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ESPECIAL

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A HISTÓRIA DE COMO COMEÇOU A AVENTURA PELO MUNDO DA MÚSICA ARRASTADA

ANOS

ANO III

Nº65

TAMBÉM NESTA EDIÇÃO

MAGAZINE


OCTOBER DOOM ENTERTAINMENT & STONED UNION DOOMED

COLETÂNEA DA OCTOBER DOOM MAGAZINE, EM PARCERIA COM A STONED UNION DOOMED BANDAS QUE LANÇARAM ÁLBUNS OU EP'S A PARTIR DE JULHO DE 2016

#FeelTheDoom

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ESPECIAL

By October Doom Entertainemnt

65

JAN/2017

A OCTOBER DOOM MAGAZINE é resultado da parceria e cooperação de algumas pessoas e iniciativas, que trabalham em função de um Underground Brasileiro mais forte e completo, além de vários individuos anônimos que contribuem compartilhando e disseminando este trabalho.

EDITOR CHEFE: Morgan Gonçalves DIRETOR DE ARTE: Márcio Alvarenga (noisejazz@gmail.com) DIRETORA DE MARKETING E PUBLICIDADE: Jenny Souza CHEFE DE REVISÃO: André Nespoli TRADUTOR: Elyson Gums COLABORADORES: Amilton Jr: Redator (Monster Coyote e Black Witch) Aaron Pickford: Correspondente Inglaterra Billy Goate: Correspondente EUA Edi Fortini: Fotografia e Redação Erick Cruxen: Redator (Labirinto) Fábio Mazzeu: Redator (Lively Water) Fabrício Campos: Redator Gustav Zombetero: Redator (Stoned Union Doomed Leandro Vianna: Redator (A Música Continua a Mesma) Matheus Jacques: Redator (SUD e The Melting Stone) Merlin Oliveira: Redator (Governator Insane e Duna, Brisa e Chama Pedro Ferreira: Assistente de Arte Rafael Sade: Redator (HellLight e LastTime Produções) Raphael Arízio: Redator Roman Tamayo: Correspondente América Latinaw

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SUMÁRIO

06 ENTREVISTA

COM PETE STAHL, VOCALISTA DA BANDA

4


2 ANOS

COLUNA

34

28

48

R.I.P.

ALEAH STANBRIDGE 1976 2016

ESPECIAL

UM POUCO DA HISTÓRIA DA OCTOBER DOOM MAGAZINE

RESESENHA DO ALBUM

O BAIXISTA PARK CHANDLER CONVERSA COM A ODM

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4 PONTOS IMPORTANTES PARA UMA PRODUÇÃO EFICAZ

ENTREVISTA

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ENTREVISTA

THARSH DA CAPITAL FEDERAL

UMA CONVERSA COM O DUO VISCERAL

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RESENHAS SHOWS

ENTREVISTA

MATHEUS JACQUES CONTA COMO FOI O SHOW

RESENHAS

CANILIVE

52 56

CLAUSTROFOBIA

58

ABYSMAL GRIEF


ENTREVISTA PETE STAHL

2 ANOS

VOCAL

CONVERSA COM PETE STAHL, VOCALISTA DA GOATSNAKE E MANAGER DA RIVAL SONS NA DERRADEIRA TURNÊ DO BLACK SABBATH! 6


FICHA POR | Matheus Jacques

ORIGEM

Califórnia USA

GÊNERO

Stoner / Doom Metal

CURRENT MEMBERS

Pete Stahl Vocal Greg Anderson Guitarra Scott Renner Baixo Greg Rogers Bateria

Flower of Desease (2000)

Vol.1 (1999)

A

ntecedendo o show do Black Sabbath, uma troca de ideias com Pete Stahl, manager do Rival Sons na “The End - Tour e vocalista de bandas como a seminal Goatsnake Há algum tempo, estabeleci comunicação com Pete Stahl, o vocalista da icônica banda de doom metal/blues americana Goatsnake e membro de outros projetos bacanas dentro do cenário do rock e do metal. A intenção: conseguir trocar um papo com o cara sobre sua carreira, influências e sobre a Goatsnake. Felizmente houve uma resposta, e um convite para realizar pessoalmente essa conversa com o cara em um dos shows da tour "The End", da qual ele é manager. Morando em Joinville/SC, a possibilidade mais próxima foi em Curitiba/PR, e para lá rumei no dia primeiro de dezembro para essa conversa com ele, que atenciosamente me recebeu e conversou comigo. OD | A

Não sou realmente um ‘cara do doom.’” PETE STAHL - GOATSNAKE

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ENTREVISTA PETE STAHL VOCAL

Eu não era um cantor treinado, comecei em uma banda de punk rock, originalmente.” PETE STAHL - GOATSNAKE

Matheus Jacques: Pete, acredito que uma boa parte do que ajuda o som da Goatsnake a se diferenciar de muitas bandas alinhadas ao doom metal seja o seu vocal, que vai para o lado limpo, melódico, ao invés do rasgado e gutural mais habitual. Isso se deve aos vocalistas que você curtia e que te inspiravam ou simplesmente foi surgindo ao cantar com os caras? Pete Stahl: Okay, essa é

uma boa pergunta! Isso vem de uma série de coisas, influências e inspirações de meus cantores favoritos, especialmente depois que me inspiraram quando eu comecei a cantar: Dave Vanian da banda The Damned e H.R. da Bad Brains. Ambos têm um estilo mais melódico, com sons “gritantes”,

BANDA Earthlings

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sabe? E eu meio que fui inspirado a cantar como eles. Eu não era um cantor treinado, comecei em uma banda de punk rock, originalmente aprendi a cantar construindo canções. Mas esses dois me inspiraram bastante no jeito de cantar.

Antes do Goatsnake você já havia participado de bandas que tinham um som voltado ao hardcore punk e bem mais melódico, como Wool e Scream. Você diria que carregou algo dessa época para a construção de seu jeito de cantar no Goatsnake? Pete Stahl: Sim. Está tudo

conectado. É como se fosse algo como o seu trabalho, no qual você escreven sobre música que você conhece e como um pequeno grupo de pessoas que faz algo como o que você faz, que é escrever sobre

bandas. E o que você descobre é um pequeno círculo de pessoas, algo que costuma acontecer no mundo da música, nos cenários da música. Então, comecei em uma banda de punk há bastante tempo, no começo dos anos 1980, e gravamos nosso primeiro álbum, e bem cedo iniciamos um grupo que foi parte da cena que incluiu uma banda chamada Obsessed, que era da minha cidade natal. A Scream, que eu fazia parte, tocou com a Obsessed, mas eventualmente eles se mudaram para Los Angeles, assim como fizemos eu e meu irmão depois da separação da Scream por um tempo, e então formamos outra banda. Mas a Obsessed acabou se transformando na Goatsnake, e a “cozinha” da Obsessed me perguntou se eu queria cantar com eles, que estavam começando uma nova banda, que seria a Goatsnake. Então, está tudo conectado ao Scream, ao Obsessed, à cena de Washington, e tudo se torna uma grande família, quanto mais você estiver na cena fazendo conexões. Assim, depois da Scream, estive em uma banda chamada Wool, e era uma nova família. E aí teve o pessoal da cena do desert rock, a galera do Queens of the Stone Age, e comecei uma banda chamada Earthlings? com o Dave Catching. É tudo como uma grande árvore, e está OD | A


PROJETO GRĂ FICO DESIGN lodocontatos@gmail.com

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ENTREVISTA PETE em show do Scream e entre os membros da banda (foto da próxima página)

PETE STAHL VOCAL

tudo conectado. Mas sim, a Scream é onde tudo começou, aquela pequena semente que cresceu, e continuamos tocando. Tocamos logo antes dessa tour (do Sabbath), algumas semanas atrás tocamos na Virginia na première de um documentário de skate chamado “The Blood and Steel”, sobre essa pista de skate na Virginia que usávamos para nos divertir anos atrás. Tocamos em Nova York e na Filadélfia, e temos alguns shows que rolarão em agosto no Reino Unido. Então, sigo tocando com a Scream e com Earthlings?. Não tanto, mas sigo.

Black Age Blues (2015) marcou o retorno com três quartos da formação original do Goatsnake (você, Greg Anderson, Greg Rogers). Como foi o sentimento e o processo de se juntar aos velhos caras para um novo trabalho? Pete Stahl: Bom, pra mim foi tipo FINALMENTE. Porque, quero dizer, estive cutucando o Anderson... Greg Um, Greg Dois, não sei qual dos Gregs foi, mas

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GOATSNAKE BLACK AGE BLUES

2015

estive pedindo para ele durante um tempo. Mas a vida simplesmente segue o rumo, sabe. Eles têm outras bandas, têm filhos, estão criando seus filhos e a família é bastante importante, então simplesmente não rolava. Os dois Gregs tinham seus trabalhos, o Anderson estava à frente da Southern Lord Records, e tinha o Sunn O))), e o tempo simplesmente não batia. Eu estava sempre cutucando eles, “E aí, vamos fazer isso, será divertido!”, e então finalmente funcionou. Foi mais fácil porque Greg Rogers

estava tocando com Scott Renner em outra banda (Sonic Medusa), e isso fez mais simples começar a trabalhar em um material juntos, e eu estava realmente feliz. Tinha tempo. Gravamos o álbum juntos em um lugar, e foi diferente de como na maioria dos outros álbuns, ou eu estava sempre na estrada, gerenciando tour, tocando por aí, e eles tinham de me enviar as músicas nas quais estavam trabalhando, eu colocava os headphones, ouvia. Então, esse álbum foi criado de forma bem mais colaborativa.

Quais dessas novas bandas de doom metal você tem conferido mais de perto e curtido? Pete Stahl: Bem, na maior

parte do tempo eu ouço mais as bandas de meus amigos, então isso significa, pra mim, bandas de Washington. Dead Meadow, Pentagram, o velho Obsessed, Saint Vitus, mais as bandas de pessoas que conheço mesmo... Não sou realmente um “cara do doom”, sabe. Eu amo o metal, mas também


Eu não sei quando o Goatsnake tocará novamente, porquê é sempre tipo “um pé na cova” com a banda.” PETE STAHL - GOATSNAKE

amo vários outros tipos de música. Eu ouço músicas para as quais me direcionam, sabe. Sou bastante ocupado, realmente não poderia dizer a você uma porrada de bandas na cena, pra ser honesto. Normalmente descubro bandas ao vivo, tem a banda Motorpsycho... Bem, não sou realmente um audiófilo desse tipo de som, gosto de todos os tipos de música.

O que você tem achado desse lance de ser o manager da Rival Sons na tour do Black Sabbath? Como é viajar com esses caras e o que achou do Rival Sons como banda de abertura para os shows? Pete Stahl: É um sonho

virando realidade para um grupo como o Rival Sons. Tenho trabalhado com esses caras (Sabbath) por seis anos, e é como uma família, viajamos o mundo, tocando, e faço o que posso para viabilizar a visão deles e cumprir o serviço. Bom, é a oportunidade de uma vida poder abrir para o Black Sabbath, uma de minhas bandas favoritas, o primeiro álbum que comprei, e tenho certeza que é o mesmo para esses caras. É pura sorte. É o único jeito de isso acontecer. Foi sorte que Ozzy os tenha visto ao

vivo tocando, e assim como eu conheço bandas nos shows, aconteceu o mesmo. Ele estava com a Sharon no show, os viram tocando e ficaram impressionados. E estavam ali, literalmente aguardando, viram o tecladista e foi tipo, “Hey! Você está naquela banda, vocês são muito bons! Temos uma tour mundial vindo, vocês querem se juntar a nós?” E a resposta foi tipo, “Yeah, você está brincando comigo???” Então, imagine, provavelmente tem uma centena de bandas batendo na porta dos managers do Black Sabbath, tentando tipo “Hey, te pago dinheiro! Faço qualquer coisa”. Mas é assim que acontece com as bandas atualmente, algo mais natural e tal. E se você conhece o Rival Sons, sabe que não são tão pesados quanto o Sabbath, mas são uma grande banda de rock. São músicos excepcionais e têm um ótimo vocalista. Eles têm aquele “elemento dos palcos”, de conseguir ganhar e dominar a multidão muito facilmente. Então isso tem funcionado bem no geral, a maioria das plateias do Black Sabbath tem amado os caras, então tem dado muito certo.

Para finalizar: existe alguma possibilidade de você vol-

tar ao Brasil não como um tour manager, mas com os outros caras do Goatsnake para uns shows por aqui? Gostaríamos muito disso! Pete Stahl: Eu adoraria!

Eu não sei quando o Goatsnake tocará novamente, porquê é sempre tipo “um pé na cova” com a banda. Talvez toquemos mais alguns shows, apenas não sei sobre isso nesse momento. Mas, sim, espero que sim algum dia. Eu acredito que nunca nenhum cara do Goatsnake... bem, eu acho que sou o único que já esteve na América do Sul, e estive aqui trabalhando. Não acho que o Sunn O))) já esteve aqui, não acho que a Obsessed já tenha vindo... Bem, tenho certeza que adorariam excursionar pela América do Sul. Apenas é necessário que alguém faça uma oferta, então se você conhecer alguém que gostaria de trazer o Goatsnake, o coloque no meu caminho! Farei isso acontecer. OD | A

LINKS Goatsnake www.facebook.com/Goatsnakers www.goatsnake.southernlord.com

Earthlings https://www.facebook.com/earthlings-126518660260/ http://earthlingsinfo.com/

Scream https://www.facebook.com/ScreamDC/ http://www.screamdc.com/

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ENTREVISTA

PESO E AGRESSIVIDADE NA CAPITAL FEDERAL 12


2 ANOS

INDO MUITO ALÉM DO THRASH METAL, PESO MORTO OCUPA CADA VEZ MAIS ESPAÇO NO UNDERGROUND DA CAPITAL FEDERAL POR | Raphael Arízio

O

s thrashers do Peso Morto vêm se destacando com sua mescla de diversos elementos dentro do metal. O grupo não se prende a rótulos e traz uma musicalidade ousada mesclando sons tradicionais com a nova escola metálica. Além da música, alguns de seus integrantes estão envolvidos na cena underground de Brasília com projetos bem interessantes em prol da música pesada. Vamos saber do guitarrista Alu Pedrotti mais alguns detalhes sobre a carreira da banda e seus projetos.

Raphael Arízio: A banda lançou um EP autointitulado com quatro músicas. Por que decidiram estrear com assim em vez de um disco completo? Como tem sido a repercussão desse lançamento? Alu Pedrotti: Bom, a questão

do EP na verdade veio como uma necessidade. Já estávamos desenvolvendo a ideia de gravação do disco quando pintou uma oportunidade para participarmos de um evento aqui em Brasília, mas para isso era necessário que tivéssemos material físico. Aí resolvemos, para agilizar o processo, fazer OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA

o EP com apenas quatro músicas que já estavam prontas e lançar esse material como uma espécie de prévia do full length, que está chegando. Além desse motivo mais prático, também tem a questão de divulgação do material, que em um full muitas vezes se perde um pouco. Hoje em dia com as facilidades de divulgação achamos importante valorizar mais cada trabalho de forma independente. Antes, devido à escassez de oportunidades e dificuldades de divulgação, quando havia o lançamento um CD, tinha-se basicamente o mesmo trabalho para divulgar uma música ou um CD inteiro, e com isso muitas vezes alguns trabalhos se perdiam no processo, no sentido em que um CD com 10 músicas acabava tendo apenas duas ou três mais divulgadas, e as outras acabavam meio que de escanteio. Hoje, com a internet

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principalmente, as oportunidades de divulgação são imensas e é bem mais fácil você conseguir divulgar um material sério. Rapidamente ele se espalha pela rede e as oportunidades de divulgação com as rádios web e as revistas digitais são mais acessíveis do que antes. Com isso, acreditamos que é válido trabalhar de forma mais independente cada música, divulgando de forma mais constante o trabalho que a banda desenvolve.

O Peso Morto lançou um clipe para a música "Corpo Fechado". Como tem sido a resposta para este vídeo? Como foi feita a elaboração do clipe? A banda participou de todas as etapas até o seu lançamento? Alu Pedrotti: Sim. Fizemos esse clipe em parceria com o Tia-

go Kuurtz, da Loud Factory (SP). A banda participou da parte de direção juntamente com o Tiago, que tomou conta da parte da produção e edição. Ficamos alguns meses trocando figurinhas sobre como seria a ideia. O nome da música é uma expressão retirada de cultos afro-brasileiros e sua letra dispara frases contra o ego e a negatividade. Nós queríamos que o clipe tivesse imagens inspiradas na cultura pagã e no universo visual do culto à sacralidade da natureza, e acabamos chegando nesse resultado. A aceitação tem sido muito bacana. Ficamos muito contentes com o resultado final. As pessoas gostaram e nós também.

A banda participou do webshow valendo no Orbis tocando duas músicas ao vivo. Qual a opinião de vocês a


Com as facilidades de divulgação achamos importante valorizar mais cada trabalho de forma independente.” ALU PEDROTTI - PESO MORTO

respeito da internet de hoje em dia em prol da música? O que acha que ela pode trazer de bom para o grupo? Alu Pedrotti: Como falei an-

tes, a internet é sensacional. Ela é uma das maiores responsáveis pela

facilitação do acesso aos veículos de divulgação. Tanto por facilitar o acesso aos veículos, como também por facilitar o surgimento de tais veículos alternativos, que são especializados em certos segmentos. Antigamente para você conseguir uma entrevista em uma rádio, uma matéria publicada em revistas especializadas, ou até mesmo ter um clipe seu divulgado nos ditos veículos tradicionais, era uma verdadeira batalha. Os veículos eram poucos e extremamente seletivos. Com a internet, tudo isso mudou. Várias pessoas começaram a desenvolver seus blogs, que viraram revistas, ou rádios, e 100% voltado para seu público específico. Fora isso, a aproximação das pessoas se tornou mais simples. As bandas conseguem divulgar seu material para outros estados de forma prática e simples. Programas como o Valendo no Orbis são frutos dessa facilidade que a internet nos proporciona, e achamos que isso só tem a adicionar ao universo underground.

Raphael Arízio: Alguns dos integrantes do Peso Morto estão envolvidos na produção do DVD Território Metálico, no qual são divulgadas bandas da região central do país com músicas ao vivo. Como surgiu a ideia deste lançamento? Pretendem lançar um segundo volume? E como foi a escolha dos participantes? Alu Pedrotti: Sim. Eu sou

guitarrista de dois grupos aqui em Brasília: Peso Morto e Moretools. No início de 2010, Riti Santiago,

PESO MORTO PESO MORTO

EP 2015

baterista da Moretools, me chamou para desenvolvermos a ideia de um DVD, que inicialmente seria para a banda Moretools. Porém, com o passar do tempo, a evolução das ideias nos levaram à conclusão de que deveríamos mudar a ideia inicial e fazer um DVD com bandas de expressão da cidade. Afinal, tínhamos conhecimento das dificuldades e dos custos de se produzir um material de alta qualidade, e se era possível agregar mais nomes sérios com trabalhos dignos, por que não? Desenvolvemos um projeto e apresentamos para o FAC (Fundo de Apoio à Cultura), na Secretaria de Cultura do Distrito Federal, que aprovou a ideia. A partir daí, entramos em contato com bandas do DF e entorno que já possuíam um trabalho sério e, após muitos imprevistos, dúvidas e indagações, conseguimos fechar OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA FICHA ORIGEM

Brasília, DF

a parceria com outros três grupos que participam do DVD: Valhalla, Miasthenia e Roasting. Todas eles que acreditaram na ideia e que nos ajudaram a fazer esse projeto se tornar real. Quanto à ideia de realizar um segundo volume, com certeza. Já estamos desenvolvendo os preparativos e temos algumas ideias novas, como levar o evento para outros estados. Por enquanto são apenas ideias. Quem tiver interesse em conhecer mais do trabalho, é só acessar o site www. territoriometalico.com.br e dar uma sacada lá. Tem o VT do show completo, formas de adquirir o DVD e várias informações e fotos das bandas que participaram e seus trabalhos. Vale o confere! Apoie o metal nacional (risos).

Apesar da sua música ser calcada no thrash e no death metal, vocês não deixam de experimentar outras sonoridades, como a incursão de elementos de metalcore e new metal. Quais são as influências da banda para experimentar novas sonoridades? Como fazer para não deixar esses elementos descaracterizarem o som de vocês? Alu Pedrotti: Olha, essa pergunta é difícil de responder. Acho que porque tudo acontece de forma muito natural. Somos cinco pessoas com gostos musicais até certo ponto semelhantes e ao mesmo tempo bem diferentes,

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e acho que isso é o que traz essa mescla de elementos e sonoridades variadas. Quando compomos, geralmente uma ideia inicial é apresentada, e essa ideia vai sofrendo mutações com as sugestões de cada um, até que chegamos num ponto em que todos gostam. Não tem muita racionalidade no processo. Acho que é uma química que dá certo (risos).

Uma das principais características do Peso Morto são suas letras em português. Por que essa decisão de escrever somente em sua língua natal? Em uma das letras temos como tema a morte segundo ritos espirituais, entre eles a umbanda. Existe uma pretensão de utilizar mais temas brasileiros? Paulo Lima: Quanto às letras,

optamos pelo português pela facilidade de composição, expressividade e, principalmente, pela identificação do público com as letras. Facilita a compreensão e se torna mais envolvente nossa relação com a plateia. Em relação às temáticas, nossas músicas transitam sobre temas introspectivos, políticos e espirituais. “Corpo Fechado” foi a primeira amostra disso e isso ficará mais evidente com a descoberta das novas músicas que vem por aí em nosso primeiro disco. O Brasil é um país muito rico em temas místicos e nós achamos tudo isso muito interessante de

GÊNERO

Thrash Metal

CURRENT MEMBERS

Paulo Lima Vocal Alu Pedroti Guitarra Ricardo Thomaz Guitarra base Rennan Moura Baixo João Paulo Guitarra

PESO MORTO É Paulo Lima, Ricardo Thomaz, Rennan Moura, João Paulo, Alu Pedroti


A música produzida em Brasília tem uma história admirável com esse viés ativista.” PAULO LIMA - PESO MORTO

ser explorado em nossas composições. Porém, não temos pretensão de nos fixarmos especificamente em nenhuma religião. A segunda música do nosso EP, por exemplo, “Futuro Negro” faz referência ao inferno do evangelho e à baratosfera, dimensão extrafísica, mencionada em livros do espiritismo e da conscienciologia. A umbanda é uma religião intimamente ligada às raízes brasileiras e achamos que seria original e uma homenagem bacana unir esse universo com uma mensagem meio que de descarrego.

Sendo a banda de Brasília, o que acontece na cidade em termos de política influencia a banda em algum sentido em suas letras? Paulo Lima: Sem dúvida.

Quem mora em Brasília acaba sendo mais afetado pelo clima político do país, até por conviver mais com protestos e movimentos sociais que vêm de todas as partes do Brasil, além do fato de termos a nossa cidade como centro de poder e figurando todos os dias nos noticiários. Nós acreditamos que a música tem o poder de abrir

os olhos das pessoas, despertar consciências para muitas questões relativas à crise que o país vive, causada em boa parte pela corrupção que degrada todos os setores da nossa sociedade. Como artistas, temos obrigação de refletir essas questões e tentar, por meio do nosso trabalho, pelo menos chacoalhar a galera para sair desse estado de dormência em que estamos depois de anos e anos de escândalos atrás de escândalos. A música produzida em Brasília tem uma história admirável de bandas e artistas com esse viés ativista e nós pretendemos somar o Peso Morto a esse hall também. OD | A

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ENTREVISTA

Tendo alguns integrantes bem ativos no underground brasiliense, o que a banda pode falar sobre a cena da sua região? O que acham que poderia mudar para ter uma cena mais ativa? E quais as bandas de destaque segundo o Peso Morto? Alu Pedrotti: Cara, a cena independente de Brasília é bem forte. Tem muita banda boa na cidade, de todos os estilos e gostos. Temos Miasthenia, que é um pagan metal de primeira, e que está no DVD Território Metálico, temos DFC com seu hardcore genuíno, tem o Arandu Arakuaa, que mistura elementos indígenas no som, tem Violator, Moretools, Death Slam, Device, Optical Faze, Degola, Fleshpyre, enfim, são tantas as bandas que acreditamos merecer destaque que essa resposta iria até o final da revista (risos). Quanto ao que podemos falar da cena e o que achamos que pode-

ria mudar para termos uma cena mais ativa, acredito que o que falta um pouco na minha opinião é a conscientização de que o apoio do próprio meio é fundamental, e oportunidade e locais dispostos a abrigar os eventos. Com o próprio "Território Metálico" tivemos muita dificuldade em achar um local que topasse abrigar o evento. Na real, essa é uma discussão que vai muito além da cena simplesmente, e é muito mais complexa para se responder aqui, mas a grosso modo é uma bola de neve. Os donos de estabelecimentos têm o interesse do capital. Eles querem lucrar com o evento que realizam em seus estabelecimentos. Como as cenas independentes geralmente são menores em volume de pessoas, em relação aos gostos populares, acaba que os donos dos estabelecimentos, de forma geral, optam por realizar eventos para aquele público que fará a casa dele lotar. E acredito que

Para a cena independente crescer é necessário que a galera apoie e incentive a cena da sua região.” ALU PEDROTTI - PESO MORTO

aqui entram as bandas covers, pois apesar da cena independente ter aquele público fiel, tem também (e geralmente é a maior parte) aquele galera que curte o metal, mas não apoia as bandas independentes de forma tão ativa, e acabam indo para shows de bandas covers ao invés dos shows das independentes, o que faz o público dos eventos independentes ficar reduzido, consequentemente dando menos lucro para o dono do estabelecimento que topou abrigar o evento independente, e como corolário esse dono de estabelecimento começa a optar por outros eventos, e isso vai rodando como uma bola de neve. Acredito que, de forma geral, para a cena independente crescer de forma sólida é necessário que a galera conscientize essas questões e apoie e incentive a cena da sua região. A união é fundamental nessa jornada. OD | A

LINKS www.facebook.com/pesomortometal www.pesomorto.com.br

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ENTREVISTA

R.I.P.

ALEAH STANBRIDGE 1976 2016

RSESENHA DO ALBUM

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2 ANOS

O VÔO DO

ROUXINOL ENTREVISTA COM O GUITARRISTA JUHA RAIVIO, SOBRE O TREES OF ETERNITY E SEU FUTURO SEM ALEAH STANBRIDGE POR | Rafael Sade

T

rees of Eternity surpreendeu desde o seu primeiro acorde e suspiro na demo Black Ocean (2013) e, neste último mês de novembro, lançou o full length Hour of Nightingale. O quinteto liderado por Juha Raivio, guitarrista da já consagrada

banda finlandesa de death/doom Swallow the Sun, contou com a magnífica cantora, compositora e inesquecível Aleah Stanbridge (R.I.P.). Conversamos com Juha sobre os detalhes do início ao fim do lançamento, as novidades e a saudade, em uma das mais emocionantes entrevistas já concedidas à October Doom Magazine. OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA

RSESENHA DO ALBUM

ODM: Conte-nos sobre o começo, como conheceu Aleah e como se formou a parceria? Juha Raivio: Conheci Aleah

no ano de 2008 quando eu estava procurando uma cantora para cantar em uma música do Swallow the Sun, do álbum New Moon (2009). Eu estava buscando uma voz feminina muito aveludada e fantasmagórica, e por pura sorte encontrei o material solo de Aleah da internet. Instantaneamente me apaixonei por sua voz, como eu nunca tinha ouvido uma voz como a dela antes. Era a mais bonita, profunda e poderosa que eu já tinha ouvido.

Ela tinha tanta emoção e profundidade em sua voz que poderia cantar com qualquer banda ou estilo de música neste mundo e transformá-lo na coisa mais linda.” JUHA RAIVIO - TREES OF ETERNITY

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Aleah já vinha de uma carreira na música dark ambient. Como foi unir essa atmosphera ao death/doom? Juha Raivio: Ela tinha tanta

emoção e profundidade em sua voz que poderia cantar com qualquer banda ou estilo de música neste mundo e transformá-lo na coisa mais linda. Então, como ela tinha feito muita música dark ambient e acústica antes, foi muito natural e fácil de fazer músicas com ela e trabalhar com sua voz para o Trees of Eternity. Foi 100% natural e adequado para ela com certeza. Sua voz tem tanta luz e escuridão que o estilo dela funcionava muito bem com o doom, além do fato de que ela amava death e doom metal.

O lançamento da demo Black Ocean trouxe projeção mundial ao Trees of Eternity. Como foi a receptividade da demo?


R.I.P.

FICHA

ALEAH STANBRIDGE 1976 2016

ORIGEM Sweden

Juha Raivio: Foi fantástica. Tínhamos acabado de fazer as músicas da demo para nós mesmos para ver e ouvir se poderíamos escrever música juntos e ver se deveríamos montar uma banda. Mas a demo saiu tão fácil e tiveram tantas músicas boas que só queríamos mostrar às pessoas o que esperar no futuro e colocamos a demo no YouTube. Nunca promovemos a banda além do que colocar a demo e um vídeo para a canção “Sinking Ships”, e as pessoas realmente amaram o que tínhamos criado. Então eu estou muito feliz e tão orgulhoso, e também um pouco triste, em mostrar o álbum finalmente para o mundo.

GÊNERO

Doom Metal

CURRENT MEMBERS

Aleah – RIP Vocal Juha Raivio Guitars Kai Hahto Bateria Fredrik Norrman Guitarra Mattias Norrman Baixo

A escolha para o vídeo da música “Sinking Ships” foi planejada pelo fato de na época a banda ser um duo? Juha Raivio: Sim. Esta é uma

canção que só tinha uma guitarra acústica e a voz de Aleah, por isso foi fácil de fazer um vídeo simples com ela. Nós também amamos tanto essa música que queríamos fazer um pequeno vídeo dela por fora para os fãs.

Desde o princípio o projeto era apenas de vocês dois. Qual foi o critério para a entrada dos outros integrantes para enfim o Trees of Eternity se tornar realmente uma banda? Juha Raivio: Primeiro de

tudo, eu queria encontrar pessoas que são doces e legais, pessoas que são fáceis de conviver OD | A

Black Ocean Demo (2013)

MY REQUIEM Light Blistering, so bright Re-align my core Lenses open wide Coming into form The imprint of a life Too late you’re calling out my name To raise me up out of my grave Alive in memory I’ll stay If you shun these waters where I lay Night Curtains coming down Into the shade I stray Losing all I’ve found To my own dismay My season has come to an end Too late you’re calling out my name To raise me up out of my grave Alive in memory I’ll stay If you shun these waters where I lay Leave me to rest Too drained to rise To try to detect Any light at the end of the tunnel… To late… LETRA da primeira faixa do album ‘Hour of the Nightingale’ octoberdoom.com

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ENTREVISTA

R.I.P.

ALEAH STANBRIDGE 1976 2016

RSESENHA DO ALBUM

em turnês e em gravar músicas. Kai Hahto, Fredrik e Mattias Norrman eram todos bons amigos, meus e de Aleah já de antes, então foi como se fosse uma combinação dos deuses que nós tivéssemos essa formação na banda. Kai, Mattias e Fredrik são pessoas maravilhosas e músicos incríveis que tocam com uma emoção enorme. Era exatamente o que queríamos da banda e das pessoas que estariam nela, e tivemos muita sorte em tê-los conosco.

Após o lançamento da demo Black Ocean, o full length já vinha sendo preparado. Como foi o processo de composição de Hour of Nightingale? Juha Raivio: Demorou muito tempo, mas foi muito fácil como toda a música que eu e Aleah fizemos juntos. Demorou porque Aleah sempre quis escrever letras ou música só quando estava com humor, emoção e atmosfera 100%. Ela poderia passar alguns meses esperando o momento certo em seu espaço, para gravar seus

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vocais. Cada nota ou palavra que ela já escreveu e gravou tinha que ser 110% na verdade, para que ela pudesse esperar o momento certo absoluto, enquanto fosse necessário. Ela não faria por menos.

Como foi a escolha das participações especiais no álbum? Vocês têm contato pessoal com Nick Holmes (Paradise Lost) e Mick Moss (Antimatter)? Juha Raivio: Tenho sorte de

conhecer tanto Nick quanto Mick pessoalmente, já que eu tinha viajado com ambas as bandas deles anteriormente. Ambos são ótimas pessoas e músicos importantes para nós. Então, eu e Aleah ficamos tão felizes de tê-los no álbum, já que somos grandes fãs do Paradise Lost e também do Antimatter. Foi um momento de muito orgulho trabalhar com eles.

Hour of Nightingale foi lançado no dia 11 de novembro de 2016. Como têm sido a repercussão? OD | A

Cada nota ou palavra que ela já escreveu e gravou tinha que ser 110% na verdade, para que ela pudesse esperar o momento certo absoluto.” JUHA RAIVIO - TREES OF ETERNITY


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ENTREVISTA RESENHAS

TODO SENTIMENTO GUARDADO

RESENHA DO ALBUM Juha Raivio: Bom, este é o álbum da nossa vida, por isso é um pouco estranho ver comentários e números sobre ele. Mas o feedback tem sido maravilhoso, e as pessoas realmente começaram a descobrir Aleah e sua voz, e finalmente a sua música. E essa é a razão pela qual este disco está saindo agora e em breve haverá mais músicas dela, já que estou montando seu álbum solo e um outro no qual faço uso de suas letras e poemas. Este mundo realmente precisa de uma voz e de palavras como as dela agora. Aleah nos deixou em abril deste ano sem poder ver a sua obra finalizada. Conte-nos quais as melhores lembranças que você possui dela? Juha Raivio: Aleah ouviu

99% do álbum pronto e eu e ela o amamos com todo o nosso coração. Ele realmente saiu como queríamos. As melhores memórias são apenas as de

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escrever tanta música importante e bonita com ela, além de termos convivido juntos por sete anos. Meu coração está cheio de amor e belas lembranças dela. Ela era o mais mágico e belo ser que eu já conheci na minha vida.

Obrigado, Juha. Nós da October Doom Magazine e todo público sentimos muito pela sua perda. Mande uma mensagem para os fãs da banda que possuem a voz da Aleah para sempre em seus corações. Juha Raivio: Obrigado a todos por suas maravilhosas palavras sobre Aleah e sua música. Por favor, compartilhem sua música e seu legado para o mundo, tanto quanto o possível. Este mundo precisa de uma voz e palavras como a dela.

UM ÁLBUM DE DESPEDIDA COM A VOZ FANTASMAGÓRICA DE ALEAH: IMPOSSÍVEL NÃO SE EMOCIONAR POR | Rafael Sade

O

ano de 2016 foi cruel e perdemos músicos e cantores que admiramos. Entre eles está Aleah Stanbridge, e que pesar será o de não poder ouví-la cantando ao vivo as músicas do Trees of Eternity e do excelente álbum Hour of Nightingale, lançado em homenagem a ela, vítima de câncer em abril deste ano. Antes projeto, iniciado por Aleah e Juha Raivio (guitarra, Swallow the Sun), o ToE logo tomou formato banda com a entrada dos irmãos Fredrik e Mattias Norrman (guitarra e baixo, respectivamente, October Tide, ex-Katatonia) e Kai Hahto (bateria, Wintersun e Nightwish). O lançamento


R.I.P.

ALEAH STANBRIDGE 1976 2016

TREES OF ETERNITY HOUR OF THE NIGHTINGALE

2016

SWEDEN WEB

TREESOFETERNITY.BANDCAMP.COM

1 - My Requiem 6’02’’ A 2 - Eye of Night 6’04’’ A 3 - Condemned to Silence 5’22’’ A 4 - A Million Tears 7’13’’ A 5 - Hour of the Nightingale 5’35’’ A 6 - The Passage 6’11’’ A 7 - Broken Mirror 5’55’’ A 8 - Black Ocean 7’01’’ A 9 - Sinking Ships 3’35’’ A 10 Gallows Bird 9’38’’

da Svart Records é certamente um dos melhores do gênero doom metal em 2016. O destaque fica para os riffs de guitarra que lembram em certas passagens Swallow the Sun, em especial a voz suave e fantasmagórica de Aleah, que traz seus lamentos em todas as 10 faixas em mais de uma hora de audição. O álbum traz músicas que saíram na demo Black Ocean (2013), mas muito mais trabalhadas que

as originais, em especial as lindas “My Requiem” e “Sinking Ships”. Temos aqui parceria com grandes nomes trazendo mais brilho a esse trabalho, como Mick Moss (Antimatter) na música “Condemned to Silence” e Nick Holmes (Paradise Lost) em “Gallows Bird”. Canções como a faixa-título, “The Passage” e “Broken Mirror”, fora as já citadas, irão te mostrar o quanto essa cantora e letrista nos fará falta. Além de sua voz bela e profunda, Aleah conseguia transmitir em suas letras todo o sentimento que cada ser humano guarda dentro de si e muitas vezes não sabe. Não tem como não se emocionar ouvindo esse álbum. R.I.P. Aleah... "Life begins where a journey ends" (Trecho de Gallows Bird) OD | A

LINKS https://www.facebook.com/pg/treesofeternity https://treesofeternity.bandcamp.com

octoberdoom.com

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ENTREVISTA

PARK CHANDLER VOCAL / BAIXO

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2 ANOS

COLAPSO MENTAL UM BATE-PAPO COM PARKER CHANDLER DA COUGH

POR | Billy Goate – Doomed & Stoned TRADUÇÃO | Elyson Gums

Q

uando o Cough anunciou seu terceiro álbum, Still They Pray, mais cedo nesse ano, muitos fãs tiveram uma resposta emocional difícil de explicar. Talvez um bem-vindo alívio seja a melhor forma de descrever. A música da banda de Richmond (EUA) tem sido uma experiência catártica para mim e para outros, conversando com a angústia da alma humana de uma maneira simplesmente inquietante.

Quando Melissa e eu decidimos organizar o D&S Fest cruzamos os dedos na esperança de que o Cough tocasse. Sexta-feira, 18 de novembro, essa visão se tornou realidade quando Cough foi headliner do primeiro dia do nosso primeiro Doomed & Stoned Festival. Levar o Cough para Indianápolis (EUA) foi uma coisa, convencê-los a dar uma entrevista foi outra. Lendo entrevistas antigas, tive a sensação de que eles não gostam muito dessas coisas de relações públicas. As respostas geralmente eram curtas, às vezes até desdenhosas. Talvez seja só o jeito deles. Bom, não custava perguntar. O vocalista e baixista Park Chandler concordou e fizemos um pingue-pongue sobre a viagem mais recente da banda para a Europa. OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA

PARK CHANDLER VOCAL / BAIXO

Música é um bom jeito de lidar com aquilo que te atrapalha.” PARK CHANDLER - BAIXO - COUGH

Billy Goate: Aconteceu muita coisa entre os seus álbuns. Foi estranho voltar a ensaiar com os caras no mesmo espaço ou algo assim? Park Chandler: Nunca teve

um hiato e nada do tipo, então não foi uma grande reunião. Tiramos um tempo pra focar em outras partes das nossas vidas, mas praticamos bastante juntos durante os últimos anos.

Vocês encerram Still They Pray com uma parte acústica. Consegue imaginar um “Cough Unplugged”, talvez numa atmosfera mais intimista tipo “Midnite Communion”? Park Chandler: Falando em

um futuro próximo, absolutamente

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não. Somos fãs de música tradicional americana e é sempre bom tentar incorporar isso no som. No fim das contas, blues é a base do heavy metal.

Vocês trouxeram um quinto integrante para o teclado, o que é novo para a banda. Muita gente está se perguntando quem é Jonathan Kassalow. Park Chandler: Na verdade,

Brandon (Marcey, guitarrista) o trouxe para um ensaio sem consultar ninguém. Falamos sobre um jeito de fazer o nosso show ser mais próximo das músicas gravadas. JK tocava em uma banda chamada Lost Tribe, mas ele é mais conhecido pra nós como o ‘cara

do som’. Ele gravou uma primeira e nunca lançada versão de “Acid Witch”, em 2008, então nós o conhecemos há bastante tempo.

Non sequitur: Onde você fez suas tatuagens? Park Chandler: Com um

amigo chamado Mike Moses, de Columbus, Ohio. Fiz um pentagrama com ele em 06/06/06 e somos amigos desde então. Tem também um cara de Richmond, chamado Ish, e que só faz cinza e preto. O Instagram é @thedrowntown e @callmeishmel caso tenha alguém curioso.

Qual sua bebida preferida? Park Chandler: A TRVE

Brewing, de Denver, fez uma cerveja com o mesmo nome da minha


FICHA COUGH - Foto por Johnny Hubbard

ORIGEM USA

GÊNERO

Stoner / Sludge / Doom Metal

música preferida, “Possession”. Estou preparado para uma road trip por lá só pra provar (essa e as outras cervejas deles). Saisons são provavelmente meu tipo preferido de cervejas “chiques”. Espero colocar as mãos num copo, em breve. Eu já gostava da TRVE antes deles batizarem a cerveja com o nome da nossa música, e eu diria que consumir álcool tem bastante a ver com essa faixa em particular. É um ciclo.

CURRENT MEMBERS

David Cisco Guitarra Parker Chandler Baixo e Vocal Joey Arcaro Bateria Brandon Marcey Guitarra

Qual foi a melhor coisa que comeram nessa turnê europeia? Park Chandler: Comemos

bifes de seitan (carne de glúten) tão bons que nem os mais carnívoros poderiam acreditar.

COUGH STILL THEY PRAY

2016

A Hungria tem uma mitologia negra e uma história brutal combinando - um país que particularmente acho fascinante. Imagino uma identificação com os fãs que compartilham do lado mais obscuro do Cough (e, aliás, fiquei bem feliz de ver vocês juntos com o Oaken e Grizzly no Desszert Feszt). Existem forças espirituais negras fodendo a gente durante nossa existência humana? OD | A

Ritual Abuse (2010)

Cough / Windhand Split (2013) octoberdoom.com

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ENTREVISTA Park Chandler: Acho que é

PARK CHANDLER VOCAL / BAIXO

Acho que é da natureza humana acreditar em merdas espirituais e é isso que fode a gente.” PARK CHANDLER - BAIXO - COUGH

CARTAZ do Doomed and Stoned Fest 2016

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da natureza humana acreditar em merdas espirituais e é isso que fode a gente. Então acho que de certo modo sim. Nós aleatoriamente esbarramos com um busto de Béla Lugosi em Budapeste. Joey escalou pra tirar uma foto e quase derrubou tudo. Teria sido interessante.

A trajetória foi meio um zigue-zague (Alemanha para Hungria para Alemanha, França para a Grécia e de volta para a França. Inglaterra, depois de volta para a Bélgica). Muito tempo na estrada e muito tempo para pensar. Algum pensamento de como o mundo vai acabar? Park Chandler: Provavel-

mente vai ser algo relacionado a todos nós tentando controlar um recurso finito do qual nos tornamos dependentes. Na maior parte das vezes eu durmo durante as viagens, na ver-

dade. Você acorda, vê quem está lá, mija numa garrafa, percebe que está há quatro horas na sua viagem de duas horas e volta a dormir. Ou joga Mario.

“Mind Collapse” é uma das músicas mais trágicas no seu repertório, e depois veio “The Wounding Hours”, que tem uma profundidade sentimental até então inédita para o Cough. Como vocês aprenderam a lidar com a morte, suas e dos outros? Park Chandler: Isso é muito

sobre o que se trata o novo álbum: lidar com a perda. Se você está fazendo de forma honesta, música é um bom jeito de lidar com aquilo que te atrapalha. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/pg/Cough666 https://cough.bandcamp.com/ http://cough.bigcartel.com/


ENTREVISTA

2 ANOS

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FICHA ORIGEM

São Paulo

GÊNERO

Sludge Metal

CURRENT MEMBERS

Paulo Thompson Ueno Guitarra, vocal & efeitos Thiago Padilha Bateria

Despacho (2015)

TRATORANDO DE NORTE A SUL, DENTRO E FORA DE BRASILIS! POR | Matheus Jacques

F

ormado em 2006 através de uma das principais redes sociais da qual tinhamos acesso na época (o Orkut), o duo paulista Projeto Trator vem reverberando nessa

última década sua sonoridade suja, crua e maldosamente hipnotizante, um misto de sludge e psicodelia cada vez mais psicóticos e tortos. E é com os camaradas Thiago e Paulo que troco uma idéia bacana aqui, sobre carreira, visão de vida e mais! OD | A

35 octoberdoom.com


ENTREVISTA

PAULO THOMPSON - GUITARRA - PROJETO TRATOR

ODM: Humanofobia marca o décimo ano de existência do Projeto Trator. Num primeiro momento, qual o saldo/balanço dessa década de atividades? Thiago Padilha: Graças

ao Projeto Trator conheci muitos lugares e fiz muitos amigos. Isso pra mim é um saldo muito positivo e me motiva a continuar tocando. Não sei o que o futuro nos reserva, mas a filosofia do faça você mesmo levaremos até o final. Paulo: Só de pensar que começamos como um projeto despretensioso e já estamos chegando na adolescência, é muito louco. Acho que sete desses 10 anos foram bem ativos mesmo. Desbravar caminhos, correria, turnês, lançamentos, conhecer e conectar pessoas, conhecer lugares diferentes é demais. Só de pensar que já toca-

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mos em alguns lugares do fim do mundo da Patagônia argentina em duas ocasiões, além de colar muito cartaz na rua, me diz que um dos saldos desse balanço foi abrir mais a cabeça.

Nesse novo trabalho, vocês fazem "releituras" de seus próprios sons. Na montagem do tracklist vocês escolheram seus sons favoritos ou rolou um outro critério de escolha? Thiago Padilha: A gravação do Humanofobia rolou na semana seguinte da nossa turnê pela América do Sul. Pelo Converse Rubber Tracks conseguimos um dia disponível para gravação no foderoso estúdio Family Mob. Escolhemos as músicas que estávamos tocando durante esses shows e fizemos uma lista com umas 10 ou 11 músicas e gravamos o que foi possível em um dia. A mixa-

gem/masterização ficou por conta do nosso parceiro de longa data, David Menezes Davox (Testemolde), que também acompanhou a gravação. Paulo: Critério de escolha não teve. Fizemos uma triagem das prediletas de cada um, uma lista mesmo que era o nosso repertório nessa gig e o resultado foi essa tracklist.

Como você definiria atualmente a sonoridade da banda? Thiago Padilha: Atualmente

diria que a sonoridade do Projeto Trator tende ao sludge metal e se funde a vários outros gêneros e subgêneros de sons que curtimos. Paulo: Sabe quando você escuta aquela banda e pensa: “eu queria fazer um som assim”? Pois é isso que sinto. Fazendo o som que me satisfaz sem regras e padrões. Sonoridade densa, suja,


crua, dissonante, poluída, cinzenta, pesada, livre e experimental, sem o refrão perfeito e a preocupação de agradar. Tipo, vamos misturar o Mayhem com a Patife Band do nosso jeito? Música feia para quem gostar. Nos shows, metade do nosso repertório atualmente é baseado em jams.

Em divulgação do novo álbum, vocês fizeram essa tour trazendo a banda mossoroense Black Witch. Há uns meses, rolou um giro com as bandas Cocaine Cobras (CE) e Mondo Bizarro (PE). Vocês têm uma relação especial e uma afetividade musical grande com a galera do Nordeste? O vocês têm achado do cenário underground de lá? Thiago Padilha: O Nordeste é

PROJETO TRATOR HUMANOFOBIA

2016

foda! Eu e o Paulo temos família por lá e a movimentação de bandas na região é muito grande. Foi inevitável acabarmos fazendo nossa primeira turnê por aqueles lados, em 2012. Passados alguns anos, os laços com bandas e selos só se estreitaram. Paulo: A mãe do Padilha é cearense e eu, embora tenha sido criado em São Paulo, sou pernambucano de Olinda. Essas conexões aconteceram lá. Já fizemos duas turnês pelo Nordeste. Sobre as bandas citadas acima, temos uma relação amizade mesmo. O Rafaum (Black Witch) também toca no Mad Grinder que já foi a Dead Pixel e ele é de casa. O Junior (Mondo Bizarro) é outro parceiro, ele toca com o Chico e o Rafael que são todos brothers. Essa turma faz parte do nosso ciclo de amizade há anos. A gente se conheceu na nossa primeira gig pelo Nordeste, em 2012. OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA

PAULO THOMPSON - GUITARRA - PROJETO TRATOR

O Cocaine Cobras veio depois, nos conhecemos no início no ano lá e eles armaram um show bem foda em Fortaleza. Amo esses arrombados. O cenário lá é bem ativo, muita banda, muita coisa rolando, porém com as mesmas limitações que temos aqui: poucas casas e quase nenhum apoio. Triste. Tem muita coisa legal lá: Kalouv (PE), Talude (RN), Mojica (PE), Demoniah (PE), Eu o Declaro meu Inimigo (PE), Rabujos (PE), Bastian (AL), Expose Your Hate (RN), Catarro (EN), Red Boots (RN) e por aí vai.

Em alguns shows, o público é grande e em outros é menor. Em shows menores a plateia costuma ser mais conectada com a musicalidade, apresentando uma interação mais forte. Isso costuma rolar com vocês? O que têm achado das plateias em seus últimos giros pelo pais? Thiago Padilha: Sem dúvidas show pequeno é o mais intimista e

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permite uma maior interação. Meu tipo de público preferido independe de ser grande ou pequeno. O que eu mais gosto é daquelas pessoas que abrem roda, ficam bangueando e pulam do palco. De forma geral, sempre fomos muito bem recebidos pelo público em shows pelo Brasil e fora daqui também. Paulo: Plateias grandes não são ruins, mas eu acho um pouco burocrático. Eu piro bastante em ambientes mais intimistas, a interação é mais fácil. Eu curto mesmo é ver o povo bangueando.

A tour anterior de vocês chamou-se “Fora Temer”, apresentando uma visão sobre o descontentamento com a direção política de nossa sociedade. Essa mais recente levou o nome do novo trabalho, Humanofobia. Vocês têm muito medo do ser humano e do que ele e capaz (risos)? Thiago Padilha: Acho que no atual sistema político/econômico em que estamos inseridos não há

boas perspectivas para o futuro cada vez mais distópico que nos aguarda. Paulo: Sim. Poucos sabem, mas eu vim do futuro, e a parada tá tensa (risos). O quadro político no mundo anda muito estranho e me parece que as pessoas que corroboram com isso são maioria. Como não ficar com medo do ser humano?

Além de bastante quilometragem pelo Brasil, vocês já fizeram as malas para rodar pela América do Sul, tocando em terras chilenas, argentinas e uruguaias. Rolou até um split com a banda argentina Soma. Vocês têm algo em mente para o futuro envolvendo novos giros fora do país ou mesmo novas parcerias com os camaradas de fora? Thiago Padilha: Rolou outro split também, com a banda Los Elefantes y el Árbol Solar, que lançamos simultaneamente ao álbum Despacho, em 2015. Infelizmente não foi possível reali-


zar shows de lançamento desse split, diferente do que rolou com o Soma, em que divulgamos o trabalho conjunto em várias datas durante a segunda vez em que estivemos na Argentina. Sempre temos planos para novas turnês, mas é melhor não falar nada para não estragar a surpresa. Por enquanto, o que deve rolar no começo de 2017 é o lançamento da cassete Gira Sudamericana en Vivo. Paulo: Sim, como o Thiago disse, gravamos um split com a Soma, com som captado ao vivo num festival foda em Neuquén, lá na Patagônia. E outro em Buenos Aires com a banda do Mati, o Los Elefantes y el Árbol Solar, que saiu pela Fauna Records. Vontade não falta, precisamos voltar para a Argentina sim.

Para encerrar, fica aqui o espaço para vocês falarem o que quiserem: recomendar uma banda, indicar um filme, xingar um político, qualquer coisa.

PAULO THOMPSON - GUITARRA - PROJETO TRATOR

Thiago Padilha: Valeu October Doom! Vou aproveitar o espaço e indicar algumas bandas fodas com as quais dividimos os palcos nos últimos anos e que ainda não citamos nessa entrevista. Sempre tocam no meu celular: Montaña Electrica (ARG), Knei (ARG), Las Olas (ARG), Autoboneco (SP), Umbilichaos (SP), Cassandra (PR), Marte (PR), Lamba-te (PR) e Ruínas de Sade (SC). Paulo: Valeu, October Doom, espaços como este estão cada vez mais raros. Valeu! Você deseja montar uma banda? Manda ver! Faça do seu jeito. Ah, não sabe tocar nada? Insista! Monte a banda

do seu jeito e com seus amigos que vai rolar. Ignore padrões e fórmulas. Grupos musicais que sempre escuto: Deafkids, Tuna, La Carne, Eu o Declaro meu Inimigo, Renegades of Punk, O Cúmplice, Noala, Krisiun, RDP, Subtera, Violator, Social Chaos, Armagedom, Karne Krua, Sarcófago, Cuco (ARG). E pau no cu do Temer, Bolsonaro, Alckmin, Dória, Deus e da Família. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/Projeto.Trator/?fref=ts https://projetotrator.bandcamp.com/ http://www.projetotrator.com/

octoberdoom.com

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COLUNA

POR QUE NOSSOS TRABALHOS NÃO CHEGAM NO MESMO NÍVEL DOS GRINGOS É VERDADE. EU SEI, VOCÊ SABE. MAS POR QUE ISSO ACONTECE? HOJE, VOU ELABORAR SOBRE O QUE EU VEJO NO MEU DIA A DIA NA MÚSICA QUE IMPEDE A MAIORIA DOS TRAMPOS NACIONAIS DE CHEGAR EM UM NÍVEL ESTELAR 40

?

POR | Fábio Mazzeu

V

ocê já está me odiando antes de ler a primeira linha desse texto.

Eu sei. Mas não me odeie. Por mais que o título seja polêmico, eu guardei esse artigo pro

mês de aniversário da ODM por um motivo especial. Antes de tudo, eu não estou falando da qualidade das bandas ou de criatividade dos artistas. Eu consigo encher minhas duas mãos com bandas brasileiras que mandam tão bem quanto ou até melhor que as gringas. O que eu estou falando é de qualidade de produção musical. Estou longe dos gringos


2 ANOS

#01 PLANEJAMENTO

B

neste quesito e penso que a maioria da galera trampando com isso também se sente assim, por diversos motivos. Porém, alguns pontos em comum são vistos por todos os profissionais de áudio na hora de fazer um trabalho e eles são divisores de água, na minha opinião. Então por que nossos trabalhos não chegam ao nível dos dos gringos?

rasileiro é péssimo em se planejar. Eu sou e você também é, admita. Conversando com os amigos da banda Tempo Plástico, estávamos falando sobre um curso do Sebrae de empreendedorismo na música e que eles sugerem um planejamento de, no mínimo, três anos. São 1.095 dias pensados com antecedência. Mil e noventa e seis se algum dos anos for bissexto. Baita trampo, né? E planejamento envolve tudo: desde estratégias de divulgação até a parte que importa pra gente nesse texto, que é produzir e gravar. A gravação é um processo delicado, que inclui obras musicais que tem um valor sentimental para os artistas, ao mesmo tempo que tem um produtor/engenheiro tentando captar a essência da música com a melhor qualidade possivel. E ainda tem o lado comercial daquele trabalho. Baita trampo. De novo. Quantas bandas você conhece que planejaram bem esse processo? Pesquisaram por diferentes produtores, marcaram reuniões para conversar sobre o processo, pesquisaram estúdios de gravação, pensaram em um conceito, correram atrás de selos e gravadoras, criaram um cronograma de ensaios de composição e de períodos de gravação etc e etc. Pode ser que fez um, mas não fez o outro. Para mim, esse é o primeiro ponto que impede nossos trabalhos de chegarem ao próximo nível. OD | A octoberdoom.com

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COLUNA

#02 INVESTIMENTO VS. GASTO

E

sse é um ponto importante para o mundo musical como um todo. O cara tem uma banda, faz suas músicas, está curtindo o processo, mas ele não quer gastar grana pra gravar e produzir o trampo dele. Ele acha que isso é um gasto quando deveria ser um investimento. Você não acredita no seu trabalho? Eu acredito no meu e estou disposto a investir nele. Uma das coisas mais comuns é ver um cara comprando uma guitarra de quatro mil reais, mas não está disposto a pagar uma parte de dois mil em uma banda de quatro caras. Com oito mil reais dá pra fazer um puta álbum. Mas o cara não vai ter o bem físico ali, na frente dele. O que nos leva a mais uma questão de planejamento. Gravação é investimento porque ela precisa dar retorno. Seja ganhando pelos plays no Spotify ou usando o trabalho pra conseguir shows melhores (e que pagam mais). Sacou por que isso é um investimento? Já se foi o tempo que demos porcas conquistavam contratos com grandes gravadoras. Agora é cada um por si, parceiro. E se você não está disposto a investir no seu próprio trabalho, tem gente que está. Depois você não pode reclamar quando eles passarem na sua frente.

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#03 PENSANDO NA MÚSICA COMO UM NEGÓCIO

O

Kiko Loureiro (atual guitarrista do Megadeth) bate na tecla no seu curso de Music Business - que é muito bom, por sinal - sobre a importância de pensar na sua carreira como um negócio. O que ele chama de “mindset empreendedor”. Cara, quando uma banda gringa que tem um selo por trás vai lançar um trabalho novo, ela não quer saber se os amigos dos membros vão achar legal. Elas querem vender plays, vinil e CDs. Querem fechar mais shows e conquistar mais fãs. Não adianta, a ideia tem que ser essa. Tudo bem, muitas bandas disponibilizam o download grátis dos seus CDs, mas pense em uma banda grande que faz isso com frequência? Sabe por que foi difícil? Porque elas sabem que suas músicas são seus produtos e você não sai distribuindo seus produtos de graça por aí. Claro, uma degustação não faz mal, mas dar tudo de graça é sacanagem. E fica cada vez mais fácil monetizar com plataformas e formatos. Hoje, até o YouTube paga royalties dos plays por lá. Tire essa ideia de que um álbum são só musicas gravadas. Ele é um produto do seu trabalho.

#04 O PRODUTOR MUSICAL

A

ideia dessa coluna surgiu quando o famoso Tio Morgan (editor-chefe da ODM) me perguntou se eu tinha interesse em falar um pouco mais sobre produção musical e fonográfica aqui na revista. Muito porque existem milhões de dúvidas sobre essss temas, o que é supernormal. Eu também tenho muitas dúvidas até hoje. Mas se existe um diferencial que eu observei entre bons trabalhos (gringos ou brasileiros) é quando tem um produtor musical na jogada. Existem vários tipos de produtores. Desde os que trabalham mais como engenheiros de gravação com inputs pontuais sobre as musicas em si, até os que se envolvem 100% em todas as partes do processo, inclusive na composição. Na real, tudo depende da necessidade das bandas. Mas quem vai admitir isso? Acho que nunca vi alguém falar “a minha banda precisa de um produtor musical”. Se você leu minha coluna sobre produtores musicais do doom e stoner, viu que o Corrosion os Conformity tem seu produtor, John Claudette, como um quinto elemento. O Quincy Jones era a sombra do Michael Jackson. O Glyn Johns criou novas formas de captação pra conseguir absorver o peso do Led Zeppelin. Sir George Martin é indiscuti-


velmente o quinto Beatle. Uma opinião externa pode fazer toda a diferença, principalmente se for de alguém que se identifica com o seu som e tem abertura durante o processo de composição/gravação. E não vem me dizer que você não precisa. Todo mundo precisa! Nem que seja de um próprio membro da banda. Na gringa, um músico produzir o seu próprio trabalho é tema de perguntas em entrevistas. Lembro de uma com o Chris Cornell para a Guitar.com na qual o repórter perguntava como foi produzir o próprio disco e o Cornell respondeu: “Foi como perseguir meu próprio rabo por três meses. Quando eu achava que uma música estava pronta, vinha outra ideia, eu adicionava ela e de repente tinha que fazer tudo do zero, porque aquele primeiro sentimento já estava perdido”. Veja bem, não quero dizer que um álbum não pode ser feito sem um produtor, óbvio que pode e isso é feito constantemente. Mas contar com um pode acelerar todo o processo, simplesmente por ter alguém que vai falar “não” com frequência por perto. - Acho que vou colocar mais uma nota aqui. - Não. Não precisa. - Acho que vou colocar mais uns tons nessa virada. - Não precisa, vai embolar tudo. Ele pode ser o cara que vai falar: “Ei, isso ficou do caralho! Vamos testar na música? Talvez no pré-refrão chamando pro refrão, o que você acha?”. Time que trabalha junto ganha junto, já dizia algum tiozão fã de futebol em algum boteco da vida.

CONCLUSÃO

A

gora que você já leu até aqui, posso dizer que esse texto não é uma forma de falar: “Ei, você está fazendo tudo errado". Não existe certo nem errado. Eu não estou mais certo do que ninguém e vice-versa. Mas esses pontos são alguns dos que eu percebi e pesquisei ao longo de anos e tento aplicar em cada trabalho que eu lanço com a minha banda - a Lively Water é meu rato de laboratório, foi mal, caras - e que eu espero que possam ajudar outras bandas por aí também. Lembre-se: sua música é seu produto e por mais que você faça por amor a ela, se você tem um objetivo para o seu trabalho, é preciso aplicar o dito “mindset empreendedor”! É isso aí, feliz ano novo e até 2017! Um abraço. OD | A

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RESENHAS SHOWS

THE END COMO FOI CONFERIR, FINALMENTE, OS “PAIS DA PORRA TODA” NA MÚSICA PESADA! POR | Matheus Jacques

E

xistem coisas na vida que acontecem uma ou duas vezes e acabam não se repetindo jamais. São experiências que ocorrem pontualmente e a você caberá apenas relembrar o momento, até o dia de sua partida desta existência. Ver um show do Black Sabbath, ainda mais um de despedida, pode ser considerado um desses momentos. Tidos como grandes precursores da música pesada e uma de suas maiores influências, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Tony Iommi são três quartos da formação original de uma banda que ajudou a dar formas ao rock and roll e ao heavy metal, e persiste até hoje mesmo após décadas de excessos e intempéries. A esta formação se junta

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2 ANOS

1

DEZ 2016

THE END BLACK SABBATH TOUR PR

atualmente o baterista Tommy Clufetos, em substituição ao membro fundador Bill Ward, que já não faz parte do grupo desde uma série de desacordos e rusgas nos bastidores. Pois foi esse time que trouxe ao Brasil a tour “The End”, tecnicamente a derradeira dos caras após uma longa estrada de muita música, muitos shows, álbums e exageros. Muito alardeada e atraindo bastante atenção, “The End” teve quatro datas por aqui pelo Brasil, tendo começado por Porto Alegre, passando por Curitiba, depois Rio de Janeiro e encerrando em São Paulo. No meio do caminho havia a fria e chuvosa capital paranaense, em que tocaram no dia 30 de novembro e para onde a reportagem da October Doom Magazine rumou para conferir a despedida dos caras. Junto a eles nas datas brasileiras veio uma das bandas ”sensação do momento”, os excelentes americanos do Rival Sons, que entregam um hard blues encorpado e vigoroso e vem arrastando multidões nos lugares em que passam, tendo sido convidados pessoalmente pelos tiozões de Birmingham para abrirem a extensa turnê mundial.

ABERTURA DE GALA Quando o relógio assinalava 19h56, Rival Sons já ocupava o palco e entoava os primeiros acordes de “Electric”, faixa de seu ótimo álbum Great Western Valkyrie (2014). Com bastante energia, um trabalho excelente de guitarra de Scott Holiday e a voz quase sobrenatural de Jay Buchanan, os californianos fizeram basicamente duas coisas: não desiludiram os que já conheciam sua música e seguramente cativaram novos ouvintes. Os caras mandaram ver com muita qualidade em uma apresentação cujo setlist teve como base o já citado álbum, mas que também contemplou algumas faixas do Pressure and Time (2011), um de seus discos mais elogiados, apresentando a faixa “Torture”, por exemplo. Com menos canções, outros também foram lembrados, como Head Down (2012), particularmente o favorito deste que vos escreve, e o mais recente e grandioso, Hollow Bones (2016), de onde saiu a encantadora “Fade Out”. OD | A octoberdoom.com

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RESENHAS SHOWS

O público pode ter sentido um pouco a falta de mais faixas dos dois últimos discos citados, já que a apresentação do quarteto teve apenas sete músicas. Mesmo assim, com seus cerca de 40 minutos de palco, o Rival Sons conseguiu dar seu recado muito bem e aqueceu a rigor a plateia que esperava ansiosamente a atração principal da noite. Em seu segundo show no Brasil (os caras já haviam tocado por aqui no festival Monsters of Rock, em São Paulo, em 2015), o grupo apresentou a cara dessa nova safra do “rock revival” e arrancou até alguns coros aclamando seu nome ao fim de seu espetáculo.

SET LIST

RIVAL SONS 1 - Electric Man 2 - Secret 3 - Pressure and Time 4 - Open my Eyes 5 - Fade Out 6 - Torture 7 - Keep On Swinging

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ALQUEBRADOS, MAS VIVOS! Seguindo a pontualidade da noite e colocanSET LIST do ainda mais lenha na BLACK SABBATH fogueira da ansiedade, prenunciada pelas luzes 1 - Black Sabbath apagadas e pelo breu da 2 - Fairies Wear Boots noite, chegava aos telões 3 - After Forever do palco da Pedreira 4 - Into the Void 5 - Snowblind Leminski a animação 6 - War Pigs da “The End” tour, com 7 - Behind the Wall of uma reunião de imagens Sleep 8 - N.I.B. (com intro de apocalípticas soando as “Bassically”) trombetas da aparição da 9 - Rat Salad (com solo atração principal da noite. de Tommy Clufetos) Pouco depois, lá esta10 - Iron Man 11 - Dirty Women vam eles no palco: Ozzy, 12 - Children of the Tony, Geezer e Tommy. Grave Com o público ir13 - Paranoid (bis) rompendo em aplausos e berros, três quartos da formação original de uma das maiores bandas de rock e metal de todos os tempos aparecia para todos. Fica meio difícil definir a superlativa energia com a qual ovacionada a banda, uma verdadeira instituição da música pesada. Sobreviventes, lendas. A apresentação do Black Sabbath durou por volta de uma hora e meia, e foi aberta pela icônica faixa homônima do álbum de seu estreia, de 1970. Ali, já se evidenciava o fato de que estávamos diante de um conjunto com mais de quatro décadas de existência e provações, para o bem e para o mal: a energia soturna e poderosa contrastava com a postura castigada, mas


OZZY (foto acima) e Tonny Iommy.

ainda esforçada, do frontman Ozzy Osbourne. Este se mostrou empolgado e aparentemente bastante contente de estar ali, incitando o público, clamando por palmas, por mais animação, numa interação bacana com o público. “Fairies Wear Boots” seguiu o culto e aos poucos foi mostrando uma banda que se achava mais no palco, “pegando no tranco”. Até a guitarra de Iommi, inicialmente um tanto baixa, logo foi tomando mais corpo e entrando no ponto certo. O setlist passou por vários dos principais trabalhos da banda com Ozzy, como Black Sabbath (1970), Paranoid (1970), o icônico Master of Reality (1971) e Vol. 4 (1972). Após tantos anos de covers, foi especialmente arrepiante finalmen-

te poder conferir a versão original e ter a alma arrepiada com “Into The Void”. Faixas marcantes como “War Pigs”, “Paranoid”, “Iron Man” e “Children of the Grave” foram executadas. Inesperado foi poder conferir no setlist “Dirty Women”, do álbum Technical Ecstasy (1976). Clufetos se mostrou eficiente e empolgado. Apesar de seu solo um tanto exagerado e longo em “Rat Salad”, o cara realmente manda bem nas baquetas. Geezer exibiu sobriedade e segurança, como esperado. Mas realmente especial foi poder ver a resiliência do “homem de ferro”, Tony Iommi, que enfrentou uma dura batalha contra o câncer e lá estava, altivo e sólido, castigado pelo tempo mas desfiando toda sua imponência em

riffs incendiários. Uma referência para uma quantidade imensa de guitarristas. No fim das contas, era o Black Sabbath no palco. São décadas de exageros, colisões e histórias de sobra para contar. Não há muito o que se criar de expectativa em relação a uma reunião de peças como estas: os danos e as “cicatrizes” são evidentes, o tempo é inclemente e castiga. Apesar disso, é algo sem muitas definições claras a oportunidade de poder conferir uma apresentação dessa magnitude, com caras que buscaram dar o seu melhor, entregar uma apresentação esforçada, convincente, fazendo um passeio por toda uma história de música pesada. Nesse ponto, o show dos ingleses do Black Sabbath conseguiu aquecer por uns bons momentos até a fria Curitiba, e valeu a pena cada segundo. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/BlackSabbath/?fref=ts http://www.blacksabbath.com/

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ESPECIAL

2 ANOS

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POR | Morgan Gonçalves e Jenny Souza

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October Doom Magazine, ou Web Zine como era chamada na época em que foi fundada, em 23 de dezembro de 2014, nasceu com uma ideia simples e objetiva: divulgar os shows e acontecimentos da cena doom metal para as pessoas que não estavam nos grandes centros urbanos, onde a coisa acontece mais abertamente. De lá para cá, foram muitas mudanças e evoluções na maneira de fazer a zine. Porém, se tem algo que permanece exatamente o mesmo desde o início, é a nossa fixação pela sonoridade lenta, chapada e torta que o doom metal carrega. Muita gente não acompanhou o surgimento da ODZ – ou ODM -, que começou como um informativo semanal, com uma entrevista com uma banda, uma nota sobre um lançamento e, às vezes, um texto divulgando algum evento que ocorreria naquela semana. O mais louco daquilo é que eu tinha quase certeza que aquela era uma ideia idiota, pois o Brasil não teria uma fonte de informação do gênero do qual eu poderia beber por muito tempo, e logo a zine acabaria por falta de conteúdo. Pobre coitado... OD | A

DO ZINE para a revista

EQUIPE #ODM

AMILTON JR Redator

ANDRÉ NESPOLI Revisor

BILLY GOATE Redator

EDI FORTINI

Redação e Fotografia

ELYSON GUMS Tradutor

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ESPECIAL

ANOS

O informativo começou com uma página, que em poucas semanas se tornaram duas, e em alguns meses aqueles conteúdos que chegavam a mim não cabiam mais em 16 páginas. O mais engraçado é que eu me sentia feliz em ver aquelas informações expostas de maneira totalmente amadora e tosca, naquelas páginas do InDesign. Eu nunca tinha mexido no programa até então. O volume de informações que chegavam pra nós (eu e Fabricio) começava a aumentar substancialmente, e na mesma medida a gente começou a perder vergonha e contatar bandas gringas de maior peso. Muitas vezes nem respondidos fomos, mas portas fechadas fazem parte da caminhada de qualquer um. Seguimos em frente. Em contrapartida, outras bandas imensas se mostraram interessadas pelo nosso trabalho, como Candlemass, Amorphis, SubRosa,

ERIC CRUXEN Redator

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FÉBIO MAZZEU Redator

Alcest, Katatonia e várias outras que nos cederam a oportunidade de trazer para os leitores brasileiros informação de qualidade sobre esse movimento crescente. Coisa rara por aqui. Se me perguntassem qual a melhor coisa de ter fundado a ODM, eu diria que foram as amizades que fizemos pelo caminho. Conhecer pessoas de algumas bandas incríveis como o HellLight, Bullet Course, Serpent Rise e de outras “menos experientes” como Cassandra, Pesta, Duna, Brisa e Chama, Fallen Idol é algo que não tem preço. Acompanhar o crescimento destes nomes foi, sem dúvida, a melhor parte até agora. Outra coisa que me alegra muito é olhar para o elenco da redação da October Doom Magazine, composto de algumas das pessoas mais sábias e capacitadas para escrever e falar sobre o doom metal

FABRÍCIO CAMPOS Redator

GUSTAV ZOMBETERO Redator

JENNY SOUZA

e suas vertentes. Tenho certeza que nenhum editor, profissional ou amador, tem tanto orgulho da sua equipe como eu tenho de vocês. São fotógrafos, músicos, blogueiros, designers, produtores e fãs fissurados nessa música pegajosa e arrastada. Vocês são a espinha dorsal da ODM. Ouçam! 2017 bate à porta, e vamos abrir nossas mentes para mais um ano de conquistas dessa Iniciativa que deixa brasileiros e gringos surpresos com tamanha qualidade e dedicação de seus colaboradores. Aos leitores, continuem conosco, pois uma série de novidades está por vir, e temos grandes planos para a October Doom Magazine em 2017.

LINKS

Redatora + Dir. MKT

https://www.facebook.com/OctoberDoomOfficial/?nr http://octoberdoom.com/

LEANDRO VIANNA Redator

MÁRCIO ALVARENGA Editor de Arte


CAPA do número anterior

ESTATÍSTICAS Entrevistas

QUEM SOMOS ATUALMENTE:

EX-COLABORADORES: Fábio Miloch, Bruno Braga, Antônio Martinez (correspondente na Rússia) e Cielinszka Wielewski.

Redator

MERLIN OLIVEIRA Redator

23-53

54-64

TOTAL

22

60

60

142

60

60

120

Resenhas

Amilton Jr., André Nespoli, Billy Goate (correspondente nos EUA), Aaron Pickford (correspondente na Inglaterra), Edi Fortini, Elyson Gums, Erick Cruxen, Fábio Mazzeu, Fabrício Campos, Gustav Zombetero, Jenny Souza, Leandro Vianna, Márcio Alvarenga, Matheus Jacques, Merlin Oliveira, Morgan Gonçalves, Pedro Ferreira, Rafael Sade e Raphael Arízio.

MATEUS JACQUES

ATÉ 22

Matérias

32

60

30

122

Shows

22

90

50

162

TOTAL DE CONTEÚDOS

546

Bandas Internacionais

14

40

30

84

Bandas nacionais

40

80

70

190

Com tanto conteúdo, resta pra nós apenas poucas palavras para agradecer o apoio de todos os leitores e colaboradores que nos ajudaram a chegar até aqui, e a promessa de que continuaremos trabalhando para fazer

MORGAN GONÇALVES Editor Chefe

PEDRO FERREIRA Designer

RAFAEL SADE Redator

uma revista cada vez melhor, com conteúdo mais incrível e novidades sobre esse movimento maravilhoso e crescente que é o stoner doom metal no Brasil e no mundo. Obrigado! OD | A

RAPHAEL ARÍZIO Redator

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RESENHAS

DIVULGUE SUA BANDA Envie seu material com todas as informações para nosso email contato@octoberdoom.com

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ABYSMAL GRIEF REVEAL NOTHING...

2016

TERROR FROM HELL RECORDS ITALY 1 - Cursed Be the Rite (Bonus Track – recorded in 2016) 8’05” A 2 - Exsequia Occulta (2000 – Exsequia Occulta MCD) 13’13” A 3 - Sepulchre of Misfortune (2000 – Exsequia Occulta MCD) 6’51” A 4 - Hearse (2002 – Hearse 7” EP) 5’56” A 5 - Borgo Pass (2002 – Hearse 7” EP) 6’36” A 6 - Creatures from the Grave (2004 – Split com Tony Tears 7” EP) 5’39” A 7 - Brides of The Goat (2009 – Split com Denial of God 7” EP) 6’28’ A 8 - The Samhain Feast (2009 – The Samhain Feast 7” EP) 6’38” A 9 - Grimorium Verum (2009 – The Samhain Feast 7” EP) 6’06” A 10 - Celebrate what they Fear (2012 – Celebrate what they Fear 7” EP) 6’30” A 11 - Chains of Death (2012 – Celebrate what they Fear 7” EP) 6’09”

POR | Leandro Vianna

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lá se vão 20 anos de bons serviços prestados ao doom metal pelos italianos do Abysmal Grief. Nesse aniversário, quem ganha o presente são os fãs, com o belíssimo box feito em madeira intitulado 20th Anniversary Box. Nele, encontramos o CD Reveal Nothing, a fita cassete de Mors te Audit, segunda demo dos italianos, que foi lançada em 1999 e limitada na época a 13 cópias, uma camiseta e um pôster exclusivos, um pin de metal, um certificado assinado pela banda e, o item mais curioso de todos um saco de veludo contendo terra de cemitério, mas vendido assim somente na Europa. Na versão para o restante do mundo, este item é substituído por um incenso. Que presentão, hem? Vamos ao que interessa. No Reveal Nothing encontramos faixas raras ou fora de catálogo, lançadas entre os anos de 2000 e 2012 em singles, 7” EPs e splits.

Além disso, ele conta com uma faixa inédita, gravada com a atual formação, que curiosamente é a original (exceto pela ausência do vocalista Garian), e que, após idas e vindas de alguns dos membros, voltou a se reunir a partir de 2013. E, bem, quem conhece o trabalho dos italianos, sabe exatamente com o que irá se deparar, ou seja, canções fortes, sombrias, com levadas hipnóticas e densas, de uma “tristeza abismal”. É indiscutível a capacidade que a música do Abysmal Grief possui de cativar o ouvinte. Os vocais de Labes C. Necrothytus seguem, na maior parte do tempo, aquela linha gótica, com poucos momentos mais agressivos, mas encaixados cuidadosamente quando necessários. Além disso, seus teclados dão um toque especialmente sinistro ao instrumental. Regen Graves mostra uma capacidade ímpar de criar ritmos quase ritualísticos com sua guitarra, gerando assim uma atmosfera para lá de opressiva. Ambos são OD | A octoberdoom.com

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muitíssimo bem acompanhados por Lord Alastair (baixo) e Lord of Fog (bateria), que formam uma parte rítmica de respeito, pesada, variada, técnica e com coesão de sobra. O CD abre justamente com “Cursed Be the Rite”, dona de melodias realmente inspiradas, além de um uso brilhante do sintetizador. É dessas realmente grudentas. Em seguida, as duas músicas do primeiro single da banda, de 2000, “Exsequia Occulta”, um épico monstruoso de mais de 13 minutos, e “Sepulchre Of Misfortune”, na qual os vocais sombrios se destacam. “Hearse” e “Borgo Pass”, do 7” EP Hearse (2002), se destacam pelo clima gótico e pendem para o occult rock, com algumas ótimas melodias. “Creatures from the Grave” faz parte do split de mesmo nome lançando em conjunto com Tony

Tears (que tocou baixo no Abysmal entre 1999 e 2000) e tem uma levada um pouco mais rápida que as demais. Já “Brides of the Goat”, do split com o dinamarquês Denial of God, possui uma atmosfera bem escura. Retiradas do 7” EP The Samhain Feast, temos a faixa-título e “Grimorium Verum”, sendo a primeira carregada de energia e a segunda se destacando pelos ótimos sintetizadores. Encerrando os trabalhos, “Celebrate what they Fear” e “Chains of Death” (cover do Death SS), ambas do 7” EP Celebrate what they Fear e que mantêm o altíssimo nível do trabalho. Ficaram de fora algumas inéditas lançadas em splits pós-2012, assim como as que saíram na compilação We Lead the Procession (limitada a 500 cópias), dentre elas, um cover do Bathory e outro do Death SS. Quem sabe no aniversário de 30 anos.


Ao final da audição, mesmo após 78 minutos de (boa) música, fica aquela sensação de que tudo passou em um piscar de olhos. E aí, lá vai você colocar o álbum no repeat. Com atmosferas densas, sombrias e pesadas, o Abysmal Grief dá à nova geração uma verdadeira aula de como mesclar doom, occult e gothic com perfeição. Um trabalho verdadeiramente hipnotizante. OD | A

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POR | Raphael Arízio

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ormado em 2006, o Canilive mostrou-se uma grande revelação do metal extremo nacional. Com dez anos de estrada, agora o quinteto nos traz uma novidade, o EP Psychosomatic Schizophrenia, que apresenta muito peso e personalidade.

A gravação é algo que não pode deixar de ser destacada, já que, apesar da brutalidade da banda, o som se mostra cristalino e cada instrumento é muito bem audível. A porradaria tem início com “The Posthumous State of Mind” e de cara os riffs dos guitarristas Raphael Dizus e Alcindo Neto


CANILIVE PSYCHOSOMATIC SCHIZOPHRENIA

2016

RIO DE JANEIRO - BRASIL 1 - The Posthumous State of Mind A 2 - The March of Excellence A 3 - The Celebration of Ignorance A 4 - Witnessing your Fall A 5 - Modification

ganham destaque com muito peso e brutalidade. Na faixa seguinte, “The March of Excellence”, o vocalista Gustavo Moreira impressiona com seus guturais insanos mesclados a técnicas como o pig squeal. Em “The Celebration of Ignorance”, a banda aposta em algumas passagens mais melódicas,

mas sem deixar o “extremismo” de lado. O baterista Alberto Armada é o destaque em “Witnessing your Fall”, faixa mais rápida do EP, com seus blasting beats matadores. Para fechar, “Modification” mostra riffs instigantes e vale ressaltar ainda o trampo do baixista Caio Planinschek, que faz

um belo trabalho em todo o disco. Com esse EP, o Canilive mostra que ainda somos um país que revela ótimos nomes no cenário extremo mundial. Que a banda não demore para nos mostrar um disco completo, pois esse EP nos deixou com água na boca. OD | A

LINK https://www.facebook.com/CaniliveOfficialPage/

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pós cinco anos, os paulistas do Claustrofobia retornam com seu novo disco intitulado Download Hatred. Sucessor do bem-sucedido Peste, a novidade com certeza é o mais pesado e violento lançamento destes thrashers, mesmo sabendo que eles sempre primaram por um peso descomunal em seus trabalhos. Esse play marca a estreia em estúdio do guitarrista Douglas Prado e podemos dizer que foi um começo triunfal com riffs e solos matadores. Não pode passar desapercebida a produção insana de Ross Robinson (Napalm Death, Exploited, Dimmu Borgir etc), que seguramente é a melhor que a banda já teve. O disco abre com a patada da faixa-título, na qual já se vê toda a agressividade com riffs monstruosos e extremamente pegajosos e viciantes. Um ótimo cartão de visitas para o restante da obra. “Blasphemous Corruptions” dá continuidade à agressão sonora com muita violência e com Caio D’Angelo moendo a bateria com muita precisão e técnica com suas viradas e mudanças de ritmo pesadíssimas. “Sinking” chega como uma voadora na boca com riffs destruidores e levada mais cadenciada, perfeita para quebrar o pescoço dos bangers nos shows. Isso sem falar em seu marcante refrão. A porradaria sem dó volta com “Generalized World Infection”, com uma pegada hardcore no começo e que logo descamba para um thrash/death. Um dos destaques é o solo insano a cargo de Moyses Kolesne, convidado do Krisiun. Com certeza um dos grandes des-

CLAUSTROFOBIA DOWNLOAD HATRED

2016

POR | Raphael Arizio SÃO PAULO - BRASIL

1 - Download Hatred A 2 - Blasphemous Corruption A 3 - Sinking A 4 - Generalized World Infection A 5 - My Own Victory A 6 - The Greatest Temptation A 7 - Inverted Faith A 8 - Metal or Die A 9 - Curva A 10 Paulada

taques do disco e de toda trajetória do Claustrofobia. “My Own Victory” mostra uma influência maior de death metal e conta com uma levada acachapante de Caio. Mais uma vez não há economia no quesito riff, o que vai deixar os fãs com pelo menos uma semana de torcicolo. A seguinte, “The Greatest Temptation”, começa com seu riff à la Black Sabbath e um clima bem soturno, para logo descambar em uma levada cadenciada mas mortal. Uma das mais diversificadas de todo o disco. Pode parecer repetitivo, mas não podemos mais uma vez deixar de falar dos riffs. Parece OD | A octoberdoom.com

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que o Claustro resolveu reunir alguns dos melhores de toda sua história em um único disco. “Inverted Faith” mostra uma técnica absurda da banda, com riffs (eles de novo) intricados e cozinha assassina em meio a riffs brutais e vocais completamente malucos. Uma das melhores do volume. A obra-prima “Metal or Die” é uma ode ao estilo musical que todos amamos e com letra citando ídolos da banda, como Sepultura, Krisiun, Black Sabbath e o finado Jeff Hanneman, ex-guitarrista do Slayer. O que mais precisa ser dito de uma música que tem em sua letra “Sepultura in my heart” (Sepultura no meu coração)? Com certeza fará a alegria de todos nós headbangers brazucas. Falando em Sepultura, “Curva” tem a participação do guitarrista Andreas Kisser e uma divertida letra sobre os chatos que encontramos em shows, bares etc. Segundo o gru-

po paulista, qualquer um pode ser um “curva”. Como bônus para o Brasil, temos a faixa “Paulada”. Não poderia ter um título mais apropriado, pois se trata de uma paulada na cara com riffs brutalíssimos e uma pegada monstruosa. Certamente Download Hatred já é um clássico do metal nacional. Um dos melhores discos em anos e disparado o melhor do Claustrofobia. Marcante e viciante do começo ao fim e impossível de ouvir apenas uma faixa. Altamente técnico, brutal, pegajoso e matador. Uma das provas que o Brasil não vive só de Sepultura. Temos uma das melhores cenas do mundo e ela merece ser mais destacada e valorizada.

LINKS https://www.facebook.com/ claustrofobiaofficial/?fref=ts www.claustrofobia.com.br


FOTO BY EDUARDO MURAI


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October Doom Magazine Num 65  

Revista digital dedicada aos gêneros pesados e Lentos da Música Underground do Brasil e do Mundo.

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