A utilização do Malnutrition Screening Tool (MST) e do Global Leadership Initiative on...

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1(5): 15-18

SETEMBRO 2025 Unisinos

ISSN: 2764-6556

doi.org/10.4013/issna.2025.51.3

A utilização do

Malnutrition Screening Tool (MST) e do Global Leadership Initiative on Malnutrition (GLIM) na emergência de um hospital público de Porto Alegre

AUTORAS

Maria Vitória de Matos Pinto mariavitoriafmatos@gmail.com

Nutricionista, egressa do curso de Nutrição da Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS

Denise Zaffari zaffari@unisinos.br

Docente do Curso de Nutrição e do Mestrado em Alimentos, Nutrição e Saúde da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)

Kelly Regina Bruschi bkelly@ghc.com.br

Nutricionista Clínica do Hospital Conceição

FLUXO DA SUBMISSÃO

Submissão: 18/10/2024

Aprovação: 15/01/2025

CONTATO DA REVISTA

Universidade doVale do Rio dos Sinos - UNISINOS. Instituto Tecnológico em Alimentos para a Saúde – itt Nutrifor. Av. Unisinos, 950, Cristo Rei. CEP: 93022-750, São Leopoldo, RS, Brasil.

Contato principal: Prof. Dr. Cristiano Dietrich Ferreira. Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS. Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Alimentos. E-mail: revistappgna@ unisinos.br.

DISTRIBUÍDO SOB

The use of Malnutrition Screening Tool (MST) and Global Leadership Initiative on Malnutrition (GLIM) in the emergency of a public hospital in Porto Alegre

RESUMO

O objetivo da triagem de risco nutricional (TRN) é detectar indivíduos que possuam risco de desnutrição. O Malnutrition Screening Tool (MST) é uma ferramenta de triagem nutricional composta por questões com pontuação atribuída conforme a resposta do paciente. Nele há questões sobre perda recente de peso, à quantidade de perda ponderal e sobre o apetite. Esse relato de experiência da prática assistencial de nutrição clínica foi realizado na emergência de um hospital público de Porto Alegre/ RS, onde é utilizado o MST para triagens e o Global Leadership Initiative on Malnutrition (GLIM) nas avaliações. No período de março até maio de 2024 foram triados 198 pacientes. A TRN sinalizou 43,43% dos pacientes com risco nutricional, sendo 66 com diagnóstico de desnutrição leve, moderada ou grave.

APLICABILIDADE

Palavras-chave: avaliação nutricional, terapia nutricional, serviço hospitalar de nutrição, desnutrição

A aplicabilidade deste trabalho envolve a importância da triagem nutricional realizada nas primeiras 24h de internação dos pacientes no ambiente hospitalar. A partir desta triagem, é possível identificar o paciente com risco nutricional e, assim, realizar uma avaliação nutricional mais detalhada com o objetivo de instituir uma terapia nutricional adequada às necessidades nutricionais do paciente.

[1] Introdução

Atriagem de risco nutricional (TRN), conforme a Associação Brasileira de Nutrição (2014), deve ser realizada nas primeiras 24 horas da admissão do paciente no hospital, com o objetivo de detectar indivíduos que possuam um risco maior de desenvolver desnutrição. Essa é a primeira etapa da Sistematização do Cuidado de Nutrição, proposta no Manual Orientativo da Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN). A partir da TRN, é possível definir se existe risco de o paciente desnutrir, aprofundar a avaliação nutricional, identificar o nível assistencial e definir a intervenção mais adequada (ASBRAN, 2023) Existem diversos instrumentos de TRN validados que predizem o risco de desnutrição, como por exemplo, o Mini Nutritional Assessment (MNA), o Nutritional Risk Screening (NRS-2002) (Cederholm et al., 2019), o Malnutrition Screening Tool (MST) (Fidelix, 2014), entre outros. O MST foi originado de um estudo realizado na Austrália, no hospital Redcliffe por um grupo de pesquisadores. O instrumento é composto por questões com uma pontuação atribuída de acordo com a resposta do paciente. A pergunta sobre a perda recente de peso tem um valor de 1 a 2; a questão relacionada à quantidade de perda de peso apresenta uma pontuação de 1 a 4 e a pergunta sobre o apetite varia de 0 a 1. Se após essas perguntas, o escore total for >2, o paciente é considerado com risco de desnutrição (Ferguson et al., 1998). O MST, assim como qualquer outra ferramenta para avaliar risco nutricional, deve ser aplicada, preferencialmente, nas primeiras 24 horas da admissão do paciente na internação, com exceção de menores de 18 anos, gestantes e puérperas. Caso o instrumento aponte risco de des-

nutrição, uma avaliação nutricional mais aprofundada deve ser realizada através de instrumentos validados na literatura, para que seja, então, prescrita a terapia nutricional mais adequada ao paciente (Silvia, 2021). Entre os instrumentos para avaliar o estado nutricional do paciente, encontra-se os critérios do GLIM, cuja abordagem baseia-se na avaliação de três aspectos fenotípicos (perda de peso, baixo índice de Massa Corporal - IMC e reduzida massa muscular esquelética) e dois etiológicos (baixa ingestão alimentar e presença de doença com inflamação sistêmica). O diagnóstico de desnutrição é confirmado por qualquer combinação de um critério fenotípico e um etiológico preenchidos. A classificação da gravidade da desnutrição é classificada em estágio 1 (moderado) e estágio 2 (grave). A avaliação da massa muscular é menos comumente realizada, quando comparada aos outros critérios fenotípicos de desnutrição e a sua interpretação pode ser menos direta, principalmente em locais que não têm acesso a profissionais de nutrição clínica qualificados e/ou a equipamentos de avaliação da composição corporal (BARAZZONI et al., 2022).

A figura 1 apresenta o formulário MST, os critérios de avaliação e a respectiva pontuação e a figura 2 demonstra os critérios de avaliação do GLIM.

[2] Método

Este estudo descreve um relato de experiência sobre a prática assistencial de nutrição clínica, em um hospital público de Porto Alegre/RS, onde a triagem e a avaliação nutricional dos pacientes são realizadas através da aplicação do MST e do Global Leadership Initiative on

Tabela 1 - Malnutrition Screening Tool (MST)

Questões

Você teve perda recente de peso

Você está comendo menos por redução de apetite

Figura 2 – Critérios do GLIM para diagnóstico

FIGURA 2

Critérios do GLIM para diagnóstico

Adaptado de Beghetto et al. (2008).

FONTE: Adaptado de Cederhol et al. (2018).

Malnutrition (GLIM), respectivamente. A amostragem foi por conveniência e incluiu 198 pacientes, com idades entre 18 e 98 anos, internados na emergência do hospital, que foram triados nas primeiras 24 horas de internação, através do MST, no período de março a junho de 2024. A sistematização do cuidado de nutrição inicia com a avaliação do prontuário do paciente, no momento da internação, com o objetivo de identificar dados sociodemográficos, clínicos, bioquímicos, história pregressa, motivo da internação, lista de problemas, dieta prescrita, necessidades de consultorias e outros aspectos de interesse para a definição da conduta clínico nutricional. Em relação ao diagnóstico na internação, os mais prevalentes incluem a investigação de Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou Acidente Isquêmico Transitório (AIT), uma vez que o hospital, desde 2022, é referência no atendimento destas situações clínicas, além de pacientes oncológicos.

Após a avaliação dos dados do prontuário, ocorre a aplicação do MST com o objetivo de identificar o risco nutricional do paciente e, caso seja identificado o risco, é realizada a avaliação nutricional utilizando os critérios do GLIM para aprofundar a investigação, definir o diagnóstico nutricional e o nível assistencial para a periodicidade do acompanhamento.

A partir deste diagnóstico, ocorre o estabelecimento da conduta nutricional, que deve ser precoce e direcionada às situações clínicas, contribuindo, portanto, para a redução do risco de infecções, do tempo de permanência hospitalar, da mortalidade e, consequentemente, buscando a recuperação e/ou a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

A monitorização clínico nutricional é definida pelo

FONTE:

nível assistencial em termos de periodicidade das visitas aos pacientes e tem como objetivo avaliar a resposta à intervenção nutricional que foi definida, além de reavaliação de parâmetros antropométricos, clínico nutricionais, bioquímicos e dietéticos. A avaliação da aceitação da dieta hospitalar e a necessidade de modificações, sejam de consistência ou preferências alimentares, são parâmetros dietéticos importantes para garantir aceitação da alimentação pelo paciente.

[3] Desenvolvimento

No período de março até maio de 2024 foram triados, pelo MST, 198 pacientes. A média de idade foi de 58 anos, sendo grande parte do público do sexo masculino 106 (53,53%). A TRN sinalizou 112 pacientes sem risco nutricional e 86 (43,43%) com risco nutricional, sendo que 20 (23,25%), por diferentes motivos (óbito, alta ou transferência para a Unidade de Internação), não foram avaliados pelo GLIM na emergência. Entre os pacientes com risco nutricional e que tiveram o diagnóstico identificado pelo GLIM (66 indivíduos) foram encontrados 44 (66,66%) com desnutrição moderada/ grave; 12 (18,18%) com desnutrição leve/sugestivo de desnutrição; 2 (3,03%) eutróficos; 6 com sobrepeso (9,09%) e 2 (3,03%) com obesidade.

[4] Conclusão

A TRN sinalizou 43,43% dos pacientes com risco nutricional, sendo que, destes, efetivamente 66 indivíduos tiveram seu diagnóstico nutricional avaliado pelo GLIM com uma ocorrência de desnutrição leve (12 -18,18%) e (44 - 66,66%) com desnutrição moderada ou grave. A utilização do MST e do GLIM na emergência é importante, uma vez que, a partir do diagnóstico nutricional é possível instituir uma terapia nutricional precoce e individualizada, além de otimizar a identificar os pacientes que devem ser priorizados no cuidado nutricional nas Unidades de Internação. Importante salientar que, embora o MST seja um instrumento rápido e de fácil aplicabilidade, é possível que ele possa mascarar o rico nutricional, uma vez que, frequentemente, os pacientes apresentam dificuldades relacionadas à percepção da perda de peso, principalmente em relação à quantidade de peso perdido e o período. Além disso, grande parte dos pacientes não têm o hábito de mensurarem o peso corporal por estarem acamados devido a diferentes situações clínicas. Essa situação pode interferir na definição do risco nutricional.

REFERÊNCIAS

ASBRAN – Associação Brasileira de Nutrição. PRONUTRI. Manual Orientativo: Sistematização do Cuidado de Nutrição. Brasília: ASBRAN, 2014. 68p. Disponível em: https://www.asbran.org.br/storage/arquivos/PRONUTRI-SICNUT-VD.pdf . Acesso em: 30 jul. 2024.

BARAZZONI, R. et al. Guidance for assessment of the muscle mass phenotypic criterion for the Global Leadership Initiative on Malnutrition (GLIM) diagnosis of malnutrition. Clinical Nutrition, v. 41, n. 6, p. 1425–1433, 1 jun. 2022.

BEGHETTO, M. G. et al. Triagem nutricional em adultos hospitalizados. Revista de Nutrição, v. 21, n. 5, p. 589–601, 2008.

CEDERHOLM, Tommy et al. GLIM criteria for the diagnosis of malnutrition–a consensus report from the global clinical nutrition community.  Journal of cachexia, sarcopenia and muscle, v. 10, n. 1, p. 207-217, 2019.

SILVA, F. M., Avaliação nutricional do adulto/idoso hospitalizado. 1. ed. Curitiba: Appris, 2021. 389 p.

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