Issuu on Google+

DIÁRIO DE SANTA MARIA QUARTA-FEIRA, 22 DE JULHO DE 2009

| 32 | GERAL RONALD MENDES, ESPECIAL – 9/07/09

ESTATÍSTICA CRUEL Entre janeiro e junho, 63 pessoas perderam a vida em 56 acidentes na região. O número de vítimas aumentou em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve 60 mortos no trânsito. Confira as estatísticas que trazem dados curiosos, como a redução de mortes entre os mais jovens: 2008

2009

Sexo das vítimas Homens Mulheres

51 9

56 7

Idade das vítimas 40-49 anos 60 ou mais 20-29 30-39 10-19 50-59 0-9

10 6 20 10 2 10 2

17 15 11 7 7 6 -

Rodovias com mais mortes BR-287 BR-392 BR-290 RSC-287 BR-158 RS-149 RS-509 RS-511 VRS-325 BR-153 RSC-348 RSC-392 RSC-377

11 9 6 4 12 2 1 1 2 2 1 -

10 8 7 5 3 3 3 2 2 1 1 1 1

8 1

15 1

Cidades com mais mortes Santa Maria Caçapava do Sul São Pedro do Sul Restinga Seca Rosário do Sul Santa Margarida São Gabriel São Sepé Itaara Jaguari Tupanciretã Santiago Faxinal do Soturno Nova Esperança Paraíso do Sul Júlio de Castilhos São Vicente Agudo Dona Francisca

21 8 4 2 1 1 1 8 2 4 1 2 1 1 1 1 1

23 6 6 5 3 3 3 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 -

Tipo de veículo em que estava a vítima Carro A pé Motocicleta Caminhão Bicicleta Trator

24 10 18 4 4 -

26 14 9 8 5 1

Vias urbanas Estradas de chão

ESTÁ FALTANDO ALGUÉM NESTA FOTO Silvana e o filho Giovane lamentam a ausência do marido e pai João Manoel da Silva, ao lado da cadeira em que ele gostava de ficar no pátio de casa. Aos 73 anos, o lubrificador aposentado morreu atropelado por uma moto na BR-287, em Santa Maria, em 29 de março

TRÂNSITO Número de vítimas e acidentes no primeiro semestre na região aumentou

(Muitas) vidas perdidas MAIS

Violentos Os dois acidentes mais violentos do ano na região ocorreram no dia 3 de março, em São Pedro do Sul, e em 29 de maio, em Caçapava do Sul. Cada um deles teve três mortos

Foram três mortes a mais nos seis primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2008

anos, com quem foi casado durante 56 anos e teve quatro filhos. Para ela, Silva disse que não demorava a voltar, mas, para o desespero de Silvana, não cumpriu a promessa. A idosa ainda teima em olhar para o portão da casa MARILICE DARONCO como se houvesse esperança e não se conforma em ver a cadeira em que o Homem, acima dos 40 anos, pas- marido gostava de sentar no pátio. Giovane Montenegro da Silva, sando por uma rodovia de Santa Maria. Este é o perfil da maioria das 39 anos, filho de João Manoel, tem 63 pessoas que perderam a vida no consciência de que, para a sua fatrânsito da região nos seis primeiros mília e para as das pessoas que se meses do ano. São três vítimas a mais envolveram nos outros 55 acidentes do que no mesmo período de 2008. com morte entre janeiro e junho na região, é tarde deMas essa não é mais para pensar uma história só Mais uma vez, em como as coicom números. Santa Maria foi a sas poderiam ter Ela tem nomes e sido diferentes. sobrenomes. João cidade com mais ele sabe que, Manoel da Silva é mortos no trânsito. Mas, para muita gente, um deles. De janeiro a junho ainda dá tempo O lubrificador deste ano, foram 23 de rever o comaposentado de portamento no 73 anos morreu trânsito para evina noite de 29 de março. Ele ia para um culto nas pro- tar que os acidentes aconteçam. – Todos têm de prestar atenção no ximidades da BR-287, quando foi atropelado por uma motocicleta, em que estão fazendo. O trânsito não é Santa Maria. Pouco antes da tragédia, brincadeira. Qualquer descuido pode ele tinha saído de casa e se despedido trazer consequências irreparáveis de Silvana Montenegro da Silva, 73 – afirma Giovane.

!

DIÁRIO DA REGIÃO

A mais violenta – Entre as vítimas no trânsito, 47 perderam a vida em rodovias, contra 15 em vias urbanas e uma em estrada de chão. Mas, desta vez, a BR-287 foi a mais violenta da região, com 10 vítimas, ocupando o lugar que, nos seis primeiros meses de 2008, foi da BR-158. Santa Maria continua a ostentar o título de cidade com mais mortos: 23 (veja quadro). Para o delegado de Trânsito da cidade, Roger Spode Brutti, uma mudança nos números depende do comportamento dos motoristas. Ele argumenta que muitos assumem um papel violento no momento em que dirigem.Outros,na visão do delegado, usam o trânsito para aliviar o estresse e tornam comuns práticas como não respeitar a sinalização e desvalorizar a vida das outras pessoas. Para que mais pessoas não venham a fazer parte do triste enredo das mortes no trânsito, cada um precisa cumprir com a sua parte. Fazer revisão no carro antes de viajar, olhar para os lados antes de atravessar uma via e respeitar a sinalização são medidas básicas que podem ajudar a evitar que o trânsito se transforme no final triste de outras famílias. marilice.daronco@diariosm.com.br


DIÁRIO DE SANTA MARIA QUINTA-FEIRA, 19 DE JUNHO DE 2008

DIÁRIO DE SANTA MARIA QUINTA-FEIRA, 19 DE JUNHO DE 2008

| 10 e 11 | GERAL FOTOS CHARLES GUERRA – 16/06/08

ZONA AZUL Parquímetros devem passar por mudanças

3 ANOS E MUITOS ESTACIONAMENTOS DEPOIS

A polêmica não estacionou Mesmo com problemas, serviço terá a volta das notificações e um possível aumento a partir de 2009 MARILICE DARONCO

O que se sabe é que elas serão aplicadas a quem estiver infringindo as regras de estacionamento da Zona Azul antes de ser dada a multa e que deverão ser estabelecidos dois tipos de valores. A notificação mais cara será paga por quem não retirar o tíquete, e a mais barata, por quem ultrapassar o tempo previsto. – O lucro que esperávamos não veio, porque não há uma fiscalização efetiva pela prefeitura. Não deixamos de fazer o serviço porque temos um contrato, que implica diversas multas, até 2015. À medida em que não entra dinheiro para a empresa, ela também não consegue investir em coisas importantes para a própria Zona Azul – afirma o diretor da Rek Parking, Flávio Macedo.

Os parquímetros chegaram à cidade causando muita polêmica. Lá se vão mais de três anos desde que os primeiros equipamentos começaram a operar, em 23 de maio de 2005, mas as divergências não acabaram. Entre tantos problemas, prefeitura e Rek Parking – a concessionária dos parquímetros – chegaram a um mesmo resultado: é necessário mudar mais uma vez. Isso inclui, entre outros pontos, a volta das notificações e um possível aumento no valor do estacionamento. Aumento – Além da fiscalização, Ainda não está marcada a data também está sendo revista a questão oficial para a implementação das do preço do estacionamento em áremedidas. Isso porque muitas ações as de parquímetro. Segundo Macedo, ainda estão sendo discutidas. O fim o valor adotado em Santa Maria – R$ da Zona Azul em algumas áreas e a 1 por hora – é o mais baixo entre as criação dela em outras estão entre as cinco cidades onde a empresa opera: principais novidades. – O valor está defasado. Em 2009, O Conselho Gepossivelmente o ral de Construção valor deve passar Empresa justifica do Plano de Mopara R$ 1,10 ou bilidade Urbana, que novos valores R$ 1,15 por hora. criado recenteO advogado serão implantados mente pela prefeiJorge Pozzobom, porque o lucro que um dos autores da tura para debater era esperado não soluções para o ação que suspentráfego, dará dideu as notificações foi concretizado retrizes sobre as em 2006, resolveu mudanças. não recorrer da De acordo com a prefeitura, entre os decisão do Tribunal de Justiça, que planos a curto prazo estão a retirada considerou válida a cobrança das da Zona Azul de ruas centrais como notificações, na expectativa que Floriano Peixoto, Venâncio Aires, Se- o projeto possa ser discutido rafim Valandro e Duque de Caxias. logo e as mudanças passem por O objetivo é permitir que dois car- aprovação da Câmara de Verearos passem ao mesmo tempo nessas dores. Segundo ele, na Justiça, a ruas, melhorando o fluxo. A Rek Pa- questão demoraria muito tempo rking ainda estuda a possibilidade de e, enquanto isso, os problemas instalar parquímetros nos entornos continuariam. da rodoviária e do centro de eventos, quando estiver pronto. Serviço – Entre as principais – Queremos uma reviravolta nes- reclamações dos usuários, estão se projeto que não está funcionando placas em locais onde não há mais bem como está. Estamos estudando Zona Azul mas os parquímetros conuma proposta interessante, mas ain- tinuam ativos e muita gente retira o da não podemos dar muitos deta- tíquete, falta de fiscais em algumas lhes. Não sabemos, por exemplo, se áreas e dificuldade na aceitação de será necessário criar uma lei especí- moedas pelas máquinas. Para os fica sobre os parquímetros – afirma motoristas, o que existe no Centro, a secretária de Trânsito, Transporte e na verdade, é uma zona de conflito. O Mobilidade Urbana, Marian Moro. Diário fez dois testes (veja ao lado) e Outra novidade é a retomada das constatou que há questões em que os notificações por excesso no tempo usuários estão certos em reclamar. de uso e por não retirar o tíquete. – Passam cinco minutos, você Elas foram suspensas, por ordem ju- não acha o monitor para trocar o dicial, em outubro de 2006, mas de- dinheiro, mas, quando vai ver, tem vem voltar para ficar, devido a uma um aviso no vidro do carro. Isso sem decisão do Tribunal de Justiça do contar quando tenta usar moedas, e Estado no final do ano passado. Por a máquina rejeita. Moedas, como enquanto, pouco é revelado sobre as as de R$ 0,25, dão muito problema notificações. Não é para menos, já – afirma a professora Nara Callegaro que elas foram o alvo das maiores Boellhouwer, 57 anos. críticas dos usuários. marilicedaronco@diariosm.com.br

Parquímetros

A empresa precisa trazer o chip card da Alemanha e tem passado muito tempo sem eles. Atualmente, haveria dois lotes de cartões a caminho. A expectativa é que a venda seja normalizada em julho. Quem comprou cartão que apresentou defeito deve procurar pela empresa para ser ressarcido

■ Em 2005, havia 53 máquinas ■ Em 2006, o número caiu para 51 ■ Em 2007, eram 40 parquímetros ■ Este ano, são 39

MAIS Na Serra A cidade onde a Rek Parking opera há mais tempo com parquímetros é Caxias do Sul. Lá, o sistema existe há nove anos. O preço para estacionar é de R$ 1,30, e as notificações custam R$ 13

Vagas

Equipe da Rek Parking

■ No começo de 2005 eram 1.170 vagas. Ao longo do ano, o número subiu para 1,3 mil ■ Em 2006, estavam disponíveis 1.180 espaços para estacionamento na área dos parquímetros ■ No ano passado, o número de vagas era de pouco mais de 900 ■ Atualmente, são 950

■ Em 2005, eram 31 monitores ■ Atualmente, são 22 profissionais

Cartões ■ Desde 2005, a Rek Parking vende cartões recarregáveis, os chamados chip cards. Eles contêm unidades que equivalem a horas de estacionamento. Quem comprou o cartão, pode recarregá-lo na Rek Parking, que fica na Rua Professor Braga, 239. Porém, quem não conseguiu comprar um cartão, há muito enfrenta dificuldades para adquiri-lo.

Arrecadação ■ No primeiro ano de funcionamento, foram arrecadados cerca de R$ 600 mil ■ Entre 2006 a 2007, o faturamento foi de aproximadamente R$ 785,5 mil ■ A média mensal de arrecadação, que era de R$ 65 mil, tem caído para R$ 50 mil a R$ 60 mil este ano

Ruas atendidas ■ Quando os parquímetros foram criados, em 2005, eram 13 ruas atendidas ■ Hoje, são 16

Onde os parquímetros estão ativos ■ Rio Branco, entre Silva Jardim e Vale Machado ■ Andradas, da André Marques até a Serafim Valandro ■ Floriano Peixoto, entre Andradas e Venâncio Aires e da Ângelo Uglione até a Tuiuti ■ Venâncio Aires, entre Doutor Pantaleão e Duque de Caxias ■ Ângelo Uglione ■ Roque Calage ■ Astrogildo de Azevedo, entre Riachuelo e Floriano Peixoto ■ Doutor Bozano, entre Floriano e Duque de Caxias ■ Ernesto Marques da

Rocha ■ Coronel Niederauer, entre Floriano Peixoto e Duque de Caxias ■ Serafim Valandro, entre Olavo Bilac e Venâncio Aires ■ Professor Braga, entre Astrogildo de Azevedo e Pinheiro Machado ■ Tuiuti, entre Riachuelo e Professor Braga ■ Pinheiro Machado, entre Acampamento e Floriano Peixoto ■ José Bonifácio, entre Acampamento e Floriano Peixoto ■ André Marques, esquina com Henrique Dias

!

Depois de completar três anos em Santa Maria, sistema ainda é motivo de discórdia entre os usuários

Nem tudo é azul O Diário testou durante três dias os parquímetros de áreas centrais da cidade (veja o quadro). Foram avaliados 10 equipamentos para saber se as reclamações dos usuários faziam sentido ou se a afirmação da Rek Parking estava certa ao dizer que é preciso apenas mais tempo para que os clientes se acostumem com as máquinas. O resultado não foi dos mais agradáveis. No primeiro teste, feito no último dia 11, foram usadas diferentes moedas com valores entre R$ 0,05 e R$ 1. Em quatro parquímetros, havia problemas, principalmente com as moedas de R$ 0,05, R$ 0,10 e R$ 0,25. Segundo monitores da Rek Parking que preferiram não se identificar, em dias úmidos é comum que a dificuldade seja ainda maior. O problema estaria relacionado ao peso das moedas. É a partir dele que é feita a principal distinção entre os valores pelo

equipamento. Quando alguma está gasta ou o dia muito úmido, o peso não é reconhecido, e a moeda pode ser devolvida. O diretor da empresa, Flávio Macedo, afirma que há constante manutenção dos equipamentos e que, quando necessário, eles são encaminhados para São Paulo, para que seja feita assistência técnica dos compartimentos para moedas. Ele recomenda que as pessoas insistam mais de uma vez até que a moeda seja aceita. No segundo teste, feito na última terça-feira, foi avaliado se os monitores estavam perto do parquímetro para ajudar os usuários ou dar troco para quem precisa. Desta vez, em cinco locais não havia monitores. Em outro, o profissional demorou oito minutos para chegar. Quanto a essa questão, Macedo afirma que a Rek Parking possui 22 monitores, o que considera um número acima do necessário. – Infelizmente, as pessoas já deveriam ter se acostumado com os parquímetros e levar dinheiro trocado. É como nos pedágios. Se o motorista não levar o dinheiro, vai ter de dar a volta na estrada e retornar para casa – argumenta Macedo.

O TESTE FEITO PELO ‘DIÁRIO’ Uma equipe percorreu alguns pontos para ver o funcionamento dos parquímetros e se havia monitores (foram testadas moedas de R$ 0,05, R$ 0,10, R$ 0,25 e R$ 0,50 e R$ 1) 1. Doutor Bozano, perto da Floriano Peixoto Teste 1 – Moedas

■ Horário – 17h10min ■ Situação – Não havia monitor

■ Data – 11/06 ■ Situação – Não aceitava moedas de R$ 0,05. Moedas de R$ 0,10 precisavam ser colocadas com muita calma. Em dias úmidos, elas podem apresentar problemas

6. Professor Braga, na metade da quadra entre a Astrogildo de Azevedo e a Pinheiro Machado Teste 1 – Moedas

4. Doutor Bozano, quase em frente à Praça Saturnino de Brito Teste 1 – Moedas

■ Data – 11/06 ■ Situação – Aceitava as moedas

Teste 2 – Monitores ■ Data – 17/06 ■ Horário – 16h55min ■ Situação – Havia um monitor

2. Doutor Bozano, esquina com a Serafim Valandro Teste 1 – Moedas ■ Data – 11/06 ■ Situação – Aceitava as moedas

Teste 2 – Monitores ■ Data – 17/06 ■ Horário – 17h ■ Situação – Não havia monitor

3. Doutor Bozano, metade da quadra entre a Serafim Valandro e a Praça Saturnino de Brito Teste 1 – Moedas ■ Data – 11/06 ■ Situação – Aceitava as moedas

Teste 2 – Monitores ■ Data – 17/06

■ Data – 11/06 ■ Situação – Moedas de R$ 0,10 e R$ 0,25 eram devolvidas. Foi preciso insistir várias vezes

Teste 2 – Monitores ■ Data – 17/06 ■ Horário – 16h25min ■ Situação – Não havia monitor

Teste 2 – Monitores

■ Data – 11/06 ■ Situação – Aceitava as moedas

Teste 2 – Monitores ■ Data – 17/06 ■ Horário – 16h20min ■ Situação – Havia dois monitores

■ Data – 11/06 ■ Situação – Aceitava as moedas

Teste 2 – Monitores ■ Data – 17/06 ■ Horário – 16h39min ■ Situação – Não havia monitor

9. Andradas, esquina com a Avenida Rio Branco Teste 1 – Moedas

■ Data – 17/06 ■ Horário – 17h15min ■ Situação – Havia um monitor

5. Astrogildo de Azevedo, esquina com a Professor Braga Teste 1 – Moedas

8. André Marques, esquina com a Henrique Dias Teste 1 – Moedas

LAURO ALVES

B

SEM ACORDO

■ Data – 11/06 ■ Situação – Foi preciso forçar para que as moedas entrassem no parquímetro. As de R$ 1 ficavam trancadas

Teste 2 – Monitores 7. Professor Braga, esquina com Pinheiro Machado Teste 1 – Moedas ■ Data – 11/06 ■ Situação – As moedas entravam, mas quando a operação era cancelada, nem sempre elas voltavam. Moedas, principalmente de R$ 0,25, trancavam na saída do equipamento

Teste 2 – Monitores ■ Data – 17/06 ■ Horário – 16h30min ■ Situação – Não havia monitor

■ Data – 17/06 ■ Horário – 16h42min ■ Situação – O monitor demorou oito minutos para aparecer

10. Floriano Peixoto, acima da Rua dos Andradas Teste 1 – Moedas ■ Data – 11/06 ■ Situação – Aceitava as moedas

Teste 2 – Monitores ■ Data – 17/06 ■ Horário – 16h52min ■ Situação – Havia um monitor

SEGUE


DIÁRIO DE SANTA MARIA

DIÁRIO DE SANTA MARIA

| 16 e 17 | GERAL

QUARTA-FEIRA, 1º DE AGOSTO DE 2007

QUARTA-FEIRA, 1º DE AGOSTO DE 2007 FOTOS LAURO ALVES – 12/07/07

TRÂNSITO Há buracos demais entre São Sepé e Santana da Boa Vista

Muitas armadilhas no caminho da 392 Borracharias cheias e caminhões quebrados alertam: só sorte e cautela para não ficar no caminho MARILICE DARONCO

Há mais de um ano, os motoristas que passam pelos 73,8 quilômetros da BR-392 entre São Sepé e Santana da Boa Vista não contam com reparos na estrada. O contrato com a empresa que fazia a manutenção terminou em junho de 2006. De lá para cá, os buracos se multiplicaram, principalmente a partir do trevo de Caçapava do Sul. Muitas vezes, invadir a pista contrária ou tomar conta do acostamento são os únicos jeitos de escapar dos buracos. A viagem pela rodovia – que é a principal ligação da Região Central com o porto de Rio Grande – ficou muito mais perigosa e também mais cara. Como parte da safra da soja ainda está sendo transportada, os caminhoneiros estão contabilizando prejuízos. Segundo os profissionais, as viagens estão mais demoradas, e o gasto aumentou porque é preciso fazer, com mais freqüência, emendas nos pneus – que custam, em média, R$ 10. Alguns motoristas estão indignados porque já precisaram trocar até pneus comprados recentemente. – Os caminhões estão quebrando toda hora. Agora mesmo, caiu a descarga do meu por causa de uma cratera da estrada – reclamava o caminhoneiro João Paz, 53 anos, mostrando o cano. O temor de Paz e dos outros motoristas é de que, quando começar a safra do trigo, em dezembro, a estrada ainda esteja cheia de problemas. As notícias vindas do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) dizem que não será bem assim. O superintendente estadual do Dnit, Marcos Ledermann, afirma que, na

O PROBLEMA ■ Importância – Pela BR-392, é escoada a produção da região para o porto de Rio Grande. Agora, estão sendo transportados pela rodovia as 3 milhões de toneladas de soja que começaram a ser colhidas em março. Em dezembro, será a vez do trigo ■ Mau exemplo – O trecho entre Caçapava do Sul e Santana da Boa Vista está totalmente esburacado. Só do km 240 ao km 242 existem mais de cem buracos. Nas pontes sobre o Rio Irapuá e o Arroio Santa Bárbara, os motoristas enfrentam crateras na entrada e na saída

valerá por dois anos. Enquanto as prometidas reformas não vêm, só quem fica feliz com o estado da BR-392 são os mecânicos e os borracheiros que estão correndo contra o tempo para conseguir dar conta do serviço. Eles já estão tão acostumados com a pouca durabilidade das operações tapa-buracos que nem estão muito preocupados com as melhorias que devem ser feitas na estrada a partir da próxima semana. – Para nós, está sendo lucro certo. Mas, de vez em quando, nós também caímos na armadilha. Em outro dia, nossa própria camioneta quebrou – afirma o mecânico Aldovanti Chaves Carvalho, 50 anos.

SAÚDE

MAIS Pressão

PA, enfim, pode usar o Raio X novo

Na última sextafeira, uma comissão com representantes da Câmara e da prefeitura de Caçapava, empresários e produtores de calcário reuniramse com o Dnit, para cobrar a reforma da 392. De lá, eles voltaram com a resposta de que há um projeto para recuperar toda a estrada. Ela ficaria sem buracos por cerca de 10 anos, mas ainda não há data para que a idéia saia do papel

ADALTO SCHUSTER/DIVULGAÇÃO

DEMOROU Equipamento (foto) estava na caixa há um ano e dois meses

Último reparo ■ Como foi – Os 73,8 quilômetros da BR-392 de São Sepé até Santana da Boa Vista começaram a ser recapeados em janeiro de 2006 ■ Quem fez – O trecho é um dos 15 que foram transferidos para o Estado em 2002. A empresa Companhia Brasileira e Mineradora (Cbemi) foi contratada para fazer as obras emergenciais, mas o contrato dela venceu em junho de 2006

Haja remendo As operações tapa-buracos são usadas porque não existe um projeto para recuperar totalmente a BR-392. Segundo o Dnit, há pelo menos 20 anos, a rodovia não passa por reforma geral. O asfalto velho, por mais que ganhe remendos, volta a ter buracos. A chuva, o peso dos caminhões e o grande movimento da rodovia são alguns dos fatores que aceleram o desgaste

semana que vem, a empresa que tinha contrato para restaurar a BR392 vai voltar ao local. Como sobrou dinheiro do contrato – cerca de R$ 1,4 milhão –, ela terá de recuperar o trecho antes de entregálo. Depois disso, assume a empresa Técnica Viária, vencedora da licitação que foi encerrada este mês e

Socorro – No pátio de uma das borracharias que ficam às margens da rodovia, um terreno virou um verdadeiro cemitério de pneus. No local, os motoristas estão deixando para trás aqueles pneus que foram vítimas da BR-392 e que nem mesmo borracheiros mais experientes conseguiram dar jeito de consertar. – Toda hora, pára pelo menos um caminhão com o pneu furado. A gente cobra de R$ 10 a R$ 15 pelo remendo e chega a fazer 20 por dia – comemora Unício Oliveira Teixeira, 40 anos, que divide o trabalho com Edimar Teixeira Soares, 18. Com tantos carros quebrando pelo caminho, sobra para a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os agentes, além de controlar o tráfego da estrada e tentar diminuir o risco de acidentes com a fiscalização, acabam exercendo a tarefa extra de serem socorristas. – O pessoal liga pedindo socorro, e a gente ajuda. Busca mecânico, traz pneu consertado da borracharia até o carro... Não tem como não ajudar, afinal, há gente que entra em pânico quando se vê com o carro quebrado no meio da estrada – afirma o policial militar Edison Flores Vieira, 37 anos.

DIÁRIO DA REGIÃO

VAI ENCARAR? A foto acima é apenas um dos tantos flagrantes que podem ser feitos em 73,8 quilômentros de estrada: quase há mais buracos do que asfalto

marilice.daronco@diariosm.com.br

A revolta ganhou a estrada

PREJUÍZO

LUCRO

João Paz perdeu a descarga por causa de um buracão

Buraqueira traz movimento para Edimar (esq.) e Unício

Toda vez que precisa passar pela BR-392, o caminhoneiro Aléssio Luiz Somavilla (foto), 48 anos, fica muito revoltado por causa dos buracos. Tanto que ele resolveu pendurar uma faixa de protesto na sua carreta com a frase “BR-392, rodovia conservada com buracos é fato, é verdade! Até quando?”. Furioso, porque gasta mais com as viagens,

Somavilla chegou a filmar os buracos num trecho perto da cidade de Canguçu. – Estamos gastando mais com pneu e diesel, porque o caminhão perde o embalo quando a gente passa pelos buracos. Isso sem contar que estamos arriscando nossas vidas e demorando mais para entregar as cargas – reclama.

Haja terra para tapar tudo Para tentar amenizar um pouco o drama dos motoristas, os policiais rodoviários federais de Caçapava do Sul juntaram dinheiro do próprio bolso para comprar pás. Eles vão semanalmente até os maiores buracos para tapá-los com terra, tirada da beira da estrada. O objetivo principal é tentar evitar acidentes maiores. No dia 12 de ju-

lho, os agentes Edilson Flores Vieira (à dir. na foto), 37 anos, e Francisco Eder (à esq.), 64, revezaram-se no trabalho. Mesmo com pouca esperança, porque, segundo eles, assim que chove, os buracos voltam. – Nós não temos mais para quem pedir socorro. Parte da rodovia não tem mais nem acostamento – lamenta Eder.

Desde a tarde de ontem, o Pronto-Atendimento (PA) Municipal conta com uma ajuda a mais: é um equipamento de Raio X que estava encaixotado desde a inauguração da unidade, em maio do ano passado, porque uma sala precisava receber adaptações. O novo “brinquedo” do PA do Patronato custou cerca de R$ 80 mil e promete trazer benefícios para quem precisar dos serviços de radiografia. A montagem do maquinário envolveu dois especialistas vindos de Porto Alegre especialmente para a tarefa. Além disso, os profissionais treinaram uma equipe de nove pessoas que irão operar o Raio X. – É um equipamento moderno e muito simples, adequado ao tipo de serviço prestado aqui no PA. Ele é econômico e tem um custo-benefício muito bom – relata o técnico em eletromedicina Norberto Duschitz, que presta serviço para a fabricante do equipamento. Além de poupar energia, a manutenção também será muito mais prática, pois as peças para a reposição devem ser facilmente encontradas. Outro ponto positivo é a qualidade das imagens, muito superior às obtidas com o aparelho antigo. – Como o equipamento é recente, a qualidade das radiografias é bem melhor. Iremos fazer adaptações para expor o paciente ao mínimo de radiação possível e aumentar a vida útil desse tipo de equipamento, que é de oito anos, aproximadamente – explica o técnico em radiologia Thiago Clauss.

Sem parar – Mesmo com o novo a todo o vapor, o Raio X antigo – que voltou a funcionar há cerca de 20 dias, depois de ficar um mês parado – não deve ser desativado. Aproximadamente 1,2 mil pacientes precisam fazer exames de radiografia a cada mês. – Temos de lembrar que é preciso autorização médica para a radiografia. Mas acredito que o número de pacientes atendidos por esse serviço deva subir – afirma o coordenador do PA, Edilson Ribas.


Trânsito