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Jornal Barão de Mauá/2019/2° bimestre

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Foto: Rafael Rabello

jornal barão de mauá Coleta de lixo reciclável aumenta renda de moradores de Ribeirão Curso de Comunicação Social - Hab. em Jornalismo Centro Universitário Barão de Mauá

Ribeirão Preto - SP 3º bimestre/2019

Material é descartado nas quatro regiões da cidade, onde serão construídos futuros ecopontos

EPTV, grafiteiros pintam muro da emissora Pág. 11

giões da cidade. Esses locais são chamados de Caçambas Sociais. O aposentado Cícero dos Santos, 72, afirma que seria impossível sobreviver com o que recebe da Previdência Social.

Ele coleta vidros num local de rejeito localizado na zona norte de Ribeirão Preto. O mesmo local é frequentado pela catadora Denise Silva Costa, de 57 anos. Mas a fonte de renda dessas

pessoas está ameaçada porque a Prefeitura de Ribeirão vai construir ecopontos nos mesmos locais onde hoje estão as Caçambas Sociais. Quando a obra terminar, os catadoPág. 3 res terão de deixar o local. Foto: Alvaro Momenso

ARTE VISUAL - A convite da

Com a alta do desemprego no Brasil, moradores de Ribeirão Preto têm complementado a renda “garimpando” lixo reciclável em locais de descarte de materiais espalhados por todas as re-

ARTE Marp escolhe três artistas para fazer exposição em 2020 em Ribeirão Preto Pág. 12

ECONOMIA Supermercados de Serra Azul vendem produtos por preço maior que Ribeirão Pág. 5

Adolescente coleta material reciclável em local de descarte de lixo na zona norte da cidade: Caçambas Sociais serão substitídas por ecopontos

JABOTICABAL Moradores de rua recebem cuidados da prefeitura em duas moradias Pág. 4

COMPORTAMENTO Atores que encarnam drag queens sentem preconceito na pele

Brechós caem no gosto dos Fim de curtidas no Instagram consumidores e viram ‘febre’ derruba vendas de lojistas Brechós se tornaram febre em Ribeirão Preto. O ramo cresceu e hoje é possível encontrar de tudo, desde roupas, sapatos, acessórios e eletrodomésticos. Além de encontrar peças vintages que estão na moda, o cliente pode economizar até 60% na hora da compra, como é o caso de algumas roupas de marca.

O proprietário da loja pioneira no ramo conta que o preconceito foi um dos principais obstáculos para os clientes entrarem nos brechós. O comércio cresce anualmente devido ao fato de famosos comprar produtos usados e compartilhar fotos deles em suas Pág. 6 redes sociais.

Foto: João Victor Marques

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CULTURA GEEK Cresce no Brasil número de colecionadores de action figures Pág. 12

ARTIGO Leia “Toda lagarta tem seu gosto” De Felipe Camargo de Paula

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ÁREA VERDE - Parque Luiz Roberto Jábali passa por reformas Pág. 3

A remoção, pelo Instagram, de curtidas vai afetar as vendas das lojas que utilizam a plataforma para fazer propaganda de seus produtos. “Tudo que vira modinha de likes a galera deseja ter. Agora com a ausência dos números o público pensará melhor antes de comprar no impulso da pro-

paganda”, declara Henrique Andrade, consultor de marketing. A consumidora Karina Lopes Marinho afirma que se sente insegura em adquirir um produto em razão do fim dos “likes” no Instagram. Para ela, a avaliação de outras pessoas sobre as mercadorias postadas é importante e não devePág. 7 ria ter sido suprimida.

Museu que abriga fósseis em Monte Alto ganha fama internacional

Curso gratuito garante vagas em faculdades para jovens carentes

O Museu de Paleontologia de Monte Alto é referência internacional com seu rico acervo. O primeiro registro de fósseis é datado de 1920. “Atualmente estamos quantificando espécimes e não mais cada fragmento de fósseis encontrados”, afirma a coordenadora do museu e paleontóloga Sandra Tavares. O museu também tem em sua coleção materiais coletados Pág. 8 de outras cidades.

Um cursinho popular que funciona na zona norte de Ribeirão Preto auxilia jovens a ingressar na universidade. Fundado em 1990, ele conta com aulas de professores voluntários. Os alunos são pessoas que trabalham ou estudam de dia e que não possuem condições de pagar por um curso. São 40 vagas, preenchidas por meio de uma prova. Os que não conseguem, ficam Pág. 4 na lista de espera.


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OPINIÃO

3º bimestre/2019 Foto: Jefferson Barcellos

EDITORIAL

Uma estreia na medida Chega às mãos dos leitores mais uma edição do Jornal da Barão, na qual estreiam na prática da reportagem os estudantes do quarto semestre de jornalismo. São boas pautas, boas histórias para ler. Alvaro Momenso narra como moradores da zona norte de Ribeirão Preto complementam a renda familiar garimpando produtos recicláveis em locais chamados Caçambas Sociais. É ali que essas pessoas minimizam o drama da falta de dinheiro, que atinge milhões de brasileiros devido à falta de emprego. É o principal assunto desta edição. Moradores de rua, outro drama social na paisagem urbana das cidades brasileiras, é o tema de reportagem inicial de Layne Mauricio, que retrata como Jaboticabal lida com essa situação. Em Brodowski, outrora capital do abacaxi, as tradicionais barracas que comercializam a fruta resistem bravamente, embora em número reduzido, às margens da rodovia Candido Portinari. Amarildo Pizzi conta como, por pouco, os comerciantes não foram despejados de seus pontos de venda, nos quais estão há dezenas de anos, perdendo o ganha-pão e privando a cidade de uma de suas marcas registradas. Mas nem só de drama social se faz esta edição. Vitória Pierri relata como os dinossauros se tornaram a maior

atração de Monte Alto, levando milhares de pessoas por ano ao Museu de Paleontologia, que abriga fósseis descobertos nos anos 20 do século passado. Entre os fragmentos, estão dinossauros herbívoros, tartarugas e crocodilos, além do carnívoro Titanossauro.

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Mais uma edição na qual estreiam os alunos do 4º semestre de jornalismo

E o leitor poderá incursionar por reportagens de economia. Texto de Jamiele Cavalcante narra como os consumidores perderam o preconceito de fazer compras em brechós em Ribeirão Preto, impulsionados principalmente pelo comportamento de famosos. Maria Caroline Francisco mostra também como o comportamento individual nas redes sociais afeta os negócios. Vendas de mercadorias estão prejudicadas desde que o Instagram deixou de mostrar a quantidade de curtidas dos produtos compartilhados na plataforma. O leitor poderá encontrar esses assuntos e muitos outros mais nesta edição. Uma estreia na medida. A todos uma ótima leitura.

O jornal barão de mauá é uma publicação produzida pelo curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá. REITORA

Profª. Dra. Dulce Maria Pamplona Guimarães VICE-REITOR

PRÓ-REITORA DE ENSINO

Profª. Ma. Valéria Tomás de Aquino

PRÓ-REITORA DE PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Profª. Dra. Joyce Maria Worschech Gabrielli Prof. Dr. Dyjalma Antonio Bassoli PRÓ-REITOR ADMINISTRATIVO

Antonio Augusto Abbari Dinamarco DIRETORAS INSTITUCIONAIS

Prof.ª Maria Debora Vendramini Durlo Prof.ª Meire Aparecida Pedersolli

REPORTAGEM, FOTOJORNALISMO E DIAGRAMAÇÃO

Alunos do curso de Jornalismo

PROFESSORES RESPONSÁVEIS EDIÇÃO, COORDENAÇÃO E REVISÃO DE TEXTOS

Prof. Me. José Antonio Bonato

PROJETO GRÁFICO E EDIÇÃO DE ARTE

Prof. Me. Alberto G. P. Oliveira EDIÇÃO DE FOTOGRAFIA

Prof. Me. Jefferson Barcellos Os textos desta página, exceto o Editorial, são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião do veículo.

EXPEDIENTE

PRÓ-REITOR DE GRADUAÇÃO

Prof. Dr. Sebastião Geraldo

O fotógrafo, Jefferson Barcellos, 49, autor da foto da galeria desta edição do Jornal da Barão, nasceu em Ribeirão Preto e foi criado na Vila Amélia, bairro da zona oeste da cidade. A foto é uma cena do cotidiano de judeus ortodoxos no Bom Retiro, bairro da capital paulista. Barcellos, que é também professor da Barão de Mauá, se apaixonou pela fotografia quando era estudante de Jornalismo, na década de 90. “Eu passava horas no laboratório revelando fotos em preto e branco e fazendo cópias e carregava a câmera emprestada da faculdade para cima e para baixo, fotografando tudo o que conseguia.”

Apesar de, na era digital, os laboratórios terem desaparecidos, o fato de envolver trabalho artesanal mantém acesa a paixão de Barcellos por eles. “Estou cogitando novamente montar um. Em quase trinta anos de jornalismo, o fotógrafo já passou por várias experiências profissionais. Foi setorista de rádio, fotografou para sindicatos e trabalhou nos jornais impressos A Cidade, de Ribeirão, e Folha de S.Paulo. Os momentos mais tensos da carreira foram a cobertura de uma marcha de sem-terra em Cravinhos, em 1996, e uma rebelião com reféns de presos do cadeião de Ribeirão Preto. Barcellos está na reta final de

um doutorado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. “Estou realizando um experimento de fotografia mobile, trago a leitura da linguagem de fotografia de rua através dos seus grandes autores (Cartie Bresson, Robert Frank, Elliot Erwitt) para o universo dos smartphones.” Em sua carreira acadêmica, o fotógrafo ribeirão-pretano tem no currículo a experiência de ser professor do primeiro curso superior de fotografia da América do Sul, no Senac de São Paulo, onde morou por seis anos. Para Barcellos, não há como separar fotografia como profissão e fotografia como hobby. Ambas se fundiram nele.

Toda lagarta tem seu gosto FELIPE CAMARGO DE PAULA

PRÓ-REITOR DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

COORDENADOR DO CURSO DE JORNALISMO

Hobby e fotografia profissional se fundem em Jefferson Barcellos

ARTIGO

Prof. João Alberto de Andrade Velloso

Thiago Henrique de Moraes

IMAGEM

Japão por Jun’Ichiro Tanizaki (1886-1965) é um dos principais O livro “Há Quem Prefira romances do autor e leitura funUrtigas” conta a história do casal damental da literatura moderna Misako e Kaname, que, depois de japonesa, pois ela compõe em conceberem um filho, deixam de suas páginas o encontro de gesentir atração um pelo outro, po- rações, causado pela chegada da rém não conseguem colocar um cultura ocidental ao país. fim na relação. Assim estabelecem uma série de regras para que com o tempo consigam ter uma Melancolia e conflitos separação definitiva e calculada. Diferente de outras histórias causados em uma de amor, cheias de intrigas e rerelação separada viravoltas, esta nada no sentido entre duas culturas contrário. Estamos diante de um romance que deixa de lado convenções a que estamos acostumaFato esse refletido nas perdos neste gênero literário e nos mergulha em reflexões e dilemas. sonagens femininas: Ohisa é a Dois anos se passam e Mi- figura da mulher tradicional e sako mantém relações com um submissa, Misako, por sua vez, amante, relacionamento este mais independente, porém com que é de conhecimento de Ka- dificuldades em relação ao futuname, que, por sua vez, mantém ro possível divórcio. Enquanto relações com uma prostituta. Há Louise almeja largar a vida vertambém o pai de Misako, que gonhosa de prostituta se aprotem como companheira Ohisa, veitando da paixão de Kaname. Recheado de bons diálogos uma jovem gueixa com metade que, além de prender, intrigam de sua idade. A obra “Há Quem Prefira o leitor, passamos por momenUrtigas” publicada em 1928 no tos de certa forma rotineiros

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dos personagens, nos deixando mais próximos de seu íntimo. Enquanto a trama avança, nos deixa uma sensação de constante de inquietação. Porém de fato não é um livro para todos. Vários dos capítulos podem ser considerados “arrastados” e longos, aspecto comum em obras e na própria arte japonesa. Há espaços em que nada acontece. No entanto é exatamente nesses espaços que encontramos o mundano na história. São eles que dão mais valor às ações dos personagens e nos deixam atentos aos detalhes da trama. É a história sendo movida não pela narrativa, mas por ela mesma. “Há Quem Prefira Urtigas” é um livro que vai deixar o leitor reflexivo e mostrará as complexidades e novas formas de amar. Será um deleite para quem quer ter uma fuga dos padrões best-sellers e procura uma obra mais contemplativa. Felipe Camargo é estudante do 4º semestre do curso de Jornalismo da Barão de Mauá.


3º bimestre/2019

CIDADES

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Coleta de entulho aumenta renda de famílias Falta de emprego leva moradores da zona norte de Ribeirão Preto a ‘garimpar’ material reciclável em caçambas

Foto: Alvaro Momenso

atividade de doméstica, mas, devido à idade, não conseguiu nova colocação no mercado de trabalho. “Só se consegue emprego quando a gente é novo. Quando ficamos velhos, não conseguimos mais nada.” Os catadores alternam a coleta entre eles, o que gera uma organização, nas palavras deles. Os entulhos de construção, podas de árvore e outros resíduos não recicláveis são retirados pela prefeitura três vezes na semana. Santos afirma que as coletas feitas pelo município não são o suficiente para reduzir o volume descartado, pois em pouco tempo o terreno já está lotado.

Entulhos acima do permitido: População desrespeita o limite de 50 kg proposto pelo governo municipal ALVARO MOMENSO

Os pontos de descarte de entulhos e resíduos recicláveis localizadas em bairro da zona norte de Ribeirão Preto se tornaram fonte de renda para pessoas de baixa renda. As Caçambas Sociais, nome dos locais que recebem esse material, é um projeto da prefeitura que está em atividade desde 2016. Os coletores relatam falta

de oportunidade de emprego. O aposentado Cícero dos Santos, 72, conta que está ali desde a instalação das caçambas, há cerca de três anos. Ex-segurança de banco, ele diz que o valor da aposentadoria recebido da Previdência é muito baixo e não dá para sustentar sua família. A única saída, diz, é coletar recicláveis. Santos conta que prefere coletar vidros, pois já possui conta-

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to dos compradores, o que torna a revenda mais fácil. Outra catadora, Denise Silva Costa, 57, trabalha nas caçambas sociais há cerca de três anos. Ela coleta material todos os dias, sem descanso nem aos finais de semana. Denise chega ao local às 7h, pois, segundo ela, sempre terá recicláveis para serem recolhidos. A coletora conta que trabalha no local por não haver outra opção de emprego. Ela exercia a

Só se consegue emprego quando a gente é novo. Velhos, não conseguimos

O limite para descarte é de 50 quilos por pessoa, mas os entrevistados disseram que esse limite não é respeitado. Em algumas vezes, os descartes são feitos por caminhões, que trazem grandes quantidades de entulhos. Durante todo o período que as caçambas estão instaladas

Parque Curupira vai ganhar obra de iluminação JOÂO VICTOR MARQUES

A Prefeitura de Ribeirão Preto e a Unimed fizeram no dia 28 de agosto uma parceria para a reforma do Parque Prefeito Luiz Roberto Jábali, conhecido como Curupira. O início das obras está previsto para outubro deste ano. A parceria entre Unimed e prefeitura faz parte do Programa Verde Cidade, que é gerido pela Coordenadoria de Limpeza Urbana e possibilita junto com a iniciativa privada a adoção de qualquer área verde, praças públicas, rotatórias ou canteiros de avenidas do município. O parque Curupira contará com uma estruturação na parte de iluminação, banheiros, reparos nos telhados, pinturas, sinalização, instalação de lixeiras e revitalização dos bancos de madeira. A iniciativa atende pedido da população, que se queixa principalmente do horário de funcionamento do parque. “Hoje o parque fecha às 18h. Com a iluminação instalada existe a possibilidade de o parque estar aberto também no período noturno”, Oliveira Junior, chefe da Divisão de Praças e Parques Públicos, que faz parte da Coordenadoria de Limpeza Urbana de Ribeirão Preto. O corretor de imóveis e aposentado Antônio Rodrigues dos Santos, 74, frequenta o parque há mais de oito anos para a prática

Foto: João Victor Marques

ocorreram vários incêndios no local, devido à grande quantidade de galhos descartada ao redor das caçambas. Para Santos, os incêndios causavam muitas reclamações da vizinhança, mas agora a situação está melhorando. Um morador da região, para deixar o lugar mais agradável, plantou mudas de árvores onde eram descartados os galhos, evitando, segundo Santos, novos incêndios. A prefeitura abriu recentemente uma licitação para a construção de ecopontos, que substituirão as caçambas sociais, no mesmo local. Quando a construção encerrar, os coletores terão que se retirar do local e procurar outras formas de coletar os resíduos. Podendo piorar sua situação financeira. LOCALIZAÇÃO DAS CAÇAMBAS

–  Avenida Patriarca com rua Pedreira de Freitas –  Avenida Monteiro Lobato com rua Jorge de Lima, zona oeste –  Avenida Ettore e Aurora Coraucci com avenida Jornalista Antonio Carlos Pinho Sant’Anna, zona norte –  Avenida Octávio Golfeto com rua Américo Batista, zona norte –  Avenida Alfredo Ravanelli com rua Inácio Scandar, zona leste

Fonte: Prefeitura de Ribeirão

Uso de recursos naturais coloca país em situação de risco GABRIELA BRUNO

Saracura em trecho alagado do parque Curupira, que passa por reforma: iluminação pode estender horário

de exercícios e reclama da situação em que se encontra o parque. “Hoje em dia a limpeza melhorou, mas existem muitos problemas como sinalização e iluminação. O parque fecha cedo e impossibilita muitas pessoas que chegam do trabalho e buscam um local para praticar seus exercícios”, declara Santos. Para o arquiteto Renato Villela, 55, a parceria entre Unimed e prefeitura poderá trazer melhorias ao parque e à população. “Venho três vezes por sema-

na e até tem uma boa estrutura, mas está faltando muita coisa para ser feita. Espero que essa união com a Unimed possa melhorar, pois o tempo seco acaba afastando as pessoas de frequentar o Curupira, então ele precisa se tornar mais atrativo”, afirma o arquiteto. Outros parques de Ribeirão Preto já participam dessa parceria com empresas privadas como os parques Dr. Luis Carlos Raya e Maurílio Biagi. Segundo Hamilton, as ado-

ções de áreas públicas como o Curupira trazem uma economia para o munícipio, já que o investimento é feito através da iniciativa privada. “É uma economia pois existe o investimento de uma empresa privada em uma área pública da cidade e com certeza a prefeitura não terá que assumir esse valor que seria aplicado no parque, mas a prefeitura continuará dando seu apoio”, afirmou o chefe da divisão de praças e parques públicos de Ribeirão Preto.

A Global Footprint Network, uma organização de pesquisa que administra o uso dos recursos naturais no mundo, alertou que o Brasil atingiu, no dia 29 de julho desse ano, o limite do uso sustentável de recursos naturais disponíveis para 2019. Isso coloca não só o país, mas o mundo em situação de alerta, já que está data vem ocorrendo cada dia mais cedo. Segundo a organização, o fenômeno chamado de Dia de Sobrecarga da Terra, ocorreu 5 vezes nos últimos 540 milhões de anos e, dessa vez, os recursos são utilizados 1,75 vezes mais rápido do que a capacidade de regeneração dos ecossistemas. Dessa forma, as consequências começam a dar sinais preocupantes, colocando não só o meio ambiente como a saúde da população em risco. Segundo o Professor de Biologia Michel Fontes Soares, essa situação de caos pode ser revertida com hábitos simples que as pessoas podem adotar no dia a dia. “Reciclar e reutilizar ajuda bastante. Questões como fechar a torneira ao escovar os dentes. Vários hábitos simples que podem ajudar a economizar o recurso natural e melhorar a situação do país”, afirmou Michel.


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CIDADES

3º bimestre/2019

Casas minimizam drama de moradores de rua

Sem-teto de Jaboticabal recebem roupa, banho, tratamento médico e apoio para se livrar de vícios, entre outros cuidados LAYNE MAURICIO

Jaboticabal oferece duas casas para atender moradores em situação de rua. Os dois imóveis recebem em média cerca de 45 pessoas por mês, tanto homens quanto mulheres. As casas fornecem alimentação, roupa, banho e moradia por um período de até três meses. Dentro deste período há uma equipe que faz o encaminhamento desses moradores para tratamento de dependência química, reaproximação familiar e tratamentos médicos, entre outros serviços. Segundo a diretora da Proteção Social e Especial de Jaboticabal, Lassila Roberta de Almeida, muitos moradores não completam os três meses previstos. “Tem aqueles que simplesmente querem viver na rua, por conta de drogas, e aqueles que falam que a rua é o mundo deles”, afirma. A prefeitura conta também com apoio de voluntários. Eles formam o projeto Vozes da Rua. Uma equipe sai em busca de pessoas em situação de rua e promove a inserção social desses moradores através de tratamentos de saúde e internação.

Foto: Layne Mauricio

Casa Transitória masculina inaugurada na década de 90, localizada no centro da cidade de Jaboticabal

“No município de Jaboticabal são abordadas cerca de 60 pessoas em situação de rua. Há uma média de 40 homens e 20 mulheres”, declara Lassila. A casa Maria atende o público feminino e foi inaugurada em fevereiro de 2018. A gestão é feita pela entidade Associação Joanna de Angelis, que fornece roupas e alimentação. A prefeitura arca com o aluguel e uma parte do RH.

No ano de 2017 foram abordadas cerca de dez gestantes em situação de rua. Após a disponibilização da injeção anticoncepcional, esse número foi reduzido. Atualmente em Jaboticabal há cinco gestantes em situação de rua, destas, duas vieram de outro município. A casa Transitória masculina foi inaugurada no início da década de 90. Conta com

Projeto incentiva prática esportiva entre jovens de escolas da periferia MARIA VITORIA

Atividades de esporte e cultura integram o projeto “Bom de nota, bom de bola”, que oferece a prática esportiva de forma gratuita para crianças e adolescentes carentes matriculados em escolas da periferia de Ribeirão Preto. As ações, que contemplam esporte e cultura, têm como objetivo o benefício do seu público alvo, promovendo a transformação social por meio das atividades apresentadas e ensinadas. A Associação Pró-Esporte e Cultura (Apec) é uma associação civil que está ativa desde 1996 trabalhando através do esporte e da cultura, em prol da educação sem fins lucrativos ou econômicos. “A verba financeira que recebemos vem das leis de incentivo fiscais, tanto federal quanto estadual”, afirma o presidente da instituição Oswaldo Trintim Junior. O propósito surgiu com o ex-jogador de futebol Eduardo Zanello como uma ferramenta social e de desenvolvimento infantil para atender crianças, adolescentes e jovens que vivem em condição de vulnerabilidade social. Além de promover a autoestima dos alunos por meio do ensino esportivo e da prática de ações culturais, a participação também trabalha como incentivo no desenvolvimento escolar. Um dos projetos que mais trouxe resultado foi o “Bom de

Foto: Maria Vitoria

Jovens que participam do programa Bom de Nota Bom de Bola

Nota, Bom de Bola”. Com cerca de 120 alunos da rede pública de ensino, de Ribeirão Preto, a finalidade é o oferecimento de aulas gratuitas de futsal, basquete, vôlei e handebol. “Consideramos que através do que a Pró-Esporte representa, essas crianças podem ter um desenvolvimento social disciplinar notório e aprendendo o valor do trabalho em equipe. Para nós, é importante acompanhar a vida escolar desses jovens também para confirmar se o que a gente

faz aqui auxilia em outros aspectos”, afirma o presidente. Por meio da prática esportiva educacional e atividades recreativas, o “Bom de Nota, Bom de Bola” tem como objetivo estabelecer uma relação entre o esporte e o bom desempenho na escola. Com o passar dos anos, outros nomes fizeram sucesso junto à Apec, como o “Bom de Nota, Bom de Dança”, uma adaptação trocando o esporte por danças como balé e capoeira.

o apoio da prefeitura, que faz a gestão, arca com o aluguel, energia, água e transporte. A casa recebe recurso estadual que é destinado a alimentação e compra de passagens. Wagner, de 42 anos, foi usuário de drogas e já morou na rua. Hoje é morador da casa Transitória. Conta que prefere viver na rua do que voltar para casa de seus familiares. “Tenho casa,

mas prefiro viver na rua, porque tenho mais liberdade”, afirma. “O pessoal da casa é como uma família para mim, estou aqui faz um mês e dez dias. Tem as nossas atividades, cuidamos de uma horta, fazemos terapia e vamos à igreja. Isso ajuda a distrair a minha mente, me sinto muito bem aqui”, diz. Rudinei de 37 anos, também morador da casa Transitória, elogia o local. “Estou na casa porque briguei com meus familiares. Eu e minha esposa ficamos na rua por causa de drogas e bebida, hoje ela está na casa Maria. O pessoal da casa é muito acolhedor, sou bem tratado aqui.” Renan, o psicólogo da casa, declara que a maioria das pessoas que chegam tem vínculos rompido com a família, internações sem sucesso e foram presas muitas vezes. A maioria delas veem as drogas como uma rota de fuga, afirma. “A droga para eles é como uma válvula de escape. Já teve casos em que as pessoas se recuperaram, mas são poucos. Não adianta ser internado inúmeras vezes e não conseguir mudar de vida”, declara.

Cursinho pré-vestibular ajuda alunos a entrar na faculdade NÍKOLAS GUERRERO

Um cursinho pré-vestibular está fazendo a diferença entre jovens de baixa renda de Ribeirão Preto que sonham ingressar na faculdade e melhorar de vida. O Curso de Ação Popular José Rosa Neto (CAP), como é chamado, fica localizado no bairro Quintino 2, na região norte da cidade, e funciona com 40 alunos e professores voluntários. O perfil dos estudantes é de jovens que trabalham durante o dia, fazem o curso à noite e não têm recursos para pagar pelas aulas. Segundo o coordenador do CAP, Humberto Alves Gonçalves, o espaço é cuidado por ele e alunos voluntários, que se incumbem da manutenção física e da limpeza do lugar. O cursinho foi criado em 1990, por professores voluntários. Não há uma estimativa de quantos alunos ingressaram em faculdades mediante as aulas que tiveram no CAP, mas os egressos cursaram ou cursam instituições de ensino particulares e públicas. Entre elas está a futura jornalista Janaína Bernardino, 20, que estuda na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). “O CAP nos traz outras perspectivas, um olhar crítico para diversas situações. Relacionamos com pessoas que têm

o mesmo intuito, porém com vivencias diferentes. Acredito que isso nos acrescenta, pessoalmente, individualmente, coletivamente”, afirma. Devido à grande procura pelo cursinho, é feita uma seleção por meio de provas com o conteúdo do ensino médio. Os alunos que não conseguem uma vaga ficam numa fila de espera, que, só no primeiro semestre deste ano, foi movimentada três vezes. Isso se deve às desistências de alguns alunos, que não se adaptam à rotina de aulas noturnas. Apesar do cansaço, devido às jornadas de estudos, os resultados vêm aparecendo. Segundo o coordenador Gonçalves, por ano, pelo menos cinco alunos ingressaram em alguma universidade, principalmente pelos vestibulares estaduais e pelo Enem. O CAP foi fundado em 1989 e, inicialmente, serviu para organizar movimentos sociais com o apoio da igreja católica. O espaço foi sede do pioneiro movimento da Mulher Negra de Ribeirão Preto, a primeira padaria comunitária da cidade, além de ser o segundo cursinho popular fundado no Brasil. Nele acontecem também palestras, discuções, saraus, entre outras manifestações culturais. Elas são organizadas pelos alunos e por voluntários.


3º bimestre/2019

ECONOMIA

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Mercadorias custam menos em Ribeirão Preto

É o que revelou comparação de preços de produtos vendidos em Serra Azul e na cidade; economia chega a até 36,5% LUANA CAMARGOS

Foto: Samuel Gallo

Em razão dessa diferença de preços, alguns moradores de Serra Azul, que fica a 33 quilômetros de Ribeirão, preferem fazer compras na capital da região metropolitana.

estão mais baratas, às vezes o preço de um produto aqui [Serra Azul] equivale a dois do mesmo produto lá.” Já a dona de casa Maria Helena Santos, 47, prefere fazer as suas compras em Serra Azul, pois diz que não compensa gastar com combustível ou taxa de entrega dos supermercados da região. “Não cheguei a fazer os cálculos, mas acho que não compensa. Tem supermercados que cobra R$ 30,00 para entregar no meu endereço. Se eu for de carro, gasto em torno de R$ 40 a R$ 50.” Fonte: Jornal Barão de Mauá

Levantamento realizado entre os dias 27 e 28 de agosto pelo Jornal da Barão revelou que as mesmas mercadorias vendidas em supermercados de Serra Azul e Ribeirão Preto COMBUSTÍVEL apresentam variação de preços É o caso da dona de casa que oscila entre 10% e 36,5%, a Gislene Galvão, 52, que aprodepender do produto. veita a viagem quando tem De acordo com o econocompromissos em Ribeirão mista Eduardo Cicconi, profesPreto para fazer as compras. sor de economia da Barão de “Virou um hábito já. Quando Mauá, uma das explicações para tenho algum afazer por lá [Riessa discrepância nos valores é beirão], sempre vou ao supero porte dos pontos de venda. mercado. A maioria das coi“Quando o supermercado Hipermercado de Ribeirão Preto vende por preços mais atraentes sas que compro em Ribeirão é pequeno, ele tem um menor poder de barganha com os MERCADO A MERCADO B MERCADO A MERCADO B DIFERENÇA distribuidores, comparado aos PRODUTOS SERRA AZUL SERRA AZUL RIBEIRÃO RIBEIRÃO DE PREÇO * mercados de grande porte, que compram em grandes quantidades e que talvez consigam um desconto maior”, afirma. Sal 1kg R$ 3,50 R$ 3,39 R$ 2,98 R$ 2,79 14,8% Outra explicação, segundo o economista, é a concentração. “Como não existem muiÓleo vegetal 1L R$ 3,99 R$ 3,89 R$ 2,58 R$ 2,69 32,5% tos concorrentes nas cidades pequenas ou quando o mesmo grupo é dono de várias lojas Arroz 5kg R$ 16,70 R$ 15,99 R$ 11,39 R$10,98 31,7% ele acaba praticando um preço no qual acaba tendo uma marLeite integral 1L R$ 3,29 R$ 3,20 R$ 2,59 R$ 2,68 18,5% gem de ganho maior.” No levantamento, que comparou preços de uma Açúcar refinado 1kg R$ 3,39 R$ 2,95 R$ 1,98 R$ 2,15 36,5% mesma mercadoria em dois estabelecimentos de cada cidade, Serra Azul e Ribeirão, Macarrão parafuso 500gr R$ 3,40 R$ 3,29 R$ 2,87 R$ 2,39 15,5% a maior diferença de preço foi verificada no óleo de cozinha (36,5%). A menor diferença Leite condensado 395g R$ 4,39 R$ 4,29 R$ 3,49 R$ 3,59 20,5% foi no pacote de dois quilos de feijão (10%), conforme quaFeijão 2kg R$ 9,99 R$ 9,89 R$ 8,59 R$ 8,99 10% dro nesta página. Todas as mercadorias vendidas em Ribeirão Preto, Açúcar cristal 5kg R$ 99,98 R$ 9,79 R$ 6,89 R$ 7,29 26,9% onde a concorrência é maior, apresentaram preços menores do que os de Serra Azul. *entre o maior preço em Serra Azul em relação a Ribeirão

VICTÓRIA MERIGUE

O comércio e a tecnologia fazem parte do nosso dia a dia. Com a expansão do mundo tecnológico, houve diversos avanços nas habilidades sociais e comerciais e com isso as opiniões se dividem sobre os benefícios nas nossas vidas e como essa expansão vem influenciando o comércio. Um vendedor de São Joaquim da Barra comercializa suplementos alimentares em uma loja física, mas também faz vendas online. Ele pode ilustrar o impacto do comércio online. Bruno Henrique Marcelino, 27, trabalha na área comercial e é proprietário de loja há dois anos. Ele acredita que suas vendas online influenciam negativamente as vendas de sua loja, por se tratar de um lugar que ocorre muitas competições. “As pessoas hoje em dia preferem comprar online. Isso funciona de uma maneira bem diferente do comércio de uma cidade.

A internet é um campo aberto, que dá espaço para várias opções de preços e produtos”, afirma. Porém, ele também traz uma visão que beneficia o comércio interior e um futuro possível para ele. “Creio que as lojas físicas não irão morrer, ainda tem um público que prefere fazer compras em loja, gosta do atendimento tradicional, de ver os produtos ao vivo. E para acompanhar o ritmo, essas lojas terão que fazer algumas mudanças, como ter mídias sociais e formas de divulgação online, implantar novas maneiras de divulgação e de interação com o comércio virtual.” Hoje em dia, cerca de 43 % dos brasileiros já preferem o estilo tecnológico de fazer compras, principalmente o público jovem. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, esse setor poderá ter aumento nas vendas de R$ 79,9 bilhões em 2019, e um total de 265 milhões de pedidos até o fim do ano.

Foto: Victória Merigue

Aumento de vendas online impacta comércio de lojas físicas

As vendas online dão um reflexo nas vendas de uma loja física no interior de São Paulo


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ECONOMIA

3º bimestre/2019

Brechós driblam preconceito e se expandem JAMIELE CAVALCANTE

Peças de marca como John John e Le Lis Blanc custam de R$ 300 a R$ 400 em suas próprias lojas, mas é possível encontrar essas mesmas peças por cerca de R$ 80 a R$ 90 reais em alguns brechós da cidade. Novela e até propaganda nas redes sociais por artistas estão fazendo com que os brechós, locais que comercializam vestuário usado, sejam vistos com bons olhos pelo público consumidor. Dona de uma rede de lojas em Ribeirão Preto afirma que pessoas vêm deixando o preconceito de lado desde que a novela “O Clone’’, exibida em 2001. Na trama, uma das artistas abriu um brechó. A partir daí, diz Aparecida De Falco Marques, 77, o seu negócio começou a crescer e começaram a surgir outros brechós. Aparecida está há 39 anos no comércio. Em 1980, diz, abriu o primeiro brechó de Ribeirão Preto e foi, segundo ela, pioneira no ramo com o nome de Brechó de roupas, que depois virou Donna Cida, em outro ponto, que está aberto até hoje. O negócio deu certo e Aparecida já possui três lojas. A mais antiga tem 12 anos e fica localizada na avenida Nove de Julho, a outra fica localizada no centro em frente ao Mercadão, na rua São Sebastião, e a mais recente que

Aparecida abriu este ano com o nome de Brechó 10 está localizada na na Rua Marcondes Salgado. Aparecida conta que no começo as pessoas tinham muito preconceito e que seus clientes eram pessoas da zona rural, de cidades pequenas e as roupas eram simples e baratas. Hoje Aparecida possui clientes homens, mulheres, jovens, adultos, muitos são médicos, advogados, dentistas e continua com seus clientes mais antigos. Suas lojas possuem algumas peças de roupa de marca como Le Lis Blanc e John John, que custam de R$ 300 a R$ 400 e são vendidas por valores que oscilam de R$ 30 a R$ 90 em seu brechó. Aparecida fez o brechó virar um negócio de família. Uma irmã e o cunhado, por influência da comerciante, abriram um brechó na mesma época, o Mercatudo, na rua Saldanha Marinho, no centro de Ribeirão Preto, há 18 anos. Victor Venturi e sua mulher são donos do único brechó da cidade que possui a maior variedade de produtos, desde roupas até eletrodomésticos. A loja é conhecida pela simpatia do casal e de seus funcionários como Lucely Bernardes de Oliveira, a mais antiga da loja. “Hoje brechó é moda, está atual. Homens e mulheres frequentam nossa loja e sabem que aqui se encontra uma grande varie-

Foto: Jamiele Cavalcante

Novela e propaganda em redes sociais aumentaram a aceitação de roupas usadas entre os consumidores; preços são um dos atrativos

O comerciante Victor Venturi em seu brechó, no centro de Ribeirão Preto: no mercado há 18 anos

dade de roupas, sapatos, bolsas e eletrodomésticos”, afirma Lucely. Comprar em brechós pode significar uma economia de até 60%.

chós em suas redes sociais. De acordo com um relatório de 2017 da Fundação Ellen MacArthur, uma instituição de caridade do Reino Unido, a produção de roupas quase dobrou FAMOSOS nos últimos 15 anos e a demanda Outra fator que impulsiona continua crescendo. os brechós é que muitos famoMenos de 1% de todo matesos compram e divulgam bre- rial é reciclado e dá origem a no-

vas peças. São gastos 93 bilhões de metros cúbicos de água por ano na produção têxteis e, para piorar a situação, a indústria da moda gera 1,2 bilhão de toneladas de emissões de gases que causam o efeito estufa, ou seja, comprar em brechós significa algo bem maior do que economia, significa sustentabilidade.

Patrimônio de Ribeirão, sorveteria Geraldo encanta turistas Há exatamente 53 anos nascia no centro de Ribeirão Preto uma das melhores sorveterias do interior paulista, a sorveteria Geraldo. Geraldo Caramori, ex-dono e falecido, filho de emigrantes europeus, foi criado na zona rural de Franca. Caramori começou a trabalhar aos nove anos em uma fazenda de plantação de batatas. Após uma geada que teve na safra da década de 1960, Geraldo perdeu mil sacas de batata. Com isso a situação se complicou e a partir daí ele decidiu largar tudo para trás e vir para Ribeirão Preto com sua esposa. A primeira oportunidade de emprego foi em uma sorveteria, onde ele realizava todos os tipos de funções. Ele trabalhou nela por seis anos, mas desentendimentos com seu chefe foram um dos motivos para sua saída. Após pedido de demissão, o futuro dono da sorveteria Geraldo necessitava encontrar um emprego rápido, pois ele tinha uma família para sustentar. Em 1966 ele decidiu que abriria a sua própria sorveteria. Mas não foi tão fácil assim, pois não tinha dinheiro para abrir o negócio. Então, ele teve que pedir uma pequena ajuda para seu sogro. O sogro de Geraldo emprestou ao genro uma pequena quantia para começar o negócio,

Foto: Vinícius Coró

VINÍCIUS CORÓ

A sorveteria Geraldo, na avenida da Saudade, nos Campos Elíseos: qualidade dos sorvetes fez estabelecimento ser reconhecido no Brasil

mas não era o suficiente, mas ele conseguiu um empréstimo com prazo dez meses para pagar. Com o valor, ele comprou os maquinários, alugou uma casa na rua General Ozório, no centro de Ribeirão Preto, e abriu as portas. No primeiro dia Geraldo distribuiu sorvete gratuito para seus clientes. No segundo dia já tinha fila que dobrava a esquina. Com o aumento da freguesia, Geraldo decidiu abrir três filiais: uma nos Campos Elíseos

e outras na rua Barão do Amazonas e no Jardim Independência. Mas com tantas sorveterias abertas a qualidade do sorvete foi decaindo bastante. Com isso ele decidiu fechar as duas sorveterias do centro da cidade e transferir a sede para o Campos Elíseos. Atualmente, quem administra a sorveteria é José Aparecido, 70, ele mesmo seleciona as frutas que serão utilizadas na produção dos sorvetes.

SABORES A massa é preparada dentro da sorveteria. Na produção não é utilizado nenhum tipo de conservante nem gordura. A Sorveteria do Geraldo conta com mais de 50 sabores de sorvetes: os mais pedidos pelos clientes, segundo Aparecido, são os sabores de ameixa, creme málaga, milho verde e morango. Aparecido se emociona ao lembrar de seu velho ami-

go Geraldo e conta que é uma honra continuar o legado dele. A sorveteria hoje é reconhecida como um Patrimônio Histórico de Ribeirão Preto e uma das melhores sorveteria do interior paulista. Uma curiosidade é que a sorveteria aparece em sites de turismos com excelentes notas, e alguns turistas arriscam em dizer que a Sorveteria do Geraldo faz o melhor sorvete do Brasil.


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TECNOLOGIA

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Mudanças no Instagram afetam no comércio MARIA CAROLINE FRANCISCO

Grandes marcas e lojas estão buscando novas estratégias para utilizarem em seu marketing digital. Com a retirada das curtidas do Instagram, o engajamento delas no mercado encontra dificuldades para crescer. A plataforma é uma das mais utilizadas em todo o mundo devido ao seu potencial de entretenimento por meio de “posts e likes”. Dessa forma, as lojas a utilizavam para aumentar o potencial de vendas. O consultor de marketing digital Henrique Andrade, 42, da cidade de Pitangueiras, afirma que a remoção das curtidas interfere na relação do cliente com as lojas. De maneira indireta, com números anteriormente visíveis, era possível perceber quando algum produto virava tendência entre as pessoas e era mais vendido. Andrade ainda afirma que o giro de vendas também pode sofrer alguns contratempos. “Tudo que vira modinha de likes no Instagram a galera deseja se aproximar de alguma forma, seja comprando ou

simplesmente acompanhando as postagens de determinado perfil. Agora com a ausência dos números o público pensará melhor antes de comprar no impulso da propaganda.” Karina Lopes Marinho, 33, é usuária da plataforma há quatro anos e reforça a importância que esses números têm no momento de efetuar suas compras online.

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Anteriormente era mais fácil confiar nas marcas ou no produto vendido

“Eu gosto de ver as curtidas e comentários das fotos. É muito importante ver o que as pessoas estão achando do que elas compram e também acho que é pelos comentários que a gente fica sabendo sobre a procedência da loja.” Karina ainda diz que fica com receio de fazer alguma compra depois dessas mudanças. “Anteriormente era mais fácil confiar nas marcas ou no produto que estava sendo vendido.

A gente conseguia ter certeza sobre a qualidade e sobre a segurança das compras. Agora temos que contar com a sorte.” O aplicativo Instagram contribuía nesse sentido com o marketing digital do comércio. A visibilidade dos dados anteriormente apresentados impulsionava o engajamento das marcas e dos produtos. Agora com essas modificações os lojistas estão buscando novas alternativas para manter a credibilidade de seus negócios. Andrade ressalta que uma boa estratégia é focar no engajamento e interação direta entre empresa e cliente. “A marca precisa se conectar com o sentimento do público para que haja a venda. Os vídeos são uma ótima possibilidade de conexão e efetivação de venda.” Apesar das mudanças que ocorreram na plataforma, o consultor diz que o Instagram continua sendo um aplicativo essencial para a valorização e destaque da imagem de empresas. Por isso não deve ser descartado e sim melhor aproveitado, utilizando todos os recursos que a ferramenta oferece. Karina Lopes Marinho,33, utiliza a plataforma digital Instagram

STARTUP

CELULAR

Startup é alternativa para montar empresa Netos ajudam idosos a perder de baixo risco e que traga rentabilidade medo de navegar na internet JULIANO GONÇALVES

Montar uma startup pode ser a melhor alternativa para não correr os riscos inerentes ao mercado e fechar as portas rapidamente como costuma acontecer com muitas empresas iniciantes. Segundo o Sebrae índice de empresas que sobrevivem até os dois anos é de 76%. Mas o que é uma startup? Segundo reportagem publicada pela revista “Exame” em 2018, pode tanto ser uma empresa em fase inicial ou com baixos custos de manutenção que cresce rápido e gera lucros grandes ou, ainda, um grupo de pessoas trabalhando para torná-la viável em um cenário de incerteza. É uma organização temporária, por isso mercado é de incerteza. Com isso ganharam mais visibilidade e investidores. Em Sertãozinho, Cris Bazan resolveu investir nesse modelo de negócios e abriu duas startups, ambas na área de educação. “Tenho uma startup na área da educação em gestão, onde ensino gestão a pessoas de baixa renda utilizando espaços públicos e voluntários que tem experiências em áreas de planejamento, finanças, marketing e vendas.” “A outra startup aposta na educação para a empregabili-

dade. Temos um treinamento comportamental para melhorar a empregabilidade de jovens de baixa renda”, diz Cris Bazan. A head de aceleração de startups Gisele Rodrigues Atayde, do Sevna Startups, dá dicas para quem deseja ter uma startup e não sabe como começar. O desenvolvimento do produto deve ser em parceria com o cliente, produtos em teste, validando com o cliente.

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Startup não é uma versão pequena de uma grande empresa

“Tem o problema, vê se é um problema para o cliente e vai adaptando com ele. No caso é a base diferencial entre empresa comum e startup”, afirma Gisele. “Startup não é uma versão pequena de uma grande empresa. A tecnologia que ela utiliza é uma forma como a startup entrega esse produto, por isso chamamos de base tecnológica. O site é um canal para vender o produto, e não a base da empresa”, afirma Gisele. Segundo ela, redes sociais é um canal valido para startup, se deve depender apenas

dessas redes. O e-mail marketing, SMS e usar a internet de forma geral para amplificar a quantidade de público. Para ela, quanto maior o conteúdo, maior será o público. “Para quem pretende criar um startup não existem tipos comuns, são de diversos segmentos, podem ser agrícola, saúde, enfim. Deve-se observar o problema e se sua ideia pode ser seu negócio”, afirma. “Vejo o futuro promissor se atrelando com empresas tradicionais para se desenvolver e propor soluções rápidas e baratas, além de que o Brasil é um pais com diversos problemas e desafios a serem superados, com uma gama maior de oportunidades para investidores e a startup com foco de problema tem um grande futuro em nosso cenário.” O Sevna Startups está instalado no Supera Parque em Ribeirão Preto e desenvolve o Hypercamp, programa destinado para quem pretende criar uma startup. “O programa de aceleração é definido e o empreendedor poderá ter acesso aos recursos financeiros para ele criar o seu negócio, acesso a mentores específicos para sua área, dentre outras vantagens para estruturar e crescer em um espaço curto de tempo”, afirma Gisele.

ISABELLY MOREIRA

A tecnologia está avançando cada vez mais e isso cria uma necessidade de atualização diária. Mas essa atualização não é própria apenas dos jovens ou adultos. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, o percentual de idosos na internet cresceu 18% em cinco anos. A aposentada Adelita Moreira, 74, relata uma realidade diferente da que se vive hoje: “Nós vivíamos na fazenda, tinha bode, gado, cavalo, nunca pensava que fosse conhecer essa tal de internet.”

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É melhor a relação pessoalmente. Hoje nos comunicamos apenas pelo celular

Normalmente são os idosos que passam ensinamentos aos mais novos, mas quando o quesito é tecnologia muitas vezes os papéis se invertem. Dona Adelita disse que há poucos anos comprou um celular e não sabia mexer em nada e foi ensinada pela Alice, sua netinha de 7 anos. “Um dia nós duas estávamos juntas e ela falou: ‘Vó, quer ver uma receita? E logo eu aprendi.’” O desejo de aprender re-

ceitas novas foi o pontapé inicial para que ela embarcasse no universo da internet, mas hoje já domina bem a ferramenta. “Olho o Google, as fofocas, mexo no Face. Eu não dava conta de ‘esvaziar’o celular e já aprendi. Eu mexo no ‘zap’ para lá e para cá”, declara. O caso da aposenta Maria Sebastiana, 65, também é parecido. Segundo ela, também foi sua neta Beatriz, 17, que a ensinou a mexer na internet. Ao ser questionada sobre a dificuldade em aprender, ela afirma que não teve muita: “Minha neta foi me ensinando aos poucos, agora já consigo usar até o YouTube pra ver minhas receitas.” Porém, ela afirma que antes da internet a convivência social era diferente. “Era melhor a relação com as pessoas, porque hoje em dia elas não se comunicam, só se preocupam com o celular.” Além de permitir conhecer coisas novas e facilitar o dia a dia, toda essa tecnologia também ajuda a manter contato com a família. Foi esse desejo que despertou a curiosidade da também aposentada Maria Pissinato, 66, que pediu para a neta Taciane, 20, ensiná-la mexer no celular. “Me interessei mais para ver fotos da minha bisneta de outra cidade.” Ela relata que também não teve muita dificuldade e que hoje usa o Whatsapp e Facebook.

Foto: Maria Caroline Francisco

Remoção de curtidas e comentários do Instagram afeta o marketing digital do comércio e impactam sobre as vendas


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REGIÃO

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Dinossauros atraem turistas para Monte Alto

Museu de Paleontologia de Monte Alto conta com um acervo de quase mil fósseis e enriquece a história do município Ao digitar “Museu de Paleontologia” na busca do Google, a primeira informação que o navegador oferece é “Museu de Paleontologia de Monte Alto”. Não é por acaso, o museu recebe visita de mais de 20 mil pessoas por ano, sendo que o público-alvo são estudantes desde o ensino infantil até alunos de pós-graduação. A história do município com os dinossauros começou na década 1920, quando foi feito o primeiro registro de fósseis, no processo de construção de uma estrada de ferro. Posteriormente, em 1984, uma agricultora também encontrou partes de um fóssil preso em uma pedra. Após mais essa descoberta, um professor interessado por temas como paleontologia e astronomia tomou a decisão de escavar a área rural da cidade. Mas foi só no ano de 1992 que o professor, que se chamava Antonio Celso de Arruda Campos, conseguiu apoio político para fundar o museu em Monte Alto. O museu conta com um acervo de quase mil fósseis. “Atualmente estamos quantificando espécimes e não mais cada fragmento de fósseis encontrados”, afirma a coordenadora do museu e paleontóloga Sandra Tavares. A exposição do museu atualmente é composta por fósseis de dois dinossauros herbívoros, o Titanossauro, um dinossauro carnívoro, e um Abelissauro. Também há cinco crocodilos

dos gêneros Montealtosuchus, Caipirasuchus, Morrinhosuchus, Barreirosuchus e Baurusuchus. Além de duas tartarugas: Yuraramirim e Roxochelys. Todos encontrados em Monte Alto. Na exposição do museu também há materiais que a equipe coletou em outras cidades da região e fósseis doados por professores e pesquisadores de diferentes lugares do Brasil e de outros países.

Fotos: Vitória Pierri

VITÓRIA PIERRI

INVESTIMENTOS Sandra afirma que as pesquisas nunca param. “Há um fóssil de dinossauro associado a dentes de crocodilos que foi coletado no ano passado, que está sendo preparado e estudado no momento”, afirma. “Estamos sempre buscando verbas e desenvolvendo projetos para modernizar a área expositiva, melhorar a ação educativa e Dinossauros esculpidos pelo artista Cirineu Colontonio Sandim na entrada do Museu de Paleontologia ampliar a extensão e o contato com a sociedade.” Ainda segundo Sandra, o FUNCIONAMENTO museu busca inovar sempre os Museus de Paleontologia, equipamentos do laboratório e Arqueologia e Histórico e Cultural de escavação, além de melhorar Quando: De terça a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h as condições de conservação do Sábado, domingo e feriados, acervo. das 13h às 17h Há cerca de um ano e meio, Onde: Centro Cívico e Cultural o museu passou por uma rePraça 15 de Maio, s/nº, forma que resolveu problemas Monte Alto (SP) como infiltração, umidade e exInformações: (16) 3244-4060 cesso de iluminação. (Secretaria de Turismo e Cultura) “Atualmente, estamos trabalhando em um projeto para *A entrada é gratuita para visitas aquisição de armários deslizanindividuais, com familiares e tes para armazenar os fósseis do amigos O primeiro fóssil deste dinossauro foi encontrado em Monte Alto museu”, declarou.

Palestras movimentaram mais uma edição do Festcom

Festcom reuniu alunos dos cursos de comunicação da Barão de Mauá Foto: Alvaro Momenso

A 15ª edição do Festival de Comunicação (Festcom) da Barão de Mauá reuniu alunos e professores dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Produção Audiovisual, entre os dias 8 e 11 de outubro, na Unidade Independência. O evento contou com a participação do professor da Usp de Ribeirão Preto, Sérgio Kodato, do diretor de cena Thiago Vieira, dos editores do portal de notícias G1 e Globo Esporte, João Fagiolo e Rodolfo Tiengo, do repórter da EPTV local, João Borda, repórter da EPTV, palestrou sobre jornalismo investigativo Carlos Borda, do palestrante Fernando Machado e da jornalista Milena Maganin. Para o coordenador dos cursos de comunicação social da instituição, Sebastião Geraldo, as palestras contribuíram para o entendimento do aluno em sala de aula. “Os cursos de comunicação comemoram, neste ano, 20 anos de existência. Por isso procuramos adequar palestras com temas que tenham afinidade dos alunos.” No último dia do evento, a sessão pipoca, com exibição de trabalhos dos alunos, encerrou a proRodolfo Tiengo e João Fagiolo falaram sobre o jornalismo online gramação do Festcom deste ano.

Fotos: Bárbara Bichuette

SAMUEL GALLO

Estudantes de Jornalismo durante a cobertura do 15º Festcom


REGIÃO

9 Foto: Amarildo Pizzi

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Barraquinhas de frutas localizadas à beira da rodovia Candido Portinari em Brodowski - SP, são vendidos pimentas, doces, ovos, abacaxi, banana entre outras frutas

REGIÃO

Barracas de frutas resistem em Brodowski AMARILDO PIZZI

quinha do pai, que ficou por 30 Gerais de São Paulo) e de produanos. Malaguti não pretende sair tores do sul de Minas Gerais. Apesar do baixo número de tão cedo do seu ponto. O ponto comercial atrai comerciantes no local, que hoje vários motoristas que trafegam são três, mas que nos tempos de pela região, enquanto uns param grande produção de abacaxi chepara descansar, outros param Enquanto eu tiver garam a ter nove, as barraquipara dormir, como é o caso de forças para trabalhar vários caminhoneiros. nhas de frutas que ficam à beira da rodovia Cândido Portinari em Famílias com crianças peeu pretendo Brodowski resistem há mais de quenas também aproveitam a ficar por aqui 50 anos no local. parada descansar e para brincar Localizado no recuo da via nos balanços presos no alto das o local fica próximo a Polícia Roseringueiras, com mais de 70 Assim como Malaguti, os anos e idade. doviária. O comércio ainda existe por iniciativa da prefeitura, outros comerciantes também que interviu uma notificação em não pretendem deixar o local. Antonio Milan, 86, é dono maio da Arteris Autovias, concesNão vão conseguir sionária que administra o trecho. de outra barraquinha, mas quem tirar as barracas A notificação solicitava que “toca o negócio” é o afilhado Junior, 48. “Não vão conseguir tios comerciantes deixassem o daqui porque já se local no prazo de sete dias, por rar as barracas daqui porque já tornou patrimônio questões de segurança, pois as se tornou patrimônio histórico barraquinhas não respeitam a da cidade.” Os produtos vendidos são distância mínima de 15 metros abacaxi, pimenta, melancia, em relação à rodovia. TRADIÇÃO DO ABACAXI Por meio de um vídeo publi- maçã, laranja e diversos doces. A cidade não produz comerAntes só o abacaxi era vendido cado nas redes sociais, o prefeito cialmente nenhum abacaxi, mas José Luis Peres, 59, disse que as devido à grande produção da ci- possui um local de vendas da fruta, barraquinhas se tornaram parte dade, que já chegou a colher cer- onde produtores de outras cidades do roteiro turístico da cidade e ca de 15 milhões da fruta por ano comercializam sua produção. por isso não podem ser retiradas. na década de 70. As caminhonetes com plaHoje há apenas um pro- cas de Brodowski rodam o BraEntre os comerciantes no local, todos idosos, o mais anti- dutor no município, irmão de sil aproveitando a fama do local. go deles é Cláudio Malaguti, 61, Malaguti, mas os comerciantes São diversos “marreteiros” que que já está há mais de 20 anos compram no Ceagesp (Compa- tiram o sustento da família a no ponto onde antes era a barra- nhia de Entrepostos e Armazéns partir da venda da fruta. Criança se diverte em um dos balanços presos a seringueira

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Foto: Amarildo Pizzi

Há 50 anos no local, barraquinhas quase tiveram de deixar o ponto em maio; três comerciantes permanecem na via


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De zagueiro Quem entra em um carro desses que se pede pelo aplicativo nem imagina que seu motorista, até alguns anos atrás, estava dentro dos gramados nos estádios de futebol do Brasil e sendo campeão com a camisa do Timão. Além disso, ajudou o Comercial de Ribeirão Preto a garantir vaga na elite do Campeonato Paulista após 25 anos. Leonardo Robert Fayao, ou melhor, “Alemão”, 33, há 15 anos, era considerado um dos melhores zagueiros sub-20 do Brasil. Na final da Copa SP de Futebol Júnior de 2004, o ex-zagueiro anulou nada mais, nada menos que Diego Tardelli, atacante consagrado do futebol mundial. Para o ex-zagueiro, esse foi um dos momentos mais marcantes de sua carreira. “O Tardelli, na final da Copa São Paulo, era destaque, artilheiro, mas naquele jogo ele não fez nada porque eu o marquei. Logo no primeiro lance, dei uma chegada mais dura e tomei um cartão amarelo. Depois disso ele não fez mais nada na partida. Ele era o destaque do São Paulo, todo mundo falava dele”, relembra Alemão. Na ocasião, o Corinthians sagrou-se campeão do principal torneio de categorias de base do Brasil. Sua saída do Corinthians,

Fotos: Arquivo Pessoal

Alemão foi destaque do Corinthians e do Comercial; hoje ganha a vida como motorista clube onde ficou por oito anos, foi difícil. Alemão sofreu uma grave lesão no ligamento do joelho direito. O ex-jogador lamenta a falta de apoio que teve na época e afirma que isso foi crucial para que a carreira de “zagueiro promissor” tivesse novos rumos a partir dali. “Nos momentos difíceis que você vê quem é quem. Eu tive apoio de uns, outros nem tanto. Eu não tive mais oportunidades no profissional, então me mandaram de volta para os júniores e isso acabou me atrapalhando. ” Após deixar o Corinthians, Alemão foi defender o Comercial de Ribeirão Preto. No Leão do Norte, mais um baque. A mesma lesão, no mesmo joelho. O ex-zagueiro voltou aos gramados, mas foi perdendo a vontade de jogar futebol. “Em 2015, tive a minha terceira lesão, no joelho esquerdo, então eram duas no direito e uma no esquerdo. ‘Acabou Alemão, não joga mais’.” Alemão voltou a jogar em 2016, novamente pelo Comercial. O ex-zagueiro fez parte do elenco que conquistou o acesso para a Série A1 do Campeonato Paulista após 25 anos. No Leão do Norte, Alemão ganhou o apelido de “He-Man do Comercial”, principalmente por conta de sua aparência.

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rependimentos, o ex-jogador não teve dúvidas: “Não ter estudado”. “Me arrependo de não ter buscado uma faculdade. Hoje, isso faz falta, mas nunca é tarde. A gente fica cego com algumas situações. ‘Estou num clube bom, nada vai acontecer comigo, daqui eu vou sair milionário, com muito dinheiro’, mas não é assim. Jogador tem que pensar no futuro, a carreira é curta. Eu só tenho a agradecer pela vivência que eu tive. Isso me fez amadurecer como pessoa. A vida nos ensina muito”, destacou o ex-jogador de Corinthians e Comercial, o herói comercialino. Alemão ainda bate sua bola pelos clubes de Ribeirão Preto e é um dos destaques do Campeonato Amador da cidade. O ex-zagueiro revelou que pretende começar a faculdade de educação física em breve. “Quero passar minha experiência dentro dos campos para os alunos”, afirmou o “He-Man”.

para o volante ROBERT SIQUEIRA

ESPORTE/CULTURA

O ex-zagueiro Alemão era popularmente conhecido como He-Man

Além disso, após sua chegada, o Comercial ficou um bom tempo invicto, o que levou os torcedores comercialinos a brincar com a fama do herói ser “invencível”. Mas as coisas não estavam caminhando como Alemão esperava, e a aposentadoria ficou mais perto. Após o acesso, Alemão decidiu parar de jogar futebol. A decisão, segundo ele, contou com a ajuda dos familiares. “Você fica sem motivação, os times pequenos não pagavam, e você tendo

compromissos. A decisão foi: ‘enquanto não vier uma coisa concreta, um bom contrato, eu não jogo mais’. Minha família sempre me apoiou na carreira e nas minhas decisões”, disse o ex-zagueiro. Depois de pendurar as chuteiras, Alemão passou a dar aulas como preparador físico. Por conta de motivos pessoais, precisou parar com as aulas e hoje ganha seu dinheiro trabalhando como motorista de aplicativo. Ao ser perguntado sobre ar- Alemão ainda joga no amador

Mutirão reúne 32 artistas da região em pintura de muro RAFAEL RABELLO

a população. Um dos diretores da EPTV, Felipe Fernandes se mostrou bastante realizado com o projeto. “Houve o apoio da empresa, da comunidade e da escola, que liberou a garotada para participar do evento. O que era para ser um trabalho em 40 metros lineares do muro se expandiu para 180 metros, tornando-o

Foto: Rafael Rabello

A convite da emissora EPTV de Ribeirão Preto, 32 artistas de diversas cidades de São Paulo e Minas Gerais foram chamados para produzir o maior grafite do município num muro da própria empresa. A proposta era dar um novo visual e também interagir com a

comunidade ali perto. Com suas ideias os grafiteiros começaram a dar vida em um dos maiores muros de Ribeirão Preto. Em parceria com o Instituto da EPTV e a escola pública Walter Paiva, alunos foram chamados também para participar desse projeto. O instituto quis trazer algo diferente e uma coisa nova para

O grafiteiro Denis Balduino, conhecido como Denisbabu, durante trabalho coletivo em muro da EPTV

mais bonito ainda”, afirmou. “Além disso, os adolescentes fizerem filmagens, tiraram fotos e entrevistaram alguns dos artistas, pois vão fazer documentários em relação ao grafite e sobre a transformação do muro que liga a emissora com o bairro e a comunidade do Ipiranga. A escola entende que isso ajuda os jovens a desenvolverem suas habilidades e uma maior interação dos estudantes.” A estudante Catharina Rodrigues, 14, entende que isso é um projeto que pode agregar e abrir a mente dos adolescentes.’’ “Abre portas e ajuda as crianças a terem contato com a arte também. Podendo até nascer um grande artista daqui da comunidade. Além disso, a escola propôs para a gente fazer uma matéria sobre o acontecimento e a história por trás disso tudo”, disse. INTEGRAÇÃO “Um dos organizadores e grafiteiros do evento, Bro da Silva disse estar feliz com a ação social incentivada pela emissora. “É uma ação que une e transforma e de maneira inovadora, trazendo a integração com a comunidade e parte dos

funcionários da TV. Achei muito legal esse envolvimento com todos. Mostramos um pouco da nossa cultura e da vivência da arte do grafite.”

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Uma honra poder ter participado desse evento com esssa rapaziada!

“A proposta tende a unificar tanto o bairro como a emissora. E trazer uma proposta nova de visão, ligando a comunidade com a arte e deixando o muro mais colorido também, virando uma coisa nova”. Os moradores acharam a ideia de transformar o muro ótima, puderam participar e interagir com o evento.” O aposentado Adilson Paiva, 73, morador do bairro Ipiranga, gostou da ideia e apoia a atitude da emissora. “É legal ver esse tipo de interação com a comunidade. O muro era bem cinza e não tinha muito valor, agora ele está muito bonito de se ver.”


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CULTURA

3º bimestre/2019 Fotos: Samuel Gallo

Action figures ganham espaço nas estantes

O jovem Jonas Colatrelli achou uma maneira de trazer seus personagens favoritos para perto SAMUEL GALLO

A cultura geek nunca esteve tão em alta como atualmente. O termo tipicamente americano foi ganhando mais espaço e se popularizou em outros países, principalmente no Brasil, conquistando uma legião de fãs. Esse fenômeno está relacionado ao avanço tecnológico que possibilitou o público interagir com outras pessoas que consomem ou gostam das mesmas coisas, geralmente ligados a filmes, séries, animes, música, jogos eletrônicos e entretenimento. O fanatismo abriu as portas para o mercado produzir diversos materiais como camisetas personalizadas, quadros e acessórios que caracterizam o estilo. Dentre tantos produtos estão as action figures (figuras de ação, em tradução livre), que são esculturas ou dioramas de personagens da cultura pop em geral e têm ganhado cada vez mais espaço nas estantes dos colecionadores adultos. O arquiteto Jonas Sanches Colatrelli, 29, morador de Monte Alto, é um aficionado por esse hobby e divide metade do seu quarto para uma vasta coleção, que inclui personagens do cinema, da TV, das HQs e dos games. Ele calcula ter cerca de 250 itens em sua coleção. “Muitos têm o hábito de colecionar coisas. Alguns colecionam miniaturas de carros, outros colecionam discos de vinil. Já eu optei por colecionar action figures”, diz Colatrelli. Réplicas dos personagens da Marvel Universo são as preferidas do colecionador, sobretudo as maiores. Entre elas Capitão América, Homem de Ferro e o Incrível Hulk. MEDIDAS E PRODUÇÃO As peças menores são caracterizadas pelos super-heróis e vilões da editora DC Comics, como Superman, Batman, Mulher-Maravilha e Flash. Já os articuláveis, ou seja, que possuem movimentos, podem ser encontrados os principais personagens dos filmes de terror e ficção: Pânico, Freddy Krueger, Jack Sparrow (Piratas do Caribe) e Lord Voldemort (Harry Potter). As peças menores são feitas em uma espécie de metal e hoje custam R$ 70, medindo 12 cm de altura. Denominadas de estátuas, as peças maiores têm escala 1/10 (até 30 cm) e são fabricadas em PVC, no valor de R$ 450 a R$ 600. Outras são produzidas artesanalmente com resina. O destaque fica para os colecionáveis

com pontos de articulação que O colecionador Jonas Colatrelli exibe algumas de suas action figures vêm acompanhados de armas ou utensílios e medem 20 cm, custando aproximadamente R$ 400. “O valor varia dependendo do tamanho. Réplicas de escala 1/6, por exemplo, são vendidas por R$ 800 a R$ 1.200. Porém, não possuo-as na minha coleção”, afirma Jonas. Na maioria das action figures o resultado é perfeito. O rosto reproduz fielmente as feições dos atores e personagens. O traje é característico, e o cabelo, em alguns Réplicas dos personagens de filmes e séries estão em sua coleção casos, é feito com peruca humana. Os objetos também têm significado de sentimentalismo. “Diferente dos brinquedos, os colecionáveis são para ficarem expostos e não nas mãos de crianças. Nunca devem ser confundidos com bonecos”, declara o colecionador.

O Incrível Hulk, da editora Marvel

Vencedores do 44º Sarp terão exposições em Ribeirão, em 2020

INÍCIO Desde criança, Colatrelli sempre colecionou, incluindo brindes das promoções de refrigerantes e de chocolates e álbuns de figurinhas. O seu colecionismo também se estende a livros, HQs e graphic novels (encadernados). Mas foi só em 2010 que iniciou sua coleção de action figures, através das redes sociais, ainda no extinto Orkut. Ele recorda que naquela época era muito difícil encontrar esse tipo de consumidor. “Um fator que contribuiu para a expansão da popularização foram as adaptações cinematográficas de obras literárias e das revistas em quadrinhos. Os filmes com super-heróis vêm dominando o mercado há alguns anos, tornando esse universo cada vez mais conhecido.” O fascínio se tornou um estilo de vida e hoje Jonas compra as réplicas em lojas físicas de Ribeirão Preto e São Paulo, bancas e em sites especializados. Assim como muitos colecionadores, seu maior problema é o alto valor agregado. “Esses produtos por virem, na maioria das vezes, dos Estados Unidos, faz com que o preço seja mais salgado e isso acaba dificultando a coleção. O capricho nos detalhes pintados à mão e a qualidade do material também contribuem por serem objetos frágeis.” Com quase uma década de coleção, o arquiteto também participa de vários eventos voltados ao tema para adquirir novas figuras e trocar experiência, como feiras da região e a Comic Con Experience (CCXP), maior convenção nacional da cultura pop que acontece no fim do ano.

LUIZA ARAÚJO

Fernanda Galvão, Alexandre Silveira e João Paulo Racy foram os 3 ganhadores do 44º Sarp (Salão de Arte de Ribeirão Preto). Além do prêmio de R$ 8.500,00 cada, as obras passam a compor o acervo do museu; e em abril de 2020, os artistas terão exposição própria no Marp (Museu de Arte de Ribeirão Preto). Nesta edição, mais de 30 artistas foram selecionados. Muitos trabalhos mesclavam aspec-

tos tecnológicos como tablets e televisões com vídeos integrando as pinturas e esculturas. Segundo o monitor da exposição Gabriel Azarias, de 24 anos, as produções selecionadas apresentam um panorama geral da arte contemporânea nacional. As obras premiadas foram Sonho Elétrico (Fernanda), Aferir, Defuração (ambas de Silveira), Via SP e Fotografia (Racy). Segundo André Riul, 52, responsável pelo setor educativo do Marp, os premiados não possuem ordem de

colocação, todas as artes são tratadas com a mesma importância. Até dez projetos podem ser inscritos por um único artista e mais de um pode ser selecionado, sendo eles não pertencentes a coleções. O Sarp 2019 iniciou no dia 2 de agosto e esteve aberto a visitações até o dia 20 de setembro. A entrada foi gratuita e permitida de terça a sexta-feira das 9h às 18h. As exposições individuais dos vencedores não possuem data definida.

Atores relatam as dificuldades que sentem na pele de drag queens ANNA CARVALHO

Um dançarino e maquiador de Ribeirão Preto mostra na internet, de forma descontraída, as dificuldades no seu processo de transformação em drag queen, conhecido como “montagem”. Caio Rodrigues, de 23 anos, dá vida à drag DaCota Monteiro, que faz apresentações artísticas em bares e boates. Ele costuma alcançar um grande público em todo o país com seus trabalhos audiovisuais repletos de bordões e comicidade. Apesar do sucesso, a atividade artística das drag queens não é fácil, diz o ator e produtor audiovisual mineiro Thiago de Caux, 33, responsável por levar o humor aos palcos com a drag queen Ravenna Guerra. Ele conta que, apesar de toda a ideia cômica do personagem, ainda encontra muita difi-

culdade, ironicamente, também no meio LGBTQ+. Para Caux, as pessoas ainda não entendem muito bem o movimento e acabam por estranhar toda a extravagância e grandiosidade do trabalho das queens: “As pessoas nos olham estranho. Nós não somos alienígenas”, afirmou. Ainda de acordo com o ator, outra falta de reconhecimento pelo trabalho está na baixa remuneração. “As pessoas entendem esse espaço [bares, boates e casas noturnas] como um favor para nós. Pagam salários baixos porque acreditam que a visibilidade proposta é mais conveniente.” Para o ator, o trabalho de drag queen é como uma extensão dele próprio, com personalidades e opiniões que dificilmente sairiam da sua bocas no cotidiano. “Minha drag é uma exten-

são de mim. Ela tem ideais políticos, uma opinião forte e uma boca bem aberta”, disse. Com uma visão parecida, o maquiador e performancer Julio Henrique, 24, noivo de Caux e também praticante do movimento queen, conta que as pessoas ainda separam a ideia de se montar por diversão e por uma questão comercial. “Se você se monta por hobbie, ainda te olham torto. Mas quando o assunto é a arte e o teatro, as pessoas te veem com olhos diferentes”, diz. Apesar dos empecilhos e dificuldades, os atores afirmam que o bom humor e descontração das drag queens vêm, com muita resistência, conquistando cada vez mais espaço na sociedade com apenas uma única finalidade: despertar uma identidade que por muito tempo foi socialmente reprimida.


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