. No séc. XIX havia dezenas de jornais em Lisboa e no Porto. Tinham poucas páginas e uma circulação modesta. Mas não era preciso mais: só uma pequena minoria ilustrada lia então jornais – a grande maioria era simplesmente analfabeta. Esses jornais serviam, frequentemente, para lançar acusações e suspeições sobre o carácter de adversários políticos. Muitas vezes eram puras mentiras. O Facebook tem na sua sede europeia, em Dublin, cerca de quarenta técnicos cuja missão é detetar e eventualmente encerrar páginas que canalizem notícias falsas. E cerca de 30 mil funcionários do Facebook vigiam em permanência conteúdos, procurando evitar textos extremistas, de incentivo ao ódio. Mas, infelizmente, ainda não se encontraram antídotos eficazes para esta chaga da internet. Não é só lá fora, também acontece em Portugal. O ditado popular lá diz que “mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo”, mas na era das redes sociais, as notícias falsas propagam-se tão rápido e tão bem, que passam muitas vezes por verdadeiras. As partilhas das publicações ajudam, o amigo dá por certo algo que outro amigo partilhou, e por aí fora, com o novelo da desinformação a crescer. Até os órgãos de comunicação social já caíram nelas.

José Alberto Magalhães Diretor de Informação


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PERFIL INÊS TORCATO

MEMÓRIAS COUTO MISTO

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FIGURA LARANJA PONTES

I N I C I A T I VA S UNIVERSIDADE JÚNIOR

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A T R AV É S DOS TEMPOS PRIMEIRO VOTO FEMININO

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HOLOFOTE SEXUALIDADE

D E S TA Q U E RENDAS ACESSÍVEIS

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AT U A L I D A D E VEGANISMO


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ÍNDICE 03 E D ITO R IAL 1 6 PRIMEIRO AUTOMÓVEL EM PORTUGAL 20 SAN TOS P O PUL A R ES 32 R UA DAS FLO R ES 50 CO M E S & BE B ES 6 0 R OSALÍA

Revista gratuita trimestral, junho 2019

FICHA TÉCNICA Propriedade de: ADVICE - Comunicação e Imagem Unipessoal, Lda. Sede: Rua do Almada, 152 - 2.º - 4050-031 Porto NIPC: 504245732 Tel: 22 339 47 50 - Fax: 22 339 47 54 advice@viva-porto.pt adviceredacao@viva-porto.pt www.viva-porto.pt Diretor Eduardo Pinto Diretor de Informação José Alberto Magalhães

6 4 LOJAS HISTÓ R I CA S

Redação Maria Inês Valente

6 8 P O RTO CAN AL

Fotografia Inez Cortez Sérgio Magalhães

70 F C P O RTO 82 M O M E N TUM C R EW 86 D ICAS SAÚ DE 9 0 P O RTO FÓ LIO 92 M E TR O P O LIS – M ATOS I N H OS 96 ME TR O P O LIS – PA R A N H OS 98 HUM O R

Marketing e Publicidade Eduardo João Pinto advicecomercial@viva-porto.pt Célia Teixeira Produção Gráfica Diogo Oliveira Impressão, Acabamentos e Embalagem Multiponto, S.A. R.D. João IV, 691-700 4000-299 Porto Distribuição Mediapost Tiragem Global 120.000 exemplares Registado no ERC com o nº 124969 Depósito Legal nº 250158/06 Direitos reservados Estatuto editorial disponível em www.viva-porto.pt Lei 78/2015

REVISTAVIVA JUNHO 2019


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INÊS TORCATO

um talento

em ascensão

Texto: Maria Inês Valente Fotos: Inez Cortez

É, atualmente, uma das designers mais importantes e conceituadas do panorama da moda nacional, tendo já desfilado as suas criações por prestigiados palcos, como é exemplo a passerelle principal do Portugal Fashion, mas não só. Inês Torcato estreou-se na plataforma Bloom, em 2016, e desde então que o seu nome não mais parou de brilhar. A criadora recebeu a VIVA! no seu atelier, que divide com o pai, Júlio Torcato, em pleno coração da cidade do Porto, e, numa conversa intimista, contou-nos como tudo começou, partilhou alguns dos momentos mais marcantes do seu percurso e revelou quais são os grandes objetivos para a sua carreira.


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moda está-lhe no sangue, mas, admite, não foi uma paixão desde sempre. Inserida, desde que nasceu, no mundo das tendências, não fosse o apelido Torcato já bem conhecido de outras gerações, Inês revela que foi somente numa fase mais tardia da sua vida que se apaixonou pela área que, hoje, a faz vibrar. Estudou Audiovisual, Multimédia e Pintura, na Escola Secundária Artística de Soares dos Reis e na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, e ainda antes de chegar ao curso de Design de Moda, que tirou na Escola Superior de Artes e Design (ESAD), em Matosinhos, julgou que o seu percurso profissional passaria pela fotografia. “[A moda] era uma coisa tão presente na minha vida, tão normal, que eu tive que ir a outro sítio perceber que era isto que queria fazer”, explica. E terá sido, precisamente, com o amigo, e fotógrafo de moda, Frederico Martins, durante

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um “estágio não oficial”, em que era “assistente do assistente dele”, que sentiu “o tal clique”. Na altura, com uma “desvantagem grande” em relação aos colegas que frequentavam o curso, uma vez que entrou em Design de Moda já a meio do segundo ano, Inês Torcato resolveu apostar em tudo aquilo que a poderia diferenciar como, por exemplo, o facto de ter estado na Faculdade de Belas Artes durante três anos e ter estudado Fotografia, aliando, ainda, o seu enorme talento pelo desenho, o que, indiscutivelmente, a levaram a criar “um valor diferente” nos seus trabalhos. “Era uma coisa que me diferenciava e fui aproveitando”, revela, enquanto explica que a “parte técnica estava um bocadinho para trás”, razão pela qual teve que se esforçar, ainda mais, para acompanhar a turma. Mas, como já diz o ditado, “filho de peixe sabe nadar” e esforço e dedicação são características que não faltam a esta jovem designer, cedo mostrou aquilo que


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vale e, rapidamente, vingou no mundo da moda. Em 2016, estreou-se no espaço Bloom Portugal Fashion, de jovens designers, e no ano passado foi chamada a integrar os desfiles principais, um convite, inesperado, que surgiu quando estava em Roma a fazer um desfile com o Bloom, e que, naturalmente, a deixou “feliz”, mas, também, um pouco nervosa e ansiosa. “Pensei: eu tenho aqui uma coleção que estou a apresentar agora, que foi feita com o objetivo de fazer um desfile Bloom, se agora é o primeiro que vou fazer na passerelle principal, tenho que mudar isto tudo”, conta, revelando, ainda, que, na altura, alterou imensas peças e acres-

centou outras, sendo, que nesse humanos, e destacada, em momento, sentiu, efetivamente, massa, pelos vários órgãos de o peso da responsabilidade de comunicação social, conta que estar a pisar o palco principal. “Artigo 1º” foi algo que surgiu Já “o momento do desfile” em “de uma forma muito natural”, si, destaca, “foi muito tran- uma vez que o tema acaba por quilo”, até porque “já estava ser uma sequência da coleção habituada a trabalhar naquilo anterior, “Alma”. “Acho que a com o meu pai”. No entanto, questão dos direitos humanos revela que esse momento teve, esteve presente em todas as mitambém, um lado sentimental nhas coleções, porque sempre associado. “Foi muito bonito foi uma preocupação minha estar na passerelle principal tentar que elas abrangessem porque estava a trabalhar com um número grande de pessoas as pessoas que, no fundo, me e que a mesma peça pudesse viram crescer ali”, diz com um ser vestida por pessoas muito brilho no olhar. diferentes. Só que eu nunca Com uma coleção particular- anunciei, no fundo, que esta mente especial apresentada em questão da igualdade era immarço deste ano no Portugal portante para o meu trabalho, Fashion, inspirada na decla- apesar de ter estado sempre lá”. ração universal dos direitos E essa foi uma preocupação que,


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admite, foi surgindo ao longo das suas criações. Sem nunca ter feito “grande distinção entre aquilo que era a roupa de homem ou a de mulher”, sublinha que sempre tentou balancear a sua linha criativa com as chamadas “peças adaptadas”, ou seja, “criar a mesma peça adaptada a um corpo masculino ou

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a um corpo feminino”, algo que considera ser “a parte mais interessante” do seu trabalho. “É a mesma peça que está ali, só que tem uma adaptação às formas que vão estar dentro, que, no fundo, é aquilo que mais diferencia uma mulher de um homem. Portanto, acho mesmo que essa adaptação deve existir”, sublinha.

Assume uma estética baseada na reinterpretação dos clássicos e exploração de novos elementos formais numa busca pela perfeição visual. Todas as coleções são autorretratos, e a inspiração vem sempre de uma análise ao comportamento, interação e existência do ser humano. Trabalha materiais clássicos como a lã fria, popeline e riscas de giz em cores neutras ou não, contrastando com materiais técnicos como nylons impermeáveis e malhas de performance desportiva. REVISTAVIVA,JUNHO 2019


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A inspiração para as suas coleções pode acontecer a qualquer momento e em qualquer sítio, até porque o processo criativo de cada uma delas “varia muito”. “Não tenho uma fórmula matemática que me permita fazer coleções quando eu quero”, afirma, enquanto sorri, garantindo que a inspiração, por vezes, “vem do desenho” e outras surge através “dos tecidos”, porque esses, como, divertida, nos explica, “também pedem”. “Nós não podemos pegar num tecido qualquer e fazer a peça que nos apetecer”, salienta. A jovem, natural do Porto, sublinha, ainda, que se terminar uma coleção e, de imediato, começar o seu ritmo de trabalho normal, acaba por “desenhar coisas iguais” às anteriores, sentindo, por isso, a necessidade de fazer, pelo menos, uma semana de pausa

entre cada apresentação. Sobre os momentos que mais marcaram a sua carreira, Inês Torcato não consegue eleger apenas um, porque “todos os desfiles são especiais”. Mas, sublinha que aquele que, possivelmente, mais a marcou, “na altura porque também tinha muitos sonhos e era miúda”, tenha sido o convite da Vogue Itália para ir a Milão fazer uma feira e para estar no suplemento do Vogue Talents. “É sempre algo importante para uma pessoa que está a começar a carreira. Foi a minha primeira coleção no Bloom e fizeram-me esse convite. Portanto, foi especial, para alguém que caiu ali depois de um concurso, porque, até aí, nunca tinha feito uma coleção tão grande”, reforça. Já com algumas ações internacionais realizadas, como feiras e showrooms em

Paris e em Milão, e consciente da importância do reconhecimento da marca em solo nacional, revela que o principal objetivo da sua carreira é, sem dúvida, a internacionalização da marca Inês Torcato. “Gostava muito de começar a vender lá fora, até porque acho que é o melhor

A roupa, e calçado, de Inês Torcato encontram-se, neste momento, à venda no atelier que partilha com o seu pai, Júlio Torcato, no nº 118 da Rua Sacadura Cabral, na Wrong Weather e na Farfetch.


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mercado para nós [designers] neste momento”, explica. A criadora está segura de que lá fora há uma recetividade maior não só à moda portuguesa, mas à moda de autor em geral, algo que, possivelmente, ainda, falha no que respeita ao nosso país. “As pessoas acham sempre que tudo o que é feito por designers é uma coisa muito espalhafatosa, que não é. Pode ser, efetivamente, uma coisa muito alternativa, ou diferente, fora do habitual daquilo que vemos na rua, em desfile, mas, depois, se por acaso, nos dermos ao trabalho de desconstruir o coordenado que está a ser apresentado, vemos que é feito de peças que podem ser conjugadas com outras e facilmente usadas no dia a dia”, nota, acrescentando que o “preconceito” dos preços também é uma realidade. “Há a ideia de que nós temos preços muito altos, de que é tudo muito caro, o que muitas vezes também não é”. Um dos sonhos de Inês Torcato, revela, era ver alguém vestido com roupa sua a passear pela rua, algo que, curiosamente, já aconteceu, “embora não com uma pessoa completamente desconhecida”. O que, pelo contrário, já aconteceu com calçado e diz ser “muito engraçado” e “uma sensação boa”, porque “temos uma pessoa que não é conhecida, que está a passar na rua, à nossa frente, não faz a mínima ideia de quem nós somos, mas está a usar algo que nós criamos”. Mas, o grande sonho da jovem designer, admite, é, realmente, “vender no mundo inteiro” e “ter uma marca reconhecida mundialmente”.

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OS DIAS QUE ANTECEDEM GRANDES EVENTOS COMO O PORTUGAL FASHION “São um bocadinho um caos. Sempre!”, diz, sem hesitar, reforçando que as duas semanas antes são sempre “muito complicadas, de confusão, de trabalho, de tratar dos últimos pormenores”. Há peças que podem ser mudadas à última hora na coleção, ou até mesmo acrescentadas, porque, como explica, às vezes, “quando chega a altura de fazer um desfile há coisas de que já não gosta tanto”, tendo em conta que esteve, muito tempo, “com aquela coleção”. Aliado a essas indecisões, há, também, “a confusão de organizar tudo”, uma vez que é necessário “preparar a coordenação do desfile”, o que implica “tratar dos cabelos e da maquilhagem” e “decidir que modelo vai vestir o quê”, algo que confessa gostar muito, assim como os dias que antecedem grandes desfiles. Já quando chega a hora de apresentar a coleção ao público sente-se sempre muito nervosa, revela. “Primeiro porque não sei se a peça foi bem. Eu estou a arranjá-los [modelos] antes de eles entrarem para a passerelle, mas, depois, se eles se mexerem ou assim, pode ficar qualquer coisa mal, ou melhor, não ficar como eu quero”, realça, destacando que o nervosismo também surge, naturalmente, porque nunca sabe “quais vão ser as opiniões do público”.

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O primeiro automóvel a chegar a Portugal Panhard & Levassor. O nome poderá soar estranho a muitos, mas a verdade é que já fez muito furor em Portugal, uma vez que representa a marca do primeiro automóvel que circulou pelas estradas nacionais. Aconteceu em 1895 e as peripécias foram muitas. Volvidos mais de 120 anos, a VIVA! recorda este momento histórico e conta-lhe o que é feito do veículo. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Pedro Beltrão

Entrou em território português a 12 de outubro pelas mãos do conde Jorge d’Avilez, um jovem aristocrata de Santiago do Cacém, cidade pertencente ao distrito de Setúbal, que se destacava pela sua paixão por viajar. E, segundo conta a história, terá sido numa das suas viagens, a Paris, que deu de caras com aquele que seria

o futuro das deslocações – o automóvel –, encomendando um exemplar à Casa Panhard & Levassor de Paris, assim que existiu o primeiro contacto com o novo meio de transporte. Jorge de Avilez “entusiasmara-se, comprara-o e fora para Lisboa esperar a sua chegada, sabendo muito bem o sucesso que ambos iriam ter

ou provocar”, contou Maria da Conceição Vilhena, professora catedrática pela Faculdade de Letras dos Açores, num texto de homenagem ao Automóvel Clube de Portugal (ACP), por altura do centenário deste organismo, que hoje detém o veículo. Chegado a Portugal, os serviços alfandegários protagonizaram


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a primeira peripécia com o veículo, uma vez que ninguém sabia como classificar, ao certo, a mercadoria, surgindo a grande dúvida: “seria uma m á q u i n a ag r í co l a o u u m locomóvel [máquina movida a vapor]”? Acabou por se adotar esta última, entrando o Panhard & Levassor nos registos com a designação de locomóvel! S em car ta de condução ou código da estrada a respeitar, o conde seguiu viagem para Santiago do Cacém. Na passagem por Palmela, o mais moderno meio de transporte, para a altura, atropelou um burro e protagonizou, assim, o

O Panhard & Levassor desembarcou em Lisboa e depois, a uma velocidade máxima de 15 quilómetros por hora, realizou uma viagem histórica para Santiago do Cacém, que ficou marcada pelo primeiro acidente de viação em Portugal. REVISTAVIVA JUNHO 2019


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primeiro acidente de viação no país. O Panhard & Levassor de Jorge d’Avilez era equipado com um motor dianteiro longitudinal de dois cilindros em V com 1290cc e tração traseira. Por sua vez, a direção era comandada por cana de leme e as rodas, de maior dimensão atrás, eram feitas em aros de ferro. Com lotação para quatro pessoas, a capota era em couro e podia ser rebaixada em fole. Já a velocidade, essa era espantosa, 15 quilómetros por hora, o que permitiu percorrer a distância entre Lisboa e Santiago do Cacém em muito menos tempo do que era habitual. Muitas mais aventuras Jorge d’Avilez poderia ter vivido com este veículo se, em 1901, não o tivesse vendido a Mariano Sodré de Medeiros por 700.000 réis, com o intuito de trocar por um mais moderno, um desejo que, curiosamente, acabaria por não se concretizar, devido à morte precoce do conde, por tuberculose. Mais tarde, o novo dono do Panhard & Levassor, não estando satisfeito com o

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veículo, segundo avança o ACP na sua página oficial, decide, também, trocá-lo por um “Decauville”. A sua transação procede-se no Porto, mais concretamente no estabelecimento de João Garrido que, na troca, recebeu o automóvel e, durante muitos anos, o guardou numa garagem da Avenida de Rodrigues de Freitas. Em 1949, os seus herdeiros decidiram oferecer a viatura ao Automóvel Clube de Portugal com a condição de que esta não sairia da cidade do Porto. Aqui se manteve até, pelo menos, há cinco anos, altura em que esteve exposto no Museu dos Transportes e Comunicações, no edifício da Alfândega, numa mostra intitulada “O Automóvel no Espaço e no Tempo”. A VIVA! sabe que, neste momento, o Panhard & Levassor se encontra no Museu dos Coches, em Lisboa, onde foi restaurado, o que só poderia ser feito naquele espaço, e, por cortesia do atual proprietário, o Automóvel Clube de Portugal Clássicos, lá permanecerá até ao início do próximo ano, regressando, depois, ao Porto. REVISTAVIVA JUNHO 2019


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Já cheira a

Santos Populares Junho é o mês dos Santos Populares. Em homenagem a Santo António, São João e São Pedro, as ruas enchem-se de balões, as sardinhas apoderam-se dos assadores e o cheiro a manjerico paira por todo o lado. Há romarias de Norte a Sul do país e é tempo de recebê-las de braços abertos. Já tem as pernas prontas para dançar? Então, venha daí e celebre connosco aquelas que são as melhores festas do Grande Porto por esta ocasião. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Arquivo e CM Matosinhos


SA N TOS P OP U LA R E S

O SENHOR DE MATOSINHOS É o momento alto entre as romarias do concelho e do Norte do país e prolonga-se, todos os anos, por cerca de três semanas de festividades, cruzando a dimensão religiosa com a cultura popular, a animação e as artes contemporâneas. As Festas do Senhor de Matosinhos alegram a cidade desde 24 de maio, mas, se ainda não teve oportunidade de passar por lá, saiba que o pode fazer até ao dia 16 de junho. Os concertos de Blaya e dos GNR com a Banda de Música MatosinhosLeça nos Jardins da Biblioteca Municipal Florbela Espanca, respetivamente, nos dias 9 e 10 deste mês, são um dos

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pontos altos do evento que, este ano, tem como novidade a realização de um Congresso Internacional sobre o Bom Jesus de Matosinhos. Mas, ainda antes, a 8 de junho, acontece aquela que é a atração mais esperada de todas as edições, o fogo de artifício, lançado à meia-noite e que, com toda a certeza, como, aliás, já é habitual, vai atrair milhares de pessoas à cidade. O fogo de bonecos, presença obrigatória no cartaz, está agendado para as 19h00 do dia 11, data em que é feriado municipal. Nesta romaria, não faltarão, também, as sardinhas assadas e as farturas, as iluminações decorativas e os carrósseis.

(O NOSSO) QUERIDO SÃO JOÃO Acaba um e só se deseja que venha o próximo. A noite de 23 para 24 de junho é sagrada na cidade do Porto e, cada vez mais, conquista a curiosidade de todos aqueles que nunca experienciaram uma verdadeira noite de São João. É que, apesar de este ser um dos santos populares mais celebrados por toda a Europa, nenhuma cidade o festeja como a Invicta. Dos mais novos aos mais velhos, todos saem à rua e divertemse como manda a tradição. Os martelos e os alhos-porros, usados para passar na cara dos populares, são um dos símbolos desta festa, numa noite onde os saltos sobre as

fogueiras e os manjericos, claro, com as suas famosas quadras, também são protagonistas. Os balões de ar quente, que iluminam o céu na noite de São João, são outras das atrações deste certame, que tem como ponto alto o tradicional fogo de artifício, lançado à meia-noite, junto ao rio Douro, nas margens do Porto e de Vila Nova de Gaia. São quase 20 minutos de espetáculo que fazem as delícias de quem o aprecia e têm grande projeção, portuguesa e estrangeira. Destaque, ainda, no dia 24, para a Regata dos Barcos Rabelos, uma das tradições mais antigas dos festejos de São João e que junta barcos rabelos, das principais casas de vinho do Porto, nas águas do rio Douro para uma disputa amigável pelo melhor lugar no pódio.


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SÃO PEDRO Uma semana após o São João, celebra-se o santo popular mais querido dos pescadores: o São Pedro, e a verdade é que não há nenhum mais famoso do que o da margem esquerda do rio Douro, o São Pedro da Afurada. À freguesia piscatória de Vila Nova de Gaia acorrem, todos os anos, milhares de pessoas para celebrar a festa, que acontece há mais de um século, e onde, além do peixe, a simpatia das pessoas é rainha. As comemorações têm como ponto alto a procissão, em que os pescadores carregam o andor do santo homenageado. Mas, este não é o único que sai à rua! Saem, também, andores com imagens de outros santos, que são transportados por populares em ombros e, às vezes, até, descalços, dependendo das promessas que sejam feitas a São Pedro. À passagem pelos barcos, e ao som de sirenes e morteiros, procede-se à bênção dos mesmos e, depois, é habitual lançarem-se as flores do andor do santo padroeiro às águas do rio para homenagear os náufragos da freguesia. A Afurada é, por estes dias, ainda mais colorida do que o habitual, com diversões de rua para toda a gente e, claro, um palco destinado às atuações dos artistas populares.


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O país que durante 800 anos existiu entre Portugal e Espanha Habituamo-nos, desde pequenos, a ouvir falar sobre a riquíssima história de Portugal. Mas, e se lhe disser que a história ignora, há décadas, uma parte importante do passado ibérico? Parece surreal, mas é verdade. Referimo-nos a Couto Misto, o micro-estado independente que poucos conhecem, mas que, durante séculos, existiu entre Portugal e Espanha. Escrevemos Couto Misto, mas também poderíamos ter escrito Couto Mixto, em galego. A verdade é que estas diferenças de escrita e pronúncia também não interessam, porque os habitantes daquele território, que tanto eram portugueses como espanhóis, uma vez que podiam escolher a nacionalidade que quisessem, embora, a maior parte das vezes preferissem ser “mistos”, viviam em plena harmonia, celebrando a história quer de um país quer do outro. Com aproximadamente 27 km de extensão, a origem deste território ainda é muito nebulosa

e, regra geral, um assunto que origina grande controvérsia. Não se sabe, ao certo, quando tudo começou, embora muitos historiadores façam coincidir a origem do Couto Misto com o nascimento de Portugal, no século XII. Em relação à sua constituição, há quem defenda que derive de um foral de D. Sancho I, outros dizem que seria um refúgio onde os criminosos iam para redimir as suas penas e há, ainda, quem evoque a história de uma princesa, grávida, que ficou presa num nevão enquanto atravessava a serra. Reza essa lenda, de acordo com a National

Geographic, que os habitantes do Couto lhe salvaram a vida enquanto dava à luz, pelo que, a princesa, agradecida, lhes concedeu a independência e com ela, todos os privilégios de que deveriam beneficiar. Entre os direitos e privilégios deste pequeno território estava a isenção de impostos, uma vez que não lhes era exigida qualquer obrigação para o pagamento de taxas a qualquer um dos países fronteiriços, o asilo para os foragidos da justiça portuguesa ou espanhola, o de não darem soldados nem para “um lado nem para o ou-


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tro” assim como a liberdade de transportarem as suas próprias mercadorias sem serem intercetados. Havia, no Couto Misto, uma estrada, conhecida como o Caminho do Privilégio, que o atravessava e ligava as suas três localidades - Rubiás, Meaus e Santiago de Rubiás [que era considerada a capital do território] - a Tourém. “Nesta estrada, onde qualquer um podia passar, as autoridades não podiam prender ou perseguir ninguém, ainda que se transportasse contrabando, especialmente tabaco”, destaca aquela publicação. Mas, a possibilidade de escolha REVISTAVIVA, JUNHO 2019


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da própria nacionalidade terá sido, sem dúvida, o privilégio mais significativo e distintivo dos habitantes deste micro-estado independente. O momento em que, tradicionalmente, decidiam a nação a que queriam pertencer era no dia das bodas. Os habitantes que optavam por escolher Portugal colocavam a letra “P” à porta de casa e os que elegiam a Espanha colocavam a letra “E” e bebiam à saúde de um dos reis. Contudo, tanto estas como outras particularidades do território não eram vistas com agrado pelas duas coroas, razão pela qual, mais tarde, se começaram a questionar sobre os privilégios do Couto Misto. É que, na verdade, os habitantes não eram sequer obrigados a utilizar documentos de iden-

tidade pessoais, não estando, por isso, sujeitos aos efeitos jurídicos de nenhuma das nacionalidades. Então, em 1864, já lá vão mais de 150 anos, a assinatura do Tratado de Lisboa, pôs fim à terceira república da península ibérica e, de certo modo, apagou-a da história. O estado

português e o estado espanhol acordaram uma divisão fronteiriça específica, apoiada em mapas, ainda hoje em vigor entre os dois países. Rubiás, Meaus e Santiago de Rubiás ficaram a pertencer a Espanha e para Portugal ficaram os povos promíscuos de Soutelinho, Lamadarcos e Cambedo.


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A situação política no Couto Misto era semelhante à de uma república. Os chefes de família elegiam, através do voto, um governo, eleito no início do ano e a cada três anos, que era composto por um juiz que, por sua vez, escolhia dois outros representantes por cada uma das povoações. Eram conhecidos como os ‘homes de acordos’.

E hoje, o que é feito de Couto Misto? Segundo contam os historiadores, em 1990 ter-se-ão iniciado esforços para proteger e conservar a identidade deste pequeno estado histórico, que, oficialmente, já não existe com essa designação. Foram criadas algumas associações, de forma a que não se deixasse apagar o nome deste microestado, e recuperaram-se tradições, como a eleição do Juiz Honorário e de os ‘homes de acordos’. Quem pretender descobrir mais sobre este pedaço da história portuguesa, que se encontra na província de Ourense,

dividido entre as vilas de Baltar e Calvos de Randín, e faz fronteira com as freguesias de Padroso, Donões e Mourilhe, em Montalegre, pode fazê-lo através dos trilhos disponíveis. Pelo passeio irá, certamente, encontrar a estátua do último juiz de Couto Misto, Delfín Modesto Brandán, um monumento de referência para todos os visitantes. Com sorte encontrará, também, o tal Caminho Privilegiado, mas, tenha cuidado, porque não lhe garantimos que beneficie dos mesmos privilégios que os antigos habitantes.

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Universidade Júnior Uma aventura de verão com estímulo para o futuro Desde 2005 que, todos os anos, no Verão, a Universidade do Porto abre as portas das 14 faculdades e mais de 49 centros de investigação para aquele que é o maior programa nacional de iniciação ao ambiente universitário. Falamos, claro, da Universidade Júnior, a iniciativa que é um sucesso desde a sua primeira edição e que, até agora, já recebeu mais de 65 mil alunos. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Universidade do Porto

Durante todo o mês de julho e na primeira semana de setembro, milhares de alunos do 5.º ao 11.º ano de escolaridade rumam àquela que é considerada uma das maiores universidades do país para uma experiência que ficará, para sempre, gravada nas suas memórias. Ao todo, serão cerca de sete mil os sortudos que, na 15.º edição do evento, vão ter a oportunidade de experimentar as várias áreas

que a academia portuense oferece, aprimorar as suas preferências para o futuro profissional e, até, quem sabe, descobrir novas paixões. Com projetos específicos para cada faixa etária, a Universidade Júnior dedica aos mais novos, do 5º e 6º anos, o programa “Experimenta no Verão”, composto por seis planos com cinco atividades de diferentes áreas. “Alerta! Sombras à solta…”, “Médico dentista por um dia”, “Mistérios e outras cenas fixes das plantas”, “Construir o Reino de Portugal”, “6 dedos, 3 orelhas e 2 línguas”, “Uma aventura no laboratório de Química”, “O teu mundo ao microscópio” e “Como funciona o corpo humano?” são apenas alguns dos muitos desafios à espera dos estudantes. Mas, desengane-se se pensa que as experiências se ficam apenas pelas atividades dos mais novos. O convite alarga-se às divertidas "Oficinas de Verão", onde os alunos do 7º e 8º anos podem escolher entre descobrir “o que se esconde no rio”, “brincar com a cidade”, ir a jogo com o Dragão, programar o seu “videojogo de 8bits” ou até privar com “bactérias, laboratórios, antibióticos e cenas assim”. Destinadas ao público destes dois anos de escolaridade estão, também, as “Oficinas Temáticas”, que se debruçam


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sobre uma determinada área de conhecimento. Para os “veteranos” da Universidade Júnior, que engloba os estudantes do 9º ao 11º ano, a proposta passa pelo “Verão em Projeto”, que inclui um conjunto de iniciativas que incidem sobre áreas disciplinas específicas. Para os futuros universitários que já estão a pensar nos cursos superiores em que poderão ingressar, esta é uma oportunidade de ouro de conhecerem melhor as suas áreas científicas de eleição. ATIVIDADES SEM FIM Mas, estas são apenas algumas das muitas ações de aproximação da Universidade do Porto à sua comunidade e que visam, sobretudo, promover o conhecimento e a cultura científica entre os mais jovens. À disposição de todos aqueles que se inscreverem na Universidade Júnior está, também, a mágica “Escola de Línguas”, um programa que permite uma viagem até aos quatro cantos do mundo. Alemão, Espanhol, Francês, Inglês, Latim, Grego e Japonês são algumas das línguas que podem ecoar nas várias salas de aula, de 1 a 26 de julho. Para aqueles que têm mais de 14 anos e gostariam

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de se aventurar numa experiência marítima, aconselhamos a não perderem o programa “Escola do Mar”, uma parceria entre a Universidade, a Escola Naval e a Marinha Portuguesa, que será ministrada a bordo de navios da República Portuguesa e no qual os jovens poderão tomar contacto com o mar e experimentar a vida a bordo, enquanto adquirem conteúdos pedagógicos-científicos. Além disso, integrarão a guarnição do navio e participarão em todas as dinâmicas de bordo, nas fainas do navio e em palestras e instruções de carácter teórico e prático. Tudo isto, claro, em pleno espírito de equipa, onde prevalecerá, sempre, a segurança coletiva e individual. Do programa da Universidade Júnior fazem, ainda, parte as “Escolas de Introdução à Investigação”, compostas pela Escola de Química e Bioquímica, Escola de Verão de Física, Escola de Verão de Matemática, Escola de Ciências da Vida e da Saúde e pela escola À Descoberta das Engenharias. Estas Escolas só são acessíveis mediante candidatura – abertas até 1 de julho, com a exceção de Química e Bioquímica, cujas candidaturas terminaram em maio –, sendo a seleção dos participantes realizada de acordo com os seus (bons) resultados escolares. REVISTAVIVA, JUNHO 2019


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INSCRIÇÕES QUASE LOTADAS As inscrições para a edição de 2019 da Universidade Júnior abriram no início de maio e a VIVA! sabe que já restam muito poucas vagas por preencher. Contudo, saiba que ainda pode tentar a sua sorte em www.universidadejunior.up.pt até ao dia 10 de junho, data em que terminam, oficialmente, as candidaturas. Uma semana de atividades tem o custo de 80 euros, valor que já cobre os gastos com material pedagógico, transporte (no caso de saídas de campo ou visitas de estudo), seguro escolar, almoço e lanche. A iniciativa assegura, também, um programa de alojamento em colaboração com o Regimento de Transmissões, que coloca as suas instalações ao dispor dos participantes que residem a uma maior distância da cidade do Porto. A abrangência nacional da Universidade Júnior é ainda potenciada pelos acordos de cooperação que a U. Porto firmou com câmaras municipais de quase todos os distritos do país que apoiam a participação dos seus jovens munícipes através do pagamento da inscrição ou a disponibilização de meios de transporte para o Porto. A optar pelo alojamento, que inclui todas as refeições e as atividades pós-Universidade Júnior, o preço é de 105 euros por semana, valor ao qual acresce o custo da inscrição.

Durante todo o mês de julho e na primeira semana de setembro, cerca de sete mil jovens terão a companhia de professores, alunos e investigadores da Universidade do Porto numa viagem de conhecimento e experimentação pelo que de melhor se faz na academia portuense. REVISTAVIVA, JUNHO 2019


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Onde todo o passado se

modernizou A Rua das Flores é, claramente, uma das artérias mais emblemáticas e movimentadas da cidade do Porto. Antes da reabilitação, que começou há quase uma década e a tornou na zona pedonal que, agora, conhecemos, dizia-se que de um lado eram "só ourives, do outro mercadores". E hoje, será que o verso ainda espelha a realidade desta rua, cada vez com mais notoriedade? É isso que vamos descobrir! Texto: Maria Inês Valente Fotos: Inez Cortez


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É impossível, atualmente, caminhar pela Rua das Flores de forma apressada, uma vez que, sabemos, não faltam motivos para uma observação cada vez mais cuidada. Localizada no centro do Porto, a artéria, marcada pela arquitetura dos edifícios com as suas varandas típicas, pelos azulejos e pelas casas com flores, aberta em 1518 por iniciativa do rei D. Manuel I e outrora designada Rua de Santa Catarina das Flores, é, hoje, o reflexo do Porto renovado. Com uma ligação profunda à história desta mui nobre cidade foi, durante muitos anos, e como salienta o jornalista e historiador Germano Silva, em diversos artigos, conhecida

como a rua dos ourives, razão que justifica a letra da canção, muito popular entre os portuenses, nos começos do século XX: “Adeus cidade do Porto; / Adeus Rua das Flores. / De um lado são só ourives; / Do outro só mercadores”, porque, efetivamente, os ourives ficavam todos de um lado e os mercadores do outro. Mas quem, hoje, conhece esta prestigiada artéria, rapidamente se apercebe que, de facto, tudo mudou na Rua das Flores, e que estes versos não fazem, de todo, jus à realidade. E não, não é apenas pelo facto de as montras dos ourives, há já largos anos, estarem espalhadas por toda a cidade, não sendo

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A ORIGEM DO NOME O nome da rua provém das viçosas hortas, recheadas de flores, que existiam nos terrenos por onde a rua foi aberta: as hortas do bispo. À época era bispo do Porto D. Pedro Álvares da Costa, cuja tamanha devoção por Santa Catarina do Monte Sinai explica o seu nome inicial, Rua de Santa Catarina das Flores. REVISTAVIVA JUNHO 2019


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OS INVESTIMENTOS QUE SE DESTACAM EM 2019 Depois de adquirir o Hotel Teatro no Porto, no final de dezembro, o grupo Porto Bay prepara-se para inaugurar mais um hotel na Invicta. O hotel de cinco estrelas Porto Bay Flores vai abrir em julho, resultando da conversão do Palácio dos Ferrazes, um palacete do séc. XVI na Rua das Flores, ao lado do Museu da Misericórdia do Porto e no centro histórico da cidade. O mesmo fará o maior grupo hoteleiro do país, o Pestana, que, ainda este ano, vai ter um novo hotel nesta rua, com 87 quartos. Recentemente, também a ViniPortugal protagonizou uma aposta notória nesta emblemática via da cidade do Porto, ao deslocar para a mesma a sua sala de provas, antes localizada no Palácio da Bolsa.

necessário deslocar-se até a esta rua para as contemplar, é, principalmente, pela reabilitação de que, há quase uma década, tem sido alvo. Em 2014, recorde-se, a via, que, desde os seus primórdios, foi destinada à passagem de veículos, tornou-se única e exclusivamente pedonal, o que, desde logo, espoletou o interesse da população, e principalmente, dos comerciantes, independentemente da sua área de negócio. Com esta intervenção, que teve como principal objetivo transformar as Flores numa rua dinâmica, ao invés de um mero local de passagem, começaram a surgir negócios dos mais variados setores: lojas de roupa, de produtos regionais, de souvenirs, armazéns têxteis, restaurantes, cafés, alfarrabistas, imobiliárias, cadeias hoteleiras, entre muitos outros, sendo, precisamente, deste misto, que a rua vive hoje em dia. Mas, o Museu da Misericórdia do Porto (MMIPO), aberto desde 2015, assim como a Igreja inaugurada pela instituição no início do século XVI, e que revisita a história de uma


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entidade que, nos últimos 500 anos, se confunde com a própria cidade, são, indiscutivelmente, a principal atração cultural da Rua das Flores. O Museu é, de tal forma, imponente, que, passado um ano da sua abertura, foi distinguido com o Prémio Museu Português pela Associação Portuguesa de Museologia. Este ano recebeu, já, a nomeação para Museu Europeu do Ano 2019, European Museum of the Year Award, na sigla original, cujo objetivo é destacar o museu mais atrativo e que tenha os maiores níveis de satisfação por parte dos visitantes. Até ao fecho de edição da VIVA!, os premiados não eram ainda conhecidos. A par de todas estas valências, é importante, ainda, salientar que esta rua começou a ser, também, palco alternativo à Rua de Santa Catarina para muitos artistas nacionais e internacionais que, diariamente, fazem uso desta artéria para mostrarem os seus talentos. Ponto de passagem obrigatório para quem se desloca REVISTAVIVA JUNHO 2019


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entre São Bento e a Ribeira do Porto, a Rua das Flores distingue- se, também, pelos trabalhos artísticos, presentes em diversas caixas de distribuição de energia, que, em vez de possuírem a habitual cor cinzenta, estão pintadas de cores vibrantes e que, imediatamente, chamam a atenção de todos os que as avistam. Assim como algumas das e x p re s s õ e s t í p i c a s d a cidade, como “Este é fino como o alho”, “Oh mor, isto não é para alapar” e “Oh morcom bai-me à loja”, presentes junto aos

edifícios. Recorde-se que a originalidade dos desenhos e pinturas diversificados fazem parte da convocatória de Street Art Porto, uma intervenção artística em graffiti, por iniciativa da Câmara Municipal do Porto, através da PortoLazer. Após este breve passeio p e l a Ru a d a s F l o r e s acreditamos que é mesmo caso para dizer “quem a viu e quem a vê!”. Mas, o mais importante é que, além de ter ganho uma nova vida, continua a ser local privilegiado de encontro de diversas gerações.

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LARANJA PONTES DESTACA A IMPORTÂNCIA DA HUMANIZAÇÃO NO IPO-PORTO

Assumiu a presidência do Conselho de Administração do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto há 13 anos, mas há três décadas que está ligado a esta instituição de saúde de ponta em Portugal. Em entrevista à VIVA!, José Maria Laranja Pontes falou da realidade vivida no IPO-Porto e na forma como conduz a sua equipa para lidar com gente que, diariamente, está a sofrer. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Inez Cortez


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Licenciado em Medicina pela Universidade do Porto e especialista em Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética, Laranja Pontes chegou ao IPO-Porto em 1989 e já nessa altura, achou o hospital “diferente de todos os outros”. Durante mais de 15 anos trabalhou como cirurgião plástico e, em 2006, decidiu enveredar pela gestão, liderando, desde então, uma equipa capaz de encarar novos desafios diariamente. Vê-se como “um agente de mudança” no que respeita à sua posição no Instituto e garante que, antes de tudo, o importante é ter um conjunto de pessoas com quem trabalhar, uma vez que “projetos sozinhos não dão grande resultado”, descrevendo-os como “viagens solitárias”. E isso, podemos garantir, é aquilo que Laranja Pontes não tem feito, quando, sorridente, nos falou da importância da humanização, em particular no IPO. Que objetivos delineou quando assumiu a presidência do Instituto? Centrar os cuidados nos doentes, aumentar a qualidade e a visibilidade da instituição e incorporar a investigação. E durante estes anos é isso que temos perseguido, porque achamos que esses três vetores são muito importantes. O IPO-Porto é um Centro de Oncologia de Excelência, ao nível europeu. A acreditação foi obtida, pela primeira vez, em 2011, e renovada recentemente. Qual é a importância deste reconhecimento? A qualidade das certificações tem muito a ver com o facto de abrirmos as portas para que outros avaliem a nossa atividade e façam, segundo critérios que nos são externos, uma avaliação e dêem uma acreditação. E isso é uma prática que o IPO tem feito durante

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muitos anos! Desde 2003 que estamos em programas de qualidade e isso tem dado os seus frutos. Porquê? Porque as entidades externas certificam que realmente as nossas práticas existem. Eles pedem-nos resultados, pedemnos os comprovativos daquilo que fazemos e é isso que traz visibilidade, credibilidade e aumento do valor da instituição em Portugal. A par disso, o IPO-Porto é, também, um sítio de grande sofrimento, para onde as pessoas vão, muitas vezes, já em fase terminal. Pode falar-nos um pouco desta realidade? A única coisa que nós temos garantido quando nascemos é que vamos morrer. Há fases da nossa vida em que precisamos de ter o apoio de cuidados de saúde e aquilo que temos feito, até agora, é criar uma cadeia de solidariedade em que, nessas fases difíceis, em que as pessoas precisam de ajuda no sofrimento, estejamos organizados socialmente para dar uma resposta. Nós temos um hospital que tem praticamente 10 mil novos doentes por ano e todos eles, ao entrarem na porta do IPO, têm sempre esperança de que o melhor vai acontecer. Para muitos já acontece o melhor, que é sobreviver e serem tratados. Há outros em que, infelizmente, isso não acontece e a nossa obrigação é ajudar. Prolongar a vida na quantidade que for possível, mas sempre com preocupações de manter uma qualidade de vida satisfatória. Além dos tratamentos de saúde tem que haver, também, uma grande preocupação do ponto de vista humano, porque o IPO acaba por ser uma espécie de “porto de abrigo” para quem vos procura… Um a d a s c a r a c te r í s t i c a s d o s profissionais que cá trabalham é o REVISTAVIVA, JUNHO 2019


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facto de se empenharem muito nas questões de humanização. Temos um conjunto muito grande de voluntários que ajudam, também, nessa vertente. Da parte científica e organizacional nós tratamos e isso é possível fazer segundo as normas de orientação clínica e a atualização dos equipamentos. A questão da humanização é realmente uma vertente que depende muito das pessoas. É preciso criar uma certa empatia e um certo relacionamento que, de alguma maneira, ajudem, também, no processo de cura. De que forma prepara a sua equipa para lidar com gente que está a sofrer? Como acontece em qualquer unidade de saúde, mas, aqui, naturalmente, a sentença é, ou pode ser, maior… Isso é um ambiente interno que se cria, é uma cultura, por exemplo, de consideração pelas pessoas, da privacidade, do ouvir, do ajudar, do perceber que as pessoas estão em sofrimento e que precisam de ajuda. Também temos alguns programas de formação para os profissionais saberem como lidar com certas situações, como o sofrimento e o luto. Outra coisa à qual damos muita importância é ao facto de os doentes e os

seus familiares sentirem que existe esperança, que existe possibilidade de cura, que uma atitude positiva é importante e isso tem que ser incentivado. Vocês passam pelos corredores e têm mensagens de esperança. É uma cultura que se vai fazendo, que demora o seu tempo, que não é prescrita. Devem existir casos em que sabem, de antemão, que estão perante uma doença incurável e que não imaginam quanto tempo vai durar. Em que, basicamente, aquilo que fazem é apenas na tentativa de melhorar a qualidade de vida do doente e não propriamente em trabalhar a cura. Como é que se diz isso a um doente? Uma das chaves do sucesso dessa tal humanização é precisamente o facto de os profissionais, principalmente, saberem como é que hão-de lidar com as expectativas dos doentes. Há uma fórmula mais ou menos matemática que é: a satisfação é igual às expectativas menos a realidade. E uma das coisas é perceber até onde as expectativas das pessoas vão e aquilo que elas querem saber, o que é que elas esperam que aconteça, e a satisfação é precisamente conseguir adaptar à realidade essas expectativas. Uma delas é, por exemplo, às vezes,


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baixar as expectativas das pessoas. Quando nós sabemos que um doente tem uma doença muito avançada temos que gerir a situação clínica mais no sentido de controlo dos sintomas. Se um doente tem uma doença que potencialmente é curável temos que orientar para um plano de tratamento muito mais agressivo, muitas vezes com efeitos secundários, e mais duradouro, mas que pode ter uma expectativa muito maior sob o ponto de vista de sucesso. Mas, tanto para uma como para outra, é preciso formação profissional no sentido de avaliar as expectativas dos doentes e das famílias. Estima-se que o cancro continue a aumentar e que em 2050 metade dos portugueses venha a sofrer da doença. É verdade? Sim, mas provavelmente a esperança de vida à nascença em 2050 vai ser maior ainda do que está agora. Nós vamos envelhecer mais e vamos ter mais cancros. Mas, a maior parte deles vai ser curável, porque vão ser detetados numa fase inicial. As pessoas vão entrar no diagnóstico precoce, cada vez se vai descobrir mais cedo, e, a maior parte do cancro, numa fase inicial é perfeitamente controlável.

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O medo ainda pode ser uma barreira a esse diagnóstico? Não. Uma das melhorias substanciais daquilo que aconteceu até agora tem a ver com o acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde. Antigamente a quantidade de doentes com doença avançada era muito maior do que é hoje. Por isso, os institutos de cancro eram locais de sofrimento e de dor porque, normalmente, as pessoas estavam em situações terminais. Hoje não é assim. Há muito cancro da mama que já se cura em 80%. Os cancros pediátricos já se curam em 80%. O cancro do testículo cura-se em 90%. O cancro da próstata também anda lá perto. Muita coisa melhorou significativamente porque os cidadãos, quando sentem que estão doentes, entram na cadeia de cuidados e são diagnosticados. E isso faz a diferença em como são tratados e no resultado final. E hoje em dia já temos meios mais avançados, principalmente aqui no IPO-Porto, para diagnosticar e depois tratar esse tipo de doenças… Os diagnósticos são mais feitos fora. Nós aqui temos os meios principais para tratar. Temos toda a alta tecnologia, seja radioterapia, seja mesmo em cirurgia, medicamentos, temos todas as partes técnicas do assunto.

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A mulher e o direito ao voto

A 19 de setembro de 1893, já lá vão quase 126 anos, o primeiroministro da Nova Zelândia assinava a lei que permitia às mulheres, pela primeira vez na história, exercerem o direito ao voto. Em Portugal, contudo, essa possibilidade só chegou em 1931, embora, 20 anos antes, Carolina Beatriz Ângelo, médica, republicana e sufragista, tivesse votado, devido a uma lacuna encontrada na legislação. Um dia depois de este direito ter sido concedido à população feminina, na Nova Zelândia, o jornal The Press salientava acreditar “que uma grande maioria das mulheres” não iria querer deslocar-se às mesas de voto nos dias das eleições, preferindo “ficar em casa a cuidar das suas tarefas domésticas”. Felizmente, as previsões apontadas, há mais de um século, naquele editorial estavam totalmente erradas e, nesse dia, 109.461 mulheres [o que correspondia a cerca de 84% da população feminina na altura] registou-se para votar, tendo 90.290

realizado a votação no dia 28 de novembro do mesmo ano. Numa altura em que a luta pela igualdade de género continua a estar na ordem do dia, e ainda é uma realidade em construção, a VIVA! considera que esta batalha pelo direito da mulher ao voto não pode, de todo, ficar esquecida. Saiba que o primeiro país europeu a reconhecer o sufrágio feminino foi a Finlândia, em 1906. Mais tarde, outros países tornaram possível o voto das mulheres, algo que aconteceu, principalmente, após a Primeira Guerra


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Mundial. No Reino Unido e na Alemanha, as mulheres podem votar desde 1918, nos Estados Unidos da América esse direito foi concedido em 1920, na Índia em 1947 e na Suíça em 1971. Na Arábia Saudita, por exemplo, as mulheres só conquistaram o direito ao voto há oito anos, em 2011.

O CASO PORTUGUÊS O direito ao voto, em Portugal, chegou com 38 anos de atraso, em comparação com o primeiro país a autorizar este ato. Foi apenas em 1931 que as mulheres portuguesas viram conquistado o seu direito ao voto, na altura, com algumas restrições. Só as mulheres que tivessem frequentado o ensino secundário ou um curso universitário podiam exercer esse direito assim como as chamadas “chefes de família”, termo que se referia “às mulheres portuguesas, viúvas, divorciadas ou judicialmente separadas de pessoas e bens com família própria” e às casadas cujos maridos estivessem “ausentes nas colónias ou no estrangeiro”. No entanto, a verdade é que quando esta lei foi aprovada e implementada, já uma mulher tinha votado em Portugal, nas eleições realizadas para a Assembleia Nacional Constituinte, no dia 28 de maio de 1911. À data, o código REVISTAVIVA, JUNHO 2019


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eleitoral determinava o direito de voto a “todos os portugueses maiores de vinte e um anos, residentes em território nacional” compreendidos em duas categorias: “os que souberem ler e escrever” ou “os que forem chefes de família”. Com formação superior e dotada da designação de chefe de família, uma vez que era viúva, Carolina Beatriz Ângelo reunia todas as condições exigidas para votar, tendo em conta que a lei não especificava que apenas os cidadãos do sexo masculino tinham direito a fazê-lo. “Uma leitura ousada da lei”, para a altura, assim descrevem os meios de comunicação portugueses, que os homens republicanos não foram capazes de prever. De convicções feministas e sufragistas, após a rejeição pela Comissão de Recenseamento e pelo Ministério do Interior do seu requerimento para ser incluída nos cadernos eleitorais, deu início a uma saga judicial para

concretizar o voto. E conseguiu, obtendo sentença favorável do juiz João Baptista de Castro! No ato eleitoral de 1913, já nenhuma mulher conseguiu seguir o exemplo de Carolina Beatriz Ângelo, uma vez que tinha sido aprovada uma legislação que especificava que apenas os homens o podiam fazer. Dois anos depois de a lei que, oficialmente, deu o direito ao voto feminino em Portugal, ter sido aprovada, voltou a sofrer alterações, mas, desta vez, para abranger um maior número de mulheres. Foi, assim, concedido o ato eleitoral às mulheres com mais de 21 anos, solteiras com rendimento próprio ou que trabalhassem assim como às chefes de família e às casadas com di-


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ploma secundário ou que pagassem determinada contribuição predial. No entanto, a verdade é que só em 1974, após o 25 de Abril, se consagrou o sufrágio universal e foram abolidas as restrições ao direito de voto baseadas no sexo dos cidadãos. Por sua vez, a lei eleitoral, exatamente como a conhecemos hoje, só foi aprovada quatro anos mais tarde, em 1979.

A MULHER QUE NINGUÉM ESQUECE O nome de Carolina Beatriz Ângelo ficou escrito não só na história portuguesa, mas de todo o mundo, uma vez que foi pioneira na conquista do voto para as mulheres em Portugal e em toda a Europa

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Central e do Sul. Médica, pacifista, republicana e sufragista, nasceu, em 1878, na Guarda, licenciou-se em Medicina aos 24 anos e foi a primeira médica a operar no Hospital de São José. Numa época dominada pelo poder masculino, Beatriz Ângelo foi uma das grandes protagonistas do feminismo português no início do século XX. Faleceu prematuramente aos 33 anos, quatro meses depois de ter enfrentado um parlamento e um governo pós-revolucionário que queriam que o direito ao voto permanecesse exclusivamente masculino. REVISTAVIVA, JUNHO 2019


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Projeto Monte Pedral

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400 CASAS DE RENDA ACESSÍVEL Fotos: Inez Cortez, Carolina Leipnitz e CMPorto

A Câmara do Porto anunciou, no início deste ano, que vai avançar com dois projetos de habitação de renda acessível na cidade, e a promessa está cada vez mais perto de se tornar realidade. Os empreendimentos feitos no Quartel do Monte Pedral, na zona do Marquês, e no Monte da Bela, em Campanhã, únicos no país, vão ter capacidade para receber 1700 novos habitantes e ainda 100 estudantes e prevê-se que estejam concluídos já em 2022.


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“É a maior operação de arrendamento acessível no país”, afirmou Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, aquando da apresentação de um projeto, que, em muito, envaidece os portuenses, explicando que um dos conjuntos habitacionais, cujo "projeto, construção e exploração" se pretende concessionar a privados, será instalado no antigo Quartel do Monte Pedral, cedido, desde 1904 ao Governo, e recentemente devolvido à autarquia. Neste espaço, o investimento global é de 52 milhões de euros, sendo que a grande fatia será do privado que vencer o concurso.

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Onde, hoje, está o Quartel do Monte Pedral, entre as ruas da Constituição, Serpa Pinto e Egas Moniz, vão nascer 370 habitações: 250 com rendas condicionadas (68%) e 120 com renda livre (32%). Nesta proporção, a habitação a renda acessível será de dois terços (30 300 m2), contra um terço de renda livre (14 100 m2), sendo que, no total, serão cerca de 44 400 m2 para arrendar. Com cerca de 25 mil metros quadrados, “o dobro da área da Avenida dos Aliados”, refere a Câmara no seu portal de notícias, estima-se que a área disponível para construção atinja os 55 mil metros quadrados, o que se irá traduzir em morada para cerca de 1.100 pessoas. A este número, somam-se cerca 100 camas para uma residência universitária, que vai ocupar o edifício da frontaria do antigo quartel, com entrada pela Rua de Serpa Pinto, onde está previsto o investimento de 2,8 milhões de euros por parte do município. Contudo, o maior projeto de habitação para a classe média, com renda acessível, jamais construído no país não fica só por aqui. Tendo em conta que o plano contempla equipamentos e serviços, serão, também, criados três novos arruamentos, dois pedonais e um destinado à circulação automóvel.

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ÁREA DO TERRENO: 25.000 m² (o dobro da área da Avenida dos Aliados)

ÁREA DE CONSTRUÇÃO FUTURA ESTIMADA: cerca de 50.500 m² HABITAÇÃO: cerca de 44.400 m² NÚMERO DE FOGOS A CONSTRUIR: 370 a 400 NOVA POPULAÇÃO RESIDENTE: mais de 1.000 pessoas EQUIPAMENTO (residência de estudantes): 3.300 m² COMÉRCIO: 2.800 m²

PROJETO PARA O MONTE DA BELA Nos terrenos do Monte da Bela, com 28.000 metros quadrados, onde, outrora, existia o bairro de São Vicente de Paulo, demolido há uma década, e, atualmente, ocupado por um matagal, vão nascer 230 fogos, sendo dois terços para renda acessível e um terço para renda livre. Com uma localização privilegiada na zona oriental, espera-se que este espaço, que “preconiza uma ligação ao futuro Terminal Intermodal de Campanhã e ao reabilitado Matadouro Municipal”, como salienta Pedro Baganha, vereador do urbanismo, possa receber

entre 600 a 700 novos residentes. A operação no Monte da Bela está orçada em 24,7 milhões de euros, sendo que 23,3 milhões de euros serão assumidos pelo privado e 1,4 milhões de euros pelo município, para a construção de uma nova esquadra da PSP. O concurso público para as duas obras, que vai ser lançado até ao Verão, será conjunto, tendo um valor de 72,5 milhões de euros, pelo que o investimento camarário será apenas de 4,2 milhões. A Câmara Municipal fará uma cedência dos terrenos “por um prazo variável, entre 25 a 50 anos”, sendo que, findo esse período, a propriedade voltará à sua


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guarda, não havendo “alienação de património”. A ideia de fazer um “dois em um”, explicou o presidente da Câmara Municipal do Porto, é estratégica: juntar uma zona “onde a procura é maior”, no centro da cidade, a outra ainda em crescimento, em Campanhã, onde a autarquia sabia, de antemão, que a procura seria menor. “Ao lançar isto em conjunto estamos a potenciar os interessados no Monte da Bela”, referiu, acrescentando que “se queremos reequilibrar a cidade temos de dar aqui um sinal e dar o exemplo”. O valor da renda será o previsto na “legislação relativa à habitação acessível”, que será determinada pela Secretaria de Estado da Habitação e publicada em breve. Mas, as estimativas feitas pelo executivo de Rui Moreira apontam para os 6,10 euros por metro quadrado no Monte Pedral e para 5 euros por

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metro quadrado no caso do Monte da Bela. A confirmar-se, significa que, para casas de 100 metros quadrados, as rendas ficarão por 610 euros num caso e 500 no outro. Mas, o concurso promete, ainda, privilegiar os candidatos que apresentem rendas mais baixas, sendo que os mesmos serão escolhidos por “sorteio”.

Modelo inovador inspira-se noutras cidades europeias Rui Moreira explicou que este modelo não é o mesmo que o aplicado no Bairro Rainha Dona Leonor, uma vez que "o Município do Porto não vai alienar nenhuma parte dos terrenos que são seus". Terá sido, então, com base noutro modelo, testado com sucesso em cidades como Hamburgo, Bordéus e Amesterdão, que se formou o projeto.

Projeto Monte da Bela

Das 600 habitações dos dois empreendimentos, dois terços (400) ficarão num mercado de renda acessível, estando o restante previsto para o mercado privado. No total, as casas servirão 1700 pessoas. E a conclusão da empreitada está prevista para 2022. REVISTAVIVA, JUNHO 2019


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Comes & Bebes

Um percurso gastronómico pelo Grande Porto Textos: Maria Inês Valente Fotos: Inez Cortez

IL FORNAIO 178 Ristorante Italiano

Rua François Guichard 178, Porto Telefone 220 124 175 Dono de um ambiente agradável, moderno, mas, principalmente, acolhedor. Assim é o Il Fornaio 178, um restaurante italiano, que traz o melhor de Itália até aos seus clientes, desde as tradicionais pizzas napolitanas, aos melhores antipasti, pasta, risotto, carne e dolci. E é no mais recente modelo do Ferrari dos fornos, que veio de Nápoles, que Catarina Morais e Anthony Oliveira conseguem um dos maiores destaques da casa: as pizzas napolitanas, “fininhas no centro, mas altas e fofas nas bordas”, contam. O gosto pela comida italiana juntou-os neste negócio, que, até ao momento, está a ter “um enorme sucesso”. Na verdade, quando o cliente atravessa a porta do restaurante entra, automaticamente, em Itália. E, se a decoração – assim pensada porque não são apreciadores da decoração típica – pode suscitar dúvidas, o cheiro, esse, não engana ninguém. A nível de entradas, há uma seleção muito diversificada, de forma a “incentivar a partilha” assim como para potenciar a prova de “mais opções”. Mas, o Il Fornaio 178, está, também, preparado para receber apenas quem procura “um bom cocktail”, com uma carta diferente e “com coisas engraçadas”, como, por exemplo, um mojito de limoncello. Horário: De terça a quinta-feira das 12h30 às 15h00 e das 20h00 às 23h00. Sexta-feira e sábado encerra às 23h30. À segunda-feira está fechado.

Nesta edição, apresentamos-lhe, não só alguns dos melhores restaurantes da cidade do Porto, mas, também, de Matosinhos e de Vila Nova de Gaia. A oferta gastronómica é diversificada, e, acima de tudo, irresistível, não fossem, todos eles, marcados pelo prestigiado selo de qualidade da marca Recheio. Prepare os talheres e embarque connosco nesta viagem pelo mundo encantado dos sabores…


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ARTESÃO BISTRÔ Um restaurante especial Rua Mouzinho da Silveira 218, Porto Telefone 910 518 940 Na rua em que, em tempos, laboravam os antigos artesãos, existe, agora, um espaço que permite recordar parte desse mundo, enquanto se saboreia o melhor da comida portuguesa. O Artesão Bistrô é o novo restaurante do Porto que, certamente, não vai deixar ninguém indiferente aos seus sabores. É que, aqui, tudo é pensado ao pormenor. O chef João Lima parte do pressuposto da cozinha tradicional portuguesa, ou seja, daquela cozinha antiga de preparação longa, típica do tempo dos avôs, para depois a traduzir no prato com uma representação puramente moderna. Com decoração de ferro bruto e madeira rústica, o espaço, com dois pisos, e capacidade para 50 pessoas, foi sonhado pelo próprio há já algum tempo. De uma carta onde se pode escolher cabrito, bacalhau, alheira, salmonete, polvo, vitela e muito mais, porque a carta vai sendo sempre alterada – não tem uma ementa estática -, João Lima deu a provar à VIVA! as últimas três propostas. Mas, independentemente, daquilo que escolher quando visitar o Artesão, a certeza é só uma: “é comida boa, de certeza absoluta”. E a garantia é dada pelo próprio chef! Para acompanhar o melhor possível estes pratos portugueses, o restaurante tem à disposição uma garrafeira composta por vinhos nacionais, à exceção do champanhe e das cervejas, maioritariamente belgas e alemãs. Horário: De terça a domingo das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 23h00.


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DOM PEIXE O rei do peixe fresco

Rua Heróis de França 241, Matosinhos Telefone 224 927 160 Situado num local privilegiado para os sabores do mar pela grande tradição piscatória de Matosinhos, o Dom Peixe proporciona uma vasta experiência de paladares num ambiente acolhedor e muito moderno. “O peixe que nós mais vendemos é o robalo”, afirma Rui Sousa Dias, o proprietário, destacando outros peixes que “também têm muita saída”, como o rodovalho, o peixe galo, a dourada, a garoupa e o salmonete, por exemplo. Assim que o cliente escolhe o peixe, na montra, se quiser não o perde mais de vista. Pode vê-lo ser preparado para ir até ao grelhador, a ser assado, e depois acompanhar todo o processo na cozinha, até que seja servido à mesa. Tudo isto é possível porque o restaurante tem ao seu dispor uma “cozinha aberta”, o que permite que “o cliente tenha a certeza absoluta que o peixe que vai comer é aquele que escolheu”. O segredo para o sucesso do restaurante, aberto há oito anos, estará, também, na boa preparação dos produtos, porque “quando se trabalha com gosto acrescenta-se sempre um bocadinho mais”. Assado na brasa, o peixe “fica lourinho, mas muito suculento por dentro, o que faz a diferença”. Normalmente, a proposta é fazer acompanhar esses peixes grelhados com um arroz malandro de grelos, tomate e/ou legumes, “que também liga muito bem”, ou de batata e legumes salteados. Mas, muitos mais pratos há para descobrir! Horário: Todos os dias das 12h00 às 22h30.


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TEMPÊRO D’MARIA Comida à beira D’ouro

Av. de Diogo Leite 278, Vila Nova de Gaia Telefone 963 788 420 Fotos: StarLove-Ariana Alves Abriu portas há três anos e, até agora, está a ser um “verdadeiro sucesso”, afirma Filipa Costa, a proprietária do espaço, que presta uma homenagem à avó. Era da sua casa, situada no piso superior, que a avó Maria costumava vigiar o projeto da neta e “rezar” para que todos entrassem na sua porta, revela-nos, sorridente. Os pratos são portugueses e da carta fazem parte a francesinha, “era obrigatório”, e o folhado de alheira, uma entrada que “também se vende muito bem”. Mas, além da francesinha, o ex-libris da casa é uma disputa entre o bacalhau e o bife com vinho do Porto. Dos vários pratos de bacalhau que servem, destacam-se o "À tempêro", que é gratinado com batata frita, e o bacalhau com broa, que não foge muito da receita original, que “por si só já é ótima”. Mas há, também, polvo à lagareiro e à marinheiro, com camarão e amêijoas, como vários pratos de carne, desde o peito de frango recheado com alheira à posta da vazia laminada com molho mirandês. Se com estes pratos, o Tempêro d’Maria já deixa qualquer pessoa com água na boca, quando se chega à sobremesa é “a cereja no topo do bolo”: fondant de chocolate com gelado de nata, tarte banoffee e tarte crumble de maçã com gelado de baunilha são algumas das opções. Horário: Das 12h00 às 22h30. Encerra à quarta-feira.


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ROGÉRIO DO REDONDO

Uma casa portuense com certeza! Rua Joaquim António de Aguiar 19, Porto Telefone 225 362 215 Feijoada, massa à lavrador, cabidela, cabrito, vitela, tripas e muitos outros pratos, que evocam o melhor da cozinha tradicional portuguesa. O Rogério do Redondo, que nasceu nos anos 80, reabriu em março e mantém a mesma qualidade, inclusive duas cozinheiras que trabalharam com Rogério Sá, um dos proprietários, há muitos anos. “É bom retomarmos os amigos que fizemos durante tantos anos. Tinha clientes fiéis todos os dias. Acho que já tínhamos saudades uns dos outros”, revela-nos, entusiasmado com o regresso a uma casa que nunca esqueceu, e que deixou em 2011, altura em que emigrou para Angola. Nesta nova fase, Rogério remodelou a sala, que diz estar “muito mais bonita agora” e em termos de acústico, principalmente, “está fantástica”, uma vez que “o restaurante pode estar cheio que o barulho não interfere na conversa”. Além disso investiu, também, num Josper, um forno a carvão para carne. Da carta, que varia todos os dias, permanecem os clássicos da cozinha tradicional portuguesa, onde os filetes de pescada com arroz de feijão malandro são o ex-libris. Horário: Das 12h00 às 15h00 de terça-feira a domingo e das 20h00 às 23h00 de terça-feira a sábado. Encerra à segunda-feira.


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7GROASTER

O café de especialidade Rua de França 52, Vila Nova de Gaia Telefone 919 594 606 “Cada café que nós temos aqui pode provocar aromas e sensações diferentes”, explica Carla Pinho, a proprietária. A verdade é que no 7groaster, tudo gira em torno do café. E assim que atravessamos o enorme vitral do espaço, deparamo-nos, de imediato, com a ilha de torrefação. Mais do que servir café expresso ou de filtro, aqui fazem todo o processo, desde selecionar o grão até determinar o perfil da torra. Embora o core business principal seja o café, o certo é que “atrás deste vêm sempre outras coisas”, e, por isso seria fundamental ter, também, “algo para comer”. Além das saladas, das sandwiches, das tábuas, e, recentemente, das panquecas, as smoothie bowls e os menus de brunch são algo muito procurado. Do menu fazem parte croissants, fiambre, queijo, doces, ovos mexidos com espinafres e bacon e, ainda, o sumo de laranja, o cappuccino, e um velhote [doce conventual] ou uma nata. No que respeita às tábuas há, igualmente, três tipos, nomeadamente a tábua mista, composta por queijos e enchidos, e a tábua quente, com alheira, queijo e doces. Aberto há um ano e meio, estabelece parcerias com diversos produtores locais, de forma a poder “proporcionar [ao cliente] a melhor qualidade possível”. Horário: Todos os dias das 10h00 às 19h00.


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VARANDA DA BARRA

A cozinha de excelência Rua de Paulo da Gama 470, Porto Telefone 226 185 006 É particularmente conhecido pela sua cozinha italiana, que é a base do negócio, mas, também, pelos tradicionais pratos portugueses, que juntos “formam um autêntico sucesso”, adianta Joaquim Magalhães, um dos sócios. De portas abertas desde 1991, os clientes da casa já são parte da família, e são raras as vezes em que precisam de consultar a lista. “A maior parte das pessoas já sabe o que quer e mesmo os novos clientes, já costumam vir aconselhados”. As pizzas, em forno de lenha, são, naturalmente, um dos grandes fortes deste espaço, que oferece uma imensa variedade gastronómica! Há um prato “muito especial”, o assagini, que é uma travessa com as melhores quatro massas da casa, e que faz as delícias de qualquer pessoa. Assim como o spaghetti nero aglio com gambas, um spaghetti carbonara, o cabrito e as famosas varandadas, que é um bacalhau com natas, conhecido desde os primórdios do restaurante. Tudo comida tradicional caseira, “de grande qualidade” e, acima de tudo, preparada com muito amor e dedicação. “O forte movimento [do espaço] vem, precisamente, dessa qualidade e da simpatia dos funcionários”, acredita o proprietário, para quem o Varanda da Barra é “um local muito especial” com uma “vista para o rio maravilhosa” e “uma esplanada estrondosa”. Horário: Todos os dias das 12h30 às 15h00 e das 19h00 às 23h00.


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PALATO

O mix da cozinha tradicional e moderna Rua Heróis de França 487, Matosinhos Telefone 229 350 936 Surgiu em 2008, em conjunto com a sócia, a chef Adelaide Miranda, num momento de reconversão da zona de Matosinhos, revela Nuno Gomes. O restaurante iniciou não só com o peixe grelhado, tradicional da rua onde está situado, mas também com os petiscos tradicionais portugueses, o que, ainda hoje, se mantém, e representa um dos ex-libris do espaço. Têm o “cuidado de ter os melhores peixes, desde o robalo, a dourada, o rodovalho, o linguado, as lulas, o bacalhau, o polvo e as sardinhas”, mas não descuram da complementaridade dos típicos petiscos, como a “alheira escangalhada”, as pataniscas de bacalhau, as pataniscas de polvo, os rojões e as moelas, onde os clientes podem optar por “fazer uma seleção” e degustá-los enquanto “vão surgindo na mesa”. O Palato é um espaço convidativo e confortável, renovado recentemente, sem perder a sua identidade, e dispõe de “uma equipa jovem e muito dinâmica”, razão pela qual apresenta as ementas traduzidas não só em inglês, mas também em espanhol, alemão e polaco. Com o objetivo de “fazer sempre diferente e melhor”, o restaurante disponibiliza um QR Code, onde com um simples clique, os clientes podem aceder, no seu telemóvel, à ementa e às respetivas informações dos alergénios e dos valores nutricionais. Horário: De segunda-feira a sábado das 12h00 às 23h00. Ao domingo abre às 12h00 e encerra às 16h00.


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ROSALÍA

NO PRIMAVERA SOUND Fotos: cedidas pela Sony Music

A catalã Rosalía é uma das presenças surpresa no Primavera Sounds, que se realiza no Parque da Cidade do Porto entre os próximos dias 6 e 8 de junho. Estrela da renovação do flamenco, a autora de “El Mal Querer” atuará no último dia do festival. Esta jovem de 25 anos está a tomar o mundo musical de assalto. "El Mal Querer", o seu novo álbum, é só mais uma prova do seu imenso talento. A nova menina bonita da música latina, presença pouco habitual das playlists matinais de rádios mainstream, consegue ser mais “latina” que todos os  ‘despacitos’ desta vida, dando nova vida ao flamenco, esse estilo musical que desapareceu dos grandes espaços mediáticos. Com raízes árabes e muito ligado à cultura da Andaluzia (sul de Espanha), o flamenco pode facilmente ser associado ao fado português — na forma e no conteúdo, já que amores viscerais, paixão, dor e saudade são temáticas recorrentes — e, da mesma forma, passou anos associado à imagem de “música de outros tempos”, algo bem distante das pistas de dança mais jovens e muito coladas a ideologias retrógradas. Nas últimas décadas, tanto um como outro passaram por um processo de revitalização, novos fadistas e cantores de flamenco foram surgindo, dando novo fôlego a estas

sonoridades. Aos 25 anos, esta rapariga espanhola de quem o mundo inteiro tem falado, é dona de um dos projetos musicais mais entusiasmantes dos últimos tempos. Catalã de nascença, mas desde muito pequena ligada ao cantar tradicional andaluz, Rosalía Vila Tobella já tinha feito virar cabeças em 2017 com o disco “Los Ángeles”, uma compilação de reinterpretações de clássicos do cancioneiro flamenco onde já se sentia o cheiro a novo. O sucesso, embora modesto, fê-la aparecer no radar, sendo ponto de partida para a fama com este “El Mal Querer”, disco que se inspira num conto do século XIII chamado, precisamente, “Flamenca”. Nessa história de autor anónimo que inspirou toda a narrativa desta novidade, conta-se a história de uma mulher que vive dividida pelo ciúme e desilusão num trágico triângulo amoroso. É neste mesmo trabalho, precisamente, que se vê Rosalía naquela que parece ser a sua roupagem musical mais confortável, o tal flamenco contemporâneo onde os trinados de uma voz cheia e sensual andam de mão dada com sonoridades próximas do R&B e da eletrónica mais “intelectual”. Tudo começa com o mega-êxito “Malamente”, um belo pedaço de pop sensual e altamente viciante que cola perfeitamente com o estilo


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urbano e descomprometido da cantora, que brinca como ninguém com o novo e o velho. Mostra então as influências e referências culturais que funcionam sempre numa espécie de jogo entre o antigo e o novo. Por um lado, o cantar flamenco e o bater de palmas que funciona como ritmo base de quase todas as canções, por outro há as composições eletrónicas de El Guincho plenas em distorção e batidas pulsantes. Até há espaço para uma das misturadas musicais mais esquizofrénicas dos últimos tempos, na canção “Bagdad”, onde samples de “Cry Me A River“, de Justin Timberlake, são misturados com uma espécie de canto gregoriano e coros de crianças com a bonita voz de Rosalía a juntar tudo. A explicação para isto? Bem, pode passar pela ideia de que cada vez existe mais abertura cultural à reinvenção do antigo, do que sempre pareceu intocável, e que isso, de certa forma, funciona como uma força renovadora. Se sempre se disse que “parar é morrer”, faz todo o sentido que tal mantra também se possa aplicar ao mundo da música. “El Mal Querer”, o segundo álbum de estúdio de Rosalía, que cruza o flamenco com linguagens urbanas como o R&B e a eletrónica, foi considerado um dos melhores discos pop de 2018. Rosalía começou o seu percurso de renovação do flamenco

com “Los Ángeles” (2017), disco gravado com o guitarrista Raül Refree e que a levou ao Theatro Circo, em Braga. Mas foi só em 2018, com “El Mal Querer”, que a espanhola deu passos definitivos de transformação da tradição e pôs o mundo melómano a falar dela, impondo uma voz espanhola, a cantar em castelhano, como um fenómeno mundial. O aventureirismo valeu-lhe aclamação em Espanha e noutros países, mas também críticas dos setores mais conservadores e puristas do flamenco. A sua intenção de levar o flamenco para o  mainstream  e para a arena pop global foi tão impactante que publicações tão distintas quanto  The Guardian, Rolling Stone  e  Pitchfork  não se têm cansado de a levantar em ombros como a grande lufada de ar fresco por que o mundo pop desesperava. Ouvido pelo New York Times, Enric Palau, diretor do festival Sonar, diz que “ela poderia ser a Rihanna do flamenco”. Em entrevista ao  El Mundo, Rosalía sacode as comparações com Beyoncé e Rihanna num lapidar “Sejamos sérios”. Em Espanha, no entanto, o sentimento é menos consensual. Se não falta quem aplauda a ousadia de pensar o flamenco no século XXI – Almodóvar já lhe deitou a mão e chamou-a para o lado de Penélope Cruz no seu recente filme “Dolor y Glória” –, chovem também críticas acintosas de oportunismo


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e de abastardamento do género. A ponto de algumas associações ciganas, mais ciosas do património flamenco, a acusarem de apropriarse indevidamente de símbolos e tradições que supostamente não lhe pertencem – sendo ela uma paya (designação cigana para aqueles que não pertencem à sua comunidade). Rosalía, ainda ao  El Mundo, contesta que “a música não tem nada que ver com o sangue nem com o território”. Lembrando que estudou durante vários anos as raízes do flamenco, recusa a hipótese de alguém se arrogar proprietário dessa música – ou de qualquer outra. (Texto baseado em artigos de Gonçalo Frota, no Ípsilon [Público] e Diogo Lopes, no Observador)


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X E C S C E O L ÊB NR C I RI A

O Porto está repleto de estabelecimentos que, pela sua antiguidade e autenticidade, são considerados históricos, razão pela qual foram abrangidos pelo programa Porto de Tradição. Nesta edição, damos-lhe a conhecer duas pérolas da cidade que, além da longevidade, em comum só têm mesmo o nome do gerente. Falamos da Livraria Académica e da Casa Januário. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Inez Cortez e Ricardo Baptista

LIVRARIA ACADÉMICA

É uma casa dedicada à compra e venda de livros usados e está no nº10 da Rua dos Mártires da Liberdade desde 1916, embora a sua fundação tenha ocorrido, numa outra rua da cidade, em 1912. Nuno Canavez, o atual proprietário, chegou à Livraria Académica, vindo de Mirandela, já lá vão 70 anos. Na altura, “para trabalhar e estudar à noite”, mas a paixão e o respeito pelos livros, incutidos pelo fundador, o Sr. Guedes da Silva, do qual fala com muita estima e de quem, anos mais tarde, herdou o negócio, depressa o incentivaram a ficar e a desejar abraçar este ramo. “É um comércio muito especial. Lidamos permanentemente com a cultura, com uma clientela altamente selecionada, e, portanto, onde se está sempre a aprender se a pessoa tiver interesse”, conta. Os (muitos) livros que conseguimos ver assim que atravessamos a porta de entrada da Académica são apenas uma amostra daquilo que realmente guardam as várias salas do prédio, a par de um armazém, maior do que a própria Livraria, e de mais duas garagens. “A paixão pelos livros acumula-se, acumula-se, e às vezes não conseguimos parar”. Ao todo, Nuno Canavez calcula ter à volta de 100 mil livros. E nas inúmeras prateleiras, há, inclusive, alguns escritos pelo próprio “sobre bibliografia transmontana”, que vai fazendo quando tem algumas “horas vagas”.


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Ao longo de tantos anos à frente da Livraria, são muitas “as preciosidades” que lhe vão passando pelas mãos, algumas delas “muito raras”, confessa. Mas há uma que lhe tocou particularmente: um livro da Florbela Espanca, que tinha “uma mensagem especial”, dedicada, na altura, ao seu segundo marido. E são “pormenores como esses” que, na sua opinião, podem valorizar, ainda mais, um exemplar. Dono de uma sensibilidade e delicadeza invulgares para com toda a sua coleção, garante que até a forma como os leitores pegam nos livros pode dizer muito a seu respeito. “Quando chega aqui alguém e empurra os livros que estão ao lado daquele que pretende retirar, ao invés de puxá-lo, porque isso pode danificá-lo, eu vejo

que, de facto, a pessoa está habituada a lidar com livros”, explica. Para o responsável, a Livraria Académica assemelha-se, em grande parte, a “uma universidade”. Há determinados dias, ao sábado, por exemplo, que se juntam pessoas para conversarem sobre “livros e aquisições que fizeram durante a semana, de autores de determinadas épocas e de estilos”, conta, acrescentando que é um momento “muito interessante” e que se sente satisfeito quando o consultam para tirar alguma

dúvida. Afinal, “essa é a nossa missão!”. E para conseguir fazê-lo o melhor possível, revela que, atualmente, tem mais de 200 livros que não são para venda, mas sim para consulta. “Para nos falarem de outros livros sob o ponto de vista cultural, económico, grau de raridade, prefácios ou elucidações” que hajam sobre determinada obra. Por isso, se gosta de livros, sobretudo daqueles que são raros, não pode deixar de visitar esta relíquia portuense, que o proprietário, orgulhoso, define como sendo “um comércio delicioso”. REVISTAVIVA, JUNHO 2019


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E S C O B R I R

CASA JANUÁRIO

Está na família desde que se ergueu a primeira pedra. Foi fundada pelo avô Januário, cujo sonho era ter uma mercearia própria, conta-nos Nuno Torgal, que faz, já, parte da terceira geração a gerir esta mercearia, na companhia da irmã mais velha. A Casa Januário, situada na Rua do Bonjardim, ali bem perto da Trindade, é uma loja que respira história e tradição. Para os amantes de decoração de bolos e compotas, chãs, café e bolachas, este é, realmente, um local de paragem obrigatória. Mas atenção, nem sempre a Casa Januário rimou com doçaria! “Na altura, o meu pai começou a aperceber-se que existiam senhoras que faziam alguns bonecos em pasta de açúcar e colocou aqui na loja. A pouco e pouco, essa área começou a ser mais conhecida e mais procurada e atualmente, embora não seja a principal, podemos dizer que é uma das mais importantes”, destaca.


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E se em 1926, altura em que foi fundada, tudo era pedido ao balcão, hoje os clientes podem percorrer a loja e servirem-se, eles próprios, de todos os produtos – uma medida, também, introduzida pelo pai de Nuno, que se começou a aperceber que “muito mais do que irem a uma mercearia e serem atendidas”, aquilo que as pessoas realmente gostavam era de entrar dentro no espaço. E assim fez, abrindo as portas aos seus clientes! De uma forma geral, o atual proprietário confessa não ter alterado muito daquilo que já havia sido feito e introduzido pelas gerências anteriores. “A mercearia que nós vemos hoje em dia já era muito a mercearia que existia no tempo do meu avô. Nós só a adaptamos, ou seja, demos-lhe outro aspeto”, confessa, acrescentando que aquilo que pretendem é que a Casa Januário tenha a traça mais original possível e, sobretudo, que mantenha a tradição pela qual é conhecida. “Hoje em dia quase tudo o que nós temos vendemos a granel”, revela, uma vez que considera que as pessoas valorizam, cada vez mais, esse fator, possivelmente por sentirem que “é mais fresco” e que não há necessidade “de comprarem aquilo que às vezes é vendido às 250g quando podem comprar apenas 100g, por exemplo”. A par dos, já habituais, produtos de mercearia e do mundo decorativo dos bolos, a parte da fruta desidratada, dos frutos secos, das especiarias e dos vinhos são, também, uma verdadeira perdição. De forma a acompanhar as novas tendências, a Casa Januário goza também de uma vasta variedade de produtos dietéticos e sementes que, agora, têm cada vez mais procura. Mas, neste conceituado espaço da cidade do Porto não se vende apenas aquilo que está exposto na loja. Nuno Torgal e a irmã vão ouvindo sempre aquilo que os clientes solicitam, razão pela qual “se houver alguém que tenha uma vontade ou algum pedido especial”, estão “sempre abertos” a esse tipo de sugestões, indica. E este atendimento personalizado, passado de gerência para gerência, e consequentemente para as suas colaboradoras, é já uma identidade muita antiga da Casa Januário, e a qual muito envaidece os proprietários. REVISTAVIVA, JUNHO 2019


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Porto Canal

dinamiza informação Em funções há pouco mais de três meses, Tiago Girão implementou, já, algumas e significativas mudanças na informação do canal, dinamizando-a. Em conversa com a VIVA!, o novo diretor de informação revelou a razão para essas alterações, a estratégia delineada e quais poderão ser os maiores obstáculos aos desafios que se propõe atingir.

Cara bem conhecida do programa “Universo Porto da Bancada”, Tiago Girão deparou-se, este ano, com um novo desafio na sua vida profissional: ser diretor de informação de uma casa que, todos sabem, lhe é particularmente especial. Afinal, foi pelo Porto Canal que, há alguns anos, abandonou Lisboa e fez as malas para regressar aquela que é a sua terra natal. Dono de um currículo invejável, já experienciou, por opção, os três meios de comunicação, mas admite ser a televisão aquele que, efetivamente, mais o fascina. Depois da passagem pela apresentação de diversos programas do FC Porto, e que em muito o aliciavam, revela que regressar à informação “é bom”, até porque sempre foi o que fez. “Ainda que muito ligada ao desporto, mas era informação” [programa ‘Universo Porto da Bancada’], explica, destacando que é a sua zona de conforto. Tiago Girão salienta que aquilo que pretende para a informação do Porto Canal é que esta “se posicione de uma forma absolutamente clara e objetiva no território”, uma vez que, sustenta, “é aí que está o nosso público e a nossa audiência”. “Vamos continuar a olhar para o resto do


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país como sempre olhamos, mas a nossa grande prioridade é, sem dúvida nenhuma, o território”, indica, consciente de que o canal não pode olhar só para o Porto, mas sim para todo o Norte e “não cair na tentação de tornar o Porto no Norte”. Uma das grandes apostas, até ao momento, do novo diretor de informação foi a alteração da hora do “Jornal Diário”, que passou a ser emitido às 21 horas, ao invés das 20 horas a que era habitual, o que permite “que as pessoas, depois de verem os jornais dos canais generalistas, possam consumir uma informação diferenciada e mais virada para o território”. O “Jornal Diário” passou, também, a ser emitido aos sábados e domingos, protagonizando, assim, o regresso da informação à antena do Porto Canal ao fim de semana, algo que era “absolutamente essencial” porque a informação “não pode fechar à sexta e abrir à segunda”. Mas, as novidades não ficam só por aqui! Paulo Baldaia passou a ser presença assídua no “Jornal Diário” de domingo, numa rubrica que traz “atores da vida pública muito importantes” para debaterem “os mais variados assuntos” e regressaram, também, à segunda-feira, as grandes reportagens com “temas fraturantes” e que a direção entende serem “importantes para a região”. No que respeita aos maiores obstáculos aos desafios que se propõe atingir, Tiago Girão reconhece que o centralismo possa ser o principal. “Queremos ter acesso a determinadas pessoas ou a determinada informação e temos muita dificuldade porque, de facto, as coisas estão em Lisboa e nós estamos no Porto”. Contudo, considera que essa pode ser, também, uma vantagem em relação aos outros meios de comunicação, porque, como explica, “nós estamos aqui e os outros não” e, reforça, aquilo que se pretende é “tornar a informação diferenciada” dos restantes canais generalistas. “As pessoas podem ver o mesmo assunto, mas vão vê-lo tratado de forma diferente, sobretudo tratado com o olhar de quem vive aqui! E esse é que é o nosso objetivo”, conclui. REVISTAVIVA, JUNHO 2019


FC PORTO

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do FC Porto imparável O FC Porto fez história ao assegurar a presença inédita na final-four daquela que é a segunda maior competição europeia de andebol, a Taça EHF. Mas, o poderio da equipa liderada por Magnus Andersson não ficou só por este brilhante momento! A época tem sido de sonho para os azuis e brancos que, a duas jornadas do fim do campeonato nacional, conseguiram sagrar-se campeões de andebol, festejando, assim, o 21º título do clube na modalidade. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Cortesia de Oksana Zagoruy

A vitória do FC Porto frente aos franceses do Saint Raphaël permitiu que os dragões fizessem história como a primeira equipa portuguesa de sempre a chegar à final-four da Taça EHF. E, embora não tivessem conquistado o, sempre, desejado primeiro lugar, a equipa teve uma prestação destacada e que a levou, inclusive, ao pódio com um excelente terceiro lugar, o que, em muito orgulhou Magnus Andersson, que afirmou à VIVA! ter-se sentido, também, “bastante surpreendido” por terem “atingido desta forma um lugar” na competição. Para alcançarem esta fase, os azuis e brancos eliminaram o Pataissa Turda, SKA Minsk e Magdeburg, e, no acesso à fase de grupos, o Holstebro, Cuenca, Constanta e Holstebro, o que, desde logo, evidencia a prestação brilhante


ANDEBOL

desta jovem equipa e que, indiscutivelmente, enaltece o andebol português. E terá sido quando eliminaram o Magdeburgo, segundo explica o treinador, que “a confiança aumentou”, uma vez que, conta, “atingimos o nosso objetivo inicial eliminando uma das mais difíceis equipas e candidato na prova”. A respeito da projeção do andebol do FC Porto a nível internacional, afirma que “não é fácil quantificar” até onde, ainda, podem ir. Mas, a verdade é que “a equipa tem talento” e a prova disso é que, dias depois à presença na SparkassenArena de Kiel, escreveram mais um capítulo inesquecível, ao conquistarem o 21º título de campeão nacional de andebol, que lhes fugia desde o inédito heptacampeonato, em 2015. Bastava apenas um empate frente ao Madeira SAD para haver festejos azuis e brancos, mas os dragões foram mesmo para vencer, e fecharam a conquista do campeonato com uma goleada. Regresso em força do grupo portista e percurso

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notável entre as equipas portuguesas, que pode ter como explicação, segundo Magnus Andersson, o “talento, vontade de vencer e determinação”, o que permitiu efetuarem “uma época muito boa até ao momento”. É, de facto, um ano de sonho da formação orientada por Magnus Andersson, que se manteve, sempre, competitiva em todas as frentes. Mas, atenção, que as conquistas podem chegar, ainda, mais longe. Até ao fecho da edição da revista VIVA!, ainda não tinha sido disputado o jogo da Taça de Portugal, onde o clube vai procurar alcançar a primeira dobradinha do seu historial. A conseguilo, estão, oficialmente, fechadas as contas de um ano memorável desta equipa, que, como desejava o treinador, enche “o clube, os jogadores e a cidade” de felicidade e orgulho. REVISTAVIVA JUNHO 2019


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Quando começa a l a u x e s a d i v s? a ç n a i r c s a d Que, em pleno século XXI, tudo tem tendência para começar mais cedo já não é novidade, principalmente no que toca ao primeiro contacto com as relações sexuais. E, aqui, saliente-se, o boom tecnológico pode estar a ter alguma influência, o que leva à necessidade de os pais estarem em alerta máximo. Por isso, se tem filhos saiba que deve ler, agora, esta entrevista com o psiquiatra, e sexólogo, Júlio Machado Vaz. Texto: Maria Inês Valente Fotos: Inez Cortez


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exualidade e tecnologia. São dois conceitos que, à primeira vista, parecem não ter nada a ver, mas que, podemos garantir, estão, cada vez mais, relacionados, e que abrangem miúdos de todas as idades. Pois é, não é só sobre os jovens adolescentes que devem recair todas as preocupações nesse sentido, muito pelo contrário! As gerações mais novas precisam, cada vez mais, de atenção quando começam a navegar pelo mundo tecnológico e é fácil percebermos o porquê. É que, hoje, quando os miúdos, por eles próprios ou, muitas vezes, até, estimulados pelos próprios pais [com o objetivo de os entreter], acedem à plataforma de vídeos da Google, o Youtube, por exemplo, facilmente podem começar a ter contacto “com os conteúdos sexuais mais diversos”, adverte Júlio Machado Vaz, o que pode vir a ter algum tipo de influência nos seus desejos. “Nalguns casos pode haver uma fixação no mundo virtual em detrimento do real ou a fixação

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em determinados comportamentos”, sendo que, principalmente nos rapazes, “as expectativas quanto ao desempenho podem ser excessivas ou desadequadas”. E alerta: “Neste momento, nos Estados Unidos da América, por exemplo, discute-se os efeitos da «educação sexual» através da pornografia”. Proibir ou esconder esse tipo de contacto, natural da sociedade, não é exequível na opinião do sexólogo. Mas, é preciso que os pais estejam alerta para essas situações e, acima de tudo, que “falem sobre os temas” e os coloquem “na perspetiva correta”, o que implica salientar “a total ausência de afeto, artificialidade e objetivos comerciais de determinados conteúdos”. A “abertura para discutir a sexualidade em casa e a educação sexual de boa qualidade na escola” podem ser um dos passos para que se consiga evitar que as crianças desejem REVISTAVIVA JUNHO 2019


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aqui, a “importância da educação” e do “grupo de pares”, entre muitos outros fatores, também têm que ser considerados. Questionado sobre o momento adequado para se potenciar o ensino sexual às crianças, o médico, psiquiatra e sexólogo português, não tem dúvidas sobre aquilo que, em 2019, é preciso fazer: “De uma vez por todas a implementação da educação sexual nas instituições”, uma vez que, segundo afirma, “a lei que a previa é do início dos anos oitenta”. Mas, aqui, como se sabe, geramse diversas reações na sociedade civil, com pais a concordarem e a incentivarem o ensino e outros a repudiar por considerarem que possa ser demasiado cedo. O CORPO NÃO DEVE TER SEGREDOS Há uma determinada altura em que as crianças passam pela típica fase das questões. Em que perguntam de tudo e sobre tudo e, nessa altura, quando começam a aperceberse que há outros seres diferentes, principalmente em relação ao corpo, podem surgir assuntos, chamados aos 10/12 anos, por exemplo, iniciarem as suas experiências sexuais. E porque é que uma simples conversa pode ser tão pertinente? Porque, como explica Júlio Machado Vaz, “há muito que sabemos que adolescentes mais bem informados iniciam a vida sexual de um modo mais gradual e tomam mais precauções em termos de gravidezes não desejadas e infeções sexualmente transmissíveis”. A sexualidade é, indiscutivelmente, uma dimensão inerente à existência humana, acompanhando o homem durante toda a sua vida. Contudo, não é possível avançar com uma idade certa para que se dê esse passo tão importante na vida de alguém - o início da vida sexual - afirma Júlio Machado Vaz, até porque, acrescenta, “duas pessoas podem ter rigorosamente a mesma idade e graus de maturidade diversos”. Já para não falar que,


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“Não há educação global sem a vertente da sexualidade, trata-se de um direito”. Júlio Machado Vaz

polémicos, como o que são os órgãos genitais. E, nessa altura, explicar-lhes o corpo é fundamental, até porque, considera Júlio Machado Vaz, este “nada tem de vergonhoso”. Essa aprendizagem deve avançar porque toda a ciência e toda a vida avançaram, claro, mas, também, porque, de acordo com o sexólogo, “não há educação global sem a vertente da sexualidade”, tratando-se esta “de um direito”. E esse é um trabalho que deve ser feito com os pais, em casa, em complementaridade com as instituições de ensino, pois só assim é possível atingir a “verdadeira educação”. E, do que devemos falar quando falamos de educação sexual? “Dos afetos em geral e das relações sexuais propriamente ditas, não pretendemos que os futuros adultos separem as duas áreas nas suas vidas, embora o possam fazer,

se assim o desejarem”, explica. Mas, atenção, não são todos os professores que estão preparados para o fazerem, tendo “direito a formação estruturada sobre o tema”. Ao Observador, em outubro de 2018, o sexólogo desenvolveu o assunto e disse, ainda, que todos os professores deviam ter formação porque a qualquer momento podem “tropeçar no assunto”. “Nas escolas, nunca sabemos com quem é que o aluno sente mais confiança. Na sala de aula o estudante pode não abrir a boca, mas no intervalo pode procurar um professor com quem tem mais afinidade para discutir o assunto”, sustentou. Em entrevista à VIVA!, Júlio Machado Vaz salientou, ainda, que falar de sexualidade não é o mesmo que falar de sexo, uma vez que “o conceito de sexualidade é muito mais lato do que o do sexo”. REVISTAVIVA JUNHO 2019


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A era do veganismo Texto: Maria Inês Valente

Fotos: Cortesia de Oksana Zagoruy

Começou, gradualmente, a mudar a sua alimentação quando, em 2012, veio viver, sozinha, para o Porto, e passou a cozinhar as suas próprias refeições. Oksana Zagoruy, hoje com 24 anos, não consome, desde os 17, carne, peixe e tudo aquilo que sejam produtos derivados de animais. Uma decisão tomada de forma consciente, e potenciada, sobretudo, pela sua preocupação com questões de saúde, uma

O número de pessoas vegan tem aumentado exponencialmente, motivo pelo qual a revista inglesa The Economist prevê que 2019 seja mesmo o “ano do veganismo”. Só em Portugal, os vegans são já cerca de 60 mil, duas vezes mais do que em 2007, de acordo com dados recolhidos pelo Centro Vegetariano. Atenta às novas tendências, a VIVA! procurou saber o porquê deste crescimento acentuado. Será moda ou filosofia? Para sabermos a resposta falamos com a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, e com Oksana Zagoruy, uma jovem que há cerca de seis anos adotou esse estilo de vida.

vez que, através da leitura de alguns artigos sobre os efeitos da alimentação na mesma, se foi apercebendo que “quase tudo o que era de origem vegetal saía sempre a ganhar e parecia mais benéfico do que os ingredientes de origem animal”. Ao mesmo tempo, foi descobrindo, cada vez mais, o impacto, “positivo”, desta opção no ambiente, o que, admite, deu o “empurrão final”. “Pensei, afinal isto não é

só melhor para mim, é, também, o melhor para o planeta e para os animais. Por isso, faz todo o sentido!”, realça. À semelhança desta jovem, e de acordo com os últimos números revelados pelo Centro Vegetariano, estima-se que existirão cerca de 60 mil portugueses a seguir um estilo de vida vegan. Há quem decida embarcar nesta viagem por um despertar, próprio, de consciência, alguns estimulados


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pela visualização de determinados documentários, como é exemplo “Cowspiracy – The Sustainability Secret” e outros, até, desafiados pelos próprios amigos e/ou familiares, que já tenham adotado esse estilo. Segundo a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, “a questão ambiental”, “a preocupação com a proteção, o bem-estar e os direitos dos animais”, assim como a preocupação com a

sua saúde são, de facto, as principais razões para, hoje em dia, vermos tantas pessoas a optarem pelo veganismo. Contudo, é necessário ter em conta que a prática de uma alimentação vegan, se não for devidamente acompanhada e adequada, pode implicar riscos para a saúde, adverte Alexandra Bento, assim como “carências não só de vitaminas, como de minerais (ferro e cálcio), proteí-

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“Estamos habituados que um prato tradicional esteja dividido em três partes, ou seja, que tenha a proteína, o acompanhamento, e os legumes. Mas, na alimentação vegetariana nem sempre é assim. Às vezes está tudo misturado, e a proteína está em várias fontes”. REVISTAVIVA, JUNHO 2019


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NÃO COMEÇAR DE REPENTE

nas e ácidos gordos essenciais”. Um receio que, na altura, conta Oksana, foi partilhado pelos seus pais, mas, que, depois, facilmente foi contornável, tendo em conta as variadas opções que existem e que “substituem a proteína animal”, como o caso, por exemplo, das leguminosas, que considera serem mesmo uma alternativa direta. “Aquilo que é a base da minha «dieta», ou seja, aquilo que eu como no meu dia a dia, são sempre as frutas, os legumes, os cereais e as leguminosas”, destaca. Em relação aos pais, explica, “não são vegetarianos ou vegans”, uma vez que não dá muita importância à designação, mas “comem mais fruta e vegetais do que muitos vegetarianos”, revela, entre risos, acrescentando que, como sempre variaram muito nas refeições em casa, não estando limitados a “arroz com bife todos os dias”, a transição “não foi assim tão radical”.

A paixão por este “novo mundo culinário” foi tão intensa que a levaram, pouco tempo depois, a criar um blogue, o Dicas da Oksi, onde, diariamente, partilha com uma quantidade significativa de seguidores receitas que mostram que há muito mais opções além da cozinha tradicional e que uma alimentação vegetariana pode ser, e é, efetivamente, “mais diversificada”. No entanto, e ainda que, consciente do consumo excessivo de carne na alimentação dos portugueses, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas alerta que “a adoção de uma alimentação vegetariana ou vegan não significa mais saúde”, porque, como explica, isso está diretamente relacionado com a adoção de estilos de vida mais saudáveis, onde o tipo de alimentação é apenas um dos determinantes. “Acho que o veganismo é um estilo de vida que é cada vez mais popular, mas que já não é só uma questão de moda. É uma

Ambas as interlocutoras concordam que este é um processo que deve ser gradual e, principalmente, devidamente acompanhado por um profissional da área nutricional. Para Alexandra Bento, quando assim é, as dietas vegetarianas e veganas podem mesmo “ser saudáveis e nutricionalmente adequadas”. No entanto, considera serem desiquilibradas “quando são demasiado restritivas ou quando há lugar à ingestão excessiva de alimentos processados”. “As coisas não têm que ser 8 ou 80”, reforça Oksana Zagoruy, para quem “uma refeição vegetariana por semana já pode fazer a diferença” no impacto ambiental, além de que, quando assim é, acaba por ser “muito mais fácil”, porque, como se sabe, “o fruto proibido é sempre o mais apetecido”.


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A DIFERENÇA ENTRE O VEGETARIANISMO E O VEGANISMO

O vegetarianismo é, na definição da Associação Vegetariana Portuguesa, o “estilo de alimentação de base vegetal, que exclui carne e peixe e que pode, ou não, incluir derivados de origem animal”. Sendo uma dieta de base vegetal, as pessoas que seguem este regime comem essencialmente cereais, legumes, leguminosas, frutas, sementes e frutos secos, fungos, algas, entre outras opções. Significa isto que caso as limitações sejam aplicadas apenas na alimentação, são vegetarianos. Já as preocupações das pessoas vegan estendem-se a outras dimensões, uma vez que não consomem ou utilizam nada que interfira com a vida dos animais. Desta forma, não usam produtos testados em animais nem materiais feitos de lã ou couro, e têm especial cuidado com os sítios que frequentam, como, por exemplo, o caso dos circos. É isto que faz deles vegan e não apenas vegetarianos estritos. Consideram mesmo que o veganismo “é um estilo de vida”.

filosofia!”, realça Oksana, sublinhando que o facto de, atualmente, existir uma diversidade tão grande de produtos de origem vegetal, e mais acessíveis economicamente, fez com que os cidadãos se interessassem, ainda mais, por esta opção alimentar. Mas, acredita que foi a maior preocupação com a saúde que levou muitos portugueses a reduzirem o consumo de produtos de origem animal nos últimos anos, procurando mais produtos naturais, vegetarianos e biológicos. “A carne que se consumia há 200 anos não é igual à que consumimos hoje, por causa da produção industrial. Como a população precisa de cada vez mais consumo, a indústria tem que arranjar formas de produzir muito mais rápido e a qualidade é sempre o que fica mais afetado. Há mesmo uma frase que diz «se os talhos tivessem paredes de vidro toda a gente seria vegetariana», ou seja, se nós soubéssemos como é a realidade, talvez, fosse o suficiente para deixarmos de comer carne”, sublinha. Além disso, a jovem confessa que, desde que assumiu um estilo de vida vegan, se sente “muito mais leve” e com a “consciência tranquila”, defendendo que o consumo de “comida mais viva, vinda diretamente da terra”, tem, sem dúvida alguma, um efeito benéfico no bem-estar emocional.


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SÃO CAMPEÕES e levam a vida a dançar O número 218 da Rua do Ouro de quem percorre a marginal da Foz tem uma história para contar. Quem entra pela primeira vez, depara-se com um restaurante “cool”, dos novos conceitos de restauração portuense, mas não sabe que ali é também a casa da Momentum Crew. No pequeno Museu, Max Oliveira guarda os inúmeros títulos e taças conquistadas.


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B astar am dois minutos de conversa para que os olhos de Max começassem a brilhar. Quem o ouve falar rapidamente percebe o amor e o respeito que tem por uma modalidade que talvez ainda não seja muito bem compreendida por todos – o breakdance. Este é um estilo de dança característico de rua, normalmente dançado ao som do hip-hop, e que une 13 b-boys (nome que se dá a quem pratica o break) e uma b-girl há já mais de 15 anos. Corria o ano de 2003 quando tudo começou! Nos primeiros anos de vida da Momentum, os treinos eram praticamente diários, e “se fosse preciso até bidiários”, confessa o líder da Crew. Os apoios financeiros eram nulos, mas a vontade de crescerem como profissionais era mais forte do que tudo e, por isso, a disciplina tinha que ser imposta pelos próprios. “Era um nada igual a nada e nós tínhamos que fazer desse nada alguma coisa”. E fizeram! A Momentum Crew é, hoje, uma companhia de renome que leva o

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nome de Portugal a todo o mundo. Na Polónia, o nome deste grupo portuense fez-se ouvir ao obter o título de campeão mundial de breakdance no Mundial Varsaw Challenge 2018. Mas, em 2016, a Crew havia já ganho, também, o Campeonato Mundial de B-boying Crew vs Crew. Ao todo são já mais de 100 as distinções que possuem, “desde o título regional ao mundial”.

“Esse nome que esses 13 conquistaram na rua é impagável” E terá sido através desse êxito na pista de dança que os 14 conseguiram “criar um ruído internacional” e, consequentemente, abrir portas a um mercado nacional e estrangeiro. Portas essas que se abriram, em concreto, no ano de 2012, quando o líder da Crew cria a sua própria empresa, à qual chama Max Momentum. “Essa empresa sim é minha. Momentum Crew é de todos e

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eu sou apenas líder”, conta, confessando que, como líder, a única coisa que faz é “criar direções, objetivos, exemplos” e nunca mandar. E porquê? “Porque o objetivo como líder é um dia deixar de ser líder”. Para isso, e apesar da azáfama característica do dia a dia, Max tenta arranjar sempre um tempinho para se juntar aos b-boys. Chama-lhe, entre risos, a “meia hora sagrada”. Com o passar do tempo, mais de metade da Crew ultrapassou a barreira dos 30, grande parte casou, teve filhos e dispõe de outros afazeres profissionais.

“A idade traz destas coisas”, brinca. Nem tudo é negativo, mas confessa que acarreta algumas mudanças e que, muitas vezes, pode complicar em termos de ensaio. O segredo está na força de vontade, “na paixão [pelo breaking]”, que “é o motor de tudo”, e, principalmente, na identificação como pessoa. “Nós sabemos fazer de um mau b-boy um bom b-boy, mas não sabemos fazer de uma má pessoa uma boa pessoa. Nem estamos interessados! Como pessoa ou te identificas ou não te


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identificas. Quanto a b-boy, desde que tenhas amor pela arte é possível desenvolver-te, ajudarte e ensinar-te”, conclui. De setembro a dezembro do ano passado a Companhia Momentum Crew passou por 11 países.

A MXM Art Center

Sediada no coração da cidade do Porto, a MXM Art Center, “que na verdade é uma abreviação de Max Momentum”, é uma empresa de produção e de artistas que produz em dois âmbitos – entretenimento e cultural. “A nível do entretenimento estamos a falar, essencialmente, dos meios através dos quais chegamos ao conhecimento das pessoas, ou seja, os casinos, hotéis e a televisão”. Por sua vez, a vertente cultural está direcionada para a produção do campeonato do mundo, da gala e de inúmeros espetáculos. Mas “para ambos são precisos uma variedade de artistas imensa” e por isso Max conta já com um universo de 106 artistas, dos quais os elementos da sua Crew fazem parte. REVISTAVIVA, JUNHO 2019


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Rir com Saúde Ria e sorria mais vezes e com mais vontade, com uma boca sã e um sorriso de fazer inveja. São muitas as razões para o sorriso ser uma fonte de constrangimento, quase sempre uma deficiente saúde oral resulta de uma combinação de higiene oral incorreta e de hábitos relacionados com o estilo de vida também eles incorretos. É certo que também há doenças, como a diabetes, o stress e a osteoporose, que têm impacto negativo na saúde da boca, afetando as gengivas e, indiretamente, fragilizando os dentes. É preciso reconhecer que os comportamentos têm muito a ver. Fumar não ajuda, pois a molécula da nicotina é nociva, sobretudo para as gengivas. E, depois, há a alimentação, com o excesso de açúcar à cabeça. E por que é que o açúcar desempenha este papel negativo? Porque é dele que se alimentam as bactérias que existem na boca, transformando-o em ácido que, por sua vez, corrói o esmalte dos dentes.

Não se esqueça do fio dentário Em termos de conselhos, Patrícia Rodrigues coloca ênfase no uso de fio dentário, que reputa de essencial. Na sua opinião, deve ser usado sempre, até porque, para quem tem dificuldade em dominar a técnica, já existem aplicadores muito práticos que simplificam a vida: têm a forma de serrilha e basta segurar no cabo para o fio entrar no espaço entre dois dentes e remover a placa bacteriana. Um escovilhão é a alternativa quando esse espaço é muito largo e não permite eliminar a placa. São gestos a repetir pelo menos duas vezes ao dia, de preferência depois do pequeno-almoço e depois do jantar. Mas o ideal seria um terceiro momento de higiene oral, a seguir ao almoço. O ideal é ter uma bolsa com escova de dentes e pasta dentífrica no local de trabalho. Estes são cuidados essenciais para prevenir as doenças da boca, desde logo a cárie e a gengivite. É que são doenças reversíveis, mas requerem a correção dos hábitos de higiene oral e, naturalmente, a intervenção do médico. A mensagem aqui é que podem e devem ser prevenidas. E, a este propósito, Patrícia Rodrigues recomenda uma visita ao dentista a cada seis meses, para avaliação da saúde oral. Do que se trata é de identificar o mais precocemente possível qualquer problema, corrigindo-o antes que evolua. Para poder rir com confiança.


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Lavar bem os dentes é preciso Mas a verdade é que nesta balança de “inimigos” da saúde oral pesam, e muito, outros hábitos: os da higiene oral. A experiência de Patrícia Rodrigues, enquanto médica dentista com prática clínica em periodontologia e implantes, não lhe deixa dúvidas de que “as pessoas não sabem lavar os dentes corretamente”: diz mesmo que “escovam mal os dentes e as gengivas”, esquecendo-se de que as gengivas também devem ser escovadas e só se lembrando de usar o fio dentário ou o escovilhão quando sentem comida fibrosa intrometida entre os dentes. E, no entanto, demora muito pouco tempo fazer uma higiene oral correta: dois minutos. É o tempo necessário para um uso eficaz das ferramentas básicas – a escova, o fio dentário e o escovilhão, sendo que a pasta e os colutórios ou elixires funcionam como coadjuvantes. A escova deve ser adequada a cada boca, digamos assim – de cerdas mais suaves ou mais duras. Já a pasta também deve ir ao encontro das especificidades de cada pessoa, podendo dirigirse mais ao cuidado das gengivas ou mais ao cuidado dos dentes. O que é importante é que a escolha seja feita sempre com conselho do médico dentista ou do higienista.

(Patrícia Rodrigues, médica dentista) REVISTAVIVA, JUNHO 2019


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Vai mergulhar? Piscinas e jacuzzis são "oceanos sem fim" de doenças Pela sua saúde pense duas vezes antes de dar um mergulho, avisa um novo estudo realizado pelo Centro de Controlo e de Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos. Entre 2000 e 2014, o CDC registou a ocorrência de mais de 493 surtos de viroses que tiveram início nas chamadas ‘águas recreativas’, o que terá resultado na incidência de mais de 27 mil doenças e em oito mortes. Em quase um terço desses surtos, as infeções foram rastreadas até às piscinas de unidades hoteleiras ou privadas, a jacuzzis e a spas, de acordo com a CDC. Sobretudo nos hotéis, as piscinas foram sem dúvida as grandes culpadas, apesar de 65 dos casos terem tido início em jacuzzis e em spas. Dos surtos com causa confirmada, a vasta maioria – 94% - devia-se ao contacto com agentes patogénicos, enquanto que os restantes terão sido provocados por químicos. O cryptosporidium, que é um parasita que causa diarreia e outros problemas gastrointestinais, provocou 212 epidemias e mais de 21.700 doenças durante aquele período de 14 anos. Este vírus geralmente dissemina-se quando alguém nada e está com diarreia, colocando outros nadadores em risco de engolirem água contaminada. Já a legionela, responsável pela incidência da doença do legionário semelhante à pneumonia, foi responsável por 57 surtos e pelo sucedimento de 624 patologias. Estima-se que pelo menos seis das oito mortes tenham ocorrido em sequência da legionela. Os pseudomonas, que resultam naquilo que é comummente conhecido por ouvido de nadador e em erupções cutâneas, fomentaram 47 surtos e 920 infeções. O mesmo estudo aponta que estas epidemias foram mais significativas nos meses de junho, julho e agosto, apesar de terem ocorrido também durante o resto do ano, ainda que em menor quantidade. Os investigadores envolvidos alertam a população para que evite frequentar águas estagnadas, nomeadamente piscinas, às quais comparam a "oceanos sem fim" de doenças.  O que tem a dizer? Ainda vai mergulhar? (Liliana Lopes Monteiro, in Lifestyle)


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Viver perigosamente Fumar acelera processo de envelhecimento em mais de 20 anos Noutras palavras, os homens e as mulheres que fumam têm biologicamente o dobro da idade dos indivíduos que não consomem tabaco… alerta um novo estudo. Fumar pode acelerar o processo de envelhecimento até duas décadas, revela uma pesquisa inédita. O corpo humano tem dois estágios diferentes – conhecidos por cronológico e biológico. O último refere-se à idade que o corpo ‘pensa’ que tem – ao invés da idade real associada há quantos anos a pessoa nasceu. E agora, um estudo que analisou o sangue proveniente de 149 mil adultos concluiu que o organismo dos fumadores de meia idade tem em média 20 anos a mais, comparativamente à sua idade cronológica, e em oposição aos indivíduos que não fumam. Mais de sete em cada dez amostras provenientes de fumadores com menos de 30 anos, foram categorizadas como estando biologicamente entre os 41 e os 50 anos. Por outro lado, as idades da maioria dos não fumadores (62%) foram calculadas com exatidão. A mesma tendência foi registada em indivíduos entre os 31 e os 40 anos, em que as idades de quase metade (43%) dos fumadores recaíram entre os 41 e os 50 anos. A autora do estudo, a professora Polina Mamoshina, disse em declarações ao “Mirror Online”: “Comparativamente aos não fumadores, os fumadores apresentam um ritmo de envelhecimento mais acelerado até aos 55 anos, independentemente do sexo”. Curiosamente, essas diferenças tendem posteriormente a desaparecer – e até a reverter na maioria dos indivíduos mais idosos. A cientista explicou: “No contexto da idade biológica, tal sugere que o tabaco como um fator externo de envelhecimento poderá estar eventualmente disfarçado pela natureza fisiológica e intrinsecamente prejudicial do processo de envelhecimento”. “Alternativamente, as pessoas mais afetadas pelo tabaco podem ter sofrido uma morte prematura e daí terem sido excluídas do grupo de fumadores mais velho”. Os perigos do tabaco são amplamente conhecidos, aumentando o risco de incidência de uma série de doenças, incluindo cancro, patologias cardíacas, asma e diabetes. Polina Mamoshina acrescentou que os resultados publicados no periódico Scientific Reports descrevem os perigos reais do tabaco. Pesquisas prévias já demonstraram que a idade biológica é uma ferramenta mais útil e precisa do que a data de nascimento, para se prever quando um indivíduo irá morrer. REVISTAVIVA, JUNHO 2019


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Mulheres à beira-mar… Lançam os braços pela praia fora e a brancura dos seus pulsos penetra nas espumas. Sophia de Mello Breyner Andresen


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A revolução suave na mobilidade de Matosinhos Texto: Maria Inês Valente Fotos: Francisco Teixeira (CM Matosinhos)

A Câmara Municipal de Matosinhos assumiu a rutura com os últimos 30 anos pautados pelo desaparecimento do transporte público em muitas zonas do concelho. Fê-lo crescer, aumentou quilómetros de serviço e levou-o a zonas onde este tinha estado ausente e a outras por onde nunca tinha passado. Mas, também criou soluções alternativas. E as apostas não ficam por aqui! A presidente, Luísa Salgueiro, garante que, em breve, novos passos surgirão…

Atualmente, a cidade de Matosinhos dispõe de 22 linhas autorizadas, no terreno, a assegurar o serviço regular, o que corresponde a uma cobertura viária de cerca de 143 km, em território municipal. Mas, a autarquia pretende ir, ainda, mais longe, razão pela qual foi o primeiro concelho a definir uma nova rede de transportes no âmbito do concurso metropolitano que vai ser lançado este ano. Com esta nova rede, que “representa um acréscimo de 30 por cento relativamente à atual”, como destaca a presidente da Câmara Municipal, Luísa Salgueiro, prevê-se uma reconfiguração para 27 linhas, de forma a assegurar o serviço regular diurno e


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noturno, e a qual passará a ter uma cobertura de cerca de 193 km. Esta proposta possibilitou, também, a inclusão de novas ligações, da qual é exemplo a linha 128, que desde o início de maio, liga a Lionesa, em Leça do Balio, à Trindade, no Porto, servindo, assim, “os milhares de trabalhadores deste núcleo empresarial, tal como os do Super Bock Group, da Efacec e das centenas de pequenas e médias empresas na envolvente à Via Norte” que, até então, não tinham transporte público à sua disposição. Recorde-se que os serviços de transporte, outrora operados pela Resende, estão, agora, entregues à operadora ViaMove, numa solução provisória até à abertura do concurso público, salienta a autarca. A alteração aconteceu devido à falta de “níveis de qualidade e de segurança exigidos”, da Resende, e às várias críticas por parte dos utentes. Sobre o novo Passe Único da Área Metropolitana do Porto que, há já dois meses, está disponível em toda a rede de transportes públicos de Matosinhos, a presidente da Câmara Municipal considera que este “constitui o mais decisivo investimento das últimas décadas na área da mobilidade”. “Todos os passos que fomos dando, nomeadamente a integração no Andante, permitiram às famílias poupanças significativas, nomeadamente as do Norte do concelho, muitas delas obrigadas a adquirir dois passes de transporte público”, aponta Luísa Salgueiro, acrescentando que a integração de todas as linhas no passe Andante foi, efetivamente, “um aspeto que diferenciou o sistema de Matosinhos de todos os outros sistemas dos municípios da área metropolitana do Porto”.

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E T R O PO LI S

A PRIMEIRA ZLT NO PAÍS Destaque notório na revolução dos transportes em Matosinhos é, indiscutivelmente, a sua Zona Livre Tecnológica (ZLT), a primeira em Portugal, e lançada recentemente, que surgiu na continuidade do trabalho iniciado com a criação, em 2017, do Living Lab de Matosinhos – Laboratório Vivo para a Descarbonização. Com esta iniciativa, explica Luísa Salgueiro, pretende-se obter feedback relativo às experiências de utilização e induzir comportamentos mais responsáveis e sustentáveis por parte dos cidadãos. Esta ZLT, que vai desde a Senhora da Hora até à marginal de Matosinhos, arrancou, oficialmente, no início do mês de abril, com o projeto piloto “WeShare by AYR” que tem como objetivo compensar os utilizadores de soluções de transporte limpas com créditos transacionáveis sob a forma de AYR credits, a unidade de moeda de troca a ser usada entre cidadãos e empresas, de forma a fomentar uma economia verde. Até ao momento, o projeto está reservado unicamente aos funcionários do CEiiA, que, desde então, têm ao seu dispor cerca de uma centena de bicicletas e trotinetas elétricas para as suas deslocações pendulares. Nos próximos meses, estas soluções de transporte serão, ainda, testadas pelos funcionários da Câmara

Municipal e, depois, os matosinhenses passarão, a ter, também, acesso a cerca de 250 destes veículos espalhados pelos vários postos da ZLT. Assim que o programa seja alargado pela cidade, “os créditos poderão não apenas ser trocados por outras soluções de transporte de partilha, mas também por produtos de origem biológica, nomeadamente os que se vendem no Mercado de Matosinhos”. “Este projeto destaca-se dos outros semelhantes, com base na partilha de transporte, não pela forma como as pessoas se deslocam, mas pela forma como são compensadas, a partir da quantificação das emissões poupadas e da possibilidade das mesmas serem valorizadas”, salienta a autarca. As bicicletas e trotinetas partilháveis podem ser o primeiro passo para que Matosinhos parta na linha da frente quando chegar a altura dos testes dos veículos autónomos, dispondo a colaboração entre a autarquia e o CEiiA, de acordo com a presidente, “de condições únicas para dar origem a outros projetos”. “Para o início dos testes com veículos autónomos vai ser ainda necessária criar regulamentação específica, mas acreditamos que estamos a dar os primeiros passos desse longo caminho”, assegura.


M ATOSI N H OS

OS (NOVOS) PROJETOS QUE SE AVIZINHAM O Município de Matosinhos está a trabalhar para permitir que todos os jovens que frequentam o ensino público não-superior nas escolas do concelho, possam usufruir de transportes públicos gratuitos já a partir do início do próximo ano letivo, garantindo, assim, “a igualdade de oportunidades, a promoção da utilização de transporte público junto dos mais jovens, e o desincentivo à utilização de transporte privado para as deslocações dos encarregados de educação”, explica Luísa Salgueiro. Em simultâneo com as transformações em curso, a Câmara Municipal procura, também, ao nível da rede, “intervir na revisão geral das necessidades de instalação, de reposicionamento e reparação dos abrigos ou paragens existentes, da colocação de novos abrigos nos locais mais expostos ao mau tempo ou de muita procura de utentes” e nos sítios de espera de transporte público, uma intervenção, possivelmente, com menor visibilidade, mas com um “enorme significado para os utentes”. Ao nível da ferrovia, a autarca afirma que o novo quadro comunitário Portugal 2030 será uma oportunidade para a concretização das reivindicadas

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linhas de ligação entre a Senhora da Hora e o Hospital São João, com passagem por São Mamede de Infesta, e entre Matosinhos e o centro do Porto, com passagem pelo Campo Alegre assim como a ampliação da linha azul até Leça da Palmeira. “Adicionalmente, como previsto no Plano de Atividades da Metro do Porto, acompanharemos a intervenção na estação de metro da Senhora da Hora, com vista a conferir aquela infraestrutura de melhores condições para os utentes”, conclui. REVISTAVIVA,JUNHO 2019


M

E T R O PO LI S

Junta de Freguesia de Paranhos aposta na alfabetização e nas literacias Em Portugal existem cerca de meio milhão de pessoas analfabetas, sendo que, só no Porto, os dados apontam para sete mil. Consciente dessa realidade, e sempre empenhada em proporcionar o melhor conhecimento à população, a Junta de Freguesia de Paranhos, liderada por Alberto Machado, assinou um protocolo que visa combater o analfabetismo, promovendo oficinas de desenvolvimento de leitura, escrita e outras literacias baseadas nas necessidades quotidianas de cada participante. Texto: Maria Inês Valente Fotos: J.F. Paranhos

“Percursos de Cidadania, Alfabetização Solidária e Literacias” é o nome do projeto-piloto que, desde março, está em fase de desenvolvimento na freguesia de Paranhos e que surgiu depois de um acordo de parceria assinado entre diversas entidades, como a Santa Casa da Misericórdia do Porto, o Instituto de Emprego e Formação Profissional, a Escola Artística e Profissional Árvore, a Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, a Fundação António Manuel da Mota e a Associação Portuguesa de Educação e Formação de Adultos (APEFA). Com a divulgação dos dados que dão conta do

número de pessoas analfabetas no país (meio milhão), e em particular no Porto (sete mil), a Junta de Freguesia de Paranhos entendeu que a melhor forma de inverter esta realidade passaria pela promoção da literacia da população adulta. O combate ao analfabetismo na região começou, assim, a 14 de março, na Casa da Cultura de Paranhos, com uma turma composta por 12 inscritos, a primeira a resultar deste protocolo. As ações, que comportam uma forte vertente de voluntariado, decorrem duas vezes por semana, e a autarquia convida todos aqueles que não saibam ler ou escrever ou que tenham


PA RA N H OS

dificuldade em compreender ou interpretar, a participarem nestas oficinas, porque, como realça, “nunca é tarde demais para aprender”, sendo que “aprender é viver com liberdade”.

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OS NÚMEROS QUE ORGULHAM A AUTARQUIA O executivo da Junta de Freguesia de Paranhos fechou o Relatório e Contas de 2018 com uma taxa de execução de 99,89%. Ao nível da Receita da Freguesia, Paranhos superou, uma vez mais, o objetivo traçado atingindo um resultado de 106,26%, o que permite, assim, criar uma margem maior para o investimento dos vários projetos concretizados e daqueles que pretende realizar. No entanto, é ao nível da Despesa da Freguesia que a autarquia apresenta os números que mais a orgulham – 99,86% -, o que diz significar que continua a cumprir com tudo aquilo que, desde o início, se comprometeu fazer. Nesta secção, conseguiram atingir a taxa de 100% de execução do Plano Plurianual de Investimentos assim como de 99,91% de execução do Plano de Atividades previsto para 2018. REVISTAVIVA, JUNHO 2019


H U M O R

Mensagens

Mais um pedaço

Quase rico

O meu marido e eu estávamos sentados no sofá. Eu a ver televisão, e ele a mexer no seu telemóvel. De repente o meu telemóvel, que estava na cozinha, tocou. Levantei-me e fui ver quem era. Era uma mensagem do meu marido:  "Já que estás na cozinha, podes fazer-me umas sandes?"

A mãe de um rapaz guloso comprou um bolo. O rapaz come quase todo o bolo e ainda pede mais um pedaço, mas a mãe alerta: - Filho, se tu comeres mais um pedaço, tu vais explodir!  E o menino rapidamente responde:  - Então dá-me o pedaço e sai a correr!

Entre amigos, um deles desabafa: - Tenho mesmo quase tudo para ser rico!  - E o que te falta? – pergunta o amigo.  Responde o primeiro:  - Dinheiro!

Se eu soubesse

O lado bom

Conversas

A esposa diz para o marido: - Se eu soubesse que você era tão pobre, nem teria casado contigo!  Ao que o marido responde:  - Mas não foi por falta de aviso! Eu sempre te disse: TU ÉS TUDO O QUE TENHO!

O filho conta para a mãe: - Mãe, descobri o lado bom da escola!  - E qual é, meu filho?  - O lado de fora.

Na aula, o Joãozinho estava sucessivamente a conversar e interromper outros. Diz a professora: - Sabes qual é o nome que se dá a uma pessoa que continua a falar, mesmo quando os outros não estão interessados?  E responde o Joãozinho:  - Professor…

O ladrão

Consegues ver?

Cruzeiro em risco

O chefe todo enervado pergunta: - Meu Deus! O ladrão fugiu!  - Como? - pergunta o polícia ao seu superior.  - Como pergunto eu! Eu mandei-te fechar todas as saídas!  Ao que o polícia respondeu:  - Pois chefe, o ladrão deve ter fugido pela entrada.

Um bêbado pergunta ao outro: - Estás a ver aquela floresta? - Não, aquelas árvores estão à frente!

O casal está prestes a embarcar no cruzeiro. O homem olha para a mulher, que vem carregada de malas e diz:  - Devias ter trazido era o piano...  - Deves achar que tens muita piada!  - Não, a sério... É que deixei os bilhetes em cima dele...


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Revista VIVA! - edição junho 2019  

Revista VIVA!, junho 2019

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