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Editorial Em fevereiro exportação de ovos comerciais atingiu bons volumes Neste espaço na Revista do OvoSite vamos chamar a atenção para um levantamento efetuado pelo OvoSite junto ao sistema de estatísticas do comércio exterior – comex stat – indica que os embarques de ovos de mesa exportados seguem apresentando bons volumes neste início de ano. A análise aponta que em fevereiro o total de ovos comerciais in natura embarcado alcançou 19,393 milhões de ovos (quase 53,9 mil caixas), significando o segundo maior volume dos últimos 60 meses. Com isso, apresenta evolução extraordinária sobre o mesmo período do ano passado. De toda forma, importante ressaltar que o alto índice de variação anual se deve ao fato de os embarques do ano anterior terem sido extremamente baixos. O total embarcado no bimestre alcança, por ora, volume de 41,640 milhões de ovos e equivale a aumento próximo de 300% sobre o embarcado no mesmo período do ano passado. Aliás, a soma bimestral já alcança quase três quartos do total anual de 2020. O volume acumulado de março de 2020 a fevereiro de 2021 alcança 88,294 milhões de ovos e representa 112,4% de aumento sobre o mesmo período imediatamente anterior. Como o total de ovos embarcados em março do ano passado ficou abaixo de um milhão de unidades, é quase certo que - mesmo afetado pelas medidas mais restritivas no enfrentamento ao vírus pandêmico da Covid-19 em diversos países - o volume deste ano deve ser maior. A confirmar.

Sumário

06 O ovo e a alergia alimentar 08 A importância do ovo na merenda escolar

10 Certificação Ovos Plus Quality leva

excelência à produção avícola de postura no RS

12 Como está a ‘blindagem’ do Brasil contra a Influenza Aviária Especiais

14 Hendrix Genetics

Integração do melhoramento genético com a nutrição de precisão

16 Cargill

Alternativas para maximizar o desempenho das poedeiras no cenário de altos custos de matérias-primas

18 Evonik

Como mitigarmos o impacto dos altos custos de produção sobre a cadeia de produção de ovos?

20 Vaccinar

22 Fórum de Líderes da Avicultura de

Postura: evento promovido pela Ceva debate avanço do setor

28 2020/2021: Grupo Mantiqueira investe,

amplia seu negócio no setor de postura com olhos na crescente demanda

30 Katayama amplia operações e supera 1 bilhão de ovos produzidos em 2020

38 Quais os benefícios de práticas de One Health na Postura Comercial?

Mundo Agro Editora Ltda. Rua Erasmo Braga, 1153 13070-147 - Campinas, SP

Publicação Bimestral nº 61 | Ano VII Março/2021

EXPEDIENTE Publisher Paulo Godoy paulo.godoy@mundoagro.com.br Redação Giovana de Paula (MTB 39.817) imprensa@avisite.com.br Comercial Natasha Garcia e Paulo Godoy (19) 3241 9292 (19) 98963-6343 comercial@mundoagro.com.br Diagramação e arte Mundo Agro e Luciano Senise senise@senise.net Internet Gustavo Cotrim webmaster@avisite.com.br Administrativo e circulação financeiro@avisite.com.br

Para facilitar o acesso às matérias que estão na internet, disponibilizamos QrCodes. Utilize o leitor de seu computador, smartphone ou tablet

40 Uniwall® MOS 25: melhoria dos

parâmetros produtivos em aves de postura comercial em períodos de estresse térmico

47 Desempenho do Ovo 48 Matérias-primas 49 Ponto Final

Agronegócio não pode bancar o rombo fiscal Fábio de Salles Meirelles

Estratégias nutricionais frente à alta do milho e do farelo de soja

Revista do Ovo

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Eventos

2021

As 4 notícias mais lidas no OvoSite em Fevereiro

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Março 22 a 26

Show Rural Coopavel (exclusivamente digital) Local: Cascavel, PR Realização:Cooperativa Agroindustrial de Cascavel – Coopavel Endereços de acesso: youtube.com/showruralagro www.showrural.com.br

Abril 6a8

21º Simpósio Brasil Sul de Avicultura Local: Centro de Cultura e Eventos Plinio Arlindo de Ness – Chapecó, SC Realização: Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas de Santa Catarina (NUCLEOVET) Site: www.nucleovet.com.br

Ceva promove Fórum de Líderes da Avicultura de Postura Unidade de Negócios Aves da Ceva realizará em 22 de fevereiro às 17h seu primeiro evento virtual do ano direcionado para todos os profissionais ligados à produção de ovos.

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Ovos: reajuste proporciona novo recorde ao setor Mesmo com a reposição de mercadoria dentro da normalidade, a limitada disponibilidade de produto na base de produção proporcionou novos reajustes nos negócios realizados com ovos brancos e vermelhos.

Maio/Junho 30 a 2 de junho

3ª Conbrasul Ovos - Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos Local: Wich Serrano Resort & Convention - Gramado, RS Realização: Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV) Programa Ovos/Rio Grande do Sul Site: www.conbrasul.ovosrs.com.br

Junho 22 a 24

Conferência FACTA 2021 Realização: Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia Avícolas – FACTA Site: www.facta.org.br 23 e 24

6ª Feira de Avicultura e Suinocultura Capixaba (FAVESU)

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Ovos: plantel de galinhas em produção em fevereiro O plantel de galinhas para produção de ovos brancos e vermelhos inicia fevereiro apresentando crescimento pelo nono mês consecutivo e continua preparado para atender as necessidades do mercado interno e externo.

Local: Centro de Eventos Padre Cleto Caliman (Polentão) Venda Nova do Imigrante, ES. Realização: Associação dos Avicultores do Espírito Santo (AVES) e Associação de Suinocultores do Espírito Santo (ASES) Site: www.favesu.com.br

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Rodrigo Monaco, Sanovo Technology Group aponta: “Setor de ovos pode ser tão competitivo quanto o de corte na América do Sul” A Sanovo Technology Group divulgou, através de um podcast com Rodrigo Monaco, Gerente de Vendas da Empresa, toda a sua confiança no setor de ovos na América do Sul.

Há 05 anos no OvoSite www.avisite.com.br

Exportação de ovos comerciais em janeiro de 2016 Campinas, 23/02/2016 - No primeiro mês desse novo ano civil a exportação de ovos comerciais sofreu retrocesso anual de 20%. O volume embarcado atingiu 31 milhões de unidades, ou, 2.584 mil dúzias, o segundo pior volume alojado em janeiro dos últimos cinco anos. Em relação ao mês anterior, dezembro, houve incremento de 22,3%. Nos últimos 12 meses – fevereiro de 2015 a janeiro de 2016 - o setor de postura comercial exportou 247,3 milhões de ovos, superando em quase 45% os embarques do mesmo período imediatamente anterior. Entretanto, representa somente dois terços do que foi embarcado nos doze meses do já distante ano de 2012. No decorrer do ano passado o aumento das exportações de ovos ajudou a manter certo equilíbrio no mercado interno de ovos e propiciou ao setor de postura comercial atravessar o momento conturbado da economia brasileira sem grandes dificuldades. Para esse ano, o aumento dos embarques pode ser, novamente, o ponto de equilíbrio em relação ao volume ofertado no mercado interno pois, segundo analistas econômicos, os problemas internos na economia prevalecem e podem se intensificar. Com isso, o consumo de alimentos pode ser atingido com maior intensidade. Além disso, o custo de produção tende a permanecer alto.

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Revista do Ovo


Revista do Ovo

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Nutrição

O ovo e a alergia alimentar

As alergias alimentares estão relacionadas a produção de anticorpos do tipo IGE mediados ou não mediados, que desencadeiam vários processos que levam a inflamação com a presença de alterações e distúrbios na pele como dermatite atópica, no sistema gastrointestinal, como diarreia e no sistema respiratório como asma e, em casos mais graves, a anafilaxia Lúcia Endriukaite, Nutricionista do Instituto Ovos Brasil.

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urante o mês de outubro do ano passado, o IOB esteve presente de forma online em várias escolas técnicas e faculdades realizando palestras para alunos, professores e pessoas da comunidade falando sobre a importância do ovo na alimentação. Algumas perguntas foram recorrentes, por isso, o tema deste informativo é sobre alergias alimentares relacionadas ao ovo. A alergia alimentar é uma doença consequente a uma resposta imunológica anômala que ocorre após a ingestão de um alimento (1). O sistema imunológico entende aquele alimento como um inimigo e passa a produzir anticorpos. Ao contrário da intolerância alimentar, que consiste na dificuldade do organismo de processar o nutriente ingerido por falta de uma determinada enzima, as alergias alimentares estão relacionadas a produção de anticorpos do tipo IGE mediados ou não mediados, que desencadeiam vários processos que levam a inflamação com a presença de alterações e distúrbios na pele como dermatite atópica, no sistema gastrointestinal, como diarreia e no sistema respiratório como asma e, em casos mais graves, a anafilaxia. (2) Não existe um dado oficial sobre

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Revista do Ovo

a prevalência de casos de alergia no Brasil, mas estima-se que no mundo seja cerca de 10% (3). Em relação ao ovo, as crianças menores de três anos são as mais acometidas, algo em torno de 6% contra 3% relativo aos adultos. O aumento do número

A alergia alimentar é uma doença consequente a uma resposta imunológica anômala que ocorre após a ingestão de um alimento. O sistema imunológico entende aquele alimento como um inimigo e passa a produzir anticorpos

de casos tem sido relacionado não somente a fatores genéticos, mas também a fatores ambientais, flora intestinal (4) e parto por cesariana. Estudos apresentam que em cesarianas, como não existe o contato do bebê com a flora da mãe, o processo de desenvolvimento da flora intestinal no bebê é mais lento podendo levar a um aumento de alergias. Por isso, o aleitamento materno é tão importante, porque nele existem anticorpos que protegem o bebê. Alguns constituintes da clara como a albumina, ovomucoide, ovoalbumina, conalbumina e lisozima são responsáveis pelo processo alérgico. Estudos demonstram que a alfa livetina, presente na gema, também parece ser responsável pelo desencadeamento da alergia (5). Ainda assim, observa-se que a clara possui um potencial alergênico muito maior se comparada com a gema. Em relação à alergia infantil, estudos apresentam que o processo é transitório e apresenta resolução com o crescimento da criança. Especificamente em relação ao ovo, a resolução da alergia, ocorre em cerca de 50% dos casos na faixa etária de 2 a 9 anos (4). Em alguns casos a resolução pode ocorrer a partir dos 16 anos. Entretanto, casos severos são encontrados em adultos.


Lúcia Endriukaite

"Em relação à alergia infantil, estudos apresentam que o processo é transitório e apresenta resolução com o crescimento da criança"

Ainda assim, o ovo não deve ser descartado da alimentação infantil. A partir do sexto mês, os alimentos são introduzidos na alimentação do bebê para atender uma nova demanda de nutrientes decorrente do desenvolvimento da criança. O ovo é fonte de proteínas, contém uma dose significativa de colina, importante para o desenvolvimento cerebral. Além disso, fornece luteína e zeaxantina, carotenoides facilmente absorvidos pela presença de gordura na gema do ovo. Vitaminas do complexo B, vitaminas lipossolúveis A, D, E, K e minerais também estão presentes na gema do ovo sendo, portanto, um alimento importante para o bebê. Existem algumas maneiras capazes de minimizar os efeitos negativos do ovo no processo da alergia alimentar. A desnaturação da proteína através do cozimento é uma alternativa importante que melhora a tolerância ao alimento; assim, o ovo cozido apresenta maior tolerância quando comparado ao alimento cru. Existem estudos que apresentam a associação do ovo a outro alimento com farinha em preparação como o

muffin, por exemplo, aumenta a tolerância. Isso acontece porque a combinação de proteínas, carboidratos e gorduras interferem na identificação pelo anticorpo (6). O ovo é um alimento de baixo custo e de fácil aceitação, que pode estar presente como ingrediente em preparações ou simplesmente ser oferecido como alimento principal da refeição, a popular mistura. O fato é que conforme mencionado acima, o ovo é um alimento que contribui para a promoção da saúde. É importante ressaltar que quando o assunto é alergia alimentar ou intolerância, é fundamental que as pessoas responsáveis pela alimentação da criança sejam orientadas pelo profissional de saúde – médico e/ou nutricionista para o manejo da refeição e assim garantir o bem-estar da criança.

Referências: 1-Solé D, Silva LR, Cocco RR, Ferreira CT, Sarni RO, Oliveira LC, at al. Consenso Brasileiro sobre Aergia Alimentar: 2018- Parte 1- Etiopatogenia, clinica e dignostico. Documento conjunto elaborado pela So-

ciedade Brasileira de ediatria e Associaão Brasileira de Alergia e Imunologia. Arq Asma Alerg Imunol.2018;2(1):7-38 2- Associação Brasileira de Alergia e Imunologia ( ASBAI), https:// asbai.org.br acesso em 14/01/2021 3- Senna SN, Scalco MF, Azalim SP, Guimaraes LL, Filho W. Achados epidemiológicos de alergia alimentar em crianças brasileiras: Analise de 234 testes de provocação duplo -cego placebo-controlado (TPDCPCs). Arq Asma Alerg Imunol.2018;2(3):344-3504 4- Ferreira CT, Seidman E. Food allergy: a practical update from the gastroenterological viewpoint. J. Pediatr. (Rio J.), Porto Alegre , v. 83, n. 1, p. 7-20, Feb. 2007 . 5- Urisu A, Kondo Y, Tsuge I. Hen's Egg Allergy. Chem Immunol Allergy. 2015;101:124-30. doi: 10.1159/000375416. Epub 2015 May 21. PMID: 26022872. 5- Leonard SA. Debates in allergy medicine: baked milk and egg ingestion accelerates resolution of milk and egg allergy. World Allergy Organ J. 2016;9:1. Published 2016 Jan 26. doi:10.1186/s40413-015-0089-5 Revista do Ovo

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Nutrição

A importância do ovo na merenda escolar Segundo a Política Nacional de Alimentação e Nutrição, “Uma alimentação adequada e saudável é um direito humano básico

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os últimos tempos, o Brasil passou por mudanças das mais variadas formas (políticas, econômicas, sociais e culturais), evidenciando as transformações no modo de vida da população. Os padrões de alimentação mudam rapidamente na maioria dos países, especialmente nos emergentes. As mudanças principais envolvem a substituição de alimentos in natura e processados de origem vegetal. Segundo a Política Nacional de Alimentação e Nutrição, “Uma alimentação adequada e saudável é um direito humano básico que envolve a garantia ao acesso permanente e regular, de forma socialmente justa, a uma prática alimentar adequada aos aspectos biológicos e sociais do indivíduo e que deve estar em acordo com as necessidades alimentares especiais”. Mesmo com uma intensa redução da desnutrição em nosso país, ainda existem deficiências de micronutrientes e a desnutrição crônica, que são

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Revista do Ovo

prevalentes em grupos vulneráveis da população a exemplo das crianças. O ovo como um alimento completo, pode e deve estar presente nas merendas escolares. Em média, cada unidade do alimento fornece 6g de proteína completa, de alto valor biológico – ou seja, possui em sua composição, aminoácidos essenciais para o organismo. Outro benefício do ovo é sua fácil digestão e absorção pelo corpo, que aproveita muito bem a capacidade nutricional. Em média, cada unidade do alimento fornece 6g de proteína de alto valor biológico, ou seja, possui em sua composição, aminoácidos essenciais para o crescimento e desenvolvimento da criança. Fazem parte das demandas nutricionais da criança todos os micronutrientes, sobretudo as vitaminas e minerais, além de carboidratos e gorduras, necessárias ao fornecimento de energia. Os ovos são ricos em vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) e do com-

plexo B, em minerais como ferro, fósforo, zinco e selênio, além de luteína e zeaxantina, e ácidos graxos essenciais para a boa saúde das artérias, além de nutrientes com função antioxidante, que combatem radicais livres. Além disso, o ovo contém ácidos graxos mono e poliinsaturados que são gorduras boas, vitaminas do complexo B como a vitamina B12 e colina, vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), minerais como ferro, fosforo e selênio, carotenoides luteína e zeaxantina, importantes para o desenvolvimento da criança. além de carboidratos e gorduras, necessárias ao fornecimento de energia. Todo este conjunto de nutrientes colabora com melhor cognição e participa do desenvolvimento da criança O ovo pode ser de preparado das mais diversas formas, deve ser agradável ao paladar e seu preparo ajustado as condições da escola. A busca por receitas ajustadas as técnicas de preparo podem melhorar a aceitação deste alimento tão nobre.


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Qualificação

Certificação Ovos Plus Quality leva excelência à produção avícola de postura no RS A evolução das ações realizadas e resultados obtidos auxiliaram na maturidade do segmento de Postura Comercial e tornaram as atividades do Programa Ovos RS conhecidas nacional e internacionalmente

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m 2012, a Associação Gaúcha de Avicultura, a ASGAV, criou o Projeto Ovos RS, que evoluiu para Programa Ovos RS, composto por um módulo de incentivo ao consumo e um módulo técnico de avaliação e suporte aos estabelecimentos produtores. A evolução das ações realizadas e resultados obtidos auxiliaram na maturidade do segmento de Postura Comercial e tornaram as atividades do Programa Ovos RS conhecidas nacional e internacionalmente. Todas as atividades realizadas, estabelecimentos participantes, resultados das avaliações técnicas são apresentados ao Serviço Oficial. Em janeiro, a Associação Gaúcha de Avicultura deu mais um importante passo para a qualificação da produção avícola de postura no estado. A entidade lançou o PROGRAMA DE CERTIFICAÇÃO OVOS PLUS QUALITY, que foi construído a partir das experiências obtidas com o Programa Ovos RS. O objetivo é certificar as Boas Práticas de Produção, Bem-estar animal, Respeito as Normas Vigentes para cada Sistema de Criação, Rastreabilidade, Qualidade e Inocuidade de ovos de Galinha e de Codorna (in natura) visando expandir o mercado brasileiro de ovos em especial para o mercado externo.

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Revista do Ovo


Programa de Certificação Ovos Plus Quality Desenvolvido pela ASGAV e Programa OVOS RS Instituto SENAI de Alimentos e Bebidas/ RS foi contratado para atuar no desenvolvimento dos requisitos de certificação Instituto SENAI de Tecnologia em Mecatrônica (INMETRO) foi contratado para atuar como Organismo de Certificação (executor das auditorias). O Programa de Certificação Ovos Plus Quality fornece materiais técnicos e orientação acerca das etapas do processo de certificação. - Avaliação dos estabelecimentos, avaliação documental e avaliação in loco de todas as áreas que compõem o sistema produtivo é realizada por auditores independentes sob gestão de Organismo de Certificação. - Após aprovado, o estabelecimento interage com a equipe Ovos Plus Quality que orienta a elaboração das embalagens com o Selo de Identificação da Conformidade.

- Estabelecimento recebe informações para desenvolver suas estratégias de comunicação e tem seu nome vinculado as ações de marketing do Programa de Certificação Ovos Plus Quality. - Programa de Certificação Ovos Plus Quality faz monitoramento das condições dos produtos certificados junto aos pontos de venda e gerencia informações recebidas dos consumidores e do Serviço Oficial. - Programa de Certificação proposto pelo setor produtivo, mas com idoneidade assegurada por contar com organismo de certificação sem vínculos e acreditado INMETRO. - Certificação voluntária. - Elaborado considerando legislações e recomendações nacionais e internacionais, bem como os sistemas e práticas produtivas já instituídas. - Foco no sistema produtivo como um todo e em apresentar informações claras ao consumidor. Sistemas de produção passíveis de certificação

CONVENCIONAL – aves alojadas em gaiolas, respeitando a redução na densidade de alojamento proposta CAGE FREE – aves alojadas LIVRES de gaiolas FREE RANGE – aves alojadas LIVRES de gaiolas com acesso a área externa CAIPIRA – aves alojadas LIVRES de gaiolas com acesso a área externa e respeitando os critérios da ABNT 16437:2016 OVOS DE CODORNA – codornas alojadas em um dos sistemas de criação mencionados e atendendo critérios específicos para a espécie ORGÂNICO – Produção de ovos a partir de aves alojadas em galpões livres de gaiolas e com acesso a área externa (piquetes), seguindo os critérios previstos na legislação brasileira da produção orgânica (alimentação orgânica, densidade de alojamento ajustada, manejo racional dos animais e ambientes de produção).

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Saúde Animal

Como está a ‘blindagem’ do Brasil contra a Influenza Aviária Ariel Mendes, FACTA e ABPA, comenta sobre o Plano de Contingência contra a Influenza Aviária

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Ariel Mendes

“Para o setor de postura comercial, onde predomina a produção por produtores pequenos e médios, o fundamental é a conscientização dos mesmos e dos técnicos que atuam na atividade a fim de que redobrem os cuidados de biosseguridade nas granjas”.

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Revista do Ovo

Ministério da Agricultura tem um plano de contingência contra a Influenza Aviária para o setor avícola que é atualizado periodicamente com base em discussões realizadas por um grupo de trabalho que conta com a participação do governo e do setor privado. Quem explica o tema é Ariel Antônio Mendes, Presidente da Fundação Apinco de Ciência e Tecnologia Avícolas (FACTA) e membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Proteína Animal. Com exclusividade à Revista do OvoSite, Mendes afirmou que no plano de contingência são definidas as ações de prevenção para evitar a entrada do vírus no Brasil, o programa de monitoria passiva e ativa e os procedimentos para a erradicação de focos caso ocorram surtos em nosso país. “No caso do setor privado, especificamente, a ABPA, tem um Grupo de Trabalho chamado GPIA, ou Grupo de Prevenção de Influenza Aviária onde são detalhadas as ações de prevenção a nível das empresas”, disse Ariel Mendes. “Um robusto programa de treinamento foi realizado nos últimos anos para conscientizar as empresas sobre os riscos da enfermidade e para prepara-las para mitigar os prejuízos econômicos em caso de surtos. Uma parte importante do plano é o programa de comunicação onde são detalhados os procedimentos a serem adotados pela ABPA para apresentar para a sociedade e para os importadores


O programa de compartimentação é uma ferramenta excelente e que deveria ser implementado pelo menos pelas empresas exportadoras

as ações que serão realizadas para a erradicação de focos caso a enfermidade ocorra em nosso país”, afirmou. Ariel Mendes contou ainda que como a Influenza Aviária é uma enfermidade transfronteiriça, no momento a ABPA está trabalhando junto com a ALA – Associação Lationamericana de Avicultura, num

plano de contingência para a região do Mercosul Ampliado, a fim de definir as ações a serem desenvolvidas para a erradicação de focos caso ocorram surtos na região. Esse plano está sendo elaborado com a colaboração da Regional da OIE e do IICA.

É preciso manter a máxima atenção à prevenção à Influenza Aviária para evitar prejuízos enormes ao setor O sucesso dos programas de erradicação de focos ocorridos em vários países é o diagnóstico precoce e a preparação do serviço oficial e do setor privado. Para isso, o setor tem que ter pessoal treinado, laboratórios de diagnóstico equipados e EPIs para atuar nos focos. É o que explica Ariel Mendes. “Se a doença não for erradicada rapidamente haverá perdas de mercados para a exportação e corremos o risco de ter de conviver com o vírus circulando de forma endêmica em nosso país”, disse. “Atualmente, as empresas médias e pequenas tem

seus próprios planos de contingência bem detalhados e sabem o que fazer para prevenir a entrada do vírus em seus planteis e para auxiliar o serviço veterinário oficial na erradicação. Mas, esse trabalho precisa ser coordenado por uma equipe especial da empresa, a qual deve contar com o apoio incondicional da alta direção pois os investimentos são altos”, detalhou. Ainda segundo Ariel Mendes, em nível macro, o programa de compartimentação é uma ferramenta excelente e que deveria ser implementado pelo menos pelas empresas exportadoras. “Atualmente, todas as casas genéticas de corte e postura estão compartimentadas, bem como a unidade da Seara de Itapiranga em Santa Catarina. Outras empresas têm processos em andamento. Mas, temos que fazer um esforço para que no curto prazo pelo menos as granjas de avós implementem o programa para facilitar a circulação de material genético caso ocorram surtos no Brasil evitando um colapso no abastecimento de pintos de um dia”, afirmou. Revista do Ovo

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Hendrix Genetics

Especial

Integração do melhoramento genético com a nutrição de precisão A constante evolução do potencial genético das aves faz com que revisemos constantemente as exigências das aves e a forma mais rentável de atendê-las Diogo Tsuyoshi Ito – Coordenador Técnico Hisex – Hendrix Genetics Ltda: Diogo.ito@hendrix-genetics.com

O

melhoramento genético continua evoluindo para atender demandas dos produtores e dos consumidores tais como melhor eficiência produtiva e econômica sob diversas condições de criação e que respeitem as exigências de bem estar animal, além das qualidades visuais e sensoriais do alimento produzido. Ao final, perdas de eficiência ao longo da cadeia produtiva representam desperdício de recursos (naturais, financeiros, mão de obra, tempo) que influenciam na sobrevivência, crescimento e evolução das empresas produtoras de ovos. Atualmente podemos descrever como objetivos possíveis e reais de serem alcançados os parâmetros zootécnicos que vemos na tabela. O potencial genético e econômico das aves depende do equilíbrio da aplicação dos conhecimentos adquiridos em nutrição, sanidade, ambiência e manejo. A combinação destas variáveis e suas possiblidades é que proporciona a variedade de resultados que observamos no campo, para mais ou para menos, para melhor ou para pior. Em alguns casos, uma situação deficitária num aspecto demanda maior esforço de outra área para manter este equilíbrio resultando em aumento de custos fi-

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Revista do Ovo

xos (densidade de alojamento e climatização), em outros casos a combinação de fatores possibilita redução de custos (consumo de ração e densidade nutricional). Em ambas as situações, o “barato não pode sair caro” e o custo da solução não pode

Muitas vezes não mexemos em time que está ganhando, mas em momentos de crise, corremos o risco do campeonato terminar antes das mudanças fazerem efeito

ser mais alto do que o custo do problema. Durante a fase de cria e recria a ave é preparada semana a semana para se tornar uma poedeira rentável. Na fase de produção a galinha é poedeira todo o dia mas não é o dia todo porque as exigências nutricionais mudam ao longo do dia para atender o processo de formação do ovo. A constante evolução do potencial genético das aves faz com que revisemos constantemente as exigências das aves e a forma mais rentável de atendê-las. As linhagens genéticas respondem de forma diferente nas diversas situações de criação, e a constância de resultados é importante para ajudar na previsibilidade das granjas (menos oscilações de produção, menos problemas sanitários que demandem custos extras, equilíbrio entre consumo de ração e exigências nutricionais, qualidade dos ovos estável). A integração balanceada entre nutrição e o melhoramento genético passa por diversos aspectos, dentre eles: - Ganho de peso corporal: a ave passa por diversas fases e depende do desenvolvimento adequado de órgãos, estrutura óssea, muscular e reprodutiva. Frangas bem formadas iniciam melhor a fase produtiva, ga-


Tabela: Objetivos possíveis e reais de serem alcançados conforme os seguintes parâmetros zootécnicos: Linhagens White Linhagens Brown Parâmetros* A1 B1 C1 D1 E1 A2 B2 C2 D2 PC 05 sem (g) 347 350 347 325 334 398 398 360 375 PC 10 sem (g) 752 760 752 745 802 909 909 855 870 PC 15 sem (g) 1.143 1.152 1.143 1.101 1.140 1.370 1.370 1.236 1.305 PC 25 sem (g) 1.550 1.579 1.551 1.559 1.598 1.796 1.796 1.831 1.780 PC 35 sem (g) 1.662 1.665 1.651 1.612 1.649 1.885 1.885 1.878 1.830 CR (0-17 sem) (kg/ave) 5,8 5,8 5,8 6,1 6,7 6,6 6,6 6,6 6,3 CR (18-90 sem) (kg/ave) 54,6 54,9 53,6 53,4 52,7 56,8 56,6 63,4 57,5 OAA 426 427 426 428 422 424 420 412 406 Peso Médio dos ovos (g) 61,7 62,2 61,7 57,4 61,4 61,8 62,6 63,1 62,5 Kg de ração total por OAA 0,141 0,142 0,144 0,140 0,143 0,150 0,150 0,154 0,158 PC = Peso Corporal; CR = Consumo de ração); OAA = Ovos Ave Alojada; *base manuais de manejo disponíveis no Brasil em Jan/2021.

potencial conseguem genético e econômico das do aves depende do equilíbrio da aplicação linhas bemOestruturadas - Integridade sistema gastrinpoedeiras para produzir 01dos caixa de testinal: Órgãos íntegros e funcionanmanter picos de produção e de quaovos. Se a produção estiver em conhecimentos adquiridos em nutrição, sanidade, ambiência e manejo. A combinação destas 80%, lidade dos ovos por mais tempo. do são essenciais para que o máximo necessitaremos de 450 poedeiras para variáveis e suas possiblidades é que proporciona a variedade de resultados que observamos no - Consumo de ração: estimular possível de nutrientes possa ser aproproduzir a mesma caixa de ovos. Porcampo, paraadequados mais ou para menos, parapelas melhor paraneste pior. Em alguns casos, umae situação veitado aves.ou Falhas sistetanto, acompanhar comparar o renos momentos para promover a atividade equilibrada das ma podem resultar em mais problesultado dos lotes é importante para mas (sanitários, de qualidade dos aves nas gaiolas ou nos galpões cage avaliar se as decisões da granja estão ovos, de longevidade dos lotes etc.) e/ free. Também deve-se observar a faadequadas ou não aos diferentes mocilidade de acesso aos comedouros mentos do mercado. E além da quanou demandar mais ajustes nutricionais para atender as exigências nutritidade de ração que está sendo neces(às vezes o excesso de preocupação cionais das aves. sária para produzir a caixa de ovos, o com o escape de aves causa dificuldades para o consumo), disponibili- Resistências naturais e estabilidacusto da ração deve ser considerado dade da ração ao longo do dia e da de produtiva: Frequentes problemas para chegarmos ao custo de produção noite e granulometria da ração. sanitários prejudicam o consumo de da caixa. - Consumo de água: não há conração das aves. É importante avaliar/ Muitas vezes não mexemos em tisumo de ração se não houver dispome que está ganhando, mas em moregistrar o comportamento dos lotes nibilidade de água para as aves. Rementos de crise, corremos o risco do (incidência e intensidade de problecomenda-se estudar a quantidade de mas e velocidade de recuperação). campeonato terminar antes das mudanças fazerem efeito. A “análise mabebedouros por ave e como são ajus- Qualidade externa e interna dos tados para cada semana de vida da cro” da atividade é necessária para a ovos: O ovo depende da qualidade ave (apenas um bebedouro por gaioelaboração de estratégias e planos para chegar bem à mesa do consumila representa risco de falta de água dor. A qualidade externa do ovo é faque possibilitem a rentabilidade e tor determinante nas escolhas do para a gaiola inteira), a qualidade de continuidade da produção de ovos. consumidor no ponto de venda. A água (que sofre influência do regiPara isso, o domínio da “visão micro” me de chuvas de cada granja) e moqualidade interna do ovo tem influ(o dia a dia das granjas) é importante. nitorias estruturais no galpão (falta ência na decisão de recompra do proContinuamos orientados pelo deduto. sempenho e sustentados pela qualide água, vazamentos, pressão). O dade de nossos produtos para contri- Conversão alimentar e custo por aumento de produtividade dos lotes buir cada vez mais com a cadeia proovo produzido: Se um lote estiver tem relação direta com maior demanda por água. dutiva dos ovos. produzindo 90% são necessárias 400 Revista do Ovo

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Especial

Cargill

Alternativas para maximizar o desempenho das poedeiras no cenário de altos custos de matérias-primas É fundamental realizar tanto a análise estratégica do negócio, quanto a nutricional Victor Sales – Consultor de aplicação – Enzimas LATAM Sul Kaneo Nagata – Consultor técnico nacional - Poedeiras

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avicultura de postura ennóstico baseado na análise de dados e suplementar as enzimas endógenas frenta um momento de alo uso de modelos preditivos. Nesta produzidas em baixa quantidades ou tos preços do milho e soja análise, com o uso de modelos matenão produzidas pelas aves, permitir a máticos, são criados cenários permidevido ao aumento da deutilização de ingredientes de baixa dimanda externa causado pelo cenário tindo o produtor avaliar o quanto progestibilidade, aumentar a digestão de duzir e quais mudanças seriam necespositivo do dólar. Nos últimos 12 mecarboidratos complexos (arabinoxilases o preço do milho teve um aumensárias na produção e nas dietas para nos e B-glucano), liberar de fósforo fíto de mais de 65%, enquanto a soja tico e reduzir a ação dos fatores antigarantir a máxima rentabilidade. Na nutricionais (inibidores de proteases, acima de 100%, o que vem afetando o revisão nutricional, a análise das formulações desde aspectos para minigossipol, polissacarídeos não amilácecusto de produção e exigindo dos produtores maior capacidade de utilizar mizar custo, embasado no conceito de os, ácido fítico e outros). Além disto, estratégias para minimizar os custos proteína ideal, uso de alimentos alterreduz os custos com a alimentação nativosnaoumucosa subprodutos até oe uso esdas rações.assim como evita efeitos deletérios por minerais, intestinal o aumento dapermitir a utilização de ingredienaditivos para otimização tes disponíveis e baratos, aumentando Neste momento é fundamental viscosidade da digesta (Dusel et al.,re-1998;tratégico Bedford,de2000; Meng et al., 2005). alizar Quando tanto a analisamos análise estratégica do dodas dietas, fundamentais o suaedigestibilidade e mantendo ou auo aumento custo das são fontes inorgânicaspara de fósforo mentando a produção e qualidade dos negócio, quanto nutricional. Na sucessoo da no farinhas de origema animal no cenário atual, usoavicultura da fitase de trazpostura uma redução na análise estratégica é importanteeverifide matériasutilização desses ingredientes permite cenário a reduçãodenoaltos custocusto por tonelada de raçãoovos de (DUSEL et al., 1998; BEDFORD, até não R$173, quando comparado com rações sem enzimas e com uso de fosfato, car apenas a produção das aves, -primas. 2000; MENG et al., 2005; LEESON & conforme gráfico 1. idade de descarte e programação dos As enzimas exógenas são os aditiSUMMERS, 2001). Dentre as enzimas vos que são utilizados nas rações para lotes, mas fazer um profundo diagdisponíveis no mercado destacamos a fitase, xilanase, B-glucanase e protea1938 se e suas combinações como ferramenta de otimizar as formulações. A suplementação de fitase em dietas para poedeiras tem por finalidade 1813 reduzir a inclusão do fósforo (P) inor1771 1765 gânico, o que permite a melhor utilização do fósforo fítico dos ingredientes de origem vegetal. Estudos recenCom fosfato Com Farinha de EnzaePhos 300 EnzaePhos 500 tes demonstram que os benefícios da carne FTU FTU suplementação de fitase exógena não Gráfico 1 – Comparação do custo de formulação das principais fontes de fósforo e níveis de fitase. se restringem a melhor liberação e utiCusto milho: R$1400; Farelo de soja R$2100; Fosfato monobicálcico R$3700; Farinha de carne 3690. lização de P proveniente de fitato, mas Enzae Phos: Fitase termoestável. também, reduz a capacidade do fitato FTU= Unidades de atividade da fitase.

pelo prisma da nutrição, a energia, proteína e fósforo apresentam o RevistaOlhando do Ovo 16 maior impacto nos custos de formulação, respectivamente. O custo de unidade de


aumentar a eficácia da fitase, através do aumento da disponibilidade de substrato, incluindo fitato, aprisionado no complexo da matriz alimentar (Ravindran de 1999 et al.; Juanpere et al, 2005; Cowieson et al, 2006; Olukosi et al, 2007, 2008), sendo o uso das combinações (blends) uma estratégia nutricional essencial para melhorar o desempenho produtivo e redução do custo de ração conforme os dados abaixo. ligar-se a proteínas e aminoácidos, amido, enzimas digestivas (pepsina, tripsina e α-amilase), minerais, assim como evita efeitos deletérios na mucosa intestinal e o aumento da viscosidade da digesta (Dusel et al., 1998; Bedford, 2000; Meng et al., 2005). Quando analisamos o aumento do custo das fontes inorgânicas de fósforo e farinhas de origem animal no cenário atual, o uso da fitase traz uma redução na utilização desses ingredientes e permite a redução no custo por tonelada de ração de até R$173, quando comparado com rações sem enzimas e com uso de fosfato, conforme gráfico 1. Olhando pelo prisma da nutrição, a energia, proteína e fósforo apresentam o maior impacto nos custos de formulação, respectivamente. O custo de unidade de energia saltou de R$0,45/Kcal de energia da dieta para R$0,92/Kcal nos últimos 6 meses. O custo do ponto de proteína aumentou 30% enquanto o fósforo 55%, o que torna a utilização das enzimas fundamental para redução de custos, uma vez que melhora a digestibilidade destes e outros composto da dieta. A enzima xilanase atua rompendo as paredes celulares da fibra para liberar os xilo-oligômeros (GIACOMETTI, 2002). A degradação das paredes celulares dos cereais permite maximização da ação enzimática endógena do animal sobre a degradação do amido, do lipídio e da proteína, aumentando

As enzimas exógenas são os aditivos que são utilizados nas rações para suplementar as enzimas endógenas produzidas em baixa quantidades ou não produzidas pelas aves

1950

1900

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1850

1813

1800 1750 1700

Com fosfato

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1757

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Com Farinha de Enzae Phos 300 Enzae Phos Enzae Phos carne FTU 300FTU + Enzae 300FTU + Enzae Carbo Fusion

Gráfico 2 – Comparação do custo de formulação das principais fontes de fósforo e associações de enzimas. Custo milho: R$1400; Farelo de soja R$2100; Fosfato monobicálcico R$3700; Farinha de carne 3690. Enzae Phos: Fitase termoestável Enzae Carbo: Xilanalse e B-glucanase; Enzae Fusion: Xilanalse e B-glucanase e protease FTU= Unidades de atividade da fitase

A adição de enzimas exógenas rações demonstrado xas, reduzde os poedeiras, efeitos dos tem fatores antisua digestibilidade e reduzindo os às melhorias na digestibilidade, melhor donutricionais valor nutricional dos osalimentos, maior e tornam nutrientes efeitos antinutricionais dos polissacaflexibilidade na formulação de dietas, dos efeitos para antinutricionais, redução rídeos não amiláceos (Collins, et al. redução mais disponíveis o animal, além dos custos e menor impacto ambiental. Entretanto, há variações nos resultados que 2005). A xilanase junto com a B- Glude reduzirem a viscosidade intestinal. podem estar relacionados com a forma de aplicação, as concentrações ou as canase, favorece a inclusão de subproEm dietas a base de milho e soja, a combinações enzimáticas para os diferentes alimentos. Dessa forma, deve-se buscar a dutos como o sorgo, milheto, farelo de combinação carboidrases e proteases combinação ideal de enzimas para os diferentes alimentos e cada vez mais, entender o arroz e DDGS, que apresentam a dipodem aumentar a eficácia da fitase, modo de ação, possibilidades de uso, composição bromatológica dos ingredientes e gestibilidade relativamente baixa e através do aumento da disponibilidacontribuição das enzimas para garantir a maior eficiência e rentabilidade da produção de de substrato, incluindo fitato, apripossuem fatores antinutricionais. de poedeiras em cenários de altos custo das matérias-primas. sionado no complexo da matriz aliAs proteínas dietéticas não são utilizadas completamente pelas aves, mentar (Ravindran de 1999 et al.; Juanpere et al, 2005; Cowieson et al, com isso a inclusão de proteases exógenas na dieta pode melhorar o valor 2006; Olukosi et al, 2007, 2008), sendo o uso das combinações (blends) nutricional através da hidrólise de uma estratégia nutricional essencial certos tipos de proteínas que resistem para melhorar o desempenho produao processo digestivo através da complementação das enzimas digestivas tivo e redução do custo de ração conforme os dados do gráfio 2. das próprias aves. Isto pode ser explicado porque com a inclusão de enziA adição de enzimas exógenas às mas exógenas reduz a síntese das enrações de poedeiras, tem demonstradógenas e em consequência disso, o do melhorias na digestibilidade, melhor do valor nutricional dos alimenorganismo tem a disposição maior tos, maior flexibilidade na formulação quantidade de aminoácidos para a de dietas, redução dos efeitos antinusíntese proteica. Além disto, permite a tricionais, redução dos custos e menor redução dos excessos de aminoácidos, impacto ambiental. Entretanto, há aproximando as dietas do perfil ideal variações nos resultados que podem de aminoácidos, e evitando que estas estar relacionados com a forma de proteínas indigeridas sejam substrato aplicação, as concentrações ou as para bactérias patogênicas e excretadas para o meio ambiente. combinações enzimáticas para os diferentes alimentos. Dessa forma, deOutra importante ação das proteases é a redução dos inibidores de tripve-se buscar a combinação ideal de sina, lectinas e outros fatores antinuenzimas para os diferentes alimentos tricionais (TORRES et al., 2003). Estas e cada vez mais, entender o modo de substâncias proporcionam decrésciação, possibilidades de uso, composimos da digestibilidade da proteína e ção bromatológica dos ingredientes e da gordura e reduzem a absorção de contribuição das enzimas para garantir a maior eficiência e rentabilidade nutrientes, principalmente de aminoácidos sulfurados. Estas enzimas atuda produção de poedeiras em cenários am degradando as proteínas complede altos custo das matérias-primas. Revista do Ovo

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Especial

Evonik

Como mitigarmos o impacto dos altos custos de produção sobre a cadeia de produção de ovos? A nutrição de precisão no contexto da produção de proteína animal é fundamental para sua eficiência produtiva Maria Aparecida Melo Iuspa Diretora Técnica Evonik Brasil

A

atual conjuntura de preços de matéria-prima, os quais refletem pesadamente sobre os custos de alimentação, proíbem desvios nutricionais que tragam divergências entre aquilo que formulamos e aquilo que efetivamente entra no bico das galinhas. Tais desvios se não acom-

Nutrir com precisão vai além do contexto analítico e de adequação nutricional. É necessário um conhecimento amplo de toda a cadeia de produção de proteínas e suas demandas específica 18

Revista do Ovo

panhados e corrigidos podem trazer prejuízos de desempenho ou perdas de oportunidades para redução de custo das dietas e, por consequência, do custo de produção. A nutrição de precisão no contexto da produção de proteína animal é fundamental para sua eficiência produtiva, norteando assim sua competitividade e viabilidade. Mas como conhecer e adequar com máxima eficiência e em tempo hábil os valores nutricionais das minhas matérias-primas às minhas formulações e dietas? Como gerenciar a variabilidade e qualidade das matérias-primas para se formular rações com precisão nutricional e proporcionar ao animal sua máxima resposta produtiva? O Near Infra-Red (NIR), tecnologia já consolidada no mercado e que permite aos nutricionistas conhecer e analisar as matérias-primas com precisão e rapidez, é a principal resposta a estas perguntas. Ele fornece autonomia para que se possa tomar decisões rápidas quanto a produção da ração ou ajuste de matrizes nutricionais, bem como decisões a médio

e longo prazo como seleção de fornecedores e segregação de matérias-primas. Baseado em mais de meio século de experiência em análise de aminoácidos, a Evonik tem desenvolvido e aprimorado nos últimos 20 anos diversas calibrações NIR de alta precisão para predição de aminoácidos, parâmetros proximais, energia em ingredientes e ração, além de calibrações que avaliam a condição de processamento da soja e DDGS. Os serviços analíticos AMINONIR da Evonik são completos e de grande excelência. Entretanto, nutrir com precisão vai além do contexto analítico e de adequação nutricional. É necessário um conhecimento amplo de toda a cadeia de produção de proteínas e suas demandas específicas. Na verdade, para que a precisa nutrição seja alcançada também é fundamental conhecer e controlar o ambiente que os animais de produção vivem. Sabemos que as condições climáticas, ambientais, desafios sanitários, objetivos produtivos (desempenho), entre outros fatores, influenciarão


Para alcançar a máxima precisão precisamos abrir a cadeia de produção da proteína de forma horizontal e não apenas as variáveis que impactam a produção da ração, como um silo isolado

fortemente os requerimentos nutricionais destes animais. Sem conhecer e gerenciar eficientemente essas variáveis não há como nutrir com precisão! Contudo, para alcançar a máxima precisão precisamos abrir a cadeia de produção da proteína de forma horizontal e não apenas as variáveis que impactam a produção da ração, como um silo isolado. Tecnologias que possam monitorar toda a cadeia de produção, coletar dados e analisá-los com eficiência para eficaz tomada de decisão, incluindo influência da genética, clima, incubação (aves), entre outras variáveis, são fundamentais para atingir a produção de precisão. Tudo isso interconectado permitirá em escala global, aos nutricionistas, não somente aumentar a precisão daquilo que está sendo oferecido aos animais, como controlar melhor as variáveis que podem impactar direta-

mente sobre a qualidade da nutrição que está sendo oferecida. Dentro deste cenário, a Evonik traz ao mercado o Porphyrio, que é um software para gerenciamento eficiente da informação através do uso de big data, algoritmos de autoaprendizado, bioestatísticas e inteligência artificial, que se conecta às mais diversas tecnologias de IOT, como NIR portáteis (AMINONIR Portable®), câmeras para estimativa de peso e comportamento dos animais através da análise de imagens, sensores e balanças automáticas conectadas à internet para avaliação animal em tempo real. O futuro é hoje e já começou. Precisamos buscar de forma intensiva as tecnologias que possam ajustar o processo produtivo às demandas de mercado e consumo de forma eficiente e precisa e a Evonik pode ajudar os produtores nesta jornada. Revista do Ovo

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Especial

Vaccinar

Estratégias nutricionais frente à alta do milho e do farelo de soja Existem estratégias bastante acessíveis para contornar o aumento do milho e da soja, como o uso de alimentos alternativos com critério, bem como a utilização de aditivos enzimáticos Equipe Vaccinar

E

m tempos de dólar alto, a maior valorização de commodities principalmente milho e soja é inevitável. Este quadro impacta diretamente nos custos de produção do setor avícola, haja visto que a alimentação corresponde à aproximadamente 70% da formação dos custos. Logo, para manter-se no mercado com lucratividade, é necessário implementar ações adequadas.

Entre os custos de alimentação do setor avícola, as fontes energéticas e proteicas são as parcelas mais representativas dentro da formação do custo de fórmula 20

Revista do Ovo

O que não é uma tarefa simples, mas há estratégias adotadas na formulação de ração que podem auxiliar no processo. Independente da capacidade de cada empresa quanto a negociação, compra e armazenamento das commodities, as possibilidades para minimizar o impacto financeiro devem ser avaliadas criteriosamente, buscando aquela que possa se adequar melhor à realidade do negócio. O fato é que não existe uma “receita de bolo”, o ideal é fazer uma análise caso a caso de cada empresa e, assim, definir qual a melhor estratégia adotar para buscar a redução de custos sem impactar negativamente o resultado zootécnico dos lotes. Entre os custos de alimentação do setor avícola, as fontes energéticas e proteicas são as parcelas mais representativas dentro da formação do custo de fórmula. Dessa forma, o maior desafio da nutrição está em estabelecer níveis e fornecer alimentos capazes de atender à exigência animal sem que haja falta ou excesso de nutrientes. Logo, as estratégias nutricionais são as grandes aliadas da produção, pois o fornecimento de uma ração ajustada em níveis e ingredientes irá auxiliar que os planteis expressem

todo o seu potencial. Vale destacar que a composição das fórmulas varia de acordo com características intrínsecas a cada granja, disponibilidade de matérias-primas, a idade dos animais e com a meta de produção do avicultor. A grande parte das rações para aves são compostas por cereais, como milho, sorgo, soja e seus subprodutos (soja extrusada, óleo de soja, etc.), farinhas de origem animal (caso seja uma produção convencional), além de fontes de minerais e suplementos vitamínicos. Aditivos como probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos, óleos essenciais e enzimas entram na elaboração da ração para contribuir com melhoria de questões relativas à saúde e equilíbrio intestinal e alguns no aproveitamento de nutrientes. Dentre as alternativas para redução dos custos de formulação, a mais buscada é a utilização de ingredientes alternativos, dentre eles podemos destacar: milheto, sorgo, farelos de algodão, canola e girassol, além de grão seco de destilaria (DDG). A escolha de qual ingrediente utilizar se baseará na qualidade nutricional, disponibilidade no decorrer do ano, custo da matéria-prima frente as outras fontes e capacidade de armazenamento que o produtor dispõe.


O maior desafio da nutrição está em estabelecer níveis e fornecer alimentos capazes de atender à exigência animal sem que haja falta ou excesso de nutrientes

Outra ferramenta bastante utilizada para redução dos custos de fórmula está na utilização de enzimas, estas são compostos que já são amplamente utilizadas na produção animal, que atuarão disponibilizando nutrientes ou inativando fatores antinutricionais. A definição de qual enzima escolher vai depender do perfil de matérias-primas utilizado na formulação da dieta, pois isso estará diretamente relacionado com a quantidade de substratos para atuação das enzimas. Da mesma forma, a valorização do potencial de liberação nutricional de cada enzima deverá considerar as características de cada uma, que podem variar entre os fabricantes. Outro conceito que vem sendo utilizado amplamente na nutrição de aves é o de proteína ideal, que consiste, de maneira rápida e suscinta, em ajustar o nível de proteína bruta das dietas com base no estabelecimento de uma relação ideal entre os principais aminoácidos exigidos pelas aves. Com a adoção desse conceito é possível a redução de custos em função do menor nível proteico das dietas, po-

rém seu benefício se estende além do impacto no custo de fórmulas. Pesquisas têm mostrado que a adoção de menores níveis proteicos com a suplementação de aminoácidos sintéticos, resultam em menor acúmulo de amônia no interior das instalações e, consequentemente, melhor ambiente de criação As atuais linhagens comerciais são extremamente produtivas comparativamente às linhagens utilizadas no passado. O fato é que as melhorias genéticas realizadas ao longo de anos resultaram em animais mais exigentes do ponto de vista nutricional e de ambiente. Diante do que foi exposto, podemos ver que existem estratégias bastante acessíveis para contornar o aumento do milho e da soja, como o uso de alimentos alternativos com critério, bem como a utilização de aditivos enzimáticos. Avaliar a alternativa mais eficiente é um processo que demanda alguns cuidados para que a decisão seja acertada. Assim, o avicultor conseguirá otimizar seus custos sem comprometer o desempenho e a lucratividade da produção. Revista do Ovo

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Evento

Fórum de Líderes da Avicultura de Postura: evento promovido pela Ceva debate avanço do setor O evento foi promovido pela Unidade de Negócios Aves Ciclo Longo da Ceva e foi totalmente aberto ao público

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Ceva Saúde Animal reuniu importantes nomes da avicultura de postura do Brasil em fevereiro para a realização de um amplo debate sobre emergentes pontos para o segmento produtivo de ovos no Fórum de Líderes da Avicultura de Postura. O evento foi promovido pela Unidade de Negócios Aves Ciclo Longo da Ceva e foi totalmente aberto ao público.

"Conseguimos contar com a presença de grandes empresários da avicultura de postura para este evento em que apresentaram suas experiências em torno da gestão de suas atividades e como a tecnologia contribui para performance zootécnica e eficiência dos seus negócios", avaliou o Gerente de Marketing da unidade, Felipe Pelicioni. "Temos certeza que o fórum contribuiu para o setor e serviu como

apoio para os seus negócios", salientou Pelicioni. "Este é um momento de grande complexidade. Mostramos uma abordagem prática de acordo com o que a indústria precisa. Nada melhor do que ouvir os grandes empresários do setor. Temos um desafio que é atender o consumidor que tem suas necessidades específicas, mais exigente e com um gosto mais diferenciado", apontou.

Felipe Pelicioni Ceva O evento contou com a participação dos empresários Leandro Pinto (Granja Mantiqueira), Ricardo Faria (Grupo Faria), além de palestrantes como Marcelo Barbosa (Hy-Line do Brasil), Marco de Almeida (Hendrix Genetics) e Giankleber Diniz (Country Manager da Ceva) abordando temas técnicos e de mercado relacionados a atividade. No encerramento, foi realizado um debate que também contou com a participação do diretor da unidade de Aves da Ceva, Branko Alva. Alva destacou que para a Ceva é uma satisfação realizar este evento. “Vivemos momentos de bastante desafio. Alta dos preços dos insumos e pressão junto aos produtores. É importante trazer pessoas, líderes para compartilhar suas experiências e o que estão fazendo para superar estas dificuldades. Mostramos o que estão fazendo para entender melhor a demanda do público e também o potencial genético das aves, com toda a sua tecnologia”, apontou Branko.

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Revista do Ovo


Leandro Pinto Granja Mantiqueira Pelicioni

A Mantiqueira fez no ano passado um galinheiro urbano, dentro do Rio de Janeiro, e teve uma repercussão muito grande para a empresa

Leandro Pinto, Granja Mantiqueira, falou sobre "Como a tecnologia vai ajudar nossas empresas a atender à um consumidor cada vez mais exigente e consciente". Ele contou que a Mantiqueira não inventou a roda. Só antecipou as tendências. “Colocamos 'fogo nas caravelas' e construímos 'caravelas novas'. Entendemos o que poderíamos melhorar para o setor. Automatizamos o setor em 1997. Fizemos o que existe nos principais pólos produtores em termos de tecnologia. Começamos a ter novidades e modelos diferentes de negócios para o consumidor”, apontou o empresário. “O mundo começou a se movimentar em relação ao bem-estar animal e seguimos nesse rumo e criamos um novo modelo de criação de aves. Em 2019 começamos a fazer uma grande mudança. Podemos melhorar, crescer e vamos firmar nesse compromisso da Mantiqueira em criar aves livres. O consumidor está cada vez mais valorizando esse produto. Estamos construindo o que há de mais moderno e não vamos construir mais nenhuma nova unidade com galinhas presas em gaiolas. O que acontece no mundo, com o que há de melhor e mais moderno, em termos de venda, consumo e demanda de compras, é o que a Mantiqueira vai fazer para democratizar nosso produto”, apontou. “Será um produto com valor agregado. Não foi fácil esse princípio, mas sabemos que a história falaria por si. Trabalhamos com um produto tão nobre de produzir que leva saúde para a mesa dos consumidores”, destacou. Ele contou ainda que a Mantiqueira fez no ano passado um galinheiro urbano, dentro do Rio de Janeiro. “Junto com um 'supermercadista maluco', e tivemos uma repercussão muito bacana para a empresa. Criamos também a marca N.Ovo, baseada no Plant Based, tendência para atender seu nicho de mercado. Foi uma disrupção e estamos atentos a novos lançamentos. Trouxe uma repercussão para a marca em relação à inovação”, contou. “Mostramos para o consumidor o que o conceito de 'ovo-produto'. Teremos 2,5 milhões de aves soltas até 2025 e vamos democratizar estes ovos para todas as classes. 100% novas operações em ovos livres de gaiolas. O que move hoje é cuidar das galinhas solta”, finalizou Leandro Pinto.

Revista do Ovo

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Evento Ricardo Faria Granja Faria

Ricardo Faria, Grupo Faria abordou o tema "A gestão eficiente da empresa nesse mundo pós- pandemia". Segundo ele, a avicultura de postura é um segmento no qual a máxima atenção aos cuidados e higiene. Iniciamos com um grau de exigência muito alto. Sempre nos baseamos em cinco pilares: Estratégia, Estrutura, Cultura, Execução e Aquisições. “De 18 granjas do Grupo Faria, construímos somente 4. O restantes foi incorporado. Assim, trazemos novas culturas para dentro de

nossa casa. Essa é nossa especialização”, afirmou. “Depois do início da pandemia tiveram nuances que mudaram a cabeça das pessoas. A principal é a relatividade do dinheiro. De nada adianta dinheiro se não tem saúde. Preocupação dos consumidores também cresceu com o Meio Ambiente, Social e a Governança. A atenção do consumidor em estar saudável e permanecer saudável não vai voltar atrás e nosso segmento tem um papel fundamental por trabalharmos com um pro-

duto que traz tanta saúde.”, afirmou o empresário. Segundo ele, o reflexo é o aumento do consumo de ovos. “O consumo no Brasil cresce de maneira importante, assim como em todas as regiões do mundo. É a expressão da saúde. Acompanhamos a necessidade de evolução das questões sanitárias para atender diversos perfis de clientes, das classes mais desfavorecidas, médias e também as que olham para produtos mais 'amigáveis' as animais”, disse. “O que eu vejo é que a criatividade teve que se fazer presente. Ficamos mais produtivos. Gestão presencial é importantíssima e continuará. Mas muitas reuniões que se faziam necessárias, agora, são reuniões on-line, que se fazem uma realidade sem a necessidade de estar junto, para o ganho de tempo. Aprendemos a nos comunicar de forma mais eficiente. A "sola de sapato" continua sendo importante, mas de maneira mais eficiente, respeitando as características sanitárias pertinentes”, destacou Faria , que finalizou abordando os desafios para o segmento de ovos especiais. “É preciso aumento da renda dos consumidores, mas o desafio também são as questões sanitárias para o sucesso deste produto de maior valor agregado”, disse.

- Busca melhor relação consumo de ração x produção de ovos (massa de ovos) - Qualidade de casca (boa produtividade com bom produto para a Gôndola - consumidor tem ficado mais exigente. Embalagens estão mais fáceis de o produtor ver o produto. - Máquinas classificadoras com mais tecnologia - Relação Peso de ovo, buscando um índice ideal para cada mercado. - Resistência a desafios sanitários. Bioseguridade é uma grande ferramenta para dar suporte para

melhoria do plantel avícola - Adaptação a um melhor adensamento das aves, do ponto de vista genético. Segundo ele, o que sustenta o potencial genético é a nutrição. “A evolução da nutrição é algo impressionante ao longo dos tempos, desde as fábricas de rações e até mesmo na formulação das rações”, disse. “Temos hoje uma capacidade maior de análise de materiais, rações muito mais bem 'desenhadas' para cada fase da ave, com menos desperdício de ração e, consequentemente, menos desperdício de di-

Marcelo Barbosa Hy-Line Na sequência, Marcelo Barbosa (Hy-Line) e Marco de Almeida, da Hendrix Genetics, abordaram o tema "Como a tecnologia pode colaborar para a expressão máxima do potencial genético das linhagens atuais". Barbosa falou sobre a tecnologia que alavanca as casas genéticas e impulsiona a melhoria das aves. Ele apresentou seis pontos para melhorias: - Melhoria das aves com ciclo produtivo mais longo (persistência na produção mais longo - relação boa técnica e econômica

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O que sustenta o potencial genético é a nutrição

nheiro”, disse. “Existem já ração do período da manhã e para o da tarde. É um nível de detalhe a ser ofertado impressionante para o máximo rendimento. Temos hoje galpão que o ser humano não tem contato com as aves, tamanha a

tecnologia. Na sala de ovos, o potencial das máquinas classificadoras, com o nível de relatório, como está a produção e o plantel para corrigir os erros. Tecnologia e a evolução genética estão totalmente interligadas”, explicou.

Segundo ele, o conceito da conversão alimentar, muito presente na avicultura de corte, que faz toda a diferença e representa a visão do que o setor precisa fazer para obter o máximo desempenho genético da ave.

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Evento Marco de Almeida Hendrix Genetics Marco de Almeida (Hendrix Genetics), abriu sua participação falando que vivemos em um mundo com 4 bilhões de aves poedeiras em produção no mundo para 8 bilhões de pessoas. “Há uma necessidade de produção de aumento da produção das aves. Onde está a produção convencional? Onde usamos a produção alternativa? Mais de 80% destas aves em produção estão em gaiolas. Mas na Europa, já houve um avanço. Mas no contexto, qual é o impacto social? São perspectivas diferentes, em diferentes países”, disse. Segundo ele, a genética é capaz de permitir que ave possa demonstrar o seu máximo desempenho e que com a tecnologia você lista o que há de vantagem. “As aves estão cada vez menos demandando de antibiótico, sem tratamento de bico, com comportamento social, sem bicagem ou canibalismo, para atender a diversidade de tamanhos de produtores de ovos e qual o seu nível de tecnologia e como o setor absorve esse avanço”, disse. “Como vamos lidar com a prevenção da bioseguridade em usar cada vez menos antibióitico e ao mesmo tempo proteger o plantel dentro de um sistema de biosegurança? Desafio também é manter a competitividade do mercado. Quanto tempo mais vai levar para as tecnologias disruptivas para chegar à maioria dos produtores? Aonde eu olho? Aonde eu foco? As casas genéticas precisam atender a tecnologia de uma Mantiqueira, ou Faria, ou do pequeno produtor.Temos que achar soluções dentro do contexto de nosso país”, apontou.

Giankleber Diniz Country Manager da Ceva Continuando, Giankleber Diniz – Country Manager da Ceva falou sobre "Como a indústria de saúde animal pode colaborar para a avicultura de postura". Segundo ele, é importante colaborar com o novo horizonte da avicultura de postura no Brasil e no mundo, segundo o slogan da Ceva: Menos é Mais. “Esta é uma chamada global da Ceva. Bem estar como proposta de valor e quebras de paradigmas, aves livres de Gaiolas e a democratização do produto. Além, é claro,

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das vantagens para melhor aproveitamento das marcas”, disse Diniz. “O que parece ser uma regra do mercado, podemos avançar, como as aves livres de gaiolas”, apontou. “ Precisamos entender os indicadores econômicos para atender diferentes mercados, com alimentos saudáveis, novos esquemas de vacinação, gestão na base (olhos nas inovações), ciclo mais longo de produção, ração consumida (imunidade, manejo, stress), tecnologia para extrair o potencial genético embarcado e adaptação das tecnologias menos antibióticos, atendendo tendências”, listou Giankleber Diniz.

Desafios futuros da nutrição. “O segredo do sucesso não é prever o futuro. É se preparar para um futuro que não pode ser previsto”. Michel Hammer, Um dos propontes da Reengenharia Seja simples, nossa proposta de valor para o produtor de postura comercial. Cada vez pegue menos as aves. Que eles usem menos vacinas. Menos intervenções vacinais. Simplificar o programa de vacinação que seja mais simples, com vacinas inovadoras. Proposta da Ceva: tecnologia para a vida toda! Com uma única aplicação. Tecnologia que propomos. Serviço de vacinação em incubatório Serviços técnicos (Monitorias sanitárias e vacinação), auditorias sanitárias e serviços de vacinação. Menos 70% manejo Menos 54% aplicações Menos 62% vacinas. “Mais proteção, mais bem estar e mais ganho ao produtor, com impacto direto em uniformidade, Bem estar e ganhos. Atingir seus objetivos com mais eficácia e segurança. Ver o que produtor de ovos precisa. Foco alinhado com os grandes líderes do mercado vê. Motivo de orgulho” Disse Giankleber Diniz. Revista do Ovo

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Empresas

2020/2021: Grupo Mantiqueira investe, amplia seu negócio no setor de postura com olhos na crescente demanda A Mantiqueira anunciou em outubro último um grande compromisso de bem estar animal, que prevê até o final de 2021, ter 1 milhão de galinhas livres de gaiola e chegar a 2,5 milhões em 2025

A

Ovos Mantiqueira, pioneira na avicultura brasileira em tecnologia e inovação, produz, em média, cerca de 2,5 bilhões de ovos por ano e conta com portfólio de mais de 60 unidades de produtos. Foram muitos os desafios enfrentados em 2020 e, mesmo assim, a empresa conseguiu dar passos importantes, como o anúncio de um grande compromisso de bem estar animal, anunciado em outubro, que prevê até o final de 2021, ter 1 milhão de galinhas livres de gaiola e chegar a 2,5 milhões em 2025. Também inaugurou uma fábrica de processamento de ovos pasteurizados em Uberlândia. Potencializou seu delivery de ovos com o Clube Mantiqueira e passou a fazer parte do marketplace do Magalu, ampliando sua presença como empresa multicanal. Durante a pandemia doou, junto família Abílio Diniz, 12 milhões de ovos para alimentar 1 milhão de famílias pelo Brasil. Quem passa estes detalhes é Leandro Pinto, Presidente do Grupo Mantiqueira. Segundo ele, a produção brasileira de ovos em 2020 ficou em torno de 50 bilhões de unidades, um crescimento de quase 7% em relação ao ano passado. “Este crescimento de produção está diretamente associado ao aumento do consumo de ovos. O ovo é

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Revista do Ovo

considerado uma excelente proteína com ótimo custo-benefício, alto valor nutricional, um alimento essencial para todas as idades, além de sua grande funcionalidade e versatilidade”, destacou Pinto.

O que mudou nas técnicas de vendas em 2020 e que a empresa trouxe para 2021 De acordo com Leandro Pinto, a Mantiqueira buscou ampliar a presença como empresa multicanal, se aproximando ainda mais dos consumidores. “Por isto, potencializamos nosso delivery de ovos com o Clube Mantiqueira. Hoje, o serviço conta com 4000 assinantes e mais de 300 entregas por dia, com cobertura nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Sul de Minas (Itanhandu, Itamonte e Passa Quatro). Oferecemos opções de assinaturas ou compras únicas de diversos tipos de ovos para varejo e atacado. Também oferecemos os produtos N.OVO Receitas e maioneses da nossa linha plant based”, contou Leandro Pinto.

Principais projetos da Mantiqueira para 2021 O desafio para 2021 da Mantiqueira está na expansão da sua produção de ovos de galinhas livres nas unidades de Cabrália e na obra de Lorena, com

O desafio para 2021 da Mantiqueira está na expansão da sua produção de ovos de galinhas livres nas unidades de Cabrália e na obra de Lorena, com investimentos ultrapassam R$100 milhões investimentos ultrapassam R$100 milhões e estão fundamentados nos princípios de ESG (sigla em inglês para Meio Ambiente, Investimento Social e Governança da Gestão). Leandro Pinto conta que Lorena será a unidade modelo de tecnologia e sustentabilidade das novas granjas da Mantiqueira e também a primeira do Brasil a ter produção com ninhos automatizados de última geração. “A granja


Leandro Pinto, Presidente do Grupo Mantiqueira: empresa ‘aposta alto’ na evolução do mercado avícola de postura

aposta em tecnologia 4.0 e sustentabilidade e já está sendo construída com pilares de sustentabilidade ao utilizar energia renovável com os sistemas de energia solar e produção de biogás, oriundo da decomposição do esterco das galinhas. Sistemas pioneiros para tratamento de água e esgoto em todo ciclo de produção, uso de caminhões elétricos para transporte de materiais e produtos, bem como ponto de recarga de carros elétricos de clientes e visitantes fazem parte da granja. Além dos ninhos automatizados, também será possível para acompanhar online e em tempo real o dia a dia do galinheiro”, disse. “Em Lorena haverá um espaço de visitação e educação onde a comunidade poderá conhecer de perto a produção e a rotina das aves. Está sendo projetada a construção do Museu do Ovo, onde, de maneira lúdica e interativa, a história do ovo como alimento da humanidade será contada ao longo dos anos, bem como seus benefícios para a saúde e receitas. Estaremos cada vez mais próximos da sociedade e cuidando do bem-estar das aves”, finalizou Leandro Pinto.

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Revista do Ovo

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Perfil

Katayama amplia operações e supera 1 bilhão de ovos produzidos em 2020 Referência em qualidade no mercado de ovos, a indústria avícola teve incremento de 40% em seu faturamento de 2020. Para este ano, anuncia aumento do plantel de aves e aposta nas exportações para Ásia e Oriente Médio

O

Grupo Katayama, um dos cinco maiores produtores de ovos do país, encerrou 2020 com a marca de 1 bilhão de ovos produzidos, volume 25% maior que o do ano anterior, o que elevou o faturamento da companhia (de valor não revelado) em 40%. Segundo Gilson Katayama, diretor comercial das empresas, cerca de 90% dos ingressos do grupo vêm da Katayama Alimentos, que produz ovos destinados ao varejo. O plantel tem atualmente 4 milhões de galinhas e 250 mil codornas. Além desta frente, o grupo atua também em Guararapes (SP), onde fica sua sede, com ovos processados, líquidos, pasteurizados e ovos em pó e tem uma empresa de adubos orgânicos, a Terra Nascente Fertilizantes. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, detém a Katayama Pecuária, empresa de genética da raça Nelore, que comercializa cerca de mil touros por ano. Em 2021, a meta da Katayama Alimentos é crescer 10% na produção de aves e elevar em 15% a produção de ovos, para 1,15 bilhão anuais. Isso será possível graças a um investimento R$ 10 milhões na primeira unidade de galinhas caipiras da empresa, que, quando a pleno funcionamento, terá 120 mil aves e produzirá 36 milhões de ovos por ano.

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“Diante da expectativa de aumento de produção e de preço dos ovos em 2021, esperamos que o nosso faturamento aumente cerca de 30% este ano, em parte também pelo maior direcionamento da produção à exportação”, explica Gilson Katayama. Em 2021, ele espera que 10% da produção da empresa chegue ao mercado externo, gerando US$ 8 milhões. Até então, apenas 2% dos ovos in natura da companhia eram exportados, para o Japão. Agora, o grupo mira o Oriente Médio, a África, China e Hong Kong, por meio de uma parceria com a agência Investe SP, do governo de São Paulo. Para 2022, a meta é investir mais R$ 15 milhões para ampliar em 350 mil aves e 250 mil ovos por dia a produção. Também está nos planos destinar R$ 80 milhões para construir uma nova unidade de produção de ovos, para 1 milhão de aves e produção anual de 320 milhões de ovos. A operação deve gerar receita de R$ 130 milhões anuais. “O consumo de ovos per capita no Brasil tem aumentado muito. Há dez anos, era de 130 ovos por habitante por ano, hoje chega a 250 ovos per capita, e o parque produtivo nacional está bastante defasado. Temos espaço para a consolidação de empresas profissionais”, afirma Katayama.

Sobre a alta dos insumos, como grãos e farelos destinados à ração das aves, ele acredita que as commodities devem seguir valorizadas. Isso exigirá dimensionar bem os custos de produção e a oferta no mercado, raciocina. Na área de adubos, a empresa também está investindo em uma produção sustentável. Por meio de uma nota promissória comercial, que foi convertida em “título verde” com chancela da Sitawi, a maior certificadora de financiamentos sustentáveis da América Latina, reembolsou R$ 12,6 milhões em investimentos na unidade de adubos orgânicos da Terra Nascente Fertilizantes. A operação é considerada sustentável porque recolhe o dejeto das aves, dá destinação correta ao material e reduz emissões de gás carbônico.

Katayama Alimentos anuncia investimentos para manter forte crescimento Com um aumento de 25% no volume de produção e de 40% no faturamento de 2020, os resultados da Katayama Alimentos, umas das principais indústrias avícolas do País, ilustram o bom desempenho do mercado de ovos em 2020. De acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), no ano passado o


consumo per capita de ovos atingiu a marca de 250 unidades por habitante/ ano – crescimento de 8,5% sobre 2019. A produção nacional bateu recorde, com cerca de 54 bilhões de unidades (em 2019 foram 49 bilhões). Com uma trajetória de quase 80 anos, a Katayama Alimentos, localizada em Guararapes (SP), tem registrado um gráfico ascendente em sua produção de ovos, totalmente livres de antibióticos. No acumulado de 2016 a 2020, o crescimento foi de 78%. De acordo com Gilson Katayama, diretor comercial do Grupo Katayama, a indústria fechou o ano passado com uma produção de 1 bilhão de ovos, gerados por um plantel de 4 milhões de galinhas entre recria e postura e mais 250 mil codornas. “Apesar do ano totalmente atípico, onde houve redução dos estoques, receio de desabastecimento e forte oscilação de preços, conseguimos completar nosso portfólio de produtos, fidelizar clientes e realizar muitas ações que nos trouxeram maior visibilidade perante o mercado. Isso possibilitou conquistar algumas contas estratégicas em 2020”.

que o consumo de ovos, que têm preços mais baixos frente às demais proteínas de origem animal, deve se manter elevado. Na previsão da ABPA, a produção nacional deve aumentar 5% e o consumo per capita atingir 265 unidades/ano. Na Katayama Alimentos os números projetados para este ano são ainda mais agressivos: 10% de incremento no plantel de aves de postura, ou seja, um acréscimo de 280 mil aves (entre galinha e codorna), com a construção de dois novos aviários e investimento de R$ 15 milhões. “Sendo assim, vamos aumentar em 15% nossa produção de ovos, que passará para 1,15 bilhão até o segundo semestre de 2022”, revela o executivo com muito otimismo. Este ano também terá início a construção da primeira unidade de aves caipiras com capacidade produtiva para 120 mil animais (ou 100 mil ovos/dia). O aporte previsto para o novo espaço, que deverá ser finalizado ao final de 2021, será de R$ 10 milhões. Para este ano, o faturamento anual previsto da Katayama Alimentos representará um aumento de 30% comparado a 2020.

Números otimistas para 2021

Perspectivas e novidades

Diante da previsão de recuperação gradual da economia em 2021, alguns levantamentos do mercado apontam

Em 2022 a Katayama Alimentos iniciará a construção do novo núcleo de produção de ovos. O projeto cha-

mado “Pé de Galinha” terá capacidade para 1 milhão de aves e produção anual de 320 milhões de ovos. O investimento previsto é de R$ 80 milhões, com cronograma de implantação para dois anos, mas com produção já iniciando no primeiro trimestre de 2023. Também em 2023 terá início a construção da segunda unidade de galinhas caipiras, com capacidade projetada para 360.000 aves. Além dos ovos “in natura”, a Katayama Alimentos introduziu em seu portfólio os ovos pasteurizados, para atender uma alta demanda de mercado, principalmente da indústria alimentícia e do segmento de food service. A produção atual de ovos líquidos é de 350 ton/mês e dos ovos desidratados (em pó) é de 30 ton/mês. Em uma planta moderna, estes ovos são processados diariamente e conduzidos diretamente da unidade produtiva por esteiras transportadoras, garantindo um produto muito fresco e de alta qualidade.

Mercado externo Continua sendo estratégia da Katayama Alimentos incrementar o comércio externo, diversificando seus canais de venda. Para isso, além da participação em feiras internacionais e de ações de marketing, a empresa fechou uma parceria com a Agência Paulista de Promoção de InvestimenRevista do Ovo

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Perfil

A Certificação Halal, conquistada pela Katayama Alimentos, tanto para o ovo “in natura” como para o ovo industrializado, também é outro importante diferencial da empresa para acessar o mercado muçulmano 32

Revista do Ovo

tos e Competitividade (InvestSP) para o estabelecimento de escritórios regionais no Oriente Médio, Ásia e África. A Certificação Halal, conquistada pela Katayama Alimentos, tanto para o ovo “in natura” como para o ovo industrializado, também é outro importante diferencial da empresa para acessar o mercado muçulmano. A meta atual é destinar 10% da produção à exportação, representando um faturamento da ordem de US$ 8 milhões por ano. “Apresentamos vantagens frente aos países europeus e ao Japão, que estão passando por uma grave crise de gripe aviária. Nós temos um mercado bastante interessante do ponto de vista de segurança alimentar e potencial para atender esses países como fonte de originação de ovos. No caso da Katayama Alimentos, toda a nossa produção conta com o certificado ‘Ovos Livres de Antibióticos’”, explica o diretor comercial. No final do ano passado a indústria avícola fechou o primeiro contrato de exportação do ovo

desidratado para o mercado de Bangladesh, no Sul da Ásia e, em janeiro deste ano, embarcou três contêineres com ovos “in natura” para os Emirados Árabes Unidos.

Perfil Diretores & Posicionamento da Empresa Há quantos anos estão na Katayama Alimentos? Gilson Tadashi Katayama – desde 1992 Gilberto Katayama – desde 2001 Como começaram na avicultura? Gilson e Gilberto são netos de imigrantes japoneses, que iniciaram o negócio em 1942 com uma modesta granja com 250 pintainhas da raça Leghorn branca, localizada em Guararapes, interior de São Paulo. Os atuais diretores representam a terceira geração da família e passaram a atuar no segmento da avicultura desde jovens, com dedicação total ao negócio até os dias atuais.


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Perfil

Gilson Tadashi Katayama Diretor Comercial do Grupo Katayama Engenheiro de Produção formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), com especialização em Automação Industrial pela Universidade de Okayama, no Japão. Gilson Katayama está à frente da diretoria comercial das empresas do Grupo Katayama, que atua nos segmentos de avicultura, pecuária e fertilizantes orgânicos.

Gilberto Katayama Diretor de Operações do Grupo Katayama Bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), com especialização em Comércio Exterior pela mesma Universidade. Gilberto Katayama é atualmente Diretor de Operações das empresas do Grupo Katayama, que atua nos segmentos de avicultura, pecuária e fertilizantes orgânicos.

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Como analisa o atual momento do mercado avícola de postura? Como um dos maiores produtores mundiais de ovos, o Brasil é um mercado bastante avançado e possui grande potencial de crescimento. De acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), no ano passado o consumo per capita de ovos atingiu a marca de 250 unidades por habitante/ano – crescimento de 8,5% sobre 2019. Este ano a previsão é atingir um consumo per capita de 265 unidades/ano. Acreditamos que a conscientização do consumidor sobre os benefícios do ovo é responsável pelo aumento expressivo no consumo desse alimento nos últimos anos. Somos muito otimistas com relação ao setor de postura no Brasil, temos muito para crescer e atender as novas demandas. A Katayama Alimentos está atenta às necessidades do mercado e muitas novidades estão vindo por aí. Vale destacar que o momento atual traz grandes desafios a toda cadeia produtiva de ovos, em função da combinação de custos de produção elevados (pela alta dos preços do milho e do farelo de soja) e dos aumentos de preços de venda não cobrirem esta alta dos custos, podendo resultar em redução do plantel de aves e da oferta de ovos ao mercado. Mas apesar do ano totalmente atípico em 2020, em que houve receio de desabastecimento e forte oscilação de preços, nós da Katayama Alimentos conseguimos completar nosso portfólio de produtos, fidelizar clientes e realizar muitas ações que nos trouxeram maior visibilidade perante o mercado. Como a Katayama Alimentos busca se posicionar no mercado? Para a Katayama Alimentos, ovo não é tudo igual e, por isso, a empresa focou o olhar no crescimento sustentado com excelência em qualidade. Nos últimos anos, fez investimentos significativos em um rigoroso programa de biosseguridade e direciona investimentos contínuos em pesquisas, além de equipamentos produtivos e sistema de gestão de última geração,


os mesmos utilizados nas empresas das nações mais avançadas do mundo. Atualmente a tecnologia de ponta está presente em todos os processos da produção de ovos da Katayama Alimentos, desde a produção da nutrição animal à classificação e embalagem dos ovos. Existe monitoramento em tempo real do consumo de água, nutrição, conforto térmico, qualidade do ar e todos os aspectos que envolvem a produção e o bem-estar das aves. Também continua sendo estratégia da Katayama Alimentos incrementar o comércio externo, diversificando seus canais de venda. Atualmente comercializa seus produtos para vários países da Ásia, África e Oriente Médio. A Certificação Halal, conquistada pela empresa, tanto para o ovo in natura como para o ovo industrializado, também é outro importante diferencial da empresa para acessar o mercado muçulmano. Quais são as técnicas de vendas junto ao varejo atualmente? O varejo é um canal de comercialização importante para a Katayama Alimentos, que investe continuamente em aprimorar o relacionamento com este segmento. Além de concentrar grande parte de suas vendas entre capital, região metropolitana e litoral de São Paulo, a indústria avícola está levando sua ampla oferta de ovos também para outras regiões do País, através de uma estratégia comercial pautada na parceria com grandes redes de atacado e varejo. A equipe comercial da Katayama Alimentos tem investido em várias ações de trade marketing, como análise de pontos de vendas (PDVs), distribuição de material de merchandising, com displays que ajudam na divulgação e fortalecimento da marca, além do destaque das embalagens que evidenciam ainda mais a qualidade do produto. Com as novas formas de produção, como cage free, como a empresa vê essa demanda do mercado? A Katayama Alimentos acredita que a produção de ovos de qualidade está atrelada ao bem-estar animal e é

assim que mantém sua produção atual. A empresa está há oito anos sem usar antibióticos em suas aves, recebendo, em 2020, pela segunda vez consecutiva, o “Certificado Ovos Livres de Antibióticos”, pela Certificadora WQS – A QIMA Group Company, certificadora especializada em auditorias e certificação alimentar. Conta com um rigoroso programa de biosseguridade e as aves vivem com garantia de conforto térmico, em ambientes tranquilos e climatizados, recebendo água tratada e alimentação balanceada, produzida dentro do complexo de nossa indústria avícola. As aves não têm contato com outras espécies de animais, são submetidas a um manejo cuidadoso e a um programa de vacinação eficiente. A Katayama Alimentos sabe que a agroindústria está se transformando em virtude dos anseios dos consumidores, que estão a cada dia mais exigentes, e se mantém atenta para disponibilizar produtos com excelência em qualidade e garantia de segurança de alimentos. No ano passado, lançou a linha de ovos enriquecidos com ômega 3, selênio e vitamina E – para ampliar as opções ao consumidor que busca uma alimentação mais saudável – e passou a comercializar ovos caipiras e ovos caipiras orgânicos. Possui projetos bem avançados para em breve construir novas estruturas de produção de ovos “cage free” (livre de gaiolas). Este ano iniciará a construção de uma unidade de aves caipiras com capacidade produtiva para 120 mil animais (ou 100 mil ovos/dia). Em 2023 terá início a construção de outra unidade de galinhas caipiras, com capacidade projetada para 360.000 aves. Vendas, marketing e colocação de ovos no varejo. Como está esse 'gargalo' para o aumento do consumo de ovos? É um grande desafio aumentar a participação de mercado e trabalhar o marketing de um produto como o ovo nos pontos de venda e junto ao consumidor final. Mas a Katayama Alimentos tem conseguido agregar valor à sua marca e acompanhar o crescimento do consumo de ovos no País, alian-

Continua sendo estratégia da Katayama Alimentos incrementar o comércio externo, diversificando seus canais de venda

Revista do Ovo

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Perfil

Projeção da Katayama Alimentos: as expectativas são bastante positivas. Entre os projetos, a empresa destaca a construção do novo núcleo de produção de ovos, denominado “Pé de Galinha”, com capacidade para mais 1 milhão de aves e produção anual de 320 milhões de ovos 36

Revista do Ovo

do inovação e comprometimento com o crescimento sustentável. Atualmente, a empresa está entre as principais indústrias avícolas do País e fechou 2020 com quase 4 milhões de aves entre recria e postura. A distribuição dos ovos in natura da Katayama Alimento para o setor de varejo representa hoje 44% da produção, seguido pelo atacarejo com 40% de participação. Mesmo com o aumento do consumo de ovos durante a pandemia (quando as pessoas passaram mais tempo em casa), a Katayama Alimentos não deixou faltar ovos na mesa de seu consumidor. Qual é a projeção da Katayama Alimentos para daqui há cinco anos no mercado? As expectativas são bastante positivas. Entre os projetos, destacamos a construção do novo núcleo de produção de ovos, denominado “Pé de Galinha”, com capacidade para mais 1 milhão de aves e produção anual de 320 milhões de ovos. A construção foi projetada para dois anos, mas parte da produção já deve ser iniciada no primeiro trimestre de 2023.

Perfil Katayama Alimentos A Katayama Alimentos, uma das principais indústrias avícolas do País,

já trilhou quase 80 anos de história. Com uma estrutura moderna, automatizada, habilitada para exportação, inclusive para o exigente mercado japonês, e um rigoroso sistema de biosseguridade, mantém, desde 2013, todas as aves livres de antibióticos. Em 2020 recebeu, pelo segundo ano consecutivo, o “Certificado Ovos Livres de Antibióticos” pela Certificadora WQS – A QIMA Group Company. Produz ovos brancos, vermelhos, enriquecidos, de codorna, líquidos pasteurizados e desidratados (em pó), mantendo todos os lotes rastreáveis, além de oferecer também ovos caipiras e ovos caipiras orgânicos. A produção está concentrada em uma área de 725 hectares, localizada na cidade de Guararapes (SP), e conta com 430 colaboradores. A perspectiva da indústria avícola para 2021 é aumentar em 15% a produção anual de 1 bilhão de ovos, com a construção de dois novos aviários com capacidade para adicionar 280.000 aves ao plantel existente, de 4 milhões de aves entre recria e postura. O sistema de produção da Katayama Alimentos, um dos mais modernos da América Latina, é totalmente integrado, com tecnologia de ponta na higienização, seleção, classificação e processamento de ovos e instalações aviárias, onde é mantida de forma padronizada as condições ideais de isolamento sanitário, conforto térmico, alimentação e bem-estar das aves. A indústria possui o registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e é auditada pelo programa IFS Global Markets Food, que atesta a conformidade em relação à integridade e segurança dos alimentos processados para o varejo, além de possuir a Certificação Halal, que tem acelerado as exportações para países do Oriente Médio e Ásia. A Katayama Alimentos faz parte do Grupo Katayama, que também atua nos segmentos de pecuária e fertilizantes orgânicos. O Grupo recebeu, em 2020, o Título Verde (Green Bond), para investimentos direcionados à sua planta de fertilizantes orgânicos, a Terra Nascente Fertilizantes, por sua contribuição para a conservação do meio ambiente, clima e desenvolvimento sustentável.


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Produção

Quais os benefícios de práticas de One Health na Postura Comercial?

O One Health, prática conhecida também como Saúde Única, é a soma de múltiplos esforços interdisciplinares, de vasta abrangência e que vai desde a seleção de um insumo até o consumidor final Cristiane Cantelli, Médica Veterinária da Mantiqueira Alimentos Gustavo Perdoncini, Médico Veterinário da MSD Saúde Animal

Q O alinhamento dos trabalhos tem início na seleção dos colaboradores, passando pela seleção de matérias primas para a produção de ração, a escolha de insumos para a higienização das instalações, bem como vacinas e produtos para controle de ectoparasitos autorizados para uso 38

Revista do Ovo

uem conhece o conceito de One Health e como ele se aplica à postura comercial? A produção eficiente de ovos precisa ter interconexões entre os ecossistemas para garantir que a proteína chegue de uma forma segura até a mesa do consumidor, respeitando o meio ambiente, a saúde dos animais e a saúde das pessoas. O One Health, prática conhecida também como Saúde Única, é a soma de múltiplos esforços interdisciplinares, de vasta abrangência e que vai desde a seleção de um insumo até o consumidor final. Um bom exemplo de uma experiência positiva que podemos apresentar é o trabalho desenvolvido diariamente na Granja Mantiqueira, maior produtora de ovos da América do Sul. O alinhamento dos trabalhos tem início na seleção dos colaboradores, passando pela seleção de matérias primas para a produção de ração, a escolha de insumos para a higienização das instalações, bem como vacinas e produtos para controle de ectoparasitos autorizados para uso. Somado a isso, há também os cuidados na preparação dos galpões para receber as aves, o processamento e expedição dos ovos, entre outras diversas ações que fariam a lista ficar cada vez maior. Claro que tudo isso não é uma operação simples, mas quando olha-

mos a tríade pessoas/animais/meio ambiente e estabelecemos objetivos, a implantação desse conceito se torna mais fácil e resulta em boa produtividade, com rentabilidade, responsabilidade com o meio ambiente e segurança para o consumidor. Como, então, garantir e trabalhar com esse grande número de variáveis? Sabemos que a base das empresas são as pessoas. Por isso, o planejamento de formação e orientações são fundamentais. O surgimento da Covid-19 no mundo trouxe um "novo normal" também para o planejamento da avicultura, as práticas mudaram e os cuidados com pessoas e biosseguridade foram ampliados mais do que nunca, tanto para quem trabalha diretamente na granja quanto para os prestadores de serviços que completam a cadeia produtiva. Tudo se inicia com seleção de pessoas, implantação de processos de aprendizagem continuada, uma cultura baseada em um propósito e práticas claras a todos os envolvidos. O conceito de saúde e bem-estar deve ser levado para dentro dos galpões de produção e aplicado para as aves. Na prática, os protocolos implantados nas granjas seguem princípios para garantir limpeza e desinfecção das instalações. Em cada situação os envolvidos são treinados e


orientados para conhecer as vantagens e importância de cada ação. Uma forma prática de observar a vivência desse programa no campo, são as situações em que se emprega o uso de antimicrobianos para visar o bem-estar e sanidade animal. Nesses casos, alinhado ao Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes, os ovos oriundos destas aves são destinados para o descarte. Outro exemplo se dá no controle de ectoparasitos, com produtos aprovados para essa finalidade, fortalecendo o engajamento ao conceito One Health de forma ética e prudente. As ações para aplicar o conceito One Health poderiam ser listadas de forma ampla, na realidade de cada granja e evidenciando os avanços que cada uma já obteve, refletindo nos resultados. Na Granja Mantiqueira trabalhamos para mitigar riscos de enfermidades das aves, sempre com olhos no meio ambiente, saúde das aves e saúde/ segurança dos nossos colaboradores. Os trabalhos que vêm sendo implantados têm gerado melhoria nos índices produtivos, e os esforços para ter melhorias contínuas nas granjas, processamento de ovos e bem-estar dos colaboradores, o que traz resultados positivos para todos. Para garantir a saúde das aves, os controles de biosseguridade passam a ser cada vez mais importantes e intensificados. Entender e monitorar a epidemiologia local, fornece subsídio para implantar um calendário vacinal adequado com produtos de qualidade, que atendem as diretrizes de sanidade e bem-estar. O monitoramento e acompanhamento dos lotes, por meio de análises laboratoriais e metodologias de controles produtivos e de enfermidades, permite aos sanitaristas a adoção de medidas profiláticas em tempo hábil e seguro para os animais, meio ambiente e consumidores em geral. Ao desenvolver trabalhos que envolvam a prevenção de enfermidades das aves, nós contribuímos para o desenvolvimento do setor e fortalecimento de parceiros. A MSD Saúde Animal tem como propósito melhorar a vida das pessoas e a saúde e o bem-estar dos animais.

Dentro do ambiente das granjas, os cuidados diários que estruturam uma saúde única também envolvem de forma ativa e correta o destino dos resíduos. O controle e destino dos resíduos sólidos gerado que incluem, por exemplo, o esterco, são primordiais para o sucesso desse grande projeto. Transformar dejetos, rejeitos e resíduos em fertilizante orgânico Solo Bom®, demonstra como a Granja Mantiqueira trabalha para manter o equilíbrio do meio am-

biente, saúde animal e as pessoas. Essas ações além de serem corretas também se tornam em um bom negócio para Grupo. O sucesso do trabalho vem do envolvimento de um time que busca a saúde e bem-estar dos animais, colaboradores, consumidores e a produção de alimentos de altíssima qualidade. Todas essas ações fazem parte de uma Saúde Única. Por tudo isso, o cuidado é para o consumidor e para todo mundo.

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Informativo Técnico Comercial

Uniwall® MOS 25: melhoria dos parâmetros produtivos em aves de postura comercial em períodos de estresse térmico A combinação exclusiva de três tipos de Ácidos Orgânicos e Parede Celular de Levedura permite ao Uniwall® MOS 25 garantir, através de três vias de ação que o trato digestivo das aves fique protegido da proliferação de enteropatógenos

O

Uniwall® MOS 25 é uma ferramenta que visa o favorecimento da saúde intestinal e a proteção contra desafios entéricos. Além de complementar a biosseguridade e a segurança alimentar da cadeia de produção avícola. Uniwall® MOS 25 é a combinação estratégica de três componentes: blend de ácidos orgânicos, parede celular de levedura e carrier mineral, o que resulta em uma interação sinérgica, garantindo proteção contra desafios intestinais e melhorando os resultados produtivos. A combinação exclusiva de três tipos de Ácidos Orgânicos e Parede Celular de Levedura permite ao Uniwall® MOS 25 garantir, através de três vias de ação (descritas abaixo), que o trato digestivo das aves fique protegido da proliferação de enteropatógenos. Um intestino íntegro, saudável e menos desafiado resulta diretamente em uma melhor eficiência produtiva, com melhores índices de desempenho zootécnico. 1. OS ÁCIDOS ORGÂNICOS E SEUS SAIS A combinação de diferentes ácidos e sais proporcionam uma ação sinérgica que potencializa suas propriedades físico-químicas. Ação dos Ácidos Orgânicos: Uma vez no trato gastrointestinal, os ácidos orgânicos (fórmico, acético e propriônico) protegidos, em sua forma não dissociada, tem capacidade de penetrar passivamente na célula bacteriana. Dentro da bactéria, inicia-se o processo de dissociação dos ácidos em ânions e cátions. A forma aniônica (RCOO-) do ácido orgânico dissociado não pode ser excretada pela

bactéria, tornando-se tóxica e interferindo diretamente na síntese de DNA. Os cátions (H+) provocam um estresse ácido pela diminuição do pH interno do microrganismo. A bactéria procura reestabelecer seu equilíbrio excretando esse (H+), o que gera um gasto energético excessivo que interrompe seu processo reprodutivo. 2. A PAREDE CELULAR DE LEVEDURA (MOS + β-GLUCANOS) O complexo Mananoligossacarídeos e β-Glucanos exerce suas ações benéficas no trato gastrointestinal por diversos mecanismos, entre eles: Adesão de bactérias patogênicas: O complexo de parede celular de leveduras possui capacidade de aderência e aglutinação de determinadas bactérias patogênicas (detentoras de fímbrias de tipo 1), evitando que as mesmas sejam capazes de ligar-se aos receptores presentes na superfície dos enterócitos.

Ação Prebiótica: O complexo de parede de leveduras possui carboidratos não digeríveis pelas aves, e que constituem um substrato específico e rapidamente disponível para as bactérias ácido-láticas. Esses carboidratos incrementam a taxa de multiplicação das bactérias benéficas, bem como estimulam a produção de ácidos orgânicos resultantes de seu metabolismo.

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ção, neutralização ou metabolização no trato intestinal. Além disso, o carrier mineral permite a liberação lenta e gradativa dos ácidos do produto nos diversos segmentos do trato gastrointestinal e tem capacidade de funcionar como uma plataforma de multiplicação para colônias de bactérias ácido-lácticas, que encontram nessa partícula mineral um meio de sobrevivência para se deslocar ao terço final do intestino das aves, local mais adequado para a proliferação de bactérias neutrófilas, como Salmonella e E. coli. Efeitos complementares: Pesquisas demonstram que o uso da parede celular de levedura proporciona um melhor desenvolvimento intestinal das aves, aumentando o tamanho das vilosidades intestinais, favorecendo a absorção do alimento de forma mais eficiente.

3. O CARRIER DE TRANSPORTE ATIVO O veículo que carrega os Ácidos Orgânicos e a Parede Celular de Levedura é constituído por uma partícula mineral (Vermiculita). Após a expansão em altíssima temperatura, esse mineral passa a apresentar uma alta porosidade e uma carga elétrica neutra, sendo capaz de absorver em seu interior os ácidos orgânicos e a parede celular de levedura. Função: Sua função estratégica visa proporcionar o transporte dos ácidos orgânicos e da parede celular de levedura, evitando suas perdas por volatilização, dissocia-

4. UTILIZAÇÃO NA INDÚSTRIA AVÍCOLA ● Complementar aos programas nutricionais para suprir a necessidade de redução do uso de antibióticos promotores de crescimento (APCs) ● Controle e prevenção de patologias entéricas ● Redução do uso terapêutico de antimicrobianos ● Programas preventivos contra Salmonella, E. coli e outras enterobactérias Gram negativas ● Redução da mortalidade ● Melhora da persistência de produção ● Aumento da produção na relação ovo/ave alojada ● Redução de ovos sujos ● Melhoria da qualidade de casca (ovos trincados) ● Resistente ao processo de peletização ● Produto natural. Não há resíduos nos ovos (período de carência zero).

O veículo que carrega os Ácidos Orgânicos e a Parede Celular de Levedura é constituído por uma partícula mineral (Vermiculita). Revista do Ovo

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Informativo Técnico Comercial

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5. DOSAGENS RECOMENDADAS Tanto o período de uso como as dosagens de inclusão na ração devem ser definidas em conjunto com a equipe técnica da Vetanco, uma vez que para cada tipo de desafio ou resultados zootécnicos almejados, há um programa estratégico de uso. 6. ENSAIOS DE CAMPO Avaliação realizada em granja de postura comercial, localizada no estado de São Paulo, em aviários convencionais. Os aviários que compuseram cada grupo fora escolhido ao acaso e a cargo da empresa onde a avaliação foi conduzida. Condições experimentais: Data: outubro a maio (período com temperaturas médias mais altas). Início da avaliação: 49 semanas de idade.

Término da avaliação: 81 semanas de idade. Duração do experimento: 32 semanas. Grupo Controle: ração de rotina. Grupo Teste: ração de rotina + Uniwall® MOS 25 na dose de 1,5 Kg/Ton. Número de aves: Grupo Controle - 39.745 aves. Grupo Teste - 39.606 aves. CONCLUSÃO Através dos gráficos acima, pode-se concluir a efetividade do Uniwall® MOS 25 para os parâmetros produtivos avaliados. Tendo este auxiliado as aves para uma melhor produção, menor mortalidade e melhor qualidade de ovos, especialmente no período qual a avaliação foi conduzida (verão). Revista do Ovo

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Retrospectiva e perspectiva postura / Associação Paulista de Avicultura

“Para 2021, o alojamento precisa ser menor. Temos notícias de que em outubro ele já estava acima de 10 milhões. E isso é muito” Para que 2021 seja mais tranquilo é preciso melhoras nas perspectivas de safra, dólar. A China preciso comprar menos milho 2020 O ano de 2020 começou bem, com bons preços para o ovo, até por volta de um ou dois anos pós início da pandemia. As pessoas ainda tinham dinheiro, e como não era possível estocar carne, o pessoal estocou ovo. Houve uma redistribuição da venda. Quem vendia ovo na rua, teve que parar. Restaurantes e lanchonetes também passaram a consumir menos. Mas houve um aumento no consumo doméstico. O alojamento continuou altíssimo. Sobre matérias primas, já existiam rumores de que a China poderia passar a comprar mais do Brasil e ninguém se deu conta. Ao mesmo tempo o desemprego aumentou. O alojamento alto já começou a sobre ofertar ovo. Até que houve um aumento significativo no preço de matérias primas, por volta de agosto. O aumento rápido dos preços das matérias primas não conseguiu ser repassado para o consumidor, que estava com baixo poder aquisitivo. Por volta de outubro ou novembro, o produtor começou a antecipar a idade de abate de ovos, pra ajustar produção. Para não precisar pagar pra produzir. O preço de venda não está remunerando o custo de produção. Atualmente o produtor de ovo está perdendo dinheiro.

2021 Depende como vai se comportar a safra de milho, pode ser que melhore. Mas as chuvas estão atrasadas e abaixo do volume, podem impactar na plantação de safra.

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O aumento dos insumos também decorre da alta do dólar. O milho e soja são cotados em bolsas internacionais. Vitaminas e minerais também. O aumento do preço da celulose, que afetou o custo da embalagem, é mais um efeito negativo. Houve um aumento significativo de vários fatores. Para o começo de 2021, o ovo, que nunca pagou ICMS por ser considerado item da cesta básica, vai começar a pagar. O governador de São Paulo, João Doria, ordenou um aumento de cerca de 2,5% no ICMS do ovo. Todos os produtos com ICMS de alíquota abaixo de 18% terão o ICMS incrementado em 20%. Para 2021, o alojamento precisa ser menor. Temos notícias de que em outubro ele já estava acima de 10 milhões. E isso é muito. Para que 2021 seja mais tranquilo é preciso melhoras nas perspectivas de safra, dólar. A China preciso comprar menos milho. A APA, no papel do presidente Erico Pozzer, e mais outras associações conseguiu retirar o ICMS que incendiaria o preço do ovo. A safra atrasou, vai atrasar, a soja também, vai afetar o plantio da safrinha de milho, não deve baixar preço. O frango está com preços apertados, visto que o governador do Estado de São Paulo, João Doria, aumentou o ICMS da carne e o frango foi junto. Protestos vêm acontecendo. O preço do ovo tem reagido. Altas temperaturas registradas recentemente causaram muitas mortes e também

O ano de 2021 dependerá de como vai se comportar a safra de milho, pode ser que melhore. Mas as chuvas estão atrasadas e abaixo do volume, podem impactar na plantação de safra

houve descarte. Além disso, alojamento de pintainhas reduziu em novembro, dezembro e janeiro. Mas ainda assim o preço de venda final está baixo. Alguns produtores estão em situação melhor. (Com informações da Associação Paulista de Avicultura)


Retrospectiva e perspectiva postura / Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo

Uma análise da abertura do ano e a projeção para o primeiro semestre para o setor de postura do ES Os custos certamente refletirão no volume produzido, a antecipação de descartes é inevitável

A

postura comercial brasileira conseguiu atravessar quase todo o ano de 2020 de forma tranquila, mesmo tendo que conviver com a pandemia que logo no início forçou muitos a um redirecionamento da produção, mas nada que trouxesse maiores prejuízos a esse segmento produtivo. Bem diferente dos cenários vividos especialmente no último trimestre do último ano e na transição para esse início de 2021, nos quais o produtor vem sofrendo com os efeitos dos altos custos de produção. Por aqui no Espírito Santo, as principais matérias primas – milho e farelo de soja – ultrapassaram toda e qualquer expectativa pessimista de preços altos, passando dos 70% de elevação no preço do milho e dos 100% no preço do farelo de soja em relação aos valores praticados em 2019, deixando o custo da caixa de ovos próximo a R$ 150,00, enquanto que em vários momentos os preços de venda foram muito abaixo dos R$ 100,00. No momento em que escrevo este texto, a situação está um pouco amena, mas ainda muito aquém. Os custos certamente refletirão no volume produzido, a antecipação de descartes é inevitável e, pelo que se acompanha, os alojamentos mensais têm apresentado reduções em relação ao ano anterior pelo quarto mês consecutivo. Em janeiro de 2021, por exemplo, as informações mostram que o alojamento brasileiro de pintainhas foi em torno de 24% menor do que janeiro de 2020.

Nélio Hand Diretor Executivo da Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo - AVES Essa, pelo visto, será a realidade do segmento de ovos neste ano - pelo menos no primeiro semestre -, que junto com os demais segmentos de proteína animal sente-se combalido frente a uma realidade de custos exacerbada das matérias primas, gerando desequilíbrio em uma das pontas

do agro brasileiro, que depende de tais insumos para produzir e oferecer proteína acessível e de qualidade à população. Um desequilíbrio que pode ir muito além da necessidade de mudança de patamar de valor a ser recebido por quem produz. Revista do Ovo

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Retrospectiva e perspectiva postura / Sindicato Rural de Bastos – SP

“Hoje a galinha come em dólar e bota o ovo em real” Os produtores de ovos, cuja produção depende basicamente do milho e soja, estão sofrendo grande impacto econômico, existindo um aumento no custo na produção de ovos em aproximadamente 50%.

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mês de fevereiro mostrou uma tendência de recuperação de preços, puxado pelo reflexo da diminuição de alojamento que vem ocorrendo desde o mês de novembro de 2020. Não obstante o país tenha produzido milhões de toneladas de grãos, toda essa matéria prima já se encontra vendida no mercado internacional até o ano de 2022, desabastecendo assim o mercado interno e obrigando que o empresário da avicultura tenha que se socorrer aos altos custos dos produtos no mercado internacional. Em Bastos, a média de preços, em fevereiro, da saca de milho paulista CIF fechou em R$81,50, e da tonelada de soja CIF em R$2.950,00. Neste mesmo período em 2020, o preço da saca de milho paulista CIF era de R$52,00 e da tonelada de soja CIF era de R$1.380,00. Ou seja, os produtores de ovos, cuja produção depende basicamente do milho e soja, estão sofrendo grande impacto econômico, existindo um aumento no custo na produção de ovos em aproximadamente 50%, preocupando assim, significativamente os empresários do setor. Trocando em miúdos, hoje a galinha come em dólar e bota o ovo em real, estando o empresariado bastense suportando um severo impacto negativo. Não bastasse, é importante lembrar que todo esse impacto econômico negativo ocasionado pelo aquecimento das exportações de grãos, está vindo na sequência de uma desestabilidade econômica ocasionada pelo Coronavírus. Portanto, o empresariado da avicultura vive um momento muito delicado, com grandes desafios pela frente, na busca de alternativas para preservar as empresas e empregos. Com informações do Sindicato Rural de Bastos - SP

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Estatísticas e Preços

Desempenho do ovo em fevereiro e no primeiro bimestre de 2021

A

inda que nos últimos 5 dias de negócios do mês sua cotação tenha retrocedido perto de 7%, em fevereiro o ovo registrou desempenho excepcional. Aliás, não apenas no mês, mas no bimestre. Porque nas pouco mais de cinco semanas decorridas entre 12 de janeiro e 20 de fevereiro conseguiu corrigir seus preços em mais de 70%. Tudo indica que os produtores entenderam que – como observou o Presidente da ABPA, Ricardo Santin, em matéria que estará sendo publicada na edição digital de março corrente da Revista do AviSite – “não faz sentido ofertar insumo caro a galinha velha”. O fato é que aqueles resultados inéditos alcançados entre março e abril do ano passado – quando o isolamento social imposto pela pandemia fez o consumidor voltar-se, mundialmente, para o ovo – já ficaram para trás: o preço médio alcançado em fevereiro

corresponde ao maior patamar de todos os tempos, representando aumento de 34% sobre o mês anterior e de quase 23% sobre fevereiro de 2020. Em relação ao recorde anterior, de abril do ano passado, a variação, positiva, gira em torno dos 12%. Com tal desempenho, o valor médio alcançado no bimestre inicial de 2021ultrapassa pela primeira vez a marca dos R$100/caixa, situando-se 25% acima da média registrada em janeiro/fevereiro do ano passado. Ou perto de 17,5% sobre a média dos 12 meses de 2020. Esse é um resultado que, à primeira vista, tende a ser superado no decorrer de março corrente sobretudo porque avança o período de Quaresma, momento religioso em que o ovo, salvo raras exceções, alcança as melhores cotações do ano.

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Matérias-primas Milho registra expressivo aumento no decorrer do primeiro bimestre

Farelo de soja alcançou novos recordes em janeiro e fevereiro

O preço do milho registrou evolução expressiva no primeiro bimestre de 2021. O preço médio do insumo, saca de 60 kg, interior de SP, fechou o período cotado a R$86,44, equivalendo a valor 61,8% acima da média alcançada pelo produto no mesmo período do ano passado quando a cotação média atingida foi de R$53,43.

O farelo de soja (FOB, interior de SP) atingiu novos recordes no decorrer do primeiro bimestre. A média do período alcançou preço médio de R$2.846/t, valor que representa índice positivo de 114% sobre o praticado no mesmo período de 2020 quando atingiu R$1.330/t.

Valores de troca – Farelo/Frango vivo Valores de troca – Milho/Frango vivo No frango vivo (interior de SP) o preço médio acumulado no primeiro bimestre alcançou R$4,37 kg, atingindo valorização anual de 36,6%. Assim, com a expressiva valorização na cotação do milho em relação ao frango vivo, houve piora no poder de compra do avicultor. Nesse ano foram necessários quase 330 kg de frango vivo para se obter uma tonelada de milho, considerando-se a média mensal de ambos os produtos. Este volume representa queda de 15,6% no poder de compra em relação ao ano anterior, pois, no primeiro bimestre de 2020 a tonelada do milho “custou” 278,3 kg de frango vivo.

Valores de troca – Milho/Ovo O preço do ovo, na granja (interior paulista, caixa com 30 dúzias), obteve boa valorização no decorrer do primeiro bimestre de 2021 atingindo preço médio de R$95,29, equivalendo a índice positivo de 27,7% sobre o recebido no mesmo período do ano passado, negociado por R$74,64. Com a valorização anual no preço médio dos ovos bem inferior em relação a alcançada pelo milho, também houve piora no poder de compra do avicultor de postura comercial. No período foram necessárias 15,1 caixas de ovos para adquirir uma tonelada do cereal enquanto no mesmo período de 2020 foram necessárias apenas 11,9 caixas/t, significando piora de 21,1% em sua capacidade de compra.

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Embora a valorização alcançada na cotação do frango vivo tenha sido significativa, a alta verificada no preço médio do farelo de soja foi ainda mais relevante e fez com que fossem necessários 651,3 kg de frango vivo para adquirir uma tonelada do insumo, significando piora de 36,2% no poder de compra do avicultor em relação ao mesmo período de 2020 quando 415,5 kg de frango vivo foram necessários para obter uma tonelada do produto.

Valores de troca – Farelo/Ovo De acordo com os preços médios dos produtos, no decorrer do primeiro bimestre de 2021 foram necessárias, aproximadamente, quase 30 caixas de ovos (valor na granja, interior paulista) para adquirir uma tonelada de farelo de soja. Com isso, o poder de compra do avicultor de postura comercial registrou significativa perda anual de 40,4% em relação ao farelo de soja, já que no mesmo período do ano passado foram necessárias apenas 17,8 caixas de ovos para adquirir uma tonelada do cereal. O corolário dessa perda no poder de compra das matérias-primas, tanto do produtor de ovos quanto do frango vivo é um forte impacto no custo de produção de ambos os setores.


Ponto Final

Fábio de Salles Meirelles Advogado, é empresário do setor agrícola e presidente do Sistema FAESPSENAR A.R./SP (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo / Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, em São Paulo).

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agropecuária, conforme demonstram todos os números, será decisiva para a retomada da economia e, mais do que isso, está conseguindo garantir o abastecimento dos brasileiros e sendo o fator de sustentação de nossa balança comercial, neste duro momento de enfrentamento da Covid-19. O setor também dá respostas muito concretas às contemporâneas exigências de ASG (Ambiente, Social e Governança), que se tornaram mais agudas no contexto da pandemia, mantendo milhões de empregos e sendo um exemplo em termos de produção sustentável e de preservação de extensas áreas verdes e mananciais. Os produtores rurais não pedem subsídios, mas têm feito imenso esforço de superação num cenário de gravidade ímpar na trajetória da humanidade, mas enfrentando problemas antigos de nosso país. Um dos exemplos de dificuldades é o juro real, que, apesar da vigência da mais baixa Selic de todos os tempos, ainda é elevado na ponta da concessão de crédito. Além disso, as linhas específicas anunciadas no último Plano Safra têm índices superiores aos da taxa básica. Mulheres e homens do campo vão enfrentando todas as dificuldades com resiliência e determinação. Há uma questão, contudo, que precisa ser analisada de modo criterioso pelos representantes do Poder Executivo e do Legislativo. Refiro-me à bem-vinda reforma tributária, reclamada faz tempo por todos os setores produtivos e pela sociedade. Entendemos a premência de se modernizar nosso modelo, sabidamente burocrático e muito pesado para quem produz e trabalha. Também temos consciência da necessidade de se compor um volume de receita capaz de manter o Estado, embora este precise ser redimensionado, reduzindo seu custeio para os brasileiros. Em meio a essas questões, mostra-se insensato taxar a agropecuária em 25%, como acontecerá caso prevaleça, na reforma tributária, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45, que tramita na Câmara dos Deputados. A matéria não permite nenhum estímulo fiscal, como é o caso do Convênio 100 (que possibilita alíquotas menores do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS). Todos os produtos seriam taxados

Agronegócio não pode bancar o rombo fiscal Os produtores rurais não pedem subsídios, mas têm feito imenso esforço de superação num cenário de gravidade ímpar na trajetória da humanidade, mas enfrentando problemas antigos de nosso país em 25%. Aparentemente, trata-se da proposta mais simples, mas é a que mais oneraria o agronegócio. Imaginem o impacto de uma alíquota desse naipe no preço dos alimentos, dos biocombustíveis e até mesmo das commodities agrícolas (estas têm valores regulados pelo mercado global, mas o aumento expressivo de seu custo de produção resultaria em margens muito estreitas para os produtores brasileiros). Também é preciso pensar nos pequenos agropecuaristas, cuja atividade é fundamental, não apenas para manter empregos e trabalhadores ocupados, muitas vezes única e tão somente os próprios familiares, que se sustentam com dignidade trabalhando a terra. Cerca de um milhão desses brasileiros pessoas físicas seriam equiparados a pessoa jurídica para fins tributários, passando a ser taxados por alíquota de 25%. Seria um duro golpe de caráter social e na produção de alimentos. Cabe mencionar, por outro lado, a resiliência e capacidade de mobilização dos produtores rurais, sindicatos e da Faesp, bem como a intensa e longa negociação com o Governo do Estado de São Paulo, para reverter o aumento do ICMS sobre insumos e produtos do agronegócio, conforme estava previsto na lei relativa ao ajuste fiscal paulista. Tivemos êxito e agora seguimos trabalhando para retirar esses ônus na cadeia produtiva do leite. Voltando à reforma tributária federal, há duas outras propostas, a PEC 110/2019, do Senado, e o PL 3.887/2020, do Executivo. Estas são menos nocivas ao agronegócio, mas também contêm imperfeições e não são suficientes para prover ao Brasil um sistema de impostos eficaz, moderno, indutor da economia, simples e desburocratizado. Seria de extremo bom senso que governo e parlamentares, numa atitude desprendida, com foco nos interesses maiores do País, fundissem as três matérias em uma só, suprimindo o que há de ruim e somando os elementos positivos, para que tenhamos um projeto mais adequado e benéfico. O que não se admite é colocar nos ombros do setor rural ou de qualquer um dos segmentos produtivos a responsabilidade por bancar o rombo fiscal gerado por décadas de equívocos na gestão do Estado. Revista do Ovo

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