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Ação i Esporte i Viagem i  Arte i Música

Uma revista além do comum

SURF NO ALASCA Ondas de 3 metros em cima do gelo. Vai encarar?

fevereiro de 2014

GATA SUECA

Conheça Elliphant, a nova musa do pop europeu

eric bana

km /h A pista de skate mais rápida do mundo fica aqui no Brasil

O astro de hollywood e sua paixão por carros


CORRIDA MUNDIAL PELA CURA DE LESÕES NA MEDULA.

INSCREVA-SE AGORA! NO MESMO DIA EXATAMENTE NO MESMO HORÁRIO EM TODO O MUNDO

4 DE MAIO DE 2014

FLORIANÓPOLIS/SC - 6:00 (HORÁRIO DE BRASÍLIA)

WINGSFORLIFEWORLDRUN.COM


O MUNDO DE RED BULL

24 SURF NO ALASCA

Embarcamos em uma expedição congelante em busca de ondas de 3 metros

CLEMENS ASCHER (COVER), MIKO LIM, THIAGO DIZ

2014 COM TUDO! O Bulletin abre o ano com força total. E como o verão está impiedoso, nada como um mergulho no mar... do Alasca! Onde desvendamos uma cena de surfistas apaixonados pelo desafio de encarar ondas inóspitas com tempe­ratura na casa de 0 ºC. Coisa de louco? Isso é só a ponta do iceberg. Na reportagem “Como uma Bala” (pág. 54), descemos uma ladeira única no mundo, na cidade de Teutônia, no Rio Grande do Sul, onde aconteceu o mundial de skate downhill. Na modalidade, os atletas atingem 120 km/h na pista que tem 2 km de extensão e é conside­ rada a mais rápida e insana do planeta. E tem mais: nas pró­ximas páginas você também vai ­conhecer uma balada que fica na cidade mais perigosa do México, Ciudad Juárez, e a obses­ são de Eric Bana por carros antigos. THE RED BULLETIN

Ela saiu de seu país, a Suécia, para viver e se descobrir na Índia.  Elliphant, pág. 48

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FEVEREIRO DE 2014

54

NESTA EDIÇÃO BULLEVARD

TEUTÔNIA

0 8  10 ANOS DE FACEBOOK O maior fenômeno da última década? Talvez. Saiba por que o Facebook mudou nossas relações

A pista mais rápida e insana do downhill fica no Rio Grande do Sul

DESTAQUES 24 Alasca para surfistas Já pensou em surfar na neve?

38 Blitz Kids

Cervejas e rock’n’roll Por dentro da vida do astro

40 79 ERIC BANA

O ator australiano é avesso aos holofotes. Ele prefere ficar em casa, onde passa o tempo mexendo nos seus carros

48 Elliphant

A nova musa do pop europeu

54 Como uma bala

BALADA NA ÁFRICA

Conheça um dos endereços mais quen­ tes da Cidade do Cabo, onde surfistas e roqueiros se encontram

Skatistas descem a 120 km/h

64 Brian Fallon

Fugindo da sombra de Springsteen

68 Hardpop Club

A balada na cidade fora da lei

AÇÃO!

68 ENTRE A FESTA E OS TIROS

Na cidade mais perigosa do México, algo aconteceu: uma balada passou a bombar e foi eleita uma das melhores do mundo 4



08 10 ANOS DE FACEBOOK

Números, histórias, curiosidades, pre­ visões e análises sobre um dos maiores fenômenos da última década

78 79 80 81 82 84 85 86 88

MEU EQUIPO  Robby Naish BALADA  Cidade do Cabo MALAS PRONTAS  Encarando tubarões EM FORMA  Reggie Bush WFL WORLD RUN  A maratona mundial MINHA CIDADE  Viena bombástica MÚSICA  Broken Bells NA AGENDA  O verão tá bombando! MOMENTO MÁGICO Mark Webber

THE RED BULLETIN

THIAGO DIZ, GRAHAM SHEARER, PRESS HANDOUT, KATIE ORLINSKY, ZHU JIA ‘THE FACE OF FACEBOOK’

40 Eric Bana


updateordie.com

Update rDie!

A segunda melhor maneira de proteger a sua cabeça.

ÂŽ


NOSSO TIME QUEM FEZ O BULLETIN NESTE MÊS

THE RED BULLETIN Brasil, ISSN2308-5940 Editora e Sede Editorial Red Bull Media House GmbH Gerente Geral Wolfgang Winter Diretor Editorial Franz Renkin Editores-Chefes Alexander Macheck, Robert Sperl Editor Brasil Fernando Gueiros

SCOTT DICKERSON

MARCELO MARAGNI E THIAGO DIZ “Rápidos e corajosos” – é assim que os dois fotógrafos descreveram a tribo de longboarders na cidade de Teutônia, no Brasil. “Fiquei impressionado como eles descem rápido”, diz Maragni. Seu parceiro no trabalho, Thiago Diz, completa: “Eles passavam tão rápido e tão perto que parecia que iam bater em mim”. Um dos atletas, inclu­ sive, voou na mochila de Thiago. “Fiquei dez minutos recolhendo tudo”, ele conta. Sinta a pressão na página 54.

ROBERT TIGHE O Eric Bana “fez alguns per­ sonagens bem sinistrões”, diz o editor do Red Bulletin na Nova Zelândia, Robert Tighe. “Por isso eu estava espe­ rando uma coisa bem intensa e pesada. Mas, no final, ele é ape­ nas um apaixonado por carros que não deixou Hollywood subir à cabeça.” Tighe entrevistou Bana em seu escritório na cidade de Melbourne, perto da garagem onde o fotógrafo Graham Shearer fez as fotos. Lá estão os carros favoritos de Bana, como o Ford Falcon Coupe 1974. A entrevista começa na página 40.

6



Ele é um daqueles caras que conse­ guem unir paixão com trabalho. Para esta edição, Dickerson fez fotos incríveis de surf no Alasca. “Crescer no meio dessa beleza gelada não me fez pensar em outra coisa do que não ser fotógrafo. Agora, a paixão pelo surf eu ainda não sei de onde veio. Se eu fosse tentar explicar, diria que alguns de nós nascemos com uma paixão incontrolável pelo oceano.” Veja como Dickerson e seus amigos encaram as ondas geladas na página 24.

Diretor de Arte Erik Turek Diretor de Fotografia Fritz Schuster Editora Assistente Marion Wildmann Redator-Chefe Daniel Kudernatsch Gerentes de Projeto Cassio Cortes, Paula Svetlic Apoio Editorial Ulrich Corazza, Werner Jessner, Ruth Morgan, Florian Obkircher, Arek Piatek, Andreas Rottenschlager, Stefan Wagner, Paul Wilson Colaboraram nesta edição Lisa Blazek, Georg Eckelsberger, Raffael Fritz, Sophie Haslinger, Marianne Minar, Boro Petric, Holger Potye, Martina Powell, Mara Simperler, Clemens Stachel, Manon Steiner, Lukas Wagner Editores de Arte Miles English (Diretor) Martina de Carvalho-Hutter, Silvia Druml, Kevin Goll, Carita Najewitz, Kasimir Reimann, Esther Straganz Editores de Fotografia Susie Forman (Diretora artística de fotografia) Eva Kerschbaum, Rudi Übelhör Revisão Manrico Patta Neto, Judith Mutici Impressão Clemens Ragotzky (Diretor), Karsten Lehmann, Josef Mühlbacher Gerente de Produção Michael Bergmeister Produção Wolfgang Stecher (Diretor) Walter O. Sádaba, Christian Graf-Simpson (iPad) Financeiro Siegmar Hofstetter, Simone Mihalits Marketing & Gerência de países Stefan Ebner (Diretor), Elisabeth Salcher, Lukas Scharmbacher, Sara Varming

KATIE ORLINSKY Não é a primeira vez que nós mandamos a Katie para se meter numa encrenca no México. Depois de fotografar uma turma de músi­ cos em uma cidade tomada pelo tráfico, há três meses, pedimos para a veterana em zonas de ­conflito ir para Ciudad Juárez para a reportagem sobre a balada Hardpop. “Há poucos anos eu não saía do meu hotel depois do pôr do sol. Agora me encontrei fazendo fotos numa balada! Isso foi surreal.” Entenda toda essa história a partir da página 68.

“Os caras descem a ladeira com muita velocidade. É impressionante” MARCELO MARAGNI

Assinaturas e Distribuição Klaus Pleninger, Peter Schiffer Marketing de Criação Julia Schweikhardt, Peter Knethl Anúncios Marcio Sales, (11) 3894-0207, contato@hands.com.br Gestão de anúncios Sabrina Schneider Coordenadoria Manuela Geßlbauer, Kristina Krizmanic, Anna Schober IT Michael Thaler Escritório Central Red Bull Media House GmbH, Oberst-Lepperdinger-Straße 11–15, A-5071 Wals bei Salzburg, FN 297115i, Landesgericht Salzburg, ATU63611700 Sede da Redação Heinrich-Collin-Straße 1, A-1140 Wien Fone +43 1 90221-28800 Fax +43 1 90221-28809 Contato redaktion@at.redbulletin.com Publicação The Red Bulletin é publicado simultaneamente na Áustria, Brasil, França, Alemanha, Suíça, Irlanda, Kuwait, México, Nova Zelândia, África do Sul, Grã-Bretanha e Estados Unidos. Visite nosso site www.redbulletin.com.br

THE RED BULLETIN


/redbulletin

U M A RE V ISTA

A LÉ M D O CO

MUM

A ADRENALIN

S QUE TE FOTOGRAFIA FÔLEGO DEIXAM SEM

TALENTO

UE ESTÃO AS PESSOAS Q MUNDO MUDANDO O

E X T R E MO

QUE AVENTURAS LIMITES ROMPEM OS

S eu . o t n e M Mo © Alice Peperell

A L É M D O CO

MUM

Seu MoMento. ALÉM DO COMUM

DOWNLOAD GRATUITO


10 ANOS DE FACEBOOK

NO QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO?

Mark Zuckerberg

Ele acabou com o anonimato

SHUTTERSTOCK, CORBIS, NASA, PICTUREDESK.COM, GETTY IMAGES

Em fevereiro de 2004, um aluno de Harvard subiu uma página na internet na qual os usuários deveriam se ­registrar com nomes verdadeiros e colocar informações pessoais. Era uma espécie de piada? Quem iria fazer isso? Aquele estudante era Mark Zuckerberg e hoje ele é um bilionário. Sua cria, o Facebook, é o site mais popular da internet depois do Google. Onde estão os críticos? 1 comentário

The Red Bulletin “Grande foto! Mark parece um jovem Maquiavel. Você pode ver mais fotos de Zhu Jia e seus amigos em ‘The Face of Facebook’ na galeria ShanghART, em Cingapura.” facebook.com/shanghartgallerysg

Nós curtimos!

Friday Reads A cada sexta, usuários postam o que estão lendo

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Who What Wear As tendências das passarelas do mundo

Stylefruits Grandes dicas para elas; um show para eles

George Takei De Star Trek a herói das redes sociais

Milky Way Scientists Fotos interessantes todos os dias

Awkward Family Photos Fotos de famílias estranhas. E só

Bill Nye Ele explica o mundo para nós com seus posts

THE RED BULLETIN


O melhor do futuro-retrô

Mistério

Quem sou eu? Entre os brasileiros, ele é o atleta com mais opções “Curtir” no Facebook. Sabe quem é?

DOCK DE TELEFONE OLD SCHOOL Um dock de iPhone para todo mundo que quer segurar um telefone de verdade. Tem um app para o dial. etsy.com/shop/ woodguy32

Nascimento:

5 de fevereiro de 1992

Entrou no Facebook em: 9 de abril de 2009 Fãs (no mundo):

16,9 milhões

Fãs (no Brasil):

4,8 milhões

Foi pai aos:

19 anos

Amigos

Para os amantes

PROJECTEO Escolha nove das suas fotos no Instagram, espere algumas semanas e um projetor de slides do tamanho de uma caixa de fósforo chega pelo correio. getprojecteo.com

Alegria e Dor

Artistas que curte

As músicas que os usuários mais escutam quando mudam o status de relacionamento Namorando

CORBIS, GETTY IMAGES, REUTERS, SHUTTERSTOCK (2), PRESS HANDOUT

SONYMUSIC, IDOCKIT.COM, INSTANT LAB, PROJECTEO, CORBIS, HOB, SHUTTERSTOCK (4)

Quando é amor, escolha Beyoncé

Status

1. “Don’t Wanna Go Home”, do Jason Derulo “No matter day or night, I’m shining” 2. “Love on Top”, da Beyoncé “Every time you touch me I just melt away”

Opções “Curtir”

3. “How to Love”, do Lil Wayne “It’s hard not to stare, the way you moving your body” Complicado

Status

1. “The Cave”, do Mumford and Sons “It’s empty in the valley of your heart”

INSTANT LAB O laboratório de foto de celular. Ele faz polaroids com as fotos do iPhone.

2. “Crew Love”, do Drake “This ain’t no fucking sing-along. So girl, what you singing for?” 3. “All of the Lights”, do Kanye West “Her mother, brother, grandmother hate me in that order”

I F**king Love Science Dinossauros e universo

THE RED BULLETIN

9Gag Humor e brincadeiras. O Facebook todo ri

23 comentários

the-impossible-project. com

Humans of Berlin Tem também de outras cidades

Reef Girls Modelos de biquíni sendo modelos de biquíni

Jamie Oliver Novas receitas deliciosas todos os dias

The Red Bulletin “Com certeza deve ser meu amigo. Mas eu sei que nem todo mundo é parceiro por aqui...”

Grumpy Cat Rir é contagioso. Mau humor também

For the Record O novo livro da Red Bull Music Academy

Amazing Things in the World Fotos das maravilhas do mundo

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Homem-canarinho

Neymar Júnior

Que o Brasil é o país do futebol ninguém duvida. Mas no topo das opções “Curtir” estão outras figuras do país

1. Neymar Júnior 4,8 mi

2. Cristiano Ronaldo 3,7 mi

3. Kaká 2,7 mi

2. Paula Fernandes 8,2 mi

3. Aline Barros 6,5 mi

Celebridades

1. Luciano Huck 11,2 mi

GETTY IMAGES (4), CORBIS (2), MARCELO MARAGNI

Jogadores


10 ANOS DE FACEBOOK

BULLEVARD

Circuito social

Hackers e cachorros

Mary Lyn adicionou uma nova foto 2 minutos atrás

Existem mais de 7 bilhões de pessoas no mundo. Mais de 1 bilhão delas estão no Facebook e podem se tornar amigas. Mesmo que você não queira

Relações proibidas

Coisas que o Face gosta de deletar

Você alguma vez se perguntou por que alguma publicação desapareceu?

O Facebook tem todo o seu conteúdo moderado por trabalhadores de baixa renda em países como Marrocos e ­Índia. Em 2012, um dos moderadores vazou um dos catálogos contendo ­diretrizes para a imprensa.

A página de Mark Zuckerberg, FB ID: 4 (as páginas de 1 a 3 são IDs de teste), foi hackeada em 2013…

Algumas das coisas que são deletadas: Bundas e mamilos. Isso inclui mulheres dando de mamar cujos mamilos sejam visíveis. Mamilos masculinos são OK. Vaginas marcadas, como vistas naquelas garotas com as roupas apertadas. Pessoas sentadas na privada. Esperma, pessoas embriagadas ou que estão dormindo e tem suas caras pintadas por outras. Drogas ­ilegais. A única exceção: todas as imagens de maconha são liberadas.

SOURCE: FACEBOOK

Boo é mais popular que Beast (1,6 milhão de cur­tidas). Beast não deve dar a mínima para isso, pois ele não usa Croc azul como Boo e é o mascote de Zuckerberg.

CORBIS, REUTERS (2), PICTUREDESK.COM (2), GEPA PICTURES, SONY MUSIC, GETTY IMAGES

Mamilos? Uau, mas que enormes… cotovelos. Confundidos com outra coisa e apagados.

Share Lock compartilhou um novo post cerca de uma hora atrás

O cachorro mais popular do mundo é Boo, com sua cara de ursinho

O cão mais adorado do mundo é Boo, com mais de 8,5 milhões de curtidas. Sua populari­ dade vem de sua carinha perfeita de urso e sua atitude positiva. “Eu sou um cãozinho. É bom viver.”

...por um usuário com a FB ID 77.821.884, chamado Khalil Shreateh. O webdesigner palestino teve imediatamente seu Facebook deletado. Está ativo de novo e já tem mais de 44 mil seguidores, mas…

…o Real Madrid é bem mais popular. Os merengues têm de longe o maior número de fãs no Facebook entre torcedores ­palestinos: 185 056. E eles têm mais de 44 milhões de fãs em todo o mundo. Uma das fãs é ninguém menos que...

Crime

“Clique, você foi sorteado!” Não caia na técnica da postagem falsa. A seguir, as cinco mais comuns: Ganhe um iPad! Apenas preencha este questionário e pronto… Incrível! Ela tem só 16 anos mas fez isso! Clique aqui para ver este vídeo chocante (e para mandar para toda sua lista de amigos). Estranho bonitão! Eu vi sua foto do perfil. Estou apaixonada à primeira vista. Casa comigo? Você quer ver quem visitou seu perfil? Baixe este software! (Não é vírus, sério!)

O rapper Pitbull, com 40 milhões de fãs, é o cão feroz mais popular do Facebook e amigo tanto de CR7 quanto de J Lo.

...seu amigo no Facebook Cristiano Ronaldo joga. O jogador mais caro de ­todos os tempos é ­também a celebridade ­esportiva mais popular do Facebook, com mais de 65 milhões de fãs.

…Jennifer Lopez (28 milhões de curtidas), que vai muito à Espanha assistir a partidas em que...

O Facebook vai começar a cobrar. Pague hoje sua filiação!

THE RED BULLETIN

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BULLEVARD  

10 ANOS DE FACEBOOK

Mundo Facebook

A luz da amizade A figura pode parecer uma foto de satélite da Terra, mas isto é um registro de uso do Facebook. Cada ­linha representa uma ligação entre duas pessoas na rede social. Os únicos espaços escuros são locais desertos como o Saara e a Sibéria… além de países em que o Facebook é banido, como a China

Joguinhos

Leia com moderação! Os jogos de Facebook são a Paciência de hoje: jogos de computador para pessoas que não jogam no computador, uma coisa muito fácil de viciar

Angry Bird odeia os seguintes jogos 2 horas atrás 1. Candy Crush Saga O mais viciante. No início é uma beleza, depois você faz de tudo para jogar. O objetivo é ligar doces. São mais de 100 milhões de jogadores. 2. Pet Rescue Saga Se o Candy Crush Saga é metanfetamina, este jogo é um cachimbo de crack com animaizinhos. A ideia é salvá-los ligando cristais entre si. 3. Dragon City Essa mistura de Farmville com Pokémon é um jogo de criação de dragões – mas você não ­precisa ligar nada com nada.

Não se engane: o Dragon City é um impiedoso passatempo

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342 amigos

É esta a média de amigos que o usuário de Facebook tem. Na vida real são apenas seis

Ann Dead compartilhou um post 3 horas atrás

Evento cotidiano: a morte

Morrendo online PRESS HANDOUT, SHUTTERSTOCK (2)

Em 50 anos, o Facebook será o maior cemitério digital do mundo?

Os zumbis da rede social De acordo com estimativas, 10 a 20 milhões de usuários de Facebook morreram desde que a rede social foi ao ar. Ninguém sabe quantos de seus perfis foram deletados e quantas dessas pessoas ainda assombram o Facebook como fantasmas. Até 2065, no mais tardar, o número de usuários mortos vai ultrapassar o número de vivos.

THE RED BULLETIN

A máquina de suicídio É a forma de se deletar da internet. Você se inscreve no site Suicide Machine, pelo Twitter ou Facebook, e pronto. Fazendo isso, suas mensagens e amigos são automaticamente deletados no Facebook, as publicações no mural são bloqueadas e seu perfil se torna privado. Suas últimas palavras são publicadas como uma mensagem, dizendo que você cometeu um “web suicide”. www.suicidemachine.org 12 comentários

Dê um “Sair” para sempre “Não está mais funcionando como deveria no ­Facebook, mas estamos trabalhando no problema.”

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10 ANOS DE FACEBOOK S

Autoajuda

Kainrath

= Sim

N

= Não

Postar ou não postar?

Pode falar

Uma bela foto. Você quer dividir com todo mundo, o que é normal, mas lembre-se: a internet nunca esquece

Oi, posso te convidar para um drinque?

N

É sua?

Pare com isso, seu ladrão!

S

Tem gente na foto?

N

S

Você aparece nela?

Tem uma mulher na foto?

N

S Ela mostra um lindo gatinho e seus olhinhos?

S S

Dietmar Kainrath “Amigos de verdade fazem o melhor.”

Você está vestido?

N

N

Você está sozinho?

S

1 comentário

Quantos anos você tem mesmo?

S

Você está bonito?

Ela é bonita?

S

N

S

N

N

Não use!

Ela está pelada?

S

N S É chata?

Justin Bieber

N

Ele está vivo De acordo com diversos anún­ cios falsos no Facebook e no Twitter, Justin Bieber morreu mais de 50 vezes em 2013. Mais que qualquer outro pop star. A causa mais comum de morte foi overdose. A segunda mais comum foi desastre aéreo. Depois desta, foi ele batendo a Ferrari. Claro, são apenas ­tentativas de fazer as “Beliebers” ­chorarem. Traumati­ zadas, elas ­espalham a notícia sem checar.

É sua mulher?

N

S

Vai gerar protestos de algum dos seguintes grupos: feministas, pacifistas, socialistas, ecoativistas, capitalistas, lobistas, realistas?

Você quer ficar com ela?

N

S

N

S

Então poderíamos dizer que o que você está postando não atende a todos os padrões legais e sociais?

N S O que você postou pode ser rastreado até você?

S

Você está bêbado? (Está sob efeito de qualquer outra substância?)

N

N

S

Tem certeza de que não é chata? Se está em dúvida, é ­provável que não deveria.

Você pode deletar depois sem deixar rastro?

S

N

Você está postando no trabalho?

S DIETMAR KAINRATH

Não é mole, não: as pessoas gostam de mentir na internet porque é fácil

N

N N

Não, você não pode.

Poste!

Alguém viu?

S Deixa!

PICTUREDESK.COM

BULLEVARD  


O que você curte?

O cara da Stock Car Daniel Serra, campeão em 2013, nos disse as situações em que clicaria “Curtir”

BRUNO TERENA/RED BULL CONTENT POOL

Filho do tricampeão da ­Stock Car Chico Serra, ­Serrinha, como Daniel é mais conhecido, começou a correr aos 14 anos de ida­ de e, a partir de então, já passou metade de sua vida em pistas ao redor do mun­ do. Ele adora redes sociais e atualmente a sua favorita é o Instagram, onde tem mais de 2,4 mil seguidores.

“Nas horas vagas curto treinar triatlo e ficar com minha mulher e meu filho”

No tempo livre, daria um “Curtir” em quê? Nos triatlos, na minha mu­ lher e no meu filho, que está com 1 ano e 8 meses. E no trabalho? Daria um “Curtir” na estru­ tura que me permite pensar só na performance. Durante uma corrida, qual som você escolheria para ouvir? Eu sou bem eclético. Na hora escutaria qualquer música que me deixasse mais concentrado. 1 comentário

Daniel Serra Quer saber mais? twitter.com/DanielSerra29

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BULLEVARD  

10 ANOS DE FACEBOOK

BC One

Red Bull BC One

Mexendo o esqueleto Os melhores breakdancers do mundo disputaram para coroar o maior campeão

Eles podem se contorcer em poses que parecem esculturas de arte moderna. É um show de movimentos que a maioria de nós, mortais, não consegue ­fazer. Esses caras são os melhores ­breakdancers do mundo e eles se ­enfrentaram na grande final do Red Bull BC One, em Seul, na Coreia do Sul. Foi o B-Boy local Hong 10 que con­seguiu a vitória em movimentos inacreditáveis. Só um fica. Um Red Bull BC One. Nós curtimos! Air Freeze compartilhou um link 3 meses atrás facebook.com/redbullBCOne

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Seus amigos talvez sejam robôs

ROMINA AMATO/RED BULL CONTENT POOL, SHUTTERSTOCK

Ou você pode pelo menos se poupar da chatice que é postar tudo o que pensa ou faz. O motivo? Agora tem um site que faz isso automaticamente para você: what-would-i-say.com


BULLEVARD  

10 ANOS DE FACEBOOK

14 Alternativas

Dane-se o Facebook Você não suporta mais o Face? Existem outras ­maneiras de manter contato (virtual) com amigos

www.ning.com Mais controle Tem um custo, mas aí você não é obrigado a ver anúncios que sabem mais sobre seus hábitos de consumo que você. friendica.com ou joindiaspora.com Para os mais paranoicos Ambos são descentralizados, o que significa que seus dados pessoais não ficam em um servidor. about.me Um pouco mais sério Seu cartão de visitas online. Não tem chat nem atualização de status ou qualquer outra bobagem, mas você tem um perfil. app.net O “faça você mesmo” É basicamente um serviço de mensagens curtas. Os apps de mídias sociais podem ser integrados.

A parte dois da quarta temporada de The Walking Dead começa neste mês. A série preferida do Facebook em números:

51 episódios (até o final da temporada 4) 7 atores principais na primeira temporada 3 ainda estão vivos 5,3 mi assistiram ao piloto nos EUA 16,1 mi assistiram ao primeiro episódio da 4ª temporada 38 litros de sangue artificial por episódio 60 pares de lentes de contato de zumbi 121 edições dos quadrinhos no qual é baseado 126 países exibiram na TV 2 mi de seguidores no Twitter 21 mi de curtidas no Facebook  

“Se o Facebook continuar assim, desaparecerá em quatro anos” Eric Jackson, fundador da Ironfire Capital forbes.com, junho de 2013

www.pheed.com Dinheiro à vista Transmita textos, fotos, áudio e vídeo ao vivo e receba dinheiro de usuários através de inscrição ou pay-per-view.

Não curti

www.eyeem.com Se você é preguiçoso até para o Instagram O app reconhece seus interesses e sugere fotos de usuários que você possa gostar. Nada é mais fácil.

appbetween.us Para os apaixonados Casais podem mandar um ao outro mensagens e fotos através de seus celulares. Tããão romântico!

Assim que você se acostuma com um novo layout, o Facebook faz outra atualização.

www.gunloverspassions.com Solteirice virtual Uma rede social e de relacionamentos para entusiastas de armas de fogo. Um tiro no coração. Desculpa. 

Vamos falar a verdade: tem muita chatice no Facebook! Tipo estas abaixo:

O tsunami de convites para eventos, páginas ou grupos.

www.patientslikeme.com Para hipocondríacos e médicos (ou as duas coisas) Pacientes e médicos podem trocar informações sobre males e doenças e acrescentar informações para fins de pesquisa.

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Nem tudo é legal

plus.google.com Para os solitários A melhor rede social que existe… e não tem ninguém nela. Pelo menos você pode ter paz e tranquilidade.

nextdoor.com Turma do bairro Troque informações com seus vizinhos usando o CEP e ende­ reço. Você também pode caminhar um pouco e ir falar com eles.

Dados de 21/11/2013

www.whatsapp.com Se você usa o Facebook apenas para o chat Parece SMS, mas usa a conexão da internet para mandar as mensagens. Então, a conta do telefone fica suave.

Faces desfiguradas

Links patrocinados como: “Você também quer uma ­namorada? Então tente isso.”

As mensagens têm um aviso de que você leu para quem mandou assim que você abre, o que pressiona você a responder mesmo se você não quiser. Não tem um botão “Não curti”. Mas, de acordo com o Facebook, o botão “Curtir” também vai ser logo coisa do passado, e nós não curtimos isso nem um pouco. 1 comentário

The Red Bulletin “E o que nós não curtimos é este chororô constante! Se você não gosta, pode apagar a conta na hora.”

THE RED BULLETIN

GEOFFREY BERKSHIRE

www.snapchat.com Se você não quiser que fotos velhas reapareçam Mande fotos que se apagarão automaticamente 10 segundos depois que forem abertas. Perfeito para espiões e tarados.

The Walking Dead

CINETEXT, CORBIS (2), UNIVERSAL MUSIC, GETTY IMAGES, GETTY IMAGES

instagram.com Para quem tem preguiça de digitar E prefere postar fotos com filtros retrô mostrando coisas tão importantes como o que você comeu.


Rihanna

Lendas do “Curtir”

Esta cidadã é a mulher com o maior número de opções “Curtir” no mundo Por um bom tempo, Eminem e Rihanna tro­ caram lugares no topo, mas agora ela tomou a liderança. Com mais de 80 milhões de opções “Curtir”, a cantora é a pes­ soa mais popular do Face. Uma média de 200 mil novos fãs por semana. Chester French foi a pri­ meira banda no Facebook. O duo indie-pop estudava em Harvard em 2004 e era amigo de Mark Zuckerberg, mas não teve muito sucesso por ser precur­ sor na mídia social: hoje tem apenas 60 mil opções “Curtir”... Lil Wayne teve uma boa ideia em 2011 e pediu: “Por favor, curtam um post”. Os fãs responderam com 588 243 “Curtir” em 24 horas. Nada que se compare à campanha de Barack Obama “Four more years [Mais quatro anos]”, que teve mais de 4 mi. O morto mais popular do Facebook é o “Rei do Pop” Michael Jackson, que tem 66 milhões de fãs. Ele foi o primeiro a alcançar a marca de 10 mi, em julho de 2009, um mês depois que ele morreu. Hoje existem fan pages até para suas comidas preferidas .


Um mar de pessoas

Nr. 1.278.839.467 …e o número segue aumentando

É uma visão espetacular: tão bonito quanto o universo, mas muito mais colorido. Um destes pontos coloridos é você – um de mais de 1,2 bilhão. É essa a quantidade de usuários do Facebook hoje em dia. E você aparece ali, da mesma forma que apareceu no mundo, sem perceber.

JULIAN BROAD/FARRELL MUSIC

www.thefacesoffacebook.com

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Este é você Mas você não sabe disso.


10 ANOS DE FACEBOOK

BULLEVARD

Este é Robbie Williams Ele completa 40 anos no dia 13 de fevereiro. Feliz aniversário! Mas talvez ele passe o dia sozinho

Seu ID no FB é 5.441.929.106. O que claramente está errado, é evidente, porque ele realmente é o n° 1, ou teve nove álbuns em 1° lugar no Reino Unido, pelo menos. De fato, seu último álbum, Swings Both Ways, é o milésimo n° 1 na história das paradas britânicas. Descubra que número você é em: findmyfacebookid.com


BULLEVARD  

10 ANOS DE FACEBOOK

GEOFFREY BERKSHIRE

12 O’Clock Boys

“Mostre Seus Potenciais” O cineasta Lofty Nathan financiou seu primeiro trabalho com a ajuda das mídias sociais e do crowdfunding

Henry Rollins divulgou 12 O’Clock Boys no Facebook

12 O’Clock Boys estará disponível on demand a partir de 31 de janeiro.

Tem mais lá de onde isso veio

SEMÁFORA Napoleão foi encontrado nesta versão visual da telegrafia. Uma carta podia ser enviada em uma distância de até 270 km em apenas 2 minutos.

100 mil anos de mídias sociais Cada era acredita que é o ápice dos avanços técnicos e que nada melhor acontecerá depois. Isso é provavelmente o que as pessoas pensavam na Idade da Pedra, quando pela primeira vez rabiscaram tinta vermelha nas paredes de suas cavernas. Preparamos uma pequena história da comunicação. LINGUAGEM “Que linda presa de mamute!” Ninguém sabe quando os grunhidos evoluíram para a fala, mas nós definitivamente aprimoramos a ­linguagem na fase Homo sapiens.

NOAH RABINOWITZ/COURTESY OF 12 O‘CLOCK BOYS (2), SHUTTERSTOCK (4)

Não é só uma questão de atualizar o status e postar selfies. Nas redes sociais você também pode transformar sonhos criativos em realidade. Como por exemplo o filme de estreia de Lofty Nathan, 12 O’Clock Boys. O documentário segue Pug, um jovem de Baltimore que desesperadamente quer entrar em uma gangue urbana de dirt-bike. Nathan angariou dinheiro para o projeto através do site de crowdfunding Kickstarter duas vezes: US$ 12 mil em 2010 e então outros US$ 30 mil três anos depois. Após completar o filme, ele o inscreveu no festival South By Southwest, onde teve boa recepção tanto de público quanto de crítica. Os músicos T-Pain, Jermaine Dupri e Henry Rollins são apenas algumas das estrelas que divulgaram a campanha de Nathan no Kickstarter em suas páginas. O conselho de Nathan para quem quer ser cineasta e pensa em um financiamento online? “A coisa mais importante é ter um trailer que mostre seus potenciais.” E tem mais: “Conheci minha namorada pelo Kickstarter”.

PAPIRO Leve e fácil de carregar, vantagens que fariam o ­Vaticano mantê-lo até o século XI.

PINTURA DE CAVERNAS Na Idade da Pedra, pinturas de búfalo feitas com carvão eram o último grito da arte. Hoje isso seria visto como vandalismo.

PONY-EXPRESS O “horse mail” foi descontinuado após 18 meses de serviço. Não houve melhoras, não havia flexibi­ lidade e era lento demais.

O TELEFONE “Cavalos não ­comem salada de pepino” foi uma das primeiras coisas que alguém disse ao telefone.

3 de abril de 1860 – 22 de outubro de 1861  PONY-EXPRESS

1793 – cerca de 1850  SEMÁFORA 150 a.C. – 1890  SINAIS DE FUMAÇA

3000 a.C. – 1100  PAPIRO 4000 a.C. – 100

TABULETAS DE ARGILA INSCRITAS

30000 – 4000 a.C.  PINTURAS RUPESTRES 100000

80000

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ANTES DO ANO ZERO

= 1 000 anos

22



500

600

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900 1000 1100 1200 1300 1400 1500 1600 1700 1800 1900

0 – 1900

= 100 anos THE RED BULLETIN


Amor rápido

Um dos apps que mais crescem no Facebook é o Tinder; uma ferramenta de encontros amorosos online que coloca você em contato com pessoas próximas. Você vê a foto de alguém em potencial, avalia a pessoa como “hot” ou não e depois pode marcar encontro. Fácil. www.gotinder.com

Fatos do Facebook

Números, por favor!

DEUTSCHES MUSEUM, SHUTTERSTOCK (2), SONY

DIETMAR KAINRATH

O Facebook não é feito apenas do número de amigos que você tem: existe uma tonelada de outras cifras movimentando a rede social

727 milhões de pessoas usam diariamente o Facebook

Kainrath

Pessoas visitaram o Facemash, o suposto precur­ sor do Facebook. A versão de Mark Zuckerberg para o ‘Hot or Not’ foi fechada em poucos dias. Mas 22 mil avaliações já tinham sido registradas e ele teve que se explicar para a comissão admi­ nistrativa de Harvard. A história foi contada em 2009 no filme A Rede Social.

Estou nessa?

119 %

94025

código postal de Menlo Park, casa do Facebook. O complexo também é casualmente con­ tornado por uma rua circular chamada Hacker Way

Percentual da população de Mônaco que usa Facebook; apenas 0,05% da China usa. Isso coloca o principado em primeiro lugar em número de usuários de Facebook per capita e a China em ­último. Há muito mais chineses usando o Facebook (60 milhões) do que habi­ tantes em Mônaco (30 mil).

500

dólares é o prêmio concedido pelo Facebook se você conse­ guir hackear o site.

POMBOSCORREIO Heróis do ar, até o final da Segunda Guerra, pelo me­ nos. Um memorial na cidade francesa de Lille honra os mais de 20 mil guerreiros alados mortos.

450

CORREIO PNEUMÁTICO Foi concebido como forma de transmitir mensa­ gens e hoje tem um revival. O sistema é muito usado em hospitais.

CELULARES Os primeiros ­modelos pesavam 1,1 kg (dez vezes mais que um iPhone). Podiam até ser usados para quebrar castanhas.

59/90/154

RGB é o código de cores do azulescuro do Facebook. Por que o site é azul? Mark Zuckerberg tem um defeito semelhante ao daltonismo nos olhos.

Desde junho de 2011  GOOGLE+ Desde novembro de 2010  DIASPORA Desde março de 2006  TWITTER Desde fevereiro de 2004  FACEBOOK

TWITTER Nos tornamos mais sucintos em 2006, fazendo nossas frases em 140 caracteres ou menos.

Desde julho de 2003 – junho de 2013  MYSPACE Desde junho de 2003  SECOND LIFE Desde junho de 2002 – junho de 2011  FRIENDSTER Desde 1973  CELULAR Desde 1964  MÁQUINAS DE FAX XEROX Desde 1962  PAGINAÇÃO Desde 1861  REDES FIXAS

SECOND LIFE Mais de 36 mi­ lhões de avatares estão no Second Life; cerca de 1 milhão ainda estão ativos.

1853 – 1965  CORREIO PNEUMÁTICO 1847 – 2005  TELÉGRAFO Desde 1837  TELÉGRAFO MORSE Desde 1605  JORNAL IMPRESSO 400 a.C. – 1980  HELIÓGRAFO 2000 a.C. – 1945  POMBOS-CORREIO Desde 2400 a.C.  CARTA

“Cavalos não comem salada de pepino”

HELIÓGRAFO Comunicação usando a luz do sol refletida. Usado pela última vez por Rambo e os afegãos en­ quanto enfrenta­ vam soviéticos.

Desde 100000 a.C.  LINGUAGEM HUMANA 1900–1910

1910–1920

1920–1930

1930–1940

1940–1950

1950–1960

1960–1970

1970–1980

1980–1990

1990–2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013

1900 – 2000

= 10 anos THE RED BULLETIN

2000 – HOJE

= 1 ano

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SURF NO ALASCA? DURANTE O LONGO E RIGOROSO INVERNO NO ESTADO AMERICANO – OITO MESES DE FRIO E 20 HORAS DIÁRIAS DE ESCURIDÃO –, UM GRUPO DE SURFISTAS ENCARA COM PRAZER AS ONDAS CONGELANTES DA CIDADE DE HOMER. O FOTÓGRAFO SCOTT DICKERSON CONTA COMO É ESSE SWELL GELADO Por: Ann Donahue  Fotos: Scott Dickerson

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“Viver em uma cidade costeira não significa ter tempo bom e quente. Aqui no Alasca, a gente acaba surfando quando está em torno de zero grau e, se está abaixo disso, este é um dia realmente frio para nós estarmos no mar. Nunca surfamos se não for por diver­ são. Então, quando a diversão termina e começa o sofrimento, vamos embora. Não faze­ mos nada para provar alguma coisa, não é um desafio de quem é mais macho. É só uma coisa que a gente curte”

“O cara na esquerda é Kyle Kornelis, e isso é em Homer, durante um inverno particu­ larmente gelado. Esta foto, para mim, é muito legal por causa do gelo na praia e porque ele é o típico fortão do Alasca. As mudanças de maré são, em média, de 4,5 m ou 4,9 m – ela sobe e desce duas vezes ao dia. Então, aquele gelo se estende muito para dentro da água. Em uma maré baixa, fica todo exposto, daí a maré sobe e esconde a bancada de gelo. Acima, é uma viagem que fiz com a organização Heliski. Eles tiveram um dia ruim – não podiam sair esquiando por causa das condições da neve, então eu apareci com alguns equipamentos de surf e nós pegamos alguns dos clientes, os mais aventu­ reiros entre os esquiadores, e fomos. Nós viajamos, pousamos na praia e fizemos uma sessão. Eles adoraram”

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Home

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“Nós usamos wetsuits vedados de até 6 mm, que é geralmente a coisa mais ­quente que existe, e luvas e botas de 7 mm. Nós surfamos tudo: de meio metro a ondas grandes, que aqui chegam na casa dos 3 metros. As ondas são formadas a 112 km da praia. Então, o vento tem que soprar extremamente forte para conseguir um bom swell”

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“O NOME DESTE CARA É ICEMAN. ELE É O PRIMEIRO SURFISTA DESTE PICO. COMEÇOU A SURFAR AQUI EM 1984”


“Honestamente, nós levamos para esta excursão um bocado de pessoas do mundo do surf, e elas estão sempre superanimadas por surfarem em um lugar ­inóspito. É aquele tipo de sentimento inexplicável em que tudo é tão mais incrível quando você está na água. É como saltar para dentro do cenário”

“É como surfar em qualquer outro lugar – às vezes, nós surfamos até cinco dias por semana, então podemos passar por três ou quatro semanas sem uma única onda surfável. É realmente imprevisível. Nós temos toda a nossa vida estruturada para ir surfar quando estiver bom”

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THE RED BULLETIN


“NÃO SEI POR QUE ME LIGUEI TANTO NO SURF. EU NUNCA TINHA VISTO NINGUÉM SURFAR NA MINHA VIDA QUANDO COMECEI A BRINCAR NA ÁGUA”


“Este é o tipo de situação que se apresenta – as ondas não são nem um pouco boas, mas nós surfamos elas de qualquer maneira porque é o que tem. Este é o princípio – é tão legal estar em um lugar tão bonito e pular na água. O que todo mundo pensa geralmente é ‘vocês estão no Alasca, deve ser tão frio’, mas, honestamente, me sinto aquecido. Quando eu saio da água, estou com calor e meio que arranco com pressa o wetsuit”

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“EU QUERIA ENTRAR NA ÁGUA. ACHO QUE VOCÊ NASCE PARA FAZER ALGUMA COISA ASSIM”


“O que pega mais ao surfar no Alasca é que é tão incrivelmente remoto. Não tem ninguém. É apenas você e o seu companheiro surfando. E esse é o choque quando você vai em algum lugar onde o surf é popular – você vai para o mar e tem outras 50 pessoas na água”

“Se está com frio depois de uma sessão, enche sua roupa de água quente da torneira e deita. Nós chamamos isso de sauna particular. Ela se espalha e cobre todo o seu corpo com água quente. Mas, quando você está deitado na neve, não dura muito. Depois de 30 segundos, você pensa: ‘Ok, preciso de mais’”

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“IAN WALSH TEVE ALGUMAS SESSÕES AQUI E ELE ADOROU. FICOU MUITO FELIZ MESMO”

“Ian Walsh veio com Jon e Eric Jackson para filmar a série Brothers on the Run, então nós levamos esses caras em um MV Milo, um barco de 17 metros que usamos para as surf trips. Nós saímos e explo­ramos a costa – é uma experiência de descoberta, de sermos pioneiros em ondas e elementos e de sobre­ vivência em situações extremas”


“ISTO FOI EM HOMER, NO MEIO DE UMA TEMPESTADE DE NEVE. MUITAS VEZES SURFAMOS ONDE PODEMOS DIRIGIR ATÉ AS ONDAS”

“Aquela ali sentada é Kristi Wickstrom, e eu acredito que aquele é seu cachorro. É em Homer, no meio de uma tempestade de neve, obviamente. John Langham, enquadrado na foto, está com 50 anos, eu acho. É engraçado que uma turma de velhinhos esteja surfando aqui. São uns velhinhos valentes, com certeza”

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“Havia um forte mau tempo em Homer, então nós dirigimos pela estrada 40 minutos até a Enseada de Cook. A tempestade era tão grande que trouxe ondas de cerca de 3 metros, e a praia estava coberta com grandes blocos de gelo de 3 metros de largura. Este é Mike McCune tirando o equipamento da camionete. O Iceman vive bem ao lado do pico de surf em Homer, por isso ele tem em casa uma torneira de água quente do lado de fora. Assim, nós podemos correr para sua casa para encher nossas roupas e nos esquentar” Para ver mais fotos de surf no Alasca, acesse: www.scottdickerson.com

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BLITZ KIDS

Movidos a cerveja Como você define seu melhor ano de todos os tempos como banda? Para o Blitz Kids, significa estourar novas canções e também uma gelada (ou três) Por: Ruth Morgan  Foto: Phil Sharp

Depois de um ano que incluiu um tour como atração principal na Inglaterra, uma assinatura de contrato com a Red Bull Records e a presença em festivais como o Download, o quarteto de pop rock de Cheshire Blitz Kids mantém o ritmo em 2014 com o lançamento de um novo álbum. Apesar do sucesso, eles ainda encontram tempo para as coisas importantes da vida: anagramas sem graça, body art caseira e turismo às 6 da manhã. the red bulletin: Vocês sempre ­ charam que iriam fazer sucesso? a joe james: Sempre quisemos ter o que conquistamos até hoje, mas não achávamos que poderia acontecer de fato até há pouco tempo. A gente só queria se divertir. Então, chegamos ao ponto de decidir entre ter um emprego ou deixar rolar. Eu e Jono saímos uma noite e eu falei: “Chega, não vou trabalhar nem um dia mais da minha vida em outra coisa que não seja música”. Então, saí do meu ­emprego no pub. E isso faz três anos. jono yates: Ele pediu esmolas, implorou dinheiro emprestado e roubou. Ele é um peso para a sociedade. jj: Eu sou o pior pesadelo do contribuinte. Por que Blitz Kids? jj: Era o nome de uma gangue que meu avô teve quando era garoto em Londres. Durante a Blitz, ele e seus amigos pegavam uma bola e fugiam do abrigo onde deviam estar para jogar e pichar muros. Era uma atitude bem punk rock. Então adotamos esse nome. jy: É também um anagrama de Zidane. jj: Não é. Vocês tocam juntos desde que tinham 15 anos. Como o som evoluiu? jj: Nós somos muito chamados de “pop punk”... é um termo estranho. jy: É, pop punk não existe. É como dizer: “Vou querer um bife vegetariano”. 38



jj: Somos descritos de todas as formas, mas essencialmente nós simplesmente amamos a música pop. Não somos uma banda que você assiste parado. Quando você vai em­bora do nosso show, estará ­suado, cansado, bêbado e feliz. Ninguém gosta de ficar parado em um ambiente no qual estranhos ficam se encostando. nic montgomery: Isso pra mim é uma boa noite de sexta. O que o público deve esperar do pró­ ximo disco, The Good Youth? nm: Em uma palavra: evolução. jj: É bem diferente do que já lançamos. Nós nunca pensamos em termos do que queremos dizer com um álbum, e minhas letras costumavam ser muito negativas,

“Demorou um tempo para que a gente percebesse que você pode ter o emprego que ama” difíceis para as pessoas se identificarem. Esse é um disco positivo. Eu estava tentando inspirar as pessoas e fazê-las felizes porque para ficar triste já tem muita coisa, não é mesmo? O título é uma mensagem subliminar dizendo às crianças algo que nunca ouvimos, que é: “Você pode ter um emprego que ame”. Demorou para que percebêssemos isso, e eu não quero que ninguém mais perca tempo com isso. Houve muitas músicas que não entra­ ram na edição final? jy: Nós ouvimos muito rádio enquanto estávamos fazendo esse álbum, e as mú­ sicas eram jogadas fora porque podiam ter sido escritas por Ed Sheeran ou pelo One Direction.

jj: Há uma música no disco chamada “Pinnacle” que é muito influenciada pelo Take That, porque amamos os caras. Vocês começaram a se tatuar antes ou depois que a banda se formou? jj: A banda veio antes das tatoos, já que nós não tínhamos idade para fazê-las quando começamos a tocar juntos. ­Então, um de nós faz uma e de repente sai de controle. jy: Eu tenho “Never Die”, o título de nosso último EP, e “To the Lions”, a primeira ­faixa do novo álbum, que nós gravamos no Red Bull Studios. nm: Eu tenho uma “Blitz Kids” na minha perna que Joe fez. E muito mal. A vida rock’n’roll veio com a tinta? jj: Nós somos animais com cerveja. jy: Demais. jj: Nós somos chamados pelos amigos de a “banda dos bêbados”. jy: Nós saímos para ver o show de um amigo e acabamos caminhando por Westminster às 6 da manhã para ver o Big Ben. nm: Eu e o Iceman [Matt] somos cam­ peões em ir até as 9 da manhã. matt freer: É sempre um mau sinal quando a ala dos ritmistas aparece na cidade. Qual é o segredo de longas amizades? jy: Escolha os membros da sua banda com sabedoria. nm: Eu aprendi a apenas deixar rolar. jj: Nós somos amigos há tanto tempo que todo mundo já sabe seu papel, como nas Spice Girls. Sou eu quem manda. Funciona, não tem vacilação. Nós acordamos e é tipo assim: “Bom dia, uma cervejinha?” jy: O combustível desta banda é álcool! mf: Realmente é o que nos mantém unidos… jy: [risos] …e também nos separa! nm: Quem está a fim de tomar uma? The Good Youth estará nas lojas em 20 de janeiro: redbullrecords.com THE RED BULLETIN


Formação Joe James – vocalista Jono Yates – guitarrista Nic Montgomery – baixista Matt Freer – baterista Discografia The Good Youth (2014) Never Die (2012) Never Die (EP, 2012) Vagrants & Vagabonds (2011) Scavengers (EP, 2010) Decisions (EP, 2009) Nome de guerra Blitz Kids era o nome original dos New Romantics, um fato que não foi ignorado pela banda. “Nós descobrimos depois que já tínhamos escolhido”, diz Yates. “Nós anunciamos e demos um Google e ficamos tipo ‘Espera, quem são esses caras?’ Esperamos que seja óbvio que não há nenhuma ligação.”


POR AÍ

Em alta em Hollywood mesmo sem assédio dos paparazzi, Eric Bana prova que é possível ter uma grande carreira no cinema e se manter discreto. Seu novo filme é uma ­h istória de ação verdadeira – bem na medida para quem curte a adrenalina da vida real POR: ROBERT TIGHE  FOTOS: GRAHAM SHEARER

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O A obsessão de Bana por seu Ford XB Falcon de 1974 foi tema do seu documentário de 2009, Paixão pela Velocidade

escritório de Eric Bana é uma antiga ­fábrica de chocolates. Hoje é a casa de uma marca de skate, uma barbearia e o tipo de café que é popular entre ciclistas fanáticos e os fashionistas. Seu escritório, assim como sua casa, fica em Melbourne, a capital hipster da Austrália e pela terceira vez seguida eleita o melhor lugar do mundo para viver. Bana cresceu em um bairro residencial a apenas alguns minutos do Aeroporto de Melbourne. Nos seus 20 anos trabalhou em funções braçais antes de tentar a sorte na comédia stand-up. Isso lhe rendeu um quadro em um programa de televisão nos anos 1990, além de sua estreia em um filme australiano de baixo orçamento, No Olho da Rua. Seu papel seguinte, como o infame criminoso australiano Chopper Read, mudou sua vida. A performance intensa de Bana em Chopper – Memórias de

um Criminoso lhe garantiu um papel no filme Falcão Negro em Perigo, de Ridley Scott. Desde então, aos 45 anos e com dois filhos, ele apareceu em sucessos de bilheteria como Troia, Hulk e Star Trek, além de performances maduras e técnicas em Munique e Hanna. A carreira de Eric Bana no cinema o fez viajar pelo mundo, mas ele nunca teve vontade de viver em nenhum outro lugar. É um daqueles típicos australianos que gostam de ser assim. Ele torce para o St Kilda, clube local, e em 2009 fez Paixão pela Velocidade, um filme sobre o outro amor de sua vida, um cupê Ford XB Falcon de 1974 que ele comprou aos 15 anos. Bana descreveu a garagem de seu pai onde ele trabalhou no carro quando adolescente como seu “casulo”, um refúgio do mundo exterior. Seu escritório, um ­espaço estilo loft que ele divide com um produtor e diretor amigo, parece ter papel parecido em sua vida hoje em dia. Quando não está trabalhando em filmes, Bana passa quatro dias da semana no gabinete tocando sua produtora, a Pick Up Truck Pictures, uma empresa de operação en­ xuta que tem apenas ele e um assistente como equipe. Um dia da semana ele vai para as montanhas para fugir de tudo. “Sucesso para mim é ter tempo”, diz o ator. “Eu pulo na minha moto ou em um dos meus carros e vou dar uma volta no campo para descansar a cabeça. Sei que tenho muita sorte de poder fazer isso. Eu não penso no que consegui como algo trivial nem por um segundo.” the red bulletin: Uma crítica a Hanna ponderou que os seus personagens quase sempre se dão mal nos filmes. Disse: “Bana sempre é escalado em papéis nos quais ele não fica com a mocinha, não conclui um objetivo, não salva seu planeta e normalmente termina a sete palmos debaixo da terra”. Você se sente um injustiçado por isso? eric bana: Acho que isso é um pouco ­severo e não totalmente verdade. Vamos pensar em alguns de meus filmes: morri em Troia, morri em Star Trek, morri em Hanna e morri em A Fuga. Eu sobrevivi em Te Amarei para Sempre, mais ou menos – morri e depois voltei. Não morri em No Olho da Rua, não morri em Chopper – Memórias de um Criminoso, não morri em Falcão Negro em Perigo, não morri em Romulus, Meu Pai, não morri em Tá Rindo do Quê?. Não morri em A Outra e não apenas fiquei com a mocinha do filme, eu peguei duas, Natalie [Portman] e Scarlett [Johansson]. Então eu me dei bem, vai. Seu próximo filme, Lone Survivor [ainda sem título no Brasil], conta a história


“Sucesso para mim é ter tempo para pular em uma moto ou um carro e dirigir no campo para descansar a cabeça” 

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real de um pelotão de Navy Seals para capturar um líder do Talibã no Afeganistão. O que lhe atraiu para o papel? Eu li o livro [de Marcus Luttrell] duas ­vezes e sempre tive um grande carinho pelas Forças Especiais, que foram resgatar o Falcão Negro em Perigo. Fiz um papel pequeno, mas, quando o diretor Peter Berg me ligou e perguntou se eu me interessa­ va, disse que não tinha dúvida. A chance de contribuir para contar a história de Marcus foi realmente especial. Filmes de guerra, como A Hora mais ­Escura  e Guerra ao Terror, despertaram muita polêmica nos últimos anos. Você espera que Lone Survivor tenha críticas semelhantes? Não gosto da panfletagem que determi­ nados filmes atraem, em que as pessoas usam uma produção para expressar sua opinião sobre algo. Lembro de quando Falcão Negro saiu em 2001, e questionaram minha opinião sobre o 11 de Setembro e sobre George Bush. Eu respondi: “Do que vocês estão falando?” Prefiro que as pes­ soas se concentrem no filme e na trama e não nas suas próprias opiniões políticas. Para mim, Lone Survivor é uma incrível história de sobrevivência. É impossível ler o livro e não ficar pensando: “Somos todos capazes de muito mais do que pen­ samos”. Espero que as pessoas tirem isso do filme e não o transformem em uma discussão sobre se os Seals deveriam ter ou não matado um inocente. A reação contra Lone Survivor já começou a questionar sobre a precisão do relato no livro. Então você tem que bater na porta do Marcus Luttrell e perguntar isso para ele. Nós recebemos Marcus no set, recebemos os Navy Seals no set e eu tenho certeza de que os produtores fizeram um grande esforço para garantir que os detalhes ­fossem respeitados. Lone Survivor é importante para você, já que é seu primeiro papel em uma superprodução desde 2009, em Star Trek? Grandes produções não têm esse impacto todo que você pensa, e é muito perigoso procurar esse tipo de filme porque, se você faz uma grande atuação em um grande filme, isso não é bom também

“Quando bati, pensei: ‘Graças a Deus nós vamos sair dessa’. Temos sorte de estarmos vivos” 44

para sua carreira. Tento realizar papéis que podem dar uma mostra do que eu faço pois é isso que vai me fazer receber convites. Para mim, é sempre uma questão de trabalho e do que é interessante. Ainda recebo convites para papéis interessantes e recuso papéis que outras pessoas fariam qualquer coisa para receber. Você não fez muitas comédias desde que estrelou seu primeiro filme em 1997, No Olho da Rua. Foi uma opção? No começo, evitei a comédia deliberada­ mente. Não foi difícil porque ninguém em Hollywood sabia sobre meu passado de stand-up. Estaria aberto para o gênero se chegasse para mim o papel certo, mas a tendência é eu receber coisas mais sérias. Como em Beware the Night? Acabei de filmá-lo em Nova York. Não vai ser lançado até o final de 2014 ou começo de 2015, mas estou bem animado. Foi ­dirigido por Scott Derrickson, que fez O Exorcismo de Emily Rose e A Entidade, e é meio que um mash-up. Está dentro do gênero de horror, mas tem uma história levada pelos personagens; não é um filme

Bana competiu no Bathurst 12 Hour Enduro, no rali Targa da Tasmânia (onde se acidentou) e no campeonato aus­tra­liano de Porsche GT


tipo Sexta-Feira 13. Eu faço Ralph ­Sarchie, um policial que investiga casos que envolvem possessões demoníacas, exorcismo e outras atividades paranormais. Foi um personagem incrível de ­fazer, um verdadeiro barril de pólvora. Está ficando mais difícil conseguir ­papéis bons em filmes bons? Nos últimos cinco anos está mais difícil para todo mundo pois tudo está ficando maior – conceitos, orçamentos e produções. E, quanto mais inteligentes e interessantes os filmes são, mais difícil é fazê-los. Os filmes que fiz recentemente não são do tipo que as pessoas correm para ver no fim de semana da estreia. Sim, isso pode mexer com seu emocional porque você pode se questionar e pensar como encontrar o equilíbrio ideal, mas ninguém realmente sabe a resposta para isso. Eu sei que o maior nem sempre é o melhor. A idiotização da indústria do cinema é preocupante? Me preocupa na medida em que mesmo que eu não esteja me idiotizando, mesmo que algum dos filmes fosse mais inteligente, ainda assim é perigoso porque há tantas histórias menores que merecem ser contadas e não são. Esse tipo de cinema está ficando cada vez mais difícil. Você preferiria contar suas próprias histórias? Eu tenho vontade de dirigir outro filme, mas não estou arrancando meus cabelos a essa altura para encontrar um argumento. Vou fazê-lo em algum momento e provavelmente será uma narrativa e não um documentário. Seria um luxo poder dirigir as pessoas em vez de me colocar em risco. Seu primeiro filme como diretor foi Paixão pela Velocidade, sobre seu cupê Ford Falcon. Sua relação com o carro mudou com os anos? Eu deveria achar que sim. Comprei o carro com 15 anos, então devo acreditar que mudei a partir disso, caso contrário eu ­seria um ser humano bem trágico. Há ­períodos em que o carro fica embaixo de uma lona por um ano e outros em que eu o dirijo todos os dias. Tem vezes que ele está todo desmontado e eu o xingo, mas tenho muito prazer com esse carro. Não quero parecer imbecil, mas veículos dão muita alegria às pessoas. Fazem com que elas sorriam. Do que você se lembra do acidente no rali Targa da Tasmânia que aparece no filme? Quando nós batemos na árvore, eu lembro de ter pensado: “Graças a Deus vamos sair dessa”. A pior coisa a fazer é atravessar porque o carro estava empenado em volta da árvore. Tivemos sorte de sairmos vivos da batida. 

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Bana comprou seu Falcon quando tinha 15 anos e mexe no carro atĂŠ hoje


O carro não saiu tão bem, no entanto. Deu perda total, certo? Ele teve que ser reconstruído, mas está melhor agora do que nunca. Eu o aposen­ tei das corridas porque já dediquei muito tempo para consertá-lo. O que mais está em sua garagem? Tenho uma moto Yamaha 450, uma BMW 1200 GS, uma Ducati 851 SP3, uma velha Ducati Monster e uma moto de corrida Ducati 748 RS, usada só para competi­ ções. Também tenho um Porsche Pre-A Speedster de 1955, que é meu único carro de investimento. Eu comprei ele 11 anos atrás e deve ter dobrado de preço. Além da paixão por velocidade, o que mais é ter sucesso para você? Significa sair da rodinha em que corre o hamster quantas vezes quiser. No começo da minha carreira, me dei conta de que eu poderia trabalhar sem parar ou pode­ ria fazer com que as coisas fossem legais para mim. Se eu não fosse casado e não tivesse filhos, poderia ter feito tudo de uma maneira bem diferente, mas, na época em que comecei a ter algum sucesso, eu já era casado e com filhos. O sucesso mudou você? Eu comecei a trabalhar na indústria de ­cinema quando tinha 22 anos. Hoje tenho 45, então é claro que mudei. Eu gosto de pensar que sou uma versão mais evoluída da espécie. Ainda assim, a qualquer mo­ mento eu posso me sentir um lixo ou me sentir muito bem comigo mesmo, como todos nós. A chave é garantir que você não se enrole demais no trabalho, e ter ­alguns interesses fora do emprego ajuda nesse equilíbrio. Estou feliz com minha vida hoje, mas eu também não era infeliz há 20 anos quando fazia trabalhos braçais e comédia stand-up. Steven Spielberg disse uma vez de você: “Ele tem todas as prioridades ­definidas… Se ele nunca mais atuasse na vida, ainda assim seria perfeitamente feliz”. Concorda? Interessante. Eu acho que ficaria um pouco frustrado. É um elogio muito carinhoso, mas eu tenho que discordar. Adoro viver em Melbourne, adoro ser pai de família e adoro ter tempo para fazer as coisas de que gosto. Qual é seu próximo projeto? Atualmente, estou lendo roteiros, mas não tenho a menor ideia do que vou fazer. E adoro que seja assim. Raramente entro em um set de filmagem sabendo qual vai ser meu próximo filme. Eu não quero pen­ sar sobre o próximo trabalho enquanto estou filmando. Às vezes, isso significa que o intervalo seja grande demais, por­ que pode demorar um tempo para que você encontre alguma coisa. THE RED BULLETIN

É verdade que você não faz uma ­sequência de filmes? É a maneira como eu gosto de trabalhar. Mais que um esforço determinado de ­encontrar um equilíbrio de vida profis­ sional. Eu poderia fazer mais filmes, mas, se eu fizesse isso, também estaria em fil­ mes de que não gosto muito. A verdade é que é muito difícil encontrar um filme bom. Quantos filmes bons são lançados em um ano? Não muitos, e você precisa ter muita sorte para participar de um. Se conseguir aparecer em um filme mais ou menos bom a cada cinco anos, você ­estará muito bem.

“Eu poderia fazer mais ­filmes, mas isso implicaria fazer alguns de que não gostasse muito. A realidade é que não é fácil encontrar um bom filme, é sorte”

Você teve que deixar de lado algum ­papel por viver em Melbourne? Viver em Melbourne não fez nenhuma ­diferença na minha carreira. A única coisa é que tenho possibilidade de me esconder melhor por aqui. Então você nunca foi perseguido por algum paparazzo? Eles nunca tiveram interesse em mim. Eles têm uma tendência de não estar nos mesmos lugares que eu. Acho que os paparazzi gostam de ter vida muito glamourosa. Então, se você se afastar do agito, dos lugares da moda, eles estarão longe também. Como você lida com os eventos de ­promoção dos filmes? Eles são novidade para mim. Se eu vou a um evento, é uma semana à parte do meu ano e parece estranho e lisonjeiro ao mes­ mo tempo. É bom se não for todo dia. Você conseguiria escolher entre ­acelerar e atuar? Caramba… Isso é golpe baixo. Eu não sou idiota, sei que atuar me permite praticar os hobbies e os esportes de velocidade, mas eu nunca poderia deixar de valorizar meu amor por carros e motos. Essa seria a pior das realidades. Nascido para correr: @EricBana67

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Ela não é o ABBA, que sua mãe ouvia, ou o IKEA, de que seu pai gostava. ELLIPHANT, uma modelo que virou MC, é a nova aposta para a dominação da cultura pop que vem da Suécia Por: Caroline Ryder Fotos: Miko Lim Styling: Holly Copeland

A T O GAR

SUECA

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“A SUÉCIA FOI MUITO RUIM COMIGO. QUANDO DEIXEI MEU PAÍS, FOI QUE ME TORNEI UM SER HUMANO”

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THE RED BULLETIN


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E

LLIPHANT, uma estrela surgida na Suécia, está resfriada. Ela fica muitas vezes doente quando viaja para L.A., explica com a voz áspera e seminua em seu camarim, sem dar a mínima para o próprio ­corpo. Com Ellinor Olovsdotter na iden­ti­dade, a modelo internacional é também MC em uma nova onda ­nórdica de divas do dance pop (junto com ­nomes suecos como Icona Pop, ­ Robyn, Lykke Li e MØ) que estão dando um novo gás à música 51


SUA MÚSICA É INSPIRADA NO DANCEHALL JAMAICANO, DUBSTEP SUJO, ROCK DOS ANOS 1990 E TECNO

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Em uma entrevista, seu carisma é inegável e contido. É durante uma sessão de fotos que Elliphant aparece para a vida, um turbilhão selvagem e cheio de alegria que mostra para a câmera a sua exuberância. É esse sentido de si como artista – a habilidade de modelo de traduzir duas dimensões em três – que influencia sua música. Inspirada pelo dancehall jamai­ cano, dubstep sujo, rock e tecno dos anos 1990, seu som motivou comparações com M.I.A. e Santigold. Mas sua presença evoca a de outra estrela e é uma comparação que Elliphant não gosta: Rihanna, cuja conquista do sucesso também foi difícil. Com sua beleza meio Jane Birkin e sua honestidade desbocada, Elliphant apresenta mais do que aquele tipo de princesa hipster do pop. Ela viveu uma vida de ­verdade, para começar, com uma infância pobre nos empoeirados subúrbios de Estocolmo. Sua mãe gerou, solteira, dois filhos de pais diferentes. O pai teve quatro crianças com três mães diferentes. “Minha mãe era drogada”, ela diz. “Ela tinha um monte de problemas. A Suécia foi muito ruim com ela. E comigo também. O sistema da Suécia acabou comigo. Só me tornei um ser humano quando deixei o meu país. Se nunca tivesse saído, esta pessoa, Elliphant, nunca teria existido. Eu seria hoje furiosa. Provavelmente teria dois filhos e estaria drogada agora.” A sua família era grande, estendida e caótica, na qual a música era um dos poucos luxos que se podia pagar, ela conta. “A minha mãe era apaixonada por ­música e ela era toda por dentro do lance anos 1990”, ela diz. “Eu cresci bombardeada por música. Nós ficávamos horas espe­ rando enquanto ela procurava discos em lojas. Ela comprava uns dez CDs em uma semana quando eu era criança. Tudo,

de David Bowie a B-52s até o começo do tecno e Frank Sinatra. Tudo.” Sofrendo de déficit de atenção e dislexia, Ellinor Olovsdotter teve dificuldades na escola e não conseguia divisar um ­futuro feliz para si até que, com 15 anos, sua avó a levou para a Índia. Ela encontrou paz nas barulhentas e coloridas ruas de lá e, um ano depois, voltou sozinha, abandonando a escola com 16 anos, perdendo-se na Índia apenas para se encontrar. Ela viajava para lá frequentemente nos seus 20 e poucos anos, retornando a Estocolmo entre as idas e vindas, onde trabalhava em uma cozinha enquanto brincava com suas próprias músicas. Ela viajou para metrópoles como Berlim, Londres e Paris, explorando as cenas ­urbanas daquelas ­cidades e conhecendo um jovem produtor sueco em Paris que acreditou nela como performer. “Em 2011, conheci Tim De Neve, um dos meus produtores, em Paris, pouco ­antes de ir para a Inglaterra”, ela diz. “Ele é metade da equipe Jungle. Quando o conheci, nós estávamos muito loucos e ele colocou música para tocar e disse que queria tentar talvez compor música para outros artistas junto com Ted ­Krotkiewsk, seu parceiro de produção.

ELA ENCONTROU A PAZ NAS RUAS COLORIDAS E BARULHENTAS DA ÍNDIA, SE PERDENDO PARA SE ENCONTRAR

“Então fui para Londres e perdi meu voo de volta para casa por causa do vulcão islandês que entrou em erupção.” Um desastre natural se transformou em uma parceria extraordinária, e, com o apoio de De Neve e Krotkiewsk, Ellinor se transformaria em Elliphant, compondo letras e melodias enquanto seus produtores se encarregavam da batida. “A história real entre mim e a música começou mesmo quando fui para a Índia e participei de sessões de improvisação”, ela diz. “Eu senti a música, realmente quis ser parte dela de alguma forma. ­Estava em uma onda de gravar. Queria criar o maior banco de sons do mundo. Tinha um monte de ideais sobre música, mas não sabia como elas acabariam. ­Certamente não pensei que seria assim.” Este “assim” a que ela se refere é a chance com a qual os músicos principiantes sonham – a pessoa certa se transforma em seu aliado, o produtor certo enxerga o seu potencial. Depois de fazer algum ­sucesso em Estocolmo, Elliphant assinou com a Ten, empresa sueca de gerenciamento por trás de Icona Pop e Niki & The Dove. Em 2012, ela foi apresentada ao mundo, música por música do seu dancehall com traços de dubstep, como “Ciant Hear It”, “Tekkno Scene” e o hit “Down on Life”, cujo lindo clipe, filmado na Islândia, foi elogiado por Katy Perry, que o chamou de “melhor clipe do ano”. E então, depois de Katy, veio o interesse de Dr. Luke, o produtor que atuou nos bastidores para seu sucesso e tem um olho especial para divas do pop: Perry, Ke$ha, Kelly Clarkson e Britney Spears – e, sim, Rihanna. Luke fez Elliphant assinar com a Kemosabe, seu selo na Sony. “Fui surpreendida pelo interesse dele por mim. Ele me procurou na minha gravadora. Não sei ao certo como aconteceu. Eu não fui atrás dele. Acho que teve a ver com Icona Pop crescendo tanto, subitamente todos esses tubarões da indústria procurando o que há de novo na Suécia.” Se tudo for bem, Ellinor tem uma chance de ser um dos maiores produtos de exportação da Suécia desde o ABBA… ou Ikea. O que seria digno de uma comemoração, ela diz, vestindo de qualquer jeito uma camiseta e prometendo que ­naquela noite ela ia sair e beber uma, que se dane o resfriado de L.A. “É muito esforço e dedicação para ­fazer música. Você tem que receber algo em troca, ter retorno financeiro”, ela diz. “Percebi que queria isso para a minha vida, então de repente fiz ‘Down on Life’ e pensei: ‘F*da-se. Vou me jogar nessa’.” Siga Elliphant no Twitter e no Instagram: @ElliphantMusic



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COMO UMA

A cidade rural de Teutônia, no sul do Brasil, onde vivem apenas 30 mil habitantes, recebe pela segunda vez a Copa do Mundo de Skate Downhill. Na ladeira que ganhou fama internacional por ser a mais rápida do mundo, os riders beiram os 120 km/h em uma explosão de adrenalina e loucura

BALA

POR: FERNANDO GUEIROS  FOTOS: MARCELO MARAGNI E THIAGO DIZ


A base aerodinâmica é uma das principais características do skate downhill: braços para trás, um joelho atrás do outro, peito no joelho da frente e olhos mirando a pista

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M

atthias Ebel, 23 anos, skatista da Alemanha, tem uma certeza: “Estarei aqui no ano que vem. Isso é incrível, uma energia diferente de tudo”. Enquanto ele arruma seus equipamentos no porta-malas do carro, um atleta pergunta: “Não se classificou?”. “Infelizmente não”, ele responde. O outro completa: “Isso é Teutônia, cara. Teutônia”. É nessa cidade, no interior do estado do Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil, com uma das maiores colônias alemãs do país, que fica a Ladeira da Harmonia, desbravada há dez anos por um morador local e que atualmente é considerada a pista mais rápida do mundo para a prática do skate downhill. Por esse motivo é que o Top Skate Pro Teutônia, a Copa do Mundo da modalidade, acontece nesse asfalto. No terceiro e último dia da competição, os dois finalistas, Carlos Paixão e Max Ballesteros, ambos do Brasil, estão a ­postos para dropar o percurso de 2 km rumo ao título mundial. No pé do morro, na linha de chegada, as caixas de som ecoam, ­clamando pela disputa mais

aguardada do evento, enquanto os espectadores se aglomeram para acompanhar a última ­bateria. Do topo, onde é dada a largada, não se vê a chegada, apenas se escuta, de longe, o som dos alto-falantes. “Aqui só tem um jeito de descer, que é o mais rápido possível”, diz Carlos, 25 anos, pouco antes da final. Do alto de seu 1,88 m, roupa de couro preta e verde, ele é o dono do novo recorde de velocidade da pista, de 119 km/h, anotado durante o qualifying, no primeiro dia. O segredo para tamanha rapidez? “Eu acho que é a força para segurar a pressão e não perder velocidade”, ele diz. “Mas o mais importante é jamais tirar o braço de trás do ­corpo e manter um joelho firme, sempre atrás do outro, com o peito e o queixo no joelho da frente, mirando para onde você vai, sem olhar para o chão, e mantendo a base aerodinâmica.” No começo da pista, fica uma pequena igreja e um rústico galpão onde os riders comem, descansam, consertam seus ­skates e, em muitos casos, armam suas barracas de acampamento para passar a noite. O fiscal anuncia a largada: “Riders, set... Go!”. Os finalistas se impulsionam com um pé no asfalto e outro no skate e despencam ladeira abaixo, sumindo na primeira curva. Carlos larga na frente. A velocidade começa a subir para 40, 50 km/h no trecho chamado de tobogã, quando a inclinação ainda não é tão grande e tem uma curva leve para a esquerda e logo depois outra para a direita. Max se mantém na cola, procurando um espaço, mas, quando a velocidade atinge os 90 km/h, ele abre os braços para diminuir o impulso na entrada da curva principal. Carlos opta por ir ­direto À esquerda, Carlos Paixão, o novo campeão mundial, desce do ônibus que traz os atletas de volta ao topo da pista. Acima, os riders à espera da largada


“ISSO É UMA

MONTANHARUSSA ASSUSTADORA E MUITO RÁPIDA”

Manter-se na velocidade máxima, que aqui beira os 120 km/h, por mais de 15 segundos, é algo que só o asfalto feroz de Teutônia pode oferecer



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CREDIT:

No topo, a largada é um momento de tensão e parceria entre os atletas, que se cumprimentam antes do drop. Ao lado, o rider argentino tatuou sua paixão. Abaixo, o acampamento (dentro da igreja) dos competidores que não gostam de hotéis

– corpo inclinado, muita força da gravi­ dade sugando seus músculos e a movi­ mentação cirúrgica dos joelhos e quadris. Essa curva coloca os atletas na reta final. A velocidade aumenta e as rodinhas se agitam sobre a pavimentação irregular, que tem rachaduras e remendos, e torna tudo mais desafiador. Ao redor, o que se veem são pequenas propriedades e um ­cemitério ao lado da curva principal. O asfalto mal-acabado é uma das carac­ terísticas de Teutônia. Outra é o tempo de velocidade máxima atingido pelos atletas: eles ficam no top speed por 600 m na reta final, que dura cerca de 15 a 20 segundos. A velocidade beira os 120 km/h quando são avistados por quem está no pé da la­ deira – o grande momento do espetáculo. Carlos se consolida na dianteira e desce feito uma bala, deixando apenas o vento no rosto dos espectadores e espantando os lagartos que passam na beira do asfalto. Max não consegue mais alcançá-lo. Na edição de 2013, a competição ­reuniu atletas de 15 países – um recorde, ­segundo Alexandre Maia, chefe de prova e membro da IGSA (International Gravity Sports ­Association). Para participar do mundial, basta ter o equipamento de ­segurança homologado (roupa de couro, capacete e luvas) e pagar a inscrição. Mas a tendência é que isso mude. “Daqui em diante ­vamos focar em uma elite de ranqueados”, explica Alexandre. Durante o evento, quatro ônibus esco­ lares improvisados são responsáveis por


“PRECISA TER

SANGUEFRIO E CABEÇA NO LUGAR”

O alemão Matthias Ebel, o “skatista prateado”, compete há cinco anos e está em Teutônia pela primeira vez: “Essa é a pista mais rápida e insana do mundo”



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“QUEM CONSEGUIR

SEGURAR A PRESSÃO NA CURVA TEM MAIS CHANCE” As competições no mundo costumam ter baterias de quatro atletas, mas em Teutônia são apenas dois por causa do perigo. Durante o mundial, foi registrada a velocidade máxima de 119 km/h, novo recorde da pista


levar os atletas de volta ao topo. O trânsito de carros só é permitido quando a organização autoriza ou quando a ambulância precisa entrar em ação nas situações de emergência.

VIDA OU MORTE O qualifying, no primeiro dia, é o momento mais crítico do evento devido ao excesso de atletas que desce a ladeira. Nesta edição, por exemplo, foram 230. Debaixo do sol de 30 graus, eles caminham com suas roupas de couro abertas em busca de água enquanto, a cada 5 minutos, os fiscais autorizam a descida dos riders que querem treinar e fazer o tempo para ­definir as baterias. 62



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Na foto maior, o cansaço é intenso; e o prazer, inigualável. A partir da mais alta: as quedas interrompem a corrida para a entrada das ambulâncias; e as chegadas são uma explosão de velocidade

Ao escutar o som dos skatistas se aproximando, o público que se espreme no gramado tem aumentada a expectativa em um misto de aflição e apoio. A cada sambada que um skatista dá, na tentativa de se ajustar à linha da pista, ouve-se o “Uhhh!!” de quem assiste. É um espetáculo no limite da performance e do risco. O atual campeão, Kyle Wester, 26 anos, americano do estado do Colorado, desceu a ladeira para cravar o terceiro melhor tempo. “Converso comigo mesmo durante a descida, tento ficar relaxado e com a certeza de que estou me divertindo”, diz o atual número 3 do ranking mundial. “Quem conseguir segurar a pressão na curva em alta velocidade tem mais chance THE RED BULLETIN

“É PRESSÃO

O DROP INTEIRO. SEMPRE UMA SURPRESA”

de ganhar. Encontrar a linha certa nesse asfalto exige muita atenção.” Depois dele, pela categoria feminina, quem desceu foi Debora de Almeida, de 19 anos. Após a curva principal, ela perdeu a estabilidade e foi lançada de seu skate, chocando-se contra o asfalto numa queda que não deixa nada a dever às de MotoGP. “Eu estava em dúvida se ficava

na pista da direita ou da esquerda quando passei num remendo. Não tive como evitar pois já tinha alcançado o top speed.” Resultado: tornozelo torcido e ombro e joelho luxados, fora os ralados. Debora desceu cerca de 25 m ralando a barriga e não conseguiu se levantar. A ambulância foi chamada, e os médicos levaram mais de cinco minutos para tirar a roupa da atleta de modo que ela não sentisse dor. Depois, ela seguiu para o hospital. (Durante três horas de qualifying a pista foi interditada quatro vezes para a entrada da ambulância.) Vale a pena tanto risco? “Sim, claro”, diz Debora, sorridente, enquanto repousa um saco de gelo em seu tornozelo durante o último dia. “A vontade de descer é muito grande. Teutônia é diferente de tudo, é pressão o drop inteiro e sempre tem uma surpresa.” O alemão Matthias concorda: “Aqui não tem como diminuir a velocidade. Isso é como uma montanha-russa assustadora, uma aceleração que nunca vi na vida”. Com três cirurgias no ombro, uma clavícula quebrada, diversas cicatrizes pelo corpo e inúmeras torções de tornozelo, ele não tem dúvidas: “Essa é a pista mais rápida e insana do planeta”. Kyle Wester sabe disso: “Costumo andar no Colorado, em Pikes Peak, mas lá a velocidade que eu chego é de 96 km/h. Aqui a gente fica entre 115 e 120 km/h por muito tempo, não tem nada parecido no mundo”. Agora, no último dia, o número de competidores diminuiu gradativamente até restarem os dois finalistas. Consequentemente, o nível técnico aumentou e a quantidade de acidentes diminuiu. Depois da última largada, o topo ficou silencioso e praticamente vazio. Apenas o fiscal e meia dúzia de moradores locais dividem o espaço entre o galpão e o início da pista, aguardando o anúncio do des­ fecho da competição pelo walkie-talkie. ­Ouve-se de longe o eco das caixas de som. Durante o duelo final, a multidão fica em polvorosa no pé da ladeira à espera do novo campeão da “Fórmula 1 do skate”. E ele chega mais rápido do que nunca, após 1m20s de descida. Carlos Paixão cruza a linha de chegada em primeiro para escrever seu nome na história de Teutônia. “Pensando bem, acho que aqui o mais importante não chega a ser força ou técnica, e sim cabeça no lugar e sangue-frio”, ele diz, suado e extasiado. “Tem gente com muita técnica, mas, quando chega em Teutônia, se apavora, perguntando se é isso mesmo. E nós não temos muito o que dizer, não é? É isso mesmo, sim. Isso é Teutônia.” igsaworldcup.com

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ESCURIDÃO nos limites da cidade Como é quando você se vê na armadilha do próprio sucesso? BRIAN FALLON, do Gaslight Anthem, fala sobre se separar do fantasma de Springsteen e da noite em que sua banda quase acabou Por: Jon Coen  Fotos: Matthew Salacuse

A banda The Gaslight Anthem acabou em 30 de março de 2013, em uma enorme casa de shows londrina chamada The Troxy. “Ninguém sabe desta história. Nós nos sentíamos apáticos. Eu não tinha mais nada para dizer. Estávamos meio ‘por que estamos fazendo isso?’ Quase acabamos”, diz o vocalista Brian Fallon. Eles não acabaram de verdade. Ninguém disse o que pensava, mas houve uma discussão cheia de rodeios sobre o assunto. Não houve nenhuma briga irada, ­nenhuma garrafa de cerveja foi jogada na parede, ­nenhum microfone foi atirado ou aconteceu qualquer ataque no palco. Apenas tiveram uma conversa pacífica sobre quem sabe acabar. Fallon, depois disso tudo, foi diretamente para a Artichoke Pizza, em Nova York. A onda de calor de julho acaba de chegar, fazendo a temperatura no fim de noite alcançar os 30 °C com uma umidade de selva que os nova-iorquinos aceitam da mesma forma que os ventos de noroeste gelados que sopram entre os prédios no mês de fevereiro. “Tem estado quente em todos os lugares. Está quente na Europa. Não tão quente quanto aqui. Nós acabamos de chegar, faz duas semanas hoje. É brutal… fomos a 37 °C?”, Fallon pergunta retoricamente. O ar-condicionado manteve o ambiente habitável, mas não refrescante. Em vez de tocar em lugares como o Wembley Stadium em Londres, Fallon se dá 64




melhor nesse tipo de espelunca. Ele menciona algumas pizzarias e Nova Jersey e explica que prefere baixar músicas no iTunes porque custam US$ 1 mais barato que seu provedor de TV a cabo. Fallon cresceu perto da praia. Quem é de lá chama a praia de “The Jersey Shore” (a costa de Jersey). Depois que ele, o guitarrista Alex Rosamilia, o baterista Benny Horowitz e o baixista Alex Levine perambularam pelo lugar vestidos de punks, formaram a Gaslight Anthem em New Brunswick, uma cidade universitária com tradição em bandas underground debaixo das sombras de Filadélfia e Nova York. Eles lançaram Sink or Swim em 2007 e fizeram uma turnê com público de cerca de 150 pessoas. Fallon já estava com 25 anos. “Você fica lembrando, Jimi Hendrix e Kurt Cobain morreram aos 27. E fizeram tanta coisa antes de… morrer”, enfatiza. “Nós não tínhamos mais 17 anos. Era meio como ‘Até onde vamos até que não dê mais?’ Nós tínhamos que tocar para ­fazer o próximo show ou não conseguiríamos nem voltar para casa. Então, a gente não podia dar-se ao luxo de brigar. Os nossos pais nos incentivavam, mas eles diziam ‘Quem sabe você não devia pensar em um plano B?’ Nós tínhamos que manter nossa engrenagem em ordem.” No verão de 2008, eles lançaram um mix brilhante de punk-tempo em The ’59 Sound, conseguindo lotar dois shows na lendária Stone Pony em Asbury Park. Se isso tudo soa um pouco como uma música de Bruce Springsteen, é compreensível.

Springsteen basicamente escreveu a biografia do Gaslight Anthem antes que eles nascessem – quatro meninos de Chuck Taylor de famílias operárias e o sonho de ganhar a vida com rock’n’roll. A simplicidade popular do “The Boss”, os Replacements de Paul Westerberg e Joe Strummer do The Clash tiveram uma grande influência no álbum. Enquanto o Gaslight Anthem viajava, cada sinopse fazia referência a Jersey e a Springsteen. Em 2009, Bruce cimentou essa relação no festival de Glastonbury, na Escócia, ao tocar “The ’59 Sound” com eles. A banda foi prestigiada e a aparição deu um impulso para o sucesso. Mas, ao mesmo tempo, ela não era mais uma daquelas bandas de festa íntimas o suficiente com “The Boss” apenas para ser bacana. Você não pode escutar uma música da Gaslight ou falar com Fallon por cinco minutos sem que ele acabe fazendo uma ou outra referência. É como Sam Cooke enquanto escrevia “The ’59 Sound”. Ele ama os Rolling Stones e diz que ninguém mais faz o que Mike Ness é capaz. Enquanto era tatuado pelo baixista da Bouncing Souls, Bryan Kienlen, ele expressou seu amor por Greg Dulli do Afghan Whigs. Em mais de uma ocasião, mencionou o Pearl Jam como sua banda preferida. Em sua noite animada, ele fica citando Dylan. E depois tem Lawrence Arms, ­Steve Earle, Lucero… Mas Fallon tem brigado com a sombra de Springsteen desde que ele escreveu ­“American Slang”, em 2010. Ele levou

“Não quero seguir os passos deles [Springsteen e The Clash] porque eles já os trilharam. E, se precisar, vou reagir a isso, nem que eu dê um tiro no pé da minha carreira”

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o Gaslight Anthem para Nashville em 2012 para gravar Handwritten para a Mercury Records. E, mesmo com o álbum chegando às paradas em diversos países, eles ficaram pensando quanto do sucesso era pelo fator Bruce. “Eu não quero ser Springsteen. Aquilo foi para tocar ‘The ’59 Sound’ e ficou só nisso. E as pessoas ficaram fixadas nisso. Eu posso morrer que não fico na aba de ninguém. Nunca. Sou compositor. É isso o que eu faço. Eu amo o que faço – a poesia, os livros de T.S. Eliot, os discos de blues. Eu digeri Springsteen e The Clash por 20 anos. Não há mais nenhum sangue a sugar. Claro, quando eu ouço aquelas músicas, ainda me sinto recarregado, mas não tem mais nada a tirar disso.”

A

banda se valeu do magnetismo contagiante de Fallon pelos refletores desde o começo. Você pode chamar isso de uma “qualidade estelar”, mas este não é um termo que o seu círculo de malandros tatuados de origem irlandesa de Jersey iriam repetir. Ainda que ele nunca tenha lançado um álbum solo completo, Fallon com seu violão ­Gibson tem seguidores próprios. Ele tem uma habilidade de entreter muito além dos discos do Gaslight ou de shows em festivais. As suas piadas de palco são famosas pelo brilho. Seu humor é conhecido por levar as entrevistas para as gargalhadas. Em 2011, Fallon e Ian Perkins, originalmente técnico de guitarra do Gaslight Anthem, formaram um projeto paralelo chamado The Horrible Crowes. O álbum que lançaram, Elsie, trazia uma música mais sombria que as baladas do Gaslight. “A banda tocou em nosso segundo show, na Only Game in Town, em Summerville. É como uma loja de games onde você pode comprar o Caverna do Dragão. Se alguém disser que foi lá, mentiu. Eram tipo 20 pessoas amontoadas num recinto do tamanho desse boteco.” Em contraste, o primeiro show dos Crowes foi no Bowery Ballroom, no Lower East Side. O segundo foi no famoso clube ­Troubador, em West Hollywood. “Tivemos muita sorte. Aquilo foi uma loucura. Sold out!”, ele lembra. Fallon tem ofertas para sair em turnê. Já chegou a dizer que tem planos de gravar um disco solo. Mas então o que teria acontecido no backstage daquele show em Londres? “Não foi algo que tínhamos acumulado por anos e começamos a brigar… Assim que passou pela nossa cabeça, resolvemos. THE RED BULLETIN

JEFF BARCLAY/PICTUREDESK.COM

“NÃO QUERO TOCAR ACORDES TOSCOS. QUERO TOCAR RIFFS”


É totalmente melhor se queimar do que ir apagando. E eu preferia matar a banda cortando a garganta bem ali do que ficar vendo ela morrer. Prefiro mil vezes que todos se perguntem ‘O que houve com aquela banda?’ do que ver nos transformarmos em velhos odiosos porque eu amo demais a banda e o que fizemos ­juntos até agora.” Sobre a associação com Bruce e o Clash, Brian começa a se exaltar. “Eu não quero seguir os passos deles porque eles já os trilharam. E, se eu precisar, eu vou reagir a isso, mesmo que signifique dar um tiro no pé da minha carreira. Porque eu não entrei nessa para fazer do mesmo jeito que eles. Prefiro pegar minha bola e ir para casa do que fazer igual a eles.”

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rian quase fez exatamente isso no Pier 26, em 28 de julho. No final de três noites consecutivas em NYC, ele se divertia entoando cantos com o público quando as pessoas começaram a entoar “Bruuuuce” sobre o Rio Hudson. Fallon não quis mais brincar. Ele se virou, emendou “Teenage Wasteland”, do The Who, e acabou. No dia seguinte, desabafou em um post na internet sobre como era a roubada em que sentia ter se metido. A discussão teve início com força no backstage do show. Enquanto cada membro da banda sugeria como ele poderia trazer um novo elemento, surgia uma nova inspiração. Horowitz falou sobre os grooves de John Bonham; Rosamilia manifestou seu grande desejo de tocar piano; e Perkins falou em começar a fazer sons com slide guitar. “Perfeito!”, disse Fallon. “Eu não quero tocar acordes toscos. Quero tocar riffs. Estudei blues. Quero fazer coisas diferentes. As pessoas podem não gostar, mas não ­estou tocando para elas. Estou tocando para mim. Há uma certa dose de egoísmo para se chegar na abnegação.” Fallon sugeriu levar as músicas que trabalhou para seu disco solo à banda, para assim gravá-las com o Gaslight. E ­assim a decisão foi unânime: o Gaslight Anthem continua. “Comecei a compilar uma lista de ­caras que saíram de suas bandas. Ryan Adams é um. Whiskeytown é uma boa banda, mas eles não escreveram uma ­‘Heartbreaker’. Houve muitas brigas. Não sei se ele conseguiria ter feito seus melhores trabalhos com a Whiskeytown, então se mandou dali. Mas eu sei que ­posso fazer o que preciso fazer ao lado desses caras.” www.gaslightanthem.com

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UM UN DJ SALVOU MINHA VIDA Por: Berenice Andrade  Fotos: Katie Orlinsky

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Hardpop: uma balada de ­Ciudad Juárez, no México, onde os frequentadores usam a música para esquecer a violência da cidade


A Hardpop é uma balada que começou como zona neutra na guerra do narcotráfico mexicano e hoje se tornou uma das melhores do mundo

J ames Zabiela sobe ao palco com um largo sorriso e balança com vigor o cabelo curto e loiro. Ele parece um jogador de tênis ­fazendo pose para o público no centro da quadra. O inglês saúda a galera e prepara suas ferramentas de trabalho: picapes, iPad, fones e todos os tipos de equipamento eletrônico, ao que a multidão se dissolve em aplausos e se aglomera em frente ao palco. Zabiela começa a martelar as batidas; as pessoas vão à loucura, se empurram, fazem fotos e levantam os braços com as entradas para o show. A comoção inicial do encontro com o DJ-celebridade passa, e as cerca de 600 pessoas se movimentam em espasmos, a cabeça balançando, cintura sacudindo. Todos dançam. É só mais um fim de semana normal na Hardpop, uma balada de tamanho ­médio com decoração sóbria localizada em um shopping de Ciudad Juárez, uma cidade deserta, caótica e mortal na fronteira com El Paso, Texas. 70



Nessa noite, ninguém se lembra dos milhares e milhares de mortos que a região enterrou em cemitérios ou em valas clandestinas nem das rixas entre traficantes, além de tiroteios ou extorsões; da tortura, do brutal assassinato de mulheres ou de todas as horríveis manchetes que saem na imprensa para definir Juárez e fazer a sua fama de uma das mais perigosas ­cidades do mundo. Em vez disso, o frenesi dos clientes da Hardpop, suas coreografias e a devoção quase ridícula aos DJs renderam à balada um lugar em outro ranking, mais super­ ficial e também 1 milhão de vezes mais animador: de acordo com a revista britânica DJ Mag, essa é uma das melhores ­baladas do planeta. Nenhuma outra balada do México ­supera o rol semanal de DJs da Hardpop, que inclui nomes como James Lavelle, Magda, Damian Lazarus, Deadmau5, Jesse Rose ou M.A.N.D.Y. No final de outubro, a balada comemorou seu sétimo aniversário e o DJ berlinense Acid Pauli e seu colega James Zabiela estão no comando da festa. “Tenho certeza de que a música ajuda as pessoas a enfrentarem a violência, porque a música é do bem”, diz Acid Pauli. O público jovem faz festa como se nada violento alguma vez tivesse acontecido – ou fosse acontecer de novo.

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Ruas perigosas, ritmo de paz: Juárez é uma das cidades mais violentas do mundo. Mesmo assim, não existe confusão dentro da Hardpop, que comemorou o sétimo aniversário no ano passado

VALE O RISCO No começo da noite, um dia após o Halloween, Perla Chavez vai de carro até a casa da amiga Denisse Arias para se arrumarem juntas. Perla tem 20 anos e aparenta a idade, ao contrário de Arias, cuja compleição mignon e precoce faz com que ­pareça menos que os seus 18 anos. “Eu vou à Hardpop desde os 17 anos. Tinha uma identidade falsa que alguém fez para mim. E, bem, sim, Juárez era muito perigosa, mas eu não tinha medo. Mesmo com meus pais sempre me ameaçando de me manter em casa, eu sempre saía”, diz Perla, reclinando-se na cama e alisando o cabelo enquanto Denisse aplica cílios postiços com precisão cirúrgica. “Minha mãe não me deixava sair porque era muito perigoso e ela tinha medo, mas ela tem que confiar em mim”, diz ­Denisse. “Eu preciso sair e me divertir.



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“A HARDPOP PROMOVE UMA CENA; É UMA ILHA DE ALEGRIA EM UM OCEANO DE TERROR”


Nunca nada aconteceu, exceto uma vez que me assaltaram na frente de casa. Foi muito ruim, mas, enfim, alguma coisa tem que acontecer. Esta é uma cidade perigosa, todo mundo tem a sua história.” São quase 21h e Perla e Denisse estão finalmente prontas. Carlos, irmão de Perla, espera que as garotas terminem seu ritual que antecede a balada. Eles têm que chegar cedo à Hardpop porque, mesmo com um grande DJ toda semana, pontualmente às 2h – e às vezes antes – as luzes se acendem e a festa termina. Do lado de fora da balada já existe uma longa fila. Ninguém tem mais de 25 anos e elas vestem suas saias mais ­reveladoras e camisetas meticulosamente passadas a ferro, tremendo de frio enquanto aguardam para entrar na casa, ­localizada no mesmo shopping que foi a cena de mortes e tiroteios anos atrás. Não há uma só ­esquina ou morador de Juárez que não ­tenha uma história de assassinato para contar. Perla e Carlos têm quatro parentes que foram mortos. “Cerca de dois ou três anos atrás, ­mataram três primos e, no ano passado, um tio. Talvez eles estivessem envolvidos [com tráfico], mas um dos meus primos tenho certeza que não fazia nada errado. Eu tinha medo pela minha família. Eu não faço nada errado, mas, mesmo sem fazer nada, a violência atinge você”, ­afirma Perla. “Meus amigos de El Paso perguntam: ‘Como você pode viver em Juárez?’. E eu digo: ‘Bom, você precisa se adaptar ao que tem’”, declara Carlos. De 2007 a 2012, a realidade foi uma média de 5,8 assassinatos por dia; mais de 11 mil mortes no total, de acordo com as estatísticas da promotoria do estado de Chihuahua. Eles se adaptaram a viver sem medo com a possibilidade de serem assassinados. Mas, naquela noite, dentro da Hardpop, tudo o que os esperava era o ritmo de Zabiela.

UMA HISTÓRIA IMPROVÁVEL O cara por trás da Hardpop é Ricardo ­Tejada, jovem empresário de Juárez que comanda a Pastilla Digital, uma promotora de eventos. Apesar de que tanto a firma quanto seu dono apresentam credenciais impecáveis, a ascensão da Hardpop foi, na verdade, resultado de uma sequência de coincidências. Desde que se mudou para Londres no final dos anos 1990, Tejada organiza eventos com DJs como Tiesto e Paul Van Dyk. Ele queria aliar seu gosto pelo tecno underground com festas rentáveis – ­inicialmente planejava abrir uma balada de eletrônico em San Pedro Garza García, 

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a mais rica cidade do México. Entretanto, frustrado com problemas nas licenças, ele transferiu tudo para um espaço no shopping do pai. O resultado foi a Hardpop, localizada no último lugar que se pudesse imaginar para abrir um negócio. Mas descobriu-se que a cidade de 1,2 milhão de habitantes oferecia um grande nicho para uma balada que trouxesse DJs progressivos. Bill Weir, o engenheiro que projetou a casa e amigo de Tejada há anos, diz que a Hardpop uniu a cidade. “Lugares como este evitam o caos. Cidades sem uma identidade forte têm uma cena fragmentada. A Hardpop promove a cena. Você não vai encontrar esses artistas em nenhum outro lugar de Juárez ou provavelmente nem em outro lugar do México, porque a Hardpop é uma ilha de genuinidade em um oceano de impostura.” A balada é heterogênea. Reúne todos os tipos de pessoas no público, desde garotas ricas com saltos altíssimos e bolsas de grife (falsificadas na maioria, mas algumas de verdade), cabelos e maquiagem que provavelmente levaram horas para fazer, até os mais ordinários jovens ves­ tidos com camisetas de time de futebol, tênis All Star e cabelo desgrenhado. A única exigência é pagar a entrada. “Aqui temos todas as classes sociais. Todos são bem recebidos. Compre um ingresso que você entra”, diz Eduardo Espino, chefe da segurança da casa. Mas, mesmo vivendo seu auge atualmente, o oásis para a juventude que é a Hardpop não foi sempre imune à realidade cruel que assola a cidade. Apenas há alguns anos, Tejada foi forçado a fechar por dez 74

meses após uma tentativa de extorsão. “Nós não queríamos nos colocar em risco e nem nossos artistas, porque as coisas ­começaram a ficar difíceis. Eles passaram a exigir quotas de outros empreendimentos, e os sequestros começaram a acontecer. Nós queríamos que as coisas se acalmassem. Mas nunca saímos daqui. Nós fomos um dos maiores negócios que nunca pensaram em sair da cidade e sempre nos mantivemos aqui”, diz Edgar Cobos, relações-públicas do lugar. Durante esta época, Tejada apresentou alguns eventos em El Paso e, pouco a ­pouco, começou a reviver a Hardpop, ­organizando discretamente shows mensais na casa noturna. “É minha terceira vez tocando aqui, apesar de que deveria

Os locais (acima, à esq.) curtem os DJs internacionais, como o mestre alemão Acid Pauli (à dir.). Os tempos difíceis no México levam milhares de imigrantes aos EUA (abaixo)


“ESSA BALADA É A ESSÊNCIA DA REVITALIZAÇÃO DA CIDADE”

ser a quarta”, diz Zabiela. “Aquela vez que cancelaram o show foi por causa de toda aquela loucura da cidade. A primeira vez que eu vim, não sabia nada de Juárez ou do México, preciso confessar, foi um choque dirigir com soldados armados na parte de trás da camionete. Só tinha visto algo assim na TV. Foi surreal”, afirma.

O IMPACTO “A Hardpop é a essência do processo de revitalização da cidade, porque a violência em Juárez tem ligação com a cobiça, o egoísmo, em atropelar todo mundo para conseguir o que se quer e, quando você vem aqui, honestamente, tudo é paz, amor e respeito”, diz Weir. “Tem uma grande fila do lado de fora, sendo esta a cidade onde as pessoas são fuziladas nas ruas.” THE RED BULLETIN

Juárez está mudando – devagar e c­ uidadosamente, mas com persistência. Em setembro de 2013, César Duarte, go­ vernador de Chihuahua, o estado em que a cidade está localizada, usou estatísticas para incutir na imprensa que Juárez esta­ va se tornando mais segura com rapidez. Durante 2012, homicídios de “alto impac­ to” diminuíram 84%; sequestros baixaram 75%; roubo de carros caiu 82%; assaltos a lojas diminuíram 64%; e roubo a banco caiu 92%. O fato de ter havido apenas 86 homi­ cídios durante os primeiros três meses de 2013 foi um alívio se comparado com as centenas registradas em um único mês durante os anos passados. Mesmo a apa­ rência da cidade recebeu um tratamento de beleza: casas que estavam com a pintura

descascando, as dezenas de lojas que ­fecharam para evitar extorsão e as ruas vazias que davam a aparência de uma ­cidade-fantasma foram substituídas por estabelecimentos abertos ao público e as pessoas voltaram às ruas. Denisse, Perla e suas amigas estão ­curtindo a última sessão de Zabiela. Estão felizes. A Hardpop cumpriu seu ­dever mais uma vez. “Vamos esquecer ­todos os traumas vividos por causa da violência porque a música tem uma ­batida que te distrai, faz você relaxar”, diz Denisse. “A energia que o artista ­recebe do público é incrível”, diz Weir. “Você nunca vai ter uma balada ruim na Hardpop porque o público não permite isso.” Saiba mais em: www.thehardpop.com

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A energiA de red Bull em trĂŞs novos sABores.

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Aonde ir e o que fazer

Gosta de esportes aquá­ticos? Então coloque este relógio no seu pulso MEU EQUIPO, pág. 78

AÇ ÃO !

V I AG EM / EQ U I PA M ENTO / TR EI N O / M Ú S I CA / FESTAS / C I DA D ES / BA L A DAS Clube da dentada: junte-se aos maiores apreciadores de peixes da Ilha de Guadalupe

ERNST KOSCHIER

Atrás das grades

DÁ PRA VER UM TUBARÃO-BRANCO MUITO DE PERTO SEM QUE SEJA A ÚLTIMA COISA QUE VOCÊ VIU. BASTA ENTRAR NA GAIOLA E MERGULHAR MAIS DE 10 M MALAS PRONTAS, página 80

THE RED BULLETIN

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AÇÃO!

NA BRISA

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Homem do vento: Robby Naish tenta extrair o máximo de performance do seu equipamento

Bons ventos

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Potência e velocidade são as duas coisas de que Robby Naish mais precisa para reinar sobre as ondas. Desde o final dos anos 1970, ele tem fabricado seu próprio equipamento com o pai, Rick. Robby, que hoje está com 50 anos e de volta às competições, usa velas maiores e pranchas comparáveis com as da maioria dos rivais. “É preciso decompor seu próprio peso, habilidade e condições do vento e das o ­ ndas. E nunca usar uma prancha muito pequena.”


AÇÃO!

BALADA

Deixe o rock rolar: a banda Beast, da Cidade do Cabo

HORA DE MEXER O TALENTO MUSICAL SUL-AFRICANO EM ALTA

MARKUS WORMSTORM Um mestre da ­ úsica eletrônica m dark-noir que fez a campanha de marketing de guerrilha Four Corners, fazendo a África do Sul disputar o Oscar 2014.

Ondas noturnas

facebook.com/ fourcornersdrops

ACES ’N’ S PADES, ALAN VAN GYSEN, PRESS HANDOUT (3), SYDELLE WILLOW SMITH, HÉLÈNE FLAMENT

CIDADE DO CABO O ROCK’N’ROLL DA ÁFRICA DO SUL ENCONTRA A REALEZA DO SURF EM UM BAR SOMBRIO, GLAMOUROSO E COM ALMA RADICAL Que surfista não quer ter um bar de rock? O grande tuberider Grant Baker, o Twiggy, teve essa chance quando um amigo de infância, Reg MacDonald, voltou para a África do Sul depois de administrar baladas em Hollywood. O fruto da colaboração entre os dois é o Aces’n’Spades, um autointitulado “bar certo para acontecerem coisas erradas” e um ímã para surfistas de primeira linha, como o havaiano John John Florence e Mick Fanning, além de astros como ­Orlando Bloom e Kevin Spacey. Há uma carta enorme de uísques e cerca de dez tipos de chope produzidos ­pelas cervejarias locais. Nas quartas tem música ao vivo, nas terças e quintas os engravatados aparecem para uma bebida antes do jantar e nos fins de semana a casa bomba. “Era para ser um bar tranquilo”, diz Baker. “Nunca foi a intenção que se transformasse em um lugar para dançar, mas entre meia-noite e 2 da manhã está todo mundo dançando.” ACES’N’SPADES 62 Hout Street Cidade do Cabo, África do Sul www.acesnspades.com

THE RED BULLETIN

VAI U M D R I N Q U E?

DJ SPOKO

O QUE AS ESTRELAS DO SURF BEBEM

De um distrito nos arredores de Pretória, o seu jive-funk realizado na Afro-house apareceu em um álbum do ator que viveu Mandela, Idris Elba.

Grant Baker

O drinque favorito? “Uma tequila Don Julio on the rocks, com um pouco de água. ­Beber tequila ruim é como beber um uísque vagabundo. Não pode acontecer.” A música preferida? “Add It Up”, do Violent Femmes

twitter.com/ ghostship8

Jordy Smith

Red Bull Vodka “Rockin’ in the Free World”, de Neil Young

PIONEER UNIT

Frank Solomon

Cervejas da Union’s Beast of the Deep “All Along the Watch­ tower”, de Jimi Hendrix

O filme do Jordy Smith, Now Now, foi lançado no Aces

Selo de hip hop local de Damien Stephens que promove a cultura negra de forma vigorosa. pioneerunit.com

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AÇÃO!

MALAS PRONTAS

NÃO FIQUE DE BOBEIRA EM SAN DIEGO

SEM TUBARÃO Com uma costa de 70 km no Pacífico, San Diego é a Meca do surf (se você tiver coragem de entrar na água sem a jaula, é claro). sandiego.org

MERGULHO COM TUBARÕES  UM ENCONTRO COM A FERA DENTRO DE SEU TERRITÓRIO É A GRANDE CHANCE DE OLHAR NOS OLHOS DO PREDADOR O melhor lugar na Terra para dar um mergulho ao lado de tubarões é a Ilha de Guadalupe, a 260 km da costa mexicana. “Em nenhum outro lugar há tantos tubarões-brancos em águas tão cristalinas entre agosto e novembro”, diz o fotógrafo Ernst Koschier. Apesar da perspectiva tranquila de fazer isso numa jaula, pode demorar para que seu cérebro aceite isso como uma atividade de lazer. “Você precisa confrontar seu próprio medo”, diz o jornalista austríaco Andreas Wollinger. “Mas ele desaparece quando você entra na jaula. As grandes barras de metal são uma garantia a mais, além da calma do oceano.” Pesos de chumbo são usados ao redor dos quadris para mantê-lo estável no chão da jaula. Você respira por meio de um regulador com suprimento de ar da superfície, assim o ­movimento não fica limitado pelo peso dos cilindros. A gaiola, que desce como um elevador, permanece 10 metros abaixo da superfície por 45 minutos. ­Atraídos por uma sacola de pedaUma semana a bordo ços de peixe, os tubarões aparecem do barco Nautilus rápido. “Havia três ou quatro, do Explorer, saindo de tamanho de carros, circulando”, San Diego, Califórnia, diz Wollinger. “Mas eles são muito e incluindo três dias mais lentos do que se pensa, com de mergulho, sai a movimentos econômicos e elepartir de US$ 3 mil (cerca de R$ 6 840). gantes. Eles estão relaxados e nautilusexplorer.com pouco interessados nas pessoas.” 80



Encare seus medos: bem parecido com o filme Tubarão, mas sem aquela musiquinha

BALADA COM AS FERAS Adrenalina em terra firme: vá em um jipe militar para uma noite no Deserto de Borrego, terra de coiotes e leõesda-montanha. california overland.com

FIQUE ATENTO BEM COBERTO “A água tem agradáveis 20 °C, mas você não se movimenta muito. Então, pode ficar frio bem rápido”, afirma Koschier. “Eu recomendaria uma roupa de mergulho que seja de no mínimo 7 mm de espessura, mais botas, luvas ­ e óculos de proteção para mergulho.”

Sem a gaiola?

Alguns cientistas têm autorização para

mergulhar livres com os tubarões. Mauricio Hoyos tem uma. “Quando você está mergulhando, é importante ­compreender a linguagem corporal do tubarão”, diz o ­mexicano. “Nunca se aproxime rápido ou faça movimentos bruscos. Isso desperta o instinto predatório deles.”

VIZINHANÇA Você pode simplesmente deixar o país: o sistema de metrô de superfície de San Diego na linha San Ysidro termina bem ao lado das delícias de Tijuana, no México. sdmts.com

THE RED BULLETIN

ERNST KOSCHIER (2), SHUTTERSTOCK (3)

Na gaiola


AÇÃO!

EM FORMA

Reggie Bush, joga a NFL com as cores do Detroit Lions

Perna, pra que te quero  FUTEBOL AMERICANO  SEM TRABALHAR AS PERNAS, REGGIE BUSH NÃO AGUENTARIA O TRANCO “O futebol americano tem uma taxa de lesão de 100%”, diz Reggie Bush. “Não é uma possibilidade de se machucar. É uma certeza, e a única dúvida é quando isso vai acontecer.” O running back do Detroit Lions é um dos melhores físicos da NFL. Ele corre os 100 m, por exemplo, em 10,45 segundos. “O treino certo ajuda a limitar o risco de lesão e sustentar os equipamentos de proteção. Minha rotina de exercício inclui o ganho de massa na musculação, treino de habilidade motora sob pressão e resistência na esteira.”

PR EPAR E-S E PAR A A N FL “Mesmo sob pressão, suas habilidades motoras precisam funcionar bem”, diz Bush. “Na esteira você aprende a rolar automaticamente em alta velocidade e isso melhora a coordenação.”

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JEREMY DEPUTAT/RED BULL CONTENT POOL, JAMES WESTMAN

HERI IRAWAN

Treino de perna: Reggie Bush mantém a força nas partes importantes Corra em uma esteira horizontal.

Mergulhe, role em movimento sobre a bola.

Termine o rolo, levante, siga correndo. Repita quatro vezes.

IRONMAN COM UM COLETE DE 9 KG

2

FORÇA NAS PERNAS

Corra para trás numa esteira inclinada, mantendo uma bola na mão.

THE RED BULLETIN

Enquanto estiver correndo, coloque a bola no suporte.

Volte para a posição inicial. Repita quatro vezes.

“Minhas pernas são preciosas e são também o alvo dos adversários”, diz RB. “Portanto, fortalecê-las é essencial. Este colete é recheado com areia e ferro e acelera o fortalecimento da musculatura. Eu visto ele quando faço um treino geral, sessões de corrida, flexões de joelho e saltos no treino de força. Isso me torna bem mais resistente para os jogos.”

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AÇÃO!

WORLD RUN

Você corre?

É UM COMPETIDOR, UM LOUCO POR EXERCÍCIOS OU UM RECLAMÃO? FAÇA O TESTE ABAIXO E DESCUBRA SEU PERFIL DE TREINO PARA A WINGS FOR LIFE WORLD RUN

1 Qual o maior motivo para correr? A Quero melhorar meu rendimento. B Quero me sentir bem. C Ainda não sei...

2 Quando corro, presto atenção em... A Pulso e quilometragem. B Clima e natureza. C Na conversa com meus companheiros de corrida.

3 Alguns dias sem correr...

A Fazem parte do proces­ so do treino, talvez eu volte mais rápido depois. B Significam dias de absti­ nência, eu fico inquieto. C Normal...

4 Meu índice de massa corporal (IMC) é: A Médio. B Alto. C Massa... o quê?

A O que significa ser ultrapassado? B Não faço nada e conti­ nuo minha corrida. C Fico mais estimulado! Agora ultrapassarei meus limites! D Cumprimento o cara que fez isso.

6 O que é mais importante para você com relação à corrida? A Bom tempo, bons adversários e boas experiências. B Ser uma pessoa bem organizada.

5 Você está correndo no parque e alguém te ultrapassa. O que você faz?

C Não corro para competir!

7 Quando o pé dói... A Faço um treino alter­ nativo, sem impacto ou algo assim. B Vou andar de bicicleta ou nadar. C Paro tudo!

8 Depois da corrida... A Planejo o próximo treino. B Aproveito a endorfina. C Penso na cerveja de depois e nos músculos de amanhã!

O resultado 15-70

8–14

Competidor

Louco por exercício

Reclamão

O objetivo é

O objetivo é

O objetivo é

Aumentar o rendimento

Cuidar da saúde e se sentir bem

3 km em 18 minutos

Procura quase diariamente superar seus ­limites e tem muito prazer em deixar ­outros competidores para trás

Treina geralmente durante toda a semana e investe na saúde e na qualidade de vida

Corre apenas de vez em quando. E quando corre sempre resmunga: “Ah, um dia eu fui saudável...”

O slogan é

O slogan é

O slogan é

“Supere-se a cada dia!”

“Primeiro o trabalho, depois a diversão.”

“Supere seu porco interior!”

Nosso conselho

Nosso conselho

Nosso conselho

Perfil de treino A

Perfil de treino B

Perfil de treino C

O seu perfil personalizado você encontra em: www.redbulletin.com

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THE RED BULLETIN

SEBASTIAN MARKO/RED BULL CONTENT POOL

71-80

SASCHA BIERL

A PONTUAÇÃO É: A = 10 PONTOS, B = 5 PONTOS, C = 1 PONTO, D = 0 PONTO


ENTR

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AG O R A

ECE E C O MI NA R E A TR

DICAS DO PRÓ A LISTA DO PROFESSOR DE CORRIDA COLIN JACKSON

TÊNIS Os tênis precisam es­ tar vivos e saudáveis. Não use até ficarem um trapo, pois eles perdem o poder amortecedor. Não eco­ nomize no tênis de corrida. Depois de correr 1 000 km, teste um novo!

ALIMENTAÇÃO No dia da corrida coma o de sempre. Coma aquilo que o seu corpo está acos­ tumado. Uma mudança na alimentação pode demandar muita energia – e você pode se cansar mais rápido.

LÍQUIDOS O corpo é esperto. Quando você bebe pouco líquido, ele ­retira mais líquidos dos alimentos sólidos. Portanto, sempre beba para nunca ficar com sede. Impor­ tante: líquidos com sódio e potássio.

MÚSICA Som calmo para tre­ chos mais tranquilos e agitado para partes difíceis – o que você quiser! Eu prefiro correr sem música para escutar o corpo. Se tiver mais gente junto, também não precisa.

“Quando você sentir sede, já é tarde” Colin Jackson, duas vezes campeão do mundo

THE RED BULLETIN

A corrida mundial   W INGS FOR LIFE WORLD RUN  UMA LARGADA EM SEIS CONTINENTES NO DIA 4 DE MAIO DE 2014. A MAIOR CORRIDA DA HISTÓRIA DO ESPORTE. QUEM PODE IR? TODOS QUE QUISEREM SE AVALIAR EM RELAÇÃO AO MUNDO 1. COMO É

4. A AVALIAÇÃO

No dia 4/5/14, às 6h do horário de Brasília, começam ao mesmo tempo 37 corridas em 35 países. Depois de 30 minutos, os catcher cars come­ çam a correr e a deixar os atletas para trás. O último a ser ultrapas­ sado, no mundo inteiro, ganha.

O último homem e a última mulher do mundo a serem alcançados pelo carro são os campeões mundiais e ganham uma viagem especial pelo mundo: eles serão recebidos por ­todos os países que participaram da corrida. Cada corredor pode ­conferir na internet as comparações de seu desempenho com os outros.

2. OS CAÇADORES Os catcher cars aumentam a veloci­ dade em intervalos fixos e sucessi­ vos, para melhorar o seu desempe­ nho de velocidade. Se um corredor for ultrapassado, ele é eliminado. Assim, a distância percorrida é ­automaticamente calculada.

3. OS TRECHOS Os percursos se dividem em cinco categorias globais: na costa, ao lon­ go do rio, na cidade, na natureza e em lugares com paisagens. Informa­ ções detalhadas sobre luga­ res, trechos e tempos de corrida você encontra no site do evento.

5. PARTICIPANTES De iniciantes a praticantes até cor­ redores profissionais e celebridades (como David Coulthard): o objetivo é passar pelo máximo de trechos possível e ajudar pessoas paraplé­ gicas com a renda.

6. A MISSÃO A Wings for Life World Run começou com o slogan “Correr por aqueles que não podem”. Todo o dinheiro ­arrecadado pela corrida é investido em projetos científicos internacio­ nais da Fundação Wings for Life para melhorar a vida de pessoas paraplégicas: www.wingsforlife.com

Apoie a Wings for Life World Run! Inscreva-se online até 20 de abril em: www.wingsforlifeworldrun.com

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AÇÃO!

MINHA CIDADE traße Nordbahns

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VIENA BOMBANDO

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O Vienna Climbing Hall oferece os melhores espaços de escalada e um curso de equilibrismo. É o paraíso da escalada para iniciantes e experimentados. kletterhallewien.at

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TOP 5 AS DICAS DA ANNA

3 ST. JOSEF Mondscheingasse 10 “Almoce com a consciência ­tranquila: este lugar é saudável, orgânico, regional e as pessoas são incrivelmente legais. E tudo é muito gostoso.”

FUTURE WAR

VIENA  A PRINCESA DO ELECTRO, ANNA MÜLLER, G­ OSTA DE BALADAS DE PRIMEIRA, NÃO DISPENSA UM BOM CORTE DE CABELO E VAI ÀS COMPRAS EM ­L UGARES DESCOLADOS DE SUA CIDADE NATAL Quando o HVOB se formou, no início de 2012, Anna Müller e Paul Wallner queriam fazer música e­ letrônica boa – tanto para ouvir quanto para dançar: um batidão com inteligência. Com Anna Müller compondo e cantando e Paul Wallner fazendo a produção, eles conseguiram o que queriam. Depois de subir alguns trechos no SoundCloud, as coisas começaram a acontecer ­rápido: performances em alguns dos maiores festivais da Europa, um convite do designer Elie Saab para ­fazer a trilha sonora do seu vídeo no Paris Fashion Week, um EP, um álbum, outro EP e, acima de tudo, um grande n ­ úmero de vendas. Eles tocarão ao vivo no festival SXSW em março na cidade de Austin, Texas (eles amam tocar ao vivo, quando o duo se transforma em trio com o reforço de um baterista). Se você não puder ir aos EUA vê-los, procure Lion, o novo EP da HVOB. Mas, se puder ir a Viena, procure fazer os programas obrigatórios de Anna. www.hvob-music.com

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1 BURGGASSE 24 Burggasse 24

“Não conheço loja melhor em Viena. Espaços brancos grandes e amplos e produtos vintage maravilhosos, especialmente roupas antigas.”

4 PROPAGANDA Stubenring 20 “Não tem cabelo mal cortado em Viena porque a cidade é o lar de Wolfgang Steinbauer, o Jackson, e seu pequeno salão com uma enorme foto de Marilyn Manson na parede.”

2 ZIMMER 37 Am Karmelitermarkt 37–39

“É verdade que este mercado é meio boêmio, mas isso não ­importa. No ­Zimmer 37, uma equipe de mãe e filha faz uma comida maravilhosa. É o melhor lugar para sentar ao sol e comer ou só tomar um café em toda Viena. Pertinho você também acha os restaurantes Schöne Perle e Pizza Mari.”

laserfun-vienna.at

VOE EM UM AIRBUS 5 PRATERSAUNA Waldsteingartenstraße 135

“A melhor balada de Viena é ­reverenciada em toda a Europa. Tem tudo de melhor: os con­ vidados, o jardim e a piscina. A gente já trabalhou com os ­melhores e mais deslumbrantes VJs da Pratersauna.”

Pratique decolagens, pousos e ­situações de emergência em um simulador de voo de Airbus. É uma experiência sensacional. viennaflight-px.rtrk.at

THE RED BULLETIN

ALBERT EXERGIAN, SILVIA DRUML

Viena chamando

Uma das melhores casas de tiro de laser da Europa. Persiga seus oponentes em um labirinto esfumaçado e acabe com eles.

SHUTTERSTOCK

Anna Müller, do HVOB, é um dos principais nomes da cena eletrônica europeia


AÇÃO!

PRÊMIO DA MÚSICA

MÚSICA

DIA 26 DE JANEIRO ACONTECE O 54° GRAMMY

Ele é um homem ocupado. Aos 42 anos, o havaiano é o vocalista do The Shins, cujas músicas indie divertidas e psicodélicas têm feito sucesso nas paradas e nas críticas por alguns anos. Desde 2009, ele também está junto com o Broken Bells, na companhia do amigo Danger Mouse (que também integra a ­dupla Gnarls Barkley e é produtor do Black Keys e da Norah Jones). Como um duo, eles proclamam seu amor por um pop obscuro e uma dance music mais estranha, que soa bizarra e que funciona esplendidamente: o ­primeiro álbum do Broken Bells vendeu 700 mil cópias nos EUA. Um ­segundo álbum, After the Disco, foi lançado agora. A seguir, Mercer revela o que o inspirou enquanto trabalhava nele.

Jornada dupla: James Mercer é vocalista e guitarrista em duas bandas

Hinos perdidos PLAYLIST O VOCALISTA DO BROKEN BELLS, JAMES MERCER, E CINCO DOS MELHORES DISCOS DOS QUAIS VOCÊ NUNCA OUVIU FALAR

www.brokenbells.com

1 Throwing Muses 2 Smith Westerns

GETTY IMAGES (2), CORBIS, UNIVERSALMUSIC, PRESS HANDOUT

FLORIAN OBKIRCHER

“Not Too Soon”

“Varsity”

“Para mim, essa música reúne tudo o que era o ­espírito dos anos 1990. Throwing ­Muses era uma banda de garotas e foi uma das primeiras que eu vi ao vivo quando estava no colégio na Inglaterra. ‘Not Too Soon’ é a canção power pop clássica. Pode soar bem em 1991, mas faria sucesso em qualquer ano.”

“Eles são uma banda indie nova e têm essa música chamada ­‘Varsity’, que é a faixa-título do último álbum. Eu adoro. Soa como uma clássica música de rádio dos anos 1980. É bem fácil de ouvir. ­Tentamos levá-los para a nossa turnê com o Broken Bells três anos atrás, mas infelizmente estavam muito ocupados fazendo outra coisa.”

4 Fruit Bats

5 Blur

“‘You’re Too Weird’ foi ­escrita pelo meu amigo Eric Johnson da banda Fruit Bats. É uma música de amor para a mulher dele. Bem, talvez não apenas para ela, mas é linda e muito bem escrita. Eu conheci o Eric há 15 anos numa turnê quando ele tocava em sua banda antiga, muito subestimada, chamada Califone, e ficamos íntimos.”

“O Blur lançou sua primeira música nova desde 2003 em seu site para download no dia 1° de abril, três anos atrás. E quase ninguém prestou atenção – pelo menos não nos EUA. Isso é loucura! Eu achei ‘Fool’s Day’ ótima: uma das ­melhores músicas do Blur. Pensei que a música precedia um disco novo, mas ainda estou esperando.”

“You’re Too Weird”

“Fool’s Day”

GEORG SOLTI O maestro húngaro, que morreu em 1997, é o que mais recebeu Grammys: 31 troféus. Ele pode ser superado pela cantora de bluegrass Alison Krauss, que tem 42 anos e 27 prêmios.

3 Apples In Stereo “The Golden Flower”

“Eu aprendi muito sobre como compor escutando essa música. É estranha e tem acordes estranhos. Foi um 7 polegadas que vinha de brinde quando você comprava o Tone Soul Evolution em ­vinil. Era aquela coisa que caía quando você abria a embalagem. Bem irritante, mas o que se pode fazer? É uma das ­minhas músicas favoritas.”

STEVIE WONDER Na noite da c­ erimônia de 1976, na Nigéria, ele apareceu em um link via satélite. O mestre-de-cerimônias Andy Williams perguntou: “Stevie, você consegue nos ver?” Foi a última participação de Williams.

GROOVE DA MONTANHA METAL NO PEDAL?

ACERTANDO O RITMO Para encher os músculos da perna com ácido lático: todos os ciclistas que gostam de um som devem comprar ­estes speakers sem fio, com bateria de dez horas e bom desempenho em qualquer terreno. O melhor: cabe no suporte de garrafa da bike.

SINÉAD O’CONNOR A única pessoa a recusar um Grammy foi a cantora irlandesa, que protestou contra a comercialização do evento. Milli ­Vanilli teve que ­devolver o dele por suposta fraude.

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AÇÃO!

NA AGENDA

Como será Palmeiras e Corinthians depois do Bom Senso FC?

Campeonatos estaduais A temporada futebolística já está pronta para voltar com força total. Depois do movimento Bom Senso FC, boa parte dos times deve começar os estaduais com equipes reservas, mas isso não deixa de ser bom: conhecer as opções do elenco de seu time do coração faz parte do dever dos torcedores. futebolpaulista.com.br; fferj.com.br

29/1 - 1/2, em Salvador

Festival de Verão de Salvador

25/1, em SP

Final da Copinha Para descobrir os futuros craques, é necessário ficar de olho no principal torneio de futebol júnior do país, a Copa São Paulo, que terá a decisão no dia 25. futebolpaulista.com.br

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Axé, pop, rock, forró e muita festa na pista: é mais ou menos isso o que você vai encontrar no Festival de Verão de Salvador, um dos mais disputados do Brasil. Frejat, Ivete Sangalo, Paralamas do Sucesso e Grupo Revelação são alguns dos nomes confir­ mados para o evento que dura três dias e prepara Salvador para a folia de Carnaval. ingressorapido.com.br

8 e 9/2, no Rio e em SP

Bad Religion Uma das bandas punk mais conhecidas do mundo passa pelo Brasil para tocar sucessos da carreira e de seus últimos trabalhos, Christmas Songs e True North. É um prato cheio para os amantes das guitarras estridentes e do head banging. Os fãs mais antigos podem ficar tranquilos; afinal, os primeiros hits, como “American Jesus” e “A Walk” estão no setlist. circovoador.com.br

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SERGIO BARZAGHI/GAZETA PRESS, IMAGO, CORBIS, GETTY IMAGES (2), VICTOR AFFARO, A2FOTOGRAFIA

19/1, em SP e no Rio


24 e 25/1, no Rio

Até 23/2, em SP

Naldo na veia

Homenagem a Cazuza

Ele foi um dos artistas mais ­falados de 2013 – inclusive ­figurando em uma das capas mais bacanas do Red Bulletin. ­Agora, em 2014, ele volta com o show espetacular que já virou DVD. O novo show estreia nos palcos cariocas no Citybank Hall. Vai deixar passar? citybank.com.br

O Museu da Língua Portuguesa dedica a Cazuza uma exposição com objetos pessoais, fotos e documentos raros. “Cazuza Mostra Sua Cara” fica aberta até a metade de fevereiro. Vale a pena mergulhar no mundo de uma das figuras mais importantes do pop rock do Brasil. museudalinguaportuguesa.org.br

B AT U Q U E NA AGENDA ALGUNS ENSAIOS PARA NÃO PERDER

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SEGUNDA

ROSAS DE OURO A Rosas de Ouro faz a festa em seu galpão para preparar o gogó e o batuque para o Carnaval de 2014 – é diversão garantida a noite inteira. Seu único dever é se divertir. sociedaderosasdeouro.com.br

25/1, em Floripa

Creamfields Brasil Um dos festivais de música ­eletrônica mais conceituados do planeta está com tudo pronto para fazer Florianópolis ferver. O Creamfields aporta na Ilha da Magia com atrações como Steve Aoki, Jamie Jones e Life is a Loop. É balada, mulher bonita e muito calor para curtir sem parar. creamfields.com.br

4 19 e 20/2, no Rio e em SP

Laura Pausini A carismática cantora italiana volta ao Brasil para esbanjar charme e talento. Ela é figura fácil por aqui e retorna para shows com muito vigor, numa fase mais pop e romântica do que nunca. Ela acaba de fazer parceria com a australiana Kylie Minogue e promete um show para lá de ­agitado. As mulheres adoram. citybankhall.com.br

TERÇA

GAVIÕES DA FIEL A escola de samba da torcida do Corinthians estará com a quadra aberta para os ensaios às terças e sextas-feiras. Não existe melhor balada para quem é corintiano. gavioes.com.br

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DOMINGO

VAI-VAI 19/1, em São Paulo

500 milhas A 500 Milhas de Interlagos foi criada em 1970 para ­promover disputas de longa duração de motocicletas no país. A competição é ideal para o teste de resistência das montadoras. É considerada a prova de gala do motociclismo brasileiro, sendo a única oficial da América Latina reconhecida internacionalmente. Após 18 anos de interrupção, a prova voltou a acontecer em 2009, e em 2014 chega a sua 17ª edição.

O aquecimento da bateria da VaiVai está de braços abertos para você todo domingo de fevereiro. É uma das melhores maneiras de esquentar os tamborins em São Paulo, com samba, cerveja e mulheres. vai-vai.com.br

500milhasbrasil.com.br

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MOMENTO MÁGICO

24 de novembro de 2013 O que Mark Webber fez depois de seu 217º e último Grande Prêmio de F1, ­depois da bandeirada em Interlagos, costuma ter punição séria. Mas, como o australiano vai para o mundial de ­endurance, essa foi a melhor despedida – com o vento batendo no rosto.

“Foi muito bom tirar o capacete e poder ver toda a torcida e os fiscais de prova” GETTY IMAGES

Mark Webber

A PRÓXIMA EDIÇÃO DO RED BULLETIN SAI NO DIA 12 DE FEVEREIRO 88



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The Red Bulletin Fevereiro 2014 - BR