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ANO II - DEZEMBRO 10 - 2016


AfroPunk Fashion Editorial The Get Down Foreign Look

SU AfroPunk MÁ Editorial de Moda The Get Down Abyssinian Church RIO Olhar Estrangeiro Music of the Earth Bronx, Brooklyn, Harlem

Bronx, Brooklyn, Harlem

Igreja Abissínia Música da Terra Empreendedores

Capa Nascido em Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil, Estudou Direito na Universidade Federal Fluminense / UFF, no Rio de Janeiro Seu espírito inquieto levou-o a tomar um outro sentido de se mudar para Salvador Estudou Arte e literatura na Universidade Federal da Bahia / UFBA, em seguida, começando sua jornada no mundo das Artes. Trabalhando em companhias aéreas brasileiras Varig buscar novos horizontes, em 2000 mudou-se para Nova York, na indústria da moda trabalhou com o lendário designer Carlos Falchi, kara Ross, onde ele vem se envolver em um universo frenético com as mudanças constantes.

Entrepreneurs

Contracapa

Born in Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil, studied Law at the Fluminense Federal University / UFF, Rio de Janeiro, his restless spirit led him to take another sense of moving to Salvador. He studied Art and Literature at the Federal University of Bahia / UFBA , Then beginning his journey in the world of the Arts. Working in Brazilian airlines Varig he starts seeking for new horizons, in 2000 moved to New York and in the fashion industry worked with the legendary designer Carlos Falchi, Kara Ross, where he comes to engage in a frenzied universe with constant changes.

Antonio Oliveira Filho


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hegamos à nossa 10ª edição da revista eletrônica Acho Digno e quem diria que em dois anos de existência conseguiríamos realizar tantos sonhos?! Uma revista que pauta moda, comunicação, cultura, educação, tudo relacionado à questão racial. Tudo relacionado ao nosso bem viver. Tentamos transmitir a arte do nosso semelhante nessas páginas de forma digna, fazendo o correio nagô ecoar nos quatro cantos do mundo. Sim, no mundo, pois já conseguimos chegar à Tânzania, Angola, Senegal, França, Alemanha, Estônia, diversos estados brasileiros e agora tivemos a oportunidade de ir para Nova Iorque conhecer um pouco da “capital do mundo” para poder compartilhar conhecimentos, informações e experiências como os nossos leitores. Por meio do projeto Identidades Transatlânticas, contemplado com apoio financeiro do Edital Mobilidade Artística 2016, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), a revista eletrônica Acho Digno participou de uma residência artística de dois meses (agosto e setembro), em Nova Iorque, com o intuito de conhecer outras mídias negras e um pouco da cultura e arte do Bronx, Harlem e Brooklyn. A escolha desses lugares se justifica por se caracterizarem como centros culturais, com uma grande parcela de moradores negros nesses locais com tradições que se mantêm com o passar dos anos. São lugares marcados e conhecidos por sua arte, cultura e lutas negras. Distritos que são o berço de diversos talentos na área da música, do cinema, da moda e do teatro. O intuito destse projeto é poder ser capaz de destrinchar os acontecimentos do ocidente negro para além das fronteiras territoriais e conseguir dialogar como bons aliados nesse mundo dae cultura digital. New York City (NYC) – Ao chegar à cidade escutamos jazz no Harlem, vimos cultura hip hop forte no Bronx, contemplamos shows de Janelle Monae, Ice Cube no Brooklyn. Vimos pessoas negras estilosas por toda parte. Trocamos olhares, trocamos sorrisos, tivemos algum tipo de comunicação e produzimos algumas matérias que poderão ser conferidas nestas páginas da primeira edição internacional da Acho Digno. A NYC, ou Nova Iorque para nós brasileiros, é uma cidade que exerce enorme impacto social e cultural em todo mundo por meio do seu comércio, finanças, mídia, arte, moda, pesquisa, tecnologia e educação. Ela é considerada como a capital cultural do mundo com a maior comunidade afro americana. As indústrias criativas, como novas mídias, publicidade, desing e arquitetura representam uma parcela crescente do em-

Foto: David Wilson

C

EDITOR

prego. Se tratando de comunicação, a cidade é o principal centro em massa da América do Norte. É o local que mais sedia companhias de mídia e comunicações do país. A maioria das grandes editoras de revistas dos Estados Unidos está sediada em Nova Iorque. É identificada como um local altamente ativo e multicultural. Imprensa Negra –No Brasil é comum falar em mídia negra alternativa, porém em Nova Iorque foi possível constatar que fizeram dessa oportunidade um grande mercado financeiro e de grande potencial. Em relação ao segmento de revistas afro, os Estados Unidos possuem um dos mais extensos e importantes mercados. Segundo dados da ONG MPA (The Association of Magazine Media), são cerca de 200 publicações voltadas para esse público. Esse mercado editorial norte americano é uns dos mais bem


RIAL

We

came to our 10th edition of the electronic magazine Acho Digno and who would say that in two years of existence we could achieve so many dreams ?! A magazine that guides fashion, communication, culture, education, everything related to the racial issue. Everything related to our well being. We try to convey the art of our fellow man on these pages in a dignified manner, making the NagĂ´ mail echo in the four corners of the world. Yes, in the world, because we have already reached Tanzania, Angola, Senegal, France, Germany, Estonia, several Brazilian states and now we have the opportunity to go to New York to get to know the "capital of the world" in order to share knowledge, information And experiences with our readers. Through the Transatlantic Identities project, with the financial support of the 2016 Artistic Mobility Announcement of the Bahia State Department of Culture (SecultBA), the electronic magazine Acho Digno participated in a two-mon-

ths artistic residence (August and September) in New York, in order to meet other black media and some of the culture and art of the Bronx, Harlem and Brooklyn. The choice of these places is justified by being characterized as cultural centers with a large proportion of black residents with traditions that continue over the years. They are places marked and known for their art, culture and black fights. Districts that are the cradle of diverse talents in the area of music, cinema, fashion and theater. The aim of this project is to be able to disentangle the events of the black West beyond the territorial borders and to be able to dialogue as good allies in this world of the digital culture. New York City (NYC) - Upon reaching the city we hear jazz in Harlem, saw strong hip hop culture in the Bronx, watched Janelle Monae shows, Ice Cube in Brooklyn. We saw stylish black people everywhere. We exchanged glances, exchanged smiles, had some kind of communication and produced some material that can be checked in these pages of the first international edition of Acho Digno. NYC, or Nova Iorque for us Brazilians, is a city that has enormous social and cultural impact throughout the world through its trade, finance, media, art, fashion, research, technology and education. It's considered as the cultural capital of the world with the largest African American community. Creative industries such as new media, advertising, design and architecture represent a growing share of employment. When it comes to communication, the city is the main mass center of North America. It's the location that most hosts media and communications companies in the country. Most major magazine publishers in the United States are based in New York. It is identified as a highly active and multicultural place. Black Press - In Brazil, it is common to speak of alternative black media, but in New York it was possible to see that they made this opportunity a great financial market with great potential. In relation to the segment of Afro magazines, the United States has one of the most important


Foto: Antonio Oliveira Filho

estruturado com uma rica diversidade na gama de publicações e é um nicho com publicações muitos específicas. Tais publicações souberam acompanhar e pautar a constante evolução da sociedade, interpretando o mundo moderno do seu público sem subestimá-los. Essa realidade é um reflexo de uma série de conjunturas sociais, econômicas e culturais. São publicações com textos bem trabalhados, com projeto editorial que valoriza a força da palavra, da imagem e que busca o equilíbrio entre a escrita acadêmica, artística e jornalística. São revistas que prezam pelo seu conteúdo. Tratar a partir da perspectiva do individuo negro com profundidade, sem a simples preocupação em formar mais meros consumidores, e sim leitores interessados e/ou engajados em uma causa. O mercado editorial negro norte americano já esta fortemente estabelecido e respeitado. Exemplos dessa afirmação são das revistas Essence e Ebony que juntas somam quase dois milhões de assinantes. Essas revistas entre outras mídias negras como: The Grio, Black Voices, The Root, Clucth Magazine, Black New, continuam a oxigenar o pensamento do cidadão negro contemporâneo, pois tais publicações reforçam uma mensagem de empoderamento da comunidade negra norte americana.PortantoPor tanto, por meio da revista eletrônica Acho Digno a proposta é poder continuar o dialogo entre as comunidades afro brasileira e afro estadunidense. O que podemos fazer com a escrita?A partir desses dados, é possível começar a analisar a importância dessas publicações destinadas ao público afro para a criação de uma identidade com uma representatividade positiva que está preocupada em retratar esse indivíduo de forma digna. Seja como for e no espaço que tivermos, precisamos ter o compromisso de compartilhar experiências e refletir sobre cada passo dado, buscando as melhores soluções para a evolução de um coletivo. Segundo o diretor e fundador do

coletivo Black Out For Human Rights, Ryan Coogler, o ativismo é sobrevivência. Se pararmos para pensar na origem da maioria das pessoas provenientes de grupos marginalizados, todos temos essa linhagem. Estamos sobrevivendo, também, por meio da nossa escrita, por meio da nossa mídia negra. Conhecimento é poder. No momento em que uma Secretaria de Cultura acredita e apóia um projeto de imprensa negra e cultura digital, ela possibilita a nossa existência e permanência no cenário. Continuamos produzindo uma mídia negra de qualidade. Resistindo e refletindo sobre as nossas diversas formas de atuação e ação na sociedade, pois a nossa tarefa aqui é o compartilhamento de informações. Seguimos na luta e em frente. Boa leitura! Revistas Negras Black Enterprise Magazine: O principal negócio, investimento e riqueza de construção de recursos para os afro-americanos. Esta revista é o maior e mais antigo recurso de impressão para negros empresários. www.blackenterprise.com . Black MBA Magazine: A revista oficial da organização profissional National Black MBA Association, que lidera na criação de riqueza econômica e intelectual para os negros. www.nbmbaa.org


Clucth Magazine, Black New, continue to oxygenate the thinking of the contemporary black citizen, as such publications reinforce a message of empowerment of the black American community. Through the electronic magazine Acho Digno, the proposal is to be able to continue the dialogue between the Afro-Brazilian and Afro-American communities.

important markets. According to data from the NGO MPA (The Association of Magazine Media), there are about 200 publications aimed at this audience. This North American publishing market is one of the most well structured with a rich diversity in the range of publications and is a niche with many specific publications. Such publications have been able to follow and guide the constant evolution of society, interpreting the modern world of its public without underestimating them. This reality is a reflection of a series of social, economic and cultural conjunctures. They are publications with well-written texts, with an editorial project that values the strength of the word, of the image and that seeks the balance between academic, artistic and journalistic writing. They are magazines that cherish for their content. Treat from the perspective of the black individual with depth, without the simple concern to train more mere consumers, but readers interested and / or engaged in a cause. The North American black publishing market is already heavily established and respected. Examples of this claim are from Essence and Ebony magazines that together total nearly two million subscribers. These journals among other black media such as The Grio, Black Voices, The Root,

From these data, it is possible to begin to analyze the importance of these publications aimed at the Afro public in order to create an identity with a positive representativeness that is concerned with portraying this individual in a dignified manner. Anyway and in the space that we have, we must have the commitment to share experiences and reflect on each step given, seeking the best solutions for the evolution of a collective. According to the director and founder of the collective Black Out For Human Rights, Ryan Coogler, activism is survival. If we stop to think of the origin of most people from marginalized groups, we all have this lineage. We are surviving, too, through our writing, through our black media. Knowledge is power. At the moment when a Department of Culture believes and supports a project of black press and digital culture, it allows our existence and permanence in the scenario. We continue to produce quality black media. Resisting and reflecting on our diverse forms of action and performance in society, because our task here is the sharing of information. We continue in the fight and on. Good reading! Black Magazines Black Enterprise Magazine: The main business, investment and wealth building resources for African Americans. This magazine is the largest and oldest printing resource for black entrepreneurs. www.blackenterprise.com Black MBA Magazine: The official magazine of the National Black MBA Professional Association, which leads in creating economic and intellectual wealth for blacks. www.nbmbaa.org


Essence: A revista de estilo de vida preeminente para a mulher afro americana de hoje, chegando a quase 8 milhões de leitores todos os meses. www.essence.com The Source: Marcado como a Bíblia da cultura e política do Hip-Hop. Incluem revisões de música, entrevistas exclusivas e comentários sobre artistas e a indústria da música independente. www.thesource.com New Vision (NV): Uma revista nacional, bi-mensal, de negócios para profissionais urbanos, empresários e pensadores avançados. NV revista foi criada como mais do que uma revista de negócios para os profissionais urbanos. www.nvmagazine.com Shereese Magazine: Esta revista para mulheres afro-americanas apresenta conteúdo editorial exclusivo sobre a manutenção de cabelo em casa, novas tendências, tópicos atuais, atualização estilista e educação. www.shereese.com African American Golfers Digest: Dedicado à crescente quantidade de afro-americanos em todo o país que têm uma paixão pelo esporte de golfe. www.africanamericangolfersdigest.com Black Bride and Groom: Revistapara casais afro-americanos como eles se aventuram no mundo de experiências de casamento, decoração, lua de mel hotspots e pré/pós-casamento. www.blackbrideandgroom.com Revisão de Livros Negros: A única revista nacional dedicada exclusivamente a cobrir livros de autores negros e os interesses dos leitores afro americanos. www.bibookreview.com Gospel Truth Magazine: Primeira revista de estilo de vida para os afros americanos que têm uma paixão pela igreja e música gospel. www.gospeltruthmagazine.com Harlem World Magazine: Crônicas Harlem celebridades, cultura, moda, estilo de vida, saúde, esportes, notícias, negócios e filantropia. Ela serve como um portal para uma audiência crescente, jovem, tendência, multicultural. www.harlemworldmag.com

Matérias e reportagens / Subje Amanda Dias, Camila de Mora Elis Clementino

Fotógrafos / Photographers: Achim Harding, Antonio Olive

Artigos / Artcles: Joselaine Caroline, Luana Carv Revisão/ Review: Pedro Caribé, Vera Lopes

Tradução nas entrevistas / Int Daniela Azeredo, Rafael Alme

Tradução dos textos / Texts tr Antonio Pita, Denie Soares

Projeto Gráfico e diagramaçã diagram: Camila de Moraes

(55+) 71. 986735912 BR / achodignorevista achodignoarevista.b facebook.com/ach


ects and reports: aes, Cristiane Guterres,

eira Filho

valho, Maria Luiza Junior

terview Translation: eida

ranslation:

ĂŁo / Graphic Design and

+1 (917) 6402869 USA a@gmail.com blogspot.com.br hodignoarevista

Essence: The preeminent lifestyle magazine for today's African-American woman, reaching nearly 8 million readers every month. www.essence.com The Source: Marked as the Bible of Hip Hop culture and politics. They include music reviews, exclusive interviews and commentaries on artists and the independent music industry. www.thesource.com New Vision (NV): A national, bi-monthly, business magazine for urban professionals, entrepreneurs and advanced thinkers. NV Magazine was created as more than a business magazine for urban professionals. www.nvmagazine.com Shereese Magazine: This magazine for African American women features exclusive editorial content on home hair maintenance, new trends, current topics, stylist update and education. www.shereese.com African American Golfers Digest: Dedicated to the growing amount of African Americans across the country who have a passion for golfing sport. www.africanamericangolfersdigest.com Black Bride and Groom: Magazine for African-American couples as they venture into the world of wedding experiences, decorations, honeymoon hotspots and pre / post-wedding. www.blackbrideandgroom.com Black Book Review: The only national magazine dedicated exclusively to cover black author's books and the interests of African American readers. www.blackbrideandgroom.com Gospel Truth Magazine: First lifestyle magazine for African Americans who have a passion for church and gospel music. www.gospeltruthmagazine.com Harlem World Magazine: Harlem Chronicles celebrities, culture, fashion, lifestyle, health, sports, news, business and philanthropy. It serves as a gateway to a growing, young, trend-set, multicultural audience. www.harlemworldmag.com


O SEU ESTILO

Brandi Thompson Summers I

would describe my style as elegant and classic, but with a little bit of flair. I love neutral colors like cream, grey, brown, and I love black! Because I am a college professor who teaches about fashion, popular culture, and race, I love to wear clothes and accessories that are stylish and unique, but that also command attention. I rarely wear flat shoes, and I am known on campus for my vintage, tortoise-shell eyeglasses. I love this dress because it has two tones and is two lengths. In the front, it is short and cream and in the back, it is long and black. But what I love most is how it moves when I walk and in the wind. At night, I would add a black leather jacket, spiky heels, and red lipstick to complete the look.

G

ostaria de descrever o meu estilo como elegante e clássico, mas com um pouco de talento. Amo cores neutras como creme, cinza, marrom, e eu amo o preto! Porque eu sou uma professora de faculdade que ensina sobre moda, cultura popular e raça. Eu adoro usar roupas e acessórios que são elegantes e únicos, mas que também chamam a atenção. Raramente uso sapatos baixos. Sou conhecida no campus pelo estilo e óculos. Eu amo este vestido porque tem dois tons e dois comprimentos. Na parte dianteira, é curto e creme e na parte traseira, é longo e preto. Mas o que mais gosto é como ele se move quando ando e no vento. À noite, gostaria de acrescentar uma jaqueta de couro preta, saltos espessos e batom vermelho para completar a aparência.


Nova Iorque:

Como você pensa que é?!

Ilustração 1: Marcos da Mata Ilustração 2: Jéssica Rodrigues Fotos: Arquivo Pessoal

Repórter parceira da Acho Digno, Amanda Dias, conta como brasileiros e soteropolitanos imaginam a grande metrópole mundial

New York as You Imagine Reporter partner of Acho Digno, Amanda Dias, tells how Brazilians and "Soteropolitanos"" imagine the great world metropolis.


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epois de assistir aquela comédia romântica com muitos beijos no Central Park ou aquele drama clássico ambientado no Brooklyn dos anos 80, você já deve ter imaginado como seria conhecer Nova Iorque. Com mais de oito milhões de habitantes, a cidade que Hollywood colocou nos nossos sonhos, é amplamente considerada a capital cultural do planeta. Nesta edição, a revista Acho Digno foi às ruas para saber como é a New York City (NYC) que habita o imaginário dos baianos. E se você achou que ninguém aqui liga para o que acontece lá na Big Apple, essa matéria vai te surpreender. Rafael Aguiar (foto) é o típico Swag Boy (homem estiloso), com um visual urbano e despojado, o jogador amador de basquete conta que se inspira em alguns ícones novaiorquinos na hora compor seus looks. "Tupac, Jay Z e 50 Cent que eu aprecio desde infância, são rappers que tiveram bastante influência no meu gosto musical e também no jeito de me vestir e por incrível que pareça, todos eles são novaiorquinos". Outra grande inspiração para Rafael é a estrela do New York Knicks, Carmelo Antony. Recordista de pontos nas olimpíadas, o jogador emergiu como um dos mais populares da National Basketball Association (NBA), principal liga de basquetebol profissional da América do Norte. “Carmelo serviu de molde para minha formação como atleta e como pessoa porque ele desenvolve vários projetos sociais em comunidades negras como forma de inclusão social de jovens através do esporte”, comentou Aguiar. Já a cidade que povoa os sonhos do jornalista e maquiador, Tássio Santos, é a que fez história nas passarelas e revistas de moda. Nova Iorque, que foi a primeira cidade do mundo a abrigar semanas de moda, hoje é endereço do museu do Instituto de Moda e Tecnologia de Nova Iorque (F.I.T) que exibe a história por meio de fotos, cortes de tecidos, roupas, sa-

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fter watching that romantic comedy with many kisses in Central Park or that classic drama set in the Brooklyn of the 80's, you must have imagined what it would be like to know New York. With more than eight million inhabitants, the city that Hollywood put into our dreams, is widely considered the cultural capital of the planet. In this edition, the magazine Acho Digno went to the streets to know how is New York City (NYC) comes to life in the dreams and imagination of Bahians. And if you thought no one here cares what goes on over there at the Big Apple, this article will surprise you. Rafael Aguiar is the typical Swag Boy, with an urban and stripped down look, the amateur basketball player tells that he is inspired by some New York icons at the time to compose his looks. "Tupac, Jay Z and 50 Cent, that I've enjoyed since childhood, are rappers who have had a lot of influence on my musical taste and on the way I dress and incredible as it may seem, they're all New Yorkers.” Another great inspiration for Rafael is the star of the New York Knicks, Carmelo Antony. A record player in the Olympics, the player emerged as one of the most popular National Basketball Association (NBA), the leading professional basketball league in North America. "Carmelo served as a template for my training as an athlete and as a person because he develops various social projects in black communities as a way of social inclusion of young people through sport," commented Aguiar. At the city that populates the dreams of the journalist and makeup artist, Tássio Santos, made history on catwalks and fashion magazines. New York, which was the first city in the world to host fashion weeks, is now the museum's address at the New York Fashion and Technology Institute (FIT) that displays history through photos, cuts of fabrics, clothes, shoes, among other articles, fascinating designers and passionate with the fashion universe. According to him, you also need to be connected to NYC to keep up with the makeup trends. "Dark lipstick in wine and brown, for example, is one of the trends that came up in New York, followed by several celebrities at the Met's gala," Santos explained. This part


patos, dentre outros artigos, fascinando designers e apaixonados pelo universo fashion. Segundo Tássio (foto), também é preciso estar conectado à NYC para acompanhar as tendências de maquiagem. “Os batons escuros em tons de vinho e marrom, por exemplo, é uma das tendências que surgiu em Nova Iorque, seguidas por várias famosas no baile de gala do Met”, explicou Santos. O baile de gala do Metropolitan Museum of Art (Met) é um dos eventos mais esperados da moda, chegando a ser comparado ao Oscar. A Make-up Art Cosmetics, mais conhecida como MAC Cosmetics, é a fabricante líder em vendas no mercado brasileiro de beleza. Com sede fixada na cidade de Nova Iorque, é também uma das marcas vendidas na loja virtual do Herdeira da Beleza, veículo de mídia online que Tássio administra. Coisa que os baianos valorizam é a diversidade cultural novaiorquina, eles sabem que a metrópole atrai gente do mundo todo em busca de liberdade, emprego e dinheiro, por isso, imaginam encontrar efervescência na cidade. “A representação principal que eu tenho de Nova Iorque é de ser uma cidade cosmopolita e culturalmente rica, deve haver uma imensa diversidade sociocultural do ponto de vista dos grupos sociais e étnicos. Isso é o que mais me atrai na cidade”, declarou a psicóloga Carolina Alcântara que planeja visitar a metrópole em breve.

Filmes e Séries Pedimos para cada um dos entrevistados listar títulos de filmes e séries que ajudaram a compor o seu imaginário a cerca de Nova Iorque. Não foi uma tarefa difícil, já que a cidade é palco de centenas de produções de todos os gêneros. No topo da lista das mais lembrados está Sexy and the City (Sexo e a Cidade), a premiada série de televisão norte americana baseada em um livro com o mesmo nome de autoria conjunta de Candace Bushnell, Scott B. Smith e Michael Crichton. Passada na cidade de Nova Iorque, a comédia cujo enfoque era as relações íntimas de quatro amigas, também abordava discussões relevantes como o papel da mulher na sociedade atual. Segundo Tássio, que é fã e acompanhou todas as seis temporadas da trilogia, a cidade era como um quinto personagem da série. “O que eu mais gostava era de como a direção explorava a cidade”, comentou Santos.

at Met is one of the most anticipated events of fashion, it’s even being compared to the Oscar. Make-up Art Cosmetics, better known as MAC Cosmetics, is the leading manufacturer in the Brazilian beauty market. Headquartered in New York City, it's also one of the brands sold at Herdeira da Beleza, online stor. It’s an online media vehicle that Tássio manages. The thing that Bahians value most is New York's cultural diversity, they know that the metropolis attracts people from all over the world in search for freedom, employment and money, so they imagine to find effervescence in the city. "The main thing I have to do in New York is to be a cosmopolitan and culturally rich city, there must be immense sociocultural diversity from the point of view of social and ethnic groups, which is what attracts me most in the city," said the psychologist Carolina Alcântara who plans to visit the metropolis soon.

Movies and Series We asked each of the interviewees to list film titles and series that helped compose their imaginary around New York. It was not a difficult task, since the city is the stage of hundreds of productions of all the genres. At the top of the most remembered list is Sexy and the City, the award-winning North American television series based on a book by the same name co-authored by Candace Bushnell, Scott B. Smith and Michael Crichton. Based in New York City, the comedy whose focus was the intimate relationships of four friends, it also addressed relevant discussions such as the role of women in today’s society. According to Tássio, who is a fan and followed all six seasons of the trilogy, the city was like a fifth character in the series. “What I liked best was how the direction explored the city,” commented Santos.


Carolina Alcântara (foto), conta também que Sexy and the City apresentou a ela uma cidade que nunca dorme e que tem uma vida noturna muita rica:."As imagens que me vêm à cabeça são de uma cidade que é cheia de bares, para mim, são cenas que sugerem como curtir uma noite em Nova Iorque". Já o filme que sugere roteiros diurnos, segundo ela, é o “Mensagem para você”, dirigido por Nora Ephron. Mais romântico e mais antigo, o longa protagonizado por Tom Hanks e Meg Ryan traz uma representação imagética diferente, dessa vez, a metrópole se mostra mais diurna e solar, associada aos parques, as feiras gastronômicas, a natureza e ao passeiosao ar livre. Já Mirela Alves (foto) se descreve encantada com todos os filmes que retratam o consumo de alta costura e artigos de luxo. Com destaque para "O Diabo veste Prada", filme que revela os bastidores dos editoriais de moda. Inspirado na obra de Lauren Weisberger, o enredo gira em torno da poderosa Miranda Priestly, interpretada por Meryl Streep que ganhou o Oscar de melhor atriz na comédia. “Acho que Nova Iorque é tudo aquilo, todas aquelas roupas, a casa de Miranda, todos aqueles looks, bolsas, sapatos... Eu quero tudo, tudo! Aquela que alimenta o sistema, comprando, com várias sacolas na rua. Partiu Nova Iorque", brincou a jovem.

Architecture

Arquitetura Mirela, que é design de interiores, comentou ainda sobre o seu encantamento com a arquitetura da metrópole. Nova Iorque é conhecida mundialmente pelos seus arranha-céus e edifícios famosos como o Empire State construído no estilo ArtDeco, marcado pelo requinte e geometrização. "O projeto de Nova Iorque em si. A arquitetura de lá é do jeito que eu gosto: um projeto limpo, traços retos, os prédios e apartamentos tem um design mais clean, chick, minimalista e moderno", justifica a design.

Mirela, who is interior design, commented further on her enchantment with the architecture of the metropolis. New York is known worldwide for its skyscrapers and famous buildings such as the Empire State Building built in the ArtDeco style, recognized by refinement and geometrization "The architecture here is the way I like it: clean design, straight lines, buildings and apartments have a cleaner, chick, minimalist and modern design", justifies the design.


Carolina Alcântara also tells us that Sexy and the City has presented her with a city that never sleeps and has a very rich nightlife: "The images that come to mind are from a city that is full of bars, for me, they are scenes that Suggest how to enjoy an evening in New York. “ The film that suggests daytime scripts, according to her, is the "You've Got Mail", directed by Nora Ephron. More romantic and older, the feature starring Tom Hanks and Meg Ryan brings a different imagery, this time the metropolis is more diurnal and solar, associated with parks, gastronomic fairs, nature and outdoor walks. Mirela Alves describes herself enchanted with all the films that portray the consumption of high-end sewing and luxury goods. Highlights include "The Devil Wears Prada", a film that reveals the backstage of fashion editorials. Inspired by the work of Lauren Weisberger, the plot revolves around the powerful Miranda Priestly, played by Meryl Streep who won the Oscar for best actress in the comedy. "I think New York is all that, all those clothes, Miranda's house, all those looks, bags, shoes ... I want everything, everything! The one that feeds the system, buying, with several bags in the street. He left New York, "she joked.

Gastronomia E como toda essa conversa acabaria dando fome, guardamos o melhor para o final. Conversamos com o estudante de gastronomia, Breno Nunes (foto), conhecido nas redes sociais como Afro Chef para saber o que vem à cabeça dele quando pensa em New York City. O Food Network é um canal de televisão do grupo norte americano Scripps Networks Interactive que tem em sua programação atrações com foco em gastronomia. Breno, que é telespectador assíduo, disse que quando ele pensa em Nova Iorque, a primeira coisa que lhe vem à cabeça são os fast foods. “Esse canal tem inúmeros programas que fazem um tour por várias cidades norte americanas e principalmente por Nova Iroque abordando a cultura culinária de lá. E só tem fast food, é uma rede muito grande”, afirmou. Aqui vai uma breve lista dos quitutes que os baianos querem experimentar por lá: Cachorro quente, Pizza New York Style, Pretzel, Cheesecake, Bagel e por último, mas não menos importante, o famoso Sanduíche de Pastrami.

Gastronomy And since all this conversation would end up starving, we saved the best for last. We talked to culinary student Breno Nunes, known on social networks as Afro Chef to know what comes to mind when thinking about New York City. The Food Network is a television channel of the North American group Scripps Networks Interactive that has in its programming attractions with focus on gastronomy. Breno, who is a frequent viewer, said that when he thinks of New York, the first thing that comes to mind is fast foods. "This channel has numerous programs that take a tour of several North American cities and especially New York, addressing the culinary culture over there. Here is a brief list of the delicacies that Bahians want to try there: hot dog, New York Style Pizza, Pretzel, Cheesecake, Bagel and last but not least, the famous Pastrami Sandwich.


São Paulo quer ser Nova Iorque? Seja por causa dos prédios, da superpopulação, diversidade cultural ou do ritmo frenético comum as grandes metrópoles, no Brasil, a cidade de São Paulo é regularmente comparada à Nova Iorque. Alguns afirmam existir uma competição entre as duas cidades, fato que a paulista Giullia Sant’anarejeita comenta: “Eu acho elas podem ser bem parecidas, mas São Paulo tem que comer muito arroz e feijão pra conseguir chegar à Nova Iorque”. A estudante acredita que em Nova Iorque estruturas de mobilidade urbana como transporte público e acessibilidade funcionem melhor que na cidade brasileira.

Nova Iorque ilustrada Com base nos depoimentos, a tatuadora Jéssica Rodrigues reproduziu no papel a Nova Iorque que povoa o imaginário dos baianos. Ela conta que a experiência de ilustrar também despertou nela a vontade de conhecer a cidade. Já Marcos da Mata, comenta que achou interessante poder ilustrar numa só imagem todas as referências que ele tinha na cabeça. “Logo lembrei da série da Netflix, The Get Down, a série Todo Mundo Odeia o Chris, da cultura Hip Hop e um dos seus principais expoentes, o rapper Jay Z, as joias, os carros, basquete, a Estátua da Liberdade e o grafite,” explicou o artista visual.

Foto: Julia Morais

Depois de conhecer a metrópole dos sonhos, nas seguintes páginas dessa publicação, você verá Nova Iorque como ela realmente é.

Amanda Dias - Estudante de Comunicação Social- Jo Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB comunicação e social mídia da Bintou: Coletivo femi e Audiovisual e participou da oficina de comunicaçã artistas comunitários do Projeto Identidades Transat


ornalismo na B). Assessora de inino de Cinema ão para jovens e tlânticas. .

Does São Paulo want to be New York? Whether because of the buildings, overpopulation, cultural diversity or the frenetic rhythm common to large metropolises, in Brazil, the city of São Paulo is regularly compared to New York. Some say there is a competition between the two cities, a fact that São Paulo-based Giullia Sant'anarejeita comments: "I think they can be very similar, but Sao Paulo has to eat a lot of rice and beans to get to New York." The student believes that in New York urban mobility structures such as public transportation and accessibility work better than in the Brazilian city.

New York Illustrated Based on the testimonies, the tattooist Jéssica Rodrigues reproduced in the paper New York that populate the imaginary of the Bahians. She says that the experience of illustrating also aroused in her the desire to know the city. Marcos da Mata, comments that he found it interesting to be able to illustrate in a single image all the references he had in his head. "I soon recalled the Netflix series, The Get Down, the Everybody Hates Chris series, Hip Hop culture and one of its main exponents, rapper Jay Z, jewelry, cars, basketball, Statue of Liberty and Graphite, "explained the visual artist. After meeting the metropolis of dreams on the following pages of this publication, you'll see New York as it really is.

Amanda Dias - Student of Social Communication - Journalism at the Federal University of Recôncavo da Bahia (UFRB). Communication and social media advisor at Bintou: Women's Film and Audiovisual Collective and participated in the communication workshop for young people and community artists of the Transatlantic Identities Project


AFR PU Um festival para ficar m texto e fotos CRISTIANE GUTERRES*

Da

estação de metrô até o Commodore Barry Park foram uns 20 minutos caminhando. Naquela manhã de sábado o metrô estava encantador, as ruas do Brooklyn estavam especiais. E eu completamente encantada, parecia uma criança ansiosa para a sua primeira tarde no parque. Final de semana de Afropunk Fest é assim em Nova Iorque, muita gente preta, bonita e cheia de estilo desfilando pelo bairro do Brooklyn. O meu encantamento naquele parque era imenso. Foi a minha a primeira vez em Nova Iorque e eu escolhi justamente o mês de agosto de 2016 porque eu queria viver está emoção. Poder estar em um festival pra chamar de meu. Um festival feito pra gente preta e por gente preta, com cantores pretos, com público preto, com alma preta.


RO UNK marcado Afropunk: a festival that belong to us From the subway station to the Commodore Barry Park, the walk took about 20 minute. That Saturday morning, the subway was lovely, the streets of Brooklyn were special. I was completely delighted, like an excited child waiting for her first afternoon in a park. This is how Afropunk Fest Weekend, in New York, feels like. Lots of Black people, beautiful, and stylish folks parading through the borough of Brooklyn. It was an immense enchatement. That was my first time in New York, and the reason I chose August 2016 was my wish to experience that. Enjoying a festival that I could call ‘mine’. A festival created by black people and for black people, with black music, black audience, black soul.


Eu procuro palavras para descrever a sensação de pertencimento que senti e tenho dificuldade para encontrá-las. Não se sentir sozinho, sentir-se parte, ter certeza de estar no lugar certo pra mim e que aquelas pessoas que estão ao meu redor sabem o que eu estou sentindo. Quando James Spooner filmou Afropunk, The documentary eu acredito que ele procurava a mesma identificação que eu fui buscar na 12ª edição do festival. Em 2001, Spooner era um jovem de 23 anos quando começou a filmar o documentário que deu origem ao festival. Fascinado por punk rock, Spooner procurava outros jovens negros que como ele eram apaixonados por um movimento musical estreitamente branco. Ele queria conhecer negros que gostassem de punk e que quisessem discutir o ser negro num país em que o racismo se apresentava com cores bem fortes e nítidas. O documentário de Spooner foi filmado entre 2001 e 2003 e mostra a história de quatro jovens negros na cena punk. Quando foi lançado em 2003 fez bastante sucesso, principalmente, por ser não só um filme sobre black punk rock, mas por representar um número grande de pessoas que assim como Spooner buscavam identificação, pertencer a um grupo que tivesse as mesmas emoções.

I cant’t find words to describe the belonging feeling. Not feel alone, being part of it, feeling confident. It was like being in the right place and those people around me shared that feeling. When James Spooner filmed ‘Afropunk, The documentary’ I guess he seeked the same identification I got in the 12th edition of the festival. In 2001, Spooner was a young man, 23 years old, and he began filming the scenes that made the festival to rise. Fascinated by punk rock, Spooner looked for other young blacks that, as himself, were passionate about a narrowly white musical movement. And that wanted to discuss being black in a country where racism presented itself in very strong and clear colors. Filmed between 2001 and 2003, Spooner’s documentary shows the story of four Black young guys in the punk scene. When it was released, in 2003, it was quite successful in representing a large number of people Who also looked for identification, belonging to a group, feeling same emotions.


Talvez por isso Afropunk, desde o início, não foi apenas um filme e logo se tornou um movimento. Do filme ao festival foram menos de dois anos. A primeira edição do festival veio em 2005 e é resultado do sucesso do filme, foram quatro dias de festa. Arte, música, cinema e pessoas, as pessoas são a grande atração do festival e as roupas são tão importantes quanto a música. Os looks coloridos e carregados de expressão fazem da festa um desfile de poder e criatividade negra. Flores no cabelo, pinturas de inspiração africana, tranças, dreads looks, black powers coloridos e muito mais.

Maybe that's why Afropunk, right from the beginning became more than a film. It was a movement. Lesse than two years later, the festival was created. The first edition, in 2005, was a four days celebration. Art, music, cinema and people. People and their clothes were the great attraction, as important as music. The colorful and loaded looks turned the festival a Black Power and creativity parade. Flowers in the hair, paintings of African inspiration, braids, dreads looks, colored black powers and more.


Durante esses 12 anos, o festival cresceu e já não é mais organizado por James Spooner desde 2008. Afropunk hoje é uma marca. Com o passar dos anos, a festa ganhou um ar mais hip hop and R and B do que punk rock. pPara este ano as principais atraçōes foram Janelle Monaé, George Benson, Ice Cube and Tyler, the Creator. Sem dúvida, o line up, hoje, tem muito mais artistas de soul music do que anos atrás. Mas ainda assim como Spooner planejou, para que uma banda toque no Afropunk o cantor tem que ser negro.

Since 2008, the festival is no longer organized by James Spooner. Afropunk became a brand. Over the years, hip hop, R&B gained space against the punk rock. This year, Janelle Monaé, George Benson, Ice Cube and Tyler the Creator were at the main line up. Even with more soul music artists in the line up, as Spooner planned, Afropunk is stil for black. voices.


Desde que o filme foi lançado em 2003 a revista virtual é referência em reportagens sobre música, arte e informação da comunidade negra. Atualmente, as bandeiras ativistas que o festival levanta vão além do racismo. Gordofobia, homofobia, veganismo e ableismo csão alguns dos ativismos deste movimento que utiliza o seu consolidado espaço nas redes sociais para dar visibilidade às pessoas em todo o mundo que mudam histórias de preconceito e racismo. A música pode ser a plataforma principal, mas o Afropunk também tem espaço para afro empreendedores venderem seus produtos. Na feira Spinthrift, que acontece durante o festival, os artesãos independentes vendem roupas, produtos naturais de beleza, joias, bijuterias, arte, bolsas, sapatos, tudo com a temática africana como inspiração. Desde 2015, o festival não se restringe mais ao bairro do Brooklyn’s Fort Greene em Nova Iorque, ganhou Atlanta, Paris e Londres. Dizem as boas línguas que em 2018 o Brasil terá o privilégio de fazer parte deste movimento e Salvador será o palco para o evento. Vamos esperar, eu já comecei a sonhar. Olhar para todos os lados, enxergar todo as essas pessoas pretas e lindas e ver que não há nada de errado com você. Isso é Afropunk.

Besides the documentary, a virtual magazine became a reference since 2003 with articles about music, art and Black community news. Currently, the activists flags of the festival go beyond racism. Fat shaming, homophobia and veganism are some of the movements take place at the festival as an oportunity to consolidate their agenda in social network and give visibility to people around the world who suffered with racism and all sort of prejudice. Music still remains the main platform, but Afropunk also has room for Afro entrepreneurs to sell their products. In the Spinthrift fair, which takes place during the festival, independent craftsmen sell clothes, natural beauty products, jewelry, costume jewelry, art, handbags, shoes - all with African inspiration. Since 2015, the festival is no longer restricted in New York - Atlanta, Paris and London also had editions. People say arround the corners that Brazil will be part of this movement in 2018 – Salvador would be the stage. Let's wait. I've already started to dream. Look everywhere: see beautiful black people and be sure there is nothing wrong with you. That's Afropunk.


A jornalista paulista, Cristiane Guterres (foto) estava de férias em Nova Iorque no período do Festival AfroPunk. Conheça mais sobre o trabalha da comunicadora negra no site www.crisguterres.com.br

The journalist from São Paulo, Cristiane Guterres was on vacation in New York during the AfroPunk Festival period. Learn more about the work of the black communicator on the website.


EDITORIAL DE MODA Allison Caviness Allison Caviness, do Brooklyn, no estado de Nova Iorque, é uma artista multi mídia e contadora de histórias. Atualmente é diretora criativa da Centric, a primeira rede de televisão projetada para mulheres negras. Allison tem contribuído para marcas de mídia como VH1, BET, Marie Claire, aol. com, PBS Kids e Nickelodeon. Fora da televisão, Allison dirigiu e produziu documentários e projetos de defesa de mídia em parceria com organizações sem fins lucrativos sobre temas como violência doméstica, direitos de prisioneiros, adoção e os males da indústria global de diamantes. Esses projetos foram exibidos em conferências e universidades, nomeadamente, Rush Arts Gallery e Columbia University. Allison foi diretora fundadora do Centro de Cinema Lesedi para adolescentes de Nova Iorque. Ela ganhou o prêmio de ouro do Promax Broadcast Design Awards, além de ser vencedora de dois prêmios Paul Robeson e um companheiro de dois tempos do New Media Institute do National Black Programming Consortium. Ela é bacharel em filmes pela Howard University. http://www.aol.com

Desde a nossa primeira edição, lá n meio de imagens. Queremos ser mo diferentes corpos e cabelos. Querem dade fez com que em todas as nossa fotógrafos e assistentes são o nosso

Ali, onde tudo acontece, aconteceu muito conhecido de narrativas de fi lamos no Washington Square Park e podem ser conferidas nas páginas s


no ano de 2014, nos preocupamos em ser bem representadas por odelos com toda a melanina acentuada que temos, com os nossos mos nos ver de forma digna nas páginas das revistas. Essa necessias edições sempre tivesse um editorial de moda, no qual modelos, foco.

o nosso primeiro editorial de moda internacional. Num cenário filmes, clipes, local de passeio, almoço e piqueniques.. Nos instaem uma tarde ensolarada e produzimos as mais belas fotos que seguintes.

Allison Caviness Brooklyn, NY based Allison Caviness is a multi-media artist and storyteller, currently serving as Creative Director for Centric, the first television network designed for black women. Allison has contributed to media brands such as VH1, BET, Marie Claire, aol. com, PBS Kids and Nickelodeon. Outside of television, Allison has directed and produced documentary films and media advocacy projects in partnership with non-profit organizations on subjects like domestic violence, prisoner’s rights, adoption and the ills of the global diamond industry. These projects have screened at conferences and universities namely, Rush Arts Gallery and Columbia University. Allison served as the founding director of Lesedi Film Center for New York City teens. She is a gold winner of the Promax Broadcast Design Awards, winner of two Paul Robeson Awards and a two-time fellow of the National Black Programming Consortium’s New Media Institute. She holds a BA in film from Howard University. http://www.aol.com


Miralva Swaby Nascida na Bahia, Brasil é massoterapeuta e vive em Nova Iorque há mais de 10 anos. “Sou baiana com muito prazer. Trago comigo costumes dos meus ancestrais. Sou filha de uma grande guerreira, Zuleica de Melo, e aqui em NY faço meus rituais para manter meu corpo e espírito conectado com os elementos da natureza e seus cosmos. Me sinto abençoada com a minha profissão pela qual me dá o privilégio de repassar o poder da cura pelas minhas mãos”, afirma Miralva Swaby.


Miralva Swaby. Born in Bahia, Brazil, she is a massage therapist and has lived in New York for more than 10 years. "I'm from Bahia with great pleasure. I bring with me customs of my ancestors. I am the daughter of a great warrior, Zuleica de Melo, and here in NY I do my rituals to keep my body and spirit connected with the elements of nature and their cosmos. I feel blessed with my profession for which it gives me the privilege of passing on the power of healing through my hands", says Miralva Swaby.


David Wilson Nascido e criado em Newark, David Wilson é jornalista e cineasta. Wilson escreveu e co-dirigiu o documentário de longa-metragem, "Meeting David Wilson", tornando-se um campeão de mídia e direitos civis com o filme, que traça as origens de sua família como pessoas escravizadas na América. No documentário, Wilson localiza e faz amizade com um descendente da família que o escravizou, um homem com quase o mesmo nome que o seu: David B. Wilson. O filme foi transmitido pela MSNBC em 2008 e provocou uma conversa nacional sobre as relações raciais na América. Em 2009 Wilson e Dan Woolsey, seu co-diretor "Meeting David Wilson", fundaram theGrio.com, um site de notícias para a comunidade afro americana. Começa mais sobre a história de David Wilson nas próximas páginas no “Quem Faz a Comunicação”. http://thegrio.com


David Wilson Born and raised in Newark, David Wilson is a journalist and filmmaker. Wilson wrote and co-directed the feature-length documentary, "Meeting David Wilson," becoming a media and civil rights champion with the film, which traces the origins of his family as enslaved people in America. In the documentary, Wilson locates and befriends a descendant of the family that enslaved him, a man with almost the same name as his: David B. Wilson. The film was broadcast on MSNBC in 2008 and sparked a national conversation about race relations in America. In 2009 Wilson and Dan Woolsey, their co-director "Meeting David Wilson," founded theGrio.com, a news site for the African American community. Get more about David Wilson's story on the next pages in "Who Makes Communication�.


Achim Harding Nascido em Trinidad e Tobago mudou para Nova Iorque em 2011. “Comecei a fotografar em 2009 fazendo casamentos. Quando mudei para NY me concentrei em fotografia de moda e eventos. Desde então eu tenho o privilégio de trabalhar em eventos como New York e Toronto Fashion Week. Minha paixão é viajar e documentar a vida e os momentos em todas as partes do mundo”, revela Achim Harding. www.achimhardingphotography.com

Achim Harding Born in Trinidad and Tobago moved to New York in 2011. "I started shooting in 2009 doing weddings. When I moved to NY I focused on fashion photography and events. Since then I have the privilege of working at events such as New York and Toronto Fashion Week. My passion is to travel and document life and times in all parts of the world", says Achim Harding.


O Protagonismo negro no e no NE BRO T FL NX IX texto JOSELAINE CAROLINE fotos REPRODUÇÃO DA INTERNET

Um

dos maiores provedores de filmes e séries online via streaming do mundo, o Netflix recentemente apostou na produção de The Get Down, uma série de temática negra, situada no sul do Bronx em Nova Iorque no final dos anos 70. Não, você não está lendo errado, uma das produções mais caras do Netflix possui um elenco majoritariamente composto por atores negros e latinos, a maioria deles desconhecidos pelo grande público do circuito hollywoodiano.

The Black Protagonism in the Bronx and Netflix

O

ne of the largest streaming online movie and TV series in the world, Netflix recently focused on producing The Get Down, a black-themed series set in the South Bronx in New York in the late 1970s. No, you are not reading incorrectly, one of Netflix's most expensive productions has a cast mostly composed of black and Latino actors, most of whom are unknown to the big Hollywood crowd.


As produções originais do canal de streaming são famosas por suas temáticas, narrativas viciantes e personagens apaixonantes e a aposta na produção de The Get Down não é diferente. A produção de U$120 milhões de dólares, impressiona e enche os olhos dos espectadores, em um momento de transição da cena audiovisual na qual a representatividade negra busca espaço e quebra barreiras do preconceito na televisão e no cinema. A série é dirigida por Baz Lurhmann, conhecido por seus excessos narrativos ao dirigir musicais e melodramas, como O Grande Gatsby e Moulin Rouge, que recebeu uma indicação ao Oscar de melhor filme. O estilo dos produtos audiovisuais dirigidos por ele podem ser facilmente identificados por sua estética e uso de cores vibrantes e em The Get Down o resultado não é diferente. A trama é protagonizada por Ezekiel, um jovem negro da periferia, criado por sua tia. O rapaz tem um intelecto e talento brilhante, incomum para a sociedade violenta e sem perspectivas do South Bronx, onde ele vive, e, ao fazer amigos como o aspirante a DJ, Shaolin Fantastic, forma um grupo talentos, desejos e insatisfações com o objetivo de dominar a cena musical local, fazendo parte do início do movimento hip-hop O grupo conta com a participação de Grandmaster Flash, personagem real inserido na trama e também apontado como criador do scratch, o DJ e produtor Nas, entre outros nomes de peso que fazem parte da produção musical da série. Mylene Cruz, o par romantic de Ezekiel protagoniza o núcleo latino que aborda a época da disco e latin hustle.


The original productions of the streaming channel are famous for their thematic, addictive narratives and passionate characters and the bet on The Get Down production is no different. The production of $ 120 million dollars impresses and fills the eyes of the spectators in a moment of transition from the audiovisual scene in which the black representation seeks space and breaks the barriers of prejudice on television and in the cinema. The series is directed by Baz Lurhmann, known for his narrative excesses in conducting musicals and melodramas, such as The Great Gatsby and Moulin Rouge, which received an Oscar nomination for best picture. The style of the audio-visual products run by it can be easily identified by its aesthetics and use of vibrant colors and in The Get Down the result is no different. The plot is played by Ezekiel, a young black man from the outskirts, raised by his aunt. The boy has a brilliant intellect and talent, unusual for the violent and out-of-date society of the South Bronx where he lives, and by making friends as the aspirant The DJ, Shaolin Fantastic, forms a group with talents, desires and dissatisfaction with the objective of dominating the local musical scene, being part of the beginning of the hip-hop movement. The group counts on the active participation of Grandmaster Flash, real person inserted in the Plot and also appointed as the creator of scratch; The DJ and producer Nas; Among other names of weight that are part of the musical production of the series. Mylene Cruz, the romantic couple of Ezekiel, stars in the Latin core that approaches the time of the disc and latin hustle.


A narrativa aborda os dilemas, sonhos e ambições de um grupo de jovens suburbanos que tem o sonho de se tornarem DJ’s e participarem das festas undergrounds, mas estão imersos em uma sociedade de negligência política, corrupção, crime e pobreza. Muitos acontecimentos vivenciados pelos personagens são fatos históricos ocorridos em Nova Iorque, como os grafites espalhados pelo subúrbio da cidade, os prédios incendiados pelas gangues a mando dos proprietários que visavam a indenização do seguro a crise fiscal, o lendário blecaute no verão de 1977, que deixou a cidade às escuras, e, resultou em uma onda de violência e saques em massa, também retratados na trama, que faz um entrelaçamento de imagens reais e ficção. Musicais não costumam cair no gosto do público pelo fato de muitas vezes serem cansativos e sonolentos, entretanto o grupo The fantastic 4 + 1, e as tramas paralelas conseguem envolver o espectador de uma forma efetiva, ainda que em algumas vezes os musicais encenados por Mylene remetam aos filmes do High School Music. Mesmo assim, inúmeros elementos, como direção de arte enchem os olhos do espectador, os figurinos elaborados e detalhados fazem com que tenhamos vontade de estar lá naquela época. Apesar de todos os elementos de uma super produção e do alto nível de investimento, de acordo com a SymohnyAM (empresa que mede a audiência de diferentes mídias através das redes sociais e números colaterais) a série mais cara da Netflix foi um fracasso no primeiro mês de lançamento, não atingindo nem a metade da audiência da maioria das séries originais do site. Entretanto esse fracasso de audiência pode ser relacionado ao universo adolescente presente na trama de Ezekiel e Mylene, uma vez que a narrativa da trama gira em torno dos sonhos, dilemas e ambições de jovens negros e latinos da periferia nova-iorquina, e sejamos sensatos que a maioria das pessoas que têm acessibilidade a assinatura do Netflix pouco se interessa pela história, cultura e dramas da periferia negra.

The narrative addresses the dilemmas, dreams and ambiti DJs and participate in underground parties, but are imme poverty. Many events experienced by the characters are hi throughout the suburbs of the city, gang-burned buildings fiscal crisis, the legendary blackout in the summer of 1977 violence and mass looting, also portrayed in the plot, whic

Musicals do not usually fall into the public's taste because 4 + 1, and the parallel plots manage to engage the viewer i by Mylene Refer to High School Music movies. Even so, in eyes, elaborate and detailed costumes make us want to be

Despite all the elements of a super production and high le that measures the audience of different media through soc Netflix was a failure in the first month Of launch, not reac of the site. However, this audience failure may be related t the narrative of the plot revolves around the dreams, dilem New York outskirts, and let us be sensible Most people wh interested in the history, culture and dramas of the black p middle class and it does not want to see poverty, so it feels less the majority of the cast, since this audience prefers to th more utopian ostentation than a historical reality.

The talent of Ezekiel and his friends, as well as the protago margins of success and it will take years and millions of in blacks are no longer co-operative. The biggest challenge of for everyone, because maybe for now it is not yet. The bigg ce, protagonism and black representativeness in all places


e they are often tiresome and sleepy, but the group Fantastic in an effective way, although sometimes the musicals staged nnumerable elements such as art direction fill the viewer's there at the time.

evel of investment, according to SymohnyAM (company cial networks and numbers) the most expensive series of ching even half the audience of most of the original series to the teen universe in the plot of Ezekiel and Mylene, since mmas and ambitions of young blacks and Latinos from the ho have accessibility to the subscription of Netflix are little periphery. The audience that Netflix hits the most is the s uncomfortable with a black in the protagonist role, much watch Keeping up with the Kardashians, Because it is wor-

onism of black culture in the audiovisual, live on the nvestments until society accepts and understands that the of Netflix is not only to convince the public that the series is gest challenge of Netflix is to break the barriers of prejudiand media.

Arquivo Pessoal

ions of a group of suburban youths who dream of becoming ersed in a society of political neglect, corruption, crime and istorical events in New York, such as the graffiti scattered s at the behest of landlords seeking compensation for the 7, which Left the city in the dark, and resulted in a wave of ch makes an interweaving of real images and fiction.

Joselaine Caroline Mestre em Comunicação

O público que a Netflix mais atinge é a classe-média e esta não quer ver pobreza, tão pouco se sente confortável com um negro no papel de protagonista, muito menos a maioria do elenco, pois esse público prefere assistir Keeping up with the Kardashians, pois vale mais uma ostentação utópica do que uma realidade histórica. O talento de Ezekiel e seus amigos, assim como o protagonismo da cultura negra no audiovisual, vivem às margens do sucesso e serão necessário anos e milhões de investimentos até que a sociedade aceite e compreenda que os negros deixaram de ser coadjuvantes. O maior desafio da Netflix não é apenas convencer o público de que a série é para todos, por que talvez por enquanto ela ainda não seja. O maior desafio da Netflix é romper as barreiras do preconceito, protagonismo e representatividade negra em todos os locais e mídias.


bronx

por Camila de Moras

brooklyn

por Cristiane Guterres

harlem

por Elis Clementino

UM OLHAR ESTRANGEIRO

B

ronx, um amor inexorável! Há muito que dizer desse local para além do surgimento do movimento Hip Hop. O projeto Identidades Transatlânticas prevê conhecer um pouco da cultura e arte de três locais, são eles: Bronx, Brooklyn e Harlem. No “Olhar Estrangeiro”, nos dividimos em três para que cada uma possa escrever um pouco sobre esses lugares.

Por um mês o Bronx foi a minha nova morada. A jornalista paulista, Cristiane Guterres, de passeio em Nova Iorque fez do Brooklyn o seu habitar natural. E a jornalista mineira, Elis Clementino, que reside na cidade e trabalha no Harlem, nos revela encantos desse mundo negro que vive atuante em cada parte por qual circulamos.


Foto de Camila: Zachary Kiesch

bronx

por Camila de Moras

brooklyn

por Cristiane Guterres

A foreign look Ao pensarmos nos dias atuais na famosa e glamurosa Nova Iorque nem podemos imaginar que nos anos 1970 ela enfrentava uma crise e um enorme abandono. Inserida em um contexto nacional de estagnação econômica, a metrópole lidava com taxas de criminalidade recorde e uma crise fiscal que quase fez declarar falência perante o governo federal em 1975. Incêndios Criminosos: Esse tipo de ação era tão frequente que a frase “o Bronx está pegando fogo” se tornou um jargão. No entanto, a decadência impulsionava novos movimentos, tais como as cenas punk, disco, latina, e o surgimento do hip hop, tudo acontecendo ao mesmo tempo. O Bronx, que fica ao norte da cidade e é separado de Manhattan pelo rio Harlem, foi uma região que por muito tempo ficou esquecida pelo poder público. Nos anos 1970, o Bronx era quase inabitável. As altas taxas de desemprego e de pobreza alavancaram crimes e o uso de drogas. Porém, nos prédios devastados, abandonados e incendiados para que seus proprietários resgatassem o seguro imobiliário, o Bronx começou a emergir. A arte e a cultura por meio do graffiti e da música eram as formas de colorir o cotidiano daquele bairro. O modelo de habitação popular começou a ganhar uma estética própria.

harlem

por Elis Clementino

B

ronx, an inexorable love! There’s a lot to be said for this venue beyond the rise of the Hip Hop movement. The Transatlantic Identities project provides for a glimpse into the culture and art of three locations: Bronx, Brooklyn, and Harlem. In a “Foreign Look”, we divide ourselves into three so that each one can write a little about these places. For a month the Bronx was my new address. The São Paulo journalist, Cristiane Guterres, on tour in New York made Brooklyn her natural habitation. And the journalist from Minas Gerais, Elis Clementino, who lives in the city and works in Harlem, reveals to us charms of this black world that lives in every part through which we circulate. When we think of today in the famous and glamorous New York we can not imagine that in the 1970s it faced a crisis and a great abandonment. Inserted in a national context of economic stagnation, the metropolis dealt with record crime rates and a fiscal crisis that almost made bankruptcy before the federal government in 1975. Criminal Fires: This type of action was so frequent that the phrase "the Bronx is on fire" has become a jargon. However, decadence drove new moves, such as punk, disco, latin, and the rise of hip hop, all happening at the same time. The Bronx, which lies north of the city and is separated from Manhattan by the Harlem River, was a region that for a long time was forgotten by the public power. In the 1970s, the Bronx was almost uninhabitable. High rates of unemployment and poverty have spurred crime and drug use. But in the devastated, abandoned, and burned-out buildings for their homeowners to redeem real estate insurance, the Bronx began to emerge. Art and culture through graffiti and music were the ways to color the daily life of that neighborhood. The popular housing model began to gain its own aesthetic.


bronx

por Camila de Moras

brooklyn

por Cristiane Guterres

harlem

por Elis Clementino

Foto: Reprodução da Internet

O Apagão: A disco music era o gênero dominante na vida noturna da cidade. Os DJs oriundos do Bronx começaram a trazer o funk e o soul para a ordem do dia. No ano de 1977, ocorreu um apagão em Nova Iorque que durou toda a madrugada do dia 13 de julho até o dia seguinte. A série “The Get Down”, (leia mais no artigo de Jô Karlson nas próximas páginas), com elementos factuais e fictícios narra o surgimento do gênero musical no Bronx dos anos 1970 e o blecaute é retratado como um ponto de inflexão na trajetória de um grupo de amigos que ambicionam se tornarem Djs e MCs. Uma série próxima da realidade. Antes do apagão, alguns DJs já eram reconhecidos na cena cultural, tais como: Kool Herc, Afrika Bambaata & The SoulSonic Force (depois chamados de Zulu Nation), Grandmaster Flash & The Furious Five, Disco Wiz e Grandmaster Caz e o Funky Four Plus One. A proliferação de DJs depois daquele dia foi nítida, segundo Grandmaster Caz, do Bronx, que afirma em entrevista à “Slate”, que os furtos “fizeram surgir mil novos DJs”. Essa narrativa é apresenta por outros personagens envolvidos no surgimento do hip hop.


bronx

por Camila de Moras

brooklyn

por Cristiane Guterres

harlem

por Elis Clementino

The Blackout: Disco music was the dominant genre in the city's nightlife. DJs from the Bronx started bringing funk and soul to the agenda. In 1977, a blackout occurred in New York that lasted the entire dawn from July 13 until the following day. The series "The Get Down", with factual and fictional elements, narrates the emergence of the musical genre in the Bronx of the 1970s and the blackout is portrayed as a turning point in the trajectory of A group of friends who aspire to become DJs and MCs. A close series of reality. Before the blackout, some DJs were already recognized in the cultural scene, such as: Kool Herc, Afrika Bambaata & The SoulSonic Force (later called Zulu Nation), Grandmaster Flash & The Furious Five, Disco Wiz and Grandmaster Caz and Funky Four Plus One. The proliferation of DJs after that day was clear, according to Grandmaster Caz of the Bronx, who says in an interview with Slate that the thefts "spawned a thousand new DJs." This narrative is presented by other characters involved in the rise of hip hop.


bronx

por Camila de Moras

brooklyn

por Cristiane Guterres

A cultura urbana de Nova Iorque, a crise de gestão da cidade, a mistura racial do Bronx e os problemas sociais do bairro de população expressivamente afro latina formavam um ambiente propicio para o surgimento de diversos talentos. Pessoas que encontravam na arte e na cultura uma forma de sobrevivência. Ao entrevistar moradores dessa região era possível ver em seus olhares a paixão pelo local de origem. Certa vez, um amigo brasileiro me perguntou se o Bronx era parecido com as periferias do Brasil. Não é nada pare¬cido. O Bronx tem estrutura. As periferias do Brasil não são lugares para um cidadão viver de forma digna com esgoto a céu aberto e sem saneamento básico. Em comparação com o Brasil, a única coisa que pode ser comparada é à distância desses bairros populares com o centro da cidade. Quem mora em Salvador é como se o Bronx ficasse em Águas Claras, ou São Paulo seria na Zona Leste e em Porto Alegre na Restinga. O Bronx é um bairro acolhedor, multicultural e continua sendo o destino de imigrantes. Muitos latinos e caribenhos vivem nessa região e o que atrai mais pessoas para esse local são os imóveis a preços acessíveis juntamente com a queda da criminalidade. Gangues: É preciso compreender o contexto social e político da região do Bronx para entender o surgimento de diversas gangues. O bairro foi se degradando pela desindustrialização e falta de investimento do governo. Com isso, o desemprego e a violência começaram a aumentar. Em busca de solidariedade, segurança e até mesmo diversão, os jovens montaram as gangues. A história das gangues do Bronx serviu de inspiração para a criação de vários romances e filmes. As gangues nos mostram o descaso do governo e a adaptabilidade da sociedade diante de circunstâncias externas. Por meio da arte é possível uma transformação. Um exemplo dessa afirmação é o DJ Afrika Bambaataa, que transformou a gangue Black Spades na primeira crew de hip hop, a Universal Zulu Nation. Essa paz teria um efeito cascata cultural em todo o mundo. Um ativismo político foi instalado em muitas dessas gangues, pois eles estavam protegendo seu bairro. Juntaram essa energia e transformaram em algo positivo de diferentes maneiras para contribuir para um bem coletivo.

harlem

por Elis Clementino


bronx

por Camila de Moras

brooklyn

por Cristiane Guterres

harlem

por Elis Clementino

New York's urban culture, the city's management crisis, the racial mix of the Bronx, and the social problems of the neighborhood of an expressively Afro-Latino population provided a conducive environment for the emergence of diverse talents. People who found in art and culture a way of survival. When interviewing residents of this region it was possible to see in their eyes the passion for the place of origin. Once a Brazilian friend asked me if the Bronx was similar to the peripheries of Brazil. It's nothing like it. The Bronx has structure. The peripheries of Brazil are not places for a citizen to live in a dignified way with open sewage and without basic sanitation. Compared to Brazil, the only thing that can be compared is the distance from these popular neighborhoods to the center of the city. Who lives in Salvador is as if the Bronx were in Ă guas Claras, or SĂŁo Paulo would be in the East Zone and Porto Alegre in Restinga. The Bronx is a welcoming, multicultural neighborhood and remains the destination of immigrants. Many Latinos and Caribbeans live in this area and what attracts more people to this location are affordable housing coupled with a notable criminality decrease. Gangs: We need to understand the social and political context of the Bronx region to understand the emergence of various gangs. The neighborhood was degraded by deindustrialization and lack of government investment. As a result, unemployment and violence began to increase. In search of solidarity, security and even fun, the young people set up the gangs. The history of the Bronx gangs served as inspiration for the creation of various novels and films. Gangs show us the disregard of government and the adaptability of society in the face of external circumstances. Through art a transformation is possible. An example of this is DJ Afrika Bambaataa, who turned the Black Spades gang into the first hip hop crew, Universal Zulu Nation. This peace would have a cultural cascade effect throughout the world. A political activism was installed in many of these gangs, as they were protecting their neighborhood. They have harnessed this energy and made it into something positive in different ways to contribute to a good collective.


bronx

por Cristiane Guterres

harlem

por Elis Clementino

Fotos: Reprodução da Internet

por Camila de Moras

brooklyn

Brooklyn que te quero negro

Brooklyn I want you black

A

M

Naquele primeiro passeio já me encantei pela região. Voltei na mesma semana e desta vez atravessei a ponte do Brooklyn a pé. Imponente e carregando os seus mais de 130 anos de história, a ponte do Brooklyn marca a chegada ao distrito. Quando foi inaugurada em 1883, depois de 14 anos de construção, o Brooklyn era a terceira maior cidade dos Estados Unidos (EUA). De terceira maior cidade para terceira maior região, o status mudou, mas ainda é a maior concentração populacional de Nova Iorque com 2,6 milhões de habitantes.

In that first trip I already loved the region. I came back the same week and this time I crossed the Brooklyn Bridge on foot. Imposing and carrying its more than 130 years of history, the Brooklyn Bridge marks the arrival to the district. When it opened in 1883, after 14 years of construction, Brooklyn was the third largest city in the United States. From third largest city to third largest region, status has changed, but it is still the largest population concentration in New York with 2.6 million inhabitants.

minha primeira visita ao distrito do Brooklyn foi numa noite de segunda-feira daquele especial mês de agosto de 2016. Fui dançar ao som do músico e Dj paulista Eduardo Brechó numa casa de shows chamada Benge que há 14 anos agita as noites do bairro. Brechó, que fazia uma série de apresentações na cidade de Nova Iorque, me levou para um curto passeio aos arredores de Williansburg e me contou que aquele era um dos pedaços mais hipster com boutiques descoladas, grafites tomando conta do visual, com restaurantes e bares badalados.

y first visit to the Brooklyn district was on a Monday night of that special month of August 2016. I went dancing to the sound of the musician and Dj Paulista Eduardo Brechó in a concert house called Benge that has been agitating the nights of the neighborhood for 14 years. Brechó, who made a series of presentations in New York City, took me for a short walk to the outskirts of Williansburg and told me that it was one of the hipster pieces with funky boutiques, graffiti taking over the visual, with trendy restaurants and bars .


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por Camila de Moras

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por Cristiane Guterres

Pra entender o que é o Brooklyn em tamanho e diversidade cultural preciso explicar que ele não é mais um município, mas sim um Borough, essa palavra não tem uma tradução em português, mas pode se assemelhar ao que chamamos de distrito aqui no Brasil, nem um bairro, nem um município. Entre os mais de dois milhões de habitantes temos judeus ortodoxos, descendentes de russos, italianos e africanos. Hoje, um dos locais mais queridinhos da cidade, concentra várias vilas, cada uma com as características culturais dos povos que nela vivem. Willisburg é uma destas áreas, encantadora por sinal, mas eu vim aqui pra ver gente com grande concentração de melanina no corpo, 35% dos moradores do Brooklyn se auto declaram negros ou de origem africana e eles tem um lugar certo no Borough, a área de Flatbush.

harlem

por Elis Clementino To understand what Brooklyn is in size and cultural diversity, I must explain that the Borough has more than two million inhabitants, being Orthodox Jews, descendants of Russians, Italians, and Africans. Today, one of the most beloved places of the city, it concentrates several villages, each one with the cultural characteristics of the people that lived there. Willisburg is one of those areas, lovely by the way, but I came here to see people with a high concentration of melanin in the body, 35% of Brooklyn residents self-declare black or African, and they have a right place in the Borough, Of Flatbush.


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por Camila de Moras

brooklyn

por Cristiane Guterres

Já num outro dia peguei o trem na Times Square, avenida mais famosa de Nova Iorque. O meu destino era o cruzamento da avenida Flatbush com a Church. Eu estava hospedada na casa do meu amigo Toni e ele me disse: “Você quer ver gente preta no Brooklyn? Vá até a Flatbush Avenue”. Segui o seu conselho. Durante a viagem, a cada estação o vagão foi enegrecendo. Enquanto na estação da Times Square a maioria das pessoas no trem eram brancas e falavam variados idiomas. Turistas que se locomoviam pelos pontos da cidade, quanto mais me aproximava do meu destino o vagão ia ficando com mais pessoas negras. Senti-me em casa, com os meus e encantada. Me senti como se estivesse em um filme do Spike Lee. Mais de uma hora andando pelo bairro, não vi nenhum branco. Negros rostos, negros corpos, negras roupas, negra cultura. Estava em um mundo no qual não queria mais sair. Enfim, eu cheguei ao lado negro do Brooklyn. É claro que este lado da cidade não tem o glamour de Manhattan, mas tem a essência da África. Ouvir música africana pelas ruas e sentir a presença dos imigrantes é muito forte nesta região. É muito comum ver mulheres negras de turbantes empurrando carrinhos de bebe pelas ruas, as lojas vendem produtos africanos e estampam com orgulho a bandeira de algum país do continente negro. A cultura hip hop aqui também é muito forte. A música está no som dos carros, há vestimentas típicas da cultura no movimento hip hop. Existem muitos aspirantes a jogadores de basquete, pois em cada esquina há uma quadra e vários meninos e meninas tentando acertar um arremesso. Porém, não diferente do que acontece no Harlem, a especulação imobiliária chegou ao lado de cá do Brooklyn e com isso o aumento dos preços dos aluguéis que expulsa os moradores negros da região. Mas também há aqueles moradores que se organizam em grupos para permanecer resistindo e vivendo no distrito. Esse é o Brooklyn negro que te quero, que vejo nos filmes e tive a oportunidade de vivenciar por alguns dias.

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por Elis Clementino


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por Camila de Moras

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por Cristiane Guterres

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por Elis Clementino

Already another day I took the train in Times Square, New York's most famous avenue. My destination was the intersection of Flatbush Avenue and Church. I was staying at my friend Toni's house and he told me, "Do you want to see black people in Brooklyn? Go to Flatbush Avenue. " I followed your advice. During the trip, every season the wagon was blackening. While at the Times Square station most of the people on the train were white and a variety of languages. Tourists who moved around the touristic points of the city, the closer as I got to my destination I start seeing more black people. I felt at home with my people and, of course, delighted. I felt like I was in a Spike Lee movie. More than an hour walking through the neighborhood, I did not see any white. Black faces, black bodies, black clothes, black culture. I was in a world where I did not want to leave. Anyway, I got to the dark side of Brooklyn. Of course this side of the city does not have the glamor of Manhattan, but it has the essence of Africa. Listening to African music through the streets and feeling the presence of immigrants is very strong in this region. It is very common to see black women in turbans pushing baby carriages through the streets, shops selling African products and proudly show the flag of some country of the black continent. The hip hop culture here is also very strong. The music is in the sound of cars, there are typical clothing of the culture in the hip hop movement. There are many aspiring basketball players, because at each corner there is a court and several boys and girls trying to hit a pitch. But as happened in Harlem, real estate speculation has hit Brooklyn's side, and so has rising rents prices driving black residents out of the area. But there are also those residents who organize themselves in groups to remain resisting and living in the district. This is the black Brooklyn that I want, that I see in the movies and I had the opportunity to experience for a few days.


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por Cristiane Guterres

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por Elis Clementino

Fotos: Reprodução da Internet

por Camila de Moras

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Harlem negro vive

Black Harlem lives

E

I'

u tenho frequentado o Harlem desde que cheguei em New York, há um ano e meio. No começo, era apenas meu caminho para escola de inglês, ida e volta pela famosa 125th Street, ou a famosa Martin Luther King, Jr. Boulevard como eu aprendi com um venderdor ambulante aqui da região. A estação de metrô fica na esquina e uma outra rua igualmente famosa que cruza a 125th street, a Lenox. O mesmo senhor me ensinou que a Lenox também tem outro nome: Malcoln X Boulevard. Ah... Como eu queria ter registrado este encontro. MalcolnX com o Dr. Martin Luther King, Jr. Pode, para alguns, parecer só nomes, uma tentativa de homenagear gênios que já passaram por ali. Mas na verdade é história de gente preta que faz parte de uma cultura afro americana que está fincada neste bairro.

ve been going to Harlem since I arrived in New York a year and a half ago. In the beginning, it was just my way to English school, round trip around famous 125th Street, or the famous Martin Luther King, Jr. Boulevard as I learned from a peddling vendor here in the area. The subway station is on the corner and another equally famous street that crosses 125th street, to Lenox. The same gentleman taught me that Lenox also has another name: Malcoln X Boulevard. Ah ... How I wish I had registered this meeting. MalcolnX with Dr. Martin Luther King, Jr. It may seem like names to some, an attempt to honor geniuses who have passed by. But it's actually black people's history that is part of an African-American culture that is located in this neighborhood.


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por Camila de Moras

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por Cristiane Guterres

No início, com meu inglês quase nulo, a falta de confiança não me permitia enxergar as complexidades do Harlem. E esta mesma falta de confiança me fez perder um bom tempo acreditando que eu não deveria frequentar ou andar sozinha por esta área. Eu sempre ouvia que era muito perigoso. Não julgo as pessoas que me passaram esta informação, a maioria brasileiros que vivem nos Estados Unidos há mais de 15 ou 20 anos e moram em áreas afastadas da cidade (Manhattan). Brasileiros que muitas vezes não tiveram vontade ou oportunidade de conhecer a cidade. Essa ideia de que o Harlem é muito perigoso vem da década de 80, início dos anos 90, quando houve uma enorme presença de crack e gangues, não só no Harlem, mas em toda Nova Iorque. Demorou, mas descobri que o Harlem era muito além da problemática droga e de ruas com nomes e ‘desnomes’. Muito além da visível área de desembarque dos imigrantes, na maioria Senegaleses, que se aglomeram, a cada dia em maior número, oferecendo tranças, roupas com estampas afros e tomando conta do comércio informal. Se espremendo entre as ruas e os stands do Mercado Afro na rua 116. Palco de grandes movimentos culturais e manifestações sociais, o bairro é hoje um dos maiores complexos culturais da América Negra. Um lar para todos que fogem da opressão e buscam oportunidades. Berço de música, literatura, arquitetura, moda, luta e religião.

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por Elis Clementino

At first, with my English almost nil, the lack of confidence did not allow me to see the complexities of Harlem. And this same lack of confidence made me lose a lot of time believing I should not go or walk alone in this area. I always heard it was very dangerous. I do not judge the people who gave me this information, most Brazilians who have lived in the United States for more than 15 or 20 years and live in remote areas of the city. Brazilians who often had no desire or opportunity to get to know the city. This idea that Harlem is very dangerous comes from the 80's, early 90's, when there was a huge presence of crack and gangs, not only in Harlem but throughout New York. It took time, but I discovered that Harlem was far beyond the troublesome drug and streets with names and 'stripes'. Far beyond the visible landing area of the immigrants, mostly Senegalese, who crowd, every day in greater numbers, offering braids, clothes with African prints and taking care of the informal trade. Squeezing between the streets and the stands of the Afro Market on 116th Street. A stage of great cultural movements and social manifestations, the neighborhood is today one of the largest cultural complexes in Black America. A home for all who flee from oppression and seek opportunities. Cradle of music, literature, architecture, fashion, fighting and religion.


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por Camila de Moras

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por Cristiane Guterres

O Harlem é um centro de referência negra desde 1920. Foi nessa época que líderes e igrejas negras migraram estrategicamente para o bairro e ocuparam a área que se estende entre as ruas 125sth e 145sth. Nos anos 30, muitos negros do Sul dos EUA vieram para Nova Iorque fugindo do forte regime racista de estados como o Mississipi ou a Carolina do Sul. O colapso imobiliário que aconteceu na época combinou com esta chegada, e as propriedades residenciais foram compradas em liquidação por residentes negros. Marcus Garvey (comunicador, empresário e considerado um dos maiores ativistas da história do movimento nacionalista negro), promoveu a “independência política e econômica” da região, através de sua Associação de Melhoria Universal para Negros (Universal Negro Improvement Association). Garvey construiu um complexo de lojas, uma sala de teatro e dança, o Teatro Renaissance, demolido em 2015 sob muita controvérsia. Mas o que tem acontecido no Harlem, é que assim como eu, muitos estrangeiros descobriram esta área. É impressionante o aumento do número de turistas que passam pelas ruas. Atraídos por abatimentos fiscais, muitas vezes ignoram ou simplesmente não respeitam a presença da população local. Numa tentativa de “desenvolver” a região, grandes empresários tentam construir novas habitações de alto padrão, restaurantes com uma cara “gourmet”, paisagismo e estúdios de yoga. Um grupo de investidores, comprou uma parte do lado Oeste da rua Martin Luther King com a Malcoln X, acredita-se que a retirada da indicativa “Malcon X” da placa, partiu-se daí, por não ser, a história dos negros, tão interessante para o público que frequentará o novo complexo que está sendo construído.

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por Elis Clementino


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por Camila de Moras

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por Cristiane Guterres

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por Elis Clementino

Harlem has been a black reference center since 1920. It was at this time that Black leaders and churches migrated strategically to the neighborhood and occupied the area that stretches between 125st and 145st streets. In the 1930s, many blacks from the southern US came to New York fleeing from the strong racist regime of states like Mississippi or South Carolina. The collapse of real estate that happened at the time matched this arrival, and residential properties were bought in liquidation By black residents. Marcus Garvey (communicator, entrepreneur and considered one of the greatest activists in the history of the black nationalist movement), promoted the region's "political and economic independence" through its Universal Black Improvement Association. Garvey built a shopping complex, a theater and dance hall, the Renaissance Theater, demolished in 2015 under much controversy. But what has happened in Harlem is that, like me, many foreigners have discovered this area. The increase in the number of tourists passing through the streets is impressive. Attracted by tax rebates, they often ignore or simply do not respect the presence of the local population. In an attempt to "develop" the region, big business owners try to build new, upscale housing, gourmet restaurants, landscaping, and yoga studios. A group of investors bought a portion of the West side of Martin Luther King Street with Malcoln X, it is believed that the withdrawal of the indicative "Malcon X" from the plaque, from there, So interesting for the public that will attend the new complex that is being built.


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por Camila de Moras

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por Cristiane Guterres

Conversando com uma moradora de uma rua próxima ao complexo, Marie Raymond, perguntei o que ela achava destas mudanças, e ela, sem nem ‘pestanejar’ me respondeu: “Você está vendo aquela árvore? Não foi plantada para nós. Está vendo aquele prédio em vidro e alumínio? Terá segurança dizendo que nós, negros e residentes por gerações e gerações, nós não podemos entrar. O que eu acho? Acho que eles querem nos expulsar das nossas próprias casas”. Afinal, o Harlem é uma ampla seção plana ao norte de Manhattan, que abraça o Central Park, e tem fácil acesso a postos de trabalho no centro, ao aeroporto de La Guardia e as outras áreas que circundam a ilha. Não é de se admirar esse interesse de se 'desenvolver' a região. Na tentativa de preservar esta 'terra fértil', há mais de 25 anos, a Abyssinian Development Corporation (ADC) - Corporação de Desenvolvimento da igreja negra mais tradicional de New York (Abissynian Baptisp Church), tem realizado a missão de "reconstruir Harlem, tijolo por tijolo, bloco por bloco". De acordo com o CEO da Corporação e, também, pastor associado da igreja Abyssinian, Reginald Lee Bachus, à medida que esses investidores entram no Harlem, os negros locais saem. "O que está acontecendo é a supervalorização de produtos, serviços e consequentemente de residências. Nós não queremos bloquear a entrada dos investidores (maioria branca), ao contrário, mas queremos que a nossa comunidade negra não sinta como única opção ter de sair de suas residências", disse Bachus. Para ele "o compromisso é que pessoas que querem viver no Harlem, possam viver no Harlem, sejam Afroamericanos, Afrolatinos, frutos da diáspora... Precisamos nos fortalecer como cidadãos e manter o Harlem negro vivo", concluiu o Pastor Reginald Bachus.

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por Elis Clementino

Talking to a resident of a street near the complex, Mar changes, and she, without even blinking, replied: "Do see that building in glass and aluminum? He will have generations and generations, we can not enter. What I homes. " After all, Harlem is a wide flat section north easy access to downtown jobs, La Guardia Airport and this interest in 'developing' the region.

In an attempt to preserve this 'fertile land' for more th tion (ADC) - New York's most traditional black churc Church) has carried out its mission to "rebuild Harlem CEO of the Corporation and also an associate pastor o these investors enter Harlem, local blacks leave. "We d the contrary, but we want our black community not to sidences, "Bachus said. For him, "the commitment is t Harlem, be they African Americans, Afro-Latins, frui as citizens and keep Black Harlem alive," concluded P

And there is much more to see, do, and preserve in th cultural diversity. Who has never heard of the illustrio Douglas and Seventh Avenue? Amateur Night, the nig to feel, or relive scenes that we only see in movies, wh traditional African-American cuisine called Soul Food Orleans, Mississippi etc.), with fried chicken, sweet po destination, the traditional Sylvia's restaurant . Listeni difficult at all. My favorite place for this, and also for n restaurant that became well known after President Ob black area.

For anyone who wants to know more about the histor obligatory stop. To me, Harlem is black blood drippin Here I am, I identify myself in the face of every black to me, is the "Nike" store that sells New York's most in artists and shouts to tourists the beauty of our color. It late afternoon. It is the black child who throws himsel the car that happens playing hip hop. For me, Harlem it depends on people like me or the pastor, Harlem wi


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por Camila de Moras

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por Cristiane Guterres

rie Raymond, I asked her what she thought of these you see that tree? It was not planted for us. Do you e security saying that we, blacks and residents for I think? I think they want to drive us out of our own of Manhattan, which embraces Central Park, and has d the other areas surrounding the island. No wonder

han 25 years, the Abyssinian Development Corporach development corporation (Abissynian Baptistry m, Brick by brick, block by block ". According to the of the Abyssinian church, Reginald Lee Bachus, as do not want to block investors (white majority), on o feel as the only option to have to leave their Rethat people who want to live in Harlem can live in its of the diaspora ... We need to strengthen ourselves Pastor Reginald Bachus.

his community. Harlem is, of course, known for its ous Apollo Theater on 125th Street between Frederic ght of amateurs promoted by Apollo, it is possible here the musician receives the most applause. The d, much like the food of the southern states (New otatoes and beans, is easily found in tourists' favorite ing to a jazz session from Monday to Monday is not network, is the Red Rooster. A mix between bar and bama held an on-site event to raise funds. Definitely a

ry of blacks in the US, Harlem is, without a doubt, an ng through streets laden with history and struggle. person that circulates through these areas. Harlem, ncredible Air Jordan. The museum that values black t's the face of African immigrants drumming in the lf on the floor to dance breake to the high sound of m is black soul and so they want to end Harlem, but if ill always be black. Black Harlem lives.

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por Elis Clementino

E há muito mais o que se ver, fazer e preservar nesta comunidade. O Harlem é, naturalmente, conhecido pela sua diversidade cultural. Quem nunca ouviu falar do ilustre Apollo Theater na rua 125, entre Frederic Douglas e a sétima Avenida? A “Amateur Night”, a noite dos amadores promovida pelo Apolo, é possível sentir, ou reviver cenas que só vemos em filmes, onde ganha o músico que recebe o maior número de aplausos. A tradicional culinária afroamericana chamada Soul Food, muito parecida com a comida dos estados do sul dos EUA (New Orleans, Mississippi etc.), com frango frito, batata doce e feijão, é facilmente encontrada no destino favorito dos turistas, o tradicional Sylvia’s restaurante. Ouvir a uma jazz session de segunda a segunda não é nada difícil. Meu lugar favorito para isso e, também, para network, é o Red Rooster. Um misto entre bar e restaurante que ficou muito conhecido depois que o Presidente Obama realizou um evento no local, para captar recursos. Definitivamente, uma área negra. Pra quem quer saber mais sobre história dos negros nos EUA, o Harlem é, sem dúvida, uma parada obrigatória. Pra mim, o Harlem é sangue negro escorrendo por entre ruas carregadas de história e luta. Aqui eu me encontro, me identifico no rosto de cada pessoa negra que circula por essas áreas. O Harlem, pra mim, é a loja da “Nike” que vende os “Air Jordan” mais incríveis de Nova Iorque. O museu que valoriza artistas negros e grita pros turistas a beleza da nossa cor. É a cara dos imigrantes africanos tocando tambor no fim de tarde. É a criança preta que se joga no chão pra dançar breake ao som alto do carro que passa tocando hip hop. Pra mim, o Harlem é alma preta e por isso querem acabar com o Harlem, mas se depender de gente como eu ou como o pastor, o Harlem sempre será preto. O Harlem negro vive.


VERBO, AÇÃO E CANÇÃO: A IG E

m 1808, em Nova York, EUA, um grupo de afroamericanos, 12 mulheres e 4 homens, inconformados com a segregação no espaço cristão de adoração a Deus, decidiu estabelecer uma nova igreja na cidade, assim edificaram a Igreja Batista Abissínia, “Abyssinian Baptist Church”, inspirados na Abissínia, atual Etiópia, que fora então o primeiro país africano de religião oficialmente cristã, embora católico.

texto MARIA LUIZA JUNIOR fotos CAMILA DE MORAES

A Abyssinian Baptist Church, leva muito a sério sua missão, qual seja, “(...) ganhar mais almas para Cristo através da evangelização pastoral, da educação cristã; da prestação de serviços sociais e promoção do desenvolvimento da comunidade.” para todos que procuram conforto espiritual em Cristo. Do pequeno número inicial de membros, hoje a Abyssinian figura como uma das mais influentes entre os afroamericanos e uma das maiores igrejas protestantes do mundo. Tem estreita cooperação com a Libéria, onde se repatriaram escravizados emancipados em 1863, mantendo no país africano uma escola industrial para qualificação da mão de obra. Desde sua fundação, criou um orfanato para as crianças afroamericanas; um asilo para idosos; uma assistência funerária; uma cozinha industrial e restaurante comunitário que atendeu aos necessitados, durante a “Grande Recessão”.

A melhor prática da Abyssian Baptist Church é conduzir condignamente seu rebanho à prosperidade prometida ainda no plano terreno, bem ao espírito político da economia capitalista, sempre pródiga em arrecadar fundos, dentro da comunidade religiosa e afora dela, proporcionando aporte para sua vasta obra social. Uma campanha do dízimo possibilitou a construção de sua Igreja, cuja edificação é composta além da magnífica nave, um salão para os ensaios do Coral, o refeitório e a cozinha, escritórios da administração, salas de reuniões, e, a sala da escola de catequese. Também inclui o suporte e a educação financeira de seus membros, e mantem uma instituição bancária/cooperativa. Tudo com o propósito comprovado de beneficiar a sua comunidade cristã e proporcionar o cumprimento do Evangelho, naquilo que se lê em João 10:10, como palavra de Jesus Cristo:


GREJA ABISSÍNIA NO HARLEM Verb, Action and Song: The Abyssinian Church at Harlem

I

n 1808 in New York, USA, a group of African Americans, 12 women and 4 men, discontented with segregation in the Christian space of worship of God, decided to establish a new church in the city, so they built the Abyssinian Baptist Church, "Abyssinian Baptist Church, "inspired by Abyssinia, now Ethiopia, which was then the first African country of officially Christian, though Catholic, religion. The Abyssinian Baptist Church takes its mission very seriously, that is, “(…) to gain more souls for Christ through pastoral evangelization, Christian education, the provision of social services and the promotion of community development”

For all who seek spiritual comfort in Christ. From the small initial number of members, today the Abyssinian figures as one of the most influential among African Americans and one of the largest Protestant churches in the world. It has close cooperation with Liberia, where emancipated slavers were repatriated in 1863, maintaining in the African country an industrial school for the qualification of labor. Since its founding, it has created an orphanage for African-American children; An asylum for the elderly; Funeral assistance; An industrial kitchen and community restaurant that catered to the needy during the "Great Recession”. The best practice of the Abyssinian Baptist Church is to conduct its flock with dignity to the promised prosperity in the earthly plan, as well as to the political spirit of the capitalist economy, always ready to raise funds within and outside the religious community, providing support for its vast social work. A tithing campaign made possible the construction of a Church, whose building is composed of the magnificent nave, a hall for the rehearsals of the choir, the refectory and the kitchen, administration offices, meeting rooms, and the room of the school of catechesis. It also includes the support and financial education of its members, and maintains a banking / cooperative institution. All with the proven purpose of benefiting its Christian community and providing for the fulfillment of the Gospel, in what is read in John 10:10 as the word Of Jesus Christ:


“O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir: Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância”, Já em 1941 a Igreja contava com o número de 14.000 adesões, o que alavancou seu pastor, o reverendo Adam Clayton Powell Jr., para ocupar uma cadeira no Conselho da Cidade de Nova York. Em 1944, Powell foi eleito para o Congresso dos Estados Unidos, representando o 22º. Distrito. O reverendo da Abyssinian soube combinar a mensagem cristã de Justiça e Igualdade com a oratória militante de um líder político, essencial àqueles anos de doutrinas do nazismo e fascismo. Powell exerceu em seu mandato o cargo de Presidente do Comitê de Educação e Trabalho, apoiou as reivindicações dos afroamericanos, tendo direta e indiretamente alterado cerca de 60 leis públicas para beneficiar negros, idosos, deficientes, hispano-americanos, mulheres e brancos pobres. Adam Powell Jr. liderou a Congregação fazendo-a permanecer social e politicamente ativa como parte vital para o sucesso da “Revolução Negra”, e nos anos 1950 e 60, a Igreja Batista da Abissínia se engajou em boicotes e piquetes para a eliminação da discriminação racial. Atualmente sob o comando do Rev. Dr. Calvin O. Butts III, a Abyssinian tem contribuído para o desenvolvimento da comunidade do Harlem, alargando a consciência cultural de pertencimento a partir de ações e de suas mensagens positivas dentro de seu domínio ecumênico. O Dr. Butts insurgiu contra letras e imagens negativas na indústria do entretenimento, chamando a atenção para a repercussão de tais mensagens, de apologia à violência e ao sexismo, na formação da juventude afroamericana. O investimento em educação dos jovens resultou na Marshall Academia Thurgood para Aprendizagem e Mudança Social, em 1993, sendo esta a primeira nova escola construída em Nova York em mais de 50 anos. Por ocasião do bicentenário da Abyssinian Church, fizeram uma peregrinação à Etiópia e desde então trabalham conjuntamente com agricultores etíopes em cooperação para a produção de café e sua distribuição no mercado norte-americano. Estivemos na Igreja Batista Abissínia, no Harlem, em setembro último. Foi uma experiência agradável, assistimos ao culto ministrado pelo Reverendo Butts, ouvimos o Coral e fiquei particularmente reflexiva a respeito da preleção do Ministro que se limitou – embora enfaticamente – ao Capítulo 1 do Livro Gênesis:“No princípio criou Deus os céus e a terra.”. A

partir de então o reverendo passou a fazer críticas às religiões neopentecostais que espalham pelo mundo afora, e particularmente conhecido por nós brasileiros;, e que Jesus, “o filho de Deus feito Homem” tem mais poder que o próprio Pai. Observando as Leis de Deus, atribuo o fato de usar preferencialmente o nome de Jesus e não o de Deus, por temerem, os neopentecostais, as consequências de não obediência ao Terceiro Mandamento: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão: porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.” Êxodo, 20:7 No decorrer da cerimônia o Rev. Butts nada disse sobre o racismo que representa esta fé cega na palavra de um bispo como o Macedo da Igreja Universal. Os fieis, se não eram todos ricos, vestiam-se de tal maneira que davam a impressão de estarem prontos para sê-lo. O Coral da Igreja Batista Abissínia adquiriu fama internacional por suas performances de clássicas canções sacras; enquanto a fé religiosa vinha decrescendo contrariamente ao desenvolvimento material das sociedades, a Abyssinian se firmou como um dos maiores templos de fé protestante. Certamente o efeito agregador e reconfortante da Igreja e seu Coral gerou, nas igrejas católicas, investimentos tais a Missa Luba, dos anos 1950, que somava às canções sacras em latim, canções tradicionais do então Congo, cantadas por um coro de crianças e adolescentes em sua língua africana. Também aconteceu no Brasil, a Missa dos Quilombos, celebrada uma única vez no Recife, em 1981, com músicas de Milton Nascimento. Ambas as experiências católicas de “boa vontade” para com os africanos e seus descendentes não avançaram do palco à liturgia diária. A forma particular que os africanos na Diáspora exercem a sua religiosidade, como o Candomblé na Bahia e a Umbanda no Rio de Janeiro, nos últimos anos, resultaram no que se chama “intolerância religiosa” com drásticas consequências para os que têm fé nos Orixás. Fé que herdada dos tempos da escravidão, buscava a liberdade e a paz de espírito, atualmente representa uma resistência à aculturação, uma frente de combate ao racismo que pontua as relações sociais brasileiras. Em última instância, o abandono da justificativa do sincretismo pelo “povo de santo”, e a crescente valorização de sua identidade africana ancestral, é a prova irrefutável da insubmissão aos cânones da religião eurocêntrica como verdade absoluta para a


"The thief comes only to steal and kill and destroy; I have come that they may have life, and have it to the full.� Already in 1941, the Church had a membership of 14,000, which leverage its pastor, the Rev. Adam Clayton Powell Jr., to take a seat at the New York City Council. In 1944, Powell was elected to the United States Congress, representing the 22nd. District. The Abyssinian Reverend was able to combine the Christian message of Justice and Equality with the militant oratory of a political leader, essential to those years of doctrines of Nazism and Fascism. Powell served as Chair of the Education and Labor Committee, supported the claims of African Americans, directly and indirectly altering about 60 public laws to benefit blacks, the elderly, the disabled, Hispanic Americans, women and poor whites. Adam Powell Jr. led the Congregation by making it socially and politically active as a vital part of the success of the "Black Revolution," and in the 1950s and 1960s, the Abyssinian Baptist Church engaged in boycotts and pickets to eliminate racial discrimination. Currently under the command of Rev. Dr. Calvin O. Butts III, the Abyssinian has contributed to the development of the Harlem community by broadening the cultural awareness of belonging from actions and its positive messages within its ecumenical domain. Dr. Butts insisted against negative lyrics and images in the entertainment industry, drawing attention to the repercussions of such messages, from apology to violence and sexism, on the training of African American youth. Investment in youth education resulted in the Marshall Thurgood Academy for Learning and Social Change in 1993, this being the first new school built in New York in more than 50 years. On the occasion of the bicentenary of the Abyssinian Church, they made a pilgrimage to Ethiopia and since then have worked together with Ethiopian farmers in cooperation for the production of coffee and its distribution in the North American market. We were at the Abyssinian Baptist Church in Harlem last September. It was a pleasant experience, we attended the service given by Reverend Butts, we heard the Choir, and I was particularly reflective of the minister's lecture that limited - emphatically though - to Chapter 1 of the Genesis Book: "In the beginning God created the heavens and the earth ". From then on the Reverend went on to criticize the neo-Pentecostal religions that spread throughout the world, particularly known to us Brazilians, and that Jesus, "the son of God made man", has more power than the Father Himself. Observing the Laws of God

, I attribute the fact of preferentially using the name of Jesus and not that of God, because the Neo-Pentecostals fear the consequences of not obeying the Third Commandment: "You shall not take the name of the Lord your God in vain, for the Lord will not hold him guiltless who takes his name in vain.(Exodus 20:7) In the course of the ceremony Rev. Butts said nothing about the racism represented by this blind faith in the words of a bishop like the Macedo of the Universal Church. But the faithful, if they were not all rich, dressed in such a way that they seemed ready to be. The Abyssinian Baptist Church Choir has gained international fame for its performances of classic sacred songs; While religious faith was decreasing contrary to the material development of societies, the Abyssinian established itself as one of the greatest temples of Protestant faith. Certainly the aggregating and comforting effect of the Church and its Choir generated in the Catholic churches such investments as the Missa Luba of the 1950s, which added to the sacred Latin songs, traditional songs of Congo, sung by a chorus of children and adolescents in Their African language. Also happened in Brazil, the Mass of the Quilombos, celebrated only once in Recife, in 1981, with songs of Milton Nascimento. Both Catholic experiences of "good will" toward the Africans and their descendants did not advance from the stage to the daily liturgy. The particular form that Africans in the Diaspora exercise their religiosity, such as CandomblĂŠ in Bahia and Umbanda in Rio de Janeiro, in recent years, have resulted in what is called "religious intolerance" with drastic consequences for those who have faith in the OrixĂĄs. Faith that inherited from the times of slavery, sought freedom and peace of mind, currently represents a resistance to acculturation, a front to combat racism that punctuates Brazilian social relations. Ultimately, abandoning the justification of syncretism for the "people of the saint," and the growing appreciation of its ancestral African identity, is the irrefutable proof of the insubordination to the canons of the Eurocentric religion as absolute truth for the metaphysical explanation of human existence. Yes, Africans in Africa and Diaspora have for some time been humanly conscious, something that is ignored by Brazilian neo-Pentecostal proselytes, who use a dehumanizing discourse of Africans in order to demonize religions with African roots.


BIBLIOGRAFIA explicação metafísica da existência humana. Sim, há tempos que os africanos, em África e Diáspora, têm consciência humana, algo que é ignorado pelos prosélitos neopentecostais brasileiros, que usam de um discurso desumanizador dos africanos, de forma a endemoninhar as religiões de raízes africanas.

- Bíblia Sagrada, Ed. 5ª, Geográfica Editora, SP Sites consultados: - http://abyssinian.org/ - https://pt.wikipedia.org/ - http://www.universal.org/ - http://blog.cancaonova. com/

Maria Luiza Junior Mestre em História Social, ativista do Movimento Negro Master in Social History, activist of the Black Movement


air de paraquedas nessa cidade, “Csendo uma coleção de ‘minorias’ –

mulher; negra; imigrante; latina; só faria o processo ainda mais difícil Luana Carvalho

Foto de 11 de dezembro de 2014, durante uma manifestação em apoio ao Black Lives Matter

O

bviamente para alguém que nunca morou fora de Salvador, mudar para New York seria um desafio. Acredito que nem nas minhas fantasias mais mirabolantes eu me veria morando aqui, advogando, aconselhando clientes multimilionários sobre tributação – uma área elitista e predominantemente branca. Não tenho aqui a audácia de fingir que os resultados são fruto da minha dedicação, exclusicamente. Seria um insulto à minha família, mais especialmente a meus pais, ignorar os sacrifícios que eles se submeteram para que isso acontecesse. Ao contrário do que estamos acostumados a ver no Brasil, mais especialmente na minha cidade natal – Salvador, não é possivel se comprar uma carreira. Em Salvador, um nome conhecido, alguns poucos contatos e um diploma caro podem lhe render uma carreira decente, às vezes até invejável.

O

bviously for someone who has never lived outside of Salvador, moving to New York would be a challenge. I do not believe that even in my fanciest fantasies I would find myself living here, advocating, advising multimillion-dollar clients on taxation - an elitist and predominantly white area. I do not have the audacity to pretend that the results are the result of my dedication, exclusively. It would be an insult to my family, especially my parents, to ignore the sacrifices they underwent for this to happen. Contrary to what we are used to see in Brazil, more especially in my hometown - Salvador, it's not possible to buy a career. In Salvador, a well-known name, a few contacts and an expensive diploma can earn you a decent career, sometimes even enviable.


Lembro que na aula de introdução, recebemos um pacote com as asscociaçōes estudantis em andamento, lista de integrantes e suas funçōes, contatos, descrição de atividades, etc. De imediato, meus olhos pousaram em duas associaçōes – Propriedade Intelectual (especialização que idealizei) e a BLSA – “Associação de alunos negros da faculdade de direito”.* Definitivamente, o que fez a diferença nessa trajetória foi a BLSA. As associaçōes de alunos nas faculdades nos Estados Unidos são a porta de entrada para a vida profissional, e foi lá que eu fiz os meus melhores contatos. As reuniōes abertas ao público acontecem uma vez por mês – e são abertas para quem quiser participar. A BLSA coleciona titulos e honrarias acadêmicas, e é famosa pela qualidade dos eventos que promove. Dentre outras atividades, os alunos podem contar com a assistência na elaboração e revisão de currículo e carta de intenção (acredite em mim, essa é definivamente a parte mais difícil da busca pelo emprego), simulação de entrevista, networking, e coaching para o bar exam . O presidente da BLSA do ano anterior me assistiu durante a minha preparação, fornecendo material, corrigindo minhas redaçōes e respondendo às minhas dúvidas. Passei de segunda! Com a BLSA, tive a chance de conhecer os profissionais mais bem sucedidos, numa área em que nunca tinha visto um advogado negro antes. E o melhor, pude me ver neles. O mais chocante (positivamente, é claro) foi ver como a associação é respeitada por uma quantidade massiva de alunos, inclusive os não negros. Vide todos os eventos de apoio ao movimento Black Lives Matter, com adesão recorde entre alunos e professores. Vou compartilhar uma das minhas memórias favoritas desse período. Todo o ano a faculdade promove uma cerimônia de recepção dos alunos novos. Dentre representantes da reitoria, diretoria e corpo docente, um aluno também é convidado para falar em nome do corpo discente. A aluna escolhida foi Garynn Noel, de pais haitianos, mas nascida e criada no Brooklyn. Durante todo o seu discurso, não tirei os olhos do público. Era lindo ver como aqueles alunos bebiam as suas palavras. Garynn falou da responsabilidade (e do medo) de ser advogada negra num país genocida contra a nossa população. Falou dos caminhos, da dedicação exclusiva, competitividade e busca pela excelência. Esse discurso soou direcionado a mim. Ficamos amigas. Recentemente contei a ela o quaão inspiradora a presença dela foi em minha trajetória. Finalizo dizendo que é muito prestigioso fazer parte dessa comunidade. BLSA me deu um dos maiores presentes, conhecer profissionais de extreme sucesso em áreas ditas de elite, nos quais eu me identifiquei. BLSA me deu representatividade.

Foto: Arquivo Pessoal

Aqui, por mais cliché que essa frase possa parecer, é uma “selva de pedra”. A concorrência é desumana, e a própria faculdade reconhece a dificuldade de se conseguir um emprego de qualidade. E cair de paraquedas nessa cidade, sendo uma coleção de “minorias” – mulher; negra; imigrante; latina; só faria o processo ainda mais difícil.

Luana Carvalho Advogada brasileira residen Brazilian Lawyer living in N


nte Nova Iorque New York

Here, as clichĂŠ as this phrase may seem, is a "jungle of stone." Competition is inhuman, and the faculty itself recognizes the difficulty of obtaining quality employment. And to fall from parachutes in this city, being a collection of "minorities" - woman; black; immigrant; latina; would only make the process even more difficult. I remember that in the introduction class, we received a package with ongoing student assignments, list of members and their functions, contacts, description of activities, etc. Immediately, my eyes rested on two associations - Intellectual Property (specialization that I idealized) and the BLSA - "Association of Black Students from Law School." * Definitely, what made the difference in this trajectory was BLSA. The associations of students in colleges in the United States are the gateway to professional life, and it was there that I made my best contacts. Meetings open to the public are held once a month - and are open to anyone who wants to participate. BLSA collects academic degrees and honors, and it's famous for the quality of the events it promotes. Among other activities, students can count on assistance in developing and reviewing curriculum and letter of intent (believe me, this is definitely the hardest part of the job search), interview simulation, networking, and coaching for the bar exam. The president of BLSA of the previous year assisted me during my preparation, providing material, correcting my submissions and responding to my doubts. I entered at the second attempt! With BLSA, I had the chance to meet the most successful professionals in an area where I had never seen a black lawyer before. And the best, I could see myself in them. The most shocking (positively, of course) was to see how the association is respected by a massive number of students, including non-blacks. I saw all the events in support of the Black Lives Matter movement, with record membership among students and teachers. I'll share one of my favorite memories from this period. All year long the university promotes a reception ceremony for the new students. Among representatives of the rectory, board and faculty, a student is also invited to speak on behalf of the student body. The student chosen was Garynn Noel, she has Haitian parents, but born and raised in Brooklyn. Throughout her speech, I did not take my eyes off the audience. It was lovely to watch those students drink her words. Garynn spoke of the responsibility (and fear) of being a black lawyer in a genocidal country against our people. She spoke about the paths, the exclusive dedication, competitiveness and the search for excellence. This speech sounded directed to me. We became friends. I recently told her how inspiring her presence was in my trajectory. I finish saying that it is very prestigious to be part of this community. BLSA gave me one of the greatest gifts, meeting professionals of extreme success in so-called elite areas, in which I identified myself. BLSA gave me representativeness.


Fotos: Arquivo Pessoal

Música da Terra

A

New York

DJ Loira Limbal, dominicana, mas residente em Nova Iorque desde os três anos de idade, divide a sua vida adulta em duas áreas: cinema e música. Além de ser DJ também trabalha com filmes e documentários tudo dentro de uma base de ativismo. “Na verdade foi através do ativismo que eu consegui entrar nessas áreas. Não tinha noção que poderia viver por meio da arte. Hoje eu sou diretora, produtora e dirijo um programa que ajuda pessoas de cor. Essas comunidades são pouco representadas na mídia e encontram dificuldades para fazer os seus primeiros filmes, do ponto de vista deles, imigrantes, latinos, mulçumanos”, esse é um pouco do trabalho que exerce na área do audiovisual.


DJ

Loira Limbal, a Dominican who has lived in New York since she was three years old, divides her adult life into two areas: cinema and music. Besides being a DJ, she also works with films and documentaries, booth with an activist approach. “Actually, it was through activism that I got into these areas. I had no idea that I could live funded by art. Today I am a director, producer and director of a program that helps people of color. These communities are underrepresented and find difficulties to make their first films, from their point of view, immigrants, Latinos, Muslims” - that`s a bit of her audiovisual work.

No mundo DJ: “Eu toco música negra de qualquer canto do mundo. Se eu consigo fazer o povo dançar. Se eu posso imaginar uma forma de conectar a música de Cabo Verde com Jamaica eu vou tentar fazer isso na pista de dança. Eu vejo isso como uma forma de nutrir nossas comunidades. Eu vejo como uma limpeza espiritual. O mundo é muito duro e difícil e esses espaços acabam sendo lugares para despejar um pouco, se aliviar para poder continuar na batalha do dia a dia”, afirma DJ Loira.

As a DJ: "I play black music from any corner of the world. If I can make people dance. If I can imagine a way to connect the music of Cape Verde with Jamaica I'll try to do it on the dance floor. I see this as a way to feed our communities. I see it as a spiritual cleansing. The world is very hard and these spaces becomes a place to relieve themselves so they can continue in the daily battles”, she says.

A DJ Loira entrou no ramo musical há 15 anos quando fazia parte de um coletivo de mulheres negras e latinas no Brooklyn no qual o trabalho era de educação política e conscientização das meninas dessa comunidade. Para manter o coletivo realizam diversos eventos e festas, e começaram a perceber que na hora de chamar DJ para tocar só tinham homens na lista foi quando o coletivo resolver investir e comprar equipamentos de som para que três meninas do grupo pudessem aprender a arte de tocar. DJ Loira foi à única que seguiu nessa carreira.

DJ Loira joined the music business 15 years ago when she was part of a group of Black and Latino women in Brooklyn. Their job was to educate the community girls in political affaires. In order to keep the group, they hold events and parties, when they realize that there was only men playing as DJ. The collective decided to invest and buy equipment and three girls in the group could learn the art of playing. DJ Loira is the only one who remains in the career.


No período da faculdade realizou um intercâmbio de um ano e meio no Brasil, passou pelas cidades do Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, onde permaneceu mais tempo. Na ocasião casou com LF membro do DMN, grupo de rap de São Paulo. Quando retornaram para Nova Iorque, DJ Loira começou acompanhar e tocar com o então esposo em suas apresentações. Logo em seguida foi convidada para tocar em festas e em grandes eventos, como tocar no Central Park. Sempre gostou muito de música, mas com o nascimento do seu primeiro filho se afastou um pouco desse mundo para se dedicar ao ser mãe. Só voltou a tocar com o nascimento da sua segunda filha. “Já estava passando pelo processo de separação e ficou muito nítido tendo uma menina que seria muito importante mostrar para ela que a nossa felicidade é algo de nossa responsabilidade. É a gente que constrói e não tem que ir buscar felicidade nos outros ou esperar que alguém te faça feliz. Você mesmo tem que se fazer feliz. Acho que essa é uma lição importante tanto pra homem como para mulher”. Atualmente toca numa festa chamada AfriKando que acontece em um bar no Harlem numa região não muito badalada. A missão da DJ é fazer uma conexão musical da diáspora africana. Nessa festa toca muitas músicas latinas, do caribe, do continente africano e algumas brasileiras. Moradora do Bronx, local onde nasceu à cultura hip hop, confessa que toca rap em outras ocasiões, pois nessa festa é momento de experimentar outros ritmos e o público está ali para sentir e se envolver com essas outras culturas. Paixão pelo Bronx: “Acho que é o último canto de Nova Iorque que é verdadeiro. É o lugar onde nasceu o hip hop. Não é atoa que nasceu ali, nasceu por conta da combinação da comunidade que tinha. Ali quem criou o hip hop foram negros americanos, negros caribenhos e pessoas latinas que criaram essa cultura mundial. Isso é um ponto de orgulho. O Bronx hoje está começando há mudar um pouco, mas muito mais devagar que em outros pontos da cidade. Ali é o local aonde realmente pode encontrar novaiorquinos. Por exemplo, no Brooklyn você fala com três pessoas e duas são de fora, da Califórnia ou de Atlanta, e vieram morar aqui porque são poetas, são artistas prestes a se lançar para mundo, mas não são aquelas pessoas criadas no bairro. Porém, isso é processo natural que faz parte de uma cidade grande. Não estou falando contra, mas eu valorizo aquele novaiorquino que viveu naquela época no seu bairro, onde estava tudo queimado, que o crack dominava e ele permaneceu na sua comunidade e hoje merece usufruir das melhorias existentes nos bairros. Então, pra mim o Bronx é tudo isso. É questão de orgulho mesmo. Brigo pelo Bronx. Aqui tem uma história de resistência que precisa ser respeitada”, finaliza.


During the university, she spent a year and a half in Brazil, through Rio de Janeiro, Salvador and São Paulo. On that time, she married LF, member of the DMN, a rap group of São Paulo. Back to New York, DJ Loira played with him and soon she was invited to play at big events, like the Central Park. When her first son was born, she stopped working to devote her time to being a mother. She only played again after the birth of her second daughter. "I was already going through the process of separation and was very clear having a girl who would be very important to show her that our happiness is something of our own responsibility. We build our happiness and we shall not get or look for it in other people, or even expect someone to make us happy. I think this is an important lesson for men and women”. Nowadays she plays at a party called AfriKando, in a not quite popular area of Harlem. The DJ's mission is to make a musical connection to the African diaspora. In this party , she plays many Latin songs, the Caribbean, the African continent and also some Brazilian music. Living in the Bronx, where hip hop culture was born, she confesses that she plays rap on other occasions, because at this party it is time to try other rhythms. The audience is there to feel and get involved with these other cultures. Passion for the Bronx: "I think it's the last genuine place of New York. It's where hip hop was born. And also because of the mixed community. Those who created hip hop were black Americans, Latinos and Caribbean, a world culture. This is a reason for pride. The Bronx is starting to change, but much slower than other parts of the city. Here you can really find New Yorkers. For example, in Brooklyn, every three people you speak to, two are from outside, form California or Atlanta. They live here because they are poets, artists about to launch their works to the world. But they were not raised in the neighborhood. This is a natural process in a big city. I'm not against it, but I value the New Yorker who lived there at that time when everything was burning, when the crack dominated the streets. Still, he remained in the community and today he deserves to enjoy the urban improvements. I fight for the Bronx. Here there is a story of resistance that needs to be respected”, she says.


Fotos: Arquivo Pessoal

Música da Terra

l i s a r B

Baiano Davi Viera leva suas origens para o outro lado da América C

om carisma contagiante e sorriso largo no rosto, a entrevista com o cantor baiano e percussionista Davi Vieira foi regada de muita risada no Bryant Park, localizado aos fundos da Biblioteca Pública de Nova Iorque, em Manhattan. Radicado há 26 anos na cidade, Davi Vieira mora fora do Brasil desde os 18 anos. Porém, primeiro morou na Europa por três anos quando aceitou um convite para fazer apresentações da cultura afro brasileira pelo continente, pois além de músico também é dançarino e capoeirista.

W

ith an contagious charisma and a big smile on his face, the interview with the Bahia singer and percussionist Davi Vieira was stuffed with much laughter at Bryant Park, at the back of the New York Public Library in Manhattan. Living in the city for 26 years, Davi left Brazil since he was 18 years old. He first lived in Europe for three years, when he accepted an invitation to present Afro-Brazilian culture on the continent, as well as being a musician, dancer and capoeirista.


“Eu vim morar em Nova Iorque em 1990. Sempre tive vontade de vir para os Estados Unidos, mas apareceu primeiro a oportunidade de ir para Europa. Porém tinha os pensamentos aqui”, lembra o cantor. Seu sonho era ir para Los Angeles. Chegou à cidade, na qual permaneceu por três meses, com 800 dólares no bolso e sem falar inglês. Revela que no início tudo era novidade, mas ao mesmo tempo difícil. Já em Nova Iorque participou de diversas bandas. Em 1994 foi escolhido para fazer parte do primeiro elenco do Stomp (Off Broadway Show) onde atuou por dez anos. No ano seguinte, junto com Marivaldo dos Santos, gravou o album de rap MD MC’s, pela EMI. “Em 1995 voltei a morar no Brasil, mas não vingou trabalho. Parecia que o pessoal não entendia o que estávamos propondo. Acredito que estávamos muito além daquele tempo. Fiquei um ano e voltei para cá”.

“I came to live in New York in 1990. I always wanted to come to the United States, but the opportunity first came to Europe. But my thoughts were here”, recalls the singer. His dream was to go to Los Angeles. He arrived in the city planning to stay for three months with 800 dollars in his pocket and without speaking an single English word. Davi says that even everything was new and difficult at the beginning, when he participated in several bands. In 1994 he was chosen to be part of the first cast of the Stomp (Off Broadway Show) where he performed for ten years. The following year, with Marivaldo dos Santos, he recorded MD MC’s rap album by EMI. “In 1995 I returned to live in Brazil, but I couldn’t find a job. It seemed that people did not understand what we were proposing as art. I think we were way ahead of time. I stayed for a year and came back here. “

Durante a sua trajetória, Davi Vieira já tocou com grandes artistas como David Byrne, Steve Earle, Talib Kweli, Sergio Mendes, Carlinhos Brown, entre outros. Atualmente, em carreira solo, está preparando o seu segundo disco com 80% das músicas em inglês. Chama esse novo trabalho de “Brazilian World Music”. Diferente do primeiro disco que as canções eram, na maioria, em português. Nesse as músicas são autorais. “A linguagem é Bahia e mundo. Mas lembrando que eu estou aqui representando o Brasil sempre como o meu trabalho. Sou um representante forte, da Bahia principalmente, local que eu amo muito. Dentro de mim é algo que sai natural, minhas composições e quem escuta sente que tem algo da Bahia e o groove sempre é natural. A Bahia está dentro de mim e não sai e nem quero que saia. A cultura baiana é riquíssima”, fala com um encantamento a sua terra e revela que pretende vir ao Brasil para gravar um clipe em Salvador.

David Vieira has played with great artists such as David Byrne, Steve Earle, Talib Kweli, Sergio Mendes, Carlinhos Brown, among others. Currently, in solo career, he is preparing his second album with 80% of the songs in English, all written by himself. This new work is called “Brazilian World Music”. “The language is from both places, Bahia and the world. But remembering that I am always representing Brazil in my work here. I am a strong representative, mainly from Bahia, a place that I love very much. Inside me, this love is something that comes out natural. Those who listen my compositions feel that there is something from Bahia, the groove is always natural. Bahia is inside me and it doesn’t leave. I do not want it to leave. The Bahia culture is very rich”, he says with an enchantment to his land. He reveals that he intends to come to Brazil to record a video in Salvador.


“Adoro essa mistura de cultura. Essa oportunidade de ver e participar de outras coisas é incrível. Praticamente tem tudo aqui, restaurantes e pessoas do mundo inteiro. Tem essa liberdade de expressão e ninguém ta nem aí. Esse é o bom de Nova Iorque e eu por ser artista e sempre querer ter essa liberdade, Nova Iorque é a cidade perfeita para isso. Adoro”, afirma.

“I love this mix of culture in New York. This opportunity to see and participate in different things is incredible. There’s practically everything here, restaurants and people from all over the world. You have this freedom of expression - and no one cares. This is the good thing about New York. Being an artist, looking for that freedom… New York is the perfect city”, he says.

Davi Vieira inova ao mesclar diferentes ritmos em suas apresentações e o resultado é surpreendente. Isso tudo é fruto de uma fusão entre as culturas, principalmente, norte americana e brasileira. A influência dos elementos afro brasileiros estão imprimidos em seu estilo musical. Traz para o palco a sua percepção do mundo. Atualmente o show do músico pode ser conferido e apreciado no clube Bonafide, em Manhattan, Nova Iorque.

Davi Vieira innovates by mixing different rhythms into his performances. The result is surprising, due to a fusion between cultures, mainly North American and Brazilian. The influence of the Afro-Brazilian elements is present on his musical style. He brings to the stage his perception of the world. Currently the musician’s show can be checked and enjoyed at the Bonafide Club in Manhattan, New York.


Fotos: Achim Harding

Quem Faz a Comunicação

O

jornalista norte americano, David Wilson, é responsável pelo site TheGrio.com, um portal de notícias, opinião, entretenimento e conteúdo de vídeo direcionado para comunidade afro americana. O nome do web site é derivado da palavra griot, um termo utilizado para identificar um contador de histórias orais ocidental africanos. O site, lançado em 2009, foi criado pela equipe do documentário “Meeting David Wilson”, um documentário que narra a jornada pessoal de David Wilson para encontrar respostas às disparidades raciais atuais na América.

New

York

DA VI D WI LS ON

Us journalist David Wilson created TheGrio.com, a news, opinion, entertainment and video content portal targeting the African American community. Its name is derived from the word 'griot', a term used to identify an accountant of Western African oral histories.

The site, launched in 2009, was created by the team responsible for the documentary "Meeting David Wilson", about his personal journey to find answers to the current racial disparities in America.


No início, o portal teve a parceria da NBC News e após alguns anos se tornou uma divisão do canal a cabo MSNBC. Em 2014 foi vendido aos seus fundadores e em junho desse ano, os Estúdios de Entretenimento de Byron Allen adquiriram o site. David Wilson ainda é o editor executivo do TheGrio. com que atualmente conta com nove funcionários e colaboradores. TheGrio.com, com apenas sete anos de existência, se tornou um veículo de comunicação confiável e com credibilidade. É reconhecido como uma mídia de grande potencial. Documentário: O longa metragem “Meeting David Wilson” se tornou um marco na luta pelos direitos civis, pois provocou uma conversa nacional sobre relações raciais na América. David Wilson escreveu e dividiu a direção do documentário com Dan Woolsey. A obra fílmica traça as origens de sua família escravizada no qual Wilson localiza e faz amizade com um descendente da família que o escravizou. Um homem branco, cujo o seu nome é David B. Wilson. Os desdobramentos do filme e sua grande repercussão foram agentes impulsionadores para o surgimento do TheGrio.com. A partir dessas experiências, o debate racial é posto em pauta. Lembra que é necessário buscar por soluções a partir das realidades vividas pelos afros americanos. Para David Wilson o objetivo é cada vez mais ajudar outras pessoas negras. Outras Realidades: Ao ser questionado pela Acho Digno sobre como é possível manter um veículo de comunicação negra, quais são as estratégias utilizadas, David Wilson primeiro nos apresenta uma tabela com a média de ganhos semanais em dólares entre pessoas negras e brancas no Brasil e nos Estados Unidos.

BRASIL PESSOAS NEGRAS

$113

PESSOAS BRANCAS

$194

In the beginning, the portal had the partnership of NBC News and after a few years became a division of cable channel MSNBC. In 2014 Byron Allen Entertainment Studios acquired the site. David Wilson is still the executive editor of TheGrio.com who currently has nine employees and collaborators. After seven years, TheGrio.com has become a reliable and credible communication vehicle. It is recognized as a medium of great potential. Documentary: The feature film “Meeting David Wilson” became a milestone in the civil rights struggle, as it sparked a national debate about race relations in America. David Wilson wrote and shared the direction of the documentary with Dan Woolsey. The film reconstructs the origins of Wilson’s enslaved family. The director found and became friend of a descendant of the family that enslaved his ancestral. A white man named David B. Wilson. The repercussion of the film drove forces for the emergence of TheGrio.com. From these experiences, racial issues are put on debate. David Wilson reminds us that it is necessary to search for solutions based on the reality lived by Afro-Americans. For him, the goal is increase the help to other black people. Other Realities: When asked by Acho Digno about the strategies used to maintain a vehicle focused on black people, David first presents us with a table showing the weekly earnings average, in dollars, from black and white people in Brazil and in U.S.

ESTADOS UNIDOS $641 $835


E continua: “Quando vocês vêem para cá acreditam que os negros têm muito dinheiro, mas não se compara a fortuna que as pessoas brancas possuem”. Revela ser necessário ter recursos financeiros para manter uma empresa, bem como investidores. “Aqui nos Estados Unidos temos uma longa história de mídia. Por exemplo, há diversas revistas e televisões voltadas para a comunidade negra. No Brasil é preciso ter infraestrutura. É raro ter propagandas para negros e sem infraestrutura é difícil lançar uma mídia negra”, conclui.

He continues: “When you see here, you believe that black people have a lot of money, but they do not compare to the fortune that white people have.” It proves to be necessary to have financial resources to maintain a company as well as investors. “Here in the United States we have a long history of media. For example, there are several magazines and television sets aimed at the black community. Infrastructure is needed in Brazil. It is rare to have advertisements for blacks and without infrastructure it is difficult to launch a black media”, he concludes.

Percebemos que o Brasil está bem aquém dos Estados Unidos. O projeto Identidades Transatlânticas nos possibilitou esse primeiro diálogo com outras mídias e profissionais negros que fazem a diferença no nosso dia a dia. Seguimos o exemplo de David Wilson, TheGrio.com e permanecemos resistindo pelo viés da comunicação e empoderando cada vez mais a nossa comunidade negra compartilhando sua história e trajetória de luta e conquistas.

We realize that Brazil is well below the United States. The Transatlantic Identities project enabled this first dialogue with other black media and professionals that make a difference in our daily lives. We follow the example of David Wilson and TheGrio.com. We resist in the field of communication to increasingly empower our black community, sharing its history and trajectory of struggle and achievements.


Quem Faz a Comunicação Foto: Franciele Amaral

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UM “SONHO AMERICANO” E A DURA REALIDADE An “American dream” and the hash reality

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ma jovem jornalista brasileira com o anseio de conhecer outras culturas, aprender outro idioma, vi¬venciar novas experiências na sua área profissional. Poderíamos aqui citar diversos nomes de pessoas com esse mesmo sonho, o tão famoso “sonho ame¬ricano”, porém a vida da mineira Elis Clementino, nesse um ano e meio morando em Nova Iorque não tem sido tão fácil assim. Por hora, o sonho mais parece um pesadelo, aquele que é difícil de acordar.

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young Brazilian journalist with the desire to know other cultures, to learn another language, to have new experiences in her professional area. We could mention several names of people with this same dream, the famous "American dream", but the life of Elis Clementino, Brazilian from Minas Gerais, in this one and a half year living in New York has not been so easy. So far, the dream seems more like a nightmare, one that is difficult to wake up..


Fotos: Roy Speller

“Há tantos sentimentos e pensamentos dentro de mim. Parece que meu coração está espremido e minha mente expandida. Parece que quanto mais eu faço, mais eu tenho que fazer. Às vezes eu realmente penso em desistir. Outras vezes eu só quero conquistar o mundo. Ser uma menina. Uma mulher negra me ensinou como ser forte. Ser uma sonhadora me mostrou como viver com meus dois pés completamente no chão e como trabalhar duro para conseguir o que eu quero. Eu sei quem eu costumava ser, e é por isso que eu não quero ser a mesma. Eu sei de onde eu vim, mas também sei onde posso chegar. E eu estou chegando lá! A vida é difícil, mas ainda prefiro estar viva. O amor é complicado, até que você encontre (ou não) aquele Ser... e eu ainda estou procurando por ele. Acima de tudo eu sou abençoada, e ninguém pode mudar isso!”, afirma Elis em um post publicado em sua rede social no mês de dezembro.

"There are so many feelings and thoughts inside me. It seems my heart is squeezed and my mind is expanded. It seems like the more I do, the more I have to do. Sometimes I really think about quitting. Other times I just want to conquer the world. Be a black woman taught me how to be strong. Being a dreamer showed me how to live with both my feet completely on the ground and how to work hard to get what I want. I know who I used to be, and that's why I do not want to be the same. I know where I came from, but I also know where I can go. And I'm getting there! Life is difficult, but I still prefer to be alive. Love is complicated, until you find (or not) that Being ... and I'm still looking for it. Most of all I'm blessed, and no one can change that! ", Says Elis in a post posted on her social network in december.


Alguns sentimentos levam dias, meses ou anos para serem digeridos. Essa entrevista foi realizada em setembro de 2016, num café no Harlem, em Nova Iorque. Ao sentarmos ali, uma de fronte para outra, para mais um bate papo, aquela jovem menina se transformava diante de nossos olhos em uma guerreira que enfrentou e ainda enfrenta diversos obstáculos para ir em busca de seus sonhos, pois como ela mesma diz: “Queda aqui você leva horrores e é uma queda fora de casa. No Brasil tem os pais e amigos que nos acolhem, nos abraçam. Aqui você está sozinha. Você está em Nova Iorque, milhões de pessoas passam por você e não dão nem bom dia, porque ninguém tem tempo nessa cidade. É preciso fazer campanha em praça pública de abraço grátis. Se você cair aqui não pode ficar muito tempo no chão. Tem que levantar sozinha e eu acho que essa é a parte mais tensa de Nova Iorque”. A jornalista, que saiu de Poços de Caldas, em Minas Gerais, para fazer graduação em uma cidade grande como São Paulo, onde viveu por 10 anos, sentiu que precisava ter o rumo de sua vida novamente. Quando, em maio de 2015, fez suas malas para os Estados Unidos (EUA). “Ninguém me disse que seria fácil, mas eu não imaginava que seria tão difícil assim”, revela. No início do ano de 2015 teve depressão profunda. Enfrentava problemas no trabalho por preconceito racial e questões amorosas até chegar ao ponto de ter crise de pânico sem conseguir sair do quarto. “Nunca vou esquecer o que meu pai me disse: ‘Antes de você morrer, você vai me matar se não reagir’. Naquele dia aceitei que precisava de ajuda e minha mãe me levou em uma psiquiatra. Ela me perguntou se eu tinha um sonho. Falei que era ir morar nos EUA. Então mandou realizar esse sonho, pois o meu problema era que eu não sonhava mais”. Juntou toda economia que tinha conversou com tios que moravam nos EUA para lhe hospedar. Por seis meses tinha uma moradia e a meta era aprender a falar em inglês. Fez curso e com cinco meses e meio vivendo na cidade mudou para casa de uma família para trabalhar no local. Tinha que cuidar dos três filhos, limpar a casa e em troca tinha um quarto e recebia por semana. “Não acreditava que estava passando por tudo isso. Sou uma pessoa com curso superior, mas aqui não consigo trabalhar na minha área, seja porque não é reconhecido ou porque não tenho o visto correspondente. Cada hora é uma coisa. Vim para cá com visto de turista e apliquei para o visto de estudante. Tudo aqui é muito caro, mas eu investi nisso. Tinha dias que tinha que ficar dentro do quarto por horas, porque a minha patroa estava recebendo visitas e eu não podia passar pela casa. Em dia de folga ela me ligava toda hora tentando controlar a minha vida coisa que nem a minha mãe fazia. Eu sai desse emprego em agosto desse ano, quando minha vida mudou. Meu visto de estudante chegou e ela surtou. Me fez uma proposta para receber 200 dólares por semana, eu recebi bem menos, ou continuava do jeito que estava e desistia do visto. Fui obrigada a falar que vim para Nova Iorque para estudar e não para juntar dinheiro. Ela me ameaçou e eu tive que sair da casa no mesmo dia sem ter para onde ir”, relembra do episódio.


Some feelings take days, months, or years to be digested. This interview was held in September 2016 at a cafe in Harlem, New York. As we sat there facing each other, for another chat, that young girl transformed before our eyes a warrior who faced and still faces several obstacles to pursue her dreams, as she says: “We can have many falls here, and those are falls away from home. In Brazil, we have family and friends who support us and embrace us. Here we are alone. We're in New York, millions of people pass by you and do not even compliment you with a good morning, because no one has time in this city. You need to campaign in a public square with a free hug. If you fall here you can't stay too long on the floor and you must to get up alone and I think this is the most tense part of New York. “ The journalist, who left Poços de Caldas in Minas Gerais to graduate in a big city like São Paulo, where she lived for 10 years, felt that she needed to get her life back on track. At the beginning of the year 2015 had deep depression. she faced problems at work because of racial prejudice and love affairs until she reached the point of panic crisis without being able to leave the room. "I'll never forget what my father told me: 'Before you die, you're going to kill me if you do not react.' That day I accepted that I needed help and my mother took me to a psychiatrist. She asked me if I had a dream. I said yes, and the dream was going to live in the United States. So I made this dream come true, after I realize that my problem was I didn't have a dream anymore. " When, in May of 2015, she packed her bags and went to the United States. "No one told me it would be easy, but I didn't imagine it would be that difficult," 'she says. She gathered all the savings she had, asked her uncle, who was living in the United States, to host her. For six months she had a home and the goal was to learn English. She took english course and after five and a half months living in the city she moved to a adopt family’s house to work in there. She had to take care of three children, clean the house, and in return she had a bedroom and received per week. "I did not believe I was going through all this. I have a degree, but here I can't work in my area, either because the course is not recognized or because I do not have the corresponding visa. I came here with a tourist visa and applied for the student visa. Everything here is very expensive, but I invested in it. There were days when I had to stay in the room for hours, because my boss was receiving visitors and I could not go through the house. On my days off she used to call me all the time trying to control my life, something that neither my mother did. I quit this job in August of that same year, when my life changed. My student visa arrived and she freaked out. She made me a proposal to receive $ 200,00 a week, if things continued as it was, and would have to give up on my visa. I was forced to say that I came to New York to study and not to raise money. She threatened me and I had to leave the house the same day with nowhere to go, "recalls the episode.


Elis conta que passou o dia inteiro procurando um local para morar. Em Nova Iorque é comum alugar o porão das casas. Ela achou um com preço acessível, porém afastado da região de Manhattan. Não voltou para casa dos tios, pois queria um local para ficar sozinha, chorar, sentia vergonha de estar naquela situação, estava muito machucada. Porém revela que sempre teve o apoio dos tios, até na hora de limpar a nova residência para retirar dos antigos morados, milhares de aranhas, e até conseguir móveis para casa. Hoje, aos 29 anos, aquela jovem que trocou a vida confortável que tinha em Poços de Caldas, para morar em algumas periferias de São Paulo para cursar um ensino superior, e após essa trajetória de assessora de imprensa em alguns órgãos governamentais, mudou para Nova Iorque em busca da felicidade, se revela diante de nossos olhos em uma mulher guerreira. “Sei que vou chorar muitas vezes ainda, mas é a vida. Eu tinha uma meta que era aprender inglês. Cumpri o objetivo. A minha segunda meta é fazer o mestrado e já estou cursando algumas disciplinas. Se eu não conseguir, eu volto para o Brasil sabendo que já deu certo”. Para não se afastar tanto da sua profissão realizar alguns freelas e está com um projeto de criar um blog chamado “As coisas que Nova Iorque me conta”, não será sobre dicas da cidade e sim sobre as suas experiências vividas nesse um ano meio. Nessa edição é possível conferir um artigo de Elis Clementino no “Olhar Estrangeiro” no qual ela nos leva para conhecer um pouco da história do Harlem negro.

Elis says she spent all day looking for a place to live. In New York it's common to rent the basement of houses. She found one that was affordable, yet away from the Manhattan area. She did not go home to her uncles, because she wanted a place to be alone, to cry, to feel ashamed, to digest the situation, she was very hurt. But came out that she always had the support of her uncle and aunt, even to clean the new home and remove things from the last renter, thousands of spiders, and helped to find furniture for place. Today, at age 29, the young woman who changed her comfortable life in Poços de Caldas, to live in some of the outskirts of São Paulo to attend higher education, and after her career as a press officer in some government agencies, she moved to Nova York in search of happiness, turn herself before our eyes in a warrior woman. "I know I'm going to cry a lot, but it's life. I had a goal that was to learn English. I got it. My second goal is to do the master's degree and I'm already studying some subjects. If I can't make it, I'll go back to Brazil sill as a winner. " In order to stay closer to her carrier, she has a project to create a blog called "The things that New York tells me", it will not be about tips from the city, but about her experiences in that one year. In this edition it's possible to check an article of Elis Clementino in the "Foreign Look" in which she takes us to know a little of the history of black Harlem.


Empreendedor Do outro lado da ponte há um artista brasileiro “R

apaz, eu tive que escolher. Tinha duas opções. Veio de um bairro chamado Beiru, em Salvador, Bahia/Brasil, e lá tinha duas escolhas, ou se envolver na malandragem ou virar artista. As influências lá no meu bairro era o cara ali na esquina com revolver na mão. Como eu gostava muito de revistas em quadrinhos eu aprendi a desenhar e escolhi ser artista”. Esse relato inicial é do artista plástico, Jackson Almeida, que atualmente vive em New Jersey.

Across the bridge there is a Brazilian artist

Tal escolha mudou a sua vida, lhe proporcionou outras experiências, intercâmbios e constituir uma família em solo norte americano. Atualmente é casado e pai de dois filhos. “Viver da arte é ralar muito. Matar 20 leões por dia para poder sobreviver, porque se não tiver contato para poder estar no mundo da arte, nas galerias é mais difícil. Estou nessa batalha já há nove anos. Na luta. Vivo e não vivo da arte ao mesmo tempo. A grana que faço da arte não dá pra manter tudo. Faço outros bicos, sou carpinteiro, pinto, executo outros trabalhos em paralelo a arte”.

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oy, I had to choose. I had two options. He came from a neighborhood called Beiru, in Salvador, Bahia / Brazil. There we could get involved in crime or become an artist. The influencer in my neighborhood was the guy on the corner with a weapon. As I really liked comic books, I learned to draw and I chose to be an artist. " This is how Jackson Almeida, artist who currently lives in New Jersey, sums his trajectory. That choice changed his life, provided other experiences, exchanges, and allowed him to set up a family on North American soil. He is currently married and he has two children. “To live funded by art is to grate a lot. Like killing 20 lions a day to survive, because if you do not have contact to be in the art world, in the galleries, it is more difficult. I’ve been in this battle for nine years. In the fight. I do and do not live by art at the same time. The money I make can not provide everything. I do other things, I am a carpenter, I paint, I carry out other works in parallel to art “.


Desde pequeno entrou nesse mundo de artes plásticas. A partir das revistas em quadrinhos começou a desenhar estampas para camisas. Por muitos anos vendia as camisas na famosa escadaria do Gêronimo, na terça da Bênção, que ocorria em Salvador, Bahia/Brasil. Ao se mudar, inicialmente para Nova Iorque, em 2008, conseguiu licença de vendedor de rua. Ficou certa de três a quatro anos vendendo camisas e produzindo arte na rua, mas o inverno em Nova Iorque é muito rigoroso e é impossível nessa estação continuar nessa profissão de vendedor de rua.

From an early age, he entered the world of plastic arts. From the comic books began to design prints for shirts. For many years he sold his shirts on the famous staircase of the historical center of Salvador, where singers plays “Blessing" concerts every Tuesday. When he moved to New York, in 2008, he was granted a street vendor license. He spent about four years selling shirts and producing street art, but the harsh winter in New York made sales impossible some times.

Quando chegou a Nova Iorque para morar lembra que o país estava passando por uma crise e poucas pessoas consumiam arte. Essa realidade o fez deixar de lado um pouco as artes plásticas e mudar para construção civil por questões financeiras. Porém faz oito meses que voltou a se dedicar somente a pintura. Financeiramente não ganha muito, mas faz o que realmente gosta. “Sinto-me feliz fazendo arte, traduzindo ideias e pensamentos. O país aqui me deu muitas oportunidades de crescer como pessoa e como artista. Aqui do outro lado da ponte parece que as coisas fluem. As oportunidades existem, mas é preciso saber garimpar. No Brasil talvez tenha, mas é escasso, principalmente para gente de pele escura. Aqui já é mais aberto. Você pode ser quem quiser. Aqui eu me sinto livre”, conclui Jackson Almeida.

He recalls that the United States was in economic crisis and few people consumed art at that moment. That reality made him leave the arts aside and switch to construction. But eight months ago he started painting again. He does not earn much money, but he does what he really likes. "I feel happy doing art, translating ideas and thoughts. The country has given me opportunities to grow as a person and as an artist. Here on the other side of the bridge things seems to flow. Opportunities exist, but you have to know how to find it. In Brazil it is scarce, especially for people with dark skin. It's more open here. You can be anyone you want. Here I feel free, "concludes Jackson Almeida.


Washington D.C. Fotos: Reprodução da internet

Museu de História e Cultura AfroAmericana é aberto em Washington O

projeto Identidades Transatlânticas foi idealizado para ser todo desenvolvido em Nova Iorque, porém na abertura do Museu de História e Cultura Afro Americana (NMAAHC), no dia 24 de setembro de 2016, não poderíamos perder a oportunidade de ir para a capital dos Estados Unidos (EUA), Washington D.C., para vivenciar esse momento histórico. Construído no National Mall, área que abriga vários museus, o NMAAHC possuí mais de 20 mil metros quadros e é a único dedicado exclusivamente à cultura afro americana. A construção durou quatro anos e foi concebida pelo arquiteto de Gana, David Adjaye. A parte exterior do prédio, um painel de bronze em três camadas, é uma homenagem ao trabalho em ferro forjado feito por pessoas escravizadas no sul dos EUA. O prédio também foi inspirado nas coroas usadas na África Ocidental. Essa fachada pode ser transformada em tela de cinema quando necessário.

Museum of African American History and Culture Opens in Washington

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he Transatlantic Identities project was designed to be fully developed in New York, but at the opening of the Museum of African American History and Culture (NMAAHC), on September, we could not miss the opportunity to experience that historic moment at the capital of United States (USA), Washington DC. Built on the National Mall, which houses several museums, the NMAAHC has more than 20,000 square meters and is the only one dedicated exclusively to African-American culture. Designed by Ghana’s architect, David Adjaye, the construction took four years. The exterior, a three-pane brass panel, is a tribute to the wrought iron work done by inslaved people in the southern United States. The building was also inspired by the wreaths used in West Africa. This walls can be turned into a cinema screen.


O museu conta com 11 exibições que vão traçar a história da população negra desde a época da escravidão, passando pela segregação racial, a luta pelos direitos civis, as grandes realizações nas artes, no cinema, na televisão, nos esportes, além de apresentar um pouco da cultura de outros países, e o Brasil tem um espaço garantido. Com oito andares, sendo três subterrâneos, a visita só pode ser feita com hora marcada. A visitação é gratuita e o museu é totalmente acessível para pessoas cadeirantes ou com limitação na locomoção. É um passeio histórico incrível e que precisa ser visitado por todas as pessoas.


The museum has 11 exhibits that will trace the history of the black population from the slavery period, through racial segregation, civil rights, major achievements in the arts, film, television, sports. Black culture in other countries is also presented, and Brazil has a guaranteed space. With eight floors, being three underground, the visit can only be made by appointment. Visitation is free and the museum is fully accessible for wheelchair users or people with limited mobility. It is an incredible historical tour that shall be visited by everyone.


A vida de um comediante haitiano em Nova Iorque

A Haitian comedian in New York

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vida é complicada, mas viver da comédia a torna mais agradável. O haitiano Tanael Joachim fez essa escolha há exatos quatro anos e não se arrepende. Stand up comedy, termo que designa um espetáculo de humor executado por um comediante, também é o termo que designa a sua atual carreira. Segundo Tanael Joachim, morador do Brooklyn, fazer stand up é a sua paixão.

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O comediante, que nasceu e cresceu no Haiti, mudou se para Nova Iorque em 2008. Comenta que trabalhar com comédia é uma experiência única, especialmente por ter nascido em um país bem diferente e com outro idioma. O seu estilo de humor é descontraído e suave. Em seus shows ele aborda questões do dia a dia, mas também brinca sobre temas relacionados à raça e o contraste entre a vida no Haiti e na América do norte.

The comedian, who was born and raised in Haiti, moved to New York in 2008. He says working with comedy is an unique experience, especially because he was born in a very different country and with another language. His mood style is relaxed and smooth. In the shows, he tackles day-to-day issues, but also touches on themes related to race and the life contrast between Haiti and North America.

“Nas minhas apresentações tento ‘ler’ os Estados Unidos a partir de um ponto de vista haitiano e conto o cotidiano em maneira de crônicas. Tento estabelecer uma conexão com pessoas que não conheço. Não sinto nenhuma barreira entre o público norte americano e eu. O riso é isso, conseguir fazer esse tipo de ligação, essa conexão”, afirma. Porém é preciso ter coragem para ir ao palco e se apresentar para uma plateia até então desconhecida.

"In my presentations I try to 'read' the United States from an Haitian perspective, as a chronicle of everyday life. I try to connect with people I do not know. I do not feel any barrier between the American public and me. The laugh is all about being able to make that connection”, he says. But it takes courage to get on the stage and play to an unknown audience.

ife is complicated, but working with humor makes it more enjoyable. Haitian Tanael Joachim made that choice four years ago and does not regret it. Stand up comedy, a term that designates a humorous performance performed by a comedian, also designates his current career. Its a passion, says Tanael Joachim.


Terremoto no Haiti: No dia 12 de janeiro de 2010 o país haitiano sofreu com um terremoto catastrófico que causou grandes danos e destruiu o Haiti. Após esse episódio, Tanael Joachim teve outra posição diante do mundo. Ao mesmo tempo que essa tragédia o destruiu e abriu seus olhos para a precariedade da vida, permitiu ver a diferença entre o que considerava ser importante e que realmente é importante para ele hoje. Esse foi o seu momento de transição ao perceber que mesmo sem um diploma universitário poderia seguir o seu sonho e fazer algo que lhe realizasse profissionalmente. No entanto, Tanael Joachim iniciou, nos Estados Unidos, um curso de graduação em administração, mas não concluiu, pois foi em busca da sua felicidade. Comenta que esse tipo de comédia não existe no Haiti. O desafio dessa carreira só aumentava o seu interesse pela profissão. No início é como se estivesse em fase de treinamento e a remuneração é menor. Hoje em dia se apresenta em diversas casas noturnas, além de participar de festivais. Espera poder exercer esse ofício por mais alguns longos anos. É possível conhecer mais um pouco da carreira desse comediante haitiano e ficar por dentro da sua agenda de apresentações pela cidade de Nova Iorque no seu site.

Fotos: Arquivo Pessoal

http://www.tanaeljoachim.com

Earthquake in Haiti: On January 12, 2010, Haiti suffered a catastrophic earthquake that caused great damage and destroyed the country. After this episode, Tanael Joachim assumed another position before the world. At the same time, the tragedy destroyed him and opened his eyes to the precariousness of life. He could realize the difference between what he considered important before and what really matters to him today. In this transition moment, he realized that even without a college degree he could follow his dream. However, Tanael Joachim started studying management, but he did not conclude: he ran in search of his happiness. His comedy style does not exist in Haiti. The challenge only increased his interest. In the beginning, he says, it's like you're in the training phase and the pay is lower. Nowadays he performs at nightclubs, as well as attending festivals. He hopes to be able to practice this profession for a few more years. It is possible to know more about his career and his schedule of presentations on his website: http://www.tanaeljoachim.com


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