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LAMPARIM INFORMATIVO PET ENFEMAGEM N. 23- ANO 10- DEZEMBRO DE 2018

DEMOCRACIA E PARTICIPAÇÃO POPULAR POPULAÇÃO LGBT

VIOLÊNCIA contra a mulher

LUTA por direitos

VACINAÇÃO

INTOLERÂNCIA

política


EDITORIAL A vigésima terceira edição do jornal “O Lamparim” apresenta informações referentes ao tema "Democracia e Participação Popular",  na qual são abordados temas relevantes à área da saúde e enfermagem, que dialogam com assuntos pertinentes na sociedade e no contexto atual da democracia e da luta por justiça social no Brasil. Destacamos que você, leitor também tem espaço neste informativo. Envie dicas, sugestões ou críticas para o email: petenfermagemufsm2013@gmail.com. Contamos com sua contribuição!


CONTATOS Silvana Bastos Cogo (Tutora): silvanabastoscogo@gmail.com Laís Mara Caetano da Silva (Profa. colaboradora): laismara_silva@hotmail.com Anne Louize Menezes Xavier: annelmx12@gmail.com Bruna Caroline Ruppelt: ruppeltbruna@gmail.com Carine Rieger Donel: donel.carine@gmail.com Daiana Cristina Wickert: daianacristinaw@gmail.com Elisa Fortes Vilhalba: elisafortesvilhalba050298@gmail.com Hentielle Feksa Lima: hentielle@gmail.com José Victor Eiróz dos Santos: zves@outlook.com Jozéli Fernandes de Lima: jozeli-lima@hotmail.com Jully Martins Gomes Portela: jullymgportela@gmail.com Kamila Caneda da Costa: kamilacaneda@gmail.com Lívia Martins de Martins: liviamartinsm13@gmail.com Luiza Camila Jerke: lucjerke@hotmail.com Nathália Kaspary Boff: natty_kboff@hotmail.com Victória de Quadros Severo Maciel: victoriatrabalhos@outlook.com


EXPEDIENTE Informativo “O Lamparim” - Dezembro de 2018; UFSM – Centro de Ciências da Saúde (CCS); Reportagem e Redação – PET Enfermagem; Organização: Bruna Caroline Ruppelt, Carine Rieger Donel e Lívia Martins de Martins Diagramação e projeto gráfico: Bruna Caroline Ruppelt, Carine Rieger Donel e Lívia Martins de Martins Revisão: Profª Drª Tutora Silvana B. Cogo e Profª Drª Colaboradora Laís Mara C. da Silva Reuniões: Segundas e quartas a partir das 17h30min, sala 1438 - CCS.


ÍNDICE 05 - CONTROLE SOCIAL: CONSELHO LOCAL DE SAÚDE DA ESF MARINGÁ 08 - VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 10- CLÍNICAS POPULARES   12- DEMOCRACIA EM TEMPOS DE INTOLERÂNCIA 14- VACINAÇÃO: UM ATO DE RESPONSABILIDADES DE TODOS! 17- A TRAJETÓRIA DOS DIREITOS E SEU DECLÍNIO  21- POPULAÇÃO LGBT 25- A POLÍTICA DE SAÚDE DA MULHER EM SANTA MARIA E A QUESTÃO DOS ANTICONCEPCIONAIS 28- O TRABALHO FEMININO NA CONSTRUÇÃO CIVIL COMO AUXILIADOR DO PROCESSO DE EMPODERAMENTO 34- ESPAÇO DA COORDENAÇÃO: REPRESENTAÇÃO ESTUDANTIL: O PERMANENTE EXERCÍCIO DE RECONHECER SEU PAPEL NA UNIVERSIDADE E NA SOCIEDADE


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CONTROLE SOCIAL: CONSELHO LOCAL DE SAÚDE DA ESF MARINGÁ Entrevista com Leandro Francisco da Silva [presidente do Conselho Local de Saúde da ESF Maringá] e Amália Oliveira da Silva [Presidente da Associação Comunitária Diácono João Luiz Pozzobon] Organização: Carine Rieger Donel e Daiana Cristina Wickert Entrevistadoras: Como e quando surgiu o conselho local de saúde da ESF Maringá? Leandro: Foi fundado no final de 2016, em novembro. Foi no mesmo ano que a Associação Comunitária assumiu. A ideia da criação veio da Sharon Martins [atual Enfermeira da ESF Maringá] e do Dione Gonçalves Lemos[Psicólogocolaborador do Conselho Federal de Psicologia do Rio Grande do Sul onde representa o Conselho Municipal de Saúde de Santa Maria],  através deles e das experiências que eles tinham sobre o assunto, viram que aqui precisava de um Conselho Local, e que por meio disso, a gente iria unir as forças com a Associação Comunitária.  

Tanto que, foi fundado o conselho no final do ano [2016], e em 2017 foi feita uma reunião com mais de 150 pessoas; fizemos o ofício e dali em diante, conseguimos fazer com que a prefeitura enxergasse a gente. É por isso que o conselho surgiu, pra se juntar para conseguir benefícios, e fazer com que a comunidade também enxergasse que com a união a gente ia conseguir as coisas. O conselho foi a vontade de duas pessoas, sentaram, discutiram e surgiu a ideia, as pessoas compraram, nós compramos a ideia e foi formado o conselho. Daí que começou a acontecer as coisas. As pessoas as vezes pensam que é só a Associação, ou que é só o conselho, ou que é só eu, ou só a Amália, mas não, é um conjunto.


06 Amália: Nós já frequentávamos os Conselhos Regionais, e o nosso aqui era na UBS Walter Aita, daí nós íamos daqui pras reuniões lá, até quando surgiu a possibilidade de formar um Conselho Local. Por que às vezes as demandas do Conselho Regional lá, não eram as nossas necessidades. Eles lá é menos problemas com saneamento e esgotos, e nós temos mais problemas nessa área e outras coisas, como sanga, bichos. Com o Conselho Local ficou fácil da gente ter discussões focadas nesses aspectos. Entrevistadoras: Quem constitui o Conselho Local de Saúde da Maringá? Leandro: O Conselho é formado pela comunidade, paróquia, o CPM (Conselho de Pais e Mestres), de associações como aqui da Diácono e do Jardim Berleze. Entrevistadoras: Quando ocorrem e o que é debatido nas reuniões do conselho local? Leandro: A reunião é na 2ª segunda-feira do mês, e começa com a Sharon [enfermeira] prestando um relatório dos atendimentos da unidade.

Ela relata quantos foram atendidos, quantas gestantes, quantos faltaram. Depois, são discutidas as pautas, eu trago pra reunião o que eu escuto da comunidade, o que foi feito da parte da Associação Comunitária. Então trazemos pra reunião os problemas que aconteceram durante o mês e tenta resolver. Entrevistadoras: Quais resultados o conselho trouxe pra comunidade? Leandro: No início do conselho, teve um movimento, da prefeitura, secretaria, do centro, teve manifestação e a gente conseguiu com que eles enxergassem a gente. Só que tem uma situação que me deixou muito chateado, que é a situação dessas ruas, que era pra ter sido resolvida e isso a gente tá batendo na tecla. E tão pra marcar uma reunião. Amália: A gente foi fazendo vários protestos, porque na época nós estávamos sem médico no posto de saúde, daí vinha um médico uma vez por semana só, daí começou a batalha, foram surgindo as ideias de como ia fazer, daí veio o pessoal do Zilda Arns, mesmo o pessoal do Zilda que não era atendido aqui e veio nos ajudar no protesto e


Amália: Acabamos tendo que entrar na briga sempre e vamos lutando para conseguir manter os equipamentos no caso da unidade, onde a autoclave estragada há 7 meses já, que eles viessem consertar as cadeiras, também o patrolamento, que teve épocas que era lutas de cima de lutas pra gente conseguir, mas a gente vai brigando e vamos devagarinho pra conseguir alguma coisa. Leandro: Foi feito limpezas, conseguimos vários benefícios para comunidade, problemas que estava parados foi resolvido através do Conselho. Por que foi Conselho e Associação, foi as duas coisas juntas, unidas. E nós vimos através do Conselho que, a união faz a força, esse ditado funciona! Tinha outros problemas que tinha na unidade, tipo falta de cadeira, aparelho com defeito, e através do Conselho e da Associação, o governo enxergou a gente. Amália: Uma vez teve um buracão na rua principal, que ocupava todo o espaço da rua, daí nós resolvemos, tava uma chuvinha de noite e nós pensamos ‘aquele buraco tá cheio de água’, vamos inventar a ideia e passamos por whatsapp.

07 Amália: Daí passamos e fizemos o Diácono Praia/Parque, botamos cadeira de praia, daí todo mundo foi de cadeira de praia, de óculos escuros, caniço pra pescar, fizemos plaquinhas de limite para banho, daí a gente foi inventando os nossos protestos, usando a criatividade. Entrevistadoras: Gostariam de deixar algum recado? Leandro: Quero falar da minha parte, eu como tenho problema mental, todo esse trabalho que a gente faz, o trabalho social, é o que me faz ter vontade de viver, porque os remédios, pra quem só faz uso disso e não faz nada, fica num estado vegetativo. Eu aconselho as pessoas que têm familiares com problema mental, que deixem fazer alguma coisa, que incentivem fazer, porque senão ele não vive mais, perde a vontade de viver, perde a vontade de fazer as coisas, perde tudo.

Entrevista completa: https://drive.google.com/file/d /1W90EurEDVbkcesGX_Ue0Kg WdZ0sOmnUU/view? usp=sharing


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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Organização: Nathalia Kaspary Boff Você já parou para pensar o que é violência doméstica?   O conceito de violência contra as mulheres, adotado pela Política Nacional, fundamenta-se na definição da Convenção de Belém do Pará (1994), segundo a Lei no 11.340/06 (Lei Maria da Penha), em seu artigo 5°, a violência doméstica e familiar contra a mulher é “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial” quando praticada no âmbito da unidade doméstica, da família ou em qualquer relação íntima de afeto. A violência doméstica pode ocorrer de diferentes formas, conforme a Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. ●     Violência física: entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;


09 ●   Violência sexual: qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter, comercializar ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos; ●     Violência psicológica: qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações (comportamentos, que utilize chantagem, insultos, constrangimentos, crenças, decisões entre outras). ●     Violência patrimonial: qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho,  documentos pessoais, bens,

valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;●   Violência moral:  qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria; ●     Violência Institucional: aquela praticada, por ação e/ou omissão, nas instituições prestadoras de serviços públicos. Compreende desde a falta de acesso aos serviços e a má qualidade dos serviços prestados, abusos cometidos em virtude das relações desiguais de poder entre profissional e usuário ou até mesmo questões discriminatórias. Frases típicas que demonstram violência: ‘Meu chefe já me assediou sexualmente’ ‘Ele era ciumento e controlava minhas roupas’ ‘Mas foi só uma vez, ele é um cara legal’ ‘Meu pai já me bateu algumas vezes’ #Busquem ajuda, denunciem, deixem que o agressor responda por seus atos. Nada disso é culpa sua.


CLÍNICAS POPULARES  

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Organização: Elisa Fortes Vilhalba e Luiza Camila Jerke O Brasil enfrenta diversos problemas, relacionados à saúde;  dentro desse contexto, surgem as mais diversas críticas ao Sistema Único de Saúde (SUS), como por exemplo, a demora e os atraso das consultas, as longas filas para atendimento, entre outras questões. Assim, como contraponto, vêm se formando as clínicas populares, que preconizam um atendimento  rápido e com preços acessíveis, proporcionando às pessoas insatisfeitas com o atendimento de clínicas comuns, com o seus planos e com as filas existentes no SUS, um escape à praticidade e economia. Essas clínicas estão se conformando como sendo um seguimento dos serviços privados, porém, com foco na população de baixa renda e tendo a sua formação entendida como uma “manifestação decorrente da crise contemporânea, frente a prestação de serviços à saúde”. Entretanto, junto a esses fatores há questões que devem ser avaliadas de forma criteriosa.

Um dos aspectos a ser analisado é a qualidade das clínicas, não o preço ofertado por elas. Levando em conta que o trabalho hoje é, na maior parte do tempo, dirigido pela prática mercantilista, existem fatores éticos a serem apontados ao se referir à área da saúde, pois tratando ela como mercadoria, acabará por motivar o lucro ao máximo possível, sem olhar o ser humano em sua existência integral ou em suas necessidades universais. Para Viana, Miranda e Silva (2015), “configura-se um cenário de pluralismo mercantil com preponderância de institucionalidade privada com fins lucrativos, seletiva e suplementar ao SUS, com serviços fragmentados e desintegrados (p. 17)”. Segundo a Constituição Federal “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal [...]”. Com o surgimento das clínicas há um estímulo a não universalidade do direito à 


11 saúde e um incentivo à privatização dela. Além disso, incentiva a prática do modelo tradicional curativista, onde o cidadão só busca o serviço de saúde quando está enfermo. Como forma de fiscalização, o Conselho Federal de Medicina por meio da Resolução Nº 2.170, de 30 de outubro de 2017, estabeleceu regras para o funcionamento das clínicas populares; entre alguns requisitos, está o registro das clínicas no Conselho Regional de Medicina, do estado onde funcionam. Por fim, no que diz respeito a saúde, todo cuidado é pouco e a atenção deve ser sempre redobrada! Saúde é um direito de todos, saúde também é democracia. Figura 1 - Número de estabelecimentos de saúde e segmentos institucionais (Brasil, 2005-2013)  

Fonte: Viana, Miranda e Silva (2015)


DEMOCRACIA EM TEMPOS DE INTOLERÂNCIA

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Entrevista com a Profª Enfª Drª Rafaela Andolhe

Organização: Kamila Caneda da Costa e Lívia Martins de Martins No atual cenário, qual sua percepção acerca dos reflexos da extrema polarização política em relação ao regime democrático?

avaliá-las criteriosa e criticamente, para não recaírmos em discursos e opiniões rasas. Acredito que a universidade, ambiente no qual discussões saudáveis precisam ocorrer para promover a formação desse pensamento crítico, deve ser protegido.”

“A polarização política prejudica a sociedade a partir do momento em que a liberdade de pensamento e livre manifestação é ameaçada. Evitar ou combater essa situação Nesse viés, qual o papel dos somente será possível com a estudantes e profissionais de construção do pensamento crítico. Enfermagem na manutenção da Em vista disso, a universidade, democracia? enquanto espaço privilegiado da “Entendo que nosso papel produção e disseminação de conhecimento, necessita também enquanto enfermeiros, docentes e estudantes de enfermagem e oportunizar esse processo. Em área da saúde é zelar e defender tempos em que as redes sociais os princípios fundamentais do foram decisivas na formação de opiniões, sobretudo num contexto cidadão, quando entendemos que saúde é resultado de de profusão de informações e qualidade de vida. Em vista disso, notícias falsas, torna-se defender o ensino superior fundamental


gratuito, de qualidade e acessível a todos; apoiar a manutenção dos direitos trabalhistas, bem como de políticas inclusivas e lutar pela manutenção, sim, do Sistema Único de Saúde - SUS - porque está ameaçado, ou mesmo seu fortalecimento e ampliação, deveria ser bandeira de todos nós. Tudo isso representa saúde e acessível a todos. Evidentemente, temos dificuldades seja no acesso, seja na superlotação nas emergências dos hospitais, na falta de profissionais ou de equipamentos, mas, ainda assim, a saúde no Brasil, pelo SUS, é direito dos brasileiros. Pelo menos, por enquanto. As privatizações podem bater na nossa porta em 2019, por isso precisamos ser críticos e vigilantes. Os planos populares privados que ganham força por aí,

13 mais fazem aumentar o descrédito na saúde pública. Nosso papel, também, na minha opinião, é esclarecer às pessoas, o quão valioso é o nosso sistema de saúde e o quão difícil será,em caso de seu enfraquecimento ou privatização, custar saúde. Defender tudo isso, é cobrar dos governantes eleitos a revogação da Emenda Constitucional 95, que congela os gastos públicos incluindo educação e saúde. É se opor a qualquer medida que enfraqueça o SUS ou o ensino em qualquer nível. Isso porque saúde e educação são áreas de investimento e não de cortes no orçamento. Essas áreas são imprescindíveis à qualidade de vida, traduzida em saúde, do cidadão brasileiro.”


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VACINAÇÃO: UM ATO DE RESPONSABILIDADES DE TODOS!

Autoras: Anne Louize Menezes Xavier e Victória de Quadros Severo Maciel A vacinação é uma das melhores formas de prevenir determinadas doenças, como por exemplo a poliomielite, o sarampo, a rubéola, a coqueluche, e o tétano, que deixaram de ser um problema grave de saúde no Brasil e foram erradicadas justamente pelas campanhas árduas de vacinação. A criação do Programa Nacional de Imunização em 1973 facilitou e organizou o acesso da população às vacinas disponibilizadas pela rede de saúde no Brasil. Contudo, atualmente os movimentos anti-vacinas e a não adesão dos pais e/ou responsáveis das crianças, principal faixa etária de imunização, às campanhas de vacinação são alguns dos motivos pelos quais as doenças antes consideradas erradicadas no país

estejam aparecendo novamente, criando um risco a saúde da população, segundo informações fornecidas pela Sociedade Brasileira de Imunizações. O cidadão deve atentar para os calendários de vacinação e suas respectivas campanhas ofertadas pelo Ministério da Saúde. As principais vacinas atuais existem disponíveis gratuitamente na rede pública de saúde e contemplam não somente as crianças, mas também os adolescentes, adultos, idosos, gestantes e população indígena. São oferecidas ao todo, 19 vacinas para mais de 20 doenças, cuja proteção inicia ainda nos


recém-nascidos, podendo se estender por toda a vida. A seguir, confira a lista da vacinas disponibilizadas durante as faixas etárias de vida:

15 ADOLESCÊNCIA (10 a 19 anos): *Hepatite B (3 doses conforme situação vacinal); *Meningocócica C (1 reforço ou dose única - verificar situação vacinal - 11 a 14 anos); *Febre amarela (dose única - verificar situação vacinal); *Tríplice viral (2 doses - verificar situação vacinal); *HPV (meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos - 2 doses); *Pneumocócica (1 dose avaliar situação vacinal); *Dupla Adulto (reforço de 10 em 10 anos). ADULTO (20 a 59 anos): *Hepatite B (3 doses conforme situação vacinal); *Febre amarela (dose única - verificar situação vacinal); *Tríplice viral (duas doses dos 20 a 29 anos e uma dose dos 30 a 49 anos); *Pneumocócica (1 dose avaliar situação vacinal); *Dupla Adulto (reforço de 10 em 10 anos).


16 IDOSO (acima de 60 anos): Lembre-se, apesar das vacinas *Hepatite B (3 doses conforme trazerem muitos benefícios, o situação vacinal); *Febre amarela processo de imunização pode (dose única - verificar situação acarretar sim reações como vacinal); *Pneumocócica febre, coceira na pele ou dor (reforço); *Dupla Adulto (reforço no local de aplicação. Porém, de 10 em 10 anos). tenha a certeza que o benefício de estar protegido é muito GESTANTE: maior que esses pequenos *Hepatite B (3 doses conforme incômodos! situação vacinal); *Dupla adulto (3 doses - verificar a situação PREVINA-SE SEMPRE!!! É UM vacinal); *dTpa (uma dose a cada ATO DE AMOR PARA gestação a partir da 20ª CONSIGO E PARA COM OS semana). OUTROS!


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A TRAJETÓRIA DOS DIREITOS E SEU DECLÍNIO Entrevistada: Profª Drª Teresinha Heck Weiller Entrevistadoras: Jozéli Fernandes de Lima e Luiza Camila Jerke A Profª Drª Teresinha prestigiou o minérios ou também questões grupo PET Enfermagem em um religiosas” foi também “um diálogo sobre a construção e as século profícuo no campo dos perdas dos direitos brasileiros ao direitos sociais e direitos longo da história até os dias atuais. coletivos”, a exemplo disto Durante sua fala destacou que para temos “a legislação brasileira discutir sobre a temática de que tem sua base no século XX”. “direitos sociais e direitos políticos é Nossa caminhada nesta sempre importante ter como temática é marcada pelo fato de referência a Declaração Universal que “em quase 500 anos dos Direitos Humanos de 1948, o passamos de uma colônia para mais importante documento que uma monarquia onde os fala a respeito de nós como seres direitos sociais e os direitos humanos.”   individuais não estavam Ao realizamos uma retrospectiva presentes”. Outra questão é histórica dos direitos no Brasil o sermos “o último a abolir a século XX ao mesmo passo que foi escravidão no mundo!” Um marcado por muitas guerras que exemplo deste prejuízo é ocorrem “por motivação econômica, “quando se fala no sistema de de ocupação do território, mais cotas e ouvimos alguém se recentemente pelo petróleo, os posicionar contra está


18 desconhecendo a história do nosso país”. Durante a conversa a Profª Terezinha também nos relembra sobre o período de colonização do Brasil e reflete que: “hoje há o costume de fazer apologia aos alemães, italianos, europeus…mas na época eram considerados os sem terra. Geralmente odeiam os sem terra daqui, mas os nossos antepassados todos foram”. Ao retomar o foco para o século XX evidenciou que tivemos “o ápice de direitos na Constituição de 88, talvez este século foi o auge do que conseguimos evoluir em relação ao tema. Até 1988 o estudante não era um sujeito de direito e não podia acessar nenhum serviço”. Em relação aos direitos trabalhistas o “primeiro grande avanço que tivemos no trabalho se deu na década de 30 com a criação da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Pois na década de 20, um trabalhador que tivesse uma fábrica trabalhava 18 horas por dia! Isso era permitido bem como um contrato de trabalho para criança

com 3 anos de idade. Os avanços nos anos 30 e a Constituição de 88 deram um grande salto ao reconhecerem um conjunto de leis complementares como, por exemplo, a licença maternidade e a licença paternidade, conquistas que progressivamente foram sendo agregadas na CLT”. Sobre a reforma dos direitos trabalhistas “antes tínhamos jornada de trabalho de no máximo 8 horas com até 2 horas extras diárias. Agora a nova legislação permite uma jornada com 12 horas de trabalho e liberação de hora extra. A reforma também trouxe uma inovação: o trabalho intermitente, que é pago por horas trabalhadas. O trabalho intermitente não estabelece vínculo empregatício e ganha em cima da produção de venda. Nós levamos cem anos para constituir a legislação trabalhista e apenas 30 dias


19 para destrui-la”. No setor da saúde a Constituição de 88 também é fundamental “neste processo e reconhece pela primeira vez que somos todos cidadãos, que temos direitos iguais e que cabe ao estado e a sociedade organizar e operar de forma que todos tenham acesso universal à educação, à saúde, à moradia. Na saúde coletiva temos as NOBs (Norma Operacional Básica) e as NOAS (Norma Operacional de Assistência à Saúde). E em 2003 a criação do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Outro exemplo no que rege a Constituição de 88 no quesito moradia foi “o programa de transferência de renda, que virou na gestão de 2003, o Programa Bolsa Família e o acesso ao Minha Casa Minha Vida”. O setor da saúde também corre risco de passar a utilizar o trabalho intermitente onde “o empregador não precisa pagar fundo, não precisa contribuir com o décimo terceiro, não precisa contribuir para a previdência social e não possui

responsabilidades nenhuma sobre o trabalho”. Para o profissional contratado isso significa uma total perda de direitos. “E no sistema de saúde a classe que mais sofre são os enfermeiros e nós seremos vítimas desse modelo”. Conversando sobre como se dá o declínio dos direitos a Profª Teresinha comenta sobre a PEC que realizou um congelamento dos gastos sociais, principalmente na saúde e educação, e que possui uma relação com o PIB (produto interno bruto) nacional. “Uma pergunta que os economistas fazem: Mas e se o PIB crescer, quem fica com excedente? Vai para o setor bancário, para o capital. Logo estamos transferindo riqueza para alguns setores da economia que não é o setor da sociedade como um todo”. Outra questão é sobre o posicionamento da extinção do décimo terceiro que é “um cálculo básico, existem


20 quatro meses no ano que possuem Alguns historiadores dizem que a nova idade média está cinco semanas e estas serão retornando e era humanista remuneradas pelo décimo terceiro. acaba no século XXI, que Caso contrário o trabalhador que ganha um preço fixo mensal estará estaremos entrando na era de extrema individualidade. Em trabalhando uma semana de graça uma sociedade de nestes meses”. neoliberalismo que só A Profª Teresinha deixou um recado de que “são tempos em que reconhece o que é meu e no devemos estar acordados para lutar máximo minha família. A ideia e compreender que isoladamente de coletivo numa sociedade não conseguimos nada. neoliberal não existe”.

Para ler as falas completas da Profª Drª Teresinha acesse o link:

https://drive.google.com/file/d/1bb23AFn6MXWfkvz4LxAgqq0F5wsfY fPy/view?usp=sharing

e encontre um aprofundamento sobre a história escravocrata brasileira, a uberização dos serviços, a ruptura do estado democrático, um estado protetor, entre outros.


POPULAÇÃO LGBT - Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros

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Entrevista sobre a população LGBT com a Profª Drª em Antropologia, Monalisa Dias de Siqueira, com a colaboração de Alisson Machado, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação (POSCOM - UFSM) Organização: Bruna Caroline Ruppelt e Jully Gomes Portela Martins. Você, como pesquisadora na área por exemplo, os movimentos feminista, negro, estudantil e da antropologia, como percebe a LGBT. Nesse contexto emerge o população LGBT ao longo dos anos movimento LGBT como ator e na atual conjuntura? político e com uma pauta de A antropologia desde sua reivindicações que se aproxima constituição enquanto área de das feministas, pois está conhecimento científico se interessa relacionada com a “liberdade pelas questões que dizem respeito sexual”. Os estudos antropológicos às culturas humanas, como os sobre sexualidades, gênero (e a indivíduos se organizam e se discussão do conceito de gênero relacionam em sociedade ao longo surge nesse momento), do tempo e em diferentes locais. organização política de grupos, Podemos observar já nos estudos reivindicação de direitos surgem e dos primeiros antropólogos certa ganham força no Brasil no final atenção para as questões dos anos 1970, juntamente com o relacionadas ao corpo, a sexualidade próprio movimento LGBT. Desde e a diversidade nos modos de agir e então, as pesquisas antropológicas pensar dos grupos. Como a cultura sobre o tema tem sido realizadas, é dinâmica, as antropólogas e assim como o engajamento de antropólogos sempre estiveram antropólogos/as na luta contra o atentos para as mudanças culturais preconceito e a participação nos e sociais. Um momento importante movimentos (Um exemplo disso é a de mudanças no cenário mundial e criação do jornal Lampião da também no Brasil diz respeito à Esquina, considerado uma organização e crescimento de publicação pioneira que movimentos sociais nas décadas de denunciava abusos contra LGBTs e 60 e 70 do século XX como, fazia oposição à


ditadura militar e do Somos – Grupo de Afirmação Homossexual, m 1978 em São Paulo. Ambos contaram com a participação de estudantes de antropologia e antropólogos/as. Outro exemplo é o Grupo Gay da Bahia, referência desde 1980, que também foi fundado pelo antropólogo Luiz Mott). A luta dessa população contra o estigmatismo, assinala para a conquista de direitos. Que direitos importantes essa população tem garantido, hoje? O histórico da luta da população LGBT por direitos é longo e mostra muita força de ativistas e militantes. Esse histórico inclui a luta pela despatologização (a OMS em 1970 deixa de classificar a homossexualidade como doença e no Brasil a homossexualidade foi oficialmente considerada uma doença mental até 1985), a luta contra a AIDS a partir da década de 80 (A epidemia de HIV/AIDS inicia nesse período no Brasil e os gays são vistos como fazendo parte “grupo de risco”. É possível observarmos jornais e revistas da época com manchetes sobre a “peste gay”, gerando muito preconceito e a estigmatização. Um exemplo disso é a capa da Revista Veja que traz o cantor Cazuza e também o filme Clube de Compras Dallas que conta um pouco desse período nos EUA). Mais recentemente, a discussão

22 sobre o que vem sendo considerado “direito sexual” LGBT - não está apenas relacionado a sexualidade, mas também a outras reivindicações como: direito ao reconhecimento legal de relações afetivo-sexuais, à adoção conjunta de crianças, à livre expressão de sua orientação sexual e/ou de gênero em espaços públicos, à redesignação do “sexo” e à mudança do nome em documentos de identidade, ao acesso a políticas de saúde específicas e, ainda mais fundamental, à proteção do Estado frente à violência por preconceito/lgbtfobia. A luta pela garantia dos direitos das populações LGBTs no Brasil é marcada por algumas conquistas dos movimentos sociais e partidos políticos organizados, mas também pela falta de legislação específica para as populações LGBTs. Alguns exemplos que podemos citar: em 2011, a equiparação das relações entre as pessoas de mesmo sexo à união estável, em 2013, a proibição que os cartórios recusem a habilitação a essas uniões, em 2016, o decreto da então presidenta Dilma Rousseff, que permitiu às pessoas transexuais e travestis de usarem o nome social em órgãos e empresas federais.


Mas ainda é preciso lutar por direitos fundamentais que ainda não foram alcançados. Por exemplo, os crimes motivados por LGBTfobia ainda não são consideradas um tipo penal específico, embora a maioria dos casos tenham como pano de fundo a violência e o preconceito específico às populações LGBTs. Quando olhamos para o quadro geral de direitos conquistados, percebemos que ainda temos muito o que avançar. Na maioria dos casos são decisões do Judiciário que concedem ou estendem direitos a esses grupos. Essas resoluções, no entanto, nem sempre são aceitas por todos os juízes em alguns Estados, o que demonstra a precariedade e instabilidade, em termos de direitos, bem como a necessidade de constante luta e vigilância contra os retrocessos.  Dentro das universidades, como o estereótipo da dita "normalidade" pode contribuir para que a invisibilidade e as opressões cresçam e se perpetuem contra a população LGBT? Nós pensamos a universidade como parte integrante da sociedade, por isso, ela não é imune às reproduções das violências, preconceitos e estereótipos que atravessam e constituem a nossa sociedade. Mas ela também é o espaço da pesquisa, da produção do conhecimento, do pensamento livre e da crítica e todos os sistemas sociais

23 e simbólicos que hierarquizam, marginalizam e subalternizam as pessoas e os grupos. E temos visto, com bastante força, um pensamento e uma ação prática bastante crítica a respeito das temáticas de gênero, sexualidade, etnia e demais marcadores sociais que constituem as diferenças e que transformam as diferenças em desigualdades. Contatos com leituras nas disciplinas, grupos e práticas de pesquisa e extensão, bem como uma vivência crítica e criativa da vida universitária podem contribuir para que a universidade seja um espaço cada vez mais democrático, tanto em relação ao convívio e respeito diário com as diferenças, quanto a práticas reflexivas e de pesquisa capazes de demonstrar a artificialidade das normas e dos padrões cis e heterossexuais vigentes em nossa sociedade e todas as demais formas de opressão. Nesse momento, estamos discutindo e buscando aprovar ainda esse ano a Política de Igualdade de Gênero da Universidade Federal de Santa Maria, um esforço coletivo de criar um dispositivo que possa orientar e estimular as discussões, bem como


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promover: o Respeito à diversidade para uma reflexão e uma atuação sexual e de gênero; a Justiça de crítica em nossa cidade. gênero (igualdade, com respeito às diferenças); a Equidade em todos os Embora as desigualdades sejam construídas na esfera cultural e níveis; e Ações afirmativas de social, existe uma forte ideologia igualdade de gênero. cuja intenção é fazer crer que são naturalmente determinadas pela Que movimentos LGBTS e ações condição biológica. As para combater a violência, contra discriminações de gênero e os mesmos, que são do seu orientação sexual são fatores que conhecimento, existem hoje em influenciam fortemente à saúde, Santa Maria? Como a violência as possibilidades de acesso e contra a população LGBT é permanência no emprego e retratada ao seu ver? estudo, assim como as condições de trabalho. A nossa sociedade Em Santa Maria, nós temos um demonstra fortemente o histórico de movimentos e grupos sociais organizados em função das preconceito contra a população pautas pela cidadania LGBT. LGBT (homofobia, lesbofobia, Temos, inclusive, duas Paradas na bifobia, transfobia). Preconceito cidade, uma construída pela ONG contra corpos que fogem das Igualdade e outra construída pelo “normas” e “padrões” Coletivo Voe, cada um ao seu modo estabelecidos socialmente. são referências da atuação dos Recentemente o Grupo Gay da LGBTs na cidade. Já tivemos Bahia publicou um relatório que atuantes também outros grupos compila casos de assassinatos de que interseccionam com suas LGBT no Brasil (em 2017 foram pautas temas da cidadania LGBT, LGBT assassinadas). como o coletivo Marcha das Vadias. 445 pessoas O relatório não pode ser Além disso, existem outros espaços considerado um retrato completo de atuação que vemos reflexões das da violência, pois ele é baseado demandas LGBTs, como grupos de em relatos da mídia, ou seja, estudos, de militância política e provavelmente os números são estudantil, de pesquisa e de ainda maiores. A forma como convivência e lazer. E isso essas mortes ocorrem é encarada demonstra a força que a pelo movimento LGBT como organização e o diálogo dá as crimes de ódio. Contudo, ainda pessoas, fazendo com que esses não existe uma lei específica para temas sejam pautados de modo crimes motivados por LGBTfobia. mais frequente em variados espaços, o que certamente


A POLÍTICA DE SAÚDE DA MULHER EM SANTA MARIA E A QUESTÃO DOS ANTICONCEPCIONAIS

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Entrevistada: Fernanda Fettermann Enfermeira, coordenadora da política de saúde da mulher e da criança em Santa Maria-RS Organização: Daiana Cristina Wickert e Hentielle Feska Lima Como é realizada a compra dos anticoncepcionais disponibilizados na Atenção Básica em Santa Maria? Geralmente os anticoncepcionais são encaminhados para o município pela Ministério da saúde via 4ª Coordenadoria Regional de Saúde- 4 CRS. No entanto, neste ano não estamos recebendo estas entregas pelo Ministério da Saúde. Neste caso, a compra é realizada com recursos próprios, via licitação, modalidade Registro de Preços. Esclarecendo o fluxo, o serviço de gestão, geralmente sendo a Política de Saúde da Mulher e a Gestão da Atenção Básica solicitam de forma documentada a compra dos insumos com um termo de referência do produto. Entende-se por Termo de referência, a documentação de todas as informações técnicas que o insumo deve ter, por exemplo, no caso de anticoncepcionais

o fármaco utilizado, a via de administração e intervalo entre as dosagens, dentre outras. Após a solicitação de compra documentada, é observado se há registro de preço do produto no setor de compras, caso haja é encaminhado a solicitação para ser feita a aquisição do produto, no caso dos anticoncepcionais sempre há registro de preço, pois o mesmo é feito anualmente. Mas caso a aquisição de algum insumo não haja registro, o setor de compras abre registro de preço via licitação. De que esfera vem a verba para a compra? No caso das medicações que vêm do Ministério da Saúde, não vem a verba, vêm os insumos, neste caso a medicação,


assim a verba para a fabricação e distribuição para os municípios seria federal, sendo a distribuição via coordenadorias regionais de saúde. Nos casos em que há falta de entrega, como está acontecendo em 2018, é utilizada verba municipal para a compra. Complementando, a verba utilizada para área da saúde no território municipal é aprovada pela Lei Orçamentária Anual - LOA, esta lei aprova a quantidade de recursos financeiros que podem ser investidos durante o ano nos serviços de saúde, assim quando ocorre falta de insumos importantes, por diferentes motivos como a não distribuição ou o crescimento na demanda, o recurso utilizado provém da LOA.

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de medicações básicas do município, acabam sendo um custo extra para o município, já que o mesmo está sendo adquirido através do orçamento municipal. Destacase que esses não são considerados como contraceptivos de primeira escolha de forma geral, porém a escolha do contraceptivo a ser utilizado provém da decisão em uma conjuntura da usuária e do profissional de saúde avaliando a situação de saúde. O contraceptivo oral (Microvlar) está com sua distribuição normal, entendese por distribuição normal a Como está a disponibilidade busca e disponibilização do insumo para a população. No dos mesmos no município? entanto, os injetáveis estão com estoques escassos ao A disponibilidade da medicação longo do ano, mas a nos serviços de Atenção Básica tem ocorrido com algumas fragilidades, disponibilização dos mesmos continua ocorrendo aos é o caso dos injetáveis, serviços conforme demanda e Medroxiprogesterona 150 mg disponibilização dos insumos (DEPO PROVERA) e Estradiol em estoque. 5mg+norestisterona 50mg (NOREGYNA), para o orçamento municipal e devido ao custo elevado do insumo, e como não estão previstos no orçamento


Quais dificuldades o município enfrenta atualmente na Saúde da Mulher? No território municipal, o acessos aos serviços de saúde ocorre por meio da Atenção Primária pelas unidades de saúde ou pelo serviço de Emergência e Urgência, Prontos atendimentos. Entendemos que uma das possibilidade para facilitar ainda mais o acesso às usuárias poderia ocorrer através do funcionamentode algumas unidades com horário diferenciado, ou seja, horário estendido. Algumas unidades de saúde utilizam dessa estratégia mantendo a unidade de saúde aberta e com funcionamento normal em um Sábado por mês, porém ainda entende-se que esta ação pode ser potencializada. Também, outra ação que é oferecida e pode ser potencializada juntamente com o Estado, pois é através dele que ocorre os encaminhamentos para outros níveis de atenção, é a agilidade nos encaminhamentos. O encaminhamento já ocorre, o mesmo acontece de acordo com as disponibilidades de vagas pelo Estado, isto é, quando há necessidade de um encaminhamento para outro nível de especialidade através do Estado, o município solicita a consulta e devolução da

27 mesma ao município quando há necessidade de mais informações ou a marcação conforme vagas disponibilizadas pelos serviços de especialidades.

De acordo com as suas vivências e experiência profissional, você acredita que as mulheres do município de Santa Maria estão com seus direitos garantidos? Sim, todos os serviços e atendimentos são ofertados pela rede pública do município. Enquanto política, estamos em constante mobilização para que estes direitos sejam garantidos, como as mudanças realizadas neste ano quanto a fluxos de encaminhamentos. Para garantir estes direitos, realizo visitas nos hospitais, unidades de saúde, entre outras.


O TRABALHO FEMININO NA CONSTRUÇÃO CIVIL COMO AUXILIADOR DO PROCESSO DE EMPODERAMENTO

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Entrevistada: Profª Drª Maria Celeste Laderdhal Organização: Carine Rieger Donel e José Victor Eiroz Conte-nos sobre o projeto, como surgiu a ideia? Eu sempre trabalhei na linha da defesa dos direitos das mulheres a minha vida toda. Desde que nasci, eu acho, nem sabia o que eu estava fazendo e defendendo as mulheres. Na universidade trabalhei na maioria do tempo com o saúde da mulher e na saúde coletiva; o que tem tudo a ver com o valores de cidadania e de Direitos Humanos. Nós tínhamos um grupo de de estudo que trabalhava muito mais extensão que pesquisa. Era trabalhado a pesquisa, mas o nosso foco maior era tentar intervir na comunidade. Trabalhei na unidade Kennedy com mulheres e sempre vizualizava as mulheres em casa querendo emprego, querendo trabalho e muitas até pediam ajuda dizendo “se tiver alguém ou souber de alguém que queira meu serviço de doméstica (...)”.

Em 2009 nós resolvemos responder o edital do PROEXT que é um edital do Ministério da Educação e ali montamos um projeto de extensão Universitária pensando em ir ao encontro das necessidades, das demandas daquelas mulheres onde eu trabalhava. Nós nos inspiramos muito no segundo plano nacional de política para as mulheres. Os planos são oriundos das conferências de políticas para as mulheres; as conferências no nível Municipal, nível Estadual, no nível Nacional. Coletam-se todas as demandas e daí se tenta fazer um plano de políticas. O segundo plano, terceiro plano e o quarto plano também tem esse esse eixo, “a autonomia econômica e igualdade no mundo do trabalho com inclusão social”. Nós nos inspiramos nesse capítulo que dá para fazer o desenho do curso para as mulheres,


tendo em vista que era uma época que estava se falando muito no empoderamento das mulheres e na possibilidade que as mulheres têm de fazer coisas que os homens também fazem. Sair daquele visão sexual do trabalho “mulher só pode fazer isso e homem só pode fazer aquilo”. Na tentativa de sair dessa divisão e como forma de possibilitar o empoderamento das mulheres. Também havia como objetivo promover a autonomia Econômica delas para que saíssem, muitas vezes, daquelas situações de violência, de julgo ao companheiro porque elas não tinham autonomia Econômica. No momento que elas tivessem uma renda, até elas poderiam dizer “não” a muitas coisas que estavam naquele momento machucando. Tendo esses objetivos em vista, criamos o projeto e encaminhamos para Ministério da Educação. O projeto passou e nós fizemos esse curso para 60 mulheres. O curso foi elaborado em dois eixos: o eixo técnico, realizado pelo SENAI, e o eixo “saúde e cidadania”. As mulheres fizeram 30 horas, mais ou menos, do eixo técnico no SENAI, no qual faziam curso predial, externo e interno, e de assentamento de pisos/azulejos. Tivemos três turmas de 20 mulheres, conseguimos formar 39 mulheres.

29 Muitas foram ficando pelo caminho em função do marido, da vizinhança que dizia “olha lá, parece um homem na construção civil”. Outras também não se encontraram naquilo ali. O eixo “saúde e cidadania” nós trabalhamos aos sábados das 14 horas até às 18 horas em uma escola da zona norte. Lá nós trabalhamos questões de direitos humanos, de gêneros, de empoderamento, de cidadania, de saúde da mulher, direitos sexuais reprodutivos, métodos contraceptivos. Elas levavam os filhos juntos para ficar à tarde com os filhos juntos. Tenho até um vídeo que gravamos, de 5 minutos, mostrando, mais ou menos, como é que foi o curso. Elas receberam o transporte, alimentação, uniformes, EPIs. Isso que entendo que é política pública e tem gente que precisa dessa política pública.Assim como o programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, é uma política pública, o bolsa família é uma política. A Lei Maria da Penha, que é uma política pública e eu vejo que estão ameaçadas a serem extintas.


Quais resultados você identificou nas 39 mulheres após a formação? Você teve contato com elas? Logo que elas terminaram o curso, nós nos reunimos para ver o que elas estavam fazendo e para também fazer uma pesquisa para saber o que tinha sido para elas o curso. Fizemos pesquisa, um artigo que está publicado na revista Anna Nery de 2014. Muitas delas estavam sendo absorvidas, principalmente por uma empresa daqui de Santa Maria, mas elas não estavam satisfeitas porque algumas delas estavam sem carteira assinada ainda; a maioria delas como servente, fazendo o trabalho que elas estavam aptas a fazer, com a carteira assinada. Porém elas não gostavam do status de servente, queriam ser empregadas domésticas como elas já eram antes do curso. Nós começamos a pensar em alguma coisa que a gente pudesse fazer no sentido de que elas tivessem um grupo, uma cooperativa, uma empresa, que elas gerissem. A gente vê tantas cooperativas, como a dos agricultores, de mulheres agricultoras, que produzem flores, sementes... Começamos a trabalhar em cima disso,

30 fomos atrás de estatutos para saber como funciona uma cooperativa. Vimos as mulheres estacionaram na própria condição econômica delas. Elas não tinham condições de tocar uma cooperativa, porque elas precisavam gerir sua vida econômica. Tinham que colocar comida para dentro de casa, tinham que alimentar os filhos. Então nós paramos. Eu entro em contato com elas até hoje, fiz a minha tese de doutorado em 2015 com as mulheres da construção civil. Em 2017, a Universidade Federal de Santa Maria publicou o edital interno, com verba nossa, através dos nossos impostos, para grupos com vulnerabilidade, para responderem,  junto a incubadora social. A incubadora social tem por objetivo ajudar os grupos para estes consigam desenvolver uma economia solidária. Chamei as mulheres, nos reunimos duas ou três vezes, delineamos a nossa resposta para o edital e respondemos. Passamos no edital na universidade, todas estão incubadas.


Na JAI, inclusive, houveram várias atividades com elas; ontem de tarde nós tivemos atividade com elas. São vários grupos incubados. Grupos de mulheres temos três: grupo de mulheres da construção civil, tem Ará Dudu que trabalha bastante a cultura Negra e eles vendem os trabalhos que eles fazem (a maioria são mulheres) e o grupo das Marias Bonitas que trabalha com alimentação e estão em pleno desenvolvimento. A incubação vai até o fim de 2019, especificamente as mulheres da construção civil, que eu até me aposentar eu fui representante institucional com elas e continuarei, mesmo aposentada. Quem está sendo a representante institucional é a Laura Cortez, que já foi minha aluna; fez mestrado e doutorado com tema da violência contra as mulheres. Ela sempre trabalhou no meu grupo, desde o primeiro semestre foi minha bolsista de extensão e de pesquisa. É ela que está agora à frente na parte legal. Ela conta com o meu apoio. Nessa proposta, as mulheres estão tendo muitas oportunidades de se qualificar em várias coisas. Nós ocupamos muito todos os recursos da Universidade, dos outros cursos.

31 Por exemplo, se tem que fazer uma página, nós pedimos para o pessoal da informática nos ajudar ou da comunicação. Se precisa estatuto, como o estatuto da Associação Comunitária, que está praticamente pronto, quem ajudou e ainda ajuda é o pessoal do direito. As forças da Universidade tem grande potencial, o PET da Engenharia Civil está ajudando em cursos, como o curso de lajotas. O que que falta para que elas “saiam do chão”, o que os outros dois grupos de mulheres já conseguem fazer porque elas fazem um produto e vendem o produto. O grupo das mulheres na construção civil é mais complicado de se desenvolver porque elas precisam ter um veículo para levar escada, para levar andaime, levar todo o material delas. O desafio é muito grandes porque a Universidade não pode dar um carro para elas. A Associação Comunitária não vai ajudar elas a vender o serviço delas, mas vai dar visibilidade porque elas podem, amanhã ou depois, responder um edital nacional ou estadual e pedir um carro para a Associação Comunitária.


Coisa que individualmente ninguém pode fazer. As mulheres do Ará Dudu se organizam em uma associação comunitária também com essa intenção de poder responder editais, poder se candidatar para fazer parte do Conselho de Mulheres, do Conselho de Saúde. Porque é preciso ter um status jurídico. Hoje nós notamos nas mulheres um empoderamento, uma postura mais reta, mais confiante, uma autoestima maior. Embora com todas as dificuldades que elas têm, elas estão confiando que alguma coisa. Elas têm trabalhado, mas elas poderão trabalhar muito mais se tivessem condições, se tivessem uma retaguarda, uma estrutura que desse mobilidade para elas. Elas costumam ir de ônibus que sai às 5 horas da manhã para conseguir vencer a distância e chegar no horário. Houve um episódio do programa Profissão Repórter da Rede Globo que registrou todo o cotidiano delas. Eles acompanharam a vida das mulheres desse projeto aqui em Santa Maria durante uma semana. Mas elas estão se virando. Não foi não foi um projeto que eu fiz por fazer, tenho um vínculo, existe um compromisso meu com elas,

32 nosso com elas. É o que devemos fazer quando fazemos extensão.Temos que fazer extensão só porque é o tripé da UFSM o ensino-pesquisaextensão. A extensão é para transformar uma comunidade, um grupo. É mais do que tu ficar seis meses, um ano com elas. É alguma coisa dentro da Universidade, esse é o retorno que a Universidade tem que dar a essas pessoas por sustentá-la. Simbolicamente, elas estarem no mesmo nível que os homens, elas entenderem o fato que possuem a mesma capacidade de trabalhar na construção civil tanto quanto os homens. Sem aquela coisa de que “a mulher é mais detalhista, a mulher…”, nada disso, nós nunca exploramos isso. Porque a gente nunca quis reforçar o que a sociedade quer que a mulher seja detalhista, pacienciosa... Não! Se a mulher pode ser detalhista, o homem também pode ser detalhista. Por que não? Isso não é uma característica de mulheres, querem, inclusive, que sejam. Porque as mulheres ficam mais dóceis. Aceitam mais o que vem por cima. Nós nunca trabalhamos nessa perspectiva.


Sempre trabalhamos na perspectiva que nós temos as mesmas capacidades e os mesmos direitos que os homens. Somos diferentes? Evidente que somos. Os homens tem pelos, os homens não têm vagina, os homens não tem seios, os homens não podem parir… Somos diferentes, mas não podemos ser desiguais em direitos e oportunidades. As oportunidades têm que ser iguais. E foi nesse caminho que a gente trilhou. Nós podemos sim, mas para isso é preciso ter políticas públicas que sustentem isso. Que deem condições para que as mulheres se vejam também como seres que tem potencial, que podem exercer o papel social e tem o direito de exercer as mesmas coisas que os homens. Homens e mulheres tem que dar as mãos, não tem que ter um a frente e outro atrás. Quando as pessoas mal informadas falam de feminismo que “as mulheres querem ser mais que os homens”, as pessoas estão mal informadas. O feminismos só que igualdade de direitos, “mão na mão”. Não é mulher na frente. Não é trocar papel com os homens. Essa falta de compreensão que existe no Brasil hoje. Esse ódio, essa raiva das pessoas que não querem,

33 que não pensam igual, que não tem essa carga de ódio dentro de si. Que querem igualdade, que querem, pelo menos, menos desigualdade entre as pessoas chegar na igualdade. É um caminho longo até chegar na igualdade mas não é impossível. Não é preciso ser comunista para ser isso aí também. Países desenvolvidos, que inclusive já visitei, como Noruega, Dinamarca, Suécia. Já fui nesses países porque eu queria ver, comparar com a desigualdade que temos aqui. Esse ranço, essa raiva, é de uma cultura nossa, que vem desde o descobrimento. Chegaram aqui querendo tirar proveito de tudo que era nosso e essa atitude ficou. Então é cultural tirar sempre proveito de alguém. Para sustentar essa cultura tem que ter gente pobre, tem que ter empregada doméstica, porque entende-se que é preciso extrair o máximo deles.


ESPAÇO DA COORDENAÇÃO REPRESENTAÇÃO ESTUDANTIL: O PERMANENTE EXERCÍCIO DE RECONHECER SEU PAPEL NA UNIVERSIDADE E NA SOCIEDADE

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Organização: Profa. Dra. Laís Mara Caetano da Silva Profa. Dra. Silvana Bastos Cogo e Acad. Enfermagem Jozéli de Lima

Nos últimos meses vivenciamos intensas movimentações em relação à disputa eleitoral no país, que resultou em uma cisão entre pessoas que apresentavam diferentes percepções em relação ao cenário sociopolítico e histórico brasileiro. Tendo em vista que o curso de graduação em enfermagem é pautado em Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) que se direcionam à formação de profissionais generalistas e aptos a trabalharem no Sistema Único de Saúde (SUS), torna-se necessário destacar a importância da presença do enfermeiro e dos acadêmicos de enfermagem em participar das discussões que, podem impactar no cotidiano.        Esse exercício pode se dar desde o início do processo de formação, tendo como ponto de partida as atividades em sala de aula, o que se viabiliza em disciplinas compõem a atenção à saúde como um todo (profissionais, gestores e usuários).

que têm como tema as políticas públicas de saúde, que trazem as Leis Orgânicas do SUS (Leis 8.080 e 8.142, de 1990), e discorrem sobre temas como a participação popular em saúde. Nesse ínterim, além das atividades teóricas, surge a oportunidade de participar de reuniões dos Conselhos Locais de Saúde (CLS), bem como do Conselho Municipal de Saúde (CMS), com o objetivo de compreender como acontecem as discussões relacionadas às necessidades em saúde, que partem da população e são discutidas entre os diferentes sujeitos que que compõem a atenção à saúde como um todo (profissionais, gestores e usuários). Além da oportunidade de aprendizado teórico e prático quanto à participação popular em saúde, o exercício de representação nas instâncias deliberativas e/ou decisórias pode ocorrer também no


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interior da universidade, e uma das formas é por meio da e na sociedade, bem como representação estudantil no participar ativamente de Colegiado do Curso de discussões que impactem no Enfermagem e no Conselho do cotidiano e resultem em Centro de Ciências da Saúde. Além melhorias nas condições de da participação nesses cenários, educação e saúde da população. tem-se também como Por fim, destaca-se que o oportunidade de voz o Diretório “discutir política” não deve se Central Estudantil (DCE), dar apenas no momento das enquanto representação dos eleições: viver é um  cursos da UFSM. Pode-se destacar acontecimento político, e o ainda que, no momento atual, há uma movimentação de reativação exercício da cidadania deve se dar em toda sua trajetória do Diretório Acadêmico (DA) da enquanto sujeito, que é Enfermagem da Universidade permeada também pela sua Federal de Santa Maria – campus formação profissional e pelo sede e, nessa oportunidade, pode quanto você se preocupa com emergir a dúvida: afinal, qual a uma sociedade mais justa e função de um DA? igualitária. Valorize os espaços O DA realiza diversas atividades que estão abertos, contando em prol do curso relacionado mas, com você, fortaleça a essencialmente, deve contribuir democracia! para a formação de uma consciência crítica entre os estudantes, estimulando a troca de ideias e de conhecimento, fomentando a cultura e promovendo a integração entre os estudantes e o diálogo entre professores, funcionários, coordenações de curso, departamentos, direção de centro, entre outras instâncias. Assim, o DA consiste em um permanente estímulo ao exercício de cidadania e de compreender seu papel na comunidade universitária e


Santa Maria, 25 de dezembro de dois mil e dezoito.

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O Lamparim - Informativo PET Enfermagem - Nº 23 - Ano 10 - Dezembro de 2018  

A vigésima terceira edição do jornal “O Lamparim” apresenta informações referentes ao tema "Democracia e Participação Popular", na qual são...

O Lamparim - Informativo PET Enfermagem - Nº 23 - Ano 10 - Dezembro de 2018  

A vigésima terceira edição do jornal “O Lamparim” apresenta informações referentes ao tema "Democracia e Participação Popular", na qual são...

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