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LANÇAMENTOS + RESENHAS + SHOWS + MATÉRIAS + ENTREVISTAS

MAGAZINE

ANO II Nº62

ENTREVISTAS

RESENHA 1


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62

Nº SET/2016

By October Doom Entertainemnt

A October Doom Magazine é resultado da parceria e cooperação de alguns grupos e iniciativas independentes, que trabalham em função de um Underground Brasileiro mais forte e completo, além de vários individuos anônimos que contribuem compartilhando e disseminando este trabalho. EDITOR CHEFE: Morgan Gonçalves COLABORADORES NESTA EDIÇÃO: Fabrício Campos | Cielinszka Wielewski | Matheus Jacques | Jenny Sousa | Gustav Zombetero | Merlin Oliveira | Raphael Arizo | Leandro Vianna | Billy Goate | Rafael Sade | Erick Cruxen | Amilton Jr | Aaron Pickford EDITOR DE ARTE:

Márcio Alvarenga | noisejazz@gmail.com issuu.com/octoberdoomzine/ Facebook.com/OctoberDoomOfficial octoberdoom.bandcamp.com/ COLABORADORES:

/FuneralWedding //DoomedStoned

/SUDORDER

/A-Música-Continua-a-Mesma

/The-Sludgelord

EDITORIAL Um novo espaço para nossos leitores!

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epois de mais de dois anos de atividades, e 62 edições da nossa revista, finalmente podemos compartilhar com vocês nossa alegria em termos nosso Site Definitivo no ar!! www.octoberdoom.com é o nosso endereço na web, onde vocês poderão baixar todas as edições da October Doom Magazine, ler notícias exclusivas, contatar-nos diretamente, seguir-nos em várias redes sociais e muitas outras novidades que ainda vamos trazer para vocês! Para nós, esse é um momento muito importante, já que há bastante tempo buscamos um sitio que atendesse à todas as nossas necessidades, que fosse agradável e interativo, e que permitisse todas as possibilidades que temos em mente para enriquecer ainda mais o cenário Underground Brasileiro. O octoberdoom.com funcionará como um complemento da nossa revista, e vice-versa, de modo que ambos trarão sempre, o máximo de informação e conteúdo para mantê-los informados e atualizados quanto aos acontecimentos da música pesada e lenta do Brasil e do mundo. Agradecemos a todos que participaram do processo de construção desse novo espaço, e convidamos os que ainda não navegaram pelo site, que o façam, pois tem bastante coisa bacana lá. E para finalizar, mergulhem nas páginas que se seguem, e confiram todos os conteúdos preparados especialmente para vocês.

Convidamos os que ainda não navegaram pelo site, que o façam, pois tem bastante coisa bacana.”

Obrigado e Boa Leitura. MORGAN GONÇALVES

CONTATO:

contato@octoberdoom.com

Facebook.com/morgan.goncalves.1 EDITOR CHEFE


SUMÁRIO ENTREVISTAS

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SEGUNDA PARTE DO ESPECIAL

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ENTREVISTA

BANDA SUECA, ÍCONES DO DOOM, EM ENTREVISTA NOS BATIDORES DO OVERLOAD MUSIC FEST

66 ENTREVISTA

E A ESTREIA DO NOVO E PESADO ALBUM ‘GEHENNA’

RESENHA

74 AGENDA 4

88

06 12 SWAMPCULT

32


RESENHAS

38 42

RESENHAS

FESTIVAIS

44 52

FESTAS

ESPECIAL

4 PRODUTORES MUSICAIS DE STONERDOOM QUE VOCÊ PRECISA CONHECER

SALLY TOWNSEND

34 BILLY GOATE ENTREVISTA A FOTÓGRAFA

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ENTREVISTA

JONAS RENKSE VOCAL - KATATONIA

GANHANDO VELHOS E NOVOS CORAÇÕES 6


Por não tocarmos muito na América do Sul, temos que incluir um monte de coisas de outros álbuns recentes.” Jonas Renkse, VOCALS - KATATONIA

DEPOIS DE MAIS UMA PASSAGEM INESQUECÍVEL PELO BRASIL, KATATONIA FALA AOS FÃS ATRAVÉS DA ODM POR | Rafael Sade

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oram cinco anos de espera, mas finalmente os suecos do Katatonia retornam para mais um tão aguardado show em São Paulo. E antes disso conversamos com o vocalista Jonas Renkse sobre os 25 anos de banda, o álbum novo, algumas curiosidades e a expectativa do show no Overload Music Fest.

Rafael Sade: Esse ano o Katatonia completa 25 anos de carreira e continua a lançar álbuns de alto nível. Que filme passa na cabeça de vocês após tanto tempo de estrada? Jonas Renkse: Difícil mesmo vê-lo

como um filme completo nos dias de hoje, é um tempo tão longo. Mas certamente eu lembro dos nossos primeiros passos de bebê para formar uma banda, as visões e sonhos que tivemos, e em seguida mudar para o que somos agora é um sentimento muito gratificante.

Como têm sido a repercussão do "The Fall of Hearts" e a escolha das músicas para a turnê? Jonas Renkse: Nós ainda estamos

tentando obter uma sensação de quais músicas do TFOH que vão funcionar bem ao vivo, estamos tentando algumas músicas e iremos continuar por um tempo. Além disso, por não tocarmos muito na América do Sul, temos que incluir um monte de coisas de outros álbuns recentes. Por exemplo, nós não fizemos a tour do Dead End Kings por aqui, de modo que as pessoas precisam escutar as músicas dele também. OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA FICHA

JONAS RENKSE VOCAL - KATATONIA

ORIGEM

Stockholm, Sweden

Após o período do Dead End Kings (2012) a banda lançou trabalhos acústicos, e musicalmente o novo álbum está mais progressivo, com algumas passagens acústicas que rendem momentos muito profundos. As entradas de Daniel Moilanen e Roger Öjersson deram novas perspectivas ao som do Katatonia? Jonas Renkse: Tudo o que fazemos traz novas perspectivas! Os novos membros são uma boa maneira de encontrar novas iniciativas musicais, uma nova intensidade. As partes acústicas que fizemos foi um passo lateral intencional para tentar algo diferente, mas nunca teve a intenção de ser um novo estilo da banda.

Como foi o processo de composição do novo álbum? Qual inspiração e mensagem nas letras que vocês querem passar para o público? Jonas Renkse: O processo de escrita foi praticamente o de costume, mas um pouco mais intenso ao meu ver. Anders e eu escrevemos todas as músicas separadamente, e depois nos reunimos para os retoques finais também com o restante da banda. Liricamente é a história em curso com o Katatonia. Lúgubre, íntimo, às vezes abstrato, às vezes não. É difícil dizer qualquer coisa sobre uma determinada mensagem.

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Os lyric videos de "Serein" e "Old Heart Falls" são os mais belos que já vi. Quem é o responsável e como traduziram para a tela o que as letras passam? Jonas Renkse: Ambos são feitos pelo diretor/artista Lasse Hoile. Já tínhamos trabalhado com ele antes e sabíamos que ele iria fazer imagens adequadas e belas que seriam um bom espelho das letras.

Jonas, anos atrás você parou com os guturais, tendo os últimos registros gravados no "Rain Without End" (97), do October Tide. Quando canta músicas antigas ao vivo você sente dificuldades em executa-los ou se adaptou de uma forma que não prejudique o restante do set? Jonas Renkse: Nós raramente tocamos músicas tão antigas com vocal gutural, então não é um problema. Se tocarmos algo velho, nós iremos limitar a uma canção. Mas com a nossa discografia crescente, torna-se muito difícil para caber material antigo.

GÊNERO

Doom / Death Metal

CURRENT MEMBERS Jonas Renkse Vocal Anders Nyström Guitarra Roger Öjersson Guitarra Niklas Sandin Baixo Daniel Moilanen Bateria

Dethroned & Uncrowned (2013)

Algo mais pessoal, qual a sua opinião sobre a Europa atual? Jonas Renkse: Europa atual

... não sei o que dizer. Um pouco caótico no momento eu acho que, devido a conflitos políticos. OD | A

Dead End Kings (2012)


Tudo o que fazemos traz novas perspectivas! Os novos membros são uma boa maneira de encontrar novas iniciativas musicais, uma nova intensidade.”

KATATONIA THE FALL OF HEARTS

FULL-LENGTH 2016

Jonas Renkse, VOCALS - KATATONIA

octoberdoom.com

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ENTREVISTA JONAS RENSKE VOCAL - KATATONIA

O KATATONIA se apresentou no Overload Music Fest, em 04 de setembro, no Carioca Club, em SP

Você escrevia frequentemente, mas não era nada voltado para música e sim algo pessoal. Pretende lançar um livro algum dia ou publicar algo de sua autoria? Jonas Renkse: Não, eu estou

Jonas Renkse: Não, nada foi planejado. Eu sempre achei que ia ser um baterista. Mas às vezes a vida faz outros planos, haha. Tento pensar de uma forma tão ampla quanto possível quando se trata de fazer música e eu quero ser capaz de me virar com qualquer instrumento quando eu escrevo, então eu tive que aprender a tocar todos de uma forma que funcionasse pra mim.

Jonas, você e o Anders são multi-instrumentistas e tocaram diversos instrumentos em todos os projetos que tem e tiveram. Esse aprendizado aconteceu de uma forma natural e progressiva ou aprender vários instrumentos foi algo planejado, pelo Katatonia ter começado como um duo?

Essa é a segunda passagem pelo Brasil, e eu conferi de perto a apresentação de vocês. Alguma lembrança em especial desse dia? Jonas Renske: Muito grato

muito feliz com a quantidade de escrita que eu faço com as letras para os álbuns, isso é tudo que eu preciso mostrar ao público.

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e feliz por ser capaz de voltar. O Brasil na última vez foi um destaque e eu tenho quase certeza que será mais uma vez! Foi um grande público, e eu lembro

de ter experimentado a culinária muito saborosa na nossa última estadia.

Muito obrigado por ceder essa entrevista a October Doom Magazine. Esse aqui é o seu espaço para mandar uma mensagem aos fãs brasileiros do Katatonia. Jonas Renkse: Obrigado

pelo apoio durante os longos e sinuosos anos de Katatonia. Esperamos ter a sua fé nos próximos anos, e que em breve sejamos convidados a voltar! OD | A

LINKS https://www.facebook.com/katatonia/?fref=ts http://katatonia.com/ https://www.youtube.com/watch?v=_LEDye8FFlU


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ENTREVISTA LABIRINTO

COM O ESPIRITO RENOVADO

JONAS RENKSE

VOCAL - KATATONIA

NO MESMO MÊS DO LANÇAMENTO DE SEU SEGUNDO ÁLBUM, “GEHENNA”, O LABIRINTO SE APRESENTOU NO OVERLOAD MUSIC FEST, E NÓS ENTREVISTAMOS A BANDA POR | Morgan Gonçalves

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etembro de 2016 certamente será um dos meses mais marcantes na história do Labirinto. Pra começar, o dia 02 foi a data escolhida para apresentar oficialmente o segundo full álbum da banda, Gehenna, que reafirmou a superioridade da banda, no que se refere à música instrumental pesada no Brasil.

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E como se lançar um registro com essa qualidade não fosse o bastante, a banda se apresentou num dos maiores festivais alternativos do país, o Overload Music Festival, ao lado do Katatonia, Alcest e Vincent Cavanagh. Sem querer tirar onda, essa banda faz parte da nossa história não é de hoje, e mais uma vez, abrimos espaço pra ela nas nossas páginas, desta vez, sobre a ótica do seu membro recém chegado, Francisco “Kiko” Bueno. Confiram!


Morgan Gonçalves: Kiko, bem-vindo, camarada! Bom, antes da gente falar do Labirinto, vamos falar um pouco de você? De onde você é, tanto geograficamente, como musicalmente? Kiko: Ao contrário do que muita

gente pensa eu sou de São Paulo capital mesmo, mas minha família toda é do interior de SP, o que fez com que eu criasse vínculos com muitas pessoas por lá, resultando em muitas bandas, claro! (risos). Sempre tive um gosto musical variado, o que fez com que eu me envolvesse em vários projetos simultaneamente ao longo desses anos. Atualmente, além do Labirinto, toco também no Reiketsu, no Plague Rages, no Shyy e numa banda de crust recém-formada ainda sem nome.

Você entrou para o Labirinto há aproximadamente 2 meses, como foi receber esse convite de uma banda tão forte no Brasil? Kiko: Foi um tanto inesperado

na verdade. Antes do Erick fazer o convite eu só tinha conversado com ele umas poucas vezes para organizar um evento na Dissenso. Nunca tive muito contato com a banda. Apesar de curtir muito o som e já ter ido à vários shows sempre os vi como uma banda um nível acima das outras, tanto pela música como pela postura. Confesso que quando recebi o convite bateu aquele mix de nervosismo com felicidade. (risos) OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA LABIRINTO

EM 2016 o Labirinto se apresentou pela segunda vez no Overload.

Vindo de uma banda que trafegava entre vários gêneros, do Crust ao Doom, que bagagem dessa formação você traz pro Labirinto? Kiko: Acredito que tudo que já fiz/ouvi acabe influenciando de alguma maneira em algum momento. Ainda não tive a oportunidade de criar nada com o Labirinto pois as músicas do Gehenna já estavam prontas, mas creio que eventualmente essas influências acabem vindo à tona de modo natural.

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Conheço o Labirinto há uns 4 anos, e o Erick há um pouco mais de 1 ano, e tudo sempre fluiu muito bem nas nossas conversas. Como é o clima nos ensaios e gravações da banda? Eu soube que houve até quem dormiu no estúdio depois da finalização do Gehenna... (risos) Kiko: Não cheguei a participar muito das gravações porque

quando entrei na banda eles já tinham praticamente finalizado todas as músicas e como já tínhamos compromissos importantes (como o Overload) o meu foco foi aprender a tocar o que já estava gravado o mais rápido possível. Mas posso afirmar que o clima nos ensaios é sempre prazeroso demais. Todos da banda são muito amorosos e foram muito receptivos comigo o tempo todo. Foi fácil me sentir “em casa”.


FICHA ORIGEM

São Paulo, SP

GÊNERO

Instrumental, experimental, Post rock/ Metal

CURRENT MEMBERS

Muriel Curi Bateria Erick Cruxen Guitarra Luis Naressi Sintetizadores Francisco Bueno Guitarra Ricardo Pereira Baixo

Rola uma ansiedade maior que o normal, ainda mais quando se tem vários amigos na plateia.” Kiko, GUITARRA - LABIRINTO

Masao (2014)

Labirinto & thisquietarmy Split (2013)

Ainda falando do Gehenna, este foi seu primeiro trabalho com a banda, como você se sentiu quando viu o trabalho pronto? Kiko: Como disse, não cheguei

a participar das gravações, mas fiquei surpreso quando ouvi as músicas pela primeira vez. Ainda tinha em mente o Labirinto do Anatema, não esperava algo tão pesado. Foi uma surpresa mais do que agradável!

O Overload deve ter sido o maior evento do ano pra vocês, Como foi participar desse festival, pela primeira vez, pra você? Rolou um momento de descontração com as outras bandas? Kiko: O Overload foi o maior

evento que já participei aqui no Brasil até hoje. Rola uma ansiedade maior que o normal, ainda mais quando se tem vários amigos na plateia, mas nada que interfira na diversão e no prazer de estar ali em meio a bandas que admiro e que com certeza me influenciaram demais. Os horários estavam meio apertados e acabei não conseguindo sentar pra conversar com ninguém. Troquei algumas palavras nas trocas de palco na passagem de som e na hora do show com o pessoal do Alcest, que são extremamente simpáticos e receptivos. OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA LABIRINTO

Gehenna tem se destacado no Brasil e no exterior. Há planos de uma turnê pelo Brasil, e quem sabe um retorno à Europa? Kiko: Realmente a receptivi-

dade do disco tem sido muito boa! Estamos planejando alguns shows no Brasil ainda nesse ano. Assim que confirmarmos as datas divulgaremos no nosso site e nas redes sociais. Fiquem ligados! Sobre a Europa, temos planos de algo para o ano que vem, mas nada de concreto até o momento. Certamente, vontade não falta! (risos)

As próximas perguntas eu faço pra toda a banda: Se vocês pudessem dizer algo para os produtores dos médios e grandes festivais brasileiros, como Lollapalooza, Rock in Rio, Maximus Festival e outros, qual seria? Erick Cruxen: Sinceramente,

acho que não teria muito o que falar. Os organizadores estão ligados a diversos interesses econômicos que não correspondem às bandas que admiramos e convivemos. No fundo, todos sabemos como funcionam essas coisas. Infelizmente, perderemos a oportunidade de ver em festivais maiores, bandas, realmente interessantes e criativas que estão espalhadas pelo underground. O que precisamos é ajudar e valorizar os artistas e produtores que tentam através do “faça você mesmo” engendrar várias formas de expressão cultural.

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Estamos planejando alguns shows no Brasil ainda nesse ano. Assim que confirmarmos as datas divulgaremos no nosso site e nas redes sociais.

LABIRINTO GEHENNA

Kiko, GUITARRA - LABIRINTO

E para os leitores da October Doom Magazine, qual o recado? Erick Cruxen: Muito obriga-

FULL-LENGTH 2016

do aos leitores da October Doom; continuem lendo e divulgando a revista, um instrumento de informação sobre bandas e eventos, feito com muita dedicação e carinho por diversos colaboradores, apaixonados e entendidos sobre o que escrevem. Obrigado.

E aqui eu agradeço a participação do Kiko, da Muriel, do Erick, do Luís e do Ricardo. Parabéns pelo disco, galera. Forte abraço e tudo de bom pra vocês. Labirinto: Valeu Morgan

pela oportunidade. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/labirintoband/ http://www.labirinto.mus.br/ https://labirinto.bandcamp.com/


ENTREVISTA DARK JORDÃO VOCAL/GUITARRA

15 ANOS DE ROCK AND ROLL PESADO E ARRASTADO COM MUITOS RIFFS PESADOS E PSICODELIA, O FUZZLY É UMA DAS BANDAS DE STONER MAIS EXPERIENTES DO BRASIL

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FUZZLY VOL.II

2014

POR | Merlin Oliveira

O

Fuzzly é amplamente considerado um dos pioneiros do stoner rock brasileiro. Combinando rock and roll pesado com um clima denso e arrastado, os cuiabanos comemoraram 15 anos de história da banda em agosto deste ano. Para saber mais sobre essa história e o que ainda está por vir, a October Doom Magazine conversou com os caras sobre shows, cena e planos para o futuro. OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA DARK JORDÃO VOCAL/GUITARRA

Merlin Oliveira: Primeiramente muito obrigado pela atenção e disposição. Pra começar, eu queria que vocês falassem um pouco sobre as influências de vocês. Quais são os sons que não saem da playlist de cada um e o que inspirou cada fase da banda desde 2001. Dark Jordão: Agradecemos

o contato também em poder falar um pouco sobre a banda para todos que seguem a October Doom e nosso público em geral. Bom esse lado de sons da playlist varia muito para cada um

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de nós, hoje somos caras abertos a diversos formatos da Música, indo desde o blues, rock, metal e outros. Em Cuiabá sempre frequentávamos eventos underground do metal nacional desde nossa adolescência, acredito que isso seja um dos pés iniciais, no entanto, ao longo do tempo fomos absorvendo influencias diversas. Em turnês conhecemos bandas, gente, paisagens, energias e por aí vai, todos elas distintas acrescentando algo. No início tínhamos uma influência mais crua como pode se escutar nos primeiros registros. Basicamente por falta de conhe-

cimento técnico e prático que a banda apresentava na época. Em 2003 tivemos a oportunidade de sair do país graças ao som precariamente gravado, numa casa abandonada que nos deu a atmosfera ideal pra criar a sonoridade do Fuzzly. Nosso destino foi Argentina, tínhamos contato facilitado pelo baixista da banda que tinha familiares portenhos. Lá pudemos ver algo que certamente não encontraríamos por aqui, seria um tanto difícil o acesso na época, acreditamos que isso tenha sido um primeiro contato com novas potencias de som e estilo musical.


A BANDA JÁ SE APRESENTOU DE VARIOS FESTIVAIS pelo Brasil, Argentina e Chile.

a música de uma forma diferente, tivemos a oportunidade de nos renovar artisticamente, foi o que saiu dessa experiência fora, nossa releitura de uma época, um espaço de tempo, no meio do nada. Com Middle of nothing já dava para ter uma ideia do que queríamos difundir na época, desde o início sempre deixamos fluir nosso som. Isso nos garantiu parceiras, eventos que adoramos fazer parte, Festival Bananada, Válvula Disco, nosso primeiro contato em SP com Sinfonia de Cães, entre outros que mantemos até os dias de hoje. A recepção do nosso som na época foi boa, fomos recebidos em SP de primeira mão e na nossa própria cidade o Mato Grosso posteriormente.

Do “Like a Flame of Vulcaine”, lançado há 10 anos, até o lançamento de “Vol. II”, lançado em 2014, quais foram as principais mudanças da banda? Dark Jordão: Muitas coi-

Pensamos sempre em criar algo novo aproveitando cada fase sem se prender a estilo ou seguimento, assim seguimos buscando evoluir aos poucos, acrescentando sempre algo que ainda não havíamos provado, deixando o som e a essência soarem por si só...

Em 2003 vocês lançaram uma demo e em 2004 o primeiro EP, “Middle of Nothing”. Como foi a recepção naquela época? Dark Jordão: Entre o release da Demo em 2003 e o nosso primeiro EP em 2004, vivenciamos

sas mudaram, desde integrantes (baixistas), tendo o lado bom e lado ruim, tanto no estilo quanto as experiências que a gente vem vivendo no dia a dia, em 2006 quando gravamos o Like a flame, queríamos focar na qualidade do som dessa vez, algo mais profissional comparado ao que havíamos feito no passado, nosso primeiro álbum completo, um som mais pesado e rápido. Tivemos o convite de gravar em um estúdio na Argentina, com a equipe do Claudio, vocalista e guitarrista da banda argentina Buffalo, Sebastian Manta e Gonzalo Iglesias. O estúdio em Buenos Aires foi, por 1 semana palco de gravação do Like a Flame. OD | A

DISCOGRAFIA

Vold (2013)

LIve (2011)

VinceFuzzlyBuz (2011)

Like a flame os vulcaine (2006)

Middle o nothing (2004)

Demo (2003) octoberdoom.com

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ENTREVISTA FICHA

DARK JORDÃO VOCAL/GUITARRA

ORIGEM

Cuiabá, MT

GÊNERO

Stoner Rock

CURRENT MEMBERS

No Vol. 2 tentamos buscar um som que refletisse cada um dos integrantes, algo que pudéssemos controlar melhor, num ambiente nosso. A parceria com Jimi Moraes na época, nos impulsionou nesse período de renovação. Gravamos em nosso estúdio em Cuiabá com poucos recursos, o Vol. 2 é um pouco mais instrumental e assim aproveitamos para experimentar outro impacto sonoro da nossa música, um ritmo insistente, irredutível, arrastado e as músicas mais psicodélicas.

A receptividade do público mudou de lá pra cá? Os shows estão mais cheios? Quais foram as principais mudanças nesse sentido? Dark Jordão: O nosso som

sempre teve muita aceitação e respeito no meio. Sempre mantivemos uma rotina de shows que se acelera nas épocas de turnê, lançamento de álbum etc, quando adotamos um ritmo acelerado de shows em diferentes cidades do

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país em pouco tempo, priorizando locais que nunca visitamos antes. A quantidade de público nos nossos shows varia de acordo com cada evento em si, participamos de pequenos e grandes festivais como: Do Sol – Natal/RN, Goiania Noise/GO e Noiseground, Buenos Aires/AR, com o apoio da produtora Abraxas que também é parceira em vários eventos no Brasil e fora. Participamos também de várias aberturas de shows (Abraxas) e apresentações locais no Brasil, Argentina e Chile, onde o público é receptivo. Parar de tocar nunca foi opção, tampouco parar de criar. Abraçamos cada vez mais a questão da produção autoral, incentivo à bandas e artistas de todas as esferas nas proximidades, tornar a música e a arte experiência cultural regional, o que tem na sua terra. O Mato Grosso possui um leque de artistas que se destacam a nível nacional e internacional, apoiamos isso e tentamos contribuir para que isso aumente.

Dark Jordão Guitarra/Voz Rafael Arruda Bateria Athus Vinicius Baixo

Temos o contato com gente de todos os lados se movimentando de forma independente para que se fortaleça sempre mais... Basta de covers!” Kiko, GUITARRA - LABIRINTO


Na época do lançamento do “Vol.II” vocês fizeram uma tour de divulgação? Como foram esses shows? Dark Jordão: A tour de di-

vulgação do álbum Vol. II durou 3 meses, pudemos divulgar de forma mais ampla e confortável em cidades desde o Nordeste ao Sul do País e bandas sendo elas brasileiras e estrangeiras que ainda não havíamos compartilhado o cenário. Agradecemos muito a Produtora Abraxas por ter abraçado esse momento com a gente. Cada show que fizemos foi diferente e pudemos conhecer bem o pais (Caçapava-do-Sul, Pelotas, Porto Alegre, São Carlos, São Paulo, Rio de Janeiro, Nata, La Plata (ARG) e Buenos Aires (ARG) entre outras.

Atualmente, existe uma cena em construção no Brasil, com várias bandas e produtoras se unindo para alcançar objetivos cada vez maiores. Como está a cena no centro-oeste brasileiro? O que vocês acham dessa união a nível nacional? Dark Jordão: Isso tem

uma importância fundamental na continuação da banda, antes não víamos isso acontecer até por sermos de um lugar afastado do tal eixo. Hoje temos o contato com gente de todos os lados se movimentando de forma independente para que se fortaleça sempre mais... o centro-oeste é muito bem falado de suas bandas. Mas o que

gostaríamos de colocar é que a nossa linda terra Natal fica um pouco difícil manejar a parte de shows, são poucas casas onde é possível fazer música autoral impossibilitando o crescimento de uma real cena. Ainda assim acreditamos que isso possa mudar a qualquer momento. Basta de covers!

Vocês têm algum plano em decorrência dessa união? Planejam fazer algo em conjunto com outras bandas e produtoras? Dark Jordão: A nossa banda continua ativa desde 2001, o que acreditamos ser um incentivo pra que a cena se fortaleça. Procuramos produzir música sempre, parcerias sempre são bem-vindas, e procuramos nos mobilizar a cada evento local nos unindo a bandas locais e de estados vizinhos.

Existe o plano de lançar material novo num futuro próximo? Alguma novidade pra vir por aí? Dark Jordão: Existe sim,

na verdade já temos 7 músicas prontas para gravar, que a gente já vem apresentando em alguns shows como teste, gravaremos o mais breve possível, apresentando um som mesclado entre nossas tendências nos álbuns anteriores, talvez uma pegada mais pesada e corrida, alternando com o progressivo do Vol. II.

Quanto a shows, os fãs do Fuzzly no Brasil podem esperar shows em outros es-

tados? Há planos pra uma tour nacional ou de maior escala? Dark Jordão: Sim, certa-

mente. A prioridade é sempre expandir o som, levando o mais longe possível, cidades e países que ainda não passamos, conseguir realizar a primeira tour europeia da banda seria uma grande ideia e estamos trabalhando para que isso aconteça num futuro próximo. Com o novo material em mãos vamos ver qual será a melhor forma.

Mais uma vez agradeço em nome da October Doom Magazine e deixo aqui meu pedido pra que venham pra Minas Gerais! Fica aqui o espaço para outras observações, comentários e complementos que quiserem fazer.

Obrigado a vocês mais uma vez, que também são um dos fatores importantes nessa jornada. Queremos muito tocar em Minas Gerais e já com nosso novo material, seria uma ótima estreia! Um forte abraço a todos que nos acompanham e que estão por conhecer e aos leitores da October Doom Magazine. Nos vemos! Abraço OD | A

LINKS https://www.facebook.com/fuzzlymusic/ https://fuzzly.bandcamp.com/

octoberdoom.com

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ENTREVISTA KENT STUMP VOCAL/GUITARRA

CONVERSA HEAVY TRIPPY DOOM BLUES K

COM MAIS DE 13 ANOS DE CARREIRA, WO FAT SE RENOVA COM SEU 6º ÁLBUM, MIDNIGHT COMETH

POR | Matheus Jacques

ent Stump, vocalista e guitarrista da banda americana Wo Fat, explana um pouco sobre carreira, musicalidade e influências!

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Matheus Jacques: Vou começar com uma pequena “retrospectiva”: na história do Wo Fat, já se vão 13 anos de existência e vários trabalhos, incluindo o sexto e certamente um dos melhores e mais maduros álbuns de sua carreira, “Midnight Cometh”, desse ano. Olhando para trás, o que você poderia apontar como principal mudança em você e nos outros caras como músicos, e na banda como um todo? Kent Stump: Essa é difícil! Para mim, a progressão que tivemos do nosso primeiro álbum

Os primeiros albums, ainda que eu goste muto deles, eram um pouco mais dispersos.” Kent Stump, GUITARRA/VOCAL - WO FAT

(The Gathering Dark) a "Midnight Cometh" é bem clara. Eu diria que provavelmente foi com "The Black Code" que realmente começamos a encontrar e definir nossa identidade com banda e onde realmente começamos a ter muita sinergia em termos de trabalho em conjunto como músicos. Nós realmente

começamos a nos comunicar musicalmente uns com os outros muito bem e ficou ainda melhor em "Midnight Cometh". Os primeiros albums, ainda que eu goste muto deles, eram um pouco mais dispersos e menos focados, tanto conceitualmente quanto "estilisticamente". OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA KENT STUMP VOCAL/GUITARRA

Como foi a gênese da Wo Fat? Kent Stump: Michael (baterista da banda) e eu nos conhecemos há muito tempo e tocamos juntos em algumas bandas antes do Wo Fat. Por volta de 2002/2003 eu estava realmente ouvindo um monte de coisas do Stoner/Doom Metal e meio que percebi isso, ainda que eu tenha tocado por minha vida inteira, aquele era realmente o tipo de música que eu queria tocar, e então eu comecei a trabalhar em algumas ideias para algumas músicas e perguntei a Michael e Tim (que trabalhou comigo no estúdio) se eles queriam improvisar em cima de algumas dessas ideias. Foi um começo um tanto lento. Nós podíamos estar junto e improvisar apenas a cada dois meses. Foi bem esporádico, no começo. Eventualmente, as coisas começaram a acontecer e nós decidimos gravar alguns sons e tentar realizar alguns shows. Mais ou menos nessa época um amigo meu chamado Matt Watkins, que era guitarrista, ouviu uma de nossas gravações e quis participar, então ele começou a fazer um som com a gente. Ele é um guitarrista excelente que influenciou muito meu jeito de tocar no tempo em que esteve com a gente. Ele tocou nos quatro sons que gravamos para nosso primeiro

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WO FAT - (Foto - NecroBlanca Photography e Design)

EP: "Manchurian Syndrome", "From Beyond", "Company Man" e "Risin River", que mais tarde acabaram entrando para o álbum "The Gathering Dark". Matt parou de tocar com a gente porque morava no Kansas, que ficava a uma distância de 10 horas de carro, e era muito difícil fazer isso funcionar, especialmente quando começamos a nos tornar um pouco mais regulares e séries sobre nossas apresentações. O primeiro album, como mencionei, parece um pouco mais disperso, eu estava tentando várias coisas diferentes e nós ainda não havíamos achado nossa "voz". Eu acho que existe algumas coisas muito boas e "matadoras" naquele álbum, entretanto.

Vocês já fizeram uma porrada de shows e apareceram em vários festivais bacanas, como Desertfest, Freak Valley (que deu origem a um Live), Roadburn, Psycho California.... Pra vocês, faz uma diferença gritante tocar em um grande festival ou em algum lugar menor para uma plateia com um feedback mais imediato? Kent Stump: Temos sido

bastante sortudos e afortunados por termos tocado em alguns grandes festivais. Nós tocamos no Hellfest (na França) no último mês, o que foi a maior coisa que já fizemos. Foi uma experiência incrivelmente legal! Assim como foram todos os festivais que você


FICHA ORIGEM

Dallas, USA

GÊNERO

Stoner Rock

CURRENT MEMBERS

Michael Walter Bateria Kent Stump Guitarra, Vocal Zack Busby Baixo

mencionou. Eu realmente amo fazer ambos. Tocamos em shows em lugares menores com plateias que foram realmente insanas (alguns shows na França me vêm à mente), mas maravilhoso mesmo foi o Hellfest. Plateia enorme, mas com a qual pudermos nos conectar e realmente sentir a energia que jogamos ser retribuída. Acho que como um fã de música, eu gosto de ir ver bandas tocarem em lugares menores. Mas, como músico, gosto de tocar em grandes shows e em pequenos shows igualmente. Eles podem ser diferentes, mas ambos se assemelham no fato de poderem ser bem "imediatos" e intensos em questão de energia e feedback da plateia. OD | A

WO FAT MIDNIGHT COMETH

2014

Temos sido bastante sortudos e afortunados por termos tocado em alguns grandes festivais.” Kent Stump, GUITARRA/VOCAL - WO FAT

octoberdoom.com

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ENTREVISTA KENT STUMP VOCAL/GUITARRA

A sonoridade da banda desde os primeiros trampos caminhou pelo viajante, pela música pesada, pelo blues, pelo doom metal, um grande mix de influências, tudo embebido em um fuzz sônico... como você descreveria o som do Wo Fat a um leigo? Rs Kent Stump: Sempre achei

difícil responder essa questão. Eu meio que já respondeu a pergunta por si mesmo, na verdade: "trippy heavy blues doom (Doom blues pesado e viajante)". Por onde estivemos para incorporar tudo isso e sim, tem muitas influências que moldam nosso som. Estamos sempre tentando aglutinar todas as diferentes coisas que ouvimos Doom, Heavy Psych, Música afro-cubana, Rock dos anos 70, Blues, Stoner, etc. Mas estamos tentando pegar essas influências variadas e fazê-las pesadas e trabalhando dentro do vocabulário que estabelecemos em nossa banda.

Qual a sua ocupação e a dos outros caras fora da Wo Fat? Ainda envolvidos de alguma forma com música? Kent Stump: Michael e eu

temos um estúdio de gravação, o que é nossa ocupação principal. Eu sou o engenheiro chefe e faço a maioria das sessões de gravação no estúdio, e Michael lida com a parte de booking e questões legais

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para o estúdio. Ele lida com as finanças e a parte dos negócios, e eu com as sessões. O estúdio que temos é, na verdade, um dos mais antigos em Dallas, e temos uma grande sala e uma porrada de equipamentos vintage analógicos, incluindo um console SSL 4000 analógico vintage. Me aproximo bastante da perspectiva clássica no que diz respeito ao processo de gravação. Quando eu aprendi sobre gravação, foi usando um gravador analógico e consoles clássicos, e por isso continuamos aproximando as coisas dessa perspectiva porque é o que soa melhor.

Dentre os seus álbuns, seu álbum “The Cojunring” foi provavelmente aquele com o processo de composição e gravação mais curto, e vem em menos de um ano depois de “Black Code”. Como as coisas rolaram com “Midnight Cometh”? Kent Stump: Sim, até "Midnight Cometh", "The Conjuring" foi, provavelmente, o álbum em que tivemos os processos mais curtos de composição, gravação e lançamento no mercado. "Midnight Cometh" foi ainda mais rápido. Começamos o processo de composição na primavera de 2015 e gastamos uma semana no estúdio gravando ele, em setembro de 2015. Isso foi o mais

Estamos sempre tentando aglutinar todas as diferentes coisas que ouvimos - Doom, Heavy Psych, Música afrocubana, Rock dos anos 70, Blues, Stoner, etc.” Kent Stump, GUITARRA/VOCAL - WO FAT

rápido que já fizemos um álbum e principalmente foi assim porque sabíamos que tínhamos uma tour europeia sendo agendada para a primavera de 2016, e também sabíamos que seria interessante para a gente ter alguns vinis e cd's para vender nessa tour, então precisamos acabar tudo até Outubro, precisávamos fazer isso acontecer. No passado nós gastamos mais tempo gravando os álbuns, mas acho que nesse caso, foi uma boa coisa estabelecer alguns "prazos finais" para nós mesmos e no processo. Isso nos forçou a tomar decisões e nos comprometermos com elas, e fazer isso acontecer, algo feito em função de um álbum em que tínhamos um limite e uma urgência. Como disse, nós gravamos e mixamos o álbum em uma semana, o que foi bastante rápido, pra gente.


Dois de seus álbuns mais aclamados, “Black Code” e o próprio “The Conjuring”, foram lançados através da icônica Small Stone Records. Como aconteceu essa parceria? Kent Stump: Eu não tenho

nada além de boas coisas a dizer sobre a Small Stone. Ficamos muito satisfeitos em fazer parte da história da Small Stone. Houveram tantos registros icônicos na história do stoner rock que vieram através da Small Stone Records... foi muito bacana fazer parte desse catálogo. Eles acertaram com a gente bem quando procurávamos realizar o "passo seguinte". Antes da Small Stone, estivemos com a Nasoni Records, que eu também acho incrível, mas a Small Stone foi capaz de elevar as coisas um nível em questão de distribuição, marketing e propagação do nome, o que foi realmente uma grande coisa pra gente e foi realmente no tempo certo para nós, pois coincidiu com nossas apresentações nos festivais Roadburn e Desertfest, e

com nossa primeira tour europeia. Nós decidimos lançar "Midnight Cometh" pela Ripple Music por duas razões: primeiro, Small Stone não conseguiria atingir nossa "deadline" tão específica por causa da data de lançamento. Segundo, somos amigos dos caras da Ripple há alguns anos e sentimos que eles têm construído um selo forte e que seriam capazes de fazer o que precisávamos.

Quais foram os principais elementos presentes no seu aprendizado como guitarrista: Algo mais próximo do Blues e do Jazz, algo mais “clássico”, ou estava mais próximo da heavy music mesmo? Kent Stump: Meu desen-

volvimento como músico e como guitarrista é tipo como duas coisas diferentes. Eu fui para a universidade estudar Jazz como um tocador de trombone, que foi meu principal instrumento. Quando eu estava no colégio, eu comece a

WO FAT THE GATTERING DARK

2006

tocar guitarra porque parecia que eu sempre tive colegas de quarto que eram guitarristas, e eu também descobri meu amor pelo Blues e pelo Rock, que são essencialmente músicas baseadas na guitarra. Eu tive uma educação musical bem clássica até aquele ponto, mas quando comecei a tocar guitarra eu segui por um direcionamento diferente, e basicamente aprendi guitarra através de gravações, então meu jeito de tocar guitarra, ao mesmo tempo que é formado por um contexto bem Jazz/Tecnico, mas também é bem "primário", de certa forma. OD | A facebook.com/OctoberDoomOfficial

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ENTREVISTA KENT STUMP VOCAL/GUITARRA

Sempre fui melhor tocando música do que fazendo coisas atléticas.” Kent Stump, GUITARRA/VOCAL - WO FAT

Dessa safra mais atual da música pesada, quais bandas você e os outros caras têm curtido bastante? E de música brasileira, sacam algo por um acaso? Conhecem alguma banda? Haha Kent Stump: Infelizmente,

não estou tão ligado no cenário brasileiro, então me perdoe. Estou sempre procurando por novas bandas, então pode me recomendar. Quanto a outras bandas atuais que temos curtido, a Elder certamente vem à mente como uma banda que eu gosto de ver ao vivo e também de onde tiro inspiração. Eles são, provavelmente, uma de minhas bandas atuais favoritas.

Uma pergunta que talvez seja bem complicada, e provavelmente nem tenha uma resposta: Vocês têm um álbum favorito de vocês

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mesmos? Um que soe melhor pra vocês, ou cujo processo de criação tenha sido mais interessante? Kent Stump: Acho que

"Midnight Cometh" é meu álbum favorito da Wo Fat. Devo ter dito isso depois de cada álbum que fizemos ter saído, porque eu sinto como se cada álbum tivesse sido uma progressão musical e sônica em relação ao anterior. Enquanto eu gosto de todos os álbuns e estou orgulhoso deles, aos meus olhos, eu vejo a progressão musical adiante, o que talvez não seja tão óbvio para as outras pessoas. E por causa disso, acho que nosso melhor trabalho até aqui é "Midnight Cometh"

E seus álbuns favoritos de outras bandas? Kent Stump: Essa é uma

questão difícil. Tem várias grandes bandas por aí com muitos bons materiais. Algumas que talvez venham a minha mente sejam: Maligno - "Funeral Domine", Toad - "Toad", Church of Misery - "And Then There Were None", The Disease Concept "Your Destroyer", Roachpowder - "Viejo Diablo" e Mahavishnue Orchestra - "Inner Mounting Flame"

Quais são as próximas datas de tour que vocês têm pela frente? Kent Stump: Nós temos

alguns shows muito legais vindo. Nosso próximo show é um fest bacana em Omaha chamado "Stoned Meadow of Doom", com Weedeater e Egypt, entre várias outras bandas matadoras. Nós também estaremos tocando no "End Hip End It Houston Psych Fest" em outubro, com bandas como Radio Moscow, Black Tusk, Ruby the Hatchet, Mondo Drag e The Well, para nomear algumas.

Cara, uma curiosidade minha: vi que existe um deck muito bacana com a imagem do “Black Code” na store de vocês, o que me leva a perguntar: Vocês andam de Skate? Kent Stump: Não andamos

de skate agora. Quando eu era mais novo eu fazia, mas sempre fui mais um fã do que um bom praticante. Sempre fui melhor tocando música do que fazendo coisas atléticas.

Algumas cenas atreladas ao “stoner rock” (ou como preferir chamar, podendo ser bastante abrangente


e genérico) tendem a levar tempos e tempos para conseguir se desenvolver, dependendo da cidade, do estado ou mesmo do país. A brasileira, por exemplo, vem tentando crescer a passos duros dia a dia, com gente apaixonada suando lagrimas e sangue para levar adiante alguns projetos. Do alto de tua experiência, qual tua visão sobre a situação atual da música nesse nicho? Kent Stump: Eu realmente

acho que a cena do stoner rock, mundialmente falando, talvez seja mais forte agora do que jamais foi. Acho que a experiência de algumas pessoas contribuindo com sangue, suor e lágrimas para fazer isso acontecer é verdadeira no mundo todo. A comunidade

internacional do stoner rock que foi construída online nos últimos 10 anos mais ou menos tem levado as pessoas a realizarem shows e festivais em suas próprias cidades e a comunicação entre bandas, fãs e realizadores é melhor agora que nunca, o que realmente está ajudando a cena a crescer. É um momento excitante para a música, agora mesmo, porque tem mais pessoas que nunca ajudando a dar suporte para essa música.

Pra finalizar, mande uma mensagem ai pra galera da Stoned Union Doomed, da October Doom Magazine e do Brasil em geral, onde vocês têm uma porrada de gente apaixonada pela música de vocês, e que os aguarda ansiosamente por aqui algum dia!

Kent Stump: Tivemos

algumas ofertas para descer aí e realmente gostaríamos de fazer isso acontecer. Não temos a flexibilidade de algumas bandas para excursionar o tempo todo porque pagamos nossas contas mais com o trabalho do estúdio do que com a banda, por isso não somos capazes de estar em uma tour tanto quanto outras bandas. Porém, como eu disse, tem algum movimento e interesse em fazer uma tour sul-americana/brasileira acontecer. E obrigado por curtirem o que fazemos! OD | A

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PROJETO GRÁFICO DESIGN noisejazz@gmail.com

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COLUNA

https://www.facebook.com/FuneralWedding

http://www.funeralwedding.com/

UMA DANÇA ENTRE A LITERATURA E O DOOM METAL POR | Rodrigo Bueno

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egundo álbum desta banda holandesa desconhecida de uma grande parcela do cenário e que terá o lançamento deste novo álbum agora no início de outubro via Transcending Obscurity da Índia. Para poder entender melhor sobre eles, fui obrigado a buscar ajuda com os universitários (Metal-Archives e Youtube). O disco é conceitual e se baseia nos contos de H.P. Lovecraft, mais precisamente no conto “The Festival” e que dá nome ao material. Todo o disco conta o passo a passo da história, como se fosse uma trilha sonora para ela. O

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encarte possui ilustrações de cada capítulo, levando o ouvinte para dentro do universo criado por H.P. e musicado por esses holandeses. Eu não tenho muito contato com o mundo de H.P. Lovecraft, mas assim como nos contos Edgard Allan Poe e alguns escritores do início do século passado, o início de suas histórias são um pouco amarradas e se o leitor (neste caso) der uma pequena viajada, tem que voltar ao início e ler novamente. E é o que mais ou menos acontece aqui, o início do álbum até o capitulo 4 é um pouco amarrado, com riffs que se repetem dando uma impressão de ser uma faixa só, o que se torna um pouco cansativo. Mas a partir do capítulo 5 a coisa deslancha, deixando o ouvinte apreensivo sobre

qual será o próximo passo. Não podemos deixar de destacar as ambientações e vocalizações ao fundo, dando uma certa dose de desespero para algumas faixas, principalmente no “Chapter VIII – The Madness”, que nos traz a mente um ambiente escuro rodeado por um pântano e que enquanto menos se espera, Cthulhu poderá emergir dele. Se você que é familiarizado com este universo irá se deleitar com este disco, agora se desconhece este ambiente, acho melhor correr atrás deste conto e colocar este disco pra rodar enquanto devora o livro. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/SwampCult https://swampcult.bandcamp.com/


FICHA ORIGEM

Netherlands

GÊNERO

Doom / Blacl metal

CURRENT MEMBERS

A Drums, Vocals, Flutes D Guitars, Bass, Piano, Organ, Narration

SWAMPCULT THE FESTIVAL 2016 Tracklist: 1 - Chapter I – The Village 2 - Chapter II – The Old Man 3 - Chapter III – Al-Azif Necronomicon 4 - Chapter IV – Procession 5 - Chapter V – The Rite 6 - Chapter VI – The Flight 7 - Chapter VII – The Dawning 8 - Chapter VIII – The Madness 9 - IX – Epilogue – Betwixt Dream and Insanity

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ENTREVISTA SALLY TOWNSEND FOTÓGRAFA

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PSYCHO LAS VEGAS

A VISÃO DE UMA FOTÓGRAFA A FOTÓGRAFA AUSTRALIANA SALLY TOWNSEND COMPARTILHA SUA VISÃO DO PSYCHO LAS VEGAS 2016

POR | Billy Goate – Doomed & Stoned TRADUÇÃO | Elyson Gums

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oomed & Stoned trouxe um time de fotógrafos, cinegrafistas e repórteres voluntários para o primeiro Psycho Las Vegas, que aconteceu no Hard Rock Hotel & Casino nos dias 26, 27 e 28 de agosto. Foi um final de semana

cheio, com muitas lembranças e mais bandas do que uma pessoa conseguiria ver. Para este artigo, entrevistei uma das fotógrafas que trabalhou pra caramba documentando o festival. Seu nome é Sally Townsend e ela viajou milhares de quilômetros de Melbourne, Austrália, para Las Vegas, Estados Unidos, para presenciar este evento épico. OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA SALLY TOWNSEND FOTÓGRAFA

Billy Goate: Você veio da Austrália pra esse festival, né? Sally Townsend: Sim! Vim

de Melbourne, primeiramente porque o Psycho California foi um evento incrível no ano passado. O line-up desse ano estava ainda mais variado e tinha algumas bandas da minha lista de prioridades, incluindo Bongripper, Electric Wizard, Spelljammer, e Tombstones. Depois, viajei oceanos para o Psycho Las Vegas porque não temos festivais assim na Austrália! Temos sorte de ter bandas incríveis fazendo essa rota, mas quando eu posso viajar e combinar o feriado com o trabalho nos festivais, faz mais sentido! Esse ano muitos australianos viajaram e eu acho que valeu muito a pena, então podem esperar esse número aumentando no ano que vem! (risos)

Fale sobre seus momentos preferidos na cobertura fotográfica dos shows. Sally Townsend: Meus

momentos preferidos foram fotografando Bongripper e Baroness. Bongripper porque eu gosto deles há muito tempo e nunca tive a chance de vê-los. Normalmente, tiro as fotos e saio de perto. Também sou uma fã, então a última coisa que eu quero é estar na frente de alguém que já garantiu seu lugar na primeira fila, saca? Então eu assisto o resto do show à certa distância, ou vou para outro palco fotografar outra banda. Mas no caso do Bongripper, tirei as fotos e fiquei bem na frente do palco para o resto do show, que pra minha

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A música me dá muita coisa, então essa pequena contribuição pra apresentar alguém a uma nova banda me deixa bastante feliz.” Sally Townsend, FOTÓGRAFA

tristeza foi curto. Eles superaram minhas expectativas e foi um momento sensacional. Baroness foi apenas inesperado pra mim. Ouvi e gostei das músicas, mas não diria que sou uma grande fã. Então os assisti no Psycho. Uau. Tem algo realmente muito poderoso em estar na área dos fotógrafos, entre a

multidão cantando as músicas, e o John (Dyer Baizley, vocalista e guitarrista) cantando de volta pra eles. Realmente extraordinário e irei ao show deles em Melbourne, em dezembro, com certeza! A propósito, encontrei o John no elevador na segunda-feira depois do festival, enquanto estava com um amigo, e nós três conversamos sobre as suas influências. Ele falou sobre assistir muitos musicais com a mãe dele quando era criança, e que essas influências impactaram bastante a escrita dele. Ele gosta bastante do Queen e do Freddy Mercury. E agora que ouvi o último álbum deles, Purple, eu vejo o Queen nele inteiro!

Quais são as melhores memórias sobre se conectar com as pessoas durante e depois dos eventos?


sentar alguém a uma nova banda me deixa bastante feliz.

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Quais são suas fotos preferidas desse fim de semana? Sally Townsend: Acho

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Sally Townsend: As viagens

que faço são ótimas para reencontrar amigos do passado e encontrar pessoas com quem interajo por mídias sociais como Facebook e Instagram. É bem legal falar de verdade com pessoas com quem a gente só conversa por texto! Um dos momentos mais legais foi depois do show do Mantar. Um cara que eu não conhecia se apresentou como um dos meus seguidores no Instagram falou o quanto ele gostou do show, e se não fosse por mim falando o quanto eles eram fodas, ele não teria ido assistir. Isso é o legal! Compartilhando as mú-

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Electric Wizard (p.34)

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Jucifer (p.35)

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Pentagram (p.36)

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Elder

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Mantar

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Baroness

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Spelljamer

sicas que você descobre e pelas quais é apaixonado. A música me dá muita coisa, então essa pequena contribuição pra apre-

que as fotos do Psycho que mais gostei são do Tribulation. Sempre gostei de fotografar bandas que tem elementos teatrais extras, como maquiagens e fantasias. Também é sempre uma honra fotografar o Jucifer, porque amo a oportunidade de fotografar mulheres poderosas no palco. Pentagram porque bom, Bobby (Liebling, vocalista) sempre faz ótimas caras e sempre se veste tão extravagante! Gostei de fotografar o Elder e Yob e também estou satisfeita com o resultado final. Eles são bem dinâmicos e consegui capturar um pouquinho da mágica deles, eu acho.

Por último, mas não menos importante, Arthur Brown. Uau. Um show visualmente espetacular. Algo te surpreendeu? Sally Townsend: Não diria que tive nenhuma surpresa, além da rapidez com que decidi voltar assim que as datas de 2017 forem anunciadas. Então vejo vocês lá! OD | A

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RESENHAS

DIVULGUE SUA BANDA Envie seu material com todas as informações para nosso email contato@octoberdoom.com

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POR | Leandro Vianna

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ma das coisas mais legais do Heavy Metal é a sua capacidade de estar sempre se reinventando, mesmo contra a vontade dos mais tradicionalistas. Esse é o caso da música praticada pelo quinteto americano formado por Mike Paparo (vocal), Trey Dalton (guitarra), Steven Russell (guitarra), Joe Kerkes (baixo) e T.J. Childers (bateria). Quem

acompanha a carreira do Inter Arma, sabe que não só estão sempre procurando inovar, ampliar seus limites, como também praticam uma música irrotulável. Doom, Post Metal, Black, Death, Sludge, Progressivo, Psicodélico, até mesmo Southern em alguns casos, tudo se encontra misturado no caldeirão de influências dos americanos. Mas bem, inclassificável ou não, a música do Inter Arma é acima de tudo brutalmente pe-


INTER ARMA PARADISE GALLOWS RELAPSE RECORDS

2016

USA WEB

INTERARMA.BANDCAMP.COM/

1 - Rebirth by Fire A 2 - Animal A 3 - Follow You A 4 - Down A 5 - Faithless A 6 - Crow A 7 - Ain’t coming back A 8 - Get out A 9 - Like the Sun A 10 - Sinner A 11 - Grain of Soul

sada e desafiadora, e isso não é diferente em Paradise Gallows. Quem escutou seus dois últimos trabalhos, Sky Burial (13) e principalmente o EP The Cavern (14), vai ter uma noção do que encontramos por aqui. Dando um passo à frente, eles vão mais a fundo em sua fusão de estilos, mas de uma forma absurdamente convincente e coerente, já que estamos diante de um trabalho coeso e não de uma mistura sem pé nem cabeça. Como bem li uma vez, são diferentes

estilos em diferentes momentos. Paradise Gallows é um dos trabalhos mais desafiadores que você vai escutar em 2016. Altamente denso e em muitos momentos, perturbador, pode assustar os menos acostumados com a proposta do Inter Arma, mas conquistará de cara os já familiarizados com a mesma. Aos primeiros, vos digo, esse álbum irá crescer a cada audição e quando menos esperarem, terão sido arrebatados por sua força. Seja por sua diversidade,

por sua vibração, pelos seus riffs pantanosos e hipnóticos ou mesmo por sua ferocidade, quando menos notar terá sido conquistado pelo mesmo. A abertura se dá com a instrumental “Nomini”, com suas guitarras melódicas, seguida por um dos destaques do trabalho, “An Archer in the Emptiness”, com seu acento Death, vocais infernais, riffs cortantes e bateria destruidora. Imagine uma batida de frente do Morbid Angel com o Neurosis e poderá ter uma vaga ideia da força dessa música. “Transfiguration” mantém a intensidade do álbum, com seus riffs Sludge. É uma espécie de canção de OD | A octoberdoom.com

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RESENHAS

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transição, ligando os trabalhos anteriores com o novo, assim como ocorre com “Primordial Wound”, bem lenta e que pode remeter ao Neurosis. “The Summer Drones” é outro grande destaque, com seus elementos psicodélicos, pegada progressiva e belo desempenho de Paparo. “Potomac” é outra instrumental, também se destacando pelas melodias de guitarra, sendo seguida pela faixa título. Bem lenta, remete a trabalhos passados e tem como grande destaque o desempenho monstruoso de T.J. Childers. Por sinal, ele volta a se destacar na destruidora “Violent Constellations”, que chega a assustar por tamanho peso. Encerrando, temos a sombria e acústica “Where the Earth Meets the Sky”, com ótimos vocais limpos e que fecha o trabalho com chave de ouro. Mixado e masterizado por Mikey Alfred, o resultado final da

produção ficou muito legal, já que mesmo deixando todos os instrumentos audíveis, não abriu mão da sujeira que tal proposta musical pede. Já a belíssima capa feita por Orion Landau (uma das melhores de 2016), conseguiu prefigurar perfeitamente o conteúdo de Paradise Gallows. Tempestuosamente bela. Ao final de tudo, não é de se espantar que a popularidade do Inter Arma venha crescendo a cada lançamento, pois sua música, além de qualidade inegável, se mostra única e cada vez mais instigante, sem fronteiras. O que nos leva a uma pergunta básica: até onde o quinteto de Richmond pode chegar? Um dos melhores trabalhos do ano. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/INTERARMA https://www.youtube.com/watch?v=soco4K-w_yw


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RESENHAS

ALBUM DO MÊS JUL2016

POR | Matheus Jacques

“S

mokestack”, a grande nova investida de blues pesado e poeirento dos ir-

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mãos Fontoura Passados dois anos do álbum de estréia do duo, o ótimo “Nebula” (2014), temos agora nascendo para essa existência envolta em brumas, psicodelia e fumaça lisérgica o novo trabalho dos irmãos Fontoura, “Smokestack”. O album vem sendo a estréia dos caras em seu recem-nascido selo, a “Infrasound Records”. “Smokestack”? Bem, ele começa em “Numb”. Mas sem o “Confortably” de uns certos sujeitos ingleses, o lance aqui é outro: uma sucessão de riffs de Mauro Fontoura martelando a cabeça, seguindo em linha reta e sem deixar muitas

brechas para divagar ou analisar melhor a situação, somado às pancadas sem piedade como uma cortesia do baterista Samuel Fontoura. O painel sonoro composto apenas pelos dois caras, Mauro nas seis cordas e nos berros e Samuel nas baquetas e pancadas, é de uma reverberação intensa ainda na linha do stoner / heavy blues proposto pelo trabalho anterior. O blues pesado e intenso dos caras é presença certa na faixa de abertura. A aliança do groove blueseiro com a potência e a densidade abrem a faixa “Soulless” e a conduzem a mais um caminho de berro rasgado, pancada na “moleira” e bastante swing pesado na cadência de mais uma porrada de heavy blues e stoner rock. Nos momentos em que a voz de Mauro cessa é que podemos ressaltar ainda mais a coerência e sincronia entre ele e seu


MUÑOZ SMOKESTACK INFRASOUND RECORDS / CHEZZ RECS

2016

FLORIANÓPOLIS - BR 1 - N.U.M.B. 03’46’’ A 2 - Soulless 06’48’’ A 3 - Vulture 04’05’’ A 4 - Sometimes I’m Happy 04’21’’ A 5 - Eruption 05’18’’ A 6 - Freemind 03’00’’ A 7 - Fractal 03’22’’ A 8 - Implosion 05’51’’ A 9 - Maybe I’m a Leo 05’03’’

irmão em seus respectivos instrumentos, construindo um “diálogo” blueseiro profundo e áspero com bastante solidez. O jogo vai seguindo no compasso do blues pesado, chapado, torto e contagiante. “Vulture” cede um pouco do peso e do “caos” para dar lugar a algum grau cativante de introspecção e cadência, aspectos ressaltados principalmente pela entonação de Mauro na faixa. A parte instrumental segue sempre marcante, firme, espirituosa. “Eruption” não é tão diferente, a sua vibe é mais do arrasto e da condensação em passagens deslocadas de forma mais grooveadas. Jogam a favor do ritmo quando é necessário, e sabem impor as quebras e variações quando parece necessário que se sinta novamente o “clique” de mudança na música. Desse modo, impera aquele sentimento de transe e fixa-

ção com o pescoço pedindo para ser movido bruscamente de um lado ao outro, até quase se partir. “Freemind” emerge com um peso extra adicionado à uma cadência clássica e bem típica de blues, todo tom aqui parece sempre mais puxado para baixo e mais profundo com a construção musical da dupla. Bateria de canhoneio, riffs desfiados como se disparados de uma metralhadora e o blues servindo de tela para toda essa pintura irreverente e apaixonada. Instaurando a reta final, “Fractal” chega com uma intro mais atmosférica e construida na base do “passo a passo” rítmico, podendo fazer parecer que tenhamos um momento de sossego com nossas mentes inseridos em alguma faixa um pouco mais calma. Mas se trata da Muñoz Duo, então é previsível que em algum momento os baques repetinos da bateria e a timbragem acentuada venham para nos trazer de volta à realidade, desferindo mais alguns golpes no cérebro e liberando correntes elétricas novinhas em folha. Já no ponto de chegada “Implosion” vem para dar o desfecho correto ao trabalho, mais um grande momento de profusão de riffs, mais na linha do arrasto durante

maior parte de seu desenvolvimento, mas com um desfecho apoteótico, um climax real. Temos dois covers além das faixas autorais, uma versão rasgada, visceral e bem “à moda da casa” para “Sometimes I´m Happy” do Black Sabbath, na tradicional vibe “blues pesado” dos caras, e uma igualmente boa versão para Deep Purple e sua faixa “Maybe i´m leo”. Escolhas interessantes e bem originais para tomarem posição no álbum, eu particularmente achei uma baita sacada. O novo álbum “Smokestack” soa mais sujo, denso, com uma produção aparentemente não muito polida mas feito da forma certa para evidenciar o som cru, denso, barulhento e contagiante dos irmãos Fontoura. Sequência natural e muito bem-vinda do álbum de estreia dos caras, “Smokestack” é a peça perfeita para debutar o selo dos caras e se mostra como mais um grande trabalho a ser ouvido em 2016. A espera de 2 anos após “Nebula” é realmente recompensada com esse trampo. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/duomunoz/ https://munoz.bandcamp.com/

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RESENHAS FESTAS

SÃO PAULO FOI MAIS UMA VEZ A CASA DO OVERLOAD MUSIC FEST 44


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SET 2016

OVERLOAD MUSIC FEST CARIOCA CLUB SÃO PAULO - SP Katatonia A Alcest A Labirinto A Vincent Cavanagh

POR | Morgan Gonçalves e Rafael Sade FOTOS | Alessandra Tolc

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KATATONIA, uma das bandas mais esperadas do evento

edição de 2016, que trouxe Vincent Cavanagh, Labirinto, Alcest e Katatonia certamente foi um dos eventos mais esperados do ano, e será lembrado por muitos anos. As portas se abriram às 15 horas, conforma programado, e as pessoas já se enfileiravam para entrar e ficar mais próximo possível do palco e ver a primeira das quatro atrações do evento, Vincent Cavanagh. Antes de chegar ao momento do início do show, é necessário der realista e apontar um problema que percebi. A fila para a chapelaria (guarda volumes) era longa, e andava em ritmo extremamente lento (havia somente uma OD | A octoberdoom.com

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RESENHAS FESTAS

VINCENT CAVANAGH, no palco do Overload Music Fest

pessoa atendendo, lacrando as bolsas e recebendo) e isso dava um certo medo de que se perdesse parte do show do Vincent por causa disso, o que não aconteceu. As filas dos caixas dos bares também eram exageradamente longas. Superados os pontos já descritos, vamos às músicas, que é o que importa.

VINCENT CAVANAGH

Eu já havia visto um show de outro dos irmãos Cavanagh, o Danny, e achei que seria semelhante, mas me enganei. Além de toda a simpatia do mais novo dos irmãos Cavanagh, Vincent convidava o público a interagir com ele nas músicas tocadas somente em voz e violão. Os pontos mais altos de sua apresentação foram as músicas das mais clássicas do Anathema, como Anjelica, Eternity Part I e Thin Air. A todo momento o público gritava e cantava as letras das músicas de uma das bandas mais

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respeitadas do Doom Metal no mundo. Embora hoje as músicas sejam entoadas de uma forma diferente daquela que consagrou o Anathema, não dá pra negar que a sensação de ouvir essas músicas ao vivo é maravilhosa.

LABIRINTO Para o Labirinto esta foi uma noite muito especial. Além de ser a segunda participação da única banda brasileira nesta edição do evento, era também o lançamento oficial do segundo full álbum da banda, Gehenna, lançado entre o final de agosto e o início de setembro. O show que começou com uma atmosfera razoavelmente tranquila, acompanhada de imagens belas e atraentes, que davam ao Carioca Club, uma paisagem bastante etérea. Cada música era uma insanidade sonora, que levava todos ali aos lugares mais distantes possíveis. Mas nem tudo são flores, e com o passar das músicas, a densidade sonora foi OD | A

Vim de Brasília principalmente para ver o Alcest. Eu estava na expectativa de ver algumas músicas do novo álbum, Kodama, mas mesmo assim, foi muito foda. Adorei o início do show, quando tocaram Écailles de lune Part 1. Se eu pudesse dizer algo pra banda seria: Voltem, toquem o disco novo e vão para Brasília, porque o Overload Music Fest é Incrível, mas viajar sempre é foda.” Leonardo, BRASÍLIA/DF


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RESENHAS FESTAS

aumentando e dando lugar à um peso que ficou ainda mais extremo aliado as imagens perturbadoras de guerras, violência, truculência e morticínio que agora apareciam no telão. O final foi fantástico, com onda de percussão que fazia todos os órgãos do corpo vibrarem junto com cada nota. Como Música também é uma forma de expressão política, depois da última música, o público bradou “Fora Temer”, em alusão à atual situação do país. Surreal.

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ALCEST O horário das 19 horas anuncia a chegada de mais uma atração esperada: os franceses do Alcest em show exclusivo na América Latina. Em sua segunda participação no Overload Music Festival (a primeira ocorreu em 2014), a banda prometia algo inédito: tocar o álbum Écailles de Lune (2010) na íntegra. Antes, a banda fez Meet & Greet com os 100 primeiros que compraram seu merchandising oficial.

As cortinas se abrem e a introdução de “Écailles de lune - Part 1” se inicia, trazendo uma banda inspirada do início ao fim. A formação ao vivo é a mesma desde 2010, mostrando o excelente entrosamento de Zero na guitarra e vocal de apoio e Indria no baixo. Winterhalter que é um membro efetivo desde 2009, na bateria. E Neige no vocal e guitarra, sendo o membro fundador desde 2000. Na música seguinte, Neige anuncia a rara “Écailles de lune


LABIRINTO, que apresentou seu novo album, Gehenna ao público

- Part 2”, levando o público ao êxtase. Não existiam registros dela sendo tocada ao vivo, e isso soou como um presente para o público. A banda segue com as já conhecidas “Percées de lumière”, “Abysses” e levando o público às lágrimas com a “Solar Song”, finalizando com “Sur l’océan couleur de fer”. Apesar da visível timidez, Neige é muito comunicativo e sempre agradecia o público pela presença e receptividade. Nas primeiras

músicas o seu microfone estava muito baixo e com certa dificuldade ouvíamos a sua voz. O problema foi resolvido na metade do set para frente. Continuaram o set com as músicas “Autre temps” , as clássicas “Souvenirs” e “Les Iris” e fecharam com a emocionante “Délivrance” do aclamado Shelter (2014). Da agressividade a sensibilidade, é o que podemos definir o blackgaze dessa banda que nos leva a agitar e em poucos minutos

Viemos pra ver Alcest e Katatonia, e achamos incrível, apesar de no ano passado, o palco ser mais alto, e facilitava a visão. Eu (Sandro) vim mais pelo Katatonia antigo, da época do Dance Of December Souls, mas ainda assim foi bem legal. Para as bandas e para a produção, a gente queria dizer que foi maravilhoso, e nos divertimos muito”. Sandro e Aline, CAMPINAS/SP

a nos emocionar tamanha é a profundeza de sua música em nossos corações. Era nítida a surpresa de Neige e nos integrantes ao verem o público cantando junto , e a gratidão veio com um show completo de uma hora e meia , 11 músicas. Certamente o show do Alcest foi um dos pontos altos do festival, e só mostra que eles merecem um show solo por aqui com set ainda maior. Nós aguardamos novamente que os franceses retornem para a turnê do novo álbum Kodama e que o Brasil seja sua rota definitiva de shows. OD | A octoberdoom.com

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RESENHAS FESTAS

É muito legal, por que encontramos várias pessoas do Sul, de São Paulo, de Brasília e de vários lugares do Brasil e fizemos várias amizades. Eu (Liziane) achei muito legal, por que sou mais Thash, e achei os shows muito interessantes. Nós também gostamos muito da apresentação do Labirinto, por que é bem pesadão, e eu (Laura) ainda não conhecia eles. Foi bem legal.” Laura e Liziane Castegnaro, CURITIBA/PR

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KATATONIA

O que não podemos negar nesta edição é a excelente transição de horários entre cada banda, não existindo nenhuma demora para a próxima atração. E como o previsto, às 21hrs, para fechar com chave de ouro e satisfazer os fãs que os esperavam após 5 anos de ausência, abrem-se as cortinas para que os suecos do Katatonia finalizassem de forma esplêndida essa edição de 2016. E a música "Last Song Before The Fade" do mais recente álbum The Fall of Hearts levantou e levou as lágrimas quem os aguardou por toda uma vida. Chegava a

ser surreal para muitos presentes enfim ver Jonas Renske, Anders Nyström e todo Katatonia fechando com maestria esse Overload Music Fest. Entre sons novos e clássicos do passado/presente podemos destacar aquelas que eram as mais aguardadas, tais como: Teargas, Evidence, My Twin, Forsaker, Racing Heart/Lethean, além da excelente Old Heart Falls do novo álbum. Foram um total de 23 músicas de um set excelente e mesmo assim a quem sentiu falta de sons dos clássicos álbuns Dance of December Souls (93) e Brave Murder Day (96).


Na turnê desse novo álbum The Fall of Hearts deu para notar o entrosamento da nova formação do Katatonia: Daniel Moilanen é um monstro na bateria e nesse primeiro ano de banda só comprovou que é o cara perfeito para essa posição, e juntamente com Niklas "Nille" Sandin fizeram a cozinha perfeita do festival; assim como o também estreante Roger Öjersson, guitarrista de excelente presença de palco, ele já trazia muitas contribuições em materiais recentes. E mesmo que a sua guitarra soasse com um volume muito baixo, a banda só ganhou com a sua efetivação. E os parceiros de longa data: Anders

"Blakkheim" Nyström segurou bem a base junto com seus backing vocals e um Jonas Renkse muito simpático incentivava a plateia a cada música, e mesmo que o vocal estivesse estourado em certos momentos mostrou que sua voz poderosa nunca deixa a desejar. O show foi completo, com duas horas de apresentação. E em sua segunda passagem, os suecos do Katatonia só provaram que têm um forte público não só no Brasil, mas como em toda América Latina. Agora saciados, esperamos que não demore muito para que a banda retorne aos nossos palcos. Até breve Katatonia!

E esse Overload nos brindou com um público estimado em 1.200 pessoas, uma excelente organização, pontual em se tratando de horários, serviços, ótima localidade e qualidade no som das bandas. Parabéns a toda equipe que fez novamente do festival um sucesso de crítica, e que se mantenha no calendário nacional como um dos melhores festivais metal/ alternativo da América do Sul. Aguardamos ansiosamente pela próxima edição, e que venha o Overload Music Fest 2017!

GALERIA

Na próxima pégina

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RESENHAS FESTAS

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RESENHAS FESTAS

O QUE RESTOU DE UM FINAL DE SEMANA EM RUÍNAS 54


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JUL 2016

BRASIL EM RUINAS RUÍNAS DE SADE TOUR 2016 SC/PR/SP

POR | Gustav Zombetero FOTOS | Tamira Ferreira

N O RUÍNAS DE SADE, que capitaneou a tour brasileira carregada de doom em julho

a última semana de julho tivemos a presença do quarteto Ruínas de Sade, um bando de jaguara lá de Brusque/SC, os caras fizeram 3 datas na capital paulista, a tour “Brasil em Ruínas” passou por SC e PR, nesta resenha tratarei da apresentação deles no Centro Cutural Zapata no dia 30/07 acompanhados dos Octopus e dos Magzilla (olha eles aí de novo), além do SP Doom Days no Espaço Som dia 31/07 - acompanhados dos Fallen Idol. A 1ª data foi no Hotel Tee’s, numa travessa da Augusta, uma apresentação solo que eu não pude ir. OD | A octoberdoom.com

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RESENHAS FESTAS

Começando pelo dia 30... Aquele atraso corriqueiro e enfim os Octopus sobem ao palco para mostrar o seu “Psichodelic Heavy Music”, tocaram faixas do seu Debut - “Neptune” entre as inéditas que farão parte do próximo lançamento da banda. O quinteto se espremeu no palco do Zapata para poder profanar as almas que ali se faziam presentes, uma marola sonora, experimentalismos nada exagerados que tornam o som dos caras único. Em seguida é a vez dos Ruínas de Sade, apresentaram na íntegra o EP auto-intitulado, 3 músicas aterradoras, carregadas de rancor, poesia niilista com um toque de bem querer, tiram onda sem se esforçar, um peso cataclísmico. Apresentaram uma inédita “Hammer of Witches (Malleus Malleficarum)”, escrita em inglês (todas as faixas do EP são em brasileiro). Para encerrar, chega a vez dos Magzilla, reproduziram o que fizeram duas semanas antes no Crocodilo High Fest.

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Encerrado a 2ª etapa dos mano em sampa, nos lançamos nas ruas lamacentas do centro da capital em busca de aventuras insanas, gastando o tempo de forma enriquecedora, não oramos por falta de igrejas abertas, por falta de verba para adentrar em prostíbulos da alta burguesia, foda-se, esculhambamos e desdenhamos da existência até amanhecer... era hora de recuperar as energias para o findar da passagem dos Ruínas de Sade por aqui. Rumo ao Espaço Som para mais um SP Doom Days realizado pela Last Time Produções. O trio de Arujá, meus queridos parças Fallen Idol abrem os trabalhos, tocaram faixas do Debut auto-intitulado e umas inéditas que estarão presentes no novo play deles. Os caras são adeptos do Heavy/Doom, com

fortes influências de Candlemass, Solitude Aeternus, por aí vai... Fizeram uma apresentação classuda, direta e rápida, um set curto. No Espaço Som time is money! Chega a hora da despedida dos Ruínas de Sade da saudosa terra da garoa, a banda mandou o mesmo set executado no Zapata, incrivelmente os caras não pareciam cansados, se entregaram completamente, martelando sem dó nem piedade a mente dos presentes. Tudo redondo, mais do que o baixista (Cachaço), um puta arregaço com aquele “gostinho de quero mais” (nunca imaginei que usaria este termo bisonho, estou ruindo, sem talento total!). Gratidão à geral que de alguma forma ajudou esses rolês acontecerem, a correria continua e que seja interminável! OD | A


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ESPECIAL

PRODUTORES MUSICAIS DE STONERDOOM QUE VOCÊ PRECISA CONHECER

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POR | Fabio Mazzeu

F

ala galera! Tudo certo? Finalmente eu consegui estrear minha coluna aqui na October Doom! Eu sou o Fábio Mazzeu, e trampo como produtor (musical e executivo) na Deserto Elétrico, em BH, junto com o Merlin Oliveira. A ideia dessa coluna é se tornar um papo mensal sobre produção musical e fonográfica, não só do mundo stoner/doom, mas dá música como um todo. Para inaugurar, pensei em falarmos um pouco sobre produtores musicais. Existe um lado que muitos músicos não conhecem (ou preferem ignorar) sobre produzir, gravar, mixar e masterizar suas músicas. Provavelmente vamos entrar nessa área com mais detalhes no futuro, mas por enquanto, falar que uma visão de fora, de alguém com experiência em trabalhar com bandas é bem importante. Separei 3 produtores que produzem bandas de stoner e doom que você já ouviu com toda a certeza, e agora é hora de saber quem são esses caras! Vamos lá? OD | A octoberdoom.com

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ESPECIAL

JOHN CUSTER

O

John Custer ganhou, carinhosamente, o apelido de "The Indestructible Godfather of North Carolina Music Industry" e ele produziu/gravou todos os trabalhos do COC até hoje. Inclusive, você sabia que o Corrosion foi nominado à um Grammy por uma música que o Custer produziu com eles? A música Drowning in a Daydream, do Wiseblood concorreu à melhor performance de metal. Ele foi o responsável por moldar essa linha mais stoner metal do Corrosion of Conformity, com Albatross, Seven Days, e até mesmo influenciando os primeiros trampos do DOWN.

LINK

https://www.youtube.com/ watch?v=-NeiQyU-ZqM

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CHRIS GOSS

O

Chris Goss é o cara que produziu Welcome to the sky valley e Blues for the red sun, do Kyuss. Ele é o grande responsável pela sonoridade stoner que muitas bandas buscam, além de ter produzido o segundo álbum do Queens Of The Stone Age, Rated R e também co-produziu o Songs for the Deaf. A discografia do cara ainda inclui Masters of Reality, The Cult, Screaming Trees e Stone Temple Pilots.

LINK

https://www.youtube.com/ watch?v=PUDvRdDMc8k

JOE BARRESI

C

hris Goss serviu como introdução para o meu produtor/ mixer preferido nessa área: Joe Barresi. Curiosamente, ele gravou e mixou os 3 últimos álbuns do Kyuss, trabalhando em conjunto com o Gross. Welcome to the sky valley, Blues for the red sun e ...And circus leaves town renderam ao Barresi o gig de produzir o primeiro álbum do Queens Of The Stone Age, homônimo, e também o Lullabies to Paralyze, que tem uma sonoridade que eu acho bem foda, são timbres beeem interessantes. O cara também já trampou com o Tool, Clutch, Melvins, Fu Manchu, Masters of Reality, Soundgarden, NIN, Wolfmother e Red Fang.

LINK

https://www.youtube.com/ watch?v=ZaVlYh7Je9Y


BILLY ANDERSON

P

ara fechar a lista, deixe o mais pesado para o final. Com certeza você já ouviu falar sobre Sleep, certo? Billy Anderson é o cara que produziu Holy Mountain e Dopesmoker, além de ter trabalhado com os Melvis também. Mas não para por aí. Ele também produziu o Acid King (Zoroaster, III, Busse Woods, Down with the Crown, Middle of nowhere center of nowhere), Bongzilla, High on Fire, Orange Goblin e mais uma infinidade de bandas!

LINK

https://www.youtube.com/ watch?v=G9ZCQCC7FEo

Com a facilidade de gravar tudo em casa, é bem comum as bandas optarem por fazerem tudo por conta própria, e isso é bem legal, eu mesmo comecei assim!” Conhecer mais sobre os caras que produzem os trabalhos que a gente escuta todo dia é uma boa para pegar referências e ideias. Na hora de gravar, esse conhecimento é importante para criar um direcionamento do que a banda quer atingir com o trampo. A gente se vê na próxima edição e vamos trocar uma ideia sobre gravação de guitarra. Valeu! Qualquer dúvida, sugestão ou ideia, me manda uma mensagem em fabio@fabiomazzeu.com. OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA RAFAEL QUEIROZ

VOCAL/GUITARRA

BEM VINDO A TEMPESTADE DO INFERNO ENTREVISTA COM THORN STORM, ENQUANTO A BANDA PREPARA O LANÇAMENTO DE ARMY OF DARKNESS 62


POR | Raphael Arizio

A

banda Capixaba Thorn Storm vem se destacando com seu Death/ Black metal matador. Estão prestes a lançar um novo disco e por enquanto estão divulgando o seu último lançamento, o E.P “Times of Death”. A banda contou como anda a expectativa para o lançamento de seu primeiro disco e curiosidades sobre sua carreira e sobre a cena capixaba.

Raphael Arizio: Como tem sido a repercussão do último ep, tem sido dentro das expectativas da banda?

Rafael Queiroz: Sim, temos recebido muitos elogios e estamos contentes com o resultado final das gravações do EP, a produção foi de alto nível e ficou até melhor do que esperávamos.

A banda estava em estúdio gravando seu primeiro disco completo e deu uma pausa nas gravações, tem alguma previsão de lançamento e OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA FICHA

RAFAEL QUEIROZ

VOCAL/GUITARRA

ORIGEM

Vitória/ES

GÊNERO

Death/Black metal

CURRENT MEMBERS

Rafael Queiroz Vocal/guitarr Marcelo Terroso Guitarr Eguiberto Andrade Baixo Marcelo Mappa Bateria

quais os problemas enfrentados pela banda para ter que interromper as gravações. Rafael Queiroz: Após o lan-

çamento do EP a banda se sentiu mais confiante e empolgada, isso resultou em 3 novas composições e como estávamos sem compor algo novo desde 2012 decidimos focar em novas composições e preparar um material ainda melhor.

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Qual o nome do estúdio e do produto que está metendo a mão na massa com a banda e porque foi feita essa escolha? Rafael Queiroz: O estú-

dio foi o Áudio Space devido ao fato de termos confiança no trabalho do Adriano Scaramussa. A engenharia de som está por conta do Daniel Escobar que já produziu e gravou bandas como

Thorn Storm Demo (2015)


A gente se inspira bastante nas desgraças que assolam as nossas vidas, importância de liberdade sem religião. Tudo isso nos inspira.” Rafael Queiroz, GUITARRA/VOCAL THORN STORM

Nervochaos, Grave Desecrator, Sepultura, Forkill, Vulture Wings e Unearthly. O trabalho que o Daniel realizou junto com o Adrino no nosso EP foi sensacional, então mais uma vez escolhemos o Audio Space.

Qual a temática seguida pela banda em suas composições? O que a banda pode falar sobre as letras do novo disco Rafael Queiroz: A gente se

inspira bastante nas histórias de guerra, desde o começo das civilizações, até os dias de hoje. As desgraças que assolam as nossas vidas, importância de liberdade sem religião. Tudo isso nos inspira. E sobre as composições do novo disco, podemos garantir que continuaram agressivas e violentas.

Quais sãos as bandas que influenciaram a criação das músicas do Thorn Storm Rafael Queiroz: Principal-

mente bandas de Black e Death metal dos anos 80. Mas cada integrante da banda tem suas influencias e na junção de cada uma dessa influencias o som da Thorn Storm acaba tomando forma.

Qual a opinião da banda sobre a cena do espírito Santo? Rafael Queiroz: Não temos

muito do que reclamar. Recebemos apoio de boa parte do público e também das bandas. Mas ainda temos poucas casas de shows no estado para acolher o público metal e por outro lado o público que comparece nos eventos está cada vez menor, isso desmotiva as bandas e principalmente os organizadores. OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA RAFAEL QUEIROZ

VOCAL/GUITARRA

A gravação do último ep se destaca em relação ao que é feito de metal no Espirito Santo, como foi feito essa gravação e a escolha do estúdio Rafael Queiroz: Escolhemos

o estúdio Audio Space do nosso amigo de longa data Adriano Scaramussa que também é o nosso produtor, pois lá tivemos excelentes equipamentos a nossa disposição. Amps como Mesa Boogie, Jcm Marshalls (800,900,2000), Soldano e Vox. Baterias Mapex, Tama e Odery. Gravamos com otimos prés como Neve, Avalon , Joemeek e SSL. E o resultado vocês podem conferir no nosso EP.

O Brasil sempre revelou grandes bandas no cenário metal, mas ainda fica muito atrás em relação aos grandes centros mundiais, que a banda acha que deve mudar para termos uma cena de destaque Rafael Queiroz: Infelizmente o metal brasileiro não é valorizado da forma que merece dentro do próprio pais. Todos os dias surgem novas bandas, e essas bandas devido as dificuldades acabam desistindo. Tem que trabalhar muito para se ter um destaque e as coisas não vão acontecer do dia para a noite.

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A BANDA LANÇOU RECENEMENTE o vídeoclipe da música Hidden Road From Hell, do próximo álbum.

A banda dividiu o palco com o Korzus e tiveram repercussões tanto positivas quanto negativas, quais as conclusões que a banda tira de ter dividido o palco com essa lenda do Thrash nacional? Rafael Queiroz: Korzus é

uma das bandas que escutamos desde que tivemos contato com o metal, e foi sensacional ter conhecido os caras e ter dividido o mesmo palco com uma das lendas do metal brasileiro. Ao contrário de algumas pessoas, nós da Thorn Storm não julgamos ninguém. O nosso proposito e espalhar o nosso som como peste, e assim faremos.

A economia do país está enfrentando uma de suas maio-

res crises de todos os tempos, na sua opinião isso atrapalha a cena do nosso país em algum sentido? Rafael Queiroz: Com a

contenção de gastos por parte do público as bandas acabam sendo prejudicadas. Mas a situação não está tão ruim quanto de outros setores.

Cite na sua opinião os seus 10 discos nacionais e internacionais preferidos Rafael Queiroz: Vou mencio-

nar 10 nacionais e 10 internacionais que escutei recentemente: Torture Squad – Hellbound Delicta Carnis - The Pentragram Krisiun - Angeless Venomous Cangaço – Rastros


Violator - Chemical Assault Venereal Sickness - Extreme Media Land of Tears - The Ancient Ages of Mankind Chaos Synopsis - Art of Killing Korzus - Ties of Blood Siecrist - Freezin’ Hell Death – Human Atheist – Elements Dissection - Reinkaos Windir – 1184 Watain - Sworn To The Dark Marduk - Opus Nocturne Brutal Truth - Extreme Conditions Demand Extreme Responses Dismember - Indecent & Obscene Bolt Thrower - Those Once Loyal Mgla - Exercises in futility

Espaço para considerações finais e agradecimentos

Rafael Queiroz: Queremos agradeces a todos os nossos amigos, não vamos citar nomes, mas vocês sabem que sempre vão estar conosco. Queremos agradecer a todos os apoiadores do metal capixaba, principalmente os que comparecem aos eventos que não são muitos mas dão o sangue. Todas as bandas do ES que estão correndo atrás assim como a Thorn Storm. Também queremos agradecer toda a equipe da Black Legions. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/thorn.storm.3 https://www.youtube.com/watch?v=HkdpRDArJgE

Infelizmente o metal brasileiro não é valorizado da forma que merece dentro do próprio pais. Todos os dias surgem novas bandas, e essas bandas devido as dificuldades acabam desistindo.” Rafael Queiroz, GUITARRA/VOCAL THORN STORM

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ENTREVISTA JOÃO YOR

VOCAL/GUITARRA

A ENTRÓPICA LOMBRA DOS SENTIDOS UMA TROCA DE IDÉIAS COM JOÃO YOR, GUITARRISTA DA “LOMBRAMÓRFICA” BANDA PARAIBANA AUGUSTINE AZUL POR | Matheus Jacques

N

ovo album dos paraibanos do Augustine Azul é delírio sensorial em estado bruto.

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Matheus Jacques: Caras, e aí! Primeiramente queria parabenizá-los pelo excelente novo álbum, "Lombramorfose". Peça rara e de primeira! Me contém um pouco sobre como foi o primeiro contato de um com outro e as primeiras experimentações e viagens musicais de vocês na formação da Augustine Azul e no desenvolvimento de sua sonoridade. João Yor: Então, eu já tive

bandas com Jonathan tempos atrás, mas passamos um tempo sem tocar juntos. Aí começamos a nos reunir com amigos nossos pra fazer umas jams no Estúdio Capim Santo, que infelizmente acabou. Foram dessas jams que as composições da Augustine Azul foram surgindo. Daí ficamos sem baterista e o Jonathan conheceu Edgard num roque doido e desde então a gente toca junto.

As diferenças, de logística e de acesso a recursos, foram muito gritantes do EP anterior de 2015 para "Lombramorfose"? João Yor: Foram sim, no EP

não tínhamos grana nem material, produzimos tudo só e gastamos exatamente 30 reais pra gravá-lo, com aluguel de pratos pra bateria. A maior diferença entre o EP e o Lombramorfose é que no EP gravamos instrumento por instrumento isoladamente, já no Lombra a gente gravou ao vivo, numa sala excelente do Estúdio Peixe Boi, amplificadores bem bacanas, bateria legal, pré-amps valvulados e essas coisas maravilhosas que estúdio profissional proporciona. OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA FICHA

JOÃO YOR

VOCAL/GUITARRA

ORIGEM

João Pessoa/PB

GÊNERO

Stoner Rock

CURRENT MEMBERS João Yor

Jonathan Beltrão Edgard Moreira

O espectro de nuances atingidas nesse novo trabalho foi amplo, trazendo aos meus ouvidos (e à minha mente) referências de Post-Rock, Rock Psicodélico, Blues, Stoner Rock e bastante de Jazz, nesse lance das jam sessions, da "música livre" e de improviso, solta de amarras. O quanto de cada elemento (e mesmo de outros) influiu na composição de "Lombramorfose"? João Yor: É bem isso mes-

mo que influenciou a gente no Lombramorfose, conseguimos compilar as mais diversas influências que cada um de nós tem no instrumento e no modo de compor. Acredito que conseguimos explorar mais texturas diferentes que no EP, trabalhamos melhor com a

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dinâmica e improvisamos de verdade durante as gravações.

Como está sendo o feedback das pessoas com o novo álbum, quais as impressões que as pessoas têm mandando a respeito dele? João Yor: Tá sendo maravi-

lhoso, brotaram vários reviews positivos, tanto nacionais quanto internacionais. O que mais foi falado do Lombramorfose foi a maneira como juntamos diversas referências musicais, como todos os instrumento conseguem se destacar individualmente nas faixas, sobre o peso e os timbres também.

Vocês são uma banda instrumental, e, contudo, as reverberações de cada instrumento se juntam umas às outras

Thorn Storm Demo (2015)


Quão prolífico está o cenário musical ai em João Pessoa, na Paraíba? Boas bandas daí pra se acompanhar e dar uma recomendação? João Yor: A cena daqui é bem

limitada, não temos tantas casas de show assim pro nosso tipo de som e há um descaso enorme com o Centro Histórico daqui, onde a cena underground se concentra. Mas há sim muita coisa bacana se desenvolvendo! Uma recomendação pra todo mundo ficar de olho é a banda Hajem Kunk, também instrumental, que surgiu há pouco tempo e está entrando em estúdio, brevemente sairá material deles, fiquem espertos!

para praticamente criar uma '"voz" para o desenvolvimento sonoro sublime de vocês. No geral, vocês três são mais "fãs" especificamente de músicos e bandas que desenvolvem suas sonoridades no lance instrumental, ou não tem nada a ver, depende e cada caso é um caso? rs João Yor: Cada caso é um

caso, mas somos sim grandes fãs de música instrumental. Temos uma afinidade maior por instrumentos que por vozes, mas claro que tem muitas bandas com voz que curtimos bastante, mas a gente lombra muito mais em reparar nos fraseados, riffs, improvisos, solos, cadências e progressões das músicas.

Essa nova "pedrada" de vocês foi o primeiro trabalho lançado pela recém-criada More

Fuzz Records, um selo lá da França que surgiu a partir da grande plataforma musical e de divulgação de sons More Fuzz, na ativa há alguns anos. Como foi esse primeiro contato pra acertar a parceria, partiu de quem? E como tem se mostrado até agora essa relação com os caras? João Yor: Tudo começou

quando vimos o review que saiu do nosso EP, que foi amplamente elogiado. A partir daí começamos a conversar com o Tanguy, como estávamos em processo de gravação do nosso álbum, juntamos o útil ao agradável. Queríamos ampliar a distribuição desse nosso trabalho e atingir o mercado internacional, o que coincidiu com a vontade do Tanguy de montar um selo, daí deu no que deu.

Em outro papo, citei pra ti duas referências que me saltaram muito aos ouvidos quando conferi o trampo novo, Mahavishnu Orchestra e os trampos do grandioso Hermeto Pascoal. Ai uma pergunta capciosa: qual dos dois curte mais? haha João Yor: A gente curte Her-

meto, mas pagamos muito pau pra turma do McLaughlin e do Cobham! Na real, a gente curte muito fusion de todo tipo, principalmente funk fusion.

Agradeço muito ai o papo e espero que as coisas continuem rolando lindamente pra vocês, com muitos shows fodas e novos trabalhos excelentes pela frente. João Yor: Qué isso! A gente

que agradece o convite, Matheus! O trabalho de vocês é magistral! Tudo de melhor pra nóis todos!

RESENHA

Na próxima pégina

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RESENHAS

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A ENTROPIA ANÁRQUICA DE "LOMBRAMORFOSE"!! POR | Matheus Jacques

E

ntropia”. Ao terminar de ouvir o novo trabalho da banda paraibana Augustine Azul, o álbum "Lombramorfose", uma espécie de "brainstorming" dentro de meu próprio cérebro aconteceu, como se minha massa cinzenta se dividisse em diversos setores e cada um tentasse comprovar para o outro qual definição ou conclusão acerca de "Lombramorfose" era mais concisa e adequada. Possivelmente esse seja um conceito deveras bizarro e


inconcebível, improvável, mas, de certa forma, assim o é o próprio álbum da banda, a mais excelentíssima peça de rock instrumental do ano, e muito possivelmente uma das melhores que já tive o prazer de ouvir na vida: improvável, inusitado, inesperado, bizarro, maravilhosamente CAÓTICO. "Entropia", uma palavra que poderia muito bem ser utilizada nesse caso com perfeita adequação, traduz-se como "FÍSICA (termodinâmica): função que define o estado de desordem de um sistema". Pois bem, que se considere uma metáfora (não a última que usarei nessa resenha): se o tal "sistema" é o conceito da música "média" existente hoje em dia, aquela que se divide entre a música popular, a comercial, a mais leve, a mais pesada, o rock instrumental e o rock não instrumental, o stoner, a psicodelia e o metal, dentre ou-

tros, definitivamente o novo álbum da Augustine Azul, que sucede o ótimo EP de estreia de 2015, é o caos que vem causar uma desestruturação em conceitos que criamos, moldamos e consolidamos por muitas vezes sobre música e sobre "música boa". "Lombramorfose" revoluciona, anarquiza e realmente cospe (com sutileza e elegância, mas também com desprezo absoluto) em qualquer ideia estabelecida sobre necessidades de "música boa" ser aquela "dentro da casinha", em linha reta, com todos os detalhes bem aparadinhos e com as arestas delimitadas. Bem pelo contrário, o som dos caras no álbum é energia fluindo (apenas em aparência) desordenadamente, sem mira e sem freio, sem controle e sem poder ser contida. As jams maravilhosas e sublimes se esvaem por entre as contenções e barreiras, se entregando ao total

desapego às amarras e clichês. O baixo de Jonathan Beltrão ressoa e pulsa desvairadamente, sem amarras no chão e como se não houvesse amanhã, com a determinação e resiliência de um maori. Edgard Junior controla seu "meio de campo" com a total cumplicidade de seu instrumento, fazendo parecer como se também a bateria fosse uma entidade senciente e ambos estivessem em aberta e plena comunicação e troca de sentimentos e sensações, resultando em uma apresentação de muita competência. E poucas palavras seriam adequadas para definir a forma com que a energia simplesmente flui através de João Yor em rasgados desapegos guitarrísticos ao óbvio e ao previsível, deixando prevalecer a total expressão natural das coisas e a liberdade criativa. É energia bruta das três peças da banda se sucedendo em ondas e ondas de insanidade instrumental cativante e impressionante. Conseguir citar bandas que adequadamente ou quase isso façam jus ao som que os caras produzem, é tarefa difícil..., mas algumas me passam pela mente, nenhuma sequer perto de "ruim": Radio Moscow, Jimi Hendrix Experience, Mahavishnu Orchestra, Macaco Bong, Frank Zappa... todas me parecem saltar aos ouvidos (e quase aos olhos, o som beira ser sinestésico!) em variados espectros e referências. Post-Rock, Stoner, Funk, Jazz, Psicodelia brasileira e gringa, Hard Rock setentista, ritmos brasileiros até.... De tudo um pouco emerge furiosamente no som da banda. A grosso modo, a música da Augustine é como água se debatendo violentamente em um balde ao ser chacoalhado, mas OD | A octoberdoom.com

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RESENHAS

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como o balde é enorme (e ao balde, associo à capacidade e destreza dos caras em fluir música), a água não se esvai, não é desperdiçada, segue dentro do recipiente causando furor e caos sem comedimento enquanto ressoa, enquanto retumba, enquanto os sujeitos seguem desgraçando e chutando os fundilhos dos conceitos de música medíocre e relaxada. Tudo parece ir para lugar algum, mas a verdade é que no fim das contas, o "lugar algum" é um lugar melhor e onde esperávamos chegar, e onde de fato chegamos: uma audição extremamente recompensada com puro êxtase auricular. Seria quase injusto e imperdoável tentar destacar essa ou aquela canção entre as seis faixas do trabalho, pois em uníssono elas formam um painel visceralmente coeso e coerente. "Amonia", o inicio de toda a empreitada, puxa e empurra, segue num bailar de quebras e rompantes, se insinua e pretende ser uma coisa que não é... sempre. É um teatro, um "jogo de cena". Por momentos, volta a ser e a não ser, engana o ouvinte, proporciona o deleite de uma jam cerebral e brilhante, distorcida e psicótica. "Jurubeba", um dos pontos mais altos do trabalho, tem tom crítico e iminente (a iminência de qualquer coisa grandiosa, como um tufão, a explosão de um vulcão ou coisa que o valha), pulsa ferozmente e ecoa berros, berros que lá no fim quase soam como meros sussurros despretensiosos, apenas para voltarem a ser novamente vociferações abissais moldadas a partir da "cozinha" afiadíssima da banda lado a lado com a guitarra sônica e

AUGUSTINE AZUL LOMBRAMORFOSE

2016

JOÃO PESSOA, PB 1 - Amônia 06’10’’ A 2 - Jurubeba 05’29’’ A 3 - Cogumelo 04’45’’ A 4 - Mamatica 04’41’’ A 5 - Pixo 04’40’’ A 6 - Intéra 04’14’’

incontrolável de João Yor. Você realmente nunca tem nem noção de para onde a coisa vai descambar nas músicas dos caras. "Cogumelo", certamente uma das inspirações (e indispensável na concepção de "Lombramorfose", imagino eu, rs) para o trabalho dos caras, é groovy. É funky. É contorcida. O baixo não pede passagem e simplesmente toma a frente, se materializa, assume papel de protagonista também. "Mamatica" se anuncia de mansinho com um malemolente andar bluesy, com uma cadência que é a plena sofisticação da simplicidade. Às vezes, não há


nada mais perfeitamente complexo e adequado do que o "simples". Certamente os mestres já falecidos do Blues e do Rock estariam totalmente satisfeitos e realizados se pudessem ter noção de que tudo valeu a pena quando se tem um som como "Mamatica" e uma banda como Augustine Azul. Na reta final (a parte triste do álbum: chegar perto do fim), "Pixo" se insinua como uma peça "stonerizada" e chapante, abarcando todas as nuances já anteriormente apresentadas no trampo e fazendo uso de mestre delas, apresentando uma mão vencedora

de Truco com seu desenvolvimento. E pra fechar a conta, "Intéra" carrega a displicência de quem sabe exatamente de seu fim e simplesmente não liga para tal fato, se entregando cegamente apenas ao próprio intento de consumir a si mesmo em uma derradeira farra de sons e percepções, de sentimentos e excessos. Ponto final. E se fecham as cortinas. Ato final. "Lombramorfose" é a perfeita (des)medida do quão catártico e revelador pode ser o exercício pleno da liberdade. Sem podas, sem amarras, sem a necessidade de cumprir débitos com o trivial e

o esperado. A Augustine Azul talvez tenha criado aqui um titã com o qual precise lidar desse ponto em diante: o fato de que todos os que ouviram "Lombramorfose" já sabem que são músicos grandiosos com energias grandiosas e um trabalho grandioso. Mas nesse ponto, já estou pronto pra ser surpreendido por qualquer tipo de carta na manga dos caras, daqui pra frente. Haja entropia! OD | A

LINKS https://www.facebook.com/AugustineAzul https://augustineazul.bandcamp.com


ENTREVISTA FRANCISCO OLAY BAIXO

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"BIZARRO MONDO" DA MONDO BIZARRO! UMA VISÃO SOBRE O PANORAMA DA MÚSICA PESADA AUTORAL NO BRASIL POR FRANCISCO OLAY, BAIXISTA DA MONDO BIZARRO!

POR | Matheus Jacques

U do Stoned Festival

m papo com Francisco Olay, baixista da banda pernambucana Mondo bizarro e organizador

Matheus Jacques: Em primeiro lugar, queria dar os parabéns pela tour que vocês fizeram descendo o Brasil, junto aos dois doidos da Projeto Trator, os caras da Cocaine Cobras (em cidades de São Paulo) e a diversas outras bandas em algumas cidades

do país, como a Gasoline Special no interior de São Paulo e a Marte aqui pelo Sul. Eu mesmo estava num desses, em Joinville, e foi foda! Me conta aí um pouco sobre a impressão de vocês da Mondo Bizarro com relação a essa passagem, sobre as cidades e picos em que tocaram, as bandas com as quais dividiram os rolês e a receptividade da galera em cada lugar. Francisco Olay: Valeu mesmo cara! A Tour Sul Sudeste foi uma grande experiência pra todos da banda. Já tocamos em São Paulo uma vez, mas desta vez foi diferente, passamos dez dias longe da nossa cidade natal OD | A

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ENTREVISTA FRANCISCO OLAY BAIXO

e tivemos a oportunidade de conhecer pessoas, bandas e lugares incríveis, tanto em São Paulo como também nas cidades que passamos em Santa Catarina e Paraná. Agradecemos muito o apoio que recebemos de todas as pessoas envolvidas nessa tour, bandas, produtores e principalmente aos Brothers do Projeto Trator (Paulo e Thiago), se não fosse por esses caras, nada disso teria sido possível, sem falar o que aprendemos com eles. De maneira geral, gostamos muito da receptividade do público que foi lá pra conferir os shows. Realmente superou todas as nossas expectativas.

Cara, nessa pequena grande trip aqui pelo Brasil, vocês estavam apresentando as músicas de seu primeiro álbum, “Too Loud is not Enough”. Mais ou menos quando se iniciou o processo de criação do álbum e qual tem sido o feedback com esse primeiro trampo de estúdio de vocês? Francisco Olay: Na verdade

temos essas músicas desde o início da banda, uns três quatro anos. Chegamos a gravar algumas vezes, mas nunca gostávamos muito do resultado final, sempre achávamos que poderia ficar melhor, que as musicas tinham um certo potencial que não conseguíamos explorar bem. Agora no fim de 2015 a metade de 2016 é que realmente trabalhamos de verdade nessas composições e acredito que acertamos

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Não nos consideramos puramente stoner, mas nossa pegada e timbres, têm forte influência de bandas do estilo.” Francisco Olay, BAIXO - MONDO BIZARRO

em cheio. Ficaram exatamente do jeito que sempre pensamos. E hoje temos um feedback bastante positivo do “Too Loud is not Enough”. Demorou mas saiu como achamos que deveria ser.

Foi nessa tour a primeira vez em que vocês tocaram determinadas canções do álbum, ou já vinham executando as faixas anteriormente? Francisco Olay: Não. Como

falei antes, temos essas músicas prontas desde o início da banda. Elas fazem parte desde sempre do nosso repertório, o que aconteceu foi que deixamos de tocar algumas nesse meio tempo. Algumas músicas que perdemos o interesse de gravá-las e outras que ainda pensamos em mexer nos arranjos aqui e ali. Agora com o lançamento do disco, estamos também trabalhando em novas composições, pensamos em ainda esse ano, lançar algo inédito, talvez lançar um novo álbum com nove ou dez músicas.

Voltando um pouco no tempo, como se desenrolou esse lance da tour de vocês com a Projeto Trator e com a Cocai-

ne Cobras (nas cidades de São Paulo)? Em que ponto surgiu a ideia/o convite, como vocês conheceram os caras? Francisco Olay: Antes do

Mondo Bizarro, eu já tocava no Mojica aqui de Recife, nessa época (2010-2011), eu e o Raphael (batera do Mondo) tínhamos um blog chamado “Stoner Rock PE”, onde todos os dias era atualizado com resenhas de bandas de Stoner rock, como também disponibilizávamos downloads dos seus discos. Lembro que uma vez eu fiz a resenha do primeiro disco deles (O Caldo Azedou). Esse blog já tinha uma grande quantidade de seguidores e já tínhamos contato com várias bandas e uma delas foi o Projeto Trator. Aqui em Recife organizamos um festival chamado Stoned Festival e na mesma época que criamos o blog foi que fizemos a primeira edição do evento. O Paulo entrou em contato comigo através do blog, querendo armar uma turnê pelo Nordeste e de pronto fizemos uma segunda edição do Stoned. Eram poucas as bandas aqui em Recife que tocavam um som que tinha essa pegada, foi então que


reunimos o Mondo Bizarro e fizemos nossa primeira apresentação. Nessa ocasião, tocamos algumas músicas de um antigo projeto do Jr Supertramp, algumas delas temos até hoje no repertório. Desde então mantemos contato. O Projeto Trator já veio outra vez aqui pra Recife e tocou em outra edição do Stoned, o Paulo já fez participação especial no show do Mojica, quando tocamos em Araraquara outra vez, ficamos na casa do Paulo, enfim viramos amigos e sempre falamos a respeito de fazer uma tour com os dois grupos. No caso do Cocaine Cobras, foi a primeira vez que tivemos contato. Já conhecia o trabalho dos caras pela web mas é ao vivo que se tem noção do que é o som dos caras, sem falar que todos são super gente fina (Davi, Rafael e o Laudenir). Pensamos em fazer outras parcerias aqui pelo Nordeste.

A banda Mondo Bizarro já está aí na batalha desde 2012, mais ou menos. Como rolou de vocês três se juntarem pra fazer um som, e quais foram as principais influências musicais de cada um na hora da criação das músicas? Francisco Olay: Tenho

um home studio (Café Bizarro) onde várias bandas ensaiam e a partir daí, conheci o Jr e o Raphael. Cada um tocava em bandas distintas, porém com estilos bem parecidos, e essa afinidade despertou o nosso interesse de formar esse projeto. Quanto às influências é difícil definir... todos gostamos de muita coisa. Não nos consideramos puramente stoner, mas nossa pegada e timbres, têm forte influência de bandas do estilo.

Vocês são responsáveis pelo Stoned Festival, que já arrebanhou um bom número de boas bandas para o cast em variadas edições (como Mojica, Black Witch, Psiconauta...) O que vocês podem contar a respeito de como ele se iniciou e sobre as dificuldades encontradas pra empreender uma parada assim? Francisco Olay: Bem, a ideia

inicial era por nossas próprias bandas pra tocar, tendo em vista a dificuldade de conseguir espaço na cidade para bandas que fazem som autoral. O que mantém o Stoned é o “amor” (hehehehehe). Nunca ganhamos nada financeiramente falando. Muito pelo contrário, muitas vezes temos que por do próprio bolso lá. Em contrapartida, temos um imenso prazer de fazê-lo percebendo o quanto a ideia pegou por aqui e como o publico OD | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA FRANCISCO OLAY BAIXO

comparece. No início a ideia era fazer um evento por ano e hoje fazemos praticamente uma vez por mês. Várias bandas de várias regiões já tocaram no Stoned e o que antes tinha um publico de aproximadamente 30 pessoas, hoje lota a rua do Apolo que é onde fazemos sempre o festival. Sem falar que ele influenciou outras paradas que são feitas em Recife e que possui o mesmo formato, como também a quantidade de bandas que surgiram por aqui a partir dele.

Falando em cena e em bandas... A Mondo Bizarro já tocou em vários festivais bem bacanas e conhecidos (Grito Rock e Under the Sun, por exemplo) e dividiram os palcos com uma porrada de bandas, até gringa já rolou aí no

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meio (a Samavayo, da Alemanha). O que vocês diriam que adquiriram de mais bacana dessa vivência, que apesar de relativamente curta parece ter sido bem intensa? Francisco Olay: Bem, como já ouvi alguém falando, não existe glamour nessa de fazer rock n roll. É preciso muita dedicação e disciplina para que as coisas aconteçam. E nunca é fácil. Os três que compõem o Mondo Bizarro, já têm bastante vivencia com projetos anteriores. Já somos “gatos escaldados”. Hoje na medida em que as coisas vão acontecendo, nos sentimos como se jogássemos “WAR” onde aos poucos vamos conquistando mais territórios, e isso nos dá uma noção do resultado de tanto investimento. Sem dúvida com isso fazemos muitos

intercâmbios e adquirimos muita experiência.

Francisco, você toca em outras bandas de música pesada da cena de Pernambuco, Mojica e Demoniah. Como andam as coisas com essas tuas outras bandas em questão de rolês, composições e tal? E os outros caras da Mondo, participam de outros trampos também? Francisco Olay: Bem, o Mo-

jica tem mais tempo que o Mondo Bizarro e o Demoniah já existiu há um tempo atrás e agora retomamos. Acho que das três bandas a que mais produziu em termos de composições foi o Demoniah. Apesar de ter um tipo de som mais complicado de se trabalhar dentro do circuito de shows e eventos,


MONDO BIZARRO TOO LOUD IS NOT ENOUGH

2016

temos conseguido tocar em bons festivais. Isso acontece também com o Mojica. Não sei se estou certo mas acredito que uma banda impulsiona a outra dentro desse coletivo, apesar dos estilos serem tão distintos. As coisas estão acontecendo com a mesma intensidade para as três.

Vocês veem o cenário atual do rock pesado underground no Brasil se “plastificando” e se fechando cada vez mais em si mesmo, ou existe uma abertura para novidades, com novos picos, novos públicos e incentivo a bandas novas surgirem no rolê e buscarem seu próprio êxito? Vocês acham que realmente impera a “realeza do Cover” ou o autoral vem ganhando

mais o seu espaço? Francisco Olay: Acho real-

mente que o tempo das bandas que fazem cover já passou. No Stoned e mesmo em outros eventos que vejo acontecer aqui e em várias outras cidades, é que bandas autorais ganharam muito espaço. Acredito que isso se dá por conta da boa safra de grupos que temos em território nacional. Bandas independentes que têm tanto qualidade nas suas composições como excepcionais produções não deixando nada a desejar em termos técnicos.

Fazendo agora uma “ponte” entre a tour da banda Projeto Trator da qual vocês fizeram parte (batizada “Fora Temer”) e a situação política atual... Vocês OD | A

Não existe glamour nessa de fazer rock n roll. É preciso muita dedicação e disciplina para que as coisas aconteçam.” Francisco Olay, BAIXO - MONDO BIZARRO

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ENTREVISTA FRANCISCO OLAY BAIXO

pensam que a música (nesse caso, mais especificamente o rock) deva estar alheia a tomar partidos e deve servir apenas pra entretenimento e “válvula de escape”, sendo apenas uma forma de extravasar e se divertir, ou o rock também deve tomar a frente de levar as pessoas à reflexão e a contestarem as coisas que consideram erradas? Francisco Olay: Não sei se

tem necessariamente a ver com o rock n roll talvez sim talvez não. Acho que passamos por um momento muito delicado em nosso país onde é importante que cada grupo (e dessa vez não estou falando de bandas) se posicione politicamente falando. Você pode ser a favor ou contra o FORA TEMER (pode, também, não estar nem aí para ele, nem sequer saber quem é o cara). Mas, se é a favor da Constituição e da democracia, do pluralismo político e da liberdade de expressão que estão previstos nela, não deve temer nem proibir o dizer e o vestir o FORA TEMER.

Quais são os próximos planos? Vão rolar mais algumas datas aí pra divulgação do disco novo, já pretendem iniciar a compor algo novo ou agora é momento apenas de dar uma descansada e recarregar as baterias? Francisco Olay: Achamos

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que ainda temos muitos frutos a serem colhidos do “Too Loud is not Enough”. Ao mesmo tempo, estamos sim trabalhando em novas composições já que havíamos definido que o faríamos assim que o processo de gravação do disco acabasse.

Pra fechar, queria só agradecer aí a atenção e pedir que cada um recomendasse uma banda daqui que tenha curtido bastante ultimamente! Valeu, e esperamos vocês aqui pelo Sul novamente em breve! Francisco Olay: Pô, nós que

agradecemos bastante a todos vocês que tem nos ajudado muito durante essa caminhada. Quanto às bandas, mesmo antes de conhece-las pessoalmente, ouvimos cada uma através da web. Todas bandas incríveis e que já convidamos a partir de agora para tocar por aqui assim que quiserem, que terão todo o nosso apoio e hospitalidade. Bandas como a galera do Marte, Broken & Burst (banda foda), Gasoline Special e Burt Reinolds (muito rock and roll), Magma, Magnum 44, Lamba-te (que tiveram um problema e não puderam tocar, mas é uma banda foda), Magzilla e por fim o Cocaine Cobras e o Projeto Trator que tivemos o grande prazer de estarmos juntos durante a maior parte do tempo. Nos sentimos privilegiados por ter dividido o palco com todos eles. OD | A

Acho que passamos por um momento muito delicado em nosso país onde é importante que cada grupo (e dessa vez não estou falando de bandas) se posicione politicamente falando. ” Francisco Olay, BAIXO - MONDO BIZARRO

LINKS https://www.facebook.com/mondobizarrope/ https://mondobizarrope.bandcamp.com/


FICHA ORIGEM

Recife, Pernambuco

GÊNERO

Stoner Rock

CURRENT MEMBERS

Junior Supertramp Guitarra/voz Raphael Dantas Bateria Francisco Olay Baixo

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ESPECIAL

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POR | Jenny Souza

A

gora você confere a segunda parte dessa matéria sobre a presença das Mulheres na Cena Underground Brasileira. Um apanhado de bandas que tem em sua formação, Mulheres, que mostram que não deixam a desejar quando o assunto é Underground!

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ESPECIAL DECIFRA ME

V

ocais operísticos contrastando com vocais masculinos agressivos, peso, forte presença de teclados que te fazem sentir como se estivesse dentro de uma ópera (ou algum filme épico): essa é a composição da Decifra me. Essa banda carioca tem muitas músicas interessantes para serem conferidas em seu soundcloud, e também alguns vídeos no Youtube. Se vc curte Therion, bandas de Doom que tenham forte presença de teclado e vocais femininos operísticos, confiram!

LOCAL: Rio de Janeiro GÊNERO: Metal Sinfônico ANO DE FORMAÇÃO: 2006 FORMAÇÃO:

Vivi Alves - Vocal e Violino Marcos Yamazaki - Vocal Raphael Alves - Guitarra Lucas Fernandes - Guitarra Allan Gil - Baixo Ricardo Correa - Teclado Lane Swan- Flauta doce e backing vocals Pablo Henrique - Bateria

LINKS https://www.facebook.com/ deciframe/?fref=ts https://soundcloud.com/deciframe-official

MIASTHENIA

Q

uem disse que Black Metal de qualidade só tem na gringa? Se você ainda não conhece a pedrada que é o som do Miasthenia, faça um favor para o seu acervo musical. Letras em Português (sim galera, é +55 na cabeça!), instrumental dinâmico muito bem executado, e um vocal que mostra toda a essência das letras da banda! Confiram, vale muito a pena!

LOCAL: Brasília/DF GÊNERO: Pagan Black Metal ANO DE FORMAÇÃO: 1994 FORMAÇÃO:

Hécate - Vocal e Teclado Thormianak - Guitarra V. Digger - Bateria

LINKS https://www.facebook.com/miasthenia/ https://miasthenia.bandcamp.com/ releases https://www.youtube.com/user/ Miastheniaband

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M26

PAIN OF SOUL

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etras em português, e um som melodioso com muita energia e peso! Se você gosta dos trabalhos do Tristania, Trail of Tears, Weeping Silence, provavelmente vai curtir muito! Lembrando que essas bandas acima servem como um tipo de “referência” pois há tanta qualidade que a singularidade dos riffs e das músicas como um todo são muito presentes! Criatividade muito grande, vocais operísticos feitos com maestria! Não deixem de conferir, é mais uma grande banda!

LOCAL: Pelotas/RS GÊNERO: Dark Metal. ANO DE FORMAÇÃO: 1996 FORMAÇÃO:

André – Baixo Gabriel (também Enarmonika, Exception, ex-Misdeed) – Bateria Jean – Vocal Carla – Vocal Patrícia – Baixo Bruno (também Postmortem) Guitarra

V NECRO

R

iffs pesados e melodiosos anos 70 que te causam nostalgia ao ouvir. Vocais entoados e ora agressivos, tendo a “cozinha” muito bem-feita e com um groove gostoso de conferir. Tudo isso você encontra no trabalho da Necro. A banda tem uma ótima aceitação na cena underground e segue agora trabalhando nas composições de seu novo álbum.

https://www.facebook.com/m26band/ https://www.youtube.com/channel/ UCNalWvPM5Egd0KPk5o6RxXA (canal)

LOCAL: Santa Catarina GÊNERO: Doom Metal.

LOCAL: Maceió

ANO DE FORMAÇÃO: 2000

GÊNERO: Hard-Prog/Psych

FORMAÇÃO:

ANO DE FORMAÇÃO: 2009 FORMAÇÃO:

LINKS

ocais femininos com uma carga emocional muito bem demonstrada, instrumental excelente e o clima sombrio que já conhecemos: mistura perfeita para o Doom Metal executado por esses catarinenses. Se você gosta de My Dying Bride e The Gathering (fase “Always”) com certeza vai curtir! Ainda mais que o vocal feminino é um show à parte, contrastando com o gutural muito bem executado! Além dos planos para início de gravação no próximo ano, também realizarão alguns shows em 2016, como um importante evento em outubro.

Lillian Lessa - Baixo, guitarra, voz Pedro Ivo Salvador - Guitarra, baixo, voz Thiago Alef - Bateria

Felipe Gonçalves – Baixo Luiz - Bateria Peter – Guitarra Daniele - Vocal/Flauta Joel - Guitarra e vocal

LINKS https://www.facebook.com/PAIN-OFSOUL-268662909844391/ https://myspace.com/painofsoul

LINKS https://facebook.com/necro.al/ http://necronomicon.bandcamp. com/

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ESPECIAL SILENT CRY

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alar do gigante Silent Cry é meio que “chover no molhado”, a banda é de uma competência ímpar e com certeza serve de influência para muitas bandas nacionais do estilo Gothic/Doom. Letras com a mais pura verdade representada em cada parágrafo, demonstrando que o lirismo desses mineiros sempre está com uma qualidade excepcional. Para quem acompanha a banda nas redes sociais, sabe que estão trabalhando na divulgação do “Hypnosis”. E cá entre nós, que trabalho, hein? Tanto o instrumental quanto os vocais mostraram uma competência absurda em suas execuções nestre trabalho, mostrando mais uma vez que as bandas brasileiras não devem absolutamente EM NADA para as bandas gringas!

LOCAL: Governador Valadares/MG GÊNERO: Gothic/Doom Metal ANO DE FORMAÇÃO: 1993 FORMAÇÃO:

Dilpho Castro - Guitarra, Vocal Roberto Freitas - Baixo Wagner Oliveira -Bateria Peterson Camargos – Guitarra Joyce Vasconcelos - Vocal Douglas Nilson - Guitarra

LINKS https://www.facebook.com/silentcrybr

VETITUM

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tualmente, estão trabalhando no Ep “Still Living”, onde é possível conferir no facebook trechos de músicas (som pesadíssimo e muito bem trabalhado) e a capa do Ep! Vocais agressivos e técnicos, instrumental de qualidade e letras excelentes: essa é a Vetitum. Durante algum tempo aconteceram mudanças na formação da banda e isso trouxe muita experiência para que a banda alcançasse ótimos resultados com seus trabalhos. No Youtube é possível conferir as suas músicas e comprovar que é mais uma banda que “fez o seu nome”. Terra Brasilis mandando ver!

LOCAL: Pelotas/RS. GÊNERO: Gothic/Doom Metal ANO DE FORMAÇÃO: 2001 FORMAÇÃO:

Gustavo Knopp – Baixo Luisa Branco – Bateria Paula Oliveira – Guitarra Nany Yates - Vocal (2014)

LINKS Link: https://www.facebook.com/ vetitum?ref=ts&fref=ts

Na próxima edição vamos trazer a terceira e última parte dessa matéria sobre a presença das Mulheres no Underground Brasileiro, e nela, um apanhado de Fotografas, Artistas gráficas e plásticas, produtoras e outras profissionais que trabalham nos bastidores da Musica Pesada Brasileira. Aguardo vocês. OD | A

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AGENDA AGENDA OCTOBER DOOM

UMA SELEÇÃO DOS MELHORES EVENTOS, FESTIVAIS E SHOWS QUE ACONTECEM DURANTE OS PRÓXIMOS DIAS.

FESTIVAL

EPIC METAL FEST

15/10

SÃO PAULO/SP

DIVULGUE SEU EVENTO Envie para nossa redação, as informações e links. contato@octoberdoom.com.br

Não nos responsabilizamos por mudanças ocorridas na programação

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MAIS UM GRANDE EVENTO REALIZADO PELA OVERLOAD, O EPIC METAL FEST É UM FESTIVAL ORIGINALMENTE REALIZADO NA HOLANDA, COM BANDAS SELECIONADAS PELO EPICA, E FOI ACONTECEU PELA PRIMEIRA VEZ EM NOVEMBRO DE 2015, EM EINDHOVEN, COM BANDAS COMO MOONSPELL, DELAIN, ELUVEITIE, ALÉM DO PRÓPRIO EPICA E OUTRAS BANDAS. EM 2016 O EPIC METAL FEST ACONTECE PELA PRIMEIRA VEZ FORA DA HOLANDA, E A CIDADE

ACESSE

ESCOLHIDA PARA RECEBER O FESTIVAL É SÃO PAULO, ONDE SE APRESENTARAM AS BANDAS PARADISE LOST, FINNTROLL, XANDRIA, THE OCEAN, TUATHA DE DANANN E PROJECT 46, ALÉM, CLARO, DA BANDA LIDERADA PELA TALENTOSA SIMONE SIMONS, QUE APROVEITA A DATA PARA LANÇAR SEU NOVO ÁLBUM THE HOLOGRAPHIC PRINCIPLE. O EVENTO AINDA TERÁ OUTRAS ATIVIDADES, COMO ÁREA DE FOOD TRUCKS, MERCHANDISING EXCLUSIVO E SESSÕES DE MEET AND GREET.

https://www.facebook.com/events/844867092307384/


FESTIVAL

FESTIVAL

ABRAXAS FEST

THE RIFF CEREMONY

POCKET SHOW

11/10

07/10

ESPAÇO MARUN RIO DE JANEIRO/RJ

20H

ESTÚDIO COSTELLA SÃO PAULO/SP

21H

EM MAIS UMA COMEMORAÇÃO DO TERCEIRO ANIVERSÁRIO DA ABRAXAS, HELLBENDERS E MUÑOZ SE APRESENTAM NUM POCKET SHOW SUPERESPECIAL.

ACESSE https://www.facebook.com/ events/655161297986031/

SHOW MAYHEM EM BRASIL

7, 8 e 9/10

CURITIBA / RIO DE JANEIRO / SÃO PAULO

UM DOS MAIORES NOMES DO BLACK METAL MUNDIAL, DESEMBARCA NO BRASIL PARA A TURNÊ QUE CELEBRA 22 ANOS DO ÁLBUM DE MYSTERIIS DOM SATHANAS. A BANDA TOCARÁ A INTEGRA DO DISCO CONSIDERADO UMA DAS MELHORES OBRAS DO GÊNERO.

ACESSE https://www.facebook.com/ Curitiba events/227735950961536/ https://www.facebook.com/ Rio de events/1136340749757348/ Janeiro https://www.facebook.com/ São Paulo events/249319432106933/

A VÉSPERA DE FERIADO SERÁ MOVIMENTADA NO RIO DE JANEIRO, COM AS BANDAS JIMMY CHONG, BLIND HORSE E GODS & PUNKS, QUE SE APRESENTAM NO ESPAÇO MARUN, NO CENTRO DO RIO.

ACESSE https://www.facebook.com/ events/987605594694701/


AGENDA TURNÊ

PARADISE LOST BRASIL 2016

16/10

UMA DAS BANDAS MAIS ADMIRADAS DE MUNDO UNDERGROUND, OS INGLESES DO PARADISE LOST SE APRESENTAM EM LIMEIRA, NO INTERIOR PAULISTA. https://www.facebook.com/ events/488073928048943/

TURNÊ THE VINTAGE CARAVAN

17/10

JÁ NO DIA 17, O RIO DE JANEIRO RECEBE A BANDA PELO SEGUNDO ANO CONSECUTIVO, DESTA VEZ, O IMAGO MORTIS É A BANDA CONVIDADA PARA FAZER A ABERTURA DO EVENTO. https://www.facebook.com/ events/306406479697289/

21/10

19/10

MANAUS RECEBE A BANDA NO DIA 19, COM ABERTURA DA LOCAL GLORY OPERA. https://www.facebook.com/ events/1050024298385406/

BELO HORIZONTE RECEBE A BANDA NO DIA 21, COM ABERTURA DA BANDA FOR BELLA SPANKA. https://www.facebook.com/ events/300419333639622/

CURITIBA/PR FESTIVAL SLOWGAZE MUSIC #2 CURITIBA SE TORNARÁ A CIDADE MAIS SHOEGAZE DO BRASIL, QUANDO OS ANFITRIÕES DA BULLET COURSE RECEBEM LEBENSESSENZ, NVBLADO E SONGS OF OBLIVION PARA O SLOWGAZE MUSIC #2.

ACESSE

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22/10

8, 9 e 11/10

SÃO PAULO / RIO DE JANEIRO / FLORIANÓPOLIS O TRIO ISLANDÊS APOSTA NUMA SONORIDADE INSPIRADA NO ROCK DOS ANOS SETENTA, MISTURANDO REFERÊNCIAS DE HARD ROCK, STONER E HEAVY METAL, INCREMENTADO SUA MÚSICA EXTREMAMENTE ENERGÉTICA COM TOQUES CONTEMPORÂNEOS.

ACESSE https://www.facebook.com/events/554644751410046/

https://www.facebook.com/ events/168059496973300/


FOTO BY SALLY TOWNSEND


FOTO [2] BY SALLY TOWNSEND

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October Doom Magazine Edição 62  

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