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Pesca Desportiva

Histórias de Pesca

Bruno Cabrita com uma dourada XL, pescada à chumbadinha

As douradas

Triangulo Setúbal, Sesimbra e Sines, melhor spot da Europa? Faço pesca à dourada há alguns anos. Provavelmente demasiados.

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Pesca Desportiva

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uando poucos sabiam da existência deste peixe na Vereda, quando ainda se pescava por cá com lingueirão, navalha, com ameijoa bomboca, eu já as pescava com caranguejo. Porventura alertado por amigos que tenho em França, pessoas que as pescavam na baía de Arcachon, perto de Bordéus. Não é de hoje a minha tendência para saber como se faz noutras paragens, para tentar experimentar e inovar deste lado. Foram anos de gran-

Texto e Fotografia Vitor Ganchinho (Pescador conservacionista) https://peixepelobeicinho.blogspot.com/

des alegrias, em que a uma péssima qualidade de imagem, por deficiência das camaras, os “Kodaks”, e dos sempre imprevisíveis rolos de 24 ou 36 fotografias, correspondia uma incrível qualidade dos peixes, com muitas douradas na casa dos seis kgs. Na altura, com pesca sem limitações de peso máximo, recordome das chegadas de caixas e caixas de peixes às docas de Setúbal. Falamos de médias 70/ 80 kgs de douradas por pessoa, sendo o seu comércio fei-

to regularmente junto dos melhores restaurantes da cidade. Ter meia dúzia de douradas expostas na vitrina de peixe, todas acima de 5 kgs, era algo diário e bastante comum. As douradas ao sal passaram a atrair gente que vinha de longe, de Lisboa, de Beja, para uma refeição de peixe de mar. Já nessa altura era proibido vender peixe, mas o espirito inventivo dos portugueses ultrapassa sem dificuldades aquilo que está escrito nos papéis: uma compra de meia dúzia de peixes no mercado,

com a respectiva factura, servia de documento de compra para dois dias de peixe exposto. A diferença entre a pesca de hoje e aquilo que já se fez há uns anos Como ponto prévio quero dizer-vos que não é a minha pesca favorita, tenho no pargo um desafio que me excita mais, pela sua força, pela sua combatividade, pelo tamanho que pode alcançar, e sobretudo pela agressividade que demonstra no momento

As douradas grandes hoje em dia são bem raras. O normal é um tamanho S 2021 Janeiro 409

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Pesca Desportiva

Bem desportivo, pescar este espĂĄrida com iscos artificiais. Os jigs ligeiros sĂŁo muito polivalentes 4

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Pesca Desportiva

de atacar. Mas reconheço condimentos técnicos na pesca à dourada para ser considerada um bom desafio. Não é em definitivo um peixe para todos. Por deficiência de equipamento adequado, ou por falta de conhecimento técnico, a verdade é que apenas uma pequena franja de pescadores consegue resultados de excepção. De toda a tribo de gente que sai de casa bem cedo para tentar pescar douradas, é de reconhecer que a maior parte não consegue fazer mais do que meia dúzia de peixes de pequeno tamanho. E é aqui que quero chegar: a diferença entre a pesca de hoje e aquilo que já se fez há uns anos, digamos 20 a 25 anos. Tenho a certeza de que aqueles que pescaram as douradas naquela altura, e muito provavelmente alguns deles terão já falecido, ficariam escandalizados com aquilo que se está a fazer hoje. Chamar de pesca às douradas isto que está a acontecer nos dias de hoje é uma caricatura ruim do que já se fez nesta zona. Para tirar dúvidas, se é que as tinha, aceitei o convite de um amigo de longa data, para sairmos às douradas. Se é verdade que fui preparado para pôr a seco alguns peixes de bom tamanho, com material de pesca adequado a isso, rapidamente percebi que estava sobre dimensionado, e que teria de reajustar o equipamento sob pena de vir para casa sem um único peixe. As douradas grandes já

foram, agora pescam-se peixes juvenis que não excedem a metade de quilo, quando lá chegam. E isso deixa quem esteve presente nos “outros tempos” com um travo amargo na boca. Não é o mesmo, a excitação de uma picada passou a ser a de pescar mais um peixe, a fazer número, e não a de pescar UM PEIXE. Hoje pesca-se para o número, não para o troféu, porque

já são raros os peixes dignos desse nome. Ao fim do dia, 27 douradas estavam dentro da caixa, e aquilo que senti era um sentimento amargo, o de estar a participar em algo em que não acredito: na extinção de um peixe nobre, que merece uma gestão cuidada por parte de todos aqueles que têm poder e responsabilidades na matéria. Foi o meu primeiro e o

meu último dia de douradas este ano. Temos o melhor spot de pesca de douradas da Europa Fazer pesca à dourada com artificiais é algo diferente. Utilizar um jig metálico para motivar a picada de um destes espáridas, é ter uma sensação que a pesca com isco natural

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Pesca Desportiva

nunca conseguirá proporcionar. Na verdade, podemos ter na nossa zona um dos

melhores, se não o melhor spot de pesca de douradas da Europa. Mas não o sabemos gerir. Não sabe-

mos o que fazer, excepto tirar de lá douradas. Qualquer tipo de preocupação com a sustenta-

bilidade dos cardumes é nula, uma ilusão, e o fim é altamente previsível: a redução dos efectivos, a

Uma dourada feita com jig tem um valor muito superior em termos desportivos 6

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Pesca Desportiva

A tĂŠcnica da chumbadinha por quem sabe: Bruno Cabrita, campeĂŁo nacional de pesca embarcada 8

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Pesca Desportiva

Pescar douradas para fazer número é algo que não faz sentido. Há que deixar crescer!

escassez, a extinção que se adivinha. Quanto mais tardarem medidas sérias de gestão, mais danos irão ocorrer junto dos reprodutores, os poucos que ainda existem. Um dia, a saída para as douradas será mais uma saída para o mar,

sem resultados. A continuar assim, brevemente será apenas … uma memória. Os franceses pescam-na quer no Atlântico quer no Mediterrânio, o Cabo Finisterra será porventura o seu melhor lugar, e pescam muito menos peixes que nós.

A pesca jigging procura o lance, o peixe adulto, e não a quantidade 2021 Janeiro 409

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Pesca Desportiva

Uma Dourada é um património inestimável, e deve ser protegida na sua fase mais sensível: o período de reprodução

Escrevem-se tratados de pesca à dourada, com muito menos informação que aquela de que nós dispomos. Mas é perceptível a sua preocupação

em conseguir exemplares dos 2 aos 5 kgs de peso, restituíndo à água os de tamanhos inferiores. Quando me falarem de pesca, falem-me de gente

graúda, com agressividade, que venda cara a sua derrota. Os pargos, pois sim… Quando todos estão concentrados em pescar

“douradinhas de palmo”, quando temos dúzias de barcos acantonados sobre um mesmo cardume, …os outros peixes agradecem, e aplaudem.

As grandes douradas de Setúbal são hoje um bem escasso 10

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Notícias do Mar

Economia do Mar

Parceria Ibérica Cria 50.000 Postos de Trabalho com a Energia Eólica Offshore Flutuante

Apostar na energia eólica offshore flutuante Até 2030, um novo estudo lançado pela EIT InnoEnergy demonstra que Portugal e Espanha têm vantagens competitivas únicas, criando um enorme potencial para que a região se torne num hub global para a energia eólica offshore flutuante.

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Torre eólica ao sair da Lisnave 12

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estudo, denominado “A Península Ibérica como polo de desenvolvimento tecnológico e liderança industrial na área da energia eólica offshore flutuante”, elaborado pela consultora independente Enzen, concluiu que o impacto socio/económico do desenvolvimento deste setor, nas próximas duas décadas, na Península Ibérica, será significativo.


Notícias do Mar

Torre eólica em construção

da indústria da energia eólica offshore flutuante. É um setor com um grande potencial e no qual os primeiros a posicionaremse terão enormes vantagens competitivas e possibilidade de liderança do

De acordo com o estudo, esta indústria tem o potencial de criação de até 50.000 empregos altamente qualificados (60% diretos; 40% indiretos), e um volume de negócios que poderá atingir os 5.000 milhões de euros em 2030, com mais de um terço das receitas a serem provenientes de exportações. As previsões dos maiores especialistas internacionais do setor de energia sugerem que, durante esta década, haverá um rápido crescimento global

mercado. Atualmente, as regiões mais relevantes são a Europa, América do Norte e Ásia (China, Japão e Coreia). Mas a EIT InnoEnergy, ciente das vantagens competitivas de Portugal e Espanha, e

também conhecendo muitos dos primeiros atores que já promovem projetos pioneiros nesta área, quis analisar o real potencial da Península. De acordo com Mikel Lasa, CEO da EIT Inno-

As torres e as pás são comstruídos em Portugal 2021 Janeiro 409

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Notícias do Mar

Torre eólica ao ser amarrado ao fundo

Energy Iberia, “os dados do estudo são muito reveladores e, por isso, já os transferimos para as instituições espanholas e portuguesas

que partilham o nosso interesse no desenvolvimento deste promissor sector na Península. Numa época tão complicada como a atual, a

aposta na energia eólica offshore flutuante é uma oportunidade única para dinamizar a economia e ajudar a tão necessária reconversão industrial

de Espanha e Portugal no âmbito da transformação energética”. A EIT InnoEnergy dinamiza projetos de inovação com colaboração público-privada, tanto a nível nacional como regional. Com efeito, o plano de promoção da energia eólica offshore flutuante insere-se numa estratégia mais ampla de apoio e melhoria de setores inovadores para os quais esta organização tem desenvolvido vários projetos que foram submetidos ao Plano de Recuperação para a Europa. Exemplo desses projetos de inovação é o WindFloat da Principle Power, que instalou o primeiro parque eólico offshore em Viana do Castelo. De acordo com as prin-

Transporte da torre eólica para Viana do Castelo 14

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Notícias do Mar

As pás têm mercado exportador

cipais conclusões do estudo, a Península Ibérica está no caminho certo para se tornar um hub nesta área, tendo em conta as vantagens competitivas que detém e que não são facilmente replicáveis noutras áreas. Por exemplo, a possibilidade de desenvolver um mercado interno em fases iniciais, especialmente em áreas insulares. Nas ilhas é possível testar e desenvolver tecnologias e modelos de negócio para estabelecer rapidamente uma indústria ibérica competitiva no mercado externo. Estimase que, no cenário mais ambicioso, a Península Ibérica poderia ter 3 GW de potência instalada em 2030 e 22 GW em 2050. Além disto, existe disponibilidade de infraestruturas portuárias, estaleiros e capacidade fabril absolutamente essenciais para o rápido desenvolvimento

do setor. A localização geográfica privilegiada, que permite o acesso aos mercados europeus e da costa leste do continente americano, assim como a existência de sólidas capacidades

industriais e talentos no setor eólico onshore, na construção naval e em sistemas elétricos que hoje são fundamentais para o desenvolvimento desta nova indústria, são também vantagens

para a região. Por fim, a tecnologia própria e empreendedores com projetos já em andamento que são líderes internacionais são outra mais-valia para a indústria em Portugal e Espanha.

WindFloat em Viana do Castelo 2021 Janeiro 409

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Notícias do Mar

Notícias Grupo Garland

Grupo Garland Agencia Descarga Recorde de Milho no Porto de Lisboa

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Grupo Garland foi a agência de navegação responsável pela descarga de 82.640 toneladas métricas de milho proveniente do Brasil no terminal de Granéis Alimentares da Trafaria, que integra o Porto de Lisboa. Tratou-se do maior granelei-

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ro e com maior quantidade de carga atendido pelas empresas de agenciamento de navegação do Grupo Garland e constituiu ainda um recorde, apontado pela APL, na infraestrutura portuária, concessionada à Silopor Trafaria. Ao longo do ano, as em-

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presas de navegação da Garland têm vindo a registar vários movimentos de cereais recordes nos portos nacionais, destinando-se as cargas, na sua maioria, à indústria agroalimentar nacional. A operação de descarga do graneleiro “CSSC AMS-

TERDAM”, com 255 metros de comprimento e 43 de boca, implicou uma série de desafios. Não só o volume de mercadoria foi o mais elevado de sempre que o terminal da Trafaria rececionou, como o mau tempo que se fez sentir durante a operação levou a que a mesma só ficasse concluída duas semanas após a chegada do navio ao terminal especializado em cargas de granéis agroalimentares, classificado como de águas profundas e com tecnologia que o equipara aos melhores da Europa. Esta operação fecha com chave de ouro a atividade das empresas de navegação da Garland que, em 2020, foram responsáveis pela movimentação de 1 milhão e setecentas mil toneladas de carga a granel, sólido e líquido, operadas nos portos de Lisboa e Leixões, na maioria produtos agrícolas, destinados á indústria alimentar humana e animal.


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Notícias do Mar

Economia do Mar

Robôs Testam Parques Eólicos Offshore

Windfloat ao largo de Viana do Castelo INESC TEC da Universidade do Porto lidera o primeiro centro europeu para testar robôs em parques eólicos offshore.

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primeiro centro europeu de teste de robôs maríti-

mos em ambiente real é liderado pelo INESC TEC. O Atlantis Test Center criado

em Viana do Castelo pretende possibilitar a validação de soluções robóticas nas con-

dições climatéricas mais extremas do Oceano Atlântico, em especial nos trabalhos

Para a manutenção e reparação de infraestruturas eólicas offshor serão usados robôs 18

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de inspeção e manutenção das infraestruturas eólicas offshore. A energia eólica offshore  é importante para a diminuição da dependência dos combustíveis fósseis e para a descarbonização da sociedade. Prevê-se que a capacidade instalada na Europa triplique durante a próxima década, fruto de novas concessões, do crescimento dos parques eólicos e do desenvolvimento de novas tecnologias. Portugal vai dar um forte contributo para o crescimento desta área, na operação do primeiro parque eólico offshore flutuante ao largo da Europa continental, com a maior turbina do mundo assente numa plataforma flutuante, o WindFloat Atlantic. O projeto europeu Atlantis,  liderado pelo INESC TEC, através do Centro de Robótica e Sistemas Autónomos (CRAS), tem a participação da EDP e apoio de diversos parceiros tecnológicos e académicos, permi-

tindo reforçar o desenvolvimento de tecnologias de monitorização e manutenção de infraestruturas eólicas no mar. O projeto criou uma plataforma pioneira na Europa que pretende demonstrar as tecnologias e soluções robóticasque que são essenciais à inspeção e manutenção de parques eólicos offshore de todo o mundo. O foco do Atlantis estará na inspeção, manutenção e reparação de infraestruturas eólicas offshore, onde diversos robôs autónomos (subaquáticos, de superfície e aéreos) serão desenvolvidos e testados em diversos cenários industriais, como, por exemplo, na inspeção de cabos de amarração, monitorização de estruturas subaquáticas ou na limpeza de turbinas. A utilização de soluções robóticas neste setor pretende mitigar riscos e diminuir os custos de operação e manutenção dos parques eólicos offshore, nomeada-

mente em águas profundas, contribuindo também para a redução do custo normalizado de energia (Levelized Cost of Energy). Tecnologias vão ser validadas e demonstradas no WindFloat Atlantic No âmbito deste projeto, o centro utilizará o parque WindFloat Atlantic para validar e demonstrar aplicações robóticas, desenvolvidas por centros de investigação ou por empresas tecnológicas, membros do consórcio, que contribuam para a sustentabilidade do setor. O projeto TEC4SEA Research Infrastructure, igualmente coordenado pelo INESC TEC, será fundamental para o apoio às atividades operacionais que estão previstas no âmbito do ATLANTIS. A EDP, através do  EDP NEW Centre for New Energy Technologies  e em estreita colaboração com a

Windfloat no porto de Viana do Castelo 2021 Janeiro 409

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Notícias do Mar

No mar a shell é muito competitiva Principle Power (tecnologia WindFloat), lidera a componente de demonstração offshore e aposta no projeto com vista ao aumento de competitividade da tecnologia eólica offshore flutuante.

Tecnologias vão ser validadas e demonstradas no WindFloat Atlantic 20

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Um projeto de 8.5milhões de euros e 8 parceiros de 5 países O projeto, com duração prevista de três anos, conta com um investimento global de 8,5 milhões de euros financiado pelo H2020 - Programa Quadro para a Investigação e Inovação, ao abrigo do acordo número 871571. O consórcio inclui, além do INESC TEC e da EDP NEW Center For New Energy Technologies (Portugal), mais oito parceiros, de 5 países: Teknologian Tutkimuskeskus VTT e ABB OY (Finlândia), Principle Power France e ECA Robotics (França), Space Application Services NV (Bélgica), IQUA Robotics e Universitat de Girona (Espanha) e RINA Consulting SPA (Itália).


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Electrónica

Notícias Nautel

O GPS Portátil Todo-o-Terreno, água incluída…. e também um tudo-em-um!

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BHC Nav é uma marca de GPS’s Portáteis já no mercado português desde há quase 10 anos, introduzida no nosso mercado pela Nautel. Este ano o grande desenvolvimento desde fabricante de Taiwan é o NAVA91. Destaca-se pelo acumular dum sem numero de valências : GPS, Câmara fotográfica de 5MPcom autofócus, Altímetro,

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Barómetro, bussola eletrónica de 3 eixos, tudo num robusto e estanque aparelho de mão. Detalhe das caraterísticas - Ecrã de 2,8 “QGVA, de comando tátil e com teclas também. resolução 240x320 pixels e 65.536 cores, com retroiluminação. - Bluetooth 4.0 para partilha de ficheiros com outro NAVA91. Memória in-

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terna de 16GB. Ranhura para cartão micro USD de 64MB. - Altímetro, barómetro e bússola eletrónica de 3 eixos. Câmara de 5MP com autofocus e georeferenciação das fotos. - Antena Quad Helix de alta sensibilidade, garantindo cobertura e densas florestas, gargantas etc. Recetor de 72 canais paralelos. - Funciona com 2 pilhas

(não incluídas). Autonomia com pilhas: 15H. Compatível com USB e NMEA 0183. - Dimensões: 17,2x6,2x3,6 cm. Pesa 215g. É resistente e à prova de água (IPX7). - Precisão de 3-7m em modo GPS e GLONASS. Pode usar grelhas de coordenadas militares. - Precisão menor que 3 m se receber correções de satélite SBAS (WAAS, EGNOS, MSAS e GAGAN). - Calcula áreas. Tem lanterna. Calendário Caça/ Pesca. Dados compatíveis com Google. Tabela solar/


Electrónica

www.nautel.pt

Partinha Sem Fios

Fotos com geo-tag

lunar. Calculadora. - 3000 waypoints / 200 rotas / 400 rastos/ trajetos feitos. Mapa base mundial. - Suporta formatos GPX, CSV, SHP, GPX, MIF, KML, DXF e TXT. - O utilizador pode descarregar mapas de tipo “raster” da Googlemaps, ou outras fontes. Lê também mapa vectoriais DIY. E, maps tipo DEM. Inclui : Manual do utilizador,  Guia de  iniciação rápida,  Cordão de pulso,  software  de aplicações (solicitar-nos) e  Cabo USB.

Adiciona mapas

Sensores 2021 Janeiro 409

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Notícias do Mar

Notícias Docapesca

Requalificação do Porto de Pesca de Matosinhos

Porto de pesca de Matosinhos

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om um Investimento de 248 mil euros em Matosinhos, a Docapesca concluiu a requalificação do sistema de água salgada do Porto de Pesca

de Marosinhos. A Docapesca concluiu a obra de requalificação total do sistema de captação de água salgada, filtragem e tratamento prévio à distribuição ins-

talado no topo da pontecais nº 1 do porto de pesca de Matosinhos, cujo investimento ascendeu a 248 mil euros. Esta requalificação envolveu a remodelação

Sistema de água salgada em Matosinhos 24

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total da infraestrutura de captação de água salgada, incluindo a substituição das bombas submersíveis de captação de água salgada, os filtros de areias, os dispositivos de desinfeção por irradiação de UV e a substituição de dispositivos de controlo hidráulico degradados ou avariados, bem como a beneficiação de todo o circuito de ar-comprimido e de injeção de hipoclorito. Procedeu-se igualmente à beneficiação do edifício que abriga toda esta instalação, bem como a realização de pequenos trabalhos de reparação de betão e pintura de paredes na sala de bombagem, tratamento e armazenagem de água salgada do edifício da lota.


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Notícias do Mar

Tagus Vivan

Crónica Carlos Salgado

A Lenda de David e Golias, Não se Repete !...

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m boa verdade, nesta nova era do populismo e das “fake news”, nós cidadãos portugueses amigos do Tejo há mais de quatro décadas, temos amigos sabedores e esclarecidos que nos mantêm informados e vão-nos alertando e esclarecendo sobre o estado do Tejo, para além da nossa observação no terreno, e recentemente recebemos um comentário de um deles que nos alertou para algo do qual já desconfiávamos, mas como não tínhamos a 26

certeza e devido a termos alguma fé no direito internacional relativamente ao imbróglio ou melhor, à falta de clareza sobre uma realidade que afinal “está à vista de todos os portugueses”, devido à água do Tejo vinda de Espanha estar a entrar no nosso país a conta gotas, enquanto na nossa vizinha Espanha existem 51 barragens neste Rio, com capacidades muito significativas, para além daquela água vinda da nascente que é desviada pelos transvases, quer

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destinada às regiões desérticas do sul e também aquela que é desviada para a grande Madrid, que se transforma nos efluentes (“da chamada cloaca da Madrid”), insuficientemente tratados, que vai voltar ao Tejo e inquinar alguma água boa que ele ainda traz que conseguiu sobrar das grandes barragens a montante e aquela desviada pelos transvases… É essa mistura de águas, de inferior qualidade que entra na Extremadura Espanhola para além de uma parte

dela ainda ser usada para o arrefecimento da Central Nuclear de Almaraz e aquela que sobra, antes de ser dirigida para Portugal, parte dela é desviada para a região de Cáceres e a que resta vai abastecer as mega barragens espanholas de Alcántara II e a de Alcántara I, (Los Mares del Tajo). Daí a que resta entra no Tejo Internacional, cuja margem direita a partir do afluente Erges passa a ser território português, continuando a margem direita a


Notícias do Mar

ser epanola até à barragem de Cedillo, que é espanhola e segundo há quem afirme que está montada já em território português, onde inexplicavelmente a montante dela estão a desaguar os rios portugueses, o Ponsul e o Sever, a tal que serve de torneira que fecha mais do que abre a passagem do resto da água para o nosso lado. PERANTE TODA ESTA REALIDADE, COMO PODE HAVER ALGUÉM QUE POSSA AFIRMAR COM VERDADE, QUE A VIZINHA ESPANHA PODE CONSEGUIR REALMENTE ESTAR A CUMPRIR OS ACORDOS DE ALBUFEIRA??? COM QUANTIDADE, REGULARIDADE E A PERIODICIDADE DO CAUDAL.

Se olharmos para a nossa história ela contanos que a Cidade de Lisboa, capital do reino de Portugal, chegou a ser a “Senhora dos Mares” e a maior cidade mercantilista da Europa e do mundo, e Portugal foi dono de mais de meio Mundo, graças aos Descobrimentos Portugueses, que estiveram na origem da primeira globalização mundial, e Portugal de então. com a seda e as especiarias da Índia e o ouro do Brasil, entre outras riquezas, construiu obras simbólicas e até ofereceu um elefante e um rinoceronte ao Papa, e outros devaneios de novo rico. Mas tudo o “Vento Levou”, triste sina a nossa e má cabeça, “erros meus má for-

tuna” (Camões), enquanto a Rainha de Inglaterra, por exemplo, ainda é hoje a soberana de um vasto Império, não é verdade? Por mais estranho que possa parecer, a falta de equidade que existe hoje na distribuição da água do Tejo luso-espanhol pelos dois países que atravessa, devido ao desequilíbrio que existe entre a quantidade da água do Tejo que a Espanha usa e gasta como bem entende, e o “caudalzito” que ela deixa passar para o lado de cá, pensem bem, não deixa de ser realmente um caso “DA LEI DO MAIS FORTE. O povo da borda d´água do Tejo português, quer os pescadores e os agricultores, quer os barqueiros

sabem bem, por experiência própria, que o caudal do rio Tejo de hoje não tem nada a ver com o de há 10 e muito menos do de há 20 anos, para já não falar do de há 50 ou no de há 60 anos, cuja força da água vinda de montante conseguia travar a força da enchente da maré. Para além de reconhecer-se, por um lado, que as alterações climáticas possam contribuir em parte para que a seca comece a ameaçar instalar-se como reflexo deste fenómeno mais recente, por outro lado cabe ao homem, ou melhor aos governos, de tomarem as devidas medidas para gerir os recursos hídricos e o consumo da água de acordo com a disponibilidade oca-

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Notícias do Mar

sional/temporal da mesma, o que não é admissível é

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que no caso de um rio partilhado como o Tejo, o país

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a montante continue a reter, desviar e a usar a água

comum a seu bell-prazer, cujo resultado está à vista, ou seja, quase não sobrar para jusante. Como é sabido, quando a água de um rio não tem um caudal regular suficiente, que por vezes até nem consegue atingir o nível do caudal ecológico mínimo, esta insuficiência causa problemas significativos, quer ao ecossistema fluvial quer aos mais variados utilizadores ou beneficiários dessa água, nomeadamente à criação e crescimento das espécies piscícolas, aos pescadores, à navegação, ao consumo humano, à agropecuária, às indústrias, à saúde, à paisagem, à navegação, ao turismo, ao emprego e ao crescimento económico de um país, que passa a ver a sua independência comprometida. CONTINUA NO PRÓXIMO NÚMERO…


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Notícias do Mar

Voo Guarda Rios

Estão a Matar o Rio !...

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or uma dada notícia que o GR tomou como verdadeira, de que a pluviosidade que se faz sentir anualmente na bacia hidrográfica portuguesa do Tejo é proporcionalmente superior à de Espanha, pelo que é de questionar onde é que o governo português da altura tinha a cabeça, quando permi30

tiu que dois rios portugueses, o Ponsul na margem direita e o Sever na margem esquerda, estejam a desaguar a montante da barragem de Cedillo, que pertence a uma hidroelétrica espanhola, quando a água desses dois rios que nasceram em Portugal, podia e devia contribuir para aumentar o caudal do nosso Tejo, obviamen-

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te. Por outro lado, existem opiniões bem fundamentadas que defendem que, se for aumentada a capacidade da albufeira do Alvito, e/ou a de Pracana,, podia uma ou outra, ou ambas, ser uma reserva para reforçar o caudal do nosso Tejo sempre que necessário, para além de saber-se também que um plano competente da

navegabilidade deste rio em Portugal, também garantia quer a regularidade e o volume constante do seu caudal, bem assim como a riqueza que a navegação comercial e a turística podem criar, como o inerente crescimento económico, do emprego e da qualidade de vida das comunidades ribeirinhas, e até também a melhoria


Notícias do Mar

da qualidade do regadio e o incremento da pesca e da aquacultura, e até também da fauna e da flora do Vale do Tejo. Um dos vários problemas da atual falta deste caudal suficiente e ecológico, que hoje devido à sua intermitência a força da corrente da água de montante não tem competência para travar a força da maré fluvio-marítima, o que dá origem a que a língua salina penetre hoje até Valada, o que está a ser um desastre para a agricultura das lezírias do Tejo... CONTINUA NO PRÓXIMO NÚMERO

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Notícias do Mar

O Tejo a Pé

Mapas e guias O homem sempre recorreu às mais variadas formas de representação e orientação. Com o progresso da ciência desenvolveram-se outros métodos de orientação cada vez mais fiáveis, desde a orientação pelas estrelas, astrolábios, bússolas, até aos recentes e modernos GPS.

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om o GPS, que todos temos no bolso, quase que apetece dizer: “nada mais preciso para andar e me orientar no campo”. No entanto não prescindo do mapa, as razões são muitas e esgotaria o espaço disponível para a escrever. O mapa foi e será sempre um dos mais importantes métodos de orientação, a “ferramenta base” para o caminheiro. O mapa é a representação, com maior ou menor detalhe, do local ou dos locais da caminhada. Ao utilizar um mapa, uma das coisas a que o caminheiro deverá prestar mais atenção é a escala. Normalmente no mercado encontramos uma grande variedade, mas os mais comuns e utilizados são os de escala 1:25.000 e 1:50.000, os guias de caminhada usam escalas maiores pela necessidade de representação de alguns

O mapa de um percurso no GPS de um vulgar smartphone 32

Azul – é a cor que nos identifica a água (os rios, os lagos, terras pantanosas, pontos de água – nascentes, poços etc.); Preto – aparece associada a tudo aquilo que sofreu a ação do Homem (estradas, casas, cabos de alta tensão, veredas,...) e também pedras e rochas; Vermelho ou púrpura – para sinalizações adicionais ou percursos de orientação, também as estradas nacionais; Branco - assinala-nos a vegetação, no entanto se esta for espessa aparece a verde e para assinalar terrenos de cultivo, prados ou pousios aparece-nos a amarelo. Para além dos mapas gerais, existem os específicos para as caminhadas. Estes

Fugas a pé é um guia completo sobre caminhada. Editado pelo jornal Público pode ser adquirido na loja online por menos de 5 €. Obviamente, o melhor dos guias pormenores que escalas menores não o possibilitam. Um mapa só desempenha o seu papel se estivermos orientados. Assim, antes de mais, devemos orientar o mapa com o terreno – o norte do mapa deve estar alinhado com o norte geográfico do terreno. Depois devemos identificar exatamente qual a nossa posição no mapa. De seguida, com alguma atenção e interpretação, não será difícil reconhecer a morfologia que nos rodeia, os caminhos, o rio... Este é um excelente exercício para fazer em família. Verá que é tudo uma questão de algum

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treino. Se pretende efetuar uma caminhada e não sabe muito bem “ler” o mapa, fique então a saber que: Castanho - relaciona-se com a terra, as curvas de nível que representam a morfologia do terreno (os vales e os montes). As curvas de nível indicam o grau de inclinação ou o declive do terreno. Se as curvas estiverem muito separadas, significa que o território representado é praticamente plano. Os números que aparecem junto das curvas nível correspondem à altitude das diferentes zonas sobre o nível das águas do mar.

Um mapa esquemático de uma Grande Rota. Caminhos de Fátima, Caminho do Tejo


Notícias do Mar

Texto e Fotografia Carlos Cupeto (geólogo, professor na Universidade de Évora)

Um exemplo de uma Pequena Rota em Portalegre

mapas, sendo normalmente bastantes esquemáticos, têm como principal função indicar trilhos, lagos, miradouros, entre outros. Estes mapas recreativos normalmente possuem uma série de elementos úteis ao caminheiro, com um maior ou menor detalhe. Os mapas detalhados (normalmente os turísticos) indicam os pontos onde se pode contemplar diferentes espécies de animais e plantas, a altitude de uma determinada serra e inclusivamente indicam o tempo que se levará a percor-

Um guia/mapa da Grande Rota do rio Zêzere (GR33). Desde o Covão da Ametade (nascente na serra da Estrela – vale glaciar) até Constância, na foz no rio Tejo

rer um determinado trilho. Os mapas, para além das cores atrás mencionadas, possuem também um vasto leque de símbolos, que podem ser diferentes para cada caso, mas na maioria das vezes são os símbolos convencionais usados em todos os mapas. Para se orientarem os caminheiros contam com algo de muito importante para além do mapa: os sentidos. Se aprendermos a interpretar a informação captada pelos nossos olhos, nariz, pele e ouvidos é difícil não nos orientarmos durante um percurso. Para tal basta tomarmos atenção ao que nos rodeia e ao mesmo tempo registarmos mentalmente (ou num papel) algumas notas. Tomar notas (mentalmente ou por escrito) e fazer croquis ajuda a observar e

recordar o que nos rodeia e torna o percurso mais fácil, especialmente quando estamos num sítio desconhecido e temos de regressar por nós próprios. Estas são, todavia, algumas das imensas potencialidades da caminhada, que vai muito além do caminhar. Tomar consciência do que nos rodeia pelos nossos sentidos. Todos os meses, uma caminhada acessível a todos, sem custos, onde a motivação é o viver a natureza. Para caminhar no Tejo a pé, logo que as condições sanitárias o possibilitem, basta enviar um mail a cupeto@ uevora.pt. (tudo isto e muito mais no Fugas a pé, um livro guia para caminhar, disponível na loja online do jornal Público)

Em Portugal muitas regiões, parques naturais, concelhos dispõem de Guias que são muito úteis para quem quer fazer uma caminhada. Além destes guias de percursos outros há que são preciosos apoios ao caminheiro, são os guias de natureza, de flora, fauna, paisagem etc. Um bom guia de percursos deve conter alguma informação essencial, designadamente: I - cartografia: no mínimo espera-se um croqui dos percursos propostos; II - níveis de dificuldade: encerram sempre uma grande subjetividade, mas são úteis e indispensáveis para quem prepara uma caminhada; III - tempos parciais: além do tempo total para realizar um percurso deve disponibilizar os tempos parciais entre os pontos mais característicos; IV - referências: além do standard da informação que obrigatoriamente deve constar nos mapas devem ter todo o tipo de referências peculiares de cada percurso ou troço. Muitas vezes são estas referências distintivas que nos são essenciais para confirmar a nossa localização; V - descrições: o objetivo de uma caminhada é muito mais que sair de um lugar e chegar a outro é tudo o que encontramos pelo caminho; VI - alojamentos e transportes: o mais útil é indicar os números de telefone e endereços; VII - ilustrações e fotografias; VIII - atualidade: como em qualquer livro, ainda mais num Guia, o ano de edição é muito importante. Bem sabemos que as curvas de nível não mudam à escala de vida de uma pessoa mas há muita outra informação que muda.

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Notícias do Mar

Notícias do Ministério do Mar

Para Produzir e Prosperar Portugal Está Totalmente Empenhado em Proteger o Oceano

A Conferência Realizou-se no Ministério do Mar, com transmissão via internet, a sessão de lançamento em Portugal do documento “Transformações para uma Economia Sustentável do Oceano”, lançado a nível internacional pelo Painel de Alto Nível para uma Economia Sustentável do Oceano (Painel do Oceano), que integra 14 países, incluindo Portugal.

O

Ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, é o representante oficial do Primeiro-Ministro António Costa neste Painel de Alto Nível, cujo objetivo “é estabelecer uma nova agenda para o oceano, através da criação de uma via de comunicação direta e efetiva para a interação ciência-sociedade-governação”. Desde que foi criado, o painel reuniu oficialmente ao longo de 15 sessões de alto nível, tendo contado com os contributos científicos de cerca de 160 espe34

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Notícias do Mar

cialistas, que elaboraram 19 Blue Papers temáticos e relatórios que ajudaram a fundamentar e consolidar o documento endossado pelo Primeiro-ministro de Portugal e pelos Chefes de Estado e de Governo dos outros 13 países que fundaram o painel. O lançamento, simultâneo nos 14 países, foi feito em conjunto com a publicação, na revista Nature, de vários artigos científicos e editoriais que consolidam e dão expressão ao trabalho realizado. O documento surge inserido no contexto de uma estratégia global de mudança, de tornar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 – de proteção da vida marinha – uma realidade até 2030. O compromisso do Painel do Oceano é o de alcançar uma gestão dos oceanos 100 % sustentável nos espaços sob a jurisdição nacional de cada um dos membros. No discurso de encerramento  da sessão, o Ministro do Mar lembrou que “o trabalho do Painel é herdeiro de outras iniciativas, multilaterais, congregando Estados e sociedade, que contribuíram fortemente para o desenvolvimento da política do oceano nas últimas décadas” e destacou o  papel de Portugal, recordando a Comissão Mundial Independente para os Oceanos e o relatório “O Oceano: O nosso futuro”, que, em 1998, lançou a agenda do Oceano para o século XXI. Ricardo Serrão Santos sublinhou que os ob2021 Janeiro 409

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Notícias do Mar

jetivos do documento «Transformações para uma economia sustentável do oceano», do Pai-

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nel do Oceano, estão em sintonia com a nova Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030 e apelou

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ao envolvimento de todos “para uma economia do oceano que seja sustentável e inclusiva, para

uma partilha justa dos recursos do oceano, para uma proteção efetiva do ambiente marinho”. No início da sessão, o documento foi analisado por António Nogueira Leite, presidente do Fórum Oceano, e prosseguiu com o contributo de cinco oradores convidados – Maria João Bebiano, da Universidade do Algarve; Helena Abreu, da empresa Algaplus; Pedro Lima, da empresa Sea4Us; Cristina Brito, da Universidade Nova de Lisboa; e Rita Sousa, do fundo Blue Pioneers – que falaram sobre conhecimento e literacia do oceano, alimentação sustentável, aplicações para a biomedicina, história e cultura e financiamento de projetos e empresas na área da economia azul.


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Electrónica

Notícias Nautiradar

Como ligar o meu PC a uma rede NMEA 2000? O dispositivo NGT-1 é um gateway inteligente NMEA 2000, capaz de transferir mensagens com precisão de e para o bus NMEA 2000. É compatível com uma vasta gama de chartplotters, aplicações de display e configuração disponíveis.

O

software de diagnóstico e leitura NMEA permite a visualização de mensagens NMEA 2000 com opções de configuração, permitindo a integração de produtos Actisense no bus NMEA 2000.

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Características - Ferramenta vital de diagnóstico NMEA 2000. - A versão USB é completamente isolada para evitar problemas com o circuito de terra. - A versão ISO possui uma entrada OPTO-iso-

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lada e uma saída ISODrive para um interface seguro com RS232 ou RS422. - Velocidade de transferência de dados até 230.400 baud. - Cabo integrado de 1.5m - LEDs de diagnóstico.

Benefícios - Permite que a maioria das aplicações de Chartplotter para PC interliguem com o bus NMEA 2000. - Oferece uma firewall entre o PC e o bus NMEA2000. - Poderosa ferramenta de diagnostico da rede NMEA 2000 usando o gratuito software de leitura NMEA fornecido. - O diagnóstico do software de NMEA, permite visualizar as mensagens NMEA 2000 com opções de configuração, permitindo configurar os produtos da Actisense no bus NMEA 2000. Para mais informações sobre este produto da Actisense, por favor visite o site www.nautiradar. pt ou contacte através do 21 300 50 50.


Electrónica

Novo Transponder ICOM MA-510TR de AIS de Classe B com Display TFT a Cores O MA-510TR é um novo transponder de AIS compacto e à prova de água que irá notificar de forma ativa outras embarcações da sua posição assim como apresentar em tempo real a informação de tráfego das embarcações.

T

udo isto numa única unidade que combina um transponder e display num design compacto e inteligente, apresentando um ecrã a cores atraente e com amplo ângulo de visibilidade e de leitura fácil, mesmo debaixo de luz solar direta. Este avançado transponder de AIS possui todo um conjunto de funções importantes de gestão de risco de colisão e função de navegação que conduz o operador ao seu destino. O MA-510TR é muito simples de usar e visualizar. Informação em tempo real é apresentada no ecrã TFT a cores, de 4.3” de alta resolução. O ecrã apresenta de forma clara a sua posição e de outras embarcações e informações sobre elas.. Teclas grandes e retro iluminadas tornam esta unidade simples de manusear, mesmo em condições atmosféricas adversas. O transponder de AIS Classe B MA-510TR possui várias funções de gestão de risco de colisão. Identifica uma lista de alvos (na área local), lista de perigos (alvos potencialmente perigosos) e o qual o CPA (Ponto Mais Próximo de Aproximação) e TCPA (Tempo Para Ponto Mais Próximo de Aproximação). O ecrã da lista

de “Amigos” apresenta os alvos de AIS detetados, que tenham sido definidos como amigos. Uma útil função MOB marca automaticamente um waypoint quando o botão MOB é pressionado, no caso de acontecer o pior e alguém caia borda fora. Um alarme de colisão e conexão externa de alarme a um equipamento áudio externo opcional oferecem aos navegadores um alerta extra de um potencial impacto. Para além de transmitir

e receber dados de AIS, o MA-510TR pode ser utilizado para navegar uma rota específica. Pode definir um máximo de 100 locais favoritos ou pontos de interesse. A função de Navegação é iniciada ao simplesmente selecionar um waypoint ou um alvo de AIS no display. Ao ser integrado com alguns rádios ICOM, o MA-510TR permite-lhe transmitir chamadas DSC individuais a uma embarcação selecionada, de forma instantânea e sem a necessidade de inserir manualmente o seu número MMSI. Pode regis-

tar até 100 MMSI´s de embarcações de amigos que irão aparecer em cor amarela no ecrã. A dimensão compacta do MA-510TR permite que seja instalado num local conveniente junto à mesa de cartas, na casa do leme, no flybridge ou pedestal de navegação no cockpit; e tornar-se numa adição inestimável de segurança a pequenas embarcações, barcos de serviço ou de recreio. A saída de dados AIS do MA-510TR utiliza formatos NMEA2000 e NMEA0183 para uma conectividade fácil com a maioria dos radares, chartplotters e sistemas de navegação. O MA-510TR é fornecido com um Recetor de GPS. Para mais informações sobre este novo produto da Icom, por favor visite o site www.nautiradar.pt ou contacte através do 21 300 50 50.

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Electrónica

Notícias Nautiradar

Fusion Apresenta o Novo Microfone de Mão O novo Microfone de Mão da Fusion permite-lhe facilmente comunicar com as pessoas dentro e em redor do seu barco. Este dispositivo compacto com préamplificação integrada, é perfeito a bordo.

O

Microfone de Mão da Fusion foi concebido para ser compatível com os sistemas de som marinizados da Fusion com

a funcionalidade de mute (silenciar o estéreo), permitindo-lhe fazer anúncios através do seu sistema entretenimento áudio a bordo. Utilize o Microfone de Mão para comunicar com pessoas a bordo ou em redor da sua embarcação - o dispositivo perfeito para comunicar ao praticar wakeboard, ski aquático ou em reuniões sociais a bordo, em embarcações marítimo- turísticas e até para alertar outros de situações perigosas na água. Características - Design Compacto: O Microfone de Mão da Fusion possui pré-amplificação integrada e o seu tamanho compacto garante que se encaixa facilmente no painel da consola de gover-

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no, utilizando o respetivo suporte de microfone. - Pausa na Reprodução: Faça comunicados mesmo quando ouve a sua música favorita. Carregue

no botão no seu Microfone de Mão e a reprodução áudio do seu sistema de som Fusion ficará em pausa, permitindo a sua comunicação a bordo. - Resistência à água IPX7: Projetado e desenvolvido para o ambiente marítimo, o microfone de mão está conforme os padrões internacionais IPX7 para resistência à água e é feito para durar. Para mais informações sobre este novo produto da Fusion, por favor visite o site www.nautiradar. pt ou contacte através do 21 300 50 50.


Electrónica

Novo Amplificador Série Signature de 24V Modelo SG-24DA61500 Apresentando o novo amplificador marítimo de 24V da Série Signature da Fusion.

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oncebido para embarcações a operarem com sistemas elétricos de 24V, este amplificador é uma adição impressionante à gama Série Signature. Características: - Tecnologia Classe D: o design Classe D, altamente eficiente, oferece uma potência pico de 1500W e em simultâneo consome menos corrente do que um amplificador Classe AB. Este design oferece uma eficiência e potência de saída melho-

rada aos seus altifalantes e subwoofers, permitindolhe desfrutar da sua música por mais tempo e sem ter de se preocupar com o consumo das baterias. - Potência Pico de 1500W: com uma potência pico de 1500W, pode facilmente alimentar até 6 pares de altifalantes OU até 4 pares de altifalantes e 1 subwoofer. - Design “Marine-Ready” com PCBs com revestimento protetor: estendendo a vida dos seus amplificadores, os amplificadores Série Signature são pro-

jetados especificamente para uma utilização no ambiente marítimo, com PCBs com revestimento protetor que oferecem uma proteção extra contra os elementos marinhos. - Dissipador de Calor de liga de Alumínio Rígido: moldado para formar um chassis único, o layout das “barbatanas” é calculado com precisão para aumentar a área de superfície do dissipador e melhorar a dissipação de calor. - Acabamento de Aço Inox Espelhado: a cobertura do painel de controlo em aço inox polido esconde e ajuda a proteger todas as

ligações dos cabos e configurações do painel de controlo e ao mesmo tempo oferece um acabamento atraente para complementar qualquer instalação. - Configuração de Altifalantes: quer necessite de 2 Ohms por canal ou 4 Ohms em paralelo, o amplificador da Série Signature abrange as suas opções de instalação para que alcance níveis ótimos de saída. Conecte até 2 altifalantes por canal (2 x 4 Ohm em paralelo) com o SG-24DA61500. - Designação de Zona: para se alinhar com a filosofia de Zona do Sistema de Entretenimento da Fusion, as conexões de entrada e de saída estão identificadas como zonas. - Design True-Marine: os amplificadores Série Signature são perfeitos para o ambiente marítimo e possuem uma garantia de 3 anos. Para mais informações sobre este produto da Fusion, por favor visite o site www.nautiradar.pt ou contacte através do 21 300 50 50.

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Notícias do Mar

Notícias da Universidade de Lisboa

Sabia que os polvos dão “murros” em peixes?!

Interações entre polvos e peixes em caça cooperativa Um grupo de investigadores do Laboratório Marítimo da Guia do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), polo da Ciências ULisboa e do Max Planck Institute of Animal Behavior relatam vários eventos de diferentes polvos (Octopus cyanea) deslocando peixes com um “soco” ou “murro”, isto é, um movimento explosivo e direto com um braço.

E

duardo Sampaio, estudante de doutoramento em Biologia  (ramo Etologia) e primeiro autor do artigo que dá conta deste trabalho publicado recentemente na revista  Ecology  e que tem suscitado a atenção 42

dos média  especialmente internacionais, explica “Ao peixe atingido é-lhe retirada uma oportunidade de presa, e pode ser enviado para zonas mais periféricas do grupo, ou mesmo ser expulso do grupo de caça. Este comportamento

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é totalmente novo, e ecologicamente, de acordo com a teoria de jogos, é um mecanismo de controlo do parceiro, em que numa das possibilidades o polvo poderá incorrer em custos próprios com o fim de impor custos maiores a um

parceiro não cooperante” “Octopuses punch fishes during collaborative interspecific hunting events” é assinado ainda por Martim Seco, Rui Rosa e Simon Gingins. Este trabalho surgiu du-


Notícias do Mar

O polvo afasta os parceiros de caça utilizando um movimento rápido de um braço lhe ‘soco’ ou ‘murro”, conta Eduardo Sampaio A caça colaborativa entre polvos e peixes é sustentada pela morfologia e respe-

tiva estratégia de caça de cada parceiro, tendo estes papeis especializados dentro do grupo multiespecífico. Estas diferenças podem le-

var a diferentes níveis de investimento e de recompensa entre parceiros, criando conflitos dentro do grupo. Com este trabalho, os

rante um trabalho de campo sobre as interações entre polvos e peixes em caça cooperativa realizado no âmbito de um projeto financiado pela National Geographic e pela  PADI. “Durante este trabalho testemunhámos várias vezes algo inesperado, que era o polvo afastar violentamente um dos parceiros de caça utilizando um movimento rápido de um braço. A este comportamento chamamos2021 Janeiro 409

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Notícias do Mar

Trabalho publicado recentemente na revista Ecology cientistas trazem uma nova perspetiva sobre a história natural do polvo e mostram

que este invertebrado apesar de solitário, consegue adaptar-se a contexto so-

ciais e beneficiar com isso, o que poderá ser importante para o estudo da plasticida-

de cognitiva e inteligência. “Mostrámos que comportamentos novos podem ser vistos em espécies solitárias quando colocadas em cenários sociais, e que os grupos de caça colaborativa polvos/peixes são regidos por uma rede de interações altamente complexa e dinâmica, abrindo horizontes para futuros estudos quantitativos destas interações interespecíficas”, conclui Eduardo Sampaio. Foi realizado um filme pelos autores do artigo, com o registo de vários “murros” durante a caça colaborativa multiespecífica.

Trabalho de investigação com polvos e peixes 44

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Notícias do Mar

Notícias da Univesidade de Aveiro

Aves marinhas fortemente afetadas por lixo da pesca

Ave marinha presa em lixo de pesca O lixo marinho, principalmente o material descartado ou perdido com origem em atividades piscatórias, tem consequências severas para a conservação das aves marinhas. O alerta é de um grupo de biólogos da Universidade de Aveiro (UA) que, durante dez anos, estudou as causas que levaram milhares de aves feridas ou mortas até ao centro de reabilitação de animais marinhos que atua na costa centro de Portugal.

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A investigadora Rute Costa 46

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urante o período de estudo (2008-2018) foram analisadas as 2918 aves marinhas de 32 espécies que deram entrada no Centro de Reabilitação de Animais Marinhos do ECOMARE. Entre as causas de admissão das aves – entre elas, captura acidental, trauma, emaciação, doença ou intoxicação – quase 6,9 por cento (201 aves) traziam sinais de emaranhamento. Destas, 82 por cento dos casos referemse a materiais relacionados com a pesca como anzóis, linhas e redes.


Notícias do Mar

Mas os números estão muito aquém da realidade. “Como só conseguimos contabilizar os animais emaranhados que conseguiram dar à costa ou sobreviveram o tempo suficiente para chegar à costa, o problema está consideravelmente subestimado”, aponta Rute Costa, bióloga do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, uma das unidades de investigação da UA. “Não nos é possível quantificar o número exato de aves enredadas na costa centro, muito menos no total da costa nacional, mas podemos dizer que será certamente muito superior aos 6.9 por cento (201 aves) apresentado no estudo”, garante a coordenadora da investigação. O cenário, garantem os investigadores, é “preocupante”. Rute Costa aponta que “os valores apresentados neste estudo mostram claramente o impacto deste tipo de lixo nas aves marinhas e a importância para que o cenário encontrado seja modificado”. Para diminuir o número de aves afetadas, nomeadamente pelos materiais usados pelos pescadores, aconselha, “é necessária mais fiscalização por parte das autoridades”. Além disso, acrescenta, “devem ser feitos mais esforços na consciencialização de pescadores principalmente para que os materiais particularmente perigosos, como resíduos de equipamentos de pesca, sejam eliminados de forma segura”.

Biologos de Aveiro a retirar lixo marinho

Lixo de pesca envolve ave marinha

Ave marinha morta por lixo marinho 2021 Janeiro 409

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Notícias do Mar

Notícias Docapesca

Nove lotas COM CERTIFICAÇÃO em segurança alimentar DESDE 2017

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Lota de Sagres

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Docapesca obteve a certificação ISO22000, pela APCER, do sistema de gestão da segurança alimentar de nove lotas nos últimos quatro anos e, além disso, também foi concluída com sucesso a transição para o referencial de 2018 desta norma. No presente ano, a certificação foi alargada às lotas de Setúbal e Quarteira, tendo igualmente sido renovada a certificação das lotas de Póvoa de Varzim, Figueira da Foz, Sagres, Sesimbra, Viana do Castelo, Aveiro e Vila Real de Santo António. Sendo a higiene e a segurança alimentar do pescado um dos objetivos estratégicos da Docapesca, a empresa tem vindo a reforçar as condições de segurança e qualidade alimentar através da requalificação dos edifícios e equipamentos e da melhoria dos procedimentos organizacionais, com vista à implementação de um sistema de gestão de segurança alimentar qualificado. Esta certificação é essencial na medida em que a Docapesca tem a responsabilidade pela aplicação das normas de segurança alimentar ao pescado transacionado nas lotas do continente português, contribuindo também para a valorização do produto e para o reforço da rastreabilidade do pescado e da informação ao consumidor. Garante-se, assim, de forma independente e imparcial, o reconhecimento de que os produtos são fornecidos de forma segura, com qualidade e em conformidade com as exigências definidas pelas normas ISO 22000.


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Notícias do Mar

Notícias da Universidade de Lisboa

“Asfixia” dos oceanos

Impactos da perda de oxigénio no oceano ultrapassam os projetados para aquecimento e acidificação no final do século.

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redução de oxigénio nos oceanos é o fator com mais impacto negativo nos organismos marinhos. Esta é a principal conclusão de um estudo publicado na revista Nature Ecology and Evolution, liderado por membros do Laboratório Marítimo da Guia (LMG) do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), polo da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa). Os autores do artigo “Impacts of hypoxic events surpass those of future ocean warming and acidification” analisaram os resultados de cerca de 700 experiências publicadas entre 1990 e 2016 que 50

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Notícias do Mar

investigaram o efeito do aquecimento, acidificação e/ou níveis reduzidos de oxigénio no oceano (processo denominado de hipoxia). “O que nós concluímos é que a hipoxia causou consistentemente mais impactos negativos do que o aumento da temperatura ou redução do pH em vários aspetos da performance dos organismos, por exemplo, abundância, desenvolvimento, metabolismo, crescimento e reprodução. Isto verificou-se quer em vários grupos de animais (peixes, crustáceos ou moluscos), em vários estágios de vida (desde os ovos/larvas até aos organismos adultos) e regiões climáticas (temperada e subtropical/tropical)”, explica Rui Rosa, professor do Departamento de Biologia Animal da Ciências ULisboa, investigador do LMG do MARE e orientador do primeiro autor deste artigo, Eduardo Sampaio, estudante de doutoramento em Biologia da Ciências ULisboa e investigador no LMG do MARE Ciências ULisboa. Os cientistas alertam também para a importância de se incluir a perda de oxigénio como uma variável fulcral no estudo dos impactos das alterações climáticas no oceano global, e para o desenvolvimento de ações de adaptação e mitigação mais direcionadas para este “trio mortal”. Os oceanos são particularmente afetados pelas alterações climáticas já que absorvem o excesso de calor aprisionado na atmosfera e também uma

grande parte do dióxido de carbono emitido, o que leva a uma redução do seu pH (processo denominado de acidificação). Um outro fator de risco e que tem sido constantemente negligenciado relaciona-se com a redução na concentração de oxigénio nos oceanos potenciada por processos geofísicos e biológicos.

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Notícias do Mar

Notícias Docapesca

Apoio à Pesca de Cerco de Sesimbra com Investimento de 1,2 milhões de Euros

Porto de pesca de Sesimbra A Docapesca lançou um concurso para a construção de dois edifícios de apoio à pesca do cerco no porto de pesca de Sesimbra, com um preço base de 1,23 milhões de euros, destinado à trasfega de pescado, a sua preparação e encaminhamento para a lota.

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rata-se da construção de dois edifícios indepen-

dentes: o pavilhão da lota do cerco e o pavilhão da escolha e acondicionamen-

to de pescado. A área de implantação é de 1.870 metros qua-

Zona de descarga 52

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drados, sendo a área de construção total de 2.950 metros quadrados. A área de construção encerrada ascende a 1.700 metros quadrados, enquanto a área exterior coberta totaliza 1.050 metros quadrados. A obra inclui ainda instalações sanitárias, portaria e controlo de acesso, bem como os balneários de apoio à portaria, um cais elevado para carga de camiões TIR, a pavimentação do arruamento sob a pala, uma plataforma de acesso pedonal para visualização do interior da nave do cerco e alpendre na frente de cais marítimo.


Notícias do Mar

Escolha de pescado

Será implantada, a 4,5 metros de altura, uma pala sobre o arruamento que divide os dois pavilhões para proteção do percurso do pescado, evitando a sua contaminação pela chuva ou dejetos de aves.

Em 2020, Sesimbra foi o maior porto de pesca do continente no que diz respeito ao volume de pescado transacionado e foi também onde se transacionou o maior volume proveniente da pesca do cerco.

Pescado de cerco

Descarga de pescado de cerco 2021 Janeiro 409

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Motonáutica

Motonáutica

Guido Cappellini

o Maior Campeão da Motonáutica Inshore de Todos os Tempos

Guido Cappellini começou no Kart com vitórias Na Motonáutica Mundial o nome Guido Cappellini é a maior referência a seguir, pela conquista de 10 Campeonatos Mundiais de F1H2O, do Record Mundial Inshore de Velocidade, Colar de Ouro do Comitê Olímpico Italiano, faz parte do Hall da Fama da Motonáutica no Principado de Mônaco, pelos barcos DAC que constrói, e tudo que serve como incentivo e objetivo a pilotos que pretendem fazer o melhor.

N

otícias do Mar começa muito bem 2021! Dando seguimento as nossas entrevistas com os mais famosos nomes da Motonáutica Mundial, convidamos o maior vencedor na Motonáutica Inshore de todos os tempos, 54

Guido Cappellini, para uma entrevista com exclusividade. Tendo encerrado sua carreira de piloto em 2009, desde 2015 assumiu como Team Manager do Abu Dhabi Team e passou a viver com a família em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

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Quem é Guido Cappellini? Guido Cappellini é italiano, nascido em Mariano Commense, Província de Como a 7 de setembro de 1959, tem 61 anos. Desde pequeno apaixonado pela velocidade, começou miúdo a competir

nos Karts por 7 anos onde venceu 2 Campeonatos Italianos e 1 Campeonato Europeu. Seu destaque valeu um convite para um período de competições na Fórmula 3 dos automóveis, onde também teve destaque e apelidado de “Mago da Chu-


Motonáutica

Texto Gustavo Bahia Fotografia Gustavo Bahia e Guido Cappellini Website

va”. O record de F3 na pista de Misano ainda é dele até hoje. Mas como ninguém é perfeito a 100%, Guido era um estudante pouco aplicado, seu Pai preocupado com seu futuro, o mandou a trabalhar com 14 anos, afim de aprender algum ofício na Fabrica de barcos Molinari (Cantieri Molinari), cujo dono era seu amigo Angelo Molinari, Pai de Renato Molinari, um nome já conhecido mundialmente e ídolo de Guido Cappellini. O trabalho tomou um significado muito maior do que seu Pai poderia imaginar, transformandose na sua maior Paixão: os Barcos de Corrida. Sob os olhos de Angelo e Renato Molinari, Guido Cappellini mostrou toda sua potencialidade e o reconhecimento se converteu em dar ao jovem talentoso, tudo o que poderia ser levado para água a testar. Mariano Commense fica a 18Km das Margens do Lago de Como e nessas águas Cappellini forjou a sua futura brilhante carreira. O mundo dos Esportes a Motor hoje só tem holofotes para Lewis Hamilton e seus 7 Campeonatos assim como Michael Schumacker, mas Guido Cappellini, ao encerrar sua carreira como piloto em 2009, levava para sempre 10 Campeonatos Mundiais UIM de F1H2O, o maior número jamais vencido por nenhum piloto até os nossos dias. Guido Cappellini desde menino tem dois amigos e agora Sócios que compõem a sua base de apoio: Attilio Donzelli colega de escola e companheiro de uma vida, seu Radioman e vários outros atributos dentre os quais a Telemetria e Giacomo Curti também o acompanha desde os tempos de escola e é responsável pela

O nome de maior sucesso na Motonáutica Inshore parte Técnica como Mecânico Chefe. Dos 10 Campeonatos Mundiais vencidos por Cappellini, NM acompanhou 8 desde o de 1995, quando já conquistara os 2 Campeonatos Mundiais de 1993 e 1994, tornando-se Tri-Campeão na Etapa de Abu Dhabi em 95. Todas as suas Conquistas Para que nossos leitores possam ter uma idéia concreta da vitoriosa carreira do maior piloto da Motonáutica Inshore, vamos relacionar

suas conquistas: - 10 vezes Campeão Mundial UIM de F1 Inshore (1993, 1994, 1995, 1996, 1999, 2001, 2002, 2005 e 2009).

- Vice-Campeão Mundial UIM de F1 Inshore em 1998. - 4 times European Champion UIM F1 Inshore (1994, 1995, 1996, 1999).

Capacete e sistema de respiração de Guido em 2001

Giacomo no cockpit sob os olhares de Attilio, tudo pronto para Cappellini 2021 Janeiro 409

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Motonáutica

Reunião dos Pilotos e Radioman em Abu Dhabi 2002 - Campeão Italiano de F3.000 em 1991. - 1º Absoluto nas 100 Milhas de Lario em 1999. Ao longo de sua carreira

como piloto participou de 166 provas, obtendo 62 vitórias, 70 Pole Positions e 104 Podiums. Na longa conversa com

Guido Cappellini, tratamos dos assuntos mais atuais que envolvem a sua vida e os reflexos na Motonáutica Mundial.

Em 2009 Guido Cappellini assume o comando do Abu Dhabi Team NM: Como aconteceu esse convite para comandar o Abu Dhabi Team? GC: “Na verdade eu estava muito bem vivendo na Suiça com minhas atividades normais e cuidando da DAC em Mariano Commense. Uma noite recebi um telefonema do Secretário Pessoal do Sheikh Sultan Bin Khalifa que me perguntou se tinha disponibilidade de trabalhar para ele, porque queria mudar o sangue da Equipa. Essas foram exatamente as suas palavras. Eu disse que sim, não havia nenhuma contra indicação sobre o assunto.” NM: Dessa conversa telefônica até o contrato, como

Em Abu Dhabi 2002

Em Cagliari, na Sardenha em 2002 56

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2003 em Portimão durante uma entrevista


Motonáutica

se passou? GC: “A partir dessa noite começamos a conversar em total segredo. Ninguém tinha conhecimento do que se estava passando, foi uma exigência inicial do Sheikh. Estive em Abu Dhabi para uma conversa em privado, e, após algum tempo, Sheikh Sultan veio a Itália conhecer a DAC tendo ficado muito bem impressionado com o que apresentamos. A seguir começamos as tratativas até que assinamos o contrato em Abu Dhabi. Nessa ocasião, foram feitas as apresentações a todas as pessoas da Equipa e ao Mundo da Motonáutica. Foi uma notícia muito chocante, pois ninguém sabia o que estava se passando. Depois de 18 anos sob o comando de Scott Gillman, foi uma mudan-

Guido Cappellini e Duarte Benavente (10) em Sharjah 2003 ça apocalíptica! Todos ficaram muito surpresos, pois ninguém esperava, muito menos eu. Eu fui convidado.” NM: Os resultados têm sido excelentes. Esperava tantos Títulos Mundiais em

poucos anos? GC: “Realmente os resultados têm sido muito bons. Eu mesmo não esperava que em 5 anos tivessemos vencido 10 Campeonatos Mundiais. Vencemos títulos em F1

piloto, F1 Equipa, F2 um título importantíssimo com um piloto de Abu Dhabi. Criamos uma Equipa de F2 partindo do zero. Participamos do Mundial de Endurance e vencemos as 24 Horas de Rouen em

Em Portimão venceu muitas provas, aqui em 2004

Em Sharjah 2003

Guido Cappellini e Nicolò di San Germano o Promotor de F1H2O em Portimão 2004 2021 Janeiro 409

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Attilio segura o barco, enquanto Giacomo prepara os cintos de segurança 2019, conseguimos terminar em primeiro e segundo. Fizemos uma diferença enorme para além dos resultados, que é importantíssimo, mudamos totalmente o visual da Equipa e hoje estamos no topo da Motonáutica Mundial

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em todos os sentidos. Estou muito orgulhoso de ter conseguido atingir essa situação.” Em 2009 encerra sua carreira de piloto como maior vencedor da Motonáutica Inshore NM: Porque decidiu encer-

rar sua carreira em 2009? GC: ”Tudo começou com o objetivo de vencer um Campeonato Mundial. Depois consegui vencer 4 seguidos (1993-1996) e vieram mais 4 (1999, 2001 a 2003), quando me perguntei: Porque não

chegar a 10? Conquistei novamente em 2005 e tive que continuar determinado até conseguir vencer novamente em 2009 o décimo Campeonato Mundial. Importante ressaltar que foi muito difícil, pois em 2008 terminei o Campeonato em 10º lugar com muitos problemas técnicos por resolver e tinha que conseguir superar esse ano de resultado insatisfatório. Felizmente conseguimos resolver os problemas e vencemos o Campeonato em 2009. Pensei comigo mesmo: porque não sair agora que estou no topo com um numero de vitórias dificilmente a ser batido? Tomei a decisão de parar de pilotar.” NM: Sentiu muito essa mudança? GC: ”Na verdade eu também estava cansado! Viver como piloto competitivo não é fácil e estava na hora de tomar outras

Voando sobre as águas do Rio Arade em 2005

Outro show de pilotagem no Rio Arade em 2006

Banco do Campeão

Em Sharjah 2007

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decisões na minha vida. Queria me dedicar a família, me casar, ter um filho (que hoje tem 10 anos) e estou muito feliz por ter tomado essa decisão.” NM: Com relação a sua fábrica DAC, está vinculada contratualmente a Abu Dhabi? GC: ”Continuamos com nossa fábrica sem nehuma alteração, funcionando independente. Somos fornecedores do Abu Dhabi Team e outras Equipas.

Um fato que muito nos deixou orgulhoso é que desde o ano passado vendemos 3 barcos de F1 para o Victory Team, que é a fabrica mais importante do mundo em Offshore e agora um dos nossos Clientes de F1 Inshore.” Cappellini testa o novo Mercury 360 APX em Abu Dhabi O novo motor Mercury 360 APX de 4 tempos parece ser

2008 um ano difícil, aqui abandonando a prova de Abu Dhabi

Giacomo e Guido nos últimos detalhes

Mesmo voando nos treinos, na corrida a desilusão. Abu Dhabi 2008

Curtindo um passeio no Paddock em Abu Dhabi 2008 60

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Voando na Lagoa Khaled, em Sharjah 2008


Motonáutica

o futuro para o uso das Equipas no UIM F1H2O World Championship. No momento, ainda é prematuro fazer uma previsão para quando esse motor passará a ser obrigatório, pois com o cancelamento do Campeonato 2020, por motivo da Pandemia Covid-19, ainda é difícil se ter uma visão do que será 2021. As Equipas tiveram um ano sem atividade desportiva, tendo que absorver os enormes prejuízos causados. Nesse sentido, também devemos considerar as dificuldades futuras que a H2O Racing, Promotora Oficial da F1H2O para UIM terá, para conseguir reativar o mais importante Campeonato Mundial Inshore. Num contexto ainda muito incerto sobre o futuro, aproveitamos a oportunidade dessa conversa com Guido Cappellini, para saber como correram os testes que foram desenvolvidos pelo Abu Dhabi Team em parceria com a Mercury, no início de dezembro em Abu Dhabi, tendo o 10 vezes Campeão Mundial ao volante do DAC equipado com esse novo motor. NM: Qual as suas primeiras impressões sobre o Mercury 360 APX? GC: ”A Mercury deixou de fabricar os motores de F2 e F1 já há alguns anos. Todos estamos utilizando peças feitas por diversos fornecedores, o que torna o custo muito elevado. Entretanto, lançou para a F1 esse novo motor 360 APX, que tive a oportunidade de testar recentemente, mas ainda não existe uma previsão para quando passará a ser o motor oficial e obrigatório para as Equipas.” NM: Sobre a performance do motor, o que pode relatar? GC: ”Com toda certeza os cavalos existem, tem

Em Sharjah 2008, seu pior ano, com Jay Price (11) na disputa por dentro muita potencia. O barulho do motor é espetacular! O maior complicador é o pêso bem superior ao motor da F1 atual de 2 tempos. A maneira de pilotar é bem diferente do que com o motor atual, se impõe várias alterações no barco e o desenvolvimento dos testes para que possamos fazer as curvas com maior velocidade. A retomada é bem mais lenta, apesar da potência rubusta, o motor tem curva de potência menor e torque máximo a

Seu barco em manutenção, Sharjah 2008

Desfile dos Pilotos em carro aberto. Lahti, Finlândia 2009 2021 Janeiro 409

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Motonáutica

Durante os treinos em Doha, Qatar 2009 7.000RPM, enquanto os 2 tempos tem uma curva de retomada maior. Ainda há muito o que se fazer até que esse motor possa ser oficialmente homologado e o conjunto barco/motor competitivo.” NM: E o custo? Vai ser pesado para as Equipas? GC: ”O preço base do motor da Mercury para as Equipas é de €55mil, mas serão necessários alguns

equipamentos adicionais que fazem o custo chegar aos €60mil. Não será uma mudança fácil, pois ainda temos que considerar alterações nos barcos. Depois desse problema com a Pandemia, acho que será necessário esperar alguns anos, até que se possa implementar o uso obrigatório desse motor. Entretanto, é importante considerar que sendo um

Largada com Guido na Pole Position em Doha, Qatar 2009 motor muito potente e que gira bem menos do que os 2 tempos, a durabilidade é muito maior. Como a proposta é de ser proibido a preparação desses motores, isso vai representar uma economia a médio prazo para as Equipas. Temos que sempre considerar os acidentes, quando os motores tem que ser totalmente recuperados a um custo sempre alto com

Desfile dos barcos em St. Petersbourg, Russia 2009

O DAC com o qual bateu o Record Mundial de Velocidade de 256,20Km/h 62

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peças, mão de obra, banco de teste, etc.” NM: Essa mudança dos motores para 4 tempos na F1H2O é semelhante ao que se passou com a X-CAT quando passou a usar os Mercury 450ROS? GC: ”Para os barcos de F1 será um problema mais difícil de solucionar. No caso da X-CAT, a performance dos barcos foi logo muito melhor do que com os antigos motores 2 tempos. Na verdade, a base é a mesma, os motores tem muita força, mas com as diferenças características dos circuitos inshore, com muitas curvas dentre outras variantes, será bem mais complexa essa alteração na F1. As Equipas vão ser um fator de resistência em função do custo e dos problemas sofridos com a Pandemia, a menos que seja obrigatório por regulamento.”

Com o Prícipe Albert de Mônaco, por ocasião da entrega do barco do Record ao Museu de Mônaco


Motonáutica

O novo motor Mercury 360 APX. Record de Velocidade Inshore de 256,20Km/h No ano de 2005 Guido Cappellini já contabilizava 9 Campeonatos Mundiais e sua característica pessoal de superação a novos desafios, fez com que planeasse um novo objetivo: bater o Record Mundial de Velocidade Inshore. Em 29 de Abril de 2005, após a preparação de um barco com detalhes técnicos para essa façanha (como as mini asas dianteiras e laterais além de outros detalhes importantes ainda mantidos em segredo). Foram 30 dias de trabalho focado nesse objetivo com patrocínio da TAMOIL, POLIFORM e do famoso Estaleiro italiano RIVA. NM: Como foi organizado a preparação para a tentativa do Record de Velocidade? GC: ”Foi um trabalho muito importante por um mês, tive um grande apoio da TAMOIL e da RIVA. O

Record foi realizado em frente as instalações do Cantieri RIVA em Sarnico e a Villa Surre que era de propriedade do dono da Tamoil. Foi um trabalho muito duro, transferimos toda Equipa para o local onde testávamos durante todo o dia, novos setup, novas hélices, construímos um barco especialmente para o Record com 5 metros, senão seria impossível chegar a essa velocidade com um barco normal de corrida. Trabalhamos muito e nosso objetivo era fazer um Record que tivesse uma longa duração, e, até mesmo fosse imbatível. Tivemos todas as condições necessárias para fazer o nosso trabalho e felizmente obtivemos um grande Record com a valocidade de 256,20Km/h.” A recuperação da Motonáutica pós Pandemia NM: Qual é a sua opinião re-

Cappellini volta ao volante com 61 anos para testar o novo motor Mercury 360 APX em Abu Dhabi 2020 lativa a recuperação da Motonáutica pós Pandemia? GC: ”Eu ainda desconheço quando estaremos livres do Covid. Somente poderemos pensar nessa possibilidade quando tudo estiver controlado. Primeiramente pensávamos que 2021 seria um ano normal, mas o que agora sabemos é que ainda teremos um ano de grandes dificuldades originadas pelo Covid.” NM: Como voltarão os Campaonatos Mundiais em

2021? GC: ”Acho muito difícil que os Campeonatos Mundiais consigam ter um numero significativo de corridas. Quer seja F1, F2 ou outras Classes de Motonáutica. O Covid gerou uma enorme recessão mundial e será muito difícil para os Promotores conseguirem patrocínios suficientes para suportar a organização a nível profissional. Antes de 2 anos dificilmente teremos os Campeonatos num nível normal.”

No cockpit o maior piloto de Motonáutica Inshore de todos os tempos, usa todo o seu know-how, em prol do futuro da F1H2O 2021 Janeiro 409

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Surf

Notícias do Surf Clube de Viana

SCV potencia formação desportiva com três Training Camps de Natal

Equipa de Surf do CRC Quinta dos Lombos O Surf Clube de Viana (SCV) realizou, em dezembro passado, três Training Camps de Natal, que serviram para compensar um ano atípico ao nível de competição, possibilitando, assim, aos seus atletas manter e desenvolver um ritmo físico e competitivo, bem como preparar a próxima época.

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m dos estágios destinou-se à equipa de Para Surfing, nas Canárias, outro aos atletas do Regular 2 e o terceiro aos atletas de Pré-competição/ Competição, tendo estes últimos tido o CAR Surf de Viana do Castelo por base logística. A equipa de Para Surfing do SCV voltou a realizar um estágio de surf adaptado em Fuerteventura, nas Canárias, desta vez entre 16 e 20 de dezembro último. Nesta altura do ano, a temperatura da água do mar em Fuerteventura está ótima e a equipa vianense ainda 66

dispõe do habitual suporte logístico local de excelência prestado pela parceira Play & Train. Esta atividade, que marcou o culminar da época desportiva 2019/2020, contou com a participação de quatro atletas, Marta Paço, Lucas Borges, Tomás Freitas e Hugo Madruga, e três treinadores, Tiago Prieto, Marco Areias e Renato Bentes. Os objetivos do estágio eram reforçar os paradigmas de treino implementados até agora e delinear novas metas, e foram atingidos com êxito.

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No país vizinho, os atletas demonstraram uma evolução técnica significativa, resultado do trabalho realizado de forma planeada e intensiva ao longo do ano. O clube pretende manter um lugar de destaque a nível mundial no desenvolvimento de uma equipa de Para Surfing que siga metodologias de treino eficazes e inovadoras. Regular 2/ Quinta dos Lombos – Training Camp de Natal O SCV organizou, em conjunto com o Centro Recrea-

tivo e Cultural da Quinta dos Lombos (CRCQL) – clube de referência a nível nacional, um Training Camp para as suas equipas de formação Sub-12 e Sub-14, entre 19 e 22 de dezembro passado, no CAR Surf de Viana. ‍Oito atletas do clube de Carcavelos e treze do SCV participaram nesta atividade, que, além de contar com as excelentes infraestruturas do CAR Surf na resposta ao treino técnico, beneficiou da consistência habitual das ondas na praia do Cabedelo nesta época do ano. Este estágio focou-se no desenvolvimento dos aspe-


Surf

tos técnicos dos atletas e na preparação do próximo ano. Como complemento ao treino de surf, realizaram-se sessões de vídeo-análise detalhadas, bem como treino complementar físico e sessões de alongamento. Outro dos seus objetivos, e que foi também atingido com êxito, passava pela potenciação do intercâmbio de conhecimentos e experiências entre clubes, treinadores e, acima de tudo, entre atletas. A realização deste Training Camp em parceria com outro clube foi desafiante, mas tanto o SCV como o CRCQL possuem como objetivo primário a formação de novos surfistas e, cumpridas todas as medidas de segurança, estas atividades assumem grande importância neste processo formativo. Pré-Competição/ Competição – Training Camp de Natal SCV O SCV organizou o seu habitual Training Camp de Natal para os escalões de formação Sub-16 e Sub-18, de 28 a 30 de dezembro passado. Além de oito atletas do clube vianense, esta atividade contou com dois convidados de referência do surf da zona Norte: Sacha Garcia e João Crespo. O CAR Surf de Viana foi a base operacional para três dias muito intensos, cem por cento focados no desenvolvimento técnico dos atletas do SCV e no desenvolvimento do surf a nível nacional, sempre em segurança. Este estágio, o primeiro da época 2020/21, também serviu para testar a equipa técnica do clube e traçar objetivos. O litoral entre Viana do Castelo e Moledo foi utilizado, com vista a garantir boas condições e qualidade de ondas para as sessões de

Marta Paço estágio em Fuerteventura treino técnico. O surf foi complementado com sessões de vídeo análise detalhadas e sessões de alongamento e recuperação para que os atletas conseguissem manter o ritmo ao longo destes três dias.

Para João Zamith, presidente do clube, “a dinamização destas atividades permite ao SCV continuar a potenciar a formação desportiva e apoio aos atletas, um dos seus pilares estratégicos.”

O SCV agradece os apoios da Fundação do Desporto, do Instituto Português do Desporto e da Juventude, da Câmara Municipal de Viana do Castelo e da Play & Train. Boas Ondas! Melhor Surf!

Sofia Gonçalves estagio Pré-competição Competição 2021 Janeiro 409

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Notícias do Mar

Últimas

Notícias da Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas

Fotografia: Athila Bertoncini

FPAS Promove “Mar de Conversas”

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Federação Portuguesa de Atividades Subaquáticas (FPAS) está a promover a iniciativa MAR DE CONVERSAS, que é um conjunto de debates relacionados com temas de investigação em várias áreas científicas relacionadas com o mar, e vão decorrer na plataforma Zoom, ficando acessíveis a toda a comunidade. Com início marcado para janeiro, os temas escolhidos são para já O Mergulho na Ciência (14/01), Recursos Marinhos (21/01), Monitorização em Ambiente Marinho (4/02), Multidisciplinaridade da Biologia Marinha (18/02), Literacia e Jovens na Ciência (4/03), Desafios do Futuro (18/03), entre outros. Para assistir ao MAR DE CONVERSAS, basta que todas as quintas-feiras, aceda

ao link disponível em www. mardeconversas.pt. As sessões contam com a moderação de alunos e investigadores em programas doutorais. A Federação Portuguesa das Actividades Subaquáticas é uma instituição de utilidade pública desportiva com a tu-

tela das atividades subaquáticas em Portugal. Sob a alçada do IPDJ, a FPAS converge em si diversos desportos e atividades subaquáticas, muitas delas desconhecidas do público geral. Fotografia Subaquática, Mergulho Desportivo, Natação com Barbatanas,

Apneia, Hóquei e Rugby subaquáticos, são apenas algumas das modalidades promovidas pela FPAS, que está dividida em três vias de prática desportiva – competição, desporto para pessoas com deficiência e desporto de participação.

Director: Antero dos Santos - mar.antero@gmail.com Paginação: Tiago Bento - tiagoasben@gmail.com Director Comercial: João Carlos Reis - noticiasdomar@media4u.pt Colaboração: Carlos Salgado, Carlos Cupeto, Gustavo Bahia, Hugo Silva, José Tourais, José de Sousa, João Rocha, João Zamith, Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, Federação Portuguesa de Motonáutica, Federação Portuguesa de Pesca Desportiva do Alto Mar, Federação Portuguesa Surf, Federação Portuguesa de Vela, Associação Nacional de Surfistas, Big Game Club de Portugal, Club Naval da Horta, Club Naval de Sesimbra, Jet Ski Clube de Portugal, Surf Clube de Viana, Associação Portuguesa de WindSurfing Administração, Redação: Tlm: 91 964 28 00

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Notícias do Mar n.º 409  

Jornal Notícias do Mar Online, n.º 409, Janeiro de 2021.

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