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Revista Barão de Mauá n° 8

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revista nº 8 nov./2021

produzida por alunos do 6º semestre do curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

barão de mauá

Ribeirão Preto (SP)

VOANDO SOBRE RODAS A cena do skate volta a dominar as ruas de Ribeirão Preto

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Expediente A Revista Barão de Mauá é uma publicação produzida pelo curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá. Chanceler Prof. Dr. Nicolau Dinamarco Spinelli (in memoriam) Reitora Profa. Ma. Valéria Tomás de Aquino Paracchini Vice-Reitor Prof. João Alberto de Andrade Velloso Pró-Reitora de Ensino e Inovação Profa. Ma. Patricia Rodrigues Miziara Papa Pró-Reitor de Pós-Graduação e Iniciação Científica Prof. Dr. Felipe Ziotti Narita Pró-Reitor Administrativo Antônio Augusto Abbari Dinamarco Diretoria Institucional Profa. Meire Aparecida Pedersolli Pró-Reitor de Graduação Dr. Thiago Henrique de Moraes Coordenadora do curso de Jornalismo Profa. Ma. Carmen Silvia Porto Brunialti Justo

Professores responsáveis Edição, coordenação e revisão de textos Prof. Me. José Antonio Bonato Edição de arte Prof. Me. Márcio Huertas Edição de fotografia Prof. Dr. Jefferson Barcellos

Produção Reportagem, fotojornalismo e diagramação Alunos do curso de Jornalismo Diagramação final Samuel Henrique Gallo Deleguide 2


Sumário

Algazarra sonora ............................................................. 4 O homem que falava com espíritos ................................. 6 Histórias da escuridão ...................................................... 7 Memórias de um ex-travesti ......................................... 10 Moda sustentável .......................................................... 14 Voando sobre rodas........................................................ 16 Promessa do esporte ..................................................... 20 Saudável e sem contato físico ....................................... 22 Abandono de animais e adoção na pandemia .............. 26 Além do suspense e ficção ............................................ 28 CasaCor 2021: Conheça dicas de decoração ................. 30

Centro Universitário Barão de Mauá Unidade Independência Rua José Curvelo da Silveira Jr., 110 Jd. Califórnia - Ribeirão Preto (SP) Tel: (16) 3602-8200

Revista Barão de Mauá na internet: jornalismo.baraodemaua.br jornalismobaraodemaua comunicacaobaraodemaua jornal@baraodemaua.br 3


Algazarra sonora VICTOR CONTE

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professor Fulano de Tal, morador da região central de Ribeirão Preto, acorda todos os dias por volta das 6h contra a sua vontade. O motivo é o barulho provocado pelas motocicletas que circulam pela cidade com escapamentos alterados. Embora seja considerada uma infração grave pelo artigo 230 do Código de Trânsito Brasileiro, com previsão de perda de cinco pontos na carteira, multa de R$ 195 e recolhimento da moto, a Polícia Militar nada faz contra esse estado de coisas. “É uma situação muito estressante. A poluição sonora limita o sono, impede a leitura e provoca uma irritação intensa. Faz mal para a saúde, mas as autoridades não agem como deveriam”, afirma o professor.

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Motociclistas infernizam moradores de Ribeirão Preto com barulho provocado por escapamentos fora da lei

“É uma situação muito estressante. A poluição sonora limita o sono, impede a leitura e provoca uma irritação intensa. Faz mal para a saúde, mas as autoridades não agem como deveriam”, afirma o professor. A reportagem da Revista da Barão pediu para a Polícia Militar se manifestar sobre o problema da poluição provocada pelas motos, mas, até o fechamento desta edição, a corporação não se manifestou. A prefeitura também não quis se manifestar.


Os maiores consumidores de escapamentos adulterados estão na faixa etária de 18 a 25 anos

Maleficíos para a saúde - Perda de audição - Irritação - Dificuldade de concentração - Pressão alta - Insonia - Perda de memória - Cansaço

O Ministério Público de Ribeirão Preto oficiou em agosto o comandante-geral da Polícia Militar para que informe as medidas que vêm sendo tomadas contra a poluição, não só de motos, mas também de outros tipos de ruídos. Além da PM, foram oficiados a Fiscalização Geral e as secretarias de Saúde municipal e estadual e a Vigilância Sanitária.

O barulho traz vários prejuízos à saúde, entre eles perda da audição, irritação, dificuldade na concentração, pressão alta, insônia, entre outros. O corpo mole das autoridades estaduais e municipais em relação a esse problema afronta a Constituição, que em seu artigo 225, estabelece que todos têm direito de viver num ambiente equilibrado e saudável. Além da Constituição, também o Código Civil prevê o direito ao sossego ao proprietário ou possuidor de imóvel, em seu artigo 1.277. Normas para defender os cidadãos da algazarra sonora das motocicletas com escapamentos alterados não faltam. Falta, sim, empenho dos agentes públicos para coibir barulho. Pelo menos em Ribeirão Preto. Algumas cidades têm tomado medidas exemplares contra a barulheira dos motociclistas, entre elas Sorocaba, Jaú e Curitiba, capital do Paraná. Em Sorocaba, os infratores são punidos com multa de R$ 2.500, perda de pontos na carteira e apreensão das motos. Recentemente, Jaú resolveu seguir o exemplo de Sorocaba e agir contra a selvageria. Até lojas que vendem os escapamentos ditos esportivos estão na mira da fiscalização. Esses equipamentos

podem ser comprados na internet por valores que variam de R$ 130 a R$ 1.800. Oficinas mecânicas faturam alto com a substituição. Uma delas, na zona norte de Ribeirão, substitui em média, por semana, dez escapamentos originais pelos ruidosos. Os adeptos do barulho afirmam que se sentem mais seguros no trânsito porque se tornam mais visíveis aos motoristas de carro e, assim, evitam ser vítimas de acidentes. Também preferem o barulho por razões estéticas. “É muita adrenalina”, diz Douglas Alves Hernandes, sócio de uma oficina de motos. Na Câmara de Ribeirão Preto, também conhecida como a Casa do Povo, o assunto não desperta a atenção. Pelo menos três vereadores já foram procurados para tratar do tema. Um deles disse que não há muito o que fazer porque a competência para legislar sobre trânsito é do governo federal. O vereador Boni, do Podemos, prometeu, em 2020, combater a poluição sonora, mas não foi reeleito. Já o terceiro vereador, uma mulher, demonstrou interesse, mas logo o deixou de lado. Pelo visto, na terra das motocicletas barulhentas o que impera entre as autoridades que poderiam fazer alguma coisa pelo bem-estar dos cidadãos é o silêncio.

O artigo 225 estabelece que todos têm direito de viver num ambiente equilibrado e saudável.

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Espírito desencarnado ao lado de uma pessoa

O homem que falava com espíritos Pessoas relatam ter experiência espiritual e afirmam que não estamos só no mundo VICTOR CONTE

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o mundo há diversas religiões e várias doutrinas diferentes, cada uma com a sua crença. O homem ainda não desvendou todos os mistérios da vida e nunca desvendará, mas a pergunta que sempre fazemos é: Será que estamos sozinhos? Ou existem mais seres e formas de vida que não descobrimos ainda? Há vários relatos de pessoas que veem ou já tiveram contatos com espírito, sejam eles do bem ou não. O espiritismo é uma vertente do cristianismo, porém, ela crê na reencarnação e também acredita que existem vários espíritos que te guiam durante a sua vida e também os espíritos perseguidores, que querem o mal da pessoa. “Uma vez sofri um acidente de moto e fiquei 15 dias em coma e quase morri, quando eu estava prestes a ser operado o meu espírito saiu do meu corpo e eu conseguia ver e ouvir as orações dos médicos para eu não

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morrer. O espírito chega a ser tão leve que você tem a sensação de estar flutuando”, relatou João da Silva, 49, cujo nome é fictício. O espiritismo prega que a alma é o espírito encarnado e o espírito é a alma desencarnada, ou seja, quando alguém tem contato com um espírito significa que a alma dessa pessoa já não está mais nessa terra. “Infelizmente, a grande maioria de Espíritos Desencarnados, voltam para casa e como não sãonem vistos, nem ouvidos, saem a vagar, correndo o enorme risco de cair nas mãos de Espíritos Malignos, Estado de Perturbação”, afirma o autor Allan Kardec em seu livro “O Céu e o Inferno”. Segundo o professor Cid Machado, o plano espiritual, nada mais é do que a manifestação física do conceito de dimensões paralelas previsto por Albert Einstein, com diferentes densidades da matéria. “Eu e meu irmão mais novo, de 5 anos na época, estávamos com minha

mãe na sala de estar de nossa casa. Ela pediu para que eu e meu irmão fossemos buscar uma tesoura para ela, que estava em seu quarto. Quando lá chegamos visualizamos simultaneamente a presença de uma figura etérea que se parecia com um soldado romano, bem velho, pairando sobre a cama onde descansava o meu pai”, afirma o professor. Entre os praticantes espíritas tem alguns que se destacam por ter o dom de falar com eles. Mesmo não sendo adepto do espiritismo, João da Silva afirmou que sonha frequentemente com espíritos. “Já teve vezes que eles puxaram a minha alma do meu corpo e me bateram, eu gritava por socorro, mas ninguém me ouvia, quando acordei estava com as costas todas marcadas por feridas”, disse. Sempre existirá coisas que vão além do conhecimento científico, muitos mistérios não desvendados. O espiritismo também guarda os seus mistérios, será que o desvendaremos?


Histórias da escuridão Três portadores de deficiência visual narram as dificuldades pelas quais passaram e os desafios que precisam vencer para viver num mundo melhor DUDA CUBAS

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nsaio sobre a cegueira”, obra ficcional do escritor português José Saramago conta a história de uma sociedade que foi consumida por uma epidemia, não muito diferente do que a humanidade vive hoje. O autor descreve como uma cegueira branca atinge a população e suas consequências. Na narrativa, as pessoas precisam aprender a lidar umas com as outras e com os desafios que a

nova condição lhes causa. Ficção à parte, a realidade não é muito diferente. Quem é deficiente visual precisa aprender a lidar com várias situações que surgem no caminho, de uma forma diferente de outras pessoas. A falta de infraestrutura nos ambientes gerais da sociedade pode ser uma pedra no caminho, mas nada que os deficientes visuais não saibam contornar e resolver. De acordo com o último Censo do IBGE, existem cerca de 6,5 milhões

de pessoas com deficiência visual no Brasil. Lucas, Marinete e Vitor fazem parte desse grupo. Lucas da Silva Aureliano, 28, formado em direito há dois anos é cego desde que nasceu. Ele diz que consegue enxergar pontos de luz, algumas cores, vultos, mas nada com precisão total. Ele é de uma cidade do interior de Mato Grosso e, pela falta de recursos para fazer tratamentos e exames na cidade, precisou se mudar para Ribeirão Preto.

Movido pela sua maior paixão, a música, Vitor utiliza as redes sociais para mostrar seu talento como DJ

Segundo ele, a mudança só foi possível pela ajuda de um homem que hoje é seu padrinho de batismo. Quando tinha dois anos de idade, a mãe de Lucas conheceu esse homem através da irmã. Ele ajudou financeiramente na mudança de cidade e no tratamento privado que Lucas fez durante, em

média, quatro anos, antes de conseguir vaga em um hospital público. A vaga era em um hospital público em São Paulo, e ele ia para a cidade quando precisava fazer algum exame ou tratamento. Depois disso conseguiu uma vaga no Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto, onde faz tratamento até hoje.

Lucas conta que passou por, em média, dez cirurgias, incluindo a de transplante de córnea, que foi uma tentativa de ajudá-lo a enxergar com mais precisão. Além disso, fez também uma cirurgia na qual um tubo foi implantado no seu olho para controlar a pressão. 7


Vitor Luiz Brito do Nascimento, 22, é de Ribeirão Preto e sua história é um pouco diferente da de Lucas. Segundo ele, a causa da sua deficiência foi a gestação sua mãe. Ele diz que nasceu prematuro de cinco meses. “Minha mãe fala que eu cabia na palma da mão do meu pai.” Pelo nascimento prematuro, Vitor passou grande parte dos seus dois primeiros anos de vida em uma incubadora, o que, de acordo com ele, pode ter afetado sua visão também. Ele conta ainda que teve várias complicações de saúde logo nas primeiras horas de vida, como pulmonar e renal, e que os médicos deram pouco tempo de vida para ele. Vitor não nasceu cego, mas foi perdendo a visão de forma gradativa ainda quando criança e hoje tem cegueira total. Ele e sua família tentaram recorrer a vários métodos para impedir que ele ficasse cego, como uso de óculos e terapia a lazer, mas nada foi eficaz. Marineti Souza de Freitas, 49, assim como o Lucas, também nasceu cega e é do interior do Rio Grande do Sul, mas é aqui que suas semelhanças acabam. Marinete hoje mora em São Jerônimo. Hoje é concursada e trabalha como telefonista na Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência, em Porto Alegre. Além disso, Marineti tem duas filhas, Cristiane, de 20 anos, e Daiane. EDUCAÇÃO

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primeiro contato de Marineti com a escola foi aos 8 anos de idade, antes disso ela nunca tinha estudado antes. Aos oito anos entrou em um internato católico específico para crianças e jovens com deficiência visual e ficou lá até os 15. Ela conta que nesse internato ela aprendeu a fazer diversas atividades que são importantes para viver, como conversar e socializar com outras pessoas, se arrumar, fazer a higiene pessoal de forma correta, cozinhar, limpar, fazer artesanato e outras atividades, além das aulas acadêmicas que o local também oferecia. “Como qualquer outra coisa, o internato tinhas suas coisas boas e ruins. Algumas colegas mais “espertas” e

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Lucas é formado em direito há dois anos

com uma situação financeira mais favorável faziam bullying com as outras. Além disso, as irmãs no internato também tinham suas favoritas e aquelas que não eram sofriam. ” Ela saiu do internato e ficou sem estudar por um tempo, mas retornou quando era mais velha. Fez um supletivo de um ano e conclui os estudos do ensino médio. Lucas estudou até a primeira série em uma escola comum e fazia uso do material ampliado, no qual as letras das apostilas eram maiores. Porém, a escola percebeu que aquilo era insuficiente e que podia prejudicar os estudos dele e fez o encaminhamento para a Adevirp (Associação de Deficientes Visuais de Ribeirão Preto). Lá, Lucas aprendeu o braile e retornou à escola, mas agora com o apoio da instituição. Vitor também frequentou a escola comum por um período antes de ser

encaminhado para a Adevirp e também aprender o braile. Na escola, Vitor conta que sofria muito bullying, era isolado pelos colegas de sala e que isso foi uma experiência um pouco traumática para ele. Conta que já tentou se matar duas vezes por causa da deficiência, pois não se aceitava, e as pessoas não o tratavam com respeito e dignidade. Na questão de aprendizado, ele conta que a professora colocava uma pessoa para acompanhá-lo e ler as coisas que estavam na lousa e livro, mas que não era o bastante e que isso o estava deixando ele “para trás” em relação ao restante da classe. Pensando em resolver a situação, a diretora da escola falou sobre a Adevirp, onde ele frequentou por seis meses e aprendeu o braile. Depois de passar pela instituição, voltou para a escola onde concluiu o ensino.


MERCADO DE TRABALHO

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ntre os 15 e 17 anos, Vitor trabalhou como assistente administrativo em duas empresas diferentes pelo programa de Jovem Aprendiz. Depois disso, procurou outras vagas de emprego, mas não obteve sucesso. Pela necessidade financeira, deu entrada no seu Benefício de Prestação Continuada, BPC, oferecido pelo governo para pessoas com deficiência, que recebe até hoje. Porém, ele conta que sempre foi apaixonado por música e que buscou formas de ingressar nesse mundo. Em 2019 fez um curso de DJ pelo Senac, profissão que sonha seguir, com sucesso e prestígio. Hoje possui seu equipamento para tocar músicas e faz lives no seu Instagram e Facebook, que usa como plataforma para ganhar reconhecimento. Como ainda não consegue viver exclusivamente da música, começou a vender doces recheados na rua para ter uma renda extra. “Minha mãe que faz os doces, mas o investimento inicial foi meu. Para fazer as vendas levo ou meu irmão mais novo ou sobrinho para me ajudar. ”

Marineti superou obstáculos e hoje trabalha na Faders, em Porto Alegre

Marineti também vendeu doce por algum tempo antes de conseguir empregos fixos e com carteira assinada. Ela diz que já foi “passada para trás” muitas vezes por pessoas com más intenções. “As pessoas davam uma nota de dois reais dizendo que era de cinquenta e ainda pediam troco. Como não conseguia diferenciar a nota pela textura e não tinha ninguém me ajudando, saí várias vezes no prejuízo.” Já trabalhou como telefonista na Secretária da Educação, onde, conta ela, sofria discriminações por parte dos colegas de trabalho. Depois conseguiu seu emprego atual, através de um concurso, onde também atua como telefonista. Lucas, por outro lado, é formado em direito há dois anos, mas hoje trabalha concursado na prefeitura de Serrana, no setor das ambulâncias, no atendimento. Ele diz que pretende mudar de área e já está se preparando para futuros concursos na área do direito, buscando uma melhoria salarial e, consequentemente, uma independência financeira maior e para exercer a profissão que ele escolheu e ama.

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Não somos menos capazes por conta da deficiência. Isso é uma característica nossa, não um definidor de capacidades.”

DESAFIOS

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s três entrevistados dizem que o ambiente social e a infraestrutura oferecida no ambiente de trabalho, espaço público e de oportunidades precisa melhorar, e muito. Marineti, por ser mais velha, acompanhou diversas mudanças e conquistas que as pessoas com deficiência conseguiram. Uma delas, que ela julga ser importante, é a reserva de vagas para pessoa com deficiência que hoje as empresas precisam ter. “Antes disso as pessoas com deficiência só conseguiam emprego por indicação ou por concurso, que eram poucos e limitados, mas hoje a situação é um pouco melhor. Conseguimos entrar no mercado de trabalho de ter a oportunidade de mostrar nossas habilidades, conhecimento e técnicas, e de se qualificar profissionalmente.” Vitor tocou no ponto da falta de preparo de empresas para receber um deficiente visual. “Os computadores precisam ter leitor de tela para a gente conseguir trabalhar, mas é um software caro que as empresas não pensam em investir e por isso ficamos muitas vezes sem achar trabalho. ” Lucas diz que o ponto principal é que as pessoas vejam o deficiente visual da mesma maneira que olham para quem não tem deficiência. 9


Memórias de um ex-travesti Fé, religião e amor em Jesus: de acordo com Helder, foram esses pontos que o tornaram um homem cisgênero e heterosexual e o tiraram do mundo da homossexualidade DUDA CUBAS

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elder Carlos Soares de Oliveira, 27, de Porto Velho (RO), passou quase dez anos de sua vida como Tarsilla Soares Fernandes Albuquerque, uma época que, segundo ele, ficou para trás. Hoje, porém, Helder diz ter virado a página de sua homossexualidade e transexualidade, se transformou num heterossexual e, diz ele, ter voltado a ser um homem cisgênero, casado há cinco anos e pai de uma criança. Atualmente, ele e sua mulher possuem um canal no Youtube, onde falam sobre a história de Helder, seus anos como travesti e prostituta e, pregam a ideia de “cura gay”, segundo a qual a pessoa pode “renunciar” ao comportamento homossexual através de Deus. No canal também trazem depoimentos de outras pessoas que dizem ter se “libertado” do mundo homossexual e pedem doações via Pix para ajudar no ministério deles. A história de Helder é, no mínimo, atípica. Cheia de reviravoltas, acontecimentos marcantes e hoje o que ele considera ser um final feliz para uma vida que não teve um começo tão feliz assim. Ele passou oito anos como travesti. Teve sua primeira relação sexual com um homem aos dez anos de idade e, naquela época, diz ele, já tinha sentimentos e atração por pessoas do mesmo sexo. Por muito tempo, a única pessoa da família dele que soube sobre o ocorrido foi sua mãe, que guardou o segredo com ela por quatro anos.

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Tarsilla Soares Fernandes Albuquerque foi o nome que Helder escolheu quando se identificava como transexual

“Eu tinha acabado de ter a minha primeira relação sexual e estava conturbado, queria morrer, sumir, pois naquela época eu já sabia que não era normal e ninguém quer ter um familiar gay.” Passados quatro anos desde sua primeira relação sexual, Helder começou sua transição para se tornar uma mulher e, segundo ele, quem o incentivou a tomar hormônios foi uma pessoa travesti com quem morou por um tempo. Quando questionado se acreditava que algo ou alguém poderia ter influenciado no seu comportamento e desejos, Helder explicou que existem três causas principais que fazem uma pessoa seguir por esses caminhos. O primeiro é o abuso sexual e estupro. Muitas pessoas passam por isso ainda na infância e isso pode despertar esse tipo de desejo sexual nela. O segundo são as decepções que uma pessoa tem na vida. Por exemplo, se uma mulher sofreu com um companheiro, foi agredida, machucada, ela passa a ter nojo de homens e não quer mais manter nenhum tipo de relação sexual ou amorosa com eles e escolhe se relacionar com outras mulheres. O mesmo pode acontecer com homens: se ele é traído ou sofre alguma decepção com uma companheira, isso pode acarretar em traumas, e ele passa a se relacionar com homens com medo de sofrer nas mãos de uma mulher novamente. O terceiro e último seria uma suposta maldição hereditária, que Helder diz ser nessa categoria em que se encaixa.


PROSTITUIÇÃO E A VIDA COMO TRAVESTI

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epois de já ter dado início ao processo de transição com 14 anos, Helder começou a se prostituir para ganhar dinheiro. Ele diz que sua vida mudou completamente com isso. Na escola, as pessoas não queriam ficar perto dele, principalmente seus antigos amigos homens, pois ninguém queria proximidade com alguém parecido com ele. Por causa da discriminação, Helder escolhe sair da escola. Entre seus 14 e 15 anos, decidiu sair de casa em direção a outros estados, como São Paulo, Goiânia e Brasília, acreditando que sua vida iria melhorar e que não sofreria mais preconceito e discriminação. Então ele se assume como uma mulher transexual para sua família.

“Cheguei com um vestido branco para revelar que eu estava prestes a ir embora. Eu tinha acabado de sair da rua, de me prostituir, e passei na casa da minha avó para conversar com minha mãe e pedir autorização para ir para Brasília e, como era menor de idade, precisava dessa autorização.” Com essa permissão Helder sai de Porto Velho em direção a Brasília e começa um novo capítulo na sua vida, como Tarsilla Soares Fernandes Albuquerque. Fora da sua cidade natal, Helder relata que conseguiu viver como mulher mesmo e, diz ele, que não sofria preconceitos por isso. Nas novas cidades ele continuou fazendo programa para ganhar dinheiro por um tempo, mas a situação mudou quando ele começou a assaltar as pessoas nas ruas de prostituição e, vendo que o negócio era mais lucrativo que o programa em si, parou de se prostituir e passou a viver desses assaltos. “Eu tinha luxo, eu tinha dinheiro, eu morava nos melhores prédios desses lugares pelos quais eu passei. Então a minha vida como travesti, depois que eu saí de Porto Velho, só teve do bom e do melhor. A vida era maravilhosa, tinha tudo que eu queria. Eu não sofria preconceito, frequentava todo e qualquer lugar e era tratado como mulher.”

Helder diz ter achado na Bíblia a ‘salvação’

ANOS DA PRISÃO

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o dia 12 de outubro de 2013, com 19 anos, Helder foi preso por sequestro seguido de roubo, porte ilegal de arma, formação de quadrilha, corrupção de menores e extorsão. Foi indiciado na delegacia e ficou lá por uns três dias. De lá, foi para a penitenciária, que tinha 500 detentos. “Fiquei em isolamento, que é um compartimento de três celas, com uma cama de pedra de solteiro em cada cela e um banheiro que se chama “boi”. Era ocupado por mais ou menos 40 pessoas.” Helder ficou um ano e oito meses nesse isolamento, até a corregedoria, em uma vistoria, achar um celular e o colocou em uma espécie de castigo para cumprir, em um bloco diferente do que estava. “Nesse bloco eles não gostavam de homossexuais, tinha muito preconceito e ali eu fiquei numa cela isolado, sozinho, num período de dois meses”, diz Helder. Nesse bloco, segundo Helder, ele sofreu agressões, onde os outros presos o agrediram, com chutes no joelho, tornozelo e cotovelo. Helder conta que o objetivo deles era matá-lo. “Eles queriam me matar para chamar a atenção do diretor para exigir algo e eu fui a vítima escolhida.” Foi então que, segundo ele, fez uma “proposta” a Deus: se ele o ajudasse e o tirasse dali, passaria a seguir e viver a vida devotado à religião.

Foto: Arquivo Pessoal

Segundo ele, em algumas religiões as crianças são oferecidas a entidades ainda no ventre da mãe e foi isso que ocorreu com ele. Helder diz que seu pai o apadrinhou a quatro entidades da umbanda. O pai de Helder morreu quando ele tinha cinco anos e, de acordo com ele, foi aí que sua vida começou a ficar conturbada. “Minha mãe tinha que trabalhar para me dar de comer, então eu ficava jogado na rua, andando e tive várias experiências com esse mundo.”

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Foto: Arquivo Pessoal

VIDA DENTRO DA IGREJA E NA RELIGIÃO

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Hoje, Helder vive dos seus serviços para a igreja e sonha em ter um ministério, no futuro, para contar sua história

No dia seguinte a esse acontecimento, afirma, um advogado foi até a prisão e analisou os processos de Helder. Viu que seu tempo no castigo já tinha passado, mas que ele ainda estava ali, o que não era certo. De acordo com Helder, esse advogado tinha ido visitar um outro preso, mas viu as suas documentações e o procurou para tentar ajudá-lo. Porém Helder já tinha gastado todo seu dinheiro com drogas e não tinha como bancar o advogado particular. O advogado ofereceu então uma contraproposta. Dentro da prisão tinha um projeto, com 80 vagas, no qual os presos trabalhavam e recebiam uma remuneração por esse serviço. O acordo foi que o advogado conseguiria um lugar para Helder nesse projeto e que o dinheiro que ele recebesse seria usado para pagá-lo. O projeto ficava em um bloco diferente, onde, de acordo com Helder, os presos tinham sua própria cama, não circulavam drogas, armas, não tinha agressão e nem violência. “Nesse projeto eu tive a possibilidade de ser a travesti que eu era. Até então eu escondia meus cabelos com uma touca de crochê que eu tinha feito. O coordenador falou que eu poderia ser quem eu era, 12

que as pessoas iriam me respeitar pela minha opção sexual.” TRANSFORMAÇÃO RELIGIOSA

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esse projeto, Helder começou a frequentar cultos que aconteciam na prisão e ganhou uma bíblia de um pastor. Às 3h, acorda com o que acredita ter sido um chamado de Deus. Resolveu então abrir aleatoriamente a bíblia e se deparou com um trecho que dizia que nem os efeminados nem os sodomitas herdarão o reino de Deus. Aquilo, acredita ele, foi uma confirmação sobre o que precisava fazer e agir. No outro dia ele chamou um pastor, disse que queria cortar o cabelo e “aceitar Jesus” e ser batizado. “A partir daí minha vida mudou e não foi mais a mesma, mudou para melhor. Renunciei à minha carne e passei a carregar a minha cruz.” Com o dinheiro que Helder ganhava, pagou dois advogados e conseguiu progredir para o regime aberto, saiu da cadeia e, depois de três meses, sua mãe morre, quando ele decide voltar para Porto Velho, lugar onde, de acordo com ele, se encontrou verdadeiramente com Deus.

e volta a Porto Velho, Helder diz que sua família não o recebeu bem e que não queriam que ele ficasse na casa deles. Helder afirma que orou a Deus e pediu ajuda para acabar com essa situação, que, segundo ele, chegou em pouco tempo. Missionários de Guajará-Mirim, município de Rondônia, foram até Porto Velho e se encontraram com Helder, que acreditou ter sido uma resposta pelas suas orações. Ele decide então ir para a cidade dessas pessoas e começar uma vida diferente lá. Em poucos meses, assume um ministério na igreja e começa a pregar e ministrar o evangelho. Morou por algum tempo no fundo da igreja, ajudando na limpeza do local todos os dias. Depois de quase um ano na cidade, Helder conheceu sua atual esposa, Lucineide Santos, 37. Ele diz que se sentiu atraído por ela no momento que a conheceu. Hoje, Helder prega sua história como um depoimento de superação e acredita que outras pessoas podem seguir o mesmo caminho que o dele, deixando seus desejos não heterossexuais. Ele conta que conhece pessoas que viviam no mundo da homossexualidade e que a partir do testemunho dele decidiram mudar de vida. Helder narra uma história na qual ele estava pregando em uma igreja, contando sua “história de superação” e, ao final de sua fala, uma mulher se levanta agitada e chorando e relata que sentiu um pouco mais de fé e esperança pelo filho dela, que é travesti, com silicones e próteses. Helder ainda possui no corpo os silicones que colocou ainda adolescente e, de acordo com ele, anseia para retirá-los, mas que não possui a quantia necessária. Ele diz já ter tentado fazer o procedimento pelo SUS, mas que julgou todo o processo muito burocrático e que prefere tentar pela medicina particular, porém não tem os recursos. Ele usa o canal dele no YouTube para pedir colaborações financeiras para a cirurgia.


Foto: Arquivo Pessoal

Helder hoje é casado, é pai de uma criança e diz ter deixado a homossexualidade e transexualidade no passado

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Moda sustentável Preço, qualidade e consciência ambiental alavancam venda de roupas usadas em brechós

MAYLA SHIVA

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setor da moda é um dos mais rentáveis e que atrai mais espectadores ao redor do mundo, sendo responsável pelo lançamento de grandes tendências e novidades que vão além do mundo fashion, mas impactam cada vez mais no cotidiano das pessoas e o meio ambiente. Lojas de departamentos, as chamadas fast fashion, produzem peças em grande quantidade de uma única vez e que, provavelmente, serão substituídas após o lançamento de uma nova coleção. O problema é que nem sempre todas essas peças são vendidas, o que gera uma superprodução excessiva de materiais que depois não são devidamente aproveitados ou acabam até mesmo descartados. Pensando nessas problemáticas, um movimento tem ganhado cada vez mais adeptos: a moda sustentável. Moda sustentável é, em outras palavras, a compra e uso consciente de peças de vestuários.

Uma pesquisa realizada pela Economist Intelligence Unit apontou que as buscas na internet por produtos sustentáveis tiveram crescimento de 71% nos últimos cinco anos. Englobando mais de 54 países, o estudo aponta que, no Brasil, os tuítes relacionados ao assunto aumentaram 82% no período analisado e o volume de notícias cresceu 60%. Apesar do conceito parecer novo, engloba uma prática que já existe há muito tempo e que é o principal mecanismo quando se trata de moda sustentável – a compra e venda de peças de segunda mão, ou seja, que já foram usadas ou pertenceram a outra pessoa e agora são repassadas para o consumo novamente através de brechós. “Você vê uma roupa na loja de departamento e, se não comprar naquele exato momento, ela vai sumir para dar lugar a outra coleção em menos de um dia. Dali vai para o lixo, ou sabe-se lá para onde, o que é bem diferente dos brechós. Eles parecem ter mais cuidado com as roupas. Cuidam, preservam

Foto: Becca McHaffie

e dão uma nova chance para elas, não de uma forma descartável, mas como se fosse um pedacinho de quem vai usar. Isso sem falar da exclusividade das peças mais antigas, que se preservam na qualidade de uma forma que roupas de loja de departamento não vão conseguir”, afirma a estudante de Ribeirão Preto Manoela Radaieski, 19, que é consumidora de brechós desde os seus 12 anos de idade. Além da questão sustentável e ideológica, outro fator levado em consideração na hora de optar por roupas de segunda mão é o preço, que costuma ser mais em conta, como explica a estudante Aella de Luca Cazaroto, de 18 anos. “O que me levou a comprar em brechós definitivamente foi o fato de encontrar peças incríveis, muitas vezes mais bem feitas do que muitas que encontramos em lojas grandes, por um valor muito acessível. Nos brechós, é possível encontrar roupas especificas e únicas com mais facilidade, o que autentifica um estilo e reforça uma identidade. E pagando mais barato, o que é a melhor parte.” “A sustentabilidade vem sendo cada vez mais o caminho para amantes da moda e de baixa renda, não só porque não podemos nos dar o luxo do consumismo, mas também porque nos vemos frequentemente substituindo peças que pagamos caro por achados de brechó.” GARIMPO FASHION

Procura por brechós cresce e público está cada vez mais diversificado 14

Um verbo popular entre os clientes de brechós é o “garimpar”. No dicionário, você encontra a definição como “procurar meticulosamente; trabalhar como garimpeiro; extrair (metais, pedras preciosas), explorando garimpo”, e o sentido é parecido no mundo fashion: Quem “garimpa” em brechós faz uma


Moda sustentável se torna modelo de negócio e empresários apostam nessa tendência

Foto: Prudence Earl

curadoria minuciosa das roupas disponíveis, procurando entre pilhas e mais pilhas de peças – pelo grande volume de itens que esses lugares costumam concentrar, nem sempre toda a mercadoria fica visível – até encontrar os melhores produtos. Muitas vezes, garimpar exige tempo e paciência, além de visitas a mais de um brechó, como diz Aella: “Quem frequenta brechó sabe que garimpar não é opcional. Às vezes, por sorte, encontramos peças de interesse apenas olhando por cima, mas é raro. Normalmente, só garimpando.” Manoela concorda. “Eu sei bem o meu estilo e as roupas que me deixam mais confortável, então, se eu preciso de alguma coisa, já sei em que lugares posso encontrar. A partir daí é procurar com paciência e atenção, ver o material, pensar se vou poder usar aquilo em todas as estações, se é necessário no momento. Surfar em araras de brechó me ajudou a encontrar grande parte das peças-chaves do meu guarda-roupa hoje em dia.” O LADO DE QUEM COMERCIALIZA E com a crescente procura por opções sustentáveis, é natural que a

demanda também acompanhe esse aumento. Novas iniciativas de brechós, principalmente através das redes sociais, têm surgido nos últimos anos. O “Enjoei”, como o próprio nome sugere, é um aplicativo desenvolvido com a premissa de facilitar o comércio de artigos usados, como se fosse uma espécie de brechó online enorme que conecta qualquer um que queira vender ou comprar algo. Um levantamento realizado pela própria empresa aponta que 150 mil usuários estavam registrados no terceiro trimestre de 2020, com pelo menos 3,3 milhões de produtos anunciados em sua plataforma. Além disso, as redes sociais são grandes aliadas do consumo consciente. Dados da GlobalData apontam inclusive que os brechós podem ultrapassar o varejo de moda em 2024, caso os números continuem a crescer desta forma. Carolina Santos, 20, é proprietária do Brechó das Amigas, em Ribeirão Preto, possui mais de 1.500 seguidores na rede social por onde realiza a maioria das suas vendas. Ela conta que seu contato com moda sustentável começou muito antes de montar o seu negócio. “Eu sempre vendi minhas roupas que estavam paradas no guarda-roupa.

A maioria para amigas ou em grupos próprios para esse tipo de negociação, sabe? E então tive a ideia de abrir um brechó, foi uma evolução natural. Transformei algo de que eu já gostava, fazia quase por hobby, na minha fonte de renda.” Carolina relata também a importância de estar atento às tendências, e que elas são importantes mesmo no meio do consumo sustentável, além da captação consciente das peças. “Eu procuro sempre as roupas que estão sendo mais usadas, que estão em alta e em boa qualidade. Para a avaliação do que vou comprar para a revenda, eu peço para que me mandem fotos ou me tragam presencialmente, sou muito criteriosa. Brechó não é sinônimo de porcaria, jamais! Priorizo peças em bom estado”, explica a empreendedora. “Já existiu muito preconceito, mas acho que isso está mudando. Hoje vejo mais pessoas, principalmente jovens como eu, participando do meio fashion através dos brechós e lojinhas sustentáveis. A nova geração entende mais que roupa não é descartável como papel, é só lavar e cuidar com carinho, que você pode ter uma peça para a vida inteira.” 15


Voando sobre rodas

Foto: Mayla Shiva

ESPORTES

A cena do skate volta a dominar as ruas de Ribeirão Preto

O skatista João Ribeiro, de 18 anos, treina na zona Norte de Ribeirão 16


Foto: Acervo/Divulgação

Passeata a favor da legalização do skate em SP, em 1988

MAYLA SHIVA

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edição dos Jogos Olímpicos 2020, sediada em Tóquio, oficializou um esporte que já está presente nos principais centros urbanos do mundo há muito tempo: o skate. Com a popularidade em alta após vitória nas Olimpíadas — de acordo com o Google, as buscas pela palavra “skate” no mecanismo de pesquisa e compra registraram um pico após a conquista de medalhas por brasileiros — muitos brasileiros estão interessados em acompanhar e consumir cada vez mais o universo que envolve o tema. “O skate ensina muito. Cair e levantar são partes do processo, é preciso ter paciência e persistência, aguentar a dor na canela para puxar aquela manobra, você aprende sobre amizade, liberdade, respeito e descobre que no rolê, todo mundo é igual”, é assim que o designer Marcos Veras, de 24 anos, que tem o skate como hobbie desde 2013, descreve o significado do esporte na sua vida. Mas, apesar de cair nas graças do grande público nacional agora, o skate e seus praticantes — denominados skatistas— nem sempre foram aclamados e bem vistos ao longo de sua história.

HISTÓRIA

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skate surgiu no estado da Califórnia, Estados Unidos, no início da década de 60, como uma alternativa ao surf durante os períodos de maré baixa e poucas ondas. A ideia era criar um objeto que se assemelhasse à prancha e permitisse realizar movimentos similares aos feitos na água, mas que servisse para “surfar” nas ruas. Tanto que foi primeiramente nomeado como sidewalk surf (ou “surf de calçada”). No Brasil, o esporte surgiu no Rio de Janeiro, trazido por jovens filhos de pais brasileiros e norte-americanos e que viajavam para os Estados Unidos. Ficou conhecido como “surfinho” e se popularizou após ser matéria na Revista Pop, veículo altamente consumido pela juventude da época. A primeira pista de skate da América Latina foi inaugurada em Nova Iguaçu, em 1976. Apesar da popularização aqui em solo nacional, esse esporte já foi até alvo de proibição e sinônimo de transgressão. Em 1986, Jânio Quadros, então prefeito da cidade de São Paulo na época, decretou a proibição do skate no Parque Ibirapuera, e dois anos depois estendeu a decisão para todas as ruas da capital do estado.

A medida era puramente preconceituosa: a prefeitura não queria skatistas transitando pela zona sul de São Paulo, onde o esporte era visto como “coisa de marginal”. Diante disso, em 1988, skatistas organizaram uma passeata e sobre quatro rodas protestaram contra o decreto e a favor da legalização da prática do skate. A revogação só veio com a sucessora de Jânio Quadros, Luiza Erundina. Desde então, o skate tem feito parte do movimento de contracultura no Brasil, por ser um esporte praticado massivamente por jovens nos espaços urbanos. Por muito tempo, os skatistas organizaram seus próprios campeonatos e encontros, e era comum que aqueles com menor poder aquisitivo até mesmo fabricassem seu próprio equipamento. Com o surgimento de celebridades que praticavam o esporte, como Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr., morto em 2013, o skate foi ganhando ainda mais visibilidade nas mídias e um alcance nível nacional. Em 2000, com a criação da Confederação Brasileira de Skate, centenas pistas de skates foram construídas por todo o Brasil. Neste mesmo ano, uma pesquisa do Datafolha comprovou a popularidade do esporte: Mais de 2,7 milhões de praticantes em todo país. 17


Foto: Mayla Shiva

A jovem Rita Correia, promessa do skate em Ribeirão

Entretanto, mesmo nos dias de hoje, jovens skatistas precisam enfrentar o preconceito da sociedade contra o esporte, principalmente aqueles que residem em áreas de vulnerabilidade socioeconômica e nas periferias na cidade. “A gente ainda é visto como marginal. Já aconteceu de segurança e guardinha me seguirem só por causa do skate. Na TV todo mundo gosta, já na rua, a coisa não é bem assim”, conta o skatista João Ribeiro, de 18 anos. NOVA GERAÇÃO E O FENÔMENO OLÍMPICO

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skate realizou sua estreia oficial nos Jogos Olímpicos em 2020, sediados em Tóquio no ano de 2021 por conta da pandemia do coronavírus. Logo de cara, os competidores brasileiros já representaram a força do esporte no Brasil, garantindo três medalhas olímpicas para o país.

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Kelvin Hoefler, de 27 anos, conquistou a medalha de prata na categoria masculina de skate street. Pedro Barros, de 26 anos, também conseguiu um lugar no pódio, ficando em segundo lugar na categoria skate park. Mas o grande fenômeno ficou por conta da “fadinha do skate”, Rayssa Leal, de apenas 13 anos, que não apenas garantiu a medalha de prata na competição feminina de skate street, mas também se tornou a brasileira mais jovem a conquistar um espaço no pódio olímpico. A vitória de Rayssa Leal serve de inspiração para muitas garotas que praticam o esporte, como é o caso da jovem Rita Correia, de 18 anos, skatista de Ribeirão Preto que pratica o esporte há mais de três anos e já participa de competições na região. “Minhas primeiras influências foram skatistas locais, aqui da região. A comunidade do skate é muito acolhedora, como uma família mesmo, mas eu acho que ainda é mais difícil ver

uma mina no skate, porque elas não são bem aceitas. No topo tem muita menina admirável, como a Rayssa, mas na vida real, na rua mesmo, ainda falta. Acho que falta apoio para as garotas entrarem na cena.” A garota faz questão de evidenciar a sua relação cotidiana com o esporte e como a prática está integrada ao modo como ela vive, mesmo fora das pistas. “O skate é tudo. A gente costuma dizer que quando você começa a andar de skate, você respira skate. Tudo que você vai olhar, tem skate. Tudo que você faz é com o skate. É um estilo de vida mesmo, sabe? Se você abrir as minhas redes sociais agora, você só vai encontrar skate do começo ao fim.” Contudo, apesar de toda dedicação e paixão pelo skate, a nova geração enfrenta alguns obstáculos quanto a infraestrutura nos locais dedicados ao esporte na cidade. Ao lado de Rita, o estudante e também skatista Wesley Quatrini, de 17


anos, comenta essa falta de investimento municipal e o trabalho realizado pelos esportistas para manter o espaço onde ambos treinam, em uma pista a campo aberto no meio do Quintino II, zona Norte de Ribeirão Preto. “As pistas locais são mantidas pelos próprios skatistas, pela própria comunidade. Agora tá começando a ter um pouco mais de investimento, com a nova pista do Biagi, mas aqui no bairro a Prefeitura só aparece para cortar grama ou cortar a água.”

Foto: Mayla Shiva

RIBEIRÃO PRETO INVESTINDO NO SKATE

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s skatistas de Ribeirão Preto ganharam um novo local para a prática do esporte: uma pista de skate construída no Parque Maurílio Biagi, na região central do município, e recém-inaugurada no dia 9 de outubro de 2021. De acordo com uma publicação no site da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, a busca por um local adequado para a prática e treinamento profissional do esporte na cidade aumentou após as conquistas brasileiras nas Olímpiadas. “A pista nova no Biagi é meio que um sonho antigo da rapaziada, já vi uns caras mais antigos falando sobre como pensavam em algo assim para a cena do interior, acredito que só tem a agregar e trazer mais visibilidade para o esporte aqui na região”, afirma Veras. Com cerca de 4 mil metros quadrados, o espaço possui padrão internacional para a prática de várias modalidades do esporte e até mesmo arquibancada e local para permanência de juízes e jurados. Bob Burnquist, dez vezes campeão mundial e sete vezes eleito skatista do ano, é quem assina o projeto da pista. O custo total da obra ultrapassa R$ 1,5 milhão, e o local é equipado para sediar competições nacionais e internacionais. “A gente não vê a hora de aproveitar essa pista, vai ser muito bom ter um lugar com boa estrutura não só para treinamento, que também é importante, mas principalmente para campeonatos aqui na cidade. Vou me esforçar bastante e treinar muito para não perder nenhum”, diz Rita sobre o projeto.

O estudante Wesley Quatrini na pista do Quintino 19


Foto: Felipe Lima

Promessa do esporte Eike Leiva Martello tem potencial de ser um possível campeão olímpico em skate, mas antes tem de vencer uma leucemia VINÍCIUS PIRES

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skatista mirim Eike Leiva Martello, de 8 anos, é apenas uma criança apaixonada pela modalidade, mas que já leva na bagagem, uma trajetória de gente grande. Ficou conhecido na cidade São Carlos e consequentemente no Brasil todo pelas suas habilidades com o skate desde muito pequeno. Com apenas 2 anos ele já demonstrava seu potencial e participou da sua primeira competição. O amor pelo skate é de família. Seu pai, Fabio Henrique Martello, de 39 anos, conta que sempre foi apaixonado pelo esporte e que vivia para cima pra baixo em cima do skate, arrastado pelo cachorro, Marley, que morreu. “Quando o Eike nasceu eu comecei a levá-lo para as pistas de skate, e desde então ele demonstrou um amor e grandes habilidades em cima do carrinho.” Martello conta que desde o primeiro campeonato Eike pegou muito gosto e se viu apaixonado pela adrenalina das rampas. Mesmo tão novo, o garoto prodígio já possuía mais de 40 campeonatos disputados no currículo. A paixão pelo esporte só fazia aumentar quando, no começo de feve-

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reiro de 2021, veio a notícia de que ele estava com leucemia, o que o afastaria ele das pistas e o colocaria em fase de tratamento. “Descobrimos quando Eike começou a apresentar algumas queixas de calafrio. Logo na sequência veio uma forte febre que não passava. Então o levamos para exames e no dia 28 de fevereiro veio a suspeita de leucemia. Após os exames realizados no Hospital da Criança, na Vila Valqueire, no Rio de Janeiro, veio a confirmação. Já no dia seguinte, Eike iniciou o tratamento.” Com tudo isso, Eike precisou se afastar das pistas por dois anos, o que mudou completamente a vida do fenômeno mirim. “Nossa vida virou de ponta cabeça, ficamos sem chão. Nossa família resprava o esporte e descobrir que o Eike estava doente foi muito difícil. Sem contar que recebemos a notícia que corria o risco de ele não poder mais andar de skate, devido ao risco de se machucar. Então as idas à pista de skate se transformaram em idas ao hospital”, conta a mãe, Jéssica Leiva Martello. No começo, Eike não entendia muito e se perguntava o motivo disso estar acontecendo com ele. Entretanto, com as idas ao hospital mais frequentes, o

jovem encarou esse desafio com um sorriso no rosto. “Após ele entender melhor, ele lidava com isso de uma forma muito ingênua e desafiadora, assim como toda a criança. Nós sabemos que o Eike é um menino iluminado, e isso é algo que Deus lhe deu, pois desde pequeno ele vem transformando a vida de todos à sua volta”, declara o pai. A família atualmente mora no Rio de Janeiro, após se mudar de São Carlos para, além de iniciar o tratamento do Eike, proporcionar uma evolução em pistas melhores aos seus irmãos, Kevin, de 7 anos, e Kemilly, de apenas 6 anos. “Não só o Eike, mas o Kevin e a Kemily são crianças especiais. Sempre chamam atenção por onde passam. Os dois também amam muito o esporte e possuem um dom natural, além de serem muito esforçados para se tornarem grandes skatistas”, afirma a mãe. Os resultados do tratamento vêm sendo um grande sucesso. Os médicos dizem que Eike está se recuperando mais rápido do que o imaginado e respondendo cada vez melhor a todas as fases do tratamento. Martello diz que o garoto possui uma vida muito re-


grada e com restrições: “Ele ainda não pode ir à escola, nadar, comer frutas e verduras cruas e várias outras coisas”. Mas a perspectiva é que em futuro próximo isso mude, e o garoto possa voltar a viver sem restrições e até chegar a disputar as olimpíadas representando o Brasil. RECONHECIMENTO

E

ike ficou com sua história muito conhecida pelo jovem batalhador que é. Seus pais,

nas redes socias, buscaram ajudas e rendas para que ajudar a pagar tratamento do garoto. Sua história repercutiu demais e chamou a atenção de grandes emissoras e de grandes personalidades do skate. “Participamos de várias entrevistas com o Silvio Santos, Rodrigo Faro, Luciano Huck. Além das matérias feitas por grandes emissoras como Esporte Espetacular e o Globo Esporte, na rede Globo”, disse Eike. Além desse apoio Eike conta com uma parceria com o Canal OFF, contan-

Foto: Tauana Sofia

do sua batalha contra a leucemia. Além de uma minissérie chamada “Gigante desde pequeno”, disponível no Globoplay. Suas habilidades e sua história proporcionou ao talentoso skatista conhecer vários de seus ídolos. Entre eles Pedro Barros, Letícia Bufoni, Pamela Rosa, Raíssa Leal, que foi medalhista Olímpica na última Olímpiadas de Tóquio 2021 e até o maior nome do esporte, Bob Burnquist. “Fico muito feliz. São grandes inspirações que eu amo e admiro muito e um dia espero me tornar tão grande quanto eles. Esse é o meu maior sonho”, declara Eike.

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Sabemos que o Eike é um menino iluminado, e isso é algo que Deus lhe deu, pois desde pequeno vem transformando a vida de todos à sua volta.”

Foto: Arquivo Pessoal

Eike Martello disputando a Etape do Rio no STU Open

Afastado do skate, Eike toca violão para se divertir com novos objetos

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Saudável e sem contato físico Cresce procura de mulheres por futevôlei em centros que simulam ambiente de praia em Ribeirão Preto e região; distanciamento protege contra covid-19 VINÍCIUS PIRES

Foto: José Bazzo

Guilherme disputando uma partida de futevôlei

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futevôlei sempre foi um esporte muito praticado no Brasil, principalmente no litoral. Em uma cidade quente como Ribeirão Preto, quem nunca quis bater uma bolinha se sentindo na praia em um dia de verão com os amigos? Foi assim que a busca por centros de treinamento de futevôlei durante a pandemia cresceu exorbitantemente. Principalmente pelo distanciamento exigido pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e todas as outras normas de segurança, contra a covid-19. Com todos os empecilhos causados pela pandemia, muitas pessoas encontraram no futevôlei a solução perfeita para se manter praticando atividades físicas. Para praticar a modalidade não são necessários grandes investimentos. Principalmente pelo fato de o esporte ser jogado com apenas quatro pessoas, sem contato físico, ao ar livre, aliviando a tensão da ameaça do vírus. O futevôlei é praticado em quadras de areia ou na própria praia, em um jogo que se parece muito com o vôlei, utilizando todas as partes do corpo, exceto as mãos. Com a procura pelo esporte cada vez maior, diversos centros de treinamento especializados no segmento surgiram ou cresceram, nos últimos dois anos. Segundo dados da FPFv (Federação Paulista de Futevôlei), a busca pelo esporte se expandiu em aproximadamente 250%.


Foto: Vinícius Pires

Professor Matheus instruindo sua aluna, na Arena Pernambuco

A Arena Pernambuco Beach tem um ar praiano, como não poderia deixar de ser, foi inaugurada em 2021 em Ribeirão Preto e já é muito prestigiada pelos moradores locais para a prática de futevôlei. Além das aulas com turmas de todos os níveis, idades e gêneros, também é bastante conhecida pelos diversos eventos e torneios que o espaço costuma realizar aos finais de semana. Matheus Fratinni Lino, 33, professor na Arena Pernambuco Beach, afirma que caiu por terra a ideia de que para se dar bem no esporte era preciso jogar bem futebol. Porém, diz ele, com o tempo esse preconceito foi superado. “Hoje muitas pessoas buscam aprender o esporte apenas por diversão e, por ser tratar uma atividade física diferente da convencional, com inúmeros benefícios.” Lino afirma que a maioria de seus alunos são mulheres, perto de 80% do total. “Elas são mais determinadas a aprender. Os homens começam a bater na bola e já se acham craques. As mulheres não, elas querem realmente aprender que o futevôlei pode proporcionar, além de auxiliar na busca pelo corpo desejado”, declara Lino. Guilherme Favoretto Lavezzo, 22, atualmente é atleta profissional e professor de futevôlei particular em São Carlos e Araraquara. Para ele, o futevôlei teve um boom durante a pandemia e em um momento muito importante e específico, por conta de todos os benefícios que o esporte pode trazer aos praticantes. “O futevôlei é um esporte que, por ser praticado na areia, o que já traz o benefício de mais

resistência física, exige decisões rápidas, mudanças de direção e muita técnica.” Os benefícios que a modalidade traz são inúmeros, além de tudo isso, o esporte é hoje uma ferramenta de networking e por isso atrai cada vez mais alunos. Lavezzo confirma o interesse feminino pelo esporte. “Você vê a felicidade delas quando aprendem algum fundamento, que na cabeça delas era impossível de se realizar.” Luciana Ferreira, 37, mora em Ribeirão Preto e enxergou no futevôlei uma forma de auxiliar suas necessidades por uma atividade física com a experiência coletiva de interagir com seus amigos. “Eu estava dedicada a manter uma vida mais saudável e ativa. Foi quando uma amiga minha comentou que estava fazendo aulas de futevôlei e me convidou. Logo de cara achei uma ideia ótima, para diversificar meus treinamentos. Chegando lá, me apaixonei pela dinâmica e pelo estilo de treinamento.” Além das mulheres, a modalidade vem conquistando o público infantil. Por ser um esporte muito dinâmico e muito em alta nas redes sociais atualmente, com diversas personalidades famosas divulgando a modalidade como Neymar, Fred Desimpedidos, Renato Gaúcho e Natalia Guitler. “O futevôlei é um esporte muito divertido e com um astral muito elevado. Então, agora está acontecendo muito de eu estar dando treino para uma aluna e ela acabar trazendo o seu filho para assistir ou acompanhar o treino”, diz Lavezzo. 23


Fotos: Vinicíus Pires

Como jogar futevôlei: 1 - Quando a dupla ganha duas partidas seguidas sai. Entram duas duplas de fora, e a dupla vencedora joga a partida seguinte com a dupla que ganhou as duas seguidas 2 - Durante uma partida, a dupla só pode dar no máximo três toques na bola 3 - Se o jogador der dois toques na bola é erro e ponto para a dupla adversária 4 - Se o jogador tocar na rede é erro e ponto para a dupla adversária 5 - A bola pode ser passada para a quadra adversária no primeiro, segundo ou terceiro toque 6 - O monte do saque fica fora da quadra atrás da linha da marcação 7 - Se um ou dois jogadores abandonarem a partida antes do término da mesma, independente do placar, a vitória é da dupla adversária 8 - Se o jogador passar a bola para a quadra adversária por fora da rede é erro e ponto para a dupla adversária 9 - Bola no braço é considerada mão, portanto é erro e ponto para a dupla adversária 10 - A bola é considerada fora quando toda a sua dimensão ultrapassa e não mexe a linha da marcação. Fonte: https://www.beachsports.com.br/regras-basicas-do-futevolei 24


Professor Matheus em aula coletiva na Arena Pernambuco, em Ribeirão

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Abandono de animais e LUIZA LUZ

“M

inhas duas gatinhas são essenciais na minha vida. Tive depressão uns anos atrás e, naquela época, meus cachorros eram minha alegria. Quando que um deles faleceu, fiquei muito mal. Depois que adotei as duas gatinhas sou outra pessoa. Me sinto completa com elas, elas sabem quando não estou bem, vêm me dar carinho e me enchem de alegria todo dia. Adotá-las foi a melhor escolha. Principalmente nessa pandemia, que está deixando a gente maluco... Elas mudaram a minha vida e eu sei que mudei a vida delas as adotando.” É o que diz Yara Borges Casaroti, de 20 anos, estudante de enfermagem, em um relato sobre a adoção de animais. Segundo uma pesquisa feita pelo Instituto H2R, a pedido da Comissão de Animais de Companhia (Comac) no ano de 2020, disponibilizada pela Revista Galileu, a adoção de pets se tornou uma tendência no Brasil. Cães e gatos, os bichinhos mais escolhidos pela população, foram mais adotados em ONGs e resgatados nas ruas do que comprados naquele ano. O resgate de animais, infelizmente, não é uma prática tão comum no país. Durante a pandemia, os números foram se intercalando: ora havia mais adoções, ora havia mais abandonos. Há pesquisas que apontam que o número de pessoas que adquiriu um pet cresceu, enquanto outras dizem que desabrigo foi maior. Animais não são brinquedos descartáveis. Eles exigem cuidado, atenção, carinho e dedicação. A adoção deve ser planejada com calma, para que os bichinhos não saiam como prejudicados no final, e não venham a fazer parte dos 30 milhões de animais abandonados no Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). De qualquer forma, no município de Ribeirão Preto, o número de cães e gatos adotados cresceu durante a pandemia.

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Adoção de cães e gatos aumentou em Ribeirão Preto durante a pandemia

Apesar do número alarmante, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) apontam que apenas 40% dos cães domésticos foram adotados, enquanto 60% dos donos optaram por comprar uma raça especifica. “Mas por que muitas pessoas escolhem cães de raça ao invés de vira-latas?”, é a pergunta que não quer calar. Muitos dos donos acreditam que pelo fato de o animal possuir o famoso “pedigree” ou ser pertencente a uma linhagem “pura”, sem mistura com demais outras espécies, ele terá maior valor comparado àqueles que são mestiços. Um pensamento que, se parado para analisar, não faz o menor sentido. Todos os cães, gatos, são iguais. Alguns possuem personalidades diferentes dos demais, mas

somente por serem suas características, e não por estar interligado a raça. O comportamento do animal condiz com os ensinamentos do seu dono; afinal, é ele quem o molda. “Muitas pessoas têm preconceito com animais de ruas porque pensam que eles são sujos e doentes, então a grande maioria prefere comprar pela opção de escolher a raça, cor e porte. E também por status, na cabeça de algumas pessoas um cão Spitz, por exemplo, faz mais sucesso do que um vira-lata”, relatou Carolina Borges, 20, proprietária do Carol Pet-Sitter em Ribeirão Preto, estabelecimento que cuida de animais enquanto seus donos estão ocupados ou viajando. Carolina também relata que dentre os pets que recebe, grande parte


e adoção na pandemia O pedigree não deveria definir o futuro de um animal. A raça ou a falta dela não diz respeito ao caráter, o amor incondicional e apego que cão ou gato pode oferecer ao seu futuro dono. Diante de dados coletados pelo Instituto Pet Brasil, em 2019, mais de 172 mil animais, entre cães e gatos, se encontram em situação de rua. Número esse que, possivelmente, deve ter aumentado.

E que pode ser diminuído. Muitos desses pets se encontram nas ruas, em centros de adoção, esperando por um lar. Se puder optar entre compra e adoção, adote. Tudo o que eles querem é uma casa confortável, um dono para amar e brincar. Animais sem raça definida são tão amáveis quanto aqueles que possuem raças específicas. A única diferença entre ambos, é que os vira-latas sempre são os menos escolhidos.

deles são comprados, pertencentes a raça Spitz Alemão, mais conhecido como Lulu da Pomerânia. O que, coincidentemente, condiz com dados obtidos pela Confederação Brasileira de Cinofilia, sediada no Rio de Janeiro, que estabelece padrões para criação, emite registros, pedigrees e promove premiações de cães de raça pura no Brasil. Segundo uma pesquisa feita no ano de 2020, essa é a raça mais popular do Brasil. Além destes dados, a pesquisa também revela que o crescimento da população animal aumentou nos últimos anos, contando com cerca de 55,1 milhões de pets. Muitos desses que, na preferência daqueles que deveriam ser os seus donos, não são escolhidos por não possuírem raça ou “linhagem pura”. 27


Além do suspense e ficção LUIZA LUZ

A

arte literária está presente no mundo há séculos. Sendo apresentada ao universo através do Velho Testamento, o primeiro livro a ser produzido no mundo por volta de 1.200 A.C, ela foi se transformando e adquirindo formas e definições conforme a humanidade foi mudando e se adaptando a novas eras, como: grega, helenística, romana e medieval. O auge da sua existência foi estabelecido na época da Renascença, durante os séculos XV e XVI, nas terras europeias. E, desde então, a literatura vem passando por mudanças. Atualmente, no século XXI, novos gêneros, subgêneros e categorias chegaram as livrarias. Afinal, o mercado editorial está mudando: o consumo dos livros agora é outro. Perante dados obtidos pela Folha, a faixa etária que mais consome livros está entre crianças e adolescentes. Dos 5 aos 10 anos, 67% são leitores. O maior índice está na faixa entre 11 e 13 anos, com 84%, diminuindo um pouco ao chegar na adolescência, ficando entre 75%. O incentivo a leitura, para crianças, é fundamental na sua formação como futuros leitores. Segundo Verônica A. Wolff, Psicóloga formada pela Universidade do Oeste de Santa Catarina, e atuante tanto na cidade como on-line, o hábito de leitura na infância proporciona o desenvolvimento emocional e intelectual, enriquece o vocabulário e permite com que as crianças desenvolvam senso crítico. “A leitura promove empatia e a vontade de aprender. As histórias são uma das formas mais poderosas de enxergarmos as coisas de uma perspectiva diferente. Ao se colocar no lugar de um personagem e viver suas experiências através da leitura, a criança desenvolve a empatia e também a noção de que ela não é o centro do mundo. Ou seja, aprende sobre empatia, sobre a capacidade de se colocar no lugar do outro, entende outras realidades e se preocupa com os sentimentos de outros indivíduos, o que é muito importante”.

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Conheça mais gêneros que estão bombando no mercado editorial, e entenda do que se tratam Para Victoria Louvem, 23, licenciada em Letras-Inglês pela Estácio de Sá e pós-graduada em Língua Portuguesa e Literatura pela Instituto Pedagógico de Minas Gerais (Ipemig), plantar a semente da literatura desde pequenos é de extrema importância. “Como educadora, eu percebo que é extremamente importante plantar a sementinha da leitura desde pequeno.

Porque além de ajudar na construção do vocabulário, ajuda também a normalizar a leitura para criança e a identificação com o meio social se torna mais tranquila, pois através da literatura é possível perceber quantas pessoas e personalidades diferentes existem. Além de fazer com que o indivíduo já comece a perceber, desde cedo, qual gênero lhe agrada mais”, disse a educadora.

Outros gêneros, como o dark romance, vêm conquistando leitores brasileiros


Fotos: Reprodução

A mostra dos demais gêneros literários presentes no mundo dá ao leitor a oportunidade de escolher qual mais lhe agrada, podendo optar entre um enorme leque de possibilidades. Segundo uma pesquisa feita pelo site Escrita Criativa, no Brasil, o gênero mais popular no país é pertencente a categoria de literatura de ficção. Na literatura de ficção, são encontradas obras enquadradas naquilo que é considerado como “irreal”, ou criadas a partir da imaginação do autor. Podem ser baseadas em fatos, mas sempre fugindo um pouco da realidade e explorando o imaginário. Para Ana França, 23, escritora deste gênero, a parte mais divertida de se escrever um suspense é poder enganar os leitores com a trama. “Na construção do enredo como um todo, precisa estar tudo interligado desde o começo. Você precisa saber o final antes mesmo de começar, e enganar os leitores no meio do caminho é a melhor coisa. Esse sempre foi um gênero que me encantou”, relatou a autora. Ainda segundo a pesquisa feita pela Escrita Criativa, o quinto gênero mais lido do nosso país é pertencente a literatura erótica. E um dos subgêneros mais atuais que advém dessa categoria, conhecido como “romance dark”, vem conquistando cada vez mais sucesso perante o meio literário. Este subgênero iniciou-se por volta do século XVII, tendo como seu principal representante o autor Edgar Allan Poe. No Brasil, Álvarez de Azevedo é o destaque. Nesta categoria, as histórias são marcadas pelo conteúdo que, por vezes, pode ser considerado como “perturbador”, apesar de ser um romance. Os protagonistas fogem da realidade; aqui, não encontramos mocinhos e mocinhas. Os vilões e anti-heróis ganham papel destaque. Dentre as demais histórias, é comum de se encontrar temáticas como: violência extrema, vício em drogas, crime, tortura, entre outros. Como consequência de se abordar temas que podem ser considerados como “tabus” e sujeitos á muitas críticas, os autores correm o risco de serem

expostos e difamados nas redes sociais. Segundo a autora Luana Pessoa, 23, escritora de dark romance, no começo da sua carreira as críticas a afetavam. “As pessoas que costumam criticar, no geral, não são meu público. Sendo assim, esse ponto não me afeta. No começo, sim, mas agora passei a enxergar dessa maneira, não. Além do mais, em tudo o que você escolhe fazer, haverão críticas. Não há como fugir delas”, afirmou a escritora. Explorar novos gêneros literários é um ótimo meio de distração para os leitores. Sair dos romances tradicionais, suspenses, dramas e aventuras, buscando conhecer novas histórias,

enriquece o conhecimento e agrega ainda mais valor a leitura. Para Luana, há a possibilidade de novas categorias serem descobertas com o decorrer dos anos. “Há muita coisa para ser explorada ainda. Num futuro não tão distante, talvez algum leitor descubra um livro e perceba que nunca leu nada parecido com aquilo antes. Que ele é inédito, novo. Ou algum autor pode simplesmente sentar, desenvolver o seu trabalho e, no fim, se dar conta de que algo como aquilo nunca foi escrito antes. O bom da escrita, é que há um leque gigantesco de possibilidades. Elas são infinitas”.

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Conheça dicas de decoração IGOR BARBOSA

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o segundo semestre de 2021, a CasaCor abriu suas portas em um imóvel no bairro Jardim Canadá, em Ribeirão Preto, com mais de 3,5 mil metros quadrados. A mostra contou com 30 espaços projetados por 45 profissionais das áreas da arquitetura, design de interiores e paisagismo. O tema desta terceira edição do evento foi “Casa Original” e os responsáveis pelos espaços buscaram criar algo novo para o mundo pós-pandemia. Um dos

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destaques, o espaço “Studio da Bailarina”, projetado por Marcela Tiraboschi com o objetivo de ser um cômodo em que uma bailarina consiga ensaiar de casa, com os equipamentos e sofisticação necessários. Todos os ambientes são repletos de inspiração dos próprios criadores e contam com peças de lojas e artistas da região de Ribeirão Preto. “Aqui é uma possibilidade das pessoas verem a arte no dia a dia, como se colocar uma peça de arte dentro de casa, às vezes achamos é algo distantes de nós, mas não é uma re-

alidade e não precisa ser”, afirma Leda Braga, artista e visitante da exposição. A mostra, também é uma oportunidade para profissionais iniciantes terem mais visibilidade, como é o caso da Natália, 20, que é técnica de design e trabalhou no ambiente “Living Natural” elaborado pelo escritório A R Interiores. “Todo o processo é bem trabalhoso, mas foi a realização de

um sonho, toda elaboração do projeto, medição, e ouvir os feedbacks das pessoas é muito gratificante”, afirma. Natália conta ainda sobre o desenvolvimento do espaço: “Começamos a obra no meio de julho e terminamos perto da metade de setembro, quase dois meses, mas todo o processo vem desde o começo do ano, medição, especificação de projetos e visitas técnicas.”


Fotos: Igor Barbosa

As imagens mostram algumas da melhores decorações da edição de 2021 da CasaCor Ribeirão Preto

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A CasaCor fica em média 45 dias aberta para o público, mas toda operação do projeto demora certa de um ano. “No segundo semestre de 2020 começamos a procurar a casa que iria sediar a terceira edição do evento em Ribeirão Preto, com isso aprovado, realizamos um open house para os arquitetos, design e paisagistas conhecerem as acomodações e escolherem onde desejam fazer seus projetos”, explica Maurício Siqueira, diretoras da mostra de Ribeirão Preto. Depois de escolhido, os profissionais passam por um processo de validação pela diretoria da CasaCor para verificarem se são qualificados para realizar o projeto que desejam. Com essa etapa validada, as equipes podem começar as medições e elaboração do projeto para a mostra, antes do projeto ser executado passa por outra validação para checarem se está dentro do tema definido. A escolha dos parceiros, que irão emprestar e expor os móveis nos am-

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bientes criados fica a critério dos profissionais, que precisam buscar desde as roupas de cama, até armários e ar condicionado. “Essa é uma grande vitrine para marcas e profissionais”, afirma Maurício. O tema deste ano teve um olhar mais interno, pensado para o momento em que as pessoas precisaram fazer isolamento social e passaram todas as horas do dia dentro de casa. “Antes, o sofá que era confortável para os finais de semana, para assistir um filme, deixou de ser quando a família inteira estava na sala de estar durante o dia, a cadeira da cozinha era boa para fazer refeições rápidas, deixou de ser quando a mesa precisou ser usada para estudar ou trabalhar”, explica Maurício. Os ambientes pensados para o conforto de famílias grandes contam com sustentabilidade e materiais reutilizados, o “Lounge das Mangueiras” possui um deck, assentos e mesas de madeiras. As peças foram produzidas pela em “Spray Montadora” que atua há mais de

20 anos na construção de eventos de negócios, a marca já montou espaços para a Agrishow e Bradesco. Com a pandemia, o dono da empresa passou a construir mobiliários com dormente de ferrovia, pés reaproveitados de ferro velho e resina. O Lounge foi construído debaixo de dois pés de mangueira. “Cada vez mais será valorizado o reaproveitamento de material, e a forma como colocamos os móveis dentro de nossas casas. Acredito também que o modismo passará e iremos nos acomodar para que possamos aproveitar outros móveis com criatividade” afirma Piti Meinberg, 64, jornalista. “Nunca temos nada perene, a vida é transformadora, e as casa também, mas acredito que teremos casas mais integradas e abertas, com maior uso das áreas gourmet junto com o living e também um uso maior do verde, as plantas e o paisagismos que ajudam filtrando o calor”, diz Maurício Siqueira sobre o futuro da decoração.


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Em 2021, a CasaCor Ribeirão Preto chegou a sua 3ª edição em um imóvel com 3,5 mil m² de área. Foram 30 ambientes projetados por 45 renomados arquitetos, designers de interiores e paisagistas da região. https://casacor.abril.com. br/mostras/ribeirao-preto/

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