revista nº. 7 nov./2020
produzida por alunos do 6º semestre do curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá
barão de mauá
Ribeirão Preto – SP
VOLTA POR CIMA Tatiana Belge, 21 anos, perdeu o emprego na pandemia e resolveu empreender, produzindo e comercializando bolos e doces
Expediente A Revista Barão de Mauá é uma publicação produzida pelo curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá. Chanceler Prof. Dr. Nicolau Dinamarco Spinelli (in memorian) Reitora Profª. Dra. Dulce Maria Pamplona Guimarães Vice-Reitor Prof. João Alberto de Andrade Velloso Pró-Reitora de Ensino Profª. Ma. Valéria Tomás de Aquino Pró-Reitora de Pós-Graduação, Extensão e Iniciação Científica Profª. Dra. Joyce Maria Worschech Gabrielli Pró-Reitor Administrativo Antonio Augusto Abbari Dinamarco Coordenadora do curso de Jornalismo
Prof.ª Me. Carmen Silvia Porto Brunialti Justo Reportagem, fotojornalismo e diagramação Alunos do curso de Jornalismo
Professores responsáveis Edição, coordenação e revisão de textos Prof. Me. José Antonio Bonato Edição de fotografia Prof. Dr. Jefferson Barcellos
Enquanto a vacina não chega a todos Os estudantes de Jornalismo do 6º semestre da Barão de Mauá submetem aos leitores, nas páginas seguintes, as reportagens que fizeram para a revista do curso no último semestre de 2020. Novamente os alunos trabalharam a distância em razão da pandemia. Mas o que pode parecer, à primeira vista, uma limitação, trabalhar longe uns dos outros, apresentou-se, na verdade, como mais um interessante desafio pedagógico, afinal nem sempre os profissionais da imprensa trabalham em condições ótimas e, contrastados com dificuldades de toda ordem, são obrigados a buscar soluções para cumprir seu objetivo, que é o de produzir um trabalho com qualidade. E os obstáculos decorrentes da proliferação da covid-19 também testam todos os dias a criatividade de muitos outros setores da vida social, que se veem na contingência de se virar na crise, buscar saídas e empreender, tema da capa desta edição e de outras reportagens internas, de autoria de Álvaro Momenso, Jamiele Cavalcante e Thiago Mokwa. Os efeitos devastadores da doença sobre a economia, a saúde e comportamentos não foram, porém, suficientes para reduzir o ânimo de voluntários que têm na solidariedade uma razão de viver, como mostram Maria Carolina Francisco e Juliano Gonçalves, em reportagem sobre pessoas que distribuem comida aos necessitados em Pitangueiras e Sertãozinho. O leitor encontrará nesta edição outros assuntos interessantes abordados pelos alunos: cuidados com a beleza, atividades físicas, alimentação, educação e música, como o festival João Rock, que consagrou Ribeirão no país ao atrair astros de vários estilos sonoros. Há outros vários temas abordados ao longo da edição, basta folheá-la para encontrá-los. Os alunos seguirão trabalhando de forma isolada na produção impressa do curso, até que a cobertura vacinal contra a covid-19 tenha sido estendida a todos. Uma ótima leitura!
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Sumário
Pág. 6 Foto: Amarildo Pizzi
Streaming acelerado
Geração empreendedora .......................... 4 O empreendimento e um novo normal .... 8 Marmitas do bem..................................... 13 Saudade na pandemia.............................. 14 Sensação de liberdade.............................. 15 O pão nosso de cada dia
Pág. 10 Foto: Thiago Mokwa
Cuidados com a pele ................................ 16 Heróis de verdade.................................... 18 Veganismo é ética................................... 22 Revolução na educação .......................... 24 Sonho de gigante.................................... 26 Manobras radicais................................... 28 Turismo perto de casa .............................30
Prazer, João Rock .................................... 34 Mulheres fortes ...................................... 36 Foto: Felipe Camargo
Os malefícios da pornografia
Pág. 11
Amor sobre a mesa
Pág. 12 Foto: Renan Dallas
Funk na veia ........................................................ 32
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Geração O empreendedora
ÁLVARO MOMENSO
Foto: Amarildo Pizzi
Tatiana vende bolos e doces a pronta entrega em Brodowski e região
empreendedorismo está na veia do brasileiro e alguns estimulam esse conceito precocemente, os chamados jovens empreendedores. Os negócios são os mais variados, e a internet é a principal aliada dos novos empreendedores. Os empreendedores jovens são consideradas as pessoas de 18 a 31 anos. De acordo com uma pesquisa realizada em 2018 pela Confederação Nacional de Jovens Empreendedores (Conaje), na qual 5.792 participantes foram ouvidos, 65% deles eram homens e apenas 35% eram do sexo feminino. A região sudeste é a que mais possui jovens empresários, com 49,5%. A porcentagem de mulheres empreenderas só começa a subir após elas completarem 32 anos. Segundo a Conaje, as empreendedoras procuram se formar e se especializar na área antes de iniciar o seu próprio negócio, o que leva tempo, levando-as a empreender mais tardiamente em relação aos homens, porém as empresas chefiadas por mulheres faturam mais (veja o gráfico). Para Leandro Lima, 21, de que é empreendedor há quase quatro anos em Ribeirão Preto e hoje é dono de uma empresa gráfica e administra outra empresa da família na área têxtil, as maiores dificuldades foram a conciliação do fluxo de caixa e a precificação do seu produto perante o mercado concorrente. No começo do negócio era mais difícil cativar novos clientes, e a idade era um fator negativo nessa questão, para isso ele buscou se aperfeiçoar. “É difícil que as pessoas confiem logo de cara. Idade é um fator que pesa”, afirma Leandro. Lima iniciou a carreira na área gráfica fazendo um estágio em uma empresa durante um tempo. Após o contrato se encerrar, ele viu a oportunidade para abrir a sua própria empresa. Hoje, após diversas experiências, Lima não pretende voltar a ser empregado
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Fonte: Conaje
de carteira assinada. “Confesso que já não consigo me encaixar na parte de liderado. Hoje me vejo apenas como liderança.” Na contramão da maioria das mulheres, que empreendem mais tardiamente do que os homens, segundo a Conaje, Tatiana Belge, 21, iniciou seu negócio no início do ano após ficar desempregada devido à pandemia de covid-19. Estudante de biomedicina, Tatiana encontrou em meio ao caos uma oportunidade para empreender no ramo da confeitaria, vendendo doces e bolos em Brodowski, sua cidade, e em Ribeirão Preto, com menos frequência. O gosto pela confeitaria vem de berço. Aprendeu a arte vendo a mãe e a avó fazendo os doces e apenas fez alguns cursos para aprimorar e trazer novidades para os clientes. Devido à pandemia, Tatiana achou que seria mais difícil conseguir vender, porém o que aconteceu foi o contrário. Hoje ela consegue faturar mais que o dobro de quando trabalhava como estagiária no início do ano, pré-pandemia. A experiência de empreender para Tatiana foi tão boa que ela pretende se formar em biome-
dicina, trabalhar na área e ainda tirar um tempo para se dedicar aos doces. “Pretendo não parar mais com a doceria.” EMPREENDEDORISMO e acordo com Eduardo Cicconi, professor e gerente de novos negócios no Supera Parque, uma incubadora de startups em Ribeirão Preto, as pessoas empreendem de duas formas: o empreendedorismo por oportunidade e o empreendedorismo por necessidade. No Brasil, o que é mais comum é o empreendedorismo por oportunidade, ou seja, a pessoa vê uma brecha no mercado e tem um produto inovador. Ela escolhe empreender para oferecer essa novidade ao público. Em segundo lugar, mas não menos importante, são os empreendedores por necessidade, onde uma pessoa se vê desempregada e a opção para sobreviver é empreender. Porém, em tempos de pandemia, essa opção tende a ser vista com mais frequência, devido à menor oferta de empregos. Segundo Cicconi, geralmente as pessoas empreendem com base em experiências de parentes ou pessoas próximas. Se essas
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pessoas tiveram um experimento positivo nessa questão, as chances de se iniciar um negócio próprio são maiores, e ao contrário também, se as experiências não forem boas, provavelmente o empreendedor desistirá da ideia. O professor fala ainda que a questão de pessoas mais jovens terem menos credibilidade para conseguir novos clientes é uma questão muito relativa. Um adulto pode ter sim uma trajetória de experiências mais extensa, mas, acima de tudo, um empreendedor deve se cercar de uma equipe boa, para que a empresa consiga prosperar. Para Cicconi, os casos de sucesso de jovens empreendedores não são casos isolados. “Nós vemos várias startups que foram criadas por jovens e hoje estão tendo bastante sucesso.” O primordial para ser um empreendedor de sucesso é possuir boa capacidade de execução e se cercar de uma boa equipe, seja ele jovem ou um adulto experiente. Segundo a Conaje, a maior parte dos jovens empreendedores são proprietários de microempresas, nas quais faturam até R$ 360 mil por ano e contam com até nove colaboradores.
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Streaming acelerado Assinaturas vêm subindo ao longo dos anos; período de isolamento social provacado pela covid-19 fez com que aumentasse o acesso às plataformas
42,8% dos brasileiros assistem conteúdos de streaming todos os dias
AMARILDO PIZZI
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pandemia do novo coronavírus (covid-19) provocou uma revolução em como consumimos entretenimento e organizamos nossa rotina. Tudo que antes fazíamos de maneira presencial foi substituído por aplicativos. As reuniões presenciais foram substituídas pelo Google Meet, Zoom, entre outros serviços de comunicação por vídeo. Os shows que levavam milhares de pessoas se tranformaram em lives no YouTube, e as plataformas de games ganharam ainda mais audiência, seja na Twitch ou na sua concorrente, o Facebook Gaming.
Não podemos esquecer também dos filmes e séries da Netflix, Amazon Prime e Globoplay que já tinham bastante procura antes da pandemia. Hoje, é improvável pensar na vida sem o uso dessas plataformas digitais. Sem sair de casa e pagando pouco, temos acesso a diversas opções de entretenimento. Segundo dados da Nielsen Brasil em parceria com a Toluna, 42,8% dos brasileiros assistem conteúdos de streaming todos os dias e outros 43,9% assistem pelo menos uma vez por semana. Desde o início da pandemia, o consumo global de mídia aumentou 15%, e as plataformas de vídeo e live streaming cres-
ceram 66%, de acordo com a pesquisa da Nielsen. Um exemplo desse “boom” foi a live da cantora sertaneja Marília Mendonça, que atingiu o recorde mundial de visualizações simultâneas, chegando a 3,2 milhões de espectadores conectados ao mesmo tempo no YouTube. O Instagram registrou um aumento de 70% no uso das lives, que, além de entretenimento, também transmitiu empreendedorismo. Em Brodowski, por exemplo, algumas lojas de roupas, sapatos, entre outros setores que não podiam abrir durante a fase vermelha do Plano São Paulo, se reinventaram e fizeram lives
Fotos: Amarildo Pizzi
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Plataformas de video e livestreaming cresceram 66%
vendendo peças com preços mais atrativos no mercado. Leda Marinheiro, dona de uma loja de roupas, conta que “as lives atingiram pessoas que não eram clientes, aumentaram o número de seguidores, de vendas on-line e, além disso, essas lives deram a oportunidade de apresentar a loja como ela é e o que ela oferece”. Já Giovana Machado, 31, dona de outra loja em Brodowski, conta que além dessas transmissões apostou em leilões de sapatos e de outros produtos, o que também foi um sucesso. “As lives têm nos ajudado bastante. O giro das mercadorias tem sido maior, pois tudo o que é novidade já apresentamos ao cliente através da live, e geralmente toda a mercadoria é vendida ali mesmo”, afirma. Ela conta ainda que o número de pessoas que assistem às lives seria impossível de receber pessoalmente na loja. “Em uma das lives o número de visualizações passou de 900 pessoas, o que jamais seria possível dentro da loja.”
GAMES a área dos games, tem quem começou a transmitir logo no início da pandemia, como é o caso de Carlos Hendrix, 27, mais conhecido como Liin Hendrix, de Belo Horizonte, que viu sua audiência aumentar consideravelmente de oito meses pra cá e hoje consegue se manter apenas com as doações dos seguidores. Hendrix apostou em transmitir o jogo Fórmula 1, onde simula ser um piloto, transmitindo os treinos livres, classificação e corrida. Suas lives chegam a bater mais de mil curtidas, e as doações vão sendo feitas ao vivo e mostradas na tela de jogo, que no Facebook Gaming são em forma de estrelas, onde são convertidas em dinheiro. Outra forma de apoio que Hendrix tem são os apoiadores de sua página, que todo mês pagam um valor simbólico de R$ 9,90. Apesar do crescimento repentino de sua audiência, Hendrix acredita que após a pandemia essa audiência pode cair. “Quando iniciei, a pandemia
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estava começando, então acredito que ajudou muito o crescimento da minha página. Creio que ao fim da pandemia deve haver uma perda dessa audiência, pois meu público-alvo está na faixa de 20 a 35 anos e, como muitos trabalham, não terão muito tempo para assistir às lives”, diz. Francis Coimbra, 24, de Ribeirão Preto, também faz transmissão de jogos com seus amigos e, às vezes, realiza lives animando e editando vídeos. Ele escolheu a plataforma Twitch para fazer suas transmissões, pois, segundo ele, “a Twitch é uma plataforma estável, que apoia novos criadores de conteúdo”. Sobre a sua audiência, ele conta que iniciou suas lives no meio da pandemia e não sabe dizer se cresceu por causa dela, mas que sobre o restante da plataforma, houve um crescimento perceptível, mas não gritante, pois quem já acompanhava streams seguiu acompanhando independentemente da pandemia. “O público é extremamente nichado na maior parte do conteúdo.”
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O empreendedorismo e um novo normal Cenário de crise trouxe desafios, mas a criatividade proporcionou novas oportunidades aos empreendedores, que tiveram que se reinventar
Fotos: Jamiele Cavalcante
Vitor Pinheiro encontrou uma solução para se manter na pandemia: vender tortinhas de limão
JAMIELE CAVALCANTE
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empreendedorismo não é uma tarefa fácil e no cenário de incertezas que vivemos, em meio a uma pandemia que atinge não só a saúde, mas praticamente todas as áreas da sociedade, a capacidade para encontrar novas formas de produzir ou prestar serviços para continuar atendendo a demanda dos consumidores são ainda mais relevantes. A pandemia chegou, a economia parou e o medo do desemprego assombrou os lares brasileiros. A imprevisibilidade do cenário futuro fatalmente acarretará o fechamento de diversos empreendimentos. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) apontam que cerca de 700 mil pessoas passaram a fazer parte da estatística do desemprego nas duas primeiras semanas de junho no Brasil, o que elevou o índice de desocupação de 11,8% para 12,4%. Apesar dos acontecimentos ruins, o brasileiro tem levado ao pé da letra a ideia de que crise gera oportunidade. Entre 7 de março e 4 de julho deste ano, o Portal do Empreendedor registrou 551.153 novos microempreendedores no país, 16.788 a mais do que no mesmo período de 2019. Enquanto empresas de todos os segmentos e portes fecham as portas em decorrência das complicações financeiras geradas pela pandemia, outras nascem da necessidade de ter uma nova
fonte de renda ou simplesmente da vontade de tirar uma velha ideia do papel. Milena Trindade, 22, começou a vender roupas femininas pela internet. Ela disse que o sonho de ter seu próprio negócio era de três anos atrás, mas que devido à correria do dia a dia, vinha adiando a ideia. “Quando a pandemia começou, minha rotina mudou drasticamente. Trabalhando como corretora de imóveis, saía de casa às 9h e não tinha hora para voltar. A semana era corrida. Quando tudo parou e comecei a trabalhar em casa, a ideia foi se estabilizando na minha cabeça, mas eu tinha medo pelo cenário que estamos vivendo. Eu já tinha uma boa reserva e comecei a economizar
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Fachada da loja da empreendedora Milena Trindade
cada vez mais. Foi quando comecei a estudar a área, os fornecedores, o meu público-alvo e o que as pessoas estavam consumindo. Conversei com vários amigos sobre a ideia e todos me incentivaram. Depois de muita pesquisa e ver que as compras e-commerce era o que estava em alta, decidi começar minha própria loja”, afirma Milena. No atual cenário, temos dois tipos de empreendedores: de um lado, há pessoas excluídas do mercado de trabalho ao longo da crise econômica que juntaram criatividade e boa vontade para investir no próprio negócio. Do outro, há empresários que optaram por manter os investimentos, certos da retomada do lucro no pós-pandemia. O número de empresas abertas no Brasil voltou a crescer em junho, depois de uma grande queda dos investimentos nos meses de abril e maio, decorrentes da crise econômica geradas pela pandemia. Vitor Pinheiro, 21, começou a vender tortinhas de limão. Ele conta que iniciou seu negócio na pandemia para realizar um sonho e ter uma renda extra. “Faço faculdade de educação física e trabalho o dia todo. Começar a vender as tortinhas me ajudou a ter uma renda extra para pagar a faculdade e ter uma independência maior. Tento conciliar meu tempo entre a faculdade, trabalho e as vendas das tortinhas, pois com a pandemia, meu
horário de trabalho ficou incerto, então sempre quando tenho uma folga anuncio nas redes sociais. Aí as pessoas fazem as encomendas e começo a produção para as entregas”, disse Vitor. Em tempos de covid-19 e isolamento social, quem deseja empreender precisa estar atento à comunicação e relacionamento com o cliente. Diante de um negócio e público desconhecidos, é necessário estabelecer uma relação de confiança e fidelidade para manter um empreendimento consistente em condições adversas e saudável o bastante para continuar no longo prazo. Milena afirma: “O crescimento no começo é o mais difícil. É um trabalho de formiguinha que você precisa focar e insistir. Nem sempre vai sair a quantidade de vendas que você esperava. As dificuldades são inúmeras. Nem sempre é o que a gente imagina.” “A palavra certa é resiliência. Li uma frase que me motiva a continuar: ‘daqui a um ano você vai agradecer por ter começado hoje’, e é isso que eu penso, quero chegar longe e olhar para trás com orgulho e muito aprendizado.” Empreender traz alternativas de sustento para a própria família e, quem sabe, para outras. Isso pode ser uma saída honrosa e rentável. Se você faz parte de um exército de trabalhadores sem trabalho, o caminho do empreendedorismo é forte arma para enfrentar esse momento.
O sonho de Vitor se tornou realidade
O universitário Vitor Pinheiro
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O pão nosso de cada dia Vendedores enfrentam sol e o vírus da covid-19 para sobreviver com venda de balas em meio ao trânsito de Ribeirão Preto Foto: Thiago Mokwa
O baterista Messias leva música à avenida Nove de Julho, em Ribeirão
THIAGO MOKWUA
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om a pandemia em Ribeirão Preto, muitos perderam o emprego e foram tentar a vida em outras áreas, como entregadores de aplicativos, motoristas de Uber, entre outros. Mas há algumas pessoas que, mesmo antes do coronavírus, já buscavam meios alternativos para sobreviver. Muitas delas, por falta de oportunidades, vivem da venda de balas em semáforos ou usam a criatividade para criar seus próprios produtos. Em decorrência da pandemia, a vida delas ficou mais difícil e pe-
rigosa, pois trabalham em contato direto com outras pessoas. No semáforo da avenida Nove de Julho, João Paulo Messias criou um chinelo personalizado com formato estrelado, e nomeou sua mercadoria de “Estrela da praia”. Messias chama a atenção do público tocando bateria, cujas noções do instrumento ele diz ter aprendido no YouTube. Messias chegou a Ribeirão há 20 anos com o sonho de ser dançarino, porém, por falta de oportunidades e outros problemas, acabou fazendo vários trabalhos na rua como catador de recicláveis, flanelinha e vendedor
de chicletes em boates. Hoje ele mora em Morro Agudo e todos os dias viaja para Ribeirão, dorme pouco e trabalha muito para conseguir comer. Ele vende balas e suas sandálias customizadas no semáforo. “É muito difícil, porque fico muito perto de todo mundo, não como direito e vivo queimado por causa do sol. Minha saúde está em risco, mas não dá para parar de trabalhar, porque se parar eu morro de fome. Trabalhando eu corro risco de morrer de coronavírus. ” Marcelo Ramos, conhecido como Marcelinho, também trabalha no semáforo. Ele sempre fica num dos semáforos da avenida Portugal, perto da avenida Diederichsen. Ele possui uma deficiência mental, não tem família e vive do que arrecada vendendo balas e chicletes na rua. “Ter que ficar aqui no sol, sempre exposto ao vírus, é muito difícil, mas não posso parar. Tenho que comer. Quando todo mundo ficou em casa, cheguei a ficar dias sem comer. Algumas vezes o Burger King me dava um lanche e um refrigerante para ajudar a passar o dia, mas por muitas vezes nem um real por dia eu conseguia.” No centro da cidade, Luís Oliveira fica no semáforo do calçadão vendendo doces e brinquedos. Ele relatou que sua renda caiu quase a zero após o início da pandemia. “Estou passando fome, meus filhos também, minha mulher consegue ajudar, mas mesmo assim é muito pouco. Eu fico aqui, sempre de frente com a morte invisível e preocupado com as crianças, de passar alguma coisa para elas, ou pior, de deixar elas sem pais.”
Foto: Felipe Camargo Geralmente, uma criança é abusada por alguma pessoa de seu próprio convívio
Os malefícios da pornografia Consumo exagerado de materiais pornográficos tem refletido negativamente na sociedade FELIPE CAMARGO
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menina de 10 anos que foi estuprada pelo próprio tio e que sofreu abusos do mesmo por quase metade de sua vida teve sua gravidez interrompida em agosto. A história ganhou repercussão nas redes sociais, não só pela urgência do caso, mas pelo fato de que as informações pessoais da vítima foram vazadas ao público, inclusive em qual hospital seria feito o procedimento, onde manifestantes ligados a religiões, organizados por um grupo antiaborto, protestaram do lado de fora da unidade de saúde. Enquanto isso, no mundo virtual, mais especificamente nos sites pornográficos, títulos como “Sexo com o pai”, “Sexo com padrasto”, “Fiz sexo com minha filha”, “Fiz sexo com minha enteada adolescente” ficaram em alta, arrecadando mais de 50 milhões de visualizações cada.
A indústria pornográfica é responsável pela morte, tortura, sequestro, abusos e suicídio de milhares de mulheres ao redor do mundo, direta ou indiretamente falando, não se precisa de muito mais que uma rápida pesquisa para saber de tudo isso. Porém esse é só o início de um problema que se encontra enraizado na estrutura sociocultural de nossas vidas. Ao mesmo tempo que discutimos sobre a representatividade das mulheres, a pornografia está desconstruindo-a, moldando nosso comportamento sexual a partir do ponto de vista mais tóxico possível: a existência da mulher única e exclusivamente destinada para suprir a pulsão sexual masculina. Isso é algo que está estampado em qualquer pornô, ela está lá apenas como um objeto, um produto a ser consumido, e dos mais de 250 artistas mais buscados nesses sites apenas 15 serem homens, junto
11 com a alta demanda por tags que descrevem características étnicas e etéreas das mulheres são a prova disso. No entanto se engana quem acredita que elas são as únicas afetadas por essa realidade. A pornografia pode ser tão prejudicial para o cérebro de quem vê quanto o vício em outras drogas. Hoje o vício em pornografia é considerado um problema de saúde pública, ela distancia o sujeito do real ato sexual, apresentando a ele um forte choque de excitação causada por toda cenografia presente nos vídeos, com atores, atrizes, edição e cenas impressionantes. Esses estímulos ativam áreas do cérebro relacionadas ao neurotransmissor chamado dopamina, que entre outras funções é um dos responsáveis pela sensação de prazer e gratificação. O uso frequente desses estímulos ocasiona numa perca da sensibilidade dessas áreas, fazendo o usuário buscar um conteúdo mais “forte”, para satisfazer sua necessidade de adrenalina. Para nossos antepassados, essas descargas de dopamina eram limitadas a eventos como procriação e uma caça bem sucedida. Porém hoje com o advento das novas tecnologias temos acessos a picos massivos na palma de nossas mãos. Sempre que recebemos um like em uma rede social sentimos uma dessas descargas. Porém essa abundancia de dopamina no cérebro é excitante a curto prazo, mas leva a quadros de depressão e desmotivação no longo prazo, assim interferindo na nossa capacidade de realizar planos, estratégias, trabalhos e atividades diárias. Na verdade, perdemos o interesse nessas coisas. Além disso, o vício em pornografia está relacionado a masturbação compulsiva, perda de libido, ejaculação precoce, impotência sexual e isolamento social. Segundo estudos, cerca de 30% a 40% dos adolescentes masculinos já apresentam sinais de estarem sofrendo dessa dependência.
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Amor sobre a mesa Foto: Renan Dallas
Ação voluntária em Pitangueiras sustenta famílias vulneráveis durante a pandemia MARIA CAROLINA FRANCISCO
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m projeto voluntário de doações de marmitas vem sustentando mais de 70 famílias de Pitangueiras durante a pandemia do covid-19. Criado no mês de abril deste ano, o projeto “Marmitas de Amor” uniu voluntários para a produção de marmitas diariamente. As refeições são entregues todos os dias nas casas de famílias carentes que passam por necessidades nesse período. Devido à quarentena, muitos estabelecimentos foram fechados e alguns serviços estão estagnados. Com isso, as empresas precisaram demitir um grande número de funcionários, e a parcela da população desempregada aumentou drasticamente. Muitas famílias começaram a passar por diversas dificuldades. Sem trabalho, não possuem dinheiro para comprar nem o alimento básico para se sustentarem. O projeto “Marmitas de Amor” tem feito toda a diferença para essas pessoas durante a pandemia. Idealizado por Rosely Lopes Beato, 40, advogada, o intuito do projeto é contribuir com famílias carentes para que possam ter o que comer. Ela diz que houve uma razão ainda maior que lhe inspirou a iniciar essa ação. “Quando recebi o diagnóstico do câncer de mama, perguntei a Deus: Por que comigo? Alguns meses após essa pergunta tive a resposta”. A advogada afirma que devido à agressividade dos tratamentos oncológicos, seu estômago não
Projeto ajuda famílias carentes que não têm o que comer
aceitava nenhum tipo de alimento. “Certo dia, eu estava muito fraca e com muita fome, pois estava há um bom período sem me alimentar. Foi então que me perguntei o que seria pior: ter a geladeira cheia de comida e não conseguir comer ou a situação de muitas outras pessoas que têm a mesma fome que eu, mas que não têm o que comer?” Rosely afirma que após esses questionamentos, convidou uma amiga para ajudá-la na produção de 100 marmitas para distribuírem às famílias necessitadas do município. “As primeiras marmitas foram financiadas por mim e pela minha amiga. Mas quando decidimos que iríamos distribuir todos os dias, começamos a fazer campanhas para arrecadação de alimentos.” Segundo ela, agentes comunitárias da cidade também ajudaram na ação. “Pedimos uma listagem das famílias em estado de miserabilidade. Elas gentilmente nos forneceram e então começamos o projeto.” Desde sua criação no mês de
abril, o projeto se manteve de pé com doações. Dessa forma já foram produzidas aproximadamente 20 mil marmitas até os dias atuais. “O Marmitas de Amor sobrevive semana a semana, nunca paramos de pedir doações. Essa é uma parte bem constrangedora de tudo porque é muito difícil pedir, muitas pessoas não entendem o nosso propósito”, disse. Hoje o projeto conta com dez voluntários ativos e são entregues duzentas marmitas de segunda a sexta-feira. “Temos o compromisso de levar esses alimentos para as famílias e não temos nenhum retorno financeiro para a realização dessa obra. O que fazemos é de coração”, afirmou. Rosely ainda diz que toda doação em dinheiro também é bem-vinda, pois assim conseguem comprar os mantimentos para dar continuidade na produção das marmitas. Durante a entrevista ela sugere: “Se você que está lendo essa matéria e quiser nos ajudar, poderá contribuir com qualquer quantia ou alimentos. Toda ajuda é bem-vinda”.
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Marmitas do bem Grupo cria projeto social para distribuir marmitas a pessoas em situação de rua durante a pandemia em Sertãozinho JULIANO GONÇALVES
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pandemia do coronavírus causou o aumento no desemprego e das famílias em situação de pobreza. Pensando nessas dificuldades, voluntários de Sertãozinho criaram um projeto social para distribuir comida para as pessoas em situação de rua. Com o objetivo de ajudar as pessoas mais afetadas pela pandemia, a dona de casa Ariane Domingues, 51, e outros voluntários criaram o projeto Marmitas do Bem, que teve início em maio, quando os efeitos da pandemia começavam a aparecer em diversos setores da sociedade, afetando principalmente as pessoas em situação de rua e pobreza. “Nós iniciamos o projeto fazendo entre 18 e 20 marmitas. Hoje fazemos 45 marmitas em
cada um dos dias que trabalhamos”, diz Ariane. Os voluntários perceberam que era necessário aumentar a produção das marmitas e os dias de distribuição. De acordo com Ariane, as entregas são realizadas toda segunda, quarta e sexta. “Começamos com a cara e o coração.” A comida caseira é simples, mas é feita com carinho e pensada a partir daquilo que os próprios voluntários consomem. Todos os alimentos são recebidos por meio de doações de amigos, familiares e é produzida na “cozinha do bem”. O projeto social contempla 25 moradores fixos, ou seja, aqueles que os voluntários sabem onde estão. As demais são pessoas que a equipe procura, geralmente estão próximas das entradas de empresas ou casas vazias.
Voluntárias do projeto Marmitas do Bem de Sertãozinho
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Saudade na pandemia Pandemia afastou idosos da convivência com familiares e amigos em Brodowski e Ribeirão
Foto: Lar da Fraternidade
Idosa em uma das atividades do Lar da Fraternidade de Brodowski
RAFAEL RABELLO
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ma frase que escutamos bastante neste ano de 2020 foi “fique em casa’’. Um recado que chegou assustando milhares de pessoas, visto que tiveram que mudar suas rotinas e ficar em casa por conta do avanço do novo coronavírus, responsável por causar a doença covid-19, resultando no isolamento social, pois trata-se de uma doença altamente contagiosa. Com isso, crianças não estão indo às escolas, grande parte da população no geral parou, pessoas do grupo de risco sendo expostas, como aquelas que têm mais que 60 anos, redobrando ainda mais os cuidados com a saúde. O mundo tentando flexibilizar e voltando aos poucos, uma batalha de cada dia para voltar tudo ao normal. Para algumas pessoas, se distrair e esquecer a pandemia tem sido um desafio. É o que acon-
tece, por exemplo, com aqueles que vivem nos lares de idosos e que, por pertencerem ao grupo de risco, ficaram sem a visita dos familiares nesse período. É o que fez Claudia Celeguim, diretora do Lar da Fraternidade, em Brodowski, que abriga mais de 28 idosos na cidade. Ela comenta que eles vêm sofrendo muito com a falta de visitas e sempre procuram animá-los no dia a dia. “Aqui, procuramos muito como mudar essa rotina deles, evitando que fiquem apenas sentados e esperando seus familiares. Usando a tecnologia a nosso favor, como o uso dos smarthphones para realizar as chamadas de vídeo.” Ela relata que os idosos estão interagindo mais e ficando mais felizes e acredita que o trabalho e amor fazem a diferença nessa questão. Com a ajuda financeira de um deputado, o lar acabou comprando mais roupas, camas, aparelhos e tendo acompanha-
mento de profissionais para ajudar os idosos. Tomando todos os cuidados necessários em relação ao vírus. Claudia comentou que todos que trabalham fazem a higienização corretamente, usando luvas, máscaras, roupas especiais e até os profissionais que moram lá fazem isso. No Fiusa Day Care, em Ribeirão Preto, um lar para convivência de idosos, muitos idosos tiveram sua interação e convivência com outros idosos prejudicadas, pois precisaram voltar para casa. Lá eles costumavam fazer exercícios diários, alongamentos e ginásticas em grupo, academia, aulas de artesanato, musicoterapia, dança, jogos lúdicos e leitura. A fisioterapeuta Raquel Zotti Rocha Servidão, dona do estabelecimento, fala que tiveram que se readaptar por conta da pandemia e inovar no jeito de ficar perto dos idosos, disponibilizando aulas via videochamada, com outras dinâmicas e conversando com eles para que não se sintam sozinhos. Jandira, uma das idosas que frequenta o Day Care, diz que sente falta do convívio com todo mundo, das atividades que fazia lá e de como era bem acolhida no local. Ela conta como está sendo as atividades a distância. “Três vezes durante a semana nos encontramos para fazer as atividades, fazemos as nossas conversas diárias, até pratiquei alguns exercícios com a ajuda da minha filha. Sinto muita saudade do pessoal e gostaria de voltar logo.” No começo, para Raquel e o pessoal que trabalha lá foi bem difícil, pois muitas pessoas estavam com dificuldades para acessar os aplicativos. Mas atualmente, ela conta que a grande maioria conseguiu utilizar a plataforma e está fazendo as aulas corretamente. Aqueles que estão com dificuldade, diz, estão recebendo um tratamento especial.
Fotos: Layne Grazy
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Sensação de liberdade
Idosa de 84 anos de Jaboticabal planeja novo salto de paraquedas e afirma que dobrou, fora da academia, rotina de treinos diários de corrida LAYNE GRAZY
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tleta e moradora de Jaboticabal, Therezinha Nazario Martucci, 84, pratica exercício físico desde 1989. Entrou para a corrida com o propósito de se desligar das atividades do dia a dia. O mundo está vivendo uma nova realidade devido à pandemia de covid-19. A quarentena é um resultado disso. Muitos idosos tiveram ou têm sua saúde mental afetada por conta do medo e da solidão. Mas este não é o caso de Therezinha, que na quarentena dobrou a rotina de corridas. “Os treinamentos andam muito bons, gastei um tênis”, diz a atleta que se adaptou a uma nova rotina de exercícios em meio à pandemia. Como presente de aniversário no ano de 2017, em comemoração aos 81 anos de idade, dona Therezinha realizou seu sonho mais radical: o de saltar de paraque-
das. Hoje com 84 anos, conta que seu sonho seria saltar de novo. “Quero saltar de novo, a sensação é de liberdade.” Apesar de fazer parte do grupo de risco, a idosa não tem medo. Além da corrida, ainda faz academia e natação, porém, devido à quarentena, as academias estiveram fechadas, e mesmo assim dona Therezinha não desanimou das corridas de rua. “Tenho que lutar, não posso pensar no que está acontecendo. Comecei a treinar o dobro do que eu treinava na academia, corro até na rodovia. Aos sábados, faço uma série de exercícios que aprendi na fisioterapia. Faço na cama uma hora e 15 minutos, sem parar”, afirma. Devido à necessidade do uso de máscaras durante as corridas e ao atrito causado pela mesma, Therezinha teve que realizar uma pequena cirurgia no nariz. “O elástico da minha máscara pegava, fiquei muitas horas correndo
com ela, mas eu não parei não, treinei a mesma coisa”, afirma. Apesar do momento delicado que a sociedade está vivenciando, a atleta da terceira idade encontra a motivação nas pessoas para manter a rotina diária de treinos. “Vejo que as pessoas estão ficando piores por causa do medo e da insegurança, mas sinto-me realizada todos os dias. Quando alguém me para na rua e se inspira em mim por conta dos exercícios, sinto que estou ajudando e me ajudando também.” Hoje em dia, dona Therezinha se dedica à cozinha. Vive da renda de suas massas, cujo trabalho concilia com os treinos. No começo da pandemia a procura por massas diminuiu. Mas ela não parou de produzir. “Tinha três frízeres cheios de comida e, no começo dessa pandemia, as vendas caíram muito, mas eu não desanimei, acreditei que ia ter melhora. A pessoa que não acredita, adoece”, declara.
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Cuidados com a pele Dermatologistas explicam os benefícios e a importância para a saúde e o bem-estar
Gabriela com máscara de skin care
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GABRIELA BRUNO
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hábito de fazer skin care – como são comumente conhecidos os cuidados com a pele do rosto – podem trazer muitos benefícios para a saúde, principalmente a longo prazo. A pele é o maior órgão do corpo humano, e sua higiene é de extrema importância em todas as fases da vida. Mas a falta ou excesso de cuidados e até mesmo produtos de má qualidade podem acarretar alguns malefícios. Os cuidados preventivos são geralmente medidas mais eficazes e baratas para manter a saúde da pele, prevenir problemas e algumas doenças, como explica o dermatologista Antonio Augusto Riviello Tondin. “A proteção solar (que inclui o uso do protetor) é a medida isolada mais importante no cuidado a longo prazo com a pele, devido aos diversos efeitos da exposição solar de maneira incorreta na manutenção da saúde cutânea. A radiação solar é o principal fator de risco para os cânceres de pele mais comuns, o que mostra a importância destes cuidados.” No quesito qualidade, Tondin mostra que, apesar de muitos produtos terem a mesma composição, a qualidade interfere na eficiência do resultado. Para melhor esclarecer isso, ele dá um exemplo comparando dois tipos de carro. “Ambos são usados para levar pessoas de um lugar até o outro, mas isso não quer dizer que será feito da
mesma maneira. Às vezes, certas condições tornam um carro mais favorável que o outro.” Praticamente qualquer substância aplicada na pele tem potencial para desencadear reações alérgicas locais, cuja ocorrência depende das características da substância usada e da predisposição da pessoa que a está usando, ou seja, além da questão da qualidade é importante analisar o tipo de pele de cada pessoa. Em uma outra conversa, a dermatologista Rafaela Evelise de Oliveira defende a importância de cuidados preventivos, que podem proporcionar tratamentos para olheiras, melasmas, oleosidade da pele, ressecamento, antessintais, entre outros. Segundo ela, não há contraindicações absolutas, mas seguir “modinhas” sem o acompanhamento de um profissional qualificado que irá indicar os melhores produtos pode causar irritações na pele. A questão da idade e tendência genética são fatores que não podem ser modificados em uma pessoa, mas ao saber que o principal colaborador para o envelhecimento da pele é a exposição solar crônica, Tondin explica o que pode ser feito a respeito disso. “Outros cuidados gerais com a pele e o restante do organismo (como atividade física regular e alimentação adequada) contribuem para manter a pele saudável e atrasam o surgimento de
alguns sinais de envelhecimento da pele”, afirma. Sendo assim, é simples perceber o quão fácil é cuidar da pele se você separar um tempinho do seu dia para isso. Mas também é muito fácil esquecer e deixar esses simples hábitos de lado e sofrer com as consequências futuras de algumas rugas e manchas que surgem fora de hora. A digital influencer Thuanny Arnoni Costa conta como é a sua experiência com a skin care diária e como ela se sente bem com esses procedimentos. “Sempre que faço uma limpeza de pele sinto meu rosto leve, macio e brilhoso. No meu caso, ajuda bastante a controlar o ressecamento da minha pele, fora que eu me sinto superbém comigo mesma e minha autoestima fica ótima.” Tondin diz que algumas soluções caseiras e baratas podem ser usadas como alternativa, porém sempre com muito cuidado. “Como cada pessoa tem características específicas da pele e pode ter respostas diferentes ao mesmo tratamento, nunca se deve fazer esses tratamentos sem orientação prévia do dermatologista, para evitar efeitos indesejados e às vezes difíceis de serem corrigidos na pele.” Por isso, caseira ou não, a sua rotina de cuidados deve ser sempre indicada por um dermatologista, pois somente ele poderá avaliar e mostrar os melhores cuidados para alcançar os cuidados desejados.
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Heróis de verdade
Fotos: Arquivo Pessoal
Na linha de frente do enfrentamento da pandemia de covid-19, profissionais da saúde de Ribeirão Preto dão o melhor de si para salvar vidas
A enfermeira Flavia Zanetti
ANNA CARVALHO
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ntre as altas filas e números de pacientes infectados pela covid-19 para serem atendidos em Ribeirão Preto, há por trás da tragédia aqueles que mais se arriscam para solucionar, da melhor maneira, a realidade de pessoas que desconhecem a gravidade da situação atual. É o que conta a enfermeira Flavia Zanetti, 23, que trabalhou como home care logo no início da pandemia. Para Flavia, a sensação inicial foi de bastante medo. “O meu maior medo sempre foi passar para as pessoas que moravam comigo. Moro com mais três amigas em uma república e acabei me isolando das meninas enquanto estava cuidando da paciente.” A enfermeira diz que cuidou de uma senhora que contraiu covid-19 logo nos primeiros dias da pandemia na região e que acompanhou de perto todos os cuidados. “Quando precisamos transferi-la para o hospital eu fui como acompanhante, por norma do meu serviço. Ficamos por lá até que o diagnóstico fosse lançado. Como estava no começo da pandemia, ainda não havia muitas normas de isolamento definidas, então ficamos juntas no mesmo quarto. Mas os cuidados eram básicos: higienização das mãos e isolamento. Quando comecei a desconfiar que eu também houvesse contraído coronavírus.” Dentro dos hospitais, a situação não é muito diferente. A auxiliar de enfermagem Esteffani Florencio afirma que a realidade acaba por ser um pouco mais assustadora dentro dos centros médicos. Ela, que trabalha no centro obstétrico para covid-19 do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, passou por episódios muito difíceis em seu trabalho.
19 “Mesmo quando as pacientes gestantes chegam com os exames prontos, fazemos alguns outros para comprovação da covid-19, além da análise do andamento da gestação”, diz. Além disso, muitas situações comoventes estão passando pela trajetória de Esteffani. “Cheguei a receber mães com sintomas leves que acabaram agravando e interrompendo a gestação. Ainda era tudo novo, não tínhamos muitas informações sobre os testes das vacinas. As gestantes são fortemente monitoradas, mas, em algumas situações, acabam perdendo o bebê.” Esteffani ainda relata que o hospital segue regras fortes de monitoramento. “Os bebês dessas gestantes participam também de pesquisas. Assim que nascem seguem sendo acompanhados pelo hospital.” Do mesmo modo, as gestantes que recebem alta também são por 15 dias, e os médicos entram em contato com as pacientes a cada dois dias. Apesar de altas pesquisas e investimentos, nem sempre os hospitais da cidade possuem o melhor preparo para atendimento dos pacientes. A agente comunitária da Unidade Básica de Saúde (UBS) Marincek, Janaina Almeida, 38, declara que o fluxo de pacientes com suspeita e confirmação do covid-19 não é muito distante de hospitais particulares. Entretanto, a necessidade de compartilhar informações cresce diante de um cenário periférico. Para que os casos sejam controlados, mesmo com poucas verbas, a Unidade de Saúde criou o projeto “Posso Ajudar?”, que conta com uma triagem, evitando aglomeração e facilitando o atendimento médico. Apesar de seguirem as recomendações médicas, Janaina explica que existe uma grande diferença do serviço público para o particular. “Tudo o que entra na unidade é higienizado. Materiais, pacientes e utensílios. Seguimos as recomendações da Organi-
A pesquisadora Ingryd Garcia
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Foto: Arquivo Pessoal
Equipe que atua na linha de frente do enfrentamento ao coronavírus
21 zação Mundial da Saúde (OMS) porém, nem sempre temos as mesmas condições que as unidades particulares.” Para Janaina, o início da pandemia foi o mais assustador. “No começo, entrava em pânico com cada paciente contaminado que atendia. Hoje, tenho uma sensação de que a gente vai se acostumando. Não devia. Mas acostuma. A agente comunitária ainda menciona as diferenças nas questões de atendimento. “Infelizmente faltam muitos materiais, o atendimento acaba sendo precário. Às vezes fica difícil atender os pacientes e até gerar conforto para eles”. Apesar das dificuldades, o hospital mantém contato com o paciente mesmo após receber alta. “Acompanhamos por telefone todos os pacientes sintomáticos, informamos os resultados, quando a Secretaria da Saúde não consegue contato e, em caso de óbito, acompanhamos a família, por telefone”, diz Janaina. As pesquisas em busca de novos resultados para vacinas contra o novo coronavírus são incessantes. É isso que buscam os membros do projeto Imunocovid, um consórcio de laboratórios de pesquisa e estudos da covid-19 da Universidade de São Paulo (USP), para o enfrentamento da covid-19. O grupo, que analisa a manifestação genética do vírus, reúne um consórcio de diversas faculdades do Brasil e do mundo, com o apoio de pesquisadores de diversas áreas da saúde, como enfermagem, medicina e biomedicina. É o caso da pesquisadora Ingryd Garcia, 23, graduada em enfermagem e membra da linha de frente em pesquisa aos avanços do vírus. Para ela, que atua na área de coleta de amostras dos pacientes, existe a importância da compreensão dos grupos de diferentes manifestações do vírus. “Em contato com a secretária da saúde, atndemos os pacientes através da prefeitura. Apesar disso, a maior parte desses pacien-
tes são encaminhados devido à nossa divulgação”, diz Ingryd. Segundo a pesquisadora, o maior contato com os pacientes é diretamente dos hospitais. “Seguimos o comitê de ética da Plataforma Brasil e dos hospitais que mantêm consórcio com o grupo.” O que mais gera impacto é a forma como o avanço científico muitas vezes é descartado por desvios de informação. “Muitas vezes, sinto-me desmotivada por saber que a ciência vai se desvalorizando com o tempo. A nível humano, sou impactada com a forma pela qual a análise dos casos é tão importante e ainda assim somos, como pesquisadores, desvalorizados.” Apesar de todas as dificuldades do cenário atual, muito se espera da solidariedade das pessoas. Por este motivo, campanhas de doação de sangue estão sendo desenvolvidas na cidade, a fim de reabastecer o banco de sangue. É o que afirma a enfermeira-chefe do Posto de Coleta – Hemocentro de Ribeirão Preto, Queila Oliveira. Para a enfermeira, os bancos de sangue só estão se mantendo graças às campanhas. “Com o coronavírus, passamos por algumas quedas no nosso banco de sangue. Apesar disso, as campanhas de doação espalhadas pela cidade foram fundamentais para nos manterem de pé.” Em divulgação oficial, o Hemocentro RP, unidade campus, noticiou que, apesar dos altos índices de procura, alguns tipos sanguíneos ainda estão em baixa. É o caso dos tipos O+, O-, A+ e A-. Entre eles, o índice do tipo sanguíneo O+ é o mais alarmante. O mínimo esperado para a cidade é de 341 bolsas em estoque, enquanto, em setembro, contabilizou-se somente 70 bolsas até o momento (dados coletados em 22/9/2020). Para doação de sangue é necessário procurar o hemocentro da cidade. A doação é voluntária. O hemocentro garante que o ato de doação de sangue não
gera riscos de contaminação por covid-19. Para mais informações, acesse o site: www.hemocentro.fmrp. usp.br
Medidas de segurança e prevenção: • Agendamento de doações para evitar aglomeração; • Distanciamento entre as cadeiras na recepção; • Higienização dos profissionais, doadores e equipamentos; • Utilização de materiais descartáveis; • Álcool gel 70% à disposição nas dependências do banco de sangue.
Serviço Banco de Sangue de Ribeirão Preto Endereço: Rua Quintino Bocaiúva, 895 Tel.: (16) 3610-1515 Atendimento: das 7h às 12h30, de terça a sábado (exceto feriados) Hemocentro Campus Endereço: Rua Tenente Catão Roxo, 2.501 Tel.: (16) 2101-9352 ou 0800-979-6049 Atendimento: Segunda a sexta das 7h às 13h. Sábados, domingos e feriados das 7h às 12h30
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Veganismo é ética Estilo de vida ressalta a necessidade de uma alimentação saudável; segundo estudo, 70% da população reduziu o consumo de carne
VITÓRIA PIERRI
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onsiderado uma dieta ou moda para alguns, para outros o veganismo é um estilo de vida e um posicionamento ético. A alimentação vegana, que exclui qualquer alimento de origem animal, como carne, leite, ovos e derivados, tem atraído cada vez mais adeptos, como revelou um estudo da GlobalData, publicado pela revista Forbes, em 2018, mostrando que “um total de 70% da população mundial está reduzindo o consumo de carne ou deixando-a fora da mesa”. Um dos principais motivos para adotar este estilo de vida, que também rejeita qualquer produto oriundo de exploração e crueldade animal, é o amor por esses seres vivos. Ademais, saúde e preocupação com o meio ambiente também estão entre os porquês de adotar a alimentação vegana. A estudante de serviço social de Franca Thaís Becassi Brand, 21, vegana há três anos, conta que sua transição para o veganis-
mo iniciou após retirar todos os tipos de carnes do cardápio. “Ainda consumia os derivados e, ao longo dos anos, fui percebendo que não fazia sentido não consumir carne e continuar contribuindo com toda exploração animal e degradação ambiental”, afirma a estudante. Assim que tomou a decisão, a jovem buscou estudar sobre a nova alimentação e diz ter sido fácil o período de transição. “Afinal, aderir a uma alimentação vegetariana restrita consiste em uma enorme variedade de alimentos, como frutas, leguminosas, cereais, grãos, hortaliças e vegetais.” Além disso, Thais faz suplementação da vitamina B12 e afirma nunca ter apresentado problemas de saúde após eliminar a carne de suas refeições. A nutricionista Jéssica Pereira, de São Paulo, especializada em nutrição vegetariana e esportiva, confirma que é possível ter uma alimentação vegana saudável e, para isso, é preciso ter como base do cardápio alimentos in natura e minimamente processados.
Jéssica ainda informa que diversos estudos já mostraram que “a alimentação vegana é mais saudável que a alimentação onívora, devido ao grande consumo de alimentos ricos em vitaminas e minerais e baixo consumo de gordura saturada”. Mas a nutricionista faz um alerta: “Todo vegano precisa suplementar B12”. Jéssica explica que a necessidade se dá “por não termos nenhuma fonte vegetal de vitamina B12, já que ela é produzida pelo nosso corpo, assim como os animais e as bactérias fazem”. Sendo importante para o funcionamento cerebral, ela deve ser suplementada para evitar deficiência. Para a jovem Thaís, retirar a carne trouxe de imediato, a sensação de o corpo estar mais leve e mais presente. A estudante ainda garante que sua saúde melhorou: “Diquei doente pouquíssimas vezes”. Para ela, mais que não comer carne, o veganismo representa um posicionamento ético e político do cotidiano.
“Veganismo é sobre ética e direitos. Fundamentalmente, a empatia ou compaixão acabam sendo um desdobramento natural quando questionamos sobre o assunto”, afirma. Thaís ainda cita o especismo como um comportamento geral, “de que a humanidade é superior e atribui aos animais sencientes no planeta pouco ou nenhum direito”. Para a jovem a falsa superioridade é extremamente violenta. “Quando entendemos que os animais sentem dor, medo, tristeza... é preciso fazer reflexões e repensar o consumo. Por que ver maus-tratos em animais considerados domésticos causam tanto espanto e revolta? Apenas porque a violência com os outros animais é naturalizada. Então é preciso desnaturalizar a dor e a exploração”, diz. Para Thais, é preciso entender que todos os animais têm direitos. Pela plataforma do Instagram, a estudante ainda aproveita para compartilhar conteúdo sobre a alimentação, apresentando receitas veganas e levando conscientização ambiental às pessoas. Quem também embarca na aventura de um novo estilo de vida é o estudante de ciências sociais de Ribeirão Preto Vinicíus Cesar da Silva Cristo, vegetariano há aproximadamente um ano. Durante a quarentena, medida tomada pelo governo do estado de São Paulo para conter a pandemia do novo coronavírus, o jovem iniciou a transição para o veganismo. O processo que leva a carne para o prato é o que levou Cristo à alimentação vegana. “Eu sabia da violência que acontecia com os animais para poder me alimentar”, afirma. Ver, de perto, a morte desses seres vivos não trouxe escolha diferente ao jovem. “Eu via, inclusive, meus familiares e a minha vó matarem galinha no meu quintal, e não conseguia consumir.” No entanto, o jovem diz que o que impedia de adotar o veganismo era a “naturalização da morte animal”. Assim, o ponto de
Fotos: Arquivo Pessoal
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A estudante Thaís Becassi Brand aderiu ao veganismo há três anos partida para a transição alimentar de Cristo foi o contato com pessoas veganas e vegetarianas, além de estudar sobre os movimentos e descobrir receitas que substituem alimentos de origem animal e conhecer produtos livres de crueldade. “Eu achava que veganismo era uma coisa elitista e que só rico conseguia consumir. Mas essa transição está sendo extremamente tranquila, não digo fácil.” O maior desafio do jovem é encontrar produtores em sua cidade, mas acredita que isso seja apenas falta de informação. Para Cristo, “o veganismo traz a quebra contra o capitalismo, o consumismo e a sociedade do consumo”. Assim como Thais, ele percebe o impacto da alimentação vegana em sua saúde: “faz muito tempo que não fico doente ou não pego gripe”.
A nutricionista Jéssica explica que qualquer um pode se tornar vegano, mas o acompanhamento profissional é importante, pois as recomendações nutricionais podem ser diferentes, de acordo com cada faixa etária, principalmente para gestantes, crianças e idosos. A especialista ainda informa que sem o consumo de carne, queijo, leite e ovos “é praticamente nulo o consumo de gordura saturada”. Assim, a alimentação vegana diminui os riscos de desenvolver doenças cardiovasculares, câncer de cólon e doenças crônicas não transmissíveis como diabetes e hipertensão. Pesquisar sobre o veganismo é o conselho de Cristo para aqueles que desejam entrar para o movimento. E Thaís completa: “saiba que você faz a diferença tanto para o meio ambiente quanto para a sua própria saúde”.
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Revolução na educação Gamificação pode ser excelente aliada no processo de aprendizagem do aluno VICTÓRIA MERIGUE
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iante de um cenário completamente inesperado no qual estamos vivendo, a pandemia vem transformando nosso modo de ver e viver o cotidiano. Mudou-se completamente nossa rotina, nossos meios sociais e a educação. No âmbito da educação, os professores tiveram que se adaptar criando um novo meio de ensino. Por se tratar de um acesso remoto, criaram então a gamificação. A gamificação consiste em utilizar recursos de jogos em outros contextos, como na educação. Gamificação ou, em inglês, gamification, tornou-se uma das apostas da educação mesmo até antes da pandemia, porém ela se intensificou mais conforme a necessidade de um ensino a distância. O termo complicado significa simplesmente usar elementos dos jogos de forma a engajar pessoas para atingir um objetivo. Esse método de ensino tem como objetivo cativar mais os alunos, por se tratar de games. Ele faz com que eles consigam aprender jogando, de forma literal. Isso faz com que aumente o interesse do aluno em relação aos estudos. É uma estratégia que vem sido utilizada principalmente no ensino fundamental, fase na qual a criança e até mesmo o adolescente passam por um período de mudanças comportamentais e psicológicas, que fazem com que o aluno tenha um grande desprendimento de interesse e atenção nos estudos. Josimar Leoni, 40, professor de língua portuguesa do ensino público e privado de São Joaquim da Barra, conta como tem sido o processo de adaptação ao digital
Foto: Victória Merigue Uma das vantagens da gamificação é o método de ensino on-line
e a recepção dos alunos em relação a esse método de ensino. “Demorei uma semana para me adaptar ao sistema remoto e esquecer o vício da lousa, mas confesso que adorei essa forma de dar aula.” Ele ainda acrescenta a grande facilidade que a internet proporciona, sanando dúvidas e dispondo de mais materiais. “Os recursos on-line são maiores que a nossa tradicional sala de aula presencial. Posso acessar vídeos para aprimorar as aulas, abrir documentos para exemplificação, tenho recursos visuais durante a explicação, jogos de aprendizagem, enfim, há uma enorme gama de materiais para motivar e prender a atenção dos alunos.” Já em contrapartida, os alunos possuem certas opiniões diferentes em relação a esse método de ensino. Heitor Miguel da Silva, de 12 anos, estudante da sétima série na escola Elza Miguel Francisco, diz preferir as aulas presenciais.
“Tenho mais facilidade em aprender na aula presencial, pois sinto que entendo melhor o que o professor me passa, e com as anotações no caderno posso revisar várias vezes depois”, disse. No ramo educativo, é possível notar que existe uma luta para garantir que os alunos tenham o melhor ensino possível. Alguns acreditam que o ensino a distância é o futuro da educação brasileira, outros acham um grande erro. Gislaine Ficher, 52, professora de artes do ensino público em São Joaquim da Barra, acredita que num futuro distante o ensino a distância será uma grande possibilidade. “Muitos dos alunos não possuem celular ou internet com capacidade para atender a demanda escolar. Escola deve ser feita para todos sem exclusão. De fato, é uma boa ideia vista por vários ângulos, desde que haja plano de adequação para todos e plataformas de educação mais eficientes.”
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Sonho de gigante Adolescente de Ribeirão Preto com 2 metros de altura sonha brilhar no basquete; ele é pivô de time em Cravinhos NÍKOLAS GUERRERO
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basquete é um esporte muito popular nos Estados Unidos e que também possui muitos fãs no Brasil. Entre eles está o adolescente de Ribeirão Preto João Pedro Bernardes, de 14 anos, que possui 2 metros de altura. O garoto sonha ser jogador de basquete profissional. Segundo dados de 2007 da OMS (Organização Mundial da Saúde), os meninos de 14 anos têm em média entre 1,60 a 1,65 metro de altura. Segundo o garoto, ele sempre foi mais alto que seus amigos, seus colegas da escola e as outras crianças da rua em que morou. Quando tinha 12 anos, idade em que se inicia a adolescência e a puberdade, João já tinha mais de 1,80 metro de altura. O tamanho elevado pode ser resultado da genética da família de seu pai, Aurélio. “Os meus tios são altos, mas não tanto quanto eu. Eu também tenho um primo, por parte de pai, que tem mais ou menos 2,01 metros de altura”, afirma João. A altura do jovem não passa despercebida. Ele explica que, quando diz que tem 14 anos, as pessoas perguntam se ele joga basquete, vôlei, ou outro esporte que é praticado por pessoas altas, além de fazer algumas brincadeiras. “Elas perguntam: ‘Como está o ar aí em cima?’ ‘Você tomou chá de bambu?’, essas coisas.” João vive com sua mãe, Renata, em um apartamento na zona norte de Ribeirão Preto. Ele estuda de manhã e faz os treinos à tarde. Com a pandemia, sua rotina começa cedo, quando faz uma caminhada.
Fotos: Níkolas Guerrero
Renata com seu filho João Pedro Bernardes
Ao retornar para casa, ele faz os trabalhos e assiste às aulas remotas da escola. Após o almoço, descansa e faz os treinos específicos para a sua posição que o treinador passa, também de forma remota. Para o grande garoto, ser alto tem suas vantagens. “Eu consigo alcançar lugares que pessoas de estatura mais baixa não alcançam, trocar uma lâmpada sem subir em alguma coisa”, declara. Ele ainda diz que, quando entra
em um ambiente diferente, consegue enturmar melhor e mais fácil, porque, querendo ou não, ser alto chama muito a atenção. Porém, a estatura também traz muitas desvantagens. “Eu não tenho muita mobilidade e agilidade como uma pessoa normal ou baixa. Outra desvantagem é encontrar roupas e calçados, já que eu calço 48. Não são todas as lojas que têm essa numeração de calçado, e as opções de roupas são limitadas.”
27 O ESPORTE A alta estatura rendeu a João Pedro a oportunidade de iniciar no basquete. Ele guarda o dia exato quando o esporte começou a fazer parte da sua vida. “A minha paixão pelo basquete começou no dia 2 de agosto de 2018, quando foi o meu primeiro treino e quando eu comecei a jogar basquete. As pessoas perguntavam o porquê de não jogar basquete, e começar a praticar.” Sua mãe o levou para uma escolinha de basquete que funciona no ginásio poliesportivo Gavino Viirdes, mais conhecido como Cava do Bosque, o principal complexo esportivo de Ribeirão Preto. “Então eu comecei a jogar e hoje em dia estou aí, apaixonado por esse esporte maravilhoso”, diz João Pedro. Atualmente, ele é pivô do time de Cravinhos. Também tem passagens pela Recra (Sociedade Recreativa e de Esportes de Ribeirão Preto) e quase jogou pelo time do Palestra Itália, o que não aconteceu por conta do convite de jogar em Cravinhos. Apesar de estar focado no basquete, o “garotão” ainda pratica outros esportes como vôlei, handebol e arremesso de peso. Ele coleciona medalhas das modalidades do Cirem (Campeonato Interno da Rede Municipal de Ribeirão Preto), que disputou no ano passado. João Pedro projeta o futuro inspirando-se em estrelas do basquete como Shaquille O’Neal e LeBron James. Atletas que são ídolos dos torcedores do Los Angeles Lakers, a atual franquia campeã da NBA, o principal torneio de basquete dos Estados Unidos, e time do coração de João.
Aos 14 anos, João Pedro tem 2 metros de altura
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Manobras radicais
Para Daniel, o motocross foi ‘amor à primeira vista’; atualmente piloto participa de várias competições
No ar ou no chão, piloto de motocross abusa das habilidades sobre duas rodas VINÍCIUS CORÓ
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odo amante do esporte de duas rodas conhece o motocross. Porém, no Brasil a modalidade desportiva de motovelocidade possui pouca visibilidade e divulgação, principalmente no estado de São Paulo. Quem pratica esse esporte possui um amor ardente pelas duas rodas. É o caso do piloto de motocross Daniel Caçador, 41, de Ribeirão Preto.
Tudo começou quando um mecânico apresentou-lhe a pista de corrida do Jóquei Clube, localizada na zona norte de Ribeirão. Após sua primeira volta, mesmo sem saber nada sobre a modalidade, o empresário se apaixonou pelo esporte: “foi amor à primeira vista”. Mas nem tudo saiu como planejado. Depois de andar por quatro finais de semana seguidos, Caçador tentou realizar um salto, e na recepção da rampa
caiu de mal jeito, se lesionando gravemente. O piloto fraturou as duas pernas, ficando impossibilitando de andar de moto por um ano e meio. No entanto, isso não fez ele perder o amor pelo esporte. O piloto afirma que sua motivação durante este tempo de repouso foi o motocross. “Não via a hora de voltar a jogar terra para o alto e fazer saltos monumentais dentro da pista.” As corridas amadoras são as que
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mais chamam atenção na região paulista, mesmo sendo um esporte caro, perigoso e pouco conhecido. Caçador já disputou várias competições amadoras em várias divisões espalhadas no interior paulista, como por exemplo a MX1, MX2, MX3, MX4, entre outras. Atualmente participa da MX4, somente para pilotos acima de 40 anos, e a MX2, para motos de 250cc e liberada para qualquer piloto de motocross. Quando não está competindo o amador e nem trabalhando, Caçador costuma praticar na pista de treino do Jóquei Clube, realizando manobras, pulando rampas e levando o amor pelo esporte de duas rodas aos fãs através de suas ousadias.
“Quando coloco o capacete e ligo a moto é como se o mundo parasse. Essa é a melhor sensação do mundo. Pratico todo sábado e domingo na pista. Para mim, o esporte representa tudo: diversão, alegria, saúde, amizade e, acima de tudo, família.” SOBRE O ESPORTE e origem europeia, o motocross teve sua história bem próxima com a invenção da motocicleta. No Brasil, o esporte chegou na década de 1960. Ernesto Ricardo Buik, o “Avestruz”, considerado um herói do motocross, fundou uma sede da modalidade no estado do Paraná. A primeira pista oficial de
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motocross no Brasil surgiu somente em 1971, quando o piloto Rubens Kurt Hermann assumiu o Conselho Técnico de Motociclismo do Paraná. A primeira prova da modalidade foi realizada no dia 11 de junho de 1971 em Curitiba, e atraiu muitos fãs. Após isso, a modalidade cresceu pelo país. A primeira corrida realizada naquele ano entrou para a história como não-oficial. Registros mostram que a primeira prova válida aconteceu em Itanhaém, no estado de São Paulo, no dia 13 de fevereiro de 1972, tendo Walter Barchi, mais conhecido como “Tucano”, como vencedor das três baterias com uma motocicleta Yamaha.
Daniel Caçador durante treino
Fotos: Vinícius Coró
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Turismo perto de casa Conheça alguns destinos bate-volta na região de Ribeirão Preto LUANA CAMARGOS
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região de Ribeirão Preto é privilegiada em matéria de turismo de bate-volta. Isso porque é rica em museus, lugares históricos, cachoeiras,
PARQUE DO VASSUNUNGA Parque do Vassununga está localizado na região de Santa Rita do Passo Quatro, a 90 quilômetros de Ribeirão Preto. A área, de grande destaque ecológico, representa um dos últimos remanescentes de vegetação natural que existem na região. O local possui a maior floresta de jequitibá-rosa do estado de São Paulo. Nele também é possível encontrar o que provavelmente é o maior e mais velho exemplar dessa espécie, o patriarca, incluindo o maior exemplar paulista acessível à visitação pública. Além disso, o parque possui uma trilha interpretativa dos Jequitibás, com uma distância de 2.300 metros (ida e volta) e 1h30 de caminhada.
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parques e pontos turísticos que oferecem atrações bem diferentes da realidade das grandes cidades. Para fugir do agito da cidade grande, moradores de Ribeirão estão cada vez mais optando por destinos na região.
Entre os mais procurados estão os que oferecem atividades em meio à natureza, e isso tem um motivo bastante comum entre os turistas, já que eles querem relaxar e deixar de lado toda a rotina. Confira!
Fotos: Luana Camargos
Serviço Parque do Vassununga Santa Rita do Passa Quatro Rodovia Anhanguera, km 245 - zona rural Tel.: (19) 9716-37206 e-mail: pe.vassununga@ fflorestal.sp.gov.br Horário: das 7h às 17h, de segunda a domingo *Entrada grátis.
Cachoeira do Itambé, localizada em Altinópolis
31 GRUTA E CACHOEIRA DO ITAMBÉ Gruta do Itambé está localizada no município de Altinópolis, a 61 quilômetros de Ribeirão Preto, e é uma das principais atrações turísticas da cidade. A gruta possui uma fachada de 28 metros de altura e cerca de 350 metros de galerias. Seguindo pela trilha, são mais 300 metros até a cachoeira, cujo trajeto passa por escadarias naturais, pequenas pontes improvisadas e pequenas quedas d’agua que rendem boas fotos. Ao chegar lá, o turista se depara com um paredão de cerca de 50 metros e uma queda d’água bem fina, que cai sobre um pequeno lago de água transparente. A visão é muito bonita e traz uma grande sensação de calma. A água é bem limpa e é permitido nadar. O acesso é feito pela vicinal Arlindo Vicentini, sentido Altinópolis-Serrana. São mais ou menos 10 km de estrada asfaltada e mais um trecho de 2 km de estrada de terra. Ao chegar nas imediações, os visitantes têm que deixar o carro e seguir a pé por uma trilha. Com boa sinalização, em 10 minutos de caminhada chega-se à Gruta do Itambé. O acesso é gratuito, porém, para visitar as galerias dentro da gruta, é necessário um guia.
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FAZENDA MORRO AZUL fazenda Morro Azul é uma propriedade particular localizada em Jardinópolis, que detém uma das únicas reservas da Mata Atlântica do estado de São Paulo, protegida por órgãos governamentais. A fazenda conta com estacionamento, restaurante, lanchonete, três cachoeiras, piscina de água natural, pesca e solta, playground para crianças e muita área verde. A piscina natural é um tanque rústico de concreto armado, construído há dezenas de anos para
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Acima e abaixo, a fazenda e a cachoeira Morro Azul em Jardinópolis
Serviço
represar a água pura de mina que emana da terra no alto do morro, água esta que deságua no córrego das cachoeiras. É como se fosse um rio ou uma pequena represa, porém ela é esvaziada e a higienização é feita semanalmente. A turista Daiane costuma frequentar o local. “Sou de Brodowski e já visitei a fazenda mais de três vezes. Sempre venho com a família, com diversas atividades para fazer, fico um pouco na piscina, depois desço para a cachoeira. As crianças adoram. Infelizmente não consigo vir todos os finais de semana.”
Fazenda Morro Azul Aberta aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h Entrada: R$ 10 - crianças até 5 anos não pagam. Aceita pagamento com cartão. Informações e reservas: (16) 98100-3324
O acesso é feito pela rua Rafael Cantone, 617. A partir deste endereço é só seguir as placas de sinalização manualmente. É recomendável desligar os aplicativos de rotas, pois o GPS mostra o caminho errado em meio ao canavial. No total, são 12 km de estrada de terra.
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Funk na veia Artistas de Ribeirão Preto lutam para ganhar visibilidade e destaque na cena musical com produções próprias anos e meio no cenário, já soma mais de 20 mil visualizações em suas músicas. O funk sempre foi a principal referência para Vitor, inevitavelmente o Mc percebeu que tinha talento para explorar no ritmo musical. “Eu ouvia muito outros artistas e comecei a querer me aprofundar mais, iniciei fazendo freestyle (rimas improvisadas), participei de várias batalhas de
rima e resolvi partir para o lado do funk”, diz o funkeiro. Vitor conta quais são os principais desafios para jovens que tentam ser funkeiros. “O principal problema hoje é ter uma oportunidade de ser visto. Existem muitos meninos bons por aí que não têm os mesmos recursos que os grandes e famosos Mc’s, mas têm talento e um dom que geralmente se acham na periferia”, afirma o funkeiro.
Fotos: João Victor Marques
á não é novidade que o funk se tornou o ritmo preferido dos jovens no Brasil, se tornando também o ritmo brasileiro mais ouvido no exterior. A versatilidade dos artistas e produtores do ritmo faz com que cresça cada vez mais a popularidade e aceitação desse gênero musical. Em Ribeirão Preto o funk está presente em cada canto da cidade, são inúmeros os Mc’s que tentam investir na carreira. Muitos deles são artistas independentes que buscam se destacar e chamar a atenção das grandes produtoras do país. É o caso dos Mc’s Vitor RV, 17, e Léo ML,17, e do produtor musical THS, 19. Breno Pompolo, conhecido como Mc Vitor RV, morador do complexo Ribeirão Verde, zona leste de Ribeirão Preto, há dois
Os Mc’s Vitor RV e Léo ML perceberam o potencial do mercado do funk
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O produtor musical THS
Nem tudo são flores na carreira de um artista. A família é a principal fonte de energia, e com Vitor não foi diferente. Além disso, o funkeiro cita a importância do funk para sua formação como pessoa. “No começo foi difícil explicar para a família, mas hoje em dia eles super apoiam e veem que é um sonho e objetivo que eu estou buscando”, afirma o funkeiro. “O funk me ensinou a ter pé no chão e a entrar e sair de qualquer lugar sem esquecer quem eu sou e de onde eu vim, por isso, tento passar essas ideias em minhas letras”, diz o funkeiro. Leônidas da Silva, conhecido como Mc Léo ML, conta que faz funk desde os 13 anos, cantando e compondo, porém iniciou-se como artista dois anos atrás. “Faz tempo que faço música. Fazia muitos medleys [vídeos onde vários funkeiros se reúnem e cantam suas músicas a capela] e vi que eu poderia produzir profissionalmente minhas músicas. Desde criança eu ouvia e me inspirava em outros funkeiros como Mc Daleste e vi que cantando funk era meu lugar”, diz Léo. Hoje Léo trabalha e pode pagar do próprio bolso as produções de suas músicas, mas no começo contou com o apoio da família para investir no sonho. “Minha família era meio desconfiada, mas viram que esse era
o meu sonho e eu quero correr atrás dele. Na minha primeira música contei com a ajuda dela, mas hoje estou trabalhando e posso pagar as minhas músicas”, afirma o funkeiro. Léo compõe ritmos como pagode e sertanejo, mas é no funk que o Mc se encaixa melhor. “O meu foco é funk. Por mais que eu componha pagode e sertanejo, me vejo mais identificado cantando funk, me sinto melhor assim. Tenho vontade de cursar uma faculdade ou algo do tipo, mais ainda não me decidi”, diz o funkeiro. O Mc comenta as dificuldades encontradas pelos artistas na busca do reconhecimento. “Todos pensam que fazer funk é fácil, que é só fazer uma música e esperar o sucesso bater na porta, mas ninguém sabe o quanto você se dedica, muitos não sabem se você passou fome, se você precisou e ninguém ajudou. Então se você acha que é capaz, deixa os outros falar o que quiser, confie em você”, diz o funkeiro. Não são apenas os funkeiros que buscam espaço. Quem nunca se perguntou “quem será que está por trás das músicas que fazem sucesso?” O mercado de produtores independentes em Ribeirão Preto também almeja seu lugar ao sol.
Thales Silva, conhecido como THS, ouvindo músicas eletrônicas em 2014 começou a se perguntar como os Dj’s faziam aquele estilo de som e resolveu se aprofundar e estudar esse meio. “Uma das coisas mais dificultosas foi que ninguém além de mim mesmo botava fé no meu sonho. Estudei, corri atrás e trabalhei para investir em mim sozinho. Ninguém me ajudou na divulgação por exemplo, era eu por eu”, afirma o produtor. Nesses seis anos produzindo, THS afirma que conseguiu construir um estúdio bom para poder realizar seu trabalho e assim ganhou mais visibilidade. “Do começo pra cá algumas coisas mudaram, consegui construir meu home estúdio e, conforme você vai crescendo, as pessoas vão te notando. Infelizmente hoje em dia as pessoas valorizam mais a popularidade do que o talento, então hoje tenho uma visibilidade maior do que antes”, diz o produtor. Para THS, a grande diferença entre o Mc e o produtor é o estudo profundo da musicalidade. “A grande maioria não dá tanta importância para a musicalidade, muitos acham que é só escrever uma letra, ir lá no estúdio, gravar e lançar. O estudo do ritmo, do flow, da melodia e teoria musical também vale para esses artistas, para que possam entender a linguagem desse meio para passar as ideias dele de uma forma que o produtor compreenda e possa reproduzir da melhor forma”, afirma o produtor. O que atrapalha o crescimento desses artistas são as chamadas “guerras internas” da cena local, onde egos e manias geram conflitos, e para THS essas atitudes só desvalorizam os próprios artistas. “A falta de companheirismo e simpatia fazem com que as pessoas fiquem distantes. A maioria não quer se conectar com ninguém. Falta um pouco mais de união e empatia pelo próximo”, diz o produtor.
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Prazer, João Rock Um dos maiores eventos de música brasileira, festival ribeirão-pretano coleciona histórias e momentos marcantes há 18 anos ROBERT SIQUEIRA
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esde 2002, Ribeirão Preto deixa de ser, pelo menos por um dia, a cidade do sertanejo e se torna a capital do rock. E essa mudança tem nome e sobrenome: João Rock. Há 18 anos, cerca de 10 mil pessoas acompanharam a primeira edição daquele que viria a ser um dos maiores festivais de música de todo o país. A estreia contou com a presença de bandas como Ira!, Titãs e CPM 22. “Na época era um projeto inovador e audacioso, ainda mais se considerarmos onde estamos inseridos”, relembra Luit Marques, criador e organizador do festival. Segundo ele, um dos maiores desafios é “promover uma experi-
ência única ao público, sem perder a essência de um evento focado no rock nacional e seus subgêneros”. Em todos os anos, público e artistas aguardam ansiosamente a data do festival. Além disso, a festa é tratada sempre com muito carinho por quem está no palco. “Acreditamos que seja por toda a energia única que o festival proporciona para todos”, declara Marques. Os bastidores são de pura confraternização, da chegada dos artistas até o final do evento, diz ele. Uma das principais características do festival é a junção de artistas de gêneros diferentes e que pouca gente imaginou acontecer. “É uma experiência única para todos os lados. Para os cantores, que têm a oportunidade de apresenta-
rem seus trabalhos, e para o público, que pode viver esse momento.” Apesar do nome, o João Rock abre espaços para outros gêneros, como o rap, o reggae e até mesmo o forró. Segundo Marques, esse é um dos motivos que torna o festival um dos maiores do Brasil. “Ele exalta o que é nosso, o que é brasileiro.” Nestes 18 anos de história, o palco do festival presenciou muitas histórias e encontros marcantes e até inéditos. Em 2016, o show da Legião Urbana, que comemorava 30 anos, levou o público ao êxtase. Sob o comando de Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e André Frateschi, o público cantou do início ao fim. “Foi emocionante”, destaca Marques.
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Ele ainda relembra outro show marcante para ele e o público. “Foi o ‘Ofertório’, quando Caetano Veloso cantou junto com os filhos Moreno, Zeca e Tom Veloso.” O jornalista Fabiano Ribeiro, que frequenta o festival desde as primeiras edições, tem dois momentos especiais guardados na memória. “Tive a oportunidade de ver shows únicos, como por exemplo, o do Mutantes. Na ocasião, Caetano Veloso veio fazer um show no Theatro Pedro II, apareceu de surpresa no festival e foi fantástico”, relembra. Outro show que não sai da cabeça é o encontro entre Chorão e Marcelo D2. “Você dificilmente verá isso em shows solos. Essa energia, esses encontros improváveis, tudo isso marca. Para quem curte rock, é um evento imperdível.” E já pensou ser fã do festival, sonhar em trabalhar no João Rock e isso se tornar realidade? Foi o que aconteceu com Ricardo Vitaliano, produtor audiovisual que sempre quis trabalhar no festival e que há algumas edições, se tornou parceiro do evento. “É o ponto alto da minha carreira.” Para ele, além de shows, os bastidores do festival também são marcantes. “É incrível encon-
trar os artistas nos corredores. Encontrei o Criolo, que sou fã, e pude conversar com ele, tirar foto. Esse tipo de coisa, encontrar esse pessoal, não tem preço.” “O João Rock se consolidou como um dos maiores festivais de música do Brasil. Tem gente que faz caravanas de vários estados, que vem para Ribeirão só para o festival. Ele se tornou uma referência quando o assunto é música brasileira”, destaca. OPORTUNIDADES lém de artistas consagrados, o João Rock abre espaço para os novos talentos da música brasileira. O palco “Fortalecendo a Cena” reúne bandas e artistas independentes, que começam lá e, no ano seguinte, podem estar no palco principal. Foi o caso do rapper Rael e da banda Scalene, que foram atrações no palco “João Rock” no ano passado. O festival também promove o “Concurso de Bandas”, que recebe a inscrição de milhares de bandas de todo o Brasil. O vencedor toca em um dos palcos do evento. “Nossa missão é continuar em busca de novos talentos da música nacional e abrindo cada vez mais espaço.”
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O organizador Luit Marques
REINVENÇÃO om 18 anos de sucesso, Marques declara que “sempre é o momento para se reinventar e promover uma nova experiência ao público”. “Para a próxima vemos uma tendência e uma aceleração no movimento do digital e do físico se fundindo”, afirma ele. “A pandemia trouxe um novo movimento das lives. Isso vai fazer com que o produto físico deixe de ser um canal único e o digital vai se tornar um produto a ser utilizado de maneira mais intensa.” Por conta da pandemia do novo coronavírus, a festa de 18 anos do João Rock precisou ser adiada para 2021.
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Foto: Vitor Hugo Guimarães
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A cantora Dalva Rodrigues Morais é uma das modelos do fotógrafo
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MULHERES FORTES
Fotos que empoderam Fotógrafo dá visibilidade a 70 mulheres negras de Ribeirão Preto LUIZA ARAÚJO
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ornalista de formação e fotógrafo de coração, Vitor Hugo Guimarães começou a fotografar assim que ganhou a sua primeira câmera, aos 14 anos de idade, fazendo disso a sua principal fonte de sustento hoje. Em 2020, ele foi além de fotografar eventos e fazer books, dando início ao projeto “Mulheres Fortes”. Nele, Vitor fotografou e entrevistou 70 mulheres negras. As imagens foram postadas de 25 de agosto a 1º de novembro e estão disponíveis no Instagram @VitorHugoGuimaraes. O fotógrafo diz que “Mulheres Fortes” nasceu de um pensamento reflexivo diante das questões recentes e antigas de preconceito que sempre rondaram a população negra. No artigo “Por um feminismo afro-latino-americano”, a antropóloga Lélia Gonzales diz que mulheres negras e indígenas precisam lidar em suas vidas com duas formas de opressão: o machismo e o racismo, o que faz com que essas pessoas sejam as mais apagadas do convívio social. Uma das consequências desse duplo caráter de opressão é, justamente, a dificuldade de mulheres negras completarem ou entrarem no ensino superior. Segundo a pesquisa “Estatísticas de gênero” do IBGE e divulgada em 2018, apenas 10% das mulheres pretas ou pardas terminam o ensino superior no Brasil. Vitor Hugo percebe essas diferenças e entende os desafios enfrentados por essas mulheres.
Foto: Arquivo Pessoal
O fotógrafo Vitor Hugo Guimarães
Com sua profissão, o fotógrafo buscou destacá-las. “Quero mostrar o poder, a presença das mulheres negras e o papel delas em uma sociedade.” “Essas mulheres têm histórias incríveis de superação e devem servir de exemplo para mulheres, crianças e adolescentes de diversas classes sociais para seguirem
adiante na busca de seus sonhos.” Além de dar visibilidade e nos permitir conhecer parte das histórias incríveis, Vitor Hugo já saiu em matérias de revistas como a Revide e Acontece. O fotógrafo está com planos para ampliar o seu projeto na edição de 2021 e está à procura de patrocinadores.
Foto: Vitor Hugo Guimarães
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Mulheres que você deveria conhecer
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lém das graduadas, dentro do projeto temos cinco mulheres sem o ensino superior, mas que possuem vivências e conhecimentos que vão muito além do que as salas de aulas podem nos transmitir. Uma delas é a cantora Dalva Rodrigues Morais, ribeirão-pretana de 47 anos cuja paixão pela música a levou a profissionalizar-se. Em sua carreira, Dalva diz que já tiveram momentos em que as pessoas se espantavam quando ela dizia ser cantora, mas hoje é mais difícil isso acontecer. Seu repertório é bem eclético, cantando MPB, bossa nova, flashback e outros ritmos, entretendo bares, confraternizações e eventos em condomínios de luxo em Ribeirão Preto. “Diria para elas (meninas negras) que lutem bastante, não desanime, corra atrás dos seus sonhos, não deixe nada te abater, você pode, você consegue!” Além de Dalva, conseguimos entrevistar mais duas mulheres fortes: Pilar de Souza Cacheira e Paula Natália Pereira Bredarioli, ambas também de Ribeirão Preto.
Pilar é médica graduada na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), possui especialização em acupuntura pela Associação Médica Brasileira de Acupuntura e tem pós-graduação em gestão pública em saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Atualmente, Pilar trabalha como ginecologista. A doutora diz que sua a decisão pela profissão veio de uma série de fatores, mas, pincipalmente, pela autoconfiança em sua “criança interna”, a ingenuidade da adolescência e a maturidade do adulto, aliados a missão de ser uma mulher negra, em um ambiente predominantemente branco e patriarcal. Pilar reconhece que a trajetória dos negros no Brasil fez com que a inserção deles no mercado de trabalho fosse dificultada e que essas dificuldades perduram desde então. “Uma pesquisa realizada na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, mostrou que mulheres negras com penteados afro têm menores chances de contratação de trabalho do que mulheres
brancas ou negras com os cabelos alisados”, afirma a médica. Pilar é funcionária pública e como as competências dos exames para admissão são puramente técnicas, ela diz que não teve nenhuma dificuldade para se inserir. Entretanto, ela percebe os traços do racismo em seu dia a dia, que são revelados quando há a necessidade de ter que provar ou justificar suas capacidades. “um negro não pode ser bom, ele precisa ter excelência, é como se precisássemos nos justificar por estarmos lá.” “Levanta a cabeça e vai! Saiba que (você) leva consigo toda a força e orgulho da sua ancestralidade e deixe a sua marca aos que virão!” A nossa última, mas não menos importante, mulher forte entrevistada é Paula Natália Pereira Bredarioli, farmacêutica graduada pela Universidade Federal de Alfenas. Ela optou por estudar farmácia ainda no Ensino Médio, inspirada por sua professora, sua afinidade com as disciplinas de química e biologia e pelo fato de farmácia ter sido a área da saúde que tinha o maior campo de atuação. No mercado de trabalho em si, ela não sofreu discriminação explícita devido a sua raça ou gênero, mas várias situações a farmacêutica percebia o preconceito. “O racismo e o machismo não afetam somente o mercado de trabalho, eu acho que ele também está bem presente nas relações pessoais. Muitas vezes o homem branco ou até mesmo negro, têm vergonha de assumir publicamente uma mulher negra”, diz. “O que eu tenho para dizer para as meninas negras que querem ser farmacêuticas ou seguir qualquer profissão é para que elas jamais desistam dos seus sonhos e objetivos, que não é a cor da pele ou aquilo que nos dizem, que vai determinar até aonde podemos chegar e sim a força de vontade, a dedicação e a determinação.”
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Levanta a cabeça e vai! Saiba que (você) leva consigo toda a força e orgulho da sua ancestralidade e deixe a sua marca aos que virão!
A médica Pilar é uma das 70 mulheres fotografadas pelo olhar de Vitor Hugo
Foto: Vitor Hugo Guimarães
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