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N.º 78 Distribuição Gratuita 3.º trimestre de 2020

notícias

Entrevista

MARCELINO SAMBÉ

    EDUCAÇÃO PARA TODOS CORONAVÍRUS: O MUNDO ANÓMALO

AGORA TAMBÉM EM

FORMATO DIGITAL


notícias

N.º 78 Distribuição Gratuita 3.º trimestre de 2020

Foto © Andre Uspensky

Entrevista

MARCELINO SAMBÉ

    EDUCAÇÃO PARA TODOS CORONAVÍRUS: O MUNDO ANÓMALO

AGORA TAMBÉM EM

FORMATO DIGITAL

04 | Entrevista Marcelino Sambé

08 | Pequenas grandes ideias 10 | Ajudar a Crescer 12 | Com as escolas pelos jovens 13 | AMI Convida: Marta Pereira, bolseira do Fundo Universitário AMI

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14 | Educação para todos + TEXTOS

LOJA ONLINE

+ FOTOGRAFIAS

DONATIVOS

+ VIDEOS

FACEBOOK

16 | Coronavírus: O mundo anómalo

18 | Breves Nacional, Internacional, Mecenato

22 | Agenda + Loja AMI 23 | Informações

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SUMÁRIO + EDITORIAL

OS JOVENS NO SÉCULO XXI:

QUE PRESENTE E QUE FUTURO?

Desde o início da Humanidade que os jovens, a nova geração, sempre representaram a Esperança, a adaptação à mudança, a criatividade, a inovação, mas foram infelizmente também as grandes vítimas das guerras incessantes que tragicamente cadenciaram o caminho desta nossa Humanidade ou… Desumanidade. Para não remontar muito longe na História, basta pensar o que aconteceu no nosso Mundo no século XX: Primeira Guerra Mundial com cerca de 20 milhões de mortos (e o ruir dos Impérios Austro-Húngaro, Russo, Otomano e Alemão), a Gripe dita “Espanhola” com 30/40 milhões de mortos, a brutal guerra Civil de Espanha, com mais de 600.000 mortos, a segunda Guerra Mundial com cerca de 60 milhões de mortos, a guerra civil na Rússia após a Revolução Vermelha e as chacinas durante o reinado de Lenine e Estaline (uns 20 milhões de mortos), o salto em “frente” de Mao-Tse-Tung, as Guerras das Coreias, do Vietname, das independências em África e na Ásia, os genocídios dos arménios, dos cambojanos, dos ruandeses, dos birmaneses, congoleses, as guerras civis do Uganda, Chade, Sudão, Angola, Moçambique, Zimbabué, Nigéria (Biafra)… Enfim, arredondando, mais de 200 milhões de mortos… O século XXI, por seu lado, não começou da melhor forma, com os impactos tremendos das crises económica, financeira dos subprimes e da falência dos Bancos Lehman Brothers e outros: 1) Só em Portugal, os efeitos colaterais de tal crise provocaram a emigração de mais de 600 mil pessoas, sobretudo jovens, de 2011 a 2019 para a Europa (Inglaterra…), África (Angola, Moçambique…) e Américas (Brasil, Canadá…). 2) A Pandemia da Covid-19, cujos efeitos sociais, psicológicos, laborais, culturais, políticos, civilizacionais, económicos e financeiros, já manifestamente presentes, serão largamente majorados ao longo dos próximos meses e anos! Com o aprofundar dos Défices, dos PIB nacionais, das Falências, do Desemprego e da Pobreza no Mundo, na Europa e obviamente em Portugal, não se vislumbram muitas escapatórias para os jovens já que

Fernando de La Vieter Nobre Presidente e Fundador da AMI

os diferentes mercados padecerão das mesmas consequências, o que com os isolacionismos, nacionalismos e populismos crescentes dos países na Europa, e não só, não permitirá a migração, à procura de outras possibilidades de vida… A Covid-19 – seja o que for que esteja subjacente a esta pandemia viral e a outras ondas que eventualmente surgirão – vem completar a Tempestade Perfeita, pois surge num momento histórico em que as Alterações Climáticas, as grandes migrações, os conflitos religiosos e civilizacionais em rápida ascensão, as corridas armamentistas, a pressão demográfica crescente, a Robotização associada à nova e surpreendente Inteligência Artificial, com capacidades cognitivas de autoaprendizagem e autonomização…w já representavam por si só e representam um enorme desafio às gerações sucessivas dos jovens do século XXI. Novas civilizações com pretensões globais, hegemónicas e talvez totalitárias, estão ou preparam-se para se pôr em marcha utilizando novas aplicações tecnológicas (5G, 6G, 7G…G de Geração) sofisticadas. Acredito que a forma de trabalhar, de viver e de conviver irá progressivamente, mas rapidamente, mudar para sempre e que um novo, (ou novos) modelo(s) de civilização se irá impor. Acredito também, e essa é a minha maior Esperança, que os jovens saberão encontrar e lutar por novas formas, talvez mais estimulantes, de viver. Eles são e serão a eterna fonte de criatividade, adaptação, modernidade, harmonia, beleza, força, resiliência e perenidade e saberão ir ao encontro de novas fontes de enriquecimento da nossa espécie, pondo sempre a tónica na Ética, na Democracia, na Felicidade, na Solidariedade e na Liberdade. Em nome dos Valores Universais, eles saberão viver e morrer, se necessário for, mantendo sempre viva a chama da Esperança e da Vontade! | 03


© Andre Uspensky

MARCELINO SAMBÉ Move-se na dança clássica e por ritmos africanos com a fluidez de quem carrega o talento no sangue. Marcelino Sambé, português e guineense, é aos 26 anos o principal solista da Royal Opera House, em Londres. Aceitou o convite da AMI para abordar os desafios de ser jovem, bailarino e imigrante, numa reflexão sobre os tempos de hoje e a esperança do amanhã. Em que fase da sua juventude é que descobriu que dançar era a profissão que queria seguir? A minha descoberta da dança aconteceu quando eu era bastante novo, no Centro Comunitário do Alto da Loba, em Paço de Arcos. Tive imensa sorte, porque frequentava este lugar, em que uma das disciplinas que podia escolher era a dança africana. Isto foi determinante para mim, porque o meu pai é guineense e senti que estava a fazer uma coisa que me identificava com este lado da minha cultura. Acho que isso fez com que eu realmente seguisse a dança e encontrasse algo que me fazia sentir feliz, completo e especial. A dança sempre ocupou esse espaço desde o início. Desde 04 |

sempre que tem sido algo muito especial que faz parte de mim. Tem raízes em Portugal e na Guiné. Na sua infância, essas heranças suscitavam-lhe algumas questões de identidade? Sim, vim de um background com dificuldades. De repente estava num mundo “de elite”, o do ballet e da dança. Foi um contraste muito forte e estranho, mas também me abriu portas para descobrir que podia ser muito mais do que aquilo que o meu início de vida poderia ter determinado para mim.


ENTREVISTA

Sentiu que pôde projetar a sua diversidade cultural na arte de dançar, ao longo do seu crescimento? Desde o início do meu percurso que me identifico com essa dualidade. Penso que ter esta minha base africana e esta versatilidade me dá toda uma outra dinâmica, que é invulgar em relação a outros bailarinos. Tenho noção que eu sou único nesse sentido.

Sentiu-se apoiado quando descobriu que era este o caminho que queria seguir? Ou sentiu algum tipo de preconceito por ser homem e bailarino? A dança foi uma salvação para mim e nunca senti que esses aspetos me fossem deixar para trás, inclusive no que toca à minha raça. Nunca me foquei no que os outros diziam, daquilo que um rapaz deveria fazer ou não, sempre tive um apoio enorme da minha família, que me fez acreditar que, com vontade, tudo é possível.

© Bill Cooper

Começou a dançar aos 12. Encontrou muito cedo uma vocação... Mas para muitos jovens é impercetível qual o caminho a seguir... Quais é que considera serem os grandes desafios que os jovens enfrentam nos dias de hoje? Penso que o rumo que o mundo está a tomar de momento, do ponto de vista político e económico, tendo em conta a influência da pandemia também, faz com que os jovens se vejam obrigados a

pensar no imediato. Do ponto de vista da dança, é um percurso muito específico. Este tipo de carreira é de longa distância, são maratonas, e por isso não podemos ter resultados rápidos. Temos de ser humildes ao máximo para compreendermos que, como nós, há muitos outros.

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© Nicholas Mackay

dedicação “(...)a a uma carreira é lembrarmo-nos daquilo que nos fez começar. ” 06 |


ENTREVISTA

É o solista de destaque da Royal Opera House, em Londres. Sente que já chegou onde queria chegar? Acredito que estou na primeira plataforma da minha profissão, ainda tenho muita aprendizagem a adquirir. Sinto-me mais que eu mesmo, sei que isto é maior do que eu, que o Marcelino. Sei também que inspiro muitos jovens que talvez queiram seguir a mesma carreira e que não acreditam que isso seja possível mas que, olhando para mim, passam a acreditar. A posição que estou a ocupar agora na Royal Opera House é uma posição de inspiração, de desenvolvimento e de divulgação. Prova que a arte da dança e do ballet está a mudar e que tudo é possível nestas áreas. Acredito que o meu percurso só começou agora e que só agora vou começar a perceber o impacto que posso ter na vida das outras pessoas e influenciá-las de forma positiva. A Forbes considerou-o um dos mais destacados “30 jovens europeus com menos de 30 anos” em 2018. Sentiu uma responsabilidade acrescida com esse reconhecimento, na medida em que será um exemplo a seguir por jovens de todo o mundo que queiram perseguir uma carreira na dança ou um outro sonho? Esse reconhecimento foi incrível, porque muitas vezes os jovens são levados a acreditar que uma carreira na dança é difícil, que existem poucas possibilidades e que são profissões em que não há grande retorno financeiro. Quando saí na Forbes pensei que foi ótimo no sentido de desconstruir a ideia de que as artes não te trazem reconhecimento, não te dão um bom rumo de vida e por isso acho que ter tido esse reconhecimento mostra também que o mundo do ballet pode trazer riqueza, não só financeira, mas também pessoal e social. Considera que no mundo da indústria da dança, em particular do ballet, existem preconceitos que devem ser desconstruídos de modo a haver mais igualdade de oportunidades na área? Eu penso que o preconceito e a falta de diversidade nesta indústria vêm do início, do recrutamento de jovens bailarinos de todas as origens e backgrounds. Eu não culpo as companhias de bailado e as suas direções, responsabilizo mais a forma como se recruta jovens bailarinos. A arte por si só não é racista. A Arte é feita para abran-

ger, divulgar e diversificar. No ballet, isto tem de vir do começo, fazendo os jovens acreditar que há um caminho a seguir e que ele é possível para todos. Que novos desafios espera encontrar na próxima temporada de espetáculos, em que as salas terão audiências reduzidas devido ao novo coronavírus? Estava a pensar no outro dia que o ser humano está a viver um período de sufoco eletrónico, tecnológico e comercial e que nos estamos a esquecer que as máquinas, por mais maravilhosas que sejam, nunca vão conseguir simular a arte ou expressar emoções da mesma forma com que os humanos o fazem. Nestes tempos de pandemia, temo-nos focado tanto na saúde e no auto-isolamento que penso que as pessoas estão sedentas de arte, de ver e de expressar emoções. Acho que o desafio de ter as salas mais vazias não será uma coisa má, será com certeza carregadíssimo de emoções e de expectativas. E depois da dança, o que é que se segue? Para mim, todos os meus sonhos estão ligados aquilo que eu posso fazer com o meu talento. Quero usufruir dele o máximo possível, ou seja, poder aprender através de muitos e diferentes bailarinos e fazer parte de uma mudança, porque penso mesmo que o ballet ainda está a viver a sua infância, é uma arte muito jovem que ainda falta desenvolver bastante. Posso contribuir para esse desenvolvimento. Também quero imenso fazer parte de uma direção artística e coreografar. Se pudesse deixar uma mensagem de incentivo a todos os jovens que querem entrar no mundo das artes e da cultura, o que é que lhes diria? Dir-lhes-ia que se têm um talento e se dedicarem ao que estão a fazer, quando as oportunidades surgirem, agarrem-nas a 100%. Não é tempo para dúvidas, inseguranças ou pensamentos negativos. Temos todos de ser positivos e continuar em frente, porque no momento em que começamos a pensar demasiado, perdemos tempo essencial para crescermos. Dir-lhes-ia também que a dedicação a uma carreira é lembrarmo-nos daquilo que nos fez começar.

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PEQUENAS

GRANDES IDEIAS O Linka-te aos Outros é uma iniciativa da AMI que resulta numa linha de financiamento para projetos desenvolvidos por jovens a frequentar a escola entre o 7º e o 12º anos. Já na sua 10ª edição, este prémio tem estimulado jovens de diversas escolas em Portugal a repensar a realidade social e ambiental dos contextos em que vivem. Este programa já apoiou 33 projetos desenvolvidos por mais de 300 jovens ao longo de dez anos letivos, que se distinguiram pelo potencial de melhorarem as comunidades em que se encontravam inseridos, através da resolução de problemas locais, nomeadamente com recurso ao voluntariado, à sensibilização e integração. O “Linka-te aos Outros” assenta o seu princípio nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Acabar com a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar de todos os cidadãos, proteger o ambiente e combater as alterações climáticas, são premissas que este programa pretende fomentar junto dos mais jovens, considerando que estes são parte da geração que assumirá as responsabilidades sociais, políticas, ambientais e económicas do futuro. Ao longo da última década, a AMI financiou 90% de cada um dos projetos selecionados, pelo que já atribuiu 45. 450,68 euros a 33 projetos de 10 distritos de Portugal, em várias áreas de atuação, designadamente sustentabilidade ambiental e social, intergeracionalidade, apoio a

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famílias vulneráveis, jovens institucionalizados e pessoas em situação de sem-abrigo. O “Linka-te aos Outros” conta com a chancela do Ministério da Educação, através da Direção-Geral de Educação. Na última edição do “Linka-te aos outros”, os projetos vencedores evidenciaram-se pelo desenvolvimento de ideias cujas áreas de intervenção passaram pela disseminação de informação e conhecimento ativo, combate à solidão da população sénior e otimização do desempenho ambiental de espaços escolares. Após a avaliação de todas as candidaturas, tendo em conta critérios de implementação, progresso e impacto, a 10ª edição do Linka-te aos Outros premiou 5 projetos de diferentes pontos do país, num total de 9.800 euros.


AMI

PROJETOS VENCEDORES DA 10.ª EDIÇÃO: "Ligações Improváveis – Música, Valores e Horta" – Esta proposta propõe uma intervenção a partir de dois eixos centrais: desempenho ambiental nos espaços do Agrupamento e envolvimento jovem/comunitário, através da construção de uma horta escolar e a organização de um Eco Festival envolvendo a comunidade educativa. A iniciativa desta candidatura foi desenvolvida pelo Agrupamento de Escolas de Santo António, no Barreiro. "Rumo à nossa melhor versão" – Da autoria dos alunos do 11º ano da Escola Secundária D. Maria II, em Braga, este projeto tem como plano de intervenção a familiarização dos jovens para a elaboração, gestão e implementação de projetos comunitários, assumindo um compromisso no exercício da cidadania ativa, através da recolha de bens e respetiva reutilização. "Educação para a Cidadania Global: do conceito à prática, para uma ação efetiva" – Foi desenhado com a ambição de promover a Educação para a Cidadania Global e Desenvolvimento nas Escolas da Região Autónoma da Madeira (RAM), de forma a capacitar também os educadores da RAM, ao

mesmo tempo que procurará reforçar as parcerias que o Clube Viver a Vida (CVV) mantém com várias Organizações Não Governamentais, e criar novas, em prol do exercício do voluntariado em contexto escolar. Esta proposta foi apresentada pela EB 2,3 Dr. Horácio Bento de Gouveia, HBG (CVV), no Funchal. "Partilha de saberes intergerações: conta-me como foi e eu digo-te como é!" – Através de uma Oficina de Troca de Saberes, a EB 2,3 Júlio Brandão, em Vila Nova de Famalicão, irá desenvolver atividades desenhadas para os mais velhos que promovam a partilha de histórias, experiências, saberes entre idosos e jovens com recurso ao uso da ciência e tecnologia como suporte documental. "Redes para a Inclusão" – Disponibilizar acesso à informação que permita o conhecimento ativo de direitos básicos, no âmbito de questões relacionadas com nacionalidade, saúde, educação, habitação, apoio social e apoio jurídico é a proposta do Agrupamento de Escolas do Vale da Amoreira, na Moita, para este projeto concebido em duas etapas (Ações de formação e implementação de ações com o envolvimento dos alunos).

Devido ao cenário atual, em que a pandemia pela COVID-19 limitou as liberdades individuais de todos os cidadãos, com o objetivo de combater a propagação do vírus, a implementação destes projetos foi adiada para o ano letivo de 2020/2021. Habitualmente, as candidaturas a este programa decorrem entre outubro e janeiro.

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AJUDAR A CRESCER Nos Centros Porta Amiga de Gaia e de Cascais, o Espaço de Prevenção à Exclusão Social (EPES) é uma componente do trabalho psicossocial desenvolvido pelas equipas de assistentes sociais e psicólogos de cada centro, dirigido a jovens e seniores. O serviço prestado nestas áreas e com estas populações pretende minimizar e prevenir indícios de exclusão social, através da promoção e do desenvolvimento de competências educativas e sociais.

Visitámos o Centro Porta Amiga de Gaia para melhor conhecer em que consiste o trabalho desenvolvido pelo EPES Júnior, que tem o seu foco de intervenção no bem-estar e na inclusão social dos mais pequenos que frequentam este espaço. Em 2019, os centros sociais da AMI apoiaram em todo o país cerca de 3600 crianças e jovens até aos 18 anos. Este processo de acompanhamento resulta geralmente de um primeiro contacto com os pais que procuram os serviços dos Centros Porta Amiga, em busca de aconselhamento e orientação em questões do foro socioeconómico e psicológico. Os membros mais novos dos agregados familiares acabam muitas vezes por integrar este espaço disponibilizado pela AMI. O EPES procura estar adaptado às realidades e necessidades de cada um, proporcionando atividades lúdicas e recreativas, dando a oportunidade aos jovens de estimular a sua criatividade, valores de tolerância e humanismo. Em 2019, os EPES de Gaia e de Cascais acompanharam um total de 63 crianças e jovens.

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Susana Pereira Coordenadora do espaço EPES em Gaia

A integração e a criação do sentimento de pertença são dois elementos importantes do trabalho desenvolvido neste espaço, que da convivência, troca de experiências e contextos tem como objetivo final consolidar o sentido de comunidade. Cada jovem tem um percurso de vida diferente, que é tido em consideração no desenvolvimento das atividades diárias, já que o Centro Porta Amiga de Gaia é um espaço polivalente, com refeitório, guarda-roupa, lavandaria, gabinete médico, salas de apoio social, biblioteca, sala de estudo, de lazer e espaço exterior. Susana Pereira, coordenadora do espaço EPES em Gaia, explica que “de momento contamos com 25 crianças entre os 10 e os 13 anos. Recebemos crianças cujas famílias são acompanhadas aqui no centro ou casos que as escolas encaminham porque é feita a sinalização de algum tipo de vulnerabilidade, que pode ser familiar, psicológica ou cognitiva. Acompanhamos também casos de abandono parental, crianças que carregam um passado muito sensível”.


AMI

De momento contamos com 25 crianças entre os 10 e os 13 anos. Recebemos crianças cujas famílias são acompanhadas aqui no centro ou casos que as escolas encaminham e também casos de abandono parental, de crianças que carregam um passado muito sensível.

Susana Pereira

O EPES funciona diariamente, pelo que as atividades são focadas em questões comportamentais e relacionais. A pandemia veio trazer novos desafios ao EPES, que teve de se adaptar a uma “realidade virtual”, que representasse uma resposta célere às famílias que contam com o acompanhamento pedagógico para os seus filhos e netos. “Criámos uma escola virtual, um espaço para as crianças, onde elas podem usufruir do nosso apoio escolar. Na primeira fase da pandemia foi difícil pois tínhamos algumas crianças que não tinham meios para aceder ao espaço virtual a partir de casa. Essas questões conseguiram ser colmatadas graças às parcerias extraordinárias que fomos estabelecendo com as escolas. Foi incrível ver como é que à distância conseguimos articular contactos com elementos dos agrupamentos de escolas, nomeadamente diretores de turma, de forma diária e de maneira tão positiva para as crianças”, reforça Susana Pereira. O Espaço Virtual tornou-se um ponto de encontro entre as crianças e as coordenadoras do EPES, cuja inesgotável disponibilidade permitiu às crianças tirarem dúvidas de matemática, esclarecerem exercícios de português e ainda fazer reuniões semanais de grupo.

Em paralelo, o acompanhamento social manteve-se no CPA de Gaia e ainda se expandiu, já que agora às necessidades das famílias, foi somado um tempo de extrema insegurança, o que implicou uma dinâmica quase elástica na gestão dos recursos disponíveis nos centros e por parte dos técnicos. O EPES Júnior de Cascais viu-se obrigado a suspender as atividades temporariamente. No entanto, a equipa de técnicos e voluntários do Centro prevê a criação de grupos reduzidos de crianças no período das férias escolares para o desenvolvimento do projeto “Em Férias Brincar e Criar para Aprender”. Este é um programa que procura estimular as atividades de lazer com as crianças e jovens em diversas áreas, nomeadamente nas áreas do desporto, da expressão plástica, da pintura e da culinária, entre outras.

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COM AS ESCOLAS PELOS JOVENS

© Alfredo Cunha

A AMI tem trabalhado ao longo dos anos para garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, promover a igualdade de oportunidades de aprendizagem para todas as crianças e jovens em Portugal, mas também incentivar a sua participação ativa na sociedade. Partindo desta premissa, desde 1995 têm sido realizadas sessões de sensibilização, informação e divulgação nas escolas do país, de forma a alertar os alunos para temas cruciais da nossa sociedade. Temas como os Direitos Humanos, Cooperação para o Desenvolvimento, Cidadania e Desenvolvimento, Solidariedade Social, Voluntariado, ODM – Objetivos de Desenvolvimento do Milénio e os atuais ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. ODM E ODS Em 2009, a AMI começou a realizar sessões objetivas sobre os ODM nas escolas do país. Entre 2015 e 2016, e no seguimento da integração deste tema nos conteúdos programáticos da disciplina de geografia do 9º ano, estabeleceu-se uma parceria com a Plátano Editora. Mais tarde, e com o objetivo de promover a disseminação da mensagem da Agenda 2030, foi implementado entre junho de 2018 e maio de 2019, o projeto “Seminários: ODS em Ação nas Escolas Portuguesas”, com o cofinanciamento do Instituto Camões, com o objetivo de contribuir para uma sociedade mais informada e ativa na promoção do desenvolvimento sustentável e no respeito pelos Direitos Humanos no contexto escolar nacional. Na primeira fase do projeto, ainda em 2018, foram elaborados materiais didáticos e realizadas sessões de informação junto dos professores em vários pontos do país, de forma a apresentar-lhes o projeto e a convidá-los a levar as sessões ODS para as suas escolas. No total, foram realizadas 13 sessões a 306 professores. Numa segunda fase, durante o ano letivo 2018/2019, decorreram os seminários sobre os ODS nas escolas, dirigidos maioritariamente aos alunos do 5º e do 9º ano, mas que acabou também por abranger alunos de outros anos. No total, realizaram-se 171 sessões para 7.426 alunos em 13 distritos do país e ainda nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. 12 |

No ano letivo 2018/2019, mais de 160 estabelecimentos de ensino a nível nacional foram visitados pela organização, dando a conhecer aos alunos o trabalho desenvolvido pela AMI e sensibilizando-os sobre variados temas, entre os quais: Voluntariado, Direitos Humanos, Cidadania Para o Desenvolvimento e os ODS. O FUTURO DA EDUCAÇÃO Uma vez que os jovens são importantes atores de mudança, razão que nos leva a continuar a percorrer os estabelecimentos de ensino do país, desde o ensino básico às Universidades, passando por estabelecimentos de ensino privados e escolas profissionais, houve a necessidade de se criar materiais pedagógicos de suporte abordando as áreas temáticas de forma dinâmica, alinhando-os sempre que possível, com os conteúdos programáticos. Devido à crise de saúde global, causada pelo novo coronavírus, em março de 2020 todas as atividades nas escolas foram suspensas temporariamentew. É imperativo, por isso, que sejam repensadas as formas de ensino e de aprendizagem convencionais, por métodos alternativos ao regime presencial, em formato de sala de aula e numa dinâmica de grupo, sem prejudicar o acesso à educação de nenhum jovem e a sua capacidade de aprender.


CRÓNICA

AMI CONVIDA

MARTA PEREIRA BOLSEIRA DO FUNDO UNIVERSITÁRIO AMI Sempre desejei prosseguir para o Ensino Superior. Compreendi que era uma jovem que gostava de estudar, de aprender e de aprofundar os meus conhecimentos. Sou curiosa por natureza e desejo ir mais além do que conheço. Assim, enveredei pela minha primeira opção de licenciatura, o curso de Ciência Política e Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Depois, desejei prosseguir pelo mestrado especializado em Relações Internacionais, da mesma instituição de ensino, sendo a minha dissertação sobre o relacionamento entre os Estados Unidos da América, a Arábia Saudita e Israel. No entanto, apesar de ter tido um contínuo apoio incondicional da minha família, o emprego do meu pai, professor do 2.º Ciclo do Ensino Básico, é a única fonte de rendimento do meu agregado familiar e a bolsa da Universidade não era suficiente para colmatar todas as minhas despesas académicas. No verão de 2015, descobri que a Fundação AMI estava a iniciar um Fundo Universitário para estudantes da Licenciatura e do Mestrado. Claro que procurei preencher todos os requisitos e, depois, descobri que havia sido uma das selecionadas para receber esta bolsa. E, ano após ano, tenho sido uma felizarda, tendo sido constantemente apoiada pela AMI. Ser bolseiro da AMI não é só um privilégio. De três em três meses, tomamos conhecimento de que vamos receber uma soma que poderá ajudar a pagar pelo menos duas propinas da faculdade. De igual forma, sabemos que o nosso currículo será enriquecido não só por termos sido selecionados como bolseiros, mas também por termos experienciado voluntariado patrocinado por esta Fundação. Contudo, também é uma responsabilidade. De certa forma, quando nos candidatamos para sermos bolseiros, e somos aceites, acabamos por ter de carregar o “baluarte”

da AMI. De igual forma, para podermos continuar a ser bolseiros, temos de manter uma boa média para sermos aceites. Finalmente, temos a responsabilidade de realizar um voluntariado para podermos receber a última prestação da bolsa. Verificamos, portanto, que a AMI não só se preocupa com a nossa formação académica, dado que nos concede uma bolsa para podermos ser capazes de receber um diploma e sermos valorizados profissionalmente, como também se preocupa com a nossa formação como cidadãos, tendo a possibilidade de termos uma experiência de voluntariado. Como resido em Abrantes e não tinha aulas todos os dias da semana nesse ano curricular, aproveitei para realizar a minha experiência de voluntariado na Biblioteca Municipal António Botto. E que experiência foi! Foi tão boa que a repeti neste meu último ano com a AMI! Agora, que terminei esta aventura que é o percurso académico, entre as muitas entidades e pessoas que tenho de agradecer, não posso deixar de mencionar a Fundação AMI e a Biblioteca António Botto.

O Fundo Universitário é uma bolsa de apoio social para o pagamento de propinas, criada pela AMI em 2015. Desde a 1.ª edição, o Fundo Universitário apoiou 233 alunos, 66 dos quais já concluíram os seus estudos universitários. Na 5.ª edição do Fundo Universitário AMI, foram entregues 64 bolsas a jovens de diversas nacionalidades (Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola, São Tomé e Príncipe e Moçambique), com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos.

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EDUCAÇÃO PARA TODOS

© Alfredo Cunha

Há 12 anos que a AMI promove a Campanha Escolar Solidária, em parceria com a Auchan, com o objetivo de contribuir para que todos os jovens usufruam das mesmas condições de acesso à educação, independentemente das circunstâncias socioeconómicas em que se encontram. Em Portugal, através dos Centros Porta Amiga, a AMI tem trabalhado lado-a-lado com famílias que apresentam fragilidades sociais e económicas inerentes a condições estruturais de pobreza e fraco acesso a oportunidades. O acesso à educação tem para estas famílias um papel duplamente importante, não só de garantir aos seus filhos habilitações e mobilidade socioeconómica, um espaço seguro onde estes possam permanecer no decorrer do período laboral. DAR RESPOSTA CONCRETA A AMI tem verificado, ao longo destes anos, através do acompanhamento psicossocial prestado nos Centros Porta Amiga que, muitas vezes, o poder de aquisição de material escolar constitui um desafio para o orçamento dos núcleos familiares com os quais trabalha. Assim, desde 2009 que a Campanha Escolar Solidária é desenvolvida de maneira a dar resposta a esta necessidade transversal a inúmeras famílias integrantes dos nove Centros Porta Amiga da AMI e 4 núcleos em Portugal continental e nas Ilhas. Esta ação abrange crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 18 anos, desde o pré-escolar ao ensino secundário. A iniciativa ocorre em três fases distintas, começando pela recolha de doações nos balcões da Auchan, através da aquisição de vales por parte dos clientes da loja, para serem posteriormente convertidos em material escolar. EM 3 FASES Nesta primeira fase, a recolha de fundos conta com a colaboração dos clientes das lojas Auchan. O valor recolhido é duplicado pela Auchan, que o irá converter em material escolar. Segundo Paulo Monteiro, Diretor de Responsabilidade Social e Corporativa da Auchan, "é por reconhecer o papel da educação como fator incontornável de capacitação dos jovens, para uma cidadania plena, que a Auchan Retail Portugal caminha lado a lado com a AMI há 11 anos. Disponibilizar material escolar a aproximadamente 3500 crianças, é poder apoiar a educação daqueles que são o futuro do país." 14 |

Numa segunda fase, o envolvimento de voluntários é o grande propulsor para a organização das mochilas e respetivo material, adequado a cada idade e ano letivo. Cerca de 150 voluntários são mobilizados anualmente para dinamizar a triagem do material e prestar apoio logístico no Regimento de Transportes do Exército (que cede as instalações à AMI e apoia no transporte de material escolar para Coimbra e Porto) para que no início do ano letivo já as mochilas estejam na posse das cerca de 3500 crianças e jovens de todo o país que beneficiam desta campanha. Na terceira e última fase, é organizada uma cerimónia de entrega oficial das mochilas, que se realiza num Centro Porta Amiga da AMI na região de Lisboa, e que reúne os diversos intervenientes desta iniciativa, desde os representantes das organizações envolvidas (Fundação AMI e Auchan), os voluntários e os jovens e respetivas famílias. 12 ANOS DE CAMPANHA Desde 2009, à data da 1.ª edição da campanha, já foram angariados 1.306.376 euros e distribuídas mais de 30.000 mochilas. Muitas das crianças e jovens que têm usufruído deste material, acabaram por recebê-lo em grande parte do seu percurso escolar, pelo que a AMI foi acompanhando o seu crescimento e desenvolvimento pessoal.


AMI

Esta garantia de acesso a material permitiu às famílias apoiadas um alívio considerável no orçamento do agregado. Priyal Ramesh Vassaramo e Benazir Cassamali Ussene, portuguesas de ascendência indiana, têm agora 19 e 21 anos (respetivamente), usufruíram do apoio escolar desde o 1º ciclo até ao final do terceiro. Por integrarem o EPES júnior (Espaço de Prevenção para a Exclusão Social) num Centro Porta Amiga da AMI, surgiu a oportunidade de integrarem e beneficiarem desta iniciativa. “Até hoje, ainda uso algum do material que me foi dado ao longo dos anos em que me encontrava na escola, nomeadamente blocos de papel cavalinho que uso atualmente no meu curso de artes na universidade”, afirma Priyal, acrescentando que “tenho três irmãos e nesse sentido, o apoio escolar foi uma ajuda importante. Comprar material escolar para cada um de nós teria sido um grande investimento para os meus pais (…) Este apoio permitiu-me também conhecer um caminho que percebi que queria fazer de futuro no mundo das artes”. Benazir, atualmente a concluir o mestrado em Gestão de Novos Media no ISCTE-IUL, reforça que “o apoio escolar deu-me a possibilidade de comprar mais livros escolares ou de leitura de lazer e isso ajudou-me a progredir a nível escolar e também pessoal”.

Ambas se candidataram ao Fundo Universitário da AMI e, por mérito, foi-lhes atribuída esta bolsa de estudo ao longo de 4 anos. “Penso que é importante a AMI dar continuidade a esta campanha, há muitos jovens a precisar de ajuda e atualmente, por exemplo, os manuais escolares continuam a ser bastante caros. Acho que este apoio significa geralmente menos uma despesa e uma preocupação para as famílias.” Em 2020, a Campanha Escolar irá decorrer de 19 a 30 de agosto nas lojas e a ação de voluntariado terá lugar em setembro, respeitando todas as normas de segurança e orientações dadas pela Direção-Geral de Saúde.

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CORONAVÍRUS

O MUNDO ANÓMALO 

Dez meses passaram desde que foi detetado o “caso 0” de Covid-19 em Wuhan. Oficialmente, a 17 de novembro de 2019, na China, a primeira e mais determinante cadeia de contágio propagar-se-ia por mais de duzentos países e territórios, contaminando cerca de 18 milhões de pessoas em todo o mundo.   Na Europa, faz-se sentir o rescaldo de praticamente três meses de confinamento e de uma nova forma de vida, doravante dominada pelo medo e pela esperança de um tratamento eficaz e seguro. Meio milhão de pessoas perderam a vida em consequência de uma pandemia cujo vírus, as comunidades  médicas  e científicas  correm  contra o tempo para  compreender. Segundo Fernando Nobre, Cirurgião-Geral e Urologista, Presidente da AMI, que nos relembra que a gripe sazonal mata todos os anos no mundo entre 600 mil a 1 milhão de pessoas, “tendo em conta a elevada capacidade de mutação do vírus, as formas diversificadas de sintomas e patologias que o mesmo apresenta e cuja origem ainda se discute, criar tratamentos que possibilitem a defesa do organismo perante esta doença e nos quais as populações possam confiar, não só na sua eficácia, mas também na ausência de efeitos secundários graves, constitui um enorme desafio. Espera-se, ainda, que não venham a colocar em causa as liberdades, garantias e democracias e que não obriguem a prescindir das mesmas em troca da dita maior segurança sanitária... A Declaração Universal dos Direitos Humanos está em perigo.”   As consequências globais deste fenómeno  pandémico foram, e estão a ser, catastróficas para as economias, os Estados e fundamentalmente para muitos cidadãos do mundo, que viram as suas vidas mudarem drasticamente do ponto de vista social, económico, da saúde, habitação, etc. Por outro lado, deparámo-nos com a extrema fragilidade da vida humana, que pode ser fustigada por um “inimigo invisível” que não olha a estratos sociais,  nacionalidades, culturas,  religiões ou etnias.  O coronavírus afetou  em larga escala,  tanto países desenvolvidos, como é o caso dos Estados Unidos, como países em desenvolvimento (por exemplo, o 16 |

Brasil), mas com diferenças abismais de recursos médicos e institucionais. Agora, colocam-se questões determinantes: O novo  coronavírus veio para ficar? Voltaremos a  viver  em  Estado de  Sítio? “Que futuro para as Democracias e para as nossas Liberdades e Garantias?” questiona ainda Fernando Nobre. Conseguirá a humanidade adaptar-se a esta nova forma de vida, firmada pelo medo?  A Unicef alertou para outra faceta desta crise mundial,  que é tão ameaçadora para o nosso futuro quanto a própria pandemia,  a crise na  educação. Mais de 9 milhões de crianças estão em risco de não voltar à escola, de acordo com a Save the Children. A uma geração de jovens poderá não lhe ser garantido o acesso à educação e à alimentação. A sociedade, tal como a conhecemos, está a tomar um rumo que não conseguimos predeterminar. A incerteza impera.  Até nas coisas simples. As dinâmicas  relacionais entre pessoas estão agora pautadas pelo distanciamento e isolamento, aspetos antagónicos àquilo que caracteriza o ser humano na sua génese, um ser social.   Por outro lado, as questões humanitárias globais para promoção da igualdade, prosperidade e dignidade tornaram-se mais prementes. Se era importante garantir que toda a população mundial tivesse acesso a água potável, a saúde e habitação, agora parece ter deixado de ser prioridade. Para além de que, com o medo instalado, problemáticas tão urgentes como as Alterações Climáticas, as Migrações e os ODS ficaram para segundo plano. A paisagem atual não pode permitir que a segurança de alguns seja posta de lado por escassez de recursos económicos. Assim, urge abrir o diálogo global e fazer desta pandemia uma oportunidade para a mudança, para a igualdade e equidade da população mundial.  


PORTUGAL

BANGLADESH ÍNDIA SENEGAL GUINÉ-BISSAU SRI LANKA BRASIL MOÇAMBIQUE

CORONAVÍRUS: A AÇÃO DA AMI EM PORTUGAL E NO MUNDO  CHILE

Em Portugal, a AMI desenvolveu a campanha “Os Amigos são para as Ocasiões”, uma iniciativa  que, através da recolha de fundos e do apoio de muitos voluntários,  permitiu apoiar famílias em situação de  risco, oferecendo-lhes cabazes alimentares e outros bens essenciais; continuou a garantir e reforçou o apoio à população vulnerável que recorre aos seus serviços; e respondeu ao apelo de dois hospitais portugueses, Santa Maria, em Lisboa, e São Bernardo, em Setúbal. Em simultâneo, diversos projetos da AMI em parceria com organizações locais tiveram luz verde para redirecionar parte dos financiamentos atribuídos  e, em alguns casos, reforçados  para fazer face às necessidades imediatas com que se depararam as organizações locais, da Ásia à América Latina e a África. ÁFRICA  Guiné-Bissau: Doação de equipamento de proteção individual ao Centro de Saúde de  Bolama; formação  destinada a técnicos dos Centros de Saúde, em Quinara, acerca dos riscos e boas práticas relacionados com o novo Coronavírus.  Moçambique: Sensibilização sobre as medidas de prevenção da COVID-19 a 13.133 utentes do Centro de Saúde da Manga  Nhaconjo  e a 9.978 alunos de 12 dos bairros abrangidos por este centro de saúde; distribuição de sabão para lavagem das mãos a 300 agregados familiares e de desinfetante de água para consumo a 160 agregados familiares; entrega de sabão, desinfetante de água para consumo, máscaras e  álcool gel ao Centro de Saúde da Manga Nhaconjo, na Beira. 

Senegal: Apoio financeiro para aquisição de equipamentos de proteção e higienização em vários postos de saúde e centros de formação profissional construídos com o apoio da AMI. ÁSIA  Índia: Distribuição de alimentos e bens essenciais a 20 famílias de cerca de 30 aldeias.   Sri Lanka: Apoio a 750 famílias da comunidade, através da distribuição de kits alimentares, e apoio financeiro adicional à  Sri Lanka Portuguese Burgher Foundation.  Bangladesh:  Nova parceria com a organização local BISAP, que além de incluir distribuição de bens alimentares e instalação de equipamentos de higienização nas comunidades, também prevê a produção de materiais de comunicação e ações de sensibilização junto das populações refugiadas e das comunidades de acolhimento da região de Chattogram.  AMÉRICA LATINA  Brasil: Apoio financeiro à Associação Metamorfose, sediada no distrito de Xérem, município de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, para confeção e distribuição de máscaras faciais de tecido aos "postos de troca", nomeadamente farmácias, supermercados e outros estabelecimentos de comércio local.  Chile: Apoio financeiro ao Hospital Roberto del Río, gerido pela Fundação Auxílio  Matés, para aquisição de equipamentos clínicos para tratamento de pacientes com insuficiência respiratória infetados pela Covid-19.   

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© Alfredo Cunha

Nacional_

A AMI volta a representar Portugal na FEANTSA A Fundação AMI representa Portugal, uma vez mais, no Conselho de Administração da FEANTSA (Federação Europeia de Associações Nacionais que trabalham com a População Sem-Abrigo). A AMI já acompanhou cerca de 12.500 pessoas em situação de sem-abrigo, através dos Centros Porta Amiga em todo o país, Abrigos Noturnos de Lisboa e do Porto e das Equipas de Rua de Lisboa, Porto e Gaia.

Em resultado da primeira fase da campanha “Os Amigos são para as Ocasiões”, que decorreu nos meses de abril e maio, foram entregues 1030 cabazes com o apoio de 169 voluntários a 389 beneficiários de 175 famílias. Esta iniciativa teve como objetivo garantir que bens essenciais chegassem a beneficiários da AMI, no contexto do combate à pandemia da COVID-19, evitando assim deslocações desnecessárias por parte daqueles considerados como populações de risco, de acordo com os critérios da Direção-Geral da Saúde e da Organização Mundial de Saúde. Após a fase de mitigação de contágio e, no decorrer do período de desconfinamento, o projeto evoluiu para uma segunda fase. Desde 1 de junho que a nova lógica de intervenção deste projeto levou ao fornecimento de cabazes a famílias, que não sendo de alto risco, estão a atravessar um período de carência económica acrescida devido à pandemia e às circunstâncias laborais e sociais que a mesma gerou.

Projetos No Planet B na reta final O projeto NO PLANET B, dinamizado pela AMI em Portugal, está na sua reta final. Desde novembro de 2018, foram implementadas vinte e duas iniciativas por todo o território nacional e mais de cem nos seis países europeus que implementam o projeto. Conheça todos os projetos financiados em ami.org.pt ou em noplanetb.net Esta iniciativa é cofinanciada pela União Europeia, no âmbito do programa DEAR (Development Education and Awareness Raising) e pelo Instituto Camões I.P. – Instituto da Cooperação e da Língua, através da linha de Educação para o Desenvolvimento.

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Peditório online da AMI A AMI realizou o seu Peditório anual, entre 25 e 31 de maio, pela primeira vez exclusivamente através das plataformas digitais. A utilização destas plataformas foi feita de forma a corresponder às orientações de distanciamento social e confinamento, dadas pela Direção-Geral de Saúde e Organização Mundial de Saúde. O Peditório angariou um total de 2 583,21€, ficando infelizmente muito aquém dos resultados alcançados cara a cara.


SER BOM ALUNO É MAIS DO QUE TIRAR BOAS NOTAS. É TAMBÉM SER SOLIDÁRIO.

ESCOLA

Por cada Kit Salva Livros vendido, 1 Euro reverte a favor das crianças e jovens apoiados pelos Centros Porta Amiga da AMI em Portugal. Mais informações em AMI.ORG.PT


Internacional_

Chile_

Bangladesh_

Proteger os Rohingya do coronavírus As populações refugiadas e deslocadas no Bangladesh, que vivem em áreas propensas a desastres naturais encontram-se entre os mais expostos ao novo coronavírus e com menos acesso a assistência médica, por falta de condições socioeconómicas. É com o intuito de proteger e assistir essas populações que a AMI iniciou uma nova parceria com a organização Bangladesh Integrated Social Advancement Programme (BISAP), que apoia os refugiados Rohingya e as comunidades de acolhimento na região de Chattogram, ex-Chittagong, no leste do Bangladesh.

Reforçar a resposta à COVID-19 em dois hospitais chilenos Desde a sua criação em 1996, a missão da Fundação Auxilio Maltés (FAM), no Chile, tem consistido em apoiar a reabilitação respiratória de pacientes em condição de vulnerabilidade clínica e socioeconómica. Com a pandemia do novo coronavírus, os dois hospitais onde a FAM gere centros de reabilitação, têm recebido cerca de 150 casos por dia, sendo que há atualmente mais de 400 doentes internados (90% destes por Covid-19). Assim, a FAM solicitou o apoio da AMI para aquisição de aparelhos BiPAP (ventiladores) e equipamentos de proteção individual para o staff dos hospitais, como também para a compra e respetiva distribuição de bens alimentares a cerca de 50 famílias vulneráveis da capital do país. A AMI apoia a ação por seis meses com um valor total de 12.000 euros, desde julho de 2020.

Guiné-Bissau_

Reduzir a mortalidade materno-infantil Terminou o projeto “Intervenções de Alto Impacto: Saúde Comunitária em Quinara”, no âmbito do Programa Integrado de Saúde Materno-Infantil, implementado pela AMI na Guiné-Bissau desde 2014, em parceria com a UNICEF. Esta intervenção disponibilizou serviços de saúde a mulheres grávidas e crianças até 5 anos de idade, na região sanitária de Quinara. Para tal, foi realizada a capacitação de 208 Agentes de Saúde Comunitária encarregues de promover práticas familiares essenciais junto dos agregados familiares da região, Desta forma, contribuiu-se para a redução da mortalidade materno-infantil numa região com aproximadamente 38.883 mulheres (das quais 16.758 em idade fértil) e com cerca de 10.376 crianças. A UNICEF agradeceu à AMI após uma parceria de 6 anos “pelos esforços envidados na área da saúde comunitária e na redução da mortalidade materna e infantil da população da região de Quinara”. 20 |

Senegal_

Combater a COVID-19 A organização APROSOR, parceira da AMI há mais de 20 anos, recebeu um apoio complementar no valor de €3.000 por parte da AMI para implementação de ações de combate à COVID-19 na região de Diourbel, no Senegal. O objetivo é apoiar o fabrico e distribuição de máscaras faciais, de gel hidro-alcoólico e de materiais para os dispositivos de lavagem das mãos, destinado aos doentes das unidades de saúde nas áreas de intervenção da Fundação AMI.


BREVES Mecenato_

Nova vida para o Pinhal de Leiria O Pinhal de Leiria foi um dos locais mais afetados pelos incêndios de outubro em 2017, onde arderam cerca de 9 mil hectares, o que corresponde a mais de 80% de afetação da Mata Nacional do Pinhal de Leiria. O objetivo de plantar 10 hectares com 10.000 árvores autóctones implica a limpeza prévia do terreno, a sua preparação e um plano de monitorização do crescimento das árvores durante 3 anos. Esta iniciativa conta com o patrocínio do Millennium BCP, que lançou a campanha “Extratos em Papel por Árvores”, através da qual €1 é doado à AMI por cada adesão ao extrato digital. Faça também parte desta missão e ajude-nos a reflorestar o Pinhal de Leiria!

Combate à Covid-19: Obrigado por fazer parte desta Missão! Ciente das suas responsabilidades e da razão pela qual foi criada, a AMI reagiu de imediato ao cenário de pandemia e continuou a garantir toda a ajuda à população vulnerável que conta com o seu apoio, aumentando a sua resposta. Esta atuação só foi possível graças à preciosa colaboração de várias pessoas e entidades. A AMI agradece a todos os que fizerem parte desta missão, permitindo angariar perto de €100.000: Doadores individuais; Voluntários; Empresas: Auchan Retail; Associação Semear; Ciniskimer; Canal S+; Caras; Creative Minds; Eco; EDP; eSocial Montepio; Estrelas e Ouriços; Fundação Ageas/Seguro Directo; FoodQual; Galp Energia; Grupo Cofina; Herbalife; Hovione; Junta de Freguesia de Leça da Palmeira; Junta de Freguesia de Loures; Machado Joalheiros; Maxdata; MEO; Mercer; Miniclip; Mundicenter; New Sheet; Norauto; Novo Banco; Omnova Solutions; Paypal; Petrotec; Phone House; Porto Canal; RTP; SAP; Sair da Casca; Sovena; Towers Watson Portugal; Visão.

Natal 2020 Call to Action Este ano, será lançada a 10ª Missão Natal a favor de 2000 famílias apoiadas pelos Centros Porta Amiga da AMI em todo o país. Todos os anos, são mais de 50 os parceiros que colaboram nesta campanha com bens alimentares e participam na entrega de cabazes para celebrar um Natal mais solidário. Um donativo de 20 euros permite, não só financiar um cabaz de Natal, como o acompanhamento social a uma família. Junte-se a nós nesta missão!

Tem sugestões para a implementação de um projeto de responsabilidade social, campanha solidária ou voluntariado corporativo na sua empresa? Envie a sua proposta para marketing@ami.org.pt e partilhe connosco as suas ideias!

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AGENDA AMI 19 A 30 DE AGOSTO

09 E 10 DE NOVEMBRO • Formação a voluntários internacionais, Lisboa

• Campanha Escolar Solidária AMI/Auchan

10 A 12 DE SETEMBRO

20 E 21 DE NOVEMBRO

• Ação de voluntariado para triagem de material escolar

• Ação de Reflorestação do Pinhal de Leiria / / Projeto Ecoética

LOJA AMI

PORTES DE ENVIO

A Loja AMI dispõe de vários artigos que podem ser adquiridos no site ami.org.pt/loja Ao comprar qualquer um dos artigos da loja AMI estará a contribuir para a realização dos nossos projetos e missões. Pode também fazer a sua escolha, preencher e enviar-nos o cupão abaixo, junto com o cheque no valor total dos artigos acrescido das despesas de envio indicadas.

Encomenda

90€

Portugal Continental

5€

Grátis

Portugal Ilhas

25€

20€

Europa

30€

15€

Resto Mundo

35€

17,50€

90€

"Humanidade"

Livro 20€

Kit Salva-Livros

6€ • 10 capas plásticas transparentes e adaptáveis a todos os formatos de livros e cadernos, até 21cm x 40cm; • Muito fácil aplicação, não precisa de tesoura nem de fita-cola;

"Toda a esperança do mundo"

Livro 39.90€ "Histórias que contei aos meus filhos"

Livro 12.50€ [MAIS ARTIGOS EM WWW.AMI.ORG.PT]

Nome NIF Morada Código Postal Telefone Como adquiriu a nossa revista Descrição do Produto

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E-mail Quantidade

Valor Unidade

Valor Total


INFORMAÇÕES

VOLUNTARIADO Quando a AMI nasceu, em 1984, o sonho era grande e as dificuldades imensas, mas a AMI cresceu e os anos passaram a uma velocidade inacreditável… E nada disto seria possível sem a coragem e o altruísmo de todos os voluntários que nos acompanham. Em missões internacionais, os voluntários podem assumir funções de coordenação de projeto, chefia de missão ou de especialista em áreas técnicas relevantes, integrando projetos de curta ou longa duração, em função do seu perfil e das necessidades existentes no terreno. Em Portugal, a AMI conta com voluntários das áreas da saúde, educação, ciências sociais, jurídicas e indiferenciados que ajudam a prestar serviços aos beneficiários dos equipamentos sociais, aos quais, de outra forma, não teriam acesso.

NECESSIDADES ATUAIS DE VOLUNTARIADO Obstetra

MISSÃO DA AMI EM MADAGÁSCAR

Enfermeiro/a Médico/a

CPA GAIA

CPA OLAIAS

Nutricionista

CPA ALMADA

Cabeleireiro

CPA GAIA

CPA PORTO CPA CASCAIS

CPA PORTO  

ABRIGO DO PORTO CPA PORTO CPA OLAIAS

voluntariado@ami.org.pt

[FICHA DE CANDIDATURA ONLINE]

Este número da AMI Notícias foi editado com o especial apoio da revista VISÃO (Distribuição), COMPANHIA DAS CORES (Design), LIDERGRAF (Impressão e Acabamento) e CTT – Correios de Portugal Autorizada a reprodução dos textos desde que citada a fonte. AMI Fundação de Assistência Médica Internacional R. José do Patrocínio, 49 – Marvila, 1959-003 Lisboa ami.org.pt | fundacao.ami@ami.org.pt Ficha Técnica Publicação Trimestral Diretor Fernando Nobre Diretora Editorial Luísa Nemésio Edição Ana Ferreira Redação Marina Bertolami Fotografias AMI, Alfredo Cunha, Pedro Aquino, Andre Uspensky, Bill Cooper, Nicholas Mackay Paginação Companhia das Cores - Ana Gil Tiragem 56.000 exemplares Depósito Legal DL378104/14

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DONATIVOS Todos podemos ser agentes de mudança. Não é preciso muito, basta estar pronto para aceitar embarcar numa missão: Transformar boas intenções em boas ações. Faça um donativo, participe nas nossas iniciativas, divulgue o nosso trabalho. A sua participação eleva o nosso esforço.

• Online em: https://ami.org.pt/donativo  • Multibanco:

Pagamento de Serviços Escolha a opção “Pagamento de Serviços” Digite entidade 20909 Referência 909 909 909, depois basta escolher a importância com que quer contribuir. • MB WAY: 962 777 431

• Transferência Bancária:

Conta da AMI Nº 0152 7781 0009 ou IBAN: PT50 0007 0015 0027 7810 00979 do Novo Banco. Se tiver acesso aos serviços de Banca Eletrónica do seu banco, poderá fazer a transferência através da internet. • Cheque: Cheque nominal (AMI) diretamente para qualquer uma das direções da AMI ou para AMI - Remessa Livre 25049 1148 Lisboa CODEX (não necessita de selo).

O Cartão de Saúde AMI proporciona um conjunto de vantagens aos seus aderentes, mantendo sempre o mesmo preço, independentemente do número de pessoas agregadas ao cartão. Nº8235 VALIDADE: 02/19

Saiba mais através do nº: 213

303 600 [SAIBA MAIS]

CONTACTOS E-mail: fundacao.ami@ami.org.pt | Internet: www.ami.org.pt SEDE Fundação AMI – Rua José do Patrocínio, 49, 1959-003 Lisboa | T. 218 362 100 DELEGAÇÕES Norte T. 225 100 701 | Centro T. 239 436 263 | Madeira T. 291 201 090 Açores – Terceira T. 295 215 077 CENTROS PORTA AMIGA Lisboa – Olaias T. 218 498 019 | Lisboa – Chelas T. 218 591 348 | Porto T. 225 106 555 | Almada T. 212 942 323 | Cascais T. 214 862 434 | Funchal T. 291 201 090 | Coimbra T. 239 842 706 | Gaia T. 223 777 070 | Angra T. 295 218 547 ABRIGOS NOTURNOS Lisboa (em colaboração com a C. M. Lisboa) T. 218 152 630 | Porto T. 225 365 315

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AMI Notícias Nº 78  

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