ARAUTO - DEZEMBRO 2021

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Boletim Informativo da Casa

do Povo de Vilarandelo - Concelho de Valpaços

Direct. Edit.: DIREÇÃO DA CASA DO POVO DE VILARANDELO - Comp. Luís Cancelinha | Imp. Gráfica Sinal - Chaves

DEZEMBRO 2021

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II SÉRIE

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NÚMERO 68

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Desde Março de 1974

São Martinho ERPI e Centro de Dia

página 8

O Coreto

Editorial Este ano de 2021 foi realizado o recenseamento da população e habitação, mais conhecido por CENSOS. Trata-se da recolha de informação, que se realiza em Portugal com intervalos normalmente de 10 anos,sobre a população residente,as famílias e o parque habitacional. O primeiro censo realizado no nosso território, data do ano zero, ou seja, na mesma época em que Maria e José se deslocaram a Belém para fazer o recenseamento da sua família. Ou seja, no ano do primeiro Natal que corresponde ao do nascimento de Jesus. página 2

Os Máscaros

A CRECHE página 16

página 4

Apresentação do Livro

“Trás-Os-Montes”

página 6

Os “cacos”, “os farrapos” e “os socos”

O Impacto da Pandemia

na mobilidade

Romance

página 11 página 7

“A Casa da Cruz”

Lembrais-vos de mim?

E Porque é Natal - Presépio Criativo

página 13

página 5

página 13

página 7


ARAUTO

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Editorial Caros(as) leitores, Este ano de 2021 foi realizado o recenseamento da população e habitação, mais conhecido por CENSOS. Trata-se da recolha de informação, que se realiza em Portugal com intervalos normalmente de 10 anos, sobre a população residente, as famílias e o parque habitacional. O primeiro censo realizado no nosso território, data do ano zero, ou seja, na mesma época em que Maria e José se deslocaram a Belém para fazer o recenseamento da sua família. Ou seja, no ano do primeiro Natal que corresponde ao do nascimento de Jesus. Os Censos são essencial para o desenvolvimento económico e social, pois produzem informação que pode ser usada na definição de políticas, nas mais variadas áreas. Através dos dados dos Censos é possível ficar a saber, para cada nível geográfico: quantos somos, como somos, onde vivemos, como vivemos. As informações recolhidas nos Censos devem levar-nos a refletir sobre as grandes alterações demográficas que ocorreram em Portugal nas últimas décadas. Mas é em especial aos políticos que compete avaliar as vantagens e desvantagens decorrentes destas mudanças e tomar decisões que permitam acelerar ou travar as alterações em curso. Nós os que amamos a nossa terra e nela fixamos residência, ansiamos por políticas públicas capazes de atrair e fixar pessoas nas zonas mais desertificadas do país. Sabemos que as autarquias têm feito um esforço no sentido de incentivar o progresso económico e social, mas, em minha opinião, o Estado Central, na medida em que opta pela excessiva centralização e pelo encerramento de serviços públicos de proximidade tem contribuído para o crescimento das zonas urbanas e do litoral, ao passo que potencia a lenta agonia das zonas rurais e do interior. Todos temos a noção de que a população residente no interior do país tem vindo a diminuir nas últimas décadas, mas só os resultados dos Censos permitem ter a certeza do valor real desta mudança demográfica. A análise dos Censos confirma que, de facto, a população residente no concelho de Valpaços tem vindo a diminuir gradualmente. Desde o ano de 1960 até 2021, a população do concelho diminuiu 56,7 %, sendo que na última década a diminuição foi de 12,8 % , correspondendo a menos 2168 pessoas. A freguesia de Vilarandelo é atualmente a terceira do concelho de Valpaços com mais população residente, apenas suplantada pela união de freguesias de Valpaços e Sanfins e união de freguesias de Carrazedo de Montenegro e Curros. Apesar de também ter sido afetada, a freguesia de Vilarandelo sofreu uma perda percentual inferior à da média do concelho, tendo diminuído 2,3 % a sua população residente (na prática, ficámos com menos 23 residentes no espaço de 10 anos).Apenas a freguesia de Fornos do Pinhal (0%) e união de freguesias de Valpaços e Sanfins (-1,7%) tiveram perdas percentuais inferiores. Certamente que a Casa do Povo de Vilarandelo tem contribuído para fixar alguns agregados familiares, não só pela criação e manutenção de postos de trabalho, mas também pelos apoios sociais que presta e pelo carinho e apoio dispensado às associações de cariz desportivo e cultural. Com esforço, dedicação e sobretudo muito amor a Vilarandelo, vamos continuar a fazer desta terra um lugar ao qual nos orgulhamos de pertencer.

Comparação dos resultados dos CENSOS dos anos 2021 e 2011

Fonte: INE

MENSAGEM DE NATAL

Votos de uma boa leitura. E protejam-se porque o perigo ainda espreita.

Está a aproximar-se o final do ano de 2021, facto que nos impele a refletir sobre os acontecimentos marcantes que condicionaram a nossa vida nos últimos tempos e a traçar planos e objetivos para o futuro. É um tempo de Paz e Esperança, porque nos conciliamos com o passado que já não podemos alterar e nos concentramos no futuro que imaginamos glorioso. Afinal estamos na quadra natalícia que nos habituamos a associar a Paz,Amor, Família. Vivemos mais um ano em que a pandemia de Covid-19 condicionou as nossas vidas, impondo limitações nas liberdades coletivas e individuais. Tivemos que nos adaptar a novas regras de relacionamento interpessoal, pela imposição do uso de máscara e do distanciamento de segurança que lentamente passamos a adotar como norma. Conceitos como os de “etiqueta respiratória“ e “higienização das mãos”, passaram a fazer parte do nosso vocabulário. As vacinas trouxeram esperança na capacidade do Homem para vencer esta ameaça, mas importa ter noção de que a sua eficácia não é total. Depois de vacinados é possível ser infetado e propagar essa infeção a outras pessoas, mesmo que não tenhamos nenhum sintoma da doença. Com o aumento do número de infetados com Covid-19, regressam as medidas restritivas e com elas a ansiedade e o receio que estávamos aos poucos a ultrapassar. A partir de 1 de dezembro nas visitas a lares é obrigatório apresentar teste negativo, mesmo para as pessoas que já estão vacinadas. Esta é uma imposição do Estado que terá de ser escrupulosamente cumprida pelo que apelamos à compreensão e colaboração de todos. Sabemos os riscos, mas também a importância de manter os laços de afeto e as tradições associadas a esta época festiva. Não podemos esquecer que o Natal é uma das datas mais importantes do ano. Para os Cristãos, celebra-se o dia do nascimento de Jesus Cristo, uma data de renovação, paz, harmonia e, principalmente, amor dentro dos lares. Seja com amigos ou familiares, comemorar esta data é um momento especial. Desejo que o vosso Natal seja repleto de amor e que o ano de 2022 permita a realização dos vossos sonhos mais íntimos e sinceros.

A Presidente da Direção da Casa do Povo de Vilarandelo, Isabel Sequeira

A Presidente da Direção da Casa do Povo de Vilarandelo, Isabel Sequeira

Boas Festas


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JUNTA DE FREGUESIA DE VILARANDELO Caros Leitores(as) Para iniciar quero muito sensibilizada e de forma muito sentida, agradecer aos Vilarandelenses que demonstraram uma forte consciência cívica não só pela forma como decorreu a campanha eleitoral, mas também porque votaram sem ter havido qualquer atrito na assembleia de voto. Agora é o momento certo para todos trabalharem para o bem comum, para o bem de Vilarandelo, é tempo de todos os eleitos trabalharem com rigor, respeitando a vontade expressa nos votos e cumprindo o programa que foi sufragado. Pela nossa parte que recebemos a maioria de votos, estamos felizes pela vossa confiança, mas também cientes das responsabilidades que sobre os nossos ombros pesa e com uma vontade enormíssima de continuar a melhorar a qualidade de vida da população que servimos. O que lhes podemos garantir é que vamos dar o nosso melhor, vamos dedicar-nos a esta causa de alma e coração. Apenas três de nós foram eleitos para o executivo da Junta, mas Vilarandelo é de todos e para todos. Será uma caminhada executada em conjunto e acreditamos que cada Vilarandelense dará o melhor de si, seja na ornamentação da sua varanda, na limpeza do seu pátio, no “sachar” as ervas da entrada, seja na partilha de ideias para o desenvolvimento e crescimento de Vilarandelo. Acreditamos que é verdade “Que juntos somos mais fortes”. Acreditamos e agradecemos, a todos sem excepção. Neste contexto damos como exemplo e aproveitamos para tecer um especial agradecimento ao Rui Cancelinha pelo excepcional presépio que concebeu com desperdícios e muita imaginação, abrilhantando o natal da vila e ao Sr. Luís Lagarelhos pela iniciativa de iluminar determinados espaços da vila, nomeadamente o Coreto do Toural, a estátua do Dr. Olímpio Seca e a cruz do Nosso Sr. Dos Milagres. Agradecemos também aos funcionários da Junta pela total disponibilidade e ajuda que têm prestado ao novo executivo, pois apesar de ser sua obrigação, fazem-no com dedicação e muitas vezes fora de horário de serviço. Infelizmente o Covid e a época que atravessamos dificulta a vida a toda a gente e impede a realização ou concretização de alguns eventos que não depende exclusivamente da nossa dedicação, como é exemplo o Almoço convívio de Natal, para os “jovens” a partir dos 65 anos, que pela primeira vez se iria realizar no nosso pavilhão das Actividades Sociais no dia 01 de Dezembro, mas que teve que ser cancelado. Outro evento que foi cancelado pelo mesmo motivo foi a realização da Feira dos Produtos Locais e em conjunto com a Associação Clube Caça e Pesca de Vilarandelo promover o desenvolvimento turístico e cinegético apoiando-os na realização de um evento de caça maior – a montaria, aquela que é a festa do inverno de muitas localidades transmontanas. No entanto, conseguimos em colaboração com esta Associação, promover a instalação de um comedouro artificial para a alimentação da caça menor, nos baldios desta freguesia.A informar que este ponto de alimentação é monitorizado constantemente pelo Núcleo de Protecção Ambiental da GNR de Chaves. Informamos, ainda, que o horário de atendimento aos cidadãos é às quartas-feiras, das 17:30 às 19:00. Estamos, os três elementos do executivo, disponíveis para dialogar com todos os interessados. Esta é uma época de recolhimento em família e de reencontros com amigos. Aos que por circunstâncias várias da vida estão sós, gostaríamos de transmitir uma palavra solidária de conforto e esperança. A todos votos de Boas Festas. A Presidente da Junta de Freguesia Sónia Barreira

A Casa do Povo vende terreno urbano, sito na Av. Sr. Dos Milagres, com 330 m2 e com possibilidade de construção até 310 m2 repartidos em dois pisos. Para mais informações: Telefone: 278 740 010 casadopovovilarandelo553@gmail.com Caros Associados e Amigos, Aproxima-se mais uma época natalícia e como tal Usprigozus Grupo TT de Vilarandelo não podia deixar de desejar um “Feliz Natal” e um “Próspero Ano Novo” a todos os Associados, Instituições, Patrocinadores e Amigos que connosco têm partilhado, ao longo destes anos, uma amizade única. Esperamos, com alguma ansiedade, que o ano de 2022 nos possibilite a realização de alguns eventos, que ao longo destes últimos dois anos fomos impedidos de concretizar, consequência da pandemia que o Mundo atravessa. Até breve A Direção Banda Musical da Casa do Povo de Vilarandelo Estes tempos têm sido muito difíceis e os últimos 2 anos (desde o final do verão de 2019) têm parecido uma eternidade para a nossa banda. Estivemos parados bastantes meses sem ensaiar e sem fazer qualquer festa, romaria ou concerto, mas lá vamos fazendo os possíveis e os impossíveis para não deixar acabar a nossa Banda Musical. Nestes tempos conturbados tivemos algumas desistências e saídas de músicos, o que lamentamos, pois a Banda existe porque todos, mas mesmo todos, contam e todos fazem falta. Mesmo assim, com muita ou pouca afluência dos músicos, com os meios possíveis continuamos a ter ensaios aos fins de semana, na esperança que no próximo ano tenhamos muitas festas e muitos serviços. Terminamos desejando a todos os leitores, músicos, familiares e Vilarandelenses em geral um Santo e Feliz Natal, umas boas Festas, e esperamos o mais breve possível poder fazer um concerto para matar saudades e animar a malta. A Direção da Banda Musical

OHOHOH, está aí mais um Natal ! O ano passou e infelizmente foi idêntico ao anterior, parados pelas restrições, recomendações e receios da pandemia. Para este novo ano, esperamos vivamente que as coisas boas voltem ao seu normal funcionamento, temos saudades do barulho dos automóveis e daquela aglomeração de pessoas que vinha assistir aos eventos, aproveitando para descontrair das rotinas diárias. Nesta época natalícia o Clube Automóvel de Vilarandelo vem desejar a todos um feliz Natal e um Próspero Ano Novo, que seja um tempo de amor, paz, harmonia e mudança. Esperamos estar juntos em breve. Os “Malteses” desejam que todos tenham um Feliz e Santo Natal e que o Ano Novo seja um ano de mudança, que se aproveitem os bons comportamentos, gestos e atitudes a que a pandemia nos obrigou a adotar e nos devolva o que tínhamos de melhor. FELIZ NATAL.

O Clube de Caça e Pesca de Vilarandelo deseja a todos os leitores um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, que seja cheio de amor, união, paz e harmonia. BOAS FESTAS.

Boas Festas


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Rancho Folclórico da Casa do Povo Vilarandelo

Os máscaros ou caretos, preservação de uma tradição milenar Um pouco de História: As origens deste personagem perdem-se num passado longínquo… Pensa-se que a tradição dos Caretos tenha raízes célticas, de um período pré-romano. Provavelmente, está relacionada com a existência dos povos Galaicos e Brácaros na Galiza e no norte de Portugal. A origem dos mascarados liga-se ao culto dos antepassados, considerados detentores privilegiados de poderes sobre as bases essenciais da sobrevivência do indivíduo no plano físico e mental, velando pela fertilidade dos campos, pela fecundidade dos homens e dos animais, pela manutenção da lei cívica e moral, e da origem por eles modelada e estabelecida. O mascarado assume-se como a personagem central, em torno da qual toda a ação festiva se desenrola, desempenhando os mais variados papéis, consoante o determina a tradição e ritual de cada lugar. Os ritos solsticiais são os que os mascarados celebram no decorrer do ciclo dos doze dias, num primeiro momento, Natal e Santo Estêvão – solstício de inverno, e num segundo momento o carnaval, vindo sequencialmente do primeiro, através dos ritos simbólicos, em muito semelhantes pela transferência de celebrações do solstício para o equinócio da primavera. As festas dos mascarados são ritos do mais profundo esoterismo e simbolismo que resistiram à passagem do tempo e se conservam bem vivas na cultura do povo da região do Nordeste Transmontano.

Descrição do traje:

A Festa dos Rapazes ou de Santo Estevão

O traje dos caretos ou máscaros é composto por casaco comprido e em alguns lugares calças, em regra, feitos de colchas ou mantas velhas de lã (verde e vermelhas) de fabrico caseiro, tendo preso no carapuço um rabo de raposa. As máscaras são normalmente feita de cabedal, madeira ou latão. O traje de máscaro que temos no nosso rancho foi recolhido no concelho de Vinhais e usa calças de cotim, camisa de riscado, meias de lã, socos cerrados e polainas ou polainitos de couro para proteção. Numa das mãos tem um cajado de madeira e na outra uma saquita de lã (para guardar as contribuições monetárias feitas nos peditórios). Em algumas regiões o traje é completado com coleiras de gado munidas de campainhas, postas a tiracolo, cinto largo com uma enfiada de chocalhos para “chocalharem” as mulheres numa atitude provocatória com sentido obscuro de fecundidade.

A festa dos caretos faz parte de uma tradição milenar que é celebrada em Portugal no Entrudo. Em Trás-os-Montes é celebrado em várias aldeias dos concelhos de Vinhais, Bragança, Macedo de Cavaleiros (especialmente Podence) e Vimioso, e no Alto Douro em Lazarim no concelho de Lamego. No Inverno, por altura do Sol inicia-se na região de Trás-os-Montes uma época festiva que vai até ao Carnaval, cheia de momentos de diversão que agitam as ruas das cidades e aldeias. É um tempo de celebração que simboliza o rejuvenescimento e o recomeço de um novo ciclo, tanto na natureza como na vida social. Grande parte destas festividades, que ainda subsistem em pequenas localidades de Portugal e Espanha, têm particular expressão durante o período que se designa de “Ciclo dos 12 dias”, que vai desde o Natal até à Epifania (dia de reis). Nestas festas, os jovens têm, à semelhança do que acontecia em algumas civilizações da antiguidade, de mostrar provas de que estão aptos a assumir um papel mais ativo na vida das comunidades em que se inserem, uma vez que entre velhos e crianças, são eles o elemento mais forte. Assim, estas celebrações são também manifestações de coesão social. A Festa dos Rapazes, a que se chama também Festa de Santo Estêvão, é provavelmente a mais importante. É uma tradição com origem em antiquíssimos rituais de passagem da adolescência para a vida adulta. Logo pela manhã, a rapaziada desfila pelas ruas com os típicos fatos coloridos e os caretos, provocando, chocalhando e interagindo com as populações, em grande folia. Também a Festa dos Reis (ou da Epifania), apesar de associada ao nascimento de Jesus Cristo, continua, em muitas aldeias, a ser festejada com a presença destes rapazes mascarados.

Boas Festas

O entrudo Chocalheiro é o auge das manifestações de irreverência que nesta época, não só são permitidas, como constituem uma atracão e fazem notícia. Em algumas zonas da região, é neste dia que saem à rua as figuras mascaradas da Morte, do Diabo e a da Censura, cometendo as mais diversas tropelias. Um pouco por toda a região de Trás-os-Montes e Alto Douro, este é um tempo de festa anunciado pelo som das gaitas-de-foles das rondas, é o tempo dos cortejos, das loas, das refeições comunitárias e dos peditórios. Alguns excertos foram retirados da Wikipédia

Presidente da Direção Paulo Pascoal


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LAR Doce LAR

Dada a importância que se atribui ao “permanecer no domicílio” o máximo de tempo possível e evitar a institucionalização, dentro dos serviços sociais prestados aos idosos, a resposta social de serviço de apoio Domiciliário (SAD) da Casa do Povo de Vilarandelo tem vindo a assumir um papel fundamental. Questionando alguns utentes sobre o serviço SAD os mesmos recomendam e consideram que, se fosse oportuno mudar, não mudariam. As necessidades sentidas pelos nossos utentes passam por permanecer inseridos no seio familiar, envolvidos nos seus pertences e rotinas, o que exige que esta resposta social tenha cada vez mais qualidade no âmbito da intervenção. Perante isto um dos nossos objetivos é melhorar os serviços prestados, personalizando-os, indo ao encontro das necessidades dos utentes, promovendo o envelhecimento ativo e positivo, por forma a aumentar a satisfação com a vida, praticando atividades proactivas que estimulem competências cognitivas, motoras e sociais diminuindo o isolamento e a solidão. Diretora Técnica A equipa técnica do SAD

O Impacto da Pandemia na mobilidade dos nossos Utentes A Covid-19 chegou e com ela veio o confinamento, o distanciamento físico, o medo da infeção e a incerteza do futuro. Os hábitos e rotinas da grande maioria da população sofreram um grande embate e todos tivemos de nos adaptar a uma nova realidade. Os nossos utentes não foram exceção e sendo eles idosos foram altamente afetados. Não só porque têm maior risco de desenvolver formais mais graves da Covid-19, mas também por todas as recomendações e orientações impostas pela DGS. Durante a pandemia todo o serviço e rotinas tiveram de ser reajustados e reorganizados de modo a proteger e a salvaguardar os nossos idosos. Essa reorganização levou a que os nossos utentes permanecessem mais tempo nos quartos, os seus movimentos foram limitadas a áreas restritas e as atividades temporariamente suspensas. Verificou-se uma diminuição significativa nos níveis de atividade física, trazendo consequências negativas como o declínio da força e resistência muscular, bem como perdas de equilíbrio corporal. As visitas da família e amigos foram substituídas por videochamadas e os abraços e beijos deram lugar as “cotoveladas”. À medida que foram levantadas as restrições, os nossos utentes foram gradualmente retomando as suas rotinas diárias. As atividades foram retomadas e tentamos da melhor forma compensar o tempo em que os nossos utentes estiveram privados da normalidade a que estavam habituados, sabendo que existem perdas que nunca poderão ser recuperadas. Manter os nossos idosos ativos gera um impacto positivo a nível físico e emocional elevando os níveis de bemestar que os ajuda a enfrentar esta fase sem precedentes. A Covid-19 deixará marcas em todos nós. Sandra Oliveira Técnica Superior de Desporto

BILHETE POSTAL Pai Natal! Pai Natal! Hoje é o teu grande dia Vem ao nosso NATAL Em paz e harmonia E que todos os dias sejam Natais Em cada Ano que passa Em todos os dias normais Sem que tristeza nos a ameace Traz a Paz e a Saúde ao mundo Alegria e Paz ao nosso Lar Alegria ao nosso sentir profundo No teu saquinho de prendas para dar No teu saquinho de prendas para dar E no teu saquinho às costas Para os sem-abrigo e meninos da rua Traz um cabaz recheado Nem que venhas cansado Vem pelas portas Não venhas pelo telhado Obrigada Pai Natal Se vieres obrigada Pelos presentinhos de Natal E por este dia ter chegado Obrigado uma vez mais E como este dia passado todos os dias sejam NATAIS! 18/11/2021 Carminda Fidalgo

Utente da Estrutura Residencial Para Pessoas Idosas

da Casa do Povo de Vilarandelo

A Equipa Técnica da Estrutura Residencial Para Pessoas Idosas da Casa do Povo de Vilarandelo, deseja a todos os/as colaboradores/as, utentes e respetivos familiares um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo. Que este Natal não seja assinalado apenas como uma data e que o melhor presente sejam as pessoas, a luz e a esperança. Que o ano que se aproxima nos traga muita saúde e mais possibilidade de estarmos juntos de quem amamos. Equipa Técnica ERPI

Boas Festas


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O CAFÉ Era simplesmente “O Café” e, assim chamado, não porque lá se consumisse ou servisse muita da negra infusão, mas porque era o único do género, existente em Vilarandelo, com direito ou digno desse nome, fosse pelo aspeto, já que era diferente de qualquer outro estabelecimento existente na aldeia ou fosse porque era o único que possuia uma máquina de êmbolo ou manípulo (talvez uma da marca Pavoni), capaz de verter, em bica, o negro líquido. Assim se manteve até finais da década de 60, início da de 70, do século passado. Lembro-me do seu primeiro proprietário, o Sr. Amândio (toda a gente se lhe referia como “Amândio do Café” e nunca por Amândio Pereira); era como se “O Café” fosse mais importante que a pessoa. Seguiu-se-lhe o sr. Barreira que aqui chegou para fazer as instalações elétricas em muitas das casas de Vilarandelo, aquando da chegada da eletricidade à aldeia e por aqui ficou, acabando por gerir “O Café”, com a irmã, a menina Emilinha. O Barreira daria lugar ao nosso conterrâneo Manuel Moura. Não tendo a certeza, porém, parece-me que o Chico nasceu durante a gerência do espaço pelo pai. Lembro-me de ver a senhora Mariana de “barriga empinada” a aviar ao balcão que, se não era do Chico era de outro dos irmãos. Eles são tantos!!! Finalmente, e por último, viria a ser denominado pelas gentes de Vilarandelo “O Café do Brandão” porque, entretanto, já havia outros “cafés” e perdera, por isso, a importância por causa da concorrência. Abriam uns, fechavam outros, e quase todos se situavam ao longo da rua principal, troço que era da EN 213 mas que, a partir de Setembro de 1961, teve direito a nome: Rua D. Amélia Castelo. Foi, também, durante muitos anos, o único estabelecimento que tinha uma montra merecedora desse nome e que, jamais, assim me dita a memória, terá sido ultrapassada em beleza e arranjo, por qualquer outra, mesmo as mais modernas. Amplas janelas, duas, uma de cada lado da porta, rasgadas na parede, de alto a baixo, todas envidraçadas onde, se bem me lembro, eram expostas, em pequenas prateleiras de vidro, sobrepostas aos lados, esquerdo e direito, nas ditas “vitrines”, as garrafas de vinho fino, o do Porto por excelência, não faltando as de espumante e as de anis, das marcas que se consumiam na casa. Algumas destas garrafas jaziam em suas caixas, deitadas em camas de fina palha de papel vegetal. Também me lembro de ali serem expostas, especialmente durante as quadras festivas, lindas e decoradas caixas de metal, algumas abertas, expondo assim o seu conteúdo que era constituído por bolachas e doces sortidos, envoltos em brilhantes e garridos invólucros, que faziam a admiração da pequenada e o sonho, apenas o sonho, de muitos deles. Não faltavam, também, os saquinhos de “Celofane”, cheios de ”chocolatinhos da Regina”, envoltos em coloridos “papeis” de estanho que brilhavam de tal maneira, ferindo, assim, o meu desejo de criança. Tudo girava à volta do Café. Qualquer lugar ficava a seguir ao Café, para baixo ou para cima. O Café era um dos principais pontos de referencia na povoação. Os outros locais na aldeia ficavam todos ou acima do Café ou abaixo do Café. A porta da rua sempre aberta, falando ainda do antigamente, dava para uma ampla sala que corria, sobre o comprido, em direção ao balcão principal que ficava lá bem ao fundo. Havia outro balcão, logo à entrada e do lado esquerdo, onde, durante as horas diurnas de expediente, se vendiam outros artigos como a mercearia, à imagem de qualquer outro comércio de Vilarandelo. Do lado direito da entrada, acedia-se, penso que por dois degraus, a um outro compartimento que, durante a gerência do “Amândio do Café”, era utilizado para a venda de peixe, nos dias em que o havia, acabado de chegar na camioneta do mesmo, vindo de Matosinhos, acamado em caixas de madeira e conservado em gelo e sal. Logo à entrada, ou muito perto dela e mais para o lado direito, existia uma mesa de “bilhar russo” onde, não lhe conhecendo eu as regras, nunca lá vi jogar ninguém. Seguindo em frente, à direita, ao logo da parede, uma fila de mesas de bar, ladeadas por quatro cadeiras cada uma, conduzia-nos até ao balcão do fundo, o principal, donde, do lado esquerdo partia uma escada em madeira que levava aos aposentos do primeiro andar. Do lado oposto ao mesmo um acesso levava a uma cave onde, parece-me ter ouvido dizer, em certas noites se jogava forte. Quando por ali tinha que passar, à noite, muito provavelmente,

Boas Festas

vindo da Igreja, de alguma celebração religiosa noturna, abrigado pelo xaile de minha mãe, se fazia frio, lembro-me que de dentro do Café, apenas até mim chegavam os vozeirões dos homens, envolvidos numa nuvem de fumo que os tornava irreconhecíveis, quase invisíveis, e que aspiravam dos seus cigarros para, depois, expelir pela boca, misturada com alguma asneira ou, então, o som do bater das peças do dominó nos tampos de pedra das mesas. Se algum freguês eu via a entrar ou a sair do Café, era para mim irreconhecível não só devido à fraca, quase nula, iluminação da via pública mas, também, porque se apresentava, como todos os outros, de rosto quase escondido, debaixo do seus chapéus ou envoltos em pesados sobretudos ou samarras. Assim os via, com os meus olhos de menino. O Café não tinha a entrada interdita a ninguém mas tinha os seus assíduos frequentadores, aqueles que não faltavam um serão ao encontro. Mas havia, também, os que apenas utilizavam este estabelecimento, não entrando em mais nenhum dos outros; entre eles encontrava-se o Presidente Concelhio da União Nacional, “ilustre” residente de Vilarandelo e aqueles que estando de férias vindos de Lisboa ou do Porto ali seroavam também. É que o Café era coisa fina! José Cancelinha Alvor, Junho de 2021

O Coreto O coreto é um símbolo da democratização da música. É uma ideia tão antiga quanto a revolução liberal do século XIX, onde se tentaram implementar novas ideias e sobretudo dar ao povo aquilo a que ele tinha direito. Hoje estão quase abandonados e querem voltar a brilhar como centro das cidades. Era o espaço de honra da música, num local de fácil acesso e onde todos tivessem a possibilidade de estar presentes.A inspiração vinha de França, com a nova mentalidade que a Revolução Francesa conseguiu transmitir por toda a Europa. Primeiro seguiu-se o modelo inglês mas foi o francês que se conseguiu impor.O palanque era de formato circular e como cobertura tinha a cúpula que servia de abrigo quer da chuva quer do sol. Como possuía várias funções, era um palco onde os oradores e os músicos tinham o seu destaque. A característica mas interessante é que era gratuito e assim não seria preciso pagar nada para assistir aos espectáculos. Coreto significa pequeno coro e tem origem na palavra italiana “coretto” que remete para uma tribuna ou até mesmo palanque. É interessante saber que estes coretos, antes do século XVIII, eram desmontáveis e podiam ser usados em qualquer festa popular. Ocupavam um lugar central mas não era fixo fazendo com que fosse reutilizado sucessivas vezes. Um resquício dos antigos jograis, da Idade Média, que andavam de terra em terra com os seus modos de dizer e cantar. O local mais apetecido era o jardim público pois atraía o grosso das pessoas que os procuravam para descanso ou até mesmo para pequenos passeios do domingo. A ideia de lazer está associada ao trabalho e só quem o praticava sabia o valor que o repouso podia adquirir. A sua origem relaciona-se com a Revolução Industrial, época em que se trabalhava horas a fio sem condições nem regulamentação que defendesse os operários, a nova classe social. O aparecimento das fábricas e a agricultura mais intensiva, levam a uma nova norma de conduta e a uma tomada de consciência bem mais forte. O operário e jornaleiro precisavam de ter quem os defendesse e por isso nasce o movimento associativo. Sinal dessa conduta são os bairros operários que, curiosamente em alguns casos tinham repatriados de guerras. É neste contexto que surgem as Sociedades Filarmónicas e a fundação das Caixa de Auxílio Mútuo que tinham como missão equilibrar a vida dos que sofriam acidentes de trabalho ou estavam doentes. Era uma forma de solidariedade social que cobria, de modo singelo, as despesas inesperadas dos menos afortunados. E aqui o coreto de Vilarandelo, (Trás-os-Montes), minha terra natal, talvez obra dos anos 30, situado no Largo do Toural, no Jardim Público e ampliado em 2008....Existem mais dois no Santuário de Sr. dos Milagres.... António Florêncio


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Curiosidades da Vila

E Porque é NATAL

E porque é Natal, porque é uma Vila de Tradições e porque o Rui Cancelinha continua a querer partilhar a sua arte de recriar, temos um novo presépio de Natal na vila, situado em frente à Caixa de Crédito Agrícola. Além das tradicionais figuras do presépio, somos presenteados com recantos alusivos à nossa Vila, a antigas ocupações e poder-se-á dizer, tradicionais formas de viver que tanto nos caracterizam. Mas o melhor mesmo, é observarem “in loco”, a criatividade do Rui, pois a ele se deve toda a concepção do projecto, desde a idealização até ao resultado final. Já nos vem habituando a estes doces momentos e eu como boa gulosa que sou, retribuo-lhe a minha modesta gratidão e deixo público, o sentimento de orgulho, pela humildade com que partilha a sua criação, embelezando a nossa Vila. Que o Natal seja sempre isto! Boas Festas! Patrícia Doutel

Mudam-se os Tempos… Mudam-se as Vontades… Como já vem sido tradição, no dia 09 de Novembro realizouse, na Vila, a Feira dos Santos. O polvo não faltou…

Os “cacos”, “os farrapos” e “os socos”, também lá estavam...

Era a maior feira do Concelho, ou melhor, da região… Mas os tempos mudaram e a feira já não é o que era. Agora já ninguém precisa de ir à feira para comprar um retalho para fazer uma saia nova, de comprar uns socos novos, que os antigos, o soqueiro disse que já não têm mais remédio – ora remediados estão… Agora existem shoppings, grandes armazéns e internet. Com um “clique” no computador escolhe-se a mercadoria, com outro clique paga-se - e nem se vê a cor do dinheiro - e no dia seguinte o carteiro bate-lhe à porta e entrega o vestido novo, as botas da moda e mais o que se possa imaginar… Há quem diga, que até já os casamentos se fazem pela internet… Patrícia Doutel

Boas Festas


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DIA DE SÃO MARTINHO (2020)

ANIVERSÁRIOS

No dia de S. Martinho lembramos que a sua lenda (relacionada com o Verão de S. Martinho) diz-nos que num dia de tempestade, ia S. Martinho, valente soldado, montado no seu cavalo e pousou a sua mão carinhosamente na mão do pobre. Em seguida, com sua espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo. Apesar de mal agasalhado e de chover muito, o cavalheiro continuou o seu caminho, cheio de felicidade. Mas, de repente, a tempestade passou. O céu ficou limpo. E o sol brilhante encheu a terra de luz e calor. Para que não se apague da memória de todos nós este ato de bondade, praticado pelo cavalheiro, diz-se que, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio, o céu fica azul e o sol reaparece quente e brilhante… É o Verão de S. Martinho! Assim sendo, no dia 11 de Novembro de 2020, não foi esquecida esta data. Estendemos mais uma vez a mão aos ” NOSSOS QUERIDOS IDOSOS DO ERPI”, num espírito de partilha, amor, alegria e união. Devido aos condicionalismos inerentes à segurança que esta pandemia exige, todas as precauções foram devidamente tomadas e não deixou de haver castanhas assadas e muita animação. Irmã Alice Animadora Sociocultural

Boas Festas

São Martinho Dia 11 de Novembro os utentes do ERPI e Centro de Dia comemoraram o São Martinho. Foi um dia muito divertido, os nossos idosos cantaram e dançaram muito animados. Ao final da tarde não faltou o lanche com as febras, entrecosto, castanha assada, caldo verde, regado com uma bela jeropiga. Sandra Oliveira Técnica Superior de Desporto

Jaime Inácio 02/07/1942 Barreiros

Deolinda Pascoal 04/07/1934 Vilarandelo

José Maria Vinagre 10/07/1941 Vilarandelo

Maria Elisabete Pires 12/07/1951 Sonim

Antenor Augusto Cardoso Pires 19/07/1949 Sonim

Maria da Ressurreição 20/07/1934 Ervões

Fernando Magalhães 12/08/1953 Vilarandelo

Fernando Teixeira Lopes 15/08/1936 Vilarandelo

António Teixeira 17/08/1928 Barreiros

Amélia Reis Magalhães 27/08/1924 Vilarandelo

Emília Pimenta 05/09/1940 Ervões

Cândida Fidalgo 19/09/1942 Vilarandelo

Aida Barreira 22/09/1940 Vilarandelo

Luís Sousa Carvela 27/09/1931 Vilarandelo

Cândida Bobadela Medeiros 28/09/1937 Vilarandelo

Manuel Afonso 30/09/1931 Barreiros

Olga Murteira 15/10/1931 Vilarandelo

Matilde Rosa 17/10/1938 Vilarandelo

Maria Pimenta 04/11/1929 Vilarandelo

Mª Eugénia Mateus 05/11/1930 Barreiros

Júlia Almeida 16/11/1929 Vilarandelo

Maria Baía Vinagre 17/11/1938 Vilarandelo

Firmino Teixeira 07/08/1933 Gorgoço


ARAUTO

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“Se é para envelhecer que seja com alegria.” “Sou a caçula da casa. Sinto-me bem. Tenho muita companhia aqui. Estou sempre ocupada com as atividades que me faz muita falta.” Ana Borges

“Entrei no início da pandemia e ADORO.Tenho boas companhias, muito simpáticas. Fazemos muitas atividades para passar o tempo.” Cândida Fidalgo

“Entrei em 2019 e sempre me trataram bem. Não estou sozinho, tenho a companhia desta gente. Gosto muito de fazer parte desta casa.” Manuel Afonso

“Vim para cá há sete anos e gosto de estar aqui. Tenho muitas gentes simpáticas que cuidam muito bem de mim.” José Ferreira

“Estou aqui há quase três anos. Sinto-me muito bem. Sou bem estimada, comida a horas, fazem tudo por nós. Sinto-me acompanhada, não tenho solidão aqui.” Matilde Rosa

“Sou o mais antigo do centro de dia. Gosto muito de aqui estar. Em casa tenho solidão, mas aqui tenho muita companhia e dão-nos muita atenção.” António Teixeira

“Estou aqui desde 2016 e sinto-me bem. Não tenho solidão, estamos muito ocupados. Tenho muito carinho por todos os que estão e trabalham neste centro de dia.” Eugénia Mateus

“Isto é muito bom. Tratam muito bem de mim há cinco ou seis anos, fazemos muitos trabalhos e jogos.” Rosa Polónio

Dia Mundial do Idoso Dia Mundial do Sorriso Dia 1 de Outubro celebramos com os utentes do Cento de Dia o Dia Mundial do idoso e em simultâneo o Dia Mundial do Sorriso. O dia do idoso com o intuito de homenagear todos os nossos utentes e o Dia do Sorriso para relembrar a importância dos sorrisos que nos foram “roubados” e escondidos atrás de uma máscara. Falamos também nos benefícios de sorrir, tais como: diminuir a ansiedade, reforçar o sistema imunológico, sorrir diminui a dor, sorrir relaxa e alivia o stress. O nosso intuito é que os nossos utentes sorriam muito.

Sandra Oliveira Técnica Superior de Desporto

Boas Festas


ARAUTO

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As Empresas/ empresários de Vilarandelo, vem nesta época natalícia desejar a todos os fornecedores, clientes, amigos e familia um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo na esperança que o ano 2022 seja cheio de alegria, paz e muito sucesso, os sonhos de todos sejam uma realidade.

É Natal, É Natal

Boas Festas

Digo a todo o leitor Espero que vivam este Natal Com a graça do Senhor É Natal, É Natal A Deus peço com fervor Para que neste Natal Não nos falte o amor É Natal, É Natal Vamos beijar o menino Que ele traga para todos Muito amor e carinho Mais um Natal Que separa tanta gente Espero um Natal 2022 Vivido de modo diferente Mas neste Natal A Deus peço fortemente Para que este vírus Nos deixe para sempre Que este Natal Vivido por todos nós Junte pais e filhos Netinhos e avós Seja um Natal De confraternização E que Deus abençoe As gentes e a Nação Este Natal de 2021 Com famílias ainda separadas Que o Natal de 2022 De famílias de mãos dadas Boas Festas José Nogueira Cavalheiro

Boas Festas


ARAUTO CLDS 4G Valpaços “Igualdade para a inclusão” O CLDS 4G Valpaços “Igualdade para a inclusão”, projeto social que está a ser promovido pela Casa do Povo de Vilarandelo em parceria com o Município de Valpaços continua a executar ações integradas nos três eixos de intervenção, ajustadas à nova realidade originada pela Pandemia COVID 19. Sendo um projeto planeado para uma intervenção de proximidade, O CLDS 4G Valpaços tem direcionado as suas ações, em articulação com vários parceiros formais e informais (GNR, AEV, CPCJ, Segurança Social, Cruz Vermelha, Centro de Saúde, entre outros), para um acompanhamento individualizado, regular e sistemático no terreno, quer ao nível do acompanhamento de agregados familiares com menores em situação de vulnerabilidade social, quer ao nível do acompanhamento de pessoas idosas em situação de isolamento. As ações desenvolvidas distribuem-se pelos seguintes eixos de intervenção: Eixo 1: Emprego, formação e qualificação: - Encontra-se aberto o Gabinete de Apoio à Inserção (GAI), encaminhando e orientando os desempregados na procura ativa de emprego e/ou na promoção da sua qualificação profissional, divulgando ofertas de emprego e /ou formação, medidas ativas de emprego, apoio na elaboração do CV, cartas de apresentação, preparação para entrevistas de trabalho, entre outros. - Está planeado para 2022 um conjunto de ações direcionadas para os/as alunos do Agrupamento de Escolas de Valpaços e para as pessoas desempregadas sobre educação financeira em articulação com a Associação Nacional de Bancos. Eixo 2: Intervenção familiar e parental, preventiva da pobreza infantil: - Acompanhamento, até ao momento, de 19 agregados familiares, com os quais têm vindo a ser dinamizadas várias ações de promoção de competências parentais, gestão doméstica, gestão de conflitos familiares, apoio escolar aos menores, entre outras, através de uma intervenção de proximidade; - Promoção de sessões de “Yoga do Riso e Yoga Mindfull” direcionadas para os alunos/as integrados/as na Escola Inclusiva do Agrupamento de Escolas de Valpaços; - Ações que visam ativar a comunidade para se envolver no apoio às famílias mais vulneráveis através da recolha de brinquedos e jogos didáticos para oferecer no Natal, bem como da recolha de roupa. Eixo 3: Promoção do envelhecimento ativo e apoio à população idosa - Realização de acompanhamento presencial a 195 pessoas idosas em situação de isolamento, em 31 aldeias do concelho de Valpaços, de forma individual, através de visitas domiciliárias efetuadas pelas técnicas do projeto. Têm sido promovidas ações ao nível da estimulação cognitiva, de saúde mental, escuta ativa e promoção de acesso a serviços, aferindo as suas necessidades, como requisição de receitas médicas, marcação de consultas, encaminhamento para respostas/apoios sociais, etc. - Promoção de ações de combate ao isolamento e a solidão através da mobilização de voluntários/as que realizam contactos telefónicos para conversar com as pessoas idosas. - Entrega trimestral da Sebenta de atividades de estimulação cognitiva e troca de Postais de Natal com mensagens do/a amigo/a secreto/a, ação que visa promover o espírito de união, aproximando as pessoas idosas nesta quadra natalícia. Reforçamos que o envolvimento das entidades locais na dinamização das ações do CLDS 4G Valpaços é essencial, apelando à cooperação de todos na viabilização das ações do projeto, reconhecendo-o como um recurso de intervenção social de proximidade relevante. Marta Coroado Alves Coordenadora Técnica CLDS 4G Valpaços “Igualdade para a Inclusão”

Boas Festas

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Apresentação do Livro

“Trás-Os-Montes”

A Junta de Freguesia de Vilarandelo promoveu a sua primeira iniciativa pública no dia 12 de Dezembro, no salão da Casa do Povo de Vilarandelo. Tratou-se da apresentação do livro de fotografias “Trás-Os-Montes, Uma Visão a Preto e Branco sobre as Gentes e o seu Viver na Década de 1980””, do autor Eduardo Perez Sanchez, um livro que retrata as vivências das gentes transmontanas na década de 1980. Esta apresentação foi iniciada pela Presidente da Junta, seguida de uma intervenção de José António Doutel Coroado, abordando o gosto/ paixão pela fotografia e a importância que os registos fotográficos detêm na conservação do património. A apresentação do livro foi feita pelo próprio autor, enquanto se projectaram as fotografias nele impressas. Foram fotografadas, entre 1982 e 1989, algumas localidades do Concelho, tais como Agordela, Calvo, Sá, Santa Valha, Tinhela e Vilarandelo. Houve ainda lugar à recitação de um poema alusivo ao livro e o passo seguinte foi destinado ao diálogo com todos os presentes, no sentido de partilhar memórias, de reconhecer ruas, casas e pessoas retratadas. Foi uma verdadeira viagem ao passado, repleta de memórias de tempos longínquos. A sessão foi encerrada pelo Sr. Vereador da Câmara Municipal de Valpaços, Eng.º Jorge Pires e de seguida procedeu-se à aquisição das obras e respectiva sessão de autógrafos. O executivo desta Junta agradece a todos os envolvidos e a todos os presentes.


ARAUTO

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Cena 1

É Natal?...

- Manel! Com um garfo bem grande a Ti Francisca ia virando as rabanadas na frigideira. - Manel! Ó homem de Deus... Na mesa da cozinha, coberta com uma toalha bordada com sininhos dourados e raminhos de azevinho com suas folhas verdes e frutos vermelhos, havia uma amostra das comidas de uma noite de consoada. Uma dúzia de bolos de bacalhau, meia-dúzia de ovos verdes, um pratinho com filetes de polvo e uma taça com algumas das rabanadas acabadinhas de fazer. Ao lado das rabanadas um prato com a mistura de canela e açúcar. - Manel... vem cá botar as rabanadas no prato! Na lareira, havia um pote ao lume. A Ti Francisca tirou a rabanada da frigideira e botou-a no prato da canela. Desligou a boca do fogão a gás e fechou a garrafa. O Ti Manel entrou na cozinha com uma garrafa de vinho na mão. - Que raio de vento! E está cá um frio... - Vai pondo as rabanadas na canela enquanto estão quentes! A Ti Francisca sentou-se numa banca junto à lareira e levantou a tampa do pote. Conforme ia sentindo se as batatas, as couves e a raba já estavam cozidas, os olhos toldaram-se-lhe...

Cena 2

Na mesma cozinha havia um bulício enorme. As irmãs da Ti Francisca, os cunhados e a miudagem não paravam de falar e de andar de um lado para o outro. Havia os que punham a mesa na sala grande. Outros iam levando as travessas cheias até cima com a comida. A Ti Francisca tomava conta dos potes, sentada nesta mesma banca. O polvo tinha custado os olhos da cara. Quatro polvoreiras para dar para toda a gente. O bacalhau era daquele de posta bem alta. As rabas, as couves, as batatas...O Ti Manel trouxe da adega garrafas de vinho, produção da casa. E chegou a hora de irem todos para a mesa...

Cena 3

Toca um telefone: “Triiiim.... Triiiim...” O olhar da Ti Francisca voltou-se para o marido. Ainda com um bocado de rabanada numa das mãos o Ti Manel pegou no telemóvel. - É o João! Sentou-se no escano ao lado da lareira. O neto João estava na Suíça. Depois de falarem com o neto, ligou a Mariana que estava em Andorra. Depois foi a vez de falarem com as irmãs da Ti Francisca, Leopoldina e Estrela, que viviam em Lisboa. Enquanto o Ti Manel ia falando, tirou do pote o bacalhau e pôs na mesa a travessa. Foi buscar a garrafa do azeite.Foi a sua vez de falar com a Estrela. - Olha... queres provar da nossa raba? Querias, não querias? Com uma risada terminaram a conversa. Os dois sentaram-se à mesa redonda. Um bem perto do outro. O Ti Manel tirou os óculos e com o lenço limpou umas lágrimas que se lhe tinham formado durante os telefonemas. A Ti Francisca pegou-lhe na mão, apertou-a com força e deu um suspiro que se deve ter ouvido em toda a aldeia.

Cena 4

Dia de Natal é dia de missa. A igreja estava quase cheia. Os dourados da talha brilhavam. À frente do altar tinham montado um presépio, o mesmo dos últimos trinta ou quarenta anos. O Menino Jesus deitado nas palhas tinha um sorriso que brilhava mais que a talha do altar-mor. E chegou a altura de cantar o Bendito. As mulheres e os homens cantavam à vez, como se fosse ao desafio. A Ti Francisca nunca conseguia cantar o Bendito sem se emocionar. Sempre que o cantava recuava no tempo e ouvia-se a cantar com a Mãe e as irmãs. E a voz ganhava segurança e força... E as lágrimas corriam-lhe pela face enrugada. O Ti Manel pegou-lhe na mão e apertou-a com carinho. É Natal! José António Doutel Coroado

Boas Festas

O PÃO NOSSO Pão de Deus, pão do Senhor, divinamente amassado com palmadinhas de amor. Pão que o diabo amassou, com farelos e ralão, com as nalgas amassado, por isso não fermentou. Em inverno mais chuvoso, o Piago é fanfarrão, na primavera é mimoso, e Piaguinho no verão. O moinho e o Piago, eram a minha paixão… água, grão e farinha fofinha, se transformavam em pão. O grão que vai ao moinho, pelas mós bem batidinho, primeiro vai à trimóia, o tarabelo rasura num vaivém faz a mistura, controlado pela boia. Moída na pedra albeira, vai do saco p’rá peneira, bate bate p’rá maceira, onde se envolve em fermento, com água quente a Padeira, faz a mistura caseira… tudo num processo lento… Divide-se a massa em partes, em pães de cinco arrates vai descansar no estendal, com o forno bem quentinho, a Padeira com carinho, com gorro e avental, põe uma pitada de sal e faz o pelo sinal. A mesa pode ser pobre, mas com pão fica mais nobre, já minha Avó me dizia, sêmea, bôla, molêgo ou integral, regueifa, broa ou folar, é o pão de cada dia. Pão de ló com pouco sal, bolo rei pelo Natal, não nos deixam ficar mal. Pão quente, faz mal ao ventre, é melhor pão duro que figo maduro. A farinha leve e alva, faz pão que alimenta a alma, guardado na tarendeira, também era aquartado, pago depois de malhado na azáfama da eira. Alqueire, rasa ou rasão, medidas com precisão, não enganavam ninguém. Como moeda de troca o centeio era a nota, de pagamento a alguém. Diz o Moleiro ao Freguês: quatro menos um são três, dá cá o teu saco, três maquias te rapo. Uma p’ró levar, outra p’ró trazer e outra p’ró burro comer. Quem com pão bole, pão come! Vilarandelo, quantos fornos tem? Caminhavam para Chaves, num vaivém. Foi uma indústria caseira, que deu pão a quem vendeu pão a vida inteira. Padeira no inverno, taberneira no verão. Temos nove meses de inverno e três de inferno, é a sina da nossa região. Aos leitores um bom Natal com os rapas ao serão, Pão e vinho p´ró caminho, porque rabanadas também são pão. Eduardo Ferreira da Costa

Clube de Futsal da Casa do Povo de Vilarandelo

O Clube de Futsal da Casa do Povo de Vilarandelo em competição com três equipas na Associação de Futebol de Vila Real e uma equipa na Liga Amadora de Valpaços - contando com mais de 70 membros (desde atletas, equipa técnica, dirigentes e enfermeira) vem desejar a todos um Feliz Natal e que o Ano Novo que vem, seja melhor em dobro para compensar estes tempos de dúvidas, medos e tristezas. Ao Pai Natal pedimos que o pavilhão escolar de Vilarandelo esteja concluído em Janeiro para que o clube possa regressar à sua verdadeira casa, não deixando de pedir aos nossos adeptos que nos seguiam em Valpaços que o continuem a fazer em Vilarandelo, temos todo o gosto que esse apoio tenha continuidade numa terra em que todos são bem vindos, principalmente quando caminhamos juntos. Se ainda for possível, face à entrega do pavilhão, verificar-se-á a possibilidade de começar com as escolinhas, meninos e meninas dos 5 aos 11 anos, para uma formação não só desportiva, mas como um acréscimo à formação pessoal e preparação na integração da sociedade e claro numa vertente lúdica, com muita diversão, descarga de energias, convívios e alegrias. Saudações desportivas, sejam felizes...


ARAUTO Lembrais-vos de mim? Amável da Rosa Cancelinha, filho de António da Rosa (também conhecido por António do Salgueiro) e de Rosa da Conceição Cancelinha, nasceu em Vilarandelo, bem no coração do Bairro do Outeiro, no dia 26 de Fevereiro de 1927. Foi o quarto de cinco irmãos. Casou-se com Dulce Polónia Cancelinha em Setembro de 1952 quando, ao que parece, os dois “militavam” na JAC (Juventude Agrária Católica), ramo da Acção Católica Portuguesa, e por isso muito dados às coisas da Igreja e assíduos participantes nos atos religiosos da sua paróquia de Vilarandelo. Não foi por acaso que Amável Cancelinha haveria de ficar conhecido até ao fim dos seus dias como “AMÁVEL SACRISTÃO”. O casal teve seis filhos, todos rapazes, dos quais um, o primeiro, não vingou. Foi agricultor e comerciante. Como agricultor foi-o da mesma maneira que qualquer outro conterrâneo seu que cuidava das suas terras. Como comerciante era proprietário do “sote” situado no atual número 8 do Largo do Cruzeiro e oficialmente denominado “MERCEARIA E VINHOS”. Ali se vendia um pouco de tudo: azeite, sal, petróleo, massa, arroz, açúcar, bacalhau, para além das linhas e botões ou então as ardósias, cadernos, lápis, canetas e borrachas, etc. A casa possuía carimbo de tinta a óleo que era essencialmente utilizado nos vales de correio, avisos de encomenda ou de carta registada, e por cima da assinatura de Amável Cancelinha a rogo dos incapacitados de escreverem o próprio nome. Foi depósito de pão, que chegava por volta das cinco da manhã e era anunciado com uma longa buzinadela da carrinha que o transportava e que fazia acordar toda a vizinhança. Foi depósito de tabaco, o chamado “estanque”, autorizado que estava para fornecer os outros revendedores. Mas daquilo que toda a gente se lembra é, provavelmente, o ter sido a paragem das carreiras de que Amável era “agente” sem contrato, vencimento ou compensação. A única benesse era a posse de um cartão que lhe dava direito a viajar de graça, a ele e à familia, nos autocarros da AVT, o que não pagava as longas horas, principalmente no inverno, de espera da última carreira do dia que vinda de Vila Pouca ali passava em direção a Sonim. Eram horas de frio e de sono perdido. Diga-se também que no “sote” havia livro de fiados e, em abono da verdade, quase todoas as dívidas foram devidamente saldadas. Faleceu a 5 de Fevereiro de 1996 no Hospital da Prelada no Porto.

Amável da Rosa Cancelinha e Carimbo da época

Boas Festas

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A Perda…

Eu não queria ouvir, mas ouvi… Partiu… Partiu para todos deste mundo, deixando saudade e lembranças… Não há nenhuma dor que se compare à perda de um ente querido. Não há nada que repare o sofrimento de ver alguém que amamos partir. Para quem fica, resta a saudade, a tristeza e a inconformidade. Contudo, resta olhar para trás e pensar: fiz e dei tudo o que podia. E assim, agradecer a todos o que fizeram e deram aos “nossos.” Em nome da família de Armando Pessoa, queremos agradecer a TODOS os funcionários do Lar de Idosos da Casa do Povo de Vilarandelo, que o trataram sempre com muito respeito, carinho, amor, entrega e dedicação. Às Enfermeiras, Leonor Cancelinha e Amy Antunes, que foram incansáveis e aceitaram o desafio de o acolher e tratar dele, nesta fase terminal, e mesmo, quando ele não queria ir para o hospital, nos diziam sempre:” enquanto há vida há esperança.” E assim o conseguiram: mante-lo junto de nós durante mais algum tempo. À Direção da Casa do Povo, directora técnica Bárbara Cardoso, e Carminda Calado, agradecer a constante e diária preocupação, para com ele e com os familiares. Sempre com suas palavras carinhosas e amigas.Disponíveis para tudo,fazendo visitas frequentes ao quarto do nosso familiar. Por ultimo, e não menos importantes, agradecer a todos os colaboradores, que lidaram com o nosso familiar, quer no Serviço de Apoio Domiciliário (SAD), quer no Centro de Dia (Que frequentou aproximadamente 1 Ano), e que sempre cuidaram dele, como se de um familiar se tratasse. Após vários anos nesta instituição, Sempre foi desejo do nosso familiar, despedir-se deste mundo, naquela que ele considerava actualmente ser a sua casa, neste caso no Lar… E assim aconteceu… Partiu feliz e em paz… Fica o nosso muito obrigado POR TUDO O QUE FIZERAM por Armando Pessoa. Por fim, agradecer a todas as pessoas que se quiseram despedir do Sr. Armando e lhe disseram um último adeus, marcando presença nas cerimónias fúnebres. A Família

Romance

“A Casa da Cruz”

de José M. Sequeira Cancelinha Certo dia o Zé Silvério, feitor na casa dos Fragosos, quando lavrava uns castanheiros nos Estruganos propriedade que pegava com outro souto da família Portelinha e vendo que por ali andava também o senhor Manuel, abeirou-se da estrema e depois de lhe dar a salvação pediu-lhe que ali chegasse que lhe queria falar: -“Senhor Portelinha custa-me muito ter de o incomodar para lhe dizer isto que me anda aqui a moer há já uns tempos.” “Diz lá, homem. Seja o que for. Tu sabes que comigo não tens problemas e que podes sempre contar.” “Eu sei senhor Portelinha. E também sei o bem que o senhor e a sua família fizeram ao meu pai. Há coisas que nunca se podem pagar e essa é uma delas. E gostava que aquilo que lhe vou dizer não servisse para arranjar desavenças na sua família, mas como não gosto de ver nem injustiças nem matreirices...” “ Vá lá! Desembucha!” “Eu vou então contar-lhe, mas por favor não me faça perguntas e nem use o meu nome depois de saber o que tenho para lhe dizer porque preciso de trabalhar e tenho lá três bocas em casa que também precisam de comer e só Deus sabe o que eu e a minha Amélia temos que trabalhar e o senhor Portelinha também sabe como a vida é difícil para todos e muito mais para nós, os pobres.” “Sim, sim.”


ARAUTO

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“Então, cá vai.” – Respirou fundo para ganhar coragem – “Olhe que há alqueires de centeio e até de trigo que vêm da sua casa direitinhos para as tulhas do meu patrão e olhe que até cântaros de vinho já para lá vieram da sua adega e como me parece que a coisa está para continuar por isso é que achei por bem avisá-lo, mas, por favor e pelo bem que lhe quero a si e à sua família não me pergunte mais nada.” “Ó rapaz, fizeste bem em teres-me dito e hei-de agradecer-te, ainda não sei como, mas hei-de. Qualquer coisa que queiras e que te possa ajudar é só pedires-me.” “A minha Ana fez agora treze anos, à escola não a pude mandar. Se o senhor ma quisesse lá em sua casa era um grande favor que me fazia e não tinha melhor maneira de me agradecer. Assim, a rapariga sempre ajudava na lida lá da casa e podia aprender alguma coisa com as suas filhas, porque a sua mais nova, a menina Palmirinha, é da mesma idade. E não quero que lhe pague nada, basta-me que lhe deem de comer e que ma tragam limpa e escarolada. E tenho a certeza de que assim será. E não tem melhor paga do que aquilo que irá aprender, que lhe há-de servir para o resto da vida.” “Está bem rapaz, vou falar com a patroa e depois te direi alguma coisa, mas vai já contando com isso porque cá por mim não vejo nenhum problema para que lá em casa não possa haver lugar para mais uma, onde comem nove podem comer dez e, de mais a mais, conheço bem a tua família e também conheci bem o teu pai, que Deus tem, de quem era muito amigo. Agora vai lá acabar o serviço que não tarda é noite e o teu patrão depois ainda se arrelia contigo, e tu sabes bem como ele é.” “Pois sei, pois sei! Mas pelo peso que hoje tirei de cima não me importo de nada. E quando chegar a casa vou logo contar à minha Ana daquilo que falámos e ela vai ficar toda contente. E a minha Amélia também. “Vai lá então.” “E olhe que guicha como é, a rapariga até é capaz de aprender a ler e a escrever com os seus filhos, assim eles queiram ensiná-la.” **** Manuel Portelinha bem que já andava desconfiado. Até já tinha falado com o António Pedro, o seu feitor, duma vez que notara que o grão numa das tulhas tinha baixado consideravelmente e havia vestígios de ter sido mexido de recente. Disse-lhe para ter o paquete debaixo de olho e, também, aqueles jeireiros mais assíduos nas lides agrícolas, aqueles que eram quase diários e que melhor conheciam os cantos à casa. Mas pelas palavras do Silvério o mal devia vir de dentro da própria casa. Palpitava-lhe que era um assunto para ser resolvido em família. Pois, então, assim haveria de ser e seria logo que chegasse a casa. A justiça só é justa quando aplicada a tempo e horas. Montou no cavalo e a trote lá foi para casa matutando no modo como haveria de resolver aquele assunto familiar tão delicado. **** Já Manuel estava em casa a desaparelhar o cavalo quando chega também António Pedro com a junta de bois com que andara todo o dia a lavrar umas vinhas e umas oliveiras. Acompanhara-o um dos filhos da casa, Calisto, que, para além de ter feito umas bordas, poucas, tinha fama de gostar pouco de trabalhar, passou o resto do tempo, que por lá andou, a armar e a posicionar umas esparrelas para caçar uns passaritos. Tinha apanhado uma meia dúzia que a irmã mais velha já depenava e que depois, envoltos numa folha de couve, seriam assados no borralho e que comeriam como petisco à ceia. “O patrão, hoje, vem muito sério. Aconteceu-lhe alguma coisa? Ou é mais alguma que lhe fizeram ou disseram aqueles filhos da mãe? Que é para não dizer pior!” - Perguntou António Pedro, preocupado. “Deixa lá isso comigo, rapaz! Acomoda as crias e vê lá a burra que deve estar para parir. Olha que se não for hoje é amanhã. A lua entra esta noite. Esperemos que venha aí um bonito macho, que bem precisamos dele para fabricar as terras onde não pode entrar a junta dos bois “Está bem Sr. Portelinha” “ Depois da ceia vem dar outra olhadela e de noite fica atento a qualquer rumor. Se sentires alguma coisa levanta-te e se for preciso chama-me.” “Fique descansado que ficarei atento e há-de correr tudo bem.” Depois de feitas as últimas lidas diárias e de acomodados os animais, e quando já a noite tinha caído, é que todos, família e empregados, se sentaram à comprida mesa da cozinha, ladeada por dois bancos corridos, para cearem. Durante a refeição falou-se de como tinham corrido os diversos trabalhos do dia e combinaram o que se faria no dia seguinte e como seria feito. E Manuel, nada deixou transparecer daquilo que tinha para dizer, até ao fim da mesma. “Agora que acabamos de comer queria dizer-vos umas coisas.” “As raparigas podem ir levantando a mesa, mas que ouçam também, apesar de a conversa ser mais aqui com os rapazes. E tu, Rita, como mãe e dona desta casa quero que fiques ao corrente de tudo o que se passa.

Por isso, por favor, senta-te para que assistas ao que tenho para dizer, que é importante. Além disso também preciso de falar contigo sobre outro assunto.” O ar tornou-se imediatamente pesado mesmo sem nenhum dos filhos e até mesmo a mãe saberem do que se tratava. Se calhar, algum deles já desconfiava qual seria o tema da conversa, mas de uma coisa tinham todos eles a certeza, o assunto era muito grave a avaliar pela seriedade e tom das palavras proferidas pelo pai. Do mais velho ao mais novo nenhum ousou abrir a boca. Até mesmo as raparigas que já levantavam a mesa e se preparavam para lavar a loiça o conseguiam fazer quase sem o mínimo ruído. António Pedro e o paquete perceberam logo que não era nada com eles e depois de pedirem licença levantaram-se da mesa e saíram. A mãe que se tinha levantado para ajudar as filhas a arrumar a cozinha retomou o lugar no banco corrido em frente ao marido. “O Zé Silveiro pediu-me se podíamos trazer cá para casa a filha mais velha e eu respondi-lhe que só depois de falar contigo é que lhe diria alguma coisa. Eu cá por mim não vejo inconveniente nenhum para que a miúda não possa vir cá para casa. Tu que me dizes?” - Perguntou Manuel dirigindo-se a Rita. “ Olha que até acho bem”, respondeu ela “Além disso o pai dele, que Deus tem, sempre foi nosso amigo e então o avô nem se fala, quantas vezes nos vieram ajudar nos trabalhos e às vezes apareciam sem lhe pedirmos nada. E a rapariga sempre há-de aprender alguma coisa connosco e Graças a Deus não nos falta o pão nem o peguilho para ele e onde comem sete podem comer oito.” “Então amanhã manda lá uma das tuas filhas a dizer-lhes que podem mandar a rapariga quando quiserem. E agora vamos ao assunto principal e quero que me ouçam todos com atenção.” Os três rapazes baixaram os olhos enquanto Valentim, displicentemente, ia fazendo, entre os dedos, bolinhas com um pedaço de miolo de pão. Manuel continuou: “Já sois, quase todos, uns homens. E nunca, nem eu nem a vossa mãe, vos faltamos com o pão e com a educação. O Valentim não tarda vai-se casar e só já pensa nisso, oxalá que seja feliz e que dê um bom chefe de família e que a mim e à vossa mãe nos dê ao menos um neto para que o nome da família continue, visto que os meus irmãos e vossos tios só tiveram raparigas. Acho que escolheu bem pois a noiva é de boas famílias, das melhores e mais respeitadas nas Lagoas. O Calisto, um homem que já põe a navalha na cara só pensa é em borgas e brincadeiras e passa o tempo a preparar e a armar esparrelas aos pássaros e umas boizes aos coelhos e perdizes e à procura das lorgas só lhe falta andar por cima das árvores à procura de ninhos. Não sei o que quer ele da vida é que já vai tendo idade de tomar termino. O vosso irmão mais novo ainda é o que mais me ajuda e o que mais se interessa pelas coisas da família só é pena que ele insista em querer namorar aquela galdéria o que é, cá no meu entender, uma vergonha para a família. Espero que nunca ma traga cá para casa. Mas não é isto o mais importante que tenho para vos dizer.” Manuel fez uma pausa antes de continuar “Há uns tempos a esta parte que tenho notado algum desfalque na tulha dos cereais e, também, nos toneis do vinho. Ainda cheguei a pensar que fosse algum empregado dos nossos ou até mesmo algum jeireiro. Mas não! Tive a confirmação que o mal parte da família. Está cá dentro de casa. E vós ou pelo menos algum de vós sabe o que se passa e de quem é a culpa e a responsabilidade de tão vil acto.” “Ai filhos que desgosto que me dais.” Suspirou Rita “Vós precisais de fazer uma coisa dessas? E que vergonha para a família!” Notava-se o desconforto total e o ambiente tornava-se cada vez mais e mais pesado. Até o gato saiu disparado, a correr porta fora, parecendo que também ele estava incomodado com aquela atmosfera. “Quero que acabeis imediatamente com essa pouca vergonha. E isto é uma ordem. Não quero a nossa família nas bocas do mundo e muito menos na daqueles que nos querem mal. E digo-vos que este é um assunto que não vou esquecer. Por isso pensai bem, e os que acharem que têm responsabilidade neste assunto que tenham a hombridade de se darem por culpados e de vir falar comigo. Não precisa de ser já.” “ Boa noite e até amanhã se Deus quiser.” Rematou e retirou-se. NOTA: Este romance será publicado, por capítulos, em Arautos posteriores. Não perca os próximos “episódios”!

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PARA O ARAUTO Armindo Martins Coroado Pinto 30,00 € Vivente Lopes de Almeida 30,00 € Adelino José Ferreira Lopes 20,00 € Francisco Figueiredo Chaves 20,00 € Manuel Melo Pascoal 20,00 € Marisa Cristina de Almeida Gonçalves 20,00 € Isabel Fernanda Almeida Gonçalves 20,00 € Dulce Freitas Alves da Costa A. Gabrel 20,00 € Carlos Manuel Ferreira Santos 20,00 € Anonimo 20,00 € Paula Baia 30,00 € Maria Guilhermina Malta Anselmo Baia 30,00 € João do Nascimento Rebelo 10,00 € Joaquim Alves Ferreira 30,00 € José Garcia Magalhães 40,00 € Samuel José Magalhães Medeiros 30,00 € Natália dos Santos Ruivo 50,00 € Ana Maria dos Santos Ruivo 30,00 € Anonima 25,00 € Pe. Amadeu Nogueira Olaia 50,00 € Pedro Vilardouro Nogueira 20,00 € Carlos Vilardouro Nogueira 20,00 € Valdemar da Rosa Batista 10,00 € Pedro Miguel Batista da Rosa 10,00 € Pedro Miguel Garcia Taveira 30,00 € Irm. Esperança Pires 20,00 € Mrilia Ferreira Lima 50,00 € Manuel Alves Ferreira 40,00 € Adélia Alves Ferreira Coelho 10,00 € António José Garcia Ferreira 60,00 € Francisco do Vale Taveira 5,00 € Sandra Morais Taveira 5,00 € Nuno Miguel Machado Mairos 40,00 € Anonimo 10,00 € Albino Morais Magalhães 10,00 € António José da Rosa Brandão 20,00 € Anonimo 5,00 € Manuel Terra 10,00 €

10,00€

PARA A CRECHE Martilde Pereira de Morais Garcia

Agradecimento A família de António Gonçalves ve m, muito sensib ilizada, agradecer as inúmeras p rovas de pe sar e carinho que lhe foram manifestadas aquando das exéquias fúnebres do seu ente querido.

Agência Funerária Mariana Lino Lda. - Vilarandelo

Agradecimento A família de Ma ria de Lurdes Almei da Ma durei ra Fernande s ve m, muito sensi bilizada, agradecer a s inúmeras p rovas de pesar e carin ho que lhe foram manifestada s aquando das exéquias fúnebre s do seu ente querido.

Agência Funerária Mariana Lino Lda. - Vilarandelo

Agradecimento A família de Et elvina de Jesu s vem, muito sensib ilizada, agradecer as inúmeras p rovas de pe sar e carinho que lhe foram manifestadas aquando das exéquias fúnebres do seu ente querido.

Agência Funerária Mariana Lino Lda. - Vilarandelo

Agradecimento A família de Maria Me deiro s d e Figuei redo ve m, muito sen sibilizada, agradecer as inúme ras prova s de pesar e carinho que lhe foram manifestada s aquando das exéquias fúnebres do seu ente querido.

PARA O LAR Martilde Pereira de Morais Garcia

Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós!

10,00€

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Agradecimento A família de José Melo Cancelinha vem, muito sensib ilizada, agradecer as inúmeras p rovas de pe sar e carinho que lhe foram manifestadas aquando das exéquias fúnebres do seu ente querido.

Agência Funerária Mariana Lino Lda. - Vilarandelo

Em Géneros

Agradecimento A família de Armando Pe ssoa ve m, muito sensib ilizada, agradecer as inúmeras p rovas de pe sar e carinho que lhe foram manifestadas aquando das exéquias fúnebres do seu ente querido.

Agência Funerária Mariana Lino Lda. - Vilarandelo

Agradecimento A família de Luzia Nogueira Teixei ra Pe rcevejo vem, mui to sen sibilizada, agradece r as inúmera s provas de pe sar e carinho que lhe foram manifestada s aquando das exéquias fúnebre s do seu ente querido.

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A todos o nosso Muito Obrigado

Agradecimento A família de António da Rosa Cancelinha ve m, muito sensib ilizada, agradecer as inúmeras p rovas de pe sar e carinho que lhe foram manifestadas aquando das exéquias fúnebres do seu ente querido.

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Saudade … é o amor que fica de quem não pode ficar… Boas Festas


ARAUTO

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A CRECHE “Toda a criança em criança é um artista de qualquer tipo cujas capacidades especiais, mesmo que, insignificantes, devem ser encorajadas como contributo para a riqueza infinita em comum.”

Herbert Read (1966:17)

A infância é a etapa principal da vida das crianças, são os primeiros 3 anos de vida fundamentais para o seu desenvolvimento físico, afetivo e intelectual. Cuidar e educar são elementos indissociáveis! A maior parte do dia-a-dia de uma creche está centrada em momentos práticos e de assistência por questões de direitos prioritários à infância, como a alimentação, a higiene, o descanso e momentos de lazer onde as brincadeiras ocupam o seu lugar. Todas as atividades diárias que surgem na Creche, a própria rotina, apresentam ligações com a educação: desde a orientação de como se portar à mesa até à construção de uma brincadeira coletiva no parque. Os momentos de acolhimento, o dar colo, carinho e atenção. O modo como se lida com uma birra, o desagrado, a curiosidade das crianças e como se promove a interação social, determina o tipo de educação que se lhes estamos a dar. A fala do adulto inicia a criança na linguagem, pois no decorrer das atividades, o adulto vai dizendo o que a criança faz, o que as outras estão a fazer, o que sentem e, assim, vai mediando os atos por meio da linguagem. Não há um conteúdo educativo na creche desvinculado dos gestos de cuidar. Não há um ensino, seja de um conhecimento ou de uma rotina, que utilize uma via diferente da atenção afetuosa, alegre, disponível e promotora da progressiva autonomia da criança. A creche entendida como instituição educativa, constitui-se como o primeiro local em que a criança vivencia situações de inclusão. É agindo e interagindo com os outros e com os objetos que a rodeiam, que a criança constrói o seu conhecimento, inclusivamente sobre si mesma, e que desenvolve as bases para estruturar a sua personalidade. Estas interações com o meio físico e social, resultantes da própria ação da criança sobre o meio, constituem experiências de carácter físico, cognitivo, social ou afetivo que contribuem, de forma integrada, para o seu desenvolvimento (Piaget, 1966). As brincadeiras em grupo são a melhor experiência de socialização. As colaboradoras do Jardim de Infância da Casa do Povo de Vilarandelo desejam a todas as crianças e os seus familiares um Feliz Natal e um Próspero ano Novo. Que a magia do Natal nunca acabe…. A Educadora de Infância Daniela Nogueira

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