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LAMPARIM INFORMATIVO PET ENFEMAGEM N. 24 ANO 11- AGOSTO DE 2019

A ACESSIBILIDADE NA UFSM


EDITORIAL A vigésima quarta edição do jornal “O Lamparim” apresenta informações referentes a acessibilidade existente na UFSM, de interesse dos profissionais e estudantes graduandos ou pós-graduandos de enfermagem.. Destacamos que você, leitor também tem espaço neste informativo. Envie dicas, sugestões ou críticas para o email: petenfermagemufsm2013@gmail.com. Contamos com sua contribuição!


CONTATOS Silvana Bastos Cogo (Tutora): silvanabastoscogo@gmail.com Laís Mara Caetano da Silva (Profa. colaboradora): laismara_silva@hotmail.com Anne Louize Menezes Xavier: annelmx12@gmail.com Bruna Caroline Ruppelt: ruppeltbruna@gmail.com Carine Rieger Donel: donel.carine@gmail.com Elisa Fortes Vilhalba: elisafortesvilhalba050298@gmail.com Hentielle Feksa Lima: hentielle@gmail.com José Victor Eiróz dos Santos: zves@outlook.com Jozéli Fernandes de Lima: jozeli-lima@hotmail.com Jully Martins Gomes Portela: jullymgportela@gmail.com Kamila Caneda da Costa: kamilacaneda@gmail.com Lívia Martins de Martins: liviamartinsm13@gmail.com Luiza Camila Jerke: luizajerke@gmail.com Nathalia Kaspary Boff: natty_kboff@hotmail.com Victória de Quadros Severo Maciel: victoriatrabalhos@outlook.com


EXPEDIENTE Informativo “O Lamparim” - Agosto de 2019; UFSM – Centro de Ciências da Saúde (CCS); Reportagem e Redação – PET Enfermagem; Organização: Jully Martins Gomes Portela e Luiza Camila Jerke Diagramação e projeto gráfico: Jully Martins Gomes Portela e Luiza Camila Jerke Revisão: Profª Drª Tutora Silvana B. Cogo e Profª Drª Colaboradora Laís Mara C. da Silva Reuniões: Segundas e quartas a partir das 17h30min, sala 1438 - CCS.


ÍNDICE 05 - A ACESSIBILIDADE EM EVENTOS E A IDEIA TEMÁTICA DO LAMPARIM 07- A EDUCAÇÃO ESPECIAL E A ACESSIBILIDADE NA UFSM 11 - TOP 7 APLICATIVOS ACESSÍVEIS QUE VOCÊ TEM QUE CONHECER! 13- ENTREVISTA COM DISCENTES E DOCENTES ACERCA DO TEMA ACESSIBILIDADE NA UFSM 34- CONHECENDO O NÚCLEO DE ACESSIBILIDADE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA 40- VOCÊ SABIA?


05

A ACESSIBILIDADE EM EVENTOS E A IDEIA TEMÁTICA DO LAMPARIM Organização: Carine Rieger Donel e Luiza Camila Jerke No Brasil há 841 grupos do Programa de Educação Tutorial (PET) e anualmente são realizados encontros, a âmbito nacional (ENAPET) e regional (SULPET), a fim de potencializar as ações e fortalecer os grupos. No mês de março, os grupos PET da UFSM, em parceria com grupos da Universidade Federal de Rio Grande (FURG) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), promoveram o I PETchê: Encontro Gaúcho dos grupos do Programa de Educação Tutorial.  Desde o início da construção do evento, trabalhar a identidade petiana e, dentro dela, as diversas identidades existentes de pessoas e grupos, foi o foco principal. Para os organizadores, o evento deveria representar o máximo de identidades, diversidades e gêneros, respeitando-as.

Para ir além de identidade de gênero, cor, raça e etnia, o evento buscou expressar a necessidade de ser acessível e incluir o público, sendo ele uma pessoa portadora de qualquer tipo de necessidade, seja auditiva, visual ou usuário de cadeira de rodas. Para que isso acontecesse, havia uma comissão específica para cuidar dos detalhes inclusivos. Desde a divulgação do evento em mídias (com descrição da imagem para as pessoas com deficiência visual) até a escolha do local (de fácil acesso, com rampas, elevador e banheiros adaptados), capacitação do staff e petianos para saberem como abordar uma pessoa com algum tipo de deficiência.


06 A organização preocupou-se com essas questões e assim elevou o nível de complexidade do evento, proporcionando um espaço de aprendizado sobre acessibilidade para os participantes e instigando os grupos PET e pensar sobre o tema além do evento. Diante desta ação, percebeu-se a necessidade de repensar os espaços e atividades do grupo, além de disseminar esse questionamento a outros lugares, sejam dentro ou fora da Universidade. Como responsáveis POR PENSAR E FAZER PENSAR a acessibilidade dentro da Universidade, o grupo PET Enfermagem idealizou a edição do Jornal Informativo "O Lamparim" com temáticas que permeiam a acessibilidade, com o objetivo de propiciar reflexões e suscitar questionamentos e aprendizado a comunidade acadêmica, munindo-os de informações sobre os recursos que facilitem o acesso de pessoas portadoras de deficiências e outros públicos com necessidades especiais aos ambientes públicos e privados, de uso coletivo, na sociedade.


A EDUCAÇÃO ESPECIAL E A ACESSIBILIDADE NA UFSM

07

Entrevista com a Dda. Andreia Ines Dillenburg Organização: José Victor Eiróz dos Santos e Kamila Caneda 1) Qual o objetivo do curso de Educação Especial? De acordo com o PPC do curso diurno, no qual me formei o objetivo principal é formar professores para a Educação Especial em curso de Licenciatura, Graduação Plena, para atuar na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental nas diferentes modalidades da Educação Especial. Tendo como objetivos específicos: • Proporcionar conhecimentos relacionados ao déficit cognitivo, a dificuldade de aprendizagem e a surdez a fim de subsidiar os graduandos para a atuação pedagógica e inclusão educacional das pessoas com necessidades especiais; • Estimular a ação-reflexão-ação como forma de perceber e intervir nas necessidades educacionais especiais dos alunos e valorizar a educação inclusiva;

• Favorecer ações pedagógicas nas diferentes áreas de conhecimento de modo adequado às necessidades especiais de aprendizagem; • Propiciar o domínio de métodos e técnicas pedagógicas que viabilizem a mediação de conhecimentos para os alunos nas etapas de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental; • Possibilitar estágios acadêmicos nas diferentes modalidades da educação especial nas etapas da Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental; • Proporcionar vivências em instituições de ensino desde os primeiros semestres do curso viabilizando o conhecimento da gestão escolar; Lembrando que na UFSM tem 3 formas de oferta do curso (Diurno, à distância e Noturno) e cada um tem o seu currículo e seus objetivos.


08 2) Comente um pouco da sua trajetória com os alunos com necessidades especiais no ensino A formação de um profissional da área ocorre de diferentes superior e quais eram as maneiras. Algumas instituições demandas principais desses ofertam a formação em formato de alunos. graduação como é o caso da UFSM e da Universidade Federal de São Atuei em um projeto institucional desenvolvido pelo Carlos-UFSCAR. No entanto, ela também pode ocorrer como Núcleo de Acessibilidade da formação complementar para UFSM nos anos de 2014 à 2017, o licenciados com Especialização qual era voltado para as ações com os discentes com deficiência e/ou aperfeiçoamento na área. da instituição. Em 2014 também Aqui vou falar da minha formação, considerando o curso presencial iniciei as atividades com os diurno. Nesse caso, o currículo é discentes da modalidade EaD, organizado a fim de apresentar com os quais ainda atuo.  aspectos relacionados a Nas duas oportunidades é aprendizagem e desenvolvimento realizada a mediação dos humano. A formação ocorre com processos de acessibilidade, abordagens teóricas, com desde o atendimento com os momentos de leitura observação e discentes, adequação de com a prática nos espaços materiais e espaços, orientação educacionais. O currículo abrange com docentes, tutores e disciplinas voltadas a profissionais que atuam com compreender o desenvolvimento estes estudantes. biológico, psicológico e social. A nossa atuação é  para buscar Aborda, dessa forma, as etapas de tornar os espaços e práticas maturação neurológica, educacionais acessíveis,  psicomotora e considerando a demanda emocional.Aprendemos sobre educacional existente. aspectos sociais e culturais. No campo das políticas públicas 3) Como se dá o processo de compreendemos os aspectos formação dos profissionais de jurídicos (leis e decretos, por Educação Especial para atender as demandas das pessoas que exemplo) que norteiam a prática, a acessibilidade e a inclusão de demandam de uma pessoas com deficiência. acessibilidade?


Há disciplinas que abordam metodologias e especificidades de diferentes áreas do conhecimento nos espaços de aprendizagem. Estas bases conceituais, são de suma importância para que o profissional consiga orientar decisões estratégicas atendendo às peculiaridades e especificidades das diferentes áreas do conhecimento. Depois da formação inicial cada profissional direciona a sua formação de acordo com as demandas dos espaços onde atua, isso ocorre através da . formação continuada. 4) Quais os desafios na atual conjuntura para o profissional Educador Especial em relação a acessibilidade dentro de uma Instituição de Ensino Superior? Os desafios ocorrem de várias formas, pensar a inclusão e acessibilidade passam por diferentes locais. Primeiramente o político, nesse sentido, precisamos lutar por políticas públicas que atuem na regulação, fiscalização e financiamento de ações e espaços para a inclusão de pessoas com deficiência.  

09 Também é de grande relevância o acesso as informações, como por exemplo, sobre o que é acessibilidade e inclusão e de seus desdobramentos nos espaços educacionais, laborais, e sociais. Somente assim, as pessoas com deficiência poderão estar em condições de equidade com as demais. A Educação Especial é uma área do conhecimento, nesta direção, seus limites técnicos e científicos ultrapassam o atendimento aos discentes o que denomina-se de: Atendimento Educacional Especializado-AEE. 5) Qual(is) a(s) contribuições que o curso realizou para a tua vida pessoal? Inicialmente compreendo a relevância de olharmos para as nossas práticas com a necessidade de respaldo técnico e científico. Ler, pesquisar e acessar novos estudos sobre a temática é imprescindível, pois as pessoas, as práticas e os espaços sofrem alterações e precisamos estar atentos e informados.


Ao longo da minha formação e atuação fui percebendo a relevância de olharmos para a pessoa como um sujeito, muito além de um diagnóstico. Há uma pessoa, sonhos, personalidade, objetivos de vida e não só uma falta, uma deficiência. Muitas vezes a pessoa é rotulada pela sua deficiência, ex: Down é bonzinho, Cego não gosta filme... e na prática a gente vai percebendo que as pessoas são muito mais que a deficiência. Que cada um é o resultado de muitos fatores, tais como:  o que viveu, o que ouviu, o que quer atingir, as possibilidades que teve, os livros que leu e os grupos que participa. Nesse sentido, é necessário analisar as relações de um outro lugar, cada indivíduo constrói a sua história e é necessário respeitar cada uma..

10

A formação em um curso que trabalha a diversidade e inclusão me ajudou a olhar as pessoas de uma maneira mais humana, onde o preconceito, seja por deficiência, cor, cultura, sotaque, nacionalidade, religião, orientação sexual e tantas outras características é algo inaceitável e revela confuso reformular. Enfim, tento levar informação a mais pessoas sobre a temática. Parabenizo, assim, o grupo que organiza o Jornal Informativo "O Lamparim" e as discussões do PET-Enfermagem por este espaço.


11

TOP 7 APLICATIVOS ACESSÍVEIS QUE VOCÊ TEM QUE CONHECER! Organização: Luiza Camila Jerke e Victória de Quadros Severo Maciel Hand Talk (iOS / Android) - Você que não sabe se comunicar em libras e gostaria de fazê-lo, esse app é pra você. A sua função básica é traduzir o que você fala para a Língua Brasileira de Sinais. Guia de Rodas (iOS / Android) - É um app para avaliar a acessibilidade para pessoas que usam cadeira de rodas em qualquer estabelecimento (pizzarias, lanchonetes, até mesmo espaços na UFSM) e assim informar lugares acessíveis para todas pessoas. CittaMobi Acessibilidade (iOS / Android) - Para auxiliar pessoas com deficiência visual, esse app é utilizado para procurar pontos de ônibus próximos e consultar a previsão de chegada do ônibus. É necessário ativar a função Talk Back do smartphone para um melhor desempenho. Poucas cidades do Brasil estão cadastradas. Be My Eyes (iOS / Android) - É uma comunidade onde você pode se cadastrar como voluntário ou deficiente visual. Como voluntário você pode receber chamadas de algum deficiente visual que está precisando de ajuda em qualquer lugar do mundo e assim, ajudar ele em alguma situação.


12 Brainy Mouse (Rato Inteligente ou Rato Atrevido - iOS / Android) - Trata-se de um pequeno ajudante na estimulação da linguagem e alfabetização das crianças portadoras do transtorno do espectro autista (TEA). O jogo trabalha a leitura, formação de palavras usando sílabas, interação com cores, sons e outros “dispositivos cognitivos”, que ajudam o usuário a trabalhar seu desenvolvimento de forma lúdica. Biomob (iOS / Android) - Desenvolvido para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida (idosos, gestantes, obesos e famílias com crianças de colo), o app mapeia as cidades e traz avaliações de restaurantes, bares, teatros, hotéis, praças, museus e tantos outros lugares no quesito de acessibilidade.

WhatsCine (iOS / Android) - Esse app permite que as pessoas cegas escutem a audiodescrição do filme no cinema sem interferir com o áudio de outros espectadores. Permite aos surdos ver legendas e linguagem gestual através de óculos especiais, ou em seu smartphone. O aplicativo também permite a transmissão de publicidade interativa pela sala de cinema, facilitando a promoção de futuros filmes e ofertas especiais relacionadas à sala e/ou seus patrocinadores. Agora, em recente atualização, também funciona para televisão ou elementos audiovisuais na internet.


Entrevista com Docentes ACERCA DA ACESSIBILIDADE NA UFSM


No transcorrer das entrevistas, os discentes e docentes, compartilharam da informação, que diversos avanços em relação à acessibilidade estão ocorrendo na UFSM, considerando que os processos de implementação e adaptação são recentes em nossa sociedade. Nesse sentido, há que se destacar que as políticas de acessibilidade devem ser apresentadas, discutidas e amplamente implementadas, a fim de reafirmar a Universidade como um espaço acessível e inclusivo!


15 Entrevista com a Profa. Dra. Maria Denise Schimith , do curso de graduação e pós-graduação em enfermagem do CCS/UFSM. Organização: Bruna C. Ruppelt, Lívia M. de Martins e Hentielle F. Lima

1) Que tipo de ação acontece,

Com isso, posso afirmar que a

no sentido de tornar eficaz a

UFSM

inclusão do aluno (portador de

para estudantes surdos. Tenho

necessidade

muito

especial)

na

graduação?

oferece

intérpretes

orgulho

estudantes

disso.

com

Ter

necessidade

especial para ouvir em sala de “Minha

experiência

alunos

com

especiais

com

necessidades

é

recente.

No

aula

dinâmica que

uma

dos

do

primeiro

da

provoco

somente

dois

com

aula.

Uma

professoras

deficiência

auditiva.

menina

coclear,

por

utiliza

um

captação

possuía isso,

de

implante

para

aparelho som

(FM)

ouvir, de que

aula.

a

a

Por

participação

estudantes,

semestre do curso, recebemos estudantes

totalmente

exemplo, sou uma professora

primeiro semestre de 2019, em disciplina

modifica

eu

Além

não

quem de

fala

sermos

em

sou

aula,

em duas por

vezes. Então, no decorrer da aula,

em

discussão,

momentos o

aparelho

esquecido,

ou

FM

por

nós

professoras,

O

início

da turma que está falando, ou

era

ainda, a estudante não exige

do

estudante,

no

semestre

acompanhado

de

um

que

isso

pela

é

fica com quem está falando. outro

ou

de

aconteça.

pessoa

O

outro

intérprete de Língua Brasileira

estudante,

de Sinais (LIBRAS). Na metade

implante,

do

intérprete, mas nunca trouxe o

semestre,

ele

realizou o implante.

também

depois foi

dispensado

FM para sala de aula.

do o


16 A

alternativa

posicioná-lo

é

na

sempre

frente,

para

Em

cada

andar

banheiros

do

CCS

assim.

Inclusive

facilitar a leitura labial. Com

tenho

isso

contar. No 3o andar, em frente

quero

tornar

dizer

eficaz

necessárias ações

a

pontuais, a

acadêmica

para

necessidades

história

para

são

a

que

enfermagem, há dois banheiros

precisamos

adaptados. Quando eles foram

mais

das

para

inclusão,

sensibilizar direitos

que

um

do

sala

da

coordenação

comunidade

implantados,

respeitar

chaves,

os

eles

para

de

tinham

quando

usados,

pessoas

com

que ficavam na coordenação e

especiais,

bem

departamento

de

como, “empoderar” as pessoas

enfermagem.

com deficiência para lutarem

usar,

pelos seus direitos.”

para NÃO deixá-los chaveados

mas

Todos

a

poderiam

orientação

era

(o que muitos não cumpriam). 2) Quais as potencialidades e

Até

fragilidades

estudante

encontradas

Universidade

em

na

relação

a

acessibilidade?

o

CCS

recebeu

de

cadeirante.

Na

um

medicina

primeira

vez

que ele tentou usar o banheiro e

“Em

que

relação

às

não

estava

destrancado,

exigiu seus direitos. A direção

potencialidades, acredito que

do

a

colocou trancas internas. Mais

UFSM

é

uma

das

CCS

retirou

as

chaves

e

universidades que mais possui

uma

ações

propositivas

não basta ter ações e políticas

inclusão

de

estudantes

para com

vez,

públicas,

pode-se se

cada

dizer

que

cidadão,

necessidades especiais. Tenho

cidadã, não respeitar o direito

conhecimento sobre as ações

do

com

pessoa

surdos,

importante

mas

são

outra

os

ação

banheiros

adaptados para cadeirantes.

outro

especiais

e

também

com saiba

que

a

necessidade de

direitos e lute por eles.

seus


17 Quanto às fragilidades, penso que a ainda precisamos falar mais

sobre

isso,

principalmente

com

professores.

Por

exemplo, eu só fui mobilizada para fazer um curso de LIBRAS quando tive estudantes em sala de aula.Ainda temos muito preconceito circulando nos corredores da UFSM.” 3)

A

sua

suficiente

formação para

ofereceu

lecionar

à

aporte

alunos

teórico/prático

com

necessidades

especiais? “Não, eu nunca recebi nenhuma capacitação para lecionar para estudantes com necessidades especiais. No entanto, quando

estava

curricular,

na

defendi

coordenação e

criei

estudantes cursarem LIBRAS.”

a

do

curso,

oportunidade

na de

reforma nossos


18

Entrevistada:

Profa. Dra. Laís Mara Caetano da Silva ,

Bacharel

e Licenciada em Enfermagem (2010), Doutora em Ciências (2016) e Pós-Doutora em Saúde Pública (2018) pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Docente do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) desde dezembro de 2016 e Coordenadora do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria desde julho de 2017.

Organização: Bruna C. Ruppelt, Lívia M. de Martins e Hentielle F. Lima

1) Que tipo de ação acontece, no sentido de tornar eficaz a inclusão do aluno (portador de necessidade especial) na graduação? “Como

é

especiais exemplo,

de

conhecimento

podem pelo

se

déficit

dar

de

de

visual,

todos,

as

diferentes a

cegueira,

necessidades maneiras, a

por

deficiência

auditiva, a surdez, o autismo, o déficit de aprendizagem e as limitações físicas, que podem resultar em dificuldade de mobilidade. Desta forma, inicialmente os estudantes que ingressam na universidade são reconhecidos a partir de suas diferentes necessidades, e a Coordenação do Curso de Enfermagem recebe um memorando da Coordenadoria de Ações Educacionais (CAED) que apresenta o nome do estudante e a questão por ele apresentada.


19 A

partir

do

deste buscamos

recebimento

com as turmas, em especial

memorando,

as iniciais, no que tange às

entrar

em

situações

nas

contato com os estudantes,

apoio

com o intuito de identificar

necessário.

quais

conjunto

suportes

são

específicos

necessários

para

do

quais

grupo

se

faz

Ainda,

com

estudante

a

acompanhamento

universidade.

pedagógico,

o

receber

por

meio

do

oportunidade, ao conversar

qual

com

para melhor organização da

atenção

vida acadêmica, bem como

os

casos

estudantes,

que

uma

recebe

em

CAED,

pode

auxiliar em seu ingresso na Nessa

um

orientações

especial não é necessária,

acompanhamento

tendo

psicológico,

em

vista

que

determinadas

estudantes, em

e

segundo vivência

não

limitações

atividades

a

dos

consistem para

desenvolvimento

de

o

suas

cotidianas,

Universidade do

acompanhamento

pedagógico,

à

Coordenação

das atividades acadêmicas.

sobre

Entretanto,

para

mais

são

encaminhados memorandos

casos

pode

representar. Ainda, por meio

inclusive para a realização há

de que

possíveis

Curso versam

estratégias

melhorar

complexos para os quais os

acompanhamento

estudantes

disciplinas

um

a

mudança que o ingresso na

necessidades, percepção

dada

o das

necessitam

de

acompanhamento

e

curso, incluindo a utilização

A

de

suporte

mais

próximo.

vídeos

ministradas com

no

legendas

inclusão do estudante se dá

para

de

deficiência auditiva, o envio

diferentes

podendo

incluir

formas, conversas

da Coordenação de Curso

de

estudantes materiais

antes da aula

com

impressos


20 para a realização de leitura

o inicial e de identificação,

anterior

em

à

atividade

presencial,

o

encaminhamento intérpretes

de

de

Língua

especial

a

partir

do

momento que professores e coordenadores recebem

o

de

curso

estudante

com

Brasileira de Sinais (LIBRAS),

um “Bom dia” em Libras, por

bem

exemplo,

como

o

acompanhamento permanente

da

o

representar situação

de

que

um

cenário

Coordenação de Curso, por

vivenciado

meio

etapas da vida.”

de

do

estabelecimento

vínculo,

dentre

em

diferente em

um do

outras

outras

estratégias.

2) Quais as potencialidades e

No

movimento

acolhimento

dos estudantes por parte da

pode

presente

ano,

recebemos dois estudantes

fragilidades

encontradas

na Universidade em relação a acessibilidade?

com deficiência auditiva e, além

das

estratégias

apresentadas eu

e

professoras

Departamento Enfermagem,

ingresso

com

anteriormente, colegas,

O

duas

algum

do

repercutir

de

de

maneiras

para

participamos

recebe.

Este

representa,

organizado pela equipe do

grande

Núcleo

corpo

tipo

de

em

desafio

quem

os

ingresso suma, para

um o os

da CAED. Tal participação

Técnico-Administrativos

em

se

Educação

especialmente

acreditar

que

por

conhecer

docente,

diferentes

para

deu

Acessibilidade

estudantes

necessidade especial pode

do Curso Básico de Libras, de

de

e

para

os

gestores

da

instituição.

Libras pode auxiliar em um

Como

potencialidades,

processo de comunicação

acredito que a presença


21 da

CAED

e

do

Núcleo

Acessibilidade, possuem

que

uma

interdisciplinar, grande

de

equipe seja

um

trunfo

para

que

permitam

comunidade mínimas

sobre

acolham

as

adequado dos estudantes e

com

permitir

específica,

acessibilidade

sejam

disseminadas

de

o

tema

pessoas

alguma

necessidade

ajudando-a

mais

passar

pelas

neste

etapas

do

curso

finalizá-lo,

principal

assim

informação

de

frente

algumas

a

o

a

diferentes

fragilidades, acredito que a falta

que

Universidade

consequentemente,

a

e

na

ambiente. Entretanto, como seja

a

informações

ingressam

ações

toda

acadêmica

possua

promover um ingresso mais que

que

e

a,

concretizando objetivo

de

se

formar no ensino superior.

questões

relacionadas

às

necessidades

especiais,

3) A sua formação ofereceu

visto que é nesta ausência

aporte

que se encontra base para

suficiente

o receio, para o medo de

alunos

lidar

especiais?

com

uma

nova

teórico/prático para

com

lecionar

à

necessidades

situação, que pode resultar em

uma

situação

segregação estudante, Para

por

de

“No ano de 2010, me formei

deste

como Bacharel e Licenciada

exemplo.

superar

fragilidade,

apesar

esta de

em de

Enfermagem. aulas

teóricas

sobre

diferentes

temas

que

serem realizadas, creio que

versam

deveriam ser fortalecidas e

pedagógica

mais visibilizadas ações de

estágios

educação

cenários,

voltadas

acessibilidade,

à

Participei

sobre em

a e

prática realizei

diferentes

incluindo

Escolas

de Ensino Fundamental,


22 Médio

e

Escolas

que

me

aprender prática

Técnicas,

oportunizaram muito

sobre

pedagógica,

especial

em

sobre

organização docente

e

diferentes

da a

a a

prática

adoção

estratégias

No

processo

doutoramento, disciplinas prática não

lidar

a

com

ou

o

como

estudantes

que

a

a

abordar

inclusiva. Desta forma, vejo

das

acessibilidades

Ensino

de

avançar

temática

no

diretamente

oportunidades com

docente

muito

perspectiva o

que

frente

oferecimento teórico/prático

de

aporte para

da

docência

necessidades especiais.”

formei,

na

qual

identifiquei

disciplina

me uma

chamada

“Educação Especial e Libras na

Perspectiva

da

Educação Inclusiva”, o que percebo

como

nesse sentido.

um

avanço

que

com

necessidades especiais. Há instituição

a

realização da assistência e pessoas

um tempo, ao acessar o site

se ao

apresentassem

da

à

de

não

aproximação

relacionadas

chegavam

que

de

cursei

Superior, mas estas também

ensino. Entretanto, à época, houve

de

as

apresentam


23 Entrevistada:

Fernanda Barbisan.

Biológa, mestre e doutora

em Farmacologia-UFSM. Pós-Doutoranda em Gerontologia, Orientadora nos Programas de Pós-Graduação em Farmacologia e Gerontologia. Coordenadora Executiva no Laboratório Biogenômica, pesquisadora nas áreas de Biogerontologia e neuropsicofarmacologia, com foco na prevenção de estresse oxidativo, inflamação e patologias associadas via moléculas bioativas.

Organização: Bruna C. Ruppelt, Lívia M. de Martins e Hentielle F. Lima

1)

Que

tipo

acontece,

no

de

ação

sentido

de

iniciou-se

um

maior

adaptação

de

movimento

tornar eficaz a inclusão do

CCS

aluno

de

banheiros

na

estacionamento,

(portador

necessidade

especial)

graduação?

com

vieram

rampas,

e

às

do

vagas

de

depois

adaptações

HUSM,

no

Biblioteca,

"Há de ser mencionar que a

Restaurante Universitário, e

gestão

Paulo

mais recentemente a pista

como

multiuso que foi um grande

do

Afonso

Professor

Burmann

reitor foi um grande divisor

avanço,

de

parte

águas

no

sentido

da

integrando do

boa

campus

e

inclusão na UFSM. Desde a

permitindo acessibilidade a

época em que o professor

todos.

era diretor do CCS, e com

conta

a

acessibilidade,

entrada

Andrade

no

do

Eduardo curso

de

medicina, que é cadeirante

2007,

Ainda, com que

aprimorado,

um

a

UFSM

núcleo criado

vem

de em

sendo


24 no qual ocorrem rodas de

aprenda

conversa,

limitações

debates

eventos avaliar

voltados situações

maneiras

de

e para

e

buscar

inclusão

de

mais

sobre

e

potencialidades dos alunos especiais

e,

assim

saibamos

adequadamente

estão

diversas situações."

contato

com

a

todos

como

alunos que apresentam ou em

as

agir

nas

mais

realidade das necessidades educacionais especiais."

3)

A

sua

formação

ofereceu 2)

Quais

as

potencialidades fragilidades

e

encontradas

aporte

teórico/prático

suficiente

para lecionar à alunos com necessidades especiais?

na Universidade em relação a acessibilidade?

"Minha

formação

acadêmico-teórica "A UFSM, já melhorou muito

uma

no

Creio que a formação via

quesito

inclusão,

mencionei

como

anteriormente,

entretanto

temos

muito

a

baixa

teve

vivências exemplo,

popularização

com

do

ações,

núcleo

de

acessibilidade, exemplo.

Eu

por

mesma

fiquei

o

que

se

está

mostrar mais

isso

clara

de a

que

maneira

população

por

Andrade, medicina formando

neste semestre, o qual foi científica

acredito

mais

convivência de

núcleo semanas,

a

acadêmico

aluno

algumas

foi

como

Eduardo

sabendo do trabalho deste há

diretas

importante,

melhorar principalmente na das

contribuição.

de no

Biogenômica diretamente

iniciação Laboratório trabalhando comigo.

Quando o Eduardo chegou

acadêmica seria relevante,

no

Laboratório

para que a mesma

imediatamente eu pensei


25 nas adaptações que seriam

dos

necessárias,

esta

não se verem, por exemplo,

experiência

em atividades de pesquisa

seria

e

uma

como

diferenciada.

O

nos

surpreendeu

positivamente,

Eduardo

tendo

dedicação

incrível,

contribuindo nos mais com

fortemente

projetos

pesquisa

de

e

cada

ensino,

extensão.

ainda,

maneira

uma

contribuindo

um

de

nós

inspiradora

admirável!

E

Ele

de e

mostrou

desde o primeiro momento que "só não

a

limitação

uma

física

limitação

havia

limitação

na

capacidade

era

física",

nenhuma competência,

e

dedicação.

Desde o fim do estágio do Eduardo,

nenhum

outro

aluno com limitações físicas ou

alguma

especial,

nos

passando

um

situação procurou, pouco

a

impressão que ainda ocorre a "auto-limitação"

próprios

alunos,

por

devido a limitações físicas, ou

por

falha

nossa

pesquisadores professores

como e

em

não

incentivarmos que busquem também a pesquisa."


Entrevista com Discentes ACERCA DA ACESSIBILIDADE NA UFSM


27 Entrevistada:

Giuliani, cursa

o

sétimo

licenciatura Português UFSM,

Ester Nadiesca

é

semestre

de

Letras

em e

Literatura

integrante

na

do

PET

Letras há cerca de dois anos. Ester

nasceu

com

retinose

pigmentar, uma doença ocular rara e hereditária que causa deficiência visual grave. Até os sete anos de idade ela enxergava cores, vultos e letras bastão. Ester relatou que aprendeu

a

lidar

com

essa

necessidade

e

para

lhe

auxiliar nas atividades do dia-a-dia, utiliza a bengala e a ajuda das pessoas. Ainda, ela conta que em casa, mesmo com a limitação visual, consegue realizar

normalmente

as atividades diárias sem precisar de ajuda. Organização: Bruna C. Ruppelt, Lívia M. de Martins e Hentielle F. Lima

1)

Na

sua

percepção,

universidade preparada para

a

está

estruturalmente

receber

alunos

com

necessidades especiais?

Eu, como experiente, tendo deficiência sempre

“Bom,

ocasiões.

em

Para

deficiências, universidade preparada alunos

com

especiais.

para

dependente

do

falta de auxílio em relação materiais

certas

linguagem,

certas

Algumas

a não

total,

Braile e muitas vezes senti a aos

Ester:

fui

visual

está receber

necessidades

impressora

nessa

principalmente. vezes, do

acessibilidade,

núcleo que

a de faz

impressão de materiais em Braile não funciona ou o


28 conserto isso, que

demora

diversas fazer

em

e

por

pelo

deficiente

visual.

vezes

tive

fim,

creio

que

provas

dupla.

oral

ou

Ademais,

melhorar

na

questão

acessibilidade,

para

de

devem

ser

podendo

visuais

acessíveis,

ser

documentos,

não

scanner por

de

exemplo.

O professor que vai passar o

material

solicitar

então,

o

aceitar

pois

além

alunos

com

deficiência,

deve

preparada para oferecer o acolhimento

necessário

a

estes.”

que

2)

Quais

este faça a conversão em

potencialidades

PDF

fragilidades

ou

estar

de

para

acessível

de

deve

núcleo

acessibilidade

a

universidade ainda precisa

materiais em PDF e WORD deficientes

Por

WORD,

as e

encontradas

mas eu já tive experiência

na

em que o professor enviou

relação a acessibilidade?

o

material

e

eu

universidade

fui

receber três/quatro meses

“A

grande

após,

da

UFSM

mais

ou

seja,

utilizável

visto

que

não

o

as

em

era

material, provas

e

trabalhos

haviam

passado.

Dessa

forma,

potencialidade é

aceitando

ela

estar

alunos

com

algum tipo de necessidade especial,

mas

fragilidade

a

maior

é

não

sinto falta desse apoio em

conseguir

relação a tornar acessíveis

maneira

os materiais que necessito

certeza

para guiar meu estudo. Em

com

relação

deve ter o direito de entrar

a

estrutura

vejo

que

está

evoluindo

mais, tempo rampas

pois

a

universidade cada

vez

conforme

passa e

física,

calçadas

o

novas com

piso tátil, que é utilizado

em

auxiliar correta. qualquer

alguma uma

da Com

pessoa

deficiência universidade

pública, mas também deve ter

garantido

condições

básicas para conseguir se manter

e

seguir

que escolher.

no

curso


29 Ainda,

outra

núcleo

de

potencialidade,

acessibilidade,

é

a

pois

disponibilidade

os

profissionais

do são

atenciosos e auxiliam no atendimento educacional.”

3)

Qual

a

maior

dificuldade

encontrada

durante

a

graduação? Ester: “A maior dificuldade durante a graduação é a questão

da

necessidade

dos

materiais,

mas

não

ter

esses materiais, pois muitas vezes dependi e dependo de

colegas

para

realizar

provas

e

trabalhos,

o

que

acaba implicando no meu processo de aprendizagem.”


30

Entrevistado:

Guilhermo Martinez Júnior, 30 anos,

acadêmico de Medicina UFSM. “Sou de Campinas-SP, nasci com Hemangioma Cavernoso no lado esquerdo do corpo e aos sete anos de idade tive uma amputação da perna esquerda. Desde então, a minha locomoção é através do uso de muleta. Desde a minha infância sempre fui treinado a ser independente para que eu conseguisse fazer minhas tarefas do dia a dia, tanto na escola quanto em casa. Dessa forma, não tive tanta dificuldade nesse aspecto. Porém, na escola passei por muito preconceito. Mesmo vindo de escola pública continuei estudando até que conheci a inclusão que a UFSM tinha. Vim para Santa Maria para estudar e consegui entrar na graduação que sempre desejei. Aqui, apesar da pouca infraestrutura, não tive nenhuma dificuldade com meus amigos. No hospital universitário, continuo fazendo meu tratamento com o pessoal da Cirurgia Vascular e o grupo de lesões de pele da Enfermagem (GELP). Espero que a UFSM continue melhorando a infraestrutura e dando continuidade para que mais pessoas possam ter a oportunidade de continuar sua graduação.” Organização: Bruna C. Ruppelt, Lívia M. de Martins e Hentielle F. Lima


31 1) Na sua percepção, a universidade está preparada estruturalmente

para

receber

alunos

com

necessidades especiais? Guilhermo: partes

“Na

minha

preparada

opinião,

a

estruturalmente

UFSM

para

está

em

receber

os

alunos com necessidades especiais.”

2)

Quais

as

encontradas

potencialidades

na

e

universidade

fragilidades

em

relação

a

acessibilidade? “Ainda

falta

bastante

acessibilidade

como,

por

exemplo, rampas e prédios com elevadores. As ruas com

buracos

prejudicam

quem

anda

e

precisa

se

locomover.”

3) Qual a maior dificuldade encontrada durante a graduação? “Falta

sensibilidade

de

alguns

professores

de

entenderem cada um dos alunos e suas limitações. A falta

de

preparo

necessidades específico

para

especiais

para

atender e

entender

a

falta

melhor

os de

alunos um

cada

com

estudo

uma

das

limitações e fazer com que a matéria seja adaptada para

que

o

aluno

possa

desenvolver

conhecimentos e técnicas para seu estudo.”

seus


32

Entrevistada:

Júlia Fernandes Pedersen, 19 anos,

acadêmica do primeiro semestre de Enfermagem UFSM. "Nasci em Porto Alegre-RS, tive meningite aos 10 meses, e isso causou a sequela que foi a perda de audição, uso aparelho desde dois anos e meio. Possuo dificuldades em locais de muitos barulhos e em telefonemas. Preconceito sempre foi inevitável, já estive em casos críticos, mas dentro da universidade por enquanto nunca aconteceu. Quando ingressei aqui na UFSM, foi uma emoção, pois passei pela chamada oral, e logo já fui muito bem recebida por funcionários e colegas." Organização: Bruna C. Ruppelt, Lívia M. de Martins e Hentielle F. Lima

1) Na sua percepção, a universidade está preparada estruturalmente

para

receber

alunos

com

necessidades especiais? “Não,

pois

não

em

questão

auditivos, mas também em geral.”

de

deficientes


33 2)

Quais

as

encontradas

potencialidades

na

universidade

e

fragilidades

em

relação

a

acessibilidade? “Assim

como

não

tem

rampa

na

saída

do

RU,

também diria que precisaria de mais rampas e mais piso tátil também.”

3) Qual a maior dificuldade encontrada durante a graduação? “Questão de chuva na hora da fila do Ru, pois assim que

a

fila

fica

grande,

acaba

que

não

tem

mais

cobertura, e eu por exemplo, não posso pegar chuva por conta do aparelho auditivo.”


34

CONHECENDO O NÚCLEO DE ACESSIBILIDADE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

Organização: Anne L. Menezes, Elisa F. Vilhalba e Nathalia K. Boff

Formada em Educação Especial em 2006 pela UFSM, especialista em Gestão Educacional e em Educação Especial (altas habilidades/superdotação), mestrado e doutorado em Educação. Iniciou em 2006  sua atuação profissional em escolas públicas como educadora especial, posteriormente ingressou em 2015 na UFSM, como professora do Departamento de Educação Especial do Centro de Educação e desde de julho de 2016, atua como chefe do Núcleo de Acessibilidade desta instituição.


35 O Núcleo de Acessibilidade está

vinculado

Coordenadoria

de

Ações

Educacionais coordenado

a

(CAEd),

ª

pela

ª

Prof

Dr

uma

política

proveniente

de do

incentivo, Ministério

da Educação, resultam na criação

de

núcleos

acessibilidade.

de

Referente

Silvia Maria Oliveira Pavão,

as cotas para pessoas com

que

três

alguma

de

Tatiane

destacou

Acessibilidade, o Núcleo de

ações

de

Ações

voltadas,

compreende

núcleos:

o

Núcleo

Afirmativas

Sociais,

deficiência, que

apoio

as são

especialmente,

Étnico-Raciais e Indígenas e

para estudantes de escolas

o

públicas.

Núcleo

de

Apoio

à

UFSM

Aprendizagem. O Núcleo de Acessibilidade surgiu

a

política

partir já

de

uma

existente

da

Entretanto,

está

pensando

formulação processo ingresso

de

deficiência

uma

suplementares,

(cotas)

reserva

de

para

pessoas

necessidades necessidade observada

vagas com

especiais. de

pelo

auxílio

A já

ingresso

destas, juntamente com

podendo estudantes, oriundos particulares.

de

pessoas

universidade, onde se havia

com

de

com

vagas assim

incluir por

a um

seletivo de

a

os

exemplo escolas


36 Tatiane que

destacou, o

núcleo

acessibilidade contribuir das

ainda,

para

barreiras

a que

ser

de

orientações proceder

de

em

objetiva

alunos

redução

atendimento

podem

comumente

como

casos

que

de

necessitem e

acompanhamento especial;

atendimento

encontradas pelas pessoas

educacional

com

(ofertado por profissionais

alguma

,sendo

assim,

favorecer

deficiência pretende-se

a

inclusão

e

da

especializado

Educação

Especial),

podendo

ser

acessibilidade das pessoas

encaminhados

com deficiência, a partir do

atendimento psicológico se

seu

necessário; além de sugerir

ingresso

sua aluno

e

durante

permanência da

a

como

universidade.

A

a

realização

com

os

para

de

mesmos

criação de

estratégias de

necessário

eliminação

de

avaliar/conversar

especialmente

barreiras, as

estratégias

e atitudinais.

quando

Neste sentido, o Núcleo de Acessibilidade ações como:

desenvolve

adaptação (ampliado,

quando para

desempenho

pedagógicas,arquitetônicas

reuniões

do

de

sobre

o

aluno;

adaptação necessárias;

de em

material

braille,

em

pdf acessível para leitor de


37 de tela, audiodescrição,...),

surdos,

disponibilização

acompanhamento

de

intérprete de LIBRAS. Assim,

os

estendem

todas

serviços

desde

com

o

se

aluno,

as

atendimento

por

com

especial),

geral

orientações às

de

modo

coordenações

aulas); educacional

especializado

até o grupo de professores,

em

(realizado

uma

educadora

que

objetiva

a

de

identificação

de

curso, dando maior atenção

necessidades

e

às

desenvolvimento

questões

(de

pedagógicas aprendizagem,

acompanhamento

estratégias, de acordo com

sala

o que é apresentado pelo

de aula, metodologia, modo

aluno, e o que ele precisa

de ensino), tendo em mente

desenvolver para conseguir

que esse aluno deve ter as

acompanhar

mesmas oportunidades que

curso/disciplinas;

os demais.

atendimento

A

Tatiane,

em

de

também

Terapeuta

o

com Ocupacional;

destacou sobre os serviços

formação com professores

oferecidos

e palestras; divulgação do

como

pelo por

núcleo, exemplo:

intérpretes(para todos os

grupo

ACOLHE,

para

aproximação das pessoas


38 Vinculado

ao

Núcleo

Acessibilidade, comissões,

de

duas

a

Audiodescrição Acessibilidade,

e que

a

Ainda

fala

“é

necessário conscientização

de

e

de

acessíveis

trazem

que,

inclusão

de

meios

para

que

quando alguém precisar, já

a ideia de divulgar entre a

esteja

universidade,

muito importante, pois não

sobre

informações

as

questões

de

acessibilidade

e

audiodescrição universidade, que

pois

muitas

possuem

e

respeito

nota-se

pessoas

as

completas

na

de

não

acessível”,

podemos esperar que seja necessário,

precise,

pois

pública

como

corretas

a

todos”.

direitos

e

reconhecer que diferentes

de

momento informação

tais em é

divulgar e disseminar essas

que

questões

muitos

pessoas.

e

Em sua visão acerca de

desafios,

das

em

adequações.

pessoas,

restante

“para

necessidades

importância,

podem

dita

resultam

conhecida pela maioria das estas

universidade

Precisamos

diferentes

ao

assim

informações

precisam

essa

uma

que

que

nos

seremos

pessoas

No

devemos

adequar antes que de fato

acessibilidade das pessoas

recursos.

fala

efetivação

Tatiane

vem dos

e

acredita

alcançando objetivos

apoio aos alunos e na

no


39 garantia de direitos a esse

deficiência

público,

universidade,

mas

precisa-se mais;

que

alcançar

ainda

encaminhamentos

parcerias

são

realizadas

atividades

Um é

atitudinal”,

ou

muitas

das

a

alcance

“barreira seja,

de

pessoas

que

vezes

tornando

acabam

barreiras de

acessíveis.

se

para

o

outros

meios

Assim,

são

desenvolvidos de

a

problema

identificado

atitudes

e

visando

melhoria.

rodas

sempre

cursos

conversa

e para

que, além da acessibilidade arquitetônica, também para

seja

ampliar

questões

possível o

olhar

atitudinais

das pessoas, pois cada vez mais pessoas com alguma

alunos

com

ingressam sejam

na

como

transtorno

do

espectro autista ou alunos com

deficiência

intelectual,

seja

deficiências auditivas;

com

visuais

muitas

e/ou

vezes

o

espaço e as pessoas não estão

preparadas

para

tão desejada inclusão.

a


40 VOCÊ SABIA SURDO É DIFERENTE DE DEFICIENTE AUDITIVO!

SURDO:

Usuários de outra língua, como a Língua Brasileira

de Sinais (LIBRAS). Usam a mesma como língua e fazem parte de uma cultura surda. Essas pessoas podem usar aparelhos meio

do

auditivos, uso

diferente

de

dos

mas

preferem

intérprete

deficientes

em

a

aprendizagem

LIBRAS;

auditivos

são

por

vistos

uma

por

como

questão

cultural, de que ele usa outra língua, comunicando-se de outra forma e convivendo em uma comunidade diferente.

DEFICIENTE

AUDITIVO:

significativamente

a

Pessoa

audição,

mas

que

que

não

perde faz

uso

de

outra língua, como a LIBRAS. Normalmente fazem o uso do aparelho auditivo, assim como leitura labial.

CEGO É DIFERENTE DE PESSOA COM BAIXA VISÃO!

Cego:

Pessoa que possui perda total ou residual mínima

de visão, necessitando do método Braille como meio de leitura e escrita e/ou outros métodos, recursos didáticos e

equipamentos

especiais

para

o

processo

ensino-

aprendizagem como, por exemplo, o leitor de tela em PDF.

Pessoa com baixa visão:

Pessoa que possui resíduos

visuais em que a visão não pode ser totalmente corrigida somente com o uso de óculos ou lente. Passam então a necessitar

de

recursos

didáticos

e

equipamentos

especiais como o uso de letra ampliada e lupas.


40 DADOS REFERENTES AO NÚMERO DE PESSOAS ASSISTIDAS/ACOMPANHADOS PELO NÚCLEO DE ACESSIBILIDADE/ CAED DA UFSM ATUALMENTE:

273 estudantes em situação "regular" cadastrados no Núcleo de Acessibilidade/CAEd, entre cotistas e não cotistas; 48

estudantes

realizando

atendimento

educacional

especializado semanal no Núcleo de Acessibilidade/CAEd; 8

estudantes

realizando

atendimento

com

Terapeuta

Ocupacional no Núcleo de Acessibilidade/CAEd; 5 estudantes recebendo atendimento psicopedagógico no Núcleo de Acessibilidade/CAEd; 01 servidor acompanhado;

Dentre os 273 estudantes, segue abaixo as dificuldades apresentadas: dificuldade auditivas:37 surdos, usuário de LIBRAS: 22 dificuldade físicos: 111 dificuldade mental: 01 dificuldade físico e visual: 01 dificuldade intelectual: 09 transtorno do espectro autista (TEA): 08 Transtornos de aprendizagem: 10 dificuldade visual: 72 dificuldade visual e TEA: 01 Fonte: Núcleo de Acessibilidade 


Santa Maria, doze de agosto de dois mil e dezenove.

Profile for Pet Enfermagem UFSM

O Lamparim - Informativo PET Enfermagem - Nº 24 - Ano 11 - Agosto de 2019  

A vigésima quarta edição do jornal “O Lamparim” apresenta informações referentes a acessibilidade existente na UFSM, de interesse dos profis...

O Lamparim - Informativo PET Enfermagem - Nº 24 - Ano 11 - Agosto de 2019  

A vigésima quarta edição do jornal “O Lamparim” apresenta informações referentes a acessibilidade existente na UFSM, de interesse dos profis...

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