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Nº41

abr mai jun 2019

MaiSBEM

Foto: iStock

Revista Online da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

ESPECIAL #COPEM2019 Simpósios comentados Vídeos: palestrantes internacionais falam sobre suas pesquisas Depoimentos dos congressistas

EM DESTAQUE Resultados inéditos em pesquisa que relaciona impacto da poluição na produção de espermatozoides Genes do sistema glutationa modulam o risco de retinopatia diabética no DM1 Grau de adiposidade e microbiota intestinal: via de mão dupla?

E MAIS Osteoporose: novas opções de terapia anabólica Conheça os trabalhos premiados no COPEM 2019 Destaques da Endocrinologia Pediátrica no ENDO 2019

ORIENTE SEU PACIENTE Tireoide e gestação, o tema da #CampanhadaTireoide


Palavra do Presidente

Resultados do #COPEM2019 Chegamos muito realizados ao final de mais um COPEM. Pudemos assistir a aulas magníficas trazendo o que há de mais atual e os estudos feitos por pesquisadores de excelência que trabalham em nossas universidades.

Dr. José Viana Lima Jr., intitulado Papel da Imagenologia no Diagnóstico Diferencial das Doenças Endocrinológicas. Meus colegas discorrem sobre outras aulas destaques nas próximas páginas.

Compartilho com vocês alguns resultados: somamos 1.326 inscritos, 137 palestrantes, 194 pôsteres apresentados, 21 temas livres, 506 inscritos para o pré-congresso. Do total de inscritos, 990 congressistas são de São Paulo e a Endocrinologia se mostra como uma especialidade majoritariamente feminina: registramos 958 mulheres e 294 homens. Agradeço a liderança do Dr. João Roberto Maciel e da Dra. Tania Bachega, que se dedicaram exaustivamente para a concretização desse evento.

Gostaria de reiterar, como fiz no discurso de abertura do evento, o compromisso da Regional São Paulo da SBEM em ser a via de informações atuais aos sócios. Reforço que os canais de comunicação da entidade, como site e redes sociais, são fundamentais para a disseminação de conteúdo relevante e confiável ao público leigo. O COPEM é um cenário de fomento à pesquisa e parcerias, ensinamentos e aprendizados, promovendo a educação continuada aos médicos e também a oportunidade de reencontrar amigos e compartilhar a paixão pela Endocrinologia. Aproveito o espaço para agradecer a todos os envolvidos no maior evento da SBEM-SP.

Índice

São inúmeros os destaques, mas, falando da subespecialidade que mais me atrai (risos), ressalto a presença de médicos nucleares e radiologistas, que trouxeram uma visão enriquecedora da imagenologia em patologias adrenais, hipofisárias, tireoidianas e paratireoidianas para a prática do endocrinologista, durante o Curso de Imersão que coordenei ao lado do

Boa leitura e um grande abraço a todos! Dr. Sérgio Setsuo Maeda, presidente da SBEM-SP

Especial COPEM 2019

págs. 3,4 e 5

Repórter Médico

Exposição à poluição tem grande impacto na produção de espermatozoides

pág. 6

Atualizando

Simpósio Internacional de Tecnologia em Diabetes

pág. 7

Palavra de Especialista

Variações em genes que pertencem ao sistema glutationa

pág. 8

Informe-se

Novos tratamentos para a osteoporose aumentam as opções de terapia anabólica Grau de adiposidade e microbiota intestinal: uma via de mão dupla?

pág. 9 pág. 9

Giro Endócrino ENDO 2019

pág. 10

De Olho na Pesquisa

Trabalhos vencedores do COPEM2019

pág. 11

Informação ao Paciente Tireoide e gestação

MaiSBEM |

págs. 12 e 13

Revista Online da SBEM Regional São Paulo

Presidente: Sérgio Setsuo Maeda | Vice-Presidente: Sonir Roberto Rauber Antonini | Secretária-Executiva: Larissa Gomes Garcia | Secretária-Executiva Adjunta: Vania dos Santos Nunes | Tesoureiro-Geral: João Roberto Maciel Martins | Tesoureiro-Geral Adjunto: Adriano Namo Cury

CONSELHO FISCAL Membros Efetivos: Glaucia M. F. S. Mazeto, Marcio Krakauer e Angela Maria Spinola e Castro | Membros Suplentes: Danilo Glauco Pereira Villagelin Neto, Felipe Henning Gaia Duarte e Jacira Caracik de Camargo Andrade Contato: Luciana Bastos – Assistente Administrativa | Tel: 11 3822-1965 - Fax: 11 3826-4677 | E-mail: contato@sbemsp.org.br - Site: www.sbemsp.org.br Endereço: Av. Angélica, 1.757, conj. 103, Santa Cecília - CEP: 01227-200 – São Paulo – SP

Conteúdo Editorial: Gengibre Comunicação | Tel: 11 94466-0408 | www.gengibrecomunicacao.com.br | Jornalista Responsável: Regiane Chiereghim - MTB: 036768 | Edição e Redação: Patrícia de Andrade e Regiane Chiereghim | Colaboração: Débora Torrente | Revisão: Patrícia de Andrade, Paulo Furstenau e Regiane Chiereghim | Diagramação: www.trovare.com.br | Periodicidade: Trimestral

Prezado associado: queremos saber quais são suas pesquisas recentes, novas alternativas de tratamento da sua especialidade e atuais pautas científicas. Se você tem algum estudo em desenvolvimento, recém-lançado, ou quer comentar algum artigo científico, envie seus contatos para imprensa@gengibrecomunicacao.com.br.

sbemsp.org.br @SBEMSP

Sbem-São-Paulo

sbemsp


Por Dr. Sonir Antonini

O COPEM é seguramente a vitrine científica do que há de mais novo no Brasil

Mas um dos simpósios que traduzem a essência do COPEM, para mim, foi o do tema Ritmos hormonais, que traz a ciência básica - que envolve a pesquisa com animais de experimentação - e a parte translacional, com a fisiologia e as alterações na espécie humana. O Simpósio foi precedido pelo tema livre Peripheral Clock System Circadian Imabalance in Cushing’s Disease, com o Dr. Vinicius Reis Soares (USP-RP), que apresentou a alteração dos ritmos circadianos nos relógios periféricos em pacientes com doença de Cushing, e mostrou como que a alteração da secreção de ACTH, levando a uma desregulação na secreção de cortisol, ou seja, a perda do ritmo circadiano de cortisol, desregula os genes do relógio periférico. Sabemos que existem genes do relógio do marcapasso central e genes do relógio biológico em cada tecido. Na doença de Cushing, esse seria um desacoplamento entre os marcadores periférico e central. No mesmo simpósio, o Prof. Ayrton C. Moreira (USP-RP) deu uma aula magistral sobre como foram descobertos os genes do relógio e como eles se encaixam, se orquestram, tanto os osciladores centrais do núcleo supraquiasmático do hipotálamo quanto os osciladores periféricos em cada tecido, por exemplo, nas adrenais. Apesar de bem técnica e científica, foi uma aula muito didática e enriquecedora. Na sequência, destaco a aula do Prof. José Cipolla Neto (ICB – USP/SP), que falou sobre a melatonina como uma doadora de tempo e que traduz a harmonia entre os períodos diurno e noturno e a fisiologia normal do sono. Importante entender que a melatonina tem grandes efeitos fisiológicos, provavelmente importantes do ponto de vista terapêutico para algumas situações patológicas, mas uma preocupação é que possivelmente ela está sendo usada exageradamente na prática clínica, como prescrição label ou off label, porque em muitas situações não há comprovação clara e evidente com dados científicos que mostrem o benefício da melatonina. Fica aí então a importância da melatonina, mas também um alerta de que precisamos de mais estudos clínicos mostrando sua segurança e eficácia para evitar o uso indiscriminado, muitas vezes, sem base de evidência científica. Acertando os ponteiros: efeitos da alimentação e do sono foi a última aula desse Simpósio, com a Profª. Dra. Margaret de Castro (USP-RP). Ela mostrou, sob o ponto de vista de experimentação em modelos

animais e depois dados com seres humanos, como a mudança no padrão de alimentação diurna para comer mais à noite implicaria na desregulação metabólica e, no final das contas, no aumento de distúrbios metabólicos e risco cardiovascular. A professora fez uso de exemplos de situações culturais, como o jejum forçado durante o dia e grande ingestão calórica à noite (Ramadã). Além disso, ela salientou a importância de um ritmo normal de sono durante a noite, chamando atenção para o aumento do risco de síndrome metabólica e doenças cardiovasculares em trabalhadores de turnos noturnos. Ritmos hormonais são, portanto, um assunto importante, e sua desregulação é associada a várias doenças – um tema tão relevante que rendeu prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 2017. O COPEM é seguramente a vitrine científica do que há de mais novo e o que se faz de mais profundo em pesquisa em Endocrinologia no Brasil, principalmente no estado de São Paulo. Gostaria de chamar atenção para a apresentação de trabalhos principalmente na área translacional, que, por definição, são estudos/ pesquisas que envolvem dados clínicos de pacientes para depois seguir para a bancada em laboratório para o trabalho com células, culturas de células e até animais de experimentação. O que me despertou interesse nessa edição do COPEM foi a descoberta de novos potenciais genes e alterações moleculares em doenças como a resistência androgênica nos pacientes sem mutação no receptor de androgênio, novos genes sendo descobertos em distúrbios da diferenciação sexual, notadamente no 46XY, nos ovários policísticos e em hipopituitarismo. Fotos: Fernanda Barros Fernandes e Alécio Cezar

E

ntre os temas do COPEM 2019 que me chamaram atenção, primeiramente destaco a conferência com o Dr. Richard Auchus, da Universidade de Michigan. Ele nos trouxe o que há de mais novo e atualizado em metabolismo e componentes da esteroidogênese adrenal. Dr. Auchus, que é endocrinologista, mas com grande experiência em pesquisa de laboratório e uma das maiores autoridades mundiais nessa área de esteroidogênese adrenal e implicação clínica, discorreu sobre novos compostos que estão sendo caracterizados e como os androgênios sofrem com oxigenação na posição 11, quais são as implicações desses androgênios no desencadeamento das doenças adrenais e também uma novidade na síndrome dos ovários policísticos. Sua pesquisa mostra a origem desses androgênios, onde se localizam e como sua detecção, de acordo com suas concentrações, pode ajudar a diferenciar determinadas doenças adrenais e sua elevação em muitas mulheres com ovário policístico no chamado hiperandrogenismo de origem adrenal. Vale a pena ficar atento aos androgênios 11 oxigenados.

Ressalto que um dos avanços dos últimos dois anos tem sido (e será daqui pra frente) a descoberta das causas genéticas – por um gene único (ou monogênico) ou poligênico - associadas a ovários policísticos. Ficou claro que a descoberta de novos genes candidatos precisa e deve ser aprofundada com estudos que fundamentem que determinada alteração genética descoberta por tecnologia de sequenciamento amplo precisa ser comprovada em laboratório por diversos modelos experimentais. Fica o alento de que se tem descoberto muitas coisas interessantes e que foram apresentadas no COPEM 2019 nos temas livres e pôsteres. Há necessidade de aprofundamento ainda maior para realmente comprovar que determinadas alterações genéticas são causadoras de determinada doença ou sua alteração fenotípica.


Temas altamente relevantes

Por Dra. Laura Ward

P

a relação sobre o que comemos e o nosso metabolismo. A aula a seguir com o Dr. Otávio Rizzi Coelho Filho (Unicamp) tratou sobre miocardiopatia relacionada à obesidade, reiterando o que diziam nossas avós: somos aquilo que comemos.

São muitos os destaques, mas começo pelo simpósio sobre os ritmos hormonais, que são extremamente relevantes. Particularmente, gostei muito da conferência do Prof. José Cipolla Neto (ICB-USP/SP), que falou sobre melatonina, que está muito na moda e é bem importante para o clínico, de maneira geral.

Destaco também a conferência Hypothyroidism treatment in the era of personalized medicine, com o Dr. Antonio Bianco, da Universidade de Miami (EUA). Ele tratou sobre cerca dos 10% a 15% dos pacientes com hipotireoidismo e que fazem uso da levotiroxina, mas que estão com má resposta: foi mostrada a fisiologia desse tipo de paciente e sugere-se que uma parte desse percentual se deve ao polimorfismo herdado

Fotos: Fernanda Barros Fernandes e Alécio Cezar

ara os tireoidologistas, o COPEM 2019 foi muito interessante, desde as primeiras sessões na manhã de 16 de maio, quando se falou das diferentes doenças endocrinológicas pelo ponto de vista da imagem. Isso é muito importante, pois cada vez mais estamos diante de imagens e precisamos entender o que elas significam.

No simpósio Nódulos e câncer de tireoide – novos conceitos e definições, em que fui moderadora ao lado da Dra. Rosália Padovani, foi apresentado um trabalho de aluna da Unicamp, que mostrou a utilização do CRISPR-Cas9, ferramenta utilizada pelo chinês que editou o embrião resistente ao HIV, comentado pela geneticista Mayana Zatz, que abriu o COPEM deste ano. Estamos começando a utilizar essas ferramentas para entender melhor o câncer. Essa sessão foi superatualizada e poucas pessoas têm essa experiência. O Encontro com Professor – Quando os testes de avaliação da função tireoidiana atrapalham: novas armadilhas e desafios, com Dr. Rui Maciel e Dra. Susan Lindsey, evidenciou macroproteínas que podem interferir na dosagem. Foi tratado também sobre a biotina, usada por mulheres e homens para deixar cabelos e unhas mais fortes e considerada um problema atual, pois é um interferente importante nos testes de função tireoidiana, podendo simular um hipertireoidismo. Assim, o médico tem de saber que o paciente toma biotina para não correr risco de má interpretação e tratá-lo de forma errada. Outro simpósio muito interessante foi sobre obesidade e metabolismo, com a Dra. Sandra Vivolo (FSP-USP/SP) discorrendo sobre o tema Microbiota intestinal e metabolismo sistêmico. Essa aula mostrou

na enzima deiodinase, que faz com que esses pacientes tenham má resposta ou resposta inadequada ao hormônio tireoidiano. A conferência Novos ‘insights’ para a análise genética do carcinoma papilífero da tireoide, com a Dra. Janete Cerutti (Unifesp/SP), trouxe dados brilhantes, com ampla visão genética do que é o câncer papilífero da tireoide. Elenco aqui também a aula Valores de referência do TSH e T4 livre na gestação, dentro do Simpósio Tireoide e Gestação com a Dra. Suemi Marui (FMUSP/SP). Sabemos que os valores de referência para TSH e T4 livre têm sido modificados nas últimas guidelines, e há uma zona cinzenta na qual o médico tem dificuldade na interpretação desses valores, o que implica tratar ou não uma grávida, e isso é muito relevante. Por fim, a aula da Dra. Léa Zanini Maciel (FMRP/USP) mostrou que metade das gestantes tem deficiência de iodo, o que tem grande implicância para a própria gestação, já que aumenta o número de abortos e partos prematuros. Deficiência de iodo significa QI mais baixo: talvez estejamos diante de uma geração na qual metade das crianças não atinja seu potencial genético por falta de iodo da mãe durante a gestação.


Palestrantes internacionais discorrem sobre temas de suas aulas no COPEM 2019

O

13° Congresso Paulista de Endocrinologia e Metabologia foi marcado também pela presença de ilustres pesquisadores internacionais.

DEPOIMENTOS

O Dr. Richard Auchus, da Universidade de Michigan, EUA, foi um deles. Nesse vídeo, gravado exclusivamente para a MaiSBEM, ele aborda o assunto de sua aula durante a conferência Clinical significance of 11-oxygenated androgens: implications for the phisiopathology of adrenal disorders and PCOs, que teve como moderador o Dr. Cláudio Elias Kater.

Dra. Nina Musolino, endocrinologista da SBEM-SP

Já o Dr. Michael Nauck, da Ruhr-University Bochum, Alemanha, foi o conferencista que abordou os temas The Crosstalk between gut hormones and other tissues – How we are and where we will go e O tratamento do diabetes mellitus na prática clínica. Nesse vídeo, ele discorre sobre seus estudos abordados no COPEM, cujos slides se encontram no app do evento (disponível em iOS e Android).

"O COPEM 2019 me surpreendeu. Eu já tinha gostado muito da programação científica, mas a qualidade das aulas  foi realmente impressionante. Acho que o COPEM conseguiu atender às expectativas tanto dos médicos que fazem a parte clínica, como eu, quanto dos médicos que atuam na área de pesquisa. O COPEM 2019 foi muito completo. Quero deixar meu agradecimento à Comissão Organizadora por todo o empenho. Aprendi muito nesta semana. Que venha o próximo COPEM” - Lydia S. S. Mariosa “Procuro vir sempre ao COPEM, pois acredito que seja um dos melhores eventos no Brasil em termos de atualização. O nível das palestras é muito alto, interessante e emocionante. Tudo que tem de novo começa aqui e a organização é ótima” - Liliana Chevtchouk – Barbacena (MG)

Dra. Irina Bancos, palestrante da conferência Cardiovascular risk in patients with adrenal incidentaloma, comenta nesse vídeo sobre uma nova pesquisa que ela conduziu recentemente: EURINE ACT trial – prospective validation study of steroid metabolomics in patients with adrenal tumors, que tem a contribuição da Dra. Maria Cândida Fragoso, endocrinologista da SBEM-SP.

“Venho ao COPEM desde 2014. A organização é sempre impecável, e essa edição não foi diferente. A recepção é muito bacana e essa é a primeira vez que venho como palestrante; o acolhimento foi extremamente importante. Apesar de ser um congresso voltado ao público de Endocrinologia, ainda assim vi aulas de outras áreas que trabalham em conjunto com essa especialidade e de outras que trabalham com a cirurgia bariátrica. A interdisciplinaridade que o COPEM proporciona é muito importante. Sou nutricionista e me sinto muito bem recebida, e minhas experiências também são repassadas e recebidas pelos colegas endocrinologistas de forma muito boa. Esse é um dos pontos mais positivos desse Congresso especificamente” Dra. Maria Fernanda Biagioni - Coordenação do Curso de Nutrição da Faculdade Einstein de Limeira (SP) “Essa é a primeira vez que venho ao COPEM. Achei o Congresso com convidados de alto nível, referências em suas opiniões, tudo bem organizado e bem distribuído em temas, e pretendo prestigiar os próximos” - Renata Alfonso, São Paulo (SP) “Essa é a segunda vez que venho ao Congresso - vim em 2017 e agora. Acho que os temas, a organização e, principalmente, a qualidade dos palestrantes são muito bons. O pessoal de São Paulo é muito bom e isso me enriquece bastante” - Ana Carolina Martins Silva, Belo Horizonte (MG)


Repórter Médico

Exposição à poluição tem grande impacto na produção de espermatozoides Resultados demonstrados pela primeira vez ecentemente, foi publicada uma notícia no The Guardian sobre a zona de emissão ultrabaixa de Londres, que é uma medida de cobrança de taxa para motoristas que circularem nas áreas demarcadas do centro.

R

O estudo constatou que a exposição ao PM2.5 levou a alterações nos níveis de expressão de genes relacionados à função das células testiculares, sendo a exposição após o nascimento a mais prejudicial para a função testicular.

Tal medida foi adotada para reduzir a poluição, que pode ser um dos fatores do aumento dos índices de infertilidade em todo o mundo, conforme demonstrado pela primeira vez em estudo conduzido pela Dra. Elaine Frade Costa na Universidade de São Paulo – e apresentado durante o ENDO 2019 –, que mostrou que a exposição a minúsculas partículas de poluição do ar pode levar à redução da produção de espermatozoides.

“Essas alterações gênicas são chamadas epigenéticas, ou seja, não são causadas por mudanças na sequência do DNA. As alterações epigenéticas podem ativar ou desativar genes e determinar as proteínas produzidas por eles. A pesquisa demonstra, pela primeira vez, que a exposição ao ar poluído tem um grande impacto na produção de espermatozoides através da epigenética, principalmente após o nascimento", explica Dra. Elaine. Segundo a endocrinologista, essas descobertas fornecem mais evidências de que os governos precisam implementar o controle público da poluição do ar nas grandes cidades. Foto: iStock

Pesquisa: EXPOSURE TO FINE INHALABLE PARTICULATE MATTER OF AIR POLLUTION (PM2) OF THE CITY OF SAO PAULO CAUSES TUBULAR DEGENERATION AND ALTERED MITOCHONDRIAL-RELATED GENE EXPRESSION IN MICE TESTIS Autores: Catarina Gomes Cani, PhD, Ericka B Trarbach, PhD, Thiago Afonso Teixeira, MD, MSc, Paulo Novoa Cardoso, MD, Jorge Hallak MD, PhD, Paulo Hilario Saldiva, MD, PhD, Mariana Matera Veras, PhD, Elaine Maria Frade Costa , MD, PhD O estudo analisou o efeito do material particulado (PM) na produção de espermatozoides. PM é uma mistura de partículas sólidas e gotículas de líquido encontradas no ar. PM2.5 é uma partícula inalável fina com diâmetros de 2,5 micrômetros ou menores. O cabelo humano médio é de cerca de 70 micrômetros em diâmetros, tornando-se 30 vezes maior do que a maior partícula. Como foi feito o estudo A pesquisa incluiu quatro grupos de camundongos, sendo que um deles foi exposto ao PM2.5 da cidade de São Paulo antes e depois do nascimento, desde o desmame até a idade adulta. O segundo grupo foi exposto apenas durante a gestação. O terceiro grupo foi exposto após o nascimento, desde o desmame até a idade adulta; e o quarto grupo foi exposto ao ar filtrado durante a gestação e a partir do momento em que foram desmamados até a idade adulta. Os pesquisadores analisaram a produção de espermatozoides dos animais. Testes genéticos foram usados para avaliar a expressão de genes responsáveis pela formação dos testículos e espermatozoides. Os túbulos testiculares que produzem espermatozoides dos camundongos expostos mostraram sinais de deterioração, com qualidade significativamente pior quando comparados aos dos camundongos não expostos ao PM2.5.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 15% da população mundial tem dificuldade para engravidar, e a infertilidade masculina responde por metade desse percentual.


Atualizando

Simpósio Internacional de Tecnologia em Diabetes TIR, devices, apps e mais

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r. Walter Minicucci esteve à frente do Simpósio Internacional de Tecnologia em Diabetes (SITEC 2019), que ocorreu no final de abril.

No vídeo gravado exclusivamente para a MaiSBEM, ele destaca os principais pontos discutidos no evento, cuja Comissão Científica foi liderada pelo Dr. Marcio Krakauer, diretor da SBEM-SP. - Time in range (TIR ou tempo na meta) pode tomar o lugar da hemoglobina glicada como padrão de controle. - Setas de tendências mostram para onde está caminhando a

glicemia. “Não basta conhecer o valor glicêmico, mas tenho de saber para onde ele está indo.” - Devices: bombas de insulina 640G, mais modernas e já em uso no Brasil. Sensores, nova bomba de insulina sem fio, mais fácil de ser usada. - Blogueiros em diabetes: nova força para divulgar informação. Aplicativos, nuvem e inteligência artificial também foram temas que fizeram parte do SITEC 2019. Para saber mais, assista ao vídeo abaixo.

Ilustração: Hernani Rocha Alves

O jovem endocrinologista no centro de tudo

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Palavra de Especialista

Por Dr. Ricardo Vessoni Perez

Variações em genes que pertencem ao sistema glutationa Elas modulam o risco de retinopatia diabética em indivíduos portadores de diabetes mellitus tipo 1

A

retinopatia diabética (RD) é uma complicação do diabetes mellitus tipo 1 (DM1) e está relacionada ao controle glicêmico, tempo de doença e suscetibilidade genética.

Durante a hiperglicemia, as células endoteliais da retina são expostas a altas concentrações de glicose e são incapazes de conter seu influxo. Isso resulta na ativação de vias deletérias intracelulares, que culminam no aumento de espécies reativas de oxigênio (ROS) e lesão neuronal e vascular. O excesso de ROS não é devidamente tamponado pelas vias antioxidantes em situações de hiperglicemia crônica, o que contribui para perpetuar o dano(1). A glutationa (GSH) é o mais importante antioxidante intracelular do organismo e detoxifica uma série de compostos por meio da enzima glutationa S-transferase e das glutationas peroxidases (GPXs)(2). Em uma análise transversal, estudamos a associação entre RD e duas variações em genes que codificam enzimas do sistema GSH. Avaliamos uma população de 288 indivíduos DM1 com idade média de 34 anos e 22 anos de doença, sendo 30% com retinopatia diabética proliferativa (RDP). Todos eram seguidos no HC-FMUSP e tiveram a retina avaliada por retinografia e a genotipagem por RT-PCR.

foi descrita em ratos diabéticos, assim como menor expressão de GCLC em olhos de doadores cadáveres com RD. Na nossa casuística, a presença do alelo T se mostrou fator de risco independente para RDP após ajuste por fatores confundidores(3), concordante com estudos funcionais que mostram menor transcrição de GCLC em células portadoras desse alelo. Além disso, a presença do alelo T foi associada anteriormente à menor taxa de filtração glomerular em pacientes DM1 e infarto agudo do miocárdio em populações japonesa e italiana(4). Outro polimorfismo funcional estudado foi o rs713041 (+718 C/T), situado em região regulatória do gene GPX4, que codifica uma das enzimas integrantes do grupo das GPXs. A presença do alelo T teve associação inversa com RDP na população feminina(3). Há diferença em atividade e concentração dos subtipos de GPXs dependendo do tecido, concentração de selênio e sexo, o que pode justificar o fato de o alelo T ter sido descrito como nefroprotetor em população DM1 masculina e estar inversamente relacionado a neuropatia autonômica cardiovascular em indivíduos DM1 de ambos os sexos(5, 6).

Uma das variações genéticas estudadas foi a rs17883901 (-129 C/T), que fica na região promotora do gene GCLC, que codifica a subunidade catalítica da y-glutamilcisteína sintetase (y-GCS), enzima limitante na formação da GSH. A redução da atividade promotora do gene GCLC

Nossos resultados devem ser interpretados no contexto das limitações de estudos transversais e validados em outras populações. Como pontos positivos, reforçam o papel da via da GSH na fisiopatologia da RDP, abrindo espaço para pesquisa de possíveis tratamentos e aumentando a gama de variações genéticas com potencial de influenciar a suscetibilidade à RDP e talvez identificar indivíduos em maior risco.

Figura 1. Suscetibilidade genética

Figura 2. Sistema glutationa

Paciente de 32 anos DM1 há 21 anos Hbglicada: 11,0%

Paciente de 32 anos DM1 há 21 anos Hbglicada: 11,0%

Suscetibilidade genética: pacientes diabéticos com fatores de risco RD semelhantes podem ter desfechos diferentes

Referências bibliográficas: 1 Brownlee M. Biochemistry and molecular cell biology of diabetic complications. Nature. 2001;414(6865):813-20. 2 Franco R, Schoneveld OJ, Pappa A, Panayiotidis MI. The central role of glutathione in the pathophysiology of human diseases. Arch Physiol Biochem. 2007;113(4-5):234-58. 3 Perez RV, Machado CG, Santos-Bezerra DP, Admoni SN, Patente TA, Monteiro MB, et al. Allelic variations in genes belonging to glutathione system increase proliferative retinopathy risk in type 1 diabetes individuals. Gene. 2019;703:120-4. 4 Vieira SM, Monteiro MB, Marques T, Luna AM, Fortes MA, Nery M, et al. Association of genetic variants in the promoter region of genes encoding p22phox (CYBA) and glutamate cysteine ligase catalytic subunit (GCLC) and renal disease in patients with type 1 diabetes mellitus. BMC Med Genet. 2011;12:129. 5 Monteiro MB, Patente TA, Mohammedi K, Queiroz MS, Azevedo MJ, Canani LH, et al. Sex-specific associations of variants in regulatory regions of NADPH oxidase-2 (CYBB) and glutathione peroxidase 4 (GPX4) genes with kidney disease in type 1 diabetes. Free Radic Res. 2013;47(10):804-10.tsushita, M., Kayahara, T., Kameya, T., Kawai, Y., Iwanaga, T., Saito, M., 2013. Recruited brown adipose tissue as an antiobesity agent in humans. J Clin Invest 123, 3404-3408. 6 Admoni SN, Santos-Bezerra DP, Perez RV, Patente TA, Monteiro MB, Cavaleiro AM, et al. Glutathione peroxidase 4 functional variant rs713041 modulates the risk for cardiovascular autonomic neuropathy in individuals with type 1 diabetes. Diab Vasc Dis Res. 2019:1479164118820641.


Informe-se

Aumentam as opções de terapia anabólica Por Dra. Manuela G. M. Rocha Braz

Apesar das diferentes opções medicamentosas disponíveis para o tratamento da osteoporose (OP), não é raro na prática clínica depararmos com pacientes em que nenhuma delas é bem indicada, evidenciando uma carência por novas classes terapêuticas. São exemplos casos de falência terapêutica e indivíduos jovens com alto risco de fraturas. Visando suprir essa necessidade clínica, dois novos medicamentos foram recentemente aprovados pela FDA para o tratamento da osteoporose, ainda sem regulamentação pela Anvisa.

Foto: iStock

A abaloparatida é um análogo do PTHrP que se liga seletivamente à conformação RG do receptor PTH1R, conferindo maior ação anabólica em comparação à teriparatida. Em seu estudo pivotal, o ACTIVE, 2.463 mulheres com OP pós-menopausa foram randomizadas para abaloparatida, teriparatida ou placebo por 18 meses. Abaloparatida foi eficaz na prevenção de fraturas vertebrais e não vertebrais, e em desfecho exploratório foi superior à teriparatida para redução de fratura osteoporótica maior. Ganho de massa óssea foi superior ao placebo em todos os sítios, e superior à teriparatida no fêmur proximal. Não foi observado maior risco de efeitos colaterais graves, porém, houve maior descontinuação do tratamento por náusea, tontura, cefaleia ou palpitações. Abaloparatida levou à hipercalcemia em 3,4% dos participantes, mais do que placebo (0,4%), porém, menos do que teriparatida (6,4%).

O romosozumabe é um anticorpo monoclonal humanizado contra a esclerostina, fator inibitório da via Wnt dos osteoblastos. Resulta em maior ação osteoblástica, com consequente aumento da formação óssea, e inibição da ação osteoclástica, reduzindo reabsorção óssea. O estudo pivotal FRAME e sua extensão incluíram 7.180 mulheres com OP pós-menopausa randomizadas para receber romosozumabe (12 meses) seguido de denosumabe (24 meses) ou placebo (12 meses) seguido de denosumabe (24 meses). Romosozumabe foi eficaz na prevenção de fraturas vertebrais e não vertebrais. Apesar de o FRAME não ter evidenciado maior risco cardiovascular, outro estudo clínico de fase 3, o ARCH, que incluiu 4.093 mulheres com OP pós-menopausa randomizadas para romosozumabe (12 meses) seguido de alendronato (12 meses) ou alendronato (24 meses), mostrou maior taxa de eventos cardiovasculares sérios no grupo romosozumabe. Esses novos medicamentos aumentam as opções de tratamento anabólico da osteoporose, atualmente restrito à teriparatida.

Grau de adiposidade e microbiota intestinal Uma via de mão dupla? Por Dra. Paula Waki

A obesidade e a anorexia nervosa são doenças crônicas de etiologia multifatorial, de difícil tratamento e associadas a maior risco de mortalidade. A identificação de fatores que as influenciam pode levar tanto a uma melhor compreensão dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos quanto à descoberta de novos alvos terapêuticos. Foto: iStock

Novos tratamentos para a osteoporose

Na última década, houve um extraordinário aumento do interesse pelo estudo da microbiota intestinal humana após observação da associação da alteração da composição bacteriana com diversas doenças, incluindo obesidade e anorexia. São crescentes as evidências sobre a interferência da microbiota no balanço energético, controle dos mecanismos de fome e saciedade, transtornos de humor e comportamento alimentar. Essa interação com o sistema nervoso central ocorre por diversos mecanismos, e para melhor compreendê-los, são necessárias mais pesquisas sobre a microbiota em pessoas com composição corporal e padrão alimentar diferentes. No entanto, não há estudos que comparam a microbiota intestinal de pessoas com obesidade, peso normal, anorexia e magreza constitucional como é a proposta desse projeto de doutorado. Ao caracterizarmos a microbiota intestinal e analisarmos possíveis correlações com parâmetros antropométricos, clínicos, metabólicos, psicológicos e de consumo alimentar de mulheres com diferentes graus de adiposidade corporal e padrões alimentares, buscamos compreender melhor como as bactérias do intestino podem influenciar a patogênese da obesidade e da anorexia e, quem sabe, contribuir na prevenção, diagnóstico e tratamento. Estudaremos uma casuística composta por 80 mulheres de 18 a 40 anos, divididas em quatro grupos (com obesidade, peso normal, magreza constitucional e anorexia nervosa), avaliadas no Ambulatório de Obesidade da Disciplina de Endocrinologia do Hospital das Clínicas da FMUSP e no Ambulatório de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria da FMUSP e submetidas a avaliação antropométrica, realização de exames laboratoriais, avaliação da composição corporal por bioimpedância elétrica e gasto energético por calorimetria indireta, questionários de depressão, ansiedade, padrão alimentar e distorção de imagem corporal, além de registro alimentar de três dias. A microbiota será analisada pelo sequenciamento do gene 16S a partir do DNA extraído de amostras fecais. O projeto conta com auxílio financeiro da Fapesp e do Grupo Fleury (recebeu o III Prêmio Inovação do Grupo Fleury em 2017), e será concluído em 2020.

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Giro Endócrino

ENDO 2019

Por Dr. Gil Guerra-Júnior

Destaques da Endocrinologia Pediátrica

N

ovos dados entre obesidade central, maturação avançada e SOP – mostrados pelo Prof. Dr. Francis de Zegher, University of Leuven (Bélgica). Meninas com peso normal ou baixo ao nascer, porém com aumento significativo de IMC na fase lactente, apresentam maior risco de desenvolver obesidade central entre os três e seis anos de idade. O aumento de IMC associado à obesidade central nessa faixa etária é acompanhado de aumento do sulfato de dehidroepiandrosterona, do IGF-1 e da insulina na pré-adolescência, levando essas pacientes à adrenarca precoce e à maturação avançada, com consequente risco aumentado de síndrome do ovário policístico na adolescência ou vida adulta jovem. Dois grupos com essas características foram tratados na adolescência, sendo um com anticoncepcional oral e o outro com a associação de espironolactona, pioglitazona e metformina (chamada de ESPIOMET). O grupo tratado com ESPIOMET apresentou significativa melhora metabólica, diminuição do IMC e da adiposidade visceral. Portanto,

(3) ocorrências de mutações em genes, que levam ao excesso de crescimento e se manifestam tardiamente na embriogênese ou mesmo pós-natais, levando a alterações em clone e evoluindo para neoplasias. Porém tanto as síndromes de crescimento generalizado quanto as síndromes de crescimento localizado ou segmentar apresentam maior risco de neoplasias, como a síndrome de Beckwith-Wiedemann. Assim, é muito importante saber que crianças com excesso de crescimento de início pré-natal generalizado ou localizado e com características sindrômicas têm maiores riscos de deficiência intelectual e de desenvolver neoplasias.

preventivamente, deve-se evitar o ganho de peso excessivo na fase de lactente em meninas; no entanto, nos casos em que a SOP na adolescência ou vida adulta jovem esteja associada à obesidade central precoce e maturação rápida, o tratamento pode ser a combinação ESPIOMET.

níveis de IGF-1 são menores que na puberdade, mas ainda maiores que no adulto, mostrando ação adicional fisiológica do GH. Foram apresentados dois casos clínicos, ambos com múltiplas deficiências hipofisárias secundárias a neoplasias do sistema nervoso central (um caso de craniofaringioma e outro de germinoma) e uso de GH na infância e na transição. Ele recomenda, para esses casos de neoplasias, o uso de GH após pelo menos um ano de término do tratamento da neoplasia e sem recidiva. A dose recomendada de GH na transição é de 0,2 mg a 0,5 mg/dia (0,5 a 1,5 UI/dia), de acordo com os consensos e com ajustes pelos níveis de IGF-1 para a idade do paciente. Além do efeito na massa óssea e qualidade de vida, ocorre diminuição da massa gorda e aumento da massa magra, comparativamente ao grupo placebo. O uso do GH ainda está indicado na fase de transição, a critério do paciente com comprovada deficiência de GH.

Foto: iStock

Transição com uso do hormônio do crescimento (GH) – coordenado pelo Dr. Jens Otto Lunde Jørgensen (Dinamarca). Foi definida a transição como fase entre o final da puberdade, quando é atingida a altura final, e início da vida adulta, quando se alcança o pico da massa óssea (faixa etária entre 15 e 25 anos). Nessa fase, os

Genética do excesso de crescimento – tema apresentado pelo Prof. Dr. Jeffrey Baron, NIH (EUA). Foi mostrado que as causas do excesso de crescimento de início pré-natal são, em geral, sindrômicas e acompanhadas, com frequência, de deficiência intelectual e outras anomalias do desenvolvimento. Podem ser agrupadas de acordo com: (1) crescimento excessivo generalizado, causado geralmente por mutações germinativas, como nas síndromes de Sotos e Marfan; (2) crescimento excessivo localizado ou segmentar causado, em geral, por mutações somáticas ou em mosaicismo, que ocorrem precocemente na embriogênese, como na síndrome de Proteus;


De Olho na Pesquisa

Trabalhos vencedores do COPEM2019

Pôsteres e temas livres foram premiados nas três categorias: básica, clínica e translacional PÔSTER CLÍNICO Understanding and Communication about DSD under patients' perspectives Quintão LML, Domenice S, Costa EF, Bachega TASS, Fontenele EGP, Mendonça BB HC-FMUSP - Unidade de Desenvolvimento

PÔSTER TRANSLACIONAL YAP1-Hippo pathway as a novel prognostic marker and therapeutic target for patients with adrenocortical tumors More CB, Bueno AC, Castro M, Antonini SR Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP - Departamento de Pediatria

PÔSTER BÁSICO Ativação da via de membrana, integrina a vß3, no aumento de leptina pela triiodotironina em adipócitos 3t3-l1 Oliveira M, Mathias LS, Rodrigues BM, Olimpio RMC, Moretto FCF, Gonçalves BM, Depra I, Paim HT, Nogueira CR Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) - Clínica Médica

MELHOR TRABALHO TEMA LIVRE: ÁREA CLÍNICA Troponina I e NT-pro-BNP estão aumentados em pacientes com carcinoma diferenciado de tireoide em terapia supressiva com levotiroxina Moura FS, Camacho CP, Santos TL, Chuang JC, Maciel RMB, Lindsey SC, Santos Ferreira CE, Martins JRM UNIFESP - Endocrinologia e Metabologia

MELHOR TRABALHO TEMA LIVRE: ÁREA TRANSLACIONAL Amplo espectro fenotípico do DDS disgenético 46,XY causado por variantes deletérias no DEAH-BOX HELICASE 37 (DHX37)

Gomes NL, Silva TE, Lerario AM, Nishi MY, Carvalho, Paula LCP, Carvalho LR, Costa EMF, Mendonça BB, Domenice S Faculdade de Medicina da USP - Unidade de Endocrinologia

MELHOR TRABALHO TEMA LIVRE: PESQUISA BÁSICA STAT3 but not ERK1/2 or STAT5 in VMH neurons is an Essential Mediator against Diet-Induced Obesity in a sex-specific manner Gonçalves GHM, Tristao SM, Pereira GA, Volpi RE, Borges BC, Castro M, Antunes-Rodrigues J, Elias LLK Universidade de São Paulo - Departamento de Clínica Médica


Informação ao Paciente Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - Regional São Paulo (SBEM-SP)

Foto: iStock

TIREOIDE E GESTAÇÃO

Informação ao Paciente

Hormônios da tireoide: essenciais para a saúde da mãe e do bebê Primeiramente, é importante entender qual a função da tireoide. Localizada na base do pescoço e em formato de borboleta, essa glândula é responsável pela produção de dois hormônios: tri-iodotironina (T3) e tiroxina (T4), ambos essenciais para a saúde da mãe e do bebê que está sendo gestado.

Foto: iStock

No início da gravidez, ocorre o desenvolvimento neurológico do bebê, que depende totalmente dos hormônios da mãe para que tudo ocorra normalmente, já que a tireoide fetal começa a se formar somente a partir da oitava semana da gestação. Principalmente nessa fase, a deficiência dos hormônios tireoidianos pode causar deficiências neurológicas e até consequências psicomotoras para o bebê, de maneira que é muito importante que a mãe esteja com níveis adequados dos hormônios tireoidianos.

A falta de hormônios tireoidianos também pode causar problemas para a mãe, como alteração da pressão arterial e aumento do risco de abortos e partos prematuros. Nesse sentido, a paciente já diagnosticada com hipotireoidismo, em uso de hormônios tireoidianos e grávida, deve procurar imediatamente o médico responsável para que a dose dos hormônios seja ajustada. Normalmente, a dose de hormônio da mãe precisa ser aumentada em torno de 30% logo no início da gestação. Com o ajuste adequado e acompanhamento, é possível reduzir o risco de complicações tanto para a mãe quanto para o bebê. A necessidade de avaliação da função tireoidiana em mães sem história de doença tireoidiana prévia irá depender dos fatores de risco maternos (ver tabela abaixo). Nesses casos, cabe ao ginecologista ou endocrinologista decidir se há necessidade de solicitar os exames ou não, pois, até o momento, os exames de função tireoidiana não estão na lista de exames obrigatórios do pré-natal.


Informação ao Paciente Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - Regional São Paulo (SBEM-SP)

TIREOIDE E GESTAÇÃO

Fatores de risco para disfunções tireoidianas na gestação • História de doença autoimune • Queixa de algum problema na tireoide ou anticorpos antitireoidianos no exame de sangue • Sinais ou sintomas como cansaço, rouquidão, pele seca, alterações no funcionamento do intestino, maior intolerância para o frio ou calor • Aumento da tireoide (visível ou palpável) • Mais de 30 anos de idade • Histórico de radiação ou cirurgia no pescoço • Diabetes tipo 1 ou outra doença autoimune, como vitiligo, artrite reumatoide, lúpus • História de perda fetal, parto prematuro ou infertilidade • História de duas ou mais gestações • História familiar de doença tireoidiana ou doenças autoimunes • Obesidade • Uso recente de medicações como amiodarona, lítio, contrastes iodados ou medicações contendo iodo • Viver em regiões onde sabidamente há carência de iodo Durante a gravidez, ocorrem modificações importantes no organismo e especialmente no funcionamento da glândula tireoide.

Tire suas dúvidas Hipotireoidismo Se o hipotireoidismo não estiver adequadamente compensado, há risco de complicações. No bebê, pode causar deficiências neurológicas e até consequências psicomotoras. Nesse período, pode haver necessidade de doses mais elevadas de hormônios tireoidianos. Se for o caso, o médico fará o ajuste da dose de reposição do hormônio já antes da gravidez ou logo no início. Nunca se deve suspender ou modificar a dose da levotiroxina durante a gestação ou amamentação sem a orientação de um endocrinologista de sua confiança. Ela é segura e necessária. Hipertireoidismo No hipertireoidismo, o excesso de hormônios tireoidianos também pode levar a complicações para a mãe e o bebê. Portanto, durante a gestação, é necessário avaliar os ajustes da dose do medicamento ou, às vezes, trocá-lo por outro mais seguro para esse período. Apenas o especialista poderá avaliar. Caso tenha sido feito tratamento prévio para hipertireoidismo com iodo radioativo, deve-se idealmente aguardar pelo menos seis meses antes de engravidar.   Nódulos de tireoide Geralmente, os nódulos descobertos durante a gestação não necessitam de investigação até o parto. O médico poderá informar melhor sobre a conduta mais adequada. No pós-parto, a mãe deve dar continuidade aos cuidados com a tireoide, já que os ajustes do hormônio devem ser feitos depois do nascimento da criança. É importante que a mãe com doença tireoidiana seja reavaliada no segundo mês após o parto. Para tanto, ela deve retornar ao médico nesse período para que ele solicite os exames necessários. O fato de a mãe ter doença da tireoide não quer dizer que o bebê também terá. Mas é importante o acompanhamento da mulher também após o parto em conjunto com o bebê, que será avaliado por um pediatra para poder identificar com antecedência qualquer alteração. Por isso, é muito importante fazer o teste do pezinho. A amamentação não é contraindicada e deve ser estimulada para mulheres em tratamento de hipotireoidismo. Mamães com hipertireoidismo, mesmo em tratamento, também podem amamentar. Se você quer engravidar, é gestante ou conhece alguém se preparando para ter um bebê, passe essa informação adiante. Prevenir ainda é o melhor remédio. Fontes: Fôlder de divulgação da Campanha da Tireoide e Gestação do Departamento de Tireoide da SBEM Nacional e Dra. Rosália Padovani, endocrinologista da SBEM Regional SP

Aviso importante: a informação contida neste material não deve ser usada para diagnosticar ou prevenir doenças sem a opinião de um especialista. Antes de iniciar qualquer tratamento, procure um médico.

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MaiSBEM - Edição nº 41  

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