K.LUX E E
LW
K.LU EE
RY W XU
Ano 1/Volume 1/Número 15/DEZEMBRO de 2021
URY W
ana beatriz nogueira é um LUXO.
AS CORES de BURBERRY
2 Sumário 10
04
11
04
a MULHER que domou as PALAVRAS
05
a MARGARIDA das flores de ENTERRO
06
o TEATRO da IGNORÂNCIA e dos 4
08
o TRENCH COAT vai ao CINEMA
09
BURBERRY para TODOS
10
os TONS em evidência
11
o perfume de TISCI
12
a MODA IMPERMEÁVEL
3 NOTA DO EDITOR Nesta edição, LUXURY WEEK abre suas páginas para a atriz e produtora cultural Ana Beatriz Nogueira que, em 35 anos de carreira, tem deixado uma marca de dignidade e respeito ao teatro, ao cinema e à televisão. Suas qualidades foram reforçadas neste fim de ano, no palco e fora dele, quando encontrou em texto de Clarice Lispector, presente no livro de contos "A bela e a fera", o combustível para "Um dia a menos" na vida de Margarida Flores do Jardim ou dos Enterros. E estes últimos nos enlutaram profundamente no ano que se encerra este mês. Portanto, não podemos perder um dia sequer, pois um dia a menos pode fazer toda a diferença em nossas vidas neste momento sombrio da história, onde aves de rapina e inimigos púbicos do Brasil e dos brasileiros como Sergio Moro, o ex-juiz parcial e profanador do Templo de Themis, que abriga a Justiça, estão à espreita procurando destruir ainda mais um país e as suas árduas conquistas por democracia e igualdade de direitos. Ana Beatriz Nogueira é um luxo e o luxo não está no vestir-se, mesmo que com o charme e a tradição da britânica Burberry que aquece o inverno no Hemisfério Norte e também o verão no Hemisfério Sul e que colore nossas páginas. O luxo está no se portar, naquilo que é a linha tênue que o separa do lixo. A atriz é gigante na sua postura pública, o que só realça a pequenez do paranaense Sergio Moro que tem na voz de taquara rachada o menor de seus defeitos, pois falta-lhe o espírito público e o respeito ao legado de Themis, a deusa grega da Justiça.
EXPEDIENTE
Luxury Week é uma revista semanal de variedades produzida pela Editora Olympia (editoraolympia.com.br) e distribuída gratuitamente em plataformas digitais por parceiros que também contribuem com conteúdo de qualidade e temas atuais e diversificados. Editor-chefe: Carlos Franco Editora internacional: Yume Ikeda Colaboradores: Marco Hiroschi, Christina Tavares, Rita Almeida, Maria Helena Guimarães, Paulo Thiago, Rodrigo Vidal , Tiago Ribeiro, Eduardo Silva Bernardt, Valdo Santos e Yacy Nunes. Imagens: Francisco Jr., Carlos Monteiro, Cacalos Garrastazu, Stúdio Mar Adentro, Pixabay, Freepick, Canva, grifes, assessorias de imprensa e agências de modelos e de publicidade. Diagramação: Paulo Pereira Diretor comercial: Hugo Lopes E-mail: redacao@luxuryweek.com.br
Boa leitura,
EDITORA OLYMPIA AVENIDA RONDON PACHECO,2300 SALA 65/ UBERLÂNDIA/MG/CEP 38408-404 editoraolympia@editoraolympia.com.br
4
Arte em foto da Agência Brasil
CLARICE LISPECTOR E A DOR DO MUNDO NAS ENTRELINHAS E NAS ENTRANHAS.
Foto: Fábio Guimarães/Divulgação
ANA BEATRIZ NOGUEIRA É CLARICE na PELE de MARGARIDA.
Um dos grandes nomes da literatura de língua portuguesa, Clarice Lispector nasceu Chaya Pinkhasivna Lispector em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, na Ucrânia, viveu a infância no Recife, em Pernambuco, depois morou no Rio de Janeiro e, cidadã do mundo,passou por diversos outros países, mas foi na língua de Camões que também se tornou o segundo nome da literatura judaica depois de Franz Kafka. Como o autor de “O processo”, Clarice mergulhou nos labirintos da vida humana universalizando a literatura portuguesa e brasileira. Exercendo o jornalismo legou ao mundo crônicas com sabor de frutas frescas, rebentos de livros, romances e contos onde exerceu com sensibilidade e maestria o ofício de, como o descrevia, fisgar, nas entrelinhas, as palavras. Foi nesse trabalho intenso que expôs as entranhas do que somos feitos, cada detalhe, cada momento, emoções. Clarice expôs, como na canção do baiano Caetano Veloso, a dor e a delícia de sermos o que somos. E em tempos de isolamento social e do impacto em nossas vidas da pandemia Covid-19, foi um conto do livro póstumo A bela e a fera, "Um dia a menos", que atraiu a atenção da talentosa e elegante atriz Ana Beatriz Nogueira, que estava em busca de um texto para celebrar 35 anos de uma carreira de sucesso. Coube ao roteirista Leonardo Netto a missão de trazer o conto, em terceira pessoa, para a primeira. Assim, a atriz empresta o seu talento à atormentada Margarida Flores, de um jardim ou de enterros, que floresce no palco revelando a dor e a delícia da solidão. A rotina dos dias contados, um dia a menos na vida de todos nós, até o desfecho surpreendente porque viver é um risco e, por vezes, na dor íntima de nós mesmos, não conseguimos nos conter seja de dor ou de prazer, de viver ou morrer. Ana Beatriz Nogueira desafia, assim, os limites de Margarida e serve flores em forma de palavras que Clarice Lispector fisgou nas entrelinhas. Um luxo.
5
Reprodu
A ATRIZ, O TEATRO E O PEQUENO SERGIO MORO.
ção do In
stagram
6
Parcial, arrogante e profanador do Templo de Themis, onde repousa a Justiça, Sergio Moro quer se apresentar ao país por meio da desastrada e irresponsável Operação Lava-Jato que destruiu a economia brasileira e a soberania do país como alternativa de governo. A terceira via da ignorância e da mentira. Para tal, reuniu em livro o escândalo sem precedentes no campo do Direito e da politica do qual é protagonista e que resultou num dos maiores erros do Judiciário: a prisão sem provas de crime do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que acabou por mergulhar o país num território de ódio e fascismo. A chamada grande imprensa, assim como no caso da Escola Base, em 1994, deu voz apenas às então "autoridades" sem ouvir as suas vítimas. Pagou o preço caro, mais uma vez, do descrédito e expôs que seu compromisso é apenas com aves de rapina, a sórdida elite que hoje a sepulta, sem choro, sem vela e até sem fita amarela. Por isso, foi corajosa e digna a atitude da atriz Ana Beatriz Nogueira ao cancelar a estreia de "Um dia a menos" no palco do Teatro dos 4, no Shopping da Gávea, no Rio de Janeiro, prevista para janeiro de 2022, quando percebeu que o espaço seria usado para o lançamento do livro de Moro. Deu assim mais uma prova de sua dignidade e respeito ao Brasil e aos brasileiros, hoje vítimas dos atos e atitudes do ex-juiz de província.
Em resposta, o Teatro dos 4 recorreu às notas batidas dos manuais de crise, nas quais se escreve muito para nada dizer nem se comprometer, por vezes, como neste caso, sequer se desculpar com o respeitável público. Ao contrário, a nota lacônica procurou se respaldar no direito à liberdade de expressão. O que nos remeteu, editores da LUXURY WEEK, ao belo poema do brasileiro Eduardo Alves da Costa, "No caminho, com Maiakóvski". Um alerta sobre o ato de abrimos as portas para os inimigos e depois perdermos, como a Macabea de Clarice Lispector, o direito ao grito. É assim que sepultamos as sonhadas liberdades individuais e coletivas e os desejos de que dias melhores virão e que, desde 1978, o palco do Teatro dos 4 exibiu. Não exibe mais, nem aos sábados, domingos e segundas, nem em dia algum enquanto seu palco apresentar trevas em vez de luz.
No Caminho, com Maiakóvski
Até que um dia, o mais frágil deles (Eduardo Alves da Costa) entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta. Assim como a criança E já não podemos dizer nada. humildemente afaga
a imagem do herói, Nos dias que correm assim me aproximo de ti, Maiakóvski. a ninguém é dado Não importa o que me possa acontecer repousar a cabeça por andar ombro a ombro alheia ao terror. com um poeta soviético. Os humildes baixam a cerviz; Lendo teus versos, e nós, que não temos pacto algum aprendi a ter coragem. com os senhores do mundo, Tu sabes, por temor nos calamos. conheces melhor do que eu No silêncio de meu quarto a velha história. a ousadia me afogueia as faces Na primeira noite eles se aproximam e eu fantasio um levante; e roubam uma flor mas amanhã, do nosso jardim. diante do juiz, E não dizemos nada. talvez meus lábios Na segunda noite, já não se escondem: calem a verdade pisam as flores, como um foco de germes matam nosso cão, capaz de me destruir. e não dizemos nada.
7
Em 1856, aos 21 anos, o britânico Thomas Burberry abriu uma pequena loja na cidade sulista de Basingstoke, em Hampshire, disposto a atender a demanda de roupas esportivas, na época para caça e pesca. Ao mesmo tempo que comprava tecidos e mandava confeccionar as roupas para os principais clientes, iniciou seus estudos em tecelagem, como forma de reduzir os custos e ele mesmo produzir seus tecidos. Burberry não demorou para perceber que as maiores reclamações estavam no peso dos trajes quando encharcados pela água e a neblina. Foi estudando possibilidades de um tecido impermeável que chegou ao gabardine, que patenteou em 1888. As vendas estouraram e ele decidiu com os irmãos abrir em Londres em 1891 uma filial, a Thomas Burberry & Sons, na popular região de West End, fazendo negócios com o mundo e também exportando o gabardine e as peças que levavam sua assinatura. Deu tão certo que, em 1901, a Burberry ganhou o logotipo de um cavaleiro carregando na lança uma bandeira com a inscrição em latim “Prorsum”, isto é, “adiante”, “para frente”. E foi nas frentes de batalha, nas duas grandes guerras mundiais, que Burberry, recebendo encomenda da real forças armadas britânicas, acabou por popularizar um de seus casacos mais vendidos até hoje, o de trincheiras, o trench coat. Mas foi um detalhe, o forro que emprestaria fama à Burberry. Ao fazer uso do tartan ou tartã, um padrão quadriculado presente nos trajes escoceses, a grife acabou por popularizar o estilo e o patenteou em 1920 como “xadrez Burberry” com suas cores tradicionais, o bege, o branco, o preto e o vermelho em oito variações. Quem vê o quadriculado, identifica logo a marca. E ele está presente em todas as criações de Burberry.
Imagens: Divulgação
E ASSIM NASCEU O GABARDINE.
Reproduções do YouTube
O CASACO IMPERMEÁVEL DA DISCÓRDIA
O cinema sempre foi um importante instrumento de divulgação da moda. Foram filmes clássicos que popularizaram o jeito de se vestir, de se portar e até de amar. Burberry fez uso dessas obras para realçar a sua importância e conquistar, em tempos de internet, novos consumidores. Só que aí, esbarrou num problema que acabou nos tribunais e a marca britânica perdeu, em 2016, o direito de usar a imagem de Humphrey Bogart que no aclamado Casablanca, contracenando com a belíssima Ingrid Bergman, fazia uso de um trench coat. O processo foi movido pelo filho do ator, Stephen Bogart que ganhou a batalha e uma indenização milionária ao comprovar que o casaco usado pelo pai em Casablanca, o filme de Michael Curtiz, era da concorrente Aquascutum (palavra em latim que quer dizer escudo d’água). Esta grife londrina foi criada em 1851 pelo alfaiate John Emary que desenvolveu um tecido, similar ao gabardine, que denominou "waterproofer”. Assim como Burberry, Aquascutum criou vestimentas para as forças armadas britânicas, ajudando a difundir o casaco que é ideal para ser usado na chuva. Fim do processo, Bogart, o pai por meio do filho, hoje estampa a excelência da marca Aquascutum e acabou por lançar dúvidas de qual marca, Burberry e Aquascutum, aparece em cena de chuva no filme “Breakfast at Tiffany’s” (Bonequinha de luxo) que içou Audrey Hepburn ao mundo da moda. Não importa de que, o trench coat veio para ficar e se o forro é xadrez é Burberry que o patenteou.
8
Imagens: Divulgação
uma QUESTÃO de ESTILO
9
Ao dedicar à mãe, Elmerinda, a sua coleção “Animal Instinct” para a primavera-verão 2022 de Burberry, Ricardo Tisci celebrou o incentivo materno que recebeu para sonhar e ousar. Trouxe as peças tradicionais da grife britânica, com cortes que permitem que brilhem em qualquer estação do ano. Por baixo dos famosos casacos encontramos as peças de banho, tão apropriadas à estação mais quente do ano. É assim que Tisci acalenta o seu passado e aquece os nossos corações
Divulgação
AQUEÇA-SE no INVERNO. brilhe no VERÃO.
10
11
Imagens: Divulgação
O perfume de londres e a ousadia de TISCI
Nenhuma marca personifica tão bem o estilo britânico de ser quanto Burberry. Então, é natural que o aroma que se relaciona e a interliga com Londres esteja presente em suas criações, como a linha de perfumes My Burberry, tanto o masculino, de notas mais amadeiradas, quanto o feminino que transpira a docilidade das flores e as notas almiscaradas do reino de Elizabeth II, que por três vezes condecorou a grife que já em 1955, três anos depois da rainha chegar ao trono, recebeu o título de Royal Warrant. Ao chegar à Burberry em 2018, o estilista italiano Ricardo Tisci emprestou à grife ousadia e sensualidade e, é claro, assinou um perfume masculino, HERO, lançado este ano e que mexe com os sentidos. Segundo Tisci, a fragrância, de notas cítricas e amadeiradas, com destaque para a bergamota, "é um casamento fascinante de força e sutileza, poder e compaixão, capacidade atlética e criatividade”. Tisci disse, em nota à imprensa, que sua intenção foi criar uma fragrância que “encapsulasse a masculinidade moderna, para jogar com a essência do ser humano primordial e instintos animais, canalizando a dualidade entre força e sensibilidade.” Para atingir o objetivo, colocou em cena o ator Adam Driver que corre na praia com um cavalo, até se tornar, envolto em sensualidade, um centauro. HERO é a expressão do erotismo masculino de Burberry sem perder a elegância que Tisci tem impresso à grife britânica desde que chegou, depois de ter revolucionado e modernizado Givenchy.
K. LUX E E
Y R U W
RY W XU
Ano 1/Volume 1/Número 15/DEZEMBRO de 2021
K .LU EE
LW