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LANÇAMENTOS + RESENHAS + SHOWS + MATÉRIAS + ENTREVISTAS

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ANOS

MAGAZINE

ANO III

Nº66

ENTREVISTA

OS ÍCONES DO DOOM METAL NUMA CONVERSA COM A ODM


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EDITORIAL By October Doom Entertainemnt

66

FEV/2017

Foto da capa by Jimmy Hubbard

A October Doom Magazine é resultado da parceria e cooperação de algumas pessoas e iniciativas, que trabalham em função de um Underground Brasileiro mais forte e completo, além de vários individuos anônimos que contribuem compartilhando e disseminando este trabalho.

/octoberdoomzine Editor Chefe: Morgan Gonçalves Diretor de Arte: Márcio Alvarenga (noisejazz@gmail.com) Diretora de Marketing e Publicidade: Jenny Souza Chefe de Revisão: André Nespoli Tradutor: Elyson Gums COLABORADORES: Amilton Jr: Redator (Monster Coyote e Black Witch) Aaron Pickford: Correspondente Inglaterra Billy Goate: Correspondente EUA Edi Fortini: Fotografia e Redação Erick Cruxen: Redator (Labirinto) Fábio Mazzeu: Redator (Lively Water) Fabrício Campos: Redator Gustav Zombetero: Redator (Stoned Union Doomed Leandro Vianna: Redator (A Música Continua a Mesma) Matheus Jacques: Redator (SUD e The Melting Stone) Merlin Oliveira: Redator (Governator Insane e Duna, Brisa e Chama Rafael Sade: Redator (HellLight e LastTime Produções) Raphael Arízio: Redator Roman Tamayo: Correspondente América Latina

LINKS: octoberdoom.com OctoberDoomOfficial octoberdoom.bandcamp.com PARCEIROS: /FuneralWedding /DoomedStoned

/SUDORDER

/A-Música-Continua-a-Mesma

We Are Brothers Of Doom

#

BrothersOfDoom é uma hashtag que criamos (ou adotamos) há pouco mais de 2 anos, logo após a criação da nossa Revista. Ela serve para mostrar que somos todos irmãos unidos pela Música Lenta e Extrema, além de aproximar os leitores e ouvintes de tantos lugares distantes desse país de dimensões continentais. #BROTHERSOFDOOM Hoje, queremos dar um SERVE PARA novo significado para essa MOSTRAR QUE hashtag. Um valor mais SOMOS TODOS humano pra tudo o que fazeIRMÃOS UNIDOS mos aqui. PELA MÚSICA LENTA Na última semana um dos nossos #BrothersOfDoom pas- E EXTREMA, ALÉM DE APROXIMAR sou por maus bocados devido OS LEITORES E a ação da natureza, perdendo OUVINTES DE tudo o que tinha lutado tanto TANTOS LUGARES para conquistar. Não é raro DISTANTES DESSE vermos iniciativas internacioPAÍS DE DIMENSÕES nais onde pessoas anônimas CONTINENTAIS.” se juntam para ajudar uma causa maior. Nós acreditamos que podemos fazer o mesmo, e por isso, convidamos todos os nossos Irmãos para nos ajudar a reestabelecer pelo menos parte da ordem e das condições de vida do nosso Colaborador e Amigo. Este é um apelo que fazemos aos nossos leitores, amigos e colegas de imprensa, e todos os interessados em ajudar, de qualquer forma, por favor, contate-nos através da nossa página do Facebook ou do nosso email contato@octoberdoom.com Sobre a edição que vocês estão prestes a conferir, tem uma puta entrevista com um dos maiores nomes do Doom Metal Mundial, além de vários conteúdos com as principais notícias e matérias do mês de fevereiro. Leiam, releiam, compartilhem e comentem. Façam com que esse Trabalho alcance os quatro cantos do Mundo. Obrigado e Boa Leitura #BrothersOfDoom

/lododesign

/The-Sludgelord

#FeelTheDoom MORGAN GONÇALVES CONTATO: contato@octoberdoom.com

Facebook.com/morgan.goncalves.1 EDITOR CHEFE


SUMÁRIO

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06

CONVERSA COM SCOTT WINO E O BATERISTA BRIAN, SOBRE A VOLTA EM 2017

30 RESENHA 4

LANÇAMENTO DOS PERNAMBUCANOS

ENTREVISTA ‘UM TAPA NA CARA DA RELIGIÃI’

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METAL PROGRESSIVO CONVERSA COM A ODM

ENTREVISTA

36

MICHAEL MILEY, BATERISTA DA BANDA

ENTREVISTA

24 OCEANS OF SLUMBER

ENTREVISTA

O VOCALISTA DA BANDA CHILENA RESPONDE A ODM


RESENHAS

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RESENHA

O ALBUM ‘SEAWEED’ SOB ANÁLISE DE LEANDRO VIANNA

MIGUEL + Resenha SANTOS do album

AGENDA

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ENTREVISTA

MICHAEL MILEY DRUMS

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FICHA ORIGEM Califórnia USA

INICIEI MINHA FORMAÇÃO NA BATUCADA DO SAMBA E NA MÚSICA FOLCLÓRICA DO BRASIL. EU AMO O SENTIMENTO, O SUINGUE E A FORÇA DOS BATERISTAS BRASILEIROS.”

GÊNERO

Blues Rock/ Hard Rock

CURRENT MEMBERS

NA VANGUARDA

Jay Buchanan Vocais, Gaita Scott Holiday Guitarra Mike Miley Bateria David Beste Baixo

MICHAEL MILEY - DRUMS RIVAL SONS

FORMAÇÃO 2009

DA NOVA SAFRA! M

Before the Fire (2009)

Pressure & Time (2011)

Head Down (2012)

Great Western (2014)

O QUE DITA O RITMO DE MICHAEL MILEY, BATERISTA DA BANDA RIVAL SONS!

POR

Matheus Jacques

matheusjacquesstoneduniondoomed@outlook.com

arcando história como a banda de abertura da última tour do Black Sabbath, a banda americana Rival Sons Fala sobre o momento atual, as influências na sonoridade e os próximos passos da banda Californiana. Se você ainda não está por dentro do Rival Sons, não pode perder esse bate papo. ODM | A

octoberdoom.com

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ENTREVISTA

MICHAEL MILEY DRUMS

O PÚBLICO BRASILEIRO PARECE SEMPRE PRONTO PARA AGITAR. COMO BATERISTA, SEMPRE AMEI A MÚSICA BRASILEIRA E SUA CULTURA, ENTÃO FOI MUITO LEGAL FINALMENTE TOCAR AQUI.” MICHAEL MILEY - DRUMS RIVAL SONS

Matheus Jacques: Ei, Michael, legal falar com você. Primeiro, parabéns pelo incrível show em Curitiba. Foi ótimo finalmente curtir o som de vocês ao vivo, foi uma experiência recompensadora. Fale-me um pouco sobre esse lance do Rival Sons abrir para o Black Sabbath na “The End Tour”. Michael Miley: Obrigado! Nós

fomos questionados por Ozzy e Sharon sobre nos juntarmos ao Sabbath em sua ultima turnê. Que honra! Não tínhamos nem idéia de que isso seria ao redor do mundo todo. Tem sido surreal e nostálgico ouvir aqueles riffs e aquela voz toda noite.

Sua primeira experiência no Brasil foi no festival Monsters of Rock, em 2015, e agora é sua segunda visita ao país nessa turnê do Sabbath. Houve diferenças significativas entre os

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dois em questão de público e da apresentação em si? Michael Miley: Não, todos

foram grandes shows. O público brasileiro parece sempre pronto para agitar. Como baterista, sempre amei a música brasileira e sua cultura, então foi muito legal finalmente tocar aqui e ter essa experiência musical conjunta. Quero voltar, é claro.

Ainda sobre isso: vocês vieram ao Brasil nessas duas ocasiões citadas. Acha que ainda demorará muito tempo para retornarem ao Brasil para um show solo do Rival Sons? Michael Miley: Tudo que sei

é que quero retornar o mais cedo possivel. Agora é com os promotores de shows da América do Sul para nos trazerem de volta. Sei que as pessoas estão empolgadas. Fãs têm nos escrito no Facebook e no Twitter, então sei que há uma demanda.

Acho que você deve ter visto alguns comentários sobre o Rival Sons soar “como essa ou aquela banda”, mas a verdade é que de lá até agora (com o disco Hollow Bones, de 2016), houve uma evolução bem relevante. É isso mesmo? Michael Miley: Cara, estivemos

excursionando, tocando e escrevendo juntos por anos. Nós somos diferentes desde quando formamos a banda. Acho que a evolução reflete e faz um paralelo com a banda. Como uma borboleta-monarca: da lagarta à crisálida. Hollow Bones é um testamento conciso dessa metamorfose (risos).

Quem você poderia destacar como as influências que mais te ensinaram como baterista? Michael Miley: Eu diria que o

jazz e o Brasil. Depois, todos os caras do funk dos anos 1960 e 1970. Eu iniciei minha formação na batucada


RIVAL SONS: A banda abriu os shows da Turnê The End do Black Sabbath no Brasil

do samba e na música folclórica do Brasil. Eu amo o sentimento, o suingue e a força dos bateristas brasileiros. E, claro, meu pai me influenciou com Cream e Zeppelin, e eu amo The Who e Beatles.

A partir daqui, quais os próximos planos do Rival Sons em questão de shows, turnês e produção de novos materiais?

Michael Miley: Temos datas agora em julho. Depois que terminar a tour com o Sabbath em fevereiro, estamos planejando uma noite com Rival Sons, arte, DJ e poesia chamada “Teatro Fiasco”. Vamos iniciar isso na Europa e então levaremos para os Estados Unidos em abril, maio e julho. Estou esperando por isso. Queria agradecer a sua atenção, desejar ainda mais sucesso e deixar esse espaço aberto para você falar o que quiser. Michael Miley: Brasil, vocês

são os melhores fãs do mundo! Eu amo vocês “with my whole coração”! Tudo de bom! ODM | A

RIVAL SONS HOLLOW BONES

LINKS https://www.facebook.com/rivalsons/?fref=ts http://www.rivalsons.com/

2016

ELECTRIC MAN Rival Sons

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ENTREVISTA MIGUEL + Resenha SANTOS do album INSTRUMENTOS

Uma trilogia na busca interior

do

MIGUEL SANTOS, VOZ E ALMA DO A DREAM OF POE MOSTRA AS NOVIDADES DA BANDA E PLANOS PARA 2017 POR

Edi Fortini

edi.fortini@gmail.com

O

/EdiFortini

músico Miguel Santos encabeçou o projeto A Dream of Poe e recentemente lançou o capítulo final de uma trilogia de autodescobrimento para então construir algo novo. Nesse batepapo que aconteceu por e-mail, ele contou sobre suas composições, projetos, mudança de residência (de seu país natal Portugal para a Escócia), da situação política atual do Brasil e dos seus planos para o futuro. O resultado você pode ler aqui! ODM | A

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AINDA PARA ESTE ANO DE 2017 TEREMOS O LANÇAMENTO DO EP 1849. SUAS LETRAS SERÃO TODAS DE POEMAS DE EDGAR ALLAN POE.” MIGUEL SANTOS - INSTRUMENTOS A DREAM OF POE

octoberdoom.com

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ENTREVISTA MIGUEL + Resenha SANTOS do album INSTRUMENTOS

A DREAM OF POE: Em 12 anos de atividades, ADOP lançou recentemente seu terceiro full álbum, A Waltz for Apophenia.

Edi Fortini: Como foi para você fazer a trilogia que se encerrou com esse álbum? Está satisfeito com o resultado? Miguel Santos: Foi um

processo muito bom e gratificante tanto como músico e como produtor. Aprendi muito nesta viagem que se iniciou com o The Mirror of Deliverance e penso que isso é perceptível na qualidade sonora e mesmo de composição que cada um dos álbuns apresenta. Hoje, depois da trilogia, acredito que sou melhor músico e melhor produtor, o que me dá a confiança para fazer ainda melhor nos próximos trabalhos. Estou muito satisfeito com o resultado final. Claro que há coisas que poderia ter feito um pouco melhor, coisas que hoje alteraria como, por exemplo,

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adicionar mais guturais em alguns dos temas, mas isto é assim mesmo, é um processo de evolução e, principalmente, no caso de A Dream of Poe, da forma que eu vejo os temas em determinado momento da minha vida, na altura não senti necessidade de adicionar mais guturais ou que os temas assim o pedissem, hoje penso o contrário.

O que o músico Miguel descobriu ao final da trilogia? Como foi encarar o mundo real? E qual a sua visão sobre o que a personagem descobriu? Miguel: Estranhamente desco-

bri que a personagem segue os meus passos enquanto músico e a forma de compor que eu uso em A Dream of Poe. A personagem primeiro se me-

teu a aventura, depois destruiu tudo o que conhecia para recomeçar do zero terminando depois por “construir” algo melhor. O meu modo de composição é igual. Eu começo por escrever os riffs que me vêm à cabeça, construo a música por completo. Ouço o tema milhares de vezes até sentir que o tema está muito bom, depois então eu o deixo repousar, não o ouvindo durante muito tempo. Passado esse tempo volto a pegá-lo e, quando o faço, acabo por destruí-lo todo e construo algo novo usando os riffs iniciais, tal e qual a personagem. O produto final acaba por ser muitas vezes completamente diferente do que escrevi inicialmente, mas torna-se muito mais completo, perfeito. No fundo, torna-se mais A Dream of Poe.


FICHA ORIGEM Portugal

GÊNERO

Gothic / Doom Metal

CURRENT MEMBERS

Miguel Santos Instrumentos Paulo Pacheco Letras

FORMAÇÃO 2009

The Deliverance (2016)

O MEU MODO DE COMPOSIÇÃO É IGUAL. EU COMEÇO POR ESCREVER OS RIFFS QUE ME VÊM À CABEÇA, CONSTRUO A MÚSICA POR COMPLETO. OUÇO O TEMA MILHARES DE VEZES ATÉ SENTIR QUE ESTÁ MUITO BOM.” MIGUEL SANTOS - INSTRUMENTOS A DREAM OF POE

Você era de Portugal e se mudou para a Escócia. Quais as principais diferenças entre os países? Miguel: A nível profissional,

AN INFINITY EMERGED A Dream of Poe

An Infinity Emerged (2015)

aqui no Reino Unido há muito mais oportunidades de emprego e de criar uma carreira. Aqui em Edimburgo, na Escócia, onde moro atualmente, é tudo muito mais calmo que Lisboa, por exemplo. Na minha opinião é um pouco como Açores, calmo, e a natureza está sempre à porta de casa. A comida, apesar de haver coisas interessantes, não é tão boa como a comida portuguesa. O tempo é muito pior, as temperaturas no verão rondam uma média entre 16 e 18 graus, às vezes mais, mas seja como for não é como nos Açores onde no verão ronda sempre os 24, 26 graus. Os invernos são frios, não tão frios como eu pensava que seria, o que me desiludiu um pouco pois gosto imensamente do inverno!

Aqui no Brasil estamos passando por um período cultural complexo, no qual muitos artistas estão manifestando opiniões conservadoras extremas, o que não condiz com os conceitos do metal underground. Como está a situação nesse momento delicado na Inglaterra que também passa por um momento tenso? Miguel: Neste momento, pare-

ce-me que isto é quase uma epidemia. Temos o exemplo agora dos EUA, e na Europa começam a surgir cada vez mais movimentos políticos populistas e claramente anti-imigração. Aqui no Reino Unido as coisas não se avizinham fáceis para os imigrantes, muitos já optaram por regressar aos seus países de origem. No meu caso, o mais provável é que em uns dois anos eu regresse a Portugal. As cicatrizes do Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia) são extensas. Apesar de apenas uma ou duas vezes ter sentido que afinal não sou assim tão bem-vindo aqui, começo a pensar se as pessoas não estão sendo falsas nas suas atitudes, nos seus atos para com os imigrantes, se não será tudo uma fachada...

Quais são os próximos planos para o ADoP? Há planos de fazer algum show planejado ou o projeto foi realmente planejado para os álbuns? Miguel: Eu adoro tocar ao

vivo - é daquelas sensações únicas. Infelizmente aqui na Escócia o doom metal praticado por A Dream of Poe não é aquele que o público gosta, o pessoal aqui está muito mais inclinado para stoner e sludge doom, portanto já desisti de organizar e tocar concertos aqui. Tenho ideias e planos para tornar as atuações ao vivo de A Dream of Poe mais teatrais e profissionais, mas há custos elevados, e como a parte financeira está dependente apenas de mim, salvo uma ou outra exceção, não sei se será possível ser realizado em todo o seu esplendor. ODM | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA MIGUEL + Resenha SANTOS do album INSTRUMENTOS

HÁ BANDAS QUE SIGO E QUE ME CONTINUAM A SERVIR DE INSPIRAÇÃO, COMO THE CURE, THERION, LACRIMOSA, MY DYING BRIDE E BEHEMOTH, DENTRE MUITAS OUTRAS.” MIGUEL SANTOS - INSTRUMENTOS A DREAM OF POE

Tenho tido contato com vários promotores na Europa para tocar ao vivo, mas até agora não tenho tido sorte, o que é uma pena, pois todos os álbuns tiveram reviews muito boas. E nem é o caso de haver algum deslumbre da minha parte e pedir um grande pagamento para tocarmos – aliás, todos os concertos que já toquei, incluindo o último em Bucareste, na Romênia, perdemos sempre dinheiro, e os músicos que me acompanham tiveram de cobrir alguns dos custos. O mesmo se passou na tour de 2011. Com A Dream of Poe foi sempre uma luta para conseguir concertos. Lembro-me quando ainda estava nos Açores, tive de criar o festival October Loud com um amigo meu para poder finalmente tocar ao vivo Vou continuar a batalhar até finais de abril para conseguir concertos para 2017, mas não vou criar muitas expectativas.

Como foi o processo de composição principalmente em A Waltz for Apophenia? Quanto tempo levou desde o início até o final? Quais foram suas influências?

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Miguel: A composição deste álbum foi interessante e diferente. Grande parte dos temas sofreram não uma, mas duas destruições. A base dos temas foram escritas em 2008 ou 2009, mas eram numa vertente completamente diferente de A Dream of Poe e por isso nunca foram usados. Em 2014, quando já trabalhava com Kaivan Saraei nas gravações das vozes do An Infinity Emerged, paralelamente reconstruía os temas que escrevi naquela época. Depois de feita a reconstrução, voltei a concentração exclusivamente no An Infinity Emerged. Assim que o dei por terminado, voltei a trabalhar os outros temas, destruindo novamente algumas partes para depois voltar a construir. Finalmente, em janeiro de 2016, iniciei as gravações do álbum terminando o máster no dia 27 de agosto. A principal influência foi o meu estado de espírito durante o processo de criação e gravação. Claro que há bandas que sigo e que me continuam a servir de inspiração, como The Cure, Therion, Lacrimosa, My Dying Bride e Behemoth, dentre muitas outras dos mais variados gêneros.

E agora que a trilogia terminou… o que esperar? Miguel: Tenho várias ideias a

serem concretizadas. Ainda para este ano de 2017 teremos o lançamento do EP 1849. O alinhamento não está definido, mas terá entre três e cinco temas. Suas letras serão todas de poemas de Edgar Allan Poe. É provável que utilize o assunto “The Conqueror Worm”, lançado na demo de 2006. Este será trabalhado para refletir o som atual de A Dream of Poe e o lançamento será no dia 7 de outubro. Provavelmente em 2018 deveremos fechar totalmente a trilogia com o lançamento do livro que a explora de forma mais detalhada. Como acompanhamento do livro será lançado um CD com uma seleção dos melhores temas da trilogia, mas em versão acústica. Depois tenho também planejado um álbum só com músicas escritas por músicos açorianos, a maior parte deles dentro do metal, uma espécie de tributo aos artistas de lá.

Conte mais um pouco dos seus projetos além do ADoP. Miguel: Não me envolvo em

muitos projetos

ODM | A


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ENTREVISTA MIGUEL + Resenha SANTOS do album INSTRUMENTOS

fora A Dream of Poe, ainda assim pontualmente ajudo outras bandas em diferentes aspectos. O que me vem primeiramente à cabeça é minha assistência na produção do novo álbum da banda açoriana In Peccatum. Fui tecladista neste grupo de 2006 a 2012, mas depois da minha vinda para o Reino Unido deixei de poder colaborar ao vivo. Ainda assim estou sempre em contato com eles e estou ajudando na produção e gravação do álbum. Neste momento estou trabalhando em duas ideias para o projeto Feathers & Doom. O projeto, da responsabilidade do norueguês Kenneth “Ripper” Olsen (Among Gods, Syrach), consiste em músicas escritas por vários músicos convidados nos quais depois Kenneth gravará as vozes. Estou também gravando teclados para o novo projecto DeadCase, do meu grande amigo e conterrâneo Tito Bettencourt.

Já conheceu o Brasil? Tem muitos contatos aqui? Qual sua ideia sobre o Brasil que é tão próximo e tão distante ao mesmo tempo de Portugal? Miguel: Infelizmente ainda

nao tive o prazer de visitar o Brasil. Continua nos meus planos um dia fazer uma visita, quem sabe para um show. Não tenho muitos contatos por aí, mas espero que isso se altere no futuro. Acho que não estamos assim tão distantes, hoje em dia com toda a tecnologia existente acabamos estando ligados a todos os países, e acredito que, continuando a haver mente aberta para se aceitar todas as nossas diferenças, assimilando o que há de melhor em cada cultura, estaremos todos, não só Portugal e Brasil, cada vez mais próximos com a esperança de um mundo cada vez mais justo.

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RESENHAS

Uma trilogia na busca interior “A WALTZ FOR APOPHENIA” É O ENCERRAMENTO DA TRILOGIA DO A DREAM OF POE, PROJETO ENCABEÇADO PELO PORTUGUÊS MIGUEL SANTOS, QUE ATUALMENTE MORA NA ESCÓCIA

POR

Edi Fortini

edi.fortini@gmail.com

/EdiFortini

Obrigada pela atenção e palavras. Alguma consideração final ou recado para os fãs brasileiros? Miguel: Agradeço esta fantás-

tica oportunidade para falar sobre A Dream of Poe e os projetos para o futuro. Espero que tenham gostado e que a entrevista tenha sido interessante de ler! Até um dia, quem sabe, no Brasil!

1 DIVULGUE SUA BANDA Envie seu material com todas as informações para nosso email contato@octoberdoom.com


C

ontando com um time coeso e muito competente, o álbum teve participações de João Melo (The Quiet Bottom), Antonio Neves (In Peccatum), Nelson Felix (Spank Lord, Sanctus Nosferatu), Paulo Bettencourt (Morbid Death) and Kostas Panagiotou (Pantheist) e foi lançado em dezembro pela Solitude Productions. O encerramento desse ciclo é intenso em tudo o que uma viagem dentro da alma traz como significado: solidão, dor, desespero, destruição de padrões, para enfim poder voltar à superfície e começar uma nova jornada – melhor ou não. As linhas de guitarra e de vocais, principalmente, nos remete a todos esses processos e sensações. Nos sentimos, muitas vezes, como a personagem lírica da trilogia, tamanha a beleza e dedicação que Miguel demonstra em linhas musicais. Os grandes destaques ficam para “Vultos II”, “Abyss, my lover”, “A valsa dos corvos” e “Worlds End Close” que encerra essa viagem, nos convidando a encarar o mundo exterior após uma pausa para reflexão e descobertas. O que iremos construir em nossa estadia nessa vida? Faça suas escolhas! ODM | A

LINKS www.facebook.com/dreamofpoe dreamofpoe.bandcamp.com/ A WALTZ FOR APOPHENIA A Dream of Poe

RESENHAS

A DREAM OF POE A WALTZ FOR APOPHENIA

2016

SOLITUDE PRODUCTIONS PORTUGAL 1 - La Mort Blanche 6’29’’ A 2 - Abyss, My Lover 8’17’’ A 3 - Pareidolia 8’33’’ A 4 - Vultos II 7’25’’ A 5 - Abyss, The Destroyer 7’45’’ A 6 - The Voice Of Fire 6’33’’ A 7 - A Valsa Dos Corvos 10’52’’ A 8 - Worlds End Close 6’20’’

octoberdoom.com

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ENTREVISTA SCOTT BRIAN WINO & CONSTANTINO

VOCAL/GUITAR DRUMS

m 18


deixe musica falar a

VIVA E PRONTA PARA AÇÃO! CONFIRAM UMA CONVERSA COM SCOTT WINO WEINRICH E BRIAN CONSTANTINO, DA BANDA THE OBSESSED! POR

Matheus Jacques

matheusjacquesstoneduniondoomed@outlook.com Elyson Gums (Tradução)

D

e volta à cena recentemente e buscando sacramentar sua nova formação, se reencontrando aos poucos, a seminal banda The Obsessed liderada por Scott Wino Weinrich lança novo álbum “Sacred” em abril pelo selo Relapse Records. E foi com Wino que conversamos sobre a volta da banda, o novo trabalho, a vida e os planos de turnê! ODM | A

octoberdoom.com

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ENTREVISTA FICHA

SCOTT BRIAN WINO & CONSTANTINO

VOCAL/GUITAR DRUMS

ORIGEM Maryland USA

GÊNERO

Doom Metal

CURRENT MEMBERS

ODM: The Obsessed terminou “oficialmente” em 1995, certo? Apesar disso, houve shows de reunião, como no Roadburn Festival (2012) e no Maryland Death Fest (2013). Mas agora é pra valer, com um line-up definitivo, mais shows acontecendo, turnês e um álbum chamado Sacred, previsto para 2017. O que aconteceu desde então para tomarem essa decisão de voltar com o The Obsessed? Wino: Sim, é bem por aí. Propu-

seram para nós algumas reuniões ao longo dos anos e participei de algumas, mas nunca pareceu certo e eu estava decidido a parar com o The Obsessed definitivamente até eu ter a chance de uma jam com o baterista Brian Constantino, que tinha trabalhado com o The Obsessed no início da banda. Nessa jam, notei uma química diferente entre nós e desenvolvemos uma grande camaradagem. A banda favorita do Brian era o The Obsessed. Na verdade, ele tinha meio que parado de tocar bateria por vários anos por causa do tédio e frustração com as bandas de R&B em que ele estava tocando. Depois que tocamos juntos, ambos sabíamos que o The Obsessed tinha renascido. Pessoalmente, me sinto completamente re-energizado e essa química musical me empoderou a mudar meu estilo de vida, e me inspirou a continuar criando.

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Cara, você nunca esteve totalmente fora, completamente parado. Você é um dos mais prolíficos e produtivos da cena, sempre com algum trabalho novo, alguma parceria, algum projeto em execução. Ainda assim, dá pra dizer que você tem uma afeição especial pelo The Obsessed e é por isso que estamos vendo a banda ativa de novo? Wino: Como falei antes, nunca

senti que essa reunião era certa até cristalizá-la de novo com o Brian. Obviamente, estou bastante excitado. The Obsessed foi “meu bebê” desde sua criação, é a minha banda. Embora eu goste bastante de participar de outras bandas, como Shrinebuilder, Vitus etc., nessa eu me sinto em casa.

Os primeiros samples “Be the Night” e “Sodden Jackal” são do caralho! Peso e doom metal de um jeito primitivo, cru, visceral. O tom desse novo trabalho vai seguir essa linha old school e tradicional ou pretendem incluir outras nuances em Sacred? Wino: A única formula que uso

é a de beleza musical. Podem esperar a melhor qualidade de produção e de execução possível, o que felizmente tem sido ampliado por termos um selo forte, a Relapse Records.

Scott Wino Guitars, Vocals Reid Raley Bass Brian Costantino Drums, Vocals

FORMAÇÃO 1980

The Obsessed (1990)

Lunar Womb (1991)

The Church Within (1994)


Foto by Jimmy Hubbard

THE OBSESSED SACRED

Tem algo mais que você poderia ou gostaria de nos deixar saber sobre Sacred, como uma data de lançamento ou algo assim? Wino: Vocês verão o álbum na

primavera de 2017.

NUNCA SENTI QUE ESSA REUNIÃO ERA CERTA ATÉ CRISTALIZÁLA DE NOVO COM O BRIAN. OBVIAMENTE, ESTOU BASTANTE EXCITADO. THE OBSESSED FOI “MEU BEBÊ” DESDE SUA CRIAÇÃO, É A MINHA BANDA.” SCOTT WINO - VOCAL/GUITAR THE OBSESSED

Imagino que vocês pensem em fazer algumas turnês em 2017 para promover o novo álbum, certo? Pensam em tocar apenas nos Estados Unidos e localidades próximas ou estão preparando uma turnê maior, mais global? Wino: Vamos cuidar dos nossos

2017

PUNK CRUSHER The Obsessed

Wino: Neil Young, Crosby, Stills & Nash, Roky Erickson, Townes Van Zandt e a vida.

Falando sobre impressões: após ter lido várias coisas a seu respeito, e pegado informacompatriotas primeiro, depois vamos ções de diferentes pessoas, a para o resto do mundo. América do Sul imagem que faço de você é de é prioridade, já que ao longo dos anos um cara maneiro, que respeita fui abordado por vários fãs sul-ameos fãs, músicos e outras pessoricanos. Seus pedidos não caíram em as envolvidas na cena. E acho ouvidos surdos. que esse tipo de coisa vem quando se é completamente Você lançou alguns acústicos honesto: se você é verdadeiro também: dois solos (Punctucom as pessoas, quase com ated Equilibrium and Adrift), certeza vai receber essa vertrês com o ótimo compositor dade de volta. Você acha que alemão Conny Ochs (Heavy ser completamente honesto, Kingdom and Labor of Love, de mesmo que isso às vezes sig2012, e Freedom Conspiracy, de nifique ser duro e incomodar 2015), assim como trabalhos algumas pessoas, é o que faz a com Scott Kelly e Steve Von diferença? Till. Nesse lado mais suave e Wino: Absolutamente. Sua introspectivo da música, quem percepção é excelente e precisa. Uma são as pessoas que mais te ins- das coisas mais importantes é prestar piram? atenção às políticas – não me ODM | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA SCOTT BRIAN WINO & CONSTANTINO

técnico de bateria, e agora tem esse lance sobre você ser chamado para assumir a bateria na reativação da banda, sendo parte de um momento realmente interessante. Como isso ocorreu, como foi o processo de se tornar o cara no controle da bateria do The Obsessed? Brian: Antes de mais nada, muito

VOCAL/GUITAR DRUMS

refiro globalmente, falo das intrigas internas da indústria da música. Mas só deixando claro: sim, honestidade é sempre a melhor política e ninguém me diz o que fazer.

Muito das suas letras (talvez a maior parte) vem sobre coisas do dia a dia: problemas, conflitos, emoções pessoais e sua relação com drogas. Algo palpável, acessível. Você viveu o melhor e o pior, teve todo tipo de experiência. Você acha que a sua música, tanto as composições quanto os shows, seriam os mesmos se sua vida tivesse sido sempre pacífica, um constante “passeio no parque” (risos)? Você acha que essa visceralidade e paixão te definem? Wino: Minha filosofia é: deixe a

música falar. Dito isso, todas as experiências de vida e amor trazem o mesmo aprendizado. É sempre arte em fluxo. Eu diria que sim, suas palavras estão corretas. Você parece bastante inteligente e bem informado, é bom ter essa conversa com você.

Você tem 55 anos. Já pensou em ir mais devagar de agora pra frente, ou ainda consegue se imaginar perto dos 70 anos viajando e tocando o terror no palco como os caras do Sabbath (risos)?

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Wino: Porra, sim. Na verdade eu tenho 56... 3056, então tenho estado aí há algum tempo (risos). Como fã, essa é uma pergunta que preciso fazer e tenho certeza que muita gente está esperando por algo assim: em 2017 vamos poder finalmente vê-lo tocando com o The Obsessed? Eu imagino que não seja uma logística simples, mas com certeza não é impossível! Wino: É um sonho que sempre tive

e algum dia será realizado. Então, sim, esperamos que o The Obsessed toque na América do Sul em 2017. Promotores dignos de confiança podem entrar em contato por meio do nosso empresário, Paul Schlessinger, pelo e-mail pschlessinger@yahoo.com.

Encerrando, gostaria de agradecer por sua atenção e pedir para deixar uma última mensagem para as pessoas que gostam do seu trabalho aqui no Brasil. Wino: Muito obrigado a todos que

estiverem lendo, muito obrigado pelo apoio ao longo dos anos, e estamos ansiosos para vê-los ao vivo e a cores o quanto antes.

ODM: Cara, inicialmente você participou do Obsessed como

obrigado pela entrevista. Por onde começo? Em 1983 eu morava a uma quadra de distância do Ed Gulli (então baterista do Obsessed) e a meia quadra de Joe Lally (baixista do Fugazi) e eles me apresentaram à música do Wino. Nem preciso dizer que gostei pra caramba. Quando Ed entrou no Obsessed ele me pediu pra ser o técnico de bateria, o que era incrível pra um adolescente de 16 anos. Eu não tocava bateria na época, mas Ed me ensinou como montar o kit e fazer a checagem de som básica e essa foi a minha introdução ao instrumento. Avançando pra agora, quando Wino e Ed voltaram para o Maryland Doom Fest como Spirit Caravan, Ed me perguntou se eu faria aquilo de novo para este show e eu disse que seria ótimo, como nos velhos tempos. Desde muito tempo eu aprendi a tocar bateria, inclusive ouvindo The Obsessed, então eu sabia bem mais. Fui à maioria dos ensaios e aprendi mentalmente todas as músicas pra ajudar o Ed. Em um ensaio, falei pro Ed que adoraria tocar “No Hope Goat Farm”, do Spirit, então no meio da coisa o Ed parou e disse “Ei, Wino, o Brian quer tocar uma música”. Na época, não achava que o Wino sabia que eu tocava, mas ele disse “Claro, chega aí e vamos fazer”. Lembro dele e Sherman olhando pra mim tipo “Porra!”, não sabendo que eu tocava há algum tempo. Depois da tour do Spirit Caravan com o Ed, Wino me chamou e perguntou se eu queria participar de um projeto paralelo com ele. Me surpreendi com a ligação e falei: “Porra, claro, vamos fazer!”. Depois de dois ensaios juntos, teve um clique e ele disse pra eu


COMO EU APRENDI A TOCAR OUVINDO O THE OBSESSED, FOI ÓTIMO (O CONVITE PARA SAIR EM TURNÊ COMO ‘THE OBSESSED’) PORQUE INDEPENDENTEMENTE DO QUE FÔSSEMOS TOCAR, EU SABIA.” BRIAN CONSTANTINO - DRUMS THE OBSESSED

ir pro Spirit Caravan, o que eu aceitei. Chamamos Sherman pra começarmos a ensaiar juntos e enquanto tocávamos algumas músicas do “The Obsessed”, soou matador. E com tanta gente sempre pedindo pro The Obsessed voltar, Wino fez a decisão de mudar nosso nome para “The Obsessed” e ir pra uma turnê e gravar com esse nome, tocando aquelas músicas. Como eu aprendi a tocar ouvindo o The Obsessed, foi ótimo porque independentemente do que fôssemos tocar, eu sabia. Agora estou apenas esperando pelo lançamento do álbum, que está incrível com a ajuda de Frank “The Punisher” Marchand e Rob Queen, e pela turnê no ano que vem, esperando tocar para o maior número de pessoas possível e no maior número de lugares. Desculpa pela resposta longa, mas quis responder totalmente a questão... Paz. Brian. OD | A

PROJETO GRÁFICO DESIGN lodocontatos@gmail.com

LINKS https://www.facebook.com/TheObsessedOfficial/ https://theobsessed.bandcamp.com/ THE CHURCH WITHIN The Obsessed

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ENTREVISTA RENAN ANGELO

VOCAL/GUITAR CHANT OF THE GODDNESS

“NO FINAL DAS CONTAS, MEU PRINCIPAL OBJETIVO É ALFINETAR AS RELIGIÕES”. POR

Morgan Gonçalves

morgan.g@octoberdoom.com

hant of the Goddess é uma das bandas mais recentes do cenário doom metal no Brasil, mas sua história é muito mais profunda, cheia de surpresas e superações, ainda mais se contarmos com o grupo que lhe deu origem, a extinta Siracvsa. Batemos um papo com Renan Angelo, vocal e guitarra da Chant.

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FICHA ORIGEM São Paulo Brasil

GÊNERO

Stoner Doom Metal

CURRENT MEMBERS

Renan Angelo Vocal/Guitarra Gguilherme Cillo Bateria

FORMAÇÃO 2014

Demo 1 (2015)

Demo 2 (2016)

Morgan Gonçalves: Cara, seja bem-vindo. Feliz em finalmente poder fazer esse bate papo rolar. Eu prometo que vamos tratar da Chant of the Goddess aqui, mas, antes de começarmos, explique pra gente o que aconteceu com a Siracvsa, e em que momento ela se transformou em Chant of the Goddess, se é que podemos dizer isso. Renan: Obrigado pelo convi-

te. Digamos que foi uma evolução. Passamos por uma fase de desgaste, afinal, foi um longo período trabalhando e, de repente, tudo estagnou. Naturalmente, fomos perdendo a força, nos desentendemos e nos separamos. Depois, acabei ficando sozinho todo esse tempo, investindo aos poucos nas mixes que faltavam e pensando se eu deveria lançar o álbum para continuar com isso ou lançar o álbum e encerrar de vez. No final, a paixão falou mais alto e resolvi continuar e reestruturar o grupo, mas aproveitei pra fazer algo que sempre desejei: mudar o nome

da banda. Eu precisava colocar algo que soasse mais forte, daí veio essa mudança simbólica, o ato de ressurreição e a adição de um nome que representasse explicitamente nosso espírito e temática.

Em julho de 2016 vocês lançaram o primeiro registro com o novo nome: Demo 2: Chant of the Goddess, já com uma diferença na atmosfera em comparação ao antecessor Siracvsa. Como foi a divulgação desse trampo? Rolou legal ou ficou abaixo das expectativas de vocês? Renan: Essa demo nada mais

é que duas músicas gravadas para o próprio álbum sem terem passado ODM | A

ESPIRITUALMENTE EU SOU UM CARA ESTRANHO. PESSOALMENTE, REALMENTE NÃO ME IMPORTO COM NENHUM TIPO DE ESPIRITUALIDADE.” RENAN ANGELO - VOCAL/GUITAR CHANT OF THE GODDESS

octoberdoom.com

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ENTREVISTA RENAN ANGELO

VOCAL/GUITAR CHANT OF THE GODDNESS

pelo processo de mix, masterização etc. Ou seja, totalmente crua, com apenas alguns ajustes rasos que eu mesmo fiz amadoramente. O intuito dela foi mostrar que a banda havia mudado de nome e que ainda estava viva e que não tinha desistido do material. É claro que não tivemos muito alcance, sempre fomos impopulares no rolê. Mas a música alcançou um público graças aos canais de agitadores de stoner. Os poucos que ouviram apreciaram e elogiaram pra valer. Foi uma recepção verdadeira, coisa que eu não havia sentido com o trabalho da primeira demo.

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A temática que vocês abordam é composta de misticismo, culturas arcaicas e forças sobrenaturais. Como trazem esses elementos para a música e para o cotidiano? Renan: Espiritualmente eu sou

um cara estranho. Pessoalmente, realmente não me importo com nenhum tipo de espiritualidade. Ao mesmo tempo, esse universo oculto me chama a atenção. Acho interessante como tudo isso afeta a vida das pessoas. No final, tudo se resume no ser humano e o medo da morte. A espiritualidade vem por única e exclusiva necessidade de suprir

esse vazio, mesmo que alguns mais fanáticos digam que não. A música da Goddess (inspirado na deusa da discórdia) explora bastante isso. Como todos nós temos esse ponto fraco, o ser humano mais ganancioso, historicamente tão baixo, se aproveita dessa falha para a própria dominação. É o que vemos desde o princípio até os nossos dias.

E essa capa, cara, que coisa linda! Como ela foi concebida? Renan: Foi uma artista que está

iniciando sua carreira de designer gráfico. Uma indicação de um amigo meu. A ideia base era ter a deusa e


NÃO TIVEMOS MUITO ALCANCE, SEMPRE FOMOS IMPOPULARES NO ROLÊ. MAS A MÚSICA ALCANÇOU UM PÚBLICO GRAÇAS AOS CANAIS DE AGITADORES DE STONER.” RENAN ANGELO - VOCAL/GUITAR CHANT OF THE GODDESS

CHANT OF THE GODDESS CHANT OF THE GODDESS

o ambiente mediterrânico ao fundo. Sempre fui interessado pelo sul da Europa, e toda aquela área do Mar Mediterrâneo, sua história, cultura e, claro, mitologia. Como disse antes, a deusa da banda foi inspirada na grega Éris, mas ela pode servir pra várias simbologias também, como, por exemplo, o fato de Deus ou o Criador não ser necessariamente um ser masculino, quero dizer, por que não um ser feminino?! Essa associação feminina e poderosa me chama muito a atenção.

Chant of the Goddess surgiu das cinzas, como diz a própria

2017

CHANT OF THE GODDESS Chant of the Goddess

biografia da banda, e surpreendeu a todos com sua estreia. Existem planos de fazer uma turnê por São Paulo? Talvez outras cidades ou estados? Renan: Sim, reuni uma nova

formação a qual estamos prontos.

Estaremos voltando aos poucos, até engatilhar com força. Temos o objetivo de tocar não só em SP, mas por qualquer lugar do mundo, quem sabe.

A gente sabe que boa parte do material do debut já estava composto, e o que atrasava o lançamento do álbum era o processo de gravação e tal. Já existe mais alguma coisa no gatilho pra lançar nos próximos meses? Renan: Mais ou menos, eu

tenho vários materiais soltos e ideias vagas, mas nada concreto ainda. Eu fiquei um tempo ausente da música, e cheguei ao ponto de não encostar na guitarra por meses. Como a decisão foi retomar as atividades, logo vamos trabalhar em um novo material, desta vez como mais experiência, pra fazer a coisa mais fluida.

Um disco desse nível, depois de tantos percalços, não consegue ser lançado ODM | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA RENAN ANGELO

VOCAL/GUITAR CHANT OF THE GODNESS

DEPOIS DE MUITA LUTA E PERSISTÊNCIA, Chant Of The Goddess foi o primeiro lançamento de 2017.

sem uma grande colaboração. Quem são as pessoas que ajudaram a tornar esse álbum realidade? Renan: Basicamente foram pou-

cas pessoas, mas que deram o sangue nisso. A começar pela extinta Esporro Records, tivemos alguns problemas de estrutura com o produtor de eventos, mas foi graças a ele que chegamos até o Sul e conhecemos o excelente estúdio Hurricane, do Sebastian Carsin. No final das contas, caímos em mãos experientes na arte da produção musical. O Sebastian já é conhecido lá na área dele por gravar bandas de metal

e sons mais pesados, como a própria Space Guerrilla, banda conhecida do nosso bom e velho stoner brasileiro. O Allan fez um ótimo trabalho segurando o baixo - entrou de última hora pra gravar, já que não tínhamos baixista, e fez um excelente trabalho. Mas, acima de tudo, o Sergio, que esteve comigo desde os primórdios e me ajudou a construir as músicas. Ele não entendia nada de stoner, doom, sludge e nada desse tipo de som. Mas com muito esforço e qualidade, criou

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uma bateria precisa. Sou grato a todos os envolvidos.

Agora, esse espaço é pra você falar com os velhos e novos faz do Siracvsa e do Chant of the Goddess. Manda bala! Renan: Eu agradeço demais ao suporte e atenção que a galera vem dando. Muitos já mandam mensagens pra nossa página pedindo LPs, CDs e até camisetas. Eu fico até sem jeito em chegar e dizer que ainda não temos nada disso, mas já estou traba-

lhando pra ter todo o material físico necessário. Muito obrigado por esse reconhecimento e pela galera entrando de cabeça na nossa música. Tudo isso é muito importante para nós e serve de combustível para continuarmos a trazer novos materiais. Muito obrigado a todos! ODM | A

LINKS https://www.facebook.com/chantofthegoddess chantofthegoddess.bandcamp.com/ DEMO 2 Chant of the Goddess

O FATO DE DEUS OU O CRIADOR NÃO SER NECESSARIAMENTE UM SER MASCULINO, QUERO DIZER, POR QUE NÃO UM SER FEMININO?! ESSA ASSOCIAÇÃO FEMININA E PODEROSA ME CHAMA MUITO A ATENÇÃO.” RENAN ANGELO - VOCAL/GUITAR CHANT OF THE GODDESS


Todo mês um novo vídeo

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ENTREVISTA DOBBER BEVERLY DRUMS/PIANO OCEANS OF SLUMBER

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IV O S S E R ATERISTA DO GRUPO PROG

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NO A X TE


FICHA ORIGEM Texas USA

GÊNERO

Progressive Metal

CURRENT MEMBERS

Cammie Gilbert Vocal Dobber Beverly Bateria e Piano Sean Gary Guitarra e Vocal Anthony Contreras Guitarra e Vocal Keegan Kelly Baixo e Vocal Uaeb Yelsaeb Sintetizadores

FUNDAÇÃO 2011

POR

Jenny Souza

Leandro Vianna Elyson Gums (Tradução)

DÊ PASSOS PEQUENOS E TRATE BEM OS OUTROS.” DOBBER BEVERLY - DRUMS/PIANO OCEANS OF SLUMBER

DOBBER BEVERLY - DRUMS/PIANO OCEANS OF SLUMBER

Musicalmente, como vocês se definem? Dobber Beverly: Somos uma banda de metal progressivo com um grande background musical e de influências. Do clássico, passando pelo jazz, até o metal extremo e além.

Qual foi seu melhor momento na carreira? Dobber Beverly: Assinar com

jennifersouzaesilva@outlook.com

o ouvir as músicas da Oceans of Slumber fiquei fascinada com os vocais, a melancolia e a força de suas composições. Convidei o Leandro Viana para, comigo, desbravarmos esse oceano. Vem com a gente!

HÁ UM CONTRASTE ENTRE BELEZA E ESCURIDÃO. TONS MAIS CLAROS DE INTENSIDADE E TONS MAIS ESCUROS DE SUAVIDADE.”

Aetherial (2013)

Blue (2015)

a Century Media foi o primeiro melhor momento da carreira da banda, eu diria, e o segundo foi tocar no palco principal do Damnation Festival em 2016. Mas tem mais alguns pontos altos e queremos muitos mais daqui pra frente.

E o pior? Pensaram em parar em algum momento? Dobber Beverly: As altas e baixas dos negócios nos prejudicaram, mas nada nos fez ter o pensamento de parar. Uma vez músico, sempre músico.

O que querem mostrar ao mundo com suas letras e músicas? Dobber Beverly: Que há um contraste entre beleza e escuridão. Tons mais claros de intensidade e tons mais escuros de suavidade. Usamos todos para pintar nossas telas e sermos tão expressivos e dinâmicos quanto nossos corações desejarem. Como fogo. ODM | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA DOBBER BEVERLY DRUMS/PIANO OCEANS OF SLUMBER

AGORA QUE AMADURECEMOS TUDO, CAMINHAR MAIS TRANQUILO PARA ESCREVER, COMO UM TODO. NÃO ABANDONAMOS O LADO TÉCNICO DA COISA, ESTAMOS APENAS REFINANDO SEUS USOS.” DOBBER BEVERLY - DRUMS/PIANO OCEANS OF SLUMBER

WINTER, ÁLBUM MAIS RECENTE DO OCEANS OF SLUMBER figurou entre os melhores de 2017

Como encontraram a vocalista atual? Dobber Beverly: Ela estava em outra banda, que tocou em Houston, (EUA) por um tempo, e fiquei encantado com sua voz. Por sorte, ela gostava de hard rock e metal e estava disposta a uma grande mudança em sua vida musical.

Voltando um pouco no tempo, mudanças de line-up são quase sempre traumáticas. Houve medo da reação dos fãs sobre a entrada de Cammie? Dobber Beverly: Perder Ronnie foi traumático para nós, mas tínhamos de

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estar preparados para tudo o que pudesse acontecer. Acreditei que Cammie iria encaixar perfeitamente na banda e não poderia ter funcionado melhor. Não há muitas, se é que há alguma, banda no nosso estilo com um vocalista como ela. Então a aceitação aconteceu sem problemas.

Vocês têm planos de visitar o Brasil e a América Latina? Dobber Beverly: Absolutamente. Quando vai acontecer? Não temos ideia. Esperamos que logo, porque amamos a América do Sul e suas bandas incríveis!

Tem material novo em produção?

OCEANS OF SLUMBER WINTER

2016

WINTER Ocean of Slumber


caminhar mais tranquilo para escrever, como um todo. Então é mais fácil agora. Não abandonamos o lado técnico da coisa, estamos apenas refinando seus usos.

A capa dos três CDs são lindas, mas a do último, Winter, tem algo especial. Há a possibilidade de trabalhar com esse artista de novo? Dobber Beverly: Giannis Nakos

Dobber Beverly: Nosso novo disco está quase pronto e voltaremos ao estúdio para finalizá-lo em abril prontos para mostrar nosso trabalho mais épico e pesado até agora! No ponto de vista de vocês, quais são as maiores diferenças entre os discos Aetherial (2013) e Winter (2016)? Houve mudanças no processo de composição? Dobber Beverly: Enquanto Aetherial foi um teste para vermos como seria escrever e tocar junto, Winter teve um foco particular na escrita e nos sentimentos. Agora que amadurecemos tudo,

fez as duas primais capas, Aetherial e Blue (2015), e Costin Chioreanu é o artista por trás da capa de Winter. Ele é ótimo com surrealismo e todos os seus trabalhos são incríveis. Mas planejamos ir por uma rota diferente com nosso novo álbum, com mais realismo e com um meio criativo mais nosso, que seria algo mais metálico.

Membros do Ocean of Slumber participam de outros projetos? Se sim, quais são? Dobber Beverly: Coletivamente temos uma banda de death metal chamada Demoniacal Genuflection. Keegan (baixista), Anthony (guitarrista) e eu temos a Ingurgitate. Anthony e eu estamos também na Warmaster. Sou baterista de Insect Warfare, Sect of Execration, Infernal Dominion e Braced for Nails.

Pensando em tudo o que viveu a banda, qual foi o maior aprendizado?

Dobber Beverly: Dê passos pequenos e trate bem os outros. Como surgiu a ideia de fazer uma versão de “Nights in White Satin”, de The Moody Blues? Dobber Beverly: Estávamos planejando alguns covers e nosso guitarrista Sean empurrou “Nights in White Satin” pra frente. Como combinava tanto com o álbum, tivemos que fazer. Tinha alguns arranjos prontos pra ela e fomos com o que estava na gravação.

Muito obrigado em nome da October Doom Magazine e dos fãs por essa entrevista e ficamos de dedos cruzados por uma vinda de vocês ao Brasil. Gostaria de deixar uma mensagem? Dobber Beverly: Muito obrigado pela entrevista e esperamos vê-los em breve. Nesse meio tempo, continuem ouvindo e encontrando música nova! Espalhem! ODM | A

LINKS https://www.facebook.com/oceansofslumber https://oceansofslumber.com/ THIS ROAD Oceans of Slumber

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RESENHAS

SUJO, PESADO E FURIOSO

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NA ESTRADA DESDE 2009, CAUSANDO UM VERDADEIRO CATACLISMO COM SUA MÚSICA, O QUARTETO FINLANDÊS RETORNA APÓS UM HIATO DE MAIS DE QUATRO ANOS COM O ÁLBUM SEAWEED, UMA VERDADEIRA AULA DE SLUDGE/STONER POR

Leandro Vianna

contato@octoberdoom.com

A

o que não possuem o prazer de conhecer, o Demonic Death Judge é um quarteto surgido na Finlândia, no ano de 2009, como um projeto paralelo de quatro membros do sexteto de industrial death metal chamado Total Devastation (que curiosamente possui na sua formação três irmãos, entre eles um par de gêmeos). Inicialmente composto por Jaakko Heinonen (vocal), Lauri Pikka

DEMONIC DEATH JUDGE

2017

SEAWEED

SUICIDE RECORDS FINLÂNDIA 1 - Taxbear 4’56” A 2 - Heavy Chase 4’39” A 3 - Seaweed 6’40” A 4 - Cavity 3’21” A 5 - Backwoods 4’35” A 6 - Pure Cold 7’01” A 7 - Saturnday 7’16” A 8 - Peninkulma 6’53”

(bateria), além de Saku e Pasi Hakuli (guitarra e baixo, respectivamente), lançaram os EPs Demonic Death Judge (2009), Kneel (2010), um split com as bandas Frogskin e Semtex e os álbuns The Descent (2011) e Skygods (2012). Mas após o lançamento deste último, os gêmeos Hakuli optaram por ficar apenas com a banda principal, sendo substituídos por Toni Raukola (guitarra) e Eetu Lehtinen (baixo), ambos membros de outra banda finlandesa, o Burweed, que pratica uma espécie de mescla de atmospheric sludge com metal alternativo. Com essa formação, soltaram um split muito interessante ao lado do Coughdust em 2015 e, agora, no início de 2017, finalmente liberaram seu terceiro trabalho, intitulado Seaweed.


FICHA ORIGEM

Kymenlaakso Finland

GÊNERO

Sludge/Stoner Metal

FORMAÇÃO 2009

The Descent (2011)

Skygods (2012)

O que esperar do terceiro álbum do Demonic Death Judge? Bem, não existe mistério aqui, já que ele é uma continuação mais do que natural de Skygods. Andamento arrastado típico do doom, riffs sujos, duros, bem sludge, unidos a uma vibe stoner/psychedelic rock, um vocal que parece ter bebido uns 10 litros de água de algum pântano, soando bastante ameaçador, baixo pulsante e bateria esmagadora. Algumas canções possuem um lado mais épico/atmosférico, rendendo alguns momentos quase hipnóticos para quem as escuta. Peso e distorção também não faltam aqui, apesar das boas melodias que surgem durante todo o trabalho, que soa absurdamente consistente. Seaweed também consegue nos passar aquela sensação gélida, fria, típica de bandas nórdicas de black metal, mesmo que você não encontre elementos propriamente ditos do estilo na música desses caras. A abertura fica com “Taxbear”, lenta, simples, pesada e que mostra o lado mais vigoroso do DDJ, assim como a seguinte, “Heavy Chase”, simplesmente viciante e com algo de stoner rock. “Seaweed” agrega elementos mais melódicos, mas sem perder a força. Nela é possível também notar boas influências de atmospheric sludge trazidas pelos novos integrantes. Essa influência também se mostra bem forte na instrumental “Cavity”, que vem logo em seguida, na qual boas melodias e elementos psicodélicos acabam agregando muito à canção. “Backwoods” vem em sequência, com boas guitarras, elegante

e deixando o lado stoner da banda bem em evidência, além de ter um dos solos de guitarra mais legais de todo o trabalho. Pode-se dizer que ela encerra o Lado A do álbum. Com bons elementos psicodélicos e riffs pantanosos, “Pure Cold” se mostra umas das mais fortes de todo trabalho, assim como “Saturnday”, faixa que vem em seguida e que possui alguns elementos atmosféricos. Ambas estão na casa dos sete minutos e juntas com “Peninkulma”, outra que chega perto desse tempo e encerra os trabalhos trazendo à tona novamente influências de atmospheric sludge e até mesmo algo de post-rock em seu início, formando a parte épica do disco. É justamente esse lado que permite que a banda agregue novos elementos às canções, enriquecendo um pouco mais sua sonoridade. Se por um lado, esse é o disco mais acessível do Demonic Death Judge, por outro é o mais variado e rico em matéria de sonoridade. E o melhor, conseguiram isso sem mudar qualquer uma das características primordiais de sua música, que é o conjunto peso, riffs sujos e clima psicodélico. Tudo continua ali, intacto, mas com maior riqueza. Uma verdadeira martelada em seu tímpano. OD | A

LINKS https://www.facebook.com/demonicdeathjudge http://demonicdeathjudge.bandcamp.com/ TAXBEAR Demonic Death Judge

RESENHAS octoberdoom.com

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RESENHAS

AGRESSIVIDADE NO METALCORE PERNAMBUCANO

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UMA MISTURA MUITO BEM EXECUTADA PROMETE REVIRAR O CENÁRIO DO UNDERGROUND NACIONAL COM PESO E TÉCNICA POR

Raphael Arízio

contato@octoberdoom.com

O

Matakabra é mais um novo nome surgido no underground brasileiro. O EP Prole é seu primeiro lançamento, saiu da forma recentemente, com selo independente e contém três faixas de um metalcore brutal com grandes influências de death metal. Essa promissora banda de Pernambuco nos presenteia com ótimas músicas, muito bem variadas, mostrando ótima

técnica de seus integrantes. Toda a produção foi feita pelos próprios músicos do conjunto e isso não causou problema algum ao som do EP. Conseguiram tirar um som pesado, gordo e com todos instrumentos bem audíveis. A compilação tem início com a brutalidade de “Executado”. Riffs e baterias pesadíssimas, com influências de death metal e grindcore, misturado aos vocais agressivos de Rodrigo Costa e alguns breakdowns bem característicos do estilo. Em “Pesadelo” a pegada death metal do Matakabra fala mais alto com riffs extremamente violentos com certeza o grande destaque do EP. Mais uma vez Rodrigo vocifera as letras e deixa o som bem mais violento. Não podemos deixar de destacar


FICHA ORIGEM

Pernambuco Brasil

GÊNERO

Deathcore / Death Metal

2016

INDEPENDENTE BRASIL 1 - Executado 3’20’’ A 2 - Pesadelo 3’44’’ A 3 - Prole 4’32’’

o baterista Theo Espíndola, que nos hipnotiza com viradas sensacionais em meio a blasting beats insanos. Para encerrar, temos a faixa-título na qual os caras mostram um som mais trampado, inclusive com a incursão de teclados, que deixou um clima bem interessante. Apesar do pouco tempo de estrada, o grupo mostra um som coeso, brutal e muito bem variado. Merecem lançar um disco completo rapidamente pois as poucas faixas deste EP deixam um gosto de quero mais. OD | A

Este é um apelo que fazemos aos nossos leitores, amigos e colegas de imprensa, e todos os interessados em ajudar, de qualquer forma, por favor, contate-nos através da nossa página do Facerbook ou do nosso email:

contato@octoberdoom.com

LINKS

#BrothersOfDoom

https://www.facebook.com/matakabra https://matakabra.bandcamp.com/releases PROLE Matakabra

A OCTOBER DOOM MAGAZINE é uma realização fruto da amizade e colaboração de muitas pessoas envolvidas direta e indiretamente no processo de produção de cada edição, e por isso, nos atrevemos a ultrapassar a barreira entre comunicador e leitor e expor uma situação difícil vivida por um dos nossos maiores amigos e colaboradores. Na última semana um dos nossos #BrothersOfDoom passou por maus bocados devido a ação de uma forte tempestade, perdendo tudo o que tinha lutado tanto para conquistar. Não é raro vermos iniciativas internacionais onde pessoas anônimas se juntam para ajudar uma causa maior. Nós acreditamos que podemos fazer o mesmo, e por isso, convidamos todos os nossos Irmãos para nos ajudar a reestabelecer pelo menos parte da ordem e das condições de vida do nosso Colaborador e Amigo.

MATAKABRA PROLE (EP)

S.O.S. BROTHERS OF DOOM

RESENHAS


ENTREVISTA

D Ç I TRA ÃO CHILENA

CRISTIAN IBAÑEZ

RESENHA

VOCAL MOURNERS LAMENT

OS CHILENOS DO MOURNERS LAMENT, SURPREENDERAM COM “WE ALL BE GIVEN”, DE 2016, MANTENDO A TRADIÇÃO DOS SEUS CONTERRÂNEOS

O

POR

Rafael Sade

contato@octoberdoom.com

Chile sempre nos surpreende apresentando e exportando bandas de altíssimo nível, e alguns exemplos delas são Uaral, Poema Arcanvs e Mar de Grises, entre muitas outras. Mourners Lament, que acaba de soltar o seu full-length We All Be Given, é uma delas e têm tudo o que precisa pra ser mais um nome marcante. Conversamos com o vocalista Cristian Ibañez que nos conta sobre a trajetória do grupo, este novo lançamento e alguns planos para o futuro.

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FICHA ORIGEM

Viña del Mar Chile

GÊNERO

Doom Death Metal

CURRENT MEMBERS

Franco Ciaffaroni Bass Marcos Contreras Guitars Matias Aguirre Keyboards Cristian Ibañez Vocals Miguel Canessa Drums

FORMAÇÃO 2004

Unbroken Solemnity (EP) (2008)

CHEGAMOS AGORA À MATURIDADE PARA NÃO DEPENDER DO SOM DE OUTRA BANDA, SENDO A NOSSA PRINCIPAL FONTE DE INSPIRAÇÃO NOSSAS PRÓPRIAS EXPERIÊNCIAS PESSOAIS, O NOSSO HUMOR E NOSSA FLUÊNCIA AO COMPOR.” CRISTIAN IBAÑEZ - VOCAL MOURNERS LAMENT

Rafael Sade: Conte-nos como surgiu a Mourners Lament. Cristian Ibañez: Antes de come-

çar, gostaria de agradecer o interesse e o apoio à nossa banda e também enviar saudações aos nossos amigos brasileiros que por sinal são muitos! Mourners Lament nasceu no início de 2004, quando tivemos a ideia de compor música inspirados por bandas que ouvíamos no momento e que marcou profundamente nosso caráter como grupo. Nomes como My Dying Bride, Anathema e Paradise Lost foram fundamentais para a nossa identidade. Éramos muito jovens na época e a intenção era nos divertir tocando ao vivo, então tivemos a esperança de registrar algo em estúdio, no momento em que não haviam muitas bandas no Chile que estavam tocando doom metal. Foi muito desafiadora a nossa proposta, pois a cena em nosso país naquela época tinha uma forte tendência ao death metal e black metal.

A banda tem 13 anos de existência. Quais são as principais dificuldades em ser uma banda chilena tocando metal, principalmente o death e o doom metal? Cristian Ibañez: Na verdade

as dificuldades são as mesmas que qualquer banda no Chile ou em outro lugar no mundo pode ter, especialmente no aspecto monetário para financiar

gravações e turnês. Infelizmente para subir e permanecer ao longo dos anos é necessário retirar o dinheiro dos bolsos dos próprios músicos.

Quais as maiores influências no som da Mourners Lament? Cristian Ibañez: Chegamos

agora à maturidade para não depender do som de outra banda, sendo a nossa principal fonte de inspiração nossas próprias experiências pessoais, o nosso humor e nossa fluência ao compor. Sentir-se completo em nossa própria influência e ser livre para tomar o nosso som para atmosferas diferentes que fluem naturalmente por nossos instrumentos. Agora, o resultado de tudo isso pode ser comparado às nossas raízes e não podemos negar que Paradise Lost, Anathema e My Dying Bride são as bandas que formaram a nossa identidade e personalidade desde o seu início.

O Chile é muito conhecido por suas bandas de alto nível. Alguma dessas também lhe inspiraram? Cristian Ibañez: Não. Embora

existiam no Chile e ainda existam vários grupos de nível muito elevado, o nosso tipo de som e como nós o tocamos é muito distante dos outros. Cada um tem a sua própria identidade e penso que as influências de cada um deles vêm de muitas fontes diferentes ODM | A octoberdoom.com

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ENTREVISTA CRISTIAN IBAÑEZ

RESENHA

VOCAL MOURNERS LAMENT

O MOURNING LAMENT foi formado em 2014, em Viña del Mar.

umas das outras. Sei que bandas em nosso país que tocam doom metal com influências death se assemelham entre si. No momento atual, o doom metal tradicional trouxe uma ninhada de novas bandas que tem certas semelhanças entre si, isto porque as suas influências ao compor são baseadas em bandas cult como Candlemass, Pentagram, Black Sabbath etc.

Após a demo de estreia em 2004 vocês lançaram o excelente EP Unbroken Solemnity em 2008. Como foi a recepção deste trabalho no Chile e mundialmente? Cristian Ibañez: Unbroken... é a

nossa "pedra no sapato", como dizemos aqui no Chile, já que há uma mistura de sentimentos. Na minha opinião, este é um excelente registro que, infelizmente, não teve o alcance que poderia ter tido, principalmente por causa de más decisões tomadas como uma banda, uma vez que saiu como EP na Europa pelo selo Descent Production. Tivemos acesso a cópias deste trabalho, mas aqui no Chile foi muito difícil de encontrar. Acho que a mesma coisa aconteceu com outros países da América do Sul, nem tanto para a Europa, sendo que o trabalho foi bem recebido no mundo underground. Agora pensando sobre a

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escassez deste registro, decidimos reeditá-lo e ele estará disponível para compra diretamente com a banda, incluindo um adicional da nossa demo de 2004. Esperamos que em breve também esteja disponível em formato de edição Tape.

Vocês deram uma parada em 2009 e só retomaram atividades em 2013. Este período serviu para trazer mais inspiração e novas músicas? Cristian Ibañez: Este período de

ausência não era um descanso premeditado. Como tivemos muitos problemas com más decisões enquanto conjunto, houve uma ruptura que trouxe substituição momentânea de membros, acabando por determinar o fim da banda em 2009. A partir de 2013, retornamos à música com nossa formação quase original e nos voltamos a composições antigas que estavam inacabadas antes de gravarmos o Unbroken Solemnity. Obviamente após todos estes anos amadurecemos musicalmente e isso nos permitiu concluir essas músicas com mais fluidez, além de compor novas canções incluídas em nosso novo álbum, o We All Be Given.

Em novembro de 2016 foi lançado o tão aguardado We All Be Given. Como está sendo a recepção do disco?

UNBROKEN... É A NOSSA “PEDRA NO SAPATO”.” CRISTIAN IBAÑEZ - VOCAL MOURNERS LAMENT

Cristian Ibañez: Fantástica. Este é apenas o começo para nós como uma banda e para este nosso álbum. Para impedir que aconteçam os mesmos erros do passado e assim evitar que ele sofra de escassez na América do Sul, chegamos a um acordo com um selo do Chile, o Canometal Records, para lançar uma edição limitada. O We All Be Given, por sinal, foi muito bem recebido em nosso país. Temos tido performances fantásticas nas quais muitas pessoas que não nos conheciam, ou pessoas que gostam muito deste estilo, admiraram nosso trabalho e acabamos ganhando novos fãs. Vemos também o prazer dos nossos fãs que esperaram pacientemente por essa nova gravação e recebemos críticas muito boas e excelentes comentários. ODM | A


OCTOBER DOOM ENTERTAINMENT & STONED UNION DOOMED

COLETÂNEA DA OCTOBER DOOM MAGAZINE, EM PARCERIA COM A STONED UNION DOOMED BANDAS QUE LANÇARAM ÁLBUNS OU EP'S A PARTIR DE JULHO DE 2016

#FeelTheDoom

octoberdoom.com

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ENTREVISTA CRISTIAN IBAÑEZ

RESENHA

VOCAL MOURNERS LAMENT

É PROVÁVEL QUE AGENDEMOS ALGUMAS APRESENTAÇÕES PARA FORA DO PAÍS, PRINCIPALMENTE NA EUROPA EM 2018.” CRISTIAN IBAÑEZ - VOCAL MOURNERS LAMENT

O Chile é um país que costuma revelar e exportar bandas para grandes turnês europeias. Vocês têm planos em divulgar We All Be Given na Europa? Cristian Ibañez: Quando decidimos voltar como uma banda, olhamos como primeiro objetivo a gravação do nosso primeiro álbum e ele surpreendentemente abriu novas portas para nós, com grandes desafios a curto e médio prazo. Assinamos um contrato com o prestigiado selo holandês Hammerheart Records para o lançamento em abril deste ano do We All Be Given para a Europa e para o mundo. Certamente isso vai nos ajudar a alcançar um maior número de pessoas que podem obter o nosso disco e prestar uma melhor atenção a esta banda de doom/ death metal chilena. É provável que agendemos algumas apresentações para fora do país, principalmente na Europa em 2018, uma vez que a promoção e distribuição pela Hammerheart Records deve demorar um pouco mais.

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MANTENDO A CHAMA DO DOOM METAL CHILENO ACESA A ANÁLISE CUIDADOSA DE WE ALL BE GIVEN..., PRIMEIRO FULL ÁLBUM DO MOURNING LAMENT POR

Rafael Sade

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O

Chile é o país da América do Sul que mais exporta bandas de doom metal para o restante do mundo. Podemos citar como exemplo as mundialmente conhecidas Uaral, Poema Arcanvs e Mar de Grises. E eles não pararam por aí no quesito revelar grandes nomes no cenário. Formada por Cristian Ibañez (vocal), Marcos Contreras (guitarra), Franco Ciaffaroni (baixo), Matias Aguirre

(teclados) e Miguel Canessa (bateria), a Mourners Lament pratica um death/ doom metal denso e muito inspirado pelo old Anathema, My Dying Bride e Officium Triste. Após um hiato de quatro anos, houve o retorno em 2013, com o lançamento de seu disco de estreia, We All Be Given, no mês de novembro passado. Composta por seis canções, os chilenos executam aqui um som de altíssima qualidade, com melancolia, atmosfera pesada e muito peso. Os destaques ficam com a “As Solemn Pain Profaned”, que abre os trabalhos de forma majestosa com partes acústicas e um belo refrão. “Suffocating Hopes” tem um andamento triste e uma atmosfera carregada. Já “This Storm…” é mais explosiva e possui ótimos solos de guitarra. Se depender do histórico da nação quase vizinha, Mourners Lament será a próxima banda chilena a exibir sua música ao redor do globo. OD | A

MOURNERS LAMENT

2016

WE ALL BE GIVEN... CANOMETAL RECORDS CHILE 1 - As Solemn Pain Profaned 4’42’’ A 2 - Slumbers 6’06’’ A 3 - Omnipresence 3’51’’ A 4 - Suffocating Hopes 9’04’’ A 5 - This Storm… 6’47’’ A 6 - We All Be Given 13’07’’

LINKS www.facebook.com/mournerslament.official http://www.hammerheart.com/news/2016_10_19_ mournerslament.html www.canometal.cl SUFFOCATING HOPES Mourners Lament

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AGENDA AGENDA OCTOBER DOOM Uma seleção dos melhores eventos, festivais e shows que acontecem durante os próximos dias.

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AGENDA DE SHOWS 8 DE MARÇO

TOUR

SAMSARA BLUES EXPERIMENT EM PORTO ALEGRE HOCUS POCUS FEST Abertura: Mar de Marte Local: Riff.e Bar Horário: 18 horas

https://www.facebook.com/events/1630776550565135/ Ingressos: https://www.sympla.com.br/hocus-pocus-festival2017---porto-alegre---8-de-marco__115393

9 DE MARÇO

SAMSARA BLUES EXPERIMENT EM FLORIANÓPOLIS Abertura: Elevador Local: Célula Showcase Horário: 21 horas https://www.facebook.com/events/348487382181675/ Ingressos: https://www.sympla.com.br/samsara-bluesexperiment--florianopolis-sc--090317__102955

10 DE MARÇO

SAMSARA BLUES EXPERIMENT EM BELO HORIZONTE Abertura: Duna, Brisa & Chama e Pesta Local: Stonehenge Rock Bar Horário: 22 horas

https://www.facebook.com/events/217378988710910/ Ingressos: https://www.sympla.com.br/samsara-bluesexperiment-alemanha--duna-brisa-e-chama-e-pesta__102815

11 DE MARÇO

SAMSARA BLUES EXPERIMENT EM SÃO PAULO Abertura: Hamemerhead Blues e Saturndust Local: Clash Club Horário: 18 horas

https://www.facebook.com/events/1360922243948973/ Ingressos: https://www.sympla.com.br/samsara-bluesexperiment-em-sao-paulo---11-de-marco-a-partir-das18h__106463

12 DE MARÇO

SAMSARA BLUES EXPERIMENT

8 A 12 MAR

A banda de rock psicodélico vem pela primeira vez ao Brasil A banda destila sua psicodelia desde 2007 e vem cada vez mais atraindo público em suas turnês de sucesso pela Europa e América do Norte. Os alemães têm uma turnê super movimentada pelo Brasil, confira agenda ao lado.

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SAMSARA BLUES EXPERIMENT NO RIO DE JANEIRO HOCUS POCUS FEST Abertura: Psilocibina e Aura Local: Cais da Imperatriz Horário: 17 horas

https://www.facebook.com/events/584141681780054/ Ingressos: https://www.sympla.com.br/hocus-pocus-festival2017---rio-de-janeiro---12-de-marco__115391


LACUNA COIL LATIN AMERICAN TOUR MARCH 2017

7 A 10 MAR

TOUR

A banda italiana também desembarca aqui para tocar para os fãs brasileiros.

AGENDA DE SHOWS 7 DE MARÇO

LIMEIRA/SP Local: Bar da Montanha Av. Laranjeiras, 2601 · Pq. Egisto Ragazzo Limeira/SP https://www.facebook.com/ events/701942873299006/

10 DE MARÇO

RIO DE JANEIRO/RJ Local: Teatro Odisseia Abertura: Innocence Lost Teatro Odisséia - Avenida Mem de Sá 66, Rio de Janeiro https://www.facebook.com/ events/1804465593146955/

8 DE MARÇO

BELO HORIZONTE/MG Local: Music Hall BH Abertura: Sacrificed Music Hall BH - Av. do Contorno, 3239, 30110-017 Belo Horizonte https://www.facebook.com/ events/640140889497184/

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AGENDA

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11 /MAR INFRASOUND 22H FUZZTIVAL III

THE BAGGIOS | MUÑOZ JOHN FILME | MONTE RESINA

BLUMENAL - SC

CÉLULA SHOWCASE

A Infrasound Fuzztival com apoio do Saragaço e Batmacumba Cultura Independente trazem de Sergipe para Floripa: The Baggios! Uma noite pedrada para celebrar a tour pelo Sul do aclamado álbum Brutown junto com as bandas: Muñoz, John Filme e Monte Resina. https://www.facebook.com/events/102348390286352/

10 /MAR 22H WORMHOLE CATTARSE | MUÑOZ BLUMENAL - SC Num evento que promete romper a barreira do Espaço-tempo, as bandas Cattarse e Muñoz se apresentam em Blumenau-SC, em uma noite com exposições de arte, zines, tatuagens ao vivo, bazar com muita arte, comida vegana, e cerveja artesanal. https://www.facebook.com/events/292071377875319/

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October Doom Magazine Num 66