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Um terreno de esquina triangular, em Maringá (PR). Conrado Carvalho, Reginaldo de Souza Messias e Samuel Gonçalves Fonseca, alunos da Unifamma, tiraram máximo proveito dessa particularidade para privilegiar moradores e comunidade. Com um projeto que amplia a oferta de lazer e comércio na região, criaram uma travessa interligando as duas ruas da quadra, melhorando o trânsito e dando visibilidade total ao empreendimento. Uma mostra de que um projeto privado pode melhorar a vida da população. Já em Campo Grande (MS), Diego Luís Gomes Domingos, Maria Luísa da Silva Fernandes e Rodrigo Rocha, alunos da Universidade Católica Dom Bosco, buscaram valorizar a região tranformando suas torres residenciais e comerciais em marcos arquitetônicos. O partido circular cilíndrico contrasta com os edifícios regulares e contribui para criar uma paisagem memorável para quem mora nas redondezas e para quem trafega pela avenida. A arquitetura religiosa busca proporcionar aos fiéis uma integração com a divindade. Em Brasília (DF), Aline Barros Silva, em seu TCC para a UDF, projetou novos edifícios para o Complexo Santuário Mãe Peregrina de Schoenstatt. O conceito da agora arquiteta Aline gerou um partido icônico, uma imagem marcante, que dá as boas vindas aos visitantes e mantém a simplicidade da capela símbolo da congregação. Adquirir uma nova forma de observar a arquitetura. Pensar e refletir a imagem da cidade. Melhorar a vida de comunidades carentes. Viver uma experiência inesquecível. Camila Wessler, estudante da Uniasselvi de Indaial (SC), conta um pouco sobre o seu intercâmbio para o Chile, em 2015, onde aprendeu disciplinas novas e aproveitou para fazer a diferença na vida de muitas pessoas. Bem vindos à Genoa.estudantes! Leonardo Juchem

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SETEMBRO 2017 - #04

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EDIFÍCIO RESIDENCIAL E COMPLEXO COMERCIAL Conrado Carvalho Reginaldo De Souza Messias Samuel Gonçalves Fonseca UNIFAMMA (MARINGÁ - PR)

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EDIFÍCIO MULTIFUNCIONAL Diego Luís Gomes Domingos Maria Luísa Da Silva Fernandes Rodrigo Rocha UNIVERSIDADE CATÓLICA DOM BOSCO (CAMPO GRANDE - MS)

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COMPLEXO SANTUÁRIO MÃE PEREGRINA DE SCHOENSTATT Aline Barros Silva UDF (BRASÍLIA - DF)

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UM NOVO OLHAR NO CHILE Camila Wessler UNIASSELVI (INDAIAL – SC)

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PROJETO ALUNOS CONRADO CARVALHO | REGINALDO DE SOUZA MESSIAS | SAMUEL GONÇALVES FONSECA PROFESSOR ALEXANDRO GASPARINI UNIFAMMA (MARINGÁ - PR)

EDIFÍCIO RESIDENCIAL E COMPLEXO COMERCIAL

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O Torre da Índia é o edifício residencial e complexo comercial projetado por Conrado Carvalho, Reginaldo de Souza Messias e Samuel Gonçalves Fonseca, alunos de arquitetura e urbanismo da Unifamma Maringá, no Paraná. Ele foi desenvolvido na disciplina Projeto de Arquitetura 4, ministrada pelo Professor Alexandro Gasparini. O edifício foi implantado no terreno formado pelo cruzamento da Avenida Advogado Horácio Racanello Filho e da Avenida Monlevade, na Zona 10, em Maringá (PR). O lote apresenta um desnível de 06 metros, com a cota mais baixa na esquina, e formato triangular, devido ao ângulo que as duas avenidas formam entre si. A Horácio Racanello, ao sul, é a via mais importante e de maior fluxo de movimentação, sendo dividida pela linha férrea. Os antigos complexos industriais da região, edificações de poucos pavimentos, atualmente começam a ser substituídos por novos edifícios, atualizando seu perfil urbano. O volume do edifício de 60 m de altura foi implantado no centro desse terreno, o que permitiu aos estudantes manter um partido regular ao mesmo tempo que dividem o lote em 03 zonas principais: uma praça

pública na esquina; o prédio ao centro; e uma área linear para as salas comerciais nos fundos do lote.

veículos, onde estão 18 salas comerciais de 43,96 m², 20 vagas para veículos e 10 vagas para motos. Um restaurante com partido triangular foi implantado no final dessa travessa, na Avenida Monlevade, e um pequeno calçadão para pedestres proporciona uma área externa para melhorar a circulação na zona comercial e ampliar o acesso ao restaurante.

A pequena praça na esquina recebeu árvores de grande porte, o Tulipeiro e a Palmeira Imperial. As copas volumosas criaram áreas de sombra junto aos bancos e caminhos da praça. A densidade da ocupação dessas árvores, junto com outras vegetações de pequeno porte e o espelho d’água na esquina, formam uma área de permanência protegida da insolação. A paginação ortogonal do piso é suavizada com as quinas arredondados dos canteiros.

A estratégia do eixo para salas comerciais valorizou o edifício pois proporcionou a ele uma quadra própria. As vantagens são a grande visibilidade que agora ele possui na cidade e as visuais que as fachadas de todos os apartamentos podem ter da paisagem local.

As palmeiras imperiais, dispostas simetricamente, ajudam a marcar o acesso principal do edifício. Os pátios privativos do centro do lote são protegidos por muros com revestimento vegetal. A piscina começa no interior do pavimento térreo e se estende até a área externa. Decks e pergolados de madeira são distribuídos ao longo de um eixo marcado pelas grandes palmeiras. Ao lado do edifício, na porção leste, os estudantes também criaram uma área de praça privativa para os moradores, com tulipeiros e bancos.

Passando pela guarita, o escritório do síndico e as palmeiras que marcam o acesso principal, o visitante chega ao átrio central, com 367,98 m². No térreo estão a área de piscinas, com vestiários masculino e feminino, o fitness center, o salão de festas, a brinquedoteca e o espaço gourmet com os bares. Por ser frequentado por moradores e convidados, o salão de festas possui ligação com a área externa privada do edifício. Já o espaço gourmet e os bares formam um pequeno complexo gastronômico que pode ser frequentado pela praça pública

Nos fundos do lote, foi criada uma travessa com acesso de

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da esquina. As mesas dos bares também ocupam a praça. Os benefícios do projeto, dessa forma, chegam também à população da cidade, que ganha um pequeno espaço de lazer de qualidade. O objetivo dos estudantes foi com que os moradores possam ter mais interação entre si na sua rotina diária. Acima do térreo seguem 17 pavimentos habitacionais. Cada um com 06 apartamentos de aproximadamente 180 m². A cobertura, no 18º, é composta por 02 apartamentos duplex. A circulação vertical começa no subsolo de 03 pavimentos, com acesso restrito aos moradores. A planta organiza os seis apartamentos em torno do eixo de circulação horizontal, linear. A disposição não seguiu um formato convencional. As unidades habitacionais são giradas em 90 graus, de acordo com a posição onde se encontram no eixo, fato que proporcionou com que cada apartamento recebesse luz e ventilação natural por meio de áreas vazias. Com isso, a qualidade de cada apartamento é equivalente, tanto em conforto ambiental quanto em visibilidade. As sacadas das áreas sociais criam um padrão vertical ritmado na fachada.


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ENTREVISTA Conte-nos um pouco sobre como eram as aulas da disciplina Projeto de Arquitetura 4, da Unifamma Maringá. Como é a metodologia do professor? Como foram trabalhadas as etapas do projeto e como foram tomadas as decisões em grupo? Nossas aulas são dinâmicas. O professor nos passou o roteiro do trabalho e começamos com o conceito e o partido. Após isso definido, entramos na elaboração da forma do projeto. Nas primeiras aulas, o professor nos passava alguns exemplos, semelhantes ao que foi pedido, e as aulas seguintes eram assessorias para os grupos. A cada semestre, especialmente nas disciplinas de projeto, são ensinadas aos estudantes novas ferramentas para auxiliar o processo de criação. Por exemplo: no primeiro semestre aprende-se a manipulação das formas; no segundo a cobrança pela análise do terreno fica mais forte; no terceiro são introduzidas noções de legislação e normas de acessibilidade, etc. Conte-nos um pouco como foi essa evolução até o momento na sua trajetória acadêmica na universidade e quais foram os novos conhecimentos adquiridos nesse projeto do Edifício Residencial e Complexo Comercial. Aprendemos a desenvolver o projeto a partir da setorização CRÉDITOS

definida. Utilizávamos formas em retângulos e quadrados para montar os ambientes, dando assim, mais proporção e harmonia ao projeto, relacionando esta técnica ao terreno. Foi abordado também as diferenças de desníveis. Apresentamos as imagens para melhor entendimento do mesmo.

local identificadas pelo grupo nas análises preliminares? Nesta região, uma área muito nobre da cidade, a muitos anos atrás, eram instaladas fábricas. Com a chegada do crescimento, a área se tornou comercial e residencial, mais moderna, o que na atualidade, precisa ser reciclada por obras atuais. Mas por causa da especulação imobiliária, acreditamos que os proprietários desses terrenos estão esperando uma oportunidade de uma melhor venda, por um preço mais significativo. Nesta área, a probabilidade de construção de edifícios é enorme, até porque, já se iniciou com várias obras prontas no entorno de nosso trabalho.

Quais foram as referências estudadas na disciplina e o que elas ensinaram para o grupo que ajudou no processo de composição? Estudamos alguns projetos de edifícios residenciais, como correlato. Percebemos que cada terreno tem sua composição apropriada, sendo muito relativo de um projeto para outro. A definição do fluxograma e setorização são de extrema importância para qualquer projeto, pois neles são definidas as práticas de logística da proposta.

O processo compositivo pode acontecer de diversas formas. Ele pode nascer a partir de uma ideia de planta baixa, da topografia do terreno, de uma fachada, de um corte principal ou da volumetria, além de outros processos. No caso do Edifício Residencial e Complexo Comercial qual foi o elemento principal, aquele de onde nasceu toda a ideia básica do projeto?

O lugar onde foi implantado o projeto apresenta elementos morfológicos importantes, como a linha férrea, as edificações abandonadas e a forma triangular do lote. Percebe-se um ótimo aproveitamento com a criação da praça e a travessa dentro do lote, que leva o público até as lojas e bares, criando um novo espaço de qualidade para a cidade. Contenos um pouco sobre o contexto urbano onde o edifício está localizado. Quais são as principais potencialidades do

A ideologia de nosso trabalho se deu por conta do programa de necessidades. Partimos do aproveitamento dos espaços, para encaixar os ambientes que o professor exigiu e, a partir disto, fomos desenvolvendo outras vertentes do mesmo.

O nome Torre da Índia para o edifício foi uma escolha aleatória ou faz parte de uma ideia conceitual que guiou todo o projeto? Nosso conceito é a música, em homenagem à cidade de Maringá, onde descreve o elogio a uma índia. Com base na sua experiência após o projeto do Edifício Residencial e Complexo Comercial, quais são os conselhos que vocês dariam aos demais estudantes que ainda irão projetar edifícios na faculdade? O que levar em consideração no momento de projetar um edifício? Devemos observar o terreno e o programa de necessidades, como fator principal, ao iniciar uma criação. Como dizem alguns arquitetos antigos, todo corpo possui seu manequim perfeito. Assim acontece com o terreno em relação ao projeto. Temos que levar em consideração diversos itens a serem respeitados, sendo uma união de vantagens para quem constrói e para quem vai vender o imóvel depois. E, finalmente, uma agradável satisfação de quem comprou. Por exemplo, alguns itens como estrutura viável, modelação lógica, posição do sol, logística funcional, estética harmoniosa, área verde agradável. Enfim, isso e ainda vários itens, sendo bem resolvidos, trarão um enorme resultado positivo a todos os envolvidos.

UNIFAMMA (MARINGÁ - PR) 2017/01 DISCIPLINA PROJETO DE ARQUITETURA 4 PROFESSOR ALEXANDRO GASPARINI ALUNOS CONRADO CARVALHO | conradocarvalho33@gmail.com | REGINALDO DE SOUZA MESSIAS | reginaldomessias49@gmail.com |SAMUEL GONÇALVES FONSECA | samuelgf@superig.com.br

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PROJETO ALUNOS DIEGO LUÍS GOMES DOMINGOS | MARIA LUÍSA DA SILVA FERNANDES | RODRIGO ROCHA PROFESSOR ROBERSON SLOMA MOTTER UNIVERSIDADE CATÓLICA DOM BOSCO (CAMPO GRANDE - MS)

EDIFÍCIO MULTIFUNCIONAL

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Os alunos da Universidade Católica Dom Bosco, Diego Luís Gomes Domingos, Maria Luísa da Silva Fernandes e Rodrigo Rocha, tinham a missão de projetar um edifício multifuncional para a disciplina Projeto Arquitetônico Comercial II. Com orientação do professor Roberson Sloma Motter, os alunos receberam um programa de necessidades que solicitava área habitacional, comercial e de serviços, com salas de reunião e auditório. O terreno do projeto fica localizado próximo da área central de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Trata-se de uma esquina formada pelo cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua Vasconcelos Fernandes. A avenida possui pista dupla, com canteiro central. A região apresenta edifícios de baixo porte, entre 02 e 03 pavimentos. Tem como vizinhos um posto de gasolina, do outro lado da esquina, e uma Igreja Evangélica, na divisa norte. A Rua Vasconcelos Fernandes, de sentido único, em direção à avenida, possui pequenos comércios e também é ocupada por carrinhos de lanches. O edifício multifuncional visa portanto trazer mais recursos e opções de moradia e trabalho para a região. Um dos objetivos dos estudantes para ajudar nessa valorização do local e do projeto era criar uma arquitetura que se tornasse um ponto referencial na cidade. Sendo assim, optaram por um partido cilíndrico, que criaria o contraste pretendido com os edifícios retangulares existentes na cidade. A principal referência foi a Torre Petronas, na

Malásia, duas torres também cilíndricas, unidas por uma plataforma nos pavimentos intermediários. No caso do projeto de Diego, Maria e Rodrigo, o edifício multifuncional foi dividido em 03 torres, também interligadas por passarelas: a torre de serviço, próxima da esquina; a torre comercial, ao centro; e a torre residencial, ao norte.

frente à torre de serviços, com saída para a Afonso Pena. O layout das plantas baixas em edifícios cilíndricos costuma ser o ponto mais desafiador desses empreendimentos. Os estudantes utilizaram duas formas diferentes para organizar os ambientes. Para as torres de serviço e comercial a organização foi radial, com uma área de circulação ao centro e as lojas e escritórios espalhadas no perímetro das edificações. Já para a torre residencial, a distribuição dos espaços foi regular, ortogonal, mantendo a circunferência externa no desenho das sacadas. O uso do retângulo para os espaços residenciais facilita a disposição de mobiliários dos futuros moradores.

Colocar as torres de serviço e comercial mais próximas da esquina proporciona mais visibilidade às lojas e escritórios para o fluxo de veículos principal na Avenida Afonso Pena. A torre residencial, ao ficar mais afastada da esquina, tem a quantidade de poluição sonora reduzida, ideal para os novos moradores. Quanto ao projeto da área externa, a esquina foi aberta para permitir a entrada e saída de veículos com maior fluidez. Um muro revestido com vegetação vertical divide o espaço entre as torres comerciais e a habitacional. Isso permite com que seja possível criar a área de lazer na porção oeste, protegida visualmente pela torre residencial. Essa área conta com piscina e quadra poliesportiva e recebe o sol da tarde com mais intensidade para incentivar o uso desses atrativos. A paginação do piso segue o desenho ondular gerado pelas torres cilíndricas, que delimita os trajetos até a sauna e a área gourmet com churrasqueira. Para a área externa das torres comerciais é utilizada a mesma lógica de paginação de piso para marcar os trajetos dos veículos. Os dois acessos na Vasconcelos Fernandes criam uma área de embarque e desembarque em

A torre de serviço possui 07 pavimentos acima do subsolo de estacionamento, compartilhado com a torre comercial. No pavimento térreo estão o hall e um auditório de 250 m², com mezanino. Do 2º ao 6º, cada pavimento possui 10 salas comerciais de 15 m² cada. No 7º pavimento estão as salas de reuniões, algumas salas comerciais e um mirante para contemplar a vista da Avenida Afonso Pena. Também nesse pavimento está a interligação com as demais torres por meio da passarela. A torre comercial é onde estão as 15 lojas de 20 m², distribuídas entre o térreo e o quarto pavimento. Do 5ª ao 7º estão as lojas âncoras do complexo, com área de 360 m². Já a torre residencial é a mais alta do complexo, que tem mais de 27 mil m² de área construída. Possui 12 pavimentos. No térreo, o hall

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direciona os visitantes e moradores para um refeitório, uma lan house e para a circulação vertical. A área de lazer está distribuída no pavimento térreo da torre e em edificações auxiliares. Conta com sala de jogos, salão de festas e academia, conectadas à torre. A churrasqueira, espaço gourmet e sauna, ficam localizadas próximas à piscina e à quadra poliesportiva. Nos 2º e 3º pavimentos estão os apartamentos studios, ambientes de 43 m² e 50 m² com quarto, cozinha, sala de jantar e escritório conjugados. Do 4º ao 6º pavimentos estão os apartamentos loft, ambientes também conjugados, no entanto com 70 m² de área. O 7º pavimento está a loja âncora, com a passarela que interliga à torre comercial. Do 8º ao 11º pavimento estão os apartamentos convencionais. São dois por pavimento, possuindo planta compartimentada, com sala de estar, cozinha, área de serviço, suíte e dormitório. No último pavimento está a cobertura, que possui como diferencial piscina, churrasqueira, escritório e duas suítes. Para a estrutura das torres a solução escolhida pelos alunos foi o uso de 04 pilares de 1m x 1m de perfil, partindo desde a fundação até o topo, dispostos em forma de quadrado no centro de cada edifício. Os perímetros das construções possuem pilares de 47 cm x 47 cm. O sistema de fachadas é resolvido em painéis de vidro para as torres menores valorizando os futuros lojas e empreendimentos das salas comerciais.


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TORRE DE SERVIÇO

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TORRE COMERCIAL

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TORRE RESIDENCIAL

Ap. Studio

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TORRE RESIDENCIAL

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ENTREVISTA Conte-nos um pouco sobre como eram as aulas da disciplina Projeto Arquitetônico Comercial II, da Universidade Católica Dom Bosco. Como é a metodologia do professor? Como foram trabalhadas as etapas do projeto e como foram tomadas as decisões em grupo? O objetivo da matéria era criar uma proposta de um edifício multifuncional, para contribuir com a revitalização de um espaço degradado da cidade, o que traria novamente a circulação de pessoas, e atrairia novamente o comércio. As aulas ministradas pelo professor Roberson tinham, em um primeiro momento, o objetivo de determinar as principais necessidades que o projeto solucionaria, vendo o conteúdo teórico primeiro, encontrando o fator que iria determinar a continuidade do projeto e sempre com orientações individuais para o grupo, seguindo um passo a passo a evolução do projeto e seus desafios. Essas etapas foram trabalhadas no seguinte contexto: em primeiro trabalhamos a questão do norte, solar e circulação de ventos e as vias de acesso que levariam ao edifício; em segundo partimos para o partido arquitetônico que determinaria a forma e como seria a volumetria e o fluxo dentro do edifício; e, por final, a parte em que se distribuiu os elementos do programa de necessidades que o edifício multifuncional necessitava para atender as

expectativas das pessoas e do entorno do projeto.

Com formatos cilíndricos, com uma ponte de acesso em uma altura intermediária, o que também resolve o problema de sustentação entre elas, foi uma maneira de inovar e trazer algo que tivesse impacto na vista da cidade.

Todos os alunos trabalharam a proposta da disciplina no mesmo terreno? Quais foram as principais análises do contexto urbano do local e como elas influenciaram as decisões do projeto, principalmente na implantação?

Como nasceu a ideia da forma cilíndrica para os edifícios e quais foram os desafios para adaptar os ambientes internos e espaços externos à esse partido?

Sim, todos os alunos da disciplina, tiveram o mesmo terreno para trabalhar. No que tange ao contexto urbano, queríamos algo que tivesse um impacto na vista da cidade. Como em Campo Grande não temos edifícios em forma circular resolvemos encarar está proposta, se tratando também da principal avenida da cidade e que teríamos um aproveitamento de espaços livres para um fluxo de pessoas no seu entorno, no que diz respeito a implantação.

Os cilindros na verdade nasceram em forma de desafio. Nos propomos a criar algo que ainda não tinha sido aplicado e ter essa experiência para ver as dificuldades que se impõem nesse sentido. Aí tivemos a grande sacada de aproveitar os espaços internos de maneira quadrada e retangular para os apartamentos, facilitando assim o projeto de interiores. O cilindro nada mais é que a capa externa. As sacadas que se apresentam, nos edifícios comercial e de serviços, trabalhamos de maneira natural, em círculo, privilegiando a curva nos espaços internos para que as lojas e escritórios possam ter suas salas com o menor número possível de cantos.

A referência utilizada para o trabalho foi a Torre Petronas, na Malásia. A escolha por tal obra partiu do desejo de construir um projeto com edifícios cilíndricos? Ou a forma cilíndrica nasceu a partir das análises da Torre Petronas? Como a referência influenciou a forma de projetar do grupo?

Como foi o processo que determinou a estrutura sustentada nos 04 pilares 1x1? Foi uma sugestão do professor? Foi ajuda de um professor de estrutura? Caso tenha havido um estudo mais profundo, é possível explicar como elas trabalham a sustentação do edifício?

Não só do formato em cilindro, a grande questão era interligar os edifícios. Sabíamos que, por ser um multifuncional, ele deveria ter conexões, e os fluxos de cada setorização poderiam ter acessos internos aos edifícios. A Torre Petronas nos traz esse precedente.

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Foi baseado na solução do arquiteto Paulo Mendes Rocha para o novo prédio do Sesc, em São Paulo, antiga Mesbla. Nesse projeto tem alguns pilares. Mas a parte de sustentação principal são quatro pilares de 1x1 para manter a pressão de sua piscina no topo em seu edifício. A partir daí, tivemos a ideia de centralizá-los e, deste quadrado, os apartamentos seriam formados. Os ambientes de serviços escadas e elevadores no edifício habitacional seriam racionalizados. Edifícios e construções circulares têm o potencial para tornarem-se marcos na cidade, pontos de referência do local, justamente por contrastar com as demais edificações do entorno. Caso o projeto fosse executado algum dia, como o grupo imagina que seria a relação da torre comercial com a cidade ao seu redor? Este foi o ponto principal da pesquisa teórica do anteprojeto. A relação seria de prosperidade. Esta foi a marca principal do contexto todo: trazer a prosperidade para a região fornecendo à paisagem da cidade um marco. Lembrando que a avenida em que seria implantada a obra estaria em um corredor entre o aeroporto e o centro comercial, multiplicando as possibilidades do turismo executivo, tendo ponto de comercio com lojas âncoras, marcas diferenciadas e mirante. No habitacional, apartamentos tipo lofts e studios que podem servir de moradia temporária para


esses executivos ou, até mesmo, turistas que utilizariam como um espaço para transição antes de viajarem para o pantanal para turismo ecológico.

Ao longo da faculdade alguns projetos são mais marcantes que outros. Para os membros do grupo, ele foi um desses projetos? Qual foi o aspecto mais legal de trabalhar no projeto do Edifício Multifuncional?

Sim, quando terminamos o projeto estávamos bem satisfeitos e orgulhosos do trabalho que realizamos. Sabíamos que conseguimos realizar o que foi proposto por nós mesmos. Havia aquele brilho no olhar e

sentimento de missão bem cumprida. Esse foi um projeto que serviu como marco para dizer “sim, nós podemos ir até o TCC, estamos preparados”.

CRÉDITOS UNIVERSIDADE CATÓLICA DOM BOSCO (CAMPO GRANDE - MS) 2017/01 DISCIPLINA PROJETO ARQUITETÔNICO COMERCIAL II PROFESSOR ROBERSON SLOMA MOTTER ALUNOS DIEGO LUÍS GOMES DOMINGOS | diegolgdlgd@gmail.com| MARIA LUÍSA DA SILVA FERNANDES | marialuiza_f@hotmail.com| RODRIGO ROCHA | rodrigorocha0104@hotmail.com

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PROJETO ALUNA ALINE BARROS SILVA PROFESSORA DRA. PATRÍCIA MELASSO UDF (BRASÍLIA - DF)

COMPLEXO SANTUÁRIO MÃE PEREGRINA DE SCHOENSTATT

O projeto é o trabalho de conclusão de curso da estudante Aline Barros Silva. Aline graduou-se no curso de Arquitetura e Urbanismo da UDF – Centro Universitário do Distrito Federal. A estudante elaborou uma proposta arquitetônica para o Complexo Santuário Mãe Peregrina de Schoenstatt, e teve como professora orientadora a Dra. Patrícia Melasso. O Movimento Apostólico de Schoenstatt é um importante movimento ligado à Igreja Católica, com mais de um século de história. Os templos, consagrados à Maria, seguem a arquitetura original da primeira

capelinha existente na cidade de Schoenstatt, na Alemanha. O simbolismo de conservar a mesma construção é para que, sempre que os fiéis chegam a um templo mariano, em qualquer lugar do mundo, a sensação seja de que estão sendo recebidos no mesmo lugar sagrado original. Valorizar esse significado e propor novos espaços no complexo para receber a grande quantidade de fiéis que frequentam as celebrações eram alguns dos principais desafios da estudante.

região administrativa do Lago Norte, a 700 m da Torre Digital. Com mais de 70.000 m² de área, possui belas vistas para a paisagem natural e urbana da região. Novas estruturas foram construídas junto à Capela da Santíssima para atender ao fluxo de visitantes, que varia entre 800 pessoas, nas celebrações, e mais de 2.000 visitantes em datas comemorativas. Aline se inspirou nos arcos ogivais, o arco gótico, para criar o conceito que guiou o projeto do novo templo e as edificações anexas do complexo. O partido arquitetônico da igreja é formato por quatro paredes

O terreno do projeto está localizado em Brasília (DF), na rodovia DF 001, EPTC Leste,

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que replicam as curvas do arco, sendo três camadas do lado esquerdo, representando a santíssima trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). A cor branca foi escolhida por representar a pureza, própria para um templo mariano. Já as edificações anexas, pensadas para as datas festivas, casamentos, aniversários, oficinas e treinamentos, possuem um partido arquitetônico simples, para não concorrer com a edificação principal da igreja. O arco ogival também se encontra presente nelas através dos desenhos dos painéis de aço da fachada.


O novo templo é implantado alinhado ao acesso principal, de onde parte uma estrada que leva até o acesso da edificação. Todos os demais prédios anexos estão organizados nas laterais desse eixo principal. A proximidade da nova igreja com a Capela da Santíssima, símbolo da congregação de Schoenstatt, facilita as celebrações e o percurso realizado pela imagem de Maria entre ambas. O layout da planta da igreja segue às tradições católicas. Aline valorizou o acesso principal fazendo uso de uma

cruz latina vazada na fachada. O altar possui como fundo uma grande abertura que permite integração com o horizonte externo. O interior ainda possui ventilação e iluminação natural através das zenitais do forro, compostas por sheds de vidros basculantes automatizados. O efeito de luz difusa obtida pela estudante proporciona concentração e elevação do espírito. A estrutura das paredes curvas é realizada em concreto armado, suportando o próprio peso. As demais paredes internas são em alvenaria. No telhado são

utilizadas vigas curvas em estrutura metálica, que alcançam o vão desejado para a cobertura do prédio. Partindo da Igreja, segue-se um trajeto linear até a Capela das Velas e o anexo, composto pela sala de projeção, salão de eventos, lanchonete e loja de artefatos. Construídas em alvenaria estrutural simples, estas edificações possuem brises e painéis em aço corten retomando os arcos ogivais trabalhados no conceito e nas imagens sacras. Na mesma área ainda estão os edifícios das

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salas preparatórias, onde são ministradas as aulas de catequese. O paisagismo e a paginação de piso criam um local de integração para as atividades realizadas ali. Do lado oposto, um pouco mais afastado das demais edificações, está o hostel. Juntamente com a lanchonete e a loja de artefatos, o hostel foi sugerido para, além de abrigar os turistas, gerar mais fontes de renda para o santuário.


O arco gรณtico foi o elemento gerador do conceito de Aline para o complexo santuรกrio.

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CAPELA DAS VELAS

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Anexo: área com sala de projeção, salão de eventos, lanchonete e loja de artefatos, formando um pequeno complexo próximo à igreja.

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SALA PREPARATÓRIAS

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HOSTEL

Praça próxima à Capela da Santíssima, símbolo do santuário.

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ENTREVISTA O fato do projeto ser em Brasília, cidade de grande importância para arquitetura mundial por causa das obras de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, teve alguma influência na definição do partido arquitetônico ou na implantação do complexo? Como é propor novas arquiteturas em uma cidade com tal relevância? Brasília de fato é inspiração para todos os amantes de arquitetura, como dizemos por aqui: um museu a céu aberto. No entanto, no mundo inteiro podemos identificar referências arquitetônicas com uma tipologia e estilo religioso que se tornaram Patrimônio Histórico da Humanidade. A participação de grandes artesãos, pintores, artistas, arquitetos e engenheiros, unindo técnica e talento, fizeram mais que meros cartões postais. Revelaram a plasticidade das formas, marcando época, as quais são estudadas como referência de conceito e características de um movimento arquitetônico. Partindo desta premissa, fiz uma pesquisa direcionada da história de importantes referências arquitetônicas religiosas e sua representatividade para o cristianismo. Procurei os pontos relevantes dos templos construídos, não apenas como edifícios ou um lugar de visitação, mas a arquitetura que dá sentido à sua monumentalidade. Propor uma nova edificação em Brasília consiste em não tentar concorrer com as obras que compõem a capital, pois são obras distintas.

O projeto foi apresentado à comunidade que frequenta o santuário? O que eles acharam? Houve interesse em futuramente executar o projeto?

sentimento de acolhimento, aconchego e abraço, assim como colo de mãe. A fachada do templo apresenta uma referência à Jubilee Church, de Richard Meyer. Ela foi importante na fase de estudos do projeto? Quais foram as suas referências arquitetônicas e como elas lhe ajudaram a compreender melhor o tema?

Ainda não apresentei o projeto. Tenho total interesse em disponibilizar, caso a comunidade aprove. Os diversos Santuários de Schoenstatt ao redor do mundo mantém a mesma arquitetura do santuário original na Alemanha, uma réplica, com o intuito de causar a sensação de que, não importa em qual parte do mundo você está, você está frequentando o mesmo lugar. Portanto, a imagem da capela é o seu símbolo. Como foi o desafio de criar uma arquitetura icônica ao lado da simplicidade e beleza de um pequeno templo de tamanha importância?

A construção do meu trabalho, foi feita por fases, com base em estudos de importantes tipologias e estilos da arquitetura que influenciam o “universo religioso”, mostrando a funcionalidade, sistemas estruturais e partidos arquitetônicos. Por exemplo: Igreja da Transfiguração – Nigéria; Igreja Da Sagrada Família, de Gaudi – Espanha; Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida – Brasília; Igreja da Pampulha – Belo Horizonte; dentre outras citadas na minha monografia.

A arquitetura gótica é considerada enigmática e impressionista. Mesmo sendo uma capelinha tão singela ela tem essa dramaticidade do gótico. Era claro para mim ter que fazer algo que fluísse no mesmo estilo, porém deixando evidente ao visitante o que é novo e o que já existia. Para dificultar ainda mais o processo, no entorno, o vizinho é a Torre Digital, também conhecida como Flor do Cerrado. Um ponto turístico bastante visitado de autoria do arquiteto Niemeyer.

Estes edifícios não são apenas estruturas de um aspecto expressivo simbólico ou de um lugar simbólico, eivados de referências e visitações, mas, também, são arquiteturas que dão sentido ao lugar. A arquitetura impacta a sociedade e leva os visitantes a buscar no mundo espiritual, as evoluções da fé e o “estado de graças”, através das relíquias dos santos expostas, como também no encontro com o divino, influenciados pelas estruturas monumentais que são projetadas nesses templos.

Então trabalhamos também com outra vertente: o principal símbolo do santuário, que é a imagem de Nossa Senhora “A Mãe Peregrina”, buscando as características de um templo mariano, tentando trazer a plasticidade e leveza para o edifício. Dar um sentindo àquela obra, uma sensação, um

Apesar das paredes curvas do edifício remeter ao Jubilee Church, elas são propostas, soluções e tipologias diferentes. No meu caso, desde o começo eu quis trazer o arco gótico para o edifício, mas queria

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expressar ele dentro da simbologia da Santíssima Trindade em um templo mariano. Claro compondo e dando ritmo a fachada, por este motivo as três paredes de um mesmo lado. Me sinto lisonjeada por meu trabalho refletir reminiscências de uma arquitetura mundialmente conhecida. A arquitetura tem esses benefícios. Podemos fazer link de um edifício para o outro. Como dizia Mies Van der Rohe: “Ser bom é melhor que ser original”. Conte-nos um pouco sobre a sua caminhada no TCC. Como você definiu qual seria o tema do projeto? Como escolheu a sua professora orientadora? Como foram os assessoramentos? Os desafios e a aprendizagem? Quais são as dicas e conselhos que você pode dar para os estudantes que estão pensando no seu trabalho de conclusão? Nasci num berço católico e sou muito ligada à minha religião. Quando tive que escolher um tema para o TCC minha opção sempre foi um templo. Acho importante nesta fase final do curso o estudante buscar um tema pelo qual se identifique e tenha paixão pois é exaustivo o tempo debruçado sobre o trabalho. A banca final terá que visualizar a sua empatia pelo projeto. A escolha da minha orientadora foi por afinidades, pelo profissionalismo que sempre identifiquei nela. É importante o estudante prestar atenção em como o professor lida com seus alunos, seu compromisso na entrega de correções dos trabalhos, qual o conceito e metodologia que ele usa em


sala de aula. Preste atenção nos gostos em comum. Nisso o facebook ajuda muito! Isso tudo te ajuda a reconhecer quem se encaixa melhor na sua proposta de trabalho. São muitos meses juntos. Você dependerá dessa orientação. É importante ter apoio, para ter sucesso. A minha orientadora teve um papel fundamental no meu trabalho, mantendo um contato por whatsapp, feedback, me enviando reportagens e literaturas voltadas para meu tema. É muito importante esse relacionamento com seu professor, por isso faça a escolha certa. Como foram os diálogos com a comunidade e os fiéis que frequentam o santuário? Você já conhecia o local? A sua idealização da arquitetura para o complexo foi sempre a mesma ou o contato mais intenso com a rotina do santuário modificou o seu entendimento e, consequentemente, a elaboração do projeto? Sim! Eu conheci o lugar antes de entrar na faculdade. Me tornei frequentadora e uma apaixonada pela missão do santuário. Acompanhei algumas mudanças que foram acontecendo, como a ampliação de uma tenda provisória e outras melhorias.

No princípio a ideia era apenas projetar a igreja. Mas o convívio com outros fiéis e as pessoas que trabalham ali, me fizeram primeiro entender as necessidades e o cuidados com a implantação. O lote tem uma vista privilegiada do plano piloto. Então, a principal exigência era que nada obstruísse a visibilidade que a capelinha usufrui. Logo depois, como fazer com que o fiel aproveitasse essa vista dentro do templo.

A principal lição é ter paciência e muita dedicação. A forma não cai de paraquedas. O processo de criatividade é diferente para cada um. Respeite o seu tempo. Se você escolheu o parceiro “orientador(a)” certo, ele fará você reconhecer o melhor caminho. Escute, aceite as críticas e tente fazer o seu melhor. Eu devo todo o meu trabalho à minha parceira e orientadora. O conceito em arquitetura é algo que no início gera bastante dificuldade para os estudantes. Principalmente no entendimento do que é o conceito, que pode ser muito abstrato, e como trabalhá-lo nas diretrizes do projeto. Você fez um belo uso do conceito com os arcos góticos e o branco como símbolo da pureza de um templo mariano. Qual é o seu processo de criação de conceito? Quais foram as principais reflexões que você fez para chegar nele e como você o representou nas suas diretrizes?

O projeto do complexo foi idealizado em blocos seguindo sua função e atividades fora do templo. A idealização do complexo é que os fiéis possam peregrinar pelo lugar com a acessibilidade e conforto, contemplando a exuberante vista da capital e tendo sua experiência com o divino. Quais foram as principais lições que você aprendeu com sua orientadora que você vai levar para sua vida profissional? Fico feliz em poder dizer isso. Ela foi minha consciência, bom senso e disciplina. A Professora Dra. Patrícia Melasso me tirou da frente da facilidade que o programa 3D nos proporciona. Ela me fez resgatar e praticar a arquitetura na forma mais genuína. Foram vários croquis... Para ser mais exata, um mês de desenho até chegar na forma.

Eu tenho uma paixão pelo arquiteto João da Gama Filgueiras Lima “Lelé”. Ele sempre me inspirou com suas obras, trajetória e principalmente como ele era detalhista e engenhoso. Lelé transformava o concreto armado em um lugar habitável

CRÉDITO UDF (BRASÍLIA - DF) 2017/01 DISCIPLINA TCC PROFESSORA DRA. PATRÍCIA MELASSO ALUNA ALINE BARROS SILVA | alinebarros.arquiteta@gmail.com FACEBOOK www.facebook.com/arquiteturaab/ INSTAGRAM arquitetura_alinebarros CONTATO 61- 994074172

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com conforto térmico e luz natural. Acho que cada proposta tem uma finalidade. Então o importante é você identificar primeiro com o que você gosta de trabalhar, tipos de materiais e técnicas construtivas. Depois, desenvolver todos os nichos dentro do seu tema. Brincar com a forma, fazendo croquis, e moldes. Teste as soluções do edifício e a viabilidade daquela forma. No meu caso, o arco gótico era o que mais me chamava a atenção no santuário, desde os painéis da via sacra expostos no terreno, até as lembrancinhas vendidas na loja de artefatos. Então esse se tornou meu partido arquitetônico: desconstruir aquele arco e fazer dele a casa de Maria. Porém os conceitos do mestre Lelé me fizeram escolher o meu caminho. Que tipo de material e solução estrutural que gosto de trabalhar. Isso ajuda muito a definir o tipo de construção que você está criando. Cada arquiteto tem uma característica. Então a sua banca final de TCC e, depois, o seu cliente irão te identificar pelo seu estilo de trabalho. O que você propõe. Qual seu diferencial. Encontre o que mais se identifica com você. O que é a sua cara.


INTERCÂMBIO | INICIATIVA ALUNA CAMILA WESSLER UNIASSELVI (INDAIAL - SC)

UM NOVO OLHAR NO CHILE A estudante Camila Wessler, da Uniasselvi, de Indaial (SC), viveu uma experiência inesquecível em 2015. Ela conseguiu uma bolsa para estudar no Chile, na Universidade Santo Tomás, em Santiago. No semestre que se seguiu, Camila aproveitou para participar de um importante programa de voluntariado chamado Techo onde, aplicando os conhecimentos da faculdade de arquitetura, participou de trabalhos para melhorar a vida de comunidades no deserto de Atacama, na cidade de Tierra Amarilla. O intercâmbio proporcionou novos conhecimentos e vivências para a estudante. Ela traz essa nova forma de ver o mundo para os seus novos projetos e compartilha um pouco da sua experiência na Genoa.estudantes.

Pág. 47, 48, 49, 52 e 53: imagens produzidas por Camila na disciplina de fotografia realizada no Chile. Pág 46, 50 e 51: registros do trabalho voluntário que Camila realizou pela Techo Chile.

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Como você decidiu ir para o Chile, para a Universidade Santo Tomás? O que levou você a decidir por essa Universidade? Você tinha uma lista das instituições? Como funcionou esse processo? Na verdade foi pela minha universidade. Ela é uma instituição menor que foi vendida para a Kroton Educacional, que hoje não é mais proprietária da Uniasselvi. A Kroton é uma rede grande que abrange várias universidades do país, e enquanto ela gerenciava a minha universidade eu tive a oportunidade de aproveitar os convênios que ela oferecia, entre eles, com o banco Santander. Pelo Santander eu me inscrevi numa bolsa iberoamericana, e consegui um intercâmbio pro Chile. Não era minha opção A. Porém a única ofertada pela minha universidade no Brasil. Lá no Chile a universidade que tinha convênio com o Brasil era a Universidade Santo Tomás. Então eu podia escolher a cidade que eu queria ir e dentre elas eu escolhi ir pra Santiago, que é a capital. Quanto tempo levou todo o processo de seleção? Foi muito rápido. Eu me inscrevi, não teve prova, nada. Os critérios, aqui para o sul, foram notas e participação acadêmica. Então me inscrevi. Depois de um mês recebi uma ligação e a bolsa já era minha. Não demorou muito tempo já tinha um valor depositado na minha conta e estava tudo certo. Foi um processo muito simples.

Eu retornei para o Brasil e estou concluindo minha graduação. Voltou para Santa Catarina? Isso. Você é gaúcho? Sou sim. Eu morei com uma gaúcha lá. Dividi apartamento com ela. Eram só vocês duas? Isso, nós nos conhecemos pelo Facebook, pois ela ganhou a mesma bolsa que eu. Ela também estudava em uma universidade pertencente a rede Kroton Educacional, mas de Porto Alegre, se não me engano. Nos encontramos em um grupo do Facebook e nos conhecemos posteriormente em Porto Alegre. Depois fomos para o Chile juntas. Foi bem bacana. Lá alugamos um apartamento e dividimos as despesas. Era um apartamento próximo da universidade. Tinham aula todos os dias? Não, não eram todos os dias. Tinham alguns dias livres e outros dias eu tinha aulas em meio período. Ás vezes em período integral, de manhã e depois de tarde. Mas tinha bastante tempo livre também, não ficava só estudando. Conseguiu passear bastante lá? Sim, sim! Fui pra bastante lugares lá. Só não fui pro sul do Chile, mas os demais eu conheci: praias, montanhas, a cordilheira... As montanhas devem ser incríveis.

E hoje você mora no Chile ou está de volta ao Brasil?

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É um lugar que todo mundo deveria ir na vida, muito legal! Aí nesse tempo livre também tive a oportunidade de participar de palestras de um escritório de arquitetura que tinha lá. É um escritório internacional, tem em Barcelona e tem no Chile. Eles promoviam palestras duas vezes por mês. Nessas palestras eu também conseguia interagir com o pessoal de arquitetura. Qual é o nome desse escritório? Ele se chama Trespa Arquitectura. A sede fica em Barcelona, se não me engano. E eles davam essa palestra duas vezes por mês. Isso, quando eu estava lá sim, eram duas vezes por mês. Eles chamavam artistas. Um dia era um artista de cinema, outra vez era um de teatro, de música... Eles relacionavam os temas de arquitetura com a cidade. Por exemplo, quando ia um artista de teatro e cinema, a gente falava sobre a imagem da cidade, como isso influencia na vivência das pessoas. Isso é muito interessante! Essas palestras deviam ser muito concorridas. Eram bastante. Mas o Chile não é um país que dá oportunidade quando a gente fala de arte. Porque houve a ditadura militar e infelizmente muitos artistas da época não resistiram. Então isso fez com que não houvesse a evolução das artes para as futuras gerações do país. O que evoluiu foi a parte mais administrativa. Se você trabalha como contador ou faz serviço de banco, tem muita oportunidade lá. Agora questões artísticas você não tem tantas oportunidades.

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O que você pôde notar da arquitetura de lá? Lá tem o centro histórico, que tem quase 200 anos. É um centro maravilhoso, com edificações antigas bem cuidadas, bem mantidas e de grande porte. Já do outro lado da cidade tem um bairro que é supermoderno, de edificações com tecnologias diferentes. Fachadas geométricas. O Costanera Center, que é o maior shopping da América Latina, tem 300 metros de altura fica nesse bairro mais moderno, com edificações de mais status. Era fácil se locomover de uma lado a outro da cidade? Como eram os ônibus? O transporte viário? As ruas? O urbanismo? Era muito fácil ir de metrô. Eu ia para qualquer lugar de metrô. De ônibus eu andava de graça, estudante não paga. Quando eles veem que você é mais nova eles não cobram. Não tem cobradores nos ônibus lá. Andava de bicicleta também. Tinha muita bike, aquelas bikes do Itaú que a gente consegue alugar por um tempo. As estradas lá são todas asfaltadas. A infraestrutura é maravilhosa. Dá pra andar tanto a pé quanto de bike ou de ônibus. É bem diferente daqui. Pouco engarrafamento também, pouco trânsito. Quantos meses você ficou lá estudando? Foram 07 meses, um semestre da faculdade. Eu fui um pouco antes de começarem as aulas e voltei um pouco depois de finalizarem as aulas lá. Então fiz um semestre acadêmico. Que foi semestre passado? Não, eu fui em 2015.


Você sabia falar espanhol já ou precisou fazer um cursinho para se adaptar, para conseguir assistir às aulas? Eu falo inglês fluentemente. Com o inglês eu consegui me virar um pouco. Eu não sabia nada de espanhol, mas em questão de um mês e meio eu estava falando bem fluente. Mas tinham aulas de espanhol também. Nas aulas era só você de brasileira? Como eram os trabalhos em dupla, em grupo... As aulas que eu peguei para fazer não tinham brasileiros. Tinham mexicanos, tinham tailandeses, tinham peruanos. Mas brasileiros não, estavam em outros cursos. Então sempre que tinha alguma atividade acadêmica eu tinha que me virar, achar uma dupla. Se você tinha vergonha, então, tinha que perder na marra. Sim. E tive que fazer uma apresentação para a turma, uma turma de 50 alunos chilenos. Tinha que explicar a idade relativa da terra em espanhol. Eu morria de vergonha. Sobre o tempo livre, o que vocês costumavam fazer por lá? Vocês iam para bares? Shows? Danças típicas? O que você pôde ver da cultura local? Lá tem muitos centros de eventos. Tinham exposições artísticas. Tinham feiras de rua. Tinha cinema ao ar livre. Tinha Yoga na praça. Muitas coisas diferentes daqui do sul, pelo menos, em Santa Catarina. Mas nas exposições artísticas e centros de eventos, pela questão da arquitetura, eu ia bastante. Tinham também as vinícolas mais próximas que

dava para ir visitar. Os parques eram gigantescos, enormes. Então sempre tinham atividades. No tempo que eu fiquei lá, quando não tinha aula, sempre tinha alguma coisa para fazer. Também tinham os bares... Me mantive bem ocupada lá. No Chile tem previsão de terremotos a cada 10 anos. Alguém falou isso pra assustar você? Ah sim, é bem menos. Acho que a cada 02 meses. Peguei alguns terremotos lá. Estávamos dentro do apartamento, em um prédio de 26 andares. Nós morávamos no 18º andar. Olhávamos pra fora e víamos os prédios todos balançando. Não andava de elevador lá nunca. Só escada, eu tinha medo. E eles estão acostumados. Teve um dia que deu trovoadas, com relâmpagos e eu achei supernormal e eles não, não estão acostumados. Aí foi o inverso. Nas aulas eles já insistiam para que você fizesse algo já pensando nos terremotos? Sim. Até porque eu não fiz o curso de arquitetura e urbanismo lá. Eu fiz outras matérias, de outros cursos, mas que eram relacionadas. Por exemplo, eu estudei geologia e mecânica dos solos. Então vimos muitas edificações. Vimos por que elas caem. Na questão dos terremotos vimos o que deve ser feito com o terreno. Que

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tipo de estrutura precisa ter no solo para sustentar a edificação. Eu estudava fotografia também. Nos cursos de fotografia fiz documentários voltados à arquitetura. Por exemplo, a arquitetura de um bairro. Um bairro era muito diferente de outro. A gente tentava focar sempre na época que foi construída aquela arquitetura, como funcionavam as edificações. Você fez documentários em vídeo também? Em fotografia. Foi legal por que, quando eu voltei, eu voltei com outra mente. Isso ampliou muito porque observar as coisas é muito importante. E eu só vi que era tão importante quando eu voltei e consegui aplicar isso nos meus projetos. Eu vi que conseguia entender melhor as coisas depois que eu observava elas. No Chile você participou do programa Techo Chile. Você já conheci esse programa antes de ir pro intercâmbio? Não, eu conheci no Chile. Depois eu descobri que tem no Brasil, no Uruguai e em vários países. Não é só no Chile. Foi lá na universidade onde eu estava estudando. Em maio todos os alunos receberam uma mensagem perguntando quem gostaria de participar do voluntariado. Da universidade fomos apenas eu e mais duas meninas chilenas, que faziam enfermagem. Depois foram reunidas todas as universidades do Chile e deu um total de 400 voluntários. Eu era a única brasileira lá. Tinha uma francesa e dois alemães também. Foram 15 ônibus em direção ao deserto de Atacama, em 12 horas de viagem.

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O deserto de Atacama fica ao norte do Chile. Quando chegamos lá fazia calor. Durante o dia faz 40 graus e de noite tem uma queda muito grande. Muito frio. Então durante o dia a gente trabalhava no sol, com muito calor, bem cansativo. E à noite ficava muito frio, precisava de fogueira para se aquecer. Era uma diferença muito grande. Você comentou que ajudou na compreensão das plantas baixas lá no programa. Sim. A organização, Techo Chile, tem o projeto de uma casa prémoldada. Eles entregam o material. A gente tem a planta, o projeto executivo. Temos que ler esses projetos e montar as casas. Então, o pessoal que foi pra cidade onde eu fiquei, mais ou menos 100 pessoas, 100 jovens, dividiu-se em grupos, 10 pessoas em cada grupo. Foi entregue um projeto para cada grupo e tínhamos o prazo de uma semana para pegar as peças da casa pré-moldada e deixar ela em pé. Por exemplo, a treliça do telhado, como ele funcionava, era um pouco difícil de entender aí eu consegui passar isso pro pessoal da minha equipe. Também trabalhei cavando buraco, botando estaca no chão, martelando, fazendo os acabamentos...


Qual foi a parte mais marcante de passar uma semana montando casas com essas pessoas? Acho que uma vez que marcou bastante foi no último dia. Eu tinha ido pra uma das casinhas e estávamos fazendo os acabamentos dela, terminando de pregar as coisas, parafusar... Sentamos um pouco para conversar. Eu olhei ao meu redor, estamos entre chilenos e uma francesa, e paramos para conversar... E eu nunca imaginei que iria estar fazendo isso na vida. Foi um ótimo momento, um momento de bastante reflexão e agradecimento, um momento mais sentimental. Uma das coisas mais legais é que as pessoas eram muito simpáticas. Gostaram de irmos lá, ajudar o povo deles. Sempre bem animados, bem alegres, fazendo piadas. Sempre interagindo bastante comigo. Fiz muitas amizades lá. Na volta, quando você chegou na sua faculdade, você contou a sua experiência em sala de aula, na sua turma? Não, não. Até porque não consegui mais alcançar a minha turma. Então eu estava em uma turma nova, mais quieta. Só que nós temos todo o semestre a semana acadêmica, que se chama Arqestudos. Nesse Arqestudo, a coordenadora do curso, a Professora Cassandra, pediu para eu dar uma palestra com imagens e contar como foi a minha trajetória, como foram as coisas. Esse feedback foi bem legal. Foi uma noite para relembrar a experiência.

CRÉDITO CAMILA WESSLER| camilawessler@gmail.com

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Genoa.estudantes é uma publicação da Genoa Maquetes Eletrônicas. As imagens publicadas nos artigos pertencem a seus respectivos autores. Para a Genoa.estudantes #4, a Genoa Maquetes Eletrônicas desenvolveu a arte para a capa da publicação utilizando o projeto acadêmico da estudante Aline Barros Silva como inspiração. Telefone / WhatsApp: +55 51 99839 2912 e-mail: genoa-arq@outlook.com Skype: genoa-arq

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