EDIÇÃO NÚMERO 2
OLHA
PRIMAVERA 2021
SÓ!
A revista do Portuguese Flagship Program da Universidade do Texas em Austin
OLHA
SÓ!
Issue 2 - Spring 2021 Editor-in-chief Andreana Marchi - Graduate Research Assistant for the PFP Graphic Design Andreana Marchi COLLABORATORS Orlando R. Kelm Lindsey Jamieson Andreana Marchi Clara Ramos Nilton Oliveira do Vale Lucas Rodrigues Mariana Sabino Luciana Savioli Sophia Villareyna Nick Umbrewicz Rachel Jovert Ana Linares Rebeca Lozano Gabriela Nelson Danielle Medeiros Washington Luiz Lima Porto (Esquilo) Gustavo Melo Cerqueira Adriana Araújo
Diretor, PFP UT Austin Coordenadora, PFP UT Austin Professora, doutoranda, assistente (PFP UT Austin) Diretora, Instituto Clara Ramos Brasil Professor, Instituto Clara Ramos Brasil Professor, Instituto Clara Ramos Brasil Professora e Doutoranda (UT Austin) Jornalista (Brasil e EUA) UT Austin Alumni Portuguese Flagship Scholar, UT Austin Portuguese Flagship Scholar, UGA Portuguese Flagship Scholar, UT Austin Portuguese Flagship Scholar, UT Austin Estudante de graduação, UT Austin Projeto Brasil Austin Professor de Capoeira Babalorixá, ator e performer Jornalista (Brasil)
EDITORIAL OFFICE Department of Spanish & Portuguese 150 W 21st Street, BEN 4.122 Austin, Texas, 78712 | amarchi@utexas.edu Olha só! is the magazine of the Portuguese Flagship Program at The University of Texas at Austin. Address: Department of Spanish & Portuguese150 W 21st Street, BEN 2.116 Austin, Texas, 78712
Nota da Editora A segunda edição da revista Olha só! está recheada de textos inspiradores.
O outono de 2020 contou com a participação de várias empresas e organizações no Virtual Professional Speakers. Na foto um dos participantes desse evento virtual, o Projeto Tamar (Vitória, ES).
A segunda edição da Olha só!, a Revista do Portuguese Flagship Program da Universidade do Texas em Austin (UT Austin), está repleta de temas importantes do mundo lusófono. Os textos dos nossos alunos, professores, amigos e comunidade vão nos levar ao mundo das benzedeiras e também do Teatro Negro no Brasil, da Capoeira nos EUA, da língua portuguesa como língua de herança, das trocas acadêmicas, da política brasileira e polonesa, da motivação, das nossas tutorias em parceria com o Instituto Clara Ramos-Brasil, dos nossos bate-papos virtuais, do nosso programa durante a pandemia, e da história incrível de duas meninas (mãe e filha) no livro "Sou a mãe dela". Desejamos a você uma ótima leitura! Atenciosamente,
Destaques Bate-Papo Virtual em Português, página 6 Reflexões da Diretora e dos professores do ICR Brasil: Clara Ramos, Nilton Oliveira e Lucas Rodrigues, página 37 A Capoeira nos EUA, por Esquilo Preto, página 48
ANDREANA MARCHI Editora da Olha só! OLHA
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ÍNDICE DOMESTIC PORTUGUESE FLAGSHIP PROGRAM PORTUGUESE FLAGSHIP PROGRAM DA UT AUSTIN 2020/2021, LINDSEY JAMIESON...................................4 BATE-PAPO VIRTUAL DO PFP UT AUSTIN 2020.2021, ANDREANA MARCHI........................................................6 BATE-PAPO VIRTUAL EM PORTUGUÊS: MINHA EXPERIÊNCIA, SOPHIA VILLAREYNA.....................................8 VIRTUAL PROFESSIONAL SPEAKER SERIES PORTUGUESE FLAGSHIP PROGRAM...........................................9 . OFICINA DE BRIGADEIRO COM A LÍVIA DO BONJOUR BRIGADEIROS, ANDREANA MARCHI.....................10
TEXTOS DOS ESTUDANTES CONSEGUINDO AS MELHORES SOBREMESAS ATRAVÉS DA MOTIVAÇÃO, ANA LINARES..........................12 O BRASIL JÁ MUDOU A SUA VIDA?, REBECA LOZANO...................................................................................................17 LULA E WAŁĘSA: UMA COMPARAÇÃO ENTRE DOIS LÍDERES SINDICAIS QUE SE TORNARAM PRESIDENTES DE SEUS PAÍSES, NICK UMBREWICZ......................................................................................................................................20 A CRISE VENEZUELANA NO BRASIL, GABRIELA NELSON.............................................................................................25 ‘CUIDAR DA VIDA É NOSSA BENÇÃO’: A HISTÓRIA E IMPORTÂNCIA DAS BENZEDEIRAS NO BRASIL RACHEL JOVERT............................................................................................................................................................................27 TROCAS: LÍNGUAS MATERNAS ENTRE PONTES ACADÊMICAS, MARIANA SABINO.........................................33
TUTORIA ICR BRASIL E UT AUSTIN: PARCEIROS POR EXCELÊNCIA, CLARA RAMOS............................................................37 TUTORIAS DE LÍNGUA PORTUGUESA EM TEMPOS DE PANDEMIA: TAREFA INTANGÍVEL?, NILTON OLIVEIRA DO VALE.............................................................................................................................................................................................40 CURIOSIDADE: PALAVRAS EM PORTUGUÊS, ANDREANA MARCHI..........................................................................43 TUTORIAS ONLINE: UM NOVO DESAFIO PROFISSIONAL, LUCAS RODRIGUES...................................................44
AUSTIN - BRASIL: COMUNIDADE BRASILEIRA A CAPOEIRA NOS ESTADOS UNIDOS, WASHINGTON LUIZ LIMA PORTO (CONTRA MESTRE ESQUILO PRETO)..............................................................................................................................................................................................48 MINHA PÁTRIA,MINHA LÍNGUA, LUCIANA SAVIOLI........................................................................................................53 PORTUGUESE FLAGSHIP PROGRAM ENTREVISTA: PROJETO BRASIL AUSTIN COM DANIELLE MEDEIROS, ANDREANA MARCHI...................................................................................................................................................................57
DIRETAMENTE DO BRASIL QUEM TEM MEDO DO TEATRO NEGRO?, GUSTAVO MELO CERQUEIRA..............................................................64 LIVRO DESTAQUE 2020: SOU A MÃE DELA (ADRIANA ARAÚJO), ANDREANA MARCHI..................................68
Na capa: Universidade Federal de São João del-Rei, Minas Gerais / Na contracapa: Sabiá-laranjeira
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DOMESTIC PORTUGUESE FLAGSHIP PROGRAM
Portuguese Flagship Program da UT Austin: 2020/2021 Por Lindsey Jamieson
Esse ano que passou foi um ano que ninguém vai esquecer. A pandemia mudou o mundo e o Flagship não foi exceção. Nossa primeira turma Capstone* (veja nota no fim do texto) teve que voltar para os EUA em março 2020 no começo da pandemia. Eu fiquei triste que os alunos dessa turma só tiveram “uma pequena amostra do Brasil” e precisaram voltar para os EUA depois de seis semanas. A equipe do Flagship trabalhou rapidamente para mudar as aulas e os estágios para o formato virtual. Tenho a grande satisfação de anunciar que nossa primeira turma acabou de completar o programa inteiro. Parabéns, gente! Durante o semestre da primavera (2020) foi decidido que todos os programas de estudar fora que acontecem no verão seriam cancelados. Isso significava que os alunos não iriam viajar para Salvador (Bahia). As equipes do Portuguese Flagship (Universidade de Texas em Austin, Universidade da Geórgia e Universidade Federal do São João del-Rei) trabalharam juntas para criar um programa virtual que foi envolvente, rigoroso e divertido para todos os estudantes. Um exemplo foi a criação das atividades que intitulamos “mãos na massa”, que se referem a pôr as mãos na massa. Nós tínhamos mãos na massa na cozinha, mãos na massa na fotografia, mãos na massa trabalhando, mãos na massa na poesia, mãos na massa na música, e mãos na massa na capoeira.
Lindsey Jamieson é a Coordenadora do Portuguese Flagship na Universidade do Texas em Austin. Ela é de Washington (DC) e se formou na Universidade de Pittsburgh com um diploma em ciências políticas. Depois de se formar na universidade, ela se mudou para o Brasil por 6 meses e ensinou inglês. Antes de se mudar para Austin, ela morou em NYC e trabalhou em Advertising no Discovery Channel. Além de trabalhar, ela é mestranda em Publicidade (Advertising) no Moody College of Communication da UT Austin. OLHA
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Os participantes dessas oficinas fizeram comida, música, poesia, fotografia e, basicamente, “colocaram as mãos na massa”. Por causa desse trabalho inovador, as equipes de Flagship (UT, UGA e UFSJ) foram premiadas com o Global Engagement Initiative Award do ACTFL em 2020. O ACTFL significa American Council on the Teaching of Foreign Languages e é uma organização internacional que dá apoio ao ensino e aprendizagem de línguas. Uma outra novidade que aconteceu esse ano foi a nossa parceria de tutoria entre o Instituto Clara Ramos-Brasil (ICR-Brasil) e o nosso programa do Flagship aqui da UT. Nossos tutores Lucas, Nilton e Maurício criaram uma boa comunidade de aprendizagem virtual com todos os alunos do programa. Acho que todos os alunos do Flagship ficarão emocionados quando encontrarem os tutores pessoalmente quando eles tiverem a oportunidade de viajar para Salvador um dia.
Global Engagement Initiative Award do ACTFL (2020) Foto: Orlando Kelm
Ao mesmo tempo que esse ano foi muito difícil para todos, estou impressionada com a resiliência e a força dos alunos e dos meus colegas do Flagship. Eu acho que sou muito sortuda por trabalhar com pessoas como eles e eu tenho muito orgulho dos alunos desse programa. Eu estou animada com o dia em que os alunos poderão voltar ao Brasil e terão a oportunidade de conhecer todas as coisas boas desse país maravilhoso. *Nota: O Capstone é a parte final do Portuguese Flagship Program quando os alunos moram no Brasil por um ano (fevereiro a dezembro). No primeiro semestre os alunos estudam na Universidade de São João del Rei (Minas Gerias) e no próximo semestre os alunos fazem um estágio em qualquer lugar do país. Essa experiência ajuda os alunos a internacionalizarem o aprendizado de línguas e alcançarem um nível avançado de proficiência em português.
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Bate-Papo Virtual do PFP UT Austin 2020/2021 Por Andreana Marchi
Tivemos muitos temas interessantes abordados no nosso Bate-Papo Virtual. Tanto no outono de 2020 quanto na primavera de 2021 falamos sobre diversos assuntos: padaria brasileira, livros em português, Charleston (Carolina do Sul), viagens pelo Brasil, impactos da pandemia nas nossas vidas. Também contamos com a presença dos alunos do College of Charleston (South Carolina), University of Saint Mary (San Antonio, TX), University of Pittsburgh (Pennsylvania) e os nossos alunos aqui da UT Austin e também os alunos da University of Georgia (UGA). E tivemos uma conversa inspiradora sobre a Biblioteca Oliveira Lima que fica localizada na Catholic University of America em Washington D.C.
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Bate-Papo Virtual em Português: minha experiência Por Sophia Villareyna
Sophia Villareyna celebrando sua formatura na UT na famosa fonte da Universidade (maio de 2020)
Sophia Villareyna e Professor Nilton do Vale no Instituto Clara Ramos (verão de 2019)
Olá a todos! Eu me chamo Sophia Villarreyna e me formei na Universidade do Texas em Austin (UT) em maio de 2020. Eu comecei a frequentar as reuniões do Bate-Papo quando ainda era aluna de português. Eu fiz minha primeira aula de português na primavera de 2019 e no verão daquele mesmo ano eu participei do Programa de Estudar Fora da UT em Salvador (Bahia). Eu sempre fico muita animada quando eu tenho a oportunidade de praticar a língua portuguesa. Então, depois que me formei eu não sabia como eu iria fazer para continuar a falar em português. Foi aí que eu vi no Instagram do Portuguese Flagship Program um convite para quem quisesse participar do Bate-Papo via Zoom! Eu fiquei muito feliz porque eu teria a oportunidade de praticar o meu português dois dias na semana, ter a companhia de outras pessoas (pois estávamos em quarentena por caso da pandemia de COVID). Eu estava trabalhando dentro de casa então na minha hora de almoço eu participava do Bate-Papo com a Professora Andreana Marchi, com outros alunos e qualquer outra pessoa que queria participar naquele dia. Foi uma ótima experiência, uns dias Andreana tinha um assunto específico pra gente conversar e noutros falávamos sobre qualquer coisa que estava acontecendo em nossas vidas no momento. Eu gostei tanto dos nossos encontros durante o semestre especialmente as reuniões que tivemos com outras universidades e convidados especiais como o Bate-papo sobre a Biblioteca Oliveira Lima! Participar do Bate-papo foi uma boa prática para mim, mas não foi como uma tarefa de escola, era mais um encontro com meus amigos. Eu agradeço a Andreana e o Portuguese Flagship Program por oferecer esta experiência e espero que no futuro a gente possa se encontrar de novo! OLHA
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O ano acadêmico de 2020/2021 nos trouxe desafios mas também aprendizados únicos. O Bate-Papo Virtual é a prova disso! Andreana Marchi
Virtual Professional Speaker Series Portuguese Flagship Program A série "Professional Speakers" é uma iniciativa em parceria com a Universidade do Texas em Austin, Universidade da Geórgia e da Universidade Federal de São João del Rei - as 3 universidades participantes do Portuguese Flagship Program (PFP). Essa série de encontros com empresas e seus ex-estagiários foi pensada para alunos, ex-alunos e futuros alunos do PFP. No outono de 2020, nós tivemos várias conversas profissionais com empresas brasileiras e também com exalunos do Portuguese Flagship que tiveram a oportunidade de estagiar na 7bi, IBM, River Global, Imagem Corporativa, Projeto TAMAR e Bureau Veritas.
Por Andreana Marchi
Segundo Alejandro, ex-aluno do PFP da Universidade da Geórgia, o estágio que ele fez na Imagem Corporativa teve um impacto muito importante na sua vida profissional:
Pra mim, que estava estudando Relações Internacionais, foi uma boa experiência porque eu fazia muita coisa na área de comunicação, da mídia e da imprensa. (...) Isso me deu um olhar diferente sobre os consumidores e a mídia. Alejandro Espinosa Pinilla, Program Associate at Freedom House (Washington, D.C.) OLHA
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Oficina de Brigadeiro com a Lívia do Bonjour Brigadeiros Nada mais brasileiro que brigadeiro, não é mesmo? E que tal celebrar o Dia de São Valentim fazendo esse docinho brasileiro?
Por Andreana Marchi
Para celebrar a data, a nossa coordenadora (Lindsey Jamieson) teve a ideia de convidar a Livia Orlandin Salinas, empreendedora do "Bonjour Brigadeiro", para falar com os alunos do Portuguese Flagship Program da UT Austin sobre essa iguaria brasileira sempre presente nas festas e queridíssimo de adultos e crianças. Além de aprender mais sobre o brigadeiro, os alunos tiveram a oportunidade de colocar a mão na massa: eles receberam um kit de brigadeiro feito pela Livia e puderam enrolar os docinhos em casa. Com mais de 30 participantes, a oficina virtual foi um sucesso. Obrigada pela oficina, Lindsey e Livia!
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TEXTOS DOS ESTUDANTES
Conseguindo as melhores sobremesas através da motivação Por Ana Linares
O objetivo deste artigo não é dar uma fórmula pronta de motivação, mas sim apontar dicas de como você pode aperfeiçoar a sua própria receita. Vou guiá-los por uma situação hipotética em que avaliaremos as motivações das pessoas e veremos como podemos fazer mudanças nos comportamentos delas. Antes de começar, o que é a
motivação ?
Nossa definição é a vontade de atingir uma meta ou certo desempenho que te direciona ao seu objetivo. Agora, vamos lá com a motivação em ação!
Imagine que eu quero organizar uma festa e tem duas pessoas, vou chamá-las Matheus e Elisa. Para uma festa, precisamos de sobremesas (pelo menos na minha festa). Eu peço para que ambos façam qualquer sobremesa que
Meu nome é Ana Linares. Sou estudante de administração de empresas e finanças na Universidade do Texas em Austin. Gosto do comportamento organizacional, especificamente no nível individual, para analisar por que as pessoas tomam certas decisões com base em suas personalidades e na situação.
eles gostariam de comer. Digo ao Matheus que eu vou pagar uma determinada quantidade por cada sobremesa. Também falo com Elisa, mas eu lhe digo que ela vai comer a sobremesa conosco e eu vou pagar o custo de todos os ingredientes. O que vai acontecer?
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A resposta vem da motivação deles. A motivação de Matheus é
extrínseca, ou
seja, acontece quando fatores externos são a razão para fazer uma tarefa, como receber uma recompensa ou evitar uma punição, nesse caso, sua recompensa é o dinheiro. Para ele, seria melhor comprar os ingredientes mais baratos e fazer as sobremesas em tamanho reduzido para poder aumentar seu lucro. Já a Elisa não tem a pressão de tentar ganhar dinheiro, ela só tem que fazer algo que ela vai poder curtir depois comigo. Portanto, a motivação dela é intrínseca, acontece quando você realmente tem vontade de fazer algo.
Você sempre encontrará esses dois tipos de motivação em sua vida, mas algum deles é melhor que o outro? Acho que você já adivinhou a resposta: a melhor motivação é a intrínseca e por isso vamos preferir as sobremesas da Elisa, mas você não deve perder toda a esperança com a motivação extrínseca. Outra coisa em que devemos pensar é um problema que ocorre com
desalinhamento entre comportamento e recompensas. Isto frequência:
acontece quando você recompensa A esperando que aconteça B.
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Em nosso exemplo, queremos boas sobremesas, mas estamos recompensando Matheus pela quantidade em vez da qualidade. Também estamos fazendo ele pagar pelos ingredientes, o que o faz pensar no lucro e funciona como um incentivo para aumentar a quantidade. Se pagarmos por todos os custos e definirmos uma forma de medir a qualidade junto à qualidade para recompensá-lo, devemos esperar sobremesas melhores.
Isso é o que esperamos e há uma maneira de calcular quanto esforço deveríamos esperar com a
teoria da
expectativa. Esta teoria diz que o
esforço dessas ações que você daria para uma tarefa depende da
expectativa, instrumentalidade e valência. Voltando ao nosso exemplo da perspectiva de Matheus, vamos ver os significados e aplicá-los à situação.
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Quanto mais "sim" a cada pergunta você recebe, mais esforço você deve esperar de alguém para atingir o objetivo. Com essas novas mudanças, podemos ver que Matheus vai se esforçar para fazer boas sobremesas. E para Elisa, vamos olhar apenas para a valência. A recompensa dela é que vai aproveitar a sobremesa conosco, mas isso é suficiente? Pode ser muito trabalhoso fazer uma sobremesa para um monte de gente (porque vamos fingir que eu conheço um monte de gente para fazer uma grande festa) apenas para ter recompensa dela comendo um pedaço, assim como todos os outros na festa farão. Então a resposta à pergunta da valência seria um NÃO e o esforço dela diminuiria. O motivo pelo qual Elisa se sente assim é devido à
justiça distributiva ou à
falta dela.
Normalmente esperamos e queremos justiça. Na
teoria da equidade,
avaliamos isso com nossas contribuições e resultados em comparação a uma referência. A referência para Elisa seriam as outras pessoas presentes na festa que não precisam trazer nada. Todos na festa vão curtir o resultado das sobremesas, mas Elisa seria a única que teria contribuído. Se você acha que está se esforçando mais do que outra pessoa para o mesmo resultado, você diminuirá o nível de esforço. Agora talvez eu preferisse as sobremesas de Matheus porque de acordo com a teoria da equidade, Elisa faria menos esforço. OLHA
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Poderia continuar com esse exemplo e fazer alterações no cenário para mudar quem faria a melhor sobremesa, o exemplo realmente não tem um fim e isso pode ser ótimo! Isso significa que você também pode continuar fazendo mudanças em sua própria situação para obter um melhor resultado em relação a um objetivo. Mais uma vez, lamento que não haja instruções sobre como realmente fazer uma sobremesa gostosa, mas o ingrediente secreto (não tão secreto) aqui é a motivação. Agora você deve ter uma ideia melhor sobre como examinar os motivos das pessoas por trás de uma meta e como certas mudanças podem influenciar comportamentos desejados e eu acho isso gostoso.
Referências:
Bauer, T., & Erdogan, B. (2014). Organizational behavior version 1.1. Washington, DC: Flat World Knowledge.
Kerr, S. (1995). An academy classic on the folly of rewarding a, while hoping for b. Academy of Management Perspectives, 9(1), 7-14. doi:10.5465/ame.1995.9503133466
Martins Serras, P. (n.d.). A influência dos sistemas de recompensas sobre a satisfação no trabalho. Retrieved April 19, 2021, from https://repositorio.ipl.pt/bitstream/10400.21/5322/1/A%20influ%C3%AAncia%20dos%20sistemas %20de%20recompensas %20sobre%20a%20satisfa%C3%A7%C3%A3o%20no%20trabalho.pdf
Santos, N., Suelen Hofrimann no 19/04/2021 a partir do 11:46 Que bom que gostou, & *, N. (2021, January 11). Teoria da expectativa de Vroom - como alinhar MOTIVAÇÃO E RESULTADO. Retrieved May 03, 2021, from https://www.holmesdoc.com.br/teoria-da-expectativa-de-vroom/ OLHA
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O Brasil já mudou a sua vida? Por Rebeca Lozano Rebeca Lozano é uma estudante do quarto ano de Economia com certificação em Português na Universidade do Texas em Austin. Ela teve o prazer de visitar o Brasil no início de 2020 e espera voltar no futuro. No Brasil, ela encontrou um amor profundo por biscoitos de goiabada, suco de maracujá e o autêntico açaí.
Coming to UT I never imagined I’d embark on the challenge of learning a new language, much less decide to study in another country throughout. I was born in Texas and raised by Mexican parents, so the mixture of these two cultures was all I ever knew. That being said, the Portuguese department at UT and the Portuguese Flagship Program gave me the ability to step out and explore the world through a whole different cultural lens. After learning Portuguese throughout my sophomore year, under the wings of Professor Andreana Marchi, I had accumulated an intensified desire to visit Brazil and explore the culture myself. Upon arriving in Brazil, it was clear to me that what started as a hobby had opened many doors to potential paths and experiences that always seemed farfetched until then.
Chegando à UT, nunca imaginei embarcar no desafio de aprender um novo idioma, muito menos decidir estudar em outro país. Eu nasci no Texas e fui criada por pais mexicanos, então a mistura dessas duas culturas era tudo que eu conhecia. Dito isto, o Departamento de Português da Universidade do Texas e o Portuguese Flagship Program deram-me a capacidade de sair e explorar o mundo através de uma lente cultural totalmente diferente. Depois de aprender português ao longo do meu segundo ano, sob as asas da Professora Andreana Marchi, acumulei um desejo intensificado de visitar o Brasil e explorar a cultura por conta própria. Ao chegar ao Brasil, ficou claro para mim que o que começou como um passatempo havia aberto muitas portas para possíveis caminhos e experiências que sempre pareceram rebuscadas até então.
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The streets in Sao Joao
As ruas de São João del Rei
del Rei were filled with
estavam cheias de rostos
color and smiling faces.
coloridos e sorridentes.
Their stores were filled
Suas lojas estavam repletas
with individuals always
de pessoas sempre
willing to lend a hand to
dispostas a ajudar um
an apparent tourist. Each
turista aparente. Cada
encounter with a local
encontro com uma morador
was always a learning
local sempre foi uma
experience, and while in
experiência de
Brazil, it seemed like
aprendizado e, enquanto
learning was infinite. I
estava no Brasil, parecia
celebrated my first
que o fato de aprender era
Carnaval amongst our
infinito. Comemorei meu
new friends and this
primeiro carnaval com
celebration, too, seemed
nossos novos amigos e essa
infinite. The crowds
comemoração também,
cheered, danced, drank,
parecia infinita. A multidão
and laughed as if there
aplaudia, dançava, bebia e
was no tomorrow, and I
ria como se não houvesse
was quick to immerse
amanhã, e eu rapidamente
myself in the celebration.
entrei na celebração. Eu
I enjoyed the most
experimentei os pratos mais
marvelous dishes —
maravilhosos - no entanto,
however, salgados were
os salgados eram os meus
my favorite. Pão de
favoritos. Pão de queijo,
queijo, coxinhas, pastéis,
coxinhas, pastéis,
enroladinhos, seemed
enroladinhos, pareciam
very far from scarce. In
muito longe de acabar. Na
fact, one of my favorite
verdade, uma das minhas
memories was stopping
memórias favoritas foi
by Greens on the walk
passar pelo Greens na
home after a good,
caminhada para casa
happy, and long day.
depois de um dia bom, feliz e longo.
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UFSJ was also remarkable. As someone who had never
A UFSJ também foi marcante.
experienced a classroom setting
Como alguém que nunca tinha
outside of the United States, I
experimentado um ambiente de
was intrigued by the
sala de aula fora dos Estados
encouraged casual yet
Unidos, fiquei intrigada com as
educational conversations
conversas casuais e informais, mas
between professors and
educacionais, encorajadas entre
students. This was rare to
professores e alunos. Isso era raro
encounter in the U.S., and I felt
de se encontrar nos EUA, e me
inclined to chat away. It was
senti inclinada a bater um papo.
never a doubt that professors at
Nunca houve dúvida de que os
UFSJ worked in the best interest
professores da UFSJ trabalhavam
of their students, sharing their
no melhor interesse de seus alunos,
overarching knowledge and
compartilhando seus
encouraging a collaborative
conhecimentos abrangentes e
learning environment. It made
incentivando um ambiente de
me hopeful that a learning
aprendizagem colaborativo. Fiquei
environment as such is possible
esperançosa de que um ambiente
in my home country.
de aprendizado como esse seja possível no meu país.
In mid-March, a month and a half after arriving, the virus had reached and spread
Em meados de março, um mês e meio após a chegada, o vírus havia atingido e se espalhado pela
across South America. Being oblivious to the very new virus, I was slightly skeptical
América do Sul. Por estar alheia ao novo vírus, eu estava ligeiramente cética de que seríamos obrigados
we would be asked to return
a voltar para casa, sem saber o
home, not knowing what was
que nos esperava nos meses
headed our way. Few days
seguintes. Poucos dias depois,
later, we were asked to
disseram-nos para retornar aos
return to the United States, on an approximately 4 day notice — our now Brazilian
Estados Unidos, com aproximadamente 4 dias de antecedência - nosso, agora, coração brasileiro ficou
hearts sank. It was the place that had welcomed us with open arms, where my 12 other
dilacerado. Foi o lugar que nos recebeu de braços abertos, onde eu e meus outros 12 colegas
colleagues and I wanted to
queríamos ficar. Os dias seguintes
stay. The following days were
foram cheios dos últimos sorrisos,
filled with more smiles, more
risadas e culminados com a bela
laughter, and topped with
vista de uma cachoeira mineira a
the beautiful view of a Minas
qual eu sabia que logo voltaria.
Gerais cachoeira that I then knew I’d soon return to.
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Lula e Wałęsa:
Uma comparação entre dois líderes sindicais que se tornaram presidentes de seus países Por Nick Umbrewicz Nick
Umbrewicz
Program
da
é
estudante
Universidade
especialização
em
relações
do
do
Portuguese
Texas
em
internacionais
Flagship
Austin e
com
português.
Como polonês, se interessa por assuntos que relacionam Europa e Brasil, como traz neste artigo. Além disso, gosta muito
de
música
brasileira
e
se
interessa
pelos
efeitos
sociopolíticos da música de artistas como Chico Buarque.
INTRODUÇÃO Por que escrever sobre líderes sindicais que se tornaram presidentes? Parece estranho, mas o Brasil e a Polônia têm em comum duas figuras políticas importantes que passaram de sindicalistas a presidentes. Quem eram esses líderes? No Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva foi líder de um sindicato metalúrgico antes de assumir a presidência de 2003 a 2011. Na Polônia, Lech Wa
łę s a
liderou o movimento sindical do Solidariedade (chamado Solidarno
ść
em polonês)
e se tornou presidente em 1990, depois da queda da União Soviética e do comunismo no Leste Europeu. Ambos são de origem humilde, envolveram-se em sindicatos e opuseram-se à ditadura durante os anos oitenta. Assim sendo, por causa das suas origens e trajetórias em comum e porque governaram quase ao mesmo tempo, muitos estudiosos já fizeram comparações entre Lula e Wa
łę s a .
Embora ambos começassem suas carreiras como líderes sindicais e mais tarde
presidentes, há muitas diferenças entre eles e o impacto das suas políticas em seus países.
Neste artigo, apresento uma comparação entre as trajetórias de Lula e de Wa
łę s a – – d e
sindicalistas a presidentes––dentro do contexto do ambiente político do Brasil e da Polônia. Para realizar esta análise, este artigo se divide em três partes: os diferentes ambientes políticos, o tempo como líderes sindicais e a trajetória como políticos.
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OS DIFERENTES AMBIENTES POLÍTICOS DO BRASIL DE LULA E DA POLÔNIA DE WA ŁĘ SA O que muitas pessoas negligenciam em uma comparação entre Lula e Wa
łę s a
é que eles
operaram em contextos políticos muitos diferentes, até quase opostos. Durante os anos oitenta, quando os dois começaram a chegar à fama nacional, as situações políticas no Brasil e na Polônia eram completamente distintas.
O Brasil no final dos anos setenta e começo dos anos oitenta estava experienciando o fim da ditadura militar de 1964–1985. Antes desse período, as forças militares tiveram influência considerável na política do Brasil, mas neste ano, aconteceu um golpe que transferiu explicitamente o poder ao exército brasileiro. O regime militar citou o aumento das políticas socialistas e comunistas na América Latina como razão para tomar o poder do governo de João Goulart, considerado de esquerda. Então, o golpe iniciou um período de regime militar no Brasil em que a democracia foi suspensa e o papel do presidente foi ocupado pelos generais militares. Durante aquela época, o regime militar também pretendia industrializar e ocidentalizar a economia, especialmente durante o “milagre econômico brasileiro” de 1969-1973. Desta forma, a ditadura militar brasileira veio com a implementação forçada do capitalismo e o aumento da produção econômica, às custas da violação dos direitos humanos.
Entretanto, a Polônia ao mesmo tempo estava sob o domínio da União Soviética que era caracterizado pelo comunismo e, por isso, pela negação do capitalismo ao seu povo. Depois da Segunda Guerra Mundial, a Polônia era um estado de partido único, com muita influência das ideias comunistas da União Soviética. Especificamente, o povo polonês passou a mostrar insatisfação e se opor ao governo comunista nos anos setenta por várias razões. Em 1970, o governo comunista polonês resolveu implementar aumentos massivos de preço dos bens básicos, incluindo alimentos. Adicionalmente, as políticas dos anos subsequentes resultaram em uma situação econômica instável que, nos anos oitenta, causou a formação de grupos de oposição, como organizações sindicais e grupos estudantis. Então, ao contrário do Brasil, a economia de mercado livre foi associada com liberdade para o povo polonês por causa desse sistema econômico e político unilateral. Assim, como o capitalismo foi imposto ao povo brasileiro, o comunismo, de forma similar, foi imposto ao povo polonês.
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ELES COMO LÍDERES SINDICAIS O envolvimento de Lula no sindicato foi resultado do golpe militar de 1964. Em 1969, Lula chegou à liderança sindical e em 1975 foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, região metropolitana de São Paulo. Desta forma, Lula começou a envolver-se na política. Durante o final dos anos setenta, liderou protestos e greves, ficando mais conhecido entre a oposição. Depois de uns anos, Lula e outros líderes dissidentes decidiram formar o Partido dos Trabalhadores em fevereiro de 1980, marcando o início da carreira política do “filho do Brasil''. Ao mesmo tempo que Lula era presidente sindical, Lech Wa
łę s a
já organizava e participava de greves, protestos e outras
formas de dissidência contra o governo comunista da Polônia. Wa como um eletricista de estaleiro no porto de Gda
ńsk
łę s a
tinha trabalhado
antes de se tornar o rosto do
movimento do Solidariedade. Em 1980, o ambiente político na Polônia era preocupante pelo aumento do preço dos produtos alimentícios. Isto incitou uma greve no estaleiro Lênin, em Gda
ńsk,
onde Wa
łę s a
assumiu uma posição de liderança. Seus esforços nessa greve
possibilitaram o nascimento do Solidariedade, uma junção entre sindicato e partido político que, mais tarde, teria um grande efeito na queda da União Soviética.
ELES COMO POLÍTICOS E PRESIDENTES Lula A formação do Partido dos Trabalhadores, em 1980, marcou o início da carreira política de Lula. Criado em oposição ao regime militar de direita, o Partido dos Trabalhadores começou a ganhar, pouco a pouco, influência no Brasil. Nos anos oitenta, Lula e os outros membros do Partido dos Trabalhadores apoiaram movimentos políticos como a fundação da Central Única dos Trabalhadores e uma campanha política que promoveu eleições livres no fim do regime militar chamada de Diretas Já. Em 1982, Lula competiu por uma posição no governo estadual de São Paulo, mas não venceu. A sorte veio em 1986, quando Lula foi eleito ao Congresso brasileiro pelo Partido dos Trabalhadores. Depois disso, participou de três campanhas presidenciais como representante do Partido dos Trabalhadores em 1989, 1994 e 1998, finalmente sendo eleito em 2002 e 2006. Presidente por dois mandatos, ele implementou mudanças muito importantes para o povo brasileiro, recebendo aprovação de 90% até sua saída da presidência. As políticas de Lula estavam focadas em grande parte nos problemas sociais. Os programas sociais de sua administração, como Fome Zero e Bolsa Família, pretendiam apoiar o povo mais pobre no Brasil e igualar a distribuição de riqueza em um país que, hoje em dia, possui muita desigualdade econômica. Apesar de suas promessas antes da eleição, Lula, que nos anos mais jovens se chamava de socialista, continuou muitas das políticas econômicas neoliberais de seu antecessor, o Presidente Fernando Henrique Cardoso. Embora ele adotasse muito da economia da administração anterior, a economia brasileira do Presidente Lula conseguiu receber mais fluxos de capital estrangeiro, atrair os Jogos Olímpicos ao Brasil em 2016 e permitir tirar da pobreza mais de 20 milhões de brasileiros, entre outras realizações. Por causa dessa atenção ao povo brasileiro, Lula manteve popularidade durante sua presidência, mas é crucial entendermos seu lado menos palatável.
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Desde que saiu da presidência, vieram à luz algumas denúncias de envolvimentos em corrupção. O maior desses escândalos foi a Operação Lava Jato. Em 2014, essa investigação começou a revelar o maior evento da corrupção na história do Brasil que envolvia a Petrobras, uma empresa brasileira de petróleo de economia mista. A elite da Petrobras e de algumas empresas de construção organizaram um acordo em que a Petrobras pagava intencionalmente em excesso para projetos de construção, permitindo que o dinheiro excedente enchesse os bolsos dessa elite executiva. O envolvimento de uns políticos foi alegado, alguns com conexões ao Partido dos Trabalhadores. Como resultado, a opinião pública desaprovou o ex-presidente Lula e a cena política no Brasil foi deixada instável, com muitas pessoas perdendo a confiança no Partido dos Trabalhadores. Então, enquanto Lula ganhou popularidade rapidamente durante sua presidência, ele diminuiu em popularidade anos depois como resultado do escândalo e das acusações de corrupção.
Wa łę sa O tempo de Lech Wa
łę s a
como sindicalista teve uma relação direta com o seu tempo como
político. Solidariedade, o sindicato formado como resultado das greves de agosto de 1980 em Gda
ńsk,
passou a ser um partido político oposto ao Partido Polonês dos Trabalhadores
Unidos, o partido comunista na Polônia. Ao fim de agosto de 1980, Wa ao negociar o Acordo Gda
ńsk,
łę s a
foi fundamental
que permitiu a existência do Solidariedade como um ator
político. No próximo ano, esse sindicato e movimento político híbrido ganharam quase 10 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população polonesa naquela época. Como resultado, as tensões políticas aumentaram entre uma população polonesa dividida entre Solidariedade e comunismo. Finalmente, em dezembro de 1981, a lei marcial foi declarada na Polônia por causa da pressão que a União Soviética estava colocando no líder polonês Wojciech Jaruzelski para conseguir resolver a situação política no seu país. Wa
łę s a ,
junto a
outros líderes do Solidariedade, foi preso e o Solidariedade foi proibido. Durante o resto dos anos oitenta, Wa
łę s a
esteve envolvido nos movimentos ilegais do Solidariedade, e
finalmente em 1989, a Polônia declarou-se um estado democrático com Wa
łę s a
foi eleito
presidente no ano seguinte.
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Como presidente, Lech Wa
łę s a
não era tão popular quanto Lula. Durante sua presidência,
guiou a Polônia através de uma transição à economia capitalista, eleições parlamentares livres e uma mudança na política externa da Polônia. A longo prazo, essa transição tem sido relativamente próspera. Desde então, a Polônia fez parte da União Europeia e distanciou-se de seu passado comunista. Embora a Polônia tenha tido sucesso após sua libertação da União Soviética, as coisas não estavam indo tão bem no início. Depois da queda do comunismo, o Solidariedade começou a ter tensões internas que causavam muita instabilidade ao novo governo democrático sob Wa
łę s a .
Além de sua arrogância,
individualismo e natureza argumentativa, essas tensões resultaram em apenas um mandato para o herói do Solidariedade.
Uma consideração importante para essa comparação é que a trajetória política também foi discutivelmente mais difícil para Wa
łę s a
que para Lula. Como primeiro presidente
democrático direto depois do regime comunista na Polônia, Wa
łę s a
não teve o tempo e a
estabilidade que teve seu contraparte brasileira. O mandato presidencial de Lula veio depois de quase vinte anos sem a ditadura militar no Brasil. Mas embora Wa
łę s a
assumisse
a presidência durante uma transição difícil, é importante lembrar suas decepções como presidente.
CONCLUSÃO Tudo isso mostra que, mesmo que suas perspectivas políticas fossem diferentes, as histórias e trajetórias desses dois homens são parecidas. Embora Lula da Silva e Lech Wa
łę s a
estivessem lutando contra regimes com ideologias completamente diferentes, há uma conexão entre ambos nas suas ideias e nos efeitos políticos que tiveram em seus países, positivos ou negativos. É inegável a importância dos papéis políticos que eles tiveram e ainda continuam a ter.
Bibliografia
Silva, Cristiane Sabino, e Paulo César Boni. "A trajetória imagética de Lula: de líder sindical a presidente da República". Discursos Fotográficos. 2005: 89-113. http://dx.doi.org/10.5433/1984-7939.2005v1n1p89.
Romo, Rafael. Lula da Silva: Metal worker, union leader and president of Brazil. CNN. 17 março 2016. https://www.cnn.com/2016/03/17/world/lula-da-silva-profile.
Teixeira, João José Ataíde Amaral Marques. A crise da Polónia em 1980-81: antecedentes e repercussões. Dissertação. 2008. http://hdl.handle.net/10071/1110.
Wi
śniewski,
Maciek. Walesa e Lula: o fim das comparações. Carta Maior. 4 outubro 2011.
https://www.cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FInternacional%2FWalesa-e-Lula-o-fimdas-comparacoes%2F6%2F17620. OLHA
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A CRISE VENEZUELANA NO BRASIL Por Gabriela Nelson Meu nome é Gabriela Nelson, sou estudante de relações internacionais e estudos globais na Universidade do Texas em Austin. Estou no segundo ano da faculdade, mas é meu primeiro ano neste campus. Estou aprendendo português e espero fazer intercâmbio no Brasil. Estou interessada na imigração no Brasil e quero conhecer como as leis brasileiras de imigração afetam o povo imigrando ao país.
O Brasil é um país habitado por diferentes
Em meio à crise venezuelana, muitos imigrantes
imigrantes de origens variadas. No entanto, mesmo
fugindo do país entraram pela fronteira norte no
sendo um país que já recebeu, e constantemente
estado de Roraima. A maioria desses imigrantes se
continua a receber imigrantes de diferentes países,
concentram nos municípios de Pacaraima e Boa
as condições migratórias no Brasil são precárias e
Vista. Esse intenso fluxo deixou muitos deles sem
muitas vezes desumanas. O fluxo intenso de
serviços públicos como educação, saúde, e outras
venezuelanos nos últimos anos se tornou um
necessidades básicas. Por não terem o básico para
problema estadual e nacional e acarretou a muitos
sobreviver, os imigrantes venezuelanos tiveram que
imigrantes uma situação de vulnerabilidade e
recorrer a esmolas, improvisando barracas,
instabilidade.
mulheres seprostituindo e alguns até praticando
A crise humanitária na Venezuela começou em 2013, depois que Nicolás Maduro assumiu a presidência. Durante este tempo, o país estava sofrendo uma inflação que excedia mais de 800% ao ano. O colapso socioeconômico veio como resultado da instabilidade política, a falta de serviços básicos para a sobrevivência e uma alta taxa de desemprego. Na esperança de escapar do autoritarismo do presidente Nicolás Maduro, os venezuelanos começaram a imigrar para o Brasil. De acordo com a UNICEF, entre 2015 e 2019, mais de 178 mil solicitações de refúgio e residência temporária foram registradas; a maioria dessas solicitações foram de pessoas que entraram
crimes para sobreviver. Adicionalmente, os exilados que entraram no Brasil trouxeram um surto de sarampo ao passar pela fronteira. Sem o mínimo de serviços públicos básicos como acesso à saúde e medicação , o surto de sarampo acabou expondo os venezuelanos e o povo brasileiro ao alto risco de propagação e contração desta e várias outras doenças. Embora a situação em Roraima esteja longe de ser resolvida, medidas têm sido tomadas pela ONU, as Forças Armadas brasileiras e o governo brasileiro para combater os efeitos da crise na Venezuela.
pelo estado de Roraima. OLHA
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Embora a situação em Roraima esteja longe de ser
Apesar das medidas tomadas pelo governo
resolvida, medidas têm sido tomadas pela ONU, as
federal e agências humanitárias, ainda há
Forças Armadas brasileiras e o governo brasileiro para
muito a se fazer antes que a crise de
combater os efeitos da crise na Venezuela. A Agência
imigração no Brasil seja resolvida. Milhares
da ONU para Refugiados e as Forças Armadas
de imigrantes continuam sem acesso ao
estabeleceram onze abrigos em Pacaraima e dois em
básico e vivem em meio à crise de violência e
Boa Vista, capital do estado. Os abrigos foram criados
problemas de saúde. As respostas à crise são
para acomodar mais de seis mil e trezentos indivíduos residentes no estado. Dos seis mil e trezentos venezuelanos encontrados nestes abrigos, dois mil e quinhentos são crianças e adolescentes. As autoridades locais preveem que somente na capital
insuficientes, e com o fluxo contínuo de venezuelanos ao país, as políticas de ajuda aos imigrantes não conseguem acompanhar as demandas dessa população crescente. O
de Boa Vista existem cerca de quinhentos indivíduos
governo federal e estadual devem trabalhar
menores de 18 anos de idade morando na rua. Em
em conjunto para tentar achar uma solução
resposta à grave situação, o governo brasileiro adotou
com o propósito de ajudar os imigrantes que
quatro áreas de atuação. Essas medidas incluem o
vivem no Brasil. A crise humanitária deveria
fortalecimento da assistência humanitária, realocação
ser levada mais a sério pelos governantes do
de imigrantes para outros estados, integração de
Brasil.
imigrantes na sociedade e na força de trabalho e ajuda aos imigrantes que desejam retornar voluntariamente à Venezuela.
Referências: Sousa, R. (n.d.). Imigração de venezuelanos para o
Outro grande problema associado ao sistema de
Brasil. Retrieved May 03, 2021, from
imigração no Brasil, que não é exclusivo aos
https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/imigrac
venezuelanos, é o perigo de ser imigrante no país,
ao-venezuelanos-para-brasil.htm
determinados imigrantes não são bem-vindos. A maioria dos refugiados chegam ao país com
Crise migratória venezuelana no Brasil. (n.d.).
necessidades de assistência humanitária, mas a
Retrieved May 03, 2021, from
maioria das necessidades não são obtidas junto ao
https://www.unicef.org/brazil/crise-migratoria-
governo. Além de não ter acesso à alimentação e
venezuelana-no-brasil
saúde, os imigrantes são expostos a diversos tipos de violência. De acordo com dados da UNICEF de 2019,
https://www.unifor.br/documents/392178/3101527/GT7
observações de campo compartilhados em 2019
+Arielle+Carvalho.pdf/7bc7be14-76b5-1bec-7770-
indicam que cerca de 195 mil venezuelanos, cerca de
892c6f80b2b6
175 mil estão em situação de vulnerabilidade. Por meio de várias plataformas, a UNICEF trabalha para
Alves, T. (n.d.). A (nova) política migratória brasileira:
envolver e conscientizar as pessoas em discussões
avanços e desafios no contexto da crise humanitária
sobre xenofobia e discriminação contra venezuelanos
venezuelana. Retrieved May 03, 2021, from
e outros imigrantes no Brasil, na esperança de
https://revistas.ufpr.br/conjgloblal/article/view/72550
estabelecer relações mais saudáveis entre brasileiros e imigrantes.
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‘Cuidar da Vida é Nossa Benção’: A História e Importância das Benzedeiras no Brasil Por Rachel Jovert
Rachel Jovert é uma estudante universitária na Universidade da Georgia. Sua área de concentração é relações internacionais e estudos da América Latina. Ela faz parte do programa Flagship na UGA e adora aprender português. Ela já estudou em Florianópolis e por um tempinho em São João del Rei e espera um dia voltar para o Brasil.
Hoje em dia, quase 40 por cento dos remédios modernos vêm de plantas. Ou seja, apesar de todos os avanços na ciência moderna e na tecnologia, ainda somos dependentes à natureza como uma fonte medicinal (Calixto 1). No modo geral, não poderíamos viver sem essas fontes naturais. Então, por que geralmente pensamos na medicina em formas exclusivas: medicina moderna, ou medicina tradicional? Muitas vezes, a medicina tradicional é considerada primitiva e não valorizada, especialmente nos espaços urbanos e entre as gerações mais novas. Também com décadas e decadas das pesquisas médicas e conquistas tecnológicas, nós começamos a valorizar a medicina moderna (ou medicina alopática) mais e as práticas da medicina tradicional menos. No modo geral, nós nos esquecemos da origem natural das curas e dos alívios, em busca das respostas bem embrulhadas e científicas. Minha proposta é que precisamos aprender sobre os dois lados da medicina e que é ainda mais importante buscar maneiras para combinar os sucessos destas duas filosofias. OLHA
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O Brasil é um dos países mais biodiversos no mundo e um centro das pesquisas medicinais e ecológicas (Calixto 1). Ainda mais, o país tem uma história longa da medicina tradicional que continua sendo uma grande parte da cultura e pesquisa até hoje em dia. De fato, existem vários grupos e comunidades que praticam medicina tradicional e ainda lutam para o reconhecimento e a valorização das suas práticas. Dentro desses grupos, as benzedeiras representam uma riqueza enorme do conhecimento medicinal no Brasil. Elas têm um papel importante para muitas comunidades e nos últimos anos, conseguiram mais reconhecimento e respeito na sociedade. Por isso, um estudo das benzedeiras no Brasil pode informarnos não só sobre as curas e ervas medicinais, mas também sobre o valor de conhecer várias práticas diferentes da saúde e sua relevância à saúde pública hoje em dia.
"Benzedeira", por Shila Joaquim
Como muitos aspectos da cultura brasileira, a medicina tradicional reflete o sincretismo entre os povos indígenas, africanos, e europeus e seus conhecimentos da medicina e saúde (Zank e Hanazaki 2). A história da medicina tradicional e das benzedeiras no Brasil começou bem antes da colonização pelas sociedades indígenas. Para muitas comunidades indígenas, os pajés são curandeiros e guias espirituais, que fazem remédios naturais e se comunicam com os espíritos e deuses. Usando remédios e orações, o pajé cura doenças físicas e espirituais e é um líder muito importante na comunidade; ele “enfrenta espíritos malignos enviados pelos inimigos” e protege todos os membros da maldade (Projeto Povo da Floresta). OLHA
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Por isso, a questão da saúde nessas comunidades combina o físico e o espiritual, e também estende a definição de bem-estar à saúde da comunidade e da natureza. Um outro aspecto crucial da medicina tradicional é o uso das plantas nativas; os povos indígenas e seu conhecimento da terra ainda tem uma grande influência nas benzedeiras e as ervas que elas usam. A grande influência da cultura afro-brasileira na medicina das benzedeiras também é evidente no conhecimento das plantas medicinais, especialmente para o uso ritualístico (Zank e Hanazaki 11). Junto com a religião católica, as benzedeiras utilizam essas tradições ricas da medicina, reza, e ritual para benzer e curar seus pacientes.
Apesar de ter uma história muito longa e rica da medicina tradicional no Brasil, as benzedeiras enfrentaram ameaças às suas práticas, devido ao preconceito social e religioso. Como muitas curandeiras de várias culturas do mundo, as benzedeiras são retratadas como fontes da bruxaria, do charlatanismo, e da maldade. A falta do respeito para as tradições indígenas e afro-brasileiras, as mulheres nas posições de poder, e o preconceito sobre o lado do catolicismo místico combinam para criar as condições sociais ao julgamento e perseguição das benzedeiras. Ainda mais, a construção social da modernidade, civilização, e progresso impediram que a sociedade, no modo geral, aceitasse a medicina tradicional como uma disciplina científica, válida, e efetiva. OLHA
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Uma outra ameaça é a questão da urbanização. A medicina tradicional requer ervas e plantas especiais, que geralmente são plantadas e cultivadas nas áreas rurais. Com urbanização, o acesso à medicina moderna aumenta pelas clínicas, farmácias e hospitais. Embora a construção dessa infraestrutura médica seja importante, ela cria mais dependência na medicina alopática como uma opção melhor e menos dependência da natureza como uma fonte da saúde. A urbanização da medicina também representa o enorme preconceito da cultura do interior do Brasil e perpetua os estereótipos que o interior é menos civilizado. Desta maneira, a medicina tradicional é ligada ao interior (primitivo) e a medicina alopática é ligada à cidade (moderna). Esse fenômeno social afeta profundamente como a sociedade vê as benzedeiras e a medicina tradicional. Por causa de todas essas fontes do preconceito, as benzedeiras no Brasil precisam lutar para o reconhecimento dos seus direitos e práticas, apesar de ter uma legacia que existia bem antes da medicina alopática.
Porém, nos últimos anos, alguns grupos das benzedeiras já conseguiram o reconhecimento e respeito que elas merecem. O documentário Benzedeiras-ofício tradicional foca na história de um grupo das benzedeiras no Paraná que começaram a fazer um mapeamento social das curandeiras locais e estabeleceram encontros regionais das benzedeiras em 2008. Esses encontros são espaços de trocar conhecimentos, experiências, e ideias. Em 2015, a primeira lei dos direitos das benzedeiras no Brasil foi aprovada em Rebouças, Paraná; ela garante o respeito dos direitos das benzedeiras, reconhece sua importância à saúde pública, e livra o acesso à coleção das plantas medicinais (Benzedeiras). OLHA
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Embora essa lei fosse aprovada em somente uma cidade, grupos das benzedeiras em outras regiões estão organizando encontros e trazendo conhecimento da medicina tradicional para suas comunidades. Em 2014, Maria Bezerra descobriu seu desejo de tornar-se uma benzedeira, e fundou a Escola das Benzedeiras em Brasília. Ela é neta de benzedores da Bahia e começou o grupo para manter as tradições das benzedeiras e oferecer aulas e serviços de saúde gratuitos (Cunha). Um outro exemplo do mapeamento social das benzedeiras foi criado pela socióloga Tade-Ane de Amorim em Florianópolis. Ela fez uma mapa que mostra as localizações de 16 benzedeiras e benzedores da ilha, trazendo mais conhecimento público às tradições locais e dando “visibilidade” às benzedeiras e suas práticas (NSC TV). Por último, a presença forte das benzedeiras na cultura brasileira e até nos espaços urbanos mostra que a medicina tradicional ainda tem um impacto muito grande na sociedade. A luta dos grupos como as benzedeiras do Paraná serve para dizer que a medicina tradicional merece valor e lugar na saúde pública do Brasil. Existe um espaço muito interessante entre a medicina tradicional e a medicina alopática que precisa ser pesquisada e estudada mais. Benzedeiras de cada região utilizam plantas e estratégias diferentes para melhorar a saúde das suas comunidades, dependendo da influência cultural e da biodiversidade local. Muitas comunidades já combinam práticas da medicina tradicional e medicina alopática para determinar as melhores estratégias para curar doenças. Com mais respeito e valorização para medicina tradicional, podemos aumentar nosso conhecimento da natureza e do poder da espiritualidade na medicina. Embora a medicina tradicional tenha sido ignorada e criticada por muitos anos, ela deve ser “incorporada e valorizada para garantir os benefícios melhores da saúde para comunidades” (Zank e Hanazaki 13). Não podemos separar nossa saúde mental, espiritual, e física, porque tudo é conectado. Ainda mais, nossa saúde depende criticamente da natureza e da nossa relação com o meio ambiente. Por isso, o estudo da medicina tradicional e as benzedeiras no Brasil oferece uma cura para os problemas que a medicina alopática não sempre pode resolver sozinha. OLHA
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Referências: Benzedeiras de Floripa: Tradição que resiste ao tempo. Produced by Balanço Geral Florianópolis. YouTube, www.youtube.com/watch?v=JvTmhlly-_0. Accessed 22 Apr. 2019. Benzedeiras - ofício tradicional. Directed by Lia Marchi, 2015. YouTube, www.youtube.com/watch?v=eBPegB3IIU0. Calixto, João B. "The role of natural products in modern drug discovery." Anais da Academia Brasileira de Ciências, vol. 91, no. 3, 2019, doi:10.1590/00013765201920190105. Cunha, Carolina. "Reconhecidas por lei, benzedeiras modernas resgatam tradição e atendem pelo celular." UOL, 1 July 2017, noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimasnoticias/2017/07/01/reconhecidas-por-lei-benzedeiras-modernas-resgatamtradicao-e-rezam-pelo-celular.htm. Mattos, Litza. "As benzedeiras estão voltando." O Tempo, 29 Apr. 2018, www.otempo.com.br/interessa/bizarrices/garoto-quase-engole-pedaco-de-dedohumano-apos-pedir-esfirra-por-delivery-1.2359473. Nogueira, Natania. "As Benzedeiras: Cultura e Religiosidade." História Hoje, historiahoje.com/as-benzedeiras-cultura-e-religiosidade/. NSC TV. "Florianópolis ganha um mapa com as benzedeiras e benzedores da cidade." G1, 28 Jan. 2019, g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2019/01/28/florianopolisganha-um-mapa-com-as-benzedeiras-e-benzedores-da-cidade.ghtml. "O pajé, que índio ele é?" Projeto Povo da Floresta, 8 Nov. 2017, povodafloresta.com.br/o-paje-que-indio-ele-e/. "O que é quebrante, rendidura e cobreiro? Conheça o dicionário básico da benzedeiras." Gshow, O Globo, 29 Feb. 2020, gshow.globo.com/RPC/EstudioC/Extras-Estudio-C/noticia/o-que-e-quebrante-rendidura-e-cobreiro-conheca-odicionario-basico-da-benzedeiras.ghtml. Zank, Sofia, and Natalia Hanazaki. "The coexistence of traditional medicine and biomedicine: A study with local health experts in two Brazilian regions." PLOS One, 17 Apr. 2017, doi:10.1371/journal.pone.0174731. OLHA
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Trocas: Línguas maternas entre pontes acadêmicas Por Mariana Sabino
Mariana é instrutora de português e doutoranda no Departamento de Espanhol e Português na UT Austin. Além de estudar a história Romaní e a produção cultural sobre ciganos na América Latina, pesquisa sobre outras populações diaspóricas e narrativas de mulheres migrantes.
Nós chorávamos enquando ela contava a história de Ágatha, uma menina negra de oito anos que estava indo para escola de inglês quando sua vida foi interrompida por tiros da polícia militar do Rio de Janeiro. Ela e Ágatha buscavam aprender uma outra língua para expandir suas oportunidades. Quando nós falávamos, eu já não estava presa na estrutura da gramática, as palavras perdiam importância, e sentia que nós nos conectávamos afetivamente. A barreira da língua ficou inexistente. Subitamente, aprender uma segunda língua já não era uma obrigação, mas um prazer. Essa percepção foi igual tanto para mim quanto para a Adriana. Pela primeira vez ocupávamos um lugar-comum com outras mulheres que estão à procura de um espaço para se desenvolver academicamente através da aprendizagem duma outra língua. OLHA
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Adriana e eu nos conhecemos quando procurava alguém com quem praticar meu português. Ela era uma estudante de intercâmbio na UT que também tinha interesse em melhorar seu inglês. Nós praticávamos toda semana e assim começamos a partilhar nossas histórias de vida e interesses acadêmicos. Quando Adriana voltou ao Brasil para continuar seus estudos na Faculdade de Educação na Universidade de São Paulo (USP), decidimos convidar outras mulheres a participarem num programa de intercâmbio linguístico centrado na ideia de construir pontes acadêmicas entre mulheres que tem potencial de fazer uma conexão afetiva e afinidades de histórias de vida para conduzir uma trajetória acadêmica mais potente. Durante este último semestre, conectamos quatro estudantes afro-brasileiras da USP aprendendo inglês com quatro estudantes da UT aprendendo português. O objetivo do Trocas, nosso projeto, é reunir estudantes por meio de videoconferências para terem conversas casuais em sessões semanais de uma hora. O programa beneficia mulheres que desejam praticar uma língua estrangeira por meio virtual, gratuito, sem enfrentar situações de assédio online. Também favorece estudantes de origens marginalizadas que, de outra forma, não conseguiriam praticar sua segunda língua. Nossas únicas regras são: (1) devem ser responsáveis por suas próprias aprendizagens, (2) reunirem-se uma hora por semana, (3) e respeitarem o tempo da outra pessoa sendo pontuais nas reuniões.
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Eu identifico as alunas com perfil para participarem do projeto na UT por meio das aulas de português que leciono na universidade, nas tutorias do Flagship e no Bate-Papo. Adriana convida as estudantes brasileiras entre os membros de duas redes de pós-graduandos afrobrasileiros na USP: a Frente Pró-Cotas e o Coletivo Elis Regina. Juntas, combinamos as estudantes com base em seus interesses com o objetivo de aumentar sua consciência cultural e capacidade oral na língua que estão aprendendo. Além disso, nossa abordagem proporciona um ambiente virtual onde as mulheres aprendem a falar sobre suas pesquisas no idioma de destino e ajudam umas às outras a superar as dificuldades associadas ao ambiente acadêmico. Nosso programa permite que estudantes de graduação nos Estados Unidos aprofundem seu conhecimento sobre a história e a cultura da população Afro-Brasileira, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é 56% da população (a segunda maior população negra do mundo depois da Nigéria). Além disso, a língua portuguesa também é falada em cinco países africanos: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, bem como Portugal tem uma significativa população africana (embora ainda não tenha sido contabilizada). Em certo sentido, Trocas contrabalança o processo de branqueamento dos métodos de ensino de português que se centram em produtos culturais afro-brasileiros como o carnaval, futebol, capoeira, samba e religiões de matriz africana, mas sem reconhecer o protagonismo dos sujeitos negros e a prevalência de problemas sociais, as políticas raciais ou o racismo epistêmico. Desta forma as mulheres que fazem parte do nosso projeto não só estão aprendendo uma segunda língua como também resistem às estruturas de poder, constroem conhecimento a partir das suas experiências vividas e ajudam-se mutuamente a navegar no território acadêmico. O coronavírus nos impôs uma nova normalidade que ampliou a possibilidade de interagir em ambientes virtuais de forma generalizada e normalizada. Por conta disso, as principais universidades passaram a prover acesso gratuito ao Zoom ou a outras ferramentas de videoconferência, de sorte que tudo o que você precisa para participar do nosso programa é estar matriculada numa universidade e ter um computador com microfone e câmera de vídeo. Gostaria de fazer parte do projeto Trocas? Envie um e-mail a: soymariana@utexas.edu e adrianatolentino.sousa@usp.br! OLHA
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TUTORIA
Parceria do Portuguese Flaghsip Program da UT Austin com o Instituto Clara Ramos - Brasil
ICR Brasil e UT Austin: parceiros por excelência Por Clara Ramos
Salvador (Bahia)
Desde 1999, tivemos o privilégio de trabalhar com algumas das melhores universidades dos Estados Unidos como parceiros do programa de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira do ICR Brasil. Ao longo de duas décadas, ensinamos português e cultura brasileira a mais de quatro mil universitários. Atualmente temos o orgulho de ter 4 professores/diretores que foram nossos alunos e hoje retornam como lideres para proporcionar experiências singulares e transformadoras aos seus alunos. A lista de parceiros inclui a Universidade do Texas em Austin, UCLA, Kansas University, Northeastern University, Colorado College, Ohio State University, Georgia State University, USC, Dartmouth College, Brown University, University of Nebraska at Lincoln, UCONN, Morehouse College, University of Washington in Seattle, dentre outras. Oferecemos aulas de português e cultura numa variedade de formatos customizados para atender aos objetivos e às necessidades de cada universidade. As aulas de língua portuguesa são ministradas por professores experientes e capacitados. O curso de Cultura Brasileira é estruturado para dar uma visão crítica da nossa sociedade, através de palestras com profissionais em diversas áreas, tais como história brasileira, economia, educação, política, saúde, música, dança, capoeira e arte. Além das aulas, os alunos visitam ONGs, escolas e centros comunitários,e também fazem viagens curtas a locais históricos e de interesse ambiental, como Cachoeira, Morro de São Paulo, e Lençóis.
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Com o planeta cada vez mais conectado, estudantes do mundo todo se aventuram através de experiências de intercâmbio em outros países. Movidos pelo desejo de enriquecer o currículo e – sobretudo – de conhecer culturas diferentes, os estudantes estão re-descobrindo o Brasil. O intercâmbio é uma nova força para o mercado turístico brasileiro, promove trocas culturais e o aprendizado de linguas, além de divulgar nosso país e nossa cultura lá fora, já que estes jovens vivem uma experiência transformadora e levam consigo memórias afetivas duradouras. Muitas dessas memórias são gravadas em seus corações pelo amor, pela dedicação e pelo carinho que recebem das suas famílias hospedeiras, um peça fundamental do sucesso do programa. A máxima de que as crises podem se tornar janelas de oportunidade tem sido reafirmada por muitos diante do quadro adverso que a economia mundial enfrenta. O trabalho colaborativo entre instituições tem proporcionado experiências profissionais surpreendentemente positivas, possibilitando o aumento da produtividade e a otimização dos recursos. Mas a questão principal está além das cifras. A prática se configurou como uma forma de trocar experiências e desenvolver projetos de cooperação, compartilhando conhecimentos e vivências. É exatamente aí que os caminhos da UT Austin e do Instituto Clara Ramos Brasil se cruzam e nasce uma parceria que nos permite desbravar novas fronteiras e expandir nossos horizontes.
Fachada do Instituto Clara Ramos Brasil em Salvador e vista do Morro De São Paulo (Bahia)
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A nossa parceira com a UT Austin existe há 15 anos e ao longo desses anos temos sempre inovado através de ações verdadeiramente pioneiras. Em 2009, a UT incorporou o Service Learning, oferecendo aos seus alunos a oportunidade de desenvolver um trabalho comunitário extremamente relevante e enriquecedor durante o programa. Recentemente, o Professor Orlando Kelm ganhou o Flagship, possibilitando aos alunos receberem bolsas para estudar no Brasil tanto em Salvador quanto em São João del Rei. Ano passado, devido à pandemia do COVID-19, todos os programas de Study Abroad foram cancelados. Diante da impossibilidade de oferecer o programa "ïn-person", O Professor Orlando decidiu implementar as "tutorias" como parte do Flagship/Capstone, proporcionando aos alunos a oportunidade de praticar português com nossos professores, falantes nativos, debatendo temas ligados à cultura, arte, música, política e contemporaneidade. Estes são alguns exemplos que fazem da UT uma grande parceira, que está sempre um passo à frente no protagonismo do ensino de português e cultura brasileira e isso é motivo de muito orgulho para todos nós.
Costumo dizer que este não é um trabalho, mas sim uma missão de vida e ver a vida desses jovens impactada de forma tão positiva e transformadora é a nossa maior recompensa. MUITO OBRIGADA!! Clara Ramos Diretora do ICR Brasil
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Tutorias de língua portuguesa em tempos de pandemia: tarefa intangível? Por Nilton Oliveira do Vale
A vida transcorria normalmente até que, num piscar de olhos, tudo mudou. De uma hora para a outra, eu, que estava acostumado a receber os alunos da UT at Austin aqui em Salvador em parceria com o Instituto Clara Ramos, vi-me no segundo semestre de 2020 reinventando as aulas que passaram de classes regulares com encontros diários e presenciais para contatos virtuais através da internet! Bem, como somos seres humanos e estamos sempre sendo testados no que concerne à nossa capacidade de adaptação, posso dizer que não tive maiores dificuldades não só porque usualmente tiro boas lições dos momentos difíceis mas também porque eu já estava dando aulas aos meus alunos brasileiros no mesmo formato desde março e isto ajudou-me bastante a ver, rever e adaptar-me ao que se descortinava dali em diante. Aos poucos, todos fomos nos adaptando àquela novidade e tentando extrair o que havia de melhor. Claro que uma aula presencial tem sua importância e nada substitui o olho no olho, a interação com todos os presentes, as possibilidades várias das quais podemos lançar mão como um simples gesto para ensinar vocabulário e, desta forma, nos aproximarmos ainda mais dos nossos queridos alunos de língua portuguesa e cultura brasileira.
Nilton O. do Vale, professor de inglês e português (para estrangeiros) há 33 anos. Tive uma experiência maravilhosa que foi morar em Nova Iorque em 1993 e poder praticar inglês com os nativos - e muitos estrangeiros como eu. Após retornar ao Brasil, continuei me dedicando aos estudos através das Letras Vernáculas com Língua Estrangeira e, em especial, Linguística com enfoque em Fonética e Fonologia pois sou apaixonado por sons, sotaques e variações dialetais. Nos últimos anos venho trabalhando nas escolas Sartre SEB e ICR Brasil nas quais sinto-me realizado!
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Começamos as tutorias de 2020 com uma grande tarefa nas mãos: manter o nível alto das aulas e, ao mesmo tempo, lidar com as novidades. Como a tecnologia chegou para ficar, ela trouxe muitos benefícios como encurtar as distâncias, poder nos fazer “viajar” sem sairmos de casa e estar com uma ou várias pessoas ao mesmo tempo e que estejam a milhares de quilômetros de nós. Assim foi feito e pudemos usufruir de ótimos momentos de discussões nas quais os alunos puseram em prática o aprimoramento de suas habilidades em português através dos “CANDO STATEMENTS” pensados e sugeridos pelo Professor Orlando Kelm e com o auxílio de Lindsey Jamieson e Andreana Marchi que sempre me auxiliaram em todo o processo. Os “CAN-DO STATEMENTS” utilizados pelos alunos exerceram papel fundamental no progresso deles durante as tutorias porque tinham a liberdade de escolher os assuntos sobre os quais gostariam de falar comigo na semana seguinte. Também foi estabelecido um clima leve e de parceria dos alunos nos grupos que foram criados e todos tinham momentos individuais mas também os de interação sempre que eu propunha outras respostas ou opiniões advindas dos membros dos grupos. Isto gerou descontração e fez com que eles produzissem mais e mais momentos de fala “driblando” as já bem conhecidas características das línguas neo-latinas e que as tornam tão singulares como diversos tempos e modos verbais, pronúncias singulares, acentos gráficos que abrem, fecham e nasalisam sons, gêneros masculino e feminino, etc. As tutorias me fizeram muito bem pessoal e profissionalmente, pois sempre aprendo muito com meus alunos e, com estes do ano passado, não foi diferente. Pelo contrário, a cada sessão de tutoria mais e mais paralelos estabelecíamos entre os Estados Unidos e o Brasil e, não raro, sobre estes dois países que acabo de citar e as nações das quais os pais destes alunos provinham – México, El Salvador, Colômbia, Bangladesh, Trinidade e Tobago, etc. Claro que não perdíamos o foco que era o Brasil, seu povo, sua língua, seus costumes, suas curiosidades e tudo o mais que eles pesquisavam e/ou me perguntavam durante as tutorias.
O Professor Nilton do Vale e a aluna do PFP da UT Austin, Andrea M. Gomez durante uma sessão da tutoria virtual (primavera 2021) OLHA
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Abordamos os mais variados assuntos que foram desde vocabulário formal e informal até sotaques dentro do Brasil, passando por expressões idiomáticas, política, saúde, economia, educação, direitos civis, ufa! A lista é longa porém extremamente útil, interessante e relevante ao aprendizado de língua e cultura pela ótica de um estrangeiro que se predispõe a estudar e aprender um novo idioma e tudo o que vem atrelado a ele que pode contribuir para seu aperfeiçoamento linguístico e cultural. Finalmente, fechamos as tutorias de 2020 com chave de ouro, a sensação de dever cumprido e a leveza no coração de ter conhecido várias pessoas interessantes, cheias de informações fantásticas sobre suas origens e sobre suas vidas nos Estados Unidos e com o brilho nos olhos de estarem se comunicando numa língua estrangeira com um dos seus nativos que lhes compreendia perfeitamente tal era a harmonia estabelecida desde o primeiro dia com elas e como demonstravam interesse pelo Brasil e a vontade de virem aqui um dia.
Saudade é a melhor definição para o que sinto agora enquanto escrevo este texto sobre as tutorias de 2020 e, em tempo, aproveito para convidar você, que está lendo, a vir visitar meu País que “só” tem quase 9 milhões de quilômetros quadrados, 211 milhões de habitantes, gente do mundo inteiro que escolheu viver aqui – o que nos torna ainda mais interessantes aos visitantes – clima super agradável ao longo do ano inteiro e muita, muita alegria e honra por você se interessar em vir aqui! OLHA
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Curiosidade: palavras em português Por Andreana Marchi
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TUTORIAS ONLINE: UM NOVO DESAFIO PROFISSIONAL
Por Lucas Rodrigues
Lucas Rodrigues é graduado em Letras Vernáculas e Letras com uma Língua Estrangeira Moderna (Português como Língua Estrangeira) pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Além disso, também é Mestre em Língua e Cultura pela UFBA e ministra aulas de português para estrangeiros há 6 anos.
À esquerda: Austin, Texas. À direita: o Farol da Barra em Salvador, Bahia.
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Em meados do segundo semestre de 2020, fui surpreendido por um novo desafio profissional: participar de tutorias on-line do programa de português para estrangeiros da Universidade do Texas (UT). Tal convite foi possibilitado em razão da parceira da referida Universidade e o Instituto Clara Ramos Brasil, doravante ICR Brasil. A ideia dessa iniciativa é estreitar laços entre os professores e alunos do programa Flagship, antes do período de imersão no Brasil, melhorando o aprendizado deles em português através de encontros uma vez por semana. Para o desenvolvimento das atividades, as tutorias foram planejadas para funcionar da seguinte forma: os tutores do ICR Brasil mediam sessões individuais ou em grupo (com no máximo 3 estudantes por tutoria) com duração de 50 minutos, semanalmente. Os alunos são alocados a depender da disponibilidade do tutor e dos horários que os estudantes têm disponíveis para o encontro. Nas sessões em grupo, os estudantes possuem um momento específico para abordar seus assuntos de interesse, logo, cada discente tem em média 10 a 20 minutos para discorrer sobre um tópico e receber orientações por parte do tutor nos aspectos necessários. Assim, os estudantes podem tirar dúvidas, receber feedbacks sobre os pontos que já desenvolvem bem ou que precisam melhorar, além de estarem mantendo contato com a língua portuguesa, sendo instruídos por professores que atuam há anos no campo de ensino de português como língua estrangeira. Ademais, nas sessões de tutorias, os alunos recebem um Pass-off, material com diversos temas para discussão em português, com o intuito de motivá-los em suas falas. O Pass-off é dividido por nível de proficiência (iniciante, intermediário, avançado e superior) e em três tópicos, a saber: Oral, Gramática e Sociocultural. Contudo é importante ressaltar que se o(a) aluno(a) quiser falar sobre assuntos que não constam no material, ele(a) poderá abordar o tema de sua motivação durante os encontros. Além disso, esse tipo estrutura possibilita que estudantes de diferentes níveis possam estar em uma mesma tutoria, uma vez que, em seu momento de fala, eles podem praticar, podendo também ter trocas de experiências com seu colega de sessão.
À esquerda: Pelourinho (Salvador). À direita: Professor Lucas Rodrigues.
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Esse formato de trabalho, desenvolvido nas tutorias, se torna bastante interessante, pois explora o autoconhecimento e a autonomia do aluno em seu processo de aprendizagem. Tais aspectos podem ser evidenciados quando é necessário o estudante trazer tópicos, pesquisas, relatos, descrição entre outros para desenvolver em aula com seu tutor. Esse tipo de prática os estimula a conhecerem suas necessidades gramaticais, vocabular ou mesmo cultural sobre a língua alvo. Por consequência do autoconhecimento, os estudantes tendem a desenvolver sua autonomia, buscando insumos e estratégias de aprendizagem. Outrossim, é importante destacar que o desenvolvimento de tutorias com professores que são/estão do/no Brasil possibilita ao estudante conhecer mais sobre a realidade do país, as expressões linguísticas com maior evidência no momento ou mesmo ampliar o contato com a língua através de dicas como jornais, podcasts, rádios, vídeos e séries do Brasil. Ao longo das semanas de curso, é possível notar a evolução dos alunos com as dicas que passamos para eles e por conta do momento de prática oral, proporcionado pelas tutorias. Para exemplificar, uma das gratas surpresas aconteceu comigo em uma sessão, quando uma aluna conseguiu conversar em português por 50 minutos sem ter interferência da língua materna dela, utilizando o vocabulário adequado para o contexto e compreendendo todas as perguntas que eram feitas. Ao final do encontro, isso foi enfatizado para ela, que ficou muito feliz com a evolução que teve. Além desse exemplo, é possível perceber, entre os estudantes, a nítida melhora na redução da interferência da língua materna, naturalização da fala, trocas de experiências com assuntos da atualidade e maior segurança vocabular.
É importante enfatizar que exemplos, como o apresentado no parágrafo anterior, só acontecem devido a uma estrutura de curso muito bem planejada e que tem em uma das suas partes a prática do aluno como foco, caso das tutorias. No programa da Universidade do Texas, além de terem aulas regulares com professores da Instituição, os estudantes fazem tutorias on-line com professores brasileiros, podem participar de palestras e passam pela experiência de imersão, geralmente a partir do mês de junho no Brasil. Todo esse cuidado, com um planejamento minucioso, é muito bom não só para os alunos, por terem diferentes oportunidades de estar em contato com a língua portuguesa, como também para os tutores, pois, com o contato on-line, podem ter um plano de trabalho mais aprofundado baseado nos anseios e necessidades apresentadas pelos estudantes durante esse período pré-imersão no Brasil. Logo, essa continuidade apresentada no planejamento da Universidade do Texas possibilita que o aluno tenha a melhor experiência possível no aprendizado desse novo idioma. OLHA
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AUSTIN - BRASIL: COMUNIDADE BRASILEIRA
A CAPOEIRA NOS ESTADOS UNIDOS Por Washington Luiz Lima Porto (Contra Mestre Esquilo Preto) Entusiasta das artes marciais desde a infância, Washington Luiz Lima Porto (Esquilo) desenvolveu um interesse pela Capoeira ainda adolescente quando começou a estudar com Mestre Jelon Vieira em Salvador (Bahia, Brasil). Aluno do Mestre Jelon e membro do Grupo Capoeira Brasil desde 1994, Esquilo dedicou sua vida à Capoeira e ao ensino desta arte marcial afro-brasileira única. Atualmente ele está ensinando Capoeira em Austin, TX. Foi artista visitante do Ilê Bahia de San Antonio, (TX), onde deu aulas de Capoeira para todas as idades e níveis de habilidade. Também organizou e dirigiu vários eventos internacionais anuais de Capoeira e fez várias oficinas de Capoeira em Nova Iorque (NY), Denver (CO), Fresno (CA), San Juan (Porto Rico), Salvador (Brasil), Saint Louis (MO); San Antonio e Houston (TX), Filadélfia (PA), Bethel e Anchorage (AK), Gainesville (FL), Hartford (CT) e Trenton (NJ). Mais informações: http://www.capoeiratexas.com/index.html OLHA
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Contra Mestre Esquilo Preto (centro da foto) tocando atabaque, um instrumento musical utilizado na Capoeira.
Além de ser uma luta, a Capoeira é também arte, dança, música e cultura popular genuinamente nascida no Brasil. Essa arte afro-brasileira foi criada pelos africanos quando foram trazidos escravizados para o Brasil. Em terras brasileiras a Capoeira foi desenvolvendo e tomando forma de luta e a camuflou com a dança e a música. Apesar de toda sua beleza e benefícios, você sabia que a prática da Capoeira já foi vista como crime?
Quem vê crianças, jovens e adultos jogando Capoeira nas escolas, universidades ou fazendo apresentações em lugares como a Casa Branca na capital americana, ou em outros lugares considerados de alto prestígio, nem pode imaginar que essa conhecida forma de expressão das raízes negras era mal vista e considerada perigosa. Pois é, durante muito tempo a Capoeira foi proibida no Brasil e até posta no Código Penal Brasileiro de 1890, com pena de 2 a 6 meses de prisão pela sua prática ou qualquer manifestação dela. A trajetória da Capoeira nos Estados Unidos aconteceu no início dos anos 70, mas antes disso teve introduções e uma delas com a vinda do grupo folclórico Viva Bahia no comando da professora Emília Biancardi Ferreira que fez sua primeira turnê em 1972, começando no Madison Square Garden na cidade de Nova Iorque, não só divulgando a Capoeira como também a cultura Afro-Brasileira. OLHA
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Mas para ser mais exato a semente da Capoeira foi plantada em abril de 1975 com a presença do Mestres Jelon Vieira e Loremil Machado e foi fortalecida com a presença do Mestre Acordeon em 1979. Mestres Jelon e Loremil também participaram do elenco do Viva Bahia, onde viajaram para Europa, Ásia, África e Oriente Médio em 1974 juntamente com Mestre João Grande entre outros. Após a longa turnê resolveram ficar na Europa e logo foram convidados para participar de um show na cidade de Nova Iorque. Encantados com a magia da cidade, Mestres Jelon e Loremil Machado decidiram ficar na cidade de Nova Iorque se tornando pioneiros da Capoeira nos Estados Unidos. Em 1978 o Mestre Acordeon se estabeleceu em São Francisco, Califórnia.
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Durante muitos anos existiu um imenso espaço entre uma escola de Capoeira e outra nos Estados Unidos. Com os Mestres Jelon e Loremil na Costa Leste (na cidade de Nova Iorque) e Mestre Acordeon na costa Oeste (Califórnia), esse grande espaço só começou a ser preenchido no início da década 80 com a chegada de novos capoeiristas. A Capoeira explodiu nos EUA: praticamente é possível encontrar escolas de capoeira em quase todos os estados americanos. E ela está presente praticamente em todas as grandes cidades dos Estados Unidos.
Texas foi um dos primeiros estados a preencher este grande espaço entre as costas leste e oeste, tendo o Mestre Jelon Vieira como grande responsável por esse elo, fundando a primeira organização sem fins lucrativos chamada Ile Bahia de San Antonio (casa da Bahia). E o Ile Bahia teve um grande papel na difusão da cultura afrobrasileira no Texas, promovendo eventos culturais, aulas de samba, Capoeira e percussão nas comunidades mais carentes de San Antonio (TX). A Capoeira também marcou presença na Casa Branca em Washington e em Hollywood, tendo uma participação parcial ou até mesmo sendo a principal protagonista de filmes. Porém é impossível falar da Capoeira nos Estados Unidos sem citar nome do Mestre Jelon Vieira, natural de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, que em Nova Iorque fundou a “The Capoeira Foundation, Inc” e tendo sob a sua alçada a companhia de dança Afro Contemporâneo o DanceBrazil, onde dançarinos brasileiros utilizam a Capoeira como base para a performance coreográfica do Mestre Jelon.
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Durante o sucesso do grupo pelos Estados Unidos, e depois de ter sido reconhecido no exterior com a Capoeira, Mestre Jelon foi responsável também por apresentar a arte Capoeira para diversos artistas de Hollywood, além de coreografar cenas de filmes e trabalhar com artistas como Eddie Murphy, Brooke Shields e Timothy Dalton. Além disso, ele passou a lecionar em Duke, Yale, NYU, University of Florida dentre outras super conceituadas universidades americanas. E a riqueza é tão grande dessa belíssima arte que, no ano de 2014, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) declarou que a Capoeira é um Patrimônio Imaterial da Humanidade.
Fotos: Arquivo pessoal, Esquilo Preto. OLHA
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MINHA PÁTRIA,MINHA LÍNGUA Por Luciana Savioli
Luciana Savioli é brasileira e vive em Austin desde 2015. Filha de pai gramático, herdou dele a paixão pela palavra e pela Língua Portuguesa. Formou-se em Letras e em Jornalismo em São Paulo, onde sempre trabalhou na área de Comunicação Corporativa de grandes empresas. Hoje é editora freelancer e contribui com textos para diversas marcas e veículos no Brasil e nos Estados Unidos. ''Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa." Fernando Pessoa No seu Livro do Desassossego, Pessoa escreveu as linhas acima e concretizou algo que muitos já sabiam: a língua é um dos elementos mais emblemáticos e característicos de um povo. Em última instância, é o que define o próprio povo. Por meio dela - esse código dominado e compartilhado por um determinado grupo de pessoas - os indivíduos conhecem aprendizados dos seus antecessores, relatam experiências humanas, trocam informações sobre doenças, perigos e catástrofes, perpetuam receitas, compartilham mandingas de curas e remédios, reproduzem estrofes de versos e passagens de livros, divulgam descobertas revolucionárias e , claro, se socializam, ato tão primitivo quanto vital para a completa existência humana. Já esteve em uma roda de estrangeiros que falam uma língua que você não dominasse e se sentiu frustrado – para dizer o mínimo – em não poder cumprimentar, opinar, interagir, rir, se defender ou apenas participar? OLHA
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Pois é isso o que muitos filhos de imigrantes passam – mas, pasmem, não na terra adotada, como era de se esperar, mas na sua terra natal. Com medo de ver seus filhos não inseridos no país para onde mudaram-se, pais e mães brasileiros acabam esquecendo, algumas vezes, de manter o principal fio conector dos filhos à pátria-mãe: a língua. E, então, consertam um problema, imediato, de adaptação ao novo país, mas acabam por criar outros, no futuro, muito mais estruturais e perenes. Segundo Danielle Medeiros, coordenadora da escola de Português Projeto Brasil, localizada em Austin (TX), e que trabalha há mais de 20 anos com o Português como Língua de Herança (PLH): “É um erro deixar de falar de português em casa. Isso só vai piorar a vida da criança lá na frente. Saber a língua é importante para o desenvolvimento da identidade da criança, já que a língua é a essência cultural de um povo. Quando mais velhas, muitas questionam os pais sobre o motivo de não terem ensinado a língua. É como se ficasse um vazio ali, se sentem excluídos de situações de família, ficam à margem de uma grande parte afetiva delas. Uma criança multicultural precisa das línguas para poder navegar nos vários contextos sociais em que ela se insere.”
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Mas, afinal, o que difere uma língua de herança de uma língua estrangeira? Especialistas no assunto, Ivian Destro Boruchowski Ana Lúcia Lico, na obra Como manter e desenvolver o português como língua de herança: sugestões para quem mora fora do Brasil, definem: “uma língua de herança é aquela utilizada com restrições (limitada a um grupo social ou ao ambiente familiar) e que convive com outra(s) língua(s) que circula(m) em outros setores, instituições e mídias da sociedade em que se vive. O português é uma língua de herança para os filhos de brasileiros que moram no exterior. Os falantes de herança imigraram ou nasceram no exterior e mantêm alguma relação com a língua da família. Os falantes de herança podem apresentar habilidades variadas, desde apenas entenderem essa língua, até mostrarem domínio da oralidade, compreensão, leitura e escrita (Valdés, 1995).” Mas pais e mães que moram longe da terra natal sabem o quanto é difícil manter vivas as heranças culturais dentro de uma casa imersa em outro país. Como não se deixar levar pelo novo calendário de feriados, pela nova comida, pelos novos hábitos – e, claro, pelo novo idioma? Para Ivian Destro Boruchowski Ana Lúcia Lico, ao decidir pela manutenção e desenvolvimento do português como língua de herança, os adultos devem adotar uma política linguística familiar que seja adequada a sua rotina, como por exemplo: cada responsável falará a sua língua nativa com a criança; todos os dias, durante o jantar, todos falarão português; dentro de casa só se fala português; ou com os adultos só se fala português, etc. A atitude requer esforço, comprometimento e dedicação. Mas os benefícios, segundo especialistas, são muitos. “A criança cria laços afetivos com seu passado, com sua história, toma contato com as brincadeiras, a culinária, quando os pais decidem manter a língua materna. A língua de herança também conecta as crianças com as famílias que ficaram na terra natal e a possibilita a criação de um relacionamento com eles. Quando a língua é perdida, a comunicação se rompe e a conexão é perdida” afirma Danielle que, ensina, hoje, cerca de 80 alunos em sua escola na capital texana. OLHA
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Outro motivo, certamente é menos ligado ao coração, e mais ao bolso. Afinal, sabese que o mercado de trabalho está cada vez mais acirrado e poder falar com diferentes públicos e mercado certamente é um diferencial profissional. “Saber uma nova língua cria novas oportunidades e constrói uma identidade completa” lembra Danielle.
Mas, se você ainda não está convencido, mais um argumento deve conquistar os mais céticos: segundo a neurocientista Ellen Bialystok, em Cognitive and Linguistic Processing in the Bilingual Mind, o bilinguismo traz benefícios sociais expressivos. Se por um lado a criança bilíngue costuma ter vocabulários menores, ela exibe, no entanto, melhor desempenho em tarefas não verbais que requerem resolução de conflitos. Por qualquer que seja o motivo, manter a língua materna ou de herança com as crianças é, sem dúvida, uma forma de transmitir a elas uma porção de identidade cultural, de história familiar, de origem, de laços afetivos que, certamente, irão fazer diferença na formação dela - seja lá para onde ela vá e quantos outros idiomas aprenda.
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PORTUGUESE FLAGSHIP PROGRAM ENTREVISTA
PROJETO BRASIL AUSTIN ENTREVISTADA
DANIELLE MEDEIROS
COMO SURGIU A IDEIA DO PROJETO BRASIL AUSTIN?
A ideia do Projeto Brasil surgiu da necessidade de apoio de alguns pais para desenvolver e manter a língua de herança. Esses pais já me conheciam e sabiam da minha paixão pela educação e experiência em dar aulas de inglês no Brasil. Então eles me perguntaram sobre a possibilidade de iniciar aulas de português para suas crianças pensando em principalmente no desenvolvimento de vocabulário, exposição à cultura e o desenvolvimento da escrita e leitura em português. Embarquei nessa aventura e me apaixonei pelo ensino do português como língua de herança.
Danielle Medeiros é natural de Goiânia, formada em Design Gráfico (Communication Design) e mestre em Educação com especialidade em aquisição de línguas e STEM. É também mestre em Tecnologias de Educação pela Texas State University. Dedica-se ao ensino do português como língua de
VOCÊ PODERIA DESCREVER O QUE É UMA LÍNGUA DE HERANÇA? Língua de herança é a língua de um dos pais ou avós que mora no
herança (PLH), integração de
exterior. É falada em casa durante a primeira infância e muitas vezes
tecnologia na educação, criação
é a língua principal da criança durante esse período. Língua de
de cursos online e ao movimento
herança tem uma conexão emotiva pois envolve muito mais que
Maker. Desenvolve material didático específico para PLH e participa ativamente da
aprender uma segunda língua, tem laços com a família do país de origem, no nosso caso o Brasil, e também uma conexão cultural
comunidade de professores de
muito forte. A língua materna também pode se tornar a língua de
PLH pelo mundo,
herança ao se mudar para o exterior com crianças antes da
compartilhando suas
adolescência. Ao aprenderem a língua majoritária do país de
experiências e conhecimentos em conferências, cursos de capacitação para educadores e publicações em periódicos.
residência, essa língua se torna aos poucos a mais utilizada por essas crianças e isso ocorre antes de terem solidificado a língua materna na adolescência. Ou seja, a língua materna da infância pode tornar uma língua de herança.
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PORTUGUESE FLAGSHIP PROGRAM ENTREVISTA
PROJETO BRASIL AUSTIN
HÁ QUANTO TEMPO AUSTIN CONTA COM ESSE PROJETO VOLTADO PARA A LÍNGUA PORTUGUESA COMO HERANÇA? COMO FUNCIONA PARA QUEM GOSTARIA DE TER OS SEUS FILHOS ENVOLVIDOS NO PROJETO? Projeto Brasil iniciou há 21 anos e durante esses anos tivemos mais de 450 alunos passarem pelos nossos programas. Em 2018 passamos a ser o setor educacional do Cultura Brasil Austin – CBA, que é uma organização sem fins lucrativos que oferece apoio à toda comunidade brasileira em Austin e também tem como missão dissipar a cultura brasileira à comunidade local e apoiar a integração de brasileiros na cultura americana. Projeto Brasil oferece uma variedade de programas como aulas semanais durante o ano letivo que são voltadas para exposição cultural, desenvolvimento de linguagem – vocabulário, escrita, leitura. Também oferecemos uma variedade de oficinas para aqueles que não podem se comprometer com o ano letivo. Oferecemos aulas on-line e particular também. Também temos um summer camp que é uma semana de imersão. Há também um programa de voluntariado para adolescentes. Temos um programa especial para crianças de 1-3 anos com acompanhante. E claro temos eventos culturais durante o ano que são abertos a toda comunidade como Dia das Crianças, Cai na Folia (Carnaval infantil), piqueniques e o Arraiá do Projeto Brasil. Gostamos de dizer que não oferecemos aulas DE português e sim aulas EM português que oferece oportunidades para o desenvolvimento de habilidades do século XXI pois STEAM (Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) e o Movimento Maker estão integrados em nosso currículo. Nossos alunos aprendem a solucionar problemas, a colaborar com outros, a ter flexibilidade, usar a criatividade com projetos Maker e desafios STEAM. Trabalhamos com projetos e nossos alunos adoram explorar cada tópico à fundo. Sempre conectamos os tópicos com nossa cultura por meio de atividades e projetos de artes, música, geografia, história, culinária, teatro e etc. Para participar de nossos programas é só entrar em contato conosco pelo site projetobrasilaustin.org, por e-mail: info@projetobrasilaustin.org ou telefone/mensagem: (512) 718-7041. OLHA
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PORTUGUESE FLAGSHIP PROGRAM ENTREVISTA
PROJETO BRASIL AUSTIN
COMO ENTRAR EM CONTATO?
QUAIS SÃO AS NOVIDADES PARA O ANO DE 2021? Para 2021 estamos oferecendo uma maior variedade de programas. Continuaremos com aulas on-line pois durante a pandemia e com nosso programa on-line temos agora alunos em outros estados. Também sabemos que alguns alunos preferem o modelo on-line. Voltaremos com as aulas presenciais aos sábados com a opção de escolher uma oficina e assim ter uma manhã de imersão em português. No plano está também o lançamento de algumas turmas satélites em diferentes áreas de Austin durante a semana. Também teremos a opção do programa híbrido em que adolescentes participam de aulas online e se encontram presencialmente uma vez por mês. A inauguração de nossa biblioteca para o público será no segundo semestre. Contamos com um acervo de mais de 1,500 livros, incluindo livros para adultos, DVDs e jogos de tabuleiro para incentivar o uso da língua de herança em casa. Com a inauguração da biblioteca teremos também Hora do Conto para crianças de 1-5 anos além de outros eventos literários.
Para participar de nossos programas é só entrar em contato conosco pelo site projetobrasilaustin.org, por email: info@projetobrasilaustin.org ou telefone/mensagem: (512) 718-7041. Você também pode seguir as atividades do Projeto Brasil Austin no Instagram pelo endereço: www.instagram.com/projetobrasil.cba/ ou no Facebook: www.facebook.com/projetobrasilaustin/
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PORTUGUESE FLAGSHIP PROGRAM ENTREVISTA
PROJETO BRASIL AUSTIN
QUAIS ATIVIDADES TÊM SIDO UM SUCESSO ENTRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES? Nossos summer camps são sempre um sucesso pois a semana de imersão em português e repleta de atividades mão na massa como artes, projetos maker, desafios STEAM, experiências científicas e culinária, além de termos também oficina de música, brincadeiras tradicionais, capoeira e futebol. Algumas dessas atividades também fazem parte de nosso programa semanal e são sempre um sucesso. As crianças menores amam a Hora do Conto e capoeira, e curtem também as atividades lúdicas e sensoriais. Os pré-adolescentes adoraram construir um teatro de sombras e criar histórias e fantoches e apresentar a todos os alunos da iniciativa. Enfim, qualquer atividade mão-na-massa faz sucesso por aqui e sempre estimula o uso do português de maneira natural e descontraída. Nossos adolescentes adoram projetos como criação de podcast, websites, histórias digitais e produtos físicos. Um projeto que fez muito sucesso com eles foi a criação de mini empresas e produtos que venderam no Bazar de Natal do CBA.
COMO OS ALUNOS DO PORTUGUESE FLAGSHIP PROGRAM QUE ESTÃO APRENDENDO A LÍNGUA PORTUGUESA PODEM SE ENVOLVER COM O PROJETO BRASIL AUSTIN? VOCÊS JÁ TIVERAM A PARTICIPAÇÃO DE ALGUM ALUNO/ALGUMA ALUNA DO NOSSO PROGRAMA? COMO FOI A EXPERIÊNCIA? Os alunos do Portuguese Flagship Program podem voluntariar em eventos, oficinas, e também como assistentes durante o ano escolar. Podem também trabalhar em nossos summer camps (voltaremos em 2022).
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PORTUGUESE FLAGSHIP PROGRAM ENTREVISTA
PROJETO BRASIL AUSTIN Durante o último ano escolar fizemos uma parceira com o Portuguese Flagship Program em que dois alunos por semestre participam de um estágio como assistente de aula. Já tivemos quatro alunos estagiários e também tivemos alguns voluntários. A experiência tem sido excelente. Nossos alunos adoram ter universitários presentes durante a aula e os alunos da UT são expostos à nossa cultura, além de terem oportunidade para usar a língua portuguesa de maneira significativa e adquirirem mais vocabulário. O legal é que após completarem o estágio, esses alunos quiseram continuar como voluntários, então acho que isso mostra que tem sido uma experiência positiva. Estamos empolgados em continuarmos com essa parceira o semestre que vem em nossas aulas presenciais. A inauguração de nossa biblioteca para o público será no segundo semestre. Contamos com um acervo de mais de 1,500 livros, incluindo livros para adultos, DVDs e jogos de tabuleiro para incentivar o uso da língua de herança em casa. Com a inauguração da biblioteca teremos também Hora do Conto para crianças de 1-5 anos além de outros eventos literários.
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PORTUGUESE FLAGSHIP PROGRAM ENTREVISTA
PROJETO BRASIL AUSTIN
ONDE PODEMOS ENCONTRAR MAIS INFORMAÇÕES SOBRE AS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS POR VOCÊS? Estamos bem ativos no Instagram (@projetobrasil.cba). Também pode nos encontrar no Facebook (projetobrasilaustin), nosso site projetobrasilaustin.org ou culturabrasilaustin.org para conhecer mais sobre nossa organização.
VOCÊ TERIA ALGUM RECADO FINAL PARA OS PAIS DE CRIANÇAS OU ADOLESCENTES QUE TÊM A LÍNGUA PORTUGUESA COMO LÍNGUA DE HERANÇA? Como mãe de filhos que tem a língua portuguesa como língua de herança meu recado é nunca desista de falar em português com sua criança, mesmo quando responderem em inglês. Incentive o uso do português de maneira divertida e sempre conecte a língua de herança com o emocional. Aqui em casa sempre digo que português é a língua do coração e tenho muitos apelidos carinhosos para meus filhos em português. Também é essencial ter apoio pois não é fácil criar filho bilíngue. Quando meus filhos eram pequenos criei um grupo de mães brasileiras com encontros semanais. Eles participam do programa do Projeto Brasil desde os 3 anos de idade e sempre fiz questão de participar de eventos culturais para que apropriassem da cultura. Hoje meu filho mais velho, de 17 anos, continua fazendo aulas semanais, mas agora porque quer continuar a desenvolver a escrita em português. Acabou de fazer um estágio de um mês no Brasil e sente-se orgulhoso em também ser brasileiro. Outro dia comentou que ama ter a língua portuguesa como parte dele. Claro que nem sempre isso foi verdade pois sempre há fases de resistência, mas fique firme em sua jornada pois agora que meu filho é quase adulto posso ver com clareza o quanto vale a pena todo esforço e dedicação.
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DIRETAMENTE DO BRASIL
Quem tem medo do teatro negro?
Gustavo Melo Cerqueira é babalorixá, ator e performer. Graduado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, é também Mestre de Artes e PhD em Estudos Africanos e da Diáspora Africana pela Universidade do Texas em Austin, Estados Unidos. Atuou com a Cia. Teatro dos Novos e o Bando de Teatro Olodum, em Salvador, e com a Cia. dos Comuns no Rio de Janeiro. Desenvolve pesquisas relacionadas ao corpo negro nas artes da cena e da presença a partir do cruzamento de teorias e métodos dos Estudos Negros, Estudos da Performance, Sociologia e Teatro, e tem publicado sobre o tema em revistas de circulação nacional e internacional. Atualmente, é um dos coordenadores da Pele Negra – Escola de Teatro(s) Preto(s).
Quando a pandemia passar, se você tiver a oportunidade de assistir, no Brasil, a espetáculos de teatro negro, vá sem medo! O teatro negro resiste a definições. Como bem disse a antropóloga Christine Douxami, dependendo do critério que se adote, o teatro negro no Brasil pode ser definido como aquele que é escrito, dirigido e atuado por pessoas negras, ou aquele que tem como sua temática a experiência de vida da pessoa negra, ou aquele que tem a cultura negra como a ambiência estética em que se desenrolam as mais variadas estórias, desde um conto escrito por crianças de uma dada vizinhança até grandes clássicos de Shakespeare. São muitas as vias possíveis para a prática, apreensão, caracterização, análise e teorização sobre o que é teatro negro. OLHA
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Contudo, não é por ter tão amplas possibilidades que uma ideia de teatro negro não faça sentido. Explico: pensar que o teatro negro possa ser tanta coisa, também pode nos levar a pensar que ele seja nada, ou que sua própria existência, enquanto linguagem artística, seja questionável. Mas não é bem assim. Muito embora uma definição de teatro negro seja algo aparentemente elusivo, existe uma pano de fundo que dá coerência e unidades às mais variadas definições: o teatro negro compreende as artes e manifestações da cena e da presença em que o corpo negro ocupa um lugar de destaque com vistas à transformação social no que tange o combate às desigualdades sociais que ainda afetam as populações afrodescendentes no mundo, e em particular a população negra no Brasil. A dimensão política do teatro negro no Brasil, de combate ao racismo antinegro e formas correlatas de opressão – lgbtfobia e machismo, por exemplo – através das artes da cena e da presença, é, no meu entender, o principal fator que congrega diferentes modos de prática e estudo do teatro negro no brasil. De certo modo, o modo algo escorregadio da definição de teatro negro é um traço positivo uma vez que não cria um rígido protocolo sobre com o deve ser o teatro negro. Em vez disso, mantém abertas diversas possibilidades de sua prática, desde o teatro negro com maior ênfase no êxito econômico e encenação de aspectos pitorescos da população negra, como foi no teatro negro da Cia Negra de Revistas, fundada por Du Chocolat na década de 1920); a explicitude dos objetivos políticos e de integração social como foi no caso do Teatro Experimental do Negro, fundado por de Abdias do Nascimento na década de 1940); a ênfase na dimensão negra da cultura brasileira como fez Solano Trindade quando fundou o Teatro Popular Brasileiro, na década de 1950, o Grupo Ação, fundado na década de 1960 por Milton Santos, os trabalhos experimentais de Zenaide Zen a partir do fim da década de 1970, a Cia Bruzundanga, fundada por Zózimo Bulbul, na década de 1980, além dos trabalhos de grupos como o Bando de teatro Olorum, fundado por Márcio Meirelles, na década de 1990, e a Cia dos Comuns, fundada por Hilton Cobra, e o grupo Os Crespos na primeira década do século XXI. Isso para citar apenas alguns poucos exemplos, de grupos e artistas que se tornaram notórios, mas muitos outros existiram e existem.
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Se o teatro experimental do negro foi um marco histórico para o teatro negro em sua faceta engajada politicamente, é em 2005, com a realização do I Fórum Nacional de Performance Negra, organizado pelo Bando de Teatro Olodum e pela Cia dos Comuns, que o teatro negro no Brasil assume com maior ênfase sua cara de movimento político-artístico, e não apenas iniciativas atomizadas. A partir do I Fórum Nacional de Performance Negra, estabeleceu-se um maior contato entre grupos negros de teatro e dança das cinco regiões do Brasil. Representantes desses grupos passaram então, de modo concertado, a propor medidas para o estabelecimento de políticas públicas para as artes cênicas negras, que vinham e ainda vêm sendo invisibilizadas nos planos de cultura promovidos pelo Estado brasileiro.
Por conta do Fórum Nacional de Performance Negra, algumas conquistas aconteceram no âmbito das políticas públicas. Conjuntamente, muitas experiências e trocas artísticas foram feitas em mostras de teatro negro que foram reavivadas ou criadas, como o Encontro de arte de matriz africana, promovido pelo Grupo Caixa Preta, de Porto Alegre, e as mostras Olonadé e o A cena tá preta, realizadas respectivamente pela Cia dos Comuns, no Rio de Janeiro, e pelo Bando de Teatro Olodum, em Salvador. E os movimentos do teatro negro não param por aí! Desde 2020 foi criada a Pele Negra - Escola de Teatro(s) Preto(s). Podemos dizer que se está inaugurando um movimento do teatro negro em âmbito acadêmico. A Pele Negra foi se formando de modo um tanto difuso, durante a pandemia, quase sem querer. Novamente, explico: existia a ideia, por parte de diversos artistas, de se criar uma escola de teatro negro. Em diferentes partes do país, de um modo ou de outro, cursos e oficinas sempre aconteceram. O traço distintivo dessa escola de teatro negro que alguns artistas e acadêmicos negros de Salvador estavam agora pensando em formar era que ela se daria no espaço acadêmico, ou paralelamente a ele. Isso porque o perfil sócio racial das universidades brasileiras, sobretudo nas universidades públicas, sofreu sensível mudança com a adoção de políticas de ação afirmativa no ensino superior desde 2003.
Assim, a demanda por componentes negros na grade curricular se tornou uma demanda por parte do movimento estudantil universitário. Isso se deu, também, e de modo bem incisivo, na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia/UFBA. Após algumas conquistas pontuais por parte dos estudantes, um grupo de professores e estudantes negros de pós-graduação decidiu formar uma escola. A pandemia chegou e, a principio, parecia que iria interromper o processo de formação dessa escola. Mas foi justamente o ambiente virtual que favoreceu a formação e expansão dessa iniciativa. Quando acabar a pandemia, se você vier ao Brasil, procure assistir espetáculos de teatro negro, como os produzidos por grupos como Bando de teatro Olodum, na Bahia, e Os Crespos em São Paulo. Ou de artistas como Grace Passô, de Minas Gerais, Hilton Cobra, do Rio de Janeiro, ou Onisajé, na Bahia. Você terá uma incrível experiência de entretenimento, humor, emoção, cultura e conscientização política como em nenhum outro lugar você vai poder experimentar. E, enquanto as viagens internacionais para o Brasil estão desaconselhadas e os teatros ainda estão fechados, que tal visitar o canal do YouTube @estudosemteatronegro, onde você pode encontrar muitos dos vídeos instrutivos e provocativos produzidos pela Pele Negra – Escola de Teatro(s) Preto(s)? Vá! E vá sem medo!
Referências: Douxami, Christine. 2001. “Teatro Negro: A Realidade de Um Sonho Sem Sono.” AfroÁsia, no. 26: 313–63. http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=77002609. Lima, Evani Tavares. 2010. “Um Olhar Sobre o Teatro Negro Do Teatro Experimental Do Negro e Do Bando de Teatro Olodum.” PhD Dissertation, Campinas, SP: UNICAMP/Universidade Estadual de Campinas.
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Livro Destaque 2020: Sou a mãe dela, Adriana Araújo (Globo Livros)
A jornalista e autora do livro "Sou a mãe dela", Adriana Araújo, bate um papo com a Revista Olha Só!
Por Andreana Marchi O ano que passou teve muitas surpresas e talvez a mais positiva foi o lançamento do livrorelato da jornalista Adriana Araújo sobre a sua jornada com a filha Giovanna. O leitor deve estar se perguntando “por que o livro Sou a mãe dela está tendo destaque aqui na Revista Olha só!?” Bem, essa resposta você vai descobrir ao ler a entrevista exclusiva que tivemos com a autora. Olha só!: Primeiramente, é um prazer ter a oportunidade de entrevistá-la para a nossa revista. Fica aqui registrado o nosso muito obrigado! A nossa primeira pergunta é como surgiu a ideia de escrever o livro e por que você escolheu esse título? Adriana Araújo: Antes de ser um livro, “Sou a mãe dela” foi um diário. Minha filha, Giovanna, nasceu com uma síndrome ortopédica rara e precisou de dez cirurgias complexas para caminhar com total independência. Quando ela completou 18 anos e finalizou o tratamento, senti necessidade de escrever sobre tudo o que tínhamos vivido. Foram momentos muito intensos, de muita angústia, medos, solidão. Mas também de muita esperança e amor pleno. Digo que o livro nasceu de um choro contido, de uma necessidade de olhar pelo retrovisor e me permitir rever todas as emoções do caminho. Foi terapêutico me reencontrar aos 25 anos, uma menina que se tornou mãe de outra menina com uma diferença física. Juntas enfrentamos um mundo onde preconceitos persistem, palavras machucam, olhares condenam.
Felizmente vencemos juntas! E, quando decidimos compartilhar a nossa história, o título surgiu naturalmente. Tenho muito orgulho de dizer “Sou a mãe dela”. A Giovanna me formou como pessoa, me ensinou e ensina a cada dia, fortaleceu minha resiliência e minha fé. Sou grata demais pela filha que o universo reservou pra mim. OLHA
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Acredito que a palavra mais importante para mudar o nosso mundo hoje seja compartilhar. E foi isso que me motivou. Olha só!: Qual a importância do livro para a sua vida pessoal? E para outras pessoas, que tipo de relevância você acha que o seu livro pode ter?
Adriana Araújo: Acredito que a palavra mais importante para mudar o nosso mundo hoje seja compartilhar. E foi isso que me motivou. Escrevi logo no começo do livro que essa não é uma história de vítimas nem de heroínas, portanto não tenho nenhuma pretensão de dar lições, de apresentar um modelo a ser seguido. Somos apenas mãe e filha e enfrentamos juntas uma jornada médica mas também uma jornada pela construção da autoestima. Sempre enxerguei como principal desafio ajudar minha filha a crescer se sentindo plena, inteira, ainda que o corpo dela seja diferente do que o mundo costuma chamar de “normal” ou “perfeito”. Em todo o planeta existem 1 bilhão de pessoas com alguma deficiência. Minha filha faz parte desse grupo e eu faço parte de um grupo de 1 bilhão de mães de pessoas com diferenças. Cada história é única, mas sei o quanto experimentamos desafios semelhantes, aflições semelhantes e profundas demais.
Por muito tempo me perguntei por que a narrativa de uma mãe em 1 bilhão poderia interessar? O dia que enxerguei a nossa história como uma semente de esperança tive coragem de publicar o livro. E a cada pessoa que me escreve dizendo que se sentiu abraçada ao ler o livro, pode ter certeza que recebo um abraço bem forte de volta. É sempre muito emocionante. Olha só!: De onde tirou tanta força para vencer todos os obstáculos que surgiram ao longo da sua jornada com a Giovanna? Adriana Araújo: Do olhar e da calma dela. E da experiência de uma conexão muito profunda, o amor mais intenso que vivi e vivo. Descobri durante a gravidez que a Giovanna teria diferenças ortopédicas, pernas e pés tortos, ausência de ossos e apenas dois dedos na mão direita. Percebi que a caminhada seria mais árdua do que previa. Tive momentos de tristeza e de culpa mas a dor e as preocupações nunca foram maiores do que a alegria de tê-la em minha vida. E saber das diferenças físicas da minha filha precocemente me ajudou a lidar com as emoções e procurar ajuda médica ainda grávida. Ela tinha consulta com ortopedista antes mesmo de nascer. Isso ajudou muito. Como toda gestante sonhei e pedi pra que minha filha nascesse com plena saúde, isso é absolutamente natural. Mas ao me tornar mãe da Giovanna também aprendi que o bebê ideal só existe em sonhos; precisamos de alguma forma abrir mão do filho ou da filha ideal para receber os filhos reais que a vida nos dá. Sei que me tornei verdadeiramente mãe quando decidi ser presença na vida da minha filha, quando escolhi estar de mãos dadas com ela pra enfrentar qualquer desafio. E toda mãe enfrenta desafios.
Maternidade pra mim é escolha. OLHA
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Olha só!: Como está a recepção do livro e a troca de mensagens e conversas com amigos, colegas, seguidores nas redes sociais e mães pelo Brasil (e mundo) afora? Adriana Araújo: O livro foi muito bem recebido no Brasil, teve uma boa repercussão na imprensa com várias reportagens e resenhas nos principais jornais e sites. Agora quando soube do interesse de uma professora da Universidade do Texas em saber um pouco mais da nossa história fiquei surpresa e agradecida demais. “Olha só” onde o livro está nos levando. Devido à pandemia não foi possível fazer lançamento presencial, noite de autógrafos, nada disso. Mas busco responder o máximo de mensagens que recebo nas redes sociais. E sinto uma vontade enorme de poder conversar com cada leitora e leitor. Saber o que o leitor sente e como recebe o que escrevi é rico demais. Essa é a mágica do livro. Olha só!: A venda do livro terá renda destinada a crianças que necessitam de uma ou mais cirurgias para poder andar. Como surgiu essa ideia? Até agora, você conseguiu ajudar alguma família?
As famílias passam a vida fazendo vaquinhas na internet, se mobilizando para vender camisetas e arrecadar dinheiro. Uma luta. O adiantamento que recebi com o livro já foi destinado a uma criança, a Alice. E toda a renda que eu receber do livro terá o mesmo destino. Venho de uma família muito simples mas felizmente quando me tornei mãe já trabalhava como jornalista da TV Globo e depois me tornei âncora da TV Record. Com o meu trabalho consegui propiciar à minha filha o melhor tratamento possível. Hoje Giovanna está no quarto ano de Medicina de uma das melhores universidades do Brasil. Ah... e o livro ainda conta a saga que enfrentamos para que ela pudesse se tornar uma médica. Mas isso fica em segredo, pra não estragar a surpresa dos leitores.
Os royalties do livro serão doados para famílias pobres que lutam para que os filhos com a mesma síndrome da Giovanna possam se tratar. A hemimelia fibular exige muitas cirurgias de correção e alongamento ósseo, procedimentos caros que o sistema público de saúde no Brasil não consegue bancar para todos. .
A renda do livro "Sou a mãe dela" vai para crianças que precisam de muita ajuda, de muitas cirurgias para caminhar. OLHA
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Quando você luta por quase duas décadas para que sua filha possa andar com autonomia, você enxerga o valor imenso que cada passo tem. E nossos passos agora nos levam na direção de outras crianças com hemimelia. Estamos de mãos estendidas e braços abertos.
Olha só!: Qual seria a mensagem que você deixaria para os aprendizes de língua portuguesa que têm interesse em ler o seu livro? Por que eles deveriam considerar a leitura do seu livro? (Lembrando que os alunos do Programa de Português aqui na UT Austin podem pegar o livro emprestado na Biblioteca do Portuguese Flagship. Só precisam falar com a nossa coordenadora, Lindsey Jamieson).
Adriana Araújo: Costumo dizer que não escrevi esse livro; ele transbordou de mim. “Sou a mãe dela” é uma história de amor, de perseverança e coragem, escrito com as palavras mais sinceras que habitam meu coração. Será uma honra se alguns estudantes da Universidade do Texas escolherem tirar nosso livro da prateleira da biblioteca. Muito obrigada pela oportunidade dessa entrevista e um beijo muito carinhoso a todos vocês. OLHA
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Sabiá-laranjeira por Orlando Kelm