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REVISTA DO LEO REVISTA ELETRONICA EDITADA POR

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ Prefixo Editorial 917536

SÃO LUIS – MARANHÃO NUMERO 23 – AGOSTO – 2019


A presente obra está sendo publicada sob a forma de coletânea de textos fornecidos voluntariamente por seus autores, com as devidas revisões de forma e conteúdo. Estas colaborações são de exclusiva responsabilidade dos autores sem compensação financeira, mas mantendo seus direitos autorais, segundo a legislação em vigor.

EXPEDIENTE REVISTA DO LEO Revista eletrônica EDITOR Leopoldo Gil Dulcio Vaz Prefixo Editorial 917536 vazleopoldo@hotmail.com Rua Titânia, 88 – Recanto de Vinhais 65070-580 – São Luis – Maranhão (98) 3236-2076

CAPA: Elir de Jesus Gomes, Zezé Cassas e Cláudio Alemão

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ Nasceu em Curitiba-Pr. Licenciado em Educação Física, Especialista em Metodologia do Ensino, Especialista em Lazer e Recreação, Mestre em Ciência da Informação. Professor de Educação Física do IF-MA (1979/2008, aposentado; Titular da UEMA (1977/89; Substituto 2012/13), Convidado, da UFMA (Curso de Turismo). Exerceu várias funções no IF-MA, desde coordenador de área até Pró-Reitor de Ensino; e de Pesquisa e Extensão); Pesquisador Associado do Atlas do Esporte no Brasil; Diretor da ONG CEV; tem 14 livros publicados, e mais de 250 artigos em revistas dedicadas (Brasil e exterior), e em jornais; Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; Membro Fundador da Academia Ludovicense de Letras; Membro da Comissão Comemorativa do Centenário da Faculdade de Direito do Maranhão, OAB-MA, 2018; Recebeu: Premio “Antonio Lopes de Pesquisa Histórica”, do Concurso Cidade de São Luis (1995); a Comenda Gonçalves Dias, do IHGM; Premio da International Writers e Artists Association (USA) pelo livro “Mil Poemas para Gonçalves Dias” (2015); Premio Zora Seljan pelo livro “Sobre Maria Firmina dos Reis” – Biografia, (2016), da União Brasileira de Escritores – RJ; Foi editor das seguintes revista: “Nova Atenas, de Educação Tecnológica”, do IF-MA, eletrônica; Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, edições 29 a 43, versão eletrônica; ALL em Revista, eletrônica, da Academia Ludovicense de Letras, vol 1, a vol 4, 12 16 edições. Condutor da Tocha Olímpica – Olimpíada Rio 2016, na cidade de São Luis-Ma.


REVISTA DO LÉO NÚMEROS PUBLICADOS

2017 VOLUME 1 – OUTUBRO DE 2017 - https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_-_1_-_outubro_2017 VOLUME 2 – NOVEMBRO DE 2017 - https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_-_2_-_novembro_2017 VOLUME 3 – DEZEMBRO DE 2017 - https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_-_3_-_dezembro_2017

2018 VOLUME 4 – JANEIRO DE 2018 - https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_4_-_janeiro_2018 VOLUME 5 – FEVEREIRO DE 2018 - https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_5_-_fevereiro_2018h VOLUME 6 – MARÇO DE 2018 - https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_6_-_mar__o_2018 VOLUME 6.1 – EDIÇÃO ESPECIAL – MARÇO 2018 - https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_especial__faculdade_ VOLUME 7 – ABRIL DE 2018 - https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_7_-_abril_2018 VOLUME 8 – MAIO DE 2018 - https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_8_-_maio__2018 VOLUME 8.1 – EDIÇÃO ESPECIAL – FRAN PAXECO: VIDA E OBRA – MAIO 2018 - https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_8.1_-__especial__fra VOLUME 9 – JUNHO DE 2018 - https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_9_-_junho_2018__2_ VOLUME 10 – JULHO DE 2018 – https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_-_10_-_julho_2018 VOLUME 11 – AGOSTO DE 2018 - https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_-_11_-_agosto_2018 VOLUME 12 – SETEMBRO DE 2018 - https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_12_-_setembro_2018 VOLUME 13 – OUTUBRO DE 2018 https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_-_13_-_outubro_2018 VOLUME 14 – NOVEMBRO DE 2018 https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_l_o_-_numero_14_-_novemb VOLUME 15 – DEZEMBRO DE 2018 https://issuu.com/leovaz/docs/revisdta_do_l_o_15_-_dezembro_de_20? VOLUME 15.1 – DEZEMBRO DE 2018 – ÍNDICE DA REVISTA DO LEO 2017-2018

https://issuu.com/…/docs/3ndice_da_revista_do_leo_-_2017-201


2019 VOLUME 16 – JANEIRO DE 2019 https://issuu.com/home/published/revista_do_leo__16_-_janeiro_2019 VOLUME 16.1 – JANEIRO DE 2019 – EDIÇÃO ESPECIAL: PESCA NO MARANHÃO https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo__16_1__-_janeiro__20 VOLUME 17 – FEVEREIRO DE 2019 https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo_17_-_fevereiro__2019 VOLUME 18 – MARÇO DE 2019 https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo__18_-_mar_o_2019 VOLUME 19 – ABRIL DE 2019 https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo__19-_abril_2019 VOLUME 20 – MAIO DE 2019 https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo__20-_maio_2019 VOLUME 20.1 - MAIO 2019 – EDIÇÃO ESPECIAL – FRAN PAXECO E A QUESTÃO DO ACRE https://issuu.com/home/published/revista_do_leo__20.1_-_maio_2019_-_ VOLUME 21 – JUNHO DE 2019 https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo__21-_junho_2019 VOLUME 22.1 – JULHO DE 2019 – EDIÇÃO ESPCIAL: CAPOEIRAGEM TRADICIONAL MARANHENSE https://issuu.com/home/published/revista_do_leo__22-_julho_2019_-_ed VOLUME 23 - - AGOSTO DE 2019

VOLUME 23.1 – AGOSTO DE 2019 – EDIÇÃO ESPECIAL: AINDA A CAPOEIRA MARANHENSE https://issuu.com/leovaz/docs/revista_do_leo__23.1-_agosto_2019_-


EDITORIAL

A “REVISTA DO LÉO”, eletrônica, é disponibilizada, através da plataforma ISSUU https://issuu.com/home/publisher. É uma revista dedicada às duas áreas de meu interesse, que se configuraram na escolha de minha profissão – a Educação Física, os Esportes e o Lazer, e na minha área de concentração de estudos atual, de resgate da memória; comecei a escrever/pesquisar sobre literatura, em especial a ludovicense, quando editor responsável pela revista da ALL, após ingresso naquela casa de cultura, como membro fundador. A REVISTA DO LÉO está prestes a completar dois anos de publicação. Até o momento, com este número, são 25 edições, pois tivemos três delas como suplemento de alguns números (três, claro!), que exigiram um cuidado maior, e devido a alguns acontecimentos que justificaram essas publicações... Conforme dito no numero um, seria dedicada aos meus escritos - e de alguns colaboradores - e que haviam aparecido sobretudo, no Blog do Leopoldo Vaz, na página da Mirante.com/Globo esporte por quase dez anos!, até que foi retirado do ar pela emissora, e perdido todo o arquivo. Resolvi, então, republicar o material ali exposto, e mais algumas outras coisas mais... Considerei que tinha material para dois anos... Faltam poucas coisas a resgatar, mas começa a escassear. Penso em abrir a revista, buscando colaboradores – além dos habituais José de Oliveira Ramos, Jorge Bento... -, mas mantendo o foco no resgate da memória/história dos esportes, lazer e educação física no/do Maranhão, e, como sabem, de outra área de interesse, que é a literatura ludovicense... Tenho uns 50 – mais até – livros prontos, para publicação, dentre os que organizaei (a sua maioria...) e os de resgate de memoria e antologias... aos poucos, estes livros e seus capítulos, primeiro aparecem em minhas publicações, após serem acrescidos no material que deveria virar livro... Como não tenho recursos para publicalos por conta própria, salario de professor, hoje, mal dá para sobreviver... vou postando por aqui mesmo... Acabo de escrever o 299º artigo... todos publicados! Alguns mais de uma vez, e em diversos canais... alguns aparecem no exterior, em especial Argentin e França... Ao me utilizar do ISSUU, este me dá uma estatística de quantos acessos foram feitos, na minha ‘página’: já ultrapassei 1.650.000 e, ainda, um mapinha, assinalando em vermelho, os países em que fui acessado – alguns poucos da África ainda não, mas no resto do mundo... fico curioso quem no Axerbaijão me lê... O livro sobre Gonçalves Dias, os dois, são baixados quase que semanalmente, em algum lugar do mundo... O acesso à esta revista, chega, na média, a 25 mil em cada numero... às da ALL, pouco menos, 20 mil por edição... as do IHGM, continuam sendo acessadas, além de meus livros, aqui disponibilizados (aqui, ISSUU...)... Creio que tenho um bom público... só lamento, como disse-me recentemente uma professora doutora, ao pedirme um material sobre o Gabriel Malagreida, para sua tese de pós-doutorado, que não sou citado pelos ‘academicos’ – os famosos phdeuses - por não ser historiador de carteirinha, ou mesmo ‘formado em letras/literatura’, embora copiem – sim, isso mesmo!!! – muitos de meus escritos... dizem que, pelo fato de nao ser ‘doutor’ da área, não tem respaldo acadêmico e ‘diminuiria’ a credibilidade de suas pesquisas e fontes... Mas continuam a mandar alunos-orientandos para minha casa, solicitar material... continuam usando de meus escritos para alimentar os seus, copinado o escrito e citado diretamente a fonte, como se fizessem a pesquisa... Uma pena, essa pobreza de espírito, reinante na terra das letras... Mas, segue a vida... continuo ajudando, naquilo que posso, e, quando mando um artigo, aviso que está publicado, e onde... dizem que citarão... mas... não!!!!

. LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ EDITOR


SUMÁRIO 2 5 6 7

EXPEDIENTE EDITORIAL SUMÁRIO

MEMÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA, ESPORTES E LAZER LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ (ccapítulo do livro) CLAUDIO VAZ, O ALEMÃO - E O LEGADO DA GERAÇÃO DE 53 - “FOI AÍ QUE EU ENTREI...” LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ ENCONTRO DE GERAÇÕES LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ; DENISE MARTINS DE ARAUJO RECORDAR É VIVER - (capitulo de livro: Querido Profssor Dimas) CONGRESSO INTERNACIONAL DOS 400 ANOS DA PRESENÇA AÇORIANA NO MARANHÃO - HISTÓRIA, CULTURA E IDENTIDADE

8 25 33

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Convite para Palestra CONTRIBUIÇÃO DOS AÇORIANOS PARA A CULTURA MARANHENSE: O CASO DO “TARRACÁ” LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

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ATLAS DO ESPORTE NO MARANHÃO GINÁSTICA DJANETE MENDONÇA; CÉLIA FONTENELLE PEREIRA GRD GINÁSTICA ARTISTICA

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ARTIGOS, CRÔNICAS, DISCUSSÕES, OPINIÕES

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HOMENAGEM AO COMPANHEIRO DE JORNADA ALFREDO GOMES DE FARIA JUNIOR EM 24/08/2002 E REVISITADA APÓS SEU FALECIMENTO EM 10/06/2019 ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA O MUSEU DA MEMÓRIA ÁUDIO VISUAL DO MARANHÃO – MAVAM EUCLIDES MOREIRA NETO IGNORAR UM SEGMENTO POPULAR É PERDER EM TODO CONJUNTO VALDENOR SILVA SANTOS 90 PERGUNTAS MAIS COMUNS SOBRE A CAPOEIRA/DESPORTO EUCLIDES MOREIRA NETO CULTURA POPULAR: A FESTANÇA NÃO ISOLA AS CONTRADIÇÕES DO SISTEMA POLÍTICO E SOCIAL ALBERTO GRECIANO CAPOEIRA E INTERFAZ: CUERPO, MENTE Y HOLOGRAMAS EN LA SUBVERSIÓN DEL CONOCIMIENTO _ JORGE OLÍMPIO BENTO DESPORTO E FILOSOFAR LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ ESCOLA DE GESTÃO NONATO REIS MAURO BEZERRA, O CHARME E A SUTILEZA EM PESSOA

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LAMARTINE DACOSTA

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MEMÓRIA DA EDUCAÇão FÍSICA, ESPORTES E LAZER


CLAUDIO VAZ, O ALEMÃO - E O LEGADO DA GERAÇÃO DE 53

"Sou a mãe e o pai do JEMs. Os JEMs são a minha vida." Cláudio Vaz dos Santos.

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

“FOI AÍ QUE EU ENTREI...”


Foi ai que eu entrei, fui dirigir pela primeira vez... Isso foi em 71, nós entramos no Governo, se não me engano, foi em março ou por aí; em setembro, nós tivemos o primeiro FEJ (Festival Esportivo da Juventude) Semana da Pátria, onde o Colégio São Luiz foi o primeiro campeão do FEJ, onde eu trabalhei. [...] não tinha professor de Educação Física no Maranhão e eu queria fazer um trabalho de nível, eu tinha de pensar primeira coisa que tinha de ter, era o professor tanto para quem quisesse transferir conhecimento, então eu não tinha nada acadêmico, nada elevado nessa área aqui, só tinha professor já superado, dois que já não trabalhavam mais, Braga que era professor daqui [ETFM, hoje IF-MA] e não sei se era formado, Braga, Zé Rosa, Rinaldi Maia. Aí foi que o Dimas começou, trabalhamos juntos, nós acumulávamos, nós éramos árbitros, técnicos. Tudo nós fazíamos, tanto o Dimas quanto o Laércio (de São Paulo) já me ajudou nessa época; foi o primeiro que veio para cá; o pessoal criou muito problema comigo porque eu estava enchendo de paulista. (VAZ DOS SANTOS, ENTREVISTA). Cláudio refere-se aos antigos professores, formados no inicio dos anos 40, tanto pela Escola Nacional, quanto pela Escola de Educação Física do Exército, responsáveis pela implantação do Serviço de Educação Física no Estado. Herdeiros dos métodos tradicionais de ensino da educação física, como o francês, a calistenia, em sua maioria homens, oriundos da área militar – Polícia e Exército: Já é de quem trabalhou comigo o pessoal que tinha já não era mais da ativa [...] Eurípedes; Major Júlio, todos esses foram formados na Escola de Educação Física do Exército. Eles vieram de lá, mas eu não trabalhei com eles, o Eurípedes trabalhou comigo assim, mas não tive nenhuma participação efetiva dele, ele nunca assumiu. [...] na época eram os leigos, eu faziam curso de reciclagem e tal, mas dentro da área mesmo com conhecimento de nível universitário, era o Dimas, o Laércio. Segundo Dimas, em 1970, atuam como professor de Educação Física, em São Luís: no Batista: Rubem Goulart tinha morrido, e Dimas assume seu cargo; no Marista: Eurípedes, Nego Júlio e Furtado; no Ateneu não tinha mais ninguém: Nego Júlio é íntimo nosso, era Major Júlio. Júlio que inclusive participou daquela primeira demonstração que eu dei, eram os professores de lá, ele e Eurípedes, tanto que ele já me conhecia daí, tanto que depois eu vou fazer um comentário disso, e Furtadinho - Furtado já estava trabalhando aqui nessa época. (DIMAS, entrevistas). Haviam outros professores, trabalhando nessa época: Era Odinéia; Clarice; tinham muitas; Maria José;... Antes dessas tem outras, Ildenê Menezes, na época foi Secretaria de Educação; Dinorah - e eram duas irmãs - Dinorah... - e a primeira academia que hoje é essa Academia [São Francisco] vou falar sobre isso -, Clarice Lemos; Dinorah e Celeste Pacheco, elas eram irmãs - Pacheco; Graça Helluy, Ah!, tinha muita gente ... Luiz Aranha; nessa época eu acho que já dava aula o Rui [Guterres], marido de Cecília [Moreira]; o Batista que era da Polícia; acho que Cavagnac, tem mais gente..." Geraldo Mendonça se lembra de um Curso, realizado em 1967, em convênio entre os estados do Maranhão e de São Paulo, com 120 horas de duração, sendo Professor Nelson Gomes da Silva, e 25 alunos. Participaram desse curso: Ana Rosa de Souza Silva; Benedita Duailibe; Clarice Barros Rosa; Dinorah Pacheco Muniz; Elena da Conceição Pereira; Florileia Tomasia de Araújo; Felicidade Mendes de S. Nascimento; Ivete D´Aquino Castro; Ivone da Costa Reis; Julio Elias Pereira (Major Julio); Maria José Reis Maciel; Maria das Graças R. Pereira; Maria da Conceição Sá Melo; Maria da Glória Castro Fernandes; Maria de Jesus Carvalho de Brito; Maria do Rosário Silva Maia; Maria do Rosário Silva; Maria da Conceição Santos Souza; Neide Moerira da Silva; Odinéia Trompa Falcão; Pedro Ribeiro Sobrinho; Reginaldo Heluy; Sebastiana de Carvalho Pires; Sonia Maria dos Santos Resende. Aldemir Mesquita lembra-se dos professores que atuavam na antiga Escola Técnica Federal do Maranhão hoje, IF-MA: Aqui na época na Escola, eu fiquei assistente do Jafe [Mendes Nunes], de futebol de salão... Jafe, radialista, um dos maiores cronistas do Maranhão. Jafe na parte de futebol de salão, eu ficava dando assistência a ele no futebol de salão, e ficava com o handebol, depois quando ele


pouco só vinha em época de seleção para treinar, eu passei a assumir definitivamente o futebol de salão. Tinha o França no vôlei que é engenheiro que também é professor de matemática; Celso Cavagnac, natação; Eldir [Campos Carvalho], a parte de educação física; Juarez [Alves de Sousa], que também ficava com educação física, depois no ano seguinte assumiu o handebol e também dirigiu um pouco o futebol de salão; Prof. Furtado! Excelente professor Furtado pioneiro atletismo no Maranhão, professor Furtado e deixa-me ver quem mais, aqui por enquanto é só; Tenente Jeremias na natação, futsal, basquete, vôlei, Handebol... Atletismo e tinha... Vôlei, handebol, basquete, futsal, atletismo, natação, só né? E ganhamos tudo, nós éramos a decisão era 1º, 2º e 3° lugar... (MESQUITA, Aldemir Carvalho de. Entrevistas). Já Laércio Elias Pereira – da turma dos paulistas – lembra que, quando chegou, encontrou: Quando cheguei a Simey estava de saída, ou tinha acabado de sair. Rinaldi Maia era assessor da Secretaria de Educação e treinador famoso de Futebol. O Dimas era o mestre das Escolas e do Esporte Escolar. Felicidade Capela tinha o curso de Normalista Especializada no Rio. Rinaldi tinha se formado no Rio, com uma ótima geração de treinadores de Futebol, como os Moreira. Soube pelos professores – e depois pelo Rubinho [Rubem Teixeira Goulart Filho]– que o Rubens Goulart tinha tido um papel importante, inclusive foi quem fez o primeiro contato com o Listello (deve ter feito um dos cursos de Santos). Teve também uma turma do DED, com o Ari Façanha e um pessoal do Rio. Bom recuperar também o curso de Medicina Esportiva... José [Pinto] Rizzo Pinto esteve... Tem que puxar isso com o Cláudio Vaz e Dimas. (PEREIRA, Laércio Elias. ENTREVISTAS)1.

SIMEY RIBEIRO BILIO – MISS JAGUAREMA 1956 – PROFESSORA DE EDUCAÇÃO FÍSICA, FUNCIONÁRIA DO MEC, QUE VEIO IMPLANTAR AS PRÁTICAS ESPORTIVAS NA UFMA, AJUDANDO A CRIAR O CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA. 1

PEREIRA, Lércio Elias. DEPOIMENTO ENVIADO ATRAVÉS DE CORREIO ELETRÔNICO. De: Laércio Para: Leopoldo. Assunto: respostas do questionário do Dimas. Brasília, 28 de fevereiro de 2001.


Cláudio lembra que, em 1971, ele estava na Coordenação de Esporte na Prefeitura de São Luís – Serviço de Educação Física – quando realizou o primeiro Festival Esportivo da Juventude – FEJ: Aí teve o segundo FEJ, foi quando o Jaime criou o Departamento de Educação Física e Desportos e Pedro Neiva me nomeou no lugar da Mary Santos. Já foi no governo de Pedro Neiva, com Haroldo Tavares - que agora é que tu vais entender -, eu entrei primeiro na Prefeitura, Haroldo Tavares era cunhado de Pedro Neiva, irmão da mulher de Pedro Neiva, que é a mãe de Jaime Santana; então para que eu pudesse assumir o Estado, nesse tempo podia acumular; então criaram o Departamento de Educação Física e Deporto do Estado; saiu o Serviço [de Educação Fica] para Departamento. Nesse tempo, na Secretaria de Cultura, o nível do Departamento era mais acima de Serviço, então para que eu fosse para o Estado foi criado o Departamento de Desporto do Estado, para que eu pudesse assumir, acabar o Serviço; então era novo o cargo e aí que eu fui para o Estado, eu acumulei Coordenador de Esporte da Prefeitura e Diretor do Departamento de Educação Física e Desporto do Estado, ligado à Secretaria de Educação, do professor Luis Rego; era o Secretario na época, professor Luís Rego, primeiro Secretário que eu trabalhei. Depois, eu trabalhei com o Magno Bacelar, que foi Secretário; e depois, com o Pedro Rocha Dantas Neto, que também foi Secretário. Já em 72, fui nomeado Diretor do Departamento, onde foi que ficou o Departamento? Lá no Costa Rodrigues; ai eu transferi a Coordenação, acumulei no Costa Rodrigues, eu levei tudo


para lá. Eu era Coordenador Diretor do Departamento de Educação Física do Estado e Presidente do Conselho Regional de Desportos. Isso em 72, como era cargo de quem era diretor [do departamento de Educação Física], era o Presidente do C.R.D, automático; não tinha vínculo político nisso, era uma tradição de desporto ligado ao C.N.D (Conselho Nacional de Desporto), onde era [ptrsidente] o Brigadeiro Jerônimo Bastos... Ai foi que eu fiz a minha equipe, aí foi que o Dimas entra com a parte principal, quando nós estávamos para fazer o segundo FEJ em 72; seria em setembro. Dimas foi a Belo Horizonte, trouxe toda a informação, e o Maranhão podia participar do JEB's em 72; ele trouxe em 71, ele foi no JEB's em julho e trouxe.... Dimas me trouxe, eu organizei a primeira equipe com o Dimas, era do Handebol, primeira equipe que nós viajamos para o JEB's; Ginástica Olímpica e Handebol, o Dimas; Coronel Alves, Basquete; Voleibol, Graça Hiluy; Coronel Alves antes era Major, foi isso para dar coletivo que eu levei foram 52 pessoas que eu levei, não levamos atletismo, natação, não levamos nada. Muito bem, com o que Dimas me trouxe, me presenciei muito ao DED. Aí eu já tinha uma parte ativa comigo, porque eu precisava do Dimas, não só como técnico, mas também como conselheiro, porque como eu te falei, eu não sou formado; eu sempre procurava olhar uma pessoa que tivesse um conhecimento acadêmico para poder me orientar, é uma de nossas iniciativas foi justamente essa de criar esses jogos escolares, foi o primeiro e o segundo e depois nós o transformaremos em JEM's, o primeiro JEM's foi em 73, sempre tenho essa dúvida; o pessoal não guarda isso, mas o primeiro FEJ foi em71, o segundo FEJ em 72, e o primeiro JEM's em 73. Por quê? Nós participamos do JEB's e a sigla pesava, mas por bem achamos melhor mudar para JEM's. Jogos Estudantis Maranhenses foi que viemos, nós já tínhamos passado o primeiro e o segundo FEJ com sucesso, com a mudança, com a formação das escolas, a conscientização, que e a primeira coisa a nascer numa escola era a força da Educação Física através dos esportes, foi a maneira que nós encontramos de valorizar o Professor de Educação Física, ele que era praticamente um esquecido dentro da área educacional, achava – se que era desnecessária a Educação Física onde não se praticava nem a Educação Física, nem os esportes, nós criamos esses jogos para provocar nos colégios essa necessidade de se formar atletas, assim como também transmitir Educação Física e valorizar o professor, porque nós não tínhamos campo de trabalho para eles,e passou a ter; esse foi o ponto marcante do nosso trabalho, que realmente hoje, o que tem, começou ai, onde nós provocamos. Nós íamos fazer uma Escola de Educação Física particular, já tinha toda a documentação, o professor Salgado deu para mim. Como eu sentia a necessidade de ter professores formados e o que eu trazia eram poucos em relação à necessidade que nós tínhamos, nós achamos um início para formar a Escola de Educação Física particular... (VAZ DOS SANTOS, ENTREVISTA). Como informa, precisava de massa crítica para concretizar seus planos de elevar o nível da Educação Física e dos Esportes. Recorreu à importação de professores graduados, já com alguma experiência e, ao mesclálos com ‘da terra’, teria um grupo altamente qualificado. Lino Castellani Filho, outro do grupo de paulistas que aqui chegou lembra - em artigo publicado no Blog Universidade do Futebol - daquele momento: Pois é… Estávamos no ano de 1976 em São Luis do Maranhão… Nós – um grupo de professores de Educação Física repleto de utopias — e ele Djalma Santos, então contratado como técnico do Sampaio Corrêa Futebol Clube, um dos grandes do futebol maranhense, ao lado do Moto Clube e do MAC (Maranhão Atlético Clube). Boa parte de nosso grupo trabalhava vinculado ao Departamento de Esporte do governo daquele Estado, basicamente envolvido com os afazeres de duas modalidades esportivas, o handebol e o voleibol.


O contrato de trabalho era de 40 horas… Não deu outra: montamos um time de futebol e demos a ele o nome de… Handvô-40, homenagem ao handebol, ao voleibol e às 40 horas de trabalho – qualquer semelhança com outra expressão…

Pois foi nesse time que Djalma Santos foi convidado a jogar e… Jogou! Se nossas conversas o assustavam às vezes (chegamos perto de comprar uma ilha, embalados pelas ideias de A.S. Neill, fundador da escola de Summerhill), a de participar do time foi recebida com o mesmo sorriso que ele estampa hoje em seu rosto… Duvidam? Pois aí vai a prova! O primeiro da fila é o diretor – presidente do CEV, Centro Esportivo Virtual… O último, este ponta-esquerda que vos escreve! No meio dela, Djalma Santos, junto com Viché, Sidney (ambos professores da UFMA), Gil, “Zé Pipa”, Marcão – o “véio” – e outros cuja lembrança surge enevoada em minha cabeça… Para Dimas Quando o Cláudio Vaz começou a trazer esse pessoal de fora, em 74 ou 76, Laércio, Marcão, Biguá, Vitché, então nessa época eu passei o Handebol praticamente para eles; então eu já vinha trabalhando em Ginástica Olímpica e passei a me dedicar mais à Ginástica Olímpica; trabalhava como professor de Educação Física - nessa época eu trabalhava muito com Natação também, principalmente em aulas particulares, em piscinas particulares - e o Laércio praticamente continuou o meu trabalho no Handebol no Maranhão, e aí eu passei a me dedicar mais à Ginástica Olímpica, à natação e às outras coisas... (DIMAS. Entrevistas). Sobre a vinda desses professores - "os paulistas" - o Prof. Dr. Laércio Elias Pereira esclarece que, após voltar das Olimpíadas, com vários cursos de Handebol, foi convidado a dar cursos pela Brasil pela ODEFE organização com a qual já tinha contato, através da Revista Esporte e Educação, onde escrevia uma coluna chamada Rumorismo. Houve um circuito de cursos que incluía Maceió, São Luís e Manaus:


Prof. Dr. Laércio Elias Pereira Era 1973, e eu treinava a seleção paulista feminina que ia para os JEB's [Jogos Estudantis Brasileiros]. Acertei com o namorado de uma das minhas atletas (que ia apitar os JEB's) para cuidar de alguns treinos enquanto eu ia dar os cursos. Dei o curso em Maceió e, em São Luis, enquanto dava o curso, ajudava a treinar o time de handebol que ia para os JEB's. Deu problema no curso de Manaus e o Cláudio Vaz pediu que eu ficasse treinando o time o tempo que estaria em Manaus. Depois pediu para que eu acompanhasse a equipe nos JEB's, em Brasília. Eu disse que não podia porque tinha compromisso com a seleção paulista. Quando voltei para São Paulo, o meu substituto tinha conseguido me substituir totalmente. Liguei para o Cláudio Vaz e acertei a ida para Brasília. Conseguimos classificar o time para as quartas de finais, mas no dia que ia começar essa fase, o Basquete levou todos para jogar o campeonato em Fortaleza, e ficamos em oitavo. Em setembro do mesmo ano, fui convidado, junto com o Biguá, para apitar os jogos de Handebol dos JEM's. A final foi Maristas e Batista. Duas equipes treinadas pelo Prof. Dimas. Voltei em janeiro de 1974, para morar no Maranhão. Resolvemos Cláudio e eu chamar o Prof. Domingos Salgado para montar o processo de criação do curso de Educação Física na Federação das Escolas Superiores [do Maranhão - FESM -, hoje, Universidade Estadual do Maranhão - UEMA], o que aconteceu com o empenho do secretário Magno Bacelar e o Assessor João Carlos, ainda em 1974. Fiquei sem emprego e o Heleno Fonseca de Lima batalhou uma bolsa pelo antigo CND [Conselho Nacional de Desportos]. Fui assessor da Secretaria de Educação e, como estava demorando em andar o curso no Estado, teve a iniciativa da Profa Terezinha Rego, do ITA, para montar o curso particular, com os professores que já tínhamos arrastado para o Maranhão. Aqui cabe um estudo mais apurado sobre quem trouxe quem, mas é bom juntar a listagem dos “paulistas”: Biguá, Viché, Horácioi [?], Domingos Fraga Salgado, Demosthenes, Nádia Costa, Jorelza Mantovan, Marcos Gonçalves, Sidney Zimbres Lino Castellani, José Carlos Conti, Zartú Giglio, (tem um dessa turma que eu esqueci o nome), o Paschoal Bernardo... O Sidney deve ter todos os nomes. (PEREIRA, Laércio Elias, Entrevistas). O Prof. Sidney Zimbres esclarece a questão de quem trouxe quem, nessa época, para o Maranhão: ... [Meu] Contato com o Maranhão foi com o Marcos [Marco Antônio Gonçalves], que me trouxe; o Marcos não terminou o curso [de Educação Física, da USP], veio embora... Quem trouxe o Marcos foi o Laércio; o Marcos ficou trabalhando aqui, ele me escreveu perguntando se eu não tinha a intenção de vir para cá, ai eu falei - me leva para dar um curso, para eu ver como é que é. Foi em 19... em outubro vim aqui, no JEM’s em 1975, eu vim para dar um curso de voleibol; dei o curso de voleibol em outubro, ai eu coordenei o voleibol nos Jogos Escolares,


e ai eu fiz um contrato de três meses... Lembro-me bem disso... Para ver se ia dar certo, na época quem estava à frente do DEFER era o Carlos Alberto Pinheiro; já havia saído o Cláudio Vaz, o Governador do Estado era o Nunes Freire... O primeiro ano dele... Ai foi quando ele implantou, fez aquela reformulação do Serviço Público, criando [a função de] Técnico de Nível Superior - TNS -; foi que eu recebi o convite e eu fui contratado pela Secretaria de Educação em [19]76, entrei como TNS, técnico em nível superior, nível 3. ... Então era Laércio, eu e Lino; Lino já tinha vindo para cá; o Marcos me trouxe; eu trouxe o Lino; depois eu trouxe o Zartú; ai o Marcos ainda trouxe o Júlio, que veio antes do Zé Pipa... Júlio... O sobrenome eu não lembro mais, não é difícil de pegar... Julinho ficou pouco tempo aqui e foi embora, teve um problema no pulmão até numa aula minha... Depois veio o Zé Pipa, que era José Carlos [?], que trabalhou no futebol, no Sampaio Correia, era repórter da TV Bandeirantes... Esporte... Então ai nós criamos o curso de Educação Física no ITA... (ZIMBRES, Sidney. Entrevista).

Isidoro, Sidney, Dimas e Zartú Marcão fala sobre sua vinda para o Maranhão, de como foi o trabalho inicial, de implantar as escolinhas de esportes, trazer as pessoas para assumir os diversos cargos e funções e os primeiros jogos: Eu, já cansado de São Paulo, e tendo trabalhado com Laércio do SESI de São Caetano e Santo André - a mesma equipe que fazia os esportes do SESI -, eu decidi sair de São Paulo, quando de um JEB's que a gente apitou em Brasília, acho que handebol; em Brasília, e o Laércio estando por aqui em São Luís, nos convidaram para visitar; eu como já tinha intenção de sair de São Paulo não aguentava mais aquela cidade danada, acabei vindo visitar São Luís e em duas semanas como diz outro, fechei a conta e vim embora... Como eu me encontrei com o Laércio, que já estava aqui no Maranhão, em Brasília com a delegação do Maranhão. Ele nos fez esse convite para vir para conhecer São Luís foi à época de julho, eu vim; inclusive na época eu vim com Júlio, Júlio do Gás, Julinho, não sei se tu já fizeste algum detalhe sobre o Júlio também, foi a primeira vez que nós viemos para cá; viemos de ônibus de Brasília para São Luís e aqui nós ficamos duas semanas passeando e quando eu voltei para São Paulo, já voltei com alguma coisa acertada, na época com Carlos Alberto Pinheiro Barros; então, eu não vim para apitar o JEM's, vim já para trabalhar no antigo Departamento de Educação Física (DEFER, de São Luís-Maranhão) juntamente com o diretor na época o Carlos Alberto Pinheiro de Barros ... Cláudio Vaz tinha saído para entrada de Carlos Alberto Pinheiro Barros e o governo de Nunes Freire e o Carlos Alberto; encontrei a assessoria, vamos dizer, assim de trazer elementos, que foi tendo a incumbência, vamos dizer assim, de trazer elementos que pudessem reforçar toda a equipe de trabalho e o trabalho em si... Quem estava aqui, efetivamente, era o Laércio, era Viché, Biguá, Horácio, o Júlio veio, mas volta, não veio, não ficou junto comigo; ele veio para passear junto comigo, mas voltou porque ele ainda era estudante em São Paulo, voltou para


concluir o curso, também nunca concluiu, igual a Biné, seria bom detalhar isso na minha biografia, porque já diz que eu não sou formado, mas eu concluo, conclui não, fui ate o ultimo ano da escola e por ter vindo praça, eu optei por não concluir porque o trabalho aqui é muito mais importante. Então eram somente elementos que estavam aqui, depois é que, através de Laércio, e de vir é que nós fomos trazendo todo esse pessoal, que foi Zartú, que foi Levy, que foi Júlio, que foi José Carlos Fontes, Sidney, toda a equipe se formou aqui, Demóstenes já estava. Demóstenes estava chegando à mesma época que eu... Domingos Fraga, já estava aqui também. Só que não no Departamento de Educação Física do Estado. Aquele período eu que foi vice-campeão brasileiro, que só perdia para São Paulo, porque São Paulo dificilmente se ganha, então o Maranhão, foi vice-campeão e ninguém, quando a gente comenta isso em outros lugares, ninguém acredita, acha que isso é um sonho e o basquete feminino surgiu, o voleibol cresceu demais, todos os esportes de uma forma geral, atletismo também, ofereceu vários atletas á nível nacional, então todos os esportes cresceram de uma forma conjunta, não foi um trabalho direcionado para uma modalidade, ou para dizermos assim, enfatizar algo que a gente gostava, foi realmente é multiplicado. Eu lembro que na época não se trabalhou muito o futsal, infelizmente agora não esta nesse mesmo nível que estava na época... Na verdade, a proposta que me fizeram para vim ao Maranhão, não tinha direcionamento nenhum. O que Laércio me propôs na oportunidade era que viesse para São Luís do Maranhão, onde já conheciam meu perfil, já conheciam o meu trabalho da época que nós estivemos juntos no SESI, conforme eu já disse - SESI São Caetano e Santo André, e lá ele era coordenador do SESI São Caetano e eu do Santo André; Nós já nos conhecíamos e ele sabia que ele podia contar comigo em qualquer frente de trabalho. Então, é como eu administrativa essa parte esportiva em Santo André e ele acreditava que eu pudesse me assenhorear dessa função aqui em São Luís do Maranhão, ele me convidou; mas lembro bem que a gente deixou claro que a gente teria que fazer um pouco de tudo, como nós acabamos fazendo realmente e assim os outros também, assim os outros foram convidados por mim, Sidney, Zartú, Lino, eles não vieram direcionados para algum emprego, vamos dizer assim, para algum setor, eles vieram e aqui nós fomos procurando como encaixá-los em algum lugar; então apareceu como, por exemplo, o Lino, apareceu alguma coisa no Maranhão [Atlético Clube], ele foi lá como preparador físico, recém-formado, como preparador físico do MAC, mas também trabalho em outros setores, na parte administrativa do JEM's, que a gente passava noites e noites, hoje a gente vê aí, todos os avanços que houve, no JEM's até o boletim é feito a nível de computador, etc. e tal. Na época a gente fazia era com mimeógrafo a álcool e dormindo debaixo da mesa, para poder o boletim ficar pronto no dia seguinte; então o Lino, nos ajudou em todos os sentidos; o Sidney também veio, a principio ficou conosco no Costa Rodrigues, com a escolinha de futebol e assim fomos todos, vindo sem um direcionamento efetivo. A gente veio para trabalhar, aonde, não sabia, onde tivesse lugar a gente ia se colocando e auxiliando e dinamizando de todas as formas, o esporte no Maranhão. (GONÇALVES, Marcos Antônio. Entrevistas). Biguá foi um dos pioneiros, junto com o Laércio, e comenta como se deu a sua vinda para o Maranhão, e em que circunstâncias: Laércio Elias Pereira, em 1973, dez de... Para ser preciso ele contatou comigo no dia 08 de setembro de 1973, foi contato maluco... Eu queria era aventura, eu queria conhecer, eu tinha assim paixão, loucura para conhecer, viajar, eu sempre tive. Aí Laércio virou - dia 08 de setembro, virou para mim e disse: - "Quer ir para o Maranhão?” - Virei, "como?" –


Edivaldo “Biguá” Pereira - "Vai ter os Jogos - primeiros JEM’s 73 -, e eu preciso levar uns caras para apitar, ai tu vai apitando Handebol, tu queres ir?" Aí eu disse, "quando?" ele disse: - "Depois de amanhã nós teremos que estar lá, não dá nem tempo de tu pensares!" Ai eu disse: "tô nessa". Eu nunca tinha andado de avião, nunca! Eu disse: "como é que nós vamos?" "não, o cara vai mandar passagem, tudo de avião." "De avião!?" Porra, eu não queria nem saber quanto eu ia ganhar, se eu não ia! eu queria era andar de avião, né. Eu digo "tô no clima", aí que é interessante... foi que eu cheguei em casa, ai eu disse para minha mãe, para minha mãe e meu pai. - "Olha eu vou embora, vou passar 15 dias no Maranhão, lá, 15 dias". Eu sei que no dia 10, eu estava aqui com o Laércio, desceu eu, Laércio... Eu, Laércio, o rapaz, o professorzinho de... Milton usava uns óculos pequeninho - o nome completo dele, eu não lembro. Milton, Laércio, eu, Milton, Laércio... Uns três, nós três, ai descemos; o primeiro cara que manteve contato comigo, foi o J. Alves (José Faustino Alves, jornalista esportivo, aposentado - ver entrevistas), chegamos e lá estava J. Alves com um fusquinha da Difusora, fazendo reportagem, já dando em primeira mão, que nós tínhamos chegado, ai chegamos aqui, coincidentemente eu fazia aniversário no dia 25 de setembro e o JEM’s estavam rolando, foi a primeira demonstração de carinho do Cláudio Vaz, comigo, aí o Ginásio Costa Rodrigues lotado, lotado, lotado, ai ele parou o jogo e me deu um agasalho completo do Maranhão, me fez de presente, o ginásio inteiro cantando parabéns à você e eu, eu comecei a me agradar desde o começo, porque eu vim apitar handebol, mas de tanto eu me envolver com esporte, os caras chegavam aqui, pôr tem que colocar o Biguá, porque eu estava, eu impunha respeito, mas respeito não era imposição, eu apitava independente, eu não sabia o que falavam A ou B ou C, para mim eu estava lá apitando, colaborando com todo mundo, eu acabei apitando as 3 finais de handebol, final de basquete e final de voleibol. Eu não vim para jogar Handebol, eu vim para arbitrar o JEM’s em setembro; ai aconteceu o fato interessante, no último dia de JEM’s... nós tomamos conhecimento que iria ter o primeiro Campeonato Brasileiro de Juvenil de Handebol, até então - presta atenção -, em julho deste mesmo ano que eu cheguei. Ai é que quando o Laércio disse assim: - vai ter o primeiro Campeonato Brasileiro de Handebol Juvenil, vai ser em Niterói, vai ser final de novembro, em Niterói. Nós estávamos em setembro. - Aí, por, tu queres ficar para jogar?... Ai o Laércio disse, "você não topa ficar?


- "Não, Laércio, eu trouxe pouca roupa, eu não trouxe nada para ficar aqui, eu não tenho nada para ficar aqui". Ai Alemão - Cláudio Vaz -, disse, "não seja por isso, eu te dou toda roupa, te dou tudo, vamos te dar tanto por mês, te damos comida, tudo o que quiser a gente te da". Só que nós temos que trazer mais, só você não vai dar para segurar essa barra, porque o seguinte, em julho no JEB's em Brasília, a Seleção Paulista foi campeão Brasileira e o Maranhão foi 18o com todos os gatos que você possa imaginar, com os Rubinhos da vida (Rubem Teixeira Goulart Filho), Gafanhoto (José de Ribamar Silva Miranda), Paulão (Paulo Roberto Tinoco da Silva), Carlos (Carlos Roberto Tinoco da Silva, irmão de Paulo) e Ermílio (Nina), todos os gatos que você possa imaginar, nós conseguimos 18o lugar. Ai Laércio disse: "Como é que a gente faz?”- Eu disse: "Faz o seguinte, me arruma passagem e vou até São Paulo, eu vou conversar com meus pais e eu trago o Turco e Dugo - que eram meus companheiros na General Motors. Laércio disse: " bem pensado". O Viché (Vicente Calderoni, professor de handebol da UFMA, hoje), nessa época jogava no Juvêncio, não jogava com a gente não. Ai Laércio disse: "Legal, legal". Ai, eu fui para São Paulo, contei a história para meu pai e minha mãe - eu vou voltar para o Maranhão -, convenci o Turco e Dugo. Ai o que acontece, o seguinte, eu vim na frente e eles ficariam de vir depois, eles estavam estudando nós estudávamos no mesmo colégio, era no Colégio Barcelona, já nessa fase-, aí eles vieram; aí, nos fomos para o Brasileiro. Laércio, técnico; quando nós chegamos lá, para nossa belíssima surpresa, nós conseguimos o 3º lugar do Brasil. Você sai do 18º em julho, em novembro você em 3º lugar no Brasil; ficou São Paulo, Minas e Maranhão, daí que começou a força do Handebol no Maranhão; ai onde entra o Laércio, com o Viché, eu fui para ... Eu sai daqui, antes de ir para o Campeonato Brasileiro, para encontrar com os caras em Niterói, eu fui para São Paulo: "Pô precisamos arrumar um cara para trabalhar para gente, como técnico", porque o Laércio sempre foi uma pessoa de idéias, sempre foi uma pessoa de execução, então ele nunca gostou de ser técnico de handebol, ele sempre em todo lugar que ele passou, o seguinte, ele monta uma equipe de handebol, ele vê quem é o liderzinho, quem é o cara que pode botar para frente, ele larga e vai embora; ele sempre foi de projetos; ai eu estava conversando com ele, ele disse: "P..., a gente podia trazer Viché para cá, aquele cara do Juvêncio, aquele cara sabe, conhece as coisas"; "Quando eu for agora a São Paulo, eu convido ele". E quando eu fui para São Paulo, para me encontrar com a Seleção lá em Niterói, ai eu falei com Viché, falei olha: "É assim, assim,... nós vamos disputar um campeonato, agora, você esta a fim de ir para o Maranhão?"; Viché vinha passando por uma serie de problemas, lá na família dele e com ele próprio também, nessa época e foi interessante ele ter saído de São Paulo, ele estava envolvido em barras pesadíssimas em São Paulo, pesadíssimas a ponto de matar, de morrer; aí surgiu exatamente o lido, ele falou - "P... eu vou", aí ele veio comigo para Niterói; ele já começou a ajudar o Laércio na parte técnica, e de Niterói ele já veio com a delegação do Maranhão para cá e eu e Laércio fomos para São Paulo; fomos para não voltar mais, eu fui para não voltar mais, já conhecia a Tânia, com cinco dias que eu estava aqui, já eu estava namorando Tânia, mas eu tinha dito para ela... - "Olhe, não sou daqui, não pretendo ficar aqui".

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Os Biguás – Tânia, o neto, e Biguá


mas eu deixei bem claro - eu acho que por isso ate que ela gostou da minha sinceridade... acredito...” não pretendo ficar aqui, agora, se você quiser que a gente fique namorando, a gente vai namorar, agora não tem, não posso de dar esperança nenhuma, ai, quando chegou nessa época que eu fui para São Paulo. Ai já não era mais a minha praia. Ai não era, não era, nem eu tinha telefone na época na minha casa, nem Tânia tinha. Quando começamos a trocar, é... dezembro inteiro, ai veio janeiro cara não dá é mais isso para mim, ai eu já achava. Já não tinha nada haver comigo. Eu saia para conversar com meus colegas e eu achava que o papo era muito vazio, eu já não era mais aquele negocio para mim. Ai de repente Cláudio Vaz me liga, ele ligou, ele ligou, eu tinha desse meu tio que era vereador que ficava uns 400 metros da minha casa, então a pessoa ligava para lá e dizia - "Olha, fala para ele estar ai dentro de uns 10 minuto que eu ligo de novo", né, eu lembro ate o numero do telefone ate hoje 442-6778, hoje não existe mais esse numero, ai foram me avisar e eu fui lá, esperar o telefonema dele. Ele disse, "Olha, nos estamos com um projeto aqui de trabalhar firme no Handebol, estamos querendo que você venha, você vai trabalhar com as escolinhas" - e era tudo que eu queria, só que eu, eu não sei to passando por dificuldade, e ele de novo abriu, me favoreceu tudo. (In ENTREVISTA). Laércio considera que foi uma espécie de catalisador, ajudando a desenvolver, a princípio, o Handebol e, depois, batalhando a vinda de muitos professores, com o apoio do Cláudio Vaz -"a gente chamava para apitar os JEM's e, quando o professor chegava, já tinha alguma coisa”. Entrou e saiu da Escola Técnica mais de uma vez, para abrir vagas nesse processo. Na UEMA também. "Procurei colocar o Maranhão no Mapa...". Para ele, o que garantiu o apoio - e as refregas que levaram a algum progresso - foi a grande dedicação e o sucesso das equipes de Handebol, com participação decisiva do Viché e Biguá, alem dos “professores” que ajudávamos a treinar: Lister [Carvalho Branco Leão], Álvaro [Perdigão], Mangueirão [?]... (PEREIRA, Laércio Elias, Entrevistas). Lino Castellani Filho - outro "paulista" - lembra quando começou a trabalhar no Maranhão, em 1976, trazido pelo Sidney Zimbres: Foi através do Sidney, que tinha ido para o Maranhão antes de mim na época eu estava, eu estava trabalhando em Ribeirão Preto, no Botafogo de Ribeirão Preto, e eles estavam montando equipe de trabalho no Maranhão: o Sidney estava empolgado, de férias em Atibaia, cidade onde ele morava, os familiares moravam, onde nós nos conhecemos, enfim. Ele fez alusão ao Maranhão, e me convidou para conhecer o Maranhão, e foi por ele então que eu fui no primeiro momento. Lá, montaram um esquema de visitas, todo ele sedutor, e eu fui totalmente seduzido pelo Maranhão. Foi em 76, começo de 76.

Eu cheguei ao Maranhão, eles fizeram uma proposta, me colocaram algumas possibilidades de trabalho, nesse jogo de sedução, em janeiro de 76; eu voltei, desvinculei os compromissos que eu tinha em Ribeirão Preto e fui para lá, definitivo em Fevereiro, Março de 76; e os meus


primeiros trabalhos no Maranhão foram no MAC, Maranhão Atlético Clube, como Preparador Físico; eu dava aula no CEMA, Centro Educacional do Maranhão, em primeiro e segundo grau, e logo naquele mesmo ano eu me envolvi na construção de um projeto para Educação Física, na Educação Superior, na... hoje UEMA, naquela época FESM; não tinha curso de Educação Física, tinha o setor de prática esportiva, por conta da implementação daquele decreto, daquela lei 6251 de 75 que já apontava, para a regulamentação de 77 que veio, que veio depois, e falava da parte esportiva obrigatória; e eu, o Zartú, que trabalhamos em torno do projeto. O Zartú era o coordenador na época, e eu tive essa associação. Eu entrei na Universidade Federal do Maranhão em 78, não era administrativo não, era um cargo técnico era... Técnico em Assuntos Educacionais, ligado a um projeto de desenvolvimento do esporte universitário vinculado a Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis. O DAC era o Departamento de Assuntos Culturais da Pró-Reitoria de Extensão, mas eu estava ligado ao DAE, Departamento de Assuntos Estudantis; e depois fui para o outro departamento, de Interiorização, que me levou a desenvolver projetos coletivos de políticas públicas pelo interior do Maranhão; Nesse meio tempo eu já fiz parte, mesmo como técnico em assuntos educacionais, do primeiro corpo docente, da criação do curso de Educação Física da UFMA; eu já assumi, de cara, a responsabilidade por duas disciplinas lá, lembro que uma delas era organização esportiva; a outra eu não sei, não lembro qual era; e todo processo de criação do curso, lá, eu me envolvi desde o primeiro momento, com o grupo; mesmo em eu formalmente na função de técnico, mas, eu, Mary, Sidney, Laércio, desenvolvemos a criação do Curso Educação Física do ITA, depois virou MENG né?; Hoje OBJETIVO, mas na época, o curso funcionou na época do ITA; tinha a Terezinha Rego, que era a dona do ITA; mas aí na época do Márcio já não tinha mais o curso, nós ficamos um pouco, e o curso cutucou o pessoal da Universidade Federal, a correr atrás do processo de criação do curso da Federal. Eu praticamente desenvolvi o projeto, mas eu, propriamente não trabalhei, eu só me envolvi no projeto, já naquela época a FESM, eu acho que foi um pouco depois da minha chegada não foi em 76 não, foi já em 77 depois do decreto 80.228, que sistematiza a questão do esporte Universitário, o que eu fiz quando eu cheguei, além do MAC, do CEMA, foi trabalhar no SESC, e foi aí o meu primeiro contato com o Dimas por que o Dimas era professor do SESC; Eu praticamente entro no lugar dele. (CASTELLANI FILHO, Lino. Entrevista). Aldemir Mesquita, professor de educação física da antiga ETFM, onde dava aulas de futebol de salão e handebol, fala da importância desses professores "estrangeiros" para o desenvolvimento do esporte em Maranhão: Chegava uma pessoa aqui em São Luís, que praticava esporte, que treinava, chegava - eu sou professor de Basquete - começava a trabalhar ... [Prof. Ronald] dava oportunidade nessa época para ele aqui no CEFET, na Escola Técnica; arranjava um contrato provisório de dois meses, três meses ele vinha treinava e nós tínhamos professor de basquete, às vezes nós tínhamos treinador de vôlei, mas ele convidava, como se fosse em vez do professor sair daqui para fazer uma especialização lá fora, seria mais difícil ele tirar uma pessoa daqui para fazer uma especialização lá fora. Chegava um professor, um professor desse aqui em São Luís, na hora que ele chegava ele via a qualidade do rapaz ele fazia um contrato de prestação de serviço com a escola... Aconteceu com vários professores que eu conheci, inclusive era colega nosso, mas eu sempre dizia assim - nós vamos aprender com esse pessoal, nós não temos oportunidade de sair daqui, eles estão trazendo conhecimento para nós. Então achava como a pessoa chegava aqui era estrangeiro, era aquilo, aquilo outro, havia aquela critica muita das pessoas desinformadas às vezes falava isso, mas fui o único que defendi isso, era o conhecimento para ter uma visão melhor do esporte. O professor [Ronald] fez muito isso, deu oportunidade dentro da Escola Técnica, nem uma vez para tomar o lugar de ninguém. (MESQUITA, Aldemir Carvalho de. Entrevistas).


Cláudio – junto com Laércio, Simei, e Domingos Salgado, e a participação de Dimas – são os responsáveis pela criação dos cursos de educação física no Maranhão. Houve uma tentativa da fundação de uma Escola de Educação Física na FESM, chegando ser baixado um Decreto - LEI NO. 3.489, de 10 de abril de 1974. Cria a Escola Superior de Educação Física do Estado do Maranhão e dá outras providências. DIÁRIO OFICIAL, São Luís, Sexta-feira, 10 de maio de 1974, ano LXVII, no. 88, p. 1 -, já com Magno Bacelar como Secretario de Educação. “Tínhamos um interesse de fazer uma Escola de Educação Física aqui, então trouxe Domingos Fraga Salgado para criar e Escola de Educação Física”. Foi Domingos Salgado quem obteve toda documentação, e o curso vingou na UFMA. Mas o objetivo era para ser na Federação das Escolas Superiores do Maranhão – a antiga FESM, hoje UEMA. Chegou a ser criada uma escola, em nível de segundo grau profissionalizante, no antigo ITA, da Professora Terezinha Rego. É quando chega a Simei Bílio para implantar a prática de Educação Física na UFMA e daí que se cria o curso de Educação Física: Eu sei que nós chegamos, avançamos, não foi concretizado, eu sei nós avançamos nesse ponto, o Salgado veio para cá fazer isso, eu trouxe ele para cá. No tempo eu tinha muita liberdade de pagar, Magno quando queria o serviço pagava do próprio bolso, não tinha o Wellington e ele me davam um cheque, hoje ele é um homem de porte limitado, na época ele era o mandão, então ele me apoiou demais. Quando o Magno assumiu eu fiquei muito forte na Secretaria. Em 1974, pela Lei no. 3.489, de 10 de abril, o Governo do Estado cria a Escola Superior de Educação Física do Estado do Maranhão, com o objetivo (art. 1º) de formar professores e técnicos de Educação Física e Desportos bem como desenvolver estudos e pesquisas relacionados com a sua área específica de atuação. O curso fora criando com toda a estrutura, com coordenação, área, dotação orçamentária... Mas não foi implantado. Na mesma época, a Universidade Federal estava implantando o dela e, parece, houve um acordo em que o Estado abriria mão então de iniciar o seu curso para dar oportunidade para que a Universidade Federal abrisse o dela.

Domingos Fraga Salgado Arquivo Jornal O Estado do Maranhão 1978 RINALDI LASSALVIA LAULETA MAIA, nascido São Luís do Maranhão no dia 05 de fevereiro de 1914, filho de Vicente de Deus Saraiva Maia e de Júlia Lauleta Maia; iniciou sua carreira esportiva como crack de futebol, no América - clube formado por º garotos do 2 ano do ginásio, e que praticava o "futebol com os pés descalços". Em 1939, o jovem atleta já era jogador do Liceu Maranhense, sagrando-se bicampeão estudantil invicto, nos anos de 1941 e 1942. Apesar de jogar no Liceu, Rinaldi ª figurava em quadros da 1 divisão da Federação Maranhense de Desportos - FMD -, primeiramente no Vera Cruz (o clube que


nunca perdeu no primeiro tempo...), onde fez "misérias" ao lado de Sarapó, Jenipapo, Cícero, Sales, etc. Depois, figurou na equipe do Sampaio Corrêa. No "Bolívia", Rinaldi foi elemento destacado, muito embora jogasse ao lado de um Domingão. Foi considerado "O Menino de Ouro" da "Bolívia". Em 1941, Rinaldi começa a praticar o Basquetebol, tendo ao lado Gontran Brenha e Eurípedes Chaves e outros, defendendo as cores do Vera Cruz. Nessa época, não havia campeonatos de bola ao cesto, contudo, era público e notório que o Vera Cruz era o campeão da cidade. O grêmio do saudoso Gontran apenas tinha como adversário perigoso o quadro do "Oito de Maio". Nas disputas de Vôlei levava sempre a pior, porém, vencia todos os encontros de bola ao cesto. O Vera Cruz era um campeão autêntico... O melhor ano do esporte para Rinaldi foi 1942. Nessa temporada o jovem atleta conquistou nada menos de três títulos sugestivos: campeão invicto de futebol pelo Sampaio Corrêa; campeão invicto de futebol, pelo Liceu Maranhense; e campeão de basquetebol, pelo Vera Cruz. Em 1943, coberto de louros, Rinaldi embarcou para o Rio de Janeiro, a fim de cursar a Escola Nacional de Educação Física. Na Cidade Maravilhosa, o filho de Vicente de Deus Saraiva Maia conseguiu seu objetivo, formando-se como Professor de Educação Física. Voltou a São Luís em 1945. Muita gente julgou que Rinaldi ainda fosse um crack da esfera. Contudo, mero engano! O jovem atleta apenas apareceu em campo, no dia de seu desembarque, para satisfazer o pedido de amigos, mas fez ver que havia abandonado o futebol em definitivo. Seu esporte predileto passa a ser a bola ao cesto. Em 1946, Rinaldi figurava na equipe de basquetebol do Moto, sagrando-se campeão do "Torneio Moto Clube". Quando da visita do "five" rubro-negro a Belém, Rinaldi teve oportunidade de brilhar na capital guajarina e colaborou naquela magnífica campanha dos motenses. Em 1947, Rinaldi tomou outra decisão. Deixou o Moto Clube e tratou de reorganizar o Vera Cruz, seu antigo clube. O seu sonho foi realizado, uma vez que o Vera reapareceu e hoje figura na liderança do campeonato de basquetebol da cidade. E Rinaldi é figura destacada no grêmio cruzmaltense. Atua na guarda, onde se vem destacando, juntamente com o professor Luiz Braga, outra grande figura do basquete maranhense. Cabe ressaltar que o Vera Cruz foi campeão naquele ano. (O ESPORTE, São Luís, 25 de outubro de 1947, p. 2.). GRAÇA HELUY - foi professora do Colégio Santa Teresa e da Divisão de Educação Física do Município de São Luís; em 1980, junto com Celeste Muniz, abriu a Academia de Ginástica São Francisco - uma das primeiras do Estado, e hoje, sob a direção de sua filha, Carolina, também professora de Educação Física -. Ainda adolescente, envolveu-se com o esporte, o Voleibol em especial; fez o Curso Normal, no Instituto de Educação, onde teve como professoras Ildenê Menezes e Celeste Muniz; participou dos Jogos da Primavera, disputados no Casino Maranhense (décadas de 50/60); quando terminou a Escola Normal, foi para Pernambuco, fazer o Curso de Suficiência em Educação Física, na Escola Superior do Recife; na volta, assumiu o lugar de Mary Santos, como professora de Educação Física do Santa Teresa; na primeira participação do Maranhão nos JEB's, Graça, junto com o Coronel Alves, dirigiu a seleção de voleibol feminino; criou os Jogos Interclasses do Santa Teresa; implantou outras modalidades , criando escolinhas, quando assumiu a Coordenação de Educação Física e Esportes do colégio; paralelamente, trabalhava na Divisão de Educação Física do Município, como professora, chegando a assumir a direção daquela Divisão; criou os Jogos Infantis do Município, com a participação, inclusive, de escolas da zona rural. Em abril de 1980, afastou-se do Santa Teresa e do Município, dedicando-se apenas à sua academia de ginástica, desde então. In BIGUÁ, Edivaldo Pereira; BIGUÁ, Tânia. Onde anda você. Professora Graça Helluy. O ESTADO DO MARANHÃO, São Luís, 07 de dezembro de 1998, Segunda-feira, p. 4. Esportes. LUIS ARANHA – foi Secretário do Liceu Maranhense, grande incentivador da educação física e esportes. RUI GUTERRES – professor de educação física CECILIA MOREIRA – professora de Educação Física da UFMA; foi Secretária de Estado de Desportos e Lazer CELSO BALATA CAVAGNAC, em 1969, já era professor de natação da Escola Técnica Federal do Maranhão - hoje, IF-MA -, por onde se aposentou; morou em Imperatriz, onde exercia comércio; já falecido. JAFFE MENDES NUNES trabalhou como Professor de Educação Física na então ETFM, onde era funcionário; radiaista, foi um dos grandes incentivadores do Futebol de Salão (Futsal). FRANÇA – professor de voleibol da ETFM – hoje IF-MA -; ex-aluno, foi um dos destaques do esporte estudantil nos anos 60; na década de 70 atuou como professor de Voleibol. ELDIR CAMPOS CARVALHO – professor de educação física, ex-oficial do Exército, foi coordenador de educação física do IF-MA por muitos anos. JUAREZ ALVES DE SOUSA – ex-sargento de educação física do Exército Brasileiro; ao se reformar, passou para o quadro de professores do IF-MA; onde foi técnico de Atletismo e Handebol; aposentado. LAÉRCIO ELIAS PEREIRA: Doutor em Educação Física; Professor da Universidade Católica de Brasília, onde dirige o Laboratório de Informação e Multimídia em EF-LIMEFE; Coordenador do Projeto Centro Esportivo Virtual Unicamp/UCB; em suas próprias palavras, nascido há mais de meio século (11 de outubro de 1948) em São Caetano do Sul - SP, onde se formou e trabalhou como metalúrgico como quase todo mundo lá; veio para a vida a passeio - e não em viagem de negócios. Cursou Educação Física na USP [Faculdade de Educação Física da Universidade de São Paulo - FEF/USP], depois de um vestibular em Sociologia. Passou por várias universidades (São Caetano, Maranhão, Paraíba, Mossoró, Minas Gerais) e foi assessor da SEED-MEC. Atualmente é professor da Universidade Católica de Brasília, onde dirige o Laboratório de Informação e Multimídia em EFLIMEFE, é pesquisador associado da Escola do Futuro - USP, coordena o Centro Esportivo Virtual no NIB-Unicamp e é Coordenador de Projetos Especiais da ESEF de Muzambinho ESEF. Gostou de ter escrito a "Parábola da Aula Final", ter sido secretário da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SEC/MA e presidente do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte - CBCE. Fez doutorado na UNICAMP (a tese foi o CEV), é membro do Conselho Federal de Educação Física e goleiro de futebol de salão do Antigamente Futebol Clube há 30 anos. Para saber mais, acesse http://www.cev.org.br/grcev/laercio.


Refere-se à Simey Ribeiro Billo, maranhense - inclusive tinha sido Miss Maranhão anteriormente -, professora de Educação Física. CARLOS ALBERTO FERREIRA ALVES – militar, Voleibol. Nasceu em 1928. Em 1945, jogava Basquetebol pelo Liceu Maranhense. Conhecido, nos meios esportivos do Maranhão, como Tenente Alves, por toda uma geração de esportistas, de Basquetebol, de Voleibol, e de alunos de vários cursos de Educação Física que ministrou. 1946 - jogava pelo Moto Clube de São Luís. Cursou a Escola preparatória de Cadetes, em Fortaleza, por onde jogava Basquetebol e Futebol de Salão; foi para a Academia º Militar das Agulhas Negras e lá também se destacou no Basquetebol. 1953 estava de volta ao Rio de Janeiro, como 2 Tenente; 1955 retorna à São Luís, formando ao lado de Rubem Goulart, Rinaldi Maia, Carlos Vasconcelos e Ronald Carvalho um dos melhores times de Basquetebol do Maranhão; foi um dos fundadores da Federação Maranhense; foi presidente da Federação Maranhense de Desportos - FMD; 1968 - administrador do Ginásio Costa Rodrigues, a convite do Secretário de Educação, Cabral Marques; o então Major Alves deva aulas de Basquetebol, Handebol, Voleibol, ao lado de Dimas, Rinaldi Maia e Vanilde Leão. Foi Diretor de Esportes do SESC até 1972, ano em que foi técnico de Voleibol - masculino e feminino - e Basquetebol - masculino - da seleção que participou dos JEB's de Maceió - na primeira participação do Maranhão. Fonte: BIGUÁ, Tânia; BIGUÁ, Edivaldo Pereira. Onde anda você ? Alves - atleta e técnico. O ESTADO DO MARANHÃO, São Luís, 17 de novembro de 1997, Segunda-feira, p. 4. Caderno de Esportes. LINO CASTELLANI FILHO é docente da Faculdade de Educação Física da Unicamp; pesquisador-líder do “Observatório do Esporte” – Observatório de Políticas de Educação Física, Esporte e Lazer – CNPq/Unicamp e coordenador do Grupo de Trabalho Temático “Políticas Públicas” – CBCE. Foi presidente do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte, CBCE (1999/01 – 2001/03); secretário nacional de Desenvolvimento do Esporte e do Lazer – SNDEL, do Ministério do Esporte (2003/06). Autor e coautor de vários livros. Foi professor da UFMA MARCÃO, como é conhecido MARCOS ANTONIO DA SILVA GONÇALVES - embora não tenha concluído seu curso de Educação Física, na EEF/USP, foi trazido pelo Laércio devido à sua experiência como administrador esportivo - função que exercia no SESI de Santo André, em São Paulo; atleta excepcional, era da mesma turma do Laércio, e teve importância muito grande na organização dos primeiros Jogos Escolares. Após um período em São Luís - cerca de cinco anos -, retornou para São Paulo, andou pela África, e atualmente, mora em São Luís, onde é vice-presidente e secretário da Federação de Desportos Escolares, recém fundada. BIGUÁ, como é conhecido EDIVALDO PEREIRA - foi um dos atletas trazidos para jogar Handebol pelo Maranhão; trabalhou como técnico, como professor de educação física, jogador de futebol de salão, de voleibol; jornalista ... casado com Tânia, atleta de voleibol, hoje, professora de Educação Física e Jornalista, mantêm uma coluna em jornal local, onde traçam as memórias do esporte maranhense. VICHÉ, como é conhecido VICENTE CALDERONI NETO - outro atleta trazido à época para jogar pelo Maranhão. Trabalhou como técnico de Handebol e professor de educação física. Formou-se em Educação Física pela UFMA. Casado com Fátima Calderoni, sua ex-atleta, hoje, médica, uma das lendas do handebol feminino do Maranhão. DOMINGOS FRAGA SALGADO foi um professor de Educação Física da UFMA; trabalhou no MEC, na África. Seu genro, Enzo Ferraz, médico ortopedista, atua em Medicina Esportiva, no Maranhão. Horácio – um dos ‘paulista’, trazidos pelo Laércio, na época (75/76) para implantar as escolinhas de esportes da época de Claudio Vaz; pçermamneceu dois ou três anos em São Luis. DEMOSTHENES MONTOVANI foi professor de judô, da UFMA; aposentado. NÁDIA COSTA foi professora da UFMA, mulher do Laércio Elias Pereira (hoje, estão separados); atualmente, mora na França, onde se dedica a criar cabras e a fabricar queijos, e trabalha com Biodança. JORELZA MANTOVANI era casada com Demósthenes Mantovani, à época. Voltou para sua cidade natal, Ponta Grossa, no Paraná. SIDNEY FORGHIERI ZIMBRES, professor de educação física na UFMA, hoje aposentado; foi um dos fundadores do Curso de Educação Física. Ver dados biográficos nos anexos, entrevista LINO CASTELLANI FILHO, doutor em educação física, hoje é professor da FEF/UNICAMP; sua tese de mestrado, em Educação PUC-SP - sobre a história da educação física, tornou-se um marco de referência para os estudos da educação física no Brasil. Lino era técnico em assuntos educacionais na UFMA, ligado ao Departamento de Assuntos Culturais, e dava aulas no curso de Educação Física. Quando saiu para o Mestrado, após a volta, foi impedido de dar aulas, o que ocasionou sua saída da UFMA, sendo contratado pela Unicamp. Ver dados biográficos nos anexos – Entrevistas JOSÉ CARLOS CONTI ZARTÚ GIGLIO CAVALCANTE, professor de Voleibol, Doutor PASCHOAL BERNARDO – professor de educação física da UFMA CARLOS ALBERTO PINHEIRO BARROS economista, dirigiu a Coordenação de Educação Física e Desportos, depois Departamento de Educação Física, Esportes e Recreação, em substituição à Cláudio Vaz. LISTER CARVALHO BRANCO LEÃO, professor de Educação Física do CEMA/TVE, do Município e da FUNDEL, onde coordena o setor de esportes; atuou por muitos anos no handebol, e ultimamente, vem atuando com o Futebol de Bairros, organizando os campeonatos da fundação do Município; foi coordenador de desportos da SEDEL.


ÁLVARO PERDIGÃO, ex-atleta de Handebol, passou a atuar como técnico, função que exerce até hoje, tanto no Estado como no Município e em diversas escolas particulares. MANGUEIRÃO, como é conhecido JOSÉ HENRIQUE AZEVEDO, ex-atleta de Handebol, passou a atuar como técnico, função que exerce até hoje, tendo conquistado vários títulos, tanto nos JEM's, como técnico da seleção estadual. VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. HANDEBOL NO MARANHÃO. In BLOG DO LEOPOLDO VAZ. http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2013/08/27/handebol-no-maranhao-novos-achados/; ver também ATLAS DO HANDEBOL NO MARANHÃO, disponível em http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2013/06/17/atlas-do-esporte-nomaranhao-handebol-2/ ; disponível em http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/ CASTELLANI FILHO, Lino. DJALMA SANTOS 8.0… NÓS JOGAMOS COM ELE! em http://www.universidadedofutebol.com.br/Jornal/Colunas. publicado em BLOG DO LEOPOLDO VAZ, disponível em in http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/?s=djalma+santos ZIMBRES, Sidney Forguieri. ENTREVISTA realizada com o professor Sidney Forghieri Zimbres, na residência do entrevistador, à Rua Titânia n.º 88, Recanto dos Vinhais, no dia 24 de março de 2001, iniciando às 8:30 horas. DEPOIMENTO ENVIADO ATRAVÉS DE CORREIO ELETRÔNICO. De: Laércio Para: Leopoldo Assunto: respostas do questionário do Dimas Brasília, 28 de fevereiro de 2001. GONÇALVES, Marco Antonio da Silva. ENTREVISTA com o professor, Marcos Antônio da Silva Gonçalves, realizada no Estádio Nhozinho Santos, 09:35. 2001 ENTREVISTA com Edivaldo Pereira Biguá, realizada na Sede da Federação Maranhense de Voleibol, no Ginásio Costa Rodrigues, no dia 04 de julho de 2001 com inicio às 10:07hs. ENTREVISTA realizada com o professor Doutor Lino Castellani Filho, realizada no dia 06 de abril de 2001, inicio às 18:06 horas, hotel Ouro Verde, em Maringá, Paraná. ENTREVISTA REALIZADA NO DIA 27/06/2001. LOCAL: CENTRO FEDERAL TECNOLOGICO - CEFET, NO PÁTIO ESPORTIVO COM O PROFESSOR ALDEMIR CARVALHO DE MESQUITA. LEI NO. 3.489, de 10 de abril de 1974. Cria a Escola Superior de Educação Física do Estado do Maranhão e dá outras providências. DIÁRIO OFICIAL, São Luís, Sexta-feira, 10 de maio de 1974, ano LXVII, no. 88, p. 1 VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. MEMÓRIA ORAL DOS ESPORTES, DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DO LAZER MARANHENSE - 1940/1990. 2009. Volume III da Coleção Memória(s) do Esporte, Lazer, e Educação Física - Apontamentos para sua História no Maranhão (inédito) VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. ARAUJO, Denise Martins. QUERIDO PROFESSOR DIMAS (Antonio Maria Zacharias Bezerra de Araujo) e a Educação Física maranhense: uma biografia (autorizada). São Luis: EPP, 2014.


ENCONTRO DE GERAÇÕES:

O ESTADO DO MMARANHÃO – PH REVISTA 06/07 JULHO 2019

Nesta foto, o que de mais representativo do esporte maranhense: quando três gerações aparecem juntas, a de 53 e a da década de 70, com a intermediária... Cláudio Alemão, um dos ícones do esporte maranhense dos últimos 70 anos, junto com Geografia e Alim (Geração 53), Fabiano (intermediária) e Phil (Geração 70). Vamos à trajetória de Fabiano Vieira da Silva, um dos grandes do basquete e voleibol maranhense – junto com seu pai, Raimundinho Vieira da Silva, e seu irmão Marco Antonio Vieira da Silva – pouco lembrado e festejado, mas que teve grande influencia na geração seguinte:

FABIANO VIEIRA DA SILVA 2 Nascido em 1944, filho de Raimundo Vieira da Silva - (os irmãos Vieira da Silva: Fabiano, Marco Antônio e Paulo, filhos de Raimundinho). Fabiano - e seus irmãos - cresceu vendo o pai e os amigos praticando esportes: Rubem Goulart, Coronel Bebeto, Raul Guterres, Ronald Carvalho, no campo do Moto Clube. Quando foi para o Liceu, ainda garoto, já praticava o esporte, participando de peladas, porém sem qualquer tipo de treinamento específico. Participou das Olimpíadas Estudantis, ao lado de Nega Fulô, Sá Valle, Salim Lauande, Jaime Tavares (1958). No ano seguinte, foi para o Marista, jogando ao lado de Nonato e Elias Cassas e do irmão Marco Antônio.

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BIGUÁ, Tânia; BIGUÁ, Edivaldo Pereira. Onde anda você ? O grande Fabiano do basquete. O ESTADO DO MARANHÃO, São Luís, 16 de fevereiro de 1998, Segunda-feira, p. 4. Esportes. VAZ, ARAÚJO, VAZ. Inédito, op.cit.


Em 1960, vai para Minas Gerais estudar e lá o esporte passa a fazer parte da vida do jovem maranhense, jogando pelo Clube Ginástico, treinado por Luís Adolfo; foi bi-campeão mineiro e cestinha dos campeonatos de 61 e 62, em Belo Horizonte. Treinava também na seleção mineira de voleibol. Em 1962, transfere-se para o Rio de Janeiro, passando a jogar pelo Flamengo Futebol e Regatas, tendo Canela como técnico - Canela foi técnico da seleção brasileira por muitos anos -. Já era um jogador respeitável - atuava como pivô -, quando foi chamado de volta, pelo pai, em 1963. Fez vestibular para o curso de Economia e passa a disputar os Jogos Universitários mas modalidades de Basquetebol e Voleibol, ao lado de Gilmar Ferreira, Emílio Ayoub e José Carlos Martins. Participou do Campeonato Brasileiro, em Porto Alegre em 1970. Ao retornar, parou de jogar, dedicando-se apenas às peladas do Jaguarema e na praia. Trabalha nas empresas da família - TV Cidade, canal 6, do Grupo de Comunicação Vieira da Silva -. Cumpre ressaltar que foi quem abriu a TV para as transmissões esportivas locais, ainda em 1980. Foi Secretário Adjunto de Indústria, Comércio e Turismo.

LOUIS PHILIP MOSES CAMARÃO - PHIL CAMARÃO Nascido em São Luís, em 06 de março de 1955, filho de Felipe Reis Camarão e Jean Moses Camarão. Médico perito examinador do trânsito. Começou sua vida esportiva no Colégio Batista, desde o jardim de infância, e é daquela geração de ouro do esporte maranhense, sendo considerado um dos maiores jogadores de handebol do Maranhão, chegando a campeão brasileiro. Foi Secretário de Desportos e Lazer; diretor do Instituto de Previdência do Estado do Maranhão, onde incentivou o esporte entre os funcionários públicos estaduais, criando os Jogos dos Funcionários Públicos. CLÁUDIO ANTÔNIO VAZ DOS SANTOS, o Cláudio "Alemão" - esportista 1935 - Nasceu em São Luís, no dia 24 de dezembro de 1935.


Décadas de 1950/60 - Foi atleta de Basquetebol, Voleibol, Futebol de Campo e de Salão, Atletismo e Natação. Pertenceu àquela famosa "Geração de 53", do esporte maranhense, atuante nas décadas de 50 e 60. Faziam parte desse grupo: José Reinaldo Tavares (atual Governador do Estado), Alim Maluf (Secretário de Esportes e Lazer); Mauro de Alencar Fecury (ex-prefeito de São Luis, deputado federal, hoje, suplente de Senador); Raul Guterres; Janjão Vaz dos Santos, Cel. PM Bebeto Barateiro de Costa; Por iniciativa de Mauro Fecury, esses atletas ainda hoje se reúnem, no mês de dezembro, para os Jogos dos Amigos, para relembrar o passado de atletas, disputando várias modalidades, junto com os “jovens” das gerações que o precederam. 1939 - Cláudio Alemão – recebeu esse apelido quando estudava no Colégio Marista, 4º ano primário; começou os estudos no Jardim de Infância Antônio Lobo ao lado da Igreja do Santo Antônio, onde sua mãe era professora; estudou até 04, até 06 anos de idade no Colégio Antônio Lobo; quando foi transferido para o Colégio São Luís Gonzaga, da Professora Zuleide Bogéa, na Rua do Sol; 1944 - de lá se transferiu para o Colégio Marista, pois morava na Montanha Russa, e o Marista, nesse tempo, era no Palácio do Bispo, na avenida Dom Pedro II; e foi fazer exame de admissão para o 4º primário, e exame de admissão no Colégio Marista. Ao chegar no Marista, era um praticante de futebol e de espiribol, é um esporte que hoje parou, mas nós tínhamos no espiribol do Marista, e no futebol de campo; o irmão Manuel era considerado o diretor de esportes do Colégio Marista, me olhavam e me chamavam de Alemão (nessa época loiro maranhense eram poucos) e começou o Manoel - Cláudio: - Alemão, Alemão, Alemão, e eu fiquei Alemão até hoje, e sinto orgulho, o que marcou muito a minha formação, tanto Cláudio Alemão, que depois, devido ao Fontenelle, eu passei a ser o Cláudio Vaz (o Alemão), quando entrei na área de esporte, como dirigente; fez o 4º ano primário, o exame de admissão e até a 4º série ginasial no Colégio Marista. Tanto no Colégio Maranhense, como o Colégio Cearense, eu estudei nos dois Maristas, até 52 em 53; no Marista começou em 44 e foi até 52; - Educação Física nos Maristas - não tive Educação Física no Marista, a não ser práticas de esportes, comandada sempre pelos irmãos Maristas. Nós não tínhamos professor de Educação Física, nem leigo; nós tínhamos apenas os irmãos Maristas, que nos colocavam para praticar esporte, era: o futebol de campo e o espiribol; o Basquete, o volei não existiam também; nossa prática maior era o futebol de campo, onde é hoje o Vila Rica, ali era o nosso campinho de futebol, pagávamos 500 réis para o Colégio Marista para participar; depois do almoço arregaçávamos as calças antes de começar as aulas, nós praticávamos esporte de 12:30 até às 13:30h. Nós saíamos suados, eu me lembro desse detalhe; Nós tivemos uma quadra, onde eu pratiquei basquete, foi no "8 de Maio", atrás do Cassino Maranhense; hoje... ali era um matagal, o 8 de Maio, comandado por Rubem Goulart, era o time dos “ erres”..., Rubem, Ronald, Raul Guterres ... Ronald Carvalho, nosso amigo inesquecível... Rubem Goulart, que foi o líder; praticava o Paulinho Carvalho, Zeca Carvalho, e foi onde eu comecei a praticar vôlei e basquete. Essa quadra era do 8 de Maio, atrás do fundo do Casino Maranhense hoje. Eu era garoto e esse Alemão já velho, aí também eu era pegador de bola dele quando faltava os primeiros praticantes de futebol de salão do Maranhão. Eu jogava com bola de volei, faltava goleiro, eles me improvisavam para goleiro. A bola caia no campinho ao lado, eles diziam: - Alemão; eu olhava para o lado e ia buscar. Eu era o garoto de fazer tudo o que eles praticavam, eu era o mascote deles lá. 1945 –Boxe - Eu ainda era garoto, esse tempo foi em 1945; Lupercino [Almeida] era um lutador de boxe do Maranhão e eu era, sempre fui entusiasmo pela prática do esporte; eu tive a felicidade, na época, de ser a primeira pessoa a aprender a técnica do boxe aprender a bater: ponta de queixo, coração, fígado, baço, estômago, supercílio, aquilo tudo ele me ensinou os movimentos; eu aprendi uma técnica que nessa época ninguém tinha a briga aqui era de cabeça naquele tempo a briga era um negócio saudável quando se decidia alguma rivalidade era uma coisa saudável, amanhã estava tudo bem, era uma briga sem nenhuma maldade e o que aconteceu Lupecínio me ensinou a bater, eu transformei essa técnica futuramente numa defesa que eu fui ter e foi como é que vai... Olha o atleta aí e foi aí que veio quando nós fizemos a academia do Oton Mondego foi o primeiro professor da escolinha que nós tínhamos de boxe no Maranhão (1972/73) - Professor Oton Mondego, que depois foi assassinado por Hiluy, (José de Ribamar Hiluy, Juiz de Direito), que teve um problema com ele; antes, teve a Academia do Joe Henrique, foi um dos bons professores de boxe que teve aqui no Maranhão; ele foi o primeiro a montar uma academia de boxe particular, acho que ele foi aluno do Oton, acho que foi o Oton o primeiro professor nosso em 1971, 72, lá no Costa Rodrigues, tínhamos toda modalidade, funcionava as escolinhas todas, funcionava judô, Karatê, que foi o primeiro a introduzir uma escolinha aqui foi o professor Ribamar e ele está até hoje aí ...


1952 - foi transferido para o Colégio São Luís, do professor Luís Rego; o esporte era muito incetivado no São Luís, formando gerações de atletas; começou a praticar atletismo; era corredor de 100, 200 metros; o atletismo era praticado numa pista improvisada no Santa Isabel - corridas, lançamento de peso, lançamento de dardo e lançamento de disco; os atletas dessa época foram influenciados por uma filme - o Homem de Ferro, com Burt Lancaster, que fazia tudo quanto era esporte; praticavam atletismo sem nenhuma orientação, apenas com intuição - Natação - a primeira piscina que teve no Maranhão, nós não nadávamos por competição, nós nadávamos por recreação, foi na casa de Domingos Mendes, na rua Grande onde é hoje o Colégio do Manga, eu não sei se a piscina ainda existe lá; nós fazíamos natação recreativa, não tinha natação competitiva, a primeira natação que veio já foi da piscina do Jaguarema, foi o primeiro aparelho de piscina do Maranhão Clube, nós já tivemos competições dirigidas já com professores e orientando 1953 - O Milionários - nós fomos participar de volei e basquetebol sábado à tarde no Colégio São Luís e na quadre coberta que tinha no Liceu jogava o Milionário, o Colégio São Luiz, jogava 08 de Maio; nós jogávamos na quadra do Colégio São Luiz, não sei se ainda existe a quadra lá. assim que nós jogávamos à tarde e jogávamos o Campeonato Maranhense de Basquete já no Santa Isabel, que era a única quadra iluminada que tinha em São Luís; o Estádio de Santa Isabel, que hoje é a Igreja Universal, ficava ali no fundo , essa quadra antigo campo do Fabril Atlético Clube, fábrica Santa Isabel, que, em 1905 o Nhozinho fundou o clube esportivo, o futebol, o atletismo, tênis, cricket, ckoct; foi onde nós praticamos em grupo, nós nos unimos a ele, era os Milionários e era um contracenso; não tínhamos um tostão, mas como tinha aquele time os Milionários, e nós tivemos a idéia de fazer nossa equipagem, nós saímos da Praia Grande, pedindo dinheiro no comércio da Praia Grande. Na rua Portugal, a gente chegava e vendia os nossos ingressos, mandava fazer ingresso de jogo, quando dinheiro arrecadava, mandava fazer nossa equipagem de jogo. Hoje a gente comemora todo ano no 2º sábado de dezembro, a gente se une, a gente joga, pratica 1956 - Futebol de salão - foi a Liga Maranhense de Futebol de Salão, comandada por Zé Rosa. Foi o grande incentivador do futebol de salão do Maranhão. Falecidos, todos os dois falecidos. Zé Rosa que morava na rua dos Afogados e a sede era na casa dele, então ali que começou o futebol de salão; [não se trata do Zé Rosa, professor de Educação Física que foi professor na Escola também] – o que se refere era um desportista que comandou a liga, era presidente da liga e foi onde nós começamos a praticar futebol de salão, foi na quadra do Casino Maranhense (a quadra descoberta lá tinham duas quadras, depois fizeram a outra do lado da casa do Pedro Neiva, essa quadra era ao lado da quadra de tênis dos Ingleses que praticavam Tênis e ao lado fizeram futebol de salão, isso em 1956 em diante o futebol de salão veio a surgir. - futebol americano – jogava tanto no Colégio como no quartel; tinha o capitão Nélio, tenente Nélio que era o nosso orientador, veio da Escola de Ed. Física do Exército, trouxe muitos conhecimentos; o nosso conhecimento de esportes foi através desse trabalho no N.P.O. R ( Núcleo Preparatório dos Oficiais da Reserva). 1959 - Fuga para o Rio de Janeiro - Eu era nesse tempo, Fiscal do Estado, tinha sido nomeado fiscal do estado que eu ainda não trabalhava na área de esporte. Era um praticante, parei, continuei jogando e tal mas só nas federações eu jogava volei e basquete, mais o volei não tinha, nem federação, só o basquete que era federado e eu tive paralelo ao meu trabalho. Sempre fui uma pessoa que tinha outra atividade, eu tinha um restaurante onde e hoje a Caixa Econômica, lado direito tem a caixa econômica esquerdo na João Lisboa, Serra Negra, rua Nazaré, na esquina da rua de Nazaré, tinha um prédio de azulejo grande, ali era o Hotel Serra Negra do Moreira Lima, eu tinha em baixo um restaurante de nome; eu trabalhava na secretaria até 6h, e 06:30/ 07:30h, ia para meu restaurante; e me apareceu um cara, um tal de Sabonete dentro do meu depósito roubado, eu peguei os caras e trouxeram o cara tranquilão do tamanho de um guarda – roupa, o cara do tamanho desse armário aí, o cara sossegou; senta aqui se não eu chamo a polícia, pode chamar. Chamei dois guardas da polícia civil, era uns guardas com um cacetetizinho de borracha: esse cara estava aqui no meu depósito roubando, aí ele disse esses dois ai que vão me levar certo não vão me levar não, Quando acabou ele se virou para mim e disse: Loiro filho da puta, eu vou te cair de porrada agora. Rapaz, aí eu parti para esse cara, eu parti para cima dele, o cara era assassino, já tinha mandado outro para o inferno, foi o maior problema, eu só sei que no final eu consegui com os meus conhecimentos dar-lhe uma porrada, ali na frente e joguei ele no chão, quando eu joguei ele no


chão, todos caíram de ponta pé nesse cara, o cara quase desmaiava, nisso nós pensamos que ele tivesse morto, esse bicho deu uma levantada e saiu correndo, atravessou a rua e foi embora. A polícia foi pegar ele lá na frente, aí o levou e guardou, esse cara ficou me jurando: vou te matar, vou te matar; eu andava preocupado, eu estava querendo ir para o Rio, fui embora, pois minha saída foi por causa dessa briga. Esse cara me deu uma dentada, até hoje eu tenho uma marca aqui. Foi por causa dessa briga que eu fui embora, eu tinha apartamento, tinha tudo no Rio, fiquei trabalhando no escritório do Estado do Maranhão no Rio, durante 03 anos aí depois eu voltei para lá. 1962 - foi que eu voltei, foi que eu fui ser, trabalhar na Secretaria da Fazenda; ai fui auxiliar de fiscal, fiscal de venda. Aí no governo de Newton Bello, fui ser tesoureiro do IPEM, aí comecei a ter vários cargos públicos, 1968 - fez vestibular para Economia; foi o primeiro vestibular unificado que teve no Maranhão, para Economia, foi, nesse tempo estava ainda na rua Afonso Pena em frente ao jornal pequeno, era a Academia de Comércio. - Judô - Ah! Eu e o judô. Eu fui, modéstia à parte, foi o esporte individual que eu mais me destaquei, eu disputei dois campeonatos maranhenses e nós tivemos aqui um grupo de judô muito técnico; nós fomos aluno do Major Vicente, mas antes do Major Vicente, tinha o Paulo Leite, já tinha o judô no Maranhão; Já tinha o judô maranhense um ano, dois anos, antes de começarmos a nossa Samurai era atrás do Costa Rodrigues, onde é o Líbano, aquele clube lá que hoje é Colégio. Então o Paulo Leite já praticava judô em 68; depois veio o Major Vicente, do Exército, era Professor de Educação Física, da Escola de Educação Física do Exército, e praticante de Judô, faixa preta, criou a Academia Samurai, onde nós fomos alunos e conhecidos, assim, mais no momento eu, Marco Vieira da Silva, Fabiano Vieira da Silva, Juca Chaves, Paulo Miranda, que eu perdi dois campeonatos para ele, fui vice – campeão duas vezes naquele tempo; judô só era defensivo, não valia pontos ofensivos, só valia a defesa, você sempre contra atacava mas não valia o ataque, só valia a defesa. Então nós fomos praticantes e realmente criamos um judô de elite aqui no Maranhão. Nesses 03 anos de trabalho, 68 até 70; Major Vicente foi transferido para o Rio de Janeiro; ai nós procuramos trazer um professor no nível dele, quando Jorge Saito estava disponível, foi campeão das Forças Armadas, por sinal um elemento técnico de primeiro nível, de primeira linha. Major Vicente, que eu já vi para poder transmitir e assinar. Que nos esportes individuais a pessoa muitas vezes não é o campeão mas é o melhor mestre para transmitir, para ensinar, então nós aprendemos muito a técnica, a filosofia do judô; nós tínhamos um judô clássico, elevado, seguíamos aquelas mensagens, tudo o que dizia, o que vinha do judô nós tínhamos esse trabalho e isso não foi só comigo, foi com todo o grupo, era vestido, preparado para enfrentar esse judô clássico, acadêmico, milenar que nós conseguimos absorver, hoje eu acho que o judô virou uma competição de briga, acabou o nível de uso das técnicas, o nível do respeito, desde o Kimono abotoado, amarrado fechado; hoje a pessoa solta a pessoa faz um judô de luta livre. 1970 - Jaime Santana, que eu me esqueci de citar da nossa geração, era um dos nossos praticantes de esporte, tanto volei como o basquete, futebol de campo, futebol de salão, nós jogávamos tudo é que toda essa geração jogava tudo, ninguém jogava futebol de praia, futebol de salão, futebol de campo, Jaguarema então era o nosso celeiro. Foi o grande Jaguarema na época, então o que a gente praticava de esporte era direto, Jaime Santana, nós tivemos um problema em 1970, Zé Reinaldo também atleta, Zé Reinaldo governador, Jaime Santana nós tivemos nas Casas Brasileiras. Então Jaime Santana em 1970, o pai dele ainda não era governador, nós precisávamos da quadra do Costa Rodrigues para treinar nossa seleção de basquete, para em 1970 irmos para Porto Alegre, mais precisamente Santa Cruz do Sul e nós precisamos do Ginásio, o técnico era o Chico Cunha, “ Cearense”, era mineiro trabalhava mais no Ceará; e veio trabalhar com a gente aqui na época do governo Sarney; nós fomos pedir; não podia ceder o Ginásio para nós treinarmos, nossa seleção porque estava tendo jogral, aí depois do jogral não podia porque ia ter um reunião, não vou declinar o nome da pessoa que dirigia, não interessa, só interessa o fato, não podia porque tinha que fazer silêncio, porque ia ter uma reunião e o Ginásio não podia ser ocupado para treino porque ia ter uma reunião na sala de reunião e o barulho ia prejudicar; então nós ficamos do lado de fora do Costa Rodrigues sem poder treinar... Mas isso vai acabar, Alemão, te prepara que isso vai acabar quando em 1970, Neiva Santana assumiu o governo, Jaime me chama - olha, tu vai ser Coordenador de Esporte da Prefeitura; Haroldo Tavares, nós começamos primeiro na Prefeitura, foi nosso primeiro passo, foi na Coordenação de Esportes, Haroldo Tavares Prefeito de São Luís; O Carlos Vasconcelos era da Coordenação de Educação Física, aí foi criada a Coordenação de Esporte, na área


estudantil, trabalhava só com esporte escolar; Por sinal era o mesmo problema, era muito limitado, ele o esporte escolar no Maranhão, fomos funcionar onde é o parque do Bom Menino, tem um açougue, ali em baixo, ali que era a coordenação, alugamos de Antônio o prédio e fomos fazer a explanação, primeira medida eu fiz uma equipe muito boa, foi Geografia, Fernando Sousa, Jaime Sampaio e Fernando Sousa, Jornalista Diretor Técnico, bom foi minha diretoria ai eu convoquei os professores, fiz o levantamento de quem é que podia ser útil, quem é que eu tenho para trabalhar porque eu tinha o direito de formar escolinhas, que não tínhamos nada nesse sentido de formação de atleta. Então veio o Dimas, veio o Major Alves, professoras as duas, professoras Maria José e Tarcinho, Odinéia, Clarice Lemos, Maria José, Ildenê Menezes, Dinorah e Celeste Pacheco, Graça Helluy, voleibol, viajou comigo para o primeiro JEBS em 72, ela foi a técnica, nós já fomos para os JEBS em Maceió 1971 - foi que nós fizemos a escolinha com esse trabalho e criamos o primeiro FEJ - foi a Coordenação de Esporte da Prefeitura de São Luís. - Primeiro FEJ (Festival Esportivo da Juventude) - a Mary Santos fazia jogos Intercolegiais do interior ela nunca fez uns jogos na capital, ela fazia jogos Intercolegiais, em que eu fui árbitro, Roseana jogava, Carlos Vasconcelos era do MEC, tinha uma rivalidade com ela e fazia os jogos dele, ele fazia o dela, eram jogos isolados. Tinham dois jogos, o do Carlos Vasconcelos, e tinha os Jogos Intermunicipais, que era voltado para o interior, com a Mary Santos. A Mary Santos era do Estado, da Secretaria de Educação e Cultura, onde tinha uma Secretaria de Esporte, Secretaria de Educação Física do Estado, era serviço de Ed. Física do Estado. A Mary estava no Estado, a Ildenê, no Município. A Ildenê era Secretaria de Educação e a Mary era de Ed. Física. Foi ai que eu entrei, fui dirigir pela primeira vez. - isso foi em 71, nós entramos no Governo, se não me engano, foi em março ou por aí em setembro, nós tivemos o primeiro FEJ (Festival Esportivo da Juventude)- Semana da Pátria -, onde o Colégio São Luiz foi o primeiro campeão do FEJ, onde eu trabalhei; aí foi que o Dimas começou, trabalhamos juntos, nós acumulávamos, nós éramos árbitros, técnicos. Tudo nós fazíamos tanto o Dimas quanto o Laércio (do São Paulo) já me ajudou, nessa época; foi o primeiro que veio para cá; o pessoal criou muito problema comigo porque eu estava enchendo de paulista, muito fácil de explicar: não tinha professor de Ed. Física no Maranhão e eu queria fazer um trabalho de nível, eu tinha de pensar primeira coisa que tinha de ter, era o professor tanto para quem quisesse transferir conhecimento, então eu não tinha nada acadêmico, nada elevado nessa área aqui, só tinha professor superado, dois que já não trabalhavam mais, Braga que era professor daqui e não sei se era formado, Zé Rosa, Rinaldi Maia. - 71, eu estava só na Coordenação de Esporte na Prefeitura e nós fizemos o primeiro FEJ; aí teve o segundo FEJ, foi quando o Jaime criou o Departamento de Ed. Física e Desportos, Pedro Neiva me nomeou no lugar da Mary Santos. Já foi no governo de Pedro Neiva com Haroldo Tavares que agora é que tu vais entender, eu entrei primeiro na Prefeitura, que Haroldo Tavares era cunhado de Pedro Neiva, irmão da mulher de Pedro Neiva que é a mãe de Jaime Santana, então para que eu pudesse assumir o Estado, nesse tempo podia acumular, então criaram o Departamento de Ed. Física e Deporto do Estado. Nesse tempo na Secretaria de Cultura o nível do Departamento era mais acima de serviço, então para que eu fosse para o Estado, foi criado o Departamento de Desporto do Estado, para que eu pudesse assumir, acabar o serviço, então era novo o cargo e aí que eu fui para o Estado, eu acumulei Coordenador de Esporte da Prefeitura e Diretor do Departamento de Ed. Física e Desporto do Estado, ligado a Secretaria de Educação, do professor Luis Rego - era o Secretario na época, professor Luís Rego primeiro Secretario que eu trabalhei, depois eu trabalhei com o Magno Bacelar que foi o Secretario; depois com o Pedro Rocha Dantas Neto que também foi secretario. 1972 - fui nomeado Diretor do Departamento, onde foi que ficou o Departamento. Lá no Costa Rodrigues ai eu transferir a Coordenação, acumulei no Costa Rodrigues eu levei tudo para lá ficou a coordenação. Eu era Coordenador, Diretor do Departamento de Ed. Física do Estado e Presidente do C.R.D; quem era diretor era Presidente do C.R.D automático não tinha vínculo político nisso, era uma tradição de desporto ligado ao C.N.D (Conselho Nacional de Desporto) onde era o Brigadeiro Jerônimo Bastos, ai foi que eu fiz a minha equipe, aí foi que o Dimas entra com a parte principal quando nós estávamos para fazer o segundo FEJ em 72, seria em setembro, Dimas foi a Belo Horizonte; ai Dimas trouxe toda a informação, e o Maranhão podia participar do JEB's em 72; ele trouxe em 71, ele foi no JEB's em julho e trouxe.... ( todos falam ao mesmo tempo e não há um entendimento) Dimas me trouxe, eu organizei a primeira equipe com o Dimas, era do Handebol, primeira equipe que nós viajamos para o JEB's; Ginástica


Olímpica e Handebol, o Dimas, Coronel Alves, basquete; voleibol, Graça Hiluy; Coronel Alves antes era Major, foi isso para dar coletivo que eu levei foram 52 pessoas que eu levei, não levamos atletismo, natação, não levamos nada; aí eu já tinha uma parte ativa comigo, porque eu precisava do Dimas, não só como técnico, mas também como conselheiro, porque como eu te falei eu não sou formado, eu sempre procurava olhar uma pessoa que tivesse um conhecimento acadêmico para poder me orientar, é uma de nossas iniciativas foi justamente essa de criar esse jogos escolares, foi o primeiro e o segundo e depois nós o transformaremos em JEM's, - os Globen Trotters, uma festa é o maior evento intencional que já houve no Maranhão de Esporte, eu trouxe justamente com o Zé Alberto Moraes Rego, presidente da Associação Maranhense de Basquete, nós conseguimos junto a Confederação Brasileira de Basquete, Almirante Mera, nós fizemos os Globen Trotters dentro do Nhozinho Santos, construímos uma quadra de 20 x40m, iluminamos, subimos 1 metro do nível do campo o jogo. Foi no governo de Pedro Neiva, os Globen Trotters jogaram no Maranhão, foi o maior evento internacional de esporte que já teve no Maranhão. 1973 - o primeiro JEM's foi em 73, sempre tenho essa dúvida; o pessoal não guarda isso mais, o primeiro FEJ foi em 71 o segundo FEJ em 72 e o primeiro JEM's em 73; Nós participamos do JEB's e a sigla pesava, mas por bem achamos melhor mudar para JEM's - Jogos Estudantis Maranhenses - nós já tínhamos passado o primeiro e o segundo FEJ com sucesso, com a mudança, com a formação das escolas a conscientização que e a primeira coisa a nascer numa escola era a força a Ed. Física através dos esportes, foi a maneira que nós encontramos de valorizar o professor de Ed. Física ele que era praticamente um esquecido dentro da área educacional, achava – se que era desnecessária a Ed. Física onde não se praticava nem a ed. Física, nem os esportes, nós criamos esses jogos para provocar nos colégios essa necessidade de se formar atletas, assim como também transmitir Ed. Física e valorizar o professor, porque nós não tínhamos campo de trabalho para eles e passou a ter esse foi o ponto marcante do nosso trabalho. - JEB's em 73 - nós conseguimos formar uma equipe de professores excelente aqui, em um ano o Maranhão evoluiu demais em todas as modalidades, Jacaré que era o professor de natação, professor de Teles que hoje tem Escola, o menino que ia casar com a filha de Ronald. Como é o nome dele? Zé Lauro; todos eles são meus atletas, o menino Teles, Osvaldo, Phil Camarão, David Camarão que faleceu. - então nós formamos uma equipe, uma delegação de 225 atletas e com dirigentes davam 250 pessoas, nós fomos para Brasília, nessa época nós tínhamos total apoio do governo estadual e federal, 250 atletas de Boing fretado, nós não saímos daqui de avião de linha, nós fomos de dois boing de ida, dois boing de volta fretado para Brasília em 1973, em julho. Dimas era professor de ginástica olímpica na minha equipe, Ginástica Olímpica Masculino e feminino e Ginástica Rítmica que foi a mulher dele; Técnico de Basquete também, tu soube disso, nós fomos a Niterói, nessa época que nós fomos a Niterói já isso, como uma pequena Federação, nós fomos participar de um Campeonato Brasileiro, Dimas foi técnico de Basquete também, era muito versátil, era Basquete, Handebol, Ginástica Olímpica, ele foi tudo, o Dimas ele era árbitro também comigo. Nos jogos sempre o nível da arbitragem era muito fraco, então esse grupo de trabalho foi que nós fomos para Brasília, já com uma equipe que nós conseguimos fazer uma boa apresentação muito boa do Maranhão. – Laércio veio dar um curso pela ODEFE, de handebol, daqui ele deveria ir para Manaus e ai, teve um problema em Manaus, o curso não teve, ai ficou aqui ajudando o Dimas aqui com o Handebol, ai você queria que ele acompanhasse no JEB's ele disse que não podia, porque ele era técnico do São Paulo, só que com a vinda dele para dar esse curso aqui, o garoto que ele deixou tomando conta, tomou conta tão bem que ficou como técnico e ele ficou desempregado; eu consegui emprego para ele com o brigadeiro Jerônimo Bastos e ele veio para cá como professor, pago pela C.N.D ( Conselho Nacional de Desportos); Elias foi contratado, ele era meu professor contratado pelo Conselho nacional de Desporto, de onde ele vinha todo mês, o dinheiro vinha religiosamente para conta dele, pago pela C.N.D, eu conseguir colocar como meu professor e pago pelo C.N.D, eu era do C.R.D e consegui junto ao C.N.D professor pago; então o Laércio foi isso, depois de Dimas, Dimas foi o introdutor agora e a grandiosidade do handebol no Maranhão, deve–se tudo ao Laércio, nível técnico, campeão brasileiro duas vezes, masculino e feminino, Laércio foi um monstro, veio o Biguá, veio o Horácio como ajudante dele, assistente Horácio, Biguá 1974 - Nós íamos fazer uma escola de Educação Física particular, já tinha toda a documentação, o professor Salgado deu para mim; Como eu sentia a necessidade de ter professores formados e o que eu trazia eram


poucos em relação a necessidade que nós tínhamos, nós achamos um início para formar a escola de Ed. Física particular; Magno Bacelar como Secretario de Educação; Nós começarmos a trabalhar e deve ter sido isso que chegou lá, nós tínhamos um interesse de fazer uma Escola de Educação Física aqui, eu não posso dizer assim com certeza; Domingos Fraga Salgado, foi que eu trouxe para criar e Escola de Educação Física, com o Magno Bacelar; em seguida foi feita a licenciatura do ITA e depois vem a Simei que veio implantar a prática de Ed. Física na UFMA e daí que se cria o curso de Educação Física, e isso é uma coisa que eu queria pergunta para você, quando o Laércio foi embora ele me deixou toda a documentação desse Curso de Educação Física a ser criado na FESM... – Aí veio o Laércio, veio Búzio para o Basquete, então eu fiz um curso de reciclagem aqui; A minha arbitragem do JEB's veio toda de Belém, toda aquela equipe veio para cá e de Recife; O Expedito, para a natação; O Iran Junqueira, handebol de Brasília; desde a participação de pessoas de fora os árbitros ficavam esperando a hora de ser convidado, era hospedagem, dinheiro na hora, eu não sei como eu conseguia, eu não tinha um tostão no meu orçamento. No meu departamento não tinha um tostão; Aí o Jaime telefonava para o Duailibe que era diretor do D.E.R, e disse: o Alemão tá com um problema, aí ele tá precisando de 300 agasalhos: manda ele vir falar comigo; comprava pelo D.E.R ( Dep. de Estradas e Rodagens), não tinha nada a ver com o Dep. de Ed. Física porque tínhamos a facilidades de amizades, o Jaime era Sec. Da Fazenda, então o que Jaime falava era uma ordem, Zé Carlos Alemão tá precisando de 30 bolas, Zé Reinaldo o Ginásio tem de reformar, o Zé Reinaldo Secretário de ação e Obras, uma semana o estádio ia reformar, o que eu precisasse eu não tinha dinheiro em espécie, mas eu tinha todo o apoio logístico, tudo o que eu queria eles me davam; vamos viajar, passagem aérea, o Maranhão passou 4 anos viajando por esse Brasil inteiro, não tinha um campeonato brasileiro que o Maranhão não praticasse. Por que? Material à vontade, técnicos à vontade, uma constância de trabalhos, o Costa Rodrigues não tinha porta fechada, começava 4 horas, 4, 5 horas da manhã, ia até meia – noite ou uma hora e continuava de novo e era uma hora e continuava de novo e era numa dedicação dos professores, teve um lance gozadíssimo, eu tinha uma equipe na coordenação, eu trabalhava na coordenação e no departamento de Ed. Física. O Bordalo que era o Secretario resolveu resumir nossa folha nesse tempo era 100 mil reais passou para 50. Eu reuni meu pessoal todinho e nesse tempo não tinha esse negócio de leis trabalhistas, vocês são meus professores eu não quero perder nenhum, reduziram o meu custeio de 100 mil para 50, eu não quero perder nenhum de vocês eu não sei se vocês vão aceitar mas a única maneira que eu posso fazer eu quero todos vocês aqui, eu vou reduzir 50% o salário de todo mundo aqui, não saiu nenhum, ficou todo mundo ganhando a metade do salário. Gafanhoto vai te contar essa história e ele morre de rir. É que na equipe houve uma irmandade, todos tinham o prazer e brigar para você pegar uma hora no Cota Rodrigues, era uma guerra, todo mundo querendo trabalhar. Foi assim uma motivação maior que fez esse trabalho aparecer, eu tive uma equipe muito boa, meu professor era meus árbitros, meu professor era meus conselheiros, então tinham um trabalho coletivo e todo mundo querendo essa grandeza de educação física no desporto e surgiu os colégios, se empolgaram, o colégio que não tivesse participação no JEMS, não tinha aluno, a vibração dos colégios que aguardavam o ano todinho se preparando então foi aí que surgiu. 1976/1979 – vai para Brasília, trabalhar no DEFER, a convite de Mauro Fecury, que dirigia a NovaCap, à disposição do Governo do Distrito Federal - eu fiquei no DEFER com cargo de assessor e assumi na U.D.E, Associação Desportiva e complexo esportivo, era Diretor Administrativo no Ginásio Nilson Nelson, na época da revolução, como acabou a revolução, arrancaram o nome dele, botaram Nilson Neves, fui diretor do autódromo, esse Luis Estevão Senador, era assim comigo ele era já tão rico nessa época que 76,77 ele chegava com uma Ferrari e que ninguém tinha carro importado no Brasil, ele chegava com a Ferrari 12 cilindros, encostava na frente do boxe para se preparar, para correr de Maverick, para ver o homem era dinheiro, ele tinha uma Ferrari 12 cilindros, eu fiquei muito amigo dele, Carlos Pace, que faleceu correu lá, Nelson Piquet, não saia do meu gabinete lá no autódromo que ele corria lá, ele é de Brasília. Então eu tinha uma moto 500, e ele tinha uma 350, ela roda autódromo, aí a gente batia um papo, eu tinha uma convivência grande em Brasília, dentro da área de corrida de carro, porque era o diretor do autódromo, e eles precisavam de mim para liberar o autódromo então tinham que pagar, então eu liberava para eles poderem treinar, então eu trabalhei nesse complexo, quando a seleção do Maranhão já foi em 76, já foi para o JEBS, eu já era administrador do complexo, eles ficaram em colégios públicos, eles ficaram hospedados com eles sempre não ficavam em Hotel, então eu botei um carro a disposição deles da delegação.


1980 - retorna para São Luís, para trabalhar na Fundação Municipal de Esportes, quando Mauro Fecury assumiu a Prefeitura pela segunda vez; ai nós criamos FUMESP, eu tive dois professores excelentes, nós fizemos um trabalho só de futebol de campo, aí eu me tornei professor, me reciclei, jogadores, jogadores como Marcos e Lino, os dois professores meus que eu trabalhei lá - Marco Antônio Gonçalves (Marcão) e Lino Castellani Filho; na FUMESF foi ali daquela sede onde é hoje a FUNC, ali que era a FUMESE, o Lino e o Marcos faziam um trabalho só com o futebol de campo, nós criamos quase 100 equipes de futebol de campo nos bairros eu tinha uma caminhonete a disposição deles, nós tivemos 15 frentes de trabalho de escolinhas em vez do atleta na área dele nos campos dele, foi um trabalho excelente, nós formamos atletas, saiu tanto atleta nessa época, dessa geração nesses dois anos. Foi quando João Castelo colocou o Mauro para fora, era prefeito nomeado, derribou com a gente, caiu, saiu levando todo mundo, nós tivemos um trabalho excelente no futebol de campo onde formamos, ex – jogadores, reciclamos esse professores fizeram curso intensivo, Lino e o Marcão que eram professores dessa geração aqui no Maranhão. Foi chamada por eles nessa época. - Volta para a SEDEL - Ai já foi mais um encosto meu a não ser com o Phil Camarão, que eu vim no Gov. Lobão, Phil me nomeou Coordenador de Esporte, mas aí eu ainda tive muita força como Coordenador. Na época de Phil eu mandava mesmo, eu tinha poder de precisão, eu tinha toda autonomia para o trabalho, fizemos ainda um trabalho muito bom em termos de JEMS, era mais coordenar as atividades que a coisa estava feita, porque todos nós dependíamos dos colégios, os colégios eram que tinha a força de trabalho, já existia uma dedicação natural, não precisava ninguém cobrar nada deles, era o interesse dos colégios em participar o nível técnico cada vez melhor. O JEMS foi uma competição de nível, mas o meu trabalho foi mais de administrar o que estava feito, eu não formei nada, eu levei uma seleção para Blumenau. Foi muito bem, Natação, nós fomos uma equipe muito boa com o Phil Camarão. Eu fui para o JEBS, novamente voltei ao JEBS, através dessa eu comecei a participar do JEBS novamente através do Phil Camarão que foi no Gov. Lobão e bom foi que eu fui. Para eu tive um problema que queriam tirar a coordenação lá do Costa Rodrigues com ciumeira porque eu tinha muito poder como Coordenador, eu era o único coordenador que tinha carro à disposição da coordenação e começou uma ciumeira besta achar que eu estava com muita força, eu ficava no Costa Rodrigues e eu tinha que ir era para a SEDEL lá, eu disse se eu for para lá eu não quero mais trabalhar contigo, Em Caxias - foi quando o Paulo Marinho assumiu a prefeitura de Caxias, Prefeito, coincidência , ele disse – Você quer trabalhar comigo na Secretaria? Eu vou. Tu vais transferido para a SEDEL. Eu disse – Para a SEDEL eu não vou, eu quero ficar aqui, mas como tu não quero que eu fique aqui eu vou sair e vou para Caxias, passei dois anos, quase três anos com o Paulo Marinho, De volta à SEDEL - foi quando a Marly Abdalla assumiu novamente e me convidou lá, - tu vai ser meu coordenador de esporte, foi quando eu vim, primeiro ano foi excelente nosso trabalho, fizemos um JEBS excelente, no segundo ano me desentendi com o grupo dela, aí começaram a me isolar, a Marly me deu toda força, eu fiz todo JEMS, generalizei todo esse trabalho enorme do JEMS que não era interiorizado, conseguimos fazer um JEMS muito bom, foi quando aí eu me afastei de novo com Marly Novamente na SEDEL - foi quando entrou o Governo de Roseana, o segundo governo aí, Luisinho foi ser secretario, aí foi uma lástima para mim, eu não me dei bem com ele, a maneira que ele trabalhava e de lidar com as pessoas foi que eu me afastei, sai de lá. Hoje eu to com o Manoel Ribeiro sou coordenador parlamentar, eu me afastei da área de esporte depois disso, nesse último governo de Roseana, primeiro eu fui muito ativo com a Marly que era Secretaria e me deu muita força onde eu trabalhei, agora no segundo eu não tive nenhuma posição de ... fui marginalizado. Ainda na SEDEL – No Governo José Reinaldo, foi subsecretario de esportes e lazer, na administração Alim Maluf Fonte: VAZ, Leopoldo Gil Dulcio; ARAÚJO, Denise Martins; VAZ, Delzuite Dantas Brito. QUERIDO PROFESSOR DIMAS (Antonio Maria Zacharias Bezerra de Araújo) e a Educação Física maranhense – uma biografia (autorizada). São Luís : (s.e.), 2003. (Inédito) – (in ENTREVISTAS).


RECORDAR É VIVER3

Para KOWALSKI (2000) no surgimento dos rituais comunitários, responsáveis pelas transformações de sensações encadeadas por impulsos amplos, que vêm de fora: do remo, do futebol, as corridas de carro, o carnaval, o espetáculo da emoção e o delírio das multidões, estabeleceu-se uma sintonia entre a quebra da identidade colonial e a construção da identidade nacional, coletiva, cultural, brasileira. O esporte é então concebido como uma escola de coragem e de virilidade, capaz de ajudar a modelar o caráter e estimular a vontade de vencer, que se conforma às regras, que adota uma atitude exemplar - o fair-play -, jogo justo e honesto, comportamento cavalheiresco: "Por outro lado, as exigências econômicas e culturais para praticar as novas modalidades esportivas... reforçariam ainda mais a conotação de que esta prática cultural se afirmava como um signo de distinção social". (p. 393). É nesse sentido específico que certos esportes aparecem como elemento de diferenciação do estilo de vida. A prática esportiva torna-se um indicativo de pertencimento social, tendo em vista que a prática de certas modalidades (tênis, crickt, crockt, remo) estava condicionada, em Maranhão, à participação em associações esportivas (os clubs), enquanto outras (foot-ball) vinham alcançando uma maior difusão social, irradiando-se por todos os lados. Emblemático, desse período romântico do esporte maranhense - e em especial do futebol - é a biografia esportiva de vários "sportman" e "cracks" do futebol da época - que abrange os anos 15 a 45. Tomamos por base as matérias publicadas no jornal "O Esporte", nascido no ano de 1947, - "órgão puramente esportivo" - que tinha por objetivo "incentivar ainda mais a prática dos desportos na capital maranhense, para que possamos manter a posição de prestígio que ocupamos no cenário esportivo nacional, depois das vitórias de 1946". Fundado, dirigido e escrito por José Ribamar Bogéa, sua primeira edição circulou no dia 21 de julho de 1947 e sobreviveu até 1951... Em uma sessão denominada "Recordar é Viver", são oferecidos aos leitores biografias de vários "sportman" e de cracks do futebol, em que se pode traçar como se deu o desenvolvimento do esporte em terras maranhenses, após a implantação na primeira década dos "novecento" (1900). As primeiras biografias referiam-se a atletas em atividades, em atuação nos diversos clubes da capital Moto Clube, Sampaio Corrêa, Maranhão Atlético, e Tupan, responsáveis pelas conquistas naquele ano de 1946. Em 10 de setembro de 1947, com o título "um clube que honra o patrimônio esportivo de nosso estado" é anunciado o 10º aniversário do glorioso Moto Clube, o poderoso rubro-negro de Santa Izabel. O garboso Moto Clube, por ocasião de seu 10º aniversario - 13 de setembro - estava passando por uma crise em seu departamento de futebol, por falta de... Técnico. No relatório da diretoria, César Aboud ii prestava contas de sua gestão iniciada em 14 de setembro de 1944, e falava que as exigências técnicas, cada vez mais prementes, fizeram com que o clube abraçasse o profissionalismo, investindo soma apreciável na aquisição de atletas, mas os resultados foram compensadores - foram conquistados três campeonatos de futebol - 44, 45 e 46. No basquetebol, também fora campeão em 46 e vice no Voleibol. No Atletismo, o Moto participou de algumas provas, destacando-se a Corrida de São Silvestre, tendo conseguido o primeiro lugar, por equipes. Era o início do profissionalismo no futebol maranhense, com a importação de atletas de nível, especialmente do Ceará e Pernambuco. Reinicio, na verdade, pois em 1910 o FAC começa a contratação de jogadores de outros estados e foi Nhozinho Santos - e não César Aboud -, quem começou essa prática, muito embora antes do Moto Club se profissionalizar, o Sampaio Corrêa já iniciara as importações e, o Moto - segundo se depreende do relatório de atividades de seu decimo aniversário -, fez apenas se ajustar naquilo que vinha acontecendo, para não ficar atras, tecnicamente. Já naqueles anos reclamava-se dessa importação desenfreada, em detrimento da "prata da casa". 3

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio; ARAÚJO, Denise Martins de. QUERIDO PROFESSOR DIMAS – Antonio Maria Zacharias Bezerra de Araújo e a Educação Física e Esportes do Maranhão. São Luis, Editora Viva Água, 2014. Capitulo de livro.,


Barbosa Filho, em reportagem publicada dia 28 de julho de 1947, apresenta-nos a "biografia de um crack": ZUZA, conhecido como "o professor", meia canhoto do Moto Clube e considerado o melhor meia do norte em sua posição. José Ferreira Filho, seu nome de batismo, nasceu em 16 de agosto de 1916, tendo começado a jogar futebol em sua cidade natal, Caruarú, ingressando no quadro infantil do Central; em 1935, passa para o quadro de aspirantes e em seguida, para o de titulares. Em 1937, conquista o vice-campeonato do torneio intermunicipal. No ano seguinte, o Caruaru participa do campeonato da primeira divisão, mas não vai até o final, licenciando-se; Zuza passa a integrar, então, o time do América. Em 1938, está no Ferroviário, atuando por duas temporadas. Nos anos de 1941 a 1945, vamos encontrá-lo no Ceará Sporting Clube. Como o Ceará fora suspenso pela FCD, o Moto Clube vai buscá-lo - naquele ano, o Moto Clube forma seu time com profissionais -. Além de Zuza, vem também Rui. Zuza participou daquele cérebre jogo entre Mineiros 3 x 7 Maranhenses ... (O Esporte, São Luís, 28 de julho de 1947, p. 2.) Outro atleta que vinha se destacando, também importado, era REGINALDO do Carmo Menezes; nascido no Recife, em 16 de julho de 1915, começou com o futebol aos 12 anos, no Norte América e depois, no Oceano, quadros "dos pés descalços" do subúrbio de Santo Amaro. Reginaldo passa a jogar bola em troca de algumas cambadas de peixe, doadas pelo presidente do Norte América; passou também pelo Íbis. No ano de 1947, REGI já defendia as cores do Sampaio Corrêa e seu maior prazer era vencer o MAC (O Esporte, São Luís, 03 de agosto de 1947, p. 2.). Comentado até os dias de hoje, GEGECA - Argemiro Martins foi outro pernambucano a ingressar no Sampaio Corrêa. No seu primeiro treino, demonstrou muita classe e entusiasmo. Também veio do Íbis, como Reginaldo. Gegeca nasceu no Recife, em 27 de junho de 1920, sendo seu primeiro clube o Maurití, do Porto da Madeira, passando para o Encruzilhada, onde atuou ao lado de Orlando, China e outros grandes azes do futebol nacional. Aos 17 anos deixou de jogar com os "pés descalços" e ingressou no Santa Cruz, jogando até 1940, quando se transferiu para o Íbis. Em 1943, estava de volta ao Santa Cruz, retornou ao Íbis, lá permanecendo até receber a proposta do Sampaio Corrêa (O Esporte, São Luís, 10 de agosto de 1947, p. 2). AREL - "ele aprendeu na mesma escola de Expedito e Ubaldo"- a reportagem começa exaltando o fato de o MAC, apesar de não ter grandes títulos, tem a fama de celeiros de cracks. Isso, já em 1947! Já era tido como uma grande "fábrica" de elementos que se destacavam no cenário nacional, como Expedito e Ubaldo, que brilhavam naquele ano no Rio de Janeiro e São Paulo e que haviam defendido o Sampaio Corrêa em 1943. Outro elemento que poderia estar entre os grandes azes do futebol nacional era o médio Arel. Tendo passado pelo Maranhão Atlético Clube em 1938, depois jogou peladas no campo do Luso Brasileiro, do Vasco da Gama e no Tupan. Foi campeão pelo MAC em 1943. Era natural do Pará, embora tido como maranhense (O Esporte, São Luís, 13 de agosto de 1947, p. 2). HAROLDO Almeida e Silva nasceu em 25 de março de 1922, no Rio de Janeiro. Aos 15 anos já jogava futebol nos campos das Laranjeiras, mesmo bairro onde nasceu. Jogou no Castelo Branco, clube de bairro, passando para o São Cristóvão, até 1945, quando veio para o Moto Clube, indicado por um senhor Soares, da Federação Metropolitana. Em 1947, estava sem contrato e desejando voltar para o Rio de Janeiro. Motivo - vida cara e ordenado pequeno (O Esporte, São Luís, 17 de agosto de 1947, p. 2). COELHO - José Coelho Neto nasceu em Fortaleza em 12 de abril de 1922. Começou a jogar pelo Cruzeiro de Camocim, para onde seu pai - funcionário público - foi transferido, em 1935. Em 1939, seu pai volta a Fortaleza e Coelho - já com fama de bom centroavante - passa a defender as cores do Realengo, time do bairro de Aldeotas. Em fins de 1940, deixa o time de João Bombeiro e transfere-se para o Riachuelo, onde joga até 1942, sagrando-se vice-campeão da 2ª divisão. Em 1943, esteve no Baependí e em 1944, ingressou no Fortaleza, como ponta-direita. Depois de vários jogos, inclusive um campeonato brasileiro, veio para o MAC, chegando aqui em 9 de dezembro de 1945. - o avante do MAC contava com apenas três anos de profissionalismo (O Esporte, São Luís, 24 de agosto de 1947, p. 2). GALEGO - jogador do Moto Clube, não se saia bem nos jogos locais, mas nos fora da cidade... Chegou a ser cogitado até para a seleção brasileira... Natural de Belém do Pará, onde nasceu em 26 de julho de 1921, começou a jogar futebol no juvenil do Paissandú, em 1937. Troca o Paissandú pelo União e em 1940 passa para o Tuna Luso Comercial. Transfere-se para o Recife, onde joga no América. Com saudades de casa, volta a Belém e, sem contrato, retornou para Recife, contratado pelo Santa Cruz. Passa a jogar pelo Maguari


e quando este é extinto, vem para São Luís, jogar pelo Moto Clube (O Esporte, São Luís, 31 de agosto de 1947) Mas esses eram os cracks da bola, importados de outras plagas e que iniciaram a profissionalização de nosso futebol, ganhando exclusivamente para jogar. Muitos maranhenses tiveram destaque, não só no futebol, mas em outras modalidades. O ano de 1946 foi considerado o de maior destaque para os esportes maranhenses, em especial, para o Futebol, com os clubes locais ganhando inúmeras partidas por esse Brasil todo - Ceará, Belém, Recife, assim como de clubes de outras partes, quando vinham para São Luís, se apresentar, sofriam derrotas sem explicação, como aconteceu com o Flamengo, Vasco da Gama, Botafogo... Também no Basquetebol o Maranhão teve destaque em toda a região norte-nordeste, assim como no voleibol e alguns atletas apareceram no Atletismo... A biografia esportiva de RAIMUNDO ROCHA dá-nos idéia de como foram aqueles primeiros tempos, após a inauguração do futebol e a introdução dos esportes modernos em Maranhão, após a fundação da Associação Maranhense de Esportes Amadores - A.M.E.A. DICO, como era conhecido, além de ter sido campeão várias vezes, como futebolista, alcançou outros títulos sugestivos como campeão regional de Atletismo, Voleibol, Basquetebol, etc.: era um atleta completo. Nasceu a 11 de fevereiro de 1903 em Barro Vermelho, município de Viana. Ainda pequeno, veio para São Luís, vindo a residir na Rua da Manga, 46. Junto com um amigo, Elízio, formou o Paissandú - um clube dos "pés descalços" - que nos dá a exata dimensão de como esses clubes eram formados: quatro forquilhas serviam como áreas e era transportado para os locais escolhidos para as lutas - Desterro, Madre Deus, Largo de São Pantaleão, Santiago. Logo que a turma chegava, tratava de fazer os buracos e enterrar as forquilhas, para que fossem iniciadas as disputas. Nessa época, Dico era auxiliar de alfaiate e era quem confeccionava as bolas. Arrumava bexiga de boi no Matadouro e fazia de taboca de mamão a respectiva bomba para encher a esfera. Depois de cheias, as bexigas eram cobertas de lona, para ficarem mais resistentes; fazia sempre cinco a seis bolas de cada vez, prevendo o aparecimento dos policiais e a prisão das esferas, pois quando os soldados apareciam ninguém se lembrava da bola que estava em jogo. Todos tratavam de arrancar as forquilhas e correr para voltar depois e armar o campo, a fim de que a luta fosse reiniciada, com nova bola. A primeira posição de Dico foi ponta-direita. Em 1918, ele já figurava no Fênix e atuava como médio; em 1919, já era goleiro de fama e estava jogando no Luso, sagrando-se campeão maranhense. Nessa época, o time de Antero Novaes formava com Negreiros, Cantuária, Cabral, Sezão, Kepler, Santa Rosa (o velho Santa Rosa dos Correios e Telégrafos...), Santana, Dantas, Joãozinho, Rochinha e outros. Com esse time, o Luso foi bi-campeão, em 1920. Dico foi para Fortaleza, a convite do Guarani, pois iriam participar pela primeira vez de um campeonato brasileiro e precisavam de um bom guarda-metas. Jogou por três anos. Após a temporada em Ceará, Dico volta a São Luís, para o mesmo Luso, jogando uma temporada, quando o time foi extinto pelo Dr. Tarquínio Lopes... Terminado o Luso, Hermínio Bello formou o América. Dico ficou pouco tempo, passando-se para um novo clube - o Sírio Brasileiro, onde também teve destaque como guarda-metas. O time da Montanha Russa tinha em sua diretoria Silvio Tavares, Chafi Saback, Antoninho, Simões, Jamil Jorge, Pires de Castro, Fiquene, Benedito Metre e outros; dentre os jogadores, destacavam-se Stelman Porto, César Aboud, Ferdinando Aguiar, Toninho, Osvaldo, Amintas, e outros. Após ser campeão pelo Sírio, Dico transfere-se para o MAC, em conseqüência da cisão que houve no grêmio dos árabes e que deu origem ao aparecimento do grêmio atleticano. Seus companheiros eram: Enes, Adolfo, Filemon, Stelman, Bombom, Babí, Silvio, Antenor, Chaves, Driblador, etc. Depois, Dico abandonou a prática de futebol, dedicando-se ao cargo de técnico do próprio MAC, até o dia em que César Aboud tomou conta dos "cracks" maranhenses. Um ano depois, Dico figurava como técnico do FAC, em uma excursão vitoriosa à Teresina. Na volta, passou a ser treinador do Moto Clube. Não esse Moto Clube que conhecemos, cheio de valores e elementos importados - esta reportagem foi escrita em 1947... -; quando Dico treinava o Moto Clube, o grêmio da Fabril contava apenas com Mourão, Jabá, 91, Zequinha, Barbado, Veloz, Barata...


Dico, em toda a sua carreira esportiva, ganhou 48 medalhas, sendo 35 de ouro: em futebol; corrida rústica; provas de velocidade; salto com vara; arremesso do peso; lançamento de dardo; lançamento de disco; volei; basquete; e boxe. Encerrou a carreira como árbitro de futebol (O Esporte, São Luís, 28 de novembro de 1947, p. 2). Outro atleta de destaque, que nos dá uma idéia de como surgiam os grandes valores do esporte no passado, especialmente do que podemos chamar de "Liga dos Pés Descalços" - as pequenas agremiações que surgiam da vontade de um grupo de garotos em praticar algum esporte - foi PAULO MELADO, como era conhecido Paulo Silva. Nasceu em São Luís em 10 de janeiro de 1912, na Rua do Machado, próximo à Praia do Caju. Começou a jogar futebol no corredor da "Pacotilha", ao lado de Badico e outros veteranos. O corredor da "Pacotilha" não era um campo de futebol, pois era muito estreito e servia apenas para as clássicas partidas de bola de meia. O Leãozinho F. C. da rua Afonso Pena foi o primeiro clube de Paulo Melado; era dirigido por Carlos Moreira e eram seus companheiros: Tunico (irmão de Mourãozinho), Lúcio, Eusébio e outros. Depois do Leãozinho, foi para o Tupi, disputar a primeira divisão da antiga AMEA. Sentiu os efeitos da mudança, pois quando jogava no Leãozinho, as traves tinham apenas 4 metros de largura e uns 2 metros de altura. Entretanto, aos poucos foi se acostumando aos 7 metros - era goleiro - e se tornou ídolo da família 'indígena'. Nessa época, jogavam pelo Tupy: Driblador, Pé de Remo, Café, Cação, João Pretinho e outros. Foram vicecampeões da cidade. Em 1928, transferiu-se para o Vasco da Gama, jogando ao lado de Cecílio, Neófito, Massaricão, João Pretinho, até 1931, quando recebeu convite de Carneiro Maia e foi para o América. Por três anos seguidos foram vice-campeões da cidade: Paulo Melado (gol); Raiol e Grajaú; João Franco, Neófito e Vicente Rego; Santana, Papacina, Veríssimo, Cristóvão e Corea. Em 1934, estava convocado para a seleção maranhense e em 1935, passa para o Sírio Brasileiro, jogando até a sua extinção. Em 1938, após uma passagem pelo Itapecurú - tem uma desilusão amorosa e volta para São Luís, vindo a integrar o quadro do Sampaio Corrêa. Após algumas partidas, transfere-se para Teresina. Em 1941, estava de volta, desta vez para jogar no Moto Clube, formando ao lado de Zezico, Juba, 91, Clímaco, Mojoba, Barata, Mourão, Brandão, Aderson, Valter e outros; o técnico, era o tenente José Ribamar Raposo (O Esporte, São Luís, 30 de novembro de 1947, p. 2). Outro crack do futebol do passado, que nos dá uma idéia de como funcionava a "Liga dos Pés Descalços", nesses primeiros tempos, de consolidação do esporte maranhense e em especial, do futebol - foi TANGA, como era conhecido João Geraldo Pestana; nascido em São Luís em 24 de setembro de 1901, começou a se destacar no campo do XI Maranhense, de Gentil Silva, próximo ao cais. Jogava na equipe do Maranguape, e as partidas terminavam na hora do almoço e prosseguiam à tarde no corredor da Pacotilha. Tanga muitas vezes se encontrou com Dico... O presidente do Fênix, em 1918, fez o convite para defender as cores do clube. A sede do Fênix, nessa época, ficava nos fundos da vacaria de D. Lúcia, na rua da Independência. O amadorismo, nessa época, era um fato, com os jogadores se cotizando para comparem as equipagens e alugar os campos de jogo. Fazia-se o esporte, por esporte... Quando foi para o Fênix, Tanga levou junto o amigo Dico. O mesmo acontecendo em 1919, quando passou para o Luso. Após ter sido campeão, em 1920, seguiu, em companhia de Dico, para o Ceará, para defender as cores do Guarani. Lá, conseguiu um bom destaque, após um período ruim e somente voltou a São Luís quando foi convocado. Ao regressar, passou a defender as cores do FAC. Porém, disputou apenas um jogo: o grêmio "milionário" - pertencia à elite - depois de abater o Fortaleza por 3 x 0, foi sepultado, fincando em liberdade cracks de projeção como Paulo Cunha, Rivas, Astrolábio, Bacalhau, Dávila, Tanga, Guilhonzinho, Enéas. Com a morte do FAC, surgiu o Santa Cruz, clube de elite, contando com Ricardo Costa, Agenor Vieira, Luzico Guterres, Zé Ramos, Aníbal Verry, Zé Joaquim, Bernardino Cunha, Zé Melo, e outros. Após jogar no Santa Cruz, Tanga abandona o futebol (O Esporte, São Luís, 14 de dezembro de 1947, p. 2). MASSARIQUINHO - Jaime Damião da Costa - nasceu em São Luís no dia 12 de fevereiro de 1906. Começou a jogar bola no 18 de Novembro, de Alfredo da Bateria, equipe do Gazômetro, e contava com o concurso de Paulo Melado e João Canhoteiro; depois, Jaime ingressa no Leãozinho F.C.


No dia em que fundaram o Sampaio Corrêa, na casa de Inácio Coxo, na Praça da Alegria, Jaime estava presente, sendo sócio-fundador do tricolor de São Pantaleão. No dia da estréia do Sampaio, compareceu ao campo, mas com a camisa do Leãozinho para jogar contra o Iole, na preliminar - não era bom o suficiente para jogar no clube que ajudara a fundar -; Inácio Coxo, Rochinha, Vítor, João Catá, Nhá Bá e Teodorico também jogaram pelo Leãozinho e venceram por 1 x 0, gol de Jaime. O Sampaio, jogando contra o Luso, também venceu por 1 x 0 e formou com Rato; Zénovais e João Ferreira; Rui Bride, Chico Bola e Raiol; Tunilinga, Mundiquinho, Zezico, Lobo e João Macaco. Jaime só estreou no Sampaio em 1928, contra o Tupan - 7 x 4 para o Sampaio. Prosseguiu com sua jornada no Sampaio até 1937, sendo campeão em 28 e 29; vice em 30 e 31; campeão em 32, 33 e 34; vice em 35. Em 36, não houve campeonato na cidade, devido a uma dissidência. Em 1937, está no MAC, sagrando-se campeão; 38, vice-campeão - o título foi do Tupan -; em 1939, volta para o Sampaio, sagrando-se campeão nesse ano e em 1940; vice em 41; campeão em 41 e vice em 43, ano em que o Moto Clube alcançou o ponto máximo pela primeira vez. Jaime formou na seleção maranhense de 1930 a 1941, sempre com boa atuação, não sendo "barrado" uma vez sequer (O Esporte, São Luís, 14 de janeiro de 1948, p. 2). CARLOS VARELA nasceu em São Luís no dia 1º de novembro de 1906. Começou a jogar futebol nas peladas do Largo da Conceição, conhecido como Estádio Varela, ponto de exibição de Severino, Pé de Remo, Mourão, Agenor Vieira, Carlos Tajra, João Almeida... Depois das peladas do Largo da Conceição, Varela passou a jogar no São Luiz, do Colégio dos Maristas, transferindo-se, em seguida, para o União, de Saladino Cruz, onde tinha a companhia dos cracks Sarrabulho e Almeida. Depois do São Luiz, passou para o Baluarte F.C., se exibindo no campo do Onze Maranhense, no Cais, juntamente com João Almeida, Cabelo de Ouro, Kenard, etc. Em 1922, com 16 anos, Varela ingressou no juvenil do FAC. Em 1924, juntamente com Hilton Monteiro, funda o Dublin F. Clube, contando na estréia com Belmiro, Alemão, Gregório, Zé da Quinta, Valério Monteiro, Severino, Delfim Nunes, Clarindo, e outros. Foi no Dublin que Varela encerrou a sua carreira esportiva em 1927, quando o clube foi extinto (O Esporte, São Luís, 18 de janeiro de 1948, p. 2). VITAL FREITAS nasceu em São Luís e começou a bater bola no campo da Igreja São Pantaleão, contra os times do catecismo do Desterro, Conceição, Carmo, Sé e outras igrejas. Depois, Vital passou a atuar no quintal de Chico Rocha, no Apicum e num terreno de Manduca, à rua do Outeiro, onde nasceu o Sampaio Corrêa. Nos campos da Camboa, Madre Deus, Quinta do Barão, Praça da Alegria, Largo de Santiago, Praça Clodomir Cardoso, ele aperfeiçoou a sua "chuteira”!... E tinha como parceiros naqueles tempos, os cracks Manoel Beleza, Nhá Bá, Virador, Inácio Coxo, Pedro Gojoba, Daniel Rocha, Nemézio, Zé Novais, Valdemar Sá, Coelho, Paulo Lobo, Antônio Benfica e outros. Esses elementos, sob a orientação de Vital e Natalino Cruz, fundaram o Sampaio Corrêa em 1923, inspirados pelo grande feito do aviador patrício Pinto Martins que, com Valter Hilton, fez o "raid" das duas Américas num hidroavião que tinha o nome de "Sampaio Corrêa II". Vital Freitas sentiu-se bem em ter oferecido a primeira camisa em que o esquadrão "boliviano" envergou no retângulo de grama e que tinha a gola verde, todo o corpo amarelo e uma bola vermelha no peito esquerdo. O Sampaio Corrêa estreou em uma partida contra o Luso Brasileiro, à época o líder invicto do futebol maranhense. Foi árbitro o veterano Antero Novais e o Sampaio venceu por 1 x 0. Além de diretor do Sampaio, Vital foi árbitro da AMEA, da qual foi fundador juntamente com Guilhonzinho Coelho e Antônio Carneiro Maia, tendo trabalhado para a fundação do Moto clube, ao lado de Vítor Santos (O Esporte, São Luís, 05 de abril de 1948, p. 2). PAULO KRUGER DE OLIVEIRA nasceu em São Luís em 28 de fevereiro de 1901, no Bairro do Diamante e pertencia à família Ramos de Oliveira. Começou a jogar futebol no Instituto Maranhense, de Oscar de Barros. Em 1916, na casa de Manoel Guimarães, na Rua Rio Branco, fundou o Barroso Futebol Clube. Este clube tinha entre seus craques Carlos de Moraes Rêgo - irmão do professor Luis Rêgo - e Tasso Serra. Depois que o Barroso terminou, em 1918, Paulo atende convite de Saturnino Bello e Antero Matos e transfere-se para o FAC, ao lado de Agenor Vieira e Joaquim Carvalho.


Oliveira passa a jogar no gol da equipe "milionária", ao lado de Cantuária, Roxura, Saracura, Enéas, Carlito, Danilo e outros. Em 1920, Paulo Kruger abandona o FAC, passando a dirigir o Santa Cruz. Três anos depois volta a jogar, até 1925. Abandonando o gol em definitivo. Foi secretário da AMEA e a presidiu em 1930 (O Esporte, São Luís, 29 de fevereiro de 1948, p. 2). ABRAHÃO HELUY - o Abrahão do Bar Garota, hoje em dia (1948) só tem barriga; todavia já foi um craque de bola. Foi goleiro exímio. Nasceu em 3 de julho de 1905 e começou a jogar futebol no time do Chico Gomes. A primeira camisa que vestiu foi a do Onze Maranhense, de Carvalho Branco, em 1914, ao lado de Gentil Silva e Polari Maia. Depois (1916) ingressou no Baluarte, fazendo companhia a Carlos Tajra, Kenard, João Metre e outros. Em 1917, transferiu-se para o América, onde teve como companheiro Palmério. Após breve temporada, passou-se para o juvenil do Luso Brasileiro, onde fazia misérias no arco, enquanto Luiz Vieira, Silva, Raimundo e outros elementos que atuavam na retaguarda, o defendiam contra os assaltos dos adversários. Quando cansou de jogar no Luso, rumou para o FAC, encerrando a sua carreira em 1921 (O ESPORTE, São Luís, 22 de fevereiro de 1948, p. 2). Francisco Tavares - o CHICO BOLA - nasceu em São Luís, à rua do Passeio, no dia 3 de dezembro de 1903. Fã do Sampaio Corrêa, daqueles que gritam em campo quando seu time é prejudicado, começou a bater bola em 1918, no Largo de São Pantaleão, no terreno onde hoje se ergue a Maternidade, ao lado de Zizico e Tutrubinga. O primeiro clube organizado de que participou foi o Cruz Vermelha, do dr. Hamelete Godois, onde jogava no ataque. Depois, ingressou no Oriente, um clube da 2 ª Divisão, de Almir Vasconcelos; seu bairro passou a ser, então, o Santiago. Afastou-se por algum tempo do futebol, quando o Oriente foi extinto, retornando para jogar no Sampaio, levado por Almir Vasconcelos, em 1925. Os colegas de bola eram, nessa época, Zé Ferreira, Munduquinha. Lobo, Raiol, Novais, e outros. Em 1926, deixou a Bolívia transferindo-se para o Luso, onde foi campeão em 1926 e 27. Nessa época teve o auge de sua carreira, tendo formado na seleção maranhense por duas vezes; na primeira vez, perderam para o Pará por 5 x 1 e no ano seguinte, fomos eliminados pelos cearenses por 3 x 0. No jogo efetuado em Belém, em 1926, foi a primeira vez que uma seleção saiu para participar de um campeonato brasileiro, formando com Tomaz; Colares e Grajaú; Guanabara, Bola e Jagunço; Tunubinga, Mundiquinho, Zezico, Lobo e Raiol. Chico Bola jogou no Luso até o dia em que o grêmio "azulino' foi extinto. Depois do Luso, formou no quadro do Santa Cruz, abandonando o futebol definitivamente em 1929. A maior emoção de Chico Bola no futebol verificou-se em 1916, quando o Sampaio estreou nos gramados oficiais. O grêmio tricolor viera dos subúrbio, com o concurso de jogadores sem experi6encia. O Luso, ao contrário, possuía grandes craks, como Dico, Negreiros, Wanick, Rochinha e muitos outros. Mas o Sampaio, fazendo alarde de invejável fibra, superou o Luso por 1 x 0. Chico saiu-se a brilhar nesse jogo., Raiol marcou o goal do Sampaio...( O ESPORTE, São Luís, 21 de março de 1948, p. 2). Outro nome que merece ser destacado, como autor de feitos magníficos no passado, no terreno esportivo, é o de SIMÃO FÉLIX, um esportista que chegou a ser perfeito dada a grande quantidade de esportes que praticou e vitórias soberbas que conseguiu alcançar. Simão Félix, maranhense de Grajaú, onde nasceu em 3 de maio de 1908, praticou o futebol, o basquetebol, voleibol, motociclismo, natação, remo e muitas outras modalidades. Era um autêntico campeão. Veio para São Luís em 1915, quando tinha 7 anos de idade, localizando-se na Rua da Palma. Largo das Mercês e Quartel da Polícia [onde hoje é o Convento das Mercês]; foram os seus primeiros locais de diversão. Em tais locais, começou a chutar "bola de meia" e aprender a correr, em vista de aproximação dos policiais. Depois do futebol, passou a ser remador. Construiu a piscina do Genipapeiro, em companhia de outros colegas e fez daquele local o seu ponto de recreio. Possuía um bom "yole" e remava com relativa facilidade. Como futebolista, jogava pelo Sírio. Faltava um guardião para o time da Montanha Russa e Simão, que era bamba no basquete e volei, foi encarregado de guarnecer a cidadela do Sírio. No dia da estréia do grêmio árabe, Simão fez defesas espetaculares, chegando a defender três penalidades. O Sírio venceu o Libertador por 1 x 0. Antoninho, Simão, Fuad Duailibe, Chafi Heluy, César Aboud, Amintas Pires de Castro, Silva e Jaime também colaboraram bastante. Simão disputou várias partidas pelo Sírio, porém devido a seu estado de saúde deixou de praticar esportes por algum tempo, indo para o interior do Estado. Quando não quis mais jogar como


goleiro, João Mandareck estava fazendo misérias no arco, Simão passou a zaga, até a extinção do Sírio, abandonando o futebol. Continuou apenas com a prática da bola-ao-cesto, bola ao ar (volei ?), atletismo, motociclismo, tênis, remo e outros esportes. Simão Félix deixou de praticar o basquete e o volei em 1947, quando figurou na equipe do Pif-Paf, num campeonato interno organizado pelo Moto Clube. O crack praticou também o box, tendo disputado uma luta no Éden (cine Éden, onde hoje é a loja Marisa, na Rua Grande) contra um pugilista cearense. Era louco por corrida de bicicleta e motocicleta. Como também a pé, demonstrando sempre muita resistência. No lançamento do peso, do disco e do dardo era bamba, o mesmo acontecendo nos 100 metros e no salto em extensão (O ESPORTE, São Luís, 11 de abril de 1948, p. 2). RAUL ANDRADE nasceu em Belém do Pará, em 15 de maio de 1891. Estudante do Ginásio Paes de Carvalho, aprendeu a manejar o balão, tendo iniciado sua carreira esportiva aos 12 anos, em 1903. E quando foi fundado o Esporte F. C. em 1908, o crack Raul já dominava bem o balão, atuando na aza média e na zaga. Seus colegas eram Moraes, Coronel Castanha Podre e outros. Três anos depois, o Esporte mudava de nome, passando a ser o Time Negro (hoje, Paissandú). Em 1914, Raul veio a São Luís a passeio (a Primeira Guerra Mundial estava começando...) para visitar sua família e, em companhia de outros esportistas, fundou dois times com os nomes de França F. C. e Alemão F. C., com as camisas dos citados grêmios correspondentes às bandeiras francesas e alemãs. Em 1915, era fundado o Foot-Ball Athletic Club - FAC - o antigo Fabril Athletic Club, com outra denominação, mas ainda funcionando no mesmo local, com as mesmas pessoas. O grêmio "milionário" pertencia à elite empresarial e comercial ludovicence - possuía dois grandes quadros - o Red Futebol Clube e o Black Esporte Clube. A diretoria era uma só, entretanto sempre existiu rivalidade entre os integrantes do Red e do Black. Nessa época, o futebol maranhense já possuía três bons clubes, que eram os quadros do Red e do Black (FAC) e o XI Maranhense. Nhozinho Santos e Saturnino Belo eram os principais dirigentes. Em 1916, com o concurso de alguns elementos do FAC e alguns esportistas nascia o Luso Brasileiro, vindo então a rivalidade que deu origem aos tradicionais clássicos - Luso x FAC, a maior sensação do futebol maranhense do passado. O Dr. Raul deixou de praticar o futebol quando o Remo fez sua primeira visita ao Maranhão. Ainda enfrentou a turma paraense, jogando pelo Red. Além de ser sócio fundador do FAC, passou a ser diretor e foi tesoureiro da antiga AMEA (O ESPORTE, São Luís, 18 de abril de 1948, p. 2). FILESMON GUTERRES é natural de Santo Antônio, município de Pinheiro, onde nasceu em 22 de novembro de 1909. Seu primeiro clube foi o Red and White, da cidade de Pinheiro. Quando tinha 17 anos de idade, veio para São Luís procurar trabalho e estudar. Passou a morar no Beco da Lapa, 55, na casa de Josimo Carvalho. Após dois meses em São Luís, foi levado por João Baueres para o Sírio Brasileiro. Sua primeira partida foi contra o Luso Brasileiro, de Newton Belo, Chico Bola, Guilhon, Amintas Guterres, Balduíno; enquanto o Sírio contou com Augusto, Fuá (Fuad ?) e Simão Félix; César Aboud, Filemon e Nariz; Sílvio Tavares, Jaime, Pires de Castro e Eupídio. Em 1932, abandonou o Sírio, devido a um aborrecimento e juntamente com outros colegas, fundaram o Maranhão Atlético Clube. O caso é que o sr, Jurandir Sousa Ramos queria mudar o nome do Sírio e muitos associados não concordaram. Em conseqüência, 86 sócios do grêmio da colônia síria abandonaram o citado esquadrão e fundaram o MAC (O ESPORTE, São Luís, 30 de maio de 1948, p. 2). Outro nome que lembra-nos a glória do esporte maranhense em nosso passado recente foi VALÉRIO MONTEIRO, nascido em Alcântara no dia 1º de abril de 1901. Aos 6 anos veio para a capital. Morando numa vivenda à rua Jacinto Maia, defronte ao antigo Gazômetro, dando suas fugidas para as peladas da Praia do Caju, onde existia, na época, uma verdadeira escola de futebol, tendo conseguido diploma naquela zona atletas como Clarindo, Cabelo, Lucas (Júlio Galas), Beleza e outros. E Valério Monteiro foi um dos elementos preparados na "Universidade Futebolística da Praia do Caju". Valério jogava no Paulistano da Praia do Caju, quando foi comandado pelo Sr, Jacques Vieira para defender o Spark F. Clube, grêmio da primeira usina elétrica que o Maranhão possuiu. Depois, foi levado pelo português David Martins Sousa para o Luso Brasileiro.


Após um grande período em que o futebol maranhense viveu em abandono, Valério aparece no Sírio como diretor, jogador de futebol e astro do basquete e volei (O ESPORTE, São Luís, 14 de novembro de 1948, p. 2). Outro astro foi JAIME PIRES NEVES, natural de Pindaré-Mirim (antigo Engenho Central). Viveu dos 3 aos 17 anos na Europa - Espanha, depois Portugal, onde estudou e aprendeu a jogar futebol. Aos 18 anos, vamos encontrá-lo em São Luís passando a jogar pelo Materwel, grêmio interno do MAC. No dia 13 de setembro de 1937, Jaime participou da fundação do Moto Clube de São Luís, passando a ser sócio e atleta do clube das motocicletas. Estreou o Moto em campos oficiais, jogando contra o MAC, com o placar de 2 x 2. Ainda jogou até 1941, quando César Aboud começou a contratar jogadores para o seu onze... (O ESPORTE, São Luís, 26 de junho de 1949, p. 4) LUIZ DE MORAES REGO - é natural do Maranhão. Nasceu em 28 de outubro de 1906, no lar de João Maia de Moraes Rego e Custódia Veloso de Moraes Rego, à rua da Palma, 14, tendo aprendido as primeiras letras na Escola Modelo Benedito Leite. Futebol para Luiz Rego começou muito cedo; ele fazia parte das peladas da Praça Antônio Lobo, em companhia de Antônio Frazão, José Ramos, Júlio Pinto, Marcelino Conceição, Totó Passos, Fernando Viana, e outros. Jogava na ponta canhota e muitos candieiros de gás andaram quebrando com seus violentos petardos. Luiz Rego nunca se esqueceu daqueles tempos de peladas, lembrando que os treinos aconteciam no corredor de um sobradão da Rua da Cruz, entre a rua do Alecrim e Santo Antônio, sob a luz de uma lamparina, às 4 horas da madrugada. Nessa época, tinha 14 anos de idade. Na Escola Normal, jogava no Espartaco, um clube formado exclusivamente por alunos daquele estabelecimento de ensino; seus colegas eram Oldir, Valdir Vinhaes, Carlos Costa, José Costa, José Ribamar Castro, Jaime Guterres, Peri Costa, e outros. E como adversário do Espartaco apareceu logo depois o "João Rego", clube formado por Antônio Lopes, que contava com Frazão, Penaforte, Aragão, Clodomir Oliveira e Luiz Aranha. Quando passou para a Escola de Farmácia, mudou para o time dessa escola, formando com Milton Paraíso, Chareta e Frazão. Em 1927, quando terminou a Escola de Farmácia, o endiabrado crack passou a ser o respeitado Professor Luiz Rego. Foi diretor da Escola Normal entre 1932 e 1936, tendo sido dono da parte da educação no Governo Paulo Ramos (Diretor de Instrução Pública). A fundação de seu colégio data de 1935. No Colégio de São Luiz sempre cuidou do esporte. Incentivava a prática de jogos, organizava clubes e embaixadas esportivas, que muitas das vezes saiam de São Luís a fim de fazer grandes apresentações em outras plagas vizinhas. Graças à disposição do Professor Luiz Rego, o Colégio de São Luiz formou destacados valores do nosso esporte, dentre os quais podem ser citados Rubem Goulart, José Rosa, José Gonçalves da Silva, Luiz Gonzaga Braga, Valber Pinho, Celso Cantanhede, Americano, Sales, David, Ataliba, Tent. Paiva, Rui Moreira Lima, e muitos outros. Inclusive Dimas, que foi aluno, e depois, professor do Colégio de São Luiz... RINALDI LASSALVIA LAULETA MAIA, nascido São Luís do Maranhão no dia 05 de fevereiro de 1914, filho de Vicente de Deus Saraiva Maia e de Júlia Lauleta Maia; iniciou sua carreira esportiva como crack de futebol, no América - clube formado por garotos do 2º ano do ginásio, e que praticava o "futebol com os pés descalços". Em 1939, o jovem atleta já era jogador do Liceu Maranhense, sagrando-se bicampeão estudantil invicto, nos anos de 1941 e 1942. Apesar de jogar no Liceu, Rinaldi figurava em quadros da 1ª divisão da Federação Maranhense de Desportos - FMD -, primeiramente no Vera Cruz (o clube que nunca perdeu no primeiro tempo...), onde fez "misérias" ao lado de Sarapó, Jenipapo, Cícero, Sales, etc. Depois, figurou na equipe do Sampaio Corrêa. No "Bolívia", Rinaldi foi elemento destacado, muito embora jogasse ao lado de um Domingão. Foi considerado "O Menino de Ouro" da "Bolívia". Em 1941, Rinaldi começa a praticar o Basquetebol, tendo ao lado Gontran Brenha e Eurípedes Chaves e outros, defendendo as cores do Vera Cruz. Nessa época, não havia campeonatos de bola-ao-cesto, contudo, era público e notório que o Vera Cruz era o campeão da cidade. O grêmio do saudoso Gontran apenas tinha como adversário perigoso o quadro do "Oito de Maio". Nas disputas de Volei levava sempre a pior, porém, vencia todos os encontros de bola-ao-cesto. O Vera Cruz era um campeão autêntico...


O melhor ano do esporte para Rinaldi foi 1942. Nessa temporada o jovem atleta conquistou nada menos de três títulos sugestivos: campeão invicto de futebol pelo Sampaio Corrêa; campeão invicto de futebol, pelo Liceu Maranhense; e campeão de basquetebol, pelo Vera Cruz. Em 1943, coberto de louros, Rinaldi embarcou para o Rio de Janeiro, a fim de cursar a Escola Nacional de Educação Física. Na Cidade Maravilhosa, o filho de Vicente de Deus Saraiva Maia conseguiu seu objetivo, formando-se como Professor de Educação Física. Voltou a São Luís em 1945. Muita gente julgou que Rinaldi ainda fosse um crack da esfera. Contudo, mero engano! O jovem atleta apenas apareceu em campo, no dia de seu desembarque, para satisfazer o pedido de amigos, mas fez ver que havia abandonado o futebol em definitivo. Seu esporte predileto passa a ser a bolaao-cesto. Em 1946, Rinaldi figurava na equipe de basquetebol do Moto, sagrando-se campeão do "Torneio Moto Clube". Quando da visita do "five" rubro-negro a Belém, Rinaldi teve oportunidade de brilhar na capital guajarina e colaborou naquela magnífica campanha dos motenses. Em 1947, Rinaldi tomou outra decisão. Deixou o Moto Clube e tratou de reorganizar o Vera Cruz, seu antigo clube. O seu sonho foi realizado, uma vez que o Vera reapareceu e hoje figura na liderança do campeonato de basquetebol da cidade. E Rinaldi é figura destacada no grêmio cruzmaltense. Atua na guarda, onde se vem destacando, juntamente com o professor Luiz Braga, outra grande figura do basquete maranhense. Cabe ressaltar que o Vera Cruz foi campeão naquele ano. (O Esporte, São Luís, 25 de outubro de 1947, p. 2.) RUBEM TEIXEIRA GOULART iniciou-se no esporte no Colégio de São Luiz, do professor Luis Rego. Em 1935, quando veio de sua cidade natal, Guimarães, principiou jogando futebol no "scratch" do seu educandário, permanecendo no time até 1938. Nesse mesmo período, passou a jogar volley-ball, no Dourado, melhor agremiação existente naquela época, sendo seus companheiros de "team" Boneca, Dias Carneiro, Furtado da Silva, Sócrates, Manola e alguns outros. Do Dourado, transportou-se para as fileiras do União, onde demorou pouco, tendo formado ao lado de Elba, Mitre, Álvaro, Rabelo, etc. Ainda em 1937, foi fundador do Brasil, composto exclusivamente por alunos do Colégio de São Luiz. Nesse mesmo tempo Alexandre Costa criou o Flamengo, o mais acérrimo rival de seu conjunto. Formava no seu "five" elementos do quilate de Mauro Rego, Tenente Paiva, Américo Gonçalves, Boneca, José Alves e Manoel Barros, tendo servido de padrinhos o Dr. Clodoaldo e Altiva Paixão. Encerrando como invulgar brilhantismo o seu curso de ciências e letras, locomoveu-se para a Capital do país, a fim de cursar a Escola Nacional de Educação Física, isto em 1942. Durante dois anos Rubem permaneceu na Cidade Maravilhosa. Seus dias naquele centro esportivo proporcionaram-lhe o ensejo necessário demostrar ao público "guanabarino" o valor de um atleta nortista. Na Escola Nacional de Educação Física conquistou títulos retumbantes. No seio da escola, era um atleta de escola, participando de todos os esportes ali praticados, tendo o seu lugar efetivo nas equipes de volley-ball, basket-ball e atletismo. Foi campeão interno de volley nas competições efetuadas na ENEF; vice-campeão de Halterofilismo, peso médio, além de ter participado das Olimpíadas Universitárias de 1942, nas representações de volley, basket, futebol e atletismo. Alcançou os seguintes lugares nas provas de Atletismo: 2º lugar nos 100 metros rasos, com a marca de 11,2s; 2º em salto em distância num espaço de 6,25 metros; 2º no salto em altura com 1,70 m (igualou também o record); obteve logar em arremesso do peso com 12 metros; sagrando-se ainda campeão por equipe no revezamento 4 x 100 metros. Depois da brilhante temporada em São Paulo, participou, no ano de 1943, de diversas competições atléticas no Rio, defendendo as cores do Fluminense, saindo-se vice-campeão do decatlo, com 5.007 pontos: 100 metros rasos Salto em distância Arremesso do peso Salto em altura 400 metros rasos 110 m. s/ barreiras Lançamento do disco Salto com vara

11,0s 6,19m 10,23m 1,70m 54,1s 19,5s 30,16 m 2,70 m

827 pts. 620 pts. 463 pts. 661 pts. 665 pts. 422 pts. 404 pts. 397 pts.


Lançamento do dardo 1.500 metros rasos Total

29,25 m 5m29,0s

278 pts. 270 pts. 5.007 pts

Regressando a São Luís, ocupou o cargo de Inspetor de Educação Física do S.E.F.E., permanecendo nesse emprego de março de 1944 a março de 1945, quando foi transferido para a Escola Técnica de São Luís. Além de inspetor do S.E.F.E. foi instrutor de educação física do Colégio Estadual (Liceu ?) e do Colégio de São Luís. Preparou fisicamente os atletas de futebol que, em 1944, derrotou o Ceará por 2 x 0. Como professor na Escola Técnica de São Luís prestou sua valiosa colaboração ao Moto Clube, desempenhando a função de preparador físico da equipe de César Aboud (O ESPORTE, São Luís, 23 de abril de 1950, p. 5-6. ).


Casa dos Açores Maranhão <contato@acores400.org> Sex, 05/07/2019 19:58

Carta Leopoldo Gil Dulcio Vaz Acores 400..jpg 401 KB

Exmo Professor Leopoldo Gil Dulcio Vaz Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão No âmbito das comemorações dos 400 anos de Presença Açoriana no Maranhão, a Comissão Fundadora da Casa dos Açores do Maranhão, o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão e o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, tem a satisfação de informar que seu nome foi referendado para compor quadro de palestrantes para o “Congresso Internacional dos 400 anos de Presença Açoriana no Maranhão: História, Cultura e Identidade”,a realizar-se nos dias 23, 24 e 25 de outubro, na cidade de São Luís – Maranhão – Brasil. www.acores400.org

Congresso Internacional - Açores 400 - Outubro 2019 - Maranhão Congresso Internacional dos 400 Anos da Presença Açoriana no Maranhão: História, Cultura e Identidade. www.acores400.org

Na ocasião, será fundada oficialmente a Casa dos Açores do Maranhão, instituição que promoverá as relações entre o Estado do Maranhão e a Região Autônoma dos Açores, com base nas perspectivas históricas, culturais e econômicas, no fortalecimento da identidade maranhense e no resgate, manutenção e difusão das manifestações culturais de origem açoriana no Maranhão. Informamos ainda que a comissão não disponibilizará apoios para deslocação e estada dos participantes. Certos de contar com sua inestimável participação, aguardamos ansiosos a confirmação da sua presença. Com os mais cordiais cumprimentos,

Comissão Organizadora Congresso Internacional dos 400 Anos da Presença Açoriana no Maranhão Luiz Nilton Corrêa Paulo Matos


CONGRESSO INTERNACIONAL DOS 400 ANOS DA PRESENÇA AÇORIANA NO MARANHÃO HISTÓRIA, CULTURA E IDENTIDADE. Em abril de 1619 o Maranhão recebeu cerca de 200 casais açorianos. Ao longo dos tempos várias outras levas de ilhéus chegaram por aqui, desse modo, cerca de seis mil açorianos vieram para o norte do nosso país no Século XVll. Os primeiros chegaram trazidos por Jorge Lemos Bittencourt e Simão Estácio da Silveira, sendo que este seria o primeiro presidente da Câmara do Senado e que em alguns anos mais tarde escreveria o livro: “Relação das cousas do Maranhão”, em que relata nossas belezas naturais e demonstra as oportunidades que o Maranhão oferecia para aqueles que quisessem viver aqui. A chegada desses colonos transformou a vida de São Luís, que deixou de ser apenas um simples quartel das tropas portuguesas, para se transformar em um povoamento de fato. Ressalte-se que os primeiros povoadores do Maranhão não eram portugueses do continente, mas sim, luso açorianos, que trouxeram com eles sua cultura, arquitetura, seus costumes, artesanato e tradições, que ao longo dos séculos foram se perdendo. Ainda no século XVII esses açorianos também foram povoar outras cidades, além de São Luís, principalmente, Alcântara e Icatu, que ainda hoje guardam reminiscências desse importante período colonial. Com o passar dos séculos, nós fomos perdendo nossas raízes açorianas, assim como eles também foram abandonando seus vínculos históricos conosco, mas foram eles que após a partida dos franceses, acabaram tomando conta do Maranhão e passaram a ser a maioria da nossa população. Diga-se de passagem que até tempos atrás nossos antepassados ainda falavam das ilhas às quais pertenciam no Arquipélago dos Açores, fato que podemos comprovar por meio dos registros deixados em seus testamentos datados dos Séculos XVl e XVll. Perdido no meio do Oceano Atlântico, o arquipélago dos Açores é formado por nove encantadoras ilhas vulcânicas, lugar de um povo hospitaleiro e solidário, predominantemente católico, que tem no turismo, na pesca e na agricultura suas principais receitas. No século XV caracterizava-se com uma região de fronteira frágil e distante do poder imperial, mas os que lá chegavam um dia tomariam o destino do além-mar. Os portugueses começaram a povoar as ilhas oceânicas por volta de 1430, em seguida os flamengos, bretões e africanos também participaram desse processo de povoamento. Ressalte-se que os judeus habitaram os Açores, depois de serem expulsos no início do Século XVl, da Europa continental, por não aceitarem a conversão ao catolicismo; lá eles foram bem recebidos e tratados como iguais e suas capacidades foram aproveitadas e integradas à sociedade local. Atualmente os Açores constituem uma Região Autônoma da República portuguesa, com presidente e legislativo próprios, sua Constituição prever o poder de fazer leis e executar suas políticas públicas no âmbito territorial regional. Quando comemoramos o IV Centenário da imigração açoriana no Maranhão, apesar de muito ter sido esquecido ao longo desses quatrocentos anos e das mudanças significativas acontecidas nos dois lados do atlântico, ainda hoje é possível enxergar a presença das heranças trazidas pelos primeiros povoadores nas nossas festas juninas, casas construídas na zona rural da ilha, carnaval e principalmente na festa do divino espírito santo que até hoje está presente em várias cidades do nosso estado. É fundamental que preservemos a nossa história pois foi dessa etnia que descendemos, todos nós maranhenses. Maranhão e Açores são irmãos, pois tem no seu povo uma origem em comum. PAULO MATOS Membro da Academia Icatuense de Letras-AILCA

EM PRIMEIRA MÃO, A PALESTRA, AINDA EM FASE DE ESCRIVINHAÇÃO:


Congresso Internacional - Açores 400 - Outubro 2019 Maranhão Congresso Internacional dos 400 Anos da Presença Açoriana no Maranhão: História, Cultura e Identidade. www.acores400.org

CONTRIBUIÇÃO DOS AÇORIANOS PARA A CULTURA MARANHENSE: O CASO DO “TARRACÁ” LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – cadeira 40 Academia Ludovicense de Letras – cadeira 21 Professor de Educação Física, Mestre em Ciência da Informação.

Segundo o Prof. Dr. Jorge Olímpio Bento (2019)4,Trás-os-Montes tem algo no Maranhão, levado pelos açorianos. Informa que a maior parte das ilhas dos Açores 5 foi povoada basicamente por gente originária de Trás-os-Montes, excetuando Santa Maria e São Miguel: Estava agora tentando enviar-lhe uma canção tradicional açoriana - São Macaio6 - que fala no Maranhão: S. Macaio, S. Macaio deu à costa Ai deu à costa nos baixos da urzelina7 Toda a gente, toda a gente se salvou Ai se salvou, só morreu uma menina S. Macaio, S. Macaio deu à costa Ai deu à costa lá na ponta dos mosteiros Toda a gente, toda a gente se salvou Ai se salvou, só morreu dois passageiros S. Macaio, S. Macaio deu à costa Ai deu à costa nas pedras da fajazinha8 Toda a gente, toda a gente se salvou Ai se salvou, só morreu uma galinha 4

BENTO, Jorge Olimpio. In CORRESPONDENCIA PESSOAL enviada ao Autor, via facebook, em 24 de junho de 2019, ao informa-lo sobre o “Açores 400”. 5 Os Açores, oficialmente Região Autónoma dos Açores, são um arquipélago transcontinental e um território autónomo da República Portuguesa, situado no Atlântico nordeste, dotado de autonomia política e administrativa, consubstanciada no Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores. Os Açores integram a União Europeia com o estatuto de região ultraperiférica do território da União, conforme estabelecido nos artigos 349.º e 355.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. https://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7ores 6 In https://setcine.wixsite.com/cancoesdealemmar/so-macaio Ver também https://cancioneiropopularmar.wordpress.com/2013/01/23/s-macaio/ Macário do Egito (ca. 300 - 391) foi um monge cristão egípcio e um eremita. Ele também é conhecido como Macário, o Velho, Macário, o Grande e Luz do Deserto. In https://pt.wikipedia.org/wiki/Mac%C3%A1rio_do_Egito https://www.youtube.com/watch?v=_MHm2gLzbeY 7 urzelina = [Açores] terreno semeado de urzela (líquen de que se extrai uma tinta de cor violeta) in http://folclore.pt/jogopopular-jogos-tradicionais/ 8 fajazinha = [Açores] terreno plano, cultivável, de pequena extensão, situado à beira-mar, formado de materiais desprendidos da encosta in http://folclore.pt/jogo-popular-jogos-tradicionais/


S. Macaio, S. Macaio deu à costa Ai deu à costa nos baixos do Maranhão9 Toda a gente, toda a gente se salvou Ai se salvou, só o S. Macaio não. “SÃO MACAIO” é uma canção dançada nos Açores. Foi, sobretudo na ilha Terceira onde se generalizou a sua tradição. Tudo leva a crer que o seu nome original seja São Macário e que o nome com que ficou conhecido seja já uma degeneração do primeiro. Acredita-se que São Macário, seria um navio que andava entre as ilhas e o Brasil e que teria naufragado numa das suas viagens. Pois como diz a canção: “São Macaio, deu à costa... toda a gente se salvou...(...) só o São Macaio é que não”. Em nota-de-pé de página do sitio sobre folclore português, consta: maranhão = grande mentira; peta grossa; palão / na música faz referência a um lugar da ilha do Corvo. ... E ESSE NOME MARANHÃO10 Mas de onde vem esse nome “Maranhão”? Recorramos ao Padre Antônio Vieira, que em seu sermão da Quinta dominga da Quaresma, do ano de 1654; servindo-se de uma fábula, afirma que: [...] caindo um dia o diabo do céu, se fizera no ar em pedaços. E cada pedaço caiu em uma terra, onde ficaram reinando os vícios correspondentes ao membro que lhe coube: na Alemanha, caiu o ventre, daí serem os alemães dados à gula; na França, caíram os pés, por isso os franceses são inquietos, andejos e dançarinos; na Holanda e em Argel, caíram os braços com as mãos e unhas, daí serem corsários; na Espanha, caiu a cabeça, daí serem os espanhóis fumosos, altivos e arrogantes. Da cabeça, coube a língua a Portugal, e os vícios da língua eram tantos, que já deles se fizera um grande e copioso abecedário. O que suposto, se as letras deste abecedário se houvessem de repartir pelas várias províncias de Portugal, não há dúvidas que o M pertenceria de direito à nossa parte, porque M Maranhão, M murmurar, M motejar, M maldizer, M malsinar, M mexericar, e sobretudo M mentir; mentir com as palavras, mentir com as obras, mentir com os pensamentos. Que de todos e por todos os modos se mentia. Que novelas e novelos eram as duas moedas correntes da terra, só com esta diferença, que as novelas armavam-se sobre nada, e os novelos armavam-se sobre muito, para que tudo fosse moeda falsa. Que no Maranhão até o sol era mentiroso, porque amanhecendo muito claro, e prometendo um formoso dia, de repente e dentro de uma hora se toldava o céu de nuvens, e começava a chover como no mais entranhado inverno. E daí, já não era para admirar que mentissem os habitantes como o céu que sobre eles influía”. (Lisboa, 1991) Já Simão Estácio da Silveira, em sua “Relação Sumária das Cousas do Maranhão”, escrito em 1624, afirma que a "... terra tomou esse nome de Maranhão do capitão que descobriu seu nascimento no Peru”. (Seu, do rio e não da terra, conforme Barbosa de Godois in História do Maranhão (1904) e Berredo in Anais Históricos) 11.

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maranhão = grande mentira; peta grossa; palão / na música faz referência a um lugar da ilha do Corvo in http://folclore.pt/jogo-popular-jogos-tradicionais/ 10 VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. ROTEIRO HISTÓRICO-TURÍSTICO PARA OS ALUNOS DE ATLETISMO DO CEFET-MA. São Luís : CEFET-MA/DCS, 2002. (disponível em www.cefet-ma.br/revista, n. 9, v.5, n.2 – jul-dez 2002, disponibilizado em setembro de 2004) 11 SILVEIRA, Simão Estácio da. RELAÇÃO SUMÁRIA DAS COISAS DO MARANHÃO. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1976 BERREDO, Bernardo Pereira de. ANAIS HISTÓRICOS DO ESTADO DO MARANHÃO. Rio de Janeiro : Tipografia Ideal, 1988. BARBOSA DE GODOIS, Antonio Baptista. HISTÓRIA DO MARANHÃO. São Luís : Ramos d’Almeida, 1904, vol. 1 e 2


“Marañon” era o nome do atual rio das Amazonas, daí que o nome foi herdado de um companheiro de Gonçalo Pizarro. A família de nome Marañon já era conhecida em Espanha desde o século XII, e em Navarra existe uma localidade com esse nome. Com o topônimo Maranha, que significa matagal, há no Minho uma localidade com esse nome; Maranhão, ainda, é o nome de uma antiga aldeia alentejana, do Conselho de Aviz; é variação de Marachão - dique, recife; e aumentativo de Maranha, como dito acima, matagal; como também pode vir de Mara Ion, como os tupinambás designavam o grande rio da terra; ou do diálogo entre dois espanhóis: um pergunta, referindo ao Amazonas - Mar? e o outro responde: Non. Na língua nativa, Maranhay, corruptela de maramonhangá (brigar) e anham (correr), pororoca; ou Maranhay, de maran (desproposidatamente), nhãn (correr) e y (água), também significando pororoca; corruptela de Paraná (marana) de onde maranãguaras por paranaguaras para os habitantes da ilha; ou de Marauanás - indígenas encontrados por Pinzón - marauanataba, traduzida pelos espanhóis como marañon; ou ainda, Mair-Anhangá = alma ou espírito de Mair, da tradição andina e sua corruptela tupi marã-n-aã; Mara-munhã, que significa fazer-se barulhento ou impetuoso (de novo, pororoca); ou ainda Mbará-nhã - o mar corrente, o grande caudal que simula um mar a correr (uma vez mais, pororoca). (Tavares, 1727; Silveira, 1976; Berredo, 1988; Meireles, 1980). A RELAÇÃO DO MARANHÃO COM OS AÇORES É ANTIGA... Buscando a “Ilha Encantada” 12, desde 1325 circulavam em Portugal lendas e mapas sobre uma terra assinalada como Hy-Brazil situada além-mar. Aparece num mapa da Catalunha de 1325-1330, no mapa de Dulcert de 1339, no mapa dos irmãos Pizagani de 1375-1378, no mapa do cartógrafo veneziano Andrea Bianco de 1436 (onde já se menciona explicitamente o Mar dos Sargaços). Esta ilha surge no mapa atlântico do cartógrafo veneziano Zuane Pizzigano13 e no mapa anônimo chamado de Weimar, ambos de 1424, com o arquipélago dos Açores, e as ilhas Antília, Satanazes, Saya e Ymana. O historiador português Armando Cortesão14 sugere uma hipotética eventualidade do conhecimento tardomedieval dos Açores, do Atlântico Central, dos arquipélagos das Caraíbas ou Antilhas, bem como do continente americano, pelos portugueses. Tais ilhas aparecem de forma idêntica na carta do cartógrafo genovês Battista Beccario, de 1435 (onde as ilhas lendárias são clara e implicitamente identificadas com os Açores reais na expressão adjunta figurante "ilhas nova ou recentemente descobertas") bem como nas de Bartolomeu Pareto, de 1455, e Gracioso Benincasa, de 1470 e 1482. A Ilha do Brasil, ou mais comumente a Ilha do Brazil; Ilha de São Brandão; Brasil de São Brandão ou Hy Brazil é uma das ilhas míticas do Oceano Atlântico ligada à tradição de São Brandão das terras afortunadas sitas a oeste do continente europeu. A presença desta ilha mítica na cartografia fixa o topônimo em data muito anterior a 1500, a data da descoberta "oficial" das Terras de Santa Cruz, o atual Brasil, e invalida de todo a teoria de que o nome estaria ligado ao vermelho do pau-brasil.

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_do_Brasil MEIRELES, Mário Martins. O BRASIL E A PARTIÇÃO DO MAR-OCEANO. São Luis: AML, 1999; LIMA, Carlos de. HISTÓRIA DO MARANHÃO - A COLÔNIA. São Luís: GEIA, 2006.) 13 http://pt.wikipedia.org/wiki/Zuane_Pizzigano 14 CARTOGRAFIA E CARTÓGRAFOS PORTUGUESES DOS SÉCULOS XV E XVI, Seara Nova, 1935 THE SUMA ORIENTAL OF TOMÉ PIRES: AN ACCOUNT OF THE EAST, FROM THE RED SEA TO JAPAN, WRITTEN IN MALACCA AND INDIA IN 1512–1515/The Book of Francisco Rodrigues rutter of a voyage in the Red Sea, nautical rules, almanack and maps, written and drawn in the east before 1515, The Hakluyt Society, 1944 Portugaliæ Monumenta Cartographica (em co-autoria com o Comandante Teixeira da Mota), Comissão para as Comemorações do V Centenário da Morte do infante D. Henrique, 1960–1962 O MISTÉRIO DE VASCO DA GAMA, Junta de Investigações do Ultramar, 1973. HISTÓRIA DA CARTOGRAFIA PORTUGUESA (em co-autoria com Luís de Albuquerque), Junta de Investigações do Ultramar, 1969–1970 ESPARSOS (3 vols.), Universidade de Coimbra, 1974–1975.


A procura da Ilha do Brasil foi uma constante nas navegações renascentistas do Atlântico até 1624. Desde o oeste da Irlanda, seu lugar inicial, a posição da suposta ilha migrou para oeste, primeiro para os Açores, onde a atual ilha Terceira aparece por vezes com esta designação e onde, muito antes de 1500, já a península fronteira à cidade de Angra ostentava o nome de Monte Brasil, que ainda hoje mantém. Dos Açores deslocou-se para sudoeste, primeiro para as Caraíbas, para depois se fixar no litoral do atual Brasil15. A conquista de Ceuta16, em 1415, é geralmente referida como o início dos "descobrimentos Portugueses” 17. Ainda no reinado de D. João I, e sob comando do Infante D. Henrique dá-se o redescobrimento da ilha de Porto Santo (1418) por João Gonçalves Zarco e mais tarde da ilha da Madeira por Tristão Vaz Teixeira18. Trata-se de um redescobrimento, pois já havia conhecimento da existência das ilhas da Madeira no século XIV, segundo revela a cartografia da mesma época, principalmente em mapas italianos e catalães. Tratavase de ilhas desabitadas que, pelo seu clima, ofereciam possibilidades de povoamento aos Portugueses e reuniam condições para a exploração agrícola. Os arquipélagos da Madeira e das Canárias despertaram, desde cedo, o interesse tanto dos Portugueses como dos Castelhanos; por serem vizinhos da costa africana, representavam fortes potencialidades económicas e estratégicas.19 Os primeiros contactos com o arquipélago dos Açores por Diogo de Silves20 ocorrem em 1427. Ainda nesse ano é descoberto o grupo oriental dos Açores, São Miguel e Santa Maria. Segue-se o descobrimento do grupo central - Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial. O grupo ocidental (Flores e Corvo) é descoberto por Diogo de Teive21, em 1452. Desde 1442 o Infante D. Henrique conseguira do Papa, pela Bula “Etsi suscepti” a posse e administração das “ilhas do mar Oceano”, ferindo os interesses dos reinos espanhóis de Castela-Aragão. A busca pela Ilha Encantada possibilitou a descoberta dos Açores, Madeira, Brasil, e claro, Maranhão... Durante os 1500 as viagens e descobertas passavam pelos Açores e vinha descambar no Maranhão – costa Norte do hoje Brasil. Mas o que nos interessa aqui, é a ocupação do Maranhão, a partir da retomada do território, 1615, por migrantes açorianos. Ao se proceder qualquer levantamento acerca dos imigrantes europeus que vieram para o Brasil naquela época, facilmente se chega à constatação que uma das mais importantes participações foi a dos que procederam do Arquipélago dos Açores, pois foram eles que desbravaram as regiões mais remotas, caracterizadas por apresentarem condições tanto de clima quanto de solos e localização geográfica completamente diferentes das predominantes nas áreas até então habitadas da Colônia, e a despeito disso conseguiram se estabelecer e até mesmo fundar ou ajudar a fundar vilas e cidades nesses rincões mais longínquos (PEREIRA, 2002)22. Para esse autor: A história da colonização açoriana no Brasil, portanto, pode ser dividida em duas etapas, na medida em que ela teve o seu início no Norte, ainda no século XVII, e prosseguiu no outro extremo da Colônia um século depois. No primeiro caso, a bibliografia que trata do assunto ainda é relativamente escassa e não constam nos dias atuais marcas claramente associadas à presença dos referidos imigrantes na Região, diferentemente do Sul do País, onde não somente a literatura a respeito é mais farta como permanecem vivos alguns traços culturais herdados dos ilhéus. Não obstante esta constatação convém destacar um aspecto ao menos curioso, qual seja a semelhança arquitetônica existente entre o casario do século XVIII do Centro Histórico 15

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_do_Brasil http://pt.wikipedia.org/wiki/Ceuta; http://pt.wikipedia.org/wiki/Conquista_de_Ceuta 17 http://pt.wikipedia.org/wiki/Era_dos_Descobrimentos ver também http://movv.org/2007/03/29/cronica-de-dom-joao-i-de-fernao-lopes-resumo-do-conteudo-dos-capitulosreferentes-a-tomada-de-ceuta/ 18 http://pt.wikipedia.org/wiki/Trist%C3%A3o_Vaz_Teixeira 19 http://pt.wikipedia.org/wiki/Era_dos_Descobrimentos 20 http://pt.wikipedia.org/wiki/Diogo_de_Silves 21 http://pt.wikipedia.org/wiki/Diogo_de_Teive_(navegador) 22 PEREIRA, José Almeida. Contribuição dos Açores à Colonização do Brasil nos séculos XVII e XVIII. Disponível em https://web.archive.org/web/20160303231126/http://www.ihit.pt/new/boletim.php?area=boletins&id=74 16


de São Luís do Maranhão e o da cidade de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, o que permitiu a ambas o reconhecimento pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade. Nas principais obras concernentes à História do Maranhão e do Pará encontram-se alguns registros da presença dos açorianos nos séculos XVII e XVIII na Região. Todavia, além de raras, são informações que tratam muito superficialmente do assunto. De acordo com Pereira (2002) 23, naquela época as ilhas dos Açores se encontravam entre as regiões portuguesas que forneciam o maior contingente de emigrantes que se dirigiam para o ultramar. Segundo Boxer (1981) 24 e Duncan (1972) 25, isso acontecia porque o Arquipélago já se achava densamente povoado, predominando ali, inclusive, o regime de pequenas propriedades rurais e famílias numerosas. Ou seja, sua população atingiu o ponto de saturação num espaço de tempo muito curto (de aproximadamente duzentos anos), haja vista que a primeira ilha descoberta nos Açores foi a de São Miguel, no ano de 1432. Dessa situação, portanto, surgiu a necessidade da Coroa de Portugal concitar à emigração, processo, aliás, que foi implementado pensando-se principalmente no recrutamento dos jovens açorianos considerados válidos, mas que terminou se estendendo também à populosa cidade de Lisboa, às Províncias do Minho e do Douro e ao Arquipélago da Madeira. A imigração açoriana para o Maranhão e o Grão-Pará se efetivou mediante três correntes, tendo lugar as duas primeiras ainda durante o século XVII e a terceira no século XVIII: A primeira corrente imigratória se deu entre os anos de 1619 e 1632. 1615 – Jorge Lemos de Bettencourt inicia o primeiro projeto de imigração O capitão-mor Jorge de Lemos Bettencourt (ou Betancor, como também se encontra nos documentos da época) era natural das Ilhas de Açores e fidalgo da Casa Real. Seu pai havia servido em Pernambuco e seu avô, o fidalgo João de Bettencourt de Vasconcellos, fora degolado por ordem do Prior do Crato quando prestava serviços ao soberano na Ilha Terceira. Bettencourt ofereceu-se para levar duzentos casais provenientes das Ilhas dos Açores para povoarem o Maranhão e o Pará, arcando com todas as despesas da viagem até a chegada à terra. (1636. AHU_ ACL_CU_009, Caixa 1, Doc. 109.)26 1616 – Edificação do Forte do Presépio – foz do Amazonas, núcleo inicial de Belém 1618 – 200 casais (mais de mil indivíduos – chegam 95 casais ou 561 indivíduos De acordo com Jerônimo José de Viveiros, "a chegada daquele piloto à frente de cerca de 400 pessoas transformou a vida de São Luís, que deixou de ser um simples quartel de tropa, defensor do domínio de uma nação, para tornar-se uma povoação de colonos, cuja vida civil e econômica precisava ser organizada" (Viveiros, 1992)27. 1621 – Antonio Lemos de Bittencourt – 40 casais ou 148 indivíduos

23 PEREIRA, José Almeida. Contribuição dos Açores à Colonização do Brasil nos séculos XVII e XVIII. Disponível em https://web.archive.org/web/20160303231126/http://www.ihit.pt/new/boletim.php?area=boletins&id=74 24 BOXER, C. R. O império colonial português (1415-1825). Lisboa: Edições 70, 1981, citado por PEREIRA, 2002 25 DUNCAN, T. B. - Atlantic islands: Madeira, the Azores and the Cape Verdes in seventeenth-century commerce and navigation. Chicago: University of Chicago Press, 1972, citado por PEREIRA, 2002. 26 In CORRÊA, Helidacy Maria Muniz. COMUNICAÇÃO POLÍTICA, PODERES LOCAIS E VÍNCULOS: A Câmara de São Luís do Maranhão e a política luso-imperial de conquista do espaço, Outros Tempos, vol. 09, n.14, 2012. p.121-135. ISSN:1808-8031. https://www.google.com/search?q=Jorge+Lemos+de+Bettencourt&ei=62MTXaLCB5Wy5OUP7d2wuAY&start=10&sa=N&ve d=0ahUKEwji44n7kYfjAhUVGbkGHe0uDGcQ8tMDCIQB&biw=1920&bih=937 27 VIVEIROS, J. de. - História do comércio do Maranhão (1612-1895). Edição fac-similar. São Luís: Associação Comercial do Maranhão, 1992. v.1.


No ano de 1621, teria chegado um segundo grupo de açorianos, agora composto por 40 casais, trazidos por Antônio Ferreira Bettencourt (Lisboa, 1858; 186628; Marques, 197029; Berredo, 198830 e Viveiros, 199231). Outro colonizador, dos pioneiros, foi Simão Estácio da Silveira. Era de origem açoriana. Foi juiz da primeira Câmara de São Luís, procurador da conquista do Maranhão. Escreveu a obra "Relação Sumária das Cousas do Maranhão" (1619), publicada em 1624 em Lisboa, com o propósito de atrair colonos portugueses para a região. Simão Estácio da Silveira é o patrono da Câmara Municipal de São Luís, havendo em sua homenagem medalha de mérito municipal do mesmo nome. Comandou a chegada, em 1619, de trezentos casais dos Açores, tendo sido eleito o primeiro presidente da Câmara Municipal de São Luís. 32 "Quando fui a esta Conquista no ano de 1618, se abalaram muitas pessoas das Ilhas a meu exemplo, parecendo-lhes que pois eu sem obrigações, ir buscar remédio deixava o regalo de Lisboa, e me ia ao Maranhão não seria sem algum fundamento. Na nau de que fui por Capitão se embarcaram perto de trezentas pessoas, algumas com muitas filhas donzelas, que logo em chegando casaram todas, e tiveram vida, que cá lhes estava mui impossibilitada, e se lhes deram duas léguas de terra..." 33 Em 1625, mediante contrato celebrado com o governo português, o novo capitão-mor do Maranhão, Francisco Coelho de Carvalho, trouxe mais algumas dezenas de açorianos. "Traslado de um alvará porque S. M. fez mercê ao Dr. Antônio Coelho de Carvalho [irmão do capitão-mor do Maranhão], de seu Conselho, dar licença para conduzir gente das ilhas de Santa Maria e São Miguel em uma nau inglesa. Segue o traslado da fiança e carta de fretamento do navio inglês" (Marques, 197034). Em 1632, encerrando essa primeira corrente, chegariam mais outras dezenas. A segunda corrente de açorianos teria ocorrido nos anos de 1675 e 1676 e o motivo principal se deveu à erupção de um vulcão na Ilha do Faial, o que deixou um grande contingente de ilhéus em sérias dificuldades (Lisboa, 1866; Wiederspahn,197935 e Berredo, 1988). Essa catástrofe ocorreu em abril de 1672, quando o vulcão, então considerado extinto, surpreendeu os ilhéus e entrou em erupção (Duncan, 1972)36. Com isso, o rei de Portugal determinou ao governador do Faial, Jorge Goulart Pimentel, que providenciasse o envio de 100 casais de "homens dos mais idôneos para o trabalho e mulheres mais capazes de propagação" para povoarem o Maranhão. 1648 – 52 casais ou 365 individuos 1666 – 80 casais ou 250 individuos 1674 – 100 casais ou 500 individuos 1675 – 50 casais ou 234 individuos – 50 casais, 100 individuos 1677 – 50 homens, 47 mulheres e 126 pessoas de família 28

LISBOA, J. F. Jornal de Tímom. Lisboa: [s. n.], 1858. t. 2. LISBOA, J. F. - Obras de João Francisco Lisboa. São Luís do Maranhão: Typ. de B. de Mattos, 1866. v. 3 29 MARQUES, C. A. - Dicionário histórico-geográfico da Província do Maranhão. 3.ed. Rio de Janeiro: Cia. Editora Fon-Fon e Seleta, 1970. 30 BERREDO, B. P. de. Anais históricos do Estado do Maranhão. 4. ed. São Luís: ALUMAR/Billiton/ALCOA, 1988. 390p. 31 VIVEIROS, J. de. - História do comércio do Maranhão (1612-1895). Edição fac-similar. São Luís: Associação Comercial do Maranhão, 1992. v.1. 32 In https://pt.wikipedia.org/wiki/Sim%C3%A3o_Est%C3%A1cio_da_Silveira ; ver também https://web.archive.org/web/20160303231126/http://www.ihit.pt/new/boletim.php?area=boletins&id=74 33 IN 33 PEREIRA, José Almeida. Contribuição dos Açores à Colonização do Brasil nos séculos XVII e XVIII. Disponível em https://web.archive.org/web/20160303231126/http://www.ihit.pt/new/boletim.php?area=boletins&id=74 34 MARQUES, C. A. - Dicionário histórico-geográfico da Província do Maranhão. 3.ed. Rio de Janeiro: Cia. Editora Fon-Fon e Seleta, 1970. 35 WIEDERSPAHN, H. O. - A colonização açoriana no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes/ /Instituto Cultural Português, 1979. 36 DUNCAN, T. B. - Atlantic islands: Madeira, the Azores and the Cape Verdes in seventeenth-century commerce and navigation. Chicago: University of Chicago Press, 1972, citado por PEREIRA, 2002.


1750 – 96 casais ou 486 individuos 1752 – 430 individuos 1753 – 900 soldados Uma terceira leva de açorianos destinada à Região Norte do Brasil ocorreu no período entre 1752 e 1756, quando o todo poderoso ministro Sebastião José de Carvalho e Melo - o Marquês de Pombal - procurou empreender uma corrente migratória para o Grão-Pará e o Maranhão, tomando como ponto de partida, mais uma vez, o Arquipélago dos Açores. Sabe-se que a Coroa de Portugal assinou em abril de 1751, com Joseph Álvares [ou Alves] Torres, um contrato para o transporte de mil famílias das ilhas dos Açores para o Estado do Grão-Pará. Viveiros (1992) desconhece se esses açorianos algum dia chegaram ao Maranhão ou ao Pará, mas há uma afirmação de Laytano (1987)37, com base numa monografia escrita por Arthur César Ferreira Reis, segundo a qual, em 1752, somente numa embarcação, vieram 430 ilhéus para a Amazônia e "logo no começo de 1766 chegaram casais de ilhéus, em número de 50, com duzentas e trinta e quatro pessoas" para Belém do Pará. A partir daí, as migrações concentraram-se nos atuai Pará e Amapá... Num período de 135 anos, chegaram 6.254 indivíduos (MARQUES, 2005) 38: Porém, no século XIX continuou a chegada de portugueses – em especial, açorianos – ao Maranhão... Assim, toda a região amazônica, do Maranhão ao Pará, do Amazonas ao Amapá foi constituída por esse lastro político açoriano que forjou os costumes, a cultura, as festas, o modo de ser e de estar açoriano, os bailados, as lendas, os mitos e as superstições, o jeito de falar e a alma alegre que se incorporou ao saber local, tornando-se aspectos comuns às duas culturas desde então, resultado da intensidade religiosa milenar e devocional, a moralidade única da palavra dada, o sentido de insularidade e a cultura folclórica que sustentam, ao longo dos séculos, o imaginário popular (MARQUES, 2005). Passados quatro séculos desde a primeira leva de imigrantes, ainda é possível observar vestígios dessa presença em todos os cantos do Maranhão. Vamos ver o caso do “tarracá”39... Como “São Macaio”, uma corruptela de “São Macário”, “Tarracá” também é uma corruptela, de “atarracar, atarracado”, expressão que identifica uma forma de luta corporal, pertencente aos Jogos Tradicionais, praticada no Maranhão. Os Jogos Tradicionais podem proporcionar estudos diversificados no âmbito da História, da Historiografia, da Psicologia, da Sociologia, da Pedagogia, da Etnografia e da Linguística, entre outros. Este tipo de jogos varia de região para região e possui um significado de natureza mágico-religiosa. É normalmente praticado em épocas bem determinadas do ano ou em intervalos do trabalho agrícola, contribuindo de modo saudável para a ocupação das horas livres. Em conclusão, pode-se dizer, que os jogos tradicionais são criados pelos seus praticantes a partir do reportório dos mais velhos e adaptados às características do local. A denominação de cada um deles evoca por si mesmas as suas características e regras principais 40. Jogo Popular. O homem que lança fora do campo onde trabalha a pedra que o estorva, pode converter o lançamento num fim em si mesmo e assim nasce o jogo do malhão. Isso quer já dizer que os Jogos Populares se ligam ao trabalho, à experiência rural: são vivência e prazer. http://folclore.pt/jogo-popular-jogos-tradicionais/

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LAYTANO, D. de. - Arquipélago dos Açores. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana, 1987. MARQUES, Francisca Ester. IMIGRAÇÃO AÇORIANA NO MARANHÃO E FUNDAÇÃO DE SÃO LUIS: PRESENÇA AÇORIANA NO NORTE E NORDESTE. REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO MARANHÃO, n. 28, São Luis 2005, p. 45-60. 39 VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. TARRACÁ, ATARRACAR, ATARRACADO... Palestra apresentada no Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão em 27 de abril de 2011; publicado na Revista do IHGM 37, março 2011. 40 como Graça Guedes (1989), in http://folclore.pt/jogo-popular-jogos-tradicionais/ 38


Tubino (2010, p. 20) 41 ao tratar da ‘origem do esporte’, refere-se aos estudos de Diem (1966) 42 para quem a história do esporte é íntima da cultura humana. Ela vem da natureza e da cultura humana (EPPENSTEINER, 1973) 43: “[...] a natureza e a cultura coexistem ao criar um ‘instinto esportivo’, que para ela é a resultante da combinação do lúdico, do movimento e da luta.” As antigas civilizações já tinham atividades físicas/pré-esportivas em suas culturas, a maioria com características utilitárias, que desapareceram com o tempo; outras se transformaram em esportes autóctones, esportes considerados “puros”, que continuaram a ser praticados ao longo do tempo sem sofrer influência de outras culturas. Quando essas práticas permanecem, mas sofrem modificações de outras culturas, geralmente de nações colonizadoras, passam a ser chamados de Esportes ou Jogos Tradicionais. (TUBINO, 2010) Dentre as correntes esportivas contemporâneas, encontramos, dentre outros, os Esportes Tradicionais, esportes consolidados pela prática durante muito tempo - os Esportes das Artes Marciais – provenientes da Ásia, inicialmente praticadas militarmente pelos guerreiros feudais, e hoje práticas esportivas: jiu-jitsu, judô. Karatê, taekwondo; os Esportes de Identidade Cultural, que são aqueles com vinculação cultural: no Brasil, a Capoeira principalmente; são identificadas outras modalidades esportivas de criação nacional, de prática localizada nos seus ”lócus”, inclusive as indígenas: Uka-uka, Corrida de Toras, etc., sem preocupações de práticas por manifestação. (TUBINO, 2010)44. As it happens with natural opponents, luta livre absorbed elements from jiu-jitsu as well, just as jiu-jitsu absorbed elements from luta livre in the process of becoming "BJJ". Many jiu-jitsu experts fought professionally in the pro-wrestling context. Among some of the fighting cultures present in the Brazilian context having some impact upon Brazilian luta livre, we may consider huka-huka wrestling (from the Amazonian indigenous people), marajoara wrestling (practiced on the sands of the Marajó Island), tarracá (practiced at Maranhão) and capoeiragem (especially from the tradition practiced in Rio de Janeiro). As some early experts came from the "Graeco-Roman" wrestling context, luta livre also received some of its influence. (Notes on the History of Brazilian Luta Livre)45 (grifos nossos). Recorramos à Wikipédia46: “Wrestling” (lit. luta) é uma arte marcial que utiliza técnicas de agarramento como a luta em “clinch”, arremessos e derrubadas, chaves, pinos e outros golpes do “grappling”. Uma luta de “wrestling” é uma competição física entre dois (às vezes mais) competidores ou parceiros de “sparring”, que tentam ganhar e manter uma posição superior. Há uma grande variedade de estilos, com diferentes regras tanto nos estilos tradicionais históricos, quanto nos estilos modernos: Técnicas de wrestling foram incorporadas por outras artes marciais, bem como por sistemas militares de combate corpo-a-corpo. Como esporte, com exceção do atletismo, o wrestling é o

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TUBINO, Manoel José Gomes. ESTUDOS BRASILEIROS SOBRE O ESPORTE – ênfase no esporte-educação. Maringá: Eduem, 2010 42 DIEM, Carl. História de los deportes. Barcelona: Corali, 1966 43 EPPENSTEINER, F. El origen Del deporte. In CITIUS, ALTIUS e FORTIUS. Madri, XV, p. 259-272, 1973 44 TUBINO, Manoel José Gomes. ESTUDOS BRASILEIROS SOBRE O ESPORTE – ênfase no esporte-educação. Maringá: Eduem, 2010 45 in http://www.facebook.com/topic.php?uid=136381899755284&topic=70 “Como acontece com os adversários naturais, Luta Livre elementos absorvidos do jiu-jitsu, assim, como jiu-jitsu elementos absorvidos luta livre no processo de tornar-se "Bjj". Muitos especialistas do jiu-jitsu lutaram profissionalmente no contexto prowrestling. Entre algumas das culturas de luta presentes no contexto brasileiro, tendo algum impacto sobre a luta livre brasileira, podemos considerar wrestling huka huka (dos povos indígenas amazônicos), marajoara wrestling (praticado nas areias da Ilha do Marajó), tarracá (praticado no Maranhão) e capoeiragem (especialmente a partir da tradição praticada no Rio de Janeiro). Enquanto alguns especialistas mais antigos vieram do "greco-romano" wrestling contexto, a luta livre também recebeu algumas de suas influências” 46 http://pt.wikipedia.org/wiki/Wrestling http://pt.wikipedia.org/wiki/Grappling http://pt.wikipedia.org/wiki/Wrestling#Catch_wrestling


esporte mais antigo de que se tem conhecimento, e que se pratica ininterruptamente ao longo dos séculos de maneira competitiva. “Grappling” é o nome que se dá a uma técnica de imobilização, ou uma manobra evasiva, a qual se dá por meio do domínio do oponente. Forma de combate muito utilizada em táticas policiais e esportes de contato, como o “wrestling”. Federação Universal de Wrestling (Universal Wrestling Federation) – O movimento da UWF foi liderado pelos lutadores de ‘catch wrestling’ e originou o “boom” da MMA (artes marciais mistas) no Japão. O “catch wrestling” forma a base dos estilos de “wrestling” japonês como o “shoot wrestling” (que incorpora movimentos realistas, como pegadas de submissão, chutes de “kickboxing”, entre outros). O catch wrestling é um estilo tradicional de wrestling que tem várias origens, os mais famosos são os estilos tradicionais da Europa como “collar-and-elbow“, wrestling de Lancashire ou “catch-as-catch-can”, submission wrestling, entre outros, além dos estilos asiáticos pehlwani e jujutsu. “Wrestling” tradicional (em inglês: folk wrestling; lit. luta tradicional) é denominação geral de várias disciplinas de “wrestling” ligadas a um povo ou a uma cultura, que podem ou não ser codificados como um esporte moderno. A maioria das culturas humanas desenvolveu seu próprio tipo de estilo de “grappling”, único se comparado a outros estilos praticados. Enquanto diversos estilos na cultura ocidental podem ter suas raízes na Grécia Antiga, outros estilos, particularmente os da Ásia, foram desenvolvidos de forma independente. SENHORAS E SENHORES PERMITAM-ME APRESENTAR-LHE… TARRACÁ. […] ladies and gentlemen, let me introduce you to…Tarracá. It was used by a Vale Tudo fighter who called himself “Rei Zulu” in the early 80´s here in Brazil; he kicked (better yet, throwed around) quite a few asses before getting tapped out by Rickson in 1984 (Senhoras e senhores, permitam-me apresentar-lhe… Tarracá. Ela foi usada por um lutador Vale Tudo que se autodenominava “Rei Zulu” no início dos anos 80 aqui no Brasil, ele chutou (melhor ainda, jogou ) um grande número de bundas poucos antes de ser derrotado por Rickson em 1984.) in http://www.bullshido.net/forums/archive/index.php/t-51830.html Algum tempo atrás, recebi um pedido de ajuda de um aluno de educação física de nossa UFMA, para apresentação de projeto de mestrado. Agradeço ao Mayrhon José Abrantes Farias do GEPPEF-UFMAGrupo de Estudos e Pesquisas Pedagógicas em Educação Física a “dica”: “Caro Professor Leopoldo, [...] Sou recém formado em Educação Física pela UFMA, sou aluno do professor Emilio [Moreira] no Judô a longas datas, e batendo um papo recentemente com ele e através de recomendações de professor Paulinho da Trindade e professor Laercio [Elias Pereira] cheguei até o senhor. Já fiz algumas leituras de textos seus referentes à Capoeira no Maranhão e outros na disciplina de História da Educação Física. Com certeza o senhor pode me ajudar. Durante algum tempo venho interessado em estudar e investigar sobre o TARRACÁ, aparentemente uma luta praticada na baixada que foi “popularizada” pelo Rei Zulú. O Sr. já ouviu falar a respeito?


Em um módulo de lutas com o professor James Adler recordo que ele abordou algo superficial sobre essa luta. Em uma de minhas espiadas on-line fiz a busca do termo e sempre é direcionado ao Rei Zulú. Fala-se que é uma luta indígena praticada em comunidades ribeirinhas. Amigos meus de Pinheiro já confirmaram a existência do tarracá enquanto uma manifestação lúdica, uma brincadeira comum entre pescadores da região. Estou louco para ir até lá e investigar e tentar a posteriori compor um projeto de mestrado referente à temática. Venho através deste e-mail solicitar ajuda ou dar um grito de SOCORRO para iniciar minhas empreitadas em campo. Algumas leituras com a antropologia e a etnografia se façam necessárias. O senhor tem conhecimento de algo a respeito de produções ou pistas para se investigar o tarracá? Caso tenha ficarei grato pela ajuda. Um forte abraço e desde já agradeço. “ O que é o TARRACÁ? Não sei! Nunca ouvira falar, até agora! Mas remeti a questão a alguns Mestres Capoeiras - Mestre Marco Aurélio Haickel, Baé, Mizinho - que certamente darão alguma notícia. Marco Aurélio certamente vai investigar, também, junto ao Mestre Patinho, Mestre Nelsinho, Mestre Índio do Maranhão – apenas citando alguns – que poderão dar notícias do Tarracá. O que se sabe? Apenas aquilo que o Prof. Mayrhon coloca, em sua mensagem: 1. uma luta indígena praticada em comunidades ribeirinhas. 2. uma manifestação lúdica, uma brincadeira comum entre pescadores da região (Baixada) 3. luta praticada na Baixada que foi “popularizada” pelo Rei Zulú. Temos um ponto de partida! Mestre Baé – da Federação de Capoeira47 – responde e informa sobre o “ATARRACAR” em correspondência eletrônica, Recebi seu Email, Com relação ao tema ATARRACAR; posso lhe adiantar o seguinte: desde criança tenho ouvido falar, assim como quase todos que também como eu sou da Baixada maranhense, grande parte da minha família é de Viana, Penalva, e Municípios vizinhos. Minha família sempre foi voltada para criação de gado e pescaria no interior, quando éramos crianças sempre a gente se atarracava um com o outro na beira do curral ou do rio e até no campo para ver quem era melhor de queda e isso porque a gente via os mais velhos fazerem também ,meus avós e tios/avós falavam que isso sempre existiu o nome ATARRACAR e conhecido em vários interiores do Maranhão mas nunca ouvir dizer que era uma LUTA ou eu tenho lido algo afirmando ser luta, sempre foi o nome dado a forma de nos pegarmos para dar uma queda no outro em um corpo a corpo mais nunca foi denominado como luta até porque era baseada mais na força física e jeito de cada um pegar e arremessar o outro no chão através de uma queda. Luta pelo que eu tenho conhecimento possui técnica, bases, nomenclatura de movimentos, regras e etc.. Então, é uma tradição na Baixada, uma forma de movimento agonístico, em forma de luta, conforme Baé guarda em suas memórias. Este Mestre Capoeira não considera aquela brincadeira como luta, dado seu conhecimento da Capoeira, e sua sistematização. Em outra correspondência, recebida de Mestre Marco Aurélio, em que indaguei sobre a busca da origem do “TARRACÁ”, estilo de luta livre (hoje seria MMA) adotado pelo lutador maranhense Zuluzinho, que 47

Mestre Baé - FECAEMA – Federação de Capoeira do Estado do Maranhão. Mestre/Presidente do Grupo Candieiro de Capoeira Ver Orkut;Mestre Baé ou baecapoeira@hotmail.com


aprendera com seu pai, o Rei Zulú; Zulu, criado em Pontal, no interior do Maranhão, onde aprendera uma luta cabocla praticada e ensinada por índios e negros da região: o Tarracá48: Quanto ao Atarracado, desconheço sua presença no centro-sul do Maranhão, apesar de poder haver, mas é uma prática muito comum no centro-norte, pelo menos na região do Pindaré e na Baixada, nesta última, pelo que já ouvi de alguns capoeiras originários daquela região das águas falarem-me a respeito. No que diz respeito à sua presença na região do Pindaré é fato, pois eu mesmo a praticava bastante, tendo sido ao longo do tempo, na qualidade de menino, e aí vai até meus doze (12) anos, a base de tudo o que sabia nas minhas ”brigas de rua”. Apesar de ter nascido em São Luís, me criei, desde bebê, até os sete (07) anos de idade, na cidade de Pindaré-Mirim, outrora, Engenho Central, e em sua origem, Vila São Pedro. Como toda criança ribeirinha, as brincadeiras eram em torno do rio, dos lagos e igarapés, ou então nas várzeas, e aí, não faltavam os embates. Lembro-me que a minha afinidade com a prática era bastante estreita, talvez, por desde pequenino ter sido corpulento, de maneira que não era muito afeito à briga “corpo fora”, como se dizia, mas, mais no “atarracado“, ou “corpo dentro”, o que se dava a partir de uma cabeçada. A ponto de quando ousava me aventurar pelo “corpo fora”, na maioria das vezes saía perdendo… Foi na Capoeira, que fui aprender o embate, digamos, “corpo fora”, a partir da ginga, de peneirar… – por favor, deixo claro que “corpo fora” e “corpo dentro”, não é nem um tipo de modaliade de luta, mas somente para fins, talvez, de didática, consoante dizíamos no interior. Quanto à origem do Atarracado – Tarracá -, Mestre Marco Aurélio diz: [...] não sei afirmar, se indígena ou africano, quiçá, até mesmo européia, nesta senda, somente pesquisando-se para buscar referências. Posso afirmar, no entanto, o que não quer dizer que a priori seja africana, é que tive oportunidade de ver, em um evento internacional de lutas de origem africana, em Salvador/BA, em 2005, quando levamos daqui, a “Punga dos Homens” 49, uma prática que existe rasteiras e desequilibrantes, no tambor de crioula, um pessoal de Angola/África, apresentar a Bassúla, uma luta, a despeito de alguns golpes diferentes, muito semelhante ao Atarracado, pois imediatamente, quando vi os angolanos praticando-a, eu achei bastante parecida com o Atarracado, impressão esta, também denunciada pelo Mestre Alberto Eusamor, que lá estava comigo, assim como tantos outros, representando o Maranhão. No que diz respeito a uma influência indígena direta, e que é uma brincadeira da região do Pindaré e, acho, da região Norte como um todo, é o “Cangapé”, uma espécie de rabo de arraia e outros molejos que se pratica lançando-se para cima do contrário, na água. Em outra mensagem eletrônica, Mestre Marco Aurélio acrescenta: Falei de como o atarracado tem semelhança com a Bassúla, luta de um país africano (Angola) e, no entanto, não me lembrei, na oportunidade, de falar de uma luta de origem indígena, o que se 48

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. In Blog do Leopoldo Vaz, disponível em: http://colunas.imirante.com/platb/leopoldovaz/2011/03/22/em-busca-do-elo-perdido-historiamemoria-da-educacao-fisica-nodomaranhao/ 49 VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. PUNGA DOS HOMENS – ALGUMAS (NOVAS) CONSIDERAÇÕES -REV DO LÉO, 15, DEZEMBRO 2018, p. 78 https://issuu.com/leovaz/docs/revisdta_do_l_o_15_-_dezembro_de_20


faz necessário, para ponderarmos, trata-se do Uka-Uka, um embate indígena, que consiste em fazer com que o contrário ponha um dos ombros no chão, hoje, ocorrente durante o “Quarup” um grande evento-cerimonial existente entre os povos do Alto-Xingú. Mas poderiam perguntar o que uma prática existente entre povos indígenas do Alto-Xingú tem a ver com uma prática ocorrente no Maranhão? Segundo Roberto da Mata, desculpem-me não dispor da referência bibliográfica, os povos Krahô e Xavante saíram em uma corrente migratória, a partir do Maranhão, para onde se encontram hoje, respectivamente, Tocantins e Alto-Xingú. Daí há de notar-se que o Maranhão em razão de ser banhado por inúmeras e grandes bacias hidrográficas era e é um celeiro de alimentos, o que deve ter sido berço de inúmeros povos indígenas, entre atuais, extintos e migrantes. Talvez, esse berçário, para os que possuem uma visão míope, e consideram que o maranhense tenha uma cultura ”preguiçosa” é por desconhecerem exatamente esse manancial de alimentos que é e, que outrora, tenha sido ainda mais. Em resposta ao Mestre Marco Aurélio, coloquei que o Xavante é originário do Maranhão, forçado a migrar, indo para os lados do Tocantins, subiu o Araguaia, se estabelecendo na Ilha do Bananal, forçado pelas ‘guerras justas’ do período colonial. As frentes de penetração, mais modernas, têm forçado essas migrações. É um fato histórico. Sobre o Uka-uka, andando por esses interiores, fui encontrar em Carutapera o estilo ‘onça pintada’, introduzido na região por um mestre paraense – Mestre Zeca – baseado em luta de antiga tradição marajoara – o agarre marajoara; lembrando que muitas das nações indígenas que se estabeleceram na Ilha do Marajó foram ‘desterradas’ do Maranhão durante o período colonial; inclusive, há certa semelhança entre as cacarias encontradas nas estearias do lago Cajari com motivos marajoaras: Já retornei de Caratupera, região do Alto Turi, fronteira com o Pará… conversei com alguns capoeiras da área – Caratupera e Maracassumé – que estão ligados ao Pará, através do Mestre Zeca… não consegui informações, ainda, sobre a “capoeira carioca”, pois, muito jovens não conhecem a história da região. Turiaçu fica bem próximo de Carutapera, na mesma região do Turi. O grupo de Carutapera denomina-se ACANP – Associação Capoeira Arte Nossa Popular – fundada por Mestre Zeca, de Belém do Pará – Jose Maria de Matos Moraes (33 anos). A ACANP é filiado da Federação Paraense de Capoeira; o estilo praticado é o “Angola com Regional”, estando desenvolvendo, em Maracassumé, e introduzindo em Caratupera, o estilo desenvolvido pelo Mestre Zeca, que denominam de “Onça Pintada” – que seria uma fusão da Regional com o Agarre Marajoara. De acordo com Álvaro Adolpho, de Belém do Pará, ex-diretor do Departamento de Educação Física do Pará, o “Agarre Marajoara” é uma luta desenvolvida pelos índios da Ilha do Marajó – que guarda uma certa semelhança com o Uka-uka - havendo registro de sua pratica ha mais de 300 anos. De acordo com o Prof. Álvaro, talvez seja a primeira luta-esporte com registro de sua pratica no Brasil. 50 Wing Chun Lawyer 51 se posiciona, em sítio dedicado ao MMA: I am afraid I have no more hard data on Zulu. He fought basically relying on his impressive strength, and I was told he managed to throw Rickson out of the ring a couple of times before being submitted.[…] Mainly what I find online are posts on messageboards with no more useful or reliable information, either in english or in portuguese. I thought this was an interesting 50

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Notícias do Maranhão in JORNAL DO CAPOEIRA – 05/06/2005 – disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/noticias/capoeira+maranhao+agarre+marajoara 51 In (http://www.bullshido.net/forums/showthread.php?t=51830&page=3 (grifos nossos)


subject because, well, it DOES seem like Tarracá was created from scratch – Rei Zulu´s boxing skills are really weird, his moves are strange, and it does look rough - although some of his throws would make many a judoka envious. […] I only know he claims to have created Tarracá from scratch because I found a very short interview on a blogspot, apparently he still fights and runs a gym where he teaches Tarracá. 52 Rei Zulu ficou famoso por desafiar lutadores do Brasil e de outras partes do mundo. Após 17 anos de competição estava invicto após 150 lutas (década de 1980). Rei Zulu lançou um desafio à família Gracie para ver quem era o melhor lutador de Vale Tudo de toda a nação. Em entrevista - antes da primeira luta contra Rickson Gracie (1980) -, disse que “seria mais um freguês de pancada e que não se preocupava com a alimentação antes da luta, pois “comia até ferro derretido”. Rei Zulu é considerado por Rickson Gracie o mais difícil oponente com quem já lutou: [...] nos anos 80, Rickson travou cerca de 231 combates (nacionais e internacionais), e afirma ter sagrado-se vencedor em todos por finalização. No Brasil, a rivalidade entre o Jiu-Jitsu e a Luta Livre era tamanha, que houve a necessidade de se provar ao público, qual arte marcial e lutador era superior, assim, foi organizada uma luta entre Rickson e o temido Rei Zulu, com isso, após Rickson Gracie vencer por duas vezes o grande Rei Zulu (que estava no auge e há 150 lutas invicto), nunca mais teve desafiantes a altura enquanto lutou.( http://pt.wikipedia.org/wiki/Rickson_Gracie) Rei Zulú é a maior referencia do “Vale Tudo” no/do Maranhão. Nascido Casimiro de Nascimento Martins, em 09 de junho de 1947 é um lutador de Vale-Tudo: “criado em Pontal, no interior do Maranhão. Lá, aprendeu a Tarracá, luta cabocla praticada e ensinada por índios e negros da região. Como seus 17 irmãos, nunca freqüentaram a escola. Cresceu forte e brincalhão. Aos 14 anos, mudou-se com a família para a Vila Ilusão (sic), na Ilha de São Luís.” (LAROCHE, 2010) 53 (grifos nossos). O Rei Zulu54 tornou-se famoso também pelas caretas que faz enquanto luta. Ele diz que as caretas são para mostrar que está feliz por estar ali. Nunca frequentou academias de musculação, mas desenvolveu um estilo de luta próprio, e realiza seu treinamento físico diariamente com pedras pesadas, pneus, marreta e diz não gostar de frequentar academia, por isso treina no quintal de casa: empurrar paredes, lançar pedras com mais de 5 Kg a grandes distâncias, correr entre arbustos, levantar carroças com pedras e andar com uma corda no pescoço puxando dois pneus eram instrumentos utilizados em seu arcaico treinamento. Possuía uma força naturalmente descomunal.

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Eu tenho medo que não tenha dados mai concretos sobre Zulu. Ele lutava dependente basicamente de sua força impressionante, e foi-me dito que ele conseguiu lançar Rickson fora do ringue um par de vezes antes de serem apresentados. Principalmente o que eu encontrar on-line são posts no fórum com informações úteis ou não mais confiáveis, em inglês ou em português. Eu pensei que era um assunto interessante porque, bem, parece que Tarracá foi criado do zero – as habilidades de boxe de Rei Zulu realmente estranhas, seus movimentos são estranhos, e olhar áspero - embora alguns dos seus lances faria muita inveja a um judoca. Só sei ele afirma ter criado Tarracá do zero porque eu achei uma entrevista muito curta sobre um blogspot, aparentemente ainda luta e executa um ginásio onde ele ensina Tarracá. 53 LAROCHE, Marília de. “Conheça Rei Zulu e Zuluzinho, os lutadores do Maranhão, disponível em http://www.divirtase.uai.com.br/html/sessao_13/2010/11/15/ficha_ragga_noticia/id_sessao=13&id_noticia=30972/ficha_ragga_noticia.shtml e em http://forum.portaldovt.com.br/forum/index.php?showtopic=126140 54 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rei_Zulu


http://forum.portaldovt.com.br/forum/index.php?showtopic=126140 É pai do também lutador Zuluzinho55. Em entrevista (Budo International, Blackbelt) Zuluzinho enumera seu jiu-jítsu (faixa-roxa) e Vale Tudo, afirma ter aprendido Tarracá com seu pai, responsável pelo método de treinamento utilizado pelo lutador em todos esses anos.

Rei Zulu e seu filho Zuluzinho Rei Zulu nunca praticou artes marciais, desenvolveu seu estilo próprio que se aproxima de brigas de ruas: Eu só sei que ele afirma ter criado Tarracá a partir do zero, porque eu encontrei uma entrevista muito curto em um blogspot, aparentemente, ele ainda luta e corre uma academia onde ensina Tarracá. (WingChun Lawyer)56 Mauricio Kubrusly, em “Me leva Brasil” 57 entrevistou Rei Zulu em São Luis do Maranhão, onde reside:

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Algumas lutas de Zuluzinho: http://www.youtube.com/watch?v=2RZtRfylWqA; http://www.youtube.com/watch?v=twbmb_i5YNk 56 http://www.bullshido.net/forums/showthread.php?t=51830&page=3 57 Kubrusly, Mauricio in http://fantastico.globo.com/platb/melevabrasil/2008/04/08/zuluzinho-x-zuluzao/


- Quem primeiro me treinou foi meu pai. E tem a prática com zorras, os pneus… é que no interior chama zorras. E ele conhecia também o tarracá, a luta dos índios.

Marc Magapi58, em outra reportagem, descreve o ritual do Rei Zulú em suas lutas, como também informa ser seu pai o criador do estilo que “desenvolveu”: Rei Zulú (Eu como até ferro derretido) – Nascido em São Luiz, Maranhão, este folclórico lutador, é protagonista de inúmeras histórias por conta das décadas em que praticou o vale tudo (um cartel com mais de 250 lutas). Zulú entrava no ginásio, seguindo um ritual, que tinha início com uma volta olímpica, na qual saudava o público presente, sempre com o braço esquerdo estendido. Ao subir no ringue, o maranhense jogava-se no chão, rolava para o lado, dava cambalhotas, movimentava os ombros para frente e para trás e fazia inúmeras caretas. Zulú tinha a característica de zombar de seus adversários, acreditando sempre em sua força descomunal para vencê-los no momento que bem quisesse. Um autodidata do mundo das lutas, que sempre se disse representante do “Tarracá”; estilo criado por seu pai, que consistia basicamente em se “atracar” com o adversário, nunca teve aulas de jiu-jitsu, capoeira ou luta livre em uma academia. Esse mesmo autor informa ter havido em São Luís do Maranhão uma “arena de lutas”, denominada de “Terreiro Tarracá”, no Bairro do João Paulo, onde era disputado um campeonato semanal de Vale Tudo, conforme se vê em “O encontro de Magapi com Rei Zulú” 59: 1997 São Luis - MA - tem uma faixa lá no João Paulo (bairro) chamando as pessoas para assistir o (pásmem!!!) semanal campeonato de vale tudo do Tarracá e dizendo que o Rei Zulú vai lutar movimentadas com uma média de 3 minutos para cada uma [...] nesse local tinha luta todo final de semana mesmo [...] Era um sábado, o local era escuro, a entrada era R$5,00 e no programa estavam confirmadas 6 lutas. O nome do local é Arena do Tarracá ou Baixada do Tarracá. Além da correspondência do Marco Aurélio, recebo de Javier Cuervo, lá das Astúrias (Espanha) um comentário, de que no Calahari sub-sahariano, entre os bosquímanos, luta semelhante àquele apresentada pelo Rei Zulu; mandou-me vídeo via iutube, demonstrando as semelhanças, comparando-se com o da luta de Rei Zulu e Rickson Gracie , nos anos 80…, disponível em vídeo do link anexo: E “Batuque duro” do Kalahari -1930. http://salavideofica.blogspot.com/2010/11/1930-c-ernest-cadlewild-men-of-kalahari.html Encontrei, ainda, descrição de luta-jogo semelhante, trazida por vaqueiros portugueses - de origem açoriana - durante o período colonial, a Galhofa - o “wrestling tradicional transmontano” - que se define como um 58

MAGAPI, Marc. “Esses loucos lutadores e suas estranhas manias”disponível http://www.fisiculturismo.com.br/forum2/viewtopic.php?t=27186 59 MAGAPI, Marc “O encontro de Magapi com Rei Zulú” disponível em http://magatown.br.tripod.com/antigas.htm; Ver também http://www.sherdog.net/forums/f2/closed-door-underground-fights-389143/

em


desporto de combate. É tida como a única luta corpo a corpo com origens portuguesas. Tradicionalmente, este tipo de luta era parte de um ritual que marcava a passagem dos rapazes a adultos, tinha lugar durante as festas dos rapazes e as lutas tinham lugar à noite num curral coberto com palha. Em depoimento de Álvaro (Vavá) Melo, de Osvaldo Pereira Rocha, e de Edomir Martins, jovens nos seus mais de 80 anos, que quando crianças e adolescentes, costumavam praticar o ‘atarracado’ e o ‘atarracar’, na região da baixada, onde morava; Osvaldo Rocha, ilustre pesquisador e historiador, disse-me que, embora franzino, costumava ganhar algumas das ‘brincadeiras’, pois o segredo era a agilidade em agarrar a perna do adversário e levá-lo ao chão; tão logo autorizado o combate, a rapidez com que se lançava ao adversário era fundamental. Já Álvaro Mello, Vavá, presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão, cronista do Arari e de São Bento, deu seu depoimento, ressaltando que os embates se davam na beira do rio, e os combatentes saiam cobertos de lama; O mesmo disse Aymoré Alvim – ilustre pesquisador hoje aposentado, da nossa UFMA/Medicina. Até brinquei, propondo então aos campeões do ‘TARRACÁ’ um embate, envolvendo o Rei Zulu… um desafio às memórias de infância no ‘interland’ maranhense… Osvaldo até disse que, em seu próximo livro, escreveria sobre as lutas que travou, utilizando o tarracá, já que o tema está provocando muita curiosidade no mundo do MMA e da UFC… De Barreirinhas, em conversa com alguns professores de educação física de algumas comunidades do interior daquele município, falaram-me haver por ali, ainda, um jogo/luta semelhante ao descrito, mas que ali, denominavam de ‘queda’. Coincidentemente, no mesmo dia em que retornei daquela cidade recebi do Javier o material abaixo:

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O distrito da Guarda é um distrito de Portugal pertencente à província tradicional da Beira Alta. Limita a norte com o distrito de Bragança, a leste com Espanha, a sul com o distrito de Castelo Branco e a oeste com o distrito de Coimbra e com o distrito de


UMA CONCLUSÃO POSSÍVEL Rei Zulú, que praticava o que denominou de “tarracá” em sua infância, como atividade corriqueira, jogo/luta de sua infância, e dada suas características físicas, em um dado momento, ainda no quartel, vale-se de ambas – a forma de ‘luta’ e a força – para conquistar um espaço, que vem a se tornar uma profissão. Para justificar seu estilo peculiar – força bruta – e por não ‘pertencer’ a uma escola do então Vale Tudo, ‘inventa’ a tradição de luta aprendida dos índios, TARRACÁ – atarracar, segundo Baé, ou atarracado, segundo Marco Aurélio – que vai se constituir em um estilo - maranhense – disseminado tanto por Zulu, em suas investidas no mundo da luta livre pelo mundo afora, como por seu filho Zuluzinho, quando coloca que seu estilo fora criado por seu pai – quem o treinava - e se chamaria ‘Tarracá’, de tradição indígena e negra, maranhense… Foi encontrado que em diversas regiões do Maranhão ainda hoje se pratica uma luta, que recebe diversas denominações – tarracá, atarracado, atarracar, queda – de origem portuguesa, trazida por vaqueiros açorianos -, tradicional hoje nas brincadeiras de crianças.

Viseu. Tem uma área de 5 518 km² (7.º maior distrito português) e uma população residente de 168 898 habitantes (2009).[2] A sede do distrito é a cidade com o mesmo nome. https://pt.wikipedia.org/wiki/Distrito_da_Guarda


ATLAS DO ESPORTE NO MARANHÃO


Estou cansado de ouvir que determinadas pessoas foram as introdutoras de algumas modalidades esportivas neste meu Maranhão de meu Deus, quando na verdade, não o foram... e quando digo que não, que já existira – como quase tudo por aqui: Já teve!!! – e que fora esquecido e, pior, estamos sempre ‘reinventando a roda’... de uma vez por todas, a Ginástica no Maranhão – com aparelhos - vem desde os 1800... já tivemos todas as modalidades, até aquelas que têm seu objeto e conteúdo e prática modificada e subdividida, nas categorias olímpicas... um dos estados, fora do sul do Brasil, em que teve o Turnen... sim!!! Aqui vai a prova: espero não ferir suscetibilidades

ATLAS DO ESPORTE NO MARANHÃO GINÁSTICA LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ DELZUITE DANTAS BRITO VAZ

ORIGENS - As primeiras referências sobre a prática de atividades lúdicas e de movimento que encontramos em Maranhão datam do período de ocupação do território maranhense. Ao se fazer uma análise do trabalho desportivo, considera-se que nesse mundo, antes da chegada dos brancos, a sobrevivência exigia qualidades atléticas, exercícios constantes, com descanso e repouso intercalados, de duração sumamente variável. Por isso, os índios se tornavam atletas naturais, para sobreviver, pois tinham que, em terra, andar, correr, pular, trepar, arremessar, carregar, e, na água, nadar, mergulhar e remar, também realizar trabalho-meio, autolocomotor, com suas próprias forças, apenas e/ou, também, com auxílio de instrumentos primitivos, para obtenção de produtos necessários. Entre a infância e a puberdade, e a adolescência e a virilidade ou maioridade, entre os 8 e 15 anos, a que chamamos mocidade, os kunnumay, nem miry nem uaçu, tomavam parte no trabalho dos seus pais imitando o que vêem fazer. Não se lhes manda fazer isto, porém eles o fazem por instinto próprio, como dever de sua idade, e já feito também por seus antepassados. Trabalho e exercício, esses mais agradáveis do que penosos, proporcionais à sua idade, os quais os isentava de muitos vícios, aos quais a natureza corrompida costuma a prestar atenção, e a ter predileção por eles.Eis a razão porque se facilita à mocidade diversos exercícios liberais e mecânicos, para distraí-la da má inclinação de cada um, reforçada pelo ócio mormente naquela idade”. SÉCULO XVIII - encontram-se propostas precursoras de um tipo de Educação Física que se tornaria em modelo pedagógico para os séculos seguintes: a gymnastica, constituída como um conjunto de exercícios organizados com o objetivo de cuidar do corpo (Finocchio, 2013) 61. Dentre seus precursores temos: 61

FINOCCHIO, José Luiz. A inserção da Educação Física/gymnastica na Escola Moderna – Imperial Collegio de Pedro II (18371889). 2013. 258f. Tese (Doutorado em Educação) - Programa de Pós-Graduação em Educação, Linha de Pesquisa: História, Políticas e Educação. Centro de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 2013.


John Locke (1632-1704) 62, um dos mais importantes teóricos do liberalismo, sintetiza suas concepções educacionais: formação do gentleman e dos “sem propriedades”. A educação dos que possuem a propriedade privada e posses deveria ser feita por preceptores capacitados e cultos, em local aprazível e com boas condições higiênicas, com ênfase nos saberes clássicos e na preparação do jovem como bom administrador dos negócios da família, para assumir posições de comando no estamento estatal e na guerra. Aos “despossuídos” de bens cabia uma educação fundamentada na religião e nas artes manuais, capacitando-os para o trabalho (citado por Finocchio, 2013) 63. Para a nobreza e a burguesia, propõe uma escola da vida, que se afaste da escolástica, ainda presente nas Universidades. Diz que o fundamento de uma boa educação está no desenvolvimento da civilidade, dos bons costumes, na formação da personalidade, no equilíbrio entre caráter e inteligência. À educação física, retomando o conceito de mens sana in corpore sano (Juvenal, Sátiras X), recomenda a esgrima, a equitação e passeios ao ar livre, visando a desenvolver o corpo e o espírito fortes: Em Pensamentos sobre Educação (1693), Locke dá ao termo físico dois sentidos: physis, referindo-se ao estudo da natureza e vinculado à vida corporal, física. Precursor do empirismo moderno procura conciliar a teoria do racionalismo de Descartes e do empirismo de Bacon. Sobrepõe-se às tradições humanísticas e, sob a influência do antropocentrismo, mais apropriadamente do empirismo, deposita, em seu projeto educacional, além da boa formação do caráter, uma preocupação com a capacidade de desenvolver, com o conhecimento obtido pela experiência sensível, a transformação da natureza. Daí sua recomendação de uma escola para a vida, na qual se desenvolvam as virtudes práticas, vindo a educação física a obter uma importância sem precedentes na Idade Moderna, ressaltando a educação do corpo no fortalecimento moral. (citado por Finocchio, 2013). Na formação do gentil homem, de Locke, a educação física tem grande destaque, voltada à formação moral, além do corpo e da higiene, com o emprego de jogos e do treinamento ao ar livre. Para ele, a educação física, sob a inspiração do modelo grego, conduziria o homem à sua formação civilizada. A formação do gentleman inglês passaria, necessariamente, pela educação física. Johann Bernard Basedow (1723-1790) 64, incluiu a ginástica no currículo de sua escola-modelo Philantropinum, em Dessau, Alemanha. Anteriormente ao emprego da ginástica, eram desenvolvidas atividades físicas junto aos alunos do Philantropinum oriundas das práticas medievais, como a equitação, a 62

John Locke (Wrington, 29 de agosto de 1632 — Harlow, 28 de outubro de 1704) foi um filósofo inglês e ideólogo do liberalismo, sendo considerado o principal representante do empirismo britânico e um dos principais teóricos do contrato social. Locke rejeitava a doutrina das ideias inatas e afirmava que todas as nossas ideias tinham origem no que era percebido pelos sentidos. A filosofia da mente de Locke é frequentemente citada como a origem das concepções modernas de identidade e do "Eu". O conceito de identidade pessoal, seus conceitos e questionamentos figuraram com destaque na obra de filósofos posteriores, como David Hume, Jean-Jacques Rousseau e Kant. Locke foi o primeiro a definir o "si mesmo" através de uma continuidade de consciência. Ele postulou que a mente era uma lousa em branco (tabula rasa). Em oposição ao Cartesianismo, ele sustentou que nascemos sem ideias inatas, e que o conhecimento é determinado apenas pela experiência derivada da percepção sensorial. Locke escreveu o Ensaio acerca do Entendimento Humano, onde desenvolve sua teoria sobre a origem e a natureza do conhecimento. Suas ideias ajudaram a derrubar o absolutismo na Inglaterra. Locke dizia que todos os homens, ao nascer, tinham direitos naturais - direito à vida, à liberdade e à propriedade. Para garantir esses direitos naturais, os homens haviam criado governos. Se esses governos, contudo, não respeitassem a vida, a liberdade e a propriedade, o povo tinha o direito de se revoltar contra eles. As pessoas podiam contestar um governo injusto e não eram obrigadas a aceitar suas decisões. Dedicou-se também à filosofia política. No Primeiro Tratado sobre o Governo Civil, critica a tradição que afirmava o direito divino dos reis, declarando que a vida política é uma invenção humana, completamente independente das questões divinas. No Segundo Tratado sobre o Governo Civil, expõe sua teoria do Estado liberal e a propriedade privada. http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke 63 FINOCCHIO, 2013, obra citada. 64 Johann Bernard Basedow (1723-1790) como grande admirador de Rousseau, incluiu a ginástica no currículo de sua escolamodelo Philantropinum, em Dessau, Alemanha. À disciplina deu-se o mesmo status das disciplinas intelectuais. Anteriormente ao emprego da ginástica, eram desenvolvidas atividades físicas junto aos alunos do Philantropinum oriundas das práticas medievais, como a equitação, a natação, a esgrima, a dança e os jogos. Posteriormente, seriam acrescidos os exercícios como correr, saltar, arremessar, transportar e trepar, componentes básicos da Ginástica “natural”. (in FINOCCHIO, 2013).


natação, a esgrima, a dança e os jogos. Posteriormente, seriam acrescidos os exercícios como correr, saltar, arremessar, transportar e trepar, componentes básicos da Ginástica “natural”. (in Finocchio, 2013). Immanuel Kant (1724-1804) propôs o fortalecimento das escolas públicas, em relação às domésticas, sob a consideração de que são mais propícias ao ensino de várias habilidades, e formadoras do caráter. Recomendava ainda escolas experimentais, que dariam direcionamento às várias escolas elementares. Em síntese, tinha como plano educativo 65 uma educação pela moralidade, o fortalecimento das escolas públicas e o desenvolvimento de uma experimentação educativa. A educação era entendida como a disciplina e a instrução com a formação do homem que o afastava da condição de bruto e selvagem. Com esse propósito, Kant estabeleceu uma visão unificada de ser humano, concebendo a educação como meio de desenvolver no homem todas as suas disposições naturais. Para Kant: A atividade educativa divide-se depois em “física” e “prática”. A educação física é “negativa” quando enuncia conselhos para criar os bebês (aleitamento), fazer adquirir hábitos (ao que Kant se opõe), realizar o “endurecimento” (pense-se em Locke), regular a liberdade a ser concedida às crianças e às intervenções para “vencer a teimosia”. A educação física é, pelo contrário, “positiva” quando visa à cultura, ou ao “exercício das atividades espirituais”. Nesse campo, segundo Kant, um papel fundamental é assumido pelo “jogo” (como movimento do corpo e exercício “da habilidade”) e pelo trabalho (“é sumamente importante que as crianças aprendam a trabalhar, “porque o homem tem necessidade de uma ocupação, nem que seja acompanhada de um certo sacrifício”). A instrução deve, depois, valorizar a memória ao lado da inteligência e iniciar também a educação moral através da adaptação da conduta às “máximas” que devem tender para a formação do caráter [...].(Cambi, 1999, citado por Finocchio, 2013) 66. Para Finocchio (2013) em suas propostas de formação do ser humano, a burguesia pensava a educação como essencial à formação plena da personalidade do indivíduo, incluindo aí a educação do corpo como uma necessidade. A gymnastica consistia na metodização da educação do corpo, imprescindível à formação do homem, não só fortalecendo o corpo, mas enriquecendo o espírito e enobrecendo a alma. Johann Christoph Friedrich Guts Muths (1759-1839) 67 desenvolveu as regras para as práticas da educação física, introduzindo um sistema de exercícios nas grades escolares, com os princípios básicos da ginástica artística. Em 1793, publicou Gymnastik für die Jugend, o primeiro livro escrito sistematizado da ginástica. Sete anos mais tarde, seu livro fora traduzido para a língua inglesa e publicado, na Inglaterra onde se tornou referência no meio -, sob o título de Gymnastics for youth: or A practical guide to healthful and amusing exercises for the use of schools. Gerhard Ulrich Anton Vieth (1763-1836) 68 atribuía importância à prática do exercício físico para a formação moral e física do indivíduo e insistia na obrigatoriedade de Educação Física nos âmbitos da escola e da universidade. Afirmando que os exercícios físicos deveriam visar ao aperfeiçoamento completo do corpo humano, os classificava de acordo com as diferentes partes do corpo, em exercícios simples e combinados. Preferia, entretanto, classificá-los em exercícios passivos (exercícios de oscilação, atitudes, fricções e massagens, banho e exercícios de endurecimento) e exercícios ativos, que se dividiam em exercícios para os sentidos e para os membros, como marchar, corridas, exercícios de trepar, saltos, dança,

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KANT, Immanuel (1724-1804). Sobre a Pedagogia. Trad. Francisco Cock Fontanella. Piracicaba: Unimep, 1996. FINOCCHIO, 2013, obra citada. Johann Christoph Friedrich Guts Muths (Quedlinburg, 9 de agosto de 1759 - Waltershausen, 21 de maio de 1839) foi um professor e educador alemão. http://pt.wikipedia.org/wiki/Guts_Muths Gerhard Ulrich Anton Vieth (1763-1836) publicou o primeiro de três volumes de sua obra “Ensaios de uma Enciclopédia dos Exercícios do Corpo” (Versuch einer Enzyklopädie der Leibesübungen), Vieth tornou-se o primeiro professor de ginástica a demonstrar a necessidade de se proporcionar ao exercício físico uma base anátomo-fisiológica tendo em vista a sua preparação científica, que lhe permitia compreender e delinear os efeitos biológicos e higiênicos da ginástica, como também estabelecer uma relação de causa e efeito entre a atividade física e as suas influências sobre o corpo. (in FINOCCHIO, 2013).


exercícios de tração e de repulsão, lançamentos, lutas, esgrimas, volteios e transporte de fardos, além da patinação, do tiro, da equitação e de jogos diversos. Friedrich Ludwig Jahn (1778-1811)69 - pedagogo e ativista político -, por volta de 1809 adotou um princípio educacional realista, e desenvolveu um tipo de ginástica com valorização da luta. Criou aparelhos que se constituíam em representações de obstáculos naturais, o Turnen, que teve grande aceitação da classe dominante, adquirindo caráter militar e patriótico, e constituindo-se em uma primeira forma de instrução física militar destinada as massas, que corresponde às necessidades práticas da burguesia (Rouyer, 1977, citado por Finocchio, 2013) 70. Além de criar aparelhos e novas formas gímnicas, fundou, em 1811, o primeiro ginásio ao ar livre de Hasenheide, Berlim. Daí nasceu o termo "Turnkunst" pelo qual ele substitui a palavra "Gymnastik". A ginástica de Jahn, com um conteúdo mais social e patriótico, rapidamente superou as ideias pedagógicas de Guts-Muths, tendo por objetivo formar homens fortes para defender a pátria 71. Embora já houvesse várias formas de ginástica, acrescentou aos exercícios já conhecidos, as barras e a barra alta. Para Coertjens, Guazzdelli e Wasserman (2004) 72 a utilização dos ‘turner’ entre o discurso nacionalista e a prática esportiva nos pequenos estados que, anos mais tarde, formaram o Estado alemão: “[...] Nesse período, as noções de unidade pátria e povo foram idealizadas, entre outras coisas, através do esporte. Isso aconteceu com o objetivo de fomentar a resistência ‘alemã’ contra as invasões napoleônicas e, mais tarde, intensificar o processo de unificação do Estado alemão. Considerava-se que o exercício físico regular contribuía para o processo de disciplinalização e militarização da sociedade, principalmente, dos jovens. Esse ponto de vista ficou conhecido sob o nome de ‘Turnen’, ‘ginástica’, inserindo-se perfeitamente o esporte num contexto social e político mais complexo.” A ginástica (turnen) se transforma em uma escola de patriotismo, educação para se preparar para a guerra de libertação; seu curso visava o "despertar da identidade nacional" (construção de uma nação). Francisco de Amorós y Ondeano (1770-1848) 73 é conhecido por ser um dos fundadores da Educação Física moderna. Em razão de suas ideias liberais e do apoio a José Bonaparte I, em 1814 exilou-se na França e aí desenvolveu a Escola Francesa de Ginástica. Seu método, de inspiração pestalozziana e fundamentado em Locke e Rousseau, defendia a “educação integral”. Contudo, em sua ginástica prevalecia o lado militar 69

Friedrich Ludwig Christoph Jahn (Lanz, Prússia, 11 de agosto de 1778) estudou teologia e filologia na Universidade de Greifswald. No ano de 1811, sistematizou a prática da ginástica e a transformou em modalidade esportiva. Durante esse tempo, criou as associações Turnwerein – clubes de ginástica - para jovens praticantes e interessados. Por conta disso, é considerado o pai da ginástica. Com o passar do tempo, seus centros foram considerados abrigos de discussões políticas, pois lá se cultivavam a força moral e a exaltação patriótica. Foi influente na organização do movimento de Burschenschaft, que promovia os ideais nacionalistas entre estudantes da universidade alemã. Morreu em outubro de 1852, aos 74 anos. http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Ludwig_Jahn 70 FINOCCHIO, 2013, obra citada. 71 http://vamos_fazer_educacao_fisica.blogs.sapo.pt/10679.html 72

COERTJENS, Marcelo, GUAZZELLI, Cesar Barcellos; e WASSERMAN, Cláudia. Club de Regatas Guahyba-Porto Alegre: o nacionalismo em revistas esportivas de um clube teuto-brasileiro (1930 e 1938). In Rev. bras. Educ. Fís. Esp, São Paulo, v.18, n.3, p.249-62, jul./set. 2004, disponível em http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/rbefe/v18n3/v18n3a04.pdf

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Francisco Amorós y Ondeano (Valência, 1770 – Paris, 1848) foi um professor e militar espanhol, naturalizado francês. Iniciou seu trabalho na Espanha, e em 1814, desenvolveu suas ideias no contexto da ginástica. Seu trabalho consolidou-se na França, no século XIX, na Escola de Ginástica Francesa. Em 1818, criou o Ginásio Militar, no qual deu origem a ginástica eclética, que misturou as técnicas e ideias de Guts Muths e Jahn. Após, idealizou uma série de itens que considerava essencial para sua obra, entre eles, a ênfase à resistência à fadiga, o andar e o correr sobre terrenos fáceis ou difíceis, o saltar em profundidade, extensão e altura, com ou sem ajuda de materiais, a arte de equilibrar-se em traves fixas, o transpor barreiras, o lutar de várias maneiras, o subir com auxilio de corda com nós ou lisa, fixa ou móvel, a suspensão pelos braços, a esgrima e vários outros procedimentos aplicáveis a um grande número de situações de guerra ou de interesse público geral. Amoros faleceu em 1848, aos 78 anos de idade. http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Amoros


sobre o educativo, tal como se pode notar em seu tratado Nouveau Manuel d’Education Physique, Gymnastique et Morale, no qual propõe um soldado da Pátria e um benfeitor da Humanidade. A Educação Física na Inglaterra tomou aspecto diverso de outras nações europeias; desenvolvida ao final do século XVIII e início do seguinte, de caráter nacionalista, e visando à disciplina e ao treinamento físico, bem como à defesa nacional; seu destaque não se deu na ginástica, mas no Esporte, em estreita relação com as transformações socioeconômicas resultantes das alterações produzidas pela Revolução Industrial, iniciada em 1760. Ainda que adotasse a gymnastica nas escolas básicas, como meio da educação do físico, era no ensino secundário, destinado à aristocracia e à burguesia, que se aprimoravam o cuidado do físico e o cuidado da formação moral, empregando os esportes. No começo do século XIX, o clérigo Thomas Arnold se utilizou de uma forma de ócio da classe dirigente, os jogos populares, para criar um novo modo de educação. O desporto, naquele momento, teve por função propor às classes dirigentes enriquecidas, mas em estado de degradação física e moral, uma formação mais adequada, em relação à tradicional. Apesar de grande reação religiosa e dos meios intelectuais, o desporto foi adotado para responder às conveniências práticas do imperialismo britânico (Rouyer, 1977, citado por Finocchio, 2013)74. A partir da segunda metade do século XIX houve, ao seu final, uma biologização da educação física (Paiva, 2003) 75, ocorrendo a migração da preocupação com a abrangência da formação humana para o estabelecimento de sua especificidade, biológica: “[...] a educação physica, aquela ampla e integrante do projeto de educação integral, é submetida a uma dupla reconversão: a) foi preciso reduzi-la à gymnastica, codificando-a como disciplina escolar e a ela impondo os trâmites e procedimentos próprios dessa operação – organizar seus tempos e seus espaços, suas metodologias, seus processos de avaliação, a materialidade de suas práticas, etc.; e, b) foi preciso ressignificar, também reduzindo, educação física e gymnastica à ginástica, isto é, aos procedimentos metódicos de exercitação corporal sistematizada visando o ganho de aptidão física.” ( p. 421). A educação física na escola, por força da influência médica, foi pensada como ginástica em seu sentido de cuidado com o corpo, principalmente com preocupações higiênicas de aptidão física. Para Finocchio (2013) 76 a sociedade burguesa estabeleceu um perfil biológico de homem: “[...] Sob essa perspectiva a educação física, inicialmente como ginástica, adotou uma perspectiva dominante, anátomo-fisiológica. Sob os ideais burgueses buscou-se a formação de uma sociedade constituída de homens fortes capazes de produzir e gerenciar riquezas. A Inglaterra do final do século XIX ilustra o pensamento liberal exemplarmente: utilizando-se de uma educação diferenciada, inseriu na educação básica a ginástica para a formação do homo habillis e o esporte para a formação do gentleman”. O método ginástico de Pier Henrich Ling (1776-1839) 77, fundamentado em estudos anátomo-fisiológicos, com um viés médico higiênico, é composto por uma série de movimentos segmentados, com uma série racional de movimentos.

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FINOCCHIO, 2013, obra citada. PAIVA, Fernanda Simone Lopes de. Sobre o pensamento médico-higienista oitocentista e a escolarização: condições de possibilidade para o engendramento do campo da Educação Física no Brasil. 2003. 475 f. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2003. 76 FINOCCHIO, 2013, obra citada. 75


A consideração do processo de instituição do pensamento burguês é fundamental, pois, associada à estrutura política e socioeconômica do Segundo Reinado brasileiro, nos permite identificar, por meio do exame da organização dos Planos de Estudos da Escola Secundária (Imperial Collegio de Pedro II), como aquelas propostas educacionais de gymnasticas, originadas na Europa com o desenvolvimento da sociedade burguesa, aqui são efetivamente colocadas em prática e a que função davam atendimento. De acordo com Cancella (2012; 2014) 78; Cancella e Mataruna (2013); e Finocchio (2013) 79 a prática esportiva em meio militar foi intensificada na virada do século XIX para o XX sob o argumento de que para a estruturação das Forças Armadas era fundamental o desenvolvimento físico do pessoal militar. Estas atividades eram consideradas importantes para a formação não somente de militares mais preparados, mas também de potenciais “soldados-cidadãos” e “cidadãos-marinheiros” entre os praticantes civis. Por isso, as atividades físicas e esportivas foram gradativamente incorporadas aos currículos de instituições de ensino do país, iniciando este processo pelas escolas militares. Para Silva e Melo (2011), A defesa pela ampliação da educação física no sistema de ensino baseava-se nos benefícios que trariam para o corpo e mente dos jovens. No meio militar, esta defesa era reforçada pelas observações dos cuidados de FFAA de outros países com os processos de preparação do corpo dos combatentes, considerando os exercícios físicos como um dos melhores instrumentos para a manutenção da forma e da disciplina das tropas. Com o crescimento da prática da ginástica nas instituições militares ao longo do oitocentos, muitos de seus membros passaram a atuar no meio civil como instrutores de ginástica nas escolas, uma vez que ainda não existiam escolas de formação em Educação Física no país naquele momento e os militares eram os principais promotores destas práticas no Brasil.

Finocchio (2013) entende que não tenha sido casual a designação, em 1860, do primeiro mestre de gymnastica da Escola da Marinha, o civil Pedro Orlandini (Professor italiano de diversos saberes: gymnastica, esgrima, dança, língua inglesa, francês e italiano) e, em 1861, o Alferes Pedro Guilherme Meyer, do Exército. A contratação de um especialista em gymnastica foi feita em atendimento às necessidades militares de proporcionar um aprimoramento na formação das forças armadas, por meio do desenvolvimento físico. Esse processo de profissionalização do Exército, com o treinamento militar para menores, implicou a inserção da gymnastica em suas escolas. Finocchio (2013) emprega essa terminologia – gymnastica - para se referir a uma prática educacional em construção no século XIX:

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Pier Henrich Ling, militar e instrutor de esgrima na Universidade de Luna, desenvolveu um método sob uma concepção anatômica, com exercícios corretivos, com base nos preceitos e princípios científicos incorporados ao sistema de educação e, portanto, à gymnastica.

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CANCELLA, Karina. A defesa da prática esportiva como elemento de preparação dos militares por meio das publicações institucionais “Revista Marítima Brasileira” e “Revista Militar”. Anais do XV ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA DA ANPUHRIO, 2012. Disponível em http://www.encontro2012.rj.anpuh.org/resources/anais/15/1338498190_ARQUIVO_ANPUH2012_KarinaBarbosaCancella.pdf

CANCELLA, Karina. O ESPORTE E AS FORÇAS ARMADAS NA PRIMEIRA REPÚBLICA – das atividades gymnásticas às participações em eventos esportivos internacionais. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2014. 79 CANCELLA, Karina Barbosa; MATARUNA, Leonardo. Liga Militar de Football e a Liga de Sports da Marinha: uma análise comparativa do processo de fundação das primeiras entidades de organização esportiva militar do Brasil. In HOFMANN, Annette; VOTRE, Sebastião (organizadores). ESPORTE E EDUCAÇÃO FÍSICA AO REDOR DO MUNDO – PASSADO, PRESENTE E FUTURO. Rio de Janeiro: Editora Gama Filho, 2013, p. 119-132. FINOCCHIO, 2013, obra citada.


Os termos gymnastica ou exercícios gymnasticos foram utilizados no interior do Collegio de Pedro Segundo para fazer referência às práticas corporais – esgrima, jogos e exercícios ginásticos propriamente ditos – que eram oferecidos aos seus alunos. (Gondra, 2000, p.125) 80.

LÚDICO E MOVIMENTO NO MARANHÃO COLONIAL Do período Colonial informam-nos os cronistas de que já se praticavam algumas formas de atividade física desde 1678, quando da chegada do primeiro Bispo ao Maranhão. Realizaram-se, como costume da época, as famosas cavalhadas – desfiles a cavalo, corrida de cavaleiros, jogo das canas, jogo de argolinhas, touradas. Produtos do feudalismo e da cavalaria - do tardio medievo português, período em que os jogos cavalheirescos se destacavam entre as manifestações atléticas e esportivas, essas manifestações do entusiasmo popular talvez tenham nascido com as atividades recreativa que pipocaram em certos centros, conforme as feições econômicas das regiões. As cavalhadas, as vaquejadas, e até mesmo as touradas, assim como os sinais do recriativismo admissível, tiveram arenas de atração transitória. 1681 – Os jesuítas mantinham uma casa para recreio dos padres e dos estudantes na Praia de São Marcos, onde havia uma fazenda dos jesuítas adquirida de Maria Sardinha, provavelmente antes de 1700. Informa José Coelho de Souza que Antonio Vieira comprara uma propriedade em 1681 no São Francisco, onde se construiu uma pequena casa de residência com sua varanda para o mar e que servia de casa de descanso nos dias de folga (dias de sueto). 1713 - Os jesuítas fundaram, em Maranhão, a “Casa dos Exercícios e Religiosa Recreação de Nossa Senhora da Madre de Deus”, em São Luís. Localizada na Ponta de Santo Amaro, era destinada à recreação e descanso dos religiosos e dos alunos do Colégio Máximo do Maranhão, nos fins de semana; ou ainda para realização dos exercícios espirituais; além dos religiosos, recebiam pessoas do povo, para os exercícios espirituais– hoje, seriam os retiros. A Quinta já existia desde 1713, quando o Capitão-Mor Constantino de Sá requisitou à Câmara a utilização de certos materiais existentes nessa ponta de Santo Amaro para uma ermida que estava erguendo a “Nossa Senhora da Madre de Deus, Aurora da Vida”. Os padres compraram a Quinta para Casa de Campo dos Mestres e estudantes do Colégio do Maranhão, no qual havia, em 1731, estudos gerais de Teologia, Filosofia, Retórica, Gramática, e “ultimamente uma escola de ler, escrever e contar”. A este primeiro destino – casa de campo, a tal casa de recreação -, veio juntar-se, anos depois, o de servir para Casa dos Exercícios Espirituais. A casa ficou juridicamente dependente do Reitor do Colégio, mas com administração autônoma, sob a regência de um Superior próprio. 1760 - a Casa constava de dois corredores: um que era a frontaria a par do frontispício da nova igreja, com 10 aposentos, cinco em cada andar, “para hospedagem dos exercitantes seculares e habitação dos religiosos da casa”; outro corredor, de norte a sul, com outros tantos cubículos, destinados ao repouso e recreação dos estudantes. 1771 em Portugal, sob o balizamento da Universidade de Coimbra, se estabeleceu que as atividades físicas como conteúdo educacional, atendia aos pressupostos da nova educação. As “Artes Liberais” nos Estatutos do Collegio Real de Nobres da Corte, e cidade de Lisboa eram a Cavalaria, Esgrima, e Dança. Apesar de contar ainda um sentido cavalheiresco (educação dos nobres), essa introdução se deu através das ideias burguesas.

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FINOCCHIO, 2013, obra citada.


ATIVIDADES FÍSICAS NO SÉCULO XIX - No início do século XIX, foram encontradas outras formas de atividade física, como as caminhadas. Além desses passeios, praticava-se a caça, como o fazia Garcia de Abranches - o Censor. Seu filho, Frederico Magno de Abranches - o Fidalgote - era “... Atirador emético e adestrado nos jogos atléticos, alto, magro e ágil, trepava como um símio até os galhos mais finos das árvores para apanhar uma fruta cobiçada pelas jovens ali presentes. Encantava-as também a precisão dos seus tiros ao alvo. E causava-lhes sustos e gritos quando trepava sem peias por um coqueiro acima ou se balançava no tope de uma jussareira para galgar as ramas de uma outra em um salto mortal, confirmando o título que conquistara entre os da terra de campeão da bilharda.”. 1829 -primeira aula de dança de que se tem notícia data de 1829, como se vê de anúncio publicado em “O FAROL”: “Carlos Carmini, de nação italiana, recentemente chegado a esta cidade, faz saber aos ilustres habitantes da mesma que ensina tôda e qualquer dança, segundo o gosto moderno, tanto em sua casa (que ao presente é na rua da Palma, no. 10), como também pelas particulares para que seja chamado; prestando-se ao ensino das ditas danças, tanto a pessoas grandes como para meninos...” (In “O FAROL MARANHENSE”, 25 de agosto de 1829, citado por VIVEIROS, 1954, p. 376). Sobre as atividades lúdicas dos negros é publicado em “A Estrela do Norte”, em 1829 a seguinte reclamação de um morador da cidade: “Há muito tempo a esta parte tenho notado um novo costume no Maranhão; propriamente novo não é, porém em alguma coisa disso; é um certo Batuque que, nas tardes de Domingo, há ali pelas ruas, e é infalível no largo da Sé, defronte do palácio do Sr. Presidente; estes batuques não são novos porque os havia, há muito, nas fábricas de arroz, roça, etc.; porém é novo o uso d’elles no centro da cidade; indaguem isto: um batuque de oitenta a cem pretos, encaxaçados, póde recrear alguém ? um batuque de danças deshonestas pode ser útil a alguém ? “. A GYMNÁSTICA - O primeiro registro encontrado onde aparece a palavra “ginástica” data de 1841, conforme anúncio no “JORNAL MARANHENSE” sob o título de: “THEATRO PUBLICO - Prepara-se para Domingo, 21 do corrente huma representação de Gimnástica que será executada por Mr. Valli Hércules Francez, mestre da mesma arte de escola do Coronel Amoroz em Paris; e primeiro modelo da academia Imperial de Bellas Artes do Rio de Janeiro, que terá a honra de apresentar se pela primeira vez diante d’este Ilustrado público, a quem também dirige agradar como já tem feito nos principais Theatros de Europa , e deste Império. “Mr. Valli há contractado o Theatro União, para dar sua função, junto com Mr. Henrique, e tem preparado para este dia um espetáculo extraordinário que será composto pela seguinte maneira: Exercícios de forças, Agilidade e posições Acadêmicas Exercícios no ar e muitas abelidades sobre colunnas assim como admiraveis sortes nas cordas “Nos intervalos de Mr. Valli, se apresentará Mr. Henrique, para executar alguns exercícios de fizica, em quanto Mr. Valli descansa.” 1842 - O Prof. Antônio Joaquim Gomes Braga, diretor do Colégio de Nossa Senhora da Conceição, localizado Rua do Desterro, ao apresentar o Plano de Estudos, informa que as aulas de “Dansa e Muzica para os internos serão pagas à parte”. (in JORNAL MARANHENSE, 1º de outubro de 1841). 1843 - outro colégio particular anuncia em seus planos de estudos as aulas de dança para seus alunos, aberta à comunidade: “AULA DE DANÇA, começará em Novembro próximo a ter exercícios no Colégio de N. S. dos Remédios na rua do Caju em os dias feriados, isto é, duas vezes por semana das 9 as 11 horas da manhã. Os que já frequentam outras aulas do Colégio são admitidos mediante o premio de 3:000 rs. mensais; porém os que não estão neste caso concorrerá com 4:000 reis.“Também haverá outra aula, que principiará com a noite na 3ª e 6ª feiras para as pessoas que não podem ir de dia, os quais farão despesa de 5:000 reis. Nestes serão ensinadas as danças nacionais e estrangeiras, tanto simples, como dobradas, e etc. “O diretor do Collégio está convencido de que os pais de familias tendo no seu devido apreço esta prenda não deixarão de promover, que ele não falte a educação de seus filhos: muito principalmente não alterando esta aula no Colégio a introdução dos meninos, por ser somente nos feriados. “Collegio de N. S. dos Remédios, 24 de outubro de 1843.” (A REVISTA, n. 207, Quarta-feira 8 de novembro de 1843) 1844 - fundado o primeiro colégio destinado exclusivamente às moças, em São Luís, as atividades físicas faziam parte do currículo: “... não somente sobre as disciplinas escolares com também sobre o preparo physico, artístico e moral das alumnas. Às quintas-feiras, as meninas internas participavam de refeições,


como se fossem banquetes de cerimônia, para que se habituassem 'a estar bem á mesa e saber como se deveriam servir as pessoas de distinção'. Uma vez por semana, à noite, havia aula de dança sob a rigorosa etiqueta da época, depois de uma hora de arte, na qual ouviam bôa música e aprendiam a declamar." (ABRANCHES, 1941, p. 113-114). Esse colégio - o "Collegio das Abranches", como era conhecido o Collégio N. S. das Glória -, foi fundado por D. Marta (Martinha) Alonso Veado Alvarez de Castro Abranches - educadora espanhola nascida nas Astúrias provavelmente por volta de 1800 –, e pela sua filha D. Amância Leonor de Castro Abranches, e tinha, ainda, como professora, D. Emília Pinto Magalhães Branco, mãe dos escritores Aluizio, Artur e Américo de Azevedo. 1852 - Antônio Francisco Gomes propunha além da ginástica, os exercícios de natação, esgrima, dança, jogo de malha e jogo da pella para ambos os sexos (CUNHA JÚNIOR, 1998, p. 152) 81 1853 - No “O Observador”, edição de 25 de abril, o Inspetor da Instrução Pública publica seu relatório, na parte em que trata das escolas particulares de primeiras letras e médio da capital, constata que nos dois colégios existentes não havia aula de Ginástica:

Deve-se lembrar de que na legislação de ensino da época, já constava o de ginástica, dentro do núcleo das Belas Artes, que compreendia o desenho, música, dança, esgrima, e ginástica:

DÉCADA DE 1860 - o Sr. Alfredo Bandeira Hall lecionava inglês (1861), tendo inclusive publicado uma gramática adotada pelo Lyceo Maranhense, e exerceu a função de Inspetor de Ensino, atuando em vários exames da 2ª Freguesia. Antes, no ano de 1860, aparecia como agente de leiloes na cidade, conforme anúncios em O Publicador Maranhense. Remédios para bexigas, importados da Inglaterra por Alfredo Bandeira Hall também estavam à disposição do público, em algumas farmácias da capital (1883). No guia de profissionais, do Almanaque do Maranhão, aparece como Professor de Esgrima e ginástica Alfredo Hall, residente na Rua do Alecrim, 17:

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CUNHA JÚNIOR, Carlos Fernando Ferreira da. A produção teórica brasileira sobre educação physica/gymnastica no século XIX: questões de gênero. In CONGRESSO BRASLEIRO DE HISTÓRIA DO ESPORTE, LAZER E EDUCAÇÃO FÍSCA, VI, Rio de Janeiro, dezembro de 1998. COLETÂNEA... . Rio de Janeiro : Universidade Gama Filho, 1998, p. 146-152.


1861 já se tinha, no Maranhão, a cadeira de Ginástica, conforme se depreende de anúncio do Instituto de Humanidades:

1861 a 1871 verifica-se a presença de alunos de nacionalidade brasileira no Philantropinum82, sediado em Schnepfenthal83; dentre esses alunos vamos encontrar: NOME LOCAL E ANO NASCIMENTO de La Roque, Jean de La Roque, Auguste de La Roque, Henri de La Roque, Guilherme De La Roque, Luiz de La Roque, Carlos

PERÍODO DE ESTUDOS Pará, 1850 Pará, 1851 Pará, 1849 Cametá, 1853 Pará, 1856 Pará, 1857

1861 – 1866 1861 – 1867 1861 – 1864 1863 – 1869 1865 – 1871 1865 – 1871

Temos a existência da Família LaRocque no Maranhão. Os LaRocque - importante família estabelecida no Pará, procedem de dois irmãos: I - HENRIQUE de LaROCQUE (c. 1821 – Porto ?), que deixou geração do seu casamento, em 1848 – Pará -, com Matilde Isabel da Costa ( ? – 1919); e II – LUIZ de LaROCQUE (c. 1827 – Porto ?), que deixou geração de seu casamento, em 1854 (Pará) com sua cunhada Emília Ludmila da Costa.

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Em janeiro de 1999, o Prof. Dr. Lamartine Pereira Da Costa fez um anúncio através do CEV (Centro Esportivo Virtual www.cev.org.br): “Permitam-me iniciar o ano de 1999 fazendo um anuncio importante para o desenvolvimento da Historia do Esporte no plano nacional e internacional, como também mobilizar os amigos da Lista e fora dela para que sejam iniciadas pesquisas no tema que se segue.”. Fonte: Preisinger, M. (Arquivos de Schnepfenthal – 1998)


Ambos, filhos de JOÃO LUIZ de LaROCQUE (c. 1800 – a. 1854) e de Rosa Albertina de Melo. Entre os membros dessa família registra-se o senador HENRIQUE de LaROCQUE ALMEIDA, advogado diplomado pela Faculdade Nacional do Rio de Janeiro (hoje, UFRJ).84 No Dicionário, é dada como sobrenome de origem escocesa, o que é contestado por Henrique Artur de Sousa, para quem a família LaRocque estabelecida no Brasil é de origem portuguesa, da cidade do Porto – encontrou uma primeira referência no início da colonização do Brasil, nos anos 1500, em São Vicente ... -, o que parece ser a versão verídica, haja vista que o falecimento de dois membros dessa família – os irmãos Henrique e Luís, filhos de João Luís de LaRocque e sua mulher Rosa Albertina de Melo – se dão na cidade do Porto, no século XIX... (vide Dicionário...) Efetivamente alguns LaRocque se estabeleceram no Maranhão, a partir de 1832. Henrique Artur de Sousa genealogista estabelecido em Brasília encontrou documentos no Arquivo Público do Estado do Maranhão “firmados de próprio punho” de três membros da família LaRocque, quando de sua chegada, “de que haviam estudado na Alemanha”, numa cidade chamada Schnepfenthal ! Filhos de Jean Francoise de LaRocque: Carolina – depois Baronesa de Santos; Henrique de La Rocque; Guilherme de LaRocque; João Luís de LaRocque; Luís de LaRocque; Rosa; Amélia; Antônio de LaRocque. Desses irmãos, quatro estudaram na Alemanha; Henrique de LaRocque Júnior, e seus irmãos João e Augusto, também podem ter estudado na Alemanha ... Henrique de LaRocque Júnior - viria construir o Mercado de Ver-o-Peso, em Belém do Pará -, vem a ser avô do Senador LaRocque... 1869 - é anunciada a criação de um novo colégio - o Collégio da Imaculada Conceição - sendo seus diretores os Padres Theodoro Antonio Pereira de Castro; Raymundo Alves de France; e Raymundo Purificação dos Santos Lemos. Internato para alunos de menor idade, seria aberto em 07 de janeiro de 1870. Do anúncio constava o programa do colégio, condições de admissão dos alunos, o enxoval necessário, e era apresentado o Plano de Estudos tanto do 1º grau como do 2º grau, da instrução primária; o da instrução secundária; e da instrução religiosa. No que se referia às Bellas Artes – desenho, música vocal e instrumental, gymnástica, etc., mediante ajustes particulares com os senhores encarregados dos alunos. O novo colégio situava-se na Quinta da Olinda, no Caminho Grande, fora do centro da cidade, e possuía água corrente, tanque para banhos, árvores frutíferas, jardim, bosque e lugar de recreação. (A ACTUALIDADE n. 28, 28 de dezembro de 1869). 1874 Diário do Maranhão, de 16 de janeiro, uma nota sobre a reforma do ensino agrícola, traz que:

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in DICIONÁRIO DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS, vol. II, BARATA, Carlos Eduardo de Almeida; CUNHA BUENO, Antônio Henrique da. Arquivos da Biblioteca Pública “Benedito Leite”.


1876 - No Diário do Maranhão, edição de 16 de janeiro aparece anuncio de colégio de Lisboa – Colégio Acadêmico Lisbonense, em que é apresentado o programa de estudos, dentre elas a Gymnástica, sendo o professor Mr. Jean Rogers, professor de suas Altezas Imperiais; era representante nesta cidade o Sr. Luis Manoel Fernandes, a quem poderia se solicitar informações. - Ainda neste jornal, edição de 10 de março em seção geral, artigo dedicado à Reforma necessária na Instrução Pública, defendendo sua inclusão no currículo, mas com as condições necessárias ao seu ensino:


- Na edição de março de 1876, o editor chama atenção para a modalidade de aula de ginástica que o professor da escola agrícola aplicava a seus alunos:


- Em edição de outubro desse ano, reproduzindo matéria vinda da Bahia, o comentarista da coluna nossas escolas, ainda se referindo à reforma do ensino, diz que deveria se ter mais atividades práticas nas escolas:

- A Ginástica, especialmente a que fazia uso de aparelhos, se prestava para espetáculos circenses, como já vimos em anúncios do princípio do século. No jornal O Apreciável, edição de 1876 se comentava o espetáculo de ginástica dado pelos ginastas portugueses Pena e Bastos. Nos anos 1880, pelo menos três companhias circenses visitavam São Luis, com apresentações de ginástica, o mesmo acontecendo na década seguinte, como em 1890, em que o cidadão Candido de Sá Pereira solicitava o Teatro de São Luis para três apresentações de Ginástica, sendo lhe deferido o pedido e ser aviso o administrado do Teatro (A República, expediente de 12 de abril de 1890).


1877 - Instigante esse anuncio encontrado em 27 de agosto de 1877:

- Símbolo da modernidade que se implantava, o Club de Ginåstica e Esgrima era referido como uma das evidencias dos avanços que a cidade apresentava:


1879 - no Publicador Maranhense, de 5 de dezembro de 1879 anunciava-se as aulas do colégio espanhol, que iniciara suas atividades já em 1848; incluída entre as matérias a ginástica:

1880 - Aluísio Azevedo, tanto em "O Mulato" - publicado em 1880 -, como em uma crônica publicada em 10.12.1880, propõe uma educação positivista para as mulheres maranhenses: "... é dar à mulher uma educação sólida e moderna, é dar à mulher essa bela educação positivista ... é preciso educá-la física e moralmente ... dar-lhe uma boa ginástica e uma alimentação conveniente ...". Alguns amigos de Aluísio, a fim de ‘incentivar’ a leitura de seu romance, publicado sob a forma de folhetim nos jornais de São Luís, passam a escrever aos jornais, fazendo-se passar por jovens senhoritas. Uma dessas cartas, publicadas em Pacotilha, edição de 9 de junho de 1881, em que “Julia” escreve à “Antonieta”:


1883 - publicado o seguinte anĂşncio:


1884 - Também no interior, os colégios ofereciam, em seus programas de ensino, a Ginástica, como se vê desse anuncio no Diário do Maranhão de 7 de março de 1884:

Ao expor seu programa, Issac Martins informa que para as aulas de ginástica dispunha de amplo pátio para os exercícios de ginástica e ‘correria’ – Atletismo? – e para a natação, as águas puras e cristalinas do Rio Corda. Temos aqui outra informação importante – as aulas de natação, em escola do interior do Estado – Barra do Corda – em uma escola popular:


Ă&#x2030; o seguinte o programa escolar:


1886 - O Dr. Gouveia Filho, na edição de A Pacotilha, jornal da tarde, de 24 de abril de 1886 trazia um artigo, numa coluna ‘Litteratura”, com o título “Educação Physica”, onde afirma que essa palavra não tinha significação entre nós:

- Em outro artigo, em edição seguinte, também é ressaltado – desta vez por Ramalho Urtigão – a ginástica como parte do processo educacional:


1887 - O Jornal A Pacotilha de 7 de dezembro de 1887 traz nota sobre a reforma da instrução pública, em que:


1889 - O Sr. Sabino Erres, que fundara uma Escola de Ginástica – a 15 de Novembro – em 1889, e que funcionou em diversos lugares nesta cidade, apresentando-se no Teatro com seus alunos, assim como na sede de sua escola, com programas de trapézio e barras, cordas. Em 1890 – no Diário de 1º de abril publica aviso que estava disposto a concorrer à cadeira de ginástica, que se abria no Liceu, em função da reforma do ensino:

O “artista” Sabino Erres continuava a apresentar-se em funções de circo, executando números de gymnástica, utilizando-se de cordas, trapézios e barras, junto com outros ‘artistas’ ginastas – como Diocleciano Belfort. Continuava com sua escola, a 15 de novembro, de ginástica; pelo que se depreende, na formação de ‘artistas de ginástica’, para apresentação em espetáculos.


1890 - A adaptação das escolas estaduais às novas normas da instrução pública não se dá de forma a contentar a todos. Assim, em a Pacotilha de 29 de março de 1890 um certo Reginaldo faz o seguinte comentário:

- 23 de abril de 1890, é publicada a nova lei, da reforma da instrução pública, em que é criada a Escola Normal, anexa ao Liceu Maranhense, com as seguintes cadeiras:


- Reginaldo volta à carga, em sua coluna “De relance”, fazendo sua análise da reforma da instrução pública. Volta a falar sobre a inclusão das disciplinas de música e ginástica:


1891 - Em outubro de 1891, a Pacotilha começa a publicar uma série de artigos sobre a Ginástica em diversos países, apresentando análise de suas vantagens na educação das crianças. Passa a relatar os inúmeros métodos que estavam aparecendo – francesa, sueca, dinamarquesa, alemã, e era introduzida a “ginástica educativa”, em bases fisiológicas e higiênicas. Logo a seguir – edições seguintes – ainda falando da Itália, refere-se à ginástica Feminina; passa a discutir a ginástica na Alemanha, e a sua obrigatoriedade na escola. - Ao mesmo tempo, o vice-governador Carlos Peixoto (in A Cruzada, 28 de outubro de 1891), em telegrama ao Ministro da instrução Pública, relata a situação do Liceu Maranhense e as dificuldades do curso preparatório. Fala das cadeiras e da falta de professores. O Ministro diz que a oferta de disciplinas deve obedecer à legislação vigente, caso contrário não serão reconhecidos os estudos. José Rodrigues, ao comentar o telegrama e a resposta a ele, diz:

- Pouco antes era publicada poesia, nesse mesmo jornal - A Cruzada, em agradecimento, ao Grande Tenor que se despedia da terra; lá é colocado que, além de canto e musica, era também professor de Esgrima e Ginástica:


1894 aparecem notas sobre uma literatura específica – manuais de ginástica, italianos, que são analisados, em virtude de conferencias que estavam acontecendo naquele país. Comentários sobre a ginástica nas escolas, em especial as alemãs. Por aqui, uma escola oferecia aulas de Ginástica, dentre outras matérias:


- As críticas às aulas de Ginástica no currículo do Liceu Maranhense – seu anexo, a Escola Normal -, voltam à baila, na edição de A Pacotilha de 7 de junho de 1894. Diz o articulista que as críticas feitas através da imprensa pela inclusão dessa cadeira, até aquele momento, que justificava sua não oferta, e a consequente nomeação do professor:


- Mas, nessa mesma edição, consta a ‘aclamação’ (nomeação) do professor de ginástica:

No Almanaque Administrativo de 1896 constava no quadro de docentes tanto do Liceu Maranhense como da Escola Normal, o professor João da Mata Lopes como titular da cadeira de Ginástica. Em 1910, esse professor requer a aposentadoria, por ser professor vitalício (Correio da Tarde, 30 de agosto de 1910). - edição de 27 de julho de 1894, voltava à carga a questão da nomeação do professor. Ele, nomeado Lente do Liceu, com base na Lei da Instrução Publica de 1893, não tinha reconhecido assento na Congregação, por julgar, a direção da escola, matéria técnica:


1895 - Em janeiro saem novas normas para a instrução pública, estabelecida provas práticas para algumas das novas disciplinas:


- Parece-nos que em julho a questão do professor estava resolvida; João da Mata Lopes assumira sua cadeira, e iniciava suas aulas... Mas aparece outro problema: os uniformes para as aulas práticas de ginástica, em especial, a das alunas:


- Em novembro de 1895, os primeiros exames das cadeiras incluídas na reforma de 1893, e depois de toda a polemica - da contração do professor, de sua participação na Congregação, de as provas serem práticas, e dos uniformes dos alunos -, observa-se que apenas alunos do Liceu – sexo masculino... – se submeteram às provas:


- Jรก na Escola Normal:

1896 - Um ano depois, 1896, novos exames das alunas da Escola Normal:


1898, o Governador do Estado faz uma visita ao Liceu Maranhense e observa as aulas de Ginรกstica:


1899, nova adaptação do currículo tanto do Liceu quanto da Escola Normal, para se adaptar à nova Lei do Ensino Secundário. Novamente, necessária a adequação curricular para que houve a equiparação com o Colégio Pedro II; essa a discussão da edição de 27 de abril,

- No dia 17 de outubro de 1899 é criado o Clube de Ginástica e Esgrima:

1900 fica-se sabendo o local da sede do clube


- em março, seu Estatuto é encaminhado à imprensa, e fica-se sabendo quem são os seus fundadores e principais dirigentes:

- nova reforma da instrução pública:


1901 o “Regimento para as Escolas Estadoaes da Capital” (Decreto nº16 de 04 de Maio de 1901; Nascimento, 2007a, 2007b,) 85, instituía, no seio de suas diretrizes gerais, questões referentes a “inspecção e asseio” normatizando desde a entrada dos alunos em que caberia às professoras proceder á uma revista do asseio dos mesmos “tomando as providencias necessárias em ordem a estarem todas as condições regulares de limpeza de mãos, unhas, rosto e penteado do cabello, no momento de serem iniciados os exercícios escolares” (Regimento, 1901, p.80) conforme a classe a que pertence o estudante. Percebem-se nítidos traços de influência militar em termos de linguagem e recomendações na modelagem deste corpo escolarizado, quando instituem os exercícios abaixo descritos: a) Os da primeira classe constarão de marchas e contramarchas com variações apropriadas a darem facilidade de movimento dos alumnos; b) Os da segunda versarão sobre movimentos em varios tempos, com e sem flexão dos membros, desacompanhados de instrumentos; c) Os da terceira se comporão dos mesmos exercicios das segunda, mas com instrumentos; d) Os da quarta de exercicios de barra de extremidades esphericas, barra fixa, apparelhos gyratorios. (Regimento, 1901, p.80, grifos nosso). - nova reforma da instrução pública, ajustando-a ao currículo do Ginásio Nacional, o Governo divulga o salário pago aos professores, tanto do Liceu Maranhense quanto da Escola Normal; nota-se que o numerário do Professor de Ginástica e Esgrima – duas disciplinas!!! – era 50% menor do que a dos outros mestres:

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REGIMENTO PARA AS ESCOLAS ESTADOAES DA CAPITAL, a que se refere o Decreto nº16 de 04 de Maio de 1901. In: Collecção das leis e decretos do Estado do Maranhão de 1912. Republica dos Estados-Unidos do Brazil. Maranhão: Imprensa Official, 1914.

NASCIMENTO, Rita de Cássia Gomes. A Educação Higiênica em São Luís nas primeiras décadas do século XX. São Luís: Universidade Federal do Maranhão, 2007b. (Graduação em Pedagogia). NASCIMENTO, Rita de Cássia Gomes. PELAS CRIANÇAS DESVALIDAS: o Instituto de Assistência à Infância do Maranhão nas primeiras décadas do século XX. São Luís: Universidade Estadual do Maranhão, 2007a. (Graduação em História).


- Na Escola Normal, as alunas eram chamadas para os exames de Ginástica. A banca, formada por três professores, contava com o Dr. Achiles Lisboa, o professor de Ginástica João da Mata Lopes, e Luis Ory


- Na edição de A Pacotilha de 8 de novembro de 1901 era anunciado a morte de Pedro Nunes Leal, fundador do Instituto de Humanidades. Da relação dos seus professores, o Sr. Alfredo Hall, de Esgrima e Ginástica – contratado em 1861 - que já faziam parte daquele notável estabelecimento de ensino:


- um novo colégio é aberto em São Luis:


1902 - folhetim publicado em “A Campanmha”, edição de 16 de outubro de 1902, sob o titulo “o que custão as mulheres’, tradução do dr. Nuno Alvares, referindo-se à personagem Branca de La Faye afirma ser ela, jovem de seus treze anos, possuidora de variadíssimos conhecimentos:

- E mais:


1903 - Na edição de 19 de maio de 1903, de A Pacotilha – Jornal da Tarde – é anunciada a chegada do Sr. Miguel Hoerhann, contratado pelo Governo do Estado para reorganizar o serviço de educação física, voltado para o Liceu, Escola Normal e Modelo, escolas estaduais e do município:

- No Diário, de 19 de maio também e anunciada a chegada do novo professor de Ginástica:

- No dia 20 de maio, as aulas têm início:


- Em maio, a educação física é tornada obrigatória em todos os estabelecimentos de ensino, não apenas no Liceu e Escola Normal, e Escola Modelo:


- Logo a seguir, são distribuídas as aulas de ginástica para as diversas escolas do município:

- Em 6 de julho é anunciada a chegada de sua família :


- Em 11 de agosto, o Professor Miguel recebe os aparelhos de ginástica, solicitados para o Liceu Maranhense, conforme oficio:

MIGUEL HOHERANN – ver box Embora Djard MARTINS (1989) - em seu já clássico “Esporte, um mergulho no tempo” 86 - traga Miguel Hoerhann como nosso primeiro professor de Educação Física, verificamos que haviam vários professores atuando em diversos estabelecimentos, inclusive oficiais – tanto na Escola Normal, Escola Modelo, Liceu Maranhense:

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MARTINS, Dejard. ESPORTE, um mergulho no tempo. São Luís: SIOGE, 1989.


"E para coroar de êxito esse idealismo, esteve à frente da fundação do Club Ginástico Maranhense..." (MARTINS, 1989).

É o próprio Miguel quem confirma essa condição87, em nota publicada no jornal “O Paiz” em 21 de novembro de 1909, no Rio de Janeiro: ‘EDUCAÇÃO PHYSICA CARTÃO COMEMORATIVO DE 20 ANOS DE TRABALHO NO BRASIL Mens sana in corpore sano; vita non este vivere; sede vivere Miguel Hoerhann, capitão-tenente honorário da armada nacional, professor 87

Prezado Sr. Leopoldo Vaz, boa noite. Tomei a liberdade de lhe contatar quando soube de suas dúvidas, pelo pessoal do Arquivo Histórico de Ibirama - SC, acerca de Miguel Hoerhann, meu tataravô. Resido em São José, cidade vizinha de Florianópolis, capital de Santa Catarina e recém doutorei-me em História. Justamente trabalhei com a nacionalização dos Xokleng, comunidade indígena de SC, a qual o filho de Miguel, Eduardo Hoerhann dedicou toda a sua vida. Eduardo Hoerhann nasceu em Petrópolis em 1896. Filho de Miguel, (no anexo você consegue algumas informações sobre ele) e de Carolina, sobrinha-neta do Duque de Caxias. Alguns dados do Museu estão equivocados. Há uns anos, vi que os senhores disponibilizaram digitalizado, o livro Esgrima de Baioneta, de autoria do Miguel Hoerhann. Fiquei muito contente descobrir isso, e uma pena que ainda não consegui imprimi-lo em capa dura, mas parabéns pelo capricho. O sr enviou para a sra. Aparecida um diploma assinado pelo Miguel. Há possibilidade de enviar para mim numa resolução maior? Está ilegível em 9 k. No mais, espero poder ter ajudado em algo. Infelizmente, muitas informações se perderam. Cordialmente, Rafael Hoerhann. Disponível em educacao-fisica/

http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2013/02/27/miguel-hoerhan-nosso-pioneiro-professor-de-


de educação física da Escola Naval, Colégio Militar, Externato Aquino, e professor de ginástica e esgrima do Automóvel Club do Brasil – Ex-professor dos colégios Brasileiro-Alemão, Abílio Rouanet, João de Deus, Instituto Benjamin Constant, e Instituto Nacional de Surdos Mudos, no Rio de Janeiro. Ex-professor dos colégios São Vicente de Paulo, Notre Dame de Sion, Ginásio Fluminense e Escola Normal Livre; sócio-fundador e 1º. Turnwart do Turnerein Petrópolis, em Petrópolis. Ex-professor da Escola Normal e grupos escolares Menezes Vieira e Barão de Macaúbas e do colégio Abílio, em Niterói. Ex-diretor do serviço de Educação Física; ex-professor da Escola Normal, escola modelo Benedito Leite; Instituto Rosa Nina, Liceu Maranhense, e escolas estaduais e municipais; fundador e 1º presidente e 1º diretor dos exercícios do Club Ginástico Maranhense; em S. Luis do Maranhão. Ex-professor do Ginásio São Bento e ex-secretário do I. e R. Consulado da Áustria e Hungria, em São Paulo. 20 anos de devotado trabalho no Brasil (de 24 até 44 anos de idade, desde 1889 a 1909). Ex-Instrutor da imperial e real marinha de guerra da Áustria, condecorado com a medalha militar de bronze, conferida por sua imperial e real majestade apostólica Francisco Jose I, Imperador da Áustria-Hungria (desde 15 até 23 anos de idade, 1880-1888). “AOS MEUS DISCIPULOS Caros discípulos! Vivamente me tenho lembrado de vós! Recordando, um por um, os numerosos estabelecimentos de ensino, desde o sul até o extremo norte, de nossa vasta e grande Republica, onde, cônscio de minha nobre e útil missão, sempre lecionei com ardor, vos vi, na imaginação, todos reunidos formando legiões de muitos e muitos milhares. Estas reminiscências decorrem do inicio de minha carreira, abrangendo todos os fatos que se passaram, ate a presente data da minha vida de professor neste belo pais. E – folgo em dizê-lo – causaram-me uma grande e indescritível alegria: o supremo tribunal que temos no nosso intimo, o tribunal da consciência, aprovou os meus atos. Na verdade, a mais alta felicidade e alegria residem no intimo, na consciência perfeitamente tranquila e na certeza de havermos, digna e devotadamente, cumprido os nossos deveres. Do trabalho provem os mais altos gozos da vida! e este sentimento de felicidade e alegria me impeliu a expandir-me, publicando o presente. Eis porque vos incito a prosseguirdes vossa nobre obra de regeneração de vós mesmos -: Tão preciosos bens, como a saúde e o vigor físico, só se conseguem – bem o sabeis – pelo esforço próprio. Muitos de vós já sois pais e mães de família. A uns e outros aconselho, pois: “Cuida da educação física e moral dos vossos filhos”. A humanidade esta ilustrando uma área inteiramente nova; importantes e formidáveis cometimentos nos aguardam num futuro bem próximo; e para resistir, para vencer, se faz necessária uma geração sadia e forte: – no físico, e principalmente no caráter. Tão preciosas qualidades são indispensáveis, não só ao vosso bem estar e felicidades pessoais, como ao serviço da família, da pátria e da humanidade. Desejando-vos longa e bem preenchida existência, vos saúdo cordial e efusivamente.


Em 21 de novembro de 1909 Miguel Hoerhann 3, Rua Pedro Domingues, Encantado, Rio (grifos nossos) Como consta de sua declaração, Miguel foi Instrutor da Imperial e Real Marinha de Guerra da Áustria de 1880 a 1888 - dos 15 até 23 anos de idade.

1884 – aos 19 anos de idade, Instrutor de Esgrima da Imperial e Real Marinha de Guerra da Áustria Desde o ano de 1894 em Petrópolis, em 1898 estava exibindo-se como esgrimista, em “desafios”, conforme anúncios publicados no jornal “Gazeta de Petrópolis” 88:

88

Gazeta de Petropolis Periodicidade: Trissemanal, Fundado em 2 junho 1892 por Bartholomeu Ferreira Sudre, Formato tabloide, Designação cronológica: Ano 1,n.1(jun.1892)-Imprenta: Petropolis,RJ : [s.n.], 1892- Local: Petropolis RJ , disponível em: http://catcrd.bn.br/scripts/odwp032k.dll?t=bs&pr=diper3_pr&db=diper3_db&use=ti&disp=list&ss=NEW&arg=gazeta|de|petro polis


Observa-se que atuou como professor de esgrima, ginástica, e natação em Petrópolis, 89 depois em Niterói, antes de vir para o Maranhão. Deu aulas particulares, e em escolas particulares, antes do ingresso em escolas públicas, naquelas duas cidades:

89

Anúncios publicados no jornal “Gazeta de Petrópolis”, por várioas edições e anos, conforme arquivos disponíveis em http://hemerotecadigital.bn.br/; http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx, acessados em 7 e 8 de março de 2013.


Além de aulas de ginástica, ensinava também esgrima, como parte do currículo. Nas férias, aos alunos internos, se ofereciam essas atividades, inclusive o curso de esgrima era pago à parte, conforme se depreende de anuncio de inicio das aulas do ano de 1896. Na edição de 26 de março de 1896, e seguintes, aparece colaboração de Miguel Hoerhann, discutindo a importância da ginástica médica. Em janeiro de 1901, em que é publicado o Decreto de seu ingresso na Guarda Nacional com o posto de capitão, aparece sua eleição para a diretoria do Clube Alemão:

1903 - Na Gazeta de Petrópolis, edição de 15 de setembro de 1903, informa-se que Miguel Hoerhann estava em São Luis, nomeado que fora Diretor da Educação Physica, conforme a edição 204 de “A Pacotilha”, da capital do Maranhão:


- No dia 04 de junho de 1903 aparece anuncio n´A Pacotilha em que Miguel Hoerhann, como já fizera em Petrópolis e Niterói, oferece seus serviços como professor particular de ginástica:

- Logo no dia 05/06, anuncia o inicio das aulas; e a 30 de junho, outro aviso, convocando os alunos inscritos:

- Em 19 de julho de 1903, uma referencia à viagem do Rio de Janeiro para o Maranhão do Sr. Miguel Hoerhann, em companhia de Monteiro Lobado. Escreve ele sobre nosso ilustre professor, com o titulo “A Paz”, transcrito da Folha do Norte:


- Nosso Diretor da Divisão de Educação Física começa a publicar artigos:


Efetivamente, nas edições seguintes aparece o artigo prometido, dividido em várias seções, publicados ao longo do tempo, tratando da ginástica médica. - No mês de agosto novo anuncio em A Pacotilha, do dia 31, já assinado como Diretor da Divisão de Educação Física do Maranhão, sobre a realização de um concurso poético, tendo por tema a Ginástica. Verifica-se que se referia ao Turnen, haja vista a citação dos “4 Fs”, como a divisa da ginástica: “Abre-se aos cultores das musas uma produção poética, em que entrem as palavras que constituem a divisa da gymnastica: FIRMA, FORTE, FRANCO, FIEL, e que tenha por tema a glorificação da abnegação, do trabalho perseverante e nobre, do vigor do espírito como consequência dos exercícios physicos [...]” Não se tem noticias do resultado desse concurso, mas em Janeiro de 1904 aparecem os mesmos anúncios de, provavelmente, novo concurso, com prazo de inscrições até o dia 31 de janeiro daquele ano. Na primeira semana de fevereiro, novos anúncios, nova data de termino das inscrições: 18 de fevereiro.

- No mês de março, foram entregues os prêmios aos vencedores do concurso poético, não se informando, no entanto, os nomes e nem se dá noticias dos poemas:

- Na edição de 15 de março, nota de que fora publicada na Revista do Norte o poema colocado em primeiro lugar do Concurso Poético:


- ColĂŠgio 15 de novembro anuncia os exames finais de 1903, constando o de GinĂĄstica:


1904 - em carta ao Reitor do Seminário, M.N. pedia que fosse adaptado o seu currículo, com a inclusão de aulas de Ginástica, obrigatórias, e que o Diretor da Divisão de Educação Física poderia se responsabilizar pelas mesmas:

- O Governador do Estado, em mensagem ao Congresso do Estado, apresenta seu relatório de atividades do exercício do ano anterior, e refere-se à Educação Physica:


- As aulas de GinĂĄstica sĂŁo suspensas nas escolas municipais


- A "gymnástica" era praticada pelas elites, que tomavam aulas particulares, conforme se depreende desse anúncio, publicado em 1904: PARA OS ALUMNOS DE AULA PARTICULAR DE GYMNÁSTICA A Chapellaria Allemã acaba de despachar: camizas de meia com distinctivos Distinctivos de metal com fitas de setim e franjas d'ouro Distinctivos de material dourado para por em chapéus Chapellaria Allemã de Bernhard Bluhnn & Comp. 23 - Rua 28 de julho – 23. (A CAMPANHA, 6ª feira, 8 de janeiro de 1904, p. 5). - Em crítica a político eminente – Benedito Leite – com o título de “Peste de Caroço”, o autor faz um retrospecto do governo e, do momento, se refere às escolas e a introdução das aulas de Ginástica e a contratação de professor estrangeiro – de nome alemão:


- Escolas particulares, de educação primária, como o Instituto Rosa Nina oferecem seus cursos, enfatizando o conteúdo dos mesmos. Nesse anuncio, chama-nos a atenção o método utilizado no Jardim de Infância – o de Froebel90, em que é enfatizado os ‘dons’: jogos, movimentos graduados acompanhados de canto.

- Um poema é publicado, falando das aulas de ginástica no Jardim de Infância:

90

Friedrich Wilhelm August Fröbel (Oberweißbach, 21 de abril de 1782 — Schweina, 21 de junho de 1852) foi um pedagogo e pedagogistas alemão com raízes na escola Pestalozzi. Foi o fundador do primeiro jardim de infância. http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Fr%C3%B6bel


- Convocam-se os sócios do Clube Ginástico Maranhense. Nota-se o símbolo dos “4 Fs” :

- Miguel Hoerhan publica um livreto sobre o uso da baioneta: Esgrima de Baioneta 91; refere-se ao estudo comparativo que fizera, cotejando-o com as instruções para a infantaria do Exército brasileiro, guia oficial publicado pela imprensa oficial, no Rio de Janeiro em 1897. Não pretendeu, mesmo, escrever uma obra totalmente original:

91

O livro digitalizado está disponível no link:

http://www.cultura.ma.gov.br/portal/bpbl/acervodigital/Main.php?MagID=37&MagNo=68


Fica-se sabendo que se trata de reimpressão de edição de 1896:


- Das primeiras referencias que se tem desse professor de educação física é de um diploma dado a diversas autoridades e intelectuais, dentre os quais a Fran Paxeco, Cônsul Honorário de Portugal no Maranhão; consta ‘aos propugnadores da educação physica’ e está assinada por Miguel Hoerhann, Diretor da Educação Physica, e foi passado em 18 de maio de 1904:


O que nos chama atenção, são elementos icnográficos que aparecem no Diploma: na bandeira com as cores nacionais (verde e amarela) 92 onde está impresso os “4Fs”, traduzidos na parte de baixo, esquerda, do referido diploma como ‘Firme, Forte, Franco, Fiel”:

Mazo e Gaya (2006) 93, ao estudar as associações esportivas de Porto Alegre-RS trazem que nas bandeiras adotadas por essas associações sempre havia a inscrição dos quatro “efes” posicionados no formato quadrangular: frish, fromm, frölink e frei, que significavam, respectivamente: saudável, devoto, alegre e livre. Os “efes” também eram encontrados em todas as bandeiras desportivas da Alemanha. Em Porto Alegre a bandeira da Turnerbund reproduziu o símbolo dos “efes”, além da simbologia da insígnia com as datas históricas do turnen. Afirmam que a adoção de símbolos e exaltação dos heróis alemães aparecia nos uniformes da Turnerbund, símbolos que identificavam a pátria de origem. (Mazo e Gaya, 2006). O diploma traz ainda imagens de ginástica sendo executadas em diversos aparelhos, em claras referencias ao turnen:

92

De acordo com Hobsbawm as bandeiras, os hinos e as medalhas são tradições inventadas pelos governos para construir a nação e unificar a população em torno desta ideia. As festividades das sociedades de ginástica eram “comemorações em honra de Jahn, com várias competições atléticas, jogos olímpicos, demonstrações nos vários aparelhos, exercícios físicos, etc.”. Hobsbawm, E.; Ranger, T. (orgs.) (1984). A invenção das tradições. 2ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

92

93

MAZO, Janice e GAYA, Adroaldo. As associações desportivas em Porto Alegre, Brasil: espaço de representação da identidade cultural teuto-brasileira. Rev. Port. Cien. Desp. [online]. 2006, vol.6, n.2, pp. 205-213. ISSN 1645-0523. http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/pdf/rpcd/v6n2/v6n2a09.pdf


Turnen é constituído pela ginástica (Geräteturnen mais tarde Kunstturnen – ginástica artística), pelos jogos, pelas caminhadas, pelo teatro, pelo coral. De maneira que não existe um vocábulo que consiga traduzir com fidelidade o sentido de Turnen para o português; Tesche ao utilizar o vocábulo “ginástica”, em seus estudos, se refere ao Turnen94. Como já observou Leomar Tesche (1996, 2002) 95 não existe um vocábulo que consiga traduzir com fidelidade o sentido de Turnen para o português. Fazer ginástica seria uma tradução para Turnen, ou seja, um conjunto de exercícios corporais realizados no solo ou com auxílio de aparelhos e aplicados com objetivos educativos, competitivos, artísticos, etc. Para efeito de esclarecimento, turnen, Turn e Turner é um radical alemão que também está presente em várias línguas germânicas, tanto em línguas desaparecidas quanto em vivas, em todas elas significa torcer, virar, voltear, dirigir, mover, fazer grande movimento. Tesche96 utiliza, em seu trabalho, os vocábulos Turnen e Ginástica como sinônimos 97. Para Mazo e Mühellen (2013) 98 o Turnen é uma expressão do idioma alemão traduzido como “ginástica” por Tesche (2011), mas que além da ginástica com aparelhos (atual ginástica artística) englobava a corrida, jogos, esgrima, entre outras práticas. - anunciado o inicio das aulas da Escola de Ginástica, com a inclusão de mais uma escola municipal:

- O salário do professor de ginástica, conforme os relatório do Presidente da Província ao Congresso Estadual, permanecia em 1$200,000, tanto para o Liceu quanto para a Escola Normal; o Diretor da Educação Física recebia 7$200,000 e ainda havia uma verba de 600$000 para material de expediente de ginástica. 94

http://www.sbhe.org.br/novo/congressos/cbhe2/pdfs/Tema6/0610.pdf SEYFERTH, Giralda. Nacionalismo e identidade étnica. 95

TESCHE, Leomar. A prática do Turnen entre os imigrantes alemães e seus descendentes no Rio Grande do Sul:1867 – 1942. Ijuí: Unijuí, 1996.

TESCHE, Leomar. O Turnen, a Educação e a Educação Física ns Escolas Teuto-brasileiras,no Rio Grande do Sul: 1852 – 1940. Ijuí: Unijuí, 2002. 96

TESCHE, Leomar. A Prática do Turnen entre Imigrantes Alemães e seus descendentes no Rio Grande do Sul: 1867-1942. Ijuí: Ed. Unijuí, 1996.

TESCHE, L. O TURNEN, a Educação e a Educação Física. Ijui: Unijui, 2002 TESCHE, Leomar.. O Turnen, a Educação e a Educação Física nas Escolas Teuto-brasileiras, no Rio Grande do Sul: 1852-1940. Ijuí: Ed. Unijuí, 2002. TESCH Leomar. Turnen: América. Ijuí: Ed. Unijuí, 2011

transformações

de

uma

cultura

corporal

europeia

na

97

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gin%C3%A1stica

98

MAZO, Janice Zarpellon; PEREIRA, Ester Liberato. PRIMORDIOS DO ESPORTE NO RIO GRANDE DO SUL: os imigrantes e o associativismo esportivo. IN GOELLNER, Silvana Vilodre; MÜHELEN, Joanna Coelho von. MEMORIA DO ESPORTE E LAZER NO RIL GRANDE DO SUL. Porto Alegre, 2013. Vol. 1. Disponível em http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/83615/000906885.pdf?sequence=1

TESCHE, 2011, obra citada. aaa


Do relatório fica-se sabendo que o Professor do Liceu requerera licença de suas atividades e, logo a seguir, reclamava o salário de Diretor, por substituição por yres meses ao Sr. Miguel Hoerhann. 1905 - sobre a fundação do Club Ginástico Maranhense, sob o titulo ‘Educação Physica”, aparece a informação de que Miguel Hoerhan não mais dirigia a Divisão de Educação Física:

- A 29 de maio de 1905 o Diário anuncia a retirada do Diretor de Ginástica com a sua família – mulher e filho -, para o Rio de Janeiro:


- O tradicional colégio 15 de novembro realiza seus exames de final de ano. Convida todos os alunos, professores, tutores, responsáveis, para assistirem às provas. Na de Ginástica, prática, realizada dia 10 de dezembro, um domingo, os alunos foram examinados nas destrezas em vários aparelhos:

1907 - o nascimento das atividades esportivas no Maranhão se deu pelas mãos de Nhozinho Santos Joaquim Moreira Alves dos Santos -, quando foi fundado, em 1907, o Fabril Athletic Club. Nessa primeira década do século XX, a juventude maranhense estava principiando a entender o quanto era importante praticar esportes e desenvolver a formação física. Miguel Hoerhan foi nosso primeiro professor de Educação Física, tendo prestado relevantes serviços à mocidade ludovicense, como professor na Escola Normal, Escola Modelo, Liceu Maranhense, Instituto Rosa Nina, nas escolas estaduais e até nas municipais, estimulando a prática da cultura física.: "E para coroar de êxito esse idealismo, esteve à frente da fundação do Club Ginástico Maranhense..." - é inaugurado o Fabril Athletic Club, a 28 de outubro. Várias demonstrações de ginástica, de jogos – denominados ‘gaiatos’ -, cabo de guerra, e o tão esperado jogo de futebol. O Governador do Estado, presente, lastimou-se por não poder continuar com as aulas de Ginástica:


- O sexo feminino também tinha suas aulas de ginástica, pois fazia parte do currículo da Escola Normal 99, conforme resultado dos exames publicados, como era comum à época: CURSO ANEXO Foi este o resultado dos exames de hontem: GYMNÁSTICA Núbia Carvalho, Maria Varella, Neusa Lebre, Hilda Pereira, Margarida Pereira, Almerinda Parada, Leonor Rego, Rosilda Ribeiro, Fanny Albuquerque, Agrippina Souza, Cecilia Souza, Roza Martins, Esmeralda Paiva, Neusa Silva, grau 10 Faltaram 12. (O MARANHÃO, Sexta-feira, 15 de novembro de 1907). - No dia 26 de dezembro é registrada uma partida de futebol entre alunos da Escola de Aprendizes Marinheiros, como parte de sua preparação física. O futebol, além de outras modalidades e atividades, principiava a se utilizado como prática de educação física nas escolas: "Aprendizes Marinheiros: Hontem, às 4 horas da tarde, os aprendizes marinheiros, fizeram exercícios de 'foot-ball' na arena do Fabril Athletic Club e um assalto simulado de florete, sob a direção do respectivo instructor da Escola. Os alumnos revelaram-se disciplinados e agiram com muito garbo e desembaraço.Domingo próximo, às 5 horas da manhã, haverá novo exercício no mesmo local". (O MARANHÃO, 26/12/1907). 1908 - Em um outro anúncio, publicado em 1908, o "professor de instrucção physica" avisava que pretendia realizar "os exames de seus alumnos na próxima quinta feira" (em O MARANHÃO, Segunda-feira, 02 de março de 1908, p. 2, n. 257). - o FAC fez as reformas de seus estatutos, para incluir o manejo de armas - prática do tiro - entre suas atividades, com o fim de prestar um serviço às juventude, valendo-se da Lei do Sorteio Militar. Com a ajuda do então tenente Luso Torres, foi fundada uma seção de Instrução Militar, a fim de preparar os sócios que nela quisesse tomar parte e gozar dos favores da referida lei. 1909 - Talvez para se beneficiar dessa Lei, e livrar os jovens da elite maranhense da instrução militar, o Tiro Maranhense informava que já chegava a 120 o número de pessoas inscritas naquela Sociedade. Em 10 de abril é anunciada a posse da diretoria, na Câmara Municipal. (O MARANHÃO, sábbado, 03 de abril de 1909). 99

“A Escola Normal do Maranhão foi criada pelo decreto nº 21 de 15 de Abril de 1890 e, logo após, dia 19 de Abril de 1890, foi criada a Secretaria de Instrução Pública. Seu criador foi o Dr. José Tomás de Porciúncula (RJ/1854-RJ/1901). Médico, nomeado Interventor pelo presidente da República, uma de suas preocupações foi reorganizar o Ensino e criar a Escola Normal”.


1910 - No início da década desaparece o hábito de repousar nos fins de semana, substituído pelas festas, corridas de cavalo, partidas de tênis, regatas, corso nas avenidas, matinês dançantes, e pelo futebol. Essas atividades, divulgadas pelos jornais, começaria a apresentar seus primeiros sinais de mudança ainda nas últimas décadas do século XIX, com o surgimento e fortalecimento gradual dos esportes. 1911 - No Correio da Tarde (1911) é publicada uma série de artigos sobre os conhecimentos e aptidões que um agente policial deveria ter. Dentre estas, a prática de ‘ginástica aplicada’, para que tivesse condições físicas de exercício profissional. Chega mesmo a dar exemplos de atividades cotidianas, em que o uso da força e de destrezas seriam necessárias, como o escalar muros e obstáculos. Em 1922, outros artigos, ressaltando o papel da ginástica na preparação/formação do soldado... 1915 - ao mesmo tempo em que era anunciada a criação de um clube para a prática dos esportes, "UM CLUBE ESPORTIVO - Fundado um club esportivo - Club Zinho - com o fim de proporcionar aos seus associados diversão como sejam passeios maritimos, pic-nic, exercícios físicos, ginástica pelos processos mais modernos. Presidente: Hilton Raul - Vice presidente: Guilherme Matos".( O JORNAL, 05 de maio de 1915) - O F. A. Club é (re)inaugurado - agora, como Foot-Ball Athletic Club. Foi realizado a tradicional soireé, ao som de polkas e valsas, e antes, aconteceu o jogo (match) de foot-ball. As senhoritas presentes vibravam com as jogadas de seus "sportman" favoritos, destacando-se Guilhon, Gallas, Paiva, Anequim, Ribeiro, Cláudio, e Schleback. Ainda ao "Red" coube a vitória da "luta de tração", tendo vencido o grotesco "maçã em água salgada" o Travassos, e Nava a disputa da "quebra potes cheio d'água, com olhos vendados". 1916 - Dos chamados "concursos grotescos" - no início das atividades do FAC, em 1907, eram chamados de gaiatos - constava: frutas em água salgada - que deveriam ser tiradas com a boca, ganhando com conseguisse cinco primeiro -; boxe com olhos vendados (disputado em um tempo de cinco minutos; quebrar potes cheios de água com os olhos vendados. Constavam ainda provas de Atletismo, o place-kick (chute à bola) e a luta de tração (cabo de guerra) (Jornal O ESTADO, 02 de fevereiro de 1916) - Nas datas importantes, o jogo de futebol aparece como parte das programações, como as comemorações da Batalha do Riachuelo, pela Escola de Aprendizes Marinheiros, quando seriam executadas "Gymnástica Sueca com armas, Gymnástica sueca sem armas, corridas com três pernas, corrida do sacco" e uma partida de futebol, entre os "teams" "Marcílio Dias" e um formado por representantes do F. A. Club. (Jornal O ESTADO, 10 de junho de 1916). - No final de 1916, é anunciado para o dia 3 de dezembro a inauguração do Bragança Sport Club, contando a programação com uma regata entre as equipes 1 e 2, a se realizar no Rio Bacanga, às 7 horas da manhã. Às 15 horas, estavam programados exercícios militares pelos alunos do Instituto Maranhense; às 16 horas, haveria um "Momento Literário", com recitação de poesias e monólogos, pelos sócios, e ,às 17 horas, a partida de foot-ball entre os teams 1 e 2. Às 19 horas, a sessão solene de inauguração, seguida de soireé dançante. "Como um novo sol refletindo nas paragens longínguas do azul, appareceu o Club Sportivo 'José Floriano'", fundado por um grupo de rapazes de nossa terra com o fim único de "cultivar o physico e revestir de ganho e belleza todas as linhas plasticas do corpo". (Jornal O ESTADO, 30 de novembro de 1916). 1917 - Com essas palavras era saudada a fundação de mais um clube esportivo em São Luís. O nome, em homenagem ao maior dos mestres da cultura física do país: "inflamando-se de enthusiasmo e de energia para combater o enfraquecimento de uma geração e dar vida e armonia aos músculos, admirados com embevecimento, nos grandes athletas e nas antigas estátuas de mármore guardadas nos velhos museus de Roma e Grécia", dizia F. de Souza Pinto, ressaltando o quanto era importante a boa forma física em Grécia e Roma antigos, nos Estados Unidos e na Alemanha atuais, como exemplo de uma raça: "E o Brasil, a terra verdejante de palmeiras e bosques floridos tem também os seus representantes e mestres de luta e acrobacia em que figura como principal elemento de nossa raça o afamado José Floriano Peixoto, cujo nome cercado de sorrisos e de feitos foi escolhido por patronimico do club, que acaba de apparecer nesta terra tristonha do norte, que há-de um dia figurar nos campeonatos, tendo para saudar as suas victórias a música melodiosa dos cântigos cheios de saudade e poesia dos nossos queridos sabiás". (F. de Souza PINTO, in "O ESTADO", 15 de fevereiro de 1917).


- em relatório encaminhado à Câmara dos Vereadores pelo Intendente Municipal era relatada a situação da Instrução Pública, de há muitos anos lutando com as dificuldades e a precariedade das instalações das diversas escolas municipais:

Pacotilha, 13 de dezembro de 1917 1919 - Interessante esse anuncio d’ A Pacotilha de 11 de setembro de 1919:

1920 - os Maristas ofereciam, em seu curriculo, aulas de Ginástica Sueca, - e de exercícios militares:


A Ginástica Sueca100 é um método caracterizado por uma concepção anatômica, corretiva e biológica, com base nos preceitos e princípios da ciência que foram incorporadas pela o sistema de educação (e por extensão a concepção de ginástica). Seu "ginásio" foi concebido para contribuir para uma educação integral para crianças de desenvolvimento anatomofisiológicas para preparar o soldado para a guerra e desenvolver o sentido estético através de um fortalecimento do corpo e correção de defeitos físicos. É executada em aparelhos como a barra fixa, argolas, swing escadas ou escaladas. - Em outubro de 1920, são publicados diversos avisos de que as aulas do Liceu Maranhense haviam iniciado, inclusive as dos cursos profissionais, incluídas as de Ginástica. Haveria aulas aos sábados, inclusive. A 9 de dezembro são marcados os exames dos colégios equiparados, com a indicação da banca examinadora; a seguir, saem os resultados :

100

foi criada por Pier Henrich Ling (1776-1839), militar e instrutor de esgrima de Medicina da Universidade de Luna. http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Gin%C3%A1stica-Sueca/287924.html http://www.efdeportes.com/efd190/seculo-xix-e-o-movimento-ginastico-europeu.htm


1921 – - Em O Jornal, agosto de 1921, um leitor faz referencia ao Tiro de Guerra, e às suas lembranças de quando desfilava pelas ruas da cidade, em desfile militar. Defende a ginástica como necessária à educação dos jovens:


O “Tiro Maranhense” foi fundado em 1909 para se beneficiar da Lei do Sorteio Militar e livrar os jovens da elite maranhense da instrução militar. Informava que já chegava a 120 o número de pessoas inscritas naquela Sociedade. (O MARANHÃO, sábbado, 03 de abril de 1909). O Fabril Athletic Clube – fundado um ano antes, 1907, como clube esportivo -, em uma das reformas de seus estatutos, incluí o manejo de armas - prática do tiro - entre suas atividades, com o fim de prestar um serviço à juventude, valendo-se da Lei do Sorteio Militar. Com a ajuda do então tenente Luso Torres foi fundada uma seção de Instrução Militar, a fim de preparar os sócios que nela quisesse tomar parte e gozar dos favores da referida lei. O Clube Euterpe – primeiro clube social e esportivo fundado em São Luís, no ano de 1904, e extinto em 31 de dezembro de 1910 - passou a difundir, dentre outras atividades esportivas, o "tiro ao alvo", a partir de 1908, valendo-se da Lei do Sorteio Militar. Deve-se levar em consideração que havia, entre os clubes e as escolas, a oferta de exercícios militares, uma espécie de ‘servir ao Exército’, em que a instrução militar era dada nos próprios estabelecimentos, por oficiais, ao invés de ‘prestação do serviço militar’; aos que participassem dessas atividades – nos clubes e/ou escolas – estariam isentos do serviço militar... daí a inclusão de “Tiro” em nossos clubes.


A Pacotilha, 1ยบ de setembro de 1910 - os exames da Escola Normal Primรกria nos trazem os nomes dos examinadores da disciplina de Ginรกstica, assim como a dos alunos que prestaram os referidos exames naquele ano de 1921; nota-se entre os alunos Luis M. Rego:


1922 - Em novembro, aviso do Centro de Cultura FĂ­sica comunicando o afastamento do professor de ginĂĄstica dinamarquesa:

- anuncio de aparelhos de ginĂĄstica


1925 - As escolas apresentam, seus novos currículos, devido à Reforma do Ensino, baixada pelo Decreto n. 16.782 de 13 de janeiro:

- a partir de 1925, a disciplina de Ginástica passa a ser obrigatória no ensino Ginasial:

1926 - no Liceu Maranhense havia a troca de professores de Ginástica, conforme quadro de professores daquele ano, publicado n’ A Pacotilha, em 10 de abril:


- O Curso Profissional do Liceu Maranhense- Normal, que era ministrado na Escola Modelo Benedito Leite, no final de 1926, contava com as seguintes alunas, que seriam examinadas pela banca formada pelos professores:


1927 - A Folha do Povo, de março de 1927 publicava nota de que era contratado um professor alemão – Carl Bender -, para as aulas de ginástica, assim como esse mesmo professor era contratado para lecionar em novo estabelecimento de ensino que abria:


- Outra escola anuncia seus professores, inclusive o de GinĂĄstica, em destaque aos demais, o Tent. Jonas Porciuncula de Moraes:

Nesse mesmo jornal, no mĂŞs seguinte, 19 de maio de 1927, aparece a seguinte nota:


1928 - maio de 1928, aparece uma pequena nota, referindo-se às aulas do professor alemão:

- No Liceu Maranhense, lá estava ele, como examinador dos alunos do Curso Normal, na disciplina de Ginástica, junto com professoras examinadoras. Apenas uma aluna aprovada – Esther Nina, com grau 6...

- Já aparecera artigo condenando o Boxe, luta realizada no Teatro Arthur Azevedo. Discutia-se sua adequação como prática esportiva, condenando-o, especialmente a luta preliminar, de dois amadores, alunos de um de nossos estabelecimentos de ensino.


Novamente, nessa fase de consolidação dos esportes no Maranhão, algumas atividades esportivas eram colocadas como perigosas para a juventude. Logo acima, reclamação de pais sobre as aulas de ginástica a que eram submetidas as mulheres. Outra nota condena o futebol, esporte não próprio para nosso clima, porém exaltando outras atividades físicas/esportivas:


1929 - as mudanças no ensino secundário (1925) também se deram no interior, como esta nota do relatório do Governador, de 1929, em que se refere à cidade de Viana, onde se oferecia a cadeira de Ginástica:

- Também em Cururupu havia a oferta da cadeira de Ginástica, conforme aviso de nomeação de professor, de 1929:

1935 - aparece um anúncio de aulas de Ginástica:


1936 - Em A Pacotilha de abril de 1936, o Dr. Cesário Veras, então deputado, pronuncia um discurso defendendo a educação física; faz um pequeno histórico de sua implantação:


- Assim, nesse mesmo ano é aprovada a Lei que estabelece a obrigatoriedade da prática da Educação Física nas escolas estaduais, conforme publicação em A Pacotilha de 6 de maio de 1936:


1944 - o professor José Rosa do Liceu Maranhense ministrava nas aulas de educação física a Ginástica Acrobática


1948 - Ginástica acrobática no Anil: Diário de São Luis, 9 de outubro de 1948

1970 – durante a cerimônia de encerramento do 3º. Campeonato Intercolegial, organizado pelo Serviço de Educação Física, Recreação e Esportes, sob a direção de Mary Santos, no Ginásio Costa Rodrigues houve uma belíssima demonstração de Ginástica Feminina Moderna, sob a direção da professora Marise Brito, pelas alunas das escolas secundárias da Capital, sendo muito aplaudida pelo grande público. (Fonte: SANTOS, Mary. Educação (crônicas). São Luís: SIOGE, 1988,p. 11-112)


GINÁSTICA RÍTMICA DESPORTIVA DJANETE MENDONÇA CÉLIA FONTENELE PEREIRA 1980 – A Secretaria de Desportes e Lazer – SEDEL - forma sua Escolinha de Ginástica, dirigida pela profa. Lea Branco 1981 – o Colégio Universitário – COLUN - forma sua Escolinha de GRD, dirigida pela profa. Waldecy Vale 1982 – A GRD é disputada pela primeira vez nos JEM´s, com a participação das seguintes escolas, já com suas respectivas equipes de treinamento: ETFM (Djanete Mendonça); Batista (Luis Carlos Campos); D. Bosco (Silvia Monteiro); Maristas (Silvana Martins Araújo); COLUN (Waldecy Vale). 1985 – O Colégio Zoe Cerveira inicia sua equipe de GRD,m com Célia Fontenele Pereira 1986 – Célia Fontenele Pereira cria a Escolinha do Divina Pastora 1987 – O Colégio Batista tem como professora de GRD Liane Melo, que fica até 1993; o Colégio Girassol cria sua Escolinha de GRD,com Leila Pereira como técnica; os Maristas tem Rosinete Teixeira como técnica Período de 1986/88 – O Maranhão passa a disputar campeonatos interestaduais da modalidade 1988 – Os Jogos Escolares Brasileiros são disputados em São Luís, com a GRD realizada na ETFM, com a participação do RJ, AM,DF, PR, PA, SC. 1989 – Participação do Maranhão na GRD dos JEB´s, em Brasília 1990 – Realização de diversos cursos de arbitragem de GRD 1998 – Reestruturação da FEMAG; Leila Costa (RS) ministra curso de arbitragem estadual, devido ao baixo nível da GRD no estado e da arbitragem dos JEM´s.

Fonte: PEREIRA, Célia Fontenele. A Ginástica Rítmica Desportiva (GRD) no ensino fundamental (5ª. A 8ª.séries) nas escolas particulares de São Luís – Maranhão: contribuições, limites e possibilidades. Monografia de Graduação em Educação Física. UFMA 1999. Orientadora: Waldecy das Dores Vieira Vale.


GINÁSTICA ARTÍSTICA (OLÍMPICA)

A GINÁSTICA OLÍMPICA LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ 1841 - primeiro registro encontrado onde aparece a palavra “ginástica”, conforme anúncio no “JORNAL MARANHENSE” sob o título de: “THEATRO PUBLICO” - Prepara-se para Domingo, 21 do corrente huma representação de Gimnástica que será executada por Mr. Valli Hércules Francez, mestre da mesma arte de escola do Coronel Amoroz em Paris; e primeiro modelo da academia Imperial de Bellas Artes do Rio de Janeiro, que terá a honra de apresentar se pela primeira vez diante d’este Ilustrado público, a quem também dirige agradar como já tem feito nos principais Theatros de Europa , e deste Império. Mr. Valli há contractado o Theatro União, para dar sua função, junto com Mr. Henrique, e tem preparado para este dia um espetáculo extraordinário que será composto pela seguinte maneira:Exercícios de forças, Agilidade e posições Acadêmicas, Exercícios no ar e muitas abelidades sobre colunnas assim como admiraveis sortes nas cordas, Nos intervalos de Mr. Valli, se apresentará Mr. Henrique, para executar alguns exercícios de fizica, em quanto Mr. Valli descansa.” 1944 - o professor José Rosa do Liceu Maranhense ministrava nas aulas de educação física a Ginástica Acrobática. DÉCADA DE 1970 - 1974 – credita-se ao prof. ANTONIO MARIA ZACHARIAS BEZERRA DE ARAÚJO – o PROFESSOR DIMAS – a introdutção da Ginástica Olímpica, hoje Artística, em São Luís do Maranhão. 1974/75/76 - a Ginástica Olímpica tinha um núcleo pequeno, sem divulgação em escolas funcionando apenas com as escolinhas do Ginásio Costa Rodrigues, mantida pelo antigo DEFER, com alunos pertencentes às diversas escolas de São Luís: Liceu Maranhense, Humberto Ferreira, La Roque, Centro Caixeiral, CEMA, o antigo Pituxinha, o Rosa Castro, o Santa Teresa, e o colégio Batista; - A estratégia daqueles primeiros tempos, por falta de professores, era pegar os melhores alunos e transformá-los em instrutores e distribuí-los pelas diversas escolas, especialmente as públicas. O primeiro dos alunos de Dimas a trabalhar como instrutor de Ginástica Olímpica foi Juvenal Castro, ainda em 1975, depois veio Raimundão (1977), José de Arimatéia, que hoje é também professor de educação física; Josué, que é também formado em educação física, e o próprio filho do Dimas, Maurício 1979 - chega às escolas, sendo a primeira o Colégio Batista, por influência do Dimas, que era professor de Educação Física do Colégio; as demais escolas foram no Santa Teresa, Japonês - Inácio Bispo dos Santos; no La Roque, Raimundo Aprígio - Raimundão; no Pituxinha, Juvenal Castro; no CEFET, antiga Escola Técnica, Vanilde Maria Carvalho Leão; no SESC, tinha uma escolinha, com alunos de varias escolas, nessa época, grátis, como técnico, Raimundão; CEMA; Rosa Castro. - participação de alguns atletas nos Jogos Escolares Brasileiros. 1981 – Chegada da primeira aparelhagem oficial da modalidade. Até então eram construídas por Dimas e por Raimundão. O pai deste era marceneiro e construía os aparelhos segundo orientação de Dimas. - fundação da Federação Maranhense de Ginástica Olímpica. O primeiro presidente foi o professor Dimas; sendo vice- presidente o professor Juvenal; e o diretor técnico o professor Raimundão. Quando acabou o mandato do professor Dimas, assumiu a Federação o professor Juvenal, durante dois mandados; depois do professor Juvenal, Raimundo assumiu por um mandato na Federação; aí teve outros presidentes, como Cláudio Cabral Marques - hoje, Juiz de Direito - e a professora Valdeci Vieira das Dores Vale, professora de Educação Física da Universidade Federal do Maranhão, que já ocupou por três vezes o cargo de vice-presidente, continuando no cargo, com o professor Raimundo Aprígio Mendes como presidente até 2005.


Depoimento prestado por RAIMUNDÃO – RAIMUNDO APRÍGIO MENDES 1956 - nasce no dia 06 de setembro, em São Luís. 1967/68 - eu fazia o Ginásio, o antigo ginásio, eu era aluno do, do CEMA, colégio de um porte grande, estadual, nesta época. Eu tive o prazer de ser aluno de Educação Física, do prof. Dimas, eu fiz aula com ele no Parque do Bom Menino, era lá que nós desenvolvíamos as atividades de educação física, quando ele era professor do CEMA. E lá eu vim a me interessar um pouco, eu vim enxergar o que era esporte, o que era um trabalho de atividade de educação física até porque eu tinha conhecimento só teórico ou então só pela palavra das pessoas. E lá nós praticávamos tudo, nós praticávamos handebol, praticávamos basquete, ele chegou até se interessar a levar uma das turmas para fazer natação; ai me viu jogando capoeira, me convidou para fazer ginástica olímpica, então eu fiquei nos dois, mas depois eu me interessei mais pela ginástica, até porque teve uma coisa assim, digamos assim, eu aprendi a gostar mais da ginástica olímpica. 1974/79 - não havia disputa de Ginástica Olímpica nos JEM´s, ela tinha um núcleo bem pequeno não era divulgado nas escolas, só a partir de 79 que ela veio chegar nas escolas e a primeira escola que abraçou a ginástica olímpica foi o colégio Batista, por influência do Dimas até por ele era prof. de educação física do Colégio Batista, e ele implantou a Ginástica Olímpica no Colégio Batista e com o meu trabalho e o trabalho dos outros instrutores nós começamos é ter alunos de outras escolas; nós tínhamos uma Escolinha e com isso nós tínhamos vários alunos pertencentes às diversas escolas de São Luís, tínhamos Liceu, Humberto Ferreira, o La Roque, o Centro Caixeiral, o CEMA, o SESI, o antigo Pituxinha, o Rosa Castro, o Santa Tereza, e o colégio Batista; então nós começamos pensar numa competição, ou melhor, implantar é a ginástica olímpica nos jogos escolares maranhense. Essa competição ela foi mais a nível individual, só após de dois anos é que começamos a fazer mesmo competição não só no individual mais também em equipes; os professores nesses colégios, Por exemplo, no Batista estava o Dimas, depois o Juvenal e Raimundão; No Santa Tereza - se chamava Japonês, era Inácio Bispo Dos Santos; No La Roque, eu treinava o La Roque por de traz dos bastidores; No Pituxinha que é o Meng, Objetivo Hoje era o Juvenal; antiga Escola Técnica, que eu trabalhei CEFETE e CEMA quem trabalhava principalmente na parte da ginástica era profa. Vanilde Leão; No SESC –eu tinha uma escolinha. Lá nós tínhamos alunos de varias escolas, até porque a escolinha nessa época era uma escolinha grátis, a função principal dela mesmo era divulgar a modalidade ter praticantes de ginástica olímpica; No Rosa Castro, como era defronte do SESC a maioria dos alunos treinavam na escolinha do SESC; porque o nosso objetivo era fazer a competição então nós éramos técnicos de vários alunos, mas nós não tínhamos assim digamos apadrinhamento com nenhum nós preparávamos todos com igualdade e o melhor vencia a competição. 1976 - treinava Capoeira no grupo do Mestre Sapo, que funcionava no Ginásio Costa Rodrigues; período da tardezinha, tipo assim 17:30 e ... ia até 20:30 horas. 1977 - o professor Dimas apareceu no final de 1977, à procura de pessoas que tivessem uma boa habilidade para a pratica da Ginástica Olímpica; Nessa época, tinha 14 anos; Então muitos alunos de Ginástica Olímpica dessa época vieram da Capoeira, ele preferiu assim porque os alunos da Capoeira já sabiam fazer alguns saltos que a Ginástica exige, e já tinham um bom trabalho de preparação física, principalmente na parte de resistência orgânica e flexibilidade. 1978 – começou como atleta de Ginástica Olímpica – A minha carreira como atleta ... logo no primeiro ano, eu participei dos Jogos Estudantis Brasileiros, realizado em São Paulo, foi mais a titulo de ganhar experiência, nós não tínhamos nem um aparelho oficial de Ginástica Olímpica; tudo era braçal, tudo era feito aqui mesmo, e a gente não tinha nem noção, só para você ter uma idéia, eu tive que saltar num cavalo que eu fui conhecer chegando no Estado de São Paulo, no ginásio onde foi realizada a competição. - instrutor – O meu envolvimento com o trabalho de Ginástica Olímpica veio acontecer no final de 1978, o prof. Dimas querendo difundir mais essa modalidade, principalmente em nossa cidade começou a formar instrutores; eu fiz parte desse grupo; e meu trabalho se iniciou numa escolinha no SESC, localizado na Praça Deodoro, e até hoje continua no prédio do SESC, e de lá eu fiz um trabalho mais ou menos uns três anos, esse trabalho, ele tinha como finalidade, não só atender, ser um trabalho solidário, de atender à comunidade, mas também um trabalho que se voltava para as competições, principalmente os Jogos Escolares Brasileiros.


- quem eram os outros atletas que se tornaram instrutores naquela época – o Juvenal, começou primeiro do que eu, já veio de 75; José de Arimateia, que hoje é professor de educação física, o Josué, que é também formado em educação física, e o próprio filho do Dimas que se chama Maurício... – Molusco - ele começou a ginástica no Ginásio Rubem Goulart, 80 83,84 por ai; ele começou com o prof. Juvenal, e depois conseguimos um certo beneficio escolar para ele, pela própria habilidade, pela própria competência que ele tinha de se desenvolver nessa modalidade, e nós levamos para o Batista, conseguimos uma bolsa integral, ai ele passou fazer, ele passou a fazer parte do meu trabalho, porque eu já estava trabalhando no colégio Batista e continuo até hoje trabalhando com ginástica olímpica. - o material - teu pai tinha uma carpintaria, ele faleceu deixou esse material todo com você, e quando havia uma necessidade, por exemplo, de consertar algum equipamento, ou mesmo de fabricar o equipamento, você que era o responsável por isso, por que você já tinha essa habilidade em carpintaria também - eu acompanhei o meu pai em varias situações de trabalho e com isso eu ganhei um pouco de experiência nessa área então; na ginástica olímpica nós tínhamos muita dificuldade em ter aparelhos, então a gente fez uma montagem de aparelhos, usando a estrutura de madeiras, e nós fabricamos aqui umas argolas, fabricamos umas paralelas, principalmente masculina, principalmente do sexo masculino, a alem disso quando qualquer material quebrava, e sendo de madeira, eu consertava, nós comprávamos materiais, fazíamos substituição, pequenos reparos, e assim a gente levou a ginástica mais ou menos por vários anos. só tivemos a uma primeira uma aparelhagem oficial de ginástica olímpica, mais ou menos por volta de 1980, 81, 82 por ai. 1979 - o Dimas levou uma equipe de ginástica, e essa equipe se apresentou muito bem; nós conseguimos uma ótima colocação, daí porque o Governo Federal, achando que o Maranhão poderia ser um pólo de ginástica olímpica, resolveu investir na ginástica olímpica, no caso ai, construindo essa praça esportiva que a gente tem aqui na Av. Kennedy, especificamente para a área de ginástica olímpica. 1980 - a ginástica passou a fazer parte dos JEM´s 1981 - A federação de ginástica nasceu que a antiga secretaria de desporto e lazer SEDEL foi fundada até pela necessidade da... Do próprio trabalho da SEDEL em poder ajudar as federações, as modalidades seria necessário que todas elas tivesse um órgão ou uma entidade representativa ou uma entidade jurídica no caso as federações. E a SEDEL nessa época que você deve se lembrar bem, que você fez parte da fundação SEDEL e você conhece bem... A estrutura dessa época era para que as modalidades tivessem um recurso até para facilitar a prestação de contas deste órgão ao Governo do Estado seria necessário que tivesse também federações, ou seja, entidades jurídicas que também pudessem prestações de contas para a SEDEL. Então as federações surgiram e foi fundada com os clubes de futebol um pouco enrolado depois tivemos que re-fundar essas... É a federação por questão de estatuto errado e ela foi fundada - O primeiro presidente da federação foi o prof.Dimas, O vice presidente era o prof. Juvenal, O diretor técnico neta época era o prof. Raimundão 1985/1988- assim que acabou o mandato do prof. Dimas, assumiu a federação o prof. Juvenal tirando dois mandados, 1988 - - depois do prof. Juvenal eu tive um mandato na federação e me afastei da federação; eu tive que refundar essa federação em 1988 e hoje nós estamos filiados à Confederação Brasileira de Ginástica , só que nós não participamos de competição pelo auto investimento, que cada competição exige, como se sabe a ginástica olímpica é um esporte muito caro e até mesmo pra nós participarmos de competições seria necessário um recuso financeiro muito elevado que esta acima de nossas condições, mas de vez enquanto nós participando com um, não em equipe, mas ao menos nos individuais nós temos participado dos eventos da confederação brasileira de ginástica o ultimo evento que nós participamos foi 1999.. - Aí teve outros presidentes, só pra você ter uma idéia o Cabralzinho foi presidente também de federação de ginástica. - E a prof.Valdeci também da Universidade Federal de Maranhão já ocupou não o cargo de presidente – Valdeci Vieira das Dores Vale, profa. de educação física da Universidade Federal do Maranhão e a modalidade em que ela se destaca é a ginástica rítmica desportiva - já ocupou vários cargos, já ocupou por três o cargo de vice-presidente da federação, é atualmente a vice-presidente da federação maranhense de ginástica


1992 – forma-se em Química Industrial na Universidade Federal do Maranhão 1996 – realiza Curso Internacional de Técnicas de Ginástica Olímpica, realizado no Flamengo 1997 – realização da 1. "Copa Dimas" de Ginástica olímpica - a família ginástica maranhense considera o Professor Dimas o pai da Ginástica Olímpica maranhense, porque ele quem introduziu a Ginástica em nosso estado, tanto ao nível de competição, como ao nível de recreação e etc... 1999 - Torneio Internacional de Ginástica Olímpica – participação do Maranhão com quatro atletas e conseguimos uma boa colocações, os meninos chegaram aqui cheio de medalhas inclusive nós temos até um troféu que prova nossa participação, uma boa participação. 2001 - o prof. Raimundo Aprígio Mendes é o presidente da federação de ginástica, até 2005. 2014 - Publicado hoje em O ESTADO DO MARANHÃO - São Luis, 28 de setembro de 2014 - Domingo, pg. 3 - PERFIL, sob o título "Essa empolgação que trago está no sangue", reportagem de Andressa Valadares, da equipe de O Estado - "DILMA BEZERRAS - PIONEIRA DA GINÁSTICA NO MARANHÃO - ANOS 1970" - MAS QUEM É DILMA BEZERRAS???? Trata da biografia de LIANE BEZERRA MELO TEIXEIRA, identificada como "educadora física" e presidente da FEMAG - Federação Maranhense de Ginástica. Primeiro equivoco: não existe 'educador físico', e sim, Professor de Educação Física, no caso da entrevista, haja vista que se graduou na UFMA, em Licenciatura em Educação Física; portanto, professora... Ou poderia ser identificada como “Profissional de Educação Física", que é a profissão regulamentada, de quem trabalha com esportes - no caso da entrevistada. Por favor, senhores repórteres, corrijam, quando se referirem a quem atua na área da educação física e dos esportes - se 'educador físico', então 'educador português', quem dá aulas de língua portuguesa; ou 'educador matemático', quem dá aulas de matemática, ou... Como subtítulo consta: Sobrinha-neta de Dilma Bezerras, que foi quem primeiro começou com a ginástica no Maranhão, em 1970, Liane Bezerra Melo Teixeira, presidente da Federação Maranhense de Ginástica, tem a trajetória marcada pela luta da valorização do esporte. Após traçar a trajetória de vida, e profissional, dessa competente Professora de Educação Física, que atua como Técnica de Ginástica Rítmica - portanto, profissional de educação física!!! - em dado momento transcrevo: [...] No sangue, ela carrega a determinação e a persistencia de seu tio-avô, Dilma Bezerras, que foi quem primeiro começou com a ginástica no Maranhão, em 1970, que buscou qualificação e não se deixou abater pelas dificuldades, na época bem maior que as de hoje. Prossegue: Eu acho que essa empolgação que trago é muito dele, está no sangue. Ele foi guerreiro 10 vezes mais do que a gente está sendo. Ele chegou aqui com conhecimentos novos, viu muitas novidades e colocou na cabeça que queria implantar a semente do esporte no Maranhão. Quando ele começou, ele não tinha nada. Ele veio e começou do nada e procurou confeccionar, fez uma barra de cano d´água, a mesa de salto, que era chamada de cavalo antigamente, ele fez de tronco de cajueiro e assim ele começou a ginástica do Maranhão, conta. Não estaria a entrevistada se referindo a Antonio Maria Zacharias Bezerra de Araújo??? mais conhecido como Professor Dimas??? Tenho pesquisado sobre a memória/história do esporte no/do Maranhão desde a década de 1980. Nunca ouvira falar de "Dilma Bezerras"!!! Transcrevo uma entrevista com o Prof. Raimundo Aprígio - Raimundão - realizada em 31/08/2001, sobre a trajetória de vida de Dimas: Leopoldo– É... Dimas contou que... as dificuldades eram enormes, principalmente com respeito a material, e teu pai tinha uma carpintaria, ele faleceu deixou esse material todo com você, e quando havia uma necessidade, por exemplo, de um... de um... de consertar algum equipamento, ou mesmo de fabricar o equipamento, você que era o responsável por isso, por que você já tinha essa habilidade em carpintaria também? Raimundão – É, eu acompanhei o meu pai em varias situações de trabalho e com isso eu ganhei um pouco de experiência nessa área então é... na ginástica olímpica nós tínhamos muita dificuldade em... em ter aparelhos, então a gente fez uma montagem de aparelhos, usando a estrutura de madeiras, né, e nós


fabricamos aqui umas argolas, fabricamos umas paralelas, principalmente masculina, principalmente do sexo masculino, a alem disso quando qualquer material quebrava, e sendo de madeira, eu consertava, nós comprávamos materiais, fazíamos substituição, pequenos reparos, e assim a gente levou a ginástica mais ou menos por vários anos. né. ..nós só (tose), só tivemos a uma primeira, assim, digamos assim uma aparelhagem oficial de ginástica olímpica, mais ou menos por volta de 1980, 81, 82 por ai. Leopoldo – Você então começou na ginástica olímpica ainda lá no Costa Rodrigues? Raimundão – Eu comecei a ginástica olímpica no costa Rodrigues, numa barra bem rudimentar né, e... Leopoldo – Construída pelo Dimas! Raimundão– Construída pelo Dimas, uma paralela também, construída pelo Dimas e, nós conseguimos desenvolver bastante esse trabalho, né, mesmo com essa aparelhagem ruim nós conseguimos desenvolver bem esse trabalho; eu viajei para o JEB’s e logo após a é... eu viajei para o JEB’s em 1977 ou 78, e quando chegou em 79, o Dimas levou uma equipe de ginástica, e essa equipe se apresentou muito bem; nós conseguimos uma ótima colocação, daí porque o Governo Federal, achando que o Maranhão poderia ser um polo de ginástica olímpica, resolveu investir na ginástica olímpica, é... no caso ai, construindo essa praça esportiva que a gente tem aqui na Av. Kennedy, especificamente para a área de ginástica olímpica." A trajetória de Dimas é a mesma dessa "Dilma"... Será a mesma pessoal??? Em "INDÍCIOS DA GINÁSTICA (COM APARELHOS) NO MARANHÃO", de LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ, artigo que estou escrevendo, ainda, trago que desde o século XVIII, encontram-se propostas precursoras de um tipo de Educação Física que se tornaria em modelo pedagógico para os séculos seguintes: a gymnastica, constituída como um conjunto de exercícios organizados com o objetivo de cuidar do corpo (Finocchio, 2013) [1]. Mais: No Maranhão, “O primeiro registro encontrado onde aparece a palavra “ginástica” data de 1841, conforme anúncio no “JORNAL MARANHENSE” sob o título de: THEATRO PUBLICO - “Prepara-se para Domingo, 21 do corrente huma representação de Gimnástica que será executada por Mr. Valli Hércules Francez, mestre da mesma arte de escola do Coronel Amoroz em Paris; e primeiro modelo da academia Imperial de Bellas Artes do Rio de Janeiro, que terá a honra de apresentar se pela primeira vez diante d’este Ilustrado público, a quem também dirige agradar como já tem feito nos principais Theatros de Europa , e deste Império. Mr. Valli há contractado o Theatro União, para dar sua função, junto com Mr. Henrique, e tem preparado para este dia um espetáculo extraordinário que será composto pela seguinte maneira: Exercícios de forças, Agilidade e posições Acadêmicas Exercícios no ar e muitas abelidades sobre colunnas assim como admiraveis sortes nas cordas “Nos intervalos de Mr. Valli, se apresentará Mr. Henrique, para executar alguns exercícios de fizica, em quanto Mr. Valli descansa. http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2014/09/28/dilma-bezerras-pioneira-da-ginastica-no-maranhaoanos-1970-mas-quem-e-dilma-bezerras/


aRTIGOS, CRÔNICAS, DISCUSSÕES, OPINIÕES


HOMENAGEM AO COMPANHEIRO DE JORNADA ALFREDO GOMES DE FARIA JUNIOR EM 24/08/2002 E REVISITADA APÓS SEU FALECIMENTO EM 10/06/2019 LAMARTINE DACOSTA Cumprindo o acordo que fiz com os organizadores desta homenagem, adotarei uma postura ao estilo de "Festschrift" - a celebração que reavalia um (a) intelectual por vida e obra revisitadas - nesta minha adesão para se relevar os 40 anos de jornada profissional de Alfredo Gomes de Faria Junior. Como estive presente em alguns dos primeiros passos da vivência, da produção e das intervenções profissionais do nosso homenageado, permito-me alçar à condição de observador privilegiado - pelo menos pela antigüidade - do intelectual engajado representado por Alfredo em suas atitudes e pensamentos. Digo "engajado", por que em Alfredo não tem feito sentido a expressão "carreira". Deste modo, posso afirmar que os entrechoques hoje comuns de Alfredo com pessoas e situações que ele considera injustas ou imorais, tiveram precedentes desde a década de 1960. As mais das vezes, essa continuidade e coerência de atitudes tem contrastado com a inconstância e impaciência com as instituições que Alfredo tem se vinculado ao longo de sua jornada. Portanto, não resisto à tentação neste ato de compara-lo a Rousseau, em que pese proporções e cabimentos devidos no tempo e no espaço. Trata-se, enfim, de um educador exigente quanto a padrões morais, em permanente confronto com os poderes instituídos ao educar e renovar a sociedade em que vive. Em contrapartida, podemos entender tal índole inspirada em Rousseau como uma postura utópica e "fora do lugar", ao cogitarmos que vivemos num país em que a amoralidade - e, freqüentemente, a imoralidade - são mascaradas e até mesmo festejadas. Mas que não se julgue este iluminismo fora do contexto de Alfredo como em vão, pois o que eu apreendi com esta personalidade chave da Educação Física brasileira é que a constância e a coerência situavam-se no modelo de relações com alunos e discípulos, reduzindo-se ao mínimo nos laços institucionais. Em resumo, havia um Rousseau e um Sócrates na postura moral cultivada pelo educador Alfredo cuja pedagogia implícita a esta síntese acabou por incorporar uma busca explícita do aperfeiçoamento do meio social. Alfredo, contudo, distinguiu-se da tradição iluminista-socrática, por exibir traços que lembram Jean-Paul Sartre na fusão de tipos de intelectuais com os quais podemos delinear sua vida e obra. E, se assim faço esta comparação, incluo necessariamente a índole socialista que Alfredo adotou com menos dramaticidade do que fez o filósofo francês com sua adesão maoísta aos revolucionários estudantis de 1968. Notem, que tanto o Sartre radical como o Alfredo mitigado - mutatis mutandis - jamais abandonaram suas convicções morais e éticas, no caso da filosofia sartreana - nas suas atitudes de fundo ideológico. E nesta semelhança, incluo com as devidas diferenças de contexto, o uso da denúncia pública a qual Alfredo passou a esgrimir nos últimos anos na Internet com a mesma desenvoltura de seus empenhos originais como educador-reformador. Como tenho dúvidas quanto à eficácia da ética sartreana do exercício intelectual combinado com o fazer político, deixo à historia e aos meus pares da Educação Física a apreciação futura de Alfredo como políticoeducador e me limito aqui e agora a vê-lo como educador-político à moda de Rousseau. Neste último papel, as ações afirmativas e as postulações morais transitam pela política mas não se deixam conduzir por ela. E o ato educativo transcorre pelo exemplo, o que Alfredo tem produzido com maestria a meu ver. A lição que perpassa pelo Alfredo rousseauliano, portanto, é a de que ele tem educado mais pela forma de se conduzir do que pelo conteúdo da ideologia que tem propagado. E se esta minha interpretação tiver abrigo entre meus pares, teremos afinal um eixo básico e consistente para análises futuras da vida e obra de Alfredo Gomes de Faria Júnior. Observem, na feição demonstrativa de minha proposta, que há no Brasil excesso de ideólogos atuantes na política mas raros modelos morais de comportamento político. Diria eu então em face a opiniões mais radicais, que até para se fazer revolução há necessidade de modelos de liderança moral, algo bastante escasso no Brasil de ontem e de hoje. Assim disposto, enalteço sobretudo o Alfredo modelo de atitude moral enquanto educador voltado para atividades físicas exercido em largos estágios de seus quarenta anos de profícua produção prática e teórica.


Enquanto tal, no meu entender as demais qualidades e realizações do nosso homenageado tornam-se acessórias. E como consolidei minha jornada profissional como editor do primeiro livro do Alfredo, almejo algum dia voltar a disseminar suas idéias. Afinal, vivenciamos em conjunto a fase de quase meio século em que a Educação Física brasileira encontrou a si mesma em seu problemas. Que este amadurecimento compartilhado tenha como um de seus ícones Alfredo Gomes de Faria Júnior.


O MUSEU DA MEMÓRIA ÁUDIO VISUAL DO MARANHÃO – MAVAM ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA, membro do IHGM Os museus são instituições essenciais para a formação cultural de um Estado. Essas Casas de Cultura cada vez mais se consolidam como um lugar de trocas, um espaço de encontros entre a tradição e o novo, entre o público e privado, suas memórias e seus desejos de futuro. Por crer nisso, que me manifesto, sobre a eventualidade da Fundação Nagib Haickel, vir a fechar o MUSEU DA MEMÓRIA ÁUDIO VISUAL DO MARANHÃO - MAVAM, por falta de recursos, fato que ocasionaria a interrupção dos trabalhos de voluntários da mais alta qualidade, em um dos melhores locais para pesquisa e salvaguarda iconográfica do Brasil. O MAVAM vem realizando, desde 2009 um importante trabalho de mapeamento e diagnóstico dos inúmeros fotógrafos, colecionadores e artistas maranhenses, bem como, reunindo informações, marco importante para a sensibilização e valorização da memória Maranhense. A Fundação Nagib Haickel, sediada em São Luís, capital do Maranhão, foi criada em 1996 com a missão de promover a educação e cultura, preservar a memória e valorizar nosso patrimônio tangível e intangível. Por sua consistente atuação e permanente compromisso de favorecer o acesso ao conhecimento e educar para sedimentação dos valores de cidadania, essa Instituição foi reconhecida como Entidade de Utilidade Pública, a nível Municipal, Estadual e Federal, e está registrada junto ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS. Sabemos que a capital maranhense, abriga importantes museus públicos e até alguns privados, que se tornaram destinos turísticos fundamentais para quem quiser conhecer nossa cultura. No MAVAM, encontramos um acervo excepcional, que propicia um olhar único sobre manifestações artísticas, formação social, comunitária, etnias, natureza e tudo aquilo que nos constitui e nos tornam culturalmente distintos de outras plagas. Por fim, cabe a nós, estudiosos, pesquisadores, escritores e também ao Estado, evitar o que parece ser inevitável. O fechamento do MAVAM! Sabemos que fotografias são documentos preciosos e que por si só preservam a história. As imagens nos permitem analisar as mudanças nos diferentes períodos em que foram feitas. O valioso acervo iconográfico, contido no MUSEU DA MEMÓRIA ÁUDIO VISUAL DO MARANHÃO MAVAM, Precisa ser mantido acessível a todos. São gravuras, desenhos, litografias, caricaturas, plantas, bilhetes postais, cartões postais, fotografias individuais, de grupos, de famílias, de tipos humanos, paisagens, edificações urbanas e rurais, reunindo trabalhos de vários e renomados artistas do Maranhão e colecionadores, que ao longo do tempo, dedicaram-se a preservar nossa iconografia, como é o meu próprio caso, que entreguei ao MAVAM um acervo de mais de 10.000 itens. O MAVAM reúne fotos dos grandes fotógrafos do Maranhão como: Manassés, Gaudêncio Cunha, Cândido Cunha, Vasconcelos, Moura Quinou, José Farias, Clodomir Pantoja, Dreyfus Nabor Azoubel, José Mendonça, Sombra, Amorim, Caçamba, João Pinto, Itamarati, Ribamar Alves, Nômade, dentre outros. Uma riqueza incalculável. Conclamo nossa sociedade e os poderes constituídos, para evitarmos que o MUSEU DA MEMÓRIA ÁUDIO VISUAL DO MARANHÃO, encerre suas atividades, por falta recursos. O MAVAM é um dos melhores locais do país para pesquisa iconográfica. Vamos ajudar! Como já disse a fotografia é um tipo de documento que nos possibilita perceber mudanças e permanências nos espaços e nos revela detalhes que muitas vezes não estão presentes nos documentos textuais. Vamos ajudar o MAVAM! Vamos salvar o MAVAM!


IGNORAR UM SEGMENTO POPULAR É PERDER EM TODO CONJUNTO EUCLIDES MOREIRA NETO - Jornalista, Professor Mestre em Comunicação Social e Investigador Científico. Sem querer ser redundante, manifesto-me mais uma vez para reforçar a tese de que quando atuamos no meio sociocomunitário não podemos ignorar um segmento social existente nesse universo, pois se assim o fazemos, estaremos penalizando toda a harmonia do contexto da sociedade, que mais cedo ou mais tarde se transformará em prejuizos para todos que compõem esse campo de atuação comunitário. Faço esse referencia para lembrar que o poder público local ao penalizar os grupos culturais que trabalham as manifestações de danças populares estará acendendo um pavio enxarcado de gasolina e isso fatalmente irá queimar alguém, especialmente os praticantes e apreciadores de nossas manifestações culturais. Reafirmo essa tese para lembrar que a atitude dos gestores públicos ligados ao campo de atuação da cultura e do turismo local foram, no mínimo, irresponsáveis e estão a colocar em risco a sobrevivência de dezenas de grupos culturais que ocupam e qualificam pessoas, sobretudo jovens, com a salvaguarda do saber cultural local e assim garantem a sobrevida de manifestações como “Dança Portuguesas”, “Danças do Coco”, “Boiadeiros”, “Quadrilhas Juninas”, “Cacuriás”, “Grupos de Caixeiras” e outros considerados alternativos. Sem querer ser redundante, manifesto-me mais uma vez para reforçar a tese de que quando atuamos no meio sociocomunitário não podemos ignorar um segmento social existente nesse universo, pois se assim o fazemos, estaremos penalizando toda a harmonia do contexto da sociedade, que mais cedo ou mais tarde se transformará em prejuízos para todos que compõem esse campo de atuação comunitário. Faço esse referencia para lembrar que o poder público local ao penalizar os grupos culturais que trabalham as manifestações de danças populares estará acendendo um pavio encharcado de gasolina e isso fatalmente irá queimar alguém, especialmente os praticantes e apreciadores de nossas manifestações culturais. IGNORAR UM SEGMENTO POPULAR É PERDER EM TODO CONJUNTO Sem querer ser redundante, manifesto-me mais uma vez para reforçar a tese de que quando atuamos no meio sociocomunitário não podemos ignorar um segmento social existente nesse universo, pois se assim o fazemos, estaremos penalizando toda a harmonia do contexto da sociedade, que mais cedo ou mais tarde se transformará em prejuízos para todos que compõem esse campo de atuação comunitário. Faço esse referencia para lembrar que o poder público local ao penalizar parte dos grupos culturais que trabalham com as manifestações de danças populares estará acendendo um pavio encharcado de gasolina e isso fatalmente irá queimar alguém, especialmente os praticantes e apreciadores de nossas manifestações culturais, pondo em risco a sobrevivencia de diversos grupos. Reafirmo essa tese para lembrar que a atitude dos gestores públicos ligados a esse campo de atuação, especialmente o da cultura e do turismo local foram, no mínimo, irresponsáveis e estão a colocar em risco a sobrevivência de dezenas de grupos culturais das regiões mais pobres da região metropolitana de São Luís, que ocupam e qualificam pessoas, sobretudo jovens, com a salvaguarda do saber cultural local e assim garantem a sobrevida de manifestações como “Dança Portuguesas”, “Danças do Coco”, “Boiadeiros”, “Quadrilhas Juninas”, “Cacuriás”, “Grupos de Caixeiras” e outros considerados alternativos. Por em risco a sobrevivência desses grupos é tirar oportunidades de jovens de apreender o nosso saber cultural herdados de nossos avós, que tão bem, souberam no passado, interpretar seu tempo e dele construir expressões de cunho cultural viva nessas manifestações acima citadas, até porquê, nada é por acaso. Nossas manifestações são sim de viés religioso, de viés afrodescente, de viés europeu e cada uma reflete essas características de forma única e nos deu como legado uma diversidade cultural específica que faz o nosso povo olhar para a região maranhense como espaço geográfico a ser estudado, visitado, frequentado e apreciado com olhares afetivo ao passado do país, que mantém viva a nossa memória.


Só isso já bastaria para que o poder público desse um tratamento mais humanitário e mais igualitário aos grupos populares locais, estabelecendo políticas de acolhimento e não de segregação como o que temos visto nos dias atuais. Essa política de segregação só reproduz o passado colonial penalizador, revivendo uma prática nefasta, por isso temos que condená-la. Mas o período colonial só nos deu exemplo ruins? Não, eis a resposta, pois o período colonial foi um processo em que foi construida a nossa identidade e ela fez com que sobrevivessemos como povo, mas necessáriamente não precisamos repetir a política de dependência e apadrinhamneto que estar a se repetir nesse tempo atual. Revindicamos uma prática verdadeiramente democrática e posssa acolher as manifestações e grupos considerados de ponta (os chamados queridinhos dos poderesos e detentores do poder político e econômico) quanto aos grupos classificado indevidamente de segunda categoria. Queremso pois os grupos de Bumba Meu Boi (e os alternativos) apadrinhados pelos políticos, pelas políticas publicas, pelos empresários e pelos poderosos atuando junto com os grupos menores e de menor “consideração” no nosso meio social. Assim todos nós cresceremos juntos e todos terão a oportunidade de dar uma abocanhada no bolo financeiro destinado à cultura e ao turismo local, transformando essa prática em um fenomeno inovador e sustentável na nossa sociedade. Só isso, justificará os investimentos na roupagem cenográfica dado à cidade nesse período de festas, pois os participantes dos grupos e mantenedores das manifestações culturais (de todas) também precisam comer, trabalhar, produzir-se e ser respeitar plenamente para poder fazer a festa mais bonita. Não podemos ficar de olhos ofuscados ou fechados para alguns segmentos, enquanto outros continuam a mamar indiscriminadamente nas tetas do poder e levar ao sacrifício grande parcela dos nossos grupos culturais, enquanto só um poucos eleitos continuam a ser escolhidos para estrutura oficial. Reafirmo mais uma vez que “as atrações que fazem o recheio dessa festança envolvem outros investimentos, que além da dedicação individual de cada grupo, de cada cidadão, de cada comunidade, de cada “padrinho”, ou mesmo de cada núcleo familiar, precisa de políticas públicas para sustentação dessa estrutura cultural que é marca do povo maranhense e nos torna diferenciando no campo de atuação da região nordestina e do nosso país”, pois, “somos a capital do Bumba Meu Boi e somos os detentores da maior diversidade de manifestações populares do Brasil”.


90 PERGUNTAS MAIS COMUNS SOBRE A CAPOEIRA/DESPORTO Valdenor Silva Santos https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10204769083489080&set=a.10203954995297384&type=3&the ater Mestre Valdenor Presidente da CIC - CONFEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE CAPOEIRA responde a 90 perguntas mais comuns sobre a Capoeira/Desporto. 1) O que é Capoeira Desporto? É a forma de praticar a Arte Marcial Brasileira, numa proposta de alto rendimento, com busca de resultados. 2) Como surgiu a Capoeira Desporto? Surgiu da continuidade ao trabalho de Manuel dos Reis Machado, Mestre Bimba, que com uma visão a frente do seu tempo, metodizou e regrou a Capoeira, além de promover uma série de lutas com outras modalidades marciais, sempre vencendo a Capoeira. Trabalho que ganha corpo com a criação da Federação Paulista de Capoeira. 3) Como ela se apresenta? Apresenta-se com subdivisão por faixas etárias, categorias de peso, sexo e por vezes graduação. 4) A Capoeira é mesmo Arte Marcial? Sim, Arte Marcial Brasileira, utilizada inclusive na Guerra do Paraguai, nasceu luta, hoje Ministério do Esporte do Brasil a reconhece como Desporto de Criação Nacional. O Estado de São Paulo é o primeiro a criar uma Lei, pela Federação Paulista de Capoeira, gestão Mestre Valdenor, que inclui a Capoeira no rol das Artes Marciais. 5) A Capoeira Desporto seria um estilo de Capoeira? Porque não? se admitirmos que há estilos, a Capoeira Desporto é um deles, pois é uma forma diferenciada de trabalho, sistematizada e regrada de praticarmos nossa arte. Nós da Rede FPC/FBC/CIC, minha sugestão é que chamemos este estilo de CAPOEIRA OLÍMPICA. 6) Algumas lideranças parecem ter resistência com relação a Capoeira Desporto, porque?


É urgente desmistificar este conceito, acreditamos que a Capoeira tem nas suas lideranças e nos milhões de praticantes, muitos potenciais para a Capoeira/Desporto, porém faltam-lhes oportunidades, contato, capacitação, encontros, discussões. Ainda que pese a desinformação do quanto é importante para a modalidade e o país, dirigentes e praticantes, tê-la também como Desporto. Evidente que temos que respeitar a opinião e a escolha de cada um, mas não deve ser negada a oportunidade aqueles (as) que se identificam com a competição. 7) Quando se deu a 1ª Competição Estadual Oficial, onde e que entidade a promoveu? A 1ª Competição Estadual de Capoeira se deu em 1975, no Ginásio Baby Barioni, Agua Branca, São Paulo, Brasil, promovida pela Federação Paulista de Capoeira. 8) Quando se deu a 1ª Competição Brasileira Oficial, onde e que entidade a promoveu? A 1ª Competição Brasileira Oficial se deu em 1975, no Ginásio Baby Barioni, Agua Branca, São Paulo, Brasil, promovida pela Federação Paulista de Capoeira. 9) Quando se deu a 1ª Competição Internacional Oficial, onde e que entidade a promoveu? A 1ª Competição Internacional Oficial de Capoeira, foi em 1983, no Ginásio do Ibirapuera, São Paulo, Brasil, promovida pela Federação Paulista de Capoeira em parceria com a Confederação Brasileira do Desporto Universitário. 10) Houveram outros Campeonatos Internacionais no Brasil? Sim em 2004 o II Campeonato Internacional promovido pela Rede: FPC/FBC/CIC em parceria com a Federação de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro. 11) E quanto ao Regulamento? Trabalhamos com o Regulamento da Rede FPC - FEDERAÇÃO PAULISTA DE CAPOEIRA, FBC FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE CAPOEIRA e CIC - CONFEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE CAPOEIRA, conta-se pontos por situações reais, não pelo subjetivo, valoriza a marcialidade e preserva a integridade física dos lutadores. 12) Como é o Regulamento da Capoeira Desporto na Rede FPC/FBC/CIC. É um Regulamento que permite trabalhar a Capoeira Regional, respeitando tradições, isto é não misturandoa a Capoeira Angola à proposta de competição. Trabalhando-se assim a marcialidade da Capoeira de maneira autêntica. 13) Como a Rede chegou a êste Regulamento? As últimas contribuições foram do Prof. Mestre Hermes Soares dos Santos, atual Presidente da FPC, formado em Educação Física, Campeão Brasileiro e Melhor Índice Técnico da Categoria. Mas as alterações ocorrem sempre por observação, estudo e respeito à integridade física, dinâmica da Capoeira, resgate da mesma, enquanto modalidade desportiva de luta, arte marcial e espetáculo esportivo. Respeito ao legado de mais de 35 anos de todas as administrações que nos antecederam, na FPC, Federação Paulista de Capoeira. Aperfeiçoamento contínuo,após ouvir atletas e dirigentes do Brasil, América do Sul, Europa, Estados Unidos, Ásia e África. Aprovação em Assembleia no III Congresso Estadual de Capoeira, SP, 2010. 14) Qual a diferença de jogar Capoeira e praticá-la também como Desporto? Inúmeras, mas as principais são: Primar pelo nível técnico, domínio na finalização de movimentos de contato ou desequilibrantes, preocupação ímpar com a integridade física do adversário e busca de resultados. 15) Que benefícios traz ao praticante treinar a Capoeira também, como Desporto? Planejamento, treinar em função de metas, de objetivos, de resultados. Uma vez que Jogar Capoeira sem nenhum objetivo, pode ser uma das razões de maior evasão na modalidade. 16) Quais o principais valores que identificam um (a) Atleta de Capoeira? Respeito á fundamentação técnica, disciplina, regulamento, filosofia, busca do contrôle emocional, conhecer seus limites e procurar superá-los.


17) Como é a divisão por faixa etária? Infanto/juvenil A/B, Juvenil, Adulto, Master e Senior. 18) Como é a divisão por categorias de peso? Pena, Leve, Médio, Meio Pesado, Pesado e Super Pesado. 19) Em quais quesitos o (a) Atleta tem que se destacar para ser vencedor (a) de uma luta? São 3 (três): CONTATOS, DESEQUILIBRANTES E VOLUME DE JÔGO. 20) Que são movimentos de Contato? Refere-se a efetivação dos movimentos típicos de Contato da Capoeira, permitidos na competição, sem no entanto ferir a integridade física do outro. 21) Que são movimentos Desequilibrantes? Refere-se a efetivação dos movimentos típicos desequilibrantes da Capoeira, permitidos na competição, sem no entanto ferir a integridade física do outro. 22) O que é Volume de jogo? É um conjunto de qualidades que vai desde a colocação de movimentos, destreza para aplicá-los com objetividade e eficiência, dentro de um raio de ação que exija reação do adversário, bem como criatividade e variedade de utilização dos movimentos, com recursos que determinam o estilo marcial da modalidade. Utilização de estratégias defesa, ataque, noções de espaço, distância, direção, equilíbrio e capacidade de vencer a guarda do oponente, para alcançar a pontuação desejada. 23) O que é Técnica na Capoeira Competição? É a forma correta de execução de um movimento, respeitando-se o gesto técnico do mesmo, com eficácia, menor gasto de energia e melhores resultados 24) De quantas pessoas é composta a equipe de trabalho numa competição? Depende muito do porte do evento, geralmente 16 (desesseis) pessoas): 1 (um) Diretor de Competições, 1 (um) Diretor de Arbitragem, 6 (seis) Árbitros, 2 (dois) mesários, 1 (um) locutor, 5 (cinco) auxiliares. 25) Quantos Árbitros atuam numa competição de Capoeira. 6 (seis): sendo 1 (um) Árbitro Central e 5 (cinco) Laterais, dos Árbitros Laterais 02 (dois) pontuam para o Atleta de Cordão Verde nos quesitos de Queda e Contado, 02 (dois) pontuam para o Atleta de Cordão Amarelo nos quesitos de Queda e Contato e 1 (um) Vota o quesito Volume de Jogo. 26) Qual a atribuição do Árbitro Central? Conduzir a luta, de perto, zelando para que os lutadores sigam o regulamento. 27) Qual a atribuição dos Árbitros Laterais? Informar os pontos efetuados pelo Atleta durante a luta. 28) Qual a atribuição do Árbitro do Volume de Jogo? Votar ao final da luta para um dos atletas. 29) Qual a atribuição do Diretor de Competições? É o responsável por toda a estrutura da competição, antes e durante o evento, inscrição de atletas, pesagem, espaço físico, organização geral. 30) Qual a atribuição do Diretor de Arbitragem? Incorpora, convoca e escala os Árbitros para o evento. 31) Qual a atribuição dos Mesários. Anotar em Súmulas específicas os pontos que são feitos pelos atletas durante a luta e informar o resultado ao final desta.


32) Como é o uniforme do Atleta de Capoeira? Camiseta Branca, manga curta, com logotipo da sua Equipe e logomarca do (s) patrocinador (es) em havendo. Para os filiados os logos da Rede nas mangas. Calça Branca, sem listas, sem bolso, sem zíper, comprimento até o maléolo, (tornozelo). 33) Como são identificados na quadra se ambos atletas estão de roupa branca? Um dos lutadores usa um cordão na cor verde e o outro um cordão na cor amarela. 34) Como é o uniforme do Árbitro (a)? Calça e Camiseta pretas com logotipo da Rede. 35) Como é feito a escolha dos lutadores e definida a quantidade de lutas? Pelo sistema universal de chaves, sorteio por categoria de peso, sexo e faixa etária. 36) Qual a duração de uma Luta? Cada luta demora 2 (dois) minutos, para todas as categorias, com faixa etária acima de 15 anos. 37) Quando é ponto na luta de Capoeira? Quando acontecem os movimentos permitidos de contato e desequilibrante. Um dos atletas, também pontuará no final da luta pelo quesito Volume de Jogo. 38) Como é feita a pontuação dos quesitos entre os lutadores? Cada quesito vale um ponto, por ex: todos os contatos valem 1(um) ponto, todos os desequilibrantes valem 1 (um) ponto. Vamos analisar uma luta entre o lutador A e o Lutador B. Suponhamos que ao término da luta o lutador A realizou dois contatos e o Lutador B nenhum. O lutador A venceu no quesito contato, tem 1 (um) ponto. Agora vejamos o lutar com o B, ele o B, realizou um desequilibrante e o lutador A nenhum. O lutador B venceu no quesito desequilibrante e tem 1 (um) ponto. A luta estaria, até então, empatada. O desempate vai ocorrer pelo voto do Árbitro do Volume de Jogo, que só vota no término da luta e este quesito, nesta situação define o vencedor. Lembrando que no Volume de Jogo, não há empate. 39) Como são computados os pontos do atleta durante a luta? A cada ponto efetuado o Árbitro Lateral, levanta a Bandeira correspondente ao Atleta que efetuou o ponto e o Mesário anota o (os) ponto (os) na Súmula, para que ao final do evento, e sempre, tenha-se um histórico que justifique os resultados apresentados. 40) Que instrumento os Árbitros Laterais usam para validar o (s) ponto (s) do Atleta? Os Árbitros Laterais, trabalham munidos de bandeirinhas nas cores VERDE e AMARELA, para pontuação dos Atletas que se encontram identificados pelas mesmas cores, nos CORDÕES usados durante a competição. 41) Como é sinalizada a vitória, após a luta pelo Árbitro? Após somar os pontos da Súmula, o Mesário levanta a Bandeira na cor do Cordão do lutador que venceu, o Arbitro Central estende o braço direito, na horizontal, na altura do plexo do (a) Atleta, indicando que este (a) venceu a luta. 42) Existindo empate na luta qual é o procedimento? Em caso de empate haverá um minuto de prorrogação, em persistindo o empate, os Árbitros Central e Laterais votam, definindo o vencedor. 43) Quais são os movimentos de Capoeira, proibidos na competição? Agarrões, Asfixiante, Baiana, Bochecho, Cabeçada, Calcanheira, Chaves (agarramento), Chibata, Cotovelada, Cutilada, Forquilha (dedo nos olhos), Galopante, Godeme, Leque, movimentos de projeções, movimentos baixos atingindo os genitais, Meia lua de compasso aplicada de baixo para cima, Palma ou Escala, Ponteira, Rasteira nas mãos ou com as mãos, socos, Telefone, Tesoura nos braços, cintura e pescoço, Tombo da Ladeira e Voo de morcego.


44) Como acontece a desclassificação do (a) Atleta? Acontece, quando da utilização de algum movimento proibido o que caracteriza falta, por ausência de condições físicas ou técnicas para a luta, por intenção de ferir a integridade física do adversário. 45) Existe diferença entre torneio e campeonato? Torneio geralmente uma só etapa. O campeonato já envolve mais tempo, quantidade de equipes, etapas e regiões. 46) Quem pode organizar torneios e campeonatos de Capoeira? Todas as entidades e profissionais que possuam equipes com formação e conhecimentos específicos ligados a esta forma de trabalho. 47) E como se capacitar para tais eventos? Através dos cursos e capacitações oferecidas pelas entidades de administração estaduais, nacionais e internacionais, no caso da nossa Rede: FEDERAÇÃO PAULISTA DE CAPOEIRA, FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE CAPOEIRA E CONFEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE CAPOEIRA. 48) E quais são estes cursos? Mesário (a), Técnico (a), Árbitro (a), Atleta, Nomenclatura Oficial de Movimentos, Treinamento por Sequências e outros. 49) E este cursos podem ajudar o capoeirista em que sentido? Qualquer curso é sempre útil pelo acúmulo de novos conhecimentos. Levando-se ainda em conta que aprender, a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende. Os árbitros atuarão de forma remunerada, os técnicos ganham atualização e melhores salários, os atletas com mais recursos melhoram seus resultados, o conjunto melhora o espetáculo esportivo, isto atrai patrocinadores, terceiros terão mais respeito pela nossa Arte Marcial. Todos passam a ter mais ganho. 50) Quando o (a) capoeirista deve competir? Quando se identificar com esta forma de fazer Capoeira e estiver preparado para tal 51) Que materiais e equipamentos utiliza estas equipes? Súmulas, Bandeiras, Cronômetro, Apitos, Balança, Cordões e Chaves. 52) Que tipos de competições existem? Competições individuais, por equipe e também absolutas (onde as faixas etárias, peso e categoria podem ser agregadas). 53) O que falta para a Capoeira Desporto ser mais valorizada? Maior informação e participação da comunidade de Capoeira, divulgação pelas mídias escrita, falada e televisiva, o que sem dúvidas acelera a trajetória internacional, rumo aos Jogos Panamericanos e Olímpiadas. 54) Que vantagens traz a competição para a Capoeira? Demonstra capacidade de organização dos dirigentes e praticantes. Acima de tudo reconhecimento internacional no universo das modalidades desportivas, sem falarmos da descoberta e revelação de grandes potenciais da Capoeira, que por outras formas de prática, ninguém jamais vai saber que estes existem. 55) A Capoeira tem Atletas de alto nível e como são estes Atletas? Temos sim, são aqueles (as) de atuação exemplar, assiduidade, treinamento dirigido e conseguem atuação de destaque, combinando técnica, beleza, controle emocional, eficiência e disciplina dentre outras qualidades aparentemente impossíveis numa situação de luta. 56) A Capoeira utiliza que instrumentos na Competição? Berimbaus e Pandeiros.


57) Isto não descaracteriza a Capoeira? Embora no seu ritual a Capoeira tenha Berimbaus, Pandeiros, Atabaque e Agogôs cantos e palmas, a experiência tem nos mostrado que, o momento de luta é definido por outros valores, que não os do ritual. De maneira que o principal é mantido o ritmo. 58) E a Competição de Capoeira é violenta? Não, tendo em vista o Regulamento utilizado e os Congressos e Clínicas que antecedem ao evento. O que pode ocorrer é o Atleta ter uma participação não condizente com o Regulamento, o que acarretará em advertência verbal, falta ou desclassificação. 59) É seguro participar de competição de Capoeira? O lugar mais seguro para se jogar Capoeira é na quadra de competições, estas são palavras do Mestre Marcial A. Lopes, uma analogia entre a maneira pela qual se realizam algumas Rodas de Capoeira e a Competição. 60) A competição contribui para o aumento de acidentes na Capoeira? Está provado que não, uma vez que qualquer um de nós pode acidentar-se, na rua, em casa, no trabalho, em qualquer lugar. O que devemos é combater, são as situações propícias para acidentes. Os acidentes mais comuns na Capoeira devem-se ao despreparo técnico, emocional e disciplinar. A competição diminui a possibilidade de acidentes, uma vez que já está pautada num regulamento que proíbe movimentos da Capoeira que são mais específicos para defesa pessoal, o que nem sempre é comum na Capoeira, fora dos campeonatos. 61) E a filosofia da Capoeira como fica na competição? A competição preserva a filosofia e a autenticidade da Capoeira, que nasceu luta, prega o espírito de igualdade ao dividir grupos por idade, peso, sexo, resta aos lutadores saber diferenciar: Esporte, Defesa Pessoal e Cultura. 62) Porque algumas lutas, não são tão bonitas? Porque um Atleta em qualquer modalidade precisa de muito tempo para associar beleza a uma ação competitiva. Não podemos cobrar resultados de um Atleta que entra direto num evento estadual ou nacional sem um trabalho de base, um preparo anterior. 63) O Atleta de Capoeira deve ter alguma preocupação com a alimentação? Sem dúvidas, esta é uma das formas de se obter uma melhor qualidade de vida, seja ou não Atleta. 64) Como um Grupo, Associação ou Academia pode iniciar sua experiência na área da Capoeira/Competição? Buscar formação, iniciar esta prática por eventos internos, aprimorando-se assim para eventos regionais, estaduais etc. 65) Qual a idade ideal para se começar a competir? Seguindo-se as orientações da ciência, melhor que seja a partir de 10 anos de idade, pois antes disto, é confuso para a criança lidar com vitória e derrota. 66) O que deve saber o (a) Atleta de Capoeira? Todas as informações possíveis, técnicas pertinentes a esta forma de trabalho, evento que vai participar, Regulamento e Juramento do Atleta. 67) O que deve saber o (a) Técnico de Capoeira? Deve dominar dentro das suas possibilidades, Preparação de Atletas, Fundamentação Técnica, Comunicação, Metodologia, Didática, Relacionamento Humano, Liderança dentre outros. 68) Qual a diferença entre um Atleta e um Jogador de Capoeira? O Atleta tem um treinamento mais específico, podemos dizer a responsabilidade de modelo, para a comunidade, trabalha maior parte do tempo com planejamento, objetivos e resultados o não Atleta, tem sua


contribuição mais voltada para shows, apresentações, diríamos que este último jogaria mais Capoeira, (no que não há nada de errado), enquanto o Atleta treina Capoeira. 69) Qual a diferença entre o Técnico de Capoeira e o Mestre de Capoeira? O Mestre é o detentor do conhecimento. O Técnico é o preparador de Atletas, técnica, tática, o que não impede que um Mestre seja o Técnico, muito menos obriga que um Técnico seja necessariamente Mestre de Capoeira. Ambos carecem sim de formação e preparo dirigidos para as jornadas as quais se propuserem a assumir. 70) E a Capoeira Competição traz algum benefício social para o (a) praticante? Sim, como qualquer outra forma de prática da Capoeira, quando bem orientado, bem direcionado e que tenha no seu conteúdo um compromisso com a Educação, Cidadania e Inclusão Social. 71) E a Capoeira será Modalidade Olímpica? Não temos nenhuma dúvida, pois é o ápice da trajetória normal de qualquer modalidade esportiva, o que não temos como mensurar é o tempo que será necessário, pois dependemos de inúmeros fatores internos e externos, alguns fogem a alçada da Comunidade de Capoeira Mundial. 72) Quais os caminhos para esta conquista? Certamente são os caminhos da Unidade, para inúmeros procedimentos da nossa Arte Marcial, nomenclatura de movimentos, regulamento, graduação etc.etc.etc. Além de ações de investimento político, financeiro e mobilizações, internacionais. 73) No que os Mestre de Capoeira, podem colaborar? Na sustentação e ampliação dos trabalhos já existentes, direcionados para a Capoeira Desporto e criação de trabalhos de base para as faixas etárias menores, objetivando assegurar o futuro desta prática. Quem sabe para algumas faixas etárias, trocar de graduação competindo, pode colaborar para aproximar o capoeirista da experiência esportiva. 74) Que tipo de impacto traria a realização de um maior número de competições? O impacto do nós existimos também como Desporto, nós somos capazes de nos organizar, nós somos capazes de realizar. E que a Capoeira é comprovadamente viável como Esporte/Competição. Saímos dos Quilombos e vamos chegar às Olímpiadas, com a Bandeira do Brasil tremulando e o nosso Hino Nacional Brasileiro sendo tocado a cada vitória de um Atleta Brasileiro. 75) Como foram realizadas as primeiras competições? Resultaram do empenho de várias Federações Estaduais a partir dos anos 70, inicialmente com apoio do Departamento Nacional de Capoeira da Confederação Brasileira de Pugilismo e a percepção de atender no futuro, milhões de adeptos em todo o mundo. Divulgando o Brasil, também através da nossa Arte Marcial, na forma de Espetáculo Esportivo. 76) Quais os nomes mais importantes da Capoeira Desporto no Brasil. São inúmeros os responsáveis pelo desenvolvimento da Capoeira/Competição no Brasil e Exterior, vamos citar alguns nomes dos anos 70, claro que existem centenas de outros. Bahia - Mestres: Itapuan, Saci, Filhote de Onça (em memória), Acordeon. Goiás - Mestres Onça Negra de Bimba, Minas Gerais - Mestres Loka, Adinaldo Brandão. Rio Grande do Sul - Mestre: Nino. Rio de Janeiro - Mesres: Bogado, Paulão, Hulk, Travasso, Amarelinho, Corvinho. Pernambuco - Mestres: Mulatinho, Djavan. Distrito Federal - Mestres: Zulú, Risadinha, Adilson, Tabosa. São Paulo - Mestres: Airton Neves Moura (Onça), Gladson de O. Silva, Dr. Augusto Salvador Brito (Canhão), Milton da S. Esteves, Juio Brizolla, Índio Mocambo, Polim, Celso de Moura, Valdenor, Sampaio,


Jose Andrade, Marilton, Besouro Camunucerê, Ousado. (caso seu nome não conste desta lista, faça contato conosco). 77) Em quais países a Capoeira Competição é mais praticada? Sem dúvidas no Brasil. 78) Que eventos dos Calendários Oficiais a Capoeira Desporto conquistou espaço? No Estado de São Paulo: Jogos Escolares, Jogos Regionais do Interior, Jogos Abertos do Interior, Jogos da Cidade de São Paulo. Embora o regulamento não é de luta e sim de festival de cultura. 79) Qual a situação da Capoeira Desporto no Brasil e no Mundo? A quantidade de eventos e a divulgação são tão pequenas que não representam a força e a pujança deste trabalho que cresce dia a dia. 80) Porque o Capoeirista deve competir? É a única forma de resgate da marcialidade da Capoeira, uma maneira diferenciada de trabalho, para alcançar o preparo técnico, preparo físico, emocional, disciplina e influenciar nas atitudes e visão do praticante. Claro que melhor que participem aqueles (as) que se identificam com esta forma de praticar Capoeira. 81) Porque alguns Atletas de Capoeira tem vida tão curta. Por um lado competir obrigatoriamente, sem preparo anterior, trabalho teórico/prático direcionado, por outro lado a falta de incentivo oficial, ausência da mídia e falta de retorno financeiro sem dúvidas são algumas das razões responsáveis. 82) Existiria uma quantidade ideal de competições para se participar durante o ano? Sim um número de 08 a 12 competições ano, parece ser uma quantidade ideal, se observarmos que em algumas modalidades de luta, o atleta chega a fazer até 04 ou mais competições mês. 83) O Atleta não deveria ganhar para lutar? Com certeza, mas para tanto, precisa alcançar resultados, que atrairão mais patrocinadores, seria uma fase profissional, nenhum patrocinador investe num atleta que aparece uma vez por ano. 84) Não faltaria apoio governamental para a Capoeira Desporto? Não temos nenhuma dúvida disto. Cabe a nós da Comunidade de Capoeira, atuarmos junto ao Poder Público, no sentido de que se cumpram as leis de incentivo de forma mais ampla e que a Capoeira seja valorizada e preservada pela sua importância na formação social, cultural e política do povo brasileiro e em todas as suas formas de apresentação e que esta valorização seja estendida aos nossos profissionais e praticantes também através de Políticas Públicas. Que nos municípios, nos estados e na Esfera Federal, onde não há, que venha a haver e onde há que seja ampliada a verba destinada ao apoio da Capoeira, importante nossa mobilização, com participação em Conferências, Congressos entre outras ações, onde exercitemos a Democracia, com respeito à decisão da maioria, focados no interesse do coletivo e não fiquemos reféns de lideranças ou entidades que por vezes, querem impor ditatorialmente formas de condução da modalidade, que estão fora da realidade atual da Capoeira e do Capoeirista. Quando sabemos que a nossa maior dificuldade, reside na ausência de oportunidades sociais para os nossos praticantes e dirigentes, principalmente um maior número de Políticas Públicas para a Capoeira em todas as suas formas de apresentação. 85) Como definir a Fundamentação Técnica do Jogo da Capoeira? Podemos entender, 5 (classes) de movimentos a saber: 1 - Quedas Defensivas, 2 - Movimentos Traumáticos, 3 - Movimentos Desequilibrantes, 4 - Projeções, 5 - Acrobacias. Evidente que marcados pela GINGA, tempo de estudo e preparação entre os jogadores, determina a cadência do confronto, responde pela beleza, harmonia dos movimentos, eficiência e é o ponto de partida e retorno dos golpes, tornando-se o elemento identificador da Capoeira. 86) Existe algum dado científico com relação à importância da Capoeira Desporto?


Destacamos dois entre os mais importantes: 1 - O ácido lactico no organismo durante a competição de Capoeira, Trabalho de Pós Graduação, autor Prof. Mestre Marcial Augusto Lopes, Presidente da Federação Brasileira de Capoeira. 2 - O Condicionamento Físico do Atleta de Capoeira, Tese de Graduação do Prof. Flávio Messina, Faculdade Paulista de Medicina. 87) Como a sociedade vê a Capoeira Desporto? Ela ainda não a vê, na mídia a ponto de poder emitir avaliações. A verdade é que a Sociedade ainda desconhece a Capoeira Desporto, assim como parte dos capoeiristas. 88) Como a Capoeira começou a participar da Estrutura da Federações? Pelo seu próprio crescimento e necessidade de Organização Desportiva, também em cumprimento às Legislações Desportivas Brasileiras e Internacional. 89) Que Associações mais se destacaram na implantação da Capoeira/Desporto no Estado de São Paulo? K!poeira - Mestres Onça e Canhão, Policenter (atual Projete Capoeira) - Mestre Gladson, Motriz Center Mestres Wagner Bueno e Wagner Rocha, Fonte do Gravatá - Mestres Sanhaço e Kenura, São Bento Pequeno - Mestre Djamir Pinatti, Zumbí - Mestre Polim, Santo André - Mestre Andrade, Nova Luanda Mestre Valdenor (12 títulos estaduais consecutivos), São Bento Grande - Mestre Brasília, Dente de Ouro Mestre Mané, Rosa Baiana - Mestre Mirão, Camunucerê - Mestre José Nicomédio (Besouro), Filhos de Luanda (hoje Argola de Ouro) - Mestre Ousado, Luanda-ê - Mestre Luizinho, Benguela - Mestre Badania, Paranauê - Mestre João Francisco (em memória), Rosa Negra - Mestre Souhail Haddad (em memória), Discipulos de Luanda - Mestre Aguinaldo Xavier, Liga Jauense de Capoeira - Mestre Marciel, Amukenguê Mestra Dirléia, Liga Praiagrandense de Capoeira - C. Mestre Ricardo Haddad e C.M. Rafael Haddad, Liga São Bernardense de Capoeira - Mestre Moacir, Cidade Feitiço - Mestre Reginaldo Garisto, Raça em Movimento - Mestres Enir e Claudia, Pescadores - Mestre Carlinhos, Berimbrás - Mestre João Moreira, C. Mestre Ricardo Tupim, Zabelê Bonfim - Mestre Maurício, Guelê Aprendizes da Capoeira - Mestre Portes, Nova Maré - Mestre Serginho, Zumbá - Mestre Galo, Filhos do Quilombo - Mestres Aguinaldo Garcia, 90) Que atletas podem ser destacados pelo Estado de São Paulo? O Estado de São Paulo, tem inúmeros destaques na área da Capoeira/Desporto, vamos citar alguns dêles: Hemes S. dos Santos, João Moreira, Eloana Bernardes, Ricardo Tupim, Celso Osasco, Wagner Bueno, Wagner Rocha, Ivo Reis do Carmo, Galo de Briga, Bandeira, Mailaro, Marcial Augusto Lopes, Maciel, Julio Cabelinho, Sandro Quelucci, Dirléa M. Lopes, Washington Biancchi, Rafael Haddad, Marcos Silva, Jose Moacir, Trindade, Reginaldo Garisto, Marcio Araujo, Messias, Alex Nascimento, Da Bahia, Derley Ubatuba, Aguinaldo Xavier, Ronaldo Rogério, Mauro Porto Rocha (Maurão), Jose Caldas Coelho, Letícia Bueno, Claudia Santecchia, Simone Esteves, Catitu, Carlos Campos, Claudio Campos, Pedro Roberto Palma (Índio), José Cedro Macário, André Fernandes, Sergio de O. Marques, Luiz Correia do Amaral, Luiz Roberto Ferreira (Carioca), Airton Xavier, Carlos Alberto (Escravo - em memória), Medina, Evanio Lacerda, Reginaldo Garisto, Geraldo Pereira, Mortal, Paulo Nunes, Luiz Carlos Galvez (Calango), Alfredo Soares de Santana, Sebastião Florêncio da Cruz, Ailton Bazzan (Tico), Carlinhos Atibaia, Lilian, Ricardo Haddad, Cezar A. B. dos Santos, Leandro Speedo.


CULTURA POPULAR: A FESTANÇA NÃO ISOLA AS CONTRADIÇÕES DO SISTEMA POLÍTICO E SOCIAL EUCLIDES MOREIRA NETO - Jornalista, Professor Mestre em Comunicação Social e Investigador Científico Pemitam mais uma vez refletir sobre o atual momento por qual atravessamos no nosso meio social. Isto mesmo, pois quem é de São Luís parece que a nossa cidade virou uma explosão de vitalidade cultural nunca vista antes, entretanto o olhar de quem vive em outra região do país não percebe as contradições por qual passam centenas de praticantes e apreciadores da cultura popular em nossa terra. É bem verdade que a multidão de pessoas que se deslocam para o centro histórico de São Luís não pode pmensurar como está sendo a luta desses militantes para se manter vivos no nosso meio social, pois a política pública empreendida por nossos gestores, ou grande parte deles, é uma prática de segregação que deixar à margem do processo de construção, assim manifestações e grupos culturais considerados de segunda categoria, penalizando os grupos considerados não aliados dos atuais detendores desse poder. Tudo issso carregado de uma discreta ou contudente determinação em isolar prática que no passado recente foram consideradas palco de sucesso ou manifestações acolhidas por outros “grandes apreciadores” de nossa cultura popular. Vale aqui a lembrança de que “grande apreciadores” podem ser os contratantes de outrora, ou os cidadãos comuns que gostam de nossa cultural, ou os padrinhos que patocinam e apoio a produção de nossas manifestações ainda sobreviventes no meio comunitário, ou os mesmo que praticam e que se dedicam ou se doam de corpo e alma para que a manifestações tivessem uma temporada bem acolhida, respeitosa e brilhante. Com essa minhas afirmações, reitero a a afirmativa que a pratica cultural desenvolvida na região metropolitana da capital maranhense tem um histórico de depêndencia que ocorre há muito tempo, o que fez surgir com o tempo um personagem que aqui em nossa terra é denominado de “padrinho” ou “patrono”, fazendo evidenciar essa prática de submissão e dependência financeira dos grupos em relação as oportunidades que são postas em prática no nosso meio social, assemelhando-se muito à prática dos patrocinadores modernos do chamado mundo de livre comércio. Na verdade, essas semelhanças são evidenciadas e praticada a cada temporada e aos poucos muitos grupos vão desaparecendo, pois grande parte destes entusiastas não tem condições de se produzirem e a saida e jogar a toalha ao vento, similar as palavras poéticas são entoadas/levadas ao vento, como as emoções e as injeções de vitalidade que também se vão e se evaporam ao sabor da passagem do tempo. Assim percebemos que as chamadas manifestações culturais organizadas em pequenos grupos famíliares vão se disssipando e sua prática comunitária vão também apagando da vivência comunitária, vão levando suas práticas de intercâmbio, de sustentabilidade, de amizade, de carinhos entre pessoas, de ocupação dos espaços públicos, deixando um vazios muito grande e a saudade da vitalidade do que já foram enquanto grupos que cultuavam práticas de manifestações como “Dança Portuguesas”, “Danças do Coco”, “Boiadeiros”, “Quadrilhas Juninas”, “Cacuriás”, “Grupos de Caixeiras” e outros considerados alternativos. É bem verdade que a multidão de pessoas que se deslocam para o centro histórico de São Luís não pode mensurar com precisão como está sendo a luta desses militantes para se manter vivos no nosso meio social, pois a política pública empreendida por nossos gestores, ou grande parte deles, é uma prática de segregação que deixar à margem do processo de construção, assim manifestações e grupos culturais considerados de segunda categoria, penalizando os grupos considerados não aliados dos atuais detentores desse poder.am e que se dedicam ou se doam de corpo e alma para que a manifestações tivessem uma temporada bem acolhida, respeitosa e brilhante de identidade maranhense. Para piorar, os nossos gestores este ano, na prática consumistas de ganhar prestígio, desprezaram os nossos artistas plásticos (ou os arquitetos, ou os engenheiros elétricos, ou engenheiros civis, ou simplesmente os nossos artista de comunicação visual)) e os deixaram de fora da prática de adequar os espaços públicos de nossas praças e ruas com a cenografia e decoração juninas do que sabemos fazer, optando por importar uma


decoração bonita, sim, mas muito pasteurizada, que prefiro nomeá-la de “Hi Tech” urbanística, que deturpa as formas e desenhos de nossas manifestações mais genuínas e nos dá um desenhos sem inspiração e sem a identidade maranhense. Verificamos que essa roupagem assemelha-se mais ao cosumismo da indústria cultural massificante, que se autonomeia de contemporânea e que pode ser reproduzida em larga escala em diversas cidades do país (especialmente no norte e nordeste brasileiro) sem se preocupar com o significado que visualmente está apresentado. Enquanto isso, tome bofetadas na cara dos criadores regionais e ponto final, pois aqueles que se dizem “emanados” pela vontade do povo, não estão nem aí pra vocês. Nossos personagens como “paí francisco”, “mãe catirina”, “cazumbás”, “índios”, “índias”, “capeadores”, “boizinhos”, “boizãos”, “capiras”, “matracaqueiros”, “zabumbeiros”, “caboclos de fita”, “coreiras”, tocadores diversos entre tantos outros, que se explodam de raiva ou de tristeza, o que lhes foram dado podem a té ser surpresas neste momento, mas não refletem suas prática cotidianas, nem suas raizes herdadas por seus pais e avós….. e assim vamos perdendo nossa identidade paulatinamente, devagarinho e quando menos nos espantar, não seremos mais nada ou já seremos iguais a todo o resto. Triste isso. Só para registrar: Cadê o arraial do CEPRAMA? Cadê a programação da Madre de Deus? Cada o Encontro de Quadrilhas? Cadê o encontro de Danças Portuguesas? Cadê o Cortejo dos Bumbas Meu Boi de Orquestra? Cadê a Trupiada de Matraca? Não é penalizando os grupos e espaços públicos que vamos ganhar respeito do conjunto coletivo e nem é só prestigiando com apresentações os grupos considerados “tops” e “amigos dos detentores do poder”, que vamos ganhar respeito, pois a turma que fica de fora é muito maior e mais fiel ao nosso jeito de ser maranhense. Continuo a reafirmar que “as atrações que fazem o recheio dessa festança envolvem outros investimentos, que além da dedicação individual de cada grupo, de cada cidadão, de cada comunidade, de cada “padrinho”, ou mesmo de cada núcleo familiar, precisa de políticas públicas para sustentação dessa estrutura cultural que é marca do povo maranhense e nos torna diferenciando no campo de atuação da região nordestina e do nosso país”, pois, “somos a capital do Bumba Meu Boi e somos os detentores da maior diversidade de manifestações populares do Brasil”.


CAPOEIRA E INTERFAZ: CUERPO, MENTE Y HOLOGRAMAS EN LA SUBVERSIÓN DEL CONOCIMIENTO _ ALBERTO GRECIANO http://seer.casperlibero.edu.br/index.php/libero/article/view/914/982?fbclid=IwAR0N7o8yWECFxTPK5CG JZvkFDvSlnJHD8uyjRbT5FHXSkRVEHw5pCLUTWhE101 RESUMO > RESUMEN > ABSTRACT > Este artigo estabelece uma relação metafórica entre a fenomenologia da Capoeira e a da Interface para acometer questões epistemológicas e cognitivas que planteam a comunicação contemporânea. Sua abordagem explora o modo particular de exposição do conhecimento que se desenvolve nestes dispositivos e os modelos mentais que sustentam suas bases. Evocando os princípios de uma ética das relações não hostis e não dominadoras, a conclusão irá delinear que para efeituar uma valoração pragmática da conjuntura comunicativa é necessário um modo de conhecimento desinstrumentalizado e livre das constrições que impõe o capitalismo cognitivo. Palavras-chave: Capoeira; interface; conhecimento; dispositivo; hologramática. Resumen: Este artículo establece una relación metafórica entre la fenomenología de la Capoeira y la Interfaz para acometer cuestiones epistemológicas y cognitivas que plantea la comunicación contemporánea. Su abordaje explora el modo particular de exposición del conocimiento que se despliega en estos dispositivos y los modelos mentales que sustentan sus bases. Evocando los principios de una ética de las relaciones no hostiles y no dominadoras, la conclusión vendrá a delinear que para efectuar una valoración pragmática de la coyuntura comunicativa es necesario un modo de conocimiento desinstrumentalizado y libre de las constricciones que impone el capitalismo cognitivo. Palabras clave: Capoeira; interfaz; conocimiento; dispositivo; hologramática. Abstract: The text is structured under three conceptual points on the emergence, displacement and contemporary configuration of the documentary. Thus, the normative limits on documentary photography act in the visual construction of the other as something largely dependent on representation strategies and / or afterwards on modes of alterity. It is complemented by overcoming, or overtaking, by modalities centered on procedures that reinforce collaboration and empathy. For this, the concept of documentary photography is viewed under three shortcomings (the precarious, the imprecise and the transitory) in order to understand the problem of the inform and informing (get shape to something) outside the duality descriptive objectivity / subjectivity of the author. Keywords: Capoeira; interface; knowledge; dispositive; hologramatic EL CUERPO DE MANDINGA EN LA INTERFAZ Vivimos en una sociedad mediada por parámetros tecnológicos donde la realidad deriva de los flujos de información que emanan del entramado comunicativo desplegado por el denominado capitalismo cognitivo, capitalismo cultural o capitalismo estético (LAZARATTO, 2006; NEGRI & HARDT, 2001). A medida que avanza la producción tecnológica, cada vez se vuelven más inciertas las fronteras de la plataforma comunicativa a través de la cual el hombre experimenta el mundo y a sí mismo. Esta coyuntura plantea una serie de problemas estéticos, metodológicos y epistemológicos a las ciencias de la comunicación, ya que los instrumentos comunicativos se proyectan en beneficio de un modelo donde las actividades de creación, producción y difusión de conocimiento tienen como objetivo básico satisfacer la economía de mercado. Para Bentes (2007), los actuales dispositivos de comunicación no son simples aparatos técnicos y sus usuarios no se reducen a ser consumidores al servicio de un medio. Las tecnologías doméstico-industriales nos transforman en unidades de gestión de flujos de información que alimentan el sistema de comunicación poniendo en funcionamiento un modelo mental donde, según Derrick De Kerkove (1995), el “punto de vista” es sustituido por el “punto de existencia”. Esto significa que cuando participamos de esos ambientes mediáticos ampliados la movilización de nuestro cuerpo y nuestros sentidos se produce a través de relaciones mentales, espaciales y temporales; lo cual, como apunta Negri (2002), provoca una continuidad y una extensión entre el tiempo de la vida, el tiempo de trabajo, el tiempo de ocio, el consumo y la producción 101

Leopoldo Gil Dulcio Vaz Permite reproduzir? Alberto Greciano Sim, com certeza!


estética. A través de este dispositivo cognitivo el capitalismo pós-industrial desarrolla prácticas de poder sobre la vida y sobre el cuerpo social. Por otro lado, ese dispositivo interfaz que modula el tiempo y el espacio para controlar la producción simbólica, está compuesto de interfaces lúdicas (computador, smartphone, TV, tablet, GPS, cámaras-web, etc.) que estrechan la convivencia de los ciudadanos. Tecnologías ‘afectivas’ que a través del contacto colectivo enaltecen las relaciones personales y sociales. El afecto se convierte así en un valor diferencial del capitalismo mediáticocognitivo, de manera que los dispositivos de control organizan a los consumidores en una Interfaz de redes de interacción emocional (BENTES, 2007, p. 1-8) En este punto vengo a plantear la posibilidad de evocar una práctica de bioética antropotécnica en los procesos de desarrollo y uso de estos dispositivos de control, consumo y afecto; para inferir que estos aparatos también pueden ser herramientas de resistencia, organización y movilización en favor del conocimiento (social) y la sabiduría (individual). Por tanto, ante las exigencias que producen y estimulan las estrategias que implementan lo que Foucault (1988) denomina como circuitos de biopoder, trato de discernir sobre la posibilidad de alzar tácticas de existencia que sean capaces de gestar acciones de ‘bioconocimiento’ y de generar redes de colaboración ‘biopolítica’. Con ello se apunta hacia la necesidad de una educación que atienda la complejidad de un “mundo antropotécnico” (SLOTERDIJK, 2012) para instaurar un modo de “pensamiento interfaz” (CATALÀ, 2010), con el cual el hombre no sólo busque la mejora de sí mismo sino también la mejora del mundo que el mismo configura. Voy abordar la eventualidad de esta disyuntiva a través de los principios axiológicos que despliegan las rodas de capoeira. Para eso parto del trabajo de investigación empírica y teórica realizado desde 2004 junto a la comunidad de sentido que se estructura alrededor del maestro Patinho 102 , así como de las referencias utilizadas en la elaboración de la tesis Imagen-Capoeira: Una fenomenología hermenéutica de la Interfaz en las rodas de capoeiragem de la ‘maranhensidade’ (GRECIANO, 2016)103 . Entiendo esta práctica como un ritual de interacción donde según indica Tavares: “los gestos y movimientos se conectan constituyendo un lenguaje que, por la vía corporal, articula los artefactos, que reifican sus fetiches a partir de la función de adorno corporal, así como garantizan y constituyen dispositivos de identidad colectiva” (2013 p. 61). La capoeira inaugura una nueva retórica para el cuerpo en donde la participación intersubjetiva funde trazos de memoria y porvenir a través de una “actividad de globalización transcultural” (FALCÃO, 2004). Tanto la expansión marítima europea y el tráfico de esclavos africanos como el Renacimiento y la Modernidad constituyeron dispositivos de extorsión de la creación artístico-civilizatoria de las poblaciones nativas en las áreas conquistadas y colonizadas. La capoeira surge para proporcionar al negro esclavo un instrumento para subvertir esa posición de ciega obediencia a través de una práctica de organización del pensamiento que promovía como alternativa un proyecto de libertad. Tavares destaca que el negro esclavo hizo de su cuerpo un “archivo” y un “arma”, emprendiendo un proceso donde lo biofisiológico se convirtió en un fragmento de memoria inseparable del grupo comunitario donde su cuerpo fue forjado. La capoeira, en tanto que manifestación cultural e identitaria de la diáspora del “Atlántico Negro”3 , se constituye por medio de una perspectiva del eterno retorno al espacio perdido pero también está atravesada por dispositivos que caminan hacia el restablecimiento de lo cotidiano y del “presente vívido”, significante de su “ser-estar en el mundo” y de la comunidad de donde fue secuestrado, 102

Antônio José da Conceição Ramos (São Luís do Maranhão, 1953-2017) desarrolló durante 50 años un modelo filosófico y pedagógico de la capoeira basado en el estudio teórico y empírico de diversas prácticas corporales que sintetizó a través del silogismo: “O novo no velho sem molestar raizes”. Fue miembro de la generación que firmó la reaparición de la capoeira en Maranhão, en los años 60 formó parte de la academia Bantu junto al maestro Roberval Serejo y Jesse Lobão, a finales de esa década conoció aquel que vendría a ser su gran maestro, el bahiano Mestre Sapo. En los años 70 forma su primer grupo de alumnos en el gimnasio Costa Rodrigues, en 1985 fundó la Escuela de Capoeira Angola do LABORARTE, que todavía está en plena actividad, en cooperativa con sus alumnos creó en 1998 el Centro Matroá de Capoeira y en el año 2000 recupera la casa donde había nacido y abre el Centro Cultural Mestre Patinho donde impartió aulas regularmente hasta su defunción. Además de estudiar capoeira desde los 9 años de edad, el Maestro Patinho fue técnico de la selección maranhense masculina y femenina de gimnasia deportiva, alcanzó el cinturón marrón en Judô, hizo ballet clásico, estudió en la Escuela de Circo de Rio de Janeiro, investigó la cultura alimentar y las danzas de guerra de los indios Kayapó en la región del Xingú y participó constantemente de diversos espectáculos, montajes e intervenciones artísticas. Recibió en vida diversos reconocimientos de instituciones administrativas federales, estaduales y municipales como griô por su trabajo de preservación cultural. 103 Tesis de doctorado defendida en la Universidad Autónoma de Barcelona en febrero de 2016. Para un acceso más simplificado y ameno a los contenidos abordados en este trabajo puede consultarse la página web: https://imagencapoeira.wordpress.com/


amalgamando así la cultura del presente con la cultura de la tradición (TAVARES, 2013, p. 78). El cuerpo de mandinga del capoeira, por tanto, detiene potencias de memoria individual y colectiva fraguadas a través de la fluidez de energías y de la sintonía con todo el campo energético, transcendental y cosmogónico, para revertir la visón de mundo occidental y estructurar una nueva forma de comunicación hibrida. A partir de esa coyuntura lo que trata de proyectar este trabajo es que en los ambientes performáticos de experimentación espacio-temporal de la roda de capoeira, se despliega un ecosistema de pensamientoacción que genera una fluidez simbólica y, correlativamente, una producción colectiva de significados. El fundamento epistemológico de esta elaboración común radica en un sustrato comunicativo visual (imaginario/corporal) que, además de relacionar a sus participantes, despierta una manera crítica de pensar la relación con el conocimiento y con la realidad. La capoeira puede ofrecer la posibilidad de entrever cómo afrontar la complejidad que nos plantea la Interfaz104 si se observa la práctica de representación y visibilidad que despliega su dinámica de funcionamiento, como un proceso de producción de realidad y conocimiento que se ajusta a las necesidades de transformación sin establecer un estado de hegemonía lacerante. Esto, desde una perspectiva deleuziana, viene a significar que la geografía diseñada por la capoeira abre la posibilidad de eludir los anclajes que los flujos del mercado imponen a los individuos a través de las leyes consensuadas con los Estado-Nación, pues deriva de un dispositivo nómada cuyo fundamento actúa como contratiempo de la acción universalizante desarrollada por el pensamiento colonial. Pero, más allá de actuar contra la homogeneización de la cultura y del sistema de valores, la articulación de la capoeira también acoge la lectura que Milton Santos efectúa del territorio cultural globalizado donde “cada lugar es, al mismo tiempo, objeto de una razón global y de una razón local, conviviendo dialécticamente” (SANTOS, 1996, p. 273). En este sentido, la importancia de la roda reside en la posibilidad de captar sus virtudes fenomenológicas para comprender sus posibilidades de interacción con las acciones solidarias jerárquicas. Por tanto, la representación que se plantea en las rodas de capoeira remite a un proceder histórico que (re)crea su fundamento de origen como táctica de “re(ex) sistencia” (CAJIGAS-ROTUNDO, 2008), para así refutar que las fuerzas económicas dominantes adecuen las necesidades sociales a su estilo, pues en el lugar de la roda la cultura gana una dimensión simbólica y material que combina matrices globales, nacionales, regionales y locales. Con ello no se pretende decir, ni mucho menos, que a través de la capoeira vayamos a conseguir resolver los problemas que surgen en la Interfaz comunicativa que regula nuestras vidas actualmente. Tampoco se trata de demostrar que la capoeira es un espejo de la sociedad y del imaginario actual, sino que, a lo largo de su proceder histórico, las rodas de capoeira vienen proyectando una forma de organizar y pensar el conocimiento que puede ayudar a interpretar las circunstancias que la interfaz tecnológica desencadena en el complejo entramado de la comunicación actual. Entiendo que la capoeira constituye un dispositivo interfaz que pone en marcha un modelo cognitivo de ciudadanía cuyo proceso libertario funciona como un sistema recreativo, estético y ético; donde el individuo aprende a posicionarse en el centro de sí mismo y a encontrar su espacio de mediación dentro de una esfera común. DISPOSITIVOS DE INTERACCIÓN Para delinear mejor el alcance de la aproximación alegórica que se establece entre la Capoeira y la Interfaz vamos a utilizar el concepto de “dispositivo” (FOUCAULT, 1994; DELEUZE, 1990; AGAMBEM, 2011). Pues tanto la Capoeira como la Interfaz plantean una trama multilineal de fuerzas que permite a los sujetos manifestarse en un campo de acción común. Una actuación que articula “enunciados y visibilidades” para convertirlos en puntos de conexión donde circulan las prácticas de los sujetos y los discursos presentes en el propio dispositivo. Es decir, el “régimen de enunciación y visibilidad” que se despliega en los dispositivos Capoeira e Interfaz establece marcos históricos, estéticos, epistemológicos y políticos; en donde concurren innumerables “líneas de expresión” a través de las cuales los sujetos desarrollan sus propias tramas y crean conexiones con aquellos que también están tejiendo algunas de esas líneas. 104

Esta metáfora, acuñada por Gilroy (2001), se convierte en la referencia espacial y analítica de los intensos flujos interculturales y multidireccionales que comenzaron atravesar el océano en el período colonial y que no han cesado desde entonces. Un intersticio que simboliza el océano y define una “red atlántica” donde el pasado ancestral africano de todas las culturas afro-americanas se diluye a través de la constante reinvención de esos flujos que alimentan sincrónicamente la transformación cultural de los espacios conectados


De acuerdo con Deleuze esas líneas que componen el dispositivo son “líneas de variación” sujetas a derivaciones, transformaciones y mutaciones que no tienen coordenadas constantes, sino que se definen por la capacidad de reinventarse en la medida que sus procesos singulares de unificación, totalización, verificación, objetivación y subjetivación son capaces de escapar de las dimensiones de saber y de poder en que se encuentran inseridos (DELEUZE, 1990, p.155). En la roda de capoeira los participantes compiten para superarse a sí mismos a través de la harmonía con los otros, en una pugna donde no hay vencedores ni vencidos. Pues, la praxis que plantea este dispositivo, establece entre sus componentes un paradójico ejercicio de interacción dialógica donde la “construcción”, “desconstrucción” y “recontrucción” de las categorías representadas, viene a establecer un procedimiento de renovación continuo del sujeto y de su relación con el sistema donde se encuentra inserido. Por medio de la circularidad del movimiento y sus contextos “actanciales” la roda anula nuestra formación como “sujetos” y tiende a poner en suspensión los controles internos de la subjetividad, es decir, “los mecanismos de sujeción” (BUTLER, 2001) que articulan los contenidos de la “colonialidad del ser” (Maldonado-Torres, 2007). Su capacidad para profanar ese dominio se debe a una aptitud política que se canaliza a través de nuevas posibilidades de actualización. Ya que, como apunta Muniz Sodré, la roda de capoeira es un jogo donde “todo pasa sin esquemas ni planos preconcebidos. El cuerpo es soberano, suelto en su movimiento, entregado a su propio ritmo, que encuentra instintivamente su camino” (2002, p. 22). Los cuerpos de los jogadores trazan caminos de creación estética que constantemente se frustran y se reanudan modificados, provocando la ruptura y renovación del propio dispositivo. De esta manera, el ethos de la roda colectiva no da lugar a la recomposición de un nuevo sujeto formal sino a una forma espectral de conocimiento La Capoeira y la Interfaz detentan líneas propias y procesos inmanentes que responden a una multiplicidad particular, pero ambas configuraciones se interpelan al compartir esta propiedad que define su formación estructural. O sea, aquello donde y a través del cual se realiza una “pura actividad de gobierno” (AGAMBEM, 2011, p. 256). Desde esta perspectiva puede interpretarse que el dispositivo que despliega la Interfaz de comunicación actual surge desde el interior de una sociedad disciplinaria como una “máquina de subjetivación”. Así, a través de una serie de prácticas y discursos, de saberes y ejercicios, respondería a una economía cuya meta es gestionar, gobernar, controlar y orientar de un modo utilitario los comportamientos, los gestos y los pensamientos de los hombres. Esto implica un proceso de “subjetivación/desubjetivación” proyectado para crear cuerpos dóciles que asumen su identidad y libertad de ser sujetos en el propio proceso de “asubjetivación”, sin el cual el dispositivo no podría funcionar como forma de gobierno. Sin embargo, a través de la capoeira entendemos que en esta circunstancia la categoría subjetividad, lejos de perder consistencia, se disemina abriendo posibilidades para desenmascarar los procesos que tratan de subyugar la identidad personal. La malicia del capoeira (PASSOS NETO, 2001, 2010) rige con precisión su capacidad para “superar la historia de su ego (la conciencia de los hábitos adquiridos y consolidados) y adoptar, en cuestión de segundos, una actitud nueva” (SODRÉ, 2002, p. 22). Dicho de otra forma, si em su origen los esclavos africanos eran tratados por el razonamiento colonial como una tecnología utilitaria en virtud del progreso científico y económico de la civilización occidental, a través de la capoeira fueron capaces de responder con una tecnología corporal moderna de resistencia y abstracción. De manera que, la aparente parcialidad que plantea el paradigma de la Interfaz comunicativa no es más que circunstancial, ya que, desde su interior, se está produciendo su necesaria contra-acción revulsiva. Pues, mientras las tecnologías de comunicación visual domesticas se convierten en intrusivas y diseminan su poder en cada sector de nuestra vida, el sistema de gobierno se encuentra frente a un elemento inasible que le impide capturar, sustraer y someter la identidad subjetiva de los sujetos con la docilidad que se había proyectado Esta circunstancia, a pesar de todo, no representa en sí mismo un elemento revolucionario capaz de detener o amenazar el complejo entramado que el capitalismo cognitivo plantea. Por eso, nuestra propuesta de traer a colación la Capoeira, no trata de proponer una alternativa que sirva como antídoto para destruir los dispositivos infames, ni tampoco efectuar una promesa integradora a través del buen uso de los mismos. Constituye más bien un síntoma de las posibilidades que el dispositivo Interfaz alberga en la denominada sociedad del conocimiento. MODOS DE EXPOSICIÓN DEL CONOCIMIENTO Y MODELOS MENTALES ANTROPOLÓGICOS DE LA COMUNICACIÓN


Para entender mejor las implicaciones que conlleva asimilar el conjunto significativo Capoeira/Interfaz a través de la fenomenología de los dispositivos, nos podemos remitir al rescate que efectúa Català (2010, pp. 111-120) de la acepción que Walter Benjamin dio al termino “modo de exposición”105. En este caso los dispositivos que despliegan la Capoeira y la Interfaz son maneras de disponer, organizar y, en suma, comprender el conocimiento. Este conocimiento se gesta a través de una actuación dialógica alimentada a través de la destilación de una serie de vectores que proceden de diferentes dimensiones, pero también ayuda a que estas dimensiones expongan y manifiesten su propia manera de organizar el conocimiento. Las diversas capas de conocimiento que concurren en el sustrato de estos dispositivos detentan un “modo de exposición” particular, sin embargo estos pliegues asientan la base de un “modo de exposición” general que acaba por plantear un fenómeno epistemológico, técnico, comunicativo y estético mucho más amplio del que supone cualquier elemento de representación en concreto. Al invocar las “visibilidades” comunicativas que desprende el dispositivo Capoeira para abordar el “modo de exposición” que plantea el dispositivo Interfaz, estamos apelando alegóricamente a la fenomenología de una constelación que enlaza cuestiones epistemológicas, morales y simbólicas. En estos dispositivos nos encontramos ante la posibilidad de exponer el conocimiento de una forma que no se constituye como una plataforma estructuradora de una verdad concebida como absoluta, inmutable y sublime, que es lo que esencialmente pretende poner en marcha el capitalismo cognitivo, sino que presentan la posibilidad de perseguir un saber donde la exposición del contenido “verdad” esté imbricado en la forma discursiva que lo desarrolla, es decir, incrustado en el contexto histórico en el que nace y vive. Esta propiedad estructural surge cuando el conocimiento que contiene esa verdad asume la conciencia de sí mismo como una forma suplementaria de conocimiento. Así, al ponerse de manifiesto esta cualidad, la conciencia se convierte en activa y deja de ser ese sedimento ideológico inadvertido que controla las actuaciones y discursos del dispositivo, pasando a convertirse en un modo ético de organizar esos recursos. Las bases donde se sustentan los “modos de exposición” que desempeñan los dispositivos Capoeira e Interfaz se pueden ampliar si las ligamos a lo que Català designa como “modelos mentales antropológicos de la comunicación” (2010, p. 151-156). Desde la perspectiva de estos modelos el “modo de exposición” se constituye mediante la manera en que se articula culturalmente y, a través, de su actualización en la dinámica de los procesos históricos. De manera que, el fundamento esquemático de estos modelos mentales forma parte de la cultura pero no como un elemento directamente incorporado a ella, sino como un sustrato organizador de los componentes de la misma. El “modelo mental antropológico” donde se ampara el modo de exposición del conocimiento que regulan los dispositivos Capoeira/Interfaz, “determina una relación del hombre con el mundo que sería cultural e histórica, pero que, sin embargo, se sitúa en el reverso de las formaciones culturales e históricas propiamente dichas” (p. 152). Se trata de unas pautas creadas históricamente a partir de una formación cultural determinada (en el caso de la Capoeira sería la Diáspora Africana y en el de la Interfaz la Posmodernidad Contemporánea) que se convierten en paradigmáticas debido a su correlación con relaciones epistemológicas básicas. Bajo este planteamiento de Català “subyace la idea de que el saber se estructura culturalmente a través de amplios modelos mentales” que, a grandes rasgos, son los que vienen rigiendo desde la antigüedad “las nociones relacionadas con el conocimiento, a partir de una determinada escenificación de las mismas, basadas en dispositivos técnicos” (CATALÀ, 2010, p. 21). La estructura del teatro griego se presenta como la plasmación del primer modelo mental de carácter antropológico. Al separar los ámbitos de lo real del espectador y lo ficticio del espectáculo, esta estructura implementa una disposición de orden epistemológico en las actividades sociales. Esta separación es correlativa a la crucial escisión que el pensamiento griego establece entre el sujeto y el objeto en el acto de conocimiento. Es decir, a través de una serie de configuraciones sociales y filosóficas, el nacimiento de este tipo de espectáculo viene a formalizar una estructuración mental que se da como reflejo de la manera que la antigua Grecia pensaba el mundo.

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La introducción o prólogo ‘epistemocrítico’ de la tesis que Benjamin presentó para su habilitación como docente (Habilitationsschrift), comenzaba señalando la trascendencia que tiene el modo de exposición en la transmisión del conocimiento: “es característico del texto filosófico enfrentarse de nuevo, a cada cambio de rumbo, con la cuestión del modo de exposición” (1990, p. 9)


Este paradigma que estructura el imaginario social vuelve a intervenir en el siglo XVI cuando, a partir de los fundamentos básicos de la óptica geométrica desarrollados por Kepler (1604), Descartes (1637) presenta la cámara oscura como una metáfora del funcionamiento del ojo. La cámara oscura además de ser una herramienta útil para observar fenómenos empíricos y aprehender la realidad de una manera objetiva, pasa a ser un instrumento apropiado para simular el processo cognitivo, la introspección reflexiva y la auto-observación. Es decir, éste dispositivo metafórico va aportar al conocimiento científico la configuración de un modelo mental que se basa en un sujeto convertido en observador interiorizado que contempla las representaciones del mundo exterior. Lo cual viene anticipar la gran novedad que determinará la epistemología moderna: “un giro hacia la interioridad, la ‘invención’ de un ámbito interno —la mente— donde podemos hallar representaciones internas no proposicionales” (KALPOKAS apud CATALÀ, 2010, p. 133). Sin embargo, este importante avance se verá sesgado porque, el modelo epistemológico de la visión que representa la cámara oscura, desencadena una operación reduccionista que niega la percepción psicofisiológica para sustituirla por otra de carácter exclusivamente intelectual. El dispositivo cinematográfico (BAUDRY, 1983) resuelve la dicotomía que separaba al espectador (sujeto) de la escena (objeto), a través de una simbiosis basada en la condición cognitiva que detenta el aparato ocular humano para organizar el movimiento de un conjunto de imágenes fijas e individuales. Asimismo, con la emergencia del lenguaje cinematográfico clásico, se crea un sistema de representación según el cual: El sujeto está a la vez fuera y dentro de este sistema: fuera porque cree contemplar todavía a distancia un espectáculo que se proyecta en la pantalla, y dentro porque, en realidad, la retórica cinematográfica está creando espacios y tiempos virtuales cuyos cimientos reposan en las capacidades cognitivas de ese sujeto (CATALÀ, 2010, p. 144). Este dispositivo (cámara, proyector, espacio de proyección), además de culminar toda una fenomenología que se extiende a lo largo de varios siglos intentando explicar las relaciones entre la visión, la mente, la realidad y el cuerpo; alberga en un discurso formal la complejidad de los diferentes modelos mentales que le anteceden. Sin embargo, el propio desarrollo técnico que viene a posibilitar este desplazamiento epistemológico a través de la reciprocidad simbiótica entre cuerpo-mente y sujeto-objeto, sólo pasa a ser efectivo cuando surge desde el ámbito de la informática el modelo mental contemporáneo. El modelo que tiene por eje la forma Interfaz se diferencia de los anteriores porque trae consigo un aumento del potencial interactivo. La característica primordial que define a este dispositivo es la forma relacional que adopta la comunicación una vez que se desvanece la distancia entre los sujetos usuarios y los objetos tecnológicos de intermediación. Pues, aunque siga “rigiendo nuestra manera de pensar desde zonas lo suficientemente profundas como para que no podamos librarnos totalmente de su influencia estructuradora”, a través de su operatividad conseguimos actualizar cualquier pensamiento y, con ello, mantener presente la dialéctica entre la realidad y el modelo mediante el que la interpretamos (CATALÀ, 2010, p. 148). Es decir, al estar inmersos en este modelo mental detentamos un instrumento de pensamiento capaz de pensarse a sí mismo. Ya que, para poder efectuar los procesos de reflexión que nos permite su diseño, es necesario realizar una actuación que renueva las bases simbólicas que lo sustentan. Estamos, como dice Morin, ante: “un complejo de propiedades y cualidades que, partiendo de un fenómeno organizador, participa de esta organización y retroactúa sobre las condiciones que lo producen” (MORIN, 1986, p. 78) La interactividad, por tanto, se destapa en estos dispositivos como un factor clave que permite al sujeto encauzar el desarrollo de su propia subjetividad objetivada, lo cual hace que sus usuarios o participantes sean más conscientes del proceso comunicativo. Pues, tanto la Capoeira como la Interfaz, a través de su formalización en dispositivos concretos de representación (roda/computador), constituyen una expresión esencial de la conciencia y correlativamente una forma de entender nuestra mente. En la roda de capoeira este modelo mental está representado a través de la estructura de un mecanismo mítico, en donde la interacción corporal y musical plantean la proyección de los estados internos sobre el mundo exterior, lo cual provoca a su vez un retorno constitutivo que reconfigura continuamente estos estados. Y en la interfaz estamos ante “una representación visual de esos estados internos a través del vigor imaginista de la moderna


tecnología”, es decir, la mente “aparece colocada ante nuestros ojos convertida en imagen dispuesta a ser manipulada” (CATALÀ, 2005, p. 565-566). La concreción que la Interfaz y la Capoeira efectúan de la conciencia plasma la fluida combinación entre la subjetividad del sujeto y la representación que tanto los aparatos digitales como las rodas proponen de las cosas. Este fluir se convierte en un dispositivo práctico, ya sea a través del ordenador y sus derivados, en cuyas interfaces están continuamente “jogando capoeira” objeto y sujeto; o de la roda, en donde los jogadores manejan los cuerpos como si estuviesen operando un ordenador. El flujo de esta actividad viene a reflejar el mecanismo epistemológico que se despliega entre las relaciones que establecen los modelos mentales antropológicos de esos dispositivos con los ámbitos sociales y tecnológicos donde actúan106. Es decir, a través de las manifestaciones efectuadas en el ámbito particular de los dispositivos específicos (roda/aparatos digitales), el modelo mental y el dispositivo general de conocimiento (Capoeira/Interfaz) se encuentran al final del movimiento circular que va de uno al otro. Podemos sintetizar que la externalización de los procesos de conocimiento que encarnan estos dispositivos de comunicación va implicar un importante aumento de su potencial tanto cognitivo como epistemológico. Pues, el mecanismo que estas plataformas ponen en marcha ya no intenta producir verdades unitarias, omniabarcantes y duraderas, sino gestionar el saber y engendrar un modo de conocimiento dialógico, recursivo y hologramático. ACCIÓN INTERSUBJETIVA Y CONOCIMIENTO VISUAL HOLOGRÁFICO En los dispositivos Capoeira e Interfaz el sujeto representa la estructura de un saber que se enuncia a través de la interacción comunicativa. En esta dinámica relacional emerge un campo cognitivo y afectivo que desvela procesos de aprendizaje y desarrollo multidimensional, un intervalo donde se propicia la capacidad de eludir las formas de regulación y asimilación que imponen los programas de comunicación determinados económicamente. De hecho, el funcionamiento de este ámbito pasa a implementar la formación de una inteligencia polimorfa que desarrolla simultáneamente el conocimiento y las posibilidades de emancipación del conocimiento. Esta disposición pensante Sodré la sitúa en el cuerpo del capoeira como perteneciente al orden de lo diverso, o sea: una simultaneidad de cosas comprensibles e incomprensibles, (…) que no se abrigan en el ‘yo’ aislado y omnipotente de una consciencia deportiva, sino en el grupo – múltiple, diferenciado, polimorfo, colectivo de almas– que hace eco creativo a una tradición ritualista, musical, narrativa y corporal de origen negra (p. 22). La interfaz, por tanto, apunta hacia un sujeto pleno de visualidad en cuyo cuerpo epistemológico no se disuelve la experiencia estética, sino que se aproxima de lo que Pierre Lévy denomina como parte de: “un colectivo pensante poblado de singularidades actuantes y de subjetividades mutantes” (1990, p. 11). En ese sentido Lacan se va convertir en un índice necesario, pues sus propuestas plantean la posibilidad de un sujeto complejo que forma parte de la propia estructura que despliega la fenomenología comunicativa. Para Lacan (1966) todo movimiento relacionado con lo social no puede existir sin atender a la psicología que imprimen los sujetos y, al mismo tiempo, cada uno de los sujetos se produce y existe a través de la 106

En este sentido, entendemos que la roda de Capoeira, en tanto que un dispositivo técnico de representación adscrito al paradigma epistemológico del pensamiento decolonial, constituye un modo de comunicación que en su devenir histórico viene actualizándose convenientemente, matizando y ampliando, a través de sus procesos de inserción social y de las actualizaciones de su ritual de representación, el modo de exposición general que propone el modelo mental antropológico al cual está ligada. Así, cuando los maestros Bimba y Pastinha, como necesidad para sobrevivir a las estrategias implementadas por el paradigma de la modernidad, plantan las bases escenográficas del modelo de representación de roda que se continua utilizando en la actualidad; aparentemente, van abandonar el carácter espontáneo, primario, apasionado, caótico, frenético, embriagador, telúrico y creativo de la capoeira para asumir una escenografía domesticada. Pero, lejos de asimilar un esquema mental reduccionista lo que están a proponiendo es un modo de exponer el conocimiento donde los implicados no vienen asistir un espectáculo ajeno, sino a participar en cuerpo, alma y mente de un ejercicio de saber. De manera que, la configuración moderna de la roda propone una confluencia que no debe entenderse ni como suma ni como contraposición, sino como una fusión dialógica donde todos sus elementos interactúan.


estructura intersubjetiva social por la que circula. Esta es la manera que tenemos de entender cómo la acción comunicativa no es una simple forma de conocimiento que se adapta a las estrategias del capitalismo cognitivo, sino que, su hecho pasa por concretar un ejercicio cognoscitivo a través del cuerpo social y de los sujetos intersubjetivos. Maturana y Varela detectan la morfología de este fenómeno comunicativo en los estudios que establecen al relacionar la biología y la consciencia humana: Hay comunicación cada vez que hay coordinación conductual en un dominio de acoplamiento estructural. (...) Esta fenomenología se basa en que los organismos participantes satisfacen sus ontogenias individuales fundamentalmente mediante sus acoplamientos mutuos en la red de interacciones recíprocas que conforman (MATURANA; VARELA, 2003, p. 129). Por eso, aunque el sujeto pueda encontrarse a merced de los cambios que se suceden en el funcionamiento estructural de los dispositivos Capoeira e Interfaz, también está en el eje de formación del propio modelo de estos dispositivos. Estos dispositivos de comunicación ya no plantean un proceso mecanicista de transmisión de informaciones, sino que proyectan un espacio de intercomunicación donde se produce una asimilación transformativa del conocimiento. Es decir, estamos ante un entorno relacional que ofrece una propuesta circular sin límites donde a través de una determinada elección se van abriendo constelaciones de posibilidades que a medida que se van actualizando determinan también la forma del espacio que las relaciona. Los artefactos de comunicación que componen las ecologías de la Interfaz han desplegado una disposición en donde la distancia que separaba al sujeto y al objeto pasa a convertirse en un espacio de pliegues en el cual estos elementos se fusionan. Eso significa que el conocimiento no se genera a través de la imagen de un objeto que está fuera de la subjetividad. Por el contrario, sujeto y objeto se confunden en la imagen que da fluidez a las imágenes a través de un continuo ejercicio de plegar, desplegar y replegar el conocimiento. La conciencia se vuelve manejable al objetivar su flujo en la imagen del espacio visual que pone en conjunción a los usuarios con los dispositivos tecnológicos. O dicho de otra forma, este dispositivo de comunicación y conocimiento se convierte en un espacio relacional de modelos generativos donde las instancias cognitivas y emotivas del sujeto se licúan con la representación visual de los aparatos. La interfaz, de acuerdo con Català, se caracteriza por ser “una construcción hologramática de modelos en los que se establecen relaciones cambiantes entre lo real, lo imaginario y lo simbólico” (2010, p. 232). Una forma holográfica inestable donde el sujeto, además de gestionar informaciones y conocimientos, se define y redefine a la vez que somete y se ve sometido por los otros elementos constituyentes que la forman. Por tanto, al tratar de pensar la nueva condición en que nos sitúa la Interfaz, nos encontramos ante una propuesta ambigua en la que lo contingente y lo trascendente se conjuntan. Esta disposición es a la vez una realidad tecnológica, identitaria y epistemológica; lo cual, además de suponer un aumento del potencial comunicador también representa un incremento del potencial cognitivo y mental. Estos principios son los que nos llevan a entender la disposición relacional que despliega la roda de capoeira como un arquetipo metafórico de la fenomenología que se origina con la Interfaz. No sólo porque la escenificación que se pone en marcha a través del juego corporal nos remita directamente a la disolución holográfica de las categorías segregadas. También porque, en este espacio de actuación, el movimiento recursivo de interpelación que se establece entre los cuerpos de los jogadores viene a representar la circulación imaginativa que se establece en la Interfaz. Es decir, el imbricado movimiento de cuerpos que se despliega durante el ritual de la roda de capoeira, operativiza una imaginación agente que a la vez que interpela sin cesar para obtener respuestas no para de generar nuevas cuestiones. La dinámica de funcionamiento que despliegan estas plataformas de conocimiento además de suponer una forma de objetivación de los procesos mentales, ya sea a través de las imágenes icónicas o de la actitud performativa del cuerpo, también permiten al sujeto la posibilidad de actuar directamente sobre estas representaciones cargadas de conciencia. La actividad que desencadenan, por tanto, no sólo pretende conectar con el flujo de la consciencia para extraer de allí momentos significativos y objetivarlos de forma razonable, sino que procuran poner de manifiesto el propio fluir de una conciencia agente. En este aspecto son significativas las palabras de William James cuando apunta que: “el hecho más importante que cada cual adjudicaría a su experiencia interior es que la conciencia avanza de alguna manera. Diversos ‘estados


mentales’ se suceden unos a otros en el interior de uno mismo” (JAMES, 1892, cap XI). Así pues, el sujeto, a través de su actuación en estos dispositivos, efectúa un ejercicio de autorreflexión por medio del cuál se observa a sí mismo y observa que su mente es un fluir. Esta percepción de la propia autoconciencia va poner de manifiesto que la conciencia no solamente se mueve, sino que la fluidez de los diversos estados mentales ofrece una actividad perpetua de ideas cargadas de historias y memorias donde se originan y propagan auras de conocimiento y posos de sabiduría. POR UNA ÉTICA DE LOS ACRÓBATAS El código ético que los maestros Bimba (DECANIO, 2005) y Pastinha (FERREIRA, 1960) impartieron y dejaron registrados rige un modo de conducta en la roda de capoeira que se presenta como oportuno para cuestionar de raíz el principio político-económico que ha monopolizado la comunicación informativa en la Edad Contemporánea. En el acontecer de la roda se producen procesos de discernimiento y adaptación que están basados en una lógica polivalente donde, por un lado, se tiene siempre presente el perjuicio que puede ser causado al otro y, por otro, se manifiesta que el modo propio de ser hombre implica una continua autotransformación técnica de sí. Con ello, apuntamos hacia un modo de “pensamiento capoeira” que ayude a tomar conciencia de la responsabilidad que conlleva una disposición activa en la nueva mediación tecnológica de la comunicación. Y, de esta forma, venimos a demandar que se efectúe un uso de los aparatos tecnológicos de comunicación entendidos como instrumentos de pensamiento antropotécnico. Ya que, ésta es la forma que tienen los usuarios de no convertirse en esclavos inconscientes del pensamiento técnico y de no verse sometidos por la reproducción automática de determinados parámetros teóricos, estéticos, perceptivos, ideológicos y sociales. A partir de la pauta moral que se despliega en la roda de capoeira es posible deducir que una actuación ética en la interfaz no debe entenderse como un ordenamiento deontológico estrictamente aplicado, sino como una invitación para sentar las bases de una comprensión compleja de la comunicación que adopte el desafío de educar(se) ‘en’ y ‘para’ la ‘era planetaria’. Desde esta expectativa podemos considerar que el ritual de la roda funda un modo de trabajo cooperativo que potencializa la creatividad y el respeto mediante el libre y desinteresado intercambio de informaciones y saberes. En la roda, por tanto, los capoeiras forman verdaderos colectivos inteligentes que vienen a desarrollar y difundir un modo de comunicación esférico en red cuyos valores tienen como base la colaboración, el reconocimiento de la comunidad y el trabajo de evolución personal motivado por la pasión y la diversión. En este sentido, el maestro Patinho presentaba la capoeira como “un buen combate”, es decir, un juego estratégico que en sintonía armónica debe desplegar un ejercicio lúdico que sea útil para completar al ser humano pero sin perder el aspecto aguerrido de la lucha por la supervivencia. De acuerdo con los planteamientos de Sloterdijk (2012) podemos definir esta ética como “acrobática”. Dado que, a través de la continua ejercitación de un tipo de relaciones establecidas en virtud del cooperativismo, procura la propia auto-superación del hombre y la mejora del entorno para evitar el dominio esclavizador del proceso técnico-económico proyectado por el capitalismo cognitivo. Esta lectura acrobática de la ética, que concibe y procura el bienestar de todos desde la fuerza del sí interior del hombre, desencadena un proceso de verdad bidireccional que atraviesa la frontera divisoria entre lo explícito y lo implícito. En el planeta de los ‘acróbatas’ el proceder que sigue la verdad no pasa por la existencia determinada de “un contingente seguro de hechos, ni tampoco una mera propiedad definida de las proposiciones. Más bien es un ir y venir, un centelleo temático actual y un hundimiento en la noche atemática” (SLOTERDIJK, 2006, p. 327). De ahí que, la experiencia que la capoeira puede aportar para el desarrollo de la interfaz comunicativa pase por aprobar que somos seres fortuitos, criaturas siempre en proceso de alcanzar algo y, al mismo tiempo, de ser alcanzados por algo que nos transforma antes, durante y después de esta sucesión accidental. Y, con ello, entender que para captar esta ubicación concreta del conocimiento y la sabiduría en el descubrimiento fáctico, es preciso no sólo admitir la historicidad de la verdad sino también, y al mismo tiempo, aceptar que la expresión ética que la formula y la recibe transforma tanto el mundo como a sus habitantes. CONSIDERACIONES FINALES Los mecanismos dinámicos que articulan tanto la Capoeira como la Interfaz reflejan la posibilidad de expresar una verdad bivalente, la cual se desarrolla a partir de la intuición sensible de los hombres en el


intercambio fronterizo que establecen con el fluir temporal de los fenómenos. Ya no se trata de escindir la conciencia para conocer la realidad, sino de una forma de conciencia corporal, compleja y holística, consciente de sí misma, de su entorno y de su propio impacto sobre el entorno. O sea, entendida como un campo trascendental activo donde los sujetos capoeira e interfaz pueden plantear tácticas que sirvan tanto para soslayar las estrategias del metadispositivo de control que constituye la sociedad de la información, como para afrontar un presente posthumano que está acorralado por las modalidades de ‘biopoder’ del capitalismo contemporáneo. Por tanto, desde esta perspectiva, no se trata de recurrir a los paradigmas humanistas del sujeto autónomo, ‘libre’ y estable; sino a la búsqueda de un espectro inalcanzable que se abre hacia formas emergentes de devenir relacional para eliminar las distinciones entre representación y realidad, entre el pensamiento subjetivo de las cosas y su ser objetivo. De manera que, la disposición que plantea este auto-eco-desarrollo del bucle sensorial-mental-motor propone la disolución de los grandes dualismos (cuerpo-mente, acción-conciencia, materia-espíritu, objeto-sujeto, naturaleza-cultura y, más recientemente, real-virtual) que vienen conformando la arquitectura tecno-estética y el conocimiento discursivo de la cultura occidental. REFERÊNCIAS >> AGAMBEM, G. ¿Qué es un dispositivo? In: Sociológica (Mexico D.F.), núm. 73, p. 249-264. maio/agosto 2011. BAUDRY, J.L. Cinema: efeitos ideológicos produzidos pelo aparelho de base. In: Xavier, I. A experiência do cinema. Rio de Janeiro: Graal, 1983. BENJAMIN, Walter. El origen del drama barroco alemán. Madrid: Taurus, 1990. BENTES, I. O devir estético do capitalismo cognitivo. In: COMPOS - Associação Nacional dos Programas de PósGraduação em Comunicação, 16, 2007, Curitiba. Anais do XVI Encontro Nacional Compos. CuritibaPR: COMPOS, Junho de 2007. Disponivel em: https://www.academia.edu/2492724/O_Devir_Estético_do_Capitalismo_Cognitivo BUTLER, J. Mecanismos psíquicos del poder. Teorías sobre la sujeción, Madrid: Cátedra, 2001. CATALÀ, J. La imagen compleja. Bellaterra (Barcelona): Servei de publicacions Universitat Autónoma de Barcelona, 2005. CATALÀ, J. La imagen interfaz. Bilbao: Servicio Editorial de la Universidad del País Vasco, 2010. DECANIO, A. A ética academia de mestre Bimba. Portal da Capoeira. [S.I.] 2005. Disponible en: http://capoeiradabahia. portalcapoeira.com/a-tica-academia-de-mestre-bimba-3/. Consultado en: 10 de junio 2015. DELEUZE, G. ¿Qué es un dispositivo?. In Deleuze, G. - Glucksmann, A. - Frank, M. - Balbier, (Et Al.). Michel Foucault filósofo. Barcelona: Gedisa, 1990. p. 155-163. DESCARTES, R. Discurso del Método, Dióptrica, Meteoros y Geometría. Madrid: Ed. Alfaguara, 1981 [1637]. FERREIRA, Vicente, (mestre Pastinha). Manuscritos y dibujos con el Estatuto del Centro Esportivo de Capoeira Angola. 2 vol. Editado por Decânio (Coleção S. Salomão), Salvador, 1960/1996. FOUCAULT, M. Historia da Sexualidade I: A vontade de Saber. Rio de Janeiro: Ed. Graal, 1988. GILROY, P. O Atlântico Negro, Modernidade e dupla consciencia. Rio de Janeiro: Universidade Candido Mendes, Centro de Estudos Afro-asiáticos y Ed. 34, 2001. GRECIANO, Alberto. Imagen-Capoeira. Una fenomenología hermenéutica de la interfaz en las rodas de capoeiragem de la “maranhensidade”. 2016. 724 f. Tese (Doutorado em Comunicação Audiovisual e Publicidade) – Faculdade de Ciencias da Comunicação, Universidade Autónoma de Barcelona. JAMES, W. The Stream of Consciousness. In: Psychology. Cleveland & New York: World, 1892, cap XI. Disponivel em: http://psychclassics.yorku.ca/James/jimmy11.htm


KEPLER, J. Les fundaments de l’optique moderne: Paralipomènes à Vitellion. Paris: Vrin, 1980 [1604]. ANO XXII - No 43 JAN. / JUN. 2019 Capoeira e Interfaz: modelos mentales de conocimiento hologramático en la comunicación contemporánea Alberto Greciano 93 LÍBERO KERCKHOVE, D. A pele da cultura: uma investigação sobre a Nova Realidade Eletrônica. Lisboa: Relógio d’Água, 1995. LACAN, J. Del sujeto por fin cuestionado. In: Escritos 1. Madrid: Biblioteca Nueva, 2013 [1966] LAZZARATO, M. As Revoluções do Capitalismo. Rio de Janeiro: Ed. Record, 2006. LEVY, P. Les technologies de l’intelligence. L’avenir de la pensée a l’ère informatique. París: La Découverte, 1990. MALDONADO-TORRES, N. Sobre la colonialidad del ser: contribuciones al desarrollo de un concepto. In: El giro decolonial. CASTRO-GÓMEZ, S. y GROSFOGUEL, R. (Org.). Bogotá: Instituto Pensar de la Pontificia Universidad Javeriana, Instituto de Estudios Sociales Contemporáneos de la Universidad Central (IESCO-UC) y Siglo del Hombre Editores., 2007, p. 127-169. MATURANA, H. y VARELA, F. El árbol del conocimiento: las bases biológicas del entendimiento humano. Buenos Aires: Lumen, 2003. MORIN, E. La méthode: 3.La Connaissance. París: Éditions du Seuil, 1986. NEGRI, A. e HARDT, M. Império. Rio de Janeiro: Ed. Record, 2001. NEGRI, A. O Poder Constituinte: ensaio sobre as alternativas da modernidade . Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2002. PASSOS NETO, Nestor Sezefredo (Nestor Capoeira). Capoeira, os fundamentos da malícia. Río de Janeiro: Record, 2001. ______. Capoeira: a construção da malícia e a filosofia da malandragem 1800-2010. Trilogia do jogador vol. 1. Edición del autor, 2010. RAMOS, A. (Mestre Patinho). O novo no velho sem molestar raízes: Capoeira, jogo e fundamento. São Luís do Maranhão: Centro Cultural Mestre Patinho, 2013. 1 DVD (70 min.). SLOTERDIJK, P. Has de cambiar tu vida: Sobre antropotécnica. Valencia: Pre-Textos, 2012. ______. Esferas III: Espumas, esferología plural. Madrid: Siruela, 2006. SODRE, M. Mestre Bimba, corpo de mandinga. Rio de Janeiro: Manati, 2002. TAVARES, Julio Cesar de. Dança de guerra: arquivo e arma. Elementos para uma Teoria da Capoeiragem e da Comunicação Corporal AfroBrasileira. Belo Horizonte: Nandyala, 2012. WAGNER, R. An Anthropology of the Subject. Holographic Worldview in New Guinea and Its Meaning and Significance for the World of Anthropology. Berkeley: University of California Press, 2001


Desporto e Filosofar Por: Jorge Olímpio Bento. Blog do CEV - 2019

http://cev.org.br/biblioteca/desporto-e-filosofar/?fbclid=IwAR1BtfbJ0c1zt_UjMEu9fwoTikDAYpdzITQNp7vj3t0YCEV4qhMqD4Q7Gw

A meditação filosófica recomenda-se em todas as épocas e em todos os setores como maneira de gerir lucidamente a vida. Não há outra via para alcançar esta meta. Aquela assume carácter de urgência numa conjuntura tão conturbada como a presente. No entanto e paradoxalmente, a filosofia vê-se hoje combatida e perseguida como um vírus, sendo forçada a fugir das instâncias que comandam o nosso destino individual e coletivo. Porém não resta alternativa à de irmos atrás dela e do seu incitamento para revisarmos a vida e as circunstâncias que a envolvem, condicionam e determinam. Filosofar é questionar o que nos rodeia e perturba; é olhar para o alto, para fora e para além de nós, à procura de uma referência e de um ponto de apoio que permitam sobrepujar a realidade. Estamos assim a fazer uso da razão para nos pensarmos a nós mesmos e ao mundo em que vivemos com as suas crenças, manipulações, tradições, costumes e mitos. Quando, na nossa ação, não usamos a inteligência, a lucidez, a sensatez e a força da razão, então caímos nas garras do manicómio ideológico ou de outro matiz. Filosofar é imaginar algo novo e superior, constituindo um exercício de autonomia e liberdade, próprio de quem não se acomoda e rende aos determinismos e alienações de toda a ordem. Pensar e filosofar são, portanto, atos corrosivos e subversivos dos poderes vigentes e da doutrina e realidade por eles estabelecidas; desacorrentam e desfazem nós, iluminam o caminho e a porta de saída das armadilhas e labirintos em que nos deixamos aprisionar. Mais ainda, pensamentos são já em si eventos, ao idealizarem, anteciparem e projetarem a realização de ações. Porquê? A um modo de pensar corresponde a adesão a uma maneira de agir. É óbvio que a filosofia tem subjacentes a apetência, a curiosidade e a vontade de saber. Mas isso requer a percepção e o desconforto do vazio, a noção e a insatisfação da falta. E isto, por sua vez, pressupõe conhecimento, competência crítica e sabedoria para visionar a altura, para romper a rotina e o conformismo, para perceber as novas questões e maneiras de as abordar, para não nos contentarmos com uma configuração pequena das coisas e factos da vida. Viver é a nossa ocupação fundamental, logo a sabedoria tem como alvo a melhor gestão possível da vida. E para isso não há bula de garantias. Saber viver bem a vida é o conhecimento mais difícil de adquirir; não há nada tão exigente, belo e sublime como desempenhar corretamente a existência e o papel da Pessoa que nela somos chamados a incarnar e representar. Não obstante este desafio e apesar de fazer parte da nossa natureza intrínseca a possibilidade de nos pensarmos em profundidade e de questionarmos as relações com a crescente complexidade do mundo, a filosofia é encarada como algo estranho e distante, como um diletantismo sem préstimo. Parece que nos damos bem com a sujeição a um fabrico de identidades em série, a um mundo às avessas em que os interesses tomam o lugar dos princípios; reagimos pouco aos cenários traçados e impostos pelos politólogos e economistas e pelos comentadores de serviço. Em todo o caso a vacuidade e o abismo interiores, o tédio angustiante e a asfixiante ausência de um sentido para a vida não cessam de aumentar. Ou seja, é a conjuntura que pede para trazermos de volta a palavra da filosofia, sabendo que a voz da razão é baixa e débil, mas não descansa enquanto não tiver audiência bastante. Por isso neste tempo de neblina e cerração é preciso filosofar. Pitágoras (570/571-496/497 a.C.), filósofo e matemático da Antiguidade grega, definiu a vida como uma feira. Uns vêm a ela para vender e outros para comprar, ao passo que outros ainda vêm para ver, para contemplar e observar quem e aquilo que se compra e vende. Vêm para apreciar e refletir sobre o comportamento humano e sobre as regras que a ele presidem. Sobre o modo de concretizar a Humanidade.


Pitágoras não tinha dúvida alguma de que os melhores são os que vêm à vida para reparar nos outros, para se preocuparem com eles, para se lembrarem deles, para serem solidários. E por isso classificou-os como seres quase perfeitos, quase felizes, quase divinos. Sófocles (497/496-406/405 a.C.), uma outra figura insigne, autor de obras-primas da tragédia grega, tais como Antígona, Electra e O Rei Édipo, quando perguntado por um discípulo acerca do castigo reservado àqueles que não filosofam, foi peremptório na resposta: É a vida que levam! É serem o que são e não serem a pessoa que deviam e poderiam ser. O mundo que temos e vemos revelam o que somos, isto é, a filosofia e a sabedoria de vida que nos faltam. A ‘filosofia’ dominante é a da ausência de uma clara orientação filosófica; no lugar desta crescem o improviso e o deserto de causas, ideais e valores. Alguns dizem gostar; mas não são eles quem fala, são a estultícia, a ignorância e pasmaceira que os habitam. Ora o âmbito do labor desportivo não dispensa o dever da auto-reflexão, a obrigação de cada um tornar imanente a si mesmo, às suas convicções, ações e respetivas consequências uma teoria da transcendência. Uma teoria com um alcance e pensamento normativos alargados, que estipule o que deve ser, combata a arrogância, a sobranceria e o autoritarismo da estupidez; e convide a questionar os meios e os fins, a sacralizar o Outro, a divinizar o Humano, a tornar mais Humanas as coisas, a dar-se ao esforço de perseguir a beleza, a graça, a perfectibilidade e a liberdade, a sair e a distanciar-se de si, a adicionar às caraterísticas originais, particulares e situacionais excertos, noções e valores universais e a incorporar, assim, na individualidade e singularidade a condição da universalidade, dada por uma perspetiva mais ampla, por uma experiência e vivência com selo e identificação de Humanidade. Esta obrigação afigura-se óbvia para todos, nomeadamente para aqueles que laboram no desporto e se interrogam acerca dos caminhos e tortuosidades que ele está adoptar. Não é necessário ser filósofo por formação e profissão para assumir a obrigação de indagar; ela impõe-se e é imanente e transversal a todos. A reflexão crítica é um imperativo moral de todo o ser humano digno desse nome, que não suspenda o interesse pelo mundo e queira estar à altura das circunstâncias, circundações e exigências da vida. Logo um professor ou treinador desportivo não pode deixar de plasmar e exercitar essa qualidade indispensável à separação do trigo do joio, de exibir em subido e apurado grau a capacidade de espírito crítico em relação a si mesmo, ao seu perfil, papel e labor; nem pode ficar neutro e indiferente ao modelo que hoje se quer impor a todo o custo, qual seja o de colocar a vida, a sociedade, a cultura e o desporto sob os ditames exclusivos do mercado e das suas ambições curtas, míopes, pequenas e comezinhas, rasteiras e torpes. Ademais um genuíno Ser Humano deve tender para se afastar da ignorância e incultura e abeirar da abedoria; e esta, como dizia Hegel (1770-1831), “tem início com as ideias e termina com a imundície” e com a pequenez e estreiteza das noções, visões e perspetivas. Ou será que a um Professor de Educação Física e a um treinador desportivo basta uma especialização em miudezas, em coisas minúsculas, vazia de alcance e compreensão do todo, uma confrangedora penúria de inquietação em relação ao cru e gélido modelo neoliberal em que, pouco a pouco, mergulhamos? Não tem necessidade de alargar os horizontes da sua especialidade e de enxergar, para além deles, valores abrangentes, fundadores e mais promissores? Não carece de uma teoria que o habilite e impulsione a ver e a aspirar chegar ao Citius, Altius, Fortius, ao mais elevado e longe, ao superior e divino? [1] Professor Catedrático Jubilado da Universidade do Porto


ESCOLA DE GESTÃO “[...] Outro conceito essencial da gestão do milênio é o de organizações que aprendem, mudando o paradigma de uma organização que trabalha rotineiramente para o de uma organização que aprende, adotando uma filosofia permanente que permeia e envolve toda a empresa, tendo como técnicas de gestão o compartilhamento da informação, do conhecimento, a disseminação das melhores práticas, o empowerment107 e o aprendizado permanente” (CORTE REAL, on line) 108

Gestão é atividade empreendedora de alguém que está engajado num empreendimento, reconhece viável uma idéia para um produto ou serviço, um negócio, e o leva adiante. O comprometimento com o empreendedorismo leva à inovação, que se nutre na mudança para criar valor. Vivemos em uma sociedade de caráter empreendedor, em uma economia empreendedora – o que conduz a uma gestão empreendedora, pois o empreendedor não é apenas um dinamizador: é também um gestor eficiente (CORTE REAL)1. Os principais responsáveis pelo processo de aperfeiçoamento da organização são os administradores, executivos, planejadores, projetistas e gerentes. Estes agentes executam atividades eminentemente intelectuais. Os recursos intelectuais são as ferramentas básicas que os agentes do processo de aperfeiçoamento não podem deixar de usar, se desejam executar suas tarefas com proficiência:   

as informações gerenciais necessárias para apoiar a tomada de decisões adequadamente fundamentadas; os conhecimentos de interesse sobre os processos que a organização precisa realizar, indispensáveis para definir as informações relevantes para gerenciá-la; a linguagem organizacional, que descreve a realidade da organização, reflete os conhecimentos por ela dominados, permite expressar as informações relevantes e dá suporte à Comunicação Organizacional.

ORGANIZAÇÃO

107

delegação de autoridade, é uma abordagem a projetos de trabalho que se baseia na delegação de poderes de decisão, autonomia e participação dos funcionários na administração das empresas. Analisa-se o desenvolvimento, ou grau de maturidade, do empowerment na organização avaliando o estágio evolutivo em que se encontram as áreas de gestão, as configurações organizacionais, as estratégias competitivas, a gestão de recursos humanos e a qualidade. O empowerment se assenta em quatro bases principais: Poder – dar poder às pessoas, delegando autoridade e responsabilidade em todos os níveis da organização. Isso significa dar importância e confiar nas pessoas, dar-lhes liberdade e autonomia de ação. Motivação – proporcionar motivação às pessoas para incentivá-las continuamente. Isso significa reconhecer o bom desempenho, recompensar os resultados, permitir que as pessoas participem dos resultados de seu trabalho e festejem o alcance de metas. Desenvolvimento – dar recursos às pessoas em termos de capacitação e desenvolvimento pessoal e profissional. Isso significa treinar continuamente, proporcionar informações e conhecimento, ensinar continuamente novas técnicas, criar e desenvolver talentos na organização. Liderança - proporcionar liderança na organização. Isso significa orientar as pessoas, definir objetivos e metas, abrir novos horizontes, avaliar o desempenho e proporcionar retroação. 108

http://pt.shvoong.com/business-management/management/1689378-gest%C3%A3o-empresarial-conceito-gest%C3%A3o/


Organização109 é o modo como se organiza um sistema. É a forma escolhida para arranjar, dispor ou classificar objetos, documentos e informações. Em Administração110, organização tem dois sentidos: 

Combinação de esforços individuais que tem por finalidade realizar propósitos coletivos. Exemplo: empresas, associações, órgãos do governo, ou seja, qualquer entidade pública ou privada. As organizações são compostas de estrutura física, tecnológica e pessoas. Modo como foi estruturado, dividido e sequenciado o trabalho.

Segundo Montana (2003, p. 170) organizar é o processo de reunir recursos físicos e humanos essenciais à consecução dos objetivos de uma empresa. A estrutura de uma organização é representada através do seu organograma. Segundo Maximiano (1992) uma organização é uma combinação de esforços individuais que tem por finalidade realizar propósitos coletivos. Por meio de uma organização torna-se possível perseguir e alcançar objetivos que seriam inatingíveis para uma pessoa. Uma grande empresa ou uma pequena oficina, um laboratório ou o corpo de bombeiros, um hospital ou uma escola são todos exemplos de organizações. Segundo Robbins (1990), a organização é "uma entidade social conscientemente coordenada, com uma fronteira relativamente identificável, que funciona numa base relativamente contínua para alcançar um objectivo ou objectivos comuns". Uma organização é constituída por pessoas – para que ela mude, também as pessoas têm que mudar. No entanto, o ser humano é único e, como tal, cria o seu próprio pensamento individual, quer por antecipação, quer por reacção. A forma como estes pensamentos e correspondentes acções se reflectem no contexto organizacional poderá ganhar uma dimensão tal, que torna a reacção do sistema imprevisível . Uma organização é formada pela soma de pessoas, máquinas e outros equipamentos, recursos financeiros e outros.A organização então é o resultado da combinação de todos estes elementos orientados a um objetivo comum. Organizar compreende atribuir responsabilidades às pessoas e atividades aos órgãos (unidades administrativas). A forma de organizar estes órgãos chama-se de departamentalização.

DEPARTAMENTALIZAÇÃO Tem suas origens na Teoria Clássica, corrente filosófica administrativa iniciada pelo teórico francês Henri Fayol, que pregava a ênfase na Estrutura Organizacional como forma de aumentar a eficiência e aprimorar as relações entre cada segmento de uma empresa111. Era uma abordagem de conceito verticalizado que segue hierarquicamente da direção para a execução das tarefas. Sob abordagem econômica, entretanto, a Divisão

109 Do grego "organon", organização significa instrumento, utensílio. De acordo Bilhim (2006) "a organização é uma entidade social, conscientemente coordenada, gozando de fronteiras delimitadas que funcionam numa base relativamente contínua, tendo em vista a realização de objectivos comuns". Sobrevivência e crescimento (metas e objectivos) é o que a maioria ambiciona. Objectivos que exigem grupos de duas ou mais pessoas, que estabelecem entre eles relações de cooperação, acções formalmente coordenadas e funções diferenciadas, hierarquicamente hierárquica. 110 Administração ou gestão de empresas supõe a existência de uma instituição a ser administrada ou gerida, ou seja, um agrupamento de pessoas que se relacionem num determinado ambiente, físico ou não, orientadas para um objetivo comum que é a empresa. Empresa, aqui significa o empreendimento, os esforços humanos organizados, feitos em comum, com um fim específico, um objetivo. As instituições (empresas) podem ser públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos. Atualmente se utiliza esta palavra para designar os estabelecimentos comerciais, industriais, de serviços, etc., grandes ou pequenos, o que não revela seu sentido no título da profissão. 111

Uma empresa é um conjunto organizado de meios com vista a exercer uma atividade particular, pública, ou de economia mista, que produz e oferece bens e/ou serviços, com o objetivo de atender a alguma necessidade humana.


de Trabalho apregoada por Adam Smith como fundamental para a geração de riquezas, constitui-se na genese dessa idéia. Em Teoria da Organização, a Departamentalização tem como alternativa as chamadas Adhocracias.112 A Departamentalização Matricial ou Organização Matricial, é um tipo híbrido de Departamentalização, no qual equipes compostas por pessoas de diversas especialidades, são reunidas com o objetivo de realizar tarefas com características temporárias. Ela evoluiu a partir da Departamentalização Funcional tradicional, aliada a dinamicidade das estruturas de projeto ou produto.

GESTÃO DO CONHECIMENTO É uma disciplina que tem suscitado cada vez mais atenção nas últimas décadas, tendo originado inúmeros trabalhos de investigação e investimentos cada vez mais significativos por parte das organizações que reconhecem a sua crescente importância. A investigação na área da gestão do conhecimento está ligada à várias disciplinas, entre as quais, a gestão estratégica, a teoria das organizações, os sistemas de informação, a gestão da tecnologia e inovação, o marketing, a economia, a psicologia, a sociologia, etc.(Georg van Krogh, 2002)

112 Segundo Alvin Toffler, a adhocracia ou "adocracia" é um sistema temporário variável e adaptativo, organizado em torno de problemas a serem resolvidos por grupo de pessoas com habilidade e profissões diversas e complementares. Constitui-se em uma opção à tradicional Departamentalização. O termo teve origem nas “forças-tarefas” militares para enfrentar situações de forma rápida. Toffer estabeleceu que no futuro a sociedade será extremamente dinâmica e mutável e que as organizações que quiserem sobreviver terão que ser inovadoras, temporárias, orgânicas e anti-burocráticas. Outras referências definem o termo como a organização baseada em projetos, uma alternativa para a antiga Organização Departamental (baseada na divisão racional do trabalho) e para a intermediária Organização Matricial (que juntaria elementos da Departamentalização com a Gerência de Projetos). A característica central da adhocracia são os grupos e equipes cooperativos que resolvem problemas e desempenham o trabalho. As posições e as tarefas não são permanentes e as formas organizacionais são livres.


A principal preocupação dos investigadores na área da gestão do conhecimento reside na busca da melhoria de desempenho das organizações através de condições organizacionais favoráveis, processos de localização, extracção, partilha e criação de conhecimento, assim como através das ferramentas e tecnologias de informação e comunicação. De forma geral, acredita-se que uma boa prática de gestão do conhecimento influencia directa e indirectamente o bom desempenho organizacional e financeiro de uma organização. Entre as diversas vantagens de uma boa gestão de conhecimento, reconhecem-se as seguintes:         

Vantagem competitiva em relação à concorrência Redução dos custos e tempo de produção e desenvolvimento de produtos Rápida comercialização de novos produtos Aumento do valor das acções Maximização do capital intelectual/activos intelectuais Melhoria dos processos internos e maior fluidez nas operações Processos de tomada de decisões mais eficientes e melhores resultados Melhoria na coordenação de esforços entre unidades de negócios Melhoria da prestação de serviços (agilidade), da qualidade dos produtos e da qualidade do serviço cliente

Vários autores (Drucker, 1993; Davenport et al., 1996; Staples et al., 2001; Holsapple, 2008, etc.) afirmam que boas iniciativas e práticas de gestão do conhecimento contribuem para a sustentabilidade das vantagens competitivas das organizações que as empreendem. A Gestão do conhecimento possui ainda o objetivo de controlar, facilitar o acesso e manter um gerenciamento integrado sobre as informações113 em seus diversos meios. Entende-se por conhecimento114 a 113 Informação é o resultado do processamento, manipulação e organização de dados, de tal forma que represente uma modificação (quantitativa ou qualitativa) no conhecimento do sistema (pessoa, animal ou máquina) que a recebe. Informação enquanto conceito, carrega uma diversidade de significados, do uso cotidiano ao técnico. Genericamente, o conceito de informação está intimamente ligado às noções de restrição, comunicação, controle, dados, forma, instrução, conhecimento, significado, estímulo, padrão, percepção e representação de conhecimento. É comum nos dias de hoje ouvir-se falar sobre a Era da Informação, o advento da "Era do Conhecimento" ou sociedade do conhecimento. Como a sociedade da informação, a tecnologia da informação, a ciência da informação e a ciência da computação em informática são assuntos e ciências recorrentes na atualidade, a palavra "informação" é freqüentemente utilizada sem muita consideração pelos vários significados que adquiriu ao longo do tempo. 114

Conhecimento é o ato ou efeito de abstrair idéia ou noção de alguma coisa, como por exemplo: conhecimento das leis; conhecimento de um fato (obter informação); conhecimento de um documento; termo de recibo ou nota em que se declara o aceite de um produto ou serviço; saber, instrução ou cabedal científico (homem com grande conhecimento). O tema


"conhecimento" inclui, mas não está limitado a, descrições, hipóteses, conceitos, teorias, princípios e procedimentos que são ou úteis ou verdadeiros. O estudo do conhecimento é a gnoseologia. Hoje existem vários conceitos para esta palavra e é de ampla compreensão que conhecimento é aquilo que se sabe de algo ou alguém. Isso em um conceito menos específico. Contudo, para falar deste tema é indispensável abordar dado e informação. Dado é um emaranhado de códigos decifráveis ou não. O alfabeto russo, por exemplo, para leigos no idioma, é simplesmente um emaranhado de códigos sem nenhum significado especifico. Algumas letras são simplesmente alguns números invertidos e mais nada. Porém, quando estes códigos até então indecifráveis, passam a ter um significado próprio para aquele que os observa, estabelecendo um processo comunicativo, obtém-se uma informação a partir da decodificação destes dados. Diante disso, podemos até dizer que dado não é somente códigos agrupados, mas também uma base ou uma fonte de absorção de informações. Então, informação seria aquilo que se tem através da decodificação de dados, não podendo existir sem um processo de comunicação. Essas informações adquiridas servem de base para a construção do conhecimento. Segundo esta afirmação, o conhecimento deriva das informações absorvidas.Se constrói conhecimentos nas interações com outras pessoas, com o meio físico e natural. Podemos conceituar conhecimento da seguinte maneira: conhecimento é aquilo que se admite a partir da captação sensitiva sendo assim acumulável a mente humana. Ou seja, é aquilo que o homem absorve de alguma maneira, através de informações que de alguma forma lhe são apresentadas, para um determinado fim ou não. O conhecimento distingue-se da mera informação porque está associado a uma intencionalidade. Tanto o conhecimento como a informação consistem de declarações verdadeiras, mas o conhecimento pode ser considerado informação com um propósito ou uma utilidade. A definição clássica de conhecimento, originada em Platão, diz que ele consiste de crença verdadeira e justificada. O conhecimento não pode ser inserido num computador por meio de uma representação, pois neste caso seria reduzido a uma informação. Assim, neste sentido, é absolutamente equivocado falar-se de uma "base de conhecimento" num computador. No máximo, podemos ter uma "base de informação", mas se é possível processá-la no computador e transformar o seu conteúdo, e não apenas a forma, o que nós temos de facto é uma tradicional base de dados. Associamos informação à semântica. Conhecimento está associado com pragmática, isto é, relaciona-se com alguma coisa existente no "mundo real" do qual temos uma experiência directa. O conhecimento pode ainda ser aprendido como um processo ou como um produto. Quando nos referimos a uma acumulação de teorias, idéias e conceitos o conhecimento surge como um produto resultante dessas aprendizagens, mas como todo produto é indissociável de um processo, podemos então olhar o conhecimento como uma atividade intelectual através da qual é feita a apreensão de algo exterior à pessoa. A definição clássica de conhecimento, originada em Platão, diz que ele consiste de crença verdadeira e justificada. Aristóteles divide o conhecimento em três áreas: científica, prática e técnica. Além dos conceitos aristotélico e platônico, o conhecimento pode ser classificado em uma série de designações/categorias: Conhecimento Sensorial: É o conhecimento comum entre seres humanos e animais. Obtido a partir de nossas experiências sensitivas e fisiológicas (tato, visão, olfato, audição e paladar). Conhecimento Intelectual: Esta categoria é exclusiva ao ser humano; trata-se de um raciocínio mais elaborado do que a mera comunicação entre corpo e ambiente. Aqui já pressupõe-se um pensamento, uma lógica. Conhecimento Vulgar/Popular: É a forma de conhecimento do tradicional (hereditário), da cultura, do senso comum, sem compromisso com uma apuração ou análise metodológica. Não pressupõe reflexão, é uma forma de apreensão passiva, acrítica e que, além de subjetiva, é superficial. Conhecimento Científico: Preza pela apuração e constatação. Busca por leis e sistemas, no intuito de explicar de modo racional aquilo que se está observando. Não se contenta com explicações sem provas concretas; seus alicerces estão na metodologia e na racionalidade. Análises são fundamentais no processo de construção e síntese que o permeia, isso, aliado às suas demais características, faz do conhecimento científico quase uma antítese do popular. Conhecimento Filosófico: Mais ligado à construção de idéias e conceitos. Busca as verdades do mundo por meio da indagação e do debate; do filosofar. Portanto, de certo modo assemelha-se ao conhecimento científico - por valer-se de uma metodologia experimental -, mas dele distancia-se por tratar de questões imensuráveis, metafísicas. A partir da razão do homem, o conhecimento filosófico prioriza seu olhar sobre a condição humana. Conhecimento Teológico: Conhecimento adquirido a partir da fé teológica, é fruto da revelação da divindade. A finalidade do Teólogo é provar a existência de Deus e que os textos Bíblicos foram escritos mediante inspiração Divina, devendo por isso ser realmente aceitos como verdades absolutas e incontestáveis. A fé pode basear-se em experiências espirituais, históricas, arqueológicas e coletivas que lhe dão sustentação. Conhecimento Intuitivo: Inato ao ser humano, o conhecimento intuitivo diz respeito à subjetividade. Às nossas percepções do mundo exterior e à racionalidade humana. Manifesta-se de maneira concreta quando, por exemplo, tem-se uma epifania. 1.Intuição Sensorial/Empírica: “A intuição empírica é o conhecimento direto e imediato das qualidades sensíveis do objeto externo: cores, sabores, odores, paladares, texturas, dimensões, distâncias. É também o conhecimento direto e imediato de estados internos ou mentais: lembranças, desejos, sentimentos, imagens.” (in: Convite à Filosofia; CHAUÍ, Marilena). 2.Intuição Intelectual: A intuição com uma base racional. A partir da intuição sensorial você percebe o odor da margarida e o da rosa. A partir da intuição intelectual você percebe imediatamente que são diferentes. Não é necessário demonstrar que a “parte não é maior que o todo”, é a lógica em seu estado mais puro; a razão que se compreende de maneira imediata.


informação interpretada, ou seja, o que cada informação significa e que impactos no meio cada informação pode causar de modo que a informação possa ser utilizada para importantes ações e tomadas de decisões. Sabendo como o meio reage às informações, pode-se antever as mudanças e se posicionar de forma a obter vantagens e ser bem sucedido nos objetivos a que se propõe. Em uma definição resumida pode-se dizer que Gestão do Conhecimento é um processo sistemático, articulado e intencional, apoiado na geração, codificação, disseminação e apropriação de conhecimentos, com o propósito de atingir a excelência organizacional. A gestão do conhecimento tem como objetivos:      

Tornar acessíveis grandes quantidades de informação organizacional, compartilhando as melhores práticas e tecnologias; Permitir a identificação e mapeamento dos ativos de conhecimento e informações ligados a qualquer organização, seja ela com ou sem fins lucrativos (Memória Organizacional); Apoiar a geração de novos conhecimentos, propiciando o estabelecimento de vantagens competitivas. Dar vida aos dados tornando-os utilizáveis e úteis transformando-os em informação essencial ao nosso desenvolvimento pessoal e comunitário. Organiza e acrescenta lógica aos dados de forma a torná-los compreensíveis. Aumentar a competitividade da organização através da valorização de seus bens intangíveis.

O conhecimento pode ser implícito (tácito) ou explícito. Segundo Larry Prusak, a unidade de análise do conhecimento não deve ser a organização, nem o indivíduo, mas sim grupos com contextos comuns.

DIKW É uma hierarquia informacional utilizada principalmente nos campos da Ciência da Informação115 e da Gestão do Conhecimento, onde cada camada acrescenta certos atributos sobre a anterior. Os seus componentes, em ordem crescente de importância e normalmente dispostos em um sistema de coordenadas cartesianas, são os seguintes:    

Dados (Data) é o nível mais básico;116 Informação (Information) acrescenta contexto e significado aos dados; Conhecimento (Knowledge) acrescenta a forma como usar adequadamente a informação; Sabedoria (Wisdom) acrescenta o entendimento de quando utilizá-los117.

115

Ciência da Informação é a ciência que estuda a informação desde a sua gênese até o processo de transformação de dados em conhecimento. Estuda ainda a aplicação da informação em organizações, seu uso, e estuda as interações entre pessoas, organização e sistemas de informação. 116 Os dados referem-se a uma recolha de informações organizadas, normalmente o resultado da experiência ou observação de outras informações dentro de um sistema de computador, ou um conjunto de instalações. Os dados podem consistir em números, palavras ou imagens, as medições e observações de um conjunto de variáveis; informações, registro que identifica alguma coisa tanto objeto ou animal. 117 Sabedoria humana seria a capacidade que ajuda o homem a identificar seus erros e os da sociedade e corrigi-los. Sabedoria divina será provavelmente a capacidade de aprofundar os conhecimentos humanos e elaborar as versões do Divino e questões semelhantes. Sabedoria é a utilização do conhecimento na construção da felicidade. Sabedoria (em grego Σοφία, "sofía") é o que detém o "sábio" (em grego σοφός, "sofós"). Desta palavra derivam várias outras, como por exemplo, φιλοσοφία -"amor à sabedoria" (filos/sofia). Há também o termo "Phronesis" - usado por Aristóteles na obra Ética a Nicômaco para descrever a "sabedoria


Desta forma, a hierarquia DIKW é um modelo teórico que se mostra útil na análise e no entendimento da importância e limites das atividades dos trabalhadores do conhecimento.

INTELIGÊNCIA ORGANIZACIONAL é a capacidade coletiva disponível em uma organização para identificar situações que justifiquem iniciativas de aperfeiçoamento, conceber, projetar, implementar e operar os sistemas aperfeiçoados, utilizando recursos intelectuais, materiais e financeiros. Proposta por Couto e Macedo-Soares, essa definição tem como base o conceito do senso comum que reconhece a inteligência como a capacidade de identificar e de resolver problemas novos. Estratégias para desenvolver a Inteligência Organizacional interessam diretamente a praticantes, consultores, pesquisadores e estudantes das áreas de Administração, Planejamento, Gerência de projetos, Gerência de operações, Comunicação organizacional, Ciência da informação e Tecnologia da informação, entre outras. O tema apresenta interesse para organizações produtoras da Agropecuária, da Indústria e do Setor de Serviços, sejam elas empresas da iniciativa privada ou entidades do setor público. A questão geral da inteligência é amplamente discutida por numerosos estudiosos. Em Brown encontram-se vários estudos sobre o que o autor chama Inteligência Organizacional Computadorizada. Segundo Choo, pode-se dizer que uma organização é "inteligente" quando ela identifica, captura, disponibiliza e usa de forma extensiva a informação e o conhecimento. A identificação dos recursos intelectuais facilita a proposição de estratégias para desenvolver a Inteligência Organizacional.

GESTÃO ESTRATÉGICA DE EMPRESAS É um termo que se refere às técnicas de gestão, avaliação e ao conjunto de ferramentas respectivas (como software) concebidas para ajudar empresas na tomada de decisões estratégicas de alto nível118. Tipicamente é utilizado um sistema de informação estratégico (SIE) para gerir a informação e assistir no processo de decisão estratégica. Os SIE representam a evolução natural dos sistemas de informação de gestão119 face às necessidades das empresas em tirar partido da informação recolhida e processada por forma a ganhar vantagem competitiva120 e quiçá redefinir os objetivos da empresa para reajustá-la às alterações ambientais.

prática", ou a habilidade para agir de maneira acertada". É um conceito diferente de "inteligência" ou de "esperteza". Mesmo para "sophia" há conceitos diferentes: muitos fazem distinção entre a "sabedoria humana" e a "sabedoria divina" (teosofia).

118

(em língua inglesa: strategic enterprise management — SEM) Sistema de Informação de Gestão ou Sistema de Informações Gerenciais (SIG) (do inglês, Management Information System – MIS) é um sistema de informação, tipicamente baseado em computadores, utilizado no seio de uma organização. A WordNet descreve um sistema de informação como "um sistema que consiste na rede de canais de comunicação numa organização". 120 VC geralmente se origina de uma competência central do negócio. E que para ser realmente efetiva, a vantagem precisa ser: 119

1. 2. 3.

difícil de imitar única sustentável


Um sistema de informação estratégico foi definido como "O sistema de informação que suporta ou altera a estratégia121 da empresa" por Charles Wiseman (Strategy and Computers 1985). Sprague definiu três classificações destes sistemas: 1. Sistema competitivo 2. Sistema cooperativo 3. Sistema de operações de mudança na organização

Os conceitos chave na gestão estratégica de empresas são:    

Estabelecer objetivo melhorar a posição da companhia, em oposição a objetivos genéricos, como o aumento de lucro ou redução de custos. Avaliação da performance em termos dos objetivos estabelecidos, e disponibilização da informação a quem toma as decisões estratégicas. Avaliação e gestão do "capital intelectual", aptidões e experiência da força de trabalho das companhias. Gestão baseada em atividades (ABM, activity based management), que busca avaliar clientes e projetos nos termos de seus custo e benefícios totais à organização, melhor que supor que os projetos mais importantes são aqueles que trazem o rendimento mais elevado.

4. superior à competição 5. aplicável a múltiplas situações Exemplos de características de empresas que poderiam constituir uma vantagem competitiva incluem: 1. foco no cliente, valor para o cliente 2. qualidade superior do produto 3. distribuição ampla 4. alto valor de marca e reputação positiva da empresa 5. técnicas de produção com baixo custo 6. patentes, direitos autorais e de propriedade industrial 7. proteção do governo (subsídios e monopólio) 8. equipe gerencial e de funcionários superior 121 Cinco P da definição estratégica de Mintzberg (1987): Estratégia como Plan (plano): forma de ganhar um jogo com regras pré-estabelecidas, através de um processo formal, com forte carácter analítico e de certa maneira determinístico. Nesta vertente da estratégia podem enquadrar-se a Escola do Planeamento e a Escola de Design, entre outras; Estratégia como Pattern (padrão): consistência de comportamentos, jogo entre actores internos e externos, processo de aprendizagem, incrementalismo e construtivismo, modelo de adaptação evolutiva. Nesta vertente da estratégia enquadram-se a Escola de Recursos e a Escola do Poder, entre outras; Estratégia como Position (posição): ajustamento entre o exterior e o interior da empresa, definindo o que se deve fazer e o que não se deve fazer. Aqui, enquadram-se a Escola do Posicionamento e Escola do Planeamento. Estratégia como Perspective (perspectiva): modo próprio da empresa ver o mundo, agindo de acordo com essa visão, inbuída de um espírito colectivo. Incluem-se, nesta vertente, a Escola Empreendedora e a Escola do Conhecimento. Estratégia como Ploy (artimanha): manobra intencional ou não intencional, modo de acção pré-determinado ou emergente. Nesta vertente podem incluir-se os graus de liberdade de que a empresa pode usufruir e as armas que detém para poder jogar o jogo da sobrevivência e sustentação, incluindo então a Escola Ambiental.


BILHIM, João Abreu de Faria. Teoria Organizacional: Estruturas e Pessoas. ed. ISCSP, 2006. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 4ª Edição, Ed. Makron Books. COLENGHI, Vitor Mature. O&M e Qualidade Total: uma integração perfeita. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1997. GIGLIOTI, Francisco. Administração, organização e conceitos. 2 ed. Campinas, SP: LZN Editora, 2006, 198 p. LACOMBE, F.J.M.; Heilborn, G.L.J. Administração: princípios e tendências. 1.ed. São Paulo: Saraiva, 2003 MONTANA, Patrick J. Administração. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. MORGAN, Gareth. Imagens da Organização, 1ª Edição, 1996, Editora Atlas, pags 58-59.ISBN 85-224-1341-X.


MAURO BEZERRA, O CHARME E A SUTILEZA EM PESSOA NONATO REIS · Ele foi um marco de elegância, bom senso e sutileza, um contraponto de luz no cenário de uma Assembleia dominada pelo obscurantismo. Mauro Bezerra fazia a diferença, porque entendia a política na sua essência, como a arte de lidar com o confronto de ideias e de buscar saídas. Dos chamados cardeais de Jackson Lago que gozavam da primazia de aconselhar o chefe e com ele trocar intimidades, nunca compartilhadas com os demais, foi sem dúvida o mais inteligente e o arquiteto das principais decisões no âmago do poder. Falar de Mauro Bezerra impõe conhecimento de causa, mas sobretudo argúcia, para ir além da leitura simples dos fatos. O Mauro que se percebia dos discursos e do contato pessoal era apenas um rascunho daquele que atuava nos bastidores, sugerindo ideias, costurando alianças, estabelecendo pontes com o futuro, cuidando de cada detalhe da carreira do chefe. Aderson Lago costuma dizer que a infelicidade de Jackson Lago foi ter perdido Mauro Bezerra precocemente. “Se Mauro fosse vivo, Jackson jamais teria sido apeado do poder por meio de uma trama”. Mauro, que não esteve presente no ocaso de Jackson, foi o construtor da aliança que resultou na Frente de Libertação do Maranhão e na ascensão de Jackson ao comando político do Estado. No final de 2005, numa entrevista memorável que fiz com ele para O Imparcial, defendeu a escolha rápida do candidato das oposições, para que ganhasse musculatura diante do eleitor e estancasse o crescimento de Roseana Sarney. “Até aqui ela posa de candidata única e infringe a legislação eleitoral, ao promover festas e comícios no interior”. Perceberam a sutileza? Outros, ao invés de festa, diriam “farra”. Na época havia três pretensos candidatos pelo lado das oposições: Castelo, Evangelista e Jackson. Eu quis saber se o PDT considerava Jackson o virtual candidato. Sua resposta: “Nossa posição é de apoiar o candidato da Frente (de Libertação), qualquer que seja ele. Mas me julgo no direito de dizer que meu candidato é Jackson Lago. Os números provam que ele tem a maior densidade eleitoral e esse é um critério forte”. A amizade com Jackson remontava aos anos 60. Mauro chegou em São Luís, egresso de Teresina, pelas mãos de Djard Martins, para ser diretor de jornalismo da Rádio Timbira, no governo Newton Belo. Ali se meteu num imbróglio com o então Capitão dos Portos, no Maranhão, Washington Viégas, que pediu sua cabeça ao governador. Para não colocar Djard numa saia justa, ele próprio se demitiu. Foi para a Rádio Difusora, que começava a dar formas ao projeto de implantação da televisão. Ali fez carreira como jornalista e gestor, dirigindo os departamentos de jornalismo da rádio e da televisão em sua fase áurea. Acabou caindo nas graças de Cafeteira, que o levou para ser seu assessor de imprensa na Prefeitura. Conheceu Jackson, então secretário de saúde do Município. Foi amizade à primeira vista. Os dois nunca mais se desgrudaram. Mauro entendia Jackson só pelo olhar. Jackson nem precisava consultá-lo, tal o grau de empatia entre ambos. Na diáspora entre Cafeteira e Jackson em 1988, Mauro preferiu ficar com Jackson, e os dois seguiram unidos até os últimos dias de Mauro. Em 2002 disputou pela segunda vez uma cadeira de deputado estadual, cujo mandato já havia exercido entre 1983 e 1987 pelo PMDB. De 2003 a 2006 ganhou luminosidade na Assembleia com uma atuação firme e inteligente. Chegou a propor que se discutisse em audiência pública com todos os ex-governadores do Estado as causas do empobrecimento do Maranhão. “É uma forma democrática de se identificar os responsáveis por esse estado de coisas", justificou. No Plenário não deu trégua ao grupo Sarney, alvo referencial de suas críticas, sempre refinadas e inteligentes. Sobre a estrada Paulo Ramos-Arame, famosa por jamais existir, Mauro a classificou como a matriz das obras fantasmas no Estado. “Na conta bancária foi asfaltada e sinalizada, mas na prática não existe estrada. No inverno nem animal consegue andar. E a governadora Roseana pagou 33 milhões de dólares por essa rodovia!” Também bateu duro em outros projetos suspeitos de desvio de recursos e de finalidade. “O Maranhão investiu R$ 70 milhões no Projeto Salangô. Não irrigou nada e o dinheiro desapareceu”. Sobre o pólo de


confecções de Rosário, disse que chineses e maranhenses inescrupulosos se associaram “para aplicarem calote nos trabalhadores”. O projeto Usimar, segundo Mauro, subtraiu R$ 43 milhões dos cofres públicos, mas o dinheiro “evaporouse, ninguém sabe o seu destino”. Mauro criticou ainda o processo de privatização do BEM, “em que tomaram R$ 333 milhões emprestados para sanear o banco e depois vendê-lo por R$ 78 milhões. Como é isso?” . Jackson Lago nem assumira o poder e já espalhavam que ele preparava um projeto de demissão em massa de funcionários públicos, como forma de sanear o caixa do Estado. Por sugestão de Mauro, Jackson concedeu entrevista coletiva para desfazer o boato. Depois o próprio Mauro fez chegar aos jornais uma avaliação sua da entrevista. “Espalharam que o governo vai demitir. E o Jackson mostrou que, ao contrário, vai é fazer concurso para preencher os claros existentes (no quadro funcional)”. O Mauro Bezerra que sabia ser sutil e elegante nem sempre conseguia manter-se nessa linha de equilibro. Certa vez Walter Rodrigues, talvez por gozação, insinuara no jornal Diário do Povo que ele mantinha uma relação homossexual. Mauro não gostou e, revoltado, quis resolver no braço, ou melhor, na bala. Pegou espingarda e revólver e foi ter com o jornalista na redação do jornal. Não o encontrando, foi até a sua residência. Para sorte de ambos, lá o desafeto também não estava. Mauro podia ser tachado de tudo, menos de homossexual. Inteligente, amável, cortês, qualidades muito mais perceptíveis entre as mulheres, a incursão de Mauro pelo sexo oposto é de todos conhecida e poderia ser objeto de um livro até aqui não planejado. José Rocha Gomes, o Gojoba, talvez o jornalista mais próximo de Mauro Bezerra, com quem conviveu por décadas na Rádio e TV Difusora, costumava brincar com Mauro, dizendo que dele só quem havia escapado eram suas parentes próximas. Gojoba, aliás, foi quem o batizou com o codinome que marcaria a fase final da vida dele, às voltas com problemas respiratórios. Fumante inveterado de consumir até três maços de cigarros por dia, caiu gravemente enfermo e precisou ser levado às pressas para São Paulo. Ao visitá-lo antes de viajar, Gojoba, emocionado, pediu ao amigo que não morresse. “Cuide-se direitinho, porque você já está com o pé na cova e não queremos te perder ainda. O apelido pegou e para Gojoba, Mauro seria sempre lembrado como “Pé na Cova”.

ii

CÉSAR ALEXANDRE ABOUD - nasceu no Acre, na cidade de Cruzeiro do Sul, em 23 de fevereiro de 1910, filho de Júlia Drubi (viúva) e de Alexandre Aboud (com quem casa em segundas núpcias). Quando contava dois anos, a família muda-se para São Luís; aqui, foi alfabetizado por dona Santinha e mais tarde passa a estudar no Colégio dos Maristas, onde fez o curso primário. Com o falecimento do pai, Alexandre Aboud, a família muda-se para Buenos Aires, em 1920; na Argentina, César estudou na Escola Bartolomeu Mitre e, aos 11 anos, estava trabalhando na firma de José Gasard, como transportador de mercadorias. Em 1922, a família está de volta a São Luís, passando a estudar no Colégio Gilberto Costa, e, com 14 anos, empregou-se na firma Chames Aboud. Após anos de trabalho, já se transformara em um comerciante sólido e industrial, vindo a adquirir a Fábrica Santa Izabel, de Nhozinho Santos, em 1938. A devoção de César pelo esporte encontra-se em sua infância, quando começou a formar sua personalidade de esportista. Em Buenos, dedicava-se ao boxe, chegando a ser pugilista de renome. Quanto ao futebol, aos 4 anos de idade (?) já tinha organizado em São Luís um time - o Botafogo - que saia pela cidade a desafiar a garotada. Na adolescência fez parte do Esporte Clube Sírio Brasileiro, formado à base de descendentes libaneses, do qual foi dirigente e jogador. Anos mais tarde, depois de liderar uma dissidência do Sírio Brasileiro, fez-se técnico do Maranhão Atlético Clube. Em 1939, já era notória a sua dedicação ao esporte, recebendo convite do capitão Vitor Santos para dirigir o Moto Clube de São Luís, uma de suas maiores paixões, tendo sido seu presidente por 15 anos. Procedeu a mudanças no Moto, começando pela camisa, que mudou a cor de verde e branca para vermelha e preta, por causa do Flamengo. Reestruturou o clube, ampliou o quadro associativo, criou os departamentos de voleibol, e basquetebol, e reformou o estádio do Santa Izabel, em 1942, construindo arquibancadas e dotando-o de condições apropriadas para o exercício do bom futebol que há época se praticava no Maranhão. O plantel de jogadores, da melhor qualidade técnica, era freqüentemente requisitado para apresentações nos grandes centros esportivo do país. Recursos para tal fim eram fornecidos pela fábrica, que mantinha a agremiação esportiva. O falecimento de César Aboud ocorreu em São Luís, a 20 de agosto de 1996 O Esporte, São Luís, 14 de setembro de 1947


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REVISTA DO LÉO 23 - AGOSTO DE 2019  

Revista eletrônica editada por LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ - prefixo editorial 917536 -, dedicada aos Esportes, Lazer e Educação Física no/do Ma...

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