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LANÇAMENTOS + RESENHAS + SHOWS + MATÉRIAS + ENTREVISTAS

MAGAZINE

ANO II Nº56

ESSENCIAIS

3 REGISTROS DAS ENTRANHAS DO DOOM

ENNUI FUNERAL

ENTREVISTA FALLEN IDOL

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EDITORIAL

56

Nº MAR/2016

By October Doom Entertainemnt

A October Doom Magazine é resultado da parceria e cooperação de alguns grupos e iniciativas independentes, que trabalham em função de um Underground Brasileiro mais forte e completo, além de vários individuos anônimos que contribuem compartilhando e disseminando este trabalho. EDITOR CHEFE: Morgan Gonçalves COLABORADORES NESTA EDIÇÃO: Fabrício Campos | Cielinszka Wielewski | Bruno Braga | Fernando Martinez | Gustav Zombetero | Merlin Oliveira EDITOR DE ARTE:

Márcio Alvarenga noisejazz@gmail.com issuu.com/octoberdoomzine/ Facebook.com/OctoberDoomOfficial octoberdoom.bandcamp.com/ COLABORADORES:

Facebook.com/FuneralWedding

O

que é que nós fazemos aqui? Essa é uma pergunta que algumas pessoas já devem ter se feito em algum momento deste a primeira vez que viram a October Doom Magazine. Apesar do nome, e exaltar o gênero em todas as oportunidades possíveis, nossa revista não consiste em uma publicação voltada somente para o Doom Metal. Na verdade, ela é a maneira que encontramos para divulgar, compartilhar e aproximar tudo e todos que sentem esse amor pela música obscura, mesmo que esta música seja tão oculta e até marginalizada perante outras mídias do Rock e Metal. Aqui, O Doom é quem abre espaço para nossos irmãos do Black, Death, Shoegaze, Post Rock, Post Metal e vários outros gêneros e definidos e indefinidos que compartilham das mesmas dificuldades que nós. Por isso, não se assuste se hora ou outra, uma banda de outro gênero aparecer entre as páginas da nossa Revista, pois se ela ocupar qualquer espaço nesta publicação, é porque pensamos nos nossos leitores e acreditamos que este trabalho pode lhes acrescentar boas experiências sonoras, afinal de contas, esta é a ideia principal da October Doom Magazine: Conhecer e compartilhar este conhecimento com aqueles que caminham conosco. Preparamos uma edição cheia de conteúdo, variedade e informação para vocês, e esperamos que todos aproveitem e compartilhem todos os conteúdos que vocês estão prestes a ler.

Aqui, O Doom é quem abre espaço para nossos irmãos.”

Boa leitura Facebook.com/murro.org MORGAN GONÇALVES CONTATO:

contato@octoberdoom.com

Facebook.com/morgan.goncalves.1 EDITOR CHEFE


SUMÁRIO

32 ENTREVISTA

ALEXANDRE W. ANTUNES DO LACHRIMATORY

26 ENTREVISTA

HUMBERTO ZAMBRIN

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ESSENCIAIS

FUNERAL DOOM

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RESENHA DO DEBUT ÁLBUM DO ENNUI

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ENTREVISTA FALLEN IDOL

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ENTREVISTA GOVERNATOR INSANE

DIVISION HELL UBOUR TATARA, VOCAL E GUITARRA


ENTREVISTA UBOUR TATARA VOCAL/GUITARRA - DIVISION HELL

QUANDO O METAL ESTÁ NA ALMA A BANDA FORMADA EM 2010, EM CURITIBA, QUE LANÇOU RECENTEMENTE SEU ÁLBUM BLEEDING HATE, EM ENTREVISTA EXCLUSIVA PARA A OCTOBER DOOM MAGAZINE 6


O POR Raphael Arizio

Division Hell segue a tradição do Sul do país de revelar grandes nomes do som extremo underground. A banda lançou um disco maravilhoso “Bleeding Hate”, que vêm figurando entre os melhores do ano pelo público e crítica. Vamos ver o que eles nos têm a dizer sobre a repercussão desse disco e sobre os planos futuros da banda. OD | A

Temos tido boa resposta do publico e critica. Mas sabemos que temos muito a melhorar, e não deixamos as boas criticas subirem a cabeça e ficarmos na zona de conforto.” Ubour Tatara, VOCAL/GUITARRA - DIVISIONHELL facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA UBOUR TATARA VOCAL/GUITARRA - DIVISIONHELL

RAPHAEL ARIZIO : COMO ESTÃO SENDO OS SHOWS DA TOUR DO “BLEEDING HATE”? COMO TEM SIDO A RESPOSTA DO PÚBLICO AOS SONS DO DISCO AO VIVO? UBOUR TATARA: Esta sendo incrível!

Shows com bom público, e a galera tem curtido, interagido e comprado o Cd e merchandising da banda! Não é fácil conseguir shows, mas todos que estão pintando estamos encarando com maior profissionalismo possível.

DEPOIS DE ALGUNS MESES DE SE LANÇAMENTO COMO ESTÁ SENDO A REPERCUSSÃO DO DISCO NOVO PERANTE O PÚBLICO E CRÍTICA? UT: Temos tido boa resposta do publico e critica. Mas sabemos que temos muito a melhorar, e não deixamos as boas criticas subirem a cabeça e ficarmos na zona de conforto, sempre discutimos como melhorar as coisas para o Division. 8

A BANDA LANÇOU UM CLIPE PARA A FAIXA “BLEEDING HATE” ANTES DO LANÇAMENTO DO DISCO, COMO TEM SIDO A RESPOSTA PARA ELE, A BANDA PRETENDE LANÇAR MAIS ALGUM VÍDEO DE DIVULGAÇÃO? UT: O clipe foi muito foda, foi uma experiência muito legal passar o dia gravando, e tocando repetidas vezes a música! A resposta foi bem positiva, ficamos bem satisfeitos com o resultado final. E sim, já estamos pensando num novo clipe, quem sabe para o final do primeiro semestre.

O DIVISION HELL ABRIU O SHOW DO LENDÁRIO VADER, COMO FOI A EXPERIÊNCIA DE TOCAR COM UM DOS EXPOENTES DO ESTILO? UT: Foi do caralho! Um bom público, casa legal, bons equipamentos. E ver os caras arregaçarem ao vivo foi animal também! Sempre é válido

BLEEDING HATE

2014

abrir para grandes nomes, porque alcançamos um público que normalmente não alcançaríamos em shows menores. Obvio que tem o estresse de ser a banda de abertura, mas isso vem com o pacote!


FICHA ORIGEM

Curitiba, Paraná

GÊNERO

Metal, Death Metal

CURRENT MEMBERS Ubour

Vocal e Guitara

Renato Rieche Guitarra

Hernan Borges Baixo

Eduardo Olivera Bateria

INTEGRANTES: Ubour: Vocal e Guitara, Renato Rieche: Guitarra, Hernan Borges: Baixo, Eduardo Olivera: Bateria.

MUITOS CRÍTICOS E FÃS COLOCARAM “BLEEDING HATE” COMO UM DOS MELHORES DISCOS DO ANO EM SUAS LISTAS, COMO A BANDA RECEBEU ESSA NOTÍCIA? UT: Cara ficamos muito felizes em

ver vários sites, críticos, jornalistas colocarem o Bleeding Hate com um dos melhores Cd’s de 2015! É o resultado de um intenso trampo, de quase três anos, e saber que as pessoas curitram, e o colocam nesse patamar é incrível! Uma honra!

O SUL DO BRASIL TEM REVELADO AO LONGO DOS ANOS INÚMERAS BANDAS DE METAL EXTREMO, ALGUMAS COM FAMA INTERNACIONAL COMO KRISIUN. QUAL É O SEGREDO DE TANTAS BANDAS EXTREMAS DE QUALIDADE SURGIREM DO SUL DO PAÍS? UT: Não acho que o Sul tenha algo especial, ou algum segredo. Aqui

no Sul temos bandas fodas assim como temos no Nordeste, Sudeste, e em todo o Brasil. O que falta é uma valorização geral para com as bandas. Mas isso é um processo lento, pois o Brasil não é um país que tenha uma cultura para Metal em geral.

APESAR DE AINDA ESTAR EM TOUR DE LANÇAMENTO SE SEU MAIS RECENTE DISCO A BANDA JÁ TEM ALGUNS SONS NOVOS OU JÁ TEM A IDEIA DE COMPOR UM NOVO DISCO? UT: Temos sim várias ideias para novas músicas. Agora em março começamos a focar um pouco nisso, pois é um mês que não teremos show. Gostaríamos de lançar outro Full length até julho/2017. Mas vamos ver como vão rolar as coisas. O som da banda resgata um Death Metal mais puxado para os anos 90 em contrapartida de muitas bandas que puxam mais para os anos 80. OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA UBOUR TATARA VOCAL/GUITARRA - DIVISIONHELL

QUAIS SÃO AS INFLUÊNCIAS DA BANDA PARA COMPOR O SOM DO DIVISION HELL? UT: Eu comecei a tocar nos anos 90, formei minha primeira banda em 1994, então curto muito o Metal produzido nesta década. Acho que o Death Metal nos anos 90 se consolidou como um estilo forte, que veio para ficar, e realmente isso aconteceu, tivemos grandes lançamentos nos anos 90, discos importantíssimos para o estilo. Temos muitas influências cara, mas acho que algumas mais latentes são Morbid Angel, Deicide, Krisiun, Malevolent Creation, Slayer, Pantera, uma fase do Dream Theater, Hypocrisy, Dimmu Borgir, Gorefest, e por ai vai...

O DIVISION HELL APRESENTA UM SOM MUITO PESADO E RÁPIDO, MAS AO MESMO TEMPO MUITO BEM TRABALHADO E BEM TÉCNICO. COMO É FORMA DE COMPOSIÇÃO DA BANDA? E COMO FAZEM PARA DOSAR ESSA PARTE DE TÉCNICA E PESO SEM SOAR DATADO. UT: Normalmente eu componho os riffs sozinhos, e depois levo para o estúdio e junto com o Eduardo (batera), lapidamos e damos corpo à música. O Renato Rieche (guitar10

rista) também faz da mesma forma. Estamos pensando em mudar um pouco isso para o segundo disco, tipo compor mais juntos, principalmente as cordas, pois o Hernan (baixista) tem outras influências, o que pode resultar num som com mais identidade. Em relação ao som, não ficamos pirando muito se vai soar técnico, pesado, rápido, apenas fazemos os riffs, e se gostarmos, eles ficam. Temos a felicidade de algumas pessoas gostarem também, e apoiarem o som do Division!

ESPAÇO PARA CONSIDERAÇÕES FINAIS E AGRADECIMENTOS UT: Agradeço em nome do Division o espaço cedido, sem isso o caminho seria muito mais difícil! Agradeço a Black Legion pelo suporte. E quero agradecer imensamente aos nossos amigos Headbangers de todo Brasil, que curtem nosso trabalho, compram materiais, comparecem aos shows, e apoiam como podem o Division Hell. Vocês são fodas! Agradecemos a todas rádios, web rádios, sites, blogs, revistas e todos os meios que resenharam nosso disco, ou simplesmente colocaram uma nota. Tudo isso faz parte do quebra cabeças do Underground. HAIL DEATH METAL! OD | A

Não ficamos pirando muito se vai soar técnico, pesado, rápido, apenas fazemos os riffs, e se gostarmos, eles ficam.” Ubour Tatara, VOCAL/GUITARRA - DIVISIONHELL

LINKS www.facebook.com/DivisionHellBrazil


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ENTREVISTA MERLIN OLIVEIRA GUITAR - GOVERNATOR INSANE

GOVERNATOR INSANE E A FORÇA DO STONER MINEIRO POR Morgan Gonçalves

U

m bate papo com um grande amigo, que além de movimentar a cena, liderando o MURRO, ainda encontra espaço para tocar em três bandas de BH. Merlin Oliveira, que lançou o primeiro Full da sua banda Governator Insane, Youth.

MORGAN GONÇALVES: A BANDA NASCEU NO ANO DE 2012, EM BELO HORIZONTE, E NA ÉPOCA, A CANA NÃO TINHA TANTA EXPOSIÇÃO COMO TEM HOJE. COMO FORAM OS PRIMEIROS MOMENTOS ATÉ A GOVERNATOR INSANE ESTABILIZAR SUA FORMAÇÃO? MERLIN OLIVEIRA: Cara, quando a Governator Insane começou éramos eu, Lucas Lacerda, que foi o cara que começou o projeto comigo, Aldrin Salles, que hoje toca na KKFOS e Felipe Bianco. Pouco tempo depois o Lucas teve que sair da banda, abrindo espaço pro Ernane Maga12

lhães, que também não durou muito. Acabamos gravando nosso primeiro EP como um trio, eu, Aldrin e Felipe. Na época de lançamento recrutamos o Rodrigo Salles pra segunda guitarra. Hoje, lançando o YOUTH, apenas o Rodrigo sobrou dessa formação, que teve também acréscimo do Rodrigo Reinke e do Jon Alberth. Tamo juntos há quase um ano nessa nova formação e eu acredito que é a melhor fase da banda! OD | A


FICHA ORIGEM

Belo Horizonte, Minas Gerais

Tamo juntos há quase um ano nessa nova formação e eu acredito que é a melhor fase da banda! ” Merlin Oliveira, VOCAL/GUITARRA GOVERNATOR INSANE

GÊNERO

Stoner Metal

CURRENT MEMBERS Merlin Oliveira Guitarra/Vocal

Rodrigo Salles Guitarra

Rodrigo Reinke

Baixo/Vocal

Jon Alberth Bateria

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ENTREVISTA MERLIN OLIVEIRA GUITAR - GOVERNATOR INSANE

E NAQUELE NÃO TÃO DISTANTE 2012, COMO ERAM AS OPORTUNIDADES PARA AS BANDAS DO UNDERGROUND MINEIRO? MO: Cara, naquela época tudo era

muito escasso! Eu acabei começando a me envolver com produção por causa disso, porque senti a necessidade de fazer as coisas acontecerem pra colocar a minha própria banda pra tocar. No mais, a gente fazia muitos shows no interior, principalmente na zona da mata, em cidades como Ervália, Muriaé, Tombos e Rio Pomba.

O PRIMEIRO EP QUE VOCÊ CITOU, N!, FOI LIBERADO EM 2014, E CONTINHA SEIS FAIXAS. COMO FOI A PRESSÃO DO PÚBLICO SOBRE ESSE PRIMEIRO REGISTRO DA BANDA? MO: É difícil falar de forma con-

clusiva sobre como foi a pressão naquela época, da mesma forma que é difícil falar sobre a recepção. Até então, nós praticamente não conhecíamos bandas do mesmo estilo e pessoas que curtiam esse nicho mais “stoner”. Já tínhamos alguma base de fãs, mas nada muito específico,

GOVERNATOR INSANE no Lançamento do álbum Youth

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então acredito que os resultados foram um pouco menores do que poderiam ter sido se tivéssemos mais estrutura e estratégias de comunicação. De qualquer maneira houve alguma pressão aqui em Belo Horizonte e a recepção foi boa, dentro do que era possível.

A BANDA COMPARTILHOU PALCO COM VÁRIAS BANDAS E EM VÁRIOS FESTIVAIS DO CENÁRIO BRASILEIRO. COMO ESSA EXPERIÊNCIA COLABOROU PARA O CRESCIMENTO DA GOVERNATOR INSANE?


Eu acabei começando a me envolver com produção porque senti a necessidade de fazer as coisas acontecerem pra colocar a minha própria banda pra tocar.” Merlin Oliveira, VOCAL/GUITARRA - GOVERNATOR INSANE

MO: Talvez isso tenha sido o fator decisivo para a banda. Ter tocado com bandas que éramos fãs de longa data nos deu muita energia e vontade de fazer acontecer. Falando também de forma mais pessoal, foi uma das coisas que me colocou no ramo de produção, porque foi um dos momentos em que eu desenvolvi vários contatos e conheci muita gente que tinha os mesmos objetivos que eu.

EM 2015, COM O SURGIMENTO DO MURRO, TIVEMOS A IMPRESSÃO DE CRESCIMENTO DA CENA MINEIRA, SEJA DE BANDAS JÁ EXISTENTES, QUE ENCONTRARAM NO COLETIVO, MAIS UM APOIO PARA SEGUIR NESSA CAMINHADA, SEJA DE BANDAS NOVAS, QUE ENCONTRARAM EM BANDAS LOCAIS, INSPIRAÇÃO PRA FAZER O QUE SEMPRE QUISERAM. O MURRO CONTRIBUIU DE ALGUMA FORMA PARA A BANDA?

MOVIMENTO UNDERGROUND ROCK’N’ROLL

RESULTADO DA UNIÃO DAS BANDAS QUE CORREM ATRÁS DENTRO DO CENÁRIO UNDERGROUND MINEIRO

MO: Com certeza! Quando o MURRO

começou a se organizar a banda estava passando por um período OD | A

http://murro.org/ https://www.facebook.com/murro.org/ https://twitter.com/MoviDoMurro

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ENTREVISTA MERLIN OLIVEIRA GUITAR - GOVERNATOR INSANE

de reformulação. Isso foi um dos fatores que nos manteve ativos e presentes, mesmo que distantes, na cena de BH. A maioria dos nossos shows no último ano foram em eventos do MURRO e foi a partir do grupo que criamos alguns dos contatos mais importantes pra gente no momento.

O NOVO ÁLBUM DA BANDA, YOUTH, POSSUÍ OITO FAIXAS FORTES E COM UMA PEGADA ACELERADA. HÁ UM CONCEITO POR TRÁS DAS LETRAS DO DISCO OU SÃO PENSAMENTOS DESCONEXOS? MO: Pro Youth nós escolhemos fai-

xas que tratassem de temas mais ligados às frustrações e decepções da nossa juventude. Sendo assim, há músicas que falam sobre relacionamentos, drogas, incertezas quanto ao futuro, desequilíbrio emocional, raiva, insônia, dúvidas e várias outras temáticas pertinentes. A escolha das oito faixas, assim como a ordem das mesmas, foi uma coisa discutida durante muito tempo pra construir essa mensagem que queríamos passar.

AINDA FALANDO DE YOUTH, O ÁLBUM FOI GRAVADO NO ESTÚDIO DA DESERTO 16

ELÉTRICO E EDITADO POR FABIO MAZZEU. COMO FOI ESSE PROCESSO DE PRÉ-PRODUÇÃO E GRAVAÇÃO DO DISCO? MO: Foi muito bom gravar com o Fábio, que também participa tocando guitarra em Lies and Crimes e Clear Sky of Paradise. A gente se sentiu muito a vontade para adaptar ideias antigas e criar coisas novas de última hora. Foi tudo muito tranquilo, porque a gente sabia que nossas músicas estavam na mão de um amigo que podíamos confiar.

E QUANTO À ARTE DA CAPA, UMA DAS MAIS BONITAS QUE JÁ VI. DE ONDE VEM AQUELA ARTE, E O QUE ELA DEVE TRANSMITIR? MO: A arte do disco é do Rafael

Panegalli, um puta artista de Santa Catarina que comprou a nossa ideia e entendeu perfeitamente a ideia que queríamos transmitir. O conceito da arte é justamente um apanhado de todas essas frustrações e decepções juvenis, levando à impulsividade que por sua vez causa o desastre. A capa sintetiza bem a obra como um todo e com certeza é um grande diferencial, que chama muita atenção ao nosso trabalho.

NO ÚLTIMO DIA 27 A BANDA LANÇOU O ÁLBUM NO SHOW COM ZONBIZARRO, TEMPO PLASTICO E FODASTIC BRENFERS. COMO FOI ESSA APRESENTAÇÃO? MO: O show foi incrível e a respos-

ta do público presente foi muito boa. Foi ótimo ter a companhia de grandes amigos e companheiros de MURRO, que só deixaram o evento mais do caralho. Tivemos o privilégio de contar com a participação do Fábio Mazzeu tocando guitarra em Lies and Crimes e Clear Sky of Paradise e da Kell Reis, do Sacrificed, cantando Lies and Crimes. Tocamos o álbum na integra e quem presenciou com certeza ficou tentado a ouvir o disco completo.

COM O LANÇAMENTO DO NOVO ÁLBUM, A GOVERNATOR TEM ALGUMA TURNÊ FORA DE MINAS GERAIS NOS PLANOS? MO: Por enquanto nada certo, mas

com certeza queremos rodar um pouco agora e mostrar nosso novo trabalho por aí. Queremos também dividir palco com várias bandas que gostamos e amigos de longa data que estão espalhados por todo o país. Planejamos também lançar


mais material, como um clipe de uma das músicas do disco e registros de shows que fizermos no futuro. Vem coisa boa, com certeza!

E NAS NOSSAS CONSIDERAÇÕES FINAIS, VOCÊ E TODA A BANDA PODEM DEIXAR AQUELA MENSAGEM PROS FÃS DA GOVERNATOR INSANE: MO: Valeu demais, Morgan e todo o

pessoal da October Doom por abrir esse espaço tão importante à quem trabalha no Underground. Com certeza a realidade de quem toca e trabalha com esse tipo de som, mais pesado e torto, não é fácil, mas acreditamos que o cenário tem mudado e se continuarmos com o esforço e o coletivismo muita coisa boa vai rolar! Valeu! OD | A

YOUTH 2016

LINKS https://www.facebook.com/GovernatorInsane https://soundcloud.com/governatorinsane

PRIMEIRO ÁLBUM DO GOVERNATOR INSANE facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA MÁRCIO SILVA BAIXO - FALLEN IDOL

QUANDO OS IDOLOS CAÍDOS REINAM 18


FICHA POR Fabricio Campos

ORIGEM

Arujá, São Paulo

GÊNERO

Doom Metal, Heavy Metal

CURRENT MEMBERS Rodrigo Sitta

Guitarra, Vocal

Márcio Silva Baixo e Guitarra

Ulisses Campos Bateria

F

allen Idol nasceu do panteão dos ídolos caídos do doom metal nacional. Banda formada em 2012, na cidade de Arujá/SP. A banda que tem grande influência nos ídolos dos anos 80 e 90 em especial Black Sabbath emana forte influência sobre a banda. Som da banda carrega aquelas guitarras nostálgicas e carregadas dos anos 90 remontando os primórdios do Paradise Lost. A banda atualmente tem um cd lançado em 2015 que carrega o mesmo nome que a banda. Direto do submundo dos ídolos caídos, Fallen Idol no ODZ.

FABRICIO CAMPOS: NAS MINHAS ENTREVISTAS SEMPRE GOSTO DE PERGUNTAR SOBRE AS INFLUÊNCIAS DE CADA BANDA E COMO ELAS AFETARAM O TRABALHO DESSAS BANDAS. GOSTARIA DE SABER QUAIS SÃO AS INFLUÊNCIAS DO FALLEN IDOL? MÁRCIO SILVA: Nossa maior in-

fluência como banda sempre foi e sempre será o Black Sabbath, o que é comum entre as bandas que tocam esse estilo. E também nomes como Candlemass, Cathedral, Cirith Ungol, Paradise Lost, Trouble, Celtic Frost, Iron Maiden, Manowar, Rainbow, Dust e várias outras. Gostamos mesmo dos riff masters como Tony Iommi, Leif Edling, Tom Warrior, Jerry Fogle do Cirith Ungol, entre outros. OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA MÁRCIO SILVA BAIXO - FALLEN IDOL

COMO SURGIU O FALLEN IDOL? O QUE AS LETRAS DA BANDA RETRATAM? E QUAIS AS PRINCIPAIS DIFICULDADES ENCONTRADAS PELA A BANDA? MS: A banda surgiu da nossa amizade, que vem desde quando éramos moleques que moravam no mesmo bairro, frequentavam a mesma escola e começaram a curtir metal juntos, no início dos anos 1990. Por volta de 1995, formamos nossa primeira banda, que batizamos como Anno Mundi. Todos temos origens simples, de modo que era difícil o acesso a instrumentos e o que tínhamos eram violões. Foi assim que começamos a compor e aprender a tocar, nessa ordem. Tínhamos muitas músicas e muitos planos, mas essa banda acabou não saindo do papel, infelizmente. Cada um foi fazer o que devia fazer da vida e o projeto foi engavetado. Ainda assim, fizemos questão de gravar a música The Forgotten Page no primeiro CD, escrita em 1997 e só agora finalizada com solos e tudo, como forma de re-

lembrar aqueles primeiros dias. As letras podem falar basicamente sobre qualquer assunto, sem qualquer tipo de amarra ou limitação. No primeiro disco os assuntos abordados eram voltados a temas mais obscuros como loucura, suicídio, solidão. Para o próximo disco, abordamos assuntos mais variados, como aborto, drogas, guerras. Basicamente escrevemos sobre coisas que nos afetam no dia a dia.

O PRIMEIRO TRABALHO DO FALLEN IDOL HOMÔNIMO, FOI LANÇADO EM JANEIRO DE 2015. COMO FOI O PROCESSO DE GRAVAÇÃO DO ÁLBUM? QUAL FOI A RECEPÇÃO DELE NO PAÍS? MS: Nosso primeiro trabalho foi feito de forma bastante despretensiosa, uma vez que nossa vontade era somente registrar o que valia a pena ser registrado do material que fizemos quando começamos o Anno Mundi. Era algo que faríamos para nós mesmos e, se mais alguém curtisse seria lucro. O legal é que muita gente gostou e é por isso que estamos conversando agora.

Nosso primeiro trabalho foi feito de forma bastante despretensiosa, uma vez que nossa vontade era somente registrar o que valia a pena ser registrado do material que fizemos quando começamos o Anno Mundi.” Márcio Silva, BAIXO - FALLEN IDOL

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facebook.com/OctoberDoomEntertainment/

octoberdoom.bandcamp.com/


ARTE DA CAPA do primeiro registro do Fallen Idol

Sobre o processo em si, foi no final de 2012 que resolvemos encarar o projeto e começamos a ensaiar para reunir material para a gravação, fechando naquelas sete faixas. Gravamos em 2014 no Estúdio Mamute, do Paulo Abreu, um grande amigo que nos ajudou bastante e que chegou a fazer um show conosco, tocando as bases. Postamos no Bandcamp e no Youtube e postamos em algumas comunidades do estilo no Facebook e a coisa foi se espalhando, ganhando elogios e curtidas de pessoas daqui e de países como Itália, França, Grécia e Polônia. Tivemos reviews bastante positivas, o que nos orgulhou muito e nos motivou a continuar, pois vimos que não era mais algo feito somente para nós.

A DOOMED BLOG FOR DOOMED PEOPLE

F.C: RECENTEMENTE A BANDA FOI INCLUÍDA NADA COMPILAÇÃO DA STONED UNION DOOMED INCLUINDO AS BANDAS: PANTANUM, DUNA, BRISA E CHAMA, BRAVE FACE THE DEVIL E I AM THE SUN ENTRE AS VÁRIAS BANDAS QUE FAZEM PARTE DO CAST. COMO OCORREU A INCLUSÃO DA MÚSICA "SCARECROW" NESSA COMPILAÇÃO? MS: Esse convite partiu do Gustav

Zombetero, que é um cara espetacular, que pirou no som da banda assim que lançamos o disco e já nos escalou para tocar no festival da SUD que ele costumava organizar. Como na época não tínhamos intenção de tocar ao vivo, OD | A

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FALLEN IDOL CONTRACAPA

2015

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ENTREVISTA MÁRCIO SILVA BAIXO - FALLEN IDOL

ficamos relutantes em aceitar, mas ele foi persistente. É um cara que sempre esteve do nosso lado, então aceitamos o convite imediatamente e regravamos a faixa Scarecrow especialmente para a coletânea. Esperamos que a galera ouça e compartilhe não só o Fallen Idol, mas todas as bandas participantes, pois foram escolhidas a dedo por alguém que ama Doom Metal e entende do riscado.

VOCÊ TOCOU NA BANDA ANNO MUNDI ENTRE OS MEADOS 1995 A 1999. AVALIANDO A CENA DOS ANOS 90 E A PARTIR DO ANO 2000 QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE A EVOLUÇÃO DO METAL E DO DOOM METAL NACIONAL DURANTE ESSE PERÍODO? E COMO É A CENA DE ARUJÁ/SP? MS: Começando pela cena de Arujá,

nos anos 90 éramos uns 20 ou 30 moleques entre 14 e 20 anos que se reuniam na praça do centro da cidade pra beber bebidas de origem nada confiável e tocar violão, bater papo, etc. O que rolava de vez em quando eram ensaios que viravam festas nas garagens dos amigos. Eventualmente íamos ver bandas e curtir som em cidades vizinhas como Guarulhos, Mogi das Cruzes e São Paulo. Hoje em dia eu não vivo mais lá, mas a principal mudança é que agora há bares com condições de abrigar shows de qualquer

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banda underground e a galera não precisa mais se reunir em praças. Recentemente tocamos lá, em um festival com Andralls e a banda polonesa de thrash metal Terrordome e até o RDP se apresentou por lá em 2015. Pena que me parece que tem menos fãs de metal agora do que havia antes. Sobre o Doom Metal, hoje em dia temos muito mais bandas do estilo do que naquela época e acho que isso ocorre com todos os estilos. São muitas bandas surgindo todos os dias e o fica até difícil acompanhar, mas hoje há ótimas bandas em atividade, como o Pesta, o Witching Altar, o Saturndust e o HellLight entre várias outras.

E SOBRE O FUTURO DA BANDA O QUE O FUTURO NÓS RESERVA? ALGUM ÁLBUM, DEMO OU EP NOVO? MS: Em 2016 teremos grandes novidades. Uma delas é a participação na coletânea da SUD, já citada anteriormente. Teremos o lançamento do nosso segundo CD, que já está em fase de mixagem e se chamará Seasons of Grief. Novamente são sete faixas e estamos muito animados com o material, mas ainda não há data prevista para o lançamento oficial. E fechamos uma promissora parceria com a Black Legion Productions, então teremos mais algumas novidades em breve.

Éramos uns 20 ou 30 moleques entre 14 e 20 anos que se reuniam pra beber bebidas de origem nada confiável e tocar violão, bater papo, etc.” Márcio Silva, BAIXO - FALLEN IDOL

NOVAMENTE AGRADEÇO A PARTICIPAÇÃO DA BANDA, GOSTARIA DE DEIXAR ALGUM RECADO PARA OS FÃS DA BANDA? MS: Gostaríamos de agradecer a cada um que nos ajudou de alguma forma, seja resenhando o material ou mesmo curtindo e indicando para os amigos. Pessoas como o Gustav da SUD, o Leandro do blog A Música Continua a Mesma, o ACM da Roadie Crew, o Markus Goulart do site Metal-Maniac, o Vitor do blog Arte Metal e o próprio Morgan da ODZ são caras a quem temos muito a agradecer. E o nosso muito obrigado ao pessoal da ODZ pela entrevista! OD | A

LINKS https://www.facebook.com/fallenidoldoom/ https://fallenidol.bandcamp.com/releases


PROJETO GRテ:ICO DESIGN noisejazz@gmail.com

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COLUNA

https://www.facebook.com/FuneralWedding

http://www.funeralwedding.com/

O DEBUT ÁLBUM DO TRIO ENNUI

E POR Guilherme Rocha

u desconhecia totalmente o trabalho deste grupo oriundo da Georgia, país nada tradicional em revelar bandas de metal, não existe nenhum que eu consiga me lembrar de cabeça e se existe e não me recordo é porque a banda não deve ser tão boa quanto ENNUI. Desconhecendo a banda fui naturalmente procurar seus trabalhos anteriores para ter uma base e crítica com relação ao trabalho inteiro e as sobre as possíveis mudanças podem ter tomado. Não houve mudanças no

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grosso do som, mas um amadurecimento imenso entre The Last Way, que foi lançado em 2013 e seu mais recente trabalho que este sensacional Falsvs Anno Domini. O trabalho anterior também é muito bom, seguindo muito mais a linha Funeral Doom que este trabalho mais recente, por ser muito mais pesado, mais grave, enquanto que Falsvs Anno Domini é um trabalho muito mais atmosférico. Um fator importante que pode ter interferido nessa maturidade sonora pode ser a entrada do baterista Daniel Neagoe que é baterista de muitos outros grupos entre eles, Shape of Despair e Eye of Solitude. E a bateria certamente é um dos pontos fortes do grupo

FALSVS ANNO DOMINI ANO 2015 SOLITUDE PROD

neste trabalho, principalmente pelos pedais duplos que são muito bem evidenciados em praticamente todas as faixas, executados de maneira certeira, muito bem encaixados seguidos de riffs marcantes, remetendo aos riffs cadenciados de Death Metal no estilo serrote hehe.


FICHA ORIGEM Tbilisi, Geórgia

GÊNERO

Funeral Doom, Death Metal

CURRENT MEMBERS David Unsaved Guitarra, vocal, Teclado

Serge Shengelia

Guitarra, vocal

Os vocais ficam por conta de David Unsaved proporcionando urros cavernosos e profundos que por sua vez também executa as guitarras e teclados assim como Serj Shengelia. Ao meu ver os trabalhos de guitarra aliados aos teclados evoluíram muito com relação ao álbum anterior, pois é nítido a presença de muito mais atmosfera e ambientações diversificadas entre as duas guitarras e o teclado, muito diferente das músicas antigas onde não existia tanta ramificação. Além de ser um dos melhores trabalhos de 2015 (uma

pena que só pude escuta-lo agora em 2016) queria elogiar também não só a arte do logo do grupo como também a capa de seus álbuns que também são muito bonitas e servem de complemento visual para o som amargo e triste da banda. Indicado a todos os fãs de Doom sem restrição a ninguém. Tristeza certa!

LINKS https://www.facebook.com/bandEnnui/ https://ennuidoom.bandcamp.com/

Daniel Neagoe Bateria, Baixo

TRACKLIST 1. Forbidden Life 2. The Apostasy 3. The Stones Of The Timeless 4. When Our Light Dies Forever 5. No Home Beneath The Stars 6. Falsvs Anno Domini

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA

HUMBERTO ZAMBRIN BATERIA/VOCAL - ATTRACTHA

ATTRACTHA: SUOR, SANGUE E HEAVY METAL 26

POR Morgan Gonçalves

A

ttractha foi formada em 2007, na capital paulista, quando Ricardo Oliveira (guitarra) e Humberto Zambrin (bateria) se juntaram para fazer um som fora dos rótulos convencionais. Foram diversas mudanças no line up e até uma parada de um ano, para que as ideias encontrassem seu lugar. Este ano a banda prepara um novo lançamento, e para os fãs da música pesada, uma entrevista bem completa com o quarteto Attractha!


FICHA MORGAN GONÇALVES: OLÁ, MEUS CAROS, SEJAM BEM-VINDOS NA NOSSA REVISTA. EM 2007, QUANDO VOCÊS DECIDIRAM FORMAR O ATTRACTHA, ERA PRA SER UM HOBBY OU VOCÊS JÁ PLANEJAVAM SEGUIR UM PERFIL PROFISSIONAL?

SE ENCAIXASSE NA PROPOSTA DA BANDA, E ISSO GEROU EM 2011, UMA PARADA NAS ATIVIDADES. COMO VOCÊS LIDAVAM COM ESSAS DIFICULDADES, E MAIS IMPORTANTE, COMO AS SUPERARAM E VOLTARAM COM NO ANO SEGUINTE?

HUMBERTO ZAMBRIN: Olá Morgan!!

HZ: Encontrar as pessoas corre-

Obrigado pelo espaço! Sim, quando começamos, lá em 2007, com as primeiras idéias sobre a banda a intenção sempre foi fazer o trabalho da forma mais profissional possível. Como não vivemos da banda, a tendência é que as pessoas pensem que tratamos como hobby, mas sempre colocamos na banda o mesmo empenho que qualquer profissional colocaria.

A BANDA TEM UMA SONORIDADE BEM PRÓXIMA DOS CLÁSSICOS DO HEAVY METAL, MAS PRA VOCÊS, QUAIS AS PRINCIPAIS INFLUÊNCIAS DO ATTRACTHA? HZ: Acho que podemos dizer que

o resultado final é a combinação das diversas influencias de cada um, e nesse ponto somos bastante divergentes! (risos). Mas atualmente temos buscado um direcionamento comum nos baseando nas bandas mais modernas que também trazem os elementos básicos do bom e velho Heavy Metal. Podemos destacar aqui o Stone Sour, o Adrenaline Mob, o Almah, entre outras bandas.

VOCÊS DEMORARAM A ENCONTRAR UM VOCALISTA QUE

tas para uma banda é sempre um desafio aqui no Brasil. Mas hoje, quando olho para essa época, acho que os principais fatores eram que a banda estava começando do “zero" e sendo assim é muito difícil achar pessoas que queiram entrar no projeto e trabalhar duro, por que o começo é bem assim, você não tem nada e tem q construir toda a base. Outro fator é que nós estávamos meio que “fora" do circuito do Metal Underground, portanto nossa rede de contatos era muito pequena, dificultando ainda mais achar as pessoas certas. Ficamos anos, literalmente, procurando cantores via anuncios de internet e te digo, é um desastre! Aparecia cada “figura" que você nem pode imaginar. Depois de tanto tempo procurando, eu meio que desisti, achei que seria impossível. A volta foi interessante porque ao mesmo tempo que o Ricardo me procurou para retomarmos, um vocalista, que havia nos contactado no passado, (o Marcos) fez contato novamente comigo querendo desenvolver o trabalho. Daí o trabalho evoluiu rapidamente, pois todos estavam focados nisso. Eu definiria isso tudo como sorte, ou destino, sei lá… OD | A

ORIGEM

São Paulo, SP

GÊNERO

Heavy/Death Metal

CURRENT MEMBERS Cleber Krichinak Vocal

Ricardo Oliveira

Guitarra & vocal

Guilherme Momesso Baixo

Humberto Zambrin

Bateria e vocal

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA HUMBERTO ZAMBRIN BATERIA/VOCAL - ATTRACTHA

EM 2012, COM UMA FORMAÇÃO ESTÁVEL, LANÇARAM O PRIMEIRO SINGLE “DARKNESS”, QUE SIMBOLIZAVA O INÍCIO DE UMA NOVA FASE. HÁ DIFERENÇAS ENTRE IDEIA ORIGINAL PARA O ATTRACTHA E O RESULTADO DO PRIMEIRO REGISTRO DA BANDA?

COM A CONTINUIDADE DO TRABALHO, O EP “ENGRAVED” FOI LANÇADO EM 2013, E APRESENTOU A BANDA PARA DIVERSOS CANAIS DA MÍDIA ESPECIALIZADA DENTRO E FORA DO BRASIL. COMO VOCÊS AVALIAM A ACEITAÇÃO DO DISCO?

HZ: Olha, eu acho que não. Na época houve mesmo surpresa! (risos). Quando fechamos a gravação e ouvimos tudo pela primeira vez, tivemos aquele momento: “Ah, é assim então que ficou nosso som!!”. Depois de anos tocando as coisas em ensaios, ouvir o material gravado foi muito gratificante.

HZ: Melhor do que esperávamos! Essa pergunta é boa, por que o Engraved nasceu com a intenção de ser uma “demo" para procurar vocalistas, mas as coisas foram ficando tão boas que acabou virando um EP. E isso se confirmou nas críticas positivas que recebemos de vários lugares do mundo.

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EM MARÇO DE 2014 O CLIPE DA MÚSICA “THE CHOICE” FOI LANÇADO. COMO FOI PRA VOCÊS, A EXPERIÊNCIA DESSE TRABALHO, QUE JÁ TEM MAIS DE 14 MIL VISUALIZAÇÕES? HZ: Bom, como quase tudo na nossa história, isso também aconteceu por acaso. Nunca havíamos pensado em fazer um clipe de uma musica de um EP. Não me parecia uma boa opção…mas os sites fora do Brasil começaram a escrever nas resenhas positivamente sobre a banda e colocar notas de que não havia material em video ainda disponível. Isso nos alertou para o “mundo moderno” virtual e suas


ATTRACTHA É Cleber Krichinak (Vocal), Ricardo Oliveira (Guitarra & vocal), Guilherme Momesso (Baixo), Humberto Zambrin (Bateria e vocal)

necessidades. Daí tentamos fazer o melhor possível com um orçamento apertado. No final, eu gosto bastante do clipe, aprendemos muita coisa fazendo e acredito que um próximo vídeo vai ser mais bacana ainda.

EM 2014, MARCOS DE CANHA, VOCAL DO PRIMEIRO REGISTRO, DEIXOU O ATTRACTHA E O PLANO DE LANÇAR O DISCO DEU LUGAR ÀS AUDIÇÕES QUE TROUXE CLEBER KRICHINAK. O NOVO VOCALISTA TROUXE NOVOS ELEMENTOS PARA A SONORIDADE? HZ: Sem dúvidas!! Acho que o primeiro ponto sobre isso é esclare-

cer que quando iniciamos a busca por um novo cantor, tínhamos em mente que queríamos algo diferente do que o Marcos fazia. Não por questões técnicas, nem nada, mas simplesmente porque achamos que seria uma oportunidade de evolução e mudança no direcionamento musical. Durante o processo de composição das novas musicas, percebemos que a sonoridade estava ficando cada vez mais pesada então julgamos que um novo vocalista deveria ter um perfil que somasse nesse sentido. O Cleber trouxe exatamente esse peso e “punch" que estávamos querendo! OD | A

Depois de anos tocando as coisas em ensaios, ouvir o material gravado foi muito gratificante.” Humberto Zambrin , BATERIA/VOCAL - ATTRACTHA facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA HUMBERTO ZAMBRIN BATERIA/VOCAL - ATTRACTHA

EM 2015 O PRIMEIRO SINAL DO FULL VEIO ATRAVÉS DO SINGLE “UNMASKED FILES”, QUE TRAZ UM POUCO MAIS DE PESO QUE OS REGISTROS ANTERIORES. PODEMOS ESPERAR UM ÁLBUM TODO NESSA LINHA? HZ: Sim! Como mencionei, a sono-

ridade atual está mais madura que na época do Engraved e mais pesada. Obviamente estamos trazendo vários elementos que estão lá no primeiro trabalho, mas o intuito de ter liberado Unmasked Files muito antes do álbum era exatamente mostrar um pouco do que está por vir, apresentando o Cleber, obviamente.

JÁ QUE FALAMOS SOBRE O PRÓXIMO ÁLBUM, QUANDO IRÃO INICIAR AS GRAVAÇÕES? ALGUMA PREVISÃO PARA LANÇA-LO? HZ: Sim, muitas previsões e muitos planos! (risos). Estamos terminando de escrever as últimas musicas e gravar pequenas demos. A pré-produção começa em Abril e queremos lançar o álbum até Julho, máximo Agosto. Em breve iremos anunciar algumas coisas legais 30

com relação a isso, porque teremos um time “reforçado" trabalhando conosco nesse álbum!

O ATTRACTHA É DE SÃO PAULO, MAS HOJE ALCANÇA FÃS NO BRASIL TODO. QUE MENSAGEM VOCÊS GOSTARIAM DE MANDAR PRA ESSES FÃS E POSSÍVEIS FÃS QUE IRÃO CONHECER VOCÊS AQUI, PELA OCTOBER DOOM? HZ: Eu acho que a principal mensa-

gem não vale só para o Attractha, mas para o metal em geral no Brasil: precisamos que vocês todos ai, fãs do gênero, saiam de suas casas e participem do cenário musical das suas cidades. Nós temos excelentes bandas aqui, de todos os sub-gêneros de metal mas não há tanta participação dos bangers fisicamente como virtualmente. Compareçam a shows, mostrem as bandas que curtirem aos seus amigos e faça a força do Metal aumentar. Para conhecer mais nosso trabalho, eu sempre indico nosso site oficial: www.attractha. com. De lá vocês podem nos seguir em qualquer outra mídia social da internet, mas esperamos conhecer cada um de vocês, cara a cara, nos nossos shows!

FALLEN IDOL CONTRACAPA

2015

LINKS https://www.facebook.com/AttracthA http://www.twitter.com/attractha http://www.youtube.com/attractha

ENTÃO, MEUS CAROS, FOI UM GRANDE PRAZER CONHECER MELHOR O TRABALHO DE VOCÊS, E AGRADEÇO PELO TEMPO E ATENÇÃO DEDICADOS À NÓS. PARABÉNS E ESTOU ANSIOSO PELO FULL ÁLBUM. GRANDE ABRAÇO! HZ: Nós é que agradecemos o espaço, o carinho e o profissionalismo de todos da October Doom! Um forte abraço a todos e espero que nos encontremos em breve! OD | A


Precisamos que vocês todos ai, fãs do gênero, saiam de suas casas e participem do cenário musical das suas cidades. Nós temos excelentes bandas aqui, de todos os sub-gêneros de metal mas não há tanta participação dos bangers fisicamente como virtualmente. Humberto Zambrin , BATERIA/VOCAL - ATTRACTHA

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ENTREVISTA ALEXANDRE W. A. GUITARRA - LACHRIMATORY

LACHRIMATORY: DOOM METAL SEM LIMITES POR Cielinszka Wielewski

O

lá público leitor, tudo bem? Para essa edição da O.D.M. optei por entrevistar o Alexandre W. A., Gruitarrista do Lachrimatory. Para quem não conhece, a banda Curitibana merece com certeza sua menção na revista, por representar de forma bem original o Doom Metal no Sul do país. As músicas são bem características e ao ouvir, percebe-se o comprometimento que se tem com as composições e o som bem elaborado, com pitadas de Doom Atmosférico e Funeral Doom. Vale conferir o som dos caras! Boa leitura.

TRANSIENT

2011

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A banda iniciou-se em 1999 com o intuito de criar um som lento e atmosférico com influências de bandas do gênero.” Alexandre W. A., GUITARRA - LACHRIMATORY

CIELINSZKA WIELEWSKI: OLÁ ALEXANDRE, TUDO BEM? APRESENTE-SE AO PÚBLICO LEITOR. ALEXANDRE W. ANTUNES: Olá, me

chamo Alexandre W. A. Sou natural de Curitiba/PR e atualmente toco nas bandas Lachrimatory, Anmod (Death/Grind) e Deformed Slut (Brutal Death Metal).

O QUE VOCÊ TEM OUVIDO ULTIMAMENTE? AWA: No Gênero metal escuto um pouco de tudo, principalmente bandas de Death Metal e Doom metal. Fora do metal, gosto de ouvir música experimental e algo de industrial.

entrei no grupo. A banda, iniciou-se em 1999 com Jonathan Youssef (baixista) e o Tiago M. Alvarez (guitarrista), e tinha o intuito de criar um som lento e atmosférico com influências de bandas do gênero. Foi quando conheceram o Ávila Schultz (vocal/ teclado) e começaram a surgir as primeiras composições. Com a formação concluída na época e com outros integrantes, o Lachrimatory participou de uma série de shows pela cidade que resultou numa boa repercursão no cenário underground, com destaque para o evento Doom Metal Fest I com as bandas (Eternal Sorrow Lachrimatory e My Suffering) realizado em Curitiba-PR no dia 15/11/2003.

COMO COMEÇOU O LACHRIMATORY? CONTE-NOS A HISTÓRIA DA BANDA.

QUAL SHOW QUE MAIS MARCOU NA SUA OPINIÃO, A TRAJETÓRIA DO LACHRIMATORY? POR QUÊ?

AWA: Bom, eu não sou um dos membros formadores da banda. Na época em que conheci o Lachrimatory, eu tocava em outra banda de Doom Metal chamada Perpetual Solitude, que durou por volta de 2 anos (2002-2004). Lembro que eu já havia visto o Lachrimatory em alguns shows e já tinha me surpreendido pela qualidade sonora e composição das músicas. Foi quando em 2004 surgiu uma vaga de guitarrista no Lachrimatory e

AWA: Sem dúvida alguma, foi no River Rock Festival em Santa Catarina em 2005, onde aconteceu o primeiro show do Lachrimatory fora do Paraná e conquistamos um feedback muito bom do público presente. Nessa época a banda ganhou grande destaque em divulgação e quem não conhecia a banda, passou a conhecer em outras 2 apresentações que tocamos no mesmo festival (edições de 2006 e 2009). OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA ALEXANDRE W. A. GUITARRA - LACHRIMATORY

Destaco aqui esses outros dois momentos marcantes que para mim foram os melhores do Lachrimatory: 1. Em 2006, tocamos em um horário muito melhor do que em 2005 e lançamos o CD 'Anamnesic Voices Phenomena'. Me recordo que vendemos mais de 30 cópias após o nosso show. 2. 2009 foi uma das melhores apresentações do Lachrimatory ao vivo e no River Rock Festival, dividindo o palco com o Krisiun, além de muitas outras bandas da cena underground.

DESTAQUE CINCO ÁLBUNS DE DOOM METAL BRASILEIROS QUE MARCARAM SUA VIDA: AWA: Vou citar os que mais gosto e mais ouvi: - Eternal Sorrow - The Way Of Regret - Lugubrious Hymn - Serene Pain (Demo) - Pain Of Soul - Morpheus (Demo) - Silent Cry - Remembrance - Vulkro - Until the Umbral

QUAL SHOW DE DOOM METAL ASSISTIDO NO BRASIL QUE MAIS TE MARCOU? POR QUÊ?

AWA: O show que mais marcou com certeza foi o lançamento do CD 'Legacy' da banda Eternal Sorrow em Curitiba/PR juntamente com o Lachrimatory, em 2003.

VOCÊ FREQUENTOU ALGUNS SHOWS NO EXTERIOR. EM TERMOS DE PÚBLICO FREQUENTADOR, QUAIS DIFERENÇAS VOCÊ DESTACARIA? AWA: A diferença principal sem dú-

vida é o apoio do público às bandas underground, comprando material. No restante acredito que não muda muito ao compararmos o púbblico de lá com o público daqui.

O QUE PODEMOS ESPERAR DO LACHRIMATORY PARA O FUTURO? O QUE ESTÃO APRONTANDO? AWA: Atualmente estamos gra-

vando duas músicas, que pretendemos lançar e disponibilizar em nossos canais da web como um EP. Além disso temos muitas músicas novas, que já fazem parte do nosso repertório de shows e futuramente poderão ser gravadas no próximo álbum full do Lachrimatory. OD | A

OD | A

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A diferença principal sem dúvida é o apoio do público (frequentador de shows no exterior) às bandas underground, comprando material. ” Alexandre W. A., GUITARRA - LACHRIMATORY


FICHA ORIGEM

Curitiba, Paraná

GÊNERO

Death/Doom Metal

FORMAÇÃO ATUAL da esquerda para a direita: Jonathan Youssef (baixo), Tiago Alvarez (guitarra), Ávila Schultz (vocais e teclado), Michael Siegwarth (bateria), Alexandre W.A (guitarra)

LEGENDAS

Anamnesic Voices Phenomena (2006)

2

1

1

Show de Lançamento do CD 'Legacy' da banda Eternal Sorrow. (Curitiba 28-06-2003)

2

7° River Rock Festival (Indaial-SC 12, 13, 14 -08-2005)

3

Doom Metal Fest I (Curitiba 15-11-2003)

4

11°River Rock Festival (Indaial-SC 7,8,9 -08-2009)

LINKS www.facebook.com/lachrimatory

Sanity to Decrease

www.lachrimatory.com

Demo 2001-2002

3

4

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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contato@octoberdoom.com

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issuu.com/octoberdoomzine/

facebook.com/OctoberDoomOfficial


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ESSENCIAIS

OS MAIORES REGISTROS DO FUNERAL DOOM

E

POR Morgan Gonçalves

sta é a mais nova coluna da October Doom Magazine, inaugurada na última edição pelo nosso pelo nosso amigo Gustav Zombetero, que trouxe dois nomes imprescindíveis para o Doom Metal, Relentless e Pentagram, da banda Norte Americana. Neste segundo ato da Coluna Álbuns Essenciais, trago minha visão de essencialidade, relacionado ao Funeral Doom Metal. O Funeral Doom é uma das várias vertentes do Doom Metal, e traz na essência, longas e densas melodias onde os riffs costumam

SKEPTICISM ser pesados e desacelerados, assim como a bateria, em ritmo lento, semelhante às Marchas Fúnebres, de onde o nome do subgênero foi retirado. Vocais guturais normalmente fazem parte das obras, que transmitem sempre um peso imenso de agonia, desespero e toda a sorte de sentimentos obscuros e negativos, sendo um dos tipos de música mais soturno que eu conheço. O gênero foi expresso pela primeira vez no início dos anos 90, sob os pesados vocais de Niko Skorpio, da banda Finlandesa Thergothon, em Stream from the Heavens; Matti Tilaeus, da também Finlandesa Skepticism, em stormcrowfleet e Einar Andre Fredriksen, da Norueguesa Funeral, em Tragedies, e estes são os três magníficos, essenciais e pioneiros registros que desbravaram a música de forma que hoje o Brasil é celeiro de grandes bandas como HellLight, Lachrimatory, entre tantas outras. OD | A

STORMCROWFLEET ANO 1995

1 - Sign of a Storm 10’10’’ 2 - Pouring 08’45’’ 3 - By Silent Wings 07’03’’ 4 - The Rising of the Flames 11’28’’ 5 - The Gallant Crow 07’36’’ 6 - The Everdarkgreen 12’15’’

Além de ser um dos primeiros e mais importantes registros do Doom Metal, este também é o primeiro full álbum do Skepticism, lançado em 1995. O registro rende críticas impressionantes ainda hoje. A banda permanece em atividade, tendo lançado o disco Ordeal em setembro de 2015, porém, Stormcrowfleet foi gravado no livro dos melhores álbuns de todos os tempos.

LINK https://www.youtube.com/watch?v=lw11sJCwGqI

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Stream from the Heavens é dentre os três registros, o mais antigo. O Debut álbum do Thergothon, lançado em 1994 é por definição, o primeiro álbum completo composto sob os elementos do Funeral Doom, porém, em 1991, a banda já lançara sua primeira Demo, Fhtagn-nagh Yog-Sothoth,que seria portanto, o Primeiro registo de Funeral Doom Metal. Infelizmente a banda não gravou outros registros, porém, Stream from the Heavens desafia o tempo, apresentando-se como uma das maiores, se não a maior autoridade em Doom Metal.

LINK

THERGOTHON STREAM FROM THE HEAVENS ANO 1994

1 - Everlasting 06’07’’ 2 - Yet the Watchers Guard 08’56’’ 3 - The Unknown Kadath in the Cold Waste 03’49’’ 4 - Elemental 09’18’’ 5 - Who Rides the Astral Wings 07’56’’ 6 - Crying Blood / Crimson Snow 04’42’’

https://www.youtube.com/watch?v=sHeRrnn-Dbs

facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ESSENCIAIS

FUNERAL TRAGEDIES ANO 1995

1 - Taarene 12’25’’ 2 - Under Ebony Shades 13’32’’ 3 - Demise 08’43’’ 4 - When Nightfall Clasps 14’20’’ 5 - Moment in Black 09’39’’

LINK https://www.youtube.com/watch?v=4e4UxxVfKrs

Tragedies é o registro que fecha essa tríade de gigantes do Funeral Doom. O primeiro álbum da banda norueguesa Funeral foi lançado entre 94 e 95, porém, a banda já fazia Funeral Doom desde 1993, quando lançaram a Demo Tristesse. Estes primeiros registros da banda se diferenciam dos demais em dois aspectos: Devido, provavelmente, às suas raízes na cultura nórdica, as músicas, sobretudo do álbum Tragedies, possuem uma forte influência de músicas renascentistas. O vocal lírico de Toril Snyen, que rompe com a brutalidade do Gutural e leva ainda mais beleza e melancolia às músicas. Tragedies foi também minha primeira experiência com o Funeral Doom, há mais de 10 anos, e permanece pra mim, e para a maioria dos admiradores do gênero, como um dos melhores álbuns de Funeral Doom Metal de todos os Tempos. A banda Funeral continua em atividade, e seu último registro foi Oratorium, lançado em 2012, porém a banda hoje executa uma sonoridade mais relacionada com o Gothic Doom Metal. Para os interessados conhecer um pouco mais, um dos fundadores do Funeral, Anders Eek, é fundador da banda Fallen, que segue uma linha semelhante ao álbum Tragedies, e lançou uma coletânea em 2015.

Hoje, encontramos diversas bandas explorando o legado que esses três gigantes deixaram para o Doom Metal, quando apresentar essa sonoridade era muito mais difícil do que atualmente, e sem dúvidas, Skepticism, Thergothon e Funeral são dignas de toda admiração e respeito.

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Last News Toda semana um novo vídeo Acesse o canal e confira Apresentação Rafael Sade Produção Last Time Produções

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RESENHA

TEMPLO DA DESCRENÇA ANO 2015

INDEPENDENTE

DA CAPITAL FEDERAL, CALIGO POR Gustav Zombetero

C

aligo é um quinteto oriundo da capital brasileira, após algum tempo de banda, enfim os caras lançaram a sua 1ª demo intitulada “Templo da Descrença”. Uma junção de vários membros de outras bandas de Brasília, incluindo dos ITD que tiveram seu material resenhado aqui também. Os caras executam um Doom Metal cavernoso e maldito, com letras impetuosas sobre a existência humana, não é a toa que nesta demo foram incluídos trechos do nosso poeta Augusto dos Anjos. Após isso já é possível se nortear no tamanho azedume sonoro que invadirá a sua mente.

“A Dor” abre os trabalhos, a marretação de Marra, a guitarra saliente de Walisson, o baixo absurdo de Sandro e a voz selvagem de Fellipe te iniciam no atordoamento sonoro. A próxima faixa, “Ceifador”, é uma bela homenagem a nossa querida amiga Morte, neste momento é perceptível que os caras criaram a sua própria fórmula de fazer Doom Metal, pois não consigo relacionar o som deles com alguma outra banda. Lento e agonizante, uma perfeita harmonia pelo contexto! Inicia-se a faixa título, você sente o seu cérebro pulsando ao acompanhar as notas macabras, o baixo saliente desta faixa é o ponto alto. Uma execução em perfeita

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1 - A Dor 04’16’’ 2 - Ceifador 04’13’’ 3 - Templo da Descrença 03’57’’ 4 - Vítimas do Dualismo 03’42’’ 5 - Contradições 03’36’’

harmonia. O foda é não entender muito bem o que diabos Fellipe está berrado, mas tudo bem, já tô acostumado com isso. “Vitimas do Dualismo” é munida dum riff clássico, a faixa com uma vibe mais obscura, talvez... Fellipe assume uma voz mais gutural. “Contradições” é a derradeira, o que me faz pensar que esse play praticamente seguiu uma linha reta, aquela impressão que as faixas se interligam, são faixas curtas, bem diretas e sem firula. Uma demo que vale a pena ser apreciada!

LINKS https://caligodoom.bandcamp.com/

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October Doom Magazine Ed 56  

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