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Nutrição

O ovo e a alergia alimentar

As alergias alimentares estão relacionadas a produção de anticorpos do tipo IGE mediados ou não mediados, que desencadeiam vários processos que levam a inflamação com a presença de alterações e distúrbios na pele como dermatite atópica, no sistema gastrointestinal, como diarreia e no sistema respiratório como asma e, em casos mais graves, a anafilaxia Lúcia Endriukaite, Nutricionista do Instituto Ovos Brasil.

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urante o mês de outubro do ano passado, o IOB esteve presente de forma online em várias escolas técnicas e faculdades realizando palestras para alunos, professores e pessoas da comunidade falando sobre a importância do ovo na alimentação. Algumas perguntas foram recorrentes, por isso, o tema deste informativo é sobre alergias alimentares relacionadas ao ovo. A alergia alimentar é uma doença consequente a uma resposta imunológica anômala que ocorre após a ingestão de um alimento (1). O sistema imunológico entende aquele alimento como um inimigo e passa a produzir anticorpos. Ao contrário da intolerância alimentar, que consiste na dificuldade do organismo de processar o nutriente ingerido por falta de uma determinada enzima, as alergias alimentares estão relacionadas a produção de anticorpos do tipo IGE mediados ou não mediados, que desencadeiam vários processos que levam a inflamação com a presença de alterações e distúrbios na pele como dermatite atópica, no sistema gastrointestinal, como diarreia e no sistema respiratório como asma e, em casos mais graves, a anafilaxia. (2) Não existe um dado oficial sobre

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a prevalência de casos de alergia no Brasil, mas estima-se que no mundo seja cerca de 10% (3). Em relação ao ovo, as crianças menores de três anos são as mais acometidas, algo em torno de 6% contra 3% relativo aos adultos. O aumento do número

A alergia alimentar é uma doença consequente a uma resposta imunológica anômala que ocorre após a ingestão de um alimento. O sistema imunológico entende aquele alimento como um inimigo e passa a produzir anticorpos

de casos tem sido relacionado não somente a fatores genéticos, mas também a fatores ambientais, flora intestinal (4) e parto por cesariana. Estudos apresentam que em cesarianas, como não existe o contato do bebê com a flora da mãe, o processo de desenvolvimento da flora intestinal no bebê é mais lento podendo levar a um aumento de alergias. Por isso, o aleitamento materno é tão importante, porque nele existem anticorpos que protegem o bebê. Alguns constituintes da clara como a albumina, ovomucoide, ovoalbumina, conalbumina e lisozima são responsáveis pelo processo alérgico. Estudos demonstram que a alfa livetina, presente na gema, também parece ser responsável pelo desencadeamento da alergia (5). Ainda assim, observa-se que a clara possui um potencial alergênico muito maior se comparada com a gema. Em relação à alergia infantil, estudos apresentam que o processo é transitório e apresenta resolução com o crescimento da criança. Especificamente em relação ao ovo, a resolução da alergia, ocorre em cerca de 50% dos casos na faixa etária de 2 a 9 anos (4). Em alguns casos a resolução pode ocorrer a partir dos 16 anos. Entretanto, casos severos são encontrados em adultos.

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