LUXURY WEEK, VOL. 1, NÚMERO 5, JULHO 2021

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Ano 1/Volume 1/Número 5/Julho de 2021

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2 Sumário 06

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Hermes e as cartas celestes

05

As bases aristotélicas

06

Astrologia ou astronomia?

08

O universo das constelações

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O brilho de Touro

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O poderoso Leão e Virgem

15

De Ptolomeu a Nostradamus

16

O zodíaco de Mucha


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NOTA DO EDITOR O céu sempre tem muito a nos dizer. Olhando as estrelas nos guiamos nas noites escuras, percebemos o nascer e o pôr do sol, os dias e as noites, a lua, os planetas, as nebulosas e as estrelas que, no conjunto, formam constelações. E, assim, nos orientamos nos mais diferentes afazeres, no trabalho e no lazer, na descoberta de nós mesmos e dos outros. Percebemos ainda que as fases da lua influenciam as marés e os ciclos da natureza, os equinócios que são as quatro estações do ano: verão, outono, inverno e primavera. Olhando para o céu podemos prever chuvas e temos a exata noção de temperaturas. Também o imaginamos o local onde o sagrado, livre da matéria, fez morada. E percebemos ao longo do tempo que o céu é um mapa capaz de nos orientar. Uma rota do nosso destino traçada quando nascemos e que nos acompanha, passo a passo, até a esperada ascensão ao firmamento assim como aos navegantes no mar revolto. Presente desde a antiguidade, as cartas celestes, que constituem uma espécie de mapa do céu noturno, que os astrônomos e estudiosos dividem em grades, de latitude e longitude, como os gomos de uma laranja, para facilitar a localização de estrelas, constelações, galáxias e os astros e asteroides, sempre foram usadas para a navegação e localização humana ao longo do tempo. Elas também deram origem às irmãs siamesas astrologia e astronomia, como veremos nesta edição. Boa semana, boa leitura.

EXPEDIENTE Luxury Week é uma revista semanal de variedades produzida pela Editora Olympia (editoraolympia.com.br) e distribuída gratuitamente em plataformas digitais por parceiros que também contribuem com conteúdo de qualidade e temas atuais e diversificados. Editor-chefe: Carlos Franco Editora internacional: Yume Ikeda Colaboradores: Marco Hiroschi, Christina Tavares, Rita Almeida, Maria Helena Guimarães, Paulo Thiago, Rodrigo Vidal , Tiago Ribeiro, Eduardo Silva Bernardt, Valdo Santos e Yacy Nunes. Imagens: Francisco Jr., Carlos Monteiro,Stúdio Mar Adentro, Pixabay, Freepick, Canva, grifes, assessorias de imprensa e agências de modelos e de publicidade. Diagramação: Paulo Pereira Diretor comercial: Hugo Lopes E-mail: redacao@luxuryweek.com.br Fotos desta edição: Canva Pro

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4 O universo em forma de cartas celestes As cartas celestes criadas por povos primitivos evoluíram ao longo do tempo e ganharam, em 2018, uma versão em 3D divulgada em abril daquele ano no European Week of Astronomy and Space Science, evento que aconteceu em Liverpool, na Inglaterra, resultado de trabalho colaborativo de diversas instituições de pesquisa. “Uma equipe liderada pelo Dr. David Sobral, da Lancaster University, fez o gráfico usando o telescópio Subaru, no Havaí, e o telescópio Isaac Newton, nas Ilhas Canárias. Olhando para trás no tempo para 16 diferentes épocas entre 11 e 13 bilhões de anos atrás, os pesquisadores descobriram quase 4.000 galáxias antigas, muitas das quais evoluíram para galáxias como a nossa própria Via Láctea”, explicava o anúncio oficial que tem dado origem a novos estudos e influenciado a leitura, com mais precisão, da influência dos movimentos das estrelas, astros, constelações e galáxias na Terra. Trata-se uma história praticamente infinita, pois desde a antiguidade, o homem encontrou no céu um norte para caminhar e explorar o espaço ao redor. Muito desse conhecimento encontrase desenhado em cavernas, onde povos primitivos se abrigaram das intempéries e dos animais selvagens. Os primeiros registros da importância do céu, dos seus astros e estrelas, datam, no entanto, de 4.200 anos antes de Cristo (a.C.). São as cartas estelares egípcias que, embora astronômicas, existiram num tempo em que não se distinguia astronomia de astrologia. Essas cartas teriam sido a base do conhecimento difundido por Hermes Trismegisto, legislador e filósofo egípcio que viveu cerca de 1.500 a.C. (não há precisão, pois alguns apontam 2.500 a.C.), e teria deixado de legado 36 livros que se perderam com as constantes invasões ao Egito, entre os quais a Tábua Esmeralda. O pensador também teve destacada influência no campo da medicina por associar os fatores climáticos e o movimento astral com os estados físicos do homem. A filosofia hermética, atribuída a Hermes Trismegisto, foi ainda a base do conhecimento filosófico grego de Sócrates, Platão e Aristóteles. São obras que destacaram a importância de se olhar para o céu em busca de sinais e que deram origem a uma leitura que acabaria por perceber que um conjunto de 12 constelações se repetia sempre em movimento e que este girava, para alguns povos em torno da lua, o calendário lunar, e para outros povos em torno do sol, o calendário solar. Por conta da observação desse fenômeno natural foi que o homem começou a medir o tempo e há cerca de três mil anos e ergueu os primeiros relógios solares, como o Stonehenge, o mais famoso círculo de pedras do mundo, no Reino Unido.

Mais tarde uma linha imaginária britânica, o Meridiano de Greenwich, dividiria o globo estabelecendo longitude e serviria ainda para, transformando a Terra numa laranja, dividida em 24 partes, medir as horas e dividir o Ocidente do Oriente, exatamente como quem parte uma laranja ao meio. Todas essas conquistas só foram possíveis pela contemplação do céu, os mapas imaginários nele contidos. Foi assim, passo a passo, que os homens chegaram às constelações que acabariam por integrar o chamado zodíaco num tempo em que astronomia e astrologia eram faces de uma única moeda, a primeira, contendo os cálculos matemáticos e os fenômenos relacionados à passagem dos astros no céu e os outros na associação destes com as divindades e objetos que tinham algo a dizer sobre a influência que exerciam no comportamento humano e possibilitava a leitura dos seus atos.


5 Aristóteles viu a lua e as estrelas Fruto de diversas influências, dos primeiros apontamentos babilônicos ao desenvolvimento da matemática pelos árabes e egípcios, aliados à filosofia greco-romana, o surgimento do zodíaco 5 séculos antes de Cristo (a.C.) foi um dos mais importantes marcos no estudo da astronomia-astrologia, sem a diferenciação entre as duas hoje existente. A partir do zodíaco surgiram os mapas astrais, com os quais os povos antigos passaram a analisar datas e traçar rotas do que viriam a chamar de destino. Aristóteles ao analisar o comportamento da cultura oriental que relacionava a leitura dos mapas, além das estações do ano, ao movimento dos astros, preferencialmente a lua, com elementos da natureza como água, terra, ar, fogo e madeira, acabou por criar uma teoria dos elementos essenciais dispensando o quinto elemento: a madeira, que era apontado como o elemento que sofre a influência dos demais elementos dentro de uma visão de transformação contínua. Por essa possibilidade de o zodíaco permitir uma leitura de atos e atitudes humanas, a partir dos seus reflexos na natureza, imperadores, reis e rainhas passaram a consultar astrólogos e a solicitar além de seus mapas os dos adversários e até o momento ideal para o início de batalhas e a conquistas dos louros, as folhas que desde a Grécia antiga coroavam os vencedores. Há registros de que o imperador Tibério consultava mapas astrais de adversários antes de empreender suas batalhas pelo domínio do Império Romano enquanto o imperador Augusto cunhou seu signo do zodíaco em moedas. O conceito dos elementos por Aristóteles acabou por dar origem à divisão dos 12 signos do zodíaco entre os que são do ar (Gêmeos, Libra e Aquário), da terra (Touro, Virgem e Capricórnio), da água (Câncer, Escorpião e Peixes) e do fogo (Áries, Leão e Sagitário). Dentro desse conceito, a sequência no zodíaco é sempre fogo, terra, ar e água, pois tudo, segundo correntes que passaram a integrar os elementos aos signos, começa como inspiração (fogo), se materializa (terra), se espalha (ar) e então se dilui, se dissipa (água). Para os orientais, todos esses elementos dependem da madeira para exercer essas funções e este é o quinto elemento, símbolo da transformação.

Além da propagação do conceito aristotélico, diversas correntes passaram a dividir o mapa entre os dois hemisférios, o Norte e o Sul, delineados pelo movimento de rotação da Terra, que ainda era desconhecido, mas por perceberem a oposição das estações do ano e os astros que se tornavam mais visíveis no período. Assim, surgiu nesse zodíaco a designação entre ascendente e descendente contando-se uma casa de 1 a 7 e ainda relacionado-as com os planetas que então eram visíveis como Plutão, Netuno, Saturno e Júpiter. Com contribuições de diversos povos, sobretudo os gregos, definiu-se, ao longo do tempo, que é o zodíaco é uma faixa do céu limitada por dois paralelos de latitude celeste: um situado a 8º ao Norte e o outro a 8º ao Sul da Eclíptica (linha central do Zodíaco). Nessa faixa, existe uma relação direta criada pela passagem do Sol, da Lua e dos planetas. Foi isso, o que permitiu a conceituação de ascendente e descente entre a primeira casa e a sétima. É importante observar que esses mapas e calendários ganharam uso justamente por possibilitarem a leitura das estações e do tempo, mesclando conhecimentos do que hoje se divide entre astronomia e astrologia.


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ASTRONOMIA (substantivo feminino; etimologia: do grego astronomía.as; do latim astronomia.ae.) - Ciência que estuda o universo, espaço sideral, e os corpos celestes, buscando analisar e explicar sua origem, seu movimento, sua constituição, seu tamanho etc. (Astronomia física. Aquela que analisa as condições físicas dos astros). (Astronomia matemática. A que estuda o cálculo das forças que agem sobre os astros). (Astronomia náutica. O conhecimento da posição e do movimento dos astros aplicado à navegação). Não confundir com astrologia.

ASTROLOGIA (substantivo feminino; etimologia: do grego astrología.as; do latim astrologia.ae) - Doutrina, estudo ou prática, que busca supor ou decifrar a influência dos astros na vida, no comportamento das pessoas e nos acontecimentos pelos quais elas passam, buscando ainda prever o futuro. Não confundir com astronomia.

Hoje, essas definições que constam de dicionários são claras e precisas, mas durante séculos não se fez essa separação entre o papel da astronomia e da astrologia, menos ainda dos que exerciam as funções de astrônomos e astrólogos, uma vez que em ambos os casos a análise, fazendo uso de cálculos matemáticos e observações ao longo de um período, tinha por objetivo avaliar as influências dos astros na natureza e, por consequência, na vida humana. Essas observações foram essenciais para a lavoura, a caça e a classificação dos equinócios, as estações do ano. À leitura original e primária, foram acrescidos novos significados por força das culturas que fazem uso desse conhecimento e os transladaram para o universo mítico na qual se inseriam. Para a maioria dos historiadores, numa jornada longe ainda de ser consensual, os primeiros povos a fazerem uso da leitura do céu e de sua influência nos fenômenos foram os caldeus, habitantes da margem oriental do rio Eufrates, que ajudaram a erguer o império babilônico liderado por Nabopolassar e, posteriormente, por seu filho, Nabucodonosor, o Nabuco, criador dos jardins suspensos da Babilônia e que deu origem à famosa ópera do italiano Giuseppe Verdi (1813-1901).

A descoberta de tábuas de argila, com indicações de fenômenos naturais enunciados pela posição das estrelas e da rotação da Terra em relação ao Sol e à Lua na hoje iraquiana Mossul dá conta do importante papel da observação do céu. Há ainda registros de povos maias e astecas da América Latina. Durante séculos, astronomia e astrologia andaram juntas, como irmãs siamesas, uma influenciando a outra, emprestando conceitos e leituras as mais diferentes. Foi assim que visões primárias deram origem a um sistema que acabou por se tornar padrão e que repartia, inicialmente, o céu em 12 faixas, que os gregos definiram como correspondentes a 12 símbolos relacionados ao círculo dos animais, o zodíaco em grego. Esses símbolos, hoje conhecidos como signos, marcavam a trajetória do Sol e da Lua e dos primeiros planetas que se tornaram visíveis a olho nu e com os equipamentos rudimentares da época e que ganharam nomes de deuses gregos como Júpiter, Netuno e Saturno. As cartas celestes solares e lunares tiveram papel crucial na difusão tanto da astronomia como da astrologia fomentando a indústria na produção de equipamentos e até viagens espaciais em busca do entendimento do universo em torno da Terra.


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Girando em torno do sol A Eclíptica é o círculo máximo da Esfera Celeste que representa a trajetória anual do Sol em seu movimento aparente ao redor da Terra que, hoje se comprova cientificamente, é resultado da translação da Terra, que em um ano, descreve sua órbita ao redor do Sol. Este se desloca pela Eclíptica atravessando 13 constelações chamadas de constelações zodiacais, que são: Peixes, Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Ofiúco (inexistente nas leituras de horóscopos porque complementa o curto período de Escorpião), Sagitário, Capricórnio e Aquário. É importante observar que os primeiros estudiosos dos astros contemplavam planetas e estrelas no céu a partir da Terra, que então percebiam como um ponto fixo enquanto o Sol percorria a Esfera Celeste e, portanto, a Eclíptica.

O desenho acadêmico acima, da União Astronômica Internacional (UAI), mostra exatamente como foi desenvolvido o zodíaco. É importante ressaltar para uma leitura correta do desenho astronômico, que 24 constelações estão localizadas na faixa zodiacal, algumas de forma integral e outras somente uma parte, mas as que são atravessadas, de fato, pela Eclíptica são 13 constelações. O Sol permanece em média um mês em cada constelação na Esfera Celeste. No caso de Virgem, onde leva mais tempo, são 44 dias, já em Escorpião, onde passa menos tempo, apenas 07 dias, por isso Ophiuchus, onde passa 18 dias, completa este giro. A constelação foi abandonada na leitura zodiacal, sendo esse período incorporado por outros signos do zodíaco facilitando a divisão do tempo entre os 12.


8 Sob o céu das constelações zodiacais A pesquisadora Ariana França Clávia, do Observatório Astronômico Frei Rosário, também conhecido como Observatório Astronômico da Piedade, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), localizado em Caetés, a 65 km de Belo Horizonte, desenvolveu estudo acadêmico, hoje usado pelos que se dedicam ao conhecimento da astrologia e da astronomia, descrevendo as constelações do Zodíaco na ordem de passagem do Sol, durante o ano, considerando como primeira constelação a de Capricórnio (19 de janeiro a 15 de fevereiro). O texto a seguir (em itálico) é da pesquisadora e trata-se de documento público do referido observatório. É importante observar que as datas referem-se aos períodos de maior visibilidade das constelações do zodíaco, definidas pela União Internacional Astronômica, portanto representam variação entre as usadas na leitura astrológica que deu origem aos horóscopos. A pesquisadora para melhor entendimento desta variação do tempo nas constelações incluiu no estudo a constelação de Ophiuchus, completandose corretamente o céu no período de um ano tendo como referência a faixa zodiacal. É um bom exemplo da divisão hoje existente entre astrologia e astronomia:

Capricórnio, a cabra do mar A constelação é antiga, e foi um dos primeiros membros do Zodíaco, sendo a sua menor constelação. Possui estrelas de pouco brilho, e por isso não é fácil de identificá-la no céu. A linha vermelha, atravessando Capricórnio na figura, representa a linha da Eclíptica. Localiza-se entre Aquário e Sagitário. É normalmente traduzida como "A Cabra do Mar" ou "A CabraPeixe", embora o nome signifique, literalmente, com chifres de cabra. Na mitologia grega, representava o deus Pã, que era semelhante a um bode. Pã era muito indeciso, nunca sabia tomar uma decisão depressa. Numa ocasião, os deuses estavam fugindo de um monstro marinho chamado Tifón. Os deuses se disfarçaram para despistar o monstro, mas Pã, em dúvida de qual animal se transformar, quando viu a sombra do monstro aproximar-se, sem conseguir decidir-se, transformou o seu tronco em cabra e as suas pernas num rabo de peixe: ficou transformado num peixe-cabra.


9 Aquário, a era de Aquarius É uma das maiores constelações do Zodíaco, localiza-se entre Capricórnio e Peixes. O Sol passa em Aquário de 16 de fevereiro a 11 de março. Na mitologia grega, representa um jovem, e às vezes um homem velho, derramando água de uma jarra. Era um belo pastor, Ganimedes, de quem Zeus se agradou. Zeus enviou uma águia (há versões que dizem que o próprio Zeus que se transformou) que levou o rapaz para o monte Olimpo, onde serviria como copeiro dos deuses. A chamada Era de Aquarius, que teve início neste século, sucedendo a Era de Peixes, é chamada por muitos de Era do Ser, quando o homem, mais introspectivo, faz um balanço da sua vida na Terra e evoca valores mais nobres na jornada. A transição de uma era zodiacal para outro, que dura cerca de dois séculos, é sempre marcada por forte ebulição social e política. A pandemia Covid-19 é exemplar deste momento de interior que marca o início de nova era.

No mar de Peixes Representa dois peixes ligados pelas suas caudas na estrela alpha piscium. Na verdade, o nome da alfa, "Al Rischa", significa "o cordão". A constelação é bastante fraca; as estrelas de Peixes são geralmente de quarta magnitude. Localiza-se entre Aquário e Áries. O Sol passa em Peixes de 12 de março a 18 de abril. Sua importância está em conter o ponto em que o Sol cruza o equador indo em direção ao norte a cada ano, no equinócio de março. No mito grego, representa Afrodite e seu filho Eros, que se transformaram em peixes e mergulharam no Eufrates para escapar do monstro Tífon. Sensibilidade e intuição são características de Afrodite e Eros que foram incorporadas por astrólogos em suas leituras do zodíaco.


10 Áries, o rebelde carneiro grego Seu nome significa carneiro. Situa-se entre Peixes e Touro, e não é muito brilhante. Uma das formas de encontrá-la no céu é localizar as Plêiades (grande aglomerado aberto de estrela na constelação de Touro), pois fica próxima a este aglomerado. O Sol passa em Áries de 19 de abril a 13 de maio. Na mitologia grega, representa o carneiro cujo velocino de ouro estava num carvalho na Cólquida, costa leste do mar Negro. Jasão e os argonautas fizeram uma viagem para levar o velocino à Grécia. Rebelde e impaciente, o carneiro, na visão de astrólogos, tem ideias próprias, é cordial, mas não gosta de ser limitado nem aceita a figura de autoridade, por isso tornou-se guardião na mitologia grega de segredos os quais defende mesmo quando está em risco. Se domado, torna-se afável desde que tenha liberdade e não lhes seja impostos limites.

O exuberante brilho de Touro Touro é uma constelação que pode ser encontrada com facilidade. Localiza-se próxima a constelação de Órion. Sua estrela alfa, Aldebaran, é uma estrela gigante vermelha de cor muito visível no céu. Possui o grande e nítido aglomerado aberto de estrelas, Plêiades, conhecido também como Sete Irmãs. Podemos ver seis membros deste aglomerado a olho nu. Dista cerca de 400 anos-luz da Terra. O Sol passa em Touro de 14 de maio a 19 de junho. Outro aglomerado grande em Touro são as Híades (parte da constelação em formato de “V”). Está localizado a cerca de 150 anos-luz de nós, e é o aglomerado considerado mais próximo. (...). Na mitologia grega, o Touro representa o disfarce que Zeus usou para atrair a atenção da princesa da Fenícia chamada Europa. Atravessou o Mediterrâneo a nado levando Europa nas costas até ilha de Creta.


11 Gêmeos, Gemini Esta é uma constelação identificável com facilidade por suas estrelas mais brilhantes, Castor e Pollux, que representam as cabeças dos gêmeos mitológicos. Localiza-se entre Touro e Câncer. O Sol passa em Gêmeos de 20 de junho a 20 de julho. Castor (alpha Geminorum) na verdade não é a mais brilhante de Gêmeos, mesmo tendo o nome de alfa. A mais brilhante é a Pollux. Castor está a 52 anos-luz de distância. Não é uma grande estrela em particular, tem cerca de duas vezes o diâmetro do Sol, e é um notável binário. Já Pollux, está a cerca de 34 anos-luz. É consideravelmente maior, com um diâmetro estimado de cerca de dez sóis. Elas estão a 4,5 graus de separação uma da outra, o que ajuda a observadores estimarem distâncias de separação entre outras estrelas no céu. Na mitologia grega, os gêmeos são apenas metade irmãos. São filhos da mesma mãe (Leda), mas têm pais diferentes. O pai de Castor era um rei de Esparta, Tíndaro, e o pai de Pollux era ninguém menos que Zeus.

Câncer, o caranguejo Câncer, traduzido como caranguejo, é a constelação mais fraca de todas as constelações do Zodíaco. Localiza-se entre Gêmeos e Leão. O Sol passa em Câncer de 21 de julho a 9 de agosto. Um dos objetos celestes em Câncer é o aglomerado estelar M44 chamado de Presépio (ou Colméia, ou Manjedoura). É possível vê-lo a olho nu como um ponto difuso, e fica bonito e mais completo quando observado por binóculo. Na mitologia grega, o caranguejo atacou Hércules durante a sua luta com a Hidra, mas foi esmagado pelo pé do herói. Na visão de astrólogos, nascidos no signo de câncer são brincalhões e simpáticos. Intuitivos costumam perceber riscos eminentes e têm facilidade para atuarem no campo espiritual.


12 O rugido do poderoso Leão É uma constelação onde a figura lembra realmente um leão. Localiza-se entre Câncer e Virgem. O Sol passa nesta constelação de 10 de agosto a 15 de setembro. No mito grego, Leão atormentava uma pequena aldeia da Grécia chamada Neméia. O animal era de couro impenetrável, mas Hércules conseguiu matá-lo. Alpha leonis é chamada de "Regulus", e era vista como "Guardiã do Céu". O nome de Regulus foi dado por Copérnico, mas a estrela era mais conhecida na antiguidade como “Cor Leonis”, “Coração de Leão”. Regulus é um binário múltiplo. Localiza-se tão próxima à Eclíptica, que a Lua muitas vezes passa perto, e até oculta a estrela em raras ocasiões. Para os astrólogos, os nativos de Leão são imponentes como o animal que os representa. Têm forte e dominante personalidade e, muitas vezes, se sentem imortais e ficam irritados ao perceberem que são mortais como todos os seres.

A disciplinada Virgem O Sol passa em Virgem de 16 de setembro a 30 de outubro. Esta é a segunda maior constelação do céu e a maior do Zodíaco. Virgem possui uma série de antigos mitos e contos. Para os antigos romanos, era a deusa Ceres do crescimento das plantas alimentares e das colheitas, e particularmente do milho. Alpha Virginis é conhecida como Spica: a orelha "de trigo" que a deusa carrega. Spica é um binário eclipsante azul-branco com um período de pouco mais de quatro dias. A estrela é o dobro do tamanho do Sol, mas com uma luminosidade de cerca de duas mil vezes a do sol. Está a 260 anos-luz de distância. Na visão da maioria dos astrólogos, nativos de Virgem são organizados e têm mania de limpeza. Extremamente disciplinados, são pessoas que se irritam facilmente quando veem ambientes sem sujos e desarrumados. Por isso, alguns relacionam o signo à pureza e ao imaculado.


13 A balança de Themis A constelação de Libra está localizada entre Virgem e Escorpião. Representa a balança da justiça segurada por Virgem. O Sol passa em Libra de 31 de outubro a 22 de novembro. Para os gregos antigos, esta constelação fazia parte do Escorpião sendo suas garras. Por isso, suas duas estrelas mais brilhantes, ainda chamadas de Zubenelgenubi (alfa librae) e Zubeneschamali (beta librae), que significam “garra do sul” e “garra do norte”, respectivamente. Na mitologia, Libra também está associada à balança de Themis, a deusa da Justiça, que pesa os atos bons e os maus. É símbolo do Poder Judiciário em todo o mundo ocidental. Themis não aceita, portanto, julgamentos parciais que a violam e ao seu poder de equilíbrio. Os nativos do signo são, em sua maioria, combatentes de injustiças e defensores da ética nas relações.

A garra do Escorpião Constelação facilmente reconhecível, podemos vê-la do lado esquerdo do Cruzeiro do Sul na direção leste. A “cauda” curva, sugerindo uma interrogação de ponta cabeça é muito aparente no céu. Faz parte do zodíaco, e se localiza entre as constelações da Libra e de Sagitário. Na mitologia grega, foi o animal que matou Órion com sua picada. A estrela de maior brilho aparente desta constelação é a supergigante vermelha Antares, e é centenas de vezes maior que o Sol. É conhecida também como o “coração do Escorpião”. Na mitologia, Escorpião esteve antes da descoberta de Plutão associado à Marte, é o signo, para os astrólogos, das profundezas, do mergulho em profundidade nos fatos que o rodeiam.


14 A flecha de Sagitário O nome Sagitário deriva da palavra em latim sagitta que significa seta. Foram os romanos que deram o nome à constelação de Sagitário. É uma brilhante constelação do Zodíaco, entre Escorpião e Capricórnio. Tem como característica um padrão de estrelas que lembra o formato de um bule. Localizase próxima a região do céu onde está situada a direção do centro da nossa galáxia, Via Láctea. O Sol passa em Sagitário de 18 de dezembro a 18 de janeiro. Na mitologia a constelação está associada a Quíron, o centauro, metade homem, metade animal.

Ophiuchus brilha no universo Ophiuchus (em português Ofiúco) ou serpentário, é uma constelação distribuída sobre o equador celeste. Representa um homem segurando uma serpente. A cabeça de Ofiúco fica próxima da constelação de Hércules, e seus pés sobre a constelação do Escorpião. Embora seja uma constelação em que o Sol passe de 30 de novembro a 17 de dezembro, ela não faz parte do zodíaco. A descrição das constelações presentes na faixa zodiacal pela pesquisadora mostra que, com o passar dos anos e o maior conhecimento da esfera celeste, a correspondência entre astrologia e astronomia também se distanciou, pois o Sol passa por constelações hoje que não eram vistas a olho nu e por rudimentares telescópios, iluminando, assim, períodos que antes não correspondiam aos primeiros mapas zodiacais, que acabaram por consagrar a leitura do céu. Mesmo astrônomos conceituados asseguram, no entanto, que a astrologia acompanhou algumas das mudanças, incorporando novas leituras a fim de manter o espírito vivo dos pioneiros que associaram os astros ao comportamento do homem na Terra. “É o caso de algumas inovações relativamente recentes na escala histórica, como a descoberta dos planetas Urano, Netuno e Plutão, que trouxeram novos elementos à interpretação astrológica do céu”, assegura o historiador David Pingree, da Universidade de Brown, nos Estados Unidos.

Pingree é autor, em parceria com Robert Gilbert, do livro Astrologia nos tempos modernos (Astrology in modern times), uma das referências mais usadas para mostrar a relevância de leituras feitas do céu pelos antepassados, onde se incluí o zodíaco e a sua influêcia na vida dos povos e seu imenso realce no mapa do céu de cada dia. “O homem sempre foi tomado pela curiosidade do que lhe reserva o amanhã”, resume Pingree.


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Childhood of Nostradamus, Nostradamus Museum, Salon de Provence/Dlvugação

A grande jornada nas estrelas O fato de as grandes religiões enxergarem o céu como a morada dos deuses, o lugar de onde Deus tudo vê e tudo move, explica essa crença que é do céu que surgem os sinais mais importantes para a vida humana. Curiosidade que também faz girar bilhões nas mais diferentes moedas na busca por descobrir se existe vida em outros planetas. Foi o que levou o homem à lua e aos programas contínuos de mapeamento do céu e de seus planetas como Marte. Uma grande jornada pelas estrelas que está longe do fim e que teve início nos primórdios com a contribuição de diversos pesquisadores e homens como o grego Ptolomeu, autor do Almagesto, um tratado de astronomia que sintetiza os conhecimentos anteriores de Aristóteles, Hiparco, Posidônio e outros em 13 volumes. Neles, Ptolomeu apresenta com tabelas numéricas mais que a localização de estrelas e planetas mas tendo como referência que estes giravam em torno da Terra e não o contrário como hoje se tem conhecimento por meio do movimento de translação do nosso planeta. O importante é que sua obra abriu caminho para o reconhecimento da importância da astrologia, fundando suas bases modernas e abrindo o caminho para sua dissociação da astronomia.

Nesta jornada, foram inúmeras as contribuições, mas uma em particular, do francês Michel de Nostradamus, acabou por atrair maior atenção para a astrologia. A sua Les Prophéties (As Profecias), onde faz previsões com base em cálculos matemáticos a partir do movimento dos astros em profunda interpretação astrológica fizeram tremendo sucesso e fazem até hoje. Os movimentos políticos, econômicos e sociais desde o lançamento do livro publicado pela primeira vez em 1555 comprovaram o valor das suas narrativas e o seu elevado grau de acertos. As Profécias apresentam em 942 quadras poéticas fatos relacionados à pessoas e lugares. De certa forma uma imensa carta advinhatória que, se por um lado despertou o interesse para a astrologia, por outro abriu também as comportas do charlatanismo em relação ao tema. Por tratar-se de interpretações no território do sensível, o que nos dizem os astros forçou a separação cada vez maior entre os que se dedicam à leitura do céu para fins científicos por meio da astronomia e aqueles que identificam o comportamento humano influenciado pelo movimento dos planetas e das constelações. É uma grande jornada ainda longe do fim, ou melhor, sem fim.


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