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a cultura cearense pertinho de você!

UMA PUBLICAÇÃO DO INSTITUTO DE COMUNICAÇÃO SOCIOCULTURAL CANTO DA IRACEMA > ANO 11 > Nº 59 > OUTUBRO 2010

29 ANOS out 1981 • out 2010


SANTINHOS PARA TODOS OS GOSTOS audifax rios...

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A HÍSTORIA DA RÁDIO UNIVERSITÁRIA a sintonia da terra - 29 anos...

ÍNDICE

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MANIFESTA DA MASSA joanice sampaio...

// LOCAIS ONDE VOCÊ ENCONTRA O CANTO

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CENTRO DRAGÃO DO MAR DE ARTE E CULTURA / Praia de Iracema BIBLIOTECA PÚBLICA MENEZES PIMENTEL / Praia de Iracema TEATRO DA PRAIA / Praia de Iracema LA HABANERA CHARUTARIA / Praia de Iracema BAR DO MINCHARIA / Praia de Iracema LIVRARIA LIVRO TÉCNICO / Dragão do Mar - Praia de Iracema AMICI´S RESTAURANTE / Dragão do Mar - Praia de Iracema CLUBE DO BODE / Monsehor Tabosa - Praia de Iracema ESCOLA DE MÚSICA ALBERTO NEPONUCENO / Benfica RÁDIO UNIVERSITÁRIA FM / Benfica CASA AMARELA - EUSÉLIO OLIVEIRA / Benfica MUSEU DO CEARÁ / Centro BNB CENTRO CULTURAL / Centro SECRETARIA DE CULTURA DE FORTALEZA / Centro PREFEITURA MUNICIPAL DE FORTALEZA / Centro CONFRARIA DO CHAPÉU DE COURO / Centro THEATRO JOSÉ DE ALENCAR / Centro PRAÇA DO PASSEIO PÚBLICO / Centro ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ / Aldeota BNB CLUBE / Aldeota MUSEU DA IMAGEM E DO SOM / Aldeota MERCADO DOS PINHÕES / Aldeota GOVERNO DO ESTADO - PALÁCIO IRACEMA / Papicú CÂMARA MUNICIPAL DE FORTALEZA / Seis Bocas SECRETARIA DE CULTURA DO ESTADO / Cambeba BNB SEDE / Passaré ○

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CRIANÇA... UMA VISÃO DO FUTURO

EDITORIAL // TIRAGEM 10 MIL EXEMPLARES

A Revista CantodaIracema é feita com sua colaboração. Dê sua sugestão, critique, opine, xingue, faça a revista conosco.

ENTREEMCONTATO

grupo fotopasseio...

cantodairacema@hotmail.com

•ZENO FALCÃO

Olá leitores e leitoras, neste outubro, em especial, mais uma vez todos nós brasileiros iremos esolher “novos dirigentes”, deputados estatuais e federais, alem de dois representantes de nosso estado para o senado federal como também governador e futuro presidente do nosso tão sofrido e maltratado Brasil. O canto da Iracema na edição anterior, pela primeira vez neeses 11 anos de vida, dedicou uma página para divulgação de candidatos nesta eleição, claro que recebemos vários e-mails sobre o tema, alguns aprovando e outros tantos desaprovando a atitude da Revista. Agradecemos a todos mesmo, e deixemos claro que essa ação foi uma experiência única, pois nossa “politica, é não fazer esse tipo de politica em nossas páginas, não da forma como foi feita. Gostariamos que nossos leitores, principalmente os que não aprovaram o feito, compreendessem nossa atitude como uma experiencia mesmo, pois nossa filosofia somente foi, é e sempre será usar nossas páginas para a cultura cearense. Nesta edição o Canto traz mais um artigo de Audifax Rios, onde ele nos brinda com palavras de sua rica cultura e sabedoria... aproveite! Na sequência apresentamos, em primeira mão e com imenso orgulho, a hístoria da heroica e valiosa Rádio Universitária FM, que comemora seus 29 anos de fundação, transmitindo informações culturais e sociais para nosso povo. Parabéns aos que fazem esse veículo de comunicação mais alternativo de nossa comunicação. Vida longa a para SINTONIA DE NOSSA TERRA. Também não poderíamos deixar de registrar o evento MANISFESTA - FESTIVAL DAS ARTES 2010, realizado nas dependencias do Teatro José de Alencar, onde registramos o novo movimento artistico cultural que teve como inspiração a MASSAFEIRA LIVRE, (manifestação cultural realizado há 30 anos atrás), Confira algumas imagens e depoimentos registrado por nossa jornalista Joanice Sampaio com imagens captadas pelo fotografo Robério Araújo. Confira o que rolou... Vale a pena! Por fim apresentamos o Grupo FOTOPASSEIOS, que está realizando o concurso fotografico com o tema. Criança...uma visão do futuro, onde os participantes concorrem a um poster da fotografia mais votada através da internet. Não deixe de participar. Tenha uma boa leitura...

> QUEM SOMOS! coordenação geral zeno falcão • jornalista responsável joanice sampaio colaboradores audifax rios / rádio universitaria / robério araújo / grupo fotopasseio / coral da funcet diagramação artzen • endereço rua joaquim magalhães 331 / centro / fortaleza / ceará contato (85) 3032.0941 / 9993.7430 • e-mail cantodairacema@hotmail.com

> as matérias publicadas são de inteira responsabilidade de seus autores! CAPA

- FOTO DILVULGAÇÃO / SEDE DA RÁDIO UIVERSITARIA FM


SANTINHOS PARA TODAS AS CRENÇAS

> AUDIFAXRIOS@YAHOO.COM.BR CAMINHAMOS, CÉLERES, PARA A RETA FINAL. COM MUITA ANIMAÇÃO PELA ESTRADA. DE CARA, A ELEIÇÃO, SEGUNDO ENTENDIDOS, A MAIS CARA DA HISTÓRIA. MAIS SANTINHOS DE CANDIDATOS RODARAM NAS GRÁFICAS QUE OS TERÇOS DEBULHADOS NA BASÍLICA DE CANINDÉ PARA O ELEITO DE TODOS: FRANCISCO. HÁ MAIS DE CINCO SÉCULOS COLOMBO DESCOBRIA A AMÉRICA ÍNDIA. SÉCULOS DEPOIS, NO MESMO 12 DE OUTUBRO, PESCADORES ENCONTRAVAM UMA SANTA NEGRA, A PADROEIRA DO BRASIL. VIZINHA DE CALENDÁRIO DE FÁTIMA, TAMBÉM APARECIDA, LÁ NA COVA DA ÍRIA, PORTUGAL. A DAQUI, REAL, UMA ESTATUETA; A DE LÁ, UMA VISÃO. QUE, BEM MARQUETADA, ENSEJOU A MAIOR ROMARIA DO PLANETA. 04


AI DE TI, ESCORPIÃO – O planeta Plutão sumiu do mapa celeste, dizem os astrônomos. Os astrólogos continuam acreditando que o pequenininho ainda esteja lá por cima. E a ciência erra? Desde o Gaspar de Freitas, meu introdutor aos mistérios da geografia e da história, que o bichinho esta lá escondido no cu do mundo e só agora acharam que ele não merecia estrelar no elenco da seleta galáxia. De qualquer modo ele rege os nascidos sob o signo de Escorpião (24 de outubro a 23 de novembro) que tem um andamento fixo, por elemento, Água e polaridade negativa. Os escorpinianos (é assim mesmo, Seu Omar?) tendem a ser determinados, ter força e mostrar capacidade de regeneração. Eta planetinha rebaixado danado de bom! Os librianos, por sua vez, refinados, cooperadores e voluntários da Legião da Boa Vontade. Libra domina o calendário gregoriano na faixa que vai de 27 de setembro a 23 de outubro. Os librianos são chamados vulgarmente de “balança mas não cai”. Já os nativos de escorpião tem o apelido de “calango da lacraia”. Pensando bem, os de libra teriam senso de justiça ou dariam pra bodegueiros, já que o símbolo é uma balança. E os outros, com toda peçonha, que fossem trabalhar nos laboratórios do Instituto Butantã. AMÉRICA, AMÉRICA! – A história do descobrimento é filme antigo, todos sabem, embora em versões disparatadas. Não importa. Seu povo está vivo, ainda. Desde que o navegador genovês Cristóbal Colon aportou nas Caraíbas. Contudo o nome não homenageia o almirante, e sim a um outro, o aventureiro florentino Amerigo Vespucci. Que mais tarde teria inspirado o romancista cearense a construir um anagrama e uma grande obra: Iracema. Em 1992, o jornal literário O Pão lançou um suplemento comemorativo com matérias de Virgílio Maia, Rodrigo Torquato, Luciano Maia, Juan e Ernesto Padrón, Jorge Otávio e este locutor que vos fala. Tomamos emprestado um trecho da colaboração do Luciano, “Poema do território esquecido”, para o deleite dos leitores do Canto da Iracema: “Esquecido é o antigo território / sob as claras estrelas do hemisfério. / Vastas florestas e profundas águas... / Homens livres cobriam-se de luas, / namoradas donzelas vinham nuas / dançar os seus batuques ancestrais. /// O antigo território é esquecido, / onde tombou o último vencido / nas batalhas cruentas da chacina. / Mas ressoa na alma do Amazonas, / nas planícies, planaltos e nos Andes, / a voz da terra (eterna e repentina).” APARECIDA E FÁTIMA – O Brasil é um país negro, juro aos pés da Santa Cruz. A começar pela sua padroeira, Nossa Senhora Aparecida. Reza a lenda(?) que em 1717, pescadores do Paraíba do Sul fisgaram uma pequena estatueta de barro, Nossa Senhora da Conceição. Preta de tanto mergulhar na lama. Atribuíram-lhe feitos milagrosos que fizeram a santinha cair na devoção do povo humilde daquele pedaço de chão. A história propagou e, mesmo saindo da boca de pescadores (a pequena imagem crescia a cada narrativa), chegou aos ouvidos do Papa, o Pio XI, que declarou-a padroeira universal da patriamada. Aparecida do Norte é hoje importante centro de peregrinação, com imponente basílica e um aparato turístico que enche as burras do arcebispado. No dia seguinte, treze, duzentos anos depois, a Madona aparece de novo. Desta vez na freguesia de Fátima, distrito de Santarém, em Portugal. No lugar de pescadores, pastores: Lúcia, Jacinta e Francisco. Não foi moldada em barro como a brasileira e sim pela imaginação das crianças que tiveram a mesma visão outras vezes mais, na cova da Íria. Muito mais que Aparecida a cidade de Fátima é um rendoso polo turístico, o maior santuário mariano do planeta para onde se desloca uma multidão de desvalidos do mundo inteiro. 05


BODE DOMINGUEIRO – O Clube do Bode, com seus oito aos de estrada, já vai pro registro da ata número 446. Que englobou três reuniões: sexta, sábado e domingo, nos dias 25, 26 e 27 de outubro. O domingo foi especial. Houve show do grupo Jiriquiti e sorteio de um cavaquinho. Ambos feitos pelo Pardal. O conjunto foi assim: Paulo de Tarso juntou-se aos irmãos Tarcísio, Sílvio e Silvinha, trouxe um violão (Daniel Sete Cordas, Araújo ou Barbeiro) e pronto. Já gravou dois cedês repletos de chorinho da melhor qualidade. Do cavaco: Paulinho, homem dos sete instrumentos, não se contentou em apenas dedilhá-lo, resolveu fabricá-lo. E se fez “lutier”, moldando violões e cavaquinhos com a mesma perícia com que entalhava Cristos para vender no Mercado Central. E o motivo dessa sessão extraordinária foi a presença do deputado estadual santanense, João Ananias Vasconcelos Neto, conterrâneo do Pardal e do secretário do clube, este escriba. Que quer ir à Brasília e precisa de dinheiro para o transporte. Até fecharmos a edição sua vitória ainda era um X no quadradinho. CHIQUINHO DO CANINDÉ – Tem São Francisco que dá no meio da canela. Assis, Chagas, Paula, Sales e outros menos canonizados. Falamos do Chiquinho do Canindé, que tem chagas abertas. Comanda uma romaria provincial que dá pro gasto, já tem basílica e estátua colossal. A Casa dos Milagres é tão visitada quanto a Via Sacra, igreja e monumento. E tão superlotada esteve que os fradezinhos sentiram alívio quando os artistas plásticos Aderson Medeiros e Cleoman Fontenelle esvaziaram o equipamento pra fazer arte. O santo até agradeceu penhorado e fez o Aderson ir em procissão para a Bienal de São Paulo no começo da década de setenta. E o Cleoman presenteou-me com um surrão no calculo de cabeças de pau pra personalizar os muitos judas da Aleluia santanense. O milagroso santo ainda conduziu o rei do baião, Luiz Gonzaga, pela Estrada de Canindé e inspirou um ror de cordelistas por aí afora. Quem dá conta disso é o estudioso do assunto Arievaldo Viana conhecedor daquilo tudo como a palma da mão. Não chagada tal a do Fransquim. O qual espera sempre pelo romeiro, caminhando, se possível... o cristão tem que andar a pé. TELEVISÃO FEITA COM AMOR – Corria o ano de 1950, setembro, dia 18. Era inaugurada a primeira emissora de televisão brasileira, a TV Tupi de São Paulo. Graças ao espírito empreendedor de um jornalista controvertido, corajoso, o paraibano Assis Chateaubriand Bandeira de Mello. Que na ocasião definiu o propósito do empreendimento: “Nosso programa, que é fazer órgãos de doutrina e de informação, não comporta direita nem esquerda. Estamos no céu e na terra para servir a unidade brasileira (…) Não almejamos o lucro pelo lucro e não cultuamos a propriedade como um totem sagrado”. Esse era o velho capitão Chatô que considerava a televisão “a mais subversiva máquina de influir na opinião pública”. Dez anos depois, a 26 de novembro de 1960 era a vez da TV Ceará canal 2, de Fortaleza. Chatô não veio mas mandou o governador da Bahia, Juracy Magalhães. O capitão da nossa, Manoel Eduardo Pinheiro Campos foi bem mais comedido. Chamou-a de Fábrica de Sonhos. E, ideologias à parte falou: “Todo e qualquer trabalho ofertado ao telespectador não podia abrir mão da atenção, do zelo, da dedicação...” Resumindo com as palavras de A. C.: “Tudo aqui é bem feito e feito com amor”. 06


ADEUS, PRESTÍGIO! – Era comum, quando voltava da sessão eleitoral, o cidadão dizer: “Já perdi meu prestígio!” Isso no tempo em que só se comia do boi do coronel depois de ter depositado na urna o envelope com as capas dos candidatos, já convenientemente lacrado porque o voto era secreto. No 58, salvo engano, as chapinhas dançaram e chegou a inovação para acabar com voto encabrestado: a cédula com os quadradinhos e os nomes dos candidatos. Inventaram códigos para os analfabetos: o de riba, o de baixo, o do meio... Acrescentaram os algarismos e os cabos eleitorais mais inventivos ainda. Por exemplo o número 11.110 era traduzido como uma cerca de três paus perto de uma cacimba. Tem bicho mais arteiro que político? A urna eletrônica pôs o eleitor matuto em contato com a tecnologia, a informática. “Ora, se o meu neto sabe...” Aperta daqui, aperta dali, pergunta, consulta a colinha, aí aparece, sorridente, o cara que lhe comprou o voto. Pei bufo! Assunto encerrado, à noite já saberemos se ganhou. Essa mudança no processo trouxe, paralelamente, modificações na terminologia. O que se chamava “furar chapa” passou, na nova nomenclatura marginal, a ser “boca de urna”. Dentaduras e óculos ainda prevalecem. Só não cédulas de duas cabeças. POR CIMA DE PAU E PEDRA – Tinha que ser poeta. Telúrico, chão, barro. Argamassa, matéria-prima para a feitura do índice da raça. Onde finca raízes o pinheiro linheiro, macio, às vezes nodoso. José Maria, matriz. Maria feita do barro de Trucunhaém, do Beberibe, do velho Chico, do Parnaíba; José que trabalhava a madeira, mestre carpina. José Maria Barros de Pinho, com todos estes motes, era obrigado a poetar. Aceitou o desafio e cumpre o ofício com mestria e competência. Agora, para comemorar seus setentanos, lança poemas para orvalhar o outono. Em forma de livro bonito. Dividido em blocos distintos, cronológicos. E em seguida, fortuna crítica, o muito que disseram sobre a obra. Mas o Zé Maria tem ainda muito a dizer e muito será falado neste circo encantado onde é aplaudido pelo distinto público, do picadeiro ao galinheiro. Sua poesia saiu das ribanceiras do Poti para ganhar os meridianos do planisfério. IRACEMAR – Conjugar este verbo é mergulhar nas bravias ondas verdes do infinito açude do Monsieur Boris. Afogar-se nos copos de fundo grosso, igaçaba dos nostálgicos botecos deste pedaço sagrado onde surfistas cruzam com prostitutas, maconheiros com poetas, jangadeiros com desocupados em geral. Iracemar é reamar estes sítios sem o mínimo rancor. Deixar o som decibar céu afora e dormir embalado pelo ronco das vagas, vaga pancada quebrada na defensora muralha de pedras ou nas pilastras da ponte dos ingleses, o Porto do Catolé. Iracemar é lavar a roupa suja do coração, enxaguar com a bendita cana do sertão, enxugar com o corpo morno da morena cujos fixos olhos transatlânticos adquiriram matizes verdes, faiscantes, deste pedaço de maroceano, azulado pelo sabão da praia, espumando nestas costas nuas do Ceará. Iracemar é navegar esta imensa jangada, singrando irregulares vielas de pedras toscas, que são toras de piúba, recamadas de ciobas e biquaras, banhistas desnudas, prateadas pela maresia, avermelhadas pelo olho brecheiro do sol, sob as bençãos de São Pedro e Iemanjá.

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> 29 anosA Hístoria da Rádio Universitária FM Inaugurada em 15 de outubro de 1981, a Rádio Universitária FM foi um dos mais importantes projetos da gestão do reitor Paulo Elpídio de Menezes Neto. Com a intenção de levar a educação não formal e a produção cultural da Universidade à comunidade, a RUFM transformou-se, desde então, em uma emissora de prestígio e credibilidade, dentro e fora da UFC. Em mais de 25 anos de existência, a Rádio Universitária FM teve somente duas sedes: o andar superior da reitoria e atual, para onde se mudou em 1991, situada à Avenida da Universidade, 2910.

Bandas e Metais, Encontro com o Jazz, Pessoal do Ceará, Fim de Tarde, Música Erudita, Sempre aos Domingos, entre outros. O segmento da divulgação cultural concretizou-se a partir da realização de programas de entrevistas e debates com produtores culturais, artistas, intelectuais, lideranças políticas e comunitárias sobre temas da arte e da cultura. Não havia para esta linha um conjunto específico de programas. Ela funcionava, como ainda hoje funciona, permeando toda a pauta diária da programação da emissora.

A Universitária causou forte impacto no rádio local ao fazer uma programação jornalística em FM. Eram três radiojornais diários: Almanaque, às 7h da manhã, Meio-dia de Notícias, às 11h30 e Jornal da Noite, às 22h, além do Centro de Debates, que ia ao ar às 15h30 dos domingos, e noticiários de três minutos, de hora em hora, com atividades de reportagem externa. A linha musical definiu-se e consolidou-se levando em conta a conjuntura do início da década de 80, quando as emissoras de rádio locais e também as nacionais veiculavam com muita ênfase música estrangeira e, no caso da música brasileira, restringiamse às produções de alto potencial de consumo, engajadas nos projetos comerciais articulados entre a indústria fonográfica e a mídia comercial, especialmente rádio e TV.

Assim, tanto se poderia fazer um debate a respeito, por exemplo, do projeto pólo cultural do Benfica, muito em evidencia nos anos 80, quanto se poderiam fazer séries de reportagens especiais nos programas diretamente dedicados a essa linha. A rádio também executa, desde sua fundação, campanhas educativas. Na década de 80, foram desenvolvidas diversas campanhas, que consistiam na realização de spots publicitários e repercussão ampla dos temas das campanhas nos programas jornalísticos. Hoje, a Rádio Universitária FM continua tendo o papel de apoiar e divulgar as ações de entidades sem fins lucrativos que atendam a comunidade.

A realização dessa área contou com expressiva participação de colaboradores, muitos deles professores da UFC, que contribuíram para a criação e consolidação de programas de música popular brasileira, música erudita, manifestação da música e da cultura local e regional. A maior parte desses programas ainda permanece, como é o caso de Reouvindo o Nordeste, Brasil em Todos os Tempos, MPB Especial, Cordas,

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// FOTOS DIVULGAÇÃO


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Equipe Rádio Universitária FM Todos os dias, essa grande equipe se mobiliza para fazer a Universitária FM chegar aos seus ouvintes com qualidade técnica e de conteúdo. Abrimos espaço nessa seção para esses profissionais que são indispensáveis para o pleno funcionamento da nossa emissora. Coordenador Geral Prof. Nonato Lima Sonoplastas: Adalberto Inácio, Antonio Carlos Lima, Francisco de Assis Lima de Sousa, José Raimundo Lustosa e Raimundo Nonato Alves de Assis • Recepcionistas: Antonio Lima do Nascimento e Manoel Lourenço da Silva • Jornalistas: Eriberto Vieira Sales, Fernando Jocelito Reinaldo, Lúcia Helena Arraes de Alencar Pierre, Márcia Maria de Oliveira Vieira, Maria de Fátima Gonçalves Leite, Vania Maria Magalhâes Tajra e Marília Rabelo de Castro • Secretária, Discotecária e Produtora Musical: Francisca Almira Murta de Lima • Locutores: Geraldo Pessoa D’Oliveira Filho, Júlio César Ferreira Firmino e Maria Eleuda de Carvalho • Discostecári@s: Ivanete Gomes da Silva, Zildete Custódio de Andrade Rodrigues e Luiz Edivaldo Ferreira Diógenes • Produtores e Apresentadores: João Paulo Moreira Gosson, Maria de Fátima Oliveira Mendes, José Rômulo Mesquita Martins, Nelson Augusto Nogueira Lopes, Sõnia Maria Leal Barbosa Cavalcante, Marta Aurélia Bezerra e Maura Mello Martins • Técnico de Manutenção de Áudio e Vídeo: José Roberto Fernandes Távora e Paulo César Fernandes Távora • Coordenação de Produção e Produtora: Leovigilda Bezerra • Coordenadora de Apoio Técnico e Produtora: Liana Maciel mano de Carvalho • Técnico de Informática: Marcos Almeida

> programação diária

Endereço: Av. da Universidade, 2910 - Benfica CEP: 60.020-181 – Fortaleza – Ceará – Brasil E-mails: contato@radiouniversitariafm.com.br Site: Site: site@radiouniversitariafm.com.br Telefones: (85) 3366.7474 (estúdio/ao vivo) (85) 3366.7470 (coordenação geral) (85) 3366.7471 (secretaria) (85) 3366.7473 (produção) 85) 3366.7475 (discoteca) (85) 3366.7478 (jornalismo)

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MANIFESTA DA MASSA // FOTOS ROBÉRIO ARAÚJO

Unindo o passado e o presente da arte cearense, remanescentes da Massafeira Livre comemoraram os 30 anos do acontecimento com a realização do ManiFesta Arte por toda parte, tribos urbanas reunidas, som, imagem, movimento, gente (muita gente!) num (re)encontro no Theatro José de Alencar de atitudes manifestas para reviver o espírito do fazer artístico coletivo, acontecido durante quatro dias no TJA entre os dias 15 a 18 março de 1979, quando da realização da Massafeira Livre, o evento encabeçado por Ednardo e o eterno guru Augusto Pontes. 30 anos depois, embebidos do mesmo espírito, a produção cultural contemporânea cearense unese para se fazer ouvir e se ver com o ManiFesta – Festival da Artes, realizado no dia 18 de setembro, numa maratona cultural por onde passaram 300 artistas, durou doze horas, terminando às 6h da manhã do dia seguinte. Música, performance, fotografia, pintura, grafite, literatura, artesanato, teatro, circo, cantoria, poesia, experimentações, ocupando todos os espaços – Foyer, a Sala Nadir Papi Sabóia, Teatro Morro do Ouro, o espaço Mestre Boca Rica, jardim e o palco principal. Aqui, o ponto alto e o mais esperado do festival - o show de lançamento do CD Massafeira que reuniu alguns dos participantes do movimento – Ednardo, Lúcio Ricardo, Rodger Rogério, Régis e Rogério, Chico Pio e Calé Alencar. Antes, a exibição de imagens inéditas do evento da época juntas aos depoimentos de Téti, Rodger Rogério, Lúcio Ricardo, Régis e Rogério e dos artífices da Massafeira Livre, que arrancou fortes aplausos principalmente nas passagens de Patativa do Assaré e de Augusto Pontes.

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Logo em seguida, Régis e Rogério dão início ao tão esperado espetáculo. Calé Alencar cantando Vento Rei ao lado de Pingo de Fortaleza; o inoxidável Chico Pio, interprentando O que foi que Você Viu; Lúcio Ricardo numa apresentação empolgante e das mais aplaudidas cantou Aviso ao Navegantes com direito a scraths jazzísticos e depois o bluesrock Em Cada Tela Uma História. Rodger Rogério interpretou Último Raio de Sol. Fechando o show, Reisado e Enquanto Engoma a Calça cantada com juntamente com a platéia. Além do disco também foi lançado o livro Massafeira 30 Anos - Som Imagem Movimento Gente, escrito coletivamente por diversos autores sob a organização do cantor e compositor Ednardo com muitas imagens inéditas, fotos de Gentil Barreira, ilustrações de Brandão. Seguindo a máxima titânica - tudo ao mesmo tempo agora, a festa ocorria para todos os lados. Quanto mais a noite corria, mais pessoas (em torno de 4 mil) chegavam mudando a rotina e a feição daquele pedacinho do Centro. Se este clima festivo sinaliza a valorização das vertentes artísticas por parte do público, ainda não é possível dizer, mas que foi uma boa retomada e bom início. Como será daqui pra frente só o tempo dirá.


MANIFESTAÇÕES Confesso que me surpreendi, acho mesmo que tinha bastante gente. E o mais impressionante é que saí de lá às 5 horas e ainda havia muita gente. Moro em Fortaleza acerca de 18 anos e confesso, pode ser exagero meu, mas nunca vi e vivenciei nada parecido. Pra melhor te dizer, o que na minha opinião se aproxima daquele evento, é a Mostra Cariri da Cultura, que acontece todo ano, mas que tem uma grande estrutura do SESC que realiza o evento todo ano. O Manifesta foi diferente, porque os artistas foram chegando, trazendo seus trabalhos, o povo da música comprou logo a idéia. A maioria dos inscritos era dessa linguagem. Foi muito lindo e contagiante. Palcos diversos, público pra todas as apresentações. Um reviver do Massafeira, mas um reviver do presente, com as intervenções e linguagens do presente. Um saudosismo criativo e inventivo. Uma grande festa da manifestação artística. Fortaleza precisa dessa energia e desse movimento. Os artistas precisam desses espaços e dessas interações. Espero que tenhamos fôlego para tantas outras Mani-fest-ações. Fortaleza merece essa arte. > JORD GUEDES cantora e compositora

É satisfatório voltar ao palco do José de Alencar com essa alegria toda. Cantando as primeiras canções, e espero que esse hábito seja sempre e salutarmente feito pelas novas gerações. > RÉGIS SOARES cantor e compositor

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Joanice Sampaio

E-mail: joanicesampaio@gmail.com Blog: papocult3.blogspot.com MSN: garagem74@hotmail.com Twitter.com/joanices

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Criança...uma visão do futuro! 2º Concurso de Fotografia Fotopasseios O Grupo FOTOPASSEIOS tem como finalidade unir fotógrafos de vários lugares para registrar o nosso Ceará, nosso povo e nossa cultura. Estamos sempre querendo inovar e estar acompanhando o que existe de novo na fotografia. No mês de setembro lançamos o 2º Concurso de Fotografia: FOTOPASSEIOS - CRIANÇA...UMA VISÃO DO FUTURO! - Inicialmente criado para o flickr (página da internet relacionada a fotografia), e por idéia de uma das participantes mais ativas do grupo (Élida XXX), incrementamos a proposta do concurso, ganhando o mundo através de nossos contatos e emails.

As postagens tiveram inicio no dia 10 e extendendo-se até 19 de setembro, logo no dia seguinte começaram as votações que ficarão abertas ate dia 08 de outubro, data que se encerará a votação, no sábado dia 09 será realizado um encontro do grupo onde sortearemos um poster 40x50 (como prêmio), da fotografia mais votada. Será um presente de todo o grupo para um dos participantes que votaram, tanto por e-mail quanto através do portal flickr. Participe, votando e torcendo para que sua imagem escolhida, seja a vencedora do nosso concurso.

Vote em uma das imagens através do e-mail O Concurso vem mostrar de várias maneiras crianças que foram registradas durante passeios do dia-a-dia, registrando assim a nossa visão do futuro.

e concorra a um poster da foto vencedora.

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fotopasseios@yahoogrupos.com.br

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Endereço do grupo no flickr: http://www.flickr.com/groups/fotopasseios/discuss/72157624800244279/ 12


MÚSICA

João M am ulengo Mam amulengo

O jovem cantor e compositor que mostra como a música nordestina foi, é, e sempre será... autêntica!

A produção do CD, ficou a par de Isaac Cândido, com direção musical de Adelson Viana e participações de Pantico Rocha, Márcio Resende, Ricardo Leite, Tarcísio Sardinha, Nilton Fiore, Carlinhos Patriolino e Lu de Souza. João Mamulengo, onde se sente desenvolvido um trabalho apuradissimo de composição e interpretação da música nordestina, sobre forte influencia de Luiz Gonzaga e de Jackson do Pandeiro. No show “Xote nas Estrelas” além de suas canções inéditas, Mamulengo interpreta diversos clássicos do baião, e que faz uma viagem pelo xote, coco e maracatu, mantendo uma roupagem contemporânea bem elaborada e traços do melhor da música popular brasileira.

Participou de vários projetos culturais e eventos no Rio de Janeiro, como na Estação Cantareira, onde ficou nove meses em cartaz no projeto Forró Nikity Hall. Esteve no projeto caminhão de talentos cariocas ao lado de cantor e compositor Cláudio Nutti e também com participações em inúmeras casas:Teatro Rival BR, AABB, Centro de Artes UFF, mantendo um grande reconhecimento do público. Em alguns arrasta-pés, dividiu o palco com atrações como o ator e cantor Jackson Antunes, Moraes Moreira, Dominguinhos e Trio Nordestino. Integrou o disco Xodó Carioca junto com as 14 melhores bandas de forró pé-deserra do estado do Rio de Janeiro, com a música “Serenin” de César Nascimento e Vicente Telles. Seu primeiro álbum solo foi lançado em 2003 no teatro da UFF e apresenta uma mistura de forró, xote e baião com melodias suaves e bases bem arranjadas. Dentre os parceiros do trabalho está Isaac Cândido, Marcus Dias, Rogério Lima, Roberto Flávio, César Nascimento e Vicente Telles.

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FEITO arte AH! OS RELÓGIOS Amigos, não consultem os relógios quando um dia eu me for de vossas vidas em seus fúteis problemas tão perdidas que até parecem mais uns necrológios... Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira. Inteira, sim, porque essa vida eterna somente por si mesma é dividida: não cabe, a cada qual, uma porção. E os Anjos entreolham-se espantados quando alguém - ao voltar a si da vida acaso lhes indaga que horas são... * Mário Quintana

1996 - CORAL DA FUNCET (Fundação de Cultura, Esporte e Turismo de Fortaleza)

1996 - CORAL DA FUNCET (Fundação de Cultura, Esporte e Turismo de Fortaleza) //Paulo FOTO DIVULGAÇÃO Pila, Tieta, Simone, Maristela, Neide, Mariazinha, Elvanir Noemi

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Revista Canto da Iracema - Edição outubro 2010  
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