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+ UM PALCO ALI NA ESQUINA: INDEPENDENTES GANHAM AS RUAS E MULTIPLICAM SEUS FÃS + COMO CRIAR UM CANAL CAMPEÃO (E FAZER DINHEIRO) NO YOUTUBE + CARLOS COLLA, MARCEL KLEMM, LINIKER, GRUPO MAMBEMBE, BIQUINI CAVADÃO

REVISTA DA UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES #31 / FEVEREIRO 2017

SÉCULO DO SAMBA NOSSO GÊNERO MAIS CÉLEBRE FESTEJA CEM ANOS DA SUA PRIMEIRA GRAVAÇÃO E SE REINVENTA PARA CONTINUAR A TRADUZIR A ALMA DO PAÍS


OS CONTEÚDOS MAIS POPULARES DO TRIMESTRE NO SITE DA UBC E NAS NOSSAS REDES SOCIAIS.

MAIS VISTO JOÃO BOSCO CANTA "NAÇÃO" goo.gl/aiZFSC

MAIS CURTIDA EDITORAS MUSICAIS: UMA OPORTUNIDADE A MAIS DE PARCERIA goo.gl/7uCNrK

TOPO DAS PARADAS > 16/01 Dez dicas para tirar o melhor das redes sociais goo.gl/1SKPnN > 16/11 Minha música tocou na rádio mas não recebi nada. O que aconteceu? goo.gl/7eXrPL > 19/10 Dez carreiras decisivas no mercado musical (para além da criação) goo.gl/zzMUrM > 12/12 STJ decide que retransmissoras de TV devem pagar direitos autorais, mesmo se o programa for da cabeça de rede goo.gl/tRgHfH

MAIS LIDA CARREIRA: CONSTRUINDO O PRESS KIT PERFEITO goo.gl/cNWhbD

VOCÊ VIU? DIA DO COMPOSITOR Grandes artistas dão depoimentos e comemoram a data. goo.gl/1pS3DX


+ PALAVRA CANTADA: DUAS DÉCADAS DE MÚSICA E EDUCAÇÃO

+ HUMBERTO TEIXEIRA: 100 ANOS DO “DOUTOR DO BAIÃO"

+ MATO GROSSO DO SUL, ESQUINA DE ENCONTROS SONOROS + FAGNER & ZÉ RAMALHO, MORENO VELOSO, CLAUS E VANESSA, ATAULPHO ALVES JÚNIOR

+ GAL: A VOZ CONTINUA A MESMA. O SOM, QUANTA DIFERENÇA… + NOCA DA PORTELA, ENGENHEIROS DO HAWAII, AVA ROCHA, ANGELO TORRES, DUDA BRACK

REVISTA DA UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES #24 / MAIO 2015

REVISTA DA UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES #21 / AGOSTO 2014

THALLES ROBERTO

+ DA VOLTA DO IRA! AO TRANSPORTE SUSTENTÁVEL, A CABEÇA A MIL DE EDGARD SCANDURRA

REVISTA DA UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES #26 / ANOVEMBRO 2015

+ SÃO PAULO, TERRA DE GAROA E DE ROCK

+ JOÃO BOSCO E TOQUINHO, DOIS MESTRES NO CLUBE DOS 70

+ UBC TEM NOVO DIRETOR-EXECUTIVO

+ UBC SE DESTACA NA PRIMEIRA DISTRIBUIÇÃO DE STREAMING

+ DJ HUM, ARNALDO ANTUNES, ROBERTA CAMPOS, MC SOFFIA

+ DADI CARVALHO, LETUCE, MC CAROL, ALBERTO CONTINENTINO, RENEGADO

REVISTA DA UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES #25 / AGOSTO 2015

REVISTA DA UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES #22 / NOVEMBRO 2014

+ REGGAE, RAGGA, DUB, DANCEHALL: O QUE MAIS QUE OS BAIANOS TÊM?

REVISTA DA UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES #27 / FEVEREIRO 2016

REVISTA DA UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES #28 / MAIO 2016

+ A MELHOR ESTRATÉGIA PARA LANÇAR SUA MÚSICA + CRISE IMPACTA DISTRIBUIÇÃO DE SHOWS + ALCEU&ELBA&GERALDO, CAZUZA, WADO, SCALENE

+ MARCO ANTÔNIO GUIMARÃES E A VIDA DEPOIS DO UAKTI + AUTORAMAS, CANDEIA, JACKSON DO PANDEIRO, GOFFI, ELVIS TAVARES REVISTAGUTO DA

REVISTA DA UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES #29 / AGOSTO 2016

UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES #30 / NOVEMBRO 2016

SANDRA DE SÁ

+ ARTISTAS PEDEM MELHOR REMUNERAÇÃO PARA 'STREAMINGS E VENDAS ON-LINE

QUANDO UMA

AOS 6 ANOS, JÁ ERA SOLISTA NO CORAL DA IGREJA. + FUNK BH, SURICATO, AOS 21, ABRAÇOU O MUNDO POP. AOS 36, É UM DOS MAIORES DO GUIDI FERREIRA, GOSPEL E O PRIMEIRO BRASILEIRO NA MÍTICA MOTOWN PINOCCHIO,

AGORA É A HORA

AOS 35 ANOS DE CARREIRA, A NOVA PRESIDENTE DA UBC ASSUME O LEGADO DE FERNANDO BRANT NA LUTA PELOS DIREITOS DOS AUTORES

+ NELSON MOTTA, 70 ANOS DE BOAS HISTÓRIAS

ADRIANO CINTRA

REVISTA DA UNIÃO GUILHERME BRASILEIRA DE ARANTES ME DÁ UM COMPOSITORES FÁBRICA DE SUCESSOS DINHEIRO AÍ #31 :FEVEREIRO 2017

RICA EM CANTORAS, NOSSA MÚSICA AINDA DEVE ÀS MULHERES MAIS ESPAÇO COMO COMPOSITORAS. SUELI COSTA (FOTO), ANA CAROLINA, ZÉLIA DUNCAN A UM PASSO DO ESPERADO SALTO INTERNACIONAL, E OUTRAS CRIADORAS FALAM DESSA LUTA

CANTADO

O MUNDO + FUNK, HIP HOP, DE ADRIANA CALCANHOTTO BATALHAS DE PASSINHOS: A BAIXADA FLUMINENSE ESTÁ EM ALTA

+ GOIÁS, TERRA DE PURO ROCK ’N’ ROLL + OS NOVOS ACORDOS COM OPERADORAS DE TV POR ASSINATURA

ANITTA COLHE OS FRUTOS DE UMA CONSTRUÇÃO DE CARREIRA POUCAS VEZES TÃO BEM PLANEJADA NO PAÍS

VALE MAIS QUE MIL IMAGENS

AGORA É QUE SÃO

EM TURNÊ COM 'OLHOS DE ONDA', ELA PREPARA SHOW DE MÚSICAS DE LUPICÍNIO, FAZ PEÇA INFANTIL COM ORQUESTRA SINFÔNICA E DÁ UM MERGULHO AINDA MAIS FUNDO NA POESIA

ELAS

+ ALCEU, 70 ANOS, MIL PROJETOS + BELÉM: TEM NOVIDADE APONTANDO PARA O NORTE + CHICO SCIENCE, LUÍS GALVÃO, FÁBIO STELLA, CLARICE FALCÃO

UM PAPO COM ILUSTRES LETRISTAS, QUE, SEM PALCO, FAZEM DE SUAS CRIAÇÕES LONGE AINDA DA PROMESSAA DE ENORMES LUCROS PARA OS CRIADORES, A ERA DOSTRABALHO STREAMINGS ENFRENTA DESAFIOS PARA TORNAR A DISTRIBUIÇÃO FORÇA DO SEU

+ SPOK FREVO ORQUESTRA, MALLU E CAMELO, ADRIANA CALCANHOTTO, JOHNNY HOOKER, MARIA BETHÂNIA

MAIS JUSTA. AUTORES, ESPECIALISTAS E EMPRESÁRIOS DISCUTEM A QUESTÃO

EDITORIAL

+ UM PALCO ALI NA ESQUINA: INDEPENDENTES GANHAM AS RUAS E MULTIPLICAM SEUS FÃS + COMO CRIAR UM CANAL CAMPEÃO (E FAZER DINHEIRO) NO YOUTUBE + CARLOS COLLA, MARCEL KLEMM, LINIKER, GRUPO MAMBEMBE, BIQUINI CAVADÃO

NOS 40 ANOS DE CARREIRA, O COMPOSITOR FAZ UMA VIAGEM AONDE TUDO COMEÇOU, REPASSA

COMO FINANCIAMENTO COLETIVO, EDITAIS GRANDES PÚBLICOSMOMENTOS DO POP E ANALISA OS FENÔMENOS DE MASSA DA NOSSA MÚSICA E PRIVADOS, MERCHANDISING E OUTRAS INICIATIVAS AJUDAM ARTISTAS A BANCAREM NOVOS PROJETOS

Por Manno Góes

Nesta edição, através de uma bela matéria escrita por Leonardo Lichote, celebramos o centenário do samba, "o pai do prazer; o filho da dor", como diz Caetano Veloso - recém filiado à UBC - em sua linda “Desde que o Samba é Samba”: "O grande poder transformador".

REVISTA DA UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES #31 / FEVEREIRO 2017

SÉCULO DO SAMBA NOSSO GÊNERO MAIS CÉLEBRE FESTEJA CEM ANOS DA SUA PRIMEIRA GRAVAÇÃO E SE REINVENTA PARA CONTINUAR A TRADUZIR A ALMA DO PAÍS

Símbolo cultural do país, o samba enfrentou preconceitos e barreiras sociais para firmar-se como um verdadeiro patrimônio da música popular brasileira, tendo influenciado diversos autores e manifestações artísticas ao longo de sua história. Como o samba-reggae da Bahia, por exemplo, que se vê homenageado pelo documentário Axé - canto do povo de um lugar, do diretor Chico Kertész, conforme veremos na matéria do Luciano Matos, direto de Salvador. Do samba ao axé, do carnaval ao rock, do baião ao xote, a UBC mantém-se firme no seu propósito de ser referência no tratamento aos direitos autorais e de todos que fazem música. Iniciamos o ano com a consciência de que fizemos de 2016 um ano de grandes conquistas e avanços, o que nos motiva, certamente, a fazer de 2017 ainda melhor. Viva o samba! Viva o axé! Viva os autores! Viva a UBC!

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NOTÍCIAS : UBC/5

4/UBC : NOTÍCIAS

NOVIDADES NACIONAIS

NOTÍCIAS : UBC/7

6/UBC : NOTÍCIAS

O MUNDO (TODO) DE ARTHUR FARIA

LEIA MAIS goo.gl/PYiCXO

Bruno Gouveia fala sobre o disco e a carreira da banda

Um desejo para 2017: alcançar cada vez mais esses espaços, e que cada vez mais estejamos unidos. Não somente eu com a banda. As pessoas, todo mundo.

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Assista ao clipe de “Prendedor de Varal”

OS MINEIROS BONS DE HISTÓRIA BAIXADA, DO GRUPOTUDO MARCÃO MAMBEMBE JUNTO E BEM MISTURADO Eraobra a década de 1970, e a cena belo-horizontina efervescia. A do rapper e produtor Marcão Baixada é como a vida A cidade deu ao mundo Clubeeda Esquina na Baixadaque Fluminense, onde onasceu vive - e, de de umMilton modo Nascimento, Beto Guedes, Wagner Ronaldo Bastos, Lô ampliado, como a realidade de todo Tiso, o país: cheia de amores, Borgesracismo, e Márcio Borges, projetou o grande Fernando Brant dores, aceitação, luta, vitórias. Sua obra, portanto, nãoe propiciou o surgimento projetos como Skank ou Uakti, Pato poderia ser diferente. A de nova mixtape que entregou no fim do Fu ou Jota Quest viu florescer também o grupo traz Mambembe, ano passado, “Bastidores de Uma Vida Aleatória”, 12 faixas um dos responsáveis pelo pioneirismoNeguim de políticas de dele e de artistas como o goianiense e os culturais cariocas DJ ocupação espaço público em multiartísticos LN e F2L, do além de participação doespetáculos músico Hollywood Mantra. que misturavam música e artes cênicas. tantos os Nas letras, críticas à discriminação racial Foram (em “Automóvel momentos grandiosos protagonizados pela turma, com Clube”), celebração ao hedonismo (em “Perde a Linha”) e elogio Cadinho Faria, Murilo Albernaz, Camargos, ao amor (em “Tudo Que Elas NãoToninho São”). Tudo junto eMiguel muito Queiroz e TitaneAos à frente, entre tantosBaixada outros, que nãoespaço tinha bem misturado. 22 anos, Marcão ganha como rapper ser de eoutra forma: foi tudo parar emEm livro. O grupo, na como arrebata prêmios país afora. 2014, seu clipe ativa entreem 1972 e 1985, acabareportagem de lançar “Grupo Mambembe “Baixada Cena” ganhou elogiosa no diário – Pequena História Que Virou incluído Canção”,naprojeto viabilizado carioca “O Globo”, e ele acabou lista das melhores por meio de coletivo e que inclui um CD que novidades dofinanciamento ano. reproduz boa parte do repertório do LP de 1981, “Mambembe”.

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Toninho Camargos comenta a produção do livro

Foto: Fernando Schlaepfer

A obra do rapper e produtor Marcão Baixada é como a vida na Baixada Fluminense, onde nasceu e vive - e, de um modo ampliado, como a realidade de todo o país: cheia de amores, dores, racismo, aceitação, luta, vitórias. Sua obra, portanto, não poderia ser diferente. A nova mixtape que entregou no fim do ano passado, “Bastidores de Uma Vida Aleatória”, traz 12 faixas dele e de artistas como o goianiense Neguim e os cariocas DJ LN e F2L, além de participação do músico Hollywood Mantra. Nas letras, críticas à discriminação racial (em “Automóvel Clube”), celebração ao hedonismo (em “Perde a Linha”) e elogio ao amor (em “Tudo Que Elas Não São”). Tudo junto e muito bem misturado. Aos 22 anos, Marcão Baixada ganha espaço como rapper e arrebata prêmios país afora. Em 2014, seu clipe “Baixada em Cena” ganhou reportagem elogiosa no diário carioca “O Globo”, e ele acabou incluído na lista das melhores novidades do ano.

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Assista ao clipe de “9 mm”

TRIALGO, ALGO DE NOVO EM BH O power trio mineiro Trialgo, formado em 2014 pelos músicos Thiago Santinho (vocalista e principal compositor), Daniel Werneck (baixo e voz) e Renan Dias (bateria e voz), colhe os frutos do sucesso do álbum “Algo Novo?”, lançado no fim do ano passado. No repertório, uma verdadeira mistura dos gêneros mais populares do Brasil: MPB, samba, brega, reggae, pop, blues, jazz e o bom e velho rock'n'roll, pacote que chamou a atenção da cena de BH e lhes garantiu presença fixa nas tardes do bar de rock Trip Food, no bairro da Savassi, onde vêm se apresentando às segundas-feiras.

O QUE CAETANO VELOSO, NANDO REIS, SONY MUSIC, WARNER MUSIC E WARNER CHAPPELL TÊM EM COMUM? Os cinco se associaram à UBC nos últimos meses. Em dezembro, a Sony Music, uma das maiores gravadoras do mundo e dona de um catálogo espetacular, repleto de nomes como Roberto Carlos, Adele, Djavan, Bruce Springsteen, escolheu a UBC como sua nova casa. No mesmo mês foi a vez de a Warner Music anunciar que confiará à UBC, a partir de 2017, a gestão de direitos autorais do seu vasto catálogo musical, responsável pelo lançamento de artistas como Madonna, Bruno Mars, Coldplay, Anitta e O Rappa. Não só: a UBC passou a ser a responsável pela gestão de direitos autorais de execução pública no Brasil da Warner Chappel, uma das editoras mais tradicionais do mundo. Com mais de 200 anos de atividade, a companhia administra obras de artistas como Barry Gibb, Eric Clapton, Led Zeppelin, Beyoncé, Radiohead, além de muitos outros. Entre os artistas, Caetano Veloso, um dos maiores nomes da nossa música em todos os tempos, nos enche de orgulho por sua presença. Com mais de 600 músicas gravadas e eternizadas, traz também para cá a sua editora, a Uns Produções. Outra chegada que enobrece nosso time é a de Nando Reis, em dezembro, enriquecendo com seu talento uma união de mais de 23 mil associados, importantes criadores da nossa música. Sejam todos muito bem-vindos!

o internacional, de Olodum com pitacos de Paul Simon e Michael Jackson. E termina no momento atual, com os novos nomes, como Ivete Sangalo e Claudia Leitte. Não há envolvido de peso que não tenha sido ouvido: empresários, produtores, jornalistas, músicos e até os padrinhos Caetano Veloso e Gilberto Gil. Kertész consegue relatos exclusivos, e muitas vezes surpreendentes, de nomes como Mercury, Caldas, Bell Marques, Brown, Ricardo Chaves, Marcio Vítor, Ivete, Saulo.

DANIEL FIGUEIREDO

O material recolhido foi tamanho que Kertész já fala em alongar o projeto, aproveitar depoimentos e imagens cortados na edição e transformar tudo numa minissérie de cinco capítulos para a TV.

ASSOCIADO DA UBC É O RESPONSÁVEL PELAS TRILHAS SONORAS DE SÉRIES E NOVELAS DA RECORD, PRODUZ DISCOS E OBSERVA COM OLHAR PRIVILEGIADO AS MUDANÇAS NO MERCADO DESDE QUE COMEÇOU, HÁ 25 ANOS

Além dos depoimentos, as imagens de arquivo são um dos trunfos do documentário, que comprovam a origem popular e espontânea da axé music e a força regional que possuía antes de se tornar fenômeno nas mãos da indústria. “Tivemos que recuperar fitas U-Matic mofadas e digitalizá-las”, conta o diretor. Com isso, ganharam nova vida momentos marcantes como a presença de artistas então incipientes em programas de TV baianos e outros definidores em shows nacionais como o do Chacrinha, na Globo. A consagração numa apresentação ao vivo de Mercury no vão livre do Masp, em São Paulo, é mostrada com a devida emoção.

MERCADO : UBC/11

10/UBC : MERCADO

De São Paulo Há 25 anos, Daniel Figueiredo começou sua carreira tocando em bailes no interior de Minas Gerais. Hoje, é o responsável pelas trilhas sonoras de incontáveis produtos de sucesso da Rede Record, além da produção de discos, da criação de diferentes empresas da área musical e do gerenciamento de carreiras. No futuro, vê uma mistura ainda maior entre música e produtos audiovisuais – e planeja fazer parte dela. Dono de um olhar agudo e privilegiado sobre o universo musical, ele comenta à Revista UBC seus mais recentes trabalhos e demonstra um olhar otimista sobre a era digital: “é mais fácil para o artista produzir e divulgar sua arte”. Como está o processo de produção da trilha sonora da próxima novela bíblica da Record, “O Rico e o Lázaro”? Quais os desafios inerentes à produção de uma trilha para um trabalho de época tão específico? Daniel Figueiredo: O processo está bem adiantado. O principal desafio é superar a qualidade das novelas anteriores e, ao mesmo tempo, ter um diferencial. Estou utilizando alguns elementos mais modernos e que eu não tinha utilizado nas novelas anteriores, que irão ajudar a dar esse “pulo” no tempo. Há alguns meses você disse ao site da UBC estar focado no mundo das trilhas e também nas suas empresas, a Up-Rights, de gerenciamento de direitos autorais, entre elas. Agora vem a surpresa da produção do novo disco da Jane Duboc. Você vinha produzindo discos continuamente nos últimos tempos ou retomou esse labor agora? Quando a Jane esteve no meu estúdio para gravar o tema da novela “A Terra Prometida”, sentou-se ao piano para me mostrar uma música, e percebi que somente ela tocando e cantando já seria um disco excelente. Se adicionássemos participações especiais, então, aí seria um disco também histórico. Mesmo tendo os duetos, o disco será “minimalista”, acústico, geralmente apenas com piano ou violão tocados pela Jane em cada faixa e as vozes divididas com grandes nomes nacionais e, provavelmente, alguns internacionais. A Jane é uma das artistas mais talentosas que já conheci, então a produção musical está sendo a mais fácil que já fiz. Apesar do imenso prazer e da honra que estou tendo com este disco, não pretendo voltar a fazer produção musical para o mercado fonográfico, por muitos motivos. Como foi o processo de produção deste? É um disco de inéditas? A maioria são regravações, mas o repertório ainda não está todo definido. Pode ser que tenha inéditas também. À medida

que estão chegando os convidados, as músicas podem mudar. Ainda estamos no início da produção. Apesar de ser um disco simples e, consequentemente, barato de produzir, convenci a Jane a utilizar o sistema de financiamento coletivo, que tem permitido a grandes artistas (como Rick Wakeman, Marillion, Def Leppard, Michael Bolton, Jethro Tull, entre outros) não apenas lançar mais um disco, mas sim verdadeiras obras de arte. Como não existe excedente de produção, estoque etc., o público pode ter um produto 100% feito para ele e, além disso, ter contato com todo o processo de produção. É uma luz no fim do túnel que tenho visto para o mercado fonográfico. E o disco “Guitar Heroes”, que também está produzindo? O que é exatamente? É meu primeiro disco solo, onde reúno trilhas, no estilo mais rock, que fiz para novelas e séries, e convido um guitarrista que admiro para solar comigo em cada faixa. Já gravaram: Greg Howe, Jennifer Batten, Larry Coryell, Paul Gilbert, Big Gilson, Marcos Kleine, Mike Stern, Scott Henderson, Jamie Glaser e Roman Miroshnichenko. Qual foi a principal mudança no mercado a que assistiu desde que começou? Comecei tocando profissionalmente em bandas de baile há aproximadamente 25 anos. A principal mudança a que assisti é que agora é mais fácil para o artista produzir e divulgar sua arte. Quando comecei, a possibilidade de alguém da Dinamarca, por exemplo, escutar uma música minha, mesmo que eu fosse o artista mais ouvido no Brasil, era ínfima. Agora eu posto uma música no YouTube, no SoundCloud ou Facebook e, em segundos, já posso ver até os comentários das pessoas de vários países. E qual crê ser a nova fronteira para o mercado musical? Em outras palavras: você, que parece estar sempre inovando, se vê exatamente onde daqui a uma década? No mercado de música original/trilha sonora original, vejo um crescimento natural por conta do crescimento da produção audiovisual. Na produção fonográfica não consigo ver, e acho que ninguém consegue, um futuro muito promissor. Os discos se tornaram brindes promocionais, o streaming não paga nem o cafezinho, e os artistas estão cada vez mais produzindo e distribuindo de graça seu próprio material.

SAI DO CHÃO! E VAI PARA A TELA DOCUMENTÁRIO REPASSA HISTÓRIA DA AXÉ MUSIC E AJUDA A CONTAR A TRAJETÓRIA DE UM DOS RITMOS QUE INAUGURARAM O POP NACIONAL Por Luciano Matos, de Salvador A axé music ajudou a inaugurar, nos anos 1980, o verdadeiro pop brasileiro – com origem e apelo popular – e abriu as portas de um mercado que se tornou predominante no país. Forró eletrônico, arrocha, sertanejo universitário: todos eles, de certa forma, beberam daquela fonte e utilizam a lógica de mercado e o formato de apresentação forjado nas ruas e estúdios de gravação de Salvador. Mal compreendida pela crítica, essa onda nunca foi mesmo muito bem explicada. Até agora. O documentário “Axé – Canto do Povo de um Lugar”, que estreou em janeiro em 40 salas no país, joga luz nesse cenário e repassa a limpo a história do fenômeno.

Mesmo sem tocar profundamente em pontos polêmicos, como os métodos de atuação da indústria fonográfica ou o uso dos artistas pelo poder político – nem abordar a “canibalização” que o domínio do axé provocou sobre outros ritmos baianos –, o documentário traça um panorama bastante amplo. “A proposta não era se ater a pontos polêmicos. Abordamos o que achamos importante e relevante para a história”, diz Kertész. Assim, mostram-se brigas e desafetos entre os personagens da cena, numa construção temporal que leva ao momento atual – e que o diretor não chama de crise, mas de renovação. Para Kertész, a axé music carecia de filmes, livros ou mesmo estudos mais profundos sobre seu impacto na nossa música. “Não havia um documento que trouxesse a dimensão e a importância dessa parte da cultura brasileira. Eu queria que alguém já tivesse me contado essa história. Como não havia, eu a contei”, afirma. Em Salvador, a história tem ainda mais importância, e o público reconhece isso. As salas têm sido lotadas, com muitos aplausos ao fim das sessões. Se a axé music já não é mais tão soberana nos palcos, sua história certamente continua a emocionar na tela.

Não basta apenas publicar um vídeo e esperar a coisa andar sozinha, por melhor que ele seja. “Antes de mais nada, é preciso ter comprometimento. Não se trata de uma mídia social como o Facebook ou o Twitter. O YouTube exige mais do usuário do que qualquer outra mídia”, aconselha Bárbara Apiacá, sócia-diretora da Locomotive, empresa de assessoramento e marketing digital que, em cerca de dois anos de atuação, virou referência nacional para artistas sem o suporte tradicional das antigas gravadoras ou agências de promoção. “Se o artista fica muito tempo sem alimentar a página, dá a impressão de que não há comprometimento, de que o conteúdo é meio desleixado. A não regularidade de envios pode acabar por gerar um desinteresse por parte do usuário”, continua.

FALA QUE EU TE ESCUTO E não é preciso, lembra a expert digital, ter uma música nova para mostrar a cada semana a fim de garantir assinaturas no canal. Até nomes de audiências superlativas como Marisa Monte, Anitta e Luan Santana alimentam seus canais falando com os fãs, dando pequenas entrevistas, depoimentos, fazendo covers – afinal, não é todo mês (ou ano) que se tem um disco novo. “Se você já é grande no mercado, a própria audiência o empurra. Mas, se é pequeno, é preciso alimentar a página com regularidade. Faça vídeos ensaiando, ensinando a tocar uma música, falar do processo de criação ou um diário de composição.... São muitas possibilidades”, Bárbara sugere.

Ora chamada de movimento, ora de ritmo musical, ora de indústria, a axé music é um pouco de tudo isso, e é desta forma que o diretor Chico Kertész tenta decifrar o que aconteceu aqui na Bahia. Através de dezenas de entrevistas, sequências de shows, imagens de arquivo e um trabalho cuidadoso, ele explica, em pouco mais de 100 minutos, a origem e a dimensão dessa música autenticamente baiana. E de paternidade devidamente contestada, é claro.

Nem todo mundo sabe, mas é possível ganhar dinheiro diretamente com os vídeos publicados no YouTube. A chamada monetização é uma tática lançada pelo gigante do grupo Google para estimular a constante publicação de novos conteúdos e, assim, manter sua posição hegemônica como banco de armazenagem de conteúdo audiovisual na internet. Por meio da ferramenta Google AdSense, o youtuber, ou seja, o usuário que publica vídeos ali, recebe 55% do valor dos anúncios (não se empolgue ainda, é preciso ter dezenas de milhares de visualizações mensais para ganhar algo

Ao falar do tema, o documentário traz o surgimento dos trios elétricos, a explosão primeira com Luiz Caldas e Sarajane, o batismo do nome, as disputas pela primazia da cena... Depois vêm o sucesso nacional retumbante de Daniela Mercury, É o Tchan, Terrasamba, Timbalada e Carlinhos Brown, e

MENOS 'NETWORK', MAIS REDE DE AMIGOS

cantores é sempre interessante”, diz a jornalista e empresária Rosário de Pompeia, diretora da Le Fil, empresa de mídia digital de referência no Nordeste. “Não menos importante é ficar atento ao buzz dos assuntos que rolam nas redes sociais para surfar nas ondas das principais pautas. Ou analisar sempre as tendências, como outros artistas estão usando o canal e ver se as novidades se adequam a você”, continua Pompeia. “No caso de artistas, sempre mostrar algo mais intimista, humanizado, é fundamental. Fazer, por exemplo, engajamento com perguntas e enquetes.”

Sem contar com networks, mas tão somente com a boa e velha ajuda de amigos, o músico Juliano Hollanda, um dos mais atuantes da cena contemporânea pernambucana (e autor, por exemplo, da trilha sonora da minissérie global “Amorteamo”, de 2015), publicou seu vídeo interpretando a canção dramática “Morrer em Pernambuco”, composta para um espetáculo da companhia Angu de Teatro, com sede no Recife. Em seguida, convidou seus amigos, músicos ou não, a subirem no YouTube videos caseiros, feitos com câmeras de celular, reinterpretando a canção. Em vozes e timbres diferentes, mais de dez músicos, além de fãs, publicaram suas versões em pouco mais de um mês, tornando a música uma das mais conhecidas e cantadas nos shows de Hollanda.

Cada vez mais novos artistas entendem que estar no YouTube (e em outras plataformas digitais) é bem mais que pupurina virtual. “A minha geração atravessa o desafio de se colocar no mercado em um momento de transição, em que a indústria falece. Nunca um artista precisou se preocupar com a divulgação como agora. A minha geração é persistente, porque precisa diariamente aprender a lidar com todas as etapas do processo e com as novas ferramentas que surgem todos os dias”, diz o compositor e compositor paraense Arthur Nogueira, que, depois de ver uma parceria sua com Antônio Cícero incluída no último disco de Gal Costa, tem chamado a atenção com um álbum em que interpreta sucessos do filósofo pop carioca, há décadas extrato do que é sucesso no Brasil.

Também o ajudou a prática de espalhar o link do seu canal por onde for possível – comentários em vídeos de outros canais, perfis de influenciadores –, promovendo a divulgação fora das “fronteiras” do seu próprio espaço no YouTube. “Criar uma rede de relacionamento para divulgar o trabalho, contar com apoio de influenciadores digitais ou da cidade ou de outros

Nogueira convidou a cantora e cineasta Ava Rocha, filha de Glauber, para dirigir o clipe de “Último Romântico”, com uma cuidadosa direção de arte e roteiro com beijos com outro rapaz na noite da Lapa: a música acabou gerando interesses além de sua musicalidade mais estrita. Embalar bem é também, afinal, imprescindível.

YOUTUBE: MODOS DE USAR SAIBA COMO MANTER UM CANAL POPULAR – E LUCRATIVO – NA MAIOR PLATAFORMA DE VÍDEOS DA INTERNET Por Bruno Albertim, do Recife Estourar ou, usando um termo mais contemporâneo, viralizar na internet nem é o mais difícil. Acontece até à revelia de quem persegue a fama virtual. A tarefa dura, mesmo, é continuar em alta em meio à enxurrada contínua de novos conteúdos, novas tendências. Se o terreno onde se busca a glória é o YouTube, então, prepare-se para uma batalha permanente. Na maior e mais popular plataforma de consumo de música na internet (e, como se sabe, também uma das que menos pagam aos artistas), a presença ativa na alimentação do canal e o domínio de técnicas de divulgação, bem como alguns conceitos básicos de marketing, representam a diferença entre vida e morte digital.

como US$ 100), assim como 55% da receita com assinaturas provenientes do canal que tiver criado. Os baixos pagamentos no YouTube são uma realidade mundial, e muitos artistas, de superestrelas a ultra-alternativos, vêm se queixando há anos de receber pouco por seu trabalho.

PELO PAÍS : UBC/13

12/UBC : PELO PAÍS

CAPA : UBC/15

14/UBC : CAPA

Além disso, disseminou-se nos últimos tempos uma espécie de intermediário para esse negócio. Como redes de TV que usam a plataforma para agregar conteúdos produzidos por terceiros, as chamadas networks, também conhecidas como agregadores digitais, prometem maior exposição e visibilidade em troca de um percentual variável no total arrecadado pelo titular do canal com anúncios. No quadro abaixo você pode conhecer mais sobre essas estratégias de monetização.

VAMOS FALAR DE DINHEIRO? MONETIZAÇÃO, ADSENSE, 'NETWORKS': A PARTE QUE NOS CABE NESSE LATIFÚNDIO Os números são a base do negócio. Primeiro, é preciso publicar bastante (recomenda-se, no mínimo, três publicações por semana a princípio, a fim de gerar interesse e criar uma audiência). Com isso, a base de seguidores do seu canal tende a crescer. Por meio da ferramenta mais elementar de monetização do YouTube, o Google AdSense, que promete pagar 55% do valor de cada anúncio exibido durante um vídeo seu, é possível lucrar algumas centenas de dólares caso atinja uma base razoável de 30 mil a 40 mil seguidores. Isso demanda tempo e, claro, investimento em novos conteúdos (volte ao início deste parágrafo). Nos últimos anos, como já dissemos, disseminaram-se as chamadas networks, também conhecidas como agregadores digitais. São, basicamente, redes que reúnem conteúdos produzidos por milhares de canais mundo afora. Essas empresas ficam com um percentual variável do anúncio e, em troca, oferecem uma maior exposição que aumentaria o lucro total de quem adere a elas. Com usuários contentes (geralmente, os que têm milhões de seguidores) e outros nem tanto, essas empresas têm se popularizado e acabaram se transformando em uma ponte entre o gigante YouTube e os donos dos canais, a tal ponto que, no primeiro pagamento de todos os tempos realizado pelo portal aos titulares de direitos de reprodução, em meados do ano passado, o acordo foi fechado com algumas grandes networks brasileiras, e não diretamente com os youtubers. “Meus ganhos mensais caíram de mais de US$ 600, quando eu lucrava diretamente com o Google AdSense, para, às vezes, US$ 50, quando me associei a uma network americana. Lá, a estrutura é desenhada para atender aos donos de canais enormes, com milhões de seguidores. Portanto, antes de fazer um contrato, procure conhecer as boas networks, que realmente promovem os canais”, diz a youtuber curitibana Narumi Kataiama, cujos vídeos tratam de temas tão diferentes quanto música e cosplay, maquiagem e aborto.

A QUESTÃO DOS DIREITOS AUTORAIS PORTAL CONTINUA SEM FAZER PAGAMENTOS E NÃO RECONHECE O STREAMING COMO EXECUÇÃO PÚBLICA Como a UBC informou na edição 29, o YouTube continua sem reconhecer o streaming no seu portal como execução pública, o que crê dispensá-lo do pagamento de direitos autorais ao Ecad. O gigante ficou de fora da primeira distribuição de streaming ocorrida na história do Brasil, em junho passado, quando mais de 116 mil titulares receberam R$ 2,38 milhões e 55% do total ficaram com o repertório da UBC. O protesto contra a prática é geral e, a coalizão UBC, Ubem (União Brasileira de Editoras de Música) e Procure Saber lançou em junho passado um protesto em que sustenta ser inaceitável o posicionamento da gigante em não reconhecer a legítima remuneração. “O YouTube, ao insistir na sua posição oportunista de não reconhecer os direitos de execução pública, na verdade se vale de frágeis artifícios para pagar menos aos autores musicais brasileiros”, diz um trecho da nota pública. (Leia a íntegra no site) Em maio, o YouTube anunciou ter fechado um acordo com algumas networks brasileiras distribuidoras digitais para o pagamento de direitos de reprodução das músicas incluídas nos vídeos. Os contratos para o cálculo, que seria retroativo, estariam sendo estabelecidos com os agregadores ABMI – Associação Brasileira da Música Independente, eMotion, MusicPost, ONErpm e Playax. Segundo fontes do mercado, longe de retribuir satisfatoriamente aos criadores brasileiros, o montante acordado os discriminaria, por representar cerca de 75% do valor que receberão compositores mexicanos em acerto equivalente. O YouTube não divulgou qualquer número relativo a esse pagamento.

ESPELHO MEU, EXISTE ALGUÉM MAIS VISTO DO QUE EU? Depois de publicar, o trabalho não termina. É a hora de analisar as reações, saber se homens ou mulheres clicam mais, quanto tempo os usuários passam em cada vídeo, de que região vem a maioria das visualizações, qual a idade do público mais fiel... Tudo isso é possível por meio de uma ferramenta oferecida pelo Google/YouTube, o Analytics. “A gente acessa o Analytics pela própria página e encontra uma série de informações, como retenção de audiência. Esse gráfico mostra quanto tempo a pessoa fica lá assistindo ao conteúdo”, afirma Bárbara. “Para quem está começando, fazer vídeos longos é um dos principais erros”, destaca Rosário. A partir dos dados de audiência, você pode direcionar as publicações para o melhor dia da semana, para o melhor horário, para agradar aos homens, para agradar às mulheres. As possibilidades são muitas. Não custa, também, fazer o bom e velho caminho da mídia mais tradicional. “Se você dá entrevistas a dez sites, seu nome fica mais em evidência nos mecanismos de busca de um gênero específico”, lembra José Alsanne, especialista em mídias digitais do departamento de Comunicação da UBC. O grande termômetro do investimento é mesmo a popularidade – esta, sim, capaz de gerar eventos e contratos.

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Dez dicas para tirar o melhor das redes sociais

Por Leonardo Lichote, do Rio

“Eu me juntei a um amigo que tinha uma banca de jornal e fiz quatro shows lá, em 2016, com base na Lei do Artista de Rua. Pegamos emprestado o equipamento na camaradagem, usamos energia elétrica da própria banca e vendíamos cerveja para arrecadar algum dinheiro. Um casal de mexicanos comprou vários discos meus para levar como souvenir do Brasil. Outra boa história foi um cara que deixou R$ 50 no chapéu e se ofereceu para ser meu produtor.”

NOVA VIDA AOS CORETOS Diego Goldas, Orquestra Voadora, Pedro Rajão e Rabu Jahe Macacko

CALÇADA DA MÚSICA ENGAJADOS, CRIATIVOS, UNIDOS EM COLETIVOS OU SOLITÁRIOS, ARTISTAS OCUPAM O ESPAÇO PÚBLICO E DÃO NOVO ÍMPETO À TRADIÇÃO ANCESTRAL DOS SHOWS DE RUA

O Rio, onde há um claro reflorescimento da cena de rua - do carnaval, das festas e dos shows -, um projeto de shows em praça pública começou a três anos e vem se fortalecendo no Méier, Zona Norte da cidade. Batizado de Leão Etíope do Méier pelo DJ, produtor e idealizador, Pedro Rajão, e iniciado na praça Agripino Grieco, o coletivo já reuniu mais de mil pessoas num só evento e teve em sua programação nomes relevantes da nova safra da música brasileira.

Por Michele Miranda, de São Paulo

“Muita coisa linda acontece num evento de rua. Você vê a mistura de classes sociais e ideológicas, as reações, os encontros inesperados”, analisa Rajão, nascido e criado nos arredores da praça. “No caso do Leão, a gente reativou um espaço abandonado e mostrou a potência que ele pode ter. O maior legado é que muita gente passou a fazer evento ali depois da gente. Agora somos procurados por muitas bandas e diretores de cinema que querem fazer evento, e até grandes marcas já demonstraram interesse em apoiar.”

Artistas independentes e novatos são muito criativos não só culturalmente, mas também quando o assunto é driblar as dificuldades de mercado. E isso ocorre desde tempos imemoriais. Na antiguidade clássica já havia relatos de cantores e atores apresentando-se pelas ruas e “passando o chapéu” em busca de uns trocados. Muitos séculos e uma revolução digital depois, a velha ágora se transferiu para as redes sociais. Mas não se apagou o ímpeto de criadores que ocupam o espaço público – real – com arte e estilo renovados, graças à supercontemporânea ajuda de coletivos, produtores, marcas de moda, comércio local, leis de incentivo e, principalmente, aos aplausos do público. “Comecei a tocar na rua quando cheguei a São Paulo e não vi alternativas”, diz o associado Diego Goldas, que menciona a nem sempre tranquila relação entre bares e artistas. “Na rua a gente toca na hora em que quiser, onde quiser, o tempo que quiser. Os ganhos na rua são muitos, inclusive financeiros. Na rua, tive o prazer de cantar com Alceu Valença (que passava e resolveu dar uma canja).” Diego ressalta ainda que uma cena assim só pode crescer se houver estímulo - ou, pelo menos, se não houver perseguição - do poder público. “Em São Paulo foi possível na gestão (Fernando) Haddad. Até então havia perseguição. A população precisa de uma reeducação cultural.”

ASSOCIADO CRIA EVENTO PARA BANDAS NOVAS Algo parecido é fermentado em Caxias do Sul (RS), onde o associado Luciano Balen, integrante da banda CCOMA, vai pôr em pé mais uma edição do Festival Brasileiro de Música de Rua, entre entre 14 e 19 de março, com previsão de um público de 30 mil pessoas. Em cinco encontros anteriores, mais de 500 artistas nacionais e internacionais já passaram pelos palcos montados em praças, avenidas ou antigas estações ferroviárias de cidades da região. “CCOMA começou a tocar na rua no fim de 2008, como uma forma de buscar espaço. Com o objetivo de democratizar o acesso à música, aproximar artistas e público, nasceu em 2012 o Festival Brasileiro de Música de Rua, que terá

sua sexta edição em março. Hoje temos financiamento da Secretaria Municipal de Cultura de Caxias do Sul, do Governo do Rio Grande do Sul, de algumas prefeituras vizinhas, além do Sesc. Esse apoio e a boa recepção do público são herança do tradicionalismo gaúcho, que sempre foi muito difundido através da música.” Sem tanto apoio governamental, o cantor e compositor Qinho inventou no Rio o festival Dia da Rua ao observar o que chama de decadência da sua geração. “Fomos afetados diretamente pelo fechamento de importantes casas de show, e ainda não éramos organizados o bastante para promover eventos de rua”, ele analisa. “Esse movimento maior está acontecendo no Brasil todo. O ideal para um artista independente é gerar uma cadeia produtiva na qual você tenha um público espalhado, mesmo que ele seja pequeno. O rendimento vem através da formação de público, consolidação do trabalho, venda de discos e produtos.”

“Muita coisa linda acontece num evento de rua. Você vê a mistura de classes sociais e ideológicas, as reações, os encontros inesperados” Pedro Rajão, produtor e idealizador

Apesar de haver iniciativas estaduais e municipais, como leis que garantem a livre manifestação cultural sem autorização prévia, criadores e produtores relatam perseguição da polícia, por desconhecimento, além de verdadeiras vias crúcis atrás de papéis de vários órgãos públicos. Para evitar a burocracia e minimizar os custos, o cantor Brunno Monteiro, associado à UBC, teve uma ideia:

Os coretos espalhados por diversas cidades brasileiras são outro palco potencial. Em Salvador, o projeto Coreto Sounds, de ocupação desses espaços com música, teve diversas edições em 2016. Numa delas, em outubro, no Largo Pedro Arcanjo, Anelis Assumpção, Curumin e Márcia Castro foram as atrações principais de um concorrido tributo aos Novos Baianos. O espírito de coreto se espalhou por lá, e dois projetos inspirados nesses espaços democráticos vieram a reboque: o Coreto Hype, com shows em Lauro de Freitas (BA), teve Lenine tocando num antigo armazém, e Alex da Costa criou um trio especial, circular, móvel, o Coreto Elétrico, para encher as avenidas soteropolitanas de frevo, ijexá, samba, xote etc. Na Ilha de Paquetá (RJ), foi num coreto que a extinta banda Letuce, de Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos, fez seu show de despedida para mil pessoas, em dezembro passado, dentro do festival Circuladô.

Foto: Vitor Jorge

Uma frustração: ainda não ter me engajado num instrumento. Quero muito tocar. Uma música que representa você: “Oldboy”, da Tulipa Ruiz (dos versos “Não tem fim nem começo/ O agora é agora, voa/ Já passou, olha, passou/ E fica também na tua memória/ Sempre você/ O tempo e você/ Viver, viver/ Envelhecer”.

MARCÃO BAIXADA, TUDO JUNTO E BEM MISTURADO

SETE PERGUNTAS PARA:

Foto: Marina Andrade

A seguir, confira um rápido pingue-pongue com ela: Um artista brasileiro: Elza Soares. Um sonho: poder propagar cada vez mais nossa arte e ocupar muitos lugares com ela.

BIQUINI CAVADÃO E LIMINHA, PARCERIA QUE DÁ CERTO O Biquini Cavadão, quarteto formado por Bruno Gouveia (voz), Carlos Coelho (guitarra, violão, dobro e bandolim), Miguel Flores da Cunha (piano, synth e órgão) e Álvaro ‘Birita’ (bateria e pandeiro), celebra em 2017 32 anos de estrada. São, portanto, mais de três décadas viajando com sucesso pelo país e lotando shows nas cinco regiões. Numa pegada meio metalinguística, seu mais novo álbum se chama “As Voltas que o Mundo Dá”, e o mundo aqui pode ser entendido como a própria banda, que mantém sua estética reconhecível (rock, citações psicodélicas, experimentações feitas por potentes e competentes músicas) ao mesmo tempo em que se mostra renovada. Com 12 composições inéditas e letras que retratam suas vivências, conquistas e derrotas no âmbito pessoal e profissional, o álbum do quarteto busca compreender a vulnerabilidade da vida, das alegrias, de um novo amor, de uma separação, de uma tragédia. Quem ajuda a costurar esse trabalho é o lendário Liminha, que, além de assinar a produção, toca contrabaixo em todas as músicas e colabora com gravações adicionais de violão, bandolim, guitarra e loops. A nova turnê já está programada para ter início já neste primeiro semestre, prometendo ainda mais voltas – e, certamente, sucesso.

Foto: Vânia Aroeira

Liniker, aliada a sua banda Os Caramelows (Rafael Barone no baixo; William Zaharanszki na guitarra; Pericles Zuanon na bateria; Márcio Bortoloti no trompete; Renata Éssis no backing vocal) ganha ainda mais significado por despontar e fazer sucesso num momento de recrudescimento do reacionarismo nas mesmas redes sociais onde viceja. Ganha fãs em profusão. “Mais do que ser exemplo, quero ser referência. Levar tudo isso para o palco faz com que muitas pessoas se sintam representadas ali. Isso é o mais importante. A gente, todo mundo, pode tudo”, define.

Seu disco de estreia, “Remonta”, foi lançado em 2016 e lhe garantiu o troféu de revelação no Prêmio Multishow de Música Brasileira. Por onde passa, lota casas de shows. Não é força de expressão. Se os ataques verbais pela rede são uma realidade, a sede de mudança de uma certa juventude lhe dá legitimidade. Liniker crê inserir-se na mais lógica tradição da MPB, que acolhe artistas – compositores e intérpretes – que cantam as liberdades individuais e a justiça social, sobretudo quando estas estão ameaçadas.

MC Carol ganhou novo status. Inteligente, articulada, a funkeira carioca que explodiu em 2015, com “Não Foi Cabral”, um questionamento ao modo como vemos a colonização do Brasil e as raízes da nossa sociedade, abraçou a causa do empoderamento da mulher. Seu mais novo hit, “100% Feminista”, parceria com a curitibana Karol Conka, versa sobre a violência doméstica que presenciou em casa e o discurso machista que a cercava quando criança e adolescente. Desse processo de amadurecimento, nasceu “Bandida”, seu álbum de estreia, um amálgama de sucessos soltos de EPs e singles anteriores, revisitados, ampliados, repaginados. Ali estão coisas mais “antigas”, como “Jorginho Me Empresta a 12”, e faixas recentes, como “Delação Premiada” e a própria “100% Feminista”. Descoberta pelo grande público durante sua participação no reality show do canal pago Fox “Lucky Ladies”, Carol tem pouco mais de cinco anos de carreira e, subvertendo estereótipos e padrões midiáticos, inscreveu seu nome entre as grandes do funk. “Mostrei que ser gorda e negra é atitude”, diz.

O NOVO DO NOCA Um dos sambistas mais celebrados do país, Noca da Portela tem um repertório vertiginoso, que supera as 480 músicas gravadas. Hoje com 83 anos, lançou seis discos e viu sete vezes um samba-enredo seu sair vitorioso nas disputas do carnaval carioca. Tantos logros seriam suficientes para alimentar planos de aposentadoria. Mas não para ele. O mestre acaba de lançar mais um álbum, “Noca da Portela: Homenagens”, com 15 faixas, todas inéditas, e produção artística de Mauro Diniz, filho de Monarco. O disco traz uma das poucas canções inéditas de Nelson Cavaquinho, “Coração Vadio”. Nela, ele exalta a fama de mulherengo do amigo. O repertório privilegia a memória de Noca e suas experiências. A convivência com Tia Surica está presente na faixa “Cabidela”. Já “Basta, Papai”, o olhar afetuoso de um filho para a mãe diante dos abusos praticados pelo pai, é uma parceria com Dona Ivone Lara. “Tudo o que a vida me deu eu devo ao samba”, diz Noca, justificando o desejo de continuar a criar. Para a nossa sorte.

Foto: Ricardo Fujii

REFERÊNCIA' Artista da prolífica nova geração da MPB. Talvez seja esse o único rótulo que se possa aplicar a Liniker, 21 anos, natural de Araraquara (SP), um fenômeno surgido na internet em meados de 2015, com três vídeos fantásticos, e que se converteu numa granada estética e social de alto poder explosivo. Propõe, a um só tempo, sonoridades e imagens profundamente atrativas e discute sexualidade num país marcado por tanto conservadorismo. Liniker nasceu menino, mas prefere o pronome ela. Sua voz potente pede respeito para alguém que se define como “preta, bicha, que usa brinco, batom e turbante com roupas que são femininas em um corpo masculino”. Virou símbolo da MPBTrans, um movimento que põe a identidade de gênero na parte superior da lista de temas de que trata a nossa música.

MC CAROL E O PODER FEMININO NO FUNK

Perto de completar 50 anos, o músico, compositor (inclusive de trilhas para teatro) e arranjador Arthur de Faria mantém vivo seu ímpeto primordial: acumular referências, experiências, e convertê-las em matéria-prima para seus instigantes trabalhos. Ele passou a infância e juventude em Gravataí (RS). Mas nasceu em Porto Alegre. E viajou meio mundo. Era natural que tirasse de suas andanças as inspirações para suas canções multirreferenciadas, cosmopolitas. Ao lado do portenho Omar Giammarco, lançou “Música Menor”, um trabalho feito só com músicas escritas pela dupla. Com produção da gaúcha Loop Discos, o projeto foi lançado primeiro em clipes feitos ao vivo, durante as gravações. Já o álbum foi lançado em setembro passado e está disponível em plataformas digitais. Além dos dois, que se revezam em vozes, violões, guitarras, piano, acordeom, baixo, piano de brinquedo, glockenspiel e bandolim, o disco conta com as participações da cantora e percussionista pernambucana Alessandra Leão e dos gaúchos Fernando Pezão (bateria), André Paz (baixo e theremin), Ernesto Fagundes (bombo leguero) e Adolfo Almeida Jr (fagote).

'MAIS DO QUE SER EXEMPLO, QUERO SER

ÍCONE DA CHAMADA MPBTRANS, SUBGÊNERO COM LETRAS E ATITUDE QUE DISCUTEM IDENTIDADE DE GÊNERO, LINIKER É UMA BEM-VINDA NOVIDADE NA CENA MUSICAL BRASILEIRA

NOTÍCIAS : UBC/9

8/UBC : NOTÍCIAS

Por Fabiane Pereira, do Rio

A certidão de nascimento do samba data de 27 de novembro de 1916. O batismo, porém, foi só em fevereiro de 1917, quando sua primeira gravação, “Pelo Telefone”, registrada meses antes na Biblioteca Nacional por Donga e Mauro Almeida, consagrou-se no carnaval. Se o samba inaugural tem duas datas fundacionais, sua criação é ainda mais plural: foi coletiva, como tantas outras surgidas nos encontros de Tia Ciata, baiana moradora da Cidade Nova que ocupa o lugar mítico de “mãe do samba”. Igualmente compartilhado é o sucesso das primeiras gravações, primeiro por Bahiano, depois pela Banda da Casa Édison. Esse nascimento “coral”, feito de tantas contribuições diferentes, diz muito sobre o caráter agregador, múltiplo, do gênero, antecipando o lugar que ele ocuparia no imaginário coletivo nacional tantas décadas depois. A letra desse marco, como se sabe, satiriza com malandragem a vida do Rio de então (“O chefe da polícia pelo telefone mandou me avisar/ Que na Carioca tem uma roleta para se jogar”). Mais do que um tema constante, a então capital federal, a despeito da discussão sobre se o samba nasceu aqui ou lá na Bahia (ou mesmo se foi trazido da África), teve papel fundamental na gestação da cultura sambista. É o que explica o historiador Luiz Antonio Simas, autor, com Nei Lopes, do “Dicionário da História Social do Samba”. “Você tem no Rio um raro momento de encontro, que se explica pela própria geografia da cidade, na qual, a rigor, é difícil se falar de periferia no início do século. O trânsito entre áreas abastadas e menos abastadas é muito frequente.

Primeiro você tem a entrada maciça de escravos, gente da lavoura cafeeira do Vale do Paraíba, com sua memória do jongo, dos cantos bantos. E, ao mesmo tempo em que é depositária de saberes africanos, a cidade tinha um projeto cosmopolita, de ser europeia, a Paris Tropical”, ele descreve. “De um encontro que, a princípio, é tenso entre uma cidade que é profundamente negra, que herda a cultura da África, e uma outra que se deseja o contrário disso, desse caldo muito contraditório é que surge o samba. Ele é resultado dos batuques negros com a música tonal europeia, mais o violão ibérico, o pandeiro árabe.”

E

PROIBIDO SAMBAR

A tensão se mostrava na forma como o samba se desenvolvia na cidade. Ao mesmo tempo em que se afirmava como sucesso popular, enfrentava preconceitos nos salões nobres – baseado, seguramente, no racismo – e, até mesmo, perseguição policial. A imagem do gênero perante o Estado só sofreu uma mudança significativa a partir do governo de Getúlio Vargas, que

tinha a música (e, mais precisamente, o samba) entre suas estratégias de criação de uma unidade nacional. Vargas fortaleceu o batuque ao incluir seu uso como instrumento de propaganda de sua política trabalhista, via seu Departamento de Imprensa e Propaganda. O famoso caso da mudança da letra do samba “O Bonde São Januário”, composta por Wilson Batista e sucesso na voz de Ataulpho Alves, ambos fundadores da UBC, é tão simbólico quanto anedótico. Originalmente, ele dizia “Quem trabalha não tem razão/ Eu digo e não tenho medo de errar/ O bonde São Januário leva mais um sócio otário/ Sou eu que vou trabalhar”. Depois da “cooptação pelo regime”, virou: “Quem trabalha é quem tem razão/ Eu digo e não tenho medo de errar/ O bonde São Januário leva mais um operário/ Sou eu que vou trabalhar”. Da resignação irônica do malandro ao orgulho do trabalhador. O Estado Novo, portanto, marca o processo de legitimação do samba como gênero da identidade nacional, a “síntese da alma do brasileiro”. Mas Simas contesta a teoria de que esse movimento tenha sido de mão única, do Estado na direção do samba. “Pensar isso é achar que o samba foi meramente manipulado. O mundo do samba é um elemento ativo desse processo. É um diálogo tenso, de afago e de porrada de parte a parte. Havia esse estado, que se apoiava sobre um discurso supercomplicado de mestiçagem cordial para legitimar o samba. Mas, do outro lado, o samba queria garantir sua legitimidade. O desejo do sambista sempre foi o de ascensão, o de conseguir uma viração que não seja tão pesada. Esse discurso de que o sambista tem que ficar ferrado no gueto é perigoso, além de equivocado. Wilson Baptista dizia que o pedreiro construía a casa e, depois, ela ia ser de outra pessoa: 'O que sei fazer é samba, então vou negociar o samba.' O próprio movimento de Donga de regis

“Sempre tivemos uma carreira de comunicação despretensiosa, e a rua é o melhor lugar para conjugar isso”, comenta Vasconcellos. “Quando você toca na rua, é a pescaria de um novo público. Financeiramente também é bom, porque o independente vende disco na rua, muito mais numa tarde do que o mês inteiro numa loja. E você pode fazer transmissão ao vivo no Facebook ou pedir para alguém filmar e depois disponibilizar esses vídeos no YouTube.”

NÃO SE ENGANE, A RUA É EXIGENTE O associado Átila Bezerra, que vem fazendo shows na Baixada Fluminense e em Niterói (RJ) desde 2012, celebra a proliferação desses coletivos que movimentam as nossas ruas, crê que a cena tende a se fortalecer cada vez mais, mas sentencia: não adianta tocar qualquer coisa, o público da rua é tão qualificado quanto qualquer outro: “A rua é exigente, o público vai atrás de eventos interessantes, de qualidade e, preferencialmente, gratuitos. Sem falar que as pessoas estão privilegiando eventos locais. Daí a necessidade da profissionalização, da busca por parcerias e de tentar caminhos como editais, por exemplo. É possível, sim, a geração de emprego e um retorno financeiro.” Se você tem o que dizer, a exposição sem dúvida abre novas portas. A rua, como sinônimo de mercado, num sentido mais amplo, pode projetar o artista para um público de massa. Ter tocado na calçada aqui em São Paulo pôs Diego Goldas na TV. “Hoje, eu e alguns artistas estamos numa série no canal Sony sobre compositores de rua. Isso tudo foi a rua que trouxe.”

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Brunno Monteiro e Diego Goldas em shows de rua

Daniela Mercury e Marcio Vitor, alguns dos muitos depoimentos do filme.

04-05

06-07

08-09

10-11

12-13 M

NA TR LHA DE

MARCEL KLEMM

ÍNDICE

04 : NOVIDADES NACIONAIS 08 : ENTREVISTA: DANIEL FIGUEIREDO 09 : AXÉ NO CINEMA 10 : MERCADO: YOUTUBE 12 : PELO PAÍS: SHOWS DE RUA 14 : CAPA: SAMBA

18 : HOMENAGEM: CARLOS COLLA 20 : NOVIDADES INTERNACIONAIS 22 : CARREIRA: TRILHAS SONORAS 24 : FIQUE DE OLHO 25 : DISTRIBUIÇÃO: STREAMING 26 : DÚVIDA DO ASSOCIADO

A Revista UBC é uma publicação da União Brasileira de Compositores, uma sociedade sem fins lucrativos que tem como objetivos a defesa e a distribuição dos rendimentos de direitos autorais e o desenvolvimento cultural / Diretoria: Sandra de Sá (presidente), Abel Silva, Aloysio Reis, Geraldo Vianna, Manno Góes, Manoel Nenzinho Pinto e Ronaldo Bastos / Diretor-executivo: Marcelo Castello Branco / Coordenação editorial: Elisa Eisenlohr / Assistente de coordenação editorial: José Alsanne / Projeto gráfico e diagramação: 6D / Editor: Alessandro Soler (MTB 26293) / Colaboraram nesta edição: Andrea Menezes, Bruno Albertim, Fabiane Pereira, Leonardo Lichote, Luciano Matos e Michele Miranda / Capa: Ilustração de Rafael Dória / Tiragem: 9.000 exemplares / Distribuição gratuita


4/UBC : NOTÍCIAS

NOVIDADES NACIONAIS

Por Fabiane Pereira, do Rio

'MAIS DO QUE SER EXEMPLO, QUERO SER

REFERÊNCIA' ÍCONE DA CHAMADA MPBTRANS, SUBGÊNERO COM LETRAS E ATITUDE QUE DISCUTEM IDENTIDADE DE GÊNERO, LINIKER É UMA BEM-VINDA NOVIDADE NA CENA MUSICAL BRASILEIRA Artista da prolífica nova geração da MPB. Talvez seja esse o único rótulo que se possa aplicar a Liniker, 21 anos, natural de Araraquara (SP), um fenômeno surgido na internet em meados de 2015, com três vídeos fantásticos, e que se converteu numa granada estética e social de alto poder explosivo. Propõe, a um só tempo, sonoridades e imagens profundamente atrativas e discute sexualidade num país marcado por tanto conservadorismo. Liniker nasceu menino, mas prefere o pronome ela. Sua voz potente pede respeito para alguém que se define como “preta, bicha, que usa brinco, batom e turbante com roupas que são femininas em um corpo masculino”. Virou símbolo da MPBTrans, um movimento que põe a identidade de gênero na parte superior da lista de temas de que trata a nossa música. Liniker, aliada a sua banda Os Caramelows (Rafael Barone no baixo; William Zaharanszki na guitarra; Pericles Zuanon na bateria; Márcio Bortoloti no trompete; Renata Éssis no backing vocal) ganha ainda mais significado por despontar e fazer sucesso num momento de recrudescimento do reacionarismo nas mesmas redes sociais onde viceja. Ganha fãs em profusão. “Mais do que ser exemplo, quero ser referência. Levar tudo isso para o palco faz com que muitas pessoas se sintam representadas ali. Isso é o mais importante. A gente, todo mundo, pode tudo”, define.

Seu disco de estreia, “Remonta”, foi lançado em 2016 e lhe garantiu o troféu de revelação no Prêmio Multishow de Música Brasileira. Por onde passa, lota casas de shows. Não é força de expressão. Se os ataques verbais pela rede são uma realidade, a sede de mudança de uma certa juventude lhe dá legitimidade. Liniker crê inserir-se na mais lógica tradição da MPB, que acolhe artistas – compositores e intérpretes – que cantam as liberdades individuais e a justiça social, sobretudo quando estas estão ameaçadas. A seguir, confira um rápido pingue-pongue com ela: Um artista brasileiro: Elza Soares. Um sonho: poder propagar cada vez mais nossa arte e ocupar muitos lugares com ela. Uma frustração: ainda não ter me engajado num instrumento. Quero muito tocar. Uma música que representa você: “Oldboy”, da Tulipa Ruiz (dos versos “Não tem fim nem começo/ O agora é agora, voa/ Já passou, olha, passou/ E fica também na tua memória/ Sempre você/ O tempo e você/ Viver, viver/ Envelhecer”. Um desejo para 2017: alcançar cada vez mais esses espaços, e que cada vez mais estejamos unidos. Não somente eu com a banda. As pessoas, todo mundo.

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Assista ao clipe de “Prendedor de Varal”


NOTÍCIAS : UBC/5

O MUNDO (TODO) DE ARTHUR FARIA Perto de completar 50 anos, o músico, compositor (inclusive de trilhas para teatro) e arranjador Arthur de Faria mantém vivo seu ímpeto primordial: acumular referências, experiências, e convertê-las em matéria-prima para seus instigantes trabalhos. Ele passou a infância e juventude em Gravataí (RS). Mas nasceu em Porto Alegre. E viajou meio mundo. Era natural que tirasse de suas andanças as inspirações para suas canções multirreferenciadas, cosmopolitas. Ao lado do portenho Omar Giammarco, lançou “Música Menor”, um trabalho feito só com músicas escritas pela dupla. Com produção da gaúcha Loop Discos, o projeto foi lançado primeiro em clipes feitos ao vivo, durante as gravações. Já o álbum foi lançado em setembro passado e está disponível em plataformas digitais. Além dos dois, que se revezam em vozes, violões, guitarras, piano, acordeom, baixo, piano de brinquedo, glockenspiel e bandolim, o disco conta com as participações da cantora e percussionista pernambucana Alessandra Leão e dos gaúchos Fernando Pezão (bateria), André Paz (baixo e theremin), Ernesto Fagundes (bombo leguero) e Adolfo Almeida Jr (fagote).

BIQUINI CAVADÃO E LIMINHA, PARCERIA QUE DÁ CERTO

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Bruno Gouveia fala sobre o disco e a carreira da banda

OS MINEIROS BONS DE HISTÓRIA BAIXADA, DO GRUPOTUDO MARCÃO MAMBEMBE JUNTO E BEM MISTURADO Eraobra a década de 1970, e a cena belo-horizontina efervescia. A do rapper e produtor Marcão Baixada é como a vida A cidade que deu ao mundo o Clube da Esquina na Baixada Fluminense, onde nasceu e vive - e, de de umMilton modo Nascimento, Beto Guedes, Wagner Ronaldo Bastos, Lô ampliado, como a realidade de todo Tiso, o país: cheia de amores, Borges e Márcio Borges, projetou o grande Fernando Brant dores, racismo, aceitação, luta, vitórias. Sua obra, portanto, nãoe propiciou o surgimento projetos como Skank ou Uakti, Pato poderia ser diferente. A de nova mixtape que entregou no fim do Fu ou Jota Quest viu florescer também o grupo Mambembe, ano passado, “Bastidores de Uma Vida Aleatória”, traz 12 faixas um dos responsáveis pelo pioneirismoNeguim de políticas de dele e de artistas como o goianiense e os culturais cariocas DJ ocupação do espaço público em espetáculos multiartísticos LN e F2L, além de participação do músico Hollywood Mantra. que misturavam música e artes cênicas. tantos os Nas letras, críticas à discriminação racial Foram (em “Automóvel momentos grandiosos protagonizados pela turma, com Clube”), celebração ao hedonismo (em “Perde a Linha”) e elogio Cadinho Faria, Murilo Albernaz, Camargos, ao amor (em “Tudo Que Elas NãoToninho São”). Tudo junto eMiguel muito Queiroz e TitaneAos à frente, entre tantosBaixada outros, que nãoespaço tinha bem misturado. 22 anos, Marcão ganha como rapper ser de eoutra forma: foi tudo parar emEm livro. O grupo, na como arrebata prêmios país afora. 2014, seu clipe ativa entre 1972 e 1985, acaba de lançar “Grupo Mambembe “Baixada em Cena” ganhou reportagem elogiosa no diário – Pequena História Que Virou incluído Canção”,naprojeto viabilizado carioca “O Globo”, e ele acabou lista das melhores por meio de financiamento coletivo e que inclui um CD que novidades do ano. reproduz boa parte do repertório do LP de 1981, “Mambembe”.

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Toninho Camargos comenta a produção do livro

Foto: Vânia Aroeira

O Biquini Cavadão, quarteto formado por Bruno Gouveia (voz), Carlos Coelho (guitarra, violão, dobro e bandolim), Miguel Flores da Cunha (piano, synth e órgão) e Álvaro ‘Birita’ (bateria e pandeiro), celebra em 2017 32 anos de estrada. São, portanto, mais de três décadas viajando com sucesso pelo país e lotando shows nas cinco regiões. Numa pegada meio metalinguística, seu mais novo álbum se chama “As Voltas que o Mundo Dá”, e o mundo aqui pode ser entendido como a própria banda, que mantém sua estética reconhecível (rock, citações psicodélicas, experimentações feitas por potentes e competentes músicas) ao mesmo tempo em que se mostra renovada. Com 12 composições inéditas e letras que retratam suas vivências, conquistas e derrotas no âmbito pessoal e profissional, o álbum do quarteto busca compreender a vulnerabilidade da vida, das alegrias, de um novo amor, de uma separação, de uma tragédia. Quem ajuda a costurar esse trabalho é o lendário Liminha, que, além de assinar a produção, toca contrabaixo em todas as músicas e colabora com gravações adicionais de violão, bandolim, guitarra e loops. A nova turnê já está programada para ter início já neste primeiro semestre, prometendo ainda mais voltas – e, certamente, sucesso.


6/UBC : NOTÍCIAS

O NOVO DO NOCA Um dos sambistas mais celebrados do país, Noca da Portela tem um repertório vertiginoso, que supera as 480 músicas gravadas. Hoje com 83 anos, lançou seis discos e viu sete vezes um samba-enredo seu sair vitorioso nas disputas do carnaval carioca. Tantos logros seriam suficientes para alimentar planos de aposentadoria. Mas não para ele. O mestre acaba de lançar mais um álbum, “Noca da Portela: Homenagens”, com 15 faixas, todas inéditas, e produção artística de Mauro Diniz, filho de Monarco. O disco traz uma das poucas canções inéditas de Nelson Cavaquinho, “Coração Vadio”. Nela, ele exalta a fama de mulherengo do amigo. O repertório privilegia a memória de Noca e suas experiências. A convivência com Tia Surica está presente na faixa “Cabidela”. Já “Basta, Papai”, o olhar afetuoso de um filho para a mãe diante dos abusos praticados pelo pai, é uma parceria com Dona Ivone Lara. “Tudo o que a vida me deu eu devo ao samba”, diz Noca, justificando o desejo de continuar a criar. Para a nossa sorte.

MARCÃO BAIXADA, TUDO JUNTO E BEM MISTURADO A obra do rapper e produtor Marcão Baixada é como a vida na Baixada Fluminense, onde nasceu e vive - e, de um modo ampliado, como a realidade de todo o país: cheia de amores, dores, racismo, aceitação, luta, vitórias. Sua obra, portanto, não poderia ser diferente. A nova mixtape que entregou no fim do ano passado, “Bastidores de Uma Vida Aleatória”, traz 12 faixas dele e de artistas como o goianiense Neguim e os cariocas DJ LN e F2L, além de participação do músico Hollywood Mantra. Nas letras, críticas à discriminação racial (em “Automóvel Clube”), celebração ao hedonismo (em “Perde a Linha”) e elogio ao amor (em “Tudo Que Elas Não São”). Tudo junto e muito bem misturado. Aos 22 anos, Marcão Baixada ganha espaço como rapper e arrebata prêmios país afora. Em 2014, seu clipe “Baixada em Cena” ganhou reportagem elogiosa no diário carioca “O Globo”, e ele acabou incluído na lista das melhores novidades do ano.

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Assista ao clipe de “9 mm”

TRIALGO, ALGO DE NOVO EM BH O power trio mineiro Trialgo, formado em 2014 pelos músicos Thiago Santinho (vocalista e principal compositor), Daniel Werneck (baixo e voz) e Renan Dias (bateria e voz), colhe os frutos do sucesso do álbum “Algo Novo?”, lançado no fim do ano passado. No repertório, uma verdadeira mistura dos gêneros mais populares do Brasil: MPB, samba, brega, reggae, pop, blues, jazz e o bom e velho rock'n'roll, pacote que chamou a atenção da cena de BH e lhes garantiu presença fixa nas tardes do bar de rock Trip Food, no bairro da Savassi, onde vêm se apresentando às segundas-feiras.


NOTÍCIAS : UBC/7

MC CAROL E O PODER FEMININO NO FUNK

Foto: Fernando Schlaepfer

MC Carol ganhou novo status. Inteligente, articulada, a funkeira carioca que explodiu em 2015, com “Não Foi Cabral”, um questionamento ao modo como vemos a colonização do Brasil e as raízes da nossa sociedade, abraçou a causa do empoderamento da mulher. Seu mais novo hit, “100% Feminista”, parceria com a curitibana Karol Conka, versa sobre a violência doméstica que presenciou em casa e o discurso machista que a cercava quando criança e adolescente. Desse processo de amadurecimento, nasceu “Bandida”, seu álbum de estreia, um amálgama de sucessos soltos de EPs e singles anteriores, revisitados, ampliados, repaginados. Ali estão coisas mais “antigas”, como “Jorginho Me Empresta a 12”, e faixas recentes, como “Delação Premiada” e a própria “100% Feminista”. Descoberta pelo grande público durante sua participação no reality show do canal pago Fox “Lucky Ladies”, Carol tem pouco mais de cinco anos de carreira e, subvertendo estereótipos e padrões midiáticos, inscreveu seu nome entre as grandes do funk. “Mostrei que ser gorda e negra é atitude”, diz.

O QUE CAETANO VELOSO, NANDO REIS, SONY MUSIC, WARNER MUSIC E WARNER CHAPPELL TÊM EM COMUM? Os cinco se associaram à UBC nos últimos meses. Em dezembro, a Sony Music, uma das maiores gravadoras do mundo e dona de um catálogo espetacular, repleto de nomes como Roberto Carlos, Adele, Djavan, Bruce Springsteen, escolheu a UBC como sua nova casa. No mesmo mês foi a vez de a Warner Music anunciar que confiará à UBC, a partir de 2017, a gestão de direitos autorais do seu vasto catálogo musical, responsável pelo lançamento de artistas como Madonna, Bruno Mars, Coldplay, Anitta e O Rappa. Não só: a UBC passou a ser a responsável pela gestão de direitos autorais de execução pública no Brasil da Warner Chappel, uma das editoras mais tradicionais do mundo. Com mais de 200 anos de atividade, a companhia administra obras de artistas como Barry Gibb, Eric Clapton, Led Zeppelin, Beyoncé, Radiohead, além de muitos outros. Entre os artistas, Caetano Veloso, um dos maiores nomes da nossa música em todos os tempos, nos enche de orgulho por sua presença. Com mais de 600 músicas gravadas e eternizadas, traz também para cá a sua editora, a Uns Produções. Outra chegada que enobrece nosso time é a de Nando Reis, em dezembro, enriquecendo com seu talento uma união de mais de 23 mil associados, importantes criadores da nossa música. Sejam todos muito bem-vindos!


8/UBC : NOTÍCIAS

SETE PERGUNTAS PARA:

DANIEL FIGUEIREDO ASSOCIADO DA UBC É O RESPONSÁVEL PELAS TRILHAS SONORAS DE SÉRIES E NOVELAS DA RECORD, PRODUZ DISCOS E OBSERVA COM OLHAR PRIVILEGIADO AS MUDANÇAS NO MERCADO DESDE QUE COMEÇOU, HÁ 25 ANOS De São Paulo

Como está o processo de produção da trilha sonora da próxima novela bíblica da Record, “O Rico e o Lázaro”? Quais os desafios inerentes à produção de uma trilha para um trabalho de época tão específico? Daniel Figueiredo: O processo está bem adiantado. O principal desafio é superar a qualidade das novelas anteriores e, ao mesmo tempo, ter um diferencial. Estou utilizando alguns elementos mais modernos e que eu não tinha utilizado nas novelas anteriores, que irão ajudar a dar esse “pulo” no tempo. Há alguns meses você disse ao site da UBC estar focado no mundo das trilhas e também nas suas empresas, a Up-Rights, de gerenciamento de direitos autorais, entre elas. Agora vem a surpresa da produção do novo disco da Jane Duboc. Você vinha produzindo discos continuamente nos últimos tempos ou retomou esse labor agora? Quando a Jane esteve no meu estúdio para gravar o tema da novela “A Terra Prometida”, sentou-se ao piano para me mostrar uma música, e percebi que somente ela tocando e cantando já seria um disco excelente. Se adicionássemos participações especiais, então, aí seria um disco também histórico. Mesmo tendo os duetos, o disco será “minimalista”, acústico, geralmente apenas com piano ou violão tocados pela Jane em cada faixa e as vozes divididas com grandes nomes nacionais e, provavelmente, alguns internacionais. A Jane é uma das artistas mais talentosas que já conheci, então a produção musical está sendo a mais fácil que já fiz. Apesar do imenso prazer e da honra que estou tendo com este disco, não pretendo voltar a fazer produção musical para o mercado fonográfico, por muitos motivos. Como foi o processo de produção deste? É um disco de inéditas? A maioria são regravações, mas o repertório ainda não está todo definido. Pode ser que tenha inéditas também. À medida

que estão chegando os convidados, as músicas podem mudar. Ainda estamos no início da produção. Apesar de ser um disco simples e, consequentemente, barato de produzir, convenci a Jane a utilizar o sistema de financiamento coletivo, que tem permitido a grandes artistas (como Rick Wakeman, Marillion, Def Leppard, Michael Bolton, Jethro Tull, entre outros) não apenas lançar mais um disco, mas sim verdadeiras obras de arte. Como não existe excedente de produção, estoque etc., o público pode ter um produto 100% feito para ele e, além disso, ter contato com todo o processo de produção. É uma luz no fim do túnel que tenho visto para o mercado fonográfico. E o disco “Guitar Heroes”, que também está produzindo? O que é exatamente? É meu primeiro disco solo, onde reúno trilhas, no estilo mais rock, que fiz para novelas e séries, e convido um guitarrista que admiro para solar comigo em cada faixa. Já gravaram: Greg Howe, Jennifer Batten, Larry Coryell, Paul Gilbert, Big Gilson, Marcos Kleine, Mike Stern, Scott Henderson, Jamie Glaser e Roman Miroshnichenko. Qual foi a principal mudança no mercado a que assistiu desde que começou? Comecei tocando profissionalmente em bandas de baile há aproximadamente 25 anos. A principal mudança a que assisti é que agora é mais fácil para o artista produzir e divulgar sua arte. Quando comecei, a possibilidade de alguém da Dinamarca, por exemplo, escutar uma música minha, mesmo que eu fosse o artista mais ouvido no Brasil, era ínfima. Agora eu posto uma música no YouTube, no SoundCloud ou Facebook e, em segundos, já posso ver até os comentários das pessoas de vários países. E qual crê ser a nova fronteira para o mercado musical? Em outras palavras: você, que parece estar sempre inovando, se vê exatamente onde daqui a uma década? No mercado de música original/trilha sonora original, vejo um crescimento natural por conta do crescimento da produção audiovisual. Na produção fonográfica não consigo ver, e acho que ninguém consegue, um futuro muito promissor. Os discos se tornaram brindes promocionais, o streaming não paga nem o cafezinho, e os artistas estão cada vez mais produzindo e distribuindo de graça seu próprio material.

Foto: Ricardo Fujii

Há 25 anos, Daniel Figueiredo começou sua carreira tocando em bailes no interior de Minas Gerais. Hoje, é o responsável pelas trilhas sonoras de incontáveis produtos de sucesso da Rede Record, além da produção de discos, da criação de diferentes empresas da área musical e do gerenciamento de carreiras. No futuro, vê uma mistura ainda maior entre música e produtos audiovisuais – e planeja fazer parte dela. Dono de um olhar agudo e privilegiado sobre o universo musical, ele comenta à Revista UBC seus mais recentes trabalhos e demonstra um olhar otimista sobre a era digital: “é mais fácil para o artista produzir e divulgar sua arte”.


NOTÍCIAS : UBC/9

o internacional, de Olodum com pitacos de Paul Simon e Michael Jackson. E termina no momento atual, com os novos nomes, como Ivete Sangalo e Claudia Leitte. Não há envolvido de peso que não tenha sido ouvido: empresários, produtores, jornalistas, músicos e até os padrinhos Caetano Veloso e Gilberto Gil. Kertész consegue relatos exclusivos, e muitas vezes surpreendentes, de nomes como Mercury, Caldas, Bell Marques, Brown, Ricardo Chaves, Marcio Vítor, Ivete, Saulo. O material recolhido foi tamanho que Kertész já fala em alongar o projeto, aproveitar depoimentos e imagens cortados na edição e transformar tudo numa minissérie de cinco capítulos para a TV. Além dos depoimentos, as imagens de arquivo são um dos trunfos do documentário, que comprovam a origem popular e espontânea da axé music e a força regional que possuía antes de se tornar fenômeno nas mãos da indústria. “Tivemos que recuperar fitas U-Matic mofadas e digitalizá-las”, conta o diretor. Com isso, ganharam nova vida momentos marcantes como a presença de artistas então incipientes em programas de TV baianos e outros definidores em shows nacionais como o do Chacrinha, na Globo. A consagração numa apresentação ao vivo de Mercury no vão livre do Masp, em São Paulo, é mostrada com a devida emoção.

SAI DO CHÃO! E VAI PARA A TELA DOCUMENTÁRIO REPASSA HISTÓRIA DA AXÉ MUSIC E AJUDA A CONTAR A TRAJETÓRIA DE UM DOS RITMOS QUE INAUGURARAM O POP NACIONAL Por Luciano Matos, de Salvador A axé music ajudou a inaugurar, nos anos 1980, o verdadeiro pop brasileiro – com origem e apelo popular – e abriu as portas de um mercado que se tornou predominante no país. Forró eletrônico, arrocha, sertanejo universitário: todos eles, de certa forma, beberam daquela fonte e utilizam a lógica de mercado e o formato de apresentação forjado nas ruas e estúdios de gravação de Salvador. Mal compreendida pela crítica, essa onda nunca foi mesmo muito bem explicada. Até agora. O documentário “Axé – Canto do Povo de um Lugar”, que estreou em janeiro em 40 salas no país, joga luz nesse cenário e repassa a limpo a história do fenômeno.

Mesmo sem tocar profundamente em pontos polêmicos, como os métodos de atuação da indústria fonográfica ou o uso dos artistas pelo poder político – nem abordar a “canibalização” que o domínio do axé provocou sobre outros ritmos baianos –, o documentário traça um panorama bastante amplo. “A proposta não era se ater a pontos polêmicos. Abordamos o que achamos importante e relevante para a história”, diz Kertész. Assim, mostram-se brigas e desafetos entre os personagens da cena, numa construção temporal que leva ao momento atual – e que o diretor não chama de crise, mas de renovação. Para Kertész, a axé music carecia de filmes, livros ou mesmo estudos mais profundos sobre seu impacto na nossa música. “Não havia um documento que trouxesse a dimensão e a importância dessa parte da cultura brasileira. Eu queria que alguém já tivesse me contado essa história. Como não havia, eu a contei”, afirma. Em Salvador, a história tem ainda mais importância, e o público reconhece isso. As salas têm sido lotadas, com muitos aplausos ao fim das sessões. Se a axé music já não é mais tão soberana nos palcos, sua história certamente continua a emocionar na tela.

Ora chamada de movimento, ora de ritmo musical, ora de indústria, a axé music é um pouco de tudo isso, e é desta forma que o diretor Chico Kertész tenta decifrar o que aconteceu aqui na Bahia. Através de dezenas de entrevistas, sequências de shows, imagens de arquivo e um trabalho cuidadoso, ele explica, em pouco mais de 100 minutos, a origem e a dimensão dessa música autenticamente baiana. E de paternidade devidamente contestada, é claro. Ao falar do tema, o documentário traz o surgimento dos trios elétricos, a explosão primeira com Luiz Caldas e Sarajane, o batismo do nome, as disputas pela primazia da cena... Depois vêm o sucesso nacional retumbante de Daniela Mercury, É o Tchan, Terrasamba, Timbalada e Carlinhos Brown, e Daniela Mercury e Marcio Vitor, alguns dos muitos depoimentos do filme.


10/UBC : MERCADO

YOUTUBE: MODOS DE USAR SAIBA COMO MANTER UM CANAL POPULAR – E LUCRATIVO – NA MAIOR PLATAFORMA DE VÍDEOS DA INTERNET Por Bruno Albertim, do Recife Estourar ou, usando um termo mais contemporâneo, viralizar na internet nem é o mais difícil. Acontece até à revelia de quem persegue a fama virtual. A tarefa dura, mesmo, é continuar em alta em meio à enxurrada contínua de novos conteúdos, novas tendências. Se o terreno onde se busca a glória é o YouTube, então, prepare-se para uma batalha permanente. Na maior e mais popular plataforma de consumo de música na internet (e, como se sabe, também uma das que menos pagam aos artistas), a presença ativa na alimentação do canal e o domínio de técnicas de divulgação, bem como alguns conceitos básicos de marketing, representam a diferença entre vida e morte digital. Não basta apenas publicar um vídeo e esperar a coisa andar sozinha, por melhor que ele seja. “Antes de mais nada, é preciso ter comprometimento. Não se trata de uma mídia social como o Facebook ou o Twitter. O YouTube exige mais do usuário do que qualquer outra mídia”, aconselha Bárbara Apiacá, sócia-diretora da Locomotive, empresa de assessoramento e marketing digital que, em cerca de dois anos de atuação, virou referência nacional para artistas sem o suporte tradicional das antigas gravadoras ou agências de promoção. “Se o artista fica muito tempo sem alimentar a página, dá a impressão de que não há comprometimento, de que o conteúdo é meio desleixado. A não regularidade de envios pode acabar por gerar um desinteresse por parte do usuário”, continua.

FALA QUE EU TE ESCUTO E não é preciso, lembra a expert digital, ter uma música nova para mostrar a cada semana a fim de garantir assinaturas no canal. Até nomes de audiências superlativas como Marisa Monte, Anitta e Luan Santana alimentam seus canais falando com os fãs, dando pequenas entrevistas, depoimentos, fazendo covers – afinal, não é todo mês (ou ano) que se tem um disco novo. “Se você já é grande no mercado, a própria audiência o empurra. Mas, se é pequeno, é preciso alimentar a página com regularidade. Faça vídeos ensaiando, ensinando a tocar uma música, falar do processo de criação ou um diário de composição.... São muitas possibilidades”, Bárbara sugere. Nem todo mundo sabe, mas é possível ganhar dinheiro diretamente com os vídeos publicados no YouTube. A chamada monetização é uma tática lançada pelo gigante do grupo Google para estimular a constante publicação de novos conteúdos e, assim, manter sua posição hegemônica como banco de armazenagem de conteúdo audiovisual na internet. Por meio da ferramenta Google AdSense, o youtuber, ou seja, o usuário que publica vídeos ali, recebe 55% do valor dos anúncios (não se empolgue ainda, é preciso ter dezenas de milhares de visualizações mensais para ganhar algo

como US$ 100), assim como 55% da receita com assinaturas provenientes do canal que tiver criado. Os baixos pagamentos no YouTube são uma realidade mundial, e muitos artistas, de superestrelas a ultra-alternativos, vêm se queixando há anos de receber pouco por seu trabalho. Além disso, disseminou-se nos últimos tempos uma espécie de intermediário para esse negócio. Como redes de TV que usam a plataforma para agregar conteúdos produzidos por terceiros, as chamadas networks, também conhecidas como agregadores digitais, prometem maior exposição e visibilidade em troca de um percentual variável no total arrecadado pelo titular do canal com anúncios. No quadro abaixo você pode conhecer mais sobre essas estratégias de monetização.

VAMOS FALAR DE DINHEIRO? MONETIZAÇÃO, ADSENSE, 'NETWORKS': A PARTE QUE NOS CABE NESSE LATIFÚNDIO Os números são a base do negócio. Primeiro, é preciso publicar bastante (recomenda-se, no mínimo, três publicações por semana a princípio, a fim de gerar interesse e criar uma audiência). Com isso, a base de seguidores do seu canal tende a crescer. Por meio da ferramenta mais elementar de monetização do YouTube, o Google AdSense, que promete pagar 55% do valor de cada anúncio exibido durante um vídeo seu, é possível lucrar algumas centenas de dólares caso atinja uma base razoável de 30 mil a 40 mil seguidores. Isso demanda tempo e, claro, investimento em novos conteúdos (volte ao início deste parágrafo). Nos últimos anos, como já dissemos, disseminaram-se as chamadas networks, também conhecidas como agregadores digitais. São, basicamente, redes que reúnem conteúdos produzidos por milhares de canais mundo afora. Essas empresas ficam com um percentual variável do anúncio e, em troca, oferecem uma maior exposição que aumentaria o lucro total de quem adere a elas. Com usuários contentes (geralmente, os que têm milhões de seguidores) e outros nem tanto, essas empresas têm se popularizado e acabaram se transformando em uma ponte entre o gigante YouTube e os donos dos canais, a tal ponto que, no primeiro pagamento de todos os tempos realizado pelo portal aos titulares de direitos de reprodução, em meados do ano passado, o acordo foi fechado com algumas grandes networks brasileiras, e não diretamente com os youtubers. “Meus ganhos mensais caíram de mais de US$ 600, quando eu lucrava diretamente com o Google AdSense, para, às vezes, US$ 50, quando me associei a uma network americana. Lá, a estrutura é desenhada para atender aos donos de canais enormes, com milhões de seguidores. Portanto, antes de fazer um contrato, procure conhecer as boas networks, que realmente promovem os canais”, diz a youtuber curitibana Narumi Kataiama, cujos vídeos tratam de temas tão diferentes quanto música e cosplay, maquiagem e aborto.


MERCADO : UBC/11

MENOS 'NETWORK', MAIS REDE DE AMIGOS

cantores é sempre interessante”, diz a jornalista e empresária Rosário de Pompeia, diretora da Le Fil, empresa de mídia digital de referência no Nordeste. “Não menos importante é ficar atento ao buzz dos assuntos que rolam nas redes sociais para surfar nas ondas das principais pautas. Ou analisar sempre as tendências, como outros artistas estão usando o canal e ver se as novidades se adequam a você”, continua Pompeia. “No caso de artistas, sempre mostrar algo mais intimista, humanizado, é fundamental. Fazer, por exemplo, engajamento com perguntas e enquetes.”

Sem contar com networks, mas tão somente com a boa e velha ajuda de amigos, o músico Juliano Hollanda, um dos mais atuantes da cena contemporânea pernambucana (e autor, por exemplo, da trilha sonora da minissérie global “Amorteamo”, de 2015), publicou seu vídeo interpretando a canção dramática “Morrer em Pernambuco”, composta para um espetáculo da companhia Angu de Teatro, com sede no Recife. Em seguida, convidou seus amigos, músicos ou não, a subirem no YouTube videos caseiros, feitos com câmeras de celular, reinterpretando a canção. Em vozes e timbres diferentes, mais de dez músicos, além de fãs, publicaram suas versões em pouco mais de um mês, tornando a música uma das mais conhecidas e cantadas nos shows de Hollanda.

Cada vez mais novos artistas entendem que estar no YouTube (e em outras plataformas digitais) é bem mais que pupurina virtual. “A minha geração atravessa o desafio de se colocar no mercado em um momento de transição, em que a indústria falece. Nunca um artista precisou se preocupar com a divulgação como agora. A minha geração é persistente, porque precisa diariamente aprender a lidar com todas as etapas do processo e com as novas ferramentas que surgem todos os dias”, diz o compositor e compositor paraense Arthur Nogueira, que, depois de ver uma parceria sua com Antônio Cícero incluída no último disco de Gal Costa, tem chamado a atenção com um álbum em que interpreta sucessos do filósofo pop carioca, há décadas extrato do que é sucesso no Brasil.

Também o ajudou a prática de espalhar o link do seu canal por onde for possível – comentários em vídeos de outros canais, perfis de influenciadores –, promovendo a divulgação fora das “fronteiras” do seu próprio espaço no YouTube. “Criar uma rede de relacionamento para divulgar o trabalho, contar com apoio de influenciadores digitais ou da cidade ou de outros

Nogueira convidou a cantora e cineasta Ava Rocha, filha de Glauber, para dirigir o clipe de “Último Romântico”, com uma cuidadosa direção de arte e roteiro com beijos com outro rapaz na noite da Lapa: a música acabou gerando interesses além de sua musicalidade mais estrita. Embalar bem é também, afinal, imprescindível.

A QUESTÃO DOS DIREITOS AUTORAIS PORTAL CONTINUA SEM FAZER PAGAMENTOS E NÃO RECONHECE O STREAMING COMO EXECUÇÃO PÚBLICA Como a UBC informou na edição 29, o YouTube continua sem reconhecer o streaming no seu portal como execução pública, o que crê dispensá-lo do pagamento de direitos autorais ao Ecad. O gigante ficou de fora da primeira distribuição de streaming ocorrida na história do Brasil, em junho passado, quando mais de 116 mil titulares receberam R$ 2,38 milhões e 55% do total ficaram com o repertório da UBC. O protesto contra a prática é geral e, a coalizão UBC, Ubem (União Brasileira de Editoras de Música) e Procure Saber lançou em junho passado um protesto em que sustenta ser inaceitável o posicionamento da gigante em não reconhecer a legítima remuneração. “O YouTube, ao insistir na sua posição oportunista de não reconhecer os direitos de execução pública, na verdade se vale de frágeis artifícios para pagar menos aos autores musicais brasileiros”, diz um trecho da nota pública. (Leia a íntegra no site) Em maio, o YouTube anunciou ter fechado um acordo com algumas networks brasileiras distribuidoras digitais para o pagamento de direitos de reprodução das músicas incluídas nos vídeos. Os contratos para o cálculo, que seria retroativo, estariam sendo estabelecidos com os agregadores ABMI – Associação Brasileira da Música Independente, eMotion, MusicPost, ONErpm e Playax. Segundo fontes do mercado, longe de retribuir satisfatoriamente aos criadores brasileiros, o montante acordado os discriminaria, por representar cerca de 75% do valor que receberão compositores mexicanos em acerto equivalente. O YouTube não divulgou qualquer número relativo a esse pagamento.

ESPELHO MEU, EXISTE ALGUÉM MAIS VISTO DO QUE EU? Depois de publicar, o trabalho não termina. É a hora de analisar as reações, saber se homens ou mulheres clicam mais, quanto tempo os usuários passam em cada vídeo, de que região vem a maioria das visualizações, qual a idade do público mais fiel... Tudo isso é possível por meio de uma ferramenta oferecida pelo Google/YouTube, o Analytics. “A gente acessa o Analytics pela própria página e encontra uma série de informações, como retenção de audiência. Esse gráfico mostra quanto tempo a pessoa fica lá assistindo ao conteúdo”, afirma Bárbara. “Para quem está começando, fazer vídeos longos é um dos principais erros”, destaca Rosário. A partir dos dados de audiência, você pode direcionar as publicações para o melhor dia da semana, para o melhor horário, para agradar aos homens, para agradar às mulheres. As possibilidades são muitas. Não custa, também, fazer o bom e velho caminho da mídia mais tradicional. “Se você dá entrevistas a dez sites, seu nome fica mais em evidência nos mecanismos de busca de um gênero específico”, lembra José Alsanne, especialista em mídias digitais do departamento de Comunicação da UBC. O grande termômetro do investimento é mesmo a popularidade – esta, sim, capaz de gerar eventos e contratos.

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Dez dicas para tirar o melhor das redes sociais


12/UBC : PELO PAÍS

Foto: Marina Andrade

CALÇADA DA M ENGAJADOS, CRIATIVOS, UNIDOS EM COLETIVOS OU SOLITÁRIOS, ARTISTAS OCUPAM O ESPAÇO PÚBLICO E DÃO NOVO ÍMPETO À TRADIÇÃO ANCESTRAL DOS SHOWS DE RUA

O Rio, onde há um claro reflorescimento da cena de rua - do carnaval, das festas e dos shows -, um projeto de shows em praça pública começou a três anos e vem se fortalecendo no Méier, Zona Norte da cidade. Batizado de Leão Etíope do Méier pelo DJ, produtor e idealizador, Pedro Rajão, e iniciado na praça Agripino Grieco, o coletivo já reuniu mais de mil pessoas num só evento e teve em sua programação nomes relevantes da nova safra da música brasileira.

Por Michele Miranda, de São Paulo

“Muita coisa linda acontece num evento de rua. Você vê a mistura de classes sociais e ideológicas, as reações, os encontros inesperados”, analisa Rajão, nascido e criado nos arredores da praça. “No caso do Leão, a gente reativou um espaço abandonado e mostrou a potência que ele pode ter. O maior legado é que muita gente passou a fazer evento ali depois da gente. Agora somos procurados por muitas bandas e diretores de cinema que querem fazer evento, e até grandes marcas já demonstraram interesse em apoiar.”

Artistas independentes e novatos são muito criativos não só culturalmente, mas também quando o assunto é driblar as dificuldades de mercado. E isso ocorre desde tempos imemoriais. Na antiguidade clássica já havia relatos de cantores e atores apresentando-se pelas ruas e “passando o chapéu” em busca de uns trocados. Muitos séculos e uma revolução digital depois, a velha ágora se transferiu para as redes sociais. Mas não se apagou o ímpeto de criadores que ocupam o espaço público – real – com arte e estilo renovados, graças à supercontemporânea ajuda de coletivos, produtores, marcas de moda, comércio local, leis de incentivo e, principalmente, aos aplausos do público. “Comecei a tocar na rua quando cheguei a São Paulo e não vi alternativas”, diz o associado Diego Goldas, que menciona a nem sempre tranquila relação entre bares e artistas. “Na rua a gente toca na hora em que quiser, onde quiser, o tempo que quiser. Os ganhos na rua são muitos, inclusive financeiros. Na rua, tive o prazer de cantar com Alceu Valença (que passava e resolveu dar uma canja).” Diego ressalta ainda que uma cena assim só pode crescer se houver estímulo - ou, pelo menos, se não houver perseguição - do poder público. “Em São Paulo foi possível na gestão (Fernando) Haddad. Até então havia perseguição. A população precisa de uma reeducação cultural.”

ASSOCIADO CRIA EVENTO PARA BANDAS NOVAS Algo parecido é fermentado em Caxias do Sul (RS), onde o associado Luciano Balen, integrante da banda CCOMA, vai pôr em pé mais uma edição do Festival Brasileiro de Música de Rua, entre entre 14 e 19 de março, com previsão de um público de 30 mil pessoas. Em cinco encontros anteriores, mais de 500 artistas nacionais e internacionais já passaram pelos palcos montados em praças, avenidas ou antigas estações ferroviárias de cidades da região. “CCOMA começou a tocar na rua no fim de 2008, como uma forma de buscar espaço. Com o objetivo de democratizar o acesso à música, aproximar artistas e público, nasceu em 2012 o Festival Brasileiro de Música de Rua, que terá


PELO PAÍS : UBC/13

“Eu me juntei a um amigo que tinha uma banca de jornal e fiz quatro shows lá, em 2016, com base na Lei do Artista de Rua. Pegamos emprestado o equipamento na camaradagem, usamos energia elétrica da própria banca e vendíamos cerveja para arrecadar algum dinheiro. Um casal de mexicanos comprou vários discos meus para levar como souvenir do Brasil. Outra boa história foi um cara que deixou R$ 50 no chapéu e se ofereceu para ser meu produtor.”

Diego Goldas, Orquestra Voadora, Pedro Rajão e Rabu Jahe Macacko

MÚSICA sua sexta edição em março. Hoje temos financiamento da Secretaria Municipal de Cultura de Caxias do Sul, do Governo do Rio Grande do Sul, de algumas prefeituras vizinhas, além do Sesc. Esse apoio e a boa recepção do público são herança do tradicionalismo gaúcho, que sempre foi muito difundido através da música.” Sem tanto apoio governamental, o cantor e compositor Qinho inventou no Rio o festival Dia da Rua ao observar o que chama de decadência da sua geração. “Fomos afetados diretamente pelo fechamento de importantes casas de show, e ainda não éramos organizados o bastante para promover eventos de rua”, ele analisa. “Esse movimento maior está acontecendo no Brasil todo. O ideal para um artista independente é gerar uma cadeia produtiva na qual você tenha um público espalhado, mesmo que ele seja pequeno. O rendimento vem através da formação de público, consolidação do trabalho, venda de discos e produtos.”

“Muita coisa linda acontece num evento de rua. Você vê a mistura de classes sociais e ideológicas, as reações, os encontros inesperados” Pedro Rajão, produtor e idealizador

Apesar de haver iniciativas estaduais e municipais, como leis que garantem a livre manifestação cultural sem autorização prévia, criadores e produtores relatam perseguição da polícia, por desconhecimento, além de verdadeiras vias crúcis atrás de papéis de vários órgãos públicos. Para evitar a burocracia e minimizar os custos, o cantor Brunno Monteiro, associado à UBC, teve uma ideia:

Os coretos espalhados por diversas cidades brasileiras são outro palco potencial. Em Salvador, o projeto Coreto Sounds, de ocupação desses espaços com música, teve diversas edições em 2016. Numa delas, em outubro, no Largo Pedro Arcanjo, Anelis Assumpção, Curumin e Márcia Castro foram as atrações principais de um concorrido tributo aos Novos Baianos. O espírito de coreto se espalhou por lá, e dois projetos inspirados nesses espaços democráticos vieram a reboque: o Coreto Hype, com shows em Lauro de Freitas (BA), teve Lenine tocando num antigo armazém, e Alex da Costa criou um trio especial, circular, móvel, o Coreto Elétrico, para encher as avenidas soteropolitanas de frevo, ijexá, samba, xote etc. Na Ilha de Paquetá (RJ), foi num coreto que a extinta banda Letuce, de Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos, fez seu show de despedida para mil pessoas, em dezembro passado, dentro do festival Circuladô. “Sempre tivemos uma carreira de comunicação despretensiosa, e a rua é o melhor lugar para conjugar isso”, comenta Vasconcellos. “Quando você toca na rua, é a pescaria de um novo público. Financeiramente também é bom, porque o independente vende disco na rua, muito mais numa tarde do que o mês inteiro numa loja. E você pode fazer transmissão ao vivo no Facebook ou pedir para alguém filmar e depois disponibilizar esses vídeos no YouTube.”

NÃO SE ENGANE, A RUA É EXIGENTE O associado Átila Bezerra, que vem fazendo shows na Baixada Fluminense e em Niterói (RJ) desde 2012, celebra a proliferação desses coletivos que movimentam as nossas ruas, crê que a cena tende a se fortalecer cada vez mais, mas sentencia: não adianta tocar qualquer coisa, o público da rua é tão qualificado quanto qualquer outro: “A rua é exigente, o público vai atrás de eventos interessantes, de qualidade e, preferencialmente, gratuitos. Sem falar que as pessoas estão privilegiando eventos locais. Daí a necessidade da profissionalização, da busca por parcerias e de tentar caminhos como editais, por exemplo. É possível, sim, a geração de emprego e um retorno financeiro.” Se você tem o que dizer, a exposição sem dúvida abre novas portas. A rua, como sinônimo de mercado, num sentido mais amplo, pode projetar o artista para um público de massa. Ter tocado na calçada aqui em São Paulo pôs Diego Goldas na TV. “Hoje, eu e alguns artistas estamos numa série no canal Sony sobre compositores de rua. Isso tudo foi a rua que trouxe.”

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Brunno Monteiro e Diego Goldas em shows de rua

Foto: Vitor Jorge

NOVA VIDA AOS CORETOS


14/UBC : CAPA

Por Leonardo Lichote, do Rio

FILHO DE MUITOS PAIS (E MAES); PATRIMONIO DE TODOS NOS • O SAMBA CELEBRA UM SÉCULO DA CONSAGRAÇÃO DE SUA PRIMEIRA GRAVAÇÃO, “PELO TELEFONE”, CRIAÇÃO TIDA COMO COLETIVA E REGISTRADA POR DONGA • TRANSFORMADO EM SÍMBOLO DA NOSSA IDENTIDADE, REINVENTA-SE PARA SEGUIR REPRESENTANDO UM PAÍS QUE IGUALMENTE MUDA SEM PARAR

A certidão de nascimento do samba data de 27 de novembro de 1916. O batismo, porém, foi só em fevereiro de 1917, quando sua primeira gravação, “Pelo Telefone”, registrada meses antes na Biblioteca Nacional por Donga e Mauro Almeida, consagrou-se no carnaval. Se o samba inaugural tem duas datas fundacionais, sua criação é ainda mais plural: foi coletiva, como tantas outras surgidas nos encontros de Tia Ciata, baiana moradora da Cidade Nova que ocupa o lugar mítico de “mãe do samba”. Igualmente compartilhado é o sucesso das primeiras gravações, primeiro por Bahiano, depois pela Banda da Casa Édison. Esse nascimento “coral”, feito de tantas contribuições diferentes, diz muito sobre o caráter agregador, múltiplo, do gênero, antecipando o lugar que ele ocuparia no imaginário coletivo nacional tantas décadas depois. A letra desse marco, como se sabe, satiriza com malandragem a vida do Rio de então (“O chefe da polícia pelo telefone mandou me avisar/ Que na Carioca tem uma roleta para se jogar”). Mais do que um tema constante, a então capital federal, a despeito da discussão sobre se o samba nasceu aqui ou lá na Bahia (ou mesmo se foi trazido da África), teve papel fundamental na gestação da cultura sambista. É o que explica o historiador Luiz Antonio Simas, autor, com Nei Lopes, do “Dicionário da História Social do Samba”. “Você tem no Rio um raro momento de encontro, que se explica pela própria geografia da cidade, na qual, a rigor, é difícil se falar de periferia no início do século. O trânsito entre áreas abastadas e menos abastadas é muito frequente.


CAPA : UBC/15

Primeiro você tem a entrada maciça de escravos, gente da lavoura cafeeira do Vale do Paraíba, com sua memória do jongo, dos cantos bantos. E, ao mesmo tempo em que é depositária de saberes africanos, a cidade tinha um projeto cosmopolita, de ser europeia, a Paris Tropical”, ele descreve. “De um encontro que, a princípio, é tenso entre uma cidade que é profundamente negra, que herda a cultura da África, e uma outra que se deseja o contrário disso, desse caldo muito contraditório é que surge o samba. Ele é resultado dos batuques negros com a música tonal europeia, mais o violão ibérico, o pandeiro árabe.”

E

PROIBIDO SAMBAR

A tensão se mostrava na forma como o samba se desenvolvia na cidade. Ao mesmo tempo em que se afirmava como sucesso popular, enfrentava preconceitos nos salões nobres – baseado, seguramente, no racismo – e, até mesmo, perseguição policial. A imagem do gênero perante o Estado só sofreu uma mudança significativa a partir do governo de Getúlio Vargas, que

tinha a música (e, mais precisamente, o samba) entre suas estratégias de criação de uma unidade nacional. Vargas fortaleceu o batuque ao incluir seu uso como instrumento de propaganda de sua política trabalhista, via seu Departamento de Imprensa e Propaganda. O famoso caso da mudança da letra do samba “O Bonde São Januário”, composta por Wilson Batista e sucesso na voz de Ataulpho Alves, ambos fundadores da UBC, é tão simbólico quanto anedótico. Originalmente, ele dizia “Quem trabalha não tem razão/ Eu digo e não tenho medo de errar/ O bonde São Januário leva mais um sócio otário/ Sou eu que vou trabalhar”. Depois da “cooptação pelo regime”, virou: “Quem trabalha é quem tem razão/ Eu digo e não tenho medo de errar/ O bonde São Januário leva mais um operário/ Sou eu que vou trabalhar”. Da resignação irônica do malandro ao orgulho do trabalhador. O Estado Novo, portanto, marca o processo de legitimação do samba como gênero da identidade nacional, a “síntese da alma do brasileiro”. Mas Simas contesta a teoria de que esse movimento tenha sido de mão única, do Estado na direção do samba. “Pensar isso é achar que o samba foi meramente manipulado. O mundo do samba é um elemento ativo desse processo. É um diálogo tenso, de afago e de porrada de parte a parte. Havia esse estado, que se apoiava sobre um discurso supercomplicado de mestiçagem cordial para legitimar o samba. Mas, do outro lado, o samba queria garantir sua legitimidade. O desejo do sambista sempre foi o de ascensão, o de conseguir uma viração que não seja tão pesada. Esse discurso de que o sambista tem que ficar ferrado no gueto é perigoso, além de equivocado. Wilson Baptista dizia que o pedreiro construía a casa e, depois, ela ia ser de outra pessoa: 'O que sei fazer é samba, então vou negociar o samba.' O próprio movimento de Donga de registrar 'Pelo Telefone' é o de perceber esse encontro da indústria fonográfica com aquilo que vinha das ruas.”

UMA CULTURA QUE

PRECEDE O PROPRIO GENERO

Alfredo Del Penho, que samba entre os ofícios de pesquisador, instrumentista, cantor e compositor, acredita que o gênero conseguiu se firmar como marca de nossa identidade porque sempre conversou diretamente com os elementos que nos caracterizam. “As pessoas no Brasil já eram o samba antes de se dar esse nome. A ideia de uma música corporal, que se faz em roda, coletivamente... Isso representa práticas que semearam nossa sociedade. As características do samba, principalmente a ideia de endossar a coletividade, permitiram que ele fosse abraçado como sendo o Brasil.” Caetano Veloso contou certa vez de um diálogo no qual citava algumas de suas cantoras de samba favoritas hoje. Ao ser questionado sobre a ausência de Mart’nália em sua lista, ele retrucou: “Mas ela não é uma cantora de samba, ela é o samba!” Encarnação do gênero segundo o baiano, a filha de Martinho da Vila fala com intimidade da identificação dessa música tão nossa com o próprio Brasil: “O samba, para mim, é casa, vem de pai, mãe e bairro. É a alegria com que ele toma as pessoas, cada vez mais se misturando, com essa coisa de abrigar tudo”, diz, ecoando as palavras de Simas sobre a origem do gênero. “Daqui a 100 anos vai estar melhor ainda. Porque não tem mais o mistério do que se pode ou não fazer”, ela prevê. “O samba é de todo mundo, qualquer um faz um samba. Para a namorada, batucando na mesa, brincando... O preto e o branco. É como o Brasil. Isso não vai acabar, é parte da alegria. Mesmo quando é triste. Vim de um pai que canta sorrindo. Já me disseram 'você podia cantar blues'. Mas não tenho essa tristeza toda em mim. Então, canto samba.”


16/UBC : CAPA

'CADENCIA, ALEGRIA E MALANDRAGEM' A alegria – ou a “tristeza que balança” e “que tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste, não” – é apenas uma das faces do samba. Beth Carvalho chama a atenção para a importância do gênero como expressão de uma enorme massa de brasileiros que aprenderam a se manifestar por ele. “O samba não só combina com o Brasil, ele representa nossa resistência, a voz do morro, das minorias, das desigualdades, tudo cantado sem perder nossa coragem e nossa alegria. Sinto falta do samba revolucionário, que denuncia a favor do povo.” Afilhado de Beth, que o lançou na gravação de “Camarão Que Dorme a Onda Leva”, Zeca Pagodinho lista as características de um bom samba: “Tem que ter uma boa melodia, uma boa mensagem. E, se não for samba-canção, uma boa batucada. O samba tem a cadência, a alegria e a boa malandragem do brasileiro. O povo se identifica com ele. Seja qual for a região, seja qual for a religião. E vai ser assim por muito tempo, porque, como diz Nelson Sargento, 'o samba agoniza, mas não morre'.

VIVO E CHEIO DE ENERGIA O otimismo de Zeca é justificável, na visão de Alfredo Del Penho. Para ele, o samba está muito mais vivo do que pode parecer pelas paradas de sucesso, hoje dominadas por gêneros como o sertanejo universitário e o funk. “Tem muitos compositores fazendo samba bom. Artistas que chegam ao mercado, que se tornam realmente populares, como Zeca, Diogo Nogueira, Alcione, Arlindo Cruz, Beth Carvalho, representam apenas uma fatia pequena da produção do samba hoje. Inclusive em termos de instrumentação”, aponta Del Penho. “Quando você vê o trabalho de nomes como (o compositor paulista) Douglas Germano, você percebe que o samba dele não está na mesma gaveta que o de Diogo ou Zeca ou Arlindo. Soa contemporâneo, apesar de ser baseado em muitas tradições que são as mesmas fontes de Zeca. E é ousado, mas ao mesmo tempo tem potencial popular, pois um de seus sambas viralizou na voz de Elza Soares ('Maria da Vila Matilde', gravado no último disco da cantora).” O samba segue sua história, portanto, entre a ousadia e a popularidade – tal qual no seu nascimento, há 100 anos. Desdobrando-se em gêneros, como vem fazendo desde sempre: samba-choro, samba-canção, samba-funk, sambarock, samba de roda, samba-enredo... Luiz Antonio Simas classifica alguns dos marcos fundamentais nessa trajetória: “Em primeiro lugar, o samba baiano da casa das tias da Cidade Nova, por ter aberto essa perspectiva do encontro da rua com a indústria fonográfica. Depois, o samba do Estácio (da geração de Ismael Silva, Bide e Marçal, do fim dos anos 1920), que sedimentou a ideia de samba urbano. Num momento posterior, a bossa nova, que, apesar de alguns não aceitarem, é um marco na história do samba. Em seguida, o samba esquema novo de Jorge Ben Jor, um dos mais potentes renovadores do samba brasileiro, que soube refletir como ninguém esse diálogo entre tradição e modernidade. Por fim, a grande revolução caciqueana (a geração surgida no Cacique de Ramos no fim dos anos 1970 e início dos 1980), que abriu para tudo que veio depois, dando margem à mais absoluta diluição do pagode dos anos 1990 até o samba mais tributário aos clássicos, a chamada geração da Lapa (de nomes como Teresa Cristina e Pedro Miranda).” Um gênero, como se vê, coletivo, variado, permissivo, criativo. Exatamente como gostamos de pensar que é a nossa cultura.


CAPA : UBC/17

COMO BRILHAR NA SAPUCAÍ, A CATEDRAL DO SAMBA-ENREDO Quando um refrão explode na Avenida Marquês de Sapucaí, num cantinho do Centro do Rio de Janeiro próximo à Praça Onze, a mítica “Pequena África” de Tia Ciata, traz consigo não só um século de história do samba, mas também longos meses entre a composição e a coroação nas quadras de cada escola. O processo é uma competição aberta, na qual conta muito o investimento em mobilizar torcidas – em outras palavras, em trazer ônibus de torcedores para apoiar seu samba. A qualidade, porém, é fundamental. “O segredo é a união da parceria. Sozinho não se consegue ganhar nada no mundo do samba-enredo”, afirma Samir Trindade, um dos autores do tema vencedor da Portela em 2017, sétimo que leva à Avenida pelo Grupo Especial. “Vários encontros são feitos. Para esse da Portela de 2017, foram 10 encontros para compor.” O formato se firmou na segunda metade dos anos 1940. Antes, o mais comum era as escolas improvisarem sobre refrãos ou cantarem sambas que faziam alusão ao enredo. Depois de muitas fases (da historiografia oficial aos enredos negros, da cadência melodiosa dos anos 1960 até os andamentos mais acelerados das últimas décadas), o gênero entrou num período de desgaste entre os 1990 e os 2000. Trindade, que chegou a comandar na Portela uma roda de samba só com sambasenredo, chama a atenção para a necessidade de buscar caminhos originais para sair da ideia de fórmula:

“Quando quiseram engessar, aquela coisa de dez versos, mais quatro de refrão do meio, mais dez versos e mais quatro de refrão de cabeça, ficou uma mesmice. Hoje tem sambaenredo com três refrãos, samba sem refrão, com refrão em tom maior, em tom menor. A melhor fórmula é não ter fórmula”, crê. “Ano passado, pusemos a águia da Portela como narradora do samba-enredo. Este ano, como o enredo era 'Foi um rio que passou em minha vida', tentamos captar o sentimento de Paulinho da Viola, imaginar o que ele sentiu quando viu a Portela na Avenida, para entender como é isso para o portelense, para entender o que a Portela é.” Trindade e especialistas do gênero como o pesquisador Haroldo Costa ponderam que o samba-enredo atravessa um bom momento, de compositores atentos à tradição, mas que procuram inovar. A tecnologia também cumpre seu papel; afinal, a quantidade de informação com a qual a internet municia os compositores não era nem sonhada pelos mestres fundadores. Além disso, ela alterou a própria disputa de samba-enredo. “Os sambas concorrentes são divulgados pela internet, o que impede que aconteçam injustiças como as que havia antigamente, quando só quem estava lá na hora sabia que um samba muito melhor havia sido eliminado. Hoje, graças à internet, vem gente de todo o Brasil abraçando o samba”, comemora Trindade, antes de fazer uma alerta: “A internet também é perigosa. Porque uma coisa é a gravação ouvida no fone, outra é a disputa na quadra. E é a quadra que tem que definir.”

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Álbum com os sambas de enredo das escolas do Rio de Janeiro 2017


18/UBC : HOMENAGEM

'FOI MARAVILHOSO, FANTÁSTICO. NADA FOI TÃO BOM' CARLOS COLLA, UM DOS MAIORES COMPOSITORES DO NOSSO POP, REPASSA DÉCADAS DE VIDA NA MÚSICA E SEGUE CRIANDO, COM ROTINA REGRADA: 'UM DIA SÓ TEM RAZÃO DE SER SE EU PUDER CRIAR. SE NÃO, É UM DIA PERDIDO' Do Rio O pop produzido no Brasil – e que, tamanha a nossa pluralidade geográfica, social, étnica, abarca gêneros tão díspares quanto o sertanejo e o axé, o funk e o pagode, o brega e o arroxa – é, não raro, maltratado por uma certa intelectualidade. Mas é, foi e continuará a ser também ponta de lança da indústria fonográfica e expressão privilegiada da cultura brasileira. Pelo menos enquanto tiver entre seus compositores gente do calibre de Carlos Colla. Nascido em Niterói (RJ), numa família coalhada de engenheiros, pôs a mão pela primeira vez, sozinho, num violão há coisa de 60 anos. Não tirou mais. E traduziu, com suas composições – muitas criadas enquanto advogava em plena ditadura militar, na década de 1970 – amores, decepções, alegrias e amarguras compartilhados por milhões de brasileiros. Autor de canções inesquecíveis nas vozes de Roberto Carlos, Sandra de Sá, Emílio Santiago, Alcione, Bruno & Marrone, Erasmo Carlos, Sandy & Júnior, Wanderléia, Fafá de Belém, Chitãozinho & Xororó, Wanderley Cardoso, Agnaldo Timóteo, Xuxa, The Fevers e até do atual prefeito do Rio, Marcelo Crivella – a lista segue –, Colla não para de criar e conta à Revista UBC como mantém uma linha de produção diária e disciplinada. Sua vida é intrinsecamente ligada à música. Mas nem sempre foi assim, certo? Como começou essa relação? Carlos Colla: Fui totalmente desestimulado pela família (risos). Fui criado para outra coisa: na minha família, engenharia era a tradição. E, pelo lado do meu avô materno, o jornalismo. Mas eu não tinha a ver com nada disso, queria era saber de música. Aos 13 ou 14 anos pus a mão num violão pela primeira vez e me apaixonei. Aprendi sozinho e não parei mais. Anos depois, me formei advogado, cumpri minha obrigação burguesa (risos). E a música seguia ali como o escape, como a loucura. Era a cachaça. Paguei 10 anos de penitência dentro da OAB cumprindo minhas obrigações, digamos, patrióticas e consegui escolher o lado doce depois disso. Tive uma colega de trabalho, funcionária da OAB, como eu, que morreu na explosão de uma carta bomba. Eram tempos duros. Então decidi que queria viver, abracei a música. Aos 38 comecei a me dedicar exclusivamente a ela. Também renunciei a coisas. O


HOMENAGEM : UBC/19

Direito te dá bens materiais maravilhosos. Acabou meu antigo casamento, quase enlouqueci e perdi uma fortuna, mas foi maravilhoso, fantástico. Nada foi tão bom. A música continua a fazer parte da sua rotina... Total e diariamente. Eu uso na música o mesmo rigor que usava na advocacia. Trabalhando seriamente. Tenho uma rotina de trabalho, um trabalho como qualquer outro. Um dia só tem razão de ser se eu puder criar algo. Se não, é um dia perdido. Hoje (20 de janeiro) eu estou assustado com a morte do (ministro do Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki. Ainda não consegui me sentar para escrever. Mas vou fazer isso. E ontem? Ontem eu fiz uma melodia bonita para caramba. Está lá. Anteontem coloquei letra numa música linda também. Tudo me inspira a escrever. O amor dissecado em seus avessos e direitos e lados mil. Ainda continua em contato com o Roberto Carlos? Em 2016 quase gravamos uma, mas ele não lançou o disco. Fez muito bem em não lançar. Esse mercado... Olha, eu não tenho nada contra a era digital. Para a música não muda nada. O suporte que vai usar, se é cera, vinil, CD ou nuvem, não faz diferença. É só um suporte. A música é a mesma. Para o artista não muda. Muda para quem vive do artista, quem vive ao redor dele. Eu não posso me queixar. Tenho sido bem remunerado, porque produzo muito. E tampouco tenho grandes compromissos com grupos x ou z. Não sou de turma nenhuma. Trabalho para o brega, o sertanejo, o cult, a MPB, a bossa nova. Trabalho para todo mundo. Não acredito em divisões. Música é uma coisa muito inteira. Me dou bem com todo mundo e estou sempre trabalhando. Neste momento eu acabei de gravar com o Edson Wander, brega. Ficou linda. Talvez o purista olhe para mim e diga: “mas como você, que grava com Emilio Santiago, grava com o brega?” Eu digo que Emilio e o brega são igualmente artistas, dentro do seu estilo, cada um faz sucesso com seu público. É tudo bonito. É tudo lindo. Ainda sobre essa transição na indústria: quando mudou do vinil para o CD houve um recuo financeiro primeiro para, depois, vir uma avalanche de dinheiro. Se você quer ganhar, tem que estar ligado no novo. Nas mídias sociais, nos meios digitais, antenado, ligado. Tem que ter alguém que vá futucar o mercado e as oportunidades de inserir a sua música.

"Não sou de turma nenhuma. Trabalho para o brega, o sertanejo, o cult, a MPB, a bossa nova." Não o preocupa a má remuneração da era digital? Não poucos críticos chamam estes tempos de era dos centavos. O compositor sempre ganhou em cima de centavos. A pirataria, nos discos anteriores, já tinha corroído completamente o poder de remuneração de um compositor. Eu dou sorte porque gravo com Bruno & Marrone, Chitãozinho & Xororó. Esse pessoal me prestigia. Se eu chegasse agora, não sei o que seria. Reconheço que hoje é muito mais difícil para um artista fazer sucesso. Está tudo muito pulverizado. Antigamente, no tempo das gravadoras, a gravadora pegava uma quantidade de dinheiro e colocava em determinado canal de televisão e em determinado grupo de emissoras de rádio, e a gente sabia que tinha um sucesso certo. Foi quando o diretor artístico,

que pensava em artes, foi substituído pelo diretor dos números. Vender música e vender banana ou eletrodoméstico passou a ser a mesma coisa. Parece ruim o quadro, mas é uma grande oportunidade para o compositor que pensa além do sucesso momentâneo, aquele que leva seis meses para trocar uma frase numa música, que se esforça e leva a sério e se deslumbra e chora e faz de novo e de novo e de novo. Até que um dia acorda e está lindo. Faz sucesso, claro, e dura. Esse processo é lindo, maravilhoso, extático. Você certamente viveu essa emoção centenas de vezes. Tem ideia de quantas músicas produziu ou teve gravadas? Nenhuma ideia. Mais de mil, sei lá. São muitos anos de vida, muitos parceiros, muita paixão. Entre os parceiros, destacaria algum em especial? Muitos. Todos. Chico Roque, Mauricio Duboc, Michael Sullivan, Roberto Carlos, Elias Muniz. Nenéu … São tantos, tantos, tantos, todos tão maravilhosos… Eu costumo dizer que faço sucesso por causa dos parceiros. Eles me arrastam. Também tenho um parceiro com o qual escrevo música social, o atual prefeito do Rio, Marcelo Crivella. Escrevemos juntos desde quando ele não era político. Temos mais de cem canções juntos e continuamos a compor. É um cara ardorosamente preocupado por injustiças sociais. É um cara de uma inteligência maravilhosa, deslumbrante, e em quem tenho muita fé. E o palco? Nunca o atraiu como o trabalho de composição? Não é minha paixão cantar. Eu gosto de cantar para os meus amigos. Nunca tive pretenção de ser artista. Acho lindo eles serem. É lindo. A gente só é feliz fazendo o que gosta. É lindo um cantor como Ricky Valen chegar e cantar tudo aquilo. O Bruno, do Bruno & Marrone, canta tudo aquilo. Abre a boca, e você pensa “uau”. Essa turma do sertanejo canta muito. Luan Santana... Mas, quando eu canto, vejo um monte de defeitos. Então não me dá o menor prazer. Eu faço show. Os caras adoram. Já cantei pra 10 mil pessoas. O último show grande que eu fiz foi no Vivo Rio (casa de shows localizada no Centro do Rio de Janeiro). Consegui lotar o Vivo Rio. Fiquei maluco. É uma trabalheira, cansa, você não faz ideia. E tem muita repetição. Gosto de fazer coisa nova. E cantar as novas não adianta nada. O público quer as velhas (risos). Mas, de vez em quando, eu faço. Depois dos três uísques eu não quero mais descer do palco. Mas não quero ficar bêbado a vida inteira. (risos) Com a experiência de tantas décadas, deve ter muitas histórias para contar sobre o mundo musical. Não pensa em escrever um livro? Sobre música, não. Talvez sobre Direito (risos). Continuo a ter paixão por lei, por Direito. Mas a verdade é que não dá tempo. Tenho 72 anos. Eu tenho que dar conta dos meus clientes musicais, que esperam as encomendas que me fazem. Tenho que dar conta dos clientes que acumulei. Dá um trabalho enorme. Mas tenho saudade do Direito. Ficou aquela saudade, uma sensação de que perdi algo. Sou assim, sempre serei. Um sonhador, alguém que acha que tem algo mais para viver. Você acaba de vir para a UBC. Que expectativa tem? Vejo grande conhecimento na UBC, vejo que aqui existe o que há de mais moderno em direitos autorais, em gestão coletiva. Não fico arraigado a velhas músicas nem a velhas fórmulas. Eu estava satisfeito com a arrecadação de direitos autorais, mas decidi vir para cá. Confio no Marcelo (Castello Branco, diretor-executivo da UBC) e na minha representante, que é a Cléo (Barreto), de Goiânia, e tenho altas expectativas com o trabalho da associação.


20/UBC : NOTÍCIAS

NOVIDADES INTERNACIONAIS UBC PARTICIPA DE EVENTOS INTERNACIONAIS Duas entidades internacionais que representam associações de compositores realizaram diferentes eventos no final de novembro, no Equador e na China, para debater estratégias de fortalecimento dos autores na era digital. E a UBC participou de ambos os eventos. No encontro chinês, o Fórum Mundial de Criadores, promovido pela Cisac com a presença do diretorexecutivo da UBC, Marcelo Castello Branco, a transferência de valor na economia digital e a campanha mundial para a remuneração justa foram tema de discursos. “O fórum foi uma grande oportunidade de aproximação com o mundo particular e gigante que é a China. Nos últimos 30 anos, eles avançaram muito no entendimento da propriedade intelectual e das questões autorais”, diz Marcelo Castello Branco. Na margem sul-americana do Pacífico, os diretores da UBC Geraldo Vianna e Manno Góes participaram, de 21 a 24 de novembro, de mais uma edição do Seminário Internacional de Formação Para Autores e Compositores. Idealizado por Vianna, em cooperação com Barbara Nash, diretora-executiva da Aliança Latino-Americana de Compositores e Autores de Música (Alcam), o evento percorre diferentes países para dialogar com os criadores locais, ouvir seus problemas e debater soluções. Com apoio da UBC, a edição de Quito e Guaiaquil teve importante contribuição da Sociedad de Autores del Ecuador (Sayce). Em novembro, representantes da UBC já haviam participado de encontros com teor similar em Londres, promovido pelo Conselho Internacional de Criadores de Música (Ciam), e no México, realizado pela Alcam.

GIGANTES DA INTERNET SE UNEM PARA ATACAR NORMA EUROPEIA DE DIREITOS AUTORAIS Lançada em setembro passado, a proposta da Comissão Europeia de uma nova normativa continental para fortalecer os direitos autorais – e que, entre outras coisas, obriga os sites de conteúdo colaborativo a criar mecanismos para coibir a publicação de materiais piratas – fez o que parecia impossível: unir os grandes conglomerados da era digital. Amazon, Google, eBay, Microsoft, Netflix, Samsung, Yahoo, Airbnb, Facebook, Spotify, Twitter e Uber, entre diversos outros atores beneficiados pela chamada economia colaborativa, enviaram uma carta em dezembro a John Kerry, então ainda secretário de Estado dos Estados Unidos, e a associações locais, pedindo que o país norte-americano se posicione claramente contra o que chamam de “golpe à internet livre e aberta”. Basicamente, os gigantes não querem arcar com os enormes gastos de criação de soluções digitais para filtrar e bloquear conteúdos publicados sem o devido pagamento de direitos autorais. Na linha de frente dos protestos estão Google News, a plataforma da Google reiteradamente acusada de infringir leis internacionais de copyright ao publicar notícias sem autorização dos proprietários dos direitos autorais; e YouTube, frequentemente denunciado por infrações ao aceitar conteúdos audiovisuais sem autorização dos autores. Nem o governo anterior, de Barack Obama, nem o novo, de Donald Trump, se pronunciaram sobre a ofensiva das grandes corporações da internet.

ARRECADAÇÃO COM DIREITOS AUTORAIS CRESCE 8,9% E SUPERA € 8,6 BILHÕES A Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores (Cisac) divulgou seu Relatório Global de Arrecadação 2016, com dados de 2015 e uma boa notícia: apesar da desaceleração do crescimento mundial, os ganhos com direitos autorais cresceram pelo terceiro exercício consecutivo, superando, pela primeira vez, os € 8 bilhões. Os dados recolhidos das 239 sociedades que compõem a Cisac, a UBC entre elas, mostram um salto de 8,9% em relação a 2014, totalizando € 8,6 bilhões a titulares de todo o mundo, sendo que o segmento música, sozinho, representou cerca de 90% do total, ou € 7,5 bilhões. Os outros segmentos, audiovisual e artes visuais, tiveram crescimentos expressivos de 15,1% e 27,4%, respectivamente, em relação ao ano anterior. A arrecadação em serviços digitais, esperança de muitos autores e da indústria fonográfica, manteve sua expansão acima da média e foi 21,4% maior que em 2014, atingindo 7,2% do total arrecadado ao redor do mundo.

STREAMINGS JÁ SÃO 80% DO MERCADO DE SINGLES BRITÂNICO E MUDAM METODOLOGIA DE CONTAGEM A Official Charts Company (OCC) britânica, empresa responsável pelas medições das paradas de sucesso daquele país, publicou um relatório em que afirma que 2016 marcou a quase dominação dos streamings no mercado de singles. As reproduções de conteúdos em sites como Spotify, Apple Music ou YouTube já representam 80% do total dos singles britânicos, o que levou, inclusive, a uma mudança de metodologia. Antes, cem streams custavam o equivalente à venda de uma faixa solta, um single. Agora serão necessários 150 streams para essa equiparação. Essa mudança de peso visa a manter a venda física viável. “É a constatação da rápida mudança na natureza do consumo de música no Reino Unido. Tivemos de adaptar a maneira como medimos a contribuição dos streams para nos adaptar aos novos tempos”, afirmou Martin Talbot, presidente da OCC, ao portal especializado Complement Music Update. Para ilustrar, ele mencionou o exemplo do single “One Dance”, do cantor Drake, que teve 530 mil downloads e 142 milhões de streams. “É um caminho sem volta.”

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Paul McCartney quer reaver direitos sobre obras dos Beatles


NOTÍCIAS : UBC/21

AOS 49 DO SEGUNDO TEMPO LEGISLAÇÃO EUROPEIA QUE PROTEGE DIREITOS AUTORAIS POR SÓ 50 ANOS ESTARIA LEVANDO A INDÚSTRIA A ESPERAR ATÉ O ÚLTIMO MOMENTO PARA LANÇAR PÉROLAS INÉDITAS DE GRANDES NOMES DA MÚSICA O lançamento de um tesouro, no apagar das luzes de 2016, nos Estados Unidos, colocou igualmente pontos de exclamação sobre as cabeças dos fãs e de interrogação sobre muitas outras no mundo musical. Sem os devidos fogos de artifício que a situação evidentemente requeriria, saiu o álbum “Motown Unreleased: 1966”, coalhado de originais de Marvin Gaye, The Supremes ou The Underdogs jamais lançados. Seria motivo de pura festa, não fossem outras três entregas recentes também igualmente surpreendentes: “Graduation Day 1966: Live at the University of Michigan”, no início de dezembro passado, trouxe concertos dos Beach Boys jamais publicados em discos; “The 1966 Live Recordings” fez o mesmo com apresentações de Bob Dylan; e “The Early Years Box Set” compilou gravações inéditas de shows do Pink Floyd. Ou o ano de 1966 foi astrologicamente pródigo em esquecimentos de joias da música ou há algo de estranho nisso tudo. Advogados de direitos autorais apostam na segunda opção e culpam uma insatisfatória legislação europeia por isso. É que a lei de direitos autorais de 2011 da União Europeia estabeleceu em apenas 50 anos o período de proteção aos direitos autorais após um lançamento musical – e não em 70, como queriam compositores, intérpretes e a indústria fonográfica e, mais importante, como preconizam diversas legislações nacionais mundo afora. Assim, enquanto lutam por uma revisão que, pelo menos, estenda em duas décadas o prazo atual no continente europeu - um dos mais importantes mercados de consumo de produtos audiovisuais do mundo -, as discográficas, preveem especialistas, continuarão a “segurar o ouro” o mais que puderem. “Não há nada na lei que fale de gravações jamais lançadas, mas, por precaução, as gravadoras estão esperando o fim do limite de 50 anos para lançar coisas antigas de alta qualidade que têm em seu acervo”, afirmou à “Billboard” Michael Surkin, um conhecido advogado americano especialista no tema. Em teoria, ele lembra, o simples fato de a gravação existir já constitui um fato gerador de direitos, mas, para evitar ter de ir à Justiça por eles, a indústria estaria escolhendo o caminho mais seguro. O prolífico período de produção da primeira metade dos anos 1970, que inclui coisas jamais publicadas de Bruce Springsteen e Led Zepellin, poderia provocar um novo “revival” por meio de lançamentos tardios de canções desses artistas, previram especialistas à publicação americana. Espera-se que até 2025 venham à luz muitos desses álbuns, que incluiriam ainda coisas dos Rolling Stones. Pérolas em conta-gotas para garantir lucros pingando por alguns anos mais na conta dos criadores. (Publicado originalmente no site da UBC)


22/UBC : CARREIRA

NA TRILHA D

MARCEL ASSOCIADO E GERENTE MUSICAL DA TV GLOBO, O CARIOCA RESPONSÁVEL PELA SELEÇÃO DE MÚSICAS PARA NOVELAS E SÉRIES FALA SOBRE SEU PROCESSO DE TRABALHO E ADVERTE: SHOWS, STREAMING, CDS, TUDO VALE PARA PROMOVER A SUA MÚSICA E IR PARAR NA TELEVISÃO


Foto: Sergio Zallis

CARREIRA : UBC/23

Do Rio O gerente musical da TV Globo, que coordena os trabalhos de seleção de canções para as obras de ficção da casa, tem múltiplos talentos. E um dos mais importantes é saber enxergar o outro. Associado da UBC, o carioca Marcel Klemm, de 37 anos, sete de experiência na Som Livre antes de saltar para o cargo em que elaborou 12 trilhas – “Malhação”, “Velho Chico”, “Justiça” e “Rock Story” entre elas –, prega a necessidade de se despojar de gostos pessoais ou ideias preconcebidas. “Escolho música para os outros, a que melhor se encaixe na história”, esclarece. Com o boom no mercado de produtos audiovisuais nos últimos anos, o segmento de trilhas vive crescimento igualmente exponencial. Mas Klemm não crê que emplacar uma canção numa série, numa novela ou num filme deva ser o objetivo primordial de um compositor ou intérprete: “Deve ser consequência, não objetivo. A adequação artística à história é o mais importante sempre.” Nesta entrevista com a Revista UBC, ele conta um pouco sobre sua carreira e seu processo de produção e sentencia: “Não existe música ruim. Existe a que te emociona ou não.” Pode nos contar um pouco de sua experiência pregressa? Antes de ser gerente musical, como foi sua passagem pela Som Livre? Marcel Klemm: Fiquei sete anos na Som Livre, onde passei por diferentes áreas como A&R (artistas e repertório, a divisão responsável pela prospecção de novos talentos), editora e selo, o que me ajudou muito a entender o mercado fonográfico como um todo. Antes disso, trabalhei com produção de CDs e DVDs e também com produção de alguns artistas, prestando serviço para alguns selos independentes e escritórios artísticos.

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Em pouco menos de dois anos, sua experiência na produção de trilhas sonoras de diferentes produtos audiovisuais da TV Globo revela um gosto muitíssimo eclético. Certamente, essa é uma das características exigidas para o bom desempenho dessa função. Que outras poderia mencionar?


isso, todas as partes trocam ideias, CDs, playlists etc... Isso até chegarmos à trilha ideal. Não existe a “minha trilha”, existe a “trilha da novela”. No que toca a um compositor musical, o que pode fazer para tentar emplacar uma canção sua num produto audiovisual? Acredito que emplacar uma canção num produto audiovisual deva ser consequência, não objetivo. A adequação artística à história é o mais importante sempre. Não produzimos clipes musicais, produzimos novelas. E temos nas canções uma ferramenta incrível que nos ajuda a contar melhor a história, a construir melhor um personagem.

L KLEMM Na verdade eu não escolho músicas para mim, escolho para os outros. No processo de seleção de repertório, o meu gosto pessoal é o que menos importa. Somos contadores de histórias e queremos sempre encontrar a música que melhor ajude nesse processo. Logo, acredito que essa seja a característica mais importante na função: o bom entendimento da história somado à capacidade de colocar seus gostos pessoais de lado. Entre as produções de trilhas que assinou até agora, o que inclui novelas para todas as faixas horárias e algumas das séries mais elogiadas dos últimos tempos, qual é mais especial ou o empolgou mais?

Todas são especiais. Não há como comparar e escolher uma específica, pois são trilhas diferentes, que atendem a histórias diferentes. Cada uma tem sua importância, e tenho orgulho de todas elas. Qual o método/caminho padrão na escolha de uma música para integrar a trilha de uma novela ou programa? Não existe um método, uma “receita de bolo”. O corte é sempre a adequação artística. Tentamos sempre entender o universo e a personalidade dos personagens e buscamos encontrar a trilha que melhor se encaixe nessas características. E como é o processo? Você recebe informações específicas de diretores/autores ou tem total liberdade para decidir as músicas? Há sempre um grande brainstorming entre as áreas envolvidas para a conceituação e o entendimento dos personagens. Após

Quais são os melhores formatos para a divulgação de projetos musicais para TV atualmente?

Acho que não existe “melhores formatos”. Todos os formatos são válidos para divulgar a sua música e fazê-la chegar ao maior número de pessoas possíveis. Já descobri músicas e artistas através das mais variadas formas: shows, serviços de streaming, CDs etc. Acredito que os formatos não são excludentes, e, quanto maior a capilaridade da divulgação, maior será a chance de esse compositor/intérprete levar a sua arte ao grande público.


O que um jovem interessado em música deve fazer para, um dia, se tornar um gerente musical com tanta responsabilidade sobre produtos valorizados de uma grande emissora de televisão? Pode parecer clichê, mas acredito que seja amar o que faz e respeitar todas as formas de expressão musical, independentemente de gosto pessoal e/ou juízo de valor. Costumo dizer que não existe música ruim, a música te emociona ou não emociona. Entender que uma música que te emociona pode não emocionar o outro, e vice-versa, talvez seja a questão mais importante para se ter sucesso no mercado musical como um todo.

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Confira as dicas valiosas do nosso Guia de Música em Audiovisual


24/UBC : NOTÍCIAS

FIQUE DE OLHO UBC PROMOVE EM MARÇO ASSEMBLEIAS DE PRESTAÇÃO DE CONTAS E ELEIÇÃO DA NOVA DIRETORIA

AFILIADAS DE REDES NACIONAIS DE TV TÊM DE FAZER REPASSES, DECIDE O STJ

A próxima Assembleia Geral Ordinária da UBC está marcada para o dia 21 de março. A reunião acontece todos os anos para a aprovação do relatório e o balanço anual. Fique ligado no site da UBC para saber o horário e o local da reunião. Poucos dias após, em 30 de março, os associados irão eleger a nova diretoria em outra assembleia. Serão escolhidos os sete membros da diretoria e os seis conselheiros fiscais (três efetivos e três suplentes). O prazo para a inscrição das chapas se encerra em 24 de fevereiro. Só podem votar e ser votados os autores e compositores que sejam associados efetivos. Leia o regulamento completo no nosso site (ubc.org.br) e participe das eleições.

Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) pode representar mais repasses a compositores que têm suas obras executadas em canais de televisão. Em resposta a recurso movido pelo Ecad, a 4ª Turma do STJ entendeu, por maioria, que emissoras afiliadas a uma rede nacional também são devedoras de direitos autorais e devem fazer pagamentos, mesmo que o conteúdo seja uma mera retransmissão ao vivo da programação emitida pela cabeça de rede. A lógica é que, em seus intervalos comerciais, as afiliadas também apresentam lucros. Com isso, elas deixam de ser obrigadas a arcar unicamente com os custos pela execução pública em sua programação própria, como vinha ocorrendo até agora. O valor a ser pago será analisado caso a caso, porque muitas emissoras nacionais, ao negociar o pagamento ao Ecad, já incluem os valores que corresponderiam às afiliadas. Nos casos em que não houver essa inclusão, o total a ser aportado pelas retransmissoras dependerá de diversos fatores, como sua área de abrangência e faturamento.

BAND PERDE PROCESSO E TERÁ DE VOLTAR A PAGAR AO ECAD A Band foi condenada a voltar a fazer repasses de 2,5% do seu faturamento bruto ao Ecad. A emissora questionava na Justiça o valor cobrado pelo escritório central – e que havia sido estabelecido de comum acordo em 2010 – e, desde 2014, estava inadimplente. Em dezembro, o juiz Rodolfo César Milano, da 43ª Vara Cível de São Paulo, decidiu que a Band deveria voltar a fazer os pagamentos. Em sua sentença, argumentou que não cabia ao Estado, através da Justiça, estabelecer um percentual que considerasse “justo” e lembrou que havia um acordo anterior entre a rede e o Ecad. “Tanto não pode o Estado criar os valores a serem cobrados por advogados, por engenheiros, por médicos, ou por quem quer que seja, como também não pode criar os valores cobrados pelos autores culturais, sob pena de indisfarçável discriminação irrazoável”, escreveu o juiz.

PROFISSIONAIS DO MERCADO SE REÚNEM EM TRÊS GRANDES EVENTOS NO PAÍS O final do ano de 2016 teve três grandes encontros que reuniram profissionais da música para debater os principais desafios da era digital e os caminhos para um mercado mais saudável. Em novembro, o Rio recebeu a Music Trends Brasil, uma conferência com a participação de compositores, editores, agentes, produtores e executivos de gravadoras, um ponto de contato entre os muitos elos da cadeia musical. No cerne das discussões, a criação artística na “era dos centavos” e as oportunidades que a tecnologia traz. Ainda na capital fluminense, o Rio Music Buzz, realizado em dezembro pelo Sebrae e a Associação Brasileira da Música Independente, também trouxe um rico intercâmbio de ideias entre os atores do mercado, com foco igualmente no mundo digital. Já na maior cidade brasileira, a SIM – Semana de Internacional de Música de São Paulo, nomes de peso do país e do exterior falaram sobre o arcabouço legal em diversos países para proteger o trabalho de composição e os direitos autorais, oficinas trouxeram importantes dicas de planejamento de carreira, e shows coroaram os cinco dias de evento.


DISTRIBUIIÇÃO : UBC/25

STREAMING: OS GANHOS APERTARAM O PLAY MAS É HORA DO FAST-FORWARD VÍDEOS SÃO NOVA FRONTEIRA DE DIVIDENDOS A COMPOSITORES MUSICAIS, MAS AINDA HÁ DESAFIO DA BAIXA REMUNERAÇÃO E UMA DECISÃO JUDICIAL NO BRASIL QUE PODE MUDAR TOTALMENTE O PANORAMA Por Andrea Menezes, de Brasília A reprodução de músicas e vídeos pela internet (streaming) abriu, como se sabe, novas possibilidades de ganhos para compositores. Apesar de ainda estarem num patamar insuficiente, segundo criadores, editoras e discográficas do mundo todo, os repasses de grandes plataformas de áudio, como Spotify ou Apple Music, já significam uma importante fonte de renda para quem vive da música. A nova fronteira está nos streamings de vídeo, que também podem ajudar a potencializar os lucros de compositores cujas canções são incluídas nas obras visuais. A mudança de comportamento do público, que, mundialmente, adere a serviços como Netflix ou HBO On Demand e, no Brasil, a outros como Globo Play ou Globosat Play, dá força a essa modalidade. O Ecad já negocia com as plataformas nacionais e internacionais em atuação aqui o pagamento de direitos de reprodução, e acordos estão próximos de ser fechados. Enquanto isso, no Superior Tribunal de Justiça (STJ) está para sair uma decisão que dirá se há também a incidência de direitos autorais relativos a execução pública nos streamings, o que daria um crescimento exponencial às possibilidades de ganhos dos compositores. “O conceito de execução pública chegou à lei referindo-se especificamente à apresentação musical feita ao vivo. Com o tempo e as mudanças nos hábitos de consumo, passou a abarcar também broadcast, ou seja, rádio e TV. Nada impede que inclua o streaming. Agora, a decisão será eminentemente política. Veremos quais atores terão mais força no convencimento da Justiça e da sociedade”, diz Pedro Augusto P. Francisco, professor e pesquisador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas, no Rio, e autor do livro “Da Rádio ao Streaming – Ecad, Direito Autoral e Música no Brasil” juntamente com Mariana Giorgetti Valente, do Instituto Internet LAB, de São Paulo. SIMULCASTING, WEBCASTING Se o STJ ainda não fechou questão, na Argentina a principal sociedade de autores do país, a Sadaic, conseguiu uma vitória com o entendimento de que streaming é, sim, execução pública e que, portanto, cabe o recolhimento. Por aqui, mesmo sem decisão final, o Ecad já aplica os conceitos de execução pública a duas categorias de streaming de vídeo na internet. Na categoria simulcasting, as transmissões são inalteradas, originárias de emissoras convencionais e vertidas para a rede. A programação de qualquer rádio ou televisão que esteja sendo executada ao mesmo tempo na internet é simulcasting e está sujeita a pagamento de 10% do valor cobrado pela rádio ou pela televisão em questão.

A outra categoria, o webcasting, engloba transmissões de conteúdos de áudio ou vídeo originários da própria internet, não implicando simultaneidade com as emissoras de rádio ou TV. Neste caso, segundo entendimento do Ecad, o pagamento é realizado mensalmente, e o cálculo tem como base o conteúdo do site em relação à música (se ela é um elemento principal, de entretenimento ou pequeno), bem como sua finalidade (comercial, institucional ou promocional). No ano passado, o escritório central fechou acordos com algumas plataformas e realizou, em junho, o histórico primeiro pagamento da nova rubrica (veja abaixo o calendário de pagamentos). O YouTube, que não concorda com a classificação como execução pública, não participou.

DISTRIBUIÇÃO DE SERVIÇOS DIGITAIS Esta distribuição é caracterizada pela utilização de música na internet, através de simulcasting, webcasting, podcasting, streaming e demais execuções, subdivididas nas seguintes rubricas:

INTERNET SHOW

Distribuição direta, ou seja, todas as obras são contempladas com base nos roteiros musicais e gravações fornecidas pelo usuário de música. Período de distribuição: Todos os meses

INTERNET SIMULCASTING

Distribuição indireta com base em amostragem de 90.000 execuções das rádios transmitidas simultaneamente na internet. Período de distribuição: janeiro, abril, julho e outubro

STREAMING

Distribuição direta com base na programação enviada pelo usuário de música. A verba total arrecadada será agrupada de acordo com o tipo de plano oferecido pelo usuário (premium, free e similares). Só poderão ser efetivamente pagos os valores que somarem acima de R$ 0,01 para o titular. Se o titular receber casas decimais menores do que 1 centavo, estes valores ficarão alocados no sistema de conta corrente da UBC até que somem um valor que pode ser efetivamente pago. Período de distribuição: março, junho, setembro e dezembro

INTERNET DEMAIS

Distribuição indireta com base na amostragem composta de 10.000 obras/fonogramas captadas das ambientações de sites, webcasting, podcasting e retransmissões de shows fornecidas por planilhas de programação musical. Período de distribuição: junho e dezembro


26/UBC : SERVIÇO

DÚVIDA DO ASSOCIADO

"PRODUZI MEU PRÓPRIO SHOW, E O VALOR A SER PAGO PELA LICENÇA DE DIREITOS AUTORAIS ESTAVA ACIMA DO VALOR ARRECADADO NA BILHETERIA. COMO É FEITO O CÁLCULO?" Michele Leal - cantora e compositora (Rio de Janeiro - RJ)

REVISTA UBC: Para realizar a execução ao vivo de música em eventos, é necessária a autorização prévia dos autores e editores das obras musicais a serem executadas. A fim de viabilizar a arrecadação de direitos autorais de forma ampla, os titulares de direitos autorais musicais no Brasil se reúnem em sociedades de gestão coletiva, como a UBC, e cobram de forma conjunta através do Ecad – Escritório Central de Arrecadação e Distribuição. Para calcular o preço da licença para a execução pública musical, são levados em consideração diversos fatores, como o nível de importância da música para a atividade, a periodicidade e o tipo de utilização. 

O usuário de show geralmente é classificado como eventual, e a música, considerada indispensável. Neste caso, deverá ser pago 10% sobre a receita bruta gerada pelo evento (quando houver cobrança de ingresso) ou sobre a receita de subvenção ou patrocínio (se for utilizada música mecânica, a porcentagem será de 15%). Quando não houver meios de calcular o valor da receita, pode ser utilizado o parâmetro do espaço físico. Neste caso será cobrado o valor de 1,09 UDA (unidade de direito autoral) para cada 10 metros quadrados, se a música ali tocada for ao vivo; ou 1,63 UDA para cada 10 metros quadrados, se se tratar de música mecânica. Cada UDA está fixada atualmente em R$ 71,45.

 Em caso de evento em local aberto ao público sem venda de ingresso, o preço da licença pode ser calculado com base no custo musical. Ou seja, serão cobrados 15% dos custos de cachês com artistas e músicos, equipamentos de áudio e vídeo, iluminação e montagem de palco. Esses critérios são definidos pelos titulares de direitos autorais através de suas sociedades e pela Assembleia Geral do Ecad. Você pode saber mais em www.ubc.org.br/arrecadacao.

 Se você produz seu próprio show, e o repertório for autoral, é possível pedir a dispensa de cobrança através da UBC. Mas é preciso enviar a documentação exigida até dois dias úteis antes da realização do show.

 Em caso de dúvida nas informações prestadas pelos agentes do Ecad, você pode contatar a unidade local do escritório. Em último caso, não deixe de procurar a Ouvidoria da UBC através do site www.ubc.org.br/ouvidoria ou pelo telefone (21) 2223-3233.


FÓRMULA PARA O SHOW PERFEITO: 1- REUNIR ÓTIMOS MÚSICOS 2- ENSAIAR BEM 3- DAR UMA PASSADINHA NO SITE DA UBC Com a ferramenta Informe Seu Show, disponível no nosso portal, você pode informar os dados referentes à sua apresentação e, assim, garantir a correta aferição dos valores referentes aos direitos autorais das músicas que tocará. O formulário é curto: bastam dia e hora do show, músicas a serem executadas, nome do intérprete e uma forma de contato. Você também pode informar as apresentações de artistas que executam sua música.

ACESSE WWW.UBC.ORG.BR/FERRAMENTAS

E PREPARE-SE PARA OS APLAUSOS.

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28/UBC : SERVIÇO

A SUA MÚSICA FOI PARAR NA NOVELA. A GENTE CONTA O QUE ACONTECE NO PRÓXIMO CAPÍTULO A UBC acaba de elaborar um completo Guia de Música em Audiovisual, com informações detalhadas sobre o processo de arrecadação e distribuição relativo às canções usadas no cinema, na TV aberta ou nos canais por assinatura. Com segmentos sobre os tipos de direitos que incidem, o procedimento para comunicar o uso da música e os percentuais que cabem a cada um dos detentores dos direitos, além dos métodos de rateio e das datas de pagamento, é uma obra fundamental para entender esse universo. .

DEPOIS, É SÓ ESPERAR PELO FINAL FELIZ

O Guia de Música em Audiovisual está disponível no portal da UBC, em www.ubc.org.br/audiovisual

REVISTA UBC #31  

A Revista UBC é uma publicação trimestral direcionada a quem faz música.

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