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ANTÓNIO CRUZ


ANTÓNIO CRUZ


“ PREFÁCIO DE UMA VIDA”

Escrevi num mês distante, trinta e tantos, poemas a fio sem parar, numa espécie de êxtase. E hoje, é um dia triunfal da minha simples existência, nesta minha vida. O que se seguiu depois de alguma tinta ser gasta e muito papel ter sido utilizado; só sobrou um cesto de papéis cheio, foi o aparecimento de um novo “Poeta – Escritor”. Tudo isso, se verificou no continuar do pequeno Sonho de Criança que há muito tempo vinha a desenvolver no meu interior, utilizando pequenas rimas ou alguns pensamentos muito sugestivos da minha maneira de ser. E de ter vivido quando criança e também algumas situações, já como adulto. Desculpem – me, o absurdo da frase; mas apareceu em mim um enorme desejo de transcrever para o papel algo com sentido ou mesmo sem! Era simplesmente aquilo que vindo do meu eco interior ou directamente da minha mente, ditava por palavras ou frases simples, numa leitura rápida, e a minha mão escrevia para um bocado de papel. A expressão que sobressaía no meu rosto era a de um pequeno sorriso esboçado quando terminava mais um tema, mesmo que esse não tivesse muito sentido! Mas, era como se tivesse restituído alguma vida aos mais simples “poemas” ou “contos”, que eram para mim algo profundo mas muito belas. Só que por vezes, bastava unicamente o esboçar de um sorriso para me agradar e aquilo que acabava de transcrever logo por si existiria numa folha de papel sentindo toda a sua magia sem sequer poder falar! E, num certo dia, à noite quando relia tudo aquilo que já havia escrito em simples rascunhos, por vezes, revia ali a minha própria sombra retractada. Eram, e são, simplesmente memórias, brincadeiras, ou mesmo chamadas de atenção para o mundo em que vivemos. Sei que um dia alguém as vai poder ler e as irá existir na prateleira da sua biblioteca para quando este ser já ter abandonado o planeta Terra. Um simples risco da minha curta vida ficará lá conservada, para sempre todo o sempre como sinal da minha pequena existência terrena! E, só assim poderei viver eternamente, por milhares de anos a fio, recordando a Alegria, a Tristeza, o Amor, a Solidão e tudo aquilo que tiver dado a este Mundo! Mas, uma coisa Eu sei, que serei alguém que existiu um dia neste “Universo da Escrita”!... E essa recordação ficará para sempre nas memórias de todos, sendo como aquele que deixou um “Verso” quando morreu, e talvez seja a “Profecia” de uma vida!...

Mozelos, 2000 / 10 / 10 TONY CRUZ


TITULO

LOCAL / DATA

0

PREFÁCIO DE UMA VIDA

MOZELOS, 2000 / 10 / 10

1

DANÇA DA VIDA

SANTA MARIA DE LAMAS, 2006 / 03 / 09

2

QUEBRA-CABEÇAS

MOZELOS, 2000 / 10 / 24

3

FILOSOFIA DE UM HOMEM

MOZELOS, 2000 / 11 / 08

4

VOO LIVRE

SILVALDE, 1999 / 02 / 19

5

EDUCAÇÃO COM LIBERDADE

AVANCA, 2006 / 05 / 20

6

MONEY

SILVALDE, 1988 / 03 / 10

7

CRUZ DE FOGO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 1992 / 03 / 09

8

NÃO AO RACISMO

SILVALDE, 1988 / 02 / 28

9

NATUREZA

SILVALDE, 1988 / 01 / 19

10

QUERO SER LIVRE

ESPINHO, 1987 / 09 / 30

11

ALERTA VERMELHO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2003 / 11 / 11

12

O VAGABUNDO RICO

SILVALDE, 1990 / 07 / 07

13

CAVALOS A VAPOR

MOZELOS, 2005 / 08 / 01

14

TRAFICANTES DE BÉBÉS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 1996 / 10 / 29

15

PROFISSÃO MÃE

VOUZELA, 2005 / 08 / 18

16

CORAÇÃO PORTUGUÊS

SILVALDE, 1988 / 05 / 25

17

BELENENSES MEU PREFERIDO

SILVALDE, 1987 / 11 / 25

18

DEVER

SÃO PAIO DE OLEIROS, 1995 / 10 / 20

19

HEROIS DO IMAGINÁRIO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 1991 / 07 / 27

Em "As Páginas Soltas" refaço a escrita Que em tempos escrevi querendo ser livre da fita Utilizando a filosofia de um homem como dever diário Acionando o alerta vermelho dos hérois do imaginário. Assim como tendo o Belenenses como meu preferido Numa cruz de fogo em dança da vida com que lido Procurando dizer não ao racismo num voo livre E ao mesmo tempo quebrando cabeças sem que a natureza prive. O money de um vagabundo rico de coração português E tento valorizar a profissão mãe sem haver os porquês Já que existe traficantes de bébés à solta sem cor Com educação denuncio neste livro os cavalos a vapor. São Paio de Oleiros, 2009 / 10 / 07 TONY CRUZ


“DANÇA DA VIDA”

Nesta vida é preciso saber dançar Porque as respostas por vezes se encontram na dança Existe uma busca desenfreada pelas emoções Que os nossos anseios e as nossas loucas paixões Chegamos ao ponto de as transformar em puras obsessões Só que devemos fazer para que seja bela Ou melhor linda como a simples gota de orvalho Humedecendo a rosa através da sua pétala em carvalho O amor é o alimento que nos sustenta no dia-a-dia Dando à nossa vida a força para a luta diária com via Ao vivermos a sua emoção será o fruto da magia Magia, essa que nos fará dançar em segredo Procurando quase sempre nos libertar do nosso medo Só assim faremos do bem viver a nossa dança De onde vamos tirando as lições de amor com esperança Pois reflectindo sobre os nossos verdadeiros sentimentos Não teremos que matar o afecto necessário sem lamentos A poesia que nos envolve no seu manto belo por momentos E que nos une no “amor – amante” perante a arte de amar Fazendo com que nós consigamos transpor as barreiras e nos transportar É a dança da vida que nos rodeia neste mundo E ao aprendermos nos bailes das letrinhas num tempo mudo Ao termos o amor como a bênção de luz Pois é preciso enfrentar os medos como nossa cruz E nem tudo se encontra perdido num voo de paixão Heróica será a nossa dança num flash de vida Em que a felicidade estará representada e bem atribuída Pouco mais importa que a verdade logo oferecida Num resgate amoroso e vibrando com muita vida…

Santa Maria de Lamas, 2006 / 03 / 09 ANTÓNIO CRUZ


“QUEBRA – CABEÇAS”

Meus Deus, a vida se torna difícil Cada vez mais nada parece ter um fim Sempre lutei nesta minha existência Para atingir um objectivo assim.

Onde conseguiria ser um marido Ou um pai cheio de carinho Para obter um melhor dia-a-dia Conseguindo uma casa pelo caminho.

Só que a esta altura do campeonato Como se diz na nossa gíria Todos eles ou quase todos eles Já conseguiram atingir a meta do dia.

Meta essa na qual foi colocada Uma fasquia a uma elevada altitude Mas à qual não consigo chegar Nem mesmo mudando de atitude.

Sou uma montanha de problemas A nível pessoal e mesmo financeiras Só que nisto tudo o que me chateia É depois de muitas batalhas nas suas fileiras.

Lutando sempre por uma vida justa Não consegui vencer uma só guerra Foram batalhas em campos bem difíceis Seguindo sempre de terra em terra.


Por entre terrenos planos e elevados Nos quais escalar era bem complicado Até era na altura o melhor trepador Pois só desejava ser um ser amado.

Nem com a ajuda de simples cordas Que são a vida e a do amor sequer sorri Nem consegui levar o cântaro a sua fonte E algumas vezes mesmo até morri.

Ao navegar por águas bem conturbadas Ou mesmo nas correntes mais fortes E pelos rápidos que sempre surgiram Derrubando os muros dos castelos e fortes.

Também muralhas mais muralhas surgem Já parecem as famosas muralhas da china Ou tudo isto para mim pareça chinês Nesta barafunda até perdi o caminho da cantina.

Nem consigo pensar em nada mais No meu dia-a-dia levanto-me simplesmente Já sem vontade de partir pró trabalho E quando de lá saio começa tudo novamente.

É o meu tormento ao pensar novamente Na minha vida particular não tenho fundamentos Para esta minha eterna e real maldição Faltando a sorte para os melhores momentos.


Chego por vezes mesmo a pensar Se a mesma má sorte não começou No dia do meu casamento apesar de tudo Porque um ser finalmente me amou.

Mas desde esse tempo que nada consigo Nem um bocado de sossego para comigo Perco noites a pensar onde é que errei Nesta vida até mesmo como um amigo.

Tudo isto parece ter nascido comigo Ou mesmo desde criança que me persegue A escola da vida para mim começou cedo E não há azar nenhum que o negue.

É um dominó esta minha vida Ou talvez um simples cubo mágico É tudo um autêntico quebra-cabeças para mim Onde não existe uma ponta segura e me pico.

O mesmo pico me faz sangrar Ao não atingir o objectivo final Nem mesmo um sinal para o presente Procurando uma luz ao fundo do corredor final.

Como um alvo fui atingido Por uma onda de má sorte E já nada sei o que fazer Para mudar esta minha vida de morte.


Já que continuo numa humilhação pessoal Será que não conseguirei um dia Um dia próximo achar um trevo Com quatro folhas como tanto pedia.

Talvez assim possa mudar a vida Obtendo um rumo novo nesta existência Meu Deus, por favor mostra-me um sinal Para que possa repousar desta falta de paciência.

Ou então me indica o que fazer Ainda hoje para ter um pouco de acerto Nesta guerra interior com este mundo exterior Só quero, descanso, neste quebra-cabeças bem perto…

Mozelos, 2000 / 10 / 24 ANTÓNIO CRUZ


“FILOSOFIA DE UM HOMEM”

O meu temperamento é tanto ou quanto feminino Mas com uma “inteligência” de um ser masculino A sensibilidade e as minhas acções são femininas Ainda que a força e a vontade de sobreviver nesta natureza Já um pouco morta que é esta vida cheia de óbvios e minas Por um percurso em que o fim seja a morte sem pureza De uma vida sexual para o homem que acabe por ser masculinas Quando afirmo que sempre desejei ser amado e nunca amar Nestas minhas palavras encontro uma contradição assim como albinas Pois noutros tempos foram e continuam a ser sem parar São o elo de ligação para com tudo aquilo que a minha alma sente No seio do seu ser embora seja um pouco obscuro A sua realidade para com os seus sentimentos e não mente Porque são sentimentos bem profundos vindos do seu lado escuro É que sempre foi penoso da minha parte quando fui obrigado A corresponder a certas situações relacionadas com o amor Ou o simples acto de saber amar quase chegava a ser um fado É que o acto em si se aplica quando efectivamente apertava a dor Já que existe uma união com um outro ser em partilha E esse mesmo ser deseja sentir o bater do complicado coração Tudo isto se trata de uma inversão sensual reprimida em quilha E que na minha mente se queda quando chega a hora da paixão É que a hora de amar só com o coração muitas palavras se reprimem Não saindo da minha boca ou melhor dizendo se emendam também Na ponta da minha língua tropeçando umas nas outras para lá do além Acabando por sair aos trambolhões sem sentido algum e me fogem Houve o melhor, ou melhor dizendo contínua haver certos momentos Em que me sinto perturbado mas com isso não quero dizer Que não concretizo a relação ou o acto correspondente à sexualidade com sentimentos É que do meu impulso parte muito do meu ser sempre o querer Acima de tudo serei sempre um louco pelo acto sexual em si E o desejo de o realizar é de tal forma activo e vigorante Que me basta um simples gesto para me enxovalhar nela enquanto sorri E se eu fosse uma mulher talvez fosse nesta vida uma viajante De tal forma de ser perante o acto sexual neste caso escrevo mais activa É que na mulher os fenómenos histéricos rompem as barreiras, bem esquiva Em ataques ou atitudes parecidas com a de alguma diva Sendo mais prolongadas que na dos homens Mas sou simplesmente um homem, talvez um homem doente Por todo p tipo de acto sexual como experiências de jovens Não existindo barreiras durante o acto em si seguindo em frente Até ao ponto de chegar a atingir o seu clímax final É assim que o acto sexual acabará ficando no ar em pleno silêncio Em que a poesia do momento se transforma num conto de Natal Onde o verdadeiro amor se realiza sexualmente falando sem um pio


E se demonstra no seu activo um conto de fadas cheio de glória e luxúria Talvez o seu ponto final que se revela entretanto na sua existência Com um traço de história que existe no interior desse dia Como sou um homem procuro sempre ter alguma paciência Esta é a minha filosofia de uma vida que se demonstra Ao longo dos tempos e que se vai acentuando cada vez mais Conforme a maturidade deste meu ser que me afronta É o viver em harmonia com a alegria mais pura e alguns “tais” Que pode existir na união entre dois seres e que não se amedronta É também assim a minha filosofia de homem que não lê os jornais…

Mozelos, 2000 / 11 / 08 ANTÓNIO CRUZ


“VOO LIVRE”

Sincronia do voo picado do falcão Sobre o céu que é rasgado Por uma montanha vigiando o sue ninho Para que nada possa ser abafado.

Assim vigiando os seus filhotes Vai afastando o seu receio criado Num outro continente um pato bravo Logo se junta ao bando já criado.

São os seus amigos que encontra de passagem Em plena emigração para um outro local Pois procuram a Primavera e o Verão Para a sua nova criação sem ponto final.

Só que depressa chega o Outono Em bandos grandes formam uma bela imagem Uns atrás dos outros no ritmo normal Um ritmo normal de emigrantes partindo em viagem.

Todos estes voos são bonitos de se ver No seu bater de asas quase silencioso Em filas eles seguem o rumo dum outro continente Onde possam passar mais uma estação sendo tudo curioso.

Assim vão sempre poderem regressar a casa Num voo de encantar qualquer ser humano Que respeite a vida selvagem das aves Olhando os céus até cair do seu pano.

Porque o homem tenta matar esses voos A todas as aves visto que não conseguem Ser livres como elas, no seu belo voo E isso, os homens que não o negue.


É triste ver cortar os seus voos Em pleno ar por uma vontade De querer ser superior como um rei Todo-poderoso sem clemências ou liberdade.

Uma liberdade para poder voltar atrás E deixar esse espectáculo maravilhoso ser apreciado Com alegria do sentir-se tão leve como uma pena Como as aves, é tão belo, esse ser alado.

Porque o ser humano procura destruir O seu habitat semeando o seu terror Pelas florestas ou os seus pântanos de abrigo E ao mesmo tempo vão acabando com a sua cor.

O voo das aves em plena aventura Uma aventura cheia de vida e cor Procurando sempre novos lugares para habitarem E criarem todos os seus filhotes com amor.

Um grito ao longe se ouve de alguém Que procura sobreviver a todas as tentações São tentações humanas para a sua desistência De serem capaz de voarem sentindo certas emoções.

Só desejando voar ao som do vento E ver todas as belezas e terrores desta Terra Que vive à espera de uma morte Que está preste a colidir contra a Serra.

Mas para sobreviver a ave precisa da liberdade E quando encontra o seu ambiente destruindo simplesmente O resultado dessa mesma colisão só dá em morte Já que deixará de ter o seu voo livre puramente.


O homem está condenado a recriar O seu meio ambiente num voo sem crime Essa será a sua condição indispensável Para a sobrevivência das aves e que então rime.

Será que algum dia a raça humana Deixará voar livremente as aves tão pacíficas Levando a sua mensagem da nova esperança Pois a paz e a liberdade que nos são tão ricas?...

Silvalde, 1988 / 02 / 19 ANTÓNIO CRUZ


“EDUCAÇÃO COM LIBERDADE”

Fala-se na liberdade da nossa educação Mas falta a sustentabilidade económica e social Pois a educação das pessoas socialmente Deve ser fomentada para que haja direitos no final Onde a cidadania será implantada com acordos somente Só que a cidadania não deve ser também pacífica É que existe divergências sociais democráticas Começando a crescer na escola do dia-a-dia onde fica Após uma vida inteira marcada com as suas praticas Alem disso a ideia de uma escola única Centralizada e uniforme entre pais e filhos finalmente Existindo uma capacidade para a formação de cidadãos livres como a música É que como a música e notas soltas dão asas à liberdade somente Sendo o principio para a liberdade e a nossa educação Numa sociedade moderna é preciso descobrir E saber qual é a responsabilidade primeiramente do coração Onde fica a família ou a escola e sorrir Pois a família deve ser a primeira formalmente Sabendo educar e ao contrario de impor saber motivar É preciso dar apoio e deve existir uma relação somente Em que a mesma deve ser a nível pessoal ao se falar O diálogo tem que existir o mais que possível Pois se não o inimigo colectivista se sobrepõem A educação precisa de cultura para ser livre e não invisível E a liberdade individual não deve existir enquanto ninguém se opõe Por si só deve dar lugar à igualdade Estendendo a mão ao que mais precisa sem maldade É importante a educação para que se consiga afirmar Perante a sociedade tendo direito à sua cidadania Mas nunca esquecendo o direito do seu empenhamento sem reclamar Perante toda a sociedade que deseja ser livre no dia-a-dia Todos sabemos que existe um grande fosso aberto Entre a educação e a cidadania no estado actual Sendo preciso encontrar a verdadeira solução estando perto Para que a pobreza e a eclosão social tenha um ponto final Porque nesta vida terrestre precisamos de ser bem sociais Com a educação e a liberdade deixaremos de ser então raciais…

Avança, 2006 / 05 / 20 ANTÓNIO CRUZ


“MONEY”

Numa sociedade o poder é de quem tem dinheiro Pois o mesmo passa a ser o único rei É o todo poderoso e tem o poder de ser o primeiro A mandar decapitar qualquer ser que necessite e isso sei É que a sua ajuda será por eles sempre recusada Dinheiro em notas, moedas ou cheques terão sempre o mesmo valor Desde que dê para comprar a vida ou ser a mesma usada Com tudo isso se consegue vender ou movimentar a nossa dor Tudo o que ande por aí sem o próprio ser dono de si mesmo Chefes de cidadelas que sem destino se vendem Por um maço de notas, esse poder também eu o temo Conseguindo com o poder construir a sua própria armada E sem o código da justiça chegam ao ponto de mandar também enforcar Um pobre inocente sem que tenha direito a uma defesa justa Seguindo directo para o seu calvário sem que outros o possam julgar Onde lá o espera o seu fim tudo fica à sua simples custa Nem mesmo as suas lágrimas deixam os principais autores Desta peça que é a vida comovidos nos seus ilustres corações Pois nada têm em si que possa provocar sentimentos ou dores A droga também representa o poder do qual a sua fonte de riqueza Já que com elas milhões devem roubar aos viciados prós mesmo poderem comprar Uma migalha de heroína ou outra bagatela qualquer sem limpeza Por vezes chegam mesmo ao ponto de se deitarem em plena rua a chorar Já que de rastos estão à procura do seu passador ou fornecedor habitual Enquanto eles se passam para o outro lado num outro ritual O seu fornecedor acrescenta mais alguns trocados à sua fortuna Sem que possam preocupar com a dor do seu semelhante já sem destino também Nada representa para si esses sentimentos nem admiram sequer a Lua Só porque simplesmente o papel verde ou as barras de ouro de alguém Servem para alguns a compra do amor mas se vão esquecendo Que ao comprarem simplesmente deixa de existir amor passando a sexo Tudo isso será apenas sexo e nada mais vão então querendo Porque a verdadeira felicidade não se compra já que nada mais tem nexo As possibilidades de um” pobre diabo” ser alguém neste universo São relativas só deixando-se de se comprar retomando a alegria Uma alegria de viver livre e com alma pura sem mais reverso Com isso tudo chegará o seu fim retomando um novo dia Se o arrependimento fosse pago também não haveria Dinheiro suficiente nem o mesmo circulava assim pelo mundo fora, Pois existe tanto dinheiro neste mundo e tão pouca alegria É que o mesmo dá para alguns barões multinacionais sem demora Poderem brigar uns com os outros sem olharem em seu redor E verem a pobreza que nele existe faltando sempre o amor É que nessas guerras montanhas de dinheiro são deitadas fora E o pobre empregado da “limpeza” acaba sempre por perder


Por vezes ao fim do mês sai com um pontapé no traseiro sem demora Ao vir parar à rua não chegando sequer a saber Qual foi o verdadeiro motivo para voltar a limpar as valetas Numa procura por uma simples moeda podendo então comprar O pão para dar de comer aos seus filhos não sendo então vedetas Pois fica à espera de uma oportunidade de poderem um dia estudar Dando um passo em frente nas suas vidas ainda curtas por ora Porque os grandes “furões” deste planeta se deixam levar Pelo “lixo” que vale o “Money” têm esquecendo a fome com alguma demora Pois a sua riqueza pode criar uma guerra à fome sem para Assim como à droga e à prostituição obtendo o seu fim Também conseguindo chegar a dar um fim ás armas químicas E que tal se agarrassem nesse “lixo” e construíssem um jardim Ou o embalassem e o enviassem num foguetão ás ricas Para um outro universo lunar que não o nosso de hoje Pois o mesmo não sendo habitado por qualquer outro ser Mas será que a porcaria do dinheiro sempre nos foge Não podendo comprar a paz originando a todos um outro viver Porque o mesmo só serve para comprar tudo e todos Durante muito mais tempo provocando simplesmente o caos Nesta nossa civilização humana não tendo sequer modos E nunca dando oportunidades ao sentimento do amor mesmo sendo maus Pois o mesmo também vai na sua alma sendo um novo ser É um ser que habita este mundo “podre” pela sede do poder E quanto tempo vai ser preciso para nós esperamos por ver esse novo viver?

Silvalde, 1988 / 03 / 10 ANTÓNIO CRUZ


“CRUZ DE FOGO”

Meninos e meninas não voltem as costas É tempo de compreenderem que a prisão Da cor já pertence ao nosso passado É que o fogo é mais que uma chama no coração.

E a cruz da vida é mais que uma cruz Pode a mesma ser de madeira em chamas Talharam-na num leilão onde a venceram Juntamente com a única dignidade que reclamas.

Há cem anos passados fizeram de uma guerra A sua prisão que ao mesmo tempo foi erguida Para libertar todos os homens de cor Mas resistindo sempre a opressão em ferida.

Só que agora sois livre para a aceitar Com a caridade de todos os homens Que desejam a vossa liberdade e a igualdade Já que nós idiotas as roubamos aos jovens.

Sois livres para sorrir sem medos alguns Sois livres para combater nas guerras Que nós outros inventamos com cobardia Ao queremos sempre tentar roubar as vossas terras.

Quando simplesmente eram livres para chumbar Nas escolas dos brancos era essa a vossa cruz Uma “cruz de fogo” que se transformara a liberdade E por vós conquistada em medo faltando uma luz.

A opressão só agora deixa de ser visível Começa tudo de novo neste tempo a acontecer É um novo tempo e uma nova época simplesmente Já basta ver tantos povos de cor ficando a morrer.


Pois já em outras épocas passadas A mãe das vossas avós ficou à beira mar Por praias distantes na bela Africa a ver Famílias inteiras desapareceram sem poderem falar.

Partiam em barcos de escravos para servirem Já que antepassados dos vossos pais Arranjavam fortes dores ou apanhavam doenças Em campos do desespero provocada pelos demais.

Era tempo de escravatura cheia de preconceitos A sua cor de pele era assinalada simplesmente Por uma linha vermelha marcante com sangue Misturado com suor não podendo escolher livremente.

Era a sua “cruz de fogo” com marcação Mas isso não voltará a acontecer brevemente Nem que seja preciso lutar com a minha vida Darei se for necessário a minha livremente.

Toda eu, assim a oferecerei em favor De todos os demais oprimidos pela escravatura Pois o tempo da mesma já lá vai simplesmente Só precisamos todos de procurar a nossa cura.

Porque não criais vós a vossa “guerra” Utilizando a liberdade que se encontra ainda fechada Nos vossos corações utilizando as vossas mãos Basta que para isso toda a vida seja amada.

Não deixeis fugir essa oportunidade de “matar” A cruz de fogo que em tempos idos Foi a marca dos brancos como sinal de fraqueza Já que nem amor-próprio ainda têm estando perdidos.


É dia de se dizer não as todas as guerras Como as de gangs ou mesmo a vossa própria Que no vosso interior ainda existe como descriminação Só temos que vos ajudar apagar isso da vossa memória.

E só Deus poderá julgar cada alma “aprisionada” Que existe ainda dentro de cada um de nós Já que hoje somos livres no pensar e no agir Vamos juntos então com um martelo quebrar a casca da noz.

Porque sangue, suor e muitas lágrimas Vão ainda sendo derramadas meu irmão Não te deixes vencer por esse medo Nem pela sombra da tua grande solidão.

Tu não te encontras só nesta mesma luta Contra os opressores, criminosos ou mesmo sanguinários. As preces são ditas por pessoas que acreditam Na vossa liberdade perante a “cruz de fogo” como missionários.

Missionários que só desejam a paz e o amor Que então nos poderá levar a ver toda a felicidade Que vai dentro dos nossos corações algo fragilizados Estendendo uma mão para se manter a tua liberdade.

Assim deixarás essa tua “cruz de fogo” para sempre Vivendo a tua vida com respeito e amor-próprio Sem esqueceres que não somos todos iguais E esquece isso sim, meu amigo, todo o teu ódio.

São Paio de Oleiros, 1992 / 03 / 09 ANTÓNIO CRUZ


“NÃO AO RACISMO”

Racismo, violência sem alguma compreensão Para um povo que quer ser livre É uma estúpida guerra entre brancos e negros Que lutam entre si sem razão que se prive.

Talvez exista uma pequena esperança De serem livres sem barreiras de cor Homens que tanto lutaram nesta vida Para quê? Se dessem mas era a mão com amor.

Deixando os seus ideais de lado Ao seguir simplesmente a luz da paz Por um caminho livre e seguro Com uma vida de amor sobre o lilás.

É uma vida de amor e paz Com que sonha o homem sem fronteiras humanas Será uma evolução da mente humana Sem preconceitos de ser superior às canas.

Nem superiores uns aos outros Na sua forma de ser ou diferente na cor Quando apenas não passamos de seres ignorantes Numa vida tão livre e cheia de muita dor.

Poderíamos deixar que a nossa lógica vontade De querer sempre vencer com egoísmo próprio Ao nos acharmos seres superiores em inteligência Nos tenha levado ao ponto de inventarmos o ódio.

Talvez tudo isto tenha subido em demasia À cabeça dos nossos chefes de estado Pois muitos deles não sabem o que fazem E honestamente poderiam muito bem esquecer o passado.


É que o nosso medo do passado Pode ser muito melhor sem a questão Ao sermos de cor diferente mas podemos ainda aprender Que existem várias maneiras de se abrir o portão.

Já que é um portão que nos fecha A liberdade e que nos pode levar a construir Ou a destruir a mesma neste nosso mundo Porque isso é mais fácil, pois precisamos de sorrir.

É que este mundo é belo com paz E isso também o se demonstra no desporto Se não olharmos para a sua raça ou cor E se acreditarmos nos outros como um bom porto.

Um bom porto de abrigo para a igualdade Já que tudo o resto é um terror mundial Ao não se abrir uma janela para com amizade E se poder gritar então por um bom final.

Um bom final para todos os seres Neste universo que vivemos com amor E gritando “Vêm meu irmão e me perdoa Por todos os nossos erros cheios de rancor”!

Ao ajudarmos todos aqueles que precisam De uma mão para subir na sua vida E se juntar aos outros numa visão de paz Onde a cor ou a raça poderá ser esquecida.

Será que nos custa tanto agarrar, Numa mão amiga esquecendo a vergonha? E colocar essa vergonha ao lixo Fazendo amizade sem demagogias estampada na “fronha”.


E ao sairmos de casa abraçar Ou cantar com o nosso irmão de cor Que pelo caminho encontramos, até no trabalho Ou mesmo na ida para a escola sem provocarmos a dor.

Será que isso é tão difícil assim? Então poderemos ir todos “à fava” devagarinho Lá para o outro planeta ficando bem longe Mostrando a todos que a paz é o nosso caminho.

E a existência de dois seres de cor diferente Pode ser real quando eles se amam Existindo então um amor profundo como sinal Pois assim o dizem e não se enganam.

Será essa a nossa revolução humana Com um sinal feliz nesta nossa sociedade Sempre com a nossa vontade pessoal de vencer Dando asas ao nosso coração em eterna amizade.

Passando a existir na amizade mundial Uma sociedade sem preconceitos e cheia de amor Dizendo não ao racismo a nossa alma estará bem viva E em chama ao amarmos os nossos irmãos de cor…

Silvalde, 1988 / 02 / 28 ANTÓNIO CRUZ


“NATUREZA”

Seguiram-se séculos após séculos E a beleza do nosso planeta Terra Simplesmente se foi desenvolvendo lentamente Até aos dias de hoje formando uma Serra.

Também o oxigénio e a sua pureza Foram dando vida a todos nós O milagre da natureza que tanto se orgulha Ao se sentir protectora sem dar nós.

E todos os seres livremente fazem Com que a mesma seja a sua casa natural Num mundo em que a sua vegetação Se vá deteriorando nas mãos do homem por sinal.

O qual ao mesmo tempo a devia admirar Todo o aspecto da natureza na sua enorme beleza E tudo aquilo que há de melhor em si Tentando esquecer a sua pouca esperteza.

O canto do rouxinol que se ouve Ao longe pairando sobre a bela floresta Nos vai transmitindo a sua alegria Assim como o canto das aves agradecendo à mestra.

É o seu agradecimento de poderem gozar A beleza do seus habitats livremente E de uma folha cai uma gota de orvalho Que vai deslizando de folha em folha lentamente.

Assim vai caindo até chegar ao seu destino Que é o solo juntando-se a muitas outras gotas Formando no fim um pequeno riacho Percorrendo alguns pontos do solo como notas.


Vai levando a sua água a beijar As plantas e os pequenos bichinhos Dando os bons dias matinais com alegria Por onde passa formando ainda novos caminhos.

E ainda no ar paira o silêncio Ouvindo-se o mesmo canto das aves É o belo despertar da aurora verdejante De mais um dia sem erros graves.

É assim a vida normal e existencial De um novo século que se aproxima Nos ninhos se ouve o chilrear dos filhotes Pedindo comida com os seus bicos pequenitos para cima.

Estando de bicos abertos famintos por comida Seus pais logo os alimentam aos bocados O voo livre de uma águia que paira monstruosamente Sobre os rochedos de um vale verdejante por todos os lados.

Assim vai embelezando uma natureza simples Mas que ao mesmo tempo tem algo de cumplicidade Com os seus elementos primitivos mas cheios de beleza Todos juntos formam um forte laço de amizade.

Um rugido proclama o seu território Aos seus adversários para que não se aproximem Do seu clã é o rei no seu mundo selvagem Com a força de ser imperador e não o desafiem.

É assim o ciclo da vida na natureza Ouve-se um grunhido ao longe o que será? Será algum ruminante em situação de perigo E o seu pedido de auxilio se espalhou pelo ceará.


Esse grito se revelou num S.O.S Talvez até nem o seja mas mesmo assim Pois as suas capacidades de sobrevivência Assim os leva a serem os mais cuidadosos pelo fim.

Todos e possivelmente se tornando mais fortes Como os rochedos sendo a sua vontade Que os leva a lutar e a saberem então agir Perante a natureza fazendo a sua felicidade.

As montanhas gigantes simplesmente se erguem Num horizonte longínquo vestidas de um manto branco Pois o mesmo vai varrendo os seus picos altos E bem rochosos como setas apontadas ao céu azul e branco.

Num outro ponto do mundo o céu azul Se começa a transformar aos poucos É o adivinhar de uma tempestade que se aproxima Um clarão avista-se ao longe e todos os seres ficam loucos.

É que era até então um azul bonito Muda de cor para um cinzento tornando-se feio É o negro das nuvens que se fazem acompanhar Pelas chuvas torrenciais sem nada mais pelo meio.

Essas chuvas vão caindo sobre as florestas As negras florestas da amazónica selvagem Com os seus rios de águas calmas cheios de vida Depressa se transformam em correntes fortes faltando-nos a coragem.

Uma coragem para podermos enfrentar as correntes Como um forcado enfrenta sozinho o touro Pois as suas correntes varrem tudo por onde passa Como um antigo guerreiro vestido de mouro.


Os seus estreitos caminhos até então Com a sua passagem se vão alargando Deixando de haver as suas antigas margens Que dividiam as terras que por ora se vão alagando.

Tornando-se em correntes perigosas para a fauna E mesmo para a vida vegetal ao ficarem sobremesas É assim a transformação da rica mãe natureza Que por fim leva a efeito criando novas represas.

Com um novo leito e novas maravilhas no habitat Num outro lado do continente Australiano E na sua rara vegetação habitam seres diferentes Os koalas seres bem carinhosos para bichano.

Como seres carinhosos são para as suas crias E não só se vão alimentando de folhas Como vão sobrevivendo conjuntamente com a natureza Tentando sobreviver aos desafios tipo “rolhas”.

Este é o meu pequeno mostruário Ou mesmo uma pequena visita guiada Por vários locais da nossa rica natureza Que vai existindo por enquanto e deve ser respeitada.

É que também no nosso planeta Terra Todos se vão esquecendo de aprender Que a vida é bela e é preciso a respeitar Para isso só basta o nosso bem-querer.

E que também deste nosso belo planeta Se avista a desértica mas não menos bela A nossa companheira e solitária Lua Pintada sobre um universo escuro como numa tela.


São as falésias em pano de fundo Que nos leva sempre a descobrir Qual o nosso interesse por um novo horizonte Que poderá ser cheio num futuro estando a sorrir.

Um novo futuro para a mãe natureza Que precisa da nossa ajuda para além Ao podermos desfrutar do seu elixir com vida Neste mundo em perigo que precisa de paz também…

Silvalde, 1988 / 01 / 19 ANTÓNIO CRUZ


“QUERO SER LIVRE”

Porque não me deixam só e livre Nos meus pensamentos, actos e sentimentos O Porquê de tantas perguntas e acções? Todos me fazem sentir um E.T. sem pensamentos.

São os meus pais os primeiros A não me deixarem viver a minha vida Só a quero viver livremente sem aborrecimentos Já que com eles passei uma infância algo perdida.

Só me fazem enervar, querem que eu mude Mas como se não me deixam em paz um segundo Porque me enchem a cabeça por uma coisa mínima Sem significado algum fazendo a maior coisa do mundo.

Estando eu a fazer alguma coisa do meu agrado E que não sirva para eles não me elogiam Pelo contrário discutem logo comigo mas para quê? Não sabem que quero viver a minha vida e só a agitam.

Se gosto do que estou a fazer e me sinto bem Só Eu é que sei se o mesmo é saudável Ou está a dar cabo de mim, esta solidão Porque a mesma me faz sentir bem no meu imaginável.

Por vezes já tenho pensado em sair de casa Não sei se seria para mim a melhor solução Talvez assim pudesse viver livre de aborrecimentos Visto que não sabem o que vai no meu coração.

Pois talvez nem queiram saber mesmo o que sinto Só se preocupam com o que os outros fazem Ou mesmo o que dizem que tenho feito sem o fazer É que de mim pouco ou nada mesmo sabem.


Só dizem que posso fazer sempre algo mais Não sabem é aquilo que tenho então feito Porque não me deixam ser eu mesmo Estando para eles sempre com algum defeito.

Será que tenho que ser como este ou aquele? E porque não posso ser igual a mim mesmo? Sei que sou metido em mim mesmo Embora tenha que mudar muito e nada temo.

Já que só agora sei aquilo que desejo Porque nesta minha vida tenho sido quase sempre infeliz A minha infância não foi de muita ajuda Por parte dos meus familiares mesmo desde petiz.

Pois o seu interesse em relação ao meu futuro Foi sempre muito relativo nas suas vidas Mesmo quando abandonei a escola aí me faltou apoio Para que pudesse continuar em frente nas minhas lidas.

Todos sabiam que as minhas notas eram boas E favoráveis à continuação dos meus estudos com futuro Só que isso parecia não lhes interessar muito Bastava informação vinda da escola visto que não andava ao escuro.

Valia bem o seu esforço para continuar a estudar Já que os meus professores adivinhavam o meu futuro Quando me deram notas para poder então passar Com a garantia de continuar a estudar pelo seguro.

Só que nunca ninguém se interessou por isso Para quê estudar? Se eu a trabalhar dava dinheiro E que entrava em casa enquanto estudava criava era vícios Diziam eles sem saberem o que para mim estava primeiro.


Mais uma vez pergunto nesta minha forma de escrita Visto ser a minha maneira de livremente ser Porque não me deixam ser livre nesta vida? Só quero ser “como uma gaivota em alto mar” e viver!...

Espinho, 1987 / 09 / 30 ANTÓNIO CRUZ


“ALERTA VERMELHO”

O alerta vermelho foi accionado Houve uma chamada para o futuro Neste nosso local de muito trabalho Com a máxima urgência não sendo seguro.

A ordem é largar todo o serviço Que se estava a executar no momento E nos apresentamos no local já combinado Qual seria desta vez a voz do tormento.

Mas faltando à chamada um dos chefes Pois se era um alerta todos deviam participar É que existem resoluções nesta empresa Nas quais se tomam atitudes de cabeça no ar.

Já que as quais nunca deviam de acontecer Assim diz o grande chefe da presidência Existem certas chamadas de atenção sem ordem Em que esses factores tocam elementos sem paciência.

Mas também as quais foram tomadas por mim E que perante os mesmos elementos foram anuladas Numa empresa organizada não devia de acontecer Estas situações sem que primeiro fossem questionadas.

Dizem que querem mais produção de cada um Mas se for sempre assim para quê? Gorjetas Só com as mesmas vão mas é obter por ora Cada vez mais um baixo rendimento sendo todos “falsetas”.

Isto já parece a “Bacalândia” cá do sítio Onde todos os elementos brincam com este andar É tipo a montanha russa ou então o comboio Onde todos em fila uns atrás dos outros não querem faltar.


Há espera de quem deseja ser o primeiro A dar um passo em falso para o despistar Estou a ficar cansado de ser a vitima Que por natureza nasci assim, mártir sem falar.

Já a quem se aponta primeiro o dedo E só depois se procura descobrir a verdade Quando a mesma nem sequer tem nada haver Com a minha pessoa é tudo uma falsa amizade.

Tudo isto já parece o velho Oeste Onde se disparava primeiro e só depois se investigava Se era bandido ou “artistinha” do filme Cada vez mais se pede para se fazer sacrifícios eu nem falava.

E que os mesmos serão distribuídos justamente De alguma forma mais justa e mais justa Mas onde pára essa justiça que tanto preciso E que tanta falta me faz já que a vida custa.

Pois a única coisa que sei são vinte e três horas E estou a chegar a casa e já tanto trabalhei Pelo menos cerca de doze horas seguidas hoje E algumas delas nem sequer algum dinheiro, ganhei.

Os meus filhos já dormem assim como a mulher Tenho semanas durante o ano em que trabalho Cerca de catorze horas diárias sem parar Chegando ao ponto de não saber o dia em que malho.

Os pequenos momentos que estou por casa Já nem conversar consigo só grito de momento Por tudo e por nada com todos os que me rodeiam Nem sequer consigo manter um simples pensamento.


Meu filho mais uma vez me pergunta de manhã O porquê de tanto trabalhar se não consigo Um dia sequer chegar a casa a horas decentes Para me deitar a dormir me sinto a perder um amigo.

Já que nem a oração da noite a faço Para poder receber um beijo seu ou um abraço O mais ridículo nisto tudo é que nada recebo Das horas extras que faço ficando sem espaço.

Um espaço que preciso para a minha família E a minha companheira me pergunta no fim Já que o mesmo está a chegar se vou receber Algum dinheiro daquilo que deveria ser assim.

Tudo isto para que uma maldita maquina Não possa parar os seus trabalhadores Não tendo trabalho para fazer nesse mesmo dia Onde pára a justiça? Já que só ouço simples rumores.

Quando chegar ao fim do ano se vê Se vou ser recompensado ou será outra pessoa Com o premio do melhor “empregado do ano” Visto que o mesmo só me recompensa por uma broa.

Mas o mesmo vai para quem nem sequer Dá mais de si ou mesmo horas à casa Visto que sou assim indo até estourar a cabeça De tanto pensar sem nunca receber alguma massa.

Pois chegando à hora de sair basta picar o ponto E dizem adeus até ao dia seguinte e nada mais Já que por si só pouco mais lhe resta a fazer Até ao começar dum novo dia, mas sei que falo demais.


Por vezes chego mesmo a chorar por momentos Durante as horas de trabalho fechado na casa de banho Para que ninguém veja esta minha grande frustração Que se tornou quase diária sendo eu um pouco “castanho”.

Pareço um escravo ao levar meia dúzias tostões Ao fim do mês e nem sequer um agradecimento Chego a receber por ter efectivamente tanto trabalho Mesmo durante o período de baixa medica sem sentimento.

Já que ás escondidas das “autoridades governamentais” E porque assim o me pediram e não o recusei Porque gosto daquilo que faço e me vou esquecendo Que me encontro bem doente já que por isso outra vez passei.

Passo noites sem dormir sempre a pensar No “puto” do trabalho encurtando a minha hora Para poder obter um bocado de descanso ao almoço Com o instinto de adiantar o meu serviço sem demora.

Mas para quê tudo isto? Nada tem mais fundamento Nem mesmo para chegar a mais um fim de ano E lavar mais um “chuto no pobre cu” Não recebendo nada mais em troca baixando o pano.

Nem sequer um agradecimento pessoal se faz Começo a ficar cansado de ser um Cristo Meu filho mais velho deu entrada no hospital Os médicos nada conseguem fazer por ora e insisto.

Mas simplesmente dizem que não vai conseguir Talvez sejam só palavras com agonia de sobrevivência Só tenho fé em Deus e só peço para que sim Ele possa continuar a sua curta vida faltando-me a paciência.


Só desejo que recupere para lhe pedir desculpas Por ter faltado tantos dias como seu pai Hoje choro sozinho deitado na minha cama Pedindo a Deus que possa lhe dar saúde que se vai.

Pois a minha já vai faltando por não dormir Visto que só durmo cerca de três a quatro horas Por dia depois do mais novo ser posto a dormir Já ando nesta rotina há cerca de quinze dias sem demoras.

Levanto-me e visto o mais novo depois do pequeno-almoço Faço-lhe o lanche e levo-o ao ATL sem tempo a perder Para depois à noite jantar e tomar o seu banho Seguindo-se as boas noites até ao dia seguinte nascer.

Pois tenho vivido “sozinho” durante este período Sem tempo para conseguir concentra-me na recuperação Já que a sua mãe se encontra sentada ao lado do seu irmão Que vai sofrendo em agonia e também sangrado do seu coração.

E ainda têm o descaramento de me vir pedir mais atitude Sem nada querem saber só pensam no meu trabalho diário. Depois de todos saberem o que se passa comigo Estando cada vez mais doente e muito revoltado até caio.

Onde está a solidariedade para quem sofre? Será que só contam para eles os velhos cifrões? Existe uma falta de sentimentalismo dentro desta firma Porque também não são humanos no fundo dos seus corações

Passaram todos a serem “inimigos” dos meus filhos E só espero que nesta altura estes filhos da mãe no futuro Vão cobrar para o “caralho” assim como com as suas palavras E quero que se “foda” a solidariedade que mais parece um muro.


Tudo isto é conversa de “merda” para comigo Porque a dor sai do meu corpo em grande sofrimento Só me apetece dar uns certos chutos aos “chulos” Mas por alma de quem nada é justo no seu cumprimento.

Que se vão todos “foder” com a sua conversa Já que a mesma é sempre uma “merda” neste meu sentir Pois o alerta vermelho terá que ser dado mas é por mim É assim que me sinto neste momento e escrevo neste meu explodir…

São Paio de Oleiros, 2003 / 11 / 11 ANTÓNIO CRUZ


“O VAGABUNDO RICO”

Um homem que se vê Outrora era um grande milionário E também capitão do coração duma mulher Que um dia o despejou com o seu diário.

Esta é a história de um homem Que hoje se limita a varrer vielas E as ruas de uma cidade bem suja E que se encontra perdida no tempo como as telas.

Só que esse homem nunca se esqueceu Do olhar azul da sua bonita amada E da boca da qual a ouvia então falar As palavras doces, fazendo sobressair a fada.

Eram palavras doces para o seu coração Que sentia o toque carinhoso nas suas mãos De uma pele macia atingindo o seu rosto Faltando-lhe o amor dos seus irmãos.

É um homem que nunca esqueceu O sorriso da mulher que sempre amou Amou e continua amar com esperanças De um dia a voltar a ter como sempre sonhou.

Pois ele sabe que um dia Ela poderá vir a ser sua outra vez Mas o seu coração enquanto por ela espera Vai chorando de hora a hora com um talvez.

Já que a sua amada o deixou Olhando pela janela vai chorando E pelo seu rosto pequenas gotas escorrem Através de recordações vividas em que foi amado.


São as recordações dos momentos mais felizes Que a sua vida em união se realizou Com o ser que por si também foi amado As lágrimas pesam por algo que não finalizou.

Lágrimas essas que pesam em vida Já que em toda a sua vida seu coração se entregou E um simples dia pecou ao deixar esquecida A sua amada por alguns segundos e tudo acabou.

Tudo isto vai correndo na sua memória Enquanto vai varrendo as ruas da cidade Na mesma em que vive a trabalha sozinho Faltando-lhe sempre uma réstia de felicidade.

Algo se passa em seu olhar desconfiado Ao mudar de direcção alguém se aproxima Do canto que varre se apercebe de algo Enquanto que para ele caminha olhando sempre por cima.

Ao atingir um papel fora do seu caixote Vai amontoando o lixo apenas mais um pouco O seu rosto revela um desprezo pelo varredor À mesmo vai parecendo ser um simples louco.

Pois em tempos ela era a sua mulher E que tanto tinha amado mas os tempos mudaram Hoje não é a mesma mulher frágil de outrora Pois os seus sentimentos antigos a vida transformaram.

Ao pobre vagabundo lhe caem as lágrimas Por tanto desprezo sentindo pela sua amada A frágil mulher se senta num banco do jardim Procurando um livro para passar o seu tempo de fada.


Enquanto espera a hora de voltar a casa O vagabundo caminha na sua direcção Depois de alguns minutos ter reflectido Se devia ou não lhe falar com emoção.

Ou mesmo lhe contar como a sua vida Desde então mudou ao se aproximar dela Pede-lhe um minuto da sua vida ocupada Tinha algo que gostaria de partilhar sendo ela bela.

Hoje pela primeira vez desde que ela partiu Nunca tinha sido capaz de o fazer O pobre vagabundo ante tanto desprezo Fala-lhe mesmo sem o seu consentimento em prazer.

E sem o seu consentimento lá continuou Ao lhe contar como ficou então pobre Sem dinheiro e a sua amada esposa A sua vida muito mudou deixando de ser nobre.

Pois já tem sofrido muito desde então Muito mais que algum dia ele pensasse vir a sofrer E em todos estes anos sozinho ele ganhou Algo que fez dele um homem de um novo ser.

Tornando-se num homem rico em amor Pelo ser que desde sempre ele amou E cada vez mais no seu eterno silêncio Foi enchendo o seu coração de tristeza que nele ficou.

Por não poder dar ou mesmo o demonstrar O quanto era belo no seu simples amor Ao ser um novo ser ele hoje Já que tanto ainda a ama com alguma dor.


Pois pede-lhe uma última tentativa Para mostrar esse amor que lhe faltou Ela se levanta e caminha ignorando o vagabundo Já que eram palavras que nada em si tocou.

O vagabundo continuou varrendo as ruas Enquanto ela segue o seu caminho Pensando no que ouvira naqueles instantes Após ter visto como ele continuava sozinho.

Já que tinha visto nele lágrimas verdadeiras E apesar de tudo, ela também nunca deixara De o amar já que tinha sido desde sempre O seu primeiro amor e como o amara.

E a dado momento se volta para trás Olhando o pobre vagabundo a ele o chamou E correndo lhe diz que o perdoa com emoção Demonstra-lhe o seu coração ferido que se acalmou.

E que por uma ultima vez o seu amor Nesse momento juraram levar novamente a conquistar Abrindo os seus corações para uma nova vida Só tendo como oportunidade viver e saber amar.

Assim partem deixando tudo para trás Para viverem uma nova vida por uma última vez Já que a paixão deles nunca morrerá Visto ter sido a única por sua vez.

E que até alguns momentos atrás Era cheia de espinhos provocados pela solidão Onde agora existe uma réstia de esperança Para continuarem um amor verdadeiro e com paixão.


Já que ambos partilham esse amor E nunca o deixaram desde então morrer Os seus corações feridos podem ainda sobreviver E o vagabundo passou a ser rico novamente no seu crer.

Silvalde, 1990 / 07 / 07 ANTÓNIO CRUZ


“CAVALOS A VAPOR”

Surge ao longe uma fumaça Vinda de uma chaminé de ferro São os famosos “cavalos a vapor” Que avançam sobre os carris de ferro.

O seu andamento é imposto Pelas mãos dos homens sem rosto São milhares de quilómetros de linhas Que formam os trilhos até ao seu posto.

Tentam alcançar no seu lento andar Os mais remotos cantos do nosso planeta Não havendo obstáculos naturais Que possam fazer face nem um cometa.

Já que as mãos humanas trabalham Não sendo nada capaz de os deter Valendo-se para isso da sua força Que aliada à inteligência se faz mover.

Algumas pontes e túneis foram construídos Para que pudesse chegar no ritmo lento Mas o suficiente, chegando as populações isoladas Vilas, cidades atravessando até países de tormento.

Os “cavalos a vapor” eram montados por cavaleiros Pintados de negro, seus rostos quase não se viam Por entre o carvão que alimentava as caldeiras Fazendo-os avançar de estação em estação perseguiam.

Ao longo da grande muralha entre Mongólia E o deserto de Gobi assim atravessavam As planícies e os vales perdidos de desfiladeiros De terras conquistadas aos índios e os expulsavam.


Foram varrendo as pradarias sem sentimentos De uma ponta a outra ponta sem hesitar Pelo continente ameaçando por vezes sem lógica Perseguiam sem fim enquanto os seus escravos o viam passar.

Só que hoje em dias as velhas locomotivas Que eram movidas a carão foram substituídas Pelas eléctricas embora ainda algumas existam Esses “cavalos a vapor” vão circulando por terra perdidas.

Fazendo as linhas dos expressos por África E mesmo pela Índia com algum sentimento Enquanto escrevo sobre eles vou recordando A minha infância e o cheiro a carvão como seu alimento.

Visto que o mesmo pairava no ar Quando a velha locomotiva passava por mim Era um cheiro intenso provocado pelo carvão queimado Só que ao mesmo tempo parecia não ter um fim.

Ao darem outro vida aos velhos trilhos Por onde os “cavalos a vapor” passavam Levando e trazendo alegria as velhas vilas perdidas Existe uma velha expressão posta por essas aldeias que ficaram.

Ficaram apelidados de “pouca terra; pouca terra” Devido à sua eterna lentidão na sua passagem Por apeadeiros ou mesmo estações algo escondidas As saudades que essas velhas locomotivas deixaram à margem.

E que ainda me fazem recordar a infância Já que a minha avó que vivia perto deles Ou melhor dizendo ao pé da linha do Vouguinha Que em criança brincava por lá sendo mesmo reles.


Não tinha medo ao velos passar por lá Meu coração se enchia de alegria sendo criança Sonhava então um dia vir a ser maquinista De um “cavalo a vapor” como todas as crianças com esperança.

Ao sonhar tanto acabei por ganhar um dia Um “cavalo a vapor” nesse tempo em ponto pequenino Hoje quando os vejo a passar de longe a longe Para sua manutenção ou passeios turísticos e não termino.

Os mesmos fazem viagens no nosso belo país Ao longo do Rio Douro recordando os meus passeios No seu balançar de um lado para o outro Sobre os carris “pouca terra; pouca terra” outros meios…

Mozelos, 2005 / 08 / 01 ANTÓNIO CRUZ


“TRAFICANTES DE BEBÉS”

Quando se compra um sonho Que por vezes se torna em realidade Vindo num pequeno embrulhinho rosa ou azul Já que o mesmo será a sua grande felicidade.

Tudo depende da pessoa que o trás Já que a mesma negoceia sem preocupação Nem mesmo alma ou com algum coração Quem procura a felicidade não se apercebe da acção.

Os negociantes “apregoam” a sua boa mercadoria Perante uma cidade provocando um frenesim Já que para os burocratas nada lhes toca Nem sequer os desanima nesse seu fim.

E os advogados não são o último recurso É tudo uma dor de cabeça para quem deseja o bem Em que os contrabandistas fazem passar aos futuros pais Ao serem traficantes de bebés e catraios também.

Já oferecem um serviço completo sem nada mais Nem com a burocracia sequer eles se amedrontam Pelo contrário conseguem ultrapassar essas mesmas barreiras Basta lhes dar algumas semanas, mais dinheiro e logo se apresentam.

Um traficante de bebés terá sempre um serviço Conseguindo obter uma “mercadoria” legal ou não Eles oferecem tudo aquilo a quem o deseja na mão Não tendo sequer medo nem uma ponta de sangue no coração.

Pois o que conta é um pedaço do paraíso Que por onze mil notas verdinhas valendo seu preço A pagar por um recém-nascido não sendo mais questão Uma questão de moralidade imposta sem endereço.


Tudo gira à volta das falsas moralidades Em que a ilegalidade não preocupa mais ninguém São todos, uma grande família feliz por fim Acabando os mesmo por não serem alguém.

Já que fazem tudo à sua maneira E de uma forma americanada sem sequer pestanejar Pois ninguém imagina uma casa sem ter filhos É que quase todos os casais procuram saber como amar.

É que um filhos essas pobre criaturas procuram Tentando de alguma forma o obter para sua felicidade Já que de maneira natural ele não lhes surge Vão então por vias travessas tentando alcançar com igualdade.

Só se imaginam com um filho em casa E ninguém precisa de saber quem são os seus pais Tentam então dar todo o seu carinho e amor Já que os mesmos só pensam em ser também aos outros iguais.

E a todo custo compram aos traficantes de bebés Um filho para criar já que assim ele também trabalha Com dinheiro na mão ou cheque para eles tanto faz Já que o seu coração sem sentimentos nem sequer lhes falha…

São Paio de Oleiros, 1996 / 10 / 29 ANTÓNIO CRUZ


“PROFISSÃO MÃE”

Ser mãe é uma profissão dura Chega atingir as vinte e quatro horas diárias E quando é simplesmente dona de casa Ocupa o seu espaço total em tarefas, várias.

Não tendo algum tempo livre Por vezes não tem mesmo profissão Que seja classificada a não ser a de mãe A tempo inteiro com o amor do seu coração.

E se fosse valorizada de certeza hoje Que teria que existir um grau de classificação Já que a sua carreira é a de ser mãe E a ocupa diariamente sem olhar ao tostão.

A sua ocupação diária rouba o seu tempo Acabando por deixar de ser sua dona Transformando-se em dona da casa como esposa E companheira já que na sua determinação se torna.

Para ocupar o lugar de mãe Sa vai esquecendo de ser outra pessoa Que então vivem em seu redor diariamente E como mãe muitas vezes a magoa.

Não existem palavras que possam descrever Para mãe qual a sua classificação profissional Já que a tempo inteiro a pratica sem medo Visto nunca ter uma escola para aprendizagem como sinal.


Já que a mesma aprendizagem não se faz Em escola alguma nem o seu doutoramento Tudo o que vai aprendendo será ao longo da vida Que vai dando origem à sua existência após o casamento.

Passando o seu longo testemunho de mãe A de avó, a de tia e por vezes mesmo a de bisavó Houve alguém que um dia declarou a sua carreira Como a de mãe, visto que a mesma até leva dó.

Já que a profissão mãe não estará Muito fora do seu contexto original Esse doutoramento seria no desenvolvimento infantil E de relações humanas porque é um longo projecto sem final.

Em que o programa mãe nele está inserido A tempo inteiro dentro e fora de casa Como se de um laboratório se tratasse E que chega ocupar algumas tarefas sem haver massa.

Já que no mínimo são catorze horas diárias Atingindo as vinte e quatro horas com exigência Em que é responsável por ter ao seu cargo Uma família inteira faltando alguma paciência.

E com alguma dedicação exclusiva da sua parte Pois a mesma é designada por equipa onde existe Ou deve existir em enorme respeito pelo seu trabalho Que depois de se dar o primeiro passo o seu amor persiste.


Já que a mesma leva um longo desenvolvimento Para se tornar numa brilhante carreira E ao mesmo tempo gloriosa quando é triunfante Para com todas as vidas a seu cargo sem ser a primeira.

E devia de ser assim como profissão Ou mesmo a carreira de ser simplesmente “Mãe” Já o seu amor não tem limites para si Nem para com os outros isso é ser “Mãe”.

Vouzela, 2005 / 08 / 18 ANTÓNIO CRUZ


“CORAÇÃO PORTUGÊS”

Não importa se não formos os escolhidos Ou mesmo os favoritos mas sim a vontade De querer vencer contra todas as regras Ou leis impostas por alguém sem igualdade.

Pois esse, alguém simplesmente não quer revelar Ou nos dar o valor que merecemos justamente É uma luta que já vem há muito tempo mesmo Na qual podemos mostrar que somos bons realmente.

Numa luta desigual nós batalhamos para mostrar Que a força de querer e isso conseguimos no rectângulo Na estrada, no mar ou por todo o lado livremente E da qual nos valemos tanto quanto o adversário sem ângulo.

E mesmo que não tenhamos super estrelas Durante o jogo a nossa força é sempre igual Quanto o gabarito do “inimigo” à nossa frente Mostrando o nosso poder lutando sempre até ao final.

Assim honramos ao mostrar o quanto vale Este nosso país estando unido e não existindo barreiras Que possam ser impossíveis de reter a nossa força Em grupo conseguimos vencer para lá das fronteiras.

A sua derrota assim será sempre mais forte Talvez se possa aplicar a velha expressão bem conhecida “Que a união faz a força” já que é bem verdade E muito mais ainda consegue conquistar a amizade oferecida.

Conseguindo então que a amizade de um mundo inteiro Que olha para nós julgando a nossa forte vontade Ao demonstramos que somos algo mais de há muito tempo E que o nosso devido valor como povo Português é uma realidade.


E onde a esperança de vencermos se demonstra Perante um publico que nos apoia sem cessar Com a mesma força e vontade desde o inicio Desta batalha a que se propõe com força sem parar.

Não sei se ao sentir o peso da responsabilidade Ao representar um país pequeno como o nosso Perante um mundo que vai ficar de olhos em nós E que nos leve a comportarmo-nos como um povo também vosso.

Ou de uma maneira algo diferente do habitual como Português Sabendo que temos o apoio humano bem mais quente Fazendo o possível para se tornar das maiores claques existentes Neste universo do desporto com uma força de multidões surpreendentes.

Fazendo com que em nós se alegrem os corações Portugueses Fazendo também que nasça uma vontade superior em vós Como que nunca sentimos alguma vez na nossa vida Nem mesmo no tempo dos nossos queridos avós.

Tudo se trata de uma transformação surpreendente Renovando o nosso espírito lutador de ser Português Como os nossos descobridores por “mares nunca antes navegados” E que nós adoptamos desde o nosso nascer sem muito porquês.

Venceremos e aprenderemos o quanto somos fortes De coração e alma como humanistas que somos E nada mesmo nada nos fará parar de gritar Portugal, Portugal, campeões seremos, sem nenhuns gomos.

Já há muito que precisamos de mostrar O quanto vale ser Português de Lusitana Alma E como aprendemos nós ao voar com a liberdade Pelo mundo inteiro tornando-se pequeno perante a nossa calma.


É que este mundo é pequeno perante a nossa força E o nosso calor humano o transformará simplesmente Seguindo em frente Portugueses sem medo algum Como Lusitanos de coração sonharemos sempre livremente.

Ficamos à espera que um grupo nacional Vença os melhores do mundo sem dó nem piedade Basta para isso acreditarmos com a nossa fé “Navegando” num relvado onde teremos toda a liberdade.

E não importa nada mais neste momento Basta-nos sentirmos o nosso coração Lusitano Como Portugueses que somos e vamos sonhando Descobrindo a verdade ao sermos escolhidos mais este ano.

Silvalde, 1988 / 05 / 25 ANTÓNIO CRUZ


“BELENENSES MEU PREFERIDO”

Belenenses, bonito clube e um desportista Na verdade nos mostra a todos nós O quanto vale quando aceita jovens Recusados pelos outros sem pontos ou nós.

Revela que eles se dão de corpo e alma Ao nosso clube da Cruz de Cristo Mostrando tudo aquilo de que são capazes De o fazer por gratidão e dele não desisto.

Porque somos homens bem valentes De Cruz ao peito mostrando a nossa raça Sempre com gloria onde hajam batalhas Ou barreiras de civismo não andando à caça.

Defendemos o desportivismo em terra ou mar Dizem que são um “grupo” de atletas Não pertencendo à elite dos clubes “grandes” Esquecendo que somos o quarto maior e deixem-se de tretas.

Mas vamos todos unidos, o demonstrar Como se joga e brinca sem ser preciso “cantar” Também não precisamos de magoar ninguém Já que também somos “grandes” no saber ganhar.

Porque os campeonatos que ganhamos Ao longo da nossa existência demonstrou a paixão E para que todos também possam ver Que somos um “grupo” que se alimenta com coração.

Pois nele existe sempre a esperança De voltarmos a ser aquele clube campeão Que em tempos já fomos e que ainda somos Com a Cruz de Cristo no nosso coração.


Mas havemos de recuperar a nossa glória Assim como tudo aquilo que nos pertence E demonstrar o grande significado de Cruz de Cristo A qual ao peito transportamos e nada nos esmorece.

Porque as alegrias de outrora reconquistamos E as de novo vamos ter assim como os descobridores Que foram os pioneiros nas suas caravelas Portuguesas Quando partiram à descoberta como conquistadores.

Da “nossa” Torre de Belém partiam “Viajando por mares nunca antes navegados” À procura de “novos mundos” como sonhadores Também no clube “Os Belenenses” serão todos aclamados.

Ao descobrir dentro dos recintos de jogo A vitória seja com sangue ou lágrimas A glória surgirá no topo da bandeira E a sua fama no desporto chegará com estas rimas.

Assim chegará mais além a nível mundial E nos virá dizer o quanto é bom o Belenenses Ao ser conhecido como o “Grande Senhor” A nível de desportivismo não esquecendo o que penses.

Nunca olhando à raça nem à sua cor Ou mesmo à religião, seguimos em frente Pois nós também nos sabemos bater Por algo tão desejado para o “Azul” com mente.

Para que se torne cada vez mais “Azul” Existiram sempre as esperanças em cada adepto Neste clube do Restelo que por si só avança Na sua nau pelos mares sem nenhum repto.


E a sua nau cada vez que avança Nas águas agitadas de vento em proa A mesma é erguida seguindo sempre em frente Para o mau e o bem vai repartindo a “broa”.

Assim seremos sempre o clube do coração Pela Cruz que levamos ao peito e temos amor E nada nos fará desistir do nosso clube “Azul” Apesar de tanto sofrimento e com alguma dor.

Por amor ao clube de Cruz de Cristo A nossa esperança não morrerá assim Com o “Azul” sobre a Torre de Belém Onde o Sol nascerá um dia sendo o principio do fim…

Silvalde, 1987 / 11 / 25 ANTÓNIO CRUZ


“DEVER”

Tirem o chapéu aos heróis A preto e branco no ecrã, Que fazem o que deve ser feito Com a coragem de lobo que levam.

Pois é preciso muita coragem Para proteger e servir os outros Enquanto os mesmos outros se divertem Não esquecendo a protecção de vós outros.

O que uma mulher pode levar Ao banco quando precisa de protecção Pois as pessoas se complicam simplesmente Precisando de um homem serio e de bom coração.

Se dissermos a um pobre policia Que não dispare em vão Sabendo que o longo braço Que dita a lei é a nossa protecção.

Pois a lei também precisa De musculo e de alguma força Assim a polícia deve ser poderosa Para enfrentar sozinha a força.

Ao ser forte robusto de cassete Nada lhe pode fazer mal Agarrando os loucos da droga E metendo-os na cadeia por final.

Eles limpam as nossas ruas De rufias e bandidos do mal Assim os fazem pagar pela sua maldade Orientando-se sempre pelo ponto cardial.


Atiram-se sempre para a frente Quase com a sua limitada razão Só devemos fazer um brinde aos bons Que por nós lutam utilizando a sua mão.

Uma mão que dita a lei Mas que sozinha não basta Nem o poder do seu distintivo Ou a sua arma sendo casta.

Pois perdem muitas vezes a vida Ao enfrentar os perigos prontamente Só temos que dar uma grande viva Aqueles que por nós sofrem solenemente.

Na sua genica de policia Quando pela rua ele gira Ao atender ás nossa emergências Ficando ferido ou muitas vezes ele “pira”.

Pois os liberais falam sempre muito Mas nunca se alistam com medo A sua vida, eles não querem arriscar E da sua boca não sai o credo.

Quando é preciso há que ser Sempre um polícia duro de roer E neste pequeno poema tento esclarecer Que na vida de polícia é preciso crer.

Quando prendem alguém os direitos lêem Como senhor policia é o seu dever Era um sonho meu em criança servir Todos os mais necessitados como deve ser.


Porque a justiça é real Só que hoje é o meu dever Fazer cumprir esse sonho no papel E como cidadão assim o devo escrever.

São Paio de Oleiros, 1995 / 10 / 20 ANTÓNIO CRUZ


“HERÓIS DO IMAGINÁRIO”

Ao longo destes anos que passei Fui criando os meus heróis E num poema vou tentar falar Um pouco sobre eles assim vou começar.

É que não existe aventura Que eu não procure nas bancas Porque as suas histórias são o alimento Do meu imaginário e do meu pensamento.

Onde vidas cheias de euforia Mas sempre com sede do desejo E com a natureza entra em conflito puro Até se luta para manter vivo o nosso futuro.

Entre jogos e alguns desportos A corrupção é a palavra a riscar Com valentia e sem ponta de medo Procuram descobrir traficantes em alto-mar.

Automóveis de corridas são as loucuras Que cruzam auto estradas “prego a fundo” Na procura de chegarem a tempo De salvarem vidas no seu ultimo segundo.

Numa vida dupla mas com coração Procuram sempre encontrar os objectivos Nem que as montanhas se movam Dá tonturas ver os sinais positivos.

Não têm receios da noite escura Por ela avançam com alguns rodopios Porque receberam informação de fontes seguras Que serão os primeiros nas suas aventuras.


Determinação junta-se à intriga e a paixão Já que também vivem alguns amores Em que os seus corações se embriagam Trazendo grandes problemas por vezes, mas escapam.

Preferem percorrer os gelos glaciares Ou os desertos escaldantes a ferverem Na pista certa dos seus eternos inimigos Nem que acabem por vezes por morrerem.

Alguns são jovens de corpo e alma Mas de mente adulta e bem espertos Fazendo de policia de rua solitário Entre vielas descobrem figuras no “rio”.

Nenhum enigma fica por decifrar Música no ouvido sem a esquecer São engenheiros, cientistas, génios em computadores Tudo procuram e tentam até no seu escrever.

Advogados ou gentleman, sempre em apuros Mestres em artes marciais sendo bem duros Por vezes sem compreender esta vida Que levam como se fosse uma grande corrida.

Há um cão como seu amigo Muito esperto e bem treinado Para buscas à droga ou minas em “bando” É uma grande ajuda contra o contrabando.

Aventuras espaciais preferem com muito gosto Com ajuda de certos amigos bem especiais Sendo habitantes de outros planetas e bem diferentes Que se oferecem como voluntários de mundos distantes.


E hoje são heróis aliados do meu imaginário Neste meu mundo eles também existem Como guerreiros valentes sem algum medo Suas vidas partilham na procura do além.

Por galáxias infinitas eles fazem-me viver Uma verdade pouco ou algo real Suas aventuras ou descobertas me fascinam Com conhecimentos criados no planeta actual.

São transportados pela nave espacial Onde seu nome ficou bem gravado ao mundo Pelos mundos distantes desta nossa galáxia “Figon” é uma revolta do meu ser profundo.

Mas nem tudo pára por aqui Porque entre eles existem mulheres, humanóides Robôs, extraterrestres e animais que procuram viverem Num mundo de amizade e paz sem nunca sofrerem.

Mas traquinices e malandrices também fazem parte Deste grupo de heróis no meu imaginário Não deixam de viver tudo um pouco Neste meu mundo parecendo tudo muito louco.

Correrias após correrias de navegadores de sonhos São as vidas destes meus fiéis heróis Que mudam aos poucos os meus eternos sonhos E acabo sempre por esperar o seu depois.

Nos aviões, barcos, motos ou helicópteros São sempre os melhores e até especialistas Mas a verdade é que a paz e o sonho persiste E nenhum teclado a eles simplesmente lhe resiste.


Já que não têm medo de nada Com as suas vidas em perigo algumas vezes fatal Actuam sem nada a perder com uma pitada de sal As suas aventuras atingem sempre um final.

Todos eles são para mim como uma família Alguns são os meus irmãos reais em tempos perdidos Que nunca chegaram a ver o verdadeiro Sol Mas eles vivem nesta minha fantasia como escolhidos.

Assim vos faço uma pequena demonstração Neste meu relato único dos heróis originais Em que no início eram só um grupo de quatro Mas eles se juntaram novos elementos ano após ano mais.

António Oliveira de código “O Coruja”, Era um grande cavaleiro poeta com paixão Roberth Grant de código “O Pantera”, Era um basquetebolista de uma certa eleição.

Michael Taylor de código “O Trovão”, Era índio de raça procurando sempre a paz Erik Suzuki de código “O Samurai”, Com a sua espada demonstrava como se faz.

Patrick Saint-Mouriz de código “O Águia”, Guarda-redes atormentava como um furacão William MacDonald de código “O Anzac”, Era como um canguru livre sem comparação.

Marcus Júnior de código “O Flamingo”, Médico e craque sabendo sempre o que faz Charles Hazard de código “O Tigre”, A sua alma era como uma âncora da paz.


Paul Van Brun de código “ O Doutor”, Também era médico e era mesmo dos bons Giuseppe Olivetti de código “O Golfinho”, Era electrónico até parecia que tinha dons.

Edward Goodwyn de código “O Mister Charmes”, Como o aplido indica era mesmo charmoso Thomas Kennedy de código “O Falcão”, Gostava de voar mas sendo bem famoso.

Hercule Keitanyo de código “O Homem Azul”, Era um homem da Atlântida saboreando as águas Ivan Pasic de código “ O Míssil”, Sabendo como se deve fazer afastando as mágoas.

Pierre Christömberg de código “O Iceberg”, Era um sueco frio como o gelo Bruno di Gennaro de código “O Teclas”, Tocava piano até dava gosto velo.

Viktor Kristonov de código “O Urso”, Atleta com um físico de campeão Henrique McGregor de código “O Espadachim”, Hábil de espada nunca indo ao chão.

Alan Nielsen de código “O Viking”, Navegador com experiencia e também sonhador Wagner Schawartz de código “O Verde”, De Marte veio no seu disco voador.

Cláudia Larrenia de código “A Gaivota”, Brincalhona e sempre cheia de graça Michaela Bismark de código “ Baby”, Segura de si e com muita raça.


Stephan Rayner de código “O Puma”, Estando sempre pronto a estender a mão Frederic Murphy de código “O Lobo”, Solitário mas cheio de poder no coração.

Ruy Costeau de código “O Kappa”, Naturalista e estudioso como poucos Gilbert Peleck de código “O Caribú” Tradutor eficaz de surdos e moucos.

Rita Larsen de código “A Pérola”, Nadadora eximia por sua excelência Diane Banks de código “A Onda”, As ondas e surf, vivia com ciência.

Jayme Pulski de código “O Vigilante”, Atirador de primeira e com eficiência Randolph N’Komo de código “O Montanha”, Duro como um rochedo e cheio de paciência.

Tyrone Mandril de código “O Macaco”, Era o homem macaco como o apelido indica Leon Lynx de código “O Garras”, Era outro homem animal só que leão e por aqui fica.

Pois muitos mais haviam para se falar Desde o Gobial “o robô”, ao Day “o humanóide” que se juntaram E mais através dos tempos que os anos levaram Um após um esta “família” e com Ringo ”o cão” aumentaram.

Porque esta vida é feita de muitas guerras E para as combater os meus heróis eu a formei Em sonhos ou na simples escrita sempre com a paz Eles comigo vivem e um dia mais tarde os desenharei.


Homens, mulheres, crianças e alguns animais Serão sempre o fruto da minha esperança Não custa nada sonhar em obter a paz universal Neste universo e não sendo preciso ser uma criança.

A este meu mundo também juntei um dia A minha esposa e os meus filhos não estando sozinhos Já que parte de mim fazem assim como os meus irmãos Também juntando os meus pais, cunhados e sobrinhos.

Nada mais consigo nestas linhas de sonho acrescentar Pois vou continuando a escrever e ao mesmo tempo a amar Só desejo que um dia também os possa ainda desenhar Demonstrando que estão vivos em mim e que posso sonhar.

São Paio de Oleiros, 1991 / 07 / 27 ANTÓNIO CRUZ



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