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EDITORIAL

Caro leitor,

DIRETORES Sônia Inakake Almir C. Almeida

O consultor em gestão e comunicação educacional, Christian Rocha Coelho, costuma

EDITORA Rosali Figueiredo

dizer que uma escola consegue “viver no vermelho até por oito anos”. “Ela vende patrimônio

PÚBLICO LEITOR DIRIGIDO Diretores e Compradores

e pede dinheiro emprestado do pai e do mundo”, ironiza o empresário. Publicitário

PERIODICIDADE MENSAL exceto Junho / Julho Dezembro / Janeiro cuja periodicidade é bimestral

estabelecimentos privados há 14 anos. Procura ensiná-las a andarem no azul com pernas

TIRAGEM 20.000 exemplares

da população na faixa etária até os 14 anos. Logo não haverá mais como esticar tanto a

especializado em Marketing, com graduação ainda em Psicologia, Christian atua com os próprias, em um mercado cada vez mais exigente em relação ao “produto” educação e também concorrido - seja pelo aumento do número de instituições, seja pelo encolhimento corda da ineficiência.

JORNALISTA RESPONSÁVEL Rosali Figueiredo MTB 17722/SP jornalista@condominio.inf.br

Entre os mais de 800 clientes que atende em todo País, Christian aponta que 80% têm entre onze e 30 anos de existência; 50% ficaram em 2010 num patamar de lucratividade entre 6% e 20%; 6% deram prejuízos; 64% adotaram sistemas didáticos de ensino (contra

CIRCULAÇÃO Estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais

56% em 2009); 15% perderam alunos, mas 82% cresceram. São clientes que fizeram bem a lição do marketing pedagógico ou do chamado processo “andragógico”, em que a

DIREÇÃO DE ARTE Jonas Coronado

escola acaba por envolver todo o seu público – colaboradores, docentes, alunos e pais – na

ASSISTENTE DE ARTE Rodrigo Carvalho Sergio Willian

nossa reportagem de Tendências, publicada nesta edição).

consecução do projeto pedagógico. Assim, ela conquista, cativa, mantém e atrai (confira em Na verdade, é característica marcante do século XXI o fato de vivermos em uma

ASSISTENTE DE VENDAS Emilly Tabuço

sociedade de comunicação aberta e de relações cooperativas, que está a todo o momento se

CONTATOS PUBLICITÁRIOS Alexandre Mendes Silvana Tesser Sônia Candido

constante de adaptação, comunicação e reinvenção. Além de abrir as portas, elas investem

ATENDIMENTO AO CLIENTE João Marconi Juliana Jordão

Educação Infantil) e nas parcerias de serviços (como mostram as Dicas sobre Feira do Livro

IMPRESSÃO Prol Gráfica

Dica sobre Conforto Térmico, ou na valorização de sua marca, em estratégias de marketing

reinventando e engendrando novas necessidades, o que obriga as escolas a uma dinâmica em consultorias externas de Avaliação (tema da reportagem Especial desta edição), na profissionalização da sua equipe (na pauta de Gestão, abordamos o tema no contexto da e Formaturas). Investem ainda na melhoria de sua infraestrutura, como pode ser visto na promocional (confira no Fique de Olho sobre Brindes). Em tempos de mudanças, há muitas direções a seguir, muitas frentes com que se ocupar

Conheça também a Direcional Condomínios www.direcionalcondominios.com.br

Filiada à

Tiragem auditada por

e preocupar – afinal, outro traço marcante da vida contemporânea é a visão holística e global dos processos. Nos últimos dois anos, a Direcional Escolas tem dado prioridade a mostrar, em suas pautas, soluções e estratégias que as instituições vêm adotando para dar conta dessa nova realidade. Essa postura a levou, juntamente com a Revista Direcional Educador (de perfil mais pedagógico e conceitual), a organizar o 1º Direcional Educação no próximo mês de abril. Organizado pelo Grupo Direcional, o evento terá as conferências do educador Mário Sérgio Cortella, ex-secretário de Educação do município da Capital paulista e professor titular da PUC em São Paulo, e de Christian Rocha Coelho (mais informações em nossas páginas internas).

Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias, sujeitando os infratores às penalidades legais. As matérias assinadas são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, a opinião da revista Direcional Escolas. A revista Direcional Escolas não se responsabiliza por serviços, produtos e imagens publicados pelos anunciantes. Rua Vergueiro, 2.556 - 7ª andar cj. 73 CEP 04102-000 - São Paulo-SP Tel.: (11) 5573-8110 - Fax: (11) 5084-3807 faleconosco@direcionalescolas.com.br www.direcionalescolas.com.br

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Uma boa leitura a todos e parabéns às escolas vencedoras de nossa pesquisa e concurso de prêmios (veja na pág. 4). Rosali Figueiredo Editora

ESCLARECiMENTO Por um problema técnico na versão que foi à gráfica, a edição 64 da Revista Direcional Escolas, distribuída entre os meses de dezembro e janeiro, suprimiu alguns vocábulos das reportagens e do próprio editorial, entre eles a expressão “projetos”, que acabou substituída, em inúmeras passagens de textos, pela consoante “s”. Pedimos desculpas aos nossos leitores e entrevistados.

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Tiragem de 20.000 exemplares auditada pela Fundação Vanzolini, cujo atestado de tiragem está à disposição dos interessados.

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SUMÁRIO

ESPECIAL

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Por Uma Escola Melhor/Processos de Avaliação Pública e Privada

A rede privada aposta na consultoria de empresas especializadas em avaliar o rendimento escolar dentro de uma abordagem global, considerando a infraestrutura escolar, o perfil dos docentes, pais e alunos, além dos dados ambientais, culturais e regionais, entre outros. O propósito é gerar informações que orientem a melhoria da aprendizagem, tendência iniciada pelo MEC em 1995.

TENDÊNCIAS

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Em Tempos de Mudanças, Qual Direção Seguir?

Em breve, o 1º DIRECIONAL EDUCAÇÃO abordará as novas tendências pedagógicas, de serviços e de gestão dos negócios na área, por meio das conferências de Mário Sérgio Cortella e Christian Rocha Coelho. Nesta edição, Christian oferece uma análise preliminar dos desafios colocados aos mantenedores e educadores.

FIQUE DE OLHO

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Brindes e Recordação Escolar

Presente para criança é assunto de gente grande: não pode faltar em datas especiais, como o Dia das Mães ou dos Pais, deve trazer qualidade e ainda estimular o interesse e a interatividade. Lidando com importante ferramenta do marketing promocional, o mercado de brindes renova as opções de personalização dos produtos e abre a temporada de encomendas de 2011.

GESTÃO

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Educação Infantil: Formatos e Investimentos

Segmento figura como um dos destaques entre as novas metas do País em prol da universalização e maior qualidade na Educação, mas enfrenta a carência de profissionais bem formados e a falta de orientação pedagógica – especialmente as escolas particulares. Estas acabam investindo em políticas próprias de capacitação para atender ao novo perfil da Educação Infantil no Brasil.

DICA

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Conforto Térmico

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Feira do Livro

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Formatura

Seção traz exemplos de soluções que amenizam o impacto do clima sobre o dia a dia dos alunos e professores, entre elas o uso de telhas e forros térmicos, a instalação de brise soleil nas fachadas, além de projetos de ventilação cruzada e arborização.

Livreiros e escolas procuram dar à feira do livro um caráter cultural e educativo, estimulando o gosto pela leitura, integrando-a ao plano pedagógico e promovendo eventos paralelos, como seções ÍNDICE de autógrafos, oficinas e contação de histórias.

Das tradicionais festividades de gala a eventos promovidos interna e exclusivamente aos estudantes, as cerimônias de colação de grau e de encerramento dos ciclos escolares variam conforme as expectativas dos próprios adolescentes e familiares.

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GANHADORES DA PESQUISA

GANHADOR DO 1º PRÊMIO: Lavadora de Alta Pressão HD 585 Karcher Escola Carvalho Gouveia João Neto (Administrador)

GANHADOR DO 2º PRÊMIO: Aspirador de Pó Wap Pop Tech Escola de Educação Infantil Tribo dos Curumins Luciana Rezende Ferreira (Diretora)

GANHADOR DO 3º PRÊMIO: Jogo de Xadrez e Jogo de Damas Instituto Educacional Aprendiz Eliana Baptista de Andrade (Diretora)

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ESPECIAL: POR UMA ESCOLA MELHOR (PROCESSOS DE AVALIAÇÃO PÚBLICA E PRIVADA)

O

Brasil pretende que seus estudantes atinjam, em 2021, a média 5,5 na conclusão do Ensino Fundamental, e 5,2 ao final do Ensino Médio, conforme projeções do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), do Ministério da Educação. Quer também chegar a 473 pontos no PISA, programa internacional da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que avalia conhecimentos de alunos de 15 anos em Matemática, Leitura e Ciências. Mas se considerasse apenas os resultados obtidos pelos alunos da rede privada nos processos externos de avaliação do rendimento escolar, o País já estaria lá. Conforme o mais recente IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), de 2009, a clientela da escola particular atingiu a média 5,9 no encerramento do Fundamental e 5,7 do Ensino Médio, contra, respectivamente, as médias de 3,4 e 3,2 da rede pública. No PISA, divulgado em dezembro passado, contabilizou 502 pontos, contra 387 da pública, desempenho que coloca os estudantes das instituições privadas em patamares similares aos dos países considerados dentro da média em Matemática e Ciências e acima da média em Leitura. Mas a lição de casa não está feita. A rede privada tem buscado, cada vez mais, instrumentos que lhe permitam aprimorar a aprendizagem, seja pela necessidade de dar “uma resposta ao controlador do sistema de ensino, à sociedade e à família”, seja “também como estratégia de busca de qualidade”, analisa Regina Cançado, diretora geral do Inade (Instituto de Avaliação e Desenvolvimento Educacional). A empresa promove hoje processos do gênero no setor público e privado do País (neste caso, com programas específicos para a rede Sesi, Católica, Marista e Pitágoras, além de convênios firmados com sindicatos regionais de estabelecimentos de ensino). Também a Rede Salesiana de Escolas recorre à consultoria externa para balizar seus resultados, através de parceria com a Avalia Assessoria Educacional.

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Ilustração: Jonas Coronado

PONTO DE PARTIDA A avaliação externa do rendimento escolar enquanto ferramenta de “definição de prioridades e melhoria da qualidade do ensino” foi introduzida na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em 1996. Mas já em 1995, o Ministério da Educação, sob a gestão de Paulo Renato Souza e da então secretária executiva Maria Helena Guimarães de Castro, resolveu sistematizar os processos e implantar uma metodologia que permitisse comparar as informações de um ano para outro. “Os dados mais recentes que tínhamos eram então do Censo Escolar de 1989. Não havia um sistema de avaliação qualitativa do desempenho dos alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio”, lembra Maria Helena, que depois assumiu a Secretaria de Estado da Educação em São Paulo e hoje coordena a área pedagógica da Associação Parceiros da Educação. Maria Helena afirma que o SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) contava com duas versões pilotos, mas de

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ESPECIAL: POR UMA ESCOLA MELHOR (PROCESSOS DE AVALIAÇÃO PÚBLICA E PRIVADA) COMO FUNCIONA O Colégio Franciscano Nossa Senhora Aparecida (Consa), tradicional instituição do bairro de Moema, em São Paulo, implantou em 2007 um dos programas do Inade, o Proarce, desenvolvido para a rede Católica. “É uma ferramenta diagnóstica de habilidades cognitivas e conhecimentos, que visa aferir até que ponto os estudantes desenvolveram os saberes escolares para um efetivo resultado acadêmico em busca de níveis crescentes de excelência”, afirma a irmã Teresa Warzocha, responsável pela Coordenação Educacional do Consa. Entretanto, o colégio utiliza outros recursos para o aperfeiçoamento dos seus trabalhos e, paralelamente, oferece orientação e apoio aos professores. “Quanto mais a escola se instrumentaliza para fazer um trabalho sério em educação, melhor. Mas isso depende da qualidade desta avaliação e do que você faz com ela, de que forma irá ler os indicadores”, observa o orientador da Área de Linguagem, Códigos e suas Tecnologias, José Luis Landeira. Consultor em educação, professor de Português graduado em Coimbra, Portugal, e doutor pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Landeira chegou ao Consa justamente para auxiliar em um “trabalho intensivo de ajustes, estudos e orientação”, a partir das carências identificadas pelas avaliações. Além do Proarce, aplicado sobre o 5º e 9º ano do Fundamental e 3º do Ensino Médio, o colégio disponibiliza para a área pedagógica a consultoria da Mathema (especializada em Matemática), promove questionários entre professores, pais e alunos e desenvolve um programa de formação continuada, montando grupos de estudos entre os docentes. Landeira acompanha cada passo das avaliações, o planejamento, a metodologia e a capacitação. “Com isso você identifica os pontos fracos, o que o professor precisa estudar, as necessidades de formação e vai trabalhando de acordo com as dificuldades. Em meu grupo elas eram: entender habilidades, competências e linguagens dentro de uma perspectiva psicossocial; concatenar as avaliações internas à metodologia e ao conteúdo, e; compreender o conceito do gênero discursivo.” Os resultados surgiram rapidamente. “Houve melhora no desempenho dos alunos nas avaliações, diminuição daqueles em recuperação, incremento do número de professores na pós-graduação e mesmo os estudantes que fecharam notas continuaram participando das atividades educativas”, enumera o orientador. Já os resultados do Proarce, de 2009 para 2010, “melhoraram muito em Português e Linguagens; tínhamos problemas na área, que foram identificados não apenas por uma única prova, mas a partir da consolidação dos dados de três a quatro testes”. Landeira destaca também que foi possível perceber que os trabalhos solicitados pelos docentes aos alunos não os motivavam, pois eram feitos para os professores, “não circulavam socialmente”. “A partir daí fizemos uma reavaliação da importância da revista impressa semestral, da virtual, passamos a divulgar esses trabalhos e o aluno deixou de escrever para o professor, a escrita tornou-se parte de uma dinâmica social.” Por fim, Landeira constata: “A profissão docente é muito solitária, embora não pareça. O professor está muito sozinho em seu fazer profissional, portanto, a avaliação externa o ajuda a se conectar com toda uma realidade docente que está ocorrendo a volta dele, como, por exemplo, a preocupação com as habilidades e competências que está presente há dez anos mas ganhou relevância no ENEM e nos vestibulares mais recentemente.” Ou seja, da forma como vem sendo realizada pelo Consa, está agregando aprendizagem não apenas aos alunos, mas também aos educadores.

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metodologias diferenciadas, o que levou o MEC a adotar um modelo internacional de avaliação, capaz de gerar dados que pudessem ser comparáveis e, assim, viabilizar a montagem de um sistema de estatísticas educacionais. O SAEB e, posteriormente, o ENEM, assim como os demais sistemas, implantaram a TRI (Teoria de Resposta ao Item), em que a nota reflete o desempenho do aluno conforme aumenta o grau de dificuldade das questões e não apenas a proporção de erros e acertos. Leva em conta ainda a consistência das respostas dos estudantes, que podem ter o mesmo número de acertos, mas notas diferenciadas. A partir de 2005, já sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o MEC implantou a Prova Brasil (de caráter censitário para a escola pública) e tornou a prova do SAEB opcional à rede privada. Em 2007, veio o IDEB, cujo índice de zero a 10 atribuído a cada escola resulta da articulação entre a taxa de aprovação dos estudantes e as médias de seu desempenho no SAEB ou na Prova Brasil. “Avançou-se muito na metodologia e pouco no uso das avaliações para capacitar os professores e melhorar a sala de aula”, observa Maria Helena, apontando ser este o grande desafio das autoridades e das escolas e lembrando que os estados de São Paulo e Minas Gerais deram um passo à frente, ao lançarem sistemas próprios (respectivamente, Saresp e Simave). Para a diretora do Inade, Regina Cançado, é preciso se “apropriar dos resultados para melhorar o processo educacional e orientar as decisões, que devem ser tomadas com base em dados e fatos”. Ou, como explica o vice-presidente do Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo), José Augusto de Mattos Lourenço, utilizá-los para “fazer o planejamento do ano seguinte”. Mantenedor do Colégio São João Gualberto, em Pirituba, zona Oeste de São Paulo, José Augusto introduziu a metodologia do Inade na escola há quatro anos e acordou uma parceria entre a empresa e o Sindicato. “É uma avaliação global, da escola e do aluno, que observa o rendimento e suas notas, além de pesquisar os pais, o corpo docente, a infraestrutura e a proposta pedagógica.” José Augusto afirma que o serviço se tornou uma “exigência do mercado”, uma forma de corrigir rotas e evitar que situações ruins venham afetar a imagem da escola, “pois elas se espalham rapidamente”. Mas é também “uma alternativa para que a rede privada tenha autonomia de aferir a qualidade da aprendizagem, utilizando uma ferramenta própria de credibilidade e com metodologia que permita comparações com os indicadores obtidos nas avaliações públicas, como o SAEB e o Saresp”, pondera, por sua vez, Regina Cançado. No entanto, a diretora destaca a importância de se distinguir esta avaliação – “em larga escala, externa e realizada pontualmente em ciclo anual” - daquela promovida em sala de aula pelo professor, em que ele monitora “o progresso do seu aluno individualmente” e colhe subsídios para “as intervenções pedagógicas”. A externa avalia o nível de aprendizagem “com foco em grupos de alunos”, destaca. E seus “resultados são analisados à luz dos processos que caracterizam o sistema educacional da escola”, considerando “o perfil sócio-cultural e econômico, os processos de gestão, a cultura, o ambiente e as relações interpessoais”. “Tudo isso impacta na aprendizagem do aluno”, comenta Regina. Portanto, os resultados devem ser analisados “em primeira mão pelos diretores e desdobrada para a equipe técnico-pedagógica e os professores”. Em ambas as avaliações, “o objetivo geral é único: melhorar a aprendizagem”. “O que diferem são os objetivos específicos e as estratégias para alcançar as melhorias da qualidade educacional das escolas.”

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ESPECIAL: POR UMA ESCOLA MELHOR (PROCESSOS DE AVALIAÇÃO PÚBLICA E PRIVADA)

“AVALIAR PARA AGIR E NÃO PENALIZAR” Professora de Didática na Faculdade de Educação da USP, Rita de Cássia Gallego, coautora do livro “Avaliação”, lançado ano passado pela Editora Unesp em parceria com sua colega na Universidade, Denise Catani, vê com preocupação o avanço dos sistemas externos de avaliação. Mesmo que a intenção seja buscar elementos que norteiem o aprimoramento dos processos de ensino-aprendizagem, Rita observa que prevalece a cultura da hierarquização e classificação que as notas acabam projetando sobre escolas e alunos, sem se levar em conta as diversidades sociais, regionais, históricas, culturais, econômicas etc. Segundo Rita Gallego, é preciso disseminar um “novo paradigma de avaliação: constatar o que não vai bem para melhorar o que não vai bem. Avaliar para agir e não penalizar.” Rita verifica ainda que “os dados têm sido, de modo geral, simplesmente apresentados aos professores, mas não analisados”. Outra preocupação da educadora diz respeito à “inversão de propósitos”, especialmente quando a avaliação torna-se um fim em si mesmo, “quando se passa a ensinar para que a própria avaliação tenha sucesso”. Finalmente, a professora da USP aponta que “faltam balizadores ou indicadores que deem conta das diversidades de condições de entrada dos alunos nas escolas”. “Como a criança chega ao 1º ano aos seis anos de idade? Há aquelas que nunca viram um livro, outras que já estão alfabetizadas. E os sistemas as avaliam da mesma forma e determinam que tenham o mesmo ponto de chegada. Você compara algo incomparável, se pensar nas disparidades de domínio de escolaridade, de conteúdo”, comenta. Para a coordenadora da Associação Parceiros da Educação, Maria Helena de Castro, este hiato entre o “ponto de entrada e o ponto de chegada” precisa ser superado durante o processo de alfabetização. “As escolas têm três anos para fazer com que atinjam um nível básico de alfabetização. Independente do ponto de entrada, é muito importante ter um ponto de chegada. É possível e necessário fazer isso. Pois se a criança não chega a esse nível básico, vai acumulando problemas.” De qualquer maneira, Rita Gallego sugere que os processos comecem a levar em conta as particularidades, “para não penalizar as pessoas que trabalham sob condições diversas e adversas”. Ou, ainda, para que possam fazer intervenções sobre o contexto que gerou esses indicadores. Para finalizar, Rita sugere uma revisão na natureza das provas aplicadas às crianças. “O que significa para uma criança de oito anos preencher gabaritos em prova aplicada por uma pessoa estranha, que não seja sua professora? Isso cria uma situação adversa e às vezes ela não consegue se expressar naquela forma de avaliação.” LEIA MAIS NA VERSÃO ON-LINE DA DIRECIONAL ESCOLAS - Entrevista com Regina Cançado, do Inade; - Um quadro explicativo dos sistemas de avaliação pública; - A evolução dos índices do IDEB desde 2005 e as metas estabelecidas pelo INEP para 2021. Confira em www.direcionalescolas.com.br.

SAIBA MAIS

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MARIA HELENA GUIMARÃES DE CASTRO ASSOCIAÇÃO PARCEIROS DA EDUCAÇÃO helenaca@uol.com.br

PROF. Dr. JOSÉ LUÍS LANDEIRA (CONSA) jllandeira@uol.com.br

PROFA. DRA. RITA DE CÁSSIA GALLEGO ritagallego@usp.br REGINA CANÇADO reginac@institutoinade.com.br IDEB (SAEB/PROVA BRASIL) - INEP www.inep.gov.br

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m ousado projeto de reforma em curso há cerca de dois anos, com investimentos estimados em R$ 2,5 milhões, pretende dar novo perfil arquitetônico ao Colégio Elvira Brandão, com a ampliação da infraestrutura (dos iniciais 800 metros quadrados para cinco mil metros) e a modernização das instalações. O que inclui a preocupação em proporcionar conforto térmico aos alunos e educadores, por meio de soluções como a troca de telhas, do forro das salas de aulas e das portas e janelas. “Concluímos a primeira parte do projeto, construindo um andar a mais em três dos quatro prédios e aproveitamos para substituir as telhas vermelhas pelas brancas, que segue uma tecnologia especialmente desenvolvida pela Nasa para serem térmicas”, afirma a mantenedora Camila Rocha Nardy. Segundo Camila, o novo material garantiu “um conforto enorme para as salas”, pois as telhas são feitas com duas lâminas de alumínio “recheadas” por uma camada intermediária de um polímero com propriedades térmicas. E por serem brancas, não retêm calor. Mas as intervenções não pararam aí. “Instalamos também forro acústico e antiaquecimento, além de portas e janelas com caixilhos de alumínio que permitem maior abertura e circulação do ar”. Entre os acessórios, a escola optou pelos ventiladores, afixados nas paredes contrárias às janelas. O engenheiro civil Luiz Henrique Ferreira, responsável pelo projeto e a construção atual em São Paulo, Capital, de duas escolas da rede estadual baseadas nos princípios da sustentabilidade, comenta que existem diferentes soluções em prol do equilíbrio térmico. No entanto, edificações já erguidas apresentam algumas restrições, começando pela orientação da fachada, que pode ter sido projetada de maneira desfavorável em relação à insolação e ventilação. “Sua posição deve

ser pensada de forma a aproveitar melhor a iluminação e a ventilação natural”, diz. Caso contrário, resta aos gestores adotar medidas que amenizem os impactos do clima. Entre elas, optar pelo isolamento térmico das coberturas e das forrações ou subcoberturas internas, a exemplo do que fez o Elvira Brandão. Mas como garantia de sua eficiência, os fabricantes desses materiais são obrigados a informar o coeficiente de transmitância térmica, orienta o engenheiro. Entre as demais soluções, Luiz Henrique destaca o brise soleil, um elemento vertical ou horizontal sobressalente às fachadas, que traz sombreamento nas horas de incidência direta do sol e, ao mesmo tempo, se bem projetado e executado, não retém a luz durante os meses de inverno. Bons exemplos de brise soleil são dados por dois marcos da arquitetura paulistana, o Edifício Copan e o prédio do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, aponta o engenheiro, lembrando que essa espécie de quebra-sol pode ser feita em madeira, concreto ou metal. “Se corretamente dimensionado, ele funciona como a aba de um boné, proporcionando ainda conforto visual, ao evitar a incidência direta de luz sobre os olhos e as lousas”, destaca. Por outro lado, o brise contribui “para reduzir a carga térmica da edificação ao deixar as paredes mais frescas e, consequentemente, para diminuir a necessidade do uso de ventiladores ou ar condicionado”. Luiz Henrique, um dos responsáveis pela adaptação do Processo AQUA no Brasil, certificação de sustentabilidade nas edificações, demonstra sempre a preocupação de aproveitar da melhor forma possível os recursos naturais e, nesse sentido, defende soluções construtivas que garantam ainda a ventilação cruzada (“considerando a carta climática da região”) e a arborização (a qual deve ser pensada conforme as condições de insolação, umidade e orientação do vento). (R.F.)

Saiba mais – Luiz Henrique Ferreira – www.casaaqua.com.br luiz@inovatech.com.br Na próxima edição: Iluminação

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Soluções amenizam impacto do clima

Ilustração: Jonas Coronado

DICA: CONFORTO TÉRMICO

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Ilustração: Jonas Coronado

TENDÊNCIAS: EM TEMPOS DE MUDANÇAS, QUAL DIREÇÃO SEGUIR?

Por Rosali Figueiredo

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A rede privada de ensino atingiu em 2010 o maior contin-

gente de alunos desde 2002, conforme o Censo Escolar de 2010, divulgado no final do ano passado pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), do Ministério da Educação. Registrou 7.560.382 estudantes, dentre um total de 51.549.889, depois de ter assistido a uma perda de um milhão de matrículas entre 2006 e 2007. Já uma pesquisa encomendada pela Fenep (Federação Nacional das Escolas Particulares) junto à Fundação Getúlio Vargas de São Paulo em 2005 indicava que a rede absorvia na época 15% do total em 35.200 estabelecimentos de ensino, proporção quase que integralmente restituída nos dados de 2010. As notícias, entretanto, não são tão tranquilas para os mantenedores, pois, conforme as mudanças do perfil demográfico dos brasileiros, a população de 0 a 14 anos no País vem caindo nominal e proporcionalmente. Se em 1990 totalizava 51,7 milhões de pessoas (35,3% do total), em 2010 ficou em 49,4 milhões (26,6%) e, em 2020, deve cair a 41,5 milhões (20,1%), segundo números e estimativas publicadas pela Revista Exame em dezembro passado, com base em dados do IBGE e da Fundação Bradesco. “Isso projeta uma clara redução do tamanho do mercado para as escolas privadas”, aponta o consultor em comunicação, marketing e gestão educacional, Christian Rocha Coelho. Detentor da marca Rabbit Partnership, consultoria de serviços integrados de comunicação e marketing, gestão de processos e coaching para a rede particular, com 14 anos de atuação, 80 funcionários e 820 clientes no Brasil, Christian observa, por outro lado, que recebe consultas mensais crescentes de pessoas interessadas em entrar no negócio da educação básica. “Há mais oferta que demanda, já recebi donos de postos de gaso-

lina querendo abrir uma escola”, comenta, lembrando que este empresário havia simplesmente multiplicado os valores das mensalidades a uma estimativa fictícia de alunos. Mas não levara em conta os custos fixos e variáveis, que chegam a absorver 85% do faturamento de seus clientes, observa Christian. “O custo de manutenção de uma escola é inacreditável, precisa fazer uma pintura todo ano, senão perde aluno, como já vi acontecer”, relata.

HÁ LUGAR PARA TODOS? Segundo o consultor, na atual conjuntura, “não há lugar para todos - somente para as escolas boas, que saibam comunicar isso”. E que possam, assim, pegar carona no crescimento da renda dos brasileiros e atrair o aluno da escola pública. É um mercado cada vez mais apertado, geograficamente falando, destaca Christian. “Cerca de 80% dos alunos vivem hoje na área de abrangência primária da escola. Atuo com escola com área de abrangência de 500 metros”, diz. É preciso então mudar a estratégia, em “vez de jogar a rede, pescar com vara, dirigindo-se cada vez mais aos alunos, ex-alunos, professores e prospects do mercado regional”. A propaganda massiva continua importante, mas somente como recall, lembrança da marca. Outra dificuldade enfrentada pelas boas escolas diz respeito à prática predatória de mercado, com instituições que chegam a franquear os seis primeiros meses de mensalidade de novos alunos ou que oferecem a Educação Infantil gratuita para os familiares que garantirem a continuidade dos filhos no Fundamental. O consultor critica a política de descontos, lembrando que qualidade e competitividade demandam investimentos, os quais deveriam absorver pelo menos 5% do faturamento global. Segundo ele, os gestores que conseguem se posicionar positivamente no mercado, “não enfrentam crise nem perdem alunos”.

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TENDÊNCIAS: EM TEMPOS DE MUDANÇAS, QUAL DIREÇÃO SEGUIR?

ESTRATÉGIAS “Tem público para toda escola boa que saiba mostrar isso, mas não somente para a clientela e sim os próprios professores”, diz. O consultor costuma falar em “processo andragógico”, no qual o conjunto da instituição consegue fazer com que os familiares compartilhem e compactuem com o seu projeto pedagógico, o que demanda a colaboração da equipe docente. “O pai cobra desempenho em Português e Matemática, mas ele precisa entender, por exemplo, que quando as escolas trabalham projetos a partir de temas geradores, a criança aprende com mais facilidade e prazer.” Conforme Christian tem observado, o pai ainda valoriza “o produto educação e não está mais tão preocupado com o extracurricular”. “Portanto, ele precisa entender como funciona o processo de ensino-aprendizagem, a escola precisa ensiná-lo a compactuar com a sua proposta pedagógica”. Por outro lado, as exigências dos pais crescem conforme percebem a melhora do nível da educação oferecida pela mantenedora e os concorrentes. “A diversidade entre as escolas é grande, elas estão se movimentando com muita velocidade, existem de duas a três escolas por bairro em São Paulo, todo mundo copia todo mundo, então é preciso reinventar as estratégias, melhorando a qualidade da prestação de serviços e comunicando isso.” Nesse contexto, cabe aos gestores atuarem paralelamente em diferentes frentes: na capacitação da equipe, nas estratégias de negócios e na comunicação. A desatenção em uma delas pode trazer reflexos negativos sobre as demais. Christian cita o exemplo da pesquisa de satisfação feita pela Rabbit junto aos pais e alunos atendidos pelos seus clientes, que registrou a queda de 4% na imagem do professor em sala de aula no ano passado – relacionada ao seu desempenho em didática, capacitação, relação interpessoal e postura. Uma das causas pode estar justamente na “falta de gerenciamento”, pois a prática da gestão requer um monitoramento contínuo dos seus processos, em uma periodicidade de curta duração, afirma o consultor. Segundo ele, a escola precisa garantir que o coordenador assista às aulas de seus professores, para que não criem vícios que comprometam a qualidade. Na pesquisa anual com os seus clientes, Christian identificou que 60% dos coordenadores não acompanham essas aulas e, entre os que o fazem, 5% as assistem apenas semestralmente. “A mudança de comportamento dos adultos requer acompanhamento muito próximo e contínuo”, acredita. “Trabalhar em escola exige levar em conta as características pessoais, já que é uma instituição humanista. Cada escola é diferente da outra e demanda a adaptação dos processos às pessoas, o que é muito difícil”, finaliza o consultor.

SERVIÇO 1º DIRECIONAL EDUCAÇÃO Data: 13 de abril de 2011 Local: Colégio Maria Imaculada - Rua Bernardino de Campos, 79 (próximo ao Metrô Paraíso) Horário: das 8:00h às 13:40h Público-alvo: Mantenedores e educadores Realização e organização: Grupo Direcional (Revistas Direcional Educador e Direcional Escolas) Apoio: Rabbit Partnership PROGRAMAÇÃO 8:00h às 9:00h – Recepção, credenciamento e café 9:00h às 10:00h - Conferência 1: Mário Sérgio Cortella – “A Educação e a Emergência de Múltiplos Paradigmas: Novos Tempos, Novas Atitudes” 10:00h às 10:30h – Abertura para perguntas do público ao conferencista 10:30h às 11:15h - Coffee-break 11:15h às 12:15h - Conferência 2 – Christian Rocha Coelho – “Escola Sustentável: Como Crescer na Educação? - Estratégias de gestão e organização; - Estabelecendo diferenciais em relação às metas de ensino-aprendizagem; - As parcerias estratégicas (coordenadores, professores, alunos, pais, comunidades e empresas locais); - Como se posicionar junto ao público interno; - Como se posicionar junto ao mercado regional; - Planejamento e ações de marketing pedagógico.

SAIBA MAIS 1º DIRECIONAL EDUCAÇÃO: Informações e inscrições: 11 – 5573-8110; faleconosco@grupodirecional.com.br

GESTÃO ESCOLAR SUSTENTÁVEL Christian Rocha Coelho www.rabbitmkt.com.br christian@rabbitmkt.com.br

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No entanto, a tarefa não é tão simples, pois mesmo entre os seus clientes, 15% tiveram perdas de estudantes no ano passado. De qualquer forma, “82% cresceram de 2009 para 2010 e 50% operaram com uma lucratividade entre 6% a 20%”, aponta. O recado que o consultor quer deixar aos mantenedores é que não são as escolas mais baratas que crescem, mas aquelas que mostram o melhor custo benefício, por meio de estratégias de negócios e marketing pedagógico que Christian irá abordar no 1º Direcional Educação.

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O estímulo à leitura como um acontecimento cultural

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e um a três dias no ano letivo, os pátios e corredores das escolas costumam ser tomados por estantes recheadas de títulos, cores e texturas bastante variadas, dando vida a livros infanto-juvenis paradidáticos, literários, mas também a best-sellers e obras de referências voltadas a um público mais maduro. Em meio ao vaivém das pessoas, autores se dispõem a autografar suas produções e a falar um pouco sobre inspiração, escrita e criatividade. Em outros momentos, contadores de histórias entretêm a meninada, professores, bibliotecários e coordenadores expõem os trabalhos de seus alunos, enquanto estes apresentam números musicais aos pais e avós. O cenário é típico de uma feira do livro bem-sucedida, um dos momentos mais aguardados do calendário escolar. Segundo o diretor da Livraria Cortez, Francisco Ednilson Xavier Gomes, dirigente que assumirá, agora em março, a presidência da Associação Nacional de Livrarias, a feira do livro começou a chamar a atenção das instituições de dez anos para cá. No momento, a Cortez mantém parcerias com 20 escolas privadas da Capital paulista, disponibilizando o mobiliário, a comercialização, a equipe de vendedores, o transporte dos títulos sugeridos pela área pedagógica das mantenedoras e, em alguns casos, a programação de eventos paralelos. E, assim como prática comum nessas parcerias, 10% dos valores comercializados acabam sendo revertidos em livros para a biblioteca escolar. Há um sem número de livrarias e distribuidores que incluíram a feira do livro em seu portfólio de serviços, mas Francisco Ednilson defende que ela esteja sempre baseada em um “conceito cultural”, em um propósito de formação de público leitor. Também o diretor do Instituto Brasil Leitor, William Nacked,

Imagem: Grupo Direcional

DICA: FEIRA DO LIVRO: EDITORAS E ORGANIZADORAS

aponta que a feira do livro deve estar inserida dentro da proposta pedagógica das instituições. “Ela não dará certo se não tiver o apadrinhamento do professor dentro da sala de aula e se não atrair a participação das famílias”, acredita. Além disso, “tem que ser esteticamente bonita, com recursos multimídia, interatividade e eventos que estimulem o desejo de participação”. William atua com projetos de bibliotecas para hospitais, escolas públicas e privadas, e para o sistema metroferroviário e dos terminais de ônibus de grandes cidades brasileiras, entre outros. Tem, como uma de suas principais parceiras e também dirigente do Instituto, a escritora Ruth Rocha. Com a expertise de quem realiza mais de cem feiras do livro anualmente, a empresária Denize Carvalho diz que além da organização de atividades como a hora do conto ou oficinas de massinhas, oferece uma “orientação paralela” às escolas, “conforme as situações vividas pelos professores e alunos dentro do projeto pedagógico”. Isso pode envolver, por exemplo, desde uma perda vivida pelo grupo (selecionando-se títulos adequados ao momento) até acontecimentos de grande impacto, como o desastre climático que atingiu o Rio de Janeiro no mês passado. “Já estamos pesquisando obras sobre ecologia e meio ambiente para as feiras deste ano”, afirma Denize. Algumas escolas, entretanto, encontraram um formato diferenciado para “valorizar o livro como instrumento de veiculação cultural”. O Colégio Franciscano Nossa Senhora Aparecida (Consa), por exemplo, promoveu no final de 2010 a 3ª Feira de Troca de Livros, quando pais e estudantes doaram dois mil títulos e intercambiaram cem deles, conforme balanço apresentado pela coordenadora do Ensino Médio, Ana Carlota Niero Pecorari. (R.F.)

SAIBA MAIS – Denize Carvalho – denize@casasdelivros.com.br Francisco Ednilson Xavier Gomes – ednilson@livrariacortez.com.br Willian Nacked – faleconosco@brasilleitor.org.br Na próxima edição: Ensino de Artes: Estrutura e Recursos (Materiais, mobiliário etc.)

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ocação de espaço, decoração, flores, mestre de cerimônias, músicos e DJ’s, buffet, serviços de filmagem e fotografia, iluminação, som e até mesmo geradores compõem a estrutura mínima de um grande evento de formatura, especialmente do Ensino Médio, seguindo um script da envergadura de grandes festas de casamento ou aniversários de 15 anos das meninas. A diferença é que, em geral, o custo disso tudo é rateado entre os convidados, suavizando o impacto orçamentário e logístico das formaturas para as mantenedoras. Ainda que algumas escolas venham optando por estratégias diferenciadas de demarcar a passagem de um ciclo a outro ou a conclusão da educação básica, permanece o sonho entre muitos jovens de colar grau em clima de gala e dançar a valsa com os seus pais. No Colégio Sant’Anna, localizado no município de Vinhedo, próximo a São Paulo, a formatura de 2010 dos estudantes do Ensino Médio e dos cursos técnicos reuniu 800 participantes na noite do dia 16 de dezembro, com direito a colação de grau, jantar e baile, relata Ivan Manganeli, responsável pela área de marketing e eventos da escola. Na verdade, Ivan está assumindo neste ano a parte da formatura e já se mexe para preparar a versão de 2011. “O Colégio mantém esse formato com sucesso há 15 anos, pois já no início das aulas organiza uma comissão de cinco a dez alunos e lhes apresenta os custos dos fornecedores, para que definam o que querem, bem como a forma de pagamento”, diz Ivan. A parte da colação de grau é bancada pela mantenedora, sem custos para os estudantes. Quanto à locação do ambiente, buffet e os demais recursos necessários, o Colégio Sant’Anna é quem efetiva e paga os contratos com os fornecedores, me-

diante o depósito dos alunos. Ivan acredita que até abril próximo, já estará com tudo definido. Mas há quem prefira modelos diferenciados, alternativos e bem mais simples, como a comunidade envolvida com o Colégio Módulo, de São Paulo. Neste momento, seus gestores estão às voltas com a organização da colação de grau do 9º ano do Fundamental, 3º do Ensino Médio e também do Ensino Técnico, que concluíram seus respectivos ciclos em 2010. “Ela acontecerá provavelmente em abril”, revela a diretora administrativa Eliana Carla Rodrigues, defendendo eventos mais “ágeis e modernos”. Segundo Eliana, o Colégio patrocina todo ano, sem custo para os alunos, uma cerimônia formal aberta aos pais e familiares, com beca, mesa solene, paraninfos, professores homenageados, falas dos alunos e recepção com coquetel. O evento é contratado junto a uma prestadora de serviço, que “deve oferecer conforto e qualidade”, diz. Por outro lado, o Módulo exige que as fotos – único serviço cobrado dos pais – sejam opcionais. Internamente, porém, o Colégio promove uma festa mais solta entre os estudantes no encerramento do Fundamental e do Ensino Médio. No último mês de dezembro, as turmas do 9º ano e do 3º do Ensino Médio tiveram, em dias separados, suas respectivas “baladas” no interior da escola, com a presença de DJ’s e a liberação do uso de uniformes. “Os alunos participam das escolhas, mas é a escola quem organiza essas atividades”, afirma a diretora. Também no encerramento de cada ano letivo do Fundamental I acontece uma programação especial, além da formatura do Proerd - Programa Educacional de Resistência às Drogas, promovido em conjunto com a Polícia Militar de São Paulo. (R.F.)

SAIBA MAIS – Eliana Carla Rodrigues – atendimento@colegiomodulo.com.br Ivan Manganeli – publicacoes@santanna.g12.br Na próxima edição: Documentação: Organização

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Propostas variam conforme o perfil das escolas e dos alunos

Ilustração: Jonas Coronado

DICA: FORMATURA: ORGANIZAÇÃO E FORNECEDORES

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FIQUE DE OLHO : BRINDES E RECORDAÇÃO ESCOLAR

EMPRESAS LANÇAM ESTRATÉGIAS QUE VALORIZAM A INTERATIVIDADE O

calendário escolar está praticamente definido para este ano e novamente não há como deixar passar em branco as datas comemorativas como a Páscoa, o Dia das Mães, dos Pais, dos Professores, nem as festas do Carnaval e das Crianças ou ocasiões como as matrículas. O que as escolas devem fazer nesses momentos é valorizar as atividades e reforçar sua marca por meio da distribuição de presentes, optando por “produtos úteis, versáteis e que prestigiem a participação do aluno”, defende o empresário Alexandre Marques dos Reis, diretor da Elo Brindes. Segundo Alexandre, que atua com marketing promocional há 16 anos, sua empresa tem como grande diferencial oferecer itens que interajam com o estudante. Neste ano, lançará chinelos estampados com a arte individualizada do aluno para o Dia das Mães, estratégia que pretende “reafirmar a importância do presente único e exclusivo”, diz. Outro produto que também proporciona interatividade e já se tornou um marco da empresa é o guarda-chuva estilizado com o desenho ou a foto do aluno, revela Alexandre. Conforme destaca o diretor, a empresa acompanha todo o processo de produção, finalização e entrega do material, disponibilizando aos clientes um departamento de criação próprio. Também na Kits & Requintes o foco é a participação dos estudantes na confecção ou finalização do brinde, “estimulando sua criatividade e raciocínio”, diz a empresária Daniela Fittipaldi. “Trabalhamos com tecidos, madeira e outros produtos onde a criança solta a imaginação e faz um presente original. Para os adultos temos vários kits elegantes e originais”, acrescenta. Em 2011, os destaques ficarão por conta do tema Ecologia, que estará presente “na linha de tecidos e de plantio”, como a sacolinha para jardinagem. Com seis anos neste mercado, Daniela ressalta a preocupação da empresa em desenvolver produtos diferenciados e personalizados, com “garantia de qualidade e entrega no prazo solicitado”. Já na Mago das Imagens um dos itens que mais atraem a clientela são as camisetas e canecas estampadas com as fotos dos alunos. “A camiseta é muito solicitada no Dia das Mães e Pais e, ultimamente, as canecas estão atingindo um número bem grande de pedidos”, afirma Keller Dâmaso, um dos sócios da empresa.

Segundo ele, o hit do momento é o modelo “caneca mágica”, que após o contato com um líquido quente (café, leite, chocolate ou chá) faz sobressair uma mensagem ou a foto da criança. Com grande procura, principalmente para o Dia das Mães, as encomendas do produto serão encerradas em março, com previsão de entrega até o final de abril. Segundo o empresário, a Mago das Imagens trabalha com foto digital há mais de dez anos, entrou no segmento escolar a partir da parceria comercial com a Revista Direcional Escolas e hoje tem como público-alvo a faixa etária até o 5º ano do Ensino Fundamental. A tendência à personalização levou, por sua vez, a Queen’s Brindes & Presentes a investir em um novo equipamento de gravação a laser, afirma o diretor Eduardo Lopes. A máquina permite afixar a mensagem ou o logotipo em relevo em canetas, calculadoras, chaveiros, entre outros, “evitando que desapareçam com o tempo”. No mercado de brindes desde 1992, a Queen’s ainda observa grande procura pelas agendas, mas o diretor comenta que o importante no mercado de brindes é oferecer itens variados e úteis aos mais diferentes tipos de clientes, desde o usuário doméstico ao corporativo, sempre cumprindo com os prazos de entrega e assegurando a qualidade do material. E dentro do quesito “utilidade”, O Rei do E.V.A. conseguiu unir uma de suas expertises a uma necessidade da escola moderna: seu campeão de vendas é o tatame, voltado não apenas para a prática de esportes e artes marciais, mas também para revestimento de berçários, salas de recreação ou demais ambientes em que os estudantes tenham contato com o solo. Com 30 anos de vida e há 20 trabalhando com E.V.A., a empresa desenvolveu know-how próprio com a matéria-prima, afirma o gerente de marketing Rodrigo Monticelli de Oliveira. Assim, O Rei do E.V.A. ampliou seu portfólio com painéis didáticos e decorativos, produtos pedagógicos e de Carnaval, chapéus de cowboy para festa junina, viseiras, mouse pad, foto pad, calendários, quebra-cabeças, entre muitos outros. Rodrigo destaca que todo produto recebe tratamento personalizado, tornando-se “eficaz ferramenta de divulgação e propaganda para as escolas”.

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GESTÃO: EDUCAÇÃO INFANTIL: FORMATOS E INVESTIMENTOS

EM BUSCA DA PROFISSIONALIZAÇÃO

No momento em que o governo defende mais qualidade e a profissionalização do segmento no Brasil, os gestores privados enfrentam dificuldades com a má formação da mão de obra, a deficiência em orientação e a falta de apoio. E acabam investindo em políticas próprias de capacitação. Segundo a especialista Zilma de Moraes Ramos de Oliveira, “quem passar a entender mais de bebê vai dar o maior salto em Educação Infantil” no País. Por Rosali Figueiredo

satempo das crianças mantém-se forte na sociedade, especialmente entre os familiares e também junto aos profissionais, independente se da rede pública ou privada. “Está faltando conscientizar pais e docentes de que o foco da Educação Infantil é, na verdade, a aprendizagem, mesmo que esta ocorra pelo lado lúdico. Pois toda a base de formação da criança é construída nesta fase da vida, quando se desenvolve a personalidade e se estrutura o seu lado emocional, a sociabilidade, o convívio com as regras e a noção de cidadania”, diz.

CARÊNCIAS Assim, enquanto gestora, Fernanda precisa investir constantemente em dois públicos, além dos próprios bebês e alunos: nos profissionais e nos familiares. Entre esses, o foco é a organização de agendas que lhes permitam acompanhar os projetos desenvolvidos junto às crianças, “para que compreendam nosso trabalho, que percebam que estamos articulando, a partir de alguns temas geradores, conhecimentos em Matemática e Linguagens, entre outros”. Quanto aos educadores, são desenvolvidas duas linhas de ação. “Do ponto de vista externo, custeamos integralmente cursos de formação e metade da pós-graduação. Internamente, promovemos reuniões pedagógicas e grupos de estudos”, relata Fernanda. No ano passado, por exemplo, o objeto de discussão foi como abordar a Matemática junto às crianças pequenas, o que levou a equipe a fazer levantamento de material de apoio, analisar textos e a contratar uma consultoria externa especializada em jogos. “Temos que fazer essa reciclagem o tempo todo”, comenta a gestora.

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ogo depois da posse da presidente Dilma Rousseff, no dia 1º deste ano, o ministro da Educação, Fernando Haddad, que permaneceu à frente do cargo, destacou em entrevistas à imprensa o compromisso de trabalhar para alterar o perfil da Educação Infantil no Brasil. “É preciso mudar o ambiente da creche, da pré-escola, fortalecer essas unidades como estabelecimentos de ensino”, declarou Haddad ao jornal O Globo, em um recado não apenas à rede pública, mas ao conjunto das instituições. A declaração sinaliza uma mudança de conceito, em que o assistencialismo deve sair de cena e dar lugar à profissionalização e ao investimento em qualidade, explica Zilma de Moraes Ramos de Oliveira, uma das principais especialistas da área no Brasil. Segundo Zilma, “ainda há muitos leigos na Educação Infantil, não basta ter o perfil maternal, é preciso formação de educador”. Professora aposentada Livre Docente da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, coordenadora da pós-graduação em Gestão Pedagógica e Formação em Educação Infantil do Instituto Superior de Educação Vera Cruz e consultora do MEC, Zilma destaca a necessidade de entender e trabalhar o segmento enquanto “espaço de educação e aprendizagem, principalmente na rede pública”. “Hoje não se separa o cuidar do educar”, ressalta a especialista. O que deixa dois grandes desafios aos gestores, conforme indica Zilma: proporcionar a formação continuada da equipe e estabelecer uma boa relação com a família. Para a gestora e educadora Fernanda Teixeira, que há cinco anos adquiriu a Escola de Educação Infantil Capítulo 1, localizada na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo, a imagem das escolas enquanto locais de brincadeiras e pas-

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GESTÃO: EDUCAÇÃO INFANTIL: FORMATOS E INVESTIMENTOS De acordo com a consultora Zilma de Moraes, uma das principais carências em formação profissional no Brasil recai sobre educadores que trabalhem com a faixa etária de zero aos dois anos de idade. “Há uma defasagem geral de conhecimento sobre a aprendizagem nesta idade, precisamos conhecer e debater como acontecem as interações entre os bebês e qual o papel do faz de conta e do brincar sobre esta aprendizagem.” Zilma acrescenta que existe “pouca informação sobre os processos de apreensão de estímulos”’. “Sabemos que a criança é ativa e interativa e age desde cedo, que o bebê constrói significado desde pequeno. Ele não constrói conceito, mas precisamos aprender o que o bebê está entendendo da situação que está vivenciando e o que está significando em torno disso”, explica Zilma. “A carinha do bebê indica o quê? O educador muitas vezes desconhece isso e trata o bebê como mamífero. Quem passar a entender mais de bebê vai dar o maior salto em Educação Infantil”, prevê a especialista. De outro lado, Zilma de Moraes aponta que a falta de profissionais “formados e ‘bem formados’ é problema geral na rede pública e privada”. “Ambas precisam de professor

especializado de 0 a 3 anos, de 3 anos a 5, etc.”, diz. Ela defende a formação interdisciplinar, de um profissional que saiba trabalhar com o desenho, o faz de conta e que possa, na pré-alfabetização, por exemplo, na idade entre 4 e 5 anos, “fazer a aproximação da criança com a língua sem ficar preocupado com o domínio do código escrito”. “Ele deve despertar a sua curiosidade, tirar o medo e estimulá-la a escrever de seu próprio jeito, pois aos 6 e 7 anos o aluno percebe como o adulto escreve e passa a querer fazer igual.” Entretanto, sem apoio técnico e logístico nem subsídios da estrutura pública – estados e municípios mantêm programas de capacitação, entre outros recursos voltados aos docentes de suas redes -, o gestor privado acaba tendo que investir nesta formação. No caso de Fernanda Teixeira, a escola chegou mesmo a promover o preparo de seus educadores para lidarem com três casos de inclusão em sala de aula (dois alunos com diagnóstico de autismo e outro com uma síndrome neurológica degenerativa), além de contratar os serviços de uma terapeuta ocupacional e de uma fisioterapeuta. “A professora tem que estar preparada para fazer uma intervenção individualizada em cada caso, mas

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FUNDAMENTAL DE 9 ANOS PROVOCOU GRANDES MUDANÇAS Novas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil no Brasil foram baixadas pelo Conselho Nacional da Educação em dezembro de 2009, processo que contou com a consultoria de Zilma de Moraes. Também o município de São Paulo estabeleceu, um pouco antes, em 2007, um novo Programa de Orientações Curriculares e Proposição de Expectativas de Aprendizagens para a área. Segundo Zilma, ambos os documentos apresentam parâmetros convergentes e, de maneira geral, operacionalizam mais as aprendizagens propostas às crianças. Mas a grande novidade trazida pelo documento federal foi a idade de ingresso obrigatório na pré-escola (4 ou 5 anos) e no 1º ano (6 anos), com a fixação da data de 31 de março para a complementação do mínimo exigido. Na prática, isso consolidou o Ensino Fundamental de nove anos e provocou grandes mudanças nas instituições de Educação Infantil, obrigando muitas delas a investirem neste ciclo, como aconteceu com a Escola Capítulo 1. “As escolas de Educação Infantil perderam as salas dos alunos de seis anos e aí veio a decisão de abrir o Fundamental”, diz Fernanda Teixeira. No seu caso, a mudança de sede foi obrigatória, pois ela precisou disponibilizar, desde já, espaços para o ciclo completo. Fernanda critica a forma como o governo conduziu o processo. “Faltou orientação para as escolas e os professores, que precisam ter uma base para trabalhar essa transição com uma criança de seis anos.” A gestora anota que as mantenedoras estão “bem preparadas em termos de infraestrutura, mas que falta apoio governamental à Educação Infantil privada”. “Somos muito sozinhos, tudo o que sai é voltado para a escola pública, falta um direcionamento”, afirma. Para Zilma de Moraes, o gestor privado deve correr atrás desses subsídios, consultando textos disponíveis nos sites, formando espaços de debates, como, por exemplo, grupos de estudos, e participando de cursos de especialização, “para que possamos aprender juntos, pois ainda não sabemos muita coisa sobre a aprendizagem nos anos iniciais de vida”. Por outro lado, as diretrizes ou os parâmetros consolidados na esfera pública têm como propósito estabelecer grandes linhas de trabalho, cabendo às escolas “planejarem esse aprendizado, já que a legislação dá autonomia a elas”. “As diretrizes orientam para que as escolas construam seu guia de trabalho, uma programação própria com os seus professores.” De qualquer maneira, o MEC deverá publicar, em breve, um guia de orientações para o segmento, resultado de uma discussão pública aberta nos meses finais de 2010 pelo Ministério, a partir de onze textos produzidos por especialistas e publicados em sua página na internet. Zilma de Moraes, que contribuiu com um texto, revela que todo o material está sendo revisado pelos autores, considerando as dúvidas e/ou sugestões enviadas pelos internautas. Também em breve os ministérios da Saúde e Educação deverão reeditar, de forma conjunta, uma revisão da Portaria 321/1988, contendo novas regras sobre instalações e infraestrutura para as creches e pré-escolas. (R.F.)

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GESTÃO: EDUCAÇÃO INFANTIL: FORMATOS E INVESTIMENTOS sem tirar este aluno do grupo nem diferenciar as atividades”, explica Fernanda. Já o Colégio Criativo, uma das principais instituições de ensino privado de Marília, Interior de São Paulo, resolveu estabelecer uma parceria com uma universidade local, para que os graduandos de Pedagogia possam fazer estágios em sala de aula, junto aos professores da Educação Infantil e anos iniciais do Fundamental. “Temos que qualificar, profissionalizar, pois eles saem muito crus do ensino superior. Esses alunos ficam até três anos conosco, como estagiários e, quando estão prontos, são contratados como auxiliares de sala e, depois de mais dois anos, como professores”, afirma o diretor administrativo Érico Assuino, que exerce a função há 30 anos.

COMO FECHAR A CONTA O interessante é que, no caso do Criativo, a solução não implica em custos maiores, já que os estagiários não entram na folha de pagamentos convencional. “Acaba sendo benéfico para a escola e, para o futuro professor, uma ótima oportunidade”, diz. Érico Assuino reconhece, entretanto, que

os professores, em comparação a outras categorias profissionais, são mal remunerados e isso desestimula a formação de bons quadros. Por outro lado, se houver mudança do padrão salarial, a escola terá dificuldades em repassar os custos, “pois aí ficarei fora do mercado”. “A escola privada é mal assessorada pelo governo e muito tributada. Cumpre com uma função do Estado e ainda paga por isso.” Segundo ele, a Educação Infantil representa um custo muito elevado para as mantenedoras, inferior apenas ao do Ensino Médio. Somente um controle minucioso dos gastos permite aos gestores da Escola Capítulo 1 fecharem (e bem) as contas ao final do mês. Fernanda Teixeira, graduada em Pedagogia e Psicologia, especializada em alfabetização, adquiriu a escola há cinco anos com apenas oito alunos. Hoje, com 100 crianças que frequentam desde o berçário ao 1º ano, Fernanda abriu o Ensino Fundamental 1 e mudou de casa. Reformou um espaço de 1.700 metros quadrados próximo à antiga sede, com recursos gerados pela própria escola. Além dos gastos controlados na ponta do lápis, conta com o apoio de uma diretora administrativa experiente, sua mãe, Vera Lúcia Bello, que chegou a ter três escolas na zona Sul, nos anos 90.

A “ESCOLA LEGAL” As escolas que oferecem Educação Infantil (desde o berçário) no município de São Paulo devem cumprir com exigências amplas e rigorosas da Diretoria Regional de Educação, com base na Deliberação 04/09 e na Indicação 13/09 do Conselho Municipal da Educação, aprovadas pela Portaria 4.737/09. As demais instituições, de Ensino Fundamental e/ou Médio, mesmo que ofereçam a Educação Infantil, devem ter autorização da Secretaria Estadual de Educação. Desde 2006, o Sieeesp mantém uma prática de certificação das mantenedoras que cumprem com as exigências legais, como forma de oferecer aos pais e familiares um garantia de que as condições mínimas de funcionamento estejam sendo cumpridas. Conforme o mais recente balanço publicado pelo Sindicato, das 936 instituições cadastradas, 695 receberam o selo “Escola Legal”, ou seja, estão agindo de acordo com as normas. Mais informações sobre o processo podem ser obtidas junto ao Departamento Pedagógico do Sieeesp, com Marlene Schneider (marlene@sieeesp.com.br).

ÉRICO ASSUÍNO COLÉGIO CRIATIVO www.criativo.com.br eassuino@criativo.com.br FERNANDA TEIXEIRA ESCOLA CAPÍTULO 1 www.escolacapitulo1.com.br capitulo.1@bol.com.br NORMAS DA PREFEITURA DE SÃO PAULO PARA FUNCIONAMENTO E SUPERVISÃO DAS UNIDADES EDUCACIONAIS DE EDUCAÇÃO INFANTIL DA INICIATIVA PRIVADA

CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO/Protocolo CME nº 32/98 (reautuado) Indicação aprovada pela Portaria SME nº 4.737/09, publicada no DOC de 20/10/09 www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/educacao/ cme/deliberacoes__indic/index.php?p=441 RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 5, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2009 FIXA AS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&vi ew=article&id=12992&Itemid=866] ZILMA DE MORAES RAMOS DE OLIVEIRA ise@veracruz.edu.br

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ASSESSORIA CONTテ。IL, BRINQUEDOS EDUCATIVOS

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AUDITĂ“RIO, BRINDES

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Direcional Escolas, Fevereiro 11

PLAYGROUNDS, RADIOCOMUNICAÇÃO, SISTEMAS DE SEGURANÇA, TERCEIRIZAÇÃO

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Direcional Escolas, Fevereiro 11

TOLDOS, VIAGENS

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Revista Direcional Escolas Edição 65 – Fevereiro/2011