Page 1

ANO V – MARÇO 2020 - #09

SOUK MOTEL Tatiana Salviano Wanderson Schmidt FACULDADE CESUMAR (CURITIBA - PR)

CENTRO CULTURAL CERVEAU Jocemara Carminatti Maria Eduarda Olinger FURB (BLUMENAU - SC)

CENTRO DE APOIO AO PRODUTOR RURAL E AGROINDÚSTRIA DE RIZICULTURA Deivid Ferreira PUCRS (PORTO ALEGRE - RS)

UM OLHAR SOBRE A GRIFE BALMAIN PROJETO CENOGRÁFICO Catharine Luzie Lopes Do Nascimento CENTRO UNIVERSITÁRIO SENAC SANTO AMARO (SÃO PAULO - SP)

MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA MACRS (NOVA SEDE) Karoline Fernandes Pacheco UNISINOS (SÃO LEOPOLDO – RS)

1


2


MARÇO 2020 - #09 PROJETOS

06

SOUK MOTEL ALUNOS TATIANA SALVIANO | WANDERSON SCHMIDT PROFESSORA TATIANE INGRID NUNES FACULDADE CESUMAR (CURITIBA - PR)

24

CENTRO CULTURAL CERVEAU ALUNAS JOCEMARA CARMINATTI | MARIA EDUARDA OLINGER PROFESSOR CHRISTIAN KRAMBECK FURB (BLUMENAU - SC)

38

CENTRO DE APOIO AO PRODUTOR RURAL E AGROINDÚSTRIA DE RIZICULTURA ALUNO DEIVID FERREIRA PROFESSORA CRISTIANA BRODT BERSANO PUCRS (PORTO ALEGRE - RS)

50

UM OLHAR SOBRE A GRIFE BALMAIN PROJETO CENOGRÁFICO ALUNA CATHARINE LUZIE LOPES DO NASCIMENTO PROFESSOR DR. NELSON JOSÉ URSSI CENTRO UNIVERSITÁRIO SENAC SANTO AMARO (SÃO PAULO - SP)

68

MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA MACRS (NOVA SEDE) ALUNA KAROLINE FERNANDES PACHECO PROFESSORA LUCIANE KINSEL UNISINOS (SÃO LEOPOLDO - RS)

3


4


LEIA, COMPARTILHE, ENSINE “Quando compartilhamos nosso processo criativo, nossos desafios e decisões de projeto, a obra ganha sentido... ganha um outro sentido.” Não cursamos a faculdade para apenas receber um conhecimento vindo dos nossos professores e mestres. A faculdade nos capacita para nos tornarmos geradores de conhecimento. Ao encararmos um novo projeto, estamos prestes a despertar uma nova habilidade, estimulada pela orientação dos professores. Ela nos capacitará a resolver a questão que nos é apresentada mediante estudo, reflexão, horas e horas de muitos rascunhos e pesquisas. Durante o percurso, descobrimos uma série de técnicas diferentes, estratégias utilizadas em casos semelhantes e problemas que não estavam previstos. No final, o projeto será apenas uma parcela de todo o conhecimento que agora possuímos. A habilidade de resolver

determinado problema arquitetônico não é apenas a repetição de uma mesma estratégia sempre que ele se apresentar, mas saber que existem muitas soluções para o mesmo problema e saber selecionar aquela que melhor se adapta ao contexto. No final, seja qual for o nosso desempenho, sempre aprendemos quando nos propomos o desafio de projetar. Se todos têm algo a ensinar, todo o projeto reflete uma parcela do conhecimento de seu arquiteto. Quando falamos sobre nosso processo criativo, sobre as estratégias, sobre a composição arquitetônica, além de ensinar estamos aprendendo ao encarar novamente aquele desafio sob uma nova perspectiva. Estamos aprendendo novamente.

GENOA MAQUETES ELETRÔNICAS _______________________________ E-mail genoa-arq@outlook.com Instagram #genoaestudantes Facebook Website

Todo o projeto tem algo a ensinar...

PORTFOLIO _______________________________

Bem vindos à revista Genoa.estudantes!

https://flic.kr/s/aHskGiTE3D

5


PROJETO ALUNOS TATIANA SALVIANO | WANDERSON SCHMIDT PROFESSORA TATIANE INGRID NUNES FACULDADE CESUMAR (CURITIBA - PR)

SOUK MOTEL

6


A proposta para a disciplina de Atelier de Arquitetura Média Complexidade, da Faculdade Cesumar, de Curitiba (PR), era a criação de um motel voltado para o mercado de alto padrão. O projeto deveria contar com 30 suítes de luxo, com vagas para 02 carros pelo menos, configuradas como triplex para garantir espaço suficiente para atender esse público específico. Com esse desafio nas mãos, os estudantes Tatiana Salviano e Wanderson Schmidt, orientados pela Professora Tatiane Ingrid Nunes, criaram o Souk Motel.

reta cujo o trajeto circunda todo o complexo, direcionando cada veículo para uma das suítes. A saída ocorre da mesma maneira, perpendicular ao acesso e oblíqua à rodovia. Um segundo acesso foi colocado mais adiante para os funcionários e a logística do hotel e conta com estacionamento para funcionários e bicicletário. Na cobertura do edifício principal ainda há 03 pistas para helicóptero para atender a demanda do público com maior poder aquisitivo que é o foco do projeto. Próximo a esse estacionamento, Tatiana e Wanderson criaram edificações menores para o setores de serviço, com vestiários, lavanderias, copeiras, depósitos e estoque. Seguindo pelo passeio, está o setor administrativo, composto de recepção, sala de reuniões, sala de administração e sala da gerência. Nessa mesma área, um pouco mais adiante, estão áreas de uso comum dos hóspedes do hotel, como o lounge gourmet, o bar e a cozinha.

O nome Souk Motel é uma referência aos mercados de ouro no Oriente Médio. Esse conceito permeia o projeto. Um hotel é um tipo de empreendimento que precisa funcionar como um mecanismo muito eficiente, desde a chegada do hóspede, seus trajetos pelas dependências do hotel até sua saída. O serviço de quarto, a entrada e saída das camareiras, tudo precisa ser bem planejado para que a movimentação seja quase imperceptível.

O tratamento paisagístico do Souk Hotel conta com palmeiras altas ao longo dos seus trajetos e canteiros. O centro do jardim, que articula todas as edificações possui fontes e piscinas circulares, que lembram os oásis do deserto. As

O acesso ao hotel é oblíquo 45º em relação à rodovia e marcado com uma grande cobertura ondulada branca. O partido acompanha essa

7

mesmas fontes são foram colocadas no canto oposto, dentro da área não edificável, onde também há pergolados e mesas que determinam uma área de permanência e lazer. Para as 30 suítes triplex do hotel há três tipos de configurações, duas das quais com piscina, localizadas no bloco principal. As garagens, com vagas para dois veículos, possuem 54,40 m². Todas as suítes possuem escada circular e elevador privativo. O segundo pavimento é dedicado à uma ampla área de banho de 51,75m², com hidromassagem e uma área fechada para o toalete. O terceiro pavimento, também com 51,75m² é dedicado ao dormitório suíte com lavabo. Nos apartamentos com piscina, o maior uma área com pé direito duplo medindo 45,77 m². Já o modelos com menor piscina apresenta esse mesmo espaço com área de 33,64m². Nas fachadas do Souk Motel chama a atenção as superfícies em aço corten, presentes também no muro. As fachadas das suítes são em vidro fosco, para garantir a privacidade ao mesmo tempo que banha os ambientes em luz natural. Os brises, referências às estrelas do deserto da Arábia, sobressaem da fachada em com seus tons dourados.


8


9


10


11


12


13


14


15


16


17


18


TATIANA SALVIANO _______________________________

WANDERSON SCHMIDT _______________________________

E-mail

E-mail

tatiana_salviano@hotmail.com

wandersonschmidt.arquitetura@gmail.com

Instagram

Instagram

@tatiana_salviano

@wanderson.schmidt

Facebook

Facebook

PORTFOLIO _________________________________________________________________ https://hopohome.pb.design/ wandersonschmidt.pb.design

19


ENTREVISTA É comum em cada disciplina de projeto que no início os professores façam exposições sobre a tipologia do empreendimento, apresentem referências de projetos similares pelo mundo, entre outros pontos de acordo com o programa a ser desenvolvido e, em seguida, comecem a assessorar os alunos no desenvolvimento dos projetos. Contem nos um pouco sobre a disciplina Ateliê de Arquitetura Média Complexidade, da Faculdade Cesumar de Curitiba. Como eram as aulas? Quais a referências e conteúdos novos dentro do curso foram estudados? Nesta disciplina, a Faculdade Cesumar de Curitiba, estimula o aluno a realizar uma leitura espacial mais generalista. Durante o ano letivo, foram realizados 3 projetos de média para alta complexidade. No 1° e 2° Bimestre, realizamos um projeto de um complexo cultural e esportivo. Para o 3° Bimestre uma EAS Estabelecimento Assistencial de Saúde, mais especificamente uma UPA de porte 3. Por fim, no 4° Bimestre, foi sugerido pela professora da disciplina um tema mais descontraído, elencado então, o tema motel. Como a disciplina segue um calendário anual, geralmente realizamos projetos por bimestre, pois é a periodicidade em que os ciclos parciais se encerram. Durante todo o ano, é abordado em aula, preceitos de projeto que incentivam uma visão generalista, mas

sempre trabalhando a especificidade de cada projeto. Por se tratarem de projetos de média complexidade, ao longo da disciplina a Professora Tatiane realizou diversos seminários, convidando profissionais especialistas para ministrar uma aula especial e orientar sobre recomendações técnicas pertinentes a cada tema.

o trabalho ou não estiveram envolvidas no processo. Sendo a primeira vez no curso de arquitetura que vocês desenvolveram um projeto para o mercado de luxo, quais foram os principais desafios encontrados e quais foram as principais diferenças na forma de projetar o Souk Motel e os projetos das disciplinas anteriores?

Ao longo do processo projetual é realizado estudos de viabilidade, organogramas, fluxogramas, painéis semânticos e diagramas. Porém, não são itens de entrega final, eles são apresentados durante as assessorias individuais à professora, configurando como justificativa projetual ao longo das orientações. Ao final do ciclo, é realizado uma banca examinadora dos projetos, onde professores do curso de Arquitetura e Urbanismo de outras instituições participam e nos avaliam, parte da nota é composta pelas avaliações dos professores convidados e a outra parte, composta pelo checklist realizado pela professora da disciplina durante as assessorias. Os professores da Cesumar de Curitiba adotam esta forma de avaliação, pois acreditam que isso estimula a defesa do projeto por parte dos alunos do curso, desenvolvendo não só habilidades necessárias para projetar, mas também para justificar e apresentar à pessoas que não conhecem

Para o projeto do motel não havia uma obrigatoriedade quanto ao tema, diversos colegas abordaram outras leituras. Nós optamos por trabalhar coma temática do luxo, por acreditar que existe um amplo mercado no cenário arquitetônico para esta esfera. Como a temática luxuosa envolve um ´´mundo de glamour``, procuramos estudar o comportamento dos usuários que consomem este tipo de serviço, e basicamente, a maioria deste público opta por consumir produtos ou serviços exclusivos, que remetem ou mensurem o tamanho do seu poder aquisitivo. Se torna difícil, justamente por se tratar de uma realidade bastante distante de grande parte da população, estas referências não fazem parte do nosso cotidiano e nem estão presentes a todo momento nas nossas vidas, justamente por se tratarem de espaços com acesso mais restrito e com caráter mais elitista. Não se trata de uma crítica, apenas uma constatação dos panoramas que fomentam o setor. Para trazer uma proposta que

20

houvesse aderência com o tema, modo de consumo e, refletisse o comportamento do usuário, trouxemos para a decoração das suítes temáticas a proposta de marcas de luxo, categorizando as suítes de acordo com o ranking das marcas mais luxuosas do mundo. Cada unidade correspondia uma determinada marca, com a proposta de estabelecer o valor do espaço a partir da posição de sua respectiva marca no ranking. O projeto de interiores foi tratado em outra disciplina, Ateliê de Design, que durante o 4° Bimestre teve suas atividades integradas com a disciplina Ateliê de Arquitetura Média Complexidade. Vocês escolheram um conceito muito bonito explorando o contexto árabe. O nome Souk Motel sendo uma referência aos mercados de ouro do Oriente Médio. Os brises fazendo alusão às noites estreladas do deserto. Contem-nos um pouco sobre como surgiu a inspiração para esse conceito. A arquitetura contemporânea que vem sendo difundida por grandes empreendimentos de luxo no Oriente Médio sem dúvida é uma grande inspiração para nós. Escritórios como Zaha Hadid Architects, Grimshaw Architects e Aedas International Architects produziram grandes projetos que sem dúvida, tiveram papel fundamental como referência projetual e


estética. Um deles é o Al Bahar Towers, em Abu Dhabi, do escritório Aedas, seus brises dinâmicos em forma estrelada, nos inspiraram no desenvolvimento dos brises do Souk Motel, onde procuramos iluminá-los com led, para realmente remeter a estrelas em meio uma noite no deserto. Outro aspecto que chama a atenção no projeto é o paisagismo. As duas fontes circulares, juntamente com as altas palmeiras, remetem a uma imagem de oásis em meio às areias no deserto. O partido, como vocês comentaram, faz referência a Dubai. Falem um pouco sobre as referências arquitetônicas e paisagísticas que vocês analisaram e sobre as lições de composição que elas

ensinaram que contribuíram para melhorar seu processo compositivo.

dicas que vocês podem deixar para os colegas de arquitetura para serem bem sucedidos em seus projetos?

Sob a luz das referências islâmicas, os Jardins do Oriente Médio possuem um papel de remeter ao paraíso na terra. Nós adotamos este partido, estabelecendo como premissa trabalhar a composição de cores que remetesse a experiência de mosaico. Assim como podemos vislumbrar em muitas mesquitas. Adotamos formas orgânicas nos lagos, fazendo alusão às cúpulas dos templos islâmicos e aos lagos paradisíacos retratados nas literaturas que retratam a riqueza do oriente médio.

Um projeto de arquitetura de motel estimula bastante nosso imaginário, sem dúvida é uma proposta enriquecera e desafiadora. Neste projeto pudemos experimentar da narrativa da fantasia envolta sob o glamour e o grande poder aquisitivo. Projetos de luxo não são trabalhos presente no portfólio da maioria dos profissionais, principalmente por se tratar de trabalhos exclusivos e trabalhar com orçamentos inimagináveis à grande parcela da população. Sem dúvida, é um mercado que possui grande potencial, mas exige do profissional uma imersão em um mundo que muitas vezes não é o seu, cabendo

Após todo o trabalho no Souk Motel, quais foram as grandes lições que vocês aprenderam e quais são as

21

ao profissional estudar muito, desde padrões de comportamento, tecnologias de última geração e materiais raros. Pois se um arquiteto não estiver preparado para lidar com um produto complexo, pode gerar um prejuízo sem precedentes ao seu cliente e comprometer muito a sua carreira. Foi interessante experimentar esta temática, trazendo uma leve aproximação do que poderia ser trabalhado num projeto real. Se você, estudante de arquitetura, deseja entrar neste mercado após formado, recomendamos que inicie essa aproximação desde a faculdade, pois aí é a hora de errar e aprender com o erro, sem medo dos prejuízos.


PUBLIQUE SEU PROJETO Acreditamos que todo o projeto tem algo a ensinar. Aquele primeiro projeto da faculdade, simples, desenhado a mão. Ou então aqueles projetos de disciplinas técnicas, como projeto estrutural ou hidrossanitário, onde o mais importante é cumprir a tarefa primeiro e, se sobrar um tempinho, buscar uma representação e uma arquitetura mais conceitual. Até finalmente o trabalho final da graduação, com toda a sua pesquisa teórica, detalhamentos e mais detalhamentos, assessoramentos, imagens 3D, maquetes e a apresentação para a banca examinadora. Cada etapa da faculdade nos traz desafios. Superar cada um deles nos traz grandes lições para a vida de arquiteto. Quando compartilhamos essas lições estamos dando a oportunidade a muitos estudantes de conhecer a nossa faculdade, as especificidades da nossa região e promover o nosso trabalho e a nossa paixão.

Curta nossa página no Facebook e acompanhe as publicações para ficar por dentro quando o próximo processo seletivo começar.

facebook 22


23


PROJETO ALUNAS JOCEMARA CARMINATTI | MARIA EDUARDA OLINGER PROFESSOR CHRISTIAN KRAMBECK FURB (BLUMENAU - SC)

CENTRO CULTURAL CERVEAU

24


O Centro Cultural Cerveau tem como objetivo criar um local de convivência, de permanência e lazer, numa área localizada entre o Campus 2 da FURB e o Centro de Inovação, em Blumenau (SC), uma área muito movimentada e que carece desse tipo de espaço. Maria Eduarda Olinger e Jocemara Carminatti, autoras do projeto, relembram esse papel importante da arquitetura através das palavras da arquiteta Lina Bo Bardi: “comer, sentar, falar, andar, ficar sentado tomando um pouquinho de sol… A arquitetura não é somente uma utopia, mas um meio para alcançar certos resultados coletivos. A cultura como convívio, livre escolha, liberdade de encontros e reuniões.” As estudantes, orientadas pelo Professor Christian Krambeck em Ateliê V, buscando a integração entre FURB, Centro de Inovação e a rua, trabalharam como conceito o cérebro e sua forma orgânica e fluida de integrar lógica e criatividade. A ideia é dividir os espaços sem uma segregação entre eles. Todos os espaços são

abertos e conectados, com circulações fluidas e orgânicas. O centro cultural é todo aberto para ser convidativo para as pessoas, trazendo-as para um local onde possam permanecer e ter experimentações, com oficinas, espaços para reunião e trabalho, estudo e descanso.

experimentações artísticas. No centro, salas de estudos para cursos diversos, como idiomas e softwares. A biblioteca, logo ao lado, um pouco mais afastada do barulho do trânsito de veículos, oferece a chance de qualquer um poder pegar livros emprestados ou ler ali mesmo, aproveitando o mobiliário que une banco e estantes. O espaço kids, para que as crianças possam participar de atividades infantis. E, por fim, os sanitários, que ajudam os demais ambientes a ter um distanciamento da rua.

A divisão entre a lógica e criatividade ocorre entre os pavimento térreo e superior. O térreo é destinado às atividades criativas enquanto o pavimento superior e reservado para as atividades racionais. Ambos são conectados através de rampas na parte frontal e superior da edificação.

Assim como o térreo, o pavimento superior mantém a mesma fluidez, no entanto com um pouco mais de privacidade devido às paredes, visto que as atividades ali realizadas exigem um pouco mais de concentração e introspecção. Há duas áreas de escritório próximas às rampas, onde as pessoas podem aproveitar para trabalho, reunião ou estudo. Os demais espaços abertos servem para circulação e as áreas de exposição dos trabalhos realizados nas oficinas e ateliês ou pesquisas tecnológicas da FURB e do Centro de Inovação. Além disso,

A fluidez da planta do térreo, o criativo, juntamente com a ausência de limites visuais como as paredes integra perfeitamente o centro cultural à rotina das pessoas. Sem barreiras, mantém-se como um local de passagem. Mas suas cores e a naturalidade com que os 05 módulos criativos foram dispostos convidam para permanecer e explorar um pouco mais. Próximo da rua, o módulo das oficinas e ateliês oferecem

25

também podem ser reservados para eventos. A fachada é bem destacada com cores vivas e contorno que dão o tom lúdico do Centro Cultural Cerveau. Ela evidencia as funções cerebrais, tanto criativas quanto lógicas, realizadas nos núcleos que ela protege, ou seja, as oficinas, salas de estudos, biblioteca, no térreo, e os escritórios, no pavimento superior, bem como proporcionam um passeio interessante para quem caminhas pelas rampas que conectam ambos. A cobertura, uma laje ondulada e lisa protendida, capaz de suportar grandes vãos mantendo a leveza visual, é sustentada por pilares redondos de concreto. Para as áreas fechadas foram utilizados tijolos cerâmicos, enquanto os núcleos, para manter a permeabilidade visual, foram fechados com cortinas de vidro. Aos fundos do terreno há uma massa de área verde com vegetação preservada. Seguindo a topografia original, foi implantada uma escada que serve tanto como arquibancada quanto área de descanso.


26


27


28


29


30


31


32


JOCEMARA CARMINATTI _______________________________

MARIA EDUARDA OLINGER _______________________________

E-mail

E-mail

jocemara.car99@gmail.com

olingermariaeduarda@gmail.com

Instagram

Instagram

@jjocis

@mariaemconstrucao

PORTFOLIO _______________________________ www.behance.net/meolinger

33


ENTREVISTA É muito legal conhecer a metodologia das diferentes universidades do nosso país para entender a forma de ensino da arquitetura. Contem-nos um pouco como eram as aulas em Ateliê V, na FURB? Como foi o processo que o professor Christian Krambeck desenvolveu com a turma? O que vocês mais gostaram nas aulas? Durante o semestre de Ateliê V passamos por 3 etapas de projeto: embasamento teórico/conceitual, análise da área e percepção, estudo preliminar e partido geral e anteprojeto. Nestas etapas, analisamos e estudamos a área do projeto por meio de maquetes 3D, maquetes físicas e recursos históricos, além da percepção local da vivência do entorno. Deste modo, partimos para o desenvolvimento do estudo preliminar e partido geral, com o objetivo de desenvolver um equipamento multiuso de atratividade e interação entre a comunidade acadêmica, ecossistema de inovação, centro e distrito de inovação e sociedade em geral - facilitadores de interação social, vitalidade, lazer, cultura, gastronomia, fruição e ócio. Essa etapa foi chave para o resultado do anteprojeto, onde desenvolvemos o conceito, a implantação e o plano de necessidades, os quais foram sendo moldados a partir dos assessoramentos com croquis e maquetes. O melhor das aulas foi o modo como lidamos com a criação

do projeto, desenvolvemos muitas coisas em croquis a mão, o que desperta uma criatividade livre que direciona nosso cérebro ao resultado desejado, e a leveza com que os assessoramentos e as melhorias em cada etapa foram feitos.

reuniões, trabalho, estudo e descanso. A forma como a ideia de cérebro foi desenvolvida, setorizando o projeto em lógica e criatividade, mostra um bom domínio da ferramenta do conceito. Esse domínio pode ser aprendido analisando boas referências, bem como a forma de pensar dos arquitetos que as desenharam. Falem um pouco sobre as referências arquitetônicas que vocês estudaram para compor o Centro Cultural. Quais foram elas e o que de legal vocês aprenderam ao se aprofundar no seu estudo?

O conceito, principalmente para estudantes que estão no início da faculdade, pode ser algo bem complicado de entender. Tem muito a ver com a sensibilidade, criatividade, conhecimento prévio e vivência dos autores dos projetos. Ou seja, algo que está intimamente relacionado com o processo de composição artístico. Como foi o caminho para chegar na escolha do conceito de cérebro para o projeto e a definição das diretrizes a partir dele?

Algumas de nossas referências foram: o Museu da Escrita da Coreia do Sul, pelos arquitetos e engenheiros da SAMOO, onde utilizamos como referência a parte de ir a fundo no conceito do projeto e focar no mesmo; os Escritórios Second Home em Hollywood, pelo Selgascano, pela parte da dinâmica dos lugares de trabalho com um ambiente acolhedor; além de estudos sobre o funcionamento do cérebro, de como reagimos a formas fluidas e como nos sentimos acolhidos pelas mesmas.

Desde o início do desenvolvimento do projeto tínhamos a ideia de fazer separações hierárquicas no projeto, entre os espaços criativos e lógicos, mas sem segregar os mesmos. Com isso, partimos para o formato de um cérebro onde essa divisão reflete na fluidez, fazendo uso de linhas orgânicas e conexão do projeto, a abertura dos espaços representa a liberdade e a interação, o que se torna mais convidativo para quem passa, trazendo sensação de permanência. O espaço se torna um centro de experimentações, que une pessoas de todas as idades, classes e gêneros. Conta com locais para oficinas,

Durante o desenvolvimento do projeto do Centro Cultural Cerveau, quais foram os maiores desafios que vocês tiveram que enfrentar, aqueles que proporcionaram maior aprendizado e superação? O que eles ensinaram para vocês e que vai ajudar no

34


restante da trajetória acadêmica?

Além disso, tivemos que fazer uma análise da estrutura, tanto das salas, quanto da rampa, para garantir o funcionamento do programa de necessidades. Todo o conjunto do projeto nos ajudará muito no restante da trajetória acadêmica, pois sentimos que demos um passo a mais na parte de criação e resolução do conceito.

Um grande desafio do início ao fim do projeto foi se desapegar das ferramentas tecnológicas, como os programas de computador para criação e realização do projeto. Desde o começo fizemos muitos croquis e maquetes, o que nos ajudou muito a ver o que funcionaria ou não no mesmo e nos permitiu uma liberdade criativa muito grande. No final fizemos uso dos programas para a apresentação, por meio de vídeo e imagens, e assim foi possível visualizar a real situação de como o Centro Cultural Cerveau ficaria.

Após todo o aprendizado em Ateliê V e no projeto do Centro Cultural Cerveau, quais são as dicas e conselhos que vocês podem deixar para os colegas de arquitetura?

Todas as etapas do projeto são extremamente importantes para o resultado final, desde os croquis mais básicos do início, até a representação final. Boas referências e estudos, não só em arquitetura, mas em filosofia e psicologia também nos ajudam muito a pensar e solucionar bons espaços para as pessoas. Todo projeto feito com amor e vontade pode ser um ótimo projeto, e as assessorias são extremamente importantes, mesmo nos momentos em que menos queremos assessorar, por nos sentirmos inseguros e perdidos.

Confira a análise e o vídeo de apresentação do projeto no portfólio de Maria Eduada em https://www.behance.net/gallery/88936101/CENTRO-CULTURAL-CERVEAU e https://youtu.be/iakXKYKRG_A

35


INTERCÂMBIO Um intercâmbio de estudos para as mais diferentes universidades pelo mundo. Conhecer um importante museu ou edifício no Brasil, na sua região. Percorrer ruas e avenidas de cidades históricas. Cidades com belas soluções de urbanismo. Passear por importantes parques e jardins. Todas essas experiências também nos ensinam a arquitetura. Afinal, o conhecimento acadêmico também nos proporciona um novo olhar para o mundo a nossa volta. Compartilhe essas experiências com os demais estudantes. Através de entrevistas e fotos, publicamos suas impressões, descobertas e dicas de viagens e passeios.

Curta nossa página no Facebook e acompanhe as publicações para ficar por dentro quando o próximo processo seletivo começar.

facebook 36


37


PROJETO ALUNO DEIVID FERREIRA PROFESSORA CRISTIANA BRODT BERSANO PUCRS (PORTO ALEGRE - RS)

CENTRO DE APOIO AO PRODUTOR RURAL E AGROINDÚSTRIA DE RIZICULTURA

38


Tivemos a chance de conhecer dois projetos de Deivid Ferreira nas edições 07 e 08 da Genoa.estudantes. Em seus trabalhos, Deivid trabalha formas puras, mostrando domínio das estruturas e uma técnica de representação gráfica simples e bonita, mesclando sketchup e photoshop. Podemos conferir essas qualidades presentes em seu projeto mais recente, justamente em TCC1, no semestre passado, orientado pela Professora Cristiana Brodt Bersano,na PUCRS: o Centro de Apoio ao Produtor Rural e Agroindústria de Rizicultura. O município de Palmares do Sul (RS) recebeu uma máquina para o beneficiamento do arroz mas não conta com um local adequado capaz de comportá-la. “O projeto visa criar uma estrutura não só para abrigar os equipamentos, mas também criar um local para todo o processo industrial, local de exposição, consumo e venda de produtos, juntamente com um ambiente institucional para que se conheça melhor a região, produto e produtores.” O projeto destina-se à agricultura familiar e, por estar localizado no rota turística do litoral norte gaúcho, busca também incentivar o turismo rural no município.

Para as análises das referências, buscando compreender as estratégias adotadas em obras bem sucedidas, Deivid trabalhou com 03 projetos. O primeiro é o Parque Eólico, em Osório (RS), em uma área rural, que exemplifica a valorização das visuais e da paisagem. Na Vinícola Luiz Argenta, em Flores da Cunha (RS), destaca-se a forma como é feita degustação dos produtos e a experimentação da vivência rural. Por sua vez, o Museu do Pão, em Ilópolis (RS), chamou a atenção do estudante pela exposição dos produtos locais e a forma como apresenta a sua linha do tempo até os dias de hoje.

pilares redondos, criando um pátio coberto. Com os grandes planos de vidro na fachada, a intenção é criar uma vitrine de exposição para a produção do arroz, tanto para quem visita o local quanto para quem trafega pela rodovia. Deivid criou duas estradas nos limites do lote para projetar os acessos e circulação de veículos ao redor do complexo. Os caminhões que abastecem o moinho acessam as docas na porção oeste, enquanto os demais veículos utilizam o estacionamento próximo aos silos na área sudeste. O acesso de visitantes é marcado por uma esplanada, com árvores de grande porte alinhadas no acesso e um espelhos d'água que destaca um monumento convidativo. A planta baixa está organizada através do eixo que se expande sudeste noroeste, composto pela área de exposição, pátio/hall e área de produção com o moinho. Toda a parte produtiva, onde também estão as docas, os depósitos e os espaços de apoio para os funcionários se articula ao redor do moinho, juntamente com a loja e o café, que favorecem a venda dos produtos diretos para os visitantes.

O terreno escolhido para a implantação do Centro é a Fazenda Pangaré, às margens da Rodovia Mercosul, na planície costeira do litoral norte. No limite sudeste há algumas edificações existentes e grandes silos de armazenamento dos grãos de arroz. Na porção Sul a noroeste, a área é limitada por estradas de chão e os campos. O partido do projeto está organizado através de um eixo central, buscando alinhamento com a rodovia e as edificações vizinhas. Reúne 03 volumes e uma cobertura translúcida sustentada por grandes

Os pavimentos superiores estão dividido em dois volumes. No lado noroeste,

39

circulando a área de produção de amplo pé direito, está o restaurante e todos os seus espaços auxiliares. Assim como a loja, sua localização também facilita a comunicação com o setor produtivo no térreo. O mirante do restaurante permite visuais para a paisagem dos campos ao sudoeste. A sala de aula a nordeste, possui mezanino e pé direito duplo. Já no volume a sudeste está o setor educacional, com as salas de aula modulares, consultoria e administração. O terceiro volume central é dedicado ao auditório, emoldurando o pátio/hall coberto juntamente com os dois volumes já comentados. Todos eles possuem cobertura verde, que auxilia no controle das temperaturas internas, contribuindo para as questões de sustentabilidade energética. A materialidade do projeto é marcada por placas de concretos e grandes superfícies de pele de vidro. A fachada principal também conta com brises para a proteção solar dos blocos retangulares das salas de aula. Todo o projeto está dentro de uma malha, tanto estrutural e compositiva, que garante também uma sobriedade e sofisticação institucional ao centro de apoio.


40


41


42


43


44


45


ENTREVISTA Temos acompanhado nas últimas edições alguns dos seus projetos de arquitetura na PUCRS, muito bem diagramados, com excelente definição de estrutura e composição. É legal poder acompanhar um pouco da sua trajetória. Agora no TCC, onde o estudante pode escolher o tema que quer desenvolver, você escolheu um tema bem diferente, como você mesmo comentou. Por que a opção por projetar um centro de apoio ao produtor rural? Você já pensava em trabalhar essa temática desde semestres passados? Chegou a cogitar temas diferentes?

DEIVID FERREIRA _______________________________

Venho do interior, sempre tive vontade de ao chegar no TCC, usar minha região como tema para o projeto final de conclusão de curso, algo que pudesse trazer algum benefício para a cidade ou para as pessoas. Onde moro é uma região produtora de arroz e toda a economia gira em torno disso, a alguns anos em conversas com amigos que são produtores, estávamos no assunto da desvalorização que o arroz teve e o encarecimento da produção, fazendo a cidade entrar em uma crise econômica, então estávamos buscando uma segunda chance pro arroz, dentro de nossas pesquisas veio a farinha do arroz e daí surgiu a ideia de fazer o TCC com essa temática.

E-mail de-ividferreira@hotmail.com Instagram @deividferreira1

A escolha do orientador no TCC é muito importante. Quais foram os seus critérios para convidar a professora

46

Cristiana Brodt Bersano? Como foram os assessoramentos e quais foi seu grande aprendizado nessas conversas? Conheci a professora Cristiana no primeiro semestre do curso, mas só conversamos melhor alguns anos depois quando estava no "Ateliê 4" onde tive a oportunidade de fazer uma viagem de estudos com ela e outros professores, sempre percebi que ela era muito divertida e apaixonada pelo que faz. Quando contei meu tema ela ficou muito empolgada e isso me motivou a convidá-la a ser minha orientadora, nossas conversas durante o processo sempre foram muito importantes, principalmente na decisão do local do terreno e posição no lote, pesquisei muito e sempre levava materiais para facilitar na orientação. Você comentou que o tema do TCC gerou muita pesquisa e conversas com os produtores rurais. Fale um pouco sobre essas conversas, que proporcionaram bastante aprendizado. Você entrou em contato com uma associação de produtores ou diretamente com as famílias? Quais foram algumas das sugestões deles? Alguma delas o surpreendeu por ser diferente das suas ideias iniciais? Como foi essa experiência de levantamento de dados em contato direto com as pessoas que se beneficiariam do seu projeto?


Como mencionei anteriormente, comecei conversando com amigos que me convidaram para participar da associação de arrozeiros, onde fizemos vários trabalhos em conjunto, um deles foi um projeto que visava o ganho de uma máquina de moagem, para a produção de farinha de arroz dentro da “agricultura familiar” e o projeto foi aceito e a região ganhou a máquina do poder público, porém sem instalações físicas para o uso, então a partir dessa problemática adaptei meu projeto. Durante o projeto já com os assessoramento às

atividades e usos foram surgindo a partir das pesquisas e relatos onde chegamos ao Centro de Apoio ao Produtor Rural e Agroindústria de Rizicultura.

gostaram, na verdade seria um sonho para eles ter um lugar, um espaço que explique e mostre todo esse processo da cultura, mostrando desde o plantio, colheita, processo de industrialização e indo até o beneficiamento do arroz. Segue o link do vídeo de divulgação que fiz para os produtores: https://www.youtube.com/ watch?v=mZ1Ogsg9WEE&t =25s

Você chegou a fazer uma apresentação do seu TCC para os produtores Rurais? Caso tenha feito, o que eles acharam? Sim, o projeto foi feito com muita conversa com os produtores ao longo do semestre onde consegui informações muito importantes e necessárias para chegar ao resultado final. Eles disseram que

Quais dicas você pode dar aos colegas de arquitetura para ajudá-los em seus TCC’s? Sobre como escolher tema, escolher o professor

orientador, pesquisa, projeto... Enfim, qualquer conselho vindo do seu aprendizado nesse desafio. O TCC é a melhor oportunidade que o estudante de arquitetura vai ter para demonstrar seu potencial e criatividade, a escolha do tema é muito pessoal, mas a sugestão sempre é buscar um tema que o estudante tenha interesse ou domínio pois ajuda a tomar decisões importantes na concepção do projeto.

Confira o vídeo sobre o projeto em https://youtu.be/mZ1Ogsg9WEE

47


INICIATIVA “A iniciativa é a chave que abre a porta da oportunidade”. Você, estudante de arquitetura, que conquistou seu primeiro estágio e está começando sua carreira profissional. Que está se engajando em uma atividade extracurricular em um projeto junto à comunidades. Que decidiu aceitar o desafio de um concurso de arquitetura ou design. Que nas horas vagas trabalha como freelancer para ajudar colegas e profissionais. Que ensina através de monitorias em sua faculdade. Que mantém um blog, um podcast, um canal do Youtube ou um perfil no Instagram onde compartilha dicas e projetos. Conte sua história, suas experiências tanto dentro como fora do contexto acadêmico. Você pode ser uma fonte de inspiração e referência para muitos colegas de arquitetura. Curta nossa página no Facebook e acompanhe as publicações para ficar por dentro quando o próximo processo seletivo começar.

facebook 48


49


PROJETO ALUNA CATHARINE LUZIE LOPES DO NASCIMENTO PROFESSOR DR. NELSON JOSÉ URSSI CENTRO UNIVERSITÁRIO SENAC SANTO AMARO (SÃO PAULO - SP)

UM OLHAR SOBRE A GRIFE BALMAIN - PROJETO CENOGRÁFICO

50


Em março de 2019, Catharine Luzie participou da Genoa.estudante juntamente com suas colegas Carolina Pereira Ferreira e Heloísa Teixeira com o projeto da Nova Estação de Trem da Mooca, um projeto que se destaca pela composição orgânica e fluida com a qual determina os traçados da circulação. No final do ano, Catharine Luzie apresentou seu TCC com um tema muito diferente: um projeto cenográfico. Isso demonstra a variedade de opções que os futuros arquitetos têm à disposição ao final da faculdade. Diferente de edifícios e obras urbanísticas, um projeto cenográfico é algo efêmero, existirá por um breve período de tempo. Logo após é desmontado e passa a ser conhecido apenas em fotografias e vídeos, a exemplos dos famosos pavilhões das exposições mundiais do final do século XIX e início do século XX. Para seu TCC, Catharine contou com a orientação do Professor De. Nelson José Urssi. Seu projeto incluiu uma ampla pesquisa sobre a história da moda no Brasil, com acontecimentos importantes como as feiras e exposições da Fenit nos anos 1960 e até a São Paulo Fashion Week; a cenografia e sua utilização, desde a criação de cenários para teatros e óperas até palcos para shows, programas de TV e eventos; os desfiles de lançamentos de coleções das marcas mais importantes do mundo; e as exposições e como a cenografia valoriza as peças

51

e criam uma experiência dinâmica através de estratégias diferentes de iluminação e o uso de cores, materiais e expositores para determinar o trajeto dos visitantes. Além disso, analisou importantes desfiles, como os lançamentos de coleções da Louis Vuitton, Saint Laurent, Dior, Berluti e Mary Katrantzou, e exposições comemorativas, como a Exposição Rodarte, das irmãs Kate e Laura Mulleavy, e as exposições Designer of Dreams e a From Paris to the World de Christian Dior. Um Olhar Sobre Grife Balmain, o projeto cenográfico trata-se de uma exposição cronológica com desfile inspirado nas coleções da década de 2010. Catharine Luzie pesquisou a história da grife desde sua fundação em 1914 na França, por Pierre Balmain. Estudou o período de grandes estilistas que passaram pela marca, como Oscar de la Renta (anos 1990) e Christophe Decarnin (que levantou novamente a grife misturando o estilo Couture da Balmain com o rock e o militar, nos anos 2000), até o atual diretor criativo Olivier Rousteing, cujas coleções são o foco do projeto cenográfico. O local definido para as exposição foi o MAM, onde Catharine realizou visitas e levantamentos fotográficos dos espaços destinados para eventos semelhantes. “A escolha do MAM para a implantação do desfile da Grife Balmain se deu por conta de estar próximo a


Bienal de São Paulo, que por muitos anos sediou os desfiles e eventos da Fenit e posteriormente da São Paulo Fashion Week, iniciando assim um grande marco para a criação e desenvolvimento da moda no Brasil desde a década de 60 até os dias atuais”. Os ambientes internos no MAM possuem um desenho ortogonal. Assim o partido do projeto cenográfico propõe linhas sinuosas através da passarela, expositores e mobiliários para trazer movimento e leveza. A fachada de vidro do museu é adesivada para convidar o público a visitar a exposição. Foram mapeadas as áreas do edifício de forma que a exposição não utilize espaços técnicos e espaços do acervo existente. A planta baixa é adaptável para os momentos, onde haverá apenas a exposição e para

quando haverá os desfiles de moda.

exposição e o histórico da marca.

O projeto da exposição segue uma ordem cronológica e para guiar o visitante também foi desenvolvido um folder explicativo. Os desfiles reunindo importantes peças das coleções da década de 2010 foram determinados para datas e horários específicos aos finais de semana para aproveitar o horário livre das pessoas. Catharine propôs desfiles de 20 min aos sábados às 15h, durante os 02 meses de duração da exposição.

O projeto conta com expositores modulares de 80x60x250cm para as peças de vestuário, posicionados lateralmente em leves curvas e em conjuntos de acordo com cada ano da cronologia. Para os perfumes e maquiagens da grife foram criados expositores redondos com 03 módulos diferentes localizados no centro de cada espaço. Há uma área para workshop composta de mesas circulares, espelhos, manequins, tecidos, materiais de costura e araras.

O começo do trajeto passa pela recepção do MAM e segue pelo corredor Projeto Parede que leva à Sala de Exposição Temporária Milú Vilela. Nesse corredor, a estudante aproveitou para apresentar o logotipo da grife, título e descrição da

A passarela em carpete azul foi criada a partir da sinuosidade dos expositores e possibilita o cruzamento na passagens das modelos durante os desfiles. No restante do tempo, o público geral pode transitar

52

pela área normalmente. Os camarins, áreas mais reservadas da exposição, são localizados em salas disponíveis no próprio museu, com fácil acesso à passarela. No centro há um painel LED no teto transmitindo os famosos desfiles da marca. A paleta de cores do projeto foi criada a partir de uma construção do olhar sobre as peças contabilizadas da grife Balmain. A predominância é os tons neutros, como o branco, o preto e os tons de cinza. O azul escuro da passarela vem do período de 2015 e 2016, quando foram muito utilizados o azul, o preto e o cinza nas coleções. Já em 2019 e 2020 teve uma mistura com cores primárias. A escolha dos materiais nesses tons estudados buscou a elegância e o conforto.


Planta da Exposição com fluxo do público em vermelho.

Planta em dia desfiles com fluxo dos modelos o em laranja.

53


54


55


56


57


58


59


60


61


62


63


ENTREVISTA Catharine, de onde veio a inspiração para abordar o tema moda e criar um projeto cenográfico para uma grife em seu TCC? Você chegou a pensar em outros tipos de arquiteturas durante a faculdade ou o assunto sempre foi o seu favorito para o projeto final? Sim, cheguei sim a pensar e realizar outros tipos de arquiteturas durante esses 5 anos de graduação. Realizei em grupo projetos de edifícios multifuncionais, projetos de infraestrutura urbana, inclusive um sendo publicado na revista Genoa. Cheguei a me questionar em levar para o trabalho de conclusão de curso, TCC, um centro gastronômico, porém a produção cenográfica mais a arquitetura de interiores me encantaram. Eu já participei em dupla de um concurso realizado pela faculdade para a rede Accor Hotels, onde teríamos que projetar um quarto inspirado em um diretor criativo de moda que a própria rede apresentou. Foi nesse momento que conheci o atual diretor criativo Olivier Rousteing da grife Balmain e passei a acompanhá-lo nas redes sociais, e assim me inteirar um pouco mais com o mundo na moda e entender a configuração dos desfiles da grife, que na maioria das vezes são espetáculos, porém com um olhar arquitetônico. Foi isso que me levou a esse tema para desenvolver o meu trabalho de conclusão de curso, fazendo uma ligação entre a arquitetura e a moda.

CATHARINE LUZIE LOPES DO NASCIMENTO _______________________________ E-mail catharineluzie.arquitetura@gmail.com Instagram @mil.em.1.arq @catharineluzie Linkedin Facebook

PORTFOLIO _______________________________ https://catharineluzie.wixsite.com/portfolio

64

É importante na etapa do TCC escolher um professor orientador que vá extrair seus melhores resultados, desafiar e aconselhar ao mesmo tempo. Seu professor orientador foi o Dr. Nelson José Urssi. Contenos quais foram os critérios que contribuíram para a sua escolha e também sobre como foram os assessoramentos e como o professor a ajudou no desenvolvimento do projeto e pesquisa. Durante a graduação o professor Dr. Nelson José Urssi, foi o meu professor de cenografia. E através dele conheci a cenografia e suas implicações e abordagens, através de diversos projetos com cenários para shows, teatros, exposições e vitrines. Como a proposta do TCC era um projeto cenográfico voltado para exposição e desfile de moda a coordenação da área me direcionou para o professor Nelson, que direcionou para o desenvolvimento do processo de conhecimento e interação do que é moda, da moda no Brasil, a reprodução cenográfica nas exposições e desfiles de moda, o estudo e histórico da grife Balmain, visitas e vivências em São Paulo Fashion Weeks, além de levantamento do espaço a ser projetado, chegando a escolha do MAM, Museu de Arte Moderna de São Paulo. Algumas pessoas ficam sobrecarregadas durante o TCC e o seu trabalho apresentou uma pesquisa


bem detalhada no tema da moda. Qual foi o momento mais difícil no desenvolvimento do projeto cenográfico e dos estudos que ele envolveu? Todo o processo foi intenso, contudo o início foi ainda mais desafiador, uma vez que o tema moda saía de minha zona de conforto, pois era uma área a mim desconhecida. Desta forma, o primeiro passo foi estudar e explorar a moda, sua linguagem e todo seu comportamento, para então

desenvolver um projeto cenográfico estabelecendo uma relação entre a grife e o espaço projetado para a exposição e desfile.

para a conclusão de qualquer graduação. E isso significa ir além do que é proposto, através de muitas leituras, pesquisas, visitas monitoradas ou não. Conversas com professores e profissionais da área, podem esclarecer e contribuir para o seu aperfeiçoamento.

Após toda a sua trajetória, tanto no TCC como na faculdade em si, quais são os conselhos que você poderia passar para os estudantes de arquitetura para ajudar a superar a si mesmo em suas decisões de projeto?

Parabéns pelo seu projeto cenográfico, Catharine! Agora como arquiteta formada, quais são os seus planos nesse começo da trajetória profissional?

Eu acredito que durante esses cinco anos, dedicação e esforço, são essenciais

Pretende se dedicar a projetos cenográficos como o seu TCC? Atualmente já atuo na área de arquitetura e urbanismo, contudo pretendo continuar com os estudos e aperfeiçoamento através de cursos como pós graduação, mestrados em áreas afins. Agradeço essa oportunidade em apresentar meu projeto e explicar minha trajetória para todos os leitores. Muito Obrigada!

Acesse o TCC em https://issuu.com/senacbau_2015/docs/um_olhar_sobre_a_grife_balmain_proj_788c85ac1f2fb1

65


APOIE A GENOA.ESTUDANTES! A Genoa.estudantes é uma revista digital e gratuita. Acreditamos que o intercâmbio de ideias entre os estudantes de diferentes universidades, diferentes regiões e diferentes realidades traz benefícios para a qualidade do ensino da arquitetura. Promover os projetos da faculdade valoriza o esforço dos universitários. O curso de arquitetura é muito exigente quanto ao volume de material produzido e entregue pelos estudantes e demandam algumas noites em claro, o sacrifício de finais de semana e, em casos mais extremos, o sacrifício de determinadas tarefas para conseguir cumprir o prazo de outras. Poder apresentar seu projeto em larga escala é um motivador a mais para incentivar o estudante a criar uma bela arquitetura e desafiar a si mesmo.

Se você gosta do trabalho que realizamos e gostaria de apoiar essa iniciativa saiba mais acessando o link abaixo.

APOIE 66


67


PROJETO ALUNA KAROLINE FERNANDES PACHECO PROFESSORA LUCIANE KINSEL UNISINOS (SÃO LEOPOLDO - RS)

MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA - MACRS (NOVA SEDE)

68


O grande desafio ao projetar o Museu de Arte Contemporânea, o MACRS, foi integrar duas realidades tão distintas que existem próximas ao terreno, que já é um problema em si complexo visto que possui uma frente de apenas 15 metros e se abre em formato de T no centro da quadra, localizada entre a Avenida Farrapos e a Rua Voluntários da Pátria, dois corredores de intenso movimento em Porto Alegre (RS). Próximo à Voluntários encontra-se a Vila dos Papeleiros, que diversas vezes já tentou-se transferir para um bairro mais distante, fato que atrapalharia a atividade dos moradores que recolhem material reciclável junto ao centro da cidade. Já ao lado da Farrapos está localizado o bairro Moinhos de ventos, local de residências de alto padrão, bares e restaurantes. A gentrificação da área ocorre aos poucos, à medida que a população de maior poder econômico passa a adquirir imóveis no local, aumentando seu valor e levando a população mais pobre para locais mais distantes. A estudante Karoline Fernandes Pacheco, da Unisinos de São Leopoldo (RS), com orientação da Professora Luciane Kinsel, da disciplina de Ateliê IV, trabalhou o seu projeto visando buscar o equilíbrio

entre as diferenças econômicas. As pessoas mais ricas entendem o valor de frequentar museus, as reflexões de Karoline buscaram encontrar uma forma de incentivar a população local a também desenvolver esse hábito.

Edifícios construídos para abrigar museus de arte pelo mundo normalmente tornam-se um ícone na malha urbana, possuem a vocação para serem marcos referenciais na paisagem. O outro desafio era como conseguir tal efeito em um terreno com apenas 15 metros de frente em uma área essencialmente industrial e de pequenos comércios, vizinho também do abrigo municipal.

A primeira estratégia foi envolver os moradores e trabalhadores desde a construção do museu. A ideia é adquirir o material reciclável coletados e comercializados pelos carrinheiros, as garrafas PET, engajando e criando uma fonte de renda para eles. As fibras de plásticos das garrafas seriam um material substituto das fibras ópticas na confecção de concreto translúcido, matérias prima para a construção do edifício, trazendo iluminação sustentável para as salas de exposição.

Karoline criou uma dinâmica na volumetria do acesso que permitiu uma rampa para o subsolo com o afastamento das laterais. Ao lado do bloco da recepção e guarda-volumes, que leva às salas expositivas do museu, há uma outra rampa com trajeto mais elaborado que leva as pessoas diretamente para o terraço do bar/café e setor educacional. Todos os conjuntos do MACRS são articulados em torno do pátio central, que também serve para levar iluminação e ventilação natural para os espaços internos, principalmente o espaço coworking a área institucional.

A segunda estratégia sugerida por Karoline é, uma vez o museu concluído, oferecer oficinas educativas ensinando técnicas de trabalho para as indústrias locais, capacitando a população para o mercado de trabalho. Ao frequentar as oficinas, as pessoas se familiarizam com a vida cultural de um museu de arte. O ambiente deixa de ser estranho e o contato entre pessoas de diferentes níveis sociais é promovido.

O volume das salas de exposição é o mais alto, com 03 pavimentos de altura, sendo os 02 primeiros destinados às exposições permanentes e o último às exposições temporárias, com o acervos, oficinas e ateliê no subsolo.

69

Os pavimentos 02 e 03 foram deslocados para criar terraços para o exterior. Sua função também é conceitual. O primeiro, “De Olhos Vendados” oferece uma vista para os edifícios do museu sem abranger a vista para o entorno urbano. O último, “Um Olhar de Mudança: a Realidade”, possui um terraço estreito e pequeno buscando causar um efeito claustrofóbico. O último volume, em “L’”, recebeu funções mais públicas no primeiro pavimento. Lá estão o auditório, com o foyer e a bilheteria, e as salas do espaço coworking, recebendo a iluminação difusa por suas aberturas para o sul. No segundo pavimento, estão as salas e os ateliês do setor institucionais, juntamente com o bar/café e os terraços de convivência sobre o bloco da recepção. O terceiro pavimento ficou destinado ao setor administrativo, mais reservado em com visuais privilegiadas de todo o complexo do MACRS para seus trabalhadores. Karoline adotou a materialidade do museu também em seus expositores, uma mistura de concreto, madeira e metal. “A ideia foi simbolizar a união desejada desde a concepção do projeto”.


70


71


72


73


74


75


76


77


78


79


80


81


82


83


84


85


ENTREVISTA Conte-nos um pouco sobre como eram as suas aulas em Ateliê de Projeto IV, na Unisinos? Como a professora Luciane Kinsel trabalhou o estudo da tipologia do museu em sala de aula? O que você mais gostou nesse semestre? Esse semestre tivemos a grande oportunidade de projetar algo real e viver com intensidade o programa. Fomos surpreendidos com o convite da professora para que desenvolvêssemos projetos para a nova sede do MACRS. O terreno em forma de T nos foi um grande desafio, assim como projetar uma ferramenta cultural mais comumente localizada em pontos ricos das cidades, agora em um local em desenvolvimento de Porto Alegre, mas que ainda enfrenta diversos problemas.

KAROLINE FERNANDES PACHECO _______________________________ E-mail

A primeira etapa que a professora Luciane Kinsel nos propôs foi o estudo de um referencial. Escolhemos um entre museus préselecionados por ela, e estudamos-o a fundo, tanto volumetricamente, como estratégias adotadas no programa. Logo após, começamos a etapa de levantamento de dados, onde tais assuntos foram divididos por duplas, e a parte de minha dupla era o pré-dimensionamento de todos os setores já constantes no programa, que eram alguns elementos fundamentais de museus. A partir daí começamos a trabalhar o estudo de nosso projeto. Os assessoramentos

karolinefernandespacheco@gmail.com Instagram @karoolfernandess

86

eram todos coletivos, permitindo que os colegas participassem com ideias e sugestões, ou até mesmo críticas. Em seguida finalizamos o projeto com a etapa de detalhamento. O que eu mais gostei dessa jornada foi o desafio: terreno em T, fábrica de um lado, abrigo municipal de outro, o local de inserção e como eu pude trabalhar o conceito nesse projeto. Dentro do curso de arquitetura, o museu costuma ser uma tipologia que introduz o estudante para obras mais complexas por causa da necessidade de conciliar diversos programas e pelo porte do projeto. Um estudo mais detido de referências, fugindo apenas do aspecto formal e vendo como grandes arquitetos trabalharam a relação entre os setores, circulação e estrutura, é fundamental para produzir um projeto de qualidade como é a sua proposta para MACRS. Fale um pouco sobre o que você aprendeu estudando o Ferry Terminal (CF Moller), o Museé Hergé (Christian de Portzamparc), o Towarowa (BIG) e o Royal Villa (Dmitriy Kuznietsov). Como eles ajudaram você ao projetar o MACRS? Na verdade, esses projetos referenciais contidos na prancha me inspiraram na composição formal. "Ferry terminal" me inspirou ao acesso do 2° pavimento pela rampa; "Musée Herge" na composição material, ou sensação dos materiais (vidro-leve / parede cegapesada); "Royal Villa" na


sacada das exposições, olhando por uma perspectiva diferente; e por último "Towaroma", que me inspirou no aproveitamento da cobertura. A maioria deles encontrei no instagram, pois meu feed é pura arquitetura. Sobre o programa, acho que o que nos ajudou bastante foi discutirmos muito ele, todos juntos, e todas as ideias dadas pela prof Lu Kinsel, assim como um estudo bem embasado da região, conhecendo as potências e deficiências. Seu projeto trabalhou uma questão social muito delicada, a gentrificação, e propôs uma boa solução para equilibrar as grandes diferenças do contexto urbano onde está implantado: comprar a matéria prima reciclável dos carrinheiros, gerando lucros

para eles; e as oficinas para qualificação da população para o mercado de trabalho. Quais foram as grandes lições que você aprendeu em seus estudos e análises desse problema e de que forma vão contribuir para seus próximos projetos na faculdade?

Seu projeto está muito bem diagramado. O detalhamento da estrutura está muito bem embasado. E você propôs o uso de concreto translúcido na fachada. Além do problema social, pensando agora no processo de criação de desenvolvimento da arquitetura, qual foi o grande desafio que você enfrentou durante o projeto do MACRS?

Acho que a maior lição tirada sobre esse semestre foi que é preciso estudar o entorno de qualquer edificação, principalmente se for pública. Acredito fortemente que o sucesso ou fracasso de uma edificação depende do quanto ela foi projetada para TAL LUGAR. Nesse projeto, por exemplo, não poderia simplesmente ignorar que ao lado de um futuro museu, existe um abrigo comunitário... assim como todas as outras dificuldades que aquela região enfrenta.

O maior desafio encontrado no desenvolvimento desse estudo arquitetônico foi o terreno em forma de T. Queria fazer algo diferente, porém que não fugisse da realidade vivenciada naquela região, e o terreno nos limitou um pouco, assim como as edificações vizinhas. Quais dicas você pode dar para os colegas de

87

arquitetura que ainda vão projetar museus na faculdade? Se tiver a oportunidade, seria muito importante visitar museus (os professores da Unisinos nos levam à visitar a Fundação Iberê Camargo). Estudar muitas referências... e uma dica para quem perde muito tempo no Instagram, como eu: tornem o feed de vocês mais interessante. Alimentem-se de bons conteúdos, sigam perfis de bons escritórios de arquitetura nacionais e internacionais. Se vocês admiram algum arquiteto, experimentem mandar um direct pra ele... À um tempinho eu mandei para o Bjarke Ingels e ele me respondeu haha fiquei muito feliz. Essa troca é sensacional!


Genoa.estudantes é uma publicação da Genoa Maquetes Eletrônicas.

As imagens publicadas nos artigos pertencem a seus respectivos autores. Para a Genoa.estudantes #09, a Genoa Maquetes Eletrônicas desenvolveu a arte para a capa da publicação utilizando trecho do projeto acadêmico das estudantes Jocemara Carminatti e Maria Eduarda Olinger.

Telefone / WhatsApp: +55 51 9 9839 2912 e-mail: genoa-arq@outlook.com

Rua Manorel de Souza Moraes, 214 Bairro Progresso Montenegro - RS - Brasil CEP 95780-000

88


89


90

Profile for Genoa Maquetes Eletrônicas

Genoa.estudantes #09  

Genoa.estudantes #09  

Advertisement

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded