LIFESAVING 39

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DESIGN

Luis Gonçalves

PARCERIAS

Caríssimos leitores,

Na emergência médica, cada segundo conta. Mas também conta aquilo que aprendemos, partilhamos e refletimos entre ocorrências. É nesse espaço,entre a ação imediata e o conhecimento que a sustenta, que nasce mais uma edição da Lifesaving O número 39 traz-nos um conjunto de conteúdos atuais, práticos e profundamente ligados à realidade do terreno. No Minuto VMER, onde a Dra. Isabel Rodrigues conduz-nos pela abordagem da emergência hipertensiva, desde o cenário pré-hospitalar até ao serviço de urgência, reforçando a importância da continuidade assistencial e da tomada de decisão baseada em evidência.

Na Infosaving, o Dr. Luís Costa aprofunda um dos motivos mais frequentes de ativação dos meios de emergência: a dispneia no adulto. Uma abordagem estruturada, orientada para o raciocínio clínico rápido, essencial para quem atua na linha da frente.

Porque nem tudo se aprende nos manuais, a Tertúlia Vmerista, com o Enf. Nuno Ribeiro, dá voz às lições do terreno — aquelas que se constroem na prática, nos erros, nos sucessos e na experiência partilhada entre equipas.

O tema das intoxicações regressa com particular relevância nesta edição. A Dra. Mónica Fonseca e o Dr. Luís Costa alertam-nos para os perigos do GHB, uma substância cada vez mais presente, capaz de levar rapidamente da euforia ao coma profundo, exigindo elevada suspeição clínica e atuação célere.

Nós por cá, acompanhamos o Encontro SIV Loulé ERSA25, partilhado pela Enf.ª Catarina Tavares, reforçando a importância da formação contínua, da cooperação entre equipas e do fortalecimento da identidade profissional.

Porque cuidar dos outros começa por cuidar de nós, a Enf.ª Sílvia Labiza aborda a redução dos comportamentos aditivos como estratégia para uma melhor saúde física e mental, lembrando-nos que profissionais saudáveis são profissionais mais resilientes.

Na rubrica I, a Dra. Catarina Monteiro revisita a dexmedetomidina, um fármaco cada vez mais presente nos contextos críticos, explorando as suas aplicações, vantagens e desafios no ambiente de emergência.

O Journal Club, com a Dra. Ana Rita Clara, traz-nos uma análise atual sobre a fibrinólise no pré-hospitalar no tromboembolismo pulmonar de alto risco, abrindo espaço para reflexão sobre práticas emergentes e o futuro da intervenção pré-hospitalar avançada.

Por fim, o Enf.º André Abílio recorda o que fazer em caso de…paragem cardiorrespiratória no adulto, uma atualização deste tema central, onde a excelência técnica faz literalmente a diferença entre a vida e a morte.

A Lifesaving nº39 é, mais uma vez, um convite à atualização, à partilha de conhecimento e ao fortalecimento da comunidade de emergência médica. Que estas número inspire reflexão, melhore práticas e reforce aquilo que nos une: o compromisso diário de salvar vidas.

Boa leitura!

Pl’a Equipa Lifesaving

MOMENTOS DE INSPIRAÇÃO

Pedro Lopes Silva CO-EDITOR-CHEFE

Enfermeiro VMER pgsilva@chalgarve.min-saude.pt

"By failing to prepare you are preparing to fail."

Benjamin Franklin 1706-1790

Jornalista, editor, político, filantropo, cientista,  diplomata e inventor americano.

LIFESAVING - REVISTA DE EMERGÊNCIA MÉDICA - 2025, YEAR IN REVIEW

MINUTO VMER

EMERGÊNCIA HIPERTENSIVA: DO PRÉ-HOSPITALAR AO SERVIÇO DE URGÊNCIA

INTOXICAÇÕES NO PRÉ-HOSPITALAR

GHB: DA EUFORIA AO COMA PROFUNDO — IMPLICAÇÕES PARA A EMERGÊNCIA

JOURNAL CLUB

INFOSAVING - A RUBRICA DE INFOGRAFIAS DA LIFESAVING. EMERGÊNCIAS MÉDICAS NO ADULTO - ALTERAÇÃO DO ESTADO DE CONSCIÊNCIA

FÁRMACO REVISITADO DEXMEDETOMIDINA

NÓS POR CÁ

ENCONTRO REGIONAL DAS AMBULÂNCIAS DE SUPORTE IMEDIATO DE VIDA (SIV) DO ALGARVE | ERSA 2025 – LOULÉ

O QUE FAZER EM CASO DE... PARAGEM CARDIORRESPIRATÓRIA (PCR) NO ADULTO

CUIDAR DE NÓS REDUÇÃO DOS COMPORTAMENTOS ADITIVOS PARA UMA MELHOR SAÚDE

TERTÚLIA VMERISTA

UM PEDACINHO DE NÓS

ENF.ª TELMA SANTOS

TESOURINHO VMERISTA + CONGRESSOS E CURSOS

PÁGINAS ABC

PÁGINAS APEMERG

BEST SITES

BEST APPS

SUGESTÕES DE LEITURA

CRITÉRIOS DE PUBLICAÇÃO

ESTATUTO EDITORIAL

MINUTO VMER

EMERGÊNCIA HIPERTENSIVA: DO PRÉ-HOSPITALAR

AO SERVIÇO DE URGÊNCIA

1Interno(a)

INTRODUÇÃO

A hipertensão arterial (HTA) constitui um dos principais fatores de risco modificáveis para doença cardiovascular, cerebrovascular e renal, sendo responsável por uma elevada carga de morbilidade e mortalidade a nível global³. Apesar de frequentemente apresentar uma evolução crónica e assintomática, a HTA pode, em determinadas circunstâncias, evoluir para elevações súbitas e graves da pressão arterial, associadas a lesão aguda de órgãos-alvo. Estas situações configuram as emergências hipertensivas, entidades clínicas de elevada gravidade que exigem reconhecimento e tratamento imediatos1,4 As emergências hipertensivas, embora relativamente pouco frequentes, estão associadas a prognóstico reservado quando não abordadas de forma adequada e atempada. A ausência de intervenção pode resultar em lesão irreversível de órgãos vitais, como o cérebro, o coração ou os rins, ou mesmo em morte¹. Neste contexto, a atuação coordenada entre os cuidados pré-hospitalares e o serviço de urgência (SU) assume um papel determinante, permitindo uma

abordagem célere, segura e baseada na evidência2,5. A definição de protocolos claros e a formação contínua dos profissionais de saúde são fundamentais para a melhoria dos resultados clínicos.

DEFINIÇÃO E ENQUADRAMENTO CLÍNICO

A emergência hipertensiva é definida pela presença de pressão arterial sistólica ≥180 mmHg e/ou diastólica ≥120 mmHg, associada a evidência de lesão aguda de órgãos-alvo¹ ². Importa salientar que o valor absoluto da pressão arterial, por si só, não define a gravidade da situação clínica. O critério essencial é a presença de disfunção orgânica aguda, resultante da incapacidade dos mecanismos de autorregulação vascular em lidar com a elevação abrupta da pressão arterial³.

As manifestações clínicas são veriáveis e dependem do órgão ou sistema predominantemente afetado.

As apresentações mais frequentes incluem encefalopatia hipertensiva, acidente vascular cerebral (isquémico ou hemorrágico), edema agudo do pulmão, síndrome coronária aguda, dissecção aguda da aorta e insuficiência renal aguda1,4. Cada uma

destas entidades possui particularidades fisiopatológicas e terapêuticas, exigindo uma abordagem diferenciada no que respeita à velocidade e ao grau de redução da pressão arterial.

FISIOPATOLOGIA

A fisiopatologia da emergência hipertensiva baseia-se na falência dos mecanismos de autorregulação vascular, especialmente a nível cerebral, cardíaco e renal, perante uma elevação súbita e marcada da pressão arterial¹. Esta falência conduz a lesão endotelial, aumento da permeabilidade capilar e extravasamento de fluidos, originando edema intersticial e comprometimento da perfusão tecidular. Simultaneamente, ocorre ativação de vias inflamatórias e trombóticas, com libertação de mediadores vasoativos que perpetuam a vasoconstrição e agravam a lesão vascular1,4. O resultado final pode ser a instalação rápida de disfunção multiorgânica. Estes mecanismos fisiopatológicos justificam a necessidade de uma redução controlada da pressão arterial, evitando quedas abruptas que possam agravar a isquemia dos órgãos-alvo².

Fármaco

Labetalol

Nitroprussiato de sódio (DNI)

Nitroglicerina

Nicardipina

Esmolol

ATUAÇÃO EM CONTEXTO PRÉ-HOSPITALAR

Avaliação inicial

Posologia EV Indicações

20 mg bólus IV, repetir ou perfusão 1–2mg/min

0,3–0,5 µg/kg/min

5–10 µg/min

Observações

AVC, encefalopatia hipertensiva Evitar em asma grave ou IC descompensada

Emergências refratárias

Monitorização invasiva; risco de toxicidade

Edema agudo do pulmão, SCA Menor efeito arterial

5 mg/h, titular Contexto neurológico Boa previsibilidade

200 a 500 µg/kg/4 min em bólus, depois perfusão de 50 a 300 µg/kg/minuto

A abordagem inicial do doente com suspeita de emergência hipertensiva deve seguir os princípios do ABCDE (Airway, Breathing, Circulation, Disability, Exposure) 2,5. A avaliação sistematizada permite identificar precocemente situações de risco iminente de vida e priorizar intervenções. A medição correta da pressão arterial é fundamental, devendo ser realizada, sempre que possível, em ambos os membros superiores. Diferenças significativas de valores podem sugerir patologia grave, como dissecção aguda da aorta 1,2

A identificação de sinais e sintomas de lesão de órgãos-alvo, cefaleia intensa, alterações do estado de consciência, défices neurológicos focais, dor torácica, dispneia ou diminuição do débito urinário, é essencial para a estratificação da gravidade e definição da prioridade de transporte.

Dissecção da aorta Associar vasodilatador

Intervenção e Transporte

Em contexto pré-hospitalar, a intervenção centra-se na estabilização do doente. As medidas incluem oxigenoterapia sempre que a saturação periférica de oxigénio seja inferior a 94%, obtenção de acesso venoso periférico e controlo da dor e da ansiedade². Estes fatores podem contribuir para a elevação da pressão arterial e agravar o quadro clínico. De forma geral, não se recomenda a redução agressiva da pressão arterial no pré-hospitalar, exceto quando realizada por equipas medicalizadas e de acordo com protocolos específicos¹. O transporte deve ser prioritário para uma unidade hospitalar com capacidade de cuidados diferenciados, sendo a comunicação prévia com o SU um elemento chave para otimizar a resposta intra-hospitalar1,2

ABORDAGEM NO SERVIÇO DE URGÊNCIA

Avaliação diagnóstica

No serviço de urgência, a avaliação diagnóstica deve ser rápida e orientada. Inclui uma história clínica dirigida, com enfoque na duração da

HTA, adesão terapêutica e sintomas atuais, bem como um exame físico completo1,2. Os exames complementares de diagnóstico incluem eletrocardiograma, análises laboratoriais (função renal, ionograma, marcadores de lesão miocárdica), análise sumária de urina e exames de imagem dirigidos, conforme a suspeita clínica1,5

Objetivos terapêuticos

O objetivo do tratamento é reduzir a pressão arterial de forma controlada, prevenindo a progressão da lesão de órgãos-alvo sem comprometer a perfusão tecidular. Recomenda-se, na maioria dos casos, a redução de 20–25% da pressão arterial média na primeira hora, seguida de redução gradual ao longo das 24–48 horas seguintes 1,4

A dissecção aguda da aorta constitui uma exceção, exigindo redução mais rápida da pressão arterial e da frequência cardíaca 1,2

Tratamento farmacológico

A terapêutica baseia-se na administração de anti-hipertensores endove-

Tabela 1 – Anti-hipertensores endovenosos utilizados em SU

Esquema de atuação integrado:

Etapa

Contexto

Atuação Observações

1 Pré-hospitalar / SU PA ≥180/120 + lesão órgão-alvo Emergência hipertensiva

2 Pré-hospitalar / SU ABCDE Prioridade à estabilização

3

Pré-hospitalar / SU Medir PA em ambos os membros Diferença sugere dissecção

4 Pré-hospitalar Avaliação neurológica Glasgow, défices focais

5 Pré-hospitalar Oxigénio, acesso venoso Evitar redução agressiva

6

Pré-hospitalar Transporte prioritário Comunicação prévia

7 SU Confirmação diagnóstica ECG, análises, imagem

8 SU Redução PAM 20–25% Exceto dissecção

9 SU / UCI Anti-hipertensores IV Conforme órgão-alvo

10 SU / UCI Monitorização contínua Preferir linha arterial

11 SU / UCI Internamento Ajuste terapêutico

Tabela 2 – Abordagem sistematizada da emergência hipertensiva

nosos de ação rápida e tituláveis1,2,4

A escolha do fármaco depende do órgão-alvo envolvido, do contexto clínico e das comorbilidades associadas. A monitorização contínua da pressão arterial é obrigatória, sendo preferencial a utilização de monitorização invasiva em contextos de maior gravidade, com internamento em unidade de cuidados intensivos ou intermédios2

População Especial – Grávidas

Na grávida, a emergência hipertensiva está frequentemente associada a pré-eclâmpsia ou eclâmpsia e requer abordagem individualizada. Devem ser utilizados fármacos com segurança fetal comprovada, como labetalol, hidralazina ou nifedipina1,2. IECA, ARA II e diuréticos tiazídicos estão contraindicados. O tratamento deve ocorrer em ambiente hospitalar, com monitorização rigorosa materno-fetal1

CONCLUSÃO

A emergência hipertensiva é uma condição clínica grave, potencialmente fatal, que exige reconhecimento precoce e abordagem estruturada1,2

n.º 021/2023. Lisboa: DGS; 2023.

3. Unger T, Borghi C, Charchar F, Khan NA, Poulter NR, Prabhakaran D, et al. 2020 International Society of Hypertension global hypertension practice guidelines. Hypertension. 2020;75(6):1334–1357.

4. Muiesan ML, Salvetti M, Amadoro V, Di Somma S, Perlini S, Semplicini A, et al. An update on hypertensive emergencies and urgencies. J Cardiovasc Med (Hagerstown). 2015;16(5):372–382.

5. Tintinalli JE, Ma OJ, Yealy DM, Meckler GD, Stapczynski JS, Cline DM, Thomas SH. Tintinalli’s Emergency Medicine: A Comprehensive Study Guide. 9th ed. New York: McGraw-Hill Education; 2020.

A articulação eficaz entre cuidados pré-hospitalares e serviço de urgência, aliada a uma redução controlada da pressão arterial e à escolha adequada de terapêutica endovenosa, é fundamental para melhorar o prognóstico. A implementação de protocolos clínicos e a formação contínua dos profissionais de emergência constituem pilares essenciais para a melhoria da qualidade dos cuidados e para a redução da morbilidade e mortalidade associadas a esta entidade1,2,5

BIBLIOGRAFIA

1. Van den Born BJH, Lip GYH, Brguljan-Hitij J, Cremer A, Segura J, Mahfoud F, et al. ESC Council on hypertension position document on the management of hypertensive emergencies. Eur Heart J Cardiovasc Pharmacother. 2019;5(1):37–46.

2. Direção-Geral da Saúde. Hipertensão arterial grave e emergência hipertensiva. Norma da DGS

ISABEL RODRIGUES
Médica VMER CODU
EDITORA

INTOXICAÇÕES NO PRÉ-HOSPITALAR

GHB: DA EUFORIA AO COMA PROFUNDO — IMPLICAÇÕES PARA A EMERGÊNCIA

RESUMO

A intoxicação por ácido γ-hidroxibutírico (GHB) constitui uma causa de alteração aguda do estado de consciência, sobretudo em adultos jovens, com apresentação clínica frequentemente enganadora. A estreita margem terapêutica, a rápida evolução para depressão do sistema nervoso central e a ausência de antídoto específico tornam esta intoxicação particularmente desafiante em contexto pré-hospitalar. Este trabalho revê os aspetos farmacológicos, clínicos e operacionais da intoxicação por GHB, com ênfase na abordagem pré-hospitalar.

INTRODUÇÃO

A intoxicação por GHB é uma causa cada vez mais frequente de alteração aguda do estado de consciência em contexto pré-hospitalar, particularmente em adultos jovens1,2. A sua apresentação clínica caracteriza-se por início rápido de euforia, evolução imprevisível e flutuação marcada do nível de consciência, podendo culminar abruptamente em coma profundo. O reconhecimento precoce desta entidade é essencial, uma vez que decisões inadequadas, frequentemente baseadas numa melhoria transitória do estado neurológico,

estão associadas a eventos adversos graves, incluindo aspiração, falência respiratória e morte2,3

FARMACOLOGIA

O oxibato de sódio, corresponde ao sal sódico do GHB, encontra-se aprovado para uso médico restrito, nomeadamente no tratamento da narcolepsia com cataplexia e, historicamente, na abstinência alcoólica4. Após administração, o oxibato de sódio converte-se em GHB, sendo o efeito farmacológico final essencialmente idêntico. Paradoxalmente, tal como o álcool etílico, o GHB exerce efeitos tanto euforizantes, como ansiolíticos e sedativos, podendo aumentar a libido e induzir amnésia anterógrada, características que explicam a sua associação a crimes de violência sexual, sendo frequentemente referido como “droga da violação” ou “Boa Noite Cinderela”

Análogos do GHB, como a γ-butirolactona (GBL) e o 1,4-butanodiol (1,4-BD), são frequentemente utilizados como substitutos. Estes compostos, vendidos como solventes industriais, são rapidamente metabolizados em GHB após ingestão, apresentando perfis de risco semelhantes ou superiores5

CONSUMO RECREATIVO

O GHB é habitualmente adquirido sob a forma líquida, incolor e inodora, apresentando um sabor discretamente salgado quando diluído. É frequentemente misturado em água, sumos ou bebidas alcoólicas, podendo passar despercebido ao consumidor. A dose recreativa situa-se, em média, entre 1 e 5 gramas; contudo, a variabilidade da concentração da substância e o método informal de administração, frequentemente através de pipetas, tornam o doseamento altamente impreciso e imprevisível.

Figura 1 - método de transporte e de consumo mais comum em Portugal

O consumo ocorre, com frequência, em associação com outras substâncias psicoativas, nomeadamente álcool, benzodiazepinas, estimulantes, canabinóides e alucinogénios5, o que potencia de forma significativa a

toxicidade. Adicionalmente, o seu uso está frequentemente integrado em contextos de comportamentos de risco, incluindo práticas de chemsex, contribuindo para um aumento substancial da morbilidade associada.

RISCOS ASSOCIADOS E DESAFIOS

O principal risco do GHB reside não apenas na sua toxicidade intrínseca, mas sobretudo no estreito limiar entre efeitos desejados e indesejados, aliado a um padrão de apresen-

tação clínica enganador1

No terreno, o erro mais comum não é técnico, mas sim de julgamento clínico. É frequente observar doentes profundamente inconscientes que recuperam subitamente, apenas para deteriorar novamente minutos depois, quando a assistência já não se encontra presente, subvalorizando-se a gravidade2,3

MECANISMO DE AÇÃO, EFEITOS E POTENCIAÇÃO

Em concentrações fisiológicas, o GHB atua como neuromodulador endógeno, exercendo os seus efeitos predominantemente através de recetores específicos de GHB (GHB-R), associados à libertação dopaminérgica, à regulação do ciclo sono–vigília e a funções cognitivas.

Contudo, quando administrado exogenamente em doses supra-fisiológicas, o GHB passa a ativar de forma predominante os recetores GABA-B, de menor afinidade, desencadeando inibição neuronal difusa, depressão do sistema nervoso central e compromisso respiratório.

Esta transição abrupta de recetor-alvo explica a natureza paradoxal da substância e o estreito limiar entre efeitos ligeiros e coma profundo3

Os efeitos iniciam-se geralmente entre 15 a 30 minutos após ingestão e duram cerca de 3 a 6 horas5 O GHB raramente atua isoladamente. A associação com outros depressores do sistema nervoso central é o principal determinante de gravidade1,2. No pré-hospitalar, a combinação de GHB com álcool e/ ou benzodiazepinas representa o cenário de maior risco.

ABORDAGEM PRÉ-HOSPITALAR

A atuação deve ser simples e estruturada, seguindo o protocolo

ABCDE1,2,3:

Via aérea: deve ser considerada a sua proteção precoce devido ao elevado risco de aspiração;

Respiração: providenciar aporte de oxigénio suplementar e ventilação assistida se hipoventilação;

Circulação: manter uma monitorização contínua, estabelecer acesso venoso e administrar fluidoterapia se indicado;

Neurológico: avaliar o estado de consciência e reação pupilar, excluindo obrigatoriamente a hipoglicemia;

Exposição: pesquisar sinais de trauma, avaliar e manter o controlo térmico.

A PROTEÇÃO DA VIA AÉREA É A

PRIORIDADE CENTRAL.

Não existe antídoto específico para o GHB.O tratamento baseia-se exclusivamente em suporte de órgão, vigilância contínua e tempo.

Devem ser transportados e observados em meio hospitalar todos os doentes com suspeita de intoxicação por GHB que apresentem:

• Alteração do estado de consciência (atual ou prévia);

• Depressão respiratória, mesmo transitória;

• Consumo associado de álcool ou benzodiazepinas;

• Vómitos ou risco de aspiração;

• Trauma associado ou etiologia pouco clara;

• Recuperação súbita após coma.

A melhoria abrupta não constitui critério de segurança, dada a elevada probabilidade de re-sedação6

TAKE HOME MESSAGES

• A intoxicação por GHB é silenciosa, rápida e imprevisível. No pré-hospitalar, uma abordagem conservadora salva-vidas. Perante dúvida clínica, proteger a via aérea, vigiar e transportar é quase sempre a decisão correta

BIBLIOGRAFIA

1. UpToDate. Gamma-hydroxybutyrate (GHB) intoxication.

2. Medscape. GHB Toxicity: Clinical Presentation and Management.

3. Busardò FP et al. GHB pharmacology and toxicology. Curr Neuropharmacol.

4. European Medicines Agency (EMA). Sodium oxybate – Summary of Product Characteristics.

5. Drug Fact Sheet: Gamma-hydroxybutyrate (GHB).

6. Anderson IB et al. Gamma-hydroxybutyrate poisoning. J Toxicol Clin Toxicol.

Anestesiologista na ULS Algarve

MÓNICA VIEIRA DA FONSECA
VMER Faro e Albufeira
INEM – CODU DRS
EDITORA
LUIS MIGUEL COSTA
EDITOR

JOURNAL

1Médica de Medicina Intensiva, Medicina de Urgência e Emergência e Medicina Interna da UCI CR-ECMO e UCI-CCT, ULS São José, Médica SHEM Algarve https://orcid.org/0000-0002-5587-0842

INTRODUÇÃO

O tromboembolismo pulmonar (TEP) de risco apresenta um risco elevado de mortalidade hospitalar e/ou aos 30 dias.1 Vários estudos mostram que o TEP de risco elevado, para além de ser causa significativa de mortalidade, é responsável por aproximadamente 2% das paragens cardiorrespiratórias (PCR) extra-hospitalares.2,3 Os doentes com TEP de risco elevado cuja manifestação clínica inaugural seja o choque ou PCR, podem apresentar taxas de mortalidade entre os 25 e os 70%.4,5,6 Deve suspeitar-se de embolia pulmonar em doentes com dispneia, dor torácica, pré-síncope ou síncope, ou hemoptises.7 O TEP de risco elevado manifesta-se por hipotensão persistente, choque obstrutivo ou PCR, especialmente com actividade elétrica sem pulso (AESP). Assim, o TEP de risco elevado requer investigação diagnóstica e tratamento de emergência com o mínimo atraso. O tratamento primário de eleição é a reperfusão

com fibrinólise sistémica. Tem sido referido que a mortalidade dos doentes com TEP que sofrem PCR e recebem fibrinólise é menor do que naqueles em que esta é protelada.8 Os autores do artigo tiveram como objecto de estudo explorar a sobrevida e as complicações hemorrágicas associadas à fibrinólise pré-hospitalar no tratamento da suspeita de TEP de risco elevado, comparando com os doentes em que a fibrinólise foi protelada/não administrada.

MÉTODOS

Os autores realizaram o primeiro estudo retrospectivo de coorte de centro único com dados colhidos entre junho de 2007 e agosto de 2019. O estudo foi baseado no registo de emergência pré-hospitalar (EPH) de doentes com enfarte agudo do miocárdio (EAM) e TEP que receberam fibrinólise. O EPH de Helsínquia é um sistema de resposta hierarquizada, incluindo primeiros socorros básicos, ambulâncias com

paramédicos e unidades de resposta com “supervisor médico” (ou seja, paramédicos seniores avançados) ou com pessoal médico. Apenas os médicos e supervisores médicos podem administrar fibrinolíticos, e os supervisores devem consultar o médico de emergência de serviço antes de iniciar a tratamento. A fibrinólise é administrada de acordo com o critério do médico responsável pelo tratamento e não é protocolada. Analisámos todos os doentes no registo da EPH com suspeita de TEP de elevado risco, e apenas foram incluídos aqueles com TEP confirmada. Incluímos os doentes que preenchiam todos os seguintes critérios: 1) suspeita clínica de TEP de risco elevado (i.e., suspeita de TEP que se apresentavam com PCR ou choque obstrutivo); 2) tratamento com fibrinólise endovenosa pela EPH; e 3) diagnóstico de TEP confirmado por imagem no serviço de urgência ou por autópsia. Os autores definiram PCR como a necessidade de com-

Ana Rita Clara1

pressões torácicas ou desfibrilhação.

Utilizaram a definição da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) para o choque obstrutivo: pressão arterial sistólica < 90 mmHg ou necessidade de vasopressores para atingir uma PA > 90 mmHg, apesar do estado de enchimento adequado e acompanhada por hipoperfusão de órgãos-alvo (alteração do estado mental; pele fria e húmida; oligúria/anúria; aumento do lactato sérico).1 Os dados incluíram sintomas relevantes registados pela EPH no local (dispneia, dor torácica ou síncope), sinais vitais (ritmo inicial, frequência cardíaca, pressão arterial e frequência respiratória) bem como exames e tratamentos (ecografia à cabeceira do doente, suporte avançado de vida, medicação vasoactiva ou fibrinólise). Foi recolhido o tempo decorrido entre a chamada de saída e a chegada do EPH e o tempo decorrido entre a chegada da EPH e a administração de fibrinólise; para doentes em PCR, também foi recolhido o tempo para o retorno da circulação espontânea (ROSC). Foi também recolhido a mortalidade pré-hospitalar, hospitalar e aos 12 meses. A análise estatística foi realizado com o SPSS versão 29 (IBM Corp., Armonk, NY, EUA)

RESULTADOS

Foram confirmados com TEP de risco elevado, confirmada por autópsia ou exames de imagem, 60 doentes, sendo que 23 receberam fibrinólise pré-hospitalar e 37 não a receberam. Entre os doentes que receberam fibrinólise, a idade média foi de 57 (±15) anos (variação de 19 a 80 anos) e 10 (44%) eram do sexo feminino. O sintoma mais comum no local foi o

início súbito de dispneia (40%). À chegada da EPH seis doentes (26%) estavam em choque obstrutivo. Três doentes (13%) estavam em PCR antes da chegada do EPH e outros catorze doentes (61%) sofreram PCR após a chegada da EPH. O ritmo inicial foi AESP em 16 (94%) doentes com PCR e fibrilhação ventricular (FV) em um (6%). O tempo médio entre o alerta de emergência e a chegada da EPH foi de 8 (± 3,5) min, e o tempo entre a chegada da EPH e a fibrinólise foi de 33 (± 15,3) min. O tempo mediano (intervalo interquartílico) para ROSC, quando atingido, foi de 30 (7,0–70,0) min. O exame ecográfico transtorácico à cabeçeira foi realizado no local pelo médico pré-hospitalar em 17 (74%) dos doentes com fibrinólise, e a dilatação do ventrículo direito foi observada em todos eles. Em comparação, 12 (32%) dos doentes sem fibrinólise tiveram ecografia transtorácica à beira do leito realizada pelo médico no local, com dilatação do ventrículo direito observada em quatro deles. Oito dos dezassete (47%) doentes com PCR extra-hospitalar faleceram no local; nove (53%) sobreviveram até à admissão hospitalar e cinco (29%) sobreviveram até à alta hospitalar. Os desfechos pré-hospitalares e intra-hospitalares foram semelhantes em doentes com PCR à chegada da EPH e naqueles que sofreram PCR após a chegada da EPH (dados não apresentados pelos autores). Todos os doentes com choque obstrutivo foram transportados para o hospital e tiveram alta com vida. Além disso, todos os doentes que sobreviveram até à alta hospitalar estavam vivos ao fim de doze meses. Vinte e dois

doentes (95%) receberam tenecteplase intravenosa e um (5%) reteplase com a mesma dosagem fibrinolítica que para o EAM com supradesnivelamento do segmento ST. A dose média de tenecteplase foi de 45 (±14) mg. Um doente recebeu 1120 mg de reteplase. Foi realizada autópsia a todos os oito doentes com fibrinólise que morreram no local e a um doente que morreu no hospital. Dois doentes que morreram apresentaram complicações hemorrágicas observadas clinicamente ou durante a autópsia, mas nenhum dos casos de hemorragia foi considerado a causa da morte. Num caso, foi observada hemorragia retroperitoneal na autópsia. A causa de morte determinada durante a autópsia foi de TEP provocada por trombose venosa profunda (TVP). Outro doente apresentou hemorragia difusa nos locais de canulação durante o tratamento com oxigenação por membrana extracorporal (ECMO). Neste caso, a causa da morte foi lesão cerebral anóxica. Nenhum dos doentes foi submetido a embolectomia mecânica. Dois doentes foram tratados com ECMO, mas nenhum sobreviveu. Um dos doentes em ECMO recebeu também fibrinólise dirigida por cateter com 2 mg de alteplase. Nos doentes que não receberam fibrinólise, a idade média foi de 72 anos, em comparação com a dos doentes que receberam fibrinólise (p < 0,001). Os doentes que não receberam fibrinólise pré-hospitalar apresentaram PCR mais frequente que os doentes que a receberam (51% vs. 13%, p = 0,018). A diferença na mortalidade aos 12 meses entre os grupos com e sem fibrinólise não foi estatisticamente significativa (52% vs. 76%, p = 0,06).

DISCUSSÃO

O estudo dos autores apresenta três principais conclusões:

1. Primeiro, os autores mostram que a fibrinólise foi bem-sucedida em 29% dos doentes com TEP de risco elevado que sofreram PCR, mesmo quando o ritmo inicial predominante era AESP.

2. Em segundo lugar, todos os doentes com TEP de risco elevado e choque obstrutivo que receberam fibrinólise sobreviveram até à alta hospitalar.

3. Em terceiro lugar, não foram observadas complicações hemorrágicas fatais.

74% dos doentes que receberam fibrinólise sofreram PCR extra-hospitalar (PCR) e, quase invariavelmente, a AESP como ritmo inicial. Isto está de acordo com uma descoberta de um registo francês de reanimação de 2011 a 2018. Incluiu 58 doentes com PCR causada por TEP que foram tratados com fibrinólise durante a reanimação e em que o ritmo inicial era não chocável em 99% dos casos.3

Tendo em conta a elevada mortalidade do TEP, vários estudos propõem que, após a fibrinólise durante a PCR, a reanimação seja continuada durante pelo menos 60 a 90 minutos antes de terminar as tentativas de reanimação. Neste estudo, o tempo para retorno de ROSC em sobreviventes que receberam fibrinólise (mediana de 18 minutos) foi relativamente curto em comparação com os não sobreviventes (mediana de 62 minutos). No entanto, o tempo para ROSC foi ainda mais curto (mediana de 11 minutos) em doentes que não receberam fibrinólise. Embora não

possamos ter a certeza, é possível que a fibrinólise tenha sido omitida (ou não considerada indicada) quando doentes com PCR extra-hospitalar atingiram ROSC rapidamente. Os autores mostraram que as medidas hemodinâmicas melhoraram em todos os doentes com choque obstrutivo tratados com fibrinólise, e todos os doentes com choque obstrutivo estavam vivos 12 meses após o evento índice. Os resultados estão em consonância com os dados dos registos hospitalares alemães que mostram que a fibrinólise sistémica melhorou a sobrevivência tanto em doentes com sinais de choque como naqueles com PCR que necessitaram de ressuscitação.9 Na amostra dos autores, a mortalidade global aos 12 meses foi de 52%, e 35% dos doentes morreram no local. Notavelmente, a taxa de mortalidade hospitalar foi de apenas 17%. Num estudo anterior, a taxa de mortalidade hospitalar atingiu os 67% em doentes com PCR extra-hospitalar.8 É importante salientar que, neste estudo, 100% dos os doentes que sobreviveram até à alta ainda estavam vivos doze meses após a alta hospitalar, um resultado marcadamente melhor quando comparado com estudos austríacos e franceses que reportaram uma taxa de sobrevivência a 30 dias de 10% e 16%, respetivamente.3,8 A suspeita clínica de TEP de risco elevado como causa de PCR é fundamental para o diagnóstico e tratamento atempados, devendo ser considerada em doentes com dispneia, dor torácica, pré-síncope ou síncope.7 O principal sintoma encontrado pelos autores foi o início súbito de dispneia. É importante

salientar que a ecografia à cabeceira do doente é uma ferramenta valiosa e cada vez mais disponível para auxiliar no diagnóstico diferencial de doentes com alterações hemodinâmicas e PCR. As guidelines da ESC de 2019 recomendam que a ecografia à cabeceira seja realizado em todos os doentes hemodinamicamente instáveis.1 Embora focado na gestão hospitalar da TEP de risco elevado, o conceito sublinha que os achados ecográficos típicos justificam o tratamento de reperfusão em doentes com elevada suspeita de TEP. Neste estudo, o exame ecográfico à cabeceira do doente foi realizado no local pelo médico pré-hospitalar em 17 (74%) dos doentes com fibrinólise, e a dilatação do ventrículo direito foi observada em todos eles. Em comparação, 12 (32%) dos doentes não submetidos a fibrinólise realizaram ecografia transtorácica à cabeceira do doente, e apenas quatro deles apresentaram dilatação do ventrículo direito. A hemorragia, particularmente a cerebral, é a complicação mais temida na terapêutica fibrinolítica.8 Os autores reporta complicações hemorrágicas em apenas dois doetnes, não tendo sido estas a causa primária de mortalidade em nenhum deles. É importante salientar que não parece haver evidência de que a hemorragia grave seja mais comum quando a fibrinólise é combinada com a ressuscitação cardiopulmonar.

LIMITAÇÕES

Embora esta análise se baseie num grande registo de serviços de emergência médica, poucos doentes receberam fibrinólise para TEP de risco elevado.

Os autores salientam como limitação importante que a decisão de administrar fibrinólise ficou ao critério do médico assistente, e os motivos exactos para não fornecer fibrinólise pré-hospitalar (por exemplo, contraindicações, ordem de não reanimação, comorbilidades) não estavam disponíveis para todos os doentes. Não foram exploradas as características ou os desfechos dos doentes cuja abordagem diferia entre os doentes atendidos por médicos e os atendidos por supervisores médicos. De facto, a reanimação não foi tentada em alguns doentes com PCR por TEP. Portanto, a comparação entre os doentes que receberam e não receberam fibrinólise deve ser interpretada com cautela. Uma vez que o registo incluiu apenas doentes com TEP confirmada, não foi possível avaliar possíveis efeitos adversos da fibrinólise em doentes sem TEP confirmada. Três (13%) dos doentes submetidos a fibrinólise faleceram no hospital sem autópsia subsequente. Embora não apresentassem sinais clínicos de hemorragia, é possível que tenha ocorrido hemorragia oculta não detectada. As diferenças entre os achados dos autores e os de estudos anteriores podem ser atribuídas a diferenças nos critérios de inclusão, nas políticas do sistema sobre se e quando transportar doentes que não obtêm ROSC, ou outros fatores não explorados na nossa análise.

CONCLUSÕES

O TEP de risco elevado em contexto extra-hospitalar está associado a elevada mortalidade. O estudo apresentado sugere que a fibrinólise pré-hospitalar pode ser aplicável em casos suspeitos. Estes achados, no entanto, precisam de ser confirmados num ensaio clínico randomizado e controlado adequado. Neste estudo, a fibrinólise parece ser segura, mas as conclusões sobre qualquer benefício na sobrevida necessitam de ser confirmadas em ensaios clínicos adicionais

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ANA RITA CLARA Médica de Medicina Intensiva, UCI CR-ECMO, ULS São José Médica SHEM-Algarve EDITORA

EMERGÊNCIAS MÉDICAS NO ADULTO

- ALTERAÇÃO DO ESTADO DE CONSCIÊNCIA

EMERGÊNCIAS MÉDICAS NO ADULTO – ALTERAÇÃO DO ESTADO DE CONSCIÊNCIA

DISFUNÇÃO DO SISTEMA RETICULAR ASCENDENTE / CÓRTEX CEREBRAL

AS CAUSAS PODEM SER CLASSIFICADAS SEGUNDO O MECANISMO DE AÇÃO

ESTRUTURAIS NÃO ESTRUTURAIS

AVC ISQUÉMICO / HEMORRÁGICO

ELETROLÍTICO / ENDÓCRINO

TRAUMATISMO EPILÉPTICO

EFEITO DE MASSA INTOXICAÇÕES

SINAIS FOCAIS SEM SINAIS FOCAIS *

AVALIAR REATIVIDADE PUPILAR / PADRÃO RESPIRATÓRIO / ESCALA COMA DE GLASGOW

PONTOS OCULAR VERBAL MOTORA

1 NENHUMA NENHUMA NENHUMA

2 DOR INCOMPREENSIVO EXTENSÃO

3 VOZ INAPROPRIADO FLEXÃO

4 ESPONTÂNEA CONFUSO FUGA

5 ORIENTADO LOCALIZA

6 OBEDECE

ASSEGURAR VIA AÉREA / V.MECÂNICA SE GLASGOW INFERIOR OU IGUAL A 8

DIMINUIR PRESSÃO INTRACRANIANA SE TRÍADE DE CUSHING (HIPERTENSÃO / BRADICARDIA / BRADIPNEIA)

ANTIEDEMATOSOS (IV) – MANITOL / SORO HIPERTÓNICO 1

ALTERAÇÕES DA GLICEMIA A

HIPOGLICEMIA < 60 mg/dL HIPERGLICEMIA >

GLICOSE HIPERTÓNICA (ORAL) 1 20 g

ADMINISTRAR SE VIA ORAL DISPONÍVEL

DEXTROSE 50% (IV) 2 20 mL

ADMINISTRAR SE VIA ORAL INDISPONÍVEL

DEXTROSE 10% (IV) 3 3 mL/kg/h

SE REFRATÁRIO AO TRATAMENTO

GLUCAGON (IV/IM/SC) 4 1 mg

SE REFRATÁRIO AO TRATAMENTO

CRISE CONVULSIVA B

Distinguir crise Generalizada ou Parcial / Simples ou Complexa

ESTADO DE MAL EPILÉPTICO QUANDO CRISE TEM DURAÇÃO SUPERIOR A 5 MINUTOS

MANITOL 20%: 0.25–1 g/kg em 10m / SF HIPERTÓNICO: 60 mL SF 20% + 100 mL 0.9%

Caros leitores, É com grande satisfação que vos apresentamos a nova edição da Infosaving – Emergências Médicas no Adulto: Alteração do Estado de Consciência , a segunda de uma série de infografias dedicada às principais patologias observadas no contexto pré-hospitalar. As infografias transformam grandes volumes de informação técnica em representações visuais simples e intuitivas, destacando os aspetos essenciais e estruturando o

ASSEGURAR VIA AÉREA / V.MECÂNICA SE GLASGOW INFERIOR OU IGUAL A 8

BENZODIAZEPINA (IV/IM/RETAL) 1 5 – 10 mg

DIAZEPAM (MAIOR DURAÇÃO) / MIDAZOLAM (MAIS RÁPIDO)

FENITOÍNA (IV) 2 20 mg/kg

PERFUSÃO 50 mg/minuto + INCREMENTO DA DOSE

FENITOÍNA 1ª DOSE (20 mg/kg) FENITOÍNA 2ª DOSE (7 – 10 mg/kg)

PESO DOSE PERFUSÃO DOSE PERFUSÃO

PROPOFOL / MIDAZOLAM (IV/IM) + VIA AÉREA AVANÇADA 3

ESTADO DE MAL REFRATÁRIO / PROPOFOL 1 – 2 mg/kg / MIDAZOLAM 0.2 mg/kg

conteúdo de forma lógica e acessível. Este formato potência tanto a memória visual como a retenção de conteúdos, facilitando a aprendizagem e a recordação de algoritmos, manobras e orientações em situações de elevada exigência. Vários estudos demonstram que o cérebro processa conteúdos visuais com maior rapidez e eficácia, do que texto isolado, o que contribui para uma retenção mais duradoura da informação. No contexto clínico, esta abordagem é

particularmente vantajosa para profissionais que necessitam de rever, de forma imediata, procedimentos críticos, assegurando respostas rápidas e precisas

EDITOR

FÁRMACO REVISITADO

DEXMEDETOMIDINA

INTRODUÇÃO

A dexmedetomidina é um fármaco sedativo potente pertencente à classe dos agonistas seletivos dos recetores α2-adrenérgicos. É amplamente utilizada em contexto de cuidados intensivos, anestesia e procedimentos diagnósticos ou terapêuticos que requerem sedação. A sua principal característica é a capacidade de produzir sedação semelhante ao sono fisiológico, com mínimo impacto na ventilação – fator que a diferencia de outros sedativos. Além disso, possui propriedades analgésicas e ansiolíticas, tornando-a uma opção valiosa em diversos contextos clínicos.

FORMAS DE APRESENTAÇÃO E CONSERVAÇÃO

A dexmedetomidina está disponível sob a forma de solução concentrada para perfusão intravenosa, geralmente em ampolas ou frascosampola contendo 100 µg/mL. Antes da administração, deve ser diluída em solução compatível, como soro fisiológico ou glicose a 5%. A conservação deve ser feita à temperatura ambiente, protegida da luz, conforme as recomendações do fabricante. Após a diluição, a solução de dexmedetomidina mantém

estabilidade físico-química por um período máximo de 24 horas quando conservada à temperatura ambiente controlada, devendo ser preparada e administrada em condições assépticas, protegida da luz e descartada após esse período para evitar risco de contaminação.

POSOLOGIA E MODO DE ADMINISTRAÇÃO

A dexmedetomidina pode ser administrada por diferentes vias, incluindo intravenosa, oral, intramuscular, bucal e intranasal, dependendo do contexto clínico e da indicação terapêutica. A via intravenosa, sob a forma de perfusão contínua, é a mais utilizada em ambiente hospitalar, permitindo titulação precisa do efeito sedativo. A utilização de dose de carga é opcional e deve ser ponderada devido ao risco acrescido de efeitos

hemodinâmicos, não sendo recomendada pela Agência Europeia do Medicamento, principalmente em doentes críticos ou hemodinamicamente instáveis. Independentemente da via de administração, a posologia deve ser individualizada e titulada de forma progressiva até atingir o nível de sedação pretendido, com monitorização contínua da frequência cardíaca, da pressão arterial e do grau de sedação, devendo evitar-se ajustes frequentes em intervalos curtos, de modo a minimizar o risco de instabilidade hemodinâmica.

FARMACOCINÉTICA

Biodisponibilidade

A biodisponibilidade da dexmedetomidina é de 100% quando administrada por via intravenosa. Outras vias de administração

Dose de carga 0,5-1mcg/Kg em 10 minutos, seguida de perfusão de 0,2-0,7mcg/Kg (máximo 1,5mcg/Kg)

Bólus 1-3mcg/Kg, seguida de perfusão 0,5-2mcg/ Kg/h

Adjuvante BNP 1 mcg/Kg -

Intranasal

Bucal

Sedação - 2-3 mcg/Kg

Sedação - 2-3 mcg/Kg

Agitação Dose inicial 120-180mcg (máximo 240-360mcg/dia) -

Via de administração
Indicação Adultos Crianças
Sedação

apresentam biodisponibilidade inferior e variável: Oral (16% - extenso efeito de 1ª passagem), Intramuscular (73%), Bucal (82%) e Intranasal (65-82%).

Distribuição

Apresenta um elevado volume de distribuição, refletindo ampla penetração tecidular. A ligação às proteínas plasmáticas é elevada, aproximadamente 94%.

Metabolização

A dexmedetomidina é extensamente metabolizada no fígado, principalmente por glucuronidação direta e, em menor grau, por metabolização mediada por enzimas do citocromo P450. Os metabolitos formados não apresentam atividade farmacológica significativa.

Semivida

A semivida de eliminação terminal é, em média, de 2 a 3 horas em adultos. Em doentes com insuficiência hepática, a semivida pode estar prolongada devido à diminuição da depuração.

Eliminação

A eliminação ocorre predominantemente por via renal, com cerca de 95% dos metabolitos excretados na urina e uma pequena fração eliminada pelas fezes. Menos de 1% do fármaco é excretado inalterado.

FARMACODINÂMICA

A dexmedetomidina exerce os seus efeitos através da ativação seletiva dos recetores α2-adrenérgicos no sistema nervoso central,

particularmente no locus coeruleus, onde inibe a libertação de noradrenalina, promovendo sedação e ansiólise. No entanto, a dexmedetomidina não proporciona amnésia fiável, nem é adequada para doentes que necessitam de sedação profunda contínua.

O efeito analgésico é mediado predominantemente pela ativação dos recetores α2 na medula espinal e em estruturas centrais, suprimindo a transmissão nociceptiva e permitindo um efeito poupador de opióides, embora a sua ação analgésica direta, quando utilizada isoladamente, seja considerada limitada.

Do ponto de vista cardiovascular, a dexmedetomidina apresenta uma resposta hemodinâmica bifásica, caraterizada por um aumento transitório da pressão arterial e bradicardia reflexa à vasoconstrição periférica após administração rápida ou em bólus, seguido de um período mais prolongado de hipotensão e bradicardia devido ao predomínio dos efeitos simpaticolíticos centrais. Relativamente ao sistema respiratório, destaca-se pelo impacto mínimo sobre o drive ventilatório, com preservação global da resposta ao dióxido de carbono, embora possa ocorrer depressão respiratória quando administrada concomitantemente com outros sedativos ou opióides.

INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS

A dexmedetomidina é indicada para sedação de doentes adultos em unidades de cuidados intensivos, particularmente aqueles submetidos a ventilação mecânica, sendo recomendados níveis de sedação

ligeiros a moderados, nos quais o doente permanece despertável à estimulação verbal. É também utilizada para sedação durante procedimentos diagnósticos ou cirúrgicos em doentes não intubados, quando se pretende manter cooperação e manutenção do drive respiratório.

Para além das indicações aprovadas, a sua utilização clínica tem-se expandido de forma significativa para usos off-label, incluindo a sedação em idade pediátrica em cuidados intensivos e durante procedimentos, a prevenção e o tratamento do delírio e da agitação pós-emergência anestésica, o controlo de sintomas associados à abstinência alcoólica, bem como a sua utilização como analgésico adjuvante no período perioperatório, permitindo uma redução do consumo de opióides. Adicionalmente, a dexmedetomidina pode ser utilizada como adjuvante da anestesia regional, por via intravenosa ou perineural, com o objetivo de prolongar a duração dos bloqueios nervosos periféricos e espinhais, assim como como adjuvante durante a anestesia geral.

CONTRA-INDICAÇÕES

A dexmedetomidina está contraindicada em doentes com hipersensibilidade conhecida ao fármaco ou a qualquer um dos seus componentes. Deve ser utilizada com precaução em doentes com bradicardia significativa, bloqueio auriculoventricular de elevado grau, hipotensão grave, choque não compensado ou disfunção ventricular severa. Requer especial atenção em idosos e em doentes com insuficiência hepática, podendo ser necessário ajuste posológico.

EFEITOS ADVERSOS

E INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS

Os efeitos adversos mais frequentes são bradicardia e hipotensão, relacionados com a diminuição do tónus simpático. Pode ocorrer hipertensão transitória, sobretudo durante a administração rápida da dose de carga. Podem ainda ocorrer efeitos adversos menos frequentes, como náuseas, vómitos, xerostomia, agitação, alterações metabólicas e síndrome de abstinência, sendo raros os eventos graves, de que são exemplo: bloqueio auriculoventricular, paragem cardíaca e depressão respiratória. A administração concomitante de dexmedetomidina com fármacos depressores do sistema nervoso central, como, anestésicos, sedativos, hipnóticos ou opióides potencia os efeitos sedativos e cardiorrespiratórios, podendo ser necessária a redução da dose de um ou de ambos os fármacos. A associação com medicamentos que reduzem a frequência cardíaca ou a pressão arterial, nomeadamente, beta-bloqueadores e antagonistas dos canais de cálcio, pode acentuar os efeitos hipotensores e bradicárdicos. Do ponto de vista farmacocinético, a dexmedetomidina é metabolizada predominantemente pela isoenzima CYP2A6, pelo que a sua metabolização pode ser influenciada por fármacos que interfiram com esta via. Indutores enzimáticos, nomeadamente alguns anticonvulsivantes, demonstraram aumentar a depuração plasmática da dexmedetomidina de forma clinicamente relevante.

TAKE HOME MESSAGES

• A dexmedetomidina é um agonista seletivo dos recetores α2-adrenérgicos.

• Proporciona sedação cooperativa com mínima depressão respiratória.

• É amplamente utilizada em cuidados intensivos e para sedoanalgesia, podendo ser aplicável em contextos clínicos de urgência ou emergência.

• Apresenta diversas vias de administração - intravenosa, oral, intramuscular, bucal e intranasal - permitindo a sua adequação a múltiplos cenários clínicos e indicações terapêuticas.

• Os principais riscos são bradicardia e hipotensão.

• A titulação cuidadosa e a monitorização contínua são essenciais para garantir a segurança da sua utilização

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CATARINA MONTEIRO Médica VMER
EDITORA

ENCONTRO REGIONAL DAS AMBULÂNCIAS DE SUPORTE IMEDIATO DE VIDA (SIV) DO ALGARVE

| ERSA 2025 – LOULÉ

1

2VMERs Faro e Albufeira

3Enfermeira Especialista Enfermagem Médico Cirúrgica

4SIV Loulé

5Enfermeiro Gestor Delegação Regional do Algarve do INEM

Realizou-se no dia 12 de novembro de 2025, na Escola Secundária de Loulé, o 1.º Encontro Regional das Ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) do Algarve (ERSA). Esta primeira edição foi organizada pela SIV de Loulé, pela sua responsável operacional, pelos Enfermeiros Gestores dos Serviços de Urgência Básica (SUB) do Algarve, responsáveis pela coordenação das SIV da região e pelo Enfermeiro Gestor da Delegação do Algarve do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

O encontro teve como principais objetivos:

• Fortalecer as equipas, promovendo a colaboração e a interação entre os participantes;

• Promover a partilha de experiências e boas práticas;

• Envolver as equipas junto da comunidade em ações de literacia e capacitação em saúde;

• Realizar um masstraining de Suporte Básico de Vida (SBV) dirigido à comunidade escolar.

O evento decorreu segundo um programa marcado por diversos momentos de partilha e por encontros emocionantes entre profissionais que construíram a história do projeto SIV, no passado e na atualidade, desde 2008.

O programa iniciou-se com a sessão de abertura oficial, que incluiu uma mensagem de boas-vindas e a apresentação do evento, seguiram-se intervenções de várias entidades,

nomeadamente da Diretora da Escola Secundária de Loulé, do Enfermeiro Diretor do INEM, de um representante do Enfermeiro Diretor da Unidade Local de Saúde do Algarve (ULSAlg), do Diretor Regional do Algarve do INEM e de um representante do Município. Neste momento, foi enaltecido e contextualizado o projeto SIV, bem como a sua integração nos cuidados de saúde prestados à comunidade. Seguiu-se uma retrospetiva do percurso das SIV, do passado ao presente, evidenciando as pessoas, os recursos e a evolução do projeto. Este momento contou com a participação de Enfermeiros e Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (TEPH) que estiveram na génese do projeto, alguns ainda em exercício nas SIV de Tavira e Lagos e

Catarina Tavares¹ 2 , Sónia Carmo3 4, Vasco Monteiro5

de outros que, embora hoje desempenhem funções diferentes, preservam memórias significativas do legado deste meio de emergência extra-hospitalar.

A análise dos desafios regionais na integração das SIV nas unidades hospitalares, a experiência de uma SIV não integrada, como a de Tavira, os constrangimentos na gestão de recursos humanos, decorrentes da escassez de enfermeiros com formação SIV na ULSAlg, a menor motivação atual para o exercício extra-hospitalar e o futuro do projeto constituíram o foco da mesa-redonda que se seguiu. Esta contou com a presença dos Enfermeiros Gestores dos SUB e do Enfermeiro Gestor da Delegação Regional do Algarve do INEM.

A coesão de equipas, o trabalho em equipa e a comunicação eficaz foram abordados de forma prática, lúdica e dinâmica num workshop desenvolvido e facilitado pela equipa de Psicologia do INEM, que registou uma excelente adesão por parte da plateia, composta por várias dezenas de participantes.

A manhã de trabalhos terminou com a intervenção de um TEPH, que promoveu a reflexão sobre propostas com impacto na comunidade servida pelas ambulâncias SIV, desafiando as equipas a assumirem um papel ativo, empreendedor e criativo para além da prestação de cuidados diários, no contexto da ativação do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU).

O encerramento do programa da manhã esteve a cargo de um paciente no passado atendido pela SIV de Tavira, que partilhou a sua experiên-

cia, destacando os benefícios do atendimento e do correto encaminhamento em saúde. Tratando-se de um sacerdote, solicitou espontaneamente a possibilidade de conceder uma bênção das mãos aos profissionais presentes, gesto que foi livremente aceite e agradecido por todos. Outros testemunhos de pacientes estiveram igualmente presentes, através de vídeos recolhidos e editados de forma profissional pelo colega Paulo Duarte, cuja competência nesta área integra o seu percurso pessoal, tendo sido exibidos nos intervalos do evento e durante o coffee break Seguiu-se um almoço de confraternização entre todos os participantes, realizado na cantina da escola. No período da tarde, decorreu um masstraining de Suporte Básico de Vida (SBV) dirigido à comunidade escolar.

O início da sessão da tarde revelou-se desafiante. Contudo, o momento de quebra-gelo, proporcionado pela seleção de músicas com a cadência adequada às compressões na reanimação, criou o ambiente propício para o desenvolvimento dos conteúdos, da prática e da partilha de experiências entre profissionais e comunidade, ao longo de mais de uma hora e meia, com elevado entusiasmo e participação. O dia culminou com o sorteio do próximo local do evento, uma vez que se pretende que o ERSA seja um encontro anual das SIV do Algarve. O sorteio decorreu no âmbito de uma competição entre equipas da comunidade escolar, baseada na demonstração dos conhecimentos de SBV adquiridos durante o masstraining. A SIV de Vila Real foi a

equipa sorteada, assumindo assim o desafio de dar continuidade ao evento em 2026.

Importa ainda referir que o Município de Loulé se fez representar por vários elementos, tendo demonstrado, desde o início, um apoio extraordinário à realização do evento, promovendo contactos privilegiados que permitirão o desenvolvimento de futuras parcerias e projetos de saúde na comunidade.

Não podemos deixar de salientar o apoio da ULS, do INEM, da Escola Secundária de Loulé e do Algarve Biomedical Center (ABC), fundamentais para o sucesso de um dia inteiramente dedicado às SIV do Algarve.

Como nota final, sentimos que foi dado o primeiro passo, e verdadeiro pontapé de saída, para a consolidação e continuidade deste evento, que no futuro se pretende ainda mais orientado para a prática baseada na evidência, para a valorização do trabalho desenvolvido diariamente, para a interação com outros meios extra-hospitalares e com outras regiões do país. Que assim seja o futuro

Fotografias | Paulo Duarte

EDITORA

CATARINA TAVARES Enfermeira VMER Heli INEM

O QUE FAZER EM CASO DE...

Paragem cardiorrespiratória (PCR) no adulto

A presente edição da LIFESAVING aborda “O que fazer em caso de … Paragem cardiorrespiratória no adulto”, com base nas novas Guidelines do European Resuscitation Council (ERC), divulgadas em outubro de 2025. Neste sentido, iremos abordar os passos fundamentais a realizar, mesmo sem treino em manobras de reanimação, quando se identifica uma vítima adulta em Paragem cardiorrespiratória (PCR), e não se tem disponível um desfibrilhador automático externo (DAE). Antes de abordar a vítima é fundamental assegurar as condições de segurança, seguido da avaliação do estado de consciência. Se a vítima se encontra inconsciente deve-se ligar imediatamente 112, em modo altifalante, enquanto se verifica se a vítima respira [(Ver, Ouvir, Sentir (VOS 10 seg.)]. Se vítima não respira, ou não respira normalmente, ou ainda em caso de dúvida, deverão iniciar-se compressões torácicas, que se devem realizar ininterruptamente.

ASSEGURAR CONDIÇÕES DE SEGURANÇA

(Local, Reanimador, Vítima)

V O S

10 seg.

CUIDADO!

AVALIE O ESTADO DE CONSCIÊNCIA

• Chame pela vítima em voz alta

• Estimule-a simultaneamente em ambos os ombros

INCONSCIENTE

LIGAR 112 em modo altifalante

Enquanto liga — Verifique se Respira

LIGAR 112 em modo altifalante

Enquanto liga — Verifique se Respira

COMPRESSÕES TORÁCICAS ININTERRUPTAS:

Altifalante

• Local: coloque a base da sua mão no centro do tórax, e com a outra por cima interlace os dedos, e com os braços esticados comprima o tórax;

• Ritmo de compressão: 100 a 120 compressões por minuto;

• Depressão do tórax pelo menos 5 cm (máximo 6 cm);

Se estiver sozinho sem telefone ou rede, grite por ajuda e verifique se a vítima respira. Se achar que ninguém virá ajudar, deve deixar a Vítima e ir pedir ajuda/ligar 112. Faça isso o mais rápido possível; Após pedir ajuda, se a vítima continuar inconsciente e não respirar normalmente – inicie imediatamente COMPRESSÕES TORÁCICAS.

BIBLIOGRAFIA

LIGUE 112

Informe a sua localização com pontos de referência;

• Descreva a situação;

• Responda a todas as questões solicitadas;

• Siga as instruções do operador.

1. European Resuscitation Council Guidelines 2025 Adult Basic Life Support, Smyth, Michael A. et al. Resuscitation, Volume 215, 110771, DOI: 10.1016/j.resuscitation.2025.110771 https://

2. Programa de edição de fotos: Painnt®

RESPIRA

CONSCIENTE

Questione se tem queixas?

(Ligar 112)

P L S

SÓ PARE, QUANDO:

• A vítima mostrar sinais de Vida;

• Chegar Ajuda;

• Seja substituído nas compressões;

• Na exaustão;

EDITOR

Enfermeiro SIV/VMER

André Abílio Rodrigues ¹ 1Enfermeiro VMER, SIV
ANDRÉ ABÍLIO RODRIGUES
Posição Lateral de Segurança (PLS)

REDUÇÃO DOS COMPORTAMENTOS ADITIVOS PARA UMA MELHOR SAÚDE

INTRODUÇÃO

As perturbações do comportamento aditivo, com ou sem substância, tiveram um aumento crescente nas sociedades modernas, com consequências dramáticas a nível individual e coletivo.

Pretende-se, com este artigo, aprofundar a visão do problema, para melhor compreensão e prevenção do mesmo.

DESENVOLVIMENTO

Desde o final dos anos oitenta que, em Portugal, a então denominada toxicodependência, começou a ser abordada em serviços de saúde específicos.

frequentes na atualidade.

Estigmatizadas e descriminadas socialmente, atribuía-se a estas pessoas o ónus do seu problema.

Com a prática clínica, o aprofundamento científico e o contributo das neurociências, percebeu-se que esta perturbação (com ou sem substância) não resulta de uma escolha.

Trata-se de um sofrimento emocional, de um stress avassalador, da perda de ligação, de um desconforto profundo da pessoa, consigo mesma, que a leva a procurar um “analgésico” para a dor emocional e física.

desenvolveu a doença.

No trabalho desenvolvido, numa população marginalizada por perturbação aditiva, Gabor Maté, médico residente na Portland Hotel Society (organização sem fins lucrativos) em Vancouver, afirma que, durante catorze anos, não encontrou uma única mulher que não tivesse sido abusada sexualmente na infância, nem nenhum homem que não tivesse sofrido abusos sexuais, físicos, negligência, abandono.

CONCLUSÕES:

“As adversidades na infância, estão no centro dos padrões emocionais e da dinâmica psicológica que impulsionam à dependência”.

“O trauma da infância molda a fisiologia do cérebro em desenvolvimento, de forma que induz suscetibilidade à dependência. A adição não é o problema, mas sim a tentativa desesperada de o resolver” (Gabor Maté).

Cedo se compreendeu tratar-se de uma perturbação que afetava diversas dimensões da pessoa. Os serviços constituíram-se, numa visão multidisciplinar, englobando várias categorias profissionais: médicos, enfermeiros, psicólogos, técnicos de serviço social e outros. Estava-se no auge do consumo da heroína, maioritariamente de forma endovenosa, com graves complicações físicas, incluindo amputação de membros, doenças infeciosas disseminadas, entre outras, felizmente menos

É um facto que, muitas pessoas que sofreram eventos traumáticos na infância, não desenvolvem doença aditiva, mas o contrário não é verdade. Não é possível tratar esta perturbação sem olhar para as suas famílias e compreender o contexto onde se

As perturbações aditivas têm origem em traumas precoces. O uso de substâncias ou a compulsão comportamental sem substância, são uma tentativa de estabilizar a dor, o sofrimento psíquico.

É importante corrigir a falsa noção da separação entre questões de saúde mental, por um lado, e dependências, por outro. Ambas estão interligadas: muitas vezes, as últimas são uma automedicação para as primeiras. No plano preventivo, seria importante apostar na capacitação parental, incluída nos programas de ação das diversas instituições intervenientes nesta área, facultando os apoios CUIDAR

Elza Cunha¹
1Médica Assistente Graduada Sénior. Especialidade de Medicina Geral e Familiar. Competência em Adictologia Clínica pela Ordem dos Médicos

necessários às famílias mais vulneráveis.

“Como reduzir os comportamentos aditivos, para uma melhor saúde” é o título do presente artigo.

A formulação mais correta talvez seja: como melhorar a saúde (familiar, individual, coletiva) para reduzir os comportamentos aditivos. Onde pedir ajuda para tratamento:

• Médico/a de Família

• Equipas Especializadas de Tratamento das Perturbações Aditivas, integradas nos Centros de Respostas Integradas (CRI) os quais dependem do Instituto dos Comportamentos Aditivos e Dependências (ICAD)

• Grupos de autoajuda como Narcóticos Anónimos (NA) e Alcoólicos Anónimos (AA)

BIBLIOGRAFIA

1. Kolk B – O cérebro não esquece: cérebro mente e corpo na superação do trauma. 1ª. Ed. Lua de papel 2020

2. Simões et al., 2006; Fleming, 1995; Sequeira, 2006; Pratta & Santos, 2006; Schenker & Minayo, 2003; Dieguez, 2000; Paiva & Ronzani, 2009).

3. Neurociência de consumo e dependência a substâncias psicoactivas : resumo. WHO 2004 MATE G,2023 - thewisdomoftrauma.com

4. MATE G; MATE D – The Myt of Normal: Trauma. Illness, and healing in a Toxic Culture, 2022. Ed. Lua de Papel 2023

5. MATE G – In the Realm of Hungry Ghosts: Close Encounters with Addiction, 2008. 1ª. Ed. Lua de papel 2025

6. MATE G– When the Body Says No, 2003. 1ª Ed. Ideias de Ler 2022

7. The CDC-Kaiser Permanente’s Adverse Childhood Experiences Study (ACE Study)

SILVIA LABIZA
Enfermeira VMER
Heli INEM
EDITORA

"O QUE NINGUÉM ENSINA: LIÇÕES DO TERRENO EM EMERGÊNCIA MÉDICA "

“O que ninguém nos ensina é o feeling "esta pessoa não está bem". Mas é ciência na mesma, está descrito na literatura e devemos estar muito atentos a essa sensação. Não se ensina ainda a sensibilidade de entrar em casa das pessoas, de interagir de forma empática e eficaz nos vários contextos do extra hospitalar, agir com base no lugar do outro, a empatia e capacidade de interação na situação crítica ou até na emergência social e emocional a que tanta vez acorremos, também não nos ensinam em formação em emergência de forma prática, mas lógico que é objeto da formação básica dos enfermeiros e médicos. Não se

ensina a capacidade de empoderar as pessoas e dar-lhes a capacidade de autonomia na sua situação crítica que vivem, mas é fundamental.”

Catarina Tavares

“No terreno aprendi que, em emergência médica, a técnica e o conhecimento são essenciais, mas é a lucidez sob pressão, a comunicação eficaz e a capacidade de improvisar com segurança que verdadeiramente salvam vidas.”

Cláudia Martins

“- Nem toda a instabilidade exige intervenção imediata; exige vigilância qualificada;

- A monitorização não substitui a observação clínica.

- A liderança clínica influencia diretamente o desempenho da equipa.

- A comunicação eficaz reduz eventos adversos.

- A reavaliação contínua é tão crítica quanto a intervenção inicial.

- O doente crítico raramente apresenta um único problema.

- A ausência de resposta também é um dado clínico.

- A técnica correta perde eficácia num ambiente desorganizado.

- A tomada de decisão em emergência é sempre probabilística.

- A segurança da equipa precede qualquer procedimento.

- A fadiga compromete o raciocínio clínico tanto quanto a falta de conhecimento.

- A experiência traduz-se em reconhecimento precoce de padrões.

- A intervenção termina apenas após a transição segura de cuidados.

- O erro deve ser analisado como oportunidade de melhoria sistémica.

- A prática em emergência exige competência técnica e maturidade emocional.

- A formação contínua é um requisito operacional, não académico.

- A excelência clínica constrói-se na repetição rigorosa.

- O terreno valida — ou invalida — o plano terapêutico.

- A decisão mais difícil é, por vezes, a mais conservadora.

- A medicina de emergência é gestão de incerteza em tempo real”.

Telma Santos

"É certo que por mais treino, mais evidência científica, ou mais competência técnica, ninguém

NOTA DO EDITOR

As respostas obtidas à questão colocada na Tertúlia VMERista são da exclusiva responsabilidade dos intervenientes no "inquérito", e que são opiniões estritamente pessoais, das quais a LIFESAVING necessariamente se demarca...

nos ensina a forma mais eficaz de abordagem de cada novo cenário. De facto, é na imprevisibilidade que reside o verdadeiro encanto da nossa missão, e cada evento recebido é um teste à nossa postura perante os outros, própria do nosso ser. Assim, o sucesso em emergência médica só poderá ser garantido dominando também competências não técnicas, como sejam: a liderança, a comunicação eficaz, a escuta ativa e observação atenta, a persistência e a resiliência."

Santos

EDITOR

NUNO RIBEIRO
Enfermeiro VMER
TIP
Bruno

UM PEDACINHO DE NÓS

Enf.ª Telma Santos

Ana Rodrigues¹, Teresa Castro 2

1Enfermeira das VMER de Faro e Albufeira, 2Enfermeira da VMER de Albufeira

A nossa convidada desta edição é a enfermeira Telma Santos, natural de Odivelas, terra de história, tradição e forte identidade cultural. Oficialmente, quem nasce em Odivelas é designado por odivelense, mas existe também uma alcunha popular — “papagaios” — usada de forma informal e identitária, cuja origem se perde entre tradições orais e referências históricas locais. Esta designação remonta aos tempos do rei D. Dinis, o Rei Lavrador, figura intimamente ligada à cidade. Foi também em Odivelas que se ergueu o emblemático Mosteiro

mandado construir por este monarca, local associado a um dos episódios mais simbólicos da história portuguesa: o Milagre das Rosas, protagonizado pela Rainha Santa D. Isabel. A este património histórico junta-se ainda um detalhe mais doce — a famosa marmelada branca, que continua a fazer parte da identidade local. É deste contexto histórico, cultural e afetivo que Telma vem, e que, inevitavelmente, ajudou a moldar quem é hoje. Talvez não seja coincidência que, vinda da terra dos “papagaios”, tenha crescido como uma pessoa

naturalmente extrovertida. Assume-se comunicativa, espontânea e bem-disposta, confessando, com humor, que por vezes “fala mesmo pelos cotovelos”.

O seu percurso de vida e profissional foi profundamente influenciado pelos pais, Natércia e José, que sempre foram a sua principal fonte de motivação. Ao longo dos anos, estiveram presentes nos momentos fáceis e nos mais difíceis, mantendo-se como figuras de referência, tanto pelo exemplo como pelos valores que lhe transmitiram — responsabilidade,

resiliência e humanidade. O caminho académico não foi linear, mas revelou-se profundamente formador. Iniciou a licenciatura em Enfermagem em 2004, na Escola Superior de Enfermagem de São Vicente de Paulo. Por motivos de saúde, foi obrigada a interromper o curso, numa fase em que aprendeu que nem sempre se controla o tempo ou os planos traçados. Mais tarde, retomou o percurso na Escola Superior de Saúde Ribeiro Sanches, onde concluiu a licenciatura em Enfermagem a 11 de julho de 2012. Em 2015, concluiu o Curso de Suporte Imediato de Vida (SIV). Apesar de nunca ter exercido de imediato nesse contexto, esse objetivo manteve-se sempre presente. Curiosamente, em outubro de 2020, iniciou funções na VMER de Faro exatamente no mesmo dia e

mês em que, em 2012, tinha sido admitida como enfermeira hospitalar — uma coincidência que, para Telma, simboliza como certos caminhos acabam sempre por se reencontrar.

A 13 de maio de 2022, concluiu a Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem Médico-Cirúrgica, na Escola Superior de Saúde de Vale do Ave (IPSN). Atualmente, encontra-se a terminar o Mestrado em Gestão da Saúde, pela Universidade Europeia, numa procura contínua por compreender melhor os sistemas onde trabalha e contribuir ativamente para a sua melhoria. Desde 29 de outubro de 2012, trabalha no Serviço de Urgência Polivalente da ULS Algarve, EPE — Unidade de Faro, um contexto exigente que molda diariamente a prática clínica, a resiliência emocional e a forma de encarar o cuidar.

Em 2020, integrou as equipas da VMER de Faro e de Albufeira, fazendo atualmente parte da equipa da VMER Faro. Ao longo do percurso profissional, passou ainda por diferentes contextos, como o Lar da Santa Casa da Misericórdia de Loulé (ERPI), o Lar Ribeira da Tôr (ERPI) e a SUB de Loulé, experiências que enriqueceram a sua visão da Enfermagem em diferentes realidades. No plano pessoal, a gestão familiar e emocional é um desafio constante. Os pais residem atualmente em Lisboa, o que dificulta a conciliação entre a vida profissional e o apoio familiar — uma preocupação que reconhece poder tornar-se mais presente no futuro, mas que enfrenta com a tranquilidade de quem sabe que tem uma base sólida. Vive em Loulé com o companheiro, Luís, a filha deste, Sara, e a mãe do companheiro, Joaquina. Descreve-se como parte de uma família reconstituída, simples e feliz.

O trabalho por turnos rotativos exige organização, prioridades bem definidas e flexibilidade emocional. Sempre que possível, procura alinhar o tempo de descanso com o da família, sobretudo aos fins de semana.

Reconhece que a vida por turnos é stressante e encara este tipo de trabalho como algo com um “prazo de validade”, especialmente numa profissão que ainda não é reconhecida como de desgaste rápido. Telma assume-se como uma pessoa organizada, apreciadora de espaços limpos, arrumados e funcionais. Ambientes desorganizados deixam-na inquieta e admite, com naturalidade, a tendência para “arrumar

enquanto passa”. Entre colegas, esta característica é já motivo de brincadeira, sobretudo pela rapidez com que identifica algo fora do lugar — uma forma pessoal de criar ordem no meio do caos diário.

Fora do trabalho, os interesses são simples, mas essenciais para o seu equilíbrio. Gosta de ler, de motas e do motociclismo, mantendo uma ligação especial à Harley-Davidson.

Para si, conduzir uma Harley não é apenas deslocar-se: é um estado de espírito. O som, o peso, o ritmo e a ligação à estrada criam um espaço de silêncio interior fundamental para equilibrar a intensidade da emergência.

Faz parte do Moto Clube de Faro, uma instituição histórica do motociclismo nacional, fundada oficialmente em 1982, mas com raízes na década de 1970. O clube é responsá-

vel pela organização da Concentração Motard de Faro, um dos maiores encontros motard da Europa, sendo neste ambiente de estrada, partilha e pertença que Telma encontra um importante contraponto ao contexto profissional. Assume também gostos simples: um pão acabado de sair do forno com manteiga de alho, uma boa manga madura ou uma sessão de fado, onde a música e a palavra criam um espaço de pausa, emoção e introspeção que muito valoriza.

O Algarve entrou na sua vida em 2012, numa altura em que a Enfermagem atravessava uma crise profunda ao nível das contratações. Inicialmente, acompanhou o namorado, ainda enquanto estudante, mas acabou por criar raízes, construir estabilidade e perceber que este seria o seu lugar.

Integrar a VMER foi sempre uma vontade natural. Sempre quis ser enfermeira e o cuidar do outro faz parte da sua identidade. Trabalhar em emergência pré-hospitalar representa diferenciação, prontidão e compromisso com a comunidade. Quando é necessário, a equipa está presente — nos piores e nos melhores momentos da vida das pessoas — com a consciência de que cada elemento do SIEM é essencial.

Há ocorrências que marcam para sempre. No dia 16 de julho de 2021, esteve envolvida no socorro a um acidente grave na A22, na zona de Loulé, com vítimas jovens. Um despiste com queda de vários metros originou um cenário de elevada complexidade e impacto emocional. Foi dos primeiros elementos a chegar ao local, onde já se confirmava uma vítima mortal.

Durante semanas, as imagens regressaram sob a forma de pesadelos recorrentes.

Socorrer aquelas vítimas foi, para Telma, o momento mais difícil do seu percurso profissional — não pela falta de preparação técnica, mas pela intensidade emocional, pela vulnerabilidade associada à idade das vítimas e pelo peso de cuidar em pleno caos. Uma experiência humana profunda, que recorda diariamente a fragilidade da vida e a carga emocional que os profissionais de emergência transportam após cada missão. Quanto ao futuro da emergência pré-hospitalar, acredita que passa por uma gestão mais estratégica dos recursos, uma organização orientada para a diferenciação clínica e, sobretudo, pela valorização dos profissionais. As VMER

continuam a ser fundamentais, mas só serão sustentáveis com investimento contínuo na formação, no reconhecimento e na estabilidade das equipas.

Por fim, Telma reconhece que tudo o que é hoje foi construído com trabalho, escolhas conscientes e pessoas importantes ao seu lado — sem atalhos, sem empurrões, apenas com respeito, dedicação e a vontade constante de estar inteira em tudo o que faz

TERESA CASTRO
Enfermeira VMER
EDITORA ANA RODRIGUES
EDITORA

A medicina de emergência é uma luta contra a entropia, onde o sucesso se mede em milímetros e segundos. Como VMER, estamos habituados a intervir em cenários adversos — da berma da estrada ao domicílio isolado. O que não estamos preparados para aceitar é o cenário da paragem cardiorrespiratória (PCR) que ocorre no "limiar do socorro", onde a distância entre a vida e a morte é apenas o vidro de uma receção hospitalar.

Nesta noite, ativação soou com a urgência habitual: uma PCR em curso numa ambulância particular. Ao chegarmos ao local, a imagem era distópica. A escassos centímetros da porta de uma Unidade Hospitalar Privada, a equipa da ambulância lutava num espaço confinado e instável, sob o olhar impávido de uma estrutura de saúde dotada de todos os meios de diferenciação.

Congressos e Cursos

EDITOR

O relato colhido no local foi inquietante. Perante a paragem súbita à porta da unidade, a ajuda imediata terá sido solicitada e negada. Enquanto a vida da utente se esvaía em manobras de compressão manual, lá dentro, os desfibrilhadores permaneciam em suportes de parede e as equipas de reanimação mantinham-se alheias ao apelo de socorro.

À nossa chegada, procedemos à diferenciação dos cuidados e o início tardio do Suporte Avançado de Vida, sendo que neste caso em particular, este suporte não devia ser o de iniciar ou substituir o socorro de proximidade, mas sim o de o complementar. É imperativo questionar: em que momento é que o protocolo administrativo se tornou um torniquete na ética médica? Um hospital, independentemente da sua natureza jurídica ou modelo de gestão, é uma zona

de santuário. A negação de auxílio a uma equipa de transporte que se encontra em situação de emergência absoluta à porta de uma urgência é uma falha sistémica que trai o juramento de Hipócrates e ignora o dever cívico de assistência.

Este relato não nasce do desejo de conflito entre instituições, mas da necessidade de proteger o doente. A paragem cardiorrespiratória não espera por autorizações de faturação nem por triagens administrativas. Onde existe um médico e um desfibrilhador, não pode haver um "não" como resposta a uma vida que pára. Que o rigor clínico e a compaixão humana voltem a estar acima de qualquer barreira física ou burocrática. Naquela tarde, entre a ambulância e a porta fechada, quem falhou não foi a técnica, foi o sistema

45TH INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON INTENSIVE CARE AND EMERGENCY MEDICINE (ISICEM 2026) 24 A 27 DE MARÇO DE 2026. BRUXELAS, BÉLGICA.

INTERNATIONAL CONGRESS ON EMERGENCY - ICE 2026

10 DE ABRIL 2026

FIGUEIRA DA FOZ

PEDRO OLIVEIRA SILVA Médico VMER CODU

"A vida é curta e devemos aproveitá-la. Num dia estamos aqui, no outro estamos no céu. Não foi a minha vez".

Santiago Salvador, Sobrevivente Português do descarrilamento de Adamuz, ocorrido a 18 de janeiro de 2026 em Córdoba, Espanha.

https://www.sabado.pt/mundo/detalhe/por-sorte-estou-vivo-o-testemunho-do-portugues-vitima-do-desastreferroviario-em-espanha

"O

que é importante é que as pessoas percebam que temos que estar unidos na resolução dos problemas, com alguma paciência, sabendo que muitos dos problemas, (...) são muito maiores do que alguma vez podíamos imaginar."

https://www.diarioleiria.pt/2026/02/02/as-pessoas-tem-de-estar-mentalizadas-que-a-nossa-vida-passa-a-ser-outra/ Gonçalo Lopes, Presidente da Câmara Municipal de Leiria em entrevistao ao Diário de Leiria 4 dias depois da depressão Kristin ter varrido o concelho de Leiria na madrugada de 28 de Janeiro de 2026.

EDITOR

PEDRO RODRIGUES SILVA Enfermeiro VMER/TIP
Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algar ve

RESUSCITATION COUNCIL UK

O Conselho de Ressuscitação do Reino Unido promove a educação, formação e investigação em reanimação cardiopulmonar (RCP). Desenvolve diretrizes baseadas na evidência, que influenciam políticas, com vista a conseguir melhorar a

sobrevida após paragem cardiorrespiratória. Aposta na formação contínua, fornecendo recursos de aprendizagem, quer a profissionais de saúde, quer ao público em geral, com o objetivo final de salvar vidas

https://www.resus.org.uk/

LIFESAVER

Lifesaver® é um produto inovador de aprendizagem, do Conselho de Reanimação do Reino Unido (resuscitation Council UK). São apresentados cenários interativos

em vídeo, repletos de ação, incitando tomadas de decisão cruciais, e orientadas pela evidência sobre ressuscitação cardiopulmonar (RCP)

https://life-saver.org.uk/

BRUNO SANTOS Médico VMER
EDITOR

Nesta edição destacamos duas aplicações que nos podem acompanhar desde o primeiro contacto com o doente crítico

ESC POCKET GUIDELINES

ERC GUIDELINES

até à tomada de decisão baseada em guidelines europeias atualizadas

Versão de“bolso” das diretrizes da European Society of Cardiology, organizada para consulta. Esta app inclui recomendações compactas sobre tromboembolismo pulmonar, crises hipertensivas, síndromes coronários agudos e outras emergências cardiovasculares.

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.esccardio. escpocketguidelines

Guia móvel oficial das recomendações europeias sobre reanimação cardiovascular. Esta app reúne, de forma clara e acessível, os algoritmos de Suporte Básico e Avançado de Vida, fluxogramas de paragem cardiorrespiratória, orientações sobre desfibrilhação, cuidados pósreanimação e gestão da via aérea

https://play.google.com/store/apps/details?id=edu.erc.guidelines

EDITOR

PEDRO LOPES SILVA Enfermeiro VMER Heli INEM

SUGESTÕES DE LEITURA

European Resuscitation Council Guidelines 2025 Special Circumstances in Resuscitation

https://www.resuscitationjournal.com/article/S0300-9572(25)00265-5/fulltext

European Resuscitation Council Guidelines 2025 Special Circumstances in Resuscitation, Lott, Carsten et al. Resuscitation, Volume 215, 110753

European Resuscitation Council Guidelines 2025 Ethics in Resuscitation

https://www.resuscitationjournal.com/article/S0300-9572(25)00246-1/fulltext

European Resuscitation Council Guidelines 2025 Ethics in Resuscitation, Raffay, ViolettaKihlbom, Ulrik et al. Resuscitation, Volume 215, 110734

Prehospital Postintubation Hypotension and Survival in Severe Traumatic Brain Injury

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41264271/

Price J, Lachowycz K, Major R, et al. Prehospital Postintubation Hypotension and Survival in Severe Traumatic Brain Injury. JAMA Netw Open.2025;8(11):e2544057.

2024 American Heart Association and American Academy of Pediatrics Focused Update on Special Circumstances: Resuscitation Following Drowning: An Update to the American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care doi.org/10.1161/CIR.0000000000001274

Cameron Dezfulian, MD, FAHA, FAAP, Co-Chair, Tracy E. McCallin, MD, FAAP, Co-Chair, Joost Bierens, MD, PhD, MCPM, Cody L. Dunne, MD, Ahamed H. Idris, MD, FAHA, Andrew Kiragu, MD, FAAP, Melissa Mahgoub, PhD, Rohit P. Shenoi, MD, FAAP, David Szpilman, MD, Mark Terry, MPA, NRP, Janice A. Tijssen, MD, MSc, FAHA, Joshua M. Tobin, MD, MSc, Alexis A. Topjian, MD, MSCE, FAHA

Prehospital Interventions, Early Detection, and Their Impact on Survival Outcomes in Patients with Sepsis: A Systematic Review doi.org/10.1080/10903127.2025.2594601

Bukhari, E. M., Jurays, N. S., Alarmati, S. T., Almalki, S. N., Alsobehi, N. A., Turjoman, L., … Alsayed, A. I. (2025). Prehospital Interventions, Early Detection, and Their Impact on Survival Outcomes in Patients with Sepsis: A Systematic Review. Prehospital Emergency Care, 1–9.

Triage Accuracy and the 2015 Field Trauma Triage Criteria Update

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41490108/

Tillmann BW, Nathens AB, Guttman MP, et al. Triage Accuracy and the 2015 Field Trauma Triage Criteria Update. JAMA Netw Open. 2026;9(1):e2552092.

ANDRÉ ABÍLIO RODRIGUES Enfermeiro SIV/VMER
EDITOR

CRITÉRIOS DE PUBLICAÇÃO

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO – Novembro de 2021

1. Objectivo e âmbito

A Revista LIFESAVING (LF) é um órgão de publicação pertencente ao Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) e dedica-se à promoção da ciência médica pré-hospitalar, através de uma edição trimestral.

A LF adopta a definição de liberdade editorial descrita pela World Association of Medical Editors, que entrega ao editorchefe completa autoridade sobre o conteúdo editorial da revista. O CHUA, enquanto proprietário intelectual da LF, não interfere no processo de avaliação, selecção, programação ou edição de qualquer manuscrito, atribuindo ao editor-chefe total independência editorial.

A LF rege-se pelas normas de edição biomédica elaboradas pela International Commitee of Medical Journal Editors e do Comittee on Publication Ethics

2. Informação Geral

A LF não considera material que já foi publicado ou que se encontra a aguardar publicação em outras revistas.

As opiniões expressas e a exatidão científica dos artigos são da responsabilidade dos

respectivos autores.

A LF reserva-se o direito de publicar ou não os artigos submetidos, sem necessidade de justificação adicional.

A LF reserva-se o direito de escolher o local de publicação na revista, de acordo com o interesse da mesma, sem necessidade de justificação adicional.

A LF é uma revista gratuita, de livre acesso, disponível em https://issuu.com/lifesaving Não pode ser comercializada, sejam edições impressas ou virtuais, na parte ou no todo, sem autorização prévia do editor-chefe.

3. Direitos Editoriais

Os artigos aceites para publicação ficarão propriedade intelectual da LF, que passa a detentora dos direitos, não podendo ser reproduzidos, em parte ou no todo, sem autorização do editor-chefe.

4. Critérios de Publicação

4.1 Critérios de publicação nas rúbricas

A LF convida a comunidade científica à publicação de artigos originais em qualquer das

categorias em que se desdobra, de acordo com os seguintes critérios de publicação:

Nós Por Cá

- Âmbito: Dar a conhecer a realidade de actuação das várias equipas de acção pré-hospitalar através de revisões estatísticas da sua casuística. Dimensão: 250 palavras.

Tertúlia VMERISTA

- Âmbito: Pequenos artigos de opinião sobre um tema fraturante. Dimensão: 250 palavras.

Minuto VMER

- Âmbito: Sintetização para consulta rápida de procedimentos relevantes para a abordagem de doentes críticos. Dimensão: 1000 palavras

Fármaco Revisitado

- Âmbito: Revisão focada na aplicabilidade clínica de um fármaco usado em contexto de emergência pré-hospitalar; - Estrutura: Título; Autoresmáximo 1(primeiro nome, último nome, título, afiliação); Introdução; Formas de Apresentação e Conservação; Posologia e Modo de Administração; Farmacocinética; Farmacodinâmica; Indicações

Terapêuticas; Contra-indicações; Efeitos Adversos e Interações medicamentosas; Take Home Messages; Referências

- Dimensão: até 1200 palavras (excluindo referências); até 10 referências

- Iconografia: deverá ser enviada uma imagem/fotografia associada ao tema da rubrica (em formato JPEG com resolução original)

Journal Club

- Âmbito: Apresentação de artigos científicos pertinentes relacionados com a área da urgência e emergência médica pré-hospitalar e hospitalar. Dimensão: 500 palavras

Nós e os Outros

- Âmbito: Apresentação de artigos científicos ou artigos de opinião sobre a actuação de equipas de emergência préhospitalar não médicas. Dimensão: 1000 palavras

Ética e Deontologia

- Âmbito: Apresentação de artigos científicos ou artigos de opinião sobre questões éticas desafiantes no ambiente pré-hospitalar. Dimensão: 1000 palavras

Legislação

- Âmbito: Enquadramento jurídico das diversas situações com que se deparam os profissionais de emergência médica. Dimensão: 500 palavras

O que fazer em caso de...

- Âmbito: Informação resumida mas de elevada qualidade para leigos em questões de emergência.

Dimensão: 500 palavras.

Mitos Urbanos

- Âmbito: Investigar, questionar e esclarecer questões pertinentes, dúvidas e controvérsias na prática diária da emergência médica. Dimensão: 1000 palavras.

Cuidar de Nós

- Âmbito: Diferentes temáticas, desde psicologia, emocional, metabólico, físico, laser, sempre a pensar no auto cuidado e bem estar do profissional. Dimensão: 500 palavras.

Infosaving: a Rúbrica de Infografias da Lifesaving - Âmbito: Apresentação de tema com relevância para o contexto pré-hospitalar e doente crítico através de mnemónicas, esquemas gráficos, auxiliares de memória visuais e algoritmos.

- Formato: Título, Autores (primeiro e último nome, categoria profissional e afiliação), Imagem com alta resolução em formato JPEG ou PDF, Referências bibliográficas.

Pedacinho de Nós

- Âmbito: Dar a conhecer os profissionais das equipas de emergência pré-hospitalar. Dimensão: 400 palavras.

Tesourinhos VMERISTAS

- Âmbito: Divulgação de situações caricatas, no sentido positivo e negativo, da nossa experiência enquanto VMERistas. Dimensão: 250 palavras

Congressos Nacionais e Internacionais

- Âmbito: Divulgação de eventos na área da Emergência Médica. Di-mensão: 250 palavras.

Best Links/ Best Apps de Emergência Pré-hospitalar

- Âmbito: Divulgação de aplicações e sítios na internet de emergência médica pré-hospitalar -Dimensão: 250 palavras

Cartas ao Editor

- Objetivo: comentário/exposição referente a um artigo publicado nas últimas 4 edições da revista promovendo a discussão e visão crítica. Poderão ainda ser enviados observações, casuísticas particularmente interessantes de temáticas atuais que os autores desejem apresentar aos leitores de forma concisa.

- Instruções para os autores:

1. O corpo do artigo não deve ser subdividido; sem necessidade de resumo ou palavras-chave.

2. Deve contemplar entre 500 a 1000 palavras, excluindo referências, tabelas e figuras.

3. Apenas será aceite 1 figura e/ou 1 tabela.

4. Não serão aceites mais de 5 referências bibliográficas. Devendo cumprir as normas instituídas para revista.

5. Número máximo de autores são 4.

Instantâneos em Emergência Médica

- Âmbito: Fotografias em contexto pré-hospitalar, contextualizadas nas diversas áreas da Emergência.

- Formato: Título; Autores –

(primeiro nome, último nome, título, categoria profissionalopcional); imagem em formato JPEG com resolução original); Legenda explicativa com breve enquadramento ou breve comentário acerca do sentido da imagem para o Autor. – máx. 100 palavras.

É de a responsabilidade dos autores respeitar a POLITICA DE PRIVACIDADE, De acordo com o art. º13.º do Regulamento Europeu de Proteção de Dados Pessoais Reg. UE 201/679. Os Autores são responsáveis por respeitar e obter o consentimento de imagem, quando necessário ( n.º 1 do artigo 79.º do C.C).

Posters em Emergência Médica - Âmbito: Apresentação sumária de Póster científico original, sobre a temática da Emergência pré e intra-hospitalar, e do doente crítico. Dimensão: 800 a 1000 palavras. Limite de tabelas e imagens: 6

Intoxicações no pré-hospitalar - Âmbito: Revisão geral sobre determinada substância (tóxico), consequências de sobredosagem ou contacto/ consumo inadvertido ou intencional e qual a abordagem em contexto de Emergência Médica Pré-hospitalar. Formato: Título; Autores; palavra (s)-chave; 1 ou 2 imagens (podendo incluir gráficos e/ou tabelas devidamente legendados); 500 a 1000 palavras; Agradecimentos; Referências bibliográficas

4.2 Critérios gerais de publicação

O trabalho a publicar deverá ter no máximo 120 referências. Deverá ter no máximo 6 tabelas/ figuras devidamente legendadas e referenciadas.

O trabalho a publicar deve ser acompanhado de no máximo 10 palavras-chave representativas. No que concerne a tabelas/ figuras já publicadas é necessário a autorização de publicação por parte do detentor do copyright (autor ou editor). Os ficheiros deverão ser submetidos em alta resolução, 800 dpi mínimo para gráficos e 300 dpi mínimo para fotografias em formato JPEG (.Jpg), PDF (.pdf). As tabelas/figuras devem ser numeradas na ordem em que ocorrem no texto e enumeradas em numeração árabe e identificação.

No que concerne a trabalhos científicos que usem bases de

dados de doentes de instituições é necessário fazer acompanhar o material a publicar do consentimento da comissão de ética da respectiva instituição. As submissões deverão ser encaminhadas para o e-mail: revistalifesaving@gmail.com

5. Referências

Os autores são responsáveis pelo rigor das suas referências bibliográficas e pela sua correta citação no texto. Deverão ser sempre citadas as fontes originais publicadas. A citação deve ser registada empregando a Norma de Vancouver

Estatuto Editorial

A Revista LIFESAVING é uma publicação científica e técnica, na área da emergência médica, difundida em formato digital, com periodicidade trimestral.

Trata-se de um projeto inovador empreendido pela Equipa de Médicos e Enfermeiros das Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) de Faro e de Albufeira, pertencentes ao Centro Hospitalar Universitário do Algarve, e que resultou da intenção estratégica de complementar o Plano de formação contínua da Equipa.

A designação “Lifesaving”, que identifica a publicação, é bem conhecida por todos os profissionais que trabalham na área da emergência médica, e literalmente traduz o desígnio da nobre missão que todos desempenham junto de quem precisa de socorro – “salvar vidas”.

Esta Publicação inovadora, compromete-se a abraçar um domínio editorial pouco explorado no nosso país, com conteúdos amplamente dirigidos a todos os profissionais que manifestam interesse na área da emergência médica. Através de um verdadeiro trabalho de Equipa dos vários Editores da LIFESAVING, e

aproveitando a sua larga experiência em Emergência Médica, foi estabelecido o compromisso de apresentar em cada número publicado, conteúdos e rubricas de elevada relevância cientifica e técnica no domínio da emergência médica. Por outro lado, este valioso instrumento de comunicação promoverá a partilha das ideias e conhecimentos, de forma completa, rigorosa e assertiva.

Proprietário: Centro Hospitalar Universitário do Algarve, E.P.E.

NIPC: 510 745 997

Morada: Rua Leão Penedo, 8000-386 Faro

N.º de registo na ERC: 127037

Diretor: Dr. Bruno Santos

Editor-Chefe: Dr. Bruno Santos

Morada: Rua Leão Penedo, 8000-386 Faro

Sede da redação: Rua Leão Penedo, 8000-386 Faro

Periodicidade: trimestral

TIPO DE CONTEÚDOS

Esta publicação periódica pretende ser uma compilação completa de uma seleção de matérias científicas e técnicas atualizadas, incluídas em grande diversidade de Rubricas, incluindo: – “Nós Por Cá” – Âmbito: Dar a conhecer a realidade de atuação das várias equipas de ação pré-hospitalar através de revisões estatísticas da sua casuística. Poderá incluir também a descrição sumária de atividades, práticas ou procedimentos desenvolvidos localmente, na área da emergência médica – Dimensão: 500 palavras; – “Tertúlia VMERISTA” – Âmbito: Pequenos artigos de opinião sobre um tema fraturante – Dimensão: 250 palavras;

– “Minuto VMER” – Âmbito: Sintetização para consulta rápida de procedimentos relevantes para a abordagem de doentes críticos, ou de aspetos práticos relacionados com Equipamentos utlizados no dia-à-dia. Dimensão: 1000 palavras; – “Fármaco Revisitado” – Âmbito: Revisão breve de um fármaco usado em emergência pré-hospitalar, ou que poderia ser uma mais valia a sua implementação na carga VMER.

– Dimensão: 500 palavras;

– “Journal Club” – Âmbito: Apresentação de artigos científicos pertinentes relacionados com a área da urgência e emergência médica pré-hospitalar e hospitalar. -Dimensão: 500 palavras; – “Nós e os Outros” – Âmbito: Apresentação de artigos científicos ou artigos de opinião sobre a atuação de equipas de emergência préhospitalar não médicas. -Dimensão: 1000 palavras;

– “Ética e Deontologia” – Âmbito: Apresentação de artigos científicos ou artigos de opinião sobre questões éticas desafiantes no ambiente pré-hospitalar. -Dimensão: 500 palavras;

– “Legislação” – Âmbito: Enquadramento jurídico das diversas situações com que se deparam os profissionais de emergência médica.

– Dimensão: 500 palavras;

– “O que fazer em caso de…” –Âmbito: Informação resumida, mas de elevada qualidade, para leitores não ligados à área da saúde, ou da emergência médica -Dimensão: 500 palavras;

– “Mitos Urbanos” – Âmbito: Investigar, questionar e esclarecer questões pertinentes, dúvidas e controvérsias na prática diária da emergência médica. -Dimensão: 1000 palavras;

– “Cuidar de Nós” – Âmbito: Discussão de diferentes temáticas, de caráter psicológico, emocional, metabólico, físico, recreativo, centradas no autocuidado e bem estar do profissional da emergência. -Dimensão: 500 palavras;

– “Pedacinho de Nós” – Âmbito: Dar a conhecer, em modo de entrevista, os profissionais da Equipa das VMER de Faro e Albufeira ou outros Elementos colaboradores editoriais da LIFESAVING. – Dimensão: 500 palavras;

– “Vozes da Emergência” – Âmbito: Apresentar as Equipas Nacionais que desenvolvem trabalho na Emergência Médica, dando relevância a especificidade locais e revelando diferentes realidades. – Dimensão 500 palavras;

– “Emergência Global” – Âmbito: publicação de artigos de autores internacionais, que poderão ser artigos científicos originais, artigos de opinião, casos clínicos ou entrevistas, pretendendo-se divulgar experiências enriquecedoras, além fronteiras;

– “Tesourinhos VMERISTAS” –Âmbito: Divulgação de situações caricatas, no sentido positivo e negativo, da experiência dos Profissionais da VMER. – Dimensão: 250 palavras;

– “Congressos Nacionais e Internacionais” – Âmbito: Divulgação de eventos na área da Emergência Médica – Dimensão: 250 palavras; palavras;

– “Best Links/ Best Apps de Emergência Pré-hospitalar” –Âmbito: Divulgação de aplicações e sítios na internet de emergência médica pré-hospitalar -Dimensão: 250 palavras

PREVISÃO DO NÚMERO DE PÁGINAS: 50;

TIRAGEM: – não aplicável para a publicação eletrónica, não impressa em papel.

ONDE PODERÁ SER

CONSULTADA:

Pode ser consultada no site do CHUAlgarve, no setor “Comunicação”, no domínio http:// www.chualgarve.min-saude.pt/ lifesaving/, e adquirida gratuitamente por subscrição nesse mesmo site. Não dispomos ainda de um site oficial para organização dos nossos conteúdos, de modo que atualmente todas as Edições estão a ser arquivadas no Repositório Internacional ISSUU, onde poderão ser consultadas gratuitamente (https://issuu.com/lifesaving). Marcamos presença ainda noutras plataformas de divulgação (Facebook, Instagram, Twiter e Youtube).

DIVULGAÇÃO DA LIFESAVING:

A LIFESAVING será difundida no site do Centro Hospitalar do Algarve (no setor média e imagem), e sua Intranet, com possibilidade da sua subscrição para receção trimestral via e-mail. Inserida on-line no repositório de publicações ISSUU, adquirindo um aspeto gráfico otimizado para tornar a leitura ainda mais agradável.

Será também difundida na página de Facebook da VMER de Faro, página própria com o nome LIFESAVING.

N.º 1 do art.º 17.º da Lei de Imprensa: Garanta de liberdade de imprensa:

1 - É garantida a liberdade de imprensa, nos termos da Constituição e da lei.

2 - A liberdade de imprensa abrange o direito de informar, de se informar e de ser informado, sem impedimentos nem discriminações.

3 - O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura

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