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W W W.V I VA - P O R T O . P T

Revista gratuita trimestral, dezembro 2016

MEMÓRIAS

O Porto Desaparecido

CINEMA

De volta à baixa do Porto

Alexandra Bento

Promover bons hábitos alimentares nos portugueses

DESCUBRA MAIS NO INTERIOR


E D I T O R I A L

CONTAS À MODA DO PORTO O orçamento que a Câmara do Porto aprovou para 2017, “sério, honesto e transparente”, tem um impacto que ultrapassa o próximo ano e caracteriza-se por uma significativa expansão da atividade municipal, crescendo de 207 para 244 milhões de euros. O maior orçamento aprovado na última década pela Câmara do Porto, que define as prioridades da ação municipal para o próximo ano, dá um contributo muito significativo para a construção de uma cidade voltada para o futuro, reforça o investimento público, mantém uma aposta clara na coesão social, reduz a carga fiscal e continua a reduzir a dívida. Concentra os maiores aumentos nas áreas que foram definidas por Rui Moreira como constituindo as principais prioridades: o desenvolvimento económico e a atração de investimento, a coesão social e a cultura. Em 2017 vai-se acelerar a reabilitação do Mercado do Bolhão, a recuperação do Pavilhão Rosa Mota, a regeneração do antigo Matadouro Municipal, em Campanhã, que se transformará num grande polo empresarial e cultural, vai continuar o esforço de requalificação dos bairros sociais, serão iniciados programas inovadores no domínio da habitação no centro histórico e ampliar-se-á a atividade cultural do Município, designadamente a partir do Teatro Municipal do Porto. A carga fiscal dos portuenses em sede de IMI, que tem vindo sistematicamente a diminuir com o atual executivo, vai continuar a baixar. Há também uma diminuição da dívida municipal que, no final do próximo ano, deverá orçar cerca de 48 milhões de euros. Se tudo correr bem, a autarquia portuense vai chegar às próximas eleições autárquicas numa invejável situação de equilíbrio financeiro e com muita obra para mostrar à cidade…

José Alberto Magalhães Diretor de Informação

REVISTAVIVA,DEZEMBRO 2016


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120 º PARA REFOGADO PERFEITO

BALANÇA INCORPORADA

LÂMINA REVERSÍVEL


S U M Á R I O

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PERFIL ALEXANDRA BENTO

T R A D I Ç Õ E S D E N ATA L

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M ÁQ U I N A D O T E M P O A TELEVISÃO

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CONVERSAS NA BOLSA

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PERLIM M A I O R PA R Q U E T E M ÁT I C O D O N ATA L

FC PORTO PISCINA DE CAMPANHÃ

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COMES & BEBES

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R EQ UA L I F I CAÇÃO MERCADO DO BOLHÃO


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ÍNDICE Revista gratuita trimestral, dezembro 2016

FICHA TÉCNICA

003 EDITORIAL 032 U N IVE RS IDAD E D O PORTO 036 O P O R T O D E S A PA R E C I D O

Propriedade de: ADVICE - Comunicação e Imagem Unipessoal, Lda. Sede de redação: Rua do Almada, 152 - 2.º - 4050-031 Porto NIPC: 504245732 Tel: 22 339 47 50 - Fax: 22 339 47 54 advice@viva-porto.pt adviceredacao@viva-porto.pt www.viva-porto.pt

044 CINEMA REGRESSA À BAIXA

Diretor Eduardo Pinto

048 P O R TO D E L E I XÕ E S

Diretor de Informação José Alberto Magalhães Redação Raquel Andrade Bastos

074 PORTO CANAL

Fotografia Carolina Barbot

076 PORTOFOLIO

Marketing e Publicidade Eduardo João Pinto advicecomercial@viva-porto.pt Célia Teixeira

078 S U G E S T Õ E S C U LT U R A I S 090 M E T R O P O L I S - M AT O S I N H O S

Produção Gráfica Diogo Oliveira

094 M E T R O P O L I S - PA R A N H O S

Impressão, Acabamentos e Embalagem Multiponto, S.A. R.D. João IV, 691-700 4000-299 Porto

096 METROPOLIS -SANTO TIRSO

Distribuição Mediapost

098 HUMOR

Tiragem Global 120.000 exemplares Registado no ICS com o nº 124969 Depósito Legal nº 250158/06 Direitos reservados Estatuto editorial disponível em www.viva-porto.pt Lei 78/2015

REVISTAVIVA, OUTUBRO 2016


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A LE X A N D RA B E N TO

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ALEXANDRA BENTO É NUTRICIONISTA PORQUE, NA ALTURA DA ESCOLHA DE UM CURSO SUPERIOR, FOI ENTUSIASMADA POR UMA AMIGA. HOJE BASTONÁRIA DA ORDEM DOS NUTRICIONISTAS, ALEXANDRA BENTO NÃO SE ARREPENDE DO MOMENTO EM QUE DECIDIU INGRESSAR NA FACULDADE DE CIÊNCIAS DA NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DA UNIVERSIDADE DO PORTO PARA SE LICENCIAR E MAIS TARDE PARA SE DOUTURAR - NA ÁREA DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DA SAÚDE. DEVIDO AO SEU IMPORTANTE PAPEL PARA A CRIAÇÃO DA ORDEM DOS NUTRICIONISTAS E PARA O ENGRANDECIMENTO DA PROFISSÃO DE NUTRICIONISTA, FOI DISTINGUIDA PELA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO COM A MEDALHA MUNICIPAL DE MÉRITO COM O GRAU DE OURO. NATURAL DE AMARANTE, MAS RESIDENTE NO PORTO HÁ MUITOS ANOS, SENTE-SE FILHA ADOTIVA DA CIDADE. ALEXANDRA BENTO TEM COMO DESÍGNIO MAIOR PROMOVER A ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E COLOCAR A NUTRIÇÃO NO CENTRO DAS POLITICAS PÚBLICAS DE SAÚDE. Texto: Raquel Andrade Bastos Fotos: Carolina Barbot

Quase a candidatar-se ao Ensino Superior, bastou uma conversa com uma amiga que estudava nutrição para Alexandra Bento, a Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, perceber que queria ingressar na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. Natural de Amarante – mas residente na cidade do Porto desde os tempos da faculdade – a Bastonária, quer promover hábitos alimentares saudáveis aos portugueses e promete lutar para colocar, verdadeiramente, a nutrição no centro das políticas de saúde. Os hábitos alimentares da po-

pulação portuguesa são uma das principais preocupações da Ordem dos Nutricionistas. “Os portugueses têm uma má alimentação e estão, cada vez mais, a afastarem-se daquilo que são os bons hábitos alimentares”, diz a Bastonária Alexandra Bento. Consciente de que “nunca, como agora, se soube tanto de nutrição” e de que “nunca, como agora, se padeceu tanto de doenças relacionadas com a alimentação”, Alexandra Bento diz que é necessário desenhar-se uma política para os próximos anos, com um grande horizonte temporal, para que “haja mais saúde à mesa dos portugueses”. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2016


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“É verdade que se pode comer caro e bem ou caro e mau. E que se pode comer barato e mal. Mas o que é importante é que todos saibamos como comer bem e barato.” A obesidade, a diabetes ou as doenças cardiovasculares – que representam a maior causa de morte em Portugal – estão todas diretamente ligadas a erros alimentares, por isso, “é preciso agir para melhorar os hábitos alimentares dos portugueses”. Alexandra Bento defende que “morremos por aquilo que comemos”, explicando que o estilo de vida dos tempos que correm, com o crescente papel da mulher na sociedade, a globalização, a falta de tempo no dia a dia e

a baixa literacia em nutrição e alimentação, poderão determinar os maus hábitos alimentares dos cidadãos. “Somos o que comemos e comemos aquilo que somos” Para além de concordar com a afirmação “somos o que comemos”, Alexandra Bento acrescenta ainda que “também comemos aquilo que somos”. A Bastonária explica que concorda com a primeira declaração, porque a alimentação determina a saúde

das pessoas. “Temos que ter a noção que podemos viver dentro daquilo que está geneticamente programado, mas podemos viver mais e melhor dependendo dos nossos hábitos alimentares.” A responsável da Ordem dos Nutricionistas defende, ainda, que os hábitos alimentares não começam apenas a partir do momento em que se nasce, mas logo a partir da gestação. Quanto ao “comemos aquilo que somos”, Alexandra Bento sustenta que o tipo de alimentação de cada um “depende muito daquilo que somos: da literacia, do nível


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de educação, do gradiente social, do ambiente que nos envolve, da cultura e da capacidade de nos relacionarmos com os outros e com o mundo em que vivemos.” Alexandra Bento não tem dúvidas que “comer mal sai caro” e que é possível ter uma alimentação saudável com pouco dinheiro. Contudo, reforça que “é verdade que se pode comer caro e bem ou caro e mal. E que se pode comer barato e mal. Mas o que é importante é que todos saibamos como comer bem e barato.” A Bastonária diz ainda que não são necessários extremos em

relação à alimentação e defende que é possível aliar a gastronomia tradicional portuguesa (e do Porto) a uma alimentação saudável. “Há dias especiais em que podemos comer um cozido ou umas tripas. E mesmo no dia a dia é possível transformar um prato tradicional, numa refeição mais saudável, juntando, por exemplo, mais produtos horticolas”, diz. A nutricionista acredita que grande parte dos portugueses sabe que a alimentação tem um grande impacto na saúde, mas muitas vezes “não sabem como

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o fazer, ou não fazem o que sabem”. Perante isto, Alexandra Bento garante que a profissão de nutricionista, que cresceu acentuadamente nos últimos 30 anos, é de importância fulcral na ajuda às populações, de forma a prevenir doenças que são causadoras de uma grande parte das mortes em Portugal (e no mundo). Segundo a Bastonária, Portugal tem a melhor formação de Nutricionistas da Europa, tendo a Universidade de Porto sido pioneira no ensino das ciências da nutrição, não só em Portugal REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2016


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“É alarmante o reduzido número de nutricionistas nos cuidados de saúde primários”

como também na Peninsula Ibé- investigando e ensinando esta rica. Atualmente existem mais área da saúde. duas Universidades privadas O número de nutricionistas em que lecionam a licenciatura em Portugal ronda, atualmente, os ciências da nutrição, e por isso três mil profissionais, no entanto, o Porto é o berço da profissão no Serviço Nacional de Saúde de Nutricionista, contribuindo (SNS), que contempla os hospipara a sua implementação na tais e os centros de saúde, trasociedade como uma profissão balham apenas quatro centenas. forte, firme, credivel e suficien- Sendo que destas, três centenas temente humilde e sonhadora. estão nos hospitais e apenas uma Assim, o destaque desta pro- centena nos centros de saúde. fissão deu-se quando se perce- Alexandra Bento tem vindo a beu que era importante não só destacar que este número de tratar a doença como também nutricionistas no SNS é insufipreveni-la, promovendo a saúde, ciente e afirma que esta é uma fazendo o controlo de qualidade luta que a Ordem quer ganhar o e da segurança alimentar, in- mais rapidamente possível. vestindo na inovação alimentar, “Achamos que este número é

insuficiente. Mas é alarmante o reduzido número de nutricionistas nos cuidados de saúde primários”, alerta a Bastonária. Alexandra Bento, que já transmitiu ao Ministério da Saúde esta situação, explica que é nos cuidados de saúde primários que é feita a prevenção da doença e a promoção da saúde, para que no futuro o número de doenças relacionadas com a alimentação seja diminuto. “Se não houver nutricionistas nestes cuidados, não conseguiremos fazer com que a população tenha melhores hábitos, que as crianças se alimentem melhor, que as escolas ou as empresas possuam uma melhor oferta alimentar e que as autarquias sejam promotoras de saúde através da alimentação”, diz a Bastonária, acreditando que a cultura de proximidade, entre os profissionais e o cidadão, é de grande importância. Por isso, Alexandra Bento justifica a necessidade de existirem nutricionistas nas escolas, que é recomendada na Resolução da Assembleia da República nº 67/2012, de 10 de maio, mas que tarda em ser implementada. A Ordem dos Nutricionistas pretende, no próximo ano, avançar com um estudo sobre os hábitos


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alimentares nas escolas e iniciar um projeto-piloto de educação alimentar, num estabelecimento de ensino, visando o que deve ser o “bom comer” dos mais pequenos. A Bastonária revela que a Ordem irá apresentar ao Governo propostas concretas para a melhoria dos hábitos alimentares nas escolas. “Sabemos que há recomendações para a oferta alimentar nas escolas. No entanto, nem sempre existe a verificação do seu cumprimento, acrescentando que é necessário averiguar o que as crianças, de facto, comem”, diz. Alexandra Bento explica que as crianças nem sempre comem o que é fornecido pela cantina da escola, porque não têm bons hábitos alimentares incorporados. “E se o Estado português fornece refeições e se, no final,

“Percecionamos que o Governo já compreendeu que para ter ganhos em saúde, necessita de colocar a nutrição na agenda.” as crianças acabam por não consumir uma parte essencial, então estamos a desperdiçar duplamente: dinheiro público e a saúde das nossas crianças.” O Governo tem preparado para o Orçamento de 2017 uma nova taxa sobre os refrigerantes. A Ordem dos Nutricionistas mostra-se favorável a esta taxa, uma vez que os estudos realizados provam que a taxação

de alimentos não saudáveis faz diminuir o seu consumo. A Bastonária defende, ainda, que o valor arrecadado com esta nova taxa terá que ser canalizado diretamente para a causa em concreto, ou seja, para a prevenção da obesidade e a promoção de uma alimentação saudável. Alexandra Bento revela que pretende que os portugueses tenham “uma mesa mais saudável”, acrescentando que, para isto acontecer, é necessário que exista uma grande vontade política de operacionalização. “Percecionamos que o Governo já compreendeu que para ter ganhos em saúde, necessita de colocar a nutrição na agenda”, diz a Bastonária. “Estamos a ver alguns avanços nesse sentido, mas queremos ver medidas no terreno”, salienta.


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M Á Q U I N A

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T E M P O

A ‘Caixa Mágica’ Texto: Raquel Andrade Bastos


A TELEVISÃO

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DEPOIS DE DOIS ANOS DE EMISSÕES EXPERIMENTAIS, A TELEVISÃO EM PORTUGAL NASCEU EM MARÇO DE 1957 E INSTALOU-SE NOS ENTÃO ESTÚDIOS DE CINEMA DO LUMIAR, EM LISBOA. NUM AMBIENTE MARCADO POR UMA ÉPOCA DE NENHUMA LIBERDADE, AINDA DENTRO DO GOVERNO DE ANTÓNIO SALAZAR, A PROGRAMAÇÃO DA RADIOTELEVISÃO PORTUGUESA (RTP) BASEAVA-SE SOBRETUDO NA INFORMAÇÃO E PRINCIPALMENTE EM PROGRAMAS RECREATIVOS. NO PORTO, OS ESTÚDIOS TELEVISIVOS FORAM CONSTRUÍDOS DE RAIZ EM 1959, NO MONTE DA VIRGEM, EM GAIA, ONDE AINDA HOJE A RTP TRANSMITE.

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televisão foi assunto de debate na sociedade portuguesa durante o início da década de 50, em que o poder não via com bons olhos a abertura da “caixinha mágica” que estava a invadir o mundo. No entanto, a resistência durou apenas até 7 março de 1957, data em que se deu a primeira emissão oficial a partir da capital. A partir daqui, o Estado foi, inclusive, o grande impulsionador do projeto, vendo na televisão um veículo de propaganda política e um instrumento de enquadramento da população. Anteriormente, em setembro de 1956, a partir da Feira Popular de Lisboa, foi feita a primeira transmissão experimental que foi recebida com grande entusiasmo pelos portugueses. Os anos seguintes foram de grande azáfama e aprendizagem, com a televisão a ter apenas uma emissão mais reduzida do que atualmente e que passava todos os programas em direto. Inicialmente, mais do que um fenómeno de tecnologia, a televisão foi também um grande

fenómeno social. Os aparelhos recetores eram de grandes dimensões e a quantidade de famílias portuguesas que os possuíam era reduzida. Desta forma, ver televisão era também um modo de convívio, uma vez que todos se juntavam num só sítio – em frente ao aparelho. Após algum tempo, e num período em que o Porto e o resto do país eram vistos como províncias, percebeu-se que era necessário a televisão chegar também ao Porto, para que fosse possível transmitir a partir daqui. Assim sendo, inauguraram-se em outubro de 1959 os estúdios no Monte da Virgem, embora fossem bastante pequenos como nos conta o ex-jornalista Álvaro Nazareth. Álvaro Nazareth, que iniciou o seu percurso na televisão aos 17 anos com a filmagem de umas cheias do rio Douro, refere que depois dos estúdios em Lisboa, houve a necessidade de se criarem uns mais a Norte, devido à vinda de personalidades, como Américo Tomás, ao Porto, à existência de exposições de artistas ou concertos. “Sempre que se filmava no REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2016


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Porto era preciso enviar para Lisboa. Passávamos tudo para uma bobina, embrulhávamos e íamos à Estação de São Bento para enviar a encomenda para Lisboa. Depois lá era cortado e transmitido só no dia seguinte à noite, no telejornal”, diz-nos. Na altura eram três ou quatro os operadores de câmara que existiam no Porto, refere o ex-jornalista, acrescentando que por vezes era necessário fazer viagens até Bragança, em carrinhas obsoletas, que demoravam mais de seis horas. Álvaro Nazareth refere que as dificuldades no início eram

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bastantes, principalmente as técnicas, mas “as pessoas gostavam do que faziam”. Explica que as câmaras eram muito pesadas e que não possuíam as características tecnológicas que hoje existem. “A amplitude das câmaras era muito menor, eram necessárias várias objetivas e os cenários eram feitos consoante a abertura dos aparelhos”. Nazareth explica, ainda, que – inicialmente – os estúdios no Porto eram usados para transmitir as reportagens nos telejornais, pouco mais tarde passaram a ser utilizados para

a transmissão de programas. De destacar que nesta altura era o teleteatro que sobressaía na programação televisiva e que fazia a delícia dos telespectadores portugueses. O primeiro programa a ser feito nos estúdios do Porto, apresentado por Fernando Rocha e Maria Eugénia, inclui a atuação do ‘Conjunto Pedro Osório’ e, ainda, a transmissão do filme “Barcos Rabelos”. Álvaro Nazareth explica que foram precisas cerca de quatro horas para se fazerem planificações e ensaios de luzes para que tudo corresse bem. “Agora


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ninguém perde quatro horas a fazer ensaios destes”, diz, sorrindo, o ex-jornalista. Nazareth fala também do fascínio que as pessoas tinham pela televisão. “Íamos fazer uma reportagem a qualquer lado e toda a gente estava à nossa espera. Quando chegávamos ao local, e quando a carrinha era avistada, as pessoas, de megafone na mão, gritavam `Chegou a televisão, chegou a televisão!`.” “Tudo era feito em torno da televisão. A televisão era o centro das atenções”, acrescenta Álvaro Nazareth, que justifica

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este fascínio com o atraso que Portugal teve a ter televisão em relação aos outros países europeus. O teatro era, de facto, uma parte fundamental na programação televisiva da altura. Álvaro Nazareth destaca a importância dos programas regulares de teatro e folclore que António Pedro e Pedro Homem de Melo apresentavam e que tinham grande popularidade. Os primeiros passos da televisão em Portugal foram, assim, marcados por um grande fascínio, mas a história da ‘caixa mágica’ continuou a escrever-se.

Deu-se a primeira transmissão da ‘Volta a Portugal’, a primeira grande reportagem da RTP no estrangeiro, a cobertura de acontecimentos internacionais e a utilização de uma unidade móvel para transmitir em direto. Em 1968 surge o segundo canal, que hoje é conhecido como a RTP2. As emissões regulares a cores apenas surgiram em 1980, com a transmissão do Festival RTP da Canção desse ano. Em outubro de 1983, o país atravessou uma grave crise económica e a televisão reduziu de forma drástica o número de horas de emissão, de forma a cortar na despesa pública. Assim, durante a semana as emissões só começavam às 17 horas na RTP 1 e às 19 horas na RTP 2. Apenas em maio de 1985 foi possível, novamente, o início das emissões matinais, que começaram a ser feitas a partir dos estúdios do Porto. Só em fevereiro de 1992 nasceu a RTP Internacional, sendo também esse o ano do apa-


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Na foto à esquerda: Adriano Nazareth Na foto em baixo: Artur Moura

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recimento do primeiro canal privado em Portugal - a SIC. O nascimento deste canal, a 6 de outubro, pôs fim aos 35 anos de monopólio estatal no mercado televisivo português. Já em 1993 viria a nascer o segundo canal privado português, a TVI. No final dos anos 90, a televisão

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digital começou a ser testada, tentando-se introduzi-la em 2002 e 2003, mas sem sucesso. Só em 2009 é que a emissão começou a ser regular, com os mesmos quatro canais nacionais. A emissão analógica começa a ser desligada em maio de 2011 até abril de 2012, data em que se assinalou o fim da

televisão analógica por antena no país. No cabo, a emissão analógica continua. Hoje em dia, diz Nazareth, os estúdios televisivos em Portugal possuem tecnologia de ponta, tão boa ou melhor do que os restantes países europeus e a programação apresenta uma grande variedade.


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Bolsa traz Augusto Santos Silva e Paulo Portas ao Porto A sala das Assembleias Gerais do Palácio da Bolsa vai continuar a acolher, durante os próximos meses, o ciclo de almoçosconferência “Conversas na Bolsa”, organizado pela Associação Comercial do Porto. Este ciclo, em que já participaram convidados como o ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, e o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, continuará a receber figuras destacadas do mundo político, empresarial, académico, cultural e desportivo português, que vão abordar, e debater com a assistência, as grandes questões da atualidade.

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romover o debate e incentivar a discussão sobre as grandes questões nacionais atuais, a partir do Porto, são os grandes objetivos do ciclo “Conversas na Bolsa”, organizado pelo ‘senado da cidade’, como é conhecida a Associação Comercial do Porto. Este fórum de debate, iniciativa em desuso numa cidade que, no passado, foi precursora neste tipo de abordagem das grandes questões nacionais, vai debater questões políticas empresariais, desportivas, culturais e económicas. Para isso vai receber figuras eminentes da sociedade portuguesa, nomeadamente o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, o CEO do grupo Impresa, Francisco Pedro Balsemão, o antigo vice-primeiro-ministro e ministro


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Porto, licenciou-se em História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, doutorando-se depois em Sociologia pelo ISCTE. É também professor catedrático na Faculdade de Economia do Porto, função que interrompeu para assumir o cargo de ministro no atual governo.. A 20 de janeiro será Francisco Pedro Balsemão, CEO do Grupo Impresa, que detém, entre outros, o semanário Expresso e o canal de televisão SIC, a participar em mais um debate. Filho de Francisco Pinto Balsemão, Francisco Pedro assumiu o cargo de presidente-executivo no início de 2016. Licenciado em Direito, o convidado neste ciclo integrou o grupo de comunicação dono da SIC e do Expresso em setembro de 2009. Com 35 anos, passou dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, e Nuno Garoupa, professor de Direito na Universidade do Illinois, nos Estados Unidos da América. Em setembro passado, o convidado foi o ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, que dissertou sobre “As tendências futuras da Defesa Nacional e o enquadramento das indústrias de defesa”. Já em novembro, foi o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, o protagonista das “Conversas na Bolsa”. No próximo dia 21 de dezembro é a vez de Augusto Santos Silva marcar presença no Palácio da Bolsa e abordar e discutir temas de importância nacional, designadamente a posição de Portugal no mundo. O ministro dos Negócios Estrangeiros, natural do REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2016


C O N V E R S A S

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pela Linklaters, pela missão de Portugal nas Nações Unidas e pela Heidrick&Struggles. Em fevereiro é Paulo Portas que marcará presença nas ‘Conversas na Bolsa’. O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros integra, atualmente, o Conselho Consultivo Internacional da Mota-Engil e vai dissertar no Palácio da Bolsa sobre vários temas atuais. Em 26 de maio, é Nuno Garoupa o convidado especial do ciclo de debates “Conversas na Bolsa”. O professor de Direito e codiretor do programa em Direito, Comportamento e Ciências Sociais da Faculdade de Direito da Universidade do Illinois deixou, em agosto passado, a presidência da Fundação Francisco Manuel dos Santos para voltar a dar aulas nos EUA. Nuno Garoupa foi, ainda, vice-Presidente da ‘European Association of Law and Economics’ (2004-2007), membro do Conselho de Administração da ‘International Society for New Institutional Economics’ (2006-2009) e coeditor da ‘Review of Law and Economics’ (2004-2010). Com estas conversas, a Associação Comercial do Porto quer cumprir várias missões, entre elas, fomentar o debate na comunidade e aumentar a riqueza cultural e cívica dos portuenses. O ciclo é totalmente aberto (basta para isso fazer uma inscrição através do site www.palaciodabolsa.com), numa demonstração da vontade que a Associação Comercial do Porto, o senado da cidade, tem em cumprir a sua missão, zelando pelos interesses do Porto em multifacetadas vertentes.


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Vem aprender Perlinês, visitar a oficina de trenós do Pai Natal e conhecer o pequeno Feiticeiro de Perlim

AQUI HÁ MUITO MAIS, AQUI HÁ PERLIM! Ainda tem até ao dia 30 de dezembro para poder visitar o Maior Parque Temático de Natal do país! Aqui bem perto, em Santa Maria da Feira, está Perlim! Um verdadeiro país imaginário onde vivem as mais carismáticas figuras do imaginário infantil de miúdos e graúdos! Tem cerca de 20 áreas temáticas para conhecer e disfrutar em família! Para os leitores da VIVA, aqui fica um bocadinho da história que será transformada num dos mais fantásticos espetáculos de sempre, em Perlim, a não perder! “Havia já muito tempo que o pequeno feiticeiro de Perlim não dava ares da sua graça! Mas Merlim Ferlim Querlim decidiu aparecer… Cansado de tanta alegria e felicidade nos rostos dos habitantes e visitantes de Perlim, sentiu que estava na hora certa e disse para

os seus botões: - Hi, hi, hi, hi!!! Agora é que vai ser, cor e mais cor, o que vem a ser isto?! Estou ofuscado com esta confusão de criaturinhas coloridas, casas coloridas, habitantes coloridos… Chega!!! Enquanto diz tudo isto num corrupio, de um lado para o outro, tropeça sozinho nos seus próprios pés. Eu, o Merlim Ferlim Querlim, feiticeiro e mágico, mestre, quase profissional, mas ainda um bocadinho aprendiz, de Perlim, vou acabar com esta confusão, vai-se acabar a cor, tudo vai ser… Branco…” Deixamos toda a informação sobre este espaço com características únicas, onde até o Castelo de Santa Maria da Feira está verdadeiramente encantado e onde a Lapónia tem uma banda musical de soldadinhos de chumbo. Tudo para conhecer e descobrir na Quinta do Castelo.


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Lapónia

Na Lapónia, anda no ar um frenesim que cheira a Natal! O Pai Natal está na sua casa, de olhos postos em todos os habitantes que vão trabalhando para que a magia aconteça, na mais esperada noite do ano! A vida neste lugar é muito, muito animada e as tropelias que saem da oficina de trenós contagiam todos os que estiverem à volta! Venham daí ver!

(En)canto das familias Neste espaço, os visitantes podem usufruir de um momento de aconchego muito especial.

Bombones

Quatro animados Soldadinhos vêm dar a sua graça a Perlim! Os Bombones prometem encher de festa e alegria, ao som dos mais inesquecíveis e contagiantes temas de Natal, sempre acompanhados por um simpático duende malabarista que fará as delícias aos olhos dos mais pequenos!

O regador de sonhos

“Bempem-vinpindospos apa Perlim!!!” É assim que começa o mais mágico e encantador momento em que conheces Perlim e os seus habitantes. Acontece no encantador cenário da gruta, do lago e da ponte! Com muito brilho à mistura e o resto é imenso … é pura magia!

(En)canto das águas

Água é vida, e o Gotinhas – o menino de água – vem contar a todos a preocupação do Planeta Terra com esse bem-maior!

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Arvorismo

Braços a postos e concentração! A Quinta do Castelo é o local ideal para saltar de árvore em árvore. Lá bem no alto, com um friozinho na barriga, prepara-te para uma aventura só para os mais corajosos!

Jêcêtrêsdê

Já ouviste falar do Jogo da Glória? Aqui, tens várias personagens que te darão a conhecer este jogo, que certamente os teus pais também conhecerão e poderão ajudar-te a jogar! Uma aventura num tabuleiro gigante, numa fantástica revisitação de um dos mais emblemáticos jogos e dos contos para crianças, cheia de interação e diversão!

Mini disco Ateliê passarinhos e cia O lugar mais dançante de Perlim é aqui! Sozinho ou com os teus amigos, pais, avós, irmãos, primos, enfim, esta pista é de todos e para todos, o importante é pôr os pés a mexer e os braços no ar, toca a dançar!

O xerife de perlim

Rumo a Oeste de Perlim, vamos viver mais uma grande aventura de Cowboys! E onde há Cowboys há Índios, pois claro! Aí estão eles, para uma aventura de cortar a respiração, onde tesouros, ladrões, os “pele vermelha” e o adorado Xerife Pancho lutarão, até que volte tudo à normalidade no recanto mais aventureiro deste mundo imaginário!

Uma área dinamizada pelo Zoo de Lourosa – único parque ornitológico do país, em Santa Maria da Feira. Pinturas faciais, pinturas manuais e origamis, inspirados nas mais raras e exóticas espécies de aves dos 5 continentes, são as experiências que aqui podes encontrar!

Pista de trenós

Faz-te à Pista! Que venha um salto para o alto! A Pista de Snowtubing faz as delícias de todos os visitantes! Partilhem esta aventura! Bem-vindos ao lugar de Perlim onde a adrenalina comanda todos os sentidos!


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O ninho

Algures no planeta há um ninho! É tão grande que todas as espécies de aves do mundo vivem nele! Na Terra Despassarada todos viviam felizes! Mas há um dia em que tudo muda… Chega um emissário – “Aqui vai erguer-se o Hotel Passarão!”

A cor de perlim

A cor e alegria de Perlim sofrem uma ameaça! Merlim Ferlim Querlim, feiticeiro e mágico de Perlim, anda cansado de tanto colorido e aparece para pincelar a branco tudo à sua volta! A Fada Piri está decidida a manter tudo no seu devido lugar e uma batalha hilariante vai fazer as delícias de todos, num espetáculo vibrante! Será afinal de quem a Cor de Perlim?!

Slide e mini slide

Voar, verdadeiramente, voar! Se não sabes qual é a sensação e queres muito saber, estás à espera de quê? Aventura-te numa descida de... 150 mt!

Mini slide

Uma Travessia infantil, realizada dentro de um trenó alusivo ao Natal, que transporta em simultâneo 2 crianças com descida num slide em cabo de aço com 50 metros!

Castelo encantado

Pift, Poft, Puft! Da Varinha de Condão, vai direitinho ao coração, Depressa e a voar, um desejo para realizar! Quem o quer apanhar?! No Castelo, vive uma história de encanto, onde tudo o que damos vale tanto!

Uma aventura em estado líquido

A INDAQUA volta a trazer uma aventura inesquecível, cheia de experiência e coisas novas para descobrir! Esse tesouro único que é a água tem muitas coisas para contar!

Comboio de perlim

Pouca terra, pouca terra, vem o comboio a passar! Da estação de Perlim até ao Castelo, podes conhecer os recantos e as personagens que habitam a Quinta do Castelo, numa viagem bem divertida! Seja bem vindo a Perlim!

info COMO CHEGAR Vias Rápidas A1 (Porto/ Lisboa/Porto) -> Saída “Feira” / A29 (Aveiro/ Porto/Aveiro) -> Saída “Feira”; Coordenadas GPS N 40º55.315’ W 8º32.482’ BILHETES DE ACESSO* 0 » 2 anos (inclusive) – Gratuito Levantamento obrigatório de bilhete de acesso na bilheteira 3 » 12 anos – 5 Eur. 13 » 64 anos – 6 Eur. Sénior ≥ 65 anos – 5 Eur. Grupos escolares – 5 Eur. por criança Oferta de 2 bilhetes para acompanhante por cada 15 crianças Grupos a partir de 15 pessoas – 5 Eur. Com marcação de no mínimo 24h Pulseira FreePass Válida para todos os dias do evento a partir de 5 de dezembro – 10 Eur. *Não inclui Comboio de Perlim INFORMAÇÕES E RESERVAS E-mail: reservas@perlim.pt Tlm. +351 915 220 811 [Todos os dias 9h00 » 18h00] Tlf. +351 256 370 241 [Dias úteis 9h00 » 18h00] www.perlim.pt

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U. Porto tem vindo nos últimos anos a fazer um grande investimento na inovação e no empreendedorismo. Assim sendo, e assentando naquela que é a terceira missão da universidade – a valorização económica e social e a criação de sinergias e pontes com o tecido empresarial e outros motores da economia – a estrutura U. Porto Inovação, criada em 2004, quer celebrar os êxitos alcançados nesta área com a realização desta Gala. De acordo com o Pró-Reitor Carlos Brito, “é necessário haver um momento de partilha e criação, daquilo a que podemos chamar de uma classe empreendedora que vive muito perto da U. Porto (como professores e investigadores), e do meio empresarial”. Por isso mesmo, são estas as pessoas que marcaram presença na Gala de Inovação, tanto em 2015 como este ano. “Pessoas ligadas ao meio científico, e empreendedores ligados às startups e empresários.” Deste modo, o evento celebrou, não somente os êxitos já alcançados, mas refletiu também,

Uma gala que celebra a criatividade A UNIVERSIDADE DO PORTO (U. PORTO) ORGANIZOU NO PASSADO DIA 30 DE NOVEMBRO A SEGUNDA EDIÇÃO DA GALA DE INOVAÇÃO. A “CRIATIVIDADE” FOI O MOTE DESTA INICIATIVA ANUAL, QUE PRETENDE SER “UMA FESTA E UM MOMENTO DE PARTILHA DE PAIXÕES” ENTRE EMPRESÁRIOS, INVESTIGADORES E INVESTIDORES. A GALA, REALIZADA NO MOSTEIRO DE SÃO BENTO DA VITÓRIA, NO PORTO, HOMENAGEOU TRÊS INOVADORES NA ÁREA TECNOLÓGICA, SOCIAL E ARTÍSTICA.


U. PORTO

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Em 2015, a Gala realizou-se no Terminal do Porto de Leixões

em conjunto, “os desafios que se aproximam.” Durante a Gala da Inovação deste ano, em que parte da receita obtida com as entradas reverteu a favor dos estudantes da U. Porto economicamente carenciados, foram homenageados três antigos estudantes da Universidade do Porto, em três áreas distintas. No âmbito de ‘Inovação Tecnológica’ foi homenageado João Barros, professor catedrático da Faculdade de Engenharia da U. Porto (FEUP) e criador da Veniam. Esta empresa, fundada no Porto, está incluída na lista das cinquenta empresas mais disruptivas pela estação televisiva norte-americana CNBC. A Veniam desenvolve e comercializa tecnologias que permitem tornar os veículos em hotspot de wi-fi, ligá-los uns aos outros e conectá-los à Internet. A empresa já atua nos mercados internacionais, nomeadamente Nova Iorque e Singapura. No âmbito de ‘Inovação Social’ foi homenageado o fundador da empresa júnior U. DREAM, Diogo Cruz. Este ex-aluno da Faculdade de


U. PORTO

Economia do Porto (FEP) criou a primeira empresa júnior sem fins lucrativos e de cariz solidário da U. Porto. Tem como objetivo a realização de sonhos de crianças com problemas de saúde, contando com a ajuda de várias instituições de saúde e de apoio social, jovens universitários, famílias e empresas. Por último, no âmbito de ‘Inovação Artística’ foi homenageado Manuel Lopes, autor do projeto ‘Casas em Movimento’, criado em 2008. Este é um projeto pioneiro de habitação, que a partir de movimentos de rotação combinados, potencia a energia do sol, numa solução autossustentável, para dar resposta às necessidades energéticas e espaciais dos seus habitantes. Para Carlos Brito, este gesto não pretende homenagear carreiras, mas sim ideias. “São três pessoas, que em três áreas, já deram muito à U. Porto e que acreditamos que possam a vir dar muito mais”, salienta o Pró-Reitor. O mote para a Gala deste ano foi a ‘criatividade’ que Carlos

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Brito sustenta ser um elemento fundamental na área da inovação e do empreendedorismo. “99% é feito com trabalho, mas 1% é inspiração. E nós celebramos este 1%, porque é o que marca a diferença.” A Gala é, assim, considerada “uma festa, onde se partilham as paixões, de arriscar e lançar novos projetos.” “Juntamos pessoas que têm esta paixão comum - serem dinâmicas – e que, desta forma, contribuem para o crescimento económico do país e, acima de tudo, para ajudar a criar uma sociedade mais desenvolvida e justa”, sustenta o Pró-Reitor. Segundo Carlos Brito, a U. Porto Inovação “é aquilo a que chamamos um gabinete de transferência de conhecimento, que faz a interface entre a investigação e o meio empresarial.” “Para nós, o trabalho da U. Porto Inovação é fundamental porque está logo no topo da cadeia de valorização do conhecimento”, considera.

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desaparecid o

ão Foto: Alv

CAFÉ PALLADIUM (1940-1974)

Ocupava todo o edifício que o arquiteto Marques da Silva projetara inicialmente para os Armazéns Nascimento, no gaveto das ruas de Santa Catarina com Passos Manuel. Foi reconvertido a café pelo arquiteto Mário de Abreu e anunciado como “o maior da península”. Ostentava uma decoração inovadora para a época, com colunas de vidro e néon. Para além de café no piso térreo, tinha um salão de chá no piso sobrelevado, um salão de jogos no 1.º andar, bilhares no 2.º e um cabaret no último piso, com entrada separada e elevador exclusivo. No seu salão de jogos sobressaía

o xadrez, daqui saindo alguns campeões da modalidade. Por sua iniciativa, em 1941, o russo Alexander Alekhine, campeão mundial de xadrez, visitou o Porto e foi recebido no café Palladium. Eram frequentadores assíduos do café Adolfo Casais Monteiro, Jorge de Sena, José Régio, Júlio Resende, Nadir Afonso, entre outros. O café Palladium fechou em 1974, sendo o edifício transformado num pronto-a-vestir, as galerias Palladium. Hoje o espaço alberga uma megastore da FNAC e uma loja de roupa da cadeia C&A.


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Foto: Delca

ESTÁDIO DO LIMA (1924-1972)

Era propriedade do Académico Futebol Clube, agremiação portuense fundada em 1911. Foi um dos melhores estádios do país, o primeiro com campo relvado (a partir de 1937), bancada central coberta, bancada em cimento no topo norte, pistas de atletismo (em cinza) e de ciclismo e automobilismo (em cimento), campo de basquetebol e um pavilhão. Serviu de casa emprestada ao FC Porto em diversas ocasiões, principalmente na década de 1940, tendo sido imortalizado no cinema no filme

mpe

“O Leão da Estrela” (1947), servindo de palco a um emotivo encontro entre o FC Porto e o Sporting CP. Acolheu, também, numerosas provas desportivas motorizadas. A época de 1971-72 foi a última em que o estádio foi utilizado, desta vez cedido ao Boavista FC. Perdido pelo Académico em tribunal, o estádio foi mandado demolir pela Santa Casa da Misericórdia do Porto, proprietária dos terrenos, em 1972. Situado entre as ruas de Costa Cabral e da Alegria, o espaço é, desse essa altura, um enorme descampado.

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CASA DOS PAMPLONAS (1600-1895)

Situada numa ampla quinta que, ao longo dos tempos, foi assumindo várias designações: da Boavista, de Santo Ovídio, dos Figueiroas, dos Resendes e – por fim – dos Pamplonas. Em 1886, no oratório particular desta quinta, Eça de Queirós casou com Emília de Castro Pamplona. Sensivelmente uma década mais

Foto: Ed. Le

Temps Perd

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tarde, a casa apalaçada seria destruída por iniciativa dos seus proprietários para a abertura da rua de Álvares Cabral e divisão da quinta em 144 lotes para construção de moradias. A casa localizava-se praticamente no topo da atual rua de Álvares Cabral, já próximo da praça da República.

TEATRO BAQUET (1858-1888)

Mandado construir em 1858 pelo alfaiate portuense António Pereira Baquet, na noite de 20 de março de 1888 a sala de espetáculos ficou completamente destruída por um violento incêndio que provocou cerca de 120 mortos e consternou a cidade e o país. Nos escombros do teatro, com duas frentes, foram construídos os célebres Armazéns Hermínios. Hoje o espaço é ocupado por um edifício da Caixa Geral de Depósitos (frente de 31 de Janeiro) e pelo hotel Teatro (frente de Sá da Bandeira).


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Foto: DR

PORTA DE VANDOMA (SÉC. III(?) – 1855)

Foi a principal porta da muralha primitiva da cidade, durante séculos encimada pela imagem de Nossa Senhora de Vandoma, padroeira da cidade. Segundo a lenda, D. Nónego, prelado francês de Vendôme, veio combater os mouros na sitiada cidade do Porto. Saindo vitorioso, o prelado terá colocado uma imagem da Virgem na porta principal da muralha que, por isso, se passou a chamar porta de Vandoma. Independentemente da verdadeira origem da estátua, o facto é que

a Virgem de Vandoma na porta da muralha passou a assumir-se como o símbolo heráldico da cidade do Porto desde a Idade Média até aos nossos dias. A porta de Vandoma ficava na atual calçada de Vandoma e foi demolida em 1855. A imagem foi recolhida na Sé do Porto, com altar próprio.

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A “MÁQUINA” (1878-1914)

Foi o primeiro “metro de superfície” do país. Tratava-se de uma pequena locomotiva a vapor de dimensões urbanas, devidamente carroçada de forma a disfarçar o seu aspeto ferroviário, que puxava 3 ou 4 carruagens e circulava em carris pela via pública. Saía da rotunda e descia a avenida da Boavista até à Fonte da Moura, onde infletia pela atual rua Correia de Sá e seguia pela Ervilha até chegar a Cadouços (atual largo do Capitão Pinheiro Torres de Meireles) – onde existia uma estação. Daí prosseguia até ao Castelo do Queijo pelas ruas do Túnel e de Gondarém e entrava em Matosinhos pela rua

Foto: Alv ão

de Roberto Ivens. Com o prolongamento da avenida da Boavista até ao castelo do Queijo em 1914, a Companhia Carris de Ferro do Porto decidiu substituir a “máquina” por carros elétricos que passaram a descer a avenida até ao mar, sendo a antiga linha desativada. O antigo material circulante foi vendido à empresa Caminho de Ferro de Penafiel à Lixa e Entre-os-Rios, continuando a funcionar durante largos anos. A rua do Túnel, na Foz do Douro, é um dos poucos resquícios da linha da “máquina”.

Estação de Recolha da Boavista (1874-1999)

A chamada “remise” dos elétricos foi uma das principais infraestruturas de apoio ao sistema de transportes públicos do Porto. Foi edificada em 1874, para servir de sede e oficina da Companhia Carris de Ferro do Porto. O edifício original foi vítima de um grande incêndio em 1928, o que levou à construção de uma nova “remise” com vinte portas. Este segundo edifício acabou por ser demolido em 1999 para dar lugar à Casa da Música.


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Foto: Alvão

O JARDIM PASSOS MANUEL foi inaugurado a 18 de março de 1908 e ao longo de três décadas foi local privilegiado das noites boémias portuenses, dos amantes do cinema (com o animatógrafo mais evoluído da época), do music-hall e de outros acontecimentos culturais. Concebido com base nos jardins parisienses de então, apresentou os maiores êxitos musicais da época, que faziam furor por toda a Europa: a valsa, o rag-time, o one-step, o two-step, a marcha, o maxie, o fox-trot, o tango... No início do século XX, a cidade do Porto assumia-se como o centro da atividade musical do país e o Jardim Passos Manuel, onde se passava parte da vida do Porto, era o lugar da cultura e o ponto de encontro da sociedade portuense. Um local elegante, com amplos jardins, que proporcionava todo o tipo de entretenimento. Tinha um jardim-esplanada, um cinematógrafo, uma sala de “loto” (espaço que hoje é ocupado pelo cinema Passos Manuel), um cinema ao ar livre, quiosques, um restaurante de luxo, um café de negócios, um café-concerto onde atuavam permanentemente uma orquestra e

dois sextetos, um salão de festas, um clube noturno, um coreto em forma de concha onde tocavam as bandas filarmónicas e um parque para as crianças. Estar no Porto e não ir ao Jardim Passos Manuel era como ir a Paris e não ver a Torre Eiffel ou ir a Roma e não ver o Vaticano. O espaço era de tal forma importante para a cidade, que até se cunhou uma moeda própria, aceite nas lojas e cafés das redondezas. Em 1938, o Jardim Passos Manuel foi desativado e posteriormente demolido para dar lugar a um novo teatro: o Coliseu do Porto. Por lá passaram orquestras que tocavam os temas em voga. Havia música para várias formações, desde o sexteto ao noneto: piano, dois violinos, viola, violoncelo e contrabaixo (sexteto) e mais clarinete, flauta e oboé (noneto). Deste tempo, restam apenas as notícias, as fotografias, as lembranças e um espólio de mais de duas mil partituras, que é hoje a base de orientação da Orquestra do Salão Jardim Passos Manuel do Coliseu do Porto. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2016


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Foto: Alvão

A PONTE PÊNSIL, oficialmente denominada Ponte D. Maria II, era uma ponte suspensa que ligava as duas margens do Rio Douro, entre a cidade do Porto e Vila Nova de Gaia. A cerimónia de início da construção foi celebrada a 2 de maio de 1841, para comemorar o aniversário da coroação de D. Maria II, ainda que ficasse conhecida como Ponte Pênsil. A construção terminou em 1842, cerca de dois anos depois do início das obras. Com pilares de cantaria de 18 metros de altura, 170,14 metros de comprimento e 6 de largura, era suportada por 8 cabos (4 de cada lado) constituídos por fios de ferro, transpondo a largura de 155 m do rio. A ponte assegurava um melhoramento no tráfego entre as duas margens, substituindo a periclitante Ponte das Barcas. A sua construção foi entregue à empresa francesa Claranges Lucotte & Cie, de propriedade do Conde Claranges Lucotte, inserindo-se no plano de construção da futura estrada

que ligaria o Porto e Lisboa. O projeto foi da autoria do engenheiro Stanislas Bigot com a colaboração do engenheiro José Vitorino Damásio. Os engenheiros Mellet e Amédée Carruette colaboraram durante a sua construção. Foi inaugurada sem qualquer solenidade a 17 de fevereiro de 1843, durante a ocorrência de grandes cheias do Douro, que obrigaram a desmontar com urgência a Ponte das Barcas. Para testar a sua resistência suportou mais de 105 toneladas, peso esse constituído por cerca de 100 pipas de água. Manteve-se em funcionamento durante cerca de 45 anos, até ser substituída pela Ponte Luís I, construída ao seu lado. Em 1887, após a inauguração da ponte D. Luís, a ponte pênsil foi desmontada. Restam atualmente os pilares e as ruínas da casa da guarda militar que assegurava a ordem e o regulamento da ponte, assim como a cobrança de portagens para a sua travessia.


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EDIFÍCIO DA ASSEMBLEIA PORTUENSE (1859-1915) Inicialmente fundada em 1834, a Assembleia Portuense estabeleceu-se em 1859, num edifício na esquina da praça da Trindade com a travessa da Rua do Almada, hoje rua do Dr. Ricardo Jorge. Frequentado por uma burguesia endinheirada mas pouco ilustrada, o local era jocosamente apelidado de “palheiro”. O edifício acabou demolido em 1915, na sequência da abertura da avenida dos Aliados. Aproximadamente no mesmo local localiza-se hoje o edifício do Clube Fenianos Portuenses.

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O cinema

está de volta à baixa

O CINEMA TRINDADE, NO PORTO, VAI REABRIR DURANTE ESTE MÊS DE DEZEMBRO, APÓS 16 ANOS DE PORTAS FECHADAS. NUMA INICIATIVA DA DISTRIBUIDORA NITRATO FILMES, SÃO AGORA DEVOLVIDAS À BAIXA DA CIDADE AS SESSÕES DIÁRIAS DE CINEMA. A ACOMPANHAR ESTA INICIATIVA, A CÂMARA DO PORTO CRIOU O TRIPASS, CARTÃO QUE DÁ DESCONTOS NAS SESSÕES DOS CINEMAS TRINDADE, PASSOS MANUEL E TEATRO MUNICIPAL (RIVOLI E CAMPO ALEGRE). Texto: Raquel Andrade Bastos Fotos: Carolina Barbot


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ão duas salas, uma com 183 lugares, outra com 168, onde a distribuidora Nitrato Filmes, responsável pela programação do Cineclube da Feira, pretende “fazer ressurgir o cinema na Baixa com regularidade”. Quem o diz é Américo Santos, diretor-executivo desta distribuidora, que tem dedicado a sua vida à divulgação do cinema independente. Assim, ao arrendar o Teatro Trindade, que fechou portas no final de 2000, à entrada do ano em que o Porto foi Capital Europeia da Cultura, – depois dos sombrios anos 90 em que desapareceram vários cinemas tradicionais na cidade com a proliferação dos “multiplex” nos centros comerciais –, a Nitrato Filmes quer reforçar a dinâmica cinematográfica na Baixa da cidade. A autarquia, de forma a dar maior ímpeto a esta dinâmica do cinema no coração do Porto, anunciou a criação de um cartão de descontos para as sessões de cinema no Trindade, Passos Manuel, Rivoli e, ainda, no Teatro Campo Alegre. Este cartão – denominado Tripass – poderá ser adquirido em qualquer uma

destas quatro salas e custará 10 euros, atribuindo descontos de 25% na aquisição de bilhetes de cinema. Vai, ainda, incluir um bilhete de oferta logo no ato de compra e prevê também convites para sessões especiais e uma comunicação mensal privilegiada. O presidente da Câmara do Porto, na cerimónia em que anunciou o Tripass, não deixou de destacar a importância da reativação do Trindade, afirmando que “é um acontecimento muito relevante na vida cultural da cidade.” “Porque contraria a tendência inversa, que como todos sabem se verificou ao longo das últimas décadas, de encerramento de salas e de espaços de exibição de cinema no centro do Porto”, sustentou Rui Moreira. O outrora “Salão Jardim da Trindade” – como era designado –, foi inaugurado em junho de 1913, com uma sala com cerca de 1200 lugares. Mais tarde, foi convertido em duas salas-estúdio e numa sala de bingo, o do Salgueiros. Fechou com uma média de 7,3 espectadores por sessão, segundo informação da altura, tendo acolhido posterior e esporadicamente algumas iniciativas ligadas a mostras

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de cinema, como o Desobedoc, em 2014 e 2015. As salas deste cinema, embora fechadas, mantiveram-se equipadas até hoje, no entanto, sofreram algumas melhorias. O espaço, com entrada pela Rua do Almada, como originalmente, terá ainda um bar de apoio e uma pequena livraria temática, segundo Américo Santos. Os equipamentos de projeção também serão novos, adaptados à nova era do cinema digital. O processo para a concretização do arrendamento do imóvel durou mais de um ano, tendo em conta todos os licenciamentos necessários para a sua reabertura, como conta Américo Santos. O Cinema Trindade vai funcionar, segundo Américo Santos, em modos distintos. “Uma das salas será de exibição mais tradicional, acompanhando as estreias nacionais, dentro do cinema de autor. A outra funcionará numa lógica de programação distinta, com ciclos de cinema, sessões de festivais, em regime de acolhimento de iniciativas propostas por outros programadores e como uma espécie de casa do cinema português no Porto”, adianta o responsável.


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A ideia é ter vários filmes em cartaz em simultâneo e várias sessões ao longo do dia, assim como acolher diferentes festivais da sétima arte. “Podemos ter dez filmes ao mesmo tempo. Queremos trabalhar todos os públicos, do infantil ao sénior. Não queremos ser apenas uma sala de exibição, mas também de formação de públicos”, explica o diretor. Com esta nova dinâmica do cinema na Baixa da cidade, a reativação do Cinema da Batalha é também um objetivo no horizonte da autarquia portuense. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2016


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Terminal do Porto de Leixões multipremiado

O Fotos: APDL

Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões foi distinguido com mais um galardão - o ‘Melhor projeto público’ de arquitetura nos prémios Construir 2016, na mesma altura em que está selecionado para a lista restrita do prestigiado concurso internacional WAN Awards 2016, nas categorias Transport e Waterfront. Em parceria com a revista Anteprojectos, o Jornal Construir reconheceu empresas, obras, profissionais e soluções que mais se destacaram no último ano em diferentes áreas e o Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões é, pelo segundo ano consecutivo, distinguido pela sua excelência, visto que já em 2015 venceu o melhor projeto da área da Engenharia. A anunciar no início de dezembro, o concurso WAN Transport & Waterfornt Awards 2016 nomeia projetos inovadores de todo o mundo e, com um júri de renome, caracterizou o novo Terminal como ‘ambicioso’, ‘impressionante’ e ‘exemplar’. “O Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões tem vindo, desde a sua abertura, a afirmar a sua notoriedade junto de júris nacionais e internacionais, e os REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2016


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prémios que vence e as short list que integra reforçam a excelência arquitectónica de um edifício emblemático no país e no mundo”, salienta a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL). Da autoria do arquiteto Luís Pedro Silva, construído a 700 metros da costa, o Terminal de Cruzeiros de Leixões soma reconhecimentos, desde o título de ‘Melhor Porto do Ano’, pela Seatrade Awards 2015. Selecionado entre 826 projetos de mais de 50 países, o novo Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões foi também distinguido com mais um prémio internacional, desta feita da ‘AZAwards’, prestigiada competição canadiana que todos os anos elege o que de melhor se faz no mundo da arquitetura e do design contemporâneo. De acordo com a Administração da APDL, este prémio vem reafirmar a excelência do novo Terminal, reforçando a sua notoriedade junto das maiores companhias internacionais de cruzeiros que têm vindo, de forma crescente, a considerar Leixões como paragem obrigatória, trazendo, dessa forma, cada vez mais visitantes para o destino Porto e Norte. Leixões integrou ainda a lista de finalistas do júri para a categoria de ‘Arquitetura – Edifícios Comerciais ou Institucionais com mais de 1.000 m2’, foi o favorito do público na votação que decorreu online e acabou mesmo por


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arrebatar o galardão internacional. Recorde-se que, na mesma categoria, o novo Terminal de Cruzeiros de Leixões estava a concorrer com quatro fortes adversários - o ‘Harbin Opera House’, na China; o ‘The Waterhouse at South Bund’, em Xangai; bem como o ‘Vegas Atlas Congress Center’ e o edifício ‘Stanford Central Energy facility’, ambos nos EUA. O novo Terminal de Cruzeiros de Leixões continua, assim, a somar o reconhecimento internacional, tendo recolhido, em 2015, o título de ‘Melhor Porto do Ano’, pela Seatrade Awards 2015, a par do Porto de São Francisco, nos EUA, e o Porto de Amesterdão, na Holanda.


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pai natal, profano ou religioso? Tradição milenária ou recente produto comercial toda a gente conhece a figura do Pai Natal, especialmente as crianças que vivem esta época do ano em alvoroço à espera das prendas pelo seu bom comportamento. Mas o tema é complexo, tal o número de tradições e de figuras que personificam esta cerimónia, tanto de origem pagã como cristã. Para simplificar, pode afirmar-se que o personagem que hoje é omnipresente nesta época do ano tem duas origens principais. A primeira está ligada a São Nicolau, bispo de Mira (na Anatólia, atual Turquia) que viveu no século IV e se tornou lendário porque, para além de um vasto rol de outros milagres, oferecia anonimamente presentes aos mais necessitados. Este santo é representado como um homem sério de longas barbas brancas, com a capa e mitra ver-

melhas correspondentes ao seu cargo eclesiástico. A segunda tradição é de origem anglo-saxónica, centrada na figura do Father Christmas, que já surge em cânticos do século XV e ganha proeminência no contexto da oposição ao puritanismo que dominou a Inglaterra no século XVII. Nos Estados Unidos, estas duas tradições viriam a juntar-se dando origem ao atual Santa Claus. Diga-se ainda, no que toca aos anúncios de refrigerantes, que a primeira marca a usar o Pai Natal foi a White Rock Beverages, em 1915, para promover a sua água mineral. O primeiro anúncio da Coca-Cola com o Pai Natal é de 1931 e a celebridade da marca ajudou a criar o mito urbano de que teria sido a inventora da figura. E assim apareceu o velhote bonacheirão de fato encarnado e barbas brancas que hoje lhe apresentamos…


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PAI NATAL: UMA IMAGEM QUE FOI PERDENDO A MAGIA As barbas brancas, o fato vermelho e branco e as renas personificam, quase na totalidade, a imagem que o mundo tem do famoso e mítico Pai Natal. No entanto, antes desta tão famosa imagem, influenciada pelo boom do consumismo ocidental do século XX, a figura do Pai Natal era bem distinta daquela que, hoje, milhares de crianças e adultos têm presente nos seus imaginários. Inspirado em São Nicolau, o Pai Natal nem sempre teve a aparência que atualmente conhecemos. Ao longo dos tempos, esta figura foi sofrendo alterações, moldando-se à sociedade mais consumista. Na verdade, e apesar da tradição ditar que o Pai

Natal desce pela chaminé na noite de Consoada, o lendário distribuidor de presentes está hoje em todos os centros comerciais, com o intuito de atrair mais clientes ou angariar dinheiro para diferentes causas. A imagem do Pai Natal do mundo moderno deriva de lendas do antigo santo São Nicolau, nascido 280 anos depois do nascimento de Cristo, na Ásia Menor, e tido como símbolo de amor, generosidade e carinho. Segundo alguns estudiosos, o bispo São Nicolau era um velhinho de bom coração, que ajudava os mais necessitados deixando sacos de moedas perto das chaminés. O São Nicolau ou Santa Claus, como também é


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conhecido, é celebrado, na liturgia cristã, no dia 6 de dezembro em países como a Alemanha ou a Holanda, dia em que, nesses países, os mais pequenos colocam o ‘sapatinho’ junto da chaminé. Em Amesterdão pode ver-se o famoso quadro de J. Steen, a “Festa de S. Nicolau”, que mostra uma cena familiar com uma menina alegre pelos presentes recebidos e um menino a chorar pela chibata que tem no seu ‘sapatinho’, resultado do seu mau comportamento, que vai de encontro aos pensamentos que ainda hoje são disseminados junto crianças. “Se não te portares bem, não recebes presentes”, reza a tradição. Esta associação da imagem de São Nicolau ao Natal foi feita, pela primeira vez, na Alemanha,

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espalhando-se depois pelo resto do mundo. Do extremo Norte da Europa, mais precisamente da Finlândia, surgiu a imagem do Pai Natal rodeado de neve e a conduzir um trenó, carregado de presentes, puxado a renas. Também é conhecido que até ao final do século XIX, o Pai Natal não tinha o aspeto que hoje tão bem o representa. As roupas vermelhas e brancas e as barbas compridas surgiram em 1931, numa campanha de marketing lançada pela empresa norte americana Coca-Cola, com a ajuda do ilustrador Haddon Sundblom. A verdade é que esta campanha foi um verdadeiro sucesso e é esta a imagem que perdura até aos dias de hoje. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2016


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UMA NOVA DINÂMICA NA PISCINA DE CAMPANHÃ Fotos: Carolina Barbot


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O COMPLEXO DE PISCINAS DE CAMPANHÃ, NO PORTO, QUE INCLUI A ÚNICA PISCINA OLÍMPICA DA CIDADE – COM 50 METROS – E UMA DAS POUCAS COBERTAS DO PAÍS, REABRIU, EM JULHO PASSADO, A ATLETAS E À COMUNIDADE EM GERAL. CEDIDA PELA AUTARQUIA DO PORTO, PELOS PRÓXIMOS 25 ANOS, AO FC PORTO, A REQUALIFICAÇÃO DO EQUIPAMENTO QUE ESTAVA SEM UTILIZAÇÃO VEM SERVIR NÃO SÓ A NATAÇÃO DO CLUBE, COMO TAMBÉM AS SECÇÕES DE BOXE E DESPORTO ADAPTADO. A PISCINA OFERECE AULAS PARA TODAS AS IDADES E PARA TODOS OS GOSTOS, ASSIM COMO UM HORÁRIO EM REGIME LIVRE.

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iscina olímpica, uma piscina de 14 x 8 metros, uma piscina de 8 x 6 metros, uma sala para treino funcional, um ginásio para os atletas do clube e balneários constituem o renovado complexo de piscinas de Campanhã. Aberto todos os dias, excetuando ao domingo, este equipamento está disponível a todos os cidadãos, aos atletas do FC Porto e a bebés, crianças e adultos que queiram ter aulas de natação. A Escola Dragon Force faz parte da oferta das piscinas e tem como objetivo ensinar as crianças a nadar e prepará-las, se assim for o caso, para as provas de competição. Existem também as aulas para os bebés a partir dos seis meses e, dentro de poucos meses, abrirá um espaço para preparação pré-parto. O ensino nestas piscinas, que é na maioria realizado por professores que foram ou são atletas de natação portistas – estando assim o clube a apostar no seu próprio produto e trabalho, baseia-se numa metodologia lúdica, pretendendo assim tornar-se um prazer para os alunos, sem passar etapas do percurso de aprendizagem. A escola das piscinas, que são ‘a casa’ dos atletas de competição dos ‘dragões’ e também de outros jovens que não entram nesta categoria, será, dentro de algum tempo, uma escola certificada e pertencerá ao projeto “Portugal a Nadar”. No entanto, e ainda sem esta certificação, todas as crianças estão em competições territoriais, que ajudam a criar ou a aumentar a ‘identidade clubística’. O objetivo é ensinar os mais jovens a nadar mas também incutir-lhes o espírito de vitória, a persistência e o espírito de sacrifício, REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2016


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valores que estão no ADN do clube ‘azul e branco’. A piscina de alto rendimento é dedicada a três diferentes níveis, do nível I, de iniciação, até ao nível III, de competição masters. As piscinas de Campanhã oferecem ainda aulas de natação postural, ou seja, aulas que têm como incidência a correção da postura. As aulas de natação Mix fazem parte, ainda, da oferta e também possuem três níveis: a dificuldade básica, dificuldade intermédia e dificuldade avançada. Estas aulas, além da técnica ligada à natação, têm também exercícios funcionais realizados no ginásio do equipamento. A prática para adultos é organizada em diferentes equipas, consoante a capacidade motora de cada um. Existem inclusivamente aulas de natação terapêutica, indicadas para pessoas com necessidades especiais e com deficiências motoras.


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Festivais temáticos, que acontecem de dois em dois meses, fazem também parte do programa das piscinas, assim como a organização de quizz’s, que contêm perguntas sobre alimentação saudável, atitudes, ambiente e cidadania e, ainda, a realização de workshops de natação com diferentes temas, abertos ao público em geral. O regime de banhos livres, que não inclui a ajuda de um professor, é uma oportunidade para que todas as pessoas possam nadar numa piscina olímpica. O horário deste estilo livre é alterado mensalmente, uma vez que depende da disponibilidade de pistas. No entanto, haverá pistas livres todos os dias, incluindo aos sábados de manhã. Campos de férias, como o que vai decorrer nas férias de Natal, mini pólo aquático e salvamento júnior são alguns dos projetos em que as piscinas vão também apostar. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2016


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Comes & Bebes A VIVA! COMEÇOU O ANO A MOSTRAR AOS SEUS LEITORES ALGUNS DOS MELHORES LOCAIS DA CIDADE PARA COMER E BEBER. NESTA EDIÇÃO APRESENTAMOS NOVOS LOCAIS NA BAIXA DO PORTO ONDE PODERÁ APRECIAR UMA BOA REFEIÇÃO, DESFRUTAR DE DIFERENTES PETISCOS E BEBER UM COPO. Fotos: Carolina Barbot

Cervejaria Brasão Rua de Ramalho Ortigão, nº28 Telefone: 934 158 672

No coração da Baixa podemos encontrar a Cervejaria Brasão. Com um espaço contemporâneo e, em simultâneo, rústico, esta cervejaria apresenta detalhes bastante tradicionais na decoração e até na louça usada. Serve diferentes iguarias, desde as tradicionais francesinhas, mariscos e vários tipos de bife. Na ementa, pode-se encontrar petiscos frios, como a desfeita de bacalhau com grão, salada de polvo com molho verde, tábua de presuntos e queijos. Já dos petiscos quentes fazem parte, por exemplo, a cebola frita com maionese de alho negro, as pataniscas de bacalhau com feijão frade, as moelas estufadas, o rissol de carne com cogumelo e trufa e o croquete de camarão. Nos pratos de carne, a ementa conta com prego no pão, costeletas de vitela, bife de cebolada, bife de queijo da serra e bife de café. As francesinhas da Brasão são feitas no forno. A cerveja artesanal é a grande atração na carta das bebidas. A Brasão está aberta de domingo a quinta-feira das 12h às 15h e das 19h às 24h. Ás sextas e sábados encontra-se aberta até às 2h.


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Rua Conde de Vizela, nº 149 Telefone: 911 810 232 O caBARé abriu em julho deste ano e pretende trazer para o Porto um novo conceito de restaurante. Este espaço quer ser um local onde as pessoas podem ir jantar e depois continuar a noite no mesmo sítio para um copo e talvez para uma dança. Assim, este local encontra-se dividido por dois pisos e quatro zonas distintas: o bar, o lounge a céu aberto nas traseiras, o restaurante no piso de cima e ainda uma sala privada para jantares de grupo. O caBARé convida o público a petiscar no restaurante, depois para beber um copo e, ainda, apanhar ar fresco na esplanada. A ementa contém, principalmente, pratos de cozinha tradicional portuguesa com um toque moderno, como o bitoque de atum à Portuguesa (servido com ovo a cavalo e batata frita), o bacalhau confitado com puré de grão de bico e chutney de cebola, ou ainda o tradicional tornedó com molho mirandês. Pode também encontrar-se pratos como o risotto de rabo de boi, magret de pato com aromas quentes e laranja ou polvo em tempura com arroz caldoso de coentros. No caBARé é possível provar o salmão curado com whiskey e tostas com puré de abacate, açorda de ovas e bacalhau ou favada de lulas com chouriço alentejano, entre outros. A lista de bebidas também é extensa, nomeadamente, com sangria de vinho branco com maçã e canela ou os mojitos. O local está aberto todos os dias, exceto ao domingo.


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Puro 4050

Largo de São Domingos, nº 84 Telefone: 222 011 852 Situado no coração da cidade, o Puro 4050 é o primeiro mozzarella bar do Porto. Assim sendo, e como o nome indica, pretende juntar a mozzarella aos vegetais, aos patés e a vários tipos de carne. A primeira escolha dos clientes recairá sobre o tipo de mozzarella que pretende. Existe a tradicional, fumada, entrançada (ou treccia), bocconcini (em pequenas bolas), ou a famosa burrata. Depois de escolhida a mozzarella, podem escolher-se acompanhamentos como o queijo presunto de Parma, bresaola, húmus, tártaro de novilho com maionese de alho negro, azeitona galega com tomilho e limão. As sugestões do chef passam pelo carpaccio tradicional com bocconcini e pesto fresco, creme frio de tomate com burrata, azeite e manjericão, ou curgete laminada com mozzarella fumada, compota de pimentos e pêra cozida. A ementa tem também outras opções clássicas italianas, como as focaccias frias e quentes, as massas e os risottos. O Puro 4050 está aberto de segunda a quinta-feira, das 12h30 às 15h e das 18h30 às 23h. Às sextas e sábados está aberto até às 23h30.


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Conversas Vadias Rua do Comércio do Porto, nº128 Telefone: 22 324 4658 O ‘Conversas Vadias’ junta na mesma mesa uma fusão entre a comida portuguesa e a japonesa, num piso de um edifício onde morou o apresentador de televisão dos anos 90, Agostinho da Silva. A carta do local divide-se em capítulos, da introdução aos petiscos — servidos em duas doses, pequena ou média — às bebidas. Assim, podem encontrar-se ofertas como a ceviche, o húmus de abacate, o takoyaki tuga – polvo frito à japonesa com um toque português de sardinha ou chouriço –, a salada de pepino e, também, a famosa bifana preparada com soja e com saquê. Para acompanhar, há uma seleção de vinhos de pequenos produtores, que podem ser bebidos a copo ou a garrafa. O ‘Conversas Vadias’ está fechado aos domingos. Nos restantes dias está aberto das 12h às 23h.


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Fábrica nº2 Rua de José Falcão, nº2 Telefone: 22 322 3485

O Fábrica nº2 abriu portas em julho deste ano e trouxe até à Baixa do Porto vários tipos de espetadas, idealizadas por Nélson Biel. Na ementa deste espaço podem encontrar onze opções de espetadas – todas grelhadas, exceto uma. A especialidade vem sempre nos ‘pauzinhos de madeira’ e os preços variam entre os 3,5 euros e os 6,90 euros. A espetada de carpaccio de novilho e queijo parmesão, a de frango com jalapeño ou a de novilho e fubá são alguns dos exemplos que se podem pedir. Há ainda espetadas com queijo e uma pensada para vegetarianos, com courgete, tofu, cogumelos Paris e tomates cherry. Para sobremesa, mais uma espetada, a de frutas. Cada uma é servida com diferentes molhos. Com a de salmão e camarão, recomenda-se o satay tailandês. Já a de novilho e fubá pede o molho tártaro. Se a recomendação não lhe agradar, pode optar pelas outras opções, como o de caril, iogurte e aioli negro. E caso prefira deixar de lado as espetadas, pode pedir um dos tártaros — de carne ou de salmão e atum — ou o hambúrguer com cebola caramelizada. A Fábrica nº2 está aberta de segunda a quinta-feira, das 12h às 23h. Às sextas e sábados fecha apenas às 24h.


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O Diplomata Rua de José Falcão, nº32 Telefone: 960 188 203

‘O Diplomata – Coffee, Food & Drinks’ é um novo espaço no Porto, que oferece uma decoração simples e, simultaneamente, vintage. Na ementa pode encontrar-se uma variedade de pratos simples e leves. As panquecas e os diferentes menus de ‘brunch’ são algumas das maiores atratividades deste local. O espaço está organizado de uma forma pitoresca e mistura várias mesas de jardim, com sofás de pele e mesas contemporâneas. As paredes estão decoradas com diferentes tipos de peças. A ementa contém vários tipos de tostas, saladas, hambúrgueres e uma grande variedade de panquecas. As tostas podem ser de pasta de ovo, presunto, delícias do mar ou, por exemplo, frango. Já as saladas podem ser de mozzarella, presunto ou de atum. Na lista de hambúrgueres podem encontrar-se o “diplomático”, o “double diplomático” ou então um “hot dog”. As panquecas podem ser simples, ou acompanhadas com nutella, banana e mel, creme de banana e bolacha de oreo, leite condensado e frutos silvestres, entre outros ingredientes. Os batidos de diferentes aromas podem também ser uma opção. ‘O Diplomata’ está fechado às quartas. Ao domingo encontra-se aberto das 10h às 20h e nos restantes dias encerra às 19h.


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Largo São Domingos, nº96 Telefone: 22 203 4153 O Prégar foi idealizado pelos sócios e amigos Ricardo Carvalho, Francisco Antunes, José Carlos Ortigão e Bernardo Flores, que quiseram criar um espaço multifacetado, onde se pode almoçar, jantar ou ‘picar umas entradas’, acompanhado de um bom vinho ou cocktails, a qualquer hora do dia. A decoração do restaurante, que ficou a cargo do decorador Paulo Lobo, destaca-se pelas dezenas de caixas de madeira com mais de 50 anos e pelos mosaicos, cortados num pequeno ladrilhado que forram o chão e uma das paredes. No piso inferior do espaço, uma parede é forrada com folhas de madeira de Austrália, opondo-se um espelho na parede oposta. A ementa é variada, mas os pregos e os hambúrgueres destacam-se. O prego de lombo é rei e pode ser pedido a opção clássica (queijo e fiambre) ou outra com queijo da serra, sendo sempre acompanhas com batata frita em palito. Na carta pode-se encontrar, ainda, um prego de picanha, um de mostarda, um de atum e um vegetariano. Os hambúrgueres simples ou mexicanos (em que não falta guacamole) fazem também parte da oferta. Rolinhos de courgete com salmão e ricotta, nachos com guacamole ou uma tábua de queijos são ainda alguns dos petiscos que se podem pedir para entrada. O Prégar está aberto todos os dias, das 12h às 24h, excetuando às terças.


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PROGRAMAS ‘AZUIS E BRANCOS’ COM ALGUMAS MUDANÇAS O PORTO CANAL ESTÁ A REMODELAR A GRELHA DE PROGRAMAS RELACIONADOS COM O FC PORTO. ESTA NOVA ALTERAÇÃO NA PROGRAMAÇÃO, QUE INCLUI UMA MAIOR DIVERSIDADE DE CONTEÚDOS E MAIOR TEMPO DE TRANSMISSÕES, PRETENDE SER GRADUAL, PARA QUE OS TELESPECTADORES SE SINTAM CÓMODOS COM AS ALTERAÇÕES. O PORTO CANAL QUER, TAMBÉM, CRIAR MAIORES LAÇOS DE INTIMIDADE E MAIOR PROXIMIDADE COM OS ADEPTOS E SIMPATIZANTES “AZUIS-BRANCOS”. Texto: Raquel Andrade Bastos Fotos: Carolina Barbot

A grelha de programação do Porto Canal, que naturalmente sofre mudanças pontuais, vai, desta vez, alterar os conteúdos ligados ao FC Porto, mantendo algumas rubricas e apresentando algumas novidades. Segundo Rui Cerqueira, o agora diretor de conteúdos do FC Porto do canal, esta mudança acontece numa altura de maior maturidade da estação televisiva. Haverá uma maior diversidade de conteúdos dentro dos horários dedicados, em exclusivo, ao clube portista, com maior número de transmissões em direto e programas diferenciados. “Tudo isto feito de forma gradual, vamos acrescentando novidades, para que as pessoas sintam que estão na mesma envolvência”, refere Rui Cerqueira. Durante os fins de semana, os conteúdos serão, sobretudo, dedicados às transmissões de jogos das diferentes modalidades. Começam de manhã com os jogos das equipas B e depois de outros escalões. Também voltará a revista semanal, que tem como objetivo recordar aos telespectadores o


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que passou na semana desportiva anterior. Aos fins de semana há, também, os espaços dedicados aos ‘pré’ e ‘pós’ jogo, a que se seguirá um programa de análise com comentadores diversificados, que vão observar o jogo após as entrevistas dos jogadores, do treinador e da análise à arbitragem. “Será uma visão global, para além da análise técnica que foi feita a seguir ao jogo”, refere Rui Cerqueira. Durante toda a semana vão existir

ainda dois espaços de informação – “Flash Porto –, às 12h30 e às 18h30 e o “Universo Porto”, sempre às 21h, com rubricas e temas distintos. O início da semana, às segundas, será marcado pelo rescaldo daquilo que aconteceu no fim de semana. “Um programa de uma hora e meia que incluirá, essencialmente, uma análise e debate sobre a equipa A de futebol”, explica o responsável. Este espaço dedicar-se-á à parte

desportiva, com a presença de comentadores, como Cândido Costa, Paulo Miguel Castro ou Bernardino Barros, que vão fazer a análise tática do jogo. Às terças, a programação, segundo Rui Cerqueira, vai centrar-se mais na questão conjuntural, ou seja, será um espaço de debate mas em que ‘as questões políticas do futebol’ estarão em destaque, depois de já se ter analisado a parte técnica”. A meio da semana, à quarta-feira,


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haverá, mensalmente, o Fórum de Treinadores, que contará com a presença dos três treinadores das modalidades nucleares do clube, excetuando o futebol. Neste espaço, as conversas entre os treinadores vão ser as protagonistas, com partilha de experiências e troca de opiniões. As restantes quartas-feiras vão dedicar-se às transmissões de todas as modalidades do FC Porto, em que se abordará as regras e se falará dos protagonistas das

diferentes áreas. Um espaço de entrevistas exclusivas feitas, quinzenalmente, aos jogadores da equipa principal de futebol do FC Porto ou a grandes figuras do clube está guardado para as quintas-feiras. Rui Cerqueira afirma que este espaço contará, principalmente, com a presença de atletas, mas que poderá ser também com a participação de um adepto ou de um antigo jogador. Nas outras quintas, o Porto Canal

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passará uma grande reportagem de Ricardo Amorim, nomeadamente “Portistas no Mundo” ou “Mundo Azul e Branco”, “que já estão enraizadas”. Esta reportagem passará a ter uma abordagem mais histórica, com a lembrança de momentos importantes do clube, como um jogo, uma época ou um golo. “Vamos dar espaço a novas dinâmicas”, garante o responsável pelos conteúdos. O “Universo Porto” das sextas-feiras será uma antevisão daquilo que vai acontecer no fim de semana e contará sempre com a presença de um comentador analítico e de diferentes convidados. Assim, este espaço quer “explicar aos adeptos como é que a equipa adversária joga, de forma a enquadrá-los na partida e naquilo que poderá acontecer durante o jogo”. Além destes novos conteúdos diários, o Porto Canal vai incluir algumas novas rubricas nos programas. Rui Cerqueira explica que haverá “rubricas especiais”, nomeadamente acompanhar durante uma semana inteira um protagonista (que poderá ser um jogador ou um dirigente), de modo a mostrar ‘lá em casa’ como é que é o quotidiano de alguém do clube. Rui Cerqueira destacou, ainda, que o Porto Canal é um canal generalista que serve a região e o país, mas que é também um canal que serve o FC Porto e os seus adeptos. Assim sendo, esta dinâmica na grelha de programas pretende mostrar mais daquilo que é o “mundo do clube” e “as suas opiniões”. “Queremos que as pessoas saibam que para saberem algo sobre o FC Porto basta ligarem o Porto Canal”. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2016


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“O Porto ergue-se em anfiteatro sobre o esteiro do Douro e reclina-se no seu leito de granito. Guardador de três províncias e tendo nas mãos as chaves dos haveres delas, o seu aspecto é severo e altivo, como o de mordomo de casa abastada.” Alexandre Herculano


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sugestões culturais HÉLDER PACHECO LANÇOU LIVRO SOBRE ADEGAS E TABERNAS DO PORTO O historiador Hélder Pacheco lançou a sua mais recente obra “Porto: adegas, tabernas e casas de pasto”. Nesta incursão pela cidade do Porto, o autor afirma que “este não pretende ser um livro apenas sobre os tascos do Porto, nem um itinerário gastronómico ou um repositório de estabelecimentos pitorescos para usufruto de certas franjas da classe média”. Em suma, “Porto: adegas, tabernas e casas de pasto” não é ‘nenhuma espécie de culto em tempos de perda. Não - é outra coisa. Ao leitor caberá ver, e ler...’ O livro é da editora Afrontamentos e já se encontra nas livrarias.

MENDO GALERIA APRESENTA EXPOSIÇÃO COLETIVA Até ao dia 7 de janeiro de 2017 a Mendo Galeria, na Foz do Porto, apresenta uma exposição coletiva de arte contemporânea. Nesta mostra pode-se encontrar um conjunto de obras representativo de uma nova geração da arte contemporânea e apreciar os trabalhos de Hugo Canoilas, Amaral, Pedro Tropa, Thierry Simões, Isabel Ribeiro, do holandês Willem Wisemann e do consagrado José de Guimarães. A Mendo Galeria fica situada na Rua do Crasto, n.º 58, na Foz, e está aberta ao público de terça a sexta-feira, das 12h30 às 20h, e aos fins de semana, das 15h às 20h.


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CASA DA MÚSICA RECEBE CONCERTO DE MARTA REN & THE GROOVELVETS Marta Ren & The Groovelvets sobem ao palco da Casa da Música, no Porto, no dia 9 de dezembro. Presente na mais inconformada música nacional há mais de 15 anos, Marta Ren afirmou o seu talento primeiro nos Sloppy Joe e depois nos Bombazines. No disco “Stop, Look and Listen”, que recebeu as melhores críticas da imprensa internacional especializada, a soul é transversal aos treze temas, passando pelo groove funk de “Release Me” e ainda pelo peso insustentável da balada beat “So Long”. Este ano já pisou palcos de países como França, Espanha ou Inglaterra e, em janeiro, continuará com a digressão e subirá ao palco do famoso Eurosonic, em Groningen, na Holanda. Os bilhetes custam 12 euros.

TNSJ ACOLHE ESTREIA DO ESPETÁCULO DE DANÇA “CLIMAS” O Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto, recebe no dia 8 de dezembro a estreia de “Climas”, da companhia Circolando. Com “Climas”, a companhia regressa a um palco convencional, lugar fechado e climatizado, espécie de estação meteorológica ou laboratório de formas artísticas a partir do qual se pode cumprir o desígnio goethiano de “reintegrar o céu na paisagem humana”. Desta forma, André Braga e Cláudia Figueiredo tomam como ponto de partida para esta peça, a obra “Diário das Nuvens”, onde Goethe defende a ideia de que a observação atenta da natureza poderá desenvolver no homem uma outra forma de lucidez. “Climas” desafia, assim, o potencial performativo destes diálogos felizes entre a poesia e a meteorologia. A peça junta no mesmo palco o teatro e a dança, o som e o vídeo. “Climas” está em cena até ao dia 18 de dezembro. Os bilhetes custam 12 euros. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2016


CÂNDIDO LIMA APRESENTA-SE NO RIVOLI Cândido Lima, compositor, pianista, organista, professor, cronista, crítico, divulgador e ensaísta, sobe ao palco do Teatro Municipal Rivoli, no dia 16 de dezembro. Pioneiro em Portugal da música por computador, Cândido Lima foi o primeiro compositor português a utilizar em simultâneo, entre outros meios, o computador, a eletroacústica e uma orquestra. Doutorado pela Universidade de Paris I - Sorbonne, estudou composição com Xenakis, Stockhausen, Ligeti, Pousseur e Boulez e direção de orquestra com Gilbert Amy e Michel Tabachnik. Cândido Lima é, atualmente, professor de composição na Escola Superior de Música do Porto e diretor do Grupo Música Nova. Agora, o artista regressa ao Rivoli para reinterpretar uma das suas composições mais celebradas (Oceanos). O bilhete para o espetáculo custa 5 euros.


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ADRIANA CALCANHOTO LEVA O ESPETÁCULO “DAS ROSAS” À CASA DA MÚSICA A Casa da Música recebe no dia 5 de fevereiro o concerto “Das Rosas”, da artista brasileira Adriana Calcanhoto acompanhada pelo guitarrista e diretor artístico da Orquestra Sinfónica do Estado de São Paulo, Arthur Nestrovski. Criado para o encerramento das comemorações do 725º aniversário da Universidade de Coimbra, o espetáculo “Das Rosas” leva-nos numa viagem pela poesia e música de Portugal e do Brasil. A cantora brasileira junta-se ao guitarrista Arthur Nestrovski para percorrer os textos de figuras como Camões, Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes, Dorival Caymmi, Tom Jobim ou Chico Buarque, mas também uma cantiga de amor de D. Dinis. O preço dos bilhetes é de 25 euros.

BAILADO “QUEBRA-NOZES” PROMETE ENCANTAR O COLISEU Este Natal, a Classic Stage apresenta o espetáculo que vai marcar a temporada, o bailado “Quebra-Nozes” – um conto tradicional da época - que vai encher de magia o Coliseu do Porto, no dia 5 de janeiro. O espetáculo clássico contará com a interpretação da aclamada e prestigiada companhia de ballet, Russian Classical Ballet, de Moscovo, liderada por Evgeniya Bespalova e composta por um elenco de estrelas do ballet russo. Baseado no conto “Quebra-Nozes e o Rei dos Ratos”, de E. T. A. Hoffmann, o bailado conta-nos a história de uma menina que sonha com um príncipe – o Quebra-Nozes. Numa feroz batalha contra o Rei dos Ratos, Quebra-Nozes encontra-se em grave perigo. Clarinha, vencendo os seus próprios medos, entra nesta batalha e lança o seu sapatinho aniquilando a terrível criatura e quebrando o feitiço. A composição de ”Quebra-Nozes” perpetuou o génio de Pyotr Tchaikovsky, visível na partitura de melodias como a “Dança da Fada do Açúcar” e “A Valsa das Flores”. Os bilhetes para o espetáculo custam entre 15 e 33 euros.

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Uma obra anunciada há trinta anos O icónico e histórico Mercado do Bolhão, no Porto, vai sofrer uma profunda remodelação nos próximos três anos. Com um projeto arquitetónico que salvaguarda a traça original do edifício, é estimado que o “novo” mercado esteja concluído em meados de 2019. O investimento previsto para a empreitada global do mercado portuense, cujas obras já se iniciaram no subsolo, ronda os 27 milhões de euros. Texto: Raquel Andrade Bastos Fotos: Carolina Barbot e CMP


MERCADO DO BOLHÃO

As origens do Mercado do Bolhão remontam aos anos 30 do século XIX e hoje já ninguém consegue dissociar a cidade do Porto do seu mercado mais genuíno. É visitado por muitas centenas de pessoas todos os dias mantendo sempre os seus traços característicos que se confundem com a alma tripeira, alegre, atrevida e profundamente popular. Nos próximos dois anos e meio, segundo a autarquia, o Bolhão vai passar por um

processo de reformulação. No entanto, o projeto do arquiteto Nuno Valentim promete ser conservador, mantendo a traça original, preservando o mercado de frescos e aumentando o conforto dos comerciantes - que ali estão há anos - e dos seus visitantes. A intervenção, que teve início em agosto, vai dar destaque a soluções tecnológicas atuais, privilegiar a segurança humana e alimentar, assim como melhorar e modernizar as re-

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des de eletricidade, os esgotos e o aquecimento. O edifício, de acordo com o projeto apresentado pelo autarca Rui Moreira em 2015, terá coberturas no piso inferior, acesso direto ao metro e uma cave técnica que permite cargas e descargas a partir da rua Alexandre Braga. O piso superior do mercado, com entrada pela rua Fernandes Tomás, vai manter a parte comercial e instalar diferentes estabelecimentos de restauREVISTAVIVA, DEZEMBRO 2016


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ração. Segundo as maquetes, que não preveem estacionamento, o Bolhão vai ganhar uma cobertura em vidro no piso térreo, onde ficará instalado o mercado de frescos, os talhos e as peixarias. A nova cobertura, que terá características térmicas, vai permitir controlar a temperatura e a ventilação do espaço. As bancas dos comerciantes vão mudar, mas as novas serão uma reinterpretação das que atualmente existem, apenas com diferentes materiais. O projeto mostra, também, que as lojas do exterior não vão ter reclames luminosos, mas sim toldos. As cortinas

que as vendedoras de fruta e legumes correm, no piso superior, para proteger os seus produtos do sol, vão continuar também por ali, apesar de estar previsto que venham a proteger as pessoas que se instalem nas esplanadas dos restaurantes que devem nascer na ala Sul deste piso. Na ala Norte, de acordo com o responsável pelo projeto, ficarão “estruturas polivalentes que tanto podem receber mercados sazonais como atividades de outra natureza”. Segundo o responsável pelo projeto, a requalificação do Bolhão será realizada com cuidados absolutos. Rui Moreira considera que o


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projeto do Mercado do Bolhão tem “uma dimensão de arquitetura, económica, cultural, turística e humana que ultrapassam, até, qualquer entendimento técnico”. O mais emblemático mercado do Porto é suportado atualmente, e desde 2005, por andaimes, devido a um possível

risco de ruína. O seu encerramento chegou a ser uma possibilidade, mas a contestação dos comerciantes impediu que isso acontecesse. Passados vários anos, o projeto do Mercado do Bolhão saiu do papel e promete dar uma nova vida ao local. Para já, os comerciantes ainda per-

manecem no mercado, uma vez que as obras iniciais contemplam apenas o sistema de canalização. No próximo ano, e depois de lançado o concurso para a subconcessão da obra, a autarquia já anunciou que os comerciantes vão mudar-se para o Centro Comercial La Vie, decisão muito contestada.


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REVOLUÇÃO NA BAIXA VAI MELHORAR VIDA DE MORADORES E ATRAIR MAIS PESSOAS A BAIXA DE MATOSINHOS VAI SOFRER UMA PROFUNDA INTERVENÇÃO NOS PRÓXIMOS MESES. A EMPREITADA PRETENDE REQUALIFICAR O ESPAÇO PÚBLICO DE UMA ZONA, QUE POR CONCENTRAR A FAMOSA INDÚSTRIA DE RESTAURAÇÃO DA CIDADE, É IMPORTANTE PARA O TURISMO MAS TAMBÉM PARA A DINAMIZAÇÃO ECONÓMICA DO CONCELHO. A RUA HERÓIS DE FRANÇA, A AVENIDA SERPA PINTO E AS ROTUNDAS DESTA ÚLTIMA E DA AVENIDA DA REPÚBLICA SERÃO OS ALVOS DA INTERVENÇÃO QUE CUSTARÁ À AUTARQUIA CERCA DE 1,5 MILHÕES DE EUROS. Fotos: Francisco Teixeira/CMM

Com início neste mês de dezembro, a revolução na baixa matosinhense deverá durar seis meses e tem como objetivo melhorar a qualidade de vida dos visitantes, mas também dos seus moradores. Deste modo, depois das obras as ruas que vão ser intervencionadas ficarão com passeios mais largos e arborizados e zonas próprias para esplanadas dos restaurantes. Esta última característica ganha destaque, uma vez que estas estruturas exteriores terão um modelo uniforme em todos os estabelecimentos, com grelhadores de peixe ecológicos, com filtros de fumo, que irão melhorar o aspeto geral da zona e, ainda, trazer benefícios

para aqueles que ali moram. A Avenida Serpa Pinto, uma das artérias mais importantes de Matosinhos pela sua localização, extensão e perfil, e um dos principais eixos da Quadra Marítima, foi nos últimos anos invadida por um enorme fluxo de tráfego automóvel, relegando para os peões e para os comerciantes umas pequenas faixas laterais. Assim sendo, a empreitada agora proposta quer alterar esta situação, potenciando a economia local e acalmando o trânsito com a redução da velocidade sem recurso a semáforos. Desta forma, o alargamento dos passeios para dimensões que comportem a colocação de esplanadas e de todos os sistemas

expositivos publicitários que os comerciantes necessitem é um dos pontos que constituem o plano, que prevê deixar livres duas faixas de circulação automóvel. Os estabelecimentos comerciais poderão, ainda, utilizar a frente do passeio para expor os seus produtos. Também haverá faixas de estacionamento de cada um dos lados da Avenida Serpa Pinto. De modo a acalmar o tráfego automóvel, as obras preveem a construção de três sobrelevações nos cinco cruzamentos que a avenida tem. A Rua Heróis de França, que faz parte da identidade de Matosinhos, e que concentra uma grande número dos estabeleci-


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mentos detentores da chancela municipal “Mar à Mesa” atribuída aos restaurantes especializados na confeção de peixe e marisco, também está contemplada pelas obras que serão realizadas de modo faseado, de forma a não criar problemas no normal funcionamento do trânsito e no quotidiano dos moradores. As obras nesta rua, que também serve de residência ou que se constitui, ainda, como serventia do Porto de Pesca da cidade,

incidem sobretudo nos arruamentos que apresentam uma manifesta imagem de degradação, quer pelo mau estado de conservação dos pavimentos quer pela desorganização dos usos praticados nos espaços exteriores. A circulação e o estacionamento irregular, a profusão de esplanadas com imagens variadas e pouco qualificadas, a confeção de refeições ao ar livre e a generalizada acumulação de resí-

duos de peixe são alguns dos principais aspetos desta zona de Matosinhos que o projeto interventivo quer alterar. A empreitada abarca, ainda, um espaço ajardinado marcado pelo zimbório do Senhor do Padrão (século XVIII), com relevância cultural e potencial de valorização ambiental. O espaço poderá ser um fator de coesão urbana, prolongando o passeio público de frente d’água da Avenida General Norton de Matos – de-


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senhado pelo arquiteto Eduardo Souto Moura – e molhe sul do Porto de Leixões até à Heróis de França, articulando-se diretamente ao cais fluvio-marítimo para embarcações do Douro e o edifício do Terminal de Cruzeiros de Leixões. As rotundas de remate da Rua Heróis de França, que incluem o espaço da rotunda de articulação da Avenida Engenheiro Duarte Pacheco com a Avenida Serpa Pinto, a Rua de São Pedro e a viela de articulação com a Avenida Serpa Pinto, o segmento da Rua do Godinho a poente da Heróis de França e a articulação da Avenida Norton de Matos com a Avenida da República, também fazem parte da revolução que acontecerá nestes próximos meses. O perfil destes espaços que constituem importantes rótulas de articulação urbana, assim como serventias ao recinto portuário, serão reorganizados e reabilitados, devido ao estado de degradação em que se encontram. Assim, a estruturação urbanística, a valorização ambiental, o conforto dos usuários dos espaços e a boa circulação de automóveis e de veículos pesados estão garantidas na intervenção que será executada faseadamente para que possa continuar a circulação automóvel, o acesso de pessoas e a realização de cargas e descargas. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2016


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PARANHOS JÁ EVITOU O DESPERDÍCIO DE MAIS DE 10 TONELADAS DE ALIMENTOS A FREGUESIA DE PARANHOS CONSEGUIU, NESTE ÚLTIMO ANO, DISTRIBUIR MAIS DE DEZ TONELADAS DE ALIMENTOS E AJUDAR, DESTA FORMA, CERCA DE 125 AGREGADOS FAMILIARES. O PROGRAMA “ZERO DESPERDÍCIO” É O RESPONSÁVEL POR ESTE COMBATE AO DESPERDÍCIO ALIMENTAR E À SOLIDARIEDADE E JÁ CONSEGUIU, A NÍVEL NACIONAL, OFERECER MAIS DE TRÊS MILHÕES DE REFEIÇÕES, NUM TOTAL DE QUASE NOVE MILHÕES DE EUROS E BENEFICIANDO CERCA DE 2500 FAMÍLIAS. Fotos: JF Paranhos

Paranhos é neste momento a única freguesia do Norte de Portugal a participar na iniciativa “Zero Desperdício”, cujo lema passa por “Não se pode deitar Portugal ao Lixo”. O objetivo deste projeto, que funciona em Paranhos há cerca de um ano, passa por desafiar as comunidades a não desperdiçar alimentos que possam ajudar famílias mais carenciadas. “Zero Desperdício” é uma iniciativa da associação Dariacordar

que começou, há quatro anos, a promover a recuperação de excedentes alimentares de cantinas, refeitórios, hotéis, restaurantes e supermercados, e que estando em boas condições possam ser consumidos por pessoas carenciadas, cumprindo todas as normas de higiene e segurança alimentar. Em Portugal, esta doação de alimentos era, até há algum tempo, proibida. No entanto, a vontade de António Costa,

presidente daquela associação, acabou por sensibilizar a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), que reinterpretou a legislação e acabou por aprovar o início do projeto. Assim, a iniciativa, que conta já com mais de 500 voluntários em todo o país, continua a aproveitar bens alimentares (que não estão em contacto com o público, com prazo de validade próximo ou que não saem das cozinhas das instituições) que,


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Utilização Comum dos Hospitais - cantina do Hospital de S. João). A Junta de Freguesia de Paranhos continua disponível para receber todas as ajudas que vierem de novos doadores, distribuindo diretamente ou através das IPSS’s locais às famílias mais carenciadas de Paranhos.

de outra forma, acabariam no lixo e não ajudariam os mais carenciados. Implementado em vários Municípios do País, o projeto “Zero Desperdício” na freguesia de Paranhos está para ficar e tem já vários doadores de alimentos, entre os quais se destacam os

Serviços de Ação Social da Universidade do Porto (Unidade Alimentar de Engenharia); o Grupo Jerónimo Martins (Loja Pingo Doce de Salgueiros - Hernâni Torres); o Grupo Sonae (Loja Continente das Antas); a Confeitaria Doce Alto (Carvalhido) e a empresa SUCH (Serviço de

Ajuda Permanente a Idosos Além da iniciativa de combate ao desperdício alimentar, a Freguesia de Paranhos oferece, ainda, à população idosa residente, que se encontre sozinha, a Teleassistência. Este projeto, que já beneficia 50 pessoas, disponibiliza um equipamento que permite aos cidadãos manterem o contacto permanente com um serviço de assistência especializada na área da saúde, que funciona todos os dias do ano, 24 horas por dia. REVISTAVIVA, DEZEMBRO 2016


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ENCANTO E MAGIA NO “NATAL NA PRAÇA” A MAGIA DO NATAL PROMETE FAZER DO CORAÇÃO DA CIDADE DE SANTO TIRSO UM VERDADEIRO ESPAÇO DE ENCANTAR. PARA ASSINALAR ESTA QUADRA FESTIVA, A CÂMARA MUNICIPAL DE SANTO TIRSO TEM PREPARADO UM CONJUNTO DE ATIVIDADES GRATUITAS, QUE CONVIDAM À DIVERSÃO DE MIÚDOS E GRAÚDOS. O “NATAL NA PRAÇA” DECORRE DE 16 DE DEZEMBRO A 1 DE JANEIRO, NA PRAÇA 25 DE ABRIL, E ENTRE AS MUITAS ATRAÇÕES, CONTARÁ COM UMA PRESENÇA IMPRESCINDÍVEL: O SAUDOSO PAI NATAL. C

MIL VOLTAS NO CARROSSEL E UMA VISITA À CASA DO PAI NATAL A abertura do “Natal na Praça”, evento dinamizado pela Câmara de Santo Tirso em colaboração com diversas instituições do concelho, está marcada para o dia 16 de dezembro, pelas 14h. Este ano, todos são convidados a dar mil e uma voltas num Carrossel mágico, saído do reino da fantasia! A cor, o brilho e a diversão prometem acelerar o coração dos mais pequenos para um encontro muito especial: o Pai Natal estará

à espera num verdadeiro mundo de sonho, um cantinho quente, acolhedor, cheio de presentes e histórias, onde todos poderão formular os seus desejos de Natal e tirar fotografias, para mais tarde recordar! E como do cheirinho a doces também se faz esta quadra festiva, nada como um espaço onde crianças e adultos possam aprender e experimentar alguns “truques” sobre gastronomia e decorações de Natal. A “Cozinha da Maria” é para cheirar, confecionar e provar!

CASCATA DE NATAL E BRINCADEIRAS AO AR LIVRE Mas o “Natal na Praça” tem muito mais para descobrir! O Pátio das Oficinas convida os mais pequenos a pôr mãos à obra. Neste espaço, brincar, desenhar e construir são palavras de ordem, onde a imaginação vai funcionar e as surpresas vão acontecer! E como Natal sem música não é Natal, o Cantinho dos Reis Magos junta às diferentes atrações um conjunto de várias atividades, que passam não só pelas canções, mas tam-

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bém pela dança, cinema, teatro, HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO magia e ilusionismo. E quem não gosta de saltar, de No dia de arranque do “Natal escorregar e de se divertir? Para na Praça”, todas as atrações isso haverá especialmente uma natalícias funcionarão entre as zona de Recreio, o espaço ideal 14h e as 19h. De 17 a 23 de depara muitas travessuras, com zembro e de 26 a 30 de dezeminsufláveis para saltos mirabo- bro, as diferentes atividades lantes e outras surpresas. Os terão lugar entre as 10h e as 19h. graúdos podem trazer as crian- Na véspera de Natal, os locais ças ou a criança que há em si! mágicos estarão ao dispor dos Este ano, o ambiente natalício de visitantes entre as 10h e as 16h, Santo Tirso estará ainda repre- estando encerrados no dia de sentado numa Cascata de Natal. Natal. No último dia do ano, Os visitantes serão convidados o “Natal na Praça” funcionará a conhecer de perto os edifícios entre as 10h e as 16h. O evento emblemáticos da cidade, retraabre 2017 com muita animação, tados em miniatura mas alusivos com atividades a decorrer entre à mais grandiosa paisagem que as 14h e as 19h. A entrada é miec_mn_imprensarevistavivaporto_15x11,2cm.pdf 1 14/11/16 a cidade tem para oferecer. gratuita.

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EXPOSIÇÃO DE PRESÉPIOS Paralelamente ao “Natal na Praça”, a autarquia tem ainda preparada uma Exposição de Presépios, em parceria com a Confraria do Caco, que estará patente ao público na Galeria Átrio, nos Paços do Concelho, até 2 de janeiro. Ao todo, são cerca de 200 presépios, alusivos a todo o território nacional, concebidos a partir de diferentes materiais e com recurso a múltiplas técnicas. À exposição junta-se ainda uma valiosa Coleção de Telegramas, correspondência trocada entre militares e familiares durante o período da Guerra do Ultramar, e ainda uma extraordinária Coleção de Livros sobre o tema Presépios. 18:02 A entrada é gratuita.

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H U M O R

ahahahah

Ia uma lula e um espargo na rua. O espargo pisa a lula e esta diz: - Espargo ou quê? Diz o espargo: - Calula! Então e o Setter irlandês?? Estava todo feliz numa esquina a roer um osso… Quando se levantou só tinha 3 patas! Estava uma tartaruga numa festa quando chega o rei leão e a manda comprar água. Passados dois anos, a tartaruga chega e pergunta: Com ou sem gás?

- Dizes então que o teu cão é muito inteligente. - Sim, sim, muitíssimo. Basta que lhe diga: vens ou não vens? E ele… vem… ou não vem!

Um dia estavam duas rãs ao lado de um lago. Começou a chover e uma disse para a outra: - Olha, está a começar a chover, é melhor irmos para o lago antes de ficarmos molhadas… Estavam duas vacas a pastar num prado. De repente, vira-se uma e diz: - Muuuuuuuuuummmmm! E diz a outra: - Tiraste-me as palavras da boca…

Pergunta o filho camelo: - Pai, porque temos duas bossas? - São reservas de água para longas travessias no deserto. - Pai, porque temos umas pestanas tão grandes? - São uma proteção para as areias do deserto não nos entrarem nos olhos. - Pai, porque temos umas patas tão grandes? - Para não nos enterrarmos na areia quando atravessarmos o deserto. - Pai, porque temos isso tudo… se estamos no jardim zoológico? - O meu cão perdigueiro é tão extraordinário que, a um quilómetro de distância, sabe logo que sou eu. Que me dizes a isto? - Que te devias lavar mais vezes!


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