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ANTÓNIO CRUZ


ANTÓNIO CRUZ


“ PREFÁCIO DE UMA VIDA”

Escrevi num mês distante, trinta e tantos, poemas a fio sem parar, numa espécie de êxtase. E hoje, é um dia triunfal da minha simples existência, nesta minha vida. O que se seguiu depois de alguma tinta ser gasta e muito papel ter sido utilizado; só sobrou um cesto de papéis cheio, foi o aparecimento de um novo “Poeta – Escritor”. Tudo isso, se verificou no continuar do pequeno Sonho de Criança que há muito tempo vinha a desenvolver no meu interior, utilizando pequenas rimas ou alguns pensamentos muito sugestivos da minha maneira de ser. E de ter vivido quando criança e também algumas situações, já como adulto. Desculpem – me, o absurdo da frase; mas apareceu em mim um enorme desejo de transcrever para o papel algo com sentido ou mesmo sem! Era simplesmente aquilo que vindo do meu eco interior ou directamente da minha mente, ditava por palavras ou frases simples, numa leitura rápida, e a minha mão escrevia para um bocado de papel. A expressão que sobressaia no meu rosto era a de um pequeno sorriso esboçado quando terminava mais um tema, mesmo que esse não tivesse muito sentido! Mas, era como se tivesse restituído alguma vida aos mais simples “poemas” ou “contos”, que eram para mim algo profundo mas muito belas. Só que por vezes, bastava unicamente o esboçar de um sorriso para me agradar e aquilo que acabava de transcrever logo por si existiria numa folha de papel sentindo toda a sua magia sem sequer poder falar! E, num certo dia, à noite quando relia tudo aquilo que já havia escrito em simples rascunhos, por vezes, revia ali a minha própria sombra retractada. Eram, e são, simplesmente memórias, brincadeiras, ou mesmo chamadas de atenção para o mundo em que vivemos. Sei que um dia alguém as vai poder ler e as irá existir na prateleira da sua biblioteca para quando este ser já ter abandonado o planeta Terra. Um simples risco da minha curta vida ficará lá conservada, para sempre todo o sempre como sinal da minha pequena existência terrena! E, só assim poderei viver eternamente, por milhares de anos a fio, recordando a Alegria, a Tristeza, o Amor, a Solidão e tudo aquilo que tiver dado a este Mundo! Mas, uma coisa Eu sei, que serei alguém que existiu um dia neste “Universo da Escrita”!... E essa recordação ficará para sempre nas memórias de todos, sendo como aquele que deixou um “Verso” quando morreu, e talvez seja a “Profecia” de uma vida!...

Mozelos, 2000 / 10 / 10 TONY CRUZ


TITULO

LOCAL / DATA

0

PREFÁCIO DE UMA VIDA

MOZELOS, 2000 / 10 / 10

1

ENREDO

MOZELOS, 2011 / 03 / 19

2

LÁGRIMAS DE EMOÇÃO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2011 / 03 / 21

3

NOVO CAMINHO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2011 / 03 / 22

4

ESTE PAÍS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2011 / 03 / 23

5

LOUVORES

SILVALDE, 2011 / 03 / 25

6

ALÉM-MAR

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2011 / 03 / 28

7

MINHA MIÚDA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2011 / 03 / 29

8

MEU JOVEM

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2011 / 03 / 29

9

MINHA ORAÇÃO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2011 / 03 / 31

10

LÁGRIMAS e SANGUE

MOZELOS, 2011 / 04 / 02

11

SE EU FOSSE…

MOZELOS, 2011 / 04 / 05

12

ESTE VOO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2011 / 04 / 06

13

A VIDA É FEITA DE NADAS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2011 / 04 / 07

14

SUSPIRO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2011 / 04 / 08

15

LÁGRIMAS VERTIDAS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2011 / 04 / 11

16

ESCREVO ASSIM

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2011 / 04 / 15

17

ASSIM VOU ESCREVENDO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2011 / 04 / 19

18

MENINO TRISTE

MOZELOS, 2011 / 04 / 21

19

AS MÁSCARAS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2011 / 04 / 26

Em "Lágrimas de Emoção" escrevo assim Percorrendo um novo caminho por fim Já que a vida é feitas de nadas Neste país cheio de enredos e sem fadas. Assim vou escrevendo louvores por além-mar Com um suspiro sobre lágrimas vertidas sem parar Retirando as máscaras a um mundo Amando a minha miúda com um sentimento profundo. E vendo um menino triste rezo a minha oração Conquistando este voo e vertendo lágrimas de emoção Perante o meu jovem que sonha livremente Como se eu fosse as lágrimas e sangue desta semente. São Paio de Oleiros, 2011 / 04 / 27 TONY CRUZ


“ENREDO”

Sobre uma avalanche de lágrimas Espalhei-me derramando sangue num sofrer Ao cobrir com o meu próprio corpo As filhas do relento sem como o saber.

Não querendo perder a minha razão Escrevi numa lousa a minha filosofia Ao não ter tempo para ser criança Perdi a voz ao chegar do novo dia.

E uma pedra foi esculpida simplesmente Entre o tempo antigo e o novo O primeiro ficou gravado no coração Ferindo sempre com um passado do povo.

Assim divido as águas do rio Ao atravessar o mesmo com raiva Com as duas metas para atingir Mesmo estando ferido pela saraiva.

Pois também vou escrevendo fábulas Utilizando o movimento dos animais Para minha cobertura nesta vida errada Ao surgir o Inverno para os demais.

Recebendo de Deus esta dom Sobre o qual aplico a minha poesia Fugindo ao diabo com as palavras Que vão surgindo no meu dia-a-dia.

E as lições que a vida marca Me fazem atravessar estas eternas trevas Mesmo estando puro de coração poético Mas ao mesmo tempo impuro sem reservas.


E quando o meu Verão chegar Desejo acabar com esta ferida Que faz derramar as lágrimas Onde a emoção consta, mas escondida.

Nesta minha impaciência vou escrevendo Recorrendo ás cores das minhas letras Fugindo à forma do dicionário dos doutores Seguindo a insignificância das conversas de tretas.

Mas como nunca se regressa Ao mesmo lugar da mesma forma Sinto as lágrimas da emoção vivas Retirando do meu útero como reforma.

Já que procuro ser um poeta Com este dom circunscrito por Deus Gravado no meu coração ferido Pela única estação marcada prós réus.

Tudo isto é como uma mecânica Que surge ao seguir este caminho Não querendo regressar ao passado Vou procurando também um pouco de carinho.

E sem itinerários vou escrevendo livremente Mesmo com o meu coração ferido Refugiando-me pelas sombras da vida Fugindo por vezes do Sol ficando escondido.

Já que os labirintos da vida São muitos e por nenhum lugar Pois sempre fui um refugiado do tempo Mas desta forma conquistei um novo olhar.


E não escondo hoje esta escrita Já que a mesma me fornece a liberdade Ao derrubar lágrimas de emoção Seguindo as palavras poéticas com igualdade.

Mesmo que vá sofrendo nesta vida Consegui desta forma a minha desforra Cobrindo hoje, este meu corpo tatuado Com a minha poesia antes que morra.

Sigo assim os passos da escrita Com a vontade de Deus por ora E com um sentimento de verdade pura Carregando as minhas lágrimas pela rua fora.

E mesmo que sangre nesta vida Termino por agora este enredo Mesmo estando ferido pelo passado Mas desejo continuar a escrever sem medo.

Mozelos, 2011 / 03 / 19 ANTÓNIO CRUZ


“LÁGRIMAS DE EMOÇÃO”

Choro lágrimas de emoção agora Ao ver tanta guerra na televisão Crianças, mulheres e jovens que sofrem Perante uma guerra tão inevitável de confusão.

Como uma misteriosa fatalidade ela surge Não existindo lugar para a aceitarmos Pesem as razoes patriotas ou outras Como as religiosas todos nós para ela avançamos.

Pois todas as guerras dizem-se patriotas Mas são impostas por loucos ditadores Elevando a sua alma patriota, mas egoístas Sobrepondo-se ao nível de todos os doutores.

São estes os senhores das guerras Que aplicam a religião aos fanáticos Gerindo a mesma para lá das terras Ou gentes pacificas que por vezes são lunáticos.

Já que nem os pacíficos deuses Sobrevivem a tanta guerra imposta Fazendo qualquer um verter lágrimas Perante tanto sofrimento sem ter resposta.

Mas quando será que um dia Elevaremos as memórias dos que morrem? Já que perdem a sua vida pela liberdade Enquanto outros enriquecem a totem.

Pois neste mundo os lobos uivam Perante tanta demagogia libertada pelos políticos Enterrando os que morrem sem saberem seu nome Já que assim o desejam todos os “ricos”.


E por mais romances que se façam Devemos sempre prestar as honras fúnebres A essas crianças, mulheres e jovens Que perdem a vida como grandes nobres.

Visto que lágrimas de sangue são derramadas Perante tanta emoção já por eles vivida Ao tentar conquistar a sua única liberdade Esquecendo por momentos a sua honra ferida.

Permitam-me assim que escreva nestas folhas Ao ver tanta guerra no ecrã da televisão Sendo eu alérgico ao cheiro da pólvora Escrevo com liberdade estes momentos de emoção.

Invocando o escrúpulos da minha consciência Como um poeta honro as suas memórias Com aperto no meu coração que chora Lágrimas vivas como rezam as minhas histórias.

Vou aqui esculpindo com respeito As pedras que cimentam todos aqueles mortos Que a história tenta fazer esquecer Colocando uma pedra fazendo-os cair como tortos.

Salvo nesta poesia as suas lágrimas Que vão caindo sobre uma voz forte Ao tentarem vencer o poder que reina Neste mundo como um inferno de morte.

Ao mundo inteiro escrevo com emoção Mostrando tão nobre que é esta alma pequena Já que convencido estou e tendo tanta certeza Que as minhas palavras serão eternas nesta cena.


E perante este meu choro de emoção Sinto que o meu dever foi cumprido Honrando as memórias dos que morrem na guerra Com estes versos sem artifícios sendo um perdido.

Já que estou perdido neste nosso mundo Não sabendo como devo nele me colocar Pois nestas folhas vou ritmando minha emoção Ao visualizar as imagens que surgem sem parar.

Surgindo por vezes também imagens sonoras Ouvindo gritos e lágrimas de emoção Pela perda de alguém no palco da guerra Que me cravam farpas no meu coração.

Dito assim nestes meus simples versos Que estes mortos são dignos de admiração Obtendo aqui nestas folhas o meu respeito Enquanto choro as minhas lágrimas de emoção.

São Paio de Oleiros, 2011 / 03 / 21 ANTÓNIO CRUZ


“NOVO CAMINHO”

Sinto em mim uma enorme emoção Embora já tenha tentado dizer Tudo o que vai no meu coração Choro agora enquanto estou a escrever Pois cada vez que me aproximo dela As palavras faltam-me naquela hora Ao ver como a sua beleza é tão bela Que perco a coragem e vou embora Não sei como foi este começo Mas tudo parece ter a sua magia É que cada coisa que ela faz eu meço, Escrevendo depois tudo com muita fantasia Sofro assim derramando estas lágrimas de emoção Ao ver como ela me excita de paixão Mesmo que a minha vida seja de solidão Desejo sair desta tragédia em provocação Pois agora sei que o meu amor Por esta dama continua a florir Como da primeira vez que a vi de cor Aparo as lágrimas que verto a sorrir Com um guarda-chuva já sem cor Visto que o mesmo não é grande O suficiente acabando molhado por ora Sentindo o meu coração sangrando pela glande Que não parece acabar seguindo pela estrada fora Já que as minhas veias parecem uma estrada Onde circula a minha paixão com um sofrer E por cada coisinha que surja eu choro Talvez por isso continue assim a escrever Nestas folhas com uma certa magia onde demoro Ao tentar encontrar uma via nova Já que a flor que amo me excita Ao apresentar o seu corpo nu que se renova Mesmo que o meu dia não o permita Procuro em mim encontrar a sua paixão Sendo trágica por vezes entre os lençóis Que cobrem o nosso leito feito de emoção. Onde por vezes aquece à temperatura dos sóis Sei sempre que o seu amor dura E enquanto ele durar posso contar uma história Pois também o meu amor por ela perdura Provocando no meu ser um grito de vitória Contendo dentro de mim uma certa magia À qual decido ligar este meu coração À corrente da emoção mesmo que chore Fazendo valer a corrente da paixão


Que com mais de mil voltes não morre E todos os dias posso assim perguntar, A esta dama que amo com emoção Se a mesma voltaria comigo a casar Já que nesta poesia também transmito ficção Uma ficção que repugna a minha vida Sabendo que com ela novamente casaria Mesmo à moda antiga não estando esquecida Já que a amo como a minha bela flor Não conseguindo por vezes até falar Tudo aquilo que sinto em mim com dor Talvez por isso vá escrevendo assim sem parar Para que possa registar nestas folhas A minha poesia carregada de amor Já que a sinto dentro de mim como os trolhas Que ao Sol o seu corpo vão assim queimando Pois a mesma em mim queima com fervor E quando a sua voz escuto diariamente Mesmo a ouvindo ao telefone sinto a paixão Que avança no meu coração livremente Depositando em mim a sua semente com alguma emoção Por isso choro aqui e agora tentando alcançar A felicidade que me foi oferecida Um certo dia em pleno Verão sem contar Vertendo eu as lágrimas de uma Lua ferida Já que na hora a minha língua encravou Ao sentir que não estava mais sozinho Na vida que levava, visto que me escutou Escrevendo assim este meu novo caminho.

São Paio de Oleiros, 2011 / 03 / 22 ANTÓNIO CRUZ


“ESTE PAÍS”

Vou perguntando ao vento O que se passa com este país Já que acontece esta desgraça Mas ele se cala e nada diz.

A mesma pergunta faço ao rio, Que passa e leva meu sonho Nas suas águas que então transporta Os sonhos e as mágoas que me oponho.

Já que são mágoas de sonhos Que um dia descobri aqui Enquanto escrevia livremente e ia chorando As lágrimas de emoção pelo que sofri.

Pois sofri e continuo sofrendo Ao ter sonhos para esta pátria Que me viu nascer como se diz Mas onde ninguém pára esta mania.

É a mania de ser grande Neste país tão pequeno à beira mar Regado pelas águas como uma flor E o qual não deixo de amar.

Onde pára a minha sorte Já que o vento leva o trevo Espalhando no ar as minhas palavras Que nestas folhas então escrevo.

Peço assim ao vento a resposta Ao desfolhar as folhas das noticias Pois por aqui morreu de alma Ao desejar ser feliz como as Donas Letícias.


É que já perguntei neste dia A muita gente olhando o céu Mas colocando de prontidão os olhos Ao chão que piso com tudo ao léu.

Já que o meu ser parece Que anda nesta vida a nu Percorrendo as ruas por onde passo Vivendo assim como servidor de peru.

Pois a fome que este país Nos faz passar neste momento Faz-nos viver na servidão presente Esquecendo assim o nosso sentimento.

Ao já ter visto florir o verde Tentando conquistar a esperança nos ramos Com todos os meus direitos Voltando pró céu rezando aos amos.

Sabendo que os mesmos amos Nos fazem sofrer derramando lágrimas Já que este país a isso se permite E assim vivemos de ombros curvados sem rimas.

Pois com as mesmas rimas Consigo viver um sonho desde petiz Enquanto ao vento pergunto por ora Se um dia poderei vir a ser feliz.

Mas o vento nada me diz Nem mesmo este nosso povo Ao ver esta nossa pátria pregada À cruz construída nesta terra de novo.


Já que os brancos deste povo Alguns tempos foram simplesmente amarrados Fugindo à liberdade sem ter lei Passando a pátria à margem dos condenados.

E a revolta que sinto em mim Passo-a a escrever assim de novo Como filho de navegadores neste tempo, hoje Que pelos oceanos demonstra a bravura deste povo.

Pois a viajem que faço Por entre estas folhas que agora escrevo Deve ficar registada para sempre Amando assim a minha há pátria com relevo.

E visto que já estou farto De tanto chorar lágrimas com emoção Sendo as mesmas que este país dita Sonhando que um dia libertarei o meu coração.

São Paio de Oleiros, 2011 / 03 / 23 ANTÓNIO CRUZ


“LOUVORES”

Estou sentado neste café Surgindo lágrimas de emoção Pois recordações são declaradas Pelos tempos como um furacão.

Aqui no café São Tiago Se juntam poetas sem idade Versos são soltos na hora Misturando-se com lágrimas de irmandade.

Esta noite dita a lei Neste encontro de rimas feitas Transportando alegria pelo ar Através de versos como receitas.

Procuro nesta aura viva O ritmo que desperta agora São como larvas do tempo Espalhando sorrisos pela noite fora.

Cravam-se as palavras no corpo Onde mais um poeta Faz elevar a sua alma Através de conversas da treta.

Uma treta cheia de fantasia Mas é assim que se vive Como homens e mulheres de letras Descrevendo uma vida que se revive.

E por mares que se navega A alma poética neles sobrevive Nunca esquecendo os seus declives Que neste mar então se vive.


Escutam-se assim as palavras De velhos ou novos poetas Todos sentem a sua alma Mesmo andando pelas perdidas valetas.

Sobrevivem assim as palavras Que as lágrimas ditam Carregadas de emoção instantânea E gritos alegres aqui se alteiam.

Pois estas lágrimas de emoção São vividas sem ter idades Para estes poetas é a lei Das palavras que cravam sua felicidade.

É que a sobrevivência De um passado ainda remoto Faz sobressair a sua liberdade Ao andar por este maremoto.

A ao encontramos neste café A nossa fonte da mentira Onde não existem barreiras nem limites Para as palavras que aqui se atira.

Já que se atira pró ar Palavras carregadas de letras Sem existir um termo certo Fazendo tudo circular sem muitas tretas.

Prosas, rimas cheias de fantasia Nos fazem recordar aquelas vidas Com uma alegria sem ter igual Onde se vai buscar novas lidas.


Como um castigo aqui efectuamos A troca de palavras amigas, Recordando alguns passados vividos Em que se raspavam ás colheradas as migas.

Aqui nestas linhas deixo louvores Ao amor que existe por ora Nesta poesia de poetas sem tempo Tomando um último café vou-me embora.

Silvalde, 2011 / 03 / 25 ANTÓNIO CRUZ


“ALÉM – MAR”

Recordo aqui com tenra idade Ser chamado para a inspecção Teria talvez dezoito anos por aí Segui para o Porto esperando na estação.

Era de manhã cedo e sozinho ia Jovem trabalhador como eu era Estudando à noite a caminho me pus Cheio de sono naquela manhã de Primavera.

Pelo caminho conheci outros jovens Todos como eu de mente sã E corpos são de atletas que éramos Seguimos estrada fora naquela manhã.

Após termos saído na estação E o comboio em São Bento ficou Com medo seguia até ao Centro Onde por algum tempo minha vida parou.

Fui assim presente à inspecção Com um receio dentro de mim Mas lá parti como minha obrigação Caminhando estrada fora até ao fim.

E quando lá cheguei de manhã Fileiras foram formadas ao Sol Pois estava um Sol de rachar Como se diz na gíria ficando mole.

A chamada foi feita por ordem Era a ordem alfabética que mandava Testes foram feitos no tempo permitido Enquanto uma vontade de urinar comandava.


As forças da natureza me chamavam Ou seriam as forças do meu medo Hoje penso e recordo aquela manhã Estando bem aflitinho apontando o dedo.

Pois naquelas horas não tinha escolha Ou me portava como um homem Ou chorava como uma pobre criança Apesar de já ser um bom jovem.

Não tinha muitas escolhas a fazer E como outros mancebos assim todos serviam Para o serviço militar que o exigia Mesmo de quatro-olhos lá me pretendiam.

Mesmo sendo um simples rapaz franzino E usando uns óculos naquela altura De pronto estava para servir o país Com toda a instrução básica e sem cura.

Pois apto fiquei na hora, Para servir na defesa nacional Eram precisos elementos novos no quartel Para servir a pátria de Portugal.

Na Marinha pretendia parar Como sendo filho de navegador E por lá então poder ficar Desejando navegar como o livre açor.

Mas o meu desejo lá desembarcou Ao passar à reserva territorial Aguardando assim por novos ventos No porto de casa bem sentimental.


Pois na hora lágrimas derramei Ao sentir na ponta dos dedos Que surgia um batimento de coração Num fugir das oportunidades com os medos.

Não sabendo mais do meu futuro Que então já estaria reservado Como poeta navegador de coração Escrevo assim que fui malfadado.

Mas não deixo de ser marinheiro Navegador por águas do Além-mar Através desta minha escrita poética Conquisto oceanos sem saber como parar.

São Paio de Oleiros, 2011 / 03 / 28 ANTÓNIO CRUZ


“MINHA MIÚDA”

Existe na minha vida uma miúda Que em mim acende uma fogueira Que vai ardendo por qualquer lugar Bastando olhar para ela à primeira.

Seja noite ou dia fico arder, Com uma chama bem acesa em mim Ao avistar seu corpo de flor Revelando pró mundo sua beleza sem fim.

Sinto de tal maneira o desejo Que por vezes me faz derramar As lágrimas cheias de emoção por amar Tal ser sem saber como então parar.

Pois só desejo arder de paixão Enquanto sinto o seu belo perfume Como uma flor assim ela cheira Carregada de pudor acendendo meu lume.

Do seu corpo posso beber com paixão Ao se deitar sobre o nosso leito Coberta com os seu trapos de cor Enquanto beijo levemente o seu peito.

Embriago-me assim no seu corpo nu Coberto por alguns farrapos como véus Esta miúda graúda é um exagero Que surgiu na minha vida vinda dos céus.

Posso dizer que sem esta miúda Não poderia voar sobre os nossos lençóis Já que adoro voar com ela em paixão Atingindo o universo dos novos sóis.


E neste nosso voar cheio de paixão Inventamos novos espaços para a viver Arquitectando cada momento como uma teia Que é executada com precisão ao nascer.

Costumo dizer que a mesma está viva Onde nela os nossos corpos aconchegamos Libertando toda a nossa paixão bem viva E na mesma o nosso líquido, derramamos.

Pois esta miúda me faz acreditar Que o Sol é o nosso presente de vida E que Aurora enfeita o nosso amor Ao ser vivida sem nunca ser então esquecida.

Já que vivo principalmente para ela Desfrutando do seu corpo de mulher Apesar de ser a minha miúda feiticeira Já que lança o seu encanto ao meu ser.

Assim se perde a minha mente vadia Ao avistar seu corpo coberto por trapos Que me põe a falar que nem papagaio Ao fazer me crescer água na boca como farrapos.

Sei que por vezes é bem difícil Conseguir compreender esta minha miúda Enquanto a minha boca seca por prazer E vai crescendo em mim uma raiz graúda.

E nada parece contradizer esta nobre vontade Que avança por vezes com um simples olhar Já que esta minha miúda me faz acreditar Até num simples morto que venha a passar.


Posso assim escrever que esta miúda É como um Sol para a minha vida Iluminando cada passo que dou cheio de emoção Fazendo o meu coração verter lágrimas sem partida.

Já que esta miúda é a minha meta E essa só desejo continuar a conquistar, Podendo o seu corpo enfeitado de farrapos Despir a qualquer momento com um simples olhar.

Esta miúda a lágrimas me faz derramar O seu corpo lavo e passo nele a beber Embriagando o meu coração cheio de emoção Ao sentir o amor que sinto com este escrever.

É a minha miúda sem dizer exageros Pois a posso amar a cada dia que passa Ao sentir a minha alma arder de febre E ao poder colocar a minha mão nessa massa.

São Paio de Oleiros, 2011 / 03 / 29 ANTÓNIO CRUZ


“MEU JOVEM”

Sonha, jovem sonha, não deixes de sonhar Com aquilo que desejas ser um dia Nunca precisando de deixares assim de sonhar Já que a vida também é feita de fantasia Apesar das lágrimas que derramamos sem parar Tens o mundo nas tuas mãos como se dizia Pois a verdade já não é essa basta olhar À tua volta e vês o que se passa no teu dia-a-dia Por isso te digo meu jovem, continua a sonhar Porque esse teu sonho não morre de azia E pelas nuvens do sonho continua a navegar Já que esta vida é feita de sonhos e fantasia Mesmo que a mesma tenha ou não tenha paladar. Pois a tua fome podes matar em plena maresia Que surge ao sabor do tempo sem o parar. Por isso continuo a te dizer meu jovem neste dia Sonha e liberta as tuas lágrimas nesse teu mar Que a vida plantou no teu caminho enquanto sorria. Luta assim para vencer com a tua vontade sem cessar Sonha, jovem sonha, não deixes morrer o dia Já que o tempo passa e não quer sequer parar Podes assim levar o teu sonho com muita fantasia Deixa as tuas lágrimas escorrerem nesse teu olhar Mas não sacrifiques o teu sonho no teu dia-a-dia Olha o horizonte sem deixares de sonhar Procura com emoção o viver como te pedia Pois meu jovem, ainda tens tempo para sonhar, Não percas a tua esperança ou mesmo a fantasia Já que tanto sonhas e ninguém te pode parar A tua vontade é maior que isso e assim escrevia Ao ler os teus sonhos escritos nesse teu olhar És o meu jovem e que tanto sonha com o que via Ser médico, manequim ou mesmo pintor basta acreditar Que o teu sonho pode ser real e isso eu lia Nas folhas que escreves em segredo sem parar Já que as lágrimas que derramas são em demasia Pois nada está perdido nesta vida de estalar Só tens que continuar a sonhar no teu dia-a-dia Ser arquitecto, cientista ou dançarino, pois tu sabes dançar Perguntas muitas vezes de lágrima no olho que se via O que podes ser, mas só Tu meu jovem podes acreditar Já que na tua alma nobre e cheia de fantasia Fazes ver muitos homens que não sabem falar Pois só posso te dizer, acredita no teu dia-a-dia Nunca deixando morrer o teu sonho de se fadar Honrando a tua forma meu jovem, de sonhar


Já que como poeta e teu mentor escrevo neste dia Que também nos meus sonhos quero acreditar Pois a vida nem sempre é fácil no nosso dia-a-dia Mas contra isso vou escrevendo sem ter que parar Assim meu jovem, só te posso dizer, carrega a fantasia, Que tanto transportas na tua imaginação como no teu dançar Sonha meu jovem, sonha sem medo do dia Já que a noite é a tua madrinha no teu sonhar. Mas nem por isso o deixes morrer durante o dia Sonha meu jovem, que um dia vais saber acreditar Que os teus sonhos têm vida e muita fantasia Por isso escrevo este poema, meu jovem continua assim a sonhar!

São Paio de Oleiros, 2011 / 03 / 29 ANTÓNIO CRUZ


“MINHA ORAÇÃO”

Enquanto escrevo esta minha oração sem cor Choro lágrimas de emoção sobre letras Já que se eu morrer antes de dor Que a minha adorada flor e sem tretas Pois da mesma deseja um só favor Que eleve aos céus o nosso amor eterno E que chore o quanto quiser livremente Por favor meu amor não vás até ao inferno, Ao brigares com Deus como teu remetente.

Sei que se ele me levar primeiro Já, lágrimas derramei por tanto amor, O teu coração ferido pelo ponteiro Que marca o tempo sem sequer parar Não chores se não quiseres meu amor Porque Deus assim o quis para mim Ao levar-me consigo fugindo a tanta dor Sentindo que já estava perto do meu fim.

Não te preocupes minha querida flor Se não conseguires por mim então chorar Porque sei que o teu coração sofre de dor E que o teu amor por mim não vai parar Se tiveres vontade de sorrir então sorri Pois se alguns amigos contarem peripécias minhas Será com certeza com muito respeito por isso ri Escuta e acrescenta a elas mais algumas linhas.

Sei que a tua versão será mais forte E se me elogiarem demais corrige a mesma Já que nesta vida que levo se atravessa a morte E o exagero de nada vale como meu tema Mas se por ventura me criticarem demais avança Com as tuas nobres palavras já que bem me conheces Defende assim a nossa honra como amantes em aliança Não sendo nenhum santo nesta vida que amanheces.


Porque apesar do que já sofri nesta vida Nada me fará ser aqui o tal santo E tudo isto só porque naquela hora esquecida Pois morri como homem mas não poeta para espanto Já que a minhas palavras por cá ficam Não estando longe de chegar a ser um santo Porque todos nós temos um pouco do mesmo que digam Os verdadeiros santos que se cobrem com o seu manto.

Por isso minha flor não deixes que me pintem, Com lápis de cor ao ponto de ser um demónio Pois a minha alma poética ao menos respeitem Já que por estas linhas vou escrevendo como António Mostrando ao mundo que sofro pela paixão Seja pelo teu amor ou por esta minha poesia Em ambas situações procurei sem um bom amigo de coração Chorando lágrimas de emoção no meu dia-a-dia.

Pois levo uma vida inteira a aprender Como é ser um amigo suficientemente disponível Tentando ainda nestas últimas horas assim o descrever Nestas linhas para mim tão úteis como nos livros Marvel Já que como nesses livros não desejo ser um herói Apenas desejo ser hoje um nobre poeta aprendiz Nesta vida que já levo bem avançada que tanto me dói Fazendo-me chorar por aqui ao precisar de ser feliz.

E enquanto poder ter forças minha bela flor Vou escrevendo sem parar até pousar esta caneta E com ajuda de Deus assim vou aliviando minha dor Ao derramar lágrimas atrás de lágrimas ao ser marreta Visto que enquanto estou presente na tua vida Não sou capaz de enxugar as tuas belas lágrimas Mas peço-te nesta hora que não chores tanto querida Porque sou apenas humano ao escrever estas rimas.


Também sei que tipos amigos deixarei por cá, Que possam oferecer o seu ombro amigo Não desejo no entretanto de ser substituído como chá Mas visto que a minha semente fica bem contigo Peço-te apenas que não deixes morrer o nosso amor Ao ocupares o meu lugar com mais alguém Visto que Deus me oferece uma nova tarefa sem dor E quando chegar ao céu o ajudarei por lá também.

Mas também se poderes olhar bem o céu Lá verás que serei o seu escrivão poético Já que a minha alma não rasgará como um simples véu Ao continuar a poder escrever com a paixão sendo patético Sentirei nessa hora o nosso amor florir ainda vivo Ficando feliz por olhares também para Deus Que certo vai continuar a iluminar o teu caminho esquivo Assim como os dos meus rebentos que também são teus.

Pois sei que um dia chegará a tua vez E nesse dia mais nenhum véu nos separará Já que passaremos a viver num novo céu talvez Que a nossa forte amizade carregada de amor viverá Passaremos a ser novamente um pedaço só Visto que nesta hora somo um só ser Mesmo que a minha hora esteja tão perto do nó Continuo esta oração assim por ti, a estou escrever.

Escrevo pois nestas folhas esta minha oração Em forma de poesia podendo em ti a gravar Este amor que sinto escrevendo cheio de paixão Pedindo para que não deixes de me amar Só peço que pares de derramar as tuas lágrimas Já que para o pé de Deus vou assim partir Deixando aqui por ora estas minhas rimas Mas antes disso só desejo, te ver agora sorrir.

São Paio de Oleiros, 2011 / 03 / 31 ANTÓNIO CRUZ


“LÁGRIMAS e SANGUE”

Neste tempo que escrevo poesia Não poderia deixar de escrever Sobre o massacre que me marcou Todo o povo de Ruanda feio de se ver.

Já que este mundo provoca a guerra E neste caso os Hutu contra os Tutsi Transformando os trágicos cem dias bem violentos No confronto de etnias dos mais sangrentos.

E este mundo perante esta guerra Que foi assistindo passivamente ao genocídio Recordando um novo holocausto como massacre De um povo mais forte partindo para o suicídio.

Pois corpos mutilados à força da catana São encontrados pelas ruas de Ruanda Surgindo do nada sacanas vestidos de assassínios Com armas na mão parecendo cães raivosos vadios.

São uma milícia carregada de raiva Que ocupam Ruanda arrastando o velho E violentando mulheres e degolando seus filhos Não tendo compaixão pintam os campos de vermelho.

Um vermelho manchado de sangue humano Já que esse é todo igual e sem raça Que escorre dos corpos espalhados pelo chão Surgido de um genocídio marcado sem coração.

Aqueles assassínios não tinham coração Ao verem lágrimas derramadas por simples crianças Chorando ao pé dos seus pais mutilados Faltando-lhes uma luz para obterem algumas esperanças.


Já que as suas esperanças pareciam perdidas Perante tanta crueldade humana naqueles dias E por cada canto que passavam procuravam pão Podendo assim matar a sua fome de alimentação.

E que perante tanta falta de compaixão A fome era a única que sobrevivia Refugiando-se pelos campos de cultivo abandonados Procurando sempre uma gota de esperança naquele dia.

Já que o mundo inteiro assistia pávidos E serenos perante este novo holocausto Em que Kafur tomou na televisão tal protagonismo Ao se sentir por ali tanta violência e racismo.

Mas por lá zunia no ar as lágrimas Ao faltar compaixão vindas por aquelas colinas Incrédulos ficavam os refugiados perante tanta placidez De um mundo que se dizia ser de “meninas”.

E das mesmas colinas surgia o som vibrante Cantado pelas vitimas deste real genocídio Por aqueles humanos esquecidos dos senhores do mundo Enquanto lágrimas e sangue eram derramados com tudo.

E diante deste inferno homens e mulheres descalços Indiferentes a tanta dor e sofrimento sobreviviam Atónicos iam assistindo a tanto assassínio em série Fugindo pelas colinas e campos como então podiam.

Só assim poderiam salvar os seus filhos De uma guerra sem sentimento ou alguma piedade Faltando as forças para seguirem pelas savanas sagradas Parecendo ser uma maldição implantada pelas catanas malfadadas.


Aqueles homens, mulheres e crianças paravam Já sem tempo para fugir e sem esperanças Só pensando que a sua nação virara um inferno Com tanta desgraça rezavam a Deus sem alianças.

Já que a justiça humana não existia Só lhes restava rezar sem ter fim Visto que a sua fé não morria simplesmente Ardendo dentro dos seus corações feridos livremente.

Proclamando a paz para todos os carimbados De uma guerra como memorial dos seus mortos Chorando lágrimas de emoção em solidariedade pela liberdade Que tentam alcançar em honra daqueles corpos tortos.

Gritam unidos enquanto rezam a Deus Visto que não perdem a sua fé ungindo as almas Por uma liberdade entre Tutsis e Hutus de pés descalços Juntos aos corpos mutilados pelos senhores da guerra falsos.

Oram assim naqueles campos de Abril Perante um raiar de um Sol carregado de esperança Amedrontados ainda nos seus olhares lá no alto da colina Por um genocídio tão brutal não existindo uma aliança.

Estes cem dias revelaram ao mundo Uma luta fatal perante a passividade internacional Num racismo e crueldade tão brutal Faltando a dignidade e a virtude entre irmãos por igual.

Por isso escrevo aqui que os corações Lá no alto daquela colina gritaram liberdade e igualdade Este meu memorial vai ficar como imortal Escrito com lágrimas de emoção não existindo uma idade.


Deixo assim ficar estas minhas palavras Para que todos possam ler e pensar sem limites de idade Visto que a guerra toca a todos por igual Condenando apenas toda a comunidade internacional.

Já que aqueles campos ficaram manchados Por lágrimas e sangue por falta de igualdade E Ruanda nunca mais foi a mesma antes daquele Abril Escrevo assim em memória dos mortos sem olhar à idade.

Mozelos, 2011 / 04 / 02 ANTÓNIO CRUZ


“SE EU FOSSE...”

Seu Eu fosse uma pena Sem ter qualquer obrigação Voava assim livremente Ao lado de um falcão.

Sentado no seu dorso Escutaria o seu coração E percorreria o seu rosto Tocar-lhe poderia a meu gosto.

E ao ar seria lançado Pois assim sentir-me-ia bem amado E asfixiar-me-ia então cansado Se não pudesse estar ao seu lado.

E como uma pena Voa no teu sonho Sê livre de então voar Pois aos quais não me oponho.

Cresce com esse teu voar Seca as lágrimas que derramas Pois o caminho que percorres Descreve no mesmo quem amas.

Voa simplesmente nesse teu sonhar Não esqueças que nada prime Percorre livre os céus azuis Com leveza e sem crime.


Sê jovem nesse voar Acompanha o teu falcão Liberta a tua alma E o amor do teu coração.

Seca as lágrimas da emoção Que fazem sangrar teu coração Ao não puderes sonhar agora Que és livre e tens paixão

Utiliza essa tua paixão Nesse teu voar de jovem Aprende a sonhar livremente E a ser feliz meu homem.

Voa como uma pena Pelos céus da tua aventura Eleva a tua alma jovem Enquanto a paixão em ti dura.

Não deixes de voar Ao mesmo tempo que sonhas Por entre os teus lençóis E de cabeça enfiada nas fronhas.

Sonha meu jovem, sonha Voa livremente como a pena Pelos céus da tua aventura Conquistando assim a tua cena.

Pois não tens obrigação E não deixes de sentir Que és amado nesta vida Assim como não deixes de dormir.


Já que no teu dormir Podes sonhar em voar Como a pena que desejas ser Enquanto escreves podes também amar.

E ao ar livre lançarei teu sonho Enquanto voas nestas linhas livremente Choro lágrimas carregadas de emoção Por ti meu jovem e minha semente.

Já que descubro em segredo Que sabes sonhar e escrever O que a tua alma dita Pois já levas um saber.

Levas contigo esse saber Nesse teu belo sonhar Não percas a tua esperança E não deixes de saber amar.

Voa meu jovem, voa Como a pena que desejas Um dia chegares a ser Pelos céus da vida que anseias.

Secas as tuas lágrimas E vive esse teu voar E se um dia puderes ser Sê a pena desse teu sonhar.

Mozelos, 2011 / 04 / 05 MAURÍCIO / ANTÓNIO CRUZ


“ESTE VOO”

Sigo por um velho caminho Onde este meu desassossego Deu lugar à tranquilidade Ao escrever poesia de cego.

Sou assim novamente livre Tendo conquistado as asas Ao poder voar pelos céus Pintados de azuis sobre as casas.

Estou consciente nesta escrita Retirando de mim uma tranquilidade Notando-se a cada segundo que passa Que conquistei nova vida de fraternidade.

Já que chorei lágrimas sagradas Ao tentar conquistar a liberdade Subi o Kilimanjaro algumas vezes À procura da verdadeira amizade.

Voo agora pelos céus azuis Sentindo a calma nas asas Transportando as minhas gentis memórias Sobre as telhas vermelhas das casas.

Cumprimento as pessoas do alto Que vejo passar na rua Limpando as lágrimas vertidas pela emoção Sorrindo como uma criança nua.

Sorriu assim como essa criança No seu inocente sorrir de infância Não importa nada mais que isso Voo nestes céus azuis com ignorância.


E não importa que a chuva Possa cair na hora deste voar Vou escutando o silêncio neste céu Enquanto bato as asas sem parar.

Escrevo a verdade no espelho Onde miro o meu rosto marcado Que tanto procurou a sua paz De olhos abertos e insofismável mal amado.

Já que o amor era novidade E tentando perceber o significado das palavras Sentindo o meu organismo rejeitar Todo qualquer sentimento como larvas.

Pois o estado do meu espírito Não sabia os que as palavras diziam Abraçando com este meu voar Na terra onde vivia, assim me pediam.

E pelos campos que voei Fui desfolhando o milho à procura Do milho rei vivendo o dia A cada momento procurando uma cura.

Hoje voo por estes céus Sentindo-me feliz a cada momento Sendo mais interactivo com a escrita Prolongando o meu voar com sentimento.

Derramando por vezes lágrimas de emoção Ao avistar o Sol que brilha Alegrando o meu voo pela poesia Neste mundo insano sem uma filha.


Mesmo assim olho prós filhos Que esta terra me ofereceu Com ajuda da mãe flor Voo libertando os mesmos de Morfeu.

Pois vou vendo como sofrem Derramando as suas lágrimas ainda inocentes Por um mundo sem sonhos Vivendo as guerras dos senhores impacientes.

É que tudo isto são pecadilhos, Que o núcleo deste mundo encerra Talvez por isso voo nestes céus Em busca de um bocado de terra.

Onde lá poderei pousar livremente Esquecendo a guerra conquistando a paz Já que em tempos andei por subterrâneos Fugindo à amargura sendo ainda rapaz.

Só assim trocarei este voo Quando encontrar a minha paz Escrevendo apenas e livremente para o mundo E demonstrando assim como tudo se faz.

São Paio de Oleiros, 2011 / 04 / 06 ANTÓNIO CRUZ


“A VIDA É FEITA DE NADAS”

A vida é feita de nadas E por mais diferenciadas Que elas sejam São todas atarefadas.

Os pequenos momentos Até aqueles que Não constam Nos nossos pensamentos Os que são importantes Principalmente os Que nos parecem ser Por vezes mais insignificantes.

E quando alguém sorriu assim Certo dia logo de seguida Pensei cá para mim Será o amor da minha vida.

Passando a ser o grande momento De toda a minha vida Sabendo que por esse alguém De certeza que não foi sentida…

Mas esse momento é vida Que nada parece ser Acreditar faz o nada Nesta vida assim renascer.

Pois jovem os pequenos nadas São a fonte de um ser Acrescentando sempre ao nada Cada gota de vida em crer Surgindo um leve sorriso de fada Que nos leva assim a escrever.


Nesse mesmo leve nada Existe esperança e muito querer Quando o coração bate Surge um amor de se ver.

Acreditar no nada vale Uma vida de sonhos imperfeitos Mas se lutarmos pelos mesmos Resolvemos os seus defeitos.

Já que muitas lágrimas derramamos Por nadas perfeitos Pois acreditamos nesses nadas Que nos fazem esquecer os direitos Que nos fazem viver de nadas Ao sonharmos com emoção pelos feitos.

Seguimos assim o nada Que a vida marca Com a varinha de fada Ao abrir aquela arca.

Nessa arca está a vida Carregada de pequenos nadas Que nos fazem crescer e sonhar Como se fossem espadas.

Dizem que as espadas Em tempos ditaram a lei Era o tempo dos nadas Sendo esse o seu rei Fazendo derramar lágrimas Dos seus súbitos por nada No fundo existe a emoção Era o mundo da fada.


A vida é feita de nadas E de nadas se constrói a vida Mesmo que sejam insignificantes Pois também as palavras têm vida.

Talvez por isso se escreva Que de nada se começa Dando vidas as palavras Mesmo que nada aconteça.

Por isso procuro escrever Que de nada cresci Aprendendo a trabalhar este dom Que deus ofereceu em Si.

Já que as notas mínimas Do nada começam também Assim como a poesia Que se escreve surgindo do além.

E do nada escrevo Com ajuda de alguém Porque nesta vida me atrevo A partir do nada também Desejando um dia do nada Chegar a ser alguém Neste mundo que do nada dependia Apenas só para escrever tão bem!

São Paio de Oleiros, 2011 / 04 / 07 MAURÍCIO / ANTÓNIO CRUZ


“SUSPIRO”

Neste mundo insano, lágrimas são derramadas Pelos filhos da guerra sem algum assunto Olhando os céus procuram a sua paz Enquanto vemos como sofrem dum chefe bruto.

Guerras e mais guerras se levantam Neste mundo cheio de trocadilhos Em que o poder é bem superior Enquanto o povo assume os seus pecadilhos.

Um núcleo é formado com poder Partindo dos subterrâneos que os encerrava Dando lugar à guerra dos senhores Que esquecem a paz daquele que o amava.

Trocam assim diariamente a paz Pela guerra fazendo sangrar os corações Que por campos de terra espalham lágrimas Em busca do dia em que conquistem novas emoções.

Pois sucinto ver chegar o dia Em que derradeiramente vivamos em paz Para com este mundo cruel que troca balas E não procura o amor que muito nos apraz.

Já que por este mundo fora Crianças e jovem morrem todos os dias Ao servirem de alimento os senhores da guerra Que mais parecem abutres com as suas manias.


Pois esses mesmos abutres esperam silenciosamente Que os gritos da guerra sejam dados Como um suspiro da terra assim infernizada Vão comendo a carne dos mortos que são vandalizados.

Já que esses mesmos senhores Se alimentam da carne humana oferecida Não conquistando as emoções que são vividas Pelas crianças e jovens de uma terra prometida.

Faltando a esses mesmos senhores A moral perante gestos obscenos Que contra a natura vão surgindo Enquanto lágrimas são derramadas por seres terrenos.

Pois os humanos que participam Nas guerras provocadas pelos senhores São deste planeta em que vivemos E não de um outro planeta dos horrores.

Longe, e bem longe a esperança Fica aguardando pelas boas novas Que a vida tanto nos oferece Neste mundo insano cheio de provas.

Em que todos humanos sofrem Neste mundo cheio de guerras Que encerra crimes nos subterrâneos ocultos Dos senhores da guerra e sem terras.


Já que os mesmos pensam que têm Pois os seus países, deles não são São do seu povo sofredor e humilhado Que procura a paz entre as lágrimas da emoção.

Já que eles sim têm coração E talvez por isso sofram na pele Os horrores da guerra esperando um suspiro Que traga a paz a este mundo tão relé!

São Paio de Oleiros, 2011 / 04 / 08 ANTÓNIO CRUZ


“LÁGRIMAS VERTIDAS”

É com emoção que vejo Os navios partirem desta nossa pátria Que fica à flor das águas Banhada pelo Atlântico e da nossa Maria.

Já que esta terra é abençoada Pela Maria nossa senhora e madrinha Que vela pelos portugueses que partem Em busca de vidas melhores sem farinha.

Pois nesta pátria não conseguem resistir A uma crise instalada derramando lágrimas Visto que nem as flores resistem Ao seu florir por isso escrevo rimas.

Vou assim escrevendo para esquecer As mágoas que surgem por ora Como verdes folhas que nos fazem abanar Nesta pátria já que sofremos sem demora.

Pois existe nesta pátria mãe Quem queira ignorar como ela vai E este país cheio de novos fidalgos Vai crucificando o seu povo que cai.

É que este povo cai aos poucos De roupa rasgada e negros de fome Restando as migalhas trazidas pelo vento Que nada diz nem o seu próprio nome.


Um silêncio persiste nesta pátria Em que a mesma se encontra parada Visto que o tempo passa sem nada E ficamos sozinhos juntos à tourada.

Já que esta pátria de valentes Apenas ficou o nome dos seus navegadores Que enfrentaram mares nunca antes navegados E hoje enfrentamos rios de tristeza como sofredores.

Talvez por isso já parecemos negros Que trabalham sem nada poderem ver E assim continua ninguém a dizer nada De mãos vazias vivemos e lágrimas por verter.

Pois as mesmas vão sendo vertidas Ao sentirem falta de emoção nova Já que se mantém esta pátria viva Mas aos poucos vai morrendo como prova.

E como as flores florescem nesta pátria Que vão ficando sem o seu Sol Este povo também vai assim ficando Ao não sentir na sua alma o Rock in Rol.

Já que somos um povo de música Que procura na mesma a sua alegria Vai procurando novas notícias para esta pátria Que vai sendo varrida pelos ventos da maresia.


Uma maresia que vai crescendo Levando os homens desta pátria a partirem Em busca de novos ventos como se diz Por um outro país sem poderem sorrirem.

Pois as folhas do nosso trevo Vão caindo aos poucos sem demagogia Faltando a liberdade ás suas sílabas Não sabendo ler a verdade do dia.

Por isso vejo partir os navios E para esses mesmos escrevo assim Faltando uma candeia que os ilumine Nesta pátria desgovernada perto do fim.

Já que estamos perto da desgraça E que ninguém se contenta a semear Neste tempo que me resta escrevo Com lágrimas por esta pátria sem parar.

Pois pela mesma sofro como navegador Das palavras vivas como as marés Que o vento levanta em alto mar Cantando a canção ao partir dos Zés.

Que seguem pela noite escura Com a tristeza marcada nos seus corações Em busca do vale encantado da vida Servindo o tempo com escravidão das emoções.


Mas nesta pátria há sempre alguém Que resiste escrevendo sem ter perdão Dos senhores novos-ricos deste país pobre Com a verdade nas lágrimas vertidas pela emoção.

E pelos filhos desta nossa emoção As mesmas lágrimas derramadas e sentidas Sem saber qual o seu futuro prévio Para a sua liberdade de lágrimas vertidas.

Pois as mesmas são vertidas hoje Por esta pátria que no tempo está parada Estando marcada pela derrota dos senhores Faltando uma réstia para a mesma ser amada.

São Paio de Oleiros, 2011 / 04 / 11 ANTÓNIO CRUZ


“ESCREVO ASSIM”

Derramo aqui lágrimas de palavras Como um poeta de hoje choro Não esquecendo de fazer a minha poesia Com alma poética que não decoro.

Já que a poesia que faço Escrevo hoje para não esquecer Visto que o amanhã logo chegará E por isso só me resta a escrever.

Pois a mesma aquece minha alma Com uma melodia cheia de vida Oferecendo assim ao mundo esta poesia Escrevendo a mesma para não ficar esquecida.

Visto que a vida me oferece Este prazer e enquanto escrevo alegro A minha alma que assim não sofre Da solidão do mundo pintada de negro.

Não sofro nesta hora de ansiedade Ao enxergar uma poesia carregada de emoção Vendo aquilo que os outros não vêm Parecendo um poeta maluco por esta paixão.

Poeta maluco posso até assim escrever, Ao derramar estas lágrimas de fantasia Sofrendo ao escutar o que posso dizer Já que amo este dom dia após dia.


Há quem diga que não posso ser Um poeta nesta vida que levo marginal Sabendo eu que a vida é amiga Desta minha alma poética por sinal.

E como sei que a vida é amiga Quando parece escurecer derramo lágrimas Num silencio maluco cheio de ansiedade Por não viver só a vida com rimas.

Já que anseio ser só poeta Enquanto espero esse novo dia chegar Vou escrevendo com uma emoção poética Num ocorrer de situações de assim sem parar.

Pois já pensei como seria minha vida Sem esta poesia que faço livremente Derramando por estes caminhos frios com ilusão Escrevo sem desculpas deixando esta semente.

Já que vivo esta ilusão poética Regando-a com palavras como uma rosa Falo aqui nestas linhas de forma diferente Chorando por vezes ao acabar uma prosa.

Porque há gente que a lê Mesmo estando ainda em simples rascunhos Estendendo a sua mão em forma de amizade Consagrando assim as minhas palavras em testemunhos.


Pois nem sempre a mão é estendida Ou as palavras desta poesia pousam Desculpem ser assim como aprendiz de poeta E de escrever à pressa antes que tussam.

E perdoem o que acontece Nestas linhas que escrevo com lágrimas Que vou derramando e que vão esborratando As minhas palavras em forma de rimas.

Pois como alguém escreveu um dia “Na Igreja em que eu moro” E é bem perto que dela fico Por vezes nem uma prece, sequer oro.

Já que Deus sinto meu aliado Nesta poesia que faço, aleluia! E estando já bem perto da Páscoa Penso no seu sofrimento naquele dia.

Sabendo que nem sempre o digo Vá interessar a alguém o que escrevo Não sou um mártir como foi Cristo Apenas desejo alcançar o meu trevo.

O trevo que traz a sorte Não ache que eu gosto disso Desejo apenas parar de assim chorar As lágrimas de emoção saindo de submisso.


Não querendo ser deste mundo escravo Sou neste momento pior que mago Já que não consigo fazer a magia Que me livre deste sofrimento e nem pago.

Já que um mago faz sua magia Através dos seus feitiços da hora Pois aqui derramo palavras com fantasia Como poeta aprendendo assim por ora.

E desculpem por não falar de rosas Mas sinto uma liberdade nesta poesia Mesmo sofrendo como aprendiz sem moda Escrevo assim prosas neste belo dia.

São Paio de Oleiros, 2011 / 04 / 15 ANTÓNIO CRUZ


“ASSIM VOU ESCREVENDO”

Acordo pela manhã e tomo anti-depressivos Não querendo perder o meu controlo Só assim dizem que venço com juízo Conquistando o dia de forma diferente sem rolo.

Pois não basta o amor que recebo Nem mesmo que seja tão doce Já que o ontem assim o quis Ditando o meu destino sem ter posse.

É improvável que não aconteça Uma desgraça nesta vida que levo Mesmo que com liberdade vá escrevendo Vou derramando lágrimas sentindo algum relevo.

Sinto que hoje algo vai acontecer E que infelizmente tende a suceder Neste dia provocando a minha alma Que sangra enquanto estou a escrever.

Pois por mais que tente desenvencilhar Esta dor que sinto faltando o ar Procuro mesmo assim sobreviver de qualquer maneira Que vai surgindo à maré de azar.

Já que tudo o que vejo Pela manhã é simplesmente o nada Já que o meu pensar se devaneia Faltando-me aquele toque de boa fada.


Pois tudo o que vejo pela manhã É nada de nada neste rosto solitário Que sofre sem ser preciso então sofrer Mas minha alma assim diz neste rosário.

Um rosário que vou rezando sempre Que o meu pensar assim o permite Porque desde criança aprendi a rezar Embora não o faça sempre tendo um limite.

Nem sempre sinto aquela chama Que na minha alma solitária irradia E enquanto a noite fica ainda distante Vou escrevendo sentado neste canto sem dia.

Já que por vezes neste canto Consigo fazer algum furor, é poético À base de anti-depressivos isso eu sei, Mas é a única forma de não ser patético.

Pois definitivamente nesta nobre arte Posso causar algum furor ao escrever Os meus sonhos com alma poética E amar sem barreiras aquele belo ser.

Sabendo que os maiores poetas o fizeram Ao poderem amar os mais belos seres Percorrendo tempos com os seus amores Numa loucura algo sã nos seus afazeres.


É que em todos livros que li Os mesmos autores dedicaram-se a esses amores Fazendo desses seus sonhos vida real Tendo ao seu lado a beleza das flores.

E eu como um pobre garoto sonhava Com o meu rosto desolado à noite Numa eterna solidão derramando lágrimas Por sentir que tinha levado mais um açoite.

Pois mais uma bela dama me embriagou E me largou numa espelunca qualquer Enquanto a noite me consumia livremente Voltava pró meu canto novamente a escurecer.

É que a noite consumia minha alma Que ia sofrendo naquela eterna solidão Não podendo amar de novo outro ser Escrevia palavras soltas vindas do meu coração.

Mas como agora tenho um amor Que acredita em mim vai lendo O que é por mim descrito nos livros Ficando como livros eternos que vou escrevendo.

Talvez por isso vá continuando a escrever Doseado pelos anti-depressivos nesta minha vida Afogando as minhas mágoas nesta escrita Que é levada pelas marés da estação perdida.


Chorando por vezes algumas lágrimas de emoção Já que amo também esta minha escrita Debruçado à varanda olhando o céu azul Peço ajuda aos anjos para esta vida descrita.

Já que é uma vida infortunada Violando a minha liberdade assim sentida Numa inocência proclamada pelo passado presente No meu coração marcado, salvando a saudade repetida.

Pois a mesma me leva ao passado Neste tempo cheio de mágoas sem controlo E assim vou escrevendo nesta minha vida Carregado de poesia sentida surgindo em rolo.

São Paio de Oleiros, 2011 / 04 / 19 ANTÓNIO CRUZ


“MENINO TRISTE”

Avisto um menino triste, chorando Seu rosto de menino transparece tristeza Carregando o peso de um mundo perdido Assim parece o seu mundo numa certeza.

Uma cortina de lágrimas demonstra No seu rosto triste com um olhar de medo Sentindo a solidão daquela noite escura Sempre com o receio de apontar seu dedo.

É um menino triste de rosto sombrio A vida no seu rosto fica marcada Pelas mágoas que o mundo demonstra No seu dia-a-dia como se lhe encostasse uma espada.

Já que o seu pequeno coração Não sossega perante tanta tristeza Ao escutar as promessas dos adultos Que o vão rodeando e escondendo sua pobreza.

Mas isso, ele sente como mágoa Já que as promessas de novas aventuras Demoram a surgir pelas novas manhãs Acabando com o sonho de vidas novas futuras.

Este menino triste que avisto, chorando As suas lágrimas parecem doirar um sonho Porque como todos os meninos tem uma réstia De esperança escondida num coração bem medonho.


E à chegada de mais uma Páscoa Só peço ao menino de rosto triste Que continue acreditar na sua chama À luz de Cristo e sonhando sem estar em riste.

E com aproximação desta nova Páscoa No seu rosto de menino triste marcas surgem Que demonstram algum sofrimento como Jesus Cristo Ao dar a sua vida pela fá sem ter margem.

Margem para erros e erguendo seu espírito Para o seu pai ao partir em paz Por isso menino triste que a tua fé Possa sobreviver aos novos tempos e a refaz.

Pois ao refazeres sempre a tua paz Criarás novos sonhos carregados de esperança Em que passo a passo conquistarás A nova Páscoa mesmo sendo ainda criança.

Leva a mensagem como boa nova Transportando a tua fé de pobre criança Que carrega todo o peso deste mundo Procurando criar novos sonhos como aliança.

A mesma aliança que Jesus Cristo Procurou fazer com os homens deste mundo Libertando o amor com fé e esperança Não chores menino triste de sentimento tão profundo.


Pois nesta Páscoa ultrapassa teu medo Um medo de acreditar na luz A luz que nos faz acreditar com amor E que a mesma levou Cristo à cruz.

Enxuga as tuas lágrimas, menino triste Liberta-te do peso deste mundo massacrador Liberta um sorriso no teu rosto marcado Com fé sendo mais forte esse teu amor!

Mozelos, 2011 / 04 / 21 ANTÓNIO CRUZ


“AS MÁSCARAS”

Pergunto aqui o porquê das máscaras? Que no dia-a-dia as pessoas utilizam Quando é belo ser só nós mesmos E não utilizarmos máscaras sem ter razão.

Pois a vida é difícil de se viver Enquanto os outros utilizam as máscaras Escondendo o seu verdadeiro ser Sem a virtude de se ver as suas caras.

Sei que muitos procuram comprar Aquilo que já não tem perdão Talvez por isso sofro no dia-a-dia Ao ser só eu sem medo e com razão.

Assim nestas folhas escrevo como sofredor Derramando lágrimas sobre os túmulos tapados Caindo em forma de gota sobre a terra Que cobre seus corpos de seres apagados.

E onde germinam palavras de silêncio Calando as vozes que se mascaram Sobre a podridão deste mundo cruel e falso Que os anjos um dia assim anunciaram.

Talvez por isso os outros se calem Mas eu não e escrevo estas palavras Em forma de lágrimas que não se mascaram E que no meu coração crescem como larvas.

Já que as mesmas não se compram E nem se vendem a este mundo mascarado Sobre gestos que o dividem simplesmente Parecendo hábeis sassadortes de um ser malfadado.


E porque outros também assim surgem Perante a sombra dos seus abrigos Escondendo seus rostos atrás das máscaras Que este mundo fornece aos seus inimigos.

Mas nesta minha escrita dou as mãos Perante os perigos que surgem nesta vida Não escondendo o meu rosto raivoso Ao viver num mundo sem sentimentos de vida.

Pois os outros se mascaram diariamente Calculando os seus riscos monetários e materialistas Esquecendo a liberdade das palavras proféticas De alguém que lutou toda a vida contra parasitas.

E nestas folhas para mim assim reclamo A minha poesia silenciosa mas bem altiva Sublinhando todas as repetições vindas mascaradas Que encontro neste mundo não sendo positiva.

Já que vou derramando pelo caminho lágrimas Ao deparar com a classe chamada de superior Utilizando assim aqui palavras livres com vida Nestes versos que faço não sendo um doutor.

Podendo retirar ao mundo as suas máscaras Ao me ter tornado num poeta com expressão Mesmo estando em silêncio rezo chorando Por um mundo cruel que precisa de coração.

Visto que este mundo se esconde diariamente Atrás das suas máscaras subordinantes do dia Repetindo falsas orações e algumas até casuais Sobre uma causa perdida e identificada como fantasia.


Expresso assim uma luta com palavras De uma forma bem poética sem oposição Já que a cada poema que faço desmascaro Os senhores do mundo que fazem sangrarem um coração.

Sinalizo aqui a minha liberdade poética Dissimulando uma falsidade e uma hipocrisia existente Neste mundo mascarado faltando a honestidade Num calculismo sobreposto ás palavras do omnipotente.

Pois este mundo precisa de muita coragem Ao saber ceder perante a aventura da vida Sem recorrer ás suas máscaras pregadas pelo medo Faltando a justiça como imagem já perdida.

Talvez por isso vá escrevendo no escuro O porquê de os outros utilizar as máscaras Não querendo esconder o meu rosto sofredor Largo aqui lágrimas de palavras que marcam suas caras.

São Paio de Oleiros, 2011 / 04 / 26 ANTÓNIO CRUZ



lágrimas de emoção 052