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Jornal Barão de Mauá Ribeirão Preto - SP 3º bimestre/2020

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Ribeirão Preto - SP 3º bimestre/2020

ARTIGO Leia “Somos apenas peões em um tabuleiro de xadrez”, por Duda Cubas Pág. 3

Foto: Milton Kazama

jornal barão de mauá Isolamento na pandemia causa alta em divórcios em Ribeirão Curso de Comunicação Social - Hab. em Jornalismo Centro Universitário Barão de Mauá

Convivência num mesmo espaço para evitar a contaminação pela covid-19 foi fatal para alguns casais dade nesse período em relação a igual trimestre de 2019. “Houve modificações em muitas relações em razão de um convívio mais próximo, devido ao isolamento social, neste contexto da pandemia. A proximidade de dois seres humanos

demanda algo maior que amor e compromisso. Há que se inventar uma convivência harmoniosa com criatividade e desejo”, afirmou a doutora em psicologia Ane Ribeiro Patti. Julho, período de férias escolares, foi o mês que lide-

rou em número de divórcios, com alta de 50,9% em relação ao mesmo mês de 2019. Oitenta casais chegaram à conclusão que era melhor seguir a vida separados (na mesma época no ano passado registraram-se 56 FOTOGRAFIA - Thomaz Vita Neto divórcios). Pág. 6 dá dicas sobre a profissão - Pág. 2

Foto: Duda Cubas/Jornal da Barão

O trimestre de junho, julho e agosto deste ano, período de isolamento devido à pandemia da covid-19, não foi um mar de rosas para casais de Ribeirão Preto. Segundo informações do Colégio Notarial do Brasil, as separações aumentaram na ci-

AVIAÇÃO Comissários de bordo relatam assédio moral no trabalho Pág. 9

A arquiteta Bárbara Santos de Mello ajuda filha a fazer lição de casa: pandemia aumentou carga de responsabilidades das mães em Ribeirão

Internet ‘salva’ alunos que fazem cursinho de graça

Home office e filhos deixam mães mais sobrecarregadas

A internet foi a saída que um cursinho popular de Ribeirão encontrou para manter o ensino preparatório gratuito para seus alunos, impedidos de estudar no local em razão da pandemia da covid-19. “Fizemos um formulário com todas as questões necessárias para sabermos sobre o

Mães de Ribeirão Preto ficaram à beira de um ataque de nervos com a responsabilidade de cuidar da casa, dos filhos, além de manter a rotina de trabalho remoto. Entre elas está a auxiliar administrativa Aline Santos Goldman, que tem dois filhos. Após quase seis meses de aulas de

forma remota, Aline afirma que ainda se sente muito sobrecarregada com todas as atividades que precisa realizar. Mayara Caroline da Silva, psicóloga, afirma que houve aumento na procura feminina por terapia durante a pandemia. Ela reconhece que as mulheres ficaram sobrecarregadas. Pág. 4

Foto: Hilly Torrati

Foto: Bruna Perboni

acesso ao EAD e à internet e os melhores horários para aulas”, afirma Bruna Perboni, 19 anos, auxiliar de coordenação do Cursinho Popular Resistência. Localizado na região central de Ribeirão Preto, o ensino conta com professores voluntários e vem garantindo que alunos ingressem em universidades públicas. Pág. 5

ECONOMIA Empresas de Ribeirão usam internet para evitar prejuízos Pág. 5

LITERATURA Plataformas viram opção para quem gosta de escrever textos artísticos Pág. 10

ESPORTES Talento precoce leva garoto de São Carlos ao Fluminense Pág. 8

VAREJO Supermercado faz aplicativo para atender durante a pandemia Pág. 7 O CPR administra seu conteúdo por meio do EAD para ficar em dia

SAÚDE - Idosos se mantêm ativos com ajuda de fisioterapia

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OPINIÃO

3º bimestre/2020 Foto: Thomaz Vita Neto

EDITORIAL

A pandemia, ainda O Jornal da Barão está com uma nova equipe de redatores, os alunos do 4º semestre do curso de Jornalismo, que deram o melhor de si para produzir mais uma edição, a distância, em razão da pandemia, que, infelizmente, ainda persiste. E a pandemia é o eixo temático de várias reportagens que chegam às mãos e às telas dos computadores dos leitores. Maria Eduarda Cubas revela a rotina nada fácil de muitas mães de Ribeirão Preto que, além dos afazeres normais, precisaram encontrar uma maneira de conciliar suas responsabilidades com a dos filhos pequenos, impedidos de ir para as escolas. A covid-19 também bagunçou a rotina do cursinho popular Resistência, que prepara gratuitamente jovens sem recursos para realizar o sonho de ingressar em uma universidade. As aulas tiveram de migrar para as telas de celulares e notebooks. Quem dá os detalhes sobre essa história é Mayla Shiva Souza, ela própria um dos professores voluntários do cursinho. A estudante também emplacou uma reportagem sobre a biblioteca pública Sinhá Junqueira, local de atração de estudantes e leitores, que também foi impactado pela pandemia. O isolamento a que muitas pessoas de Ribeirão Preto se submeteram para evitar a do-

ença, que já matou mais de 160 mil pessoas no país, levou muitos casais a, primeiro, discutir a relação, e, depois, decidir pela separação, revela Victor Hugo Conte. O mês no qual a cidade teve recorde de divórcio foi julho, período que coincide com as férias escolares. Para evitar aglomerações em seus pontos de venda e o consequente risco de contágio pela covid-19, supermercados estão buscando alternativas para atender os consumidores remotamente. É o que revela reportagem de Igor Barbosa. Um deles chegou a desenvolver um aplicativo para compras a distância. Mas nem só de assuntos relacionados à pandemia se faz um jornal. Vinícius Proença conta como um garoto de 14 anos de São Carlos, bom de bola, atraiu a atenção de grandes clubes e hoje treina no Fluminense, no Rio de Janeiro. Pode estar nascendo mais uma estrela no futebol. Luiza Vitória Marchi revela que a tecnologia está ajudando o Brasil a ser um país de homens e livros, como sonhava Monteiro Lobato. Mas não exatamente homens, e sim garotas, que estão lançando seus trabalhos nas plataformas Amazon, Wattpad e Spirit. Essas e outras reportagens, de economia, comportamento e saúde, estão nesta edição do Jornal da Barão. A todos uma ótima leitura!

O jornal barão de mauá é uma publicação produzida pelo curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá. REITORA

Profª. Dra. Dulce Maria Pamplona Guimarães VICE-REITOR

Prof. João Alberto de Andrade Velloso PRÓ-REITORA DE ENSINO

Profª. Ma. Valéria Tomás de Aquino

PRÓ-REITORA DE PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Profª. Dra. Joyce Maria Worschech Gabrielli PRÓ-REITOR ADMINISTRATIVO

Antonio Augusto Abbari Dinamarco DIRETORAS INSTITUCIONAIS

Prof.ª Maria Debora Vendramini Durlo Prof.ª Meire Aparecida Pedersolli

PRÓ-REITOR DE GRADUAÇÃO

COORDENADORA DO CURSO DE JORNALISMO

Prof.ª Me. Carmen Silvia Porto Brunialti Justo

REPORTAGEM, FOTOJORNALISMO E DIAGRAMAÇÃO

Alunos do curso de Jornalismo

PROFESSORES RESPONSÁVEIS EDIÇÃO, COORDENAÇÃO E REVISÃO DE TEXTOS

Prof. Me. José Antonio Bonato

PROJETO GRÁFICO E EDIÇÃO DE ARTE

Prof. Me. Alberto G. P. Oliveira EDIÇÃO DE FOTOGRAFIA

Prof. Dr. Jefferson Barcellos Os textos desta página, exceto o Editorial, são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião do veículo.

EXPEDIENTE

Thiago Henrique de Moraes

Bombeiro resgata mulher em ponto de ônibus durante enchente em São José do Rio Preto

GALERIA

Fotógrafo Thomaz Vita Neto dá dicas para alavancar a carreira

JB - Qual a sua experiência como profissional? Thomaz Vita Neto - Iniciei minha carreira profissional em 1998. Atuei como repórter fotográfico no Jornal a Folha de Rio Preto e em seguida ingressei na Agência Bom Dia. De 2008 a 2012 trabalhei no jornal Diário da Região, em São José do Rio Preto. Atualmente sou colaborador na Pulsar Imagens e na Agência Tyba, na qual meu trabalho tem como foco a produção de imagens para livros didáticos produzidos pelas principais editoras do país. São elas Editora Abril, Saraiva, Positivo, Anglo, Moderna, Ática, FTD e Editora do Brasil, entre outras. Desde que comecei a fotografar no final dos 90 desenvolvo trabalho auJornal da Barão - Desde toral com pesquisa e reportagem quando você se interessa por fotográficas voltado à cultura pofotografia? pular do nosso país. Thomaz Vita Neto - Desde criança eu sonhava frequenJB - Já ganhou prêmios? temente que estava olhando, Thomaz Vita Neto - Sim, brincando ou manuseando foto- durante minha trajetória profisgrafias. Para mim eram apenas sional recebi vários prêmios, sesonhos. Mas aos 15 anos as fotos gue alguns deles: 1° lugar - Salão de jornais e revistas começaram Nacional de Fotografia de Araa me chamar a atenção. As fo- raquara – 2012; 1° lugar - Salão tos de guerra, assim como as da Nacional de Fotografia Pérsio Amazônia, a seca no interior do Galembeck – 2012; 1° lugar - SaNordeste, as imagens do Xingu lão Nacional de Fotografia Pére as manifestações que aconte- sio Galembeck – 2013; 1º lugar ciam nos grandes centros me Prêmio Edson Baffi de Fotogradeixavam encantados. Sentia um fia São José do Rio Preto – 2014; sabor de aventura naquele traba- 2° lugar - Salão Internacional de lho e eu queria estar ali fazendo Fotografia de Ribeirão Preto o mesmo. Após anos finalmente cor digital – 2020; 2° lugar Salão entrei de forma profissional nes- Internacional de Fotografia de se meio, no qual estou até hoje. Ribeirão Preto – analógico P&B Quem sonha ser fotógrafo deve mergulhar nesse objetivo com o corpo e a alma, diz Thomaz Vita Neto, profissional que atua na região de São José do Rio Preto desde 1998, com experiência em jornais diários, editoras de livros e em pesquisas fotográficas sobre cultura popular. Multipremiado, Vita Neto avisa que para crescer profissionalmente é preciso intensa dedicação aos estudos. E, diz, não pode faltar o principal: caráter e ética. “Se você não tiver ética e caráter, já começou mal e não vai chegar a lugar algum.” Leia, a seguir, entrevista com o fotógrafo.

jornal barão de mauá na internet:

Centro Universitário Barão de Mauá

http://jornalismo.baraodemaua.br / jornalismobaraodemaua

Unidade Independência Rua José Curvelo da Silveira Jr., 110 Jd. Califórnia – Ribeirão Preto - SP Fone/Fax: (16) 3602-8200

Contato: jornal@baraodemaua.br

Horário de funcionamento segunda a sexta: 18h30 às 22h30

– 2020. O ensaio fotográfico intitulado a Força e a Fé do Folclore Brasileiro, de minha autoria, faz parte do acervo do MIS (Museu da Imagens e do Som). JB - Que conselho você daria para quem deseja se tornar fotógrafo profissional? Thomaz Vita Neto - O primeiro requisito é ter caráter. Se você não tiver ética e caráter, você já começou mal e não vai chegar a lugar algum. A fotografia é de extrema relevância para a nossa sociedade, história e para o planeta, assim, ela não aceita picaretagens. O universo fotográfico não se alinha com “picaretas”, principalmente no fotojornalismo. Acredito que para ser um fotógrafo profissional é preciso ter consciência de que a fotografia é de imensa importância e está presente em todas as áreas, como na mídia impressa, nos meios de comunicação, na ciência, arquitetura, moda, publicidade, agronegócio e outros setores. Além disso, para quem está começando, aconselho a ver muita, muita fotografia, estudar, pesquisar, debater, fazer cursos, workshops, participar de festivais de fotografia e conhecer o trabalho dos grandes mestres e estar atento para novos talentos que estão surgindo. Outra dica é ser ousado, buscar sempre uma nova foto, muitas vezes quebrando regras fotográficas criando assim sua identidade na fotografia. É isso aí pessoal, e bons clicks!

Desde 1966, formando grandes profissionais, baseada em princípios éticos e humanísticos, a Organização Educacional Barão de Mauá é hoje referência em qualidade de ensino.


3º bimestre/2020

OPINIÃO

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ARTIGO

Somos apenas peões em um tabuleiro de xadrez DUDA CUBAS

Podemos escapar do nosso destino? O universo não passa de um nó gigantesco do qual não há escapatória. Você é realmente livre? Somos donos dos nossos próprios atos? “A diferença entre passado, presente e futuro é apenas uma persistente ilusão”. É com essa citação de Einstein que a série DARK começa e é com ela que eu dou início a esse texto. DARK é uma séria alemã da Netflix que fala sobre viagens no tempo. Na verdade, é simplório demais falar que é apenas sobre isso que a séria retrata. Além disso, ela aborda questões filosóficas – como Nietzche, Arthur Schopenhauer e Friedrich Ratzel –, históricas, teorias físicas sobre o universo, cristianismo, deter-

minismo, livre-arbítrio, mitologia grega, simbolismo, literatura e Shakespeare. Diferente de muitas sérias que apenas transmitem referências e entretenimento de forma passiva, DARK exige um receptor curioso, sedento de informações e com um repertório de conhecimento um tanto quanto exigente. Dentre os temas que DARK aborda, está a questão do determinismo e livre-arbítrio dos personagens, onde a série se inspirou no conceito do “Eterno Retorno” de Nietzche. De forma resumida, todas as personalidades dentro do contexto da série vivem em um ciclo temporal, onde tudo já está determinado, pois tudo já aconteceu e vai continuar acontecendo, de forma infinita. Pensando desse jeito, como haveria o livre-arbítrio se tudo

já está escrito, determinado por causas externas e longe do nosso alcance? No caso, não existe! Na ciência, existe uma vertente que estuda essa questão de que tudo, inclusive nosso futuro, já aconteceu e não existe nada, nenhuma liberdade nossa para mudar isso. Um exemplo que a série dá é quando o personagem principal decide tirar sua vida, mas não consegue, pois ele mais velho já existe, sendo assim, ele não pode morrer naquele momento. “Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você terá de viver mais uma vez e por incontáveis vezes; e nada haverá de novo nela...”, diz Nietzche. Fazendo uma comparação com o filme “Interestelar”, quando Cooper decide fazer algo para impedir sua ida à viagem pelo espaço, ele encontra um lugar no

espaço-tempo onde tanto o passado, presente e futuro coexistem. Em uma tentativa de mandar uma mensagem para seu eu do passado para impedir sua saída, ele acaba sendo a causa de sua partida. Sua ação é a causa e a consequência da mesma. Toda ação que ele tomou, já tinha sido tomada por uma versão mais velha, portanto, não poderia ser mudada. Nós humanos estamos sempre buscando responder três perguntas básicas: de onde viemos, para onde vamos e o que estamos fazendo aqui. Pensando nessa filosofia de que tudo já está determinado pois tudo já aconteceu, qual seria o sentido da nossa vida? O que eu faço ou deixo de fazer, muda algo? Como minhas ações interferem no meu futuro se ele já existe? Se eu tivesse a chance de ver

meu futuro ou passado, aquilo mudaria algo ou estaria dentro de uma cadeia de acontecimentos que já estava prevista? Você ler esse artigo, muda o seu eu do futuro ou ele só existe porque você está lendo esse texto? Como sobreviver a essa falta de sentido? Ao niilismo? Como justificar uma existência sem valores e direção? Como entender a vida em sua plenitude se ela é apenas uma peça dentro de um jogo muito maior? Talvez eu e você de agora não saibamos, mas em algum lugar do espaço-tempo existe uma versão sua mais velha que já tem essa resposta. Duda Cubas é estudante do 4º semestre do curso de Jornalismo da Barão de Mauá.


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EDUCAÇÃO

3º bimestre/2020

Mães fazem jornada dupla na quarentena

Isolamento social causado pela covid-19 virou de cabeça para baixo a rotina de grande parte das famílias de Ribeirão

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O conteúdo é um pouco complexo e está finalizando a alfabetização

“Sim, a professora tem feito um belo trabalho”, disse Maria Fernanda, quando questionada se sua filha estava conseguindo acompanhar normalmente as aulas. Tanto Graciliana, Alessandra e Maria Fernanda possuem uma situação financeira capaz de manter uma empregada doméstica para ajudar nas atividades da casa, conseguindo prestar um maior auxilio nas atividades escolares dos filhos, mas essa não é a realidade de muitas. Aline Santos Goldman é auxiliar administrativa e está trabalhando em home office devido à quarentena. Seus dois filhos estudam em uma escola pública e estão recebendo as atividades normalmente por grupos de WhatsApp.

Aline, além dos trabalhos de auxiliar administrativo que precisa desenvolver, também é responsável pelas atividades domésticas e escolares dos dois filhos. “Não tenho ajuda de outros familiares”, disse Aline, quando questionada se tinha ajuda de outros familiares ou amigos nas atividades escolares dos filhos. Mesmo após quase seis meses de aulas de forma remota, Aline afirma que ainda se sente muito sobrecarregada com todas as atividades que precisa realizar, situação diferente da encontrada na casa de umas das mães do grupo Mamis. “Acredito que já passou o ‘susto’ e estamos vivendo os dias atuais com maior adaptabilidade e aceitação”, disse Graciliana. SAÚDE Mayara Caroline da Silva, psicóloga desde 2016, atende várias mães e conta um pouco sobre como essa nova situação e rotina afeta essas mulheres. Ela diz que houve um aumento na procura de mulheres e mães atrás de auxílio psicológico desde o início da quarentena, mas que essa mudança pode não ter ocorrido apenas na área da psicologia. “Houve um aumento. Seria muito bacana que existissem estudos que explorassem isso em um nível mais abrangente. Por exemplo: esse aumento é percebido por outros profissionais de saúde? Essas mulheres chegaram à clínica psicológica exclusivamente pelas condições impostas pela pandemia?” Um ponto importante citado por Mayara é sobre o “papel de mulher” dentro e fora do contexto da pandemia e isolamento. “Como um fenômeno cultural, a mulher que é mãe acaba sobrecarregada mesmo quando existem outros adultos que auxiliam na criação e educação dos filhos. Isso porque a carga mental do trabalho doméstico é ta-

Foto: Arquivo Pessoal

Desde o começo da quarentena em Ribeirão Preto, alunos de escolas infantis começaram a ter suas aulas de forma remota, através da internet e por isso, professores, estudantes e mães precisaram se adaptar para essa nova forma de ensinar a aprender. Graciliana de Souza Leal, Alessandra Marques Corrêa Afonso, Maria Fernanda Lopes Montenegro e Renata Yuri Nakachima são mães e contam um pouco de como a rotina delas e dos filhos mudou durante a quarentena, principalmente na educação. Eduardo e Gustavo, filhos de Graciliana, estão estudando a partir de uma plataforma Microsoft Teams, seguindo o cronograma normal das aulas. “Tento sempre trabalhar na autonomia dos meninos, mas acabo auxiliando com frequência os dois. Sempre eu, ou meu marido ajudamos nas atividades escolares deles.” Eduardo, de oito anos, filho mais velho de Graciliana, está tendo dificuldade em acompanhar o que o professor passa, por causa da etapa escolar em que está. “O conteúdo é um pouco mais complexo e está finalizando o processo de alfabetização.” Laura e Pedro, filhos de Alessandra, também estão tendo aulas a partir da plataforma Teams e estão conseguindo acompanhar a matéria passada pelos professores com normalidade. “Elas fazem sozinhas a maioria das atividades propostas.” Luiza, de oito anos e filha mais velha de Renata, está tendo aulas pela plataforma Zoom, e a mãe acredita que a filha não está tendo grandes prejuízos nessa nova forma de aprender. “Obviamente não está sendo como deveria, mas não vejo isso como um prejuízo.” Tanto as aulas de Luiza quanto as de Daniel – filho mais novo de Renata – estão programas para

voltar em outubro, mas Renata não se sente confiante e confortável para deixar seus filhos retornarem às aulas presenciais. Em relação à nova rotina e à adaptação que foi preciso ser feita, Renata e Alessandra possuem depoimentos semelhantes. “No início, sim. Agora que já organizamos uma rotina e me adaptei”, disse Renata, quando questionada se se sentia mais sobrecarregada agora do que antes da quarentena. Alessandra diz o mesmo. “No início senti, mas agora já estou adaptada a esta situação e não sinto mais essa sobrecarga.” Já Maria Fernanda é mãe de uma menina de quatro anos e ajuda sua filha nas atividades escolares quase todos os dias, mas precisa deixar algumas tarefas alinhadas com a professora nos dias em que está trabalhando.

Durante o isolamento, mães se reinventaram para conseguir harmonizar trabalho, filhos, casa e saúde

Foto: Arquivo Pessoal

DUDA CUBAS

Em casa, criança realiza suas atividades escolares com ajuda da mãe

refa quase exclusiva da mulher – a maternagem e a criação dos filhos ainda mais!” A carga mental do trabalho doméstico é a percepção e planejamento de tudo aquilo que precisa ser feito para o bom funcionamento da casa e da dinâmica familiar e, em geral, é sempre a mulher responsável por esse trabalho. A mulher é responsável pela vacinação dos filhos, pelas compras de casa, lazer, consultas médicas e outros cuidados mais “básicos” como o filho precisar de um tênis novo. O gerenciamento de todas essas pequenas coisas do cotidiano é exaustivo, especialmente porque muitas vezes vem associado a execução exclusiva da mulher. “Se fizermos o comparativo com uma empresa, a mulher ocupa o cargo de gerente, supervisor e executor do trabalho. Imagine como ficou a carga dessa gestão no período de pandemia.” Segundo Mayara, uma demanda maior de responsabilidade pode ser percebida até mesmo no contexto social. Um exemplo disso são alguns memes postados nas redes sociais em grupos de mães, sempre velado com algum humor ou trazendo implícito o grande sentimento de culpa. Mayara diz ainda que o que mudou durante a pandemia foi a percepção da mulher sobre essa sobrecarga. “Além disso, outro fator importante de ser percebido pela mulher é que ela tem o direito de possuir seus próprios afetos e desejos – que são muito individuais e variados e que muitas vezes ficam em segundo plano, soterrados pela rotina doméstica e pelo cuidado voltado ao outro.” Esse ponto fica ainda mais evidente na fala de outra psicóloga, Renata Yuri Nakachima. “Não. Só me procuraram mães que estavam preocupadas com a ansiedade das crianças”,

disse, quando questionada se alguma mãe tinha entrado em contato com ela por causa de uma situação mais extrema. PROJETO SOCIAL O projeto social terapêutico “Quem é você mulher” é dirigido pela psicóloga Mayara Caroline da Silva com o objetivo de ampliar o conhecimento pessoal da mulher. “É um grupo terapêutico gratuito voltado para a reflexão e discussão das vivências que nós mulheres temos em comum.” O grupo é formado por mulheres de realidades diferentes e ainda assim é possível ver que todas elas possuem vivências em comum. “A troca de experiências e reflexões no grupo é muito rica.” Mayara diz que os depoimentos das mulheres que participam do grupo são diferentes em relação ao o que elas estão sentindo e vivendo nesse período. “Existem mulheres que se descobriram nessa quarentena. Aprenderam a delegar funções que antes executavam sozinhas, aprenderam a exigir o respeito de seu espaço como mulher dentro do âmbito familiar, etc.” Mas essa não é a realidade de todas e por isso o trabalho desenvolvido na clínica ou no grupo terapêutico é tão importante e pode auxiliar a caminhada de todas essas mulheres. “Em contrapartida, existem mulheres que abriram mão de suas individualidades e desejos para atender ao esperado social: ser a mãe exemplar, esposa perfeita, profissional dedicada.” SERVIÇO: Mais informações sobre o projeto “Quem é você mulher?” entre em contato pelo número de telefone: (16) 98107-2644


EDUCAÇÃO

3º bimestre/2020

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Cursinho popular migra para a internet

Isolamento alterou a rotina dos alunos do Cursinho Pupular Resistência e coordenação teve que aderir às aulas remotas MAYLA SHIVA

O Cursinho Popular Resistência (CPR) é uma iniciativa sem fins lucrativos que oferece aulas para vestibulandos em situação de fragilidade socioeconômica. Contudo, a pandemia de coronavírus mudou por completo a dinâmica de funcionamento do cursinho, tanto para alunos quanto para professores. Há dois anos o Resistência conta com um corpo docente completamente voluntário e uma grade de aulas focada nos principais vestibulares, de segunda a sábado na sede do CPR, localizada no centro de Ribeirão Preto. Com a chegada da covid-19, o cursinho precisou se adaptar às tecnologias de EAD para continuar existindo. “Quando se trata de ensino popular temos que entender que cada um terá uma realidade diferente, e que nem sempre iremos saber lidar com cada uma delas, mas temos que ter empatia. Só assim entendemos o quão difícil pode ser se adaptar a esse método de ensino remoto”, disse a auxiliar de coordenação Bruna Perboni, 19. Com uma turma de cem alunos, o Resistência utilizava-se de uma construção coletiva do espaço, onde os alunos ajudam manter o local organizado para o uso de todos. Esse diferencial de organização colaborativa permitia inclusi-

Foto: Bruna Perboni

CPR antes da pandemia: alunos eram acostumados com o livre acesso ao espaço físico do cursinho

ve que os alunos utilizassem do espaço do cursinho para estudar fora do horário das aulas, sem a necessidade de um professor ou coordenador presente. Mas com as medidas de isolamento social adotadas pela cidade, todo o sistema de funcionamento do cursinho precisou passar por uma reavaliação e adaptação à realidade da pandemia. A coordenação precisou avaliar todas as possibilidades levando em conta a vulnerabilidade social de seus alunos. “Fizemos um formulário com todas as questões necessárias para sabermos sobre o acesso ao EAD e à internet e os melhores horários para aulas.” Ainda segundo Bruna, 80% das respostas revelaram que os alunos tinham um acesso satisfatório para participarem das aulas online.

“Pensando nos alunos que não conseguiriam participar, decidimos junto ao corpo docente optar pela gravação de todas as aulas para que aqueles que não possuem acesso ao EAD possam aproveitar o conteúdo depois.” Para o estudante Murillo Guimarães Gonçalves, 20, o Resistência foi uma oportunidade de se dedicar exclusivamente aos estudos. “No ano passado, fiz um cursinho pré-vestibular particular. Eu trabalhava integral para pagar, mas esse ano resolvi parar e focar somente nos meus estudos, desde que conseguisse gratuitamente. Felizmente deu certo e sou muito grato ao Resistência.” Durante a pandemia, Murillo também passou por um processo de adaptação ao ensino à distância. “Em questão de internet não tive problemas, mas

enfrentei dificuldades em me acostumar com os estudos no ambiente de casa que sempre tem conversas adjacentes e barulhos. Também tive algumas dificuldades com a aprendizagem à distância, pela falta de costume, foco e concentração. O tempo foi a chave para me adaptar e minha família se acostumar. Não me sinto prejudicado, mas sinto falta das aulas presenciais.” Apesar de todas as dificuldades impostas pelo isolamento social, a equipe do CPR encontrou alternativas de manter o diferencial do seu sistema de ensino, oferecendo mais do que apenas aulas pré-vestibulares aos seus alunos. “O aproveitamento e rendimento são altíssimos. Os docentes continuam inovando e deixando as aulas descontraídas para desfrutarmos o máximo possível”, diz Murillo.

Ainda segundo o aluno, o Resistência também oferece programações diferentes, como rodas de conversa, aulas extras de livros dos vestibulares e aulas de yoga, etc. “Isso faz a com que a gente se sinta mais ‘em casa’ com o Resistência, e não ficamos apenas na bolha do vestibular. Eu acho essencial, pois existem outras formas de conhecimento que são válidas tanto quanto o material do ano letivo, que se mantém com muito efetividade.” O índice de aprovações em vestibulares da primeira turma do Resistência prova que essa abordagem diferenciada de ensino dá certo. Entre os mais de vinte alunos que conquistaram uma vaga no ensino superior, destacam-se aprovações em universidades como a USP, UFTM, Unesp, Unicamp, UFSCar, entre outras. “O futuro é incerto, mas temos grandes expectativas de formar a terceira turma em 2021, dando continuidade aos mesmos princípios para democratizar o acesso em todas as universidades brasileiras. Logo, espero que o CPR volte a ativa presencialmente com todas as forças”, fala a auxiliar de coordenação. SERVIÇO Mais informações no endereço eletrônico cursinhopopularresistencia@gmail.com ou através do número para contato (16) 99135-4237.

Biblioteca Sinhá Junqueira realiza campanhas solidárias MAYLA SHIVA

A Biblioteca Sinhá Junqueira (BSJ), um dos principais pontos culturais de Ribeirão Preto, está apoiando coletivos sociais da cidade na realização de campanhas de arrecadação de donativos e alimentos para pessoas carentes. Duas iniciativas estão sendo apoiadas pela biblioteca com essas doações. A primeira delas é a ONG Reação, que tem como objetivo principal preparar e fornecer refeições diárias para a população em vulnerabilidade que habita as comunidades periféricas da cidade. Já a Campanha Solidária é uma ação promovida por coletivos negros de Ribeirão Preto que, através da arrecadação de itens de higiene pessoal, elaboram kits que são posteriormente distribuídos para pessoas em situação de rua. “A biblioteca tem como princípio e objetivo apoiar os movimentos e as ações que acontecem na cidade”, diz a agente cultural da Biblioteca Sinhá Junqueira, Carolina Leopoldo Gregório, 30. “A ONG Reação busca os alimentos doados e distribui entre as quatro cozinhas comunitárias, nas quais os voluntários preparam as refeições que serão servidas para as pessoas que moram

Foto: Biblioteca Sinhá Junqueira

blioteca Sinhá Junqueira, Adonai Takeshi Ishimoto, 24, elaborou um sistema de agendamento remoto para dar continuidade nos empréstimos de livros durante o isolamento social. “O sistema funciona via telefone, à distância, como uma espécie de ‘consulta médica’. A pessoa liga para a biblioteca, informa qual o livro que ela deseja pegar emprestado e, na data e horário definidos para a retirada, vem buscar o livro na portaria”, disse Adonai. O coordenador conta que é estabelecido um intervalo de, no mínimo, meia hora entre uma retirada e outra para evitar Funcionários da Biblioteca Sinhá Junqueira distribuem kits de higiene aglomerações e ser realizado um naquelas comunidades. São ofePara colaborar basta levar as processo completo de higienizarecidas duas refeições ao dia.” doações até a recepção da biblio- ção do espaço. Quando os livros são devol“A campanha solidária fun- teca, na Rua Duque de Caxias, ciona da seguinte maneira: os 547. Para mais informações os in- vidos, também passam por uma produtos doados são separados, teressados podem entrar em con- espécie de “quarentena”, ficando contados e higienizados. Após tato através do telefone (16) 3625- indisponíveis para empréstimos esse processo, montamos kits 0743 ou mandar uma mensagem durante um determinado período. “O nosso acervo completo que incluem sabonetes, sabone- pelo site www.bsj.org.br. está disponível para consulta no te líquido, sabão em pedra, água site oficial da biblioteca, assim o potável, escova e pasta de dente”, FUNCIONAMENTO REMOTO diz Carolina, descrevendo os moA chegada do novo corona- leitor consegue escolher previavimentos apoiados pela BSJ. vírus em Ribeirão Preto inter- mente a obra que ele gostaria de A biblioteca foi escolhida rompeu as atividades culturais da retirar para a leitura. Nesse cacomo local para a recepção e aco- biblioteca, que precisou fechar as tálogo consta inclusive se o livro lhimento dessas doações pela sua portas para o público em março. está disponível ou não para emfacilidade de acesso, uma vez que Buscando maneiras de se préstimo naquele momento.” Com o empréstimo limio prédio fica estrategicamente lo- adaptar à realidade da pandemia, calizado no centro de Ribeirão. o coordenador do acervo da Bi- tado a um livro por pessoa, são

marcados no máximo sete agendamentos para um mesmo dia, diminuindo assim a circulação de pessoas e obras. Todas essas medidas de segurança foram tomadas para garantir a segurança dos leitores e dos funcionários. De acordo com Adonai, houve uma aceitação quase instantânea dos usuários à ideia. “A gente percebeu que as pessoas continuaram lendo e buscando conteúdo durante a pandemia, e a biblioteca é um espaço que permite isso. Os nossos materiais físicos estão disponíveis para o público e a nossa intenção é continuar incentivando o consumo de livros e desse tipo de conteúdo.” No dia 6 de outubro, a BSJ reabriu para a população com apenas 40% de sua capacidade total disponível no local. Os acervos permanecem fechados para o público, evitando assim o risco de contaminação onde as obras são guardadas e manuseadas pelos funcionários. Seguindo todos os protocolos de segurança, como a obrigatoriedade do uso de máscara e a disponibilidade de álcool gel pelo espaço, são também distribuídas aos visitantes senhas para controle de entrada por ordem de chegada e a temperatura de todos é checada na portaria.


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CIDADES

3º bimestre/2020

Pandemia abala casamentos em Ribeirão Preto Meses de junho, julho e agosto registram alta de separações; psicóloga diz que convívio próximo selou fim das relações VICTOR CONTE

O número de divórcios em Ribeirão Preto aumentou nos meses de junho a agosto deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo informação do Colégio Notarial do Brasil. Coincidência ou não, foi nessa fase que moradores estavam isolados dentro de casa em razão da pandemia da covid-19, o que sugere que as relações tenham se deteriorado devido a essa excessiva proximidade dos casais. “Meu relacionamento já vinha se desgastando por inúmeras coisas, porém, o maior problema foi a constante implicância com meus filhos e netos que não eram desse casamento”, declarou Sueli (nome é fictício). “Neste momento as pessoas têm mais tempo para analisar os defeitos do companheiro. Em minha opinião acho que deveriam morar cada um em sua casa e ter sua própria rotina para não acabar com a magia”, afirmou. Com base nos dados de 2019 e 2020 oferecidos pelo Colégio Notarial do Brasil, observa-se que de janeiro a setembro houve oscilações para baixo e para cima no número de separações neste ano, mas nos meses de junho,

Foto: Arquivo Pessoal

Uma alternativa para os casais tentar entenderem a situação, diz a psicóloga, seria procurar um terapeuta. “A terapia de casal pode ajudar o casal a amadurecer, optando por ficarem juntos, ou não, de forma responsável e ética”, afirmou a psicóloga. Muitas vezes um advogado pode fazer o papel de conciliador de uma relação estremecida. Mas quando a situação não tem jeito, o melhor é cada qual procurar saber seu direito e colocar um ponto final na relação com amparo na lei. “O advogado funciona como

Divórcios em Ribeirão Preto

Dilian Flamino de Mato diz que o advogado tem o papel de conciliador

julho e agosto os divórcios superaram a quantidade verificada no mesmo período de 2019, num padrão atípico. Em junho a alta foi de 8,9% em relação a 2019, quando foram registrados 56 divórcios. Em julho, a situação foi “explosiva”, com o maior valor do período: alta de 50,9% frente a 2019. As separações pularam de 53 para 80 casos. Em agosto a situação declinou, porém com alta de 36,1% (64 casos, contra 47 em 2019). “Houve modificações em muitas relações em razão de um convívio mais próximo, de-

vido ao isolamento social, neste contexto da pandemia. A proximidade de dois seres humanos demanda algo maior que amor e compromisso. Há que se inventar uma convivência harmoniosa com criatividade e desejo”, afirmou a doutora em psicologia Ane Ribeiro Patti. De acordo com ela, as reconfigurações familiares implicam novas formas de pactos matrimoniais. “O que torna ainda mais importante o autoconhecimento, o poder saber do desejo de cada um, para saber o que se pode ou não, oferecer ao outro”, diz ela.

um conciliador e orientador dando à parte as diretrizes jurídicas, o que por si só já traze muito alívio. Principalmente porque muitas pessoas, por falta de conhecimento, ainda trazem consigo resquícios de noções da lei civil antiga”, afirmou a advogada Dilian Flamino de Mato. A advogada afirma que, de acordo com especialistas, traições e dívidas estão entre as maiores causas que levam um casal ao divórcio. Além disso, vícios, falta de comunicação, rotina e a interferência indevida de familiares podem levar um casamento ao fim.

Mês Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Total

Ano 2019

2020

63 38 48 57 67 56 53 47 58 487

50 47 52 31 52 61 80 64 25 462

Fonte: Colégio Notarial do Brasil

Tratamentos fisioterapêuticos beneficiam a saúde de idosos Com o crescimento da população idosa em nosso país, se torna cada vez mais necessária a presença de fisioterapeutas para lidarem com essa realidade. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), no Brasil, 5,85% da população tem mais de 65 anos, número que deverá aumentar em 15 vezes até 2025. Sendo assim, a procura por um bom profissional da saúde aumenta em decorrência a esse crescimento. Para a fisioterapeuta Gláucia Cópio Vieira, 34, atuante na Saúde do Idoso e em portadores de dores crônicas do Hospital Universitário de Juiz de Fora, a fisioterapia para idosos possui diversos benefícios. “A fisioterapia para o idoso proporciona qualidade de vida, trabalha o equilíbrio e a capacidade funcional, podendo contribuir para evitar hospitalizações e com isso levar redução de gastos públicos, além de reabilitar e prevenir diversas situações.” “O principal benefício que a fisioterapia me trouxe após fraturar meu fêmur foi voltar a andar. Tirou minhas dores no joelho, melhorou muito o meu modo de vida, porque antes eu não conseguia andar, usava o andador, e após os tratamentos consegui começar a andar sozinha e abandonei a bengala”, disse Dair Neves, 68, paciente tratada pelo Hospital São Francisco.

Problemas nas articulações são uma das causas mais comuns que levam um idoso para a fisioterapia, conhecidas como ‘artroses’. Segundo a OMS, a doença atinge cerca de 9,6% dos homens e 18% das mulheres acima de 60 anos. As quedas chegam em segundo lugar. Perante dados coletados do Ministério da Saúde, 40% dos idosos à partir dos 80 anos caem a cada ano. “Existem outros problemas comuns na terceira idade, que são as quedas. Atuamos na prevenção dessa situação, como também na reabilitação de um idoso que sofreu fraturas”, declarou a profissional. Por consequência do envelhecimento, é comum surgirem problemas de ordem fisiológica e patológica, que devem ser tratados logo quando aparecem, a fim de minimizar os efeitos da idade avançada. Entretanto, não são todos os idosos que precisam de fisioterapia. “Todos os idosos precisam de atividades físicas, o que é diferente de precisar de fisioterapia. Aquele idoso que apresenta dificuldades para andar, levantar os braços, dificuldades para realizar suas atividades de vida diária, que sofreram quedas, podem precisar de fisioterapia. É necessário passar por uma avaliação para saber ao certo sobre a necessidade”, afirma Gláucia. No Brasil, para uma pessoa ser considerada da terceira idade precisa atingir os 60 anos, de

acordo com Estatuto do Idoso. Apesar desse número ser considerado “padrão”, atualmente, não há uma idade predominante. “Hoje em dia, não existe uma idade mais prevalente. Todos os idosos que tem uma certa independência, querem ficar bem e buscam por nossos serviços.”

terapia especializada em saúde do idoso pela UFSCar, uma sessão em clínica chega a custar em média R$ 80, um valor que, para algumas pessoas, pode ser considerado inalcançável. Entretanto, em Ribeirão Preto, o idoso pode contar com um apoio vindo da prefeitura. “Hoje em dia existe serviços da prefeiCENÁRIO EM RIBEIRÃO tura onde o idoso consegue reNão são todas as pessoas alizar atividades físicas, como o da terceira idade que possuem PIC”, declarou a fisioterapeuta. condições financeiras de pagar Os idosos podem recoruma consulta. Segundo a fisiote- rer à lugares que oferecem sesrapeuta Hilly Torrati Mirândola sões gratuitas em universidades Simi, 28, pós graduada em fisio- como Anhanguera, que está lo-

calizada na Avenida Portugal, 254, Vila Seixas, e Unaerp, que se encontra na avenida Costábile Romano, 2.201, Ribeirânia. O “Núcleo da Terceira Idade”, localizado na Avenida da Saudade, 2.182, Campos Elíseos, tem como objetivo trazer uma melhoria de vida para os idosos ribeirão-pretanos. Ele conta com mais de dois mil idosos cadastrados, oferecendo atividades como yoga, PICS (ginástica aeróbica), teatro, coral, entre outros, visando oferecer uma vida mais saudável aqueles que mais precisam. Foto: Hilly Torrati

LUIZA LUZ

A fisioterapeuta Hilly Torrati Mirândola Simi auxilia uma paciente a fazer seu exercício durante sessão


3º bimestre/2020

ECONOMIA

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Vendas por aplicativo salvam comerciantes

Queda nos negócios durante a pandemia de covid-19 foi freada pelos atendimentos online, revela pesquisa de associação A quarentena obrigatória causada pela pandemia da covid-19 trouxe muitos prejuízos aos comerciantes de Ribeirão Preto. A região ribeirão-pretana ficou aproximadamente 53 dias na fase vermelha, na qual os negócios têm inúmeras restrições e devem permanecer fechados, o que levou muitas empresas a falirem. Um levantamento feito pela Acirp (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto) em julho mostrou que mais de 10% das empresas consultadas já tinham encerrado as atividades ou estavam em processo de encerramento. A pesquisa ouviu 154 empresas associadas entre os dias 20 e 27 de julho de 2020. Alguns levantamentos setoriais já foram divulgados e mostraram perdas significativas. Estima-se que 66,8% das empresas fecharão ou ficarão em situações delicadas financeiramente nos próximos seis meses. Com os comércios fechados, os empresários foram forçados a reinventar-se, para não fecharem as portas. Contudo, quem conseguiu migrar para as vendas online teve um prejuízo financeiro menor e aos poucos está retomando as atividades. A plataforma online e aplicativos de entrega nunca foram tão requisitados, tornando-se a salvação de muitos comerciantes. Segundo uma pesquisa realizada pela Acirp (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto), entre 20 e 27 de julho, 83,8% das empresas tiveram queda em suas vendas e, delas,

Foto: Victor Conte

VICTOR CONTE

O comerciante Lucio Donizete Schiavinoto fecha seu estabelecimento na zona norte de Ribeirão Preto: vendas pela internet evitaram perdas

75% tiveram redução de faturamento superior a 20%. Ainda assim, se saiu melhor quem investiu em comércio on-line. O levantamento mostra que o WhatsApp é o aplicativo mais usado pelas empresas: 77,9% delas usam o meio. “As vendas por aplicativo estão sendo ótimas. É algo muito mais organizado e prático do que

vender no comércio presencialmente. Eu penso em continuar as vendas pelo aplicativo mesmo após a pandemia. Ele [o aplicativo] ajudou muito durante esse período”, declarou Rosangela, dona da Laranjinha Lanches e Pizzas localizadas na Rua Itapicuru, no bairro Ipiranga. “Nós trabalhamos com delivery há 12 anos. Nos ajudou

muito na pandemia. Tivemos que ficar muito tempo com as portas fechadas e pode-se dizer que o delivery nos salvou”, afirmou Yara Corrês, sócia do Amauri Mega Lanches e Pizzas localizado na rua localizado na Rua Javari, também no bairro Ipiranga. “Algumas práticas que os comerciantes foram forçados a adotar durante o isolamen-

to social devem permanecer no pós-pandemia, como ampliação do serviço de entrega, maiores cuidados com higienização de ambientes, flexibilização das formas de pagamento, atendimento remoto, entre outras práticas específicas de cada área”, afirmou Guilherme Malagoli, economista e professor do Centro Universitário Barão de Mauá.

Supermercados criam aplicativos para facilitar as compras de clientes IGOR BARBOSA

Com a pandemia do coronavírus, muitas empresas viram seus negócios serem inviabilizados, porém começaram a investir nos espaços digitais. Supermercados do interior de São Paulo, mesmo sendo serviços essenciais, estão aproveitando esse momento para desenvolver um sistema de atendimento digital tanto com aplicativo próprio quanto com grandes marcas de delivery. Uma dessas empresas é a Rede Valor. Com mais de 50 supermercados associados, 20 anos de atuação no setor de varejo e com duas regionais no estado de São Paulo, a empresa optou por desenvolver um aplicativo que oferecesse segurança e conforto para seus clientes. “Essa ideia já estava nos planos antes do coronavírus, mas com novos problemas surgiram, entendemos que era preciso desenvolver um supermercado que estivesse à mão de todos e os deixassem seguros em suas casas”, afirma Adrielly dos Reis, analista da Rede Valor.

Foto: Igor Barbosa

Aplicativo Cliente Valor já está em fase de teste em Gavião Peixoto

“Além dos detalhes mais técnicos de consumo em supermercado, precisávamos desenvolver algo que incentivasse o consumidor a manter nosso aplicativo instalado, então começamos a pensar em opções funcionais”, disse. “Hoje nosso aplicativo conta com uma janela de blog, uma calculadora que mede a quanti-

dade de carne e bebida para um churrasco em relação ao número de convidados, que chamamos de churrascômetro. Além de uma lista de compras que o cliente pode adicionar produtos sempre que lembrar de algo que precise do supermercado e, em um dia especifico, pedir para entregar a lista completa.”

Os usuários do aplicativo terão acesso às campanhas de prêmios promovidas pela Rede Valor, ao regulamento, a seu saldo de cupons disponíveis para o sorteio, além das datas dos próximos e todos os ganhadores. O aplicativo Cliente Valor já está disponível para download para sistemas Android e IOS. O software está em fase de teste em um único supermercado da rede na cidade de Gavião Peixoto, onde atua o Supermercado Jacob. “Escolhemos essa cidade, mesmo com poucos habitantes, porque é uma cidade muito engajada e grandes aplicativos de entrega estão ficando disponíveis apenas agora, no segundo semestre de 2020”, declara Adrielly. “Por se tratar de uma cidade pequena, temos um controle melhor do desenvolvimento e da adesão do público com nosso aplicativo, para poder fazer ajustes de erros e detalhes que passam despercebidos”, diz. Como o aplicativo está em fase de teste em uma cidade pequena, não foi possível falar com nenhum usuário por conta

das restrições da pandemia do novo coronavírus. Outra empresa que está utilizando os espaços digitais é o Supermercado Bérgamo, de Ribeirão Preto. O Bérgamo optou por utilizar o sistema do iFood para receber e entregar os pedidos para os clientes. Beatriz Souza, 22, estudante de pedagogia, já utilizou o aplicativo de delivery para fazer comprar no supermercado. “A primeira vez que pedi eu estava procurando algo para o almoço e, como já conheço o Bégamo porque ele fica no bairro onde eu moro, eu agendei a entrega para o meu apartamento.” Beatriz afirma que o aplicativo do supermercado facilitou sua vida não só nas compras para almoço, mas de outros produtos. “Depois utilizei algumas vezes para pedir produtos de limpeza, frutas ou algumas coisas que acabam mais para o fim do mês, geralmente eu faço o pedido do meu trabalho e agendo para o horário que vou estar em casa, agora que voltei a trabalhar”, explica.


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ESPORTES

3º bimestre/2020

Fluminense treina ‘Neymar’ de São Carlos Garoto Isaque Silva, de 14 anos, chamou a atenção de olheiros e se mudou para o Rio; sonho é brilhar no futebol

Foto: Arquivo Pessoal

VINICIUS PROENÇA

Isaque Silva é jogador destaque da base do Fluminense, no Rio

No Brasil, a maioria das crianças tem o sonho de se tornar jogador de futebol. Com isso muitas delas levam esse sonho para frente, entretanto, pela dificuldade, outras acabam escolhendo outros caminhos para seu futuro. Isaque Severino Silva, 14, é um exemplo de tudo isso. Nascido em São Carlos, ele atualmente é jogador da base do Fluminense do Rio de Janeiro. O jovem atleta se mudou da cidade onde nasceu após se destacar em uma copa regional. “Eu jogava em São Carlos desde os meus 4 anos, me destaquei ganhando títulos, tanto individuais quanto coletivos. Então, olheiros do São Paulo Futebol Clube gostaram de mim e eu cheguei a passar no teste. Entretanto, minha vida mudou muito quando fui para Rio de Janeiro jogar no Fluminense aos 11 anos”, declarou Silva. Morando no Rio de Janeiro há três anos, Isaque Silva diz estar bem acostumado com a cidade e que sua adaptação rápida. Mesmo assim, ele diz sentir falta

da escola e de alguns amigos de São Carlos. Ele é um exemplo de que, no Brasil e no mundo, os clubes investem desde cedo em atletas. Os jovens jogadores adquirem uma formação no clube, desenvolvem para se tornarem jogadores profissionais e depois serem vendidos por muito dinheiro. Por isso, os garotos carregam uma pressão de gente grande, já que eles sonham em ficar famosos no esporte e mudar a vida de suas famílias com o futebol, no caso dos mais humildes. Em relação à pressão de se tornar jogador de sucesso, o garoto de São Carlos diz que não se incomoda. “Tento levar de uma forma natural, eu quero ajudar minha família no futuro, mas não me sinto pressionado, pois estou rodeado de pessoas que me apoiam.” Apesar de todas essas responsabilidades desde cedo na tentativa de ser um jogador de futebol profissional, Isaque Silva diz conseguir levar uma infância normal e ter tempo para brincar. Mas ele faz uma ressalva: “Eu brinco, vou para a escola, jogo vi-

deogame e solto pipa como toda criança. Claro que com mais responsabilidade do que os outros. Também tenho que dormir mais cedo, pois tenho treinos todos os dias e em dia de jogo costumo ficar mais em casa concentrado, mesmo se meus amigos me chamam para brincar.” Com grandes responsabilidades, surgem grandes sonhos na vida desses jovens atletas. A mudança de cidade logo cedo amadurece também a ideia de respirar novos ares futuramente. Isaque diz sonhar alto e conta com grandes mudanças para o futuro. “Meu grande sonho é jogar na Europa, ter uma carreira consolidada no futebol, tanto no Brasil quanto lá fora, até chegar à seleção brasileira”, afirmou Silva. Para não perder o foco nessa longa caminhada, Silva diz se espelhar muito em um jogador brasileiro: “Meu grande ídolo é o Neymar, gosto e me identifico muito com ele, tanto no meu jeito de jogar futebol que é muito parecido, como também na forma de ser alegre.”

Exercício físico vira forte aliado em período de isolamento Devido a atual situação de pandemia, muitos dos estabelecimentos se encontram fechados. Um desses locais recomendados à continuarem fechados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) são as academias. Com isso as pessoas têm encontrado novas soluções para a prática de exercícios físicos dentro de casa evitando aglomerações. Isso vai desde a adaptação de alguns exercícios físicos para dentro do espaço de sua própria casa ou até aulas particulares com personal trainer. Praticando exercício em casa, as pessoas vêm usando sua criatividade para adaptar seu treinamento. Muitas pessoas substituem o peso de academia por uma garrafa de refrigerante cheia por exemplo, o que vale é a criatividade para se manter ativo. O personal trainer Luis Gustavo Franco, 25, formado em educação física em São Carlos pela Unicep (Centro Universitário Central Paulista), afirmou que sua demanda de aulas particulares cresceu muito durante a pandemia. “Meus alunos da academia começaram a me procurar muito para o serviço de aula particular. Fico feliz de saber que as pessoas estão se cuidando. Fazer exercícios aumenta muito a imunidade ao vírus”, afirmou Franco. O custo de uma aula particular não mudou tanto em relação ao preço das academias. Franco comentou que os seus valores para aulas particulares variam entre “R$ 100 a R$ 150,

Foto: Mult Sport

VINICIUS PROENÇA

A escola de futebol Mult Sport de São Carlos é pioneira no icentivo de esportes; através de lives, os alunos continuam os seus treinos

com duas aulas por semana, no plano mensal e individual.” Os alunos Fabio Henrique Firmino e Thiago Zago, 21 e 18 anos respectivamente, eram alunos do Franco na academia, onde possuíam uma estrutura com diversos equipamentos. Porém, estão adaptados a esse novo estilo de treinamento domiciliar. “É algo novo, mas que nós nos adaptamos muito bem. Eu e o Thiago moramos perto e no mesmo condomínio, íamos na mesma academia e, devido à pandemia, estamos ficando em casa. O que ocupa nossa cabeça e tempo são os treinamentos com

o Luiz e as corridas que fazemos logo após ao treinamento, em lugares com bastante natureza”, afirma Firmino. O aluno Zago disse que no começo ele achava que sentiria falta dos equipamentos, mas hoje em dia ele adora a prática ao ar livre. “Eu peguei gosto por treinar em um ambiente livre, acho que dificilmente voltarei para uma academia. Hoje, tudo que eu preciso pra treinar, eu aprendi a adaptar em casa”, declarou Zago. Outra forma para a prática de exercícios que surgiu durante

a pandemia foram as aulas em formato de lives. As pessoas começaram a assistir aulas de profissionais ao vivo e se exercitar junto com eles, mesmo em locais distintos, tudo isso graças à tecnologia do ao vivo. Alguns profissionais estão trabalhando somente com a internet, onde eles vendem essas consultorias de exercício físico, seja elas feitas em live ou por aplicativos de videochamadas. Em São Carlos, a Mult Sport Escola de Futebol e Esportes foi pioneira no incentivo da prática de esportes utilizando o recurso das lives.

“Como nós não tínhamos nenhuma de nossas atividades presenciais, decidimos incentivar e cuidar da saúde de nossos alunos através da internet. Oferecemos a eles aulas de zumba, dança e treinos físicos. Tudo comando por profissionais da área”, declarou o diretor, Breno Picolo. Cada vez mais, as empresas trazem novas ideias e vão revolucionado a área da saúde e do esporte. Quem mais ganha com isso são todos os cidadãos, já que cada vez mais eles têm um leque maior de opções para escolher de que forma irão se exercitar, respeitando o isolamento.


CIDADES

9 Foto: Reprodução/Pixabay

3º bimestre/2020

Agressões físicas e verbais contra comissários de bordo são recorrentes em voos; a profissão apresenta mais riscos do que aparenta

AVIAÇÃO

Comissários de bordo relatam assédio moral Profissionais revelam situações de inconveniência e diversos tipos de insultos que já sofreram por parte dos passageiros DUDA CUBAS

A vida de um comissário de bordo não é um céu de brigadeiro como pode parecer a muita gente. Não é apenas servir uma água, cafezinho ou refeições: os serviços e responsabilidades vão muito além disso. Esses profissionais são responsáveis por questões de organização e segurança de uma viagem aérea. Dois comissários de voo foram ouvidos pela equipe do Jornal da Barão com a condição de não revelar os seus nomes. Eles falam sobre a rotina de trabalho e relatam situações de assédio e humilhação que já sofreram. Giulia é comissária nos Estados Unidos há quatro anos e meio e conta que já sofreu vários tipos de agressões verbais. “A maioria das vezes por motivos como falta de espaço para a mala no compartimento elevado, assento que não agradou, recusa de usar a máscara, entre outros exemplos. Em vez de pedir informações, partem direto para a discussão.” Rafael, outro comissário entrevistado, conta que também já sofreu assédio e não só de um tipo, mas de vários. Ele conta

sobre uma situação em que uma passageira queria que ele colocasse a mala dela no bagageiro elevado e ele disse que não deveria colocar. “A empresa não permite que a gente coloque.” Ele conversou com a mulher, tentou explicar a situação e, ela, insatisfeita, resolveu partir para a agressão física. “Ela pegou a mala dela e chutou a chutou na minha direção.” Rafael afirma que a passageira o ofendeu verbalmente e o chamou de subordinado e que deveria fazer o que ela pedisse. “Falou que eu era um subordinado, e que se não fosse ela eu não estava trabalhando ali naquela empresa, e que eu era um ‘merda’”. O comissário então pediu para que ela avaliasse o jeito que estava falando com ele e que ela estava elevando o tom de voz. Perguntou se ela gostaria de se retirar o voo, já que a situação já estava ficando mais tensa. Nesse momento ela se levantou para dar um tapa em Rafael que, “felizmente”, conseguiu desviar. “Faz o seguinte, fica aqui que eu vou resolver com o capitão”, disse Rafael para a passageira depois desse ocorrido.

O capitão, informado sobre o que aconteceu, foi falar com a passageira pessoalmente e acabou sendo agredido fisicamente por ela com um tapa. Então ela precisou ser retirada do voo, e a polícia foi chamada. “Ela começou a xingar, falar um monte de coisas, mas ela saiu do voo e o problema foi resolvido.” Giulia também já passou por uma situação parecida, na qual sofreu agressão física de uma passageira. A passageira em questão precisava de uma caneta para assinar alguns papéis de imigração, mas Giulia não tinha nenhuma caneta. Aí a passageira teria partido para a agressão física. “Eu informei que não tinha uma caneta, ela levantou e me empurrou para o chão.” Giulia precisou pedir que a comissária líder se comunicasse com o comandante durante o voo para que a polícia estivesse no local quando a aeronave chegasse no portão. “A passageira estava tão irritada com a situação, dizendo que era um absurdo eu não ter uma caneta, se recusava a sair do avião e queria tirar satisfações comigo constantemente.”

A passageira foi retirada algemada do avião pela polícia. Giulia precisou participar de uma reunião com um supervisor e reportar o caso para o Departamento de Transportes por conta de um possível processo. “Não me senti traumatizada ao ponto de precisar de acompanhamento psicológico, que, no caso, me foi oferecido.” Os dois entrevistados dizem que a empresa em que trabalham oferece acompanhamento ou auxilio psicológico para esse tipo de situação. “É um trabalho intenso, bem pesado. Parece que é fácil, só que você lida com várias pessoas ao mesmo tempo de diferentes partes do mundo e com personalidades diferentes. Então a empresa oferece sim meios de tratamento psicólogo e até dá um afastamento se for preciso para você poder ficar em casa e resolver a situação emocional”, disse Rafael. Ambos os entrevistados falam sobre comissários de bordo que desistiram da profissão por causa dessas situações. “Optam por outra carreira, devido à falta de paciência com situações assim”, diz Giulia.

Um colega de Rafael decidiu sair e seguir com outra carreira pois não estava aguentando lidar mais com as pessoas. “Não sei o que ele faz hoje em dia, mas ele saiu. Foi embora porque estava estressado e não estava aguentando mais trabalhar com aquelas pessoas.” Rafael disse que sofre assédios pelo fato de ser comissário de bordo, já que é uma profissão que muitos julgam ser “feminina”. “Muitos consideram a gente ‘viado’, ‘bichinha’ e eu já fui chamado de fag (viado em inglês) no aeroporto. Eu estava de uniforme e a pessoa nem sabia se eu era ou não.” Além desse tipo de comportamento, Rafael relata que em cinco anos de profissão foi assediado três vezes. “Em cinco anos de trabalho acontecer três vezes não é muito, mas acontece.” Quando questionada a frequência de vezes que comissárias de bordo são assediadas, Giulia disse que não é possível medir a frequência. “O ser humano é imprevisível e por mais que isso aconteça com uma certa frequência, não é algo que possa ser calculado. Nós nunca sabemos que tipo de pessoas estarão nos nossos voos.”


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CULTURA

3º bimestre/2020

Jovens soltam a imaginação em livros virtuais Escritoras de Minas Gerais tentam se firmar na literatura com publicações nas plataformas Amazon, Wattpad e Spirit Foto: Arquivo Pessoal

As oportunidades para quem deseja se tornar escritor, independentemente de qual gênero deseja abordar, são cada diz maiores. Plataformas como Amazon, Wattpad e Spirit são sites voltados para escrita que conquistam cada vez mais os jovens leitores, trazendo a eles tanto a oportunidade de ler, como de escrever. Para Amanda Maia, escritora destaque nas plataformas Wattpad e Amazon, residente em Alagoa, em Minas Gerais, ser uma autora nacional lhe trouxe uma grande lição: nunca desistir de seus objetivos. “Sempre fui pé no chão e corri atrás dos meus sonhos. Tudo que eu quero vou atrás independente do que digam. Minha mãe uma vez disse que eu morreria de fome se insistisse na carreira de autor. Hoje vejo que, se tivesse desistido, teria me frustrado muito profissionalmente. Quem me deu oportunidades foram meus leitores, que estão consumindo tudo o que escrevo.” A escritora Jéssica Ribeiro lê livro: plataformas favorecem lançamentos

‘‘

A Amazon veio para provar que autores podem ser independentes

O atual mercado editorial brasileiro tornou-se mais abrangente e convidativo para escritores se arriscarem a publicarem seus livros de forma independente, afirma Amanda. A autopublicação feita através da Amazon conquistou grande espaço com a crise do mercado editorial, que levou ao fechamento de livrarias tradicionais como Saraiva e Cultura, atraindo até mesmo grandes nomes como Paulo Coelho. Publicar de forma independente por via de ebooks kindle (livros digitais disponíveis tanto no aplicativo como no aparelho) é mais vantajoso pelo simples fato de não ter custo algum. O autor pode escolher o preço que

deseja colocar no seu livro, incluindo até mesmo a porcentagem recebida, que varia entre 35% e 75%. Segundo Amanda, essa plataforma é uma ótima opção para aqueles que desejam começar. “A Amazon veio aí para provar que autores podem ser independentes ou pertencerem a uma casa editorial. Se houver a oportunidade de publicar um livro com uma editora que valha a pena, seja responsável e profissional, é ótimo. Mas, se não tiver uma editora, tudo bem também. Tem público para e-books e livros físicos. E é ótimo dos dois lados”, disse a escritora. Por fim, a autora deixa uma dica para quem deseja ingressar na carreira da escrita, ressaltando o que acha de mais importante para se trilhar um bom caminho. “Pode ser piegas, mas não desistir é o primeiro passo. Muitos autores que estão começando costumam se comparar com outros que já estão trilhando aquela trajetória há anos. Come-

pal para iniciar um livro, mas ele pode conter alterações conforme a história é escrita. “Eu gosto de histórias mais complexas, no sentido de que gosto de trabalhar bem os personagens e gosto de abordar suas vidas tanto no presente quanto relativas as marcas do passado, então eu preciso muito de um roteiro bem feito e bem fechado. Quando tenho uma ideia, eu discorro sobre ela no Word de forma geral, continuo pensando e trabalhando nela até que eu tenho uma imagem formada e passo para o roteiro, que em geral eu divido por capítulos.” Mas não são todos os autores que conseguem obter sucesso logo no seu primeiro livro. E, hoje em dia, escritores brasileiros são altamente desvalorizados, inferiorizados em comparação aos internacionais, que ocupam grande espaço entre os leitores. Segundo a autora Rafaela Alves, 24, de Divinópolis (MG), romancista com dez livros escritos que estão sendo publicados aos poucos na mesma plataforma digital, a falta de interesse

por trabalhos nacionais é um fator extremamente prejudicial aos escritores. “Acredito que a falta de oportunidade é o que mais nos prejudica. Existem muitos livros incríveis que não ‘viralizam’ por aí pela falta de as pessoas às vezes acreditarem em um escritor menor, por dar preferência a grandes nomes, por não acreditarem na literatura nacional que ainda sofre muito preconceitos.” Não são todos os autores que conseguem se sustentar pela venda de livros. Pelo fato de o estorno vindo dos ebooks ser variável, ou seja, podendo a cada mês se alterar, manter um parâmetro bom de vendas se torna uma tarefa difícil e mais trabalhosa para quem está inserido nesse mercado de trabalho. Principalmente quando não se tem muitos livros publicados. “Atualmente estou por conta da escrita, mas não o suficiente para bancar tudo o que preciso. Então, às vezes até pela falta de oportunidades é mais trabalhoso para nós, autores pequenos, mas já ajuda bastante”, disse Rafaela.

cei a escrever e publicar na internet aos 12 anos, tenho 24 agora e hoje estou colhendo o que foi plantado 12 anos atrás.” Amanda afirma que se tornar um escritor é um processo. “Então sempre aconselho o pessoal a respeitar essa caminhada e não querer que tudo aconteça imediatamente. Aproveitar o processo é a melhor experiência que já passei. Seja paciente, persistente e não desista.” FOCO Pode parecer uma tarefa fácil, mas escrever um livro requer foco, concentração e planejamento. O processo criativo varia de autor para autor, partindo de pressupostos, ideias, personagens e cenas, entre outros. Para a autora Jéssica Ribeiro, 20, de Sete Lagoas, Minas Gerais, que possui dois contos publicados pela plataforma da Amazon e uma antologia em parceria com a editora Réserver, ter uma ideia formada para o roteiro é a ferramenta princi- Rafaela Alves, de Divinópolis (MG), é romancista com dez publicações

Foto: Arquivo Pessoal

LUIZA LUZ


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