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EDITORIAL DIRETORES Sônia Inakake Almir C. Almeida

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Um grupo de renomadas instituições brasileiras que atuam, direta ou indiretamente, com distúrbios de aprendizagem estão se unindo a professores de cursos de Pedagogia e docentes que atuam na educação básica para redigir uma Cartilha da Inclusão Escolar. Ou seja, um material que venha efetivamente a contemplar não apenas as necessidades reais de cada caso, quanto as dos próprios educadores e escolas. O trabalho está sendo feito a dezenas de mãos e promete lançar luz a uma das principais preocupações que atingem as escolas na atualidade: como fazer a inclusão no ensino regular, preconizada pela legislação brasileira? Quem articula o trabalho é o médico neurologista Marco Antônio Arruda, um dos maiores especialistas em Infância e Adolescência no Brasil, por meio do Instituto Glia e da Comunidade Aprender Criança, entidades que dirige. Em entrevista nas págs. 12 e 13 desta edição, Marco Antônio procura tirar um pouco o véu da obscuridade que ainda atinge a questão. De fato, como inserir no ambiente escolar regular uma criança que demande aparelhos para respirar e “se manter posicionada”? De outro modo, a legislação está aí para ser cumprida e exige motivação, vontade e preparo das autoridades, professores, escolas e pais para fazer a inclusão acontecer. A polêmica chegou inclusive às discussões do Plano Nacional de Educação (PNE), conforme aponta matéria da pág. 10 desta edição. Não há milagres: o processo de inclusão deve ser acompanhado por profissionais da saúde, que trabalhem de maneira conjunta com os da educação, diz Marco Antônio. Mas demanda também uma visão mais ampliada sobre o tema, pois as chamadas necessidades especiais vão muito além dos aspectos físicomotores. Envolvem olhar ainda para problemas comportamentais, emocionais e transtornos mentais que comprometem a aprendizagem e acabam relacionados ao baixo desempenho escolar. Pesquisa de âmbito nacional realizada pelo Instituto Glia e a Comunidade Aprender Criança, e divulgada através de uma Cartilha para o Educador, revela como essas ocorrências atingem crianças e adolescentes no Brasil e acabam interferindo sobre o dia a dia da rotina escolar (o texto está disponível no site da entidade e também no da direcional escolas; confira na pág. 4). Já para a nova Cartilha da Inclusão, estão contribuindo entidades como a Academia Brasileira de Neurologia (ABN); Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA); Associação Brasileira de Dislexia (ABD); Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil e profissões afins (ABENEPI); Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp); Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFF); Projeto Cuca Legal; Sociedad Iberoamericana Neuroeducaciòn (SBN); Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI); Sociedade Brasileira de Neuropsicologia (SBNp) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). “Um movimento sem precedentes”, avalia Marco Antônio, que tomou como ponto de partida um documento produzido pelo Congresso Aprender Criança 2012, do qual participaram neurocientistas da USP, Unicamp, Unifesp, UFPE, Universidade da Califórnia, entre muitos outros. O desafio é amplo, mas claro, não esgota outras demandas que se apresentam ao dia a dia do gestor escolar, abordadas nas demais pautas presentes nesta edição de novembro. Uma boa leitura a todos, rosali figueiredo editora coNtate-Nos via tWitter e facebooK ou deixe seus comeNtÁrios No eNdereço de email espacodoleitor@grupodirecioNal.com.br

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EDITORA Rosali Figueiredo

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WWW.DIRECIONALESCOLAS.COM.BR No site da Direcional Escolas, você encontra grande acervo de informações e serviços que o auxiliam na gestão administrativa, pedagógica e da sua equipe de colaboradores. Acesse e confira. ACESSIBILIDADE / INCLUSÃO CONCEITOS DE EDUCAÇÃO ESPECIAL A psicopedagoga e coordenadora pedagógica Luciani S. L. Moura, do Colégio Papa Mike, de Osasco, costuma trabalhar a cada ano os aspectos da inclusão junto de seus professores. Para tanto, desenvolveu o documento “Conceitos de Educação Especial” . Acompanhe no site da Direcional Escolas.

EDUCANDO COM A AJUDA DAS NEUROCIÊNCIAS: CARTILHA DO EDUCADOR O Instituto Glia e a Comunidade Aprender Criança disponibilizam, gratuitamente, um guia de orientação a pais e professores sobre como prevenir e trabalhar diferentes fatores que podem levar ao comprometimento da saúde mental das crianças e adolescentes, a transtornos emocionais e comportamentais, a dificuldades de aprendizagem e ao baixo desempenho escolar. O material pode ser consultado no site do Aprender Criança (www.aprendercrianca.com.br) e também no da Direcional Escolas.

PARÂMETROS LEGAIS /RAIO-X DA INCLUSÃO A educadora Magali Bussab, doutora em Educação Especial pela Universidade de São Paulo (USP), ex-coordenadora pedagógica da Associação para o Desenvolvimento Integral do Down (Adid), organizou um apanhado dos principais dispositivos legais brasileiros que preconizam a universalização do atendimento educacional. Confira em http://migre.me/biboY. Já o Instituto Rodrigo Mendes, baseando-se em dados do Censo Escolar 2010 do INEP, preparou um panorama da inclusão escolar, que pode se acompanhado no endereço eletrônico http://migre.me/bibur.

ENTREVISTAS COM ESPECIALISTAS

Três especialistas consultadas pela Direcional Escolas abordam a situação e os desafios da inclusão nas escolas brasileiras. São elas: - Edimara de Lima: “Inclusão - A grande questão está na formação dos professores” (disponível em http://migre.me/bib7t); - Jane Haddad: “Inclusão - tecer pontos, desatar nós” (disponível em http://migre.me/bib5H); - Márcia Icléa Bagnatori: “Em busca da sensibilização e dos recursos necessários para a inclusão” (disponível em http://migre.me/bib2a). EXPERIÊNCIAS DE DUAS ESCOLAS DE ENSINO REGULAR Também em entrevistas ao site da Direcional Escolas, as gestoras do Colégio Rio Branco e do Colégio Viver, ambos com unidades em São Paulo e/ou Cotia, revelam como têm trabalhado a inclusão de alunos com necessidades especiais de aprendizagem em suas instituições. Confira: - Colégio Rio Branco: “Experiência leva ao refinamento de todo processo de ensino” (disponível em http://migre.me/bibh0). - Colégio Viver: “A escola como espaço para o convívio com o diferente, em benefício de todos” (disponível em http://migre.me/bibbp). EXPERIÊNCIAS DE DUAS ESCOLAS ESPECIALIZADAS Instituições que oferecem ensino regular, mas posicionadas de Educação Especial, o Colégio Novo Ângulo Novo Esquema (NANE) e o Colégio Graphein, ambos de São Paulo, foram temas de reportagens do Perfil da Escola, em novembro de 2011. As matérias podem ser acessadas, respectivamente, nos endereços http://migre.me/bibBD e http://migre.me/bibCJ.

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UM GUIA PARA ACESSIBILIDADE FÍSICA A Prefeitura de São Paulo disponibiliza o material “Mobilidade Acessível”, para download em duas partes, baseado no livro “Acessibilidade – Mobilidade na cidade de São Paulo”, de autoria dos técnicos da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA), vinculada à Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED). É um manual aplicável a todo País, pois segue a versão 2004 da NBR 9050 (houve apenas um pequena alteração no texto desta norma no final de 2005).

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BERÇÁRIO UM MANUAL PARA AS INSTALAÇÕES A enfermeira e doutora em Ciências da Saúde pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Damaris Gomes Maranhão, comenta em texto produzido para a Direcional Escolas como devem ser os ambientes de sono, de troca e de alimentação nos berçários. Professora de cursos de graduação e pós-graduação na área, Damaris participa da edição de normas para creches e berçários no País. Confira em http://migre.me/bkqGr.


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SUMário

08 COLUNA

18 PERFIL DA ESCOLA

GESTÃO DE IMPACTO: ANDRAGOGIA Em nova coluna, o consultor Christian Rocha Coelho aborda o significado dos processos andragógicos dentro das escolas, especialmente entre os educadores. E destaca algumas pré-condições que devem ser oferecidas pelos gestores a esse ambiente em transformação, como cultura participativa, confiança, valorização da instituição, autoestima e monitoramento.

COLÉGIO BATISTA DA PENHA Ex-executivo de empresas privadas, o diretor Mário Jorge Castelani introduziu neste ano uma nova filosofia de administração escolar na instituição. A ideia é aumentar a participação no mercado, ganhar rentabilidade, fortalecer o posicionamento da escola na região e conquistar excelência no ensino.

10 GESTÃO ACESSIBILIDADE & INCLUSÃO Temas recorrentes nos debates sobre educação, a acessibilidade e inclusão representam duas faces de um mesmo desafio: como assegurar o desenvolvimento de crianças, jovens e adolescentes com necessidades especiais e/ou diferenciadas, além de seu acesso à educação formal? Uma reportagem e entrevista sobre o tema estabelecem pontos cruciais para trabalhar a inclusão no ambiente escolar.

20 ESPECIAL FÉRIAS ESCOLARES: UM RESPIRO NECESSÁRIO Atendendo à grande demanda dos pais, as escolas privadas estão oferecendo cursos de férias, principalmente para alunos da Educação Infantil e anos iniciais do Fundamental. Entretanto, elas procuram trabalhar uma programação de caráter mais lúdico, de forma a permitir que a criança faça a pausa necessária para restabelecer as condições de desenvolvimento físico, cognitivo e emocional.

CONFIRA AINDA

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DICAS: 14 CONTROLE DE PRAGAS 15 BERÇÁRIO: INSTALAÇÕES 19 EDUCAÇÃO FINANCEIRA E EMPREENDEDORISMO

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FIQUE DE OLHO: 22 LIMPEZA - EQUIPAMENTOS, PRODUTOS E MÃO DE OBRA


COLUNA: GESTÃO DE IMPACTO

ANDRAGOGIA NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO Por Christian Rocha Coelho “Escolas de sucesso são feitas de professores de sucesso. Professores de sucesso trabalham em escolas de sucesso.” á escutei professores dizerem que não precisam aprender, pois têm muita experiência em educação. Mas na verdade, “quem está acostumado a ensinar às vezes tem dificuldade em aprender”. Adultos trazem consigo uma carga de experiência muito grande. E à medida que acumulam estas experiências, tendem a criar hábitos mentais, preconceitos e pressuposições que costumam fechar a mente a novas ideias, percepções mais atualizadas e alternativas. Para qualquer tipo de reestruturação acontecer é necessário que todos os colaboradores estejam abertos a mudanças de atitudes e quebrem seus paradigmas. É neste momento que o entendimento das técnicas andragógicas pode auxiliar e atuar como facilitador para que etapas sejam cumpridas com a menor resistência possível, e que as novas experiências provoquem sensações positivas, como o aumento de interesse, o desenvolvimento da autoestima e o espírito de equipe. POR QUE A ANDRAGOGIA?

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A palavra “andragogia” tem a sua origem na Grécia Antiga, derivada de andra (adulto) e agogé (condução). Segundo a definição creditada a Malcolm Knowles, em seu livro “The Adult Learner”, andragogia é definida como a ciência de orientar e motivar adultos a adquirir novos hábitos, conhecimentos e atitudes. Essa aquisição ocorre em adultos por meio de um processo mais complexo do que em crianças e adolescentes.

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COMO MOTIVAR ADULTOS?

a motivação dos adultos para aprender é a soma dos seguintes fatores: 1 - Confiança (sentir-se seguro diante do novo) e Monitoramento Quando acompanhado, o adulto sente-se confiante em sua capacidade de experimentar ou 6 - Aprendizado experiencial O adulto aprende aquilo que faz e vivenadquirir um novo hábito, pois ao seu lado existe cia, sendo a experiência seu próprio livro-texto. uma pessoa com conhecimento e liderança para Porém, todo esse conteúdo deve resultar em ensiná-lo e apoiá-lo; mudança de atitudes e aperfeiçoamento de habilidades passíveis de gerar resultados em longo 2 - Autoestima e satisfação Adultos são motivados a aprender à medida prazo. que percebem que as necessidades e interesses que buscam estão e continuarão sendo atendi- 7 - Valorização da empresa em que trabalha Ninguém gosta de fazer parte de um time dos. Além do reconhecimento formal (elogios) perdedor. As pessoas, de uma forma geral, monas reuniões de monitoramento e dos ganhos por méritos (premiações), a comunicação e o tivam-se quando fazem parte de uma equipe de marketing pedagógico podem ter um papel im- ponta, que alcança seus objetivos e é reconheportante na valorização da equipe, por meio das cida por isso. Nesta perspectiva andragógica, a divulgações de seus trabalhos para os demais co- escola proporciona a maximização do potencial dos seus colaboradores e, em troca, recebe e laboradores, alunos e familiares. usufrui dessa evolução para aumentar o número de alunos. Por este motivo, é importante deixar 3 - Objetivos definidos Sem saber aonde se quer chegar (objetivo), claro para o colaborador que ele será o primeiro como conseguir (metas) e se o caminho está a ser beneficiado. certo (análise de desempenho), não existe necessidade de se movimentar. Sem um objetivo INVESTIR NO CAPITAL HUMANO “é ter a claro o adulto não tem motivo nem motivação consciência de que é cada vez mais imporpara mudar de atitude ou progredir. tante que os funcionários sejam aprendizes 4 - Visão do todo Os adultos têm uma profunda necessidade de se autodirigir: isto é, de serem responsáveis pela sua aprendizagem e estabelecerem seus próprios percursos educacionais. Para isso, é importante que eles tenham uma visão holística do processo e a ciência do planejamento estratégico.

Linderman, Knowles e Wlodowski, três dos 5 - Autonomia principais pesquisadores da educação de adulO adulto sente-se motivado quando particitos, apresentam em seus trabalhos algumas pa da tomada de decisão e tem autonomia para explicações para essa diferença e sugerem que agir em busca de seus objetivos.

altamente qualificados, para que possam aprender novas tecnologias e se adaptarem às novas demandas de mercado”. (Elwood F. Holton III e Richard A. Swanson)

Christian Rocha Coelho é especialista em andragogia e diretor de planejamento da maior empresa de gestão, pesquisa e comunicação pedagógica do Brasil, a Rabbit Partnership. Mais informações: (11) 3862.2905 / www. rabbitmkt.com.br / rabbit@rabbitmkt.com.br


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GESTÃO: ACESSIBILIDADE & INCLUSÃO

DA MOBILIDADE FÍSICA À INCLUSÃO: DESAFIOS PERMANECEM

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Especialistas indicam que adaptar a parte física das instituições aos estudantes com necessidades especiais é o lado mais simples do processo de inclusão, pois há uma barreira maior a ser superada: o desencontro nas expectativas dos educadores, familiares e sociedade com o desenvolvimento das crianças, jovens e adolescentes. Por Rosali Figueiredo

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ma das principais polêmicas que envolvem o trâmite do Plano Nacional de Educação (PNE) no Congresso Nacional está na alteração do texto da Meta 4, que, na versão modificada pelos deputados, expressa a possibilidade de alunos portadores de deficiência serem atendidos por escolas especiais. A proposta original, defendida por movimentos sociais e da educação, defende “o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino”. Para a legislação atual da área, o princípio que vale é o da universalização do acesso ao ensino, “preferencialmente” no sistema regular. Durante o I Workshop de Gestores promovido pela revista Direcional Escolas, no último mês de agosto, a inclusão sobressaiu como uma das grandes inquietações das escolas hoje. “Elas estão procurando se preparar para a inclusão, mas falta uma convergência em torno das expectativas desse processo junto aos pais. Ou seja, há uma dificuldade de diálogo e a própria sociedade não consegue ainda encarar a inclusão de forma transparente”, avalia a psicopedagoga Luciani Silva Lima Moura, coordenadora pedagógica do Fundamental II do Colégio Papa Mike, de Osasco. A especialista atuou, durante seis anos, em um centro de apoio a escolas da rede pública e privada na atenção a pessoas com deficiência intelectual ou dificuldade de aprendizagem.

Luciani esteve presente no Workshop, quando destacou o tema, e pondera que os desafios das instituições residem principalmente na falta de um entendimento com os pais de que o desenvolvimento do filho esteja de acordo com suas potencialidades. “Na sala de aula, muitos alunos não chegam a uma média padrão por dificuldades próprias, de aprendizagem etc., enquanto outros a superam. Cada criança pode atingir uma média dentro do seu potencial máximo, fator que deverá ser levado em conta no momento de aprovação ou retenção de uma criança com necessidade especial”, avalia. Luciani está disponibilizando aos leitores da Direcional Escolas um documento que costuma utilizar na orientação de professores para o processo de inclusão (Confira na pág. 4). POR ONDE COMEÇAR A ADAPTAÇÃO? Já do ponto de vista da adaptação física, a arquiteta Helena Quintana, membro da Comissão Permanente de Acessibilidade da Prefeitura de São Paulo (CPA) e responsável pelos projetos de acessibilidade do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e do Parque do Ibirapuera (em curso), pondera que as intervenções devem considerar muito mais que o acesso aos ambientes ou a disponibilidade de recursos físicos e tecnológicos. Ela envolve desde a concepção do desenho universal dos espaços e objetos, até a “comunicação e orientação”. Segundo Helena, a acessibilidade contempla “tudo aquilo que vai atender

às necessidades das pessoas, do nascimento até a morte”. Isso inclui prover plenas condições de mobilidade desde a uma mãe com um bebê até a um idoso com dificuldades de visão, orientação e cognição. No caso das escolas, que devem, além de cumprir as legislações específicas da área de edificações, garantir atendimento educacional aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino, a acessibilidade torna-se ainda mais abrangente ao incorporar o conceito da inclusão. Nesse aspecto, falta conscientização e informação, aponta Helena, lembrando que “a maior barreira é a atitudinal”. Mesmo com adaptação física, diz, “as pessoas não sabem como agir mediante uma pessoa com necessidade especial”. “A parte da arquitetura garante o acesso, mas o que acontece depois que a pessoa chega?” De forma geral, prossegue Helena, as instituições deveriam promover uma ação “conjunta”: preparar os ambientes e simultaneamente “trabalhar o conhecimento de como atender e tratar a pessoa com necessidade especial”. “É o mais importante”, ressalta. Para preparar os ambientes, as instituições devem se orientar pela NBR 9050, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que deu norte à regulamentação da acessibilidade via o Decreto Federal 5.296/2004, a Lei Estadual 11.263/2002 (de São Paulo) e o Decreto Municipal 45.122/2004 (cidade de São Paulo). Já para trabalhar a inclusão, acompanhe o que diz o médico Marco Antônio Arruda em entrevista nas págs. 12 e 13.


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GESTÃO: ACESSIBILIDADE & INCLUSÃO

ENTREVISTA MARCO ANTÔNIO ARRUDA: “A INCLUSÃO ULTRAPASSA OS MUROS DA ESCOLA”

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Há cerca de dois anos, o Instituto Glia, sediado no munícipio de Ribeirão Preto e que mantém a Comunidade Aprender Criança, divulgou uma pesquisa sobre a situação da saúde mental infantil no Brasil. Com base nos questionários respondidos por professores e pais de 5.961 estudantes de 87 cidades, de 18 estados brasileiros, é possível observar, por exemplo, que não apenas o comprometimento físico-mental gera necessidades diferenciadas de aprendizagem, assim como problemas emocionais e comportamentais, observa o médico Marco Antônio Arruda, diretor do Instituto. Neurologista da Infância e Adolescência, mestre e doutor em Neurologia pela Universidade de São Paulo, Marco Antônio é autor do livro “Levados da Breca” (Instituto Glia, 2006), “um guia sobre crianças e adolescentes com o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade”. Marco Antônio trabalha com o paradigma da “inclusão ampla, total e irrestrita”, pois “o desenvolvimento da criança é diverso” e todas “merecem atenção e cuidados específicos”, defende. A pesquisa que o Instituto Glia coordenou através do Aprender Criança está disponível no site da Direcional Escolas (Veja ao final desta matéria). No momento, a institui-

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ção está mobilizando especialistas e educadores de todo País para produzir um Guia da Inclusão. Acompanhe, a seguir, a entrevista do neurologista à revista. Direcional Escolas – Diretores e coordenadores apontam que a grande dificuldade das instituições hoje é trabalhar a inclusão e mesmo professores revelam-se despreparados para lidar com a questão. Qual a principal origem desta dificuldade? Seria o próprio processo de ensino, que organiza aulas, conteúdos e avaliações conforme uma expectativa “de desempenho médio” entre os estudantes? Marco A. Arruda – A mesma por eles apontada, falta de capacitação. Essa capacitação, no entanto, deve estar a cargo dos profissionais da Saúde, especialmente das Neurociências e incluir os seguintes temas: 1. Como se processa o desenvolvimento neuropsicomotor da criança; 2. Quando suspeitar e como dar suporte para a criança com deficiências específicas (motora, visual, auditiva e mental), com transtornos de aprendizagem (dislexia, discalculia, disfunções executivas) e com transtornos mentais (TDAH, Autismo, Transtornos Depressivos e Ansiosos); 3. Noções de neuropsicologia (habilidades cerebrais como organização, planejamento, autocontrole, memórias, atenção, resolução de problemas, flexibilidade mental etc.) e de como estimular essas funções em sala de aula; O ramo do conhecimento que hoje engloba isso é denominado por Neurociências da Educação. Em 2006 introduzimos essa área no Brasil através da Comunidade Aprender Criança, uma plataforma acadêmica, virtual e gratuita dedicada a desenvolver essa interface entre as Neurociências e a Educação. Hoje somos mais de 4.000 membros. Em relação à segunda pergunta, essas crianças necessitam de um currículo próprio, adaptado às suas necessidades. Precisam também de material didático apropriado para esse currículo e, eventualmente, professores auxiliares de sala. O paradigma para essas crianças de inclusão não pode ser desem-

penho, mas sim desenvolvimento dentro de suas dificuldades e necessidades, priorizando o aspecto social. Direcional Escolas – Há então situações que efetivamente exigem um acompanhamento/atendimento exclusivo do aluno? Marco A. Arruda – A inclusão não pode ser universal. Por exemplo, existem crianças com deficiência motora que dependem de aparelhos para respirar, para se manter posicionada etc. Outras que precisam de sondas. Existem ainda crianças com autismo e deficiência mental grave que não têm condições de convívio na escola regular. No processo de inclusão há necessidade da participação de especialistas das várias áreas da Saúde para um trabalho colaborativo com a Educação na seleção dos casos e definição das estratégias de inclusão, caso a caso. Direcional Escolas – Mediante a legislação atual, qual o caminho o Sr. indica às escolas brasileiras? Marco A. Arruda – Incluir é lei, portanto, não há outra opção, trata-se de uma


GESTÃO: ACESSIBILIDADE & INCLUSÃO

Direcional Escolas – Há correções que deveriam ser feitas na legislação? Marco A. Arruda – A legislação tem que ser melhorada na medida em que a experiência brasileira em inclusão for crescendo e isso deve ser feito de baixo para cima, da escola, pais e alunos para o legislador. Por enquanto, a experiência é pequena e não válida, pois ainda não houve o fundamental, capacitação. Ninguém pode questionar a inclusão nesse País, pois ela ainda não ocorreu de fato, como deve ser.

Direcional Escolas – Cabe às escolas realizarem um trabalho de esclarecimento e parceria com os pais dos alunos de inclusão? Marco A. Arruda – Sim, mas não apenas com os pais de alunos de inclusão, mas principalmente com aqueles que não precisam de inclusão e seus pais. Existe, em alguma medida, uma resistência de alguns pais de que seus filhos estudem em classes inclusivas. Trata-se de uma aberração, uma vez que devemos educar nossos filhos para o respeito à diversidade, combatendo o preconceito, estimulando a resiliência e educando para a cidadania. Na verdade, esses pais dirigem a educação dos seus filhos no sentido inverso. A meu ver isso é falta de informação, educação sobre o tema, não consigo pensar que seja por outro motivo qualquer. Direcional Escolas – Observa-se experiências de inclusão também com crianças e adolescentes que apresentam problemas emocionais por conta do abandono familiar. O Sr. concorda com essa abordagem mais ampla? Marco A. Arruda – Nós vemos a inclusão num sentido mais amplo ainda. As evidências científicas atuais mostram que o desenvolvimento da criança é diverso. Se analisarmos, por exemplo, aspectos emocionais, aspectos do desenvolvimento e funções executivas (funções descritas na pág. anterior), veremos que a diversidade é total. Portanto, cada criança tem suas habilidades e dificuldades, não apenas aquelas com deficiências, transtornos mentais ou de aprendizagem, mas também as que apresentam desenvolvimento típico, as consideradas “normais”. A partir desse paradigma de inclusão ampla, total e irres-

Leia mais EM WWW.DIRECIONALESCOLAS.COM.BR - O guia “Acessibilidade - Mobilidade na cidade de São Paulo”, preparado pela Prefeitura da cidade; - O guia “Educando com a ajuda das Neurociências: cartilha do Educador”; - O documento “Conceitos de Educação Especial” preparado pela coordenadora Luciani S. L. Moura, trazendo diferentes tipos de necessidades educacionais especiais, de abordagens e legislação; - Entrevistas sobre a inclusão com educadoras, além de experiências conduzidas por duas escolas de ensino regular e duas escolas especiais de São Paulo (confira os endereços eletrônicos na pág. 4 desta edição).

trita, acreditamos que todas as crianças merecem atenção e cuidados específicos, todas merecem, portanto, ser incluídas. Direcional Escolas – Há muitas escolas que se posicionam como de alto desempenho. Isso cria conflitos com a inclusão? Marco A. Arruda – Com certeza. Em termos de cidadania, responsabilidade social etc., elas deveriam anunciar nos jornais não o número de alunos aprovados nos vestibulares, mas o número de alunos que incluem! Direcional Escolas – Mas não é o que a sociedade e os pais esperam... Marco A. Arruda – Infelizmente não, a questão da inclusão ultrapassa os muros da escola. A sociedade como um todo precisa se conscientizar. É algo como a questão ambiental. Imagine pais que procuram escolas a partir de um selo de qualificação em que, além dos índices de aprovação nos vestibulares, entrasse também o de qualificação e números de alunos em regime de inclusão. (Por Rosali Figueiredo) SAIBA MAIS Helena Quintana helenaquintana@uol.com.br Luciani Silva Lima Moura coordenacao@papamike.com.br Marco Antônio Arruda www.aprendercrianca.com.br www.institutoglia.com.br arruda@institutoglia.com.br

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atribuição obrigatória nesse sentido. Incluir é possível e torna a comunidade escolar, e por extensão toda a comunidade de pais e alunos, mais humana, mais solidária. No entanto, não há decreto que torne o educador motivado e preparado para a inclusão. O Educador precisa querer, do contrário a inclusão não acontece. Portanto, são necessárias ações individuais e gerais, governamentais e privadas na capacitação de recursos físicos e humanos para uma inclusão eficiente.

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DICA: CONTROLE DE PRAGAS

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MEDIDAS PREVENTIVAS, A MELHOR SOLUÇÃO

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upins, baratas, formigas, ratos e outros insetos e animais representam uma ameaça às edificações e aos seus usuários. Esses desagradáveis hóspedes, além de trazerem desconforto e danos às estruturas, são agentes de inúmeras doenças. Em um ambiente como a escola, onde se lida com grande quantidade de alimento, papéis, móveis e outras estruturas favoráveis à proliferação de pragas, os cuidados devem ser dobrados. A Nova Escola, na Zona Sul de São Paulo, depois de enfrentar problemas com cupins, tem procurado manter um controle sistemático de pragas. “Promovemos dedetizações semestrais e desratizações mensais, com inspeções constantes e, sempre que necessário, reforço dos serviços”, relata o encarregado de serviços gerais da instituição, Alberto Lopes. Antes de realizar os procedimentos, a direção da escola informa a todos sobre a data escolhida, os produtos que serão utilizados e, após o serviço, anexa o certificado no quadro informativo do pátio. Segundo o biólogo da Associação dos Controladores de Pragas Urbanas (Aprag), Sérgio Bocalini, para um controle efetivo, o ideal é fazer um contrato de Manejo Integrado de Pragas com a duração de pelo menos um ano. “Quando isso não for possível, e a escola optar por fazer o tratamento somente nos momentos críticos, esta ação deverá ocorrer de preferência no período de férias ou em alguns casos pontuais nos finais de semana, ou em outros períodos sem atividades”, sugere. Bocalini defende que o melhor con-

trole de pragas é a prevenção, a partir de cuidados básicos na rotina da escola. “Quanto mais limpo e organizado o ambiente estiver, teremos menos condições favoráveis para o desenvolvimento de pragas”, afirma, destacando ainda a necessidade do descarte correto dos “materiais inservíveis”. Mas, em caso de infestação, o biólogo indica que cada situação seja analisada por uma equipe profissional, que indicará a melhor forma de controle. Quando as pragas são encontradas em ambientes mais delicados, como cantinas, os cuidados devem ser maiores. “Em locais com presença de alimentos a chance de se ter um processo de infestação instalado é muito maior, em função da quantidade de alimentos e abrigos que ficam à disposição”, afirma Bocalini. Na Nova Escola, o encarregado Lopes diz que na cantina o nível de rigor se torna ainda maior. “Vejo que a equipe de dedetização deve estar preparada para retirar os alimentos do local e usar produtos específicos e certificados para esse tipo de ambiente”, avalia. Antes de contratar uma empresa especializada no controle de vetores e pragas urbanas, a escola deve observar se ela possui licença de funcionamento expedida pela Vigilância Sanitária, além de responsável técnico com formação em Biologia, Agronomia, Engenharia Florestal, Veterinária, Química ou Farmácia – o profissional ainda deve estar ligado ao respectivo Conselho Regional. A Aprag disponibiliza no seu site - www.aprag.org. br - a relação de empresas associadas que se encontram totalmente regularizadas. (Por Rafael Lima)

SAIBA MAIS Alberto Lopes compras@novaescola-sp.com.br

Sérgio Bocalini sergio@aprag.org.br

Na Próxima Edição: Organizando o almoxarifado


DICA: BERÇÁRIO - INSTALAÇÕES

PARÂMETROS PARA UMA ESTRUTURA ADEQUADA

na boca - gera muita possibilidade de contaminação. Estes materiais devem ser lavados diariamente. Uma estante aberta para guardar estas caixas é o ideal”, ensina Edimara. “Também enfatizo que haja um espelho na altura do chão, com uma barra de sustentação para o bebê se erguer – pois a observação de si mesmo é uma atividade de suma importância”, diz. A psicóloga e educadora Regina Elia observa que um berçário completo deve possuir sala de repouso, de atividades, fraldário, cozinha, solário e, se possível, um jardim com horta. “O espaço físico do berçário não pode oferecer riscos, e nem tirar a atenção da profissional que cuida das crianças”, conta. “O mobiliário deve ser proporcional à idade da cada criança e de material lavável ou esterilizável. Isto serve também para os brinquedos.” Quanto aos tapetes e cortinas, Regina destaca a necessidade de que sejam fáceis de remover e lavar, para evitar qualquer tipo de contaminação. O piso, essencialmente, deve ser antiderrapante e também fácil de limpar. Na Prima Escola Montessori, os pais aprovaram a reforma do espaço, afirma Edimara. “Numa primeira visita eles gostaram da iluminação da sala, dos pátios e da decoração alegre e descontraída, mas sem referências exageradas aos personagens midiáticos.” A escola ainda incluiu som ambiente com música clássica ao espaço, que “sempre traz elogios”. O berçário da escola possui uma professora titular com formação em Pedagogia e uma auxiliar para cada cinco crianças. (Por Rafael Lima)

SAIBA MAIS Edimara de Lima edimara@primamontessori.com.br

Regina Elia rhe43@hotmail.com

Na Próxima Edição: Berçários - Treinamento

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ara oferecer um berçário com estrutura física adequada, a diretora da Prima Escola Montessori, Edimara de Lima, recomenda aos gestores um bom planejamento, além de visitas a outras instituições com bons espaços de atendimento a essa faixa etária e “larga experiência”. Ela afirma que tudo deve ser realizado com muito cuidado, sem atropelos, afinal de contas, esse tipo de ambiente deve agregar segurança, praticidade e ser agradável tanto para os bebês quanto para pais e funcionários. A Prima Escola Montessori, localizada na zona Sul de São Paulo, está concluindo uma reformulação de seu berçário e Edimara não abre mão de observar alguns cuidados obrigatórios. “A legislação brasileira pede que os compartimentos destinados aos berços devam ter área mínima correspondente a três metros quadrados por criança”, conta. “Já os compartimentos para atendimento e atividades de crianças devem ter área mínima de 1,50 metros quadrado por criança.” A diretora ainda pontua que o espaço descoberto destinado à recreação precisa ter área de dois metros quadrados per capita, por período, com dimensão mínima de quatro metros. Quanto ao mobiliário e demais materiais usados dentro das salas, é preciso atenção à segurança. Recomenda-se que a sala de atividade para crianças entre quatro e 18 meses disponibilizem caixas (preferencialmente fechadas) com objetos para manipulação. “Estes materiais são de uso individual, pois a fase oral - onde tudo vai parar

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PERFIL DA ESCOLA: COLÉGIO BATISTA DA PENHA

Aos 30 anos de vida, o Colégio Batista da Penha está implantando um novo método de administração escolar, que lhe permita alcançar maior participação de mercado, ampliar a receita média por aluno e o lucro operacional, além de melhorar a qualidade do ensino em 2013. por rosali figueiredo (texto e fotos)

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diretor executivo do Colégio Batista da Penha, Mário Jorge Castelani, projeta um cenário de grandes desafios para a rede privada de ensino no Brasil. Ex-diretor de Recursos Humanos de empresas privadas, presidente há 9 anos do conselho da Associação Batista Educacional da Penha, mantenedor do Colégio Batista, Mário Jorge acredita que a educação pública brasileira receberá muitos investimentos por parte do governo e terá, portanto, um significativo ganho de qualidade. Por isso, as escolas particulares devem avançar na excelência do ensino, “com professores de boa formação, capacitados, atualizados, bem remunerados, e com estrutura em sala de aula”. Desde abril deste ano, quando assumiu a liderança do Colégio Batista da Penha, Mário Jorge traduziu esse cenário em um novo jeito de administrar a escola. Auxiliado diretamente pelas duas coordenadoras pedagógicas e a gerente administrativo-financeira, criou um Grupo Gestor Operacional, “que decide sobre tudo no colégio”. Durante o mês de outubro, por exemplo, o desafio de cada membro da equipe foi o de propor ideias para novos projetos pedagógicos inter-

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nos, que resultem em melhoria da qualidade do ensino em 2013. Pois a escola pretende ver, em um futuro próximo, pelo menos 20% de seus egressos matriculados em universidades de primeira linha. Para dar conta dos desafios, Mário Castelani implantou uma filosofia de trabalho com metas de curto, médio e longo prazo. Entre as de curtíssimo prazo, para qual desenvolveu um programa de meritocracia, está a de garantir índices de 80% a 100% de rematrícula ainda em 2012. Em curto e médio prazo, está o objetivo de se posicionar entre as 20 melhores escolas vinculadas ao Sistema Etapa, bem como a necessidade de aumentar o número de alunos por sala, de 18 para 25. Não será tarefa fácil, porque isso precisará acontecer sem que se perca o principal diferencial do Colégio diante do mercado local: “é uma instituição extremamente reconhecida pelo bom relacionamento entre aluno, escola e professores, que forma valores junto com o conteúdo com que trabalha”, afirma o diretor. Já a meta mais ousada e de longo prazo é a construção de nova sede com recursos próprios, a ser inaugurada em 2015. Neste ano, professores, pais e alunos sentiram algumas mudanças, como a instituição do plantão de dúvidas, o desenvolvimento de um curso próprio de inglês para a Educação Infantil e séries iniciais do Fundamental, e o aprofundamento da parceria com o sistema Etapa, com o qual introduziu três programas de melhorias entre os professores e colaboradores. Outra inovação veio na figura do professor líder, criada no último mês de agosto, consistindo em uma atuação mais próxima de um educador voluntário junto da coordenação, com sugestões que auxiliem “no processo de melhoria da

qualidade do docente em sala de aula”. E para 2013, outro projeto é acolher em seu espaço um curso de Especialização em Neuroaprendizagem e Transtornos do Aprender, coordenado por Maria Irene Maluf, oferecendo bolsas de estudos a sua equipe de professores. A eScoLA localização: Área central da Penha (zona Leste de São Paulo) ciclos escolares: da Educação Infantil ao Ensino Médio regime de aula: meio período e/ou integral até 5º ano Nº de alunos: 472 equipe: 1 diretor executivo, 2 coordenadoras pedagógicas, 1 orientadora educacional (psicóloga), 1 coordenador de Educação Física e esportes, 3 auxiliares de coordenação, 1 estagiário, 1 bibliotecário e 1 assistente, 1 auxiliar de informática, 1 secretária escolar e 36 professores. Na área administrativa, 1 gerente, 1 assistente de marketing e 11 funcionários sistema de ensino: Etapa e Projeto Primavera (para a Educação Infantil, a partir de 2013) mensalidades: De R$ 540,00 (meio período) a R$ 930,00 (integral, com refeição e lanche) instalações: Imóvel próprio, com biblioteca, áreas de recreação infantil e para os maiores, quadra coberta, sala de informática, de tae kwon do, de música, refeitório etc. SAIBA MAIS MárIo Jorge cASteLAnI castelani@colegiobatista.com.br


DICA: EDUCAÇÃO FINANCEIRA E EMPREENDEDORISMO

DESENVOLVENDO NOVA COMPETÊNCIA NA SALA DE AULA psicóloga, e Matemática com foco em Educação Financeira. “Discutimos as profissões em alta, o mundo do trabalho e fazemos testes de orientação vocacional. Com a outra professora, os alunos fazem gerenciamentos financeiros, desde planilhas fixas até custos variáveis, e encerram o currículo com uma proposta de gastos a partir de um determinado salário”, explica. Além disso, em parceria com outras instituições, o colégio realiza uma feira anual de profissões, onde são convidados profissionais inseridos no mercado de trabalho para palestrar aos alunos do Ensino Médio. A educadora Cláudia Vilella, especialista em gestão social, neurociências e psicanálise, ressalta que o aspecto financeiro é um dos pilares dessa temática, que tem como objeto de estudo a geração de riqueza humana e material. “Gerar riqueza humana é favorecer o desenvolvimento das competências empreendedoras pessoais, fortalecendo a conduta ética para propiciar a formação de indivíduos bem resolvidos que saibam lidar com este mundo globalizado, de mudanças rápidas. Que saibam identificar e aproveitar oportunidades, inventar soluções e sustentar suas invenções no mundo”, pontua. “A riqueza material está relacionada à competência para lidar com o dinheiro, à geração de emprego e renda”. Para as escolas que desejam investir no conceito, Cláudia diz que favorecer o desenvolvimento de atitudes empreendedoras é tarefa de todo corpo docente, principalmente dos professores que estão na sala de aula com os alunos. (Por Rafael Lima)

SAIBA MAIS Fátima Miranda fatima.miranda@pioxiicolegio.com.br

Marcos Fabossi mfabossi@gmail.com

Cláudia Vilella claudia.vilella@terra.com.br

Na Próxima Edição: Estudos do Meio

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empreendedorismo diz respeito a um conceito que deve ser trabalhado dentro da sala de aula e não somente na fase adulta, defende o consultor em liderança, Marcos Fabossi. “As crianças e jovens são naturalmente sonhadores, contudo, nem todos são naturalmente empreendedores. O empreendedor transforma seus sonhos em realidade, um potencial que pode ser desenvolvido nas escolas”, acredita Fabossi. “Ele deve se conhecer, saber o que gosta, seus pontos fortes e fracos, para que possa ser bem sucedido em sua jornada. O autoconhecimento é uma das bases a serem desenvolvidas durante o período escolar”, enfatiza. Pensando dessa forma, o Colégio Pio XII, localizado na Zona Sul de São Paulo, incluiu em seu currículo matérias que auxiliam os alunos na construção de identidades empreendedoras. “Nós queremos que cada estudante vá além do preparo para o vestibular, que tenha noção de qual é a sua missão. Desejamos formar um aluno que tenha uma visão integral de qual é o seu papel no mundo”, afirma a diretora pedagógica Fátima Miranda. Desta forma, o colégio procura aplicar conceitos voltados ao empreendedorismo e à educação financeira, que começam no final do 9° ano. “A escola tem uma disciplina chamada Formação para o Trabalho e Cidadania, em que estudamos uma teoria americana que aponta hábitos de adolescentes altamente eficazes”, conta. Posteriormente, a grade se divide entre as matérias de Orientação Profissional – ministrada por Fátima, que é

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ESPECIAL: FÉRIAS ESCOLARES

UM RESPIRO NECESSÁRIO, MESMO DENTRO DA ESCOLA Muitas escolas privadas oferecem atividades de férias para os alunos, especialmente da Educação Infantil, atendendo à necessidade dos pais que trabalham no período. Mas é fundamental quebrar a rotina das crianças, já que a pausa é indispensável para a aprendizagem e favorece seu desenvolvimento emocional, cognitivo e motor.

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Por Rosali Figueiredo

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Ministério da Educação já definiu um período de 200 dias letivos para 2013, o que representará 160 dias de pausa aos alunos, além de férias de 30 dias no mês de julho e 30 dias de recesso entre dezembro e janeiro aos educadores, conforme estabelece a Convenção Coletiva da rede privada no Estado de São Paulo. Os pais, entretanto, buscam cada vez mais alternativas junto às escolas para cuidar, ocupar e entreter os filhos nesses períodos. “Temos uma procura muito grande”, aponta a diretora pedagógica Ruth Elster, do Colégio Benjamin Constant, localizado na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo. Ainda neste mês de novembro, a escola divulgará aos pais dos alunos da Educação Infantil a programação do Curso de Férias de janeiro de 2013, juntamente com uma tabela de preços. “É importante divulgar com antecedência, para que eles possam se organizar”, diz Ruth. O serviço será estruturado para oferecer atividades temáticas a cada semana, de maneira lúdica e diferenciada da rotina escolar, para crianças de um ano e meio a 6 anos incompletos, em horário integral ou meio expediente. A família definirá a grade conforme suas necessidades, observa a diretora. Segundo ela, o Curso de Férias da escola chega a receber até 40 crianças em alguns períodos, de um total de 180 matriculadas no ciclo regular. “Há uma necessidade dos pais, que precisam de uma alternativa durante

as férias”, comenta a diretora, que identifica demanda até os 9 anos. Mas, no Benjamin Constant, não há espaço adequado para trabalhar até essa idade durante as férias. Ruth Elster explica que é preciso estrutura para que se possa oferecer um trabalho diferenciado, com profissionais de qualidade e que mantenham algum vínculo com a escola. No Curso de Férias do Benjamin, trabalham auxiliares graduados em Pedagogia ou estagiários formandos na área. Outra ressalva que Ruth faz quanto a esses cursos está na faixa etária atendida pelo serviço: a diretora considera inadequado oferecê-lo para maiores de 9 anos, “pois a partir dessa idade eles necessitam de pausa inclusive em relação ao espaço físico da escola”. Ela sugere que os pais desses alunos busquem, por exemplo, acampamentos apropriados. PAUSA NA ROTINA Thaís Schulter, coordenadora da Educação Infantil do Colégio Augusto Laranja, localizado em Moema, na zona Sul de São Paulo, também anota grande procura pelos cursos de férias. A instituição oferece há cerca de cinco anos o programa “Férias na Escola”, para crianças de um ano e meio a 7 anos, em meio período, com atividades lúdicas e orientadas. “A demanda aumenta a cada ano pelas necessidades do mundo corporativo. A escola organiza um ambiente favorável, um serviço que agrega um conjunto de vantagens: segurança em relação ao convívio e ao cuidado com a criança; praticidade; e uma aprendizagem social que permite avançar no desenvolvimento de suas habilidades e

competências, mas com outro caráter. É uma rotina mais solta e bem diversificada, com brincadeiras no parque, de quintal, como amarelinha e roda, contação de histórias, culinária, esportes, ginástica rítmica, além de brinquedos diferenciados, como piscina de bolinha. A cada dia, preparamos uma surpresa a elas”, descreve Thaís. A coordenadora pedagógica defende que as férias tragam efetivamente uma pausa para os estudantes, de maneira que a “criança possa ter outros momentos de vivência e desenvolva repertório de vida”. “Mas, por outro lado, férias para ficar em casa, em frente à tevê ou com videogame, já não é uma pausa interessante. Ela se torna interessante quando abre novas oportunidades de vivência e isto está cada vez mais difícil na medida em que o mundo corporativo demanda tempo maior das pessoas”, analisa Thaís. No Augusto Laranja, o programa de férias acontece em períodos de 15 dias, nos meses de julho e janeiro, sempre com professores auxiliares ou aqueles que já retornaram do recesso escolar. “É preciso encontrar alternativas interessantes e inteligentes, que deem


ESPECIAL: FÉRIAS ESCOLARES importância para o brincar, em que a criança receba estimulação e interação. A escola é parceira do pai na tarefa de educar e deve abrir oportunidades para que esse aluno possa ter outro tipo de vivência e retardar um pouco a imersão no mundo digital, possibilitando assim ampliar a vivência e aumentar o repertório de vida”, defende Thaís. JANELAS PARA O CRESCIMENTO Do ponto de vista da neurociência, não apenas as férias, mas os próprios finais de semana representam uma pausa indispensável aos indivíduos, avalia Adriana Fóz, psicopedagoga especialista em Neuropsicologia, coordenadora do Projeto Cuca Legal (da Unifesp, em São Paulo) e membro da INS (International Neuropsychology Society). Segundo ela, a rotina ou repetição excessiva podem levar à saturação do cérebro. De outro modo, assim como acontece durante o sono, a pausa propicia maturações, desde o desenvolvimento físico e cognitivo ao processamento das informações, dos sentimentos e das emoções. A importância das quebras de rotina muda para cada faixa etária, mas é fundamental para os pequenos, em crianças entre 2 e 3 anos, e para os adolescentes, destaca Adriana. Na adolescência, por exemplo, momento de “reorganização” das sinapses e de grandes alterações hormonais, há um esforço muito grande por parte do estudante, o que exige “compensação”.

“Quanto mais exigir do cérebro, mais ele precisará de descanso”, de “limpar o HD”, prossegue Adriana. De outra maneira, pré-vestibulandos precisam respeitar as pausas pelo menos para se alimentar e praticar alguma atividade esportiva. “Os jovens devem tentar conciliar isso mesmo que com menos frequência, porque é muito importante trabalhar a coordenação e respeitar a necessidade de alimentação e sono para a aprendizagem formal do cérebro”, aponta. “Se as pessoas não respeitarem as paradas, terão perdas qualitativas e quantitativas em seu desempenho”, ressalva Adriana, destacando que a neurociência “fala em janelas de oportunidade” para que o crescimento aconteça, entre estas, a própria pausa. No caso dos cursos de férias, eles serão bem-vindos se oferecerem atividades lúdicas, já que “a descontração traz outro tipo de aprendizado”. No entanto, mesmo dentro da rotina do ano letivo, a especialista recomenda proporcionar mais paradas ao longo do dia, em intervalos menores.

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SAIBA MAIS Adriana Fóz adriana@adrianafoz.com.br Ruth Elster colegiobenjamin@colegiobenjamin.com.br

Thaís Schulter thais@augustolaranja.com.br

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EM WWW.DIRECIONALESCOLAS.COM.BR - Reportagem sobre a introdução de exercícios de ioga durante as aulas do Ensino Fundamental I do Colégio Fernão Dias, de Osasco, como forma de quebrar a rotina e permitir ao aluno recompor a respiração, a postura, o tônus e a concentração; - O artigo“A escola de cuca legal”, desenvolvido pela psicopedagoga Adriana Fóz.

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FIQUE DE OLHO: LIMPEZA – EQUIPAMENTOS, PRODUTOS E MÃO DE OBRA

Receba pais e alunos com uma escola limpa, organizada e protegida Um ambiente dinâmico como uma escola precisa, necessariamente, contar com materiais de qualidade e uma boa equipe de limpeza. Confira, neste Fique de Olho, empresas que se especializaram no fornecimento de produtos e na prestação de serviços terceirizados na área, primando pela segurança contratual e uma boa relação entre custo e benefício. Por Rafael Lima

Com experiência de 20 anos de mercado, a Embravi se tornou referência na prestação de serviços de limpeza, portaria e segurança nas escolas. Entre os benefícios que oferece, a empresa assegura a diminuição da rotatividade dos colaboradores nessas áreas, suporte para avaliação e treinamento constante dos profissionais terceirizados, além de todo respaldo necessário na cobertura de férias das equipes. A eficiência dos serviços é assegurada no dia a dia pelo uso correto e pela qualidade dos materiais empregados e por mutirões periódicos nas escolas. Um dos diferenciais da empresa é sua preocupação em manter o ambiente organizado por períodos prolongados, “trazendo economia ao longo do tempo e evitando mais trabalho ao funcionário”, aponta o diretor Max Pagano. Outro diferencial é o compromisso de proporcionar sempre uma boa relação entre custo e benefício para cada cliente, valorizando, inclusive, a segurança contratual, já que preza pelo pagamento em dia dos salários, encargos sociais e benefícios.

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Fale com a Embravi: (11) 3721-1777 www.embravi.com.br embravi@embravi.com.br

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Desde 1984 no mercado, a GS Terceirização tem como missão “agregar qualidade aos serviços de terceirização, destacando-se principalmente nos segmentos de escolas e condomínios”, em serviços como limpeza e conservação, além do controle de acesso, diz o empresário Jorge Margueiro. Como forma de assegurar a qualidade e dedicação das equipes junto aos clientes, a GS promove a valorização constante dos seus profissionais, através de benefícios, premiações, treinamentos e campanhas de motivação. Ainda como grande diferencial da empresa está a “gestão conjunta” entre a empresa e a instituição de ensino, por meio da qual é possível identificar suas necessidades e “traçar os planos operacionais para a evolução dos serviços”, explica Margueiro. A empresa está programando a mudança de endereço para uma sede própria na Zona Sul de São Paulo, em 2013. “Teremos amplo estacionamento para receber nossos parceiros”, completa o empresário. Fale com a GS Terceirização: 11 5525-1422 www.gsterceirizacao.com.br amilton@gsterceirizacao.com.br

Há 45 anos no mercado, a Paslu oferece mais de 1.200 itens de material de limpeza, de diversas marcas conceituadas, em diferentes embalagens e funções. Os fornecedores são qualificados de acordo com as principais exigências do mercado, e a distribuição é realizada de forma estratégica e personalizada a cada cliente. Segundo o empresário Rafael Suette, a empresa se destaca no mercado pela agilidade no atendimento aos pedidos e na entrega, chegando a realizar a transação completa em menos de 24 horas. “Tra-

balhamos com todos os produtos necessários para manter os espaços limpos e organizados”, diz. A empresa atende a instituições de ensino localizadas na cidade de São Paulo. Fale com a Paslu: 11 5574-7688 www.paslu.com.br paslu@paslu.com.br

Fundada em 1997, a Prompt atua com serviços especializados em diversas áreas, entre elas a limpeza escolar. A empresa disponibiliza sempre “profissionais de larga experiência, na busca de soluções inovadoras e prestação de serviços de alta qualidade”, afirma o diretor Fabio Mansur. “Nosso principal compromisso é a satisfação das expectativas e reais necessidades do cliente, primando pela legalidade com base na ética e transparência, otimizando os recursos investidos, e estabelecendo padrões de qualidade e produtividade”, destaca Mansur. Na área de limpeza, a empresa realiza um levantamento detalhado das instalações do cliente, definindo conjuntamente as melhores estratégias para o local. A Prompt destaca ainda a utilização de equipamentos de fácil manuseio e de produtos de alto padrão, operados por uma equipe treinada e compromissada. Junto às escolas, a empresa oferece, entre outros, auxiliares de limpeza e de serviços gerais, além de limpadores de vidros e auxiliares de jardinagem. Fale com a Prompt: 11 2950-4839 www.promptempregos.com.br prompt@promptempregos.com.br


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Alambrados ( Quadras), Alimentação Escolar, Brinquedos Educativos e Pedagógicos

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Bebedouros, Brindes (E.V.A)

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Cenotecnia, Cobertura, Gráfica, Impermeabilização, Laboratório

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Gestรฃo, Lousas, Mรกquinas Multifuncionais, Material de Limpeza, Protetor de Coluna

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Acessórios, Alimentação Escolar, Bebedouro

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Pain茅is Educativos, M贸veis

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Móveis, Pisos, Playgrounds, Sinalização Digital

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Playgrounds

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Playgrounds

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Playgrounds

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Pisos, Toldos

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Sistemas de Segurança, Terceirização de Serviços, Toldos, Uniformes

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Revista Direcional Escolas Edição 83 – Novembro/2012  
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