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LANÇAMENTOS + RESENHAS + SHOWS + MATÉRIAS + ENTREVISTAS

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ANOS

MAGAZINE ANO III

Nº67

Entrevista

+ Resenha


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EDITORIAL By October Doom Entertainemnt

67

MAR/2017

Foto da capa by Jimmy Hubbard

A October Doom Magazine é resultado da parceria e cooperação de algumas pessoas e iniciativas, que trabalham em função de um Underground Brasileiro mais forte e completo, além de vários individuos anônimos que contribuem compartilhando e disseminando este trabalho.

/octoberdoomzine Editor Chefe: Morgan Gonçalves Diretor de Arte: Márcio Alvarenga (noisejazz@gmail.com) Diretora de Marketing e Publicidade: Jenny Souza Chefe de Revisão: André Nespoli Tradutor: Elyson Gums COLABORADORES: Amilton Jr: Redator (Monster Coyote e Black Witch) Aaron Pickford: Correspondente Inglaterra Billy Goate: Correspondente EUA Edi Fortini: Fotografia e Redação Erick Cruxen: Redator (Labirinto) Fábio Mazzeu: Redator (Lively Water) Fabrício Campos: Redator Gustav Zombetero: Redator (Stoned Union Doomed Leandro Vianna: Redator (A Música Continua a Mesma) Matheus Jacques: Redator (SUD e The Melting Stone) Merlin Oliveira: Redator (Governator Insane e Duna, Brisa e Chama Rafael Sade: Redator (HellLight e LastTime Produções) Raphael Arízio: Redator Roman Tamayo: Correspondente América Latina

LINKS: octoberdoom.com OctoberDoomOfficial octoberdoom.bandcamp.com PARCEIROS: /FuneralWedding /DoomedStoned

/SUDORDER

/lododesign

Não é só um rostinho bonito

A

October Doom Magazine é muito mais do que uma das revistas mais modernas dedicadas ao metal do nosso Brasil. Cada edição desse trampo que ultrapassa barreiras mês após mês também vem cheia de conteúdos que mostram o quanto o movimento do metal chapado, arrastado, lento e criado aqui na nossa terra cresce a uma velocidade de dar inveja aos países mais tradicionais. A edição que você está prestes a ler não poderia ser diferente, repleta de entrevistas com bandas brasileiras (e também gringas), resenhas de alguns dos principais lançamentos ocorridos nos últimos dias e cobertura de shows que aconteceram do Arroio ao Chuí. Mas não, não queremos parar por aqui. Queremos saber o que você, nosso leitor assíduo, pode compartilhar conosco e quais outras possibilidades gostaria de ver nas nossas páginas. Colunas, matérias especiais, e/ou reportagens, enfim, tudo o que você pensa que pode colaborar para o crescimento da ODM. Estamos trabalhando para elevar este trabalho a um patamar ainda mais alto dentro do cenário brasileiro e a participação dos nossos leitores é fundamental. Logo traremos algumas novidades. Aguardem.

QUEREMOS SABER O QUE VOCÊ, NOSSO LEITOR ASSÍDUO, PODE COMPARTILHAR CONOSCO E QUAIS OUTRAS POSSIBILIDADES GOSTARIA DE VER NAS NOSSAS PÁGINAS.”

Obrigado e boa leitura

/A-Música-Continua-a-Mesma

/The-Sludgelord

#FeelTheDoom MORGAN GONÇALVES CONTATO: contato@octoberdoom.com

Facebook.com/morgan.goncalves.1 EDITOR CHEFE


SUMÁRIO

RESENHAS

RESENHA

A FUSÃO DE VÁRIOS ESTILOS EM UM SÓ ALBUM: KING DELUSION

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ENTREVISTA JOHN GARCIA

ENTREVISTA

CONVERSA COM A BANDA E RESENHA DE UM CLÁSSICO QUE SURGE

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06 ENTREVISTA E RESENHA

O DEATH DOOM BEM EXECUTADO DO DS

ENTREVISTA E RESENHA DO SHOW

SAIBA COMO FOI A VISITA DA BANDA AO BRASIL

SHOWS

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AGENDA

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ENTREVISTA

Resenha SERVUS

A VOCALISTA DA BANDA FALA SOBRE O NOVO ALBUM

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ENTREVISTA

NO S UM DOS MAIORE R NOMES DO STONE EM ROCK MUNDIAL, A ODM ENTREVISTA PARA

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OU VOCÊ É UM VAGABUNDO DE MERDA E NÃO TEM ESSE ESTALO DE IR TRABALHAR PRA PROVER A FAMÍLIA, OU VOCÊ TEM.” JOHN GARCIA

POR

Lara Noel e Billy Goate doomedandstoned.com Elyson Gums (Tradução)

K

yuss, Slo-Burn, Unida, Hermano, Vista Chino – sim, o cantor do deserto John Garcia pode ser corretamente considerado a encarnação do stoner rock. Seu primeiro álbum homônimo, de 2014, foi seguido por The Coyote Who Spoke in Tongues três anos depois, um disco mais relaxante e puramente acústico! “Antes tarde do que nunca”, comenta o Sr. Garcia sobre o longo tempo investido produzindo esse filho. Oferecendo versões mais tranquilas de alguns clássicos bem conhecidos e também do trabalho solo de John Garcia, The Coyote Who Spoke in Tongues mescla perfeitamente as joias do passado com o futuro. ODM | A

octoberdoom.com

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ENTREVISTA

JOHN GARCIA LANÇOU O ÁLBUM The Coyote Who Spoke In Tongues em 2017

October Doom Magazine: Vamos falar sobre o novo álbum, The Coyote Who Speaks in Tongues. Ele mexeu bastante comigo. Sinto como se estivesse em uma sala com vocês, ouvindo enquanto vocês o tocam. É diferente de tudo o que você fez antes. É muito sensível. John Garcia: Obrigado pelos

elogios. Esse disco não é pra todo mundo. Ouvi algumas críticas pelas versões diferentes de “Gardenia” e “Green Machine” (originais do Kyuss, antiga banda de John). Não é pra todo mundo, mas Ehren Groban e eu gostamos de criá-lo. Ficamos maravilhados. Metade da diversão foi levar essas músicas de um ponto para seu completo oposto. Essa foi a parte divertida, mas deu trabalho. Muitos jornalistas me perguntaram: “Bom, por que você está fazendo isso, é só porque você está ficando velho?”. Não, não é sobre ficar velho, é mais sobre um desafio. Eu só quis fazer isso.

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Não tem nenhuma resposta longa, “Jim Morrinesca”, superfilosófica. Todas as pequenas e grandes imperfeições – a respiração, as cordas batendo no braço da guitarra – não é perfeito de propósito. Esse foi o nosso compromisso. Quisemos fazer algo, como você disse, na nossa sala. Foi o que fizemos, sentamos numa sala em Palm Springs (Califórnia, EUA) e fizemos as músicas. Depois, voltando de uns shows, bebemos no voo de volta da Alemanha e falamos: “Por que a gente não grava isso?”. Foi totalmente inesperado, e foi isso o que fizemos.

Gosto disso. Como artista, você tem que se esforçar. Mal consigo imaginar o quanto deve ter sido difícil rearranjar as músicas do Kyuss para uma versão acústica. É inspirador ouví-las tocadas desse jeito. Tenho que dizer que chorei ao ouvir “Gardenia” na versão acústica. John Garcia: É muito legal

ouvir isso, muito obrigado, de verdade. Brant Bjork (antigo baterista do Kyuss) escreveu “Green Machine” e “Gardenia”. Scott (Reeder) e Josh (Homme – respectivamente ex-baixista e ex-guitarrista também do Kyuss) escreveram “Space Cadet”. Só aconteceu de eu tocar na banda e cantar as versões originais. Alguns jornalistas vão perguntar “Bom, então por que você fez isso?”. Foi porque eu quis revisitar algumas dessas músicas. Acho que Ehren teve bastante respeito pelas músicas também.

Como vocês escolheram as faixas? John Garcia: Basicamente pelo

método tentativa e erro. Algumas funcionaram, outras não. Tivemos 17 ou 19 músicas que planejamos fazer. Nem todas ficaram boas, mas estamos acostumados. Algumas canções encaixam em versões acústicas e outras simplesmente não. Foi basicamente sentar, como falamos anteriormen-


FICHA ORIGEM Califórnia USA

GÊNERO

Stoner rock, Desert rock,

FORMAÇÃO 2014

METADE DA DIVERSÃO FOI LEVAR ESSAS MÚSICAS DE UM PONTO PARA SEU COMPLETO OPOSTO. ESSA FOI A PARTE DIVERTIDA, MAS DEU TRABALHO.” JOHN GARCIA

te, ir pelas emoções e lapidando as faixas. Planejamos algumas músicas do Hermano (outra banda de John). Tentamos, mas não ficamos satisfeitos. Ehren e eu também escrevemos material novo para nosso novo projeto: “Kylie,” “Give me 250ml”, “The Hollingsworth Session” e algumas outras. Nesse tempo, foram quatro músicas do Kyuss, algumas live tracks e outras que foram escritas especificamente para o futuro álbum, e esse acústico. Então, essencialmente, fomos tentando, errando e nos divertindo. Foi uma parte interessante – escolher as músicas, perceber como elas ficam no formato acústico, e como algumas não ficam. Coisa simples. Sem respostas longas e filosóficas, desculpa. Foi só trabalho e diversão mesmo.

John Garcia (2014)

Esse álbum é bastante pessoal, não o que muita gente estava esperando, mas acho que fala por si só muito bem. No próximo, você vai voltar aos instrumentos elétricos. Pode nos falar mais? John Garcia: Ehren e eu temos

quase tudo pronto e esperamos que seja lançado no fim desse ano ou início do próximo. Queria ter tudo pronto no ano passado, mas entre trabalho, família, crianças, isso e aquilo, e os compromissos de todo mundo, foi difícil. Focamos nessa gravação elétrica e demos um passo de cada vez. Eu gosto de tocar, de compor. Todo o meu tempo livre é dedicado a isso. É difícil quando você trabalha em tempo integral e tem dois filhos. Amo minha família mais do que qualquer coisa no mundo. Qualquer um que me conheça sabe que eu sou um cara família. É difícil encontrar tempo de ir pro estúdio e gravar tudo. Vai ter algumas músicas novas, como “Kylie” e “Give me 250ml” em versões normal e acústica. Não teremos nada do Kyuss, vai ser tudo original e 99,99% delas foram escritas por Ehren, a banda e eu. Eu acho que vai ser mais pesado, rápido, agressivo e melhor do que o nosso primeiro. Estou ansioso.

Entre família e trabalhos formais, é impressionante que consiga produzir tanto. Não é fácil, especialmente quando se está envelhecendo. As pessoas perguntam o que você está fazendo enquanto artista e o quanto isso tem a ver com envelhecer. Penso que não tem nada a ver com idade, é só uma progressão natural de si mesmo. John Garcia: Concordo total-

mente e você está certo: é extraordinário fazer o que fazemos. Manter um emprego fixo, ser pai, marido e ainda por cima tentar gravar e conseguir ODM | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA

VOCÊ SÓ TEM QUE SER UM BOM PAI, BOM MARIDO, E SE MANTER FELIZ. NÃO É ENGENHARIA DE FOGUETES, É SÓ EQUILÍBRIO.” JOHN GARCIA

equilibrar as coisas. Felizmente tudo se paga. Tenho carne o suficiente no freezer. Estou feliz com o que produzi com o Ehren. Não tento ser nenhum Jim Morrison, de jeito nenhum. Só vivo um dia de cada vez. A felicidade dos meus filhos é muito importante pra mim, assim como a educação deles, a felicidade da minha esposa e o nosso bem-estar em geral. A vida em família em si é um muito bem-vindo “segundo trabalho” que amo fazer. Fazer todo mundo feliz – inclusive a mim mesmo – é difícil, e é um balanço de forças notável que você tem que administrar. Às vezes eu penso demais nessas coisas, quando na verdade é simples: você só tem que ser um bom pai, bom marido, e se manter feliz. Não é engenharia de foguetes, é só equilíbrio.

E como você cria esse equilíbrio? John Garcia: É trabalho duro,

mas dá-se um jeito. É rotina. Você trabalha, quer uma carreira... Mas também quer ser um bom pai, e isso não se aprende na escola. Ou você é um vagabundo de merda e não tem

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esse estalo de ir trabalhar pra prover a família, ou você tem. É assim com paternidade também, ou você se esforça pra ser um bom pai ou não. Felizmente, me preocupo com minha família, meus filhos, com sua educação. Eu trabalho praticamente desde os sete anos de idade. Trabalho pra viver e é isso aí, não sou músico em tempo integral. Gostaria de ser, mas não sou. Eu ajudo a dirigir um hospital veterinário em Palm Springs, junto com a minha esposa, e amamos nosso trabalho. Eu acho que é só sobre equilibrar tudo e se esforçar pra ter uma boa vida, prosperar. Não penso demais nisso. É quem somos – não só eu, minha esposa também. A gente tá aí, trabalhando duro. É necessidade. Todo mundo é diferente, as crianças aprendem diferentemente. Tem mães e pais que dizem “Bom, meu filho fez isso em tal idade”, e daí por diante. Isso é bom – cada um tem suas lutas e nós não somos diferentes. Eu sou um cara normal com uma carreira extraordinária – uma por trabalhar com animais, e a segunda por estar aqui do outro lado do telefone falando sobre algo que ajudei a criar. Sou bastante sortudo, pra ser honesto.

É bem legal ver o quanto você se importa com sua família. Quando está em turnê, o que você faz e como isso afeta a vida da sua esposa e filhos? John Garcia: É difícil. Quando

eu saio, Wendy é a verdadeira heroína aqui. É ela que fica nos bastidores garantindo que tudo dê certo. Quando eu saio, ela tem que fazer o almoço, levar e buscar as crianças da escola, trabalhar no hospital, depois voltar pra casa, fazer o jantar, dar banho nas crianças e fazer o dever. O trabalho dela é difícil, o meu é fácil. É por causa dela, da minha família, que posso viajar, então tem que fazer sentido. As finanças têm que fazer sentido. Emocionalmente e fisicamente, tem que fazer sentido esse velho ir numa van em turnê pela Europa por duas ou três semanas. Sentimos saudades, mas ela lida com isso de um jeito espetacular. Ela é durona, uma verdadeira heroína. Eu não gostaria de encontrá-la em um beco escuro, porque ela realmente é durona.

Dizem que por trás de todo grande homem existe uma grande mulher. John Garcia: Isso é 100% verda-


KYLE John Garcia

DIRIGIDO POR DOUGLAS QUILL, Produzido por Douglas Quill, Ben Lioe e Johan Skattum Lançado em Janeiro/2017

de. No meu caso, sem dúvidas é ela. Eu sou sortudo por tê-la comigo, assim como as crianças. Meus filhos não ficam nem um pouco impressionados com o que eu faço, o que é tranquilo. Wendy e eu nunca enfiamos nada goela abaixo deles quando diz respeito à música, esportes ou coisas do tipo. Apoiamos tudo o que eles gostarem. Se Madison quiser ouvir Taylor Swift, eu aumento o volume. Se o Marshall quiser correr ao redor da quadra 150 vezes porque quer emagrecer, então ele vai correr 150 vezes ao redor da quadra. Ter filhos é divertido. Tentamos aproveitar a vida ao máximo, porque é isso que você deve fazer.

Você tem que viver todos os dias como se fosse o último, porque não há certezas na vida. É nisso que acredito. John Garcia: Eu também. É

PROJETO GRÁFICO DESIGN lodocontatos@gmail.com

bastante sorte falar com vocês sobre isso. É um prazer, uma honra. Nunca fui assim, mas estou agradecido por ter a oportunidade de falar sobre algo que criei com esse acústico e, novamente, tenho que dar crédito a quem merece. Se puder, deixe os leitores e audiência conhecerem Ehren ODM | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA

Groban, porque ele é uma força a ser reconhecida. Um grande compositor e músico. Ele é um curinga, e é por isso que gosto tanto dele. É um grande cara, muito talentoso. Meio que um diamante não lapidado que encontramos aqui no deserto.

Como se conheceram? John Garcia: Fui apresentado

a ele por um dos meus produtores, Harper Hug. Sentamos num barzinho chamado Melvyn’s, em Palm Springs, tomamos uma cerveja e um Martini. Falei que estava procurando por um guitarrista e o resto é história. Ele é um cara muito gentil que faria tudo por qualquer um, por mim, por minha família. Depois dessa entrevista, se eu ligar pra ele e falar “Tô precisando de ajuda”, ele vai aparecer em literalmente meia hora. Esse é o tipo de pessoa que ele é. Ele quer trabalhar, ser um músico, viajar. É um cara local, o que eu estava buscando, e não alguém da Flórida ou de Nova York. Queria alguém que pudesse encontrar depois de sair do trabalho. A gente senta no lugar onde ensaiamos aqui em Palm Springs, sentamos, bebemos uma vodca, botamos pra foder por umas duas horas e aí começamos a escrever as músicas. Novamente, eu não acho que ele é creditado o suficiente por tudo o que ele faz pro mim e por toda a banda.

The Coyote Who Speaks in Tongues é o primeiro trabalho que fizeram juntos? John Garcia: Trabalhamos juntos por um tempo. Ele ajudou a fazer o disco elétrico e foi aí o começo da amizade. Nesse, é basicamente nós dois trabalhando juntos - um produto direto desse relacionamento. Espero

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PODERIA TER SENTADO NO ESTÚDIO POR MAIS SEIS MESES ATÉ DEIXAR TUDO POLIDO, MAS NÃO QUIS FAZER ISSO.” JOHN GARCIA

que nosso processo de composição continue a melhorar, agora e no futuro.

É evidente o quanto de você está nesse álbum. Dá pra sentir essa sua energia completamente. Como disse antes, não é pra todo mundo, nem é perfeito, mas é o que o torna especial. John Garcia: Isso mesmo. Não

é perfeito de propósito. Poderia ter sentado no estúdio por mais seis meses até deixar tudo polido, mas não quis fazer isso. Não tinha tempo nem dinheiro, então fomos lá e, bum, soltamos o quanto antes. Eu amo Coyotes... por isso.

É um play reconfortante. A desconstrução acústica das faixas que estamos acostumados a ouvir com instrumentos elétricos é fascinante e muito bonita. Vocês queriam que elas originalmente soassem desse jeito?

John Garcia: Não exatamente. Não sabia o que “Green Machine” ia virar e nem que “Gardenia” terminaria desse jeito; nem ideia de que “Kylie” ficaria assim também. Essa é a beleza de fazer música – coisas que você quer fazer num projeto nem sempre saem do jeito que você quer, e às vezes o que você não gostou tanto acaba ficando melhor do que o esperado. É disso que eu gosto no fato de entrar no estúdio e ter a luz vermelha de gravação acesa. Como minha música vai soar? Usamos três violões, então fomos pelo simples: um com cordas de aço, outro de nylon, e um de doze cordas. Greg Saenz fez algumas percussões, Mike Pygmie tocou baixo, e (ainda tem) um tecladista incrível, Ronnie King – um cara do deserto e uma lenda do deserto, mesmo. Todo mundo quis participar, estar envolvido. Não foi como falar “Ei, preciso de um favor, vem aqui e faz isso”. Sorte ter uma


THE COYOTE WHO SPOKE IN TONGUES JOHN GARCIA 2017

equipe tão boa, eles me surpreendem. Respondendo à sua pergunta, tínhamos uma ideia. E ela era: deixar simples e minimizar tudo – inclusive eu mesmo. Não precisa encher de tracks com a minha voz, vai estragar. Deixe a música respirar. Deixa o solo soar por bastante tempo... Era pra parar aqui, mas deixa tocar mais um pouco. Deixe a música respirar e falar por si só. Era isso, e Ehren foi parte dessa visão. Tivemos sorte de ter Steve Feldman na mesa de som e Robbie Waldman como produtor executivo. Foi incrível fazer isso. Verão passado, meus filhos estavam aqui, tinha uma piscina bonita e uma jacuzzi no estúdio. Robbie tinha um lugar incrível. Acredite ou não, o estúdio está fechado desde então, esse foi o último disco gravado lá. Chris Goss, da banda Masters of Reality e hoje um dos produtores do The Cult, abriu o

estúdio. Fui a primeira pessoa a cantar lá, e agora fui a última. Era um lugar incrível, e agora está para alugar. É até emocionante pra mim, porque eu amava aquele lugar. Ian Astbury (vocalista do The Cult) fez “Spirit Like Speed” ali, e bandas como The Flys, Queens of the Stone Age, Fu Manchu e várias outras gravaram bastante lá. Foi muito legal ter feito parte do Unit-A Recording Studio em Palm Springs.

Incrível. Só de ouvir isso torna esse projeto ainda mais especial. John Garcia: Pois é. Falei com o Robbie quando ele veio até a clínica com o gato dele outro dia, foi uma surpresa pra mim. Se eu tivesse dinheiro o bastante, abriria o estúdio de novo. É uma pena, mas vida que segue. Provavelmente vamos gravar em outro estúdio no deserto. Ainda temos que encontrar o lugar, mas estamos trabalhando nisso.

Alguma turnê planejada antes de terminarem de gravar o novo disco? John Garcia: Ehren e eu

vamos para a Europa em março, fazendo shows acústicos durante algumas semanas. Em abril, a banda toda vai pra lá para testarmos o novo material e nos habituarmos. Depois de voltarmos, vamos pro estúdio e terminamos de gravar. Em junho, o Slo Burn (outra banda de John) vai tocar, mas nada muito grande. Só três turnês pra esse ano. O estúdio no verão, mas além disso, só aproveitar a vida. ODM | A

LINKS https://www.facebook.com/JohnGarciaOfficial/ https://soundcloud.com/napalmrecords/john-garcia-my-mind MY MIND John Garcia

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ENTREVISTA ALEXSANDRO HABIGZANG VOCAL/GUITARRA

O PODER DO DOOM/DEATH METAL PARANAENSE POR

Rafael Sade

rafael.doomed@gmail.com

Dying Suffocation é uma banda recente de Pato Branco, no Paraná, que executa um belo death/doom e que mais uma vez nos faz voltar os olhos para a cena do Sul do Brasil. O guitarrista/vocalista Alexsandro Habigzang nos conta sobre a trajetória da banda e os caminhos que ela busca percorrer.

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FICHA ORIGEM

Pato Branco Paraná

GÊNERO

Death/Doom Metal

CURRENT MEMBERS

Alexsandro Habigzang Vocal/Guitarra Dianriel Duarte Guitarra André Kichel Baixo Jorge Gustavo Kichel Bateria Dianriel Duarte Guitarra

FORMAÇÃO 2014

When I Die (2015)

Rafael Sade: O grupo surgiu em 2014. Conte-nos sobre sua origem e suas principais influências. Alexsandro Habigzang: O

Dying Suffocation surgiu quando eu e o André Kichel tocávamos em uma banda de death metal aqui em Pato Branco. Por termos muitas influências iguais e uma ideia em querer fazer música autoral, sempre falamos em realizar um projeto de doom metal que é o nosso caminho em comum. Decidimos então ir em frente com o projeto. Foi então que convencemos o Jorge Kichel a estudar bateria e que fundaríamos uma banda desse estilo, pois o Jorge também é adepto ao estilo. Quando percebemos que o Jorge já estava em um ponto para iniciarmos o projeto, resolvemos fundar o Dying Suffocation. Nossas influências são bastante diversificadas. Eu, por exemplo, desde os oito anos aprecio thrash e heavy metal. Conheci o doom metal com o Cathedral aos 12 anos e não parei mais de procurar pelo estilo. Tive algumas bandas de thrash e death em Porto Alegre (minha cidade natal), o André estudou música clássica e desde cedo também curte thrash, heavy e doom. O Jorge também vem nessa mesma linha, mas podemos dizer que nossa maior inspiração está nas nossas experiências de vida, seja o sofrimento, a dor e as adversidades que fazem parte do nosso

NOSSA MAIOR INSPIRAÇÃO ESTÁ NAS NOSSAS EXPERIÊNCIAS DE VIDA, SEJA O SOFRIMENTO, A DOR E AS ADVERSIDADES QUE FAZEM PARTE DO NOSSO TRABALHO.” ALEXSANDRO HABIGZANG - VOCAL/GUITARRA

trabalho. Para citar bandas, escolheria Candlemass, Cathedral, Obituary, Death, Beyond Creation, Paradise Lost e My Dying Bride.

O estado do Paraná já foi o centro das principais bandas e festivais de doom metal no Brasil. Como foi viver essa época gloriosa e o que isso influenciou a banda? Alexsandro: Não vivemos essa época aqui, principalmente no interior do Paraná. Estava mais concentrado na capital Curitiba. Aqui (em Pato Branco) não chegava nada. ODM | A

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ENTREVISTA ALEXSANDRO HABIGZANG VOCAL/GUITARRA

O EP When I Die saiu com quatro músicas. Conte para nós um pouco mais sobre ele. Alexsandro: O EP foi idealizado

EM OUTUBRO PRETENDEMOS REALIZAR UM EVENTO PARA ARRECADAR BRINQUEDOS PARA CRIANÇAS.” ALEXSANDRO HABIGZANG - VOCAL/GUITARRA

Vocês deram as caras no cenário nacional após a demo autoentitulada e o EP When I Die de 2015. Como foi a repercussão? Alexsandro: Lançamos a demo

em formato digital e compilamos um clipe caseiro feito por nós mesmos e colocamos no YouTube para as pessoas poderem conhecer um pouco do trabalho que se iniciava como a maioria das bandas faz. Para a nossa surpresa, em poucos dias no YouTube recebemos um contato de uma web rádio aqui do Brasil, a Metal Militia Web Radio, elogiando o trabalho e nos convidando para participar de uma coletânea internacional idealizada pela revista britânica Terrorizer. De imediato achamos que se tratava de uma brincadeira, mas era sério, e então participamos da seção “Fear Candy” da revista na coletânea Son of Carnival of Carnage junto com mais 14 ou 15 bandas aqui do Brasil. Foram distribuídos 30 mil exemplares no mundo todo e nós ganhamos uma cópia cada um. Foi um marco para nós, pois nos motivou a seguir em frente.

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pela motivação que obtivemos quando participamos da coletânea da Terrorizer, pois era necessário enviar uma música mixada para masterização lá na Inglaterra. Então, como tínhamos as músicas compostas, resolvemos com a mega-ajuda do Júlio Souza, do estúdio Musical Box, que deu total apoio, e também do Edi Buganza. Idealizamos nosso EP que foi realizado a quatro mãos, o que foi o meu primeiro contato com produção de música, no qual aprendi a editar e a mixar, e o Edi realizou a masterização. Para a capa, tínhamos algumas ideias e então conversamos com o artista Marcelo Vasco que realizou o trabalho todo para nós. Lançamos o EP em digipack e não vendemos nenhum, pois preferimos distribuir para quem nos ajudou a divulgar e para imprensa especializada na qual obtivemos resenhas bastante positivas e também um feedback dizendo que fomos nos aprimorando. Como tínhamos participado da coletânea recentemente, obtivemos inúmeros contatos de pessoas de fora do Brasil, principalmente da Europa, onde enviamos diversos EPs para pessoas da Alemanha, Polônia, Itália e Suíça, entre outros países, e da América do Sul também.

O Dying Suffocation é conhecido por fazer shows destinados a instituições carentes. Fale mais sobre esse projeto. Alexsandro: Nosso intuito é

divulgar o nosso trabalho. Como toda banda, queremos conquistar espaço aqui no Brasil e, se conseguirmos, vamos mundo a fora. Sabemos que é uma tarefa extremante difícil, mas estamos trabalhando. Sempre que nos convidarem para um evento beneficente, estaremos juntos, pois queremos também fazer o bem para o próximo.

Quando é uma entidade que realmente ajuda essas pessoas, faremos questão de ajudar também. Realizamos dois eventos beneficentes para ajudar as crianças abandonadas e sem familiares próximos, e conseguimos arrecadar junto com outras bandas e parceiros uma tonelada e meia de alimentos. Em outubro pretendemos realizar um evento para arrecadar brinquedos para essas crianças. É muito satisfatório quando podemos ajudar o próximo.

Em janeiro a banda soltou o primeiro lyric video da carreira. Como foi o processo? Alexsandro: O lyric vídeo

foi uma oportunidade em parceria com um grande amigo nosso, o Ítalo Fritzen, que está sempre ajudando as bandas locais e é um dos organizadores do festival Balada Infernal que está crescendo a cada edição e colocando Pato Branco na rota dos fests underground. O processo foi muito fácil, uma vez que o Ítalo escreveu um roteiro e deixamos nas mãos dele a execução. Estamos estudando realizar um próximo ainda mais elaborado.

No início de fevereiro saiu o primeiro clipe oficial. Este foi como? Alexsandro: Gravamos as

cenas no dia primeiro de janeiro de 2017 aqui em Pato Branco no estúdio Musical Box. Estruturamos o cenário, tínhamos algumas ideias, e então o André Costa, da Agência Maloik, realizou as filmagens. Foi divertido, uma experiência nova, mas bastante agradável. Esperamos que o vídeo agrade e que possamos ter outras oportunidades de realizar novos trabalhos.

O disco In the Darkness of the Lost Forest foi lançado no dia 20 de fevereiro. Como foi a produção do disco e da arte da capa? E quais os planos futuros? ODM | A


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ENTREVISTA RESENHAS

ALEXSANDRO HABIGZANG VOCAL/GUITARRA

Alexsandro: O nosso primeiro full length conta com oito faixas e é uma parte da trilogia que compomos. Um trabalho realizado de forma totalmente independente, no qual a captação da bateria e dos vocais aconteceu no estúdio Musical Box, e guitarras, baixo e arranjos foram gravados no meu home studio AH12. Realizei edição, produção e mixagem, e a masterização foi idealizada pelo excelente estúdio Absolute Master, que agregou muito ao trabalho. A arte foi assinada novamente pelo Marcelo Vasco que fez um trabalho excelente. Para o lançamento mundial contamos com o apoio do Patrick Souza, da Sangue Frio Produções e Sangue Frio Records, que junto a mais oito selos nos ajudaram a viabilizar a prensagem da primeira tiragem de cópias. Sobre planos futuros, seguiremos divulgando o nosso trabalho, trabalhando para ter material suficiente com o intuito de apresentar o Dying Suffocation. Estamos buscando contatos para participar de festivais e shows, e no segundo semestre vamos iniciar o processo de arranjos para o próximo trabalho. Gostaria de agradecer imensamente a oportunidade de apresentar um pouco do Dying Suffocation e dizer que estamos na luta e respeitamos a todos. Onde pudermos ajudar, estaremos à disposição. O desejo de apresentar o nosso trabalho a todos é muito grande e não mediremos esforços para alcançá-lo. Sabemos que nosso som é simples e intrigante, mas esse é o Dying Suffocation.

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O PRIMEIRO ÁLBUM DO DYING SUFFOCATION REAFIRMA A FORÇA DO PARANÁ NO DOOM METAL BRASILEIRO POR

Rafael Sade

rafael.doomed@gmail.com

C

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riada em 2014, o Dying Suffocation é uma banda de Pato Branco, Paraná, e o In the Darkness of the Lost Forest é o seu terceiro lançamento, mas apenas seu primeiro full length. Formada por Alexsandro Habigzang (vocais/guitarra), Dianriel Duarte (guitarra), André Kichel (baixo) e Jorge Gustavo Kichel (bateria), o quarteto executa um death/doom cadenciado, com sonoridade que lembra os primeiros trabalhos do My Dying Bride.


Foi gravado e produzido de forma totalmente independente e inteiramente masterizado pelo estúdio Absolute Master. A bela arte da contracapa conta com a assinatura do grande artista Marcelo Vasco, que já trabalhou com monstros como Slayer, Borknagar e Kreator, entre outros. O álbum conta com sete faixas e é uma continuação lírica do EP When I Die, lançado em 2015. As letras falam especificamente sobre a morte e podemos destacar duas composições do álbum que ganharam grandes destaques em vídeo: “When I Die”, que ganhou um lyric video, e a grandiosa “Death Bed”, dona de um videoclipe recente.

In the Darkness of the Lost Forest certamente dá novo ânimo ao berço do doom metal no Brasil que é o estado do Paraná. O trabalho também coloca a Dying Suffocation no hall de grandes bandas do cenário doom atual e o ascende ao patamar dos destaques da nova safra do metal mundial. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/DyingSuffocationDoom http://www.dyingsuffocation.com.br/ DEATH BED Dying Suffocation

DUING SUFFOCATION

2017

IN THE DARKNESS OF THE LOST FOREST

BRASIL 1 - The Angels 7’58’’ A 2 - When I Die 7’46’’ A 3 - Death Bed 6’02’’ A 4 - In Search of Salvation 7’30’’ A 5 - Tears Falling 7’00’’ A 6 - Rivers of Blood 7’48’’ A 7 - Sacrificed Souls 6’35’’ A 8 - Raising the Dead 9’04’’

octoberdoom.com

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ENTREVISTA + resenha

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Novo clássico do metal nacional

FICHA ORIGEM

Rio de Janeiro RJ

GÊNERO

Black/Death Metal

CURRENT MEMBERS

Rodolfo Ferreira Bass Flávio Gonçalves Vocals Raphael Casotto Guitars Jean Secca Drums Rafael Morais Guitar

FORMAÇÃO 2006

Lord ov the Vast Lands EP (2009)

COM MAIS DE 10 ANOS EM ATIVIDADES, DARK TOWER LANÇA NOVO ÁLBUM E SE FIRMA COMO FORÇA DO BLACK METAL BRASILEIRO POR

Raphael Arízio

raphael@balcklegionprod.com

m novo clássico. Isso é o que a banda DarkTower lançou ano passado. Eight Spears vem tendo grande destaque e aparecendo em listas de melhores do ano em sites, blogs e revistas de vários países. Vamos saber da banda carioca como eles têm recebido essa resposta do público e da mídia especializada e também como esse novo clássico do metal nacional foi forjado. ODM | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA + resenha

APRESENTAÇÃO DA BANDA na Praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro.

Raphael Arizio: Recentemente o DarkTower realizou sua primeira tour pelo Nordeste. Como foi a recepção para esses shows? Dark Tower: Primeiramente, uma saudação aos leitores da October Doom Magazine! Tivemos uma ótima recepção. Foi muito gratificante para nós o fato de termos esta oportunidade. Estarmos pela primeira vez em terras nordestinas foi uma grande experiência para a nossa carreira.

O Darktower lançou o novo disco Eight Spears em outubro de 2016. Como tem sido a repercussão desse lançamento? Dark Tower: Tem sido muito

boa. A resposta do público é bem extrema durante a execução das faixas do álbum (nos shows). É muito extasiante

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a sensação de ver as pessoas cantando e bradando palavras de apoio ao nosso trabalho, que é praticado sempre com muito esmero, paixão e honestidade. Vocês não sabem o quanto este apoio que tem nos concedido ao longo destas batalhas é importante. Sem contar a venda deste material. Em menos de seis meses a primeira prensagem já está chegando ao fim. Quanto à mídia especializada, as impressões têm sido as melhores possíveis. Muitos críticos vêm mencionando Eight Spears em posição de absoluto destaque, ao lado de alguns outros trabalhos também extremamente relevantes. Muitas destas resenhas o apontam, mencionando a vocação de ser um novo clássico do metal extremo nacional. É um verdadeiro deleite saber que o nosso trabalho está sendo tão aclamado.

A banda lançou um lyric vídeo para a faixa “Destroy the House ov Ha'shem. A repercussão desse som está dentro das expectativas? Dark Tower: Temos a extrema preocupação em interligar o nosso conteúdo lírico à música. Consideramos esta conexão de suma importância para o nosso trabalho. O lyric video é uma ferramenta atual extremamente válida, pois cria um elo maior do ouvinte com a proposta lírica de uma banda. O resultado é ótimo, uma vez que as pessoas massificam as palavras. Com isso, as nossas apresentações se tornam cada vez mais um potencial canal de emanação de energias. “Destroy the House ov Ha’shem” é uma música com uma mensagem forte. Logo,


Dark Tower: Nesta época, decidimos voltar aos palcos depois de um longo período de silêncio, pois queríamos experimentar o poderio do que seria, naquele momento, a nova formação do DarkTower. Logo, nada melhor do que fazermos um experimento com o que viria a ser o nosso novo material. Tínhamos muita curiosidade em saber como isso iria funcionar, a reação do público etc. Nada fora mudado. As músicas foram executadas da mesma forma que constavam na pré-produção. Consequentemente, mantivemos quando entramos no AM para gravar. Todas as músicas que são executadas têm a devida razão de estarem ali. Transcrevemos a mesma fúria e energia na execução de cada uma delas. O disco teve sua masterização ficou a cargo do Grego George Bokos (ex-Rotting Christ). Dentre muitos nomes, defina a escolha. Dark Tower: Bokos já trabalhava

uma acertada escolha para ser o primeiro single (e também a faixa de abertura) do nosso novo álbum. Tínhamos certeza de que ela seria fulminante. Ela veio a se tornar um verdadeiro clássico para as pessoas que admiram o trabalho da banda.

Algumas das músicas do novo disco foram tocadas ao vivo antes do lançamento. Isso mudou a percepção do grupo sobre essas músicas depois de gravadas? Acham que poderiam ter mudado alguma coisa depois de tocarem esses sons ao vivo? Quais dessas músicas vocês têm sentido que está soando melhor ao vivo?

em parceria com o nosso engenheiro de som (Fernando Campos). Sua competência e profissionalismo agregaram muito valor a alguns dos muitos materiais que consideramos relevantes, oriundos desta aliança. Tomamos esta decisão por sabermos que ele seria a melhor escolha, analisando por estes trabalhos anteriores.

A produção do disco foi feita pela banda junto ao engenheiro e produtor Nando Campos no AM Estúdio, no Rio de Janeiro. Por que esta escolha e qual o motivo de querer participar da produção do disco? O que o Nando Campos pôde acrescentar ao som da banda? Dark Tower: O Fernando é um

profissional extremamente competente, apto, analítico e minucioso. Com isso, ele foi orientado por nós (e nos orientou, obviamente) a captar apenas o melhor de nossas performances. Não há ninguém mais recomendado, para estar tão próximo à concepção

É UM VERDADEIRO DELEITE SABER QUE O NOSSO TRABALHO ESTÁ SENDO TÃO ACLAMADO.” DARK TOWER

do nosso filho do que nós mesmos, certo? Tínhamos a convicção de como o disco deveria soar e de como isso tudo deveria ser. Por este único motivo optamos por acompanhar cada detalhe. Decidimos que seria ele (Nando) justamente por este alto padrão de exigência que é gerado dentro de nosso próprio círculo, na cúpula da banda. Sempre elevaremos nosso trabalho ao nosso padrão de esmero. Nosso projeto de arte foi concebido e intuído a ser grandioso, e não nos conformamos em oferecer qualquer coisa aos apoiadores de nossa empreitada. Tenha certeza de que nossos lançamentos contêm o máximo do nosso potencial extraído para a dada época, e este ponto de vista é algo imutável. Faz parte da nossa essência.

A capa de Eight Spears chama atenção pelo seu belo trabalho. Por que ela foi idealizada desta forma e como foi sua concepção? Dark Tower: A capa é um con-

ceito de arte altamente simbológica, praticada com simplicidade e elegância pelo nosso baixista (e também artista gráfico) R. Ferreira. Ela descreve todo o conteúdo temático que se passa dentro de cada emanação, ao decorrer do álbum. Ela funciona como uma espécie de portal para a jornada que se encontra adiante. Deixarei que contemplem cada entrelinha do ODM | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA + resenha

JOÃO RAFAEL MORAIS, Guitarrista do Dark Tower

que registramos para vocês, para entenderem o que estou relatando.

bandas. Nada mais justo que termos esta importante reunião no disco.

Algumas letras da DarkTower falam sobre o conto que vocês criaram chamado "Anne and the Dark Tower” que, segundo a banda, é a ilustração do caos. O que mais vocês podem falar sobre esse tema? Ele estará sempre presente na história das suas composições? Dark Tower: No momento, nada

Este disco marca a mudança de Rodolfo da bateria para o baixo definitivamente. Como foi para ele na hora de gravação e por que essa mudança de instrumento? Dark Tower: Ele já sinalizava o

além do descrito em algumas faixas pontuais do disco ...Of Chaos and Ascension (2013). Em Eight Spears, optamos por não abordar o tema. Porém, posso adiantar que em lançamentos posteriores voltaremos a dar atenção a este conto. Aguardem!

No novo disco temos participações especiais de Eregion (ex-Unearthly), Guilherme Sevens (Painside), Pedrito Hildebrando (Vociferatus) e Rodrigo Garm (Pagan Throne). Como foram decididas essas participações e o que essas participações acrescentaram ao disco? Dark Tower: Foi uma escolha

natural. Todos eles são nossos amigos pessoais de longa data e possuem trabalhos relevantes com suas respectivas

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desejo em mudar de instrumento desde o lançamento do nosso debut. Pensava em explorar a questão da movimentação no palco, cantar com mais desenvoltura (a bateria é um instrumento que requer um extremo esforço físico, e isso não o fazia render em sua totalidade) e interagir mais com o público. O baixo sempre foi o seu segundo instrumento. Ele já havia se apresentado em outras ocasiões sob esta condição, antes de assumir oficialmente o instrumento no DarkTower. Logo após a saída do nosso baixista anterior, resolvemos que testaríamos este novo formato. Quanto às partes dele nas gravações, foi um processo fluido e bem tranquilo. O Rodolfo é um dos nossos principais compositores. Por causa disso, sempre foi bem familiarizado com as linhas de cordas em geral, além da bateria. Ainda que ele tenha ficado um tanto ansioso em registrar sua partici-

pação sob uma perspectiva diferente da anterior, tudo correu muito bem. O resultado vocês podem conferir no álbum.

Uma das características do conjunto é a inclusão de vocais limpos do Rodolfo na banda. Visto que hoje em dia esse recurso é usado em demasia, como isso é trabalhado para isso não soar forçado ou enjoativo? Dark Tower: Isso acontece de

forma natural. Quando estamos compondo, o processo toma fluidez e, em dados momentos, julgamos necessário incluí-los.

Em ...Of Chaos And Ascension foi lançado um clipe para a faixa “Dawn (of Darkened Times)” que teve grande repercussão. Pretendem lançar um vídeo para divulgar o novo trabalho? Dark Tower: Com certeza.

Faremos um vídeo oficial para uma das músicas do novo álbum em breve. Esperamos compartilhar esta novidade com vocês o quanto antes.

Eight Spears tem figurado em diversas listas no Bra- ODM | A


OCTOBER DOOM ENTERTAINMENT & STONED UNION DOOMED

COLETÂNEA DA OCTOBER DOOM MAGAZINE, EM PARCERIA COM A STONED UNION DOOMED BANDAS QUE LANÇARAM ÁLBUNS OU EP'S A PARTIR DE JULHO DE 2016

#FeelTheDoom

octoberdoom.com

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ENTREVISTA

sil e no mundo como um dos melhores de 2016. Como foram recebidas por vocês essas respostas dos críticos? Dark Tower: Como foi dito aci-

ma, recebemos esse feedback da mídia com a sensação do nosso dever cumprido, com bastante êxito. Essa é uma resposta à altura do esmero e extrema dedicação ao nosso trabalho. O primeiro álbum fora concebido em conjunto com pessoas que, apesar de terem a nossa amizade, não puderam seguir em frente conosco, em sintonia com os objetivos e sacrifícios que a nossa empreitada exige. Por isso, acabamos precisando de um novo time para o show de lançamento de ...Of Chaos and Ascension. A despeito da situação, muitas pessoas passaram a se questionar acerca do futuro da banda sem os nossos antigos integrantes. Eight Spears é uma resposta à altura de todos os questionamentos de outrora – a essência e força motriz da banda sempre estiveram dentro do círculo. E mais, sempre teremos a determinação para levarmos o nome da banda a novos patamares. Ver o nosso sacrifício e trabalho sendo apoiados, com críticas tão inflamadas, tantas indicações - tanto no Brasil, quanto mundo afora - e, principalmente, as palavras de incentivo de nossos fãs e amigos, que colocam o novo álbum como o nosso melhor trabalho. Posso dizer que estas são as melhores recompensas pelo nosso incansável esforço.

O lançamento ocorreu via Black Legion Productions e LabSix no Brasil. Existe planejamento para lançamento fora do país? Dark Tower: Estamos em contato com alguns selos e pretendemos anunciar alguma boa parceria nos próximos meses.

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Como avalia o comportamento das vendas de streaming para bandas de metal extremo? Considera um avanço no mercado ou regressão? Dark Tower: O mercado se re-

modela ao passar do tempo. Algumas práticas de outrora se tornaram pouco usuais, e vimos o resgate de outras (os LPs e fitas cassete são um exemplo disso). A verdade é que, com a internet, tudo ficou mais acessível. Com isso, por muitas vezes, o público tende a perder o apreço pelo material físico. Cabe a todos nós (tanto ao público, quanto às bandas) uma reflexão: digo que nós, enquanto bandas, devemos estar antenados às transformações que a indústria fonográfica sofreu e devemos tomar alternativas viáveis para a nossa arte continuar a ser atrativa às pessoas.

Enquanto público, devemos nos tornar consumidores. Simplesmente estou dizendo para adquirirem materiais das bandas que você admira ou tem empatia. Esta é a nossa única fonte de receita para continuarmos em frente. Tudo custa dinheiro. Ensaios, gravações, conserto e regulagem de instrumentos, transporte, alimentação etc. Tenha em mente que, no Brasil, as bandas de metal precisam de muita garra e vontade para seguirem ativas.

As vendas de CD físico vêm despencando, é um fato. Por exemplo, os carros vêm agora com pendrive e/ou bluetooth, o que já é um indicativo da falta de interesse ou necessidade dos usuários. Como avalia a importância de um lançamento físico para o DarkTower?


RECEBEMOS ESSE FEEDBACK DA MÍDIA COM A SENSAÇÃO DO NOSSO DEVER CUMPRIDO, COM BASTANTE ÊXITO. ESSA É UMA RESPOSTA À ALTURA DO ESMERO E EXTREMA DEDICAÇÃO AO NOSSO TRABALHO.” DARK TOWER

DARK TOWER

...OF CHAOS AND ASCENSION

2013

MURDER OF ANNE Dark Tower

Dark Tower: Mesmo com este expressivo desinteresse, muita gente gosta de ter o material, folhear o encarte, guardar no acervo. Em consideração a esse tipo de pessoa, eu julgo absolutamente necessária a prensagem do material. Enquanto apenas uma pessoa no mundo gostar de ter o material físico (CD, LP, cassete, DVD e outros), isso não pode parar. Devido à resposta do público a respeito do novo disco, a banda pretende realizar alguma turnê fora do país? Existem planos no momento para isso?

Dark Tower: Isso vai se tornar realidade. Temos planos concretos para isso, porém não temos nenhum anúncio oficial a ser feito. Acompanhem o nosso trabalho em todas as plataformas e estejam antenados a todas as nossas novidades. Passados alguns anos do lançamento de ...Of Chaos And Ascension o que a banda pode dizer sobre a repercussão deste disco? Superou as expectativas? Dark Tower: Foi muito bom para

nós. Vale ressaltar que foi um grande passo em nossa carreira. Como falamos anteriormente, nesta época (do lançamento) passamos por uma brusca mudança de formação e fizemos a reestruturação para o lançamento do álbum. Em tempo, tudo isso foi superado. Estaremos sempre inclinados a

ousar em novos projetos, desde que a mudança não seja em detrimento à nossa essência. Almejamos ser melhores a cada dia que passa. Sobre a repercussão do debut, não poderia ter sido melhor. As pessoas ainda nos procuram para adquirir o material. Estamos na segunda prensagem, e terminando.

Espaço para considerações finais e agradecimentos: Dark Tower: Gostaria de agra-

decer à October Doom Magazine pela oportunidade e espaço cedido. Um especial agradecimento a você, que está lendo cada palavra nossa. Se não conhece o nosso trabalho, esteja convidado a visitar nossas plataformas. Vocês serão muito bem-vindos! Estejam atentos à nossa agenda. Compareçam às nossas celebrações! Grande abraço a todos! ODM | A octoberdoom.com

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RESENHAS

Torres negras do Black Metal EIGHT SPEARS É O SEGUNDO ÁLBUM DA BANDA DARK TOWER. NÓS OUVIMOS, REOUVIMOS E RESENHAMOS PRA VOCÊS POR

Raphael Arízio

raphael@balcklegionprod.com

D

epois de três anos passados desde o lançamento de seu debut, ...of Chaos and Ascension, os cariocas do DarkTower retornam com Eight Spears, e pode-se dizer que conseguiram superar o seu excelente disco de estreia. Além de mostrar todos as características do som da banda, o lançamento expõe clara evolução em todos os sentidos. O som se mostra mais trampado, agressivo e com uma qualidade de gravação excepcional. Para abrilhantar mais a novidade, ainda temos as participações de Felipe Eregion do Unearthly nos vocais em “Destroy the House ov Ha’shem”, de Guilherme Sevens do Painside nos vocais em “The Legion Marches On”, de Pedrito Hildebrando do Vociferatus

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nos vocais em “Eight Spears” e de Rodrigo Garm do Pagan Throne nos vocais em “Blood Harvest”. Logo de cara, deparamos com uma belíssima capa feita pelo agora baixista Rodolfo Ferreira, que até pouco tempo atrás assumia as baquetas. Com suas cores fortes e arte obscura, a arte demonstra claramente o que o DarkTower quer passar para os ouvintes e casa perfeitamente com o som dos cariocas. A gravação feita no estúdio AM, no Rio de Janeiro, destaca ainda mais o som deste belo disco, que contou com produção da própria banda em conjunto com o renomado produtor Fernando Campos, que também mixou o disco. Já a masterização ficou a cargo de George Bokos (ex-Rotting Christ) no Grindhouse Studio (Grécia), deixando tudo no mais altíssimo nível.

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O resultado foi uma gravação limpa, sem deixar o peso e a agressividade características do conjunto de lado. Todo este trabalho deixou o disco à beira da perfeição. Falando nele, a intro “Eight Paths Initiation” já de maneira sinistra deixa o ouvinte no clima para que seja apreciado o que a banda tem de melhor. Em seguida temos o primeiro single, “Destroy the House ov Ha’shem”, faixa com riffs brutais e um refrão marcante. Quem já pôde conferir algum show deste quinteto sabe como esta obra funciona perfeitamente ao vivo. Em “Burn the Pyre”, o agora baixista Rodolfo Ferreira se destaca juntamente com seu sucessor na batera, Jean Falcão. Com uma cozinha matadora, a dupla mostra a que veio nessa faixa com linhas insanas particularmente nestes instrumentos. O vocalista Flávio Gonçalves, juntamente com Rodolfo, são os destaques em “The Legion Marches On”, conseguindo com maestria juntar os habituais vocais rasgados e guturais de Flávio com os limpos de Rodolfo. Apesar de


DARK TOWER 2017 EIGHT SPEARS BLACK LEGION PRODUCTIONS/ LAB 6 MUSIC BRASIL 1 - Eight Paths – Initiation 3’04’’ A 2 - Destroy the House of Ha’shem 5’28’’ A 3 - Burn the Pyre 5’52’’ A 4 - The Legion Marches On 6’54’’ A 5 - Nameless Servants of Damnation 4’01’’ A 6 - On Darkest Wings 5’46’’ A 7 - Haeretic 6’41’’ A 8 - Eight Spears 6’21’’ A 9 - Blood Harvest 6’03’’

ser um recurso usado em demasia hoje em dia, a banda consegue usar isso sem se mostrar clichê. A brutalidade dita o ritmo em “Nameless Servants of Damnation”. Riffs brutais e pegajosos de Rafael Casotto deixam claro que houve muito trabalho para superar o primeiro disco. Com certeza uma das melhores faixas

criadas pelo grupo. Com certa influência de thrash, mesclada à brutalidade habitual do DarkTower, “On Darkest Wings” se destaca com riffs memoráveis e mostra que Rafael Casotto não está para brincadeira. O trabalho de guitarra desse disco é marcante. Riffs, melodias infernais e solos que ficam na sua cabeça por dias. Uma atmosfera sinistra e demoníaca toma conta de “Haeretic”. Flávio mais uma vez se destaca com linhas vocais sinistras e marcantes. Depois, a faixa-título passa como um trator pelo ouvinte, com extremismo ímpar. Riffs assassinos e um trabalho de bateria destruidor de Jean deixa o ouvinte de queixo caído com este exemplo violento de técnica. “Blood Harvest” termina o disco de maneira brutal. Rif-

fs e blasting beats são jogados na cara do ouvinte sem dó nem piedade. Isso sem falar no solo matador de Rafael que merece atenção. Estamos diante de um clássico do metal nacional. Um disco que beira a perfeição e que deve ser escutado por todos os fãs de metal. Mais uma vez as bandas brasileiras mostram que não devem nada às gringas. Com certeza Eight Spears coloca o DarkTower no mais alto patamar do metal nacional. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/darktowermetal www.darktowerofficial.com DESTROY THE HOUSE OV HA’SHEM

Dark Tower

octoberdoom.com

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ENTREVISTA MICHELLE NOCON VOCAL

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Resenha SERVUS


FICHA ORIGEM Limbug Belgium

GÊNERO

O DOOM DA METAL BRUXA BELGA

Occult / Doom Metal

CURRENT MEMBERS

Michelle Nocon Vocal Dwight Goossens Guitarra Raf Meukens Baixo Jelle Stevens Bateria

FORMAÇÃO 2013

O BATHSHEBA LANÇOU SERVUS E SURPREENDEU A CENA DOOM METAL MUNDIAL. NÓS ENTREVISTAMOS MICHELLE NOCON, VOCALISTA DA BANDA

POR

Edi Fortini

/EdiFortini edi.fortini@gmail.com Elyson Gums (Tradução)

B

ATHSHEBA é uma banda belga de Doom atmosférico que traz a longa experiência dos músicos de outras grandes bandas como Death Penalty, SardoniS e Serpentcult. Aproveitando a oportunidade do lançamento de “Servus”,

batemos um papo com a vocalista Michelle Nocon e o resultado foi excelente! Falamos sobre a cena musical em geral, sugerimos algumas bandas brasileiras, e ela gostou muito de uma em especial - suspense! - e falamos também sobre feminismo, assunto que vamos reforçar sempre até que todas as mulheres sejam respeitadas como devem ser! ODM | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA MICHELLE NOCON

Resenha SERVUS

VOCAL

AO INVÉS DE RECLAMAR NA INTERNET SOBRE COISAS QUE ACONTECEM NO OUTRO LADO DO MUNDO, ACHO QUE AS PESSOAS DEVERIAM LEVANTAR E FAZER ALGUMA COISA...” MICHELLE NOCON - VOCALS BATHSHEBA

BATHSHEBA É FORMADA por músicos de bandas como Death Penalty, SardoniS, Serpentcult e Whirr.

Edi Fortini: Antes de mais nada, obrigada pela gentileza! Estamos muito felizes por fazer a entrevista e mostrar essa banda maravilhosa para o Brasil. Michelle Nocon: Olá, sou

Michelle, vocalista do BATHSHEBA. Nós é que agradecemos!

e sem limites. Minhas influências vêm muito da natureza também. Às vezes olho pra minha vida e personalidade e comparo com o quanto cresci. Fui inspirada também por ‘The Story of my Heart’, de Richard Jefferies. Esse livro realmente mexeu comigo, é bem filosófico e naturalista e consigo me ver nele.

O nome da banda é repleto de simbologia e significados.... Quais são as principais influências de vocês na arte (literatura, músicas, filmes etc)? Michelle: Acho que os caras (da

Você esteve em outras bandas e agora está com o Bathsheba por quase três anos. De uma perspectiva feminina, como tem sido essa jornada? Michelle: Sempre fui o tipo de

banda) são mais influenciados pela música. Definitivamente por bandas como Pallbearer, Dismember, Black Sabbath… As maiores influências pra mim são a vida e a morte; a tristeza me influenciou bastante. Não sou muito influenciada por outras músicas ou cantores, exceto talvez a música ‘Drift Away’ do Fear of God. É tão emotiva

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pessoa que faz suas próprias coisas, em seu próprio tempo, assim como estou fazendo agora. Nos dias de Serpentcult eu era uma menina, agora sou uma mulher. Isso ficou claro em tudo o que eu faço. Evolui pessoalmente e musicalmente. Pareço a mesma, mas diferente. Sou muito agradecida por esse crescimento e agora sou mais

forte do que nunca, me sinto mais preparada para assumir esse poder. Acho que isso é perceptível ao ouvir o álbum. Sou só ¼ da banda, mas acho que todo mundo consegue ouvir o quanto cresci como musicista e pessoa. BATHSHEBA permitiu que eu me expressasse nesses três anos e permitiu que eu me encontrasse, através da música e amizade.

O mundo está passando por um momento político tenso. Como está essa questão na Bélgica? Esse assunto é abordado nas letras da banda? Michelle: Às vezes discutimos internamente e nem sempre concordamos. Mas é assim mesmo, você não é obrigado a concordar com ninguém. Dito isso, tentamos nos manter afastados da política, BATHSHEBA não é uma banda política. Eu mesma evito a maioria das coisas que tem a ver com política e autoridade. Não existe, nada


Como é a cena musical da Bélgica hoje em dia? Michelle: Não podemos recla-

mar, tem uma cena bandas bem legais aqui, como Raketkanon, Amen Ra, Hedonist, HEMELBESTORMER, Vandal X, Hypochristmutreefuzz. Muita banda “estranha”. Algumas até chegam ao mainstream, como Sore Losers, Black Box Revelation,... Temos Steak Number Eight, NAH, originalmente de Bruxelas, BLAEGGER, que está começando agora... Amo essa cena!

Você conhece alguma banda brasileira? Michelle: Além do Sepultura,

vou ter que te desapontar. Me mostre algumas bandas, me conte mais sobre a cena! (Nota: Após essa entrevista, enviamos à Michelle links para nossas coletâneas Hard’n Slow e ela disse adorer as bandas, principalmente Black Witch!)

Servus foi lançado! Como está sendo o feedback? E a expectativa para shows nesse ano? Michelle: As reações têm sido

BATHSHEBA THE SLEEPLESS GODS

EP 2016

THE SLEEPLESS GODS Bathsheba

disso é real pra mim. E eu tento o máximo possível viver indiferente a coisas que não são reais pra mim. Inclusive, ao invés de reclamar na internet sobre coisas que acontecem no outro lado do mundo, acho que as pessoas deveriam levantar e fazer alguma coisa...

ótimas até agora! Estamos muito satisfeitos e muito agradecidos. Já estamos trabalhando em músicas novas, mas agora que o disco foi lançado, os shows vão ter outra dimensão, claro. Estamos ansiosos por tocá-lo ao vivo, como se tivéssemos que passar por isso pra estarmos aptos a uma próxima fase.

Como foi o processo de composição para Servus? Michelle: Desenvolvemos as

faixas no nosso ritmo. Pegamos duas músicas antigas, ‘Manifest e ‘The Sleepless Gods’ porque gostamos do som particular que elas têm. Com o novo material, certamente dá pra ouvir uma nova parte do BATHSHEBA e uma clara evolução. Mesmo assim, essas duas músicas ainda pertencem ao disco. Pro resto, na maioria das vezes foi o Dwight que veio com um riff. Aí

eles fazem uma jam e me mandam o resultado. Depois eu faço uma linha vocal, e então continuamos a fazer a estrutura da música juntos, mudamos partes que não estão encaixando bem etc. Quando sentimos que está “finalizado”, gravamos uma demo.

Dezembro passado, vocês lançaram um belo clipe para “Demon 13”. Podemos esperar mais? Michelle: Muito obrigado. Re-

centemente lançamos um vídeo para Ain Soph. E não estamos planejando nada agora. Estivemos bem ocupados com esse vídeo e lançamento de Servus, então estamos lentamente trabalhando em coisas novas. Em breve teremos alguns shows, então precisamos nos preparar para isso também.

Você trabalhou em grandes produções por muitos anos. Qual sua opinião sobre o mercado artístico atual pras mulheres? Você acha que está melhor, no sentido de as mulheres serem respeitadas como qualquer outra pessoa? O que você tem a dizer para outras mulheres que estão lutando por seu espaço no meio artístico? Michelle: É triste que por alguma razão a cena de metal feminino seja algo meio ridícula. E é basicamente feita pelas próprias mulheres. Tem poucas na música pesada que possam ser levadas a sério, a meu ver. Por sorte, tem algumas, como Dawn Crosby do Fear of God, mas também outras mulheres, como Kira Clarke do Muscle and Marrow, Caro Tanghe do Oathbreaker.... Quando vamos um pouco além do metal, temos Pj Harvey ou Björk que realmente iluminam esse caminho com o seu talento. Não é tão ruim, mas eu acho que os grandes nomes da indústria do metal realmente não estão valorizando as mulheres vocalistas do metal. Claro, cada um tem sua opinião. ODM | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA Resenha SERVUS

RESENHAS

Doom MICHELLE NOCON VOCAL

definição por

É TRISTE QUE POR ALGUMA RAZÃO A CENA DE METAL FEMININO SEJA ALGO MEIO RIDÍCULA.” MICHELLE NOCON - VOCALS BATHSHEBA

Então eu acho que muitas de nós não somos realmente respeitadas, ou até sexualizadas, porque às vezes essa é a imagem que elas estão passando quando estão no palco, ou a facilidade da venda da imagem em geral. Elas precisam ser modelos, fazer uma música sem vida.... Então, claro, elas têm muitos fãs, mas consigo imaginar que nem sempre sejam levadas a sério. Eu diria a essas artistas mulheres de verdade que elas façam só o que elas quiserem. Pode ser um mundo masculino, mas somos mulheres. Somos criaturas poderosas, temos cérebro e talento e podemos ser muito fortes. Eu definitivamente não quero dizer que as mulheres não são respeitadas

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por seu comportamento. Digo, você deveria ser capaz de se portar de forma sexy ao redor de homens sem eles agirem como imbecis.... Mas frequentemente eles são e é assim mesmo. Sabendo disso, você consegue manipular sua própria imagem e objetivos às vezes.

Esse é o fim da entrevista. Realmente esperamos vê-lo no Brasil algum dia. Alguma mensagem para os fãs? Muito obrigado! =] Michelle: Muito obrigada pela entrevista! Seria uma satisfação visitar o seu país e conhecer todos vocês! MUITO OBRIGADA!

O PODER DE SERVUS, PRIMEIRO ÁLBUM DO BATHSHEBA POR

Edi Fortini

edi.fortini@gmail.com

E

3 /EdiFortini

stamos apenas em março e já temos uma grande quantidade de ótimos álbuns lançados. O ano de 2017 ainda promete muitas surpresas e as listas


BATHSHEBA SERVUS

2017

SVART RECORDS do pessoal da October Doom já contam com muitos nomes e com um algo a mais: várias bandas com mulheres musicistas. Uma das gratas surpresas deste ano dá-se com o lançamento de Servus, primeiro álbum dos belgas do Bathsheba, capitaneados pela vocalista Michelle Noon (batemos um papo com ela recentemente e a entrevista também está nessa edição). Doom por definição, oculto por opção, o nome Bathsheba carrega uma carga emocional forte e obscura. Personagem bíblica descrita como a mulher que fez do rei Davi um pecador, também é descrita como a mãe de Salomão, alimentando muitas interpretações que dependem dos diversos pontos de vista. Algumas histórias a apontam como filha de Satã por seduzir Davi e se tornar a Rainha Mãe. Já em outras, ela é vista como uma bruxa, ou seja, como toda personagem feminina, ela carrega muitas faces e bases para contos e lendas. Bathsheba já chega com uma tradi-

ção dentro de seu estilo, trazendo além de Michelle (ex-Serpentcult, Leviathan Speaks e Death Penalty), o baterista Jelle Stevens (ex-SardoniS), o baixista Raf Meukens (Death Penalty, Torturerama) e o guitarrista Dwight Goossens (ex-Disinterred). Todas essas informações já são garantias de qualidade em álbum, mas iremos além. Servus se inicia com "Of Fire", faixa que traduz perfeitamente o que a banda traz: peso arrastado, denso e penetrante - é impossível ficar ileso dos feitiços lançados. Quando entoados em suas primeiras notas, Michelle já nos cativa com seu vocal ora limpo, ora rasgado e repleto de personalidade. "Ain Soph" apresenta uma linha de metais dentro da estrutura pesada e carregada que antecede ao caos sonoro ao final de sua composição. Não há como não agradar. "The Sleepless Gods" é dona de riffs e solos lindíssimos, com estrutura cadenciada e harmônica, mesclando perfeitamente com a linha vocal.

BÉLGICA 1 - Conjuration of Fire 7’34’’ A 2 - Ain Soph 5’42’’ A 3 - Manifest 10’33’’ A 4 - Demon 13 5’45’’ A 5 - The Sleepless Gods 7’14’’ A 6 - I, at the End of Everything 8’25’’

É certamente uma das melhores do álbum. "I, at the End of Everything" é a faixa mais longa e, com os seus oito minutos, fecha a compilação com maestria e com belíssima fusão de linhas vocais. Peso, coesão e originalidade marcam o álbum que traz todos elementos na dose certa. Sobram elogios a Servus e já aguardamos notícias de turnês e lançamentos vindouros. Seria ótimo vê-los ao vivo! OD | A

LINKS https://www.facebook.com/pg/bathshebakills https://bathshebakills.bandcamp.com/ DEMON 13 Bathsheba

octoberdoom.com

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ENTREVISTA

CHRISTIAN PETERS VOCAL/GUITAR

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FICHA ORIGEM Berlin Germany

GÊNERO

Stoner/Doom Metal

CURRENT MEMBERS

Hans Eiselt Bass Thomas Vedder Drums Christian Peters Guitars, Vocals

FORMAÇÃO 2007

Waiting for the Flood (2013)

Revelation & Mystery (2011)

Long Distance Trip (2010 )

ENTREVISTA COM O SBE, ÀS VÉSPERAS DA TURNÊ PELO BRASIL POR

P

Matheus Jacques

matheusjacquesstoneduniondoomed@outlook.com Elyson Gums (Tradução)

ouco antes de desembarcar no Brasil pela primeira vez para a tour de cinco datas em março (dia 08, Porto Alegre; dia 09, Florianópolis; dia 10, Belo Horizonte; dia 11, São Paulo; e dia 12, Rio de Janeiro), batemos um papo por e-mail com o Christian Peters, vocalista do Samsara Blues Experiment, que nos respondeu prontamente e foi muito atencioso. Siga abaixo o que de melhor rendeu no bate-papo com o grandalhão. ODM | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA

CHRISTIAN PETERS VOCAL/GUITAR

O SBE TOCOU NO BRASIL algumas faixas do novo álbum “One With The Universe”.

Matheus Jacques: Para aqueles que não conhecem a história muito bem, você poderia nos falar um pouco sobre a formação do Samsara Blues Experiment e o que você fazia musicalmente até então? Christian Peters: Estou junto

com o Samsara desde a primavera de 2007. São quase 10 anos. Eu comecei com uma variedade de pessoas antes que encontrasse a constelação ideal de membros por volta de outubro de 2008, acho. Tocamos algumas centenas de shows, a maioria na Europa e também alguns em território americano. Lançamos três álbuns de estúdio e um ao vivo. A maioria das pessoas deve nos conhecer pelo agora bem conhecido debut Long Distance Trip, que tem três milhões de visualizações no YouTube em apenas dois anos. Eu me pergunto o porquê (risos). De qualquer forma, eu toco desde o fim dos anos 1990 e estou bastante inserido na psicodelia e no stoner rock desde então. Tenho visto muito e realmente curto a brisa atual do estilo mais classic rock comparado ao peso bem do início dos anos 2000. Desnecessário dizer que isso dá a pessoas como eu uma voz e não nos deixa mais parecer como “pobres nerds”.

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É ótimo finalmente ter o Samsara vindo para o Brasil e diria que é uma das vindas mais aguardadas. Como se desenrolou finalmente essa primeira tour sul-americana? Christian: Encontrei o Felipe,

da produtora Abraxas, em 2012, acho. Ele era “apenas um fã” então e me perguntou se eu iria ao Brasil algum dia, e eu apenas disse: “Cara, coloque alguns shows, tenha os amps e bateria no palco. Nós levamos nossas guitarras e tocamos”. Então, ele fundou sua própria produtora e nos queria como a primeira banda estrangeira, mas tivemos alguns problemas internos e não pudemos fazer tão cedo. Acho que com o novo trio, que está bem ajustado, é finalmente a hora de fazer isso.

A sonoridade do Samsara é realmente uma grande “mente-aberta”, uma jornada pela psicodelia, pelo stoner, por elementos eletrônicos e também música oriental. Desde o início do trabalho era dessa forma e para isso que vocês queriam convergir? Christian: Sim, porque simplesmente amo música e eu amo a vida. Não se deve limitar sua mente apenas porque você tem medo do que qual-

A MAIORIA DAS PESSOAS DEVE NOS CONHECER PELO AGORA BEM CONHECIDO DEBUT LONG DISTANCE TRIP, QUE TEM TRÊS MILHÕES DE VISUALIZAÇÕES NO YOUTUBE EM APENAS DOIS ANOS. EU ME PERGUNTO O PORQUÊ (RISOS).” CHRISTIAN PETERS - VOCAL/GUITAR SAMSARA BLUES EXPERIMENT

quer um possa pensar de você. É apenas… extremamente limitador (risos). Libertem suas mentes, irmãos e irmãs. Tudo é uno! E não, não sou um hippie, ou talvez eu seja. Quem se importa, de qualquer forma? ODM | A


Todo mês um novo vídeo

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ENTREVISTA

CHRISTIAN PETERS VOCAL/GUITAR

VIVA A VIDA DE FORMA RESPONSÁVEL, EM HARMONIA COM O UNIVERSO E VOCÊ MESMO, E VOCÊ VERÁ QUE NÃO HÁ TANTO A SE TEMER. NÓS TODOS VIVEMOS, NÓS TODOS MORREMOS. É ISSO.” CHRISTIAN PETERS - VOCAL/GUITAR SAMSARA BLUES EXPERIMENT

Long Distance Trip, Revelation & Mystery (meu favorito) e Waiting for the Flood. Cada um desses discos tem suas próprias nuances e pontos fortes. Tem algum especificamente que te agrade, algo tipo “álbum de estimação”, ou algum cuja concepção tenha sido mais problemática? Christian: Legal! Finalmente

alguém que aprecia Revelation & Mystery! É meu favorito também, porque é também o “melhor renderizado”. Eu tenho problemas ouvindo os outros dois porque tem tantos erros e vamos lá, meus vocais no LDT no geral são um saco. Eu tinha apenas começado a

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cantar. É uma pena para alguns desses grandes sons, eu sei… Mas cada álbum é um testemunho de seu tempo e por isso tudo está bem como está.

M.J: Como vai tudo com o novo álbum? Timing de estúdio, data de lançamento, selo… Em que ponto mais ou menos está o novo trabalho do Samsara e o que podemos esperar? Christian: Os caras e eu gasta-

mos todo o mês de janeiro em estúdio trabalhando nisso e ainda temos algumas datas marcadas para trabalhar nos últimos detalhes. Esperem um típico álbum do Samsara com alguns atípicos momentos. Por exemplo, eu toquei

SAMSARA BLUES EXPERIMENT ONE WITH THE UNIVERSE 2017

ONE WITH THE UNIVERSE Samsara Blues Experiment


É ENGRAÇADO VER PESSOAS POSTAREM OS NOSSOS BILHETES COM COISAS COMO OPETH E TAL, PARECE REALMENTE COMO DOIS PARES DE SAPATOS DIFERENTES.” RENAN ANGELO - VOCAL/GUITAR CHANT OF THE GODDESS

muito teclado a mais, mas isso também não significa que soaremos como uma banda dos anos 1980 (risos).

M.J: Os últimos alemães em tour por aqui (do Kadavar) parecem ter aproveitado a experiência, acho. Você tem boas vibrações e expectativas com essa tour? Christian: Creio que sim. Não

quero pensar muito ou antecipar demais. Apenas quero ver o que acontece quando acontecer. Tem uma porrada de boas vibrações já. Tanta gente que quer nos ver tocando. É fantástico e um pouco assustador também. Somos apenas uma pequena banda de stoner,

sabe (risos). É engraçado ver pessoas postarem os nossos bilhetes com coisas como Opeth e tal, parece realmente como dois pares de sapatos diferentes.

M.J: Nesse período problemático que vivemos você acredita que a música é um dos principais catalisadores para mudanças positivas e resistência? Christian: Pergunte a si mesmo: esses são realmente tempos problemáticos ou os tempos sempre foram assim? Apenas olhe algumas décadas atrás, na vida nos anos 1980, por exemplo. Aqueles tempos eram muito piores, te digo. Não se assuste porque algumas mídias sempre apertam o

botão do medo. Viva a vida de forma responsável, em harmonia com o universo e você mesmo, e você verá que não há tanto a se temer. Nós todos vivemos, nós todos morremos. É isso. É com você o que você faz entre esses dois eventos, nascimento e morte. Você quer ser um pirralho egocêntrico estragado ou você quer fazer algo de bom para o planeta e as pessoas ao seu redor, o que de qualquer maneira volta pra você? Medite sobre isso. Boas coisas acontecem e coisas ruins acontecem naturalmente. Não se deixe cair na negatividade por isso.

M.J: Muito obrigado por sua atenção, e deixe por favor uma mensagem final para quem estiver lendo essa entrevista. Christian: Obrigado. Acorde, é hora. A vida está acontecendo agora mesmo.

LINKS https://www.facebook.com/samsarabluesexperiment/ https://samsarabluesexperiment.bandcamp.com/ LIVE: ROCKPALAST 2012 Samsara Blues Experiment

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SHOWS

UMA JORNADA AO CENTRO DO SOL E AO FUNDO DA MENTE!

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COMO O “EXÉRCITO DA IGNORÂNCIA” PSICODÉLICA CHAMADO SAMSARA BLUES EXPERIMENT ABRIU CHAKRAS E MENTES E ELETRIZOU ESPÍRITOS EM FLORIANÓPOLIS POR

Matheus Jacques

matheusjacquesstoneduniondoomed@outlook.com

Rafael Sade

rafael.doomed@gmail.com

FOTOS Leyre Ellen dos Santos - Florianópolis

Nicollas Eichstaedt Loos

A

- São Paulo

no novo, vida nova, nova empreitada da produtora Abraxas. Após um 2016 surpreendente, com shows sensacionais de bandas como Stoned Jesus, Spirit Caravan e The Shrine, a Abraxas promete não pisar no freio em 2017

e a primeira aposta do ano é com o power trio alemão Samsara Blues Experiment. Com muitos shows e idas e vindas entre o solo americano e o europeu, os alemães vieram comemorar seus 10 anos fazendo sua primeira turnê sul-americana, com shows no Chile, Argentina e Uruguai e passando por cinco capitais do Brasil. A October Doom Magazine cobriu os shows em Florianópolis e na capital Paulista (teve Samsara também em Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro).


SBE EM FLORIANÓPOLIS. Foto por Leyre Ellen dos Santos

SET LIST

FLORAINÓPOLIS 1 - Center of the Sun 2 - Into the Black 3 - Shringara 4 - Sad Guru Returns 5 - Vipassana 6 - For the Lost Souls 7 - Double Freedom 8 - Army of Ignorance (bis)

FLORIPA

Os caras se apresentaram naquele que já é o lar da música lisérgica e arrastada quando falamos de rolês gringos (e também muitos caseiros), o Célula Showcase. E também novamente foi a exitosa produtora Dissonante Produções que orquestrou a passagem pela capital catarinense no dia 09 de março. Já é mais batido que passageiro em condução lotada: a Dissonante é sempre aquele nome a se pensar de primeira quando fa-

lamos de stoner rock e bandas bacanas da nova safra em território florianopolitano, contando com a produção local de shows como os das bandas Stoned Jesus, Kadavar, Radio Moscow e vários outros trazidos pela Abraxas. E não foi diferente com o Samsara Blues Experiment: mais uma proeminente banda com o nome “Dissonante” assinando embaixo. Formado por Gustavo Barbosa (guitarra/vocal), Thiago de Paula (guitarra/vocal), Alexandre Schafaschek (bateria) e Thalison Moschetta (contrabaixo), os guris da banda Elevador fizeram a recepção da SBE em solo catarinense apresentando um surf rock com proeminência da parte instrumental e determinadas pontuações vocais. Como era de se esperar, a lisergia estava incutida no DNA dessa apresentação, que contou com oito músicas e

proporcionou momentos interessantes alicerçados numa base instrumental agradável, leve e com uma boa carga hipnótica. Em suma, seria um show ao qual facilmente qualquer um que foi lá pra ver banda gringa compareceria novamente, para desfrutar de alguns tragos e de uns bons momentos de relaxamento, sem maiores compromissos ou frustrações. Indo ao que realmente interessa: Samsara Blues Experiment não é desse plano. Não é desse Universo frívolo, banal e ordinário. A banda alemã proporciona uma viagem aos mais intempestivos e elétricos recônditos de outras partes do cosmo. Uma prova disso é a urgência com que buscam disparar uma avassaladora saraivada de ondas psicodélicas ao abrirem sua apresentação já de cara ODM | A octoberdoom.com

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SHOWS

possível a ser dita é que reverberaram eufóricas e fizeram a festa de quem esperava movimentação e energia, providenciando algumas rodinhas e bastante empolgação dos espectadores, que puderam conferir empolgados e bem conectados na maior parte do tempo.

SAMPA

SBE EM SÃO PAULO. Foto por Nicollas Eichstaedt Loos

com a ignorante “Center of the Sun”, uma das mais poderosas de sua Discografia. Ao vivo, propicia uma viagem ao centro de nós mesmos, imersos em uma absurda comunicação com espíritos envolvidos por uma transcendental hipnose. Diante da banda, somos trespassados por um vendaval lisérgico refletido em sorumbáticos vocais graves, intempestivo trabalho de seis cordas a cargo do mago Christian Peters, uma condução dedicada e veemente de baixo a cargo de Hans Eiselt e um trabalho quase obsessivo e

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psicoticamente frio e centrado de Thomas Vedder na bateria. O resultado é uma completa e inevitável imersão na música psicodélica abastada e explosiva dos caras. No setlist, além da já citada, das mais antigas pudemos conferir faixas como “Double Freedom” e “For the Lost Souls”, petardos irremediáveis dos caras. Das novas, apareceram “Sad Guru Returns” e “Vipassana”, que constam no próximo álbum do trio, One With the Universe, a ser lançado em maio. Sobre elas, a única coisa

No sábado, 11 de março, a capital de São Paulo recebeu os alemães na Clash Club, tambpem tradicional casa de shows do estilo na cidade. Como suporte, a presença das bandas Hammerhead Blues e Saturndust, ambas lançando trabalhos novos pelo selo da gravadora Abraxas (sim, a mesma produtora). Hammerhead Blues é uma banda recente, formada em 2014, e já empolgava a todos que começavam a chegar no local com o seu blues rock setentista. O trio formado por Luiz Felipe Cardim (guitarra), Otavio Cintra (voz e baixo) e o destaque Willian Paiva (bateria), tocou o repertório do seu EP de estreia e músicas que farão parte de seu futuro trabalho, com destaque


SET LIST

FLORAINÓPOLIS 1. Center of the Sun 2. Into the Black 3. Hangin on the Wire 4. Shringara 5. Vipassana 6. For the Lost Souls 7. Double Freedom

INTO THE BLACK Samsara Blues Experiment

para as canções “Morning Breeze” e “Drifter”. Empolgante e surpreendente, quem chegou atrasado perdeu um dos melhores shows. A conhecida Saturndust, figurinha carimbada nos eventos da Abraxas, acrescenta em seu currículo mais uma abertura para banda estrangeira. Tocando músicas do trabalho que

será lançado esse ano, Felipe Dalam (guitarra/vocal/sintetizadores), Guilherme Cabral (baixo) e Douglas Oliveira (bateria/FX) nos envolveu em uma atmosfera densa, niilista e espacial, fazendo com que toda aquela sensação positiva do primeiro show fosse sugada por um buraco negro. Destaque para as novas “Ne-

gative Parallel Dimensional”, “RLC” e “Time Lapse of Existence”. Sem atrasos, às 20h30 em ponto subiu ao palco o trio alemão Samsara Blues Experiment dando aula de experimentalismo e viagem sonora. A banda mostrou suas influências de blues, psicodelia, raga indiano, doom e thrash metal, seu repertório focado no último álbum, o excelente Long Distance Trip, músicas como For The Lost Souls, Army Of Ignorance, e Double Freedom e peças soltas de trabalhos posteriores. Você escuta o álbum no palco de tão perfeitas que as músicas são executadas. Mas devido ao foco dos músicos na música, senti a falta de interação dos músicos com o público e entre si. Mas nada que prejudicasse o show, que aliás, foi perfeito! ODM | A octoberdoom.com

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RESENHAS

ESCURO, SOMBRIO E MELANCÓLICO FUNDINDO MELODIC DEATH, DOOM, POST-METAL E UMA DOSE DE PROGRESSIVO, O QUINTETO ALEMÃO CONSEGUE FORJAR UMA SONORIDADE QUE UNE, COM MUITA COMPETÊNCIA, PASSAGENS PESADAS COM OUTRAS MAIS ATMOSFÉRICAS E REFLEXIVAS POR

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Leandro Vianna

amusicacontinuaamesma@gmail.com

S

e você não conhece o Nailed to Obscurity, não precisa se sentir culpado, pois, apesar de estarem na estrada desde 2005, não primaram por uma grande quantidade de lançamentos, sendo King Delusion apenas seu terceiro trabalho de estúdio. Mas se você faz parte do time daqueles que teve a oportunidade de escutar os trabalhos anteriores, Abyss (2007) e, principalmente, o ótimo Opaque (2013), já sabe que irá se deparar com um melodic death/doom de primeiríssima qualidade. As referências aqui são bem claras e nomes como Katatonia, Novembers Doom, Daylight Dies, Swallow the Sun, Paradise Lost e Opeth vêm à tona em algum momento da audição. Ainda assim, o NtO passa longe de soar como mera cópia de qualquer um desses

nomes, uma vez consegue forjar uma identidade própria utilizando de doses de progressividade e, principalmente, de influências evidentes de post-rock/ metal. Todas essas influências são muito bem fundidas, gerando assim um som que, se não apresenta nada essencialmente novo, consegue soar absurdamente cativante. Individualmente, todos encontram espaço para brilhar aqui. O vocalista Raimund Ennenga consegue se sair muito bem, tanto cantando urrado quanto limpo. Aliás, nos momentos mais melódicos, é ele o responsável pelo peso. Já a dupla de guitarristas Jan-Ole Lamberti e Volker Dieken brilha como nunca, sendo ambos primordiais para o ótimo resultado final de King Delusion. Seus riffs trafegam com uma naturalidade absurda entre o doom, o post-rock e o post-metal, soando pesados e imponentes, sem perder


FICHA ORIGEM Esens Alemanha

GÊNERO

Melodic Doom/ Death Metal

FORMAÇÃO 2005

Abyss (2007)

Opaque (2013)

NAILED TO OBSCURITY

2017

KING DELUSION APOSTASY RECORDS ALEMANHA 1 - King Delusion 6’58” A 2 - Protean 6’27” A 3 - Apnoea 2’17” A 4 - Deadening 4’07” A 5 - Memento 8’03” A 6 - Uncage My Sanity 12’31” A 7 - Devoid 7’12” A 8 - Desolate Ruin 8’14”

uma certa acessibilidade. A parte rítmica com o baixista Carsten Schorn e o baterista Jann Hillrichs consegue imprimir grande diversidade às canções, com maior destaque para Jann. Musicalmente, o quinteto dá um passo à frente com relação a Opaque. As já citadas influências mais evidentes de post-rock/metal e a inclusão de alguns vocais limpos enriqueceram muito o resultado final. Isso já fica claro na sequência de abertura, com a faixa-título, na qual as ótimas melodias e o trabalho das guitarras consegue gerar um clima obscuro e sinistro, e na emotiva “Protean”, em que Raimund se destaca com um ótimo trabalho. Após o obscuro interlúdio instrumental intitulado “Apnoea”, temos a excelente “Deadening”, que no seu instrumental se envereda pelos caminhos do gothic rock e conta com uma ótima mescla de vocais mais sussurrados com outros mais puxados para o death metal. “Memento”, a seguinte, é outra que se destaca pelos ótimos elementos de post-rock, sendo seguida pelo grande destaque do álbum, a épica “Uncage my Sanity”. Apesar de contar com mais de 12 minutos, mostra-se dinâmica, sombria, com ótimas melodias e dona de partes mais pesadas intercaladas com outras um tanto mais atmosféricas. Em alguns momentos,

torna-se impossível não lembrar do Novembers Doom. Fechando o trabalho, mais duas canções de muita qualidade: “Devoid”, cativante, com riffs e melodias marcantes que conseguem passar uma sensação de melancolia, e “Desolate Ruin”, simplesmente esmagadora e sufocante. O Nailed to Obscurity pode não reinventar o estilo com este lançamento, mas mesmo sem apresentar algo revolucionário, conseguiu forjar um conjunto de canções que, além de fluir de forma absurdamente natural, tem cara própria e agrada a qualquer fã de melodic death/doom metal. Espera-se que, com esse trabalho, consigam o merecido reconhecimento e entrem para o hall das principais bandas do estilo, porque qualidade para isso eles possuem de sobra.tímpano. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/nailedtoobscurity/ https://nailedtoobscurity.bandcamp.com/ https://www.instagram.com/official_nailedtoobscurity/ https://twitter.com/OfficialNTO http://www.nailedtoobscurity.com/ KING DELUSION Nailed to Obscurity

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AGENDA AGENDA OCTOBER DOOM Uma seleção dos melhores eventos, festivais e shows que acontecem durante os próximos dias.

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Não nos responsabilizamos por mudanças ocorridas na programação

1º HELL CLARO STONER FEST

FEST

21 ABR 20H Rio Claro, no interior paulista, é mais uma vez o ponto de encontro dos fãs do stoner rock, e os locais do Funeral Sex recebem os gaúchos do Cattarse e os vizinhos do Spiral Guru para uma noite que promete muita cerveja, música chapada e gente de cabeça aberta.

TORTUGA'S MUSIC PUB – RIO CLARO/SP https://www.facebook.com/events/432100260462651/

GIRAMONDO UNDERGROUND FESTIVAL

22 ABR 16H O estado de Santa Catarina também entra na agenda da ODM. Lá ocorre o 1º Giramondo Underground Festival, que acontece no Container Bar e tem as bandas Chuck Violence & His Oneman Band (SC), Magaly Fields (Chile), Water Rats, Stolen Byrds, Muñoz e Ruínas de Sade.

CONTAINER BAR – BRUSQUE/SC https://www.facebook.com/events/1837600233124495/

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FEST


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October Doom Magazine Num. 67