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LUXURY WEEK, VOL.1, ANO 1, NÚMERO 16, DEZEMBRO DE 2021

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K.LUX E E

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K.LU EE

RY W XU

Ano 1/Volume 1/Número 16/DEZEMBRO de 2021

URY W

MOSCHINO brinca no VIRTUAL

CELINE EM EM

NICE

o legado de VIRGIL ABLOH


2 Sumário 10

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NICE, uma cidade ILUMINADA

05

CELINE, do infantil às PASSARELAS

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gente como a gente na PROMENADE

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tributo a VIRGIL ABLOH

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estranhos ESTRANGEIROS

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A MARCA da irreverência

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o INTENSO brilho das CORES

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o futuro É AGORA


3 NOTA DO EDITOR

Com tanta gente que partiu num rabo de foguete como na bela canção do mestre Aldir Blanc, lá se foi o estilista Virgil Abloh, vítima de angiosarcoma que fez seu coração parar em novembro deste sombrio ano de 2021. Primeiro negro a assumir o papel de diretor criativo de Louis Vuitton, Virgil Abloh deixa de legado um acervo de cores multiculturais, fruto da herança das tribos jeje de Gana que corria em suas veias e das quais também nós, brasileiros, somos herdeiros do candomblé jeje e de seus ritmos, uma riqueza sem dúvida incomensurável. Estranho estrangeiro no mundo, Virgil Abloh emprestou cores vivas à tradicional Louis Vuitton e a alma das ruas à grife. É também com cores vivas que Jeremy Scott brinca com a dualidade e complementariedade dos mundos reais e virtuais com a nova coleção de Moschino, uma viagem sideral de cores e visões futuristas. Sensualidade e cowboys cibernéticos com direito à imagens lúdicas como numa brincadeira de criança. Já Hedi Slimane passeia pela Promenade des Anglais na bela e mediterrânea costa francesa de Nice para mostrar que Celine, agora sem acento, está disposta a ocupar o seu lugar no mundo com absoluta simplicidade. Nada de trajes complicados ou peças que não se possam compor com outras, abrindo espaço para que qualquer pessoa empreste à coleção a sua personalidade, o seu it. O importante para o estilista de Celine é que todos se sintam, como ele, integrados à paisagem, a bela paisagem da francesa Côte D'Azur, se for com conforto, tanto melhor. Boa leitura,

EXPEDIENTE Luxury Week é uma revista semanal de variedades produzida pela Editora Olympia (editoraolympia.com.br) e distribuída gratuitamente em plataformas digitais por parceiros que também contribuem com conteúdo de qualidade e temas atuais e diversificados. Editor-chefe: Carlos Franco Editora internacional: Yume Ikeda Colaboradores: Marco Hiroschi, Christina Tavares, Rita Almeida, Maria Helena Guimarães, Paulo Thiago, Rodrigo Vidal , Tiago Ribeiro, Eduardo Silva Bernardt, Valdo Santos e Yacy Nunes. Imagens: Francisco Jr., Carlos Monteiro, Cacalos Garrastazu, Stúdio Mar Adentro, Pixabay, Freepick, Canva, grifes, assessorias de imprensa e agências de modelos e de publicidade. Diagramação: Paulo Pereira Diretor comercial: Hugo Lopes E-mail: redacao@luxuryweek.com.br

EDITORA OLYMPIA AVENIDA RONDON PACHECO,2300 SALA 65/ UBERLÂNDIA/MG/CEP 38408-404 editoraolympia@editoraolympia.com.br


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UM HOTEL:LE NEGRESCO. UMA CIDADE:NICE. UMA GRIFE: CELINE.


bem-vindo à CÔTE D' AZUR.

Nice, a principal porta de entrada da Côte D’Azur, a costa azul do Mediterrâneio que abriga o principado de Mônaco, Cap D’Antibes, Cannes, Grasse, SaintTropez, Saint Raphael e outras belas cidades da região francesa da Provence, é território de muitas histórias. A cidade que teria sido fundada há 2300 anos, antes portanto do advento do cristianismo que estabeleceu o atual calendário, transpira arte. Seu nome deriva da deusa grega da Vitória, Nike, e era chamada de Niceia pelos primeiros habitantes, depois Nizza durante o tempo de domínio do império romano e da Itália, passando a Nice desde que anexada pela França em 1860. Balneário preferido de ricos ingleses antes da II Guerra Mundial, sua principal via litorânea, a Promenade des Anglais, abriga desde 1913 o belo Hotel Negresco, que conserva o luxo que abriu caminho para o turismo na Côte D'Azur. A cidade e a região atraíram, pela luminosidade e belezas naturais, Henri Matisse, Edvard Munch, Claude Monet, Pablo Picasso, Marc Chagall e Cézanne. Nice guarda também tesouros arqueológicos importantes como o Terra-Amata e recantos de montanhas exuberantes. O Negresco, por sua vez, foi palco de importantes acontecimentos e abrigou monarcas, líderes políticos e artistas. Uma tragédia, porém, marca o calçadão da Promenade des Anglais. Na noite de 14 de setembro de 1927, a dançarina americana Isadora Duncan decidiu, a convite de Benoit Falchetto, piloto e mecânico da montadora Amílcar, dar um passeio no modelo conversível CGSS que queria comprar. Entrou no carro trajando uma bela echarpe de seda pintada à mão pelo artista russo Roman Chatov. O trágico e bizarro acidente aconteceu quando sua longa echarpe se enroscou em uma das rodas, a jogando para fora do carro e a estrangulando na calçada. Isadora Duncan morreu, mas tornou-se lenda da dança, a arte que revolucionou com trajes vaporosos e passos modernos para muito além dos movimentos marcados do ballet clássico. É a paisagem de Nice que a grife francesa Celine, que perdeu o acento, recorreu para exibir sua mais nova coleção, um convite para passeios ao ar livre e cores que trazem a lembrança de lugares iluminados como o Mar Mediterrâneo que banha Nice e o Negresco que, para o desfile da grife, permitiu a troca provisória do famoso letreiro que exibe para Celine.

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DOS PÉS INFANTIS PARA AS PASSARELAS, Logo que terminou a II Grande Guerra Mundial, a francesa Céline Vipiana e seu marido Richard encontraram na fabricação de calçados infantis sob medida um mercado onde podiam prosperar e abriram uma pequena loja se dedicando ao ofício. Não demorou para atenderem clientes da alta classe, inclusive a bela atriz Grace Kelly, que se tornaria a eterna princesa de Mónica, e que encomendava diretamente à Céline os calçados dos filhos, o hoje príncipe Albert, que sucedeu o pai, e a princesa Caroline. Em 1959, atendendo a pedidos de clientes, Céline decidiu diversificar sua linha de produtos e lançou calçados femininos. Seus mocassins fizeram sucesso e rapidamente se tornaram referência, estimulando a criação de acessórios como bolsas, luvas e chapéus, Com o perfume Vent Fou em 1964, a marca começou a se firmar no cenário da moda (fashion) e deixou para trás o elefante que identificava os seus calçados infantis. Num ritmo veloz, apresentou em 1967 sua primeira coleção de vestuário. Sob o comando de Céline Vipiana conquistou espaço no mundo e suas bolsas tornaram-se objeto de desejo. Foi assim que atraiu atenção de consumidores, investidores e também estilistas como Michael Kors que, a partir de 1996, assinou as coleções da grife, sendo sucedido pelo italiano Roberto Menichetti e a croata Ivana Omazicor até chegar à Phoebe Philo que reposicionou Céline na crista da moda e foi sucedida em 2018 pelo atual diretor criativo da grife Hedi Slimane.

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NICE

Imagens: Divulgação

IT'S VERY

O diretor criativo de Celine desde 2018, o francês Hedi Slimane, filho de mãe italiana e pai tunísiano, assumiu a tarefa de trazer a grife para a modernidade e estabelecer diálogo com os jovens. O estilista que nasceu em 1968, estudou na Escola do Louvre, se dedicando à fotografia, chegando a trabalhar no Le Monde. Ganhou fama e prestígio quando ingressou na Yves Saint-Laurent como assistente para uma exposição em 1992. Foi notado e quatro anos depois assumiu a linha masculina da grife como diretor criativo. Inovou, cresceu, se deu ao direito de um período sabático nos Estados Unidos e retornou depois como diretor criativo da grife. Passou pela Dior e chegou à Céline, da qual tirou o acento, modernizou as coleções e, em resposta aos saudosistas, foi a Nice este ano, mas em vez de exibir o glamour que a cidade inspira, apresentou uma coleção de gente como a gente, que pode ser usada nas ruas e tem na versatilidade a sua função e o seu estilo mais nobre. Nice é Nice e Slimane é Slimane, com Céline agora sem acento.


Reprodução do Instagram de Virgil Abloh

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VIRGIL ABLOH VIROU ESTRELA.

Virgil Abloh perdeu a luta contra o câncer que comprometeu seus vasos sanguíneos (angiosarcoma) no dia 28 de novembro deste sombrio ano de 2021. Este americano, filho de ganeses oriundos da tribo jeje, que nasceu em 30 de setembro de 1980 em Rockford (Ilinois) foi o primeiro negro a assumir o importante papel de diretor criativo da famosa casa francesa de alta costura Louis Vuitton. Casado, pai de dois filhos, Virgil Abloh se formou em engenharia civil e arquitetura e ingressou no mundo da moda a partir de um estágio na Fendi em 2009 ao lado do rapper Kanye West. Filho de uma costureira, Virgil Abloh aprendeu desde pequeno, vendo a mãe trabalhar, as mais importantes noções de corte e costura. Vestiu e criou para si e para os amigos a moda das ruas, dos excluídos. O estágio na Fendi foi o combustível de que precisava para lançar a sua própria grife, a Off-White em 2013, cinco anos depois ele já estampava a revista Time na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da moda ao assumir a direção criativa de Louis Vuitton, tendo antes modernizado as linhas clássicas dos calçados Nike.

As coleções que Louis Vuitton apresentou pelas mãos de Virgil Abloh são fruto das suas experiências e vivências, das ruas americanas e têm forte pegada cultural embalada pelo ritmo ska que resume bem sua trajetória. O ska que teve origem na Jamaica nos anos 1950, quando no pós-guerra o rádio se espalhou pelo país, é resultado da mistura dos ritmos caribenhos do mento e do calipso com os ritmos americanos do jazz e do blues, sendo precursor do rocksteady e do reggae, que firmaria o nome do jamaicano Bob Marley. Na alma das ruas, o ska foi se fundindo se mesclando, como a moda a qual Abloh deu vida. Em uma de suas últimas coleções, a Men’s Fall Winter 2021 (fotos na próxima página), Virgil Abloh recorreu ao ensaio seminal do escritor negro James Baldwin de 1953 "Stranger in the Village" para mostrar o que é se sentir um estranho estrangeiro no mundo em função de diferenças étnicas e culturais e de como conceitos se tornam preconceitos e novamente conceitos. Recado dado, Virgil Abloh partiu. Deixou de legado uma obra consistente que ampliou o diálogo de Louis Vuitton com o mundo. Ele emprestou vida e cor à grife.


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Imagens: Divulgação


Divulgação

MOSCHINO entre o REAL e o VIRTUAL. Do Press Club

O paradigma digital em que mergulhamos ao acordar, mas trazido de volta e aplicado ao físico. Sonhando em tempo real aumenta o confronto entre nossas realidades física e aumentada. Esse pensamento é o combustível do foguete para a coleção masculina Pre-Fall 2022 Moschino de Jeremy Scott, que apresenta uma ampla mistura de itens básicos do guarda-roupa unidos por uma verve de fantasia e um brilho de Space Cowboy. No entanto, a fantasia nunca se torna tão grandiosa a ponto de sair de órbita; cada peça desta coleção é algo que Scott usaria. É um devaneio pessoal e realista. Do topo: bonés de beisebol ganham chifres em relevo, imitando filtros demoníacos que surgiram nas redes sociais este ano. Moschino Menswear Pre-Fall 2022 Um redux robótico do ursinho de pelúcia de Moschino aparece, como um único motivo em uma camiseta raglan ou estampado em um terno trespassado. Outros elementos do reino de outro mundo incluem botas lambidas de fogo, agasalhos holográficos e a frase "Fantasy Boys", impressa na parte superior, que quase poderia servir como o nome da banda proverbial: os usuários do préoutono de 2022 são esses sonhadores confiantes, hábeis em seu estilo e fluentes tanto on-line quanto na rua. No entanto, há mais na mistura, pois todos os sonhos são baseados na experiência. Com isso em mente, Scott mergulha na nostalgia ao reinterpretar uma parca de esqui colorida, cortando cetim chevron em uma combinação de colete e saia plissada ou acolchoando diamantes de tecido em casacos de carro e calças.

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o brilho ousado das CORES

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Imagens: Divulgação

Acessórios de fadiga, como uma sacola cruzada ou uma sacola, são emendados e cortados de maneira semelhante à tendência de Franco Moschino de pegar dois itens e transformá-los em algo novo, como um só. Este tratamento gráfico também pode ser visto em um terno meio listrado, meio xadrez. Tudo, desde um smoking de cauda rosa a novas versões das jaquetas de motoqueiro exclusivas de Moschino, passando por tacos esportivos universitários e bermudas trepadas, completa ainda mais o arco entre o maravilhoso e o mundano (e a worldly wide web). Todos juntos, chame-o de: Verité Virtual.


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