Comunicare 236 - 31.03.2014

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Curitiba, 31 de março de 2014 - Ano 17- Número 236 - Curso de Jornalismo - PUCPR Curitiba reúne mais de 10 mil pessoas no centro da cidade Pgs. 08 e 09 Carnaval 2014 O Jornalismo da PUCPR no papel da notícia

Greve do transporte foi parar no tribunal

s em transporte público, curitibanos viveram dias difíceis

A greve do transporte público de Curitiba que teve início na madrugada do dia 25 de fevereiro só terminou quatro dias depois, após intervenção da justiça. Devido aos inúmeros transtornos gerados pela paralisação, que impediu grande parte dos passageiros de se deslocarem aos seus locais de trabalho e estudo, o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-9), teve que intervir nas negociações entre o sindicato dos trabalhadores e as empresas de ônibus.

Acatando uma liminar impetrada pela Urbanização de Curitiba S/A (Urbs), o TRT-9 determinou que 70% da frota fosse mantida em horários de pico e 40% nos demais horários. Contudo, o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) decidiu pela paralisação total do transporte, alegando não ter sido informado sobre a decisão da justiça. Dessa forma, a cidade amanheceu na terça-feira (25) com estações tubos e terminais de ônibus fechados.

Os trabalhadores reivindicavam reajuste salarial, aumento do vale-refeição e outras 76 exigências, dentre elas questões ligadas a condições de trabalho. Em pauta, o sindicato pedia um aumento salarial de 16% para motoristas e de 22% para cobradores, números que eram quase quatro vezes superiores ao reajuste proposto pelo Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), que ofereceu cerca de 5% de aumento, valor do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Pressionado pelo caos que Curitiba se tornou por conta da greve, o prefeito Gustavo Fruet declarou via Facebook, que caso fosse comprovado que a paralisação se tratava de uma articulação para forçar o

reajuste da tarifa de transporte, ele iria pedir a prisão dos presidentes dos sindicatos dos trabalhos e das empresas.

Questionado sobre a afirmação feita por Fruet, o presidente do Sindmoc, Anderson Teixeira, afirmou que a acusação era infundada. “Nós procuramos levar a negociação da forma mais transparente possível. O sindicato dos trabalhadores está preocupado com melhores condições de trabalho, um reajuste digno e que seus trabalhadores sejam valorizados”, afirmou.

e mbate no trt

A fim de resolver o impasse entre as categorias, o TRT-9 convocou audiência para concílio, que teve início às 14h e seguiu durante toda à tarde de quarta-feira (26). Nenhum acordo foi firmado no primeiro dia de negociações, mas para alívio de muitos curitibanos, por determinação da desembargadora e vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho que presidia a audiência, Ana Carolina Zaina, a pedido da Urbs e do Ministério Público do Trabalho (MPT), 50% do transporte público deveria voltar a funcionar nos horários de pico e 30% durante o resto do dia.

A fim de diminuir os impactos causados pela greve, a Urbs decidiu cadastrar vans, ônibus e carros para trabalharem na cidade como lotações e permitiu que esses veículos, juntamente com os táxis, circulassem pelas canaletas de ônibus. O valor da passagem determinada para as lotações era de R$ 6,00 por pessoa.

Conforme determinação da justiça, no segundo dia de greve, parte da frota estava circulando, mas o caos na cidade não havia terminado. Quem precisou pegar ônibus teve que enfrentar longas esperas e a superlotação dos veículos.

Na segunda reunião no TRT-9, uma nova proposta foi apresentada pelo sindicato patronal. As empresas somaram ao índice do INPC proposto anteriormente mais 2% de reajuste, chegando a 7,26%. A proposta patronal também previa anuênio de 2% para novos empregados, com um limite de 10% e atingia outros itens de natureza econômica. Contudo, segundo Elias Mattar Assad, advogado do Sindomoc, a proposta patronal estava muito longe da reinvindicação.

Novas propostas foram feitas pelo TRT9 e pelo MPT, porém nenhum acordo foi feito e a conciliação foi adiada para depois do feriado de carnaval, no dia 06 de março. Mas a data da nova reunião não foi aceita pela Prefeitura, que pediu na justiça que uma nova audiência fosse marcada no dia seguinte.

m artelo batido

Dessa forma a terceira reunião aconteceu no dia 28 de fevereiro e contou com a presença da vice-prefeita de Curitiba, Miriam Gonçalves. Nesse encontro, a magistrada propôs um reajuste salarial de 9,28%, aceito imediatamente pelo sindicato patronal, e estipulou o prazo máximo para às 15h do dia 01 de março para que o sindicato dos trabalhadores decidisse se aceitava ou não o aumento. Caso um acordo não fosse fechado o dissídio poderia ir para sessão especializada no Tribunal. Contudo, na manhã de sábado, os trabalhadores decidiram pelo fim da paralisação, aceitando a proposta da desembargadora. Assim, o salário dos cobradores subiu de R$ 940,00 para R$ 1.027,00 e o dos motoristas foi de R$ 1.660,00 para R$ 1.814,00.

eXpediente

O Comunicare é o jornal laboratório do curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)

11 de março de 2014

Edição 223

reitor

Waldemiro Gremski

d ecana da e scola de comunicação e a rtes

Eliane C. Francisco Maffezzolli coordenador do c urso de Jornalismo

Julius Nunes comunicare coordenador editorial Julius Nunes

coordenador de redação

Jornalista responsÁvel

Miguel Manassés (DRT-PR5855)

coordenadora de proJeto GrÁfico

Juliana P. Sousa

monitora

Gabrielle Russi (estudante/3o Período)

foto de capa

Luana Kaseker (estudante/3o Período)

e ditores

Camila Beatriz Costa

Eduardo Manoel Nogueira Soares de Souza

Fernanda Bertonha

Gabriel Snak Firmino

Giovanna Kasezmark dos Santos

Helcio José Weiss Junior

Jeslayne Magalhães Valente

Michel de Alcantara Machado

Samantha Mahara Martynowicz

Stephanie de Morais

pauteiros

Alan da Silva

Gabriela Dolores dos Santos Fialho

Gabriela Rudolf Kuzma

Kauany da Rocha Miguel

Leticia Joly

Marcio Luis Galan Junior

Priscila Tobler Murr

Rafaela Moreira Rosa

Raphaela Pechini Viscardi

Vithor Allan Marques

jornalcomunicare.pucpr@gmail.com www.youtube.com/jornalcomunicare

02 Curitiba, 31 de março de 2014 COMUNICARE
Trabalhadores pediram reajuste salarial de 16% para motoristas e 22% para cobradores, mas se contentaram com 9,28%. Glaucia Périco/4oPeríodo Giovanna Kasezmark/ 4 Período

p roteção G ratuita para meninas

a partir de março, começa mais uma campanha anual da vacinação contra o Hpv

Meninas de 11 a 13 anos poderão receber a vacina contra o papilomavírus humano (HPV), gratuitamente, em todas as unidades de saúde de Curitiba, a partir do dia 10 de março e até o dia 10 de abril também nas escolas públicas e privadas.

Segundo Juliane Oliveira, diretora do departamento de epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba (SMS), a vacina estará disponível na rede pública durante todo o ano, como parte da rotina de imunização. Juliane afirmou ainda que ainda o Ministério da Saúde pretende vacinar meninas de nove a 11 anos em 2015 e a partir de 2016 meninas de nove anos de idade.

O esquema vacinal adotado pelo Brasil é o estendido, em que a segunda dose é dada seis meses após a primeira, e a terceira dose é aplicada cinco anos após a primeira. O país utilizará a vacina quadrivalente. O médico clínico geral Leodir Marcos de Sá e Ribas explica que a vacina quadrivalente imuniza contra quatro cepas do vírus, as cepas 6, 11, 16 e 18. “Essas duas últimas estão presentes em mais de 70% dos casos de câncer de colo uterino”, afirma.

A vacina contra HPV protege mulheres que não tiveram nenhum contato com o vírus e, por isso, será ofertada para meninas de faixas etárias menores. Ribas comenta ainda que existem vários estudos em andamento sobre a eficácia da vacinação. “Acredita-se que a vacina, após administradas as três doses, tenha eficácia por um período superior a cinco anos, ainda não está definida a necessidade de uma quarta dose”. É a primeira vez que a vacina será ofertada

pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Marcia Aparecida Martins é dona de casa e mãe de Maria Eduarda, 12 anos. Ela conta que a ginecologista a alertou sobre a importância da vacina em meninas

Agora com a campanha acredito que o alcance será muito maior, pois as pessoas podem encontrar a vacina gratuitamente”.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o Paraná vai receber 573.300 doses, mas não há um valor exato para o número de meninas que serão vacinadas contra o HPV no Estado. Cada dose da vacina custará ao Ministério da Saúde R$ 31,02. No primeiro ano de vacinação o custo total será de R$ 465 milhões.

a doença

que ainda não iniciaram sua vida sexual, porém não tinha condições de arcar com o valor. “Quando fui atrás da vacina em uma clínica particular me assustei com o valor, R$ 300,00 apenas a primeira dose.

Segundo a ginecologista Denise de Souza Blaszkowski, ao todo existem mais de 120 tipos de HPV’s identificados, mas apenas alguns estão relacionados ao câncer de colo de útero. “O vírus é transmitido por via sexual, a maioria das mulheres não vai apresentar nenhum sintoma ou lesão na presença do HPV e após alguns anos o vírus será suprimido ou eliminado de seu organismo”.

A infecção pelo HPV é responsável pela maioria dos casos de câncer de colo do útero, entretanto a ginecologista afirma que ele não é o único. “É importante salientar que há vários outros fatores de risco que junto com o HPV facilitam a progressão de uma lesão de baixo grau para um câncer como múltiplos parceiros, tabagismo, má higiene e co-infecção por herpes”. Ela alerta que o papanicolau, um exame para prevenção da saúde da mulher e rastreamento de vários tipos de doenças, não deve ser substituído pela vacina. “O ideal é associar a vacina com o uso de preservativo e evitar os fatores de risco. O papanicolau é essencial para o diagnóstico precoce tanto de lesões causadas pelo HPV quanto outras afecções ginecológicas. Acho importante frisar que a vacina ajuda na prevenção, mas não adianta vacinar e ter um comportamento de risco se expondo a outras doenças sexualmente transmissíveis”, conclui a ginecologista.

03 COMUNICARE Curitiba, 31 março de 2014
A vacina contra HPV protege mulheres que não tiveram nenhum contato com o vírus e, por isso, será ofertada para meninas de faixas etárias menores. flyers de divulgação da campanha podem ser vistos por toda a cidade

a lta no consumo e estia G em assombram sistema elétrico

s istema elétrico brasileiro é dependente do regime de chuvas que abastecem os reservatórios das hidrelétricas

Não é de hoje que o Brasil sofre com blecautes. Eles acontecem por diversos fatores, sendo de grande impacto, sobretudo, no Nordeste devido à seca predominante na região. Diferentemente do apagão de agosto do ano passado, em que toda a região ficou sem energia devido a uma queimada no Piauí, o deste ano, logo no início de fevereiro, ocorreu na linha de interligação Norte/Sudeste devido ao superaquecimento de um transformador. Entretanto, o contexto em que ele ocorreu, falta de chuvas e calor batendo recordes, coloca em voga a capacidade de produção em relação ao consumo e à demanda de energia. O Operador Nacional do Sistema (OMS) elétrico ainda divulgou recorde de consumo de energia dias antes do último apagão e, mesmo assim, as autoridades da área energética desmentem que o consumo seria uma explicação plausível para a falha.

Segundo a assessoria de comunicação externa da Copel, houve, devido a maior facilidade na hora de comprar aparelhos de refrigeração por parte da população, um aumento no consumo médio por habitantes. Mas que, entretanto, os recordes de consumo ao longo do verão e mesmo esse último incidente em fevereiro, não caracterizam uma crise. “As últimas ocorrências significativas e midiáticas, como o acidente que interrompeu a transmissão de energia proveniente do Nordeste, no dia 04 de fevereiro, ou os recordes de consumo ao longo do verão, ainda não caracterizam uma ‘crise no sistema’, por mais ampla e subjetiva que seja esta expressão”, declarou.

A assessoria explicou também que nessa época de altas temperaturas e pouca chuva, com os reservatórios em níveis baixos e o consumo em crescimento, o país se vê obrigado a acionar termoelétricas, que têm um custo de operação mais alto e acaba

repassando o preço aos consumidores.

Porém, quando há uma época de estiagem em determinada região, a empresa pode usufruir de energia gerada em outra termoelétrica que esteja em melhores condições. “O Paraná faz parte do Sistema Interligado Nacional (SIN), que reúne em um único complexo energético as maiores usinas geradoras de todo o país e os centros de carga. Ou seja, a energia gerada no Nordeste pode estar sendo consumida na região Sul e vice-versa, dependendo das condições dos reservatórios em cada região”, relatou.

O economista Francisco José Gouveia Castro, chefe do Núcleo de Macroeconomia e Conjuntura do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), explica que, apesar de as condições climáticas terem interferência na geração de energia

elétrica, o crescimento da produtividade no Paraná é suficiente para suprir a demanda por energia elétrica. Mas deixa claro que o Estado, mesmo com uma relativa vantagem em relação a outras regiões, ainda convive com aspectos de risco no sistema elétrico. “O crescimento dos investimentos no setor parece não ter acompanhado a pressão da demanda por eletricidade. Já na região Sul do país, em especial no estado do Paraná, há certa vantagem em relação às demais regiões, uma vez que há geração. Contudo, um recorte regional é muito complicado, devido à localização da hidrelétrica de Itaipu, que é transnacional”, disse.

consumo

Segundo a Copel, as suas 21 usinas possuem 4.756 megawatts de potência instalada, em outras palavras, produção de energia, que equivale a pouco mais da metade do que é gerado no Paraná e informa que o consumo dos paranaenses

alcançou 28 mil gigawatt-hora em 2013. De acordo com o economista do Ipardes, a temperatura influencia na geração e consumo de energia elétrica e, com isso, o consumo sobe drasticamente. Levando em conta o fato de que nessa época o consumo de água também aumenta, os níveis dos reservatórios das represas diminuem. “As condições climáticas têm interferência na geração de energia elétrica, principalmente em tempos de calor e estiagem, até pela redução dos níveis das represas, agravado pelo aumento do consumo de água”, apontou.

A designer Denise Jordão conta que utilizou ventilador à noite enquanto dormia nesse verão, mas que, em geral, adotou hábitos conscientes em relação à utilização da luz e água. “A casa permanece aberta por mais tempo, as lâmpadas quase não são usadas, o chuveiro é quase frio e eu fico literalmente à luz de velas. A água é usada e reutilizada”, contou.

04 Curitiba, 31 de março de 2014 COMUNICARE
”O crescimento dos investimentos no setor parece não ter acom panhado a pressão da demanda por eletricidade“
Jonatan Lavor/3oPeríodo
“o crescimento dos investimentos no setor parece não ter acompan H ado a pressão da demanda por eletricidade”

b rincadeiras interferem na educação financeira

Jogos de estratégia, como o Jogo da vida, podem influenciar na consciência econômica das crianças

É comum observar crianças se divertindo com jogos de estratégia que simulam a vida real, como o Banco Imobiliário. Segundo especialistas, eles podem influenciar na formação da consciência econômica dos pequenos jogadores, porém, psicólogos acreditam que qualquer tipo de jogo deve servir apenas para brincadeiras e para o desenvolvimento do convívio social.

De acordo com o economista Jackson Bittencourt, as brincadeiras que estimulam a criação de estratégias podem influenciar positivamente as crianças. “Jogos que envolvem a questão do valor das coisas auxiliam na formação da consciência de que tudo tem um preço”. Bittencourt afirma que ainda há o benefício de que as cianças aprendam que tudo deve ser conquistado por meio do trabalho.

O economista ressalta que os pais podem ajudar os filhos a estabelecerem uma relação saudável com o dinheiro desde a infância. “A melhor maneira é a mesada. Porém, o ciclo deve ser semanal para crianças com idade inferior a 12 anos, pois a noção de tempo é diferente da dos adultos”. Bittencourt destaca que a mesada não

deve ser uma recompensa, relacionada ao cumprimento de alguma atividade. Dessa forma, é possível evitar que essas crianças se tornem adultos que não conseguem controlar seus gastos. “Há estudos no Brasil que indicam que a maioria dos jovens de 18 a 25 anos já estão endividados, o cartão de crédito é um exemplo”, conclui.

O engenheiro de alimentos Cicero Andres Ricken é pai de Nicholas, garoto de 10 anos de idade, e acredita que as brincadeiras estão funcionando bem. “Meu filho gosta de jogar Banco Imobiliário e o Jogo da Vida, e percebo que ele já tem uma boa noção do que é muito caro ou barato”. O engenheiro conta que o menino costuma tentar escolher um brinquedo barato e que goste quando vão a alguma loja. “Se ele se interessa por uma coisa, olha imediatamente o preço e compara com algo parecido, que possa sair mais barato”.

Ricken também já adotou o método da mesada para incentivar Nicholas a economizar, inclusive, é com esse dinheiro que a criança compra os seus brinquedos. “Decidi começar a dar uma mesada para meu filho há aproximadamente um ano, isso também ajudou a fazer com que ele

pensasse duas vezes antes de comprar alguma coisa”. O pai acredita que é justamente a junção de vários métodos que resultam em uma educação financeira eficiente, pois adotou os mesmos meios com a filha Juliana, que hoje tem 19 anos.

sim para que a criança ‘simule’ as coisas da vida, mas essa simulação não deveria ser induzida para aquilo que o adulto considera certo ou errado”.

Para a professora, o maior exemplo que os pais podem dar aos filhos em relação à

“Minha filha sabe administrar muito bem o que ganha com o estágio, pagando todas as suas despesas e conseguindo guardar uma quantia no fim de todo mês”.

l ado ne G ativo

Porém, a psicóloga e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Neuzi Barbarini acredita que existem outros aspectos mais importantes que devem ser ensinados a uma criança além da educação financeira, como o desenvolvimento da criatividade. “Essa racionalidade tem sido a causa de muitas mazelas humanas e muito sofrimento psíquico tem como causa essa preocupação excessiva com a economia”, afirma. Em relação aos jogos de estratégia, ela comenta que deveriam ter o propósito lúdico, ou seja, serem uma brincadeira. “Eles servem

economia é não serem fissurados pelos bens. “Se os pais tratam o dinheiro como uma parte da vida e não como a razão de viver, é possível que a criança se espelhe nesse modelo”. A psicóloga ressalta que educar a criança financeiramente desde a infância não tem nenhuma importância e que isso já sugere que os pais têm uma relação degradada com o dinheiro. “Essa preocupação pode ser maléfica, além de não trazer garantia de nada”.

Além disso, segundo Neuzi, a criança vai começar a compreender esse universo financeiro quando for o seu momento, não havendo uma idade determinada para o início desse processo. “Espero que nós adultos deixemos que ela entenda somente quando sentir necessidade disso. Essa é a boa idade”, conclui.

05 COMUNICARE Curitiba, 31 março de 2014
Jogo da vida é um dos jogos que envolvem dinheiro, carreira e até vida pessoal. Jogos que envolvem a questão do valor das coisas auxiliam na formação da consciência de que tudo tem um preço” no banco imobiliário, crianças podem controlar o dinheiro e comprar imóveis. Mônica Seolim / 4º Período

c uritiba das diretas pediu passaG em

após 30 anos, curitiba reverencia seu passado com ônibus biarticulado em forma de museu

de resistência e mordaça foi muito gratificante’’, conta.

n ovas Gerações, vel H as lutas

Estudante de psicologia da UFPR, Bruna Ornellas é participante do centro acadêmico de seu curso e de outras entidades estudantis. Ela esteve nas mobilizações de junho do ano passado, e em outras lutas contra o preconceito, e por educação de qualidade. Para Bruna é preciso reverenciar as lutas do passado, contudo ainda se tem muito para lutar. ‘’O povo na época queria se livrar dos generais e ter democracia e direito a se organizar livremente. Hoje passados 30 anos estamos nas ruas lutando por moradia, saúde, educação, e por direitos negados para a juventude e os trabalhadores’’, afirma.

Era um dia corriqueiro em Curitiba no ano de 1984, mas que ficou marcado na história do Brasil como o início da campanha das ‘’Diretas Já!’’. O dia 12 de janeiro daquele ano reuniu na Boca Maldita diversos artistas, políticos, lideranças estudantis e sindicais que queriam a redemocratização do país. Para se lembrar desse episódio a Prefeitura de Curitiba em parceria com a Fundação Cultural de Curitiba (FCC) organizaram a exposição ‘’30 anos do comício das diretas já! - Curitiba’’. A mostra ocorre dentro de um ônibus biarticulado que percorre as principais regionais da cidade levando fotos, vídeos com depoimentos de época e outros registros.

Para a responsável pela mostra, Claudia Wasilewski, da Secretaria Municipal da Comunicação Social (SMCS), a exposição reforça o papel da capital paranaense no círculo político nacional e resgata um histórico importante para a cidade. ‘’Curitiba sempre foi palco de grandes acontecimentos, e não poderíamos deixar passar em branco esses 30 anos. A cidade sempre teve uma tradição importante quando se fala de manifestações de rua’’, afirma. A exposição que já percorreu diversos locais da cidade como a Boca Maldita e o Parque Barigui, já teve cerca de 5 mil visitações até o momento. Segundo Daniela, o curitibano se interessou pelo tema devido ao clima político do país.

‘’As manifestações que tivemos no ano passado, com certeza fez o interesse na exposição aumentar muito, em quesito de público e o retorno está sendo um sucesso’’, ressalta.

O biarticulado das ‘’diretas’’ como está sendo chamado, ficará aberto ao público até o dia 12 de março, após essa data ele ainda percorrerá as regionais do Boa Vista, Cajuru, Boqueirão, Bairro Novo, Tatuquara e Pinheirinho, onde a mostra se encerrará no dia 16 de junho.

Histórias vivas

Para o professor de história, Rubens Tavares, o comício das diretas foi um marco para a cidade em termos políticos e sociais. Em 1984 como membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Tavares ajudou a organizar os estudantes a irem ao comício e também pedirem eleições diretas para reitor da universidade. ‘’Fizemos um movimento muito bonito na época, os estudantes foram em peso. E como além de não poder votar para presidente, não elegíamos o reitor da UFPR, aproveitamos o momento para levantar essa bandeira’’, conta. Na época as universidades não podiam eleger seus reitores, sendo os mesmos indicados pelo Ministério da Educação.

Seguindo o exemplo de Tavares, o atual presidente do grupo Tortura Nunca Mais,

Narciso Pires, também se fazia presente no comício daquele dia 12. Emocionado, Pires conta que aquele momento tanto para ele como para outros militantes era um presente depois de anos de repressão e censura. ‘’Tanto para mim que fui preso aqui no presídio do Ahú, como para outros companheiros que vinham do exílio desde 79, as diretas foram um respiro de alívio para todos nós, ver o povo na rua exigindo democracia depois de tanto tempo

Apesar das mobilizações de junho terem um caráter diferente daquelas de 30 anos atrás, Bruna acredita que sua geração acordou para mudar os rumos do Brasil, assim como a de seus pais quando abriu-se o processo de redemocratização do Brasil. ‘’Passamos muito tempo ouvindo que o jovem era acomodado e alienado, junho mostrou que essa juventude despertou para um novo momento no Brasil’’, disse.

06 Curitiba, 31 de março de 2014 COMUNICARE
’Curitiba sempre foi palco de grandes acontecimentos, e não poderíamos deixar passar em branco esses 30 anos“
biarticulado museu estará em vários pontos da cidade durante o mês um dos símbolos da cidade, o “vermelhão”, foi plotado exclusivamente para a exibição Gabriel Carriconde/4oPeríodo

p razo final para a entre G a das obras da c opa se apro X ima

Com a aproximação da Copa do Mundo surgem dúvidas sobre a conclusão das obras pendentes na cidade de Curitiba, uma das sedes do evento esportivo neste ano. O prazo para a entrega das obras do estádio Arena da Baixada e do viaduto estaiado, na Avenida das Torres, estão terminando e o Estado e a Prefeitura garantem que serão entregues a tempo.

Segundo Reginaldo Cordeiro, secretário municipal de Urbanismo, o viaduto estaiado, que faz parte do projeto do corredor aeroporto-rodoferroviária, está com mais de 80% das obras finalizadas e tem como previsão de entrega o mês de março, incluindo as alças, paisagismo e iluminação. O secretário também relatou que os investimentos usados para a realização da obra contam com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento da Copa (PAC) e custam em torno de R$145 milhões, incluindo a trincheira da Rua Guabirotuba, no Prado Velho, entregue no final de 2013.

o bras em andamento

Cordeiro explicou que o trecho em obras da Avenida Marechal Floriano Peixoto está 70% finalizado e as obras da Linha Verde Sul, que chegaram a ser paralisadas, agora estão adiantadas e com 52% do projeto executado. A rodoferroviária também deve ser entregue dentro do prazo previsto. “A obra da Linha Verde passou por problemas e foi adiada, tivemos que retomar os projetos, concluí-los, relicitar, e hoje a previsão de entrega é para maio”, acrescentou. E completou, “a rodoferroviária está com 58% dos seus prédios prontos, a previsão de entrega é para maio também e a meta dois, que é o acesso por trás, só precisa da emissão de ordem de serviços”.

O secretário explicou que a obra do corredor metropolitano já havia sido retirada da meta para a Copa e ficou para futuros investimentos. E contou que, pela Prefeitura de Curitiba, a primeira obra a ser entregue deve ser o Sistema Integrado de Monitoramento (SIM), que prevê instalação de 89 câmeras e 44 painéis eletrônicos de informação nas ruas. “O projeto está com

cerca de 90% executado e o custo é de R$ 61 milhões. Atualmente, das obras com envolvimento da administração municipal, a única que não deve ficar pronta até a Copa é a reforma do terminal do Santa Cândida, mas este não é um problema que envolve o Mundial, já que o local não é tão relevante para o turismo”, disse.

Cordeiro afirmou também que os problemas são reais no Terminal Santa Cândida, porém o que tranquiliza a Prefeitura é que o bairro não faz parte do turismo. É uma obra exigida pelo Ministério Público Federal (MPF) para integração da região metropolitana norte, então não vai paralisar. “A Prefeitura vai concluir e estamos procurando alternativa para continuar com esta obra mesmo que ela não seja evidenciada para eventos da Copa. Está hoje com 28% do projeto feito, a empresa que está à frente da obra enfrenta dificuldades, porém, não temos pressa como as outras”, relatou.

José Mário de Abreu, empresário, passa diariamente pela obra do viaduto estaiado e relatou que desde o início das obras o congestionamento aumentou muito. “Fico em média 20 minutos parado em horários

de pico”, afirmou.

p razos são questionados

Ao ser questionada a respeito do andamento das obras, a arquiteta Renata Mattos levanta algumas questões sobre os prazos de entrega. “A parcial mais preocupante é a apresentada pela rodoferroviária, que não condiz com a porcentagem de 58% das obras realizadas, nem com a data de entrega para o mês de maio, já a ponte estaida está dentro do prazo pela estrutura apresentada”, completou. Sobre as obras da Avenida Marechal Floriano Peixoto, Renata afirma que corresponde aos 71% apresentados pelos responsáveis e conclui que dificilmente as obras da rodoferroviária serão entregues a tempo.

Alceu Mentta, assessor da Secretaria Municipal Extraordinária da Copa do Mundo da Fifa (Secopa-PR), afirma que todas as obras serão entregues a tempo e a possibilidade de não estarem prontas até maio de 2014 é praticamente nula. “O fator mais prejudicial durante as obras foram os problemas com fluxo financeiro, o que fez com que as obras tivessem um atraso

considerável. Porém, posso afirmar que todos os projetos do PAC da Copa serão finalizados até o mês de maio de 2014”.

José Antonio Camargo, presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), relatou que problemas de pagamento, que são responsabilidade do governo do Estado, atrasaram as obras, mas a conclusão será dentro do prazo. “No final do ano, com o fechamento da sua meta fiscal, o governo teve que refazer a negociação com as empresas e agora conseguiu equacionar o retorno dos seus pagamentos mensais. Com essa negociação, as empresas retomaram suas atividades. O número de frentes que estas empresas estão colocando nessas obras permitirá a entrega dentro do prazo estabelecido da Comec”, concluiu.

d emora preocupa comércio

Gilmar Baptista, comerciante da região metropolitana de Curitiba, relatou que as obras têm atrapalhado bastante o movimento na região metropolitana da cidade e os comerciantes têm sido prejudicados. ”Estamos depositando todas as nossas fichas nas altas vendas durante os jogos em Curitiba, para crescimento econômico do comércio na capital. Outro grande problema é que os órgãos públicos não sabem ao certo quando as obras se encerram, o que dificulta no planejamento de projetos das nossas empresas”, explicou.

Sandra Massar, administradora e vizinha da Arena da Baixada, falou que o grande problema das obras é o transtorno que elas vêm causando e afirmou que os atrasos não prejudicam apenas o andamento para os jogos, mas também as pessoas que moram perto do estádio. “São ruas trancadas, congestionamento e difícil acesso aos locais próximos. Além da poluição sonora. Precisamos de um posicionamento do Estado sobre a finalização das obras”, concluiu.

07 COMUNICARE Curitiba, 31 março de 2014
d ados giram em torno de 60% de cada obra finalizada, mas responsáveis afirmam que serão entregues a tempo
ponte estaiada é considerada um dos maiores projetos de infraestrutura de curitiba Julia Baggio e Monique Benoski/ 3º Periodo
”Atualmente, das obras com envolvimento da administração municipal, a única que não deve ficar pronta até a Copa é a reforma do terminal do Santa Cândida”
Gabriela Fialho/ 3º Periodo

especial

com novidades, carnaval 2014 de curitiba aGita foliões

após 15 anos, desfile das escolas de samba retornam à marechal deodoro

O Carnaval 2014 de Curitiba atraiu mais de 10 mil foliões para acompanhar os desfiles de oito escolas de samba. As agremiações estavam divididas entre grupo A e grupo B, além dos blocos carnavalescos. O grande marco deste Carnaval foi a volta dos desfiles para a Rua Marechal Deodoro que, após 15 anos, retorna como o local dos foliões.

Os blocos carnavalescos Afoxé, Derrepente e Rancho da Flores abriram a festa e esquentaram a multidão que foi até a Marechal Deodoro acompanhar os desfiles do Carnaval de Curitiba. O bloco Afoxé abençoou a rua com seu enredo “Filhos de Ijexá”. O bloco Derrepente homenageou os 40 anos do símbolo infantil de vacinação, o “Zé Gotinha”. Por fim, o Rancho da Flores, composto aproximadamente por 400 idosos da Fundação de Ação Social (FAS) de todas as regiões da capital, fechou o desfile dos blocos com seu tema “25 anos de alegria na Copa do Mundo”. Luci Fidelis, 61 anos, foi umas das senhoras que participaram do Rancho da Flores e ficou feliz com a volta do Carnaval para a Marechal Deodoro. “Faz anos que participo dos desfiles, acho legal. Acho melhor aqui na Marechal, porque lá

no Centro Cívico tem muito buraco”, disse.

Porém, as grandes atrações da noite eram as escolas de samba. Os mais de 10 mil foliões aguardavam ansiosos os batuques e os sambas-enredos das agremiações. As quatro primeiras escolas eram do grupo de acesso: Imperatriz da Liberdade, Unidos de Pinhais, Unidos do Bairro Alto e Os Internautas. A primeira a abrilhantar a rua foi a estreante Imperatriz da Liberdade que, com seu enredo sobre a cidade do interior do Amazonas, “Parintins: o festival da ilha encantada”, cobriu a Marechal de verde. A Unidos de Pinhais veio para homenagear o carnaval, o tema do desfile que era “Do dia a dia... aos quatro dias... da labuta à folia” sacudiu o público.

A terceira a desfilar foi a Unidos do Bairro Alto, que trouxe o enredo “Buscando as cores do meu país, busquei nova terra pra ser feliz. Sou imigrante!”, contando a história dos povos que imigraram para a capital paranaense. Ketlin Camargo, portabandeira da escola, conta que teve apenas dois meses de ensaio para defender a bandeira da agremiação. “Foi tudo muito rápido, foram apenas dois meses de ensaio. Mas graças a Deus deu tudo certo”, afirma.

A última a desfilar pelo grupo de acesso foi a escola Os Internautas, que prestou uma homenagem e resgatou o Balé Teatro Guaíra, com o enredo “Nos palcos do Teatro Guaíra o Balé de Pinhais constrói sua história”.

Grupo a

As quatro escolas, Leões da Mocidade, Embaixadores da Alegria, Mocidade Azul e Acadêmicos da Realeza, tinham grande torcida nas arquibancadas. E os foliões se levantaram assim que a escola Leões da Mocidade entrou na passarela. Com o enredo “Meus tambores anunciam: Sorria você está na Bahia”, a agremiação apresentou ao público um pouco da cultura, da história e dos costumes baianos. Em seguida, veio a Embaixadores da Alegria. Com o tema do desfile “Sobre nosso olhar e inspiração... A essência dá o tom da folia”, a escola trouxe à passarela um pouco da arte em seus quatro carros alegóricos e seus 320 integrantes. O mestre-sala da Embaixadores, Irajá Carvalho, afirma que Curitiba precisa de um sambódromo para os desfiles. “Curitiba já necessita de um sambódromo, porque não fazemos um

Carnaval para nós, fazemos Carnaval para Curitiba”, falou o integrante.

A Mocidade Azul, escola de samba tradicional de Curitiba que possui 22 títulos, aterrorizou a Marechal Deodoro com o enredo “Quero brincar de ser mau!!! Mocidade faz buuu... neste carnaval!!!!”. A agremiação trouxe: bruxas, zumbis, esqueletos e as cores preto e roxo predominavam no desfile, que agradou a todos nas arquibancadas. A última a desfilar foi a campeã do Carnaval de 2013, a Acadêmicos da Realeza. A escola mostrou um pouco das características dos países que participarão da Copa do Mundo no Brasil, com o tema “E o mundo vem dançar no compasso da Realeza”. Os 495 integrantes da escola agitaram o público presente.

Para Nivaldo Vieira Lourenço, chefe de gabinete da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), o Carnaval 2014 foi um sucesso e a volta da Marechal como local da festa é uma conquista para todos os curitibanos. “O grande marco do Carnaval 2014 é o retorno para a Marechal Deodoro. Isso foi uma conquista. Foram oito meses de discussão com os moradores da região, com a Associação Comercial do Paraná,

08 Curitiba, 31de março de 2014 COMUNICARE

nessa questão da política do centro vivo. Hoje, não podemos dizer que Curitiba não tem Carnaval. Foi uma grande festa para os curitibanos e para quem mora em Curitiba”, finalizou.

a s campeãs

A apuração para saber a campeã do grupo B e a campeã do grupo A começou por volta de 16h20 de domingo (02), no Memorial de Curitiba. As primeiras notas divulgadas foram do grupo B. No qual, a escola Imperatriz da Liberdade sagrou-se campeã, com 187,10 pontos, e terá o direito de desfilar no grupo especial, ano que vem.

No grupo A, a disputa foi emocionante e os nervos se exaltaram. Membros da Embaixadores da Alegria deixaram a apuração antes do término da divulgação de todas as notas, insatisfeitos com os pontos para mestre-sala e porta-bandeira. A campeã do grupo especial do Carnaval de Curitiba 2014 foi a escola de samba Mocidade Azul, com 199,10 pontos. Seguida por Acadêmicos da Realeza, com 196,70 e embaixadores, com 194,90. A última colocação ficou com a Leões da Mocidade, que desfilará no grupo de acesso em 2015.

O presidente da escola campeã Mocidade Azul, Altamir Jorge Lemos, disse que o enredo “Quero brincar de ser mau!!! Mocidade faz buuu... neste carnaval!!!!” foi uma forma de protesto, pois a escola se sentiu prejudicada em 2013, quando ficou na segunda colocação. “Nos sentimos penalizados no ano passado e pensamos nesse enredo como forma de manifestação, e deu certo. Mantivemos a equipe, parabéns para o nosso carnavalesco, parabéns para todos da escola. Mostramos que somos feras”, afirmou.

Diversão garantida para todos os gostos

A sexta edição do Zombie Walk reuniu milhares de pessoas. Fantasiados de monstros, zumbis, esqueletos, noivas fantasmas, o público de diferentes idades se divertiu no centro de Curitiba. Na tarde de domingo, os participantes se reuniram na Praça Osório e “assombraram” a cidade até chegar na Praça Eufrásio Corrêa. A servidora pública Maria Cristina Alceu, acompanhada de duas crianças e uma senhora, disse que esse tipo de carnaval é interessante, pois diverte todas as idades e, até mesmo, quem não gosta do tradicional. “É bem legal, pois diverte tanto os mais velhos, quanto aos mais novos. É uma ótima oportunidade para todo mundo, quem não gosta do carnaval tradicional do samba, tem uma outra opção de se divertir”, falou.

ROCK CARNIVAL

Outra opção para quem não gosta do carnaval tradicional é o Curitiba Rock Carnival, que ocorreu pela primeira vez na capital paranaense e reuniu centenas de pessoas em frente à Câmara de Vereadores de Curitiba, durante os dias 01, 02 e 03. Com bandas conhecidas, como por exemplo o conjunto curitibano Motorocker, o festival animou os amantes do Rock. Para a design de interiores Tamara de Lima, o evento é importante para a interação das pessoas que não gostam do carnaval embalado pelo samba. “Acho importante porque atende um público diferente, além disso é muito bacana pela diversidade cultural que proporciona”, disse.

GABAON

O retiro de carnaval Gabaon promovido pela Renovação Carismática Católica de Curitiba (RCC) e realizado no Bosque de São Cristóvão, em Santa Felicidade, ofereceu pregações e muita música religiosa para os cristãos. Para a estudante Juliana Ferreira, o evento é a melhor opção para quem é muito ligado à religião e pretende se divertir no feriado de carnaval. “Se não tivesse um evento como o Gabaon, o meu carnaval seria em casa. É muito bom ter um carnaval que agrade o meu gosto”, comentou.

BAILE INFANTIL

As crianças também puderam se divertir neste Carnaval. O baile infantil no ginásio de esportes do Bairro Novo reuniu meninos e meninas fantasiados e maquiados de personagens. Barraquinhas, brincadeiras, palhaços e um show infantil atraíram os pequenos no último dia do feriado. O radialista Adege levou seus dois netos fantasiados de palhacinhos para se divertirem no baile infantil e afirma que são dessas pequenas atitudes que os meninos irão se lembrar no futuro. “Trouxe a criançada para se divertir. Tudo passa na vida e eles vão sempre se lembrar do que viram. Ensino, diversão, eles sempre vão lembrar”, contou.

n em tudo foi festa

O Carnaval 2014 não foi só festa. Uma grave ocorrência foi registrada no domingo (02), no evento Curitiba Rock Carnival. Quatro homens foram esfaqueados numa briga entre duas facções rivais. Punks e skinheads entraram em confronto na Praça Eufrásio Corrêa, em frente ao local onde ocorria o evento. Das quatro vítimas, três tiveram ferimentos leves. O outro esfaqueado, de 27 anos, teve ferimentos graves, foi internado, mas passa bem. Um rapaz, também de 27 anos, foi detido suspeito de esfaquear as vítimas.

Esta foi a única ocorrência grave registrada neste Carnaval. Segundo Nivaldo Vieira Louranço, chefe de gabinete da Fundação Cultural de Curitiba, a segurança estava reforçada. “Tivemos todo um processo com a Polícia Militar e Guarda Municipal para realizar a segurança dos eventos. O Corpo de Bombeiros também estava ajudando”, disse.

09 COMUNICARE Curitiba, 31 março de 2014
Aliny Gohenski, Karyna Prado e Luana Kaseker | 3º Período
Karyna Prado | 3º Peírodo

c i G ano abre discussão para que c uritiba receba o ufc

evento de mma já ocorreu em algumas cidades do país, mas ainda não chegou na capital paranaense

na sua cidade tem o seu nível de violência alterado”, argumenta.

c idade pioneira

o único lugar que talvez pudesse sediar a luta”.

O Ultimate Fighting Championship (UFC) é um dos esportes mais comentados dos últimos tempos. Este originou-se do vale-tudo em 1993 nos Estados Unidos e seu objetivo era descobrir entre todas as lutas, qual a mais eficaz em um combate desarmado. Com o passar do tempo, as regras do UFC começaram a ser definidas e a modalidade MMA (mistura de artes marciais, em inglês) se tornou o estilo de luta. Hoje, segundo o site oficial do UFC Brasil, o esporte conta com mais de 20 eventos por ano.

O Brasil é um dos palcos que sedia o UFC. Em 2012, três edições ocorreram, duas no Rio de Janeiro e uma em Belo Horizonte. Com a popularização do esporte, mais cidades pretendem se tornar locais de luta. Curitiba, que é um dos maiores celeiros de MMA, revelando lutadores como Anderson Silva, Wanderlei Silva e Maurício Shogun, ainda não realizou nenhum evento deste porte.

falta interesse

O lutador Junior Cigano revelou recentemente em uma coletiva ao jornal Gazeta do Povo, que a capital paranaense é propícia para receber o UFC, porém, falta interesse das autoridades. O professor

Paulo Roberto da Silva, do Centro de Referência Qualidade de Vida e Movimento de Curitiba, revela que a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude (SMELJ) da cidade não tem nenhum projeto para sediar a luta. “Não temos nada muito expressivo, nem professores, lugares ou projetos que visem Curitiba como palco do esporte, não ainda, quem sabe daqui um tempo”, explica o professor.

O sociólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), César Bueno, critica o município por arcar com gastos mercadológicos para sediar o esporte, visto que este atrai muitos patrocinadores e a cidade tem outras necessidades e prioridades em relação às políticas públicas, “qual a contra partida do município? A relação mercadológica dessa modalidade não precisa dos fundos municipais para se instalar na cidade”.

Bueno também afirma que não há estudos antropológicos e sociológicos sobre o aumento da violência nas cidades que sediam UFC, e questiona o motivo pelo qual a sociedade consome cada vez mais a violência seja no esporte, em desenhos, nos jogos de vídeo games. “Não se pode isolar o esporte e concluir que a população que tem um evento como esse sediado

O dono da academia Chute Boxe de São José dos Pinhais, Marcos Luiz de Oliveira, aposta em Curitiba como futura sede para receber não só UFC, mas também outros esportes que sejam de lutas devido ao envolvimento histórico da cidade com artes marciais. “Curitiba é uma cidade pioneira, quando se fala em 20, 30 anos atrás, o mestre Rudimar (Fedrigo) que é nosso coordenador, foi quem iniciou esse trabalho. Então Curitiba é, e sempre foi, o maior celeiro de lutadores do planeta, porque os maiores campeões são daqui”. Ainda para Oliveira, apesar da capital perder por não realizar esse tipo de evento, a cidade ainda não tem suporte necessário para realizá-lo. “Curitiba não tem um local apropriado para receber UFC. Seria, no caso, um ginásio grande, coberto. Em questão de custos eu não sei se seria interessante a Arena da Baixada, mas é

O apresentador do programa Nocaute da Rádio Transamérica, Rafael Porto, concorda com Oliveira sobre o fato de Curitiba não ter porte para receber tamanho evento. “É só olhar os locais que receberam o UFC em outras cidades brasileiras para notar que Curitiba não possui um espaço adequado”. Contudo, Porto reconhece a importância de a cidade sediar o esporte. “Hoje o UFC é um evento de apelo mundial. Atrairia turistas, imprensa e as atenções de muita gente para a cidade. Sem contar que daria um incentivo a mais para os praticantes de MMA da cidade, que sem dúvida ficariam contagiados pelo clima do UFC”.

O atleta de jiu-jitsu, Rafael Berganton, tem uma visão diferente sobre a possibilidade de Curitiba se tornar sede, “é uma cidade que já está atrasada por não receber UFC. Aqui tem estrutura e é uma cidade que é conhecida mundialmente lá fora por causa de seus lutadores”.

10 Curitiba, 31 de março de 2014 COMUNICARE
Curitiba, que é um dos maiores celeiros de MMA, revelando lutadores como Anderson Silva, Wanderlei Silva e Maurício Shogun, ainda não realizou nenhum evento deste porte. academias de artes marciais em curitiba são referência no país e no mundo a prática das artes marciais ganha destaque entre os mais jovens Giulie Carvalho/3oPeríodo

o preconceito ainda estÁ presente no esporte

atletas ainda sofrem discriminação em suas profissões

O esporte em geral carrega o lema de unir as pessoas, aproximar as diferentes raças e até de promover encontros de povos em guerra. Entre os milhões de praticantes de atividades físicas pelo mundo é normal que haja diferença de raças, costumes e opção sexual entre os atletas. Porém, um mal da sociedade infelizmente ainda está presente nesse meio em pleno século XXI, o preconceito. Não é incomum depararse com notícias lamentáveis envolvendo discriminação a atletas dentro ou fora de seus ambientes de trabalho.

Em meados de fevereiro deste ano, o jogador de futebol Tinga, do Cruzeiro, passou por um momento constrangedor em um jogo da Copa Libertadores disputado em Huancayo, no Peru. A torcida do Real Garcilaso promoveu ataques verbais contra o jogador desde o momento em que ele entrou em campo, no segundo tempo. A todo toque na bola que o volante dava, era possível ouvir barulhos de macacos produzidos pela torcida. O caso teve

bastante repercussão na mídia e pode gerar uma punição ao clube peruano.

Fernando Freire é jornalista do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM) e no início de fevereiro, deste ano, presenciou outra cena de racismo coincidentemente no Peru. Na partida entre Sporting Cristal e Atlético, alguns torcedores do time da casa imitaram sons de macaco quando o zagueiro Manoel, do rubro-negro, tocava na bola. “Como era uma minoria que tinha esse comportamento abominável e como o jogo seguiu normalmente, esse caso não teve tanto destaque”, contou Freire.

n ão é de H o J e!

O problema do preconceito no âmbito esportivo não é de agora. Desde quando o esporte começou a ser praticado, atletas sofrem com as diferenças. No Brasil, jogadores negros não podiam praticar o futebol, por isso passavam “pó-de-arroz” no rosto para tentar uma chance. Reginaldo Nascimento, ex-jogador ídolo do Coritiba na

preconceito dentro e fora de campo por diversas vezes. O atleta foi símbolo de várias campanhas contra o racismo e até hoje luta pela igualdade. “Creio que é uma grande oportunidade de tocar neste assunto, porque é ano de Copa do Mundo e eu vejo o futebol como uma porta para que isso diminua”, finalizou Nascimento que ainda lamenta pelos constantes fatos de preconceito.

Mas, cenas como essas não são exclusivas do futebol. No vôlei, dois momentos marcaram o principal campeonato brasileiro, a Superliga. Em 2011, o central Michael foi vítima de atos homofóbicos em uma partida contra o Cruzeiro, em Minas Gerais. No ano seguinte, um jogador do clube mineiro sofreu racismo. Em um clássico entre Cruzeiro e Minas, o oposto Wallace ouviu xingamentos por causa da cor da sua pele no momento do saque. Segundo o psicólogo Guilherme Marcelo Moro, as pessoas aproveitam do ambiente público, por estarem no ‘anonimato’ e se sentem livres para expressar a raiva. “As pessoas acabam assumindo crenças, valores que não estão em ressonância com a realidade psíquica

delas”, explicou.

Até mesmo em esportes que estão se popularizando nos últimos anos a discriminação está presente. Ricardo Kogus, mais conhecido como “Treta”, é lutador profissional de MMA e já perdeu oportunidades de contrato por causa de sua imagem. “No MMA o preconceito vem mais dos patrocinadores, empresários, eles selecionam o que vende”, disse o lutador que possui diversas tatuagens pelo corpo. Atualmente os problemas de preconceito já foram superados por ele. “Minha imagem foi adotada pelo público”, finalizou o lutador.

p ro G resso

Não é da noite para o dia que os problemas de preconceito acabarão no esporte e em todos os lugares. O Brasil tem suas origens na miscigenação das raças. De acordo com o psicólogo, atos como estes continuarão acontecendo porque os indivíduos são diferentes e a sociedade busca os iguais. “Não conseguiremos nos livrar desse mal se não for através da conscientização”, relatou Moro.

11 COMUNICARE Curitiba, 31 março de 2014
Guilherme Becker/3 Periodo
“Não conseguiremos nos livrar desse mal se não for através da conscientização”
década de 1990, sofreu reginaldo nascimento aponta caxias do sul como a cidade que mais praticou discriminação contra ele
está na luta e quer
Guilherme Becker/ 3 Período Kogus
nocautear o preconceito

e sporte criado por curitibano ser

passados 12 anos da criação, futsac ganha força

Á oficializado

e pode virar esporte olímpico

ao esporte, além da captação de recursos através da Lei de Incentivo ao Esporte, e também poderemos realizar cursos de capacitações em universidades e implantar o esporte em colégios”, diz. Skrzyszoski explica que há Campeonato Brasileiro –região sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), Campeonato Paranaense e torneios menores.

Na cidade de Curitiba, o esporte pode ser praticado com orientação de um professor de futsac aos sábados no Parque Barigui, das 15h às 18h nas quadras localizadas na parte de trás do parque - ao lado da torre de tijolos.

como J o G ar

O esporte criado pelo curitibano Marcos Juliano Ofenbock, que consiste no malabarismo de uma bolinha de crochê com dois toques dos pés antes de ser jogada para o campo do adversário, é o mais novo esporte há ser oficializado desde 1972 – ano de criação do futevôlei. O futsac ou futebol de saco une características do futebol e do vôlei com esportes de origem asiática e australiana e ganhará reconhecimento como mais uma modalidade esportiva no dia 29 de março em cerimônia oficial.

A oficialização, que será no aniversário de 321 anos de Curitiba, pode ser considerada um presente do Ministério do Esporte para a capital paranaense. O evento ocorrerá durante o Campeonato Brasileiro de Futsac, na Praça Oswaldo Cruz – será aberto ao público - e contará com a presença de autoridades nacionais, estaduais e municipais, além dos 22 melhores atletas nacionais na cerimônia oficial.

Com o reconhecimento do esporte criado pelo curitibano, o evento será o apoio e a divulgação que ele tanto esperava para alavancar atletas e a prática da nova modalidade em nível nacional. “A luta é

muito grande e foi uma batalha inventar algo a partir do zero, um novo esporte é uma contribuição muito grande para o espírito humano”, ressalta.

O esporte surgiu do footbag – de origem australiana, que compõem o malabarismo com os pés de uma pequena bolinha – recebeu uma série de adaptações do curador e tornou-se o futsac. Ofenbock se inspirou em diversas modalidas pouco conhecidas pelo grande público. “Li sobre todos os esportes que são praticados em quadra e envolvem uma rede divisória, o vôlei, tênis, peteca, badminton e o sepak takraw - jogado no sul da Ásia e une futevôlei às artes marciais”, comenta.

Para Antônio Eduardo Branco, presidente do Conselho Regional de Educação Física (CREF-PR) o orgulho é em dobro, ele ressalta que “a gente fica muito contente por ser um esporte genuinamente paranaense e que abre um novo mercado de trabalho, já que mais de mil pessoas se beneficiam com a confecção das bolinhas”.

Branco dá grandes esperanças aos curitibanos e a todos os brasileiros ao

prometer lutar para inserir o novo esporte 100% verde e amarelo já nas Olimpíadas de 2016. “Visamos a expansão do esporte e lutar para inserí-lo nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro como esporte - demonstração”, afirma.

No âmbito municipal, a gerente de esportes da Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude (SMELJ), Edilmar Derviche, ressalta o estudo e a proposta em andamento de homenagear o esporte de duas formas: o circuito de futsac e a inserção dele no projeto Memória Esportiva de Curitiba, ambas ocorrerão no final do ano.

“A Prefeitura, através do departamento de esporte, está estudando uma proposta de um circuito de futsac ainda esse ano e também o reconhecimento pelo esporte e por ser um orgulho para a cidade. Ele merece reconhecimento e divulgação já que o esporte pode ser conhecido e praticado nacionalmente”, relata.

Marcelo Skrzyszoski, professor e jogador de futsac está animado com a oficialização. “Acreditamos que a partir da oficialização mais pessoas irão aderir

Circuitos formados de três a cinco pessoas em que não pode se usar as mãos. As regras são feitas pelo próprio grupo, pode limitar-se o número de toques por jogador, criar uma sequência e aumentar ou manter a velocidade, além de executar as principais manobras antes de enviar a bola para outra pessoa do grupo.

Deve ser praticado em uma quadra com cinco metros de comprimento por 10 metros de largura, divididos em dois lados separados por uma rede com 1,5 metro de altura. É possível de ser praticado nas modalidades duplas e individual com três sets de 21 pontos corridos.

Há vários modos de posicionamento dos jogadores, triângulo, quadrado ou pentágono, mas cada um com sua regra. Se for um triângulo, um jogador toca a bola para o outro, podendo ou não manter uma ordem na direção; formando um quadrado, os jogadores tocam na diagonal ou diretamente para um dos companheiros ao seu lado; com a formação de um pentágono, os jogadores podem jogar para o segundo companheiro ao seu lado e assim sucessivamente. Contudo, independente da forma de se jogar, o esporte promete cair no gosto popular.

12 Curitiba, 31 de março de 2014 COMUNICARE
“A prefeitura, através do departamento de esporte, está estudando uma proposta de um circuito de futsac ainda esse ano e também o reconhecimento pelo esporte e por ser um orgulho para a cidade”
Jogador precisa ter reflexo e agilidade para conseguir controlar a pequena bola de crochê

a s cartas de incentivo à leitura aos estudantes

o programa realizado pelos correios em curitiba motiva os alunos a melhorarem o desempenho na escrita

O hábito da leitura está cada vez menor entre os jovens brasileiros. De acordo com o último levantamento encomendado pelo Instituto Pró-livro, entre o período de 2011 e 2012, houve uma queda de 9,1% no número de leitores na faixa etária de 12 a 25 anos de idade. A leitura influencia diretamente a produção textual, que também vem sofrendo críticas por parte dos estudiosos da língua portuguesa, como explica a professora Nilma de Almeida. “No geral, é difícil encontrar um jovem que leia jornal diariamente, por exemplo. E esse déficit é sentido quando lhe é exigido uma dissertação. Falta poder argumentativo e domínio de vocabulário”, afirma.

Para ajudar na reversão deste cenário, o incentivo é um dos fatores mais importantes. Diante disso, os Correios realizam voluntariamente o Concurso Internacional de Redação de Cartas para Jovens, do qual estudantes de até 15 anos podem participar.

A iniciativa faz parte do segundo objetivo do milênio estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), denominado “Educação Básica de Qualidade Para Todos”, e é promovida anualmente pela União Postal Universal (UPU), sediada em Berna, Suíça. Segundo Antônio Carlos Pereira, assessor de comunicação dos Correios de Curitiba, a instituição acredita que apoiar concursos como este vai além de

instrumento muito poderoso na formação do indivíduo e do cidadão, porque o desenvolvimento da competência de expressão escrita é fundamental para o exercício da cidadania”, afirma.

e tapas do concurso

Pereira explica que a competição, que está em sua 43ª edição, é feita em etapas e os inscritos passam por processos em nível interno em suas escolas (públicas ou privadas), em que são selecionadas as duas melhores cartas produzidas dentro do tema do concurso. Depois, uma carta é selecionada pela comissão julgadora, formada por professores e técnicos em língua portuguesa da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED). Esta carta representará o Estado na fase nacional, em Brasília. “Lá haverá uma nova avaliação, e a melhor dentre todas as recebidas das 192 administrações postais filiadas, representará o Brasil na fase internacional, na Suíça”, completa.

Em cada edição, a UPU tem o cuidado de escolher temas do cotidiano dos jovens e de fácil abordagem no contexto de culturas diferentes do oriente e do ocidente. O deste ano é “Escrever uma carta para dizer de que forma a música influencia a vida”. “Assim, o incentivo é ainda mais eficaz”, ressalta Pereira.

d esempen H o paranaense

O Brasil é o segundo país mais bem classificado no mundo, com três medalhas de ouro, duas de prata, uma de bronze e duas menções honrosas na etapa internacional do concurso. O Paraná foi um dos responsáveis por uma das medalhas douradas há 20 anos e nas últimas edições o Estado está sempre entre os 10 melhores, de acordo com dados dos Correios.

Curitiba também faz parte desse retrospecto. Em 2009 uma aluna da capital conquistou o segundo lugar na etapa internacional, com o tema “Escreva uma carta explicando como boas condições de trabalho elevam a qualidade de vida” e em 2013, o segundo lugar estadual também foi de uma curitibana.

o incentivo em con J unto

O concurso é um dos vários meios de incentivo à leitura e à produção textual. Contudo, segundo a professora do Colégio Internacional Everest de Curitiba, Andrea Miller, sozinho não tem efeito nenhum. “Procuramos envolver os estudantes do colégio e auxiliamos em todo o processo indicando livros e pessoas com as quais possam realizar entrevistas. Entendemos que é uma forma de levar a aprendizagem para fora das portas da escola”, ressalta.

A segunda colocada na etapa estadual

no ano passado foi Bárbara Casagrande e segundo ela, o apoio dos professores e dos pais é tão importante quanto a própria iniciativa e vontade do jovem. “Obtive auxílio da minha professora, que comigo compartilhou muitas opiniões. Meus pais também me auxiliaram por meio de exemplos concretos presenciados na vida cotidiana e me incentivaram desde cedo”, afirma.

Apesar de jovem, a estudante de 15 anos reconhece a importância da leitura. “É preciso esforço, dedicação e muita leitura, que é a chave para que você se sobressaia na escrita. Dessa forma adquirese o hábito de ler sempre, o que contribui, em grande escala, para o aprimoramento de suas ideias, que, posteriormente, serão colocadas no papel”, completa.

13 COMUNICARE Curitiba, 31 março de 2014
o tema das redações é feita a partir cotidiano vivenciado pelos jovens
Geane Godois/4oPeríodo “No geral, é difícil encontrar um jovem que leia jornal diariamente, por exemplo. E esse déficit é sentido quando lhe é exigido uma dissertação. Falta poder argumentativo e domínio de vocabulário”

c uritiba voluntÁ ria se prepara para a c opa do m undo

Governo

Apesar do atraso nas obras da Arena da Baixada, Curitiba foi confirmada pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, como sede da Copa do Mundo 2014. O estádio será palco de quatro jogos que ocorrerão entre os dias 16 e 26 de junho. Como uma oportunidade de participação na Copa do Mundo, foi criado o programa Brasil Voluntário.

Através da cessão de tempo e de prestações de serviços ao comitê organizador local, os voluntários podem inscrever-se para auxiliar torcedores, imprensa não credenciada e turistas em áreas de grande fluxo, como os aeroportos, centros comerciais, pontos turísticos, arredores dos estádios, terminais de ônibus e estações de metrô.

As inscrições iniciaram no dia 14 de fevereiro e terminaram no dia 06 de março, gratuitamente, no site www.brasilvoluntario.gov.br. Segundo o site oficial da Copa do Mundo, 15 mil voluntários devem ser selecionados para atuar nas 12 cidades-sedes. Em Curitiba são mil vagas.

Os candidatos devem ter mais de 18 anos e disponibilidade para trabalhar, no mínimo, sete dias consecutivos ou intercalados. O cadastro é gerenciado pelo governo federal e ainda não há data para divulgação do resultado. No caso de Curitiba, os voluntários estarão subordinados à Secretaria Municipal do Trabalho e Emprego (SMTE) que atua em parceria com a Secretaria Municipal Extraordinária da Copa do Mundo Fifa 2014 (Secopa) e o Ministério do Esporte, para viabilizar o programa de voluntariado.

Os selecionados farão treinamento virtual e presencial, ministrados e certificados pela Universidade de Brasília (UNB). Noções de hospitalidade e turismo, história do futebol e mega eventos, segurança e primeiros socorros, meio ambiente, inglês, espanhol, italiano e

francês serão disponibilizadas.

prol da copa”

Os candidatos poderão informar as suas áreas de preferência, porém, durante o processo de seleção, o perfil individual será verificado, assim como as habilidades de cada um. Aline Pinto, assessora técnica da Secopa, acrescenta que “a seleção é feita com base no currículo, disponibilidade de atuação e análise de antecedentes criminais - feita pela Polícia Federal”.

Para Beatriz Castro, pré-selecionada para atuar na área de mídias, função denominada como operações de imprensa,

ser voluntária vai além do tempo cedido para uma causa social de um evento de grande porte. “Como experiência pessoal é ótimo, eu, por exemplo, quero participar para ter algo a mais no meu currículo e poder ter contato com a mídia, que é algo muito importante para uma estudante de jornalismo”, comenta.

Sobre a questão de ser um trabalho sem remuneração, a estudante acredita na eficiência que o projeto terá em prol da Copa e seu funcionamento. “Para você chegar a ser selecionado, para ser voluntário são muitas etapas, então acho difícil alguém não capacitado ou não eficiente conseguir chegar a trabalhar lá”, atesta.

Camila Kern Zonatto, que não havia ouvido falar sobre o projeto, é contra a

base dele. “Eu não participaria. Trabalho remuneradamente porque preciso do dinheiro. Acho que os voluntários tinham que ter pelo menos o direito de assistir aos jogos da sua cidade já que estão trabalhando em prol da Copa”, reclama.

s em remuneração

O trabalho voluntário é por natureza um trabalho sem remuneração. Por conta disso, não haverá pagamento de nenhum tipo de salário ou ajuda de custo para hospedagem aos voluntários de cidades de fora. Aline explica que “o programa não prevê estadia, sendo esta de responsabilidade do próprio voluntário. O programa prevê: uniforme, transporte, vale-alimentação e seguro de vida. Esta foi uma opção de gestão do governo federal e da Fifa, no aspecto de garantir uma maior participação dos brasileiros, prezando o princípio da diversidade e da construção do legado imaterial”.

A sede da coordenação do Brasil Voluntário em Curitiba será no Solar dos Guimarães, localizado na Rua Mateus Leme, espaço cedido pela Fundação Cultural de Curitiba (FCC). O prédio receberá modificações, que ficarão como legado da Copa, sendo desde uma nova pintura até adequações para mobilidade – automatização dos portões, interfone, elevador para pessoas com dificuldade de locomoção.

Silvia Guinsk, assessora da diretoria de Ação Cultural da FCC explica que a escolha do edifício vai além de sua desocupação. “Consideramos na escolha sua belíssima arquitetura, o fato de ser um prédio histórico e de poder mostrar isto para os voluntários do Brasil todo que estarão atuando em Curitiba”, acrescenta.

14 Curitiba, 31 de março de 2014 COMUNICARE
federal junto à fifa foca em projeto sem remuneração em prol do mundial de futebol
Segundo o site oficial da Copa do Mundo,15 mil voluntários devem ser selecionados para atuar nas 12 cidades-sedes.
“ac H o que os voluntÁ rios tin H am que ter pelo menos o direito de assistir aos J o G os da sua cidade JÁ que estão trabal H ando em
inscrições para o brasil voluntário se encerraram no dia 06 de março

e ntre o ódio e a pai X ão pelo futebol

torcedora vai do céu ao inferno em poucos minutos com seu amor pelo esporte

“Em dias como este, só consigo pensar no resultado que estará no placar” – dizia o falecido agente de viagens e pai de Jéssika. Essa frase acabou influenciando a moça de 19 anos, que no dia 05 de fevereiro de 2014, durante seu expediante no Ministério Público do Paraná, deixou o trabalho em segundo plano, pois o que importava era apenas o resultado do jogo que iria ocorrer, entre Atlético e Sporting Cristal pela Pré-Libertadores.

“Parece que estou aqui há 24 horas” - pensava Jéssika sobre seu estágio. A ansiedade era tanta que a curitibana ignorava os papéis em sua mesa para procurar informações sobre o jogo, tudo servia para preencher o tempo que não passava.

- Você não vai sair para o intervalo, não? – disse sua colega de trabalho.

Desta vez o problema era a internet. A garota encontrou vídeos marcantes na história atleticana.

Sempre supersticiosa, a estudante de Direito fazia brincadeiras em sua cabeça com o ambiente que a cercava para decidir a sorte. “São quatro elevadores, se o

primeiro chegar, nós ganharemos o jogo; se for o segundo, perderemos; o terceiro fará com que o jogo termine empatado, mas decidido a favor do Atlético nos pênaltis, e o último, fará com que tudo seja decidido contra o Furacão”. Foi assim que ela confiou ao destino o que aconteceria na partida. A luz se acende, e a porta do terceiro elevador se abre. “Pênaltis?! Não poderia ser menos dramático? Pelo menos vamos sair de campo com a vitória!” Confiante, Jéssika entra no elevador e sai em busca da refeição esperada.

Com todo esse drama, o dia da jovem acabou passando. Rumo ao estádio.

Após estacionar o carro, Jéssika foi para a Vila Capanema. “Se pudéssemos jogar na Arena, eu não ficaria nervosa, ganharíamos com toda certeza” - pensou a torcedora.

Faltando 15 minutos para o apito inicial, conhecidos de Jéssika chegam para assistir o jogo ao seu lado. Dentre eles, seu namorado. Por um momento os pensamentos da moça se distanciam do futebol e vão parar no seu coração.

O apito soou e o problema de o tempo passar devagar sumiu. Sem perceber os 45

minutos iniciais se encerraram, e o jogo continuava 0 a 0. “Precisamos fazer um gol, um gol basta” – pensava Jéssika.

No segundo tempo, o otimismo causado graças aos elevadores pouco durou. O Atlético abriu o placar, mas logo sofreu o empate, e para conseguir a classificação ainda era necessário um ou dois gols. Foi então que o relógio começou a correr, como se ele estivesse de propósito querendo matar um ou cinco mil atleticanos do coração.

Já nos acréscimos do segundo tempo da partida, muita gente havia deixado o estádio. Mas não Jéssika. A jovem continuava lá. “Eu não acredito, não pode ser verdade!” – pensava já desesperada.

Jéssika fechou os olhos para tentar se acalmar. Foi então que toda a torcida vibrou. Pênalti para o Atlético. A garota nem tinha visto o lance, mas isto pouco importava.

“Pênaltis! O elevador estava certo! Vamos ganhar nos pênaltis” – Pensou confiante. O problema, porém, é que o universo neste dia não estava colaborando com os atleticanos. O furacão perdeu dois

pênaltis. Tudo poderia ser decidido com o último. Os pensamentos de raiva voltaram a assolar a cabeça de Jéssika, que nada poderia fazer a não ser torcer. E foi o que ela fez. Torceu tanto que talvez o universo tenha entendido que o dia dela tinha que acabar feliz. O Sporting Cristal perdeu o pênalti, dando uma nova chance para o Atlético sair classificado. Nas cobranças alternativas, Manoel converteu e Aquino desperdiçou. O Atlético estava classificado!

– Eu nunca vou conseguir dizer o que passei nesse jogo – comentou Jéssika. –Foi algo inacreditável, eu estava apenas chorando – completou. De fato, o elevador estava correto, o Atlético acabou se classificado nos pênaltis, e Jéssika pode voltar para sua casa feliz. Ou quase, já que o rádio de seu carro tinha sido roubado. “Maldito universo! Mesmo no momento mais feliz do dia, algo ruim tinha que acontecer” – pensou a jovem torcedora.

15 COMUNICARE Curitiba, 31 de março de 2014
torcida do atlético faz a festa após dramática classificação
”Eu nunca vou conseguir dizer o que passei nesse jogo – comentou Jéssika. – Foi algo inacreditável”
Caio Porthus/3°Período

132 anos salvando vidas

a s anta casa de misericórdia faz parte da história de curitiba

Dia quente aquele 22 de maio de 1880. Cercada por líderes religiosos e imperiais, a capela parecia pequena para a grande inauguração do primeiro hospital de Curitiba. Era necessária essa construção, já que o modo de vida da época estava movimentando um número cada vez maior de pessoas que largavam suas vidas nos campos para se urbanizarem. Naquele ano, a cidade estava com cerca de 20 mil habitantes e, por obséquio, querida pósmodernidade, possuía bem mais araucárias.

A arquitetura com influências neogóticas agradou Teresa Cristina, que não poderia deixar de acompanhar Dom Pedro II em tão honrosa cerimônia. A imperatriz do Brasil descreveu a bonita edificação como “nobre, mas muito longe do Centro”, já que era um esforço e tanto sentar em sua carruagem e ser puxada pelo longo caminho até a Igreja do Rosário, no Largo da Ordem.

Entretanto, 132 anos depois, a cidade cresceu e a distância entre o hospital e o Centro Histórico pareceu ter diminuído, apesar de nenhum deles ter saído do lugar. Entre arranjos e “puxadinhos”, atualmente o prédio está lá, se misturando à corriqueira imagem que nasceu com as grandes capitais. Em frente à Praça Rui Barbosa, o hospital sobrevive como uma das três construções mais antigas dos 320 anos de Curitiba.

Quem passa pelas ruas André de Barros, Comendador Roseira ou José Loureiro pode nem perceber, mas está vivenciando um pouco da história da Santa Casa de Misericórdia. Os três foram grandes nomes dentro do hospital, passando pelo cargo de provedor, um dos mais altos desde aquela época. Se seus nomes estão nas ruas, seus rostos estão pendurados no salão mais nobre do edifício.

Em 2003, Fidelício Thomaz de Souza

teve que ser internado nas dependências da Santa Casa e passou por três pontes de safena. Apesar das cirurgias serem lembradas nas marcas pelo corpo, o aposentado não se esquece do bom atendimento da época. “Levo uma vida normal desde então”. O mesmo senhor diz não ter nenhuma reclamação sobre o local, mas seu colega da unidade 37 discorda em meio a tosses e risos: “Hoje a comida tá que tá, mas tem dia que Deus me livre”.

11 anos depois, Fidelício voltou a ser internado, mas desta vez, a Santa Casa também estava passando por tratamento. A parte mais histórica da construção deixou de lado o bisturi para começar uma cirurgia igualmente minuciosa nas paredes e móveis do memorável hospital. Já a capela, aquela lá do começo da história, está passando por uma restauração, que tem o objetivo de mostrar a seus visitantes um pouco do que foi admirado pela imperatriz Teresa Cristina.

C EL s O M OREIRA

O sol quente de Mandirituba e o trabalho na roça deixaram marcada a pele de Celso Moreira, 55 anos. O homem de sorriso largo e olhar profundo fala à vontade, como quem conversa com um amigo na sala de estar. Dor nas costas. Queixa comum para quem trabalha no pesado, queixa que aparentemente não precisava de atenção. “Eu pensava que era da coluna, fiz raio-X mas não era”, desabafa o paciente que descobriu que a causa da dor era um tumor no rim.

O medo do diagnóstico fez Celso resistir ao tratamento, mas o apoio de amigos e do afilhado deu coragem para enfrentar a doença. “No domingo eu fui na igreja, terminei a reza, voltei para casa, almocei e decidi fazer o exame. O médico disse que se encontrasse alguma coisa ligava na segunda-feira. Segunda de noite ele ligou falando que eu teria que vir me internar em Curitiba” conta o lavrador, que veio sozinho para a capital. Agora, ele aguarda a realização de sua cirurgia, ansioso para que possa “voltar para seu pedacinho de terra”.

EVERALDO CABRAL

O que você faria se lhe fosse dado pouco tempo de vida? Como reagiria? Como continuaria vivendo? Essa é a história que conta o aposentado Everaldo Cabral, de 56 anos. Curitibano, pai de dois filhos e apaixonado pelo Atlético, ele recebeu o diagnóstico que teria só mais um ano de vida por causa de um problema cardíaco. O fato é: isso ocorreu há 26 anos. “Na época que eu tive esse problema, o médico falou que não tinha como fazer cirurgia, daí foi indo e eu fui vivendo”.

Ele conta que perdeu toda a esperança em viver. “Na época eles acharam que não tinha relação com problemas cardíacos”. Everaldo está na Santa Casa devido a alguns desmaios que ocorreram no mês de janeiro desse ano, aguardando uma cirurgia para abrir a válvula que bombeia o sangue para o coração e conta que está sendo muito bem atendido: “Aqui é tranquilo, os enfermeiros e enfermeiras são atenciosos, estou feliz aqui”.

16 Curitiba, 31 de março de 2014 COMUNICARE
”Aqui é tranquilo, os enfermeiros e enfermeiras são atenciosos, estou feliz aqui”
o antes
e o depois da s anta casa: a urbaização tomou conta da paisagem
Acervo Santa Casa
4
Alex Prado/ 4ºPeríodo
Everton Lima/
Período
Alex Prado / 4 Período Franceslly dos Santos Catozzo / 4 Período

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Comunicare 236 - 31.03.2014 by eba_pucpr - Issuu