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Jornal Barão de Mauá - 2º bimestre/2020

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por Luiza Araujo e Felipe Camargo

Professores apresentam aulas de balé a distância

jornal barão de mauá Curso de Comunicação Social - Hab. em Jornalismo Centro Universitário Barão de Mauá

Ribeirão Preto - SP 2º bimestre/2020

Foto: Arquivo Pessoal

Profissionais da saúde alertam sobre a disseminação do coronavírus

As escolas de balé tiveram que encontrarar novas alternativas para manter suas aulas de forma remota até que voltem as presenciais. É o caso do Studio Ello de Dança, de Porto Ferreira, que desde o início da pandemia transmite suas atividades através de videoconferência. Gisele Pissinatti e Juliana Mara Rosa, donas da escola, relatam que apesar das dificuldades encontradas por alunos e professores, a ideia foi bem recebida por todos e continua em progresso até que tudo se normalize. “Estamos trabalhando com aulas através de vídeo com aproximadamente quatro pessoas. Também lançamos vídeos nos grupos dos alunos e para as crianças passamos atividades apostiladas”, diz Gisele. Pág. 6 A professora de jazz Natália Stort

ECONOMIA Feira no Ipiranga, em Ribeirão Preto, registra queda no fluxo de clientes Pág. 4

PITANGUEIRAS Na pandemia, serviço de delivery vira solução para os comerciantes Pág. 5

TURISMO Ribeirão-pretanos contam como é a rotina de restrições na Lombardia

Pandemia muda rotina de famílias em Ribeirão Preto

Enfermeiros da rede pública de saúde de Ribeirão Preto precisaram alterar o convívio com a família em casa devido ao avanço da pandemia do novo coronavírus. O casal Bruno Paiva, 33, e Danielle Alves, 32, isolaram um do outro para evitar um possível

contágio por parte de Danielle, que é enfermeira. A mesma medida foi adotada pelo técnico em enfermagem Henrique Ramos, 38, que se isolou da esposa Tatiane Souza, 32, e das filhas Maria Eduarda, 12, e Helena, de 1 ano e seis meses.

Redes sociais auxiliam alunos a praticarem exercícios físicos em casa na quarentena As academias recorreram às redes sociais para conseguir manter seus alunos em forma, mesmo com o período de isolamento social. Os materiais e exercícios foram adaptados para que todos

possam utilizar objetos que tenham em casa. Os alunos mandam vídeos do treino e recebem o feedback do treinador. Pensando na questão financeira, as academias de crossfit

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criaram um campeonato virtual por atletas de diversos níveis, com duração de três semanas. O valor de cada inscrição é encaminhado integralmente para o estabelecimento escolhido. Pág. 6

Estudo sobre vacinas demora para ficar pronto, diz virologista

Isolamento é a melhor forma para se proteger da covid-19

Doutora em virologia pela Universidade de São Paulo (USP), Veridiana Barros esclarece como se proteger do coronavírus e como a doença afeta a população. Segundo a especialista, para que uma vacina seja produzida é necessário testes que podem demorar até 18 meses para ficarem prontos. Enquanto isso, manter a higiene e o distanciamento social é fundamental para diminuir Pág. 3 a propagação do vírus.

A pandemia causada pelo novo coronavírus criou um cenário de isolamento social no mundo todo. Com isso, a recomendação é para que as pessoas fiquem em casa. Dessa maneira, cada indivíduo encara o isolamento de uma forma. Estresse, tédio, ansiedade, medo, angústia, saudade e expectativas são sentimentos e emoções que tomam as pessoas Pág. 9 Professor dá aulas on-line para que os alunos continuem seus treinos diante dessa realidade.

Foto: Thiago Mokwa

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CULTURA Estudante passa quarentena vendo DVD’s e blu-rays da sua coleção

Para o enfermeiro Márcio Reis, 45, que não se isolou da família, os riscos são os mesmos, mas não deixa de tomar precauções e mantém os cuidados necessários com a higiene. A melhor maneira de se proteger é evitar contato fíPág. 3 sico e aglomerções.

Foto: Crossfit Celeiro

ARTIGO Leia “O renascimento da informação”,

SAÚDE - Farmácias intensificam medidas de higienização para proteger Pág. 4 funcionários e clientes da contaminação pelo coronavírus

Ônibus seguem lotados apesar da pandemia em Ribeirão Preto Mesmo com aglomerações proibidas, Ribeirão Preto enfrenta ônibus lotados em plena pandemia. O que era para ser obrigatório, só é possível graças aos passageiros que levam o álcool em gel na bolsa. O transporte público é o principal meio para muitas pessoas, e isso acabou se tornando um problema para os usuários, que podem ser infectados devido à falta de higienização dentro dos Pág. 8 transportes públicos.


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OPINIÃO

2º bimestre/2020

ARTIGO

O renascimento da informação LUIZA ARAUJO FELIPE CAMARGO

A pandemia de covid-19 mudou completamente a dinâmica da sociedade. As pessoas trabalham de casa, serviços de entregas aumentam, os shows são todos virtuais e, até mesmo, o Big Brother Brasil foi prorrogado. Tirando o BBB, pode-se dizer que um dos impactos mais notórios da pandemia em nossas vidas é o resgate da confiança da população nos veículos de imprensa tradicionais e na ciência. O YouTube é uma plataforma de postagem de vídeos que viabiliza a criação de conteúdo por qualquer pessoa. Por volta de 2011 e 2012, período em que os famosos vlogs (espécie de “diário em vídeo”) estavam em alta, muitas pessoas diziam que o material ameaçava a hegemonia da televisão. Bom, quase dez anos depois, foi isso que aconteceu. A internet, as redes sociais e outras plataformas, nos fizeram questionar, informalmente, o que estava por trás de uma notícia e os porquês de um tema ser mais relevante que outro. Além disso, nos deu, também, o poder de decisão da programação e geração de conteúdo. Mas como diria o Tio Ben dos quadrinhos do Homem-Aranha: com grandes poderes vem grandes responsabilidades.

A partir do momento em que muitas pessoas passam a te acompanhar, você se torna um formador de opinião. Mas um cidadão que nunca estudou sobre comunicação e é colocado nessa posição, a princípio, não percebe qual o real peso disso e pode se deixar levar, com mais facilidade, por falácias e opiniões mal embasadas. Como a internet amplia tudo, é natural que essas notícias falsas se espalhem neste meio, principalmente por aqueles que buscam nelas meios de reafirmar seus próprios ideais. Assim instaurou-se uma descrença nos veículos tradicionais, o jornalismo precisou se reinventar e encontrou na checagem de fatos a brecha perfeita para retomar o seu posto de formador de opinião. Porque, no final das contas, o jornalismo nada mais é do que a metodologia cientifica empregada para a captação de informação de interesse público. Com grandes teorias conspiratórias criadas, as quais tentam sempre se afirmar por um discurso científico, porém, facilmente fraudável, não se difere muito das fake news, que por uma estrutura aparentemente jornalística tenta espalhar falsas verdades. Já a crise na veracidade cientifica se origina dela mesma, por se afastar cada vez mais de um contexto social e palpável para

a maior parte da população, e se voltar para um nicho de indivíduos que se trancam dentro de seus casulos acadêmicos. Não se impressiona que teorias como a “terraplanista” tenham ganhado tanto apelo das massas, pois foram criadas por pessoas comuns para pessoas comuns se valendo de um discurso pseudocientífico. Esse ímpeto por alcançar uma subversão do status quo incitou até mesmo a dúvida na medicina, questionando a necessidade de vacinação de crianças. E é nesse contexto pandêmico

que a ciência encontra a chance de se validar novamente como um campo indispensável para a salvação mundial. Em meio a uma pandemia em que até mesmo especialistas da área desconhecem o potencial do vírus, o pânico geral se espalha. Agora, as pessoas estão, mais do que nunca, sedentas por informação e recorrem aos veículos tradicionais. A população quer e precisa saber como se prevenir, quando vem a cura, a vacina e o que os especialistas podem nos dizer

jornal barão de mauá na internet:

Centro Universitário Barão de Mauá

http://jornalismo.baraodemaua.br / jornalismobaraodemaua

Unidade Independência Rua José Curvelo da Silveira Jr., 110 Jd. Califórnia – Ribeirão Preto - SP Fone/Fax: (16) 3602-8200

sobre o assunto. Dessa forma, comunicação, saúde e ciência se mostram fundamentais. E uma sociedade sem esses serviços, se torna uma sociedade doente. Fonte: https://www.proxxima.com.br/home/proxxima/ blog-do-pyr/2020/03/17/o-papel-vital-literalmente-neste-caso-do-jornalismo-na-pandemia-global-do-coronavirus.html Luiza Araujo e Felipe Camargo são estudantes do 5º semestre do curso de Jornalismo da Barão de Mauá.

O jornal barão de mauá é uma publicação produzida pelo curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá. REITORA

Profª. Dra. Dulce Maria Pamplona Guimarães VICE-REITOR

Prof. João Alberto de Andrade Velloso PRÓ-REITORA DE ENSINO

Profª. Ma. Valéria Tomás de Aquino

PRÓ-REITORA DE PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Profª. Dra. Joyce Maria Worschech Gabrielli PRÓ-REITOR DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Prof. Dr. Dyjalma Antonio Bassoli PRÓ-REITOR ADMINISTRATIVO

Antonio Augusto Abbari Dinamarco DIRETORAS INSTITUCIONAIS

Prof.ª Maria Debora Vendramini Durlo Prof.ª Meire Aparecida Pedersolli Thiago Henrique de Moraes

COORDENADORA DO CURSO DE JORNALISMO

Prof.ª Me. Carmen Silvia Porto Brunialti Justo

REPORTAGEM, FOTOJORNALISMO E DIAGRAMAÇÃO

Alunos do curso de Jornalismo

PROFESSORES RESPONSÁVEIS EDIÇÃO, COORDENAÇÃO E REVISÃO DE TEXTOS

Prof. Me. José Antonio Bonato

PROJETO GRÁFICO E EDIÇÃO DE ARTE

Prof. Me. Alberto G. P. Oliveira EDIÇÃO DE FOTOGRAFIA

Prof. Me. Jefferson Barcellos Os textos desta página, exceto o Editorial, são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião do veículo.

EXPEDIENTE

PRÓ-REITOR DE GRADUAÇÃO

Contato: jornal@baraodemaua.br

Horário de funcionamento segunda a sexta: 18h30 às 22h30

Desde 1966, formando grandes profissionais, baseada em princípios éticos e humanísticos, a Organização Educacional Barão de Mauá é hoje referência em qualidade de ensino.


2º bimestre/2020

SAÚDE

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Profissionais de saúde protegem familiares Foto: Danielle Alves

Foto: Márcio Reis

Enfermeiros que trabalham no setor em Ribeirão restringem contato com pessoas para evitar contaminação pela covid-19

Márcio utiliza todo o aparato de segurança para evitar a contaminação ÁLVARO MOMENSO

Profissionais da saúde e suas famílias tomaram diversas medidas de higiene em casa devido ao avanço da pandemia do novo coronavírus. A doença atinge diversas pessoas em Ribeirão Preto. Médicos e enfermeiros podem ser possíveis vetores da doença. O enfermeiro da unidade básica de saúde Nelson Barrionovo em Ribeirão Preto, Márcio Reis, 45, conta que nas primeiras semanas da pandemia na cidade, chegou a atender casos suspeitos, mas foram testados e deram resultados negativos. Ao chegar em casa, Márcio se preocupa primeiro em se higienizar. “Quando chego em casa, tiro minhas roupas, deixo

para lavar e vou direto para o banho”, conta. Márcio ainda mora com a família, pois segundo ele, o risco é o mesmo para toda a população, não se agravando pelo fato de ser enfermeiro. Por outro lado, o cartorário Bruno Paiva, 33, se isolou da mulher, Danielle Alves, 32, que é enfermeira no Hospital das Clínicas Unidade de Emergência. Paiva se mudou para a casa dos pais durante a pandemia e relata que a nova rotina é complicada principalmente no ponto de vista emocional. O contato é feito somente por ligação, mensagens ou, em casos mais raros, visitas distantes. “Às vezes visito mantendo distância, ficando fora da casa e ela na janela.”

Bruno Paiva faz compras e entrega para Danielle Alves pela janela, um dos poucos contatos entre o casal

A mudança de casa foi uma ideia conjunta do casal com os pais de Paiva. Danielle, deixa as roupas em uma caixa antes de entrar na casa e o sapato é retirado no próprio local de trabalho. A limpeza da residência é constante e sempre feita com álcool em gel e álcool líquido 70%. As compras são feitas por Paiva e entregues para Danielle através da janela ou quando ela não está na residência, para evitar ao mínimo os riscos. OUTROS EXEMPLOS A dona de casa Tatiane Souza, 32, também se mudou para a casa da mãe junto com as filhas Maria Eduarda e Helena, de 12 anos e 1 ano e seis meses, respectivamente.

O técnico em enfermagem Henrique Ramos, 38, é casado com Tatiane e trabalha no Hospital das Clínicas Unidade de Emergência há 14 anos. O contato do pai com a família é feito através da internet ou com a distância recomendada e o uso de máscara. De acordo com Ramos, a demanda no hospital não aumentou até o momento, porém, pelo fato do hospital ter separado alas e profissionais específicos para o tratamento da covid-19, o espaço e funcionários para tratamento de outros problemas foram comprometidos. Ramos relata que o modo de trabalho foi alterado devido à doença. “Dentro da área de isolamento, precisam entrar três ou mais

profissionais, todos com as proteções necessárias e não podem sair durante um período de 6 horas”, conta o técnico em enfermagem. Ramos evita ao máximo sair de casa, mas quando é necessário, utiliza máscara, do modelo N95. “Como o Brasil realiza poucos testes, é uma maneira para prevenir o contágio de outras pessoas.” Assim como Bruno e Danielle, Tatiane e Ramos tomaram a decisão sozinhos de se isolarem. O técnico em enfermagem informou que não foi uma recomendação do hospital e mais pessoas tomaram essa medida. De acordo com o Ministério da Saúde, todas as pessoas devem utilizar máscaras, evitar o contato físico e aglomerações para um bom controle da doença.

Virologista acredita que normalidade volte após 18 meses Foto: Arquivo Pessoal

JULIANO GONÇALVES

A virologista Veridiana Barros, da cidade de Sertãozinho

Com o avanço da covid-19 no mundo especialistas buscam uma vacina para combater o vírus. Em Sertãozinho a virologista Veridiana Barros explica o que é a doença e as perspectivas da ciência para o descobrimento da cura. A Sars-Cov-2 é o nome científico escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para facilitar a identificação das pesquisas do novo coronavírus, nome popular designado ao vírus. A virologista Veridiana Barros explica que o vírus foi descoberto em dezembro de 2019 em Wuhan, na China. Segundo ela, os sintomas são semelhantes ao resfriado comum e podem se manifestar com coriza, tosse, dor de garganta e febre. “Em relação a outros vírus como influenza com relação ao coronavírus primeiramente é que já temos a vacina contra a influenza, enquanto contra a covid-19 ainda não. A transmissibilidade é semelhante: gotículas de saliva, muco infectado. Os pa-

cientes assintomáticos também transmitem a infecção”, diz Veridiana Barros. A virologista explica que a velocidade de propagação do coronavírus é maior, devido à adaptação do vírus ao ser humano e é a sociedade que pode influenciar na velocidade de propagação devido o contato entre as pessoas. “Acredito que o fato de a China ter um adensamento populacional enorme e um maior contato e ainda fazem usos de diferentes animais (hospedeiros desse vírus) podem ter influenciado no aparecimento”, afirma a virologista. Para ela, o isolamento social é importante nesse momento para prevenir o contato entre as pessoas e principalmente os mais idosos, que têm a capacidade imunológica baixa para se defender das doenças e tornam-se mais prejudicadas devido à decorrência da vida. “Não podemos entrar em pânico, pois o maior motivo do isolamento é não sobrecarregar os hospitais. O mais importante

é manter os hábitos de higiene como lavar as mãos, usar máscaras, e manter o distanciamento social”, diz. Além disso, Veridiana Barros diz que o vírus morre com uma temperatura de 27° C. “Se pegarmos coronavírus poderemos ser assintomáticos, ter um resfriado comum ou evoluir para formas graves caso tenhamos já alguma comorbidade. Todos podem pegar a covid-19, pois tem muita gente que não entrou em contato com o vírus ainda”, diz. A virologista diz que os estudos que envolvem produção de vacinas ou medicamentos são demorados e não podem ser feitos a curto prazo. Ela conta que quando está em desenvolvimento, um medicamento é contra as células infectadas e não diretamente contra os vírus, podendo ser tóxico para os humanos, por isso a necessidade de vários testes. “Acredito que em 18 meses mais ou menos pode ser que até saia uma cura e o vírus já tenha se disseminado”, diz.


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ECONOMIA

2º bimestre/2020

Farmácias alteram rotina de funcionamento THIAGO MOKWA

Na pandemia do novo coronavírus, muitas empresas de Ribeirão Preto tiveram que parar suas atividades momentaneamente para evitar a proliferação do vírus pela sociedade. Contudo, alguns serviços essenciais como farmácias, panificadoras e postos de gasolina, entre outros, não pararam suas atividades. Em especial, as farmácias foram onde houve a maior mudança durante a pandemia, com a procura de medicamentos e utensílios de prevenção à covid-19. Segundo Lucas Oliveira, atendente da drogaria São Carlos, no primeiro dia após o decreto de isolamento social foi o momento com o maior número de concentração de pessoas dentro do estabelecimento. Oliveira ainda comentou quais eram as maiores demandas no dia. “Naquele dia cerca de 50 pessoas passaram aqui só no momento em que abrimos, e todas elas estavam procurando álcool em gel e máscaras de cirurgia. Nosso estoque acabou em vinte minutos.” Já o responsável pela farmácia de manipulação A Pharmacêutica, Renato Garcia, após a grande aglomeração do primeiro dia de quarentena, decidiu restringir o número de clientes dentro do estabelecimento para oito pessoas por vez. Ele também colocou fitas para que haja uma distância mínima entre os atendentes e os clientes e álcool em gel na entrada, para os consumidores higienizarem suas mãos antes da entrada. Garcia também relatou, que após a declaração do presidente Jair Bolsonaro sobre a cloroquina, a procura pelo produto explodiu. Mesmo a farmácia não vendendo o medicamento, ele orien-

tou seus funcionários a dar contraindicações para os clientes. Garcia disse que agora a maior procura continua sendo por álcool em gel e máscaras, contudo não há mais tantas pessoas indo até a farmácia em grande número como na primeira semana. “Acho que as pessoas entraram em pânico no primeiro momento, mas agora elas estão conscientes do que nós estamos enfrentando”, disse. Garcia disse que ainda após o fim do isolamento ele continuará por mais um tempo com as medidas de segurança. Já a Droga Raia, sabendo que a cloroquina não foi realmente declarada como eficaz e que a mesmo traz efeitos colaterais, resolveu retirá-la por hora dos balcões de vendas. A atendente Thais Pereira comentou que a procura por esse medicamento subiu mais de 100% em dois dias após a fala de Bolsonaro. Thais relatou também que após uma semana do início da quarentena o movimento diminuiu. “Acho que agora o susto passou e as pessoas começaram a tomar mais cuidados, usando máscaras e algumas até luvas”, afirmou. A atendente diz que Ribeirão ainda está lidando muito bem com a pandemia, mas as pessoas também têm que ter consciência de que “ficar em casa é essencial para vencermos essa guerra”. A Drogaria São Paulo também teve uma demanda muito grande no início da pandemia, relatou Lucas Palombo, atendente. “No primeiro mês o movimento subiu bastante, os produtos mais procurados eram máscaras e álcool em gel, mas máscaras a farmácia não tinha, e nosso estoque de álcool em gel era baixo.” Palombo ainda disse que após o primeiro caso em Ribeirão Preto houve o aumento da

Foto: Thiago Mokwa

Estabelecimentos adotam medidas para proteger funcionários e clientes; cresce procura por vitaminas e medicamentos

Farmácias intensificaram medidas de segurança ao coronavírus para proteger seus funcionários e clientes

procura por vitaminas B, C e D, além da evolução nas vendas de dipirona e tilenol. Palombo contou que após Bolsonaro defender o uso de cloroquina o medicamento se esgotou rapidamente e só foi possível a seleção de venda quando o remédio foi controlado. O atendente disse que hoje o movimento voltou ao normal. Segundo ele, o estabelecimento também tomou precauções para distanciamento, utilizando método de drive-thru, faixas nos balcões e caixas, uso de máscara obrigatório e fitas de marcações, com 1,5 metro de distância nas filas, para que os clientes também mantenham distância. A Riberfarma também adotou os métodos de distanciamento. O caixa Nilson relatou o aumento na procura por máscaras, álcool em gel e luvas

no início da pandemia, assim como nas demais. De acordo com ele, também houve um crescente consumo de cloroquina, após a fala do presidente. Cliente da Riberfarma, Vera Lucia Palmero contou que teve muito medo de contrair o vírus, pois faz parte do grupo de risco. Ela diz que, hoje, sabe que tomando os devidos cuidados terá menor probabilidade de contrair a doença. Já Élcio Birches Lopes, cliente da Droga Raia, disse que não acredita em nada disso que está acontecendo. “Isso que a mídia mostra é tudo para amedrontar e controlar o povo, não acredito que haja tantas mortes e nem que os hospitais estão lotados. Para mim isso é tudo balela.”

A farmacêutica Mariana Accari disse que é necessário muito cuidado com o coronavírus, pois ele é real e é letal. A médica Gelse Campos alertou para que as pessoas tomem cuidado e fiquem em casa. “O coronavírus é muito perigoso, e hoje não há mais um grupo de risco, hoje há o grupo de risco e o grupo fatal. É importante que todos fiquem em casa, pois esse vírus é sim mortal.” O psiquiatra Arnaldo Barbieri também relatou que o vírus é perigoso, mas não tão letal. Sua letalidade, diz, vem na verdade por sua fácil transmissão e a falta de condições de saúde do Brasil. Barbieri ainda defendeu o uso da cloroquina e disse que se usado nos cinco primeiros dias de sintomas, o medicamento pode diminuir ou até extinguir a carga viral.

Feirantes adotam medidas de prevenção contra coronavírus Foto: Victória Merigue

VICTÓRIA MERIGUE

Feira livre no Ipiranga adotou medidas para combater o coronavírus

Diante uma situação de calamidade mundial, diversas empresas, comércios e locais de atendimento se veem fechados desde o final de março, quando o novo coronavírus (covid-19) se transformou num estado de emergência do país. O isolamento social traz consequências visíveis a economia do país e ao estilo de vida do brasileiro. Para associações e especialistas do BBC News, deve-se esperar que cerca de 20 milhões de brasileiros fiquem desempregados, um número que tem estimativa de crescer mais e mais com a crise. Uma situação delicada ao redor do mundo que se tornou uma realidade para os brasileiros. Alguns grupos de serviços ainda estão funcionando de

acordo com a lei, apenas serviços básicos para a sociedade como mercados, postos de gasolina, restaurantes e feiras. Na rua Bahia, no bairro Ipiranga, em Ribeirão Preto, existe uma feira livre que ocorre a mais de 40 anos, e atrai a vizinhança a fim das variedades de legumes, especiarias, caldo de cana e entre outros produtos. Desde o surto de covid-19, a situação dos feirantes mudou de forma repentina. Muitas barracas passaram a não frequentar as feiras, e muitos clientes também. Cláudia, feirante há 23 anos, pontua: “O movimento caiu cerca de 80%, pois a grande maioria dos meus clientes são idosos, e por serem do grupo de risco, não vem a feira.” Valdeir é feirante há 50 anos, e seu ponto de venda é de objetos domésticos. O mesmo relata

estar tendo grandes dificuldades de venda por conta da diminuição de clientes, que estão se mantendo em casa: “Apesar de ter clientes de diversas idades, o forte da feira sempre foi para pessoas de idade, então a mudança nesses tempos é perceptível para todos nós feirantes.” Mesmo grande parte do público estar recluso em casa, os frequentastes da feira tem tomado os devidos cuidados, em sua grande maioria. Salvador, feirante há 25 anos, relata ter visto a grande maioria dos clientes usando máscaras e trazendo álcool em gel: “Apesar do pouco movimento, muitas pessoas vem a feira usando máscaras, algumas até luvas, tem se preocupado bastante com a saúde e tomando as devidas precauções para que o pior não aconteça.”


ECONOMIA

2º bimestre/2020

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Comércio aposta em aplicativos para vender MARIA CAROLINE FRANCISCO

Com o avanço da covid-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que as pessoas ficassem em casa para evitar o contágio da nova gripe. Chamada de coronavírus, essa pandemia tem sintomas agressivos. O isolamento social recomendado causou medo em uma parcela da população. Porém também trouxe aspectos positivos. O uso de aplicativos digitais movimentou de forma intensa os serviços delivery. Devido ao isolamento social, houve uma queda nas vendas de todo comércio. Com os restaurantes, lojas e outros estabelecimentos fechados, muitos começaram a reforçar seu serviço com entrega a domicílio. O Instagram e o Facebook estão sendo alguns dos aplicativos mais usados para divulgar o conteúdo dos estabelecimentos. Moradores incentivam os serviços locais por meio das plataformas digitais. Postagens com ênfase na “entrega grátis” estão sendo frequentes. A permanência das pessoas dentro de casa pode contribuir com a diminuição do número de casos de pessoas infectadas. Evitando aglomerações em locais

públicos, o risco de contágio do coronavírus é pequeno. A lojista Roberta Pereira, proprietária da Boutique By Roberta Pereira, localizada na cidade de Pitangueiras, usa seu Instagram para dar ênfase no serviço delivery das roupas que comercializa.

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Tivemos que ser rápidos para tentar manter nossos negócios

“Nós, empreendedores, tivemos que ser rápidos para tentar manter nossos negócios. O serviço delivery foi a alternativa que tivemos. No meu caso, por exemplo, veio como um ‘despertar’, me ajudando a explorar um segmento não tão difundido antes”, afirmou Roberta. “Estamos conhecendo novos clientes, tendo um contato mais persuasivo com eles. Olhando um lado bom desse período ruim, estou descobrindo novas oportunidades.” A empresária afirma que as redes sociais são uma importante vitrine para os estabelecimentos. Os clientes escolhem os

produtos desejados pelas fotos postadas e os recebem em casa. Roberta ainda diz que “estar em evidência nas redes sociais e ter resultados, exige muita dinâmica e criatividade, o que nem sempre é fácil. Seguimos aprendendo e lutando”. O comércio local é responsável por grande parte da economia que sustenta a cidade. Outros estabelecimentos como restaurantes também estão mantendo suas vendas por meio da entrega a domicílio. As pessoas podem entrar em contato pelo aplicativo WhatsApp e recebem o pedido em casa. “Mesmo em tempos de contenção de gastos, a pandemia veio confirmar a importância de você oferecer aos seus clientes um serviço na comodidade do lar”. O delivery é o que mantém o comércio ativo no período de quarentena. O governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), tem endurecido e afrouxado a quarentena nas diferentes regiões, conforme o grau de infestação da doença. A medida que prevê o isolamento social tem o intuito de conter a pandemia Covid-19 e diminuir o número de infectados. Os estabelecimentos devem permanecer fechados para que não haja aglomeração de pessoas. Roberta Pereira, proprietária de uma loja de roupas em Pitangueiras

Em Serra Azul, clientes recebem as mercadorias na porta Foto: Júnior Bilches/Arquivo Pessoal

LUANA CAMARGOS

Inicialmente tratado como uma “doença misteriosa”, o novo coronavírus (covid-19) começou a ser detectado na China e rapidamente se espalhou para outras localidades, sendo responsável por internações e mortes. Presente em mais de 130 países, a doença desencadeou uma força-tarefa de cientistas e autoridades de saúde para conter o seu avanço e fez com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarasse pandemia. No Brasil, o estado de São Paulo é o que contabiliza mais notificações com resultados positivos e o primeiro a confirmar uma morte em decorrência da covid-19. Serviços, repartições públicas, empresas privadas, cidadãos comuns, praticamente todas as atividades foram afetadas de alguma forma pelos impactos do coronavírus e muitos tiveram que mudar de hábitos no Brasil e no mundo. “Estou há mais de 30 dias de quarentena e só posso sair de casa para ir no mercado ou farmácia mais próxima. Fui dispensado temporariamente do meu emprego e, consequentemente, não estou recebendo.” declara Júnior Bilche, que é brasileiro e mora em Madrid, na Espanha, há mais de quatro anos. Júnior só tem contato com os familiares que moram com ele, e caso alguém seja abordado

longe de casa poderá ser multado em €800 ou pegar detenção de 1 a 3 anos. Ele viria para o Brasil em abril deste ano, mas teve sua viagem cancelada. Na cidade de Serra Azul, a microempreendedora Gislene Galvão relata que a sua rotina foi totalmente alterada por causa da pandemia, mesmo que ainda não há casos confirmados na cidade.

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A OMS recomenda o distanciamento de 2 metros entre as pessoas, com o uso de máscaras de proteção

Clientes retiram seus pedidos na porta, não entram no estabelecimento

“Mudou tudo. Os clientes podem retirar os seus pedidos na porta, mas não podem entrar no estabelecimento e também estamos fazendo entregas. Tive que alterar o horário de funcionamento e mudamos todos os nossos hábitos de limpeza e higiene, tudo de acordo com as exigências da vigilância sanitária.” O Governo de São Paulo prorrogou a quarentena em todos os 645 municípios do estado, para o período de 8 a 22 de abril. O decreto n° 69.420 prorroga todas as medidas restritivas para as atividades comerciais e de prestação de serviços essenciais e não essenciais, com o objetivo de evitar a proliferação do novo coronavírus.

Foto: Rodrigo de Cassio Laguna

Lojistas de Pitangueiras expõem produtos nas redes sociais para atrair mais consumidores e manter os negócios ativos


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EXERCÍCIOS

2º bimestre/2020

AMARILDO PIZZI

Foto: Crossfit Celeiro

Devido ao período de isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus, academias de musculação, lutas, crossfit, treinamento funcional entre outras, tiveram que adaptar seu modelo de aulas para as redes sociais e garantir que seus alunos não fiquem sem fazer atividade física durante esse período. O decreto estadual do dia 24 de março ordenou que serviços não essenciais, que é o caso das academias, não podem ficar abertas durante esse período. A solução encontrada foi apelar para as redes sociais. Os treinos são gratuitos, adaptados para que todos possam fazer em casa e passados diariamente na maioria das vezes via WhatSapp ou ao vivo pelo Instagram. O aluno segue o que foi proposto por seu treinador e posta fotos ou vídeos do seu treino para receber o feedback do treinador. “Os materiais e exercícios são adaptados para que todos os alunos possam fazer em casa e para que não percam totalmente o preparo físico”, afirma Marcos Baggio, 36, dono de uma academia de crossfit na cidade de Brodowski, ele ainda conta que os alunos mandam vídeos do treino e tiram dúvidas sobre a execução dos movimentos e postura. “O treinador adaptou itens de casa para ajudar nos treinos, por exemplo cabo de vassoura e garrafas pet com água e estou conseguindo treinar até mais vezes do que quando estava na academia, antes eu ia três vezes na semana, agora consigo treinar cinco vezes”, afirma Fernanda Belge, 31, aluna de Marcos.

Ela conta ainda que “o que mais sente falta é da convivência com as pessoas que frequentavam a academia e que mesmo adaptando os treinos em casa ela sente falta dos pesos e equipamentos.” Por outro lado, mesmo com todos os esforços de adaptar os treinos, a questão financeira começa a pesar, pois sem as academias abertas ao público, a maior parte das mensalidades não são pagas e consequentemente as academias não conseguem pagar funcionários e outras despesas. E para solucionar isso as academias de crossfit se uniram para que ninguém precise fechar as portas. Foi criado um campeonato online pela Crossfit Mundial, com duração de três semanas, onde podem ser feitas por atletas de todos os níveis. Os atletas que participarem, terão seu nome incluídos na tabela de classificação do Open (Campeonato Mundial de Crossfit). As inscrições vão de R$ 20 até R$ 1 mil, mas não são obrigatórias, ao contribuir o competidor pode selecionar para qual academia vai esse valor, que será encaminhado integralmente. Tem academias que estão conseguindo se manter com as aulas online, é o caso de Rodrigo Mateus, 38, ele conta que “grande parte das mensalidades estão sendo pagas e, por ter guardado uma reserva para pagar o aluguel e outras contas consigo me manter por dois a quatro meses”. Ele conta ainda que “muitos alunos estão gostando das aulas online e por isso estou me dedicando para a captação de mais alunos caso essa pandemia dure mais tempo”.

Professor orienta treino de agachamento à aluna na praça da Bicicleta, zona sul de Ribeirão Preto

Redes sociais inspiram os treinos VINÍCIUS CORÓ

Com a quarentena que foi adotada por todo o Brasil, os atletas estão tendo que se reinventar na hora de se exercitar, praticando exercícios em suas casas e diversificando na hora dos treinos. Julia Vittorazzi, 19, que está se formando em educação física, comentou que através das redes sociais ela tira ideias e treinos que profissionais publicam no Instagram. E, com estes vídeos, ela adapta para o seu próprio condicionamento físico neste momento de isolamento social. Mesmo com o caso da covid-19 a geração saúde não está

parada, muitas pessoas estão adaptando a sua rotina de treino em casa mesmo, o interessante é que alguns personal trainers estão dando aulas através das streams. Lucas Pereira, 35, acompanha seus alunos por vídeo chamadas, segundo ele, os exercícios que aplica pode ser feito por qualquer pessoa em qualquer lugar e hora, basta a pessoa querer se exercitar. Porém, existem pessoas que estão mais empenhadas do que as outras. Jean Junio Garcia, 41, inventou pesos de academia com um cabo de vassoura e telha para se exercitar em casa. Garcia diz que mesmo com a covid-19 não

podemos relaxar e se descuidar da saúde. “Quem gosta de academia e de manter a boa forma, com certeza vai se exercitar em casa.” A tecnologia vem sendo o fator principal neste período de quarentena, com a internet a forma de se exercitar ficou mais fácil e compacta. Em qualquer momento você pode estar se exercitando e mantendo a boa forma. Com os formatos de streams têm a facilidade de acessar exercícios na internet e fazê-los por conta própria, não é mais preciso de um profissional ao seu lado pessoalmente.

Aulas de dança utilizam videoconferência GABRIELA BRUNO

Diante a pandemia do novo coronavírus (covid-19), assim como muitos estabelecimentos, a escola de balé Studio Ello de Dança, de Porto Ferreira, por medidas de segurança e prevenção, teve que fechar suas portas para evitar aglomerações e a propagação do vírus. Durante esse período de quarentena, aulas online foram a solução encontrada. Há mais de dez anos ministrando aulas para alunos de todas as idades, participando de competições importantes no estado de São Paulo, Minas Gerais e até mesmo na Itália, a escola precisou diminuir o ritmo e se reinventar. Na intenção de não deixar seus alunos parados nesse período difícil e dar continuidade a grade de atividades de cada turma, as donas e professoras de balé do Studio Ello de Dança decidiram arriscar e começar os testes com aulas por videoconferência. “Estamos trabalhando com aulas através de vídeo com aproximadamente quatro pessoas. Também lançamos vídeos nos grupos dos alunos e para as crianças passamos atividades apostiladas”, disse Gisele Pissinatti, uma das professoras e dona da academia. Apesar da mobilização para não deixar os alunos parados, as dificuldades são sentidas por todos, muitas vezes por falta de espaProfessor de academia de Brodowski dá aula a distância: saúde em dia ço, qualidade da internet e falta de

Foto: Arquivo Pessoal

Professor de academia passa as atividades aos alunos através do WhatSapp e Instagram

Foto: Vinícius Coró

Em Brodowski, exercícios agora são praticados dentro de casa

A professora de balé do Studio Ello de Dança, Gisele Pissinatti

tempo, como mostrou o professor de aula de ritmos Paulo Koiv. “A plataforma que uso para dar aula (Instagram) me permite somente uma hora, então não posso perder muito tempo tirando dúvidas ou ensinar a coreografia mais de uma vez para o aluno.” Entre os alunos, o entusiasmo por manter as atividades físicas semanais é grande e desafiador. “Está sendo muito bom poder manter a rotina de atividades físicas em casa, mas exige uma autodisciplina muito grande, porque em casa a gente fica mais relaxada e preguiçosa”, explica a aluna Cátia Justino. Tanto para alunos quanto para professores, a dificuldade principal é a falta de espaço, pois

alguns moram em casa, outros em apartamento, e achar um local adequado para fazer todas as atividades e os movimentos de dança não é fácil. Cada um está se adaptando como pode, empurrando móveis, usando a garagem ou o quintal. A conexão com a internet não está sendo um problema tão grande. Na maioria das vezes ela é estável, permitindo que aulas sejam assistidas normalmente. Hoje, cada turma tem seu horário reservado na semana e as aulas continuaram assim por tempo indeterminado, prezando pela saúde e segurança de todos. Os professores estão sempre estudando para diversificar as aulas e manter o contato com os alunos da maneira mais fácil possível.


CIDADES

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Foto: Daniel de Almeida

Avanço da covid-19 afeta a vida de turistas no exterior RAFAEL RABELLO

Pandemia altera planos e viagens são canceladas após dificuldades Retorno e adiamento foram alguns dos impasses e alterações ocasionados pelo novo coronavírus ROBERT SIQUEIRA

Muitas pessoas que tinham viagens planejadas tiveram seus planos frustrados por conta da pandemia do novo coronavírus. É o caso do casal de empresários Daniel Vitor de Almeida e Priscila de Almeida, ambos de 41 anos e moradores de Ribeirão Preto. Eles esperaram realizar a viagem para Porto Seguro (BA) por um ano. Embarcaram um dia depois da primeira morte confirmada pela covid-19 no Brasil, em março. “Nossas passagens estavam compradas, e a agência de viagens disse para seguirmos o cronograma. Além disso, todos falavam que a doença chegaria com mais força no Brasil em abril, então achamos melhor ir naquele período”, disse Daniel. Em terras baianas, o casal começou a perceber a gravidade da situação. Mas a falta de informações ainda amedrontava. Além disso, “ninguém tinha certeza de nada e saía muito boato sobre a doença”. O retrato era de lugares e praias fechadas, passeios turísticos cancelados e a cidade, que vive cheia de turistas, vazia. “Nós percebemos a gravidade quando fomos fazer um passeio, mas a cidade que íamos estava fechada. Decidimos fazer outra atividade, e o pessoal falou que iria fechar a balsa e que poderíamos ficar presos na cidade. Foi um desespero, voltamos correndo para o hotel.” Decididos a retornarem para Ribeirão Preto o mais rápido possível, o casal passou por outro drama. Eles não conseguiam entrar em contato com a

agência de viagens e nem com a companhia aérea. “Estávamos frustrados, sem saber o que iria acontecer com nosso negócio, preocupados com as pessoas, sem muitas informações. Você fica nervoso, ansioso. Foi complicado.” A solução encontrada foi comprar passagens do próprio bolso. Mas o valor, mais caro que o habitual, impediu que isso acontecesse. Quando receberam o retorno da agência de viagens, Daniel conta que “a orientação foi seguir o cronograma e retornar somente no dia programado”, e foi o que aconteceu. “Não tínhamos como pagar duas passagens aéreas por fora.” Já a jornalista Rosemeire Talamone, 57, conseguiu adiar sua viagem para Natal (RN). Ela planejou a viagem com um ano de antecedência, pegou férias em sua empresa, mas não pôde seguir seus planos. “Se fizesse o cancelamento teria que pagar uma multa de quase a totalidade do que gastei. As companhias não estão facilitando como anunciado. Com relação à pousada, entrei em contato e remarquei também”, disse. Sobre viajar nos próximos meses, a jornalista disse que talvez não se sinta à vontade, mas era a única solução para não perder o que gastou com a viagem. “Se der para postergar, farei isso.” Já Daniel se mostra mais otimista com relação a viajar novamente. A agência reembolsou o valor gasto e ele pretende investir o dinheiro em uma viagem futura. “O que era uma frustração, se tornou uma nova oportunidade.”

Fernando e Nelson acompanharam o início da pandemia em outros países

rindo, tomando cerveja e no meio de aglomerações de pessoas.’’ “Não estavam se importando tanto quanto a gente. Muitos olhavam com cara feia e assustados quando estávamos de máscara.’’ Já quando o casal foi para a Argentina, a história mudou. Eles não conseguiram ficar por muito tempo por conta das medidas protetivas do governo. Isso se deu ao fato dos governantes, mesmo com apenas 50 casos confirmados na época, começarem a se movimentar para o período de isolamento. Fernando conta como foram recebidos no aeroporto. “A princípio todos estavam sendo avaliados por um termômetro corporal na entrada. Também recebemos alguns documentos de termos de responsabilidade do pessoal do aeroporto para assinar’’.

O cirurgião ressalta que ficaram com medo, pois informaram que talvez haveria uma quarentena com quem estivesse dentro do aeroporto. Por fim, a viagem que duraria quatro dias acabou em menos de 24 horas. O casal conseguiu conversar com a companhia e acionar a sua volta. Chegando no Brasil, os dois se isolaram pelo período de 15 dias para ver se havia contraído o vírus. Ao mesmo tempo, a cidade entrou em estado de calamidade pública. Facilitando assim o período de avaliação para verem se tinha pegado o vírus. Optaram por fazer o home office em suas empresas e o atendimento por videoconferência. Seguindo as recomendações impostas pelo prefeito.

Brasileiros relatam restrição adotada na Itália JOÃO VICTOR MARQUES

Brasileiros morando na Itália contam como está sendo a vida em um dos países com mais números de pessoas mortas pela covid-19. Carlos Manieri, 25, e Chrystian de Araújo, 22, vivem a dois anos no país. Para Manieri, empreendedor digital a pandemia afetou seu trabalho como operário de produção que era conciliado as vendas digitais. “Antes mesmo do vírus se espalhar pelo país todo tive que parar, pois foi decidido que diminuiriam drasticamente o quadro de funcionários”, declara o empreendedor. Já para Araújo, que atua como segurança, a história não foi a mesma. O jovem continuou trabalhando, porém precisou de uma cartilha da empresa que dá a liberdade de ir ao serviço. “Hoje quem for pego sem autorização pelas ruas recebe uma multa de 500 euros. Fui abordado pela polícia e tive que mostrar a cartilha da empresa”, relata o segurança. Araújo destaca também a rigidez nos mercados da cidade para evitar aglomerações.

Foto: Carlos Manieri

Praia em Porto Seguro (BA): local teve que fechar para evitar turistas

Fica evidente como alguns países tomaram diferentes medidas em relação a pandemia de covid-19 e como isso afetou no contágio do vírus. Muitos começaram a se prevenir antes, já outros trataram como um simples resfriado e causando grandes danos posteriormente. Em meados de fevereiro e março, a Europa ainda estava sem o alerta, mas haviam casos consideráveis por aquela parte. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reportou no final de janeiro alguns casos e, logo após duas semanas, o surto começou. O casal Nelson Machado, publicitário e empresário, e Fernando Salgueiro, cirurgião plástico, moradores de Ribeirão Preto, embarcaram em uma viagem no começo de fevereiro e de março para o Europa e Argentina, respectivamente. Nelson conta como foram os primeiros dias na Europa. “Quando chegamos no aeroporto, nos protegemos e colocamos as nossas máscaras.’’ “Percebi que lá (aeroporto) tinha poucas pessoas usando. Mas, os moradores da cidade não estavam, eram poucos que se preocupavam com a doença.” Ainda, disse que muitos deles os estranhavam quando andavam pela cidade de máscara e se protegendo contra o vírus. “Fomos em um restaurante em Londres e a maioria estava

Foto: Arquivo Pessoal

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Rua de São Giorgio, comunidade italiana na região da Lombardia

“Só pode ir sozinho ao supermercado. Cada pessoa faz sua compra individual para evitar contato e coisas do tipo”, declara Araújo. Estar em um local onde foi por muito tempo o epicentro da doença no mundo todo mexe com o psicológico das pessoas. Manieri relata que não está sendo fácil conviver com tudo isso. “É difícil, pela obrigação de ficar em casa 24 horas. Mas o pior de tudo é ver os números crescendo e não darem sinal de baixa, isso mexe com qualquer ser humano”, afirma Manieri.

A região da Lombardia, onde vivem os brasileiros, conta com mais de 65 mil casos de pessoas contaminadas com a covid-19. Apesar dos números negativos, os jovens brasileiros contam que não querem voltar para o país natal. “Chegamos a cogitar nossa volta, mas no mesmo dia mudamos de ideia. Vimos que era melhor superar essa situação por aqui mesmo e seguir as recomendações da OMS”, declara os brasileiros. O número de pessoas infectadas na Itália passa de 245 mil.


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CIDADES

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Igrejas reinventam comunicação com os fiéis Missas e outras ações da Paróquia São Pedro Apóstolo de Ribeirão Preto agora são transmitidas por videoconferência ANNA CARVALHO

Suspensão de missas e orações via videoconferência foram atitudes tomadas pelas paróquias de Ribeirão Preto como forma de prevenção ao novo coronavírus. A decisão, que teve início logo nas primeiras semanas do mês de março causou comoção nos fiéis e uma busca ainda maior por fé e auxílio. A decisão de suspensão das celebrações foi parte dos direcionamentos apresentados por Dom Moacir, arcebispo metropolitano, em decreto de recomendação. Em prescrição, o arcebispo suspende celebrações públicas de sacramentos, como casamentos e batizados, além de todas as celebrações que proporcionem aglomerações dos fiéis. A orientação encaminhada às paróquias da cidade é que as missas sejam realizadas individualmente pelos padres e, na medida do possível, sejam transmitidas ao vivo aos fiéis por meio das redes sociais. Seguindo as recomendações apresentadas, a Paróquia São Pedro Apóstolo, localizada no bairro Ipiranga se mantém levando as ações religiosas aos fiéis de uma maneira um pouco diferente: via videoconferência. Em direcionamento para os grupos religiosos da paróquia, o pároco padre Leandro Pupin manteve as orientações encaminhadas pela arquidiocese local,

além de produzir junto a um grupo reduzido de membros, missas via vídeos transmitidos ao vivo por redes sociais. “Este momento é significativo para mantermos uma sintonia espiritual e, quando oportuno, a nossa sintonia pastoral, de serviços religiosos também seja uma grande e significativa ação”, contou o padre. A paroquiana Laura Soares, 25, membra de auxílio para as gravações das videoconferências na Paróquia São Pedro Apóstolo contou que este momento está sendo complicado, mas segue tentando encará-lo da melhor forma possível. “Sou participante assídua e não me lembro de ter ficado tanto tempo longe como agora. Tem sido difícil conciliar as coisas, como por exemplo, não poder estar em uma missa, em uma reunião de pastoral ou em um encontro qualquer com os amigos de paróquia”, explicou. Apesar disso, a jovem conta que conseguiu ver um lado positivo, apesar de todas as dificuldades. “Minhas orações se tornaram mais constantes e para enfrentar o medo e a angústia que vem junto desta pandemia, me apeguei ainda mais a minha fé.” Por outro lado, a professora de música Ingrid Massaroto, 25, e sua mãe Cecília Massaroto, 64, contaram sobre as novidades de quem nunca havia passado por Padre Leandro Pupin durante celebração transmitida pela internet este período.

Fotos: Laura Soares

“No começo foi complicado porque não tínhamos o hábito de ver missas a distância. Foi complicado aceitar essas questões, por tanto tradicionalismo. A perda dos costumes de fé físicos, pessoais, é o que mais faz falta”, afirma a professora. Para Cecília, a situação foi ainda mais surpreendente. “São muitas novidades, ainda mais para alguém como eu, da minha idade. Nunca havia passado por nada parecido.” Apesar de todas as dificuldades, boas conclusões puderam ser tiradas. “Foi assim que pudemos entender que a igreja católica se multiplicou ainda mais. Agora cada casa passa a ser uma nova igreja”, disse Cecília.

Passageiros enfrentam ônibus lotados em meio a pandemia JAMIELE CAVALCANTE

Mesmo com as determinações estabelecidas para evitar aglomerações e o contágio do novo corona vírus, alguns passageiros que dependem do transporte público em Ribeirão Preto, ainda enfrentam ônibus lotados. Muitos usuários que dependem do transporte público para trabalhar, ir ao médico ou ao supermercado correm risco ao se depararem com ônibus lotados em meio a pandemia do novo corona vírus, mas infelizmente não existe outra solução para essas pessoas. É o caso de Maximiana Bispo, 50, que mora no Ribeirão Verde e pega ônibus todos os dias para ir e voltar do trabalho. Ela disse que depende do transporte público para ir trabalhar e que não tem condição de utilizar outro meio. A passageira trabalha há 14 anos como confeiteira numa padaria que fica a uma hora e meia de sua casa. A usuária disse ainda que não sentiu melhora quanto a higienização nos ônibus e sente muito medo, insegurança quando está dentro dos mesmos. Diz também que se não fosse a população usar máscaras e levar o álcool em gel na bolsa, não teriam nenhum tipo de “prevenção”

Foto: Jamiele Cavalcante

Em meio a pandemia de covid-19, lotação em linha de ônibus de Ribeirão tem preocupado passageiros

dentro do transporte. Maximiana mora com a cunhada que tem 60 anos e doenças prévias. No começo de março estavam sendo discutidas medidas para prevenção contra o corona vírus no transporte público, essas medidas incluem limpeza reforçada nos banheiros dos terminais, intensificação das mensagens emitidas pelos painéis nas plataformas, higienização dos ônibus, das garagens e orientações em relação ao uso dos meios digitais de recarga do cartão. Mesmo com a decisão da

Justiça de Ribeirão Preto que determinou o aumento da quantidade de ônibus do transporte Público, várias linhas foram registradas com superlotação. É o caso da linha Presidente Dutra, que no dia 13 de abril apresentou superlotação. A Justiça de Ribeirão Preto determinou que a Prefeitura, a Transerp e o Consórcio PróUrbano aumentem a quantidade de ônibus do transporte público circulando no município, a fim de evitar superlotação, e adotem medidas para garantir condições

de higienização aos usuários, como o fornecimento de álcool em gel. O descumprimento implicará em multa de R$ 10 mil por cada infração constatada. A juíza Lucilene Aparecida Canella de Melo, titular da 2ª Vara da Fazenda Pública, deu prazo de 24 horas para que Prefeitura, Transerp e PróUrbano promovam o aumento do número de ônibus de modo a atender os usuários em condições de segurança, sem aglomerações ou superlotações. Elizangela Silva, trabalha

com Limpeza e mora em Serrana. Ela pega dois ônibus para chegar em Ribeirão Preto e ir trabalhar. A usuária tem asma, mora com a mãe de 73 anos e com o filho de 9 anos que também possui problemas respiratórios. Elizangela conta que pensa em desistir pois o medo é grande, mas depois pensa que tem a casa pra sustentar e o filho pra criar. A Transerp, empresa que gerencia o transporte público em Ribeirão Preto, informou que, na primeira semana, quando começou o decreto, foi registrado uma queda de 70% no movimento de passageiros. Mas ainda é possível encontrar moradores aglomerados nos ônibus, principalmente em horários de pico. O PróUrbano, a Transerp e a Prefeitura, através de uma liminar, foram notificados para que adotassem medidas para garantir condições de higienização aos usuários, como o fornecimento de álcool em gel. Mas os problemas de superlotação e de falta de higienização continuam. Mesmo a liminar sendo aprovada, os passageiros ainda sentem medo e insegurança. Ou seja, isso mostra que os usuários não estão vendo melhora quanto a higienização e nem respeito com quem depende do transporte público pata trabalhar.


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COMPORTAMENTO

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Quarentena muda hábitos e exige autocontrole Novos costumes, saudade da família, estudo remoto e planos para o fim da pandemia fazem parte do isolamento VITÓRIA PIERRI

O mundo parou. As ruas de São Paulo e Nova York estão vazias, e as casas estão cheias. O motivo? A pandemia do novo coronavírus que obriga o isolamento social e a quarentena. O primeiro país a ser infectado pelo vírus foi a China em dezembro de 2019, na metrópole Wuhan. A Organização Mundial de Saúde (OMS) batizou o vírus Sars-Cov-2 de covid-19, o qual provoca tosse, febre, cansaço e, em casos mais graves, dificuldade para respirar, podendo levar à morte por insuficiência respiratória. Fazem parte do grupo de risco idosos, diabéticos, hipertensos, pessoas com insuficiência renal crônica, doença respiratória crônica ou doença cardiovascular. A ciência comprova que a melhor forma de conter a disseminação da covid-19 é com o distanciamento social, já que a transmissão do vírus acontece pelo ar ou por contato próximo através de gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, toque ou aperto de mão em pessoas infectadas pelo vírus e contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos. MUDANÇA Stefania Fernandes, moradora de Monte Alto e estudante de engenharia agronômica da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), entrou em isolamento social no dia 14 de março. A última vez que saiu de casa foi para ir à igreja que frequenta. A estudante pertence ao grupo de risco por conta de problemas renais. A aluna do 7º período teve as aulas canceladas no dia 15 de mar-

Foto: Arquivo Pessoal

Stefania Fernandes participa de aula remota devido a quarentena

ço. A universidade está seguindo as recomendações da OMS e ainda não tem data certa para retornar às atividades normais. “Nós [alunos] podemos fazer 40% das aulas a distância. O que mais me preocupa são as aulas práticas que estão sendo atrasadas, porque não sabemos como serão as coisas quando voltarmos para a faculdade”, afirma. A jovem ainda diz estar conseguindo lidar bem com o período de isolamento social. “Estou gostando de ficar em casa. Esse período tem me proporcionado tempo a mais. Consegui fazer coisas que nunca tive tempo antes. Por exemplo, ajudei plantar a horta, cuidei de flor, fiz mudas de plantas que eu queria”, diz a estudante, que se mudou para uma chácara com a família há dois anos.

Porém, embora o tempo em casa seja proveitoso, Stefania diz se sentir apreensiva e preocupada com a situação que o mundo está por conta da pandemia. No entanto, procura ser otimista. “Fico pensando no aprendizado que isso pode trazer à humanidade. Acho que é uma oportunidade do ser humano parar, olhar para si e perguntar ‘por que eu faço o que faço?’. É um momento de reflexão interna que todos estão vivendo. Penso: o quão diferente as pessoas sairão disso?” A rotina de Stefania mudou totalmente com a quarentena. O dia que iniciava às 5h25 para ir à faculdade e voltar para casa às 19h ou às 22h em outros dias, agora inicia às 9h. O período integral que antes era na universidade, agora é em casa.

“Em casa eu ajudo com tarefas domésticas, faço as aulas on-line da faculdade e as coisas do meu estágio. Consigo fazer atividades na chácara e, se eu quiser, posso assistir a um filme. Também estou tentando fazer exercício físico. Estou dormindo mais tarde, no horário em que dormiria se estivesse em semana de provas, porque aí ficaria estudante até tarde”, afirma. NOVA REALIDADE Vera Lúcia Galdini, de Monte Alto, também teve sua rotina alterada pela quarentena. A empresa em que trabalha adotou as medidas de isolamento social. No dia 8 de abril, fez 17 dias que Vera estava isolada dentro de casa com sua filha, e saiu apenas para ir ao supermercado e pagar as contas. Para ela, o isolamento é entediante. “Antes, eu saía todos os dias para trabalhar. No final de semana eu também não ficava em casa”, afirma. Vera tenta espantar o tédio assistindo a filmes e diz estar fazendo bastante crochê. “Era uma coisa que eu fazia de vez em quando”. O que preocupa Vera são seus pais, já idosos. Pessoas acima de 60 anos fazem parte do grupo de risco da covid-19. O distanciamento social é extremamente necessário para eles. Por isso, a forma de entrar em contato com quem se ama é o celular e as redes sociais. Vera têm planos para quando acabar a quarentena. “Ficar mais com a minha família. É muito difícil não poder dar um abraço e um beijo na minha mãe, no meu pai e nas minhas irmãs”. Até o dia 16 de abril, Vera ainda não havia voltado para o trabalho e continuava isolada.

EQUILÍBRIO O cenário de isolamento social pode provocar diversas emoções como a sensação de solidão, de medo, de angústia, de ansiedade, de estresse, de irritação e de tédio. A psicóloga Nathalie Bordinassi explica o momento. “Acredito que cada um tem um tipo de percepção. Alguns entenderam a importância do isolamento, outros acharam um exagero. Mas, no geral, houve um misto de ansiedade, preocupação e expectativas para este momento”. A melhor forma de lidar com os sentimentos que podem aflorar em um cenário conturbado e cheio de incertezas, como o medo, a ansiedade, a angústia e a preocupação, é sempre buscar por equilíbrio. Procurar ter momentos de autoconhecimento e autocontrole, fazer atividades que distraem, relaxem e tragam algum tipo de conforto para o dia é o ideal, segundo a psicóloga. No entanto, a profissional alerta para casos onde se faz necessária a ajuda profissional. “Às vezes, sozinho fica mais difícil lidar com toda esta situação. Buscar um atendimento psicoterapêutico ou alguma atividade de relaxamento (yoga, meditação), algo que vá de encontro com a personalidade individual de cada um, pode ajudar muito. Hoje em dia, com as mídias sociais, encontra-se todos esses recursos on-line.” Para Nathalie, embora o confinamento seja um período difícil a todos, ter um olhar reflexivo, aproveitar para ressignificar conceitos, sonhos e expectativas, ter momentos de descanso, aprender coisas novas e fazer algo que gosta, é a melhor forma de lidar com o período.

Jovens tentam controlar emoções durante o isolamento social LAYNE GRAZY

Em tempos de quarentena, devido ao coronavírus, os efeitos da ansiedade nas pessoas têm aumentado drasticamente. Jovens da cidade de Jaboticabal usam o entretenimento, a arte e a criatividade para diminuir e controlar a ansiedade. Muitos ansiosos estão com medo, suas mentes criam sensações inexistentes, a cada reportagem sobre a pandemia o medo parece se tornar maior e a crise aparece. Segundo a psicóloga Andrea Menezes, a quarentena é um exemplo para se discutir a ansiedade. “Como não sabemos até quando vai, sua real necessidade e por ser algo novo para a gente, pois ficar em casa por opção é diferente de não poder sair mesmo, isso gera muitas dúvidas, muitos medos, mexe com a nossa realidade”, afirma. A estudante de psicologia Larissa Caroline Ruy, 21, tem en-

frentado dificuldades para controlar a ansiedade neste período. “Eu [Larissa] não estou conseguindo controlar a ansiedade muito bem, mas estou tentando ocupar o máximo a minha mente fazendo coisas que eu gosto ou fazendo as tarefas da faculdade”, declara. Para a psicóloga Andrea, a ansiedade é um presente que não se pode abrir. “Não é fácil controlar a ansiedade, ela costuma ser um presente que você não pode abrir. Muitas vezes, dependendo do grau de ansiedade e sintomas que temos se faz necessário acompanhamento com psiquiatra e uso de medicação”, diz. Para Andrea, o entretenimento é uma ótima saída para controlar a ansiedade. “Têm muitos artistas fazendo lives, até mesmo filmes e séries são uma saída. Para quem sente falta de fazer exercício, pode acompanhar professores

que dão suas aulas online, ler aquele livro que sempre quis, mas não tinha tempo, já é o suficiente. O importante é que escolha algo que te dê prazer.”

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Não é fácil controlar a ansiedade. É como um presente que não pode ser aberto

Para Larissa, desenhar tem sido uma das formas essenciais para se desligar da ansiedade. Um de seus desenhos, um pássaro sendo atingido por uma flecha, retrata bem o que a ansiedade tem causado nos jovens neste período de quarentena. “A representação da arte na minha vida é que ela é um dos gritos mais silenciosos que eu posso dar, eu consigo dar cor aos meus sentimentos, formas e sig-

nificados, quando eu estou com um lápis e um papel na mão, eu me entendo, eu me expresso, eu me mostro, eu sou outra pessoa”, declara a estudante. Para a estudante de direito, Bruna Seixas, de 20 anos, a ansiedade entre os jovens devido à quarentena, tem aumentado. “Por causa da quarentena, acho que a ansiedade entre os jovens tem piorado muito, não só por causa das preocupações quanto à doença, mas o fato de ficarmos sem fazer nada, sem sair para nos ocupar com outras coisas, tenho muitos amigos, que inclusive têm passado mal ultimamente, por conta da ansiedade”, diz. Estudos e exercícios têm ajudado Bruna a controlar a ansiedade. “Tenho conseguido controlar bem a ansiedade, tenho me concentrado em estudar e fazer exercícios. Estou todos os dias estabelecendo uma rotina para me sentir útil e não ficar parada só pensando nos problemas”.

A moradora de Jaboticabal Melissa Kessilim de Souza Joaquim, 20, usa o entretenimento para controlar sua ansiedade. Recentemente a Netflix disponibilizou em seu catálogo o filme “O Poço”, que se popularizou durante a quarentena, trazendo temáticas políticas e sociais. Melissa expõe sua opinião sobre a ansiedade em tempos de pandemia fazendo referência ao filme, já que este foi debatido por muitos jovens na internet. “A minha ansiedade diminui a partir do momento que eu não foco tanto em mim mesma. A gente vive pensando no nosso futuro, no que é bom, mas isso pode deixar de ser saudável no momento em que a gente só pensa nisso”, afirma. “Em relação ao filme ‘O Poço’, ele faz com que a gente passe a discutir o social, faz com que não centralizemos nos mesmos com tanta frequência”, afirma Melissa.


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CULTURA

2º bimestre/2020

CINEMA EM CASA

Filmes se tornam passatempo na quarentena Estudante Amauri Junior, de Ribeirão Preto, assiste até cinco produções diariamente de sua coleção de DVDs e blu-rays

Foto: Amauri Martins Junior/Arquivo Pessoal

NÍKOLAS GUERRERO

Amauri Martins Junior, 31, coleciona mais de 300 títulos de filmes em DVDs desde 2001. Ele é estudante universitário e estuda produção audiovisual, o que justifica a sua paixão. “Eu gosto de ter a mídia física. É uma nostalgia dos tempos de locadoras, aliás, é de lá que veio grande parte da minha coleção”, diz Junior. Todos os filmes são armazenados em seu guarda-roupas. “Eles ficavam no rack da televisão, mas acabaram não cabendo mais, nem nas estantes. O guarda-roupa foi o único lugar disponível para comportá-los”, explica ele. O primeiro filme da coleção de Junior foi o thriller “A Cela”, adquirido aos 13 anos. A cantora Jennifer Lopez é estrela do longa e ídolo do colecionador, o que justifica a escolha. Terror também é um dos gêneros que ele mais assiste, perdendo apenas para o seu top 3: ação, suspense e comédia romântica. Dentre todos os filmes que tem, o seu favorito é “Dreamgirls”, uma adaptação de um musical da Broadway. Em contrapartida, o filme que menos gosta da coleção é

“Perigo Online”, que, segundo o estudante, “é um filme sem pé nem cabeça, uma história mal contada”. Junior conta que, em dias normais, ele assiste um filme por dia. Porém, nessa quarentena ele está conseguindo assistir até cinco filmes diários. A empresa de telecomunicações, na qual trabalha, decretou férias coletivas, contribuindo para o aumento na sua frequência.

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Amauri com o DVD de ‘Dreamgirls’, o filme favorito da sua coleção

A maioria dos filmes que eu compro são os que eu assiti no cinema ou na TV

Além de assistir mais filmes durante o dia, Junior recentemente decidiu abrir um canal no YouTube, chamado “Amauri Junior”. Nele, compartilha os filmes que assiste. O estudante já era acostumado a postar críticas dos filmes nas redes sociais. E pela quarentena e seu conhecimento em audiovisual, ele viu a oportunidade de produzir os vídeos. “Alguns amigos sempre me sugeriram isso [criar o canal],

então, devido ao fato de estar com tempo, acabei criando.” Ele posta pelo menos uma resenha por semana. E o resultado tem sido positivo, devido às críticas desses filmes e séries. “O pessoal tem assistido e me pontuado.” Junior diz que não enjoa dos filmes que coleciona e ainda confessa que pretende comprar mais. O que o impede é a quarentena. “Eu não me canso. A maioria dos filmes que eu compro são os que eu assisti no cinema ou na televisão e que eu gostei bastante. E eu gosto tanto a ponto de não enjoar nunca.” Junior destaca que hoje em dia os filmes estão mais disponíveis devido a tecnologia. “Tem a Netflix, internet, TV à cabo, enfim. Mas na mídia física tem a questão da relação que você acaba criando com a obra. E outro ponto que eu destaco é que vários DVDs e blu-rays vêm com versões especiais.” “Muitas das vezes é uma versão estendida do cinema, com cenas que não foram apresentadas. E o mais importante: aquelas versões que possuem bastidores e making-ofs que são incríveis. Isso também traz uma memória afetiva de quando eu fui assistir no cinema”, conclui.


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