Skip to main content

Jornal da Barão_2021_1

Page 1

Produzido pelos alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá de Ribeirão Preto (SP) - 5º semestre/2021

Os objetos em exposição no Museu Silva, em Morro Agudo, contam um pouco da história da cidade. E também do seu fundador, o advogado Renato Silva, de 66 anos. Rádios, tratores, bicicletas, máquinas de escrever, entre outros objetos, representam um pouco da trajetória existencial do seu criador. Pág. 11

Foto: Luiza Luz

Foto: Lucas Souza

ACERVO HISTÓRICO -

COLÔNIA NA USP - Universidade, que foi fazenda no passado, mantém casas em pé Pág. 6

Moradores adotam praça Camões Eles recolhem lixo e regam plantas na área verde, localizada no centro de Ribeirão Preto A praça Luís de Camões, no centro de Ribeirão Preto, é cuidada por moradores que frequentam o espaço e garantem que a área verde não caia no abandono. O grupo recolhe lixo e rega plantas. Além de sua importância cultural, o local, que foi inaugurado em 1937, é ponto de encontro para passeios com cachorros e também frequentado por quem espera atendimento no Hospital Beneficência Portuguesa, localizado em frente a uma das laterais da praça. No centro da praça tem uma estátua do poeta, feita pelo escultor italiano Antelo Del Debbio. Camões cantou em versos as aventuras dos portugueses na era dos descobrimentos. Pág. 4

Foto: Mayla Shiva

Entregas feitas por motos têm alta durante a pandemia A procura por alimentos ou medicamentos fez com que a demanda por entregadores de aplicativos aumentasse por todo o país. Esses trabalhadores precisam lidar com os riscos do trânsito diariamente, sofrem com a desvalorização da categoria e com os baixos salários. Profissionais contam suas vivências e dificuldades nas ruas de Ribeirão Preto. Pág. 17

Veja dicas de especialistas para conseguir emprego Especialistas da área de recursos humanos explicam e dão dicas de como conseguir um emprego e se destacar em meio à pandemia. Pessoas que conseguiram oportunidades de trabalho contam como foi o processo. Com a propagação da covid-19, milhares de brasileiros perderam seus empregos e precisam se recolocar no mercado. Pág. 20

COVID-19

Foto: Arquivo Pessoal

Estudo revela que própolis reduz permanência de doentes em UTI Pág. 13

VIDA NOVA

Ex-jogadora de futebol deixa o esporte e passa a entregar gás Pág. 24

GALERIA Vista da praça Luís de Camões em Ribeirão, inaugurada em 1937

Conheça um pouco do trabalho do repórter fotográfico José Francisco Pimenta Pág. 3


2

OPINIÃO

5º semestre/2021

EDITORIAL

EXPEDIENTE O Jornal da Barão é uma publicação produzida pelo curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá. REITORA Profa. Dra. Dulce Maria Pamplona Guimarães VICE-REITOR Prof. João Alberto de Andrade Velloso PRÓ-REITORA DE ENSINO Profa. Ma. Valéria Tomás de Aquino Paracchini PRÓ-REITORA DE PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E INICIAÇÃO CIENTÍFICA Profa. Dra. Joyce Maria Worschech Gabrielli PRÓ-REITOR DE GRADUAÇÃO Prof. Me. Thiago Henrique de Moraes PRÓ-REITOR ADMINISTRATIVO Antonio Augusto Abbari Dinamarco DIRETORA INSTITUCIONAL Profa. Meire Aparecida Pedersolli COORDENADORA DO CURSO DE JORNALISMO Profa. Ma. Carmen Silvia Porto Brunialti Justo

PROFESSORES RESPONSÁVEIS EDIÇÃO, COORDENAÇÃO E REVISÃO DE TEXTOS Prof. Me. José Antonio Bonato EDIÇÃO DE ARTE Prof. Me. Márcio Huertas EDIÇÃO DE FOTOGRAFIA Prof. Dr. Jefferson Barcellos

PRODUÇÃO REPORTAGEM E FOTOJORNALISMO Alunos do curso de Jornalismo DIAGRAMAÇÃO Samuel Henrique Gallo Deleguide

Unidade Independência

R. José Curvelo da Silveira Jr., 110, Jd. Califórnia, Ribeirão Preto (SP) Tel.: (16) 3602-8200

Jornal da Barão na internet: jornalismo.baraodemaua.br facebook.com/jornalismobaraodemaua/

Um belo exemplo Pela legislação urbanística brasileira, os loteamentos que dão origem a novos bairros precisam ter um espaço destinado à instalação de praças. Esses locais são destinados a áreas de lazer dos moradores, que ali se socializam, desde crianças a idosos. Mas nem sempre tem sido assim. Por motivos diversos, desde falta de segurança, o que afasta moradores, ou de recursos para a instalação de equipamentos nesses locais, as áreas verdes ora são invadidas para dar lugar a favelas ou simplesmente são abandonadas pelo poder público. Praças na região central de Ribeirão Preto, por exemplo, no geral, têm sido frequentadas por sem-teto e, em razão disso, se encontram sujas e malcuidadas, uma das razões por que muitos moradores delas se afastam. Nesse sentido, é alvissareira a notícia de que a praça Camões, no centro, tem recebido a atenção de moradores para justa-

mente evitar que descambe para o abandono. Segundo reportagem da aluna Mayla Shiva, um grupo de pessoas que levam seus cachorros para passear naquela praça se dedica para manter esse importante espaço de lazer frequentável. Elas se comunicam mediante um aplicativo. Entre as preocupações dessas pessoas está em garantir que, além da integridade do espaço, as plantas ali sejam regadas, uma atitude que merece elogios e deve ser copiada. Não obstante, essa boa iniciativa poderia ser complementada por ações do poder público, pois a estátua do vate português ali instalada se encontra pichada, e a fonte, abaixo, não está em melhor situação. Oxalá exemplos como esses dos moradores que cuidam da praça Camões se multipliquem, seja da parte de cidadãos ou de empresas, para que a cidade possa oferecer pontos de lazer e, ao mesmo tempo, de preservação de suas áreas verdes.

ARTIGO

A vida define a si própria DUDA CUBAS O que define sua vida? O que te move para seguir em frente? Qual sua paixão? Algumas pessoas vão responder que conseguir o emprego dos sonhos é a realização de toda sua vida. Outros vão dizer que ter uma conta bancária com mais de seis dígitos é o motivo que os faz acordarem e trabalhar oito horas por dia e nos finais de semana. Uma pessoa pode dizer que sua vida se define pelo bem que ela fez aos outros, e outra acha que sua vida só vai estar finalmente completa quando ela tiver viajado o mundo inteiro. Outras pessoas ainda não sabem, mas juram que estão em busca dessa resposta todos os dias e é por isso que mudam tantas vezes de opinião. Como todo o resto do mundo já tem essa resposta, elas também precisam da delas. A questão é: muitas vezes ficamos cegos na busca por aquilo que achamos que define nossa vida, mas esquecemos de vivê-la. A sociedade atual complica de-

mais essa ideia de propósito, de qual é a nossa missão aqui na Terra. Ela tem esse discurso que você precisa saber hoje o que fazer pelo resto da vida, e se por algum acaso você não souber, é um caso perdido. Falharam na sua educação ou você simplesmente não é bom o suficiente. Assim como é apresentado no filme Soul, da Pixar, e se nosso objetivo na vida for “apenas viver”? Lógico que apenas viver não é uma tarefa fácil e não vai ser cor de rosa o tempo todo, mas a vida em si já é preciosa o bastante para ser valorizada do jeito que é, por que complicar mais? Não tiro de ninguém seus desejos, sonhos e amores, mas passar a vida inteira tentando alcançar um único objetivo pode fazer você esquecer de viver todo o resto. A viagem é tão emocionante quanto o destino, então faça ela valer a pena.

Duda Cubas é aluna do 5º semestre do curso de Jornalismo da Barão de Mauá.


OPINIÃO

5º semestre/2021

3

GALERIA

‘Meu prêmio é ganho a cada dia que sou pautado’

Jornal da Barão - Desde quando você se interessa por fotografia? José Francisco Pimenta - Desde criança as imagens já chamavam a minha atenção. Onde havia uma fotografia eu ficava olhando admirado. Comecei a fotografar aos 17 anos, quando ainda eram feitas fotos em preto e branco, com equipamento de função mecânica e revelação manual em sala escura. Métodos que hoje foram substituídos por rápidos cliques digitais. A modernização, no entanto, não diminuiu minha paixão. Acredito na democratização da prática da fotografia, por diversos meios, tanto pelo avanço técnico quanto pela praticidade de criação e divulgação. No entanto, diante de uma produção tão grande, é fundamental separar uma foto boa de uma imagem sem qualidade. JB - Qual sua experiência profissional? Pimenta - Tenho trabalhos publicados em veículos como os jornais Enfim, A Cidade, Tribuna e Folha de S.Paulo, e revistas como Revide, Exame, Veja e IstoÉ. Nesse período

Foto: Arquivo Pessoal

JB - Onde está trabalhando atualmente? Pimenta - Atualmente faço trabalhos para o jornal Tribuna Ribeirão, além de prestar serviços para vários clientes, como o governo do Estado.

Atualmente, Pimenta é fotógrafo no jornal Tribuna Ribeirão

participei ativamente da criação da Associação dos Fotógrafos e Cinegrafistas Profissionais de Ribeirão Preto e Região, sempre pensando em melhorar a qualidade de atendimento dos profissionais e, também, defendendo os interesses da categoria. O que sempre me atraiu na fotografia e na profissão é justamente poder acompanhar e registrar o dia a dia da cidade e fatos de relevância social e histórica, além do trivial. Nesses anos dedicados à fotografia jorna-

lística, meus sentimentos e sentidos foram apurados. JB - Você já ganhou algum prêmio? Pimenta - Meu prêmio é ganho a cada dia que sou pautado para ser o olho da história nos momentos de relevância, e também nos triviais acontecimentos, principalmente da minha cidade. Além de ser convidado para participar como jurado em bienais de arte fotográfica nacional e internacional.

JB - O que conselho daria para quem deseja se tornar fotógrafo profissional? Pimenta - Acredito que amar o que se faz já um importante passo. Também é preciso persistência e buscar um aprendizado permanente diante das constantes mudanças provocadas na profissão graças aos avanços digitais. Considero a fotografia como o meio mais perfeito para reproduzir as mais diversas manifestações culturais. Por meio da fotografia, surgiu o cinema e a TV. A fotografia é tão presente e importante para as pessoas que é quase impossível imaginar uma família ou um grupo de amigos que nunca tenha sido fotografado. Assim que a fotografia foi inventada, iniciou-se uma nova história do mundo, sendo um instrumento na busca da própria identidade. Foto: JF Pimenta

José Francisco Pimenta, 54, é fotógrafo apaixonado pelo que faz desde os 17 anos, quando iniciou sua carreira fazendo fotos em preto e branco. Já publicou seu trabalho em vários veículos de Ribeirão Preto e de circulação nacional, como Folha de S.Paulo, Veja, Exame, IstoÉ. Hoje trabalhando no jornal Tribuna Ribeirão, que resiste em meio ao declínio das publicações impressas, em razão da internet, o fotógrafo considera que amar o que faz é o passo fundamental que os jovens fotógrafos precisam dar para uma carreira recompensadora. A seguir, trechos da entrevista que concedeu ao Jornal da Barão.

Registro de Pimenta no momento em que uma criança de 6 anos é resgatada viva de buraco em 2010


4

CIDADES

5º semestre/2021

Moradores ‘adotam’ praça Luís de Camões Eles recolhem lixo, regam plantas e trocam informações sobre o local em grupo criado no WhatsApp MAYLA SHIVA

Moradores do entorno da praça Luís de Camões, no centro de Ribeirão Preto, criaram um grupo no WhatsApp para cuidar do local, onde costumam passear com animais de estimação, plantar mudas de árvores, regá-las e recolher lixo. A praça fica no quadrilátero formado pelas ruas Visconde de Inhaúma, Rui Barbosa, Bernardino de Campos e Tibiriça. O espaço é densamente arborizado e, em seu miolo central, possui um chafariz, hoje desativado, com uma estátua do poeta, que cantou as conquistas dos portugueses no século 16. O grupo foi batizado de “Amigos da Praça”. Além de sua importância cultural, para a arquiteta Maria Teresa Roquette Loures, 51, o espaço também possui um valor sentimental. “Utilizo a praça desde quando minha filha era bebê e brincava lá. Hoje ela está com 20 anos. Há oito anos adotei uma cachorra e voltei a ir diariamente. Eu gosto muito de frequentar o espaço. É um momento de encontrar amigos, observar a natureza e relaxar com a folia dos cães.” De frente para o local está o Hospital Beneficência Portuguesa, e é comum que os pacientes e seus familiares fiquem na praça enquanto aguardam atendimento, como é o caso da aposentada Vera Farias, 64. “Eu venho muito no hospital, e gosto mais de esperar na praça. Ouço os passarinhos, fico ao ar livre, é bom né? Está bem mais cuidada, já foi pior. Agora também tem segurança por causa dos policiais que ficam aqui”, afirma a idosa. Em julho deste ano, a praça Luís de Camões completará 84 anos. Tombada como patrimônio histórico de Ribeirão Preto, ela faz parte de um conjunto de

Foto: Mayla Shiva

Monumento em homenagem a Luís Vaz de Camões e sua obra Os Lusíadas, localizado no centro da cidade de Ribeirão Preto

praças históricas relacionadas ao início da urbanização e expansão do município. De acordo com Cláudio Bauso, arquiteto e membro do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Conppac) de Ribeirão Preto, “as praças são espaços de contemplação da natureza”. “A praça Luís de Camões possui uma vegetação diferenciada, com espécies diversas de árvores. Se quisermos pensar em praça, nós devemos nos aprofundar no porquê da praça, por qual motivo ela existe, os seus princípios, a quem ela serve.” Fundada em 1937, a praça ainda conta com um monumento em granito e bronze de Camões, em referência à sua grande obra, o poema épico “Os Lusíadas”. A estátua foi um presente da colônia portuguesa durante

a inauguração do espaço, e é de autoria do escultor italiano Antelo Del Debbio. O projeto inicial seria manter plantadas o maior número de árvores brasileiras, transformando o espaço em um museu da flora brasileira e regional. Nos anos cinquenta, os jovens fizeram da Luís de Camões o principal cenário de sua convivência e encontros. Segundo o arquiteto, políticas higienistas acabaram interferindo nos elementos artísticos e culturais dos espaços públicos, como as fontes de água, por exemplo. A da Luís de Camões está desativada e, de acordo com os moradores, o motivo seria a falta de medidas sanitárias. “A fonte precisa de manutenção constante em relação à água parada, dengue é o nosso medo”, fala Maria Teresa. “Qual o problema da água

parada? Qual é o problema dos bancos quebrados? Da praça sem manutenção? É falta de políticas públicas de preservação dos espaços públicos que estão abandonados pelos políticos da cidade”, afirma Bauso. Para Maria Teresa, a praça já teve momentos piores e o descuido é do próprio cidadão que joga lixo no chão ao passar pelo local. “Toda segunda-feira ela é lavada, temos limpeza diária, o que está ruim é a grama central, que está com falhas e a falta de latões de lixo. O mais triste é ver lixeiras reviradas por alguém que procura latas e deixa tudo sujo.” Ainda segundo ela, o local é bem iluminado e possui segurança, da PM e da Guarda Municipal. “Quando tem algo fora de ordem, denunciamos”, afirma a moradora. Uma curiosidade sobre esse espaço histórico é que a praça Luís de Camões abrigava duas estátuas de bronze que seguravam uma tocha, uma de frente para a outra, que na época de sua instalação sinalizavam a entrada principal da sede da Sociedade Recreativa e de Esportes de Ribeirão Preto, a Recra, clube que faz parte da história da cidade por realizar reuniões socioculturais e ser um espaço de lazer para seus associados. Hoje as estátuas estão no hall de entrada do Teatro Pedro II, tendo sido realocadas para preservação. “Falta compreensão do espaço público, que são repletos de obras de arte. É uma herança europeia, como as esculturas, que são de uso público. Camões era um poeta, e a praça é um lugar de manifestação cultural e artística para o povo”, diz Bauso. Essa também é a visão da Maria Teresa, que vê a praça como “um local democrático e acolhedor. Acolhe as crianças, jovens, adultos, idosos e os animais”.


CIDADES

5º semestre/2021

5

Bairros se queixam de excesso de buracos Prefeitura informa que moradores podem pedir reparos no asfalto por intermédio do telefone 156 VICTOR CONTE

Moradores dos bairros Quintino Facci II e Avelino Palma, na zona norte de Ribeirão Preto, se queixam do excesso de buracos existentes nas ruas. Segundo eles, o problema já foi levado ao conhecimento da prefeitura, porém não foi resolvido. Luiza Geraldele, 74, moradora da Rua Dirce de Almeida Fantini, no bairro Avelino Palma, afirma que já viu muitos carros atolarem em razão dos defeitos no asfalto. “As crianças são muito afetadas na época das aulas quando chove, pois chegam à escola com pés todos sujos e cheios de lama. Já vieram aqui fazer algumas matérias, mas nunca houve um retorno.” “Eu moro em Ribeirão há 40 anos e nunca vi ocorrer um acidente aqui, porém, pode acontecer devido ao fato de

Foto: Victor Conte

Morador do Avelino Palma indignado com os buracos

alguns carros passarem em alta velocidade, e os buracos influenciam isso.” “A prefeitura afirma que a rua é responsabilidade do Sest Senat e alguns falam que o responsável é a própria prefeitura”, afirma Pedro Faustino Guimarães, 75.

A falta de manutenção do asfalto nas ruas gera dificuldade para as pessoas que transitam e até mesmo os comerciantes. “A rua Dirce de Almeida Fantini Cação é um caminho cheio de buracos e falta iluminação, o que pode danificar o carro de que passa por lá.” “Já vi também pessoas tentando desviar dos buracos e acabarem caindo pela dificuldade de transitar”, André Luis Lemes Pereira, 36, motorista de aplicativo. Em janeiro de 2014 a prefeitura criou o projeto tapa-buraco com a intenção de fazer melhorias nas vias públicas. Os moradores podem pode solicitar o serviço ao SAM (Serviço de Atendimento ao Munícipe) pelo telefone 156, ou mediante pedido apresentado no Protocolo Geral. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura de Ribeirão Preto, o serviço de tapa-bura-

co é realizado de forma emergencial quando há erosões pontuais em vias da cidade. Os locais são apontados conforme a necessidade, e o cronograma é feito de acordo com a gravidade da ocorrência e fluxo de trânsito. O investimento total se aproxima de R$ 500 milhões, sendo R$ 310 milhões em recursos do governo federal e o restante do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa) e outras agências de crédito. A reportagem do Jornal da Barão percorreu um trajeto de 2.500 metros entre os bairros Avelino Alves Palma e Quintino Facci II. Durante o percurso foram encontrados cerca de 30 buracos, um a cada cerca de 80 metros. Entre os piores buracos encontrados está um com 1,15 metro de largura, 3,5 metros de comprimento e 15 centímetros de profundidade.

Munícipes pedem revitalização de praça do bairro Avelino Palma VICTOR CONTE

Moradores do bairro Avelino Palma, zona norte de Ribeirão Preto, estão à espera de uma reforma na Praça Armando Lagamba, para o local voltar a ser utilizado. “Já faz mais de dez anos que a praça está nessa situação, à prefeitura não se importa muito com a situação aqui do local”, afirma Nivaldo Garcia. “Eu moro aqui desde os 14 anos e lembro que aqui tinha uma quadra de bocha que hoje virou abrigo para moradores de rua e usuários de drogas, o campo já não está mais em condições de jogo e a quadra foi demolida”, diz. “Eu já fiz muito por essa praça, já plantei muitas árvores aqui. Deveria haver maior conscientização das pessoas

Foto: Victor Conte

Campo de futebol da Praça Armando Lagamba, no Avelino Palma

em relação ao cuidado da praça, pois, somos nós que usufruímos dela.” O espaço onde hoje está localizada a praça foi inaugurado em 2002, após a criação de um projeto para a área deixar de ser só uma vegetação para virar uma praça, com o intuito que todos usufruíssem do espaço. O local continha uma quadra de bocha, quadra de areia, campo de futebol e alguns quios-

ques pelos arredores, além de um playground para crianças. Antes disso o local era composto apenas por vegetação. Devido à depredação e por atos de vandalismo foi necessária uma manutenção ainda no mesmo ano de sua inauguração. A praça passou por um período de abandono, porém, em dezembro de 2015 a prefeitura anunciou um projeto de revitalização.

O local não é bem cuidado e falta o amparo do município, o lugar que era para ser motivo de lazer e alegria para quem passa acabou se tornando um abrigo dos moradores de ruas. “O diálogo e a amizade são muito importantes na sociedade. Nós precisamos que as associações de bairros sejam mais unidas e regulamentadas com a prefeitura para fazermos a diferença”, declara Garcia. “As administrações dos bairros deveriam ser feitas para cada associação do próprio bairro, facilitando o diálogo entre a população e a prefeitura municipal”, afirmou Regiane Alcides, 45. A assessoria de imprensa da prefeitura de Ribeirão Preto foi contatada para comentar a situação da praça, porém, até o fechamento desta edição, não se manifestou.


CIDADES

5º semestre/2021

Fotos: Luiza Luz

6

Antiga moradia dos médicos da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão Preto; em destaque, a casa dos funcionários da universidade

PRESERVAÇÃO

Campus da USP conserva colônias rurais Ex-moradores das casas localizadas na universidade dizem sentir saudades das hortas, pomares e festas LUIZA LUZ

Os habitantes mais velhos da cidade de Ribeirão Preto provavelmente conhecem as famosas “colônias da USP”, localizadas dentro do campus da universidade mais prestigiada da cidade. Suas moradias foram construídas aproximadamente na metade do século vinte, entre anos de 1940 e 1950, servindo de moradia para os funcionários da Escola Prática da Agricultura, segundo o site da própria instituição. Em 2011, as colônias passaram por uma grande reforma, respeitando a estética e arquitetura antiga da construção, que foi considerada como lar para muitos trabalhadores. Com o passar dos anos, as

colônias acolheram mais funcionários da universidade. Segundo Dair Neves, 75, ex-moradora da USP que trabalhava no Departamento de Matemática Aplicada à Biologia, grande parte da sua vida e grandes memórias foram constituídas naquele lugar. “Eu morei em várias colônias. Morei na rua dos técnicos, na Milanesa, dentro do campus. Morei lá quase que a minha vida toda, uns 40 anos mais ou menos. Nasci na colônia Operária, que foi derrubada. Infelizmente, porque era um patrimônio histórico. Temos muitas lembranças daquele lugar.” Os moradores não desfrutavam de modernidades e tecnologias, por conta das moradias serem mais antigas,

desfrutando da arquitetura considerada “padrão” nos anos 40. Para Dair, a simplicidade é o que mais lhe faz sentir saudades atualmente. “Era tudo muito simples, confortável. Casas amplas, bem arejadas, todas com um quintal cheio de frutas, hortas.” “Sinto muitas saudades de morar lá. Guardo boas lembranças, sinto falta das plantas, árvores, frutas, de colher vegetais frescos do quintal.” As colônias foram o lar de muitos trabalhadores da USP por muitos anos, até mesmo décadas. Teresinha de Moraes, que é técnica administrativa no Laboratório de Bioengenharia até hoje, relata que só saiu das moradias, após quarenta anos de vivência, porque

o atual prefeito do campus da época solicitou sua saída. “Morei na Colônia Nova Milanesa por 40 anos. Saímos porque o então prefeito do campus estava pedindo as casas para outros moradores ocuparem, já que estávamos lá havia muito tempo”, disse Teresinha. Além de ser um lugar simples e familiar, as moradias foram palco para boas memórias e recordações serem construídas. Para a ex-moradora, a festa de São João era o evento mais marcante do ano. “As festas de São João, na casa da dona Geralda, que ficava na rua Velha Milaneza, começavam às seis da tarde e iam até as seis da manhã. Eu morria de medo dos fogos, mas era um evento muito esperado.”


CIDADES

5º semestre/2021

7

Entidades sociais retomam as atividades Entre os locais está a Casa das Mangueiras, que atende crianças e jovens em situação de vulnerabilidade

Após quase um ano de atividades presenciais interrompidas, entidades sociais de Ribeirão Preto retomaram suas atividades no dia 22 de fevereiro seguindo as orientações do Ministério da Cidadania, que estabeleceu que os atendimentos sejam limitados a 30% da capacidade. Em reunião realizada dia 18 de fevereiro entre os núcleos de Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) e a Secretaria Municipal de Assistência Social de Ribeirão Preto, o retorno foi liberado para todas as entidades. Os 14 núcleos do SCFV atendem estudantes entre 06 e 15 anos de idade em situação de vulnerabilidade social, fornecendo no contraturno escolar atividades socioeducativas complementares à escola nas áreas de esporte, cultura, lazer e cidadania. Inicialmente a liberação havia sido apenas para instituições que enviassem um plano de retomada para a secretaria e tivessem espaços abertos e adequados para o atendimento. A Casa das Mangueiras, localizada no bairro Vila Recreio, foi a primeira organização a retornar o seu atendimento presencial ainda em janeiro.

Fotos: Keila Mireli

KEILA MIRELI

A Casa das Mangueiras segue os protocolos de prevenção à covid-19 para continuar com as atividades

Desde o início do ano, a equipe da entidade tem se preparado seguindo todos os protocolos de prevenção à covid-19 e seguindo o plano elaborado. Logo na entrada é medida a temperatura das crianças, e todos os espaços são munidos de álcool em gel e cartazes com orientações de distanciamento e uso de máscaras. A organização é pautada no SCFV, e busca através de oficinas, ampliar as trocas culturais e de vivências e o empoderamento social. Durante o ano de 2020, as atividades foram oferecidas de forma remota.

Temperatura de criança é medida logo na entrada da organização

A secretária de Assistência Social de Ribeirão Preto, Renata Corrêa Gregoldo, afirma que “os núcleos nunca paralisaram os atendimentos, servindo como base de apoio para a entrega das cestas básicas, não deixando se perder o vínculo com a população”. “A falta de internet e celulares foi um obstáculo durante esse período”, conta a orientadora pedagógica Andrea Reis. De acordo com ela, “em uma roda de conversa os educandos disseram que não viam a hora de poder retornar, já que presencialmente eles conseguem entender muito melhor”. Diego Maschio, 9, é uma das muitas crianças que estavam ansiosas para o retorno. “Senti falta das oficinas do judô e do teatro e agora eu quero brincar com meus amigos e fazer as atividades certinho.” Segundo a instituição, as oficinas continuam a ser oferecidas remotamente para aqueles que não foram selecionados para a retomada presencial. “A expectativa é que haja um aumento gradual de 5% do atendimento a cada mês, mas isso vai depender muito do cenário da pandemia no município e das orientações das au-

toridades de saúde”, declarou João Gabriel Manzi, assistente social da Casa das Mangueiras.

Casa das Mangueiras

A Casa das Mangueiras é uma organização sem fins lucrativos, referência em atendimento e serviço de convivência e fortalecimento de vínculos de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social em Ribeirão Preto. Há quase 50 anos a entidade investe em programas que auxiliam no desenvolvimento sociocultural através de oficinas e projetos, buscando incentivar o despertar de valores como respeito, cidadania, responsabilidade e solidariedade. Desde 1973, vem transformando as famílias dos educandos e sua comunidade, gerando arte e educação para aqueles que mais precisam.Endereço: Rua Tupinambá, 1.457, Vila Recreio, Ribeirão Preto.


CIDADES

5º semestre/2021

Fotos: Lucas Souza

8

Cerca de 50 sócios desfrutavam de minicampos de futebol, quadras de tênis, piscina, entre outras opções disponíveis no Clube dos 30

MORRO AGUDO

Clube perde sócios e fecha na pandemia Espaço foi adquirido na década de 90 por grupo de amigos com o objetivo de aumentar o lazer esportivo LUCAS SOUZA

Há 31 anos, na cidade de Morro Agudo, localizada a 70 km de Ribeirão Preto, um grupo de 30 sócios fundou um clube particular. O local, chamado de Clube dos 30, atualmente dispõe de dois minicampos de futebol, duas quadras de tênis, um parquinho infantil, uma piscina, duas saunas, um quiosque e um salão para festas. Mesmo sendo um clube exclusivo para sócios, o espaço é conhecido por todos da cidade pois também costuma ser utilizado como locação para festas, shows, entre outros eventos de entretenimento. De acordo com Benedito José Tondini, dentista de 64 anos e idealizador do projeto, em 1990, ele e seu pequeno grupo de amigos percebeu que a cidade dispunha de poucos campos de futebol para praticantes, então surgiu a ideia de construir um clube de caráter particular que atendesse suas necessidades. Após a idealização, o grupo de amigos reuniu mais sócios, compondo assim os 30 membros que ajudaram a fundar o clube.

Local tamém abriga um quiosque e um salão de festas, bastante utilizado para locação de eventos

Juntos, compraram um terreno de 20 mil metros quadrados, na época chamado de Sítio Boa Fé, e começaram a construir um campo de futebol. “No início estabelecemos uma mensalidade de meio salário mínimo, mensalidade esta que permaneceu durante os primeiros cinco anos, tempo este hábil para comprarmos o terreno, perfurar poço e fazer a instalação de energia, água e esgoto, depois a cada empreendimento que fazíamos estabelecíamos uma chamada de capital. Segundo Mauro de Souza, de 64 anos comerciante e idealizador, no começo o grupo não tinha a ideia de fazer um clube muito grande.

Nos primeiros meses, tudo era apenas um campo de futebol, mas o número de sócios aumentou consideravelmente, chegando a ter 120 sócios patrimoniais. “No começo, pensávamos em atender apenas as nossas necessidades, mas posteriormente, mudamos nossa intenção e acabamos fazendo um clube cinco vezes maior do que planejávamos. Assim o clube não seria apenas para futebol e sim para famílias”, relata Souza. Ambos os idealizadores contam que todas as áreas de lazer existentes hoje no clube foram construídas no período de dez anos.

Para Tondini, a era de ouro do clube foi do ano de fundação até 2005. Hoje o clube é constituído de cerca de 50 sócios. E as demais atividades de lazer estão temporariamente proibidas devido à pandemia de covid-19. Souza explica que atualmente há duas maneiras de se tornar sócio: uma delas chama-se sócio participativo, na qual a pessoa paga uma mensalidade de R$ 40 apenas para usufruir dos minicampos de futebol. Por outro lado, há também o chamado sócio comum, em que a pessoa paga R$ 120 para ter acesso a todas as áreas do clube.


CIDADES

5º semestre/2021

9

Ciclovia leva lazer à zona oeste de Ribeirão Pista para ciclistas na avenida do Café, porém, também é utilizada por pedestres para caminhadas MAYLA SHIVA

Em dezembro de 2020, a Avenida do Café, local histórico da zona Oeste de Ribeirão Preto, passou a contar com duas importantes alterações: A implementação de um corredor de ônibus e a ciclovia no canteiro central. As obras iniciadas em novembro de 2019 fazem parte do Pacote de Mobilidade Urbana, que prevê a expansão do sistema de circulação viária e de transportes coletivos na cidade, tal como favorecer modelos não motorizados de locomoção, como é o caso da bicicleta. “A Avenida do Café liga dois pontos importantes da cidade: o campus da USP e o terminal rodoviário. É um elo do centro da cidade com a zona Oeste, e a intensão do projeto dessa ciclovia é continuar expandindo como uma ponte para os dois lados”, explica a arquiteta e urbanista Carla Roxo, 34, que atua em projetos de mobilidade e infraestrutura em uma assessoria. “A mobilidade urbana é chave para o desenvolvimento das cidades porque dá acesso à população aos equipamentos públicos, à escola, ao lazer e ao trabalho. Ela tem que ser vista como uma questão do direito do cidadão de poder se locomover no ambiente urbano de forma fácil, eficiente e efetiva porque isso reflete diretamente na qualidade de vida da população.” A implantação da ciclovia na Avenida do Café também proporcionou uma nova oportunidade para o engenheiro Renato Rodrigues Pereira, 41, expandir o seu negócio de aluguel de bicicletas. “Assim que as obras começaram no trecho, eu já fiquei de olho no local para estabelecer o segundo ponto fixo da minha empresa. A existência da ciclovia foi um fator determinante para abrirmos uma loja na Avenida do Café, o que

Foto: Mayla Shiva

Pista de ciclismo no canteiro central da Av. do Café, em Ribeirão

favoreceu muito o meu negócio, por ficar tão perto da ciclovia e incentivar as pessoas que passam por ali a alugarem uma bike para pedalar.” Ainda segundo Rodrigues, foi perceptível através dos números de sua empresa e do que ele observa pedalando pela cidade, o crescimento de interessados na prática do ciclismo. O engenheiro acredita que alguns hábitos desenvolvidos durante a pandemia foram fatores determinantes para esse aumento. “É um esporte que exige o distanciamento entre os ciclistas. Necessita de, pelo menos, um metro de distância da pessoa na bicicleta ao lado. Outro fator é a busca por um estilo de vida mais saudável, porque já se sabe que pessoas com um bom condicionamento físico são menos propensas a desenvolverem a forma mais grave da Covid-19, na maioria dos casos.” MELHORIAS E CONFLITOS Mesmo com todos os benefícios, ainda existem algumas melhorias a serem feitas na obra da Avenida do Café. Segundo Edgar Prandini, líder do projeto social ‘Ninguém me Segura com Mobilidade Segura’, a ciclovia ainda passa por “um estágio de adaptação”. “Os órgãos de trânsito precisamos contribuir com ações educativas e investir em sinalização adequada para garantir

o uso seguro para os ciclistas e pedestres, assim como deve se certificar dos cuidados necessários para evitar acidentes com os veículos motorizados que transitam ao lado.” “O Projeto Ninguém me Segura com Mobilidade Segura atua nesses aspectos da educação de trânsito, contribuindo com o planejamento urbano da mobilidade, com o objetivo de zerar os acidentes com ciclistas na cidade e garantir a inclusão de todos para uma locomoção sustentável em Ribeirão”, diz ele. A arquiteta Carla Roxo concorda que ainda faltam investimentos em campanhas socioeducativas voltadas para a mobilidade no município. “Ribeirão Preto não é uma cidade que incentiva a mobilidade não motorizada e ainda não reflete o suficiente sobre o impacto ambiental causado por transportes mais poluentes.” Além disso, outro conflito emergiu em paralelo à ciclovia: A relação entre pedestres e ciclistas. A Avenida do Café é comumente usada como trecho de caminhada por moradores dos bairros em volta, e com a finalização das obras de mobilidade, alguns desses pedestres passaram a utilizar o espaço da ciclovia para caminhar. Contudo, isso gera sérios riscos de acidentes tanto para quem caminha quanto para quem pratica o ciclismo no local,

e isso se tornou uma questão de discussão entre os dois lados. “É uma situação muito ruim, muito chata. Deveria ser feita uma campanha forte da Transerp, que é o órgão competente da cidade de Ribeirão Preto para resolver isso. A gente precisa de campanhas mais efetivas”, fala Renato Rodrigues. “Está previsto no Código Brasileiro de Trânsito que pedestre não pode usar a ciclovia. É preciso uma fiscalização, como colocar agentes em diferentes dias e horários ao longo da ciclovia para orientar e, se necessário, multar. Isso compete apenas à Transerp, não é responsabilidade do ciclista que transita ali.” A arquiteta Carla Roxo aponta que esse problema poderia ser resolvido caso a cidade contasse com uma infraestrutura urbana satisfatória também para os pedestres. “Ribeirão Preto não investe adequadamente na requalificação de calçadas, com alargamento, arborização, piso equipado, e etc. Porque se você tem uma calçada bacana, confortável e acessível, a população vai preferir utilizá-la. Então, mais uma vez a gente precisa buscar o equilíbrio em Ribeirão Preto, investir em todos os modais não motorizados. Porque afinal de contas todo mundo também é pedestre, né?” O líder do projeto “Ninguém me Segura com Mobilidade Segura” concorda. “A garantia da segurança nas ciclovias deve ser feita primeiramente com educação sobre o trânsito e valorização de todos os meios de locomoção, bem como com investimentos em infraestrutura e sinalização”, diz Prandini. “Na ciclovia da Avenida do Café, uma sugestão viável seria a comunidade local montar um comitê de melhorias para acompanhar as necessidades e reinvindicações de todos lados, e informar os órgãos competentes.”


10

TURISMO

5º semestre/2021

Pandemia reduz visitas a ponto turístico Parque do Cristo representa o início do Caminho da Fé, roteiro que conduz à igreja de Aparecida

Parque do Cristo Salvador é atração em Sertãozinho

Uma das atrações da cidade de Sertãozinho, o Parque do Cristo Salvador, localizado no bairro Cidade Jardim, está recebendo menos visitantes em razão da pandemia de covid-19. O local já chegou a receber até 4 mil visitantes por dia. O parque é o ponto turístico mais visitado de Sertãozinho. A estátua do Cristo pesa 42 toneladas e mede 56 metros de altura (18 metros de altura da estátua e mais 38 metros do pedestal que a sustenta). Da estátua é possível ter uma visão panorâmica da cidade. O monumento é o ponto de partida para o Caminho da Fé, um roteiro de peregrinação que leva até a igreja de Aparecida do Norte. São 571 quilômetros entre os dois pontos. Muitos dos fiéis vão a pé ou de bicicleta. O Caminho da Fé chegou a ter mais de 10 mil peregrinos antes da pandemia. Fiéis realizam o percurso para o autoconhecimento e reflexão.

Em conversa com Diego Pavan Campos, 26, acólito, ele diz que sim, para os fiéis o Cristo Salvador traz uma segurança, uma bênção de Deus sobre a cidade. Ele afirma que ainda não participou do Caminho da Fé, mas que tem o propósito de fazer isso algum dia.

“Sinto Deus comigo no meu dia a dia, carrego os ensinamentos da igreja e da bíblia dentro de mim. Ajudar o próximo, fazer um ato de caridade, nos recompensa com uma proteção.’’ Na entrada do Cristo há um mapa indicando os percursos do caminho da fé, o que leva

O acólito Diego Pavan Campi

Presépio feito de metal, localizado na entrada do parque da cidade

Fotos: Arquivo Pessoal

JOSIELE GREGÓRIO

conhecimento aos visitantes e um desejo de participar. Segundo a estudante Amanda Gil, 23, moradora de Sertãozinho, o Parque do Cristo é um lugar aconchegante para se estar em família e também para meditar sobre a sua fé. “Sinto falta dos passeios que fazia antes da pandemia. Atualmente sinto uma certa insegurança de ir até o local’’, afirma. O lugar permite que o público chegue mais perto do monumento, utilizando escada ou o elevador panorâmico. Em cima há uma visão da cidade. O lugar é cercado por grades, por questões de segurança. O local ainda conta com a presença de esculturas feitas de metal, que simbolizam o presépio, localizadas na entrada do parque, também há o restaurante O Mirante, que recebe muitos visitantes, pelo seu amplo cardápio e shows ao vivo. Mas, no presente, o estabelecimento sofre com a queda do movimento em virtude da pandemia. A entrada no parque é gratuita. Atualmente os horários foram afetados em decorrência da covid-19.


CULTURA

11 Fotos: Lucas Souza

5º semestre/2021

Automóveis antigos, tratores, bicicletas, máquinas de escrever, entre outros objetos, podem ser encontrados no acervo do advogado

NOSTALGIA

Advogado cria museu particular em Morro Agudo Renato Silva abriga em imóvel que foi fábrica da Nestlé objetos antigos; máquinas de escrever, carros e tratores, por exemplo, estão no acervo LUCAS SOUZA

Um advogado da cidade de Morro Agudo, localizada a 70 km de Ribeirão Preto, criou um museu particular. O local, chamado de Museu Silva, abriga telefones antigos, máquinas de escrever, carros, tratores, entre outros objetos. Segundo Renato Silva, advogado de 66 anos e dono do museu, para visitar o local é preciso ter a autorização dele. O museu funciona em um imóvel da família do advogado e costuma ser visitado por alunos de escolas da região, mas passa a maior parte do tempo fechado. O fundador relata que há quatro anos surgiu a vontade de reunir diversas relíquias em um de seus imóveis. Mas tudo começa pelo amor de Silva por cultuar o passado. “Tudo vem da história. Para o

homem, se não tem história para contar, não tem legado. E eu sempre gostei do passado, sempre gostei de guardar, de cultuar, tudo para que eu tenha histórias para contar. Quando você está na terceira idade, você tem que contar o passado para a nova geração. E se você não tiver um pouquinho de amor ao passado, o futuro se torna muito monótono, muito vago.” Parte dessas relíquias estão atreladas à própria vivência do colecionador. Durante a entrevista, o advogado apontou para uma das várias bicicletas que se encontravam no galpão e disse: “Aquela bicicleta verde, meu pai, Orozimbo José da Silva, comprou antes de eu nascer, para ir da fazenda à cidade”. Por outro lado, algumas antiguidades necessitaram de uma investigação para revelar

Renato Silva, fundador do museu particular de Morro Agudo

seu paradeiro, e essas estão relacionadas à história da própria cidade e seus moradores. “Essa bicicleta vermelha foi a que um professor, chamado Carlinhos, que faz parte da história de Morro Agudo, usava para fazer seu trajeto para dar aulas. Este relógio em que está escrito “19 de abril”, era da Caixa Econômica Estadual. Quando eu tinha 14 anos eu sempre olhava para esse relógio” relata o advogado. Caminhando um pouco mais é possível encontrar fotos do primeiro prefeito de Morro Agudo, Milton Pereira Viana, a primeira máquina de escrever do advogado, rádios, toca-discos, fotos de familiares. Uma das fotos exibe o pai de Silva fardado ao quase ir para a guerra. “Meu pai só não foi para a guerra porque ele já tinha um filho“, conta o colecionador.

Por trás de cada elemento, o dono do museu tem uma história para contar a seus visitantes. Seu museu é alvo de interesse de escolas, jornalistas e pessoas que simplesmente querem conhecer mais sobre o passado de Morro Agudo. Em agosto de 2020, o jornalista Antônio Carlos Leonardi, de Morro Agudo, realizou uma “live” no Facebook, com mais de 8.000 acessos, mostrando detalhadamente cada elemento. “O legal é você contar a história e conseguir mostrá-la.” O advogado não revela quanto gasta na manutenção do local, pois segundo ele, tudo tem um valor sentimental. O imóvel utilizado para guardar todos esses objetos possui ao todo 300 metros quadrados e também é uma das relíquias porque foi uma antiga fábrica da Nestlé.


12

SAÚDE

5º semestre/2021

Serrana enfrenta desinformação no combate à covid-19 Léo Capitelli, prefeito de Serrana

JOSIELLE GREGÓRIO

JB - Então foi essa a estratégia usada para o combate das fake news? Léo Capitelli - Sim, porque a única maneira de combater é informando. JB - Será que vai haver pessoas que não vão tomar vacina? Léo Capitelli - Com certeza vai ter pessoas que não vão realizar a adesão à vacina, mas até o momento estamos com um bom número de adesão. Gostaria até de parabenizar a população, que

entendeu a importância de se proteger, se imunizar. Na primeira semana, nós tivemos 92% de adesão, um número bastante expressivo, e houve também pessoas que não aderiram não por escolha, mas porque não podiam, ou eram gestantes, tinham alguma comorbidade ou doença. Mas acredito que teremos sucesso e cumpriremos a meta de 30 mil vacinados. JB - Como será um teste, haverá algum tipo de monitoramento após a vacinação?

JB - Quais as expectativas que o senhor tem em relação à volta à normalidade, principalmente no comércio? Léo Capitelli - As expectativas são grandes, esperança de ganhar o ano em relação à economia, a saúde. Meu objetivo maior é a saúde, salvar vidas, proteger as pessoas. Nós temos as consequências que a pandemia criou, que é o lado econômico, social, educacional, que a gente espera também retomar com essa vacinação em massa, com os resultados positivos e poder com isso também voltar ao novo normal. Sei que não será como antes, mas dentro de uma normalidade que possa ativar a nossa economia, nosso lado social e educacional de ensino.

Fotos: Josielle Gregório

JB - Houve propagação de fake news em relação a vacinação em Serrana? Léo Capitelli - Sim, houve no início, até porque teve toda uma situação política que se criou no país e no mundo através da covid-19. Então sempre temos os grupos que trabalham a desinformação através das fake news. Também temos uma equipe bastante coesa e profissional que está atenta a isso e informa a população de forma transparente e verdadeira.

Em entrevista, prefeito Léo Capitelli afirma que envolvidos na vacinação da doença neutralizam notícias falsas com informações verdadeiras

Léo Capitelli - Sim, o monitoramento é a partir do momento que as pessoas entram na escola para a primeira dose da vacina. Ficam sendo monitoradas em tempo real. O pessoal já fica atento, monitorando o resultado nesse projeto de pesquisa, levando esperança de dias melhores para o Brasil e o mundo.

A escola estadual Professora Neusa Maria do Bem recebe moradores de Serrana para aplicação da vacina contra o novo coronavírus


5º semestre/2021

SAÚDE

13

Foto: Igor Barbosa

PESQUISA

Própolis acelera recuperação de doentes pelo coronavírus Substância evita evolução para casos mais graves IGOR BARBOSA

Um ensaio clínico foi realizado pela USP de Ribeirão Preto em parceria com a empresa Ápis Flora, no final de 2020, com o objetivo de entender como o extrato de própolis, extraído pelas abelhas de plantas para proteger a colmeia, poderia ajudar no combate à covid-19. Existem inúmeros benefícios no consumo do produto para os seres humanos, entre eles a redução do tempo de internação e na taxa de lesão renal de paciente internados com covid-19. O professor doutor do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e um dos responsáveis pela pesquisa, David de Jong, afirma que “pelos resultados do ensaio clinico, própolis deve reduzir a progressão para casos graves”. Para o estudo ser realizado foi necessária a aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Depois os testes foram realizados em pacientes internados na ala de covid-19 do Hospital São Rafael, em Salvador (BA). O tratamento começou 24 horas após o recrutamento dos pacientes e assinatura do Termo de Consentimento. Foram realizados testes em três grupos diferentes, todos receberam o tratamento padrão contra a covid-19 e uma parcela o extrato de própolis em dosagens diferentes. O primeiro grupo contava com 42 pessoas, que tomaram 800 mg do extrato de própolis, produzido pela Ápis Flora, por dia. No se-

gundo grupo, 40 pessoas tomaram 400 mg, por dia, do mesmo extrato e, por fim, o terceiro grupo não ingeriu a substância e receberam apenas o tratamento padrão. Contatou-se que o grupo que não ingeriu o extrato de própolis passou uma média de 12 dias internado. As pessoas que ingeriram 400 mg ficaram em média sete dias, enquanto as que ingeriram 800 mg passaram apenas seis dias internadas. Outro resultado da pesquisa é na diminuição da taxa de lesão renal aguda, um problema comum em casos de internação por longos períodos. A pesquisa mostrou que os testados com 800 mg têm apenas 4,8% de chances de desenvolverem o problema, enquanto os que não receberam dosagem nenhuma do medicamento possuem 23,8%. Esses resultados mostram que as propriedades da própolis servem como aliadas para reduzir o impacto do coronavírus e inibem a progressão da doença para casos mais gravas. O professor diz sobre os próximos passos dos estudos: “Pretendemos fazer outro estudo com mais pacientes e usando placebo, mas pelos resultados entendemos que a própolis reduz o impacto de covid-19”. É importante ressaltar que o estudo é referente a pacientes já contaminados com o coronavírus e internados posteriormente e que ainda não existem comprovações sobre o uso prévio do extrato de própolis na prevenção da covid-19.

Existem mais de 300 compostos presentes na própolis, que atuam como antioxidantes, lutando contra doenças e danos no corpo


14

TECNOLOGIA

5º semestre/2021

Lojas usam tecnologia para conter prejuízos Sem o atendimento presencial, lojistas tiveram que se reiventar durante a crise causada pela pandemia

A pandemia causou o fechamento temporário de diversos estabelecimentos, e muitos deles tiveram que recorrer a métodos alternativos. O uso das redes sociais para atenuar o prejuízo das vendas foi uma delas. Em Santa Rosa de Viterbo, diante do cenário do isolamento social, o uso da tecnologia se tornou aliada para minimizar a crise e impedir o fechamento das lojas. Comerciantes e autônomos mudaram suas estratégias para conseguir se adequar ao novo método. Daniele Fernandes, de 38 anos, funcionária de uma loja na cidade afirma que o e-commerce contribuiu e muito para manter a loja funcionado. Daniele diz que eles tiveram prejuízos com a paralisação: “Precisamos demitir duas funcionárias”. E esse foi o cenário enfrentado por todo o comercio em meio a pandemia. Logo começaram com o uso das vendas pelo WhatsApp no ano passado e delivery, forma de venda que não utilizavam antes. Em seguida, não somente a loja onde trabalha, quanto muitas outras recorreram ao Facebook para ampliar ainda mais os negócios. As lives foram a próxima alternativa depois dos delivery’s. Nelas, a equipe se organizava para mostrar os produtos ao vivo. Os que estavam no estoque, e os que tinham chegado naquela semana. Se planejavam para fazer promoções e sorteios durantes as transmissões. Por fim, a live deixou de ser somente um método de vendas e passou a ser de entretenimento. Muitas pessoas adotaram a ideia, o que foi essencial também para o auxílio da quarentena já que não precisavam sair e podiam fazer suas compras dentro de sua própria casa.

Fotos: Arquivo Pessoal

MARCELA BREVE

Na selfie, equipe da loja Frontal com produtos que foram vendidos durante transmissão pela internet

A influencer Adrieli Bigaram se preparando para a live

Esse processo diminuiu o fluxo e movimentação nas ruas somando os consumidores que agora podiam comprar em suas residências e quem estava trabalhando em home office. Daniele diz que logo que começaram as transmissões, eles estavam revezando e fazendo as lives somente com a equipe de funcionários, mas que com o passar do tempo, passaram a fazê-las com a ajuda de influencers da cidade. A maquiadora profissional Adrieli Bigaram passou a utilizar a internet para seus trabalhos em 2019 após sair de seu antigo emprego. De acordo com ela, ser digital influenciadora exigiu muito para ela conseguir a sua autoridade profissional. Por estar fazendo o uso das redes sociais, influencers da cidade foram chamados para estar à frente das lives promovendo e vendendo os produtos para as lojas, como é o caso de Adrieli.

Usando de estratégias para engajamentos, eles conseguiram segurar a economia de diversas lojas da cidade, algumas até mesmo conseguiram abrir uma segunda loja. “Fico feliz que isso mudou, hoje 90% dos comércios dependem do trabalho do influencer”, afirma Adrieli. Apesar de todos os impasses e pontos negativos da pandemia, muitos estabelecimentos conseguiram manter as portas abertas e as vendas controladas. E com o auxílio da tecnologia para facilitar a venda dos produtos, seja ele promovido por loja ou de pessoas autônomas, não só ajudou a equilibrar o capital de giro quanto também fez com que os habitantes passassem a fazer parte do processo de evolução tecnológica e aceitassem melhor as profissões da área que atualmente estão sendo tão necessárias.


TECNOLOGIA

5º semestre/2021

15

Era digital sem controle ameaça crianças Especialista afirma que pais precisam controlar quantidade de tempo e conteúdo acessado pelos filhos DUDA CUBAS

Os irmãos Beatriz e Artur sentados no sofá usando o celular

“Eles nascem cada vez mais digitais, eles têm acesso à tecnologia cada vez mais cedo e a pressão que a mãe sofre para dar um celular é muito grande.” Michelle Toffoli Queiroz, 41, publicitária em Ribeirão, também é mãe de dois filhos e partilha da mesma opinião de Letícia. “Acho que ter acesso a esse tipo de entretenimento faz parte da geração deles. O que devemos nos atentar é com o tempo que ficam expostos, a qualidade do que estão vendo e se realizam outras atividades.” Gislaine Novembre de Azevedo, 41, gestora de recursos humanos em Ribeirão, é mãe do Lucas de 11 anos e do Diego de 9 e fala sobre algumas mudanças que notou no comportamento dos filhos.

Fotos: Arquivo Pessoal

Nascidos a partir de 2010, a geração alfa é aquela composta por pessoas que já nasceram imersas no mundo digital, ou seja, a diferença entre vida real e a digital parece não existir para esse grupo. Isso faz com que a forma como elas se relacionam com o mundo e as pessoas seja algo diferente de tudo que já tinha sido presenciado antes na história da humanidade. Mas não é porque essas crianças já nasceram no mundo digital que seu uso excessivo não lhes causa nenhum dano. De acordo com Solange Nagela, 34, psicóloga de Ribeirão Preto com foco em atendimento de ansiedade e agressividade infantil, por tudo ser muito recente, ainda não existe nenhuma conclusão científica dos malefícios do uso excessivo de internet e celular. “Diversos estudos bem recentes, internacionais e nacionais, apontam que pessoas que usam internet e celulares de forma excessiva apresentam mais queixas de sintomas depressivos e ansiosos. ” Letícia Tozetti, 41, é jornalista em Ribeirão Preto e mãe de dois filhos. Artur de 13 e Beatriz de 12. Por mais que ambos tenham um celular, Letícia não acha que seja algo saudável, mas sim inevitável.

Lucas e Diego utilizam computador: ‘um mal necessário, mas que é preciso diante de tudo o que estamos vivendo’, diz a mãe Gislaine

“O que eu vejo de mudança de comportamento é quando, por exemplo, eles perdem o joguinho e ficam mais nervosos, mais irritados, acabam gritando mais.” Esse evento é explicado por Patricia Capuani, 44, que é psicoterapeuta familiar em Ribeirão e alerta sobre o assunto. “A agressividade e competitividade são exemplos de mudanças de comportamento. Muitas crianças não sabem perder. Os jogos e o computador, principalmente os jogos, têm incentivado a luta e a busca por sempre ganhar.” Além disso, outro prejuízo que o uso excessivo de celulares pode causar é nas interações sociais. “A criança deixa de aprender habilidades socioemocionais muito importantes como a empatia, a comunicação correta sobre o que está pensando, a tolerância à frustração, o reconhecimento das formas de expressar emoções das outras pessoas e a incompreensão de suas próprias emoções”, diz Solange. Solange ainda acrescenta sobre o que considera ser o maior problema do acesso e uso de internet e celulares pelas crianças. “O grande problema é o excesso e o acesso a conteúdos inadequados para faixa etária da criança.”

Gislaine diz que controla e faz vista grossa em relação ao tempo que seus filhos ficam no mundo digital e a que tipo de conteúdo eles estão buscando. “A gente (eu e meu marido) não coloca um horário, a gente vai percebendo o que está acontecendo. Vou monitorando as atividades deles, incentivando a fazer outras coisas.” Na casa de Gislaine a família tem um combinado: todo mundo sabe a senha de todo mundo, então todos conseguem acessar o que o outro faz, dessa forma ela e o marido conseguem ter um controle maior do que os filhos estão expostos. “Se a gente viu que tem um vídeo, uma fala que está meio fora do normal, que pode ser preocupante, a gente conversa sobre, explica e esclarece o comportamento.” Letícia tem uma tática parecida para conseguir ter esse controle sobre o conteúdo e tempo de uso do celular pelos filhos. “Quando eu comprei o celular deles eu coloquei aquele Google Family, que é um controle do Google que eles têm algumas restrições de acessos. Então, por exemplo, no Youtube eles não acessam tudo que eles querem, eu consigo monitorar quanto tempo eles ficam no celular, em cada aplicativo.” Por fim, tanto Patricia e Solange falam sobre a importância de incentivar a interação em família, diálogos e jogos que acontecem fora do ambiente virtual. “Estimule os jogos, brincar de massinha, brinquedos e atividades ao ar livre”, diz Patrícia. “Procurem incluir momentos de leitura em família, para ouvir música, para cozinharem juntos, para cuidarem da casa juntos, momentos de relaxamento, de meditação ou de agradecimento, momentos de cuidado com o corpo, com limpeza, com massagem”, afirma Solange.


16

TECNOLOGIA

5º semestre/2021

INFODEMIA

Excesso de informação prejudica a saúde Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo oferece programa para tratar dependência tecnológica MARCELA BREVE

Apesar de parecer benéfico, receber informações em excesso sem que haja o devido cuidado e atenção pode ser prejudicial à saúde mental e causar problemas psicológicos ou o agravamento deles. De acordo com psicólogo clínico de Santa Rosa de Viterbo José Eduardo dos Santos, 32, “o consumo em excesso de informações pode acarretar mudanças comportamentais, mudanças de humor, problemas de aceitação devido a comparações com famosos, ou pessoas que aparentam ter uma vida perfeita nas redes sociais. “Tais sintomas podem aumentar e serem comparados como o vício em uso de substâncias psicoativas.” Pessoas que estavam ligadas a todo momento em qualquer informação que recebiam sobre o covid-19 começaram a sentir sintomas parecidos com a doença: dores de cabeça, de garganta, cansaço e tosse. Além também do aumento de casos de transtornos psicológicos. Esse fenômeno foi chamado de “infodemia” pela Or-

ganização Mundial de Saúde (OMS). Muitas já tinham o diagnóstico de algum transtorno antes da pandemia, e muitas delas tiveram seus quadros agravados por conta disso. O psicólogo afirma que a pandemia trouxe diversas perdas para as pessoas, e uma delas é o contato social de maneira presencial, o que, segundo ele, acaba potencializando o desenvolvimento de tais sintomas.

‘‘

O consumo em excesso de informações gera mudanças

Ele declara ainda que é importante que a pessoa reconheça qual o seu limite frente às informações recebidas, se atentar aos cuidados de prevenção e, se necessário, não acessar constantemente informações, pois tal acesso pode agravar algum sintoma que ela venha a desenvolver nesse período.

A pandemia e o isolamento social além de ter causado o aumento de transtornos psicológicos como ansiedade e depressão, ainda agravou casos clínicos. O psicólogo faz um alerta para isso o abandono do processo terapêutico em determinado momento pode fazer com que a pessoa tenha uma queda em sua evolução, pois ainda se sente insegura em alguns aspectos, porém para alguns pacientes pode ser que não ocorram tais prejuízos. Rosana Serrani, 44 anos, moradora da cidade de Santa Rosa de Viterbo, percebeu a forma com que o excesso de informação e do uso da internet durante a quarentena estava atrapalhando sua vida. “Para mim às vezes é difícil ver todos os dias o número de mortes, pois me deixa muito triste, por isso tento evitar ficar na TV.” Apesar disso, ela afirma ainda que tenta controlar a ansiedade com orações, meditações, auto-hipnose, exercícios de respiração e, se precisar, ajuda psicológica. O psicólogo fala ainda sobre

os cuidados que devemos ter durante esse período em que a infodemia e o uso da internet estão tendo consequências. “Não se cobrar em excesso, ter um espaço para realizar seu trabalho e/ou estudo e compreender o que está sentindo e não negligenciar isso. Não se inferiorizar, compreender que não controlamos tudo ao nosso redor, entender que a ansiedade é um sentimento normal a todos nós seres humanos.” A USP na cidade de São Paulo possui um programa de dependências tecnológicas no instituto de psiquiatria do Hospital das Clínicas, onde são oferecidos acompanhamentos e orientação por um núcleo de psicólogos e psiquiatras da faculdade para pessoas que têm problemas com vícios na internet. São avaliados critérios de dependência, além de testes e triagens com os familiares e/ ou pessoas mais próximas. O tratamento consiste em acompanhamentos e sessões em grupo, além de atividades práticas que visam incluir novas atividades que sejam motivadoras na vida do paciente.


ECONOMIA

5º semestre/2021

17

Pandemia incrementa serviços de delivery IGOR BARBOSA

Com a pandemia serviços de delivery cresceram em Ribeirão Preto e os entregadores, que são linha de frente desse modelo de negócio, ainda enfrentam desvalorização e problemas ligados às condições de trabalho, trânsito e apoio das empresas. Muitas pessoas têm se tornado entregadores por vários motivos um exemplo é o Maycon Souza, 23, que afirma: “Quando comecei não foi por escolha, mas uma necessidade porque tinha acabado de ser mandado embora do meu antigo serviço”. Já Gabriel Breno, 21, faz corridas para garantir uma renda extra para ajudar a pagar a faculdade de Engenharia Mecânica. “Com os tempos difíceis meu salário não está dando para pagar todas as contas e como já uso minha moto para trabalhar de promotor comecei a fazer entrega aos fins de semana”, diz. Mesmo trabalhando de 4 a 14 horas por dia os entregadores ainda tem uma faixa salarial de no máximo dois salários mínimos e isso é motivo de queixas frequentes. “Os valores pagos pelo tanto que a gente corre são baixos, quando se trabalha por aplicativo a dificuldade é maior ainda”, afirma, André Luiz, 22. Por essa categoria não possuir vínculo contratual é mais complicado para negociar os valores das corridas com os restaurantes ou aplicativos, que muitas vezes já tem isso preestabelecidos. As taxas, geralmente, ficam com o restaurante que no fim da noite ou da semana fazem o repasse para os prestadores de serviço. Outro grande problema é o trânsito e o asfaltamento. “Nenhum carro respeita motoboy, não tem um pingo de consideração pela nossa profissão, sem contar as ruas cheias de bura-

co, mal asfaltadas, com ondulações em curvas”, afirma Breno. “As ruas de Ribeirão são um caos quando se trata do próprio asfalto, parece que cada dia tem um buraco novo”, diz Lucas Breno, 22, que trabalha 12 horas por dia nas ruas de Ribeirão Preto. Por conta das condições das ruas, alguns entregadores acabam sofrendo acidentes, como é o caso do Renan Lazari, 20, que caiu da moto por causa de uma poça de óleo na via. “Na hora um carro me fechou e eu freei, mas o pneu que estava na poça, não segurou e a moto derrapou”, diz. Renan teve ferimentos leves e passou poucos dias sem trabalhar, diferentemente do Gregori Resende, que se acidentou em um momento de lazer e precisou passar por uma cirurgia no braço. “Eu trabalhava com minha moto, agora estou desempregado porque era autônomo e estou sem renda”, afirma. Animais nas pistas também são um problema para os entregadores em Ribeirão Preto. Alessandra Fantine, 49, conta sobre seu último acidente: “Já sofri alguns acidentes, na última vez eu atropelei uma capivara na avenida Costábile Romano.” Alessandra é entregadora há mais de 10 anos e conheceu a profissão através de um primo, que na época trabalhava para uma rede de comida chinesa e ofereceu-lhe uma vaga porque ficou sabendo que ela estava desempregada. As entregadoras enfrentam mais dificuldades do que os homens, entre elas o assédio. Os entregadores são constantemente expostos a riscos de trânsito ou de lugares que precisam fazer entregas, e muitos deles precisam lidar com o próprio medo e com o dos familiares. “Medo eu não tenho, mas minha mãe tem. Acredito que

Foto: Renan Lazari/Arquivo Pessoal

Para garantir o sustento, jovens de Ribeirão enfrentam risco de acidentes ao circularem de motos

Em alguns aplicativos, entregadores cresceu 500% na pandemia

qualquer mãe teria”, declara Lucas Breno. Vitor Matheus, 22, trabalhou por sete meses como motoboy, mas deixou as motos e segue nas ruas agora como motorista de aplicativo para complementar a renda de casa, por causa do medo da família e para poder dar mais conforto para esposa e filha de um ano. “Comecei a fazer entregas por questões financeira. Foi uma escolha. Estava buscando renda extra. Eu trabalho com eventos e, no começo da pandemia, meu serviço parou e não queria mais apenas ficar parado em casa e isso aconteceu logo que minha filha nasceu”, afirma Matheus. Diferentemente de Matheus, alguns motoboys não pretendem mudar de profissão por enquanto. “No momento não penso em mudar, pois estou trabalhando com algo que

gosto. Talvez um dia eu mudo pra algo mais tranquilo”, declara Maycon Souza. Mesmo com todas as dificuldades, os entregadores encontram motivos para se alegrarem, compartilharem experiências e se apoiarem. “Sempre que tem uma paisagem, um dia bonito ou uma lua bonita e eu tenho a oportunidade eu fotografo e posto no meu status com os motivos pelos quais eu amo meu serviço”, afirma Alessandra. “A gente cria um laço muito grande com outros motoqueiros por sempre se encontrar em alguns pontos da cidade. Eu participo de um grupo do WhatsApp com outros cinco entregadores. Nele a gente compartilha a localização em tempo real e vamos conversando durante o dia. Se algum precisar de ajuda conseguimos nos apoiar rápido”, afirma Renan Lazari.


18

CARREIRA

5º semestre/2021

Cultura do cancelamento pode arruinar carreiras Fenômeno, ligado às redes sociais, faz vítimas perder seguidores e, em alguns casos, oportunidade de trabalho, como foi o caso da cantora Karol Conká

Uma palavra que antes era usada como um ato não diretamente interligado a pessoas, passou por um processo de ressignificação. Agora cancelar tornou-se uma atitude que ocorre quando um grupo de indivíduos, geralmente na Internet, o maior meio propagador da cultura do cancelamento, se unem para julgar a atitude de um terceiro, que, no caso, será cancelado. São chamados de canceladores aqueles que se sentem aptos para cancelar alguém. Segundo a psicóloga Briza Aragão Ho, 24, graduada na USP de Ribeirão Preto, eles acreditam que exercem alguma forma de poder, sentindo-se no direito de “inferiorizar” sua vítima. “O que é possível notar é que as pessoas que cancelam possuem uma forma de poder. E isso ocorre pela união de um grupo de muitas pessoas reivindicando por algo que consideram certo ou melhor. Isso se torna preocupante quando resulta em julgamentos precipitados sobre alguém ou uma situação que culmina na tentativa de ‘apagar a existência’ do que é ‘cancelado’”, disse a profissional. O cancelamento está por toda parte, e qualquer um pode ser a vítima. Seja uma estrela de cinema, um trabalhador humilde, influenciadores digitais. Todas as pessoas correm o risco de cometerem um erro na vida e caírem na rede do cancelamento.

Para Briza, essa cultura diz respeito principalmente aos demais valores ideológicos compartilhados pela população. “Penso que a cultura do cancelamento segue um movimento político, ideológico e de valores morais em que se questionam alguns comportamentos e ações que são considerados ruins, ganhando grandes repercussões por meios virtuais e podendo ter impacto fora dele também. Isso reverbera diretamente no que é considerado justo e injusto, certo e errado pelas pessoas.”

Foto: Divulgação

LUIZA LUZ

‘‘

Cometemos injustiça quando cancelamos alguma pessoa

Toda ação tem sua consequência. Os denominados “canceladores”, por se sentirem superiores àqueles que são considerados “cancelados”, podem causar efeitos contraditórios perante aquilo que tentam pregar ou ditar como “correto”. Segundo a psicóloga Laura Mendes Charão, profissional atendente na clínica Cras (Centro de Referência de Assistência Social), de Valinhos, essas atitudes trazem uma grande desvalorização de movimentos sociais de grande importância. “Uma pessoa não familiarizada com algum movimento social, por exemplo, quando

A produtora de TV Flávia Rasi: BBB ilustra cancelamento

perceber alguém sofrendo uma retaliação enorme por algo simples pode achar que todas as pessoas ligadas a esse movimento são exageradas e não se sentir confortável para participar do movimento ou de se expressar. A mudança de comportamento é mais efetiva com orientação e reforço de comportamentos apropriados”, declarou a psicóloga. Para Briza, o resultado de corroborar com essa postura não traz nenhum aspecto positivo. “Quando cancelamos rapidamente alguém, sem compreender a situação e os envolvidos, podemos estar co-

metendo alguma injustiça, algo que contradiz o que penso ser a intenção inicial por trás da ideia do cancelamento. Para além disso, quando apenas cortamos o que não gostamos, sem dar chance para mudanças, a consequência seria apenas reforçar a intolerância e violência ao longo do tempo.” Os influenciadores digitais e figuras públicas são as principais vítimas de cancelamento, pelo fato de suas vidas estarem sempre interligadas à internet, o principal meio propagador e onde vivem os canceladores. Essas pessoas estão constantemente comparti-


CARREIRA

5º semestre/2021

lhando suas vidas online. Seja no Instagram, Twitter, Facebook, TikTok. O que as torna um alvo mais fácil de caírem no cancelamento. Um simples erro, palavra dita da forma errônea, falta de interpretação, e suas carreiras podem acabar em questão de segundos. Uma integrante do Big Brother Brasil que está sofreu as consequências de ser cancelada pela internet é a artista Karol Conká. Segundo o site da revista Forbes, a rapper pode perder até R$ 5 milhões por parcerias e shows cancelados. Consequências citadas pela psicóloga Briza como causas do ato do cancelamento para aquele que está sendo a vítima. “Depende muito do caso, mas normalmente quem é cancelado é uma figura pública. Logo, ela pode perder desde prestígio e fama (por meio do número de seguidores, por exemplo), até impossibilidade de continuar atuando ou trabalhando no meio em que estava (anulação de contratos, excesso de ódio recebido que não torna viável manter-se por essas vias).” Uma amostra clara desta cultura e como ela vem se propagando fortemente na sociedade é o caso de Lucas Koka, integrante do programa Big Brother Brasil 2021, um reality show onde vinte pessoas permanecem confinadas dentro de uma casa, sendo constantemente vigiadas e

competindo pelo prêmio de um R$ 1,5 milhão. Lucas desencadeou uma série de conflitos com os demais integrantes durante a primeira festa do programa. A partir desse ponto, os demais competidores começaram a isolar o participante, por mais que o mesmo tentasse se redimir e pedir desculpas pelos erros cometidos. De acordo com Flávia

Rasi, 27, produtora de televisão, este programa é o maior exemplo inserido no dia a dia do cidadão brasileiro de como é a cultura do cancelamento. “Gosto de pensar que um programa antes visto como entretenimento fútil e vazio tem trazido discussões e conteúdos extremamente necessários para a sociedade. É importante ver tudo isso sendo mostrado e repercutido em

19

rede nacional. Na edição de 2021, estamos vendo o quão perigoso e delicado é se colocar no lugar do cancelador. É realmente um exemplo muito vivo disso.” Além disso, Flávia cita que as figuras públicas inseridas no programa, que são classificadas como VIPS, são pessoas interessantes de serem observadas quando se trata desse assunto. “O fato de termos figuras públicas 24 horas sendo expostas em rede nacional é interessantíssimo quando vamos falar sobre a cultura do cancelamento. Essas pessoas vivem com assessores, mídia trainings e uma equipe enorme que dita o que pode ou não ser dito. O que ‘pega bem ou mal’ ser falado, como se posicionar para não ser cancelado.” “Quando essas pessoas abrem a porta de uma casa para serem vigiados em suas vidas comuns isso choca. Não choca só o telespectador e o fã como os mesmos. Eles se confundem o tempo inteiro. Não sabem o que fazer, como agir. De repente estão do lado de lá da situação. Mostram que são seres humanos que erram e têm defeitos”, disse a produtora. GRÁFICOS ‘CANCELADORES’ Em uma pesquisa feita pelo Jornal da Barão, através de formulários online, respondida por 42 pessoas, na faixa etária dos 15 aos 30 anos, foram coletados dados correspondentes à prática da cultura do cancelamento. Ambos se consideram diariamente conectados à internet e redes sociais no seu dia a dia. Dentre os demais entrevistados, 7,1% se consideram canceladores, e os outros 92,9% não. Em contrapartida ao número de “não-canceladores”, 26,2% dos entrevistados acreditam que a cultura do cancelamento serve como uma lição para aquele que está sendo cancelado. Por fim, apenas 9,5% dos participantes concordam com as atitudes dos canceladores. Número que revela o impacto negativo desse tipo de cultura na população.


20

CARREIRA

5º semestre/2021

Especialistas dão dicas de como conseguir emprego Fotos: Arquivo Pessoal/Divulgação

Profissionais afirmam que competências comportamentais são valorizadas pela maioria das empresas

As especialistas Flávia Berdani (gestão empresarial), Janaína Branco de Melo (RH) e Gislaine Novembre (desenvolvimento humano)

DUDA CUBAS

Devido ao isolamento social causado pela covid-19, muitas empresas precisaram demitir funcionários para manter as contas no azul, por isso, muitos brasileiros ficaram desempregados e foram atrás de se realocar no mercado de trabalho transformado pela pandemia. Em entrevista ao Jornal da Barão, a gestora estratégica de pessoas Janaína Branco de Melo, 27, de Lages (SC), afirma que o primeiro passo na busca de um emprego é ter um planejamento e passar por um processo de autoconhecimento. “Entender quais são as suas habilidades e para onde elas podem te levar. ” Flávia Berdani, 38, de Caxias do Sul (RS), gestora empresarial, fala sobre a questão da rotina. “Você tem que acordar todos os dias como se estivesse trabalhando. Ter uma agenda do dia, ou seja, para quem vou

enviar o currículo, quais empresas vou visitar. ” HABILIDADES BUSCADAS Gislaine Novembre de Ribeirão Preto, é especialista em desenvolvimento humano e explica que atualmente as competências comportamentais, como a proatividade e atitude, estão sendo cada vez mais buscadas nos candidatos. “Demonstre ser uma pessoa proativa, uma pessoa resiliente, flexível. Pessoas que têm poder de argumentação e comunicação, que ao mesmo tempo que sabem falar, também sabem ouvir. ” Janaína também fala sobre essa questão. “Essa característica (proatividade) se destaca agora porque é algo que você não pode treinar, diferente de conhecimento e habilidades. ” Um fator destacado por Flávia é a falta de líderes e gestores dentro das empresas, isso devido à escassez de pessoas que possuem habili-

dades necessárias para liderar uma equipe. “Muitas pessoas investem muito no técnico e esquecem que as empresas precisam de gestores. ” CURRÍCULO A melhor forma de formular um currículo é direcioná-lo para a vaga que você almeja. “A clareza dos objetivos, especificar bem onde a pessoa pretende atuar. Muitos currículos são confusos e não deixam claro qual é o objetivo de carreira do profissional”, diz Flávia. Janaína também comenta sobre a parte de objetivo do currículo. “Frases clichês como: ‘Desejo crescer nessa organização’, são mal vistos, pois é fácil ver que aquilo foi copiado e colado. “O que chama mais atenção, em termos gerais, são as experiências e a questão do tempo nas empresas. Se eu pego um currículo e vejo que

a pessoa fica um ano em casa empresa, aquilo me preocupa”, afirma Gislaine. NETWORKING Networking é a rede de relacionamentos e contatos que você tem e, de acordo com Flávia, “se você não tem uma rede de relacionamento, você precisa construir uma”. Janaína diz que uma boa forma de criar uma rede de relacionamentos é fazer uso do LinkedIn. “Adicione pessoas na sua rede, manda mensagem para pessoas que são influentes na área que você está tentando ingressar, se apresente, mostre sua formação, seus objetivos, seja notado!” Use a rede ao seu favor, então publique trabalhos interessantes que você fez, ou algum projeto que fez parte. Se for tímido para entrar em contato direto com as pessoas, entre em grupos e fóruns sobre assuntos que te interessa e se faça ativo lá.


CARREIRA

5º semestre/2021

21

Contratados contam como foi a busca por emprego De acordo com pesquisas feitas pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa média anual de desemprego no Brasil atingiu a marca de 13,5% em 2020. Esse número é o maior desde 2012, em que a porcentagem era de 4,6%. Porém, mesmo meio a pandemia, vários brasileiros conseguiram se realocar no mercado e conseguir uma vaga de emprego. Um desses brasileiros é Felipe Marinho Gondo, 18, de Ribeirão Preto. Recém-formado no ensino médio, Marinho fez um planejamento para conseguir uma vaga de emprego. “Como já tinha acabado o ensino médio eu ficava o dia todo mandando currículo. Acordava, tomava café da manhã e ficava o dia no computador buscando emprego.” Já Gabriel Riquieri Campos, 20, estudante de ciências da computação, seguiu uma estratégia diferente de Felipe, mas que também é recomendada por especialistas: investir no networking. “Com as informações do networking pelo LinkedIn conseguia administrar e planejar melhor os envios do currículo.”

Riquieri vê grande importância no network para conseguir arrumar uma vaga de emprego, por isso apostou em investir na sua rede de relacionamentos. “Você tem oportunidade de conhecer e se conectar com pessoas da área, iniciando assim uma relação profissional onde se pode ocorrer troca de experiências e compartilhar o interesse por uma vaga.” Em relação ao currículo, os especialistas recomendam que ele seja adaptado de acordo com a vaga e empresa. Laura Stephanie Oliveira,18, Ribeirão Preto, conhece essa dica e a aplicou na sua busca por empregos. “Eu fazia adaptações no ‘Objetivo’ de acordo com a descrição da vaga e da empresa. ” Marinho afirma que fez o mesmo. “Cheguei a fazer cinco currículos para diversas ocasiões, mas atualmente só possuo dois: um mais tradicional e outro mais ‘criativo’.” De acordo com gestores de pessoas, hoje as buscas por habilidades comportamentais estão sendo mais buscadas que as técnicas Ana Carolina Meneghetti,21, acredita que ambas habilidades estão sen-

do requisitadas. “Alguns estágios exigem habilidades técnicas como inglês e excel, e é sempre levado em conta o comportamento da pessoa na entrevista, para saber se ela é boa em trabalhar com equipe, se é organizada, e outras qualidades.” Riquieri tem um posto de vista que compartilha certas similaridades com o de Ana. “Para pessoas que estão ingressando no mercado de trabalho agora, acredito que as habilidades comportamentais são mais importantes. Isso se deve pelo fato do entrevistador saber que a pessoa não tem experiência na área, e mesmo se ela tiver conhecimentos técnicos, esses conhecimentos nunca foram exercitados em projetos reais.” “Por outro lado, para pessoas que já trabalharam e tem experiência na área, as habilidades técnicas passam a ser tão importantes quanto as habilidades comportamentais”, diz Riquieri. Por outro lado, Marinho acredita que as habilidades mais buscadas dependem da área de atuação. “Depende muito da área de atuação, mas vejo uma procura muito maior por técnicas do que condições comportamentais.”


22

ESPORTES

5º semestre/2021

Conheça o novo modelo de academia que está em alta Academias com método de treinamento personalizado fogem do convencional e atrai muitas pessoas Foto: Arquivo Pessoal

VINÍCIUS PROENÇA

Foto: Vinícius Proença

Alunos durante treino: novo modelo tem conquistado mais clientes

Com restrições, aulas são ministradas por um personal trainer

As academias são um método bem antigo para buscar uma qualidade de saúde e de vida para todos. Seus equipamentos são o que fazem muitas pessoas se apaixonarem pelo esporte, mas ao mesmo tempo, são eles que deixam muitas outras distantes. Pensando em um modo de como atingir a qualidade de saúde e de vida e até mesmo a alta performance nos atletas, surgiram os centros de treinamentos especializados e personalizados. Apostando nisso, Mateus Leonardo Mendonça, 29, e mais três amigos, entraram como sócio e abriram o Centro de Treinamentos Agnes na cidade de São Carlos. “Nossa abordagem é multidisciplinar, podendo o aluno optar por quais necessidades gostaria que fossem atendidas”, afirmou Mendonça. Nesses espaços, o foco no treino é no que a pessoa mais precisa em específico e utiliza o treino funcional como o principal método, e por isso tem conquistado tantas pessoas. Além disso, favorece aquelas pessoas que tem vergonhas de treinar em academias cheias e prefere um acompanhamento individual. “A principal diferença é na relação aula e aluno. No método do treinamento personalizado nunca o aluno se adapta a aula, e sim o contrário, sempre as aulas são direcionadas para as especificidades do aluno”, disse Mendonça. Diferente das academias convencionais que trabalham com equipamentos e buscam

trabalhar a força, os treinos personalizados buscam aliar a força com outras técnicas. “Nosso método de trabalho é só o treinamento personalizado, utilizando de diferentes estratégias de exercícios físicos sempre voltados para obter êxito no objetivo do aluno”, disse Mendonça. Além de todo o treino montado de forma personalizada, dentro do CT (Centro de Treinamento) Agnes, Mendonça ressalta que os clientes possuem outros acompanhamentos aliado aos treinos. “Nosso CT, hoje é composto por profissionais e estagiários das áreas de educação física, nutrição e também o pessoal da fisioterapia.” Esse modelo de academia tem crescido muito no último ano, principalmente após o começo da pandemia, já que esse método muitas vezes não tem contato com equipamentos e pode ser feito até dentro de casa. Entretanto, mesmo com seu modelo de negócio em alta, Mendonça diz que “é importante enfatizar que não existem métodos melhores uns que os outros e sim o que a pessoa se adapta mais.” As academias vivem uma indefinição constante, hora o governo autoriza abrir com os cuidados necessários e outra hora fecham tudo novamente. Mesmo assim, as pessoas sempre buscam um jeito seguro de se exercitar e cuidar da própria saúde. Com as academias fechadas, as pessoas procuram cada vez mais os personal trainers que também trabalham com esse modelo de treino.


ESPORTES

Foto: Vinícius Proença

5º semestre/2021

O Centro de Treinamento Agnes oferece uma ampla estrutura e diversos profissionais atuantes

‘‘

Mesmo com esse método de treinamento em alta, os valores mantêm a média de uma academia convencional. No CT Agnes, Mendonça diz que “os valores variam muito dependendo do treino”.

Tudo isso, depende bastante de quantas vezes por semana o aluno vai treinar, se ele vai treinar de forma individual, em duplas ou até em trios. Já França, também diz que varia muito, principalmen-

te por que “às vezes eu dou treino na casa do aluno ou no espaço que tenho no quintal de casa”. Mesmo com as variantes, a média para você ter um treino específico e personalizado, fica em torno de R$ 100 por mês. Rafael Dexter, aluno do personal França, fala sobre os benefícios e resultados que vem tendo, desde que começou com os treinos nesse modelo. “Eu sou atleta de futebol e sinto que o treino específico me ajuda muito a potencializar minha força e as minhas técnicas. Para um jogador, é muito importante você trabalhar aquilo que vai utilizar e te dar vantagens dentro de campo, por isso gosto muito dos treinos nesse modelo.” Com esse modelo em alta e com o prolongamento da pandemia, a tendência é de cada vez mais procurarem esse modelo de treinamento. Foto: Vinícius Proença

Nicolas Mateus Denari de França, 21, trabalha em São Carlos com treinos personalizados e individuais e conta que durante a pandemia seu número de alunos cresceu. “É difícil achar alguma coisa boa nessa pandemia, é complicado até de falar. Mas por conta de não ter aglomeração, o pessoal procurou mais o meu trabalho e achou nele, uma forma de cuidar da sua saúde”, declarou França. França conta que a questão da especificidade ajuda muito o seu trabalho, principalmente com pessoas que buscam o alto rendimento.

Nosso CT, hoje é composto por profissionais e estagiários

“Tenho muitos atletas que me procuram buscando o alto rendimento, por isso o trabalho tem que ser específico e personalizado. Para isso, me baseio em artigos científicos e livros para montar o treino diferente e específico para a necessidade de cada aluno.” Com relação aos resultados, França diz que “é comprovado cientificamente, que o treino todo orientado e acompanhado pelo profissional, é mais eficiente”.

23

Fachada do CT Agnes, localizado na avenida Dr. Carlos Botelho, no centro, em São Carlos


24

ESPORTES

5º semestre/2021

Atleta trocou o esporte pela entrega de gás Fotos: Arquivo Pessoal

Para Elis Andreia Oliveira Santos, é insustentável manter o sonho de ser jogadora de futebol feminino

Em campo, a jogadora Elis durante partida pelo XV de Piracicaba

VINÍCIUS PROENÇA

Elis Andreia Oliveira Santos, 32, jogou em diversos grandes clubes e chegou até a seleção brasileira, entretanto, pelas dificuldades da profissão, hoje ela prefere trabalhar perto de sua família, em São Carlos, interior de São Paulo. Tudo começou muito cedo. Desde pequena, ela já tinha uma paixão pelo futebol e o acaso trouxe a oportunidade para ela entrar de vez nesse mundo. “Por motivos de trabalho, meus pais tiveram que se mudar para o Estado do Paraná, na cidade de Assaí, próximo de Londrina. Então foi lá, quando eu tinha oito anos de idade, que fiz a minha primeira peneira no futebol para o time da cidade”, afirma Elis. Já na sua primeira peneira, Elis passou para o time de Londrina e, com apenas nove anos, assinou o seu primeiro contrato com o Londrina Futebol Clube. Surpreendendo a muitos e se destacando nos primeiros campeonatos, nesse mesmo ano, Elis revelou que recebeu “uma grande proposta para jogar no Japão, mas como eu era muito nova, meus pais não aprovaram e me barraram”.

Após anos se destacando na equipe londrinense, aos 12 anos é obrigada a voltar para o estado de São Paulo, pois o contrato de trabalho de seu pai havia se encerrado. Apesar do contratempo, voltando para o interior, é que sua carreira começa a deslanchar. Aos 12 anos, Elis assina com a Ferroviária: “Aos 12 anos entrei na Ferroviária onde consegui mostrar meu futebol, me consolidar e rodar o mundo todo praticamente”. Dois anos depois de chegar na Ferroviária, com 14 anos, após o término de uma partida, Elis recebe a notícia mais emocionante de sua vida, sua primeira convocação para a seleção brasileira sub-15. “Eu estava disputando uma Copa Rio-São Paulo, onde fomos campeãs. Logo após o jogo, o técnico da seleção estava na arquibancada e me informou que eu estava convocada. Foi a maior emoção da minha vida e, para os meus pais, nem se fala. Eles ficaram mais emocionados do que eu”, afirmou Elis. Após isso, sua carreira na base decolou e o caminho foi sendo construído, para ela se firmar cada vez mais no futebol profissional.

No profissional, a ex-volante já rodou o Brasil e o mundo pelo futebol, jogando por clubes como Ferroviária, Francana, Rio Preto, XV de Piracicaba, Avaré Saad, 3B Amazonas, Sport Clube Recife, Palmeiras Futsal, além da seleção brasileira de base e a seleção principal. Além de colecionar passagens por grandes times, Elis coleciona títulos no seu currículo. No profissional, ela foi tricampeã paulista, campeã estadual, campeã brasileira, campeã mundial na Rússia sub-20 e campeã mundial na Coreia do Sul. Entretanto, depois de anos, sua carreira foi interrompida por uma tragédia. O pai de Elis morreu e ela teve que tomar uma grande decisão sobre o seu futuro. “Minha carreira foi interrompida e não foi planejada. Eu gostaria de poder mudar tudo isso. Eu perdi meu pai, um grande guerreiro, justamente quando eu tinha montado um negócio para ele e minha mãe tocar. Então coloquei na balança: jogar por amor ou

ficar perto da minha família? Então optei por ficar com minha família.” Na época em que ela jogava, Elis comentou que as jogadoras “não tinham nem carteira assinada” e que seu salário normalmente “era uma ajuda de custo e que era difícil até para conseguir material esportivo”. Justamente por essa falta de apoio no futebol feminino, hoje em dia Elis optou por trabalhar entregando gás na cidade de São Carlos. Em relação ao salário que recebe hoje em dia, Elis preferiu não comentar. Sobre se sentir realizada após deixar os gramados antes do planejado, Elis diz se sentir muito feliz com a sua carreira, mas afirma: “Até hoje eu recebo propostas tentadoras para voltar a jogar, ainda mais agora que as jogadoras possuem carteira assinada. Entretanto, meu lado familiar pesa muito hoje em dia.” A questão financeira nunca foi o mais importante para ela, e ela faz questão de falar que o mais importante era o amor que ela tinha pelo futebol.

Elis abandonou o futebol feminino e hoje trabalha vendendo gás


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Jornal da Barão_2021_1 by Jornalismo Barão de Mauá - Issuu