K. LUX E E
ano 1/Volume 2/Número 18/JANEIRO de 2022
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ELZA MY NAME IS NOW
2 Sumário 06
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para SEMPRE ELZA SOARES
05
o ESPELHO da CUMPLICIDADE
06
torna-te o que TU ÉS
07
a COPA. a DITADURA e o EXÍLIO
08
ALFINETES e a mulher DO FIM DO MUNDO
09
a EMOÇÃO do FOTÓGRAFO
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o SAMBA de PADRE MIGUEL
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a ESTRELA na AVENIDA
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NOTA DO EDITOR
Todos esses que aí estão Atravancando meu caminho, Eles passarão... Eu passarinho!
Mario Quintana
Poucas mulheres no mundo tiveram a coragem e a determinação de Elza Soares (1930-2022) para lutar pela vida e denunciar a violência doméstica, a fome, a miséria, o racismo, a ditadura e o fascismo. Elza foi voz potente contra as injustiças, a falta de civilidade de brasileiros e brasileiras e seguiu altiva emprestando a beleza inegável de sua voz às canções. ”A carne mais barata é a carne negra”, cantou para denunciar o racismo estrutural da sociedade brasileira e partiu no momento em que incautos procuram relativizar as páginas sombrias e nefastas da escravidão, do genocídio indígena e da noite sombria imposta ao país pela ditadura militar, fruto do golpe de 1964 na democracia e que durou longos e tenebrosos 20 anos. Um país que celebra o agronegócio, ou agribusiness que não coloca sequer um pé de alface na mesa de 19 milhões de pessoas - não são números, são gente como a gente - vítimas da fome. Elza Soares conheceu a fome e a dor da fome de perto, pois, quando tinha 15 anos, perdeu seu segundo filho para a fome e a filha foi sequestrada quando tinha um ano pelo casal a quem pedira para tomar conta enquanto trabalhava para garantir a comida em casa - a busca levou 30 anos e Elza perdoou os sequestradores porque haviam cuidado bem da filha. Sofreu com o alcoolismo do primeiro marido e também do craque Garrincha (Manoel Francisco dos Santos - 1933/1983) de quem foi amante e esposa durante 16 anos. Movida pela paixão e pela fome de viver, Elza Soares bem que poderia ser a fonte de inspiração do poeta gaúcho Mario Quintana, pois aqueles que atrapalharam o seu caminho, passarão, ela passarinha pelo ar e no mar das canções. ELZA para sempre PRESENTE. Elza que é um luxo só na avenida do samba que a Mocidade Independente de Padre Miguel levou para a passarela carioca da Marquês de Sapucaí em 2020: “Laroyê e Mojubá, liberdade/Abre os caminhos pra Elza passar/Salve a mocidade/Essa nega tem poder/É luz que clareia/É samba que corre na veia”. Laroyê e Mojubá que Elza Soares vai passar. Abram-alas.
EXPEDIENTE Luxury Week é uma revista semanal de variedades produzida pela Editora Olympia (editoraolympia.com.br) e distribuída gratuitamente em plataformas digitais por parceiros que também contribuem com conteúdo de qualidade e temas atuais e diversificados. Editor-chefe: Carlos Franco Editora internacional: Yume Ikeda Colaboradores: Marco Hiroschi, Christina Tavares, Rita Almeida, Maria Helena Guimarães, Paulo Thiago, Rodrigo Vidal , Tiago Ribeiro, Eduardo Silva Bernardt, Valdo Santos e Yacy Nunes. Imagens: Francisco Jr., Carlos Monteiro, Cacalos Garrastazu, Stúdio Mar Adentro, Pixabay, Freepick, Canva, grifes, assessorias de imprensa e agências de modelos e de publicidade. Diagramação: Paulo Pereira Diretor comercial: Hugo Lopes E-mail: redacao@luxuryweek.com.br
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ELZA, MY NAME IS NOW
"uma GRANDEZA de VOZ que não quer CALAR neste CORPO que já não AGUENTA mais…" Por Heloísa Antônia Franco (in memoriam*)
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“A carne mais barata do mercado é a carne negra”, essa carne oprimida que não para de agitar-se sob as dominações, de resistir a tudo o que esmaga e aprisiona e de, como processo, abrir um sulco na terra para fazer crescer outra justiça neste País e no mundo. Elza não para, não sossega, é inquieta. Um furacão. Ela cria uma espécie de língua estrangeira. Usa um tipo de língua que é o tempo todo reinventada, gritada, revolucionada como um delírio histórico universal onde explicita com irreverência a podridão do mundo, com suas idiossincrasias, contradições, combates, perversões malvadas. Língua que nos arrasta para fora e na interioridade de uma certa cultura dominante: a do homem europeu, branco . Como nos diz Lawrence, “temos que acabar com nossos segredinhos sujos” e pensando com Deleuze, “temos que pôr fim aos juízos". Sob o olhar perspicaz da diretora Elizabete Martins Campos, Elza é puro devir, é a Fênix, renascendo das cinzas de cada tragédia, renascendo do sol, da lua, do furacão, das tormentas, explosões, trovoadas, preconceitos, rejeições, violências cometidas contra “a carne mais barata do mercado, a carne negra”. É o canto da Fênix, o voo da liberdade. Uma grandeza de voz que não quer calar neste corpo que já não aguenta mais… esse corpo que “vai de graça para o presídio, vai de graça para o subemprego, fazendo a história desse país no braço… Esse país que vai deixando todo mundo preto de cabelo esticado…” Esse corpo que não aguenta mais ser massacrado, pisoteado. O grito que Elza traz na voz é uma orquestra musical que inventa um outro povo, uma nova luta, uma nova vida, um combate contra este olhar para o que é negro e escuridão. Combate entre todos que foram traídos, alvejados, separados, marginalizados, renegados a carne mais barata do Brasil. Elza salta da lama e se eleva às forças ancestrais e cósmicas, aos orixás, as magias das feiticeiras, a todos os santos, a doçura de um eterno devir criança que traz em seu olhar e na voz com força profética angelical. “É dia de jogar flores no mar… é dia de dar presente para Iemanjá… vou pedir a Santa Clara para me ajudar…” Traz um devir político na maior delicadeza que se exterioriza nas denúncias que Elza traça – my name is now. Now com todo o preconceito ainda existente nos coloca cara a cara com o nosso nome agora, o que ainda trazemos no sangue de ancestralidade racista, seres apodrecidos pela sociedade. Como nos diz Baudelaire: “Cada um carrega um cadáver entre os dentes”.
O filme vai deixando todo mundo negro… na cor, na visão, no medo… na lama dessa escuridão falaciosamente preconceituosa. Mas a Elza Fênix não se fixa em nenhuma imagem… traz na carne o estrondo dos orixás, as trovoadas de Iansã , todas as facetas da lua, todas as tonalidades do sol, todos os movimentos oceânicos… Traz na veia da garganta rasgando o sangue fluido no transe, no trânsito, na passagem em ato. Renasce a cada salto e vai construindo seu pensamento a partir das travessias que faz em suas experiências de vida pulsante e arte. É o mar de todos! O mar para todos! Esta tensão que vai sendo criada no documentário que é também música da melhor qualidade filmada e cantada vai invadindo nossas entranhas e fazendo vibrar uma força intensiva que brota dessa natureza animal que Elza traz na carne e neste olhar doce cheio de ternura e histórias, que é pura potência em ação fílmica. Elza devém todos. Elza multidão só ares. A sua música é universal, fala de tantos povos excluídos… inventou sua música carregando água na cabeça e, hoje, dialoga com as multidões, mirando-se no espelho, ou nos espelhos dos olhares de tantos… O olhar vem sempre antes das palavras… “Eu não sou nada”, diz. É da música que extrai o melhor de si. A sua alma musical universal que soa, ressoa só ares marítimos oceânicos… Por isto Elza é ela por si só um instrumento musical vivo, em forma viva da cor mais barata do Brasil. São muitas as tessituras que vão sendo tecidas em nós – a negritude – a vergonha – o preconceito em nós. My name is now!!!!! Um convite para que nos transportemos para dentro numa mirada do que há de melhor e de mais miserável em nós. Sacode a poeira e dá a volta por cima. “Eu te adoro, espelho!!!” “Fui acariciada pelas janelas que se fechavam quando eu passava” . As lágrimas que devolveram a inteireza só poderiam ser de Elza Soares. E desse ser inteiro nasce um estilo de existir em que coloca a plateia num lugar especular, onde a pergunta pede uma resposta: Quem somos nós? O que queremos? Qual o quantum desta herança ancestral que nos habita? Parafraseando Nietzsche: “Quem quer em mim? O quê quer em mim?”
Divulgação
"TORNA-TE O QUE TU ÉS."
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Our name is now!!!!! Num território de tantos gestos , Elizabete consegue trazer para a tela um mundo com todas as suas tonalidades de alma. E Elza é a atriz por excelência das multiplicidades de tonalidades musicais da melhor qualidade do Brasil. Como diz Goddard “o cinema mostranos um mundo que cabe em nossos desejos”. Somos o que queremos ser!!!! Renascemos a cada instante. “ Há sempre um lado que pesa e um outro lado que flutua. Tua pele é crua. É crua”, nos diz Otto. Somos performáticos, nos transmutamos em muitos e não somos idiotas.
*Heloísa Antônia Franco partiu antes de Elza Soares para a morada das deusas e dos orixás em dezembro de 2017. Deixou de legado os filhos e textos memoráveis como este que entregou para ser publicado pela Editora Olympia em 07/07/2015 na Revista Publicittà.
Elza Soares*
Além de ter sido um período muito difícil para o Brasil, a ditadura militar, foi quando tive minha casa metralhada. Estávamos todos lá: eu, Garrincha e meus filhos. Os caras entraram, metralharam tudo e nunca soube o motivo. Era 1970, já tínhamos recebido telefonemas e cartas anônimas, nos sentíamos ameaçados e deixamos o país. Acredito que fizeram isso por conta do Garrincha, mas também por mim, pois eu era muito inflamada e então, como ainda hoje, de falar o que penso. Eu andava muito com o Geraldo Vandré e devem ter pensado que eu estava envolvida com política. Mas eu sou uma operária da música, e qual é o operário que não se revolta? Fomos para Roma, e lá o Garrincha, que não tinha sido convocado para aquela Copa, estava em desespero por não estar jogando e por não ter onde morar. Estávamos num hotel, vendo o Brasil ser campeão. Foi quando o Juca Chaves foi comemorar na Piazza Navona, onde fica a embaixada brasileira. Estávamos trancados dentro de um apartamento, e o Garrincha queria sair de qualquer maneira: queria participar da festa, mas ao mesmo tempo estava altamente deprimido. Ele perdeu a casa, teve de deixar o país e não sabíamos como voltar. Enquanto se celebrava o fato de o país se tornar o primeiro tricampeão na história da Copa do Mundo, o Brasil fazia barbaridades com sua população. O Garrincha sentia um misto de alegria e dor, porque ele queria comemorar, mas, ao mesmo tempo, sentia repulsa por tudo que nos havia acontecido.
Foto:Arquivo Nacional/Fundo Correio da Manhã
A COPA QUE NÃO COMEMOREI
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Imagine o que é para um homem que, para mim, está acima de qualquer nome no futebol brasileiro, ser mandado embora do país. Isso já é tenebroso, vergonhoso; imagine então esse homem vendo aquela conquista, confinado numa selva de pedra, no exterior, sem entender nada, sem saber o que havia acontecido com nossa casa. Aquela foi a época em que ele mais bebeu, e não saía de casa, pois tinha vergonha de aparecer embriagado. Eu fazia de tudo para ele não beber, mas não adiantava. ra tão grande a minha angústia que eu tinha vontade de invadir a embaixada brasileira em Roma. Mas segurei a onda. Continuamos vivendo num hotel e tivemos grande ajuda do Chico Buarque e Marieta. Eles tinham se exilado na cidade e foram dois amigos de alma. Ali eu tive um bom empresário, trabalhei muito e fui ganhando o dinheiro com o qual pagava todas as contas. Durante um jantar, conheci Ella Fitzgerald, que estava fazendo shows com repertório de bossa nova e teve um problema de saúde. Eu acabei substituindo-a. Mas, quando descobriram que eu estava trabalhando na Itália sem documentação, tivemos de sair de Roma -então fomos para Portugal por um tempo. Um dia, estávamos no Cassino Estoril, perto de Lisboa, e encontramos o apresentador Flávio Cavalcanti e o Maurício Sherman, que dirigia um programa na TV Tupi. Eles deram ao Garrincha uma camisa do Brasil, querendo homenageá-lo -mas quem queria camisa da seleção naquela altura? "Obrigado o..., cadê minha casa, cadê minha moradia? Já vesti a camisa do Brasil anteriormente, já dei tudo que eu poderia ter dado ao Brasil", ele disse. Passados 50 anos do Golpe, e ninguém jamais tomou nenhuma atitude sobre o que nos aconteceu naquele 1970, e eu continuo brigando pelo Mané, até hoje. uando eu canto "Meu Guri", canto com muita força, e essa é uma maneira que eu tenho de cantar uma música do Chico, mas homenageando o Mané. Eles são os dois guris de "my life". *Texto publicado por Elza Soares em 25 de maio de 2014, quando apresentava o show “A Voz e a Máquina” dias 6 e 7 de junho no Sesc Santo André.
Antenada, Elza Soares usou as redes sociais, o Instagram, para explicar o figurino com alfinetes das fotos de divulgação do disco "Planeta Fome", lançado em 2019. Antes, em 2015, havia lançado "A mulher do fim do mundo" música entoada pelos fãs no velório da cantora no dia 21 de janeiro de 2022 no Teatro Municipal no Rio de Janeiro, ela que partiu de causas naturais em 20 de janeiro de 2022, dia de São Sebastião do Rio de Janeiro e no mesmo dia, em 1983, que partiu Mané Garrincha, o grande amor de sua vida. Durante a sua carreira passeou por vários estilos musicais e se manteve atenta às manifestações culturais do presente, não sem motivo o nome do documentário "My name is now", que é um legado importante de Elza Soares, um testamento em vida de suas memórias assim como o livro "Elza", do jornalista Zeca Camargo, lançado em 2018. Nada, porém, substitui o talento de Elza Soares, que nasceu numa família humilde, com dez irmãos, e foi forçada pelo pai a se casar aos 13 anos com um amigo da família que desvirginou para, na época, não ficar mal falada na favela da Moça Bonita, hoje Vila Vintém, em Padre Miguel. Elza teve oito filhos, perdeu dois ainda bebês, vítimas da fome, da desnutrição, apesar de seus esforços para colocar comida no prato. Também perderia dois outros filhos, um deles com Garrincha, para acidentes automobilísticos. O depoimento que deu aos fãs sobre os alfinetes é memorável, comovente e mostra a garra que Elza sempre teve de enfrentar a vida e as agruras de frente, sem pestanejar nem perder a altivez e sua bela voz, hoje imortalizada em canções.
Foto: Divulgação
OS ALFINETES E A MULHER DO FIM DO MUNDO.
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"Um dia descobri que cantava O meu filho mais velho João Carlos estava morrendo e eu já tinha perdido 2 filhos e não queria perder mais um. Eu não tinha dinheiro pra cuidar do meu filho e ouvi no rádio que o programa do Ary Barroso de calouros Nota 5, estava com o prêmio acumulado. Não sei como, mas eu sabia que ia buscar esse prêmio! Fiz a inscrição e me avisaram que eu precisava ir bonita. Mas eu não tinha roupa nem sapatos, não tinha nada! Então, eu peguei uma roupa da minha mãe, que pesava 60kg e vesti, só que eu pesava 32kg, já viu né? Ajustei com alfinetes. Tudo bem que agora é moda ne? Hoje até a Madonna usa, mas essa moda aí fui eu que comecei viu? Alfinetes na roupa é muito meu, é coisa de Elza! No pé coloquei uma sandália que a gente chamava de “mamãe tô na merda”, e fui! Quando me chamaram, levantei e entrei no palco do auditório. O auditório tava lotado, todo mundo começou a rir alto debochando de mim Seu Ary me chamou e perguntou: _ O que você veio fazer aqui? _ Eu vim Cantar! _ Me diz uma coisa, de que planeta você veio? _ Do mesmo planeta seu Seu Ary. _ E qual é o meu planeta? _ PLANETA FOME! Ali, todo mundo que estava rindo viu que a coisa era séria e sentaram bem quietinhos. Cantei a música Lama. O Gongo não soou e eu ganhei, levei o prêmio e meu filho está vivo até hoje, graças a Deus! De lá pra cá, sempre levo comigo um Alfinete. Naquela época eu achava que se tivesse alimentos pros meus filhos, não teria mais fome. O tempo passou e eu continuei com fome, fome de cultura, de dignidade, de educação, de igualdade e muito mais, percebo que a fome só muda de cara, mas não tem fim. Há sempre um vazio que a gente não consegue preencher e talvez seja essa mesma a razão da nossa existência. E é disso que se trata ‘PLANETA FOME’, é essa a história que os talentosos Alexandre Linhares e Thifany F conseguiram contar nesse figurino. Está MARAVILHOSO, não está?"
EMOCIONANTE DESPEDIDA
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“Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos”. A frase do fotógrafo americano Ansel Easton Adams (1902-1984) revela quem são os seres humanos que, ao longo dos anos, registram a história com suas câmeras fotográficas, como aqueles que antes a pintavam em cavernas e, depois, em quadros, trazendo para o presente o ausente, o tempo e as pessoas. Portanto, por trás de cada foto, cada imagem como as da natureza que Adams fotografou, em branco e preto, bate um coração sensível como o de Márcio Rocche que, mais que as fotos, nos cedeu para publicação, o seu texto sensível. “Então pessoal, Como sabem, hoje fui fazer a pauta do velório da Elza Soares no Teatro Municipal. Mas sempre tem coisas que acontecem e que não contamos, mas que nos emocionam muito. A fotografia vai além do que mostramos. Nem sempre a técnica é maior que o sentimento que passamos. Depois que todos já haviam terminado, os bombeiros já tinham saído e as pessoas já tinham ido embora. Eu fiquei sentado na porta do Teatro Municipal terminando de transmitir as fotografias para os jornais. Aí um senhor chegou até o portão do Teatro com várias flores de abricó de macaco. Dessas flores que existem em qualquer praça e que a gente vê no chão. Ele chorando muito fez a oração dele pela Elza e desejou que ela descanse em paz. Foi emocionante. Só deu tempo de pegar o final. Sorte que eu ainda estava com a câmera no colo. Obs.: Ele deixou todo mundo ir embora e mesmo sem nenhum dinheiro ele levou a homenagem dele para Elza.”
FOTOS: Márcio Rocche
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SALVE A MOCIDADE!.
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Samba-enredo de 2020 da Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel: Laroyê e Mojubá, liberdade Abre os caminhos pra Elza passar Salve a mocidade Essa nega tem poder É luz que clareia É samba que corre na veia Laroyê e Mojubá, liberdade Abre os caminhos pra Elza passar Salve a mocidade Essa nega tem poder É luz que clareia É samba que corre na veia Lá vai menina Lata d’água na cabeça Vencer a dor, que esse mundo é todo seu Onde a água santa foi saliva Pra curar toda ferida Que a história escreveu É sua voz que amordaça a opressão Que embala o irmão Para a preta não chorar (para a preta não chorar) Se a vida é uma aquarela Vi em ti a cor mais bela Pelos palcos a brilhar É hora de acender No peito a inspiração Sei que é preciso lutar Com as armas de uma canção A gente tem que acordar Da lama nasce o amor Quebrar as agulhas que vestem a dor É hora de acender No peito a inspiração Sei que é preciso lutar Com as armas de uma canção A gente tem que acordar Da lama nasce o amor Quebrar as agulhas que vestem a dor
Brasil Enfrente o mal que te consome Que os filhos do planeta fome Não percam a esperança em seu cantar Ó nega! Sou eu que te falo em nome daquela Da batida mais quente O som da favela É resistência em nosso chão
Se acaso você chegar Com a mensagem do bem O mundo vai despertar Deusa da vila Vintém Eis a estrela Teu povo esperou tanto pra revê-la
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Reprodução de bandana da Amazon.com Reprodução do YouTube/Desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel em 2020
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