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NOV O n.º 3 | Março 2013 | € 4.95

MatchPoint Portugal

MastErs 1000 IndIan Wells e MIaMI

taça Davis capItão ou Marechal?

EntrEvista Vasco costa

rui Machado

o regresso desejado

fb.com/matchpointportugal www.matchpointportugal.com


SUMÁRIO

MatchPoint Portugal

ARTIGOS   4 Bolas curtas  14 Reviver o Passado no Algarve

n.º 3 Março 2013

 20 Masters 1000: Indian Wells e Miami  26 Taça Davis: Capitão ou Marechal?  34 Entrevista: Vasco Costa

Propriedade

 50 Academia dos Champs

do Ténis

Associação para a Promoção

Director

OPINIÃO   3 Editorial  24 Court & Costura  52 Vantagem de…

Pedro Keul Redactores e colaboradores Hugo Ribeiro, Miguel Seabra, Jorge Cardoso, João Carlos Silva, José Pedro Correia e Luís Damasceno Fotografia Cynthia Lum (excepto indicação em contrário)

SECÇÕES

Projecto gráfico e paginação

 51 Equipamento

Mobile / Webdesign

 54 Medical Timeout

Henriqueta Ramos

 55 Táctica

Contactos

 56 Arbitragem

matchpointportugal@gmail.com;

 57 Bola na tela

fb.com/matchpointportugal

Tel. 96 3078672; www.matchpointportugal.com;

Foto da capa sdtennisacademy.es


EDITORIAL

ABRIL MÊS DA REVOLUÇÃO?

PEDRO KEUL

Em vésperas de um mês de Abril estratégico para o ténis português, a MatchPoint Portugal entrevistou o presidente da Federação Portuguesa de Ténis (FPT), Vasco Costa. Das respostas dadas, é claro que a FPT atravessa um momento delicado: as fontes de receitas escasseiam, o passivo é elevado e as mudanças estruturais são urgentes. Claro que há problemas que não dependem só da FPT, como por exemplo,  a  di iculdade  de  conciliação  dos  tenistas  com   os estudos, cuja apresentação feita no Fórum dos Clubes, o Pedro Bivar teve a gentileza de partilhar com os leitores. Ou a gestão do Complexo de Ténis do Jamor que poderia trazer uma importante receita anual à FPT e onde, a partir de dia 29 de Abril, estarão estrelas mundiais como Juan Martin del Potro, juntamente com os melhores tenistas portugueses a competir no Estoril Open, o maior evento de ténis do nosso país. Vasco Costa vai apresentar algumas propostas cruciais na Assembleia Geral, que se realiza a 6 de Abril, no mesmo im-­de-­semana  da  segunda  eliminatória  da  Taça  Davis  –   onde Portugal pode dar mais um passo importante rumo ao Grupo I, o que também teria um impacto positivo nas contas federativas. Mas é preciso mais do que isso. É preciso que os clubes, que muito têm dado ao ténis português, partilhem de uma mesma visão estratégica e remem para o mesmo lado, nomeadamente,  na  angariação  de   iliados.  E  haverá  alguém   em  quem  depositar  mais  con iança  para  estar  ao  leme  do   que Vasco Costa, que esteve 20 anos na direcção do CT Porto? Pessoalmente (e resumidamente), penso que é imprescindível uma revolução de mentalidades e estou convencido que não há melhor mês do que Abril para se o fazer.

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BOLAS CURTAS Murray hoteleiro

Andy Murray desembolsou 2,1 milhões de euros na compra de um hotel perto da cidade natal de Dunblane (Escócia): o Cromlix House Hotel onde teve lugar, em 2010, o casamento do irmão, Jamie, com Alejandra Gutierrez. O edifício em Stirlingshire precisa de uma completa renovação para se tornar num hotel de cinco estrelas, com abertura prevista para a Primavera do próximo ano, pouco antes de mais uma edição da Ryder Cup, que decorrerá a poucos quilómetros dali, em Gleneagles. O Cromlix House Hotel integrará um restaurante do “chef” Albert Roux, um dos especialistas do ramo hoteleiro que serão consultados pela Inverlochy Castle Management International (ICMI) que terá a seu cargo a gestão do hotel.

Médico sem Moral 4

A International Tennis Federation (ITF) avisou todos os tenistas para não trabalharem com o Dr. Luis García del Moral, recentemente banido para sempre do desporto devido às ligações ao ciclista Lance Armstrong e à ua equipa US Postal. O médico espanhol trabalhou igualmente nos últimos

15 anos com tenistas da TenisVal Academy, perto de Valencia, a quem têm disso realizados testes suplementares, dada a suspeita de ainda se manterem em contacto com Del Moral, apesar de este estar impedido de cumprir funções oficiais em eventos desportivos em todo o mundo.

Xangai, Dubai e Bastad premiados

Pelo 11.º ano consecutivo, o SkiStar Swedish Open, em Bastad, recebeu o prémio anual do ATP World Tour para o melhor torneio da categoria 250. Nas restantes categorias não houve surpresas. Os jogadores da ATP elegeram pela nona vez nos últimos 10 anos o Shanghai Rolex Masters como o melhor Masters 1000 e, pela quarto ano consecutivo Dubai Duty Free Tennis Championships como ATP 500 preferido.

Van Grichen em versão virtual

Entrevistas exclusivas com jogadores e treinadores de ténis de topo, notícias, análises técnicas, concursos, clínicas e muito mais. Estes são alguns dos conteúdos do novo site www. tennisfansunited.com, o qual conta com a colaboração de António Van Grichen. O treinador português terá como principal função efectuar as análises técnicas aos fãs que enviem vídeos para esse efeito. Van Grichen será também responsável pelas clínicas que serão proporcionadas aos visitantes através de


Guga passa por cirurgia para implante de prótese

Depois de duas cirurgias, em Fevereiro de 2002 e Setembro de 2004, Gustavo Kuerten foi submetido ao implante de uma prótese de quadril, para solucionar definitivamente a lesão que provocou o abandono do circuito profissional, em 2008. Na cirurgia realizada em Florianópolis e chefiada pelo Dr. Richard Canella, foi colocada uma prótese de titânio com superfície de atrito em cerâmica. “Os controlos radiográficos comprovam que a cirurgia no quadril direito foi um sucesso. Correu tudo muito bem e dentro de seis meses o Guga poderá voltar aos courts”, leu-se no boletim médico. Em 13 anos no circuito profissional, “Guga” conquistou 20 títulos no circuito da ATP, com destaque para os três obtidos em Roland Garros (1997, 2000 e 2001) e uma Masters Cup (2000), em Lisboa – triunfo que o levou ao primeiro lugar do ranking, onde esteve durante 43 semanas. DR

concursos e um elemento de contacto com os agentes dos jogadores (ATP e WTA) e treinadores do circuito para possíveis entrevistas, actividades, reportagens, etc. Uma das características do site, que se apresenta como um meio de comunicação para os fãs do mundo do ténis mais apaixonados, é que muitas das entrevistas serão realizadas por jovens adeptos, para que lhes seja possível proporcionar experiências com atletas e treinadores do circuito mundial.

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BOLAS CURTAS Expansão de Indian Wells

Determinado em afirmar-se como “o quinto torneio do Grand Slam”, o Indian Wells Tennis Garden continua a crescer. Raymond Moore, presidente executivo do complexo que acolhe o BNP Paribas Open, revelou os planos para dotar o recinto de mais um estádio permanente, com capacidade para oito mil lugares, dois restaurantes, uma nova entrada com bilheteira, uma estrutura de 5700 metros quadrados para fornecer sombra, quatro courts para treino e melhoria do parques de estacionamento, com aumento para mais duas mil viaturas. Já nos últimos anos, as melhorias no Indian Wells Tennis Garden têm sido

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constantes e o milionário Larry Ellison, pode orgulharse de ser proprietário do único torneio do mundo que dispõe do sistema electrónico Hawkeye em todos os courts.

Monfils aceita o que Nadal rejeita Em Janeiro, Gael Monfils foi o mais mediático contestatário da regra dos 25 segundos entre cada ponto, implementada no sentido de acelerar o jogo. A sua reacção a uma advertência do árbitro no ATP 250 de Doha – “Sou negro, então suo muito”, justificando a necessidade de limpar-se – correu mundo. Agora, o ex-top10 francês é um acérrimo defensor da nova medida, pois perceveu que pode ser

beneficiado. “Na verdade, eu gosto porque sou um tipo de jogador que atua com o físico. Então, é muito bom se o outro tem um tempo menor para se recuperar, estou feliz com isso. Se são 10 segundos, ficaria mais feliz, porque não sei se algum jogador consegue correr e voltar a ficar bem em 10 segundos. Acho que seria um dos mais rápidos a conseguir fazê-lo”, explicou Monfils, actualmente fora do top 100. Já Rafael Nadal tem opinião contrária, embora seja um dos mais bem preparados fisicamente do circuito e mais habituado a pontos longos. Durante o torneio de Indian Wells, o campeoníssimo espanhol foi contundente nas suas críticas à nova regra. “Alguém muito espero criou uma nova regra que é, na minha opinião, um desastre, em especial, quando se joga em torneios como Acapulco, Brasil ou Chile. Primeiro, porque são contra os grandes pontos; quando se vês os melhores momentos de cada época, não se vê um ás, mas sim as mais longas trocas de bola e pontos espantosos. Com 25 segundos, alguém, após


Foi através do Twitter que Kim Clijsters anunciou ao mundo a novidade: a campeã belga está grávida. Quatro vezes campeã do Grand Slam e ex-número um mundial, Clijsters retirou-se definitivamente do circuito em 2012 para aumentar a família. O que significa que Jada, a filha de cinco anos, vai ser uma irmã velha.

um longo ponto, consegue disputar outro longo ponto? Não, por isso vai contra o bom ténis”, frisou Nadal. Nos torneios do Grand Sla, o tempo entre cada ponto desce para 20 segundos, mas os árbitros têm instruções para serem flexíveis, dando mais tempo aos jogadores depois de um ponto mais longo. “Se virem o terceiro set da final do Open dos EUA de 2011, com o Djokovic, digam-me se o público não estava muito feliz com o que estava a ver e digam-me se, com a nova regra, isso pode acontecer outra vez. Por favor”, acrescentou Nadal.

Venus, a turista

Principal estrela da WTA Brasil Tennis Cup 2013, Venus Williams anunciou logo à chegada que não ia só jogar ténis. A presença em Florianópolis assinalava também a primeira visita ao Brasil e a norte-americana de 32 anos não queria deixar de aproveitar a oportunidade de conhecer um pouco do país. “Vim para cá para vencer o torneio, mas é claro que trouxe minha máquina fotográfica para tirar muitas fotos. Falaram muito bem da comida brasileira, que há muitas variedades, mas sou vegetariana. Então

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MARCELO RUSCHEL POA PRESS

Jada vai ter um irmão

não vou poder apreciar isso aqui”, lembrou Venus, que é obrigada a seguir uma dieta especial desde que lhe foi diagnosticada o Síndroma de Sjogren. Venus terminaria a sua prestação no torneio nas meiasfinais, ficando com tempo de satisfazer o pedido da irmã, que se apaixonou por biquínis curtos durante a exibição que realizou em Dezembro, em São Paulo. “Serena pediu-me que levasse de volta alguns biquínis. Então, caso não volte para casa com alguns deles, ela vai expulsar-me de casa”, brincou Venus.


BOLAS CURTAS O CIF sabe receber

Foi ganha a aposta no Clube Internacional de Foot-ball (CIF), que não recebia a Taça Davis desde 1993, quando Israel veio vencer por 3-2. A disponibilidade do clube, a adesão do público e o apoio da Câmara Municipal de Lisboa durante a eliminatória Portugal-Benim confirmou o CIF como local privilegiado para receber a Lituânia, entre 5 e 7 de Abril. Desta vez, será ao ar livre, no mesmo court onde, há 20 anos, João Cunha e Silva e Nuno Marques defrontaram Amos Mansdorf e Gilad Bloom.

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Santos Serra reeleito na ATL

António Santos Serra foi eleito para mais um mandato de quatro anos à frente da Associação de Ténis de Lisboa. A sua lista foi a única candidata mas há algumas mexidas em relação aos anteriores corpos sociais, designadamente a entrada

de Pedro Coelho para a presidência da Mesa da Assembleia Geral e de Pedro Bívar para a liderança do conselho Técnico. Pedro Coelho é um antigo presidente da FPT e da própria ATL e Pedro Bívar o responsável máximo do Ace Team-Clube de Ténis de Alfragide.


DR

Protocolo entre Ace Team e ATA

Durante os próximos quatro anos, um dos dossiers mais aliciantes da nova Direcção será a renovação dos contratos de concessão do complexo Municipal de Ténis de Monsanto. Eis a nova composição dos corpos sociais da ATL Assembleia Geral: Pedro Coelho, António Taveira Nunes e Angélica Damião; Direcção: António Santos Serra, Francisco Dias Antunes, Rogério Simões, Rui Guimarães, Frederico Anão, Ana Cavaco e Hugo Ribeiro; Conselho Fiscal: Emanuel Oliveira, António Almeida e Pedro Bruno Serra; Conselho Jurisdicional: António Correia, Luis Antas Almeida e José de Jesus Jacinto; Conselho Técnico: Pedro Bivar, Manuel Costa Matos e Sotero Rebelo.

Aproveitando a presença do Presidente da Associação de Ténis dos Açores (ATA), Artur Martins, e do Director Técnico do Ace Team, Pedro Bivar, no V FORUM DAS AR’s, foi assinado entre ambos um protocolo de cooperação para os próximos dois anos (renováveis), que vai proporcionar com condições vantajosas, estágios técnico-tácticos, acompanhamentos a torneios nacionais e internacionais e consultadoria técnica e formação.

Capriati acusada de agressão

Número um mundial em 2001, campeã de três torneios do Grand Slam e entronizada no ano passado no International Tennis Hall of Fame, a norte-americana Jennifer Capriati voltou a aparecer nos media… de forma negativa. No último dia de S. Valentim,a polícia de North Palm Beach (Florida) foi chamada a um ginásio pelo ex-namorado de Capriati, Ivan Brannan

que acusou a tenista de agressão. Segundo o relatório policial, Brannan, de 36 anos, foi esmurrado por três vezes no peito e quando os agentes chegaram ao local, o antigo treinador universitário de golfe estava com as mãos a tremer e trancado no balneário masculino onde se refugiou e chamou a polícia. Brannan, oito anos mais novo, queixou-se igualmente que Capriati já o tinha perseguido e assediado sete vezes. Porém, o advogado de Capriati estão convicto que tudo será desmentido. Antes de atingir o topo do ténis mundial, Capriati chegou a ser presa por posse de droga e roubo numa loja, em 1994, e voltou a ser notícia pelas piores razões em 2010, quando exagerou na ingestão de medicamentos.

Hingis vai ser ainda mais famosa Martina Hingis vai ser entronizada no International Tennis Hall of Fame, em Newport, no próximo dia 13 de Julho. Ao longo da sua carreira, a tenista suíça ganhou 48

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BOLAS CURTAS torneios, com destaque para os cinco títulos individuais do Grand Slam, a juntar aos nove em pares femininos e um em pares mistos. O primeiro

aconteceu em Wimbledon, em 1996, quando com 15 anos e nove meses ganhou os pares femininos ao lado de Helena Sukova. Em Março de 1997,

chegou ao primeiro lugar do ranking, com 16 anos e seis meses. Retirou-se por lesão em 2002 para regressar quatro anos mais tarde, mas em 2007

Cash regressa a Vale do Lobo

DR

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José Ricardo Nunes já pode contar aos netos que derrotou Djokovic. O tenista algarvio defrontou e venceu o irmão do número um mundial, Markko, na primeira ronda do Future de Faro, vitória essa que lhe rendeu um ponto ATP. O apelido Djokovic chama bastante a atenção e Markko até deu entrevistas à imprensa desportiva portuguesa. Quem passou despercebido foi Jett Cash, o filho de 18 anos de Pat Cash, campeão de Wimbledon de 1987. Jett não levou grandes memórias do Algarve pois perdeu os dois encontros que disputou, nos qualifyings de Vale do Lobo – onde o pai jogou em 2005 e 2006, tendo sido finalista na sua primeira visita ao Grand Champions – e Loulé.


Roland Garros num impasse

Jean Gachassin recebeu um mau presente pela sua reeleição como presidente da Federação Francesa de Ténis (FFT): O Tribunal Administrativo de Paris anulou a deliberação do Conselho de Paris que autorizava a câmara da capital francesa a assinar um acordo com a FFT permitindo a modernização e ampliação do Estádio Roland Garros. Os argumentos do tribunal é que os conselheiros receberam informação insuficiente e que as taxas que iriam ser pagas à câmara eram

V FÓRUM das Associações Regionais Decorreu no dia 24 de Fevereiro em Vilamoura, o V FÓRUM das Associações Regionais, com a presença de Vasco Costa, presidente da Federação Portuguesa de Ténis (FPT). De manhã, Vítor Cabral apresentou os documentos Fomento, Actividades do Departamento de Desenvolvimento da FPT em 2012 e Proposta de Cooperação na área do Fomento FPT/AR’s. À tarde, Vasco Costa discutiu com as associações sobre a possibilidade da FPT gerir o Complexo de Ténis do Jamor, o Padel e a relação da federação com a já existente Federação Portuguesa de Padel e ainda o futuro Centro de Alto Rendimento (CAR).

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DR

foi suspensa por dois anos por acusar o consumo de cocaína. Hingis negou mas não apelou da sentença e abandonou definitivamente. Os outros entronizados na cerimónia são os fundadores da Associação de Tenistas Profissionais (ATP), Cliff Drysdale e Charlie Pasarell, o jogador, treinador e empresário Ion Tiriac, e a antiga tenista australiana Thelma Coyne Long.

baixas. A FFT anunciou imediatamente que vai recorrer da decisão, pelo que este “encontro” com as associações ecológicas que

apresentaram os recursos, deverá ir a cinco sets.


BOLAS CURTAS Frederico Gil completa equipa

antes de acrescentar: “O meu objectivo não passa pelo ranking, mas por ter uma grande estabilidade, em termos emocionais, de modo a poder a treinar e competir melhor e, assim, acredito que os resultados aparecerão.” O regresso á competição de Gil será feito ainda este mês, no Challenger de Pereira (Colômbia), na semana de 25 de Março.

WILLIAM LUCAS INOVAFOTO

Ficou definida este mês a equipa técnica que irá trabalhar com Frederico Gil até o final da época de 2013. João Cunha e Silva será o Gestor de Carreira, com funções alargadas ao campo, e Vasco Antunes será o treinador que viajará com o atleta. A equipa fica completa com o preparador físico Rui

Leal, o fisioterapeuta João Carronda e o psicólogo Mark Serrano. “O João Cunha e Silva sempre foi o meu grande mentor e preciso que esteja a meu lado, mesmo que não possa viajar comigo. O Vasco será o treinador a tempo inteiro, na organização dos treinos e orientação técnica e táctica, mas só aceitou sabendo que o João está por detrás”, explicou Gil,

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MÁRMORES E PRODUTOS AGRÍCOLAS ZEXA LDA de José Basílio Pinto Basto

MONTE D’EL REY 7160-018 BENCATEL VILA VIÇOSA, PORTUGAL


VITAL PARREIRA

NO CIRCUITO

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REVIVER O PASSADO NO ALGARVE


Os três Futures realizados no Sul de Portugal foram benéficos para os tenistas portugueses. Rui Machado voltou ao circuito e voltou aos títulos e logo na cidade onde o viu nascer. Também Pedro Sousa aproveitou o factor “casa” e interrompeu o jejum de títulos. Pedro Keul Depois de um ensaio na Taça Davis, Rui Machado voltou aos palcos internacionais nos habituais torneios do nível Future, que se realizam  no  Algarve,  pondo  ao   im  ao  jejum  competitivo  que   durava desde Agosto do ano passado – se excluirmos o solitário set que disputou no Challenger de Sevilha, em Setembro. A paragem devido  a  uma  lesão  no  joelho  esquerdo  teve  as  suas  consequências   e Machado iniciou a tournée algarvia ocupando o 316.º lugar do ranking e sem ritmo, mas foi sempre em crescendo. E na terceira semana, em Faro, onde nasceu há 28 anos, conseguiu mesmo o 16.º título da carreira pro issional. “Uma   inal  é  sempre  uma   inal  e  o  mais   importante foi sair daqui com uma vitória. É bom voltar a sentir o gosto da vitória e, ainda para mais, quando é no meu país e na minha cidade”, salientou Machado após o triunfo no mesmo  Centro  de  Ténis  de  Faro,  onde  já  tinha   ganho um torneio do mesmo nível, em 2008. Foi também o primeiro troféu do algarvio desde Setembro de 2011, quando triunfou no Challenger de  Szczecin  (Polónia)  –  no  mês  seguinte,  atingiria  o  59.º  lugar  do   ranking,  estabelecendo  um  novo  máximo  para  o  ténis  português. O regresso aos títulos começou a desenhar-se em Vale do Lobo, onde Machado somou duas vitórias antes de ceder diante do belga Germain Gigounon (436.º), por 4-6, 1-6, acusando o desgaste da véspera,  em  que  esteve  três  horas  no  court. No segundo torneio, em Loulé, Machado apareceu com maior ritmo e,  nas  meias-­ inais,  eliminou  o  belga  Niels  Desein,  campeão  na   semana  anterior,  em  Vale  do  Lobo.  Na   inal,  adiada  devido  à  chuva   e  disputada  já  em  Faro,  perdeu  com  o  compatriota  Pedro  Sousa,   depois  de  liderar,  por  7-­5,  3-­0.  “Foi  um  jogo  muito  duro   isicamente   mas  é  deste  tipo  de  jogos  que  preciso  para  ganhar  ritmo  e  voltar  a  

“O REGRESSO AOS TÍTULOS COMEÇOU A DESENHAR-SE EM VALE DO LOBO” 15


NO CIRCUITO competir ao nível a que estava habituado nos últimos tempos. Ainda preciso de melhorar para não desperdiçar oportunidades como as que tive  hoje.” Dito  e  feito!  Cinco  dias  depois,  na   inal  do  Future  de  Faro,  Machado   anulou dois set-points na primeira partida com o espanhol Guillermo Olaso, antes de vencer, por 7-6 (7/3), 6-2, e celebrar o oitavo título em torneios deste nível. E começar a esquecer a época de 2012.

A quinzena de Pedro Sousa

VITAL PARREIRA

Em destaque esteve igualmente Pedro Sousa. O tenista lisboeta, 231.º á  chegada  a  Vale  do  Lobo,  atingiu  a   inal  no  resort  algarvio,   onde perdeu com o belga Niels Desein (230.º), por 6-7 (3/7) e 2-6. “Acima de tudo, o Pedro não foi capaz de aproveitar algumas das  chances  que  teve,  especialmente  no  décimo  jogo  de  serviço   quando poderia ter fechado o set. Na segunda partida, entrou cedo a perder por  0-­3  e  a  partir  daí  já  foi  muito  di ícil   dar a volta ao resultado”, revelou o seu treinador, Gonçalo Nicau. Sousa acabaria por sair de Vale do Lobo com um título de campeão, de pares, ao lado de Gonçalo Falcão, ao baterem no derradeiro encontro a dupla espanhola Juan-Samuel Arauzo-Martinez/ Jaime Pulgar-Garcia, pelos parciais de 6-3, 6-4. A semana seguinte, em Loulé, seria ainda melhor,  embora  mais  longa  devido  à   chuva que levou o derradeiro encontro do  torneio  para  Faro.  Sousa  justi icou  o   estatuto de primeiro cabeça de série e, na inal,  obteve  a  primeira  vitória  sobre  Rui   Machado,  em  três  encontros  no  circuito  pro issional,  ao   im  de  três   horas  e  10  minutos  de  jogo:  5-­7,  6-­4  e  7-­6  (7/3). “Realmente foi uma vitória suada, acima de tudo porque esperar três  dias  para  jogar  uma   inal,  logo  à  partida  não  é  fácil,  pelas   ansiedades e expectativas que é preciso saber gerir. Mas isso é igual  para  os  dois  jogadores.  Como  se  isso  não  bastasse,  também  o   encontro  em  si  foi  jogado  em  várias  partes,  o  que  tornou  tudo  ainda   mais complicado”, explicou Gonçalo Nicau.

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“SOUSA CONQUISTOU TAMBÉM UM TÍTULO DE PARES, COM GONÇALO FALCÃO”


Sousa liderou  o  set  inaugural  e  serviu  a  5-­3  (40-­40),  antes  de  a  chuva   intrometer-se e permitir uma reviravolta no marcador. “Quando regressou ao court o Pedro estava mais tenso e acabou por não conseguir  fechar  o  set.  De  repente,  já  no  segundo,  vê-­se  a  perder  por   0-­3,  mas  a  reacção  foi  muito  boa,  conseguindo  voltar  à  discussão   do encontro para fechar a partida, em 6-4. O último set seguiu a mesma  tendência.  O  Pedro  entrou  muito  forte  com  3-­0  de  vantagem,   mas o Rui equilibrou, não aproveitando depois quando esteve a servir  com  vantagem  de  5-­4  e  6-­5.  [No  tie-­break,]  o  Pedro  jogou   muito bem, tendo vencido com todo o mérito”, concluiu Nicau. Este  foi  o  terceiro  título  no  circuito  pro issional  –  depois  de  Denia   (Espanha),  em  2009,  e  Faro,  no  ano  passado  –  de  Pedro  Sousa  que   optou por não inscrever-se no future de Faro, saindo do Algarve com 28 pontos, menos dois que Machado.

Tavares recomeça

VITAL PARREIRA

Vale do Lobo assistiu também a um novo recomeço da carreira de Leonardo Tavares que, tal como Machado, não somava nenhum ponto ATP desde Maio de 2012. O tenista de São Paio de Oleiros Pedro Sousa foi a Faro conquistar o título… de Loulé

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VITAL PARREIRA

NO CIRCUITO

Rui Machado voltou a competir em Faro para conquistar o oitavo Future da carreira

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assinalou o  29.º  aniversário  cumprido  durante  o  torneio,  com   exibições  que  o  levaram  do  qualifying  aos  quartos-­de-­ inal.  Mas   quando Sousa vencia por 2-0, Tavares desistiu, com queixas na côxa esquerda. Frederico Silva também regressou á competição, depois de uma paragem desde Dezembro e de uma pequena intervenção cirúrgica de  prevenção  ao  joelho.  O  tenista  da  Caldas  da  Rainha  esteve   presente no qualifying de Loulé e no quadro principal de Faro, graças a um Junior Exempt (pelo lugar que ocupa no ranking mundial do escalão), sem conseguir ganhar qualquer encontro. Destaque igualmente para André Murta que, no seguimento da estreia  na  selecção  da  Taça  Davis,  atingiu  as  meias-­ inais  em  Vale   do Lobo e passou igualmente uma ronda em Loulé. José Ricardo Nunes também obteve vitórias em quadros principais, uma em Loulé e outra em casa (Faro). E Vasco Mensurado conquistou o seu primeiro ponto ATP, ao aproveitar o bom sorteio em Vale do Lobo, que o colocou frente a outro wild-card, Romain Barbosa.


MASTERS 1000

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COSTA A COSTA


Há quem diga que é mais difícil ganhar dois torneios Masters 1000 consecutivos do que um evento do Grand Slam – em especial as duas grandes provas que se realizam em Março nas costas opostas dos Estados Unidos. Mas já houve quem ganhasse de seguida Indian Wells e Miami – um total de nove tenistas, sendo que apenas Roger Federer e Steffi Graf lograram essa dobradinha em mais de uma ocasião. Miguel Seabra São dois grandes torneios que cresceram quase de modo paralelo e que  hoje  em  dia  se  assumem  como  destacados  pilares  do  circuito   pro issional,  tanto  que  se  encontram  ambos  num  patamar  que  lhes   é exclusivo logo após os quatro eventos do Grand Slam no que diz respeito  ao  tamanho  do  quadro  de  jogadores.  São  também  dois   torneios que nasceram na década de 80 sob o impulso de antigas iguras  gradas  da  modalidade  e  que  entretanto  cederam  os  destinos   dos respectivos eventos, como foi o caso de Charlie Pasarell em Indian Wells (agora propriedade Oito jogadores e sete jogadoras do milionário Larry Ellison) e Butch Buchholz em Miami (que ganharam o título de Indian Wells agora  pertence  à  IMG). mais do que uma vez: Os  paralelismos  não  se   icam     Boris  Becker     (1987-­1988) por  aí:  as  duas  provas  são     Jim  Courier   (1991,  1993) consideradas  Mini-­Slams  jogadas     Michael  Chang   (1992,  1996-­1997) em semana e meia (10 dias)   Pete  Sampras   (1994-­1995) com  quadros  de  96  jogadores   Lleyton Hewitt (2002-2003) em que os 32 cabeças-de-série o recordista Roger Federer (2004-2006, 2012) recebem isenção da primeira   Rafael  Nadal     (2007,  2009)   ronda, ambas apresentam o   Novak  Djokovic   (2008,  2011) estatuto de Masters 1000 na   Martina  Navratilova   (1990-­1991) vertente masculina e de Premier   Mary  Jo  Fernandez   (1993,  1995) Mandatory no sector feminino   Stef i  Graf     (1994,1996) e até tiveram problemas   Lindsay  Davenport   (1997,  2000) em  a irmar  as  respectivas     Serena  Williams   (1999,  2001) infrastruturas  até  se   ixarem   Daniela Hantuchova (2002, 2007) nos  complexos  onde  se  jogam     Kim  Clijsters   (2003,  2005) actualmente perante centenas de milhares de espectadores.

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MASTERS 1000 Em Miami, apenas seis jogadores arrecadaram mais do que um troféu, ao passo que nas senhoras houve oito: Ivan  Lendl     o  recordista  Andre  Agassi     Pete  Sampras     Roger  Federer   Andy Roddick   Novak  Djokovic     Stef i  Graf     Monica  Seles     Arantxa  Sanchez     Martina  Hingis     Venus  Williams   Serena Williams   Kim  Clijsters     Victoria  Azarenka  

(1986, 1989)  (1990,  1995-­1996,  2001-­2003) (1993-­1994,  2000) (2005-­2006) (2004, 2010) (2007,  2011-­2012);   (1987-­1988,  1994-­1996) (1990-­1991) (1992-­1993) (1997,  2000) (1998-­1999,  2001) (2002-2004, 2007-2008) (2005,  2010) (2009,  2011)

Marcianos em Março

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No caso de Indian Wells, o torneio andou a rodar na mesma zona californiana do Coachella Valley (Palm Springs, a cerca de 200 km a leste de Los Angeles) desde a edição inaugural em  1987  até  se   estabelecer  de initivamente.  Já   o evento da Florida começou a  jogar-­se  no  ano  de  1985  em   Delray Beach e passou por Boca  Raton  em  1986  até  chegar   à  ilha  de  Key  Biscayne,  ao  largo   de  Miami,  em  1987  e  não  mais   sair de lá – mesmo que lutas com os ambientalistas tenham protelado a construção de infrastruturas  de initivas  até   ao  início  da  década  de  90.

Este ano,  o  o icialmente  designado  BNP  Paribas  Open  joga-­se  em   Indian Wells de 8 a 18 de Março, ao passo que o Sony Ericsson Open  se  realiza  de  21  de  Março  a  1  de  Abril.  Ou  seja,  há  uns  dias  de   intervalo  para  que  seja  feita  a  transumância  de  uma  costa  à  outra   dos Estados Unidos. Costuma dizer-se que vencer dois torneios consecutivos Masters 1000 no circuito masculino ou Premier Mandatory no circuito feminino  é  mais  di ícil  do  que  ganhar  um  torneio  do  Grand  Slam   porque  em  muitos  casos  é  necessário  jogar  em  dias  seguidos   e também porque a média de rankings dos adversários é mais elevada; torna-se talvez mais complicado ganhar em semanas convencionais  propriamente  ditas  de  a ilada  (Madrid  e  Roma,  Open   do  Canadá  e  Cincinatti),  mas  para  se  chegar  à  dobradinha  Indian   Wells-Miami é necessário ganhar a pelo menos mais dois ou até a mais  quatro  adversários  no  conjunto  dos  dois  quadros  principais.   No total, nove tenistas lograram rubricar tamanha proeza, com dois  campeoníssimos  do  outro  mundo  a  mostrarem  ser  autênticos   marcianos  em  Março  ao  lograr  a  dobradinha  em  duas  ocasiões:   Roger  Federer  e  Stef i  Graf.


Reis da dobradinha

No entanto, de todos esses pluricampeões só nove emergiram do périplo norte-americano com uma dobradinha no mesmo ano. E começaram precisamente  por  ser  os  jogadores  da  casa  a  estrear-­se,   no plano masculino. Jim  Courier  fê-­lo  em  1991  –  e  ganhou  con iança  para  pouco   depois ganhar o primeiro título do Grand Slam em Roland Garros; incrivelmente,  Michael  Chang  repetiu  a  proeza  em  1992.  Em  1994,   Pete Sampras comprovou ser o melhor tenista do planeta e em circunstâncias  especiais,  já  que  Andre  Agassi  aceitou  jogar  uma  hora   mais  tarde  a   inal  de  Miami  para  que  o  rival  recuperasse  de  uma   indisposição… e ganhasse! Marcelo Rios surgiu em estado de graça em  1998,  saindo  dos  Estados  Unidos  como  número  um  mundial  –   o único a nunca ter ganho um título do Grand Slam. Andre Agassi bisaria em 2001 e Roger Federer conseguiu uma dupla dobradinha inédita  consecutivamente  em  2005   e 2006, no seu período áureo. Novak Djokovic  impôs-­se  nas  duas   inais  de   2011 a Rafael Nadal, a caminho de estabelecer um recorde de Masters 1000 numa mesma temporada (cinco). Nas  senhoras,  só  duas  jogadoras   somaram  títulos  consecutivos.  Stef i   Graf  fê-­lo  mesmo  em  duas  ocasiões   (1994  e  1996),  enquanto  Kim  Clijsters   se  impôs  na  temporada  de  2005.  Mas   há mais de uma década que as irmãs Williams decidiram não competir em Indian Wells devido a um velho desaguisado com os organizadores e os espectadores locais, o que terá impedido Serena (mais do que Venus) de  se  juntar  a  uma  elite  da  qual  ela   deveria fazer parte. Tudo somado e contabilizado, houve dobradinhas combinadas no plano masculino  e  feminino  tanto  em  1994   como  em  2005.  Será  que  este  ano   haverá nova proeza de monta?

Kim Clijsters fez a “dobradinha” em 2005

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COURT & COSTURA

Gastão Elias é importante à selecção nacional da Davis O Regresso  de  Gastão  Elias  à  selecção  nacional  da  Taça  Davis   é  uma  boa  notícia  pela  mais-­valia  que  o  jogador  traz  ao  grupo   e  pelo  adversário,  a  Lituânia,  na  segunda  ronda  do  Grupo-­II  da   Zona  Europa/África,  de  5  a  7  de  Abril,  no  CIF. Elias  é  o  nº2  de  Portugal,  inserido  no  top-­150  mundial  e,  apesar   da  relativa  pouca  experiência  na  Taça  Davis  (1  vitória  e  4   derrotas  em  singulares,  1-­5  em  pares,  em  6  eliminatórias),  tem   potencial para tornar-se num esteio da equipa. Para isso terá de um dia ganhar aquela paixão pela Taça Davis que ainda não lhe vimos, pelo menos se comparado com John McEnroe, Henri Leconte, Lleyton Hewitt ou Stanislas Wawrinka, para dar apenas exemplos internacionais. O  regresso  à  equipa,  depois  da  polémica  da  eliminatória   anterior, por declinar a convocação, não vale apenas pela sua qualidade tenística, actual e futura, dado que tem tudo para  ser  um  grande  jogador  e  para,  a  médio  prazo,  integrar  a   geração de ouro que leve Portugal pela primeira vez ao Grupo Mundial. Neste  caso  especí ico,  Gastão  pode  ser  essencial  para   desmisti icar  Ricardas  Berankis,  o  top-­80  mundial  que  ganhou   5  duelos  no  Open  da  Austrália  antes  de  perder  com  Andy   Murray. O antigo nº1 mundial de sub-18 considerou recentemente Gastão como o seu “melhor amigo do circuito”. Foram companheiros na Academia Nick Bollettieri/IMG na Florida e ainda  há  semanas  treinaram  juntos  no  torneio  de  Delray  Beach. Gastão  não  o  vê  como  um  papão  e  é  essa  a  mensagem  que   poderá  passar  com  e icácia  no  ‘banco’  português.

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HUGO RIBEIRO


FERNANDO CORREIA/FPT

TAÇA DAVIS

O QUE FAZ DO 26

CAPITÃO UM MARECHAL

DE CAMPO


Quais as características que um capitão Taça Davis deve ter? Vários capitães da selecção nacional e alguns dos nossos treinadores mais conceituados respondem. Hugo Ribeiro Quem foi o melhor capitão de sempre na Taça Davis? É praticamente impossível responder a esta questão. Os livros de recordes mostram-nos que o australiano Harry Hopman foi o mais bem sucedido, com 16 títulos no posto, mas estamos perante um daqueles casos em que a quantidade não é proporcional à qualidade. Hopman foi uma inspiração para os seus jogadores e criou um estilo de “durão” que mantém seguidores. Não admira que o actual seleccionador português, Pedro Cordeiro – que conheceu “o velho” e que estagiou na academia que Hopman tinha na Florida, antes de vencer alguns dos seus quatro campeonatos nacionais de singulares – sinta que muitas decisões têm de ser tomadas em solidão, porque apesar de dialogar com os jogadores, não pode dar-lhes a noção de que precisa de pedir-lhes permissão. Hopman cultivou a autoridade do capitão, tal como o bem mais macio e dialogante Patrick Rafter o faz hoje à frente da selecção “aussie”, ao deixar de fora estrelas como Bernard Tomic e Marinko Matosevic para lhes dar uma lição. “É preciso compreender a cultura desta equipa”, explica Rafter, nada contente com “o espírito” demonstrado por esses seus jogadores em determinadas situações. Curiosa a utilização da palavra “cultura” por parte do antigo nº1 mundial, porque a mesma foi referida por Jim Courier, o actual líder da selecção norte-americana, que tem feito milagres ao extrair o melhor de jogadores como John Isner: “A cultura começa pela cúpula. Eu sou o capitão da equipa. Tal como eu olhava para os meus capitães como guias, é assim que agora estes jogadores olham para mim”. Este detalhe é importante. O ex-nº1 mundial norte-americano fazse valer da sua experiência como jogador na selecção para ser um bom capitão.

“MUITAS DECISÕES TÊM DE SER TOMADAS EM SOLIDÃO” 27


TAÇA DAVIS FERNANDO CORREIA/FPT

Yannick Noah foi o melhor capitão que vi ao vivo, quando levou a França à vitória na   inal  de  1991,  em  Lyon,  com   Henri  Leconte  e  Guy  Forget,  frente   ao Dream Team americano de Pete Sampras, Andre Agassim, Jim Courier, Ken Flach e Robert Seguso. O  antigo  campeão  de  Roland  Garros,   agora cantor, voltou a vencer como seleccionador  em  1996  e  também  aludiu   a essa experiência: “Fui melhor capitão do que jogador de Taça Davis. Eu era um capitão muito jovem, só via amigos na equipa e foi como amigos que vencemos  em  1991,  o  que  me  orgulha”. Eis um estilo bem diferente. Estive em Lyon  e  Leconte  dizia  que  “Yannick  é  um   compincha”. Não se pense que havia laxismo. Os estágios da selecção eram apelidados de “campos de comandos”, de uma dureza extrema, mas Noah era quase visto como um guru, um zen master, que inspirava os seus e fazia tremer os adversários, incendiando as bancadas quando a França jogava em casa. Em Portugal vivemos um ambiente semelhante na era do capitão José Vilela, também jogador e depois seleccionador. Como Noah, o Zé via amigos nos jogadores, falava de “ família da Taça Davis” e no seu caso era sentido como tal. Pulava da cadeira como um cabrito, quase teve um enfarte no campo e também levava os seus jogadores e o público ao rubro, como se estivesse nas Antas (ainda não havia Dragão) a apoiar o seu FC Porto. Mas será que ter sido um bom jogador de Taça Davis é vital para um grande capitão de Taça Davis? Não necessariamente. Veja-se o caso de dois dos melhores jogadores de sempre ao serviço das suas selecções, John McEnroe e Boris Becker, que não aguentaram mais de uma época como capitães e geraram ondas de críticas à sua volta? Quem diria que, por exemplo, seria o bem mais discreto Patrick McEnroe a levar de novo os Estados Unidos ao título?

“COMO NOAH, O ZÉ VIA AMIGOS NOS JOGADORES”

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João Cunha e Silva: “Antes de tudo, tem de ser extremamente bom em relações humanas e ser um bom comunicador”

FERNANDO CORREIA/FPT

“Big Mac” e “Boom Boom” foram dois casos extremos de capitães que confundiram autoridade com vedetismo. Os seus egos são ainda desmesurados e agiam como as estrelas da equipa, revelando pouca paciência para as atitudes de prima-dona dos seus jogadores mais conceituados. Ora como têm demonstrado os vários capitães espanhóis que transformaram a “armada” na maior potência da Taça Davis na última dúzia de anos, ser firme mas discreto também pode ser um valor acrescentado na gestão dos egos no interior de uma equipa. Não é preciso ser-se exuberante como Noah ou Vilela para se ter sucesso. Há outras fórmulas. Em Portugal, José Carlos Santos Costa, João Maio e Pedro Cordeiro, para falar apenas das últimas décadas, desempenharam o cargo à sua maneira, quase como forças silenciosas, qualquer um deles com êxitos evidentes. Cada jogador é um microcosmo. Atente-se a dois exemplos. Elucida o jovem Ryan Harrison, ainda com muito por provar: “Olho para as rotinas diárias do Courier. Ele é tão organizado e estruturado. Para alguém como eu, neste ponto da minha carreira, é exactamente isso que estou a tentar ser, mais organizado e estruturado”. Responde-lhe o capitão americano, vencedor de quatro Majors: “Faço tudo o que é preciso fazer e tudo o que está ao meu alcance para criar um crescendo para que eles joguem bem esta semana. Não há segredo para

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TAÇA DAVIS

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Pedro Cordeiro: “Dentro do campo há que ajudar o jogador na táctica”

se trabalhar no duro e de forma inteligente. Há apenas que fazê-lo consistentemente em todos os detalhes”. Em contraponto, surge o já quase veterano Jo-Wilfried Tsonga, ao elogiar  Guy  Forget:  “Foi  o  único  capitão  que  tive  na  cadeira  e   ele  será  para  sempre  o  meu  capitão.  Gosto  dele  porque  gosta  da   modalidade, gosta do que faz, gosta da Taça Davis e transmitiu-me esta febre”. “Febre” é a palavra-chave neste caso, tal como “organização” foi no exemplo anterior. Estamos a falar de dimensões diferentes de motivação de atletas distintos, para extrair o melhor de cada um para a equipa. Provavelmente, será pouco importante responder à questão inicial, sobre quem será o melhor capitão da Taça Davis de sempre. Relevante é ter-se a percepção de que, quando se é nomeado para tal, atingiu-se o corolário da carreira de treinador. O privilégio de se sentar no banco, numa modalidade que só na Taça Davis permite estar ali, a conversar com o jogador, discutir

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com o árbitro e dialogar com o público; a satisfação de elevar nas suas mãos  a  “Saladeira”  enquanto  capitão,  é  in initamente  superior   a assistir num camarote, quase em silêncio, ao triunfo do seu jogador  num  torneio  do  Grand  Slam. Como  disse  Guy  Forget  ao  abandonar  o  cargo  no  ano  passado:   “Quando se é jogador, tratam-nos como Deuses, mas como capitão é tão excitante fazer parte daquela aventura”. A Match Point Portugal questionou vários capitães da selecção nacional e alguns dos nossos treinadores mais conceituados da actualidade. Não sendo possível falar com todos os jogadores, elegeu-se Rui Machado como presidente da associação da classe. Eis as suas opiniões. Pedro Cordeiro (actual capitão, desde 2005. Teve como capitães Alfredo Vaz Pinto, João Lagos e Luís Sousa) “É um papel com várias dimensões. Fora do court é fundamental respeitar cada um, cada personalidade, mas conseguir um ambiente franco e saudável. Criar harmonia entre os jogadores, colocá-los à vontade para exprimirem o que pensam, que são livres, mas que quem decide é o capitão. Dentro do campo há que ajudar o jogador na táctica que se leva para o encontro, fazer os ajustes que sozinhos nem sempre são capazes de operar”. José Vilela (ex-capitão, de 1994 a 2003. Teve como capitães Pedro Vasconcelos, Appleton Figueira, Mário Azevedo Gomes, David Cohen, Alfredo Vaz Pinto e João Lagos) «Li  muito  de  psicologia  porque  o  mais  importante  para  mim  foi   perceber como poderia manter o meu atleta mais tempo no topo sem quebras acentuadas. Isso era mais importante do que ler o jogo do adversário. Quando se recebe um atleta que até pode estar em  má  forma,  não  é  dois  ou  três  dias  que  o  recuperamos   ísica   ou tecnicamente, mas psicologicamente é possível fazê-lo. Várias vezes consegui que, com determinadas técnicas que apelavam à dimensão mental, eles se transformassem, se superassem. José Carlos Santos Costa (ex-capitão, de 1984 a 1993) Tem de ser um bom líder de personalidades diferentes, um bom aglutinador de motivações, um bom conhecedor dos jogadores seleccionáveis. A um nível mais pessoal, deve revelar serenidade e sensatez. Precisa do talento de conhecimentos tácticos, mais do que técnicos, porque não vai resolver ali questões técnicas, e capacidade de perceber as nuances mentais dos jogadores durante um encontro. Há dois cargos, o de treinador e o de seleccionador.

José Vilela: “Li muito de psicologia”

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TAÇA DAVIS

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Deve, em todos os momentos, perceber o que cada jogador precisa e ajudá-lo nesse sentido. João Cunha e Silva (Treinador de Frederico Gil. Teve como capitães Santos Costa e Vilela) “Antes de tudo, tem de ser extremamente bom em relações humanas e  ser  um  bom  comunicador.  Depende  do   igurino  do   projecto. Há duas maneiras. Se o cargo passa por observar os jogadores nas concentrações e rentabilizá-los nesses dias, aquele factor inicial é o primordial e depois ser um bom estratega, ter capacidade de ajudar tacticamente o jogador, ser equilibrado e corajoso a tomar decisões que nem sempre são fáceis. Se for um trabalho mais alargado, há que ver os juvenis em várias observações, para além de acompanhar mais de perto o trabalho dos jogadores principais. Tem de saber trabalhar um projecto, ser um bom ‘olheiro’ e gostar de trabalhar integrado com os outros treinadores, incluindo os privados dos jogadores”. Nuno Marques (Treinador de Maria João Koehler. Teve como capitães Santos Costa e Vilela) “Exige-se sensibilidade, competência e a chamada inteligência emocional. Como diz o Mourinho, o trabalho nas selecções é limitado,  por  isso,  deve  criar  con iança  com  os  atletas.  Ajuda   perceber o jogo. Admito que não seja um ‘expert’ táctico e um craque em técnica e biomecânica, porque isso é o trabalho dos treinadores, mas tem de ajudar com bons pormenores. Alguém que saiba funcionar em grupo para gerir a equipa naquelas poucas vezes por ano. Não são coisas fáceis, mas na Taça Davis tem de saber gerir a enorme carga emocional”. António Van Grichen (Treinador de Jarmila Gajdosova. Teve Vilela como capitão) “Para além de ter conhecimento técnico, táctico,   ísico  e  mental,  um  bom  capitão   precisa de ser um líder. Tem um papel preponderante no rendimento e sucesso da equipa, já que pode e deve ajudar a maximizar o desempenho dos seus atletas. Tem de ser respeitado por todos os membros da equipa e vice-versa. Sabe gerir personalidades e egos para manter a equipa unida e concentrada. Maximizar ao pormenor o rendimento de cada atleta. É aquele em quem os atletas acreditam e  con iam  pelo  seu  conhecimento  e  experiência  pro issional.  No  

“CADA JOGADOR É UM MICROCOSMO”


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caso de adversidade, deve, com clareza e con iança,  fazer   ajustes, quer na constituição da equipa ou tácticos durante os encontros. Obviamente que, para além de ser um líder, o capitão também assume o papel de treinador e por isso necessita ter conhecimento do calendário de torneios e acompanhar os atletas que já fazem parte da equipa e outros que possivelmente venham a pertencer ao lote de jogadores da Taça Davis. Deve estar em contacto com os respectivos treinadores de cada atleta, estar presente em alguns torneios para observar os seus atletas e adversários. Tem um conhecimento profundo do ténis masculino e estuda os seus adversários ao máximo pormenor. E se possível, para além de estudar os jogadores adversários, é também importante ter informação sobre a personalidade do capitão adversário, já que ela pode  ter  in luência  na  constituição  da  sua  equipa”. Rui Machado (Internacional desde 2003. Teve como capitães Vilela, Maio e Cordeiro) “A tarefa de treinador é muito mais complexa. É mais fácil ser-se um bom capitão do que um bom treinador, o que não quer dizer que seja simples. Tem de conseguir manter os jogadores unidos. O ténis é um desporto individual. Estamos mais habituados a olhar apenas para nós e, por isso, o espírito de equipa deve ser mantido em todos os momentos: treinos, almoços, jantares, etc. No campo, tem de estar disponível para aconselhar tacticamente, uma vez que tecnicamente não é possível. Ter uma boa visão táctica ajuda nos momentos de pouca lucidez do seu jogador.

Pedro Cordeiro: “Criar harmonia entre os jogadores, colocá-los à vontade para exprimirem o que pensam”

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ENTREVISTA

Vasco Costa

«FPT QUER GERIR E EXPLORAR TÉNIS DO ESTÁDIO NACI N NACIONAL» ON » ONAL 34

Hugo Ribeiro, com Pedro Keul


porque também é tipicamente jornalístico Vasco Costa é um líder nato. Basta olhar avaliar-se o desempenho de um executivo para o seu currículo desportivo e académico três meses ou 100 dias depois da sua posse. para perceber que não é daqueles que se Valeu a pena esperar. Nesta entrevista a remete ao papel de mero espectador, crítico três, o novo presidente da FPT já não se ou comentador  “do   ilme”.  Para  ele,  há  que   limitou apenas a enunciar um “Programa de ser actor e contribuir activamente para a Governo”.  Mais  por  dentro  dos  reais  desa ios,   mudança que julga necessária. já depois de ter enfrentado alguns casos No ténis teve sonhos de jogador, mas, como polémicos, não fugiu a nenhuma questão, explicou em privado, não havia grandes respondeu com frontalidade, uma das suas hipóteses de optar por não estudar e a características, embora se notem naturais Universidade Católica foi mais forte do que cautelas e “caldos de galinha” quando se Wimbledon. As glórias de ser o melhor do refere às relações institucionais com a seu país de raqueta em punho tiveram de ser Administração  Central  e  com  João  Lagos. adiadas para os escalões de veteranos. Aqui há uns tempos, dizia-me Pedro Keul Mas se no court teve de resignar-se a papéis que Vasco Costa era o primeiro presidente secundários, fora do campo luta pelos desempenhos principais e depois de uma bem sucedida presidência no Clube de Ténis do Porto, Vasco Alexandre Pinheiro abalançou-se à liderança da Magalhães Costa Federação Portuguesa de Ténis nas mais concorridas eleições de Idade: 43 anos sempre. Data de Nascimento: 28 de Setembro de 1969 Desde que fundou a MatchPoint Naturalidade: Porto Residência: 2/3 dias semana no Porto e o resto em Portugal, que o director Pedro Lisboa Keul, queria uma entrevista a Profissão: Gestor e administrador de empresas num Vasco Costa, mas o jornalismo grupo português. também se rege por actualidade, Currículo académico: Licenciado em Gestão e Administração de Empresas pela Universidade Católica mesmo numa revista como esta Portuguesa, duas pós-graduações em Programa que preza temas mais profundos Avançado de Gestão e em Gestão de Risco e Derivados e estruturais. também na UC, fundador e presidente da Associação A eclosão de João Sousa em 2012 de Antigos Alunos da UC do Porto, membro do impunha-o como o entrevistado Conselho Científico da UC em representação dos Antigos Alunos. de Janeiro e a conquista do Dirigente desportivo: Actual presidente da Federação mercado do Rio de Janeiro Portuguesa de Ténis. 20 Anos na Direcção do Clube de por parte de Pedro Frazão Ténis do Porto, 9 dos quais como presidente. tornava lógica a sua selecção Jogador: Nível médio juvenil, auge aos 17/18 anos como 1ª Categoria, multicampeão nacional de pares de Fevereiro. Finalmente, em veteranos (com Nuno Delfino) e uma vez campeão Março, considerou-se adequada nacional de veteranos em singulares. a conversa com Vasco Costa, até

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ENTREVISTA da FPT mais novo do que nós. Poderão ser sinais do nosso envelhecimento, mas também da renovação na classe de dirigentes desportivos. Acrescento que foi também a primeira vez que nos dirigimos a um presidente federativo na segunda pessoa do singular (vulgo tratar por tu), mas o Pedro e eu conhecemos Vasco Costa há muito e a entrevista assumiria um tom falso se escolhêssemos o caminho de um distanciamento que não existe. P: O que leva o presidente do CTP, bem sucedido, com um projecto sólido, prescindir dessa posição confortável para se candidatar a uma FPT em situação particularmente difícil, numa conjuntura complicada para o país? Poderias estar a recolher os frutos dos bons resultados, por exemplo, da Maria João Koehler, em vez de lutares para sanar uma dívida colossal.

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R: A grande motivação para me candidatar a presidente da FPT foi ter na Direcção e nos restantes corpos sociais pessoas do ténis. Não necessariamente praticantes mas que ao longo da vida tenham dado muito ao ténis. Era uma lacuna que vinha expressando há alguns anos. Já tinha sido convidado anteriormente para me candidatar por algumas associações mas achei que não era o momento nem a minha vida pro issional  o  permitia  em  termos  de   distância  geográ ica  entre  Porto  e  Lisboa.   Hoje  tenho  mais  permanência  em  Lisboa.   Senti que poderia ajudar ao desenvolvimento do ténis português e senti a necessidade

de alguém e de uma equipa que estivesse envolvida. P: Tivemos candidatos no passado que assumiram a presidência para evitar o vazio de poder, porque não havia mais interessados, outras alternativas. Já estas últimas eleições foram as mais participadas de que há memória. Isso dá um gozo pessoal, sair vencedor de eleições com tantos candidatos? E não houve a tentação de desistir, porque se outros queriam, não haveria razão de ficar com este fardo? R: A motivação foi também sentir que as outras candidaturas? não estou a dizer que a nossa Direcção vá ser melhor ou pior? não tinham uma ligação tão forte ao ténis como nós. Nem falo só de mim pessoalmente em contraponto com os outros candidatos, porque acho que não devo fazê-lo, mas em termos de equipa em geral. Se dá gozo ou não? Como sabem, parti (para as eleições) um pouco mais tarde exactamente por sentir o que disse anteriormente e disse logo às associações regionais que me apoiavam que se vissem que havia um projecto melhor do que o meu, eu sairia e apoiaria uma nova candidatura. Não foi isso que aconteceu e pela votação penso que terão tirado as vossas ilações. Mas o único gozo que me dá é o desenvolvimento do ténis português. P: Façamos uma extrapolação para o Governo da República. Os últimos governos têm sempre um discurso de um programa eleitoral que não é depois coincidente com a prática


FERNANDO CORREIA/FPT

R:  É bastante mais! Agora, relativamente ao projecto, tudo o que idealizámos é possível realizar. Há projectos que não dependem só de nós mas muito também das entidades governamentais. Se formos ajudados é exequível e poderemos ter um mandato de quatro anos  bastante  grati icante  para  o   ténis português. P: Tinha, de facto, ouvido falar em 300 ou 320 mil euros de passivo, mas é bastante mais? R: As contas vão ser públicas a partir da próxima  Assembleia  Geral,  mas  é  bastante   superior a isso. Antes de estarem fechadas as contas e de serem apreciadas pelas associações não gostaria de pormenorizar.

governativa, alegando que quando chegam ao poder verificam que a realidade é diferente e mais grave do que tinham previsto. Isso passouse contigo e com o teu elenco? O teu programa eleitoral teve já de ser alterados nestes primeiros meses devido a novas realidades que tenhas descoberto ao assumir a presidência? R: Sou sincero, não esperaria que a FPT tivesse um passivo tão elevado P: Fala-se que é um pouco acima dos 300 mil euros

P: Mas é verdade ou não que algumas das primeiras medidas tiveram de ser de bombeiro e acudir a incêndios, alguns deles mediáticos, como a questão das dívidas das selecções nacionais? R: Quando chegámos tivemos de, primeiro, ver a situação, depois actuar nas situações mais urgentes e, agora, no decorrer deste ano, esperamos começar a desenvolver os projectos que tínhamos em mente. P: Indo mais ao concreto, qual a estratégia que definiram para quatro anos? R: Há quatro pontos importantes. O primeiro é o desenvolvimento do fomento do ténis a nível das escolas, apoio aos clubes, com o apoio das associações regionais.

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ENTREVISTA Achamos que criando as bases, criando apetências para mais miúdos darem as primeiras raquetadas, poderemos elevar o número de praticantes em Portugal. Em segundo, o  aumento  do  número  de   iliados.   O ténis é dos desportos em Portugal que tem um menor rácio de conversão de praticantes em   iliados.  Estimamos  que  não  passa  dos   15% e temos cerca de 26 mil federados o que quer dizer que há mais de 200 mil praticantes. É um factor muito importante e vamos tentar trabalhá-lo já para o próximo ano. Como sabem, quando entrámos em funções já tinha começado o processo de licenças, logo em Outubro, que vai até 30 de Setembro deste ano. O terceiro ponto é o ténis de alta competição, o Centro de Alto Rendimento, a Bolsa de Alta Competição, o apoio aos atletas. Por último, a gestão e a exploração do Estádio Nacional. Há outros pontos importantes, mas estes quatro são a grande matriz que nos poderá levar a um mandato bastante interessante. P: Falemos agora das dificuldades imediatas com que depararam, sendo que a mais mediática foram as dívidas às selecções nacionais, mas houve outros casos como este? 38

R: A grande  di iculdade  neste  momento  é   o passivo da FPT e como vamos conseguir reduzi-lo nos próximos anos. Não só jogadores, mas também seleccionadores, formadores, há várias pessoas com quem a FPT tem compromissos para assumir, que já estão com algum atraso e gostaríamos de regularizá-los o mais rapidamente possível.

P: Vamos tocar nos quatro pontos estratégicos um por um, começando pelo fomento. Há uns anos lembrome de uma conferência de Imprensa para apresentar um projecto de fomento federativo liderado pelo Prof. Alfredo Laranjinha que falava em orçamentos de mais de 300 mil euros. Ora, na actual situação do país, não vale a pena pensar em investimentos dessa ordem. Como se promove o ténis sem financiamento? R: O principal pilar do fomento é a relação com as autarquias e as escolas. Este projecto tem menos custos do que outros projectos de fomento que envolvem verbas muito superiores como referiste porque abarcam também a promoção. O nosso início deve ser por aí, ou seja, criar apetência e vontade da prática do ténis entre os jovens. P: A ideia é levar mais o ténis às escolas? R: Obviamente e depois, nessas acções, incentivar os clubes e as associações a estarem presentes para cativarem esses miúdos para as suas escolas. P: Há uma ideia de qual o panorama do ténis escolar em Portugal? R: Estamos a trabalhar em conjunto com as associações para criar um documentomatriz, esperemos que seja aprovado na próxima Assembleia  Geral  no  dia  6  de  Abril,   aqui neste mesmo clube onde estamos hoje (CIF).


R: Não só, também no Ciclo e nas escolas primárias, através do Play & Stay, um programa da ITF. Começamos por aí, depois é desenvolver ano a ano e mais tarde passar para uma fase competitiva no desporto escolar. P: Passemos à filiação. Tem sido um problema de todas as Direcções, embora, justiça seja feita, as duas últimas Direcções tenham elevado substancialmente o número de federados.

R: Há que louvar o trabalho que as Direcções anteriores   izeram.  Houve  um   crescendo  número  de   iliados   P: … Passou-se, em não muitos anos, de uns 10 mil para mais de 25 mil… R:  Exactamente. No entanto, ainda é pouco. Pensamos criar um factor atractivo para  a   iliação,  com  descontos  em  vários   tipos de produtos, desde a hotelaria a outros,  associados  ao  cartão  de   iliado.   Poderemos criar uma série de vantagens que levem as pessoas a terem vontade de serem federadas. P: O principal obstáculo que se tem deparado a todas as federações e FERNANDO CORREIA FPT

P: Esse fomento passa por criar campeonatos escolares, criar outros atractivos para os alunos? E estamos mais a falar do ensino secundário?

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ENTREVISTA

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não apenas a FPT é o certificado médico no momento da filiação. Ora, neste momento, estás incluído num grupo de federações desportivas que discutem temas importantes comuns. Será, de alguma forma, possível sensibilizar o Governo para a necessidade de uma alteração legislativa que não torne esse certificado médico tão obrigatório para todos os federados?

25 mil ou 200 mil federados. Não há um inanciamento proporcional,  mas  quando   há dotações governamentais para apoiar determinadas modalidades, de certeza que a SEDJ olha para quantos federados tem o ténis, o futebol, o atletismo, etc. Não há um apoio directo por cada federado mas em termos  gerais,  indirectamente,  há  bene ícios.

R: Esse é o principal problema. Saberás que foi criado já no início de Março um grupo de trabalho para a regulamentação federativa, nomeado pela Secretaria de Estado do Desporto e Juventude, do qual ainda não conheço a composição total, e vamos fazer chegar a esse grupo o nosso sentimento relativamente a isso e a outras matérias que consideramos importantes para trazerem bene ícios, para  termos  cada  vez  mais   praticantes de desporto em geral e do ténis em particular.

R: … E  o  mais  di ícil  nesta  fase,  porque   entrámos praticamente a meio da época desportiva. O Centro de Alto Rendimento (CAR) funcionava em moldes que, como sabem, terminou ou, melhor dizendo, terminou  o  modelo  de   inanciamento.  Há   continuidade, mas terminou a ligação à entidade que fazia a gestão do CAR. Nós temos um projecto muito ambicioso que esperamos vir a realizar durante este ano, que é a criação de uma academia, que poderá receber não só selecções nacionais, como regionais e até mesmo equipas internacionais,  en im,  uma  academia.

P: Creio que vale a pena salientar que esse esforço poderá significar um duplo financiamento porque mais filiados são mais verbas a entrar directamente para a FPT, mas com mais filiados também se elevam as dotações governamentais para a FPT? R: Mais iliados  são  mais  verbas  directas   para a FPT mas também para os clubes e associações. Obviamente que quando uma federação concorre aos apoios do IPDJ (Instituto Português do Desporto e Juventude) é diferente quando apresenta

P: Vamos agora à alta competição, talvez o ponto mais crítico e sensível

P: A cessação do contrato com o João Cunha e Silva como coordenador do Centro de Alto Rendimento foi anterior à tomada de posse da tua Direcção? R: Sim. O contrato terminava em Dezembro, mas já tinha sido decidido pela anterior Direcção. Nós agora estamos a apoiar os atletas de alta competição, ainda não com a estrutura de que gostaríamos mas a muito curto prazo vamos criar uma estrutura para o desenvolvimento do ténis português.


R: … Exactamente. Correctíssimo! P: E qual a situação actual? O CAR em funcionamento ainda é suportado directamente pelo Estado ou depende já do orçamento federativo anual?

P: Bolsas de Alta Competição e atletas do alto rendimento são coisas diferentes? R: Há as duas coisas, são formas distintas de apoio, com dotações governamentais diferentes. P: As selecções nacionais têm conseguido alguns resultados de relevo. Como tem sido a vossa relação com o seleccionador nacional desde que assumiram a Direcção da FPT?

“SOU SINCERO, NÃO ESPERARIA QUE A FPT TIVESSE UM PASSIVO TÃO ELEVADO”

R: Apesar de este ano os contratos-programa ainda não terem sido aprovados, há sempre verbas especí icas  para  o  CAR.  Não  será   um peso adicional para a FPT. Será dentro dessa rubrica que continuaremos a apoiar os atletas, não só no apoio directo como ao nível de treinadores e da estrutura que mantemos. P: E o que poderemos considerar ser hoje em dia o CAR? Os courts cobertos do Estádio Nacional? R: Não só mas também, incluindo a sua manutenção. Não queria adiantar muito porque vamos começar um novo ciclo mas iremos ter uma estrutura bastante interessante.

R: Na Fed Cup tinha-se conseguido no ano anterior subir ao  Grupo  I  e  fomos   capazes de manter-nos lá este ano. Na Taça Davis, no ano passado descemos ao  Grupo  II,  mas  este  ano   a nossa grande aposta é subir  de  novo  ao  Grupo   I. Tivemos uma primeira eliminatória com o Benim, vamos agora ter uma segunda bastante mais dura com a Lituânia  mas  esperamos  ganhar  e  estar  onde   julgamos  que  deveremos  estar  que  é  o  Grupo   I. A equipa técnica foi mantida e está a ter um desempenho de acordo com as nossas expectativas. DR

P: Há pouco mais de um ano tinha visto uma verba de qualquer coisa como 124 mil euros por ano para o CAR. Havia muitas críticas de que era dinheiro mal gasto e de que deveria ir para outros investimentos mais importantes. Talvez convenha esclarecer que as dotações governamentais para o CAR só poderiam ser destinadas a esse fim

P: Em termos de selecções, o dossier mais difícil com que depararam foi o do Gastão Elias. Voltou a ser seleccionado para a segunda ronda o que significa que é um assunto ultrapassado?

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ENTREVISTA

R: O Gastão  tomou  uma  decisão  pessoal   e, eventualmente, do treinador dele, com a qual nós não concordámos. Foi-lhe explicado isso mas não queria dizer que não pudesse ser convocado de novo como foi. Deixamos sempre ao seleccionador a decisão de convocação dos atletas.

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P: Qual foi a vossa preocupação na gestão deste caso? De certa forma, também havia a necessidade de salvaguardar a imagem federativa? R: Está regulamentado. Os atletas, ao não representarem a selecção nacional, têm uma redução de  apoios  e  penso  que  o  Gastão   teria consciência disso. A FPT não poderá fazer outra coisa que não seja cumprir esses regulamentos, basicamente, tem uma redução no valor da bolsa.

P: Não pode ser considerado uma multa mas uma redução da bolsa R:  Que poderá ir até à totalidade. P:  E em relação às selecções nacionais juvenis? Não houve momentos em que a ligação das selecções juvenis às principais foi mais forte? R: Não creio que tenha havido uma relação mais  forte.  O  Pedro  Cordeiro   icou   só coordenador das selecções seniores e o Nuno Mota assumiu a coordenação de todas as selecções juvenis e penso que a ligação entre eles tem funcionado normalmente. Não vejo que isso seja um problema. Se calhar, no futuro, poderemos ter projectos mais ambiciosos de haver maior interligação em estágios, é algo que poderemos ponderar.


P: Não falando agora das selecções, mas de jogadores, individualmente, não estamos em tempos de a FPT poder investir, mas o que está planeado para que de alguma forma se possa facilitar a vida a estes jovens que estão a ter resultados como nunca tivemos no ténis português, masculino e feminino? É que fala-se da redução das dotações governamentais e logo quando estamos a ter os melhores resultados de sempre, como se vê pelos rankings ATP e WTA. R: Em termos globais, é verdade que se fala disso, em termos particulares ainda não temos conhecimento. Até pode ser que o ténis não seja uma modalidade a sofrer redução. A dotação orçamental poderá vir a ter uma redução na globalidade, mas em termos particulares, pelo que nos foi transmitido, poderá haver até modalidades que mantenham o nível e algumas que possam vir a subir.

todos os outros mantenho contactos. As suas principais preocupações, principalmente se pensarmos que alguns ainda estão na fase de investimento nas suas carreiras pro issionais, são  as  dívidas  que  a  FPT   mantém para com eles. É uma prioridade nossa regularizá-las. P: Vamos esclarecer esse ponto: o ano de 2011 está todo pago e neste momento a preocupação é pagar todo o ano de 2012? R: Sim. E de 2012 já pagámos alguma parte. Estou a tentar fazer um plano de pagamentos conjuntamente com a AJTP.

P: Desde que chegaste à presidência da FPT tiveste contactos com jogadores das selecções seniores ou com representantes deles?

P: Entretanto, a AJTP, através do Rui Machado, fez chegar um plano de desenvolvimento da alta competição. Não li o documento mas pelo que soube há uma ênfase na necessidade de trazer mais competições internacionais para Portugal para cortar nas despesas de deslocação e alojamento dos nossos jogadores. Sendo uma actividade que depende muito da iniciativa privada, como pode ser também trabalhada pela FPT?

R: Sempre. Já estive praticamente com todos os que estão ao mais alto nível e falo regularmente com o Rui Machado enquanto presidente da Associação de Jogadores de Ténis de Portugal, porque é importante saber o que os jogadores pensam. Diria que ainda não estive com a Michelle Brito e o  Gastão  Elias  porque  ainda  não  houve   oportunidade de virem a Portugal, mas com

R: Esse plano é o futuro do desenvolvimento do ténis português como foi seguido noutros países nos escalões seniores. Ao acabar o Circuito TMN ou CIMA praticamente não há competição sénior. O plano que nesta fase faz sentido, quando temos jogadores a começar a entrar (na alta roda mundial) - e já nos candidatámos a um contratoprograma nesse sentido - era apoiar a

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ENTREVISTA realização de futures e challengers para que os jogadores portugueses possam competir em maior número. Se a FPT apoiar cinco atletas para jogar um future no estrangeiro, esse mesmo apoio a um future em Portugal poderá chegar a uns 60 e não a apenas cinco. Basta ver agora o que se passa com os futures no Algarve, a quantidade de portugueses a jogá-los. Já falámos com as entidades competentes, não só a SEDJ, como o IPDJ, que consideramos ser um factor fundamental para o desenvolvimento do ténis português na transição dos escalões juvenis para o sénior. P: A ideia será a FPT organizar directamente torneios como fez no passado?

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R: Temos o desejo muito concreto de a FPT gerir e explorar o EN. Como outras federações têm no Jamor. Seja a FPT com várias parcerias, seja a FPT com um parceiro, mas é uma intenção clara estarmos envolvidos. P: Há algum estudo ou estimativa do impacto financeiro que poderia ter para a FPT gerir o EN? R: Sim, tenho claramente essa noção. Estive na gestão de um clube durante quase 20 anos, tal como outros membros da minha Direcção: o João Rapazote esteve no CT Estoril, o Paulo Santos no CT  Lumiar,  a  Cristina   Oliveira no CT Estoril. Temos uma percepção e uma experiência muito grande na gestão de clubes e o EN passa por essa gestão, obviamente  com   ins  um   bocadinho diferentes de ter associados, mas sabemos da sua rentabilidade, se bem gerido, para a FPT, além de outras envolvências inerentes ao desenvolvimento do ténis nacional.

“O PLANO ERA APOIAR A REALIZAÇÃO DE FUTURES E CHALLENGERS”

R: Não, será um apoio aos clubes que se candidatem a organizar essas provas. Será um apoio directo de verbas. Quando falo de clubes estou a incluir os privados porque um promotor privado quando quer organizar um torneio destes precisa de um clube ou em instalações municipais. Aí não distingo, podem ser clubes, privados, quem estiver disponível.

P: O Estádio Nacional (EN) é uma aspiração de há muitas décadas da FPT, pelo menos, desde os tempos do Armando Rocha como presidente, mas nos últimos anos parecia haver uma certa indecisão sobre o que se pretendia ao certo desse espaço. A tua Direcção tem um plano concreto?

P: Lembro-me de nos anos 80 e 90 dizer-se que o complexo de ténis do EN era um contribuinte líquido para todo o complexo desportivo do Jamor. Dizem-me que a situação alterou-se nos últimos anos e que o ténis estava a dar prejuízo ao Estado. Têm essa noção? Será verdade?


R: Diria que se for bem gerido poderá ser uma fonte de receita importante para a FPT. Houve courts que estiveram fechados alguns dias, mas a recuperação dos campos de terra batida é rápida se houver uma equipa de trabalho e nós já manifestámos essa disponibilidade para termos uma equipa para recuperá-los. Demora o seu tempo, mas não mais de um mês. Também temos estudos, não queria divulgá-los mas temos dados concretos do número de clientes habituais do ténis no EN. P: E em que fase está o processo? Pelo que sei a FPT reclama essa gestão inserida num grupo de, salvo erro, outras 17 federações que desejam o mesmo para os seus espaços no Jamor. Isso atribui mais peso político junto da Administração Central (AC)? R: Penso que a AC tem vontade de entregar a gestão das várias modalidades presentes no Jamor às respectivas federações em parcerias ou sem elas. Nós temos mostrado muito interesse. Estamos a trabalhar em conjunto com todas as entidades envolvidas. Os ‘timings’  nunca  são  fáceis  de  de inir  neste   tipo de coisas, mas noto na SEDJ vontade de resolver o assunto o mais rapidamente possível. P: Desde que entraste em funções já conheceste o secretário de Estado, Alexandre Mestre, qual a sensibilidade dele para o ténis e como tem sido a vossa relação, também pessoalmente?

R: A relação com ele tem sido óptima, tem mostrado muita abertura, no passado chegou a jogar ténis, conhece bem a modalidade, tem havido cordialidade e abertura para o desenvolvimento de projectos em conjunto. P: E a relação da FPT com privados? No caso do EN, é público, o João Lagos tem sido o único a manifestar claramente o seu interesse na gestão do espaço. No último Estoril Open, Alexandre Mestre disse que era também uma proposta que ele estava a avaliar. Entretanto, passou quase um ano. Tem havido evoluções? Há dois projectos separados, o da FPT e o de João Lagos? Há uma frente conjunta? R: Temos vindo  a  dialogar  com  o  João  Lagos   para conjugar as vontades de ambas as partes. P: Também se falou de que o João Lagos poderia ter interesse em tomar conta de todo o Complexo Desportivo Nacional do Jamor e não apenas o ténis. Tens conhecimento disso? R: Não me parece. Ao que julgo saber, a Federação Portuguesa de Futebol até tem um projecto para uma Cidade do Futebol. R: E em relação à construção do Estádio de initivo  para  o  Estoril  Open  no  Jamor?  A   FPT tem sido ouvida? R: Sim, sim, estamos em contacto, no sentido de saber qual será a melhor solução.

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ENTREVISTA P: E falando do papel da própria FPT no Estoril Open R: O João  Lagos  é  um  parceiro  do   ténis português e da FPT. Dentro da medida do possível, estaremos sempre a apoiá-lo em todos os projectos que ele possa vir a desenvolver. As nossas relações são as mais cordiais e de entreajuda institucional. Mas o Estoril Open é  da  Lagos  Sports,  da  iniciativa   privada. Nós só poderemos ajudar se nos for solicitado. P: Estamos às portas de eleições para o Comité Olímpico de Portugal (COP) e a FPT já anunciou o seu apoio a um dos candidatos R: … A postura da FPT foi, primeiro, ouvir todos os candidatos. Dos cinco iniciais houve uma desistência mas ouvimos quatro candidaturas.  Depois,  ao   icarem  apenas   dois, e pareceu-nos que a candidatura do Engº. Marques da Silva, por ser uma pessoa do ténis, foi presidente do CIF, da Associação de  Ténis  de  Lisboa,  da  FPT,  seria  a  pessoa  a   ter o nosso apoio, com toda a lógica. 46

P: Houve algum aspecto do programa eleitoral do candidato Marques da Silva que tenha sido importante para o ténis? R: O Engº. Marques da Silva disponibilizou a representatividade do ténis nos seus órgãos sociais e a partir daí também acho que isso é importante para defender a modalidade.

P: Em termos de relações internacionais, desde que chegaste ao cargo, tem-se feito algo em contactos com a Tennis Europe (TE) e com a International Tennis Federation (ITF), ou até com outras federações em encontros bilaterais? R: É um tema muito importante e nós com certeza desenvolvê-lo no futuro, mas nestes três meses ainda não tivemos oportunidade de avançar para esse campo porque há projectos mais prioritários do que essas relações internacionais. Estou a referir-me aos contactos fora da actividade normal da FPT. Mas serão seguramente muito importantes. P: Essas relações internacionais poderão ser importantes no reforço da posição da FPT enquanto entidade reguladora de outras modalidades complementares como o padel e o ténis de praia. Qual a vossa posição e o que está a ser feito? Devem o padel


e o ténis de praia ter federações nacionais autónomas ou deverão ser integradas na FPT? R: A FPT, além de tutelar o ténis, tutela mais três modalidades: o padel, o ‘beach tennis’ e ténis em cadeira de rodas. Neste ano pensamos vir a ter projectos muito próprios para o desenvolvimento de cada modalidade. O padel tem tido um crescimento bastante forte e pode vir a ter um desenvolvimento maior no futuro, como acontece noutros países, designadamente na vizinha Espanha, onde até dizem que já tem mais praticantes do que de ténis, porque a sua prática é mais fácil. O padel tem trazido bastantes praticantes para os clubes bem como as suas famílias, o que é importante também do ponto de vista do lazer. É uma aposta clara que vamos fazer este ano. O ténis de praia, tal como o vólei de praia, poderá vir a ter o seu desenvolvimento e estamos a falar com o vólei, no sentido de conjugarmos acções para trazermos mais praticantes e pode ser muito menos sazonal do que é. O ténis em cadeira de rodas está em desenvolvimento, já estamos em contactos com o Alcoitão (Centro de Formação e  Reabilitação  Pro issional)  no   sentido de criarmos acções que possam elevar o número de praticantes. P: Quando se diz que a FPT tutela essas três modalidades é apenas por vontade expressa da federação ou porque existem documentos oficiais que o confirmam? Porque disseramme da existência de um parecer do IPDJ que atribui à FPT essa competência.

R: Sim, sim, claramente. P: Neste momento, a modalidade menos pacífica parece ser a do padel por, entretanto, ter sido criada uma suposta Federação Portuguesa de Padel. Há contactos entre as duas instituições? R: Qualquer federação no seu Estatuto de Utilidade Pública tem como função desenvolver as modalidades. Nós sabemos que há outra entidade, que gere algumas iniciativas na área do padel, tem feito um bom trabalho e não fará sentido que não tentemos aproveitar para desenvolver a modalidade em conjunto com essa entidade. O que nos motiva é desenvolver o desporto. Se encontrarmos um caminho em conjunto teremos as portas abertas. P: Passando para uma fase mais descontraída da entrevista, mais pessoal, qual a melhor memória do ténis e a pior. R: A pior foi nunca ter representado a selecção nacional. Foi um dos meus objectivos como jogador. Hoje, felizmente, como dirigente, estou a representar o ténis português mas foi claramente um desgosto. O meu maior prazer foi quando há uns anos fui campeão nacional de singulares de veteranos. Um Campeonato Nacional é sempre algo  de  um  grande  orgulho.  Lutei   muitos  anos,  fui  a  várias   inais  e  nunca  tinha   conseguido ganhar, até porque tenho um carrasco que é o meu parceiro de pares, o Nuno  Del ino.  

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ENTREVISTA P: Sentes orgulho pela obra que deixaste como presidente do Clube de Ténis do Porto e qual o teu legado? R: O CTP foi sempre bem gerido, com modelos de gestão diferentes em várias presidências. Na minha presidência a grande meta que traçámos foi abrir o clube ao exterior e conseguimo-lo, não só em termos de títulos mas de acolhimento de vários torneios, de provas internacionais, de campeonatos nacionais. Também o desenvolvimento da escola de competição. P: É da tua Direcção no CTP o contrato com o Nuno Marques. R: O Nuno fez e está a fazer um trabalho bastante positivo, não só no que se refere à qualidade do ensino, mas à quantidade de praticantes.

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P: Como é ser presidente da FPT e tentar continuar a competir? Há quem diga que trabalhar no que nos dá prazer nem sempre dá grande resultado e embora não haja remuneração ao presidente e Direcção de uma federação, não deixa de dar um grande trabalho. R: Quando ainda agora cheguei aqui, alguém me disse que estava um bocadinho mais gordo. Estou! O pouco tempo que tinha para o lazer passou para a FPT. Acabo por ter muito menos tempo para treinar mas tinha a consciência disso até porque tudo é mais exigente quando se começa. Espero daqui a uns meses ter mais tempo e conciliar melhor.

P: Vamos ver-te no Campeonato Nacional de Veteranos a tentar defender o título de pares masculinos ao lado do Nuno Delfino? R: Espero jogar. Só se tiver algum compromisso que não me permita estar presente. P: E não há o receio de durante um torneio desses aparecer toda a gente a importunar-te com questões mais ligadas à FPT? R: Foi o que disse a quem nos apoiou: Vamos andar na mesma por aí. Não vamos andar a fugir. Eu e a minha Direcção estaremos nos clubes, nos torneios, em diálogo. Estamos disponíveis para ouvir, falar e depois decidir. P: Uma característica que os teus rivais no court sempre te atribuem é seres muito competitivo. Como é que esse traço de personalidade é esbatido no desempenho das funções federativas, onde é mais importante uma atitude de diplomacia constante? R: Quem me conhece sabe que sou muito competitivo dentro do campo mas agora vou ser muito menos, aliás, num discurso, muito recentemente, disse que aproveitem agora para me ganhar porque não posso ser tão competitivo. Mas as pessoas que me conhecem também sabem como sou fora do court e como me empenho nas coisas, como iz  no  CTP.  Reconhecem  essas  duas   características, com se viu nas eleições.


P: Na primeira entrevista da MatchPoint Portugal, com o João Sousa, ele referia estarmos perante a melhor geração de sempre do ténis português. Como mero adepto, dáte gozo ver estes jovens em acção? O que tens visto por aí que te tenha ficado na memória? R: No ano passado houve três jogadores a passarem pelo top 100, o que nunca acontecera. Houve um português a ganhar pela primeira  vez  um  torneio  do  Grand   Slam. Temos duas jogadoras muito perto do top 100. Estamos num ascendente forte e com o Frederico Silva como nº6 mundial de juniores. É preciso é trabalhar os que vêm a seguir a estes e é nisso que estamos preocupados. No CTP vi praticamente todos estes jogadores quando eram miúdos a passarem por torneios, até mais recentemente o Tiago Cação, das Caldas da Rainha, campeão nacional de sub-14. Tenho visto a evolução, muito grande. Mais do que tudo, o marcante é ver como o nível, na generalidade, tem subido. Aí, os treinadores portugueses têm vindo a acompanhar esse nível. Há razões para estar optimista.

R: Temos três árbitros na elite mundial do ténis, aliás, os três já me arbitraram quando eram miúdos, o Carlos Sanches, o Carlos Ramos e a Mariana Alves. Isso faz com que o ténis português seja falado. Ao nível de treinadores também, muitos acompanhando jogadores nacionais, outros como o António Van Grichen  que  acompanhou  grandes   jogadoras e hoje trabalha com a Federação da Austrália. Joguei com ele nos escalões juvenis, ele jogava muito bem pares, eu tinha uns bons anos a mais, mas tudo isto é positivo e é uma honra. P: E finalmente, para concluir a entrevista, como encaras a tua carreira no dirigismo desportivo? Tens quatro anos pela frente na presidência da FPT e depois? Há vontade de seguir carreira política, saltar para outras instituições desportivas que não apenas ligadas ao ténis, como sucedeu com outros antigos presidentes da FPT?

“EU E A MINHA DIRECÇÃO ESTAREMOS NOS CLUBES, NOS TORNEIOS, EM DIÁLOGO”

P: Sim, há pouco perguntava-te por jogadores, mas há também razões para orgulho entre as classes de árbitros e treinadores.

R: Uma carreira política não me motiva muito, agora, o desporto sim. Portanto, não estou a pensar, nem nunca pensei, a seguir à FPT ter qualquer tipo de cargo. Se me perguntares: e pensas que daqui a quatro anos poderás recandidatar-te? Penso que se tiver  condições  e  se  pensar  que   iz  um   bom trabalho acho que será possível, se tiver  disponibilidade  pro issional  para  fazê-­ lo. O desporto é uma área que me atrai e nomeadamente o ténis.

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INTEGRAÇÃO SOCIAL

Academia dos Champs leva a modalidade a bairros da Grande Lisboa

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Academia dos Champs (ADC), projecto iniciado em 2009, que actua em bairros sociais da zona da Grande Lisboa, foi criada com o objectivo de tirar partido do desporto, e em especial do ténis, para motivar crianças a seguirem um estilo de vida mais saudável. Registada enquanto IPSS, a Academia dos Champs disponibiliza semanalmente o ensino da modalidade a quase 100 crianças em três núcleos distintos. O projecto  cuja   iloso ia  assenta  na   potencialidade do desporto enquanto ferramenta para trabalhar o carácter e moldar atitudes - em especial nas idades em que actua (entre os 4 e os 18 anos) – foi criado de forma a combater a exclusão social e  a  fazer  face  a  alguns  dos  maiores   lagelos   da sociedade. O Ténis, desporto individual, pode ter um poder decisivo para a falta de auto-estima, atenção,  con iança,  e  sentido  de  utilidade   que muitos destes jovens apresentam e que muitas vezes está na origem de comportamentos desviantes. Conseguirem con iar  neles  próprios,  no  seu  instinto,   poder de decisão e capacidade de tirarem o melhor das piores situações, têm sido alguns dos resultados que mais rapidamente se

conseguem comprovar. Assim os impactos têm-se dividido entre evolução técnica e emocional e as avaliações demonstram progressos não só como tenistas como a nível comportamental de aceitação e respeito pela autoridade, atitude, empenho, concentração e tolerância à frustração. A Academia pretende que esta evolução  possa  depois  re lectir-­se  na   vida familiar, social e escolar destes jovens, tentando encaminhá-los para um futuro mais promissor. Saiba mais sobre este projecto em: www. academiadoschamps.org ou www.facebook. com/academiadoschamps


EQUIPAMENTO

Maria Sharapova estreia a sua nova raqueta com Grafeno Maria Sharapova, ex-número um mundial de ténis e actual número três no ranking WTA, vai seguir os passos de seu bom amigo Novak Djokovic. Graças à marca HEAD, Sharapova também irá disfrutar a partir de agora das vantagens do Grafeno na sua nova raqueta, uma nova versão do modelo Instinct MP, que é o mesmo que usa o checo Tomas Berdych. O Grafeno é a última grande revolução que chegou às raquetas de ténis e a marca incorpora-o em toda a sua gama de raquetas HEAD Speed e HEAD Instinct. Este material possui umas qualidades excepcionais, das quais sobressai uma grande ligeireza, sendo 200 vezes mais resistente que o aço. O seu uso no “coração” da raqueta permite assim diminuir o peso da mesma ao redistribui-lo da melhor forma, de acordo com o tipo e objetivo do tenista: para a “cabeça” ou para o “grip”, para ganhar em controlo ou potência. Até à chegada do Ggrafeno, diminuir o peso da zona do “coração” resultava demasiado arriscado já que é a que suporta o impacto da bola e sofre a maior torsão. Mas a resistência do Grafeno faz com que seja possível.

Para o lançamento da sua nova raqueta Instinct, Sharapova decidiu submeter a sua raqueta a uma série de divertidos testes nos quais se pode vêla atirando aos pratos, num campo de basebol ou diante de um grupo de lutadores de Kung Fu. O novo vídeo está disponível no canal youtube de HEAD e nas redes sociais da marca.

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VANTAGEM DE…

Ténis e estudos (I) O Ténis é um desporto individual que desenvolve, para além de óbvias competências ísicas,   muitas competências PEDRO BIVAR psicossociais e de formação Treinador pessoal. Mas como pode ser ele conjugado, em especial na sua vertente competitiva, com uma outra actividade fundamental na vida dos jovens atletas, os estudos? Todos  a irmam  que  a  conciliação  entre  a   crescente exigência escolar e o cada vez maior número de horas de treino exigido aos jovens atletas é um dos aspectos mais prementes no ténis competitivo nacional. Mas, na verdade, até hoje nunca se resolveu o problema de uma maneira simples e e icaz.

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O treino de ténis desenvolve, como se sabe, competências  várias:  espírito  de   cooperação e de equipa (seja em Clubes ou  Selecções),  competitivo  e  de  sacri ício,   sentido de disciplina e responsabilidade, capacidade de superação e adaptação, autocon iança,  entre  outras.  E  elas  são  em   tudo semelhantes àquelas de que necessita um bom estudante. Na realidade, todas estas competências podem ser transferidas para os estudos. Normalmente os bons jogadores são também bons alunos.

Uma das grandes capacidades que a prática desportiva de competição desenvolve no estudante é a noção do valor do tempo. Para todos, mas sobretudo para o atletaestudante, o tempo não é ilimitado. Neste sentido, uma boa estratégia que os atletasestudantes devem ter, ou que lhes deve ser inculcada é a necessidade de atenção e concentração durante as aulas. E isto  porque  um  aluno  com  atenção  na  sala   de aula é um atleta com mais tempo para treinar. Estes  dois  atributos  –  a  atenção  e  a   concentração  –  devem  ser  estimulados  desde   cedo e constantemente durante os treinos. Só  assim  se  obtêm  bons  resultados  –  tanto   no campo como na sala de aula. Só por si, o facto de praticar desporto não transforma um jovem bom aluno, apesar de acreditarmos que pode efectivamente ajudar. Mas também é bem verdade que um estudante não será melhor aluno pelo facto de não fazer desporto. Normalmente, até aos 14 anos (8º ano) não  é  muito  di ícil  conciliar  o  ténis  e  os   estudos. Depois, então, é que começam a surgir  as  primeiras  di iculdades  sérias  para   os atletas-estudantes. É quando, a par de uma maior exigência escolar, o treino se torna mais exigente, com a necessidade de mais  horas  de  campo,  mais  desgaste   ísico,   mais competições quer nacionais quer


VANTAGEM DE…

internacionais. E  quanto  maior  é  o  sucesso   desportivo,  maior  a  di iculdade  em  manter  o   sucesso escolar. Em  Portugal  isto  parece  ser  ainda  mais   di ícil,  pois  não  é  um  país  onde  de  facto  se   incentive ao máximo a prática desportiva. O icialmente,  em  Portugal  apenas  existe   apoio para os atletas-estudantes após os  14  anos,  quando  já  atingem  um  nível   competitivo apreciável e apenas depois de ganharem acesso ao estatuto de alto rendimento, que se adquire mediante a conquista de rankings internacionais de inidos  no  Despacho  nº  10125/2010.  Este,     no seu Art.1º e único estipula os “Critérios de quali icação  para  a  modalidade  de  ténis”  (isto   é,  os  rankings  internacionais  TE,  ITF,  ATP  e   WTA  necessários  para  se  obter  o  Estatuto).

Depois de  adquirir  o  Estatuto  de  alto   rendimento o apoio concedido ao atletaestudante  está  previsto  no  DL  nº  272/2009,   que regula o Apoio ao Desporto de Alto Rendimento.  Relativamente  ao  Ensino   Superior,  o  DL  nº  393-­A/99  vem  regular  os   Regimes  Especiais  de  Acesso  e  ingresso  no   Ensino  Superior. Mesmo com estes apoios, a conciliação entre estudos e ténis não é fácil para estes atletas-estudantes, dado que têm o mesmo número de disciplinas e a mesma carga horária na escola do que os seus colegas não praticantes de desporto.

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MEDICAL TIMEOUT

Alongamentos: como e quando? “O desempenho promove-se de forma dinâmica; o repouso promovese de forma estática!”

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JOSÉ PEDRO CORREIA Fisioterapeuta

É frequente  observarmos  jogadores  de  ténis,  tanto  ao  nível   recreativo como no competitivo, a executar alongamentos como parte do seu aquecimento antes de entrar no court. Contudo, nem sempre estes são executados de forma a promover um desempenho ótimo. Cada vez existe mais informação que aponta um efeito prejudicial dos alongamentos estáticos (ou seja, quando o segmento corporal é mobilizado de forma passiva até ao limite de amplitude, mantendo essa posição durante alguns segundos) no desempenho muscular. Apesar de terem um papel no aumento de amplitude articular, estes alongamentos promovem uma diminuição da actividade neuromuscular e da produção de força máxima. No contexto do aquecimento, devem portanto ser executados alongamentos  dinâmicos.  Estes  são  constituídos  por   movimentos activos de um ou vários segmentos corporais ao longo de toda a amplitude articular. O movimento deve ser realizado inicialmente de forma lenta, aumentando a velocidade e amplitude gradualmente mas de forma controlada, evitando movimentos bruscos. Deve também ser feita, ao longo do aquecimento, uma progressão de movimentos de um para vários segmentos, utilizando os padrões de movimento importantes para o ténis. Desta forma, promove-se um aumento do controlo motor, aumentando a  estabilidade  articular,  e  a   luidez  da  cadeia  cinética  na   execução dos gestos, potenciando a actividade muscular. Os alongamentos estáticos têm a sua importância, nomeadamente na correção da limitação de amplitudes e na promoção da recuperação pós-esforço, mas não devem ser os preferidos na preparação da actividade. Podemos ver a situação de uma forma lógica: o desempenho promove-se de forma dinâmica; o repouso promove-se de forma estática!


TÁCTICA

A direita Objectivo

“Keep the  ball  in  play!”   Independentemente  do  seu   nível  técnico,  você  deve   ser capaz de manter a LUÍS DAMASCENO troca de bolas do fundo, Treinador ultrapassando a rede e mantendo a bola dentro das quatro linhas.

Jogue cruzado

Porque a rede é mais baixa, o campo é consideravelmente maior, a recuperação é mais fácil (a distância a percorrer até chegar à posição correcta é menor) e há maior desgaste   ísico  para  o  adversário.  No   entanto, evite a monotonia do jogo cruzado, procurando pressionar o adversário com uma bola ao longo, mais rápida, tendo sempre em conta que, nessa opção, o risco é maior, pois a rede é mais alta e o comprimento do campo é menor.

insistir demasiado sobre esse golpe, para não se  tornar  previsível.

Inside-out

Consiste em  jogar  de  “dentro  para  fora”.   Isto  é,  o  jogador  em  vez  de  bater  uma   esquerda,  antecipa  e  “ foge”  à  pancada  mais   previsível  pelo  adversário,  contornando  a   bola para bater uma direita (geralmente mais pressionante), utilizando a mesma diagonal desenhada por uma esquerda cruzada.

Colocação

Quando nos encontramos numa situação de defesa ou contra-ataque, devemos jogar alto (se  possível,  exagerando  no  “topspin”)   para termos tempo de recuperar. Quando queremos obrigar o adversário a recuar  –  ou,  pelo  menos,  a   icar  atrás  da   linha  de  fundo  –  reduzindo-­lhe  os  ângulos  e   inviabilizando  as  subidas  à  rede  e  “winners”   a meio court, devemos jogar comprido. Quando queremos forçar o erro no adversário, devemos pressioná-lo jogando sobre o seu lado fraco. Contudo, evite

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ARBITRAGEM

Sorteio aquecimento que se façam estas escolhas? Claro que não, ou não tivessem as regras, uma lógica inerente. Senão vejamos. Um atleta que faça todo o seu aquecimento a favor do vento, adaptando-se deste modo a determinadas condições, fará sentido que inicie o jogo servindo justamente do lado oposto, ou seja, contra o vento? Seguindo este  mesmo  raciocínio,  a  regra   permite a mudança de escolha no caso de um encontro ser interrompido antes do seu início,  mesmo  já  depois  do  aquecimento  ter   começado. Ou seja, imaginemos que chove durante o aquecimento e os jogadores se retiram. Quando regressarem, as condições (de vento, de sol, etc.) podem se ter alterado. Ora assim sendo, o jogador ou equipa que venceu o sorteio pode mudar a escolha originalmente feita.

FERNANDO CORREIA FPT

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Independentemente da   boa ou má fortuna que venhamos a ter no decorrer de um encontro de ténis, certo é que a iniciaremos com  um  exercício   JORGE CARDOSO Árbitro puramente aleatório: o procedimento de escolha dos lados e o direito a ser servidor ou recebedor, decidem-se por sorteio, antes de começar  o  aquecimento  (Regra  9). O jogador (ou o Par) que vencer o sorteio poderá eleger uma das várias hipóteses: a) Servir ou receber no primeiro jogo do encontro, sendo que o adversário escolherá o lado do campo onde iniciarão o mesmo b)  Escolher  o  lado  do  campo  onde  iniciarão  o   encontro, sendo que o adversário escolherá servir ou receber no primeiro jogo c) Dar ao adversário o direito de escolha de uma das possibilidades anteriores. Em  jogos  disputados   sem árbitro de cadeira, assistimos invariavelmente a este sorteio ser feito, erradamente, após o aquecimento e imediatamente antes de se iniciar o encontro. Será um preciosismo da regra sublinhar que seja antes do


BOLA NA TELA

Michelangelo Antonioni

Blow-Up JOÃO CARLOS SILVA

DR

É um dos melhores retratos no cinema da Londres pop dos anos 60: há música nova, moda ousada, sexo fácil, comportamentos em revolução. No centro de tudo, um fotógrafo rodeado por mulheres belas e sem preconceitos, que leva uma vida frenética mas que se sente permanentemente aborrecido. A  vida  dele,  a  fotogra ia  e  um   suposto  crime  levam  o   ilme  de  Antonioni  até   ao   im,  sempre  ao  som  de  Herbie  Hancock.   A cena culminante, tão surpreendente e aparentemente sem sentido como boa parte do   ilme,  passa-­se  num  court  de  ténis  –  e   acaba por ser a chave de tudo. Um grupo de  mimos  joga  uma  partida  a   ingir  –  sem   raquetes  nem  bola,  claro  –  enquanto  o   fotógrafo,  Thomas  (David  Hemmings),   assiste, meio perdido. Sem um  som,  ordenam-­lhe  que  vá   apanhar uma “bola perdida” e ele, depois de hesitar, vai mesmo. Devolve-­lhes  a  bola  invisível  e   ica  a  vê-­los  jogar.  É  quando  o silêncio  é  quebrado  e   começamos a ouvir uma bola de ténis a valer. Por que é que isto  é,  para  muitos,  a  tal  “chave”  do   ilme?   É porque uma das coisas que Antonioni nos quis dizer, em 111 minutos, é que somos nós, e apenas nós, que criamos a nossa própria realidade. Que aquilo que imaginamos é mais

Blow Up, 1966 Realizador: Michelangelo Antonioni Palma de Ouro no Festival de Cannes, duas nomeações para os Oscares

forte do que aquilo que vemos: mesmo em fotogra ias ampliadas  ao  pormenor.

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Revista de Ténis MatchPoint Portugal Março 2013  

Revista de Ténis / Tennis Magazine 1a Revista de ténis digital em Portugal!

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