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Reprodução Picasso/Amazon.com
K.LUX E E
Ano 1/Volume 2/Número 17/JANEIRO de 2022
URY W
VERÃO 2022
2 Sumário 07
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o BUMBUM de IPANEMA
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a ousadia de CIDINHO
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CATALINA, o maiô das MISSES
07
a malha de TRICÔ MISSONI
08
SUMMERSALT para todos os corpos
09
a moda carioca de RICHARDS
10
o HAWAII das cores de VERÃO
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aloha ELVIS PRESLEY
3 NOTA DO EDITOR
“Voa um par de andorinhas, fazendo verão. E vem uma vontade de rasgar velhas cartas, velhos poemas, velhas cartas recebidas. Vontade de mudar de camisa, por fora e por dentro... Vontade... para que esse pudor de certas palavras?... Vontade de amar, simplesmente.” O gaúcho Maria Quintana (1906-1994) sempre teve o dom de transformar os momentos mais simples da vida em pura poesia. O verão, a estação mais quente do ano, faz com que percamos o pudor. Corpos seminus nas praias, aceitação das curvas e muita vitamina D emitida pelos raios solares fazem germinar o novo em nós. E o verão no Hemisfério Sul, como promessa de vida iluminada, coincide com o início de um novo ano, um novo ciclo. Feliz 2022. Nesta edição, LUXURY WEEK abre suas páginas para algumas das marcas e tradições da moda praia que convidam ao banho de mar ou mesmo piscina como os maiôs Catalina que vestiram as misses nos concursos e se transformaram em item obrigatório nos guarda-roupas. Nesse cenário, o paraibano Alcindo Pereira da Silva Filho, o Cidinho, é uma espécie de astro-rei ao criar no Rio de Janeiro, em Ipanema, a BumBum, marca responsável pelas maiores e mais ousadas inovações deste mercado como os modelos fio dental e asa delta que conquistaram as mulheres. Esse contato do corpo com a água e o sol vem da antiguidade e é o que nos torna mais vivos, mais humanos e alegres como as primeiras camisas criadas pelo carioca Ricardo Dias da Cruz Affonso Ferreira, que deram origem à Richards. Uma moda descontraída que tem a cara do verão e do Havaí de Elvis Presley e que abriu caminho para que outros amantes dos esportes aquáticos partissem para aventuras no mundo no vestuário. E se é verão é tempo de alegria e pode-se dizer que Elvis Presley e os colares de flores não morreram. Aloha.
EXPEDIENTE Luxury Week é uma revista semanal de variedades produzida pela Editora Olympia (editoraolympia.com.br) e distribuída gratuitamente em plataformas digitais por parceiros que também contribuem com conteúdo de qualidade e temas atuais e diversificados. Editor-chefe: Carlos Franco Editora internacional: Yume Ikeda Colaboradores: Marco Hiroschi, Christina Tavares, Rita Almeida, Maria Helena Guimarães, Paulo Thiago, Rodrigo Vidal , Tiago Ribeiro, Eduardo Silva Bernardt, Valdo Santos e Yacy Nunes. Imagens: Francisco Jr., Carlos Monteiro, Cacalos Garrastazu, Stúdio Mar Adentro, Pixabay, Freepick, Canva, grifes, assessorias de imprensa e agências de modelos e de publicidade. Diagramação: Paulo Pereira Diretor comercial: Hugo Lopes E-mail: redacao@luxuryweek.com.br
Boa leitura,
EDITORA OLYMPIA AVENIDA RONDON PACHECO,2300 SALA 65/ UBERLÂNDIA/MG/CEP 38408-404 editoraolympia@editoraolympia.com.br
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Divulgaçã
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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
CIDINHO E O BUMBUM DE IPANEMA
Divulgação
Reprodução Museu da Pessoa
o ousado alcindo pereira da silva filho.
De acordo com historiadores focados na moda, o precursor do biquíni foi uma faixa chamada estrófio (ou fáscia, fasciola, tênia e mamillare). Alguns acreditam, por meio da análise de antigas pinturas greco-romanas, que se tratava de um pedaço de pano envolvendo, no caso feminino, os seios e também no masculino, as partes íntimas e de prazer abaixo do umbigo. Foram esses pedaços pequenos de pano que estimularam a criatividade do paraibano Alcindo Pereira da Silva Filho, o Cidinho, a abrir aos 32 anos, em 1979, uma pequena loja de nome sugestivo: BumBum de Ipanema, no bairro carioca onde nasceu a Bossa Nova, entre as ruas Garcia D’Ávila e Montenegro (desde 1980, rua Vinicius de Moraes) e por onde desfilava a famosa “garota” Helô Pinheiro, uma das primeiras a experimentar os biquínis criados por Cidinho assim como as modelos que nesta época ocupavam as capas de revistas como Luiza Brunet e Monique Evans. Coloridas, diferentes das tradicionais, as duas peças do BumBum de Ipanema ganharam as praias. Ousado, Cidinho foi responsável por algumas inovações que ganharam o mundo como o fio dental lançado no verão de 1985, que permitia o bronzeamento do BumBum, neste caso o de Ipanema, até chegar a todas as praias e piscinas do mundo, atraindo olhares curiosos e editoriais de moda e comportamento. Já no verão de 1988, Cidinho voltou às manchetes com o lançamento do modelo asa delta, para biquínis e maiôs. O corte reto, vertical e cavado a partir da virilha acentuou as formas das mulheres com liberdade e conforto. Virou mania em todos os cantos carregando a marca BumBum de Ipanema para o mundo. Visionário, este paraibano sempre surfou na crista da onda e, em 2007, quando o e-commerce, as vendas pela internet, ainda engatinhava foi um dos primeiros empresários a abrir uma loja virtual. Esse pioneirismo de Cidinho foi recompensado em 2017, quando o Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, abriu as portas para a exposição “Quando o MAR virou RIO”, dedicando uma vitrine inteira à BumBum de Ipanema e suas inovações que sempre serão marca registrada dos verões e da moda praia.
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Em 1907, John Bentz deu início às atividades da Bentz Knitting Mills que, posteriormente, assumiria o nome de Pacific Knitting Mills em 1912 até chegar, em 1928, como Catalina Knitting Mills e a partir de 1955 apenas Catalina. Foi esta empresa americana a responsável por tornar o maiô uma peça obrigatória em todos os guarda-roupas e atrelar a sua identidade aos famosos concursos de misses em trajes de banho. Uma trajetória digna de filme estrelado por Ginger Rogers, Joan Crawford e Marilyn Monroe que foram os primeiros corpos a apresentar a marca Catalina ao mundo na ensolarada Califórnia, ponto de partida do Pacífico para suas conquistas. Antes desta investida cinematográfica, Catalina em 1921 patrocinou o Miss America com a condição que, em uma das apresentações, na verdade a final, todas fizessem uso dos seus maiôs. O sucesso foi imediato e o concurso, então realizado no verão em Atlantic City, que perdeu o posto de cidade do pecado e do jogo para Las Vegas, ganhou mídia gratuita em todo os Estados Unidos para alegria dos moços e o desejo das moças em se exibirem em trajes de banho. O rentável acordo com o Miss America rendeu sucesso e vendas para Catalina até 1951, quando a vencedora Yolande Betbeze se recusou a posar para as fotos publicitárias com o maiô que encontrou num peixe voador a sua identidade. Catalina não perdoou os organizadores que entenderam as razões da miss e se retirou da competição auxiliando na criação no ano seguinte de dois novos concursos, o Miss USA e o Miss Universo. Para Catalina, foi um excelente negócio que permitiu à marca se internacionalizar mantendo o charme de ser o maiô das misses, não mais das americanas, mas de todas as beldades do mundo. Em sua primeira edição, o Miss Universo 1952, realizado em 28 de junho, na cidade californiana de Long Beach, no condado de Los Angeles, coroou a finlandesa Armi Kuusela. Como todas as concorrentes, ganhavam os maiôs Catalina, eles se espalharam pelo mundo e passaram a garantir presença em concursos de beleza dos países participantes. Foi com um maiô Catalina que a baiana Maria Martha Hacker Rocha sagrou-se Miss Brasil em 1954 no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, seguindo para disputar o Miss Universo em Long Beach naquele ano. Ficou em segundo lugar numa competição vencida pela americana Miriam Stevenson que reza lenda foi por duas polegadas do quadril. De volta ao Brasil, Martha Rocha tornou-se símbolo de beleza e virou até torta recheada e decorada com frutas tropicais. Catalina, por sua vez, nunca mais saiu do corpo e dos desejos das misses do mundo. Hoje, a marca é licenciada para diversos fabricantes e se mantém nas praias e nas piscinas como aquela que tornou a moda praia uma presença constante em nossas vidas quando chega o verão.
Reproduções do Instagram
O MAIÔ DAS MISSES,
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Imagens: Divulgação
do TRICÔ se fez a MISSONI
Em 1953, o casal Rosita e Otávio Missoni montaram uma tecelagem no porão da casa que moravam em Gallarate, pequena cidade da italiana Lombardia. Ganharam mercado fornecendo malhas exclusivas de tricô. A aceitação estimulou o casal a criar uma coleção de peças prontas apresentada em Milão cinco anos depois. Fez sucesso. Ganhou fama, novos mercados e também espaço nas revistas de moda em 1960 pelo colorido das tramas e um detalhe que se tornaria a marca de Missoni: o zigue zague. A partir daí, a trajetória do casal deu um salto e, em 1970, a marca começou a ser comercializada na cadeia de lojas de luxo Bloomingdale 's em Nova Iorque. Jackie Kennedy Onassis se encantou com a estampa e comprou uma peça naqueles anos de glamourização da estética hippie e colorida. Isso levou a Missoni a investir mais e mais em novidades por meio de novas tramas de malha de tricô sem perder a identidade. Para isso, buscou atrelar aos fios coloridos conteúdo cultural que encontrou nos desenhos africanos e também no futurismo da arte óptica.
Como ocorre com marcas que ingressam no mercado de luxo, Missoni se diversificou e, por meio de acordos e com supervisão rigorosa passou a levar a estampa tradicional, que a caracteriza, para uma imensa gama de produtos e apostou alto na moda praia em acordo com a C&A, chegando até mesmo a licenciá-la para a brasileira Havaianas que também se internacionalizou. E se tem Brasil, tem Gisele Bündchen que, esculturalmente e bronzeadíssima, posou com os maiôs e saídas de praia da grife em 2019. Já uma das herdeiras do grupo, Margherita Missoni, neta do casal que deu origem a este império do luxo, é a imagem que empresta beleza à linha de perfumes Missoni Acqua (foto acima à esquerda). Hoje, a estampa original está em inúmeros produtos e com a linha Missoni Home garante presença em papéis de parede, almofadas, sofás, cadeiras e tudo mais. Uma forma de manter vivo o design inovador criado pelo casal que iniciou sua trajetória num porão com apenas duas máquinas e teceu malhas de tricô que seduzem pela beleza e a alegria que transmitem. O mundo da moda é mesmo cheio de pequenas e agradáveis surpresas.
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A ELASTICIDADE DA MODA PRAIA. As roupas de banho sempre encontraram na borracha um aliado capaz de dar elasticidade e impermeabilidade aos tecidos, portanto ideais para o contato com a água. Fios oriundos da borracha das seringueiras, uma árvore nativa da Amazônia que os ingleses levaram para o Jardim Botânico de Londres e de lá a espalharam para antigas colônias asiáticas como Malásia, Ceilão e Cingapura (países que hoje dominam o mercado global) foi essencial para o desenvolvimento da moda praia. Apenas em 1930, a borracha ganharia um concorrente de peso e o mercado de moda praia e também esportiva passaria por grande expansão a partir do neoprene apresentado pela americana DuPont até o surgimento, em 1959, do fio elastano, também desenvolvido pela DuPont que o intitulou e o comercializou como Lycra, hoje marca do Grupo Invista.
O produto foi um verdadeiro detonador do mercado de moda praia, pois ao se ajustar elasticamente ao corpo oferece conforto e uma sensação de completa liberdade. Além da moda praia, Lycra deu impulso ao mercado de roupas esportivas e ao diversificado segmento de moda íntima masculina e feminina. Mas se é verão, é a moda praia o que hoje seduz. Em tempos de pandemia e uma esperada pós-pandemia uma campanha da americana Summersalt está fazendo sucesso ao proclamar que “Everybody is a Summersalt Body” (Cada corpo é um corpo Summersalt), que contou com 24 mulheres inspiradoras e diversificadas, e focou a alegria e a auto expressão, com o objetivo de incentivar as mulheres a se sentirem bem consigo mesmas. Fundada em 2017, com trajes de banho feitos de materiais reciclados a um preço estabelecido de US$ 95 - roupas de alta qualidade sem o preço das grifes -, Summersalt tem conquistado o mercado global por meio de vendas na internet e está presente hoje em todo o mundo. Afinal, este é um mercado competitivo que, segundo dados do Euro Monitor, movimenta mais de US$ 22 bilhões por ano e é elástico, portanto sempre cabe mais um que queira inovar e seduzir principalmente as mulheres. Foto: Divulgação/Business Wire
Imagens: Divulgação
A EVOLUÇÃO DE RICHARDS
A grife Richards segue o tempo e a idade de seu criador, o carioca Ricardo Dias da Cruz Affonso Ferreira. Sua trajetória de empreendedor do ramo da moda começa quando tinha 16 anos, em 1961, e começou a estampar com frases e motivos visuais daquele tempo camisetas em silk screen e as vendê-las com sucesso em pequenas lojas de vestuário na Zona Sul do Rio de Janeiro. Em 1970, Ricardo dá novo salto numa viagem a Londres, quando se depara com as roupas, muitas oriundas dos Estados Unidos, vendidas em brechós, entre as quais calças jeans desbotadas e peças indianas femininas e masculinas. Na volta, de um estalo, abre no Leblon a sua primeira loja, a Mr. Krishna, onde oferta as novidades que viu em Londres. Praieiro, usufruindo a sua juventude e em contato com os primeiros surfistas de Ipanema, que faziam ponto na praia do Arpoador, Ricardo percebe que bermudas, camisas coloridas e sandálias - eram comuns as rasteirinhas de couro tanto quanto as famosas Havaianas da Alpargatas - eram as peças que vestia bem como seus amigos. Isso o levou a abrir a primeira loja do Ricardo, a Richards, em 1974. O sucesso foi imediato e ele oferecia a si e aos amigos exatamente o que queriam vestir. Logo, a Richards se tornaria referência de bom gosto em moda praia, com a cara do Rio de Janeiro, com estampas coloridas e solares. Afinal, para muitos cariocas, principalmente quando se é jovem, não existe tempo ruim e todo dia é dia de praia. Com essa moda bem carioca, bem verão, Richards foi crescendo e com o passar dos anos, assim como Ricardo, incorporando novos valores e se sofisticando. Foi assim que a rede se expandiu, mas manteve a característica de oferecer ao consumidor um ambiente em que se sinta numa casa de praia, com as roupas à vista bem diferentes de lojas onde ficam engavetadas ou apenas expostas em vitrines. É esse ambiente que faz a diferença e torna a experiência de compra agradável. Hoje, a Richards segue oferecendo moda praia, com cara de verão e de Rio de Janeiro, mas com tecidos nobres e preços que a distanciam daquele Ricardo jovem, pois ele ficou adulto, ganhou dinheiro com a moda e o estilo praieiro e também passou a oferecer, atendendo pedidos, roupas para elas
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Divulgação
o HAVAÍ de ELVIS PRESLEY não morreu.
Os fãs garantem que Elvis Presley (1935-1977) não morreu. Estão certos. A voz marcante de Elvis continua viva, imortalizada nas canções que registram o início do rock. Também se deve a Elvis o despertar do mundo para o colar de flores polinésio, o lei. Sim, o nome desse colar que usa flores do pacífico, como os hibiscos, é lei. Esses colares de flores cumprem importante papel nos rituais que marcam os ciclos da vida nas ilhas polinésias e tornaram-se símbolo do Havaí. Detalhe: o lei só pode ser feito por mulheres e muitas delas se dedicam apenas a este ofício. Foi com o filme “Blue Hawaii”, estrelado por Elvis Presley em 1961, que a moda do lei se espalhou pelo mundo, incluindo o sarongue, o saiote feito de folhas e fibras, e também os encontros alegres e musicais ao luar, o lual, iluminados pela lua e por tochas feitas de bambus. As camisas coloridas, com flores havaianas também se tornaram símbolo da alegria de viver e estão presentes em peças de verão, sobretudo quando a estação mais quente do ano tem como cenário as praias. São elementos que têm tudo a ver com o clima de liberdade e alegria deste paraíso onde se dança o hula-hula para os movimentos da natureza, agradecendo a generosidade da mãe Terra. Aloha: a saudação havaiana que numa única palavra exprime amor, afeto, paz, compaixão e misericórdia.
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Ano 1/Volume 2/Número 17/JANEIRO de 2022
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