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Nº42 jul ago set 2019

MaiSBEM

Foto: iStock

Revista Online da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

FATORES PREDITORES DA QUALIDADE ÓSSEA DE PACIENTES COM HIPOPARATIREOIDISMO PÓS-CIRÚRGICO Trabalho foi aceito para publicação no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism

EM DESTAQUE Jejum e tecido adiposo marrom: estudos do Dr. Eric Ravussin Posicionamento SBEM sobre uso de testosterona em mulheres com TDSH

E MAIS As novidades do Guia Prático em Osteometabolismo Aulas do CBAEM 2019 comentadas Homenagem aos endocrinologistas

ORIENTE SEU PACIENTE Diferença do desenvolvimento sexual: informações aos pais e profissionais da saúde


Palavra do Presidente

RQE: um benefício ao paciente Hoje em dia, não basta ter diploma de médico. No combate aos pseudoespecialistas, é fundamental ter um certificado de autenticidade da expertise. Para isso, existe o registro de qualificação de especialista (RQE), que pode ser solicitado ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e é a garantia que comprova que o médico é especialista reconhecido pela Associação Médica Brasileira (AMB). O RQE é um número que deve estar presente pelo menos em nossos receituários e carimbos, sem falar nas mídias sociais, sites e publicações em que muitos de nós somos porta-vozes da nossa especialidade como pessoas físicas ou representantes da SBEM-SP.

Índice

Ao obtermos o RQE, conseguimos evidenciar para a sociedade as capacidades e conhecimentos adequados do profissional e protegê-la

de supostos especialistas. Dessa maneira, também resguardamos a SBEM, garantindo que somente profissionais com esse registro possam se apresentar como habilitados. Você já pensou sobre isso? Em 1° de setembro, comemoramos o Dia do Endocrinologista. A Diretoria da SBEM-SP propôs uma bela iniciativa para estimular que todos estejamos com nosso RQE emitido, fortalecendo a especialidade e protegendo, sobretudo, aquele que mais depende de nós e merece nossa confiança: nosso paciente. Fica a reflexão! Boa leitura e um grande abraço a todos! Dr. Sérgio Setsuo Maeda, presidente da SBEM-SP

Repórter Médico

Dados da pesquisa Vigitel: um alerta e uma luz no fim do túnel?

pág. 3

Atualizando

Guia Prático em Osteometabolismo tem nova edição

pág. 4

Palavra de Especialista

Posicionamento da SBEM: terapia com testosterona na mulher com baixo desejo sexual

pág. 4

Fatores preditores da qualidade óssea de pacientes com hipoparatireoidismo pós-cirúrgico

pág. 5

Informe-se

Melhor Tema Livre na Categoria Pesquisa Básica apresentado no 13º COPEM Melhor Pôster na Categoria Translacional no 13º COPEM

pág. 6 pág. 6

Giro Endócrino

Destaque comentados do CBAEM 2019

pág. 7

De Olho na Pesquisa

Jejum e tecido adiposo marrom: úteis na terapêutica da obesidade?

pág. 7

Homenagem

pág. 8

Campanha de Autenticidade do Endocrinologista

pág. 8

Informação ao Paciente

Diferença do desenvolvimento sexual

MaiSBEM |

págs. 9 e 10

Revista Online da SBEM Regional São Paulo

Presidente: Sérgio Setsuo Maeda | Vice-Presidente: Sonir Roberto Rauber Antonini | Secretária-Executiva: Larissa Gomes Garcia | Secretária-Executiva Adjunta: Vania dos Santos Nunes | Tesoureiro-Geral: João Roberto Maciel Martins | Tesoureiro-Geral Adjunto: Adriano Namo Cury

CONSELHO FISCAL Membros Efetivos: Glaucia M. F. S. Mazeto, Marcio Krakauer e Angela Maria Spinola e Castro | Membros Suplentes: Danilo Glauco Pereira Villagelin Neto, Felipe Henning Gaia Duarte e Jacira Caracik de Camargo Andrade Contato: Luciana Bastos – Assistente Administrativa | Tel: 11 3822-1965 - Fax: 11 3826-4677 | E-mail: contato@sbemsp.org.br - Site: www.sbemsp.org.br Endereço: Av. Angélica, 1.757, conj. 103, Santa Cecília - CEP: 01227-200 – São Paulo – SP

Conteúdo Editorial: Gengibre Comunicação | Tel: 11 94466-0408 | www.gengibrecomunicacao.com.br | Jornalista Responsável: Regiane Chiereghim - MTB: 036768 | Edição e Redação: Patrícia de Andrade e Regiane Chiereghim | Colaboração: Débora Torrente | Revisão: Patrícia de Andrade, Paulo Furstenau e Regiane Chiereghim | Diagramação: www.trovare.com.br | Periodicidade: Trimestral

Prezado associado: queremos saber quais são suas pesquisas recentes, novas alternativas de tratamento da sua especialidade e atuais pautas científicas. Se você tem algum estudo em desenvolvimento, recém-lançado, ou quer comentar algum artigo científico, envie seus contatos para imprensa@gengibrecomunicacao.com.br.

sbemsp.org.br @SBEMSP

Sbem-São-Paulo

sbemsp


Repórter Médico

Dados da pesquisa Vigitel Um alerta e uma luz no fim do túnel? Por Dra. Andressa Heimbecher

E

apresentada na 79ª Conferência Anual das Sessões Científicas da American Diabetes Association, reforça a importância das modificações de dieta no tratamento do diabetes.

Realizada pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, a pesquisa foi implantada em 2006 nas 26 capitais dos estados brasileiros e no Distrito Federal, com o objetivo de monitorar a frequência e distribuição de fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis. São feitas entrevistas telefônicas anuais em amostras da população adulta (com 18 anos ou mais) residente em domicílios com linha de telefone fixo[1].

O estudo teve como objetivo determinar diferenças de tratamento entre pacientes com diabetes tipo 2 que foram tratados com terapia de intervenção para perda de peso ou terapia padrão para diabetes por dois anos. Foi observada perda de peso superior a 15 kg em 24% dos pacientes que realizaram terapia de intervenção para peso. A remissão completa de diabetes foi observada em 46% dos participantes do grupo de intervenção para peso[2]. Nos dados da subanálise apresentada na ADA[3], verificou-se que cerca de metade dos pacientes que inicialmente obtiveram remissão do diabetes tipo 2 permaneceu em remissão durante os dois anos de acompanhamento. Após estratificação por idade e sexo, a análise secundária verificou que as taxas de secreção de insulina eram comparáveis e​​ ntre pacientes que obtiveram remissão do diabetes tipo 2 a um grupo controle de pacientes que nunca havia sofrido de diabetes no seguimento de 24 meses.

Foto: iStock

Sobre os dados apresentados, chamam atenção aqueles sobre obesidade e sobrepeso. No conjunto das 26 capitais e Distrito Federal, a frequência de excesso de peso foi de 55,7% (homens com 57,8% e mulheres com 53,9%). Entre os homens, verificou-se que a frequência de sobrepeso aumenta até os 44 anos de idade e é maior nos extremos de escolaridade. Já entre as mulheres, a frequência do excesso de peso aumenta até os 64 anos e diminuiu com o aumento da escolaridade. Para diagnóstico de diabetes, no conjunto das 27 cidades, a frequência foi de 7,7% em ambos os sexos, aumentando com a idade e diminuindo com o aumento da escolaridade. No comparativo com os anos anteriores, obesidade, excesso de peso e diabetes tiveram elevação: em 2006, a porcentagem de pessoas com sobrepeso era de 42,6% contra os 55,7% atuais. Em relação à obesidade, de 11,8% para 19,8%; e para diabetes, de 5,5% para 7,7%.

Foto: Relatório Vigitel - Ministério da Saúde

m 25 de julho deste ano, foram divulgados os dados da pesquisa Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2018.

Para finalizar, que tal um exercício de futurologia? Aqui no Brasil, talvez estejamos no ponto onde vamos começar a observar uma mudança de tendência nas curvas de obesidade e diabetes. Mas o que sabemos é que o caminho para a inflexão da curva é lento e envolve educação. Sem educação em saúde nem ganho em escolaridade da população, ainda teremos muitos anos de agravos por aumento de doenças crônicas como diabetes e obesidade. Ainda demorará para efetivamente vermos a luz no fim do túnel. A notícia boa se concentrou na parte dos hábitos da população. Há uma tendência de evolução favorável dos indicadores relacionados ao tabagismo, consumo regular de refrigerantes (redução), frutas e hortaliças (aumento) e prática de atividade física (aumento). Para o consumo de hortaliças, por exemplo, no conjunto das 27 cidades, a frequência foi de 23,1%, aumentando com o nível de escolaridade. Sabemos que a perda de peso passa pela mudança de hábitos dos indivíduos, sendo a educação alimentar o caminho no controle do diabetes. O estudo DIRECT, que teve uma análise secundária

Referências 1. Brasil, M.d.S. Vigitel: o que é, como funciona, quando utilizar e resultados. 2019 [cited 2019 25/08/2019]; Available from: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/vigitel. 2. Lean, M.E.J., et al., Durability of a primary care-led weight-management intervention for remission of type 2 diabetes: 2-year results of the DiRECT open-label, cluster randomised trial. Lancet Diabetes Endocrinol, 2019. 7(5): p. 344-355. 3. Zhyzhneuskaya, S.V., et al., 66-OR: Remission of Type 2 Diabetes for Two Years Is Associated with Full Recovery of Beta-Cell Functional Mass in the Diabetes Remission Clinical Trial (DiRECT). Diabetes, 2019. 68(Supplement 1).


Atualizando

Guia Prático em Osteometabolismo tem nova edição Sarcopenia e novos medicamentos para osteoporose fazem parte do conteúdo

A

segunda edição do Guia Prático em Osteometabolismo foi recém-lançada no CBAEM, em Florianópolis. Entre as principais mudanças, houve a incorporação de cinco novos capítulos à edição de 2015. O Guia aborda desde a fisiologia óssea, exames laboratoriais e de imagem, investigação e tratamento da osteoporose e outras doenças osteometabólicas como hiperparatireoidismo, hipoparatireoidismo e raquitismo, entre outras. Os novos capítulos abordam a doença renal crônica, hipocalcemias, sarcopenia, novos métodos de avaliação óssea e novos tratamentos.

Foram necessários seis meses de intenso trabalho para finalização dessa edição. Entre as principais novidades para a prática clínica, estão: informações a respeito da sarcopenia reforçando a interação do binômio osso-músculo e da HR-pQCT (high resolution — peripheral quantitative computed tomography) e TBS (trabecular bone score), além de exames adicionais na avaliação da estrutura óssea e novos tratamentos da osteoporose, como o romosozumab e abaloparatida. “O metabolismo ósseo tem avançado não apenas nos conhecimentos da ciência básica, mas também em novos métodos de avaliação de imagem óssea, além de novos medicamentos na osteoporose”, declara Dr. Sérgio Setsuo Maeda, um dos editores, ao lado de Miguel Madeira, Dalisbor Weber Silva, Carolina Moreira e Maria Lucia Fleiuss de Farias. O Guia também estará disponível em livrarias.

Palavra de Especialista

Posicionamento da SBEM

Terapia com testosterona na mulher com baixo desejo sexual Por Dra. Larissa Garcia Gomes

O

uso de testosterona em mulheres tem sido amplamente realizado em nosso meio com as mais variadas finalidades, como melhora da libido, da composição corporal e da performance do exercício. Diante desse contexto, o Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da SBEM desenvolveu um posicionamento baseado nas evidências da literatura sobre o uso de testosterona em mulheres com transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH), que representa a única potencial indicação dessa terapia. A diminuição da libido é uma queixa comum das mulheres, principalmente no período peri e pós-menopausa, e essa diminuição tem sido frequentemente associada à redução da testosterona. As concentrações circulantes de testosterona caem progressivamente ao longo da vida reprodutiva das mulheres, principalmente na terceira e quarta décadas. Durante a transição da menopausa, ocorre o declínio abrupto da produção de estradiol e persistência da produção androgênica, levando ao aumento da relação testosterona/estradiol e um estado de hiperandrogenismo relativo, tornando discutível essa associação de baixa libido e baixa testosterona. O diagnóstico do TDSH inclui critérios bem estabelecidos que resumidamente incluem falta de motivação para atividade sexual e/ou ausência de resposta ao estímulo erótico, causando sofrimento nessa mulher, pelo período mínimo de seis meses. Esse diagnóstico é clínico, e não está recomendada a dosagem de testosterona com a finalidade desse diagnóstico. A maioria dos ensaios comercialmente disponíveis para dosagem de testosterona é pouco sensível e acurada nos valores baixos do método. Dessa forma, não existe um valor de normalidade da testosterona para as diversas faixas etárias e, consequentemente, não está determinado o que é testosterona baixa para a mulher.

As grandes coortes que avaliaram a terapia com testosterona no TDSH são australianas, pois a Austrália é o único país que disponibiliza a testosterona transdérmica na dose de reposição feminina. A revisão sistemática que avaliou mais de três mil mulheres pós-menopausa que utilizaram patch de testosterona 300 mg versus placebo demonstrou que as mulheres com patch de testosterona tiveram aumento modesto dos episódios de desejo e satisfação sexual, orgasmo e melhora na escala de estresse, entretanto, também apresentaram mais acne, hirsutismo e alopecia. Esses estudos tiveram período máximo de seguimento de 24 meses, e não existem dados de segurança de longo prazo. Os dados de segurança sobre endométrio, mama e saúde cardiovascular são conflitantes. O Brasil não disponibiliza formulações comerciais de testosterona transdérmica para mulheres aprovadas pelas nossas agências regulatórias. As formulações disponíveis para homens não devem ser prescritas para mulheres. O abuso de testosterona em altas doses nas mulheres para fins estéticos e de performance aumentou dramaticamente nos últimos anos. O uso de altas doses de testosterona pode levar a sinais de virilização como engrossamento da voz, clitoromegalia e atrofia mamária, além de hirsutismo, acne e alopecia. Alterações metabólicas e cardíacas como dislipidemia, hipertensão, arritmia, distúrbio de coagulação, fibrose e hipertrofia cardíaca já foram relatadas. Dessa forma, o posicionamento deixa claro que a terapia com testosterona para TDSH pode ser considerada, mas, pela falta de formulações comerciais, seu uso no Brasil segue off-label.


Palavra de Especialista

Fatores preditores da qualidade óssea de pacientes com hipoparatireoidismo pós-cirúrgico

Somente a densitometria óssea pode não ser suficiente para avaliar a qualidade óssea nesses pacientes Por Dra. Eliane Naomi Sakane Del Campo

A

principal causa de hipoparatireoidismo é a lesão inadvertida das paratireoides em procedimentos cervicais anteriores. A falta de paratormônio (PTH) leva a um estado de baixa remodelação, com elevação da densidade mineral óssea (DMO)1. No entanto, o risco de fratura nessa população ainda não está bem definido — existem dados mostrando redução do risco de fraturas em geral2 e outros mostrando maior risco de fraturas vertebrais3.

Nossa população apresentou uma idade mediana de 59 anos, índice de massa corpórea (IMC) mediano de 27,7 kg/m2 e predomínio do sexo feminino (85,4%), sendo que a maioria das mulheres se encontrava na menopausa (68,6%). A maioria dos pacientes (64,7%) tinha densitometria normal ou com osteopenia (32,4%), sendo que apenas dois (2,9%) apresentavam osteoporose. Apesar de o TBS médio ter sido 1.386 ± 0.140, observamos que mais de 30% dos pacientes tiveram valores de TBS abaixo de 1.310. Pacientes com maior IMC, maior idade e maior glicemia tiveram valores de TBS mais baixos, sendo que portadores de osteopenia, diabetes mellitus tipo 2 (DM2), história de fratura por baixo impacto e menopausa estavam mais relacionados a valores anormais de TBS.

Estudamos a qualidade óssea desses pacientes utilizando um software que nos dá um índice indireto da integridade da microarquitetura óssea, o trabecular bone score (TBS) — valores acima de 1.310 são considerados normais, enquanto valores abaixo de 1.230 estão relacionados a uma microarquitetura menos preservada e maior risco de fraturas4. Como objetivo secundário, descrevemos dados sobre fraturas nessa população específica.

Seis pacientes tinham história de fratura por baixo impacto, que se mostrou associada a menores valores de TBS, maior idade (principalmente acima dos 60 anos), maior IMC (principalmente acima de 30 kg/m2), pior função renal, glicemia anormal e osteopenia. Todas eram mulheres e nenhuma delas apresentava osteoporose na densitometria.

Sob a orientação do Dr. Sérgio Maeda, conduzimos um estudo transversal no Ambulatório de Osteometabolismo da Unifesp incluindo 82 pacientes com hipoparatireoidismo pós-operatório. Obtivemos 68 densitometrias utilizando um Hologic Wi, 62 valores de TBS através do software do Medimaps, e coletamos dados laboratoriais e demográficos. Como sabemos que o risco de fraturas, ou seja, a qualidade óssea, é multifatorial, procuramos por relações entre os dados colhidos, os valores de TBS obtidos e a ocorrência de fraturas5.

Nossos resultados sugerem que a densitometria óssea possui limitações na avaliação do risco de fraturas em pacientes com hipoparatireoidismo pós-cirúrgico, e que aqueles com osteopenia, maior idade, maior IMC, DM2 e mulheres menopausadas talvez mereçam avaliação da microarquitetura óssea através, por exemplo, do TBS. Osteoporose

Osteoporose

Pré-menopausa Premenopause

Menopausa Menopause enopause M

Sem fratura No fractur e

Fratura Fracture

Referências bibliográficas 1. Bilezikian JP, Khan A, Potts Jr JT, Brandi ML, Clarke BL, Shoback D et al. Hypoparathyroidism in the Adult: Epidemiology, Diagnosis, Pathophysiology, Target Organ Involvement, Treatment and Challenges for Future Research. J Bone Min. Res. 26, 2317–2337 (2011). 2. Underbjerg L, Sikjaer T, Mosekilde L, Rejnmark L. Cardiovascular and renal complications to postsurgical hypoparathyroidism: A Danish nationwide controlled historic follow-up study. J. Bone Miner. Res. 28, 2277–2285 (2013). 3. Mendonça ML, Pereira FA, Nogueira-Barbosa MH, Monsignore LM, Teixeira SR, Watanabe PCA et al. Increased vertebral morphometric fracture in patients with postsurgical hypoparathyroidism despite normal bone mineral density. BMC Endocr. Disord. 13, 1–8 (2013). Pré-menopausa Premenopause

Menopausa Menopause enopause M

Sem fratura No fractur e

Fratura Fracture

4. McCloskey E, Oden A, Harvey N. A meta-analysis of trabecular bone score in fracture risk prediction and its relationship to FRAX. J Bone Min. Res. 31, 940–948 (2016). 5. Sakane EN, Camargo Vieira MC, Lazaretti-Castro M, Maeda SS. Predictors of Poor Bone Microarchitecture Assessed by Trabecular Bone Score (TBS) in Postsurgical Hypoparathyroidism. J Clin Endocrinol Metab. 2019 Jul 15.

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Informe-se

STAT 3 BUT NOT ERK 1/2 or STAT 5 in VMH NEURONS IS AN ESSENTIAL MEDIATOR AGAINST DIET-INDUCED OBESITY IN A SEX SPECIFIC MANNER

Melhor Tema Livre na Categoria Pesquisa Básica do 13º COPEM

Autores (FMRP-USP): Gonçalves GHM, Tristao SM, Pereira GA, Volpi RE, Borges BC, Castro M, Antunes-Rodrigues J, Elias LLK, FMRP-USP Orientador: Lucila Leico Kagohara Elias e Coorientadores: Margaret de Castro e José Antunes-Rodrigues

A leptina é o principal hormônio no controle do balanço energético. Esse hormônio sinaliza ao organismo, através de sua ação no sistema nervoso central, particularmente no hipotálamo, um estado de balanço energético positivo, induzindo respostas adaptativas de redução da ingestão alimentar e aumento do gasto energético. Ao nível intracelular, a leptina, por meio de ligação ao seu receptor, é capaz de ativar diferentes vias de sinalização, com destaque para as vias da STAT3, STAT5, PI3K e ERK1/2. Dos diversos núcleos hipotalâmicos que expressam o receptor de leptina, já está bem determinado o papel dos neurônios do núcleo ventromedial do hipotálamo (VMH) em exercer as ações da leptina na proteção contra a obesidade induzida pela dieta (DIO). Sabe-se que a via da PI3K é responsável por exercer parte desses efeitos, regulando o gasto energético, porém, o papel das outras vias de sinalização nesses efeitos não havia sido previamente avaliado. Buscando preencher essa lacuna, utilizamos a metodologia CRE-LOX para gerar camundongos com deleção de STAT3, ERK1/2 ou STAT5 especificamente em neurônios do VMH e, assim, avaliar os efeitos da ruptura dessas vias na homeostase energética. Demonstramos que a deleção de STAT3 no VMH causou um importante aumento de peso dos animais submetidos à dieta hiperlipídica em relação aos animais controles, um efeito que foi principalmente secundário ao aumento de ingestão alimentar. Já a deleção de ERK1/2 ou STAT5 não teve nenhum impacto no peso corporal, ingestão alimentar ou gasto energético dos animais com a deleção sítio-específica. Nossos dados, juntamente com os achados prévios da literatura, permitem concluir que as vias da STAT3 e da PI3K, mas não as vias da STAT5 ou da EK1/2, são as principais mediadoras intracelulares da proteção contra a DIO via neurônios do VMH — a primeira pela redução da ingestão alimentar e a segunda pelo aumento do gasto energético.

YAP como novo marcador prognóstico em tumor adrenocortical Novo alvo terapêutico em tumor adrenocortical

Por Candy Bellido / Orientadores: Sonir Antonini, Ana Carolina Bueno*

Os tumores adrenocorticais (TACs) são raros, apresentando-se com maior frequência em crianças menores de cinco anos e adultos entre 45 e 55 anos. Atualmente, a remoção cirúrgica tumoral é o tratamento de escolha para esses pacientes, sendo efetivo apenas nos primeiros estágios da doença. Logo, faz-se necessária a identificação de novos alvos terapêuticos para pacientes com a doença avançada ou recidivante. O oncogene YAP1, efetor da via Hippo, se encontra hiperexpresso em diversos tipos de câncer e está associado ao processo de transição epitélio-mesenquimal (TEM), que é muito importante para o desenvolvimento de metástases. Anteriormente, nosso Laboratório de Endocrinologia Molecular na FMRP-USP verificou, de modo pioneiro, a expressão do YAP1 em tecidos adrenais e sua hiperexpressão em nível gênico e proteico nos TACs pediátricos, e os relacionou com desfecho desfavorável. Mas, até agora, não se sabe como o YAP está envolvido na tumorigênese adrenocortical e se tem relevância nos pacientes adultos.

Nesse trabalho, avaliamos dados genômicos públicos de pacientes com TAC e detectamos que a alta expressão do YAP está associada com a menor sobrevida geral e sobrevida livre de progressão da doença em pacientes adultos, e com a menor sobrevida livre do evento, numa nova coorte de pacientes pediátricos. Adicionalmente, nos ensaios in vitro usando o inibidor de YAP — a verteporfina (droga aprovada pela FDA para tratamento de degeneração macular) — em células de ACT, observou-se diminuição da proliferação celular mediante ativação da via Hippo, com consequente diminuição da expressão da ß-catenina e marcadores de progressão do ciclo celular. Além disso, observamos inibição da transformação e invasão celular, e indução à reversão da TEM. Tais achados confirmam que a alta expressão de YAP é um novo marcador molecular de prognóstico desfavorável em pacientes com TAC e o tratamento com verteporfina ou outras drogas que o inibam pode emergir como uma nova potencial terapia adjuvante para esses pacientes. Esse trabalho recebeu o Prêmio de Pesquisa Translacional como melhor pôster da categoria, no 13º COPEM.

O trabalho recebeu dois prêmios da Sociedade Brasileira de Endocrinologia: Prêmio SBEM de Incentivo à Pesquisa, pelo melhor trabalho na área de Endocrinologia apresentado na XXXIII Reunião Anual da FeSBE, e o Prêmio SBEM de Melhor Tema Livre na Categoria Pesquisa Básica apresentado no 13º COPEM.

*Projeto financiado pela Fapesp


Giro Endócrino

Palestras do CBAEM 2019

Destaques comentados pelas Dras. Vânia dos Santos Nunes, Laura Ward, Maria Edna de Melo e Tania Bachega

O

Beaudette Drumond) e “Encontraram um nódulo em mim, e agora? Hipófise” (palestrante Cesar Luiz Boguszewski).

A Dra. Vânia dos Santos Nunes (Unesp – Botucatu) elenca dados de quatro palestras: “Quando valorizar (e quando não dar bola) para um alto valor de prolactina” (palestrante Dra. Andrea Glezer), “Falso-positivos e falso-negativos nas dosagens de cortisol” (palestrante Mauro Antonio Czepielewski), “Copeptina e diabetes insipidus” (palestrante Juliana

Para finalizar, a conferência “Global health impacts of exposure to endocrine-disrupting chemicals”, da convidada internacional Dra. Michele Andrea La Merrill (EUA), é comentada pela Dra. Tania Bachega.

Congresso Brasileiro de Atualização em Endocrinologia e Metabologia (CBAEM 2019), aconteceu de 21 a 24 de agosto em Florianópolis. As endocrinologistas da SBEM-SP escolheram alguns dos temas apresentados no evento para comentar nesta edição da MaiSBEM.

A Dra. Laura Ward comenta o debate acerca da conduta no microcarcinoma de tireoide. Desreguladores endócrinos obesogênicos são o destaque trazido pela Dra. Maria Edna de Melo.

Para ouvir os áudios, aperte o play.

De Olho na Pesquisa

Jejum e tecido adiposo marrom Úteis na terapêutica da obesidade? Por Dr. Marcio Mancini²

U

m dos convidados internacionais do XVIII Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica, realizado neste ano em São Paulo, foi o cientista nascido na Suíça e radicado nos Estados Unidos Dr. Eric Ravussin1, homenageado com a Comenda Prof. Alfredo Halpern, o mais recente dos diversos prêmios já recebidos pelo especialista. Dr. Ravussin é um investigador translacional internacionalmente reconhecido em pesquisa sobre obesidade e diabetes, cujo estudo atual se concentra na base molecular da obesidade, nos mecanismos que determinam a variabilidade interindividual no gasto energético, na oxidação de gorduras e no balanço energético em resposta à restrição calórica, aumento ou diminuição da atividade física, superalimentação ou condições fisiológicas como puberdade, gravidez ou menopausa. Sua última pesquisa é no campo do envelhecimento, com ênfase no impacto da restrição calórica sobre biomarcadores humanos de envelhecimento e longevidade. Sua conferência de abertura abordou os efeitos metabólicos do jejum. De acordo com ele, "coordenar as refeições com ritmos circadianos pode ser uma estratégia poderosa para reduzir o apetite e melhorar a saúde metabólica". Os estudos do Dr. Ravussin têm demonstrado que, quando se limita o tempo de alimentação (alimentação com restrição de tempo), ocorre redução do nível do hormônio da fome (grelina) e do

apetite, e aumento da queima de gordura ao longo de 24 horas. Assim, os padrões de alimentação, e não apenas o que se come, podem ser importantes para alcançar um peso saudável. Numa segunda conferência, ele discorreu sobre a questão “A ativação do tecido adiposo marrom é um alvo para tratamento do excesso de peso?”. O tecido adiposo marrom é sabidamente um grande mediador do metabolismo energético em animais, porém, até bem pouco tempo atrás, acreditava-se que esse tecido só estivesse presente nos recém-nascidos humanos com a função de regulação térmica. Há alguns anos, ressurgiu o interesse pelo tecido adiposo marrom porque sua presença foi demonstrada em adultos. Existe a perspectiva de que, estimulando o tecido adiposo marrom, a taxa metabólica e o gasto de energia poderiam ser aumentados, colaborando no tratamento da obesidade ou manutenção da perda de peso. 1. Professor na Louisiana State University, com PhD em Fisiologia Humana na Universidade de Lausanne (Suíça), publicou mais de 500 manuscritos no campo da obesidade, diabetes tipo 2 e envelhecimento, tendo orientado mais de 60 bolsistas de pós-doutorado. É um membro ativo e ex-presidente da The Obesity Society e editor -chefe do Obesity Journal desde 2012. 2. Dr. Marcio C. Mancini é chefe do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do HC-FMUSP e autor/coordenador do Tratado de Obesidade.

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Homenagem

1º de Setembro - Dia do Endocrinologista Ilustração: Hernani Rocha Alves

O médico que cuida da saúde em todas as fases da vida

Campanha de Autenticidade do Endocrinologista

Iniciativa da SBEM-SP

E

m comemoração ao Dia do Endocrinologista (1º de setembro) e para fortalecer ainda mais a especialidade, a SBEM Regional São Paulo criou a Campanha de Autenticidade do Endocrinologista.

Durante todo o mês de setembro, os endocrinologistas associados da SBEM-SP receberão uma foto com selo de autenticidade para divulgarem em seus canais digitais. Além de ser uma forma de valorização profissional, essa ação confere transparência ao paciente, que saberá quem é o médico especializado em Endocrinologia.

Para participar, basta:

• Tirar uma foto, em alta definição (HD), do seu próprio celular. Cada aparelho tem um tipo de ajuste diferente: em Android, deixe a foto na maior resolução possível (basta ir em fotos > configurações > tamanho da foto > 4:3 (12MP). Em iPhone, basta fazer o envio no maior tamanho. • Deixar o celular na posição horizontal. Procure um fundo branco ou claro, com jaleco (se preferir, não é obrigatório), e posicione a foto para sair da cintura para cima.

• Enviar a foto para o e-mail da nossa Secretaria: contato@sbemsp. org.br. Essa é a única forma possível de envio. Você deve informar se é membro da SBEM-SP ou especialista em Endocrinologia pela SBEM. Dentro de alguns dias, você receberá sua foto de volta, com o selo de autenticidade. Acompanhe essa ação pelas nossas redes sociais.

Sbem-São-Paulo

sbemsp


Informação ao Paciente Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - Regional São Paulo (SBEM-SP)

Foto: iStock

DIFERENÇA DO DESENVOLVIMENTO SEXUAL

Informação ao Paciente

Dúvidas dos pais e familiares Antes de tudo, vamos entender melhor o que é a diferença do desenvolvimento sexual (DDS). Trata-se de uma alteração na formação dos genitais, uma condição congênita que atinge um em cada 2.500 indivíduos. Nessas condições, quando o bebê nasce, não é possível identificá-lo como menina ou menino sem exames complementares. Essas diferenças podem ocorrer devido a composições cromossômicas diferentes das que determinam normalmente os sexos masculino (XY) e feminino (XX), alterações ou inexistência de ovários e testículos (gônadas) e alteração na ação ou produção dos hormônios masculinos. Sexo cromossômico

XX Geralmente, resulta em pessoa do sexo feminino

XY Geralmente, resulta em pessoa do sexo masculino

Há DDSs que se tornam evidentes apenas na puberdade. Como exemplo, menina que não menstrua e é identificado que ela não possui ovários, mas testículos disfuncionais internos. É o caso das mulheres 46, XY — em vez de ter cromossomos sexuais XX, a menina tem cromossomos sexuais XY, mas é uma mulher (1/16.000 mulheres tem cariótipo 46, XY). O mesmo tipo de alteração cromossômica pode acontecer com um menino, que pode ter cromossomos XX em vez de XY (1/25.000 homens tem cariótipo 46, XX). Com a devida assistência e acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, as pessoas que nascem com DDS podem ter uma qualidade de vida normal, porém, a falta de informação sobre o assunto gera muito sofrimento ao paciente e seus familiares, causando, inclusive, estigmatização social. Muitos profissionais da área da Saúde tampouco recebem as informações corretas, o que dificulta o diagnóstico e a investigação das causas da doença e, por consequência, o tratamento e manejo.


Informação ao Paciente Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - Regional São Paulo (SBEM-SP)

DIFERENÇA DO DESENVOLVIMENTO SEXUAL

Menino ou menina? Um bebê que nasce com alteração nos genitais, muitas vezes, está diante de uma equipe na maternidade que não sabe identificar instantaneamente qual o tipo da alteração. Porém, essa equipe poderá cuidar dele e fazer os testes iniciais até encaminhá-lo aos profissionais especializados. Nessa fase, é muito importante que os pais estejam junto do bebê e a mamãe se recupere bem do parto e amamente a criança com tranquilidade.

As dúvidas

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Como devo registrar meu filho se não sei o sexo dele? Meu bebê vai sofrer preconceito da sociedade? Como é feito o tratamento hormonal? Precisa de cirurgia? Meu bebê poderá ser um adulto com vida sexual? Quando adulto, meu bebê poderá ter filhos? Meu filho terá disforia de gênero?

Antes de tudo, mantenha a calma Assim como há bebês que nascem com uma alteração no coração, por exemplo, existem aqueles que nascem com alteração na genitália. Encarar os fatos com tranquilidade pode ser difícil, mas não é impossível. Diante de tantas dúvidas, é importante fazer todas as perguntas necessárias para o médico. Um bebê com DDS é cuidado por uma equipe que envolve:

Ilustrações: iStock

• Endocrinologista — médico especializado em hormônios, que lida com as mudanças físicas e fisiológicas causadas pela atuação dessas substâncias; • Ginecologista e urologista — médicos e cirurgiões especializados em órgãos genitais; • Psicólogo — profissional que vai dar o amparo diante das situações estressantes que possam surgir, além de rever com os pais as informações recebidas pelos demais profissionais da saúde, ajudando a família a compreender todo o processo que envolve o diagnóstico; • Neonatologista — médico que cuida de recém-nascidos, examinando-os e reconhecendo possíveis alterações genitais; • Geneticista — especialista na análise dos genes e cromossomos; • Equipe de apoio — enfermeiros, biologistas, citogeneticistas e técnicos de laboratório.

Todos esses profissionais irão trabalhar para providenciar o diagnóstico e, junto com os pais, definir o tratamento de acordo com os resultados dos exames. Esse processo e as decisões sobre como o bebê será criado — menino ou menina — podem demorar algumas semanas. Os pais são peças fundamentais em todas as decisões. Durante esse período, chame a criança de ‘bebê’ e não tenha pressa em providenciar a certidão do nome social. Confie na equipe médica e acompanhe de perto todas as etapas do diagnóstico. Entender sobre a DDS e acolher a criança também faz parte do tratamento.

Fonte: Dra. Berenice Bilharinho de Mendonça, professora itular do Departamento de Clínica Médica, Área de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Aviso importante: a informação contida neste material não deve ser usada para diagnosticar ou prevenir doenças sem a opinião de um especialista. Antes de iniciar qualquer tratamento, procure um médico.

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MaiSBEM - Edição nº 42  

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